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Disciplinas

Teologia
De

Um conjunto de matérias
Para formar um curso Bíblico
Edmilson Alves

Disciplinas

Teologia
De

Um conjunto de matérias
Para formar um curso Bíblico

volume 1

São Paulo -SP


2015
Alves, Edmilson, 2015, Disciplinas de teologia
Categoria / religião. São Paulo / Brasil – Agosto de 2015

Todos os direitos reservados.


Copyright 2015, por Edmilson Alves, São Paulo, Brasil

Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida sem a


autorização por escrito do autor, exceto pequenas citações e que
faça referência à fonte.

Diagramação e capa : Editora Prince

ISBN: 978-85-62954-23-8

Editora Prince
W W W. P R I N C E V E R L A G . D E
livrosprince@gmail.com
Sumário

Teologia de Deus.............................................................7
Cristologia......................................................................55
Paracletologia.................................................................91
Hamartiologia.............................................................153
Antropologia Bíblica.................................................164
Soteriologia..................................................................183
Homilética...................................................................193
Bibliografia...................................................................205
Teologia de Deus
Estudo sobre Deus

7
Indice
A existência de Deus ...................................................9
Controvérsias Intelectual.....................................................9
Controvérsias Moral..........................................................10
Evidências da existência de Deus......................................11
Sua autorevelação......................................................16
Revelação natural .............................................................16
Revelação pessoal ..............................................................16
Revelação escrita ...............................................................16
Seus nomes ...................................................................18
“El” e seus derivados .........................................................19
O nome “Yahweh” ............................................................20
“Yahweh” e suas combinações............................................21
Seus atributos .............................................................24
Atributos naturais .............................................................24
Atributos morais ...............................................................25
Suas obras .....................................................................38
Sua criação .......................................................................38
Sua providência ................................................................40
Seu governo ......................................................................43
Sua vontade ......................................................................43
A glória de Deus ...............................................................46
A Trindade ...................................................................50
No antigo testamento........................................................50
No novo testamento..........................................................52

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Edmilson Alves

A existência de Deus
Provar a existência de Deus não é uma preocupação bíblica, pois
esta, já é uma prova e uma auto-revelação da pessoa divina. Não ha-
vendo esta preocupação, as escrituras sagradas se iniciam com a se-
guinte afirmativa:
“No princípio criou Deus, os céus e a terra” (Gn 1.1).
Partindo deste princípio, equivale apenas dizer que “Deus existe”, e
tudo que há nos mundos é obras de suas mãos.
As dificuldades de algumas pessoas em querer não acreditar na exis-
tência de Deus, parte do distanciamento delas, para com Ele. Se o
ser humano insiste em cometer pecados contra Deus, estes pecados
vão criando um abismo intransponível, que o distancia a ponto do
homem se tornar tão ignorante a vir afirmar como o néscio do salmo
14.1 e dizer no seu coração “não há Deus”. Porém, nada disso muda a
realidade da existência de Deus. Pois Deus existe e os céus manifestam
a sua glória, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos (Sl 19.1).
Porém, mesmo tudo provando a sua existência, ainda existe pessoas
e teorias que insistem em desacreditar nessa existência, e se apegam
em argumentos controvertidos e sem bases escriturísticas. Dentre estes
argumentos, há duas controvérsias de larga aceitação que encabeçam
a argumentação do grupo dos que se dizem ateus. As duas principais
controvérsias são: Controvérsia intelectual e Controvérsia moral.

Controvérsia Intelectual
Esta controvérsia, segue o caminho da lógica humana e procura dar
uma explicação científica para tudo que existe, ignorando a existência
de um ser superior e espiritual, deste modo para este tipo de intelec-
tual 2+2=4 e isto é chamado de matemática. Acerca da chuva, apenas
acreditam no que é visível; o sol brilha no oceano, aquece as águas,
que se vaporizam, tornando-se em nuvens, que ao cair da temperatura

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se condensam e descem em forma de chuva, e chama a isso de ciclo hi-


drológico. Enfim, crêem apenas numa lei natural para governar tudo.
Acreditam na teoria da evolução das espécies para o desenvolvimen-
to do universo, e desprezam qualquer evidência da existência de um
Deus. Porém, os que seguem esta linha de pensamento esquecem que
nenhuma lei legisla sozinha, a lei é apenas um instrumento pelo qual
o legislador ou governador legisla. Portanto se há uma lei natural que
rege todos os elementos da natureza, por trás desta lei, há alguém que
a criou e a estabeleceu, e isso esclarece que o universo e seus elementos
não funcionam por si só, alguém os criou para que funcionasse, e esse
alguém foi ninguém menos do que Deus.

Controvérsia Moral
Essa controvérsia é uma das mais complexas e de difícil persuasão pois
põe em cheque a existência, a bondade e o poder divino. O ponto
crucial desta questão é a realidade do sofrimento e injustiças no mun-
do, pois os que usam estes argumentos para negar a existência divina.
Acreditam que não existe um ser que governa o mundo, pois o mundo
está desgovernado, e se existe Ele não tem poder sobre o universo, e se
tem poder não tem bondade. Pois acontece, todos os dias, injustiças
contra inocentes, catástrofes, guerras, violências, epidemias, onde mi-
lhares de homens, mulheres e principalmente crianças, são as maiores
vítimas. E Deus nada faz para protegê-los, sendo assim, é mais fácil
dizer.; “Deus não existe”. Sendo essa uma controvérsia difícil, não
podemos deixar de refutá-la à luz da Bíblia, a qual diz que “...no prin-
cípio criou Deus os céus e a terra... E criou o homem e mulher... e viu
Deus, que tudo isso era bom...” (Gn 1.1,10).
Partindo deste pormenor, biblicamente tudo que Deus criou era
bom. Porém, após a queda de Adão, e a entrada do pecado no mundo,
o mal e a injustiça se alastrou, pois aquele livre arbítrio que Deus deu
ao homem para que este escolhesse sempre o bem e a justiça, foi usado
para fazer escolhas erradas trazendo como consequências; sofrimentos
e injustiças ao mundo. Portanto, todo mal que existe na humanidade
hoje é consequência da escolha errada de Adão. Porém, mesmo depois
da queda do homem, Deus projetou um plano para salvá-lo e acabar
com os sofrimentos da humanidade.

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Evidências da existência de Deus


Mesmo crendo que não haveria necessidade de expor algum tipo e
elemento que evidencie a existência divina, a nível de plenitude teoló-
gica, deduzimos ser necessário apresentar um conteúdo teologicamen-
te completo, expondo evidências que comprovam a qualquer leigo, a
existência de Deus.
Dentre as inúmeras provas existentes, selecionamos três que conside-
ramos muito importantes. As quais são: A Fé, A Criação, e a percep-
ção humana.

A Fé
Conforme hebreus (11.1) “a fé além de ser o firme fundamento das
coisas que se esperam é também a prova do que não se vê”. O ter-
mo Fé, é originário biblicamente do termo grego Pistis que traduz
“firme persuasão, convicção fundamentada no ouvir” e é apresentada
nas epístolas paulinas, no que se refere aos cristãos, como tendo três
estágios denominados de Fé comum (Tt 1.4) Fé como fruto do espíri-
to (Gl 5.22) Fé como dom espiritual (ICo 12.9). E nos evangelhos, e
também em algumas epístolas, é apresentada com expressões referen-
tes a “Medidas de Fé”, ex: Pequena Fé (Lc 12. 28), Fé crescente (II Co
10.15), Fé Grande (Lc 5.20; Mc 2.5).
Já no sentido geral é possível classificar a obrigatoriedade da apli-
cação da fé em três áreas distintas da vida, isto é, nas áreas Material,
Intelectual, e Espiritual.

Fé material, diz respeito as coisas materiais e essa fé é um elemento


essencial para sobrevivência e realização de qualquer projeto.
No campo, por exemplo, o agricultor que semeia a semente necessita
antes de tudo ter fé que virá a chuva, e que a semente vai germinar,
crescer e frutificar, e que vai colher muitos frutos com os quais ele
acredita (pela fé) que vai saciar a fome e suprir as necessidades da fa-
mília. E é pela fé que o homem sabe que o pão sacia a sua fome, e que
a água mata a sua sede, e por esta mesma fé ele planta o trigo, crendo
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que dali obterá pão. Também, pela fé as pessoas saem de casa a pro-
cura de emprego, e pela mesma crêem que receberão no final do mês
o salário pelos dias trabalhados. Enfim, ninguém vive a vida material
sem fé.

Fé Intelectual, Na vida intelectual, a fé também é um dos elementos


essenciais na busca do conhecimento. Pois sem fé as pessoas vivem
apenas com o que tem e sabem. E perdem a possibilidade de conhecer
novos horizontes, e descobrir que há muita coisa boa escondida e que
precisa ser revelada. Porém, só descobrirão essas verdades encobertas,
aqueles que tem fé para buscá-la. O velho ditado que “a fé é cega” é
uma verdadeira mentira pois a fé, não é cega, pelo contrário, a fé tem
a melhor e maior visão entre todas as virtudes, pois aonde se enxerga
fracasso, aí, a fé vê sucesso, aonde no mundo parece não haver go-
verno, descobrimos pela fé na revelação da palavra escrita que há um
Deus que governa e controla tudo.
O grande avanço da ciência neste último século, deu-se graças a
homens que tiveram fé e procuraram examinar e pesquisar o que até
então não conheciam. Essa fé que procura o conhecimento, implica
também na busca pela verdade de Deus revelada na criação, na escrita,
e na experiência pessoal. E essa verdade oculta a muitos, foi revelada
por Jesus que em suas palavras expressou: “creiam, e conheçam a ver-
dade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32). Portanto, a fé é essencial
para a vida intelectual, pois sem ela ninguém vai querer conhecer o
desconhecido. Neste âmbito a fé revela, ao homem que ele precisa
desenvolver seu intelecto, procurando o conhecimento, para poder no
fim de tudo concluir qual seja a boa, perfeita e agradável, vontade de
Deus (Rm 12.1,2).

Fé espiritual. Assim como a fé é necessária para a vida material e inte-


lectual de maneira mais profunda ela é essencial para a vida espiritual,
pois conforme a Bíblia “Deus é espírito” e sem fé, é impossível agradar
a Ele.
(Jo 4.24; Hb11.6). A fé que age na vida material, revelando as neces-
sidades e direcionando ao suprimento é a mesma que revela a verdade
desconhecida a quem busca, e a mesma que nos leva a crê que há um
Deus que nos criou com o propósito de servi-lo e adorá-lo.
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Cremos na existência de dois mundos: o material, e o espiritual.


O mundo material engloba todas as coisas criadas da matéria. Este
mundo é palpável e visível a todo ser humano. E o mundo espiritual,
envolve tudo que foi criado antes do mundo material, incluindo anjos
e regiões espirituais. Este mundo espiritual é intocável aos seres hu-
manos. Porém, só é possível haver relações entre estes dois mundos,
através da fé, pois esta é o veículo que conduz nossas orações e adora-
ções ao mundo espiritual e traz a nós alegria e soluções no mundo ma-
terial. Se Deus é espírito, e o homem é matéria, necessário é, que este
use a fé para conhecer e entender a realidade da existência de divina,
pois a fé é o elemento essencial para se entender as coisas espirituais,
e é principalmente por meio dela que asseguramos que Deus existe, e
habita em nós.

A Criação
Todos os elementos da criação, como os céus, a terra, os animais, as
plantas, o mar e os seres aquáticos, aves do céu, o sol, a lua e as estrelas
e tudo que há no universo revela a existência de Deus. A este respei-
to, o salmista Davi entoou um salmo 19 que celebra a revelação da
existência através da criação. O salmo 19 contém 14 versículos e um
conteúdo teológico que pode ser dividido em três pontos principais,
nos quais através da natureza criada, Deus é revelado.
Primeiro, sua existência é revelada na natureza (Sl 19.1-6) nestes ver-
sos o salmista afirma que “os céus manifestam a glória de Deus, e o
firmamento anuncia as obras das suas mãos, e um dia faz declaração
de outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite. Sem lingua-
gem e sem fala, ouvem-se as suas vozes, em toda extensão da terra, e
as suas palavras até o fim do mundo”. (Vs. 1, 2, 3, 4). Aqui vemos um
testemunho com várias definições; Claro (os céus manifestam Deus v.
1), Constante (um dia faz declaração de outro dia e uma noite mostra
outra noite v. 2), Silencioso (sem linguagem e sem fala ouve suas vozes
v.3), Universal (em toda extensão da terra, e as suas palavras até o fim
do mundo v.4), Regozijante (como o noivo que sai do seu tálamo e se
regozija como um herói a percorrer o seu caminho v 5, 6).
Segundo, sua existência revelada nas suas leis (vs 7-11). O versículo
(7) diz que “... a lei do Senhor é perfeita, e o seu testemunho é fiel...”
Portanto, revela um Deus perfeito e fiel. O verso (8) afirma que “os
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preceitos do Senhor são retos e alegram o coração”, isto é, Deus é jus-


to e reto, por isso seus preceitos são retos. “E o seu temor é limpo e
eterno” (9) se refere à reverência que devemos ter para com este Deus
que é Santo. Temor este que é Eterno. “E seus juízos são verdadeiros e
justos juntamente”.
Seus juízos, são todas suas leis morais, civis e cerimoniais, com os
quais Ele instruiu o seu povo, leis essas que à luz do verso (10) “...São
mais desejáveis que o ouro, e mais doce que o mel, e o licor dos favos”
Terceiro, sua existência revelada na experiência humana. Após vislum-
brar a existência de Deus através da natureza e das leis divinas. O sal-
mista declara a existência de Deus através da sua experiência pessoal
fazendo dos últimos versículos do Salmo (12-14) uma oração a Deus
pedindo a Ele que lhe proteja de três tipos de erros: Pecados ocultos
(v.12) tanto se refere aos pecados na ignorância, como aos não confes-
sados. Pecados da soberba (v13) o salmista pede para que seja protegi-
do de se tornar um rebelde orgulhoso contra Deus.
Pecados de palavras e intenções (v 14), ele implora que Deus o
ajude a não falar, nem pensar coisas desagradáveis a Deus. Concluin-
do, todo o Salmo 19 expressa um cântico de louvor e revelação e exis-
tência de Deus. Declarados pela natureza que é aqui considerada uma
incansável pregadora, que anuncia incessantemente, que Deus existe
e se revela por ela. E também apresenta as leis de Deus que são provas
incontestáveis da sua existência, e conclui com a experiência e fé do
salmista que ora a Deus para ser protegido de diversos erros, e nunca
se esquecer de que Deus existe, e é justo e fiel.

A percepção humana
“A percepção é o ato ou efeito de perceber” e é derivado do latim per-
cebere que a define como a “função que permite ao sujeito receber e
processar informações dos meios que lhe cercam”. Do ponto de vista
teológico, as percepções humanas são classificadas em três grupos: Per-
cepção, objetiva, percepção subjetiva e percepção espiritual.

Percepção objetiva, essa percepção tem como alvo, o mundo objetivo


pelo qual somos cercados, incluindo os seres humanos e todo meio
ambiente que nos rodeia. Essa percepção é auxiliada por seis sentidos
do nosso corpo; visão, audição, tato, paladar, olfato e cenestesia, que
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é um sentido muscular pelo qual sabemos se um objeto é leve ou pe-


sado. Por estes sentidos, a percepção humana capta o que acontece ao
redor, e age ou reage ao que é captado.
Percepção subjetiva, esta é uma percepção interior, constando de sen-
timentos que estão dentro do ser humano. Os quais estão incluídos;
desejos, necessidades, alegrias, tristezas, sensações e impressões e mui-
tos outros sentimentos. Este mundo subjetivo que há no ser humano
é profundíssimo e pouco explorado pela maioria, porém, todos têm
a percepção do mesmo, a qual se reflete em sensações e sentimentos
bons ou ruins.
Percepção espiritual, esta é uma percepção tão verdadeira quanto a
objetiva e a subjetiva. Pois assim como o homem percebe as coisas
objetivas e matérias com a percepção objetiva, e as coisas psicológicas
com a percepção subjetiva, igualmente ele percebe as coisas espirituais
através da percepção espiritual. O corpo do ser humano foi feito do
pó da terra, más o seu espírito veio diretamente do fôlego de Deus
(Gn 2.7; Ec 12.7). Isso faz com que o homem carregue para sempre
a percepção da existência de Deus. Mesmo que alguns que se dizem
ateus sufoquem esta percepção, todavia jamais mudarão essa realida-
de. Esta percepção espiritual de que Deus existe está tão viva no ser
humano que talvez isto explique o surgimento das diversas religiões
na história da humanidade, pois por perceber subjetivamente as ne-
cessidades de um ser superior que suprisse todas as suas aspirações, o
homem criou deusas e deuses e para os quais organizou templo, cultos
e sacerdócio, tentando através disso encontrar o Deus que seu espírito
percebia. Deus existe e a percepção espiritual que todo ser humano
possui (porém, desenvolve ou não) é suficiente para sentir a presença
dessa existência.

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Sua auto revelação


Com o objetivo de ser conhecido pelo homem, Deus pela sua livre e
soberana vontade, optou por se revelar, a fim de que a humanidade
pudesse compreender, a sua pessoa, seus propósitos, suas obras seus
atributos e sua vontade. Esta revelação é traduzida pelo termo he-
braico Galah que significa: “descobrir, despir, tirar alguma coisa que
cobre” (Is 47.3) e pelo termo grego Apokalupto de onde se origina o
termo Apocalipse e significa: “revelar, descobrir, divulgar” E também
é definido pelo termo em latim Revelare que define como: “por para
trás do véu, para que se veja o que está encoberto”. Em suma, essa
revelação que é “o auto descobrimento que Deus faz de si mesmo ao
homem, auto desvendando-se e tornando-se conhecido de todos que
desejam conhecê-lo”. Essa revelação divina e espontânea de Deus à
humanidade, foi realizada através de três formas de revelação diferen-
tes:

Revelação natural, é a revelação que Deus fez de si mesmo através da


natureza e de todos os elementos da criação (Sl 19.1-4).

Revelação pessoal, é o auto desvendamento feito por Deus aos seus


servos pessoalmente, na história bíblica através do envio de anjos, pro-
fetas como mensageiros, e acima de tudo através do envio do seu pró-
prio filho Jesus.

Revelação escrita, essa revelação foi feita através das escrituras inspi-
radas por Deus a fim de levar o homem a conhecer e desenvolver um
relacionamento pessoal com Ele. Conhecendo sobre sua existência,
sua pessoa, sua perfeição e suas exigências morais. Com o propósito de
alcançar o ser humano, Deus revelou-se através de formas e sentimen-
tos inerentes ao homem. Estes recursos são definidos por duas palavras
compostas em grego, que são: Antropomorfismo e Antropopatismo.

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A primeira é o Antropomorfismo que se origina das palavras gregas


Antrophos homem e Morpho forma. E que é definida como “uma
atribuição a divindade em si manifestar em formas e semelhanças
humanas” Neste sentido, Deus se representa como que tendo formas e
membros humanos ex: Deus se apresentou em forma de homem (Gn
18.1; 35.9;48.3) e como tendo face humana (Gn 32.30; Ex 33.11,20)
e olhos humanos (II Cr 16.9; Pv 22.12) e tendo narinas humanas (II
Sm 22.9,16; Sl 18.15) tendo fôlego e fala (Nm 12.8; Sl 18.8) tendo
braços (Dt 33.12) tendo mãos (Sl 21.8; 74.11; Is 52.10) tendo dedos
(Ex 8.19; Sl 8.3; Lc 11.20) tendo costas (Ex 33.21-23; Jr 18.17) tendo
pés (Sl 18.9) voz humana (Ex 3.4; 19.19) sorriso (Sl 2.4; 59.8).

Na realidade nós seres humanos não temos condição de saber


como é Deus, apenas sabemos que Ele é espírito, e o demais que é
referido a sua pessoa, é antropomorfismos, formas de expressão
humana. Em segundo lugar Deus procurou representar-se através
de Antropopatismo termo que também se origina do grego Antrophos
“homem” e Pathos “sentimento”, bons ou ruins. E traz o significado
teológico de “atribuição de sentimentos humanos a Deus”. Neste
aspecto Ele demonstra sentimentos semelhantes aos do homem tendo
pensamentos (Is 55.8), sentindo ira (Nm 12.9; Dt 32.22), sentindo
alegria (Nm 8.10), angústias emocionais (Is 42.14), sentindo ódio (Sl
5.5,6; 11.5), entristecendo-se (Ef 4.30), e sentindo amor (Jo 3.16; Is
43.4). Esses e muitos outros sentimentos humanos, são referidos a Deus
em passagens Bíblicas, com o propósito de através do Antropopatismo
fazer revelar os sentimentos de Deus, por intermédio de expressões
para sentimentos humanos.

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Seus nomes
Os nomes de Deus é um dos aspectos da sua auto revelação, pois neles
o Senhor revelava seu caráter seu poder e a sua pessoa. Deste modo,
quando Deus se manifestava com milagres de curas, Ele se identifica-
va como; “Jeová rafá” que quer dizer “O Senhor teu médico” e assim
a cada manifestação ou operação nova, Deus se revelava com nomes
diferentes. Nestas muitas manifestações, Deus se revelou com muitos
nomes, dentre estes; destacam- se; El e Yahweh.
El tem o significado de “Deus” seja Deus verdadeiro, ou falsos deu-
ses, ou até ídolos. Mesmo sendo uma palavra de origem incerta ela
tem o significado de força ou poder e na bíblia é utilizada no antigo
testamento para homens, objetos, e lugares, e principalmente a Deus.
Porém quando a referência de El é aplicada a Deus, sempre vem acom-
panhada de uma outra palavra qualificativa, como por exemplo; El
Shaday que significa. “Deus todo poderoso” (Gn 17.1). El Elyon que
significa “Deus altíssimo “ (Gn14 .2)
El olam, que significa “Deus eterno” (Gn 21.33; Sl 90.3).
Na história do antigo testamento os nomes pessoais eram muito
importantes, pois a sociedade da época tinha o hábito de conhecer
uma pessoa através do significado etimológico do seu nome. Por isso,
os hebreus procuravam colocar nos filhos nomes compostos, incluin-
do essencialmente o termo El (Deus). Exs: Ismael, cujo significado
é “Deus me ouve” (Gn 16.11) Daniel que significa “Deus é, o meu
juiz”.
Ezequiel, que significa “Deus fortalece”, Isabel cujo significado é,
“Deus é uma promessa”. O termo El foi muitas vezes usado pelos
israelitas para determinar locais em que ocorreram encontros e ma-
nifestações especiais de Deus para com os homens. Exs: uma cidade
que antes se chamava “Luz” (Gn 28.19) após, Jacó ter um encontro
especial com Deus ali, o nome da cidade foi mudado para Betel, que é
a junção de duas palavras hebraicas Beth (casa) e El (Deus) originando

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o termo “casa de Deus” Em outro momento, Jacó teve um encontro


com o Anjo do Senhor, com o qual travou uma luta. O local ficava
entre o ribeiro de Jaboque e Sucote, porém, após a luta, Jacó chamou
o lugar de Peniel que significa “a face de Deus”.

“EL” e seus derivados


Elohim, é um termo plural encontrado no antigo testamento por
quase três mil vezes, e que além de se referir a anjos, juízes e até a deu-
ses, acima de tudo se refere a trindade, o Pai, O filho e Espírito santo.
O nome Elohim é o primeiro referente a Deus nas escrituras (Gn 1.1).

Eloah, é sinônimo de Elohim, e é traduzido por Deus. Este nome apa-


rece em passagens bíblicas em que Deus é apresentado como “Protetor
dos seus servos e destruidor dos ímpios» (Dt 32.15; Sl 18.31; Is.44.8;
Pv 30.15; Sl 50.22; 114.7; 139.19; Jó 42.6; 37.23).
Eloah, é um nome que tanto protege como castiga. Quem invocava
Deus como Eloah procurava refúgio (Pv 30.5) más, quem o despreza-
va seria aterrorizado.

El Shaday, significa “Deus todo poderoso”.


No livro de Gênesis (17.1) Deus renova sua aliança com Abrão e se re-
vela com um novo nome “El Shaday” que apesar do termo Shaday (ou
Saday) aparecer em combinações de nomes próprios como Zurisaday
(Nm 1.6), e Amisaday. O termo Shaday é conhecido como um dos
principais epítetos dos nomes de Deus (El) no qual revela um Deus
que possui todo poder.

El Elyon, significa “Deus altíssimo” A revelação deste nome foi dada


a Abraão, quando Ele retornava da guerra contra os reis confederados.
E encontrou-se com Melquisedeque, rei de Salém, a quem deu os dízi-
mos de tudo, e pelo qual foi abençoado em nome do Deus altíssimo
(Gn 14.2)

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O nome “Yahweh”
Yahweh, está escrito no texto bíblico hebraico com quatro palavras
Yhwh é possivelmente pronunciado Yavé e aparece no antigo testa-
mento por cerca de 6.828 vezes e deriva-se do verbo hebraico Hayah
que significa: “Ser, existir, acontecer” e surge como o tetragrama (do
grego tetra “quatro” e grama, “palavra”, significando quatro letras. Em
êxodo 3.14 (Yhwh) haja vista que no hebraico antigo não se usa letras
vogais, só consoantes), Yhwh é possivelmente uma abreviação da res-
posta de Deus a Moisés, quando este perguntou o seu nome, Ele lhe
respondeu em hebraico: “ehyeh asher ehyeh”. Cuja abreviatura seria
Yhwh, e significa: “Eu sou o que era, sou o que sou, e serei o que serei”.
Expressão que corresponde ao passado, presente e futuro, (já que no
hebraico o verbo no presente serve também para o passado e futuro).
Isso equivale dizer, que pela revelação divina através do nome Yhwh,
Deus revela ter existência própria, e que Ele é imutável e como operou
no passado, opera no presente, e operará no futuro.

O tetragrama era considerado muito sagrado pelos judeus, e por


isso era proibido pronunciá-lo, exceto uma vez ao ano pelo Sumo-sa-
cerdote, no dia da expiação. Por este motivo, a pronúncia correta de
Yhwh se perdeu no tempo, e cogita-se a pronúncia “Javé ou Yavé”. Más
para não se cometer o erro de tomar o santo nome do Senhor em vão,
e comprometer o terceiro dos dez mandamentos, os escribas e rabinos,
que na época eram os mestres da lei, optaram por fazer uma substi-
tuição da pronúncia colocando à margem dos rolos o termo Adonai
que significa, “Meu senhor, meu mestre” sinalizando que este deveria
ser pronunciado no lugar de Yhwh. Porém, sendo este um processo
complicado, os rabinos em tempos posteriores, tomaram a iniciativa
de descomplicar o texto, e lembrar aos leitores de pronunciar Adonai
e não se esquecer de não pronunciar o tetragrama, puseram então, as
vogais (A, O, A) de Adonai em Yhwh transliterando para “Yahowah”
que é em português pronunciado “Jeová”.
O termo Yhwh aparece nas nossas versões como “Senhor”.

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Edmilson Alves

“Yahweh” e suas combinações


Derivados de acontecimentos revelatórios, as combinações compostas
ao nome Yahweh, surgiam em ocasiões especiais em que Deus se re-
velava de modo especial a alguém, fazendo com que este conhecesse
a Deus por uma nova forma de operação, através de um novo nome.
Dentre estes nomes compostos, destacam-se:

Jeová jiré, (hb. Yahweh yireh) cujo significado é “Deus proverá” e de-
riva-se do episódio revelatório presenciado por Abraão no monte Mo-
riá, quando por ordem de Deus, Abraão foi oferecer seu filho Isaque
em sacrifício. E ao se vê questionado por seu filho Isaque que obser-
vou haver fogo, porém, onde estaria o cordeiro? Neste momento pela
fé, Abraão disse: “Deus proverá” E realmente, Deus, honrou a fé de
Abraão, e proveu o cordeiro, que foi sacrificado como substituto de
Isaque. E depois disto Abraão chamou aquele lugar de “Jeová Jiré”.

Jeová Rafá, (hb. Yahweh roph‘ekha) “O Deus que sara, ou o Senhor,


teu médico” Este nome composto originou-se no deserto, onde o povo
hebreu chegou a fonte das águas de Mara que eram amargas, e ali o
Senhor ordenou que lançasse um lenho na fonte, e as águas se torna-
ram potáveis, isto é, foram saradas. Depois deste milagre, Deus lhes
deu mandamentos e disse-lhes: “Se ouvires atento a voz do Senhor teu
Deus, e fizeres o que é reto diante de seus olhos, e inclinares os teus
ouvidos aos seus mandamentos, e guardares todos os seus estatutos,
nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus no Egito; Porque,
Eu Sou o Senhor que te sara” (Ex 15.23-25).

Jeová Shalom, “O Senhor é paz”. Este nome foi revelado na época


dos juízes, quando o povo israelita estava oprimido pelos Midianitas,
e o anjo do Senhor apareceu a Gideão, e o convocou a libertar Israel
dos inimigos. Em dúvida, se seria Deus, ou não, Gideão ofereceu um
sacrifício, e após, o sacrifício foi consumido, convencendo-se Gideão
que o anjo era Deus, ficou atemorizado, por ter duvidado, porém, o
anjo lhe disse: “paz, seja contigo, não temas, não morrerás”. Então,
Gideão edificou ali um altar ao Senhor, e lhe chamou: “O Senhor é
paz” (Jz 6.24).

21
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Jeová Nissi, “Deus é minha bandeira”.


Este nome revelatório surgiu após a vitória obtida por Moisés e os
hebreus contra os Amalequitas, no qual Josué e seus homens lutaram
até o pôr do sol enquanto Moisés ficava intercedendo no monte com
as mãos levantadas. Tendo Israel vencido a guerra e desbaratado os
inimigos, Moisés edificou um altar e o chamou de Jeová Nissi que
significa: “O Senhor é a minha bandeira” (Ex 17.15). A bandeira era
para o exército um objeto de extrema importância e levada pelo líder
da tropa que a levantava fazendo movimentos indicativos para o exér-
cito avançar ou recuar. Neste caso, Moisés afirmou que “O Senhor é a
nossa bandeira” e que nos garante a vitória.

Jeová shammá, “O Senhor está ali”.


No último capítulo do livro de Ezequiel, onde ele tem a visão futura
da nova cidade de Jerusalém. No último versículo do seu livro, a Je-
rusalém se chamará Jeová shammá que significa “O Senhor está ali”.

Jeová TsidKenu, “O Senhor Justiça nossa”. Ao profetizar acerca da


vinda do “Renôvo de Davi” (ou descendente de Davi) um Messias. O
profeta Jeremias proferiu, que nos últimos dias deste Messias, “...Judá
será salvo, Israel habitará seguro, e este será o seu nome, com que o
nomeará,
“O Senhor Justiça nossa” (Jr 23.6, Jeová Tsidkenu). Um nome que
revela um Deus que sempre fará justiça ao seu povo.

Jeová Raah, (hb. Yahweh Ro‘i) que significa: “O Senhor é meu pastor”
(Sl 23.1). Escrito por Davi, que foi pastor de ovelhas, o salmo 23
inicia-se com as palavras Jeová Raah
“O Senhor é meu pastor...”. Dando a ideia de um Deus que age com
seu povo como um pastor que na época vigiava o rebanho dia e noite,
e se propunha a guiar, alimentar defender, curar, treinar, corrigir e se
preciso fosse, morrer pelas ovelhas.

Jeová Mecadesh, (hb. Yahweh Me‘cadesh) e significa: “O Senhor que


santifica” (Lv 20.8). Após advertir os israelitas acerca de diversos pe-
cados, Deus ordena-os que se santifiquem (v.7), porém, no verso (8).
22
Edmilson Alves

O Senhor lhes diz: “Eu sou o Senhor que vos santifica...” (Jeová Meca-
desh), dando-nos a entender que do senhor vem a nossa santificação.

Jeová Osenu, “O Senhor, nosso Criador” (Sl 95.6).


É uma expressão referente ao seu poder de fazer existir o necessário
para cada criatura.

Jeová sabaoth, (hb. Yahweh Tseva‘oth). O termo Sabaoth significa:


hostes, exércitos. Revelando um Deus que está à frente dos seus exér-
citos. A teologia conclui que Deus possuiu ao longo do antigo e novo
testamento, quatro exércitos, que eram; A natureza, os anjos, Israel
e a igreja. Porém, o Senhor era o líder de todos. Assim como o rei
das nações antigas era o que liderava o exército rumo a guerra, tam-
bém, Deus dirige os seus, porque Ele também é varão de guerra (I Sm
17.47).

23
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Seus Atributos
O termo tem origem em duas palavras em latim, que são;
Ad “Para” e Tribuere “Atribuir” trazendo a significação “daquilo que
é atribuído a algo ou a alguém”. Na teologia, este termo tem sido
utilizado para representar as qualidades inerentes à natureza de Deus.
Estes atributos são divididos em dois grupos, designados como: Atri-
butos naturais e Atributos morais.

Atributos Naturais
Os atributos naturais são exclusivos de Deus e são inerentes a Ele.
Esses atributos naturais, não são encontrados em nenhuma criatura,
somente Deus os possui. Os quais são:

Onipresença, é um termo derivado de duas palavras em latim Omnis


que significa: “Tudo, toda” e Praesens que significa: “Presença” e traz
teologicamente a seguinte definição: “Onipresença é a capacidade de
estar presente em toda parte ao mesmo tempo” Antigamente os deu-
ses da antiguidade que eram cultuados pelas nações vizinhas de Israel
eram conhecidos como tendo poderes que se limitavam à sua região
ou país. Porém contrário a isso, Deus apresentou-se a Israel como um
Deus cuja presença não se limitava à terra, o céu e os céu dos céus (II
Rs 8.27). A esse respeito um salmista escreveu estas palavras: “Para
onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face. Se subir
ao céu, tu aí estás, se fizer no sheol (sepultura) a minha cama tu ali estás
também; se tomar as asas da alva, e se habitar na extremidade do mar, ali
tua mão me guiará e a tua destra me susterá” (Sl 139.8,10). Em suma
Deus está em toda parte.

Onisciência, derivado de duas palavras latinas Omni que significa;


“Tudo, toda” e Scientia que significa: “ciência” E é definida teologi-
camente como “está ciente de tudo, saber todas as coisas”. O salmo
139.5 numa linguagem lindamente poética o salmista se expressa di-

24
Edmilson Alves

zendo; “Senhor, tu me sondas e me conheces de longe, entendes o


meu pensamento, cercas o meu andar e o meu deitar, sem que haja
palavras na minha boca, eis que ó Senhor tudo conheces, penetras no
meu pensamento enquanto ainda estão sendo formados”

Onipotência, também com derivação latina Onipotência vem de dois


termos Omni “tudo, todo” e Potentia “Poder” e é definida como “Ter
todo poder”. Houve ocasiões em que Jesus enfatizou sobre a dificul-
dade de um rico se salvar. Perplexos com estes ensinos, os discípulos
lhe perguntaram; “...quem poderá se salvar? Mas Jesus, lhes respon-
deu; “...Para os homens, é impossível, mas, para Deus todas as coisas
são possíveis (Mc 10.25-27) Sete séculos antes de Cristo, o profeta
Isaías já havia escrito estas palavras ditas pelo próprio Deus; “Ainda
que houvesse dia Eu Sou, e ninguém há que possa fazer escapar das
minhas mãos; operando Eu, quem impedirá? ” (IS 43.13).

Atributos Morais
O Amor de Deus. O amor de Deus é um dos atributos mais venerá-
veis que existe, tão importante, que a Bíblia diz que o próprio Deus
é amor. (I Jo 4.8) Esse atributo divino aparece, em ação, e em cada
palavra expressa por Deus.
No Antigo Testamento o termo usado no hebraico para definir
Amor é Ahebh que traduz: “gostar, amar com o sentido de afeição e
desejo de viver ao lado do ser desejado”. Este amor era a maior ex-
pressão afetiva nos relacionamentos pessoais. No Novo Testamento,
na língua grega, os significados de Amor se ampliam e apresentam-se,
pelo menos em quatro termos que definem quatro tipos de amores:

Amor Philia, significa “amizade”, e é derivado de philos (amigo) é


uma forma de amor demonstrado por amigos ou companheiros, ge-
rando, no sentido original uma philantrophia (do grego philia = ami-
zade e trophia é referente a antrophos = homem) que é uma forma de
amor aos seres humanos.

Amor Eros, é uma forma de amor carnal, sensual da qual se origina os


termos “erótico, erotismo” e tem a conotação de amor lascivo e carnal.
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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Amor Stergo, tem o sentido de “amor conjugal ou familiar” Era um


amor entre esposo e esposa, e entre pais e filhos.

Amor Agaphe, tem o sentido de “amor de Deus pela humanidade”


Agaphe era um termo que não era comum, antes do Novo Testamento,
e passou a ser utilizado pelos cristãos da igreja primitiva, com a inten-
ção de traduzir com fidelidade e profundidade o sentido deste amor
Divino. Agaphe é uma forma de amor sacrificial, autodoador, amor
dispensado a seres humanos graciosamente, sem levar em considera-
ção, o merecerem ou não. Dar uma definição a este tipo de amor não
é uma tarefa fácil. E a forma mais eficaz de entendê-lo é observando o
esforço e as obras feitas por Deus, para atrair os homens a sua presen-
ça. O auge deste amor, foi a entrega do seu filho Jesus, para ser morto
e exposto numa cruz, com intenção de fazer a humanidade entender
o quanto Deus os amava. No primeiro século da era cristã, cristãos
da igreja primitiva, com a intenção de vivenciar o amor de Deus na
igreja. Eles transformaram a celebração da Santa Ceia numa festa, que
ficou conhecida de “Festa Agaphe” ou “Festa de Amor”.

Múltiplas faces do amor de Deus


No texto Bíblico o Amor de Deus se apresenta com faces, ações e ex-
pressões múltiplas, que as vezes o leitor da Bíblia tem dificuldades para
entender, principalmente, quando Deus usou a dramatização como
mensagem a fim de atrair a si aqueles a quem tanto amava. Temos
como exemplo, as mensagens transmitidas pelo profeta Oséias, que a
mando de Deus, casou-se com uma mulher prostituta, com o objetivo
de transmitir uma mensagem de amor dramático, que simbolizava a
grande paixão de Deus pelo seu povo, mesmo sendo estes um povo
infiel (Os 1.1). A exemplo de Oséias, o profeta Ezequiel, também foi
um instrumento de Deus nas profecias de “Amor Dramatizado”.
Deus amava Israel, porém o pecado da nação estava abrindo as
portas para que o rei de Babilônia, invadisse o país e levasse todos para
um terrível cativeiro. Deus já havia advertido de várias maneiras, mas
ninguém dava ouvidos (Is 6.9), então Deus com o coração “ardendo”
de amor pelo seu povo, temendo que ele continue se afastando Dele,
e caíssem nas mãos do inimigo. Em face disso, é possível sentir Deus
26
Edmilson Alves

gritando palavras de amor em desespero. “Por muito tempo me calei,


estive em silêncio e me contive, mas, agora darei gritos como a que está de
parto...” (Is 42.14), “...quando Israel era menino, Eu o Amei e do Egito
chamei o meu filho...Eu os ensinei a andar, tomei-os pelos seus braços,
atrai-os com cordas humanas, com cordas de amor...Como te deixaria ó
Efraim Como te entregaria ó Israel ...meu coração está abalado todos os
meus sentimentos estão ardendo...” (Os 11.1,3,4,8).

Em contemplar a desgraça espiritual da nação, e a iminente


invasão pelos inimigos, e o descrédito do povo para com a mensa-
gem simples das profecias. Deus vai além, na forma de transmissão
da mensagem, e ordena ao profeta Ezequiel, que fizesse uma maquete
de barro da cidade de Jerusalém, e se deitasse de lado, alternadamente
por vários meses (Ez 4. 1- 17). A intenção era despertar o povo para o
perigo. Noutra passagem, Deus mais uma vez usa o profeta Ezequiel
num drama onde ele é ordenado a pegar sua mobília, pôr nas costas, e
se mudar para fora dos muros de Jerusalém, e habitar ali (Ez 12.3-7)
e em outro momento, Deus lhe manda raspar a cabeça, dividir, pesar
e queimar seu próprio cabelo (Ez 5.1-5). Em uma outra circunstância
Deus manda Ezequiel profetizar de manhã, para a tarde morrer a sua
esposa, a quem tanto amava, e ainda foi advertido a não chorar (Ez
24.15-27).
Mensagens semelhantes foram expostas pelos profetas, Isaías,
que recebeu de Deus a ordem de tirar a roupa e os sapatos, e andar nu
e descalço pela cidade por três anos e meio (Is 20.1-6) e Jeremias que
carregou ao pescoço correntes de canga de bois, pelo meio da cidade
(Jr 27.2-22).
Todas essas mensagens eram expressões de amor em forma de
drama, que Deus exprimia para com um povo que tanto amava. Mes-
mo que, transmitir custasse o desconforto dos seus profetas. O amor
de Deus não mede esforço para alcançar os seres humanos, isso fica
bem evidente quando após Deus ter enviado anjos e profetas, como
mensageiros. Ele vendo que a humanidade não deu atenção às suas
demonstrações de amor no Antigo Testamento. Então, Deus que ama-
va a humanidade de maneira tão intensa fez promessas de enviar um
Messias que seria um “Emanuel” (Hb “Deus conosco”), o próprio Deus
presente entre os homens.
27
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Para melhor definir o amor de Deus à humanidade várias palavras


são descritas no texto bíblico, por exemplo, o termo;
Misericórdia, que aparece no Antigo Testamento por cerca de 240
vezes, e é traduzida pela palavra hebraica hesed cujo significado é “be-
nignidade, bondade, graça, amor, devoção”, e do grego oiktirmos que
define “compaixão sentir as misérias dos outros” e Eleos que traz o
sentido de “piedade e perdão para quem deveria ser por lei condena-
do”. Noutras palavras Misericórdia, “é tirar a sentença do réu que fora
condenado, perdoar seus crimes, mudando a sentença de condenação
para absolvição”.
Depois de olhar para a humanidade, e ver que essa merecia a mes-
ma sentença que os antediluvianos, e os de Sodoma e Gomorra, Deus
os poupou, conforme disse Jeremias; “As misericórdias do Senhor, são
a causa de não sermos consumidos” (Lm 3.22) e Pedro completou com
essas palavras “o povo que não tinha misericórdia alcançou a misericórdia
do Senhor” (I Pd 2.10). Além de misericórdia outra palavra que apare-
ce no texto bíblico demonstrando uma das faces do amor do Senhor,
é a palavra; Longanimidade, do grego makrothumeo significa, “ser pa-
ciente, resignado, tolerante”. Ao contrário dos deuses pagãos da época
que eram vingativos e retaliatários. Deus é longânimo e tardio em se
irar, e toda essa paciência divina, visa dar oportunidade para o homem
se arrepender dos seus pecados, e voltar-se a tempo para Ele.
Outra face do amor de Deus é representada pela palavra;
Bondade, termo que se deriva do adjetivo “bom” que em hebraico é
Tabas e significa “agradável, favorável delicioso, melhor, festivo” Deus
é bom e eterna é a sua misericórdia. (Sl 100.5) e além do mais, “...Ele é
bom para todos...” (Sl 145.9) “…e que toda a boa dádiva vem Dele”. (Tg
1.17). Podemos ainda analisar outras palavras que definem o significa-
do desse amor, é a palavra;
Perdão, que no Antigo Testamento o texto hebraico usa o termo Sólah
que tem o significado de “borrifar, cobrir “dando a definição de “es-
quecer os delitos cometidos, encobri-los simbolicamente com sangue
dos sacrifícios realizados no tabernáculo e no Templo” (Lv 4.20, 2b).
Já, no texto bíblico do Novo Testamento o termo ganhou mais profun-
didade, pelas palavras que lhe dão significado, por exemplo, perdão no
Novo Testamento em grego é Aphiemi que significa: “disparar, enviar

28
Edmilson Alves

para frente, mandar embora, cancelar dívida” (Mt 9.2,5,6; 12.31.32)


essa definição além de denotar cancelamento de dívidas, traduz, li-
bertação de bagagem ou peso. Também aparece, o termo, Apoluo que
define: “Libertar-se, jogar para longe, soltar” dando a compreender
um ato de soltura de prisões, seja literal ou simbólico. Nestas defini-
ções neotestamentárias, Deus não simplesmente encobre ou esquece
os pecados humanos, mas arranca-os, joga para longe, despacha-os,
cancela-os e liberta o pecador, soltando-o das correntes que o prendia
ao pecado, regenerando-o, e o eleva a status de “nova criatura” (Mt
9.2,5, 6; 12.31, 32; At 8.22).
Além de todos esses termos definirem o Amor de Deus a face mais
linda desse Amor é representada pelo termo:
Graça, que é traduzida pela palavra grega charis que significa: “favor
imerecido”. Enquanto a misericórdia é tirar o castigo de alguém que
merece. “A graça é um favor dado a quem não merece”. Esse amor
revelado na graça teve como protagonista principal, Jesus Cristo, que
veio ao mundo numa época em que o verbo “ter”, era mais importante
do que o “ser”, época em que até no lugar considerado mais impor-
tante pelos judeus o mais sagrado, havia discriminação e separatis-
mo. O templo de Jerusalém era marcado por divisões arquitetônicas,
que privilegiavam alguns e excluíam a outros, até quem não era judeu,
só podia entrar até um átrio chamado “Átrio dos gentios” um pátio
dividido do templo por uma cerca de 1,5m de altura, no qual havia
uma inscrição em grego e latim, proibindo a entrada de gentios, sob
pena de apedrejamento e morte. Depois do Átrio dos gentios, vinha o
“Átrio das mulheres”, local reservado para distanciá-las da reunião que
era totalmente masculinizada (neste átrio, as mulheres só conseguiam
ver o que se passava, no interior do templo, através das brechas nas
grades que a dividiam, dos homens, mesmo sendo chamado “Átrio
das mulheres” qualquer homem judeu podia entrar ali, porém a elas
era proibido ultrapassar). Na sociedade religiosa judaica se proibia as
mulheres de ter qualquer tipo de contato com homens, exceto seu
marido. Também se impedia que pessoas com deficiências físicas ou
enfermidades graves, como leprosos, cegos, aleijados, entrassem no
templo. Além desses, também eram discriminados os cobradores de
impostos, as prostitutas e os gentios. Neste ambiente hostil e impiedo-
so, Jesus fez uma revolução de amor em forma de “Favor imerecido”.
29
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

(graça) agraciou pessoas que pelas leis sociais e religiosas da época não
mereciam. Jesus jantou na casa de um leproso, que era pela lei con-
siderado imundo (Mc 14.3). Ele perdoou uma mulher adúltera que
seria apedrejada (Jo 8.1-11) curou a filha de uma mulher gentia (na
época os judeus consideravam os gentios como cães Mt 15.21-28), até
convidou um cobrador de impostos para ser um de seus apóstolos (Mt
9. 9-13).
Esse amor de Deus em forma de graça revolucionou o mundo de
então derrubando barreiras e paradigmas e unindo milhares de pessoas
em torno de um objetivo “Adorar a Deus”. Jesus além de agir com
“graça e amor” para com os necessitados, Ele também deu vários en-
sinos que abordam o tema “Amor em forma de Graça de Deus” ex.: A
parábola do filho pródigo, que recebeu presentes e uma recepção que
não merecia (Lc 15.20-24); E a parábola do credor incompassivo que
fala da graça em forma de perdão dado a um homem que não podia
saldar suas dívidas (Mt 18.21- 35); E a parábola da grande ceia que
nos transmite uma mensagem de que a graça e o amor de Deus é para
todas as classes de pessoas, ricos ou pobres (Lc 14.16-24).

A santidade de Deus
Em todas as religiões existe separação entre o puro e o impuro, entre o
santo e o profano. Na Teologia Divina a santidade está no próprio ca-
ráter e natureza de Deus e toda religião bíblica está fundamentada nes-
ta santidade. Conhecido na teologia como o atributo mais elevado de
Deus, a santidade Divina é declarada pelo próprio Deus, quando diz:
“Sede Santos, porque Eu Sou Santo” (Lv 11:44; IPd 01:15,16). Além
Dele também seus anjos declaram continuamente que “Ele é Santo” (Is
6.3; Ap 4.8). No Antigo Testamento a Santidade é representada pelas
palavras hebraicas Qadhõsh que tem o significado de “Ser separado,
consagrado”, e Toher que significa “Limpo, puro”. No uso destes dois
vocábulos (Qadhõsh e Toher) denotamos dois aspectos importantes na
Santidade de Deus. Primeiro, é a sua separação (definido pelo termo
qadhõsh) neste aspecto, Deus está distante da sua criação em razão
desta está contaminada pelo pecado. Segundo, (o termo toher) traz
a definição de ser Deus absolutamente “puro, limpo e que não pode
contemplar o mal” (Hc 1.13), expressando a perfeição moral do cará-
30
Edmilson Alves

ter de Deus. Tanto o aspecto da separação quanto o da pureza divina,


correlacionados na sua santidade, são representados na linguagem bí-
blica por três palavras em forma de metáforas; as quais são: Distante,
Altíssimo, Incessível.

