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NEM TUDO ENTRE VÍRGULAS É APOSTO…

Pergunta: O que os segmentos entre vírgulas, abaixo, têm em


comum?

1) A mulher, nua e solitária, tirava fotos de si mesma.


2) A casa, às dez horas da manhã, estará fechada.
3) O restaurante, meu amigo, está dando lucro.
4) O carro, que estava na oficina, era novinho.
5) A vida, quando é bem vivida, só gera prazer.

Resposta: Nenhum deles é aposto!

1) Predicativo do sujeito, pois aposto nunca é formado por adjetivo,


e sim por núcleo de valor substantivo; o predicativo do sujeito é que
pode ser constituído por adjetivo.
2) Adjunto adverbial de tempo.
3) Vocativo.
4) Oração subordinada adjetiva explicativa (tanto as explicativas
quanto as restritivas exercem função de adjunto adnominal, e não de
aposto).
5) Oração subordinada adverbial temporal.

PORTANTO, VIU ALGO ENTRE VÍRGULAS? RESPIRE FUNDO E PENSE:


É APOSTO MESMO???
ADJETIVO – FUNÇÕES SINTÁTICAS!

Galera, o adjetivo é uma classe gramatical que só exerce duas


funções sintáticas na frase:

1) adjunto adnominal
2) predicativo

Veja estas frases:

– O homem ansioso chegou.


– O homem chegou ansioso.

Nas duas frases, ansioso é um adjetivo. Na primeira, vem ao lado do


nome, logo é um adjunto adnominal. Na segunda, não vem ao lado do
nome, logo não pode ser adjunto adnominal, e sim predicativo.

Note que há uma mudança de sentido também: o adjunto adnominal


normalmente indica uma característica inerente ao ser; já o
predicativo indica uma característica transitória ou atribuída.

Por isso, aponte qual é o predicativo:

1- Adquiri um imóvel antigo.


2- Após a avaliação, considerei o imóvel antigo.

Gabarito!!!

1. Adjunto adnominal.

2. Predicativo.
ESCREVI A CANETA OU À CANETA?

“Os textos deverão ser entregues A CANETA (ou À CANETA)”???


(LEIA!)

O termo “à caneta” é uma locução adverbial de instrumento/meio de


núcleo feminino introduzida pela preposição “a”, assim como “à
bala, à mão, à tinta, à faca, à vela, à lenha”…

Nesse caso, apesar de controvérsias entre alguns estudiosos, não são


poucos os gramáticos que recomendam, visando à clareza, o acento
grave. Logo, eles não desabonam o uso do acento em À CANETA.

Por força da tradição e por razões didáticas influenciadas pelo uso de


grandes penas da literatura brasileira, muitos gramáticos
estabeleceram que o mais sensato é marcar com acento grave
locuções desse tipo.

Conheça alguns estudiosos consagrados que ensinam isso ou


reconhecem, no mínimo, a correta dupla possibilidade (com ou sem
acento grave):

1) Evanildo Bechara (confira:


http://www.academia.org.br/artigos/barco-vela-ou-barco-vela; veja
também sua recomendação explícita no capítulo de preposição de
sua gramática, mais especificamente na parte de “Emprego do à
acentuado”);
2) Maria Helena de Moura Neves (no verbete “a bala, à bala” do livro
“Guia de uso do Português”);
3) Carlos Nogué (no capítulo de crase, em caso especial);
4) Celso Pedro Luft (no verbete “crase” do livro “ABC da Língua
Culta”);
5) Ernani Garcia dos Santos e Alessandra Figueiredo dos Santos (no
capítulo de crase do seu livro “A Língua Portuguesa sem mistério”);
6) José Marques da Cruz (no capítulo de crase do seu livro “Português
Prático – Gramática”);
7) Eduardo Carlos Pereira (na parte de preposição do seu livro
“Gramática Expositiva – Curso Superior”);
8) Rocha Lima (no capítulo de crase de sua gramática);
9) Luiz Antonio Sacconi (no capítulo de regência nominal/crase do
livro “Nossa Gramática – Teoria e Prática”);
10) Amini Boainain Hauy (no capítulo de crase do livro “Gramática da
Língua Portuguesa Padrão”);
11) Faraco & Moura (no capítulo de crase de sua gramática).

