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Direito Processual Civil ­ Processo de Execução – 1º Semestre – 4º ano

Professor: Dr. Duraid Bazzi

DA EXECUÇÃO

1. Duas técnicas de execução:

Antigamente, o processo civil era separado em processos estanques, onde os atos 
de cognição se prestavam a formar a convicção do juiz e os atos de execução se 
destinavam a tornar material o direito que se gozava com certo grau de certeza. 
Ainda   que   transitada   em   julgado   a   sentença   condenatória   não   se   cumpria 
automaticamente,   caso   o   devedor   não   cumprisse   a   obrigação,   era   necessário 
ajuizar   outra   ação   para   os   atos   satisfativos   do   credor.   Também   não   havia 
distinções significativas entre a execução por título judicial e extrajudicial.

O Código Civil passou por sucessivas transformações que alteraram por completo o 
sistema inicialmente adotado. 

As sentenças condenatórias de obrigação de fazer ou não fazer receberam cunho 
mandamental, sendo expedido uma ordem ao devedor para que a cumpra e caso isto 
não ocorra,  desnecessário processo autônomo  de execução. Basta que se postulem 
as   providências   previstas   nos   parágrafos   4º,   5º   e   6º   do   artigo   461   para 
efetivação da determinação judicial.

“Art. 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou  
não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação, ou, se procedente  
o   pedido,   determinará   providências   que   assegurem   o   resultado   prático  
equivalente ao do adimplemento.

§ 4º O juiz poderá, na hipótese do parágrafo anterior ou na sentença, impor  
multa diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou  
compatível com a obrigação, fixando­lhe prazo razoável para o cumprimento do  
preceito.

§ 5º Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático  
equivalente, poderá o juiz, de ofício ou a requerimento, determinar as medidas  
necessárias,   tais   como   a   imposição   de   multa   por   tempo   de   atraso,   busca   e  
apreensão, remoção de pessoas e coisas, desfazimento de obras e impedimento de  
atividade nociva, se necessário com requisição de força policial.

§ 6º O juiz poderá, de ofício, modificar o valor ou a periodicidade da multa,  
caso verifique que se tornou insuficiente ou excessiva.”

Continua existindo o processo de execução autônomo de obrigação de fazer e não 
fazer   (artigos   632   e   seguintes   do   CPP),   mas   este   ficou   reservado   àquelas 
obrigações que figurem título executivo extrajudicial.

Antes, num processo de cobrança, por exemplo, poderíamos identificar até três 
processos distintos: o de conhecimento, o de liquidação e o de execução. Após a 
introdução   da   Lei   11.232/05,   essa   sistemática   foi   modificada   e   passou   a 
considerar todo o procedimento, desde o aforamento da demanda até a satisfação 
da   execução   como   um   processo   único,   onde   os   processos   antigos   passaram   a 
configurar  fases  deste.   A   doutrina   denomina   esta   sistemática   como  processo 
sincrético que contém fases cognitivas e executivas. Desta forma, a nomenclatura 
correta para esta fase é cumprimento de sentença e não processo de execução.

O conceito de sentença no processo de conhecimento que era o fim do processo 
naquele   determinado   grau   de   jurisdição   foi   reformulado.   A   sentença   somente 
findará o processo se extinguir o mesmo sem resolução de mérito. A sentença que 

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resolve o mérito põe fim apenas a fase cognitiva em primeiro grau e não mais ao 
processo. O processo deverá prosseguir com a fase de liquidação (se o valor da 
condenação não for líquido) e a fase de execução, para só então encerrar­se.

Por integrar o processo sincrético, a liquidação deixou de existir como processo 
autônomo. O tema passou a ser tratado nos artigos 475­A a 475­H, e não mais no 
livro II – Do processo de execução.

“Art. 475­A. Quando a sentença não determinar o valor devido, procede­se à sua  
liquidação.

§ 1º Do requerimento de liquidação de sentença será a parte intimada, na pessoa  
de seu advogado.

§ 2º A liquidação poderá ser requerida na pendência de recurso, processando­se  
em   autos   apartados,   no   juízo   de   origem,   cumprindo   ao   liquidante   instruir   o  
pedido com cópias das peças processuais pertinentes.

§   3º   Nos   processos   sob   procedimento   comum   sumário,   referidos   no   art.   275,  


inciso II, alíneas d e e desta Lei, é defesa a sentença ilíquida, cumprindo ao  
juiz, se for o caso, fixar de plano, a seu prudente critério.”

“Art. 475­H. Da decisão de liquidação caberá agravo de instrumento.”

Considerando esta sistemática (processo sincrético), desnecessário nova citação 
do devedor, haja vista que esta ocorrera na fase do processo de conhecimento, 
bastando a intimação do advogado.

Ressalte­se   que   o  processo   sincrético   caberá   apenas   aos   títulos   judiciais, 


exceto   aqueles   originados   de   sentença   arbitral,   penal   condenatória   e 
estrangeira, cujos processos não tramitaram na esfera civil. 

A   fase   de   execução   no   processo   sincrético   pode   ser   definitiva   ou   provisória 


(art. 475­I e 475­O).

“Art. 475­I. O cumprimento da sentença far­se­á conforme os arts. 461 e 461­A  
desta   Lei   ou,   tratando­se   de   obrigação   por   quantia   certa,   por   execução,   nos  
termos dos demais artigos deste Capítulo.

§  1º  É  definitiva  a  execução  da  sentença  transitada  em  julgado  e  provisória  
quanto   se   tratar   de   sentença   impugnada   mediante   recurso   ao   qual   não   foi 
atribuído efeito suspensivo,

§ 2º Quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao credor é  
lícito   promover   simultaneamente   a   execução   daquela   e,   em   autos   apartados,   a  
liquidação desta.”

“Art.   475­O.   A   execução   provisória   da   sentença   far­se­á,   no   que   couber,   do  


mesmo modo que a definitiva, observadas as seguintes normas:
I – corre por iniciativa, conta e responsabilidade do exequente, que se obriga,  
se a sentença for reformada, a reparar os danos que o executado haja sofrido;
II – fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule sentença objeto  
da execução, restituindo­se as partes ao estado anterior e liquidados eventuais  
prejuízos nos mesmos autos, por arbitramento;
III – o levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem  

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alienação de propriedade ou dos quais possa resultar grave dano ao executado  
dependem de caução suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada  
nos próprios autos.

§ 1º No caso do inciso II do caput deste artigo, se a sentença provisória for  
modificada   ou   anulada   apenas   em   parte,   somente   nesta   ficará   sem   efeito   a 
execução.

§ 2º A caução a que se refere o inciso III do caput deste artigo poderá ser  
dispensada:
I – quando, nos casos de crédito de natureza alimentar ou decorrente de ato  
lícito, até o limite de sessenta vezes o valor do salário­mínimo, o exequente  
demonstrar situação de necessidade;
II – nos casos de execução provisória em que penda agravo de instrumento junto  
ao   Supremo   Tribunal   Federal   ou   ao   Superior   Tribunal   de   Justiça   (art.   544),  
salvo quando da dispensa possa manifestamente resultar risco de grave dano, de  
difícil ou incerta reparação.

