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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO


LICENCIATURA EM ENSINO DE GEOGRAFIA

INFLUÊNCIA DA ACÇÃO ANTRÓPICA NA DESTRUIÇÃO DOS


ECOSSISTEMAS FLORESTAIS EM MOÇAMBIQUE

TELMA DA GRAÇA ALBINO MASSANGO NHOELA


Maxixe, 17 de Julho de 2019

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DE EDUCAÇÃO
LICENCIATURA EM ENSINO DE GEOGRAFIA

INFLUÊNCIA DA ACÇÃO ANTRÓPICA NA DESTRUIÇÃO DOS


ECOSSISTEMAS FLORESTAIS EM MOÇAMBIQUE

Trabalho do módulo de Biogeografia , a ser entregue ao tutor Edson Huo, do Departamento de


Ciências de Educação como 2º teste.

A Estudante O tutor
Telma da Graça Albino Massango Nhoe Edson Huo
Maxixe, 17 de Julho de 2019

Índice
1. Introdução.................................................................................................................................4

1.1. Objectivos Especificos.......................................................................................................4

2. Fundamentação teórica..............................................................................................................5

2.1. Conceito de Acção antrópica.............................................................................................5

2.1.1. Acção antrópica negativa...........................................................................................5

2.1.2. Acção antrópica positiva............................................................................................6

3. Actividades humanas determinantes para a destruição dos ecossistemas florestais em


Moçambique.....................................................................................................................................7

4. Situação dos ecossistemas florestais em Moçambique.............................................................7

5. Propostas para a recuperação dos ecossistemas florestais degradadas.....................................8

5.1. Técnicas de recuperação de áreas degradadas...................................................................9

Conclusão.......................................................................................................................................12

Referencias Bibliográficas..............................................................................................................13
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1. Introdução

Ação antrópica corresponde a uma ação realizada pelo homem. Em decorrência dos impactos
ambientais provocados pelo homem, esse termo ganhou destaque nas discussões ambientais.

Ações antrópicas são ações realizadas pelo homem. Atualmente, essa expressão ganhou destaque
em diversas discussões sobre o meio ambiente, visto que as ações humanas têm provocado
grandes alterações no meio ambiente e têm desencadeado um cenário de extrema preocupação
entre os estudiosos e defensores do meio ambiente.

Sabe-se que o espaço geográfico é o local onde se estabelece a relação entre homem e meio.
Assim, ele sofre constantes alterações, sejam positivas ou negativas. Ao falarmos sobre impactos,
geralmente é feita uma associação negativa ao termo.

Esta pesquisa enquadra-se no âmbito avaliativo da disciplina de biogeografia cujo objectivo


principal é reflectir sobre Influência da acção antrópica na destruição dos ecossistemas florestais
em Moçambique..

1.1. Objectivos Especificos


 Contectualização das acções tropicas na destruição do ecossisistema florestal.

 Indicar as actividades humanas determinantes para a destruição dos ecossistemas


florestais em Moçambique
 Descrever a situação dos ecossistemas florestais em Moçambique;
 Apresentar propostas para a recuperação dos ecossistemas florestais degradadas
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2. Fundamentação teórica
2.1. Conceito de Acção antrópica

Acção antrópica diz respeito à acção realizada pelo homem. Esse termo ganhou visibilidade
quando a ação do homem tornou-se tema de discussões acerca das intensas alterações que o meio
ambiente tem sofrido. Essas modificações preocupam estudiosos e defensores da natureza, posto
que o mundo tem dado sinais de que não aguentará por muito tempo. Vivemos tempos em que as
catástrofes naturais, intensificadas pela ação antrópica, tornam-se cada vez mais frequentes em
todo o planeta, causando danos irreparáveis, como o agravamento do aquecimento global por
causa das emissões de gases poluentes à atmosfera.

É válido ressaltar que nem toda acção antrópica é negativa e que a palavra “impacto” não se
refere apenas a alterações que provocam problemas no meio ambiente. O termo impacto refere-se
às modificações produzidas no meio ambiente, as quais podem ser consideradas positivas ou
negativas.

