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Manual de Apoio

PROCESSO CIVIL - III


  Procedimentos
Ação ExecutivaCautelares
I
DGAJ
Centro de Formação - 2017

Direção-Geral da Administração da Justiça

Direção-Geral da Administração da Justiça


Índice
NOTA PRÉVIA ................................................................................................................................. 4
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 5
1.1 Características dos procedimentos cautelares ............................................................. 8
• Carácter urgente ....................................................................................................................... 8
 Possibilidade de Inversão do contencioso ........................................................................ 9
 Natureza provisória .............................................................................................................. 9
 Natureza preventiva ............................................................................................................ 9
 Sigilo processual ................................................................................................................... 9
1.2 Procedimentos cautelares comuns e procedimentos cautelares especificados ... 10
1.3 Patrocínio judiciário ....................................................................................................... 12
2. O PROCEDIMENTO CAUTELAR COMUM ............................................................................. 12
2.1 Início do procedimento ................................................................................................... 12
2.2 Tramitação........................................................................................................................ 13
2.2.1 Citação do requerido antes de decretada a providência .................................. 13
2.2.2 Notificação do requerido após o decretamento da providência (quando o
contraditório não preceda o decretamento da providência) ..................................... 19
2.3 O incidente de prestação espontânea de caução ...................................................... 26
3. OS PROCEDIMENTOS CAUTELARES ESPECIFICADOS ....................................................... 27
3.1 Restituição provisória de posse – art.º 377º do CPC................................................. 27
3.1.1 Âmbito........................................................................................................................ 27
3.1.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 27
3.1.3 Tramitação ................................................................................................................ 27
3.2 Suspensão de deliberações sociais – art.º 380º do CPC ............................................ 30
3.2.1 Âmbito........................................................................................................................ 30
3.2.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 30
3.2.3 Tramitação ................................................................................................................ 30
3.3 Alimentos Provisórios – art.º 384º do CPC.................................................................. 35
3.3.1 Âmbito........................................................................................................................ 35
3.3.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 36
3.3.3 Tramitação ................................................................................................................ 36
3.4 Arbitramento de reparação provisória – art.º 388.ºdo CPC .................................... 39
3.4.1 Âmbito........................................................................................................................ 39
3.4.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 39

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Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3.4.3 Tramitação ................................................................................................................ 39
3.5 Arresto – art.º 391º do CPC ........................................................................................... 43
3.5.1 Âmbito........................................................................................................................ 43
3.5.2 Competência para executar a diligência de arresto .......................................... 44
3.5.3 Valor do procedimento ........................................................................................... 45
3.5.4 Tramitação ................................................................................................................ 45
3.6 Embargo de obra nova – art.º 397º do CPC. ............................................................... 51
3.6.1 Âmbito........................................................................................................................ 51
3.6.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 52
3.6.3 Tramitação ................................................................................................................ 52
3.7 Arrolamento – art.º 403.º do CPC ................................................................................ 56
3.7.1 Âmbito........................................................................................................................ 56
3.7.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 56
3.7.3 Tramitação ................................................................................................................ 56
3.8 Apreensão de veículo automóvel.................................................................................. 60
3.8.1 Âmbito........................................................................................................................ 60
3.8.2 Valor do procedimento ........................................................................................... 61
3.8.3 Patrocínio judiciário ................................................................................................ 62
3.8.4 Tramitação ................................................................................................................ 62
3.9 Entrega judicial (após pedido de cancelamento do registo de bens objeto de
locação financeira na conservatória) ................................................................................. 65
3.9.1 Valor do procedimento ........................................................................................... 66
3.9.2 Tramitação ................................................................................................................ 67
4. CADUCIDADE ........................................................................................................................ 71
5. RECURSOS ............................................................................................................................ 72
6. CUSTAS ................................................................................................................................. 73

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Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
NOTA PRÉVIA

Este trabalho pretende dar uma perspetiva essencialmente prática e um


contributo para uma mais fácil compreensão da tramitação dos procedimentos
cautelares.

Não tem a pretensão de substituir a indispensável consulta do Código de


Processo Civil ou o mérito da interpretação da lei diariamente efetuada pelos
Senhores Juízes.

Visa, isso sim, constituir um instrumento de apoio ao trabalho para a cada vez
mais exigente função do Oficial de Justiça.

Se como tal for encarado por todos e se, consequentemente, o presente texto
contribuir para um mais fácil exercício dessa função, estará alcançado mais um
dos objetivos da Divisão de Formação de Oficiais de Justiça.

___________
Obs. – As disposições referidas neste texto sem menção da fonte legal, foram recolhidas no
Código de Processo Civil.

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Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
PROCEDIMENTOS CAUTELARES

1. INTRODUÇÃO

À luz do direito fundamental consagrado no art.º 20.º da Constituição da


República Portuguesa, o art.º 2.º do Código de Processo Civil garante o direito de ação
judicial através do qual é dado início ao processo como plataforma do exercício da
função jurisdicional.

Os procedimentos cautelares que se encontram regulados nos art.ºs 362.º a


409.º fundam-se numa justificação de ordem temporal: a possível demora no
proferimento de uma decisão final na ação põe em perigo a reparação do direito
violado, por entretanto se poder alterar a situação de facto que permitiria a
reparação.

É por isso que a lei, com o fim de evitar esse periculum in mora, permite que,
através de uma summaria cognitio, o tribunal possa decretar uma tutela provisória, o
n.º 2 do art.º 2.º prevê a existência de “procedimentos necessários para acautelar o
efeito útil da ação”. O preceito refere-se aos procedimentos cautelares, que afinal
consubstanciam os meios instrumentais destinados a obter concretamente a tutela
jurisdicional para o direito ameaçado (n.º 1 do art.º 362.º).1

Para António Santos Abrantes Geraldes, “a principal função da tutela


cautelar consiste, pois, em neutralizar os prejuízos a suportar pelo interessado que
tem razão, derivados da duração do processo declarativo ou executivo e que não
sejam absorvidos por outros institutos de direito substantivo ou processual com
semelhante finalidade”.2

Compreende-se, pois, que a lei rotule os procedimentos cautelares como meios


processuais urgentes (art.º 363.º). É esta característica que se encontra consagrada no
regime dos procedimentos cautelares ao denominá-los como procedimentos de
cognição sumária e restrita.

1
“O processo cautelar não visa a correção de situações, mas tão-somente prevenir lesão que venha a ser grave e
dificilmente reparável” – Ac. TRPorto n.º JTRP00037273, de 21/10/2004, in www.dgsi.pt.
2
Temas da Reforma de Processo Civil – III volume, pág. 41.

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Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Uma das grandes inovações do NCPC foi a possibilidade da inversão do
contencioso nas providências cautelares, figura através da qual o juiz pode, na
decisão sobre a providência requerida, dispensar o requerente da propositura da ação
principal mediante o preenchimento de determinados requisitos.

A nova figura da inversão do contencioso – isto é, da possibilidade de a tutela


cautelar se transformar em tutela definitiva (cfr. n.º 1 do art.º 369.º) - introduzida
com entrada em vigor da Lei 41/2013, de 26 de junho de 2013 – NCPC - e aplicável aos
procedimentos cautelares instaurados a partir de 1 de setembro de 2013 (n.º 2 do
art.º 7.º das disposições transitórias da mesma Lei) – significa uma rutura com uma
longa tradição histórica, pondo termo ao princípio consagrado no n.º 1 do art.º 383.º
do CPC de 1961, segundo o qual o procedimento cautelar é sempre dependência de
causa que tenha por fundamento o direito acautelado. Com a entrada em vigor do
NCPC altera-se esta lógica, deixando de existir interdependência nos casos em que
seja admissível a inversão do contencioso (cfr. o atual n.º 1 do art.º 364.º).

O regime da inversão do contencioso, assenta no que dispõe o n.º 1 do art.º


369.º - “mediante requerimento, o juiz, na decisão que decrete a providência, pode
dispensar o requerente do ónus de propositura da ação principal se a matéria
adquirida no procedimento lhe permitir formar convicção segura acerca da existência
do direito acautelado e se a natureza da providência decretada for adequada a
realizar a composição definitiva do litígio”. Este regime apresenta as seguintes
características:

1 – Pressupõe o requerimento da parte interessada; o n.º 2 do art.º 369.º


define o momento em que esse requerimento pode ser feito e em que o requerido a
ele se pode opor: “a dispensa (…) pode ser requerida até ao encerramento da
audiência final; tratando-se de procedimento sem contraditório prévio, pode o
requerido opor-se à inversão do contencioso conjuntamente com a impugnação da
providência decretada”;

2 – Define as condições em que a inversão do contencioso pode ser decretada


pelo tribunal, concretamente:
a) - Tem de formar a convicção segura sobre o direito acautelado; e
b) - A natureza da providência decretada tem de ser adequada a realizar a
composição definitiva do litígio.

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Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Isto significa que a decisão sobre a inversão do contencioso não é uma decisão
tomada no uso de um poder discricionário: o tribunal não inverte o contencioso
segundo um critério de oportunidade e de conveniência, mas de acordo com os
referidos critérios legais.

É da conjugação destas duas condições - e não da consideração isolada de cada


uma delas - que decorrem as circunstâncias em que o tribunal pode decretar a
inversão do contencioso:

O juiz tem de formar a convicção segura da existência do direito acautelado


e a providência decretada tem de ser, pela sua própria natureza, adequada a
realizar a composição definitiva do litígio.

Se o pedido de inversão do contencioso for indeferido, a decisão não é


recorrível. Já se este for consentido, a decisão só é impugnável com a da decisão da
providência cautelar. Importa notar que o pedido de inversão do contencioso
interrompe o prazo de caducidade a que estiver sujeito o direito acautelado,
reiniciando-se a sua contagem com o trânsito em julgado da decisão que negue o
pedido de inversão do contencioso.
Decidida a providência cautelar com inversão do contencioso, pode o requerido
impugnar – sem prejuízo das regras sobre a distribuição do ónus da prova – a
existência do direito acautelado através de ação a instaurar nos 30 dias subsequentes
à notificação do trânsito em julgado daquela decisão, sendo que, caso não o faça, a
providência consolida-se como composição definitiva do litígio, podendo ser
executada. Caso a ação revogatória da inversão do contencioso proceda e a respetiva
decisão transite em julgado, a providência cautelar caduca.

Caso não seja decretada a inversão do contencioso ou esta não seja admissível,
os procedimentos cautelares são sempre instaurados previamente à ação ou na
pendência dela. Diz-se preliminar quando instaurado antes da ação principal e
incidental quando instaurado já na pendência desta. Há, agora, que ter em conta se
foi requerida a inversão do contencioso, dependendo da decisão, a necessidade de
interposição da ação, pelo requerente ou pelo requerido - cfr. n.º 1 do art.º 364.º.

Se o procedimento cautelar tiver cariz preliminar, logo que instaurada a ação,


é o procedimento apensado a esta. Se a ação principal correr em tribunal diferente,

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Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
para aí é remetido o apenso, ficando o Juiz da ação com competência exclusiva para
os termos subsequentes à remessa – cfr. n.º 2 do art.º 364.º.

1.1 Características dos procedimentos cautelares

Os procedimentos cautelares têm as seguintes características:

• Carácter urgente

De acordo com o disposto no art.º 363.º, os procedimentos cautelares têm


carácter urgente devendo, por essa razão, os seus atos precederem qualquer outro
serviço não urgente.

As marcas de urgência do processo atingem igualmente a oposição e o recurso.3

Desta forma, quaisquer atos praticados em procedimentos cautelares podem (e


devem) sê-lo mesmo em férias judiciais (n.ºs 1 e 2 do art.º 137.º), não se suspendendo
nestes períodos os prazos processuais - cfr. n.º 1 do art.º 138.º.

A urgência das medidas traduz-se ainda na obtenção duma decisão em primeira


instância no prazo máximo de 15 dias, nos casos em que não haja lugar ao
contraditório prévio, ou no prazo de dois meses quando o requerido seja ouvido
previamente à decisão – cfr. n.º 2 do art.º 363.º.

A celeridade e a urgência do procedimento cautelar exigem uma tramitação


simplificada e nesse sentido a estrutura do processo limita-se a dois articulados

3
“Tanta proteção merece a posição do requerente que, com invocação e prova sumária dos requisitos legais, obtém
uma providência com efeitos imediatos, como o requerido que, discordando dos fundamentos de facto e de direito
em que se baseou a anterior decisão, procura afastar os prejuízos que a execução imediata causa na sua esfera de
interesses” – António Santos Abrantes Geraldes, Temas da Reforma do Processo Civil, III volume, 5-Procedimento
Cautelar Comum, edição 1998, pág. 117.

“Os procedimentos cautelares revestem sempre carácter urgente mesmo na fase de recurso.” Ac. STJ, de 31/3/2009,
n.º 07B4716
http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/18aea6e971f8ae0a802577d0005e8092?OpenDocu
ment.

“O carácter urgente dos procedimentos cautelares acompanha todo o processo, incluindo a fase de recurso. Corre em
férias judiciais o prazo para a apresentação das alegações de recurso interposto da decisão que decrete ou indefira
a providência.” Ac. TRCoimbra, de 23/1/2007,Proc.N.º2352/06.0TJCBR.C1
http://www.dgsi.pt/jtrc.nsf/c3fb530030ea1c61802568d9005cd5bb/545d6a49df3f9d9f8025727900538310?OpenDocu
ment.

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Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
apenas (petição e oposição ou contestação) e não admite a citação edital do
requerido – cfr. n.º 4 do art.º 366.º.

Ainda no mesmo sentido, os elementos de prova são oferecidos com os próprios


articulados.

 Possibilidade de Inversão do contencioso

O novo regime da inversão do contencioso, isto é, a possibilidade de a tutela


cautelar se transformar em tutela definitiva – O juiz, na decisão que decreta a
providência cautelar, pode dispensar o requerente do ónus da propositura da ação
principal. (Não se aplica ao Arresto, ao Arrolamento e ao Arbitramento de
Reparação Provisória – n.º 4 do art.º 376.º).

 Natureza provisória

Exceto se for decretada a inversão do contencioso, outra característica que


reveste o procedimento cautelar é a sua natureza provisória, ou seja, termina com
uma decisão de carácter provisório que prevalece até à decisão definitiva da ação
principal, garantindo assim o efeito útil dessa mesma ação no pressuposto de que ela
foi proposta ou venha a sê-lo, pois caso tal não aconteça a providência caduca – cfr.
art.º 373.º.

 Natureza preventiva

Como já foi referido, uma das finalidades dos procedimentos cautelares é,


precisamente, evitar a lesão de um direito ou interesse protegido,
independentemente de os receios que lhe subjazem precederem a própria ação ou
surgirem durante a pendência desta.

 Sigilo processual

O art.º 163.º consagra o princípio da publicidade do processo civil, que, em termos


genéricos, se traduz no direito de acesso ao processo para efeito de exame, consulta,

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Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
obtenção de cópias ou certidões das peças que o integrem, e ainda no direito à
obtenção de informações prestadas pela secretaria sobre o processo.

No entanto, o art.º 164.º do estabelece algumas restrições a este princípio,


nomeadamente quando o seu conhecimento possa comprometer a eficácia da decisão
a proferir no processo, como é o caso dos procedimentos cautelares, aos quais só o
requerente e o seu mandatário têm acesso irrestrito.

