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a volta ao judaísmo que crê que

Yeshua é o Messias
por Cintia Braga
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O que é Teshuvá?
Nas últimas décadas temos visto no mundo inteiro um fenômeno muito interessante e feliz.
Cada vez mais pessoas, judeus e principalmente cristãos, estão se voltando para o judaísmo
que crê que Yeshua é o messias salvador do mundo. Muitos de nós nos descobrimos
descendentes dos cristãos novos, também chamados criptojudeus ou marranos, que vieram
para as Américas em busca de paz para seguir sua religião, perseguida pela Inquisição na
Europa. Conforme a promessa do Eterno de trazer de volta todos os judeus espalhados pelo
mundo, muitos dos seus descendentes, alguns dos quais nem sabem sê-lo, têm sido atraídos
ao judaísmo em uma corrente cada vez maior de volta às origens. Outros, livres pensadores,
vêem na religião praticada discrepâncias em relação ao que a Torá, o Pentateuco, ou mesmo
toda a bíblia ensina. Outros ainda, lúcidos, compreendem que o Cristo apresentado pelas
igrejas é bem diferente do Yeshua judeu, que celebrava as festas, cumpria os mandamentos
e praticava o judaísmo, ele mesmo afirmando: “eu não vim para modificar a lei, mas para
cumpri-la”, entendendo então que, para ser um verdadeiro seguidor do messias, devem ser
como ele foi.

Mas o que é, realmente, fazer teshuvá? Na tradição judaica, teshuvá quer dizer "retorno".
Uma das palavras hebraicas para pecado é chet, que significa "extraviar-se, perder-se".
Assim, a ideia de arrependimento no pensamento judaico é um retorno ao caminho da
retidão. Nesse contexto, teshuvá judaico-messiânica ou nazarena é, então, retornar às raízes
primitivas do judaísmo pregado por Yeshua HaMashiach ou Yeshua HaNotzri, o nazareno.
Mas antes de tudo, retornar aos valores centrais ensinados por Yeshua: Amor, verdade e
justiça.
Como fazê-lo? Quais são as crenças e práticas essenciais do judaísmo? Preciso me tornar
judeu para fazer teshuvá? Preciso ser aceito pela comunidade judaica de onde moro e de
Israel? Algumas questões importantes precisam ser colocadas para que seu retorno ao
judaísmo seja feito de acordo com a vontade do Eterno.

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Qual não é o objetivo da Teshuvá?
O objetivo da verdadeira teshuvá é se voltar para D´us de forma mais completa e intensa, e
não para homens ou religiões. Mantenha isso em mente durante sua caminhada, pois o
judaísmo, com suas cores, festas, ludicidade, pode nos fascinar e nos dar a falsa sensação de
sermos importantes e especiais por suas práticas e seus conhecimentos profundos e tomar
o lugar que é do Eterno e apenas Dele. O próprio judaísmo nos diz que Daat, o conhecimento
pelo conhecimento puro e simples, não nos leva ao caminho do Eterno, mas que ele deve ser
regado e guiado pela Ruach HaKodesh, o Espirito Santo.

Tenhamos sempre em mente que nosso objetivo é o Eterno e que nosso filtro são as
escrituras, o Tanach (Antigo Testamento) e o B´rit HaDasha (Aliança Renovada ou Novo
Testamento), e que tudo que se afaste dos ensinamentos nele contidos deve ser deixado de
lado.

Judaísmo messiânico ou judaísmo nazareno?


Dentre as sinagogas e congregações que praticam o judaísmo que crê que Yeshua é o
messias, há várias nuances muito diversas. Por isso, nomenclaturas não significam muito
nesse movimento relativamente novo no Brasil. Pesquise o credo da congregação à qual você
quer pertencer e verifique se ele é bíblico ou se incorpora crenças apenas judaicas, como
salvação por seus próprios esforços, erros em partes essenciais do Novo Testamento ou B´rit
HaDashá, discussões eternas sobre o nome de HaShem ou de Yeshua, questionamento em
relação à divindade de Yeshua e ao seu nascimento virginal ou outros. Nesse caso, caia fora.
Filtre tudo pela bíblia.

Judaísmo ortodoxo, conservador ou reformista?


A maioria de nós abraçamos o judaísmo messiânico ou nazareno vindos igrejas evangélicas
ao nos descobrimos descendentes de cristãos novos ou judeus ou por queremos viver a fé
judaica que Yeshua viveu e ter uma abordagem mais profunda de nossa vida com D´us, e não
temos um conhecimento amplo e objetivo do que é o judaísmo e do que realmente acontece
nas sinagogas, a não ser se nos aventurarmos pelos milhares de vídeos e pelo amontoado de
informações encontradas na internet, o que por vezes pode nos dar uma noção errada do
que seja o judaísmo em seu todo e em suas correntes.

Não, o judaísmo não é apenas a ortodoxia, com vestes e costumes rígidos e diferentes e
milhares de mandamentos adicionais a Torá vindos da tradição e do judaísmo rabínico
descendente do farisaísmo.
Essa denominação ou vertente do judaísmo constitui apenas 15% do total dos judeus
religiosos, mas sobressai pelo seu radicalismo e peculiaridade de costumes. A vertente
judaica mais importante em número de adesões é a reformista, seguida pela conservadora.

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Saiba um pouco mais sobre as diferentes correntes do judaísmo:
Judaísmo ortodoxo:
O judaísmo ortodoxo se caracteriza pela observação rigorosa dos costumes e rituais em sua
forma mais primitiva e tradicional, segundo as regras estabelecidas pela Torá e pelo Talmud.
Veja o tópico Talmud para entender o que é.
Geralmente o Judaísmo Ortodoxo consiste em duas vertentes diferentes, a Ortodoxa
Moderna e a Ultra Ortodoxa. Eles defendem os hábitos tradicionais, bem como posições
religiosas e políticas radicais, como não reconhecer sinagogas e rabinos não ortodoxos. São
extremamente separatistas.

O judaísmo ortodoxo é caracterizado pelas crenças de que:


• A Torá e suas leis são divinas e foram transmitidas por D´us a Moisés, são eternas e
inalteráveis.
• Há uma lei oral no judaísmo, que contém a interpretação oficial das seções legais da Torá
escrita e também é divina em virtude de ter sido transmitida por D´us a Moisés juntamente
com a lei escrita, como incluído no Talmud, Midrash (veja tópico Midrash) e vários textos
relacionados, todos ligados à lei escrita da Torá.
• Homens e mulheres ficam separados no serviço, do qual a mulher não participa. O papel da
mulher é principalmente o de mãe (não aceitam a contracepção em sua maioria) e cuidadora
do lar.
• Mulher e homem vestem-se de forma diferente, com extrema discrição. Os homens andam
de terno e chapéu, as mulheres de saias longas e blusas de manga comprida. As mulheres
casadas devem cobrir os cabelos, algumas usando lenços, outras perucas.

Judaísmo conservador
Judaísmo conservador ou conservativo (também chamado de Judaísmo histórico e Judaísmo
masorti) é o segundo maior dos movimentos judaicos no mundo. Os conservadores
obedecem à Torá e Talmud, mas são flexíveis em relação a tempos e circunstâncias e são
considerados tradicionais sem fundamentalismo. Seus princípios são:
• A unidade do povo judeu, fortalecendo os laços entre judeus onde quer que vivam; A
centralidade da sinagoga na vida do povo judeu;
• O estudo da Torá, no sentido mais amplo, e a transmissão de seus princípios de geração em
geração;
• A importância de manter uma prática judaica comprometida a Torá, mas ao mesmo tempo
dinâmica, refletindo o amor pela tradição e abraçando a modernidade e os aspectos positivos
da mudança;
• A centralidade de Israel junto com o conhecimento e o uso da língua hebraica na vida do
povo judeu.
• Os valores de igualdade, pluralismo e democracia no desenvolvimento da tradição judaica.
Esse é um movimento que fica entre ortodoxos e reformistas progressistas e que cresceu
fortemente nos anos 1950-1960 para se tornar a forma mais popular de judaísmo, mas,
recentemente as filiações caíram, e agora vem em segundo lugar para o judaísmo reformista.
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As comunidades locais e os rabinos trabalham juntos para decidir sobre a prática a ser
seguida em sinagogas particulares. O judaísmo conservador inclui homens e mulheres em
todas as esferas da vida judaica. Mulheres e homens podem desempenhar papéis iguais no
serviço religioso. A maioria das sinagogas conservadoras deixam homens e mulheres
sentados juntos, outras poucas separam os gêneros. No entanto, as mulheres contam como
parte do minyan (contagem de dez pessoas no mínimo para que haja o cortejo da Torá) e
podem dizer as bênçãos e ler a Torá durante os serviços.

Judaísmo reformista
O judaísmo reformista (também chamado judaísmo reformado, judaísmo
liberal ou judaísmo progressista) defende a introdução de novos conceitos e ideias nas
práticas judaicas, com o fim de adaptá-las e adequá-las ao momento atual.
Para o judaísmo reformista, não se deve separar judeus de não judeus, e seu objetivo é a
espiritualização de toda a Humanidade, independentemente de crenças, nações ou etnias.
Esse movimento se destaca pela tolerância, autonomia individual, flexibilidade nos modos
comportamentais (como vestimentas) e uma maior igualdade de gênero, inclusive aceitando
casamentos de homossexuais.

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No que o judaísmo messiânico ou nazareno crê?
O judaísmo messiânico ou nazareno crê na prática do judaísmo e na messiandade de Yeshua
Ben Yosef, Yeshua de Nazaré. Dentro do judaísmo messiânico diferentes congregações
adotam diferentes linhas judaicas.

O judaísmo messiânico ou nazareno reconhece na prática do judaísmo vivido por Yeshua o


caminho indicado pelo Mashiach para reconciliar a humanidade com o Criador.

Tem o propósito de contribuir para o TIKUN OLAM (aperfeiçoamento do mundo) através da


teshuvá, do compromisso do estudo e da prática das mitzvot e dos princípios das Escrituras.

Em essência:
Amando a Adonai acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo.

Valoriza a milenar cultura judaica, entendendo que ela é essencial para a compreensão das
Escrituras, que devem ser interpretadas de acordo com seu contexto histórico-cultural e com
a inspiração do Ruach HaKodesh.

Reconhece a importância do povo e da terra de Israel ao longo dos milênios até os dias de
hoje e repudiamos todo antissemitismo. Oramos pela paz de Jerusalém.

Recebe com amor e com alegria a todos que tenham a intenção de buscar ao Eterno e
respeitem as regras e credo do grupo. Entende que no servir ao Eterno somos todos iguais,
independentemente da idade, raça, sexo, origem ou classe social, e que cada um de nós deve
colaborar de acordo com nossa vocação para atuar em Seu reino. Reconhece que precisamos
construir pontes de amor e solidariedade, de compreensão e diálogo entre os diferentes,
buscando união dentro de um povo e entre povos diferentes. E tem o dever de sermos
responsáveis uns pelos outros, fraternalmente, independentemente das barreiras
ideológicas, genealógicas e geográficas.

São valores ideais do judaísmo messiânico ou nazareno que vivemos:

- A alegria do encontro e do serviço ao Eterno. Simchah shel mitzvá . A alegria do shabat, de


nos reunirmos para orar, adorar, compartilhar as refeições, celebrar as festas da Torá e de
agirmos em comunidade.

- A alegria de levar nossa colaboração aos irmãos que hoje a vida trata com dureza. De
cumprir a Tsedaká orientada nas Escrituras e agir com caridade e generosidade. Estender a
mão a quem precisa e levar a luz e a mensagem do Mashiach a todos.

- A alegria de estimular o kashrut e em especial a eco-kashrut: a atitude ética para com nós
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mesmos, com o próximo e com o meio ambiente, de acordo com a Torá.

- A alegria da plena liberdade de atuação do Ruach HaKodesh em nosso meio na busca por
estudarmos e cumprirmos os princípios e mandamentos do Eterno, confiando que eles são o
melhor para nossa vida.

No que nós que fazemos teshuvá ao judaismo de Yeshua cremos:

Criador
Cremos em ‫יהוה‬, o Criador dos céus e da terra, o Elohim de Avraham (Abraão), Yitzhak
(Isaque) e Yaakov (Jacó).

Cremos que ‫ יהוה‬é UM (echad). Onisciente, onipresente e onipotente. Assim sendo, cremos
que pode se manifestar de formas ilimitadas.

Cremos que as essências do PAI, do FILHO (Palavra viva) e da RUACH HAKODESH (Espírito
Santo) são manifestações do mesmo ‫ יהוה‬, que é UM, e assim se revela nas Escrituras.

Cremos nas manifestações sobrenaturais de ‫יהוה‬, bem como na existência de dons


espirituais: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, fé, misericórdia, cura, realização
de milagres, profecia, discernimento espiritual, diversidade de línguas e interpretação de
línguas e outros, desde que autênticos e de acordo com as Escrituras.

Escrituras
Cremos que as Escrituras bíblicas, que incluem o Tanach (Antigo testamento) e o B’rit
Chadashá (Nova Aliança/Novo Testamento), são divinamente inspiradas, constituindo a
infalível Palavra de Elohim em seus textos e manuscritos originais.
Cremos que a literatura e tradição rabínica extrabíblica é valiosa para fornecer o contexto
das Escrituras Sagradas, mas não é a Palavra inspirada de ‫יהוה‬. Rejeitamos a incorporação de
tradições e ensinos rabínicos sem a prévia investigação crítica à luz das Escrituras.

Cremos ainda que a Torá (Pentateuco) é o conjunto de instruções e ensinamentos que o


Eterno deu para que o homem possa viver de forma plena e tenha uma conduta moral
elevada: amando a ‫ יהוה‬acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo.

Cremos que observar a Torá traz liberdade e não escravidão. Ela expressa princípios eternos
de ‫יהוה‬, jamais será alterada ou substituída, e a ela não devemos acrescentar nem dela retirar
nada. Devemos também usar a Torá como norte e filtro no estudo e aplicação das Escrituras
extra-bíblicas, interpretando-a em seu contexto histórico-cultural original.

Cremos que o exemplo da perfeita interpretação da Torá aplicada nos foi dada pelo
Mashiach, razão pela qual seu testemunho de vida e seus ensinamentos são essenciais para
se caminhar com ‫יהוה‬.
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Cremos no que as Escrituras nos ensinam sobre viver uma vida de vigilância em relação a
HaSatan, seus shedim (demônios) e sua ação na terra, inclusive no cuidado com as
manifestações sobrenaturais operadas por falsos profetas.

Mashiach (Messias)
Cremos que Yeshua ben Yossef (conhecido como Yeshua) é o Mashiach (Messias). Ele veio
como homem, sendo uma k’numah (emanação) de ‫יהוה‬. Cremos nos vários textos das
Escrituras, do Midrash e de diversas fontes rabínicas que atestam que o Espírito de Elohim é
o próprio Espírito do Mashiach.

Cremos que o Mashiach nasceu de uma virgem, viveu uma vida sem pecado, cumprindo e
ensinando a Torá, realizou milagres e foi executado para a expiação do mundo e salvação
daqueles que verdadeiramente se convertem ao seu caminho, fazendo teshuvá (retorno) a
‫יהוה‬.

Cremos que Yeshua HaMashiach é a Torá encarnada, o Memra, o Verbo, a Palavra que se fez
carne. Assim como a Torá é o caminho, a verdade, a vida e a luz, o Mashiach também é o
caminho, a verdade, a vida e a luz.

Cremos que o Mashiach não veio para criar uma nova religião, mas seus ensinos, doutrinas e
práticas representam uma das diversas correntes do pensamento judaico. No entanto, seus
ensinamentos não podem ser confinados e aprisionados aos dogmas de qualquer religião.

Cremos que o Pai ressuscitou corporalmente o Mashiach ao terceiro dia. Cremos que Ele
ascendeu aos céus, e com grande alegria esperamos seu retornar para inaugurar o Reino de
Elohim na Terra

Salvação
Cremos que por meio da morte de Yeshua HaMashiach recebemos a salvação e a redenção
dos nossos pecados.

Cremos que a salvação vem pela fé em Yeshua Hamashiach e não é obtida por nossas próprias
obras, pois todos pecamos e carecemos da Kapará e Mechilá (expiação e perdão) que nos
foram dadas pelo Eterno por meio do sacrifício do Mashiach. Se fossemos rigorosamente
julgados segundo a Torá, seríamos condenados, pois o único que não pecou foi Yeshua
HaMashiach.

Cremos que esta verdadeira fé se expressa no esforço real em viver e praticar os


mandamentos da Torá. A fé sem obediência é morta, porque não produz frutos. Cremos que
quem se converte a HaShem deve gradativamente praticar os mandamentos da Torá,
santificando-se em busca de um relacionamento cada vez mais próximo do Eterno, como nos
ordena o Shemá.
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Cremos que a salvação é universal, independente da origem genealógica e dos seus atos
pregressos. Todos que se convertem a ‫ יהוה‬por meio de Yeshua se tornam um só povo, não
devem ser discriminados e são chamados a viver uma vida de santidade e amor na presença
do Eterno.

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Festas Judaicas
Quais são as práticas judaicas essenciais?
Algumas práticas judaicas são essenciais a quem quer fazer teshuvá, por se encontrarem na
Torá. Abaixo, listamos as que realmente importam:

Kashrut – leis alimentares


Tacharat mispacha - leis de pureza
Guarda do shabat e festas
Tefilá, tsedaká e avodá – oração, caridade e serviço
Estudo da Torá , Tanach, B´rit Hadasha (Antigo e Novo Testamento),
e outros livros judaicos, filtrados à luz da Torá
Rituais de passagem – brit milá, bar mitsvá, casamento, funeral

Kashrut ou leis alimentares

Kashrut são as leis relativas a alimentos permitidos e não permitidos na Torá. Quem quer
fazer teshuvá e seguir o judaísmo de Yeshua, deve seguir essas leis.

No que isso implica?


Evitar comer peixes sem escamas e barbatanas, como cação, espada, peixe-porco e bagre,
frutos do mar, aves de rapina e marinhas em geral, animais que não ruminem ou não tenham
casco fendido, como coelho, porco, javali e outros. Os animais mais comuns permitidos são
frango, peru, carne bovina, ovina e caprina.

Além disso deve-se evitar comer qualquer tipo de sangue ou carne sanguinolenta. Para evitar
o sangue, costuma-se fazer o processo de casherização da carne: Lava-se bem a carne em
água corrente, depois coloca-se a carne por meia hora na água, depois cobre-se a carne por
uma hora com sal, e finalmente deve-se lavá-la três vezes em água corrente.Cabe dizer aqui,
se o teshuvando quiser realmente cumprir a lei em seus pormenores, é melhor que se torne
vegetariano, pois não existe tecido animal realmente sem sangue. Sempre resta algum nos
espaços intersticiais.

Além disso, com base no mandamento de não cozinhar o cabrito no leite da mãe, segundo
a tradição, não se deve comer carne e leite de qualquer tipo junto, como por exemplo
estrogonofe de carne ou cheeseburguer, nem fritar a carne em qualquer derivado de leite.
O cumprimento das leis alimentares já provou trazer uma melhor saúde a quem as segue,
mas os nossos sábios afirmam que as vantagens não são apenas físicas, mas também
espirituais.

Torá ou tradição? Torá.


Onde está na Torá: Levítico 11 e Levítico 17:10, Deuteronômio 14, Êxodo 23:1

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Taharat mispachá As leis de pureza familiar

As regras básicas para taharat ha-mishpacha, ou tahará familiar, geralmente traduzida como
"pureza ritual" são importantes no judaísmo, principalmente para os ortodoxos.

Segundo as leis de pureza, a mulher menstruada não pode ter relações sexuais com o marido.
Há também um caso especial na Torah para a separação da mulher que ocorre após o parto:
para uma filha, a mãe é separada dos outros por quatorze dias, e então é totalmente t'harah
(em um estado de taharah, impura) por 66 dias, e nos tempos bíblicos ela podia então trazer
um sacrifício para o Templo, quando este existia. Para um filho, ela fica separada por sete
dias e depois espera trinta e três dias. Acredita-se que o tempo dobrado para uma filha é que
a própria filha carrega uma "fonte de sangue" e, portanto, o período de separação adicional
reflete a presença do corpo da filha.

Nidá e Taharat Ha-mishpacha


A Torá, como já dissemos, exige um mínimo de sete dias de abstinência sexual para as
mulheres e seus maridos, desde o início do fluxo sanguíneo. Diz-se então que a mulher está
nidá.
No final desse período de tempo, a mulher, principalmente a ortodoxa, visita o micvê, o
tanque de banho ritual que deve existir nas sinagogas.

No micvê, a mulher se prepara tomando banho, escovando os dentes, limpando debaixo das
unhas, removendo todas as joias e assim por diante, para se certificar de que seu corpo está
perfeitamente limpo antes de entrar nas águas. Ela então entra na água, recita a bênção
prescrita e mergulha totalmente. A bênção do mikve pode ser encontrada no sidur ou no
manual de bênçãos do chabad no seguinte endereço virtual:

http://www.chabad.org.br/biblioteca/publicacoes/Manualbencaos/Manual_de_Bencaos.p
df

Deve-se fazer uma oração espontânea, dizer a bênção e imergir totalmente no tanque.
Alguns o fazem 3 vezes, outros 7 e ainda outros 10 ou 12 vezes.
O procedimento é semelhante tanto para a nidá quanto para uma mulher que deu à luz, ou
mesmo para quem deseje faze-lo como um ato profético de limpeza espiritual, em qualquer
época. No caso da nidá e da parturiente, até que a mulher retorne do micvê, a lei judaica
proíbe todo contato sexual.

