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ATUÁRIA

CURSO DE BACHARELADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS – EAD

Atuária – Prof. Fernando José da Conceição Lourenço e Profª. Ms. Téssia Berber Teixeira

Meu nome é Fernando José da Conceição Lourenço. Minha formação é de técnico em Contabilidade,
graduação em Ciências Econômicas, pós-graduação em Contabilidade de Custos, Administração
Financeira, Auditoria e Recursos Humanos. Sou ex-contador de empresa, Agente fiscal de rendas do
Estado de São Paulo aposentado, ex-coordenador do departamento de Ciências Contábeis do Uni-
Facef e professor em cursos preparatórios para concursos públicos. Atualmente, leciono as disciplinas
Contabilidade Geral, Teoria da Contabilidade, Análise de Balanços e Perícia Contábil, no Uni-Facef.
e-mail: flourenco@com4.com.br

Meu nome é Téssia Berber Teixeira. Possuo graduação em Ciências Contábeis pela Faculdade de
Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto/USP (2004) e mestrado no curso de
Controladoria e Contabilidade pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão
Preto/USP (2006), além de cursar pós-graduação lato sensu em Gestão Jurídica de Empresas na
Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP). Atualmente, sou consultora na área
de Contabilidade e Finanças Públicas pela empresa Félix e Teixeira Assessoria, Consultoria e Auditoria
Ltda., professora na Universidade Presidente Antônio Carlos – Unipac e na Universidade de Uberaba
– Uniube. Tenho experiência na área de Ciências Contábeis, com ênfase em Contabilidade de Custos,
Finanças, Contabilidade Societária, Controladoria e Contabilidade Pública.
e-mail: tessia21@hotmail.com
Prof. Fernando José da Conceição Lourenço
Profª. Ms. Téssia Berber Teixeira

ATUÁRIA

Plano de Ensino
Caderno de Referência de Conteúdo
Caderno de Atividades e Interatividades
© Ação Educacional Claretiana, 2010 – Batatais (SP)
Trabalho realizado pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais (SP)

Curso: Bacharelado em Ciências Contábeis


Disciplina: Atuária
Versão: set./2010

Reitor: Prof. Dr. Pe. Sérgio Ibanor Piva


Vice-Reitor: Prof. Ms. Pe. Ronaldo Mazula
Pró-Reitor Administrativo: Pe. Luiz Claudemir Botteon
Pró-Reitor de Extensão e Ação Comunitária: Prof. Ms. Pe. Ronaldo Mazula
Pró-Reitor Acadêmico: Prof. Ms. Luís Cláudio de Almeida

Coordenador Geral de EAD: Prof. Artieres Estevão Romeiro


Coordenador do curso de Ciências Contábeis: Prof. Mateus Colabone Neto
Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves

Corpo Técnico Editorial do Material Didático Mediacional


Preparação Revisão
Aletéia Patrícia de Figueiredo Felipe Aleixo
Aline de Fátima Guedes Isadora de Castro Penholato
Camila Maria Nardi Matos Maiara Andréa Alves
Cátia Aparecida Ribeiro Rodrigo Ferreira Daverni
Dandara Louise Vieira Matavelli Vanessa Vergani Machado
Elaine Aparecida de Lima Moraes
Elaine Cristina de Sousa Goulart
Josiane Marchiori Martins Projeto gráfico, diagramação e capa
Lidiane Maria Magalini Eduardo de Oliveira Azevedo
Luciana A. Mani Adami Joice Cristina Micai
Luciana dos Santos Sançana de Melo Lúcia Maria de Sousa Ferrão
Luis Henrique de Souza Luis Antônio Guimarães Toloi
Luiz Fernando Trentin Raphael Fantacini de Oliveira
Patrícia Alves Veronez Montera Renato de Oliveira Violin
Rosemeire Cristina Astolphi Buzzelli Tamires Botta Murakami
Simone Rodrigues de Oliveira Wagner Segato dos Santos

Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, a transmissão total


ou parcial por qualquer forma e/ou qualquer meio (eletrônico ou mecânico,
incluindo fotocópia, gravação e distribuição na web), ou o arquivamento em
qualquer sistema de banco de dados sem a permissão por escrito do autor e
da Ação Educacional Claretiana.

Centro Universitário Claretiano


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SUMÁRIO

PLANO DE ENSINO
1 APRESENTAÇÃO ........................................................................................................................................... 7
2 DADOS GERAIS DA DISCIPLINA...................................................................................................................7
3 CONSIDERAÇÕES GERAIS............................................................................................................................9
4 BIBLIOGRAFIA BÁSICA................................................................................................................................. 9
5 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR................................................................................................................9
6 E-REFERÊNCIAS............................................................................................................................................ 10

CADERNO DE REFERÊNCIA DE CONTEÚDO


1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................... 13
2 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA DISCIPLINA........................................................................................14

UNIDADE 1 – A CIÊNCIA ATUARIAL


1 OBJETIVOS.................................................................................................................................................... 37
2 CONTEÚDOS................................................................................................................................................. 37
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE...........................................................................................38
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE...........................................................................................................................38
5 A ATUÁRIA E O PROFISSIONAL ATUÁRIO...................................................................................................38
6 ÓRGÃOS DISCIPLINADORES E FISCALIZADORES.......................................................................................40
7 ORIGEM DA CIÊNCIA MATEMÁTICA ..........................................................................................................41
8 MATEMÁTICA ATUARIAL: ORIGEM E EVOLUÇÃO......................................................................................42
9 MATEMÁTICA ATUARIAL: CONCEITOS BÁSICOS........................................................................................43
10 ESTATÍSTICA ATUARIAL................................................................................................................................ 45
11 Q UESTÕES AUTOAVALIATIVAS....................................................................................................................47
12 CONSIDERAÇÕES.......................................................................................................................................... 47
13 E-REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................ 47
14 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................................................................48

UNIDADE 2 – SEGUROS E CONTABILIDADE DE SEGUROS


1 OBJETIVOS.................................................................................................................................................... 49
2 CONTEÚDOS................................................................................................................................................. 49
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE...........................................................................................50
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE...........................................................................................................................50
5 PRINCÍPIOS BÁSICOS DO SEGURO .............................................................................................................50
6 HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DO SEGURO NO BRASIL....................................................................................51
7 MERCADO DE SEGUROS BRASILEIRO: ESTRUTURA E LEGISLAÇÃO.........................................................52
8 SEGURO PÚBLICO E PRIVADO.....................................................................................................................54
9 CONTRATO E TIPOS DE SEGUROS...............................................................................................................55
10 P REVIDÊNCIA OFICIAL E PRIVADA..............................................................................................................59
11 N OÇÕES DE CAPITALIZAÇÃO.......................................................................................................................60
12 E VOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONTABILIDADE: DOS PRIMÓRDIOS À CONTABILIDADE
NAS EMPRESAS SEGURADORAS.................................................................................................................61
13 C ICLO ECONÔMICO DE UMA COMPANHIA DE SEGUROS.........................................................................62
14 CONTABILIDADE NAS EMPRESAS SEGURADORAS.....................................................................................63
15 A NÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DE SEGURADORAS..........................................................................67
16 Q UESTÕES AUTOAVALIATIVAS....................................................................................................................72
17 CONSIDERAÇÕES ......................................................................................................................................... 72
18 E-REFERÊNCIAS............................................................................................................................................ 73
19 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................................73

UNIDADE 3 – TÁBUAS DE MORTALIDADE OU DE SOBREVIVÊNCIA


1 OBJETIVOS.................................................................................................................................................... 75
2 CONTEÚDOS................................................................................................................................................. 75
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE...........................................................................................75
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE...........................................................................................................................76
5 TÁBUA DE MORTALIDADE OU DE SOBREVIVÊNCIA: CONCEITO, ORIGEM E IMPORTÂNCIA..................76
6 TÁBUA DE MORTALIDADE OU DE SOBREVIVÊNCIA: MÉTODOS DE CONSTRUÇÃO................................77
7 TÁBUA DE MORTALIDADE OU DE SOBREVIVÊNCIA: ELEMENTOS DE COMPOSIÇÃO ............................80
8 TÁBUA DE MORTALIDADE OU DE SOBREVIVÊNCIA: APLICAÇÃO.............................................................82
9 TÁBUAS OU TABELAS DE COMUTAÇÃO......................................................................................................84
10 TÁBUA DE ENTRADA EM INVALIDEZ E DE SOBREVIVÊNCIA DE INVÁLIDOS............................................87
11 Q UESTÕES AUTOAVALIATIVAS....................................................................................................................88
12 CONSIDERAÇÕES.......................................................................................................................................... 89
13 E-REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................ 89
14 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................................89

UNIDADE 4 – RENDAS ALEATÓRIAS, SEGUROS E PRÊMIOS


1 OBJETIVOS.................................................................................................................................................... 91
2 CONTEÚDOS................................................................................................................................................. 91
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE...........................................................................................91
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE...........................................................................................................................92
5 RENDAS (SEGUROS DE VIDA)......................................................................................................................92
6 RENDAS COM PAGAMENTOS DE PRÊMIOS À VISTA..................................................................................94
7 RENDAS COM PAGAMENTOS DE PRÊMIOS PARCELADOS........................................................................106
8 SEGUROS PAGÁVEIS POR MORTE...............................................................................................................108
9 CONSIDERAÇÕES.......................................................................................................................................... 111
10 Q UESTÕES AUTOAVALIATIVAS....................................................................................................................111
11 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................................................................112

UNIDADE 5 – RESERVA MATEMÁTICA


1 OBJETIVOS.................................................................................................................................................... 113
2 CONTEÚDOS................................................................................................................................................. 113
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE...........................................................................................113
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE...........................................................................................................................114
5 RESERVAS (OU PROVISÕES) TÉCNICAS.......................................................................................................114
6 RESERVA OU PROVISÃO MATEMÁTICA: CONCEITO E TIPOLOGIA...........................................................122
7 PRINCIPAIS MÉTODOS DE CÁLCULO DA RESERVA MATEMÁTICA............................................................127
8 TRATAMENTO CONTÁBIL DA RESERVA MATEMÁTICA...............................................................................129
9 RESGATE E SALDAMENTO DA RESERVA MATEMÁTICA.............................................................................129
10 Q UESTÕES AUTOAVALIATIVAS....................................................................................................................130
11 CONSIDERAÇÕES.......................................................................................................................................... 131
12 E-REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................ 131
13 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................................131

UNIDADE 6 – AUDITORIA ATUARIAL


1 OBJETIVOS.................................................................................................................................................... 133
2 CONTEÚDOS................................................................................................................................................. 133
3 ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE...........................................................................................133
4 INTRODUÇÃO À UNIDADE...........................................................................................................................134
5 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA AUDITORIA......................................................................................................134
6 AUDITORIA ATUARIAL.................................................................................................................................. 136
7 PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA...............................................................................................................137
8 TIPOS E RISCOS DE AUDITORIA...................................................................................................................139
9 RELATÓRIOS DO AUDITOR INDEPENDENTE...............................................................................................143
10 P LANEJAMENTO DA AUDITORIA DE SEGUROS..........................................................................................146
11 Q UESTÕES AUTOAVALIATIVAS....................................................................................................................149
12 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................................................. 149
13 R EFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................................150
Plano de Ensino

PE

1. APRESENTAÇÃO
Seja bem-vindo!
Daremos início, a partir de agora, aos estudos da disciplina Atuária. Com esta disciplina,
você irá aprender toda a parte teórica desta ciência tão importante que é a Ciência Atuarial, a
qual abrange o mercado de seguros e seus segmentos de previdência oficial e privada, como
também de capitalização.
Além disso, você aprenderá todos os cálculos que norteiam a Ciência Atuarial, ou seja, os
cálculos mais importantes que envolvem a matemática atuarial e que serão desenvolvidos por
meio de reserva matemática, tábua de mortalidade, tábua de comutação, entre outros.
Bons estudos!

2. DADOS GERAIS DA DISCIPLINA

Ementa
Conceitos básicos da ciência atuarial. Ramos e campos de atuação. Seguros (legislação,
tipos, estrutura, classificações e análises contábeis). Noções de Previdência Privada e Capita-
lização. Profissional atuário (formação, carreira, registro, mercado de trabalho, ferramentas
atuariais). Auditoria atuarial (planejamento, procedimentos, riscos, tipos de parecer atuarial e
relatórios). Prática dos cálculos atuariais. Estatística Atuarial: Projeção do Risco (Lei dos Grandes
Números e Estudo das Probabilidades). Matemática atuarial: mensuração da mortalidade e da
8 © Atuária

sobrevivência; desenvolvimento de anuidade; fixação de prêmios e determinação de reservas


matemáticas (cálculo de indenizações); desenvolvimento de tábuas de serviço (de Mortalidade
e Comutação).

Objetivo geral
Os alunos da disciplina Atuária do curso de Ciências Contábeis, na modalidade EAD do
Claretiano, dado o Sistema Gerenciador de Aprendizagem e suas ferramentas, serão capazes de
conhecer a Ciência Atuarial, identificando a sua evolução e aplicação nas empresas de seguros,
de previdência e de capitalização, bem como de entender os cálculos atuariais necessários ao
bom desempenho profissional, relacionando-os à atividade contábil.
Com esse intuito, os alunos contarão com recursos técnico-pedagógicos facilitadores de
aprendizagem, como Material Didático Mediacional, bibliotecas físicas e virtuais, ambiente vir-
tual, bem como acompanhamento do professor responsável, do tutor a distância e do tutor
presencial, complementado por debates no Fórum.
Ao final desta disciplina, de acordo com a proposta orientada pelo professor responsável e
pelo tutor a distância, terão condições de interagir com argumentos contundentes, além de dis-
sertar com comparações e demonstrações sobre o tema estudado nesta disciplina, elaborando
um resumo ou uma síntese, entre outras atividades. Para esse fim, levarão em consideração as
ideias debatidas na Sala de Aula Virtual, por meio de suas ferramentas, bem como o que produ-
ziram durante o estudo.

Competências, habilidades e atitudes


Ao final deste estudo, os alunos do curso de Ciências Contábeis contarão com uma sólida
base teórica para fundamentar criticamente sua prática educacional/profissional. Além disso,
adquirirão as habilidades necessárias não somente para cumprir seu papel de docente/pro-
fissional nesta área do saber, mas também para agir com ética e com responsabilidade social,
contribuindo, assim, para a formação integral do ser humano.

Modalidade
( ) Presencial ( X ) A distância

Duração e carga horária


A carga horária da disciplina Atuária é de 60 horas. O conteúdo programático para o estu-
do das seis unidades que a compõem está desenvolvido no Caderno de Referência de Conteúdo,
anexo a este Plano de Ensino, e os exercícios propostos constam no Caderno de Atividades e
Interatividades (CAI).

É importante que você releia, no Guia Acadêmico do seu curso, as informações referentes à Metodo-
logia e à Forma de Avaliação da disciplina Atuária, descritas pelo tutor na ferramenta Cronograma
na Sala de Aula Virtual – SAV.

Centro Universitário Claretiano


© Plano de Ensino 9

3. CONSIDERAÇÕES GERAIS
Neste Plano de Ensino, você pôde obter informações práticas de como será desenvolvida a
disciplina, os objetivos que poderá atingir, bem como a bibliografia básica e complementar que
fundamentam os conteúdos que nos propomos a desenvolver com você.
Esperamos sua participação nos debates da Sala de Aula Virtual para que, assim, possa-
mos construir o conhecimento de forma colaborativa.
Durante o nosso estudo, você será convidado a fazer pesquisas sobre os temas abordados.
Por isso, faça da pesquisa um hábito e compartilhe suas ideias conosco por meio das ferramen-
tas disponibilizadas na Sala de Aula Virtual, pelo telefone ou por fax.
Esperamos que você atinja suas metas! Bom estudo!

4. BIBLIOGRAFIA BÁSICA
CHAN, B. L.; SILVA, F. L.; MARTINS, G. A. Fundamentos da previdência complementar: da atuária à contabilidade. São Paulo: Atlas:
FIPECAFI/USP, 2006.
SILVA, A. Contabilidade e análise econômico-financeira de seguradoras. São Paulo: Atlas, 1999.
SOUZA, S. Seguros: contabilidade, atuária e auditoria. São Paulo: Saraiva, 2002.
VILANOVA, W. Matemática atuarial. São Paulo: Pioneira, 1969.

5. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
BELTRÃO, K. I. et al. Mortalidade por sexo e idade dos funcionários do Banco do Brasil, 1940-1990. Rio de Janeiro: Ence/IBGE,
set. 1995 (RT 02/95).
______. Tábuas de Mortalidade no Mercado Brasileiro de Seguros – Uma Comparação. IPEA: Rio de Janeiro, out. 2004 (Texto
para Discussão n° 1047).
______. Tábua de mortalidade para os funcionários públicos civis federais do poder executivo por sexo e escolaridade: comparação
com tábuas do mercado. Rio de Janeiro: Ence/IBGE, nov. 2002b (Texto para Discussão 3).
BOOTH, P. M. et al. Modern Actuarial Theory and Practice. Chapman & Hall and CRC Publications, 1998.
BRASIL. Circular SUSEP nº 379, de 19 de dezembro de 2008. Dispõe sobre alterações das Normas Contábeis a serem observadas
pelas sociedades seguradoras, resseguradoras, sociedades de capitalização e entidades abertas de previdência complementar,
instituídas pela Resolução CNSP nº 86, de 3 de setembro de 2002. Efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009. Diário Oficial da
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______. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Altera e revoga dispositivos da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e
da Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília,
28 dez.2007 – Edição extra.
BRASIL. Resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). SUSEP 2004. Resolução CNSP nº 117, de 2004. Altera e
consolida as regras de funcionamento e os critérios para operação das coberturas de risco oferecidas em plano de seguro de
pessoas, e dá outras providências. Rio de Janeiro-RJ, 22 dez. 2004. Disponível em: < http://www.susep.gov.br/textos/resol117-
04.pdf>. Acesso em: 10 set. 2010.
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CAPELO, E. R. Uma introdução ao estudo atuarial dos fundos privados de pensão. 1986. 392 f. Tese (Doutorado em Administração
Contábil e Financeira) – Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, São Paulo.
CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE-SP/IBRACON (Instituto Brasileiro de contadores). Demonstrações financeiras. São
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FERREIRA, W. J. Coleção introdução à ciência atuarial. Rio de Janeiro: IRB, 1985.
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Atlanta-USA, 1999.
10 © Atuária

LAURENTI, R. et al. Estatística de saúde. São Paulo: EPU, 1987.


LOURENÇO, F. J. C. Análise de Balanços. Franca: Uni-FACEF, 2008.
McCARTHY, D., MITCHELL, O. S. International adverse selection in life insurance and annuities. NBER, Sep. 2003 (Working Paper,
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MANO, C. Para aprender "outras línguas": atuária – novos desafios da profissão. Cadernos de seguros, Funenseg, ano 22, nº
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MARTINS, S. P. Direito da seguridade social. São Paulo: Atlas, 2006.
MENDES, J. J. S. Bases técnicas de seguros. São Paulo: Manuais Técnicos de Seguros, 1977.
MURRAY, C. J. L. et al. Modified logit life table system: principles, empirical validation and application. Population Studies, v. 57,
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OLIVEIRA, E. R. Previdência Privada e Seguro de Vida: Tópicos de Matemática Atuarial. Material de Aula. Universidade Católica
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RIBEIRO, E. F., PIRES, V. R. R. Construção de tábua de mortalidade: experiência Banco do Brasil. Ence/IBGE, ago. 2001.
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RUDGE, L. F. (Org.). Dicionário de termos financeiros. São Paulo: Santander Banespa, 2003.
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STANDERSKY, W.; KRAVEC, A. Seguros privados e previdência complementar. São Paulo: Pioneira, 1979.

6. E-REFERÊNCIAS
BELTRÃO, K. I.; PINHEIRO, S. S. Estimativa de mortalidade para a população coberta pelos seguros privados. Texto para discussão
nº 868. Rio de Janeiro, março de 2002a. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br>. Acesso em: 10 set. 2010.
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critério para fins de cálculo da provisão de sinistros ocorridos e não avisados (IBNR), a ser adotado pelas sociedades seguradoras
que não disponham de histórico de informações com dados estatísticos consistentes ou de nota técnica atuarial com metodologia
específica. Rio de Janeiro-RJ. 24 jan. 2005. Disponível em: <http://www.susep.gov.br/textos/Circ283.pdf>. Acesso em: 10 set.
2010.
______. Resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). SUSEP 2004. Resolução CNSP nº 120, de 2004. Aprova as
normas para constituição das provisões técnicas das sociedades seguradoras, entidades abertas de previdência complementar
e sociedades de capitalização. Rio de Janeiro-RJ, 24 dez. 2004. Disponível em: <http://www.susep.gov.br/textos/resol120.pdf>.
Acesso em: 10 set. 2010.
______. Resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). SUSEP 2007. Resolução CNSP nº 163, de 2007. Estabelece
regras para o envio de nota técnica atuarial da carteira de planos de seguro e dá outras providências. Diário Oficial da República
Federativa do Brasil, Brasília, 17 jul. 2007. Disponível em: <http://www.susep.gov.br/textos/resol163.pdf>. Acesso em: 10 set.
2010.
______. Resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). SUSEP 2007. Resolução CNSP nº 171, de 2007. Institui
regras e procedimentos para a constituição das provisões técnicas das sociedades resseguradoras locais Rio de Janeiro-RJ, 17
dez. 2007. Disponível em: <http://www.susep.gov.br/textos/resol171.pdf>. Acesso em: 10 set. 2010.
______. Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). CFC 2003. Resolução CFC nº 953, de 2003. Dispõe sobre a
Alteração no Modelo de Parecer Referido no Item 11.3.2.3 DA NBC T 11 – Normas de Auditoria Independente das Demonstrações
Contábeis. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 24 jan. 2003. Disponível em: <www.cfc.org.br/sisweb/sre/
docs/RES_953.doc>. Acesso em: 7 abr. 2010.
______. Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). CFC 2003. Resolução CFC nº 981, de 2003. Aprova a NBC T 11.6
sobre Relevância na Auditoria. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 11 nov. 2003. Disponível em: <http://
www.crcsp.org.br/portal_novo/legislacao_contabil/resolucoes/Res981.htm> . Acesso em: 7 abr. 2010.
______. Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). CFC 2005. Resolução CFC nº 1.035, de 2003. Aprova a NBC T 11.4
sobre Planejamento da Auditoria. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 26 ago. 2005. Disponível em: <http://
www.crcsp.org.br/portal_novo/legislacao_contabil/resolucoes/Res1035.htm>. Acesso em: 7 abr. 2010.
______. Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). CFC 2009. Resolução CFC nº 1.156, de 2009. Dispõe sobre
a Estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 13 fev. 2009.
Disponível em: <http://www.crcsp.org.br/portal_novo/legislacao_contabil/resolucoes/Res1156.htm>. Acesso em: 7 abr. 2010.
______. Decreto da Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos. 1940. Decreto-Lei nº 2.063, de 1940. Regulamenta sob novos
moldes as operações de seguros privados e sua fiscalização. Brasília-DF. 7 mar. 1940. Disponível em: <https://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/decreto-lei/1937-946/Del2063.htm#art193>. Acesso em: 05 ago. 2010.
______. Decreto da Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos. 1966. Decreto-Lei nº 73, de 1966. Dispõe sobre o Sistema
Nacional de Seguros Privados, regula as operações de seguros e resseguros e dá outras providências. Brasília-DF. 21 nov. 1966.

Centro Universitário Claretiano


© Plano de Ensino 11

Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del0073.htm> . Acesso em: 10 set. 2010.


______. Decreto da Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos. 2007. Lei Complementar nº 126, de 2007. Dispõe sobre a
política de resseguro, retrocessão e sua intermediação, as operações de co-seguro, as contratações de seguro no exterior e as
operações em moeda estrangeira do setor securitário; altera o Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, e a Lei no 8.031,
de 12 de abril de 1990; e dá outras providências. Brasília-DF. 15 jan. 2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/
LEIS/LCP/Lcp126.htm>. Acesso em: 10 set. 2010.
Instituto Brasileiro de Atuária (IBA). Educação. Disponível em: <http://www.atuarios.org.br/>. Acesso em: 10 set. 2010.
Caderno de
Referência de
Conteúdo
CRC

1. INTRODUÇÃO
A disciplina Atuária foi dividida em seis unidades com o objetivo de facilitar sua compre-
ensão sobre o assunto, permitir que você pesquise a respeito dos tópicos apresentados de for-
ma sequencial e, assim, possa solucionar, gradativamente, suas eventuais dúvidas.
No decorrer da Unidade 1, apresentaremos alguns Conceitos Básicos da Ciência Atuarial,
seus ramos e campos de atuação. Além disso, revelaremos o surgimento da Ciência Atuarial no
mundo e, também, a qualificação profissional do atuário quanto à sua formação, carreira e re-
gistro nos órgãos disciplinadores e fiscalizadores, bem como o seu mercado de trabalho. Neste
momento, é importante conhecermos as ferramentas atuariais aplicadas, como a matemática,
a estatística e os métodos das reservas matemáticas, com o objetivo de compreender o cálculo
do prêmio do seguro a ser aplicado para cobrir os riscos e quanto à ocorrência do resgate da
apólice de seguro.
Na Unidade 2, estudaremos os conteúdos teóricos de Seguros e Contabilidade de Segu-
ros, ou seja, veremos uma breve síntese sobre a evolução dos seguros, o mercado de trabalho
atual, a legislação específica e os tipos de seguros, além de noções sobre previdência privada,
previdência social e capitalização, e os principais aspectos contábeis das empresas seguradoras,
tais como as classificações contábeis, as demonstrações contábeis das empresas seguradoras,
as notas explicativas (aspectos relevantes), a análise financeira (índices de endividamento e li-
quidez), a análise econômica (índices de margem e lucratividade), os custos de comercialização
e os custos administrativos de companhias seguradoras.
Já na Unidade 3, discutiremos as Tábuas de Mortalidade ou de Sobrevivência, aprende-
remos como desenvolvê-las, além de desenvolver uma Tábua de Comutação e calcular as ope-
14 © Atuária

rações de seguros e de previdências envolvendo riscos financeiros e atuariais, utilizando-se da


Tábua de Mortalidade e da Tábua de Comutação.
Além disso, na Unidade 4, falaremos sobre Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios, a fim de
conhecer os tipos de rendas e prêmios existentes, bem como aprender a calcular os prêmios por
meio dos diversos tipos de rendas. Estudaremos, ainda, os tipos de seguros (seguros de vida e
seguros pagáveis por morte), aprendendo a calcular os prêmios decorrentes desses seguros.
Na Unidade 5, abordaremos a Reserva ou Provisão Matemática. Apresentaremos as pro-
visões técnicas existentes, conceituando-as e calculando-as, e compreenderemos o conceito de
reserva matemática, demonstrando a sua relação com a Contabilidade. Por fim, introduziremos
os métodos de cálculo da reserva matemática e desenvolveremos cálculos (de forma introdutó-
ria) dos métodos prospectivo e retrospectivo para constituição da reserva matemática.
Finalmente, na Unidade 6, encerraremos a disciplina falando sobre uma abordagem histó-
rica da Auditoria Atuarial. Abordaremos os conceitos das auditorias de seguros, o planejamento
da auditoria de seguros, os procedimentos e nota técnica atuarial, os tipos de parecer e os riscos
existentes, o relatório de avaliação atuarial e o parecer atuarial e, por fim, os relatórios do audi-
tor atuarial independente e seus modelos.
Bons estudos!

2. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA DISCIPLINA

Abordagem Geral da Disciplina

Téssia Berber Teixeira

Mestre em Controladoria e Contabilidade


Neste tópico, apresenta-se uma visão geral do que será estudado nesta disciplina. Aqui,
você entrará em contato com os assuntos principais deste conteúdo de forma breve e geral e
terá a oportunidade de aprofundar essas questões no estudo de cada unidade. No entanto, essa
Abordagem Geral visa fornecer-lhe o conhecimento básico necessário a partir do qual você pos-
sa construir um referencial teórico com base sólida – científica e cultural – para que, no futuro
exercício de sua profissão, você a exerça com competência cognitiva, ética e responsabilidade
social. Vamos começar nossa aventura pela apresentação das ideias e dos princípios básicos que
fundamentam esta disciplina.
A Atuária é uma disciplina da contabilidade que utiliza os conhecimentos adquiridos em
matemática, estatística, economia e administração financeira, para serem aplicados especifica-
mente nas áreas de seguros e de previdência.
O contador precisa conhecer a matemática atuarial já que atua, também, nas mesmas em-
presas que o atuário. Dessa forma, o contador, para efetuar a contabilidade ou auditar empresas
de previdência, seguradoras e empresas de capitalização, precisa ter noção, por exemplo, dos
cálculos que gera a conta de reserva matemática, uma das mais importantes contas do Balan-
ço Patrimonial, situada no passivo, bem como as variáveis que podem modificá-la (OLIVEIRA,
2007).
Para aprendermos o conceito de Ciência Atuarial, além dos vários aspectos relacionados a
essa área, vamos dividir essa Abordagem Geral em seis partes:

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© Caderno de Referência de Conteúdo 15

1) Ciência Atuarial, Profissional Atuário e as Ferramentas Atuariais.


2) Seguros e Previdência.
3) Contabilidade de Seguros.
4) Tábuas de Mortalidade.
5) Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios.
6) Reservas Matemáticas.
Nesta fase inicial, conheceremos um pouquinho mais sobre a Ciência Atuarial, a atuação
do profissional atuário nas empresas seguradoras e de previdência, como, também, a matemá-
tica atuarial.
A atuária surgiu há, aproximadamente, 150 anos na Inglaterra. O foco de seus estudos
abrangia apenas as aposentadorias e pensões, estendendo-se para a área de seguros somente
no século 20. Por fazer parte do mercado financeiro, a atuária continua a se expandir e exige am-
plos estudos na área administrativa e financeira, em virtude dos riscos financeiros e econômicos
envolvidos, todavia, no Brasil, o primeiro curso de Ciências Atuariais, com formação universitária
específica e obrigatória, surgiu somente em meados de 1940.
Entende-se por atuária o ramo do conhecimento que lida com matemática de seguros, in-
cluindo probabilidades, utilizada para garantir que os riscos sejam cuidadosamente avaliados, os
prêmios sejam estabelecidos adequadamente pelos classificadores de riscos e a provisão para
os pagamentos futuros de benefícios seja adequada (OLIVEIRA, 2007).
A atuária é dividida em dois grandes ramos:
• Ramo vida: que tem características de longo prazo e estuda os modelos relacionados
a benefícios de aposentadoria, pensões, seguro de vida e saúde.
• Ramo não vida ou elementar: com características de curto prazo, estuda os modelos
relacionados a seguros em geral, como, por exemplo, incêndios, transportes, acidentes
pessoais, automóveis, responsabilidades civis.
Diante da caracterização da Ciência Atuarial, torna-se imprescindível para o profissional
atuário o conhecimento multidisciplinar no domínio de conceitos gerais sobre matemática, es-
tatística, contabilidade, administração, economia, finanças e informática.
Nesse contexto, o atuário desenvolve, em seu trabalho, a análise dos casos de mortali-
dade, de invalidez, de doença, de fecundidade e de natalidade. Além de comparar as probabi-
lidades de ocorrências, avaliar os riscos e fixar os valores dos prêmios, das indenizações e dos
benefícios. É função dele, também, calcular as reservas técnicas das empresas seguradoras.
O atuário tem como funções:
1) Estimar o preço que o segurado deve pagar para ter os benefícios prometidos.
2) Mensurar e relacionar o acaso e o tempo.
3) Assegurar tanto a solvência econômica quanto a solvência financeira da empresa.
4) Responsabilizar-se pela determinação e tarifação dos prêmios de seguros e de capita-
lização.
5) Responsabilizar-se pela análise atuarial dos lucros dos seguros e da forma de distribui-
ção entre os segurados.
Somente o atuário pode assinar os balanços das empresas seguradoras e de capitaliza-
ção.
A profissão do atuário é considerada como uma das profissões do futuro, já que há uma
escassez de mão de obra qualificada, ocasionando, assim, uma grande demanda por esses pro-
16 © Atuária

fissionais. Dessa forma, as oportunidades de empregos são atraentes, já que o mercado absor-
ve todos os profissionais que se formam anualmente no Brasil, destacando-se os salários com
quantias consideráveis.
Os campos de atuação do profissional de atuária são, especialmente, os segmentos de
seguros e capitalização, previdência social e privada, resseguro e instituições financeiras.
No Brasil, a educação atuarial para a qualificação e capacitação do atuário é realizada
por curso de graduação específico, com duração média de quatro anos ou oito semestres, para
obtenção do diploma de graduação em Ciências Atuariais, por meio de universidades já creden-
ciadas pelo MEC.
Concluído o curso, o atuário deverá registrar-se como profissional provisório nos Con-
selhos Regionais, conforme as regras estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A
apresentação do diploma deverá ocorrer no prazo máximo de 12 meses a contar da data do
registro. Após esse prazo, se o atuário não apresentar o diploma, o registro profissional emitido
será automaticamente cancelado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Além dos Conselhos Regionais, que são órgãos disciplinadores e fiscalizadores da profis-
são atuária, existe o Instituto Brasileiro de Atuários (IBA), que representa a associação de classe
dos atuários brasileiros. Esse órgão reconhece todos os formandos dos cursos de graduação au-
torizados pelo MEC por meio da aplicação de exame obrigatório aos novos membros, e somente
os graduados em atuária poderão realizá-los.
É importante destacar que a Ciência Atuarial mensura os riscos seguráveis, todavia, uma
característica essencial para o cálculo de seguros e de previdência é o mutualismo, já que a
atuária se preocupa com um grupo de pessoas que possui os mesmos interesses, no que tange
à busca de recursos para suprir eventuais necessidades presentes e futuras por meio da contra-
tação de seguros ou de previdência.
Isso porque a sociedade, como forma de minimizar os impactos das incertezas futuras,
achou adequado organizar-se em grupos, a fim de considerar os riscos de maneira coletiva em
detrimento à perspectiva individual, de modo que os possíveis danos fossem suportados pelo
conjunto.
Os cálculos atuariais contemplam a Matemática Financeira com os princípios de Estatísti-
ca.
A matemática financeira pode ser aplicada na verificação do valor presente de um deter-
minado prêmio, já a estatística, por meio da probabilidade, pode verificar, por exemplo, a possi-
bilidade de um individuo de idade “x” chegar à idade “x+n” anos.
Dessa forma, as principais ferramentas de cálculo abrangidas pela Ciência Atuarial são a
estatística, sobretudo na elaboração da tábua de mortalidade, e a matemática financeira, no
desenvolvimento dos cálculos de risco.
Vale dar destaque, também, à Estatística Atuarial, por ser de suma importância para o de-
senvolvimento dos cálculos atuariais. Dentro da Estatística Atuarial, encontram-se duas grandes
ferramentas utilizadas pelos atuários: a Lei dos Grandes Números e a Probabilidade.
A Lei dos Grandes Números determina o grau de possibilidade de produção de um deter-
minado acontecimento. Essa lei é fundamental para a técnica atuarial no que se refere ao cálcu-
lo e à determinação dos prêmios que devem ser aplicados para cobrir os riscos. Portanto, para
uma seguradora de veículos, por meio da Lei dos Grandes Números, é possível verificar quantos
dos carros segurados, em porcentagem, provavelmente, sofrerão algum dano em um período
determinado.
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© Caderno de Referência de Conteúdo 17

Já, a Probabilidade remete à ideia de acaso, de algo que simplesmente tem de acontecer
e que não se pode fazer nada (ou pode-se fazer muito pouco) para mudar, como o nascimento,
o crescimento, a velhice e a morte.
Essas ferramentas são utilizadas em vários cálculos atuariais como as tábuas de mortali-
dade ou de sobrevivência, que se utilizam da probabilidade para detectar o número de óbitos e
de sobrevida de uma determinada população, além de verificar, também, a esperança de vida
de um indivíduo.

O seguro e a previdência oficial e privada


O seguro é um meio de proteção contra perdas decorrentes de vários tipos de riscos.
Em outras palavras, o seguro nada mais é do que um contrato em que uma das partes, a
seguradora, obriga-se para com a outra parte, o segurado, a indenizá-lo de um prejuízo, o sinis-
tro, resultante de um evento futuro, possível e incerto (o risco) indicado no contrato, mediante
o recebimento de uma importância estipulada (o prêmio) (SOUZA, 2002).
A atividade seguradora, no Brasil, teve início com Dom João VI, que promoveu a abertu-
ra dos portos ao comércio internacional. A primeira seguradora do país foi fundada em 24 de
fevereiro de 1808, e denominada "Companhia de Seguros Boa Fé", com sede na Bahia, que, na
época, era um grande centro da navegação marítima.
A consolidação da legislação de seguros, de resseguros e das atividades de capitalização
do país deu-se com o decreto-lei nº 73, de 1966, que originou o Sistema Nacional de Seguros Pri-
vados, constituído pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), pela Superintendência
de Seguros Privados (Susep), pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), pelas sociedades auto-
rizadas a operar em seguros privados e capitalização, bem como pelos corretores habilitados.
As companhias de seguros no Brasil têm como característica operar em vários ramos de
seguros, não sendo especializadas em determinado segmento. Isso dificulta a administração,
já que envolve diversas carteiras com riscos, públicos, tamanho e rentabilidades muito diferen-
tes.
O Sistema Nacional de Seguros Privados é composto por diversos órgãos reguladores, são
eles:
1) CNSP – Conselho Nacional de Seguros Privados: é o órgão máximo do setor de segu-
ros, responsável pela fixação de diretrizes e normas da política de seguros e ressegu-
ros, o qual regula e fiscaliza a orientação básica e o funcionamento dos componentes
do sistema.
2) SUSEP – Superintendência de Seguros Privados: autarquia vinculada ao Ministério da
Fazenda criada como órgão governamental de atuação colegiada e competência nor-
mativa, responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguro, previdência
privada aberta (complementar), capitalização e resseguros.
3) IRB – Instituto de Resseguros do Brasil: é uma sociedade de economia mista com per-
sonalidade jurídica própria de direito privado, além de desfrutar de autonomia para
fiscalizar (regular) o cosseguro, o resseguro (obrigatório e facultativo) e a retrocessão,
organizar e administrar consórcios, proceder à liquidação de sinistros e distribuir pelas
seguradoras a parte dos resseguros que não retiver, bem como promover o desenvol-
vimento das operações de seguro no país.
4) CONSIF – Confederação Nacional do Sistema Financeiro: entidade sindical de grau su-
perior que congrega as federações, na qual se agrupam os sindicatos que representam
as instituições financeiras.
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5) FENASEG – Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitaliza-


ção: é a entidade que congrega as empresas do setor de seguros, organizadas por
meio de oito sindicatos patrimoniais regionais com localização na Bahia, em Minas
Gerais, no Paraná, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, em Santa
Catarina e em São Paulo.
6) FENACOR – Federação Nacional dos Corretores de Seguros, de Capitalização e de
Previdência Privada: entidade coordenadora dos interesses da categoria econômica
dos corretores de seguros e de capitalização.
7) ANAPP – Associação Nacional de Previdência Privada: representa as entidades atu-
antes no segmento aberto de previdência privada no Brasil, agindo pelos seus interes-
ses.
8) FENAPREVI – Federação Nacional da Previdência Privada e Vida: essa nova entidade
sucedeu a ANAPP e faz parte do novo modelo institucional de representação do mer-
cado segurador brasileiro com grande expansão.
9) FUNENSEG – Fundação Escola Nacional de Seguros: entidade que tem por finalidade
profissionalizar e qualificar as pessoas e as empresas que trabalham com seguros.
10) IBA – Instituto Brasileiro de Atuária: é uma instituição que tem como objetivos a pes-
quisa, o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da ciência e da tecnologia dos fatos
aleatórios econômicos, financeiros e biométricos em todos os seus aspectos e apli-
cações; a colaboração com instituições de seguro e capitalização, previdência social
e privada, organizações bancárias e similares, além de cooperação com o Estado no
campo de atuação do profissional de atuária e na implementação da técnica atuarial.
11) CGPC – Conselho de Gestão da Previdência Complementar: órgão colegiado, norma-
tivo de deliberação, coordenação, controle e avaliação da política nacional das entida-
des fechadas de previdência privada, integrante da estrutura regimental do Ministério
da Previdência Social.
As empresas seguradoras podem realizar a venda de seguros por meio do corretor de
seguros, ou do agente de seguros (profissional de vendas vinculado a uma seguradora, que co-
mercializa seus planos) ou, também, pela venda direta de seguros ao consumidor, que procura
fazer seu seguro diretamente com a seguradora.
Existem dois tipos de seguros, segundo a manutenção de garantia:
• Seguro público: caracteriza-se por ter o risco segurado assumido por pessoa jurídica
de direito público, sem finalidades lucrativas. Como exemplo, podemos citar os seguros
cujo monopólio pertence ao Estado, como a Previdência Social.
• Seguro privado: ocorre quando o risco segurado é assumido por pessoa jurídica de di-
reito privado com fins lucrativos e constituída sob a forma de uma S.A. Obedece às leis
específicas e abrange todos os seguros, exceto os sociais, além de contemplar aspectos
atuariais, financeiros, políticos e jurídicos. No caso dos seguros agrícolas, estes podem
ser assumidos por cooperativas.
A legislação brasileira também impõe a contratação de alguns seguros obrigatórios, são
eles:
1) Danos pessoais causados por veículos de via terrestre ou de carga a pessoas transpor-
tadas ou não, e a passageiros de aeronaves comerciais.
2) Responsabilidade civil do construtor de imóvel em zona urbana por danos a pessoas
ou coisas.
3) Garantia de pagamento a cargo do mutuário da construção civil.
4) Bens dados em garantia de empréstimo ou financiamento de instituições públicas.
5) Incêndio e transporte de bens pertencentes às pessoas jurídicas situadas no país ou
nele transportadas.
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6) Crédito rural e crédito à exportação, quando concedidos por instituições públicas.


Se falarmos em natureza dos riscos, os seguros podem ser classificados em:
• Seguros de pessoas: são escolhidos e definidos pelo próprio segurado e o prêmio é fixo.
A variável mais importante é a duração da vida da pessoa, assim o pagamento da inde-
nização tem relação com o valor da cobertura contratada pelo segurado. São exemplos:
os seguros de vida, os seguros de acidentes pessoais, de educação e de saúde.
• Seguros de não pessoas: são relacionados ao bem segurado. As variáveis mais impor-
tantes são o tempo e a probabilidade de ocorrência do evento. A principal finalidade
desse tipo de seguro é indenizar (reparar) o segurado, a perda financeira ocasionada
pelo sinistro. São exemplos: os seguros de danos patrimoniais (seguros de automóveis,
de cargas, de incêndios) e os seguros de prestação de serviços (seguro de fiança loca-
tícia).
O contrato de seguro é um documento exigido por lei que formaliza a relação entre a
seguradora e o segurado, sendo que a seguradora compromete-se com o segurado a pagar-lhe
um prêmio ou a indenizá-lo, caso haja algum prejuízo futuro resultante de riscos previstos no
contrato.
Os principais instrumentos formais que compõem o contrato de seguro são:
1) Proposta: é a base do contrato representando a vontade do segurado de transferir o
risco para a seguradora.
2) Apólice: é o contrato propriamente dito, emitido a partir da proposta. Inclui todas as
cláusulas pactuadas, em vigor por determinado período, geralmente um ano.
3) Endosso: é o documento que atualiza o contrato, isso quando for necessário modificar
a apólice.
4) Aditivos ou Averbações: são documentos emitidos pelo segurado para informar à se-
guradora sobre bens e verbas a garantir.

Previdência oficial e privada


A Previdência Oficial é oferecida pelo Estado, como pessoa jurídica de direito público, sem
fins lucrativos e tem como objetivo a proteção da classe trabalhadora, garantindo sua subsistên-
cia, ou seja, o mínimo de preservação de qualidade de vida de modo condizente com a justiça
social.
A Previdência Oficial no Brasil é administrada pelo Ministério da Previdência Social, por
meio do INSS – Instituto Nacional do Seguro Social, que recebe as contribuições mensais dos
trabalhadores e de empresas para prestar os benefícios nos casos de aposentadoria ou invalidez
permanente.
A Previdência Oficial no Brasil sofreu com uma sucessão de défices nos últimos anos, pio-
rando ainda mais essa situação, o número de contribuintes tem diminuído gradativamente du-
rante os anos e tem aumentado o número de pessoas beneficiadas, fazendo que esse défice au-
mente ainda mais ao longo anos. Além disso, o benefício concedido aos aposentados é inferior
e insuficiente para manter o padrão de vida esperado na velhice.
Devido às características atuais da Previdência Oficial no Brasil, o crescimento e a popula-
rização da previdência privada ocorreram de maneira significativa ao longo dos anos.
A previdência privada pode ser classificada como um seguro de renda, já que é uma apo-
sentadoria independente que pode complementar a concedida pela Previdência Social, desta-
cando-se por ser opcional e voluntária, utilizada para preservar um determinado padrão de vida.
20 © Atuária

O participante pode começar a receber uma pensão antes mesmo de se aposentar ou de sacar
parte do prêmio, se vir a enfrentar uma doença grave.
A previdência privada pode ser tanto fechada quanto aberta, conforme veremos a seguir.
As entidades de previdência privada fechada só podem administrar um único fundo de
pensão, isto é, operam dentro de uma única empresa e têm como participantes apenas seus
funcionários, com o objetivo de prestação de benefícios complementares e assemelhados aos
da Previdência Social.
As entidades de previdência privada aberta administram diversos fundos ao mesmo tem-
po e qualquer pessoa pode participar. Visam à prestação de benefícios opcionais, de caráter
mais individual. Os planos garantem remuneração mínima igual à da poupança. As contribuições
são mensais por um número determinado de anos, segundo a renda futura esperada e a idade
previamente estabelecida, e os benefícios podem ser recebidos na forma vitalícia ou em forma
de capital.
A seguir, procuraremos entender como a contabilidade faz parte de todo esse processo de
ligação entre a gestão contábil e atuária das empresas de seguros.
A contabilidade, antigamente, era necessária apenas para atender às exigências fiscais,
todavia, atualmente, é vista como uma ferramenta gerencial, responsável por um fluxo contí-
nuo de informações nas empresas para suprir os tomadores de decisões com dados confiáveis
e úteis.
Desse modo, no Brasil, com o crescimento do mercado de seguros, o controle e a dispo-
nibilização dos dados estão relacionados aos cálculos atuariais existentes, principal fonte de
medida do desempenho financeiro da seguradora, que administra capitais de terceiros com o
intuito de satisfazer prejuízos que possam advir dos riscos segurados.
A contabilidade de uma seguradora é uma tarefa complexa e o desafio está na avaliação
dos ativos intangíveis e intelectuais, em virtude dos tipos de seguros oferecidos e da qualidade
desses serviços. Assim, para que uma seguradora possa ter sucesso, os ativos intangíveis e inte-
lectuais são, muitas vezes, mais importantes do que os ativos físicos e tangíveis.
Com base em sua constituição jurídica, a empresa seguradora é obrigada a seguir as de-
terminações dos órgãos contábeis e obedecer aos princípios contábeis previstos na legislação
societária e às normas do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), regulamentadas por
instruções da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Uma empresa seguradora tem por exigência efetuar o registro de suas operações nos li-
vros contábeis obrigatórios como qualquer outra empresa. As operantes em Ramos Elementares
e em Ramo Vida ainda são obrigadas a efetuar registros oficiais, que são fontes de informações
para as partidas contábeis efetuadas mensalmente pela seguradora.
A contabilidade nas empresas seguradoras compreende três grupos:
• Grupo A: emissão de apólice e outros documentos que envolvam prêmios a receber,
exceto bilhetes de seguro.
• Grupo B: cobrança de apólices e outros documentos que envolvam arrecadação de
prêmios, inclusive bilhetes de seguros.
• Grupo C: sinistros avisados.
No encerramento do exercício social, deverão ser apurados o Balanço Patrimonial, a De-
monstração do Resultado do Exercício, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, a

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© Caderno de Referência de Conteúdo 21

Demonstração de Fluxo de Caixa, a Demonstração do Valor Adicionado, bem como as Notas Ex-
plicativas e, obrigatoriamente, essas demonstrações deverão ser divulgadas em jornais de gran-
de circulação. As demonstrações contábeis devem ser elaboradas de acordo com os princípios
contábeis criados por resolução do Conselho Federal de Contabilidade e, também, previstos na
legislação societária e especificamente constantes nas normas do CNSP, que foram devidamente
regulamentadas pelas instruções da Susep.
Devido à sua especificidade, a companhia seguradora contempla algumas contas que, nor-
malmente, não são utilizadas em outros tipos de empresa, tais como:
1) Créditos operacionais e despesas de comercialização diferidas no Ativo Circulante. Dé-
bitos de operações com seguros e provisões técnicas no Passivo Circulante.
2) Receitas de prêmios emitidos na DRE.
3) Despesas de prêmios de cosseguros e resseguros cedidos, de variação das provisões
de prêmios não ganhos e de sinistros retidos também na DRE.
O atual plano contábil de uma seguradora visa uniformizar os registros, racionalizar a uti-
lização de contas, estabelecer regras, critérios e procedimentos necessários à obtenção e di-
vulgação de dados, além da análise para avaliação do desempenho para que as demonstrações
elaboradas expressem a fidedignidade e a transparência de sua situação econômico-financeira.
Os principais procedimentos contábeis a serem adotados por uma seguradora são:
1) As receitas de prêmios são contabilizadas, pelo seu valor total, quando da emissão da
apólice, e reconhecidas mensalmente nas contas de resultados, pelo valor proporcio-
nal, segundo o transcorrer da vigência do risco.
2) As despesas de comercialização são diferidas quando da emissão da apólice e, tam-
bém, reconhecidas nas contas de resultados mensalmente com base no prazo de vi-
gência do risco.
3) Incluem-se nesses conceitos os prêmios não ganhos, sinistros e despesas de comercia-
lização relativas a cosseguros, resseguros e retrocessão.
4) Os sinistros devem ser registrados contabilmente quando avisados. A provisão é cons-
tituída, muitas vezes, em valores estimados.