2.1.1. Acção antrópica negativa

As alterações feitas pelo homem no meio ambiente intensificaram-se bastante nos últimos
tempos. Foi a partir da Revolução Industrial que o cenário mundial alterou-se de maneira
significativa. O modo de produção capitalista, voltado para o alcance máximo de lucros e
produção em massa, mudou a maneira de viver e pensar da sociedade, estimulando cada vez mais
os impactos socioambientais. O consumo desenfreado da população resultou na necessidade de
maior obtenção de matéria-prima para as produções industriais. Sendo assim, ações como
desmatamento, lançamento de esgotos industriais em rios, lagos e mares, empobrecimento do
solo pelo uso de agrotóxicos, poluição atmosférica, entre outras, têm devastado o meio ambiente
e provocado o seu esgotamento.
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2.1.2. Acção antrópica positiva

É fundamental que o modelo de desenvolvimento socioeconômico vigente, que visa a explorar ao


máximo os recursos da natureza, seja substituído por um modelo de desenvolvimento que tenha
como meta a redução dos impactos negativos sobre o meio ambiente. Uma das possibilidades
seria a substituição da matriz energética baseada no uso de combustíveis fósseis por fontes de
energia alternativas, como a energia solar e eólica. A população deve também mudar seus hábitos
e fazer uso consciente dos recursos naturais, evitando desperdício de recursos como a água,
energia e alimentos, bem como usar produtos biodegradáveis.

Exemplos de ações antrópicas positivas:

 Colecta seletiva
 Reflorestamento de áreas que foram desmatadas
 Reciclagem do lixo
 Uso de fontes renováveis de energia
 Preservação da biodiversidade
 Estabelecer leis de conservação do meio ambiente
 Não poluição de rios, lagos e mares
 Incentivo de políticas ambientais
 Recuperação de matas ciliares
 Uso de filtros nas indústrias para diminuir a emissão de gases tóxicos
 Uso consciente dos recursos hídricos e de energia
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3. Actividades humanas determinantes para a destruição dos ecossistemas florestais em


Moçambique

Em Moçambique sendo um pais em vias de desenvolvimento e a falta de emprego uma das das
actividades principais determinantes para a destruição dos ecossistemas florestais é o
desmatamento.

O desmatamento constitui uma prática relacionada à ocupação humana desde as primeiras formas
de agrupamentos sedentários.

Em Moçambique a escala de desmatamento aumentou bastante após o surgimento das


sociedades industriais. Não só como também a exportação de madeira para diferentes países tem
originando o desmatamento como é o caso da venda de madeira para China. Actualmente as
florestas começam a serem retiradas para a extração da madeira, especiarias e, posteriormente,
para a produção latifundiária, pois as monoculturas tropicais exigiam grandes extensões de suas
plantações para poder atender às demandas externas.

Em alguns casos podemos encontrar a exploração de lenha aparece como a principal causa de
desmatamento, seguida de agricultura, agricultura e queimadas descontroladas.

Noutros casos podemos encontrar a construção de residências no interior das matas, extracção de
material de construção, especialmente estacas, garimpo ilegal e a caca furtiva.

4. Situação dos ecossistemas florestais em Moçambique


Com cerca de 784 755 km² de superfície, Moçambique conta com 620 000 km2 de floresta
natural e outra vegetação lenhosa (78% da superfície total do país) e uma taxa de crescimento
anual que varia entre 0,5 a 1,5 m³/ha/ano. As florestas de miombo cobrem 67% estendendo-se na
zona climática húmida desde o rio Limpopo para o Norte. Os restantes 33% são dominados pela
floresta de Mopane na zona climática árida e semi-árida do sul do rio Save (Marzoli, 2007).

Dos 20 milhões e 854 mil habitantes, maior parte da população Moçambicana (68,2%) vive em
comunidades rurais isoladas, distantes das principais vias de comunicação, interage e depende,
em grande medida dos recursos florestais para seu sustento diário e bem estar. Esta grande
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dependência sobretudo as práticas agrícolas inadequadas, sobre pastoreio, queimadas


descontroladas, assentamentos populacionais desordenados e em áreas pouco ou não apropriadas,
sobre exploração dos recursos vegetais para lenha e carvão, associados ao crescimento
populacional acelerado levam ao desmatamento anual de cerca de 0.58%, equivalente a 220.000
ha de florestas deixando extensas áreas degradadas (Marzoli, 2007).

As primeiras plantações florestais em Moçambique começaram no inicio do século XIX, na então

Lourenço Marques hoje Maputo com o objectivo de secar os pântanos existentes na parte baixa
da cidade usando espécies do género Eucaliptus.