§3º   Ao   requerer   a   execução   provisória,   o   exequente   instruirá   a   petição   com  


cópias autenticadas das seguintes peças do processo, podendo o advogado valer­
se do disposto na parte final do art. 544, § 1º:
I – sentença ou acórdão exequendo;
II – certidão de interposição do recurso não dotado de efeito suspensivo;
III – procurações outorgadas pelas partes;
IV – decisão de habilitação, se for o caso;
V   –   facultativamente,   outras   peças   processuais   que   o   exequente   considere  
necessárias.”

Os títulos executivos judiciais deixaram de ser tratados no Livro do Processo de 
Execução   e   agora,   eles   estão   enumerados   no   artigo   475­N,   e   são   aptos   a 
desencadear a fase executiva.

“Art. 475­N. São títulos executivos judiciais:
I   –   a   sentença   proferida   no   processo   civil   que   reconheça   a   existência   de  
obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia;
II – a sentença penal condenatória transitada em julgado;
III – a sentença homologatória de conciliação ou de transação, ainda que inclua  
matéria não posta em juízo;
IV – a sentença arbitral;
V – o acordo extrajudicial, de qualquer natureza, homologado judicialmente;
VI – a sentença estrangeira, homologada pelo Superior Tribunal de Justiça;
VII   –   o   formal   e   a   certidão   de   partilha,   exclusivamente   em   relação   ao  
inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal.

Parágrafo único. Nos casos dos incisos II, IV  e VI, o mandado inicial (art.  
475­J) incluirá a ordem de citação do devedor, no juízo civil, para liquidação  
ou execução, conforme o caso.”

Na execução por título judicial, o devedor terá a oportunidade de oferecer uma 
impugnação  em   15   dias   a   contar   da   data   que   é   intimado,   na   pessoa   de   seu 
advogado,   ou   na   falta   deste,   de   seu   representante   legal,   se   o   credor   não 
preferir que ela seja pessoal.

Esta impugnação não tem natureza jurídica de nova ação, como os embargos, mas de 
mero   incidente   processual.   Por   isso,   salvo   se   for   acolhida,   resultando   na 

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extinção   do   processo   (caso   em   que   caberá   apelação),   será   julgada   por   decisão 
interlocutória,   contra   a   qual   caberá   agravo   de   instrumento.  A   amplitude 
cognitiva dessa impugnação também é limitada. Somente as matérias indicadas no 
artigo 475­L, em caráter taxativo, serão examinadas.

“Art.475­L. A impugnação somente poderá versar sobre:
I – falta ou nulidade da citação se o processo correu à revelia;
II – inexigibilidade do título;
III – penhora incorreta ou avaliação errônea;
IV – ilegitimidade das partes;
V – excesso de execução;
VI – qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como  
pagamento,   novação,   compensação,   transação   ou   prescrição,   desde   que  
superveniente à sentença.

§1º Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considera­se  
também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados  
inconstitucionais   pelo   Supremo   Tribunal   Federal,   ou   fundado   em   aplicação   ou  
interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como  
incompatíveis com a Constituição Federal.

§2º Quando o executado alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia  
quantia superior à resultante da sentença, cumprir­lhe­á declarar de imediato o  
valor que entende correto, sob pena de rejeição liminar dessa impugnação.”

Quanto   a  execução   dos   títulos   executivos   extrajudiciais,   cabe   relembrar   que 


serão   processados   perante   o   juízo   competente,   em  processo   autônomo   na 
conformidade   do   disposto   no   Livro   I,   Título   IV,   Capítulos   II   e   III.   Estes 
títulos são aqueles descritas no artigo 585 CPC.

“Art. 585. São títulos executivos extrajudiciais:
I – a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicada, a debênture e o cheque;
II – a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; o  
documento   particular   assinado   pelo   devedor   e   por   duas   testemunhas;   o  
instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria 
Pública ou pelos advogados dos transatores;
III   –   os   contratos   garantidos   por   hipoteca,   penhor,   anticrese   e   caução,   bem  
como os de seguro de vida;
IV – o crédito decorrente de foro e laudêmio;
V – o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem  
como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio;
VI   –   o   crédito   de   serventuário   de   justiça,   perito,   de   intérprete,   ou   de  
tradutor,   quando   as   custas,   emolumentos   ou   honorários   forem   aprovados   por 
decisão judicial.
VII – a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do  
Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, correspondente aos créditos  
inscritos na forma da lei;
VIII – todos os demais títulos a que por disposição expressa, a lei atribuir 
força executiva.

§1º   A   propositura   de   qualquer   ação   relativa   ao   débito   constante   do   título  


executivo não inibe o credor de promover­lhe a execução.

§2º   Não   dependem   de   homologação   pelo   Supremo   Tribunal   Federal,   para   serem  
executados, os títulos executivos extrajudiciais, oriundos de país estrangeiro. 

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O   título,   para   ter   eficácia   executiva,   há   de   satisfazer   aos   requisitos   de 


formação exigidos pela lei do lugar de sua celebração e indicar o Brasil como o  
lugar de cumprimento da obrigação.”

Quadro Sinótico: 
Panorama das principais inovações recentes da execução civil

Sistema do Código de Processo Civil de Sistema   atual   de   execução   civil,   após 


1973 alterações   decorrentes   das   Leis 
8.952/94,   10.144/02,   11.232/05   e 
11.382/06
Separação   do   processo   de   conhecimento Processo   sincrético:   desde   a 
do   processo   de   execução   (processos propositura da ação de conhecimento até 
estanques). a satisfação final do julgado. Pode ter 
até três fases: a de conhecimento, a de 
Execução   fundada   em   título   judicial   e liquidação e a de execução.
extrajudicial   (procedimento 
semelhante):   citação   para   o   devedor Sentença:   deixa   de   ser   definida   como 
pagar   em   24   horas   ou   nomear   bens   à ato   que   põe   fim   ao   processo,   mas   só 
penhora.   Após   penhora   e   intimação, será   sentença   se   encerrá­lo   ou   puser 
prazo   de   10   dias   para   oposição   de fim   à   fase   condenatória   em   primeiro 
embargos (suspendiam a execução). grau.

Execução   de   título   extrajudicial: Execução   por   título   judicial   – 


sempre definitiva. cumprimento de sentença: não cria novo 
processo, mas sim, uma outra fase (não 
Execução   de   sentença:   podia   ser há necessidade de citação do devedor). 
provisória,   se   a   condenação   ainda   não Exceções:   execução   de   sentença   penal 
tivesse   transitado   em   julgado,   mas condenatória, de sentença arbitral e de 
pendesse   de   recurso   dotado   de   efeito sentença   estrangeira.   Passou   a   ser 
suspensivo. regulada   no   Livro   I,   nos   arts.   461 
(quando   tiver   por   objeto   obrigação   de 
Sentença   condenatória:   punha   fim   ao fazer   ou   não   fazer);   461­A   (obrigação 
processo em primeiro grau. de   entrega   de  coisa)   e   475   (obrigação 
por   quantia),   dando   início   a   processo 
Não cumprimento espontâneo de sentença autônomo.
condenatória: necessário dar início ao 
processo de execução. Execução   por   título   extrajudicial: 
continua   regulada   no   Livro   II.   Há 
Sentença   ilíquida:   processo   de citação.   Defesa   por   embargos,   sem 
liquidação. prévia   penhora.   É   quase   sempre 
definitiva.   Será   provisória   quando 
houver embargos com efeito suspensivo e 
apelação   pendente   contra   sentença   que 
os julgou improcedentes.