Deus Distante, esta metáfora da Santidade de Deus define a situação


pecaminosa dos seres criados, face à pureza do Criador, situação que
gera um distanciamento incomensurável entre os homens e Deus (Is
55.9). Este aspecto metafórico da Santidade Divina é existente tanto
no tempo, porque Ele é eternamente distante e separado da criação,
como no espaço, onde Ele delimita o acesso dos seres à Sua Presença.
Esta distância de Deus no espaço aparece no Antigo Testamento em
diversos lugares, dentre eles; no monte, no tabernáculo, e na arca da
aliança.
No monte, quando Moisés apascentava o rebanho do seu sogro
Jetro, na região da península do Sinai, ele se dirigiu ao monte Horebe
(conhecido posteriormente como o “Monte Sinai”) e ali lhe apareceu
o Anjo do Senhor em uma manifestação, numa “sarça ardente” (a
sarça, era possivelmente uma moita de silvas ou acácias) visão em que
esta planta aparecia envolvida em chamas, porém, não se queimava.
Nesta teofania, até então desconhecida para Moisés, desperta-lhe a
curiosidade de se aproximar e ver de perto a visão, porém, Deus bra-
da do meio da sarça “Não Te chegues para cá...”. Esta ordem denota
que Moisés ainda não estava pronto para se aproximar da Santidade
Divina. “Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que estás, é
Terra Santa...”. Como os escravos que se apresentavam descalços a seus
senhores (Lc 15:22) assim lhe dissera que tirasse as sandálias, símbolo
de reverência, pois o lugar em que Deus se manifesta, a sua Santidade,
torna o lugar Santo (Ex 3:1-5).
Esta distância de Deus, também é expressa no episódio do Sinai,
lugar em que os israelitas permaneceram por onze meses (Nm 10:1;
Ex 19:1). Segundo Paul Hoff1 “ao pé do monte Sinai, Israel recebeu
a lei, fez aliança com o Senhor, foi devidamente organizado como
nação, e aceitou ao Senhor como Rei”. No pacto do Sinai, a exemplo
da sarça ardente, Deus se manifestaria, porém desta vez numa
teofania de maiores proporções, contendo elementos como trovões,
1 STOTT, John R.W. a cruz de Cristo, ed. Vida SP- 1999

31
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

relâmpagos, nuvens, fogo, fumaça, tremores e som de buzina. Quadro


semelhante a um princípio de tempestades e erupções vulcânicas.
Nesta manifestação em que todo o monte Sinai tremia, Deus ordenou
a Moisés que pusesse limites para o povo não ultrapassar, haja vista,
que o povo estava vivendo ao redor do monte, e nem homens, nem
animais podiam passar estes limites sob pena de ser morto a pedradas
ou flechado (Ex 19:1- 20). Este distanciamento exigido por Deus,
demonstra o então despreparo e falta de santidade do povo, para se
aproximar de Deus. Isto fica evidente quando Moisés demora a voltar
do monte, permanecendo ali por quarenta dias e ao chegar, o povo já
havia se desviado e feito um bezerro de ouro, que era possivelmente
uma réplica do boi Ápis, um deus egípcio. E, portanto, é mais uma
vez compreensível esta metáfora de distância, em relação à Santidade
Divina, pois Deus é Santo, e os lugares em que Ele habita também, o
são, exceto se estes forem violados pela ambição humana. O escritor
aos Hebreus diz que “nós cristãos, que vivemos pela graça “não
chegamos ao monte palpável aceso em fogo, e a escuridão, e as trevas,
e a tempestade, e ao sonido de trombeta, e a Voz das palavras, a qual
os que a ouviam, pediram que mandassem se até um animal tocar o
monte será apedrejado, e tão terrível era a visão que Moisés disse: estou
todo assombrado e tremendo”(Hb 12:18-21) Por isso, se o coração do
homem estiver cheio de intenções ambiciosas como os israelitas que
não temiam a Deus, e apenas queriam ser curiosos sem compromisso,
para estes, o texto áureo é “Mantenha Distância”.
No tabernáculo, Deus prometeu habitar entre seu povo nesta tenda
construída por Moisés no deserto, e diminuir a distância existente
entre Ele e o povo. No entanto Ele delimitou espaços e rituais que
deveriam ser respeitados, fazendo com que esta distância entre a im-
pureza humana, e a Santidade Divina fossem amenizadas por meio de
rituais exigidos pelo próprio Deus a Moisés, Arão e os sacerdotes levi-
tas. A própria estrutura arquitetônica do Tabernáculo vislumbra esta
separação, atenuada apenas pelos sacrifícios diários. O tabernáculo era
chamado de “Santuário” (Ex 25:8) e era divido em três partes;
O Átrio, o Lugar Santo e o lugar Santíssimo. Neste Santuário a
presença Santa de Deus habitava representativamente na arca, que fi-
cava no interior do Lugar Santíssimo, sendo assim, o homem teria que
percorrer um trajeto ritualisticamente longo até chegar a Deus. Este
32
Edmilson Alves

trajeto se iniciava quando se trazia até o átrio, um animal para sacrifi-


car, ali o sacerdote impunha as mãos na cabeça do animal e confessava
os pecados do povo para em seguida degolar e espargir o sangue deste
animal no altar do sacrifício, altar do incenso e no propiciatório, lugar
onde a Glória de Deus (Shequiná) se manifestava, porém, antes o sa-
cerdote se lavava na bacia de água limpa existente no Átrio, logo após
prosseguia na direção do lugar Santo, onde ungia com sangue objetos
ali fixados, como; o Altar de incenso, o candelabro, a mesa dos pães
da proposição. Na sequência, o Sacerdote encontrava o véu que era
uma Cortina tecida com linho fino, e que dividia o Lugar Santo do
Lugar Santíssimo. Atravessar essa cortina era privilégio permitido uni-
camente ao sumo sacerdote, uma vez ao ano no dia da expiação, o qual
deveria estar cerimonialmente purificado, caso contrário, ao entrar no
Lugar Santíssimo seu pecado se confrontaria com a Santidade Divina
gerando a sua fulminação e morte instantânea. Este longo e sacrificial
caminho tinha seu ápice na aceitação de Deus para com o sacrifício,
se este fosse recebido, Deus se manifestava através da sua Glória que
enchia o tabernáculo (Ex. Caps 25, 27, 30, 35, 39,40).
Na Arca da Aliança, com aproximadamente 90 cm de comprimento
e 45 de largura, feita de madeira de acácia com revestimento de ouro,
contendo uma tampa de nome propiciatório, na qual tinham dois
querubins feitos de ouro maciço (Êx 25:10-22) dentro dela havia as
duas tábuas de pedra gravadas com a Lei de Moisés, um vaso contendo
um litro e meio de maná, e a vara de Arão que floresceu (Hb 9.4), na
tampa, mais exclusivamente entre os querubins de ouro, se manifes-
tava a Glória de Deus (Shequiná). A arca nunca era vista por pessoas
comuns, pois era mantida coberta, e não podia ser tocada, exceto pelo
Sumo Sacerdote uma vez por ano no dia da expiação. Considerada
um símbolo visível da presença e Santidade Divina, acerca dela Deus
fez a seguinte promessa «E ali Virei a ti, e Falarei Contigo de cima
do propiciatório, do meio dos querubins (que estão sobre a Arca do
Testemunho). Tudo que Eu Te ordeno para os filhos de Israel” (Êx
25. 22). Como símbolo da presença e principalmente da Santidade
de Deus, era recomendado que houvesse o máximo de distância dos
homens comuns para com a Arca da Aliança. Na sua trajetória com o
povo de Israel no deserto em que eles acampavam, e em tempos de-
terminados levantavam acampamento, ao chegarem a um novo lugar
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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

para acampar, Moisés saudava a Arca com as seguintes palavras “Volta


ó Senhor para os muitos milhares de Israel” Enquanto se levantavam
para prosseguir a viajem, ele a saudava com estas palavras “Levanta-te
Senhor e dissipados sejam os Teus inimigos e fujam diante de Ti os
aborrecedores” (Nm 10:35, 36) passados quarenta anos de peregrina-
ção no deserto, os israelitas chegaram ao rio Jordão sob a liderança de
Josué. E neste episódio a Arca do concerto teve um papel preponde-
rante no rio Jordão transbordando, e ao tocarem os pés nas águas, o
rio se abriria, e assim aconteceu. No entanto, foi recomendado pelo
próprio Deus que houvesse uma distância entre o povo e a Arca de
cerca de dois mil côvados (cerca de um quilômetro) (Js 3.4) Depois da
travessia do Jordão, a Arca rodeou a cidade de Jericó sobre os ombros
dos sacerdotes, por um período de sete dias, até caírem os muros da
cidade (Js 6. 1-20). A história da Arca prosseguiu com a sua caracte-
rística principal de Santidade e distância do pecador.
O povo hebreu fixou-se na Terra prometida, e a Arca permaneceu no
Santuário em Gilgal, sendo mais tarde transferida para Siló, até os
dias do profeta Samuel. Nesta época os israelitas cometeram o erro de
acreditar que somente a presença da Arca da Aliança era motivo de
vitória (sem levarem em conta um compromisso com Deus) sendo as-
sim levaram a Arca para o campo de batalha, pensando que por ela os
inimigos seriam destruídos. Foi engano, Israel foi ferido, e trinta mil
homens foram mortos e o restante fugiu, cada um para sua tenda (ISm
4.1-10). A Arca foi capturada pelos filisteus que a levaram para a ci-
dade de Asdode, sede principal do templo de Dagon (para os filisteus
era o deus nacional da agricultura ISm 5.1,2). Na terra dos filisteus
foi manifestada a Santidade de Deus na Arca, pois ela causou grande
tribulação para os que dela se aproximasse. Crendo que a Arca fosse
o deus de Israel, que havia sido vencido e capturado, os filisteus co-
locaram aos pés de Dagon como um troféu. Porém, coisas espantosas
começaram a acontecer; primeiro, o ídolo Dagon ao passar uma noite
com a arca aos pés, amanheceu caído com o rosto no chão. Os seus sa-
cerdotes o levantaram pela manhã. Passado mais uma noite com a arca
aos pés, Dagon quebrou as mãos e perdeu a cabeça, ficando apenas o
tronco. Depois disto os filisteus foram assolados com hemorróidas.
Com isso, eles foram mudando a arca de um lugar para outro. Mas,
aonde a levavam, e alguém dela se aproximava era punido severamente
34
Edmilson Alves

pela ira divina (I Sm 5.1-12). Os filisteus não suportaram os terrores


que a arca lhes causava e devolveram aos israelitas após sete meses (I
Sm 6.1). Na sua trajetória de volta aos hebreus, a arca passou por Bete-
-Semes, e ao chegar ali ocorreu um incidente trágico; muitos homens
eufóricos e curiosos se aproximaram demais da arca e tentaram olhar
para dentro dela, e foram feridos por Deus, e morreram uma multidão
deles (1Sm 6.19). Dali a Arca foi levada para Quiriote-Gearim (12
quilômetros de Jerusalém) onde permaneceu até os dias do rei Davi.
Nestes dias o rei Davi resolveu levar a Arca de Quiriote-Gearim (Baala
de Judá) para Jerusalém. Com muita música e louvores foi feita a via-
jem, mas no caminho um dos homens chamado Uzá que conduzia os
bois, que carregava a Arca, ao ver os bois tropeçarem, pensou que a
Arca iria cair, e pôs as mãos para segurá-la, porém... “A ira do Senhor
se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por esta imprudência, e
morreu ali, junto a Arca de Deus” (IISm 6.7). Todos estes episódios
envolvendo a Arca que era símbolo da presença e Santidade de Deus,
traz a nós o entendimento de que há uma grande distância entre nós
e a Santidade de Deus. Pois Deus é um sol (Sl 84.11) e até podemos
nos aquecer com seus raios, porém jamais chegamos nele. Pois Ele está
distante.

A Justiça de Deus
Os salmistas afirmam que “O Senhor é justo e ama a justiça, e esta é
a base do seu Trono” e imploram dizendo “julga-me segundo a Tua
Justiça Senhor...E dá ao rei os Teus juízos, e a Tua Justiça ao filho do
rei” (Sl 11.7;89.14;35.24;72.1).
O termo justiça é representado na bíblia por diversas definições he-
braicas e gregas. Dentre elas, o substantivo Tsedeq que surge no Antigo
Testamento cerca de 110 vezes, e também é encontrada em combi-
nações de títulos ou nomes, exemplo Melek (Rei) tsedeq Justiça, defi-
nindo Melquisedeque cujo significado é “Rei de Justiça” (Gn 14.18).
Outro exemplo importante é encontrado no livro de Jeremias (23.6)
onde está escrito “O Senhor Justiça nossa” em hebraico, é Yavé Tsede-
qnu. Partindo da mesma derivação, há também o substantivo Tseda-
qah que ocorre por cerca de 157 vezes no Antigo Testamento, e traz
praticamente a mesma definição de Tsedeq que é “Retidão” e tem a
característica de quem é reto ou justo”. Outro termo decorrente no
35
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Antigo Testamento é Mishpat, que aparece por cerca de 420 vezes, e


traz consigo dois significados diferentes: primeiro tem o sentido de
“Julgamento” (Ec 12:14). Já o segundo se refere a “direitos de alguém”
(Ex 23:6).

Justiça Imputada, é um tipo de retidão que independe das obras


humanas, e que se apóia única e exclusivamente na fé em Deus con-
forme está escrito em (Gn 15.6) Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi
imputado como justiça. Essa é uma atribuição que vem pela graça de
Deus, através de cristo, e que alcança os pecadores injustos, que por
seus pecados seriam justamente condenados. Porém, ao que crê em
cristo, ele alcança “misericórdia”, que é a anulação da sentença que
os condenaria. E ainda recebe “graça” que é definida como um favor
imerecido que vem trazendo consigo a justificação. Desta maneira a
justiça não é burlada pelo fato de um condenado não pagar seus de-
litos, pois ao invés dele, outro, (o Senhor Jesus) se fez réu em seu lu-
gar, cumprindo a sentença (que pertencia ao pecador) e fazendo justo
todo o que nele crê (Jo 1.12). O texto áureo desta justiça se encontra
em Romanos (3.21-26) “mas agora se manifestou sem lei, a justiça
de Deus tendo o testemunho da lei e dos profetas, isto é, a justiça de
Deus pela fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem,
porque não há diferença. Sendo justificados gratuitamente pela sua
graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, no qual Deus propôs
para propiciação pela fé em seu sangue para demonstração de sua jus-
tiça neste tempo presente para que seja justo e justificador daquele que
tem fé em Jesus”.
Nos dias neotestamentários, a lei mosaica era como um espelho
que servia para revelar os defeitos das pessoas, e acima de tudo conde-
ná-las. E a isso se chamava de “Justiça”, Mas, paradoxalmente, vemos
no versículo 21 e 22 que “... agora a justiça de Deus se manifestou sem
a lei...Isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus” (isto é, pela graça). Esta
justiça de Deus é a maneira correta de Deus absolver alguém que pela
lei seria condenado. E transformá-lo em inocente, isto é, justo, visto
que Deus precisava punir os pecados, porém desejava livrar o pecador.
E isso só foi possível através da justiça imputada quando o pecador ao
se aproximar de Deus pela fé, isso lhe é atribuído como justiça.

36
Edmilson Alves

Justiça cumprida. A salvação vem como um presente, e começa com


a justiça imputada, a qual vem pela fé em cristo. Porém, a justiça
cumprida “é o caminho pelo qual palmilha os pés dos justos (Is 26.7),
é guardar o caminho do Senhor (Gn 18.19), é praticar a sua lei” (Rm
2.13), é desenvolver a justiça imputada através da regeneração promo-
vida pelo Espírito Santo que através do cristão cumprir a justiça, vai
promovendo um processo de crédito espiritual que resulta em santifi-
cação e capacitação, manifestos em frutos e dons espirituais.
A exigência da justiça cumprida é retratada de forma sistemática
no Salmo 15, que é composto de perguntas, respostas e promessas.
Primeiro, o salmista questiona a Deus com a seguinte pergunta “Se-
nhor, quem habitará no teu tabernáculo? E quem morará no teu santo
Monte? ”.
No mesmo Salmo, o autor obtém, onze respostas, as quais são:
“(1) O que anda em sinceridade, (2) Pratica a justiça, (3) Fala a
verdade de coração, (4) Não difama com sua língua, (5). Não faz mal
ao próximo, (6) Não aceita afronta contra o próximo, (7) Aquele que
despreza o pecado, (8) Os que honram os que temem ao senhor, (9)
Os que mesmo que jure com dano seu, não muda, (10) O que não
empresta seu dinheiro com usura, (11) O que não recebe suborno
contra o inocente”.
Após esta lista de atos de justiça praticável, o salmista medita na
melhor parte, que são as promessas, e conclui; “Quem faz isso, nunca
será abalado”.

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Suas obras
As obras de Deus são um aspecto de imensurável importância na sua
doutrina. Neste segmento, a doutrina das suas obras pode ser dividida
em quatro aspectos: Sua criação, sua providência, seu Governo e sua
Vontade.

Sua Criação
O primeiro livro da Bíblia, que é chamado de Gênesis,
(Gr. Princípio, origem) se inicia com a seguinte afirmativa “No prin-
cípio criou Deus, os céus e a terra” (Gn 1.1). Deste princípio parte a
verdade de que Deus é o autor de toda criação.
O verbo hebraico “Criar” é traduzido pelo termo Bara que significa
“criar do nada, fazer existir do inexistente”.
Este termo possui um profundo significado na teologia bíblica, pois
somente Deus pode ser o sujeito deste verbo. Pois através dele Deus
fez existir o que não existia. Do nada Ele fez tudo. Além do verbo
Bara, no texto de Gênesis aparece o verbo Asah (v.7) que significa
“fazer, criar do que já existe” Enquanto Bara significa “criar do nada”
em contrapartida Asah é “Criar do que já existe” isto é extrair, evoluir.
Além desses dois verbos importantes, o termo “criar” ainda é definido
por outros dois verbos hebraico que surgem em Isaías (45.18) jun-
tos de Bara e Asah estão Kun que significa: “estabelecer” e Yatsar que
significa: “formar, modelar”. “Porque assim diz o Senhor que tem
Criado os céus (Barah) O Deus que formou a terra (Yatsar) e a fez; Ele
a estabeleceu (Kun) não a criou vazia (Asah) Mas a formou para ser
habitada”.
A partir destes termos, Deus além de fazer a criação existir a partir
do nada, também a fez evoluir, estabelecer-se, modelar-se. Em suma, o
significado do ato de Deus criar, abrange dois pontos importantes: (1)
Fez existir do que nunca existiu, (2) Multiplicou o que já havia criado.
38
Edmilson Alves

Com isso entendemos que Deus criou e desenvolveu a sua criação.


No relato da criação, em Gênesis, é apresentado como tendo Deus
criado todas as coisas em apenas seis dias: conforme o gráfico:

Os seis dias da criação

Primeiro Luz trevas – dia- noite Gn 1.3


Segundo dia Céu-mares Gn 1.7
Terceiro dia Terra seca - vegetação Gn 1.9,11
Quarto dia Sol – lua e estrelas Gn 1.14
Quinto dia Pássaros e peixes Gn 1.21
Sexto dia Animais terrestre - Homem-Mulher Gn 1.24,27

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Sua providência
Representada na Bíblia por diversos termos grego, principalmente os
verbos Pronoia e Problepo, providência divina é definida como “a su-
prema Autoridade e Sabedoria com que Deus sustenta e conduz todas
as coisas”. Essa providência está presente em todas as áreas do uni-
verso, tanto na natureza criada, como na história e na vida pessoal da
humanidade.
A partir da criação dos elementos naturais e a sua manutenção, ao
controle da história e intervenção nos acontecimentos na vida de cada
indivíduo. A providência divina está bem mais evidenciada em três
principais áreas do Universo. Primeiro- Na natureza No aspecto pro-
videncial de Deus, na ordem natural, destaca-se a “conservação”, con-
forme escreveu o salmista “O Senhor conserva os homens e os animais”
(Sl 36.6), através das leis que Ele mesmo estabeleceu (At 17.25) além
de dar a vida aos homens e animais (Jó 12.10; Sl 104:28, 30) Deus
cuida das necessidades de cada um deles (Jó 38.39-41; Sl 147.9) Ele
falou através do profeta Joel, a seguinte mensagem “não tenhas medo
Ó Terra, regozija-se e alegra-se. O Senhor tem feito coisas grandiosas!

“Não tenhas medo Ó animais do campo, pois as pastagens estão


ficando verdes, as árvores estão dando os seus frutos, a figueira e a
videira estão carregadas...” (Jl 2:21, 22) falando sobre esse cuidado
de Deus pelas criaturas, Jesus disse: “Observem as aves do céu, não
semeiam nem colhem, nem armazenam em celeiros, contudo o Pai
Celestial as alimenta...” (Mt 6.23). Além dos animais, Deus preserva
o curso da natureza e mantém firme o ciclo hidrológico, com o qual
faz o sol brilhar sobre o mar (Jó 36.30) aquecendo as águas, gerando
vapores que sobem aos ares, transformando-se em nuvens (Am 5.8;9.6)
que com a diminuição da temperatura fazem vapores se condensarem,
tornando-se gotas de águas que caem em forma de chuva e regam a
Terra (Jó 36.28) fazendo a semente crescer, gerar folhas, flores e frutos
proporcionando alegria e fartura ao lavrador da terra (Is 55.10; Sl
149.7,8) Deus deu garantias de pleno funcionamento das estações.
Enquanto houver Terra, haverá frio e calor, inverno e verão, dia e
noite jamais cessarão (Gn 8.22).
40
Edmilson Alves

Deus tem em suas mãos a vida dos animais e dos homens e é Ele
quem provê o fôlego necessário para que a vida continue pois se Ele
retirar da Terra o seu Espírito, que preserva, toda a Terra morrerá (Jó
34.14,15) Essa conservação providencial de Deus além da natureza e
os animais e que envolve também a humanidade, que ao longo de sua
história tem estado à beira da extinção. Não obstante a providência
conservativa de Deus tem garantido vida longa à natureza e aos seres
humanos. Segundo - “Na história da humanidade” Deus fez o homem
perfeito, e o pôs com governante no jardim do Éden. O homem feito
à imagem e semelhança divina era dotado de perfeição física, mental
e emocional, teve capacidade de nomear e dominar todos os animais
existentes (Gn 2.19, 20) e o projeto de Deus era que o homem se
multiplicasse e formasse um mundo de servos e adoradores de Deus.
Porém, o homem falhou, quebrando a aliança com Deus, provocando
a entrada do pecado no mundo e estragando o perfeito plano Divino
(Gn 3.6-19). Com a queda do homem, o pecado e suas consequências
substituíram a vida perfeita do Éden.

E os efeitos surgiram na vida de cada ser humano que ia nascendo


ao longo da história (Sl 51.5 ) e em todas as áreas da vida humana,
seja na área física, que foi afetada com dores, doenças, envelhecimento
e morte, como na área psicológica, onde o homem perdeu a perfeição
intelectual e foi acometido de vários sentimentos destrutivos, como:
angústia, medo, aflição, desânimo, tristeza e muitos outros, e na área
espiritual, o homem perdeu a imagem e semelhança de Deus, perdeu a
comunhão com Ele e perdeu o domínio e a imunidade contra o inimigo
de Deus (Satanás) descendo da posição de dominador para dominado.
Porém, Deus com seu amor provedor, além de prover vestes para vestir
Adão e Eva para que não continuasse nus, Ele também proveu um
plano de redenção para toda a humanidade. Prometendo providenciar
da própria semente da Mulher, um Redentor que esmagaria o poder
de Satanás e do pecado, e faria com que os homens recebessem o
poder de serem filhos de Deus (Gn 3.17-21; Jo 1.12, 13). De Gênesis
a Malaquias, Deus trabalhou provendo meios para o advento do
Salvador. Após a queda de Adão, na época em que a humanidade se
multiplicara, enquanto alguns começaram a invocar o nome do Senhor
(Gn 4.26) a maioria fazia o que era mal aos olhos de Deus, a ponto de
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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Deus não ter alternativa, a não ser a destruição daquela geração com
o dilúvio. Porém, a quem se arrependesse, Deus proveu um escape.
Uma arca de madeira, era a providência Divina para a preservação
da humanidade (Gn 6.14-22) passado o dilúvio, a humanidade volta
a crescer e Deus escolhe um homem da Mesopotâmia, chamado
Abrão, e faz aliança com ele, e num momento em que Abrão teria que
oferecer seu filho, Isaque em sacrifício, Deus o impede, e provê um
substituto, e em seguida se revela como Jeová-Jiréh, que em Hebraico
é “Deus Provedor” ( Gn 22.1-14) A descendência de Abrão migrou
para o Egito, onde permaneceram por mais de quatrocentos anos.
Com a sucessão de Faraós no Egito, os descendentes de Abrão foram
transformados em escravos, e viveram debaixo de um regime opressor.
Porém, Deus vendo e ouvindo a agonia e o clamor do seu povo (Ex
2.23-25) providenciou um libertador (Moisés) para tirá-los do Egito
e levá-los a Terra Prometida. Moisés conduziu aquela multidão de
escravos, seiscentos mil homens sem contar as mulheres e crianças
(Ex13.20-22).
Depois de quarenta anos de peregrinação pelo deserto, os israelitas
chegaram a Terra prometida, e alí se instalaram. Passaram alguns anos,
aquela geração caiu em apostasia e cada um fazia o que queria. Estavam
desviados e consequentemente desprotegidos. Os outros povos, vendo
o afastamento de Israel para com Deus. Promoveram mortes, fome
e miséria. Sentindo-se em desgraça, outra vez os israelitas clamam, e
Deus mais uma vez age com providências. Ele provê juízes libertadores,
que de tempo em tempos se levantavam para libertar e legislar em
Israel (Jz caps. 3-16) na sequência Deus também providencia homens
dotados de dom profético (os profetas) para revelar e ensinar ao
povo os caminhos do Senhor. Todos os profetas, tanto os canônicos
como os não canônicos tinham a lança das suas profecias apontadas
na direção da manjedoura em Belém (local providenciado por Deus
para o nascimento do Salvador). Decorridos, séculos de anunciação,
enfim Deus realiza sua promessa. Providenciou um casal de judeus da
linhagem de Davi, uma humilde cidade e um estábulo de animais onde
nasceu (Jesus) Aquele que era a “providência Divina” para o problema
do pecado. Terceiro - “Na vida pessoal” daqueles que guardam sua
aliança com Deus, a providência divina é companheira nos momentos
em que, as possibilidades humanas se acabam, inúmeros servos de
42
Edmilson Alves

Deus experimentaram o milagre da provisão, dentre estes destacam-


se: Abraão, para quem Deus proveu um cordeiro no lugar do seu filho
Isaque (Gn 20.1-4).
Elias, para o qual na época da fome, Deus preparou um corvo para
levar comida a ele e um ribeiro para lhe provê água (IRs 17.2-6) esses,
e muitos outros exemplos são encontrados na bíblia, representando o
que há de melhor na providência Divina. Jesus alertou os discípulos
que não se inquietassem pelo que haveriam de comer ou beber, pois o
Pai Celestial “proveria” o necessário (Mt 6.25-34). Seguindo o exem-
plo de Jesus o Apóstolo Paulo animou os cristãos filipenses, com as
seguintes palavras

“O meu Deus, segundo as suas riquezas suprirá todas as suas necessida-


des...” (Fp 4.19). Não obstante, cabe a cada cristão esperar a providên-
cia divina, com paciência e fé, pois Deus está trabalhando pelos que
Nele estão esperando (Is 64.4) e mesmo que haja demora e contrarie-
dades, tudo pode contribuir para o bem dos que o amam (Rm 8.28)
pois Ele (Deus) pode estar provendo algo melhor a nosso respeito (Hb
11.40).

Seu governo
Além de criar, prover e preservar sua criação, Deus também governa
sobre ela. Ele a dirige e se utiliza de cada acontecimento da história
para levar a cabo o seu projeto. Nos reinos, mineral, vegetal e animal,
o governo de Deus é absoluto, e a sua vontade é absolutamente obe-
decida. Porém, com os seres humanos, não é assim, pois quando Deus
os criou, lhes deu livre arbítrio, com o qual o homem teria liberdade
de escolha.

Sua vontade
Deus governa o mundo através da lei estabelecida pela sua vontade
que é classificada em três aspectos: Vontade soberana, vontade permissi-
va, e vontade perfeita.

Vontade soberana, essa é a vontade que Deus se utiliza como lei


para governar a natureza, pois nela cada reino natural obedece às leis
estabelecidas por Ele. Por exemplo: no reino animal, as vacas foram
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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

criadas para fornecer leite e carne, e elas jamais desobedecem; no reino


vegetal, a laranjeira foi feita para produzir laranjas, e jamais se houve
falar de uma laranjeira desobediente que tenha produzido abacaxi.
Assim ocorre em todas as plantas e animais, eles são governados por
Deus através de sua vontade soberana e absoluta. Esta vontade tam-
bém abre caminhos para realização dos projetos divinos, como o plano
da redenção que se concretizaria com a vinda do Messias. Planos que
desde o início sofreu sabotagens de Satanás, inimigo de Deus, para
que não se cumprisse. Porém Deus abriu caminho na história, e pre-
parou os meios para a chegada do seu filho.

Para que esta vontade soberana se cumprisse, Deus se utilizou


de pessoas, lugares e circunstâncias. Começou, com o chamado de
Abrão. E da sua descendência prometeu suscitar um filho que seria
peça importante na linhagem do Messias. Porém havia um problema;
a mulher de Abrão era estéril. Mas depois dos noventa anos, Deus a
fez dar à luz, a um filho chamado Isaque, que daria prosseguimento ao
projeto divino, também construindo para Deus uma família. Porém,
sua esposa Rebeca também era estéril, e mais uma vez, fez se necessário
a soberania de Deus entrar em ação. O descendente de Isaque, res-
ponsável em levar a frente o plano de Deus, era seu filho Jacó, que se
casou com a mulher amada depois de catorze anos de trabalho duro,
para depois vir a descobrir que ela também era estéril. Porém milagro-
samente, Jacó obtém filhos, os quais com suas futuras famílias (cerca
de setenta pessoas Ex 1.5) migraram para o Egito, onde por estratégias
malignas, se tornaram escravos de Faraó por cerca de 430 longos anos,
até Deus levantar Moisés e usá-lo para os tirar da escravidão, e os levar
para a terra prometida, para dali se organizarem como nação. Mas
mesmo tendo conseguido um sistema de governo e um rei, o povo de
Israel, que eram condutores dos planos de Deus foram por inúmeras
vezes ameaçados de extinção por reinos poderosos da época. Porém,
esses grandes impérios que dominaram o mundo e quiseram ser tro-
peço para os projetos de Deus tiveram que se humilhar. Reinos, como
o da Babilônia, cujo rei se levantou contra Israel, e batia no peito
celebrando sua grandeza. Este foi por Deus humilhado, e obrigado a
andar sobre quatro patas, e a pastar como animal, até reconhecer que
o todo poderoso é quem governa (Dn 4.32).
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Edmilson Alves

Enfim, o Messias chegou ao mundo. Más agora já não era so-


mente as nações pagãs que tentavam obstruir o governo e a vontade de
Deus. Agora, o próprio povo de Israel, que eram os escolhidos de Deus
para receberem o Messias, Ao contrário, não o reconheceram, não o
receberam, e o humilharam o prenderam e o crucificaram. Porém,
nem isso destruiu o projeto e a vontade de Deus, pois mesmo depois
de crucificado, morto e sepultado, Deus fez cumprir a sua vontade e
ressuscitou dos mortos o seu filho, e como era a sua vontade soberana,
cumpriu o seu plano de redenção, abrindo outra vez o caminho de
Deus ao homem.
Portanto, mesmo que se levantem todo tipo de obstáculo, huma-
no ou espiritual para impedir os planos de Deus, jamais conseguirão,
pois, a vontade soberana de Deus sempre será realizada.

A vontade permissiva, é a expressão do respeito de Deus ao livre arbí-


trio do ser humano. Nesta vontade, Deus permite que coisas boas ou
ruins aconteçam no mundo sem a sua interferência, mesmo que estas
coisas, não sejam de sua perfeita vontade. Até determinado ponto,
Deus permite que males e sofrimento assolem o mundo (I Pd 3.17;
4.19) até que haja espaço para execução dos seus propósitos, que é
salvar a todos, pois Ele não quer que ninguém se perca, mas que todos
sejam salvos e felizes (II Pd 3.9; ITm 2.4) O motivo de muitas pessoas
viverem praticando o mal e não serem automaticamente punidos, faz
parte da vontade permissiva de Deus, mesmo que, Ele não aprova o
mal, porém deixa o homem livre para seguir o caminho que desejar.
Porque Ele já tem reservado o dia em que há de julgar o mundo com
justiça (At 17.31).

Vontade perfeita, essa vontade é chamada de “vontade perfeita” não


que as outras vontades de Deus não sejam perfeitas para Ele. Porém,
para o homem essa seria a vontade ideal, pois ela expressa o desejo de
Deus para nossas vidas. A este respeito, Jesus disse: “Essa é a vontade
daquele que me enviou, que Eu não perca nenhum dos que Ele me
deu...“ (Jo 6.39) também disse o apóstolo Pedro que “Deus não quer
que ninguém pereça más que todos conheçam a verdade” (IPd 3.9).
Por isso, essa vontade é chamada de “vontade perfeita” pois ela é per-
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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

feita para a salvação da humanidade. E ela se realiza na vida daqueles


que recebem Cristo como salvador, e permitem que Ele realize neles
a sua vontade. Portanto em todos os lugares e circunstâncias, Deus
governa através da sua vontade que é obedecida como lei (Sl 40.8)
Mesmo que para muitos deístas que acreditam que Deus é como um
relojoeiro, e que o mundo é como um relógio que Ele deu corda, vi-
rou as costas e foi embora. Para estes as palavras de Jesus, são: “Não
cai uma folha da árvore, se não for a vontade de Deus”. Isso significa
dizer, que Deus está no controle de tudo, e de todos.

A Glória de Deus
Dentre as muitas maneiras de se revelar, Deus também optou por
se manifestar através da sua glória. Que aparece tanto na natureza (em
todas as coisas criadas) como na história da humanidade, principal-
mente na história de seu povo eleito (Israel e a Igreja).
No Antigo Testamento, “Glória” na maioria das vezes é re-
presentada pelo termo hebraico Kãbhõdh, cuja significação é “honra,
reputação, dignidade, riqueza, esplendor”. Este termo era vastamente
aplicado as pessoas, no sentido de “Honra” (Is 22.24, Os 9.11). Po-
rém, no que se refere a Deus, essa glória é definida como a “Revelação
da sua natureza, seu caráter, sua vontade, e sua manifestação, seja por
meios naturais ou sobrenaturais. Além de Kãbhõdh outra palavra he-
braica, ganhou maior importância na teologia do Antigo Testamen-
to, a palavra Shequinah que é derivado do verbo Shãkahn, (que no
hebraico significa “Habitar em Tendas” (Ex 25.8) e se originou com
os escritores dos Targumim (Traduções do Antigo Testamento para-
fraseadas do hebraico para o aramaico) tendo o significado de “Habi-
tação de Deus” e é utilizada para descrever a presença visível da glória
de Deus e traduz a ideia da manifestação da glória visível de Deus
habitando na Tenda do Tabernáculo (Ex 40.34). A glória de Deus se
manifestou nitidamente na história do seu povo hebreu. O Êxodo da
nação israelita rumo a terra prometida assinala a trajetória desta glória
46
Edmilson Alves

entre os homens. No relato bíblico, a glória de Deus estava junto ao


povo quando saíram do Egito. Ela esteve guiando Israel no deserto em
forma de uma nuvem que os refrescava durante o dia e em forma de
uma coluna de fogo, que iluminava e os aquecia durante a noite (Ex
13.21). Essa glória, acompanhava Moisés e o povo, e se manifestava
em situações importantes e miraculosas, como no milagre da provisão
do maná, e das codornizes (Ex16.6-15), onde pela manhã quando caía
o maná e pela tarde quando surgiram as codornizes, esta se manifesta-
va. Israel prosseguia suas jornadas, tendo como guia a glória em forma
de nuvem de maneira que, quando a nuvem de glória parava, o povo
parava, quando, porém, a nuvem prosseguia, o povo a acompanhava
(Ex 40.36-38). Cerca de três meses depois de sair do Egito a glória de
Deus pousou sobre o monte Sinai, e ali com o povo habitou por onze
meses (Ex19.1, Nm 10.11). Enquanto o povo habitava ao redor do
monte Sinai, Moisés subiu ao cume do monte e ali permaneceu por
um período de quarenta dias e a glória de Deus se manifestou por seis
dias, em forma de nuvem, fogo, e voz do Senhor (Ex 24.15-18,25.1).
Passados, quarenta dias, os Israelitas, que habitavam ao redor do Si-
nai, se cansaram de esperar Moisés, e então fizeram um bezerro de
ouro, e começaram a adorá-lo. Isso constituiu-se num grave pecado
contra Deus fazendo com que Deus desistisse de enviar sua presença
e glória com o povo (Ex 32.1-18, 33.1-18) face a tudo isso. Moisés
roga a Deus que a sua presença e a sua glória vá com eles. Então Deus
resolveu dar ao povo uma segunda chance e mostrou novamente a sua
glória a Moisés, (Ex 34. 5-8) fez uma nova aliança com o povo (Ex
34.10-28) e ordenou que erguessem um tabernáculo, e oferecessem
sacrifícios diários ao Senhor (Ex caps. 35-40). E após terem feito tudo
como Deus lhes ordenara, concluído o tabernáculo, e oferecido os sa-
crifícios, então a nuvem cobriu a Tenda da congregação, porquanto a
nuvem ficava sobre ela, e a glória do Senhor enchia o Tabernáculo (Ex
40.34,35). Depois da inauguração do Tabernáculo, a glória de Deus
continuou aparecendo no momento dos sacrifícios (Lv 9.6).
Na época do reinado de Salomão, foi construído o templo
que substituiria o Tabernáculo. Depois de está tudo pronto, foi feita a
transferência dos objetos sagrados do Tabernáculo para o Templo, e ao
transferirem a Arca da Aliança que representava a presença de Deus, e
ao fixarem a Arca no lugar Santo, a glória de Deus, encheu o Templo,
47
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

celebrando a aprovação divina daquele lugar sagrado (I Rs 8.1-11, II


Cr 7.1,2) Já nos livros poéticos a glória de Deus é representada com
elementos de ordem natural, como, tempestade, nuvem, trovões, (Sl
18.7-15, 24.1-11) porém, nos livros proféticos, a glória é contempla-
da de forma mais espiritual. O profeta Isaías por exemplo, na época
em que mor- réu o rei Uzias (por volta de 740 a.C.: II Rs 15.7, II
Cr 26.23) ele entrou no Templo e teve um encontro “Glorioso” com
Deus, em que sua glória se manifestou no templo, estremecendo os
umbrais das portas, enchendo o Templo de fumaça e contemplando
uma visão do Senhor no Trono rodeado por serafins. Essa teofania se-
guida pela glória de Deus, gerou a chamada vocacional do profeta (Is
6.1-13). A mesma glória alcança um conceito quase físico nas visões
do profeta Ezequiel, que contemplou a “Glória do Senhor” saindo
do Templo por causa dos pecados de idolatria que teve como conse-
qüência o cativeiro na Babilônia (Ez 10.4-19) mas posteriormente, o
mesmo profeta contempla uma visão do futuro o Templo milenial, no
qual a glória do Senhor volta para o Templo com grande triunfo (Ez
43.1-4).

No Novo Testamento
O termo grego Doxa que é o equivalente, ao hebraico Kabodh tem
também significação de honra, reputação, porém, sua maior signifi-
cação é da “glória revelada” em Jesus Cristo que é apresentado como
a “Glória de Deus” Manifesta aos homens. (Hb 1.3, Jo 1.14) Essa
“Glória de Deus” manifesta na terra foi vista pelos pastores que guar-
davam seu rebanho, no dia do nascimento de Cristo. (Lc 2.9,14)
Depois foi contemplada principalmente nos seus milagres, conforme
escreveu São João “Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da
Galiléia, e manifestou a sua glória...” (Jo2.11). Essa glória também foi
manifestada na transfiguração, onde ocorreu uma teofania semelhante
a presenciada por Moisés no monte Sinai, na qual ele contemplou
a glória de Deus, de maneira tão intensa, a ponto de ficar com a
pele do rosto brilhando (Ex 34.29), na transfiguração, não só o rosto
de Jesus brilhava, mas também as suas vestes ficaram resplandecentes
(Mt17.1-8).Mesmo tendo-se, a concepção de que “Glória” define es-
plendor, grandeza, poder, surpreendentemente a crucificação e morte
de Cristo, era tida por Ele como um momento de “Glória”. Isso, o
48
Edmilson Alves

próprio Jesus, deixou bem claro quando fez referência a brevidade da


sua morte e crucificação, Ele disse essas palavras: “Pai glorifica o teu
nome”, então veio uma voz do céu que dizia: “Já o tenho glorificado
e outra vez o glorifiquei...é chegada a hora em que o filho do homem
há de ser glorificado... e dizia isso significando de que morte havia de
morrer” (Jo 12.28, 23, 33).

Nas suas últimas instruções aos discípulos Ele disse: “agora é glo-
rificado o filho do homem, e Deus é glorificado nele (e) se Deus é
glorificado nele, também Deus o glorificará a si mesmo, e logo o há de
glorificar” (Jo 13.31, 32). Na sua última oração pelos discípulos, Jesus
levantou seus olhos ao céu, e disse: “Pai é chegada a hora, glorifica o
teu filho, para que também o teu filho te glorifique a ti” (Jo 17.1).
Mesmo a crucificação sendo uma forma de extrema humilhação, Deus
escolhe a cruz, para expor sua maior glória (Jesus) em expressão de
amor sacrificial pela humanidade. Após esta glória manifestada em
amor pela morte de Cristo. Outra revelação da glória é manifestada na
ressurreição e ascensão, desta feita, uma glória revelada em autoridade
e poder (Lc 24.2b, At 3.13, Mt 28.18, Rm 6.4). Daí em diante Jesus
é chamado de “Senhor da Glória” (I Co 2.8, Tg 2.1) e conforme as
profecias escatológicas, Jesus voltará ao mundo, desta vez não com
humilhação, mas com “poder e grande glória” (Mt 24.30, 25.31).

49
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

A trindade
A doutrina da trindade é um dos pilares do cristianismo. O termo
trindade significa “a união de três partes”. A trindade não significa três
deuses (triteísmo) e nem um deus com três manifestação diferentes
(unicismo). Porém um único Deus co-existente em três pessoas distin-
tas e co–eternas. As quais são; o Pai, o Filho, e o Espírito santo. Cujas
doutrinas estão inseridas em todas as escrituras sagradas.

No antigo testamento
No antigo testamento o Judeu não estava muito acostumado com a
doutrina da trindade. Pois seu conhecimento de Deus era muito in-
suficiente para absorver essa doutrina. Por isso, a ideia de trindade foi
menos difundida que no novo testamento, porém não omitida, pois
há um vasto número de referências no antigo testamento, onde evi-
dencia com clareza a existência da trindade Divina. Essas evidências
estão distribuídas em três grupos representativos, nos quais aparecem
três personagens que representam o próprio Deus, os quais são: O
Anjo de Senhor; A Sabedoria, e o Messias prometido.

O Anjo do Senhor, este anjo é distinguido dos outros, pois é iden-


tificado pessoalmente como o próprio Deus, ou a segunda pessoa da
trindade. Este anjo aparecia a Abraão em diversas ocasiões e falava
com ele. Numa dessas, o Anjo lhe disse: “...oferece o teu filho em
holocausto, sobre uma das montanhas que Eu te direi...E estendeu,
Abraão a sua mão e tomou o cutelo para imolar o seu filho, más, o
Anjo do Senhor lhe bradou desde os céus e disse:

“Abraão! Abraão! E ele disse: ...eis - me, aqui... Então disse:... Não
estendas a tua mão sobre o moço, e não lhes faças mal; porquanto agora sei
que temes a Deus, e não me negaste o teu único filho..E chamou, Abraão,
o nome daquele lugar ...O Senhor proverá” (Jeová Jiré Gn 22.1-19).
Este Anjo, também apareceu a Hagar, serva de Sara, quando fugia

50
Edmilson Alves

de sua senhora. “E o Anjo do Senhor a encontrou junto a uma fonte


no caminho de Sur.…e ela chamou o nome do Senhor, que com ela
falava do “Deus da vista” (hb. El Roi Gn 16.7-13). Ele também apare-
ceu a Jacó em sonhos e lhe disse: “Eu sou o Deus de Betel” (Gn 31.11-
13) O qual o encontrou no ribeiro de Jaboque e lutou com Ele, e após,
disse estas palavras: “Eu vi Deus, face a face” (Gn 32.24-30). Além de
Abraão, Hagar e Jacó, outros também se encontraram diante do Anjo
do Senhor. Dentre os quais; Manoá, pai de Sansão (Jz 13.3-22), Gi-
deão (6.11-40), Moisés (Ex 3.2-22). Este Anjo era Deus enviado por
Deus, isto é, o próprio Deus personificado de Anjo, manifestando-se
à pessoas, em ocasiões especiais. É crido teologicamente que Ele era
o próprio Deus-Filho, antecipando a sua presença e atuação na terra.

A Sabedoria, partindo de provérbios (8.22-31) a maioria das tendên-


cias teológicas, aceita e acredita na personificação da sabedoria apre-
sentada em provérbios. Onde ela se porta como uma pessoa sábia, per-
feita e eterna, atributos exclusivos de Deus. Vejamos algumas partes
do discurso da sabedoria e seus temas;
Sua excelência, “... A vós, homens clamo, e a minha voz se dirige aos fi-
lhos dos homens. Falarei coisas excelentes meus lábios proferirão a ver-
dade, os meus lábios abominam a impiedade... Em justiça são todas
as palavras da minha boca, não há nelas nenhuma coisa tortuosa nem
perversa, todas elas são retas, para o que bem as entende, para os que
acham o conhecimento...” (vs. 6,7,8 ). Seu poder - “meu é o conselho, e
a verdadeira sabedoria, Eu sou o entendimento, minha é a fortaleza, por
mim reinam os reis, e os príncipes ordenam a justiça, por mim governam
os príncipes, e os nobres, sim todos os juízes da terra...Riquezas e honra
estão comigo, sim riquezas duráveis e justiça”(vs. 14,15,16,18 ).
Sua eternidade, assim diz o texto bíblico;“O Senhor me possuiu no
princípio de seus caminhos, e antes de suas obras mais antigas. Desde a
eternidade, fui ungida, desde o princípio, antes do começo da terra, antes
de haver abismos, fui gerada. Quando Ele preparava os céus, aí estava
Eu...” (vs. 22,23,27 )
Sua salvação, “Bem aventurado o homem que me dá ouvidos, porque o
que me acha, achará a vida, e alcançará o favor do Senhor” ( vs. 34,35 ).
A essa Sabedoria personificada, o apóstolo São Paulo faz a se-
guinte referência “...más aos que são chamados, tanto Judeus, como gregos
51
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

lhe pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (ICo 1.24 ).


E o próprio Jesus fez referência a essa sabedoria (Lc 11.49) Portanto
concluímos que essa sabedoria é uma referência, a uma das três pessoas
da trindade.

O Messias prometido
O Ser prometido por Deus para remir Israel também é identificado
como sendo Deus. No livro do profeta Isaías, a profecia referente ao
nascimento de um menino que seria o Messias, é descrita da seguinte
forma: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o princi-
pado está sobre seus ombros, e o seu nome será, Maravilhoso, Conselheiro,
Deus forte, Pai da eternidade e Príncipe da paz”.(Is 9.6).
Mesmo sendo esta, uma profecia de duplo sentido, onde preconiza o
nascimento ou a ascensão do futuro rei de Israel, também se refere ao
nascimento e ascensão do Messias ungido de Deus. Que além de ter
o principado sobre seus ombros, Ele é Deus forte”, significando que
este menino não seria um menino comum, ele seria uma das três pes-
soas da trindade, isto é, o próprio Deus. Neste sentido um salmista,
referindo-se ao Messias, escreveu as seguintes palavras “O teu trono,
ó Deus é eterno e perpétuo, o cetro do teu reino, é um cetro de equi-
dade” (Sl 45.6).