5. Propostas para a recuperação dos ecossistemas florestais degradadas


A Society for Ecological Restoration International (SERI) define a recuperação de ecossistemas
como uma ciência, prática e arte de assistir e manejar a recuperação da integridade ecológica dos
ecossistemas, incluindo um nível mínimo de biodiversidade e de variabilidade na estrutura e
funcionamento dos processos ecológicos, considerando-se seus valores ecológicos, econômicos e
sociais.

O processo de recuperação depende do grau de degradação do ambiente. Em algumas situações,


técnicas simples podem ser implementadas para a recuperação, inclusive, havendo áreas em que a
própria dinâmica do ecossistema é autosuficiente para a regeneração natural.

Entretanto, nem sempre é possível o retorno de um ecossistema degradado à sua condição


original, devido, entre outras causas, ao estado de degradação a que foi submetido.

Como refere Gomes (sem data), a recuperação de uma área deve propiciar condições para que ela
desenvolva quase todos os processos ecológicos de uma vegetação secundária nativa como:
aspectos hidrológicos, erosivos, edáficos, florísticos, abrigos e nichos ecológicos para várias
espécies, ciclagem de nutrientes e biodiversidade. É evidente porém, que não se trata de
reproduzir fielmente as etapas sucessionais, o que acarretaria inevitavelmente, um enorme
período de tempo.
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5.1. Técnicas de recuperação de áreas degradadas

A escolha de um método de recuperação é um processo em constante aprimoramento, que vai


desde a utilização de obras de engenharia, de adubações, à utilização de forrageiras, lianas, ervas,
arbustos, árvores (nativas ou exóticas), ou mesmo a utilização de tecnologias como a inoculação
de micorrizas e bactérias fixadoras de nitrogênio atmosférico nas raízes das plantas
(Regensburger, 2004).

A. Plantio de espécies nativas em áreas degradadas

A Lei de Florestas e Fauna Bravia (Lei No 10/99, de 22 de Dezembro), no seu Artigo 27 diz que
o estado deve promover a recuperação das áreas degradadas através de plantações florestais,
preferencialmente nas dunas costeiras e ecossistemas frágeis.

O primeiro grande desafio para o estabelecimento com sucesso das plantações de recuperação é a
definição das espécies dependendo das condições da área a ser reflorestada. Neste caso as
condições incluem o ambiente físico e factores sócio-económicos especialmente a necessidade de
uso de solos.

As espécies escolhidas para o reflorestamento em áreas degradadas devem ser capazes de se


desenvolver em solos abertos, competir com outras plantas agressivas e resistir ao stress. É um
beneficio especial se as espécies forem fixadoras de nutrientes no solo e providenciarem produtos
que podem ser usados pelas comunidades locais (Regensburger, 2004).

B. Transposição de solo

Nas áreas degradadas o banco de sementes e propágulos podem ter sidos eliminados ou
enterrados em profundidade, impedindo a sua emergência. Neste caso a transposição de solo de
pequenos núcleos das áreas circundantes e diferentes níveis sucessionais de áreas não degradadas
representa grande probabilidade de recolonização da área com a comunidade de
microorganismos, sementes e propágulos de espécies vegetais pioneiras. Este processo permite a
reintrodução de populações de espécies da micro, meso e macro fauna ou flora do solo, incluindo
os microorganismos decompositores e fixadores de nutrientes, fundamentais na ciclagem de
nutrientes, reestruturação e fertilidade do solo, além das sementes de diferentes espécies (Silva et
al., 1994 citado por Regensburger 2004).
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C. Ilhas de Vegetação

Uma outra possibilidade de recuperar áreas degradadas é por meio do estabelecimento de ilhas de
vegetação, onde o plantio é feito em forma de ilhas e não em toda a área através da mistura de
espécies pioneiras e não pioneras ou mesmo ilhas de espécies não pioneiras e plantio das
pioneiras por toda a área. No entanto as espécies a serem introduzidas nas ilhas devem apresentar
alta diversidade funcional. Uma técnica para selecionar espécies adequadas é coletar sementes
presentes no banco de sementes das áreas circundantes ou coletar a partir de árvores matrizes
dentro da floresta (Regensburger, 2004).

