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WAGNER, Roy. A invenção da cultura. São Paulo: Cosac Naify, 2010.

Cap. I – A presunção da cultura

- Ao falar de pessoas com diferentes culturas, estamos falando de pessoas que tem um tipo de
diferença muito básica entre elas, ou seja, sugerimos que há variedades específicas do
fenômeno humano. P. 28

- O antropólogo usa sua própria cultura para estudar outras (e a cultura em geral). P.28

- A objetividade relativa é alcançada a partir da compreensão que o antropólogo já tem seus


pressupostos característicos de sua própria cultura, e que esses pressupostos ao mesmo
tempo que permite compreender outras culturas impõe limites a tal compreensão. Uma
bagagem já formada de pressupostos. Conjunto de predisposições culturais. A objetividade
absoluta exigiria que o antropólogo não tivesse nenhum viés, portanto, nenhuma cultura.

- As culturas são equivalentes, uma vez que nunca se descobriu formas de classificá-las ou
ordená-las. Essa pressuposição chamamos de relativismo cultural.

-A compreensão de uma cultura envolve a relação entre partes diferentes (duas variedades do
fenômeno humano), a conciliação de pontos de vista diferentes. Nesse sentido, Roy Wagner
defende que a noção de relação, para a conciliação desses pontos de vista equivalente, é mais
apropriada que a noção de exame ou análise (que tem pretensões de objetividade absoluta).

- A relação é mais real do que as coisas que ela relaciona – nesse sentido, Roy Wagner afirma
que o antropólogo inventa a cultura que ele acredita estar estudando. É experenciando que o
antropólogo entende o que se quer dizer quando os próprios antropólogos usam a palavra
cultura. No ato de inventar a cultura do outro ele inventa a sua própria e a própria noção de
cultura. P 31

- Choque cultural: no processo de inserção em outra cultura, a perda do eu em virtude da


perda de alguns suportes como “a nossa participação na vida dos outros e a participação dos
outros em nossas vidas”. A perda da habilidade de manter a competência controladora na
comunicação com os outros. P.34 Envolve um certo controle por parte do antropólogo diante
do choque cultural, do seu desamparo e frustração.

- Choque com o antropólogo: é o leve choque que a comunidade experimenta com a presença
do antropólogo. Envolve um processo de controle do antropólogo por parte da Comunidade,
domesticando-o.

- A invenção da cultura ocorre pq ao mesmo tempo em que o autor a objetifica também


aprende, ou seja, o processo de aprender (a cultura nativa) caminha lado a lado com o
objetificar, e assim o antropólogo, poder-se-ia dizer, vai inventando a cultura. P.35

- O que quer que o antropólogo aprenda sore uma cultura, ele irá construir esse aprendizado
sobre uma base de significados que ele já possui. Essa construção da cultura do outro pelo
antropólogo, já que construída por uma base que ele possui antecipadamente, é uma
superestrutura. O antropólogo estuda uma cultura já envolvido de seus próprios
significados.p.36

- A cultura pensada como algo objetivo e inflexível é uma invenção e só pode ser útil como
uma invenção, uma moleta.p.36
- A invenção se dá quando um conjunto de convenções alienígenas se põe em relação ao
sujeito, e isso não acontece necessariamente no trabalho de campo, mas tb em certas
situações da vida. P.39

- O antropólogo utiliza sua própria base cultural p entender uma cultura. Por isso Roy Wagner
fala sobre analogia, no sentido que o antropólogo que está lidando com outros grupos constrói
a cultura do outro pondo como referência seus próprios significados. Ele utiliza como exemplo,
a título de comparação, as obras de arte do holandês Pieter Bruegel, que faz das suas pinturas
alegorias, utiliza fato bíblicos para fazer analogias com realidade na qual vivia. Analogia – nós
como antropólogos utilizamos elementos como modelos analógicos para interpretação dos
nossos temas.p.45

Cap. II – A cultura como criatividade

- Pq a invenção da cultura pelo antropólogo é uma objetificação? Qd estuda uma cultura ele a
“inventa” generalizando suas impressões, experiências e evidências como se estas fossem
produzidas por algumas “coisa” externa, assim, sua invenção é uma objetificação. Para que
essa invenção de uma cultura faça sentido para os seus iguais, ela precisa ser plausível e plena
de sentido nos termos da sua própria imagem de cultura. P.61