O requerido e o seu mandatário só têm acesso ao procedimento cautelar após a


citação ou notificação para o contraditório.

1.2 Procedimentos cautelares comuns e procedimentos cautelares


especificados

A lei processual civil prevê diversos procedimentos cautelares especificados.


Mas, perante a impossibilidade de cobrir todas as situações que possam estar na sua
origem, a lei prevê ainda o procedimento cautelar comum, com a particularidade de
que este instrumento só pode ser usado quando para a providência requerida inexista
o adequado procedimento cautelar especificado – cfr. n.º 3 do art.º 362.º.
Os art.ºs 362.º a 375.º ditam as regras gerais aplicáveis ao procedimento
cautelar comum.

Para além daquele, a lei prevê alguns procedimentos cautelares


especificados, cuja tramitação é regulada pelas disposições próprias constantes dos
art.ºs 377.º e seguintes, aplicando-se-lhes subsidiariamente as disposições relativas
ao procedimento cautelar comum nos termos previstos do n.º 1 do art.º 376.º – bem
como por legislação avulsa.

Assim, como se referiu, os procedimentos cautelares comuns aplicam-se em


todas as situações em que os interesses que as pessoas pretendem acautelar não estão
previstos nos procedimentos cautelares especificados na lei.

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Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Restituição provisória de posse
– art.º 377.º
Suspensão de deliberações sociais
– art.º 380.º
Procedimentos Alimentos Provisórios – art.º 384.º
Cautelares
Arbitramento de reparação provisória
Especificados – art.º 388.º
Embargo de obra nova – art.º 397.º

Arresto – art.º 391.º


Arrolamento – art.º 403.º

Apreensão de veículo automóvel – art.ºs


15.º e seguintes do Dec. Lei n.º 54/75, de 24
de fevereiro;

Procedimentos Entrega judicial e cancelamento do registo


de bens objeto de locação financeira – art.º
Cautelares
21.º do Dec. Lei 149/95, de 24 de junho
Inominados (alterado pelo Dec. Lei n.º 265/97 de 2 de
outubro).

Arresto e outras providências sobre navios


e outras embarcações – art.ºs 12.º a 15.º da
Lei n.º 35/86, de 4 de setembro.

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Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
1.3 Patrocínio judiciário

Os procedimentos cautelares não estão sujeitos a qualquer regime especial,


pelo que a obrigatoriedade do patrocínio judiciário obedece ao regime regra do art.º
40.º (em razão do valor processual – cfr. também n.º 3 do art.º 304.º),4 significando
isto que as partes não estão obrigadas à constituição de mandatário judicial nos
procedimentos de valor não superior à alçada do tribunal de 1.ª instância.

2. O PROCEDIMENTO CAUTELAR COMUM

2.1 Início do procedimento

O procedimento cautelar comum inicia-se com a petição inicial, à qual são


aplicáveis as disposições dos art.ºs 144.º, 145.º, 552.º e 558.º todos do CPC e da
Portaria n.º 280/2013, de 26 de agosto.

Quando requerido antes de proposta a ação principal e, verificados todos os


requisitos exigidos por Lei, o procedimento cautelar é distribuído eletronicamente
na espécie 10.ª - art.ºs 207.º e 212.º, conjugados com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria
280/2013, de 26 de agosto, e art.ºs 206.º a 211.º do CPC. (Previa-se no anterior CPC
que o requerimento não era distribuído mas sim imediatamente averbado como
procedimento cautelar comum a uma secção de processos).

Quando requerido no decurso da ação principal, o requerimento é autuado por


apenso à ação da qual depende (vem mencionada no próprio requerimento), ainda
que ela tenha subido em recurso, sendo que, nesta hipótese, a apensação física só se
efetua logo que a ação baixe à primeira instância.

Como já foi referido, o procedimento pode ser instaurado antes ou após ser
proposta a ação relativamente à qual se estabelece uma relação de dependência
sistemática e, quando a preceda, deve ser imediatamente apensado à ação logo que
esta seja proposta, mesmo que se encontrem em tribunais diferentes – cfr. n.º 2 do
art.º 78.º, e n.ºs 1 e 2 do art.º 364.º.

4
Em matéria cível, a alçada dos Tribunais da Relação é de € 30.000,00 e a dos Tribunais de 1.ª instância é de €
5.000,00 – cfr. n.º 1 do art.º 44.º da Lei n.º 62/2013, de 26 de agosto (LOSJ).

12
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Sendo requerido na pendência da ação principal, o procedimento cautelar é
logo autuado por apenso àquela – cfr. n.º 3 do art.º 364.º.

A decisão proferida no procedimento cautelar não tem qualquer influência


na decisão da causa principal – n.º 4 do art.º 364.º.

Aos procedimentos cautelares aplicam-se subsidiariamente as normas


referentes aos incidentes da instância – cfr. n.º 3 do art.º 365.º e 292.º a 295.º.

2.2 Tramitação

2.2.1 Citação do requerido antes de decretada a providência


Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria 280/2013,
a secretaria imediatamente após a autuação, não havendo motivo de recusa – art.ºs
552.º e 558.º – conclui o procedimento cautelar ao juiz para que este profira despacho
liminar.

Muitas vezes, a urgência da providência requerida não se compadece com os hiatos


legalmente previstos para a comprovação do pagamento da taxa de justiça inicial ou,
em alternativa, da concessão de apoio judiciário. Considerando a especial natureza
urgente do procedimento cautelar, afigura-se-nos que o processo deve ser
imediatamente concluso ao juiz após a apresentação da petição em juízo
(naturalmente depois de distribuído e autuado), para ser proferido o despacho liminar
ou ser determinado o que houver por conveniente, mesmo nos casos em que o
interessado não comprove, aquando da apresentação da petição, o prévio pagamento
da taxa de justiça ou a concessão do apoio judiciário, documentos estes que podem
ser posteriormente juntos aos autos (art.º 9.º da Portaria 280/2013, de 26 de agosto,
art.ºs 144.º, n.º 3, 145.º e 552.º, n.ºs 4 e 5 e 560.º, todos do CPC, e art.º 22.º da Lei
34/2004, de 29 de julho), contanto que se informe o juiz da falta do documento em
causa na própria conclusão.

O despacho liminar poderá ser de:

 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal


da Relação – cfr. art.ºs 186.º, 569.º, 590.º do n.º 1 e 629.º n.º 3, al. c);
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º, 411.º e 560.º;

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Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
 Dispensa de audição do requerido – cfr. n.º 1 do art.º 366.º;
 Despacho de citação versus notificação – quando o juiz entenda observar o
contraditório, ouvindo o requerido – cfr. n.º 1 do art.º 366.º.

Na última hipótese o requerido é citado para, no prazo de 10 dias (n.º 2 do


art.º 366.º, conjugado com o n.º 2 do art.º 293.º), acrescido da dilação a que houver
lugar nos termos do art.º 245.º, mas nunca superior a 10 dias5 (n.º 3 do art.º 366.º),
deduzir, querendo, oposição à providência, devendo, com a oposição, oferecer logo
os meios de prova - cfr. art.º 367.º.

No caso de o requerido já ter sido citado para os termos da ação principal, a


citação referida no parágrafo anterior dá lugar a uma notificação não pessoal, nos
termos dos art.ºs 247.º a 249.º, consoante tenha ou não mandatário judicial
constituído - cfr. n.º 2 do art.º 366.º.

No ato de citação ou notificação, o requerido deve ser advertido de que a falta


de oposição importa a confissão dos factos articulados pelo requerente.

A citação do requerido é pessoal (art.º 225.º, n.ºs 1 a 5) e em regra efetua-se


através de carta registada com aviso de receção (Pessoas Singulares - art.ºs 228.º;
Pessoas Coletivas – art.º 246.º 6 ) e frustrando-se a via postal, a citação é efetuada
mediante contato pessoal do agente de execução com o citando, salvo se o
requerente solicitar a citação por oficial de justiça – cfr. art.ºs 228.º e 231.º, n.ºs 1, 8
e 9.

Frustrando-se a citação pessoal, o processo deve ir concluso ao juiz, uma vez


que, de acordo com o estipulado no n.º 4 do art.º 366.º nos procedimentos
cautelares não há lugar à citação edital, havendo, assim, lugar a despacho que
dispense a citação do requerido, se assim for entendido pelo juiz.

2.2.1.1 Oposição (na sequência da citação inicial do requerido)

O prazo para deduzir oposição é, como já vimos, de 10 dias, acrescido da


dilação, se a ela houver lugar nos termos do art.º 245.º do CPC - mas nunca superior a
10 dias conforme também já referido.

5
O limite máximo estabelecido para os prazos dilatórios não afeta os que tenham duração inferior. Se, contudo a
dilação aplicável for superior (ex. n.ºs 2 e 3 do art.º 245.ºCPC) é reduzida para os dez dias fixados pelo n.º 3 do art.º
366.º.
6
Portaria n.º 953/2003, de 9 de setembro, que aprovou o modelo do sobrescrito e aviso de receção);

14
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
A oposição nos procedimentos cautelares obedece às mesmas regras da
contestação do processo comum declarativo, ou seja, deve ser acompanhada do
documento comprovativo do pré-pagamento da taxa de justiça inicial ou, em
alternativa, do documento comprovativo da concessão do benefício do apoio
judiciário, ou ainda, se estiver a aguardar decisão sobre a concessão do benefício de
apoio judiciário, comprovar apenas a apresentação do respetivo requerimento – cfr.
Portaria 280/2013, de 26 de agosto, art.ºs 145.º, n.º 1 e 570.º, ambos do CPC, 7.º,
13.º, 14.º e Tabela II do RCP e 22.º, n.º 6 da Lei n.º 34/2004, de 29 de Julho.

Perante a não comprovação do pagamento da taxa de justiça inicial, a secretaria, após


o termo do prazo ou logo que se aperceba da sua falta, notifica oficiosamente o requerido
para efetuar o seu pagamento, acrescido duma multa de igual montante mas nunca inferior a
1 UC (€ 102,00), nem superior a 5 UC (€ 510,00) – n.ºs 3 e 4 do art.º 570.º.

Se, findos os articulados, o requerido persistir na falta do pagamento, será


notificado, novamente, para no prazo de 10 dias efetuar o pagamento da taxa de
justiça e da multa omitida, acrescida de outra multa de montante igual ao da taxa de
justiça mas não inferior a 5 UC nem superior a 15 UC.

Nesta última hipótese, a secretaria avisará o requerido de que o não pagamento das
sobreditas quantias implica o desentranhamento da oposição que tiver sido apresentada e que
não sendo efetuado o pagamento omitido, não é devida qualquer multa (n.ºs 5 a 7 do art.º
570.º).

A oposição é oficiosamente notificada ao requerente, não havendo lugar a mais


articulados – cfr. art.ºs 220.º, 293.º, 365, n.º 3 e 367.º, n.º 1.

2.2.1.2 Audiência final

De acordo com o n.º 1 do art.º 367.º, findo o prazo de oposição, quando o


requerido haja sido ouvido (citado), o processo é concluso ao juiz para decisão final,
eventualmente precedida da realização de diligências probatórias em sede de
audiência de julgamento, por sua própria iniciativa ou a requerimento das partes. A
falta de alguma pessoa convocada, cujo depoimento não seja prescindido, bem como
a necessidade da realização de diligências probatórias no decurso da audiência,
apenas determinam a suspensão desta, designando-se logo data para a sua
continuação – n.º 2 do art.º 367.º.

15
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Sendo designada data para realização da audiência, a secretaria, após observar
o que vem disposto no art.º 151.º do CPC (“marcação e inicio pontual das
diligências”), notifica o despacho aos mandatários judiciais (art.ºs 21.º e 25.º da
Portaria 280/2013, de 26 de agosto e art.ºs 247.º e 248.º, ambos do CPC). As
testemunhas são apresentadas pelas partes, à exceção daquelas que as partes tenham
requerido a sua notificação para comparência 7 . Se nada for requerido, e as
testemunhas residirem fora do município, são ouvidas por meio tecnológico a partir do
tribunal ou juízo da área da sua residência8 - cfr. art.º s 251.º, 502.º e 507.º.

É oportuno referir que a notificação das testemunhas pode ser feita por
qualquer um dos meios de comunicação referidos no n.º 5 do art.º 172.º do CPC 9,
carecendo de imediata confirmação escrita as que se realizem por via não escrita.

Independentemente do requerido ter sido ou não ouvido (citado ou notificado)


previamente ao decretamento da providência, os depoimentos prestados em
audiência são sempre registados em gravação (som ou imagem e som) – cfr. n.º 1 do
art.º 155.º do CPC.

A decisão é oficiosamente notificada às partes (art.ºs 21.º e 25.º da Portaria


280/2013, de 26 de agosto e art.ºs 247.º a 249.º do CPC), devendo a notificação ser
acompanhada de cópia legível da decisão proferida – cfr. art.ºs 219.º, n.º 2 e 253.º,
sendo o requerido informado que incorre na pena do crime de desobediência
qualificada, p. p. no n.º 2 do art.º 348.º do Código Penal, no caso de infringir a
providência cautelar decretada.

Se a decisão for passível de recurso – ver art.º 629.º, pode este, ser interposto
no prazo 15 dias – cfr. n.º 1 do art.º 638.º.

Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao


referido prazo de interposição, acrescem 10 dias – cfr. n.º 7 do art.º 638.º.

Não sendo a decisão objeto de recurso, notificam-se as partes do trânsito em


julgado, sendo ainda o requerente advertido que é de 30 dias o prazo para a interpor

7
Independentemente do requerido ter sido ou não ouvido (citado ou notificado) previamente ao decretamento da
providência, os depoimentos prestados em audiência são sempre registados em gravação (som ou imagem e som) – n.º
1 do art.º 155.º do CPC.
8
Não tem lugar a inquirição por meio tecnológico nos processos pendentes em tribunais ou juízos sediados nas áreas
metropolitanas de Lisboa e Porto quando a testemunha a inquirir resida na respetiva circunscrição – n.º 5 do art.º 502.º
9
Portaria 953/2003, de 9 de setembro – aprova os modelos oficiais de carta registada (…) bem como os modelos a
adotar nas notificações via postal;
Dec. Lei 28/92, de 27 de fevereiro – disciplina o regime do uso da telecópia na transmissão de documentos (…)

16
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
a ação respetiva, sob pena de não o fazendo a providência caducar – art.º 373.º, n.º 1,
al a).
Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e
30.º do Regulamento das Custas Processuais).

PROCEDIMENTO CAUTELAR COMUM


[CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL

Citação pessoal
Conclusão do requerido (ou
notificação)

NÃO
O
Aperfeiçoamento Findo o prazo da
Indeferimento
oposição

SIM
Audiência
Notificação do
Notificação do e/ou decisão
requerente
requerente

Aperfeiçoa ou findo Há recurso? Notificações


o prazo (requerente) requerente e
requerido

NÃO
NÃO
do
SIM Providência
decretada
Conta
SIM

NÃO Realização da
Fim providência

Há recurso?
Conclusão
SIM

Admite recurso

NÃO

Há Reclamação - Reclamação
NÂO 643.º SIM

17
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
2.2.1.3 Com pedido de inversão do contencioso

 Tramitação

A distribuição, autuação e processamento da providência cautelar com pedido


de inversão do contencioso, iniciada com a citação prévia do requerido, segue os
trâmites já referidos em 2.2, com as seguintes adaptações:

A inversão do contencioso – pode ser requerida, pelo requerente da


providência cautelar, até ao encerramento da audiência final – na decisão que decrete
a providência, o Juiz decide também o pedido de inversão do contencioso, podendo
dispensar o requerente do ónus de prepositura da ação principal - cfr. n.º 1 do art.º
369.º.