Se a referência a todos os gramáticos acima não é suficiente, confira


estas duas questões de bancas que comprovam a visão deles:

BANCA FUNCAB – CODATA – ANALISTA DE INFORMÁTICA – 2013

– Nos adjuntos adverbiais de meio ou instrumento, até há bem pouco


tempo só se admitia o acento indicativo de crase se houvesse
ambiguidade na frase. Modernamente, porém, os gramáticos estão
admitindo tal acento em qualquer circunstância. Dentre as
alternativas abaixo, tendo sido usado ou não o acento grave, qual a
frase que exemplifica essa afirmação?

a) “[…] este ano não vou à França […]”


b) “[…] pedia à minha heroica esposa que o levasse […]”
c) “[…] ter de fazer correções a caneta […]”
d) “[…]movido a querosene ou coisa semelhante.”
e) “[…] aconselho você a esperar mais um pouco.”

Gabarito: C. Vou-me ater apenas à letra C. Pode ser “à caneta” ou “a


caneta”, isto é, ambas as construções são corretas.

Banca Acesso Público – Colégio Pedro II – Assistente em Administração


– 2015

– O funcionário encarregado de fazer as placas encomendadas pelos


clientes não sabia as regras de emprego do acento de crase e, por
isso, só acertou o texto de uma das placas. Qual delas?

a) COSTURA-SE À MÃO.
b) LAVA À JATO.
c) COMIDA À QUILO.
d) CAMINHÕES À FRETE.
e) REFEIÇÕES À DOMICÍLIO.

Gabarito: A. Isso comprova a visão dos estudiosos supracitados.

Portanto, se alguma banca vier de gracinha, querendo doutrinar que


a frase do título desta postagem só está correta sem acento, mande
este texto para ela parar de fazer m$%#@!
VERBO ESTAR + ADJUNTO ADVERBIAL ou PREDICATIVO DO
SUJEITO?

Observe as frases abaixo:

– Ana está NO JARDIM.


– Carlos está À JANELA.
– Pedrinho está SOB A CAMA.

– Financeiramente, Joana está NA RUÍNA.


– O livro está À VENDA.
– A situação está SOB CONTROLE.

Percebeu alguma diferença?

Nas três primeiras frases, os termos destacados respondem à


pergunta ONDE? (Onde Ana está? NO JARDIM). Logo, são adjuntos
adverbiais de lugar. Consequentemente o verbo ESTAR não é de
ligação, e sim intransitivo. O predicado é verbal.

Nas outras três frases, os termos destacados não respondem à


pergunta ONDE?. Tente! não vai conseguir. Sabe por quê? É simples:
não indicam lugar, e sim uma condição, um atributo ou uma situação.
Logo, são predicativos do sujeito, e o verbo ESTAR é de ligação. O
predicado é nominal.

Portanto, analise bem antes de bater o martelo.

Agora, para fechar o caixão, diga aí qual frase apresenta predicado


verbal (PV) e qual apresenta predicado nominal (PN):

1) Maria está na cama.


2) Maria está de cama.

Gabarito:

1) PV / 2) PN
Devore o capítulo 19
“SE” – PRONOME REFLEXIVO x PARTE INTEGRANTE DO VERBO (PIV)

Sim. Vamos morrer e ficar com dúvida entre um e outro. Sim.


Português não é Matemática, logo nem sempre é preciso haver uma
verdade absoluta sobre certos fatos linguísticos. Sim. O que as provas
de concursos fazem é justamente o contrário: elas cobram,
frequentemente, classificações gramaticais como verdades absolutas,
como C/E. Mas nem tudo é preto ou branco. Se uma banca expõe
algo cinza e pede que você aponte se é preto ou branco, a culpa não
é sua nem minha, é dela. “Ah! Mas o que me importa é acertar a
questão, Pestana!”. Sim. A minha intenção também é que você
acerte a questão. Agora, se uma banca resolve dar um gabarito
contestável/errado e não anula, a culpa não é nossa — nem minha
nem sua.

Feitas as devidas considerações, vamos ao que interessa: como


diferenciar pronome reflexivo (PR) de parte integrante do verbo
(PIV)?

PRONOME REFLEXIVO

O SE só pode ser considerado 100% reflexivo se a ação praticada pelo


sujeito incidir sobre si mesmo. Além disso, o verbo tem que ser
necessariamente TD ou TDI, pois o SE PR sempre vai exercer função
sintática de OD ou, mais raramente, OI.

– João se feriu com a navalha. (Equivale a “João feriu João com a


navalha”, que equivale a “João foi ferido por João com a navalha”.
Ele feriu a si mesmo, sacou?)

– Maria se impôs uma severa dieta. (Equivale a “Maria impôs à Maria


uma severa dieta”, que equivale a “Uma severa dieta foi imposta à
Maria pela Maria”. Ela impôs uma dieta severa a si mesmo, sacou?)