Tábuas de Mortalidade
A construção de Tábuas de Mortalidade tem o intuito de apresentar o número de pessoas
vivas e mortas de um determinado grupo desde a origem até a extinção completa desse grupo.
Isso serve para auxiliar os atuários no cálculo dos possíveis riscos seguráveis que possam vir a
ocorrer com um indivíduo segurado.
Para uma dada população, a tábua de mortalidade é uma ferramenta importante em ter-
mos de estudos atuariais e demográficos, sendo muito utilizada para situações de previsões e
estudos de demanda para estimativas de custo da seguridade social e de prêmios de seguros
privados.
A tábua de mortalidade é uma tabela que apresenta o número de pessoas vivas e de pes-
soas mortas, em ordem crescente de idade, desde a origem até a extinção completa do grupo,
caracterizando-se como um dos elementos básicos dos seguros de vida e de previdência social.
Existem dois tipos de tábuas:
• as construídas tendo-se em vista um grande número de população;
• as construídas levando-se em conta um grupo de pessoas selecionadas.
22 © Atuária

As empresas de seguros preferem as tábuas construídas com base em um grupo de pes-


soas selecionadas, porque as construídas considerando um grande número de pessoas tendem
a apresentar resultados muito heterogêneos e que não representam a realidade em que a em-
presa atua, ou seja, as que selecionam um grupo de pessoas acabam por retratar um resultado
mais homogêneo e de acordo com a realidade da empresa.
Para o cálculo da tábua é necessário, inicialmente, escolher a população base que é a po-
pulação a ser estudada, e, logo em seguida, define-se o período estatístico, isto é, o tempo para
a coleta dos dados. Não podemos nos esquecer, também, de desconsiderar do total de pessoas
vivas as reduções ou os acréscimos causados por mortes, pela migração ou pela rotatividade.
A taxa de mortalidade pode variar conforme a idade, o sexo, a região geográfica, a raça,
a ocupação profissional, a faixa de renda salarial etc. Assim, as tábuas de mortalidade podem
ser diferenciadas por sexo e, no caso de seguro de vida, podem ser classificadas, também, por
grupos de fumantes e de não fumantes.
É importante destacar que a construção de tábuas de mortalidade deve ser específica para
cada país, já que cada população tem características diferentes. Todavia, o mercado brasileiro de
seguros e de previdência vem utilizando tábuas desenvolvidas por outros países.
A utilização de tábuas estrangeiras no Brasil acontece devido aos problemas encontrados
na coleta das informações da população (o IBGE é o responsável pela coleta dessas informa-
ções). Entretanto, essa coleta ainda apresenta falhas significativas que afetam sobremaneira o
cálculo das taxas de mortalidade e sobrevivência. Assim, as empresas acabam utilizando tábuas
estrangeiras, por exemplo, AT49, AT83, AT2000 (de origem norte-americana), GKM80, GKM95
(de origem suíça), entre outras.
Os elementos que compõem uma tábua de mortalidade são representados por símbolos,
conforme podemos conferir no Quadro 1:

Quadro 1 Elementos da Tábua de Mortalidade.


SÍMBOLO DESCRIÇÃO
l Originário da palavra "living", representa o número de sobreviventes em uma certa idade.
d Originário da palavra "death", representa o número de pessoas que falecem em uma determinada idade.
p Originário da palavra "probability", representa a probabilidade matemática de sobrevivência.
Mede a taxa de mortalidade ou a probabilidade matemática de falecimento. Ou seja, representa a probabilidade
q
complementar de p.
Originário da expressão "expectation of life", representa a esperança de vida. Ou seja, retrata a média de vida
e
que resta para uma pessoa em uma determinada idade.
ω O símbolo “ômega” representa a idade que não poderá ser atingida por nenhum componente do grupo.
Fonte: Chan; Silva; Martins (2006, p. 55)

Na tábua de mortalidade, denominamos raiz da tábua, o número de pessoas vivas cor-


respondentes à idade inicial, e, a idade final (em que não se encontram mais sobreviventes),
denomina-se de idade ω (ômega). Mediante o cálculo dessa tábua, é possível medir a probabili-
dade de sobrevivência (px), e a probabilidade anual de morte (qx).
As tábuas de mortalidade são, preferencialmente, representadas por seis colunas:
1) 1ª coluna: “x” representa a coluna das idades, isto é, a idade, em anos inteiros, de
uma pessoa de uma população.
2) 2ª coluna: “lx” representa a quantidade de pessoas vivas na idade “x”.
3) 3ª coluna: “dx” é a quantidade de pessoas mortas na idade “x”.

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4) 4ª coluna: “qx” é a taxa de mortalidade correspondente à idade “x”, ou seja, é a pro-


babilidade de uma pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade “x”, morrer com essa
mesma idade.
5) 5ª coluna: “px” representa a taxa de sobrevivência correspondente à idade “x”, ou
seja, é a probabilidade de uma pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade “x”, al-
cançar viva (ativa
0
ou inválida) a idade seguinte “x+1”.
e
6) 6ª coluna: representa esperança de vida, é a expectativa completa de vida para um
x

participante com a idade x.


Às tábuas de mortalidade podem ser acrescentadas mais duas colunas:
• npx = probabilidade de uma pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade x, alcançar
viva (ativa ou inválida) a idade seguinte x+n.
• nqx = probabilidade de uma pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade “x”, sobrevi-
ver até alcançar a idade “x+n”, e, nesta mesma idade, “x+n”, morrer.
A seguir, abordaremos os aspectos concernentes ao cálculo das rendas e seus respectivos
prêmios.

Cálculo das rendas


A renda corresponde a uma forma de pagamento de indenização efetuada pelo segurador.
A renda pode variar significativamente dependendo do modo e do período. O seguro de vida é
um tipo de renda que representa o valor provável de um pagamento (prêmio).
Dessa forma, a renda aleatória é aquela cujos valores somente serão pagos em caso de
sobrevivência do segurado, e a ocorrência do falecimento dele é um evento não programado. A
renda aleatória pode ser dividida em:
• Renda constante: são aqueles títulos cuja remuneração ou retorno de capital pode ser
dimensionado no momento da aplicação. Os títulos de renda constante são públicos
ou privados, conforme a condição da empresa que os emite. Como títulos de renda fixa
públicos podemos citar as Notas do Tesouro Nacional, os Bônus do Banco Central, os Tí-
tulos da Dívida Agrária, bem como os títulos estaduais e municipais. Já como títulos de
renda fixa privados citamos as Letras de Câmbio, os Certificados de Depósito Bancário
(CDB), os Recibos de Depósito Bancário (RDB) e as Debêntures.
• Renda variável: são aqueles cuja remuneração ou retorno de capital não pode ser di-
mensionado no momento da aplicação. São exemplos: ações, quotas ou quinhões de
capital, o ouro, contratos negociados nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros
e assemelhadas. São calculados tanto em progressão aritmética quanto em progressão
geométrica.
A renda aleatória constante pode ser dividida em imediata e diferida.
A renda aleatória constante imediata compreende a renda em que o segurado paga um
valor à vista à empresa seguradora, ou seja, um prêmio único, e, logo em seguida, já se inicia o
recebimento da renda.
A renda aleatória constante diferida é um tipo de renda na qual o segurado paga o valor
do prêmio à empresa seguradora, e o recebimento da renda somente acontece após um deter-
minado período, denominado, período de diferimento. O período de diferimento compreende
o período entre a contratação e o recebimento da renda.
24 © Atuária

Os principais tipos de rendas existentes englobam as rendas aleatórias constantes, que


são as seguintes:
1) Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Antecipada: é uma renda anual, sendo
o seu pagamento no início do período e contratada por toda a vida.
2) Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Postecipada: é uma renda com paga-
mento que anula no fim do período, sendo paga pelo resto da vida.
3) Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Antecipada: é uma renda paga anu-
almente no início de cada período, porém, é paga apenas por um prazo estabelecido.
Essa renda possui as mesmas características da Renda Aleatória Constante Imediata
Vitalícia Antecipada, entretanto ela deve ser paga por um período estabelecido.
4) Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Postecipada: é uma renda que se
paga ao fim de cada período, todavia, é paga por um prazo determinado. Esse tipo de
renda possui o mesmo comportamento da Renda Aleatória Constante Imediata Vita-
lícia Postecipada, a diferença entre as duas consiste apenas no pagamento que deve
ser feito em um período determinado.
5) Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Antecipada: essa renda é contratada
para ser recebida por toda a vida, sendo que o seu pagamento acontece sempre no
início de cada período, logo após o prazo de diferimento.
6) Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Postecipada: é uma renda anual, con-
tratada por toda a vida, sendo o seu pagamento no fim de cada período, após o di-
ferimento. Esta renda é a que se concede às pessoas no momento da aposentadoria
por tempo de contribuição ou por idade, cujo pagamento se inicia um mês após a
cessação das atividades das pessoas, ignorando-se, a partir dali, se essas pessoas con-
tinuarão ativas ou não.
7) Renda Aleatória Constante Diferida Temporária Antecipada: é uma renda anual, con-
tratada por um prazo estabelecido, sendo o seu pagamento no início de cada período,
após o diferimento.
8) Renda Aleatória Constante Diferida Temporária Postecipada: é uma renda anual,
contratada por um prazo estabelecido, sendo o seu pagamento no fim de cada perío-
do, após o diferimento.
Para se calcular o prêmio, isto é, o valor a ser pago pelo segurado à empresa seguradora
para obtenção da renda, basta calcular as obrigações futuras do segurado, que são as mesmas
da seguradora.
Desse modo, a equação da obtenção do valor do prêmio é expressa a seguir:
Obrigação do segurado = Obrigação da Seguradora
ou
Valor presente das obrigações do segurado = Valor presente da renda futura do segurado
Para tanto, essas rendas podem ser compradas à vista, com pagamento de prêmio único;
ou, a prazo, com prêmios pagos em parcelas.
A seguir, enfocaremos o último tópico que trata das Reservas Técnicas.

Reservas Técnicas
A Reserva Técnica é chamada de reserva para riscos futuros como, também, reservas para
riscos em curso. Reserva, em Ciências Atuariais, além do Capital Social e da soma de dívidas
determinadas, é tudo que figura no passivo de uma sociedade. Assim, reserva poderá destinar-
se:
• à depreciação de certos elementos do ativo;

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© Caderno de Referência de Conteúdo 25

• aos futuros pagamentos, cujos montantes são ignorados, mas cuja realização é certa;
• à cobertura de perdas futuras ou de estabilidade da sociedade seguradora.
Assim, as reservas técnicas são a garantia das transações das empresas de seguros e de-
vem ser constituídas de modo a obedecer a critérios de rentabilidade, à segurança e à liquidez,
para que a constituição venha consolidar os ativos das empresas seguradoras.
Existem diversos tipos de reservas ou provisões técnicas que são classificadas de acordo
com o destino de cada um de seus objetivos:
1) Provisão de Prêmio Não Ganhos: tem como objetivo garantir o pagamento dos sinis-
tros, do início de vigência até o término de vigência, ou seja, o prêmio recebido no
início de vigência não pode ser assumido como Prêmio Ganho até que o risco já tenha
decorrido.
2) Provisão de Insuficiência de Prêmios: deve ser constituída se for constatada insufici-
ência da Provisão de Prêmios Não Ganhos para a cobertura dos sinistros a ocorrer.
3) Provisão de Sinistro a Liquidar: destina-se a garantir o pagamento das indenizações
por sinistros, ocorrido e ainda não liquidado, por ocasião do encerramento do balan-
ço.
4) Reserva ou Provisão Matemática: corresponde a uma parte do prêmio recebido para
garantir o nivelamento do citado prêmio e, também, para atender ao pagamento do
capital segurado. É aplicada em seguros de longa duração, previdência e saúde, com
prêmios nivelados.
Reserva matemática
A reserva matemática é o valor, apurado atuarialmente, representativo dos compromissos
de uma entidade com o pagamento de benefícios futuros a pagar. Exemplificando, no caso de
aposentadoria já concedida, a reserva matemática é igual ao valor atual das rendas já em pa-
gamento, supondo-se que, em relação a elas, não há, ainda, contribuições a receber. No caso
de aposentadorias ainda a conceder, a reserva matemática é a diferença entre o valor atual das
rendas cujos pagamentos ainda não foram iniciados e o valor atual das contribuições a receber,
relativamente às mesmas aposentadorias a conceder. A soma das duas reservas matemáticas,
de aposentadoria já concedidas e de aposentadorias a conceder, representa o montante que a
entidade pagadora das aposentadorias deve possuir, no mínimo, em seus cofres, para a cober-
tura desses benefícios (SOUZA, 2002).
Portanto, a reserva matemática é a diferença entre os compromissos do segurador e dos
segurados, em dado momento, em valor absoluto, avaliados pela mesma tábua de mortalidade,
taxa de juros e à mesma época, sendo dividida em Reserva de Benefícios Concedidos e Reserva
de Benefícios a Conceder.
É importante salientar que as Provisões Matemáticas, assim como as Provisões Técnicas,
são especificadas no Balanço Patrimonial no Passivo. As Provisões Matemáticas são destacadas
no Passivo como Exigível Atuarial – Provisões Matemáticas.
Para o cálculo da reserva matemática são utilizados dois métodos principais:
• Método Prospectivo: que analisa o futuro fazendo uma projeção em que o valor da
reserva é a diferença entre o valor atual das obrigações futuras da seguradora e o valor
atual das obrigações futuras do segurado.
• Método Retrospectivo: que analisa o passado, sendo que o cálculo se baseia no que
já aconteceu, portanto, o valor da reserva é calculado por meio da diferença entre o
montante atuarial das obrigações passadas do segurado e o montante atuarial das obri-
gações passadas da seguradora.
26 © Atuária

Finalizamos aqui a nossa abordagem sobre a Ciência Atuarial, acerca dos conceitos e cál-
culos que remetem a este assunto, e que são importantes para o conhecimento do contador!

Glossário de Conceitos
O Glossário de Conceitos permite a você uma consulta rápida e precisa das definições con-
ceituais, possibilitando-lhe um bom domínio dos termos técnico-científicos utilizados na área de
conhecimento dos temas tratados na disciplina Atuária. Veja, a seguir, a definição dos principais
conceitos desta disciplina:
1) ANAPP – Associação Nacional de Previdência Privada: foi fundada em 1974 como
sociedade civil sem fins lucrativos. Representa as entidades atuantes no segmento
aberto de previdência privada no Brasil, agindo pelos seus interesses. Teve uma parti-
cipação decisiva na regulamentação do Estatuto Básico da Previdência Privada, criado
pela Lei nº 6.435 de 1977.
2) Atuária: procedimento de cálculo estatístico utilizado por seguradoras e fundações de
seguridade social para determinação de condições de seguro. Baseia-se em conheci-
mentos de matemática financeira, cálculo de probabilidade e estatística.
3) Apólice de seguro: instrumento do contrato de seguro emitido pela seguradora pelo
qual o segurado repassa a esta a responsabilidade sobre os riscos, estabelecidos nela,
que possam advir. Contém as cláusulas, condições (gerais, especiais e particulares) do
contrato e as coberturas especiais. Pode ser coletiva, para cobrir um grupo de pessoas
e/ou bens; ou individual, para cobrir apenas uma pessoa ou um bem.
4) Avaliação atuarial: o atuário estuda os aspectos quantitativos e qualitativos relativos
ao ativo e ao passivo do plano técnico.
5) Averbação: documento emitido pelo segurado para informar à seguradora sobre bens
e verbas a garantir, no qual se concretiza a responsabilidade do segurador em certos
seguros.
6) Aviso de sinistro: comunicação formal específica à companhia de seguros da ocorrên-
cia de evento previsto na apólice, sua natureza e gravidade.
7) Beneficiário: pessoa (física ou jurídica) indicada por segurado na apólice, para receber
indenização de seguro em caso de sinistro, ou seja, é quem se beneficia com o segu-
ro.
8) Bônus: desconto no valor do prêmio, concedido aos segurados que não apresentaram
reclamação de indenização durante a vigência da apólice de seguro.
9) Capital segurado: importância monetária fixada na apólice relativa ao valor máximo
estabelecido para o objeto do seguro. Pode ser fixo, quando a indenização é paga in-
tegralmente (seguros de vida, por exemplo) ou proporcional, quando a indenização é
apurada segundo os prejuízos sofridos pelo objeto segurado (ramos elementares).
10) Capitalização: modalidade de captação de poupança com sorteio periódico de prê-
mios. O mercado de capitalização é formado pelas empresas que comercializam títu-
los que combinam formação de poupança programada com premiação por sorteio.
11) Carência: período que a responsabilidade do segurador em relação ao contrato de
seguro fica suspensa, a não ser por morte acidental. É o período legal ou convencional
suspensivo de um direito ou obrigação (nos seguros de vida e saúde, por exemplo).
12) Carta de circularização: consiste no envio, pela auditada, de cartas dirigidas aos forne-
cedores e clientes, sob a supervisão do auditor, solicitando a confirmação das opera-
ções relacionadas (prazos e valores) em determinado período; estes retornam formal-
mente suas respostas diretamente para o auditor, que as conciliará com os registros
contábeis da companhia auditada.
13) Carta de Responsabilidade da Administração: é o documento emitido pelos adminis-
tradores da entidade auditada e deverá ser endereçada ao auditor independente. Sua

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© Caderno de Referência de Conteúdo 27

emissão é obrigatória desde 1º de junho de 1991, pela Resolução CFC nº 700 e com
interpretação técnica dada pela NBC -T 11 – IT 01, mediante a Resolução CFC nº 752,
de 20.09.1993.
14) Circular Susep: normativo regulador do mercado de seguros emitido pela Susep.
15) CGPC – Conselho de Gestão da Previdência Complementar: órgão colegiado, norma-
tivo de deliberação, coordenação, controle e avaliação da política nacional das entida-
des fechadas de previdência privada, integrante da estrutura regimental do Ministério
da Previdência Social.
16) CNSP – Conselho Nacional de Seguros Privados: é o órgão máximo do setor de se-
guros, responsável pela fixação de diretrizes e normas da política de seguros e resse-
guros, regula e fiscaliza a orientação básica e o funcionamento dos componentes do
sistema.
17) Cobertura: garantia de indenização ao segurado ou a seus beneficiários, dos prejuízos
decorrentes da ocorrência de um dos riscos previstos no contrato do seguro.
18) Companhia de seguros: empresa financeira que administra riscos com a obrigação de
pagar indenizações caso ocorrerem perdas e danos dos bens segurados. Suas ativi-
dades são controladas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados e a execução das
funções fiscalizada pela Susep.
19) Condições de seguro: podem ser gerais (conjunto de cláusulas contratuais que es-
tabelecem direitos e obrigações do segurado e da companhia de seguros), especiais
(disposições que modificam, ampliam ou restringem a extensão das condições gerais)
ou particulares (específica para cada contrato, particularizam certos tópicos ou cober-
turas).
20) CONSIF – Confederação Nacional do Sistema Financeiro: entidade sindical de grau
superior que congrega as federações, na qual se agrupam os sindicatos que repre-
sentam as instituições financeiras. É integrada pelas entidades das áreas de bancos,
distribuidora de valores, financeira e seguradora. Por exemplo: Fenaban, Fenadistri,
Fenacrefi e Fenaseg.
21) Corretor de seguros: pessoa física ou jurídica representante do segurado, legalmente
autorizada a angariar e a promover contratos de seguros.
22) Cosseguro (cosseguro): operação em que mais de uma seguradora participa direta-
mente em uma mesma apólice de um mesmo risco. Visto que cada seguradora é res-
ponsável por uma quota ou parte do montante total de seguro, e o prêmio é dividido
na proporção da participação de cada seguradora, ou seja, pulveriza-se o risco, divi-
dindo as responsabilidades do risco assumido, repartindo-o com duas ou mais segu-
radoras.
23) DPVAT – danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre: seguro
obrigatório para todos os proprietários de veículos, consiste em parte integrante do li-
cenciamento anual de veículos, visto que 45% do valor do prêmio pago é repassado ao
Sistema Único de Saúde (SUS) para custeio da assistência médico-hospitalar dos segu-
rados vitimados em acidentes de trânsito e 5% é repassado mensalmente ao Sistema
Nacional de Trânsito, para aplicação exclusiva em programas destinados à prevenção
de acidentes de trânsito.
24) Dano: prejuízo material ou pessoal sofrido por pessoa ou objeto segurado, causado
por acidente, ação da natureza ou ato de terceiros que implica diminuição de um pa-
trimônio ou na ofensa a um bem juridicamente protegido. Pode ser corporal (perda da
capacidade física ou mental por doença, lesão, invalidez ou morte) ou material (des-
truição parcial/total do bem segurado, restrição de sua utilidade ou impossibilidade
de proveito).
25) EAPP – entidade aberta de previdência privada: companhia com fins lucrativos, com
objeto social de instituir planos privados de concessão de pecúlios ou de rendas, de
28 © Atuária

benefícios complementares ou assemelhados aos da previdência social, mediante


contribuição de seus participantes, dos respectivos empregadores ou de ambos.
26) EFPP – Entidade Fechada de Previdência Privada: sociedade limitada ou fundação
sem fins lucrativos, com objetivo social de instituir planos privados de concessão de
pecúlios ou de rendas de benefícios complementares à previdência social. São exclu-
sivamente acessíveis aos empregados de uma só empresa ou de grupo de empresas
patrocinadoras.
27) Endosso: instrumento de atualização no contrato de seguro utilizado quando é neces-
sário fazer alguma alteração na apólice (do risco e cobrança adicional ou restituição
do prêmio).
28) Estipulante: pessoa física ou jurídica que contratou seguros por conta de terceiros,
visto que, eventualmente, poderá assumir a condição de beneficiário, equiparar-se ao
segurado nos seguros obrigatórios ou de mandatário do(s) segurado(s) nos seguros
facultativos.
29) Excedente técnico: provisão eventualmente constituída pelas EAPP, em benefício do
grupo de participantes do plano de pensão para revisão em prazo não inferior a três
anos.
30) Excedente financeiro: provisão eventualmente constituída pelas EAPP, com sobras
apuradas após o cumprimento de todas as exigibilidades do plano de pensão, a fim de
atender à reversão em favor do grupo de participantes quando prevista em contrato.
31) FAPI – fundo de aposentadoria programada individual: fundo criado para constituir
um programa de complementação de aposentadoria com incentivo fiscal de 12% de
desconto sobre a renda bruta anual na declaração de IRPF.
32) FENASEG – Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitaliza-
ção: fundada em junho de 1951, é a entidade brasileira que congrega as empresas do
setor de seguros, organizadas por meio de oito sindicatos patrimoniais regionais com
localização na Bahia, em Minas Gerais, no Paraná, em Pernambuco, no Rio de Janeiro,
no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo. Tem como principais funções
a divulgação do mercado de seguros e de seus participantes, a defesa dos interesses
da categoria, a promoção da conciliação nos dissídios coletivos de trabalho e o ofere-
cimento de serviços de consultoria e assessoria para atender e orientar suas filiadas.
33) FENACOR – Federação Nacional dos Corretores de Seguros, de Capitalização e de
Previdência Privada: entidade coordenadora dos interesses da categoria econômica
dos corretores de seguros e de capitalização. Representa judicial e extrajudicialmente
seus sindicatos filiados e tem como principais objetivos: proteger os interesses da
categoria; colaborar com os poderes públicos, nos estudos e soluções dos problemas
relacionados à categoria; prestar assistência técnica e jurídica aos filiados, inclusive
assessoria técnica e operacionalidade no atendimento aos segurados e beneficiários
do convênio do seguro DPVAT e, por delegação de atribuições da Susep, o exame de
pedidos de registro de corretores de seguros, dos ramos elementares, vida, capitaliza-
ção e previdência privada, além de alterações cadastrais.
34) FENAPREVI – Federação Nacional da Previdência Privada e Vida: essa nova entida-
de sucedeu a ANAPP e é formada por 83 companhias do setor, além de fazer parte
do novo modelo institucional de representação do mercado segurador brasileiro com
grande expansão.
35) Franquia: valor previsto em apólice de seguros, que representa a participação do se-
gurado nos prejuízos indenizáveis consequentes de cada sinistro. Esta é uma variável
importante que altera o valor do seguro, pois, quanto maior a franquia, menor o prê-
mio a ser pago pelo segurado. É variável conforme seu perfil, pois o segurado pode
escolher entre baratear o seguro do automóvel e repassar esse custo para a franquia,
ou vice-versa.

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© Caderno de Referência de Conteúdo 29

36) FUNENSEG – Fundação Escola Nacional de Seguros: entidade mantida pelo SNSP que
tem por finalidade profissionalizar e qualificar as pessoas e as empresas que trabalham
com seguros. Seu objetivo principal é o aprimoramento do profissional de seguros e
do mercado segurador e o desenvolvimento da cultura do seguro no Brasil mediante
cursos, palestras, atividades técnico-culturais e divulgação de pesquisas estatísticas
sobre a área.
37) Garantia de obrigações contratuais: modalidade especializada de seguro, para aten-
der necessidades dos prestadores de serviços e seus contratantes, na qual a apólice
responde pelo cumprimento integral das obrigações do contrato principal.
38) IBA – Instituto Brasileiro de Atuária: foi fundado em 1944 por iniciativa de pesquisa-
dores e matemáticos interessados em ampliar o campo de estudo em temas e traba-
lhos de natureza atuarial. Seus principais objetivos são a pesquisa, o desenvolvimen-
to e o aperfeiçoamento da ciência e da tecnologia dos fatos aleatórios econômicos,
financeiros e biométricos em todos os seus aspectos e aplicações; colaboração com
instituições de seguro e capitalização, previdência social e privada, organizações ban-
cárias e similares, além de cooperação com o Estado no campo de atuação do profis-
sional de atuária e na implementação da técnica atuarial.
39) Importância segurada: valor monetário estabelecido pelo segurado para a cobertura
de seguro e que representa o limite de responsabilidade da seguradora.
40) IOF – Imposto Sobre Operações Financeiras: trata-se de um imposto de competência
da União que tem como fato gerador nas operações de seguro sua efetivação pela
emissão da apólice ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável.
41) Indenização: importância que a companhia de seguros deve pagar ao segurado no
caso da efetivação de um risco coberto pelo contrato de seguro.
42) Instituidor: pessoa jurídica contratante que institui plano de benefício de caráter pre-
videnciário para os participantes vinculados, associados ou membros.
43) Invalidez permanente: perda, redução ou importância funcional definitiva, total ou
parcial, de membro e ou órgão de pessoa física, na forma especificada em apólice de
seguros.
44) IRB – Instituto de Resseguros do Brasil: é uma sociedade de economia mista com per-
sonalidade jurídica própria de direito privado, além de desfrutar de autonomia para
fiscalizar (regular) o cosseguro, o resseguro (obrigatório e facultativo) e a retrocessão,
organizar e administrar consórcios, proceder à liquidação de sinistros e distribuir pelas
seguradoras a parte dos resseguros que não retiver, bem como promover o desenvol-
vimento das operações de seguro no país conforme as diretrizes do Conselho Nacional
de Seguros Privados.
45) Limite máximo de indenização: valor máximo a ser pago em decorrência de um ou
mais sinistros ocorridos durante a vigência da apólice de seguro.
46) Mutualismo: reunião de pessoas com interesses comuns que, em contrato, contri-
buem para a formação de uma massa de recursos, com a finalidade de suprir eventu-
ais necessidades dessas pessoas. Princípio fundamental que constitui a base de toda
operação de seguro: as empresas de seguros conseguem repartir os riscos tomados,
diminuindo os prejuízos que a qualquer delas possa advir em consequência do risco
corrido por todas.
47) Mutuante: aquele que empresta, em um contrato de mútuo.
48) Mutuário: aquele que toma emprestado, em um contrato de mútuo.
49) Objeto do seguro: designação genérica de qualquer interesse segurado, sejam coisas,
pessoas, bens ou obrigações.
50) Parecer atuarial: o atuário atesta ou não a situação de solvência econômico-financeira
da entidade, identifica as discrepâncias encontradas e as razões que as originaram e
propõe correções para esses desvios.
30 © Atuária

51) Pecúlio: benefício devido a um segurado de Previdência Social, caso ele retorne ao
trabalho depois da aposentadoria. Representa, também, o capital segurado pagável
por morte do segurado sob a forma de capital fixo, ou único, corrigível, ou não.
52) Perda total: perda de bem material segurado, caracterizada quando os prejuízos inde-
nizáveis, numa apólice de seguro, atingirem ou ultrapassarem determinado percentu-
al sobre o valor segurado. Segundo Souza (2002, p. 68), "[...] a colisão pode causar a
perda total do veículo, isto é, a danificação de 75% ou mais do veículo".
53) Período de benefício: período durante o qual o participante ou o beneficiário (se for
o caso) faz jus ao recebimento do benefício contratado a um plano de previdência
privada.
54) Período de diferimento: período existente entre a data de inscrição e a data de con-
cessão do benefício do plano de previdência.
55) Período indenitário: tempo que decorre entre a data em que o segurado de um con-
trato de seguros começa a sofrer as consequências de queda de produção, consumo
ou de prestação de serviços, provocadas pelo evento coberto, e a data em que o segu-
rado retorna às atividades normais.
56) PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre: fundo de previdência privada que não garan-
te rendimento mínimo ao participante. O repasse dos rendimentos é integral, depois
de deduzidos todos os custos. No caso de pessoa física, as contribuições até o limite
de 12% da renda bruta anual podem ser deduzidas do imposto a pagar. No momento
do saque, existe a incidência de imposto de renda sobre o valor total do resgate.
57) Plano de benefícios: conjunto de regras definidoras de benefícios de caráter previ-
denciário, comum à totalidade dos participantes a ele vinculados, com independência
patrimonial, contábil e financeira em relação a quaisquer outros planos.
58) Plano de capitalização: forma de acumulação de capital, instituída por companhias
de seguros ou empresas de capitalização, mediante depósitos mensais, que especifica
tempo de duração, resgate, sorteios e prêmios.
59) Plano de garantia mínima: plano de previdência privada que garante rendimento mí-
nimo sobre o capital acumulado. O administrador deve repassar ao beneficiário pelo
menos 50% do rendimento excedente que obtiver.
60) Plano de previdência suplementar: formação da poupança previdenciária na forma
do Plano de Benefício Definido, no qual o participante irá contribuir hoje e saberá o
quanto irá receber na aposentadoria, visto que sua contribuição mensal será o reflexo
de quanto ele receberá no futuro. Os riscos e resultados são assumidos pelo empre-
gador.
61) Portabilidade: possibilidade de o participante transferir, total ou parcialmente, a re-
serva matemática de benefícios a conceder de um plano de previdência privada.
62) Prêmio: é o custo do seguro, pelo valor pago à companhia de seguros por um segura-
do para que esta assuma a responsabilidade de determinado risco. O cálculo é feito
com base no prazo do seguro, importância segurada e exposição ao risco.
63) Previdência privada (previdência complementar): sistema de complemento das apo-
sentadorias do serviço público recebidas por trabalhadores, desde que eles tenham
contribuído para essa modalidade de previdência. No caso das EFPP Entidade Fecha-
da de Previdência Privada, os chamados fundos de pensão, a adesão só ocorre para
aqueles que têm vínculo empregatício com a empresa que patrocina o fundo.
64) Previdência social: instituição pública com objetivo de reconhecer e conceder direitos
a seus segurados. Juntamente com a saúde e a assistência social, compõe a Segurida-
de Social e é responsável pela política pública de proteção integrada ao cidadão. São
segurados do INSS os empregados, os empregados domésticos, os trabalhadores avul-
sos, os contribuintes individuais (autônomos, empresários, entre outros), os especiais
e os facultativos.

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65) Probabilidades: razão ou indício que faz supor a verdade ou a possibilidade de um fato.
O cálculo das probabilidades faz parte do conjunto de regras que permite determinar
a percentagem da possibilidade de ocorrência de um fato. Exemplos: a probabilidade
de morte (uma pessoa de idade “x” falecer antes de ela completar a idade “x+1”) e a
probabilidade de sobrevivência (uma pessoa de idade “x” sobreviver à idade “x+1”).
66) Pro rata: método de cálculo do prêmio do seguro com base nos dias de vigência do
contrato, quando este for realizado por período inferior a um ano.
67) Proponente: pessoa que pretende fazer um seguro e que já firmou uma proposta para
esse fim.
68) Proposta: documento preenchido pelo segurado ou pelo seu representante legal, que
representa a sua vontade de transferir o risco para uma companhia de seguros.
69) Provisões técnicas: são as maiores obrigações de uma seguradora e representam prê-
mios ainda não ganhos e perdas ainda não indenizadas. Dividem-se em comprometi-
das (sinistros avisados e não pagos) e não comprometidas (relativo aos sinistros não
avisados).
70) Pulverizar risco: distribuir as responsabilidades do risco assumido pela companhia de
seguros, por meio do cosseguro e do resseguro.
71) Regulação do sinistro: em um contrato de seguros, é o processo de avaliação das cau-
sas, consequências, circunstâncias e apuração dos prejuízos devidos ao segurado e do
direito deste à indenização.
72) Renda do plano de previdência: benefício do plano de previdência privada, represen-
tado por uma série de pagamentos mensais ao participante ou ao(s) beneficiário(s),
calculado conforme a Nota Técnica Atuarial (documento anexo que tem por objetivo
estabelecer as bases técnicas do plano, como cobertura, regime, cálculo do prêmio,
despesas de carregamento, valor de resgate etc.) e com o tipo de renda mensal con-
tratado.
73) Reserva matemática de benefícios a conceder: sistema técnico-econômico, do qual
se valem as seguradoras para se precaver, no tempo, dos riscos assumidos. São os fun-
dos que as seguradoras constituem para a garantia de suas operações.
74) Reserva técnica: recurso garantidor das obrigações das companhias de seguros, socie-
dades de capitalização e EAPP para garantia dos riscos não expirados e para garantir
sinistros não liquidados. Deve ser aplicada em até 100% em títulos de emissão do
Tesouro Nacional e em até 80% em títulos estaduais, títulos de renda fixa em geral, ou
ativos financeiros, como quotas de fundos de investimento financeiro ou certificados
de privatização.
75) Resgate do plano de previdência: pagamento total ou parcial, devido ao participante
ou beneficiário, da reserva matemática de benefícios a conceder, durante o período
de diferimento de um plano de previdência privada.
76) Responsabilidade civil: garantia que visa cobrir, até o valor do limite máximo de in-
denização contratado, o reembolso de indenização pela qual o segurado vier a ser
responsabilizado civilmente, em sentença judicial transitada em julgado ou em acordo
judicial autorizado de modo expresso pela seguradora por dano involuntário, corporal
e/ou material, causado a terceiros por veículo segurado ou carga transportada.
77) Ressarcimento: reembolso de prejuízos suportados pela companhia de seguros ao
indenizar dano causado por terceiros.
78) Resseguro: operação utilizada pelas companhias de seguros para transferir a uma res-
seguradora o excesso de responsabilidade que ultrapassa o limite de sua capacidade
econômica de indenizar (retenção de riscos). Também pode ser definido como o segu-
ro do seguro, em que se repassa o risco de contrato de seguro superior à capacidade
financeira da seguradora que emitiu a apólice, ou parte dele, a uma resseguradora.
79) Retrocessão: é o resseguro de um resseguro, ou seja, dividir parte do risco de um res-
seguro com outro ressegurador/seguradora.
32 © Atuária

80) Risco em seguros: evento súbito e involuntário, causador de dano material e/ou pes-
soal, de data incerta, que independe da vontade das partes e contra o qual é feito o
seguro. O risco é a expectativa de sinistro. Sem o risco não pode haver contrato de
seguro.
81) Segurado: é a pessoa física ou jurídica em nome de quem se faz o seguro mediante um
contrato. Ele transfere para a seguradora, mediante pagamento do prêmio, o risco de
um evento aleatório atingir o bem de seu interesse. Assim, se o segurado não pagar o
prêmio previsto, ele perde os direitos à indenização prevista no contrato.
82) Seguro: é a transferência do risco por meio da qual uma parte, o segurado, transfere
a probabilidade de perda financeira para outra parte, denominada companhia de se-
guros.
83) Sinistro: realização do risco previsto no contrato de seguro que resulta em perdas para
o segurado ou beneficiário. Pode ser classificado como total ou parcial.
84) Sub-rogação: substituição de coisa ou pessoa por outra coisa ou pessoa, sobre a qual
recaem as mesmas qualidades ou condições dispostas anteriormente em relação à
coisa ou pessoa substituída. Prerrogativa conferida por lei à seguradora que se sub-
roga nos direitos do segurado indenizado perante terceiros responsáveis pelo prejuízo
indenizado.
85) SNSP – Sistema Nacional de Seguro Privado: consolidou em 1966 a legislação de se-
guros do país, com o objetivo de coordenar a política de seguros e preservar a liqui-
dez das seguradoras, gerou um órgão normativo, o CNSP e dois executivos, o IRB e a
Susep.
86) SUSEP – Superintendência de Seguros Privados: autarquia vinculada ao Ministério da
Fazenda, como órgão governamental de atuação colegiada e competência normativa,
responsável pelo controle e pela fiscalização dos mercados de seguro, previdência
privada aberta (complementar), capitalização e resseguros.
87) Taxa de mortalidade: elemento básico dos seguros que lidam com a vida humana.
Reflete a relação percentual entre o número de pessoas vivas e de pessoas mortas,
em ordem crescente de idade (faixa etária), desde a origem até a extinção do grupo
de segurados.
88) Taxa de sinistralidade: reflete a relação percentual entre os sinistros e os prêmios
ganhos, cuja finalidade é medir, comparativamente, o grau da despesa líquida de si-
nistros com a receita líquida de prêmio. Também é chamado de índice de sinistrali-
dade.
89) VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre: plano de previdência privada que oferece
cobertura para morte e invalidez, além de permitir o resgate dos valores aplicados.
Não tem o benefício fiscal proporcionado pelo PGBL (declarado no formulário com-
pleto do IR). É uma alternativa de investimento a longo prazo, declarado no formulário
simplificado do IR.
90) Vigência: é o prazo em uma apólice de seguro que determina o início e o fim da va-
lidade das garantias contratadas. Ela sempre será considerada até às 24 horas do dia
descrito na apólice.
91) Vistoria: inspeção feita por um perito para avaliar as condições do risco a ser segura-
do.

Esquema dos Conceitos-chave


Para que você tenha uma visão geral dos conceitos mais importantes deste estudo, apre-
sentamos, a seguir (Figura 1), um Esquema dos Conceitos-chave da disciplina. O mais aconse-
lhável é que você mesmo faça o seu esquema de conceitos-chave ou até mesmo o seu mapa
mental. Esse exercício é uma forma de você construir o seu conhecimento, ressignificando as
informações a partir de suas próprias percepções.

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© Caderno de Referência de Conteúdo 33

É importante ressaltar que o propósito desse Esquema dos Conceitos-chave é representar,


de maneira gráfica, as relações entre os conceitos por meio de palavras-chave, partindo dos
mais complexos para os mais simples. Esse recurso pode auxiliar você na ordenação e na se-
quenciação hierarquizada dos conteúdos de ensino.
Com base na teoria de aprendizagem significativa, entende-se que, por meio da organiza-
ção das ideias e dos princípios em esquemas e mapas mentais, o indivíduo pode construir o seu
conhecimento de maneira mais produtiva e obter, assim, ganhos pedagógicos significativos no
seu processo de ensino e aprendizagem.
Aplicado a diversas áreas do ensino e da aprendizagem escolar (tais como planejamentos
de currículo, sistemas e pesquisas em Educação), o Esquema dos Conceitos-chave baseia-se,
ainda, na ideia fundamental da Psicologia Cognitiva de Ausubel, que estabelece que a apren-
dizagem ocorre pela assimilação de novos conceitos e de proposições na estrutura cognitiva
do aluno. Assim, novas ideias e informações são aprendidas, uma vez que existem pontos de
ancoragem. 
Tem-se de destacar que “aprendizagem” não significa, apenas, realizar acréscimos na es-
trutura cognitiva do aluno; é preciso, sobretudo, estabelecer modificações para que ela se con-
figure como uma aprendizagem significativa. Para isso, é importante considerar as entradas de
conhecimento e organizar bem os materiais de aprendizagem. Além disso, as novas ideias e os
novos conceitos devem ser potencialmente significativos para o aluno, uma vez que, ao fixar es-
ses conceitos nas suas já existentes estruturas cognitivas, outros serão também relembrados.
Nessa perspectiva, partindo-se do pressuposto de que é você o principal agente da cons-
trução do próprio conhecimento, por meio de sua predisposição afetiva e de suas motivações
internas e externas, o Esquema dos Conceitos-chave tem por objetivo tornar significativa a sua
aprendizagem, transformando o seu conhecimento sistematizado em conteúdo curricular, ou
seja, estabelecendo uma relação entre aquilo que você acabou de conhecer com o que já fazia
parte do seu conhecimento de mundo (adaptado do site disponível em: <http://penta2.ufrgs.
br/edutools/mapasconceituais/utilizamapasconceituais.html>. Acesso em: 11 mar. 2010).

Figura 1 Esquema dos Conceitos-chave da disciplina Atuária.


34 © Atuária

Como você pode observar, esse Esquema dá a você, como dissemos anteriormente, uma
visão geral dos conceitos mais importantes deste estudo. Ao segui-lo, você poderá transitar
entre um e outro conceito desta disciplina e descobrir o caminho para construir o seu processo
de ensino-aprendizagem. Por exemplo, a Ciência Atuarial surgiu da necessidade de cálculo de
aposentadorias e de pensões (Previdência) e, em seguida, de seguros. Assim, fundamentando-
se nos conhecimentos da administração, da matemática, da economia e da contabilidade, é
possível desenvolver todos os cálculos que envolvem os conceitos atuariais.
O Esquema dos Conceitos-chave é mais um dos recursos de aprendizagem que vem se
somar àqueles disponíveis no ambiente virtual, por meio de suas ferramentas interativas, bem
como àqueles relacionados às atividades didático-pedagógicas realizadas presencialmente no
polo. Lembre-se de que você, aluno EAD, deve valer-se da sua autonomia na construção de seu
próprio conhecimento.

Questões Autoavaliativas
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões autoavaliativas sobre os con-
teúdos ali tratados, as quais podem ser de múltipla escolha ou abertas com respostas objetivas
ou dissertativas. Vale ressaltar que se entendem as respostas objetivas como as que se referem
aos conteúdos matemáticos ou àqueles que exigem uma resposta determinada, inalterada.
Responder, discutir e comentar essas questões, bem como relacioná-las com a prática do
ensino de Ciências Contábeis pode ser uma forma de você avaliar o seu conhecimento. Assim,
mediante a resolução de questões pertinentes ao assunto tratado, você estará se preparando
para a avaliação final, que será dissertativa. Além disso, essa é uma maneira privilegiada de você
testar seus conhecimentos e adquirir uma formação sólida para a sua prática profissional.

Bibliografia Básica
É fundamental que você use a Bibliografia Básica em seus estudos, mas não se prenda só a
ela. Consulte, também, as bibliografias apresentadas no Plano de Ensino e no item Orientações
para o estudo da unidade.

Figuras (ilustrações, quadros...)


Neste material instrucional, as ilustrações fazem parte integrante dos conteúdos, ou seja,
elas não são meramente ilustrativas, pois esquematizam e resumem conteúdos explicitados no
texto. Não deixe de observar a relação dessas figuras com os conteúdos da disciplina, pois rela-
cionar aquilo que está no campo visual com o conceitual faz parte de uma boa formação inte-
lectual.

Dicas (motivacionais)
O estudo desta disciplina convida você a olhar, de forma mais apurada, a Educação como
processo de emancipação do ser humano. É importante que você se atente às explicações
teóricas, práticas e científicas que estão presentes nos meios de comunicação, bem como
partilhe suas descobertas com seus colegas, pois, ao compartilhar com outras pessoas aquilo
que você observa, permite-se descobrir algo que ainda não se conhece, aprendendo a ver e
a notar o que não havia sido percebido antes. Observar é, portanto, uma capacidade que nos
impele à maturidade.

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© Caderno de Referência de Conteúdo 35

Você, como aluno do curso de Bacharelado em Ciências Contábeis na modalidade EAD


e futuro profissional da área, necessita de uma formação conceitual sólida e consistente. Para
isso, você contará com a ajuda do tutor a distância, do tutor presencial e, sobretudo, da intera-
ção com seus colegas. Sugerimos, pois, que organize bem o seu tempo e realize as atividades
nas datas estipuladas.
É importante, ainda, que você anote as suas reflexões em seu caderno ou no Bloco de
Anotações, pois, no futuro, elas poderão ser utilizadas na elaboração de sua monografia ou de
produções científicas.
Leia os livros da bibliografia indicada, para que você amplie seus horizontes teóricos. Co-
teje-os com o material didático, discuta a unidade com seus colegas e com o tutor e assista às
videoaulas.
No final de cada unidade, você encontrará algumas questões autoavaliativas, que são im-
portantes para a sua análise sobre os conteúdos desenvolvidos e para saber se estes foram
significativos para sua formação. Indague, reflita, conteste e construa resenhas, pois esses pro-
cedimentos serão importantes para o seu amadurecimento intelectual.
Lembre-se de que o segredo do sucesso em um curso na modalidade a distância é partici-
par, ou seja, interagir, procurando sempre cooperar e colaborar com seus colegas e tutores.
Caso precise de auxílio sobre algum assunto relacionado a esta disciplina, entre em conta-
to com seu tutor. Ele estará pronto para ajudar você.
EAD
A Ciência Atuarial

1. OBJETIVOS
• Compreender os objetivos do estudo da ciência atuarial.
• Conhecer a formação profissional do atuário e identificar a importância de sua atuação
nas empresas seguradoras.
• Identificar os órgãos que regulamentam, disciplinam e fiscalizam a profissão do atuário,
relacionando os cursos de graduação em ciências atuariais, bem como as respectivas
instituições de ensino.
• Compreender a origem e a evolução da ciência matemática atuarial.
• Compreender as ferramentas atuariais, a matemática e a estatística atuarial, a fim de
possibilitar os cálculos de seguros de vida com base em estimativas e projeções sobre
as populações.

2. CONTEÚDOS
• Aplicação da ciência atuarial.
• Conceitos básicos de termos da ciência atuarial.
• Formação profissional do atuário.
• Órgãos fiscalizados e disciplinadores das ciências atuárias.
• Matemática: origem e evolução.
• Introdução à Matemática e Estatística atuarial: origem, evolução, conceituação, princi-
pais ferramentas estatísticas utilizadas.
38 © Atuária

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que você leia as orientações a se-
guir:
1) Tenha sempre à mão o significado dos conceitos explicitados no Glossário e suas li-
gações pelo Esquema dos Conceitos-chave para o estudo de todas as unidades deste
CRC. Isso poderá facilitar sua aprendizagem e seu desempenho.
2) Como o conteúdo desta unidade traz muitos conceitos e muitas definições, é impor-
tante que você procure complementar seus estudos investigando outras obras para
ver o ponto de vista de outros autores.
3) Você sabia que a profissão de atuário ainda é desconhecida pelo público? Além disso,
constata-se que os cursos oferecidos são escassos em razão da carência de profissio-
nais de ciências atuariais no país. Nesta unidade, conheceremos as universidades que
oferecem cursos nesta área.
4) O site do Conselho Regional do curso de Ciências Atuariais disponibiliza consultas e
informações, não deixe de acessar. O endereço eletrônico para o acesso é: <www.
atuarios.org.br>.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
A atuária é uma disciplina da contabilidade que utiliza os conhecimentos adquiridos em
matemática, estatística, economia e administração financeira, para serem aplicados especifica-
mente nas áreas de seguros e previdência.
Podemos conceituar a atuária como uma ciência que estuda todos os conceitos relativos
às áreas de seguros e de previdência. No entanto, para que os cálculos que envolvem os seguros
e a previdência possam ser compreendidos, é necessário ter um conhecimento introdutório de
matemática aplicada a essas áreas.
O aluno do curso de Bacharelado em Ciências Contábeis precisa compreender a Matemá-
tica Atuarial, já que o contador pode atuar, também, nas mesmas empresas que o atuário, e,
para efetuar a contabilidade ou auditar empresas de previdência, seguradoras e empresas de
capitalização, ele precisa ter noção dos cálculos que gera a conta de reserva matemática, uma
das mais importantes contas do Balanço Patrimonial, situada no Passivo, e das variáveis que a
podem modificar.
Nos últimos anos, com as privatizações, aquisições e fusões de empresas que possuem
previdência privada fechada, tornou-se imprescindível ao contador analisar o fundo de pensão
que compõe o Passivo da empresa.
Nesta unidade, identificaremos a aplicação da ciência atuarial e os diferentes aspectos
que envolvem o estudo desta disciplina.
Vamos começar?

5. A ATUÁRIA E O PROFISSIONAL ATUÁRIO


A atuária é dividida em dois grandes ramos: o ramo vida, que tem características de longo
prazo e estuda os modelos relacionados a benefícios de aposentadoria, pensões, seguro de vida
e saúde, e o ramo não vida ou elementar, com características de curto prazo, que estuda os
modelos relacionados a seguros em geral, como, por exemplo, incêndios, transportes, acidentes
pessoais, automóveis, responsabilidade civil (pessoas e bens, garantias e direitos).

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© A Ciência Atuarial 39

Os campos de atuação do profissional de atuária são, principalmente, os segmentos de


seguros e capitalização, previdência social e privada, resseguro e instituições financeiras.
A atuária surgiu há, aproximadamente, 150 anos na Inglaterra, e o foco de seus estudos
abrangia aposentadorias e pensões, estendendo-se para a área de seguros, no século 20.
Por fazer parte do mercado financeiro, a atuária continua a se expandir e exige amplos
estudos na área administrativa e financeira, em virtude dos riscos financeiros e econômicos
envolvidos.
No final do século 19, em Bruxelas (Bélgica), foi realizado o 1o Congresso Internacional de
Atuária. Entretanto, no Brasil, o primeiro curso de Ciências Atuariais somente surgiu na década
de 1940, com formação universitária específica e obrigatória.
Souza (2002, p. 142) assim define:
Ciências Atuariais é o ramo do conhecimento que lida com matemática de seguro, incluindo proba-
bilidades, usada para garantir que os riscos sejam cuidadosamente avaliados, os prêmios sejam esta-
belecidos adequadamente pelos classificadores de riscos e a provisão para os pagamentos futuros de
benefícios seja adequada.