Hoje, a observância das restrições tradicionais e a imersão pós-menstrual em um micvê são


comuns entre os judeus ortodoxos, muito menos comuns (mas estão crescendo) entre os
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judeus conservadores e bastante incomuns nas comunidades religiosas mais liberais. No
entanto, a prática está atraindo cada vez mais interesse à medida que os mikve’ot liberais
são estabelecidos, pois tem provado ser extremamente benéfica para o relacionamento do
casal.

O fato de os cônjuges passarem um tempo separados sexualmente um do outro traz vida e


desejo ao casamento, e o reencontro é como se fosse uma pequena lua de mel mensal, além
do fato de que obedecer aos mandamentos da Torá, ditados pelo Criador, traz uma bênção
adicional à família. Mas e onde não há mikvê, o tanque de banho ritual? A mulher pode fazer
no mar ou em um rio, de preferência em algum lugar deserto.

E os homens?
Os homens que desejarem também podem imergir num mikve. E muito comum antes do
Yom Kipur que homens judeus procurem um mikve para o banho ritual.

Torá ou tradição? Torá


Onde está na Torá?

Em Levítico 15:19 e 24 é-nodito: “Se uma mulher tiver uma emissão, e a sua emissão na sua
carne for sangue, ela terá sete dias de separação [menstrual] e qualquer que a tocar será
tamei [a portador de tum'ah] até a noite ... E se algum homem se deitar com ela e sua
separação [menstrual] cair sobre ele, ele será tamei por sete dias ... ”
Em seguida, Levítico 18:19 avisa: "Também não se aproximará de uma mulher na tumba de
sua separação [menstrual], para descobrir sua nudez."
Finalmente, Levítico 20:18 declara: "E se um homem se deitar com uma mulher menstruada
e revelar a sua nudez, e ela revelar o manancial do seu sangue, ambos serão extirpados do
seu povo."
Também está em Números 19.

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A Celebração do shabat e das festas ordenadas pelo Eterno
O judaísmo tem como ponto alto a celebração de várias festas ordenadas na Torá, que
especifica claramente como devemos fazê-lo. São as principais o Shabat, Rosh Chodesh, as
três festas de peregrinação, Pessach, Shavuot e Sukkot em que todo o povo devia subir a
Jerusalém, as outras festas ordenadas pelo Eterno, como Yom Teruá, hoje mais conhecido
como Rosh HaShaná, Yom Kippur, e as estabelecidas pelos homens, mas históricas, Purim e
Chanuká.

O Shabat
O Shabat é símbolo da aliança do Eterno com o homem. O próprio Eterno descansou no
sétimo dia, após a criação do universo.

O que fazer e o que não fazer no shabat?


Depende da linha de judaísmo que você quer serguir, e quanto a isso, vamos deixar para você
pesquisar os detalhes. Mas a grosso modo, o que é importante guardar no shabat?

Kavanah – propósito, força de vontade, foco – no Eterno e no que diz respeito ao Reino do
Eterno, e devekut – apego a Ele – são essenciais no shabat.

Deve ser um dia deleitoso, prazeroso, um dia passado em familia e diferente do resto dos
dias. Um dia voltado para as coisas espirituais – estudo, oração, amor, comunhão, alegria.

O Shabat é um dia de descanso e de renovação física e espiritual para o indivíduo e para a


comunidade. Deve-se ter a melhor comida e as melhores vestimentas no Shabat.
O dia se inicia no final da tarde de sexta-feira, com o acendimento das velas e um Kidush
(refeição, de preferência começada com a chalá, pão de shabat, e suco de uva ou vinho), à
noite, em casa ou nas sinagogas, seguido de uma refeição festiva. No Shabat, evita-se
diversos tipos de atividades, chamadas de “melachot” normalmente referenciadas como
“trabalho”, como carregar cargas, acender fogo, comprar e vender e cozinhar. As ações
evitadas e as atividades recomendadas fazem do Shabat um dia muito especial,
diferenciando dos outros dias da semana.

Aqui estão algumas das leis tradicionais do Shabat:

1. É tradição acender as luzes (velas ou lamparinas) e recitar o Kidush na noite de sexta-feira.


Acende-se as luzes ao cair da tarde, recitando-se a bênção “Baruch atah adonai eloheinu
melech haolam asher kidishanu be mitzvotav vê-tzivanu le hadlik ner shel hashabat”.
Acendem-se duas velas, normalmente por pessoas do sexo feminino, mas, em sua falta,
homens também podem acender as velas de shabat. Existem calendários com horários para

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acendimento das luzes disponíveis na Internet, de acordo com a data e com cada localidade,
mas o acendimento é realizado normalmente 18 minutos antes do por do sol. Este
acendimento pode ser feito , também, mais cedo, cerca de uma hora antes. Esta velas não
podem ser acesas após o por do sol por causa da proibição de acender fogo no shabat que
está na Torá. Independentemente de quantas pessoas se compõe um lar judaico, mesmo
sendo um único homem ou mulher, o acendimento das velas e o kidush devem ser realizados
em cada Shabat.

2. Por dedução dos mandamentos, deve-se dirigir o mínimo possível no shabat. Dirigir para
a sinagoga é permitido, bem como em trajetos necessários.

3. Não devemos usar dinheiro ou cartão de crédito no Shabat, na medida do possível -


significaria comerciar, obrigando alguém a trabalhar no shabat, o que é proibido pela Torá.

4. Frequentar aulas não ligadas a espiritualidade não deve ser encorajado, por desviar a
mente do que é espiritual. Mas se for obrigatório comparecer, não é pecado.

5. O Talmud (comentário a Torá tradicional judaico, veja tópico Talmud), num comentário
específico, identifica 39 categorias de “trabalho” proibidos, como produzir fogo, escrever,
cozinhar e carregar objetos. Estas 39 categorias de atividades proibidas são derivadas dos
trabalhos necessários para construir o Miskan, Tabernáculo, na peregrinação pelo deserto.
Importante notar que nem todas dessas atividades são especificamente proibidas na Torá.

6. Acender fogo no shabat não é permitido pela Torá. No entanto, o uso de eletricidade não
é fogo e assim não é probido. Então, usar o telefone, ligar o rádio, computador ou TV, acender
as luzes, aquecer uma comida sólida já preparada (isto é, já cozida) num forno de microondas,
forno ou fogão elétrico é permitido, desde que não esteja sendo preparada do zero naquele
momento. No entanto, o objetivo de todas essas atividades deve ser a alimentação
necessária ou algo focado no espiritual. Por exemplo, devemos usar o computador e a
televisão para estudar e ver vídeos sobre o Reino do Eterno e não para assuntos seculares. O
foco no espiritual é o mais importante.

7. Carregar objetos pesados em grandes distâncias, tipo mudança ou frete, não é permitido
pela Torá.

8. As viagens são, também, por dedução, limitadas no Shabat. Basicamente, cada um deve
procurar ficar dentro da sua cidade, a não ser se absolutamente necessário.
9. Muitas atividades físicas são permitidas no Shabat. Por exemplo, se distrair no Shabat é
algo até aconselhável: jogar bola, fazer atividade física, nadar e caminhar nos parques e
calçadões. Muita outras atividades prazerosas são permitidas, como fazer uma refeição mais
longa com a família e/ou amigos, conversar, visitar amigos e/ou parentes, estudar, tudo com
o objetivo de união da família e amigos. O sexo matrimonial é encorajado no shabat.

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10. A tradição orienta observar a conclusão do Shabat com a cerimônia breve de Havdalah,
realizada após o início da noite. A cerimônia da Havdalá é feita com uma vela especial,
trançada de 3 pavios, ervas aromáticas e suco de uva ou vinho. O roteiro para a havdalá se
encontra no sudur ou no seguinte link:
https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/2483121/jewish/A-Cerimnia-de-Havdal.htm

Importante reforçar que tanto o acendimento das velas como a havdalá são tradições e não
mandamentos, portanto, apesar de ser uma cerimônia linda e significativa, não fique
angustiado se não puder cumprir por alguma razão.

Torá ou tradição? Torá e tradição


Onde está na Torá?
O mandamento para observar o Shabat é mencionado diversas vezes no Tanach. O primeiro
deles é o quarto dos Dez Mandamentos em Êxodo 20:8-10 e Deuteronômio 5:12-14.

Em Isaías 58 também encontramos um descrição bem útil sobre como deve ser o shabat:
Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao
sábado deleitoso, e o santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não segui ndo os
teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias
palavras, então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te
sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse.
Isaías 58:13,14

Rosh Chodesh – lua nova


O primeiro mandamento dado aos judeus como nação foi a de criar um calendário baseado
no ciclo da lua: "E D'us disse a Moshê ... na terra do Egito ... Este mês [Nissan] é para você, a
cabeça dos meses... o primeiro entre os meses do ano ". (Êxodo 12: 1-2)

Rosh Chodesh, literalmente é “cabeça do mês,”e é celebrado toda lua nova. Preces especiais
são acrescentadas ao serviço do dia; desejamos uns aos outros “chodesh tov,” um bom mês.
As bênçãos adicionais de Rosh Chodesh se encontram no sidur e no manual de bênçãos.
Algumas sinagogas tocam o shofar no primeiro serviço após o Rosh Chodesh. Rosh Chodesh
também é conhecido como um "feriado das mulheres". Muitas mulheres têm o costume de
se abster de tarefas domésticas nos dias de Rosh Chodesh.

Torá ou tradição? Torá e Tanach

Onde na Torá e Tanach? Êxodo 12:1-2 Números 28:14, Salmo 81:3

Calendário judaico

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O calendário judaico é um calendário do tipo lunissolar cujos meses são baseados nos ciclos
da Lua, enquanto o ano é adaptado regularmente de acordo com o ciclo solar. Por isso ele é
composto alternadamente por anos de 12 ou 13 meses.
Isso acontece porque Torá nos fala do mês e do dia da celebração de uma festa, como
também da estação do ano em que deve ser comemorada. Por exemplo, a Torá nos diz que
Pêssach deve ser na primavera (considerando-se as estações do hemisfério norte) - a estação
em que nossos antepassados saíram do Egito - e Sucot deve ser no outono. Portanto, não
devemos ignorar o sistema solar que determina as quatro estações do ano ("Tecufot").

O Ano Solar tem pouco menos de 365 dias e meio, enquanto o Ano Lunar tem cerca de onze
dias a menos! Portanto, se ignorassemos inteiramente o Ano Solar, nossas festas não seriam
na mesma época a cada ano com relação à estação do ano, e iriam atrasar onze dias. Em
cerca de três anos, sairiam fora de sua respectiva estação por aproximadamente um mês; em
nove anos, por cerca de três meses. Pêssach não seria mais na primavera, e sim no inverno!

Por essa razão, não devemos permitir que o Ano Lunar se distancie do Ano Solar; e sempre
devemos aproximá-los. É por isso que o calendário judaico tem um mês a mais a cada três
anos, enquanto os onze dias de diferença formam cerca de um mês.
Adicionamos este mês após Shevat, empurrando Nissan para frente, para o seu lugar
apropriado na primavera. Uma vez que o mês de Nissan está de volta, todas as outras festas
cairão na época certa e nas estações adequadas.

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Festas da Torá
Como o Shabat, as festas bíblicas são estatuto perpétuo do Eterno e devem ser celebradas
com alegria, com a exceção do Kippur, que é uma festa de contrição e arrependimento.

Festas de peregrinação
A Torah fala de três festas em que as tribos deviam subir ao Templo de Jerusalém.
Pessach (Páscoa) relembra a saída do Egito; Shavuot (Pentecostes), a revelação do Sinai e por
fim Sucot (Cabanas), lembrando a proteção divina durante a travessia no deserto. Essa última
se concluía com Shemini Atseret (oitavo dia de conclusão) considerado como o fim do ano
agrícola e religioso.
O termo consagrado para designar a festa é hag. A hag lembra um deslocamento e um
encontro com D´us no lugar escolhido por Ele. Esse termo designa unicamente essas três
solenidades. As festas de Yom Teruá, Yom Kippur e as festas de instituição rabínica não
exigiam essa movimentação.
A subida até Jerusalém era feita durante essas festas pelos homens de todas as tribos. Os
Hebreus não conheciam outros lugares de culto e sacrifício além do Santuário, pois era
proibido pela Torá sacrificar em qualquer outro lugar.

Pessach
Pessach (do hebraico ‫פסח‬, que significa passar por cima ou saltar) também conhecida como
"Festa da Libertação", celebra a libertação dos hebreus da escravidão no Egito em 14
de Nissan do ano de 1446 a.c.
De acordo com a história, a primeira celebração de Pessach foi nessa data, quando D´us
enviou as Dez pragas sobre o povo egípcio. Antes da décima praga, o profeta Moisés foi
instruído a pedir para que cada família hebreia sacrificasse um cordeiro e molhasse os
umbrais (mezuzót) das portas com o seu sangue, para que não fossem mortos
seus primogênitos.
Chegada a noite, os hebreus comeram a carne do cordeiro de pé, como se com pressa,
acompanhada de pão ázimo e ervas amargas. À meia-noite, todos os primogênitos egípcios
foram mortos, desde os dos animais até mesmo os primogênitos da casa do Faraó, que então
aceitou liberar o povo de Israel para adoração no deserto, o que levou ao Êxodo.
Como recordação dessa liberação e do castigo de D´us sobre o Faraó, foi instituído para todas
as gerações o sacrifício de Pessach.
É importante notar que a palavra Pessach significa "passagem, passar por cima, saltar por
cima", se referindo porém a passagem do anjo de morte por cima, e não entrando, nas casas
que tinham o sangue em seus umbrais, e não a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho ou
outra passagem qualquer, apesar do nome evocar vários simbolismos.

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Um segundo Pessach era celebrado em 14 de Iyar, para pessoas que na ocasião do primeiro
Pessach estivessem impossibilitadas de ir ao Tabernáculo, fosse por motivos de impureza ou
por viagem.

Torá ou tradição? Torá


Onde está na Torá?
A Torá diz, em Êxodo 12:1-28:

E falou o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo:


Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do
ano.
Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um
cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família.
Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto
de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a
conta conforme ao cordeiro.
O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das
ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o
ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde.
E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas
em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos;
com ervas amargosas a comerão.

Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os
seus pés e com a sua fressura. E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até
amanhã, queimareis no fogo.
Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso
cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor.
E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito,
desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o
Senhor.

E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei
por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do
Egito.
E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; nas vossas gerações
o celebrareis por estatuto perpétuo.
Sete dias comereis pães ázimos; ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas;
porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até ao sétimo dia, aquela
alma será cortada de Israel.
E ao primeiro dia haverá santa convocação; também ao sétimo dia tereis santa
convocação; nenhuma obra se fará neles, senão o que cada alma houver de comer; isso

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somente aprontareis para vós.

Guardai pois a festa dos pães ázimos, porque naquele mesmo dia tirei vossos exércitos da
terra do Egito; pelo que guardareis a este dia nas vossas gerações por estatuto perpétuo.
No primeiro mês, aos catorze dias do mês, à tarde, comereis pães ázimos até vinte e um
do mês à tarde.
Por sete dias não se ache nenhum fermento nas vossas casas; porque qualquer que comer
pão levedado, aquela alma será cortada da congregação de Israel, assim o estrangeiro
como o natural da terra.
Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações comereis pães ázimos.
Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós
cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa.
Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o
na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém
nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã.

Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da
porta, e em ambas as ombreiras, o Senhor passará aquela porta, e não deixará o
destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir.
Portanto guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre.
E acontecerá que, quando entrardes na terra que o Senhor vos dará, como tem dito,
guardareis este culto.
E acontecerá que, quando vossos filhos vos disserem: Que culto é este?
Então direis: Este é o sacrifício da páscoa ao Senhor, que passou as casas dos filhos de
Israel no Egito, quando feriu aos egípcios, e livrou as nossas casas. Então o povo inclinou-
se, e adorou.
E foram os filhos de Israel, e fizeram isso como o Senhor ordenara a Moisés e a Arão,
assim fizeram.

Celebrando Mashiach em Pessach


É importante lembrarmos que a única celebração relacionada a Ele mesmo que Yeshua
Mashiach ordenou foi a celebração da ceia de pessach. Em Lucas 22:15-20, lemos:

E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça;
Porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de D´us.
E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós;
Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de D´us.
E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu
corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim.
Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo
testamento no meu sangue, que é derramado por vós.

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Yeshua ordenou que a refeição de Pessach fosse um memorial por sua morte e ressurreição.
Portanto Ele deve ser o centro dessa festa. Importante lembrar que somos seguidores de
Yeshua HaMashiach e como tais temos a nossa Halachá específica. Não devemos ter medo
de estabelecer nossas tradições como seguidores do Caminho, já que esse é um processo
normal do judaísmo. As festas de Purim e Chanuká não foram festas estabelecidas pelo
Eterno, mas por homens, para celebrar e relembrar grandes feitos do Eterno por nós. E qual
maior feito que a morte e ressurreição de Mashiach, nos dando salvação? Então não
tenhamos medo, por alguma idolatria ou fascinação em relação ao judaísmo tradicional, de
colocarmos o Mashiach como ponto central da celebração de Pessach.

Mas, como se celebra?


Na véspera de Pessach deve-se procurar todo chametz (fermento) e alimentos fermentados
ou passíveis de fermentação, como trigo, de casa. Pode-se colocar em outro lugar que não
a casa ou então, melhor, doar a quem precise e que não esteja fazendo teshuvá nem tenha
a visão.
O mais importante de tudo é o espírito da festa. O Eterno colocou em cada festa uma unção
diferente. Em pessach essa unção é a libertação de Seu povo e a nossa libertação de tudo
que nos prende longe Dele. Por isso é importante meditação, estudo e oração nesse
sentido. A festa deve ter um cunho espiritual antes de qualquer coisa.
A cada geração, cada um deve se ver como se ele pessoalmente tivesse saído do Egito. Pois
está escrito: "Você deverá contar aos seus filhos, neste dia, "D´us fez estes milagres para
mim, quando eu saí do Egito..."
É tradicional termos a keará de pessach nas mesas, um prato especial que permite separar
os elementos alimentares específicos que simbolizarão diferentes feitos do Eterno por nós:
Esta é a ordem a ser seguida no Seder de Pessach, de modo resumido, abaixo. Na internet, a
cerimônia encontra-se mais detalhada na hagadá de Pessach (roteiro, livro de oração
específico para as festas). Você também pode comprar hagadot (plural de hagadá) nazarenas
ou messiânicas por exemplo no seguinte site:
http://www.editorasiao.com.br/p/36/hagada-de-pascoa-messianica

Ou baixar gratuitamente no seguinte site:


http://beitmashiach.org.br/downloads/HagadaBeitMashiach.pdf

Estes são os elementos em sua ordem na refeição de pessach:


• Kadesh (‫ קדש‬- santificação) - Recitação do kidush e a ingestão do primeiro copo de vinho ou
suco de uva
• Karpas (‫ )כרפס‬- Mergulha-se karpas (batata ou outro vegetal), em água salgada. Recita-se a
benção e a karpas é comida em lembrança às lágrimas do sofrimento do povo de Israel .
• Yachatz (‫ יחץ‬- divisão da matzá) - A matzá (pão típico sem fermento que pode ser comprado
em lojas específicas ou feito segundo receitas encontradas na net) é partida e embrulha-se o
pedaço maior e separando-o de lado para o Afikoman .
• Maguid ( ‫ מגיד‬- conto) - Conta-se a história do êxodo do Egito e sobre a instituição de
Pessach.Inclui a recitação das "Quatro perguntas" e bebe-se o segundo copo de vinho.
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• Motzi Matzá (‫)מוציא מצה‬- O chefe da casa ergue os três pedaços de matzá e faz as bençãos
das matzot. As matzot são partidas e distribuídas.
• Maror (‫ מרור‬-raiz forte) - São comidas as raízes fortes relembrando a escravidão e o
sofrimento dos judeus no Egito.
• Korech (‫ כורך‬-sanduíche) - Faz-se um sanduíche com a matzá, maror e charosset.
• Aqui costumamos inserir o relato da morte e ressureição de Mashiach e orações de
agradecimento e júbilo
• Shulchan Orech (‫)שולחן עורך‬- É realizada a refeição festiva.
• Tzafon (‫ צפון‬- escondido) - Aqui é comida a matzá que havia sido guardada.
• Barech (‫ ברך‬- Bircat HaMazon) - É recitada a benção após as refeições. Bebe-se o terceiro
copo de vinho.
• Halel (‫ הלל‬-louvor) - Salmos e cânticos são recitados. Bebe-se o quarto copo de vinho.
• Nirtza (‫ נירצה‬- ser aceito) - Alguns cânticos são entoados e têm-se o costume de finalizar o
jantar com os votos de LeShaná HaBa'á B'Yerushalaim - "Ano que vem em Jerusalém" como
afirmação de confiança na redenção final do povo judeu.
Afikoman - Afikoman refere-se à matzá escondida, comida ao final da refeição.
Para alguns pratos típicos de pessach na culinária judaica, vá ao site:

https://casavogue.globo.com/LazerCultura/Comida-bebida/noticia/2015/04/aprenda-
jantar-de-pascoa-judaica.html
Ou
https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1823401/jewish/Sugesto-de-Cardpio-1.htm

Contagem do Ômer
Contagem do Ômer ou Sefirat Ômer (em hebraico ‫ )ספירת העומר‬é a contagem dos 49 dias ou
sete semanas entre Pessach e Shavuot.
O Ômer era uma medida de cevada que era levada como oferenda ao Templo Sagrado de
Jerusalém, no segundo dia de Pessach.
Apesar dessa oferenda não poder mais ser feita na ausência do Templo Sagrado, o
mandamento de Sefirat HaOmer não foi interrompido. A partir da segunda noite de Pessach,
contamos 49 dias em progressão: após o cair da noite, de preferência ao concluir a oração
da noite, Arvit, ainda de pé, recitamos uma bênção específica e pronunciamos o número
daquele dia.