Nesses casos, o SE é evidentemente PR. Os verbos nesses casos


costumam ser chamados de “verbos pronominais reflexivos”.
Fechado? Blz!
PARTE INTEGRANTE DO VERBO

O SE integrante do verbo (PIV) é um “falso reflexivo”, pois não indica


reflexividade evidente, uma vez que não se pode imaginar que o
sujeito do verbo acompanhado de PIV exerce uma ação voluntária e
intencional sobre si mesmo. Além disso, o SE PIV não exerce função
sintática de nada.

– João se queixou de nós. (Equivale a “João queixou João de nós” ou


“João foi queixado de nós por João”??? Claro que não!!! Essas
construções loucas não são Português, são inexistentes na lingua.)

Percebeu como é impossível interpretar o SE como reflexivo? Logo, o


SE é PIV, pois ele serve de apêndice para a conjugação verbal (eu me
queixo, tu te queixas, ele se queixa, nós nos queixamos…).
Chamamos a esse tipo de verbo de “verbo essencialmente
pronominal”. É importante dizer que esse tipo de verbo é
normalmente intransitivo ou transitivo indireto (raramente de
ligação), mas nunca é transitivo direto ou transitivo direto e indireto.
Saber esse detalhe é importante para diferenciar PIV de PR, hein!

O MOTIVO DA CONFUSÃO ENTRE “PR” E “PIV”

Na maioria das vezes, a dificuldade se dá porque o aluno tenta


substituir o SE por A SI MESMO. Nessa troca, às vezes, dá-se a
impressão que a permuta é perfeita. Mas não é. Por exemplo, quando
se diz assim “Ele se levantou da cadeira”, muitos vão fazer assim:
“Ele levantou a si mesmo da cadeira”. E vão achar que essa é uma
frase legítima e que o SE é PR. No entanto, não é PR, e sim PIV.

Raciocine: quando se diz que alguém se levantou da cadeira, isso não


quer dizer que ele pegou a si mesmo pelos braços (sei lá, rs) e se
ergueu da cadeira. Não! “Levantar-se” é uma ação espontânea e
individual. Logo, não há reflexividade, pois o indivíduo não está
sofrendo a ação de ser levantado.

Sim. É uma sutileza, mas ela existe e é determinante para a


classificação do SE como PR ou PIV. Em “levantar-se”, o SE é,
portanto, PIV. Percebeu? (Não? Então leia de novo.)

Vou além… para ficar mais claro ainda: o que normalmente causa
dificuldade são os verbos ACIDENTALMENTE pronominais, como é o
caso de “levantar-se”, a saber: aqueles que NÃO SÃO, POR
NATUREZA, acompanhados de SE PIV. Mas, quando mudam de
transitividade — normalmente de VTD para VI/VTI —, passam a verbos
acompanhados de SE PIV. (Essa questão da mudança de transitividade
é o cerne da questão!) Veja:

– João esqueceu a carteira. (VTD)


– João esqueceu-se da carteira. (VTI; SE PIV)
– João casou ontem. (VI)
– João se casou com Maria. (VTI; SE PIV)
– João concentrou sua energia. (VTD)
– João se concentrou para lutar. (VI; SE PIV)

Para ver mais exemplos de verbos assim, consulte o capítulo 29 da


minha gramática, em Regência Verbal, Pontos Importantíssimos.

VAMOS EXERCITAR!

A partir das explicações acima, aponte o SE corretamente, usando PR


ou PIV.

1. João matou-se.
2. João suicidou-se.
3. João feriu-se nos espinhos.
4. João se afogou no lago.
5. João zangou-se com o irmão.
6. João se afastou do fogo.
7. João arremessou-se sobre o inimigo.
8. João se informou acerca de política.
9. João se deitou na cama.
10. João orgulha-se de ser judeu.
11. João se arrependeu do vacilo.
12. João atreveu-se a empreender.
13. João derreteu-se com a homenagem.
14. João se destacou na competição.
15. João se tornou médico.

Gabarito!!!

1. PR
2 a 15. PIV
P.S.: Correndo por fora, ainda há o SE chamado de partícula
expletiva, que pode gerar certa dúvida, mas ela é dissipada, pois
existe um número finito de verbos acompanhados de SE expletivo,
todos como intransitivos: ir, ficar, tremer, morrer, passar… Ah!
Estudem firme o capítulo 31 da Gramática!

O VOCÁBULO “LHE” (DEVORE!!!)

Há 7 pontos importantes sobre este pronome oblíquo átono.

1) Em geral, pode ser substituído por “a ele(a/s), para ele(a/s),


nele(a/s), dele (a/s)” ou por qualquer pronome de tratamento após a
preposição (a você, ao senhor, a Vossa Excelência, a Sua Santidade,
etc.).