Conforme foi abordado no início desta unidade, a atuária tem sua área de atuação mais
concentrada nos mais diferentes tipos de seguros, divididos nos ramos vida e não vida. Portanto,
é importante considerar a especialização do atuário, uma vez que sua profissão se caracteriza
pelo risco e está fundamentada por metodologias tradicionais, como as teorias econômicas e
administrativas, pois envolve uma intensa manipulação de dados em suas análises.
Para uma melhor compreensão da ciência atuarial, torna-se imprescindível para o atuário
o conhecimento multidisciplinar no domínio de conceitos gerais sobre matemática, estatística,
contabilidade, administração, economia, finanças e informática.
Nesse contexto, o atuário desenvolve, em seu trabalho, a análise dos casos de mortalidade,
de invalidez, de doença, de fecundidade e de natalidade. Além de comparar as probabilidades
de ocorrências, avaliar os riscos e fixar os valores dos prêmios, das indenizações e benefícios.
Por fim, calcula as reservas técnicas da companhia seguradora.
Para tanto, ele estima o preço que o segurado deve pagar para ter os benefícios prometi-
dos e, ainda, busca mensurar e relacionar o acaso (ou equivalência de aleatoriedade) e o tempo
(ou duração dos processos financeiros).
Além disso, o atuário deve assegurar tanto a solvência econômica que compreende o equi-
líbrio do total dos haveres e das obrigações quanto a solvência financeira que representa o paga-
mento das obrigações vincendas da empresa. Também, dentre suas funções, responsabiliza-se
pela determinação e tarifação dos prêmios de seguros, de capitalização e pela análise atuarial
dos lucros dos seguros e da forma de distribuição entre os segurados.
Somente o atuário pode assinar os balanços das empresas seguradoras e de capitaliza-
ção. Pode, também, assessorar a gerência e a administração, orientando as atividades técnicas,
elaborando as normas e ordens de serviço dessas empresas e das instituições de previdência
social.
Dessa forma, podemos observar que o atuário comporá uma das profissões do futuro,
uma vez que, de um lado, se identifica a escassez de mão de obra qualificada e, de outro, uma
grande demanda por esses profissionais. Ou seja, uma das poucas profissões em que se obser-
vam mais postos de trabalho do que candidatos, o que tornam atraentes as oportunidades e,
especialmente, os salários.
40 © Atuária

Assim, o mercado atuarial é um dos mais promissores, absorvendo todos os profissionais


que se formam anualmente no Brasil. O boom da profissão é resultado do crescimento vertigi-
noso das empresas de previdência privada e de seguros, do ingresso de companhias estrangei-
ras no setor, da estabilidade econômica no país e do constante aumento da população.
As principais empresas que empregam os atuários são: as companhias de seguros, os ban-
cos, as entidades de previdência privada, as companhias de capitalização, os fundos de pensão,
os sistemas oficiais de previdência (órgãos como o INSS, via concurso público), além das áreas
de consultoria e auditoria atuarial, estimativas, e análises e planejamento de reservas.

6. ÓRGÃOS DISCIPLINADORES E FISCALIZADORES


Os Conselhos Regionais são órgãos disciplinadores e fiscalizadores que visam garantir à
sociedade a habilitação do atuário em seu exercício profissional.
O exercício da profissão de atuário foi criado pelo decreto-lei nº 806, de 1969, que foi regu-
lamentado por meio do decreto nº 66.408, de 3 de abril de 1970, de cujo artigo 1º transcreve-se:
O atuário é o técnico especializado em matemática superior que atua, de modo geral, no mercado
econômico-financeiro, promovendo pesquisas e estabelecendo planos e políticas de investimentos e
amortizações e, em seguro privado e social, calculando probabilidades de eventos, avaliando riscos e
fixando prêmios, indenizações, benefícios e reservas matemáticas.

No Brasil, a educação atuarial para a qualificação e capacitação do atuário é realizada pelo


curso de graduação específica dessa área, com duração média de quatro anos ou oito semes-
tres, para obtenção do diploma de graduação em ciências atuariais, por meio de universidades
já credenciadas pelo Ministério da Educação e Cultura – MEC.
Relacionamos, a seguir, as instituições de ensino que oferecem o curso de graduação em
Ciências Atuariais no Brasil, a carga horária e a data de reconhecimento pelo MEC:

Quadro 1 Universidades com graduação em Ciências Atuariais.


NOME DA INSTITUIÇÃO DE ENSINO DATA DE RECONHECIMENTO
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS 22/ 09/ 1945
Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ 26/ 09/ 1945
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC SP 08/ 02/ 1958
Fundação de Estudos Sociais do Paraná – FESP 18/ 12/ 1961
Universidade Federal do Ceará – UFCE 13/ 12/ 2001
Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro) 07/ 06/ 2004
Faculdades Metropolitanas Unidas – UniFMU 07/ 06/ 2004
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC MG 09/ 09/ 2004
Centro Universitário Capital – UNICAPITAL 20/ 04/ 2005
Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG 12/ 09/ 2005
Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ 10/ 12/ 2007
Universidade do Estado de São Paulo – USP Ainda não reconhecido
Centro Universitário do Distrito Federal – UniDF Ainda não reconhecido
Fonte: Ministério da Educação – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (atualizado em maio/2008).

Concluído o curso, o atuário deverá registrar-se como profissional provisório, conforme as


regras estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nos termos do Ofício-Circular
nº 118, de 26 de junho de 2006. Para isso é necessária a apresentação das cópias autenticadas
da Certidão de Colação de Grau do Curso Superior de Ciências Atuariais e do Histórico Escolar.

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© A Ciência Atuarial 41

A apresentação do diploma deverá ocorrer no prazo máximo de 12 meses a contar da data


do registro. Após esse prazo, se o atuário não apresentar seu diploma, o registro profissional
emitido será automaticamente cancelado pelo Sistema Informatizado de Registro Profissional
do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE.
Na apresentação do diploma do Curso de Ciências Atuariais, o envio da cópia autenticada
deverá vir acompanhado da Carteira Profissional original, para que a anotação referente ao
registro seja regularizada. A fiscalização do exercício profissional do atuário é exercida pelo Mi-
nistério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério da Previdência Social – MPS.
Outro órgão relevante para a profissão é o Instituto Brasileiro de Atuários ou IBA, que re-
presenta a associação de classe dos atuários brasileiros. Esse órgão reconhece todos os forman-
dos dos cursos autorizados pelo MEC que colaram grau até 2004, não estabelecendo nenhum
tipo de exame ou treinamento adicional.
Entretanto, com a mudança do estatuto do International Actuarial Association (IAA), ins-
tituto que congrega todas as associações de classe em atuária no mundo, e com a proliferação
dos cursos de graduação em atuária no Brasil, o IBA, desde 2005, passou a aplicar exame obriga-
tório aos novos membros, e somente os graduados em atuária poderão realizá-los.
Com o desenvolvimento da educação atuarial, a PUC-RJ já iniciou o primeiro mestrado
stricto sensu do Brasil, foi recomendado pela Comissão da Capes em dezembro de 2004 e foi ho-
mologado pelo MEC em 2008. As linhas de pesquisa do curso de mestrado oferecido pela PUC-
RJ são: Modelagem Atuarial, Gestão e Finanças Atuariais, e Economia de Seguros e Pensões.

7. ORIGEM DA CIÊNCIA MATEMÁTICA


Como a atuária exige conhecimentos multidisciplinares e a matemática é um dos conheci-
mentos mais importantes e necessários para o profissional atuário, conheceremos a origem da
matemática e a sua aplicação na área atuarial, a fim de entendermos as razões de sua existência
e de sua utilização.
Para fundamentar a origem da Matemática, utilizou-se como base Souza (2001), já que
esse autor faz um pequeno resumo da história da ciência matemática, com o objetivo de de-
monstrar a origem da Matemática Atuarial, que, coincidentemente, é o mesmo deste estudo.
Segundo Souza (2001), a matemática encontrou sua origem nas evidências primitivas de
contagem da pré-história, que eram baseadas em pedaços de madeiras, ossos e pedras, já que
para realizar atividades como cozinhar ou construir os homens necessitavam de conhecimentos
matemáticos.
Entende-se, então, que a matemática está ligada ao estudo da magnitude, quantidade e
relação entre números e símbolos. Existem dois tipos de matemática: a pura, voltada para os
interesses teóricos, e a aplicada, desenvolvida por ferramentas e técnicas para a solução de pro-
blemas específicos em negócios, engenharia, computação ou outras aplicações teóricas.
No Egito, as pirâmides já evidenciavam o conhecimento de geometria e o sistema de con-
tagem decimal, que, provavelmente, surgiu por razões biológicas, pois os dedos das duas mãos
facilitavam a contagem natural em grupos de dez.
Os babilônios desenvolveram técnicas de fracionamento e, por razões econômicas, desco-
briram o uso do sexagésimo, utilizado na astronomia e no comércio.
42 © Atuária

Já os romanos ficaram conhecidos pelo seu enfoque prático dedicado às mensurações e


às contagens; os gregos preocuparam-se com o significado filosófico da matemática, como o
descobrimento da importância dos números irracionais, desenvolvido por Pitágoras; enquanto
os indianos demonstraram a vocação pela aritmética, métodos de cálculo, álgebra e trigonome-
tria.
Os primeiros trabalhos matemáticos dos europeus, como a aritmética, a álgebra e a geo-
metria, surgiram somente a partir do século 13, época em que a matemática começou a ser utili-
zada como forma de auxiliar as áreas de outros conhecimentos, servindo como uma ferramenta
eficaz no cálculo e buscando soluções para essas outras áreas.

8. MATEMÁTICA ATUARIAL: ORIGEM E EVOLUÇÃO


Desde a pré-história, o ser humano identificou a necessidade de possuir os conhecimentos
matemáticos, por meio das noções de números, medidas, geometria e espaço, a fim de resolver
os problemas surgidos em cada época.
Pela forma descrita pela história, concluímos que a definição da matemática esteve sem-
pre ligada ao estudo da magnitude, quantidade e relação entre números e símbolos.
Complementando, Souza considera que "[...] a matemática aplicada desenvolve ferramen-
tas e técnicas para a solução de problemas específicos em negócios, engenharia, computação,
ou para as aplicações teóricas desenvolvidas por esta ciência" (2002, p. 146).
Em relação à evolução da matemática como ciência, nada mais plausível do que nos cer-
carmos das informações fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Atuária (IBA).

Evolução da Matemática Atuarial–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––


A ciência atuarial nasceu há aproximadamente 150 anos na Inglaterra com o objetivo de estudar a mortalidade
da população. Tais estudos, que tradicionalmente eram destinados para entidades voltadas para aposentadoria e
pensões, se estenderam para a área de seguros no século 20. Continuando sua expansão, nas últimas décadas, a
concepção de que uma empresa de seguros ou de pensões faz parte do mercado financeiro fez crescer a necessi-
dade de um maior treinamento na área administrativa e financeira, especialmente no que tange riscos financeiros e
econômicos. Vamos entender, portanto, a origem e toda a sua evolução ao longo dos 150 anos de história.
Nos primórdios da civilização já se podia observar a idéia de uma garantia mútua, coletiva e social de indivíduos. Nos
anos de 4.500 a. c. o papiro Les Tailleurs de Pierre de la Basse - Egipte registrou uma caixa com o objetivo de socor-
rer vítimas de certos infortúnios, como entre os operários que construíram o primeiro grande templo dos judeus em
Jerusalém na Idade Média e, ainda, o monopólio da caridade assumido pela Igreja com os soldados pós-guerra.
No período de 753 a 510 a. c., ou seja, no Império Romano, já se notava a preocupação em registrar os nascimen-
tos e as mortes ocorridos entre os habitantes de algumas regiões, e foi Domitius Ulpiames, prefeito de Roma, que
deu os primeiros passos para o desenvolvimento do seguro de vida, pois, considerado o maior economista de sua
época, interessou-se pelo assunto e estudou documentos sobre nascimentos e mortes, sendo que suas observações
concorreram para o progresso da atuária, daí o título de o primeiro atuário da História.
No século 17, na Inglaterra e Holanda, instituições mercantis se comprometiam, mediante recebimento de uma
quantia única, em dinheiro, a pagar a determinadas pessoas, pensões vitalícias, em cumprimento das disposições
testamentárias ou de natureza semelhante, das quais desejavam se livrar os constantes devedores.
As quantias únicas, consideradas equivalentes aos compromissos assumidos pela instituição mercantil, eram deter-
minadas por meio empírico, sem nenhum fundamento científico, insuficientes à responsabilidade a que se destina-
vam, pois a operação não raramente resultava na bancarrota do respectivo segurador, com prejuízos irrecuperáveis
para os beneficiários das pensões contratadas, na maioria por viúvas e órfãos.
Ao mesmo tempo, os próprios governos realizaram operações dessa espécie, em que se empenhavam em vender
aos seus súditos títulos públicos que asseguravam ao tomador a percepção de uma renda vitalícia. Logo, a correta
determinação da importância em dinheiro a ser cobrada em contraprestação dessa obrigação a prazo incerto, natu-
ralmente lhes interessava de perto, e acabaram encarregando seus melhores matemáticos de estudar o problema e
encontrara a solução.
A base matemática necessária havia sido estabelecida no mesmo século por Pascal e Fermat, na França, idealizado-
res do cálculo da probabilidade. De Witt, na Holanda, Graunt e Halley, na Inglaterra, estudaram o problema levando
em conta as leis da probabilidade e a longevidade humana, deduzida esta dos registros de nascimentos e óbitos.
Havendo De Witt recomendado uma elevação substancial no preço de venda dos referidos títulos públicos, o que não
agradou ao governo da Holanda, esse suprimiu seu relatório durante dois séculos. Por outro lado, o relatório com-

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© A Ciência Atuarial 43
pleto de Halley, matemático e astrônomo, descobridor do cometa que leva seu nome, publicado em 1693, recebeu
ampla publicidade e tornou-se a pedra angular da nova ciência, posteriormente chamada de matemática atuarial.
A partir de então, a matemática atuarial se desenvolveu, principalmente à medida que matemáticos, economistas e
filósofos se interessaram pelo assunto. Entre 1700 e 1900, tivemos a construção de várias tábuas de mortalidade,
como também o desenvolvimento das comutações, ferramenta fundamental utilizada no cálculo atuarial. Foi ainda
nesse período que as empresas seguradoras passaram a oferecer programas de seguro de vida e que também
aconteceu o 1º Congresso Internacional de Atuária em Bruxelas em 1895.
Fonte: IBA. Curiosidades. Disponível em: < http://www.atuarios.org.br/iba/conteudo.aspx?id=4&mindex=1>. Acesso em: 13 set. 2010.
–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Diante disso, surgiu a Ciência Atuarial, que, segundo Mano (2002, p. 19):
[...] é a ciência que estuda, analisa, dimensiona e quantifica os riscos. Atuários quantificam as incertezas
do futuro desenvolvendo modelos matemáticos capazes de avaliar a implicação financeira de eventos
futuros incertos. Os conhecimentos atuariais são indispensáveis na avaliação dos eventos aleatórios
que caracterizam o mundo dos negócios de qualquer natureza, e também na construção de modelos
utilizados na avaliação e mensuração dos riscos e suas conseqüentes implicações.

Portanto, a ciência atuarial dedica-se ao estudo de eventos econômico-sociais que envol-


vem riscos e incertezas. Assim, cabe ao atuário, baseado em observações e em experiências, cal-
cular probabilidades de eventos, avaliar riscos e fixar prêmios, indenizações, benefícios e reser-
vas matemáticas, desenvolvendo pesquisas e estabelecendo planos e políticas de investimentos
e amortizações para o mercado de seguros (privado e social).

9. MATEMÁTICA ATUARIAL: CONCEITOS BÁSICOS


A matemática atuarial contempla os cálculos atuariais, que combinam os princípios da
Estatística e da Matemática Financeira, a fim de propor conceitos e teorias que possam reger os
cálculos de seguro no ramo vida.
Por exemplo, para calcular o valor presente de uma unidade monetária que será paga a
uma pessoa com a idade "x" quando ela completar "x+n" anos, a uma taxa de juros "i" para cada
período, estatisticamente, qual será a probabilidade dessa pessoa chegar à idade "x+n"?
Ao final de "x+n" anos, caso se esteja vivo, o atuário calcula o valor atual do pagamento
único que será realizado pelo indivíduo de idade "x", considerando o perfil de sobrevivência de
um grupo de pessoas, por meio das tábuas atuariais que faz jus a essa unidade monetária.
Para a realização da matemática atuarial, os principais itens a serem abordados são:
1) mensuração da mortalidade e da sobrevivência;
2) desenvolvimento de anuidade;
3) conceitos e determinação de prêmios e de reservas matemáticas;
4) desenvolvimento de tábuas de serviço, considerando decrementos (redução/diminui-
ção do tempo de vida) como a mortalidade, invalidez e rotatividade.
Um dos elementos básicos dos seguros que lidam com a vida humana é a tábua de mor-
talidade, também conhecida como esperança de sobrevida. Essa tabela apresenta o número de
pessoas vivas e de pessoas mortas, em ordem crescente de faixa etária, desde a origem (idade
inicial) até a extinção completa do grupo (idade Ω ômega).
No cálculo da tábua de mortalidade, em primeiro lugar, escolhe-se a população-base,
como, por exemplo, a cidade de Franca, a região nordeste ou os funcionários de uma empresa.
Depois, define-se o período estatístico, isto é, por quanto tempo os dados serão coletados.
Uma das estatísticas demográficas utilizadas atualmente no Brasil é a tábua AT2000, que
considera, para uma pessoa com 60 anos, uma expectativa de sobrevida de 24,6 anos (antes,
pela tábua americana denominada AT49, a expectativa de sobrevida era de 18,5 anos).
44 © Atuária

Os cálculos atuariais, portanto, contemplam os princípios de Estatística aliados aos da


Matemática Financeira
Por exemplo, para calcular o prêmio que uma determinada pessoa de idade “x” vai ganhar
daqui “x+n” anos, considerando uma taxa de juros “i”, a utilização da matemática financeira
enquadra-se perfeitamente nesse caso, no que tange ao cálculo de juros compostos para verifi-
cação do valor presente desse prêmio, por meio da expressão:

C0 x (1 + i)
n
=Cn

Dando continuidade ao exemplo, vamos considerar, agora, que o prêmio somente seria
pago se o indivíduo com idade x estivesse vivo ao final de x+n anos (no momento de pagamento
do prêmio). Diante disso, seria necessário utilizar um mecanismo estatístico para saber qual é
a possibilidade de um individuo de idade x chegar à idade x+n, ou seja, a ferramenta estatística
denominada probabilidade seria a resolução para o cálculo desse evento.
Logo, juntando a matemática financeira à estatística, seria possível, ao atuário, o cálculo
do valor atual e único a ser pago por um indivíduo de idade x, levando em consideração o perfil
de sobrevivência de um grupo de pessoas (tábuas atuariais), para fazer jus à unidade monetária,
ao final de x+n anos, caso esteja vivo. Para esse cálculo, usamos:
Ex
N = Cn x npx

Desse modo, para Capelo (1986, p. 83), “[...] a probabilidade estatística é o principal ele-
mento que a Matemática Atuarial acrescenta em seus cálculos que, de resto, se apóiam na Ma-
temática Financeira convencional".
Entendemos, então, que as principais ferramentas de cálculo abrangidas pela Ciência Atu-
arial são a probabilidade, especialmente na elaboração da tábua de mortalidade, e a matemá-
tica financeira, no desenvolvimento dos cálculos de risco, as quais fazem parte da prática da
Atuária, ou seja, da Matemática Atuarial.
Rodrigues (2003, p. 1) dispõe, portanto, nesse sentido, que "[...] a Ciência Atuarial é um
instrumento eficiente na mensuração de riscos cujo escopo compreenda alguma forma de soli-
dariedade ou mutualidade".
Dessa forma, podemos considerar como característica essencial do mutualismo o cálculo
de seguros e de previdência.
O mutualismo, para Souza (2001, p. 28), “[...] refere-se a pessoas com interesses segurá-
veis afins que constituem reserva financeira que tem por finalidade suprir as necessidades de
componentes do grupo que venham a ser afetados por um acontecimento não previsto".
Desse modo, a ciência atuarial preocupa-se com um grupo de pessoas que possui os mes-
mos interesses no que tange à busca de recursos para suprir eventuais necessidades, presentes
e futuras, por meio da contratação de seguros ou de previdência, ou seja, contribui-se com certo
valor, calculado pela atuária, por meio de pagamentos em data estabelecida, a fim de receber
um benefício quando o evento esperado acontecer.
Segundo Chan, Silva e Martins (2006, p. 61), “[...] um dos caminhos encontrados pela
sociedade para minorar os impactos das incertezas futuras foi organizar-se em grupos, a fim de
considerar os riscos de maneira coletiva em detrimento à perspectiva individual, de forma que
os possíveis danos fossem suportados pelo conjunto".

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© A Ciência Atuarial 45

Portanto, a ciência atuarial, sustentada pela matemática atuarial, ajuda a compreender e


a calcular todos os riscos financeiros e atuariais nas modalidades de previdência e seguros, a fim
de compreender toda a sistemática envolvida nesses sistemas.

10. ESTATÍSTICA ATUARIAL


O profissional atuário tem como objetivo analisar as consequências econômicas do risco,
por ser este um fenômeno futuro e aleatório no qual cada situação estudada tem sua caracte-
rística específica. A estatística, portanto, torna-se importante na formação do atuário e requer
uma atualização permanente, por envolver a avaliação de riscos futuros, nas aplicações em cál-
culos das taxas, dos prêmios de seguros e dos planos previdenciários. Além de ser utilizada para
o cálculo das probabilidades, da matemática financeira e da demografia.
Dessa forma, a estatística atuarial objetiva a estimativa e projeção das populações, relati-
vo ao número de nascimentos e mortes.
Como as ciências atuariais preocupam-se com os cálculos de seguros, é necessário lidar
com a matemática de seguros, especialmente as probabilidades, usadas para garantir que os
riscos sejam cuidadosamente avaliados, que os prêmios sejam estabelecidos adequadamente
pelos classificadores de riscos e que a provisão para os pagamentos futuros de benefícios seja
adequada.
Para a avaliação dos riscos futuros, associados ao seguro e aos planos previdenciários, é
preciso, inicialmente, coletar e analisar os dados sobre os quais serão desenvolvidos os modelos
matemáticos; após os cálculos, ele determinará o valor do prêmio a ser pago pelo segurado, para
garantir a cobertura do risco esperado e sustentar as operações do contrato com a seguradora.
Refletindo sobre esse contexto, Souza relata que “[...] segundo Solomon e Pringle, risco é
o grau de incerteza a respeito de um evento. Não se deve confundir seguro com risco. O seguro
objetiva a proteção financeira, não a criação de riscos" (2002, p. 149).
Assim, podemos compreender que o seguro só funcionará bem, tanto para a seguradora
como para o segurado, se as possíveis perdas a serem seguradas forem medidas.
A Estatística é de suma importância para o desenvolvimento dos cálculos de seguros. Den-
tro da Estatística Atuarial encontram-se duas grandes ferramentas utilizadas pelos atuários: a Lei
dos Grandes Números e a Probabilidade.
A Lei dos Grandes Números determina o grau de possibilidade de produção de um de-
terminado acontecimento. Essa lei é fundamental para a técnica atuarial no que se refere ao
cálculo e à determinação dos prêmios que devem ser aplicados para cobrir os riscos. Portanto,
para uma seguradora, por meio da Lei dos Grandes Números, é possível verificar quantos dos
carros segurados, em porcentagem, provavelmente, sofrerão algum dano em um período de-
terminado.
Outra ferramenta da estatística que auxilia o trabalho do atuário é a probabilidade, que
permite determinar a percentagem da possibilidade da ocorrência de um evento dentro do uni-
verso de uma amostra, ou seja, mede a relação entre o número de casos favoráveis e o número
total dos casos possíveis.
Dessa forma, a Probabilidade remete à ideia de acaso, de algo que simplesmente tem de
acontecer e que não se pode fazer nada (ou muito pouco) para mudar, como o nascimento, o
crescimento, a velhice e a morte.
46 © Atuária

Podemos, assim, classificar os acontecimentos segundo o seu grau de probabilidade, dan-


do-lhes as respectivas equivalências matemáticas:
1) Acontecimento impossível: probabilidade = 0.
2) Acontecimento pouco possível: probabilidade < ½.
3) Acontecimento muito provável: probabilidade > ½.
4) Acontecimento provável: probabilidade = ½.
5) Acontecimento certo: probabilidade = 1.
Podemos notar que a Probabilidade verifica o grau de possibilidade de ocorrência de um
evento, dentro de uma determinada amostra, podendo ser expressa matematicamente pela
divisão entre a soma do número de casos favoráveis (numerador) e a soma de todos os casos
possíveis (denominador), seguindo:

casos favoráveis
Isto é: Probabilidade =
casos possíveis

Medida de probabilidade = Medida de freqüência relativa

Um exemplo muito comum é o da moeda não viciada. Suponhamos que uma moeda equi-
librada é lançada uma única vez. Quais são os possíveis resultados? Para isso utilizamos:

=W {cara, coroa}
= todos os possíveis casos em um único lançamento.

Qual é a probabilidade de sair cara neste único lançamento? Para saber, utilizamos:
p ( cara) = ½
Onde:
• 1 = número possível de casos favoráveis.
• 2 = número total de possíveis casos.
Veremos, agora, as Propriedades Básicas de Probabilidade:
1) A probabilidade de ocorrência do evento M ocorre no intervalo fechado entre 0 e 1,
representada por:
0 £ P ( M) £ 1

2) A probabilidade de ocorrência de um evento impossível, representada pela expres-


são:
P(F) = 0

3) A probabilidade de ocorrência de todos os eventos de um experimento, para isso usa-


mos:
P(W) = 1

4) Se V e M são eventos exclusivos, ou seja:


= (VÇM) =
FeVÈM W, temos:

Então: P ( V ) + P ( M) =
1

Logo: P ( V ) 1 − P ( M ) e P ( M) =
= 1 − P (V)

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© A Ciência Atuarial 47

Um exemplo aplicado na área da ciência atuarial é a de um seguro de proteção contra in-


cêndios que for contratado por milhares de pessoas de diferentes lugares, com tipos de casas di-
ferentes (todas serão consideradas como o conjunto 100%), as leis das probabilidades indicarão
que apenas certo número de segurados por ano sofrerá perdas causadas por incêndio "x%".
Essas ferramentas são utilizadas em vários cálculos atuariais, como as tábuas de mortali-
dade ou de sobrevivência, que se utilizam da probabilidade para detectar o número de óbitos e
de sobrevida de uma determinada população, além de verificar, também, a esperança de vida
de um indivíduo. Trataremos melhor esse assunto na próxima unidade.

11. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


Agora, você deve responder às questões autoavaliativas propostas a seguir para testar
seus conhecimentos e verificar quais aspectos precisam ser mais aprofundados.
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu desempe-
nho. Se você encontrar dificuldades em responder a essas questões, procure revisar os conteú-
dos estudados para sanar as suas dúvidas. Esse é o momento ideal para que você faça uma revi-
são desta unidade. Lembre-se de que, na Educação a Distância, a construção do conhecimento
ocorre de forma cooperativa e colaborativa; compartilhe, portanto, as suas descobertas com os
seus colegas.
Confira, a seguir, as questões propostas para verificar o seu desempenho no estudo desta
unidade:
1) Quais são os tipos de empresas em que o profissional atuário atua? Como está o mer-
cado do profissional atuário atualmente?
2) Quais as ferramentas da matemática financeira e da estatística que auxiliam os cálcu-
los atuariais? Identifique-as e demonstre como elas ajudarão nos cálculos atuariais.
3) Quais são as perspectivas futuras do profissional atuário? Justifique sua resposta.

12. CONSIDERAÇÕES
Terminamos a nossa primeira unidade em busca da aprendizagem da Ciência Atuarial.
Nesta unidade, foi possível conhecer a origem matemática da atuária, além de poder conhecer
como as ferramentas atuariais, envolvendo a matemática e a estatística, são importantes para
as funções desenvolvidas pelo profissional atuário.
Na próxima unidade, compreenderemos os principais conceitos utilizados em seguros, sua
evolução, estrutura e legislação do mercado segurador, os contratos e os tipos de seguros, além
de noções de previdência oficial, previdência privada e capitalização. Também analisaremos os
principais aspectos da contabilidade das empresas seguradoras.

13. E-REFERÊNCIAS

Site pesquisado
Instituto Brasileiro de Atuária (IBA). Educação. Disponível em: <http://www.atuarios.org.br/>. Acesso em: 8 ago. 2010.
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14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


CHAN, B. L.; SILVA, F. L.; MARTINS, G. A. Fundamentos da previdência complementar: da atuária à contabilidade. São Paulo: Atlas:
FIPECAFI/USP, 2006.
CAPELO, E. R. Uma introdução ao estudo atuarial dos fundos privados de pensão. 1986. 392 f. Tese (Doutorado em Administração
Contábil e Financeira) – Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, São Paulo.
MANO, C. Para aprender "outras línguas": atuária – novos desafios da profissão. Cadernos de seguros, Funenseg, ano 22, n. 115,
p. 19-21, nov. 2002.
RODRIGUES, J. Â. Gestão do Risco Atuarial. Apostila de MBA em previdência privada. Universidade Federal do Rio de Janeiro.
2003.
SOUZA, S. Seguros: contabilidade, atuária e auditoria. São Paulo: Saraiva, 2002.

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EAD
Seguros e Contabilidade de
Seguros

1. OBJETIVOS
• Compreender a evolução dos planos de seguros no Brasil.
• Conhecer os segmentos de seguros existentes e entender seus mecanismos de atua-
ção.
• Identificar a aplicação da atuária nas empresas seguradoras, tanto de entidades públi-
cas quanto de privadas.
• Conhecer a legislação específica dos planos de seguros de qualquer modalidade, bem
como as noções gerais dos planos de previdência (privada e oficial) e dos planos de
capitalização.
• Conhecer a contabilidade de seguros, o plano de contas e a sua classificação contábil.
• Identificar as demonstrações contábeis e a sua utilidade para as empresas segurado-
ras.
• Aplicar a análise financeira e econômica com base nas demonstrações contábeis desen-
volvidas por uma companhia de seguros.
• Avaliar e comparar os custos de comercialização e os custos administrativos mediante
análise da contabilidade de seguros.

2. CONTEÚDOS
• Conceitos básicos de seguros, de capitalização e de previdência.
• Contabilidade de seguros.
50 © Atuária

• Classificações contábeis.
• Demonstrações contábeis das empresas seguradoras.
• Análise de desempenho da situação financeira e econômica.
• Custos de comercialização e custos administrativos.

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


1) Antes de iniciar os estudos desta unidade, é importante que você reveja no material
da disciplina Análise de Relatórios Contábeis os procedimentos para a análise vertical
e horizontal de uma empresa.
2) No decorrer desta unidade, para exemplificar alguns casos específicos, foram criadas
as seguintes empresas com nomes e valores fictícios: Vaicomfé e Companhia Imagi-
nária de Seguros.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Fundamentado nos conhecimentos gerais de contabilidade estudados anteriormente e
nos conceitos básicos aprendidos sobre a ciência atuarial e o mercado segurador desenvolvidos
na Unidade 1, o estudo a seguir abordará o mercado segurador de previdência e de capitaliza-
ção, bem como a contabilidade de seguros e suas classificações, além das demonstrações con-
tábeis e da análise econômico-financeira das empresas seguradoras, mediante os cálculos dos
índices básicos e sua interpretação.

5. PRINCÍPIOS BÁSICOS DO SEGURO


O seguro é um meio de proteção contra perdas decorrentes de vários tipos de riscos. Po-
demos conceituá-lo como o contrato em que uma das partes, a companhia de seguros (segura-
dora), obriga-se para com a outra parte, o segurado, a indenizá-lo de um prejuízo, denominado
sinistro, resultante de um evento futuro, possível e incerto (o risco) indicado no contrato, me-
diante o recebimento de uma importância estipulada (o prêmio).
Refletindo sobre esse contexto, Souza (2002, p. 24), com base na definição da Fenaseg,
afirma que:
Seguros são uma operação que toma forma jurídica de um contrato, em que uma das partes (segu-
rador) se obriga para com a outra (segurado ou seu beneficiário), mediante o recebimento de uma
importância estipulada (prêmio), a compensá-la (indenização) por um prejuízo (sinistro), resultante de
um evento futuro, possível e incerto (risco), indicado no contrato.

A ideia de seguro surgiu há milhares de anos, na pré-história, quando o homem era nô-
made e os riscos eram uma constante preocupação, pois não bastava se proteger dos animais e
das pragas, o homem tinha, também, que se resguardar dos terremotos, dos raios, da chuva e
de seus semelhantes.
Seguindo a evolução natural, surgiu a necessidade da vida em grupo. Com o passar do
tempo, os grupos fixavam-se em regiões que proporcionavam segurança e condições de sobre-
vivência.
No caso dos hebreus, por exemplo, a coletividade assumia a responsabilidade pela repara-
ção na ocorrência de acidentes com o rebanho dos pastores, em que as perdas eram repartidas
entre todos e a indenização era feita em espécie, já que a moeda ainda não havia sido criada.

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© Seguros e Contabilidade de Seguros 51

Uma das origens do seguro data do século 13 a.C., quando os comerciantes da Babilônia,
preocupados com o risco de perda dos camelos na travessia do deserto em direção aos merca-
dos das regiões vizinhas, faziam acordos, como, por exemplo, o que dava o direito ao criador que
perdesse um camelo no deserto de receber outro camelo, pago pelos demais criadores.
Outra origem, data de 1.800 a.C., aproximadamente, com o Código de Hamurábi, que
previa que todos os navegadores deveriam se associar para ressarcir aquele navegador que per-
desse seu navio nas tempestades.
Na Idade Média, as pessoas organizavam-se em grupos com interesses em comum com
o objetivo de constituir uma reserva econômica para dividir o risco de um acontecimento não
previsto. Porém, essa prática foi vista como sacrilégio pela igreja, que a proibiu e afirmou que
somente a vontade divina seria capaz de diminuir as desgraças e a infelicidade do homem. As-
sim, o Papa Gregório IX, com base na usura, classificou o seguro marítimo (um dos mais antigos)
como prática abusiva, pois os navegadores obtinham com os banqueiros um empréstimo em
dinheiro, que deveria ser devolvido acrescido de elevados juros se a embarcação chegasse sem
sofrer danos ao seu destino, ou, no caso de algum acidente com o navio, o navegador ficaria de
posse do empréstimo.
Segundo Souza (2002, p. 5), “[...] o primeiro seguro contra incêndio no mundo foi criado
no ano de 1684 em Londres, motivado por um grande incêndio que em 1667 destruiu cerca de
13.000 casas, igrejas e a catedral de Saint Paul, um de seus maiores símbolos”.
O seguro de vida também surgiu na Inglaterra, onde foram criadas as primeiras sociedades
corretoras.

6. HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DO SEGURO NO BRASIL


Em razão da colonização, até a vinda da corte portuguesa para o Brasil, não era possível,
sequer, instalar indústrias neste país. Por isso, todos os bens manufaturados vinham de Portu-
gal.
Assim, a atividade seguradora no Brasil teve início com Dom João VI, que promoveu a
abertura dos portos ao comércio internacional.
A primeira seguradora do país, denominada Companhia de Seguros Boa Fé, foi fundada
em 24 de fevereiro de 1808, com sede na Bahia, que, na época, era um grande centro da nave-
gação marítima. Até o ano de 1822, todas as seguradoras que surgiram no Brasil eram subordi-
nadas às normas da Casa de Seguros de Lisboa.
Foi a seguradora Argos Fluminense, fundada em 1845, que deu início à realização de se-
guros terrestres.
No ano de 1850, foi instituído o Código Comercial Brasileiro, mediante a Lei nº 556, que
foi de fundamental importância para o desenvolvimento do setor de seguros no Brasil e passou
a disciplinar o seguro marítimo e terrestre, dando origem a novas seguradoras no país.
Em 10 de dezembro de 1901, foi criada a Superintendência Geral de Seguros, mediante
decreto nº 4.270, subordinada ao Ministério da Fazenda, com a principal atribuição de fiscalizar
as operações de seguros.
No dia 1º de janeiro de 1916, foram regulamentados os seguros no Brasil mediante a Lei
nº 3.071 e, a partir de 1917, quando vigorou o Código Civil, foi estabelecido um capítulo espe-
cífico sobre as normas gerais do contrato de seguro, no qual foram definidas as obrigações do
segurado e do segurador.
52 © Atuária

A primeira empresa de capitalização do Brasil, a Sul América Capitalização S/A, foi fundada
em 1929. Porém, as sociedades de capitalização só foram regulamentadas em 1932, pelo de-
creto nº 21.143, e no ano de 1933, pelo decreto nº 22.456. No ano de 1934, foi criado o DNSPC
– Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização.
Já o seguro de acidente de trabalho foi instituído apenas em 1935.
Com a promulgação da Constituição de 1937 (Estado Novo), foi estabelecido o Princípio de
Nacionalização do Seguro e, em 1939, foi estabelecido o Instituto de Resseguros do Brasil, que
detinha o monopólio do resseguro, conceituado como o seguro do seguro.
Em 20 de junho de 1940, mediante decreto nº 5.901, os seguros privados foram regula-
mentados e transformados em obrigatórios para comerciantes, indústrias e concessionárias de
serviços públicos, contra riscos de incêndio e transportes.
A consolidação da legislação de seguros e resseguros do país deu-se com o decreto-lei nº
73, de 21 de novembro de 1966, que originou o Sistema Nacional de Seguros Privados, cons-
tituído pelo CNSP – Conselho Nacional de Seguros Privados, pela Susep – Superintendência de
Seguros Privados (que substituiu o DNSPC), pelo IRB – Instituto de Resseguros do Brasil, pelas
sociedades autorizadas a operar em seguros privados e pelos corretores habilitados.
As atividades de capitalização foram subordinadas ao decreto-lei nº 261 de 28 de fevereiro
de 1967 e, adicionalmente, foi instituído o Sistema Nacional de Capitalização, constituído pelo
CNSP, pela Susep e pelas sociedades autorizadas a operar em capitalização.
Na década de 1970, o Brasil promoveu o intercâmbio internacional do seguro, o que au-
mentou o volume de investimentos, a regulamentação do seguro saúde, dos fundos de pensão
e a expansão do seguro rural. Essa abertura de mercado trouxe, também, uma mudança no
mercado de seguros brasileiro com a chegada maciça de empresas multinacionais, momento em
que o Brasil se tornou, para essas empresas, uma oportunidade de crescimento.
A participação do capital estrangeiro no segmento de seguros está aumentando signifi-
cativamente. Em 1872, era de 4%, passando para 25% em 1940 e, segundo a Susep (1999), a
previsão é de representar 50% do mercado brasileiro.

7. MERCADO DE SEGUROS BRASILEIRO: ESTRUTURA E LEGISLAÇÃO


As companhias de seguros no Brasil têm como característica operar em vários ramos de
seguros, ao contrário de seguradoras estrangeiras, que são especializadas em determinado seg-
mento.
Segundo Souza (2002, p. 16), “[...] a falta de especialização das seguradoras brasileiras é
vista por alguns críticos como um problema, pois não é muito fácil administrar diversas carteiras
com riscos, públicos, tamanho e rentabilidades tão distintas".
Atualmente, o mercado de seguros brasileiro está constituído por 150 companhias de se-
guros, 40 empresas de previdência privada aberta, 15 empresas de capitalização, 35.000 corre-
tores de seguros de pessoas físicas e 15.000 de pessoas jurídicas, segundo dados da Susep.
Numa divisão do mercado segurador brasileiro, a maior parcela é do setor de seguros,
cerca de 75%, e o restante é dividido entre previdência privada e capitalização, visto que estes
têm apresentado um crescimento muito significativo nos últimos anos.

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© Seguros e Contabilidade de Seguros 53

As informações dos produtos de seguros disponibilizadas nos sites da maioria das segu-
radoras (de mais de 90% delas, segundo a Fenaseg) têm facilitado o mercado de seguros no
sentido de permitir cotações e comparações entre as empresas, o que torna as operações mais
rápidas e ágeis.
O Sistema Nacional de Seguro Privado (SNSP) consolidou, em 1966, a legislação de segu-
ros do país, com os objetivos de coordenar a política de seguros e de preservar a liquidez das
seguradoras.
O SNSP é composto por cinco grupos: o CNSP, a Susep, o IRB, as empresas de seguros, de
capitalização e de previdência privada e os corretores de seguros. A seguir, vejamos algumas das
características e atribuições de cada um desses grupos.
O Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) é o órgão máximo do setor de seguros,
responsável pela fixação de diretrizes e normas da política de seguros e resseguros, regula e
fiscaliza a orientação básica e o funcionamento dos componentes do sistema. O CNSP tem como
objetivos coordenar a política de seguros com a política de investimento do Governo Federal,
promover a expansão do mercado em conformidade com o crescimento do país e preservar a
liquidez e a solvência das sociedades seguradoras.
A Superintendência de Seguros Privados (Susep) é uma autarquia vinculada ao Minis-
tério da Fazenda, criada pelo decreto-lei nº 73 de 21 de novembro de 1966, como órgão go-
vernamental de atuação colegiada e competência normativa, responsável pelo controle e pela
fiscalização dos mercados de seguro, previdência privada aberta (complementar), capitalização
e resseguros. Tem como principais atribuições: autorizar uma empresa constituída para atuar
nesse mercado; fiscalizar a organização, o funcionamento e a operação das seguradoras; pro-
mover o aperfeiçoamento das instituições e coletar dados específicos do setor; atuar no sentido
de proteger a captação de poupança popular que se efetua mediante as operações de seguro,
previdência privada aberta, capitalização e resseguro, além de zelar pela defesa dos interesses
dos consumidores.
O Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) foi criado em 1939, no governo Vargas, e refor-
mulado em 1966. O IRB é uma sociedade de economia mista com personalidade jurídica própria
de direito privado, desfrutando de autonomia para fiscalizar (regular) o co-seguro, o resseguro
(obrigatório e facultativo) e a retrocessão, organizar e administrar consórcios, proceder à liqui-
dação de sinistros e distribuir pelas seguradoras a parte dos resseguros que não retiver, bem
como promover o desenvolvimento das operações de seguro no país conforme as diretrizes do
Conselho Nacional de Seguros Privados. Em 1997, o IRB foi transformado em IRB Brasil Resse-
guros S/A, com controle acionário da União e metade do capital com ações preferenciais (sem
direito a voto) para as 127 seguradoras que atuavam no Brasil na época.
Integram o grupo da estrutura do mercado, as empresas de seguros, como entidades ju-
rídicas autorizadas por portaria do Ministro da Fazenda que, mediante recursos de prêmios
cobrados dos segurados, se comprometem a indenizá-los no caso de ocorrer o evento contra o
qual se seguraram.
Existem três formas de as seguradoras realizarem a venda de seguros: por meio do corre-
tor de seguros, por intermédio do agente de seguros (profissional de vendas vinculado a uma
seguradora, que comercializa seus planos) ou pela venda direta de seguros ao consumidor, que
procura fazer seu seguro diretamente com a seguradora.
As seguradoras não podem ultrapassar os limites técnicos fixados pela Susep. Nesse caso,
elas estão obrigadas a fazer resseguro das responsabilidades excedentes em cada ramo de ope-
54 © Atuária

rações, ou seja, repassar o risco de contrato de seguro superior à capacidade financeira da se-
guradora que emitiu a apólice, ou parte dele, a uma resseguradora. Elas não estão sujeitas à
falência nem podem propor a recuperação de empresas, de acordo com a Lei nº 11.101 de 2005,
que substituiu a antiga concordata preventiva.
Na última parte da estrutura do mercado segurador, estão os corretores de seguros, que
são regulamentados no exercício da profissão pela Lei nº 4.594, de 29 de dezembro de 1964,
que estabeleceu as condições para habilitação, direitos e deveres, punição, fiscalização e atua-
ção dos prepostos de seguros.
Assim, o corretor é o profissional legalmente autorizado a organizar, a promover contratos
de seguros, a orientar o segurado sobre o melhor tipo de contrato e a esclarecer dúvidas sobre
coberturas, carências, validade e atendimento às necessidades de seu representado.

8. SEGURO PÚBLICO E PRIVADO


O seguro público caracteriza-se por ter o risco segurado assumido por pessoa jurídica de
direito público, sem finalidades lucrativas. Como exemplo, podemos citar os seguros, cujo mo-
nopólio pertence ao Estado, como o Seguro Crédito à Exportação e a Previdência Social.
Historicamente, a Previdência Social surgiu no Brasil com o INPS – Instituto Nacional de
Previdência Social, criado em 1966 pela lei orgânica da Previdência Social, e pelo regulamento
do Regime de Previdência Social, com o intuito de unificar os seis institutos de aposentadoria e
pensões existentes anteriormente, o Ipase (dos servidores do Estado), o IAPB (dos bancários),
o IAPM (dos marítimos), o IAPC (dos comerciários), o Iapi (dos industriários) e o Iapetec (dos
empregados em transportes e cargas).
O Inamps – Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social foi criado pela
Lei nº 6.439 de 1º de setembro de 1977.
O decreto nº 99.350 de 27 de junho de 1990 criou o INSS – Instituto Nacional do Seguro
Social, mediante a fusão do IAPAS com o INPS e a Lei nº 8.490 de 19 de novembro de 1992, res-
tabelecendo o MPS – Ministério da Previdência Social.
A Previdência Social reúne o conjunto de normas de proteção e defesa do trabalhador ou
do funcionário, mediante amparo nas doenças, prestação de assistência médica, de serviços
clínicos e cirúrgicos em hospitais e postos de saúde. Os benefícios prestados são: pagamentos
em dinheiro, em casos de aposentadoria por velhice, tempo de serviço, invalidez e especial
(atividades de periculosidade) ou de auxílio por doença, acidente de trabalho, natalidade, re-
clusão, funeral, abono de salário-família, salário-maternidade, seguro-desemprego (criado pelo
decreto-lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986), pensão por morte etc.
Já o seguro privado ocorre quando o risco segurado é assumido por pessoa jurídica de
direito privado com fins lucrativos e constituída sob a forma de uma S/A. Obedece às leis es-
pecíficas e abrange todos os seguros, exceto os sociais, além de contemplar aspectos atuariais,
financeiros, políticos e jurídicos. No caso dos seguros agrícolas, estes podem ser assumidos por
cooperativas.
A legislação brasileira também impõe a contratação de alguns seguros obrigatórios, que
podem compreender:
1) Danos pessoais causados por veículos de via terrestre ou de carga a pessoas transpor-
tadas ou não, e a passageiros de aeronaves comerciais.

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2) Responsabilidade civil do construtor de imóvel em zona urbana por danos a pessoas


ou coisas.
3) Garantia de pagamento a cargo do mutuário da construção civil.
4) Bens dados em garantia de empréstimo ou financiamento de instituições públicas.
5) Incêndio e transporte de bens pertencentes às pessoas jurídicas situadas no país ou
nele transportadas.
6) Crédito rural e crédito à exportação, quando concedidos por instituições públicas.

9. CONTRATO E TIPOS DE SEGUROS


O contrato de seguro é um documento exigido por lei que formaliza a relação entre a com-
panhia seguradora e o segurado.
Souza (2002, p. 31) considera contrato de seguro como “[...] o documento pelo qual uma
das partes (seguradora) obriga-se com a outra (segurado ou estipulante), mediante o pagamen-
to de um prêmio, a indenizá-la do prejuízo resultante de riscos futuros previstos no contrato".
No contrato de seguro, são aplicados os requisitos gerais de validade de qualquer ato ju-
rídico. Deve ser bilateral, por gerar obrigações tanto para o segurador, quanto para o segurado;
oneroso, pois implica dispêndio para as duas partes; aleatório, no qual o segurador assume a
obrigação de pagar uma indenização por um risco que poderá ou não ocorrer; formal, em que
a lei obriga que seja instrumentado na apólice ou bilhete de seguro; nominal, regulado por lei e
com um padrão definido; de adesão, no qual as condições da apólice são padronizadas e apro-
vadas por órgãos governamentais e de boa-fé, no qual o conhecimento do risco pela seguradora
depende da confiança das informações prestadas pelo segurado para não induzir a outra parte
a erro.
Pelo Código Civil, o segurado e o segurador obrigam-se a guardar no contrato a mais estri-
ta boa-fé e veracidade sobre o objeto, circunstâncias e declarações a ele referentes. Assim, se o
segurado não fizer declarações verdadeiras e completas, omitindo situações que possam influir
na aceitação da proposta ou na taxa do prêmio, perderá o direito ao valor do seguro.
Os principais instrumentos formais que compõem o contrato de seguro são:
1) Proposta: base do contrato que representa a vontade do segurado de transferir o risco
para a seguradora.
2) Apólice: é o contrato propriamente dito, emitido a partir da proposta. Inclui todas as
cláusulas pactuadas, em vigor por determinado período, geralmente um ano, pode
ser coletiva, para cobrir um grupo de pessoas e/ou bens, ou individual, para cobrir
apenas uma pessoa ou um bem.
3) Endosso: documento que atualiza o contrato, quando for necessário modificar a apó-
lice, como, por exemplo, alterações do risco, cobrança adicional ou restituição do prê-
mio.
4) Aditivos ou averbações: documento emitido pelo segurado para informar à segurado-
ra sobre bens e verbas a garantir.
O risco segurado é o objeto do contrato de seguro e um evento futuro incerto, que pode
ser prejudicial ao patrimônio do segurado e pode ser evitado por meio do contrato de seguro.
Vale ressaltar que o Código Civil prevê como obrigações do segurado o pagamento do prê-
mio do seguro e a comunicação ao segurador sobre a ocorrência de sinistro.
Assim, a seguradora, para assumir o risco, exige do segurado o pagamento do prêmio. Em
caso de sinistro, a seguradora é obrigada a pagar em dinheiro o prejuízo resultante do risco as-
56 © Atuária

sumido, conforme as condições do contrato. Se a indenização ocorrer por culpa de um terceiro,


existe a possibilidade legal da seguradora se ressarcir dessa indenização mediante ação a ser
movida contra esse terceiro. Quanto ao seguro de pessoas, o mesmo é classificado como de
natureza indenitária pela dificuldade de se estimar o valor de uma vida humana em termos eco-
nômicos. Nesses casos, as partes são livres para fixar a importância segurada e não há restrições
quanto ao número de seguros para garantia de um mesmo risco.
O contrato de seguro pode ser rescindido total ou parcialmente, a qualquer momento,
visto que é necessário constar no contrato uma cláusula específica de rescisão do contrato de
seguro com a previsão de tal possibilidade.
Caso a rescisão do contrato de seguro ocorra por parte do segurado, a seguradora deterá o
prêmio de acordo com a tabela de prazo curto e, se ocorrer por parte da seguradora, esta reterá,
do prêmio recebido, a parte proporcional ao tempo decorrido.
Conforme a natureza dos riscos, os seguros podem ser classificados nos tipos descritos no
Quadro 1.