- Wagner faz um resgaste do entendimento ocidental de cultura para afirmar que o


entendimento que temos de cultura se refere a produção (produção pela produção). Ao
analisar uma cultura. A cultura para o antropólogo nesse sentido é um termo mediador, uma
maneira de descrever os outros como descreveríamos a nós mesmos. A arte nesse sentido é
cultura, a ciência, filosofia (tem esse caráter de refinamento, de produção, de acumulação e
aprofundamento). A produção no mundo ocidental é seria mais importantes que as pessoas.
P.66

- A antropologia reversa, é o ponto de vista das sociedades tribais sobre o mundo ocidental.
No entanto ela não tem o esforço teórico da antropologia, nem precisa disso, pois ela não tem
nada a ver com a cultura no sentido de produção pela produção (o que a antropologia que
fazemos é). P.67

- A antropologia reversa mostra que a antropologia, o conhecimento do outro se faz por


projeção, analogia, por isso usamos o conceito de cultura para entender outros povos, pq ele
se refere a nós mesmos, pq o que o antropólogo experiência como sendo algo do outro, ele
entende como uma produção. Do mesmo modo que os melanésios usam a ideia de “culto da
carga” para se referir ao mundo ocidental a partir de suas próprias experiências com o mundo
ocidental, seria uma espécie de equivalente da nossa noção de cultura no sentido de ser um
mediador entre a experiência com o outro e as próprias referências. P. 71

- Fica claro que o que se expôs que os devotos de ambos os conceitos (carga- melanésio,
cultura-antropólogo) não conseguem aprender facilmente o outro conceito sem transformá-lo
no seu próprio. Todos os homens projetam e estendem suas ideias e analogias sobre um outro
mundo. P. 71-72

-projeção de analogia – carga ou cultura são conceitos utilizados para o entendimento do


outro a partir de projeções de analogias, a partir de suas próprias ideias. Por isso tendemos a
perceber elementos de uma outra cultura como uma cultura como uma produção, pq a ideia
de produção, de cultura como refinamento de produção (o que a antropologia é por exemplo)
é um elemento ocidental. P. 71

Cap. III – O poder da invenção

- A noção de antropologia reversa leva ao entendimento de que a criatividade atribuída ao


antropólogo também deve ser atribuída ao nativo.

-A compreensão do antropólogo e a ideia de produção alheia (a cultura do outro): a cultura é


uma invenção do antropólogo, fruto da necessidade de objetificação para entendimento do
outro. É um termo que é projeção do próprio mundo do antropólogo, projeção do mundo
ocidental.

-Essa invenção, para fazer sentido aos seus pares, precisa de uma base de comunicação e
convenções partilhadas.

-Toda experiência, toda expressão dotada de significado, todo entendimento, é uma espécie
de invenção e requer uma base de convenções partilhadas. Assim, Wagner pretende enfatizar
a dimensão criativa e espontânea da cultura humana. Ele expurga a ideia de “norma” para dar
conta das interações humanas. A interação envolve contextos significativos associados e
compartilhados.

-A comunicação e a expressão significativa são mantidas por meio do uso de elementos


simbólicos – palavras, imagens, gestos – ou sequência destes. Esses elementos simbólicos só
têm significado para nós mediantes ASSOCIAÇÕES, que eles adquirem ao ser associados ou
postos uns aos outros em toda sorte de CONTEXTOS.

-O significado é assim uma função das maneiras pelas quais criamos e experenciamos
contextos.

-CONTEXTO – é um ambiente no interior do qual elementos simbólicos se relacionam entre si,


e é formado pelo ato de relacioná-los.

-Todo uso de elementos simbólicos é uma EXTENSÃO do seu em um contexto convencional.


Assim, a definição acaba sendo um exercício de afirmação ou ajuste do ponto de vista cultural
do definidor.

-A dialética dos CONTEXTOS: os contextos não são autogeridos, eles obtém suas características
uns dos outros.

-Todo pensamento, ação, interação, percepção e motivação humana pode ser entendida como
uma função da construção de contextos lançando mão das associações contextuais de
elementos simbólicos. Toda ação desse tipo se desenvolve mediante construções sucessivas,
sua geração pode ser descrita como INVENÇÃO ou INOVAÇÃO.

-A convenção é sempre resultante de atos de invenção e reinvenção, assim como a invenção e


reinvenção só é possível a partir da convenção. Ou seja, há interdependência entre invenção e
convenção. A convenção decompõe a mudança em algo reconhecível – o estranho é engolido
pela necessidade de ser convencionalizado.