– Agradecemos-lhes a ajuda sincera. (Agradecemos a eles…)

– A mãe lhe comprou uma boneca? (… comprou uma boneca para


você?)

– Deus criou o homem e infundiu-lhe um espírito imortal. (… infundiu


no homem…)

– As boas ideias lhe fugiam ultimamente. (… fugiam dele…)

– Você é uma boa pessoa, mas não lhe dou mais atenção. (… não dou
a você…)

Veja uma questão:

(CESPE/UnB – TELEBRAS)

– No fragmento I “Marconi escreveu ao governo italiano, mas um


funcionário descartou a ideia, dizendo que era melhor apresentá-la
em um manicômio”, estaria mantida a correção gramatical do texto
caso fosse inserido, logo após a forma verbal “dizendo”, o pronome
lhe – dizendo-lhe -, elemento que exerceria a função de
complemento indireto do verbo, retomando, por coesão, “Marconi”

( ) CERTO ( ) ERRADO

Gabarito: certo. O verbo “dizer” é transitivo direto e indireto. Com a


colocação do “lhe” (objeto indireto) junto à forma verbal “dizendo”,
fica claro quem é o referente a quem o funcionário disse que era
melhor apresentar a ideia em um manicômio, a saber: Marconi. Logo,
a afirmação da banca está perfeita!

2) Em geral, exerce função de objeto indireto, mas também pode


exercer função de adjunto adnominal (quando tiver valor possessivo),
complemento nominal (quando é complemento de um nome) ou
sujeito (junto com um dos verbos causativos (mandar, deixar, fazer)
ou sensitivos (ver, ouvir, sentir) seguido de infinitivo com
complemento direto). Exemplos:

– Não lhe informou a verdade? (Objeto indireto: informou a verdade a


ele.)

– “Cristo, eu decidi que vou seguir-lhe os passos.” (Adjunto


adnominal: vou seguir os seus passos.)

– O filho sempre lhes foi submisso. (Complemento nominal: foi


submisso a eles.)

– Deixou-lhe trazer a família. (Sujeito do infinitivo: equivale a


“deixou que ele trouxesse a família”.)

Nesse último caso, quando o verbo no infinitivo não vier seguido de


complemento direto (objeto direto), não se pode usar o “lhe” nessa
construção.

Veja duas questões:

(FAB – EEAR)

– Assinale a alternativa cujo termo destacado classifica-se como


complemento nominal.

a) Arrancaram-lhe as roupas. (= Arrancaram as suas roupas / adjunto


adnominal)

b) Ela nunca lhe desobedece. (= Ela nunca desobedece a ele / objeto


indireto)

c) A sentença foi-lhe favorável. (= A sentença foi favorável a ele /


complemento nominal)
d) Júlio devolveu-lhe o livro emprestado. (= Júlio devolveu a ele o
livro emprestado/ objeto indireto)

Gabarito: C. (A) “Arrancaram as suas roupas” / adjunto adnominal.


(B) “Ela nunca desobedece a ele” / objeto indireto. (C) “A sentença
foi favorável a ele” / complemento nominal. (D) “Júlio devolveu a
ele o livro emprestado” / objeto indireto.

(CETRO – ANVISA)

– Levando em consideração o texto como um todo e as orientações da


prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na
modalidade padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa
correta referente a trechos do quarto parágrafo.

a) No trecho: “Cortou as relações antigas, familiares, algumas tão


íntimas que dificilmente se poderiam dissolver”, a substituição da
expressão destacada por “poderia ser dissolvida” é correta
gramaticalmente, mas implica prejuízo semântico.

b) Nos trechos: “algumas tão íntimas que dificilmente se poderiam


dissolver”, “despedir-se sem pesar” e “uma por uma se foram indo as
pobres criaturas modestas”, as três ocorrências da palavra destacada
têm o mesmo valor semântico.

c) No período: “mas a arte de receber sem calor, ouvir sem interesse


e despedir-se sem pesar, não era das suas menores prendas” é
permitida a repetição da preposição “de” antes das duas últimas
formas de infinitivo e recomendável a flexão no plural da forma
verbal destacada.

d) Infere-se que uma das maiores prendas de Sofia era fazer perceber
aos amigos menos abastados que eles não tinham a vocação que ela
trazia desde a infância: a sutileza de comunicar-lhes, efusivamente,
que não poderiam mais estender a amizade.

e) Os termos destacados nos trechos: “Sofia é que, em verdade,


corrigia tudo”, “Necessidade e vocação fizeram-lhe adquirir, aos
poucos, o que não trouxera” e “uma por uma se foram indo as pobres
criaturas modestas” cumprem a mesma função sintática.
Gabarito: E. Vou me ater apenas à letra E. Todos os termos exercem
função de sujeito.