Quadro 1 Tipos de seguros.


SEGUROS DE PESSOAS SEGUROS DE NÃO-PESSOAS
• Seguros de danos patrimoniais (responsabilidade / seguro
• Seguros de vida (vida individual / vida em grupo)
de bens)
• Seguros de acidentes pessoais (morte e invalidez • Seguros de prestação de serviços (assistência a viagens /
permanente), saúde e educação seguros de defesa)
Fonte: elaborado pelos autores.

Os seguros de pessoas são escolhidos e definidos pelo próprio segurado e o prêmio é fixo.
A variável mais importante é a duração da vida da pessoa, pois não temos como determinar qual
o valor econômico da vida de alguém, assim, o pagamento da indenização tem relação com o
valor da cobertura contratado pelo segurado.
A modalidade de seguro de vida individual cobre a morte ou a sobrevivência de um único
segurado, a ser pago ao beneficiário indicado na apólice. A duração da vida humana serve de
base para o cálculo do prêmio a ser pago por morte do segurado ou no caso de o segurado so-
breviver ao prazo convencionado. Tem como característica a longa duração do contrato, no qual
serão estipuladas na apólice as coberturas para riscos de morte natural ou acidental, invalidez
permanente total ou parcial (por acidentes ou por doenças).
Com o intuito de obterem previsões precisas, as seguradoras contam com recursos como
tabelas atuariais e de estatísticas para monitorar a expectativa de vida das pessoas, e estabele-
cem a média de vida dos cidadãos conforme o sexo ou a região.
O seguro de vida em grupo tem como premissa um conjunto de pessoas dividindo uma
mesma apólice. É necessária a existência de um estipulante (empresa) que faz o seguro para um
grupo de pessoas (seus funcionários) com a duração de um ano, tendo a opção de ser renova-
do.
A cobertura básica do seguro de acidentes pessoais está na ocorrência de acidentes pre-
vistos no contrato que causem morte ou invalidez permanente total ou parcial do segurado. Se o
acidente causar a morte do segurado, a seguradora faz o pagamento do pecúlio para os benefici-
ários indicados. As coberturas adicionais podem ser contratadas em conjunto com as coberturas
básicas e compreendem despesas médico-hospitalares e diárias de incapacidade temporária.
Assim, o segurado só terá direito à indenização se o dano for originado por um acidente.

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O seguro saúde garante o pagamento em dinheiro ou o reembolso de despesas com cirur-


gias e diárias em hospitais feitas pelo segurado e previstas no contrato. Esse tipo de seguro tem
crescido muito no Brasil devido à precariedade atual do sistema de saúde pública.
Já o seguro educação garante, na falta do segurado, a educação da pessoa indicada por
ele no contrato. Com base do que tiver sido contratado, o seguro poderá cobrir os estudos do
beneficiário até o final do ensino médio ou superior.
Os prêmios de seguros de não pessoas dependem do grau de dano provocado ao bem se-
gurado. As variáveis mais importantes são o tempo e a probabilidade de ocorrência do evento.
A principal finalidade desse tipo de seguro é indenizar (reparar) o segurado, a perda financeira
ocasionada pelo sinistro. Por exemplo, um incêndio que pode apenas danificar uma máquina ou
que pode se alastrar para toda a indústria, destruindo o seu parque instalado, ou numa residên-
cia em que um ladrão pode roubar apenas um aparelho de DVD ou todos os eletroeletrônicos
da casa.
Dentre os seguros de danos patrimoniais, destacamos o DPVAT, o seguro de automóveis,
aeronaves e embarcações, o seguro de cargas e o seguro de incêndio. A seguir, veja a descrição
de cada um desses seguros patrimoniais.
O DPVAT é um seguro obrigatório que é parte integrante do licenciamento para todos os
proprietários de veículos, e tem por finalidade dar cobertura a danos pessoais causados por
veículos automotores de via terrestre ou por sua carga a pessoas transportadas ou não que es-
tiverem no interior do veículo acidentado, independentemente de quem foi a culpa. Por ser um
seguro emergencial, a indenização paga é pequena, destinada a cobrir os custos dos primeiros
socorros às vítimas.
O seguro de automóveis é o mais popular no Brasil, visto que é responsável por 33% do
total de seguros. Tem como função cobrir perdas ou danos de veículos terrestres de propulsão
a motor e a seus reboques. O seguro de automóveis poderá cobrir colisão, incêndio e roubo do
carro segurado, além de indenizar os prejuízos que, devido ao acidente, possam ser causados
a terceiros (o seguro não cobre prejuízos causados aos acessórios instalados no veículo, como
equipamento de som, vidros e travas elétricas). As seguradoras estão obrigadas a oferecer dois
tipos de seguros de automóveis: o valor determinado na apólice e o valor médio do mercado
(pesquisa de mercado para veículos).
No cálculo do valor do seguro, são consideradas algumas variáveis, como a localidade (nas
cidades grandes o risco de roubos é maior do que em cidades menores), o modelo do veículo
segurado, o perfil do motorista (para as mulheres, chega a custar até 30% menos que para os
homens), se a pessoa é casada ou não, se o segurado tem filhos na idade entre 18 e 24 anos que
utilizam o carro, a quilometragem anual rodada e o tempo de habilitação do segurado.
Outra importante variável que pode alterar o valor do seguro é a franquia, pois quanto
maior a franquia, menor o prêmio. O segurado que não utilizar o seguro durante o ano terá a
concessão de bônus no momento da próxima renovação e se o segurado ficar seis anos sem re-
gistrar acidentes arcados pela seguradora terá um desconto de, até, 65% no valor do seguro.
Já no caso de aeronaves e embarcações, o seguro abrange o risco a que estão expostas as
pessoas transportadas por via aérea, em águas marítimas ou fluviais. Em caso de acidente, além
da reposição do bem segurado, o seguro cobre indenizações por prejuízos, despesas médicas
dos passageiros acidentados e, em caso de morte, equivale a um seguro de vida.
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O seguro de cargas ou seguro transporte garante ao segurado uma indenização pelos pre-
juízos causados ao objeto segurado durante seu transporte por qualquer que seja o meio, marí-
timo, fluvial, rodoviário, ferroviário ou aéreo. Todas as transportadoras devem segurar sua carga
com base no valor declarado e é por esse valor que o segurado será indenizado caso ocorra um
acidente ou se o bem for danificado no transporte. Atualmente, as cargas mais roubadas nas
estradas são as de cigarro, cerveja, couro, medicamentos e pneus, além das cargas de produtos
alimentícios, como, por exemplo, as de café. Em razão disso, muitas seguradoras oferecem res-
trições em aceitar apólices para esse tipo de seguro.
O seguro de incêndio protege o segurado contra perdas e danos materiais causados pelo
fogo, pelas quedas de raios e pela explosão de gás e de aparelhos domésticos ou de iluminação.
As consequências do incêndio também podem ser cobertas pelo seguro, como desmoronamen-
to, desentulho do local, deterioração de bens guardados em refrigeradores etc. O seguro incên-
dio pode ser residencial, comercial e industrial, e é obrigatório para as pessoas jurídicas.
O valor do seguro de incêndio depende de fatores como:
• Localização: cidade maior conta com taxa menor por ter um corpo de bombeiros mais
ágil.
• Ocupação: uma loja de bijuterias paga menos que uma papelaria e um posto de gaso-
lina, por exemplo.
• Construção: uma loja de cimento paga menos que uma madeireira.
Dentro do segmento do seguro de prestação de serviços, destacamos o seguro de respon-
sabilidade civil, o seguro de lucros cessantes e o seguro de fiança locatícia, entre outros. Obser-
ve, a seguir, a descrição de cada um destes.
O seguro de responsabilidade civil garante o reembolso de indenização que o segurado
venha a ser obrigado a pagar, em consequência de lesões corporais ou danos materiais sofridos
por terceiros, por culpa involuntária do segurado ou de pessoas pelas quais deva responder ci-
vilmente. A responsabilidade civil é decorrente de um ato ilícito (ação ou omissão involuntária)
por imperícia, negligência ou imprudência que prejudique alguém. Para ser ressarcida, a pessoa
que sofreu o dano não pode ter vínculo de parentesco próximo.
O seguro de lucros cessantes é destinado apenas às pessoas jurídicas e cobre a paralisação
total ou parcial no giro ou movimento de negócios de uma empresa, ocasionado por danos ma-
teriais (incêndio, desmoronamento e explosão) cobertos no contrato. O objetivo deste é manter
a operacionalidade e a lucratividade da empresa nos níveis anteriores à ocorrência de um sinis-
tro e proporcionar condições para que os negócios continuem a funcionar. A cobertura básica
abrange as despesas fixas que independem do nível de produção ou vendas, o lucro líquido de-
corrente da operação principal da empresa e os gastos adicionais efetuados pela empresa para
reduzir ou evitar a queda no movimento de negócios.
O tempo necessário para retornar ao nível normal dos negócios da empresa é chamado de
período indenitário e sua duração não pode ultrapassar os doze meses, além de ser estipulada
no contrato com início contado imediatamente após ocorrer o sinistro. O valor da indenização é
calculado com base no lucro médio da empresa dos últimos três anos.
Já o seguro de fiança locatícia funciona como uma garantia do pagamento do aluguel do
segurado e dispensa os tradicionais fiadores, avalistas ou depósito (cheque-caução). Nesse tipo
de seguro, tanto o locador como o locatário tem benefícios, pois o primeiro pode contar com
a garantia do contrato de locação e o segundo por não ter de passar pelo constrangimento de
pedir a outros que sejam seus fiadores no aluguel de determinado imóvel.

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Como outros tipos de seguros, podemos citar o seguro tumultos, que cobre aglomerações
de pessoas que perturbem a ordem pública com a prática de atos predatórios e greves de pesso-
as de uma mesma categoria ocupacional que se recusam a trabalhar. E o seguro riscos de enge-
nharia, que cobre os riscos decorrentes de falhas de engenharia em obras civis em construção,
montagem de maquinário, quebra de computadores etc.
Atualmente, as novidades do setor de seguros são os seguros para profissionais liberais
em casos de afastamento do trabalho e doenças graves como o câncer, para que o segurado
não fique sem rendimentos; seguro para empresários contra sequestros, assaltos ou roubos
ocorridos em casa ou no automóvel; seguros de corpo inteiro e com elevação da cobertura em
certas partes, como as mãos, as pernas, a região glútea, entre outras (comum entre artistas e
esportistas).
Conforme a ocorrência do risco, os seguros podem ser classificados de duas formas: riscos
decorridos e riscos a decorrer. Nos seguros de riscos decorridos, o pagamento do prêmio é rea-
lizado após a ocorrência do fato gerador, por exemplo, seguro de transporte, seguro de vida em
grupo e seguro de acidentes pessoais.
Segundo Souza (2002, p.63), “[...] os seguros de riscos a decorrer caracterizam-se pelo pré-
pagamento do prêmio. São exemplos tradicionais os seguros de automóvel, incêndio e fiança
locatícia".

10. PREVIDÊNCIA OFICIAL E PRIVADA


A Previdência oficial é oferecida pelo Estado, como pessoa jurídica de direito público, sem
fins lucrativos e tem como objetivo a proteção da classe trabalhadora, garantindo sua subsistên-
cia, ou seja, o mínimo de preservação de qualidade de vida de modo condizente com a justiça
social.
No Brasil, a previdência oficial foi criada mediante decreto nº 99.350, de 1990, e é admi-
nistrada pelo Ministério da Previdência Social (Lei nº 8.490, de 1992), por meio do INSS – Ins-
tituto Nacional do Seguro Social, que recebe as contribuições mensais dos trabalhadores e de
empresas para prestar os benefícios nos casos de aposentadoria ou de invalidez permanente.
O futuro da previdência oficial no Brasil revela uma grande insegurança por parte dos
trabalhadores, visto que tem apresentado crônicos défices nas últimas décadas, agravados pela
redução no número de contribuintes ativos e o crescente aumento no número de aposentados
(inativos).
Dessa forma, como a aposentadoria paga pelo governo não é suficiente para manter o
padrão de vida desejado pelo trabalhador na sua velhice ou inatividade, aliada à divulgação do
assunto na mídia e à propaganda das seguradoras pertencentes aos bancos comerciais, ocasio-
naram o crescimento e a popularização da previdência privada no Brasil.
A previdência privada pode ser classificada como um seguro de renda. Ela foi criada pela
Lei nº 6.435 de 15 de julho de 1977 e regulamentada pelo decreto nº 81.240 de 20 de janeiro de
1978, para as entidades fechadas, conhecidas como Fundos de Pensão, e pelo decreto nº 81.402
de 23 de fevereiro de 1978, para as entidades abertas. Assim, o participante dos fundos de pre-
vidência privada tem seus direitos garantidos por esta legislação e as empresas são reguladas
pela Susep, e têm de respeitar uma série de normas.
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A previdência privada é uma aposentadoria independente que pode complementar a da


Previdência Social e destaca-se por ser opcional e voluntária, utilizada para preservar um deter-
minado padrão de vida. O participante pode começar a receber uma pensão antes mesmo de se
aposentar ou sacar parte do pecúlio no caso de enfrentar uma doença grave.
As entidades de previdência privada fechada só podem administrar um único fundo de
pensão, isto é, operam dentro de uma única empresa e têm como participantes apenas seus
funcionários, com o objetivo de prestação de benefícios complementares e assemelhados aos
da Previdência Social. Os planos são, em sua maioria, custeados pelas empresas com contribui-
ção variável de acordo com os cálculos atuariais e a política da empresa.
Já as entidades de previdência privada aberta administram diversos fundos ao mesmo
tempo e, por serem públicas, qualquer pessoa pode participar. Visam à prestação de benefícios
opcionais, de caráter mais individual. Os planos garantem remuneração mínima igual à da pou-
pança. As contribuições são mensais por um número determinado de anos, segundo a renda
futura esperada e a idade previamente estabelecida, e os benefícios podem ser recebidos na
forma vitalícia (durante o número de anos contratados) ou em forma de capital (no qual o bene-
ficiário recebe todo o valor de uma só vez).
Atualmente, foram criados fundos mais flexíveis, como o VGBL – Vida Gerador de Benefício
Livre, o PGBL – Plano Gerador de Benefício Livre e o Fapi – Fundo de Aposentadoria Programada
Individual, administrados pelas EAPP – Entidades Abertas de Previdência Privada, com recursos
aplicados em títulos de renda fixa e, até mesmo, no mercado de ações.

11. NOÇÕES DE CAPITALIZAÇÃO


Historicamente, a capitalização teve sua origem na França em meados do século 19, com
uma cooperativa de trabalhadores nas minas de carvão que faziam contribuições para a consti-
tuição de um capital que seria pago no final de um prazo estipulado em um contrato ou anteci-
padamente, mediante sorteio entre os participantes.
O início da capitalização no Brasil ocorreu somente por volta do ano de 1930 e foi regu-
lamentada pelo decreto nº 22.456, de 10 de fevereiro de 1933, e, posteriormente, passou por
mudanças e regulamentações.
Atualmente, os títulos de capitalização são bastante populares no Brasil pela combinação
da formação de poupança com premiação por sorteio, o que motiva muitas pessoas. Os títulos
de capitalização são nominativos (podem ser vendidos desde que se comunique à empresa de
capitalização e se obedeça aos procedimentos formais), e têm por objetivo promover a capi-
talização de uma série de mensalidades ou de aplicação única, com valor de resgate acrescido
dos rendimentos líquidos contratados. O produto completa-se com os sorteios de prêmios em
dinheiro ou em bens aos titulares durante o prazo de provisão da capitalização.
O mercado de capitalização é formado por empresas que comercializam títulos com a
combinação de poupança programada com prêmios mensais, sorteados todos os meses até o
final do contrato. Se o portador do título de capitalização for sorteado, ele continua a concorrer
nos novos sorteios e, no caso de não ser sorteado, ele não perde o que depositou, recebe de
volta no final do plano o montante aplicado acrescido de reajuste monetário.
De acordo com Souza (2002, p. 80), o montante pago pelo titular do plano de capitalização
tem três destinos principais:

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• A primeira e maior parte desse total formará a provisão matemática que representará
a parcela da mensalidade que será constituída pelas quantias economizadas e sobre as
quais serão aplicados correção monetária e juros.
• A segunda parcela deduzida da mensalidade será destinada ao pagamento de despesas
administrativas, tais como: salários, honorários, aluguéis, publicidade, material e des-
pesas com correios realizadas pela empresa de capitalização.
• Por último, uma terceira parcela do valor do título de capitalização será descontada
para sorteio, com o objetivo de garantir o pagamento dos prêmios mensais aos titula-
res que forem contemplados.
Pelo Anexo I da Circular SUSEP nº 379, de 19 de dezembro de 2008, que normatizou a
codificação do Plano de Contas, as sociedades de capitalização devem classificar as contas de
resultado, no grupo 34 – Operações de Capitalização, distribuídas da seguinte forma:
• Subgrupo 341 – Receitas com Títulos de Capitalização.
• Subgrupo 342 – Variações das Provisões Técnicas.
• Subgrupo 343 – Despesas com Sorteios e Resgates.
• Subgrupo 344 – Despesas de Comercialização.
• Subgrupo 345 – Outras Receitas e Despesas Operacionais.

12. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONTABILIDADE: DOS PRIMÓRDIOS À CON-


TABILIDADE NAS EMPRESAS SEGURADORAS
Desde os povos mais primitivos, a Contabilidade já existia empiricamente em razão da
necessidade de controlar, medir e preservar o patrimônio familiar.
Como sabemos, o marco histórico da ciência da Contabilidade deu-se com a primeira pu-
blicação em livro no ano de 1494 em Veneza, na Itália, por Luca Paciolo, matemático, professor
e frade franciscano, com o trabalho contábil intitulado Summa de Arithmetica, Geometria, Pro-
portioni et Proportionalitá. Nessa obra, encontram-se os 36 capítulos do Tractatus particularis
de Computis et Scripturis, explicando os registros contábeis pelo método das partidas dobradas,
fundamentado na relação débito e crédito.
Devemos considerar que Paciolo não foi o inventor do método, porém seu mérito foi de
expô-lo pela primeira vez, reunir os esparsos conhecimentos existentes e ser um dos principais
responsáveis pela criação da Escola Italiana de Contabilidade, que prevaleceu no cenário mun-
dial até o século 19.
A evolução da Contabilidade foi lenta ao longo dos anos. Nos Estados Unidos, após a gran-
de depressão econômica de 1929, deu-se um grande desenvolvimento devido a maciços inves-
timentos em pesquisas na área contábil e um crescimento do mercado de capitais, dado pela
necessidade de melhora no sistema de informações dos negócios, visto ter sido esses fatores de-
cisivos para a formação da Escola Contábil Americana, que prevalece no cenário contábil atual.
A legislação contábil brasileira tem sido aperfeiçoada ao longo dos anos, desde 1940, pelo
decreto de lei nº 2.627; em 1964, pela Lei nº 4.595, que realizou uma ampla reforma bancária;
em 1976, pela Lei nº 6.404, que criou a lei das sociedades por ações e separou a contabilidade
para fins societários e fiscais; e, posteriormente, pelo Regulamento do Imposto de Renda me-
diante decreto nº 3.000, de 1999, em vigor.
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Com a regulamentação da profissão de contador, pelo decreto-lei nº 7.938, de 22 setem-


bro de 1945, foi criado o CFC – Conselho Federal de Contabilidade, pelo decreto-lei nº 9.295,
de 27 de maio de 1946, que delegou o Ibracon – Instituto Brasileiro de Contadores como órgão
responsável por estabelecer as normas contábeis a serem seguidas pelos profissionais.
A contabilidade, antes tida como necessária apenas para atender às exigências fiscais,
passou a ser vista como uma ferramenta gerencial, responsável por um fluxo contínuo de infor-
mações nas empresas para suprir os tomadores de decisões com dados confiáveis e úteis.
No Brasil, com o crescimento do mercado de seguros, o controle de todo esse processo
deságua nos números, principal fonte de medida do desempenho financeiro de seguradora, que
administra capitais de terceiros com o intuito de satisfazer prejuízos que possam advir dos riscos
segurados.
A contabilidade de uma seguradora é uma tarefa complexa e o desafio está na avaliação
dos ativos intangíveis e intelectuais, em virtude dos tipos de seguros oferecidos; os serviços con-
siderados de alta qualidade; a manutenção de profissionais de seguros motivados e habilitados;
processos internos eficientes e consistentes; segurados e corretores satisfeitos e fiéis. Assim,
para que uma seguradora possa ter sucesso, os ativos intangíveis e intelectuais são muitas vezes
mais importantes do que os ativos físicos e tangíveis.

13. CICLO ECONÔMICO DE UMA COMPANHIA DE SEGUROS


Em virtude da complexidade da atividade da seguradora, é fundamental a visualização da
empresa como um todo. Internamente, elas têm duas importantes funções: a atividade opera-
cional e a atividade financeira ou patrimonial, gestão dos recursos arrecadados.
O ciclo econômico completo de uma companhia de seguros inicia-se com a oferta da pro-
posta pelos corretores por meio do departamento de vendas e/ou marketing, na qual o segura-
do manifesta a intenção de contratar a cobertura pretendida, que pode ser aceita ou recusada
pela seguradora no prazo de 15 dias.
Assim, depois que a proposta recebida for analisada, são revistos todos os cálculos atu-
ariais, inspeções e reservas técnicas, pelo departamento de atuária e estatística, para que os
riscos sejam aceitos e aprovados. Em seguida, ocorre a emissão da apólice de seguro e o docu-
mento de cobrança bancária do valor do prêmio emitido pelo departamento contábil/contas a
receber. E, após a quitação do valor do prêmio pelo segurado, acionam-se os procedimentos ad-
ministrativos de aplicação do percentual do prêmio no mercado financeiro, tarefa esta realizada
pelo departamento financeiro.
Em caso da ocorrência de sinistro, o segurado ou o beneficiário avisa o corretor, que acio-
na a seguradora para realização da inspeção do sinistro por meio de seu departamento de inde-
nizações ou sinistros.
Depois de processado e revisto, o departamento contábil ou contas a pagar, comunica o
dia e a forma de pagamento da indenização devida, seja por número do cheque, valor, crédito
em conta corrente bancária, entre outros.
Outro fator importante a ser destacado é que em todas as etapas descritas anteriormente
são elaborados os relatórios gerenciais.

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© Seguros e Contabilidade de Seguros 63

14. CONTABILIDADE NAS EMPRESAS SEGURADORAS


Com base em sua constituição jurídica, a empresa seguradora é obrigada a seguir as deter-
minações dos órgãos contábeis e obedecer aos princípios contábeis previstos na legislação so-
cietária e às normas do Conselho Nacional de Seguros Privados, regulamentadas por instruções
da Superintendência de Seguros Privados.
Uma companhia seguradora tem por exigência efetuar o registro de suas operações nos li-
vros contábeis obrigatórios, como: Diário; Razão; Caixa; Lalur (Livro de Apuração do Lucro Real),
no caso de optar pelo regime de tributação pelo Lucro Real; nos livros facultativos para registros
de contas correntes e, ainda, nos livros auxiliares, como Registros de Apólices Emitidas, Apólices
e Bilhetes de Seguros Cobrados, Sinistros Ocorridos, Sinistros Pagos, Comissões Emitidas, Prê-
mios Restituídos, Cosseguros Emitidos e Cosseguros Recebidos.
As operantes em Ramos Elementares e Ramo Vida ainda são obrigadas a efetuar registros
oficiais, que são fontes de informações para as partidas contábeis efetuadas mensalmente pela
seguradora. Tais registros oficiais devem ser organizados em livros encadernados, terem suas
folhas numeradas e possuírem termos de abertura e encerramento.
Segundo Silva (1999, p. 67), a contabilidade nas empresas seguradoras compreendem três
grupos:
• Grupo A: emissão de apólice e outros documentos que envolvam prêmios a receber, exceto bilhetes
de seguro.
• Grupo B: de cobrança de apólices e outros documentos que envolvam arrecadação de prêmios, in-
clusive bilhetes de seguros.
• Grupo C: de sinistros avisados.

As seguradoras devem enviar mensalmente para a Susep o Formulário de Informações


Periódicas (FIP), com as seguintes informações: volume de prêmios retidos, volume de prêmios
ganhos, produção de prêmios por regiões geográficas, volume de sinistros líquidos, comissões
líquidas e despesas de angariação diferidas, resumo das provisões técnicas, balancetes mensais
etc. com o objetivo de informar sua situação econômica e financeira e apresentá-la de forma
analítica.
No encerramento do exercício social, deverão ser apurados o Balanço Patrimonial, a De-
monstração do Resultado do Exercício, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, a
Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos e as Notas Explicativas e, obrigatoriamente,
essas demonstrações deverão ser divulgadas em jornais de grande circulação.
O atual plano contábil de uma seguradora visa uniformizar os registros, racionalizar a uti-
lização de contas, estabelecer regras, critérios e procedimentos necessários à obtenção e di-
vulgação de dados, além da análise para avaliação do desempenho para que as demonstrações
elaboradas expressem a fidedignidade e a transparência de sua situação econômico-financeira.
De acordo com Souza (2002, p. 92), os principais procedimentos contábeis a serem ado-
tados por uma seguradora são:
• As receitas de prêmios são contabilizadas, pelo seu valor total, quando da emissão da apólice e reco-
nhecidas mensalmente nas contas de resultados, pelo valor proporcional, segundo o transcorrer da
vigência do risco.
• As despesas de comercialização são diferidas quando da emissão da apólice e também reconhecidas
nas contas de resultados mensalmente com base no prazo de vigência do risco.
• Incluem-se nesses conceitos os prêmios não ganhos, sinistros e despesas de comercialização relativos
a cosseguros, resseguros e retrocessão.
64 © Atuária

• Os sinistros devem ser registrados contabilmente quando avisados. A provisão é constituída, muitas
vezes, em valores estimados.

Principais classificações contábeis


Segundo Souza (2002, p. 101-103), devido à especificidade do mercado segurador, torna-
se necessário conceituar algumas contas e seus respectivos significados, como:
1) Provisão de sinistros a liquidar ou provisão para sinistros avisados: estimativa ajustada do custo
final a indenizar, a perda final de um sinistro (custo médio de indenização multiplicado pelo número
de sinistros avisados).
2) Créditos operacionais (ativo circulante): compreendem os prêmios emitidos, bem como as opera-
ções de cosseguro realizadas com as congêneres e as operações de resseguro feitas com o IRB – Ins-
tituto de Resseguro do Brasil, relativos a prêmios, comissões e sinistros.
3) Despesas de comercialização diferidas: custos para comercialização do seguro, ou seja, as comis-
sões de corretagem (despesas incorridas pelo princípio da competência, a serem amortizadas pro
rata temporis durante o período de vigência do seguro).
4) Débitos operacionais: compreendem a dívida (passivo circulante) gerada nas operações de cosse-
guro e resseguro, envolvendo os aspectos relativos a prêmios e comissões.
5) Provisões técnicas: são as maiores obrigações da companhia relativas a prêmios ainda não ganhos
(receita de exercícios futuros) e perdas ainda não indenizadas (passivo circulante).
6) Prêmios emitidos: compreendem os valores das apólices emitidas pela companhia de se-
guros em um determinado período.
7) Prêmios de cosseguros cedidos: reduzem a conta de prêmios emitidos, pois registram os
prêmios cedidos às congêneres (cosseguradoras) sob forma de cosseguro.
8) Prêmios de resseguros cedidos: também reduzem o total de prêmios emitidos, e diz res-
peito à parcela de prêmio repassada ao IRB por meio da operação de resseguro.
9) Prêmios retidos: relativo à parcela dos prêmios que ficarão em poder da própria compa-
nhia. Em caso de sinistro, a indenização ocorrerá na proporção equivalente aos prêmios retidos.
10) Variação da provisão de prêmios não ganhos: é a parcela de prêmios que só será revertida para
receita segundo a vigência da apólice (2 / 24 ao mês), pelo princípio da competência.
11) Prêmios ganhos: são as receitas de seguros propriamente ditas, ou seja, os prêmios retidos, dedu-
zidos da variação da provisão de prêmios não ganhos.
12) Sinistros retidos: expressam o valor das indenizações de responsabilidade da própria seguradora.
Do total de indenizações reclamadas pelos segurados e beneficiários, são deduzidas as recupera-
ções de cosseguro e resseguro, os valores recuperados de terceiros responsáveis pelo sinistro (res-
sarcimento) e os valores apurados com a venda de bens recuperados de sinistros (salvados).
13) Despesas administrativas: englobam todos os gastos da estrutura administrativa de uma compa-
nhia, tais como despesas com pessoal, encargos sociais sobre a folha de pagamento etc.
14) Resultado financeiro: reflete o resultado das operações financeiras auferidas por meio da aplica-
ção de reservas garantidoras das reservas técnicas representadas por disponibilidades aplicadas no
mercado financeiro, conforme as regras do Banco Central.
15) Apuração do resultado: realizada pelo princípio da competência, compreende a apropriação dos
prêmios deduzidos dos cancelamentos, restituições e cessões em cosseguros e resseguros, em vir-
tude do faturamento mensal (ramos de riscos decorridos) ou de acordo com o prazo de vigência das
apólices (ramos de riscos a decorrer).
16) Provisões técnicas não comprometidas: são constituídas de acordo com resoluções e normas do
Conselho Nacional de Seguros Privados e da Superintendência de Seguros Privados. Agrupam ba-
sicamente duas contas: Provisão de riscos decorridos (constituída por valor correspondente a 50%
dos prêmios retidos mensalmente desses ramos de seguros) e Provisão de prêmios não ganhos
(constituída pela parcela dos prêmios emitidos e retidos, com a inclusão de cosseguros e retro-
cessões correspondentes ao período de risco não decorrido e com base no prazo de vigência das
apólices).

Observe, no Quadro 2, algumas operações de uma companhia de seguros e a forma que


deverão ser contabilizadas a débito e a crédito suas respectivas contas.

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Quadro 2 Principais operações de uma companhia de seguros.


OPERAÇÕES CONTA DEBITADA CONTA CREDITADA
Créditos Operacionais – Prêmios
Emissão de uma apólice de seguro Receita de Prêmios emitidos (DRE)
emitidos (Ativo Circulante)
Comissão sobre prêmios emitidos Despesas de comissões sobre prêmios Débitos de Seguros – Comissões a
(ainda não paga) (DRE) Pagar (Passivo Circulante)
Débitos de Seguros – Prêmios a
Restituição de prêmios a pagar Prêmios Restituídos (DRE)
Restituir (Passivo Circulante)
Despesas de Comercialização Diferidas Variação da Despesa de
Despesas de comercialização diferidas
(Ativo Circulante) Comercialização Diferida (DRE)
Disponível: Bancos com movimento
Pagamento de cosseguro cedido Seguradoras no País (Ativo Circulante)
(Ativo Circulante)
Provisões técnicas não comprometidas
Variação das Provisões de prêmios não
Provisão de prêmios não ganhos – Provisão de prêmios não ganhos
ganhos (DRE)
(Passivo Circulante)

Registro da indenização de sinistros Indenizações de Sinistros avisadas Provisão de Sinistros a liquidar


avisados (DRE) (Passivo Circulante)
Provisões técnicas comprometidas –
Despesas com regulação de sinistros Despesas com Sinistros (DRE)
Sinistros a liquidar (Passivo Circulante)

Provisão de Sinistros a liquidar (Passivo Disponível: Bancos com movimento


Pagamento da indenização do sinistro
Circulante) (Ativo Circulante)
Fonte: adaptado de Souza (2002) e Silva (1999).

Para facilitar o entendimento, simulamos um exemplo prático de aspectos particulares de


lançamentos específicos em uma empresa seguradora. Vejamos.
Exemplo de lançamentos específicos de uma companhia seguradora
Situação: em 7 de janeiro de 2008, o Sr. Joaquim de Jesus contratou um seguro de vida no
valor de R$xxx.xxx,xx junto à Companhia Seguradora Vaicomfé, que emitiu a apólice de seguro
e cobrou do segurado um prêmio no valor de R$xx.xxx,xx.
Contabilização da operação: a seguradora, ao receber o valor supracitado, fez o lançamen-
to no dia 7 janeiro de 2008:
Débito: Caixa
Crédito: Receita de Prêmios Emitidos . . . . . R$XX.XXX,XX

Ocorrência: a família avisou a seguradora sobre o falecimento do segurado, ocorrido no


dia 13 de abril de 2009, que providenciou o pagamento da indenização do sinistro e no dia do
pagamento, em 4 de maio de 2009, registrou em sua contabilidade:
Débito: Provisão de Sinistros a Liquidar
Crédito: Bancos Conta Movimento . . . . . . . . R$XXX.XXX,XX

Demonstrações contábeis das companhias de seguros


As demonstrações contábeis de uma seguradora devem ser elaboradas de acordo com
os princípios contábeis criados por resolução do Conselho Federal de Contabilidade e também
previstos na legislação societária e especificamente constantes nas normas do CNSP, que foram
devidamente regulamentadas pelas instruções da Susep.
Devido à sua especificidade, a companhia seguradora contempla algumas contas que, nor-
malmente, não são utilizadas em outro tipo de empresa, tais como:
1) Créditos operacionais e despesas de comercialização diferidas no Ativo Circulante.
66 © Atuária

2) Débitos de operações com seguros e provisões técnicas no Passivo Circulante.


3) Na DRE: receitas de prêmios emitidos (+), prêmios de cosseguros e resseguros cedidos
(-), variação das provisões de prêmios não ganhos (-) e sinistros retidos (-).
4) Nas notas explicativas: detalhamento das principais operações, conforme circular da
Susep nº 51 de 10 de julho de 1998, que dispôs sobre as notas explicativas mínimas.
Para melhor compreensão, vejamos, a seguir, um exemplo da atuação de uma companhia
seguradora.
Exemplo de demonstrações contábeis de uma empresa seguradora
A companhia seguradora Vaicomfé foi constituída por Assembleia Geral realizada por seus
fundadores em 30 de novembro de 2005.
Após aprovação de seus atos constitutivos e tendo obtido a autorização para seu funcio-
namento concedida pela Susep para operar em ramos elementares e ramo de vida, a empresa
legalizou sua existência jurídica e iniciou suas atividades em 2 de janeiro de 2006.
Depois de decorridos 12 meses das atividades operacionais e em conformidade com o seu
estatuto social, a empresa encerrou seu primeiro exercício social em 31 de dezembro de 2006 e
elaborou as demonstrações contábeis exigidas.
Vejamos, a seguir, o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício da
referida companhia de seguros:

BALANÇO PATRIMONIAL DA COMPANHIA DE SEGUROS VAICOMFÉ, ENCERRADO EM 31 DE DEZEMBRO DE 2006 (EM MI-
LHARES DE REAIS)
ATIVO PASSIVO
CIRCULANTE 42.040.680 CIRCULANTE 285.078
Disponibilidades: Caixa 41.783.868 Provisões técnicas não comprometidas: 187.042
Bancos com Movimento e com Aplicação 2.935.280 Provisão Prêmios Não Ganhos Provisão 139.526
38.848.588 de Riscos Decorridos 47.516
Créditos operacionais com seguros:
Prêmios Emitidos Provisões técnicas comprometidas 2.500
Seguradoras e IRB 208.940
248.155 Débitos operacionais com seguros:
Despesas de (39.215) Comissão sobre/ Prêmios Emitidos 47.514
comercialização diferidas: Seguradoras e IRB (valor a restituir) 38.065
9.449
47.872 Débitos diversos a pagar: Comissões
a Pagar/ Dividendos a Pagar
Impostos e Encargos a Recolher 48.022 15.765
10.303 21.954
PERMANENTE 18.288.784 PATRIMÔNIO LÍQUIDO 60.044.386
Investimentos: Capital Social (Nacional) Reserva Legal/ 60.000.000
Ações de S/A 5.135.105 Lucros Acumulados 12.260 32.126

Imobilizado:
Imóveis/ Bens de uso (-) Depreciação 13.203.450
Acumulada (60.000)

Diferido:
Gastos Pré-Operacionais (-) 12.784
Amortização Acumulada (2.555)
TOTAL DO ATIVO 60.329.464 TOTAL DO PASSIVO 60.329.464

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© Seguros e Contabilidade de Seguros 67

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO DA COMPANHIA DE SEGUROS VAICOMFÉ, ENCERRADA EM 31 DE DEZEM-


BRO DE 2006 (EM MILHARES DE REAIS)
RECEITA DE PRÊMIOS RETIDOS (Emitidos e Restituídos) 344.750
(-) Prêmios de Cosseguros e Resseguros Cedidos (53.057)
(-) Variação das Provisões de Prêmios (184.042)
(=) RECEITA LÍQUIDA DE PRÊMIOS GANHOS 107.651
(-) SINISTROS RETIDOS (INDENIZAÇÕES) (2.900)
(-) DESPESAS DE COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS (5.037)
(=) RESULTADO BRUTO ou LUCRO BRUTO 99.714
(-) DESPESAS OPERACIONAIS: Depreciação/Amortização/Administrativas/Cobrança (63.005)
(=) RESULTADO DAS OPERAÇÕES DE SEGUROS ou LUCRO OPERACIONAL 36.709
(+) RECEITAS FINANCEIRAS: Renda Líquida de Aplicações, Custo de apólice etc. 38.792
(=) RESULTADO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E DO IMPOSTO DE RENDA (LAIR) 75.501
(-) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL e IMPOSTO DE RENDA (20.812)
(=) RESULTADO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO ou LUCRO LÍQUIDO* 54.689

Após a análise do Balanço Patrimonial exibido anteriormente, podemos notar que o Lucro
Líquido apurado de R$54.689,00 foi assim distribuído:
• Dividendos R$10.303,00.
• Reserva Legal R$12.260,00.
• Lucros Acumulados R$32.126,00.

15. ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DE SEGURADORAS


Conforme vimos anteriormente, as demonstrações contábeis das seguradoras apresen-
tam características próprias, de acordo com os ramos de seguros e da diversidade de produtos
com os quais operam.
Segundo Silva (1999, p. 113), “[...] a análise em nenhum momento apresenta soluções,
mas identifica os problemas a serem investigados, sendo, na verdade, um instrumento de con-
trole da administração da seguradora".
A análise pode ser definida como uma técnica contábil que consiste na decomposição dos
elementos patrimoniais em dados estatísticos, visando à sua interpretação.
Portanto, a finalidade da análise consiste em fornecer informações numéricas de dois ou
mais exercícios sociais, com o intuito de auxiliar os administradores a conhecer a situação da
seguradora e a tomar decisões. O objetivo é estudar o desempenho econômico-financeiro des-
sas empresas, com base em informações passadas para identificar os fatores determinantes da
situação atual e orientar seu comportamento futuro, com vistas a minimizar os pontos fracos e
a maximizar os pontos fortes.
Assim, o processo de análise inicia quando termina o processo contábil, visto que, a partir
dos relatórios contábeis encerrados pela seguradora, o atuário inicia seu trabalho mediante as
seguintes etapas:
1) Padronização e coleta de dados das demonstrações: consiste no exame minucioso
das contas, padronização das contas apenas para efeito de análise com a reclassifica-
ção de algumas, como as retificadoras, os títulos descontados etc. Os dados coletados
são extraídos de valores do Balanço Patrimonial e da DRE e irão fazer parte dos diver-
sos índices a serem apurados.
2) Cálculo e interpretação dos índices: aplicar as fórmulas (cálculo por regra de três sim-
ples), os quocientes e coeficientes, para conhecer a relação existente entre cada gru-
68 © Atuária

po e interpretar seus significados a fim de obter um diagnóstico preciso sobre a real


situação da companhia.
3) Análise vertical e análise horizontal: na primeira, determinamos a composição (em %)
de cada conta em relação ao total; na segunda, comparamos a estrutura patrimonial
em vários exercícios e destacamos qual foi o crescimento (evolução em %) ocorrido
em cada conta, de um exercício para outro.

Análise Vertical e Análise Horizontal–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––


Aplica-se a Análise Vertical tanto no Balanço (a base 100% será o valor total do ativo ou do passivo), quanto na
DRE (a base 100% será o valor da receita de prêmios retidos). Por exemplo (valores hipotéticos):
a) no Balanço: total do Ativo R$ 27.000,00 = 100% e disponível (caixa e bancos) R$8.000,00 = x%  (8.000 x 100)
/ 27.000 = 29,6%;
b) na DRE: total da Receita de prêmios retidos R$30.000,00 = 100% e sinistros indenizados R$12.000,00 = x% 
(12.000 x 100) / 30.000 = 40%.

Na Análise Horizontal, a base 100% será sempre o exercício mais antigo, com variação em % nos exercícios se-
guintes. Como a Análise Horizontal mede a evolução do índice, após o cálculo da regra de três, temos de tirar de
100%. Por exemplo (valores extraídos do caso prático Companhia Imaginária de Seguros):
a) no Balanço: total do Passivo Circulante em 2004 = R$21.387,00 = 100% e em 2006 = R$85.110,00 = x% 
[(85.110 x 100) / 21.387] – 100%= 297,95%  revela o acréscimo das dívidas de curto prazo;
b) na DRE: Receita Financeira em 2004 = R$11.795,00 = 100% e em 2006 = R$1.947,00 = x%  (1.947 x 100) /
11.795 = 16,51% – 100% = (83,49%)  decréscimo ou queda na receita financeira.
–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––

4) Comparação com padrões: comparam-se os resultados obtidos pela seguradora à me-


diana dos padrões apresentados por outras seguradoras, para avaliar se o desempe-
nho está acima ou abaixo da média do setor.
5) Elaboração do relatório de análise: demonstra, em linguagem compreensível aos lei-
gos, as conclusões sobre a situação econômico-financeira da seguradora e qual foi o
desempenho desta em determinado período. Vale ressaltar que as seguradoras de-
vem enviar mensalmente os relatórios para a Fenaseg.
Na Análise de Desempenho, podemos ter uma visão global sobre a situação econômica e
financeira da seguradora analisada, mediante uma interpretação isolada, índice por índice, ou
conjunta, índices de uma mesma categoria.
A situação financeira é analisada pela categoria Estrutura de Capitais, que engloba os índi-
ces de endividamento e de imobilização, e pela categoria Liquidez, que compreende os índices
que medem a capacidade de pagamento.
Já a situação econômica é analisada pela categoria Rentabilidade, que reúne os índices
que indicam sua capacidade de gerar lucros.
A seguir, observe os principais índices utilizados em análise, suas respectivas fórmulas e
significados (interpretação). Cabe salientar que os resultados obtidos são em reais, para conver-
tê-los em %, basta multiplicá-los por 100.
1) Participação do Capital de Terceiros: PCT = Passivo Circulante + Exigível a Longo Pra-
zo/Patrimônio Líquido. Interpretação: para cada R$1,00 de capital próprio (PL), quan-
tos reais a seguradora deve a terceiros (PC + ELP).
2) Imobilização do Capital Próprio: ICP = Ativo Permanente/Patrimônio Líquido. Inter-
pretação: para cada R$1,00 de capital próprio (PL), qual foi o valor aplicado (em reais)
pela seguradora no seu ativo permanente.
3) Liquidez Corrente: LC = Ativo Circulante/Passivo Circulante. Interpretação: para cada
R$1,00 de dívidas (curto prazo), qual o valor (em reais) que a seguradora dispõe de
haveres (curto prazo).

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© Seguros e Contabilidade de Seguros 69

4) Liquidez Operacional: LO = Créditos operacionais com seguros/Débitos operacionais


com seguros. Interpretação: para cada R$1,00 de débitos com seguros, qual o valor
(em reais) de créditos com seguros.
5) Capital Circulante Líquido: CCL = Ativo Circulante (recursos) - Passivo Circulante (dívi-
das). Interpretação: a seguradora terá independência financeira (se o CCL for positivo)
ou dependência financeira (se o CCL for negativo).
6) Margem Operacional: MO = (Resultados Operacionais com Seguros/Prêmios ganhos)
x 100. Interpretação: para cada R$1,00 de prêmios ganhos, qual o valor (em reais) de
lucro operacional da seguradora.
7) Rentabilidade do Patrimônio Líquido ou Taxa de Retorno do Capital Próprio: RPL =
Lucro Líquido/Patrimônio Líquido. Por exemplo, para cada R$1,00 de capital próprio,
qual o valor (em reais) que a seguradora obteve de lucro líquido (depois da CS e IR).
8) Sinistralidade: S = (Sinistro retido/Prêmio ganho) x 100. Interpretação: para cada
R$1,00 da receita líquida de prêmio, qual o valor (em reais) que a companhia gastou
para indenizar as despesas com sinistros.
9) Custo de Comercialização: CC = (Despesas de Comercialização/Prêmios Ganhos) x
100. Interpretação: para cada R$1,00 da receita líquida de prêmios, qual o valor (em
reais) consumido por despesas de comercialização (comissões etc.).
Como caso prático de análise, observe, a seguir, o exemplo fictício do Balanço Patrimonial
e DRE da Companhia Imaginária de Seguros, encerrados em 31 de dezembro dos anos de 2004,
2005 e 2006.

BALANÇO PATRIMONIAL COMPANHIA IMAGINÁRIA DE SEGUROS


ATIVO 2006 2007 2008
Grupos e Subgrupos R$ mil AV% AH% R$ mil AV% AH% R$ mil AV% AH%
CIRCULANTE 32.328 80,38 100 72.237 82,71 123,5 91.039 86,56 181,61
Disponível e Aplicação Financeira 13.763 34,22 100 33.575 38,44 143,9 47.764 45,42 247,05
Créditos Operacionais com Seguros 13.595 33,80 100 21.894 25,07 61,0 22.571 21,46 66,02
Despesas de Comercialização Diferidas 3.797 9,44 100 13.815 15,82 263,8 12.212 11,61 221,62
Títulos e créditos a receber 1.173 2,92 100 2.953 3,38 151,7 8.492 8,07 623,96
REALIZÁVEL A LONGO PRAZO 1.083 2,69 100 7.830 8,97 623,0 7.249 6,89 569,34
PERMANENTE 6.808 16,93 100 7.264 8,32 6,70 6.884 6,55 1,12
TOTAL DO ATIVO 40.219 100,0 100 87.331 100,0 117,1 105.172 100,0 161,5

PASSIVO 2006 2005 2006


Grupos e Subgrupos R$ mil AV% AH% R$ mil AV% AH% R$ mil AV% AH%
CIRCULANTE 21.387 53,17 100 79.290 90,79 270,7 85.110 80,92 297,95
Provisões Técnicas não comprometidas 10.896 27,09 100 46.157 52,85 323,6 48.592 46,20 345,96
Provisões Técnicas comprometidas 4.477 11,13 100 9.107 10,43 103,4 16.292 15,49 263,90
Despesas Operacionais com Seguros 924 2,30 100 1.869 2,14 102,3 5.758 5,47 523,16
Contas a pagar e Tributos 5.090 12,65 100 22.157 25,37 335,3 14.468 13,76 184,24
EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 10.286 25,58 100 614 0,59 - 95,0 315 0,30 - 96,94
PATRIMÔNIO LÍQUIDO 8.546 21,25 100 7.527 8,62 - 11,9 19.747 18,78 131,07
TOTAL DO PASSIVO 40.219 100,0 100 87.331 100,0 117,1 105.172 100,0 161,5

DRE COMPANHIA IMAGINÁRIA DE SEGUROS


D R E 2004 2005 2006
Discriminação R$ mil AV% AH% R$ mil AV% AH% R$ mil AV% AH%
Receita de Prêmios Retidos 89.280 100 100 140.461 100 57,33 195.261 100 118,71
-Prêmios com Resseguros (18.705) 20,95 100 (46.379) 33,02 147,95 (52.430) 26,89 180,30
Cedidos
=Receita Líquida De 70.575 79,05 100 94.082 66,98 33,31 142.831 73,15 102,38
Prêmios Ganhos
-Sinistros retidos/ (42.936) 48,09 100 (39.972) 28,46 (6,90) (79.804) 40,87 85,78
indenizados
70 © Atuária

DRE COMPANHIA IMAGINÁRIA DE SEGUROS


D R E 2004 2005 2006
-Despesas de (16.415) 18,39 100 (25.592) 18,22 55,91 (36.158) 18,52 120,27
comercialização:
comissões
= Resultado Bruto 11.224 12,57 100 28.518 20,30 154,08 26.869 13,76 139,39
-Despesas Operacionais: (15.784) 17,68 100 (19.698) 14,02 24,80 (24.054) 12,32 52,39
depreciação /
administrativas
Outras Receitas / (4.359) 4,88 100 (2.106) 1,50 (51,69) 1.292 0,66 129,64
(Despesas) Operacionais
= Resultado Operacional (8.919) (9,99) 100 6.714 4,78 175,28 4.107 2,10 146,05
com Seguros
+Resultado Financeiro 11.795 13,21 100 (3.204) (2,28) (121,36) 1.947 1,00 (83,49)
=Resultado antes CS / IR 2.876 3,22 100 3.510 2,50 22,04 6.054 3,10 110,50
-Contrib. Social / Imp. (831) 0,93 100 (1.234) 0,88 48,50 (2.056) 1,05 147,41
Renda
= Resultado Líquido 2.045 2,29 100 2.276 1,62 11,30 3.998 2,05 95,50

Mediante a Análise Vertical do Balanço demonstrado anteriormente, podemos observar


que nos três anos analisados a seguradora investiu a maioria dos recursos no Ativo Circulante,
visto que estes foram superiores ao total das dívidas de curto prazo, exceto no ano de 2005,
quando o Passivo Circulante foi maior.
A Análise Horizontal do Balanço da companhia indica um substancial aumento dos re-
cursos aplicados nos grupos do Ativo Circulante, Realizável a longo prazo e Ativo Total. Já no
Passivo, houve um crescimento significativo nas dívidas de curto prazo e uma grande redução
nas dívidas de longo prazo.
Ao observarmos a Análise Vertical da DRE, verificamos que em 2004 a seguradora teve
um baixo lucro bruto, inferior às despesas operacionais, que causou um resultado operacional
negativo; sobretudo, graças ao resultado financeiro, verificamos um resultado líquido positivo.
Em 2005, a companhia apresentou um resultado operacional positivo; porém, devido ao resul-
tado financeiro negativo, ocasionou um baixo lucro líquido, que também foi mantido no ano de
2006.
Pela Análise Horizontal da DRE, constatamos que a companhia melhorou seu desempe-
nho em 2005 e duplicou sua receita em 2006, o que proporcionou um excelente lucro bruto, que
praticamente dobrou o resultado líquido de 2006 em relação a 2004.
Observe, na Tabela 1, a Análise de Desempenho da companhia mediante índices apurados
para o período de 2004 a 2006.