Sentença Ilíquida: fase de liquidação. 
A   liquidação   é   declarada   por   decisão 
interlocutória,   sujeita   a   agravo   de 
instrumento.

Execução   da   sentença:   a   defesa   se   dá 


por impugnação – não se dispensa prévia 
penhora.

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Processo de execução e cautelar, v.12 / Marcus Vinicius Rios Gonçalves. ­ 13ª. ed. reform. ­ São Paulo: Saraiva, 2010

2. Da atividade executiva:

A   atividade   jurisdicional   na   execução   é   diversa   do   processo   de   conhecimento. 


Nesta   o   que   se   pretende   é   fazer   atuar,   por   meio   de   atos   materiais,   a   norma 
concreta enquanto naquela se busca aplicação do direito ao fato concreto. Daí a 
importância da execução. Sem ela o credor não teria possibilidade de satisfazer­
se sem a colaboração do devedor.

A técnica para a atividade executiva será:
• imediata – sem processo autônomo, cumprimento de sentença;
• autônoma – prescinde o prévio processo de conhecimento, processo autônomo.

3. Modalidades da execução:

• Cumprimento de sentença: constitui apenas uma fase de um processo maior, 
sempre  precedida  de  atividade  cognitiva.   A técnica  aplicada  será   sempre 
imediata. Utilizada para títulos judiciais (art. 475­N CPC).

• Processo   de   execução:   formação   de   um   processo   autônomo   e   pressupõe   um 


documento   a   que   a   lei   tenha   atribuído   eficácia   executiva.   A   técnica 
aplicada será sempre autônoma. Utilizada para títulos extrajudiciais (art. 
585 CPC).

A   execução   por   título   judicial,   nos   termos   do   artigo   475­I,   §1º   do   CPC,   é 
definitiva quando houver sentença transitada em julgado, e provisória quando foi 
impugnada mediante recurso sem efeito suspensivo. Também é provisória a execução 
das decisões de antecipação de tutela (art. 273, §3º CPC).

“Art. 475­I. O cumprimento da sentença far­se­á conforme os arts. 461 e 461­A  
desta   Lei   ou,   tratando­se   de   obrigação   por   quantia   certa,   por   execução,   nos  
termos dos demais artigos deste Capítulo.

§  1º  É  definitiva  a  execução  da  sentença  transitada  em  julgado  e  provisória  
quanto   se   tratar   de   sentença   impugnada   mediante   recurso   ao   qual   não   foi 
atribuído efeito suspensivo,”

“Art.   273.  O   juiz   poderá,   a   requerimento   da   parte,   antecipar,   total   ou 


parcialmente,   os   efeitos   da   tutela   pretendida   no   pedido   inicial,   desde   que,  
existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:

§ 3º A efetivação da tutela antecipada observará, no que lhe couber e conforme  
sua natureza, as normas previstas nos arts. 588, 461, §§ 4º e 5º, e 461­A.”

A execução fundada em título extrajudicial é, em regra, definitiva. Entretanto, 
poderá   ser   provisória   se   houver   oposição   de   embargos   recebidos   com   efeito 
suspensivo   enquanto   pender   apelação   da   sentença   que   os   julgou   improcedentes. 
Neste   caso   é   preciso   atender   a   dois   requisitos:   o   juiz   deverá   atribuir   aos 
embargos o efeito suspensivo (exceção), e que tenha havido apelação da sentença 
que os julgou improcedentes, ficando a execução suspensa até o julgamento dos 
embargos. Como foram considerados improcedentes, a execução poderá prosseguir, 

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haja vista que a apelação não tem efeito suspensivo, porém será provisória e não 
definitiva.

A execução provisória corre por conta e risco do exequente, que deverá indenizar 
os prejuízos que der causa se a sentença for reformada. A principal diferença 
entre ela e a definitiva é a necessidade de caução, a ser prestada pelo credor, 
para garantir ao devedor o ressarcimento em caso de modificação do julgado. A 
caução será exigida em três situações: quando houver levantamento de dinheiro, 
prática de atos que importem alienação de domínio ou prática de atos dos quais 
possa resultar grave dano ao executado. Se o crédito for de natureza alimentar 
ou decorrente de ato ilícito, até o valor de sessenta salários mínimos, a caução 
será dispensada se o exequente demonstrar situação de necessidade. Também será 
dispensada   a   caução   quando   a   execução   for   provisória   porque   pende   agravo   de 
instrumento no STF ou STJ (art. 544 CPC), salvo quando a dispensa puder causar 
grave dano, de difícil ou incerta reparação.

No caso de execução de alimentos, caso haja alteração no julgado, o prejuízo do 
devedor será irreversível, pois os alimentos são por sua natureza irrepetíveis.

Há   situações   em   que   a   execução   se   inviabiliza,   seja   por   razões   materiais   ou 


pessoais.   Neste   caso,   se   não   for   possível   obter   o   resultado   equivalente,   a 
obrigação converter­se­á em perdas e danos. Ex.: material – perecimento da coisa 
nas   obrigações   de   dar,   pessoal:   a   recusa   do   devedor   em   realizar   determinada 
prestação de fazer de caráter personalíssimo.

Para   obter   a   satisfação   do   credor,   o   legislador   faz   uso   de   dois   tipos   de 
mecanismos (meios da função executiva): os de coerção, onde o Estado­juiz impõe 
meios de pressão (ex.:imposição de multa diária pelo atraso) para que o próprio 
devedor   cumpra   a   obrigação   que   lhe   foi   imposta   e   os   de  sub­rogação  onde   o 
Estado­juiz substitui­se ao devedor no cumprimento da obrigação. Exemplificando: 
o credor não paga, o Estado apreende os seus bens e os vende em hasta pública e, 
com o produto paga o credor.

4. Princípios da execução:

Autonomia   da   execução   –   decorre   da   instauração   de   uma   relação   processual 


distinta daquela formada no processo de conhecimento (título extrajudicial). As 
execuções de título judicial não gozam de autonomia enquanto processo, embora 
continuem gozando de autonomia enquanto fase processual distinta da anterior. A 
exceção   são   as   execuções   de   sentenças   penais   condenatórias,   arbitrais   e 
estrangeiras,  que  embora  sejam  títulos  judiciais,   formam  processo  autônomo  no 
juízo cível competente, sendo indispensável a citação do devedor. 

Desta forma, não se aplica mais este princípio às execuções em geral, mas tão 
somente   àquelas   fundadas   em   título   executivo   extrajudicial,   onde   haverá   a 
formação de novo processo.

Em regra, os princípios estão indicados em dispositivos do Livro do Processo de 
Execução, entretanto aplicam­se também às execuções imediatas, tratadas no Livro 
do Processo de Conhecimento.

a) Princípio da patrimonialidade – a garantia do débito é o patrimônio e não a 
pessoa do devedor, conforme dispõe o artigo 591 CPC.

“Art.591. O devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos  

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Direito Processual Civil ­ Processo de Execução – 1º Semestre – 4º ano
Professor: Dr. Duraid Bazzi

os seus bens presentes e futuros, salvo restrições estabelecidas em lei.”

São exceções apenas as dívidas de alimentos, que permitem a prisão civil em caso 
de inadimplemento.

b)  Princípio do exato adimplemento  – a execução faz­se no interesse do credor 
(art. 612 CPC) e deve garantir­lhe o resultado que decorreria do adimplemento da 
obrigação (execução específica), ressalvada a excepcional conversão em pecúnia. 