A decisão sobre a providência requerida e sobre o pedido de inversão do


contencioso é notificada às partes – cfr. art.ºs 21.º e 25.º da Portaria 280/2013, de 26
de agosto e art.ºs 219.º, n.º 2, 247.º a 249.º e 253.º, todos do CPC.

A decisão que decrete a inversão do contencioso só é recorrível em


conjunto com o recurso da decisão sobre a providência requerida – cfr. n.º 1 do
art.º 370.º e 2.ª parte do art.º 638.º.

Logo que transite em julgado a decisão que haja decretado a providência


cautelar e invertido o contencioso, as partes são notificadas da data do trânsito,
sendo o requerido notificado com a advertência de que, querendo, deve intentar a
ação destinada a impugnar a existência do direito acautelado, nos 30 dias
subsequentes à notificação.

Se o requerido não interpuser a ação no prazo mencionado, a providência


decretada consolida-se como composição definitiva do litígio – cfr. art.º 371.º.

No caso de indeferimento da inversão do contencioso, a decisão é irrecorrível –


cfr. 2.ª parte do art.º 370.º.

Assim, com a notificação do trânsito da decisão que haja ordenado a


providência e indeferido o pedido de inversão do contencioso, deve o requerente ser
advertido que é de 30 dias o prazo concedido para a propositura da ação.

Se o requerente não propuser a ação no mencionado prazo, o procedimento


cautelar extingue-se – cfr. art.º 373.º, n.º 1, al. a).

A final, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e
30.º, do Regulamento das Custas Processuais).

18
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
2.2.2 Notificação do requerido após o decretamento da providência
(quando o contraditório não preceda o decretamento da providência)

Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria 280/2013,
a secretaria, imediatamente após a autuação, não havendo motivo de recusa – art.ºs
552.º e 558.º, ambos do CPC – conclui o procedimento cautelar ao juiz para que este
profira despacho liminar.

O despacho liminar poderá ser de:

 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal


da Relação –cfr. art.ºs 186.º, 569.º, 590.º do n.º 1 e 629.º n.º 3, al. c);
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º e 411.º e 560.º;
 Dispensa de audição do requerido – cfr. n.º 1 do art.º 366.º.
Na última hipótese, entendendo o juiz que a audição prévia do requerido põe
em risco sério o fim ou a eficácia da diligência requerida, só após a realização da
providência decretada é que tem lugar a notificação do requerido segundo as regras
da citação pessoal - cfr. n.º 6 do art.º 366.º.

19
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
A notificação do requerido é pessoal (art.º 225.º, n.ºs 1 a 5 do CPC) e em
regra efetua-se através de carta registada com aviso de receção (art.ºs 228.º - Pessoas
Singulares ou art.º 246.º - Pessoas Coletivas, ambos do CPC e frustrando-se a via
postal, a notificação é efetuada mediante contacto pessoal do agente de execução
com o citando, salvo se o requerente solicitar a citação por oficial de justiça – cfr.
art.ºs 228.º e 231.º, n.ºs 1, 8 e 9 do CPC.

Frustrando-se a notificação pessoal, por o requerido estar ausente em parte


incerta, a secretaria diligência, junto de quaisquer entidades, obter informação sobre
a última residência do citando, designadamente, mediante despacho prévio, nas bases
de dados e, se o juiz entender indispensável, junto das autoridades policiais – cfr.
art.ºs 236.º do CPC.

A notificação edital segue os procedimentos referidos nos art.ºs 240.º a 242.º e


art.º 24.º da Portaria 280/2013 de 26 de agosto de 2013 10 , tendo-se em conta a
dilação a que se refere o n.º 3 do art.º 245.º.

Independentemente da modalidade da citação/notificação, a dilação, se a ela


houver lugar, não pode ser superior a 10 dias – cfr. n.º 3 do art.º 366.º.

O requerido é notificado para, querendo:

-No prazo de 10 dias (n.º 2 do art.º 293.º), acrescido da dilação, se a ela


houver lugar, deduzir oposição à providência, devendo com a oposição oferecer logo
os meios de prova - cfr. n.º 2 do art.º 366.º e art.º 367.º;
Ou, em alternativa:
- No prazo de 15 dias, interpor recurso do despacho que houver decretado a
providência - cfr. art.º 372.º.

2.2.2.1 Oposição (na sequência do decretamento da providência)

Como referido supra, a oposição deve ser apresentada no prazo de 10 dias a


partir da notificação do requerido, podendo este, em alternativa, no prazo de 15
dias, interpor recurso da decisão que deferiu a providência – cfr. art.ºs 372.º n.º 1,
293.º n.º 2 e 644.º n.º 3.

10
O anúncio relativo à citação edital previsto no artigo 240.º do Código de Processo Civil é publicado no sítio da
Internet de acesso público com o endereço eletrónico http://www.citius.mi.pt.

20
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
A oposição nos procedimentos cautelares obedece às mesmas regras da
contestação do processo comum declarativo, ou seja, deve ser acompanhada do
documento comprovativo do pré-pagamento da taxa de justiça inicial ou, em
alternativa, do documento comprovativo da concessão do benefício do apoio
judiciário, ou, se estiver a aguardar decisão sobre a concessão do benefício de apoio
judiciário, comprovar apenas a apresentação do respetivo requerimento – cfr. Portaria
280/2013, de 26 de agosto, art.ºs 145.º, n.º 1 e 570.º, ambos do CPC, 7.º, 13.º, 14.º e
Tabela II do RCP e 22.º, n.º 6 da Lei n.º 34/2004, de 29 de Julho.

Perante a não comprovação do pagamento da taxa de justiça inicial, a secretaria, após


o termo do prazo ou logo que se aperceba da sua falta, notifica oficiosamente o requerido para
efetuar o seu pagamento, acrescido duma multa de igual montante mas nunca inferior a 1 UC
(€ 102,00), nem superior a 5 UC (€ 510,00) – cfr. n.ºs 3 e 4 do art.º 570.º.

Se, findos os articulados, o requerido persistir na falta do pagamento, será


notificado, novamente, para no prazo de 10 dias efetuar o pagamento da taxa de
justiça e da multa omitida, acrescida de outra multa de montante igual ao da taxa de
justiça mas não inferior a 5 UC nem superior a 15 UC.

Nesta última hipótese, a secretaria avisa o requerido de que o não pagamento das
sobreditas quantias implica o desentranhamento da oposição que tiver sido apresentada e,
bem assim, que não sendo efetuado o pagamento omitido não é devida qualquer multa – cfr.
n.ºs 5 a 7 do art.º 570.º.

A oposição é oficiosamente notificada ao requerente, não havendo lugar a


mais articulados.

2.2.2.2 Audiência final

Em seguida, o processo é concluso e aqui o juiz decide o procedimento ou


designa dia para a audiência final para produção de provas – cfr. art.º 386.º.

Se designar dia para audiência de provas11, a secretaria, após observar o que


vem disposto no art.º 151.º (“marcação e inicio pontual das diligências”), notifica o
despacho aos mandatários judiciais (art.ºs 21.º e 25.º da Portaria 280/2013, de 26 de
agosto e art.ºs 247.º e 248.º). As testemunhas do requerido (as do requerente já terão
sido ouvidas), são apresentadas pela parte, à exceção daquelas que a parte tenha
requerido a sua notificação para comparência. Se nada for requerido, e as

11
Independentemente do requerido ter sido ou não ouvido (citado ou notificado) previamente ao decretamento da
providência, os depoimentos prestados em audiência são sempre registados em gravação (som ou imagem e som) – n.º
1 do art.º 155.º do CPC.

21
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
testemunhas residirem fora do município, são ouvidas por meio tecnológico a partir do
tribunal ou juízo da área da sua residência12 - cfr. art.º s 251.º, 502.º e 507.º.

É oportuno referir que a notificação das testemunhas pode ser feita por
qualquer um dos meios de comunicação referidos no n.º 5 do art.º 172.º do CPC 13,
carecendo de imediata confirmação escrita as que se realizem por via não escrita.

Produzidas as provas, o juiz profere a decisão final, decretando a providência,


reduzindo -a ou mesmo recusando-a - cfr. art.º 368.º.

A decisão é oficiosamente notificada às partes (art.ºs 21.º e 25.º da Portaria


280/2013, de 26 de agosto e art.ºs 247.º a 249.º do CPC), devendo a notificação ser
acompanhada de cópia legível da decisão proferida – cfr. art.ºs 219.º n.º 2 e 253.º,
ambos do CPC, sendo o requerido informado que incorre na pena do crime de
desobediência qualificada, p. p. no n.º 2 do art.º 348.º do Código Penal, no caso de
infringir a providência cautelar decretada.

A providência decretada pode ser substituída por caução, que, a ter lugar,
correrá por apenso - cfr. art.ºs 368.º n.º 3 e 915.º.

Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º - pode este, ser interposto no
prazo de 15 dias - cfr. n.º 1 do art.º 638.º.

Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao


referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º.
Não sendo a decisão objeto de recurso, notificam-se as partes do trânsito em julgado,
sendo ainda o requerente advertido que é de 30 dias o prazo para interpor a ação
respetiva, sob pena de não o fazendo a providência caducar – art.º 370.º, n.º 1, al a).
Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e 30.º, do
Regulamento das Custas Processuais.

12
Não tem lugar a inquirição por meio tecnológico nos processos pendentes em tribunais ou juízos sediados nas áreas
metropolitanas de Lisboa e Porto quando a testemunha a inquirir resida na respetiva circunscrição – n.º 5 do art.º 502.º
13
Portaria 953/2003, de 9 de setembro – aprova os modelos oficiais de carta registada (…) bem como os modelos a
adotar nas notificações via postal;
Dec. Lei 28/92, de 27 de fevereiro – disciplina o regime do uso da telecópia na transmissão de documentos (…)

22
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
PROCEDIMENTO CAUTELAR COMUM

[SEM CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL

Audiência e
Conclusão decisão

NÃO
O
Aperfeiçoamento Indeferimento Providência
decretada
SIM oposição
NÃO
O
Notificação do SIM
Notificação do
requerente
requerente

Notificação do
requerente e
Aperfeiçoa ou findo Há recurso? requerido
o prazo (requerente)

Há recurso
NÃO (requerido)

OU Há oposição
SIM
ou (requerido)
Conta

SIM
SIM
Conclusão
Fim

Audiência e
Conclusão decisão

SIM Recurso De
Admite recurso
apelação Notificações do
requerente e
NÃO requerido

SIM Reclamação
Há Reclamação
643.º
SIM
Há recurso

NÃO

23
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
2.2.2.3 Com pedido de Inversão do Contencioso

 Tramitação

A distribuição, autuação e processamento da providência cautelar com pedido


de inversão do contencioso, iniciada sem audição prévia do requerido, segue os
trâmites já referidos em 2.2.2, com as seguintes adaptações:

A inversão do contencioso – pode ser requerida, pelo requerente da


providência cautelar, até ao encerramento da audiência final – na decisão que decrete
a providência, o Juiz decide também o pedido de inversão do contencioso, podendo
dispensar o requerente do ónus de prepositura da ação principal - cfr. n.º 1 do art.º
369.º.

Depois de decretada a providência e deferida a inversão do contencioso, o


requerido é notificado para, querendo:

 Interpor recurso (prazo 15 dias) da decisão, nos termos gerais – cfr. art.º 372.º, n.º
1, al. a) e n.º 3 do art.º 644.º; ou
em alternativa:
 Deduzir oposição (prazo 10 dias) – cfr. art.º 372.º, n.º 1, al. b).

Com a advertência que pode, este, impugnar, por qualquer dos meios supra
referidos, a decisão que tenha invertido o contencioso.

No caso de ser deduzida oposição, na decisão final, o juiz, para além de


decidir da manutenção, redução ou revogação da providência anteriormente
decretada decide da manutenção ou revogação da inversão do contencioso.

A decisão final é notificada às partes (art.ºs 21.º e 25.º da Portaria 280/2013,


de 26 de agosto e art.ºs 247.º a 249.º do CPC), devendo a notificação ser
acompanhada de cópia legível da decisão proferida – cfr. art.ºs 219.º n.º 2 e 253.º -
sendo estas informadas sobre a possibilidade de interposição de recurso ordinário no
prazo de 15 dias - cfr. art.ºs 644.º, n.º 1 e 638.º, n.º 1.

Logo que transite em julgado a decisão que haja decretado a providência


cautelar e invertido o contencioso, as partes são notificadas do trânsito em julgado,
sendo o requerido notificado com a advertência de que, querendo, deve intentar a
ação destinada a impugnar a existência do direito acautelado nos 30 dias

24
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
subsequentes à notificação, sob pena de a providência decretada se consolidar
como composição definitiva do litígio -cfr. art.º 371.º.

Se o requerido não interpuser a ação no prazo mencionado, a providência


decretada consolida-se como composição definitiva do litígio – cfr. art.º 371.º.

No caso de indeferimento da inversão do contencioso, a decisão é irrecorrível –


cfr. 2.ª parte do art.º 370.º.

Assim, com a notificação do trânsito da decisão que haja ordenado a


providência e indeferido o pedido de inversão do contencioso, deve o requerente ser
advertido que é de 30 dias o prazo concedido para a propositura da ação.

Se o requerente não propuser a ação no mencionado prazo, o procedimento


cautelar extingue-se – cfr. art.º 373.º, n.º 1, al. a).

A final, se for caso disso, elabora-se a conta - cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e
30.º do Regulamento das Custas Processuais.

25
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
2.3 O incidente de prestação espontânea de caução

 Decretada a providência cautelar, independentemente da atitude que tome, o


requerido pode, no mesmo prazo, concedido para oposição ou recurso, requerer a
substituição da providência decretada pela prestação duma caução – cfr. n.º 3 do art.º
368.º.

A urgência que caracteriza a providência envolve necessariamente este


incidente de prestação espontânea de caução, cujos trâmites estão traçados pelo
art.º 915.º do CPC, havendo lugar ao pagamento de taxa de justiça inicial já que este
incidente se enquadra no art.º 7.º e Tabela II do RCP (Outros Incidentes).

No requerimento, o interessado indica o motivo pelo qual oferece a caução, o


valor a caucionar e o modo de a prestar, além de oferecer as provas necessárias.

Autuado por apenso, o incidente é concluso ao juiz, o qual, se não indeferir o


pedido, ordena a notificação da parte contrária para se pronunciar no prazo de 15
dias, com a advertência de que a caução será julgada idónea caso não conteste – cfr.
art.º 913.º, n.º 2 do CPC.

Com a oposição, são também indicados os meios de prova necessários – cfr.


art.º 293.º do CPC, aplicável por força do art.º 292.º.

Não havendo contestação, o incidente é concluso para decidir o pedido.

Havendo contestação, o processo vai igualmente ao juiz para ordenar a


realização de quaisquer diligências probatórias necessárias e por fim decidir a
procedência ou improcedência do pedido e na primeira hipótese fixar o valor da
caução e o modo de a prestar – cfr. art.º 908.º.

A produção das provas rege-se pelo disposto no art.º 294.º, também por força
do disposto no art.º 292.º.

