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13 – Desapropriação

Para Carvalho, desapropriação judicial do CC pode ser chamada de


EXPROPRIAÇÃO, que é a “desapropriação feita pelo particular”. Afirma-se que
entidades ligadas a entes hierarquicamente superiores não podem sofrer desapropriação
por inferiores. No caso dos bens públicos, na desapropriação, exige-se a participação
do legislativo. O TOMBAMENTO, se foi instituído por ente superior, impede a
desapropriação por ente inferior, mas a recíproca não é verdadeira.
Súmula 479: “As margens dos rios navegáveis são de domínio público, insuscetíveis
de expropriação e, por isso mesmo, excluídas de indenização.”
Uma das consequências da aquisição originária é a isenção do ITBI. O DNIT e a
ANEEL possuem competência para declarar a utilidade e afins. Isso não se confunde
com COMPETÊNCIA LEGISLATIVA, que é da União, nem tampouco com
COMPETÊNCIA EXECUTÓRIA, pois se trata, segundo Carvalho, de
COMPETÊNCIA DECLARATÓRIA. A competência executória pode ser delegada,
mas não se presume. Então, em resumo, numa interpretação com maior propriedade,
pretendeu o legislador atribuir a legitimidade a quaisquer pessoas, administrativas ou
não, que executam serviços públicos por delegação. O núcleo, pois, é a delegação.
Diz-se DESAPROPRIAÇÃO POR ZONA aquela desapropriação que abrange as
áreas contíguas necessárias ao desenvolvimento da obra realizada pelo Poder Público
e as zonas que vierem a sofrer valorização extraordinária em decorrência da mesma
obra, estando prevista no art. 4o do Decreto-lei no 3.365/1941. Neste caso (assim como
em noutros), o domínio do expropriante é PROVISÓRIO, servindo apenas para
posteriormente dar o domínio a outrem. Sobre a DESAPROPRIAÇÃO
URBANÍSTICA: Considera-se aqui desapropriação urbanística aquela pela qual o
Poder Público pretende criar ou alterar planos de urbanização para as cidades, só
sendo possível a sua implementação mediante a retirada de algumas propriedades das
mãos de seus donos. Esse tipo de desapropriação, como é fácil observar, costuma
alcançar bairros inteiros e, por isso, o Poder Público tem o dever de definir
previamente seus projetos urbanísticos, já que são eles o próprio motivo das
desapropriações. Ressalve-se, porém, que nem sempre a desapropriação acarreta a
possibilidade de transferência dos bens expropriados a terceiros. Será, contudo,
admissível a transferência quando, ultimado o projeto urbanístico, o Poder Público,
desinteressado de permanecer com os bens expropriados, tenha mesmo que repassá-
los a terceiros. Como bem já se observou, pela desapropriação o Poder Público recebe
um bem, que passa a integrar seu patrimônio, e em momento subsequente se perfaz a
alienação, em outro negócio jurídico.
Dos EFEITOS DO DECRETO EXPROPRIATÓRIO:
O primeiro deles consiste no consentimento dado às autoridades administrativas do
expropriante ou seus representantes autorizados a ingressar nas áreas mencionadas
na declaração, inclusive e principalmente para proceder a inspeções e levantamentos
de campo, sendo lícito o recurso à força policial em caso de resistência (art. 7º). O
proprietário, entretanto, fará jus a indenização se houver dano decorrente de abuso de
poder ou das inspeções e levantamentos de campo, sem prejuízo da ação penal (art. 7º,
parágrafo único).
Outro efeito é o do início da contagem do prazo para ocorrência da caducidade do
ato, prevista no art. 10. Da declaração, portanto, corre o prazo para a conduta
positiva do expropriante.
Constitui efeito, da mesma forma, a descrição do estado em que se encontra o bem
objeto da declaração, com a finalidade de permitir a fixação da futura indenização.
Lembrando que isso se refere ao DECRETO EXPROPRIATÓRIO, que caducará em 5
ANOS. Falaremos agora da FASE EXECUTIVA. 914