3) Apesar de ser complemento de verbo transitivo indireto


(normalmente), não pode ser usado como complemento de certos
verbos, como: “aderir, aludir, anuir, aceder, aspirar (almejar),
assistir (ver), escarnecer, proceder (dar início, leva a efeito,
realizar), presidir, recorrer, referir-se, visar (almejar)”. Logo, está
equivocada a frase “A autoridade policial procedeu à tomada de
algumas providências” se o termo destacado for substituído por
“lhe”. Nesses casos, se for preciso substituir o termo destacado por
um pronome, use um pronome oblíquo tônico: “A autoridade policial
procedeu a ela”.

Veja uma questão:

(CESGRANRIO – PETROBRAS)

– A frase em que o complemento verbal destacado NÃO admite a sua


substituição pelo pronome pessoal oblíquo átono “lhe” é:

a) Após o acordo, o diretor pagou “aos funcionários” o salário.

b) Ele continuava desolado, pois não assistiu “ao debate”.

c) Alguém informará o valor “ao vencedor do prêmio”.

d) Entregou o parecer “ao gerente” para que fosse reavaliado.

e) Contaria a verdade “ao rapaz”, se pudesse.

Gabarito: B. Como “lhe” não pode ser complemento de “assistir” (=


ver), deveria ser “Ele continuava desolado, pois não assistiu a ele”.

4) É erro grosseiro, segundo a tradição gramatical, o uso de “lhe”


como complemento de verbo transitivo direto, ou seja, exercendo
função de objeto direto. Por isso, a frase “Deus lhe abençoe” está
errada gramaticalmente e deve ser reescrita da seguinte maneira:
“Deus o abençoe” ou “Deus te abençoe”. Afinal, o verbo “abençoar”
é transitivo direto.

Veja uma questão:

(IDECAN – BANESTES)
– A respeito da oração: “Mas essas medidas vão distanciá-los do
objetivo inicial”, analise as afirmativas

I. “-los” pode ser substituído por “-lhes” preservando-se a correção


da norma culta.

II.“-los” atua como elemento de coesão textual retomando referente


anterior.

III. O termo “mas” pode ser substituído por “porém” sem prejuízo de
sentido.

Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

a) I, II

b) II, III

c) I, III

d) I

e) I, II, III

Gabarito: B. Vou me ater apenas à afirmação I. Não se pode usar


“lhes” no lugar de “los”, porque “lhes” não pode exercer a mesma
função que exerce “los”, a saber: objeto direto.

5) Alguns gramáticos modernos, como Pasquale Cipro Neto e Ulisses


Infante, dizem que o lhe só substitui pessoa. Veja, porém, que isso
não é verdade, pois o gramático Rocha Lima, Bechara e a Academia
Brasileira de Letras pensam diferente (e, para sacramentar, as
questões da FCC corroboram o que dizem tais fontes).

ABL RESPONDE

Pergunta: Consultei uma gramática tradicional que afirma que o


pronome oblíquo átono “lhe” só substitui pessoas. Mas, em “Paguei-
lhe (ao banco) a dívida” e “Dei-lhe (no cachorro) um trato”,
o lhe está usado erradamente? Não entendo! Por favor, ajudem!
Grato!

Resposta: “O objeto indireto é o complemento que representa a


pessoa ou coisa a que se destina a ação, ou em cujo proveito ou
prejuízo ela se realiza.” Ex.: Aos meus escritos, não lhes dava
importância nenhuma. Lhes é objeto indireto em relação a escritos,
portanto, coisa. “Fiquei só com oito ou dez cartas para reler algum
dia e dar-lhes o mesmo fim.” (Machado de Assis, Memorial de Aires).

Veja uma questão:

(FCC – TRT 2ª R)

– Muita gente não enfrenta uma argumentação, prefere


substituir uma argumentação pela alegação do gosto, atribuindo ao
gosto o valor de um princípio inteiramente defensável, em vez de
tomar o gosto como uma instância caprichosa.

Evitam-se as viciosas repetições da frase acima substituindo-se os


elementos sublinhados por, respectivamente,

a) substituir a ela – atribuindo a ele – lhe tomar

b) substituir-lhe – atribuindo-lhe – tomar-lhe

c) substituir-lhe – atribuindo-o – tomá-lo

d) substituí-la – atribuindo-lhe – tomá-lo

e) substituí-la – lhe atribuindo – tomar-lhe

Gabarito: D. Vou me ater apenas à segunda parte. Antes de mais


nada, note que “gosto” é coisa e não pessoa. Pode-se usar
tranquilamente o “lhe” (objeto indireto) no lugar de “ao gosto”
(objeto indireto).