26
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3. OS PROCEDIMENTOS CAUTELARES ESPECIFICADOS

3.1 Restituição provisória de posse – art.º 377º do CPC

3.1.1 Âmbito

A ação de restituição de posse tem como finalidade a recuperação da posse por


quem dela foi esbulhado com violência – cfr. art.º 377.º.

Há esbulho quando alguém é privado do exercício da retenção ou da fruição


do objeto possuído e consequentemente impedido de exercer o seu direito de
posse.

Nestas situações, o fator que determina se deve ou não haver lugar ao


procedimento cautelar especificado de restituição provisória de posse é a existência
ou não de violência.

Se o esbulho não for praticado com violência o meio instrumental adequado é o


procedimento cautelar comum; caso contrário, se o requerente for esbulhado da sua
posse através de recurso à violência, os mecanismos de proteção do direito violado
enquadram-se no procedimento cautelar especificado de restituição provisória de
posse -cfr. art.ºs 377.º a 379.º.

Neste procedimento, se o juiz reconhecer que o requerente tinha a posse e


dela foi esbulhado violentamente, a restituição é determinada sem audiência prévia
do requerido, nos termos das disposições combinadas dos art.ºs 1279.º do Código Civil
e 378.º do CPC.

3.1.2 Valor do procedimento

O valor processual deste procedimento está previsto no art.º 304.º n.º 3 al. b):
é o valor da coisa esbulhada.

3.1.3 Tramitação

• Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria


280/2013, a secretaria Imediatamente após a autuação, não havendo motivo de
recusa – art.ºs 552.º e 558.º, ambos do CPC – conclui o procedimento cautelar ao juiz
para que este profira despacho liminar.

27
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
O despacho liminar poderá ser de:

 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal


da Relação –cfr. art.ºs 186.º, 569.º, 590.º do n.º 1 e 629.º n.º 3, al. c), todos do CPC);
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º e 411.º e 560.º do CPC;
 Designação de dia para inquirição das testemunhas do Requerente – art.º 378.º
CPC

• Neste último caso, se for decretada a providência, o oficial de justiça desloca-se ao


local com o fim de restituir o bem, solicitando a intervenção policial sempre que se
deparar com quaisquer obstáculos que dificultem a realização do ato14.

• Da realização da diligência o oficial de justiça elabora o auto em que descreve não


só a efetivação da providência, como também quaisquer factos que se devam fazer
constar, como é o caso da notificação do requerido quando esteja presente no local.

• Não estando presente, o requerido é notificado por via postal segundo as


formalidades da citação (já referidas anteriormente), enviando-se-lhe os duplicados
da petição inicial, juntamente com cópia da decisão que decretou a providência e
bem assim do auto elaborado.

A oposição deve ser apresentada no prazo de 10 dias a partir da notificação do


requerido, podendo este, em alternativa, no prazo de 15 dias, interpor recurso da
decisão que deferiu a providência – cfr. art.ºs 372.º n.º 1, 293.º n.º 2 e 644.º n.º 3.

É aplicável à Restituição Provisória de Posse o regime da inversão do


contencioso conforme vimos anteriormente – cfr. n.º 4 do art.º 376.º.

Transitada em julgado a decisão que decretou a providência e inverteu o


contencioso, o requerido é notificado de que deve intentar a ação destinada a
impugnar a existência do direito acautelado no prazo de 30 dias, contados da
notificação, sob pena de a providência decretada se consolidar como composição
definitiva do litígio – n.º 1 do art.º 371.º.

Não havendo inversão do contencioso, logo que transitada em julgado a


decisão que ordenou a providência, é o requerente notificado para, no prazo de 30

14
Art.º 52.º do Dec. Lei n.º 49/2014, de 27 de março

28
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
dias, propor a ação da qual a providência depende, sob pena de a providência
decretada caducar – n.º 1, al. a) do art.º 373.º.

Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e
30.º, do Regulamento das Custas Processuais).

RESTITUIÇÃO PROVISÓRIA DE POSSE

[SEMPRE SEM CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL

Audiência e
Conclusão decisão

NÃO
O
Aperfeiçoamento Indeferimento Providência
decretada
SIM oposição

SIM
Notificação do
Notificação do
requerente
requerente
Notificação do
requerente +
Aperfeiçoa ou findo Há recurso? RESTITUIÇÃO +
o prazo (requerente) Notificação do
requerido
Há recurso
NÃO (requerido)

SIM Há oposição
OU (requerido)
Conta

SIM
SIM

Fim
Conclusão

Conclusão

Audiência e
decisão
SIM Recurso de
Admite recurso
apelação

NÃO
Notificações do
requerente e
requerido
Há SIM Reclamação
Reclamação SIM
– 643.º

NÃO Há recurso
29
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3.2 Suspensão de deliberações sociais – art.º 380º do CPC

3.2.1 Âmbito

É um procedimento cautelar que tem como finalidade a suspensão das


deliberações das associações, das sociedades e das assembleias de condóminos de
prédios sujeitos ao regime de propriedade horizontal, se o requerente justificar
perante o tribunal que essa deliberação lhe poderá causar danos ou prejuízos – cfr.
art.ºs 380.º a 383.º.

A diligência deve ser requerida no prazo de 10 dias a partir do dia em que foi
realizada a assembleia em que as deliberações foram tomadas ou da data em que o
requerente delas teve conhecimento – cfr. art.º 380.º.

Se o requerente alegar que não lhe foi fornecida cópia da ata ou o documento
correspondente, então a requerida é citada com a cominação de que a contestação
não será recebida sem vir acompanhada da cópia ou do documento em falta – cfr. n.º
1 do art.º 381.º.

3.2.2 Valor do procedimento

O valor processual deste procedimento está previsto no art.º 304.º, n.º 3, al.ª
c): é o valor que corresponde à importância do dano.

3.2.3 Tramitação

3.2.3.1 Citação do requerido antes de decretada a providência

• Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria


280/2013, a secretaria imediatamente após a autuação, não havendo motivo de
recusa – art.ºs 552.º e 558.º – conclui o procedimento cautelar ao juiz para que este
profira despacho liminar.

O despacho liminar poderá ser de:

 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal


da Relação - cfr. art.º 186.º, 569.º, 590.º, n.º 1 e 629.º, n.º 3, al. c);

30
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º e 411.º e 560.º;
 Dispensa de audição do requerido - cfr. n.º 1 do art.º 366.º;
 Despacho de citação versus notificação – quando o juiz entenda observar o
contraditório, ouvindo o requerido - cfr. n.º 1 do art.º 366.º.

Na última hipótese o requerido é citado para (ou notificado no caso de já ter


sido citado na ação principal – n.º 2 do art.º 366.º), no prazo de 10 dias, finda a
dilação aplicável nos termos do art.º 245.º, mas nunca superior 10 dias, como já foi
referido anteriormente (cfr. n.º 3 do art.º 366.º), deduzir oposição – cfr. art.ºs 365.º,
n.º 3 e 293.º.

• Se o requerente não tiver apresentado a cópia da ata da assembleia em que tenha


sido tomada a deliberação objeto da providência, o requerido é citado com a expressa
advertência de que deve juntá-la com a oposição/contestação, sob pena de, não o
fazendo, ela não ser recebida (pelo juiz) – cfr. n.º 1 do art.º 381.º.

• Na falta de contestação ou se esta não for atendida, o juiz decreta logo a suspensão
da deliberação.

Quando estejam em questão sociedades matriculadas na conservatória do


registo comercial, após trânsito da decisão, a secção extrai certidão e entrega-a ao
requerente depois de pago o respetivo custo, a fim de que este proceda ao respetivo
registo – cfr. art.º 3.º, n.º 1, al. f) e 70.º, n.º 1, do Código do Registo Comercial.

• A decisão está, ainda, sujeita a publicação no sítio da Internet a que se refere a


Portaria 590-A/2005, de 14 de julho (com as alterações introduzidas pelas Portaria n.º
621/2008, de 18 de julho, Portaria n.º 811/2005, de 12 de setembro - e Portaria n.º
3/2009, de 30 de dezembro) – www.mj.gov.pt/publicações mantido pela Direção-
Geral dos Registos e Notariados, nos termos do art.º 70.º do Código do Registo
Comercial – Dec. Lei 403/86, (Republicado pelo art.º 62.º do Dec. Lei n.º 76-A/2006,
de 29 de março), com última atualização operada pelo Dec. Lei 250/2012, de 23 de
novembro - publicação essa que é igualmente promovida pelo requerente.

É aplicável à Suspensão de Deliberações Sociais o regime da inversão do


contencioso conforme vimos anteriormente – cfr. n.º 4 do art.º 376.º.

31
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Transitada em julgado a decisão que decretou a providência e inverteu o
contencioso, o requerido é notificado de que deve intentar a ação destinada a
impugnar a existência do direito acautelado no prazo de 30 dias, sob pena de a
providência decretada se consolidar como composição definitiva do litígio – n.º 1 do
art.º 371.º.

Quando estejam em questão sociedades matriculadas na conservatória do


registo comercial, há que ter-se em consideração o que dispõe o art.º 382 n.º1, al. b)
no que respeita ao início dos prazos para interposição da ação – O prazo só se inicia
após registo da decisão judicial.

Não havendo inversão do contencioso, logo que transitada em julgado, a


decisão que ordenou a providência, é notificada ao requerente, para, no prazo de 30
dias, propor a ação da qual a providência depende, sob pena de a providência
decretada caducar – n.º 1, al. a) do art.º 373.º.

Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e
30.º, do Regulamento das Custas Processuais).

32
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
SUSPENSÃO DE DELIBERAÇÕES SOCIAIS
[CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL

Citação pessoal
do requerido (ou
Conclusão notificação)

NÃO
O
Aperfeiçoamento Indeferimento Findo o prazo da
oposição
SIM

Audiência
Notificação do Notificação do
e/ou decisão
requerente requerente

Aperfeiçoa ou findo Há recurso? Notificações


o prazo (requerente) requerentes e
requerido
NÃO
NÃO do
SIM Providência
decretada
Conta

SIM

NÃO Realização da
Fim providência

Há recurso?
Conclusão SIM

NÃO
Recurso de
Admite recurso SIM
apelação

Não

Há Reclamação -
NÃO 643.º SIM Reclamação
ao

33
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
SUSPENSÃO DE DELIBERAÇÕES SOCIAS

[SEM CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL

Audiência e
Conclusão decisão

NÃO
O
Indeferimento Providência
Aperfeiçoamento
decretada
oposição
SIM
NÃO
O
Notificação do SIM
Notificação do
requerente
requerente
Notificação do
requerente e
requerido
Aperfeiçoa ou findo Há recurso?
o prazo (requerente)
Há recurso
(requerido)
NÃO
Há oposição
SIM OU
(requerido)
Conta

SIM
SIM
Conclusão
Fim

Conclusão
Audiência e
decisão

Recurso de
Admite recurso SIM
apelação
Notificações do
requerente e
NÃO requerido


Reclamação
Reclamação SIM SIM
643.º

NÃO Há recurso

34
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3.3 Alimentos Provisórios – art.º 384º do CPC

3.3.1 Âmbito

Por alimentos entende-se tudo o que é indispensável ao sustento, habitação e


vestuário – cfr. art.º 2007.º do Código Civil.

Enquanto não se fixarem definitivamente os alimentos, pode o tribunal, a


requerimento do alimentando, conceder alimentos provisórios, os quais são fixados
segundo o seu prudente arbítrio para fazer face ao sustento, habitação e vestuário do
mesmo bem como as despesas da ação, caso o requerente não beneficie de apoio
judiciário – cfr. art.ºs 2007.º do Código Civil, 384.º do CPC e 16.º da Lei n.º 34/2004,
de 29 de .

O meio instrumental próprio para o alimentando requerer a fixação duma


quantia mensal, a título de alimentos provisórios como dependência duma causa
principal já proposta ou a propor é precisamente o procedimento cautelar
especificado de alimentos provisórios regulado pelos art.ºs 384.º a 387.º.

Este procedimento caracteriza-se pela audição do requerido previamente à


decisão final – cfr. n.ºs 1 e 2 do art.º 385.º.

Trata-se, em suma, de um procedimento cautelar que pode ser requerido na


dependência da ação de alimentos e que visa a fixação provisória de uma determinada
quantia mensal ao requerente, até que este obtenha, através da respetiva ação
principal, uma sentença a fixar-lhe esse valor em definitivo.

Se o requerido deixar de cumprir a obrigação, cabe ao requerente a iniciativa


de promover a respetiva execução especial por alimentos, titulada na decisão que
haja decretado a providência, execução essa que segue por apenso ao procedimento
cautelar onde existir juízos de execução ou autonomamente e com base em traslado
da decisão onde não houver juízos de execução - cfr. art.ºs 85.º e 935.º.

35
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3.3.2 Valor do procedimento

O valor processual do procedimento está previsto no art.º 304.º n.º 3 al. a) do


CPC: é o valor da mensalidade pedida multiplicada por doze.

3.3.3 Tramitação

Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria 280/2013,
a secretaria imediatamente após a autuação e não havendo motivo de recusa – art.ºs
552.º e 558.º, ambos do CPC – conclui o procedimento cautelar ao juiz para que este
profira despacho liminar.

O despacho liminar poderá ser de:

 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal


da Relação - cfr. art.º 186.º, 569.º, 590.º, n.º 1 e 629.º, n.º 3, al. c);
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º e 411.º e 560.º;
 Despacho a designar dia para julgamento – cfr. n.º 1 do art.º 385.º

Neste último caso, as partes são notificadas da data designada e advertidas


que devem comparecer pessoalmente ou fazerem-se representar por mandatário
judicial com poderes especiais para transigir – cfr. n.º1 do art.º 385.º.

• Quando o requerente esteja representado por mandatário, serão ambos notificados


nos termos do n.º 2 do art.º 247.º, salvo se na procuração junta aos autos o
requerente tiver conferido poderes especiais para transigir, caso em que somente o
mandatário é notificado.

• O requerido é citado pessoalmente (de acordo com as regras da citação, já referidas


anteriormente, ou, notificado se já tiver sido citado na ação principal) para
comparecer e para, querendo, apresentar a contestação na audiência de julgamento,
sendo que a falta de contestação importa a confissão dos factos articulados na
petição.

• A audiência começa por uma tentativa de conciliação com vista à obtenção dum
acordo entre as partes na fixação das prestações alimentícias, acordo esse que ficará
a constar da ata, tal como a sentença homologatória – cfr. n.º 3 do art.º 385.º.

36
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
• No caso de se frustrar a tentativa de conciliação, seja por falta de acordo ou por
ausência de uma ou de ambas as partes, segue-se a produção da prova, que pode ser
apenas documental ou testemunhal, após o que o juiz profere sentença oral, a qual
fica a constar da ata – cfr. art.ºs 385.º, n.º 3 e 153.º, n.º 3.

• Se a decisão for favorável ao requerente, os alimentos provisórios são devidos a


partir do primeiro dia subsequente à data do respetivo pedido - cfr. art.º 386.º.

• Se mais tarde vier a ser requerida a alteração ou cessação da prestação fixada, o


requerimento é junto aos autos e neles se tramitarão os atos subsequentes – cfr. n.º 2
do art.º 401.º.

Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º, pode este, ser interposto no
prazo de 15 dias -cfr. n.º 1 do art.º 638.º.

Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao


referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º do CPC.