A bênção é: “Bendito és Tu, Eterno, nosso D’us, Rei do Universo, que nos santificaste com Teus
mandamentos, e nos ordenaste acerca da contagem do Omer”.
Imediatamente após recitar essa bênção, conta-se o dia. Durante os seis primeiros dias,
menciona-se apenas o dia. Por exemplo: “Hoje são dois dias do Omer”. A partir da sétima
noite da contagem, mencionamos o número de dias e de semanas. A dizer: “Hoje são dezoito
dias, que constituem duas semanas e quatro dias do Omer”.

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Essa bênção e todo o ritual se encontram no sidur ou livro de orações judaico. Lembrando
que a Torá ordena apenas contar o ômer, o que pode ser feito da forma simplificada aqui
descrita.

Os 49 dias da Contagem do Omer simbolizam, “a jornada pelo deserto”: Falam da


transformação do povo entre sua libertação e a outorga da Torá, que ocorreu em Shavuot, a
próxima festa. Durante esses dias de profunda reflexão passamos também por uma
transformação. A de libertos do poder do pecado, assim como o povo foi liberto do Egito, a
servos do Eterno cheios do Espirito Santo, que Ele nos outorgou durante a próxima festa:
Shavuot.

Torá ou tradição? Torá


Onde está na Torá?
Levítico 23: 15: “E contareis para vós... desde o dia em que tiverdes trazido o Omer da
movimentação...”

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Shavuot
Essa festa marca a entrega dos Dez Mandamentos (Torá) por D’us a Moisés e ao povo de
Israel ainda no deserto do Sinai, após a saída da escravidão no Egito. De acordo com a
tradição judaica, a outorga das leis sagradas aconteceu no ano de 2448 no calendário
hebraico, ou por volta do ano 1300 A.E.C. Em hebraico, Shavuot significa “semanas” por
causa da contagem das sete semanas que separam o Êxodo do Egito da entrega dos Dez
Mandamentos.

A festa de Shavuot também é conhecida por outros dois nomes: Hag Habikurim (Festa dos
Primeiros Frutos) e Hag Hakatzir (Festa da Colheita). Esses nomes se referem ao período em
que o Templo de Jerusalém ainda existia, quando na época de Shavuot os agricultores
levavam ao Templo Sagrado uma oferenda do primeiro trigo, cevada, uvas, figos, romãs,
azeitonas e tâmaras que cresciam no campo, como forma de agradecimento a D’us. Era
também nessa época do ano que o trigo, o último dos grãos a ficar pronto para ser cortado,
era colhido. Por isso, juntamente com Pessach e Sucot, a festa de Shavuot era uma das três
festas de peregrinação a Jerusalém.

Importante lembrar que foi em Shavuot ou Pentecostes, data da celebração da outorga da


Torá, que o Eterno se manifestou com poder e autoridade diante do povo de Israel, que a
Ruach HaKodesh nos foi também outorgada, conforme o relato de Atos 2:
E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar;
E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu
toda a casa em que estavam assentados.
E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre
cada um deles.
E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o
Espírito Santo lhes concedia que falassem.
E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações qu e
estão debaixo do céu.
E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada
um os ouvia falar na sua própria língua.
E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus
todos esses homens que estão falando?
Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?
Devemos pois nos lembrar de celebrar, junto com a festa de Shavuot, tão grande feito
divino, pois o próprio Mashiach disse em João 16:7-14:

Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o
Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.
E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.
Do pecado, porque não crêem em mim;
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Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais;
E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.
Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.
Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque
não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.
Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.

Torá ou tradição? Torá.


Onde na Torá? . Êxodo 34:21

Guardarás a festa das Semanas: as primícias da colheita do trigo e a festa do encerramento


da colheita, no fim do ano.

Passamos então à terceira festa de peregrinação, a festa das cabanas:

Sucot
A festa de Sucot, chamada pela Torá de “época de nossa alegria”, celebra os milagres que o
Eterno realizou em prol dos filhos de Israel durante os 40 anos em que vagaram pelo deserto
do Sinai. Sucot tem início cinco dias após Yom Kippur, após o pôr-do-sol, e dura sete dias. O
sétimo dia de Sucot é chamado Hoshaná Rabá (a Grande Súplica).
Em Sucot o Eterno ordena a seu povo habitar durante sete dias em uma cabana, uma moradia
temporária e frágil, cujo teto deixe entrever as estrelas. A cabana (sucá) deve ser erguida a
céu aberto, ter no mínimo três paredes, e o teto, chamado de schach, precisa ser feito de
materiais que cresçam na terra, folhas ou galhos de plantas já cortadas.
Durante a festa, nós comemos, bebemos, estudamos e nos alegramos na sucá, sendo que
muitos chegam a dormir em seu interior.
Outro mandamento da festa é o referente às Arbaat ha-Minim, as Quatro Espécies - o etrog
(fruta cítrica), o lulav (palmas de tamareira), hadassim (ramos de mirta) e aravot (ramos de
salgueiro). Durante toda a festa de Sucot, com exceção do Shabat, até e inclusive em Hoshaná
Rabá, diariamente devemos cumprir, durante o dia, a mitzvá das Quatro Espécies:
Segurando os ramos na mão direita e o etrog na mão esquerda, recitamos a bênção das
Quatro Espécies e estas são, então, agitadas para as quatro direções do quadrante, para cima
e para baixo. Com isto estamos reconhecendo que D'us se encontra em toda parte e que Seu
reinado é eterno. A bênção das quatro espécies se encontra no sidur, na parte referente à
festa de sucot.
O sétimo e último dia de Sucot, Hoshaná Rabá, é considerado o último dia do Julgamento
Divino, quando o que foi decretado em Yom Kipur é selado e o destino do novo ano
determinado. A cada dia, uma oração de Hoshaná (pedido de salvação) é feita e os presentes
na sinagoga dão uma volta, circundando a Bimá, mesa onde é lida a Torá, tendo nas mãos as
Quatro Espécies.
Em Hoshaná Rabá, ou seja, no sétimo dia, além das Quatro Espécies usadas durante os dias
de Sucot, juntam-se cinco ramos adicionais de salgueiro, as aravot ou Hoshanot. Neste dia,
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tendo nas mãos as Quatro Espécies, recitam-se as sete Hoshanot, dando sete voltas ao redor
da Bimá. As hoshanot se encontram nos sidurim ou livros de oração. Se for shabat, isso não
é realizado, bem como a benção das espécies, pois é considerado trabalho.
Em várias comunidades esse dia é considerado uma espécie de Yom Kipur. Costuma-se
permanecer acordado durante toda a noite, estudando a Torá e lendo os Salmos, Tehilim.
A refeição de sucot deve conter muitas frutas, pois sucot também celebra a colheita em
Israel. Você pode encontrar alguns cardápios com receitas aqui:
https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/660043/jewish/Culinria.htm

Junto com sucot, há também duas festas instituídas pelos rabinos.

Shemini atzeret e Simchat Torá


Shemini Atzeret significa “reunião solene no oitavo dia” (Números: 29-35) e é um feriado de
origem bíblica que antecede Simchat Torá e é comemorado após o último dia de Sucot. Na
diáspora, é comum se referir ao primeiro dia do feriado mo Shemini Atzeret e ao segundo,
como Simchat Torá.
A comemoração da festa de Simchat Torá (Júbilo da Torá) teve início durante o exílio dos
judeus na Babilônia (587-539 A.E.C.), após a destruição do Primeiro Templo, em Jerusalém.
Antes do exílio, a leitura da Torá era feita em períodos de três anos; na Babilônia, passou a
ser lida em um ano. A festa não foi celebrada na Terra de Israel até o final do primeiro milênio.
Assim, é uma comemoração originada na diáspora (fora de Israel).
A tradição de comemorar com alegria o término da leitura da Torá começou durante o nono
e décimo séculos da era comum, no tempo dos Geonim [presidentes de duas academias
talmúdicas na Babilônia], e o nome original da celebração não era “Simchat Torá”, mas sim
“Iom Habrachá” (O Dia da Bênção), em homenagem a “Vezot Habrachá”, o último capítulo
de Devarim (Deuteronômio).
O nome Simchat Torá teve origem na Espanha, depois do primeiro milênio.
Simchat Torá é marcada por muita alegria e dança com os rolos de Torá, ao redor da bimá
(púlpito usado para a leitura). Há também uma leitura especial feita pelas crianças.
A leitura regular é feita semanalmente, em trechos chamados de parashiot ou, no singular,
parashá (porção), concluindo-se em um ano, justamente em Simchat Torá. Nas sinagogas, a
Torá é lida às segundas e quintas-feiras e aos sábados, além das datas festivas e no início de
cada mês do calendário judaico.
Em Simchat Torá, lê-se a última porção da Torá – Vezot Habrachá – juntamente com primeira
porção de Bereshit [Gênesis]. A leitura da Torá prossegue em ciclos que nunca se encerram
e mostram que não há fim no Livro sagrado, que deve ser lido e estudado constantemente.

Torá ou tradição? Torá


Onde na Torá? Deuteronômio 16:13:

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Celebrarás também a festa de Sucót, das Tendas, durante sete dias, após ter recolhido o
produto de tua eira, separado os cereais da palha, e ter esmagado todas as uvas e olivas dos
teus lagares.

Outras festas

Yom Teruá
Também conhecida como Rosh HaShaná
No Judaísmo tradicional, a festa de Yom Teruá coincide com a de Rosh Hashaná, considerado
o “Ano Novo” judaico. Isto se dá pelo de fato de muitos judeus crerem que no primeiro dia
do sétimo mês houve a criação do mundo pelo Eterno. Não obstante, essa informação acerca
da data da criação não consta nas Escrituras, levando outros a não reconhecerem este dia
como sendo o “Ano Novo”.

E uma festa de louvor ao Eterno e agradecimento, recordando os inúmeros livramentos


concedidos por Ele; por isso o som emitido pelo shofar representa tanto a invocação dos
exércitos do Eterno, um chamado ao posicionamento e ao preparo dos homens para as
batalhas, e o júbilo e regozijo pela vitória do povo de Israel.
Essa vitória relaciona-se ainda com o Dia de YHWH, ou seja, o Dia do Julgamento, ocasião em
que soará o som do shofar:

“O grande dia de YHWH está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do
dia de YHWH; clamará ali o poderoso.
Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de
assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas,
Dia do toque do shofar [‘Dia de trombeta’] e de alarido contra as cidades fortificadas e contra
as torres altas.” (Tsefaniyah/Sofonias 1:14-16).

Yom Teruá e o messias

Ora, se o toque do shofar anuncia o dia da vinda do Eterno, para os judeus que acreditam
que Yeshua é o messias tal festa é de extrema importância, pois Yeshua voltará ao som do
shofar, isto é, o dia do Senhor é o dia do retorno de Yeshua:
“Porque, se cremos que Yeshua morreu e ressuscitou, assim também aos que dormem em
Yeshua, Elohim os tornará a trazer com ele.
Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda
do Senhor, não precederemos os que dormem.
Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com o shofar
[‘a trombeta’] de Elohim; e os que morreram no Mashiach [Messias] ressuscitarão primeiro.

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Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a
encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.
Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.” (Tessalonissayah Álef/1ª
Tessalonicenses 4:14-18).

Logo, os judeus crentes em Yeshua sempre celebraram a festa de Yom Teruá em razão de
esta ser determinada pelo Eterno, bem como pelo fato de ressaltar do Dia de YHWH que se
consumará com o retorno do Mashiach. (Citado de Tsadok ben Derech)

Como celebrar Yom Teruá?


Vimos que a festa ordenada pelo Eterno em Yom Teruá é principalmente descansar (a festa
é um shabat) e tocar a trombeta, clamando pela vitória do Eterno em nossas vidas e
agradecendo pelas vitórias alcançadas. Ao mesmo tempo, em nossa caminhada para o Yom
Kippur, clamamos ao Eterno para que nosso nome continue escrito no Livro da Vida.

1. Serviços na sinagoga à noite, seguido de festa, e durante o dia são comuns.

2. Clamor – O toque do Shofar, que é tradicional e ordenado pelo Eterno é feito no final do
serviço - é hora de elevar a voz ao Eterno, clamar com força e alta voz, agradecendo e pedindo
sua vitória na sua vida!

3. Refeição festiva – É costume fazer uma refeição festiva no dia de Yom Teruá, celebrando e
agradecendo a vitória do Eterno em nossas vidas. Antes de tudo, faz-se um kidush como no
shabat, abençoando a chalá e o suco ou vinho, imergindo a maçã no mel, comendo-os, e
depois abençoando e comendo os demais alimentos. Para isso, usamos alimentos simbólicos
que nos lembram de nossos pedidos:

O costume de consumir alimentos doces é uma das características mais marcantes das
refeições de Yom Teruá. O kidush é feito de preferência com um vinho ou suco doce e, em
seguida, molha-se um pedaço de chalá no mel ou no açúcar, pedindo ao Eterno que adoce
nossa vida, e nos lembrando de que Yeshua HaMashiach já pagou por nossos pecados e
adoçou o julgamento do Eterno em relação a nós.
Certas comunidades têm o hábito de molhar a chalá no mel, no período que vai de Yom Teruá
até o sétimo dia de Sucot.
As chalot usadas na festividade também são adocicadas e, diferentemente do feitio de trança
geralmente usado no restante do ano, são feitas redondas ou em espiral, para simbolizar o
ciclo da vida, da continuidade e da eternidade. O feitio circular, de coroa, serve também
como lembrete da Realeza de D'us, o tema mais importante da data.
Há várias simbologias no ato de se molhar a chalá no mel. Entre elas, a semelhança existente
entre a chalot e o maná que alimentou Israel, durante 40 anos no deserto. Qual era o gosto
do maná? "Tinha o sabor de massa frita com mel" (Êxodo 16:31). A própria palavra ´mel´, em
hebraico, transmite a esperança na Misericórdia Divina, pois o valor numérico da palavra
"dvash" (mel) equivale ao valor de "Av Ha'Rachamim" (Pai Misericordioso). Assim, o mel
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simboliza a esperança de que a sentença decretada por D'us seja amenizada por Sua infinita
compaixão.

Maçã e mel
É também no mel que, a seguir, molhamos uma fatia de maçã. Ela representa nosso povo e,
em várias ocasiões, nos textos sagrados, Israel é comparado a ´uma maçã perfumada´. Esta
fruta é também usada como símbolo para representar a Torá.
Em textos rabínicos usa-se freqüentemente a expressão "Campo de Maçãs Sagradas" para
descrever a manifestação da Presença Divina. O perfume da maçã é uma referência ao
perfume do Jardim do Éden e é também associado à bênção que Yaacov recebeu de seu pai,
Itzhak. Segundo nossos sábios, este fato aconteceu em Yom Teruá.

A tradição da refeição
Os alimentos ingeridos na festa são na realidade atos proféticos sempre relacionados ao
nome deles em hebraico, aramaico ou yidish ou a suas características.

A simbologia da refeição
Resumo dos alimentos de Yom Teruá e seu significado simbólico/profético ligado ao nome
hebraico ou aramaico:
Tâmaras – exterminar o mal e os inimigos
Alho poró – exterminar o mal e inimigos
Acelga – afastar o mal e inimigos
Feijão de corda – aumentar, crescer
Abóbora – anular maus decretos e que apenas nossos méritos sejam lidos perante D´us
Romã – 613 sementes, que possamos cumprir com as mitsvot
Peixe – que possamos nos multiplicar como peixes e que os olhos do Eterno estejam sempre
abertos sobre nós.
Cabeça de peixe ou outro animal – que sejamos postos por cabeça e não cauda
Maçã – povo de Yisrael e Torá
Cenoura – prosperidade, por parecer com moedas quando cortada em fatias
Mel – esperança na Misericórdia Divina, pois o valor numérico da palavra "dvash" (mel)
equivale ao valor de "Av Ha'Rachamim" (Pai Misericordioso)
Chalá redonda ou em espiral – representa o ciclo da vida e a eternidade, lembra o maná no
deserto e o cuidado do Eterno, forma de coroa lembra a realeza do Eterno

AS BÊNÇÃOS DAS REFEIÇÕES

Antes de começar a refeição, faz-se as bênçãos sobre os alimentos:


Pão
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mélech haolam, hamôtsi lêchem min haárets.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que fazes sair pão da terra.

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Vinho e suco de uva
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mélech haolam, borê peri hagáfen.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que crias o fruto da vinha.

Frutas
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mélech haolam, borê peri haets (ou borê pri hadamá).
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que crias o fruto da árvore.

Bênção sobre outros alimentos e bebidas em geral


Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, shehacol nihiá bidvarô.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que tudo vem a existir por Seu verbo.

O roteiro do serviço de Yom Teruá, também chamado de Rosh Hashaná, pode ser encontrado
no Machzor de Rosh HaShaná e Yom Kippur, nas livrarias judaicas.

Essas bençãos podem servir para todas as refeições, não apenas as festivas, mas, caso você
prefira, pode fazer uma oração de agradecimento ao Eterno com suas próprias palavras. O
importante é agradecer de coração.

Nos links abaixo você encontra receitas típicas para a festa:

• https://www.cjb.org.br/netsach/festas/rosh/receitas.htm
• https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1090930/jewish/Culinria.htm

Outros Costumes
Algumas comunidades têm o costume de se vestir de branco em Yom Teruá, pois roupas
brancas indicam a intenção de não pecar mais. Independentemente do costume adotado em
cada comunidade, nós, assim como todas as gerações que nos precederam, continuaremos
invocando, também neste Yom Teruá, a Bênção Divina sobre o povo de Israel.

Torá ou tradição? Torá e tradição


Onde na Torá?
O Eterno determinou a celebração da festa que se chama Yom Teruá, conhecida por muitos
como o dia do toque do shofar (ou “festa das trombetas”, nas traduções para a Língua
Portuguesa):
E falou YHWH a Moshé [Moisés], dizendo:
Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do dia do mês, tereis descanso
absoluto, memorial [recordação] anunciado com o som do shofar, santa convocação.
Nenhum trabalho servil fareis, mas oferecereis oferta queimada a YHWH”. Em
Vayikrá/Levítico 23:23-25.
Semelhantemente, tereis santa convocação no sétimo mês, no primeiro dia do mês; nenhum
trabalho servil fareis; será para vós dia de sonido de trombetas. Em Números 29:1

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Yom Kippur
O Yom Kippur, ou dia do perdão, é o dia mais sagrado do judaísmo. Ele é o climax do processo
de arrependimento e limpeza da alma, que começa no mês anterior, Elul, e continua em um
crescendo entre Yom Teruá e Yom Kippur, festas separadas pelos chamados Yamim Noraim,
ou dias Temíveis, ou dias de Arrependimento. Nesse dia, faz-se jejum total, de água e comida.
(Quem precisa tomar remédios ou está doente não deve jejuar total, mas fazer algum tipo
de jejum). É um dia em que se “aflige as almas”, sem tomar banho, se perfumar, enfeitar,
vestir nada de couro, nem manter relações sexuais. É o Dia do Perdão, em que clamamos ao
Eterno e somos perdoados por todos os nossos pecados do passado.

Normalmente a comemoração do Yom Kippur começa logo após o por do sol, depois de
termos tradicionalmente comido uma refeição com bastante substância e gordura. O Kol
Nidre, a anulação dos votos é recitado, e em geral o dia de Kippur é considerado mais sagrado
do que todos os sábados. Nenhum trabalho secular absolutamente pode ser feito, a não ser
os vitais à sociedade, como segurança pública e saúde. Durante o dia, então, vamos à
sinagoga e lá ficamos o dia inteiro, celebrando o serviço de shacharit, mincha e a neilá, o
momento mais importante e solene do Kippur. O roteiro para o serviço de Kipur pode ser
encontrado num livro de orações especial chamado Machzor de Rosh HaShaná e Yom Kippur,
encontrado nas livrarias judaicas. Os judeus de origem marroquina e espanhola costumam
celebrar o fim do Kippur com uma festa com muitos doces e comidas deliciosas.

Torá ou tradição? Torá


A descrição do dia do Perdão é bem longa e está na Torá em Levítico 16:1-34.

Purim e Chanuká, festas estabelecidas pelos rabinos


Estas duas festas não foram especificamente ordenadas pelo Eterno na Torá, mas marcam
grandes feitos do Eterno por nós, e por isso estão de acordo com o espírito, a mentalidade
de todas as festas da Torá. Devem ser celebradas por também constituírem atos proféticos
profundos e trazerem reflexões importantes sobre o Reino do Eterno.