6) Em linguagem literária ou (quase) arcaica, o “lhe” pode ser


encontrado numa contração com os pronomes “o, a, os, as”, gerando
“lho, lha, lhos, lhas”, que seria a contração do objeto direto com o
objeto indireto em forma de pronome oblíquo. Exemplo: “Gostou dos
vinhos e pediu ao garçom que lhos reservasse” (“Gostou dos vinhos e
pediu ao garçom que reservasse os vinhos para ele”).

7) O “s” final dos verbos não é suprimido quando seguidos de “lhe”,


portanto está errada a frase “Perdoamo-lhe(s)”, devendo ser
“Perdoamos-lhe(s)”.
VÍRGULA E ADJUNTO ADVERBIAL – UMA NOVELA!

Depois de pesquisar mais de 25 autores de gramática diferentes,


visando encontrar suas lições a respeito de vírgula separando adjunto
adverbial, eis o resultado colhido dos livros deles (Cláudio Moreno,
José Maria da Costa, Amini Boainain Hauy, Ulisses Infante, Luiz
Antonio Sacconi, William Cereja, Gladstone Chaves de Melo,
Napoleão Mendes de Almeida, Rodrigo Bezerra, Evanildo Bechara,
Maria Helena de Moura Neves, Carlos Nogué, Silveira Bueno, Rocha
Lima, Eduardo Carlos Pereira, Celso Cunha, Ernani Garcia, Said Ali,
José Carlos de Azeredo, Celso P. Luft, Hildebrando André, Ernani
Terra, José de Nicola, Marcelo Rosenthal, Domingos P. Cegalla,
Faraco & Moura).

O que pude constatar é que cada um fala uma coisa, não há consenso
nem padrão. É um pandemônio!

Mas, aos que me seguem (normalmente concurseiros), aqui segue a


conclusão “normativa” a que eu cheguei depois de imergir no caos:

1) se o adjunto adverbial de grande extensão (em tese, a partir de


três vocábulos) iniciar frase ou estiver no meio dela, o uso da(s)
vírgula(s) será obrigatório: “Apesar daquelas investidas, não obteve
muito sucesso”, “Não obteve, apesar daquelas investidas, muito
sucesso”;
2) se o adjunto adverbial de curta extensão (em tese, até dois
vocábulos) iniciar frase ou estiver no meio dela, o uso da(s) vírgula(s)
será facultativo: “Nesta tarde(,) não obteve muito sucesso”, “Não
obteve(,) nesta tarde(,) muito sucesso”.

É claro que as lições acima são engessadas e não levam em conta o


ritmo frasal, a intencionalidade discursiva, a clareza, etc., que
podem fazer a vírgula ser necessária ou desnecessária por razões
(extra)estilísticas.

Digo mais: segundo várias questões de bancas diversas, as lições


acima vão ajudá-lo a acertar 99% das questões de todas as bancas.

Última coisa: consulte o capítulo 27 da minha gramática; veja a lição


número 8 de vírgula no período simples (pesquise as referências).
DIFERENÇA ENTRE ADJUNTO ADNOMINAL E PREDICATIVO!

Veja estas frases:

– Extremamente estudiosa, aquela aluna conseguiu se classificar no


tão sonhado concurso!

– Aquela aluna, extremamente estudiosa, conseguiu se classificar no


tão sonhado concurso!

– Aquela aluna extremamente estudiosa conseguiu se classificar no


tão sonhado concurso!

– Dentre outros alunos estudiosos, os professores sempre


consideraram aquela aluna extremamente estudiosa.

– Dentre outros alunos estudiosos, os professores selecionaram aquela


aluna extremamente estudiosa.

Antes de mais nada, saiba que normalmente o adjunto adnominal e


os predicativos (do sujeito ou do objeto) se confundem quando o
núcleo deles é um adjetivo, como é o caso dos exemplos acima.

Para não mais confundir mais ADN com PS ou PO, saiba que o ADN
não pode ser separado por vírgula do termo a que se refere e indica
uma característica inerente ao ser. Por isso, podemos afirmar que as
frases 1, 2 e 4 não apresentam ADNs. Os únicos ADNs estão nestas
frases:

– Aquela aluna extremamente estudiosa conseguiu se classificar no


tão sonhado concurso!

– Dentre outros alunos estudiosos, os professores selecionaram aquela


aluna extremamente estudiosa.

