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O Transtorno de Estresse Pós-Traumático em Vítimas de Sequestro
Relâmpago é um tema atual que tem interferido na vida das pessoas que sofrem
esse tipo de dano. Vive-se em uma sociedade que enfrenta um momento no qual
imperam a violência urbana, ocupando diariamente as manchetes de jornais.
Banalizada e constante, a violência se tornou mercadoria para a mídia .
A violência foi vista por muito tempo como um problema perti nente à
segurança pública ou à ordem social, permanecendo como algo externo a agenda
da saúde. E realmente é reconhecida pela Classificação Estatística Internacional de
Doenças (CID) como causas externas. Contudo faz uma década e meia que se
tornou impossível negar sua legitimidade como um novo problema para a saúde . O
Estresse Pós-Traumático em Vítimas de Sequestro Relâmpago afeta diretamente o
campo da saúde, uma vez que as vítimas constituem uma demanda complexa e
imediata de cuidados psicológicos.
Cidadãos estão expostos a situação de extremo perigo e risco de morte ,
situação ocasionada por questões de ordem política, social e psicológica. O
sequestro relâmpago é uma das modalidades de violência a que está exposta a
população tanto de centros urba nos, como regiões mais afastadas, e que tem
registrado um índice significante de ocorrências, e tem causado um grau elevado de
dano financeiro, moral e psicológico na vítima , em sua família e nas pessoas
próximas a ela.
Assim sendo espera-se que o presente trabalho de conclusão de curso venha
contribuir na aplicabilidade psicoterápica, para nossa qualificação como profissionais
da área da saúde ao atender pacientes nas condições descritas e, ainda benefici ar
pacientes acometidos deste grave Transtorno. O presente trabalho propõe -se a
reunir trabalhos científicos, que possuem trajetória de estudo, pesquisa e
aplicabilidade, direta ou indiretamente, com o tema exposto.
Serão encontradas no referido trabalho, informações básicas sobre Estresse
Pós-Traumático em Vítimas de Sequestro Relâmpago desde critérios diagnósticos,
bases biológicas, a prevalência, critérios de avaliação, intervenções terapêuticas e
psicoterápicas, modalidades de violência, a contribuição da psicologia da saúde na
atenção à pessoa com TEPT, tais assuntos serão abordados com uma visão

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didática das técnicas utilizadas no tratamento de pacientes que sofreram sequestro
relâmpago, e que estão em busca de atendimento, apres entando o Transtorno de
Estresse Pós-Traumático.
Tem-se ainda que mencionar sobre a escassa bibliografia a respeito do tema,
por ser um tema atual, relacionado à realidade contemporânea, o que justifica a
pouca produção até o presente momento.




























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A Violência é uma das principais temáticas em evidência no mundo e em