Purim
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A Festa de Purim comemora o grande livramento dado pelo Eterno ao povo judeu por meio
da rainha Ester, que ousadamente foi diante do rei Achashverosh clamar pela salvação de
seu povo. Correndo o risco de ser morta, ela se apresentou diante dele e conseguiu que ele
decretasse o direito de defesa ao povo judeu, condenado a morte pela maquinação
destrutiva de Haman.
A unção da festa é de alegria e fé, nos chamando a ousadamente, buscando a vontade do
Eterno, entregarmos nossa vida a Ele em prol de seu reino, como Ester fez.
Algumas comunidades fazem uma feira e parque de diversões para comemorar a data. Em
outros lugares, é costume enviar presentes uns aos outros, especialmente de comidas
gostosas e doces, de acordo com o texto bíblico:

Também os judeus, que se achavam em Susã se ajuntaram nos dias treze e catorze do
mesmo; e descansaram no dia quinze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de
alegria.
Os judeus, porém, das aldeias, que habitavam nas vilas, fizeram do dia catorze do mês de
Adar dia de alegria e de banquetes, e dia de folguedo, e de mandarem presentes uns aos
outros.
E Mardoqueu escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em
todas as províncias do rei Assuero, aos de perto, e aos de longe,
Ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de Adar, e o dia quinze do mesmo,
todos os anos,
Como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos, e o mês que se lhes
mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de festa, para que os fizessem dias de
banquetes e de alegria, e de mandarem presentes uns aos outros, e dádivas aos pobres.
E os judeus encarregaram-se de fazer o que já tinham começado, como também o que
Mardoqueu lhes tinha escrito.
Porque Hamã, filho de Hamedata, o agagita, inimigo de todos os judeus, tinha intentado
destruir os judeus, e tinha lançado Pur, isto é, a sorte, para os assolar e destruir.
Mas, vindo isto perante o rei, mandou ele por cartas que o mau intento que Hamã formara
contra os judeus, se tornasse sobre a sua cabeça; pelo que penduraram a ele e a seus
filhos numa forca.
Por isso àqueles dias chamam Purim, do nome Pur; assim também por causa de todas as
palavras daquela carta, e do que viram sobre isso, e do que lhes tinha sucedido,
Confirmaram os judeus, e tomaram sobre si, e sobre a sua descendência, e sobre todos os
que se achegassem a eles, que não se deixaria de guardar estes dois dias conforme ao que
se escrevera deles, e segundo o seu tempo determinado, todos os anos.
E que estes dias seriam lembrados e guardados em cada geração, família, província e
cidade, e que esses dias de Purim não fossem revogados entre os judeus, e que a memória
deles nunca teria fim entre os de sua descendência.
Então a rainha Ester, filha de Abiail, e Mardoqueu, o judeu, escreveram com toda
autoridade uma segunda vez, para confirmar a carta a respeito de Purim.
E mandaram cartas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de
Assuero, com palavras de paz e verdade.
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Para confirmarem estes dias de Purim nos seus tempos determinados, como Mardoqueu, o
judeu, e a rainha Ester lhes tinham estabelecido, e como eles mesmos já o tinham
estabelecido sobre si e sobre a sua descendência, acerca do jejum e do seu clamor.
E o mandado de Ester estabeleceu os sucessos daquele Purim; e escreveu-se no livro.

Ester 9:18-32

Interessante notar por esse texto que o hábito de enviar presentes uns aos outros em dias
de festa é algo judaico e biblico, e não há mal nenhum nisso.

Como se comemora
A comemoração de Purim é muito alegre e lúdica – a festa preferida das crianças, junto com
Chanuká.
Durante a festa, lê-se o livro de Ester todo – a Hagadá de Ester – enquanto as crianças,
sempre que o nome de Hamã, inimigo do povo judeu, é pronunciado, gritam, vaiam, sopram
apitos e giram reco-recos, enfim, fazem tanto barulho quanto puderem. É tradição que
todos se fantasiem, especialmente tomando as feições dos personagens do livro de Purim.
Mordechai, o rei Achashverosh, Ester, personagens do povo judeu se multiplicam nessa festa
de muita alegria.
Um prato típico de Purim sobressai – as orelhas de Hamã, Oznê Haman, doces deliciosos em
forma triangular.
Para as receitas e cardápio da festa, acesse o seguinte link:
http://www.chabad.org.br/datas/purim/

Torá ou tradição? Tanach


Onde no Tanach?
O livro de Ester conta a história da festa de Purim.

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Chanuká
Outra festa ordenada pela liderança judaica para lembrar um grande feito do Eterno por nós
e celebrada com grande alegria por todos, especialmente as crianças, é chanuká.
Chanucá ou Hanuká é também conhecida como o Festival das luzes. "Chanucá" é uma palavra
hebraica que significa "dedicação" ou "inauguração". A primeira noite de Chanucá começa
após o pôr do sol do 24º dia do mês judaico de Kislev e a festa é comemorada por oito dias.

História de chanucá
Por volta do ano de 200 a.C., os judeus viviam como um povo autônomo na terra de Israel, a
qual, nessa época, era controlada pelo rei selêucida da Síria. O povo judeu pagava impostos
à Síria e aceitava a autoridade dos selêucidas, sendo, em troca, livre para seguir sua própria
fé e manter seu modo de vida.No entanto, em 180 a.e. C., o tirano Antíoco IV Epifânio
ascendeu ao trono selêucida, encontrando barreiras para sua dominação completa sobre o
povo judeu, e o modo mais prático para resolver isso foi dominar de vez a a Judeia, impondo
de maneira firme a cultura da Grécia sobre os judeus, eliminado, assim, aquilo que os
unificava em qualquer lugar que estivessem: a Torá. No caso dos judeus, isso não funcionou.
No entanto, Antíoco queria transformar Jerusalém em uma "pólis" (cidade) grega, e
conseguiu.

Em 167 a.C., após acabar com uma revolta dos judeus de Jerusalém, Antíoco ordenou a
construção de um altar para Zeus erguido no Templo, fazendo sacrifícios de animais imundos
(não kasher) sobre o altar, e proibiu a Torá de ser lida e praticada, sendo morto todo aquele
que descumprisse tal ordem.

Matatias (Matitiahu) (um sacerdote judeu de família dos Hasmoneus) e seus cinco filhos João,
Simão, Eliézer, Jonatas e Judas (Yehudá) não se conformaram com isso e começaram a lutar
contra o domínio de Antíoco. Após a morte de Matatias, Yehudá tomou a frente da batalha,
com um pequeno exército formando em sua maioria por camponeses. Mesmo assim, os
judeus venceram o forte exército de Antíoco no ano 164 a.C. e libertaram Jerusalém,
purificando o Templo Sagrado. Judas acabou conhecido como Judas Macabeu (Judas, o
Martelo).

O festival de Chanucá foi instituído por Judas Macabeu e seus irmãos para celebrar esse
evento. Após terem conseguido a recuperação de Jerusalém e o Templo, Judá ordenou que
o Templo fosse limpo, que um novo altar fosse construído no lugar daquele que havia sido
profanado e que novos objetos sagrados fossem feitos. Quando o fogo foi devidamente
renovado sobre o altar e as lâmpadas dos candelabros foram acesas, a dedicação do altar foi
celebrada por oito dias entre sacrifícios e músicas (Mac. 1 vers. 36).

A vitória extraordinária do pequenino exército judeu foi o primeiro milagre. O segundo


milagre deu origem à festa de Chanuká. Após a purificação da Cidade Santa e da Casa de D´us,
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foi constatado que só havia um jarrinho de azeite puro no Templo com o selo intacto do
Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) para que as luzes da Menorá fossem acesas, e esse azeite
duraria apenas um dia, mas milagrosamente durou oito dias, tempo suficiente para que um
novo azeite puro fosse produzido e levado ao templo conforme manda a Torá (Ex 27:20-21).
A festa é realizada no dia 25 de Kislev (normalmente em dezembro), data na qual o Templo
foi reconsagrado. É uma festa marcada pelo clima familiar e pela grande alegria. Encontramos
a história de Chanuká nos livros I e II Macabeus e também em escritos talmúdicos.

O mandamento principal de Chanuká hoje é o acendimento da Chanukiá (candelabro de 9


braços). Oito braços são para lembrar o milagre dos oito dias em que a Menorá ficou acesa
com azeite que era para ter durado apenas um dia e o outro braço, que é chamado de
"shamash" - servente - é um braço auxiliar para o acendimento das outras velas. Segundo a
tradição, somente ele (o shamash) pode ser usado para, se for o caso, iluminar a casa ou para
outro fim, sendo que as outras velas só podem servir para o cumprimento do mandamento.
A cada noite um nova vela é acrescentada até que se completem as nove. Interessante que
as velas são colocadas da direita para a esquerda, mas são acesas da esquerda para a direita,
sempre pelo shamash, que é aceso primeiro. Uma bênção é dita durante o acendimento das
velas de chanuká: primeiro acende-se o shamasha, depois diz-se a bênção, e enfim acende-
se o resto das velas com ele:

Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech Haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu
lehadlic ner Chanucá.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D'us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus
mandamentos, e nos ordenou acender a vela de Chanucá.

Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech Haolam, sheassá nissim laavotênu, bayamim
hahêm, bizman hazê.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D'us, Rei do Universo, que fez milagres para nossos
antepassados, naqueles dias, nesta época.

E apenas no primeiro dia, acrescenta-se a seguinte bênção:


Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech Haolam, shehecheyánu vekiyemánu vehiguiyánu
lizman hazê.
Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D'us, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos
fez chegar até a presente época festiva.

Outras tradições como brincar com o "sevivon ou dreidl" (pião) onde em cada lado dele estão
escritas as iniciais da frase "nes gadol hayá sham" (um grande milagre aconteceu lá - em
Israel) são bem conhecidas. Também há o costume de servir alimentos como sonho com
geléia (sufganyot) e panquecas de batata (latkes) e de presentear as crianças com um
presente a cada dia, em especial “Chanuká Gelt”, moedas de chocolate, com as quais elas
brincam com o sevivon.

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Para as receitas de Chanuká, acesse esse link:
https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/660427/jewish/Culinria.htm

Na época de chanuká você encontra piões para vender nas lojas de produtos judaicos nas
principais cidades. No sidur você encontra as bênçãos de chanuká. Essas luzes da chanukiah
eram acesas em todos os lares de Israel e o nome popular do festival era, portanto, segundo
Flávio Josefo, o "Festival das Luzes" ("E daquela época até aqui nós celebramos esse festival,
e o chamamos de Luzes"). Até hoje o costume é manter a chanukiá acesa por pelo menos
uma hora junto a uma janela ou na entrada da casa para que seja vista por todos. No shabat,
deve-se acender a chanukiá antes da entrada do shabat, por causa da proibição de acender
fogo no shabat. Antes do século XX, o Chanucá era um feriado relativamente menor.
Contudo, com o crescimento do Natal como o maior feriado no Ocidente e o estabelecimento
do estado moderno de Israel, o Chanucá começou a servir crescentemente tanto como
celebração da restauração da soberania judaica em Israel e, mais importante, como um
feriado para se dar presentes voltado para a família em Dezembro. o que poderia ser um
substituto judaico para o feriado cristão.

Torá ou tradição? Tradição.


Onde está escrito?
Chanuká está relatado no livro apócrifo de Macabeus 1: 59, que se encontra nas biblias
católicas. O Brit Hadashá também menciona Chanuká:
E em Jerusalém havia a festa da dedicação, e era inverno. João 10:22

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Os três pilares do judaísmo

A vida judaica tem algumas práticas tradicionais e outras ordenadas pela Torá.
Nossos sábios dizem que o judaísmo repousa sobre três pilares:

Tefilá – oração
Avodá – serviço
Tsedaká – justiça, caridade

Veremos agora como praticamos esses três pilares:

Tefilá - oração
A tradição transformou as ordenanças relacionadas à Tefilá e Avodá em uma ordem diária
de serviços ou cultos:

Orações diárias
As orações diárias são praticamente as mesmas em todo o mundo, e se encontram
compiladas no sidur (plural sidurim) ou livro de orações judaico.
Os judeus devotos vão à sinagoga diariamente três vezes ao dia. Os menos devotos vão
apenas no shabat, o dia de descanso judaico, que começa na sexta-feira ao por do sol e vai
até o por do sol de sábado. Os ainda menos devotos vão à sinagoga apenas nas grandes
festas.
Os serviços incluem salmos, orações e cânticos de louvor, entoados por todos e liderados
pelo chazan, que seria um líder de louvor. Ponto central do serviço é a oração que deve ser
repetida sempre ao levantar e ao deitar, o Shemá, trecho de Deuteronomio 6:4-9, em
hebraico e em português:

Shemá Yisrael, Ado-nai Elohenu, Adonai Echad.


(Em voz baixa) Baruch shem kevod malchutô leolam vaed.
Ouve Israel, o Eterno é nosso D´us, o Eterno é Um.
(Em voz baixa) Bendito seja o nome da glória de Seu reino para toda a eternidade..
Veahavtá et Adonai Elohêcha, bechol levavechá uvchol nafshechá uvchol meodêcha.
Vehayú hadevarim haêle asher anochí metzavechá hayom al levavêcha. Veshinantam
levanêcha vedibartá bam, beshivtechá bevetêcha, uvlechtechá vadêrech uvshochbechá
uvcumêcha. Uc'shartam leot al yadêcha vehayu letotafôt ben enêcha. Uchtavtam al
mezuzot betêcha uvish'arêcha.
“Amarás ao Eterno, teu D’us, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu
poder. Estas palavras que Eu te ordeno hoje estarão no teu coração. As ensinarás
diligentemente aos teus filhos e falarás delas quando estiveres sentado em tua casa e quando
andares pelo teu caminho, ao te deitares e ao te levantares. As atarás por sinal sobre a tua
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mão e serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás sobre os umbrais da tua casa e
nas tuas portas.”

Outro ponto central dos serviços é a oração da Amidá, em que o chazan (líder da liturgia do
serviço) aborda diversos pontos, começando com louvor, adoração e pedidos ao Eterno. Para
saber mais, procure comprar o Sidur da Editora Sefer ou outro sidur. Mais abaixo falaremos
com mais detalhes sobre ela.

Além das lindas e profundas orações ritualísticas que podem ser feitas na sinagoga ou em
casa, mas sempre com concentração e propósito, temos a hitbodedut, oração muito
preconizada como a melhor forma de se adquirir intimidade com o Eterno e santidade: A
oração do coração, na qual a pessoa vai para algum lugar isolado, de preferência seu quarto
ou a natureza, e, durante bastante tempo derrama seu coração para o Eterno em voz alta e
de forma totalmente espontânea.

Tradicionalmente, três grupos de orações (tefilot) são recitados diariamente:

1. Shacharit ou Shaharit, que vem de shachar ou shahar" )luz da manhã";), feita pela
manhã, devendo terminar antes de meio-dia.
2. Minchá, as orações da tarde designadas para a oferta de farinha que acompanhava os
sacrifícios no Templo de Jerusalém, geralmente às 15 horas.
3. Arvitְ ou Ma'ariv, de "anoitecer“), ao anoitecer.

• Orações adicionais:
1. Musaf (adicional") são recitadas pelas
congregações ortodoxas e conservadoras no Shabat, nos principais feriados
judaicos e no Rosh Chodesh.
2. Um quinto serviço de oração, Ne'ilahִ (fechamento"), é recitado somente em Yom
Kippur, o Dia da Expiação.

• Nos tempos modernos, vários compositores escreveram melodias para uso durante os
serviços, e as orações são cantadas, para facilitar o fluir do mesmo, a memorização das
orações e a elevação da alma na adoração.

A Amidá

Amidá (Tefilat HaAmidah, a "Oração de pé"), também conhecida como Shmoneh Esreh, "As
dezoito" é a oração central da liturgia judaica.
O termo significa "estar de pé", e é uma referência ao fato de que se diz a oração de pé, com
os pés juntos, olhando na direção de Jerusalém, murmurando em voz baixíssima, como Ana
clamava no Templo por um filho.

A estrutura da Amidá é a seguinte:


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Ela é ponto central nos serviços, junto com o shemá, e se encontra em todos os sidurim (livros
de oração) judaicos.

A Hitbodedut
Hitbodedut ou hisbodedus (auto-reclusão) é a oração judaica espontânea.
O termo foi popularizado pelo Rebbe Nachman de Breslov (1772-1810) para se referir a uma
forma não estruturada, espontânea e individualizada de oração e meditação, por meio da
qual se estabeleceria um relacionamento íntimo e pessoal com D´us.
Práticas de oração e meditação individual foram encorajadas por muitos rabinos medievais,
como Abraham Maimonides, Abraham Abulafia, Joseph Gikatilla, Moses de Leon, Moses
Cordovero, Isaac Luria e Chaim Vital. O fundador do hassidismo, o Baal Shem Tov, encorajou
seus discípulos próximos a encontrar a devekut (apego, amor ao Eterno descrito no Shemá)
por meio de hitbodedut.
O Rebe Nachman de Breslov também escreveu extensivamente sobre essas práticas e
afirmou que eram praticadas pelos antepassados do Judaísmo – Abraão, Isaac e Jacó, Moisés,
Davi, os profetas e seus discípulos - bem como os líderes da Torá de cada geração.

O método
O método da Hirbodedut envolve falar com D´us de uma maneira íntima e informal. O Rebe
Nachman ensinou que o melhor lugar para hitbodedut é nas florestas ou campos. "Quando
uma pessoa medita nos campos, todas as ervas se unem em sua oração e aumentam sua
eficácia e poder", escreveu ele.
Ele também sugeriu praticar hitbodedut no meio da noite, embora fazê-lo durante o dia e
em locais fechados seja também eficaz.
Durante a hitbodedut, o praticante abre seu coração a D´us em sua própria língua,
descrevendo todos os seus pensamentos, sentimentos, problemas e frustrações. Nada foi

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considerado pelo Rebe Nachman como sendo mundano demais para discussão, incluindo
negócios, desejos conflitantes e relacionamentos.
Mesmo a incapacidade de expressar do modo correto o que se deseja dizer é vista como um
assunto para discutir com D´us. Deve-se também aproveitar a oportunidade para examinar
seu comportamento e motivações, corrigindo as falhas e erros do passado enquanto busca o
caminho adequado para o futuro.
O Rebe Nachman disse que hitbodedut deve ser praticada de uma maneira simples e direta,
como se ele estivesse conversando com um amigo próximo. Ele também aconselhou: “É
muito bom derramar seus pensamentos diante de D´us como uma criança suplicando diante
de seu pai. D´us nos chama de Seus filhos, como está escrito (Deuteronômio 14: 1):“ Vocês
são filhos de D´us. ”Portanto, é bom expressar seus pensamentos e problemas a D´us como
uma criança reclamando e importunando seu pai.

Como vemos, orar com o coração e livremente, com suas próprias palavras, é algo encorajado
pelo judaísmo, bem como o estabelecimento de um relacionamento pessoal com D´us.

O que mashiach Yeshua diz sobre a oração?


Entre outras coisas, Yeshua disse:
E aconteceu que, estando ele a orar num certo lugar, quando acabou, lhe disse um dos seus
discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos.
E ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu
nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu.
Dá-nos cada dia o nosso pão cotidiano;
E perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a qualquer que nos deve, e
não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal.
Disse-lhes também: Qual de vós terá um amigo, e, se for procurá-lo à meia-noite, e lhe
disser: Amigo, empresta-me três pães,
Pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que
apresentar-lhe;
Se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os
meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para tos dar;
Digo-vos que, ainda que não se levante a dar-lhos, por ser seu amigo, levantar-se-á,
todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver mister.
E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á;
Lucas 11:1-9

Yeshua nos instou a orar sem cessar, a aprender a orar, a orar crendo que já recebemos, a
confiar no Pai, que jamais nos daria algo pior do que o que pedimos, a orar com
perseverança e ousadia. Assim devemos fazer.

41
A Avodá
Segundo o dicionário, Avoda, ou Avodah, significa literalmente "trabalho, adoração e serviço"
em hebraico, ou seja, servir a D´us, dedicando-se à sua obra, o que inclui o estudo da Torá, a
prática das mitsvot e a assiduidade nos serviços na sinagoga. O Tanach descreve de maneira
clara que espera que o judeu devoto pratique a misericórdia, ajuda ao próximo e
benevolência:
Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que
desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo?
Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os
pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne?
Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça
irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda. - Isaías 58:6-8

O estudo da Torá
O estudo da Torá e dos outros escritos judaicos é a primeira obrigação de todo judeu. Para
nós, que cremos em Yeshua como Mashiach, o B´rit HaDashá também deve ser
constantemente estudado.
Segundo o rav Nachman de Breslav, um dia de esforço para estudar a Torá na juventude
corresponde a um ano de estudo na idade adulta.
Ele também disse que “quem se esforça para estudar a Torá até conseguir compreendê-la e
conhecê-la, cura sua alma e se eleva na direção de sua meta. Ele planta uma árvore de vida
que possui todos os remédios. Ele revela a Glória Divina, o que é o propósito do homem na
terra. (cf. Likutei Moharan I,74).
Ele também afirmou que “a assiduidade nos estudos supera todos os mandamentos” (Likutei
Moharan I,101).
Ele ainda afirmou:
“E o sopro de D´us pairava sobre a face das águas.” Esse sopro de vida está na Torá. Os
Tsadikim estão apegados à Torá. Portanto, é neles que acharemos o sopro de vida.(Likutei
Moharan I,8).

Para uma teshuvá adequada é necessário, então, o estudo do Tanach e B´rit HaDashá como
atividade central da vida espiritual.

É o estudo das Escrituras que transforma nossa alma, nossos pensamentos e nos capacita a
atingirmos níveis mais altos de comunhão com o Eterno. Ele deve ser diário e constante.
Separe todo dia um horário para oração e estudo das Escrituras e sua teshuvá com certeza
será bem sucedida.

42
Qual biblia estudar?
Quando, como buscadores da verdade, nos deparamos com uma nova visão espiritual, temos
a tendência a rejeitar tudo relacionado ao antigo caminho. Esse é um trajeto perigoso,
porque nem tudo que aprendemos antes é errado. O cristianismo se derivou do judaismo,
com algumas modificações, então, precisamos discernir e aprender com equilibrio a separar
o santo do profano, o correto do errado. E o cristianismo traz até hoje muito do correto.

Tenho visto ao longo dos anos pessoas descartarem conceitos verdadeiros e importantes
para a Teshuvá por se tratar de conceitos professados também pelo cristianismo e com isso
perderem boa parte de sua visão espiritual, prendendo-se em escravidões da religiosidade e
perdendo o contato com a Ruach HaKodesh, o Espirito do Eterno, afundando-se em
legalismos insensatos por conta de falsos ensinamentos. Nunca é demais repetir que o nosso
filtro e estrutura devem ser as Escrituras: Tanach e B´rit HaDasha. O que se contradisser a
isso deve ser descartado sem pena.

A bíblia da Teshuvá
A biblia mais usada na teshuvá é a Bíblia Judaica Completa, de David Stern.

Por que usar essa biblia?