É aplicável aos Alimentos Provisórios o regime da inversão do contencioso


conforme vimos anteriormente – cfr. n.º 4 do art.º 376.º.

Transitada em julgado a decisão que decretou a providência e inverteu o


contencioso, o requerido é notificado de que deve intentar a ação destinada a
impugnar a existência do direito acautelado no prazo de 30 dias, contados da
notificação, sob pena de a providência decretada se consolidar como composição
definitiva do litígio – n.º 1 do art.º 371.º.

Não havendo inversão do contencioso, logo que transitada em julgado a


decisão que ordenou a providência, é o requerente notificado para, no prazo de 30
dias, propor a ação da qual a providência depende, sob pena de a providência
decretada caducar – n.º 1, al. a) do art.º 373.º.

Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e
30.º, do Regulamento das Custas Processuais).

37
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
ALIMENTOS PROVISÓRIOS
[SEMPRE COM CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL

Designação de
Conclusão dia para
julgamento

NÃO
O Notificação do requerente +
Aperfeiçoamento Indeferimento
citação ou notificação do
requerido
SIM

Notificação do Notificação do
Notificação do Audiência
requerente requerente
requerente

Há acordo

Aperfeiçoa ou findo Há recurso?


Há recurso? SIM NÃO
o prazo (requerente)
(requerente)
Sentença Produção de
homologatória prova +
NÃO + Notificação decisão e
da decisão em notificação
SIM ata
Conta

IM

Há recurso?
NÃO
Fim

Conclusão
SIM

Recurso de
Admite recurso SIM apelação

NÃO

Há reclamação
NÃO 643.º Reclamação
SIM

38
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3.4 Arbitramento de reparação provisória – art.º 388.ºdo CPC

3.4.1 Âmbito

Este procedimento cautelar especificado tem como finalidade a fixação de


uma indemnização provisória com fundamento na morte de alguém ou na sua lesão
corporal.

O requerente pretende o arbitramento de uma determinada quantia, sob a


forma de renda mensal, como reparação provisória do dano sofrido - cfr. n.º 1 do art.º
388.º.

Também se inclui neste tipo de procedimento cautelar o pedido de uma


indemnização por um dano que seja suscetível de pôr seriamente em causa o sustento
ou a habitação do lesado (requerente) – cfr. n.º 4 do art.º 388.º.

O pagamento da indemnização provisória será feito em forma de renda mensal


e se o tribunal, posteriormente, em sede de ação definitiva, decidir que afinal não
existia o direito à indemnização, então, quem a recebeu terá de restituir todas as
prestações pagas provisoriamente – cfr. art.º 390.º.

Ao nível da tramitação, este procedimento aproveita a matriz dos alimentos


provisórios, com as necessárias adaptações – cfr. n.º 1 do art.º 389.º.

Também aqui, o requerido é sempre ouvido antes da decisão – cfr. art.ºs 389.º,
n.º 1 e 385.º, n.ºs 1 e 2.

3.4.2 Valor do procedimento

O valor processual do procedimento vem previsto no art.º 304.º n.º 3 al. a)do
CPC: é o valor da renda pedida multiplicada por doze.

3.4.3 Tramitação

39
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
• Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria
280/2013, a secretaria Imediatamente após a autuação, não havendo motivo de
recusa – art.ºs 552.º e 558.º, ambos do CPC – conclui o procedimento cautelar ao juiz
para que este profira despacho liminar.

O despacho liminar poderá ser de:

 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal


da Relação - cfr. art.º 186.º, 569.º, 590.º, n.º 1 e 629.º, n.º 3, al. c);
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º e 411.º e 560.º;
 Despacho a designar dia para julgamento – cfr. n.º 1 do Art.º 389.º.

• Neste último caso, o requerido é citado para comparecer pessoalmente (de acordo
com as regras da citação anteriormente referidas) na audiência ou fazer-se
representar por procurador com poderes especiais para transigir, devendo ser
advertido, no ato da citação, das consequências da sua falta.

• No dia do julgamento é apresentada a contestação, sendo o requerente dela


notificada neste ato. O juiz tentará obter a fixação da renda mensal mediante acordo
das partes.

• Se houver acordo, o juiz homologa-o, por sentença; caso contrário, segue-se a


produção de prova, após o que o juiz profere sentença oral, a qual fica a constar da
ata – cfr. art.ºs 389.º n.º 1, 385.º n.º 3 e 153.º n.º 3.

• Se a decisão for favorável ao requerente, a renda a fixar é devida a partir do


primeiro dia subsequente à data do respetivo pedido - cfr. n.º 1 do art.º 389.º.

• Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º - pode este, ser interposto no
prazo de 15 dias -cfr. n.º 1 do art.º 638.º.

Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao


referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º.

40
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Logo que transitada em julgado a decisão que ordenou a providência, é o
requerente notificado para, no prazo de 30 dias, propor a ação da qual a providência
depende, sob pena de a providência decretada caducar – n.º 1, al. a) do art.º 373.º.

De notar que não há lugar à inversão do contencioso na providência cautelar


de arbitramento de reparação provisória – cfr. n.º 4 do art.º 376, à contrario.

Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e
30.º, do Regulamento das Custas Processuais).

• Como já foi referido, se o requerido deixar de cumprir a obrigação, cabe ao


requerente a iniciativa de promover a respetiva execução (que segue as regras da
execução especial por alimentos) titulada na decisão que haja decretado a
providência nos termos do n.º 2 do art.º 389.º do CPC, execução essa que corre nos
próprios autos, sendo tramitada de forma autónoma, onde não houver secção
especializada de execução, ou autonomamente e com base em traslado da decisão
onde houver secção especializada -cfr. art.ºs 85.º e 935.º.

41
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
ARBITRAMENTO DE REPARAÇÃO PROVISÓRIA
[CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL

Designação de
Conclusão dia para
julgamento

NÃO
O Notificação do requerente +
Aperfeiçoamento Indeferimento
citação ou notificação do
requerido
SIM

Notificação do Notificação do
requerente Audiência
requerente

Há acordo

Aperfeiçoa ou findo Há recurso? SIM NÃO


o prazo (requerente)
Sentença Produção de
homologatória prova +
NÃO + Notificação decisão e
da decisão em notificação
SIM ata
Conta

Há recurso?
NÃO
Fim

Conclusão
SIM

Admite recurso SIM Recurso de


apelação

NÃO

Há reclamação Reclamação
NÃO 643.º SIM

42
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3.5 Arresto – art.º 391º do CPC

3.5.1 Âmbito

O credor que tenha justo receio de perder a garantia patrimonial do seu


crédito pode requerer o arresto de bens do devedor, nos termos da lei de processo -
cfr. n.º 1 do art.º 619.º, do Código Civil.

O arresto é um procedimento cautelar em que o credor que tenha justificado


receio de perder a garantia patrimonial do seu crédito requer o arresto em bens do
devedor.

Quer isto dizer que o procedimento cautelar de arresto depende da verificação


cumulativa de dois requisitos: a probabilidade da existência do crédito e o justo
receio da perda da garantia patrimonial - cfr. n.º 1 do art.º 391.º.

O requerente tem assim de convencer o tribunal da existência do seu crédito e


do justificado receio em perder a respetiva garantia patrimonial, nomeadamente
devido aos sinais de dissipação dos bens do devedor.

Contudo, quando estiver ainda em dívida, no todo ou em parte, o preço da


aquisição de um bem e este venha a ser transmitido pelo seu adquirente a terceiro
mediante negócio jurídico, o vendedor originário que optar pela instauração de
procedimento cautelar de arresto contra o comprador fica dispensado de fazer prova
do justo receio de perda da garantia patrimonial – cfr. n.º 3 do art.º 396.º.

O arresto, que consiste numa apreensão de bens do devedor, segundo o Prof.


Antunes Varela e outros, (cfr. Manual de Processo Civil, 2.ª ed., pág. 23) “visa impedir
que, durante a pendência de qualquer ação declarativa ou executiva, a situação de
facto se altere, de modo a que a sentença nela proferida, sendo favorável, perca
toda a eficácia ou parte dela. Pretende-se deste modo combater o periculum in mora
(o prejuízo da demora inevitável do processo), a fim de que a sentença se não torne
numa decisão puramente platónica”.

Ao arresto aplicam-se as disposições relativas à penhora que não contrariem o


disposto nos art.ºs 391.º a 396.º.

43
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
O arresto, como qualquer outra providência cautelar, pode ser requerido na
dependência, não só da ação declarativa, mas também da ação executiva (art.ºs
364.º, n.º 1 e 370.º, n.º 1) e caracteriza-se pelo sacrifício do contraditório prévio à
decisão, já que o requerido é ouvido somente após o decretamento e a
consequente realização das diligências em que consiste o arresto – cfr. art.ºs 366.º,
n.º 5, 376.º, n.º 1 e 397.º, n.º 1.

Na ação executiva de que o arresto dependa, a penhora dos bens arrestados


opera-se por conversão automática nos termos do art.º 762.º.

O juiz pode fazer depender o decretamento do arresto da prestação duma


caução pelo requerente – art.ºs 620.º do Código Civil, 374.º, n.º 2 e 376.º, n.º 2 do
CPC - caução essa, que será processada por apenso ao procedimento especificado de
arresto nos termos do art.º 915.º.

O arresto pode incidir sobre:

 Bens imóveis;
 Bens móveis sujeitos ou não a registo;
 Direitos:
 Bens indivisos e quotas em sociedade;
 Estabelecimento comercial;
 Depósitos bancários;
 Títulos de crédito.

No procedimento especificado de arresto a decisão é sempre proferida sem


audição da parte contrária (citação ou notificação prévia à tomada de decisão da
providência) o que veda o acesso do processo ao requerido e seu mandatário enquanto
ele não for citado ou notificado para exercer o contraditório - cfr. art.ºs 164.º e 393.º.

De notar que não há lugar à inversão do contencioso na providência cautelar


de arresto – cfr. n.º 4 do art.º 376, à contrario.

3.5.2 Competência para executar a diligência de arresto

Nos termos do n.º 2 do art.º 391.º o arresto consiste numa apreensão de bens,
à qual são aplicáveis as disposições relativas à penhora.

44
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Ora, a lei refere-se às regras relativas à penhora e não às regras do processo
executivo.

No mesmo sentido, o NCPC é claro no que respeita á repartição de


competências, limitando a atividade do agente de execução à intervenção na ação
executiva - cfr. n.ºs 1 e 3 do art.º 719.º.

Assim, parece resultar claramente da lei que o agente de execução não


intervém na execução da diligência do procedimento cautelar, seja ela de arresto ou
de qualquer outra providência, sempre, salvo entendimento diferente do Magistrado.

Exceciona-se, nos termos gerais, a citação do requerido, quando é frustrada a


citação por carta registada com AR, que a lei permite que seja efetuada por agente
de execução, de acordo com o estipulado no n.º 1 do art.º 231.º.

3.5.3 Valor do procedimento

O valor processual do procedimento vem regulado no art.º 304.º n.º 3 al. e): é
o valor do montante do crédito que se pretende garantir.

3.5.4 Tramitação

3.5.4.1 Arresto de bem imóvel

• Após distribuição, efetuada de acordo com os art.ºs 16.º e 18.º da Portaria


280/2013, a secretaria imediatamente após a autuação, não havendo motivo de
recusa – art.ºs 552.º e 558.º, ambos do CPC – conclui o procedimento cautelar ao juiz
para que este profira despacho liminar.

O despacho liminar poderá ser de:

 Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal


da Relação - cfr. art.º 186.º, 569.º, 590.º, n.º 1 e 629.º, n.º 3, al. c);
 Aperfeiçoamento - cfr. art.ºs 6.º e 411.º e 560.º;
 Despacho a designar dia para inquirição das testemunhas do requerente – cfr.
n.º 1 do Art.º 393.º.

45
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
• Ordenado o arresto, este está sujeito a registo – cfr. art.º 3.º do Código de Registo
Predial.

• Os tribunais, por força do disposto na al. a) do n.º 3 do art.º 8.º-B do Código do


Registo Predial, são considerados sujeitos com obrigação de registar relativamente
às ações, decisões e outros procedimentos e providências judiciais, que, ressalvados
os casos previstos na al. b) do n.º 1 do art.º 8.º-A do C. R. Predial, estão sujeitos a
registo obrigatório.

Assim, compete à secretaria, após prévio despacho judicial, proceder ao


registo nos termos do art.º 3.º do C. R. Predial.

O n.º 1 do art.º 755.º do CPC estabelece que a penhora de imóveis (tal como a
de bens móveis sujeitos a registo – art.º 768.º, n.º 1) se efetua por comunicação
eletrónica à respetiva Conservatória, sem prejuízo de tal registo poder efetuar-se nos
termos gerais – cfr. art.ºs 41.º-B, 41.º D e 42.º A, do C. R. Predial.

Enquanto não se estabelecerem canais de comunicação entre as conservatórias


e os tribunais que permitam a reciprocidade destas comunicações eletrónicas, é
forçoso que o registo se opere nos referidos “termos gerais”, ou seja, por
apresentação ou envio da certidão demonstrativa do arresto, acompanhada dos
documentos necessários ao registo, encontrando-se tal pedido dispensado do
pagamento prévio dos emolumentos e taxas, devendo, no entanto, tais quantias
entrar em regra de custas - cfr. art.ºs 42.º-A e 151.º-n.º 4, do C. R. Predial.

• Junta a certidão comprovativa do registo enviada pela respetiva Conservatória, a


secretaria elabora o auto de arresto e afixa o edital, de modo semelhante à da
penhora (os modelos de impressos deverão ser adaptados) – cfr. art.ºs 391.º, n.º 2 e
755.º, n.º 3.

• De seguida, é o requerido notificado da decisão que ordenou o arresto (aplica-se à


notificação o preceituado quanto à citação pessoal (segundo as regras já referidas
anteriormente) – art.ºs 366.º, nº 6, 376.º, n.º 1 e 393.º, n.º 1), a menos que ele já
tenha sido citado na ação principal, caso em que a notificação deixará de obedecer às
regras da citação – cfr. n.º 2 do art.º 366.º - e que tem o prazo de 10 dias e 15 dias,

46
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
respetivamente, para, querendo, deduzir oposição ou em alternativa interpor recurso,
nos termos gerais - cfr. art.º 372.º do CPC.

A notificação é acompanhada do duplicado do requerimento inicial, cópias dos


documentos com ele apresentados, da decisão que decretar o arresto e do auto de
arresto - cfr. art.º 227.º do CPC.

• Quanto ao depositário:
- Quando o depositário seja o requerido, aquando da notificação (citação) pode logo
ser notificado de que fica depositário;

- Se o depositário não for o requerido, nada obsta a que seja notificado mediante
carta registada da sua nomeação, com cópia do auto de arresto já elaborado.

3.5.4.2 Arresto de bens móveis

O arresto de bens móveis efetua-se através da apreensão dos bens indicados,


que serão entregues a um depositário, seguindo-se as regras relativas à penhora de
bens móveis sujeitos ou não a registo – cfr. art.ºs 391.º, n.º 2 e 764.º a 772.º.

Se o requerido se encontrar presente no momento da diligência deve ser


notificado, ou logo após a efetivação da mesma, devendo ser-lhe entregue duplicado
da petição inicial, bem como do despacho que decretou o arresto.

Segue-se, depois, a notificação do requerido, nos termos do art.º 372.º de


modo semelhante ao descrito em 3.5.4.1.