No novo testamento
A doutrina da trindade é revelada de forma completa no novo testa-
mento, pois nele é apresentado de forma clara a atuação conjunta das
três pessoas; O pai, o filho, e o Espírito santo.

Deus Pai
“Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho..”
(Gl4.4) Passados muitos séculos de experiências aparentemente mo-
noteístas, chegou para o povo de Israel o tempo de conhecer mais pro-
fundamente a pessoa de Deus, e em particular a trindade. É no novo
testamento que esta doutrina é bem mais fácil de ser conhecida, pois
nele está evidente a atuação de Deus através das três pessoas distintas
52
da trindade, iniciando-se com a pessoa do Pai. Pedro, apóstolo, escre-
veu que nós cristãos, fomos “eleitos segundo a presciência de Deus
Pai...”(I Pd 1.2). Também o apóstolo Paulo escreveu que “graça a vós,
da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo” (IICo1.2).
O próprio Jesus orou a Deus, chamando-o de Pai (Mt 11.25,26) e deu
ensinos a este respeito e recomendou os discípulos a orar invocando o
“Pai nosso que estás nos céus” (Mt 5.16,45; 6.1-32).

Deus Filho
A dispensação da graça se iniciou com a revelação de Deus filho “..Más
vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho..”. O Filho, Je-
sus, se manifesta como sendo Deus igual ao Pai. “Eu e o Pai somos um..
Todas as coisas me foram entregues por meu Pai, e ninguém conhece o pai
senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar...(Jo 10.30; Mt
11.27)...e quem me vê a Mim, vê o Pai”.(Jo14.9).
Sendo Deus, o filho Jesus possui atributos exclusivos de Deus, que são:
Onipotência, que significa ter todo poder nos céus e na terra” (Mt
28.18).
Onipresença, que é estar presente em todo lugar (Mt 28.20).
Onisciência,que é ter conhecimento de todas as coisas (Jo 1.47-50).
Autoexistência, ter existência própria. (Jo 5.26).
Eternidade, ser eterno, não se limitar ao tempo (Jo 1.1,14).
Imutabilidade. Ele não muda, é o mesmo ontem, hoje e eternamen-
te. (Hb 13.8).

Deus Espírito Santo.


Assim como o pai e filho, o Espírito santo é Deus, e é apresentado
como a terceira pessoa da trindade, e como tal a Ele é creditado o po-
der de criar todas as coisas (Sl 104.30). Ele é o autor da vida (Jo 3.3-6;
Rm 8.10).
Sendo assim, Ele possui os atributos que são inerentes a Deus, Ele é:
Onipotente,
“Más ..O Espírito opera todas as coisas, repartindo a cada um como
Ele quer” (ICo 12.11)
Onisciente, “Porque o Espírito penetra todas as coisas, até as profun-
dezas de Deus” (ICo 2.10 )
Onipresente, “.. Para onde me irei do teu Espírito e para onde fugirei
53
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

da tua face se subir ao céu tu aí estás se fizer no sheol a minha cama,


tu ali estarás também..”( Sl 139.8-10 ). Nos atos dos apóstolos, Pedro
referiu-se ao Espírito como a Deus, “..Porque mentiste ao Espírito
Santo.. ? Não mentiste aos homens, más a Deus”(At 5.3,4). Jesus re-
comendou que o batismo cristão apostólico fosse realizado em nome
do Pai, do filho e do Espírito Santo.
Concluindo, resta dizer que tudo que existe, seja passado, presente ou
futuro, é obra da trindade.
Em relação a isso as pessoas de Deus trabalham em conjunto, por
exemplo;
Na criação:
O Pai planejou. O Filho executou e o Espírito Santo deu vida.

54
Cristologia
Estudo sobre Cristo

55
Indice

A natureza de Cristo.....................................................58
A natureza Divina.....................................................................58
A natureza h u m a n a ................................................................59
O seu caráter..............................................................................59
Os ofícios de Cristo......................................................61
Profeta .......................................................................................61
Rei..............................................................................................62
Sacerdote.....................................................................................62
O mundo quando Cristo nasceu..................................63
Uma língua mundial...................................................................63
Estradas imperiais.......................................................................64
Vias marítimas............................................................................64
A anunciação...................................................................65
O seu nascimento.......................................................................65
O alistamento ............................................................................66
O nascimento em Belém............................................................67
Do nascimento ao batismo.........................................................67
O ministério....................................................................71
Seu ministério na Judeia.............................................................71
Seu ministério na Galileia...........................................................71
Seu ministério na Pereia..............................................................73
Seus milagres e ensinos..................................................74
Os milagres ................................................................................74
Os ensinos..................................................................................74
Seus opositores...............................................................76
Os fariseus..................................................................................76
Os saduceus................................................................................77
Os zelotes...................................................................................78
Os Escribas.................................................................................78
Os samaritanos...........................................................................81

56
A crucificação e morte......................................................83
A prisão no Getsêmane...............................................................83
O julgamento.............................................................................83
As acusações...............................................................................84
A condenação.............................................................................84
A crucificação.............................................................................84
O Gólgota..................................................................................86
A Ressurreição.....................................................................88
Fatos da ressurreição...................................................................88
Provas da ressurreição.................................................................88
Efeitos da ressurreição.................................................................89
A ascenção..............................................................................90

57
A natureza de Cristo
Pela Bíblia vemos que Cristo teve duas naturezas, uma Humana e
a outra Divina. Isto é, ele era cem por cento Deus e cem por cento
homem. Porém as suas duas naturezas eram tão unidas e relacionadas
que formavam uma única personalidade. O autor da Epístola aos
Hebreus escreve “E visto como os filhos participam da carne e do
sangue, também Ele (Cristo) participou das mesmas coisas” (Hb
2.14), e ao assumir a sua humanidade, sendo Deus Ele uniu à sua
divindade para ser uma pessoa especial (I Tm 3.16).

A natureza Divina.
A Divindade de Cristo está evidente em várias passagens, do
novo testamento. (Jo 1.1-3) está escrito “No principio era o verbo,
e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus, todas as coisas
foram feitas por Ele e sem Ele, nada do que foi feito, se fez. Ele estava
no céu com o Pai (Jo 3.13; 17.4,5,24). Ainda estando na terra Jesus
disse: “Eu e o Pai somos um... E quem vê a mim, vê o Pai (Jo 14.4;
10.30). Jesus é o filho amado de Deus (Mt 3.17; Mc 1.11; Mt 17.5
; Jo 9.35-37) Ele é Deus (Rm 9.5). “E todas as coisas foram feitas
por Ele e para Ele” (Cl 1.13-19, Hb 1.2, Jo 1.1-3).Como Deus, Ele
pode perdoar pecado (Mt 9.6, Mc 2.5) Ele foi adorado (Mt 2.2; 11
14.33; 28.9 Lc 2.15 Mt 8.2 Jo 20.28 etc...) Ele possui os atributos
exclusivos de Deus, Que são:
Onipotência ( pode todas as coisas) - Jo 1.3 Ef 1.22 Cl 1.17 Fp 3.21
Hb 1.3 Ap 1.8.
Onipresença (está em toda parte (Mt 28.20 Ef 1.21).
Onisciência (sabe todas as coisas passado, presente e futuro) - Jo
16.30; 21.17 Ap 22.19; 3.1,8,15. Eter nidade (vive para sempre) -(
Hb 1.12, Ap 22.13) Com Deus, Ele é superior aos Profetas (Hb 11.1-
2) A Moisés (Hb 3.11-19) Aos Anjos Hb 1.4-8“Jesus é o Emanuel”
= “Deus conosco” ( Mt 1.23).
58
Edmilson Alves

A natureza Humana
No antigo testamento havia a promessa de Deus Trazer um salva-
dor da “semente da mulher” (Gn 3.15) Isaias disse: “Uma virgem
conceberá e dará luz a um filho e o seu nome será Emanuel” (Deus
conosco) - Is 7.14. E vindo a plenitude dos tempos Deus enviou seu
filho nascido de mulher, nascido sob a lei (Gl 4.4). “E o verbo se
fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14) E Ele “Sendo Deus, não teve
por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo toman-
do a forma de servo fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7).
Cristo era Deus em forma de Homem e por diversas vezes referiu-se a
si mesmo como “Filho do Homem” (Lc 19.10; Mt 18.11 Lc 9.56).
Como homem Jesus teve um corpo humano (Mt 26.12; Lc 24.39 Jo
1.14; Hb 10.5,10,15; 2.14) Ele cresceu (Lc 2.41,46,52).
Ele foi tentado (Mt 4.1-10, Hb 2.18; 4.15), aprendeu a obedecer (Hb
5.8), teve fome (Mt 4.2; 21.18), teve sede (Jo 4.7;19.28), teve sono
(Mc 4.38), cansou-se (Jo 4.6 Mt 8.24), angustiou-se (Jo 12.27; 13.21),
sentiu compaixão (Mt 20.34), sentiu necessidade de orar (Mc 1.35: Lc
6.12), Ele chorou (Lc 19.41 Jo 11.35), Ele suou (Lc 22.44), Ele morreu
(Mt 27.50; Jo 19.34; I Cor 15.3), Ele foi sepultado (Mt 27.59-60).

O seu caráter
É digno de observação a maneira e comportamento de Jesus em
relação aos seres humanos. A postura irrepreensível com que se com-
portava, a maneira indiscriminada como tratava as pessoas, o amor
que demonstrava em ajudar o próximo, a coragem com que en-
frentava a hipocrisia dos Fariseus da época, e a paixão com que en-
carava sua obra. Nisto destacavam-se vários aspectos do seu caráter,
dentre os quais estão. Santidade, Sinceridade, Humildade, Coragem,
Compaixão.

A santidade - A santidade de Cristo, impressionava a todos que o


observava (Mt 26.59,60; 27.23,24; Lc 23.13.15, 8.46:10.32; At
3.13,14 ; I Pd 2.21-23) a ponto de muitos testemunharem ex: (Pe-
dro) - At 22.14; (Paulo) - II Cor 5.21; (os Apóstolos), At 4.27 e
(Deus o Pai) Hb 1.8,9; Mt 17.5.

59
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Sinceridade - Jesus abominava a hipocrisia, e não usava o seu messia-


do, para se promover. Contrariando a muitos, evitava dizer que era o
messias, e passou a advertir os seus discípulos, que a ninguém disses-
sem que Ele era o Cristo (Mt 16.20) Jesus não operava milagres para
ficar famoso, mas por pura compaixão pelas vidas e até recomendava
as pessoas a quem curava que a ninguém dissessem sobre o milagre
(Lc 5.14; Mt 8.4; Mt 9.30; Mt 12.16; Mc 5.43).

Sua Humildade e amor (Jo 13.4-20; Mt 5.1-12; Lc 22.24-27 ).


Na Palestina, leis severas, determinavam que leprosos vivessem fora
dos muros da cidade e não se aproximasse das pessoas sadias. Porém
Jesus com sua humildade e amor contrariando a sociedade da época,
aceitou até convite para jantar na casa de um leproso (Mt 26.6) e
se tornou amigo de publicanos (Lc 19.1- 10). A sociedade israelita
da época, era cheia de regras religiosas, eram mais preocupados em
lavar as mãos antes das refeições, evitar tocar em corpos mortos, para
não se contaminar, não comer animais impuros, proibir a entra-
da no templo, de pessoas consideradas pecadoras manter uma
separação no templo, para diferenciar várias camadas da sociedade
Como os gentios (os não Judeus) e os samaritanos que só tinham
permissão de entrar no pátio (chamado pátio dos gentios) pois, uma
parede os separava da outra divisão, que apenas permitia a presença
das mulheres Judias (pátio das mulheres). Os homens judeus, po-
diam avançar um pouco mais, mas apenas os sacerdotes podiam
entrar no lugar sagrado, e apenas o sumo- sacerdote podia entrar
no lugar santíssimo uma vez ao ano. E havia comunidades (como
a dos Essénios), que proibia a entrada de loucos, lunáticos, igno-
rantes, bobos, cegos, aleijados, mancos, surdos e menor de idade,
na sua comunidade. Neste ambiente de regras religiosas apareceu
Jesus, dando atenção a crianças, a pecadores, a samaritanos, leprosos,
mulher e hemorrágica. Ele tocava e se deixava tocar por impuros(o
que era proibido pela Lei) pois grande era a sua humildade e amor,
que permitia a entrada de todos no seu reino, um reino caracterizado
pela misericórdia e pelo amor.

Sua Coragem - A coragem, moral, firmeza, e resignação de Cristo,


se mostram em diversas passagens do Novo Testamento por exemplo:
60
Edmilson Alves

quando expulsou os cambistas do Templo (Lc 19.45-48; Mt 21.


12-17; Mc 11.15- 18). Também quando recebeu o aviso de que He-
rodes, queria matá-lo: Jesus enviou-lhe um recado firme e corajoso
(Lc 13.31-33).

Sua Compaixão. Em Mt 9.36 diz que “Jesus vendo a multidão


tinha compaixão deles, pois andavam errantes como ovelhas que não
tem pastor”. Jesus sentiu compaixão por Jerusalém a ponto de chorar
por ela (Lc 19.41). Até quando Judas levou uma turba para prender
Jesus, Ele (Jesus) teve compaixão dele e o chamou de “amigo”
(Mt 26.50) Depois, estando crucificado, Jesus teve compaixão de
seus opressores, e orou a Deus dizendo: “Pai, perdoa-lhes, porque não
sabem o que fazem (Lc 23.34).
O amor e a compaixão de Cristo foi a marca registrada do seu mi-
nistério.

Os ofícios de Cristo
A Bíblia nos apresenta Cristo, como tendo uma tríplice função:
Profeta, Rei, Sacerdote.

Profeta, em Dt 18.18, o ofício profético de Cristo se refere ao


passado, os dias em que vai do seu batismo até a morte na cruz
(Lc 24.19). Podemos deduzir que o seu ministério profético durou
cerca de três anos, o tempo que durou seu ministério. Seu ministério
profético foi predito no antigo testamento desta forma: «um profeta
semelhante a Moisés” (Dt 18.15,18: At 3.22-26), «um profeta ser-
vo” (Is 42.1-11:53.1-12), “um profeta ungido por Deus“ (Lc 4.18;
Is 61.1).
Como profeta: Ele revela (Jo1.8), Ele anuncia as palavras de Deus
(Jo 17.23), Ele predisse o seu próprio futuro (Mc 13.23) Foi reconhe-
cido como profeta (Lc 24.19; Jo 4.19,25; Hb 1.1.

61
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Rei, esse é um oficio de Cristo que só será desempenhado no futuro,


e irá, desde a segunda vinda, (arrebatamento) e durará por toda eter-
nidade. Ele reinará com direitos legais pois é: Descendente Legal da
Tribo de Judá - Gn 49.10 da semente de Davi - II Sm 7.8-17; Sl
89.3-4; Ap 5.5; Sl 2.8,9; Ap 2.27;19.15; Jr 23.5,6. Rei por excelên-
cia - Ap 17.14 Cristo não foi aceito pelos Judeus como o Messias, por
que eles esperavam um Messias-Rei, que aparecesse, vestido de escar-
lata e tecidos de ouro, cavalgando um cavalo real branco, seguido
por um exército, e que fosse a frente deles, na batalha, e expulsasse os
Romanos, e que restaurasse o poder ao povo judeu. Porém, eles viram
um Rei diferente que ensinava, amar os inimigos, e que apareceu em
Jerusalém, montado num jumentinho emprestado (Mt 21.5).

Sacerdote - O Ofício Sacerdotal de Cristo. Refere-se ao presente, ini-


ciou-se na cruz, e irá até o momento do arrebatamento. Como Sacer-
dote, Jesus está intercedendo por nós à destra de Deus (Hb 8.1; Hb
2.10-18; 4.15; 5.1,2; 7.25). Intercede pelos que se arrependem dos
seus pecados (I Jo 2.1,2), Ele é sacerdote eterno (Sl 110.4; Hb 7.23-
26), é sacerdote perfeito (Hb7.26) Sacerdote inocente que nun-
ca pecou (Jo 8.46.), Separado dos pecadores (Hb 7.26). Jesus viveu
entre os homens, comeu com eles mas não se deixou influenciar pelo
pecado. Ele foi sacerdote que se ofereceu a si mesmo (Hb 7.27).
Os sacerdotes do Antigo Testamento ofereciam sacrifícios primeiro
por si próprios e depois pelo povo, mas Jesus, por ser imaculado sem
pecado não precisou fazer por si. Tão somente, ofereceu-se num
sacrifício perfeito, uma vez, pelos pecadores.

62
Edmilson Alves

O mundo
quando Cristo nasceu

Um mundo de “paz” aparente- O Império Romano, conquistou po-


vos e nações dominando o mundo, estabeleceu legiões de soldados
por toda parte, os quais mantinham a paz a qualquer preço. Cé-
sar Augusto, foi o primeiro imperador deste império, e implantou
ordens e leis férreas que eram executadas e obedecidas por todos a
qualquer custo. Daí nasceu uma época de paz conhecida como “Pax
Romana”. Essa paz favorecia apenas os governantes romanos. Mas
o povo de Israel eram como escravos dos romanos, pagavam altos
tributos e deviam obediência à Lei Romana.

Uma Língua Mundial


Havia uma grande facilidade de comunicação, por causa das va-
riedades de línguas existentes, e principalmente o grego popular
(Grego-Koinê) de uso geral e de grande utilidade para o viajante. As
principais línguas faladas em Israel nos dias de Jesus eram:
Hebraico. – Era a língua usada nos textos Bíblicos, e no culto a
Deus.
Latim. Era a língua da lei Romana, do direito, dos documentos
oficiais do império Romano, da administração, das armas e do co-
mércio.
Aramaico. Era a língua provenientede Arâ, e propagou- se por
toda parte, inclusive na Babilônia para onde foram levados cativos os
Judeus no ano 605 aC. E ali sofreram influência desta língua,
tornando se posteriormente a língua popular na palestina, princi-
palmente nos dias de Jesus (hoje essa língua não existe mais pois foi
destruída pelas conquistas árabes) O aramaico era uma língua muito
similar ao hebraico. E conclui-se que, como a maioria dos moradores
da palestina, Jesus também falava esta língua. Os escritos dos evan-
63
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

gelhos contém várias palavras e frases no aramaico, por exemplo:


Talitha Cumi “Menina levanta-te”, Abba “Pai”
Eli Eli lama sabactani- “Deus meu Deus meu, porque me desamparaste”
Ephaphtha, “Abre-te”.
Grego. O grego-koinê foi o idioma mais falado no mundo Greco-ro-
mano, e também usado pelos escritores do Novo Testamento (exceto
o Evangelho de Mateus, que foi escrito em hebraico) e de grande
importância para o mundo. Pois era língua preferida na comunica-
ção entre os povos, na cultura e no comércio, e facilitou a propagação
do evangelho por todo o mundo.

Estradas Imperiais
Visando a unificação dos povos, o império Romano construiu
grandes estradas para deslocamento rápido de tropas, correios do im-
pério e caravanas comerciais. Isto foi de grande utilidade, para os
mensageiros do Senhor levarem as boas novas até os confins da terra
(At 1.8).

Vias marítimas
Roma procurou expulsar do Mar Mediterrâneo os “piratas” da época
(salteadores do mar) Pois As extensas e grandes cargas serviam-se do
mar.
E os romanos chamavam aquele mar de “Mare Nostrum” (latim
“nosso mar” ) Navios estranhos tiveram que se submeter às leis marí-
timas romanas, e houve paz também nos mares do império e futu-
ramente, os missionários da igreja primitiva não tiveram dificuldade
de cortar os mares levando o evangelho por toda parte (inclusive o
apóstolo Paulo).
Apesar de haver um só governo que unia o mundo conhecido
proporcionando segurança e “paz” entre os homens, e haver inter-
câmbio entre nações, e vias de comunicação, facilitando os meios
de locomoção, e uma língua universal, mesmo assim a sociedade
marchava de mal a pior. A situação moral do mundo pagão tinha
atingido um estado de profunda miséria espiritual, para o que não
se achava remédio. E o mundo em geral, mesmo nas condições de
pecado em que vivia, anelava por uma revelação verdadeira, cuja luz

64
viesse iluminar as trevas do pecado.
Os próprios judeus em sua maioria viviam misturados com os
gentios, mas aguardavam ansiosos a redenção, principalmente a
libertação do jugo estrangeiro (neste caso, do jugo romano) e para
isto esperavam um Messias, prometido no Antigo Testamento, para
libertar Israel e reinar com poder para o seu povo. E nesta circuns-
tância, que se encontrava o mundo é que veio Jesus nascido de mulher
(Gl 4.4), para que todo aquele que nele crê, não pereça (Jo 3.16 ).

A anunciação
O Seu n a s c i m e n to
A Bíblia não fala detalhes sobre a vida de José e Maria antes do nas-
cimento de Jesus, mas há tradições judaicas que nos dão algumas in-
formações acerca deste casal judeu. Há uma tradição que relata esta
história com a seguintes palavras «José, que era da Judéia foi morar em
Nazaré da Galiléia com seu tio, irmão de seu pai já falecido. E este o fez
ingressar na sociedade nazarena e na comunidade dos filhos de Davi
ali residentes. Maria, por sua vez, morava com a mãe que era viúva
e tinha duas filhas: Mirian a mais velha, casada com Cléofas e Maria,
a caçula“ Ainda diz a tradição que Ana a mãe de Maria juntamente
com ela, trabalhavam para sua subsistência, ambas eram membros da
comunidade dos filhos de Davi e alvo de respeito e consideração de
todos. Essa comunidade contava com um bom número de membros,
e formara-se em Nazaré depois da expulsão de todos os filhos de
Davi (descendentes de Davi) que residiam na Judéia, por parte de
Herodes o Grande. Pois José era filho de Jacó e segundo a tradição,
tido como um dos herdeiros do trono de Davi. Porém, em Nazaré
José era um forasteiro vindo apenas para casar-se com Maria. E ainda
estavam noivos quando o anjo Gabriel apareceu a Maria, e transmitiu
lhe a mensagem que ela conceberia e daria luz a um filho (Lc 1.26-38)
e o nome deste filho deveria ser Jesus (em Hebraico “Yeoshuah”), que

65
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

significa; “o Senhor Salva“ e este nome estaria em harmonia com


a sua missão salvadora (Mt 1.21 Hb 7.25 At 4.12). Após receber a
mensagem, Maria aceitou com humildade a missão de ser a mãe do
Salvador (Lc 1.38). A princípio Maria queria saber, como conceberia,
visto, ser uma moça virgem. Mas o anjo disse-lhe que desceria sobre
ela o Espírito Santo e a virtude do Altíssimo, e por um milagre de
Deus ela engravidaria (Lc 1.34;35). Após engravidar, como lhe disse
o anjo, Maria comunicou ao seu noivo José, o qual não conhecendo
a natureza do assunto, resolveu deixar Maria, mas, como ele a amava
e a respeitava, intentou deixa-la secretamente (Mt 1.19 ). Porém, um
anjo do Senhor apareceu a José em sonhos e relatou-lhe, que Maria
concebera do Espírito Santo e por isso ele deveria recebê-la como es-
posa (Mt 1.20) e ele assim o fez.

O Alistamento
Próximo aos nove meses de gravidez de Maria, foi decretado pelo impe-
rador César Augusto, um recenseamento em todas as províncias do
império romano, onde todo mundo teria que se alistar, certamente
para fins de imposto. E para isto cada pessoa tinha que comparecer a
sua própria cidade, isto ocorreu por volta do ano 5 ac. (ou no ano 749
AUC, ano da fundação de Roma). Maria estava nos estágios finais da
sua gravidez. E como eram da cidade de Belém da Judéia, tiveram
que viajar cerca de mais 115 Km até Belém. Porém José que conhecia
a profecia bíblica que diz que o Messias deveria nascer em Belém
(Mq 5.2)resolveu cumprir sua parte, e mesmo com muita dificul-
dade ele foi até lá. Com isso aprendemos três coisas importantes:
Primeiro, o nosso desconforto, inclusive em momentos muito impró-
prios, pode ser parte do plano de Deus. Segundo, para que a palavra
do Senhor se cumpra em nossa vida e ministério, temos uma parte
a desempenhar.
E terceiro, devemos fazer as coisas do Senhor sem reclamar e sem exi-
gências infantis e egoístas.

66
Edmilson Alves

O Nascimento em Belém
Belém era uma das mais antigas cidades da Palestina conhecida
como “Cidade de Davi” porque Davi ali nasceu. Belém significa
“casa de pão” em Hebraico e “casa de carne” em Árabe, e é hoje uma
cidadezinha chamada Beitlahm que fica a 10 Km de Jerusalém.
Naqueles dias a cidade de Belém estava super lotada, acomodando
um número incontável de seus filhos que vinham de todas as partes
de Israel e do mundo Romano, para o recenseamento. Todas as casas
e estabelecimentos estavam lotados, e não havia lugar para Maria e
José que estavam cansados e abatidos da longa viagem. Segundo a
arqueologia, muitas casas em Belém eram construídas por cima de
cavernas naturais de pedra, e estas seriam como celeiros e estábulos
de animais, e segundo uma antiga tradição: “Diz- se que existia uma
dessas cavernas (estábulos) perto da cidade, vazia e abandonada, e
José com Maria estando cansados dos sofrimentos da viagem e ne-
cessitado de um abrigo, e não havendo lugar para eles nas estalagens,
casas e hospedarias, ocuparam este estábulo”. E ali Maria deu à luz,
e pôs o bebê em uma manjedoura era uma cocheira onde os ani-
mais comiam), acontecendo exatamente como estava predito: que
o Salvador nasceria em Belém (Mq 5.2) e que viria ao mundo como
pobre (Zc 9.9).

Do nascimento ao Batismo
Após o nascimento de Cristo, a Bíblia registra alguns acontecimentos
que marcaram a sua vida até o seu batismo:

A adoração dos pastores. Na noite do nascimento de Cristo, um


anjo noticiou a alguns pastores, que vigiavam o rebanho, que nasceu
na cidade de Belém, o Messias, o salvador do mundo. E os pastores
ouvindo esta mensagem foram, encontrar o menino, e encontrando
o adoraram (Lc 2.8- 20).

A circuncisão. Oito dias após o seu nascimento, Jesus foi circunci-


dado. A circuncisão era uma cerimônia ordenada por Deus a

67
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Abraão e seus descendentes, como sinal de pacto entre Deus e seu


povo escolhido. Em Israel toda criança do sexo masculino devia ser cir-
cuncidada quando chegasse o oitavo dia do seu nascimento. E como
Jesus era Judeu, teve que ser circuncidado. ( Lv 12.3 ; Lc 1.59 ).

A apresentação no templo. Segundo a lei de Moisés, todo menino de-


veria ser apresentado no templo aos quarenta dias de nascido (trinta
e dois dias depois da circuncisão). E Jesus foi apresentado conforme
a lei (Lc 2.22,23).

A visita dos magos do Oriente. Algum templo depois do nascimen-


to de Cristo (possivelmente dois anos depois) veio uns magos do
Oriente para Jerusalém guiados por uma estrela, para adorar o meni-
no Jesus (Mt 2.1,12). Há muitas especulações de estudiosos acerca
destes magos, porém não há espaço para citarmos, visto a brevidade
deste trabalho. Porém cremos que estes magos eram estudiosos (de
astronomia ou qualquer outra ciência), que em contato com os ju-
deus dispersos em seu país, tiveram conhecimento da promessa de
um Messias. E assim viviam observando o firmamento, certos de des-
cobrirem a estrela que os guiaria até o Messias-Rei que nascia. A estrela
possivelmente era um astro natural para cumprir um alvo especial,
pois o propósito de Deus era trazer por intermédio dos gentios o anún-
cio a Herodes e seus súditos, do nascimento do Messias. E ao encontra-
rem, Jesus, os magos lhe ofereceram dádivas: ouro , incenso e mirra
(Mt 2.11).

A fuga para o Egito, (Mt 2.13-15). O anjo do Senhor avisou a José,


pai de Jesus que Herodes, havia planejado matar o menino Jesus, e
por isso o anjo lhe ordenou que fugisse com o menino para o Egito,
cumprindo a profecia de Oséias (11.1) que diz: “Do Egito chamei
o meu Filho”.

A matança dos meninos de Belém. O Rei Herodes com o intuito


de matar o futuro Rei Jesus, mandou matar todas as crianças de dois
anos para baixo em Belém (Mt 2.16-18).

68
Edmilson Alves

O regresso do Egito - Depois que José e Maria ficaram sabendo,


que Herodes tinha morrido então retornaram com Jesus, e foram
para a cidade de Nazaré (Mt 2.19-23).

Sua vida em Nazaré, (Lc 2.40-52) Jesus certamente teve uma vida
normal, crescia, alegrava-se, sujeitava-se à disciplina dos pais, compar-
tilhava de uma vida familiar com seus irmãos Tiago, José, Simão,
Judas e suas irmãs (Mt 13.55,56; Mc 6.3; Gl 1.19).Era Jesus, um
menino normal, mas crescia em estatura, sabedoria e graça para com
Deus e para com os homens (Lc 2.52). Como todo menino judeu Je-
sus certamente ingressou na escola, possivelmente aos cinco anos de
idade. Aos doze anos o vemos indo ao templo com seus pais, e ali per-
gunta e responde aos doutores com muita inteligência (Lc 2.46,47).
Tradições judaicas afirmam, que José morreu cedo, e por isso Jesus
precisou trabalhar arduamente ainda muito jovem, como carpintei-
ro, a fim de sustentar sua mãe e seus irmãos mais novos. Jesus era
bem conhecido na sua cidadezinha chamada Nazaré. Com a profis-
são que exercia, como carpinteiro Ele conhecia e era conhecido de
muitas pessoas para quem construía vários objetos de carpintaria
como; mesas, cadeiras, portas, janelas, etc. Isso dificultou para que os
seus vizinhos o aceitassem como Messias, Filho de Deus. Aos trinta
anos quando se apresentou, os seus conhecidos disseram: “não é este o
filho do carpinteiro?...” (Mt 13.55-57).

Sua aparência física - A Bíblia não se preocupou em descrever a apa-


rência física de Cristo, mas a preocupação de muitos estudiosos
tem levantado muitas especulações a esse respeito, vejamos alguns
dessas especulações apenas por curiosidade:

Os Gregos do século V, acreditavam que Jesus, fosse um jovem


sem barba, e parecido com o deus Apolo (deus da mitologia grega);
Já no século II havia uma tradição que dizia que Jesus era corcunda.
Na Idade Média, foi difundida uma crença que dizia: Que Jesus
sofreu de lepra e por isso era desprezado e sem formosura. No ano
1514 apareceu uma nova descrição da aparência de Cristo. Diz-se
que foi encontrado um documento com a assinatura do governador

69
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Públio Lêntulo (sucessor de Pôncio Pilatos) que continha uma des-


crição acerca da aparência de Cristo, e essa descrição dizia “Que Jesus
era um homem alto, de boa aparência, aspecto amistoso e venerável.
A cor dos cabelos não tem comparação, cachos graciosos, repartidos
no alto da cabeça, caindo pra frente em cascata à moda dos nazi-
reus. Tem a testa alta, grande e impressionante. As faces não têm
mancha nem ruga, belas e coradas. O nariz e a boca são talhados
com primorosa simetria, a barba é de cor igual a do cabelo, abaixo
do queixo e repartida no meio como um garfo. E os seus olhos eram
azuis luminosos e claros e serenos...” Baseados nesta descrição é
que surgiram os quadros, pintados de um Jesus aparentemente
muito bonito e com a aparência não de um judeu e sim, de um tí-
pico europeu. Posteriormente foi descoberto que este documento
contendo esta descrição da aparência de Cristo era um documento
falso. Foi comprovado que, alguém forjou este documento, e colocou
o nome do governador Públio Lêntulo.
Em Abril de 2002, os cientistas apresentaram uma nova des-
crição para a aparência de Cristo. Eles apresentaram em jornais e pela
Internet a foto de um rosto elaborado em computador, acreditando
ser esta a aparência de Cristo: “Um homem de pele queimada pelo
sol, tendo cabelos crespo, barba da cor dos cabelos, nariz grosso e
parecendo com um judeu do século I”. Contudo é importante es-
clarecer que a Bíblia não se preocupa em descrever a aparência de
Cristo. O que tem surgido acerca deste assunto, é mera especulação.
Por isso não devemos nos prender a uma descrição seja ela especula-
tiva, ou científica. O que devemos é ficar com o que a Bíblia nos diz
mesmo que resumidamente. E sobre Jesus, e sua aparência a Bíblia
diz que Ele (Jesus) “não tinha parecer nem formosura, e olhando nós
para Ele, nenhuma beleza víamos para que o desejássemos”(Is 53.2-
12).

O batismo de Jesus (Mt 3.13-17; Mc 1.4,10; Lc 3.21,22).


Quando Jesus estava com cerca de trinta anos, João Batista já estava
pregando no deserto da Judéia, e batizando. E alguns meses depois de
João iniciar seu ministério, Jesus foi até ele para ser batizado. E após
ser batizado no rio Jordão Jesus iniciou o seu valioso ministério.

70
Edmilson Alves

O ministério
O ministério de Cristo, durou cerca de três anos e meio, nos
quais Ele participou de quatro páscoas (Jo 2.11-13;Jo 5.1-15; Jo
6.1-4 ;Jo 19.14) Ele iniciou seu ministério na véspera de uma pás-
coa (Jo 2.11,13) e morreu na véspera de outra (Jo 19.14). No perío-
do do seu ministério, Jesus visitou oficialmente, cerca de quatorze
cidades, além de aldeias e lugarejos. Ele exerceu seu ministério em
três regiões diferentes: Judéia, Galiléia, Peréia.

Seu ministério na Judéia


O ministério de Jesus na Judéia, durou cerca de oito meses, no qual
Ele percorreu a seguinte rota geográfica:
Aos trinta anos de idade, foi Jesus a Betânia Oriental (ou Betábara)
para ser batizado por João Batista (Mt 3.13-17).Depois do batismo,
foi para o Sul do Jordão, e entrou no deserto da Judéia e neste de-
serto, ficou jejuando por quarenta dias e quarenta noites, e ali Ele
foi tentado por Satanás (Mt 4.1-11; Mc 1.12,13 Lc 4.1-13) Após a
tentação Jesus voltou a Betábara e convocou os primeiros discípulos:
Pedro, André, Felipe e Bartolomeu (Jo 1.35-51) e após admitir estes
quatro discípulos em Betábara, foi para Galiléia, onde iniciou sua
rota ministerial nesta região.

Seu ministério na Galiléia


Na Galiléia Jesus exerceu seu ministério por um período de dois
anos, percorrendo os seguintes lugares: Uma pequena cidade cha-
mada Caná onde operou o primeiro milagre do seu ministério,
transformando água em vinho (Jo 2.1-11) Saindo de Caná da Ga-
liléia, Jesus, sua mãe e seus discípulos, foram para Cafarnaum cidade
que fica a noroeste do Mar da Galiléia a qual serviu de sede para a
primeira parte do seu ministério (Jo 2.12).Após a visita a Cafarnaum,
Jesus com seus discípulos, foram para Jerusalém participar da páscoa
(Jo 2.13) e ao chegar em Jerusalém foi direto ao templo, onde viu a

71
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

desordem causada pelos cambistas, dentro do templo, e então Jesus os


expulsou efetuando a primeira “purificação do templo” (Jo 2.14-25).
Após a páscoa, retornaram para a Galiléia e nesta viagem passou por
Samaria, onde teve o importante encontro com a mulher samaritana
(Jo 4.1-44). Ao findar esta jornada, Jesus retornou a Caná da Galiléia
e operou um milagre, curando o filho dum nobre, que estava à
beira da morte (Jo 4.46-54) em seguida retornou para sua casa em
Nazaré. Chegando em Nazaré, num Sábado foi pregar na sinagoga,
porém foi rejeitado por seus conterrâneos e expulso da cidade (Lc
4.16-31). Após Ter sido expulso de Nazaré Jesus foi a Cafarnaum e
instalou-se ali por mais de um ano (Lc 4.31). No período que ali
esteve Ele, curou um leproso (Mt 8.1-4; Mc 1.40-45; Lc 5.12-15)
um paralítico (Mt 9.1-8;Mc 2.1-2;Lc 5.17-26) também admitiu mais
três discípulos: Tiago, João (Lc 5.10,11; Mc 1.19.20; Mt 4.21,22),
e Mateus (Mt 9.9-13; Mc 2.13-17; Lc 5.27-32) Após os episódios de
Cafarnaum, Jesus e seus discípulos viajaram para Jerusalém, para parti-
cipar da páscoa (a segunda em seu ministério) e indo esta viagem,
ele curou o paralítico de Betesda (Jo 5.1-47).
Após a páscoa Ele voltou para Cafarnaum e foi seguido por uma
grande multidão. E depois Ele foi para o lado oeste do Mar da Gali-
léia e atravessou a planície que vai até o Monte Tabor, e chegou até o
Monte conhecido como “Monte das bem-aventuranças” e ali pregou
o famoso “Sermão da Montanha” (Mt 5.1-48; 6.1-34; 7.1-29; Lc
6.17-29). Em seguida Jesus viajou pela Galiléia, com os discípulos, e
curando enfermos. Nesta viagem Ele curou o servo do centurião em
Cafarnaum (Mt 8.5-13; Lc 7.1-10), foi ungido pela mulher pecado-
ra (Lc 7.36-50) e ressuscitou o filho da viúva de Naim (Lc.7.11-17).
Depois destes fatos, navegou pelo Mar da Galiléia, onde nesta oca-
sião, acalmou a tempestade (Lc 8.22-25; Mt 8.23-27; Mc 4.35-41)
e foi na direção de Gadara (país dos gadarenos) e ali expulsou os de-
mônios de um possesso (Mt 8.28-34;Mc 5.1-21; Lc 8.26-40). De-
pois disto, Jesus retornou para sua cidade Nazaré, onde mais uma vez
pregou na sinagoga e mais uma vez, foi rejeitado pelos seus conterrâ-
neos (Mt 13.54-58; Mc 6.1-5). Após ficar por um tempo em Nazaré
Jesus com seus discípulos, foi para uma região deserta, a nordeste do
Mar da Galiléia. Mas as multidões o seguiram e ali Ele operou o mi-
lagre da multiplicação dos pães, que alimentou cinco mil pessoas (Mt
72
Edmilson Alves

14.14-21; Mc 6.34-44; Lc 9.12-17; Jo 6.5-13). Após ter alimentado


cinco mil pessoas, Ele seguiu para as regiões rurais da Fenícia próxi-
mas a Tiro e Sidom, onde libertou a filha da mulher cananéia (Mc
7.24- 30; Mt 15.22-28). Da Fenícia, Jesus viajou pelos campos
da Galiléia e atravessou o Jordão, entrando numa região conhecida,
como “Decápolis” (dez cidades, Mc 7.31). De Decápolis foi para
“Dalmanuta” (Magdala ou Magadã) e dali navegou até Betsaida, e
continuou sua jornada, indo para Cesaréia de Filipe (Mt 15.39; Mc
8.10; Mt 16.1-4; Mc 8.11,12; Mt 16.5; Mc 8.13). De Cesaréia pro-
vavelmente Jesus foi em direção a um monte (o Hermon ou o Monte
Tabor) onde transfigurou-se perante seus discípulos (Mt 17.1- 12;
Mc 9.1-13; Lc 9.28-36). E após descer do monte, voltou outra
vez a Cafarnaum (Mt 17.24-27) e em seguida dirigiu-se para Je-
rusalém com a intenção de participar da festa dos Tabernáculos (Lc
9.51-56; Jo 7.1-53).

Seu ministério na Peréia


O ministério de Jesus na Peréia, durou cerca de quatro meses que
findaram nos seis dias antes da sua crucificação. Depois da festa dos
tabernáculos, Jesus desceu de Jerusalém, passando por Jericó a fim de
ir a Peréia, região situada a Leste do Rio Jordão. Lá Ele recebeu o
recado de Marta e Maria, suplicando-lhe que fosse em Betânia, pois
Lázaro seu amigo estava doente. Jesus partiu, e ao chegar ali, Lázaro já
estava morto, foi então que Jesus operou um grande milagre: ressus-
citou-o dos mortos e em seguida retornou para a região da Peréia
(Jo 11.1-57). Da Peréia Jesus seguiu outro caminho, e chegou a uma
cidade chamada Efraim (Jo 11.54), depois retornou a Betânia (Mc
11.11; Jo 11.68) E chegou ali seis dias antes da páscoa (última páscoa
que participou). E participou de um jantar na casa de Marta, durante
o qual, Maria lhe ungiu os pés, com óleo precioso (Jo 12.1-11;Mt
26.6-13). Após os acontecimentos na casa de Marta e Maria, res-
tou apenas seis dias até a crucificação. Nos seis dias antes da crucifi-
cação ocorreram os fatos que culminaram com a sua morte, os quais
são : Primeiro dia (um domingo), Jesus foi ungido em Betânia (Mt
26.6-13; Jo 12.1-11) Segundo dia (segunda feira), Jesus entrou em
Jerusalém e chorou sobre ela (Mt 21.1-11; Mc 11.1-10; Lc 19.29-
73
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

38). Terceiro dia (terça feira) Jesus visita o templo pela ultima vez, e
daí vai para o monte das oliveiras (Mt 21.12-17; Mc 11.15-18; Lc
19.45-48). Quarto dia (quarta feira) Não se registra nenhuma ativida-
de de Jesus neste dia (talvez tenha descansado) Quinto dia (quinta feira)
Jesus celebra a última ceia, e a noite segue para o monte das Oliveiras e
para o Getsêmane (Mt 26.36-46; Lc 22.39-46; Jo 18.1-11). Sexto dia
(sexta feira), Jesus é condenado à morte e segue para o Calvário, onde
termina sua trajetória terrena (Mt 27.26; Lc 23.24,25; Jo 19.16).

Seus milagres e ensinos


Os milagres
A palavra “Milagre” é derivada do latim Miraculum e se aplica a
um acontecimento maravilhoso. Mas na Bíblia significa: “um ato de
Deus com o fim de autenticar uma mensagem divina. No novo testa-
mento a palavra usada em grego para significar milagre é Dunamis que
significa “poder” (Mc 9.39) e também a palavra Semeion que traduz
“sinais” (Lc 23.8) e também são descritos como “Obras” (“Erga” em
Grego) ( Jo 5.20; 7.3; 10.25; 15.24 e “Prodígios” (“Terata” em Gre-
go) Jo 4.48; At 2.22. Os milagres de Jesus Cristo, eram para salvação
das almas e glória de Deus. O seu ministério era confirmado por estes
milagres. Os quais eram as credenciais do seu ministério espiritual e
divino, e um prenúncio de uma redenção universal a ser realizada pelo
Filho de Deus. Um dos apóstolos de Cristo (Pedro) disse que: “Jesus,
foi varão aprovado por Deus com milagres, prodígios e sinais” (At
2.22). Isto nos ensina que as obras maravilhosas de Cristo, visavam
a glória de Deus e o retorno dos homens à Ele.

Os ensinos
Além dos milagres, o que mais se destacou no ministério de Cris-
to, foi os seus ensinos revolucionários. Os ensinos de Cristo eram
a expressão da autoridade de um ensinamento autêntico da Palavra
de Deus. Jesus era qualificado como mestre, pois os conhecimentos
74
Edmilson Alves

que o tornaram o mestre dos mestres, vieram diretamente de Deus.


Os ensinos de Jesus eram simples e profundos; eram grandes
ensinos em poucas palavras, tinham uma abrangência universal, eram
transmitidos com autoridade e na unção do Espírito Santo (Jo 6.63)
e causavam grandes efeitos nos ouvintes, abria os olhos das pessoas,
(Lc 24.31; Sl 119,130), abria-lhes o coração (Lc 24.32; Sl 45.1),
abria-lhes o entendimento (Lc 24.45). Jesus tinha métodos simples de
ensino. Ele ensinava conforme a ocasião lhe oferecia oportuni-
dade - (Lc 20.14-26) - seu método de ensino era prático (Mt 18.1).
Ele ensinava aos ouvintes como usar na vida diária o que lhes trans-
mitia (Mt 9.12; Lc 10.25-37).
Os ensinos de Jesus revolucionaram o mundo pois jamais alguém
falou como Ele (Jo 7.46; Mt 7.28,29 Mc 1.22). A sua sabedoria
sobrepujou todos os mestres da sua época, e dependendo da neces-
sidade. Jesus empregava vários métodos de ensinos conforme as dife-
rentes circunstâncias; Ele usou Hipérbole (Mt19.21-24), ilustração(Mt
9.35-37), dramatização ( Mt 21.12,13), perguntas (Jo 3.10) parábolas
(Mt 13.3 ).
Ele leu e explicou as escrituras na sinagoga (Lc 4.16-32). Pre-
gou ao ar livre, aos seus discípulos e outros ouvintes (Mt 5.1; 7.29;
Lc 6.17,49). Ensinou de forma direta alguns indivíduos (Mc 10.21;Lc
10.39) Ensinou fazendo perguntas (Lc 10.26; 12.56,57; Mt 24.45; Mc
4.21). Debateu com seus oponentes (Mc 12.18-27; Lc 20.41-44). Pro-
feriu notáveis paradoxos a fim de esclarecer certas verdades a seus
discípulos (Mt 5.3,4;Lc 9.24;20.25).
Ensinou citando as escrituras do Antigo Testamento (Mc 12.24-
27, 35-37; Lc 4.4,8,12). Ensinou fazendo uso de lições objetivas (Jo
13:1-15; Mt 18.2-4; 21.18-22). Ensinou mais intimamente aos
seus discípulos mais chegados (Mt 17.9-13; Mc 12.43,44 Jo 13.1;
17.26). Deu ensinos proféticos (Mt 24.5-44; Mc 13.1-37; Lc 21.5-36).
Ensinou aos apóstolos sobre si mesmo e sobre Deus (Mt 11.25-27; Lc
10.21,22; Jo 5.16-47; 6.32-71). E com muita frequência ensinou
por parábolas.
Seus ensinos podem ser classificados em:
Ensino Ético (Mt 5.7; Lc 6.17-49; 11.37-54), Ensino Metafísico e Teo-
lógico (Mt 11.25-27;Lc 10.21,22; Jo 6.33-48; 8.58), Ensino So-

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

cial (Lc 14.7-14; 20.19-25; Mt 19.3-12), Ensino Soteriológico (Mt


9.12,13; 11.28-30; 16.24- 26; 20.28; Lc 9.23,24; 14.15-24; 15.1-32;
18.9-14; 19.9,10; Jo 10.1-18). Ensino Escatológico (Mt (cap. 24-25;
Mc cap. 13; Lc cap. 21; Jo 14.1-3).
Os principais temas dos ensinos de Cristo, são: o reino de Deus
Mc 1.15; Mt 4.17,23; Mt 11.27;12.28; 13.17; Lc 4.21), o filho
do Homem(Mc 8.38;13.26;14.62;Lc 17.24; 21.27; Mt 24.30; Mt
10.45; Jo 10.11,15) Seu caráter Messiânico (Mt 21.1-11; Mc11.1-
18; Lc 19.1-48; Jo 12.12-50; Mt 26.63,64; Mc 14.61.62; Lc
22.68-71; 23.2,3), Sua morte (Mt 16.21; Mc 8.31; 10.33,34; Lc
9.22,24; 22.37; Jo 6.51; 10.11-18; Mc 10.45; 14.24 Jo 10.11-18),
acontecimentos futuros (Mc 9.9; Mt cap. 24; Mc cap. 13; Lc 21.5-
36; Lc 10.17-22; Mt 11.27; 28.18-20; Jo 6.35-39; Mt 10.16-23;
Mc 13.5-13; Jo 16.33; Lc 21.12,25,26).

Seus opositores
Alguns partidos religiosos ouviam e seguiam Jesus, testando-o,
avaliando- o e tentando saber se Ele era realmente o Messias. Os
partidos religiosos da época eram quatro: Os fariseus, Os Saduceus,
Os Zelotes, Os Essénios.