especial em nosso país. O Brasil adentra o século com mais um grave desafio de
Saúde Pública: a violência. Com freqüência, as pessoas vivem em um clima de
³guerra´ onde os cidadãos estã o sob constante pressão e são ameaçados pela
extrema violência e criminalidade. Os atos violentos tornaram -se matéria diária dos
noticiários de televisão onde se tem informações sobre as mais recentes vítimas de
assaltos e crimes.
O tema violência ocupa atualmente na sociedade contemporânea um espaço
amplo e vasto, tendo reflexo no campo da saúde. Não é necessário recorrer aos
índices numéricos para notar a produção elevada de mortos, vítimas da violência.
No rastro da violência existe uma dimensão pouco visível e menos conhecida para
as pessoas, que se torna real sob a forma de seqüelas psicológicas, que irão ter
como ponto de passagem os serviços de saúde, necessitando cuidados complexos.
A violência tomou proporções em nosso país que não se pode mais negá -la.
Antes, esse assunto era abordado apenas por poucos jornais, programas de rádio e
televisão sensacionalistas e atualmente esse tema é predominante não só na mídia
como também na população e entre profissionais de saúde, assim afirma Vieira Neto
(2004).
A sensação de insegurança e instabilidade que ocorre em nosso país, produto
da violência é classificado de ambiente disruptivo (disfuncional). Segundo Benyakar
(2003 apud NETO, 2004), o ambiente disruptivo é um ambiente no qual as regras de
relacionamento interpessoal, social e com o meio físico ficam distorcidas, obrigando
o individuo a adaptar -se a um ambiente incompreensível e imprevisível, ficando
assim repleto de elementos ameaçadore s. Tal definição relaciona -se a situações
onde existe uma grande incidência de violência, como em países que passam por
um período de guerra ou vivencie a violência urbana, seja por parte de grupos
organizados, com conotação política ou por ações individuais.
A temática da violência, até o início dos anos 80, ainda era abordada pela
área de saúde de forma bastante tímida. O autor analisa sua emergência e destaca
em trabalho apresentado no III Seminário Latino de Medicina Social que existe uma
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escassa produção bibliográfica sobre o assunto. Em sua pesquisa foram
contabilizados apenas 25 artigos produzidos nos cinco anos anteriores que faziam
relação entre violência e condições de saúde (DESLANDES, 2002).
Durante muito tempo, a violência foi vista como um problema pertinente à
segurança pública ou à ordem social, permanecendo como algo externo à agenda
da saúde. De fato, a violência, há muito, é reconhecida pela Classificação Estatística
Internacional de Doenças (CID) sob a ampla rubrica de ³causas externas´. Contudo,
tornou-se impossível negar sua legitimidade como problema ³novo´ para a saúde e o
fato mais contundente para tal mudança foi o aumento do percentual das mortes
violentas, representando uma das principais modificações no perfil de mortal idade
do Brasil e de vários outros países americanos (DESLANDES, 2002).
A partir de tantas evidências chega-se ao consenso de que a violência, por
significar uma ameaça à vida, à integridade física e mental e à qualidade de vida,
constitui um problema legítimo de saúde, ainda que não se restrinja a esse setor,
pois constitui um problema de toda sociedade.
Com sua complexidade, a violência ultrapassa os limites dados pela lógica de
controle de enfermidades, se tornando um desafio único ao campo da saúde. A
criação de programas ou políticas voltadas para a atuação do setor diante da
violência necessita incorporar a dimensão dos sujeitos que a vivenciam. Segundo
Deslandes (2002), é necessário analisar a violência a partir de sua imersão no
cotidiano dos sujeito s e organizações, em determinadas lógicas políticas,
administrativas, culturais e grupais e nas regras sociais que a banalizam.
A partir dos anos 90, a violência, reconhecida como um dos principais
problemas de saúde pública do Brasil e de outros países pa ssa finalmente a suscitar
um debate sobre as formas de atuação sob uma perspectiva preventiva. Essa
década foi um período de saturação critica de estudos envolvendo mais
organicamente várias disciplinas e se afirmou uma demanda concreta por atuação
(DESLANDES, op. cit).
O fenômeno violência atinge todo e qualquer cidadão, independente de classe
social, situação financeira e do local onde mora (cidade ou interior). Todas as
pessoas que são atingidas pela violência tornam -se vítimas, pois são lesadas de
alguma forma pelo uso da força ou privados de algum bem, seja ela a vida, a
integridade do corpo ou dignidade, liberdade de movimento ou os bens materiais.

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Por esse motivo constitui violência: matar, ferir, prender, roubar, humilhar, explorar,
coagir, dentre outros. Todas essas ações expressam um comportamento
deliberadamente transgressor e agressivo, sendo esta a marca do fenômeno social -
violência, como afirmam Silva & Oliveira (2005).
Segundo pesquisa do Instituto Latino -Americano das Nações Unidas para a
Prevenção do Delito e Tratamento do deliquente (ILANUD, 2002), o crime contra a
pessoa é o que expressa mais preocupação para dois terços da população, e a
crença de que será vítima de algum tipo de ato violento (BRASIL, 2005).
Como lembra um dos importantes documentos da OPAS:

Pelo número de vítimas e pela magnitude de seqüelas orgânicas e


emocionais que produz, a violência adquiriu um caráter endêmico e se
converteu num problema de saúde pública em muitos países (...). O setor
Saúde constitui a encruzilhada para onde convergem todos os corolários da
violência, pela pressão que exercem suas vítimas sobre os serviços de
urgência, atenção especializada, reabilitação física, psicológica e
assistência social (ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DA SAÚDE, 1994, p .
5).

A Organização Mundial de Saúde revela em seu Relatório Mundial sobre


Violência e Saúde que ³todo ano, mais de um milhão de pessoas perdem a vida e
muitas outras sofrem lesões não fatais´ (OMS, 2002, p.3), por causas violentas. Só
no Brasil, na década de 90, ou seja, num espaço de dez anos, mais de um milhão de
pessoas morreram por violências e acidentes e dessas, cerca de 400 mil faleceram
por homicídios (MINAYO & SOUZA, 2003). Desse modo, os atos violentos
constituem sério problema social e têm intensas repercussões na saúde pessoal e
coletiva.
Estimativas da Organização Mundial da Saúde para o ano 2000 mostram que
1,6 milhões de pessoas, no mundo inteiro, morreram como resultado da violência.
Destas, 10% foram a óbito por violência interpessoal (O RGANIZAÇÃO MUNDIAL DA
SAÚDE, 2002)
De acordo com Zaluar (1999) a etimologia da palavra deriva do latim   
que remete a  , força, vigor, emprego da força física, ou os recursos do corpo para
exercer sua força vital.