3.5.4.3 Arresto de veículo automóvel

O arresto de veículo automóvel segue as regras da penhora e esta rege-se pelas


disposições combinadas dos art.º s 768.º, n.ºs 1 a 3 e 17.º e 22.º do Decreto - Lei n.º
54/75, de 12 de fevereiro alterado pelos Decretos-Leis n.ºs 242/82, de 22 de junho,
461/82, de 26 de novembro, 54/85, de 4 de março e 403/88, de 9 de novembro,
282/2002, de 20 de agosto e 178/A/2005, de 28 de outubro e dos art.ºs 3.º, 8.ºA,
8.ºB, 42.º A, da Portaria 99/2008, de 31 de janeiro alterada pela Portaria 283/2013,
de 30 de agosto, 53.º, 53.ºA e 58.º do Código de Registo Predial, por força do art.º
29.º do Dec. Lei 54/75 de 12 de fevereiro.

O arresto pode ser precedido de imobilização do veículo, nos termos do n.º 2


do art.º 768.º do CPC, o que permite, antes de proceder ao arresto (através de registo
na Conservatória), conhecer se o veículo existe, caso o requerente assim o entenda.

47
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Segue-se, depois, a notificação do requerido, nos termos do art.º 388.º do CPC,
de modo semelhante ao descrito em 3.5.4.1 (Arresto de bem imóvel).

3.5.4.4 Arresto de direitos

O arresto de direitos consiste na notificação do devedor de que o crédito


arrestado fica à ordem do tribunal, devendo a notificação fazer-se com as
formalidades da citação - cfr. art.º 773.º do CPC.

Efetuado o arresto através de notificação, o devedor deve, no prazo de dez


dias, declarar se o crédito existe e quais as garantias que o acompanham bem como a
data do vencimento.

3.5.4.5 Arresto de bens indivisos e de quotas em sociedade

O arresto de bens indivisos efetua-se através de notificação do facto ao


administrador dos bens, se o houver, e aos contitulares, seguindo-se o disposto no
art.º 781.º do CPC, com as devidas adaptações.

O arresto de quota em sociedade envolve o imediato registo na Conservatória


do Registo Comercial com base em certidão para o efeito entregue ao requerente
(art.º 3.º, n.º 1, al. f) do Código do Registo Comercial), bem como na notificação da
sociedade – cfr. art.ºs 391.º n.º 2 e 781.º n.º 6 do CPC e 239.º do Código das
Sociedades Comerciais.

Comprovado o registo no processo, segue-se a notificação do requerido, nos


termos do art.º 372.º do CPC de modo semelhante ao descrito em 3.5.4.1.

3.5.4.6 Arresto de estabelecimento comercial

O arresto de estabelecimento comercial é efetuado nos termos do art.º 782.º,


ou seja, o oficial de justiça elabora um auto onde relaciona os bens que integram o
estabelecimento, após o que notifica o requerido nos termos e para os efeitos do
disposto no art.º 372.º, de modo semelhante ao descrito em 3.5.4.1.

3.5.4.7 Arresto de depósitos bancários

O arresto de depósitos bancários é efetuado mediante comunicação à entidade


bancária de que o saldo fica arrestado à ordem do tribunal, devendo aquela entidade

48
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
comunicar ao tribunal, no prazo de dois dias, o montante arrestado – cfr. art.ºs 391.º
n.º 2 e 780.º-A e art.ºs 17.º e 18.º da Portaria 282/2013, de 29 de agosto. (A
comunicação eletrónica ainda não se mostra disponível, pela que a notificação é feita
por carta registada com AR)

Segue-se, depois, a notificação do requerido, nos termos do art.º 372.º do CPC,


de modo semelhante ao descrito em 3.5.4.1.

3.5.4.8 Arresto de títulos de crédito

O arresto de títulos de crédito é efetuado de acordo com o disposto no art.º


774.º, com as necessárias adaptações, ou seja, através da apreensão do título,
devendo ser averbado a este o ónus resultante do arresto.

Se o arresto tiver por objeto títulos de crédito depositados numa instituição de


crédito, então o arresto efetua-se através de comunicação à entidade bancária de que
os títulos ficam à ordem do tribunal.

Segue-se, depois, a notificação do requerido, nos termos do art.º 372.º CPC, de


modo semelhante ao descrito em 3.5.4.1.

49
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
ARRESTO

[SEM CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL

Audiência e
Conclusão
decisão

NÃO
O
Aperfeiçoamento Indeferimento Providência
decretada
SIM oposição
NÃO
O
Notificação do Notificação do SIM
requerente requerente

Notificação do
requerente + ARRESTO +
Notificação do requerido
Aperfeiçoa ou findo Há recurso?
o prazo (requerente)

Há recurso
NÃO (requerido)

SIM Há oposição
(requerido)
Conta

SIM
Conclusão
Fim

Conclusão
Decisão ou
Audiência e
decisão

Recurso de
Admite recurso SIM apelação

NÃO
Notificações do
requerente e
Há Reclamação Reclamação requerido
SIM
643.º
SIM

Há recurso
NÃO

50
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3.6 Embargo de obra nova – art.º 397º do CPC.

3.6.1 Âmbito

Com este procedimento cautelar o requerente pretende que o tribunal decrete


a suspensão da execução de uma obra que, de alguma forma, lhe cause ou ameace
causar prejuízo, e deve ser requerido no prazo de 30 dias após o conhecimento do
facto, sob pena de caducar o direito de o interessado o requerer a adoção das
medidas cautelares.

O interessado pode fazer diretamente o embargo por via extrajudicial,


notificando verbalmente, na presença de duas testemunhas, o dono da obra ou, na
falta deste, o encarregado, para não continuar a referida obra. Nesta situação, o
embargo só se manterá se a ratificação do embargo for pedida ao tribunal no prazo de
5 dias – cfr. art.º 397.º.

Embargada a obra, pode ser autorizada a sua continuação a requerimento do


embargado, nos termos do art.º 401.º ou destruída a parte inovada, nos termos do
art.º 402.º.

Há, assim, duas modalidades previstas na lei podendo o requerente optar por
qualquer delas para obter a suspensão imediata duma obra:

a) O embargo judicial – efetuado através deste procedimento cautelar – cfr. n.º


1 do art.º 397.º;

b) O embargo extrajudicial – efetuado sem necessidade de intervenção do


tribunal, mediante notificação do dono da obra pelo interessado, na presença de duas
testemunhas; neste caso, como já referimos, o requerente tem de requerer a
“ratificação judicial de embargo”, através de procedimento cautelar, no prazo de 5
dias – cfr. n.ºs 2 e 3 do art.º 397.º.

De acordo com o art.º 400.º o embargo é feito ou ratificado por meio de


auto, no qual se descreverá, minuciosamente, o estado da obra, devendo o oficial de
justiça encarregue da diligência notificar, no ato, o dono da obra ou quem o
substitua, para suspender a execução dos trabalhos.

51
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
À semelhança do previsto para o arresto, também neste procedimento cautelar
o juiz pode fazer depender o decretamento da previdência da prestação duma caução
pelo requerente – cfr. art.ºs 620.º do Código Civil e 374.º n.º 2 e 376.º, n.º 2 - caução
essa que será processada por apenso ao procedimento especificado de embargo de
obra nova nos termos do art.º 915.º.

3.6.2 Valor do procedimento

O valor processual do procedimento está previsto no art.º 304.º n.º 3 al. d) do


CPC: o valor é o do prejuízo que se pretende evitar.

3.6.3 Tramitação

• Este procedimento, independentemente de se tratar de embargo judicial ou de


ratificação judicial de embargo extrajudicial, segue os trâmites gerais dos art.ºs 365.º
a 367.º, 368.º n.ºs 1, 3 e 4, 372.º, 374.º n.º 2, este por força do n.º 2 do art.º 376.º, e
375.º.

• Se não houver motivo para indeferimento liminar, nem para aperfeiçoamento, o juiz
ordena a citação prévia do requerido - ver tramitação já referida no ponto 2.2; ou

• Se entender diversamente em razão da especial urgência do embargo (cfr. art.ºs


366.º, n.º 1, e 376.º, n.º 1), designa dia para inquirição das testemunhas arroladas
pelo requerente – ver tramitação já referida no ponto 2.2.2.

• Se for decretada a providência (realização do embargo ou ratificação do embargo


extrajudicial), o oficial de justiça desloca-se ao local e elabora auto do estado da
obra, do qual fará constar, por exemplo, algumas medições que faça.

• O auto deve ser assinado pelo oficial de justiça, pelo dono da obra ou seu substituto
e, no caso de haver recusa de assinatura, far-se-ão intervir, se possível, duas
testemunhas.

• Se o requerido não tiver sido ouvido previamente (citado ou notificado, consoante o


caso), ele terá de ser notificado segundo as regras da citação nos termos gerais do
procedimento cautelar comum (2.2.2), tudo aconselhando que o seja aquando da
efetivação do embargo ou da ratificação.

Além da advertência que lhe é feita para respeitar a providência nos termos do
art.º 375.º, o requerido dever ser especialmente advertido para não continuar a obra,
salvo se para tal obtiver autorização nos termos do art.º 401.º, e que prosseguindo a

52
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
obra sem esta autorização, o embargante pode requerer a destruição da parte
inovada, conquanto o faça enquanto se mantiver o embargo – cfr. art.ºs. 401.º e
402.º.

Quer o pedido de autorização para continuação da obra, formulado pelo


embargado, quer o de destruição da parte inovada, formulado pelo embargante, são
juntos ao procedimento cautelar no âmbito do qual são apreciados.

• Há obras cuja descrição detalhada sobre o seu estado constitui tarefa difícil. Quando
tal aconteça, é boa solução descrevê-la o melhor possível e recorrer ao suporte
complementar de fotografias, as quais são juntas ao processo, antes do auto.

Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º do CPC, pode este, ser
interposto no prazo de 15 dias -cfr. n.º 1 do art.º 638.º.

Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao


referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º.

É aplicável ao Embargo de Obra Nova o regime da inversão do contencioso


conforme vimos anteriormente – cfr. n.º 4 do art.º 376.º.

Transitada em julgado a decisão que decretou a providência e inverteu o


contencioso, o requerido é notificado de que deve intentar a ação destinada a
impugnar a existência do direito acautelado no prazo de 30 dias, contados da
notificação, sob pena de a providência decretada se consolidar como composição
definitiva do litígio – n.º 1 do art.º 371.º.

Não havendo inversão do contencioso, logo que transitada em julgado a


decisão que ordenou a providência, é o requerente notificado para, no prazo de 30
dias, propor a ação da qual a providência depende, sob pena de a providência
decretada caducar – n.º 1, al. a) do art.º 373.º.
Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e
30.º, do Regulamento das Custas Processuais).

53
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
EMBARGO DE OBRA NOVA

[CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL

Citação pessoal
Conclusão do requerido (ou
notificação)

NÃO
O Findo o prazo da
Aperfeiçoamento Indeferimento
oposição

SIM
Audiência e/ou
Notificação do Notificação do decisão
requerente requerente

Notificação do
requerente
Aperfeiçoa ou findo Há recurso?
o prazo (requerente)

OU Providência
NÃO NÃO decretada

SIM
SIM
Conta

DILIGÊNCIA DE
EMBARGO

NÃO
Fim
Notificação do
requerido

Conclusão SIM Há recurso?

Recurso de
Admite recurso SIM Apelação
NÃO
SIM

Há Reclamação –
SIM Reclamação
643.º

54
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
EMBARGO DE OBRA NOVA

SEM CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL

Audiência e
Conclusão
decisão

NÃO
O
Aperfeiçoamento Indeferimento Providência
decretada
oposição
SIM NÃO
O SIM
Notificação do Notificação do
requerente requerente
Notificação do
requerente e
do requerido
Aperfeiçoa ou findo Há recurso
o prazo (requerente)

Há recurso
NÃO (requerido)

SIM Há oposição
(requerido)
Conta
SIM
SIM

Fim Conclusão

Conclusão
Decisão ou
Audiência e
decisão
SIM Recurso de
Admite recurso
apelação

NÃO
Notificações do
requerente e
Há Reclamação requerido
SIM Reclamação
643.º
SIM
Há recurso
NÃO

55
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3.7 Arrolamento – art.º 403.º do CPC

3.7.1 Âmbito
O arrolamento é um procedimento cautelar que pode ser requerido sempre que
haja justo receio da perda de bens, móveis ou imóveis e, bem assim, de documentos,
devendo o requerente da providência produzir prova sumária do direito que detém em
relação aos bens e as razões que justificam o seu receio na dissipação ou extravio dos
mesmos – cfr. art.ºs 403.º e 405.º.

No procedimento cautelar de arrolamento o requerido é ouvido antes de este


ser decretado; contudo, se a audição prévia do mesmo comprometer a finalidade do
arrolamento, o requerido só é ouvido após a realização da providência – cfr. art.ºs
366.º, n.º 1 e 376.º, n.º 1.

3.7.2 Valor do procedimento

O valor processual do procedimento está previsto no art.º 304.º n.º 3 al. f): é o
valor dos bens a arrolar.

3.7.3 Tramitação

• Este procedimento segue os trâmites gerais dos art.ºs 365.º a 367.º, 368.º n.ºs 1, 3 e
4, 372.º e 375.º.

• Se não houver motivo para indeferimento liminar, nem para aperfeiçoamento, o juiz
ordena a citação prévia do requerido - ver tramitação já referida no ponto 2.2; ou

• Se entender diversamente em razão da especial urgência do arrolamento (cfr. art.ºs


366.º, n.º 1, e 376.º, n.º 1), designa dia para inquirição das testemunhas arroladas
pelo requerente – ver tramitação já referida no ponto 2.2.2.

Na decisão que decretar o arrolamento são nomeados o depositário15 dos bens e o


avaliador, estando este dispensado de juramento – cfr. art.ºs 405.º, n.º 2 e 408.º, n.ºs
1 e 2.

• Sendo decretado o arrolamento, o oficial de justiça desloca-se ao local e procede ao


arrolamento dos bens o qual consiste na descrição, avaliação e depósito dos bens

15
Se o arrolamento estiver relacionado com um processo de inventário, o depositário deverá ser a pessoa a quem
caiba desempenhar as funções de cabeça de casal. Nos demais casos, será o detentor ou possuidor dos bens, salvo se
houver algum inconveniente – art.º 408.º

56
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
(art.º 406.º, n.º 1), lavrando um auto no qual descreve os bens em verbas numeradas
sequencialmente, com observância adaptada das disposições relativas à penhora na
ação executiva – cfr. art.º 406.º.

• Se a diligência não puder ser concluída no dia em que foi iniciada, diz-nos a lei que
devem ser seladas as portas das casas ou os móveis em que se encontrem os bens a
arrolar – cfr. art.º 407.º, n.º 1.

• Os objetos, papéis ou valores arrolados e de que não seja necessário fazer uso e que
não se deteriorem por serem fechados são, depois de arrolados, encerrados em caixas
cintadas com fita de nastro e lacradas com o selo do tribunal (usando-se o sinete),
com rótulos descritivos sumários dos respetivos conteúdos assinados pelo oficial de
justiça encarregado de efetuar o arrolamento, para serem depositados na Caixa Geral
de Depósitos – art.º 407.º, n.º 2.