“Art.   612.  Ressalvado   o   caso   de   insolvência   do   devedor,   em   que   tem   lugar   o  


concurso   universal   (art.   751,   III),   realiza­se   a   execução   no   interesse   do  
credor,   que   adquire,   pela   penhora,   o   direito   de   preferência   sobre   os   bens  
penhorados.”

Por isso, a execução não atingirá o patrimônio do devedor, senão naquilo que for 
necessário para satisfação do credor. 

O artigo 659 do CPC determina que serão penhorados tantos quantos bens bastem 
para o pagamento do principal, juros, custas e honorários advocatícios, sendo 
suspensa   logo   que   o   produto   da   alienação   for   suficiente   (art.   692,   parágrafo 
único CPC).

“Art.   659.  A   penhora   deverá   incidir   em   tantos   bens   quantos   bastem   para   o  
pagamento do principal atualizado, juros, custas e honorários advocatícios.”

“Art. 692. Não será aceito lanço que, em segunda praça ou leilão, ofereça preço  
vil.
Parágrafo único. Será suspensa a arrematação logo que o produto da alienação  
dos bens bastar para o pagamento do credor.”

O credor tem plena disponibilidade do processo podendo desistir de toda execução 
ou de algumas medidas executivas a qualquer tempo, pois a execução é realizada 
no seu interesse. Porém, a desistência dependerá da anuência do devedor se ele 
tiver oposto embargos à execução ou tiver apresentado impugnação, na execução 
por título judicial, e eles não versarem apenas questões processuais (art. 569 e 
§ único). Sempre que desistir da execução embargada ou impugnada e a desistência 
for   homologada,   o   credor   deve   suportar   as   custas,   despesas   processuais   e 
honorários advocatícios (CPC, arts. 26 e 569, parágrafo único, a).

“Art. 569. O credor tem a faculdade de desistir de toda a execução ou de apenas  
algumas medidas executivas.

Parágrafo único. Na desistência da execução, observar­se­á o seguinte:
a) serão extintos os embargos que versarem apenas sobre questões processuais,  
pagando o credor as custas e os honorários advocatícios;
b) nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do embargante.”

“Art. 26.  Se o processo terminar por desistência ou reconhecimento do pedido,  
as despesas e os honorários serão pagos pela parte que desistiu ou reconheceu.”

c)  Princípio   da   utilidade  –   não   é   admitido   o   uso   da   execução   apenas   trazer 


prejuízo ao devedor sem que reverta em benefícios o credor. Por isso, a penhora 
não   será   levada   a   efeito   quando   evidente   que   o   produto   da   execução   dos   bens 
encontrados for totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução (art. 
659, §2º CPC).

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“Art. 659. A penhora deverá...
§   2º   Não   se   levará   a   efeito   a   penhora,   quando   evidente   que   o   produto   da  
execução   dos   bens   encontrados   será   totalmente   absorvido   pelo   pagamento   das  
custas da execução.”

d) Princípio da menor onerosidade – deve ser conjugado com os demais. A execução 
faz­se no interesse do credor, porém, quando por vários meios puder ser obtida a 
satisfação   do   credor,   o   juiz   mandará   que   a   execução   se   faça   do   modo   menos 
gravoso   ao   devedor   (art.   620   CPC).   Assim,   evitam­se   gravames   desnecessários, 
quando o credor tem outros meios para tornar concretos os seus direitos.

“Art. 620. Quando por vários meios o credor puder promover a execução, o juiz  
mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o devedor”.

e)  Princípio   da   responsabilidade   do   devedor  –   incumbe   ao   devedor   a 


responsabilidade pelas custas, despesas do processo e honorários advocatícios. 
As despesas com edital, seja o de citação ou o de intimação, seja o que precede 
às   hastas   públicas,   com   avaliação   de   bens   e   todas   as   outras   que   se   fizerem 
necessárias ao bom andamento da execução serão carreadas ao devedor.

É frequente que o credor tenha de antecipar o pagamento de tais despesas, sob 
pena de não haver como prosseguir a execução. No entanto, feita a antecipação, 
as despesas serão incluídas no débito e suportadas pelo devedor.

f)  Princípio   do   contraditório  –   controversa   a   incidência   do   princípio   do 


contraditório   no   processo   de   execução.   Ainda   que   de   forma   mitigada,   e   com 
características peculiares, ele é aplicável. 

A doutrina da inexistência do contraditório na execução foi sustentada muitas 
vezes com o argumento de que não há julgamento de mérito, como no processo de 
conhecimento.   Efetivamente,   inexiste   julgamento   de   mérito   na   execução, 
entretanto, nem por isso deixou de ser fartamente lardeado que o réu está sendo 
processado na fase do conhecimento e o contraditório tenha existido. 

5. As partes na execução:

Legitimidade ativa:

A execução há de ser promovida por quem figure no título executivo como credor, 
portanto   a   legitimidade   das   partes   é   aferida   pelo   que   consta   do   título 
executivo.

O credor deve ter capacidade processual. Caso não tenha, deverá ser representado 
ou assistido.

O   Ministério   Público   também   tem   legitimidade   para   promover   a   execução.   Ele 


poderá atuar no processo como parte, cabendo­lhe promover a execução da sentença 
condenatória. Quando atuar como fiscal da lei, a sua legitimidade para ajuizar a 
execução depende de autorização legal (ex.: ações civis públicas quando decorre 
o prazo de 1 ano sem que se habilitem interessados em número compatível com a 
gravidade do dano – Lei 8.078/90 art. 100).

“Art. 566. Podem promover a execução forçada:

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I­ o credor a quem a lei confere título executivo;
II – o Ministério Público, nos casos prescritos em lei.”

É   admissível   o   litisconsórcio,   tanto   ativo   quanto   passivo,   sendo   sempre 


facultativo   (as   hipóteses   de   litisconsórcio   necessário   em   execução   ficam 
restritas as obrigações de fazer incindíveis, ou às relacionadas a entrega de 
coisa   indivisível).   Ainda   que   sejam   numerosos   os   credores,   cada   um   poderá, 
livremente, executar a parte que lhe caiba, ou até a totalidade da dívida, na 
hipótese   de   solidariedade   ativa.   Mas   não   se   pode   obrigar   a   totalidade   dos 
credores a demandar conjuntamente.

Não se admite no processo ou fase de execução qualquer das formas de intervenção 
de terceiro, mesmo que o tenha havido na fase do processo de conhecimento não se 
estenderá à execução.

O art. 567 do CPC, que se aplica também às execuções por títulos judiciais (art. 
475­R), elenca situações em que é atribuída legitimidade ativa a pessoas que não 
participaram da formação do título, mas tornaram­se sucessoras do credor, por 
ato inter vivos ou mortis causa.

“Art. 567. Podem também promover a ação ou nela prosseguir:
I – o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre que, por morte  
destes, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo;
II  –  o  cessionário,   quando  o  direito  resultante  do  título  executivo  lhe  foi  
transferido por ato entre vivos;
III – o sub­rogado, nos casos de sub­rogação legal ou convencional.”

“Art.   475­R.   Aplicam­se   subsidiariamente   ao   cumprimento   da   sentença,   no   que  


couber, as normas que regem o processo de execução de título extrajudicial.”