Essa força se tornaria violência quando ultrapassa um limite ou perturba


acordos tácitos e regras que ordenam relações, adquirindo carga negativa
ou maléfica. É, portanto, a percepção do limite e da perturbação (e do

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sofrimento que provoca) que vai caracterizar o ato como violento, percepção
essa que varia cultural e historicamente (p. 28).

O conceito de violência da Organização Mundial de Saúde ( 2002) publicado


no Relatório Mundial sobre Violência e a Saúde, é um dos suportes para a
fundamentação teórica desta pesquisa:

O uso intencional da força física ou do poder, real ou por ameaça, contra a


própria pessoa, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou comunidade
que pode resultar em, ou tem alta probabilidade de resultar em morte, lesão,
dano psicológico, problemas de desenvolvimento ou de privação
(EASTMAN, 2002, p. 12).

Minayo (2003) afirma que a violência é um fenômeno biopsicossocial que se


define a partir das relações de forças em uma determinada sociedade. Hoje não se
pode atribuir a propagação da violência a causas ³na turais´, inspiradas na biologia
humana.
Os psicólogos argentinos Alarcone e Trujillo ( ALCMEON)

Um tipo de conduta individual ou coletiva que, praticada intencional,


impulsiva ou deliberadamente, causa dano físico, mental ou emocional tanto
ao próprio individuo ou indivíduos que a executam como a outros em seu
ambiente imediato e mediato e ao ambiente mesmo.

Segundo Cardia (2003)  a exposição à violência é definida como as


experiências de vitimização direta e indireta. A experiência direta com a violência,
ser vítima de algum ato violento e a vitimização indireta refere -se à violência que se
assiste aquela na qual a pessoa testemunha atos de violência ou os casos que
envolvem parentes ou amigos próximos e que ouvem falar. Estar mais ou menos
exposto a violência não é um evento neutro na vida das pessoas, mas descreve não
só diferenças de padrão de qualidade de vida, mas também de novos riscos de
vitimização.
O Ministério da Saúde do Brasil publicou oficialmente (Portaria MS/GM nº 737
de 16/5/2001) um documento denominado ³ Política Nacional de Redução da
Morbimortalidade por Acidentes e Violênci as´ introduzindo um conceito mais ou
menos semelhante ao da OMS: ³consideram-se como violências, ações realizadas
por indivíduos, grupos, classes, nações que ocasionam danos físicos, emocionais e
espirituais a si próprios e aos outros ´ (BRASIL, 2001, p. 7).

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Adorno (2002), referindo -se à violência urbana em nosso país, menciona
quatro tendências que a sociedade brasileira, há 20 anos egressa de um regime
autoritário, vem experimentando nessa área: a) o crescimento da delinqüência
urbana; b) a emergência da criminalidade organizada, principalmente o tráfico de
drogas; c) graves violações dos direitos humanos e d) explosões de conflitos nas
relações intersubjetivas. ³Trata-se de tendências que, quando relacionadas entre si,
radicam em causas não necessariamente idênticas´ (p. 88  O discurso de Adorno
sugere que a violência não é somente um mecanismo social de expressão da
sociedade, mas principalmente uma resposta a um sistema.

Nas sociedades marcadas por relações de violência, como a brasileira, a


violência torna-se uma ³linguagem organizadora´, forma de senha de
identificação que distingue os iguais. Entre os critérios desse caráter
lingüístico da violência, podem ser apontadas a definição de regras próprias
de funcionamento, as auto-justificativas emocionais e a ausência de
explicações racionais; enfim, um sistema em que a regra de acesso é o
exercício puro e simples da violência. A violência é, assim, a linguagem
possível que subsume das demais manifestações de cada um e as legitima.
Ela organiza as relações de poder, de território, de autodefesa, de inclusão
e exclusão e institui-se como único paradigma (MARCONDES FILHO, 2001,
p. 22).

Agudelo (1990, p.1) vem repetindo em vários de seus estudos que: ³a


violência afeta a saúde porque ela representa um risco para a realização do
processo vital humano: ameaça a vida, altera a saúde, produz enfermidade e
provoca a morte como realidade ou como possibilidade próxima´.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS-OMS), desde o ano de
1993, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhecem na violência um
problema de Saúde Pública. Embora o crescimento desmedido dos índices de
violência adquira características de epidemia, saúde e violência ainda são pouco
exploradas. Reconhecer a violência como questão de Saúde Públic a é mais que um
avanço para o país. É sinal de que estamos atentos a uma problemática enraizada
na sociedade contemporânea, pautada na complexidade das relações humanas.
De acordo com o Painel de Indicadores do SUS (2008 apud MINAYO, 2003),
a temática das violências entrou na agenda do setor Saúde como um grave
problema de Saúde Pública no Brasil e no mundo. Em 2002, a OMS alertou que ³em
todo o mundo, a violência vem se afirmando como um dos graves problemas sociais
e de Saúde Pública´.