Os Fariseus
Esses eram o principal grupo religioso que se opunha a Jesus.
Formavam um partido popular, de classe média e mantinham altos
padrões de pureza, sobretudo na questão do sábado, pureza ritual e o
tempo exato dos dias festivos. Os judeus que agiam contra eles
eram tratados pelos mesmos como gentios, excluindo-os dos concí-
lios locais, boicotando seus negócios, banindo-os dos banquetes e dos
acontecimentos sociais. Os fariseus criam apaixonadamente na vin-
da do Messias, Suas principais doutrinas eram as seguintes:
A Lei Oral. Eles acreditavam ter Deus entregue-a a Moisés através
de um anjo, e diziam ter a Lei Oral autoridade igual à Lei Escrita.

76
Edmilson Alves

Expiação do pecado. Acreditavam na expiação do pecado através de


jejuns, esmolas, abluções e confissões. Reconheciam a imortalidade
da alma, acreditavam na existência de anjos e na ressurreição do cor-
po.
Seperativismo. Separavam-se dos judeus comuns aspirando san-
tidade e cumprimento dos deveres religiosos, mas a sua separação
consistia em distinções a respeito de atos rituais, mas, na maioria
das vezes isso era apenas a aparência religiosa ou hipocrisia (Mt
23:25-28). Os fariseus acreditavam que na vida eterna se come,
bebe, goza os prazeres do amor, vivendo cada um com a sua primeira
mulher. Eles ainda Conferiam igual valor às tradições dos anciãos
e as Escrituras Sagradas; A maioria dos escribas pertencia a essa
classe, sua rigidez e separatismo transformaram- se em legalismo, em
arrogância e em menosprezo pelos demais, Jesus não criticou a orto-
doxia de seus ensinamentos, mas a sua falta de amor e seu orgulho.
O farisaísmo foi a classe que mais se opôs ao ministério de Cristo. Eles
acusaram-no de não guardar o sábado (Mt 12:1-13), de não fazer caso
do jejum e nem da tradição dos anciãos (Mt 15:1-20; 23:1-39). Eles
foram, enfim, ferrenhos opositores de Jesus e seu ministério.

Os Saduceus
Os saduceus eram uma classe que em sua maioria eram sacerdotes
ricos e aristocratas. Na teologia, eram humanistas: não criam na vida
após a morte nem na intervenção divina aqui na terra. Eram materia-
listas e desfrutavam muito bem as riquezas materiais. Os sa-
duceus, não reconheciam a autoridade da tradição oral negavam a
existência do mundo espiritual não criam na ressurreição dos mortos
nem na vida futura, aceitavam como canônicos apenas os livros de
Moisés, eram simpáticos à cultura helenistas, contavam com pouco
apoio popular; eram inimigos dos fariseus. Os ensinamentos de Jesus
eram um ataque direto à posição dos saduceus. Por isso ficaram in-
dignados quando Jesus purificou o Templo(Mt 21:12-15).
Eles procuraram criar dificuldades a Jesus fazendo-lhe perguntas
astutas (Mt 22:23-28). Portanto, os saduceus tentaram atrapalhar
o ministério de Jesus, mas não conseguiram, e o Mestre sobre eles
triunfou.

77
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Os Zelotes
Os zelotes eram representantes de uma estratégia diferente de sepa-
rativismo. Defendiam uma revolta armada para expulsar os estrangei-
ros impuros. Um grupo deles especializava-se em atos de terrorismo
político contra os romanos, enquanto outro grupo operava como
uma espécie de polícia moral, para manter os judeus na linha. Eles
declaravam que qualquer judeu que se casasse com uma pessoa de ou-
tra nação seria linchado. Durante o ministério de Jesus observadores
certamente notaram que no grupo de discípulos de Jesus estava um
zelote (Simão, o zelote Lc 6:15). Os contatos sociais de Jesus com
gentios e com estrangeiros, e também as suas parábolas (como a do
Bom Samaritano) certamente deixou os zelotes extremistas enfure-
cidos. Eles acreditavam que a submissão a Roma era traição a Deus.
E eram conhecidos também como Cananitas (Mt 10:4) Foram eles
que provocaram a rebelião que culminou com a destruição de Jeru-
salém no ano 70 d.c E eram também considerados como o terror
dos soldados romanos.

Os Escribas
Os escribas no começo do Velho Testamento eram contratados
como escritores para escrever ou traduzir informações. Depois do
exílio, os escribas eram uma classe de estudiosos que ensinavam, co-
piavam e interpretavam a lei judaica para o povo. Eles aparecem nos
evangelhos primeiramente como opositores de Jesus. A preparação dos
escribas ocorreu primeiramente entre grupos de base familiar sacerdo-
tal. Eles garantiam a regulamentação e continuação desta posição (I
Cr 2:55). Mais adiante, o treinamento para se tornar um escriba foi
aberto a membros de todas as classes. Na época de Jesus, escribas que
não eram de famílias sacerdotais, se tornaram bem mais numerosos e
influentes. O treinamento na lei começava desde muito cedo debaixo
da supervisão pessoal de um mestre (rabino). Ele dava instruções sobre
tudo que fosse pertinente à lei e sua interpretação para as necessidades
presentes. A lei escrita de Moisés não falava sobre as condições depois
do exílio, então os escribas fizeram uma contribuição significativa à
interpretação oral e a aplicação da lei escrita. A lei oral, que ficou sendo
78
Edmilson Alves

conhecida através deles, era tão respeitada quanto à lei escrita. Era con-
siderada igualmente importante para aqueles que desejavam agradar a
Deus (Mc 7:6-13). Essa importante função, que morava no coração
da vida judaica, se deve a participação dos deles no Sinédrio. O Siné-
drio precisava tomar decisões legais se mantendo dentro da lei. Eles
obviamente precisavam da presença de pessoas que tivessem o maior
conhecimento possível dos menores detalhes da Torá e dos princípios,
fazendo com que se aplicassem a novas circunstâncias. Consequente-
mente, os escribas eram os únicos membros fora os sumo sacerdotes e
os anciãos, que eram representados nesse Sinédrio judaico (Mt 26:57;
Mc 14:43, 53; Lc 22:66; At 23:9). Eles eram muitíssimo respeitados
dentro da comunidade judaica. Eram instrutores da lei tanto dentro
do templo (Lc 2:46) quanto nas várias sinagogas da Judeia e da Ga-
lileia (Lc 5:17). Eram também membros proeminentes do Sinédrio.

Um escriba usava uma toga especial (Mc 12:38) e sua presença


era óbvia, onde quer que cheguem. Ao passar um deles, as pessoas
comuns se levantavam e se prostravam tratando-os respeitosamente
como “rabi” ou “mestre” (Mc12:38; Mt 23:7). Além disso, eles tinham
um lugar de honra na adoração, assim como em eventos sociais (Mc
12:39; Lc 20: 46). Certamente, os judeus consideravam os escribas
muito importantes. Isso é testificado pelo fato de eles serem enterrados
ao lado dos patriarcas e profetas. Nos dias de Jesus os escribas apa-
recem principalmente no seu ministério, como aqueles que estavam
preocupados com a observação das coisas legais. Lucas se refere aos
escribas como “advogados”. Ele descreve a principal função deles de
intérpretes da lei judaica de tal maneira que conseguia se comunicar
com a plateia de gentios.
Portanto, os escribas são geralmente vistos como membros “críti-
cos” da plateia de Jesus. Eles o acusaram de violar a lei em inúmeras
ocasiões. Pelo fato de Jesus não seguir a tradição de se lavar antes de
comer e ignorar a prática de jejum (Mc 7:2-5; Lucas 5:33-39). Não é
de se surpreender que eles desaprovassem o fato de Jesus se misturar
com os repelidos pela sociedade judaica (Mc 2:16- 17; Lc 15:1-2). Eles
frequentemente faziam perguntas sobre a lei para tentar enganar Jesus
(Mc 7:5; Mc 12:28,35; Lc 11:53; Jo 8:3-4), e exigiram que Jesus dei-
xasse clara a sua identidade (Mt 12:38) e revelasse a fonte de sua auto-
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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

ridade para realizar milagres (Mc 3:22; Lc 20:1-4). Evidências sugerem


que alguns dos escribas aceitaram a Jesus (Mt 8:19; 13:52; Mc 12:32;
Jo 3:1-2). No entanto, a primeira atitude para com Jesus era hostil.
Isso acontecia porque Jesus tinha uma expressão de fidelidade diferen-
te para com a lei de Moisés, por causa da abertura que ele dava para os
excluídos da sociedade e por causa da sua crescente popularidade entre
o povo. Isso ameaçava a autoridade deles (Mt 7:29) e a segurança da
cidade (Marcos 11:18). Certamente, outro fator principal era o fato
de Jesus expor a hipocrisia e a corrupção deles. Jesus os acusava aber-
tamente de quererem aprovação pública (Mt 23:5-7; Mc 12:38-39;
Lc 11:43). Apesar de parecerem corretos e santos externamente, eram
corruptos internamente (Mt 23:25-28; Lc 11:39-41).

Jesus também atacou o princípio da lei oral ensinada pelos es-


cribas, que eles exigiam que as pessoas seguissem. Jesus disse que a lei
oral era um “fardo pesado” que nem os escribas em si seguiam (Mt
23:2-4, 13-22; Lc 11:46 Enquanto enfatizavam os menores pontos da
lei, os escribas também eram culpados de ignorar os pontos mais im-
portantes da justiça, da misericórdia e da fé (Mt 23:23-24; Mc 12:40;
Lc 11:42). Eles se diziam descendentes dos profetas. Mas, Jesus dizia
que eles teriam matado os profetas se tivessem vivido na sua época (Mt
23:29-36; Lc 20:9-19). Não é de se surpreender que os escribas qui-
sessem se ver livres de Jesus (Mc 14:1; Lc 11:53). Pois sua interpreta-
ção flexível da lei se tornou uma ameaça clara a posição e a autoridade
deles dentro da comunidade.
Os escribas uniram forças com o sumo sacerdote Caifás, que tam-
bém já detestava Jesus, e decidiram prendê-lo (Mc 14:43). Quando
Jesus apareceu diante deles e do resto do sinédrio, eles trabalharam
com os outros líderes para construir um caso contra ele digno de mor-
te (Mt 26:57-66). Ao levaram Jesus diante de Herodes, eles ficaram
a postos e disseram quais eram as suas acusações juntamente com os
outros (Lc 23:10). No final eles ridicularizaram Jesus na cruz, falando
zombeteiramente para Jesus se salvar descendo da cruz (Mt 27:41-43).
Antes da destruição de Jerusalém em 70 d.C. esses escribas con-
tinuaram com os outros elementos do Sinédrio, e fizeram oposição à
igreja cristã primitiva.

80
Edmilson Alves

Os samaritanos
Era mais um dos grupos também religiosos existentes na sociedade
onde viveu Jesus. Os samaritanos eram uma seita antiga, e ainda hoje
existente entre os judeus, derivando o seu nome de Samaria, a cidade
capital dos seus domínios.
Depois da queda de Samaria e do reino de Israel, o conquista-
dor Sargom levou a massa dos seus habitantes para a Assíria, sendo
depois repovoados, em parte, os territórios dos israelitas por estran-
geiros, vindos das regiões vizinhas do Tigre e do Eufrates (2 Rs 17).
Estes são os israelitas, que tinham ficado na terra de Israel,
aliaram-se por casamentos recíprocos, tomando mais tarde o nome
de samaritanos. O despovoado país tinha sido invadido por animais
ferozes, tirando os idólatras desse fato à conclusão de que o “Deus
dos pais” estava encolerizado.
E, aterrorizados com essa ideia, mandaram pedir ao imperador da
Assíria que lhes fosse mandado um sacerdote do Senhor, a fim de
instruí-los sobre a maneira de prestar culto ao Deus de Israel. Ao
princípio a sua religião era de diferentes cores: “temiam o Senhor e
ao mesmo tempo serviam aos seus próprios deuses”.
Mas, depois das reformas introduzidas por Josias, reformas que se
estenderam até Betel e aos distritos do norte (2 Rs 23:15 - 2; Cr 34:6,
7), parece que o povo cedeu à destruição dos seus ídolos, aceitando
nominalmente a religião israelita. Todavia, embora tivessem a mesma
religião que os judeus, não tinham destes a sua estima, visto como eles
se tinham servido de calúnias e de vários estratagemas para impedir a
reedificação do templo de Jerusalém (2 Rs 17- Ed 4:5, 6).
Depois do cativeiro, tendo principiado por Neemias, uma reforma
na Judéia, deu-se o caso de alguns dos judeus, que tinham casado com
mulheres pagãs, preferirem passar para o lado dos samaritanos a terem
de repudiá-las. Um destes foi Manassés, filho do sumo sacerdote, o
qual conseguiu que os samaritanos renunciassem a muitas das suas
idolatrias, edificando sobre o monte Gerizim um templo, onde o
culto se assemelhava ao de Jerusalém. Mais tarde, quando o país
fazia parte do império grego, revoltaram-se os samaritanos contra
o poder de Alexandre. Este os expulsou de Samaria, reuniu-os com
os macedónios, sendo dada a província aos judeus. Contribuiu esta

81
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

circunstância em não pequeno grau para aumentar a animosidade


entre os dois povos. Samaria tornou-se lugar de refúgio para os
transgressores da lei judaica, que iam depois prestar culto ao Senhor
no monte Gerizim.
Quando prosperavam os negócios do povo judeu, nunca os
samaritanos perdiam a ocasião de se chamarem hebreus, pertencentes
à raça de Abraão. Mas quando os judeus eram atormentados com
perseguições já os samaritanos não os reconheciam como sendo seus
irmãos, declarando, então, que eram da raça fenícia, ou descendentes
de José, ou de seu filho Manassés.

Os samaritanos mostravam ter interesse pela antiga aliança


mosaica. A sua fé e práticas religiosas eram somente baseadas no
Pentateuco, sendo inteiramente rejeitados os outros livros do cânon
judaico.
O seu templo, edificado no monte Gerizim, ali permaneceu até ao
ano 109 a.C. Jesus distinguia os samaritanos das ovelhas perdidas da
casa de Israel, e dos gentios (Mt 10:5, 6).
Neste tempo o ódio entre eles e os judeus estava no seu auge (Lc
9:52, 53; Jo 4:9) e até ao próprio Salvador chamavam samaritano,
significando esta palavra tudo quanto era mau (Jo 8:48).

82
Edmilson Alves

A crucificação
e morte

Antes da crucificação e morte de Jesus, uma série de acontecimento


se desencadeou desde a prisão até o calvário. Os pricipais aconte-
cimentos foram os seguintes:

A prisão no Getsêmane. (Mt 26.36-46;Mc 14.32-42;Lc 22.39-46;


Jo 18.1). Este era o lugar escolhido por Jesus para orar (Jo 18.1,2). Era
quinta-feira à noite e, estando ali orando, reunido com alguns dos seus
discípulos, Ele foi preso (Mt 26.47-56; Mc 14.45-52; Lc 22.47-53;
Jo 18.2-12). Um dos seus
Discípulos (Judas), foi o guia daqueles que o foram prender, e com um
beijo o identificou e entregou-o aos inimigos, que o prenderam (Mt
26.50).

O julgamento. Após ter sido preso Jesus, passou por seis julgamentos.
O primeiro julgamento foi por Anás, sogro de Caifás sumo sacerdote.
Após ter sido preso Jesus foi conduzido a presença de Anás, o qual o
examinou, e não encontrando motivo para incriminá-lo enviou-o
a Caifás sumo sacerdote (Mt 26.57-68; Mc14.53-65; Lc 22.63,65;
Jo 18.13,14).
O segundo julgamento foi diante do sumo sacerdote Caifás o qual
além de sumo sacerdote, era também presidente do Sinédrio (Jo
18.24).
O terceiro julgamento, foi perante o Sinédrio (Mc 14.55;Mt 26.57).
(O Sinédrio era um conselho formado por setenta membros e um
presidente Mt 27.1; Lc 22.66- 17). O quarto julgamento foi dian-
te de Pôncio Pilatos que era governador da judéia (Jo 18 .28;Mt
27.2,11,14;Mc 15.2-5;Lc 23.1-5;Jo 18.28-38) . O quinto julgamento
foi perante Herodes, governador da Galiléia (Lc 23.7-11). O sexto-
julgamento foi novamente perante Pilatos (Lc 23.11; Mt 27.15-25;
Mc 15.6-15; Lc 23.13-25,50; 18.39,4).

83
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

As acusações. Foram quatro acusações, nos julgamentos contra Je-


sus. Primeira acusação; Jesus foi acusado de “sacrilégio”, por haver
dito, que destruiria o templo, e reconstruiria em três dias sem au-
xilio de mãos(Jo 2.10-21). Segunda acusação; “Blasfêmia”, por haver
declarado que era o filho de Deus (Jo 10.30-37;Mt 14.61-64) Terceira
- acusação: “sedição” ou rebelião contra o império romano, por alegar
ser Rei (Jo 18.28; Lc 23.2; Jo 18.36-37). Quarta acusação; Jesus foi
acusado de “perverter o povo com seus ensinos revolucionários” (Lc
23.2).

A condenação. Depois de passar pelos interrogatórios e acusações de


Anás, Caifás, o Sinédrio, Pilatos, Herodes; Jesus foi enviado nova-
mente a Pilatos o qual sugeriu, castigar Jesus severamente e depois sol-
tá-lo. Porém os judeus insistiram furiosamente em sua condenação e
morte (Lc 23.22) Por fim Pilatos consentiu na condenação e morte
de Jesus por crucificação (Jo 19.12,13).

A crucificação. A crucificação era uma forma de castigo adotado


pelos Romanos, e reservada para assassinos, rebeldes e ladrões, con-
tanto que também fossem, escravos, estrangeiros, ou pessoas sem
posição legal ou social. Um cidadão Romano não poderia ser crucifi-
cado. De acordo com Flávio Josefo (Historiador judeu do II século).
Esta forma vergonhosa de morte, teve sua origem inspirada no costu-
me de se pregar em estacas, num lugar exposto, os animais daninhos,
de modo a seguir a um tempo de punição para eles e de divertimento
para os assistentes. Ainda que as primeiras pancadas nas feridas pro-
movessem o fim. Era uma morte aflitiva. A vitima em geral durava
dois ou três dias sentindo nos pés e nas mãos, dores insuportáveis,
produzidas pelos cravos, torturada pelo entumecimento das veias,
e pior do que tudo causava uma sede abrasadora, que aumentava
constantemente. Era impossível deixar de mover o corpo, a fim de
obter alívio. A cada nova atitude da dor. Mas cada movimento trazia
uma nova e cruciante agonia. Como pena para rebeldes, assassinos e
ladrões, o castigo da crucificação começava com a flagelação.
O flagellum era um ritual que os condenados a crucificação pas-

84
Edmilson Alves

savam antes de levar a própria cruz ao lugar da execução. Neste ritual, o


condenado era despido e depois açoitado com chicotes, que muitas
vezes possuíam fixados na ponta, pregos, pedaços de ossos e coisas se-
melhantes, podendo a tortura do açoitado ser tão forte, que às vezes
o flagelado morria em consequência dos açoites. Em geral era dada
quarenta chicotadas. Após chicotearem o condenado, este teria que
levar a cruz até o local onde seria crucificado. A cruz era composta
por dois pedaços de madeira mal-lavrados amarrados entre si, um na
vertical e o outro na horizontal. Um chamava-se Postibulum, e o outro
Patibulum e juntos pesavam cerca de 139 kilos. O poste transversal da
cruz (o patibulum) era colocado no chão, e a vitima era colocada em
cima dele, os pulsos eram pregados com pregos de 18 centímetros
de comprimento e 1 centímetro de diâmetro. Ao lado estava o poste
de mais de 2 metros de altura (o Postibulum). No meio do poste
havia uma espécie de suporte para os pés, chamado “Sédulum”.
Os pés da vitima eram pregado no poste e sobre a cabeça da
vitima era pendurado uma placa com a inscrição de seus delitos. No
momento de erguer a cruz, havia uma grande tensão nos pulsos, om-
bros e braços da vitima resultando num deslocamento dos ombros, e
juntas do cotovelo. Os braços esticados para cima, prendiam a caixa
do tórax, dificultando respirar. A crucificação causava uma lenta su-
focação, diminuição do oxigênio e a respiração superficial causava
colapsos em pequenas áreas dos pulmões formando liquido nos
pulmões, o coração ficava estressado e eventualmente parava. Com o
peso do corpo, que era suportado pelo sédulum os braços eram pu-
xados para cima, fazendo o intercostal e o músculo no peitoral ser
esticado, além disso o movimento destes músculos era oposto, pelo
peso do corpo, a dor nos pulsos e braços aumentava, e a vítima era
forçada a levantar o corpo sobre o sédulum, transferindo deste modo o
peso do corpo aos pés. Mas com o peso do corpo sobre os pés a dor
nos pés e pernas aumentava. Quando a dor se tornava insuportável, a
vítima repentinamente se abaixava outra vez para o sédulum com o
peso do corpo, puxando os pulsos e outra vez esticando os músculos.
Dessa maneira, a vítima alternava, entre levantar, e repentinamente
abaixando-se para aliviar a dor nos pés. Porém a vítima esgotava-se
e ficava inconsciente de maneira que não podia mais levantar seu

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

corpo do sédulum. Nesta posição com os músculos respiratórios


paralisados a vítima sufocava e morria. O flagelo de Jesus foi maior
do que o de qualquer outro crucificado. Pois além de ser chicoteado
(possivelmente com 40 chicotadas) Ele foi escarnecido. Puseram-lhe
uma túnica de escarlate, uma coroa de espinhos e uma cana, como
centro real, e zombavam dele, tomando-o por um falso rei (Mt 27.28-
30). A caminho do Calvário (Mt 27.32; Mc 15.21; Lc 23.26). Após
os soldados terem zombado e batido Nele, obrigaram-no a carregar a
cruz até o lugar da execução Porém Ele, estando exausto e sem forças,
pelos maus tratos que recebera precisou ser ajudado a levar a cruz. E
o homem que o ajudou era chamado de Simão Cireneu.

O Gólgota - ( ou Calvário Mt 27.33; Mc 15.22; Lc 23.33; Jo 19.17)


Era um monte perto de Jerusalém, fora dos muros da cidade conhecido
como o “Monte da Caveira”. Logo ao chegar alí deram a Jesus vinho
misturado com fel para beber, como uma espécie de entorpecente,
que o embriagaria e tornaria insensível á dores (isto é, Ele ficaria
drogado e não sentiria dor), porém Jesus recusou beber, pois queria
esta consciente até a morte (Mt 27.34). Pilatos, mandou afixar no
alto da cruz, um titulo escrito nos principais idiomas da época.(grego,
aramaico e latim) A inscrição era; “Este é Jesus o rei dos Judeus” (Mt
27.37;Jo 19.19-22;Mc15.26;Lc 23.38) Jesus foi crucificado entre
dois malfeitores (Mt 27.38; Mc 15.25,27,28; Lc 23.39.43; Jo 19.18)
cumprindo a profecia de Isaías, que diz que o Messias «seria contado
com os transgressores” (Is 53.12). Os soldados romanos disputaram
a túnica de Jesus, e lançaram sorte para ver quem ficava com ela (Mt
27.35,36; Mc 15.24; Lc 23.34; Jo 19.23,24) cumprindo-se a profecia
que dizia que as vestes do Messias seriam repartidas (Sl 22.18; Jo
19.24). Digno de nota é a atitude dos malfeitores (Lc 23.39-43). O
que estava crucificado a esquerda disse-lhe: “Se tu és o cristo, salva-
te a ti mesmo e a nós”. Porém o ladrão crucificado a direita, disse-
lhe. “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino” e Jesus
lhe respondeu: «hoje mesmo estarás comigo no paraíso” - Enquanto
Jesus estava crucificado, ali ao lado estava sua mãe Maria, e Jesus
recomendou a João seu discípulo que cuidasse dela (Jo 19.25-27)
Certamente pela agonia, dores e dificuldade de respiração, Jesus falou
poucas palavras, enquanto estava crucificado.
86
Edmilson Alves

As palavras ditas por Ele na cruz ao todo, foram sete pequenas frases:
“Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34); “...
Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23.43);
“..Mulher eis aí o teu filho... Filho eis aí a tua mãe..” (Jo 19.26,27),
“..Eli, Eli, Lama Sabactani” (Mt 27.46); “...Tenho sede Jo 19.28;
“...Está consumado”(Jo 19.30); “Pai, nas tuas mãos entrego meu
espírito” (Lc 23.46).
No momento em que Cristo expirou ocorreram vários sinais
na natureza; Houve trevas (Lc 23.44) O véu do templo se rasgou
de alto a baixo (Mt 27.51; Mc 15.38) A terra tremeu (Mt 27.51)
Sepulcros se abriram, e muitos santos, após a ressurreição de Cristo,
ressuscitaram (Mt 27.52). Os crucificados às vezes ficavam alguns
dias vivos mesmo agonizantes. E por isso os soldados, ao tirar os
corpos da cruz, quebravam-lhe os ossos para acelerar a morte. Mas no
caso de Jesus, não lhe quebraram osso, pois Ele já estava totalmente
morto. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e
logo saiu sangue e água. E cumpriu-se a Escritura que diz:
“Que Ele seria traspassado” (Zc 12.10) porém também se cumpriu
a profecia que dizia: “Que nenhum dos seus ossos seria quebra-
do”(Sl34.20).
Após a crucificação, Jesus foi removido da cruz para ser sepul-
tado. Um homem chamado, José de Arimatéia que era membro do
Sinédrio, e que era discípulo de Jesus, juntamente com Nicodemos
mestre de Israel.
Ambos eram discípulos de Jesus, secretamente. Eles se responsabi-
lizaram pelo sepultamento de Jesus: E tiveram que, Retirar-lhe os
cravos das mãos e dos pés; Tirar o corpo da cruz com cuidado; Tirar
os espinhos que dilaceraram sua fronte,Ungir a cabeça com óleo, e
passar em tudo corpo o composto de mirra e aloés, envolvê-lo em
lençóis, tudo conforme o costume dos judeus; Finalmente conduzi-
ram, Jesus ao sepulcro. Ele morreu às três horas da tarde, e deveria ser
sepultado antes das seis horas pois às seis horas se iniciava o sábado,
no qual era proibido pela lei, fazer sepultamento, ou alguma outra
coisa (Dt 21.23; Ex 12.16) Jesus foi sepultado em um sepulcro cava-
do numa rocha, em um jardim perto do lugar da crucificação. Após
colocarem ali o seu corpo puseram uma grande pedra na entrada do
sepulcro(Mt 27.57-60; Mc 15.42-47;Lc 23.50-57;Jo19.38-42).
87
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

A Ressurreição
Duas palavras gregas definem o termo “ressurreição”, a palavra
Anastasis que quer dizer “tornar à vida, levantar-se”, e a outra é a
palavra egeiro, que significa “acordar, despertar”. São palavras gregas
que esclarecem o sentido de ressurreição. A ressurreição de Cristo
foi anunciada desde o Antigo Testamento (Sl 16:9,10; Is 26:19) e
também o próprio Jesus predisse que haveria de morrer e ressuscitar
ao terceiro dia (Mt 12: 40; 16:21; 17:23; 20:19; 26:36; 27:63; Mc
9:9; 14: 28; Lc 24:7; Jo 2: 19,21). Acerca dos fatos sobre a ressurrei-
ção de Jesus, leia os seguintes capítulos: Mateus 28, Marcos 16, Lucas
24 e João 20 e 21.

Fatos da ressurreição. Enquanto Jesus estava no sepulcro, veio um


anjo de Deus e removeu a pedra. Os soldados que estavam vigiando
o sepulcro ao verem o anjo desmaiaram (Mt 28:1-10; Mc 16:1-8;
Lc 24:1-11; Jo 20:1). Depois da remoção da pedra, Jesus ressuscitou
dentre os mortos e foi feito a primícia dos que dormem (I Co 15:20).
O dia em que Ele ressuscitou foi o primeiro dia da semana, um do-
mingo (Mc 16:9)

Provas da ressurreição. A Bíblia nos dá várias provas de que Cris-


to ressuscitou, dentre as muitas estão; A aparição aos discípulos. Está
escrito em (At 1.3) que Jesus “depois de ter padecido, se apresentou
vivo com muitas e infalíveis provas”. Como prova da sua ressurrei-
ção Jesus apareceu em dez ocasiões aos seus discípulos: Apareceu a
Maria Madalena ( Mc 16. 9-11). Apareceu às mulheres que voltavam
da sepultura com a mensagem do anjo (Mt 28.8-10). Apareceu a
Pedro (Lc 24.34; I Co15.5), apareceu aos dois discípulos no ca-
minho de Emaús (Jo20.19-25;Mc1614), apareceu no domingo
seguinte aos discípulos e a Tomé (Jo 20.26-29), apareceu aos discí-

88
Edmilson Alves

pulos na ausência de Tomé (Mc 16.14;Jo 20.19-25), apareceu a sete


discípulos junto ao mar da Galiléia (Jo 21.4-14), apareceu aos após-
tolos e a mais de 500 irmãos (Mt 28: 16-20; I Co 15.7 ), apareceu a
Tiago (I Co 15.7), apareceu pela última vez, no monte das Oliveiras
na sua ascensão ao céu (Lc 24.44-53 ).

O túmulo vazio - O túmulo vazio é evidência que Cristo ressuscitou


Os escritos do Novo Testamento. Os escritores do Novo Testamento,
inspirados pelo Espírito Santo, escreveram os fatos da ressurreição
com muita veracidade (I Co 15: 12-19). Estes escritos também são
provas que Cristo ressuscitou.
O batismo no Espírito Santo. O batismo no Espírito Santo e os
dons sobrenaturais na Igreja são provas irrefutáveis da ressurreição
de Cristo, pois se Cristo não tivesse ressuscitado e subido ao céu o
Espírito Santo não desceria (Jo 16.7-16; At 2. 32,33).
A regeneração dos que crêem. Se Cristo não tivesse ressuscitado, o cris-
tianismo seria apenas mais uma religião sem poder regenerador.
Os milhões de pessoas transformadas, regeneradas e salvas são pro-
vas autênticas de que Cristo voltou ao Céu e enviou o Espírito
regenerador (Tt 3.5).

Efeitos da ressurreição. Trouxe alegria aos discípulos (Jo 20.20), Aler-


tou a fé deles (principalmente de Tomé; Jo 20. 28), trouxe um aviva-
mento e tiveram seus olhos abertos ( Lc 24. 31-35) Seus corações se
tornaram ardentes (Lc 24.32), E é a garantia da nossa justificação ( Rm
4.25), Também é a certeza da nossa ressurreição (I Co 15.50-53; I Jo
3.2; Fp 3.20,21; I Ts 4.14), é a garantia da morte redentora de Cristo
(I Co 15.17).

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

A ascenção
A ascensão de nosso Senhor Jesus está registrada em (Lc 24.50-51;
At1.9-12). Após a ressurreição, Jesus permaneceu por quarenta dias
na terra com seus discípulos. Porém, findando os quarenta dias,
Jesus conduziu os discípulos até ao monte das Oliveiras, e ali deu
instruções a eles, dizendo: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo
que há de vir sobre vós, e ser- me-eis testemunhas tanto em Jerusalém
como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra” (At 1.8).
Os discípulos o viram subir. Pois ao terminar as instruções “foi Jesus
elevado às alturas, à vista deles” (At 1:8).
A despedida de Cristo, Ele levantou as mãos e os abençoou; não
partiu com qualquer ressentimento dos discípulos, mas os amou até o
último momento e disse- lhes: “Eis que eu estou convosco todos os
dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20).
Foi recebido nos céu. No momento da ascensão de Cristo ao
céu apareceram dois anjos, os quais falaram aos discípulos: “Varões
galileus, porque estais olhando para o céu? Esse Jesus que dentre vós
foi recebido no céu, há de vir, assim como para o céu o vistes ir” (At
1.10,11) Ao chegar ao céu Jesus assentou-se à destra de Deus, no Seu
trono (Hb 1:3; Ap 3:21; 12:5; Mc 16:19).

90
Paracletologia
Estudo sobre o Espírito Santo

91
Indice

O Espírito Santo no conceito bíblico-Cristão..............93


O Espírito Santo e sua Personalidade.............................96
Os símbolos do Espírito Santo.........................................98
O Espírito Santo no Antigo Testamento.......................111
O Espírito Santo no novo Testamento..........................116
A Obra do Espírito Santo no Homem............................128
O Fruto do Espírito Santo.............................................137
Os Dons do Espírito Santo.............................................141
O Batismo no Espírito Santo..........................................148

92
Edmilson Alves

O Espírito Santo
no conceito bíblico cristão

Definição
No texto bíblico hebraico do antigo testamento, o termo Espírito é
traduzido pela palavra Ruach que ocorre por cerca de 378 vezes, e pos-
sui uma grande quantidade de sentidos. Dentre os quais estão; Vento,
respiração, força, ânimo, capacidade, mente ou pensamento, Espírito
humano, anjos e Espírito Santo”.
Nestes muitos significados da palavra, é possível classificar uma
tríplice divisão de significados lógicos, agrupando-os em significados:
Fisiológicos, Psicológicos e Sobrenaturais:
Fisiológicos; Vento, Respiração, Força. Psicológicos; Mente, pensamento,
espírito humano. Sobrenatural; Anjos, capacidades e Espírito Santo.

Vento. Em diversas passagens bíblicas a palavra “Ruach” aparece sig-


nificando vento. Exs.: Em Gênesis 3.8, está escrito que Adão e Eva
“..ouviram a voz do Senhor Deus que passeava no jardim pela viração
do dia..”. O texto hebraico original diz “brisa da tarde” ao invés de
“viração do dia”.
Ainda em Gênesis, (8.1) encontramos uma passagem que afirman-
do que “...lembrou-se Deus de Noé e Ele Fez passar um vento sobre a
terra, e aquietaram-se as águas”.
No livro de Êxodo (10.13) é dito que “...O Senhor trouxe sobre
aquela terra um vento oriental, que trouxe os gafanhotos para o Egi-
to...”. No mesmo livro (14.21) está escrito que “...O Senhor fez retirar
(isto é, abrir) o mar por um forte vento oriental toda aquela noite...”
Ainda no pentateuco, no livro de Números (11.31) diz que “...soprou
um vento do Senhor, e trouxe codornizes do mar...”. O mesmo termo

93
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

encontramos na poesia hebraica, no livro de Salmos (18.10) onde diz que


“...Ele (O Senhor) montou num querubim e voou sobre as asas do vento...”
Já no Salmo (104.3) diz que, Ele (O Senhor) “faz das nuvens o seu
carro, anda sobre as asas do vento”.
Entre os profetas destacamos o que disse Jonas (1.4) que “...O Senhor
mandou ao mar um grande vento e fez uma grande tempestade”.
Também fez referência à mesma palavra, o profeta Jeremias (4.11) onde
ele se expressa com a seguinte mensagem “Naquele tempo se dirá a
este povo e a Jerusalém, um vento seco das alturas do deserto veio a
caminho da filha do meu povo.” Em outra passagem diz que “Ele faz os
relâmpagos para a chuva e faz Sair o vento dos seus tesouros” (10.13).
E conclui dizendo; “..e trarei os quatro ventos, dos quatro ângulos do
céu..” (49.36).

Respiração. O segundo significado de Ruach é Respiração que


“fisiologicamente é a função orgânica em que se efetua troca de oxigênio
e dióxido de carbono entre o ar atmosférico e as células do corpo”.
No livro de Juizes (15.19) diz que “..O Senhor fendeu a caverna de Lei;
e saiu dela água e Sansão bebeu; e o seu espírito (respiração) tornou, e
reviveu..”.
Esse termo e seu significado é encontrado também no livro de Êxodo
na passagem em que o autor do livro romanceia a o milagre da passa-
gem do mar vermelho ao cantar com essa palavras; “Ao sopro dos teus
narizes amontoaram-se as águas, as correntes pararam como montão; os
abismos coalharam-se no coração do mar” (Ex15.8). O salmista Davi
também disse, que “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo
o exército deles pelo sopro da sua boca” (Sl 33.6).

Força. No Salmo 51.12, Davi fez uma oração usando as seguintes pa-
lavras “torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um
Espírito voluntário”.

Mente. referente a este termo, que também pode significar “pensamento”,


o profeta Ezequiel vaticinou a seguinte profecia;
“Ai dos profetas loucos que seguem o seu próprio espírito e coisas que

94
Edmilson Alves

não viram 29.1 (“espírito” aqui significa “pensamento, mente”).

Espírito humano. No livro de Gênesis 7.21 e 22, é dito que “.. expi-
rou toda carne que se movia sobre a terra e tudo que se tinha fôlego de
Espírito em seus narizes”. Referência semelhante encontramos em Ecle-
siastes; “E o pó volte à terra como era, e o Espírito volte a Deus que o
deu”, Ec 12.7.

Anjos. Os anjos também são tratados biblicamente como Espíritos. Em


Hebreus por exemplo, diz; “...Não são todos eles Espíritos ministrado-
res...” Hb1.14. Outro texto referente está no livro de Samuel 16.14 e
em I Reis 22.21 onde relata que “...saiu um Espírito e se apresentou
diante do Senhor, e disse; Eu o induzirei”.

Capacidade. Eliseu disse a Elias “Peço-te que haja porção dobrada do


teu Espírito sobre mim” ll Reis 2.9 (isto é, capacidade em dobro). O
pedido de Eliseu foi atendido de forma que enquanto Elias operou, sete
milagres e Eliseu operou catorze.

Espírito Santo. Este é o principal significado aqui abordado e o motivo


da realização deste tratado teológico. A primeira vez na Bíblia em que
ocorre a palavra Espírito (ruach) é no livro de Gênesis capítulo 1 e verso
2, se referindo à terceira pessoa da trindade. Daí em diante, em todo
antigo testamento, centenas de vezes, o termo aparece correspondendo
a “Espírito de Deus”.
No novo testamento a palavra usada na língua grega para se referir
ao Espírito Santo, é o termo Pneuma, que é o equivalente para o hebrai-
co Ruach. O substantivo Pneuma origina-se de duas palavras gregas,
Pneu que se refere ao “Ar” e Ma que se refere a “ação e movimento do
ar”. Além de Pneuma, também aparece no novo testamento a palavra
grega Parakletos que é um termo derivado de dois vocábulos, Para “ao
lado de” e kaleo, “chamar, ou convocar”. O Parakletos era um amigo
que comparecia ao tribunal para falar a favor de alguém que estava sen-
do acusado. Ele agia como um advogado, amigo, ajudador, mediador e
consolador do réu.

95
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

O Espírito Santo
e sua personalidade

Há muitos que ensinam que o Espírito Santo é uma força, ou ener-


gia semelhante a eletricidade. Os principais seguidores desta teoria,
são os defensores do Arianismo seguidores dos ensinos de Ário, um
presbítero de Alexandria no ano 320 dC. Ário ensinava que o Espírito
Santo era uma força ativa e impessoal de Deus e negava tanto a sua di-
vindade como a sua personalidade. Através da bíblia, entendemos que
o Espírito Santo como pessoa, possui as três características básicas da
personalidade que são:

Intelecto. Que é “a capacidade para pensar e raciocinar”. (Rm 8.6 ; At


13.2 ; Jo14.26). Sendo assim; Ele fala (At 13.2), Raciocina, (Rm 8.27)
Pensa, (Rm 8.6), Determina, (II Co 2.10,11,16).
Emoção. É a “capacidade de sentir”. E a bíblia deixa muito claro que
o Espírito Santo possui todos os graus de sensibilidade. Ele geme, (Rm
8.26,27) se alegra, se entristece e Ama (Ef 4.30).
Vontade. É a “capacidade de escolher e tomar decisões” (livre arbítrio).
O Espírito faz o que quer, quando necessário (Hb 2.4). Ele, exercita a
sua livre vontade (l Co 12.11; At 16.6).

Sua Divindade
Assim como o Pai e o Filho, o Espírito Santo é Deus, e como tal Ele
possui atributos naturais que são exclusivos de Deus, os quais são:

Onipresença. “Está presente em toda parte”.


Os deuses da antiguidade, que eram cultuados pelas nações vizinhas
de Israel, eram conhecidos como tendo poderes que se limitavam à sua
região ou pais. Porém, o Espírito Santo sendo Deus, apresentou-se a
96
Edmilson Alves

Israel, como “um Deus cuja presença não se limitava à terra, o céu, ou
o céu dos céus” (l Rs 8.27). A esse respeito, um salmista exclamou as
seguintes palavras; “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei
da tua face. Se subir ao céu, tu aí estás, se fizer no Sheol a minha cama, tu
ali estás também, se tomar as asas da alva e se habitar na extremidade do
mar, até ali tua mão me guiará, e a tua destra me susterá”. (Sl 139.8-10).
Em l Coríntios 2.10, diz que “o Espírito Santo penetra todas as coisas, até
as profundezas de Deus”.

Onisciência . “Sabe todas as coisas”


Onisciência Deriva-se de duas palavras latinas Omni (tudo) e Scientia
(ciência) e tem o significado de “está ciente de tudo, saber de todas as
coisas, ter toda ciência”. Em (ICo 2.10) diz que, Ele tem capacidade
de discernir todas as coisas. No Salmo está escrito, numa linguagem
lindamente poética, disse o salmista “Senhor tu me sondas (sondar: ava-
liar, examinar, explorar, investigar dic. Aurélio) e me conheces, de longe
entendes o meu pensamento, cercas o meu andar, e o meu deitar, sem que
haja palavras na minha língua, eis que, Ó Senhor tudo conheces, penetras
no meu pensamento enquanto ainda estão sendo formados”. (Sl 139.5)

Onipotência. “Possui todo poder”


No livro de Gênesis (18.14) há uma importante pergunta; “...Haveria
coisa alguma difícil ao Senhor” ? A resposta pode ser encontrada em Lu-
cas (1.37 quando acerca da geração de Jesus no ventre de Maria através
da operação do Espírito Santo ) “...para Deus nada é impossível” Oni-
potência, é um dos atributos naturais, e somente Deus Pai, Filho e o
Espírito Santo possuem. Houve ocasiões em que Jesus enfatizou sobre
a dificuldade de um rico se salvar. Perplexos com estes ensinos os discí-
pulos se perguntavam. Quem poderá se salvar ? Mas Jesus lhes respon-
deu Para os homens é impossível, mas, para Deus todas as coisas são
possíveis” (Mc 10.25-27). O Espírito Santo inspirou o profeta Isaías a
escrever a seguinte frase, “Ainda que houvesse dia, Eu Sou, e ninguém há
que possa fazer escapar das minhas mãos; operando Eu, quem impedira” (Is
43.13). Como terceira pessoa da trindade e possuidor de todo poder o
Espírito Santo faz tudo que lhe apraz. (I Co 12.11).

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Os símbolos
do Espírito Santo

Para facilitar a transmissão da sua mensagem ao homem, o senhor se


utilizou frequentemente de recursos de linguagem e cultura humana,
dentre os quais o “simbolismo” (expressar-se, por meio de símbolos),
o qual é vastamente enfatizado na Bíblia. E em se tratando do Espírito
Santo, vários elementos são usados na Bíblia como símbolo para repre-
sentar sua natureza e sua obra no homem. Entre os vários símbolos do
Espírito Santo existentes na Bíblia, destacam-se: O Vento, a Água, o
Fogo, a Pomba, o Selo e o Azeite.

Vento
No hebraico Bíblico é “ruach” e em grego é “pneuma”.
Ambos tem o mesmo significado, que é “sopro, fôlego, espírito”.
Em diversas passagens Bíblicas o Espírito é associado a “um vento”.
Em (Gn 12) o Espírito (ruach), se movia (como um vento) sobre a face
das águas. Em (Êx 14.21) diz que o Senhor soprou um vento (rua-
ch) oriental e abriu o Mar Vermelho. Em (Nm 11.31) está escrito que
soprou um “vento do Senhor e trouxe codornizes do mar”. Também
consta que quando Jonas fugiu para Társis, Deus enviou sobre o mar
um “vento forte” ( Jn 1:4). E em (Ezequiel 37:9), o profeta profetiza as
seguintes palavras: “Vem dos quatro ventos, ó Espírito, e assopra sobre
esses mortos para que vivam”. E no Novo Testamento quando os dis-
cípulos estavam reunidos no cenáculo esperando a promessa de poder
do alto, de repente veio do céu um som como de um vento veemente e
impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam reunidos.”(At 2.1,2).
Em todas essas referências citadas o Espírito Santo está associado ou
simbolizado pelo vento. O Ruach (Espírito, fôlego, sopro, vento) é tão

98
Edmilson Alves

importante quanto à vida. Sem este vento o homem não tem fôlego,
não tem Espírito e não tem como existir.
Existem várias características que assemelham o vento ao Espírito
Santo, dentre tantas selecionamos as seguintes: Invisibilidade, multi-
formidade, movimento, independência, purificação e poder.
Invisibilidade. Podemos sentir os efeitos do vento e do Espírito, porém
jamais poderemos vê-los.
Multiformidade. Assim como o vento pode se apresentar como uma
leve brisa, também pode se apresentar como um furacão. Da mesma
maneira, o Espírito pode agir suavemente num coração, mas pode tam-
bém agir como um vento poderoso que abre o mar.

Movimento. O vento é o ar em movimento, e o Espírito está sempre


trabalhando e agindo no seio da igreja.

Independência. O vento sopra onde quer ( Jo 3:8). Da mesma forma


o Espírito Santo que é Deus Onipotente, faz o que lhe apraz (I Co
12:11).

Purificação. Quando o vento sopra refrigera o ar, extingue a poluição e


purifica a atmosfera. O Espírito Santo quando age no homem refrigera
sua alma, perdoa e extingue seus pecados, fazendo-lhe uma nova cria-
tura e o purifica dia após dia.

Poder. Alguém pode até subestimar a brandura de uma leve brisa, mas é
inútil desafiar o poder de um furacão. O Espírito Santo é meigo, dócil
e manso, todavia é o Espírito de fortaleza e poder do Senhor (Is 11.2;
II Tm 1.7).

Água
A água é um dos elementos naturais mais importantes e existe antes
da humanidade (Gn 1:2). Cerca de ¾ do planeta terra é ocupada por
água. Os primeiros seres viventes foram criados da água (Gn 1.20,22),
e o homem, considerado o mais importante das criaturas foi feito do
pó da terra mas contendo no seu corpo cerca de 75% de água. A gran-

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

de importância da água na Bíblia é demonstrada nas 615 vezes onde


é mencionada, e é frequentemente citada como símbolo da Palavra de
Deus ( Jo 3.5; 4.10,13,14; 7:37). E devida a sua grande utilidade, é
Biblicamente um dos mais importantes símbolos do Espírito Santo.
Existem várias características que assemelham a água ao Espírito Santo:
vivificação, Limpeza, Frutificação, Refrigério, Saciar a sede.

Vivificação. A água é indispensável para a vida humana ( Jo 4.13), ani-


mal (Sl 42:1) e vegetal ( Jo 14.7-9; Is 44.34 ) Sem água toda forma
de vida na terra seria extinta. Por atribuir tão grande valor à água é
que Deus fez o homem 75% água. Semelhante à água, o Espírito San-
to é indispensável à vida e sem ele os seres humanos seriam apenas
corpos mortos (Ez 37). Está escrito no livro de Jó (33:4) “O Espíri-
to de Deus me fez e a inspiração do Todo-poderoso me deu vida”. O
mesmo Espírito Santo é descrito na Bíblia como “Espírito de vida”.
E vivificar é uma das principais ações Dele na vida do homem. O
apóstolo Paulo disse que “a letra mata, mas o Espírito vivifica”.
( II Co 3:6 ).

Limpeza. A água é o principal meio utilizado para limpar a sujeira do


mundo, e indispensável para higiene pessoal. No Antigo Testamento
a água era utilizada em rituais simbólicos de purificação ( Lv 14:1-9;
11:39; Nm 19:1-10, 17, 22 ), e Deus exigia que todas as vezes que o
sacerdote fosse ministrar no santuário, antes de qualquer ministração,
que ele se lavasse com água (Ex 40:7, 12, 30; Lv 8:6). Semelhante à
água, o Espírito Santo age no homem produzindo limpeza na alma e
no espírito (Tt 3:5; Hb 10:22).