• Realizado o arrolamento e caso o requerido não tenha sido ouvido previamente


(citado ou notificado, consoante o caso) ele terá de ser notificado segundo as regras
da citação nos termos gerais do procedimento cautelar comum, tudo aconselhando
que o seja aquando da efetivação do arrolamento.
Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º, pode este, ser interposto no prazo
de 15 dias -cfr. n.º 1 do art.º 638.º.

Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao


referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º.

Não sendo a decisão objeto de recurso, notificam-se as partes do trânsito em


julgado, sendo ainda o requerente advertido que é de 30 dias o prazo para interpor a
ação respetiva, sob pena de não o fazendo a providência caducar – art.º 370.º, n.º 1,
al a).

De notar que ao arrolamento não é aplicável a inversão do contencioso – cfr.


art.º 376.º, n.º 4, à contrario.

Após o trânsito em julgado da decisão, sendo caso disso, elabora-se a conta –


cfr. art.º 539.º do CPC e 29.º e 30.º, do Regulamento das Custas Processuais.

57
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
ARROLAMENTO

[CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL

Citação pessoal
do requerido (ou
Conclusão
notificação)

NÃO
O Findo o prazo da
Aperfeiçoamento Indeferimento
oposição

SIM

Audiência
Notificação do Notificação do
e/ou decisão
requerente requerente

Aperfeiçoa ou findo Há recurso? Providência


o prazo (requerente) decretada
NÃO

NÃO
SIM
SIM
Conta
Realização do
ARROLAMENTO +
notificações do
requerente e requerido
NÃO
Fim

Há recurso?
Conclusão (requerido)
SIM

Admite recurso SIM Recurso de


apelação

NÃO

Há reclamação
643.º Reclamação
NÃO SIM

58
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
ARROLAMENTO
(Sem contraditório prévio)

REQUERIMENTO INICIAL

Audiência e
Conclusão
decisão

NÃO
O
Aperfeiçoamento Indeferimento Providência
decretada
SIM oposição
NÃO
O
Notificação do Notificação do SIM
requerente requerente
Notificação do requerente
+ realização do
ARROLAMENTO +
Aperfeiçoa ou findo Há recurso?
notificação do requerido
o prazo (requerente)

Há recurso
NÃO (requerido)

SIM Há oposição
(requerido)
Conta

SIM
SIM
Conclusão
Fim

Audiência e
decisão
Conclusão

Audiência e
Recurso de decisão
Admite recurso SIM
apelação

Há reclamação Reclamação Notificações do


643.º SIM
requerente e
requerido

SIM

NÃO Há recurso

59
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3.8 Apreensão de veículo automóvel

[Art.ºs 15.º a 22.º do Decreto - Lei n.º 54/75, de 12 de fevereiro, alterado pelos
Dec. Lei n.ºs 242/82, de 22 de junho, 461/82, de 26 de novembro, 54/85, de 4 de março e
403/88, de 9 de novembro, 282/2002, de 20 de agosto e 178/A/2005, de 28 de outubro,
85/2006, de 23 de maio, 20/2008, de 31 de janeiro e 39/2008, de 11 de agosto – este diploma
estabelece o regime jurídico do registo de propriedade automóvel]

3.8.1 Âmbito

Este procedimento visa acautelar os interesses do credor sobre o comprador de


veículo automóvel que deixa de cumprir atempadamente as suas obrigações
contratuais nos casos em que exista reserva de propriedade convencionada no
contrato de alienação do veículo ou quando um crédito esteja garantido pela hipoteca
do veículo automóvel.

A apreensão de veículos automóveis encontra-se regulada pelos art.ºs 15.º a


22.º do Dec. Lei n.º 54/75, de 12 de fevereiro.

O art.º 105.º do Código da Estrada define veículo automóvel como sendo o


veículo com motor de propulsão, dotado de pelo menos quatro rodas, com tara
superior a 550 kg, cuja velocidade máxima é, por construção, superior a 25 km/h, e
que se destina, pela sua função, a transitar na via pública, sem sujeição a carris (cfr.
art.º 2.º do Dec. Lei n.º 54/75).

Dec. Lei n.º 54/75, de 12 de Fevereiro


[Extrato]

Art.º 15º 16
1. Vencido e não pago o crédito hipotecário ou não cumpridas as obrigações que originaram a reserva de
propriedade, o titular dos respetivos registos pode requerer em juízo a apreensão do veículo e do
certificado de matrícula.
2. O requerente expõe na petição o fundamento do pedido e indica a providência requerida.
3. A prova é oferecida com a petição referida no número anterior.

Art.º 16º 17
1. Provados os registos e o vencimento do crédito ou, quando se trate de reserva de propriedade, o não
cumprimento do contrato por parte do adquirente, o juiz ordenará a imediata apreensão do veículo.
2. Se no ato da apreensão não for encontrado o certificado de matrícula, deve o requerido ser notificado para
apresentar em juízo no prazo que lhe for designado, sob a sanção cominada para o crime de desobediência
qualificada.

16
Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10.
17
Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10.

60
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Art.º 17º 18
1. A apreensão do veículo e do certificado de matrícula pode ser realizada diretamente pelo tribunal ou, a
requisição deste, por qualquer autoridade administrativa ou policial.
2. A autoridade que efetuar a apreensão fará recolher a viatura a uma garagem ou a outro local apropriado,
onde ficará depositada à ordem do tribunal, e nomeará fiel depositário, lavrando -se auto da ocorrência.
3. A secretaria deve extrair certidão do auto de apreensão, logo após a sua junção ao processo e
independentemente de despacho, e entregá-la ao requerente para fins de registo.

Art.º 18º 19
1. Dentro de quinze dias a contar da data da apreensão, o credor deve promover a venda do veículo
apreendido, pelo processo de execução ou de venda de penhor, regulado na lei de processo civil, conforme
haja ou não lugar a concurso de credores; dentro do mesmo prazo, o titular do registo de reserva de
propriedade deve propor ação de resolução do contrato de alienação.
2. O processo e a ação a que se refere o número anterior não poderão prosseguir seus termos sem que lhes
seja apenso o processo de apreensão, devidamente instruído com certidão comprovativa do respetivo
registo ou documento equivalente.
3. Vendido o veículo ou transitada em julgado a decisão que declare a resolução do contrato de alienação com
reserva de propriedade, o certificado de matrícula apreendido é entregue pelo tribunal ao adquirente do
veículo ou ao autor da ação que toma posse do veículo, independentemente de qualquer outro ato ou
formalidade.

Art.º 19º 20
1. A apreensão fica sem efeito nos seguintes casos:
a) Se o requerente não propuser a ação dentro do prazo legal ou se, tendo -a proposto, o processo estiver
parado durante mais de trinta dias, por negligência sua em promover os respetivos termos;
b) Se a ação vier a ser julgada improcedente ou se o réu for absolvido da instância por decisão passada em
julgado;
c) Se o requerido provar o pagamento da dívida ou o cumprimento das obrigações a que estava vinculado pelo
contrato de alienação com reserva de propriedade.
2. Nos casos a que se referem as alíneas b) e c) do número anterior, a apreensão é levantada sem audiência do
requerente; no caso da alínea a), a apreensão só será levantada se, depois de ouvido, o requerente não
mostrar que é inexata a afirmação do requerido.
3. O levantamento da apreensão é imediatamente comunicado pela secretaria à conservatória para que seja
oficiosamente efetuado o respetivo registo.

Art.º 20º
O requerente da apreensão responde pelos danos a que der causa, se a apreensão vier a ser julgada
injustificada ou caducar, no caso de se verificar não ter agido com a prudência normal.
Art.º 21º
O processo de apreensão e as ações relativas aos veículos apreendidos são da competência do tribunal da
comarca em cuja área se situa a residência habitual ou sede do proprietário.
Art.º 22º
1. A apreensão, a penhora e o arresto envolvem a proibição de o veículo circular.
2. A circulação do veículo com infração da proibição legal sujeita o depositário às sanções aplicáveis ao crime
de desobediência qualificada.

Art.º 23º 21
1. É aplicável à penhora e ao arresto de veículos o disposto nos n.ºs 2 e 3 do art.º 18º.
2. Aos registos de penhora e arresto a favor do Estado ou de outras entidades públicas, bem como aos de
levantamento destas diligências, o disposto no n.º 3 do art.º 19º.

O procedimento cautelar de apreensão de veículo tem como finalidade a


apreensão do próprio veículo e da respetiva documentação, implicando a proibição de
circulação – cfr. art.ºs 15.º e 22.º do Dec. Lei n.º 54/75, de 12 de Fevereiro.

3.8.2 Valor do procedimento

Por falta de norma própria para a fixação de valor neste procedimento cautelar
deverá atender-se ao estipulado no art.º 305.º do CPC, significando isto que o valor

18
Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10.
19
Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10.
20
Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10.
21
Redação do Dec. Lei n.º 178-A/2005, de 28-10.

61
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
processual do procedimento é o indicado no requerimento inicial como
representando a utilidade económica imediata do pedido.

3.8.3 Patrocínio judiciário

O n.º 2 do art.º 15.º do Dec. Lei n.º 54/75, de 12 de dezembro, introduz uma
exceção ao regime geral do patrocínio obrigatório, ao conceder expressamente ao
requerente a possibilidade de assinar a petição, exigindo contudo o reconhecimento
notarial da assinatura.

Não fazendo o preceito qualquer referência ao valor processual ter-se-á de


admitir que a intenção do legislador vai no sentido de permitir, neste quadro legal em
concreto, que o requerente aja por si próprio, qualquer que seja o valor do pedido.

Já quanto ao reconhecimento da assinatura, ter-se-á em consideração a


abolição dessa obrigação resultante do art.º 2.º do Dec. Lei n.º 250/96, de 24 de
dezembro.
3.8.4 Tramitação

• A distribuição, autuação e processamento da providência cautelar segue os trâmites


já referidos em 2.2.2, após o processo é concluso ao juiz.

• Não havendo motivo para indeferimento liminar ou para aperfeiçoamento, o juiz,


apreciadas as provas que julgar convenientes, ordena a imediata apreensão do veículo
e dos respetivos documentos.

• Esta decisão é logo notificada ao requerente.

• Por outro lado, a secretaria enceta as diligências com vista à imediata apreensão do
veículo e dos respetivos documentos, podendo solicitá-las a quaisquer entidades
policiais ou administrativas (GNR, PSP, Polícias Municipais, Delegações Alfandegárias
ou Postos Aduaneiros – (art.º 17.º do Dec. Lei n.º 54/75), bem como a remoção do
veículo para uma garagem ou outro local apropriado, onde fica depositada à ordem do
tribunal e confiado à guarda de um depositário, lavrando o respetivo auto de
ocorrência e enviando-o imediatamente ao tribunal.

• Junto o auto ao processo, a secretaria:

62
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
- Notifica ao requerido a decisão proferida, entregando-lhe duplicado do
requerimento inicial, cópias dos documentos acompanhantes, cópia da decisão e cópia
do auto de apreensão, informando-o sobre a possibilidade de nos 10 dias seguintes
deduzir oposição ou em alternativa, no prazo de 15 dias interpor recurso nos termos
do art.º 372.º, aplicável a este procedimento, pese embora o facto de o n.º 1 do art.º
376.º tornar as disposições do procedimento cautelar comum aplicáveis aos
procedimentos “regulados na secção subsequente”, há que ter em conta o art.º 11.º
do Código Civil.

- Notifica a apreensão ao requerente, entregando-lhe oficiosamente uma


certidão da decisão que decretou a apreensão e do próprio auto de apreensão para
efeitos de registo na competente conservatória do registo automóvel.

Esta certidão é isenta de custas por dever ser extraída oficiosamente – cfr.
art.ºs 17.º, n.º 3 do Dec. Lei n.º 54/75 e parte final da al. d) do n.º 1 do art.º 16.º do
Regulamento das Custas Processuais.

Aqui, o prazo para propositura da ação é de 2022 a contar da notificação ao


requerente da decisão que decretar a medida cautelar.

Sendo aplicado ao procedimento o regime da inversão do contencioso,


transitada em julgado a decisão que decretou a providência e inverteu o contencioso,
o requerido é notificado de que deve intentar a ação destinada a impugnar a
existência do direito acautelado no prazo de 30 dias, contados da notificação, sob
pena de a providência decretada se consolidar como composição definitiva do litígio –
n.º 1 do art.º 371.º.

Após, se for caso disso, elabora-se a conta (cfr. art.ºs 539.º do CPC e 29.º e
30.º, do Regulamento das Custas Processuais).

22
Os prazos para a propositura das ações estão sujeitos à regra da continuidade dos prazos – art.º 138.º CPC. O prazo
de 15 dias a que se refere o texto legal passou para 20 dias por força da adaptação ao regime operada pelo n.º 1 do
art.º 6.º, al. d) – (disposições transitórias) do Dec. Lei 329-A/95, de 12 de Dezembro “Passam a ser de 20 dias os prazos
cuja duração seja igual ou superior a 13 dias e inferior a 18 dias”.

63
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
APREENSÃO VEÍCULO AUTOMÓVEL
(Dec. Lei n.º 54/75, 12 de fevereiro

PETIÇÃO INICIAL
IALREQUERIMENTO
INICIALINICIAL

Apreciação das
Conclusão provas

NÃO
O
Aperfeiçoamento Indeferimento Decisão e notificação ao
requerente
SIM

Notificação do Notificação do
requerente requerente
SIM Indeferimento

Aperfeiçoa ou findo Há recurso?


o prazo (requerente)

Decreta
NÃO Apreensão

Conta
Notificação Apreensão +
SIM do requerido Auto
(regras da
citação)
Fim
NÃO

Há recurso ou Certidão
oposição?

SIM
SIM

Conclusão Registo pelo


requerente

Recurso de Oposição
apelação OU

64
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3.9 Entrega judicial (após pedido de cancelamento do registo de
bens objeto de locação financeira na conservatória)

[Art.º 21.º do Dec. Lei n.º 149/95, de 24 de junho, alterado pelos Dec. Lei n.º
265/97, de 2 de outubro e 30/2008, de 25 de fevereiro - este diploma instituiu o regime
jurídico da locação financeira]

Art.º 21.º

1 - Se, findo o contrato por resolução ou pelo decurso do prazo sem ter sido exercido o direito de

compra, o locatário não proceder à restituição do bem ao locador, pode este, após o pedido de
cancelamento do registo da locação financeira, a efetuar por via eletrónica sempre que as condições
técnicas o permitam, requerer ao tribunal providência cautelar consistente na sua entrega imediata ao
requerente.

2 - Com o requerimento, o locador oferece prova sumária dos requisitos previstos no número anterior,
exceto a do pedido de cancelamento do registo, ficando o tribunal obrigado à consulta do registo, a
efetuar, sempre que as condições técnicas o permitam, por via eletrónica.

3 - O tribunal ouvirá o requerido sempre que a audiência não puser em risco sério o fim ou a eficácia da
providência.

4 - O tribunal ordenará a providência requerida se a prova produzida revelar a probabilidade séria da


verificação dos requisitos referidos no n.º 1, podendo, no entanto, exigir que o locador preste caução
adequada. [redação dada pelo Dec. Lei n.º 265/97, de 2.10]

5 - A caução pode consistir em depósito bancário à ordem do tribunal ou em qualquer outro meio
legalmente admissível.

6 - Decretada a providência e independentemente da interposição de recurso pelo locatário, o locador


pode dispor do bem, nos termos previstos no n.º 1 do art.º 21.º.