Tabela 1 Análise de Desempenho – índices apurados em 2004-2006.


ÍNDICES 2004 2005 2006
PCT - Participação do capital de terceiros 370,62% 1.061,57% 432,6%
ICP - Imobilização do Capital Próprio 79,66% 96,51% 34,86%
LC - Liquidez Corrente R$ 1,51 R$ 0,91 R$ 1,07
LO - Liquidez Operacional R$ 14,71 R$ 11,71 R$ 3,92
CCL - Capital Circulante Líquido R$ 10.941 (R$ 7.053) R$ 5.929
MO - Margem Operacional (12,64%) 7,14% 2,88%
RPL - Rentabilidade do patrimônio líquido 23,93% 30,24% 20,25%
S - Sinistralidade 60,84% 42,49% 55,87%
CC - Custo de Comercialização 23,26% 27,20% 25,32%

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© Seguros e Contabilidade de Seguros 71

A seguir, observe a interpretação dos índices apurados para o período de 2004 a 2006
apresentados na Tabela 1.
1) PCT: a companhia tem um excessivo grau de endividamento, que foi agravado em
2005.
2) ICP: o grau de imobilização foi alto em 2004 e 2005, o que é pouco recomendável,
se considerarmos a escassez de capital de giro. Em 2006, houve uma grande redução
nesse índice.
3) LC: a Liquidez corrente está satisfatória e acompanhou a drástica redução do CCL em
2005.
4) LO: seu perfil revelou uma curva descendente nos três anos, em virtude do desequilí-
brio negativo nas operações com seguros, especialmente em 2006.
5) CCL: houve uma forte queda em 2005, com utilização de capitais de terceiros em ex-
cesso.
6) MO: em 2004, obteve índice negativo, que foi revertido pelos índices positivos em
2005 e 2006.
7) RPL: a taxa de retorno do capital próprio foi plenamente favorável aos acionistas nos
três períodos, apesar da queda no ano de 2006.
8) S: a sinistralidade espelhou índices aceitáveis, considerado o índice padrão em torno
de 60%.
9) CC: o custo de comercialização alcançou níveis compatíveis com o volume da receita
de prêmios ganhos e comprometeu de forma moderada o lucro líquido da segurado-
ra.
Na última etapa da análise, é importante apresentar um Relatório Final resumindo a posi-
ção econômica e financeira nos períodos analisados. Vejamos a seguir.

Relatório Final
Após a análise e a interpretação dos índices apurados na Tabela 1, e baseado no Balanço
Patrimonial e na Demonstração do Resultado do Exercício da Companhia Imaginária de Seguros,
relativos aos exercícios findos em 31 de dezembro de 2006 a 2008, podemos concluir que:
Situação Financeira
No período analisado, a companhia apresentou dívidas totais (PC+ELP) maiores que os
recursos próprios (PL). A situação foi agravada especialmente em 2007, resultando em um ex-
cessivo grau de endividamento (PCT), concentrado, em sua maior parte, no curto prazo.
O alto grau de imobilização (ICP) em 2006 e 2007 não é recomendável, se considerarmos
a escassez de capital de giro. Já em 2008, houve uma grande redução nesse índice.
No tocante à liquidez, a empresa apresentou, em 2006, uma boa solidez financeira, porém
teve uma drástica redução em 2007 (CCL negativo) devido à utilização de capitais de terceiros
em excesso e uma significativa queda na liquidez operacional em 2008 (R$11,71 para R$3,92=
66,52%).
Esse perfil revelou uma curva descendente nos três anos, devido ao desequilíbrio negativo
nas operações com seguros, especialmente em 2008.
Situação Econômica
Em 2006, a margem operacional (MO) obteve índice negativo, que foi revertido pelos
índices positivos em 2007 e 2008, apesar da queda de 59,66% em 2008 (caiu de 7,14% para
2,88%).
72 © Atuária

A taxa de retorno do capital próprio (RPL) foi plenamente favorável aos acionistas nos três
períodos, apesar da queda de 33,04% no ano de 2008, em relação à 2007. O prazo de retorno
do capital investido (100%/ % do RPL) foi satisfatório nos três períodos (4,18 anos em 2006; 3,31
anos em 2007 e 4,94 anos em 2008), sendo inferior a 5 anos, o que revela um bom tempo de
retorno em função da rentabilidade obtida.
O índice de sinistralidade (S) espelhou índices aceitáveis, com média de 53% nos três anos),
considerando-se que o índice padrão anual gira em torno de 60%.
O custo de comercialização (CC) no período analisado alcançou níveis compatíveis com o
volume da receita de prêmios ganhos e comprometeu de forma moderada o lucro líquido da
seguradora.

16. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


Sugerimos que você procure responder, discutir e comentar as questões a seguir, que
tratam da temática desenvolvida nesta unidade, ou seja, os principais conceitos utilizados em
seguros; evolução, estrutura e legislação do mercado segurador; os contratos e os tipos de se-
guros; as noções de previdência oficial, previdência privada e capitalização, bem como os proce-
dimentos contábeis de uma companhia seguradora. A autoavaliação pode ser uma ferramenta
importante para você testar seu desempenho. Se você encontrar dificuldade em respondê-las,
procure revisar os conteúdos estudados para saná-las. Este é um momento impar para você
fazer uma revisão desta unidade. Lembre-se de que, no ensino a distância, a construção do co-
nhecimento se dá de forma cooperativa e colaborativa, portanto, compartilhe com seus colegas
suas descobertas.
1) Sobre seguros, responda:
a) Qual o conceito de seguros?
b) Quais são os tipos de seguros existentes?
c) Quais são os órgãos reguladores existentes no sistema nacional de seguros?
d) Quais são os componentes de um contrato de seguros?
2) Diferencie Previdência Oficial de Previdência Privada.
3) A contabilidade das empresas de seguros possui algum diferencial das demais empre-
sas? Justifique sua resposta com exemplos de práticas contábeis dessas empresas.
4) Responda qual é o significado de cada um dos índices listados a seguir aplicados na
análise das empresas de seguros:
a) Capital Circulante Líquido.
b) Margem Operacional.
c) Sinistralidade.
d) Custo de Comercialização.

17. CONSIDERAÇÕES
Chegamos ao final desta unidade. Por meio dela, você pôde conhecer os principais concei-
tos utilizados em seguros, sua evolução, estrutura e legislação do mercado segurador, os contra-
tos e os tipos de seguros, noções de previdência oficial, previdência privada e capitalização.
Além disso, foram abordados os procedimentos contábeis de uma companhia seguradora,
tais como, classificações, demonstrações contábeis e análises individuais dos índices, constando
a situação financeira e econômica da empresa por meio do Relatório Final de Análise.

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© Seguros e Contabilidade de Seguros 73

Na próxima unidade, analisaremos os principais aspectos e cálculos para o desenvolvi-


mento de Tábuas de Mortalidade ou de Sobrevivência.
Até lá!

18. E-REFERÊNCIAS

Sites pesquisados
Instituto Brasileiro de Atuária (IBA). Educação: disponível em: <http://www.atuarios.org.br/iba/conteudo.aspx?id=4&mindex=1>.
Acesso em: 10 set. 2010.
Jornal O Estado de São Paulo. A crise e os fundos de pensão: disponível em: <http://arquivoetc.blogspot.com/2008/12/crise-e-
os-fundos-de-penso-o-estado-de.html>. Acesso em: 10 set. 2010.

19. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


RUDGE, L. F. (Org.). Dicionário de termos financeiros. São Paulo: Santander Banespa, 2003.
SILVA, A. Contabilidade e análise econômico-financeira de seguradoras. São Paulo: Atlas, 1999.
SOUZA, S. Seguros: contabilidade, atuária e auditoria. São Paulo: Saraiva, 2002.
EAD
Tábuas de Mortalidade ou de
Sobrevivência

1. OBJETIVOS
• Conhecer e aprender a desenvolver uma Tábua de Mortalidade ou de Sobrevivência.
• Desenvolver uma Tábua de Comutação.
• Calcular as operações de seguros e de previdências envolvendo riscos financeiros e
atuariais, utilizando-se da Tábua de Mortalidade e da Tábua de Comutação.

2. CONTEÚDOS
• Tábua de Mortalidade ou de Sobrevivência.
• Tábua de Comutação.
• Aplicação da Tábua de Mortalidade ou de Sobrevivência e da Tábua de Comutação nas
operações de seguros e de previdência.

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


1) Ao iniciar os estudos desta unidade, é importante que você leia as orientações a se-
guir: para que você possa observar e entender os cálculos desenvolvidos nesta unida-
de, disponibilizamos, em anexo, algumas tábuas de mortalidade mencionadas, como
AT-2000, AT-49, AT-83. Dessa forma, você poderá verificar como elas foram construí-
das, seus elementos de composição e, também, tentar construir cada uma delas.
2) Para entender melhor o tópico 6 desta unidade, que trata da comutação das Tábuas de
Mortalidade, sugerimos que acompanhe todo o processo de comutação de uma tábua
76 © Atuária

de mortalidade ou de sobrevivência desenvolvido na tábua AT-2000, em anexo. Tente


desenvolver os cálculos e, depois, confira suas respostas com a tábua já comutada.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Na primeira unidade, conhecemos a origem da matemática, como também sua aplicação
na área atuarial, a fim de entendermos as razões de sua existência e de sua utilização.
Em seguida, na segunda unidade, abordamos os aspectos referentes aos seguros e à pre-
vidência como também as práticas e as normas de contabilidade das empresas de seguros e de
previdência.
Nesta unidade, colocaremos em prática os cálculos atuariais e veremos que a Tábua de
Mortalidade ou de Sobrevivência constitui um elemento básico dos seguros que têm por objeto
a vida humana.
Os seguros têm como objetivo a ajuda mútua financeira a um determinado indivíduo (o
segurado), porém este é ameaçado por eventuais riscos que venham a ocorrer. Todavia, nem
todos os riscos são seguráveis. Para um risco ser segurável, é necessário um acontecimento, no
futuro, incerto e independente da vontade humana.
Assim, todos os componentes do grupo, ameaçados pelo risco, contribuem para um fundo
comum, que se incube em tornar efetivo o ressarcimento dos prejuízos causados pelo sinistro
(fato concreto do que era provável).
Para tanto, ainda estudaremos que é imprescindível a construção de Tábuas de Mortalida-
de com o intuito de apresentar o número de pessoas vivas e mortas de um determinado grupo,
desde a origem até a extinção completa desse grupo. Isso para auxiliar os atuários no cálculo dos
possíveis riscos seguráveis que possa vir a ocorrer com um indivíduo segurado.
Vamos, então, aprender a construir essa tábua?

5. TÁBUA DE MORTALIDADE OU DE SOBREVIVÊNCIA: CONCEITO, ORIGEM E


IMPORTÂNCIA
Segundo Beltrão et al (2004, p. 1), a origem da moderna tábua de vida foi um estudo con-
duzido por Jonh Graunt e descrito em seu livro (1662), embora haja algumas evidências de que
na antiga Roma já existiam estudos similares. A publicação da tábua de vida desenvolvida por
Edmond Halley (1693) pode ser considerada como um marco para o estudo mais elaborado de
modelos de sobrevivência. Porém, somente em 1815 surge a primeira tábua de vida baseada em
conceitos verdadeiramente atuariais, construída por Milne.
Assim, as Tábuas de vida tornaram-se uma necessidade primordial para qualquer cálculo
de seguros quando o assunto é pertinente às pessoas.
Jones e Long (2000, p. 327) dizem que “[...] a facilidade para contratar seguro de renda
vitalícia se tornou possível a partir dos estudos realizados, pela indústria de seguro de vida, das
taxas de mortalidade e da elaboração das tabelas de mortalidade".
De acordo com Chan, Silva e Martins (2006, p. 48), “[...] a necessidade de se conhecerem
as características demográficas de um conjunto de pessoas é uma preocupação que reside na
gestão, principalmente, dos segmentos de previdência e seguros de vida individual, de vida em
grupo, de acidentes pessoais, de saúde etc.”

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© Tábuas de Mortalidade ou de Sobrevivência 77

Desse modo, a importância de conhecer a demografia para a ciência atuarial está enraiza-
da na sua própria origem, visto que uma das primeiras manifestações científicas dessa área foi a
elaboração de tábuas de mortalidade, também denominadas de tábuas de sobrevivência.
Segundo Beltrão et al (2004, p. 1), a tábua de mortalidade para uma dada população é
uma ferramenta importante não apenas em termos de estudos atuariais e demográficos em ge-
ral, como também para políticas públicas e financiamento do setor privado para certos serviços
ofertados no mercado, sendo muito utilizada para situações de previsões e estudos de demanda
para estimativas de custo da seguridade social e de prêmios de seguros privados.
Portanto, a tábua de mortalidade é uma tabela que apresenta o número de pessoas vivas
e de pessoas mortas, em ordem crescente de idade (faixa etária), desde a origem até a extinção
completa do grupo (VILANOVA, 1969), caracterizando-se como um dos elementos básicos dos
seguros de vida e de previdência social.

6. TÁBUA DE MORTALIDADE OU DE SOBREVIVÊNCIA: MÉTODOS DE CONS-


TRUÇÃO
Para a criação da tábua de mortalidade ou de sobrevivência, é importante considerar um
grande número de observações. Mediante isso, Ferreira (1985) diferencia dois tipos:
1) Tábuas construídas tendo-se em vista um grande número de população.
2) Tábuas construídas levando-se em conta um grupo de pessoas selecionadas.
Ainda de acordo com Ferreira (1985), as empresas de seguro preferem o segundo tipo,
porque o primeiro tende a apresentar resultados muito heterogêneos e que não representam a
realidade em que a empresa atua, já o segundo tipo seleciona previamente as pessoas a serem
observadas e acaba por retratar um resultado mais homogêneo e de acordo com a realidade da
empresa.
Para Beltrão et al (2004), na construção de uma tábua específica para um grupo popula-
cional, três problemas se apresentam. Acompanhe a seguir:
O primeiro problema citado pelos autores envolve o conjunto de informações, tanto em
relação aos óbitos, quanto em relação à população de risco, podendo utilizar-se de dados de
coorte ou de dados transversais.
Dessa forma, a utilização de dados de coorte tem a vantagem de se observar as taxas de
mortalidade de apenas um grupo composto por membros de diferentes idades, entretanto, o
tempo necessário para se conseguir os dados de nascimento e de mortalidade pode durar uma
vida toda, já que é preciso acompanhar o estudo até o falecimento do último membro.
Em relação aos dados transversais, é possível diminuir o tempo de coleta dos dados, to-
davia é necessária a observação de óbitos em diferentes gerações com idades distintas. Assim,
o que se usa diante desse contexto é uma coorte, chamada de coorte sintética, que se utiliza
de membros hipotéticos de idades diferentes, sendo esses membros expostos à mortalidade no
momento da coleta de dados.
Quanto ao segundo problema, Beltrão et al (2004) citam McCarthy e Mitchell (2003), afir-
mando que a seleção adversa acaba sendo um dos mais significativos problemas encontrados
no mercado de seguros e a explica baseando-se na teoria econômica:
A teoria econômica prediz que se não há subscrição casada da companhia de seguro e no caso de igual
acesso dos consumidores aos produtos de seguro (nenhuma seleção por renda, anos de estudo, raça
etc.), a seleção adversa induz que as taxas de mortalidade sejam maiores para aqueles que compram
78 © Atuária

produtos de seguro de vida e menores para aqueles que adquirem produtos de anuidade. O impacto
da seleção adversa também deve ser maior nos casos em que os indivíduos compram produtos volun-
tariamente do que quando são compelidos a fazê-lo por outros condicionantes (por exemplo, seguro
de vida em grupo de uma empresa). Nas economias em desenvolvimento em que existe uma grande
disparidade na distribuição da renda, espera-se que a seleção adversa seja mais notável do que em
sociedades mais igualitárias (BELTRÃO et al, 2004, p. 2).

Dessa forma, para a construção da tábua de mortalidade no mercado de seguros, dever-


se-ia considerar a população específica para cada tipo de seguro. Todavia, o que acontece é que,
em países onde as informações de registro não são confiáveis, são utilizadas para a construção
das tábuas de mortalidade as informações de tábuas desenvolvidas em outros países ou é re-
alizado o cálculo da taxa de mortalidade utilizando-se de métodos indiretos. Assim, a tábua de
mortalidade, que é elemento fundamental para o mercado de seguro e previdência, não apre-
senta dados coerentes com a realidade.
O terceiro e último problema apresentado envolve, segundo Beltrão et al (2004, p. 2), a
escolha de um modelo que seja apropriado a fim de apresentar detalhadamente a mortalidade
de cada tipo específico de grupo. Lembrando que uma tábua de mortalidade é a reprodução
de fatos resumidos em poucos parâmetros. Diante disso, Murray et al (2003 apud Beltrão et al,
2004) sugerem que o modelo de tábua de mortalidade tenha três propriedades básicas:
a) devem ser simples e fáceis de usar como a família de tábuas de vida de Coale-Demeny, os modelos
das Nações Unidas, o sistema logito de Brass e o sistema de Lederman; b) devem captar toda a am-
plitude dos padrões de mortalidade para idades específicas encontradas em uma população real; e c)
devem apresentar um ajuste o mais perfeito possível entre taxas de mortalidade preditas e taxas de
mortalidade reais.

Para se encaixar às propriedades estabelecidas por Murray et al, deve-se realizar uma
análise de resíduos no item b, usar a logverossimilhança para averiguar o item c, e, para o item
a, considerar um modelo paramétrico que obedeça a critérios objetivos, estimando, assim, os
parâmetros.
Para o cálculo da tábua, é necessário, inicialmente, escolher a população base, que é a po-
pulação a ser estudada, e, logo em seguida, define-se o período estatístico, isto é, o tempo para
a coleta dos dados. Não se esquecendo, também, de desconsiderar do total de pessoas vivas, as
reduções ou acréscimos causados por mortes, migração ou rotatividade.
Para Hamilton e Bronson (1958, p. 196), a taxa de mortalidade pode variar conforme a
idade, o sexo, a região geográfica, a raça, a ocupação profissional, a faixa de renda salarial etc.
Assim, as tábuas de mortalidade podem ser diferenciadas por sexo, e, no caso de seguro de vida,
também podem classificá-las por grupo de fumantes e não fumantes. Para Jones e Long (2000,
p. 96) o fumo tem um efeito tão dramático nas taxas de mortalidade, que as companhias de se-
guro normalmente levam em conta este fator nas tábuas de mortalidade que usam para calcular
as taxas de prêmio do seguro de vida.
Essas Tábuas podem ser construídas pelo método direto ou pelo método indireto.
O método direto, também denominado de grupo fechado, é um método de difícil apli-
cação, devido ao dispêndio de tempo necessário à sua elaboração (pode levar quase 100 anos
para se construir uma tábua de mortalidade). Isso porque, para a sua elaboração, efetua-se o
registro de cada um dos membros de um determinado grupo de pessoas, todos com a mesma
idade x. Mediante isso, faz-se um controle de todos os óbitos e sobrevidas a cada início de ano, a
fim de controlar a quantidade de pessoas vivas e mortas com a mesma idade x, ou seja, a relação
entre o número de óbitos e de vivos, proporcionando o cálculo da taxa de mortalidade.

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© Tábuas de Mortalidade ou de Sobrevivência 79

Já o método indireto (ou método do seguro) submete os membros do grupo a um proces-


so de seleção e coleta de dados desse determinado grupo aberto. Dessa forma, acompanha-se
o grupo selecionado por um ano a fim de verificar a mortalidade em cada uma das idades, rela-
cionando os óbitos e as sobrevidas encontradas.
O Censo faz a contagem da população, de modo a fornecer a classificação completa da po-
pulação (o sexo, a idade, a profissão, entre outros), sendo uma das fontes de informações para
a construção de tábuas de mortalidade no Brasil.
Independentemente do método utilizado, a construção da tábua de mortalidade deve
apresentar, para cada ano, quatro colunas, no mínimo, compreendendo o número de sobrevi-
das, o número de óbitos, as probabilidades de mortalidade e as probabilidades de sobrevivên-
cia.
Assim, como pôde ser constatado na apresentação dos métodos de elaboração das tábuas
de mortalidade, para se extrair os cálculos das probabilidades de mortalidade e sobrevivência,
informações essas registradas nas tábuas de mortalidade, é preciso observar uma dada popu-
lação por um tempo significativo, para que os cálculos feitos pelos atuários sejam concretos e
representem a realidade. Essas experiências são expostas em tabelas ou tábuas ajustadas de
mortalidade ou de sobrevivência.
Vale ressaltar que, geralmente, as empresas de seguros e previdência social utilizam tábu-
as de mortalidade construídas por estudiosos. Há várias tábuas construídas nos Estados Unidos,
na Suíça, e, até mesmo, no Brasil, ainda que de forma precária, o IBGE as elabora baseado nos
dados coletados nos Censos Demográficos.
Segundo Beltrão et al (2004, p. 6), por lei, [...] o IBGE tem de estimar a tábua de mortali-
dade para a população como um todo, que deve ser usada nesse cálculo. O IBGE usa óbitos do
registro civil no numerador das taxas e a estimativa da população para o ano correspondente
(ou contagem de censos) como denominador.
O principal obstáculo de se utilizar as fontes de informações do IBGE é a precária qualida-
de das estatísticas. Ao se utilizar o registro civil como informação dos óbitos, deparamo-nos com
um problema notável, que é o sub-registro, em alguns estados brasileiros, esses sub-registros
podem alcançar quase 30%. Além disso, utilizando-se dos censos decenais para estimar a po-
pulação do ano correspondente, verificamos um grave empecilho que é a presença de dígitos
preferenciais, ou seja, quando é feito o Censo, a pessoa acaba informando a idade diferente da
real, as pessoas idosas, por exemplo, depois de uma determinada idade, tendem a aumentar a
idade no momento em que o Censo coleta essa informação.
Todavia, deve-se destacar que, mesmo a tábua sendo desenvolvida com precisão, basean-
do-se na experiência de cada país, ainda teria um problema: a tábua de mortalidade desenvolvi-
da realmente descreve a população a ser estudada? É difícil de responder a essa questão, já que
não se baseou na própria população estudada.
Um dos problemas mais comuns no mercado de seguros e de previdência, relacionado
à tábua de mortalidade, é a escolha da tábua mais adequada a uma determinada população.
É possível encontrar estudos relacionados à construção de tábuas de mortalidade envolvendo
carros e empresas, demonstrando que dentro dessa relação estão envolvidos organismos com-
plexos (pessoas, carros e empresas) que trabalham juntos a fim de alcançar um único objetivo.
Sendo assim, se uma das partes do processo tiver algum problema poderá acarretar, ou não, a
falha do todo.
80 © Atuária

Segundo Beltrão e Pinheiro (2002, p. 1), "em estudos atuariais, além da taxa de desconto,
a escolha da tábua é provavelmente, a hipótese que mais afeta o estudo. Obviamente, o nível
e a estrutura da mortalidade variam de população para população e, mesmo numa população
específica, varia no tempo".
É importante destacar que a construção de tábuas de mortalidade deve ser específica para
cada país, já que cada população tem características diferentes. Todavia, o mercado brasileiro de
seguro e previdência vem utilizando tábuas desenvolvidas por outros países, ou seja, a aplicação
das taxas de mortalidade e de sobrevivência acaba tendo vieses significativos devidos à diferen-
ciação das culturas e das experiências de mortalidade.
A utilização, no Brasil, de tábuas estrangeiras acontece devido aos problemas encontrados
na coleta das informações da população. Como já foi demonstrado anteriormente, o IBGE deve
coletar essas informações, entretanto, essa coleta ainda apresenta falhas significativas que afe-
tam sobremaneira o cálculo das taxas de mortalidade e sobrevivência.
É importante sabermos que, no Brasil, devido à carência de dados, as tábuas de mortali-
dade mais utilizadas pelas empresas são as desenvolvidas em outros países, como AT49, AT83,
AT2000, CSO58 (de origem norte-americana), GKM80, GKM95 (de origem suíça), entre outras.
Porém, também se utilizam as específicas do Brasil, desenvolvidas pelo IBGE e usadas para o
cálculo do fator previdenciário.
As pesquisas, no Brasil, para o desenvolvimento de tábuas de mortalidade coerentes com
a realidade do país são precárias e muito recentes. As que se destacam são:
1) O estudo desenvolvido por Conde, em 1991, que objetivou a construção de uma tá-
bua de vida para os funcionários da Fundação Attílio Francisco Xavier Fontana.
2) O trabalho de Beltrão et al (1995), que fizeram uma tábua para os funcionários do
Banco do Brasil com dados coletados entre 1940 e 1990, com base no cadastro de
previdência dos funcionários.
3) Ribeiro e Pires (2000) complementaram a pesquisa de Beltrão et al (1995) atualizando
a tábua até o ano de 2000.
4) Beltrão e Pinheiro (2002) usaram a informação do banco de dados dos funcionários
públicos civis federais – Siape – para estimar uma tábua de vida para ativos e inativos
do governo federal, desagregando a informação por sexo e escolaridade.
Como no Brasil utilizam-se tábuas, especialmente, de origem norte-americana, fica com-
plicado saber se há, realmente, dados coincidentes com a população envolvida. Assim, para o
cálculo atuarial é importante que as informações sejam as mais fiéis possíveis à realidade da
população estudada.
Para Ferreira (1985, p. 484), uma tábua de mortalidade só pode ter valor quando repre-
senta condições de vida coexistentes, que espelhem, também, as condições de vida dentro de
certo prazo futuro.

7. TÁBUA DE MORTALIDADE OU DE SOBREVIVÊNCIA: ELEMENTOS DE COM-


POSIÇÃO
Vamos conhecer, agora, os elementos que compõem uma tábua de mortalidade, repre-
sentados por símbolos. Adotando, assim, um critério universal, isto é, em qualquer lugar do
mundo o símbolo utilizado na tábua de mortalidade é o mesmo.

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© Tábuas de Mortalidade ou de Sobrevivência 81

Desse modo, os símbolos são divididos em principais e acessórios, segundo Chan, Silva e
Martins (2006, p. 54). Os principais são aqueles que caracterizam a tábua e os acessórios são os
que vêm à direita ou à esquerda, no canto superior ou inferior, do símbolo principal. A seguir,
no Quadro 1, estão descritos os símbolos principais utilizados na construção de uma tábua de
mortalidade.

Quadro 1 Símbolos principais das tábuas de mortalidade.


SÍMBOLO DESCRIÇÃO
l Originário da palavra "living", representa o número de sobreviventes em uma certa idade.
Originário da palavra "death", representa o número de pessoas que falecem em uma determinada
d
idade.
p Originário da palavra "probability", representa a probabilidade matemática de sobrevivência.

Mede a taxa de mortalidade ou a probabilidade matemática de falecimento. Ou seja, representa a


q
probabilidade complementar de p.
Originário da expressão "expectation of life", representa a esperança de vida. Ou seja, retrata a média
e
de vida que resta para uma pessoa em uma determinada idade.
Lê-se “ômega”. Usualmente, representa a idade que não poderá ser atingida por nenhum
ω
componente do grupo.
Fonte: Chan; Silva; Martins (2006, p. 54).

Na tábua de mortalidade, denominamos raiz da tábua o número de pessoas vivas corres-


pondentes à idade inicial, e para a idade final (em que não se encontram mais sobreviventes)
denomina-se de idade ω (ômega).
No entanto, mediante o cálculo dessa tábua é possível medir a probabilidade de sobre-
vivência (px), que significa a probabilidade de uma pessoa de idade x sobreviver à idade x+1, e
a probabilidade anual de morte (qx), que expressa a probabilidade de uma pessoa de idade x
falecer antes de completar a idade x+1.
As tábuas de mortalidade são, preferencialmente, representadas por seis colunas: x, lx, dx,
qx, px, e0x . Sendo que essas notações serão explicadas a seguir:
1) x = coluna das idades, isto é, idade, em anos inteiros, de uma pessoa de uma popu-
lação.
2) lx = quantidade de pessoas vivas na idade x, ou seja, número de pessoas da popula-
ção que têm a idade x, desconhecendo-se se são ativas ou inválida.
3) dx = quantidade de pessoas mortas na idade x, isto é, número de pessoas da popula-
ção que morreram com idade x.
4) qx = taxa de mortalidade correspondente à idade x, ou seja, é a probabilidade de uma
pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade x, morrer com essa mesma idade, ou
melhor, é a proporcionalidade do número de pessoas que morrem com a idade x para
o número de pessoas que elas compunham quando vivas com idade x.
5) px = taxa de sobrevivência correspondente à idade x, ou seja, é a probabilidade de
uma pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade x, alcançar viva (ativa ou inválida)
a idade seguinte x+1, ou melhor, é a proporcionalidade do número de pessoas que
alcançam vivas a idade x+1 para o número de pessoas que elas compunham quando
na idade x.
6) e0x= esperança de vida, expectativa completa de vida ou vida média para um partici-
pante com a idade x.
Às tábuas de mortalidade podem ser acrescentadas mais duas colunas: npx e nqx. Explica-
das a seguir:
82 © Atuária

• p = probabilidade de uma pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade x, alcançar


n x
viva (ativa ou inválida) a idade seguinte x+n; é a proporcionalidade do número de pes-
soas que alcançam vivas a idade x+n para o número de pessoas que elas compunham
quando na idade x.
• q = probabilidade de uma pessoa qualquer, ativa ou inválida, com idade x, sobreviver
n x
até alcançar a idade x+n, e nesta mesma idade x+n, morrer; é a proporcionalidade do
número de pessoas que morrem com a idade x+n para o número de pessoas que elas
compunham quando na idade x.

8. TÁBUA DE MORTALIDADE OU DE SOBREVIVÊNCIA: APLICAÇÃO


Para entendermos melhor a aplicação dos conceitos mencionados no tópico anterior, va-
mos pegar como exemplo os dados a seguir, e, com base neles, vamos calcular a probabilidade
de morte diante dos dados mencionados, construindo uma "tábua de mortalidade".
Suponhamos que em uma determinada cidade do interior do Estado de São Paulo tenham
sido registrados 2000 nascimentos no ano de 2000. Sendo que quatro crianças morreram antes
de completar um ano; seis morreram antes do segundo ano; duas morreram antes do terceiro;
quatro morreram antes do quarto ano e seis morreram antes do quinto ano.

Quadro 2 Exemplo de construção de uma Tábua de Mortalidade.


IDADE (x) TOTAL DE PESSOAS MORTES OCORRIDAS TAXA DE TAXA DE
VIVAS (lx) (dx) MORTALIDADE (qx) SOBREVIVÊNCIA (px)
0 2000 4 4/2000 = 0,002 1 – 0,002 = 0,998
1 2000 – 4 = 1996 6 6/1996 = 0,003 1 – 0,003 = 0,997
2 1996 – 6 = 1990 2 2/1990 = 0,001 1 – 0,001 = 0,999
3 1990 – 2 = 1988 4 4/1988 = 0,002 1 – 0,002 = 0,998
4 1988 – 4 = 1984 6 6/1984 = 0,003 1 – 0,003 = 0,997
Fonte: adaptado de Souza (2002, p. 152).

A raiz da nossa tabela, ou seja, o número de sobreviventes na idade zero (l0) é 2000. Sabe-
se, também, que l1 representa o número de pessoas que sobreviveram até a idade 1, portanto,
1996 pessoas sobreviveram até a idade 1. Logo, a quantidade de pessoas que morreram antes
de alcançar um ano de vida é calculada pela diferença entre o número de sobreviventes nas
duas idades (2000 - 1996 = 4). Dessa forma, dx pode ser obtido da seguinte maneira:
dx = lx – lx +1

Com base nessa relação, pode-se inferir que a simples soma do número de mortos de uma
tábua permite obter o número de sobreviventes em uma certa idade.

lx = dx + dx +1 + dx +2 + ... + dω

Sendo ω a idade máxima, a qual não poderá ser superada por nenhum membro do grupo.
No nosso exemplo não há a idade ω já que a tábua encontra-se incompleta.
Assim, a probabilidade de um participante na idade x falecer antes de completar x+1 anos
pode ser determinada da seguinte maneira:

= m Iax = Renda . (Nx+1+m ) / Dx =


dx lx – lx+1
qx = lx
lx

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© Tábuas de Mortalidade ou de Sobrevivência 83

Seguindo o mesmo raciocínio, a probabilidade de um participante na idade x vir a falecer


em n anos pode ser dada pela seguinte equação:

lx – lx +n n dx
n qx = lx
=
lx

Analogamente, a probabilidade de sobrevivência num ano (px) pode ser calculada como
se segue:
quantidade de pessoas vivas na idade x lx+1
px = =
número de óbitos na idade x lx

Dessa forma, a probabilidade de um participante na idade x sobreviver mais n anos pode


ser apurada da seguinte maneira:
lx +n
np x =
lx

Vale destacar, ainda, que qx e px são complementares, ou seja: qx = 1 – px. Assim, px + qx = 1.


A expectativa ou esperança de vida de um participante na idade x ( e0x ) representa o nú-
mero de anos que, em média, vive um indivíduo na idade x. Para calculá-lo, é preciso, antes,
determinar:
• Lx = indicador do número médio de pessoas que tenham vivido no intervalo entre as
idades x e x + 1, o qual pode ser apurado em sua forma mais simples, pela equação:

lx + lx +1
Lx =
2

Tx = representa o período de vida entre as idades x e ω. Pode ser obtido, simplificadamen-


te, por meio da equação:
ω−1− x

Tx = ∑L
t =0
x +t

Assim, a esperança de vida ( e0x ) pode ser calculada com base na seguinte fórmula:

e0x =
Tx ou e0x = 0,5 + ( lx +1 + lx +2 + lx +3 + ... + ) / lx
lx

Para calcular a expectativa completa de vida, estando com uma Tábua de Mortalidade em
mãos, aplica-se a fórmula mencionada anteriormente, somando o valor encontrado à idade da
pessoa que se calculou a esperança de vida.
Para explicar, vamos utilizar o seguinte exemplo: baseando-se na tábua exposta a seguir,
qual a expectativa de vida para uma pessoa com idade de 95 anos?
x Lx
94 950
95 690
96 590
97 420
98 120
99 51
84 © Atuária

Calculando:
1) eo95 = 0,5 + (l95+1 + l95+2 + l95+3 + l95+4) / l95.
2) eo95 = 0,5 + (590+420+120+51)/690 = 2,21.
A expectativa de vida dessa pessoa com 95 anos é de mais 2,21 anos, então se considera
que ela pode falecer, aproximadamente, na idade entre 97 e 98 anos.

9. TÁBUAS OU TABELAS DE COMUTAÇÃO


As tábuas de comutação foram desenvolvidas a fim de abreviar os cálculos para as ope-
rações de cálculos de seguros e de previdências envolvendo riscos financeiros e atuariais. Para
ilustrar e entender como são calculadas algumas dessas operações (sem risco, com risco apenas
financeiro e com risco financeiro e atuarial), será utilizado um exemplo desenvolvido por Chan,
Silva e Martins (2006). Perceberemos como os cálculos são trabalhosos.
O exemplo utilizado supõe que uma pessoa de 30 anos, do sexo masculino, deseja contra-
tar um plano de benefícios com as seguintes características: a partir de uma contribuição única
no momento da adesão, a entidade de previdência se compromete a lhe pagar, no final de cada
ano, enquanto viver, mas no máximo durante cinco anos, uma renda anual de R$ 12.000,00.
Considerando que a entidade utiliza como tábua de mortalidade a GAM-83 Masculina e uma
taxa de juros de 6% a.a., calcule o valor da Contribuição Única Pura (CUP).
Portanto, o fluxo de rendas ficaria assim:

B B B B B

30 31 32 33 34 35

CUP

Onde:
1) B representa o valor dos benefícios a serem recebidos.
2) CUP representa a Contribuição Única Pura.

Operação sem riscos


Não são considerados os fatores biométricos (não sobrevivência para receber o benefício
durante o período contratado) e financeiros, obtendo-se o cálculo pela matemática pura:

CUP = B + B + B + B + B
CUP = 5 x B
CUP = 5 x R$12.000,00
CUP = R$ 60.000,00

Operação com risco financeiro


Auxílio da matemática financeira, ou seja, considerando a taxa de juros de 6% ao ano,
chegamos a este resultado com o cálculo:
CUP = B . v1 + B . v2 + B . v3 + B . v4 + B . v5

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© Tábuas de Mortalidade ou de Sobrevivência 85

CUP = B . ∑v
t =1
t

Fator a valor presente, para isso temos:

1
v = (1 + i)

n
1 − vn
=
ani ∑
=vt
t =1
i

Portanto, chegamos ao resultado pela expressão:

1 − vn
CUP = B.
i

Resolvendo:
v5 = 1
(1 + 0,006 )
5

v5 = 0,7472582

=CUP 12.000 . 1 − 0,7472582


0,06

CUP = R$50.548,36

Operação envolvendo riscos financeiros e atuariais


As variáveis de risco atuarial são: a ocorrência, o momento e a severidade, isto é, essas
variáveis tratam da potencialidade de um evento acontecer, da incerteza quanto ao momento
da sua ocorrência e da magnitude de seu impacto. Porém, o risco atuarial, nesse caso, será tra-
tado como biométrico (não sobrevivência para receber o benefício durante o período contrata-
do), utilizando-se da Tábua de Mortalidade GAM 83-Masculina. Assim, o valor da CUP pode ser
obtido da seguinte maneira:
CUP = B . v1 . 1px + B . v2 . 2 px + B . v3 . 3px + B . v4 . 4 px + B . v5 . 5px

5
CUP = B. ∑v . p
t =1
t
t x

Sendo npx a probabilidade de um participante, atualmente na idade x, sobreviver na idade


x + n, que já estudamos quando falamos em Tábua de Mortalidade. Para este exemplo, utilizare-
mos a Tábua GAM 83-Masculina.
É necessário recordar que lx + n . Calculando-se para x igual a 30 e n variando de
np x = np x
lx

1 a 5, obtêm-se os seguintes valores para a tábua GAM 83-Masculina.


86 © Atuária

Quadro 3 Cálculo de vn . np x – Tábua GAM 83 – Masculina.


IDADE (x) n lx vn
np30 vn . n p x
30 0 9.889.365 1,0000000 1,000000 1,000000
31 1 9.883.362 0,9993930 0,943396 0,942824
32 2 9.876.987 0,9987484 0,889996 0,888883
33 3 9.870.202 0,9980623 0,839619 0,837992
34 4 9.862.957 0,9973297 0,792094 0,789979
35 5 9.855.215 0,9965468 0,747258 0,744678
Fonte: Chan; Silva; Martins (2006, p. 64).

Calculando:

CUP = B . v1 . 1px + B . v2 . 2 px + B . v3 . 3px + B . v4 . 4 px + B . v5 . 5px

CUP = B . 0,942824 + B .0,888883 + B . 0,837992 + B . 0,789979 + B . 0,744678

CUP = B . 4,204355

CUP = 12.000 x 4,204355

CUP = R$ 50.452,26

Segundo Ferreira (1985, p. 89), "[...] foram essas operações cansativas que provocaram
imediatamente a construção das tabelas destinadas a abreviá-las", chamadas, como já mencio-
namos anteriormente, de tábuas ou tabelas de comutação.
A Tábua de Comutação reúne em várias colunas os chamados números de comutação resultantes da
multiplicação das funções lx e dx, de determinada Tábua de Mortalidade, pelo fator de juros a uma taxa
prefixada. Daí pode-se afirmar que poderão ser construídas tantas tábuas de comutação quantas forem
as taxas de juros escolhidas, isso para cada Tábua de Mortalidade (BRASIL, 1985, p. 31).

A tábua de comutação é constituída de sete colunas:


1) x = coluna das idades.
2) Dx = coluna de valores descontados dos números de sobreviventes em cada idade. É
obtido pela seguinte equação: Dx = lx . vx.
3) Nx = coluna da soma de Dx até Dω, sendo calculado da seguinte forma:
ω− x
Nx = ∑D
x =0
x

4) Sx = coluna que forma a soma do Nx até o Nω, obtido assim:


ω− x
Sx = ∑N
x =0
x

5) Cx = coluna dos valores descontados do número de mortos de cada idade. Pode ser
obtido pela seguinte equação: CX = dX . vx+1.
6) Mx = coluna análoga à coluna Nx, mas considerando Cx ao invés de Dx.
7) Rx = coluna análoga à coluna Sx, mas considerando Mx ao invés de Nx.
No entanto, para a Tábua GAM 83-Masculina, solicitada no exemplo esboçado anterior-
mente, é possível construir uma tábua de comutação considerando uma taxa de 6% ao ano.
Desse modo, utilizando a Tábua de Comutação da GAM 83-Masculina, é possível desenvol-
ver o exemplo resolvido anteriormente, por comutação.

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© Tábuas de Mortalidade ou de Sobrevivência 87

5
CUP = B. ∑v . p
t =1
t
t x

Lembrando que o valor atual de uma série de pagamentos iguais à unidade de capital pa-
gável a (x) por n períodos, a partir da idade x+1, e desde que esteja vivo nesse período, é obtido
pela seguinte fórmula:
n

n ax = ∑p
t =1
t x

Por comutação, obtém-se a seguinte equação:

Nx + 1 − Nx + n +1
n ax =
DX

Dessa forma, o problema poderá ser equacionado da seguinte maneira:

N31 − N36
CUP = B.
D30

Com os dados da Tábua de Comutação da Tábua GAM 83-Masculina, tem-se:

26.249.295 − 19.010.075
CPU = B x
1.721.839

=CUP =
B . 4,204355 12.000 . 4,204355

CUP = R$ 50.452,26

Portanto, tem-se o mesmo valor obtido pelos cálculos feitos sem o uso da tabela de co-
mutação.
O Quadro 4, a seguir, mostra os resultados obtidos no exemplo considerando-se as três
situações: sem risco, com risco financeiro e com risco financeiro e atuarial.

Quadro 4 Comparativos das CUPS.


CUP RISCO FINANCEIRO RISCO ATUARIAL
Operação sem risco R$ 60.000,00
Operação com risco
R$ 50.548,36 R$ 9.451,64
financeiro
R$ 96,10 odos, a partir da idade
Operação com risco x+1, e desde que esteja vivo nesse
R$ 50.452,26 R$ 9.451,64
financeiro e atuarial per anteriormente. x + n, o qual
jode ser siderar os riscos de mane
Fonte: Chan; Silva; MMartins (2006, p. 70).

Assim, com o risco atuarial, incorporou-se R$96,10 relativos à mortalidade do indivíduo


aos R$9.451,64 ao considerar a redução do valor do dinheiro no tempo.

10. TÁBUA DE ENTRADA EM INVALIDEZ E DE SOBREVIVÊNCIA DE INVÁLIDOS


Vale ressaltar que não foi, ainda, levado em consideração se as pessoas, no momento dos
cálculos de probabilidades de mortalidade ou sobrevivência, estão ativas ou com algum proble-
ma de invalidez.
88 © Atuária

Dessa forma, é importantíssimo que não deixemos de tratar, também, das probabilida-
des de as pessoas adquirirem alguma invalidez e das probabilidades de morte ou sobrevivência
àquelas que já são inválidas.
Nesse sentido, podemos definir:
• ix = laix / laax = probabilidade de uma pessoa ativa com idade x tornar-se inválida antes de
alcançar a idade x+1.
• qiix = diix / liix = probabilidade de uma pessoa já inválida quando alcançada a idade x mor-
rer antes de alcançar a idade x+1.
Há, no entanto, tábuas específicas, como a Tábua Álvaro Vindas, para as probabilidades
de entrada em invalidez, como também a experiência de sobrevivência de inválidos do ex-IAPC
(Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários), hoje integrante do Sistema Nacional
de Previdência e Assistência. Essas duas tábuas encontram-se anexadas para verificação e co-
nhecimento.

11. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


Nas unidades anteriores, você viu como deverá proceder para que a autoavaliação tenha
efetividade no seu aprendizado. Portanto, procure responder às questões a seguir que tratam
da conceituação, da aplicação e da construção de Tábuas de Mortalidade como também dos
cálculos envolvidos das Tabelas de Comutação. Bom aproveitamento!
1) Quais são as tábuas utilizadas pelas empresas de seguros e de previdência no Brasil?
Qual a importância da utilização das tábuas de mortalidade ou de sobrevivência para
os cálculos atuariais?
2) Monte uma tábua de sobrevivência ou de mortalidade utilizando-se dos dados do
quadro a seguir:
X lx dx qx px
15 10.000.000 3.610
16 9.996.390 3.699
17 9.992.691 3.807
18 9.988.884 3.916
19 9.984.968 4.044

3) Suponha uma população de 350.000 pessoas durante o ano de 2008. Neste ano, fale-
ceram 580 pessoas. Responda:
a) Qual é a probabilidade ou frequência de mortes ocorrida no ano de 2008?
b) Qual é a probabilidade de sobreviventes?

Gabarito
Depois de responder às questões autoavaliativas, é importante que você confira o seu
desempenho, a fim de que possa saber se é preciso retomar o estudo desta unidade. Assim, con-
fira, a seguir, as respostas corretas para as questões autoavaliativas propostas anteriormente:
2) Tábua de sobrevivência ou de mortalidade completa.
X lx dx qx px
15 10.000.000 3.610 0,000361 0,999639
16 9.996.390 3.699 0,000370 0,999630
17 9.992.691 3.807 0,000381 0,999619
18 9.988.884 3.916 0,000392 0,999608
19 9.984.968 4.044 0,000405 0,999595

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© Tábuas de Mortalidade ou de Sobrevivência 89

3) Resposta:
a) dx = 580.
b) qx = 0,001657.

12. CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade, aprendemos a elaborar uma Tábua de Mortalidade ou de Sobrevivência,
juntamente com os cálculos de probabilidade de mortalidade, de probabilidade de sobrevivên-
cia, e de esperança de vida.
Além disso, foi possível a aplicação da Tábua de Mortalidade ou de Sobrevivência nas ope-
rações de cálculos de seguros e de previdências envolvendo riscos financeiros e atuariais, assim
como a abreviação desses cálculos com a utilização de Tabelas de Comutação.
Esta unidade proporcionou o entendimento de grande parte da área de cálculos de segu-
ros e de previdência, já que para a maioria dos cálculos dessa área é imprescindível a utilização
e o entendimento da Tábua de Mortalidade.
Na unidade seguinte, vamos estudar os diversos tipos de seguros (de sobrevivência e pa-
gáveis por morte) e o seu pagamento (prêmio). Vamos aprender um pouco mais? Rumo aos
cálculos!

13. E-REFERÊNCIAS

Site pesquisado
BELTRÃO, K. I.; PINHEIRO, S. S. Estimativa de mortalidade para a população coberta pelos seguros privados. Texto para discussão
nº 868. Rio de Janeiro, março de 2002. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br> Acesso em: 8 ago. 2010.

14. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BELTRÃO, K. I. et al. Mortalidade por sexo e idade dos funcionários do Banco do Brasil, 1940-1990. Rio de Janeiro: Ence/IBGE,
set. 1995 (RT 02/95).
______. Tábuas de Mortalidade no Mercado Brasileiro de Seguros - Uma Comparação. IPEA: Rio de Janeiro, out. 2004 (Texto
para Discussão n° 1047).
BRASIL, G. O ABC da matemática atuarial e princípios gerais de seguros. Porto Alegre: Sulina, 1985.
CHAN, B. L.; SILVA, F. L.; MARTINS, G. A. Fundamentos da previdência complementar: da atuária à contabilidade. São Paulo: Atlas:
FIPECAFI/USP, 2006.
FERREIRA, W. J. Coleção introdução à ciência atuarial. Rio de Janeiro: IRB, 1985.
FIGUEIREDO, S. Contabilidade de seguros. São Paulo: Atlas, 1997.
HAMILTON, J. A.; BRONSON, D. C. Pensions. New York: McGraw-Hill, 1958.
JONES, H. E.; LONG, D. L. Princípios dos Seguros de Vida, Saúde e Rendas Vitalícias. Comercializado em português pela Funenseg.
Atlanta-USA, 1999.
MURRAY, C. J. L. et al. Modified logit life table system: principles, empirical validation and application. Population Studies, v. 57,
n. 2, p. 165-182, 2003.
RIBEIRO, E. F., PIRES, V. R. R. Construção de tábua de mortalidade: experiência Banco do Brasil. Ence/IBGE, ago. 2001.
SOUZA, S. Seguros: contabilidade, atuária e auditoria. São Paulo: Saraiva, 2002.
VILANOVA, W. Matemática atuarial. São Paulo: Pioneira, 1969.
EAD
Rendas Aleatórias, Seguros e
Prêmios

1. OBJETIVOS
• Conhecer os tipos de rendas e de prêmios existentes.
• Aprender a calcular os prêmios por meio dos diversos tipos de rendas existentes.
• Compreender os tipos de seguros (seguros de vida e seguros pagáveis por morte) exis-
tentes.
• Aprender a calcular os prêmios decorrentes dos diversos tipos de seguros existentes.