Por ser a única versão portuguesa de estilo e apresentação completamente judaicos. Inclui a
nova versão do Tanakh, feita pelo dr. Stern ("Antigo Testamento"), bem como seu Novo
Testamento Judaico, a B'rit Hadashah.

A Bíblia Judaica Completa segue a ordem hebraica dos livros do Tanakh, a ordem com a qual
Yeshua estava acostumado. Ela não faz nenhuma separação entre "Antigo" e "Novo"
Testamento.

Ela também corrige traduções equivocadas do Novo Testamento, resultantes da


ambientação teológica antijudaica. Apresenta os nomes hebraicos originais de pessoas,
lugares e conceitos por meio de transliterações fáceis de ler. Concentra-se nas profecias
messiânicas. Apresenta um plano de leitura semanal, de leituras feitas na sinagoga (e dos
43
dias de festa) com a adição de leituras relevantes da B'rit Hadashah (Novo Testamento). Além
disso, possui uma introdução completa, um glossário com explicações de pronúncia, um
glossário invertido e mapas especiais para auxiliar o entendimento da Bíblia. Além dela, é
recomendável comprar a Torá da Editora Sefer, embora ela apresente alguns erros de
tradução, tem referências, menções e explicações muito boas.

Uma boa biblia de estudo também é a Biblia de Palavra Chave, da CPAD, que tem 8674
palavras traduzidas para o hebraico e explicações no Tanach e 5624 do grego no Brit
HaDasha, além de mapas, chaves e outros.

Mas e além da bíblia, quais outros escritos devo estudar?

Sempre será muito importante, antes de pensar em ler e conhecer qualquer outro livro, ter
um conhecimento profundo das Escrituras. Por que isso? Para que possamos discernir tudo
que não está de acordo e não caiamos nas ciladas do HaSatan, fascinados com ensinamentos
discrepantes da verdade.

Então a hierarquia dos escritos é algo que se deve respeitar, tanto em importância como
em tempo de estudos: Torá, Tanach e B´rit HaDasha, respectivamente Pentateuco, Antigo
Testamento e Novo Testamento são superiores a qualquer outro escrito e, se conflitantes,
devem ser tomados como filtro eliminador.

Livros importantes do judaísmo

O Talmud
O Talmud (em hebraico: ‫תלְ מּוד‬,
ַּ cujo significado é estudo) é uma coletânea de livros sagrados
dos judeus, um registro das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e
história do judaísmo. É um texto central para o judaísmo rabínico.

O Talmud tem dois componentes: a Mishná, o primeiro compêndio escrito da Lei Oral
judaica; e a Guemará, uma discussão da Mishná e dos escritos tanaíticos que
frequentemente abordam outros tópicos.

O Mishná foi redigida pelos mestres tanaítas (Tannaim), termo que deriva da
palavra hebraica que significa "ensinar" ou "transmitir uma tradição". Os tanaítas viveram
entre o século I e o século III d.C. A primeira codificação é atribuída ao rabino Akiva (50
d.C. – 130 d.C.), e uma segunda, ao Rabi Meir (entre 130 d.C. e 160 d.C.), ambas
as versões foram escritas no idioma aramaico.

44
Os termos Talmud e Guemará são utilizados frequentemente de maneira intercambiável. A
Guemará é a base de todos os códigos da lei rabínica, e é muito citada no resto da literatura
rabínica; já o Talmud ou Talmude também é chamado freqüentemente de Shas (hebraico:
‫)ש"ס‬, uma abreviação em hebraico de shisha sedarim, as "seis ordens" da Mishná.

Durante centenas de anos, os sábios (a maioria em Israel e na Babilônia) criaram, com


comentários e explicações à Torá, o Talmud de Jerusalém e o Talmud da Babilônia. Escrito
em muitos volumes, o Talmud da Babilônia é o texto judaico mais amplamente estudado.
O tradicional texto do Talmud em aramaico é publicado junto com comentários de Rashi, um
grande rabino judeu, o que acrescenta uma perspectiva fundamental para o entendimento
do texto.

Depois da bíblia, o Talmud é a obra mais importante da cultura judaica.

Os dois Talmudes foram escritos sucessivamente, o primeiro sob o domínio romano, o


segundo sob o domínio dos Persas e dos Árabes. O Talmud de Jerusalém, que traz o nome da
cidade por causa da sua fidelidade a sua centralidade religiosa, foi fundado por rabi Yohanan
bar Nafa, encarregado por volta de 230 como chefe da Academia de Tiberíades. O último
Patriarca palestino, rabi Gamaliel bem Yehuda, concluiu o trabalho de seus antecessores.
Foi em torno do ano 400 que, perto das margens do rio Eufrates, que começou a elaboração
do Talmud da Babilônia.
Num intervalo de aproximadamente três séculos e meio, muitos rabinos trabalharam nessa
imensa compilação que conquistou sobre o Talmud mais antigo, o da Palestina, um maior
prestígio que ele até aos dias de hoje, mais profundo e extenso.

Mishná

Segundo a tradição, Moshê recebeu a Torá Escrita junto com a Torá Oral. No decorrer dos
anos, os sábios desenvolveram um conjunto de tradições orais adicionais para acompanhar
as leis da Torá. Nos anos difíceis após a destruição do Segundo Templo em Jerusalém, Rabi
Yehuda, o Príncipe, compilou muitas dessas tradições rabínicas num texto abrangente, a
Mishná (“repetição” ou “aprendizado”). Dividida em seis “ordens” (volumes) a Mishná é o
texto fundamental da lei rabínica.

A divisão da Mishná se dá assim:


1 – As Sementes: as leis religiosas e sociais ligadas à Terra de Israel (10 tratados);
2 – Os Compromissos: as festas (12 tratados).
3 – As Mulheres: a legislação da família (casamento, divórcio, herança – 7 tratados).
4 – Danos: a responsabilidade civil, os tribunais, os testemunhos, as penas e condenações (10
tratados).
5 – Sobre as coisas sagradas: as leis do Templo e dos sacrifícios (11 tratados)
6 – Purezas: as leis sobre o puro e o impuro (12 tratados).

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O conjunto dos tratados da Mishná se apresenta como uma série de pequenos textos,
distribuídos em capítulos que vão desenvolvendo sobre as diferentes interpretações dos
mestres. A apresentação é breve e transparece sempre o desejo de ir logo ao essencial.

A Guemará

As Academias da Palestina e da Babilônia assumiram a tarefa, a partir do século III, de


procurar o sentido exato da mishná. Era preciso encontrar a origem das palavras, procurar a
ligação entre o texto escrito e a tradição oral, conciliar as diferenças ou as contradições,
completar a Mishná apontando conclusões para os novos ou futuros casos, enfim decidir
sobre a lei prática. Esse trabalho, começado pelos alunos de Rabi Judá, foi
nomeado Guemará "Complemento" , parte do Talmud.

Mishnê Torá

Quando rabinos e judeus instruídos continuaram a refinar e revisitar os decretos do Talmud,


as discussões aumentaram de forma tão ampla e intrincada que o leigo não conseguia acessar
orientação prática para a vida do dia a dia (Halachá).
Para remediar isso, Rabi Moshê Maimônides (conhecido como Rambam) compilou aquilo
que ele chamou de Mishnê Torá (“Revisão da Torá”), uma enciclopédia claramente
organizada de regras fundamentadas em toda a literatura rabínica. Isso estabeleceu um
padrão, criando uma plataforma a ser seguida por muitas obras rabínicas relevantes.
Como parte de um esforço para dominar toda a Torá, muitos estudam a Mishnê Torá (ou
junto com ela, Sefer Hamitsvot, o livro dos mandamentos, do mesmo autor) num ciclo anual
ou tri-anual.

46
Midrash
Como a Mishná ou o Talmud, o Midrash foi um trabalho coletivo. Da raiz darosh, "procurar",
o Midrash é primeiro um "método de interpretação" antes de se tornar uma "busca" no plano
ético, filosófico ou narrativo a partir das Escrituras, sendo que a parte puramente de contos
traz o nome de Hagadá ou "Narração".
Um importante "método de interpretação" é o religar um ensinamento da tradição oral ao
texto escrito. Uma fórmula sempre presente no Talmud é mená hanê milê? "De onde vêm
estas palavras?", em outras palavras: "Como podemos relacionar nosso rito cotidiano (que
não está mencionado explicitamente no verso) à Torah?
Esse tipo de questão era fundamental, pois os Saduceus se opunham à existência de uma
tradição oral, e era preciso mostrar as relações imprescindíveis entre a tradição oral e a
tradição escrita. Nesse sentido, o Midrash foi verdadeiramente a "pesquisa" analítica, com a
finalidade de fundamentar o rito.

Os Sábios decidiram registrar por escrito os ensinamentos morais da Torá – mas através de
um código secreto. Isso os tornaria inteligíveis apenas àqueles que tivessem a chave para o
código mestre. Conseqüentemente, disfarçaram estes Divinos ensinamentos morais, os
Midrashim, como histórias, enigmas, parábolas e ditos enigmáticos. Seriam ininteligíveis aos
leigos – poderiam ser decifrados apenas por um círculo limitado de estudantes de Torá a
quem os professores transmitiriam estas leis. Estes, por sua vez, revelariam a seus discípulos
que o texto literal do Midrashim era apenas um invólucro exterior que camuflava a alma
deles e sua verdadeira essência.

O Midrash nasceu no retorno do Exílio da Babilônia com Esdras. Mas a idade de ouro do
Midrash permanece nos quatro primeiros séculos da nossa era, quando se formavam a
Mishná e o Talmud. Foi na Judéia que nasceram as primeiras obras (Século I):
a Mekhilta (sobre o Êxodo) atribuída a rabi Ishmael, autor além disso de treze regras de
interpretação que exercem um papel chave nas análises do Talmud; a Sifra (sobre o livro do
Levítico), chamado também de "o Midrash do Levítico" atribuída a autoria a rabi Yehuda ben
Elai e a obra Sifré (sobre os livros de Números e Deuteronômio) atribuída a autoria a rabi
Simão bar Yohai. O conteúdo desses livros é metade ritual (halakha) e metade ético ou
narrativo (hagada). No Midrash, nós podemos incluir algumas obras místicas como
os Capítulos de rabi Eliezer ou as Cartas de rabi Akiva.

Pirkei Avot ou Ética dos Pais


O Pirkei Avot é um tratado da Mishná composto de provérbios éticos de rabinos do período.
Dividido em cinco capítulos, sendo que os primeiros quatro capítulos contém os ensinos dos
sábios desde Simão, o Justo (século III a.C.) até Judá haNasi (século III d.C.), redator da
47
Mishná. Ele se concentra na conduta ética e social, enfatizando a importância do estudo
da Torá. Encontramos o Pirket Avot no Sidur Completo da Editora Sefer.

Zohar
O Zohar ("esplendor" ou "radiante") é o trabalho fundamental da literatura cabalista e
do misticismo judaico. No meio acadêmico, é tratado como uma revelação de D´us, que teria
sido dada ao rabbi Shimeon Bar Yohai e aos seus discípulos escolhidos. Trata-se de uma
coleção de comentários místicos sobre a Torá (os cinco livros de Moisés), escritos
parcialmente em aramaico e hebraico medieval. O Zohar trata da natureza de D´us, do
cosmo, da alma, do pecado, da redenção, do bem e do mal, do "eu verdadeiro," da luz de
D´us e da relação entre a energia universal e o homem. O Zohar é escrito principalmente no
que hoje é descrito como um estilo cripto, obscuro, de aramaico. O aramaico, a língua do dia-
a-dia de Israel no período do Segundo Templo (539 AEC - 70 EC), foi a língua original de
grandes seções dos livros bíblicos de Daniel e de Esdras: é a principal língua do Talmude. O
Zohar completo ainda não pode ser encontrado em português, mas há livros que o resumem
em nossa língua.

Sidur (livro de orações)


As preces judaicas foram compostas pela Anshe Knesset, Haguedolá, “Homens da Grande
Assembleia” – um painel composto por 120 profetas e sábios formando a suprema
autoridade religiosa no início da Era do Segundo Templo. Além da Amidá (“Prece Silenciosa”)
e outras composições, as preces judaicas incluem seções da Escritura, notavelmente o Shemá
e uma seleção de Salmos. Desde os tempos de Saadya Gaon (882-942), as preces judaicas
têm sigo registradas no Sidur (livro de preces). Há milhares de Sidurim no mercado, refletindo
as diferentes tradições de comunidades judaicas diversas bem como vários estilos de
tradução e impressão.

Nos tempos modernos, o Sidur é um alicerce do lar judaico e o companheiro indispensável


de quem quer fazer teshuvá. Há sidurim (plural de sidur) messiânicos em português, como o
do Ensinando de Sião:

http://www.editorasiao.com.br/p/52/sidur-messianico-de-shabat

Ou o talmidei Yeshua
https://pt.slideshare.net/judithywesley/sidur-messinico-talmidei-yeshua-hamashiach

ou ainda melhor o sidur Ahavat Olam, recém lançado, do rav. Shapiro.

48
Tanya
O texto básico da abordagem do judaismo à vida, o Tanya provê um mapa para a alma e
conselhos para manter alegria, inspiração e consistência no decorrer dos desafios da vida.
Escrito por Rabi Shneur Zalman de Liadi, é estudado pelos judeus chassidim (piedosos)
diariamente.

Judaísmo Nazareno, o Caminho de Yeshua e seus Talmidim


Esse excelente livro escrito pelo rosh Tsadok ben Derech é o fundamento imprescindível para
quem quiser fazer uma Teshuvá equilibrada. O livro de mais de 600 páginas aborda
praticamente todas as questões do judaísmo de Yeshua à luz do contexto puramente judaico,
valendo-se das Escrituras do Tanach (“Antigo Testamento”) e da B’rit Chadashá (“Novo
Testamento”) em Hebraico e Aramaico, de dados históricos e de amplas fontes da literatura
israelita, tais como os Targumim, Manuscritos do Mar Morto, obras de Flávio Josefo e Filo de
Alexandria, Talmud, Midrash, Zohar e livros rabínicos, dentre outros. Escrito pelo maior
historiador leigo da Epoca de Yeshua e das Congregações do Primeiro Século, esse livro
resolve dúvidas teológicas em relação ao judaísmo messiânico e nazareno e um guia para se
conhecer o autêntico Yeshua sem os dogmas religiosos que ocultam a verdade. Sua última
edição com acréscimos pode ser comprada no seguinte link:
https://clubedeautores.com.br/livro/judaismo-nazareno

Há ainda muitos outros livros interessantes e profundamente instrutivos, mas esses são os
mais importantes e é por eles que se deve começar, lembrando que o conhecimento
profundo das Escrituras, Tanach e B´rit HaDashá é imprescindível para a leitura desses.

49
A Sinagoga ou Kehilah
Qualquer comunidade habitada pelo menos por dez judeus adultos deve ter um local
designado onde possam se reunir para a prece. Este local é chamado de sinagoga (Beit
Knesset). Habitantes de uma cidade pequena podem se reunir para construir uma sinagoga
e comprar um Sêfer Torá e outros livros sagrados. Os membros devem incentivar e persuadir
uns aos outros a comparecer aos serviços.

Uma sinagoga pode ser um prédio ou sala reservada para a oração. Este sempre foi e ainda
permanece sendo seu propósito fundamental. Mesmo assim, em toda a literatura rabínica,
apenas uma vez (Gitin 39b) foi mencionada como uma Casa de Prece (Beit Tefilá). Desde seu
início, após a destruição do Primeiro Templo em 596 AEC, até os dias de hoje, tem sido
geralmente chamada de Beit Knesset, que significa literalmente Casa de Assembléia, ou Casa
de Reunião.

Seu papel adicional mais notável tem sido como centro de estudo religioso. Assim o termo
Beit Midrash, Casa de Estudo, tornou-se quase sinônimo de Beit Knesset. O Beit Midrash
pode ser uma sala separada conjugada ao Beit Knesset, ou o mesmo local, usado com os dois
objetivos.

O estudo de Torá tornou-se não apenas parte integrante do serviço da prece, como também
grupos de estudos se reúnem antes ou depois dos serviços com o propósito de estudá-la. O
papel da sinagoga como um Beit Midrash, local para a educação contínua, tem permanecido
constante.
Como uma extensão de suas funções educacionais, a sinagoga, ou Beit Midrash, era o local
onde a biblioteca religiosa era mantida para uso da comunidade. Assim encontramos a lei
definitiva que "habitantes de uma cidade devem incentivar uns aos outros a comprarem um
Rolo de Torá e Livros Sagrados, para que todos aqueles que desejem ler estas obras possam
fazê-lo. Seja pelo espaço ou porque o edifício da sinagoga era geralmente o único prédio
público da comunidade, costumava ser também o local onde se promoviam reuniões e
assembléias da comunidade, e onde eram deliberados os assuntos de rotina.
"D’us permanece na congregação de D’us" - Tehilim 82:1. O que significa que a Presença de
D’us é encontrada nas sinagogas. Orar na sinagoga era considerado como tendo mais mérito
que rezar em qualquer outro lugar.

A sinagoga é apenas um instrumento da fé judaica. Embora relevante em seu papel, não


constitui a parte central do judaísmo, pois ele não está alicerçado em qualquer instituição,
mas na Torá. A sinagoga é um local que contribui para a união da comunidade e é sagrado
somente em virtude do uso que se faz dele, como as preces e o estudo religioso.
Os serviços religiosos podem ser conduzidos por leigos, membros da instituição, que devem
possuir conhecimento e treino para fazê-lo. A administração e manutenção da instituição
50
geralmente ficam a cargo deles, que podem ser voluntários ou eleitos para ocupar postos de
liderança. Embora seja desejável e costumeiro que uma congregação contrate os serviços de
um rabino para fornecer orientação religiosa, direção e liderança a uma comunidade, existem
sinagogas, especialmente as pequenas, que funcionam sem um rabino.
Até que ponto uma sinagoga pode ser uma expressão do Judaísmo – além de sua função
como local de reunião para a prece – é determinado em grande parte pelo tipo de pessoas
que a dirigem (sejam rabinos ou leigos) e também pelo nível e comprometimento da
congregação em si.

Comportamento na Sinagoga
As sinagogas e salas de estudo devem ser tratadas com respeito e reverência, já que sua
santidade é muito grande. Devemos nos conscientizar da Divina Presença (Shechiná) que
paira ali, nos vestir e nos comportar, bem como rezar, de acordo.
Assim como o Santuário antigo em Jerusalém era o Grande Templo da fé judaica, também
toda sinagoga e casa de estudo é considerada um mikdash me'at, um santuário em menores
proporções.
É uma grande mitsvá orar numa sinagoga ou numa casa de estudo, pois estes locais são
santificados. Deve-se fazer um esforço especial para fazê-lo, mesmo quando se ora sozinho.
E o silêncio e reverência são fundamentais para fornecer o devido respeito que o local requer.

A Sinagoga Como Instituição


Sinagogas são instituições autônomas. São estabelecidas, organizadas, mantidas e
controladas localmente por qualquer grupo de judeus que desejam ter uma sinagoga em seu
meio. Cada sinagoga é independente da outra, e presidida por um grupo eleito de
funcionários e/ou por uma Junta de Diretores. Embora cada sinagoga esteja basicamente
atada pelos Códigos da Lei Judaica em suas práticas rituais, não há nada para impedir
qualquer sinagoga de estabelecer suas próprias políticas e procedimentos, tanto no ritual
quanto em assuntos gerais.
Sinagogas podem diferir consideravelmente uma das outras em suas políticas religiosas e na
maneira de conduzir seus respectivos serviços religiosos. Embora a influência e atitude do
rabino quase sempre seja um fator decisivo, a liberdade de escolher um rabino que seja
simpático às opiniões da congregação significa que tal influência é às vezes, embora não
sempre, mais teórica que real. Como as congregações são livres para eleger seus próprios
rabinos, também são livres para renovar um contrato por meio dos votos da congregação.
Qualquer judeu está livre para entrar, rezar e juntar-se a qualquer sinagoga,
independentemente de seu próprio nível de observância ou comprometimento religioso.

Responsabilidade das sinagogas nos dias de hoje


Embora seu objetivo principal seja servir como um lugar onde os seus membros possam se
reunir para os serviços religiosos, a sinagoga pode e deve ser um instrumento para a
educação religiosa e espiritual de seus membros, dos mais jovens aos mais idosos, para que

51
possam aprender a apreciar melhor o significado e a importância da fé judaica,
implementando conhecimento em seus ensinamentos éticos e morais.
É responsabilidade da sinagoga encorajar o apoio a todo esforço e todo projeto que seja
fundamental para a sobrevivência de nossa fé ou de nosso povo. O papel de Êretz Yisrael
como um elemento na fé de Israel deve ser reconhecido e um relacionamento vivo com a
Terra Santa deve ser encorajado, enquanto a segurança do país deve ser apoiada de todas as
formas.

É responsabilidade da sinagoga promover o verdadeiro centro da vida judaica, que é o lar


judaico.
Também a de fortalecer a lealdade, não a si mesma como instituição, mas a D’us a quem ela
serve, e à Torá como o Divino comando. A lealdade às mitsvot e aos ensinamentos da Torá
são a medida da fé de um judeu, e não a lealdade a uma instituição.
A liderança da sinagoga deve, portanto, considerar a instituição não apenas como um local
de reunião para o serviço religioso, mas como um veículo para promover a educação judaica
(formal e informal), o crescimento religioso e espiritual de seus membros, e para encorajar a
vivência diária dos valores do Judaísmo em todas as esferas da vida. O sucesso ou fracasso
de uma sinagoga deveria ser julgado pela medida em que ela cumpre estas
responsabilidades.