Frutificação. O sol brilha sobre o mar ( Jó 36:30) aquecendo as águas,


gerando vapores que sobem aos ares, formando-se em nuvens (Am 5:8;
9:6). Com a queda da temperatura, os vapores se condensam tornan-
do-se gotas de água que caem em forma de chuva que regam a terra,
{ Jo 36:28 ) e faz a semente crescer, gerar folhas e flores e acima de
tudo, frutificar, proporcionando alegria e fartura ao lavrador da terra (
Is 55:10; Sl 149:7, 8) A Igreja é aquecida pelos raios do “Sol da justiça”

100
Edmilson Alves

(Ml 4:2) e com alegria ela envia ao céu louvores espirituais, os quais são
revertidos em forma de chuva de bênçãos (Is 45:8) que fazem germinar
e crescer no cristão o “fruto do Espírito” (Gl 5:22). Este é um ciclo hi-
drológico, tanto natural quanto espiritual, e que destaca como fatores
determinantes à água e o Espírito, e ambos fazem frutificar.

Refrigério. No livro de provérbios (25.25), diz que “a água fresca refres-


ca a alma” e também diz em Salmos (23.2,3) diz que a água tranquila
refrigera a alma. “Refrigerar” é o mesmo que “Restaurar” (dar vida ou-
tra vez). E conforme Jó (14.7-9) mesmo que a árvore esteja morta, ao
sentir as águas tornará a viver. Na história de Lázaro e o rico Jesus disse
que o rico ao morrer foi para o Hades e lá em tormentos desejou água
para refrescar a língua (Lc16.24).
A água natural refrigera e refresca ao corpo físico, porém para refrigerar
a alma somente através da água que vem do trono de Deus (Ap 22:1) e
veio através de Jesus (Jo 7:37-39 ) e representa hoje a pessoa do Espírito
Santo em nós.

Sacia a sede. Uma das principais utilidades da água é saciar a sede. Um ser
humano poderia ficar vários dias sem comer porém, jamais aguentaria
ficar vários dias sem beber água. Além da sede física, o homem também
possui sede espiritual e esta somente Deus através do Espírito Santo é
quem pode saciar ( Sl 42:1, 2; Jo 4:10-15 ). No livro de Apocalipse há um
grandioso convite descrito nas seguintes palavras: “O Espírito Santo diz:
Quem tem sede venha e beba de graça da água da vida” (Ap 22:17).

Fogo
Na Bíblia, o fogo além de ser símbolo de Deus (Hb 12:29) e de
Cristo (Ap 1.14) é também símbolo do Espírito Santo ( Ap 4.5 ). No
Antigo Testamento com muita freqüência a presença de Deus foi ma-
nifesta por meio do fogo (Êx 3:1-5; 19:18; Lv 10:1,2; Nm 3:4;26:61).
A própria Palavra de Deus também tem sido comparada a este
elemento da natureza ( Jr 23.29) porém uma das simbologias mais im-
portantes em relação ao fogo no cristianismo é como símbolo do Espí-
rito Santo, o qual é descrito em Apocalipse (4.5) como “Lâmpadas de

101
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

fogo”. Existem muitas características que aproximam simbolicamente


o Espírito Santo e o fogo, exemplos: Iluminação, aquecimento, amole-
cimento, endurecimento, purificação.

Iluminação. Uma das funções do fogo é gerar luz para iluminar, prin-
cipalmente nos tempos remotos em que não havia luz elétrica e a hu-
manidade se valia de tochas, lamparinas e fogueiras para obter luz. Até
o próprio Israel quando peregrinava no deserto, à noite Deus colocava
uma coluna de fogo no caminho para aquecer e principalmente os ilu-
minar (Êx 13.21,22).
Na vida cristã é preciso andar na luz (I Jo 1.7) para não se errar
o caminho (Is 30:21; Jo 14:6). E a pessoa enviada por Deus para nos
iluminar e nos guiar é o Espírito Santo (Gl 5.18).

Aquecimento. A coluna de fogo que Deus colocou no caminho dos is-


raelitas no deserto, também os aquecia no frio da noite no deserto (Êx
13.21,22). Aquecer é uma das funções primordiais do fogo. Semelhan-
te a ele, o Espírito Santo aquece, fazendo o cristão ser “fervoroso no
Espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11). Na epístola do apóstolo
Paulo aos tessalonicenses há um conselho a que “não apagueis o fogo
do Espírito” (ITs 5.19). Pois igreja morna não é o modelo de igreja que
agrada ao Senhor (Ap 3.15,16). É preciso ser uma igreja aquecida (Rm
21.11) pela Palavra de Deus que é como fogo ( Jr 23.29; Lc 24.32) e
pelo Espírito Santo que é como lâmpada acesa (Ap 4:5) que habita em
nós, que somos seu templo (I Co 3.16).

Amolecimento. O fogo derrete materiais como a cera, e dependendo dos


graus de calor, derrete até o ferro. O Espírito Santo através da Palavra
amolece os corações endurecidos (Hb 3.15; Lc 24.32; At 2:37).

Endurecimento. Há materiais que amolecem em contato com o fogo,


porém há outros que endurecem. Por exemplo, o barro. Em Jeremias
cap. 18 o povo de Deus é comparado a um vaso, e no seu processo de
fabricação é necessário que seja queimado no fogo para que endureça e
adquira resistência. O Espírito Santo que amolece o coração do homem

102
Edmilson Alves

é o mesmo que endurece a sua estrutura de cristão, fazendo-o mais for-


te e resistente nas provações.

Purificação. No Antigo Testamento a purificação era feita de três ma-


neiras: Pela água (Lv 11.39; 14.1-9; Nm 19.1- 10, 17-22), Pelo sangue
( Lv 14.10-32;) Pelo fogo Lv 13.52,55,57. ). A purificação pela água
tipifica a purificação através da Palavra de Deus (Ef 5.26) A purificação
pelo sangue simboliza o ministério e sacrifício de Jesus (I Jo 1.7) E a
purificação pelo fogo simboliza o ministério do Espírito Santo. Que
conforme disse João Batista a esse respeito: “O que viria após ele (que é
o Messias) batizaria com o Espírito Santo e com fogo”. Fogo que seria
em forma de fervor espiritual no coração do cristão (Rm 12.11), mas
que exerceria também o poder de purificação (Mt 3.7-12).

Pomba
A pomba estava classificada na lei entre os animais limpos e podia
ser oferecida em sacrifício pelos mais pobres que não tinham condição
de oferecer um animal de maior valor (Lv 5.7; 12:8; Lc 2.22). A pri-
meira vez que a pomba é mencionada na Bíblia é em Gn (8.8-12) no
episódio que relata o pouso da arca de Noé no monte Ararat.
Quando Noé soltou uma pomba pela janela da arca para ver se
as águas haviam baixado. Por três vezes ele enviou esta ave para ver se
encontrava terra. Desta passagem bíblica extraímos um perfeito simbo-
lismo do envio do Espírito Santo ao mundo, que também tem vindo a
terra em três etapas conforme o gráfico a seguir:

Primeira vez que a pomba foi enviada, más não A primeira vez que o Espírito Santo veio a terra
encontrou terra à vista e voltou para a arca( apenas em algumas pessoas no antigo testamento
Gn 8.8,9). esporadicamente e retornou ao céu.

Segunda vez a pomba foi enviada e retornou Segunda vez que o Espírito Santo veio à terra foi
trazendo no bico uma folha de oliveira (Gn no batismo de Jesus, e pousou Nele e retornou ao
8.10,11). céu (Mt 3.16 ).
A terceira vez, a pomba foi enviada, e encon- A terceira vez que o Espírito Santo veio a terra
trou terra seca e não voltou mais à arca (Gn foi no pentecostes, e cremos que Ele ficou e
8.12 ). continua conosco

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

A pomba ficou estabelecida como símbolo do Espírito Santo pelo


cristianismo após a manifestação do Espírito em forma corpórea desta
ave a João Batista sobre a pessoa de Cristo no ato do seu batismo no rio
Jordão. Existem várias características na pomba que tipifica as formas
de agir do Espírito Santo. Destacamos sete dessas características: Paz,
mansidão, pureza, simplicidade, sensibilidade, vida, movimento.

Paz. Devido a sua tranquilidade e quietude, a pomba se tornou em


todo o mundo o “símbolo da paz”. O Espírito Santo é conhecido como
o “consolador” (gr. “Parakletos” ( Jo 14:16,26; 16:7-13) que é um aju-
dador, confortador, auxiliador, alguém que se empenha em nos trans-
mitir paz. Este Espírito nos justifica e nos faz ter paz com Deus (Rm
5:1) e também gera em nós o seu fruto, que também é paz (Gl 5.22).

Mansidão. O salmista Davi desejou ter asas como “pomba” para na tem-
pestade fugir e descansar no deserto, onde há mansidão. As pombas são
pacíficas e muitíssimo mansas. O Espírito Santo é manso e atua no cris-
tão gerando mansidão (Gl 5:22). Ele é Deus e como tal, não é de con-
fusão, e sim, de paz (I Co 14.33). Jesus disse que os mansos herdarão a
terra (Mt 5:5) E para sermos mansos, precisamos andar com, ou no Es-
pírito Santo (Gl 5.16, 22) pois onde há tumulto, violência e confusão o
Espírito não pode estar presente, pois ele é Deus de paz e “mansidão”.

Pureza. A pomba é uma ave limpa e não se adapta em lugares sujos.


Quando Noé enviou um corvo sobre as águas do dilúvio para ver se
as águas haviam baixado, o corvo não retornou, mas ficou certamente
vivendo e se alimentando nos corpos mortos boiando nas águas diluvia-
nas. Depois, Noé enviou uma pomba que, ao contrário do corvo, não se
adaptou no meio dos corpos em estado de putrefação, e retornou à arca
(Gn 8.8-12). Semelhante à pomba, assim é o Espírito Santo: ele não
habita em sujeira; ele é puro, e habita onde há pureza. O Espírito Santo
chama o homem a Deus (Ap 22:17) ordena-o nascer de novo ( Jo 3:3,
5-8) e o aconselha a ser Santo (puro) assim como ele o é (I Pe1:15,16).
O Espírito Santo também é referido na Bíblia como o “Espírito de san-
tificação” (Rm 1:4), “Espírito Santo” e “Espírito purificador” (Is 4:4).
104
Edmilson Alves

Simplicidade. Jesus disse aos seus discípulos que fossem “símpli-


ces” como as pombas (Mt 10:16). “Simplicidade” é comportamen-
to de quem é símplice. Em grego “símplice” é Akeraios, que signifi-
ca “puro, sem mistura”, e era um termo usado pelos gregos para se
referir ao vinho não misturado com água. No Novo Testamento esta
palavra denota “pureza, ausência de malícia do mundo”. A pomba
era considerada na lei mosaica uma ave pura e que podia ser ofere-
cida em sacrifício (Lv 5:7; 12:8; Lc 2:22). O Espírito de Deus é san-
to e é puro, e não se mistura às impurezas. E, além do mais, ele ins-
pira simplicidade e pureza aos cristãos. A vaidade e o orgulho não
convêm a quem segue a Cristo, pois o servo fiel é símplice “como as
pombas” e possui o Espírito de santidade (Rm 1:4) e simplicidade.

Sensibilidade. A pomba é considerada uma ave sensível e até amedron-


tável, a ponto de, incomodada no seu ninho por uma ou duas vezes,
ela o abandona para sempre. Muito mais que a pomba, o Espírito Santo
possui “sensibilidade”, que é a “habilidade de sentir”. Assim como a
pomba sofrendo ameaças abandona o seu ninho, também o Espírito
Santo sendo ameaçado pelo pecado, pode ser extinguido da vida das
pessoas (Sl 51:11; I Ts 5:19) pois ele é sensível. Ele pensa (Rm 8:6),
pode se entristecer (Ef 4:30) e pode até gemer (Rm 8:26). Portanto,
não entristeçamos o Espírito Santo pelo qual fomos selados para o dia
da redenção (Ef 4:30).

Vida. Além do símbolo da paz, a pomba também é símbolo da vida.


Várias aves (como o corvo enviado por Noé) vivem onde há corpos
mortos. A pomba, porém, somente vive onde há pessoas vivas. O Es-
pírito Santo é também descrito como o “Espírito de vida” (Rm 8:2)
porque ele vivifica os salvos (II Co 3:6).

Movimento. Apesar de pacífica e mansa, a pomba é uma ave que se


movimenta bastante de um lado para o outro. A primeira referência
direta ao Espírito Santo na Bíblia afirma que ele “se movia sobre a face
das águas” (Gn 1:2). Jesus disse que o vento (gr. “Pneuma”) sopra onde

105
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

quer, ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai;
assim é todo aquele que é nascido do Espírito” ( Jo 3:8). A palavra grega
“pneuma” usada no Novo Testamento para designar “Espírito” tam-
bém significa “vento”, e este, por sua vez, significa “ar em movimento”.
Portanto uma das características do Espírito é movimentar-se, e ele se
movimenta no seio da igreja, atuando de diversas formas, em diferentes
pessoas, visando a exortação, consolação e edificação delas.

Selo
O selo era um sinete ou emblema utilizado antigamente como
forma de reconhecimento de que uma transação fora realizada e que o
preço fora pago (Jr 32:9,10). Era ainda uma espécie de “marca registra-
da” com o objetivo de designar o dono legítimo de alguma possessão.
No novo testamento o selo tinha uma utilidade ainda mais abrangente
servindo para representar propriedade, autoridade, segurança, autenti-
cidade e destino.
Nos seus ensinos, o apóstolo Paulo compara o Espírito Santo a
um Selo na vida do crente como uma “marca registrada” de Deus,
indicando que somos propriedade dele (Ef 1:13; 4:30). A partir destes
ensinos, o selo tem sido biblicamente um importante símbolo do Es-
pírito Santo, e esta simbologia se aclara pelas seguintes características:
Propriedade, autoridade, autenticidade, segurança, destino.

Propriedade - Antigamente era costume as pessoas colocarem sua marca


ou selo em determinados objetos indicando que aquilo lhe pertencia.
Os cristãos são propriedade de Deus (I Pe 2:9,10), e a prova disto é o
Espírito Santo como selo de Deus em nossas vidas, demarcando que
somos povo seu e ovelhas do seu pasto, (Sl 100.3).

Autoridade. Um documento ou decreto só era válido se tivesse o selo do


rei ou autoridade maior (Et 3:10; 8:8-10; Mt 27:66). Violar aquele selo
era desafiar a autoridade, e quem ousava afrontar a autoridade de um
rei acabava morto ou preso. Ao homem “selado com o Espírito Santo”
o maligno não lhe toca sem a permissão de Deus ( I Jo1.18 ) e qualquer
um que desafia a igreja, desafia a autoridade de Deus.

106
Edmilson Alves

Autenticidade. Nos dias do Novo Testamento, documentos do governo


só eram válidos se tivessem o selo oficial do Estado, do contrário, os
documentos não seriam considerados autênticos. No cristianismo há
dois tipos de cristão; Os nominais que apenas tem nome de cristão,
mas negam através dos seus atos a verdadeira fé em Cristo. E os cristãos
autênticos, que são aqueles que além de dar um bom testemunho, são
selados com o Espírito Santo.
Dentre os seguidores de Cristo, aquele que não tiver o Espírito
Santo, esse tal não é dele (Rm 8.:9).

Segurança. Com o objetivo de proporcionar segurança e impedir a en-


trada de pessoas desautorizadas, determinados locais eram lacrados e
selados com o selo do proprietário, rei ou autoridade maior (Dn 6:17;
Mt 27:66).
Hoje, alimentos perecíveis são lacrados com selo de segurança do Es-
tado para preservar da deterioração. O Espírito Santo como selo re-
presenta segurança na vida da igreja e faz que ela seja como um jar-
dim fechado (Ct 4.12), preservando-a da corrupção do mundo.
Destino - O selo era e é a garantia que uma carta chegará ao seu des-
tino. O cristão é uma carta aberta ao mundo (II Co 3.2 ), porém o seu
destino é outro, o céu (Jo 14.3) e para chegar lá é preciso estar selado
com o Espírito Santo.

Azeite
Nos tempos bíblicos, o azeite era um produto de primeira necessidade.
Sua principal fonte era a oliveira que dá a azeitona, de onde se extraía
o azeite que era usado para abastecer as lâmpadas do santuário (Êx
27:20,21), mas havia também o “azeite da unção”, que continha uma
composição especial de várias especiarias e era feito exclusivamente para
ungir (Êx 30:22-33). O azeite da unção era receita exclusiva de Deus e
era proibido fabricar outro com a mesma composição ou usar para fins
particulares (Êx 30:32,33). Semelhante ao azeite da unção, o Espírito
Santo não pode ser imitado, e seus dons não devem ser negociados ou
usados para benefício próprio.

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Há várias características do azeite na Bíblia (tanto o azeite puro da oliveira


quanto o azeite da unção) que tipificam as ações do Espírito Santo na igreja.
As características são: Cura, alegria, prosperidade, luz, adoração, unção.

Cura. O azeite era muito utilizado como medicamento para curar feridas (Lc
10:34; Is 1:6) e por servir como remédio e ser símbolo do Espírito, os apóstolos
recomendavam aos presbíteros que ungissem os doentes com azeite (Tg 5:14).
O Espírito Santo traz cura aos oprimidos e de coração quebrantado (Lc
4:18,19).

Alegria. Na antiguidade, como símbolo de alegria e hospitalidade, cos-


tumava-se ungir os hóspedes ao redor da mesa e em qualquer outra oca-
sião festiva (Sl 23:5; 92:10; 104:15; Am 6:6; Lc 7:46). Alegria no grego
do Novo Testamento é Chara a mesma palavra usada para “gozo” que é
uma das partes do “fruto do Espírito” (Gl 5:22). Por isso, ser cheio do
Espírito Santo é ser cheio de alegria espiritual.

Prosperidade. No Antigo Testamento não ter azeite era sinônimo de po-


breza e humilhação ( Jl 2:19). Porém, ter bastante azeite era ter fartura
e prosperidade (Dt 33:24; II Rs 4: 2-7; Jó 29:6).
Uma igreja sem a aprovação e a presença contínua do Espírito Santo,
mesmo sendo ela rica materialmente, se torna miseravelmente pobre
no sentido espiritual (Ap 3:17,18). Porém, uma igreja fiel e que conta
com a presença contínua do Espírito Santo, mesmo sendo ela pobre
materialmente, se torna rica espiritualmente (Ap 2:9).

Luz. O azeite era o combustível utilizado nas lâmpadas e se alguém


não o tivesse, certamente ficaria às escuras (Mt 25:1-8; Lc 12:35).Tam-
bém era utilizado para abastecer o candelabro que iluminava o san-
tuário (Ex 25:6; 27:20, 21; 35:8; I Sm 3:3; II Cr 13:11; Lc 4:3,12).
Assim como a luz da coluna de fogo iluminava e guiava Israel (Ex13:21)
igualmente o Espírito Santo, como lâmpada que emana luz (Ap 4:5)
guia e ilumina a igreja (Gl 5:18, 25).

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Edmilson Alves

Adoração. No Antigo Testamento a adoração ao Senhor era feita me-


diante sacrifícios, os quais eram oferecidos no santuário em várias oca-
siões, e o azeite era usado em diversos desses sacrifícios: No sacrifício
diário (Ex 29:40) na oferta das primícias(Lv 23:13) na oferta de man-
jares (Lv 2:4,7, 15; 8: 26, 30; Nm 7: 19) e no voto dos nazireus (Nm
6:15) Hoje, o nosso culto racional é o nosso sacrifício e adoração (Rm
12:1), e se não tivermos o Espírito Santo presente e atuante nos nossos
cultos, certamente nosso sacrifício não será aceito e seremos apenas
mais um grupo de religiosos no mundo. “Porque já chegou a hora dos
verdadeiros adoradores adorarem a Deus em espírito, porque Deus é
Espírito” ( Jo 4:23, 24).

Unção. O azeite era largamente usado para “ungir”, e por recomendação


divina algumas classes de pessoas eram consagradas através da unção
com azeite. Entre essas classes estavam: Os leprosos, que num ritual de
purificação, tinham a orelha direita, o polegar direito, grande artelho
direito e a cabeça, ungidos com azeite pelo sacerdote (Lv 14:14-18).
Os reis, que eram separados para governar, através de um ritual em
que o profeta derramava na sua cabeça uma quantidade de azeite que
continha no seu vaso (I Sm 10:1; 16:13).

Os sacerdotes - no ritual da unção sacerdotal, o azeite era derramado


com abundância na cabeça do sacerdote a ponto de descer até a barba,
e aos vestidos (Sl 133:2; Êx 29:29; 30:30; Lv 8:12). Na Nova Aliança,
nós cristãos somos considerados sacerdotes (I Pe 2:9), e precisamos estar
ungidos pelo Espírito Santo para termos um sacerdócio bem sucedido
(Lc 4:18-19). A aplicação do azeite no leproso, no rei e no sacerdote,
era um ato simbólico, significando: restauração, ministério e autoridade
O azeite na orelha (Lv 14:17) tipifica disposição para ouvir o que o
Espírito diz às igrejas (Ap 2:17; Hb 3:15). O azeite na mão (Lv 14:17)
representa disposição para trabalhar para Deus. O azeite no pé (Lv
14:17) tipifica disposição para andar no Espírito, (Gl 5:17). O azeite
sobre a cabeça principalmente o que era usado na consagração do
sacerdote, (Êx 29:29;30:30), significa o chamado para o ministério (Ef
4:11, 12; I Pe 2:9).
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O azeite sobre a cabeça representando a consagração real, (I


Sm10:1;16:13) tipifica o poder para testemunhar (At 1:8) e exercer
com edificação o sacerdócio real (I Pe 2:9).
Diz o pregador em Eclesiastes; “Em todo o tempo sejam alvos os teus
vestidos e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça” (Ec 9:8).

110
Edmilson Alves

O Espírito Santo
no antigo testamento

A atuação do Espírito Santo no Antigo Testamento é tão importante


quanto no Novo. Desde o ato da criação do homem até à inspiração dos
escritores sagrados, o Espírito se faz presente, realizando grandes e impor-
tantes obras no que diz respeito aos projetos de Deus. Neste capítulo ana-
lisaremos três aspectos da obra do Espírito Santo no Antigo Testamento:
O Espírito Santo na criação - O Espírito Santo capacitando pessoas
para a obra de Deus - O Espírito Santo inspirando os escritores sagra-
dos.

Na criação
Em Gênesis 1.2 diz que a terra era sem forma e vazia “mas o Espírito de
Deus pairava sobre a face das águas”. O Espírito pairava sobre as águas
para preservar o que já havia sido criado e prepará-lo para a continua-
ção dos seis dias de criação que se seguiriam. No livro de Jó está escrito
que “O Espírito aclara os céus” ( Jó 26.13).
O Espírito em Gn 1.2 e Jó 26.13 em hebraico é ruach, que significa
“sopro, vento e espírito”. O livro de Salmos também diz que “Deus
envia seu Espírito e renova a face da Terra” (Sl 104.30). Embora em
Gn 1:2 a terra estivesse sem forma e vazia não era, no entanto, de todo
caótica, pois o Espírito de Deus estava lá, para controlar as águas e,
embora houvesse trevas na face do abismo, o Espírito de Deus estava
lá ativo, preparando o momento de fazer aparecer a luz (Gn 1:2, 3). O
Espírito é a fonte de vida de toda criação: “e se o Espírito for retirado,
toda a criação morre” ( Jó 34:14).

111
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Na criação do homem
Em Gênesis 1:2b mostra-nos o Espírito ativamente presen-
te na criação do homem, nas palavras que diz: “Façamos o ho-
mem à nossa imagem, ...”. Neste versículo, vemos a trindade
(Pai, Filho e Espírito Santo) trabalhando juntos na criação do ho-
mem, e nesta importante obra, trabalharam da seguinte forma:
“o Pai planejou, o Filho executou, e o Espírito Santo deu vida”.
Lemos em Gn 2:7 : “então formou o Senhor Deus o homem do pó da
terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida...”
O que nos faz entender, que, corpo, alma e espírito dependem do
próprio Espírito Santo para sobreviver. Corroborando este assunto, o
livro de Jó afirma que “O espírito do Senhor me fez, e o sopro do todo
poderoso me deu vida” (Jó 33.3). O mesmo ainda acrescenta que “se
Deus tirar seu Espírito, da vida humana toda carne chegaria ao fim” (
Jó 34:14). Também o livro de provérbios (20.27) diz: que “O espírito
do homem é a lâmpada do Senhor”.
Portanto o Espírito Santo esteve presente em todas as áreas da criação:
Sustentando a natureza e a vida animal; Dando vida espiritual (espírito)
a todo ser humano.

Na capacitação
O Espírito Santo esteve no Antigo Testamento capacitando várias pes-
soas para realizarem importantes tarefas em Israel. O Espírito os habi-
litou de diversas maneiras: com sabedoria para liderar (Êx31:3) com
perícia ( Jz 3:10) com força física ( Jz 14:16) Entre as pessoas que foram
capacitadas ou impelidas pelo Espírito estão: os artífices: (Bezaleel e
Aoliabe) os juízes: Débora, Gideão, Sansão, etc.

Os artífices
Bezaleel e Aoliabe, segundo o texto de Êx 31:2, 3, 6 e 35:30, 31, 34, foram
cheios do Espírito e de sabedoria para aprimorarem suas habilidades e
ensinarem a outros a construir as peças do Tabernáculo. Conforme Êx
31:3 Bezaleel e Aoliabe foram cheios do Espírito de Deus e também
de sabedoria, entendimento, ciência. Este enchimento do Espírito lhe

112
Edmilson Alves

concedia auxílio sobrenatural manifestos nestas capacidades citadas acima:


Sabedoria que é a “habilidade que possibilita a pessoa de alcançar suas
meta” Entendimento que é “percepção e decisões sábias” e Ciência que
é “conhecimento prévio que determina o que precisa ser feito e como
deve ser realizado”

Os Juízes
Os juízes foram pessoas levantadas por Deus em momentos difíceis
para livrar seu povo dos seus opressores. Quando esses juízes eram
despertados e movidos pelo Espírito Santo, traziam o povo de volta a
servir a Deus. Eles também precisavam de sabedoria, entendimento e
ciência para liderar e julgar Israel. Dentre os quinze juízes que julgaram
Israel, muitos deles se destacaram pela atuação do Espírito Santo em
suas vidas. Veremos neste tópico um breve relato acerca da influência
do Espírito Santo na vida de três importantes juízes de Israel, que são
eles: Débora, Gideão e Sansão:
Débora. ( Jz 4:4-24; 5:1-32). Era profetiza e uma porta-voz de
Deus inspirada pelo Espírito Santo. Com sabedoria julgava e ensinava
a nação. Ela costumava assentar debaixo de uma palmeira entre Ramá
e Betel, e o povo vinha a ela para que resolvesse suas questões. Com
muita sabedoria proporcionada pelo Espírito, Débora liderou com
êxito a nação de Israel.
Gideão. ( Jz 6:11-40; 7:1-25; 8:1-35) Foi o sétimo juiz de Israel
e teve uma incumbência divina de com apenas trezentos homens
enfrentar um exército de 135 mil midianitas. Mesmo com um exército
insignificante Gideão foi vitorioso. O grande segredo da vitória de
Gideão está no versículo que diz: “O Espírito do Senhor revestiu a
Gideão” ( Jz 6:34) Ele foi revestido do Espírito e encorajado várias
vezes. No hebraico a frase “revestiu a Gideão” significa “vestiu-se de
Gideão”. Segundo Stanley Horton1 o que quer dizer que Gideão era a
“roupa” e o Espírito Santo se vestiu dele. Gideão era apenas o “manto
exterior do Espírito que governava, falava e testificava nele”.
O Espírito de Deus foi o grande responsável pelas vitórias de Gideão.
Sansão ( Jz 13:1-25; 14:1-20; 15:1-20; 16:1-31) Foi um dos
1 HORTON, Stanley, Teologia Sistemática, CPAD, Rio de Janeiro

113
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

principais juízes de Israel, e era “impelido” pelo Espírito Santo em


determinadas ocasiões, e como um impulsionado pelo Espírito, ele
intimidava e vencia os inimigos da nação israelita ( Jz 13:25; 15:1-20).
Muito se pensa que a força de Sansão estava nos seus cabelos (os
seus longos cabelos eram devido ao seu nazireado), mas não estava.
Além disso, não há nenhuma menção bíblica de que ele fosse um
homem extremamente musculoso e grande.
Na verdade, o grande segredo na vida de Sansão estava na mani-
festação esporádica do Espírito de Deus em sua vida, principalmente
nos momentos mais necessários, como nas três vezes em que o Espírito
se apoderou dele (é importante saber que o Espírito de Deus não o
possuiu, e sim, o impulsionou, o impeliu) Quando ele rasgou um
leão pelo meio (Jz 14.5-9 ); Quando ele matou 300 Asquelonitas (Jz
14:19); Quando com uma queixada de jumento matou mil homens
filisteus (Jz 15:14- 18). Portanto a força de Sansão estava no “ser ele
impelido pelo Espírito Santo ( Jz 13:25) “Impelir” é o mesmo que
“empurrar, impulsionar”, e também tem a idéia de “ser movido, desper-
tado” O Espírito Santo veio sobre estas pessoas no Antigo Testamento,
equipando-as para realizarem tarefas do interesse de Deus.
Essas pessoas (principalmente as que citamos) não viveram como
habitação do Espírito Santo, mas apenas foram visitadas por ele de tem-
pos em tempos. Mesmo assim conseguiram realizar grandes façanhas
com a ajuda dele; atos que, sozinhos, seria impossível de realizarem.

Na inspiração das Escrituras


Os escritores sagrados foram inspirados pelo Espírito Santo a escrever
as Escrituras. Assim disse o apóstolo Paulo “Toda Escritura é divina-
mente Inspirada..” (II Tm 3:16).
Esta palavra em grego é Theopneustos que significa “soprada por
Deus”. Então entendemos que o Espírito Santo “soprou” (inspirou)
os escritores bíblicos a escreverem a Palavra de Deus. O apóstolo Pe-
dro escreveu estas palavras: “E temos mui firme a palavra dos profetas,
Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de
particular interpretação, porque a profecia nunca foi produzida por
vontade de homem algum, mas os homens santos falaram inspirados
114
Edmilson Alves

pelo Espírito Santo” (II Pe 1:20- 21). Muitos dos próprios escritores
Bíblicos e até o próprio Jesus testificaram que o Espírito Santo inspirou
os escritores sagrados.
Vejamos o que disseram: (Pedro) “Varões irmãos, convinha que se
cumprisse as Escrituras que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi
“ (At 1:16). ( Davi ) “ O Espírito do Senhor falou por mim, ...” (
II Sm 23: 2)(Paulo) “Bem falou o Espírito Santo aos nossos pais pelo
profeta Isaías” (At 28:26). ( Jesus) “O próprio Davi disse pelo Espírito
Santo...” (Mc 12:36).
Os escritores sagrados escreveram sob a supervisão e orientação do
Espírito Santo. Mesmo tendo a Escritura sido escrita por cerca de 40
autores num período de 15 séculos, e os autores pertencendo a clas-
ses sociais diferentes como políticos, pescadores, agricultores, médicos,
reis, soldados, etc.; e sendo escrita em locais diferentes, como na prisão,
no deserto, num palácio; e em épocas diferentes: no exílio, na guer-
ra, nas viagens; e contendo assuntos diferentes: história, poesia e leis;
com gêneros de literatura diferentes: biografia, história, alegoria, cor-
respondência pessoal; e escrevendo em três idiomas diferentes: uns em
hebraico, outros em grego e outros até em aramaico; muitos escritores
escreveram em continentes diferentes e todos estes tinham fraquezas
pessoais, tinham virtudes e também defeitos, porém, toda Escritura Sa-
grada é perfeita, e nela não há erro nenhum.
Os livros, capítulos e versículos combinam-se em toda Escri-
tura e em cada detalhe. Isto seria impossível se a inspiração da Bíblia
viesse de algum homem, porém, veio do Espírito, por isso é que elas
são perfeitas.
E assim como o Espírito esteve atuando na criação, Ele também es-
teve inspirando aos escritores das Sagradas Escrituras, tanto no Antigo
como no Novo Testamento.

115
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

O Espírito Santo
no novo testamento

Na vida de Cristo
Desde o momento em que Maria se achou grávida pelo Espíri-
to Santo, a atuação deste, é marcante na vida e ministério de Jesus.
O Espírito o acompanhou nos momentos mais importantes da sua vida
e trajetória.
O seu ministério foi inaugurado pelo Espírito Santo que foi visto
em forma corpórea de uma pomba pousando em Jesus após o batismo.
Em seguida, o Espírito o impulsiona a ir ao deserto onde após 40
dias de jejum, Ele foi tentado pelo diabo. Após a tentação, Jesus sente-
se cheio do Espírito Santo e retorna para Galiléia, indo em seguida à
sinagoga em Nazaré, onde deu seu discurso inaugural, fazendo uso das
palavras do profeta Isaías (61:1,2), onde o profeta diz: que ´´o Espírito
do Senhor está sobre ele para evangelizar, curar, dar liberdade a cativos e
oprimidos e fazer anúncio do ano do Senhor“ Após fazer a citação destes
versículos, Jesus diz aos ouvintes que naquele momento os escritos de
Isaías estava se cumprindo nele. Posteriormente Jesus efetuou curas,
libertação e maravilhas pela virtude do Espírito Santo. Além dos
milagres e maravilhas, Jesus também teve a participação do Espírito nos
seus ensinos, que de tão inspirados tocavam profundamente o coração
dos ouvintes a ponto de muitos dizerem que jamais alguém falou Ele (
Jo 7:46; Mt 7:28,29; Mc1:22).
O Espírito Santo também esteve guiando Jesus em sua trajetória
pelas cidades e aldeias e, por mais difícil que seja, também o guiou pela
via dolorosa que conduzia ao Calvário, onde ali se ofereceu na cruz
através do Espírito (Hb 9:14). Deste breve resumo sobre o Espírito na
vida de Cristo, sintetizaremos os pontos principais em que o Espírito
atuou na vida e ministério de Jesus. Vejamos cinco pontos principais da

116
Edmilson Alves

atuação do Espírito na vida de Cristo: Na concepção (Mt 1:18,20-23;


Lc 1:34,35), no batismo (Mt 3:16,17; Lc 3:21,22; 4:1), nos milagres
(Lc 4:18-21; 11:20; At 10:38), nos ensinos e na trajetória.

Na concepção - Foi profetizado pelo profeta Isaías que uma virgem


conceberia e daria à luz a um filho, e o seu nome seria Emanuel que sig-
nifica “Deus conosco”. O termo virgem em hebraico é Almah, que sig-
nifica: uma moça com idade para casamento”. No Novo Testamento,
em Mt 1:3, a palavra “virgem” em grego é Parthenos que significa “uma
jovem solteira sexualmente pura”. A profecia dizia que uma virgem da-
ria à luz ao Messias (enviado de Deus) e conforme Lc 1:26: “..foi o anjo
Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré, a
uma virgem chamada Maria... E disse-lhe o anjo: ‘...conceberás e
darás à luz a um filho, e o seu nome será Jesus...’ E disse Maria: Como
se fará isto visto que não tenho relação com homem algum?. Respon-
deu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo...” E conforme Mt
1:8: “...estando Maria ainda noiva de José, antes que coabitassem (antes
que tivessem relacionamentos maritais), achou-se grávida do Espírito
Santo.” E assim como Adão, o primeiro homem, precisou do Espírito
de Deus (hb. “Ruach”: fôlego, sopro, espírito) para receber vida física,
intelectual e espiritual, também Jesus foi especial e sobrenaturalmente
gerado pelo Espírito de Deus no ventre de sua mãe Maria.

No batismo. Quando Jesus estava com cerca de trinta anos, João Ba-
tista já estava pregando no deserto da Judéia e batizando os que se arre-
pendiam dos seus pecados. E uns seis meses depois de João iniciar seu
ministério, Jesus foi até ele para ser batizado. E logo após a imersão os
céus se abriram e o Espírito desceu em forma corpórea de uma pomba
e pousou sobre Jesus.
Os quatro evangelhos registram a descida do Espírito em Jesus em
forma de uma pomba (Mt 3:16,17; Mc 1:10,11; Lc 3:21,22; Jo 1:32-
24), mas o evangelho de Lucas vai mais além e diz que o Espírito desceu
em forma “corpórea de uma pomba”, isto é, houve um aparecimento
visível semelhante a uma pomba. Embora João Batista anunciasse ante-
riormente que o Messias traria “fogo” (símbolo de juízo) se depara, no

117
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

entanto, com o Messias inaugurando seu ministério com a visível apari-


ção do Espírito Santo, não em forma de “fogo”, mas em forma de uma
pomba, que é símbolo de mansidão, simplicidade, sensibilidade, paz,
serenidade. Essa pomba que era símbolo da presença do Espírito Santo,
conforme João 1:32-34, repousou sobre Jesus, isto é, permaneceu com
ele; daí em diante, Jesus estava cheio do Espírito Santo (Lc 4:1).

Nos milagres Jesus inaugurou seu ministério lendo na sinagoga uma


passagem do livro do profeta Isaías que contém as seguintes palavras:
“O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangeli-
zar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apre-
goar liberdade aos cativos e dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os
oprimidos, a anunciar
o ano aceitável do Senhor...” E então começou a dizer-lhes: “Hoje se
cumpriu esta escritura em vossos ouvidos...” (Lc 4:18-21).
Com essas palavras Jesus iniciou seu ministério de salvação, libertação
e curas. Nos seus três anos e meio de ministério Jesus, ungido pelo
Espírito, curou cegos. Aleijados, leprosos, e operou maravilhas com a
multiplicação de pães, transformação da água em vinho, expulsão de
demônios e até ressurreição de mortos. Tudo isso através da atuação do
Espírito Santo. Sobre a participação do Espírito nos milagres, o próprio
Jesus esclareceu aos fariseus: “...mas se eu expulso os demônios pelo
Espírito de Deus, é consequentemente chegado a vós o reino de Deus”
(Mt 12:28).
O apóstolo Pedro certa vez disse: “..Deus ungiu a Jesus de Nazaré
com o Espírito Santo e com virtude, o qual andou fazendo o bem e
curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.” (At
10:38). Portanto, em cada cura, cada expulsão de demônio, multiplica-
ção de pães e peixes, libertação de oprimidos e ressurreição de mortos
efetuados por Jesus, o Espírito Santo estava presente, revestindo-o de
autoridade e virtude. Não nos esqueçamos de que no plano geral, as
três pessoas da trindade trabalham juntos:
o Pai planeja (todas as coisas e, neste caso, os milagres); o Filho executa
(neste caso, faz a entrega dos milagres). O Espírito dá vida (o que foi
planejado e executado, o Espírito o faz valer).

118
Edmilson Alves

Nos ensinos. Jesus no seu ministério terreno deu diversos discur-


sos, várias parábolas e muitos ensinos direto e exclusivamente aos
discípulos. Os ensinos de Cristo revolucionaram o mundo de então
e deu grande ênfase aos ensinos acerca do Espírito Santo e sua obra.
Os ensinos de Jesus acerca do Espírito Santo são apresentados em qua-
tro pontos importantes: Primeiro: Jesus ensinou que o Espírito Santo é
um Dom de Deus (Lc 11:9-13; Mt 7:7-11) e o meio pelo qual recebe-
remos tudo quanto Deus tem para nós. Segundo: Ensinou e prometeu
que o Espírito estaria com os discípulos para os ajudar, consolar, ensi-
nar, advogar e ungir, mesmo na perseguição (Mt 10:16-20; Mc 13:9-
11; Lc 12:11,12; 21:12-15; Jo 14:16,17,26; 15:26; 16:7-14).Terceiro:
Ensinou e ordenou aos discípulos que batizassem em nome do Pai, em
nome do Filho e em nome do Espírito Santo (Mt 28:19). Quarto: De-
terminou em seus ensinos que os discípulos esperassem em Jerusalém
até serem revestidos de poder do Espírito Santo para testemunhar (Lc
24:49; At 1:8).

Na trajetória. Sendo Jesus cem por cento Deus, mas também cem por
cento homem, precisaria de auxílio do Espírito Santo em todas as áreas,
principalmente na sua trajetória ministerial.
Com muita humildade Jesus se submeteu às orientações dada pelo Es-
pírito, indo na hora certa aos lugares encontrar as pessoas certas. O Es-
pírito Santo atuou guiando-o em certas ocasiões a lugares importantes
que Deus queria que ele fosse.
O Espírito o guiou ao deserto, (Mt 4:1; Lc 4:1; Mc 1:12): Marcos
1:12 afirma que o Espírito “impeliu”“ Jesus para o deserto, isto é, o
impulsionou a ir. No deserto ele foi tentado por Satanás, e o Espírito
fez Jesus lembrar as palavras Bíblicas necessárias para vencer o tentador.
Após este episódio Jesus voltou para a Galiléia na virtude do Espírito
(Lc 4:14).
O Espírito o guiou até a mulher samaritana. João 4:3 diz que Jesus
deixou a Judéia e foi outra vez para a Galiléia: “...e era necessário passar
por Samaria..”. Os judeus não se comunicavam com os samaritanos e
eram de certa forma inimigos e quando tinham de ir da Judéia para

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

a Galiléia, geralmente evitavam passar por Samaria, mesmo sendo o


caminho mais curto, e iam pela Peréia ou pelo vale do Jordão. Mas em
relação a Jesus diz a Bíblia que “era necessário passar por Samaria”. O
Espírito com certeza guiou Jesus por um caminho incomum para que
o Senhor tivesse um encontro que resultaria na salvação da mulher sa-
maritana (Jo 4:1-30). O Espírito fez ser necessário ir por Samaria, pois
a salvação daquela mulher dependia deste encontro incomum.
O Espírito o guiou ao Calvário. Hebreus 9:14 diz que Jesus ofereceu-
-se a si mesmo pelo Espírito Eterno e, por mais paradoxal que pareça,
cada passo que Jesus dava em direção à condenação por crucificação, ele
era guiado pelo Espírito Santo. Este o guiou ao Getsêmane, em seguida
à prisão, depois ao Calvário. Porém, o Espírito não o abandonou, mas
esteve todo tempo com ele e após sua morte o Espírito milagrosamente
o ressuscitou (Rm 1.3,4; 8:1).

Na igreja primitiva
O Espírito Santo esteve ativamente presente na igreja primitiva.
Desde o dia de pentecostes em diante a pessoa do Espírito se mostrou
presente nos momentos mais cruciais da igreja, conduzindo, confortan-
do, protegendo, orientando, ensinando e fortalecendo-a nos momen-
tos mais difíceis em meio às oposições que se levantaram contra ela.
Somente no livro de Atos onde se desenrola a maior parte da história
da igreja primitiva.

O Espírito Santo é citado ou mencionado por cerca de cinquenta


e uma vezes, e devido a essas numerosas citações e participações do
Espírito na igreja primitiva, chegou-se a sugerir que o livro de Atos dos
apóstolos se chamasse “Atos do Espírito Santo”. A igreja primitiva foi
ajudada e capacitada com virtudes especiais concedidas pelo Espírito
Santo para o êxito na missão a ela confiada. Nisso o Espírito ajudou
capacitando-a e outorgando-lhe:
Poder (At 1:8), Ousadia (At 4:31), Temor (At 5.3,5,11), Sabedoria (At
3:6-10; 13:2), direção (At 16:6-10; 13:2), Dons espirituais (At 19:6).

120
Edmilson Alves

Poder. No grego do Novo Testamento há pelo menos cinco palavras


que definem poder: kratos (domínio): Ef 1:19; I Tm 6:16; Ischus (ha-
bilidade, força): II Ts 1:9; arché (governo): Lc 20:20; exousia (auto-
ridade): Lc 12:5; At 1:7; dunamis (explosão de poder; força poderosa)
At 1:8.Em At 1:8 a palavra usada é Dunamis que denota “poder, força
“Dunamis deu origem a “dínamo, dinamite, dinamismo”, palavras que
expressam força, poder ou explosão de poder. Certa vez Jesus disse que
as portas do inferno não prevaleceriam contra a sua igreja. Obviamen-
te, esta igreja que enfrentaria perigos de “pegar em serpentes” ou “beber
alguma coisa mortífera”, e até bater na porta do inferno e prevalecer
contra ela, seria mais que necessário ter “poder” (dunamis). Por esse
motivo, Jesus antes de ascender ao céu lhes disse: “mas recebereis poder,
ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas tanto em
Jerusalém, Judeia, Samaria e até os confins da terra.” Sempre esteve nos
planos de Deus que seu povo fosse suas testemunhas (Is 44:8), porém
Israel que era o povo eleito não testemunhou por causa do medo e falta
de poder.
Porém o batismo com o (ou no) Espírito Santo veio justamente
para eliminar o medo e revestir os servos de Deus com virtude e poder
para testemunhar até os confins da terra. Por isso a igreja desde o pen-
tecostes até hoje vem obtendo vitórias; isso graças ao Espírito Santo que
lhe concede diariamente virtude e poder. O domínio (kratos), governo
(arche), autoridade (exousia), força (ischus) e poder (dunamis) perten-
cem a Deus, mas ele quer compartilhar com sua igreja.
Os imperadores romanos tentaram coibir a expansão do cristianis-
mo perseguindo os cristãos. Desde Nero até o imperador Diocleciano
(64 a 310 d.C.). A igreja passou por dez períodos de perseguição. Isto
é, cada imperador que governava usava o seu poder para tentar exter-
minar o cristianismo, porém, quanto maior era a perseguição, maior
era a manifestação do “poder” de Deus na vida dos cristãos. Atravessar
vinte séculos de perseguição religiosa e espiritual e se manter firme e
forte, somente pelo poder do Espírito Santo. A igreja tem chegado até
aqui porque o poder do Espírito Santo lhes tem proporcionado isso.
“Porque Deus não nos deu o espírito de medo, mas de poder...” (II Tm
1:17).

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Ousadia. É derivada do verbo ousar, que segundo o dicionário Aurélio


significa “ser bastante corajoso, atrever-se ou tentar alguma coisa difícil
ou perigosa” Foi o principal estilo dos apóstolos da igreja primitiva.
Eles eram ousados como seu mestre Jesus ( Jo 7:46; Mt 7:28,29; Mc
1:22). Os seguidores de Jesus eram em sua maioria homens iletrados
(não haviam frequentado uma escola rabínica) e indoutos (sem profis-
são, leigos), conforme At 4:13. No caso dos apóstolos, chegaram a ser
considerados “caipiras” por serem pescadores do interior da Galileia.
Talvez até tivessem algum dia frequentado o “mobral” nas escolas das
sinagogas em suas aldeias, porém não eram nenhum escriba (doutores
licenciados para ensinar a lei de Moisés) nem oradores, preparados para
ensinar a alguém, alguma religião. Mas Jesus havia lhes dito que o Es-
pírito Santo ensinaria e lembraria as palavras a serem ditas pela igreja
em momentos de adversidade (Jo 14:26). E assim ocorreu no início
da igreja primitiva (At 4:1-22). Após a cura do coxo da porta Formosa,
Pedro e João anunciaram a palavra de Deus com “ousadia” (At 3:1-
26; 4:1-31), mas alguns ouvintes saduceus (uma das seitas judaicas da
época, que se opunha à doutrina da ressurreição) incomodados com os
ensinos sobre a ressurreição de Jesus, os prenderam por uma noite. No
dia seguinte reuniram-se as autoridades (o sinédrio, o senado e a corte
judaica, com os anciãos e escribas) e puseram Pedro e João de pé no
meio do tribunal reunido (certamente o mesmo tribunal que condenou
Jesus) e perguntaram-lhes ; “Com que poder (dunamis) ou em nome
de quem (com autoridade de quem) fizestes vós isto?” (At 4:7). “Então
Pedro cheio do Espírito Santo disse: ‘...em nome de Jesus Cristo, o Na-
zareno...’. Então eles vendo a ousadia de Pedro e João... Chamando-os
disseram-lhe que absolutamente não falassem nem ensinassem no nome
de Jesus. Mas eles lhes disseram: ´´Julgai vós se é justo diante de Deus,
ouvir-vos antes a vós do que a Deus...? E os apóstolos continuavam
anunciando com ousadia a palavra de Deus.” (At 4:1-31). É importante
saber que Pedro antes de ser cheio do Espírito Santo negou a uma hu-
milde escrava que era amigo de Jesus, mas agora cheio do Espírito San-
to desafia aos grandes mestres da lei de Moisés e autoridades de Israel.
Para uma igreja ser poderosa em palavras é necessário que esta passe por

122
Edmilson Alves

um processo de enchimento do Espírito, que lhe proporcionará poder


e ousadia no anúncio do Evangelho.