O legislador atribui legitimidade ativa ao sub­rogado, nos casos de sub­rogação 
legal ou convencional (sub­rogado ­ aquele que paga a dívida alheia, assumindo 
os   direitos,   ações   e   privilégios   que   eram   atribuídos   ao   credor   primitivo).   A 
sub­rogação   pode   decorrer   de   lei   como   nas   hipóteses   do   art.   346   CC,   ou   da 
vontade dos interessados, como nas situações do art. 347 CC. 

O   artigo   595,   parágrafo   único   do   CPC,   faculta   ao   fiador   que   pagar   a   dívida 
prosseguir nos próprios autos a execução do afiançado. 

Embora   a   norma   refira­se   especificamente   ao   fiador,   toda   vez   que   houver   sub­
rogação, poderá o sub­rogado prosseguir nos mesmos autos.

“Art. 595.  O fiador, quando executado, poderá nomear à penhora bens livres e  
desembargados   do   devedor.   Os   bens   do   fiador   ficarão,   porém,   sujeitos   à 
execução,   se   os   do   devedor   forem   insuficientes   à   satisfação   do   direito   do 
credor.

Parágrafo único. O fiador, que pagar a dívida, poderá executar o afiançado nos  
autos do mesmo processo.”

CC – “Art. 346. A sub­rogação opera­se, de pleno direito, em favor:
I – do credor que paga a dívida do devedor comum;
II  –  do  adquirente  do  imóvel  hipotecado,   que  paga  a  credor   hipotecário,  bem  
como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre  
imóvel;

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III – do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser  
obrigado, no todo ou em parte.”

CC – “Art. 347. A sub­rogação é convencional:
I   –   quando   o   credor   recebe   o   pagamento   de   terceiro   e   expressamente   lhe  
transfere os direitos;
II – quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a  
dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub­rogado nos direitos do  
credor satisfeito.” 

Legitimidade passiva:

Em regra a execução é ajuizada contra o devedor, reconhecido como tal em título 
executivo. 

A sentença penal que condena o preposto, não enseja a propositura de execução 
contra o preponente.

Conforme  súmula  341  do  STF,  o  patrão  responde  pelos  danos  civis  causados  por 
seus empregados, entretanto não há título executivo contra o patrão. Para que o 
seu patrimônio seja atingido, é necessária a propositura de ação de conhecimento 
contra   ele,   sendo   desnecessária   a   prova   de   culpa   do   empregado   se   este   tiver 
condenação criminal.

“Súmula 341 do STF. É presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo  
do empregado ou preposto.”

Em caso de morte do devedor, serão legitimados o espólio, enquanto não efetivar 
a partilha ou após esta os herdeiros e sucessores, respondendo cada herdeiro na 
proporção   da   parte   que   lhe   coube   na   herança.   Em   caso   de   solidariedade   entre 
devedores e na morte de um destes, os herdeiros somente serão obrigados a pagar 
a  cota  que   corresponder  a  seu  quinhão  hereditário,  exceto  se  a  obrigação  for 
indivisível.

Também poderá ser legitimado passivo o novo devedor que assumiu o débito, com o 
consentimento do credor. Esta anuência é necessária porque, feita a cessão, será 
o patrimônio do cessionário que responderá pelo débito.

O fiador judicial e o responsável tributário podem ser demandados na execução, 
ainda que não figurem no título executivo.

A fiança pode ser convencional ou judicial. Convencional é aquela que resulta de 
contrato enquanto judicial provém de ato processual. Assim, o fiador judicial, 
no curso do processo, presta garantia pessoal ao cumprimento da obrigação de uma 
das   partes,   podendo   ser   executado   pela   obrigação   afiançada.   Para   iniciar   a 
execução, basta a prova da existência de título executivo contra uma das partes 
e a demonstração de que esse débito é garantido por fiança judicial.

6. Competência:

A execução fundada em título judicial será processada perante o juízo na qual o 
título se formou, podendo ainda o exequente optar pelo juízo do local onde se 
encontram   bens   sujeitos   à   expropriação   (o   que   pode   facilitar   a   penhora, 

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avaliação   e   expropriação)   ou   pelo   atual   domicílio   do   executado   (que   poderá 


facilitar   as   intimações   necessárias),   caso   em   que   a   remessa   dos   autos   do 
processo   será   solicitada   ao   juízo   de   origem.   A   escolha   deve   ser   feita   pelo 
credor. Se o exequente demandar fora das opções que a lei lhe outorgou, o juiz 
deve dar­se por incompetente de ofício.

Quando o título executivo for sentença penal condenatória, sentença estrangeira 
ou sentença arbitral, a execução correrá perante o juízo civil competente, pois 
haverá execução autônoma.

Para execução de título extrajudicial, é competente o foro da praça de pagamento 
do título, se outro não houver sido eleito. Se não houver indicação da praça de 
pagamento, a execução deverá ser proposta no foro de domicílio do devedor. 

Quadro Sinótico: 
Execução

Princípios:
Princípio   da   patrimonialidade:  Garantia   do   débito   –   patrimônio   do   devedor. 
Exceção: dívida de alimentos.
Princípio do exato adimplemento:  A execução deve ser específica e suficiente 
para satisfação do credor e não mais do que isso.
Princípio   da   menor   onerosidade:  Na   possibilidade   de   mais   de   um   meio   de 
satisfação  do  interesse  do  credor,  o  juiz  mandará  que  ocorra  da  forma  menos 
gravosa ao devedor.
Princípio   da   responsabilidade   do   devedor:  Responsabilidade   pelas   custas, 
despesas do processo, honorários.
Princípio do contraditório: Assegurado pela CF a todos os processos judiciais.
Título Judicial:
Fundamento:
Emanados do Poder Judiciário (enumerados no art. 475­N do CPC)
Não formam um novo processo, mas apenas uma fase, razão pela qual dispensam a 
citação do réu, salvo se fundadas em sentença penal, arbitral ou estrangeira.
Caráter:
Natureza:  imediata  – sem processo autônomo, o que pressupõe prévia atividade 
cognitiva, sem o qual o direito não adquire a certeza necessária para que se 
possa invadir, coercitivamente, o patrimônio do devedor.
Execução definitiva: se a sentença já houver transitado em julgado.
Execução provisória: se a sentença tiver sido impugnada por recurso, sem efeito 
suspensivo; ou nos casos de execução das decisões de antecipação da tutela.
Prestações:
Obrigação de fazer ou não fazer (art. 461 do CPC e seus parágrafos);
Obrigação de entrega de coisa (art. 461­A e parágrafos);
Obrigação por quantia certa (artigos 475­I e 475­R).
Título extrajudicial
Fundamento:
Títulos executivos extrajudiciais, documentos não provenientes do Judiciário, 
aos quais a lei atribui eficácia executiva. Estão enumerados no artigo 585 do 
CPC. Constituem um novo processo em que o réu deverá ser citado.
Caráter:

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Natureza: autônoma – é prescindível o prévio processo de conhecimento, porque a 
lei   outorga   eficácia   executiva   a   certos   títulos,   atribuindo­lhes   a   certeza 
necessária para desencadear o processo de execução.
Regra: Execução definitiva.
Exceção:   A   execução   será  provisória  pendente   a   apelação   da   sentença   de 
improcedência dos embargos do executado, desde que eles tenham sido recebidos 
no efeito suspensivo (art. 587 do CPC).
Prestações:
Obrigação de fazer ou não fazer (artigos 632 e seguintes do CPC);
Obrigação de entrega da coisa (artigos 621 e seguintes);
Obrigação por quantia certa (artigos 646 e seguintes – contra devedor solvente 
e artigos 748 e seguintes – contra devedor insolvente)
Legitimidade Ativa
Credor que figure como tal no título executivo (art. 566, I, do CPC): deve ter 
capacidade  processual,   e a  petição  inicial  há  de  vir  firmada  por  quem  tenha 
capacidade postulatória.
Ministério Público: promoverá a execução nos casos autorizados em lei. Quando 
atuar como parte, sempre lhe será dado promover a execução. Quando atuar como 
fiscal da lei, a legitimidade dependerá da autorização legal.
Espólio, sucessores ou herdeiros do credor:  podem promover a execução por ato 
mortis causa. Antes da partilha dos bens, a legitimidade será do espólio. Após, 
a legitimidade será dos herdeiros ou sucessores.
Se a morte do credor ocorrer depois do ajuizamento da execução, a sucessão no 
polo ativo far­se­á na forma do artigo 43 do CPC.
Cessionário:  decorrente da cessão de crédito (artigo 286 do CC). Promoverá a 
execução por ato inter vivos. Mesmo que iniciada a execução, o cessionário pode 
assumir o polo ativo sem anuência do devedor, pois inaplicável o artigo 42, §1º 
do CPC.
Sub­rogado:  a   sub­rogação   pode   ser   legal   (artigo   346   do   CC)   ou   convencional 
(artigo   347  do  CC).  Permite­se  ao  sub­rogado  dar  início   à execução,   ou  nela 
prosseguir. Assim, se um terceiro pagar a dívida, sub­rogando­se nos direitos 
do credor, será possível requerer o prosseguimento nos próprios autos, sem a 
necessidade de extinguir­se a execução originária.
Legitimidade Passiva
Devedor que figure como tal no título executivo:  só cabe execução contra quem 
figura no título. Por isso, havendo condenação do preposto por sentença penal, 
não   é   possível   executar   o   preponente,   já   que   ele   não   foi   parte   no   processo 
criminal.
Espólio, sucessores ou herdeiros do devedor: até o momento da partilha de bens, 
o espólio deverá ser demandado. Consumado tal ato, a legitimidade passiva para 
os herdeiros ou sucessores, sendo que respondem na proporção de cada parte que 
lhes couber na herança. Na hipótese de solidariedade passiva, os herdeiros ou 
devedores   respondem   apenas   no   limite   da   cota   que   corresponder   o   seu   quinhão 
hereditário, salvo se a obrigação era indivisível.
Novo devedor: nova pessoa assume o débito com o consentimento do credor. Sem a 
anuência deste, a cessão não vale.
Fiador   Judicial   e   responsável   tributário:  podem   ser   demandados,   embora   não 
figurem   no   título   executivo.   Fiador   judicial   é   aquele   que,   no   curso   do 
processo,   presta   garantia   pessoal   ao   cumprimento   da   obrigação   de   uma   das 
partes.   Responsável   tributário   é   aquele   que   não   pratica   o   fato   gerador   do 
tributo, mas é obrigado ao cumprimento da obrigação por disposição legal.
Litisconsórcio / Intervenção de Terceiros

Aluna: Paula Cristina Carvalho 
Direito Processual Civil ­ Processo de Execução – 1º Semestre – 4º ano
Professor: Dr. Duraid Bazzi

Litisconsórcio: é admitido na execução, tanto no polo ativo quanto no passivo. 
É em regra facultativo, e cada credor poderá livremente executar a parte que 
lhe caiba, ou até a totalidade da dívida, na hipótese de solidariedade. Só será 
necessário   quando   versar   sobre   obrigação   de   fazer   incindível,   ou   entrega   de 
coisa indivisível.
Intervenção   de   terceiros:  Não   são   admissíveis   na   execução   as   formas   de 
intervenção de terceiro previstas no Livro I: denunciação da lide, chamamento 
ao processo, oposição e nomeação à autoria. Nem mesmo a assistência, uma vez 
que   na   execução   não   haverá   sentença   favorável   a   uma   das   partes,   mas   sim   a 
satisfação de um crédito consubstanciado em um título executivo.
Competência
Regra:  São três os foros competentes (CPC, art. 475­P), cabendo a escolha ao 
credor. Somente se a execução for proposta fora de qualquer  dos três, o juiz 
pode declarar­se incompetente de ofício:
• juízo no qual o título se formou;
• foro em que o executado tiver bens;
• foro de domicílio atual do executado.
Exceção: sentença penal condenatória, sentença estrangeira e sentença arbitral, 
por   implicarem   formação   de   novo   processo,   correrão   perante   o   juízo   cível 
competente.
Foro da praça do pagamento do título, se outro não houver sido eleito.
Não havendo praça definida de pagamento, a execução deverá ser proposta no foro 
do domicílio do devedor.
Competência relativa, portanto cabível a exceção de incompetência por parte do 
devedor.
Processo de execução e cautelar, v.12 / Marcus Vinicius Rios Gonçalves. ­ 13ª. ed. reform. ­ São Paulo: Saraiva, 2010

7. Requisitos necessários para a execução:

Inadimplemento do devedor

Para que o credor tenha interesse de agir, é necessário que o devedor não tenha 
satisfeito espontaneamente obrigação líquida, certa e exigível, consubstanciada 
em título executivo.

Em caso de prestações simultâneas, de sorte que nenhum contatante possa exigir a 
prestação do outro, antes de ter cumprido a sua, não se procederá a execução, se 
o   devedor   se   propuser   a   cumprir   a   sua   parte,   empregando   meios   idôneos,   e   o 
credor   recusar­se   ao   cumprimento   da   contraprestação.   Tal   aplicação   processual 
está prevista nos artigos 476 e 477 do CC. A exceptio só se aplica quando houver 
obrigações recíprocas e simultâneas.

CC  ­  “Art.   476.   Nos   contratos   bilaterais,   nenhum   dos   contratantes,   antes   de  
cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento do outro.”

CC ­ “Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes  
contratantes   diminuição   em   seu   patrimônio   capaz   de   comprometer   ou   tornar  
duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar­se à prestação  
que   lhe   incumbe,   até   que   aquela   satisfaça   a   que   lhe   compete   ou   dê   garantia 
bastante de satisfazê­la.”

Aluna: Paula Cristina Carvalho 
Direito Processual Civil ­ Processo de Execução – 1º Semestre – 4º ano
Professor: Dr. Duraid Bazzi

Título executivo

O   título   executivo   é   um   documento   dotado   de   eficácia   para   tornar   adequada   a 


tutela   executiva   de   uma   pretensão.   A   sua   existência   é   que   viabiliza   o 
ajuizamento   da   execução.   Sem   ele   não   há   como   executar   (nulla   executio   sine 
titulo), pois é ele que dá a certeza da existência do crédito, necessária para 
que   a   esfera   patrimonial   do   devedor   seja   invadida.   Cabe   somente   à   lei 
discriminar quais são os títulos executivos. No CPC eles encontram­se enumerados 
nos artigos 475­N e 585. 