Estes papéis devem ser preenchidos por sinagogas especialmente na Diáspora, onde até o
judeu que se encontra mais distante as vezes a busca a fim de se tornar parte de uma
congregação. Seus motivos podem ser os mais diversos: identificar-se como judeu, para
possibilitar oportunidades educacionais e culturais a seus filhos proporcionadas pela
sinagoga para crianças e jovens ou mesmo para ser inserido em uma vida social liderada pela
instituição em determinada comunidade. As sinagogas devem encorajar um retorno a D’us
nos níveis mais amplos e profundos (teshuvá), fornecendo oportunidades de transformar um
vago desejo por identificação, ou algum motivo oculto (aproveitar determinadas
comodidades ou serviços) em um apego mais forte e significativo com o Judaísmo.
Porém mesmo o judeu devoto que freqüenta fielmente a sinagoga para assistir aos serviços
religiosos tem todo o direito de esperar que a sinagoga o ajude a manter e ampliar a
educação religiosa judaica dos filhos, a orientá-los para que resistam às forças da assimilação;
ele tem todo o direito de exigir que a sinagoga forneça não somente livros em sua biblioteca
ou Beit Midrash para que ele possa estudá-los ou folheá-los, mas que providencie um
professor e conduza aulas para enriquecer seu próprio entendimento, e que dê
oportunidades de socializar com outros judeus, além dos encontros casuais antes e depois
dos serviços religiosos.

Os Serviços Religiosos
Os serviços religiosos devem na medida do possível ser conduzidos diariamente nas
sinagogas, todas as manhãs e tardes. Enquanto Minchá, a Prece Vespertina, e Maariv, a Prece
Noturna, são conduzidos geralmente logo antes e pouco depois do pôr-do-sol, o horário dos

52
serviços de preces matinais e os do Shabat podem diferir de congregação para congregação,
portanto a pessoa deve familiarizar-se com o horário da sua sinagoga.

Muitos séculos de separação geográfica da comunidade judaica têm levado a padrões


diferentes no serviço tradicional e a uma grande diferença de costumes seguidos pelas
sinagogas das diferentes comunidades. A ordem básica do serviço, no entanto, é a mesma
em toda a parte, fundamentada na orientação e princípios do Talmud. O fato de eles se
assemelharem tanto um com o outro, apesar dos séculos de separação, é uma verdadeira
fonte de assombro. As diferenças, embora logo fiquem aparentes a quem está familiarizado
com o serviço, são superficiais.

As duas tradições básicas da sinagoga e liturgias de prece são chamadas Ashkenazitas


(referindo-se às práticas seguidas pelos judeus na Europa Central, Oriental e Ocidental, e
todos que dali se originam) e Sefaradita (as práticas seguidas pelos judeus espanhóis e
aqueles ao redor da costa do Mediterrâneo e seus descendentes). As diferenças entre as
liturgias das duas sinagogas remontam às diferenças de opinião entre os antigos eruditos de
Yisrael e Babilônia. O Judaísmo ashkenazita foi influenciado pela tradição babilônica, ao passo
que o sefaradita adotou a tradição de Yisrael.

Existem muitas leis e regulamentos governando a ordem do serviço para as diversas ocasiões.
Estas devem ser seguidas de acordo com as instruções do rabino, ou na sua ausência,
segundo a orientação de um rosh que conheça as leis pertinentes à liturgia e familiarizado
com as tradições daquela congregação.

Os Objetos Rituais
Uma sinagoga, seja grande ou pequena, elaborada ou simples, deve conter os seguintes itens
básicos:

Arca Sagrada (Aron HaCodesh) um armário, ou um recesso na parede no qual são guardados
os Rolos de Torá (Sifrei Torá). Objeto mais valioso da sinagoga, o rolo da Torá é geralmente
doado por familias da comunidade. Sua chegada é comemorada com uma festa chamada
Hachnassat HaTorá, com danças e júbilo. Um rolo leva ao menos 18 meses para ser escrito e
confeccionado, desde o couro do animal, que pode ser cabra, vaca, touro ou veado, até a
escrita por um profissional habilitado. O texto da Torá foi fixado entre os séculos VII e X d. E.
C. Pelos escribas conhecidos como massoretas, de massorá, que significa tradição. A Torá é
geralmente envolta em uma capa de tecido grosso bem decorada e guardada dentro da arca,
o Aron HaCodesh.
O Aron HaCodesh é colocado em uma parede de forma que a congregação ao rezar a amidá,
por exemplo, esteja voltada em direção à parede onde encontra-se o Aron HaCodesh, ou
seja, em direção à Jerusalém.

53
Luz Eterna (ner tamid) uma lâmpada colocada acima e em frente da Arca Sagrada. É deixada
sempre acesa. É simbólica da diretiva bíblica de "fazer uma lâmpada arder continuamente no
tabernáculo do lado de fora da paroquet que está perante (a Arca do) testemunho…"
(Shemot 27:20-21).

Bimá é a plataforma, tradicionalmente separada da Arca, sobre a qual há uma mesa


(shulchan). Nesta mesa, a Torá é lida para a congregação e o Ledor ou cantor lidera a
congregação nos serviços. Nas sinagogas ashkenazitas, há uma plataforma adicional, amud,
entre a bimá e o Aron HaCodesh, num nível mais baixo, em deferência ao versículo: "Das
profundezas clamo a Ti, ó Senhor" (Tehilim 130:1) e de onde alguns serviços são conduzidos.

Menorá é o candelabro reminiscente da menorá de sete braços do Templo, e geralmente é


colocada em local proeminente perto do Aron HaCodesh ou da bimá.

Shofar é a trombeta de chifre de carneiro ou antílope que deve ser tocada em Yom Teruá,
Yom Kippur, Rosh Chodesh e, em algumas sinagogas, é tocado todo shabat.

Além desses itens, as sinagogas podem conter vitrais coloridos com temática bíblica,
inscrições na parede, pinturas, relevos etc., podem expressar muitos temas religiosos, e
refletir uma vasta gama de símbolos e objetos rituais, ou ainda eventos históricos na vida do
povo judeu desde seu início. A restrição mais importante a este tipo de arte é que figuras
humanas não são permitidas na sinagoga.

O Rabino
O rabino (ou rav, como é chamado em hebraico) é o líder religioso da comunidade. Seu
diploma rabínico chama-se smichá. Seu rigoroso treinamento e conhecimento profundo de
Torá, Talmud e dos Códigos de Lei, além de sua fé e devoção pessoais, são a base da
autoridade que uma comunidade tradicional reconhece e aceita.

O rabino não deve apenas ensinar a Torá e o modo de vida judaico por meio do que ensina,
mas principalmente através de seu exemplo. Não deve apenas ensinar o Judaísmo e ser líder
de instituições, mas mostrar em sua vida os valores e os caminhos do judaísmo genuíno que
deseja ensinar.

Tradicionalmente o rabino serve à comunidade, não somente à sinagoga.


Como a Torá confere autoridade ao rabino para analisar, orientar e decidir sobre questões
religiosas trazidas perante ele, deve possuir conhecimento para poder exercer com fidelidade
os ensinamentos e diretrizes expressas na Torá para as soluções de cada caso. Ele próprio
deve ser leal e fiel àquela lei, e estar comprometido com seus princípios.

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O Chazan
O cantor (ou chazan, em hebraico) desempenha o papel de emissário da congregação
(sheliach tzibur). É ele que representa e lidera a congregação na liturgia perante o Todo
Poderoso.
Dependendo das necessidades da congregação, há deveres e responsabilidades em outras
áreas de trabalho da sinagoga e da educação religiosa que ele poderá ser chamado a suprir,
caso possua as qualificações. Nos serviços diários, porém, e nas ocasiões em que o cantor
esteja ausente, um membro qualificado na congregação deve ser convocado para servir no
seu lugar.
Nas congregações menores onde não há um chazan contratado, os membros qualificados da
congregação são chamados para conduzir os serviços. No Judaísmo, qualquer leigo que
possua educação religiosa e mérito (e qualquer judeu deveria) tem o privilégio de conduzir
todas as partes do serviço religioso.
A lei judaica relaciona as qualificaçes esperadas para assumir este cargo:

• Deve ser uma pessoa adequada que não tenha sofrido qualquer dano à reputação por
transgressões religiosas ou morais. Quem é notório por cometer transgressões morais
ou religiosas está desqualificado e não deve ser escolhido.
• Deve ser pessoa recatada e de personalidade aceitável para a congregação. Afinal, ele
os representa perante Hashem, e eles devem concordar com essa representação.
• É necessário que tenha uma voz agradável aos ouvidos. Isso não somente torna a prece
mais aprazível para os devotos, como é considerada uma grande expressão de honra
ao Criador. Quando uma pessoa inadequada ou não merecedora tem permissão de
agir como chazan devido apenas à sua voz agradável, suas preces são consideradas,
segundo nossa tradição religiosa, como inaceitáveis ao Eterno, Bendito seja. Isso é, na
verdade, uma abominação. "Aqueles que o fazem, retiram ouro de Israel" (Mishnê
Berurah: 12 em Orach Hayim 53:4).
• O cantor deve entender aquilo que está recitando. Deve conhecer o significado das
preces em hebraico, e possuir a fé para recitá-las com sinceridade.
• Não pode ser uma pessoa tola ou desinteressante, mas alguém que possa discutir e
participar de forma inteligente nos assuntos da comunidade.
• Deve conhecer bem as várias melodias e cânticos apropriados para os diferentes
serviços. No passado, a pessoa conseguia este treinamento entrando como aprendiz
de um chazan experiente. A voz e o treino musical são também valiosos para o chazan
e ampliam sua qualificação.
Se for apenas por uma ocasião, e não sempre, qualquer rapaz acima de treze anos pode
oficiar.
Um chazan que prolongue indevidamente o serviço não está agindo de forma correta, pois
este é um fardo excessivo sobre a congregação.

O zelador (shamash)
É um funcionário religioso com muitos deveres em uma sinagoga. Geralmente está
encarregado de supervisionar os serviços diários, cuidar e manter os objetos rituais da
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sinagoga – os livros de orações etc. Ele trabalha com o rabino e o auxilia de diversas maneiras.
Embora não haja exigências religiosas formais para alguém preencher este cargo, e qualquer
instrução especial além daquela que um judeu bem educado possui, o shamash deve ser
devoto e refletir um profundo nível de educação judaica. Quanto maior for sua educação e
seus estudos judaicos, e quanto mais competente na área religiosa, mais valioso será seu
serviço e mais variadas as tarefas e responsabilidades que poderão lhe ser designadas.

O Gabai
O termo gabai tem sido tradicionalmente aplicado ao leigo que é líder de uma comunidade
religiosa. Atualmente, o presidente e outros oficiais leigos de uma congregação agem
naquela função. Eles, auxiliados pela Junta de Diretores e rabino, têm a responsabilidade
primária pela manutenção financeira da sinagoga e por conduzirem os assuntos gerais da
congregação.

Tsedacá
A Tsedacá, palavra que significa justiça, mas também caridade, é o terceiro pilar do judaísmo.
Interessante que seu sentido mostra que nossa obrigação não é, na realidade, simplesmente
fazer caridade para com o próximo, mas fazer justiça – o doar e ajudar estão na verdade
promovendo a justiça e combatendo todo desequilíbrio existente no mundo. A Tsedacá ou
tsedaká é parte importante na vida judaica. Os judeus idealmente colaboram com dez por
cento do que ganham, doando à sinagoga ou a obras de caridade da comunidade. Os
ortodoxos, por causa de seu princípio de colocar cercas em volta dos mandamentos,
idealmente doam 20% do que ganham. Em muitos lares judaicos, há uma caixinha de tsedaká,
um tipo de cofre pequeno, em que todos os dias são inseridas moedas ou notas. As crianças,
em especial, são instruídas a doarem tsedaká com essas caixinhas. Essa caixinha depois é
levada à sinagoga para doação.

Maimônides diz que, enquanto a segunda maior forma de tsedacá é dar donativos
anonimamente para destinatários desconhecidos, a forma mais elevada é dar um presente,
empréstimo ou parceria que irá resultar no receptor ser auto-sustentável em vez de viver
com o auxílio dos outros, ou seja, "Não dar o peixe e sim ensinar a pescar". Ao contrário
da caridade, que é completamente voluntária, a tsedacá é vista como uma obrigação
religiosa, que deve ser realizada independentemente da capacidade financeira e deve ser
cumprida até mesmo por pessoas pobres.

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A vida judaica
As etapas da vida judaica são marcadas por determinados mandamentos e tradições.
Veremos aqui os principais:

Nascimento
Para o judaísmo, as crianças são consideradas algo precioso, que deve ser protegido,
merecedor de foco, tempo e energia. Espera-se que um casal que se une tenha ao menos um
filho de cada sexo, pois as crianças são os depositários de nossa tradição milenar, a garantia
da continuidade do povo judeu. Sem nossos filhos não há judaísmo e é dever dos pais cuidar
deles e protegê-los física e espiritualmente. As tradições para se receber e proteger a criança
variam de comunidade a comunidade e de época a época. Esse mandamento está refletido
no Shemá: “E os ensinarás diligentemente aos seus filhos” e cabe aos pais ensinar a Torá com
zelo e cuidado à sua família.

Normalmente uma gravidez só é anunciada depois do quinto mês. Até essa época apenas os
parentes muito chegados como cônjuge, mãe, pai e irmãos tomam conhecimento de que a
mulher está grávida. Os meses que antecedem o nascimento são cheios de feliz expectativa.
Os pais estão ansiosos para que tudo esteja pronto para receber seu filho. Mas, apesar da
ansiedade, alguns casais têm o costume de adiar os preparativos até o bebê nascer.

Em algumas comunidades é costume que a mulher judia mergulhe num micvê durante o
nono mês de gestação. Também é costume ter uma cópia do Salmo 121 na mão durante o
parto. Se possível, durante as etapas finais de trabalho de parto, o marido deve recitar estes
Salmos: 1, 2, 3, 4, 20, 21, 22, 23, 24, 33, 47, 72, 86, 90, 91, 92, 93, 104, 112 e 113 até o 150.
O nascimento de uma criança é considerado uma enorme bênção.

A circuncisão ou brit milá


A circuncisão é a retirada cirurgica do prepúcio dos recém nascidos, aos oito dias.
A origem deste ritual é encontrada em Gênesis 17:1-14, onde D´us ordena a Abraão que ele
e todos os seus descendentes se circuncidem como sinal do pacto entre D´us e Abraão. O
judaísmo defende que este é um sinal de pacto perpétuo que não pode ser nunca abolido.

Pessoas adultas que não nasceram no judaísmo fazendo teshuvá não são obrigadas a fazer
o brit milá, mas se quiserem, depois de muita oração, podem fazê-lo, mas sempre como
etapa final do processo de teshuvá, quando estiverem comendo kasher, celebrando todas
as festas, guardando o shabat e todos os mandamentos da Torá.

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Devem também entender que o fato de fazerem brit milá não traz salvação, mas que a
circuncisão do coração é o que importa.

Paulo escreveu sobre isso em Romanos 2:28-29 “Porque não é judeu o que o é
exteriormente, nem é circuncisão a que o é exteriormente na carne. Mas é judeu o que o é
no interior, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não na letra, cujo louvor não
provém dos homens, mas de D´us”.

Devemos sempre entender que o judaísmo é cheio de atos proféticos, de alegorias que nos
ajudam a entendermos as verdades espirituais. Devemos sempre ter em mente que apenas
as alegorias exteriores não levam a nada a não ser hipocrisia e frustração, se não estiverem
aliadas a uma profunda mudança de mente e coração, revelada em uma profunda
transformação na vida, nas atitudes e reações da pessoa. Esse é o ponto mais importante da
Teshuvá.

Pais que fizeram teshuvá, mesmo não circuncidados, devem procurar fazer o brit milá de seus
filhos recém nascidos.

Segundo o judaísmo, um menino passa a ser judeu “por completo” somente após o brit,
quando se torna parte da Aliança de D’us com o povo judeu, através de Abrahão.

Significado da circuncisão

De acordo a Aliança Sagrada selada entre D’us e Abrão, há 3.700 anos, se o bebê for do sexo
masculino, deve ser feito o brit milá, um evento que movimenta toda a família. Mas o que
significa brit milá? Em hebraico, brit (bris, na pronúncia ídiche) significa “pacto” e milá,
circuncisão.

A circuncisão simboliza o elo do novo filho do povo judeu com o seu passado, bem como sua
lealdade com o seu legado futuro. Durante o ritual, são feitas preces que expressam a
gratidão dos pais e pedem a bênção divina para o recém-nascido. Nesse momento, a criança
recebe seu nome hebraico.
É o mandamento mais respeitado e observado em toda a história e a tradição judaica,
seguido fielmente geração após geração, até mesmo durante períodos de perseguição
religiosa.

O brit milá é feito no oitavo dia mesmo se este cair no Shabat ou em Yom Kipur. A cerimônia
só pode ser adiada no caso de a criança estar doente ou abaixo do peso determinado pelas
leis da halachá.

O ritual começa com uma declaração do pai de sua intenção de cumprir esta mitzvá.
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O brit milá é realizado, em geral, logo cedo pela manhã. A avó costuma ser a madrinha e
entregar o bebê a alguém a quem se queira homenagear. Em seguida, o bebê passa para os
braços do irmão mais velho (ou de outro membro da família), que terá a honra de colocar a
criança sobre a almofada ou a cadeira de Eliahu Hanavi.

Geralmente o sandak – padrinho do primeiro filho homem de um casal é o avô paterno; e,


do segundo, o materno, e assim por diante.

Em seguida, a criança é colocada sobre os joelhos do sandak, que a segura durante a


circuncisão, feita por um mohel – geralmente um rabino que recebeu um treinamento
médico e religioso para realizar o procedimento.

Ser escolhido como sandak é uma grande honra. No fim da cerimônia dá-se o nome em
hebraico para a criança. Após o brit milá costuma-se realizar uma cerimônia festiva

Durante o ritual do brit milá, assim que a leitura das bênçãos termina, são cantadas músicas
típicas, enquanto são servidos doces e refrescos, numa celebração chamada seudat mitzvá.
É uma festa de muita alegria, exceto, é claro, para o bebê.

A escolha do nome
A palavra alma em hebraico, neshamá, é composta de quatro letras. Ao soletrar-se as duas
letras do meio, surgirá a palavra shem, que significa “nome”. Diz a tradição judaica que o
nome de uma pessoa é a essência de sua alma.

O judaísmo acredita que quando os pais escolhem um nome para o seu bebê são abençoados
com inspiração divina. O nome não é apenas descritivo, é também profético. “Ele é como seu
nome” (Samuel 25:25).
Os meninos são nomeados durante a cerimônia de brit milá. As meninas recebem o nome
hebraico na sinagoga, durante o primeiro Shabat que segue o seu nascimento. O pai é
chamado para uma aliá à Torá. Em seguida, o rabino lê a bênção, a misheberach e o nome da
menina é dado com Bemazal tov ubisheat berachá, uma oração com votos para que os pais
tenham muitas alegrias com essa filha, que a vejam casada e mãe de filhos.

É costume na comunidade judaica ter um nome civil e um hebraico. Somos conhecidos na


comunidade pelos nomes hebraicos e os usamos em cerimônias religiosas como barmitzvá,
batmitzvá e ao recitar as preces na sinagoga ou no casamento, entre outras.
Também são utilizados quando são chamados à Torá e durante outros eventos.

Há duas tradições diferentes para guiar os pais em sua decisão de escolher os nomes de seus
filhos. Os ashquenazim (judeus de origem da europa do oeste e norte) não costumam dar
nome a uma criança em homenagem a um parente vivo. Os sefaradim (judeus oriundos do
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norte da Africa e peninsula ibérica), por sua vez, honram aqueles que mais respeitam e
admiram, dando seu nome em vida ao recém-nascido, em geral avós paternos e maternos.

É interessante notar que os judeus nem sempre tiveram sobrenomes. Estes não eram
necessários quando viviam em cidades pequenas e quase não tinham contatos fora da
comunidade. Uma pessoa poderia ser chamada a vida inteira de Chaim Ben Moshe e nunca
precisar de sobrenome. Ou seu nome poderia ser Chaim, o padeiro, se essa fosse sua
profissão.

Há aproximadamente 200 anos os países europeus começaram a exigir que os judeus


tivessem sobrenomes e os registrassem. Freqüentemente os judeus criavam seus
sobrenomes baseados em sua profissão ou no nome da cidade ou país de onde provinham.
O nome Weber significa em alemão, tecelão, e o nome Brodsky significa “filho de Brod”, uma
cidade polonesa. Alguns nomes se originam em características pessoais, como Gross, Weiss
e Schwartz (grande, branco e preto). Estes nomes logo criaram raízes e foram transmitidos
de geração em geração.

Torá ou tradição? Torá


Onde na Torá?

D’us ordenou a Abrãao o seguinte mandamento: “E vós sereis circuncidados na carne de


vosso prepúcio. E será o símbolo de uma aliança entre Mim e vós...” “E vós mantereis Minha
aliança, vós e todos os vossos descendentes, por todas as gerações” (Gênese, 17:9-12).