2. CONTEÚDOS
• Renda.
• Prêmio.
• Seguro de vida.
• Seguro pagável por falecimento.

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


1) Para acompanhar o desenvolvimento dos cálculos das rendas, é importante que você
se atente ao Quadro Sinótico das Rendas, exposto no quinto tópico desta unidade, já
que o estudo das rendas é bem complexo. Utilizando-se desse quadro, é possível en-
tender os diversos tipos de rendas existentes.
2) Para compreender os cálculos e as aplicações das fórmulas dos diversos tipos de ren-
das tratadas nesta unidade, tenha em mãos as tábuas AT-2000 Feminina e AT-2000
Masculina, que estão dispostas em anexo no final desta disciplina.
92 © Atuária

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Vimos, nas unidades anteriores, que o seguro corresponde à ajuda mútua financeira a um
determinado indivíduo (o segurado). Entretanto, esse indivíduo é ameaçado por eventuais riscos
que possam ocorrer. Todavia, nem todos os riscos são seguráveis. Para um risco ser segurável, é
necessário um acontecimento incerto no futuro, independentemente da vontade humana.
Dentro desse contexto, nesta unidade, veremos que é possível definir a renda como um
determinado valor a ser pago pela seguradora ao segurado, sendo que o pagamento é realizado
em um prazo estabelecido (determinado ou vitalício) e a periodicidade depende da contratação
(pode ser mensal, trimestral, anual etc.). Já o prêmio é o valor pago em um prazo estabelecido
pelo segurado à empresa seguradora, para que, ao final, este possa receber uma determina-
da renda (o valor do prêmio deve corresponder, no final, pelo menos, ao valor da renda a ser
paga).
Depois de definidos os conceitos, vamos identificar os tipos de rendas existentes e os prê-
mios pagos pelas seguradoras aos segurados.

5. RENDAS (SEGUROS DE VIDA)


A renda corresponde a uma forma de pagamento indenizatória, que é efetuada pelo segu-
rador. Pode variar significativamente, dependendo do modo e do período.
O seguro de sobrevivência (de vida) é um tipo de renda que representa o valor provável
de um pagamento considerado ou a esperança matemática do beneficiário de um pagamento
(prêmio).
Dessa forma, a renda aleatória é aquela cujos valores somente serão pagos em caso de
sobrevivência do segurado, e a ocorrência do seu falecimento é um evento não programado.
Pode ser subdividida em:
• Renda constante: significa uma série de pagamentos que podem variar conforme a
data estabelecida (imediata ou diferida) e a continuidade (vitalícia ou temporária). A
continuidade da renda vitalícia depende da sobrevivência do segurado ou do benefici-
ário; todavia, na renda temporária, os pagamentos são determinados previamente. A
renda imediata acontece quando a série de pagamentos se inicia logo em seguida ao
acontecimento que a determinou.
• Renda variável: pode ser feita tanto em Progressão Aritmética quanto em Progressão
Geométrica.
A complexidade do estudo das rendas pode ser representada como o disposto na Figura 1:

Centro Universitário Claretiano


© Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios 93

Antecipada

Vitalícia
Postecipada

Certa Imediata
Antecipada
Temporária
Postecipada
Constante
Antecipada
Vitalícia
Renda Postecipada
Diferida

Antecipada
Temporária

Postecipada

1º termo e
Aleatória Progressão razão iguais Crescente
Aritmética

1º termo Crescente
diferente da
razão
Segundo lei
matemática Decrescente

Crescente
Progressão
Geométrica
Variável
Decrescente

Irregularmente
Fonte: VILANOVA (1969, p. 32).
Figura 1 Quadro Sinótico das Rendas.

Como é possível notar na Figura 1, a renda aleatória constante pode ser dividida em ime-
diata e diferida.
• A renda aleatória constante imediata compreende a renda em que o segurado paga
um valor à vista à empresa seguradora, ou seja, um prêmio único, e, logo em seguida,
inicia-se o recebimento da renda.
• A renda aleatória constante diferida é um tipo de renda na qual o segurado paga o valor
do prêmio à empresa seguradora, e, diferentemente da renda imediata, o recebimento
da renda somente acontece após um determinado período, denominado “período de
diferimento”.
O período de diferimento compreende o período entre a contratação e o recebimento da
renda.
94 © Atuária

Os principais tipos de rendas existentes são:


1) Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Antecipada.
2) Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Postecipada.
3) Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Antecipada.
4) Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Postecipada.
5) Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Antecipada.
6) Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Postecipada.
7) Renda Aleatória Constante Diferida Temporária Antecipada.
8) Renda Aleatória Constante Diferida Temporária Postecipada.
Para calcular o prêmio, isto é, o valor a ser pago pelo segurado à empresa seguradora para
este obter a renda, basta calcular as obrigações futuras do segurado, que são as mesmas da se-
guradora. Assim, a equação da obtenção do valor do prêmio é expressa da seguinte forma:

Obrigação do segurado = Obrigação da Seguradora

ou

Valor presente das obrigações do segurado = Valor presente da renda futura do segurado

Para tanto, essas rendas podem ser compradas à vista (com pagamento de prêmio único)
ou a prazo (com prêmios pagos em parcelas).
No próximo tópico, iremos tratar dos prêmios pagos à vista.

6. RENDAS COM PAGAMENTOS DE PRÊMIOS À VISTA


A seguir, conheceremos cada renda, considerando o pagamento à vista, isto é, a um prê-
mio único estabelecido, de modo a mostrar seus conceitos e suas aplicações, bem como os
prêmios vinculados a cada uma delas.

Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Antecipada


A Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Antecipada é anual, contratada por toda
a vida, sendo realizado o seu pagamento no início do período. Para determinar o valor que o
segurado terá de pagar em uma única parcela (prêmio único), é preciso calcular o valor presente
das obrigações futuras da empresa para que ela possa pagar à segurada o valor da renda contra-
tada periodicamente. Dessa forma, a obrigação da empresa é igual à do empregado. Esse tipo
de renda acontece em previdência privada.
É importante salientar que o pagamento dessa renda por toda a vida depende de que a
pessoa que irá receber esteja viva; portanto, a probabilidade de pagamento de cada renda em
cada período é a probabilidade de essa pessoa estar viva e receber essa renda.
Assim, o nosso objetivo é determinar o valor presente, em um período inicial (zero), das
parcelas (renda) que serão pagas enquanto a pessoa que as recebe estiver viva.
Mas como calcular o Valor Atual das rendas futuras que serão pagas ao segurado?
Lembra-se da Tábua de Comutação, desenvolvida na Unidade 2? Ela será utilizada para o
cálculo do valor presente das rendas futuras. Vamos entender como se faz os cálculos.
Pelo seguinte diagrama, é possível entender como proceder aos cálculos dessa renda:

Centro Universitário Claretiano


© Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios 95

Renda 1 1 1 1 1 1 1

Até o fim da tábua


Tempo 0 1 2 3 n-1 n n+1

Caso a renda fosse certa e com pagamento de modo indefinido, o valor presente na data
zero seria expresso assim:
Valor presente = v0 + v1 + v2 + v3 + v4 + ... + vn−1 + vn + vn+1 + vn+2 + vn+3 + vn+ 4...

Em que: =
v (1 + i) –1
é igual ao fator de desconto à taxa “i” de juros compostos.
Entretanto, como também é necessário introduzir a variável idade – considerando, além
disso, a sobrevivência da pessoa ao longo dos anos –, deve-se calcular o valor presente das
parcelas pagas por toda a vida à pessoa que, no momento zero, possui idade x, que será simbo-
lizada por äx:
• äx = Prêmio Único Puro (Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Antecipada)
Desse modo, a soma das parcelas em função dos lx pode ser escrita e expressa para o cál-
culo das probabilidades de sobrevivências a partir da seguinte fórmula sintética:

äx = ∑ vt . tpx
t = 0

∞ ∞
äx = ∑ v . tpx vt . ( lx + t / lx )
=∑
t

t=0 t=0

A fórmula analítica é expressa por:


äx = v0.0px + v1.1px + v2.2px + v3.3px + ... + vn-1.n-1px + ... até o final da tábua
Podemos utilizar o programa Excel para desenvolver esses cálculos com uma maior faci-
lidade; entretanto, poderemos, também, utilizar as comutações desenvolvidas na Unidade 2.
Vamos entender como acontece a comutação da fórmula anterior.
Vimos, nas fórmulas anteriores, que: npx = lx+n / lx; portanto, substituindo na fórmula ante-
rior, ficaria assim:
=
äx v0.0px + v1.1px + v2.2 px + v3.3px + v4.4 px + ... + vn.npx + ...

=
äx v0.0px + v1. lx +1 / lx + v2 . lx +2 / lx + v3. lx +3 / lx + v4. lx + 4 / lx + ... + vn.lx +n / lx + ...

Se transferirmos o (lx ) para o lado esquerdo da expressão, teremos:

lx . äx= v0.lx +0 + v1. lx +1 + v2. lx +2 + v3.lx +3 + v4. lx + 4 + ... + vn. lx +n + ...

Se multiplicarmos por vx, poderemos fazer outra comutação, já que Dx é obtido a partir do
produto lx .vx. Portanto, tem-se:
96 © Atuária

vx. lx . äx
= vx +0.lx +0 vx +1. lx +1 + vx +2 . lx +2 + vx +3. lx +3 + vx + 4. lx + 4 + ... + vx +n. lx +n + ...

Logo:
Dx.äx= Dx +0 + Dx +1 + Dx +2 + Dx +3 + ... + Dx +n + ...

Simplificando:
w −x
N= ∑ Dx +1 (w é a maior idade da tábua)
t =1

Então, se:
Nx= Dx +0 + Dx +1 + Dx +2 + Dx +3 + ... + Dx +(w − x)

As rendas podem ser calculadas por comutação, de acordo com a fórmula mais simplifica-
da de todas. Logo:

ä=
x ( Dx +0 + Dx +1 + Dx +2 + Dx +3 + ... + Dx +(w − x) ) / Dx

äx = Nx / Dx

Para que você entenda como são feitos os cálculos, vamos desenvolver um exemplo que
irá explicar essa teoria.
Suponhamos que um homem com 30 anos compre uma renda anual de R$10.000,00, com
recebimento no início de cada ano, enquanto ele estiver vivo. Vamos calcular o valor do Prêmio
Único Puro que o homem deverá pagar para obter essa renda utilizando a Tabela de Mortalidade
AT-2000 (masculina) e juros de i = 5% ao ano.
äx = Renda . Nx / Dx
Sendo que: w-x

=Nx ∑ Dx + t Nx – Nw
=
t =0

lx. (1 + i)
−x
=
Dx
Calculando:
ax = 10.000 . (N31 – N115 )
D30

äx = 10.000 . ( 43.048.574,22 – 0, 01)


9.871.813 (1 + 0, 05)
−30

äx = 10.000 . ( 43.048.574,22 – 0, 01)


2.284.114, 85

äx = 188.469,39

Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Postecipada


A Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Postecipada é uma renda com pagamento
que se anula no fim do período, sendo paga pelo resto da vida. O valor presente das parcelas
pagas por toda a vida à pessoa que, no momento zero, possui idade x+1, já que o pagamento se
inicia no fim de cada ano, será simbolizado por ax:
Centro Universitário Claretiano
© Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios 97

ax = Prêmio Único Puro (Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Postecipada)


• Fórmula resumida:

ax = ∑ vt. tpx
t = 1

• Fórmula analítica:

ax= v1.1px + v2.2px + v3.3px + v4.4 px + ... + vn.npx + ... Até o final da Tábua

A comutação para a Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Postecipada é dada pela
equação a seguir:
ax = Renda . Nx+1 / Dx

As séries para as Rendas Aleatórias Constantes Imediatas Vitalícias Antecipada e Poste-


cipada são muito próximas, sendo a diferença o cálculo do primeiro ano de pagamento. Dessa
forma, a transformação de uma para a outra se torna um mecanismo ágil e fácil.

=
äx v0.0px + v1.1px + v2.2 px + v3.3px + v4.4 px + ... + vn−1.n−1px + ...

=
ax v1.1px + v2.2 px + v3.3px + v4.4 px + ... + vn.npx + ...

Para que você entenda, vamos aproveitar o exemplo utilizado anteriormente para que
possamos comparar os resultados. Então, suponhamos que um homem com 30 anos compre
uma renda anual de R$10.000,00, com recebimento no final de cada ano, enquanto estiver vivo.
Vamos calcular o valor do Prêmio Único Puro que o homem deverá pagar para obter essa renda
utilizando a Tabela de Mortalidade AT-2000 (masculina) e juros de i = 5% ao ano.

ax = Renda . Nx / Dx
Sendo que:
w − x +1

=Nx ∑=
Dx +1+ t Nx +1 – Nw
t =0

=
Dx lx. (1 + i) − x

Calculando:
ax = 10.000 . (N31 – N115 )
D30

ax = 10.000 . ( 40.764.459,37 – 0, 01)


9.871.813 (1 + 0, 05)
−30

ax = 10.000 . ( 40.764.459,37 – 0, 01)


2.284.114, 85

ax = 178.469,39
98 © Atuária

A diferença entre as duas rendas seria: 188.469,39 - 178.469,39 = 10.000,00, ou seja, exa-
tamente a renda do primeiro ano. Concluímos, então, que, para que a Renda Aleatória Constan-
te Imediata Vitalícia Postecipada se torne Antecipada, basta diminuir o valor da renda obtida no
primeiro ano.

Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Antecipada


A Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Antecipada é paga anualmente e no
início de cada período, mas é paga, apenas, por um prazo estabelecido. Portanto, essa renda
possui as mesmas características da Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Antecipada,
porém, deve ser paga por um período estabelecido.
Por meio dos diagramas a seguir, é possível perceber essa semelhança visualmente:
• Renda vitalícia antecipada
Renda 1 1 1 1 1 1 1

Até o fim da tábua

Tempo 0 1 2 3 n-1 n n+1

• Renda temporária antecipada

Renda 1 1 1 1 1

Tempo 0 1 2 3 n-1

O valor presente das parcelas pagas por um período determinado à pessoa que, no mo-
mento zero, possui idade x, será simbolizado por äx:n ou Inäx:
äx:n ou Inäx: = Prêmio Único (Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Antecipada)
• Fórmula resumida:
n−1

äx:n = ∑ vt. tpx


t=0

• Fórmula analítica:
äx:n = v0.0px + v1.1px + v2.2px + v3.3px + v4.4px + ... + vn-1.n-1px

A comutação para a Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Antecipada é dada


pela equação:

äx:n =Renda . (Nx – Nx+n ) / Dx

Para você entender, vamos novamente aproveitar o exemplo utilizado anteriormente para
que possamos comparar os resultados. Assim, suponhamos que um homem com 30 anos com-
pre uma renda anual de R$10.000,00, com recebimento no início de cada ano durante 15 anos.

Centro Universitário Claretiano


© Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios 99

Vamos calcular o valor do Prêmio Único Puro que o homem terá de pagar para obter essa renda
utilizando a Tabela de Mortalidade AT-2000 (masculina) e juros de i = 5% ao ano.

äx:n = Renda . (Nx – Nx +n ) / DX

Sendo que:
n− x
=Nx ∑ Dx + t Nx – Nx +n
=
t =0

lx. (1 + i)
−x
=
Dx
Calculando:

äxn = 10.000 . (N30 – N45 )


D30

äx n = 10.000 . ( 43.048.574,22 – 18.280.857,32 )


9.871.813 (1 + 0,05)
−30

äx n = 10.000. (24.767.716, 91)


2.284.114, 85

äx n = 108.434, 64

Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Postecipada


A Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Postecipada é paga ao fim de cada pe-
ríodo – no caso, no fim de cada ano –; todavia, é paga por um prazo determinado. Esse tipo de
renda possui o mesmo comportamento da Renda Aleatória Constante Imediata Vitalícia Poste-
cipada, mas a diferença entre as duas consiste no pagamento, que deve ser feito em um período
determinado, isto é, que se finaliza em uma data definida.
Por meio dos diagramas a seguir, é possível perceber essa semelhança visualmente:
• Renda vitalícia postecipada

Renda 1 1 1 1 1

Até o fim da tábua

Tempo 1 2 3 n n +1

• Renda temporária postecipada

Renda 1 1 1 1

Tempo 1 2 3 n
100 © Atuária

O valor presente das parcelas pagas por um período determinado à pessoa que, no mo-
mento zero, possui idade x+1, será simbolizado por ax:n ou Inax:
ax:n ou Inax: = Prêmio Único (Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Antecipada)
• Fórmula resumida:
n
ax:n = ∑ v t . tpx
t =1

• Fórmula analítica:
ax:n = v1.1px + v2.2px + v3.3px + v4.4px + ... + vn-1.n-1px + vn.npx
A comutação para a Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Postecipada é dada
pela equação:

ax:n = (Nx +1 – Nx +1+n ) / Dx

É possível transformar a Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Antecipada (äx n)


em Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Postecipada (ax :n) por meio da fórmula:

äx:n = 1 + ax:n-1 ou ax :n-1 = äx :n - 1

Sendo que 1 representa a renda anual recebida.


Para você entender melhor, reaproveitaremos o exemplo utilizado anteriormente para
que possamos comparar os resultados. Dessa forma, suponhamos que um homem com 30 anos
compre uma renda anual de R$10.000,00, com recebimento no início de cada ano por 15 anos.
Vamos calcular o valor do Prêmio Único Puro que o homem deverá pagar para obter essa renda
utilizando a Tabela de Mortalidade AT-2000 (masculina) e juros de i = 5% ao ano.

ax:n = Renda . (Nx +1 – Nx +1+n ) / Dx

Sendo que:
n− x +1
=Nx ∑ Dx +1+ t Nx +1 – Nx +1+n
=
t =0

lx. (1 + i)
−x
=
Dx
Calculando:
äxn = 10.000 . (N30 – N45 )
D30

ax:n = 10.000. ( 40.764.459,37 – 18.280.857,32 )


9.871.813 (1 + 0, 05)
−30

ax:n = 10.000 . (22.483.602, 05)


2.284.114, 85

ax:n = 98.434, 64

Centro Universitário Claretiano


© Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios 101

A diferença entre as duas rendas seria: R$108.434,64 - R$98.434,64 = R$10.000,00, ou


seja, exatamente a renda do primeiro ano, no valor de R$10.000,00. Concluímos que, para a
Renda Aleatória Constante Imediata Temporária Postecipada se tornar Antecipada, basta dimi-
nuir o valor da renda obtida no primeiro ano.

Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Antecipada


A Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Antecipada é contratada para ser recebida
por toda a vida, sendo que o seu pagamento sempre acontece no início de cada período – no
caso, no início de cada ano, logo após o prazo de diferimento, isto é, após o prazo de contratação
e de recebimento da renda estabelecido na assinatura do contrato pelo segurado.
O valor presente das parcelas pagas por toda a vida a uma pessoa de idade x, enquanto
ela estiver viva, porém após a idade x+m, sendo m o período de diferimento, será simbolizado
por mIäx:

m
Iäx = Prêmio Único Puro (Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Antecipada)
• Fórmula resumida:

m Iäx = ∑ v t +m. t +mpx
t =0

• Fórmula analítica:
m
Iäx = vm+0. px + vm+1.
m+0 m+1
px + vm+2. m+2
px + vm+3. m+3
px + vm+4. px + ...
m+4

A comutação para a Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Antecipada é dada pela
equação:
m Iäx = (Nx +m ) / Dx

Para representar o comportamento dessa renda, observe o diagrama exposto a seguir:


Renda 1 1 1

Até o fim da tábua

Tempo 0 1 2 m m+1 m+2

Sendo que m é o momento em que a pessoa receberá a primeira renda após os anos de
diferimento (ou seja, os pagamentos das rendas só acontecerão após esse diferimento).
Para que você tenha um melhor entendimento, vamos nos servir do exemplo anterior
mais uma vez. Então, suponhamos que um homem com 30 anos compre uma renda anual de
R$10.000,00, com recebimento no início de cada ano, mas pretendendo recebê-la somente
quando completar 60 anos, pelo resto da vida. Vamos calcular o valor do Prêmio Único Puro que
esse homem deverá pagar para obter essa renda utilizando a Tabela de Mortalidade AT-2000
(masculina) e juros de i = 5% ao ano.

m Iäx = Renda . (Nx +m ) / Dx


102 © Atuária

Sendo que:
w − x +m
=Nx ∑ Dx + t Nx +m – Nw
=
t=0

lx. (1 + i)
−x
=
Dx

Calculando:
m Iäx = 10.000 . (N60 – N115 )
D30

m Iäx = 10.000. ( 6.704.903,15 – 0, 01)


9.871.813 (1 + 0, 05)
−30

m Iäx = 10.000. ( 6.704.903,14 )


2.284.114, 85

m Iäx = R$29.354, 49

Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Postecipada


A Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Postecipada é anual, contratada por toda
a vida, sendo feito o seu pagamento no fim de cada período, após o diferimento. Essa renda,
segundo Oliveira (2007, p. 49), é:
[...] o tipo de renda que se concede às pessoas no momento da aposentadoria por tempo de contri-
buição ou por idade, cujo pagamento se inicia um mês após a cessação das atividades das pessoas,
ignorando-se, a partir dali, se essas pessoas continuarão ativas ou não. Ou seja, as pessoas contribuem
por um determinado período para depois começar a receber, nesse caso o período de pagamento é
equivalente ao diferimento.

Dessa forma, o cálculo desse tipo de renda é o praticado pelo Instituto de Previdência
Social do Brasil. Embora, em nosso país, o pagamento seja feito, na maioria das vezes, no fim de
cada mês, para efeito de nosso estudo, o cálculo da renda a ser paga será considerado no fim
de cada ano.
O valor presente das parcelas pagas por toda a vida a uma pessoa de idade x, enquanto
estiver viva, porém após a idade x+m+1, sendo m o período de diferimento, será simbolizado
por mIax:

m
Iax = Prêmio Único Puro (Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Postecipada)
• Fórmula resumida:

m Iax = ∑ vt +m+1 . t +m+1px


t=0

• Fórmula analítica:
Iax =
m
vm+1. px + vm+2.
m+1 m+2
px + vm+3. px + vm+4.
m+3
px + ...
m+4

A comutação para a Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Antecipada é dada pela
equação:
m Iax = (Nx+1+m – Nw ) /Dx

Centro Universitário Claretiano


© Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios 103

Para representar o comportamento dessa renda, observe o diagrama exposto a seguir:

Renda 1 1 1

Até o fim da tábua

Tempo 1 2 3 m m+1 m+2 m+3

Sendo m o período de diferimento (ou seja, os pagamentos das rendas só acontecerão


após um ano desse diferimento).
Para que compreendamos melhor, iremos utilizar, mais uma vez, o exemplo anterior. As-
sim, suponhamos que um homem com 30 anos compre uma renda anual de R$10.000,00, com
recebimento no fim de cada ano, porém pretendendo recebê-la só quando completar 60 anos,
pelo resto da vida. Vamos calcular o valor do Prêmio Único Puro que o homem deverá pagar
para obter essa renda utilizando a Tabela de Mortalidade AT-2000 (masculina) e juros de i = 5%
ao ano.

m Iax = Renda . (Nx+1+m ) / Dx

Sendo que:
w − x +m
=Nx ∑ Dx + t Nx +1+m – Nw
=
t=0

Dx = lx.(1+i)-x
Calculando:
m Iax = 10.000 . (N61 – N115 )
D30

m Iax =10.000 . ( 6.215.478, 68 – 0, 01)


9.871.813 (1 + 0, 05)
−30

m Iax = 10.000 . ( 6.215.478, 68 )


2.284.114, 85

m Iax = 27.211,76

Renda Aleatória Constante Diferida Temporária Antecipada


A Renda Aleatória Constante Diferida Temporária Antecipada é anual, contratada por um
prazo estabelecido, sendo efetuado o seu pagamento no início de cada período, após o diferi-
mento.
O valor presente das parcelas pagas por toda a vida a uma pessoa de idade x, por um pra-
zo determinado, porém após a idade x+m+n, sendo m o período de diferimento e n o prazo de
recebimento da renda, será simbolizado por mIäx:n:

m
Iäx:n = Prêmio Único Puro (Renda Aleatória Constante Diferida Temporária Antecipada)
104 © Atuária

• Fórmula resumida:
n−1

m Iäx:n = ∑ vm+ t. m+ tpx


t=0

• Fórmula analítica:
m
Iäx:n = vm+0. px + vm+1.
m+0 m+1
px + vm+2. m+2
px + vm+3. m+3
px + ....+ vm+n-1. px
m+n-1

A comutação para a Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Antecipada é dada pela
equação:
m Iäx:n= (Nx+m– Nx+m+n ) / Dx

Para representar o comportamento dessa renda, observe o diagrama exposto a seguir:

Renda 1 1 1 1

...
Tempo 1 2 3 m m+1 m+2 m+n-1

Sendo que m é o período de diferimento e n-1 é o prazo de pagamento.


Novamente aproveitando o exemplo anterior, suponhamos que um homem de 30 anos
compre uma renda anual de R$10.000,00, com recebimento no início de cada ano, porém aspi-
rando recebê-la só a partir dos 60 anos, até completar 75 anos de idade. Vamos calcular o valor
do Prêmio Único Puro que o homem deverá pagar para obter essa renda utilizando a Tabela de
Mortalidade AT-2000 (masculina) e juros de i = 5% ao ano.

m Iäx:n = Renda . (Nx +m – Nx +m+n ) / Dx

Sendo que:
x + m +n
=Nx ∑ Dx + t
= Nx +m – Nx +m+n
t=0

lx. (1 + i)
−x
=
Dx
Calculando:
m Iäx:n = 10.000 . (N60 – N75 )
D30

m Iäx:n = 10.000. ( 6.704.903,15 – 1.706.802, 47 )


9.871.813 (1 + 0, 05)
−30

m Iäx:n = 10.000. ( 4.998.100, 68 )


2.284.114, 85

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© Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios 105

m Iäx:n = R$21.882, 00

Renda Aleatória Constante Diferida Temporária Postecipada


A Renda Aleatória Constante Diferida Temporária Postecipada é anual, contratada por um
prazo estabelecido, sendo o seu pagamento no fim de cada período, após o diferimento.
O valor presente das parcelas pagas por toda a vida a uma pessoa de idade x, por um prazo
determinado, porém após a idade x+m+n+1, sendo m o período de diferimento e n o prazo de
recebimento da renda, será simbolizado por mIax:n:

m
Iax:n = Prêmio Único Puro (Renda Aleatória Constante Diferida Temporária Postecipada).
• Fórmula resumida:
n

m Iax:n = ∑ vt +m+1 . t +m+1px


t=0

• Fórmula analítica:
m
Iax:n = vm+1. m+1
px + vm+2. m+2
px + vm+3. m+3
px + vm+4. m+4
px + ... + vm+n. m+n
px

A comutação para a Renda Aleatória Constante Diferida Vitalícia Antecipada é dada pela
equação:
m Iax:n= (Nx+1+m– Nx+1+m+n ) / Dx

Para representar o comportamento dessa renda, observe o diagrama exposto a seguir:


Renda 1 1 1 1

...
Tempo 1 2 3 m m+1 m+2 m+3 m+n

Sendo que m é o período de diferimento e n é o prazo de pagamento.

Por mais uma vez, para você ter uma explicação melhor, citamos o exemplo que temos
utilizado: suponhamos que um homem de 30 anos compre uma renda anual de R$10.000,00,
com recebimento no fim de cada ano, porém pretendendo recebê-la só a partir dos 60 anos, até
completar 75 anos de idade. Vamos calcular o valor do Prêmio Único Puro que o homem terá de
pagar para obter essa renda utilizando a Tabela de Mortalidade AT-2000 (masculina) e juros de
i = 5% ao ano.

m Iax:n = (Nx +1+m – Nx +1+m+n ) / Dx

Sendo que:
x +m+n+1
=Nx ∑ Dx + t
= Nx +1+m – Nx +1+m+n
t=0

lx. (1 + i)
−x
=
Dx
106 © Atuária

Calculando:
m Iäx:n = 10.000 . (N61 – N75 )
D30

m Iäx:n = 10.000. ( 6.215.478, 68 – 1.706.802, 47 )


9.871.813 (1 + 0, 05)
−30

m Iäx:n = 10.000. ( 4.508.676,21)


2.284.114, 85

m Iäx:n = R$19.739,27

Como dito no início da unidade, as rendas podem ser pagas à vista, com o pagamento de
um prêmio único (o que acabamos de estudar), ou a prazo, com o pagamento de prêmios par-
celados (assunto a ser falado a seguir).

7. RENDAS COM PAGAMENTOS DE PRÊMIOS PARCELADOS


Em nosso país, é mais comum ocorrer de a pessoa que queira comprar uma renda a ser
recebida no futuro pague ela ao longo dos anos (parcelado) em que não há o recebimento (di-
ferimento) para depois, após o período de diferimento, recebê-la.
Vamos entender, agora, quanto que o requerente tem de pagar para obter a renda no
futuro para cada um dos tipos de rendas. Nesse caso, não há nenhum tipo de renda imediata, já
que todas têm um período de diferimento para o recebimento das rendas.

Prêmio Parcelado para Renda Diferida Vitalícia Antecipada


O Prêmio Parcelado para Renda Diferida Vitalícia Antecipada é um tipo de renda que é
pago enquanto o indivíduo de idade x viver (vitalícia), a partir de uma renda unitária diferida de
m anos, sendo que o prêmio é pago de forma antecipada.
A equação a seguir representa o valor presente da obrigação futura do segurador na as-
sinatura do contrato (mIäx), ao mesmo tempo em que a obrigação do segurado é a de pagar o
prêmio estipulado enquanto o segurador permanecer vivo.

m Iäx tP ( m Iäx ) . äx:t


= > t P ( m Iäx ) =
= mIäx / äx:t

Se fizermos a comutação da equação anterior, teremos:

(
t P m Iäx )= Nx +m / (Nx – Nx + t )

O procedimento dos cálculos são os mesmos que já foram apresentados anteriormente,


no pagamento à vista.

Prêmio Parcelado para Renda Diferida Temporária Antecipada


O Prêmio Parcelado para Renda Diferida Temporária Antecipada é um tipo de renda que é
pago ao indivíduo de idade x por t anos no máximo, a partir de uma renda unitária diferida de
m anos, sendo que o prêmio é pago de forma antecipada.

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© Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios 107

A equação a seguir representa o valor presente da obrigação futura do segurador na as-


sinatura do contrato (mIäx), ao mesmo tempo em que a obrigação do segurado é a de pagar o
prêmio estipulado por um período máximo de t anos.

m Iäx:n = (
tP m Iäx:n ) . äx:t
ou

(
t P m Iäx:n )= mIäx:n / äx :t

Se fizermos a comutação da equação anterior, teremos:

(
t P m Iäx:n )= ( Nx +m – Nx +m+n ) / (Nx – Nx + t )

O procedimento dos cálculos são os mesmos que já foram apresentados anteriormente,


no pagamento à vista.

Prêmio Parcelado para Renda Diferida Vitalícia Postecipada


O Prêmio Parcelado para Renda Diferida Vitalícia Postecipada é um tipo de renda que é
pago enquanto o indivíduo de idade x viver (vitalícia), a partir de uma renda unitária diferida de
m anos, sendo que o prêmio é pago de forma postecipada. A equação a seguir representa essa
renda:

m
Iäx:n = tP (mIäx:n) . äx:t
ou
(
t P m Iax )= mIax / äx:t

Se fizermos a comutação da equação anterior, teremos:

(
t P m Iax )= Nx +1+m / (Nx – Nx + t )

O procedimento dos cálculos são os mesmos que já foram apresentados anteriormente,


no pagamento à vista.

Prêmio Parcelado para Renda Diferida Temporária Postecipada


O Prêmio Parcelado para Renda Diferida Temporária Postecipada é um tipo de renda que é
pago ao indivíduo de idade x por, no máximo, t anos, a partir de uma renda unitária diferida de
m anos, sendo que o prêmio é pago de forma postecipada.

m Iax:n = (
tP m Iax:n ) . äx:t
ou
(
t P m Iax:n )= mIax:n / äx:t

Se fizermos a comutação da equação anterior, teremos:

(
t P m Iax:n ) = (Nx +1+m – Nx +1+m+n ) / (Nx – Nx + t )
108 © Atuária

O procedimento dos cálculos são os mesmos que já foram apresentados anteriormente,


no pagamento à vista.
Com esses cálculos, é possível determinar qualquer tipo de prêmio único cuja realização
do evento que determinar esse pagamento seja a sobrevivência do indivíduo, a partir de uma
renda estipulada com ou sem diferimento do pagamento das parcelas.
Os seguros de vida, também denominados “seguros de sobrevivência”, por exemplo, se-
guem essa mesma metodologia apresentada. Contudo, deve-se considerar que esse tipo de
seguro é ligado à sobrevivência do indivíduo.
No próximo tópico, vamos descobrir como são calculados os prêmios únicos de seguros
pagáveis por falecimento, que se diferem dos cálculos anteriores em razão de se tratarem de
pagamentos que se efetuam devido à ocorrência de um sinistro – no caso, o falecimento do
indivíduo.

8. SEGUROS PAGÁVEIS POR MORTE


No caso dos seguros pagáveis por morte, estes são divididos em capital constante e capi-
tal variável. Logo, há seguros pagáveis por morte a capital constante sem diferimento (seguro de
vida inteira ou ordinário de vida; seguro temporário de n anos; seguro misto de n anos; e seguro
misto de n anos com capital duplo) ou com diferimento, que são pagos depois de um período de
tempo (seguros diferidos de n anos).
Já os seguros pagáveis por morte de capital variável possuem desdobramento idêntico
ao da renda variável, sendo divididos em Progressão Aritmética e em Progressão Geométrica,
como pode ser visto na Figura 2.

Sem Vida Inteira ou Ordinário de Vida


diferimento
Temporário de n anos
ou com
efeito Dotal (misto) de n anos
imediato
Dotal (misto) de n anos a capital duplo

Vida Inteira ou Ordinário de Vida, diferido de m anos


A Capital
Constante Temporário de n anos, diferido de m anos
Com Dotal (misto) de n anos, diferido de m anos
diferimento
Dotal (misto) de n anos a capital duplo, diferido de m anos

1º termo e
Progressão razão iguais Crescente
Seguros Aritmética
Pagáveis
por Morte 1º termo Crescente
diferente da
Segundo lei razão
matemática Decrescente

Crescente
A Capital Progressão
Variável Geométrica
Decrescente

Irregularmente
Figura 2 Quadro sinótico dos seguros pagáveis por morte.
Fonte: VILANOVA (1969, p. 56).

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© Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios 109

Segundo Vilanova (1969), há duas hipóteses em que se baseia o estudo dos seguros pagá-
veis por falecimento:
• a que supõe que o capital devido pela ocorrência do sinistro seja pago no fim do ano,
conhecida pela expressão reduzida "sinistro no fim do ano";
• a que supõe que o capital devido pela ocorrência do sinistro seja pago no meio do ano,
conhecida pela expressão reduzida "sinistro no meio do ano".
Neste tópico, iremos abordar a primeira hipótese, visto que, segundo Vilanova (1969), é a
mais seguida no Brasil.
Para efeito de conhecimento, os conceitos dos seguros constantes pagáveis por morte
estão resumidos a seguir.

Sem diferimento ou com efeito imediato


Seguro de vida inteira
O seguro de vida inteira é aquele em que a esperança matemática de ter-se direito ao se-
guro a ser pago ocorre no fim do ano em que a pessoa falecer.
Para o cálculo do seguro de vida inteira, considera-se Ax o valor atual da unidade de capital
pagável no fim do ano em que venha a falecer a pessoa segurada de idade x, qualquer que seja
a época de seu falecimento.
Vejamos, a seguir, a descrição da fórmula:
w−x
Ax = ∑ t
Iqx.v t +1
t=0

=
Ax v . äx –=
ax v . äx – ( äx=
− 1) 1 – (1 − v ) . äx

A x = 1 – d . äX

Sendo d = (1-v)

Fazendo a comutação da equação, tem-se que:

A=
x 1 – { 1 − 1 / (1 + i)} . N x / DX

Seguro temporário de n anos


O seguro temporário de n anos é um tipo de seguro em que a esperança matemática de
recebimento acontecerá no fim do ano em que a pessoa falecer, mas apenas por um período
estabelecido.
Para o cálculo do seguro temporário de n anos, considera-se A1x:n o valor atual da unidade
de capital pagável no fim do ano em que venha a falecer a pessoa segurada de idade x, des-
de que não tenham decorridos n anos. Essa expressão é coincidente com a do seguro de vida
inteira, uma vez que apenas as parcelas do somatório são limitadas a n, sendo que seu limite
superior é n-1.
110 © Atuária

Portanto, o cálculo do seguro temporário de n anos é:


n−1

A1x:n = ∑ t
Iqx.v t +1
t=0

A1x:n = v . äx:n – ax:n

Fazendo a comutação da equação, tem-se que:

A1x:n = {( )
1 / (1 + i) . Nx – Nx +n / Dx  } – { Nx +1 − Nx +1+n / Dx }

Seguro dotal (misto) de n anos (e seguro dotal de n anos a duplo capital)


O seguro dotal (misto) de n anos (e seguro dotal de n anos a duplo capital) trata-se da
combinação de um seguro que é pago em caso de morte com um seguro que é pago em caso
de sobrevivência, ou seja, entre o seguro temporário de n anos e o de sobrevivência de igual
prazo.
Para o cálculo do seguro dotal de n anos, considera-se Ax:n o valor atual da unidade de
capital pagável no fim do ano em que venha a falecer a pessoa segurada de idade x, desde que
não tenham sido decorridos n anos ou o pagamento de igual capital a ela própria, caso sobreviva
à idade x+n.
Diante disso, o cálculo desse seguro é determinado na expressão:

=
A x:n A1x:n + A x:n1

Assim, também temos: Ax:n1 = nEx = vn . npx = Prêmio Único Puro ou o valor atual da unidade
de capital pagável a uma pessoa com idade x, se sobreviver à idade (x+n).
Conhecido como “seguro por sobrevivência” (Valor Único), observa-se que não é um so-
matório de parcelas. Também é denominado “fator de desconto atuarial”, isso por ser compos-
to, apenas, pelo fator de atualização financeira vn, capitalizado com a probabilidade de uma
pessoa x sobreviver à idade x+n.

=A x:n 1 – äx:n . (1 − v )

A x:n = 1 – d . äx:n

Fazendo a comutação da equação, tem-se que:

A x:n=
 ( (  )
1 –  1 − 1 / (1 + i)  .  (Nx – Nx +n ) / Dx ]

Com diferimento
Seguro de vida inteira
O seguro de vida inteira é pagável no fim do ano de falecimento, por toda a vida, desde
que tenha se passado um período de diferimento, que é estabelecido no ato da assinatura do
contrato pelo segurado.

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© Rendas Aleatórias, Seguros e Prêmios 111

O cálculo do seguro de vida inteira com diferimento é dado por mIAx, que é o valor atual da
unidade de capital pagável no fim do ano em que venha a falecer a pessoa segurada de idade x,
em qualquer época de seu falecimento, desde que tenham decorridos m anos.
A expressão a seguir mostra-nos como é feito o cálculo do seguro de vida inteira com di-
ferimento.
w−x

m IA x = ∑ Iqx.vm+1+ t
t +m
t =0

=
m IA x m Ex . Ax + m

Seguro temporário de n anos


O seguro temporário de n anos é diferente do anterior apenas no que tange ao prazo de
recebimento, que é estabelecido por um período, não sendo recebido por toda a vida. Assim, é
pagável no fim do ano de falecimento, por um prazo estabelecido, desde que tenha passado um
período de diferimento, estabelecido no ato da assinatura do contrato pelo segurado.
O cálculo desse tipo de seguro é expresso por mInAx, ou seja, o valor atual da unidade de
capital pagável no fim do ano em que venha a falecer a pessoa segurada de idade x, dentro dos
n anos que se seguirem aos primeiros m anos.
A expressão a seguir informa como esse cálculo é realizado:
n−1

m InA x = ∑ t +mIqx.v
m+ t +1

t=0

m InA x = mEx . A1/( x +m)n

9. CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade, estudamos os cálculos dos diversos tipos de seguros (e, também, dos de
previdência), sendo os provenientes de rendas aleatórias (seguros de vida), nos quais a causa
do pagamento é a sobrevivência, como também aqueles pagáveis por morte, sendo a causa o
sinistro de falecimento do indivíduo.
Esta unidade representou um dos mais importantes assuntos da Matemática Atuarial, já
que foi aqui tratado o cálculo, propriamente dito, dos prêmios a serem pagos na contratação de
seguros e de previdência social.
Na unidade seguinte, vamos estudar a Reserva Matemática, outro assunto de vital impor-
tância na área de Ciências Atuariais.
Vamos lá?

10. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


Responda às questões a seguir, que tratam dos cálculos dos diversos tipos de seguros e de
previdência: os provenientes de rendas aleatórias e os pagáveis por morte.
112 © Atuária

Saiba que a autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu
desempenho. Assim, se encontrar dificuldades em respondê-las, procure revisar os conteúdos
estudados para saná-las.
1) Uma mulher com 57 anos de idade acumulou, ao longo da vida, R$3.000.000,00, e
ela deseja utilizar essa soma para pagar à vista uma renda, com a característica de
recebê-la de forma antecipada e por toda a vida. Com base nessas informações, cal-
cule o valor anual da renda que ela receberá. Utilize a Tábua de Mortalidade AT-2000
(feminina), com a taxa de juros de 6% ao ano.
2) Um homem de 30 anos de idade compra uma renda anual de R$60.000,00, com rece-
bimento no final de cada ano, enquanto estiver vivo. Calcule o valor do prêmio único
que ele deverá pagar à seguradora para obter esse produto e utilize a Tábua AT-2000
(masculina), tendo, como base, a taxa de juros de 5% ao ano.
3) Uma mulher com 48 anos de idade acumulou, ao longo da vida, R$2.000.000,00, e
ela deseja utilizar essa soma para pagar à vista uma renda, com a característica de
recebê-la de forma antecipada e pelo período de cinco anos. Calcule o valor anual da
renda que ela receberá utilizando a Tábua AT-2000 (feminina), com uma taxa de juros
de 5% ao ano.

11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


CHAN, B. L.; SILVA, F. L.; MARTINS, G. de A. Fundamentos da previdência complementar: da atuária à contabilidade. São Paulo:
Atlas: FIPECAFI/USP, 2006.
OLIVEIRA, E. R. de. Previdência privada e seguro de vida: tópicos de matemática atuarial. Material de Aula, Universidade Católica
de Goiás - UCG: Goiânia, 2008.
VILANOVA, W. Matemática atuarial. São Paulo: Pioneira, 1969.

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EAD
Reserva Matemática

1. OBJETIVOS
• Conhecer as Reservas (ou Provisões) Técnicas existentes, conceituando-as e calculan-
do-as.
• Compreender o conceito de Reserva Matemática.
• Demonstrar a relação da Reserva Matemática com a Contabilidade.
• Introduzir os métodos de cálculo da Reserva Matemática e desenvolver, de forma in-
trodutória, os cálculos dos Métodos Prospectivo e Retrospectivo para constituição da
Reserva Matemática.

2. CONTEÚDOS
• Reservas (ou Provisões) Técnicas.
• Reservas Matemáticas: conceito, legislação, tipologia, métodos de cálculo, resgate e
saldamento.

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


Antes de iniciar o estudo desta unidade, é importante que você leia as orientações a se-
guir:
1) Para iniciar esta unidade, procure rever o Esquema dos Conceitos-chave da disciplina
para se posicionar em relação aos conteúdos que serão abordados.
114 © Atuária

2) Para um maior aprofundamento nos assuntos abordados, procure realizar sempre a


leitura dos livros indicados ao final de cada unidade.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Vamos conhecer, nesta unidade, a Reserva Técnica, também chamada de Provisão Técnica,
que tem como finalidade garantir o valor contratado pelos segurados junto à empresa segura-
dora.
Oliveira (2008, p. 71) define o termo “reserva” como:
Reserva em Ciências Atuariais é, além do Capital Social e da soma de dívidas determinadas, tudo que
figura no passivo de uma sociedade. Assim, reserva poderá destinar-se: a) à depreciação de certos
elementos do ativo; b) aos futuros pagamentos, cujos montantes são ignorados, mas cuja realização é
certa; e c) à cobertura de perdas futuras ou de estabilidade da sociedade seguradora.

Assim, as Reservas Técnicas são peças fundamentais para uma empresa seguradora, em
qualquer aspecto – legal, econômico ou técnico.
Veremos, ainda, que, em relação ao aspecto legal, existe, em todos os países, uma legisla-
ção específica que exige a constituição de acordo com uma taxa estabelecida; assim, as reservas
não podem ser inferiores a essa taxa.
Vamos analisar que, no aspecto econômico, as reservas acabam representando mais de
60% dos valores dos ativos das empresas seguradoras, constituindo, assim, crédito dos segura-
dos em relação a essas empresas. O aspecto técnico está intimamente relacionado ao econômi-
co, já que o cálculo a ser praticado para a constituição das reservas, de forma alguma, pode ser
negligenciado.
Estudaremos, ainda, que a reserva se torna a garantia essencial para que as transações e
os compromissos da empresa seguradora sejam cumpridos, junto aos segurados, no que tange
à responsabilidade pelos sinistros ocorridos.
De acordo com Oliveira (2008, p. 71), "[...] as reservas técnicas das sociedades segura-
doras são constituídas de acordo com os prêmios técnicos-atuariais - com parte dos prêmios
recebidos"
Assim, as Reservas Técnicas, que são a garantia das transações das empresas de seguros,
devem ser constituídas de modo a obedecer a critérios de rentabilidade, segurança e liquidez,
para que a constituição venha consolidar os ativos das empresas seguradoras.
Vamos lá?

5. RESERVAS (OU PROVISÕES) TÉCNICAS


As Reservas Técnicas são fundamentais para as operações de seguros, sendo formadas
todo mês. Diferentemente das Reservas Econômicas, as Reservas Técnicas são constituídas so-
mente quando o resultado (lucro) for apurado. Como cada empresa seguradora presta um tipo
diferente de seguro, as Reservas Técnicas não são todas da mesma natureza; entretanto, todas
têm um único objetivo: garantir a sobrevivência econômica e financeira das empresas segura-
doras.
Constituem Reservas Matemáticas não só as empresas seguradoras, como também as em-
presas de previdência privada e as de capitalização.

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© Reserva Matemática 115

Existem diversos tipos de Reservas ou Provisões Técnicas, os quais são classificados de


acordo com o destino de cada um de seus objetivos, podendo ser, por exemplo:

Provisão de Prêmios Não Ganhos


O prêmio tem como objetivo garantir o pagamento dos sinistros, do início ao término de
vigência. Assim, a Provisão de Prêmios Não Ganhos (PPNG) serve para reservar a parte do prê-
mio retido referente ao risco a decorrer, ou seja, o prêmio recebido no início de vigência não
pode ser assumido como Prêmio Ganho até que o risco já tenha decorrido.
Demonstração:

Término de
Vigência
Início de

Vigência
Base
Data

O seguro iniciou sua vigência em 1º de janeiro de 2005 e tem o seu término de vigência
em 31 de dezembro de 2005. Na data base 30 de abril de 2005, já decorreram quatro meses
de vigência e há, ainda, oito meses a decorrer. Nesse caso, a parte do prêmio retido referente
aos primeiros quatro meses a seguradora assume como Prêmio Ganho; o restante do prêmio
retido, que é para garantir o risco a decorrer, a seguradora assume como Provisão de Prêmios
Não Ganhos.
O método utilizado para o cálculo da PPNG é o pro rata die, conforme demonstrado pela
seguinte fórmula:

Período de Risco a Decorrer


PPNG = X Prêmio ComercialRetido
Período Total de Cobertura de Risco
Em que:
Período de Risco a Decorrer = Término de vigência – Data base

=
Período Total de Cobertura do Risco Término de vigência – Início de vigência + 1

Exemplo de cálculo:
Considerando as datas do exemplo anterior e um Prêmio Comercial Retido de R$1.500,00,
vamos determinar o valor da PPNG.

31 / 12 / 2005 – 30 / 04 / 2005
PPNG = X R$1.500, 00
31 / 12 / 2005 – 01 / 01 / 2005 + 1

245 dias
PPNG = X R$1.500, 00
365 dias

PPNG = R$1.006, 85
Observações:
• No caso de a seguradora receber o prêmio de forma parcelada, ela terá de calcular a
PPNG sobre o valor total do Prêmio Comercial Retido.
116 © Atuária

• A seguradora deverá avaliar, em sua carteira, os atrasos de emissões, pois, na data


base de cálculo, pode haver riscos vigentes, mas não emitidos. Caso haja, a seguradora
deverá calcular a Provisão de Prêmios Não Ganhos de Riscos Vigentes Não Emitidos
(PPNG-RVNE).

Provisão de Insuficiência de Prêmios


A Provisão de Insuficiência de Prêmios (PIP) deve ser constituída se for constatada insu-
ficiência da Provisão de Prêmios Não Ganhos (PPNG) para a cobertura dos sinistros a ocorrer,
considerando indenizações e despesas relacionadas ao longo dos prazos a decorrer, referentes
aos riscos vigentes na data base de cálculo.
Dessa forma, a seguradora deverá avaliar o passado com o objetivo de verificar a necessi-
dade ou não da constituição da PIP. Para tanto, ela deverá fazer um corte em uma determinada
data, 12 ou 24 meses para trás, e avaliar todas as apólices que estão na base de cálculo da PPNG
nessa data, calculando, para essas apólices, o saldo da PPNG para os próximos meses. Ademais,
deverá buscar os sinistros dessas apólices e alocá-los por data de ocorrência em um gráfico.
No primeiro cenário, a seguradora não precisará constituir PIP, pois o saldo da PPNG foi
superior aos sinistros ocorridos.