8. Requisitos do título executivo:

O   artigo   586   do   CPC   estabelece   que   a   execução   fundar­se­á   sempre   em   título 


executivo de obrigação líquida, certa e exigível. 

“Art. 586. A execução para cobrança de crédito fundar­se­á sempre em título de  
obrigação certa, líquida e exigível.”

A obrigação é certa quando não há controvérsia quanto à existência do crédito. A 
certeza decorre, normalmente, da perfeição formal do título.

A obrigação é líquida quando determinado o valor e a natureza daquilo que se 
deve.   O   título   é   certo   quando   se   sabe   que   se   deve;   líquido,   quando   se   sabe 
quanto e o que deve. 

A obrigação não deixa de ser líquida por não apontar o montante da dívida, desde 
que   se   possa,   pelos   elementos   contidos   no   título,   e   por   simples   cálculo 
aritmético, chegar ao valor devido.

A   obrigação   contida   no   título   extrajudicial   tem   sempre   de   ser   líquida   para 


ensejar a execução, pois não existe liquidação de título extrajudicial. Se assim 
não o for, é necessário que antes do início da execução se proceda à liquidação 
do débito. Se a sentença for parte ilíquida e outra parte líquida, não haverá 
óbice a que se promova simultaneamente a liquidação daquela e a execução desta.

A   exigibilidade   diz   respeito   ao   vencimento   da   dívida.   Se   a   obrigação   estiver 


sujeita a condição ou termo, somente com a verificação de um dos dois institutos 
é que o crédito tornar­se­á exigível.

Quadro Sinótico: 
Requisitos necessários para execução

Título Títulos executivos judiciais; art. 475­N
Executivo Títulos executivos extrajudiciais: art. 585
Requisitos  Obrigação líquida, certa e exível
Inadimplemento  dos títulos  Líquida: a natureza do débito predeterminado e o 
do devedor executivos valor já fixado. Caso não haja valor fixado, 
haverá processo de liquidação de sentença.
Certa: não há controvérsia quanto à existência 
do crédito
Exigível: a obrigação já pode ser cobrada.
Processo de execução e cautelar, v.12 / Marcus Vinicius Rios Gonçalves. ­ 13ª. ed. reform. ­ São Paulo: Saraiva, 2010

Aluna: Paula Cristina Carvalho 
Direito Processual Civil ­ Processo de Execução – 1º Semestre – 4º ano
Professor: Dr. Duraid Bazzi

9. Responsabilidade patrimonial:

Exceto   no   caso   de   devedor   de   alimentos,   a   execução   é   sempre   patrimonial.   O 


patrimônio do devedor é a garantia de seus credores, respondendo o devedor com 
todos   os   seus   bens   presente   e   futuros,   salvo   as   restrições   legais,   para 
cumprimento de sua obrigação.

Somente os bens do devedor que está sendo demandado que poderá ser atingido pela 
execução,   não   podendo   atingir   bens   de   terceiro.   Caso   isto   ocorra,   o   terceiro 
poderá   valer­se   da   ação   de   embargos   de   terceiros   para   livrar   seus   bens   da 
constrição indevida.

O artigo 592 do CPC elenca algumas situações excepcionais nas quais terceiros, 
que   não   são   parte   na   execução   podem   ter   seus   bens   atingidos,   sem   que   haja 
possibilidade   de   opor   embargos   de   terceiros   com   sucesso.   Esses   terceiros   não 
configuram no polo passivo da execução, porém tem responsabilidade patrimonial e 
seus bens ficam sujeitos à execução.

“Art. 592. Ficam sujeitos à execução os bens:
I – do sucessor a título singular, tratando­se de execução fundada em direito  
real ou obrigação reipersecutória;
II – do sócio, nos termos da lei;
III – do devedor, quando em poder de terceiros;
IV – do cônjuge, nos casos em que os seus bens próprios, reservados ou de sua 
meação respondem pela dívida;
V – alienados ou gravados com ônus real em fraude de execução.”

A responsabilidade patrimonial estende­se aos bens:

• Do sucessor a título singular, tratando­se de execução fundada em direito real ou obrigação 
reipersecutória.
A alienação de bem, quando sobre ele pender ação fundada em direito real é 
fraude à execução e está contemplada no inciso V. Assim, ela é ineficaz 
perante o credor, como se não existisse e o bem continuasse a integrar o 
patrimônio   do   devedor.   Reconhecida   a   fraude   à   execução   e   decretada   a 
ineficácia da alienação, o credor poderá fazer a execução recair sobre o 
bem alienado em mãos de terceiro, sem que ele possa opor­se por meio de 
embargos de terceiro, pois o adquirente ou cessionário de coisa litigiosa 
fica sujeito aos efeitos da sentença (art. 42, §3º do CPC).

“Art. 42. …
§ 3º  A sentença, proferida entre as partes originárias, estende os seus  
efeitos ao adquirente ou ao cessionário.”

Quanto   as   obrigações   reipersecutórias,   são   aquelas   fundadas   em   direito 


pessoal,   mas   que   repercutem   sobre   um   determinado   bem,   impondo   a   sua 
restituição. Imagine­se uma demanda em que se postule a resolução de um 
contrato de compra e venda. Acolhido o pedido, e resolvido o contrato, o 
adquirente estará obrigado a restituir ao alienante o bem negociado. Se, 
no curso da ação, o bem tiver sido alienado pelo adquirente, o sucessor 
terá responsabilidade patrimonial, e a execução recairá sobre o bem a ele 
transferido, ainda que não tenha participado da ação. 

• Do sócio, nos termos da lei.

Aluna: Paula Cristina Carvalho 
Direito Processual Civil ­ Processo de Execução – 1º Semestre – 4º ano
Professor: Dr. Duraid Bazzi

Há   casos   onde   o   sócio   responde,   solidária   ou   subsidiariamente,   pelas 


dívidas da empresa. Assim, será possível nas execuções ajuizadas contra a 
empresa, atingir os bens dos sócios. Também será possível quando o juiz 
perceber que a empresa foi usada por má­fé e de forma abusiva. Neste caso 
o juiz decreta a desconsideração da personalidade jurídica, autorizando a 
penhora dos bens dos sócios. Estes poderão ajuizar embargos de terceiros, 
em que a questão da desconstituição da personalidade jurídica poderá ser 
discutida com toda a amplitude. Há aqueles que entendem que neste caso, os 
sócios,   que   até   então   eram   terceiros,   devem   ser   citados   a   integrar   a 
execução, devendo ocorrer a defesa dos sócios por embargos de devedor e 
não   de   terceiro   e   esta   tem   sido   a   solução   que   vem   predominando   nos 
Tribunais. 

• Do devedor, quando em poder de terceiro.
O bem do próprio devedor, ainda que em mãos de terceiros, estará sujeito à 
execução.   Há   uma   redundância,   neste   artigo,   pois   a   propriedade   do   bem 
continua   sendo   do   devedor   e   não   há   que   se   recorrer   às   regras   da 
responsabilidade patrimonial.

• Do cônjuge, no caso em que seus bens responderem pela dívida.
Se   as   dívidas   de   um   cônjuge   houverem   revertido   proveito   ao   casal   ou   à 
família,   seja   qual   for   o   regime   de   bens,   o   outro   responder   por   elas, 
podendo a execução atingir os seus bens ou a sua meação. Há uma presunção 
relativa de que a dívida contraída por um beneficia o outro, portanto o 
cônjuge responde pela dívida do outro até provar que não foi beneficiado.