Da sua geração em diante, todo menino de oito dias de idade entre vocês terá que ser
circuncidado, tanto os nascidos em sua casa quanto os que forem comprados de estrangeiros
e que não forem descendentes de vocês. Sejam nascidos em sua casa, sejam comprados,
terão que ser circuncidados. Minha aliança, marcada no corpo de vocês, será uma aliança
perpétua. Gênesis 17:12-13

Completando-se os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe posto o nome de Yeshua,
o qual lhe tinha sido dado pelo anjo antes de ele nascer. Lucas 2:21

Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas,
mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne. Isso aconteceu
quando vocês foram sepultados com ele no batismo e com ele foram ressuscitados mediante
a fé no poder de D´us que o ressuscitou dentre os mortos. Colossenses 2:11-12

A circuncisão tem valor se você obedece à Lei; mas, se você desobedece à Lei, a sua circuncisão
já se tornou incircuncisão. Se aqueles que não são circuncidados obedecem aos preceitos da
Lei, não serão eles considerados circuncidados? Aquele que não é circuncidado fisicamente,
mas obedece à Lei, condenará você que, tendo a Lei escrita e a circuncisão, é transgressor da
Lei. Não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é meramente
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exterior e física. Não! Judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é a operada no coração,
pelo Espírito, e não pela Lei escrita. Para estes o louvor não provém dos homens, mas de D´us.
Romanos 2:25-29

Bar e bat mitsvá

Bar Mitzvá (filho do mandamento) é a cerimônia que insere o adolescente judeu como um
membro maduro na comunidade judaica. Aos 12 anos de idade para as meninas, 13 anos
para os meninos, ele ou ela passa a se tornar responsável pelos seus atos, de acordo com
a lei judaica. Nessa altura, diz-se que o menino passa a ser Bar Mitzvah ( ‫ בר מצוה‬, "filho do
mandamento"); e a menina passa a ser Bat Mitzvá (‫בת מצוה‬, "filha do mandamento").
Ao completar 13 anos, o menino é chamado pela primeira vez para a leitura da Torá em
hebraico.

Para isso, ele deve estudar a porção (parashá) do dia do seu nascimento, que se encontra no
seguinte link:

https://pt.chabad.org/calendar/birthday_cdo/aid/900175/locationid/442/locationtype/1/s
ave/1/tdate/3-9-1963/jewish/Aniversrio-Judaico.htm

Ao ser chamado pela primeira vez, o jovem pode, a partir daí, integrar o miniam (quórum
mínimo de 10 homens para realização de certas cerimônias judaicas). Nas sinagogas
conservadoras e reformistas, as meninas também são chamadas para ler a Torá aos 12 anos
e mulheres também contam para o miniam.

Antes desta idade, são os pais os responsáveis pelos atos dos filhos. Depois desta idade, os
rapazes e moças podem finalmente participar em todas as áreas da vida da comunidade e
assumir a sua responsabilidade na lei ritual judaica, tradição e ética. Segundo o Talmud (Avot
5:1; BT Yoma 82a; BT Baba Metziah 96a), aos 13 anos e 1 dia de idade, um adolescente judeu
se torna obrigado a obedecer aos mandamentos.

O Bar Mitzváh não é só uma comemoração comum de aniversario, mas normalmente, o


menino passa por um ritual de mazal-tov, que seria como um boa sorte ou parabéns,
normalmente o mazal-tov é feito com o menino ou a menina sobre uma cadeira e ele ou ela
é levantado várias vezes, e assim fazem com toda a família do Barmitzvando.

Se por algum motivo, ele não for capaz de ler a Torá em hebraico, pelo menos deve realizar
as bênçãos ditas antes e depois de cada leitura. É muito comum realizar o serviço durante
um dia da semana antes do Sábado para que o menino coloque o Tefilin pela primeira vez.

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Tefilin (em hebraico ‫תפילין‬, com raiz na palavra tefilá, significando "prece" é um par de
caixinhas de couro, cada qual presa a uma tira de couro de animal kasher, dentro das quais
está contido um pergaminho com os quatro trechos da Torá em que se baseia o uso dos
filactérios (Shemá Israel, Vehaiá Im Shamoa, Cadêsh Li e Vehayá Ki Yeviachá). Eles são atados
no braço esquerdo e na testa de quem vai orar.
Em geral, logo antes do bar mitsvá e bat mitsvá, nas comunidades ortodoxas, conservadoras
e reformistas, os meninos e meninas atam o tefilin antes de orar pela primeira vez.
Torá ou tradição? Tradição.
O que está na Torá:
Nada sobre bar mitsvá, mas sabemos pelos Evangelhos (Bessorot) que era tradição. Sinal
disso vemos quando Yeshua, aos doze anos, vai com os pais a Yerushalaim e é encontrado
entre os eruditos discutindo a Torá com eles, provavelmente em seu bar mitsvá, que então
era aos 12 anos como as meninas hoje.

Casamento judaico
O casamento no Judaísmo é visto como um vínculo contratual religioso entre um homem e
uma mulher para a criação de uma família.
Segundo o judaísmo, marido e esposa se fundem, formando uma só carne e uma só alma.
Tanto o homem como a mulher são considerados incompletos se não forem casados e o ideal
é se casarem ainda na juventude com alguém não muito mais velho ou novo.

O Talmud e a Halachá estabelecem muitos conceitos sobre o casamento judaico.

A partir do casamento, o homem se torna responsável pela mulher em todos os sentidos,


segundo os sábios sendo responsável por dar a ela alimento, roupas e sexo.
Com efeito, relações sexuais regulares são ordenadas entre o marido e a mulher. Esta
obrigação é conhecida como "onah". O casamento com pessoas de outros povos e religiões
é proibido na ortodoxia, desestimulado no judaísmo conservador, aceito no judaísmo
reformista, desde que ambos os cônjujes se comprometam a criar os filhos no judaísmo.

Várias etapas precedem o casamento propriamente dito:

Antes do casamento, há o noivado (irussím), que é um contrato entre um homem e uma


mulher em que eles se comprometem a se casar em algum momento futuro e que define as
condições em que ele deverá ser realizado. A promessa pode ser feita pelas partes
pretendentes ou por seus respectivos pais ou outros parentes em seu nome.
A promessa é formalizada em um documento conhecido como o Shtar Tena'im, o
"Documento das Condições", que é lido antes da cerimônia de noivado. Após esta leitura, as
mães da futura noiva e do noivo quebram um prato.

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Hoje, alguns assinam o contrato no próprio dia do casamento, alguns fazem isso como uma
cerimônia anterior e outros não o fazem por completo.

Na semana anterior ao casamento, os noivos não se veem. No dia da celebração eles são
considerados como rei e rainha.

Os noivos fazem jejum no dia do casamento – desde o nascer do sol até o fim da cerimônia.
É um momento sagrado para purificar o corpo e a alma com atos de bondade, leitura de
salmos, orações e profunda reflexão espiritual. Segundo à tradição, no dia do casamento
todos os pecados são completamente perdoados e, assim, os noivos podem dar início à vida
de casados.

Antes do casamento, a noiva dá um talit (xale de orações) para o noivo e ele lhe presenteia
com um par de castiçais para as velas de shabat.

A Ketubá – contrato de casamento, também é assinada: devem assinar o rabino celebrante


e duas testemunhas, bem como o noivo, na ortodoxia, ou ambos, nas correntes
conservadoras e reformistas.

O vestido da noiva deve ser branco – a cor da pureza – já que todos os pecados são perdoados
no grande dia. Já o noivo muitas vezes usa o kitel branco por cima do terno, que lembra uma
mortalha.
De preferência sob céu aberto, a cerimônia é realizada na chupah. A chupah é um tipo de
tenda que representa o novo lar que os noivos vão construir juntos. Ela é uma proteção que
representa a bênção infinita de D´us e a harmonia conjugal. O casamento é celebrado por
um rabino ou rosh.

Durante o casamento, todos os homens devem usar a quipá. Ele representa que D´us está
acima de nós, acompanhando todos os nossos atos e que devemos ser submissos a Ele. Em
geral os noivos mandam fazer kipot especiais para os convidados.

O noivo entra primeiro, acompanhado dos pais. O Antigo Testamento registra que D´us
apareceu na montanha e esperou pelo povo de Israel. Outra razão é que o casamento só
acontece com o consentimento da mulher, que tem o poder se anular o casamento, caso ele
tenha sido arranjado. Isso justifica a chegada da noiva logo após à entrada do noivo,
mostrando que ela realmente deseja a união.

A entrada triunfal da noiva também é acompanhada pelos pais. Ela entra com o rosto
descoberto e, assim que chega ao altar, o noivo cobre-o com o véu antes de eles entrarem
na chupah.

No início da cerimônia, a noiva dá sete voltas ao redor do noivo. Isso faz referência aos sete
dias da criação do mundo. Quando o ritual termina, ela se posiciona ao lado direito do futuro
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marido, em sinal que sempre estará ao seu lado para o que der e vier. A cada volta, é recitada
uma bênção. Essas bênçãos se encontram no sidur.

A entrega das alianças é o ponto principal da celebração judaica. A troca de alianças é um ato
de santificação. A partir do momento que o noivo coloca o anel no dedo da noiva, eles já são
considerados casados. Na presença de duas testemunhas religiosas, o noivo coloca uma
aliança de ouro no dedo indicador da mão mais forte da noiva e declara em hebraico:

Harê at mecudêshet li, betabáat zo, kedat Moshê veYisrael.


Com este anel tu és consagrada a mim, de acordo com a lei de Moshê e Israel.

Os noivos bebem então da mesma taça de vinho, depois da bênção do vinho, simbolizando
tudo que compartilharão em sua vida a dois.

No fim da cerimônia, silêncio total. O noivo quebra com o pé direito um copo para lembrar a
destruição do Templo em Jerusalém. O vidro representa a reconstrução e o ritual simboliza
que o homem é mortal.
Os convidados gritam “Mazel Tov”, que significa “boa sorte” em hebraico na hora da saída
dos noivos.
Em geral há uma festa com muita alegria, comida, cantos e danças celebrando a união dos
noivos.
No site https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/4569723/jewish/Roteiro-de-um-
casamento.htm
Há um roteiro para o casamento ortodoxo.

https://www.ufjf.br/bach/files/2016/10/LUCIANA-JULIAO-DIAS.pdf
Esse é um estudo excelente sobre o casamento judaico.

Divórcio

O judaísmo, embora considere o casamento como idealmente permanente, não o considera


indissolúvel. Nossos sábios dizem que o casamento é algo tão sagrado, que não devemos nos
divorciar nunca, mas que o casamento também é algo tão sagrado, que há situações em que
devemos nos divorciar. No entanto, o judaísmo desencoraja o divórcio e lamenta sua
ocorrência. O divórcio é concedido pelo marido à esposa e ocorre através de um documento
chamado gett. A esposa, no entanto, não possui o poder de divorciar-se do marido. Contudo,
se uma mulher tiver motivos para querer divorciar-se, pode dirigir-se a um tribunal judaico
(bet din) ou a um rabino e exigir que o marido se divorcie dela. Nesse caso, se o bet din
(superior tribunal religioso) concordar que as razões da esposa são legítimas, pode ordenar
que o marido lhe conceda o divórcio. Todos os divórcios judaicos ocorrem por consentimento
mútuo. Assim, um homem não pode divorciar-se sem o consentimento da mulher, exceto
em caso de adultério por parte dela. Como consequência, um homem não pode se divorciar
de uma esposa que fique insana, já que ela está incapaz de dar seu consentimento.
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Entretanto, há uma maneira pela qual um homem casado com uma mulher insana sem
esperanças de cura pode se casar novamente enquanto ela ainda estiver viva: é necessário
que um tribunal rabínico lhe conceda uma “isenção” do cherem de Rabbenu Gershom que
proíbe a poligamia e, assim, ele poderá ter uma segunda esposa. Frise-se que teoricamente
o homem terá duas esposas, embora só possa viver com a segunda.
No caso de um casal divorciado desejar se casar novamente entre si, isso só será possível se
nenhum deles, nesse intervalo de tempo, casou-se (e divorciou-se) e se ambos possuíram
vidas responsáveis. Isso está na Torá. Caso alguém mantenha uma relação adúltera com
outra pessoa, seja casada ou não, fica proibida de casar-se com ele ou ela após obter o
divórcio de seu marido ou esposa. Se, ainda, por desconhecimento dos fatos, o casamento
for realizado, deve ser dissolvido.

Harmonia conjugal
A harmonia conjugal, conhecida como "shalom bayit", é valorizada na tradição judaica e os
divórcios são mais raros que em outras religiões.
O Talmud afirma que um homem deve amar sua esposa tanto quanto a si mesmo, e honrá-
la mais do que honrar a si mesmo; de fato, aquele que honra sua esposa foi considerado,
pelos rabinos clássicos, como recompensado com riqueza. Da mesma forma, esperava-se que
o marido discutisse com a esposa quaisquer assuntos mundanos que pudessem surgir em
sua vida. Ou seja, total transparência no casamento.

O Talmud proíbe o marido de ser autoritário para com sua família, e o abuso doméstico por
ele também foi condenado. Diz-se de uma esposa que D´us conta suas lágrimas. Um ditado
rabínico dizia: “Mesmo que sua esposa seja muito baixa, você deve se curvar para ouvi-la”.
Quanto à esposa, seu ideal segundo os rabinos talmúdicos, era satisfazer os desejos de seu
marido; Também se esperava que a esposa fosse modesta, mesmo quando sozinha com o
marido. A presença de D´us habita em um lar puro e amoroso.

Direitos e obrigações conjugais

Tradicionalmente, as obrigações do marido incluem o sustento da esposa, com alimento e


roupas, e relações sexuais regulares. Em troca, ele também tem direito à renda dela. No
entanto, este é um direito da esposa, e ela pode eximir o marido da obrigação de sustentá-
la, podendo então ficar com sua renda exclusivamente para si. Isso deve ser previsto na
ketubá.

A própria Bíblia dá proteção à esposa, conforme Êxodo 21:10, embora os rabinos possam ter
adicionado outras posteriormente. Os direitos do marido e da esposa são descritos no
tratado Ketubot no Talmud, que explica como os rabinos equilibraram os dois conjuntos de
direitos da esposa e do marido.

Nos tempos biblicos, a esposa era tratada como um bem possuído por seu marido, mas mais
tarde o Judaísmo impôs várias obrigações ao homem, efetivamente dando à esposa vários
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direitos e liberdades; de fato, ser uma esposa judia era freqüentemente uma situação mais
favorável do que ser uma esposa em muitas outras culturas. Por exemplo, o Talmud
estabelece o princípio de que uma esposa tem direito, mas não é obrigada, à mesma
dignidade e posição social que seu marido, e tem o direito de manter quaisquer vantagens
adicionais que ela tinha como resultado de seu status social antes de seu casamento.

Torá ou tradição? Tradição fundamentada em relatos da Torá.

67
Morte – funeral

A morte no judaísmo também tem, de acordo com a tradição, vários mandamentos que
são atos proféticos fundamentados na Torá.

Assim que ocorre a morte, deve-se fechar os olhos do morto. Fechando os olhos do falecido
para o mundo físico, permitimos que ele os abra para a paz do mundo espiritual.
Geralmente é o filho quem pratica este ato, em lembrança das palavras confortantes de D´us
ao patriarca Jacob: “Teu filho José colocará as mãos sobre teus olhos” (Gênesis 46:4).

A tradição judaica considera que deixar o corpo à vista é uma violação do princípio de “kevod
ha’met”, respeito pelos mortos. Mais ainda, se deixássemos o corpo exposto, estaríamos
limitando nossa perspectiva à realidade física da morte. Cobrindo-o, tentamos conservar na
memória a imagem da pessoa em vida, e alargamos a visão para abranger uma dimensão
espiritual.

O próprio Yeshua afirmou que para o Eterno não há vivos nem mortos, mas todos estão
vivos. Lucas 20:38

A lei judaica ordena que o corpo seja sepultado o mais breve possível, de preferência no
mesmo dia. Uma exceção é feita no Shabat e no Yom Kipur, durante os quais não se pode
realizar o enterro.
Adiar o sepultamento é visto como um desrespeito para com o falecido e só deverá ocorrer
na necessidade de aguardar a chegada dos filhos.

Rasgando as vestes

Este ritual, Keriá, é um sinal tradicional de luto desde os tempos bíblicos. A Torá relata que
Yaakov, ao receber a falsa notícia de que seu filho Yossef tinha sido devorado por uma fera,
reagiu “rasgando as vestes” (Gênesis 37:34). Também David rasgou suas vestes ao saber da
morte do Rei Saul e seu filho Jonathan.
Esse ritual tem uma finalidade psicológica: uma forma de descarregar a dor e a angústia
diante da perda de um ente querido.
Ao rasgar a roupa, o enlutado profere a benção “Baruch Dayan Emet”, “Bendito seja o
verdadeiro Juiz”, demonstrando assim que apesar da tragédia, sua crença em D´us e na
justiça divina continua inabalável.

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A lavagem do corpo
A origem desta tradição milenar se encontra no Livro de Eclesiastes: “Assim como veio, assim
irá.” Da mesma forma como um recém-nascido é imediatamente lavado e ingressa no mundo
fisicamente limpo e espiritualmente puro, assim também aquele que parte é simbolicamente
purificado através do ritual da Tahará (“purificação”).

A mortalha de linho branco


No antigo Templo, o Sumo Sacerdote usava uma simples vestimenta de linho branco no dia
mais sagrado do ano, Yom Kipur. Lá ele confessava a D´us, e pedia o perdão divino pelos seus
pecados e os pecados do seu povo. Da mesma forma, quando a pessoa morre, ela vai ao
encontro do Criador envolta numa simples roupa branca, símbolo de humildade e pureza.
Nós judeus frisamos a igualdade de todos os seres humanos em sua morada final. Na morte,
“rico e pobre se encontram, pois ambos foram criados por D´us” (Provérbios 22:2). Somente
as pessoas abastadas poderiam ser enterradas com pompa. Por esta razão, fazemos questão
de realizar o enterro sem ostentação, sem enfeites, sem flores, ressaltando o respeito ao
falecido através da simplicidade.

Mais ainda, nossos rabinos tinham receio da tendência humana de cultuar os mortos. É
interessante notar que o local do sepultamento de Moisés é desconhecido, para evitar que
cometamos o pecado da idolatria. Nós, como judeus, não cultuamos os mortos. Pelo
contrário: diante da morte, reafirmamos a vida. E traduzimos a memória em ação.

A lei judaica nos proíbe visitar o mesmo túmulo duas vezes num único dia. Esta regra tem
sido mal interpretada por algumas pessoas, que entendem ser proibido visitar outro túmulo
depois de assistir a um enterro. Completamente sem fundamento. Por outro lado, a lei
judaica exige que, no final do enterro, os presentes fiquem em fila para consolar os
enlutados. Talvez por este motivo, alguns acham desaconselhável visitar outro túmulo após
o enterro. Em suma, é permitido visitar quantos túmulos se queira, desde que antes seja
cumprida a obrigação humana de dar apoio e solidariedade aos recém-enlutados.

A lavagem das mãos depois do enterro


A lavagem das mãos certamente não ocorre apenas por motivos de higiene. A morte não é
suja; a morte é uma parte natural, lógica e orgânica da vida. Lavamos as mãos porque a água
é o símbolo da vida, reafirmando assim nossa crença de que a vida é mais forte do que a
morte. Após lavar as mãos, deixamos que elas se sequem naturalmente, sem usar uma
toalha. Simbolicamente, demonstramos assim nosso desejo de jamais obliterar nossos laços
com o falecido e, pelo contrário, conservá-lo em nossa memória para todo o sempre.

A Shivá – sete dias de luto


A palavra “” significa “sete”, e se refere ao período de sete dias de luto contados a partir do
dia do enterro. A tradição tem origem na Torá, quando José “chorou sete dias” pelo seu pai,
Jacob (Gênesis 50:10). Durante uma semana, os enlutados ficam em casa, abstendo-se de
quaisquer atividades profissionais ou de lazer. Parentes e amigos fazem visitas de
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condolências a casa dos enlutados, e três vezes por dia (de manhã, à tarde e à noite) realizam-
se serviços religiosos. A instituição da Shivá tem como finalidade dar a família folgas
psicológicas e espirituais para continuar depois da perda de um ente querido. O enlutado não
está só; muito pelo contrário, ele faz parte da “comunidade dos enlutados de Sion”. É esta
consciência de grupo que lhe dá conforto, já que recebe o apoio e o consolo dos familiares e
amigos durante estes dias e que lhe permite emergir fortalecido, preparado para enfrentar
as vicissitudes da vida, e pronto para reassumir suas responsabilidades perante o seu povo

Cobrir os espelhos
Trata-se de um costume relativamente recente (datando da Idade Média), que pode ser
explicado de várias maneiras. Primeiramente, durante a Shivá (a primeira semana de luto),
realizam-se diariamente serviços religiosos na casa dos enlutados. A lei judaica proíbe rezar
diante de um espelho. Outra razão é que a função básica do espelho se relaciona diretamente
com a vaidade pessoal, e esta contraria o espírito do luto, especialmente durante os
primeiros dias, quando o enlutado deve se abster de fazer a barba, cortar o cabelo, enfeitar-
se, etc. Finalmente, o espelho reflete a imagem da pessoa somente se ela estiver fisicamente
presente diante dele. Ao cobrirmos os espelhos na casa dos enlutados, demonstramos
simbolicamente que mesmo sem a presença física daquele ente querido que partiu, sua
imagem continua real e viva. Longe dos olhos não é longe do coração.

O desconforto do luto
O desconforto físico é um meio de acentuar o estado de luto. Neste contexto, os enlutados
abstêm-se de usar sapatos de couro, roupas novas, cosméticos, enfim tudo que traz conforto
e prazer. Quando perdemos alguém que nos é muito querido, nós nos “retiramos” da
sociedade. Abatido pelo trágico golpe, o enlutado se abandona simbolicamente, descuidando
a aparência pessoal, deixando crescer a barba e o cabelo durante trinta dias, assim como o
antigo nazireu. O espírito do isolamento é o de um afastamento temporário do convívio
social.

De acordo com a lei judaica, nenhum indivíduo pode chorar uma perda pessoal nos dias
nacionais de festividade. A santidade e a alegria do Shabat e dos feriados sobrepõem-se à
tristeza do luto.

Embora o Shabat seja contado como um dos sete dias, interrompe-se temporariamente a
observância da Shivá, e os enlutados costumam sair de casa nesse dia para assistir aos
serviços religiosos na sinagoga. Quando termina o Shabat, reinicia-se a Shivá.