120,000.00

100,000.00

80,000.00

60,000.00

40,000.00

20,000.00

-
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

PPNG SINISTROS

Fonte: acervo pessoal dos autores.


Figura 1 Cenário 1: não constituição da PIP.

No segundo cenário, a seguradora precisará constituir PIP, pois o saldo da PPNG foi inferior
aos sinistros ocorridos.

120,000.00

100,000.00

80,000.00

60,000.00

40,000.00

20,000.00

-
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11

PPNG SINISTROS

Fonte: acervo pessoal dos autores.


Figura 2 Cenário 1: constituição da PIP.

Centro Universitário Claretiano


© Reserva Matemática 117

Para o cálculo da PIP, deve-se utilizar o método descritivo, além de a empresa seguradora
ter a obrigação de publicar nota técnica explicativa do cálculo. É importante ressaltar que, caso
a empresa não tenha dados suficientes para efetuar o cálculo, deve-se utilizar um critério esta-
belecido pela SUSEP.
Uma das maneiras de a seguradora calcular a PIP é avaliando a frequência de sinistros da
carteira e verificando se o saldo da PPNG atual será suficiente para pagar todos os sinistros das
apólices vigentes na data base.
Desse modo, a frequência dos sinistros deve ser calculada fazendo-se um corte num de-
terminado período para se calcular a relação entre a quantidade de sinistros ocorridos nesse
período e a quantidade de apólices expostas nesse mesmo período (o período de análise deve
ser de, pelo menos, 12 meses).
N
Sin = ∑ Si
i=1

Em que:
• Sin = quantidade total de sinistros.
• Si = sinistro referente à observação de ordem "i”.
• N = quantidade total de eventos observados.
Determinaremos a frequência da seguinte forma:

Sin
Freq =
N
Em que:
• Freq = frequência de sinistros.
• N = massa de expostos da carteira no período analisado. Fracionando.

Freq
Freq(12) =
12
Em que:

Freq(12) = frequência mensal

Estimaremos as ocorrências de sinistros referentes aos riscos constantes da PPNG após a


data base de cálculo, conforme segue:
N
(12)
ES = ∑ freq * fdp i * CS i
i =1

Dvf − D
fdp i =
Dvf − Dvi + 1
Em que:
• CSi = valor da indenização contratado e atualizado para a observação de ordem "i"
• D = data base para cálculo da provisão.
• Dvf = data de final de vigência da cobertura.
• Dvi = data de início de vigência da cobertura.
118 © Atuária

• ES = estimativa do montante de sinistros futuros (a ocorrer após a data base de cálculo


e referentes aos mesmos riscos constantes da PPNG).
• fdp i = fator referente ao período de risco a decorrer, contado a partir da data base de
cálculo, referente à observação de ordem "i”.
Determinação da Provisão de Insuficiência de Prêmios para os Prêmios Não Ganhos:
=
PIP PPNG − ES
Em que:
• PIP = valor da Provisão de Insuficiência de Prêmios para os Prêmios Não Ganhos.
Se o resultado da equação anteriormente descrita for maior ou igual a zero não haverá ne-
cessidade de constituição de PIP. Caso contrário, o resultado observado deverá ser constituído
com o objetivo de prover a estimada insuficiência de prêmios.

Provisão de Sinistro a Liquidar


A Provisão de Sinistro a Liquidar destina-se a garantir o pagamento das indenizações por
sinistros ocorridos e ainda não liquidados por ocasião do encerramento do balanço. Para Oli-
veira (2008, p. 72-73), "essa reserva pode, também, ser chamada de reserva a pagar, reserva de
sinistros pendentes ou reserva de sinistros não liquidados"
A finalidade da constituição da Reserva ou Provisão de Sinistros a Liquidar (PSL) é cobrir os
valores de sinistros a serem pagos até a data em que os cálculos forem realizados. Não se pode
esquecer de considerar todas as responsabilidades da empresa seguradora para com os segura-
dos, como indenizações e despesas vinculadas a sinistros.
Demonstração:

Pagamento
Ocorrência

Data de
Data de

Data de
Aviso

A seguradora deve deixar provisionado o valor da indenização, mais as suas atualizações,


da data de aviso até a data de ocorrência. O valor a provisionar deve ser calculado de acordo
com a metodologia descrita em nota técnica atuarial mantida pela sociedade seguradora.
Dessa forma, essa reserva será constituída mensalmente, correspondendo, na data de
sua avaliação, à importância total das indenizações a pagar por sinistros ocorridos, deduzida a
parcela relativa à recuperação de resseguros cedidos. Para o cálculo dessa reserva, na falta da
nota técnica atuarial prevista, o valor da PSL deve ser constituído tomando-se por base o Art. 5º,
§ 3º, incisos de I a VI, da Resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) nº 120, de
2004, que dispõe o seguinte:
I – o valor acordado entre segurado e a seguradora;
II – o valor reclamado pelo segurado, quando aceito pela seguradora;
III – o valor estimado pela seguradora, quando não tenha o segurado indicado à avaliação do sinistro;
IV – o valor igual à metade da soma da importância reclamada pelo segurado e da oferecida pela segu-
radora, no caso de divergência de avaliação, limitado à importância segurada do risco coberto no
sinistro;

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© Reserva Matemática 119

V – o valor resultante de sentença transitada em julgado; e


VI – o valor máximo de responsabilidade por vítima ou por evento e por tipo de dano, nos seguros obri-
gatórios de responsabilidade civil.

Provisão de Sinistros Ocorridos e Não Avisados (IBNR)


A finalidade da constituição da Reserva ou Provisão de Sinistros Ocorridos e Não Avisados
(IBNR) é cobrir os valores de sinistros já ocorridos, mas não avisados até a data em que os cálcu-
los forem realizados. Não se pode esquecer de considerar todas as responsabilidades da empre-
sa seguradora para com os segurados, como indenizações e despesas vinculadas a sinistros.
Demonstração:

Pagamento
Ocorrência

PSL
IBNR Data de

Data de
Data de

Aviso

A seguradora deverá provisionar uma estimativa dos sinistros ocorridos, mas não avisa-
dos. A metodologia de cálculo da INBR deve ser divulgada em nota técnica atuarial pela empresa
seguradora.
Dessa forma, as sociedades seguradoras que não possuam histórico de informações com
dados estatísticos consistentes para a aplicação de método próprio devem calcular o valor da
provisão segundo critério definido pela SUSEP (Circular SUSEP 283/05). De acordo com a Circu-
lar, o valor a ser contabilizado é o que resultar maior entre:
• A multiplicação do percentual definido na Circular e o somatório dos prêmios do perío-
do de 12 meses, considerando o mês de constituição e os 11 meses anteriores.
As seguradoras que calculam por meio de metodologia própria costumam utilizar o méto-
do da triangulação de Run-off, usando um período de análise de 36 meses. Para evitar oscilações
no cálculo do IBNR ocasionadas pelo aumento ou pela diminuição da sinistralidade de um deter-
minado mês, algumas seguradoras agrupam as informações em trimestres.
Para a triangulação, quando a seguradora não possui experiência suficiente em todos os
ramos, ela pode agrupar ramos com características parecidas para obter um cálculo mais preci-
so.
Run-off Trimestral
A regra do triângulo define uma tabela-padrão de dados dos sinistros na qual, para um
determinado período trimestral de ocorrência dos sinistros, suas notificações são mostradas na
mesma linha, dentro das colunas relativas aos períodos trimestrais em que foram cadastrados,
conforme a tabela a seguir:
120 © Atuária

Tabela 1 Tabela-padrão de dados dos sinistros.


PERÍODO TRIMESTRAL TRIMESTRES DE ATRASO ENTRE OCORRÊNCIA E AVISO
DE OCORRÊNCIA 0 1 n-1 n

Período 1 S1,0 S1,1 S1,n-1 S1,n

Período 2 S2,0 S2,1 S2,n-1 -

↓ ↓ ↓ - -

Período n-1 Sn-1,0 Sn-1,1 - -

Período n Sn,0 - - -

Fonte: elaborado pelos autores.

Em que:
• Si,j é o montante de sinistros pagos ou pendentes, que ocorreram no i-ésimo período
trimestral e foram cadastrados no j-ésimo trimestre de desenvolvimento.
No entanto, as datas utilizadas nos valores das despesas com regulação dos sinistros, nos
valores dos salvados, recuperações e ressarcimentos, foram as datas de ocorrência dos respec-
tivos sinistros e as datas dos expedientes desses pagamentos e recebimentos cadastradas no
sistema.
Após o desenvolvimento do triângulo de dados, obtemos os montantes acumulados dos
sinistros, conforme tabela a seguir:

Tabela 2 Montante acumulado dos sinistros.

PERÍODO TRIMESTRAL TRIMESTRES DE ATRASO ENTRE OCORRÊNCIA E AVISO


DE OCORRÊNCIA 0 1 n-1 n
Período 1 M1,0 M1,1 M1,n-1 M1,n
Período 2 M2,0 M2,1 M2,n-1 -
↓ ↓ ↓ -
Período n-1 Mn-1,0 Mn-1,1 - -
Período n Mn,0 - - -
Fonte: elaborado pelos autores.

Em que:
• Mi,j corresponde ao montante dos sinistros ocorridos no i-ésimo trimestre e notifica-
dos (cadastrados) até o j-ésimo período trimestral de desenvolvimento.
Obtemos, então, a seguinte notação do cálculo de seu valor:

Mi,j = r∑
=0
Si,r
Com os valores encontrados anteriormente, obtemos os fatores de desenvolvimento e
suas médias, devendo ser consideradas as tendências de comportamento desses fatores.

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© Reserva Matemática 121

Tabela 3 Fatores de desenvolvimento dos sinistros.

PERÍODO TRIMESTRAL TRIMESTRES DE ATRASO ENTRE OCORRÊNCIA E AVISO


DE OCORRÊNCIA
0 1 n-1 n
Período 1 F1,0 F1,1 F1,n-1 -
Período 2 F2,0 F2,1 F2,n-1 -
↓ ↓ - - -
Período n-1 Fn-1,0 - - -
Período n - - - -
Fatores Selecionados Fs,0 Fs,1 Fs,n-1 Fs,n
Fatores Acumulados Fa,0 Fa,1 Fa,n-1 Fa,n

Fonte: elaborado pelos autores.

Em que:
• Fi,j é o fator de desenvolvimento do i-ésimo período trimestral de ocorrência e do j-
ésimo período de notificação, sendo seu valor obtido da seguinte forma:

Mi,j+1
Fi,j =
Mi,j
Com a tabela de fatores de desenvolvimento, selecionamos os valores por período de de-
senvolvimento (Fs,j), observando as tendências de comportamento desses fatores ou utilizando
os valores de suas médias simples ou ponderada pelos montantes de sinistros.
Com esses fatores selecionados, encontramos os fatores acumulados do desenvolvimento
dos sinistros:
F a,j = F s,j.F a,j+1

Dessa forma, o fator de cauda, ou seja, o fator do último período trimestral de desenvolvi-
mento (Fs,n), será estimado observando-se o comportamento dos fatores de desenvolvimento.
Finalmente, para obtermos o valor da Provisão de Sinistros Ocorridos e Não Avisados,
aplicamos os fatores na tabela de valores a seguir:

Tabela 4 Fatores acumulados de desenvolvimento dos sinistros.


VALORES EM REAIS
SINISTROS INCORRIDOS FATORES DE SINISTROS INCORRIDOS
PERÍODO TRIMESTRAL DE
OCORRÊNCIA OBSERVADOS DESENVOLVIMENTO ESTIMADOS

(1) (2) (3) = (1) x (2)

Período 1 M1,n Fa,n M1,n x Fa,n


Período 2 M2,n-1 Fa,n-1 M2,n-1 x Fa,n-1
↓ ↓ ↓ ↓
Período n-1 Mn-1,1 Fa,1 Mn-1,1 x Fa,1
Período n Mn,0 Fa,0 Mn,0 x Fa,0
TOTAL Σ coluna Σ coluna
Fonte: elaborado pelos autores.

O valor da Provisão de Sinistros Ocorridos e Não Avisados será a diferença entre o valor
total dos sinistros incorridos estimados e o valor total dos observados (ocorridos, notificados,
pagos ou pendentes).
122 © Atuária

Reserva ou Provisão de Riscos Não Expirados


Reserva ou Provisão de Riscos Não Expirados são reservas constituídas pelas empresas
seguradoras que têm como objetivo garantir os riscos de todos os contratos em vigor.
A constituição da Reserva ou Provisão de Riscos Não Expirados é realizada mensalmente,
e o cálculo é baseado no valor total dos prêmios obtidos pela empresa seguradora.
É importante destacar que, para o cálculo do valor total dos prêmios obtidos pela empresa
seguradora, os valores a serem considerados devem englobar, além dos seguros, os cosseguros,
os resseguros e as retrocessões e, por fim, diminuir as anulações e as restrições de prêmios e
de resseguros cedidos. Desse valor encontrado, aplica-se uma porcentagem que varia de acordo
com cada um dos tipos de seguros existentes.

Reserva ou Provisão Matemática


A Reserva Matemática compreende um dos diversos tipos de Reservas Técnicas existen-
tes. Essa reserva tem como objetivo garantir o pagamento de todos os seguros contratados por
meio da formação de um capital próprio para isso. Dessa forma, uma parte do prêmio recebido
é considerada nivelamento do prêmio, garantindo o pagamento do seguro.
A Reserva Matemática subdivide-se em Reserva (ou Provisão) de Benefícios Concedidos
e Reserva (ou Provisão) de Benefícios a Conceder.

6. RESERVA OU PROVISÃO MATEMÁTICA: CONCEITO E TIPOLOGIA


Oliveira (2008, p. 71) diz que “[...] o pensamento sobre Reserva Matemática surgiu quando
se idealizou o estabelecimento de 'prêmios nivelados' para os Seguros de Vida em substituição
aos prêmios 'naturais'"
Suponha que uma associação de 2.000 metalúrgicos faça um acordo de ressarcir, no va-
lor de R$4.000,00, a família de cada metalúrgico que venha a falecer no ano corrente; con-
sidere, também, que todos os metalúrgicos possuam a idade de 40 anos. Pela CSO-58, tería-
mos, aproximadamente, quatro falecimentos no ano, o que geraria uma contribuição de R$8,00
(R$16.000,00/2.000), chamada, também, de prêmio de risco.
O acordo firmado pela associação de metalúrgicos, conforme o tempo passa, vai tornan-
do-se cada vez mais caro. Isso porque a probabilidade de morte cresce à medida que as pessoas
ficam mais velhas; logo, a quantidade de pessoas que pagam os prêmios diminui. Dessa forma,
o número de óbitos aumenta com o consequente crescimento do prêmio de risco de cada indi-
víduo que sobrevive.
Oliveira (2008, p. 71) explica que:
[...] o prêmio de risco é menor para idades mais novas e maior para as idades mais avançadas, o prêmio
nivelado vem para tornar o seguro mais acessível para as pessoas quando atingirem as idades mais ele-
vadas, cobrando um pouco mais, enquanto o segurado está mais novo e registrando essa diferença de
prêmio em uma conta chamada reserva, para cobrar um pouco menos quando o mesmo atingir idades
mais avançadas.

Reserva Matemática é o valor calculado no processo atuarial que tenta equilibrar as obri-
gações da empresa seguradora e do segurado nos contratos firmados entre as partes.
[...] a reserva matemática também é denominada reserva para riscos futuros ou, ainda, para riscos
em curso, tanto sob o ponto de vista legal, como sob o ponto de vista econômico e técnico, constitui
elemento fundamental para a empresa seguradora. Ela compreende um dos diversos tipos de reserva
técnica que o segurador deve constituir (VILANOVA, 1969, p. 110).

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No mercado segurador, as Reservas Matemáticas são os valores das disponibilidades mo-


netárias em poder da companhia seguradora para as indenizações futuras a serem saldadas.
Essas reservas, também denominadas de "Reservas Técnicas”, são formadas pelas seguradoras,
com base percentual sobre as apólices que vencem no fim de cada exercício e que se destinam
à cobertura de riscos segurados. Portanto, as Reservas Matemáticas representam o valor calcu-
lado por processo atuarial, como contemplam o equilíbrio das obrigações da companhia e do
segurado em cada contrato de seguro. Essas reservas podem ser equacionadas pela seguinte
fórmula:
Valor atual das obrigações futuras da seguradora = valor atual dos prêmios futuros do

Segurado+ Reserva Matemática

Em relação ao aspecto legal, existe, no Brasil, uma legislação própria que obriga sua cons-
tituição em bases não inferiores à base estabelecida para que o interesse dos segurados seja
preservado. Uma das legislações brasileiras que obriga as empresas de seguros a constituírem
Reserva Matemática é o Decreto-Lei nº 2.063, de 7 de março de 1940, em seus Artigos 93 a 95,
esboçados a seguir:
Art. 93 As sociedades de seguros de vida são obrigadas a constituir, em garantia de suas operações, as
seguintes reservas:
I – Reservas técnicas:
a) reserva matemática;
b) reserva de seguros vencidos;
c) reserva de sinistros a liquidar;
d) reserva de contingência.
II – Reserva para oscilação de títulos.
Parágrafo único. As sociedades constituirão as reservas matemáticas das responsabilidades que tenham
retidas.
Art. 94 As reservas matemáticas compreenderão todos os compromissos relativos aos contratos de
seguros em caso de vida, de morte, mixtos, e outros, bem como às clausulas adicionais de dispensa de
prêmios e pagamentos de rendas em caso de invalidez, e aumento de capital segurado das apólices com
participação em lucros.
Art. 95 As reservas de que trata o artigo anterior não poderão ser inferiores as que corresponderem as
bases técnicas em que forem calculados os prêmios, observado sempre o limite mínimo estabelecido
pelo parágrafo único deste artigo.
Parágrafo único. Enquanto não forem organizadas as tabelas a que se refere o art. 191, as reservas ma-
temáticas pão poderão ser inferiores às calculadas pela tábua American Experience, à taxa de juros de
5% (cinco por cento) ao ano, em relação aos seguros de vida, e pela tábua R.F., á mesma taxa, quanto
a rendas.

Além do Decreto-Lei nº 2.063, de 7 de março de 1940, há a Resolução do CNSP nº 171,


de 2007, bem como o Decreto-Lei nº 73, de 21 de novembro de 1966, e a Lei Complementar nº
126, de 15 de janeiro de 2007, que regulamentam a Reserva Matemática no Brasil de maneira
mais específica e direcionada.
Não se deve confundir a Reserva Matemática com as reservas contábeis das empresas em
geral (reservas de lucros e reservas de capital). De acordo com Vilanova (1969), a Reserva Mate-
mática assemelha-se aos fundos, legais ou estatutários, com destinação específica, dos quais se
distingue apenas por não haver um teto acima do qual passa a ser facultativa.
A Reserva Matemática representa o valor calculado pela atuária a fim de garantir os com-
promissos futuros a pagar de uma empresa seguradora.
124 © Atuária

Como forma de exemplo, vamos entender o cálculo das Reservas Matemáticas de apo-
sentadoria. Para os aposentados que já recebem o benefício, o cálculo da Reserva Matemática
abrange a somatória de todas as aposentadorias vigentes. Já para os propensos a se aposentar,
o cálculo da Reserva Matemática compreende o valor presente dos benefícios que serão inicia-
dos, somados aos valores das contribuições que ainda serão recebidas. Se somarmos as aposen-
tadorias já concedidas com as aposentadorias a serem concedidas, teremos o valor da Reserva
Matemática total de uma entidade previdenciária, que compreende a quota mínima que essa
entidade deve possuir para cobrir todos os benefícios a serem concedidos.
Ainda verificando Vilanova (1969, p. 113), a Reserva Matemática pode ser definida como:
O excedente entre a receita do segurador (prêmio nivelado pago pelo segurado) e a despesa (prevista)
com a capitalização e com os sinistros constitui adiantamento do segurado para, acrescido de seus ju-
ros compostos e tendo em vista a mortalidade prevista, compensar a deficiência entre as receitas e as
despesas futuras do segurador. Esses excedentes anuais acrescidos na forma descrita e acumulados até
determinado ano formam a Reserva Matemática.

Portanto, a Reserva Matemática é a diferença entre os compromissos do segurador e dos


segurados em dado momento e em valor absoluto, avaliados pela mesma tábua de mortalidade,
pela mesma taxa de juros e na mesma época.
A Reserva Matemática subdivide-se em: Reserva (ou Provisão) de Benefícios Concedidos
e Reserva (ou Provisão) de Benefícios a Conceder.
A Provisão de Benefícios a Conceder é o valor correspondente ao montante de recursos
aportados pelo participante ao plano, líquidos de carregamento, quando for o caso, constituído
durante o período de diferimento. São, porém, reservas obrigatoriamente constituídas pelas
empresas seguradoras e de previdência, sendo obtidas por meio da contribuição dos participan-
tes do plano e, no caso dos planos fechados, da empresa patrocinadora. É com os recursos dessa
reserva que os benefícios dos participantes do plano serão pagos quando estes forem receber o
benefício, seja por causa de aposentadoria, seja por gozar de algum seguro contratado.
Como definição, as Reservas Matemáticas de Benefícios a Conceder constituem um siste-
ma técnico-econômico do qual se valem as seguradoras para se precaverem, no tempo, dos ris-
cos assumidos. São os fundos que as seguradoras constituem para a garantia de suas operações.
Assim, é chamada de portabilidade a possibilidade de o participante transferir, total ou parcial-
mente, a Reserva Matemática de Benefícios a Conceder de um plano de previdência privada.
Desse modo, a Provisão de Benefícios Concedidos é o valor atual dos compromissos da
empresa seguradora ou de previdência complementar para com o assistido durante o período
de pagamento de benefícios sob a forma de renda. Complementarmente, é o montante de re-
cursos destinado ao pagamento dos benefícios para os participantes de um determinado plano.
Esses recursos são obtidos por meio da transferência dos recursos investidos na Reserva de Be-
nefícios a Conceder na data de início da concessão do benefício ao participante.
Além das duas provisões citadas anteriormente (Provisão de Benefícios Concedidos e Pro-
visão de Benefícios a Conceder), pode-se encontrar, também, a figura da Provisão Matemática
a Constituir, que corresponde às reservas a amortizar – expressão utilizada pelos atuários que
contempla, por exemplo, as contribuições extraordinárias futuras da patrocinadora destinadas
à cobertura do serviço passado e à conta de ajustes de títulos. Em outras palavras, a Provisão
Matemática a Constituir representa a conta contábil que registra o valor da Reserva a Amortizar
do plano de benefícios.

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© Reserva Matemática 125

É importante salientar que as Provisões Matemáticas, assim como as Provisões Técnicas,


são especificadas, no Balanço Patrimonial, no passivo. As Provisões Matemáticas são destaca-
das, no passivo, como Exigível Atuarial – Provisões Matemáticas, como pode ser visualizado
nos exemplos de Balanço Patrimonial disposoto a seguir (figura 5 e 6 ).

Fonte: disponível em: <http://http://www.aceprev.com.br/demonstrativos_legais/relatorio_anual/despesas.htm>. Acesso em: 9 ago. 2010.


Figura 5 Balanço Patrimonial da Empresa Acesita Previdência Privada S/A.
126 © Atuária

Fonte: disponível em: <http://www.capof.org.br/demonstracoes2003_arquivos/demonst1_2003.jpg>. Acesso em: 9 set. 2010.


Figura 6 Balanço Patrimonial da CAPOF – Caixa de Assistência e Aposentadoria dos Funcionários do Banco do Estado do
Maranhão.

Há vários tipos de Reservas Matemáticas. Confira-os a seguir:


1) Quanto à forma de o segurado pagar seus compromissos:
• Prêmio único: pagamento à vista.
• Prêmio periódico: pagamento em parcelas.
2) Quanto ao momento em que é calculada:
• Terminal: no fim do ano.
• Média: no meio do ano.
• Inicial: no início do ano.
3) Quanto ao atendimento do prêmio empregado pelo segurador:
• Prêmio único: pagamento à vista.
• Prêmio periódico: pagamento em parcelas.
• Prêmio inteiro ou puro: resultado matemático advindo da probabilidade, basean-
do-se a sua constituição no acúmulo de prêmios puros dos seguros.

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• Prêmio carregado: resultante do prêmio puro acrescido das despesas operacio-


nais, comissões, lucro, custo da apólice e custo do IOF (Imposto sobre Operações
Financeiras).

7. PRINCIPAIS MÉTODOS DE CÁLCULO DA RESERVA MATEMÁTICA


Para o cálculo das Reservas Matemáticas, são utilizados sete métodos principais. Vejamos,
a seguir, o conceito de cada um deles.

Método Prospectivo
O Método Prospectivo analisa o futuro, ou seja, para calcular a Reserva Matemática, faz-se
uma projeção, na qual o valor da reserva é a diferença entre o valor atual das obrigações futuras
da seguradora e o valor atual das obrigações futuras do segurado.
Oliveira (2008, p. 73), em outras palavras, diz que, por esse método, "[...] a Reserva Ma-
temática, de um seguro individual numa época qualquer, é a diferença entre o valor atual dos
compromissos parciais do segurador e o valor atual dos compromissos parciais do segurado, na
referida época, para o período até expiração do contrato do seguro e questão".

Reserva Matemática = A soma dos valores presentes das despesas futuras do segurador

subtraída da soma dos valores presentes das receitas futuras do segurador

Ou
Reserva Matemática = Valor atual das obrigações futuras da seguradora – Valor atual das
obrigações futuras do segurado

Representado pela seguinte fórmula matemática:


KV = Ak - Päk

Para entender como calcular a Reserva Matemática pelo Método Prospectivo, vamos, a
seguir, utilizar as informações de uma empresa de seguros fictícia.
Suponha que, em janeiro de 2008, você, como contador, se deparasse com as informações
esboçadas no Quadro 1, tendo de elaborar o Balanço Patrimonial. Qual seria o valor da Reserva
Matemática a ser estabelecido, adotando o Método Prospectivo para o cálculo?

Quadro 1 Informações das despesas e das receitas de uma empresa seguradora.


EVENTOS VALORES EM REAIS
Despesas financeiras do ano de 2007 3.000.000,00
Despesas financeiras projetadas para 2008 3.300.000,00
Despesas comerciais do ano de 2007 1.500.000,00
Despesas comerciais projetadas para 2008 1.650.000,00
Despesas administrativas do ano de 2007 750.000,00
Despesas administrativas projetadas para 2008 825.000,00
Prêmios de Seguros em 2007 6.000.000,00
Prêmios de Seguros projetados para 2008 6.600.000,00
Fonte: elaborado pelos autores.
128 © Atuária

Resolvendo:
• Reserva Matemática (Método Prospectivo) = Valor atual das obrigações futuras da se-
guradora - Valor atual das obrigações futuras do segurado.
• Reserva Matemática (Método Prospectivo) = 6.600.00 - (3.300.000 + 1.650.000 +
825.000).
• Reserva Matemática (Método Prospectivo) = 6.600.000 - 5.775.000.
• Reserva Matemática (Método Prospectivo) = 825.000.

Método Retrospectivo
Diferentemente do Método Prospectivo, o Método Retrospectivo analisa o passado. O
cálculo baseia-se no que já aconteceu; portanto, o valor da reserva é calculado por meio da di-
ferença entre o montante atuarial das obrigações passadas do segurado e o montante atuarial
das obrigações passadas da seguradora.

Reserva Matemática = Montante atuarial das obrigações passadas do segurado – Montante

Atuarialdas Obrigações passadas da Seguradora

Para entender como calcular a Reserva Matemática pelo Método Retrospectivo, a seguir,
vamos, novamente, utilizar as informações de uma empresa de seguros fictícia.
Suponha que, em janeiro de 2008, você, como contador, se deparasse com as mesmas
informações mostradas anteriormente, tendo de elaborar o Balanço Patrimonial. Qual seria o
valor da Reserva Matemática a ser estabelecido, porém, agora, adotando o Método Retrospec-
tivo para o cálculo?
Resolvendo:
• Reserva Matemática (Método Retrospectivo) = Montante atuarial das obrigações pas-
sadas do segurado - Montante atuarial das obrigações passadas da seguradora.
• Reserva Matemática (Método Retrospectivo) = 6.000.00 - (3.000.000 + 1.500.000 +
750.000).
• Reserva Matemática (Método Retrospectivo) = 6.000.00 - 5.250.000.
• Reserva Matemática (Método Retrospectivo) = 750.000.

Método Particular das Anuidades


O Método Particular das Anuidades é aplicado somente aos seguros mistos (dotais) a ca-
pital constante ou crescente, considerando que o prazo de pagamento dos prêmios seja igual ao
prazo do seguro ou ao plano de vida inteira a prêmio vitalício.

Método de Zilmer
O Método de Zilmer, por meio da constituição da reserva, tem como finalidade financiar a
colocação ou a produção do seguro. Isso para os primeiros anos de vigência do plano.

Método Terminal (ou de Inventário)


O Método Terminal, também denominado de Método do Inventário, garante, por meio do
cálculo da reserva, os encargos futuros da empresa seguradora, de acordo com os riscos assu-
midos e as despesas administrativas estabelecidas no contrato.

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© Reserva Matemática 129

Método Global (ou de Altenburger)


O Método Global, também chamado de Método de Altenburger, calcula a reserva terminal
pura por conjunto de apólices. Ademais, permite o grupamento de planos de seguros a fim de
calcular a reserva como se fosse um único plano.

Método de Recorrência Anual


O Método de Recorrência Anual consiste em determinar a reserva pela reserva anterior,
agregando-lhe a diferença entre a obrigação do segurado e da companhia no período compre-
endido, ou seja, os prêmios do ano menos os benefícios do ano.

8. TRATAMENTO CONTÁBIL DA RESERVA MATEMÁTICA


Contabilmente, a função da Reserva Matemática tem os mesmos princípios de uma provi-
são. Ela é formada pela seguradora para abater o resultado líquido do ano-base, visando aten-
der aos sinistros que irão ocorrer no ano seguinte e que poderão ser estornados no fim desse
ano-base pelo saldo monetário que não for utilizado.
As situações descritas anteriormente serão contabilizadas assim: no primeiro lançamento
contábil, constará a constituição dessa reserva; no segundo, constará o estorno não utilizado no
ano seguinte. Vejamos no Quadro 2:

Quadro 2 Lançamentos contábeis.


DATA DÉBITO CRÉDITO VALOR HISTÓRICO
Reserva de ___% do valor
31.12.2007 Resultado do Exercício Reserva Matemática R$xxx
das apólices sobre seguros.
Valor da reversão da
31.12.2008 Reserva Matemática Resultado do Exercício R$xxx reserva não utilizada em
2007.
Fonte: elaborado pelos autores.

9. RESGATE E SALDAMENTO DA RESERVA MATEMÁTICA


No mercado segurador, resgate é a liquidação de obrigação contratual, por parte da com-
panhia de seguros, para o segurado ou seu beneficiário. Souza (2002, p. 155) conceitua-o da
seguinte maneira: “[...] resgate é o direito que o segurado tem, no cancelamento da apólice,
sobre a reserva matemática constituída para o seu plano"
Complementando o conceito, o valor de resgate é a importância em dinheiro que o segu-
rado pode obter em consequência da rescisão do contrato de vida individual. Esse valor só está
disponível depois de ter a apólice vigorada por determinado período de tempo, devendo corres-
ponder a um percentual mínimo do valor da Provisão Matemática constituída.
O resgate, portanto, corresponde ao direito, por parte do segurado, sobre a Reserva Ma-
temática constituída para o plano de seguro estabelecido entre a seguradora e o segurado no
ato de cancelamento da apólice.
O direito ao resgate é reconhecido após a amortização dos custos de implantação do plano,
que, habitualmente, se dá após o terceiro ano. Para o valor a ser resgatado, toma-se por base de
cálculo do resgate a Reserva Matemática calculada pelo Método de Zilmer, ficando retida uma
parte da Reserva Matemática para custear a administração do resgate. Essa parte retida está em
função do tipo de plano, do prazo decorrido do seguro e do valor da Reserva Matemática.
130 © Atuária

Nem todo plano de seguro permite o resgate. Isso acontece porque o resgate consiste
na restituição ao segurado do montante acumulado na provisão constituída, e sua realização
depende do regime financeiro adotado no plano de seguro. No Regime Financeiro de Capitali-
zação, somente os seguros de vida com cobertura por sobrevivência são obrigados a oferecer
resgates. Contudo, no plano de pecúlio estruturado, no Regime Financeiro de Repartição Sim-
ples, se ocorrer a morte do participante durante o período de cobertura, após a carência de 12
meses, o plano não permitirá a concessão de resgate, saldamento ou devolução de quaisquer
contribuições pagas, uma vez que elas foram destinadas a custear o pagamento de benefícios
no período.
Caso o segurado queira resgatar os valores em decorrência de cobertura por sobrevivência,
há, nesse caso, a tributação do Imposto de Renda. Desde 1º de janeiro de 2002, os rendimentos
auferidos no resgate de valores acumulados em Provisões Técnicas referentes a coberturas por
sobrevivência de seguros de vida serão tributados de acordo com as alíquotas previstas na tabe-
la progressiva mensal e incluídos na declaração de ajuste do beneficiário. A base de cálculo do
imposto será a diferença positiva entre o valor resgatado e o somatório dos respectivos prêmios
pagos.
A Superintendência de Seguros Privados - SUSEP – tornou pública a Resolução nº 117, de
17 de dezembro de 2004, do Conselho Nacional de Seguros Privados - CNSP –, em seu Artigo 5º,
que definiu os conceitos transcritos a seguir:
Inciso XXXV, referente ao resgate: instituto que permite ao segurado, antes da ocorrência do sinistro, o
resgate de recursos da Provisão Matemática de Benefícios a Conceder.
Inciso XXXVII referente ao saldamento: direito à manutenção da cobertura com redução proporcional do
capital segurado contratado na eventualidade da interrupção definitiva do pagamento dos prêmios.

Entretanto, o que é saldamento?


Saldamento é a interrupção definitiva do pagamento das contribuições, mantendo-se
o direito à percepção proporcional do benefício originalmente contratado. No saldamento da
apólice, o segurado fica isento de pagar os prêmios que estão para vencer. São mantidas todas
as condições do seguro; todavia, o capital segurado fica ajustado em razão da reserva já consti-
tuída.

10. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


Sugerimos que você procure responder, discutir e comentar as questões a seguir que tra-
tam da temática desenvolvida nesta unidade, ou seja, das Reservas Técnicas e das Reservas
Matemáticas desenvolvidas pela Ciência Atuarial.
A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar seu desempenho.
Se você encontrar dificuldades em responder a essas questões, procure revisar os conteúdos
estudados para sanar as suas dúvidas. Esse é o momento ideal para que você faça uma revisão
desta unidade. Lembre-se de que, na Educação a Distância, a construção do conhecimento ocor-
re de forma cooperativa e colaborativa; compartilhe, portanto, as suas descobertas com os seus
colegas.
Confira, a seguir, as questões propostas para verificar o seu desempenho no estudo desta
unidade:
1) Qual é o método de cálculo de Reserva Matemática utilizado para o resgate? Expli-
que-o.
2) Diferencie Resgate de Saldamento de Reservas Matemáticas.
Centro Universitário Claretiano
© Reserva Matemática 131

11. CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade, apresentamos o conceito não apenas de Reserva Matemática, como tam-
bém de Reservas (ou Provisões) Técnicas, demonstrando a importância de ambas para a Conta-
bilidade. Além disso, apresentamos como os cálculos dessas reservas, as quais farão parte das
demonstrações contábeis, podem ser feitos.
É com essas informações que chegamos ao fim de mais uma unidade. Na Unidade 6, com-
preenderemos os procedimentos de auditoria aplicada à atuária.
Vamos lá?

12. E-REFERÊNCIAS

Sites pesquisados
BRASIL. Decreto da Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos. 1940. Decreto-Lei nº 2.063, de 1940. Regulamenta sob novos
moldes as operações de seguros privados e sua fiscalização. Brasília-DF, 7 mar. 1940. Disponível em: <https://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/decreto-lei/1937-1946/Del2063.htm#art193>. Acesso em: 5 ago. 2010.
______. Resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). SUSEP 2004. Resolução CNSP nº 120, de 2004. Aprova as
normas para constituição das provisões técnicas das sociedades seguradoras, entidades abertas de previdência complementar
e sociedades de capitalização. Rio de Janeiro-RJ, 24 dez. 2004. Disponível em: <http://www.susep.gov.br/textos/resol120.pdf>.
Acesso em: 10 set. 2010.

13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


OLIVEIRA, E. R. de. Previdência privada e seguro de vida: tópicos de matemática atuarial. Material de aula. Goiânia: Universidade
Católica de Goiás, 2008.
SOUZA, S. de. Seguros: contabilidade, atuária e auditoria. São Paulo: Saraiva, 2002.
VILANOVA, W. Matemática atuarial. São Paulo: Pioneira, 1969.
Resolução nº 117, de 17 de dezembro de 2004, do Conselho Nacional de Seguros Privados - CNSP. Disponóvel em: < http://www.
susep.gov.br/textos/resol117-04.pdf>. Acesso em: 8 ago. 2010.
EAD
Auditoria Atuarial

1. OBJETIVOS
• Conhecer a evolução histórica da auditoria em companhias seguradoras e de previdên-
cia e as normas e procedimentos legais de auditoria atuarial.
• Identificar e compreender a auditoria de seguros, seus procedimentos, suas especifici-
dades e riscos.
• Desenvolver o planejamento da auditoria de seguros a fim de definir o parecer atuarial
e os pareceres técnicos de auditores independentes.

2. CONTEÚDOS
• Auditoria em companhias seguradoras e de previdência no Brasil.
• Planejamento da auditoria de seguros.
• Procedimentos de auditoria e Nota Técnica Atuarial.
• Tipos e riscos de auditoria.
• Relatório de Avaliação e Parecer atuarial.
• Relatórios do Auditor Independente (modelos).

3. ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO DA UNIDADE


1) Analise novamente o Glossário para conhecer os principais conceitos relacionados a
esta unidade.
134 © Atuária

2) Verifique, no Esquema dos Conceitos-chave, como esses conceitos interligam-se aos


demais, vistos nas outras unidades.
3) Agora que você está na última unidade da disciplina Atuária, verifique se realmente
dominou a sequência de conhecimentos que foi apresentada desde a primeira unida-
de. Este fechamento só terá efetividade se você conseguiu fazer todas as relações dos
temas desde o começo desta disciplina.
4) Procure sempre trocar ideias com os seus colegas, aproveitando para testar seus co-
nhecimentos e ganhar novas visões sobre os temas estudados.

4. INTRODUÇÃO À UNIDADE
Nesta unidade, estudaremos a auditoria atuarial, inicialmente, pela abordagem histórica
da auditoria de seguros e, posteriormente, pela abordagem conceitual de auditoria atuarial em
empresas seguradoras e de previdência.
Nesse contexto, é importante que você conheça os diversos tipos de pareceres elaborados
pelos auditores independentes de companhias de seguros e previdência, inclusive os pareceres
atuariais, extraídos de exemplos reais publicados em jornais ou disponíveis nos sites dessas
empresas.
Veremos, também, que a auditoria atuarial destina-se, como o próprio nome diz, ao pla-
nejamento realizado pelo atuário, bem como aos procedimentos a serem utilizados por ele e
aos riscos específicos em uma auditoria.

5. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA AUDITORIA


A palavra auditoria origina-se do latim “auditus”, que, na antiguidade, queria dizer au-
dição (aquele que ouve). Atualmente, esse significado diverge do conceito de auditoria, uma
vez que designa parecer que examina os documentos das transações e a correta utilização dos
procedimentos fiscais e tributários, para comprovar a exatidão dos relatórios contábeis de uma
entidade, em um período.
Nos anos 112 e 117 d.C., foram localizados relatos rudimentares de práticas de auditoria,
realizadas nas províncias romanas. Na obra As Chaves da Ciência, consta que, em 977 d.C., já
eram feitas referências sobre as práticas de revisão, semelhantes às usadas tradicionalmente.
Na Idade Média, o cenário econômico era formado por empresas de pequeno porte, de
origem tipicamente familiar. A história registra as associações profissionais que executaram fun-
ções de auditoria, como, por exemplo: Conselhos Londrinos, no ano de 1310; Collegio dei Ra-
xonati de Veneza, em 1581; Tribunal de Contas de Paris, em 1640; Academia Dei Ragionieri de
Milão, em 1658.
Na Inglaterra, no século 18, o cenário da Revolução Industrial constituía-se pelo:
[...] surgimento de empresas de médio e pequeno porte; aumento da demanda de capital; acionistas;
problemas contábeis mais complexos; desenvolvimento e implantação de sistemas de controles inter-
nos, cuja finalidade era prevenção da ocorrência de erros e falhas (PEREIRA, 2005, p. 307).

Dessa forma,
[...] com o advento da Revolução Industrial, e o surgimento de grandes empresas, novas técnicas contá-
beis e de auditoria foram requeridas. Em 1845, o Railway Companies Consolidation Act, na Inglaterra,
passou a exigir o exame anual das demonstrações contábeis, por auditores (SOUZA, 2002, p. 168).

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© Auditoria Atuarial 135

Já em 1929, nos Estados Unidos, após a Depressão Econômica e graças à evolução do


sistema capitalista, houve um maciço investimento na área contábil e, como as demonstrações
contábeis eram significativas para os futuros investidores, estes passaram a exigir que essas
demonstrações fossem examinadas por um profissional independente, o auditor, que emite sua
opinião (parecer) sobre elas, demonstrando a utilidade da auditoria nas grandes corporações.
No Brasil, a auditoria teve início no século 20, tendo como cenário característico as empre-
sas familiares e filiais de empresas estrangeiras de grande porte, que realizavam sua auditoria
por meio dos auditores vindos de outros países, que tinham por objetivo o envio das informa-
ções das filiais para a respectiva matriz no exterior.
Vejamos, a seguir, um resumo da evolução histórica da auditoria no Brasil e suas regula-
mentações:
• Lei nº 4728, de 1965: criação do mercado de capitais.
• Resolução nº 220 do Banco Central do Brasil - Bacen, em 1972: criação das normas
gerais de auditoria.
• Resolução nº 317 do Conselho Federal de Contabilidade - CFC, em 1972: reconhecimen-
to do Instituto de Auditores Independentes do Brasil - IAIB, instituindo procedimentos
e normas de auditoria.
• Lei nº 6385, de 1976: regulamentação do mercado de valores mobiliários (ações) e
criação da Comissão de Valores Mobiliários - CVM.
• Lei nº 6404, de 1976 - regulamenta as empresas que operavam na Bolsa de Valores a te-
rem auditadas as demonstrações contábeis por auditores independentes, devidamente
registrados pela CVM.
• Resolução do Conselho Federal de Contabilidade - CFC nº 700, de 24 de abril de 1991:
aprovação das normas técnicas de auditoria independente das demonstrações contá-
beis, mediante a Norma Brasileira de Contabilidade - NBCT-11.
• Resolução CFC nº 701, de 24 de abril de 1991: aprovação das normas profissionais de
auditores independentes, mediante a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC P-1.
• Resolução CFC nº 820, de 17 de dezembro de 1997: procedeu a diversas alterações na
NBC T-11 e revogou a Resolução CFC nº 700/ 91.
• Resolução CFC nº 821, de 17 de dezembro de 1997: procedeu a diversas alterações na
NBC P-1 e revogou a Resolução CFC nº 701/ 91.
• Instrução nº 308, da CVM, em 14 de maio de 1999: regulamentação e definição das
normas de auditoria independente no âmbito das empresas Sociedades Anônimas que
operam no mercado de valores mobiliários.
• Resolução CFC nº 953, de 24 de janeiro de 2003: procedeu a apenas alterações do mo-
delo de parecer da NBC T-11, no item 3.2.3 em especial.
• Resolução CFC nº 965, de 16 de maio de 2003: aprovação do trabalho de revisão que
alterou a NBC P-1.
Contudo, vale ressaltar que a profissionalização da auditoria se deu com a criação das
normas de auditoria pelo Ibracon, entidade que edita, atualmente, as normas de auditoria em
conjunto com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com o Conselho Federal de Contabili-
dade (CFC) e com a Superintendência de Seguros Privados (Susep).
136 © Atuária

6. AUDITORIA ATUARIAL
No Brasil, não existem, ainda, normas de auditoria atuarial desenvolvidas. Atualmente,
sua prática concentra-se nas entidades de previdência privada.
O atuário emite sua opinião quanto às premissas utilizadas na elaboração dos cálculos, das
provisões técnicas e das reservas matemáticas dos seguros. A auditoria atuarial é responsável
pela emissão de um parecer próprio, tendo por base a opinião técnica do profissional atuário.
Para Souza (2002, p. 169), a auditoria atuarial está dividida em quatro etapas básicas:
1ª etapa – Avaliação das hipóteses atuariais, isto é, a verificação do equilíbrio do plano (do seguro)
e da entidade (seguradora) com a manutenção das hipóteses atuariais, que podem ser econômicas
(abrangem taxas de juros, crescimento salarial e reajuste de benefícios) ou biométricas (incluem so-
brevivência / mortalidade, entrada em invalidez, mortalidade de inválidos, rotatividade e novas entra-
das). (g.n.)
2ª etapa – Auditoria sobre a utilização dos ativos: nesta etapa ocorre a análise da qualidade dos ativos.
3ª etapa – Avaliação dos métodos atuariais: é a verificação da adequação da metodologia utilizada para
cálculo do custeio do plano e da constituição da reserva.
4ª etapa – Auditoria das reservas, isto é, a verificação da adequação da apropriação das reservas cons-
tituídas.

Conforme observamos no estudo da Unidade 2, sobre a contabilidade de seguros, entre


as demonstrações contábeis obrigatórias a serem elaboradas e publicadas em jornal, estão: o
Balanço Patrimonial (BP), a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), a Demonstração das
Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), a Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC) e as Notas
Explicativas (NE) da companhia seguradora auditada.
Contudo, para Lourenço (2007, p. 234), as peças contábeis devem ser complementadas
pelo:
• Relatório da Diretoria: trazendo informações de caráter não financeiro: dados e indicadores esta-
tísticos, expectativas em relação ao futuro, projetos de expansão, desempenho da empresa em
relação aos concorrentes, políticas de recursos humanos, política de exportação.
• Parecer do Conselho Fiscal: confirmam informações já evidenciadas nas notas explicativas; trazem
maior segurança aos usuários das demonstrações contábeis.
• Parecer do Auditor Independente: opinião do auditor (Pessoa Física) ou de empresa de auditoria
(Pessoa Jurídica), "expressando um exame nas demonstrações contábeis, informando a situação
patrimonial e a posição financeira na data do exame, se há uniformidade em relação ao último exer-
cício e se estão de acordo com os princípios de auditoria".

A auditoria analisará essas demonstrações baseando-se no conjunto de procedimentos


fundamentais, que visam à emissão do parecer técnico sobre elas, nos termos explicitados nos
princípios, nas normas brasileiras de contabilidade e nas instruções normativas dos órgãos dis-
ciplinadores citados no item anterior (Ibracon, CFC, CVM, Bacen e Susep).
Para o CFC (2003, p. 131), a norma técnica de Auditoria denominada NBC-T 11, aprovada
pela Resolução CFC nº 820, de 17 de dezembro de 1997, publicada no Diário Oficial da União do
dia 21 de janeiro de 1998, relativamente aos itens 1.1.2 e 1.1.3, assim disciplina:
• Salvo declaração expressa em contrário, constante do parecer, entende-se que o auditor considera
adequadas e suficientes, para o entendimento dos usuários, as informações divulgadas nas demons-
trações contábeis, tanto em termos de conteúdo quanto de forma.
• O parecer do auditor independente tem por limite os próprios objetivos da auditoria das demons-
trações contábeis e não representa, pois, garantia de viabilidade futura da entidade ou algum tipo
de atestado de eficácia da administração na gestão dos negócios.

Os trabalhos desenvolvidos pela auditoria trazem inúmeras vantagens para:

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© Auditoria Atuarial 137

• Os administradores da empresa: uma vez que a auditoria fiscaliza a eficiência dos con-
troles internos, reduzindo as falhas, negligências, incapacidades e desonestidade de
empregados e diretores. Assegura, também, a correção dos registros contábeis e con-
trole dos bens, além de dificultar os desvios patrimoniais e os pagamentos indevidos,
contribuindo para a obtenção de informações reais sobre a companhia.
• Os investidores: por que contribui para a maior exatidão dos relatórios e dos resultados
obtidos no período e, ainda, possibilita informações sobre a real situação da empresa
da qual possuem ações.
• Os órgãos fiscalizadores: pois permite maior exatidão dos relatórios e dos resultados
apurados e contribui para maior observância das leis fiscais e sociais.

7. PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA
A partir da contratação do serviço, o auditor deverá obter da empresa a ser auditada a Car-
ta de Responsabilidade da Administração confirmando as informações, os dados fornecidos ao
auditor e a apresentação e divulgação das demonstrações contábeis submetidas à auditoria.
O auditor independente deverá manter fiel observância ao Código de Ética e às normas
profissionais criadas pelo CFC (2003, p. 76 e 78), em especial a NBC P1, aos itens a seguir:
• 1.1.3: Antes de aceitar o trabalho, o auditor deverá obter conhecimento preliminar da atividade da
empresa a ser auditada, mediante avaliação junto à administração, da estrutura organizacional, da
complexidade das operações, e do grau de exigência requerido [...]
• 1.4.1: O auditor deve estabelecer e documentar seus honorários mediante avaliação dos serviços,
considerando [...]: a) a relevância, o vulto, a complexidade do serviço e o custo do serviço a executar,
b) o número de horas estimadas para a realização dos serviços; c) a peculiaridade de tratar-se de
cliente eventual, habitual ou permanente; d) a qualificação técnica dos profissionais que irão par-
ticipar da execução dos serviços; e) o lugar em que os serviços serão prestados, fixando [...], como
serão cobrados os custos de viagens e estadas.
• 1.4.2: Os honorários deverão constar de carta-proposta ou documento equivalente, elaborados an-
tes do início da execução do trabalho, que também contenha: a) a descrição dos serviços a serem
realizados, inclusive referências às leis e regulamentos aplicáveis ao caso; b) que o trabalho será efe-
tuado segundo as Normas de Auditoria Independente das Demonstrações Contábeis e as presentes
normas; c) o prazo estimado para realização dos serviços; d) os relatórios a serem emitidos; e) as
condições de pagamento dos honorários.