Temor. Segundo Martinho Lutero “o homem não pode temer a Deus


perfeitamente”. É preciso que o Espírito Santo o convença do pecado,
da justiça e do juízo (Jo 16:8-11).
No Antigo Testamento, as palavras hebraicas usadas para “temor”
são “yirã” (reverência) e “phadah” (terror, temor) e no Novo Testamento,
a palavra frequentemente usada para “temor” no grego é phobos (temor,
terror). Teologicamente pode classificar-se vários tipos de temores inse-
ridos no contexto Bíblico, e neste comentário podemos citar resumida-
mente alguns: Temor natural; Pode ser benéfico quando acompanhado
da prudência, e pode ser caracterizado como uma autodisciplina. Este
tipo de temor ajuda o homem a evitar perigos desnecessários. Temor do
homem; Pode ser um respeito e consideração às autoridades (reverên-
cia). “ É dar a César o que é de César. Temor pecaminoso; É quando o
homem recua de uma missão designada por Deus, por medo de não ser
ajudado por ele. É desacreditar na proteção divina, é a incredulidade.
Ex.: Israel não entrou na terra prometida por medo (Nm 13:25-33;
14:1-25; Dt 1:15-46); o profeta Jonas quase não cumpriu sua missão
por medo; e um dos servos da parábola dos talentos enterrou seu ta-
lento por ter ficado atemorizado, isto é, com muito medo (Mt 25:25).
Apocalipse 21:8 diz que ficarão fora do reino de Deus os medrosos (tí-
midos ou covardes). Temor do Senhor, O temor a Deus se baseia em
reconhecer que Deus é um Deus Santo e que sua santidade abomina e
se ira contra o pecado, e pode no tempo certo trazer o justo castigo. O
temor do Senhor também pode ser caracterizado de “santo temor”, e
este capacita os homens a reverenciarem a autoridade de Deus, a fugi-
rem do pecado e obedecerem a seus mandamentos ( Jr 32:40; Hb 5:7).
Esse temor é o princípio da sabedoria (Sl 111:10) o segredo da retidão
(Pv 8:13) a principal qualidade de quem agrada Deus (Sl 147:11) o
dever de todo homem (Ec 12:13) o principal motivo pelo qual o anjo
do Senhor acampa ao redor do cristão (Sl 34:7) uma das qualidades do
Messias (Is 11:2,3) Este temor é provocado pelo Espírito Santo na vida
das pessoas, pois é praticamente impossível ao homem natural temer a

123
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Deus sem a ajuda esclarecedora e convincente do Espírito Santo.


A igreja primitiva nos seus primeiros dias de crescimento já enfren-
tou lutas externas e também internas. As lutas internas vieram quando
Ananias e Safira tentaram obter prestígio na igreja através de mentiras.
Satanás encheu os corações deles de desrespeito à igreja e falta de temor
a Deus, os quais tentaram ilicitamente ser bem vistos na congregação.
Mas o intento deles foi descoberto por Pedro através do Espírito Santo e
na autoridade do mesmo Espírito determinou a sentença de morte para
o casal, que foi sobrenaturalmente executada. Esse julgamento divino
não somente livrou a igreja da primeira manobra política por pessoas
não espirituais como também gerou um grande temor a Deus, tanto nos
cristãos como nos incrédulos. O “temor” do juízo divino fazia divisão
entre o que serve a Deus e o que não o serve (Ml 3:18). Os cristãos se des-
pertaram mais ainda para viverem uma vida de unidade e espiritualida-
de e os incrédulos não se atreviam a juntar-se à igreja, disfarçando-se de
cristãos pois, após este episódio com Ananias e Safira, “houve um grande
temor” em toda igreja e em todos os que ouviram estas coisas (At 5:11).
A igreja venceu muitas barreiras de incredulidade através do Espírito
Santo colocar temor no coração das pessoas. O Espírito gerou e con-
tinua gerando temor no coração de quem deseja ter um compromisso
sério com Deus.
Aliás, o Espírito Santo também é chamado de “Espírito de temor do
Senhor” (Is 11:2).

Sabedoria. Na medida em que a igreja primitiva crescia, surgiam tam-


bém as dificuldades, fazendo com que os apóstolos e a igreja necessi-
tassem de “sabedoria” para administrar e solucionar os problemas que
começaram a aparecer.
A sabedoria é um dos princípios dos que temem a Deus (Sl 111:10).
A sabedoria “é a maneira certa de criar os meios certos para se alcançar os
objetivos desejados”. No Antigo Testamento várias palavras hebraicas
são usadas para definir sabedoria. Exs. Bina (entendimento) Jó 39:26;
Pv 23:4;
Tebhümã (discernimento): Sl 136:5; Sêkhel (prudência). Pv 12:8;
23:9 Hokmã (sabedoria). No Novo Testamento a palavra grega

124
Edmilson Alves

frequentemente usada para sabedoria é “sophia”. Tanto no Velho


quanto no Novo Testamento, a sabedoria possui uma natureza não
de simples teoria, mas de intensa prática, e sempre esteve associada a
atividades praticadas por pessoas consideradas “sábias”, como Bezaleel
e Aoliabe, artífices que foram “cheios de sabedoria” para construir as
peças do Tabernáculo (Êx 31:3). Josué, que foi cheio de sabedoria para
conduzir o povo a Canaã (Dt 34:9) e Salomão que recebeu sabedoria
para governar a nação de Israel (I Rs 3:9,12; 4:29). É importante saber
que a sabedoria pode surgir de três fontes diferentes: divina, humana e
diabólica (Tg 3:13-17).

A sabedoria é uma das virtudes do Espírito Santo que o cristão


mais necessita para se conduzir no mundo de tantos engôdos. O Espí-
rito Santo atuou de forma maravilhosa dando sabedoria aos crentes da
igreja primitiva que enfrentariam sérios problemas de administração
ministerial. Um dos problemas “sabiamente” resolvidos foi a questão
da assistência social que beneficiava as viúvas, pois surgiu uma certa
tensão entre os cristãos que falavam grego e os que falavam hebraico,
que certamente por causa das diferenças linguísticas de alguns na hora
da distribuição da ajuda diária às viúvas gregas, as mesmas eram esque-
cidas (desprezadas) e isso levantou uma murmuração entre os crentes
de língua grega contra os de língua hebraica.
Porém os apóstolos com sabedoria outorgada pelo Espírito, manda-
ram que escolhessem sete homens de boa reputação, cheios do Espírito
Santo e de sabedoria (e todos os sete homens escolhidos possuíam no-
mes gregos e certamente pertenciam à mesma comunidade que as viú-
vas gregas) Estes foram incumbidos de cuidar da assistência social en-
quanto os apóstolos cuidariam do ensino da palavra. E com essa sábia
decisão todos ficaram satisfeitos e o problema da negligência às viúvas
foi resolvido (At 6:1-7). Em outra ocasião, na história da igreja primi-
tiva, a sabedoria dada pelo Espírito foi a ferramenta indispensável para
solucionara mais um problema. Desta vez o problema era mais sério
e decisivo; houve uma discórdia entre os cristãos judaizantes (fariseus
recém-convertidos) e cristãos gentios (não judeus convertidos ao cris-
tianismo). Aqueles queriam que estes fossem circuncidados e guardas-

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sem a lei de Moisés. O problema agravou-se, envolvendo Pedro, Paulo,


Barnabé, Tiago, a igreja de Jerusalém e os outros apóstolos. Depois de
muitas discussões, que deu origem ao “primeiro concílio de Jerusalém”,
Tiago cheio de sabedoria do Espírito Santo deu um importante discurso
e encerrou com essas palavras: “Porque pareceu bem ao Espírito Santo e
a nós não vos impor mais encargo algum, além das coisas necessárias...”
(At 15:1-28) Foi uma palavra de verdadeira sabedoria que eliminou as
contendas e impediu uma divisão na igreja. O Espírito Santo estando
presente, a igreja sempre fará a coisa certa, pois Ele ensina o que fazer,
por isso é chamado de “Espírito de Sabedoria” (Is 11:2).

Direção. Assim como a vida e o ministério de Jesus foi dirigido


pelo Espírito Santo, da mesma forma a trajetória da igreja primitiva
também teve a supervisão e direção do mesmo Espírito. O livro de Atos
deixa explícito que em várias ocasiões o Espírito Santo literalmente
direcionou os passos dos apóstolos. Às vezes ordenando ou, até mesmo,
proibindo de irem a determinados lugares. Já no cap. 8 v. 29 deste livro
o Espírito explicitamente disse a Filipe que se aproximasse do carro
do eunuco e lhe explicasse as Escrituras. Mais adiante, no início da
história ministerial do apóstolo Paulo: na igreja em Antioquia estavam
reunidos os obreiros, inclusive os profetas que auxiliavam no ministério,
exortando, consolando e edificando a igreja, e os mestres, que se
ocupavam de ensinar eficazmente a palavra. Juntos, provavelmente com
toda igreja local, “servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito
Santo (provavelmente em mensagem profética) “Apartai-me a Barnabé
e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”. Então jejuando e
orando e impondo sobre eles as mãos os despediram. E assim estes,
enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram
para Chipre (At 13:1-4) Em outra ocasião desta feita na segunda
viagem missionária de Paulo junto com Silas e Timóteo, atravessaram a
região da Frigia e da Galácia para em seguida irem pregar na província
romana da Ásia (provavelmente na cidade de Éfeso). Mas ainda não era
o tempo de Deus e por isso “foram impedidos pelo Espírito Santo de
anunciar a palavra na Ásia” (At 16:6). Não somente na vida de Paulo
e dos apóstolos mas na vida da igreja primitiva o Espírito esteve na

126
Edmilson Alves

direção, e este é o motivo crucial da igreja ter vencido e estar vencendo.


Tanto para a igreja quanto para o cristão em particular é necessário a
direção do Espírito Santo.

Dons Espirituais. A igreja primitiva foi capacitada pelo Espírito


Santo com “dons espirituais” os quais são ferramentas dadas por Deus
através do Espírito para a realização da sua obra aqui na terra. Os dons
espirituais são definidos, no Novo Testamento, por duas palavras gregas:
Charisma significa “dádiva, presente, donativo, favor gratuito de Deus”.
Phanerosis: significa “manifestação, manifestar, resplandecer, brilhar, ser
visto”. A manifestação dos dons, foi dada a cada crente da igreja primitiva
para o que era útil (I Co 12:7). A uns foi dada a “palavra da sabedoria”
para resolver problemas específicos e de difícil resolução (At 6:2-7, 10;
15:13-22). A outros a palavra do conhecimento (ciência) para revelar
coisas ocultas que precisavam ser aclaradas (At 5:1-10), e a outros foram
concedidas manifestações dos dons da fé, curas operação de maravilhas
e discernimento de espíritos para realizarem coisas extraordinárias e
milagrosas como: curas, milagres e expulsão de demônios, etc (At 13:1-
9; 9:32-34; 5:15,16; 13:9-12; 16:16-18), e ainda outros receberam
manifestações de profecias, com o intuito de transmitir mensagens
ou revelações de Deus, para orientar a igreja (At 13:2), direcionar os
obreiros (At 16:6) e até preveni-los de perigos posteriores (At 21:11-
14). A igreja primitiva foi vitoriosa pois vivenciou cem por cento os
dons espirituais. Era como se os olhos (dons de revelação), a boca (dons
de elocução) e as mãos do Senhor (dons de poder) estivessem presentes
operando no seio da igreja. Roguemos para que, assim como a igreja
primitiva, também a igreja que congregamos possa ser cheia do Espírito
Santo e viver cem por cento os dons espirituais.

127
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

A obra
do Espírito Santo
no homem

Na medida em que o homem dá ouvidos à voz do Espírito Santo (Ap


2:29; 3:6; Hb 3:7, 8) este vai realizando em sua vida uma obra que visa
restaurar e religar o homem a Deus. A Bíblia apresenta dois tipos de se-
res humanos, o justo, que é aquele que serve a Deus, o inconverso, que
é, aquele que não serve a Deus. Nestes dois tipos de pessoas, o Espírito
Santo trabalha com dois propósitos principais: Salvação (ao incon-
verso) Capacitação (ao justo). No inconverso, O propósito do Espírito
Santo no homem pecador é a salvação, que é realizada no homem pelo
menos por dois estágios: Convicção ( Jo 16:8-11) e Regeneração ( Jo
3:3,5, 6).

Convicção
Do grego elenchõ significa “reprovar, rebater, refutar” é usado pra re-
ferir-se a convencer alguém de algum erro, e é mais do que falar ao
ofensor a sua conduta, é convencê-lo a mudar de posição. Entre os
inconversos, o Espírito Santo realiza três tarefas de crucial importância
na convicção: Convence do pecado: Jo 16:8; Convence da justiça: Jo
16:10; Convence do juízo: Jo 16:11.

Convence do Pecado
Pecado na Bíblia (no grego) é descrito com vários significados: Hamartia
que significa “errar o alvo”, (fracasso em não atingir um objetivo.) Outro
termo é Adikia que significa “iniqüidade ou mal de um tipo vicioso
ou degenerado, corrupção do caráter” (é tornar-se um “mal-caráter”.).
Tem ainda o vocábulo Parabasis que significa: “desrespeito ou violação
de uma lei conhecida”.
128
Edmilson Alves

Hoje, em pleno século XXI, o homem moderno exclui do seu


vocabulário a palavra “pecado”, substituindo-a por “problemas” de
diversas categorias: problemas Genético, Temperamento herdado;
Herança social; Herança familiar. Em meio a essa gama de “álibis” e
desculpas, convencer o homem moderno do seu pecado é uma tarefa
somente possível ao Espírito Santo, que opera em três áreas distintas na
alma humana: No intelecto. Ele convence o homem através da palavra,
Revelando-lhe por ela qual a perfeita vontade de Deus. Na emoção. O
Espírito Santo leva o homem a desejar, possuir e sentir o que pela palavra
lhe é revelado. Na volição. Após entender e sentir a vontade de Deus,
o pecador sente vontade de servi-lo, e o Espírito Santo impulsiona esta
vontade, encorajando o a converter-se.

Convence da justiça
Desde os tempos bíblicos, muitos homens se sentem duvidosos quanto
a justiça de Deus. Abraão, por exemplo questionou se Deus, destruiria
o justo com o ímpio, e se o Senhor como juiz não faria justiça (Gn
18:25) O patriarca Jó perguntou: “Porque os ímpios florescem e os
justos sofrem?...” ( Jó 21:7-14). O salmista Asafe quase se desviou ao
contemplar a prosperidade do ímpio e o sofrimento do justo (Sl 73) en-
quanto ímpios corruptos, ladrões, devassos, pecadores de todo a sorte,
prosperam e vivem regaladamente, os justos são afligidos. Este dilema
só é compreendido pelo homem espiritual (que tem o Espírito Santo)
que é convencido pelo Espírito de que haverá um dia em que todos
verão a diferença entre o que serve a Deus (justo) e o que não o serve
(o inconverso) pois virá um dia ardendo como fogo e os ímpios serão
como palha mas os justos serão guardados deste dia (Ml 4:1-6) E en-
quanto este dia não chega, o Espírito Santo está convencendo o mundo
de que a justiça existe e que o seu cetro foi empunhado na cruz (quando
Jesus foi julgado em nosso lugar) e o será no dia do juízo.

Convence do juízo
O homem incrédulo desacredita do juízo de Deus e vive uma filosofia
deísta, que acredita que Deus existe, mas que ele não se importa com o
que o homem faz.

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Desde o início da civilização o homem já desprezava a ideia de Deus


julgá-lo pelos seus atos. Nos dias de Noé o mundo era definido biblica-
mente por duas palavras: Corrupção (Gn 6:7) Violência (Gn 6:11,13)
Nestes dias Deus levantou Noé e Enoque para pregar a justiça, porém
os homens não se deixaram convencer, Até que Deus anunciou que
seu Espírito não iria “contender” (no hb. Também significa “julgar”)
para sempre com o homem , isto é, julgá-lo de uma vez por todas,
porém, daria mais 120 anos de prazo para aquela geração se converter
dos seus atos corruptos, caso contrário seriam severamente julgados.
Infelizmente os homens ignoraram a ideia de “juízo” e não deram ou-
vidos à mensagem de Noé e desprezaram a obra do Espírito Santo de
convencê-los dos seus pecados, da justiça e do juízo divino, e findados
os 120 anos, o mundo foi julgado pelo dilúvio e toda aquela geração
pereceu (exceto Noé e usa família).

Seis impérios dominaram o mundo: Egito, Assíria, Babilônia,


Medo-persa, Grécia, Roma. Subjugaram pequenas nações, impuseram
suas leis à força, cometeram grandes genocídios, reivindicaram adora-
ção para si e desprezaram as palavras dos profetas de Deus que falaram
sobre seu futuro juízo. Vários destes profetas sacrificaram suas vidas
tentando convencer reis, povos e nações a se converterem a Deus, e es-
capar da punição divina. Profetas como Isaías, que andou 3 anos meio
nu e descalço (Is 20 .3), Jeremias, que foi lançado num poço (Jr 38) e
até se submeteu a carregar um jugo pelas ruas da cidade de Jerusalém (
Jr 27.2) e o profeta Oséias, que até aceitou casar-se com uma prostituta
(Os 1.2,3). Tudo por um único objetivo: convencer os pecadores acerca
do juízo de Deus. Porém, mesmo com todo empenho dos profetas, a
cegueira espiritual dos incrédulos não lhes permitiu entender e aceitar
as palavras de Deus (II Co4:4). Muitos zombaram e escarneceram das
profecias, porém, chegando o momento certo, um a um foram julga-
dos.

130
Edmilson Alves

Regeneração
No grego do Novo Testamento há várias expressões que fazem
referência a transformação que o Espírito Santo efetua no homem. Ve-
jamos algumas: Gennaõ, que significa “gerar, procriar, nascer, dar à luz”
(Jo 3:3, 7; 1:13; I Jo 2:9; 3:9; 4:7; 5:1, 4, 18). Em Jo 3:3, 7 onde Jesus
fala diretamente sobre a regeneração, o verbo gennaõ aparece acom-
panhado do advérbio another que significa “de novo” ou !de cima”,
dando-nos a compreender que o novo nascimento é uma ação vinda de
cima, da parte de Deus.
O termo Anagennaõ, formado por duas palavras gregas Ana (de novo) e
gennaõ (nascimento) é um verbo é encontrado em I Pe 1:3, 23.
Anakainõsis É citada em II Co 4:16; Cl 3:10; Rm 12:2 e Tt 3:5,
e significa “refazer, fazer de novo”. Uma outra definição vem pelas
palavras Kaine ktisis que são termos encontrados em II Co 5:17 e
Gl 6:15 e ambos significam “nova criação”. Uma outra é Kainos
Antropos, citado em Ef 2:15 e 4:24, significa “novo homem”. Além de
Synzõopoico cujo significado é “tornar vivo” e indica uma transformação
tão poderosa quanto uma ressurreição (Ef 2:5; Cl 2:13). Observamos
ainda o vocábulo Apokyeo, que significa “dar à luz”.

Está escrito que Ele (Deus) nos gerou (apokyeo), isto é, nos deu à luz,
nos fez nascer outra vez (Tg 1.18). Um dos termos mais significativos
Palingenesia: Palavra formada por dois vocábulos gregos Palin (de
novo) e Gênesis (nascimento). Teologicamente é a palavra mais usada
para definir o processo do novo nascimento na vida do homem. Este
termo ocorre apenas duas vezes no Novo Testamento; uma em Mt
19:28, onde Jesus de forma escatológica se refere à regeneração de todas
as coisas, e a outra passagem está em Tt 3:5, onde se faz referência no
novo nascimento (regeneração) na vida do homem.
A regeneração é um processo que todo ser humano precisa passar
após a conversão para ser considerado nova criatura e filho de Deus.
Deus fez o homem física, emocional e espiritualmente perfeito. No
entanto, deu-lhe mandamentos que desobedecidos resultaria nessa
sentença: “certamente morrerás” (Gn 2:16.17).

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Adão desobedeceu e, com isso, toda sua forma de vida passou a


sofrer as consequências: O corpo passou a ter doenças, envelhecimento
e morte (Gn 3:17-19); A alma passou a sentir tristeza, amargura, desâ-
nimo e muitos outros sentimentos negativos (Gn 3:15-19); O espírito
perdeu a imagem, a semelhança e a comunhão com Deus. A vida espi-
ritual que o homem possuía e que o capacitava a encontrar-se pessoal-
mente com Deus, morreu.
A Bíblia é taxativa em dizer que “todos pecaram e destituídos estão
da glória de Deus” (Rm 3:23).
Daí os efeitos do pecado no homem foram tão sérios que Deus na
pessoa de Jesus determinou que aquele que não “nascer de novo” não
poderá entrar no Reino de Deus (Jo 3:3-7). Por isso há necessidade de
uma verdadeira regeneração, a qual se constitui num processo divino
e não ocorre por mera força de vontade humana. A própria expressão
“nascer de novo” também significa “nascer de cima” (devido ao verbo
gennaõ, gerar, ser seguido do advérbio anõthen, “de cima”).
No Novo Testamento a regeneração é definida por expressões
variadas.
Exs: “Ser nova criatura”: II Co 5:17; Passar da morte para a
vida” (Jo 5:24), “Nascer de Deus” (Jo 1:12; I Jo 2:24; 3:9, 10
14; 5:1, 4, 18), “Nascer da água e do Espírito” (Jo 3:5), Ser vivifi-
cado” (Ef 2:5). “Ser novo homem” (Ef 4:24) “Nascer de novo”
( Jo 3:3, 5, 7). O processo da regeneração ocorre no homem por duas
vias principais:

Palavra de Deus
É frequentemente simbolizada na Bíblia pela água que sacia, limpa e
regenera (Ef 5:25, 26; Jó 14:7-9; vide também capítulo I, sobre os sím-
bolos do Espírito Santo). Pedro escreveu (I Pe 1:23) que somos gerados
de novo “pela palavra de Deus” e Tiago completou dizendo que “Ele
(Deus) nos gerou” pela palavra da verdade (Tg 1:18). Em resumo, a
palavra é o agente principal no processo da regeneração.

Pelo Espírito de Deus


Após ouvir a Palavra e se converter, o homem recebe o Espírito Santo

132
Edmilson Alves

(Rm 8:9), o qual trabalhará em sua vida no processo da regeneração.


Tal processo começa com o homem recebendo um novo coração (Ez
36.26,27), onde o Espírito através da Palavra fará nascer e crescer o seu
fruto (Gl 5:22). A partir de então o homem passa a viver no Espírito,
andar no Espírito (Gl 5.16) e adorar no Espírito (Jo 4. 23) e desde este
momento passa de homem natural, para homem espiritual que com-
preende as coisas do Espírito.

Regenerando a personalidade
“Personalidade”, é o conjunto de qualidades intelectuais, morais e físi-
cos que definem o ser humano, e a organização dinâmica no indivíduo,
dos sistemas psicofísicos que determinam seu comportamento e seu
pensamento característico. Personalidade é derivada da palavra “pessoa”
que para os gregos era uma “máscara que os atores da época usavam
para representar nos teatros” (mas posteriormente “pessoa” veio signi-
ficar o próprio ator). A personalidade se origina por dois elementos
fundamentais:

Herança genética. Neste caso personalidade é um conjunto de diversas


qualidades herdadas biologicamente; são qualidades que nascem com
o indivíduo e afetam e agem através do sistema nervoso, sistema en-
dócrino, glândulas de secreção interna e órgãos internos. Esses fatores
determinam a constituição física e o temperamento do ser humano.
Meio ambiente. Constitui-se no lugar em que o ser humano vive e é
educado. Este meio são: A família, A escola, A comunidade, O tra-
balho, A religião, A literatura, A condição social, Etc. Estes meios in-
fluenciam diretamente na formação da personalidade, e se nele houver
corrupção, certamente que a personalidade será corrompida, salvo se o
homem permitir que o Espírito Santo efetue uma regeneração em sua
personalidade, a qual o tornará uma nova criatura (II Co
5:17) e o fará ser como uma luz que brilha no mundo das trevas (Mt
5:14-16). A personalidade é composta por quatro elementos: Biótipo,
(forma física ) Ego, Caráter e Temperamentos;

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Caráter
Origina-se da palavra grega karatein que significa “marcar, gravar” e é
a característica que se responsabiliza pela expressão, ação e reação da
personalidade humana. É considerado como a “marca da pessoa”. Em
sentido moral caráter pode significar “o conjunto de idéias morais dos
princípios de ação das convicções que uma pessoa tem”.
O principal elemento formador do caráter são as influências do
meio ambiente (família, escola, comunidade, posição social, etc). Por
exemplo: uma família onde os pais vivem em pé de guerra, dificilmente
formarão filhos pacíficos; ou uma sociedade que cultua a promiscuida-
de e a sodomia, jamais irá criar cidadãos de caráter respeitável.
Alguns elementos que constituem o caráter podem até ter algu-
ma mudança provocada por alguns fatores, entre as quais estão:
A idade: que pode provocar mudança nos hábitos e apetites desordenados;
A doença: que age no sistema físico e psicológico, dificultado o poder
de ação, reação e expressão de um mau caráter; Convicção, que sendo
verdadeira pode levar o homem à conversão e à regeneração; Força de
vontade: para obter mudanças no caráter é preciso o “querer” e o “efe-
tuar”; “esforçar-se” é a palavra chave.
O Espírito Santo: mesmo que pequenas mudanças e reformas sejam
possíveis pelas vias descritas acima, porém a transformação de verdade
no caráter somente o Espírito Santo pode realizar. Ele muda os maus
hábitos, liberta dos vícios, faz com aquele que mentia, não mentir mais,
aquele que roubava não roubar mais e aquele que tinha mente per-
vertida e coração endurecido passar a ter a mente de Cristo e um novo
coração (Ez 11:19; 36:26; I Co 2:16) Para obter uma mudança radical
no caráter é preciso antes de tudo “nascer de novo” e ser regenerado e
de dia a dia “andar em Espírito” , “crucificar a carne”, ou seja, ter auto-
disciplina (Gl 5:24), e cultivar o fruto do Espírito.

Temperamentos
Temperamento é um estado orgânico, neuropsíquico provocado pelo
sistema nervoso, pelas glândulas de secreção interna e influenciada pela
hereditariedade genética e pela constituição física de cada pessoa. Uma
teoria de larga aceitação é a “teoria dos quatro temperamentos”: sanguí-

134
Edmilson Alves

neo, colérico, melancólico e fleumático. E de acordo com o tempera-


mento que predomina numa pessoa (haja vista que uma única pessoa
pode ter vários temperamentos) essa é considerada como possuidora de
tal temperamento.
Os temperamentos promovem defeitos e qualidades no caráter,
mas no homem natural e carnal o que predomina são os defeitos. Por
exemplo: a pessoa de temperamento sanguíneo normalmente é indis-
ciplinada, impulsiva, barulhenta e ao mesmo tempo medrosa, volúvel
e insegura.
O temperamento não é arrancado do homem pelo Espírito Santo,
mas pode ser controlado (Rm 8:6, 13; Gl 5:22). O Espírito Santo dis-
ciplina, encoraja e acalma o homem sanguíneo.
Já no fleumático que é conhecido pelo seu desânimo, indecisão, des-
motivação e medo, quando o Espírito Santo age no seu temperamento
ele se anima, se encoraja e sendo fraco (psicologicamente) torna-se for-
te. No melancólico que sofre de egoísmo, pessimismo e é muito confu-
so, o Espírito Santo o disciplina e o ensina a amar o próximo e também
a ser mais crédulo e compreensivo. Já no colérico há muita prepotência,
intolerância e falta de sensibilidade, mas com a ação e regeneração do
Espírito Santo este se torna um ser amoroso e sensível para com Deus e
o próximo. É importante saber que não há temperamento tão descon-
trolado que o Espírito Santo não possa controlar.

Ego
Ego em latim significa “eu” e é o elemento espiritual e estrutural da
personalidade (é a pessoa consciente de si mesma) é o centro de equilíbrio
da vida psicológica. O ego age como um regulador da personalidade,
procurando manter o equilíbrio entre: necessidade e prazer; desejos e
realidade; instintos e regras. O homem não regenerado pelo Espírito
normalmente é um “egoísta” (alguém que demonstra amor excessivo ao
bem próprio sem consideração aos interesses alheios – dic. Aurélio) que
não mede distância para realizar seus desejos (lícitos ou não) e satisfazer
os instintos sem levar em conta as regras humanas naturais ou divinas.
Porém quando o Espírito Santo efetua a regeneração na personalidade,
o ego é atingido em cheio e o homem passa a reconhecer que não é

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Senhor de sua vida e que além de tudo é um mísero pecador que precisa
nascer de novo. O egoísmo faz que o homem não perceba, não pense, e
não controle impulsos instintivos. Porém com a regeneração este, deixa
de querer ser senhor de si mesmo e passa a ser servo de Deus e dos
homens. E seu ego volta a desempenhar suas tarefas originais, que são:
Percepção, Organização de percepção e auto percepção Pensamento,
Controle dos impulsos. Daí em diante o homem pode dizer; “Não vivo
mais eu , mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).

Biotipo
Nosso corpo é considerado como templo do Espírito Santo (I Co 6:19),
no entanto a presença dele em nós não modifica os tecidos corporais, e
não nos transforma em “super-humanos” e não interfere nas leis bioló-
gicas que Ele mesmo (Deus) estabeleceu. Más o nosso biótipo é consi-
derado o templo do Espírito Santo.

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Edmilson Alves

O Fruto do Espírito
No livro aos gálatas no cap. 5 e versículos 22 ao 26 o apóstolo Paulo
fala acerca do “fruto do Espírito”.
A palavra fruto no grego é karpós, que significa “maturação”, e dá a
idéia de crescimento espiritual e amadurecimento do caráter cristão.
O fruto do Espírito é um grupo de virtudes geradas pelo Espírito
Santo no crente em consequência da sua comunhão com Cristo. Fruto
está no singular, significando que não são nove frutos mas nove partes
do mesmo fruto (semelhante a uma laranja que possui nove gomos).
O fruto do Espírito não nasce em qualquer lugar (como erva dani-
nha) mas brota do espírito, e se manifesta após a regeneração promovi-
da pelo Espírito Santo na personalidade do crente e na medida que este
fruto nasce, cresce e amadurece, o cristão vai adquirindo: A mente de
Cristo (I Co 2:16) a natureza de Cristo (II Pe 1:3,4) o amor de Cristo (I
Pe 4:11-16). Assim como os dons, o fruto do Espírito deve ser real na
vida do cristão e esses devem estar juntos no ministério da cada cristão.

Sua natureza
O fruto do Espírito é de natureza divina, espiritual e sobrenatural.

Divina.
O fruto do espírito,
É de natureza divina porque reflete a natureza de Deus em nós (II Pe 1:4)
Espiritual. É chamado de “fruto do Espírito” porque brota do Espí-
rito e portanto, é espiritual. Não é produzido no homem natural,
mas somente no homem espiritual (aquele que é nascido de novo)
Sobrenatural. Significa que não é possível produzir este fruto com ha-
bilidades humanas. O homem pode ter tido uma boa educação e vi-
ver civilizadamente. O máximo que ele consegue é uma frágil camada
exterior de “perfeição”, que, com apenas poucas investidas da carne,
é suficiente para revelar a verdadeira natureza de um ser humano não
regenerado. O fruto do Espírito é composto por nove virtudes que
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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

podem ser divididas em três grupos, os quais estão presentes no trípli-


ce relacionamento do cristão, como Deus, com o próximo e consigo
mesmo.

Amor. (Gr: Ágape)


Traduzido do termo grego Ágape é definido ´´como amor divino sacri-
ficial e espontâneo“ que nos faz amar até os inimigos (Mt 5.46, 47; Cl
3.14 ) Este amor também é chamado de “vínculo da perfeição” (Cl 3:14).
Não é um mero sentimento humano, mas uma atitude semelhante a que
Deus demonstrou no calvário, dando seu Filho por amor aos pecadores
(Rm 5:8; Jo 3:16). Este amor procede de Deus e é um amor oferecido a
outros sem levar em conta se são dignos ou não. Esse amor nos faz ver
as pessoas como Deus as vê. Na primeira epístola aos Coríntios Paulo
escreve um verdadeiro “hino ao amor” ele diz que “o amor é sofredor, é
benigno, não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece.
Não se porta com indecência, não busca seus próprios interesses, não se
irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a ver-
dade; o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor
nunca falha “ (I Co 13:1-9) O amor era a marca registrada da igreja
primitiva. Nós também devemos cultivar o amor.

Gozo (gr. Chara)


A palavra grega “chara” é traduzida por alegria, dando a idéia de rego-
zijo ativo. O apóstolo Paulo falou sobre “regozijar-se na verdade” (I Co
13:6), “regozijar-se na esperança” (Rm 12:12) e “regozijar-se sempre”
(I Ts 5:16).
O gozo é uma alegria que se expressa em todas as circunstâncias,
boas ou ruins, e faz com que os fardos pesados fiquem suaves.
Ter gozo é ter felicidade no Espírito mesmo diante das tribulações;
é uma alegria que faz o crente superar as dificuldades com confiança na
vitória (Fl 4:4).

Paz
Em grego é Eirêne (e no hebraico é Shalom)
Esta paz significa: “harmonia, bem estar espiritual, tranquilidade” vem

138
Edmilson Alves

do Espírito Santo e é independente das coisas materiais. Esta paz tam-


bém é a consciência de que estamos num relacionamento certo com
Deus, incluindo,
ainda, a tranqüilidade pela certeza que Deus suprirá todas as nossas
necessidades (Fl 4:19). Nos seus ensinos, Jesus garantiu dar uma paz
diferente da que o mundo oferece, a paz do Espírito; paz que faz o
homem se sentir tranqüilo mesmo estando no meio de uma guerra ( Jo
14:47). Essa paz ainda nos ajuda a viver em harmonia com outras pes-
soas. Portanto, na nossa vida cristã, precisamos ter: paz com Deus (Rm
5:1; Fl 4:7; Cl 3:15) paz consigo mesmo (I Pd 1:2; 3:11; II Co 13:11)
paz com o próximo (RM 12:18; Mc 9:50).

Longanimidade gr. Makrothumia, palavra formada por dois termos:


makro que significa “longo ou grande” e thumia, que significa “ânimo,
disposição, paciência” Simplificando, teremos as palavras “paciência
longa”, que nos dá a idéia de se ter a paciência que suporta a falta de
educação e respeito de outras pessoas; é cumprir as palavras de Jesus
de “oferecer o outro lado da face, dar também a túnica e caminhar a
segunda milha” (Mt 5:39-41). Ser longânimo é tolerar a má conduta
dos outros contra nós, sem querer se vingar; também é ter paciência na
tribulação (Rm 12:12).

Benignidade (gr. Chrêstotês)


Originalmente significa “gentileza, doçura de temperamento”. É agir
da melhor maneira possível com as pessoas; também é ser compassivo e
responder brandamente (Pv 15:1) é perdoar uns aos outros (Ef 4:32) A
benignidade é uma das qualidades do amor (I Co 13:4).
Com dureza, severidade e imparcialidade é incorreto o cristão agir
com o próximo. É preciso imitar a Cristo que é benigno (II Co 10:1).

Bondade (gr. Agathõsunê)


A bondade é o amor em ação (Gl 6:10) é a generosidade extraída de
uma estreita comunhão com Deus e é também a expressão máxima do
amor. A bondade nos leva a se preocupar com as pessoas de maneira
prática (não demagógica) A Bíblia nos esclarece que Deus é bom (Sl

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

100:5) e que toda boa dádiva vem Dele (Tg 1:17) e como servos de
Deus precisamos cultivar o fruto do Espírito para termos bondade.

Fé (gr. Pistis)
É uma fé que difere da fé para salvação e da fé para operar milagres
(dom da fé). O sentido de fé como fruto do Espírito é “fidelidade, leal-
dade”, e são qualidades que usamos para edificar relacionamentos com
Deus e com os homens. O Espírito Santo produz em nós essa fé nos
capacitando a sermos fiéis em qualquer situação. Este fruto se manifesta
quando surgem situações tentadoras e somos desafiados pelo pecado,
mas, então, permanecemos fiéis.

Mansidão (gr.Prautês)
O significado original é “meigo, humilde, manso, suave”, e se refere à
humildade com que o cristão age e reage em meio ás situações adversas.
O cristão “manso” tem um espírito disciplinado e, ao invés de ser
grosseiro e “viver com os nervos à flor da pele”, ele se mantém pacífico,
brando e sereno.
Mansidão não é covardia nem auto rebaixamento, é uma humildade
genuína, porém bem disposta para uma batalha legítima quando for
necessário. Assim como Jesus era “manso e humilde” (Mt 11:28-30),
também devemos ser (Ef 4:2). Cultivemos este fruto em nossa vida.

Temperança (gr. Egkratéia)


Temperança significa “domínio próprio, autocontrole”. É a capacidade
espiritual de se autocontrolar; é o “freio da nossa vida” (Tg 3:2). A
palavra grega egkratéia (temperança) é usada por Paulo em referência
aos atletas que precisavam controlarem-se em tudo, abstendo-se de
qualquer coisa que prejudicasse sua forma física, para que pudessem ser
vitoriosos (I Co 9:25).
O cristão também precisa ter controle em todas as áreas de sua vida:
controle nos seus atos (I Co 6:12) controle nas suas palavras (Cl 4:6)
controle no seu espírito (Pv 16:32) Deus nos tem dado o “Espírito de
moderação” (II Tm 1:7) que é a autodisciplina ou temperança.

140
Edmilson Alves

Os Dons do Espírito Santo

Os dons espirituais são ferramentas distribuídas por Deus aos seus


servos para serem utilizadas na edificação da sua obra, neste capitulo
sintetizaremos este assunto em quatro tópicos: Definição, Natureza,
Propósitos, Divisões.

Definição
No Novo Testamento vários vocábulos são encontrados no grego
original que fazem referência à palavra “Dom”. Dentre os quais se
encontram as seguintes palavras: Dóron que se refere a “dádiva dos
homens uns aos outros ou doações em expressão de honra” (Ap 11:10).
Outro termo encontrado é a palavra Dosis que é “o ato de doar” (Fp
4:154; Tg 1:17). Tem ainda a palavra Dõrema e significa; “aquilo que é
doado, presente”. Outro termo encontrado é Dõrea que significa “um
presente gratuito, sem custo” e aparece no Novo testamento por mais
de dez vezes sempre indicando um presente de Deus ao homem (Hb
6:4; Ef 3:7; 4:7; II Co 9:15; Rm 5:15; At 11:17; 8:20). Tem ainda o
vocábulo Doma que se refere a “bons presentes” de uma pessoa para
outra (Mt 7:11; Lc 11:13; Ef 4:8; Fp 4:17). Podemos ver ainda o termo
Merismos, traduzido por Dons em Hb 2:4, significa “divisão, partilha”.
Mas, o termo de maior significado para definir Dons é o termo Charisma
derivado de Charis (graça), significa “dom da graça” ou “dom gracioso”.
O termo “Charisma” para dom no singular é encontrado nas seguintes
referências: (Rm 1:11; 5:15, 16; 6:23; I Co 1:7; 7:7; II Co 1:11; I Tm
4:14; II Tm 1:6; I. Pe 4:10). O termo também é encontrado no plural
Charismata (dons) (Rm 11:29; 12:6; I Co 12:4, 9, 28, 30, 31).
Os dons do Espírito Santo são mais bem definidos pelos termos
Charisma” (ou charismata, no plural) e também pelo termo Phanerosis
que significa; “Manifestação, ou tornar claro, fazer conhecido, trazer
141
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

à luz, iluminar”. Esses termos demonstram os dons também como


“capacidades sobrenaturais, ferramentas, poderes ou graça” concedidos
pelo Espírito Santo ao crente, com o propósito de edificação da Igreja.
Além de ser manifestações de Deus através do Espírito Santo no crente
e que ocorrem de acordo com as circunstâncias e necessidades da Igreja.
Natureza
No meio teológico existem algumas teorias adotadas com relação à ver-
dadeira natureza dos dons. Algumas dessas teorias devem ser rejeitadas,
porque não se coadunam com a realidade das Escrituras Sagradas. Ve-
jamos três teorias da natureza dos dons. Teoria do natural , teoria do
sobrenatural, teoria encarnacional.

A Teoria do Natural
Acredita que os dons são capacidades naturais, que as pessoas já nascem
com elas, e desenvolvem com o tempo. E mais: acreditam que o
cientista possui o “dom da ciência”, o bom orador “o dom da palavra
da sabedoria”, o médico “os dons de curas, etc... Esta teoria, porém, não
possui aprovação Bíblica”.

A teoria do sobrenatural
Entende que a natureza dos dons é estritamente sobrenatural, sem
participação da mente humana.
Os que adotam essa teoria acreditam que um cristão quando é usado
em algum dom espiritual está totalmente “possuído” pelo Espírito
Santo, a ponto de não se responsabilizar pelos atos ou movimentos
corporais. Más é uma teoria que deve ser refutada, pois biblicamente
o Espírito Santo não toma os sentidos das pessoas.

A teoria do encarnacional
Apresenta a operação de Deus através de seres humanos (a união do
divino ao humano) já que este é um princípio conhecido, pois foi
vivenciado por Jesus, que era 100% Deus, porém viveu 100% como
homem.
No método encarnacional, o homem submete as suas faculdades a
Deus, e Ele põe a sua mensagem no coração, na alma, nas forças ou na

142
Edmilson Alves

mente do crente, e este, retransmite-a para a igreja.


Os dons não são capacidades naturais (como dizem os defensores
da teoria do natural) e também não capacidades sobrenaturais (como
dizem os defensores da teoria do sobrenatural), porém são Biblicamente
encarnacionais, isto é, quando Deus usar um crente num dom, como
o de profecia, por exemplo, a mensagem será de Deus, porém a boca,
a voz, as palavras e a postura será a do crente. E esta regra vale para
todas os outros dons.

Propósitos
Conforme escreveu o apóstolo Paulo, os dons são manifestados em
cada cristão para o que for útil (I Co 12:7). Vários propósitos úteis
são apresentados no Novo Testamento em relação à função dos dons.
Vejamos quatro deles: Edificação, Ensino, Unidade; Ministração.

Edificação
Derivado do verbo “edificar” que em grego é oikodome a qual se origina
de duas palavras: oikos (casa) e demo (construir) e define “construir
uma casa”. As manifestações dos dons são para coisas boas, úteis e
edificantes (I Co 12:7) O objetivo dessas manifestações nunca é causar
dúvidas, fazer ou desfazer matrimônios, bisbilhotar os segredos alheios,
intimidar ou ameaçar os mais sensíveis. O objetivo principal dos dons
é ser ferramentas que “edificam” a casa espiritual, que é a Igreja de Deus
(I Co 3:9-17; Ef 2:20, 21; Hb 3:6).

Ensino
Os dons conhecidos como “dons da palavra”, que incluem a palavra da
sabedoria, a palavra da ciência, a variedade de línguas, a interpretação
de línguas e profecia (I Co 12:10), apóstolos e mestres (Ef 4:11; I
Co 12:28) têm o objetivo de promover o ensino na Igreja. Ensinar é
um termo que tem várias definições no grego do Novo Testamento,
porém seus significados se combinam, formando uma definição que é:
“instruir o homem no servir a Deus” Vejamos alguns desses vocábulos
e seus significados: Katecheo,“Ensinar

143
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

oralmente, informar, catequizar” (I Co 14:19). Probibazõ, “Conduzir


à frente, prosseguir” (Mt 14:8). Mueo, “Iniciar nos mistérios, isto é,
conhecer o desconhecido”. Sunbibazõ, “Juntar, ligar, unir, comparar,
provar” (I Co 2:16), Didasko “dar Instrução”.
Quando os dons que são manifestos em ensino são negligenciados, a
igreja local torna-se analfabeta nas coisas espirituais. Portanto é preciso
incentivar a ação destes dons para que a igreja cresça tanto na graça
quanto no conhecimento.

Unidade
Um dos objetivos preponderantes dos dons na igreja é promover a
unidade (I Co 12:12, 13) mesmo sendo diferentes as manifestações dos
dons, o objetivo é unir cada membro ao corpo de Cristo, a igreja. Por
este motivo, os dons não podem ser exercidos para fins particulares e
tampouco serem mercadejados. Além disso, não se pode supervalorizar
um membro da igreja (pelo simples fatos deste ter sido usado em um
dos dons) dando-lhe especial atenção e transformando-o no “astro”
ou “estrela” da congregação, a ponto de querer “canonizá-lo” como
“profeta” ou “o vaso escolhido”.
A Igreja é comparada a um corpo humano, com muitos membros
diferentes, porém, unidos (I Co 12:12-31). Enquanto os membros do
corpo humano são unidos através da corrente sanguínea, os membros
da Igreja são unidos através dos dons do Espírito Santo.

Ministração
Na qualidade de “sacerdócio real” temos um ministério amplo e valioso,
para desempenhar aqui no mundo (I Pe 2:9); um ministério tríplice em sua
natureza: Ministério a Deus, Ministério à Igreja; Ministério ao mundo.
No desempenho da nossa ministração prática, precisamos dos “dons
graciosos” do Espírito Santo para alcançarmos os objetivos desejados. A
adoração a Deus é um dos pilares do ministério cristão e deve ser feita
em Espírito, isto é, com ferramentas espirituais, que são os dons.
No serviço dedicado à igreja, é preciso que haja “... doutrina, salmo,
interpretação, línguas estranhas e revelação...” (I Co 14:26, 27) e todos
os dons que edificam a congregação.

144
Edmilson Alves

No ministério desenvolvido entre os inconversos, necessário é que


o ministrante (apóstolo, evangelista, missionário, - Ef 4:11) esteja
revestido de poder para que os sinais (milagres operados pelos dons)
sigam os que crerem (Mc 16:17, 18).

Divisões
No Novo Testamento nas epístolas Paulinas há pelo menos cinco
listas dos dons espirituais (Rm 12.6-8 I Co 12.8- 10;ICo 12.28;
ICo12.29,30 ;Ef 4.11). Essas listas apresentadas pelo apóstolo Paulo
não visam dar uma classificação sistemáticas dos dons, haja vista que
os dons do Espírito Santo são numericamente infinitos. E é melhor
compreender que todas estas listas de dons citados pelo apóstolo são
apenas uma amostra das inefáveis provisões de Deus para sua igreja.
Uma das divisões mais utilizadas na teologia pentecostal é a que classifica
nove dons Espirituais , e dividindo em três classes , São eles: Dons de
revelação, Dons de poder e Dons de elocução verbais.

Dons de revelação
Os dons de revelação são três; palavra da sabedoria, palavra da ciência e
discernimento de espírito.
Palavra da sabedoria - é o dom que ocupa um lugar importante entre
os demais, o saber do Espírito tratado aqui, é sobrenatural, pois não
se adquire através do conhecimento humano; é uma concessão do
Espírito Santo que capacita-nos a perceber, falar e agir em circunstâncias
tais, que os elementos naturais tornam-se inúteis. É algo especial que
o pensamento humano, por si só, não descobre, pois é a revelação da
mente de Deus aos que pregam, ensinam, e administram as igrejas, é
torna o cristão apto a conhecer fatos passados, presentes e até futuros,
e não se constitui em adivinhação, (condenada por Deus) é ter a mente
de Cristo (I Co 2.16).
Palavra do conhecimento, O termo grego usado para a palavra
“conhecimento” é Gnósis que significa “ciência” e tem relação com o
conhecimento das coisas de Deus.
O substantivo Gnósis nos dá uma noção de conhecer mistérios
em relação a Deus (IICo 2.I) a Cristo (Fp 3.8 II Pd 3.I8) a Salvação (Lc

145
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

I.77) a Gloria de Deus ( II Co 4.6) a ciência de Deus (Rm 11.33). O


apóstolo Paulo orou pelos efésios para que Deus lhes concedesse no
seu “conhecimento” o Espírito de sabedoria e de revelação (Ef I.I7-23).
Escrevendo aos coríntios Paulo diz: “...mas nós não recebemos o espírito
do mundo mas o Espírito que provém de Deus para que pudéssemos
“conhecer o que nos é dado por Deus...” (I Co 2.I2,I3). O profeta
Oséias escreveu as seguintes palavras : “Conheçamos e prossigamos
em conhecer ao Senhor” (Os 6.3). A palavra do conhecimento é um
dom que traz uma iluminação especial no ministério da palavra, seja
na pregação ou no ensino. Em outras palavras, é um aprofundamento
com toque sobrenatural nas escrituras. Não é um conhecimento
especulativo que visa bisbilhotar a vida alheia, achar objetos perdidos,
descobrir pecados escondidos ou adivinhar futuros acontecimentos.
Mas o objetivo é de se conhecer a verdade revelada no evangelho (I
Tm 2.4 Hb I0.26) e se ter ciência sobre Deus, Cristo, o evangelho e as
formas de aplicá-los ao mundo, e aos cristãos.
Discernimento de Espírito - “discernir” é definido no dicionário Aurélio
como “conhecer distintamente, saber distinguir, diferençar”.
No grego do novo testamento diversas palavras são utilizadas
para referir-se a “discernimento” ex: Anakrinõ significa: “olhando ao
longo de, examinar questionar, manter um exame judicial preliminar
precedente ao julgamento formal; distinguir reparar completamente,
como para investigar”.
(Este verbo ocorre em diversas passagens Bíblicas Lc 23.I4;At
17.11;ICo 2.14:4.3;10.27) Diakrinõ que significa “separar, discriminar,
determinar, decidir” (Mt 16.3) Kritikos que significa “aquilo que se
relaciona com julgamento, adequado, qualificado para julgar” (Hb 4.12
em português “critico”). Diakrisis significa: “Distinção, discriminação
clara, discernimento, julgamento, formar juízo”.
Em determinadas ocasiões da igreja primitiva era difícil saber-se
qual era a origem de determinadas manifestações espirituais, por isso
havia a necessidade da igreja possuir “ferramentas espirituais” que os
prevenissem de espíritos enganadores (IJ0 4.1;I Tm 4.1).
Conforme entendemos Biblicamente há três tipos de espíritos:
Espírito de Deus, Espírito do diabo, Espírito do homem. Por este

146
Edmilson Alves

motivo, o apóstolo João (I Jo 4.1) diz que não devemos acreditar em todo
espírito mas, discerni-los. De fora para dentro, os espíritos malignos
tentam fazer um grande estrago através das heresias, esfriamento
espiritual, perseguição, comodismo na igreja para enfraquecê-la.
Porém de dentro para fora o espírito do homem tem sido o principal
responsável pelas confusões espirituais na igreja . As vezes pelo
fanatismo e com frequência pela ignorância à palavra.