Se um dos principais feriados judaicos (ou seja, um dos feriados bíblicos) cai durante a Shivá,
o restante da Shivá é anulada. O mesmo acontece quando ocorre um feriado entre o término
da Shivá e o trigésimo dia de luto: anula-se o restante do Shloshim (veja pergunta seguinte).

A palavra “Shloshim” significa “trinta” e se refere ao período de luto entre o término da Shivá
e o trigésimo dia. Existe na Bíblia uma alusão ao prazo de um mês como período de luto: “Ela
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permanecerá em tua casa, chorando seu pai e sua mãe durante um mês” (Deuteronômio
21:3).

Embora muitas das restrições referentes à Shivá sejam mantidas durante o Shloshim, o
enlutado começa nesta fase a reintegrar-se na sociedade e reassume, em parte, sua vida
normal.

O Kadish
0 Kadish é um hino de louvor a D´us. Por ser tradicionalmente recitado nos enterros e nos
serviços comemorativos dos finados, ele é popularmente considerado como uma oração
pelos mortos. Entretanto, o Kadish não faz nenhuma referência à morte ou ao luto.
É puramente uma exaltação a D´us e uma súplica por um mundo de paz.
É uma expressão pública de fé em D´us por parte do enlutado, uma aceitação da Sua vontade
mesmo em face da dor e da tristeza, uma submissão aos desígnios divinos diante da
incapacidade de racionalizar uma tragédia pessoal.

O Kadish tem sido um dos fatores predominantes da continuidade do povo judeu – um


elemento essencial daquele cordão umbilical que vem ligando as gerações judaicas uma à
outra através dos tempos.

De acordo com a lei judaica, a obrigação de recitar o Kadish recai sobre os filhos homens, e
deve ser cumprida na presença de um minyan. Quando não há filhos vivos, o parente mais
chegado costuma fazê-la. As filhas não são obrigadas a recitar o Kadish, mas podem fazer
isso, se quiserem, por seus pais, irmãos e cônjuges.

A pedra tumular
0 costume de colocar uma pedra tumular (matzeivá em hebraico) remonta aos tempos dos
nossos patriarcas. É um ato de respeito pelo falecido. Marcando visivelmente o local do
sepultamento, asseguramos que os mortos não serão esquecidos, e sua sepultura não será
profanada.
A pedra tumular pode ser colocada a partir do término da Shivá. O mais comum, entretanto,
é esperar decorrer um ano para inaugurar a matzeivá. Isto porque uma das funções básicas
da pedra tumular é manter viva a memória do falecido. E, de acordo com o Talmud, “a
memória dos mortos torna-se menos intensa após doze meses”.
A tradição judaica recomenda que a Iápide seja simples, sem nenhuma ostentação.
Simbolicamente, porque a morte é o grande nivelador. Se havia diferenças em vida, elas são
eliminadas na morte. Não há ricos nem pobres. Somos todos iguais, porque nosso destino é
o mesmo.

O Yahrzeit – aniversário do falecimento


Yahrzeit é o aniversário do falecimento, calculado pelo calendário hebraico. Nesse dia
costuma-se visitar o túmulo do falecido e mantém-se uma vela acesa durante 24 horas. Os
filhos recitam o Kadish na véspera, à noite, e no próprio dia do Yahrzeit, de manhã e à tarde.
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Algumas pessoas jejuam no dia do Yahrzeit de um parente chegado, em sinal de pesar. Os
chassidim, entretanto, consideram o Yahrzeit uma ocasião de júbilo – com base no conceito
místico de que a cada ano que passa a alma do falecido ascende a um nível espiritual mais
alto

0 Yahrzeit é contado a partir do dia da morte, seguindo o calendário judaico. Por exemplo,
se uma pessoa faleceu no terceiro dia do mês de Tevet, seu primeiro Yahrzeit é comemorado
exatamente um ano depois, isto é, novamente no dia 3 de Tevet.
A lei judaica não permite a cremação por dois motivos. Primeiro, porque a cremação era
originalmente um ritual pagão, um ato associado com a idolatria que o Judaísmo combateu.
Segundo, porque a lei judaica proíbe a mutilação do cadáver. A Bíblia afirma: “Porque és pó,
e ao pó tornarás” (Gênesis 3:19). A decomposição do corpo deve ocorrer naturalmente, sem
interferência externa.

Em casos de epidemias é necessário consultar um rabino.

De acordo com o Talmud, “o homem deve ser enterrado em seu próprio terreno” (Bava Batra
112a). Um cemitério judaico é considerado patrimônio comum da coletividade israelita,
satisfazendo, portanto, o preceito talmúdico. No caso de um cemitério não-judaico ou
“ecumênico”, o ritual judaico de sepultamento só pode ser realizado desde que forem
cumpridas as seguintes exigências:

1) A família deve adquirir um lote inteiro no cemitério, para que possa ser qualificado como
“terreno próprio”. A sepultura em si não é considerada “propriedade”;
2) O lote deve estar situado numa parte desocupada do cemitério, para que possa ser
cercado e delimitado como um terreno separado.
Dada a complexidade das condições acima estipuladas, é norma do Rabinato não celebrar o
rito judaico de sepultamento fora de um cemitério israelita.

A religião judaica não aceita que se cometa suicídio, caso as pessoas estejam de posse das
suas faculdades físicas e mentais (em hebraico, bedáat). Os suicidas são sempre enterrados
à parte, afastados de todos os túmulos, geralmente próximo a um dos muros do cemitério.
De acordo com a religião mosaica, somente D’us possui o direito de tirar a vida de alguém.

No entanto, caso a pessoa se encontre em um estado grave de alienação mental, ou esteja


sentindo uma dor física intensa, o suicídio é considerado anús: a pessoa estava fora de si e
não pode ser responsabilizada por seus atos. Sendo assim, no sepultamento, merece receber
os mesmos privilégios e tributos que uma pessoa falecida de morte natural. Em outras
palavras: não é enterrada afastada dos demais.

As congregações judaico messiânicas de determinado lugar devem procurar se organizar


para pleitear, junto às autoridades municipais, um local separado ou cemitério judaico,
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para enterrar seus mortos da forma correta, já que em geral não são aceitos nos
cemitérios judaicos tradicionais.

Torá ou tradição? Tradição com fundamento em episódios da Torá e Tanach

O Mundo Vindouro – Olam Habá


HaOlam HaBa ou Olam haBa ("mundo vindouro") é uma parte importante da espiritualidade
judaica, embora o judaísmo se concentre na importância do HaOlam HaZeh ("este mundo").
A vida após a morte é conhecida como Gan Eden (o jardim do Éden celestial)
e geena (o inferno). De acordo com o Talmude, todo não-judeu que viva de acordo com
as Sete Leis de Noé é considerado "Ger toshav" ("gentio justo") e lhe é assegurado um lugar
no "mundo vindouro", a recompensa final dos justos. Citarei aqui um texto do Chabad, que
explica a visão judaica sobre a imortalidade da alma, inserindo em azul as observações
quanto à visão messiânica e nazarena:

“Segundo a tradição judaica, a alma é uma porção de D'us instilada num corpo físico. A alma
Divina anima e vivifica o corpo. Permite que ele veja, ouça e interaja com o mundo ao seu
redor. Em hebraico, a alma é chamada Neshamá, que literalmente significa "sopro".

Ao descrever a criação do primeiro ser humano, Adam, a Torá relata: "E D'us formou o
homem do pó do chão, e Ele soprou em suas narinas a alma da vida, e o homem se tornou
uma alma viva" (Bereshit 2:7).

O misticismo judaico nos ensina que quando alguém sopra o ar, o sopro vem diretamente da
sua essência. É interno, imutável e não formado pela vocalização.

A vida ideal é aquela na qual o físico e o espiritual se completam, com cada componente
conseguindo o necessário para fazer o melhor possível de seu tempo na terra.

Ao declarar que D'us "soprou nas narinas de Adam a alma da vida", a Torá está nos dizendo
que D'us concedeu Sua "essência" ao homem, ao contrário de todas as outras criações, que
foram trazidas à vida "externamente", através de Sua palavra (D'us "Disse" que haja…)

Vinda da essência de D'us, a alma é perfeita e imaculada. É encarregada da tarefa de fazer


uma "morada para D'us" neste mundo, por meio do cumprimento das mitsvot
(Mandamentos de D'us, em hebraico) e atos de bondade.

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Durante o tempo de vida de uma pessoa na terra, ela recebe o mérito e o livre arbítrio para
ser a parceira de sua alma Divina. Pode afetá-la, e afetar o mundo, seja permitindo que a
alma brilhe através de pensamentos, palavras e ações dignos, ou, D'us não o permita,
enterrando-a sob camadas e disfarces, suprimindo e escondendo sua radiância Divina. Assim
D'us, em Sua infinita sabedoria, concedeu a Seu povo o presente do arrependimento,
permitindo que a pessoa "apague a lousa", e comece de novo

Nós, messiânicos e nazarenos, cremos que a expiação, o “apagar a lousa”, nos vêm por meio
do sacrifício expiatório de Yeshua Hamashiach, nos livrando de todo tikun ou culpa pelo
pecado.

A União de Corpo e Alma

A alma, sendo uma parte de D'us, partilha todos os Seus atributos: é Infinita, Toda Poderosa,
Sagrada e Eterna, para enumerar apenas alguns dos atributos Divinos. O corpo, em
comparação, é feito de matéria física. É temporário. Está aqui hoje, mas começa a
desintegrar-se assim que a alma deixa o abandona.

Podemos então entender prontamente a preocupação do Judaísmo com a alma acima do


corpo. A alma perdura, ao passo que o corpo retorna ao pó.

Isso de maneira alguma diminui a importância do corpo ou do mundo material. Somente ao


descer no corpo físico e viver neste mundo a alma pode cumprir sua tarefa. O corpo habilita
a alma a conferir Divindade ao mundo, bem como adquirir santidade adicional para si
mesma.

Isso é conseguido especificamente ao interagir com o mundo físico e material, cumprindo


mitsvot e outros atos de bondade, e através do estudo de Sua Torá.

Ao mesmo tempo, a alma permite que o corpo transcenda sua natureza animal, refinando-
o e revelando sua Divindade e sua bondade inata. Cria dentro do corpo um anseio de escapar
dos limites da existência material e conectar-se com o eterno.

A Corte Celestial

Após deixar este mundo, a alma entra numa dimensão fora do tempo e é levada perante a
Corte Celestial para prestar contas de seus dias e ações (ou falta de ações) durante seu
tempo de vida mortal.

A tradição judaica fala de uma "Balança Celestial" na qual são pesados os atos positivos e os
negativos. A alma recebe sua recompensa ou punição segundo esta pesagem. .

O Jardim do Éden – Vida Após a Vida

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No Judaísmo não há "Após a Vida" – porque a vida jamais termina. Como está escrito em
Cohêlet (12:7): "E o pó (corpo) retorna à terra como era, e o espírito retorna a D'us que o
concedeu."

A Torá ensina que há dois mundos ou estados: Olam Hazé (este mundo) e Olam Habá (o
Mundo Vindouro). No Olam Hazé, a Divindade está oculta (permitindo que a pessoa tenha
livre arbítrio). No Olam Habá, a Divindade está completamente revelada. No meio desses
dois mundos está o Gan Eden, (céu, paraíso). Ali a alma repousa até ser levada ao Mundo
Vindouro, e recebe como recompensa a Divindade que é trazida ao mundo. A quantidade de
radiância Divina que a alma é capaz de absorver e desfrutar no Gan Eden, e no Mundo
Vindouro, é diretamente proporcional à Torá, mitsvot e atos de bondade realizados pela
pessoa neste mundo.

A Ressurreição dos Mortos

Um dos fundamentos da crença judaica é Techiat Hameitim, a ressurreição dos mortos,


quando cada corpo será regenerado e sua alma restaurada. Segundo essa tradição, esta era
será introduzida por Mashiach, o Messias.

Também acreditamos nisso, que quando Mashiach voltar, os mortos ressurgirão, como
está no B´rit HaDasha.

O Judaísmo acredita que o mundo está constantemente marchando para esse estado, e
quando isso for alcançado, a Divindade será abertamente revelada. Toda a negatividade,
doença, guerras e morte desaparecerão, e a terra ficará repleta com o conhecimento de
D'us, como as águas cobrem o mar. Naquele tempo, todos os judeus que já tenham vivido,
bem como os não-judeus justos, serão trazidos de volta à vida para desfrutarem a luz eterna
de D'us.

A Era de Mashiach não está longe, nem é uma impossibilidade em nosso tempo de vida.
Mashiach pode vir num instante. Cada ação positiva que é realizada neste mundo pode ser
aquela que inclinará a balança do bem sobre o mal e trará esta Era

Segundo o próprio Mashiach, Ele voltará quando as Bessorot (boas novas) forem
conhecidas de todos na Terra.

A alma serve como uma "bússola espiritual" que orienta o corpo em sua jornada através do
mundo material, tentando educá-lo para apreciar e perseguir a espiritualidade. Em última
análise, a alma refina o físico até este se tornar "um" com a alma. A essa altura, o corpo se
torna um veículo para a alma e, em última análise, a Vontade de D'us. Uma pessoa nesse
estado é chamada de Tsadic, aquele que é totalmente justo.

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Segundo o B´rit Hadashá e o Tanach, é o próprio Eterno que escreverá a Torá nos nossos
corações e nossas mentes, e não nossa própria força.

Além de dar a cada um de nós uma porção de Si Mesmo, D'us nos deu a Torá. As leis e mitsvot
da Torá alimentam a alma e possibilitam sua completa expressão. A Torá ensina a alma como
conquistar e elevar a natureza animalesca do corpo e a materialidade do mundo. Quando
chega a hora de partir, a alma retorna à sua fonte juntamente com a Torá que estudou, as
mitsvot que cumpriu e as boas ações que realizou enquanto esteve neste mundo.

Se no entanto, um judeu vive fora da Torá, ou em contradição com ela, a alma Divina e pura
se torna impura e manchada. A menos que faça sincera teshuvá (retorno, arrependimento)
durante a vida, a alma permanece dessa maneira até se separar do corpo, quando retorna à
sua fonte "de mãos vazias.

O judaísmo leva a sério o conceito de responsabilidade individual. Ninguém pode dizer que
"os outros estão fazendo aquilo que a Torá exige, portanto não preciso me preocupar com
isso." O Judaísmo requer a contribuição única de cada pessoa, assim como o mundo, que
não pode ser espiritualmente completo sem isso.

Segundo a Torá, a pessoa que cai doente deve procurar a melhor ajuda médica para seu
problema; não pode simplesmente confiar em um milagre. Ao mesmo tempo, deve rezar e
pedir a D'us uma recuperação completa e rápida.

Uma forma de descobrir a missão e propósito de sua alma é procurar dentro de si as difíceis
barreiras espirituais: a mitsvá ou as mitsvot "difíceis demais" ou além da sua capacidade ou
nível. Cada um de nós tem as coisas que vêm com facilidade, e aquelas que exigem muito
esforço. Aqueles desafios difíceis são sua verdadeira meta e a sua tarefa de vida.

Mitsvot (mandamentos) desafiadoras são um tipo de indicador. Extrair uma profunda


satisfação e prazer de uma mitsvá específica poderia indicar que esta, também, é pertinente
à missão de sua alma. Revisar os resultados da busca de sua alma com um amigo ou mentor
assegurará que o processo e conclusões sejam objetivos.

A relação de nosso corpo com a Torá

Não é coincidência aprendermos que as 613 mitsvot na Torá correspondem a partes do


corpo humano. Os 248 mandamentos positivos (Faça) se relacionam com os 248 membros
do corpo, e as 365 proibições (Não faça) com os 365 vasos e tendões.

A vida ideal é aquela na qual o físico e o espiritual se completam, com cada componente
conseguindo o necessário para fazer o melhor possível de seu tempo na terra.

Nós messiânicos cremos que pelo sacrifício expiatório de Yeshua HaMashiach, fomos
justificados, tornados tsadikim, e, pela fé, temos acesso ao Olam HaBa, o Gan Eden. Temos,

76
no entanto, se verdadeiramente conhecermos a grandeza da expiação feita por nós, o
impulso, a vontade e a obrigação de fazermos o melhor pelo Reino do Eterno, buscando-O
em primeiro lugar por amor e gratidão, e não para conquistarmos o Olam Habá. Tudo já foi
consumado, como Mashiach disse no momento de expiar. Reconhecer tal sacrifício e tal
amor, ter consciência de que o próprio Eterno, por meio de Yeshua, proveu expiação e que
somos justificados diante Dele é o combustível para nossa devekut – nosso apego, amor ao
Eterno – que nos capacitará então a sermos cheios da Ruach Hakodesh e à santidade.
Buscar cumprir com toda a Torá é nosso dever, mas, ao sabermos ser impossível para o ser
humano viver totalmente sem pecado e necessitarmos da Kapará, a cobertura, a expiação
de Mashiach, que reconheçamos e lancemos mão de tão grande amor e tão grande e
universal expiação, sabendo que, por Ele, seremos admitidos no Olam Habá.

Torá ou Tradição? Tanach e B´rit HaDasha


Onde?

A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o
Senhor Yeshua Mashiach. Pelo poder que o capacita a colocar todas as coisas debaixo do
seu domínio, ele transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhantes ao
seu corpo glorioso.
Filipenses 3:20-21

Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu teria dito a vocês. Vou
preparar lugar para vocês.
João 14:2

Todavia, como está escrito:


"Olho nenhum viu,
ouvido nenhum ouviu,
mente nenhuma imaginou
o que Deus preparou
para aqueles que o amam";
1 Coríntios 2:9

Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: "Agora o tabernáculo de Deus está com os
homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e
será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem
tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou".
Apocalipse 21:3-4

Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e


levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a
sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes

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de vocês.
Mateus 5:11-12

Quando os mortos ressuscitam, não se casam nem são dados em casamento, mas são como
os anjos nos céus.
Marcos 12:25

"Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei o direito de
comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.
Apocalipse 2:7

E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
Atos 2:21
Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais
com gozo inefável e glorioso, alcançando o fim da vossa fé, a salvação da alma.
1 Pedro 1:8-9
Porque não me envergonho do evangelho de Mashiach, pois é o poder de Deus para
salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.
Romanos 1:16
Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em
Mashiach.
1 Coríntios 15:22
Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho,
muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.
Romanos 5:10
Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que
o mundo fosse salvo por ele.
João 3:17

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não
vem das obras, para que ninguém se glorie.

Efésios 2:8-9

Não será como a Aliança que firmei com seus antepassados quando os tomei pela mão
para tirá-los do Egito, pois eles não honraram o meu pacto, mesmo sendo Eu o Marido
78
divino deles!” assevera Yahweh. Eis, no entanto, a Aliança que celebrarei com a
comunidade de Israel passados aqueles dias”, afirma o SENHOR: “Registrarei o conteúdo
da minha Torá, Lei, na mente deles e a escreverei no mais íntimo dos seus sentimentos:
seus corações. Assim, serei de fato o Deus deles e eles serão o meu povo! Ninguém mais
terá a necessidade de orientar o seu próximo nem seu irmão, pregando: ‘Eis que precisas
conhecer quem é Yahweh, o SENHOR!’, porquanto serei conhecido no interior do ser de
cada pessoa, desde os mais jovens até os idosos, dos mais pobres aos mais ricos.”,
garante o SENHOR. “Porque Eu mesmo lhes perdoarei a malignidade e não me permitirei
recordar mais dos seus erros e pecados!” …
Jeremias 31:32

Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor
descerá dos céus, e os mortos em Mashiach ressuscitarão primeiro.
Depois nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o
encontro com o Senhor nos ares. E assim estaremos com o Senhor para sempre.
I Tessalonicenses 4:16-17

79
Conclusão
Para terminar, gostaria de citar aqui o que o rosh Tsadok ben Derech afirma, em seu
excelente livro Judaísmo Nazareno, o caminho de Yeshua e seus Talmidim, de forma
extremamente acertada:

“De antemão, adianto que o Judaísmo de Yeshua é bastante diferente do Judaísmo rabínico
da atualidade, razão pela qual este não pode servir de modelo aos seguidores do Messias.
Aliás, este é um erro muito comum. As pessoas descobrem que Yeshua pregou o Judaísmo e
terminam por adotar as práticas do Judaísmo rabínico do século XXI, sendo certo que este
está repleto de ensinos que foram duramente criticados por Yeshua. O Judaísmo rabínico
contemporâneo é sucessor de setores do movimento farisaico, justamente os segmentos que
atacaram Yeshua (...) não pense que a jornada será fácil. Aqueles que descobrem a verdade
sobre o autêntico Judaísmo de Yeshua passam, inicialmente, por um processo de “crise
existencial”. De um lado, a teologia inventada por homens, ensinada na maioria das Igrejas,
é bastante forte e atrai a pessoa a permanecer do jeito que está, ou seja, no erro. Por outro
lado, a verdade revelada pelo ETERNO tenta brilhar em um coração até então enganado pelos
falsos mestres. Aconselho o leitor a promover longos períodos de jejum e oração, clamando
ao SENHOR pela revelação da verdade. O ETERNO não desprezará um coração quebrantado
e contrito (Salmo 51:17).”

Que Ele continue ouvindo nossas orações e nos levando pelo caminho da Verdade.

Fontes:
Chabad, Revista Morashá, Judaísmo Nazareno, o caminho de Yeshua e seus Talmidim, Tsadok
ben Derech, Chevra Kadisha, Inesquecivel casamento, Sidur Completo da Editora Sefer, Torá
da Editora Sefer, Casamento judaico, Luciana Julião Dias, Judaísmo Vivo, Michael Asheri, O
Mais completo Guia sobre Judaísmo, Rabino Benjamin Blech

Guia compilado por Cintia Braga Valva e diagramado por Gabriela Lins, Kehilat Tsur Yisrael, Cabo Frio, RJ, 3
de janeiro de 2020.
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+5522999997086

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