Os trabalhos de auditoria podem ser aplicados no âmbito interno e externo. O auditor


interno é funcionário da entidade auditada, examina os controles operacionais para promover
melhorias, efetua recomendações internas aos superiores, o trabalho é contínuo e permanen-
te.
O auditor externo é um profissional independente e visa identificar transações relevan-
tes que afetam as demonstrações contábeis, emitindo um parecer a ser divulgado com elas.
A intensidade do trabalho de auditoria externa se dá por testes de amostragem e é realizado
periodicamente, devendo ser adequadamente planejado a fim de prever a natureza, a extensão
e a profundidade dos procedimentos nele empregados.
O CFC disciplinou as normas de auditoria externa na NBC T 11, item 1.2.1 (2003, p. 131):
Os procedimentos de auditoria são o conjunto de técnicas que permitem ao auditor obter evidências
ou provas suficientes e adequadas para fundamentar sua opinião sobre as demonstrações contábeis
auditadas e abrangem testes de observância e testes substantivos.

O detalhamento dos procedimentos básicos a serem adotados permite que o auditor


identifique problemas contábeis nas demonstrações financeiras. Os testes de observância tam-
138 © Atuária

bém permitem alcançar razoável segurança quanto à existência, efetividade e continuidade dos
controles internos utilizados pela auditada e, se estão sendo cumpridos e se estão em funcio-
namento.
Já os testes substantivos visam obter evidências quanto à suficiência, exatidão e validade
dos dados produzidos pelo sistema contábil. Ao aplicá-los, o auditor poderá concluir sobre:
• A existência: identifica se o componente patrimonial existe em certa data.
• Os direitos e obrigações: comprova efetivamente a existência dos direitos e obrigações
em certa data.
• A ocorrência: verifica se a transação de fato ocorreu.
• A abrangência: identifica se todas as transações estão registradas.
• A mensuração, apresentação e divulgação: comprova se os itens estão avaliados, di-
vulgados, classificados e descritos segundo os Princípios e as Normas Brasileiras de
contabilidade.
Na combinação dos testes de observância e dos testes substantivos empregados pelo au-
ditor, o equilíbrio será atingido mediante os seguintes aspectos:
• Se os controles internos forem fracos, favorecerão os testes substantivos mais extensos
e aumentarão o tamanho da amostragem de todos os testes.
• Se os controles internos forem fortes, favorecerão os testes de aderência e os testes
substantivos analíticos como a conciliação, a análise de contas, o fluxo das transações
e a carta de circularização.
Na aplicação dos testes de observância e substantivos, o auditor facilitará sua conclusão fi-
nal se utilizar os procedimentos de inspecionar, observar, investigar, confirmar, calcular e revisar
os dados e documentos. Vejamos, a seguir, os conceitos de cada uma das técnicas:
• Inspeção: é a comprovação física e a contagem, verificando in loco o exame de registros
contábeis, os documentos e a existência real de ativos tangíveis (ativo material ou cor-
póreo) dentro ou fora da empresa auditada pelo seu rastreamento na escrituração.
• Observação: consiste em acompanhar os procedimentos quanto forem executados,
como, por exemplo, observar e acompanhar o inventário; identificar a existência de
mercadorias estragadas ou obsoletas; observar o manuseio do dinheiro (evitando rou-
bos); identificar a ineficiência do controle.
• Investigação: consiste na formulação de perguntas, para a obtenção de informações
adquiridas das pessoas ou das entidades envolvidas nas transações, dentro ou fora da
entidade.
• Confirmação: obtenção formal das informações provindas de fontes externas, median-
te a circularização, para oferecer ao auditor maior grau de confiança dos valores do que
a verificação efetuada na própria companhia auditada.
• Cálculos: compreendem a conferência da exatidão aritmética de documentos compro-
batórios das operações, assim como as efetividades dos registros e das demonstrações
contábeis.
• Revisão analítica: verificação do comportamento de valores significativos, mediante
índices, quocientes, quantidades absolutas, visando à identificação de situações atípi-
cas.

Centro Universitário Claretiano


© Auditoria Atuarial 139

Segundo o Conselho Federal de Contabilidade (2003, p. 140), no item 2.6.5 da NBC T 11:
Na aplicação dos procedimentos de revisão analítica, o auditor deve considerar o objetivo dos procedi-
mentos e o grau de confiabilidade dos resultados alcançáveis; a natureza da entidade e o conhecimento
adquirido nas auditorias anteriores; e a disponibilidade de informações, sua relevância, confiabilidade
e comparabilidade.

O item 2.6.6 da citada norma do Conselho Federal de Contabilidade (2003, p. 140) assim
esclarece: "Se o auditor, durante a revisão analítica, não obtiver informações objetivas suficien-
tes para dirimir as questões suscitadas, deve efetuar verificações adicionais, aplicando novos
procedimentos de auditora, até alcançar conclusões satisfatórias".
Sempre que o valor envolvido for relevante para a posição patrimonial e financeira e ao
resultado das operações, o auditor deve confirmar os valores a receber e a pagar, acompanhar o
inventário físico executando testes de contagem física e os procedimentos complementares.

8. TIPOS E RISCOS DE AUDITORIA


Segundo a NBC T 11.3 (Resolução CFC nº 820/97) e a Interpretação Técnica IT 05 (Resolu-
ção CFC nº 830, de 16 de dezembro de 1998), o parecer do auditor externo pode ser classificado
em quatro tipos: parecer sem ressalva, parecer com ressalva, parecer adverso e parecer com
abstenção de opinião.
No parecer sem ressalva, o auditor emitirá um parecer limpo sempre que os relatórios
contábeis forem preparados segundo os princípios fundamentais de contabilidade e o exame
efetuado conforme as normas de auditoria, com apropriada divulgação de todos os assuntos
relevantes, apresentando adequadamente a situação patrimonial e financeira da empresa.
Já no parecer com ressalva, o auditor descreve, utilizando no 3º parágrafo do parecer as
expressões exceto por, exceto quanto ou com exceção de, que se referem aos efeitos do assun-
to que são objeto da ressalva. Por exemplo: em caso de discordância com a administração da
entidade a respeito do conteúdo ou a forma de aplicação das práticas contábeis.
No parecer adverso, o auditor emitirá o parecer quando as demonstrações contábeis não
espelharem fidedignamente a posição patrimonial e financeira da empresa, ou seja, quando o
auditor possuir informações suficientes para formar a opinião de que as demonstrações contá-
beis não estão adequadas, ele descreverá os motivos e a natureza dessas divergências.
E, por fim, no parecer com abstenção de opinião, o parecer deverá ser emitido sempre
que o auditor não reunir elementos de convicção que lhe permitam fundamentar um juízo sobre
as demonstrações contábeis da empresa tomadas em conjunto. O auditor, portanto, deixará de
emitir opinião sobre sua situação patrimonial e financeira por não ter obtido comprovação sufi-
ciente. Esse tipo de parecer poderá ocorrer nas situações descritas a seguir:
• Por limitação na extensão: o parecer será emitido em razão de limite no escopo do
exame, ou seja, quando o auditor não consegue aplicar os procedimentos usuais de
auditoria, ficando limitado na extensão de seu trabalho, no sentido de constatar a ver-
dade dos fatos. Normalmente, relaciona-se com: a falta de confirmação de dinheiro
depositado na conta; a falta de confirmação de contas a receber; a falta de observação
de inventários físicos de estoques; a falta de comprovação do patrimônio líquido de
sociedade controlada.
• Por incertezas: em decorrência de incertezas relevantes, o auditor deve expressar, no
parágrafo de opinião (ou adicionar após, um parágrafo de ênfase), que, pela relevância
intermediários específicos, não está em condições de emitir opinião
140 © Atuária
sobre as demonstrações contábeis. Isso não elimina a responsabilidade
do auditor de mencionar, em seu parecer, qualquer desvio relevante que
das incertezas descritas em
possa influenciar a parágrafos
decisão dosintermediários específicos, não
usuários, descrevendo está em condi-
a natureza e o
ções de emitir opinião sobre as demonstrações contábeis. Isso não elimina a responsa-
efeito da incerteza.
bilidade do auditor de mencionar, em seu parecer, qualquer desvio relevante que possa
influenciar a decisão dos usuários, descrevendo a natureza e o efeito da incerteza.
Nos termos da norma NBC T 11, item 3.2.3 – Resolução CFC nº 820, de 1997, que
Nos termos da norma NBC T 11, item 3.2.3 - Resolução CFC nº 820, de 1997, que foi alte-
foi alterada
rada pela Resolução
pela Resolução CFC nº 953,CFC nº 953,
de 2003, de 2003, transcrevemos,
transcrevemos, a seguir,
a seguir, o modelo padrão odemodelo
parecer
padrão de parecer sem ressalva
sem ressalva (CFC, 2003, p. 148): (CFC, 2003, p. 148):

 PARECER DOS AUDITORES INDEPENDENTES

Aos Acionistas e Administradores da
 (Destinatário): EMPRESA ABC
 Local – UF

(1) Examinamos os balanços patrimoniais da Empresa ABC, levantados em 31 de dezembro de 20X6 e de
 20X5, e as respectivas demonstrações do resultado, das mutações do patrimônio líquido e das origens
 e aplicações de recursos correspondentes aos exercícios findos naquelas datas, elaborados sob a
responsabilidade de sua administração. Nossa responsabilidade é a de expressar uma opinião sobre
 essas demonstrações contábeis.
 (2) Nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas de auditoria e compreenderam: (a) o
planejamento dos trabalhos, considerando a relevância dos saldos; o volume de transações; o sistema
 contábil e dos controles internos da entidade; (b) a constatação, com base em testes, das evidências e
dos registros que suportam os valores e as informações contábeis divulgados; e (c) a avaliação das
 práticas e das estimativas contábeis mais representativas adotadas pela administração da entidade,
 bem como da apresentação das demonstrações contábeis tomadas em conjunto.

(3) todos
Em nossa opinião, as demonstrações contábeis acima referidas representam adequadamente, em
os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da Empresa ABC, em 31 de dezembro
 de 20X6 e de 20X5, o resultado de suas operações, as mutações de seu patrimônio líquido e as origens
e aplicações de recursos (fluxo de caixa, não mais aplicações de recursos: Lei 11.638/2007) referentes
 aos exercícios findos naquelas datas, de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil.

Local e data
Assinatura (nome do Auditor-responsável técnico)
Contador – (número de registro no CRC):

(nome da empresa de auditoria):
(número de registro cadastral no CRC)


Em relação ao modelo padrão descrito anteriormente, observamos que, no primeiro pa-


rágrafo do parecer (introdutório), o auditor identifica a empresa, as demonstrações contábeis
auditadas e o período a que essas demonstrações se referem. Nele se faz, ainda, a segregação
de responsabilidades tanto da administração da empresa, como dos auditores independentes.
No segundo parágrafo (parágrafo de extensão), o auditor declara que os exames foram
conduzidos conforme as normas de auditoria. Esse parágrafo resume o conteúdo do trabalho
feito e, ao mesmo tempo, mostra os padrões pelos quais o auditor fundamentou sua opinião.
Já no terceiro parágrafo do parecer, é apresentada a opinião do auditor sobre a fidedigni-
dade das demonstrações contábeis identificadas em seu parágrafo introdutório. Deve ser nota-

Centro Universitário Claretiano


© Auditoria Atuarial 141

do que a expressão mais relevante do trabalho de auditoria reside nesse terceiro parágrafo, por
ser a opinião do auditor.
Os riscos de auditoria estão previstos na NBC T 11 - item 2.3.1, e, de acordo com o CFC,
são conceituados como, “[...] a possibilidade de o auditor vir a emitir uma opinião tecnicamente
inadequada sobre demonstrações contábeis significativamente incorretas” (2003, p. 134).
Essas opiniões inadequadas, geralmente, ocorrem sempre que o auditor, por desconhe-
cimento, deixar de modificar apropriadamente sua opinião sobre as demonstrações contábeis
materialmente incorretas, pelo efeito de erros ou irregularidades existentes, não detectados por
seu exame, devendo ser avaliado o efeito das distorções sobre o saldo das contas.
A análise dos riscos de auditoria deve ser realizada na fase de planejamento dos traba-
lhos, considerando a relevância em dois níveis: em nível geral, que considera o conjunto das
demonstrações contábeis, bem como os negócios, a qualidade da administração, a avaliação do
sistema contábil e de controles internos e a situação econômica e financeira da entidade; e, em
níveis específicos, relativos ao saldo das contas ou à natureza dessas contas e ao volume das
transações.
Quando o auditor define a extensão de seu teste e o objetivo que quer atingir, determina
qual o risco envolvido em seu trabalho, que pode ser medido em termos de relevância ou de
relatividade. Por risco de relevância, entende-se o item mais relevante de um fato, enquanto a
relatividade é o item de maior ou menor risco que se pode incorrer devido à deficiência ou à
imaterialidade em relação ao objetivo do exame.
A relevância e a relatividade são exemplificadas da seguinte forma: supondo o valor do
Ativo total da empresa de R$100.000,00, tendo R$10.000,00 de disponibilidades, R$60.000,00
de estoques e R$30.000,00 de imobilizado, então a relevância está nos estoques, que represen-
ta 60% do total, enquanto a relatividade está nas disponibilidades, com apenas 10% do total.
Para Souza (2002), a IFAC - Federação Internacional de Contadores, entidade não governa-
mental criada em 1977 e que publica normas internacionais de auditoria, classifica os riscos de
auditoria em inerentes, de controle e de detecção, a seguir resumidos:
• O risco inerente consiste na suscetibilidade de erro material no saldo de uma conta por
inexistência ou inadequação dos controles internos. Por exemplo, o numerário é mais
suscetível de roubo do que sucata (inerente à conta); o avanço tecnológico poderá tor-
nar um produto obsoleto (risco externo); a insuficiência de recursos para continuar as
atividades (inerente à empresa).
• O risco de controle representa o erro material no saldo de uma conta, que não será
evitado em tempo pelos controles internos; existe independentemente da auditoria. O
nível desse risco é uma função da efetividade dos controles internos para atingir seus
amplos objetivos.
• O risco de detecção ou não detecção é uma função da eficácia dos procedimentos
selecionados pelo auditor e da maneira pela qual eles são executados, podendo ser
modificados à sua vontade. Ele resulta das incertezas decorrentes do sistema de testes
quando não são examinadas todas as parcelas que compõem o saldo da conta, e em
parte devido a outras incertezas que persistiriam mesmo se o exame abrangesse a to-
talidade das transações.
Portanto, os exames devem ser planejados para limitar o risco de auditoria para que, no
seu julgamento profissional, o auditor seja o mínimo apropriado para expressar sua opinião sem
ressalva, sobre as demonstrações contábeis da empresa auditada.
142 © Atuária

Se o auditor concluir que há evidências de riscos na continuidade normal das atividades da


entidade, deverá avaliar os possíveis efeitos nas demonstrações quanto à realização dos ativos
e mencionar em parágrafo de ênfase os efeitos de tal situação.
Para determinar o risco da auditoria, o auditor deve avaliar o ambiente de controle da
entidade, compreendendo a função e o envolvimento dos administradores nas atividades da
entidade; a estrutura organizacional e os métodos de administração adotados, quanto a limites
de autoridade e responsabilidade; as políticas de pessoal e segregação de funções; a fixação
de normas para inventário; o acesso aos sistemas de informação computadorizada, bem como
acesso a arquivos de dados e a possibilidade de inclusão ou exclusão de dados.
Para Souza (2002), os riscos envolvidos no processo de auditoria são assim classificados:
• Risco profissional do auditor: risco de ver seu nome associado de forma indesejada a
uma empresa auditada por ele, tendo emitido parecer sem ressalva e que faliu no ano
seguinte ou foi alvo de escândalos por sonegação fiscal, apropriações indevidas e erros
no balanço.
• Risco de não atendimento das expectativas do cliente: risco relativo aos trabalhos de-
senvolvidos pelo auditor estarem abaixo do que o cliente que o contratou esperava.
• Risco do trabalho de auditoria em si: se o auditor expressar uma opinião imprópria
sobre as demonstrações auditadas; deixar de emitir um parecer com ressalvas sobre
relatórios que tenham erros materiais ou distorcidos da real posição patrimonial e fi-
nanceira da entidade.
Uma parcela significativa dos trabalhos de auditoria é realizada na aplicação de testes de
amostragem, que compreendem o exame de uma parte dos registros, documentos e controles,
considerada suficiente para que o auditor possa aplicar os procedimentos usuais e avaliar os
resultados, checando se a quantidade e a qualidade dos testes foi suficiente e apropriada. A
amostra selecionada pelo auditor deve ter uma relação direta com o volume das transações.
Na determinação da amostra, o auditor irá considerar estes fatores: o tamanho objeto da
amostra, a estratificação da amostra, o risco da amostragem, o erro tolerável e o erro espera-
do.
Na seleção da amostra, o auditor procurará definir se sua seleção será aleatória (ou não
estatística), sistemática ou casual. Essa seleção ficará a critério do auditor, com base em sua
experiência profissional.
O auditor, no planejamento de seu trabalho, deverá detectar fraudes e erros que impli-
quem resultados relevantes para as demonstrações contábeis.
Esclarecemos que, pela NBC T 11, fraude é o ato intencional de omissão ou manipula-
ção de transações, adulteração de documentos, registros e demonstrações contábeis, com a
finalidade de alterar ou falsificar propositalmente os registros de ativos, passivos e resultados,
apropriação indébita de ativos, omissão no registro de transações relevantes ou, ainda, registros
sem comprovação.
Já o erro em auditoria refere-se ao ato não intencional na elaboração de registros e de-
monstrações contábeis que resultem na omissão, incorreção em erros aritméticos na escritura-
ção contábil, aplicação incorreta das normas contábeis, desatenção ou interpretação errada de
fatos que foram objeto das variações patrimoniais.
Portanto, se o auditor detectar erros ou fraudes no decorrer dos trabalhos, será obrigado
a comunicá-los à administração da entidade e sugerir medidas corretivas, informando sobre os
possíveis efeitos em seu parecer, se elas não forem adotadas.

Centro Universitário Claretiano


© Auditoria Atuarial 143

Entretanto, se o auditor praticar qualquer ato lesivo aos direitos do cliente, ficará em situ-
ação irregular no exercício de sua profissão e, portanto, susceptível de denúncia e penalidades
que podem ir desde uma simples multa até uma cassação do Conselho Regional de Contabilida-
de – CRC e a suspensão dos direitos profissionais.

9. RELATÓRIOS DO AUDITOR INDEPENDENTE


O trabalho do auditor inicia-se com a carta-proposta ou contrato de prestação de serviços
e, posteriormente, obtém a carta de responsabilidade da administração, conforme apresentado
no Modelo 1:

Modelo 1 Carta de Responsabilidade da Administração.


 São Bernardo do Campo, 10 de março de 2007

 À


 CAMPO BELO – AUDITORES INDEPENDENTES

Av.S.João, 280 – 5º andar conj. 58 – São Paulo/ SP

 Prezados Senhores:



REF: Carta de Responsabilidade da Administração da Companhia Seguradora ABC, referente às Demonstrações
 Contábeis levantadas em 31 de dezembro de 2006 e de 2005.


 A presente refere-se aos exames procedidos por V.Sas. nas demonstrações contábeis de nossa
 entidade relativas aos exercícios referenciados e está sendo emitida em atendimento às exigências das Normas
 de Auditoria Independente, aprovadas pelo CFC.

 Nesse sentido, confirmamos a V.Sas. as seguintes informações: a) O sistema contábil e de controles
 internos adotados pela entidade no período são de nossa responsabilidade, sendo adequados ao tipo de


atividade e volume de transações que tem nossa entidade; b) Confirmamos que todas as transações contábeis
 efetuadas no período foram devidamente registradas de acordo com a legislação vigente; c) A entidade tem
 cumprido todas as disposições de seis contratos que poderiam, em caso de descumprimento, ter um efeito


relevante sobre as demonstrações contábeis; d) Que todos os livros e documentos foram colocados à sua
 disposição; e) Não existem irregularidades pendentes, nem ônus, que possam ter efeito significativo sobre os
 relatórios contábeis.


 Atenciosamente,


 Diretor-Presidente:__________________ José dos Reis – p/ Cia.Seguradora ABC (assinatura)
 Contador:__________________________ Justus Certim – CRC nº 171011 / 0-7 (assinatura)

Após cuidadoso planejamento dos procedimentos, o auditor irá documentar, por meio
dos chamados papéis de trabalho, o que foi retratado em todos os elementos relevantes dos
exames realizados e que dão suporte aos relatórios de auditoria, terminando com a entrega do
parecer, que é o último ato de execução assumido pelo auditor, cujo produto final requereu zelo
e responsabilidade técnico-profissional. O parecer é dirigido aos acionistas, cotistas ou sócios,
ao conselho de administração ou à diretoria da entidade (contratante dos serviços de audito-
ria).
Os modelos de parecer de auditoria, a seguir, trazem variações a partir do Modelo 2:
144 © Atuária



Modelo 2 Parecer dos auditores independentes – parecer sem ressalva

 Aos Acionistas e Administradores da
Aos Acionistas e Administradores da
 COMPANHIA SEGURADORA ABC
São
COMPANHIA SEGURADORA ABC
Bernardo do Campo – SP
 São Bernardo do Campo – SP

(1) Examinamos os balanços patrimoniais da COMPANHIA SEGURADORA ABC, levantados em 31 de
(1)
dezembroExaminamos
 de 2006 os e debalanços
2005, e patrimoniais
as respectivasda COMPANHIA do
demonstrações SEGURADORA ABC,
resultado, das levantados
mutações em 31 de
do patrimônio
dezembro de 2006 e de 2005, e as respectivas demonstrações do resultado, das mutações
líquido e das origens e aplicações de recursos correspondentes aos exercícios findos naquelas datas, do patrimônio
líquido e das
elaborados soborigens e aplicaçõesdedesua
a responsabilidade recursos correspondentes
administração. aos exercícios findos
Nossa responsabilidade é a de naquelas
expressardatas,
uma

elaborados sob a responsabilidade
opinião sobre essas demonstrações contábeis. de sua administração. Nossa responsabilidade é a de expressar uma
opinião sobre essas demonstrações contábeis.
 exames foram conduzidos de acordo com as normas de auditoria e compreenderam: (a) o
(2) Nossos
(2) Nossos exames foram conduzidos de aacordo com dosas normas
saldos, de auditoria
deetransações
compreenderam: (a) o

planejamento dos trabalhos, considerando relevância o volume e o sistema
contábil  e de controles
planejamento dos trabalhos,
internosconsiderando
da entidade;a(b) relevância dos saldos,
a constatação, o volume
com base de transações
em testes, e o sistema
das evidências e dos
contábil
registros e de controles internos da entidade; (b) a constatação, com base em testes,
 que suportam os valores e as informações contábeis divulgados; (c) a avaliação das práticas das evidências e dos
e

estimativas contábeis mais representativas adotadas pela administração da entidade, bem como dae
registros que suportam os valores e as informações contábeis divulgados; (c) a avaliação das práticas

estimativas
apresentação contábeis mais representativas
das demonstrações tomadas em adotadas
conjunto. pela administração da entidade, bem como da

apresentação das demonstrações tomadas em conjunto.
(3) Em  nossa opinião, as demonstrações contábeis acima referidas representam adequadamente, em
(3) Em
todos nossa opinião,
os aspectos as demonstrações
relevantes, contábeise financeira
a posição patrimonial acima referidas representam
da COMPANHIA adequadamente,
SEGURADORA em
ABC, em
todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da COMPANHIA
31 de dezembro de 2006 e de 2005, o resultado de suas operações, as mutações de seu patrimônio SEGURADORA ABC, em
líquido e as origens e aplicações de recursos referentes aos exercícios findos naquelas datas, de acordo
31 de dezembro de 2006 e de 2005, o resultado de suas operações, as mutações de seu patrimônio
com aspráticas
líquido e as origens e aplicações
contábeis adotadasde norecursos
Brasil. referentes aos exercícios findos naquelas datas, de acordo
com aspráticas contábeis adotadas no Brasil.


São Bernardo do Campo, 10 de março de 2007
São Bernardo
 do Campo, 10 de março de 2007
Assinatura (nome do Auditor-responsável técnico): ARLINDO DO CAMPO

Assinatura (nome do Auditor-responsável técnico): ARLINDO DO CAMPO


Contador – (número de registro): CRC nº 075618/0 SP.

Contador – (número de registro): CRC nº 075618/0 SP.
 (nome da empresa de auditoria): CAMPO BELO Auditores I.ndependentes.

(nome da empresa de auditoria): CAMPO BELO Auditores I.ndependentes.
 (número de registro cadastral): CRC nº 2 SP 022999/0-6
 (número de registro cadastral):

CRC nº 2 SP 022999/0-6
 

Modelo 3 - Parecer com ressalva: por práticas contábeis inadequadas

 Aos Acionistas e Administradores da


 Aos Acionistas e Administradores da
 COMPANHIA SEGURADORA ABC
COMPANHIA SEGURADORA ABC
São Bernardo do Campo – SP
 São Bernardo do Campo – SP

(1) redação
 normal (ver modelo 2)
(1) redação
 normal (ver modelo 2)
(2) redação normal (ver modelo 2)
(2) redação normal (ver modelo 2)
(3) No exercício findo em 31 de dezembro de 2006, a entidade deixou de contabilizar a depreciação
No exercício findo
(3) correspondente em 31
ao Ativo de dezembro
Imobilizado. de 2006, a desse
Em decorrência entidade deixou de contabilizar a depreciação
procedimento,

correspondente ao Ativo Imobilizado. Em decorrência desse procedimento,
 o imobilizado está registrado a maior em R$ ... e por conseqüência, o patrimônio líquido e o
o do
imobilizado está registrado a maior em deR$ ... eestão
por conseqüência,
a maior em R$o...patrimônio líquido e o

resultado exercício findo em 31 de dezembro 2006
(4) Em nossa opinião, exceto quanto aos efeitos da não-contabilização de depreciação descritos no
resultado do exercício findo em 31 de dezembro de 2006 estão a maior em R$ ...
 nossa opinião,
(4) parágrafo
Em 3º, as exceto quanto aos contábeis
demonstrações efeitos da não-contabilização de depreciação
referidas no parágrafo descritos no
1º representam

parágrafo 3º, as demonstrações contábeis referidas
adequadamente...de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil.no parágrafo 1º representam
adequadamente...de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil.
Local e data
Local e data

____________________________________ (assinatura do Auditor)


____________________________________ (assinatura do Auditor)
Contador: ARLINDO DO CAMPO – registro CRC nº 075618/0 SP
Contador: ARLINDO DO CAMPO – registro CRC nº 075618/0 SP
CAMPO BELO Auditores Independentes – CRC nº 2 SP 022999/0-6
CAMPO BELO Auditores Independentes – CRC nº 2 SP 022999/0-6


Centro Universitário Claretiano
© Auditoria Atuarial 145

Modelo 4 – Parecer com ressalva: primeira auditoria de uma entidade



Aos Acionistas e Administradores da SEGURADORA CONTINENTAL S/A *espaço reduzido
Aos Acionistas e Administradores da SEGURADORA  e asCONTINENTAL S/A *espaço reduzido
(1) Examinamos... levantado em 31 de dezembro de 2006  respectivas ...(igual mod. 2)
(1) Examinamos... levantado em 31 de dezembro de 2006 e as respectivas ...(igual mod. 2)
(2) Exceto pelo mencionado no § 3º, nosso exame foi ...  ...
(restante da redação igual mod. 2)
(3) Não examinamos, nem foram examinadas por outros auditores independentes, as demonstrações do
(2) Exceto pelo mencionado no § 3º, nosso exame foi (restante da redação igual mod. 2)
(3) Não examinamos, nem foram examinadas por outros auditores independentes, as demonstrações do
exercício findo em 31.12.2005, cujos valores são mostrados para fins comparativos, e,
exercício findo em 31.12.2005, cujos valores são mostrados para fins comparativos, e,
conseqüentemente, não emitimos opinião sobre elas. Além disso, os procedimentos adicionais
aplicados, decorrentes da primeira auditoria, sobre transações
conseqüentemente, não emitimos opinião sobre elas. Além disso, os procedimentos adicionais
aplicados, decorrentes da primeira auditoria, sobre transações e valores que compõem os saldos em
e valores que compõem os saldos em
31.12.2005, não foram suficientes para assegurar que eventuais distorções nos referidos saldos não
31.12.2005, não foram suficientes para assegurar  que eventuais distorções nos referidos saldos não

tenham efeitos relevantes sobre o resultado do exercício, as mutações ... do exercício findo em
tenham efeitos relevantes sobre o resultado do exercício, as mutações ... do exercício findo em
2006. 
2006.
(4) Em nossa opinião, as demonstrações referidas no § 1º representam adequadamente, em todos os
(4)aspectos
Em nossa opinião, as demonstrações referidas no § 1º representam
relevantes, a posição patrimonial e financeira
adequadamente, em todos os
da SEGURADORA CONTINENTAL S/A em

aspectos relevantes, a posição patrimonial e financeira da SEGURADORA CONTINENTAL S/A em
31.12.2006, exceto quanto aos efeitos de possíveis ajustes que poderiam resultar do exame das
31.12.2006, exceto
demonstrações quantoanterior,
do exercício aos efeitos 
conf.decomentado
possíveis ajustes que poderiamderesultar do exameasdas
demonstrações do exercício anterior, conf. comentado  nono§ 3º, o resultado suas operações,
§ 3º, o resultado de suas operações, as
mutações de seu patrimônio líq..., referentes ao exercício findo naquela data, conforme as práticas
mutações de seu no
patrimônio 
Brasil. líq..., referentes ao exercício findo naquela data, conforme as práticas
contábeis adotadas
contábeis adotadas no Brasil.



Local e data (assinatura do Auditor) Contador ARLINDO DO CAMPO – CRC 075618/0 CAMPO BELO
Local e data (assinatura do Auditor) ContadorAuditores
ARLINDOIndependentes
DO CAMPO – CRC 075618/0 CAMPO BELO
Auditores Independentes
-CRC nº 2 SP 022999/0-6
-CRC nº 2 SP 022999/0-6
 
 

Modelo 5 - Parecer com ressalva: limitação relevante nos estoques


 Aos Acionistas e Administradores da SEGURADORA CONTINENTAL S/A *espaço reduzido
 Aos Acionistas e Administradores da SEGURADORA CONTINENTAL S/A *espaço reduzido

(1) Examinamos...
(1) Examinamos... levantado em 31 de dezembro de 2006 e as respectivas ...(igual mod. 2)
levantado em 31 de dezembro de 2006 e as respectivas ...(igual mod. 2)
(2) Exceto pelo mencionado no § 3º, nosso exame foi ... (restante da redação igual mod. 2)
(2) Exceto pelo mencionado no § 3º, nosso exame foi ... (restante da redação igual mod. 2)
(3) Pelo fato de termos sido contratado pela SEGURADORA CONTINENTAL S/A após 31.12.2006, não
acompanhamos
(3) Pelo fato de termos sido contratado
os inventários físicos dospela SEGURADORA
estoques de 31 de CONTINENTAL
dezembro de 2006 S/A após 31.12.2006,
e de 2005, não
nem foi

possível firmar juízo sobre a existência dos estoques por meio de procedimentos alternativos defoi
acompanhamos os inventários físicos dos estoques de 31 de dezembro de 2006 e de 2005, nem
auditoria.
possível firmar juízo sobre a existência dos estoques por meio de procedimentos alternativos de
auditoria.
(4) Em nossa opinião, exceto pelos efeitos de possíveis  ajustes que poderiam resultar da aplicação dos
(4)procedimentos
Em nossa opinião, exceto pelos
de auditoria efeitos
omitidos, de possíveis
mencionados
  no ajustes que poderiam
parágrafo resultar da aplicação
3º, as demonstrações contábeisdos
referidas no parágrafo 1º representam adequadamente, a posição patrimonial e ..., de acordo contábeis
procedimentos de auditoria omitidos, mencionados no parágrafo 3º, as demonstrações com as

referidas
práticas no parágrafo
contábeis adotadas1º representam
no Brasil. adequadamente, a posição patrimonial e ..., de acordo com as
práticas contábeis adotadas no Brasil.
(5) Não examinamos, nem foram examinadas por outros auditores independentes, as demonstrações
(5)contábeis
Não examinamos, nem findo
do exercício foram examinadas por outros auditores
em 31.dezembro.2005, independentes,
cujos valores as demonstrações
são mostrados p/ fins
contábeis do
comparativos, exercício findo em
e conseqüentemente, não 31.dezembro.2005,
emitimos opinião sobre cujos
elas.valores são mostrados p/ fins
comparativos, e conseqüentemente, não emitimos opinião sobre elas.

Local e data (assinatura do Auditor) Contador ARLINDO DO CAMPO – CRC 075618/0 SP


Local e data (assinatura do Auditor) Contador ARLINDO DO CAMPO – CRC 075618/0 SP
CAMPO BELO Auditores Independentes -CRC nº 2SP 022999/0-6
CAMPO BELO Auditores Independentes -CRC nº 2SP 022999/0-6
146 © Atuária

Modelo 6 – Parecer com abstenção de opinião: limitação relevante nos estoques



 Aos Acionistas e Administradores da
SEGURADORA CONTINENTAL S/A

(1) Fomos contratados para auditar as demonstrações contábeis da Seguradora Continental S/A relativas

ao exercício social findo em 31 de dezembro de 2006, elaboradas sob a responsabilidade de sua

administração.
(2) Pelo fato de termos sido contratado pela SEGURADORA CONTINENTAL S/A após 31 de dezembro de
 não acompanhamos as contagens físicas dos estoques em 31 de dezembro de 2006 e de 2005,
2006,
nem foi possível firmamos opinião sobre a existência dos estoques por meio de procedimentos

alternativos de auditoria.
 à relevância dos procedimentos omitidos, conforme mencionado no parágrafo 2º, a extensão
(3) Devido
do nosso exame não foi suficiente para nos possibilitar expressar, e por isso não expressamos,

opinião sobre as demonstrações contábeis da SEGURADORA CONTINENTAL S/A, em 31 de dezembro
de 2006, referidas no parágrafo 1º.

 e data
Local (assinatura do Auditor)
Contador ARLINDO DO CAMPO – CRC 075618/0 SP

 CAMPO BELO Auditores Independentes-CRC nº. 2SP 022999/0-6

 

10. PLANEJAMENTO DA AUDITORIA DE SEGUROS
10. PLANEJAMENTO DAplanejada
Para que auditoria seja AUDITORIA DE SEGUROS
com eficiência, é necessário conhecer quais são as ati-
vidades da seguradora, os sistemas contábeis e os controles internos utilizados. A estratégia de
Para éque
auditoria auditoria
a fase inicial doseja planejadaque
planejamento, com eficiência,
analisa é necessário
os procedimentos mais conhecer
importantesquais
na
são as atividades da seguradora, os sistemas contábeis e os controles internos
identificação dos riscos e assegura uma auditoria eficiente e eficaz, na emissão do seu parecer.
utilizados. A estratégia
Durante as etapas de auditoria
do seu é a fase
planejamento, inicial executará
o auditor do planejamento, que analisa
os testes aplicados, docu-os
procedimentos
mentando-os nos mais importantes
papéis de trabalho, naque
identificação
servirão de dos
guia riscos e asseguradeuma
e de instrumento auditoria
controle, de
acordo com
eficiente as normas
e eficaz, contábeis
na emissão doexigidas.
seu parecer.
Para Souza
Durante (2002, p.do
as etapas 189),
seuoplanejamento,
processo de auditoria, geralmente,
o auditor executaráé dividido
os testesem cinco eta-
aplicados,
pas:
documentando-os nos papéis de trabalho, que servirão de guia e de instrumento de
Etapa 1: entendimento do negócio envolvido pelo cliente e definição das expectativas e dos resultados
controle, de aacordo com as clara
serem alcançados; normas contábeis
definição exigidas.
e entendimento dos negócios desenvolvidos pela empresa e das
expectativas em relação ao trabalho de auditoria.
Para Souza (2002, p. 189), o processo de auditoria, geralmente, é dividido em
cinco etapas:Etapa 2: avaliação de riscos inerentes e de controle; avaliação de riscos correlatos ao negócio e aos
processos; definição das áreas prioritárias a serem auditadas.
Etapa
Etapa 1: entendimento do
3: desenvolvimento negócio
do plano envolvido
de auditoria; pelo cliente
definição e definição
do escopo das
do trabalho expectativas
e dos e dos
procedimentos
resultados
focados emariscos
serem alcançados;
e expectativas; clara definição
elaboração e entendimento
do memorando dos negócios
de planejamento desenvolvidos
da auditoria (documen-
to que
pela formaliza
empresa e adas
seleção dos procedimentos,
expectativas em relaçãoas informações
ao trabalhoacumuladas e decisões-chave do auditor
de auditoria.
durante o processo de planejamento).
Etapa 2:execução
Etapa 4: avaliação de riscos
do plano inerentes
de auditoria; e de
aplicação doscontrole;
programasavaliação decom
de auditoria, riscos correlatos
foco no valor agre-ao
negócio
gado e nae obtenção
aos processos; definição
de satisfação das áreas
de auditoria paraprioritárias a serem
fins de emissão auditadas.
de parecer;
Etapa 5:
Etapa 3:comunicação dos resultados
desenvolvimento da auditoria:
do plano elaboração
de auditoria; e discussão
definição do com o cliente,
escopo do parecerede
do trabalho dos
auditoria, relatório sobre controles internos, relatório sobre o cumprimento
procedimentos focados em riscos e expectativas; elaboração do memorando das normas estabelecidasde
pelo órgão regulamentador e demais relatórios requeridos, respeitadas as características específicas de
planejamento
cada trabalho. da auditoria (documento que formaliza a seleção dos procedimentos, as
informações acumuladas e decisões-chave do auditor durante o processo de planejamento).
A Circular da Superintendência de Seguros Privados – Susep nº 334, de 2 de janeiro de
Etapa 4: execução do plano de auditoria; aplicação dos programas de auditoria, com foco no
2007, alterou as normas contábeis a serem seguidas pelas sociedades seguradoras, ressegu-
valor agregado e na obtenção de satisfação de auditoria para fins de emissão de parecer;
Etapa 5: comunicação dos resultados da auditoria: elaboração e discussão com o cliente, do
Centro Universitário Claretiano
parecer de auditoria, relatório sobre controles internos, relatório sobre o cumprimento das
© Auditoria Atuarial 147

radoras, sociedades de capitalização e entidades abertas de previdência complementar, nos


termos do artigo 1º, que transcrevemos a seguir: “Alterar os anexos I, II, III, IV e V das normas
contábeis aprovadas pela Resolução do CNSP nº 86, de 3 de setembro de 2002, que passam a
vigorar, na forma dos anexos a esta Circular".
Analisando os anexos citados, constamos: o anexo I trata dos objetivos; da codificação do
plano de contas; da escrituração; do exercício social; dos registros auxiliares obrigatórios; das
demonstrações contábeis encerradas em 30 de junho e 31 de dezembro, as quais deverão ser
publicadas, respectivamente, até o dia 31 de agosto e 28 de fevereiro de cada ano.
O Anexo I dessa circular ainda disciplinou que as demonstrações contábeis devem ser
auditadas por auditores independentes devidamente registrados na Comissão de Valores Mobi-
liários e estabeleceu que, desde 1º de janeiro de 2003, as sociedades deverão proceder à subs-
tituição da auditoria independente (pessoa física ou jurídica), no máximo depois de decorridos
quatro exercícios sociais completos desde sua contratação.
Pela referida circular, é vedada às sociedades a contratação de pessoas físicas ou jurídicas
para prestação de serviços de auditoria independente e de consultoria concomitantemente.
Assim, as sociedades estão impedidas de contratar o auditor com o qual mantenha víncu-
los contratuais, nos seguintes serviços de consultoria:
1) reavaliação de ativo permanente a ser utilizado nas demonstrações da empresa audi-
tada;
2) avaliação patrimonial da entidade auditada, suas controladas e coligadas;
3) determinação de valores para efeito de constituição de provisão de sinistros ocorridos
e de provisão para contingências, que venha a ser utilizado como base para registro
nas demonstrações contábeis da empresa auditada;
4) no planejamento tributário e auditoria interna.
A fiscalização da Susep poderá, a qualquer tempo, sustar a realização dos trabalhos de
auditoria, nas sociedades por ela autorizadas a funcionar, por auditores cujo desempenho, a
seu critério, não seja compatível com os interesses de segurança e fortalecimento dos mercados
seguradores, durante o período em que a CVM e o CFC estiverem apreciando as falhas e/ou
irregularidades verificadas pela fiscalização dessa Autarquia.
Os relatórios sobre a auditada a serem apresentados pelo auditor independente são:
1) Parecer de auditoria sobre as demonstrações contábeis examinadas.
2) Relatório circunstanciado de suas observações relativamente às deficiências ou à ine-
ficácia dos controles internos.
3) Relatório circunstanciado a respeito do não cumprimento de normas legais e regula-
mentares.
4) Questionários trimestrais contidos no Formulário de Informações Periódicas – FIP,
obrigando a sociedade a remeter esse relatório nos prazos a seguir: 1º trimestre, até
31 maio do mesmo exercício; 2º trimestre, até 30 setembro desse exercício; 3º tri-
mestre, até 30 novembro desse exercício e 4º trimestre, até 31 março do exercício
seguinte.
No desenvolvimento da auditoria de seguros, o auditor deve identificar os riscos inerentes
à atividade do seu cliente, formulando recomendações para que a entidade tenha mais contro-
les sobre os negócios. Ele também deve abordar algumas áreas importantes para o sucesso da
auditoria. Nesse contexto, Souza (2002) identificou os principais fatores descritos a seguir:
• Regulamentação: na atividade de seguros, é preciso conhecer as exigências do órgão
regulamentador; o auditor deve executar testes de possíveis desvios de procedimentos
148 © Atuária

e estar atento às mudanças na legislação, como as ocorridas recentemente nos planos


de saúde, proliferação de doenças (Aids), restrições legais de caráter ambiental e fis-
cal.
• Aceitação de riscos: em uma operação de seguros, é preciso uma classificação dos
riscos para aceitação e recusa, no estabelecimento correto dos preços dos prêmios. O
auditor deve identificar os critérios na contratação do seguro que possam aumentar os
riscos.
• Sinistros: envolvem estimativas e acontecimentos incertos; representam o maior gasto
da seguradora e sua contabilização é a parte mais complexa das demonstrações contá-
beis.
• Cobertura das provisões técnicas: são controladas em razão das normas legais; o au-
ditor deve conhecer e revisar os critérios e a forma de controle das aplicações da segu-
radora.
• Estratégia e metas da entidade: conhecer a filosofia operacional da administração para
avaliação das áreas de risco potencial; critérios de determinação de preço dos produ-
tos.
• Ramos de negócios e produtos oferecidos: os produtos comercializados oferecem ris-
cos distintos: o risco inerente de um seguro de automóvel é menor do que o de uma
apólice de responsabilidade civil ou de um seguro de prestação de serviços na área
médica.
• Qualidade do pessoal: na avaliação de riscos, o auditor deverá considerar aspectos
de treinamento e qualificação de pessoal, carga de trabalho, liderança, motivação e
stress.
• Sistemas informatizados: a atividade de seguros depende dos sistemas de informação
da entidade, devendo o auditor considerar o tratamento dado na entrada e saída dos
dados, bem como a organização, o processamento e o acesso às informações compu-
tadorizadas.
A auditoria de seguros, além do exame acurado das apólices vigentes, constatará se as
coberturas existentes são suficientes e adequadas em relação ao ativo da empresa. O trabalho
do auditor independente terá maior segurança na avaliação da empresa de seguros se nela
constatar controles internos fortes.
O planejamento da auditoria inclui a participação conjunta com o auditor interno da em-
presa, no trabalho relativo ao exame das demonstrações contábeis e na conferência de saldos
relevantes, visando evitar ou reduzir a duplicidade das tarefas e aumentar o grau de cobertura
de riscos sobre a análise dos resultados da empresa auditada.
No mercado segurador, o auditor deverá considerar em sua análise das demonstrações
contábeis os principais fatores que podem diminuir ou aumentar o risco de auditoria, como,
por exemplo, o valor monetário e a natureza das contas individuais ou dos grupos de contas,
descritos no Quadro 1:

Quadro 1 Natureza das contas individuais ou dos grupos de contas.


CLASSE 3 – CONTAS DE RESULTADO

Grupos: 31 – Operações de seguros


Subgrupos: 311 – Prêmios Ganhos

Centro Universitário Claretiano


© Auditoria Atuarial 149

CLASSE 3 – CONTAS DE RESULTADO


312 – Sinistros Retidos
313 – Despesas de Comercialização

Grupos: 33 – Operações de previdência complementar aberta


Subgrupos: 331 – Rendas de Contribuições Retidas
332 – Variações das Provisões Técnicas
333 – Despesas com Benefícios e Resgates

Grupos: 34 – Operações de capitalização


Subgrupos...343 – Despesas com Sorteio e Resgates
Fonte: elaborado pelos autores.

Nesta unidade, você compreendeu os procedimentos específicos de auditoria de seguros,


que são aplicados sobre as demonstrações contábeis. Além disso, constatou que podem ser
emitidos vários tipos de pareceres de auditoria, em virtude das constatações observadas pelo
auditor no decorrer de seu trabalho, por meio dos modelos apresentados.

11. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS


Para encerrar os estudos desta disciplina, responda às questões autoavaliativas, procuran-
do reforçar todos os seus conhecimentos sobre os temas estudados em relação às estratégias
em serviços.
Sempre utilize a autoavaliação para acompanhar o seu aprendizado e verificar quais são
os pontos que ainda precisam ser revistos. Caso não se sinta seguro em responder às perguntas
propostas com propriedade, releia os conteúdos.
A seguir, são apresentadas as questões propostas para verificar o seu desempenho no
estudo desta unidade:
1) Qual o conceito de Auditoria Atuarial? Indique e explique suas etapas.
2) O auditor deverá inspecionar, observar, investigar, confirmar, calcular e revisar os da-
dos e os documentos obtidos na empresa. Explique, resumidamente, cada um desses
procedimentos.
3) O que é o parecer do auditor? Quais são os tipos existentes? Cite alguns e explique-
os.

12. CONSIDERAÇÕES FINAIS


Em seu trabalho, o auditor independente executará atividades distintas em diversas fases,
como: entrevistar a administração da empresa e todo o pessoal técnico; aplicar testes de amos-
tragem sobre os valores significativos; analisar a documentação do período; reduzir os riscos
inerentes às seguradoras; sugerir melhorias que aperfeiçoem os controles internos etc.
Podemos concluir que o auditor, após compreender as atividades específicas das áreas
que compõem o mercado segurador, deverá elaborar seu planejamento de auditoria definindo
os procedimentos de controles a serem seguidos. A extensão dessas atividades visa a uma inter-
ligação necessária entre cada uma delas, para que o auditor possa cumprir os objetivos propos-
tos e dar sustentação ao parecer final de auditoria.
150 © Atuária

Estamos chegando ao final da disciplina Atuária. Esperamos ter despertado nos alunos o
interesse por uma matéria nova, que possa proporcionar a amplitude de seus horizontes profis-
sionais.
Desejamos sucesso a todos, reconhecendo, no entanto, que ele não será obtido senão por
meio de pesquisas, interesse na aprendizagem e muito, muito, esforço próprio.

13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BRASIL. Circular SUSEP nº 379, de 19 de dezembro de 2008. Dispõe sobre alterações das Normas Contábeis a serem observadas
pelas sociedades seguradoras, resseguradoras, sociedades de capitalização e entidades abertas de previdência complementar,
instituídas pela Resolução CNSP nº 86, de 3 de setembro de 2002. Efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009. Diário Oficial da
República Federativa do Brasil, Brasília, 23 dez.2008.
______. Resolução do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). SUSEP 2007. Resolução CNSP nº 163, de 2007. Estabelece
regras para o envio de nota técnica atuarial da carteira de planos de seguro e dá outras providências. Diário Oficial da República
Federativa do Brasil, Brasília, 17 jul. 2007. Disponível em: <http://www.susep.gov.br/textos/resol163.pdf> . Acesso em: 10 set.
2010.
______. Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). CFC 2003. Resolução CFC nº 953, de 2003. Dispõe sobre a
Alteração no Modelo de Parecer Referido no Item 11.3.2.3 DA NBC T 11 - Normas de Auditoria Independente das Demonstrações
Contábeis. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 24 jan. 2003. Disponível em: <www.cfc.org.br/sisweb/sre/
docs/RES_953.doc>. Acesso em: 10 set. 2010.
______. Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). CFC 2003. Resolução CFC nº 981, de 2003. Aprova a NBC T 11.6
sobre Relevância na Auditoria. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 11 nov. 2003. Disponível em: <http://
www.crcsp.org.br/portal_novo/legislacao_contabil/resolucoes/Res981.htm> . Acesso em: 7 abr. 2010.
______. Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). CFC 2005. Resolução CFC nº 1.035, de 2003. Aprova a NBC T
11.4 sobre Planejamento da Auditoria. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 26 ago. 2005. Disponível em:
<http://www.crcsp.org.br/portal_novo/legislacao_contabil/resolucoes/Res1035.htm>. Acesso em: 07 abr. 2010.
______. Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). CFC 2009. Resolução CFC nº 1.156, de 2009. Dispõe sobre
a Estrutura das Normas Brasileiras de Contabilidade. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, 13 fev. 2009.
Disponível em: <http://www.crcsp.org.br/portal_novo/legislacao_contabil/resolucoes/Res1156.htm>. Acesso em: 07 abr.
2010.
LOURENÇO, F. J. da C. Contabilidade geral. 2.ed. Franca: Uni-FACEF, 2007.
PEREIRA, E. (Org.) et al. Fundamentos da contabilidade. São Paulo: Pearson Prentice Halls, 2005.
SOUZA, S. Seguros: contabilidade, atuária e auditoria. São Paulo: Saraiva, 2002.

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