Se   o   cônjuge   quiser   livrar­se   da   penhora,   ele   deverá   opor   embargos   de 


terceiro, no qual terá o ônus de demonstrar que a dívida não o favoreceu. 
Essa presunção era invertida no caso de dívidas decorrentes de aval: em 
princípio   só   respondiam   por   aquelas   que   prestavam   a   garantia,   não   os 
cônjuges. Hoje, como há necessidade de outorga uxória (art. 1.647, III, do 
CC), ambos respondem. Se a dívida provier de ato ilícito, só o patrimônio 
daquele que o perpetrou responderá. 

“Art. 1647. Ressalvado o disposto no art. 1648, nenhum dos cônjuges pode,  
sem a autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: …

...III – prestar fiança ou aval;”.

O cônjuge do executado pode opor, alternativa ou cumulativamente, embargos 
de terceiro ou de devedor, dependendo do que ele queira alegar. Se houver 
sido   intimado   da   penhora   e   quiser   discutir   o   débito   ou   a   nulidade   da 
execução será embargos de devedor. Se quiser apenas livrar seus bens da 
constrição, ou a sua meação, a via adequada são os embargos de terceiros.

• Alienados ou gravador com ônus real em fraude de execução.
As hipóteses de alienação em fraude à execução estão enumeradas no artigo 
593 do CPC.

“Art. 593. Considera­se em fraude de execução a alienação ou oneração de  

Aluna: Paula Cristina Carvalho 
Direito Processual Civil ­ Processo de Execução – 1º Semestre – 4º ano
Professor: Dr. Duraid Bazzi

bens:
I – quando sobre eles pender ação fundada em direito real;
II – quando, ao tempo da alienação ou oneração, corria contra o devedor  
demanda capaz de reduzi­lo à insolvência;
III – nos demais casos expressos em lei.”

A alienação de coisa litigiosa não é vedada e nem modifica a legitimidade 
das partes originárias, porém ela é ineficaz em relação ao credor. 

O STJ tem decidido reiteradas vezes que só a partir da citação é que a 
alienação   configura   fraude   de   execução.   Antes   da   citação   poderá   haver 
fraude contra credores. Embora tenham semelhanças, são institutos que não 
se confundem.

A   fraude   contra   credores   é   instituto   de   direito   material   tratada   pelo 


Código   Civil   como   defeito   do   negócio   jurídico.   A   fraude   de   execução   é 
instituto  processual  e   configura  ato   atentatório   à  dignidade   da  justiça 
(CPC, art. 600, I). Assemelham­se pois em ambos o devedor aliena os bens, 
tornando­se   insolvente   e   ainda   por   que   em   ambos   a   alienação   é   ineficaz 
perante o credor.

“Art.   600.  Considera­se   atentatório   à   dignidade   da   Justiça   o   ato   do  


executado que:
I – Fraude a execução;

A   ineficácia   da   alienação   deverá   ser   reconhecida   em   ação   própria 


(pauliana) na hipótese de fraude contra credor e quando houver fraude de 
execução,   que   pressupõe   ação   em   andamento,   a   ineficácia   poderá   ser 
decretada nos próprios autos. 

A   fraude   contra   credor   gera   a   anulabilidade   e   a   fraude   de   execução   a 


nulidade. 

Na fraude contra credores já existe a dívida mas não há ação em andamento, 
ao passo que na fraude de execução o credor já demandou o devedor e este 
já foi citado.

O legislador criou ainda um mecanismo, aplicável às execuções por título 
extrajudicial onde o credor, para evitar eventual fraude, poderá registrar 
a distribuição da execução, averbando no registro de imóveis ou de outros 
bens sujeitos a registro. Se agir de má­fé, o credor terá de indenizar os 
prejuízos   causados,   conforme   apurado   em   incidente   que   correrá   em   autos 
apartados   conforme   artigo   18,   §2º   do   CPC.   Sem   este   registro,   conforme 
súmula 375 do STJ, não haverá presunção de má­fé do adquirente.

“Art. 18. … 

§ 1º Quando forem dois ou mais os litigantes de má­fé, o juiz condenará  
cada   um   na   proporção   do   seu   respectivo   interesse   na   causa,   ou  
solidariamente aqueles que se coligaram para lesar a parte contrária.”

“Súmula   375   do   STJ.  O   reconhecimento   da   fraude   à   execução   depende   do  


registro   da   penhora   do   bem   alienado   ou   da   prova   de   má­fé   do   terceiro  
adquirente.”

Aluna: Paula Cristina Carvalho 
Direito Processual Civil ­ Processo de Execução – 1º Semestre – 4º ano
Professor: Dr. Duraid Bazzi

Quadro Sinótico:
Responsabilidade Patrimonial

1ª regra O   patrimônio   do   devedor   é   garantia   de   seus   credores,   e   o 


devedor   responde   com   todos   os   seus   bens   presentes   e   futuros, 
salvo as restrições legais.
2ª regra Na execução devem ser atingidos apenas e tão somente os bens do 
devedor que está sendo demandado. Não se pode atingir bens de 
terceiros, salvo nas situações previstas no art. 59 do CPC.
Processo de execução e cautelar, v.12 / Marcus Vinicius Rios Gonçalves. ­ 13ª. ed. reform. ­ São Paulo: Saraiva, 2010

Quadro Sinótico:
Fraude contra credores e fraude à execução

Título executivo judicial  Título executivo 
Fraude (execução imediata) extrajudicial (execução 
autônoma)
Contra credores Antes da citação no  Antes da citação no 
processo de conhecimento. processo de execução.
À execução Após a citação no  Após a citação no 
processo de conhecimento. processo de execução.

Das diferenças entre ambas
Fraude contra credores Fraude à execução
Instituto de direito material. Instituto de direito processual.
Defeito do negócio jurídico. Ato atentatório à dignidade da justiça.
Dívida   já  existente,  contudo   não  há   a O credor já demandou o devedor, e este 
ação   (de   conhecimento,   no   caso   de já   foi   citado   (para   ação   de 
título   executivo   judicial,   ou   de conhecimento ou execução, dependendo do 
execução,   no   caso   de   título   executivo caso).
extrajudical) em andamento.
Ineficácia   em   relação   ao   credorr,   a A   ineficácia   em   relação   ao   credor   é 
qual   deve   ser   reconhecida   em   ação reconhecida nos próprios autos.
própria: ação paulitana.

Semelhanças entre ambas
Fraude contra credores Fraude à execução
Gera   a   ineficácia   do   negócio   jurídico Gera   a   ineficácia   do   negócio   jurídico 
fraudulento,   que   pode   ser   reconhecida fraudulento,   conquanto   exija   ação 
na própria execução. paulitana.
Depende   de   comprovação   de   má­fé   do Também   exige   prova   de   má­fé   do 
adquirente. adquirente (Súmula 375 do STJ), que só 
será   presumida   se   a   penhora,   a 
distribuição   da   execução   (art.   615­A) 
ou   a   citação   nas   ações   reais   ou 
reipersecutórias forem registradas.
Processo de execução e cautelar, v.12 / Marcus Vinicius Rios Gonçalves. ­ 13ª. ed. reform. ­ São Paulo: Saraiva, 2010

Aluna: Paula Cristina Carvalho