Não se trata de qualquer aluna, mas da aluna extremamente


estudiosa, ou seja, ser extremamente estudiosa é uma característica
inerente à aluna. Observe algo interessante também, que pouco se
ensina: quem conseguiu se classificar no tão sonhado concurso:
“aquela aluna” ou “aquela aluna extremamente estudiosa”? É óbvio
que a resposta é “aquela aluna extremamente estudiosa”. Percebe
que “extremamente estudiosa” está tão junto do núcleo, mas tão
grudado nele, que faz parte do sintagma nominal (grupo de palavras
que se relacionam com um núcleo nominal) “aquela aluna
extremamente estudiosa”? O mesmo se dá na frase: “– Dentre outros
alunos estudiosos, os professores selecionaram aquela
aluna extremamente estudiosa“.

Portanto, o adjunto adnominal 1) não é separado por vírgula do


núcleo; 2) é uma característica inerente ao ser; e 3) faz parte de um
sintagma nominal.

As outras frases com vírgulas (1 e 2) denunciam que “extremamente


estudiosa” é um predicativo do sujeito, pois caracteriza o sujeito,
indicando um estado/atributo momentâneo do ser, e não inerente.
Note também que, por causa das vírgulas, “extremamente estudiosa”
fica fora do sintagma nominal “aquela aluna”, logo não pode ser um
adjunto, e sim um predicativo legítimo.

Sobre a penúltima frase (Dentre outros alunos estudiosos, os


professores sempre consideraram aquela aluna extremamente
estudiosa), observe que “extremamente estudiosa” é uma
característica não inerente, mas uma característica atribuída à
aluna! Um bizu é colocar o termo “como” antes do “extremamente
estudiosa” para ver se é realmente um predicativo do objeto:
“Dentre outros alunos estudiosos, os professores sempre
consideraram aquela aluna como extremamente estudiosa.
Outro bizu, para não ter dúvida entre ADN e PO, é colocar a frase na
voz passiva analítica; se “extremamente estudiosa” ficar distante do
núcleo, isso indicará que não faz parte do sintagma nominal, logo
será um PO: “Dentre outros alunos estudiosos, aquela aluna sempre
foi considerada pelos professores extremamente estudiosa“. Voilà!!!

Portanto, o predicativo 1) pode ser separado por vírgula do núcleo; 2)


é uma característica momentânea ou atribuída ao ser; e 3) não faz
parte de um sintagma nominal.
VOCÊ SABIA QUE 90% DAS QUESTÕES DE CONCORDÂNCIA SÃO
SEMPRE ASSIM?

Sim, graças a Deus, 90% das questões de concordância verbal (de


qualquer banca, de qualquer nível, de qualquer concurso, de
qualquer ano, de qualquer planeta em que se fale português) são
sempre em cima dos mesmos 7 casos abaixo:

1) Sujeito posposto/distanciado

– Vivia no meio da grande floresta tropical brasileira seres estranhos.


(errado)
– Viviam no meio da grande floresta tropical brasileira seres
estranhos. (certo)

2) Verbos impessoais (haver e fazer)

– Houveram algumas pessoas importantes na minha vida. (errado)


– Houve algumas pessoas importantes na minha vida. (certo)
– Fazem dois meses que não pratico esporte. (errado)
– Faz dois meses que não pratico esporte. (certo)
– Podem haver até cinco pessoas na sala. (errado)
– Pode haver até cinco pessoas na sala. (certo)
– Devem fazer dez dias que não saio de casa. (errado)
– Deve fazer dez dias que não saio de casa. (certo)

3) Verbo na voz passiva sintética

– Criou-se muitas expectativas para a luta. (errado)


– Criaram-se muitas expectativas para a luta. (certo)

4) Verbo concordando com antecedente do pronome relativo

– Contratei duas senhoras para a empresa, o que geraram discussões


entre os mais novos. (errado)
– Contratei duas senhoras para a empresa, o que gerou discussões
entre os mais novos. (certo)

5) Sujeito coletivo/partitivo com especificador plural

– A multidão de torcedores vibrou/vibraram.


– Grande parte dos grupos protestou/protestaram.

6) Sujeito oracional
– Convêm a eles não alterar a voz. (errado)
– Convém a eles não alterar a voz. (certo)

7) Núcleo do sujeito no singular seguido de adjunto ou complemento


no plural

– Conversa breve nos corredores podem gerar atrito. (errado)


– Conversa breve nos corredores pode gerar atrito. (certo)

SABE QUAIS CONJUNÇÕES PODEM MUDAR DE CLASSIFICAÇÃO E/OU


SENTIDO???