Dons de poder
Fé. No grego Pistis, significa; “confiar em alguém ou em algo”. É a
capacidade de confiar em Deus. Não se trata da simples fé natural mas,
da sobrenatural que o Espírito Santo dota o cristão para realizar proezas
em nome do Senhor. Em outro sentido significa “fidelidade ou firmeza”.
Os dons de curar. No grego, esta expressão encontra-se no plural,
ara denotar a multiforme manifestação do Espírito para cura das
enfermidades.
Operação de milagres - Trata-se de um dom concedido, para demonstrar
o poder de Deus na realização de coisas extraordinárias e miraculosas.

Dons de Elocução verbal


Profecia. No grego, o termo Propheteuein significa; literalmente “falar
em nome de alguém, em favor de outrem” O profeta prediz o que Deus
realizará, e é a manifestação da mente divina e não a humana. Ele
recebe os pensamentos do Espírito Santo e transmite racionalmente,
com suas próprias palavras. A profecia edifica, consola e exorta (I Co
14.3.
Variedades de línguas. há distinção entre sinal e dom de línguas.
O primeiro refere-se a experiência que evidencia o batismo com o
Espírito Santo. O segundo possui um caráter congregacional, Porque
fala a todos, para edificação da igreja (I Co 14.3,12,28).
Interpretação de línguas , Não se trata de tradução literal, mas da
interpretação dos pensamentos de Deus, transmitidos em línguas
desconhecidas. É um dom de caráter congregacional.

147
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

O batismo no Espírito Santo

Neste capítulo abordaremos o assunto acerca do batismo no Espírito


Santo de forma resumida e sistemática, para tanto, dividiremos o
capítulo em seis tópicos; Definição, tipos de batismos, distinção e
divergências, evidências, disponibilidade, propósitos, recebimento.

Definição
O termo batismo é derivado do verbo grego Baptizô (batizar) e significa;
“imergir, mergulhar”. Esse termo frequentemente usado, significava “o
ato de mergulhar um cântaro na fonte para tirar água”.
Enquanto que no batismo em água significa, se molhar completamente,
ser ensopado, imergido, espiritualmente o batismo no Espírito Santo
se define como ser envolvido completamente pelo Espírito. Esta
experiência também pode ser definida como a “unção prometida por
Deus aos crentes, a fim de capacitá-los a realização do serviço cristão”.
E ainda e como “um mergulho na plenitude do Espírito, ou como
um ato de Deus pelo qual o Espírito vem sobre o homem, e o enche
plenamente”.
Há outras expressões neotestamentárias que também definem o
mesmo sentido de batismo no Espírito, exs: O Espírito sobre eles, (At
10.44; 11.15:19.6 ). O Espírito sendo derramado sobre eles,( At 2.33;
10.45 ).
O recebimento do dom ,( At 2.38: 8.17) Todos sendo cheio
do Espírito Santo,( At 2.4 ). O Espírito caindo sobre eles,( At 10.44:
11.15). Apesar de essas expressões ter o mesmo significado, usa-se mais
frequentemente a expressão “Batismo no Espírito Santo”.

148
Edmilson Alves

Tipos de Batismos
Os judeus tinha diversos cerimoniais, que incluíam lavagem do corpo,
e diversos outros rituais de purificação com água, tinham também o
costume de batizar os convertidos ao judaísmo chamados de prosélitos.
Analisando a Bíblia e possível encontrar citações acerca de vários tipos
de batismos dentre os mais destacáveis descrevemos sete:

Batismo de Batismo.
to representativo ocorrido com Moisés e os hebreus, ao passarem o mar
vermelho debaixo de uma nuvem (I Co 10.2, Ex 14.15-25).

Batismo de João
Era um batismo para arrependimento, e as pessoas que se submetiam a
esse batismo antes faziam confissão dos seus pecados. ( Lc 3.3;7.28,At
18.25).

Batismo Cristão apostólico


é o batismo que é ministrado a todo povo cristão, e é realizado em
nome do Pai do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19,20, At 2.38; 19.5).

Batismo no sofrimento
Expressão que representa a abnegação de todo cristão, ao aceitar os
sofrimentos que acompanham os seguidores de Cristo, (Mc 10.38,39;
Lc 12.50).

Batismo pelos mortos


Uma heresia muito difundida nos tempos dos apóstolos, e foi citada,
mas não aprovada pelo apóstolo Paulo, ( I Co 15.29).

Batismo no corpo de Cristo


Este seria considerado, a entrada espiritual do crente no corpo
místico de Jesus (a igreja) I Co 12.13.

Batismo no Espirito Santo


Do qual estamos tratando nessa obra.

149
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Distinção e Divergências
Existem algumas divergências em relação ao verdadeiro significado do
batismo no Espírito Santo e dentre as concepções diferentes, estão as
que dizem que este é o mesmo que; perdão, regeneração, e batismo por
imersão.

Perdão - Os que defendem que o batismo no Espírito Santo seja o


perdão dos pecadores, dizem que este batismo é recebido no momento
da conversão, usam como referência (At 2.38) e entendem que não
houve diferença entre os 120 de Atos 2.1-4, e os quase 3 mil de Atos
2.38, e dizem que ambas experiências foram iguais.

Regeneração - A regeneração que é o processo de transformação que


ocorre no homem após o perdão, e é descrito por Jesus como o nascer
de novo, ou nascer da água e do Espírito. Partindo dessas expressões,
alguns interpretam como sendo, esse o batismo no Espírito Santo.(
Porém biblicamente não é).

Batismo por imersão. Baseados em Gl 3.27, e outras referências


similares, há quem entenda que o batismo em água, por imersão leva
o homem a ser batizado no corpo de Cristo, e que esse seria o batismo
no Espírito Santo (porém não é).

Evidências
Assim como há divergências acerca do batismo no Espírito Santo,
também há com respeito as evidências do mesmo. Vejamos quatro
opiniões diferentes:
O primeiro grupo acredita que o batismo no Espírito Santo além de
ser parte da conversão também não possui nenhuma evidência inicial
(como falar em outras línguas). Essa posição é defendida por algumas
igrejas tradicionais.
O segundo grupo crê no batismo no Espírito Santo, também como
parte da conversão, porém obrigatoriamente seguido de evidências do
falar em outras línguas (isto é, se não falar em outras línguas não é

150
Edmilson Alves

convertido).
Essa posição é defendida por algumas igrejas unicistas.
O terceiro grupo entende que o batismo no Espírito Santo é uma
experiência distinta da conversão, porém nem sempre é acompanhada
da evidência do falar em línguas. Essa é a posição de varias igrejas neo
pentecostais e carismáticas.
O quarto grupo defende que o batismo no Espírito Santo é uma
experiência que acontece após a conversão, e principalmente com a
evidência do falar em outras línguas. Essa e a posição defendida neste
livros. Cremos ainda que a manifestação dos dons espirituais são
evidências deste batismo, mas o falar em outras línguas é a evidência
indispensável para a confirmação de que alguém foi realmente batizado
no Espírito Santo.

Disponibilidade
Conforme o Apóstolo Pedro (At 2.30) “a promessa diz respeito a voz e
a vossos filhos, a tantos quanto estão de longe, a tantos quanto o nosso
senhor chamar”. Entendemos que esse batismo esteja disponível a todo
ser humano que se converter a Deus.

Propósito
O batismo no Espírito Santo tem como propósito gerar no cristão
várias virtudes espirituais, dentre as mais importantes são: Poder para o
serviço cristão Conforme I Co 12.7 a manifestação do Espírito, é dada a
cada um para o que for útil. Nesta manifestação, o batismo no Espírito
Santo, desencadeia um dinamismo fora do comum, proporcionando
ao crente autoridade espiritual para exercer seu ministério cristão (At
4.13;20,29,33,34) Comunhão com Deus O batismo no Espírito Santo
nos leva a falar línguas espirituais com Deus, proporcionando-nos,
edificação pessoal (ICo14.2,4,28) principalmente quando não sabemos
como orar, e oramos em Espírito (Rm 8.26).

151
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Recebimento
Para receber o batismo no Espírito Santo não depende de : Méritos
(pois e um dom gratuito de Deus, At 10.45) Métodos pois o Espírito
trabalha como quer, (I Co 12.11; Jo 3.8) Datas pois Jesus é quem define
o dia Locais (pode ser em qualquer um) Posturas (não é necessário
enrolar a língua, ou posicionar adequadamente o corpo, o necessário é
a posição do coração (Jr 29.13;Jo 7.38).
As condições necessárias para receber o batismo no Espírito Santo,
são principalmente:

Conversão
Que se constitui-se na mudança decorrente do ato de arrependimento
do pecador que se volta para Deus. (At 2.38,39).

Obediência
Conforme está escrito, obedecer é melhor do que sacrificar (ISm 15.22
). A obediência a Deus e a sua palavra constitui-se num dos requisitos
mais necessários para se receber o batismo no Espírito Santo (At 5.32 ).


Jesus disse; que quem crê verá a glória de Deus ( Jo 11.40). O batismo
no Espírito Santo é uma forma de aproximação de Deus, e para isso é
necessário ter fé, conforme está escrito. “Sem fé é impossível agradar-
lhe , por que é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que
ele exista, e que é galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6).

Busca
Tanto o Espírito Santo, como qualquer outra bênção espiritual,
precisam ser buscadas por nós (Is 55.6, Lc 11.9- 134; Mt 7.7) Más
as vezes a busca significa esperar (Lc 24.44) é preciso que esta busca
seja com ardente desejo (Sl 14.3.6; Is 41.17,18: 44.3) e com muita
perseverança (Mt 7.7).

152
Hamartiologia
Estudo sobre o pecado

153
Indice

O pecado..............................................................................155
Pecado no antigo testamento..............................................157
A origem do pecado..............................................................158
Teorias da transmissão do pecado......................................159
Consequências do pecado....................................................160
Os pecados veniais e capitais...............................................162

154
Edmilson Alves

O pecado
Na língua portuguesa, o dicionário Aurélio define pecado como
“Transgressão de preceito religioso”. No hebraico hattah,no grego
hamartios,e do latim peccatum. Transgressão deliberada e consciente
das leis estabelecidas por Deus.
A Bíblia contém muitos termos para significar pecado, todos
eles dando idéia de falta, omissão e erro. Outros sentidos são:
perversão, ( Os 14.4), transgressão, (Rm 4.15) revolta, (II Rs 18.20),
delito, (Ef 2.5), iniquidade, (I Rs 17.18, I Jo 3.4), impiedade ( II
Tm 2.16;I Sm 24.13) rebeldia, ( Js 22.22); imoralidade, 1 Co 5.1;
infidelidade, (2 Co 6.15), culpa, (Ed 9.6), dívida, Mt 6.12. Uma
grande quantidade de definições é encontrada de forma direta e in-
direta. No texto bíblico original há diversos termos hebraico e grego
que definem a palavra pecado Dentre estes termos, há os termos
em hebraico Abar que significa «transgredir, atravessar, cruzar, pas-
sar por”. Este termo traz o sentido de «transgredir a lei de Deus”
Conforme Juízes 2.20, onde o verbo aparece, está escrito que «...A ira
do Senhor se acendeu contra Israel porque este povo transgrediu a lei do
Senhor” .
Outro termo é Ãwõn, que traz o significado de «torcer, deturpar, per-
verter”. E aparece no texto bíblico como «o oposto da reta justiça”.
Enquanto que o termo Ãwõn é torcer o que é reto, fazer errado o que é
certo, fazer mentiroso o que é verdadeiro, tornar sujo o que é limpo
é profanar o que é santo, o termo Ãmãl, traz consigo a significação
de “maldade, danos, infortúnios, injustiça, agravo”. Geralmente este
termo faz referência as consequências desastrosas causadas pelo pe-
cado original (ex. Sl 140.9;Hc 1.3).
Outra palavra que surge na Bíblia é Ãwen cujo significado «vaidade,
imoralidade, falsidade, ofensa engano” (Sl 36.3). Esta palavra traz
consigo a definição de tudo aquilo que é falsidade, enganação e
chantagem”.

155
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Mais uma outra palavra ressurge no texto bíblico, é o termo Manah,


que significa «contender, rebelar-se”. Este termo traz consigo a ideia
de uma atitude de oposição, rebeldia e desobediência contra al-
guém.
No antigo testamento há um exemplo deste pecado, na trajetória
da nação de Israel rumo a terra prometida, quando três homens,
chamados; Cora, Data, e Abirão ajuntaram mais duzentos e cinquenta
homens líderes do povo, os quais convenceram a milhares de outros
a se rebelarem contra a liderança de Moisés. Más, o desfecho desta
história de pecado como rebeldia, culminou na morte de todos os
rebeldes. Conforme a Bíblia declara: «A terra, abriu-se e eles foram
tragados vivos” (Nm 16.1-33).
Encontramos ainda na Bíblia ano hebraico o termo Hatta´t
cuja definição é: “Errar o alvo”. Este é um dos termos mais fre-
quentes no antigo testamento para definir o pecado. Outro termo
encontrado é:
Apta´t aparece cerca de 393 vezes e na sua maioria vem com o
significado de “Errar o caminho, ou errar o alvo” O que acontece
quando o homem que segue o caminho de Deus, e por alguma cir-
cunstância ele sai ou troca de caminho.
No texto bíblico do novo testamento há também muitos termos em
língua grega que traduzem com profundidade o significado teoló-
gico de pecado: Alguns desses termos são: o termo Anomia que é a
junção de duas palavras grega; A = “sem” e Nomos= “Lei”. E traduz
literalmente «ilegalidade», “sem” lei, “falta de lei” ou “ violação
de uma lei conhecida”. Outro termo é: Adiquia, composto de dois
vocábulos; A= “sem” e Dike = “retidão”, trazendo o significado de
«injustiça», “falta de retidão”, o u “ desacordo para com os padrões
de Deus”. Ainda tem o termo Apistia, palavra formada de A = “sem ou
não”, Pistis = “Fé, fidelidade, confiança”. Esta expressão composta
enfatiza a «falta de fé, ou incredulidade de alguém”, as quais
são por Deus, consideradas como pecado (Hb 11.6 ). Jesus também
disse, que «aquele que não crê, será condenado” ( Mc 16.16 ). Um
outro vocábulo no novo testamento é Pithumia que significa: «desejo,
cobiça” e é o último dos dez mandamentos outorgados a Moisés
no monte Sinai. Ta m b é m h á o t e r m o Poneria que traduz
«maldade, pecado de um tipo vicioso ou degenerado” e o ter-
156
Edmilson Alves

mo Paranomia, formado de dois termos Para = contra e Nomos =Lei


que significa «violação da lei, infração, transgressão” e traduz o
comportamento de um indivíduo que transgride ou se rebela contra
uma lei estabelecida. Ainda há o termo Proamartano formado de
Pro = Antes e Hamartano= pecado. E deduz «pecar previamente, pe-
car por antecipação”. Alem do termo Paraptoma que também traz a
definição de transgressão de limites, ou ultrapassar um limite
predeterminado.
Alguns escritores bíblicos também definiram o pecado de diversas
maneiras. Por exemplo, o sábio Salomão descreveu o pecado como
«O opróbrio dos povos” ( Pv 14.34 ). Já o profeta Isaías disse que o
pecado é
«uma divisória entre o homem e Deus” ( Is 59.2 ). E o Apóstolo São
João afirmou que o pecado é “o escravizador dos pecadores” ( Jo
8.34 ).
Na teologia há muitas definições para o significado de pecado.
Uma delas é que o pecado «é um estado mau da personalidade” ou-
tros porém o definem como «fracasso, erro, falta de lei, injustiça,
contravenção, iniquidade e transgressão”.

Pecado no antigo testamento


No antigo testamento havia uma classe de sacrifícios que eram
feitos exclusivamente para expiação dos pecados cometidos por di-
versas classes de pessoas. Estes sacrifícios estão listados do capítulo
4 até o capítulo 7 do livro de Levítico os quais eram classificados da
seguinte maneira:
Pecado do sacerdote. Que era expiado quando este oferecesse um
bezerro como sacrifício pelo seu pecado (Lv 4.1-12).
Pecado do líder do povo. Seu pecado era expiado através da oferta
de um bode (4.22-26).
Pecado de pessoa comum. A oferta era uma cabra ou um cordeiro
(Lv 4.27-35).
Pecado de pessoas pobres. Oferecia-se duas rolinhas ou duas pombas
(Lv 5.11-13)
Pecado de pessoas muito pobres. A oferta era a décima parte de
um efa de flor de farinha (Lv 5.11-13)
157
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

A origem do pecado
A história do primeiro pecado é atribuída a Lúcifer. A seu respeito,
trechos bíblicos relatam que ele era uma espécie de “Querubim
ungido” para proteger, que desenvolvia seu ministério em um lugar
especial chamado Éden e jardim de Deus, conforme está escrito no
livro do profeta Ezequiel (Ez 28.13-19) Lúcifer era um anjo de
grande prestígio, porém, em determinado momento do seu prin-
cipado, o seu prestígio lhe subiu à cabeça e ele desejou ser um deus
(Is 14.12-15) A parti deste sentimento de orgulho, inveja e rebelião
contra Deus, Lúcifer iniciou uma terrível campanha para convencer
os anjos que estavam sob seu comando, a se rebelarem contra a sobe-
rania de Deus e a seguirem a Lúcifer e reinarem com ele em um possível
e futuro reinado. Neste propósito ele conseguiu arrebanhar para seu
grupo a terça parte dos anjos criados. E começou uma batalha contra
os anjos que permaneceram fiéis a Deus. Batalha esta que termi-
nou com a derrota e expulsão de lúcifer com os anjos rebeldes da
presença de Deus. (Ap 12.4- 11; Is 14.12-15). O orgulho projetou
o primeiro pecado no universo, e teve como consequência queda de
Lúcifer e seus anjos.

O pecado original
Mesmo depois da decepção que Deus passara com a desobediência
de Lúcifer, Ele não desistiu de criar seres livres para lhe servir, amar
e adorar. O novo projeto de Deus começou com a criação do mundo
em que vivemos, dentro do qual criou um ser a quem chamou de ho-
mem, logo após plantou um jardim e deu ao homem como sua nova
casa. No Éden o homem vivia tranquilo fazendo a perfeita vontade
divina, junto à mulher sua nova companheira.(Gn1-2) Más a
tranquilidade do homem acabou quando Lúcifer, aquele anjo caído
resolveu atacar a mais nova criação de Deus, o homem e a mulher. O
relato bíblico no livro de Gênesis diz que lúcifer se utilizou astucio-
samente de uma serpente e passou mensagens para Eva, a mulher de

158
Edmilson Alves

Adão. Nestas mensagens ele conseguiu enganar Eva, convencendo ela


a comer do fruto que Deus lhe proibiu e também fez ela convencer
seu marido a cometer a mesma desobediência. Este pecado custou
muitíssimo caro para Adão e todos os seus descendentes. A princípio
Adão foi expulso do Éden, e depois herdou como consequência,
corrupção e morte física. (Gn cap 3 e 4) Depois deixou uma herança
maldita para toda humanidade, que até o presente momento sofre
essas consequências que se manifestam hoje em várias maneiras,
tais como; violência, fome, doenças, guerras, epidemias, corrupção
moral, física e espiritual.

Teorias de transmissão do pecado


Muitos estudiosos de teologia tiraram conclusões acerca do pecado
original e sua transmissão para a humanidade. Sabemos que este as-
sunto é profundo e complexo, por isso expomos neste capítulo al-
gumas teorias importantes no meio teológico sobre este assunto. As
principais teorias são:

Traducianisamo. Este ponto de vista era defendido pelos antigos teó-


logos Irineu e Tertuliano. A teologia traducionista defende que
o pecado é transmitido de forma geneticamente hereditária. Crêem
que os filhos herdam tanto as características físicas como as espirituais
dos seus pais. Isto é, se os pais tiverem um caráter assassino, os tra-
ducianistas acreditam que os filho também terão. Eles adotam esta
posição porque acreditam que as únicas almas que Deus criou foram
duas; a alma de Adão, e a alma de Eva. Quanto aos outros seres hu-
manos que nasceram depois, estes recebem a alma por transmissão
através dos seus pais. Esta teoria não tem base bíblica suficiente para
receber crédito. Sendo, portanto, rejeitada por quase todos os teólogos
da atualidade.

Pelagianismo. É o nome dado à doutrina de um teólogo cristão cha-


mado Pelágio que viveu de 361-420 dc. E expôs vários de seus ensi-
namentos para a igreja da época, porém, maioria de seus ensinos
foram refutados pelo cristianismo e consideradas heresias em di-
versos concílios. Pelágio ao contrário do traducianismo ensinava

159
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

que todas as pessoas nascem sem nenhum pecado herdado e tra-


zem consigo um total livre arbítrio para se fazer escolhas boas ou
ruins. E nessa escolha é que consiste o pecado. Para o Pelagianismo
Deus jamais permitiria que o pecado de Adão fosse transferido
a outras pessoas, pois seria injusto o ser humano receber semculpa
uma herança tão maldita como o pecado. Mesmo interessante, a teoria
pelagiana não encontra respaldo bíblico.

Federalismo. É uma teoria de um sentimento federalista em re-


lação a transmissão do pecado. Os defensores desta teoria defendem
que todo ser humano trás consigo o pecado como consequência do
ato errado de Adão, que como representante federal de toda raça hu-
mana pecou e a culpa do seu pecado é repassada a todos que fazem
parte da raça humana. Fazem uma semelhança entre Adão e um líder
de uma nação que declara guerra à outra, consequentemente por
federalismo os habitantes desta nação quer concordem ou não
sofrerão as consequências da decisão do seu líder.

Consequências do pecado
Após cometer o primeiro pecado contra Deus, em seguida veio trági-
cas e sofríveis consequências. Neste comentário não é possível apre-
sentar uma lista completa de todas as consequências advindas com a
entrada do pecado no mundo. Más, classificaremos em três pontos
principais:

Consequências físicas. Morte física - a pior e a mais dolorida separa-


ção do homem e seus entes queridos. A morte é também a separação
do homem e seu corpo físico que o possibilita a viver no mundo. Esta
consequência foi a primeira advertida por Deus a Adão, a que ele não
comesse do fruto proibido, pois, se desobedecesse certamente come-
çaria a morrer (Gn 2.17) infelizmente esta consequência estendeu-se
a todos os seres humanos, os quais já nascem morrendo. O Apóstolo
São Paulo declarou que “a morte veio por Adão” (ICo 5.21,22) e
que “o salário do pecado é a terrível morte”(Rm 6.23) Corrupção -
é mais uma das consequências desastrosas do pecado. Pois, até então

160
Edmilson Alves

o homem possuía um corpo físico perfeito sem doenças, porém depois


da entrada do pecado, o corpo humano tornou-se presa, de todo
tipo enfermidade e deterioração, tanto em consequência do peca-
do original cometido por Adão, como pelos pecados individuais de
cada pessoa. (Por exemplo as Dsts, tem origem em pecados sexuais
ilícitos, e muitos tipos de loucuras tem origem no uso abusivo de
entorpecentes) As consequências físicas não surgiram apenas nos
seres humanos, elas afetaram também, toda a natureza e animais,
cumprindo as palavras ditas pelo próprio Deus após a queda de Adão
“Maldita é a terra por tua causa...Gn3.17. Paulo também afirma que
“toda criação geme, e está juntamente com dores de parto, até ago-
ra”(Rm8.22).Esta corrupção sujeitou toda natureza à destruição. Por
este motivo é que há grande descontrole e revoltas na natureza, ex:
terremotos, maremotos, tsunamis, aquecimento global, enchentes,
ferocidade nos animais, epidemias e muitos outros incidentes natu-
rais explicados mais não justificados pela ciência.

Consequências psicológicas . Antes de pecar o primeiro era emo-


cionalmente perfeito, a ponto de conseguir a façanha de por nome
em todos os animais criados (Gn2.19,20)Adão era psicologicamente
equilibrado, más depois do pecado, entrou o desequilíbrio, e mazelas
psicológicas surgiram como consequências atormentadoras. Dentre
os muitos sentimentos negativos que surgiram no homem, destaca-
mos os seguintes: A culpa, angústia, desânimo, insegurança, ansieda-
de, depressão ira, ressentimentos, medo. E muitos outros sentimen-
tos negativos e destrutivo.

Consequências espirituais. Comunhão – antes da queda do ho-


mem havia uma perfeita harmonia e comunhão entre o homem e
Deus. Más, após o homem pecar, criou-se uma divisão entre ele e
Deus interrompendo este relacionamento espiritual. A parti deste
momento, todo ser humano que nasceria traria consigo o estigma de
pecador destituído da glória de Deus (Rm 3.23) Além de perder a
comunhão e proximidade com Deus, o homem também perdeu os
traços da imagem e semelhança divina, que o identificava como um
perfeito filho de Deus.

161
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Os pecados veniais e capitais


Baseados no texto de I João 5.16,17 os ensinadores da igreja cristã
na era medieval classificaram o pecado em dois grupos distintos; pe-
cados veniais e pecados capitais.

Pecados veniais. O termo venial vem do latim vênia que significa:


“Perdão, misericórdia”e refere-se a pecados considerados sem muita
gravidade, erros por ignorância e fácil de serperdoado. A este grupo
de pecados pertencia; pequenos delitos e falhas morais corriqueiras,
que não visão dos teólogos da época eram fáceis de ser expiados ou
veniados.

Pecados capitais. Os pecados capitais eram considerados pecados


para morte, ou pecados que segundo eles não podia ser expiados ou
perdoados, pois levavam o homem à ruína. Destes ensinos medievais
é extraída uma famosa lista de pecados conhecidos como ´´os sete
pecados capitais“ os quais estão classificados da seguinte maneira:
1 –Soberba. do grego Huperephanos a soberba significa «colocar-se a
si mesmo acima dos outros”. É a arrogância , orgulho e estima exces-
siva a si mesmo. A soberba gera: Ambição - que é o desejo desor-
denado de honras e glórias. Presunção - que é o excesso de confiança
em si mesmo
Vaidade – que além de ser a qualidade do que é vão e ilusório, é tam-
bém o desejo desenfreado de atrair admiração.
2 – Avareza. É o amor excessivo pelas coisas materiais, e é considerada
como à raiz de toda espécie de males (ITm 6.10) e de onde se origina
as injustiças humanas, os roubos e fraudes.
3 – Luxúria. é o oposto de pureza. A luxúria conduz o ser humano
à depravação moral e corrupção de todo fundamento da vida sócio-
-familiar. 4 –Inveja. do grego Phthonos a inveja é definida como ´´o
sentimento de desgosto ao ver ou ouvir acerca do sucesso de outrem“
A inveja se regozija com as desgraças alheia, e se entristece com a vi-
tória do próximo.
5 - Ira. Constitui-se em impulsos desordenados que podem ter a princí-

162
Edmilson Alves

pio uma conotação puramente biológica, porém também pode


está sobrecarregados de ódio, mágoas e desejo de vingança, tornan-
do-se no precursor de uma agressão.
6 - Gula. É o amor excessivo pelas fanfarras, de onde procede as desordens
sociais, e geram os vícios. O lema dos glutões é
«comamos e bebamos, pois amanhã morreremos” (I Co 15.32 )
7 – Preguiça. É a aversão á atividades e trabalho, e o amor desenfreado
pela ociosidade, gerando pobreza e miséria.

163
Antropologia Bíblica
Estudo sobre o Homem à luz da Bíblia

164
Indice

O homem e sua origem............................................................166


A constituição do homem......................................................................170
Teorias...................................................................................................170
Elementos da constituição do homem.................................174
O corpo.................................................................................................174
A alma...................................................................................................177
O espírito..............................................................................................178
A mulher....................................................................................180
A imagem de Deus................................................................................181
A queda do homem...............................................................................182

165
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

O homem e sua origem

A matéria teológica que estuda acerca da existência, constituição,


propósitos e queda do homem, é chamada de Antropologia bíblica.
Este termo origina-se das palavras gregas Anthtropos que significa,
“homem” e Logia que significa “estudo”.
No segmento antropológico há vários ramos desta matéria que
explora outros assuntos. Por exemplo: Antropologia científica, que es-
tuda o homem do ponto de vista físico, histórico, etnológico e cultu-
ral. Antropologia Teológica, que estuda o homem do ponto de vista
religioso. Neste nosso estudo de antropologia, estudaremos os
temas concernente à origem, constituição, propósito e queda do ho-
mem na visão bíblica.

O homem
O termo “Homem” é representado no antigo testamento pela palavra
hebraica Adam que é definido como “gênero humano” (Adam origi-
nalmente significa “avermelhado”, possivelmente, por ter sido feito
da terra, que em hebraico é Adamah, e também por ter a pele de cor
vermelho que em hebraico é Edom.
O termo “Homem” também tem a sua significação na língua
grega do novo testamento, que a traduz pela palavra Anthropos
que traz consigo o significado genérico de “Ser humano, macho ou
fêmea”

Sua origem.
No que diz respeito à origem do homem, surgiram muitas teorias
filosóficas, científicas e teológicas, maioria delas sem nenhuma
confiabilidade. Dentre estas teorias destacam-se:
Teoria da geração espontânea. Por mais absurdo que pareça muitos
estudiosos de antropologia acreditavam que plantas, animais e

166
Edmilson Alves

homens se originavam espontaneamente da água, do ar, da terra


e até mesmo das pedras. O poeta Romano Ovídio ao explicar o
repovoamento da terra após o dilúvio, ele afirmava que dois seres
chamados Deucalião e pirra plantaram pedras na terra as quais
brotavam homens.
Teoria dos cosmozoários. Os defensores desta teoria afirmavam que o
homem vinha de uma origem extraterrena e que os seus antepassa-
dos eram uma espécie de microssementes vindas de outros planetas
através de repulsão eletromagnética de corpos celestes, caindo na ter-
ra e desenvolvendo-se até chegar a ser humano.
Teoria da Evolução. A teoria da evolução é a principal teoria científi-
ca que contradiz as escrituras sagradas. Esta teoria nomeada “teoria
da evolução das espécies” que teve como principais idealizadores,
os professores e naturalistas; Jean Baptiste Lamarck (1744 -1829)
e Charles Darwin (1809- 1882). Porém, Darwin foi o principal
protagonista desta teoria mesmo tendo ele estudado para um minis-
tério cristão em uma escola cristã (Universidade de Cambridge), ele
mudou radicalmente a sua visão acerca da origem da vida após ter
participado de uma expedição de 1831-1836 com o propósito de
explorar a natureza. Nesta longa expedição Darwin observou
minuciosamente os ambientes naturais e coletou um vasto material
que posteriormente foi estudado. O resultado destas pesquisas foi o
famoso livro “A origem das espécies” lançado em 1859 provocando
uma tremenda revolução no meio científico.

O ponto crucial de suas teorias é que aborda a origem das es-


pécies e explica uma lei de seleção natural ou sobrevivência dos seres
mais fortes. Nesta teoria ele enfatiza que em cada espécie animal exis-
te uma competição cujo prêmio é a sobrevivência, e nela somente
sobrevivem os mais fortes. Sobre este assunto o prof. Joe E. Tarry
faz o seguinte relato. “Segundo a teoria pura da evolução, a vida na
terra começou por uma célula. Aquela primeira célula apareceu do
nada em condições apropriadas para expandir e multiplicar-se. Essa
célula iniciada na água depois de milhares de anos formou outras que
em constantes combinações entre si, produziram milhões de outras
células as quais com o passar de quinhentos milhões de anos mais ou

167
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

menos, deram origem a um tipo de peixe sem osso.


De tais invertebrados, semelhantes a “água-viva”conhecida hoje
desenvolveram-se ossos por meio de mutações (mudanças aci-
dentais) lentamente, uma variedade de peixes e animais aquáticos
desenvolveram-se. Milhões de anos mais tarde alguns dos animais
aquáticos desenvolveram pulmões, rabos e pernas que lhe permitiram
sair da água. Esses répteis tinham também uma constante explosão de
células novas e estranhas em seus corpos que lhes causaram grandes
mudanças por mutações esquisitas. Essas mudanças mais fortes
permaneceram e deram a alguns animais, características distintas. Mi-
lhões de anos passaram e alguns dos répteis começaram a produ-
zir pequenas asas que cresceram de formas variadas, tornando possível
assim o aparecimento de toda espécie de ave e de animal que voa.
Em alguns animais acidentalmente, foram desenvolvidos intestinos,
os quais basicamente se alimentavam de plantações, enquanto que
em outros foram desenvolvidos intestinos que se nutrem de carne
ou de sangue. A girafa de tanto exercitar-se para conseguir pegar
as f olhas mais altas das árvores desenvolveu para si um pescoço
longo, característica somente dela, esta mudança afetou os genes
da girafa; fez-lhe crescer as pernas dianteiras permitindo-lhe pegar
folhas ainda mais altas, mas trouxe um pouco de problema na hora
de beber a água tão necessária à vida. Adaptações as condições
terrestres gradualmente fizeram com as peles animais se condi-
cionassem ás regiões frias e as quentes. A cor do urso ártico se tornou
branca, por exemplo. Finalmente, talvez três bilhões de anos desde
o aparecimento da primeira célula, os macacos, babuínos e gorilas
apareceram. Em alguns macacos, mudanças estranhas também
aconteceram; perderam seus rabos, começaram a andar em posição
ereta, tiveram as características dos genes mudadas e, finalmente,
tornaram-se homens e mulheres”

Teoria do criacionismo bíblico. Esta é a visão dos escritores da Bíblia,


os quais baseados na revelação divina sustentam que a origem do ho-
mem está na criação realizada por Deus. Conforme está escrito no
livro de Gênesis
1.26, “Então disse Deus; façamos o homem à nossa imagem, conforme a
nossa semelhança”. Logo após esta decisão, o texto bíblico afirma
168
Edmilson Alves

categoricamente que “Formou, o Senhor Deus, o homem do pó da


terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida e o homem tornou-se
alma vivente” (Gn 2.7). Esta teologia da criação percorre toda histó-
ria bíblica e é também defendida e ensinada pelo próprio Jesus, que
em suas palavras declarou que “desde o princípio da criação, Deus
os fez, macho e fêmea” (Mc 10.6) Portanto na teologia, a teoria
aceitável para a origem do homem é indiscutivelmente o cria-
cionismo bíblico que atribui à origem do homem à criação realizada
por Deus.

169
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

A constituição do homem
No ponto de vista teológico, o homem é constituído de duas natureza.
Uma Material, outra imaterial. A primeira natureza do homem é
material, que é constituída da matéria (corpo) A segunda natureza
do homem é a natureza imaterial, que constituída de alma e Espírito.

Teorias
Sobre o assunto da constituição do homem, é apresentada aos estu-
dantes da teologia, uma série de teorias que tentam determinar a real
formação do homem. Além da Bíblia e da ciência, surgiram na his-
tória da humanidade, muitas teorias sobre o homem, e sua formação.
Dentre estas teses filosóficas e teológicas, destacam-se:

Unitarianismo. Esta teoria é humanista e defende que o homem


é constituído apenas de material. E quando morre termina a sua
existência. Com esta forma de filosofia os cientistas unitarianistas
afirmam que não existe evidências palpáveis sobre a existência de
um mundo espiritual. E que o homem nada mais é, do que um
macaco evoluído.

Monismo. Era uma filosofia defendida pelos filósofos pré-socráticos,


os quais afirmavam que todas as partes mencionadas acerca do ho-
mem nada mais é do que uma única parte indivisível. Este pensa-
mento filosófico defende que quando a Bíblia fala de corpo, alma e
espírito está se referindo a um único ser.

Dicotomismo. do grego “Dichotomeõ” (O termo é derivado das pala-


vras gregas Dicha (em dois) e Temnein (cortar) e significa: “dividir ou
cortar em dois”. Na teologia, o dicotomismo é uma tese teológica que
afirma que o homem é dividido em duas partes: Parte material (corpo)

170
Edmilson Alves

parte imaterial (alma e espírito) O dicotomismo afirma e apresenta


referências bíblicas que esclarecem que o homem é constituído de
apenas duas partes, e que alma e espírito são a mesma coisa. E usam
muitas referências bíblicas; ex. “..Não temais os que matam o corpo,
e não podem matar a alma” Mt 10.28 (referindo-se a parte material e
a imaterial) Em relação a constituição humana, o dicotomismo é a
tese teológica mais defendida pelos teólogos tradicionais ao longo da
história da igreja. Dentre os teólogos que defendem o dicotomismo,
há muitos nomes importantes; dentre eles, A.B. Langston que foi
discípulo de Strong. Em seu livro (Esboço de teologia sistemática)
A.B. Langston defende a dicotomia do homem, com as seguintes
afirmações1.

- “Quanto ao corpo, podemos dizer que é o instrumento, o taber-


náculo, a oficina do espírito. É o meio pelo qual ele se manifesta e
age no mundo material. O corpo é o órgão dos sentidos...Alguém
há entendido que as escrituras apresentam uma tríplice divisão do ho-
mem. Firma-se em passagens da bíblia onde se empregam os termos
corpo, alma e espírito em conjunto. Por exemplo, em I Tessalonicen-
ses 5.23 lemos, “e o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo;
e todo vosso sincero espírito e alma e corpo, sejam considerados
irrepreensíveis para vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.
Segundo esta ideia da tríplice divisão da natureza humana, a
parte mais elevada do homem é o espírito. Em segundo, lugar vem a
alma; e por último o corpo. O espírito é o órgão de comunhão com
Deus: a alma é a sede da personalidade; e o corpo, o tabernáculo
da alma. Dizem, portanto que o homem é uma alma e tem corpo e
espírito. Esta ideia, porém, é errônea. As passagens citadas em seu
abono uma vez bem entendidas, tem outra significação. Muitas
vezes o uso destes três termos é feito apenas para enfatizar a ideia
de que o homem é contemplado no seu todo, como por exemplo
vemos no verso 30 do capítulo 12 do Evangelho de Marcos:

“Amarás ao Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda a tua alma e de
todo teu entendimento e de toda a tua força”.

1 LANGSTON A.B Esboço de Teologia Sistemática edit. Vida Nova SP

171
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Geralmente quando os escritores sagrados faziam uso destes dois


termos – Alma e espírito – tratavam de uma só coisa em dife-
rentes relações. Empregavam eles, ordinariamente o termo espírito
quando se referiam à relação da vida do homem para com Deus;
e alma quando faziam referência à relação da vida do homem para
com as coisas terrenas. O homem pode ser comparado não há uma
casa de três andares, mas a uma de dois. No segundo andar, porém,
além de janelas que dão para o mundo, há uma claraboia, que dá
para o céu.
A alma é a janela que pela qual o homem contempla as coisas
desta vida aqui na terra, e a claraboia é o meio pelo qual a mesma
pessoa contempla as coisas celestiais. Nesta comparação, o andar tér-
reo representa naturalmente, o corpo. Ainda mais, na criação do
homem encontramos somente duas coisas: a alma, ou o espírito, e o
corpo.”2
Tricotomia. Derivado de dois termos grego Tricha “três partes” e
Temnein (cortar, dividir) e traz a definição de “dividir em três par-
tes”.
A teoria do tricotomismo afirma que o homem é constituído de três
elementos; corpo, alma e espírito.
O corpo seria a parte material, o órgão dos sentidos, e é o instru-
mento pelo qual o homem percebe, age e reage no mundo material.
A alma seria a parte sensorial e a sede das emoções do ser humano. E
o espírito, a parte espiritual humana pela qual o homem manifesta
adoração.

Os tricotomistas usam diversas passagens da bíblia para reforçar


sua tese. Apresentam o texto de hebreus 4.12 “porque a palavra de
Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que alguma espada de dois
gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito e das juntas e
medulas e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.“
Além, desta passagem, citam ainda, I Tessalonicense (5.23);
“o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo vosso espírito e alma e
corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para vinda de nosso
Jesus cristo”.
2 LANGSTON A.B Esboço de Teologia Sistemática edit. Vida Nova SP

172
Edmilson Alves

Tanto quanto o Dicotomismo, o tricotomismo é muito popular


entre os teólogos modernos, principalmente no pentecostalismo.
Neste nosso sucinto comentário teológico, não queremos firmar teses
ou defender exaustivamente alguma delas. Mas, queremos deixar a mercê
do leitor ou aluno tirar suas próprias conclusões teológicas, e escolher
uma das duas principais; ou o dicotomismo ou o tricotomismo.
A razão de não tomarmos aqui nenhuma única linha de
pensamento, é porque acreditamos que ambos; dicotomia e
tricotomia possuem pontos teologicamente corretos biblicamente.
As pequenas divergências estão apenas na maneira de classificá-los.
Mas o que de maior importância é que nem um dos dois pensamentos
ignoram a existência do homem material e imaterial, representado
por corpo, alma e espírito.

173
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Elementos da constituição
do homem
Com respeito aos elementos que compõem o homem; a bíblia
apresenta uma diversidade de termos representativos os quais nos
seus devidos significados traduzem teologicamente a composição hu-
mana. Os principais termos sugeridos na bíblia são: alma, corpo,
mente, vontade, coração, entranhas. Mas todos esses termos são
incorporados a tríplice divisão teológica humana, que é; corpo,
alma e espírito.

O corpo
No hebraico do antigo testamento a palavra mais apresentado
para significar corpo é o termo Basar que significa “carne” (Lv 14.9 ;
.15.2). Traduz carne , tanto de homens, quanto de animais. Mas no
que se refere ao homem, o termo define “a parte estrutural, física, visí-
vel do ser humano”. Sobre este assunto, o patriarca Jó Descreveu as
seguintes palavras: “De pele e carne me vestistes e de ossos e nervos me
entreteceste“ ( Jó 10.11 ).
Na língua grega, do novo testamento, os vocábulos que definem
corpo são: Soma, que define o corpo como um todo e se refere tanto
ao corpo de um homem vivo (Mt 6.22) como também ao corpo de
morto (Mt 27.52). Este termo em forma de metáfora no novo testa-
mento, também traz a significação de Igreja como um todo, sendo
essa, o corpo místico de cristo (Ef 1.23; Cl 1.18, 22,24). Ainda no
novo testamento é identificado o termo grego Sarx que significa;
“carne” no sentido de matéria pecaminosa do corpo. Este termo traz
a definição de “natureza carnal, sensual, pecaminosa” (Mt 26.41).
Mas, o principal termo que aparece dando significação ao corpo é a
palavra grega Somma que define “corpo como um todo, instrumen-
to de vida”.

Sua composição. Biblicamente “Deus formou o corpo humano do


pó da terra...” (Gn 2.7; Ec 12.7), e as ciências biológicas confirmam
174
Edmilson Alves

isso ao chegaram a conclusão de que o corpo humano é composto


por cerca de 18 elementos principais que existem no solo os quais são:
oxigênio (água) nitrogênio, cálcio, carbono, hidrogênio, iodo, enxofre,
potássio, sódio, cloro, cobre, zinco, ferro, silício, fósforo, flúor, man-
ganês e magnésio. Além de traços de outros elementos misturados
e em pequenas quantidades, também derivados da terra.
Aspectos importantes. Em relação ao corpo humano, há três aspectos
que merecem um destaque especial:

Harmonia. Conforme estudado pela ciência, o corpo humano


possui cabeça, tronco e diversos membros grandes e minúsculos.
Mas o que no deixa curiosos, é a perfeita harmonia com que
todos os membros do corpo funcionam. É tão perfeita que até o
apóstolo São Paulo usou o corpo humano como símbolo de uma
igreja onde todos os membros devem atuar harmonicamente.
Paulo descreveu esta comparação da seguinte forma; “Porque o
corpo também não é um só membro, mas muito. Se o pé disser: porque
não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha
disser: porque não sou olho, não sou do corpo; Não será por isso do corpo?
Se todo corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido
onde estaria o olfato? Más, agora, Deus colocou os membros no corpo,
cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria
o corpo? Agora, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não
pode dizer a mão: não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça, aos
pés: não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem
ser os mais fracos são necessários. E os que reputamos serem menos
honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são
menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais
honestos não tem necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando
muito mais honra ao que tinha falta dela, para que não haja divisão
no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros.
De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com
ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.”
( I Co 12.14 – 26 ).
Anatomicamente o corpo humano possui um esqueleto com
206 ossos revestidos com centenas de músculos e tecidos compostos

175
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

por pequenas unidades morfológicas e fisiológicas chamadas


células. Enquanto alguns seres vivos possuem apenas uma célula, ma-
ravilhosamente o corpo humano possui cerca alguns trilhões de célu-
las. Tantos elementos juntos no mesmo corpo, poderia causar uma
imensa confusão, más, ao contrário, há uma perfeita harmonia na
atuação de todos elementos do corpo.

Finalidade. Citamos novamente as palavras do apóstolo São Paulo


que disse: “todos os membros sendo muitos, formam um só corpo...”
(I Co 12.12). Porque Deus colocou cada um como quis (v.18). Paulo
argumenta que mesmo sendo muitos os membros do corpo, não
se estranham; “O olho não discorda da mão, e a cabeça não discor-
da dos pés (v. 21). Mas exercem sua finalidade conforme sua função.
Enquanto a cabeça pensa, os pés andam; o ouvido escuta, porém,
a boca fala. Enfim, todos os membros do corpo tem uma função,
até os que parecem insignificantes são vitais ao corpo. As principais
finalidade dos membros do nosso corpo se manifestam dirigidas pela
nossa alma, representados pelos cinco sentidos.

Equilíbrio. O corpo humano possui elementos que geram equilíbrio


para seu bom funcionamento. Nele existe hormônios que despertam
o corpo, bem como, hormônios que acalmam. Temos sensores que
avisam quando o corpo precisa de alimento e geram fome. E que
avisam quando o corpo necessita de água e gera a sede. Quando há
algum ferimento em alguma parte do corpo, o cérebro emite sensações
ao local ferido, gerando a dor, como um aviso de que aquele local
precisa ser reparado. Outro exemplo é, quando no corpo, é ingerido
alguma substância estranha, seja alimento estragado, ou algo que
não seja alimento. Automaticamente, o organismo rejeita e manifesta
rejeição através do vômito. Um outro exemplo existente; quando se
ingere alguma carne contaminada e que contém muitas bactérias, que
ao chegar ao organismo, são expulsa pelos anticorpos existentes nele.
E essas bactérias saem do organismo através da pele, em forma de
caroços ou furúnculos. Essas e outras muitas formas de proteção
do organismo visam manter o perfeito equilíbrio do corpo e seus
membros.

176
Edmilson Alves

As funções do corpo
As funções do corpo podem ser teologicamente classificadas em três
pontos diferentes.