7 – Decretada a providência cautelar, o tribunal ouve as partes e antecipa o juízo sobre a causa
principal, exceto quando não tenham sido trazidos ao procedimento, nos termos do n.º 2, os elementos
necessários à resolução definitiva do caso.

8 - São subsidiariamente aplicável a esta providência as disposições gerais sobre providências cautelares,
previstas no Código de Processo Civil, em tudo o que não estiver especialmente regulado no presente
diploma.

9 - O disposto nos números anteriores é aplicável a todos os contratos de locação financeira, qualquer
que seja o seu objeto.

65
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Locação financeira constitui um misto dos contratos de locação e de compra e
venda. Segundo o art.º 1.º do Dec. Lei n.º 149/95 é o contrato pelo qual uma das
partes se obriga, mediante retribuição, a ceder à outra o gozo temporário de uma
coisa, móvel ou imóvel, adquirida ou construída por indicação desta, e que o
locatário poderá comprar, decorrido o período acordado, por um preço nele
determinado ou determinável mediante simples aplicação dos critérios neles fixados –
art.º 1.º do Dec. Lei n.º 149/95.

Este contrato pode extinguir-se por resolução com fundamento no


incumprimento das prestações (art.ºs 17.º e 18.º) ou por caducidade fundada na não
restituição do bem pelo locatário ao locador depois de terminado o prazo do contrato
e de não ter sido exercida a opção de compra do bem – cfr. art.º 10.º.

Assim, por força do regime constante deste diploma, uma vez resolvido o
contrato, deve o locatário restituir o bem locado ao locador, uma vez que este
mantém o direito de propriedade sobre aquele bem durante o prazo do contrato de
locação financeira. Caso o não faça, pode o locador requerer ao tribunal a sobredita
providência cautelar especificada para a entrega imediata do bem e para
cancelamento do respectivo registo, caso se trate de bem a ele sujeito. E o tribunal
deverá ordenar a providência requerida se a prova produzida revelar probabilidade
séria da verificação dos requisitos enunciados no preceito mencionado, isto é, ter o
contrato de locação financeira sido extinto por resolução ou pelo decurso do prazo
sem ter sido exercido, pelo locatário, o direito de compra e não ter o locatário
procedido à restituição do bem ao locador e/ou ainda não se mostrar cancelado o
respectivo registo de locação financeira. – Ac. TRLisboa, de 11/11/2004, proc.º
8854/2004-6 in www.dgsi.pt.

3.9.1 Valor do procedimento

Por falta de norma própria para a fixação de valor neste procedimento cautelar
deverá atender-se ao estipulado no art.º 296.º, significando isto que o valor
processual do procedimento é o indicado no requerimento inicial como
representando a utilidade económica imediata do pedido.

66
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
3.9.2 Tramitação

• Autuado o requerimento inicial (ter em conta o já referido nos 2 primeiros § do


ponto 2.2.1), o processo é concluso ao juiz.

• O despacho liminar poderá ser de:


- Indeferimento liminar – deste despacho cabe recurso de apelação para o tribunal da
Relação – cfr. art.ºs 629.º, n.º 3 al. c), 638.º e 641.º.
- Aperfeiçoamento - cfr. art.º 6.º e 411.º;
- Dispensa de audição do requerido – cfr. n.º 3 do art.º 21.º do Dec. Lei 149/95;
- Despacho de citação versus notificação – cfr. n.º 3 do art.º 21.º do Dec. Lei 149/95.

• Não havendo motivo para indeferimento liminar ou para aperfeiçoamento, o juiz


ordena a citação do requerido, salvo se o contraditório puser em risco a providência,
pois em tal caso, o requerido só é notificado (segundo as regras da citação) após a
decisão e a consequente realização da providência – cfr. art.ºs 21.º, n.ºs 3 e 7 do Dec.
Lei n.º 149/95, 366.º e 372.º do CPC.

 A citação do requerido processa-se nos termos gerais.

• Produzidas as provas julgadas necessárias, é proferida a decisão que, se não for de


indeferimento do pedido, decreta a providência ordenando:

- A entrega imediata do bem objeto da locação financeira, juntamente com os


respetivos documentos, quando se trate de bem sujeito a registo;
- Podendo, ainda, sujeitar o locador à prestação de caução – cfr. n.º 4 do art.º
21.º.

• Nos termos do n.º 6 do citado art.º 21.º, o locador pode dispor livremente do bem,
independentemente de recurso do locatário.

• Proferida a decisão, a secretaria:

- Apreende e entrega ao requerente o bem e os documentos respetivos, se for


o caso, podendo solicitar a colaboração das autoridades policiais – cfr. art.º 52.º do
Dec. Lei n.º 47/2014 de, 27 de março.

67
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
• Da entrega é lavrado o respetivo auto por quem a efetuar – oficial de justiça ou
autoridade policial (ex. – veículo automóvel).

• Consumada a diligência, se o requerido não tiver sido previamente citado, é agora


notificado segundo as regras da citação em termos análogos aos restantes
procedimentos.

Se a decisão for passível de recurso – art.º 629.º - pode este, ser interposto no
prazo de 15 dias -cfr. n.º 1 do art.º 638.º.

Tendo o recurso por objeto também a reapreciação de prova gravada, ao


referido prazo de interposição acresce 10 dias - cfr. n.º 7 do art.º 638.º.

Não sendo a decisão objeto de recurso, o Requerente fica dispensado de


intentar a ação principal se, de acordo com disposto no n.º 7 do art.º 21.º, na decisão
o Juiz antecipar o juízo sobre a causa principal.

Se na decisão o Juiz não antecipar o juízo sobre a causa principal , notificam-se


as partes do trânsito em julgado, sendo ainda o requerente advertido que é de 30 dias
o prazo para interpor a ação respetiva, sob pena de não o fazendo a providência
caducar – art.º 373.º, n.º 1, al. a).

Após o trânsito em julgado da decisão, sendo caso disso, elabora-se a conta –


cfr. art.º 539.º do CPC e 29.º e 30.º, do Regulamento das Custas Processuais.

68
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
ENTREGA JUDICIAL-BEM OBJETO DE LOCAÇÃO FINANCEIRA

(com contraditório prévio)

REQUERIMENTO INICIAL – Após pedido de


cancelamento do registo da locação financeira

Citação pessoal
Conclusão do requerido (ou
notificação)

NÃO
O Findo o prazo da
Aperfeiçoamento Indeferimento
oposição

SIM
Decisão ou
Notificação do Audiência e
Notificação do
requerente decisão
requerente

Aperfeiçoa ou findo Há recurso? Notificações


o prazo (requerente) requerente e
requerido
NÃO

NÃO do
SIM Providência
decretada
Conta

SIM

NÃO Realização da providência –


Fim Apreensão e entrega do
bem ao requerente

Conclusão

SIM Há recurso?
(requerido )
SIM Recurso de
Admite recurso
apelação
Não

NÃO Há Reclamação - SIM Reclamação


ão 643.º

69
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
ENTREGA JUDICIAL-BEM OBJETO DE LOCAÇÃO FINANCEIRA

(sem contraditório prévio)

[SEM CONTRADITÓRIO PRÉVIO]

REQUERIMENTO INICIAL - Após pedido


de cancelamento do registo da locação
financeira

Audiência e
Conclusão decisão

NÃO
O
Aperfeiçoamento Indeferimento Providência
decretada
SIM oposição
NÃO
O
Notificação do Notificação do SIM
requerente requerente
Notificação do requerente +
Apreensão e entrega do bem
locado + notificação do
Aperfeiçoa ou findo Há recurso?
requerido (regras da citação)
o prazo (requerente)

Há recurso
NÃO (requerido)

SIM Há oposição
(requerido)
Conta

SIM

SIM Conclusão
Fim

Audiência e
decisão
Conclusão

Notificações
SIM Recurso de
Admite recurso do
apelação
requerente e
requerido
NÃO

Há Reclamação
643.º Reclamação
NÃO SIM
SIM

NÃO Há recurso

70
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
4. CADUCIDADE

Sem prejuízo do requerente ser dispensado do ónus de propositura da ação, o


procedimento cautelar extingue-se e, quando decretada, a providência caduca (art.º
373.º):

a) Se o requerente não propuser a ação da qual a providência depende dentro


de 30 dias, contados da data em que lhe tiver sido notificado o trânsito em julgado da
decisão que a haja ordenado;

b) Se, proposta a ação, o processo estiver parado mais de 30 dias, por


negligência do requerente;

c) Se a ação vier a ser julgada improcedente, por decisão transitada em


julgado;

d) Se o réu for absolvido da instância e o requerente não propuser nova ação


em tempo de aproveitar os efeitos da proposição da anterior

e) Se o direito que o requerente pretende acautelar se tiver extinguido.

Sem prejuízo das regras sobre a distribuição do ónus da prova, logo que
transite em julgado a decisão que haja decretado a providência cautelar e invertido o
contencioso, é o requerido notificado, com a advertência de que, querendo, deve
intentar a ação destinada a impugnar a existência do direito acautelado nos 30 dias
subsequentes à notificação, sob pena de a providência decretada se consolidar como
composição definitiva do litígio.

Tal pena verifica -se igualmente quando, proposta a ação, o processo estiver
parado mais de 30 dias por negligência do autor ou o réu for absolvido da instância e o
autor não propuser nova ação em tempo de aproveitar os efeitos da propositura da
anterior.

A procedência, por decisão transitada em julgado, da ação proposta pelo


requerido determina a caducidade da providência decretada.

71
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
5. RECURSOS

As decisões judiciais podem ser impugnadas por meio de recurso. Os recursos


são ordinários ou extraordinários, sendo ordinários os recursos de apelação e de
revista e extraordinários o recurso para uniformização de jurisprudência e a revisão –
cfr. art.º 627.º do CPC.

O recurso ordinário é admissível quando a providência tenha valor superior à


alçada do tribunal de que se recorre e a decisão impugnada seja desfavorável ao
recorrente em valor superior a metade da alçada desse tribunal, admitindo sempre
recurso as decisões respeitantes ao valor da causa nos procedimentos cautelares, com
o fundamento de que o seu valor excede a alçada do tribunal de que se recorre e as
decisões de indeferimento liminar do requerimento inicial de procedimento cautelar-
cfr. art.º 629.º, n.º 7 do art.º 641.º, 644.º e 853.º.

A decisão que decrete a inversão do contencioso só é recorrível em conjunto


com o recurso da decisão sobre a providência requerida; a decisão que indefira a
inversão é irrecorrível – cfr. n.º 1 do art.º 370.º.

Das decisões proferidas nos procedimentos cautelares, incluindo a que


determine a inversão do contencioso, não cabe recurso para o Supremo tribunal de
Justiça, sem prejuízo dos casos em que o recurso é sempre admissível – cfr. n.º 2 do
art.º 370.º.

Pode impugnar a decisão cautelar quem, sendo parte no procedimento, nele


tenha ficado vencido, bem como as pessoas que, apesar de não serem partes, tenham
sido por ela direta e efetivamente prejudicadas – cfr. art.ºs 631.º e 632.º.

O tribunal competente para apreciar o recurso é o tribunal de 2.ª Instância


com competência para o conjunto de comarcas inseridas no distrito administrativo em
que se situe o órgão jurisdicional que tenha proferido a decisão que se pretenda
impugnar – cfr. art.º 67.º, da Lei 62/2013, de 26 de agosto.

Atento o caráter urgente das providências cautelares, o prazo de interposição


do recurso é de 15 dias, contados da notificação da decisão. Tendo o recurso por
objeto também a reapreciação da prova gravada, ao referido prazo de interposição
acrescem 10 dias – cfr. n.ºs 1 e 7 do art.º 638.º.

72
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
O recurso interposto do despacho que indefira liminarmente ou que não ordene
a providência tem efeito suspensivo. Nos demais casos tem efeito meramente
devolutivo – cfr. art.º 647.º.

Do despacho que não admita o recurso pode o recorrente reclamar para o


tribunal que seria competente para dele conhecer, no prazo de 10 dias contados da
notificação da decisão – cfr. art.º 643.º.

6. CUSTAS

Nos processos cautelares, o valor da taxa de justiça é o resultante da Tabela II,


atendendo-se ao valor da base tributária, conforme decorre do n.º 2 do art.º 529.º e
n.º 1 do art.º 530.º, ambos do CPC, e n.º 1 do art.º 6.º, dos n.ºs 1 e 3 do art.º 13.º, do
n.º 1 do art.º 14.º, todos do RCP. Nos termos do n.º 1 do art.º 539.º do CPC e n.º 4 do
art.º 7.º do RCP, a taxa de justiça é paga pelo requerente e, havendo oposição, pelo
requerido.

O valor da taxa de justiça é de 3 UC, nos casos em que a base tributária é igual
ou inferior a 300.000,00€ ou de 8 UC, quando superior.

O valor da base tributária é regra geral, nos termos do art.º 11.º do RCP, o
correspondente ao valor processual constante do n.º 3 do art.º 304.º.

Quando o procedimento se revista de especial complexidade, nos termos do n.º


7 do art.º 530.º do CPC e n.º 7 do art.º 7.º do RCP, o juiz, a final, poderá fixar um
valor superior, dentro dos limites constantes da tabela II.

Tanto o requerimento inicial do procedimento, como a oposição deduzida à


providência sujeitam a parte respetiva à obrigação de comprovar, através da
apresentação, por transmissão eletrónica de dados, o pré-pagamento da taxa de
justiça, sob pena de, não o fazendo, ficar sujeita às sanções previstas na lei
processual – cfr. art.ºs 144.º, 145.º, 558.º e 570.º, todos do Código de Processo Civil e
art.º 9.º da Portaria 280/2013.

O valor da taxa de justiça é calculado com base na tabela II do RCP, pagando


as sociedades comerciais consideradas “grandes litigantes” nos termos do n.º 3 do

73
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
art.º 13.º do RCP, ou seja, de acordo com a tabela II-B e as restantes conforme o
disposto na tabela II-A.

Responsabilidade pelas custas


Segundo o n.º 2 do art.º 539.º do CPC, a taxa de justiça paga nos
procedimentos cautelares é atendida, a final, na ação respetiva, ou seja, caso venha a
ser intentada ação principal, a taxa de justiça paga no procedimento cautelar é
atendida, a final, em sede de custas de parte.

Havendo oposição, a responsabilidade pelas custas é fixada na decisão final,


segundo as regras estabelecidas nos art.ºs 527.º, 534.º, 535.º a 537 e 539.º.

Extrato da tabela II que corresponde à área das providências cautelares:

A B

Taxa de Taxa de
Incidente / procedimento / execução Justiça Justiça

Normal Agravada

Procedimentos Cautelares:

Até €300.000,00 ................................................................ 3 3,5

Procedimentos de valor superior a €300.000,01 ........................... 8 9

Procedimentos de especial complexidade .................................. 9 a 20 10 a 22

74
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares
Coleção “PROCESSO CIVIL”

Autor:

Direção-Geral da Administração da Justiça - Centro de Formação

Titulo:

“Manual de Apoio à Formação- Procedimentos Cautelares”

Coordenação técnico-pedagógica:

Jorge Ribeiro; José Oliveira; José Póvoas; Maria do Carmo; Miguel


Vara.

Coleção pedagógica:

Centro de Formação

2.ª edição de abril de 2017

75
Manual de apoio / Procedimentos Cautelares