A depender do contexto, as conjunções abaixo podem ter mais de um


sentido, como se vê ao lado de cada uma. É com elas que devemos
tomar cuidado, pois todas as demais (cerca de 100) têm o mesmo
sentido sempre, o que significa que você precisa decorá-las.

E: adição, adversidade, conclusão/consequência, finalidade

MAS: adição, adversidade

COMO: adição, causa, conformidade, comparação

QUANTO: adição, comparação

OU: inclusão/adição, exclusão, retificação

POIS: causa, explicação, conclusão

PORQUE: causa, explicação, finalidade

QUE: adição, adversidade, alternância, explicação, causa,


consequência, comparação, concessão, finalidade, tempo

PORQUANTO: causa, explicação

UMA VEZ QUE: causa, condição

DADO QUE: causa, concessão

SE: condição, causa, concessão, tempo

DESDE QUE: tempo, condição

SEM QUE: concessão, condição, modo, consequência


AO PASSO QUE: proporção/simultaneidade, oposição

ENQUANTO: proporção/simultaneidade, tempo, oposição

QUANDO: tempo, condição, oposição/concessão

“NÃO OBSTANTE” – EIS A DEFINITIVA EXPLICAÇÃO!

Vamos entender de vez as classificações de NÃO OBSTANTE.

1) Locução prepositiva concessiva: seguida de verbo no infinitivo ou


iniciando adjunto adverbial; equivale a “apesar de”.

– Não obstante estar cansado, foi trabalhar.

– Não obstante o cansaço, foi trabalhar.

2) Locução conjuntiva subordinativa concessiva: seguida de verbo no


modo subjuntivo; equivale a “embora”.

– Não obstante estivesse cansado, foi trabalhar.

3) Locução conjuntiva coordenativa adversativa: seguida de verbo no


modo indicativo; equivale a “porém”.

– Estava cansado, não obstante foi trabalhar.


DIFERENÇA ENTRE CN e ADN!

Você realmente sabe a diferença entre COMPLEMENTO NOMINAL e


ADJUNTO ADNOMINAL???

Se ainda sente dificuldades em saber “quem é quem”, vamos acabar


com isso agora, DE UMA VEZ POR TODAS!

A dificuldade de classificação se dá quando o termo vem


preposicionado pela preposição DE (exemplo: construção da
empresa: o termo destacado é CN ou ADN?).

Agora vou lhe apresentar as características distintivas e necessárias


desses termos, para que você possa desvendá-los na hora H:

1) COMPLEMENTO NOMINAL (CN):

· liga-se sempre a substantivo abstrato (normalmente deverbal, ou


seja, derivado de verbo por derivação sufixal ou regressiva);
· liga-se a adjetivo (às vezes o adjetivo terminado pelos sufixos “-
nte, -or(a), -eira, -ista” sofre derivação imprópria, transformando-se
em substantivo concreto; nesse caso, ele costuma ainda conservar
sua regência nominal);
· é um termo preposicionado que tem valor semântico
paciente/passivo (dica: reescrever na voz passiva, se possível, para
comprovar esse valor semântico).

Veja os exemplos a seguir:

– Sofremos com a contaminação da água: o termo preposicionado


está ligado a substantivo deverbal (vem de contaminar) e tem valor
paciente (a água foi contaminada).
– Foi feito o estorno do dinheiro: o termo preposicionado está ligado
a substantivo deverbal (vem de estornar) e tem valor paciente (o
dinheiro foi estornado).
– Ele era um conhecedor da lei: o termo preposicionado está ligado a
adjetivo substantivado e tem valor paciente (a lei era conhecida).
2) ADJUNTO ADNOMINAL (ADN):

· normalmente se liga a substantivo concreto, mas pode se ligar a


substantivo abstrato;
· tem uma relação de posse/pertencimento ou especificação com o
substantivo a que se liga;
· é sempre uma locução adjetiva, que pode ter um adjetivo
correspondente;
· normalmente apresenta valor agente (dica: reescrever em voz
ativa, se possível, para comprovar esse valor semântico).

Veja os exemplos a seguir:

– Era linda a casa de praia: o termo preposicionado está ligado a


substantivo concreto e pode ser substituído por “praiana”.
– Nada se compara ao amor da mãe: o termo preposicionado está
ligado a substantivo abstrato, tem uma relação de
posse/pertencimento e pode ser substituído por “materno”.
– Foi belo o discurso do professor: o termo preposicionado está
ligado a substantivo abstrato, tem uma relação de
posse/pertencimento e tem valor agente (o professor discursou).

Dica valiosa: se o termo preposicionado estiver ligado a substantivo


concreto, tiver valor de posse ou não tiver valor paciente, não
respire: ADN na cabeça!