Recepção. O corpo recebe as informações do que acontece ao seu no


meio ambiente, por intermédio dos cinco sentidos; visão, audição,
tato, paladar e olfato.
Reação. Depois de recepcionar e processar as informações recebidas
do mundo ao redor, o corpo reage, através do seu sistema muscular.
Esta reação em feita em forma de palavras, e ações.
Expressão. Além de recepcionar e reagir, o corpo também é o respon-
sável pelas diversas formas de expressão, que são manifestas em pen-
samentos, sentimentos, palavras, atos, intenções, e decisões. O corpo
é o invólucro da alma, e através dele o homem se alimenta fisica-
mente, se movimenta, se reproduz, trabalha, se comunica, aprende,
adora. É mediante o corpo que o homem pratica as obras boas ou
ruins as quais serão um dia aprovadas ou reprovadas por Deus (II
Co 5.10). O apóstolo São Paulo afirmou que o corpo humano é
principalmente o templo do espírito santo, e como tal, ele é santo, e
deve ser preservado. E assevera que aquele destruir este templo, Deus
o destruirá. (I Co 3.16, 17).

A alma
Na língua hebraica do antigo testamento alma é traduzida pelo termo
hebraico Nephesh que tem o significado de “vida, coração, pessoa,
ego, alma”. O substantivo Nephesh é originário do verbo Naphash
que significa “respirar, refrescar-se restaurar-se e refere-se ao essencial
da vida humana, a respiração, o fôlego.
O texto vétero testamentário, apresenta a alma através do
substantivo Nephesh referindo-se a “homem interior” em contra par-
tida o homem exterior ( ou homem social ) é representado pelo
termo hebraico Shem que define “nome, reputação, fama”.
No novo testamento o termo Alma é traduzido pelo termo grego
Psyche que traduz “respiração da vida”. Este termo é encontrado
em inúmeras passagens do novo testamento, trazendo de maneira

177
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

adicional uma definição complementar; as principais definições


encontradas são as que afirmam que a alma é; a parte invisível e
imaterial de ser humano (Mt 10.28; At 2.27); a vida natural do corpo
(At 20.10; Lv 17.11); a sede dos sentimentos do homem (Sl 84.2);
sede dos desejos (Is 26.9; Ap 18.14 ; Pv 6.30); sede dos afetos (Mt
22.37); sede da vontade (103.1; Is 26.9); sede das tristezas (Sl 43.5)
Sede das alegrias (Lc 1.46, 47); sede da personalidade (Hb 10.39; Is
53.10).

Faculdades da alma
A alma humana é composta de faculdades sumamente importantes.
Essas características são:
Emoção: Capacidade de sentir, (Lc 1.46; II Sm 5.8;Zc11.8), tristezas
(Sl 43.5), alegria (Lc 1.46, 47 ).
Vontade ( Jó 7.15; Jr 44.14; Dt 21.14; Sl 41.2; Ez 16.27 ). Esta von-
tade expressada pela alma, é o próprio livre-arbítrio dado por Deus
na criação do homem. Ela pode ser definida como “a faculdade de
escolher um entre várias coisas”.
Intelecto, (Pv19.2;Sl 13.2;Ez 24.25; Sl 139.14; Pv 2.10; 3.21, 22;
24.14; Lm 3.20) a alma possui inteligência através da qual o homem
pode ter conhecimento de si mesmo; tanto conhecimento objetivo.
Como, conhecimento subjetivo. Através desta capacidade, é que o
homem pode entender sua própria condição de existência. Além da
suas próprias ações.

O Espirito
O espírito é a parte imaterial do ser humano e é o próprio sopro de
Deus executado no ato da criação do homem (Gn 2.7)

Teorias da origem da Alma e do Espírito


No meio teológico e filosófico existem diversas ideias diferentes acer-
ca da origem da parte espiritual do homem. Estas ideias em forma de
teorias são defendidas por filósofos, teólogos e até cientistas. Aqui
apenas queremos destacar algumas destas teorias a fim de torná-las
conhecidas apenas. Por isso descrevemos somente as mais difundidas
em estudos de antropologia bíblica. As que mais se destacam são:
178
Edmilson Alves

Preexistencialismo. Esta teoria afirma que todas as almas já existem


antes de se manifestar em algum corpo, e que no período de gestação
em que o corpo está se formando, Deus envia uma alma já existente.
Que entra naquele novo corpo, o qual passa a existir como pessoa
através deste processo de encarnação. Essa teoria embora muito in-
teressante não possui nenhum respaldo bíblico para sua aprovação.

Criacionismo imediato. Segundo o ponto de vista desta teoria,


no momento em que cada corpo humano fica pronto, Deus cria
imediatamente uma alma para cada corpo. Desta maneira não há
como haver semelhança entre a alma do homem e seus progenitores.
Somente o seu corpo teria semelhanças dos seus pais. O que bibli-
camente não é o que realmente acontece, pois não é difícil notar as
semelhanças psicológicas e espirituais entre um indivíduo e seus pais.
A outra dificuldade de aceitação desta teoria está na questão do peca-
do por transmissão, que conforme disse o salmista Davi;
“Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha
mãe“ (Sl 51.5).

Acreditar na criação imediata da Alma e Espírito, seria crê que Deus


colocou uma Alma e um Espírito pecaminoso em cada pessoa.
O que biblicamente não é verdade, pois tudo que Deus cria é santo
e bom.

Teoria da Transmissão. Essa teoria afirma que apesar de sermos cria-


dos por Deus, também somos criados por intermédio de nossos pais,
dos quais herdamos características físicas, psicológicas e espirituais. No
que diz respeito, ao corpo físico, nós herdamos de nossos pais a apa-
rência física, a estatura, cor da pele, capacidade de se reproduzir e
muitos outros caracteres. Do lado espiritual, herdamos dos nossos
pais a natureza pecaminosa ou a continuidade do pecado no mun-
do.

179
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

A mulher
Depois de formar o homem, Deus concluiu que não era bom o
homem viver sozinho e decidiu fazer uma companheira para ele.
O processo de criação da mulher foi diferente do homem, desta vez
Deus não tomou do pó da terra, más, do próprio corpo do homem.
O Senhor extraiu uma das suas costelas, como declara o texto bíblico;
“Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este
adormeceu; tomou então uma das suas costelas, e fechou a carne em seu
lugar, e da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma
mulher e trouxe-a a Adão, e disse Adão; esta é agora ossos dos meus ossos,
e carne da minha carne; esta será chamada varoa porquanto do varão foi
tomada.”(Gn 2.21,22,23).
A palavra que traduz “mulher” no hebraico é Isshah que significa:
“Varoa, esposa, noiva, mulher, toda”. E é um substantivo genérico que
define a mulher independente da idade, seja criança ou adulta. Aliás, o
termo Isshah (mulher) é derivado de Ish (homem) que também pode
ser traduzido como “homem fêmea” ou “homem-ela”. Definição
que é comumente traduzida pelas bíblias pelo termo “varoa”.
No grego do novo testamento as palavras equivalentes a mulher
são os termos Theleia que significa: “fêmea” e Gune que refere-se a
mulher casada, solteira ou viúva (Mt 11.11;14.21;Lc 4.26; Rm 7.2).

Propósito. Depois de Deus haver formado o primeiro casal “Deus


os abençoou e lhes disse: frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra e
sujeitai- a e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves do céu;
e sobre todo animal que se move sobre a terra”. (Gn 1.28).
Partindo deste princípio entendemos que a mulher foi criada em pé de
igualdade com o homem, com o propósito de frutificar, multiplicar
e dominar sobre a natureza. Além disso, Deus havia definido que
a mulher fosse para o homem, uma companheira presente que
estivesse sempre ao seu lado (Gn 2.20, 24).

A queda. Partindo do texto de gênesis (2.20, 24) entendemos que


Eva deveria está sempre ao lado de seu marido Adão, principalmente
em um jardim que ela ainda não conhecia completamente. Más, ao
contrário disso, ela estava andando sozinha, quando surgiu a serpente

180
Edmilson Alves

que aqui representava satanás com todo seu poder de engano mentira
e fraudes (Ap 12.9; Jo 8.44), e a ludibriou fazendo-lhe perguntas
astuciosas, convenceu-a a comer do fruto que Deus havia proibido e
ainda fez ela convencer Adão a comer também (Gn 3.1-6).

Consequências. Depois de comer do fruto proibido, veio as conse-


quências. O primeiro desastre foi psicológico.
A culpa, Pois até então, Adão e Eva viviam despidos no Éden e não
havia nenhum sentimento de vergonha ou culpa (Gn 2.25). Más,
depois de pecarem veio o terrível sentimento da culpa tão forte que
não conseguiram se sentir mais a vontade nus, a ponto de coserem
folhas de árvores e transformarem em roupas (Gn 3.7).
As outras consequências que a mulher sofreu, foi a multiplicação das
dores de parto, e a perda de domínio para o homem (Gn 3.16). Signifi-
cando que dali em diante o homem exerceria liderança na primeira
família (Ef 5.22). É claro que para Deus, não existe diferença entre
judeu nem grego, nem servo nem livre, nem macho nem fêmea,
porque todos vós sois um em Cristo Jesus (Gl 3.28).
Bíblica e socialmente, tanto homem como a mulher tem os mes-
mos direitos e deveres.

A imagem de Deus
No ato da criação descrito em gênesis (1.26) “disse Deus; façamos o
homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança”.
Imagem aqui neste texto é traduzida pela palavra hebraica Tselem que
tem o significado de “cópia, modelo funcional”. O mesmo vocábulo
também significa “a sombra de algo que representa o original”. (Sl
39.6).
No que se refere ao homem como imagem de Deus, se entende que
essa imagem não se refere à questão de aparência física (como acredi-
tam os mórmons), pois Deus é Espírito. Porém, refere-se a caracterís-
ticas próprias à natureza de Deus, das quais o homem foi dotado; tais
como; Sabedoria para criar, capacidade de amar, capacidade de domí-
nio. A outra definição está na “Semelhança” traduzida no hebraico
pela palavra Demuth que significa “figura, forma, padrão, modelo”,

181
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

e traz uma definição de “algo ou alguém feito conforme semelhan-


ças e estrutura de um determinado padrão”. Assim como a imagem,
também as semelhanças do homem com o Criador se encontram na
natureza espiritual do homem e que o diferencia dos animais, e o
possibilita a si relacionar com Deus e a desenvolver características
que somente Deus possui.

A queda do Homem
Deus fez o homem perfeito e colocou para proteger e cuidar do jar-
dim do Éden. O homem permaneceu no estado de perfeição, tam-
bém conhecido de “dispensação da inocência” por um período para
nós desconhecido. Porém, satanás que é astuto e pérfido, bolou um
plano para manchar o projeto divino. Ele se incorporou de um dos
animais da floresta e conseguiu passar uma mensagem de engano para
Eva a mulher de Adão.
Na malignidade de sua mensagem, ele conseguiu convencer a mu-
lher de que Deus o estava enganando ao privá-los de comer do fruto
proibido, para não se tornarem igual a Deus. Satanás conseguiu êxito
em seu intento, pois a mulher acreditou que se comesse aquele fruto
se tornariam igual a Deus. Essa foi uma terrível e deslavada mentira
feita pelo pai da mentira (Jo 8.44) Após comer do fruto proibido, Eva
também convenceu seu marido Adão, a comer. Depois que Adão
desobedeceu comendo do fruto, foi repreendido por Deus e em
seguida foi expulso do Jardim do Éden. Esse foi o princípio da queda
do homem.

182
Soteriologia
A doutrina da salvação

183
Indice
A Salvação..................................................................185
O amor salvífico de Deus.............................................................185
Passos para salvação...................................................186
Conversão....................................................................................186
Regeneração ................................................................................187
Justificação...................................................................................190

184
Edmilson Alves

A salvação
No antigo testamento a principal palavra que traduz o significado
de salvação é Yãsha que originalmente tem o significado de “libertar, ti-
rar ou procurar tirar alguém de um fardo, opressão ou perigo” (Js 10.6;
Ex 2.17; Jz 12.2). Outro termo de importante significado também é o
substantivo Yeshuah que significa “Salvação”.
No antigo testamento a salvação tinha o sentido de “livramento de
algum perigo iminente”. Por exemplo; quando o povo hebreu após pas-
sar cerca de 430 anos como escravos no Egito, clamaram a Deus e Ele
respondeu com as seguintes palavras: “Tenho visto atentamente a aflição
do meu povo que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa do
seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto desci para livra-los...”
(Ex 3.7, 8).
No novo testamento o termo grego equivalente é a palavra Sõteria que
traz um significado de “libertação, preservação, salvação”. Neste caso,
o significado tem uma conotação espiritual, significando livramento
e salvação ao homem dos seus próprios pecados. Além de Soteria, o
grego do novo testamento usa o termo Sozõ que refere-se; a livramento
de morte (Mt 8.25; At 27.20, 31 ); salvar de enfermidades (Mt 9.22);
salvar de possessão maligna (Lc 8.36); salvação da alma e espírito (I Co
1.21).

O amor salvífico de Deus


Em toda a bíblia sagrada, começando pelo antigo testamento, há uma
imensa dedicação de Deus em trazer o homem ao seu projeto original, que
era o de lhe servir. Esta preocupação de Deus em Salvar, é manifesta através
dos atos e palavras de amor representado pelas mensagens transmitidas
pelos profetas. Este amor demonstrado por Deus é um dos atributos mais
veneráveis que existe, tão importante, que a Bíblia diz que o próprio Deus é
amor. (I Jo 4.8). Esse atributo divino aparece, em ação, e em cada palavra
expressa por Deus.

185
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Termos hebraico e grego definem com profundidade o significado


do amor divino. Um desses significados é representado pela palavra
hebraica Ahebh que traduz: “Gostar, amar com o sentido de afeição e
desejo de viver ao lado do ser desejado”.
No Novo Testamento, na língua grega, os significados aparece
principalmente no termo Agaphe cuja definição é “amor de Deus pela
humanidade” ou “amor incondicional pelo homem”.
Agaphe é uma forma de amor sacrificial, autodoador, amor dispensado
a seres humanos graciosamente, sem levar em consideração, o
merecerem ou não. E a melhor maneira de entender esse amor, é
observando as obras feitas por Deus, para atrair os homens a sua
presença. O ponto crucial deste amor, foi a entrega de Jesus, o Filho
de Deus para ser morto e exposto numa cruz, com intenção de fazer a
humanidade entender o quanto Deus os amava.

Passos para a salvação


Na teologia do novo testamento encontramos vários passos
importantes, percorridos pelo homem até chegar à salvação.
Estes principais passos são:

Conversão
Segundo John Piper, 1 A palavra “conversão” é usada apenas uma vez na
Bíblia, em Atos 15.3: Paulo e Barnabé “atravessaram as províncias da
Fenícia e Samaria e, narrando a conversão dos gentios, causaram grande
alegria a todos os irmãos”. Essa conversão abrangia arrependimento e
fé, como mostram os outros relatos em Atos.
Por exemplo, em Atos 11.18 os apóstolos responderam ao testemunho
de Pedro sobre a conversão dos gentios nesses termos: “Também aos
gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida”. E em
Atos 14.27 Paulo e Barnabé relatam a conversão dos gentios, dizendo
que “Deus [...] abria aos gentios a porta da fé”.
1 PIPER, John. Em Busca de Deus. Shedd Publicações. ed. 2008

186
Edmilson Alves

Conversão, portanto, é arrependimento (dar as costas ao pecado e a in-


credulidade) e fé (confiar apenas em Cristo para a salvação). Na verdade
trata-se dos dois lados da mesma moeda. Um lado é cauda — dar as
costas aos frutos da incredulidade. O outro lado é cabeça — voltar-se
diretamente para Jesus e confiar em suas promessas. Não se pode ter
um sem o outro, assim como não se pode andar em dois caminhos ao
mesmo tempo nem servir a dois senhores.
Isso significa que a fé salvadora em Cristo sempre inclui uma profunda
mudança do coração.”

A regeneração
A regeneração é um processo que todo ser humano precisa passar após
a conversão para ser considerado nova criatura e filho de Deus.
Deus fez o homem física, emocional e espiritualmente perfeito. No
entanto, deu-lhe mandamentos que desobedecidos resultaria nessa
sentença: “certamente morrerás” (Gn 2:16.17).
Adão desobedeceu e, com isso, toda sua forma de vida passou a
sofrer as consequências: O corpo passou a ter doenças, envelhecimento
e morte (Gn 3:17-19); A alma passou a sentir tristeza, amargura,
desânimo e muitos outros sentimentos negativos (Gn 3:15-19); O
espírito perdeu a imagem, a semelhança e a comunhão com Deus.
A vida espiritual que o homem possuía e que o capacitava a encon-
trar-se pessoalmente com Deus, morreu.
A Bíblia é taxativa em dizer que “todos pecaram e destituídos estão
da glória de Deus” (Rm 3:23).

A Santificação
Este é considerado o terceiro passo, que o pecador tem que realizar até
chegar ao posto da salvação.
Em todas as religiões existe separação entre o puro e o impuro, entre
o santo e o profano. E na Teologia Divina a santidade está no próprio
caráter e natureza de Deus e toda religião bíblica está fundamentada
nesta santidade. Conhecido na teologia como o atributo mais elevado
de Deus, a santidade Divina é declarada pelo próprio Deus, quando

187
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

diz: “Sede Santos, porque Eu Sou Santo” (Lv 11:44; IPd 01:15, 16).
Além Dele também seus anjos declaram continuamente que
“Ele é Santo” (Is 6.3; Ap 4.8). No Antigo Testamento a Santidade é
representada pelas palavras hebraicas Qadhõsh que tem o significado
de “Ser separado, consagrado”, e Toher que significa “Limpo, puro” No
uso destes dois vocábulos (Qadhõsh e Taher) denotamos dois aspectos
importantes na Santidade de Deus. Primeiro - É a sua separação
(definido pelo termo qadhõsh) neste aspecto, Deus está distante da
sua criação em razão desta está contaminada pelo pecado. Segundo
- (o termo taher) traz a definição de ser Deus absolutamente “puro,
limpo e que não pode contemplar o mal” (Hc 1.13). Expressando
a perfeição moral do Caráter de Deus. No antigo testamento a
santificação era um termo que não estava restrito unicamente à
pessoas. Era aplicado também a objetos, lugares, dias comemorativos.
Este tipo de santificação era realizado de maneira cerimonial. E os
principais elementos descritos no antigo testamento que deveriam ser
santificados eram:
O altar (Ex 29.37), o tabernáculo (Ex 29.44), as vestes sacerdotais
(Lv 8.30), dias comemorativos (Ex 16.23; Lv 23.32; Jr 17.21-27)
o jejum (Jl 1.14), a congregação (Jl 2.16), o campo (Lv 27.17), a
casa (Lv 27.14), O leproso ( Lv 14.1-32 ), O povo (Ex 19.14), Os
sacerdotes (Ex 28.41).
Na teologia neotestamentária, a santificação na vida do homem,
vem por três vias principais:
Pelo sangue de Cristo (Hb 13.12). O texto de Jo 1.7, afirma que “se
andarmos na luz, como Ele na luz está, temos comunhão uns com os
outros, e o sangue Jesus Cristo, seu filho nos purifica de todo pecado”
Pela palavra de Deus ( Jo17.17) “Santifica-os na verdade, a tua palavra
é a verdade”.
O Espírito Santo - Em Mt 3.11,12 diz que “.. Ele vos batizará com o
Espírito Santo e com fogo. Em sua mão tem a pá e limpará a eira, e
recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com o fogo que
nunca se apagará”.

188
Edmilson Alves

Tipos de Santificação
Analisando em toda a Bíblia, a teologia da santificação, podemos
concluir que existe três maneiras de santificação:

Cerimonial. É a forma de santificação que era realizada no antigo


testamento, através de rituais e cerimónias, por meio de água, fogo,
e sangue e por intermédio da separação de coisas e pessoas para uso
exclusivo de Deus. Este modelo de santificação cerimonial prefigurava
a futura santificação espiritual que viria por meio do sangue de Cristo,
da palavra e do Espírito Santo.

Geral. Este tipo de santificação também é conhecido como


“Santificação posicional” e é alcançada por todos que alcançam a
posição de salvo. A santificação geral, tem esse nome porque foi feita
por Cristo para todos os salvos em geral. O escritor aos hebreus,
escreveu que “..temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus
Cristo feita uma vez, porque com uma só oblação, aperfeiçoou para
sempre os que são santificados” (Hb 10.10,14). O novo testamento
trata os salvos como “Santos“ (Rm 12.13) independente das falhas de
cada um. Isso é o que a teologia chama de santificação geral.

Experimental. Como o próprio termo já esclarece a santificação


experimentada pelo o homem individualmente, pelos meios já citados
neste livro. Com ênfase na obra realizada pelo Espírito Santo em cada
pessoa. Esta santificação ocorre internamente e de maneira crescente.
Na medida em que o homem permite ao Espírito Santo liderar sua
vida e direcioná-la pela palavra, vai crescendo dentro da alma humana
o fruto do Espírito, que depois abre caminho aos dons espirituais.
Este processo de santificação é gradual e interminável e somente
alcançará seu ápice na vida eterna quando o corpo humano for
transformado em um novo corpo espiritual e perfeito.

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Justificação
O termo justificação é derivado do hebraico Tsaddik e do grego
Dikaioõ ambos trazem o significado “absolvição, declarar alguém
justo, absolver” O termo justificar ocorre no novo testamento cerca
de trinta e nove vezes, das quais, vinte nove, estão nas cartas de Paulo.
Nos seus ensinos soteriológicos, o apóstolo São Paulo expõe com
muita propriedade a segurança da salvação manifestada na doutrina
da justificação.
A princípio, o termo justificação traz consigo uma conotação
judicial sendo o oposto de condenação, e representando o ato de
declarar justo um réu que poderia ser condenado.
A teologia Paulina procura deixar bem claro que a situação da
humanidade é um estado de condenação “Porque todos pecaram
e destituídos estão da glória de Deus”. (Rm 3.23). Este estado de
destituição que submetia o homem à condição de réu perante o
tribunal de Deus, é mudado no momento em que o homem passa
pelo processo de conversão e regeneração recebendo finalmente, a
justificação, que é uma garantia de que ele está livre, inocente, salvo
da condenação. A justificação tem como fonte, a justiça de Deus.
Os termos hebraico Tsaddik (justificação) e Tsedeq (justiça) são
cognatos, e nessa justiça divina se opera a salvação. Tal justiça é
esclarecida na teologia bíblica sendo apresentada de duas maneiras
diferentes:

Justiça imputada.
A justiça imputada é uma retidão que independe das obras humanas,
e que se apoia única e exclusivamente na fé em Deus Conforme
está escrito em (Gn15.6) que Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi
imputado como justiça. Essa é uma atribuição que vem pela graça de
Deus, através de Cristo, e que alcança os pecadores injustos, que por
seus pecados seriam justamente condenados. Porém, ao que crê em
Cristo, ele alcança “misericórdia”, que é a anulação da sentença que
os condenaria. E ainda recebe “graça” que é definida como um favor
imerecido que vem trazendo consigo a justificação. Desta maneira
a justiça não é burlada pelo fato de um condenado não pagar seus
delitos, pois ao invés dele, outro,(o Senhor Jesus) se fez réu em seu

190
Edmilson Alves

lugar, cumprindo a sentença (que pertencia ao pecador). E fazendo


justo todo o que nele crê (Jo 1.12).
O texto áureo desta justiça se encontra em romanos (3.21-26) onde
diz assim: “Más agora se manifestou sem lei, a justiça de Deus tendo o
testemunho da lei e dos profetas, isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus
Cristo, para todos e sobre todos os que crêem, porque não há diferença.
Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em
Cristo Jesus, no qual Deus propôs para propiciação pela fé em seu sangue
para demonstração de sua justiça neste tempo presente para que seja justo
e justificador daquele que tem fé em Jesus”.
Nos dias neotestamentários, a lei mosaica era como um espelho que
servia para revelar os defeitos das pessoas, e acima de tudo condená-
las. E a isso se chamava de Justiça Mas, paradoxalmente, vemos no
versículo 21 e 22 que “..agora a justiça de Deus se manifestou sem a
lei, isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus” (isto é pela graça) Esta
justiça de Deus é a maneira correta de Deus absolver alguém que pela
lei seria condenado. E transformá-lo em inocente, isto é, justo, visto
que Deus precisava punir os pecados, porém desejava livrar o pecador.
E isso só foi possível através da justiça imputada quando o pecador ao
se aproximar de Deus pela fé, isso lhe é atribuído como justiça.

Justiça cumprida.
A salvação vem como um presente, e começa com a justiça imputada,
a qual vem pela fé em Cristo. Porém, a justiça cumprida “é o caminho
pelo qual palmilha os pés dos justos” (Is 26.7). É guardar o caminho
do Senhor (Gn18.19) é praticar a sua lei (Rm 2.13) é desenvolver
a justiça imputada através da regeneração promovida pelo Espírito
Santo que através do cristão cumprir a justiça, vai promovendo um
processo de crédito espiritual que resulta em santificação e capacitação,
manifestos em frutos e dons espirituais.
A exigência da justiça cumprida é retratada de forma sistemática no
salmo 15, que é composto de perguntas, respostas e promessas.
Primeiro, o salmista questiona a Deus com a seguinte pergunta;
“Senhor, quem habitará no teu tabernáculo ? E quem morará no teu
santo monte?” No mesmo salmo, o autor obtém, onze respostas, as
quais são:
(1) O que anda em sinceridade, (2) Pratica a justiça, (3) Fala a verdade
191
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

de coração, (4) Não difama com sua língua, (5) Não faz mal ao
próximo, (6) Não aceita afronta contra o próximo, (7) Aquele que
despreza o pecado, (8) Os que honram os que temem ao senhor,
(9) Os que mesmo que jure com dano seu não muda, (10) O que não
empresta seu dinheiro com usura, (11) O que não recebe suborno
contra o inocente”.
Após esta lista de atos de justiça praticável, o salmista medita na
melhor parte, que são as promessas, e conclui; “Quem faz isso, nunca
será abalado”.
Porém, no ponto de vista sociológico, a justiça é definida como “A
virtude que leva o homem a não causar mau ao próximo, nem tirar
dele vantagens materiais ou morais”. O termo Justiça é mais conhecido
como sendo de origem latina, da palavra Jus que significa: “Direito”.
No segmento sociológico a justiça pode ser apresentada com diversas
faces, dentre elas, destacam-se:
Justiça distributiva. “É o senso de direito que leva o homem a
distribuir de maneira justa aquilo que é de direito proporcionalmente
a qualquer cidadão”. Este tipo de justiça não poderia faltar aos líderes
políticos para que houvesse uma justa distribuição de renda e direito a
todo indivíduo pertencente a qualquer sociedade.
Justiça comutativa. “É o senso de igualdade entre as pessoas, que regula
as ações de uns para com os outros. Garantindo a plena restituição em
caso de algum prejuízo ou ofensa”
Justiça legal. “E o fiel cumprimento dos deveres de cada cidadão em
uma sociedade”. Na qual ele por gozar de direitos garantidos por lei e
tem a devida obrigação de cumprir seus deveres sociais.
Justiça social . “É capacidade de se preocupar com os menos favorecidos
de uma sociedade” ajudando-os a obter mais dignidade. Estas formas
de justiça apresentada, tem uma conotação de foro social, porém, são
extremamente necessária para vivência de todo e qualquer cidadão de
bem em uma sociedade, seja ele cristão ou não. Más, no que se refere
à justificação, esta, é um privilégio somente daqueles que passaram
pelo processo de conversão, regeneração e santificação, e chegaram à
condição biblicamente conhecida como “Salvação”.

192
Homilética
A arte de pregar um sermão

193
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Homilética
Definição
A homilética é uma matéria de uso indispensável a todo e qualquer ora-
dor, ou expositor de alguma mensagem. Por isso é adicionada às maté-
rias de uma grade teológica, para facilitar a comunicação e transmissão
das mensagens e sermões de uma maneira mais objetiva e equilibrada.
A palavra Homilética é de origem grega, e é entendida através de três
termos da mesma derivação; O primeiro, é o termo “Homileo” que é
derivado de “homos” (junto) e que traz a significação “associar-se com
alguém, estar junto de, ter comunicação com alguém” O segundo, é o
termo “Homilos” que significa, “multidão assembléia de pessoas ou aglo-
meração” O terceiro termo é “Homilia” que significa “uma associação de
pessoas que são do mesmo grupo” más ao mesmo tempo significa um
discurso dirigido a um grupo de ouvintes”.
No dicionário Aurélio, da língua portuguesa o termo homilia, é defi-
nido como “uma pregação em estilo simples, e quase coloquial, sobre
o evangelho”. Na teologia, a homilética derivada de todos esses termos
acima citados, significa, “A arte de elaborar e expor um sermão”. Como
matéria importante que é, a homilética é munida de vários recursos que
completam e complementam seu objetivo de exposição de um sermão.
Dentre os complementos da homilética estão os seguintes:
Sua importância. A matéria chamada de Homilética envolve tudo o que
tem a ver com a pregação e apresentações públicas laicas ou religiosas.
Através dela o orador se pode se preparar para apresentar seus discursos
ou sermões de maneira mais eficaz. A importância desta matéria foi en-
fatizada pelo próprio Jesus Cristo, no livro de Lucas, capitulo 16 e ver-
sículo 16. Com uma frase imperativa, dizendo: “Ide pregai o evangelho
a toda criatura”. Pregar é uma arte, que exige organização, criatividade e

194
Indice

Homilética...................................................................................194
Definição...............................................................................................194
A pregação........................................................................................195
Elementos da pregação...........................................................................195
O pregador........................................................................................198
Ao entregar o sermão.............................................................................199
O sermão............................................................................................200
Classificação do sermão..........................................................................200
A estrutura do sermão............................................................................203

195
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

imaginação, e somente a homilética pode proporcionar todas estas quali-


dades a um orador. E como ciência, que é, a homilética tem como exercí-
cio, a pregação, e como resultado, o sermão.

A Pregação
Segundo o ponto de vista bíblico neotestamentário, “a pregação é a pro-
clamação pública do cristianismo, ao mundo não-cristão”. Más no que diz
respeito ao assunto da homilética, a pregação pode ser definida como“orien-
tar, ensinar ou anunciar publicamente uma determinada mensagem a um
grupo de ouvintes”. É, em outras palavras o exercício da homilética. Na
língua do novo testamento, diversos termos gregos, são classificados para
traduzir a arte de pregar. Dentre esses, destacam-se os seguintes; Euangelizõ
que significa, “evangelizar, anunciar boas novas”. Outro termo é a palavra
Kerygma que denota a “aquilo que é pregado, proclamação pública, men-
sagem”. Porém, o termo mais usado na escritura do novo testamento para
traduzir pregação, é a palavra Keryssõ que traz o significado de “proclamar
como arauto, apregoar”

Elementos da pregação
Os elementos que consistem de uma pregação são diversos, desde os reli-
giosos aos estéticos, todos são de fundamental importância. Nesta matéria
nos resumimos a descrever os elementos de maior importância, e que são
indispensáveis para uma pregação. Esses principais elementos são:
Discurso ou Oratória, a Voz, a Eloquência, o Vocabulário a Retórica e
o Sermão.

Discurso ou oratória.
Conforme o dicionário da língua portuguesa, o discurso é “uma peça ora-
tória proferida em público, ou uma exposição metódica sobre determinado
assunto”. Porém, em termos de língua grega, há diversas palavras sugeridas
no texto neotestamentário. Más, uma delas, define melhor o significado
de discurso. É o termo Demegoreõ que é formado de dois vocábulos Demos
(povo) e Agoreaõ (que é falar em assembleia pública). Logo, discurso é “fa-
lar a um público”.E a oratória, assim como o discurso, também é a arte de
se expressar ao público.

196
Edmilson Alves

Eloquência.
Segundo o dicionário de língua portuguesa, Eloquência “é a faculdade de
falar ou escrever de modo persuasivo ou comovente”. Também é um termo
derivado do latim Eloquentia que significa: “elegância no falar, ou falar
bem”. Também seria a arte de se comunicar com capacidade para conven-
cer os ouvintes.
O pregador não deve confundir eloquência com excessos de irreverên-
cia no púlpito. A elocução é o meio mais viável para uma boa comunicação
na pregação.

Voz.
A voz é o principal veículo de uma pregação. Por isso ela deve ter algumas
características indispensáveis. Por exemplo:
Ser audível, para que todos possam ouvir e entender a mensagem.
Ser Compreensível, para que todos os ouvintes possam entender. Para isso
é necessário pronunciar claramente as palavras, e fazer uma leitura correta,
observando as regras de pontuações e acentuações. E não comer parte das
palavras ou expressões.
Vocabulário, é basicamente a quantidade de palavras que conhecemos.
Todo pregador que quer ser bem sucedido na sua pregação, precisa tomar
algumas precauções em relação à linguagem a ser usada. Ele deve usar
termos fáceis de falar e que seja comum a todos, de fácil compreensão.
É dever do pregador saber o significado das palavras. Também, é preciso
evitar linguagem incorreta e o uso de gírias e piadas indecentes ou de mau
gosto. É necessário ter conhecimento do nível do seu publico ouvinte.
Deve levar a sério o seu oficio, e não agir como um animador de circo ou
plateia.

Retórica.
“É um conjunto de regras relativas à eloquência”, além de ser também a
arte de falar bem. Esta arte possui algumas formas de linguagem, das quais
o orador pode apoderar-se no uso da sua oratória ou pregação. Estas for-
mas de linguagem, são as figuras de retórica. Que dentre tantas destacamos
as seguintes:
Metáfora, um tipo de figura de linguagem que tem por base alguma seme-
lhança entre dois objetos ou fatos, caracterizando-se um com o que é
próprio do outro.
197
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

Sinédoque, faz-se uso desta figura quando se toma a parte pelo todo ou o
todo pela parte, o plural pelo singular, o gênero pela espécie, ou vice- versa.
(Sl 73:9; Sl 52:4 ; Jo 13:8; I Co 11:26; At 24:5; Pv 1:16; Lv 2:1).
Metonímia, usa-se esta figura quando se emprega a causa pelo efeito, ou o
sinal ou símbolo pela realidade que indica o símbolo. (Jr 18:18 ; At 23:37;
Sl 18:1; I Co 10:21).
Prosopopéia, esta figura é usada quando se personificam as cousas
inanimadas, atribuindo-lhes os feitos e ações das pessoas.
Ironia, faz-se uso desta figura quando se expressa o contrário do que se quer
dizer, porém sempre de tal modo que se faz ressaltar o sentido verdadeiro.
Hipérbole, é a figura pela qual se representa uma cousa como muito maior
ou menor do que em realidade é, para apresentá-la viva à imaginação.
É um exagero. (Números 13:33; Dt 1:28; Gn 22:17;II Cr 28:4; Sl 119:136
Jó 21:25)
Alegoria, é uma figura retórica que geralmente consta de várias metáforas
unidas, representando cada uma delas realidades correspondentes.
(Sl 80:8-15; Jo 10: 1-18; Jo 6:51-65; Is 5: 1-7).
Fábula, é uma alegoria histórica, na qual um fato ou alguma circunstância
se expõe em forma de narração mediante a personificação de cousas ou de
animais. (Jz 9.8 a 15)
Enigma, é a enunciação de uma ideia em linguagem difícil de difícil
compreensão Ex: Juizes 14.14.
Símbolo, representa alguma cousa ou algum fato por meio de outra cousa
ou fato familiar que se considera a propósito para servir de semelhança ou
representação.
Parábola, é uma espécie de alegoria apresentada sob a forma de uma
narração, relatando fatos naturais ou acontecimentos possíveis, sempre
com o objetivo de ilustrar uma ou várias verdades importantes. (Mateus
13: 24-30; Lucas 18: 10-14).
Interrogação. é a figura pela qual o orador se dirige ao seu interlocutor, ou
adversário, ou político, em tom de pergunta, sabendo de antemão que
ninguém vai responder. (Gn 18:25; Am 3:34;Rm 8:33,34;Hb 1:14).
Antítese, é a inclusão na mesma frase de duas palavras ou dois pensamentos
que faz um contraste um com o outro. O mau e o falso servem de contraste
ou fundo que dá realce ao bom e ao verdadeiro. (Dt 30:15,19;

198
Edmilson Alves

Mt 7:13 e 14; 17 e 18; 21 a 23; 24 a 27;Mt 24 e 25; II Co 3:6 - 18).


Símile, procede da palavra latina “similis” que significa semelhante ou pa-
recido a outro. É uma analogia. Comparação de cousas semelhantes. In-
terrogação. é uma figura pela qual o orador se dirige ao seu interlocutor,
ou adversário, ou ao público, em tom de pergunta, sabendo de antemão
que ninguém vai responder. (Sl 2:9b; 1:3; 102:6:Is 1:8; 57:20: Pv 25:11; II
Pedro 2:17;I Pedro 1:24).
Apóstrofe, indica que o orador se volve de seus ouvintes imediatos para diri-
gir-se a uma pessoa ou cousa ausente ou imaginária. Antítese. Inclusão, na
mesma frase, de duas palavras, ou dois pensamentos, que fazem contraste
um com o outro.
Provérbio. Trata-se de um ditado comum.
Paradoxo. Denomina-se paradoxo a uma preposição ou declaração oposta
à opinião comum. Mateus 16:6; Lucas 9:60 (Explicação vv 61 e 62;Mt
23:24; Lc 18:25; Mc 8:35).
Antropopatia, é a atribuição de emoções, paixões e desejos humanos a
Deus. (Êx 34:14; Gn 6:6; Dt 13:17;Ef 4:30).
Antropomorfismo, é a atribuição de características corporais e atividades fí-
sicas a Deus (Tg 5:4; Êx 15:16; Sl 34:16; 10:12; 8:3; Lm 3:56).
Pleonasmo, é a palavra ou expressão redundante: repetição da mesma idéia,
com a finalidade reforçar e avivar a expressão e o pensamento. (I Rs 21:13;
Mt 13:15; Js 7:25; At 2:30; Jó 42:5).
Eufemismo, consiste em disfarçar, abrandar, suavizar expressões rudes, cho-
cantes, desagradáveis. (At 7:60; II Tes 4:14).
Essas e muitas outras figuras de linguagem enriquecem a retórica do orador
e por isso são indispensáveis.

O Pregador
O pregador ou orador é o responsável por entregar o sermão. E essa res-
ponsabilidade exige um comportamento exemplar perante seus ouvintes.
Por isso, é necessário observar alguns requisitos importantes na postura de
quem deseja destacar-se na arte da oratória. Por exemplo:
• Vencer a timidez e encarar os ouvintes.
• Usar gestos adequados e pensar no que deverá falar.
• Expressar os pensamentos de maneira clara e concreta, usando frases

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D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

corretas.
• Ser preciso nas palavras e utilizar os recursos naturais, tais como; mãos,
olhos, boca etc.
• Não demonstrar rigidez e nervosismo e evitar exageros nos gestos.
• Não demonstrar indisposição e evitar leituras prolongadas.
• Preocupar se com a indumentária. Esta vestido adequadamente.
• Estar com o sermão ou discurso preparado.
O pregador não deve esquecer que diante dele há um publico atento
esperando ouvir alguma coisa construtiva. De preferência que venha da
parte de Deus através dele.

Ao entregar o sermão
Quando o pregador for entregar seu sermão é indispensável que:
• Tenha estudado bem a mensagem,
• Evite se movimentar como fantoche
• Evita ficar estáticos como múmia
• Evitar ultrapassar o tempo estabelecido para o sermão
• Observar o auditório, olhar sempre nos olhos das pessoas e nunca fi-
car olhando somente para uma única pessoa, nem mesmo para o relógio,
parede, janelas chão teto ou ficar com os olhos fechados.

Como preparar o sermão


Há vários métodos pelos quais o pregador pode preparar os sermão
Aqui sugerimos alguns.
• Escrever, ler e estudar o sermão. Estas habilidade facilita ao pregador, ter
um estilo sempre correto, perfeito e atraente, visto que utiliza-se, das
palavras com muita segurança e mantém unidade no sermão, evitando
assim que o pregador suba ao púlpito despreparado e preocupado
com que vai falar, ou até mesmo criando desculpas, como; “eu não
sei porque Deus ta falando isso” ou “acabo de receber a mensagem do
céu” ou “eu não tinha preparado nada, más Deus acaba de me dar a
mensagem”. Na verdade, na maioria das vezes, tudo isso são desculpas
de quem não se preparou para pregar, ou está inseguro com o que
irá falar. Portanto, para evitar essas desculpas, a melhor coisa é se
preparar antes, escrevendo, lendo, estudando e é claro, orando.
• Memorizar o sermão. A memorização traz muitas vantagens, porque

200
Edmilson Alves

exercita a desenvolver a memória, e deixa o pregador livre para gesti-


cular, e se comportar mais naturalmente. E evita o esquecimento de
palavras ou frases importantes para o desenvolvimento do sermão.
• Preparar um esboço e pregar. A preparação de um esboço é indis-
pensável a qualquer pregador. Haja vista que este é o método mais
utilizado na oratória. Para tanto deve se levar em consideração
alguns requisitos importantes. Por exemplo:
Dividir o esboço de preferência em três pontos. Se necessário, com tópicos e,
ou subtópicos. Ter conhecimento aprofundado do tema esboçado. Organi-
zar os tópicos e subtópicos de forma simétrica. Traçar um tempo limite para
cada ponto a ser abordado, a fim de não gastar todo tempo da mensagem
em um único ponto, em detrimento ao restante da mensagem. Fazer ano-
tações somente breves e se necessárias, para evitar embaraços de leitura, no
momento eloquente da mensagem.
Essas são apenas algumas dicas para auxiliar no preparo de um esboço para
o sermão.

O Sermão
O sermão é o produto final da pregação. É a mensagem. Depois de juntar
todos os ingredientes da homilética a um disciplinado orador, que exerça
com eficácia, tem-se como resultado o sermão. E de preferência um bom
sermão.

Classificação do sermão
O sermão pode ser classificado de diversas maneiras; por exemplo: pelo mé-
todo, pelo género ou pelo assunto.

Classificação do sermão pelo método. Pode se fazer uma divisão em qua-


tro categorias diferentes de sermões.

• Sermão temático. É um tipo de sermão onde a divisão é feita através do


tema. Todas as divisões devem ser temáticas e a melhor forma de praticar
esse tipo de sermão é fazer perguntas ao tema escolhido, tais como: Por
que? Como? Quando? O Que? Onde?

201
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

• Sermão textual. São sermões onde a sua divisão está no próprio texto.
É um método proveitoso, pois facilita ao público presente acompanhar
cuidadosamente a exposição do sermão. Este tipo de sermão possui ainda
subdivisões que correspondem ao seu tipo e estilos diversificados.
Por exemplo:
As divisões textuais fraseológicas que são divisões que correspondem com
exatidão as frases descritas no texto. Um exemplo é o tema “Não temas”
( Isaias 42.10), “Não temas que eu te ajudo”, “Não temais, essa peleja não
é vossa”, “ Não temas eu Sou teu escudo”. Outra forma importante é a di-
visão Textual Tópico que são correspondentes às frases do texto, mesmo que
não estejam no texto. Neste método é Utilizado as mesmas divisões do
texto, porém, com outras palavras que tenham o mesmo significado. Ex: “O
médico divino” (Lc 18.35-43, no episódio do cego de Jericó). Uma outra
subdivisão é chamada de Textual Inferente, que ão divisões inferidas das
frases textuais. Esse método não é muito usado devido às dificuldades de
elaboração. Nesse tipo de divisão as orações textuais são reduzidas em uma
expressão, ou palavra que conclui o conteúdo, sendo esse a essência da de-
claração. Ex: “Como adorar a Deus (Jo. 4.23)? Em espírito e em verdade,
Com um coração puro, Com liberdade”.

• Sermão expositivo. Quando os textos são longos. Este pode expor uma
história ou uma doutrina. (Parábola, Milagre, Peregrinação, Pecado)
Em certo sentido todo sermão é expositivo, mas aqui indica a extensão
do texto. O sermão expositivo é dividido em: Analítico e sintético.

• Sermão Hegeliano. Leva este nome em referência a doutrina e filosofia


de Hegel ( filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel 1710-1831).
Este é um tipo de sermão baseado em uma conjunção. As quais podem
ser: explicativa: (Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gra-
tuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor (Rm 6.23).
Podem ser Aditivas: (e, nem, mas também, mais ainda). Ex: “O cetro não
se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e
a ele se congregarão os povos”. Também pode ser Adversativa: (mas, porém,
contudo, todavia, entretanto) Ex: “Mas em todas estas coisas somos mais do
que vencedores, por aquele que nos amou”(Rm 6.23). Também podem ser
Alternativa: (ou, ta, quer, ora ) Ex: “Logo, pois, compadece-se de quem quer,
e endurece a quem quer” (Rm 9.18).
202
Edmilson Alves

E ainda pode ser Conclusiva: (pois, logo, portanto) “Por tanto, tornai a
levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados” (Hb 12.12).

Classificação do sermão pelo gênero.


O gênero de sermões, são classes, de assuntos bíblicos diversos, mas que
possuem uma mesma natureza teológica. Exs:
• Sermão evangelístico. É o gênero de sermão que leva o ouvinte face a
face com Cristo, o filho de Deus e o convence a aceitá-lo como Salvador
e Senhor, (Jo. 3:16; Is. 1:18; Rm. 3:23-24).
• Sermão doutrinário ou Teológico. É o gênero de sermão que
interpreta uma ou mais verdades cristãs com fins práticos, Este gênero
de sermão apela tanto para a mente como para o coração. Exs: “A
Trindade, A Santificação, A Expiação, A Ressurreição, A Doutrina
das Ultimas Coisas, etc,” (Co. 15:38; 15:20,28; Ef. 4:1724).
Este gênero exige do pregador um preparo muito grande em termos
de conhecimento teológico.
• Sermão ético. Esse tipo se assemelha às vezes, ao sermão doutrinário,
porém este se relaciona com o dever, enquanto o outro diz respeito
à verdade em si mesma. Exemplos do gênero ético: “O Perdão, O
Preconceito Racial, O Casamento, O Domingo, As Virtudes do
Cristão, etc, (Ef. 5:22-32;, 2:16-19; 3:18-25)”.
• Sermão pastoral. É o gênero de sermão que encoraja, fortifica, anima,
renova as forças e as esperança do crente. Este gênero é conhecido
como inspirador ou devocional, (Is. 40:1 ; 29:31; 41:10; Sl. 23:13).
• Sermão cerimonial. É o gênero usado para cerimônias especiais,
tais como: Sepultamento, Casamento, Inauguração “de Templos,
Aniversários e outros, etc, (IRs. 8:22-27; Lc. 2:21-35; Jo.2:112; 11:17-
28).

Classificação do sermão pelo assunto


Nesse tipo de classificação o sermão pode ser:
• Doutrinário. É aquele que expõe uma doutrina. (Ensinamento)
• Histórico. É aquele que narra uma história.
• Ocasional. Este tipo de sermão é aquele é destinado a ocasiões e mo-
mentos especiais.
• Apologético. Também chamado de controvérsia, o sermão apologético
tem a finalidade de fazer defesa de determinado assunto.
203
D i s c i p l i n a s d e Te o l o g i a

• Ético. Tem por finalidade enaltecer a moralidade e formar padrões de


ética social.
• Narrativo. Esse tipo de sermão são narrativas de determinados acon-
tecimentos, seja milagres, parábolas ou outros assuntos ocorridos no
texto.

A Estrutura do Sermão
Podemos apresentar cinco princípios para uma boa estrutura de um ser-
mão. Esses princípios podem ajudar o pregador a formar uma mensagem
consistente e objetiva:
• Unidade. O pregado deve evitar misturar os assuntos e pregar um ser-
mão por vez. Fugir de miscelânea e manter a unidade do tema abordado.
• Ordem. Considerar o sermão como a um corpo, tendo cabeça, tronco e
membros. Em outras palavras; principio, meio e fim.
• Simetria. Cada parte do sermão deve ser proporcional às demais.
• Progresso. É o auge ou clímax da mensagem. É o ponto crucial para o
pregador, o sermão e os ouvintes. E para que este ponto exista de fato, é
necessário que o pregador estabeleça um alvo e trace um caminho para
ele.
• Inspiração. Todo sermão deve ter inspiração divina. Um sermão sem ins-
piração, ainda que tenha uma excelente estrutura, não apresentará poder de
convencimento ou edificação aos que ouvem. Portanto é fundamental e
imperativo que o pregador além de toda a estrutura de um sermão, tenha
ou busque em Deus a inspiração.

204
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