D. Conservação de florestas naturais

O país para além de florestas degradadas como resultado da acção humana, tem extensas áreas de
ecossistemas frágeis e bacias hidrográficas que merecem tratamento especial em termos de
protecção e conservação, é caso das dunas ao longo da faixa costeira e áreas sujeitas a erosão
(MINAG, 2006).

Hanazaki (2003) citando Odum (1971) explica que a conservação tem o objetivo de assegurar a
preservação de um ambiente de qualidade que garanta necessidades estéticas, de recreação e de
produtos, e que assegure uma produção contínua de plantas, animais e materiais úteis, mediante o
estabelecimento de um ciclo equilibrado de colheita e renovação.

O reflorestamento de conservação e protecção é o estabelecimento de plantações florestais com o


objectivo principal de reabilitação e conservação do ambiente, e de acordo com a legislação
vigente é responsabilidade do estado estabelecer plantações florestais para fins de conservação
(MINAG, 2006). O governo através da DNFFB em colaboração com outras instituições
responsáveis pelas Florestas no país comprometeram-se entre outros pontos a :

 Conservar e promover as florestas;


 Conservar e propagar as plantas de espécies endêmicas;
 Conservar as fontes de água nas bacias hidrograficas, zonas ribeirinhas e outras zonas
sensíveis;
 Garantir o maneio sustentável dos recursos florestais para permitir o benefício da sociedade
civil em produtos florestais, ecoturismo educação e investigação;
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 Promover o plantio de árvores em particular de espécies endémicas;


 Dar assistência técnica para o desenvolvimento sustentavel de florestas em todas florestas do
país e,
 Apoiar os acordos internacionais, convenções e principios sobre o maneio sustentavel de
florestas e conservação do ambiente.

Figura 1 – Area Florestal destruída pela acção das Queimadas


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Conclusão
Terminado o trabalho podemos concluir que acções antrópicas são as alterações realizadas pelo
homem no planeta Terra. A ação antrópica na natureza sempre aconteceu, desde os tempos
antigos até hoje em dia. Pois sempre quando utilizamos algo do meio ambiente, o alteramos de
alguma maneira.

O desmatamento, embora seja uma ação antrópica (humana), não é feito por acaso. Existem
alguns motivos que provocam ou intensificam a ocorrência desse problema, entre os quais,
podemos mencionar: Expansão agropecuária, Actividade mineradora, Maior demanda por
recursos naturais, Crescimento da urbanização, aumento das queimadas entre outros.

A situação dos ecossistemas florestais em Moçambique não está boa, tendo presente a redução
do património florestal e o rol de ilegalidades decorrentes da exploração e exportação ilegal de
recursos florestais.
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Referencias Bibliográficas
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comunidades, Maputo, Fundação Konrad Adenauer.

BILA, Adolfo (2005), Estratégia para a Fiscalização Participativa de Florestas e Fauna Bravia
em Moçambique, preparado para o projecto TCP/ MOZ/2904 (A) Support for the
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MINISTÉRIO DA AGRICULT URA (2007), Avaliação Integrada das Florestas de


Moçambique – Inventário Florestal Nacional, Direcção Nacional de Terras e Florestas, Maputo.

MINISTÉRIO DA AGRICULT URA (2013), Avaliação do Desempenho das Concessões


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MINISTÉRIO DA AGRICULT URA (2007), Avaliação Integrada das Florestas de


Moçambique – Inventário Florestal Nacional, Direcção Nacional de Terras e Florestas, Maputo.

MOSSE, Marcelo (2008), Avaliação da Corrupção no Sector Florestal, Um mapeamento das


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florestais em Moçambique, Documento de Discussão n.º 7, Maputo, Centro de Integridade
Pública.

MOURANA, Benilde, SERRA, Carlos (2010), 20 Passos para a Sustentabilidade Florestal em


Moçambique, Maputo, Amigos da Floresta/Centro de Integridade Pública.

Pereira, Fernando Sciammarella. 2007. Avaliação da recuperação de área degradada “estação


de tratamento de esgoto tibiriçá, no município de garça. Faculdade de agronomia e engenharia
florestal de garça, ano v, no 09.

Regensburger, Brigite (2004). Recuperação de áreas degradadas pela mineração de argila


através da regularização topográfica, da adição de insumos e serrapilheira, e de atratores da
fauna. Tese de mestrado. Florianópolis. 99 pp.