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Entretanto Minayo (2003), pesquisadora da área afirma que ³por ser um
fenômeno sócio-histórico, a violência não é, em si, uma questão de Saúde Pública e
nem um problema médico típico, mas afeta fortemente a saúde:
o Provoca morte, lesões e traumas físicos e um sem número de agravos
mentais, emocionais e espirituais;
o Diminui a qualidade de vida das pessoas e das coletividades;
o Exige uma readequação da organização tradicional dos serviços de
saúde;
o Coloca novos problemas para o atendimento médico preventivo ou
curativo;
o Evidencia a necessidade de uma atuação muito mais especifica,
interdisciplinar, multiprofissional, intersetorial e engajada do setor,
visando às necessidades dos cidadãos.
O estudo e a intervenção sobre os determinantes sociais da violência se
constituem como prioridade na atualidade, com o objetivo de reduzir as
conseqüências devastadoras na saúde derivadas de comportamentos violentos. O
interesse e estudo sobre essa temática tornou -se maior quando ocorreu o aumento
das manifestações violentas nas Américas, o aparecimento de formas modernas de
fazer violência e a mudança na percepção da população provocando efeitos sociais
e no desenvolvimento de uma nação, como afirma a Organização Pan -Americana da
Saúde (OPAS).
A temática violência assume grande importância para a Saúde Pública em
função de sua magnitude, gravidade, vulnerabilidade e impacto social sobre a saúde
individual e coletiva. As violências têm contribuído para a morbimortalidade,
notadamente nos últimos anos. Sua presença, cada vez maior, tem co laborado para
a diminuição da expectativa e qualidade de vida, principalmente dos jovens e
adolescentes, além do aumento dos cuidados e custos decorrentes para a Saúde e
Previdência, o absenteísmo no trabalho e na escola e a desestruturação familiar e
pessoal (AGUDELO, 1990).
Dentre as várias formas de violência (familiar, no trabalho, no trânsito, na
escola, contra a criança e adolescente, contra a mulher, nos esportes, policial,
contra o patrimônio e contra a pessoa). Destacamos esta última, pois se
entendermos a violência como a ação de alguém contra outra pessoa, consideramos

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essas pessoas em toda sua integridade física, psicológica e moral, e que deve ser
tratada na plenitude de seus direitos fundamentais que expressam sua dignidade.
Partindo desse prin cípio todas as violações aos seus direitos se constituem em
violência contra ela. Toda a ação que se vise tirar da pessoa sua liberdade, tudo
qual leve a manipulá -la sob diferentes formas que leve ao uso da repressão à voz, á
vez, á participação, ao diálog o, a intimidação geradora de medo, tudo isso é
violência (PUTY, BARCELOS & DANIEL, 1982).
A manifestação da violência pode se dá sob a forma de rotina, como
componente do cotidiano de todos nós especialmente nas grandes capitais é uma
constante, ocorrendo sob o formato de violência física, sexual e psicológica (PUTY,
BARCELOS & DANIEL, 1982). De acordo ainda com o autor citado, a violência
urbana revela que cada vez mais o crime adquire marcas de requinte, é calculado e
se aperfeiçoa acompanhando o progress o alcançado pelo homem.
Ferreira-Santos (2006) discute em sua pesquisa que violência urbana era
observada no passado, principalmente nas grandes capitais, Regiões Metropolitanas
e Municípios. Hoje, modificações em sua dinâmica refletem -se no fenômeno de sua
´interiorização´.
Nos centros urbanos, bem como nas cidades interioranas encontramos várias
modalidades de agressões, dentre elas o crime de sequestro com fins de extorquir
dinheiro ou bens materiais das vítimas. Tal delito vem tomando proporções cada ve z
maiores e no que se refere ao modo de crueldade com agressão física pessoal
violenta (assalto a mão armada, tortura física e psicológica e ataque e/ou ameaça de
ataque sexual), com o aumento progressivo dessas ações (FERREIRA-SANTOS,
2006).
Ainda segundo Ferreira-Santos (2006), o sequestro caracteriza uma violação
dos direitos humanos que interfere na liberdade, integridade e tranqüilidade não só
das vítimas, mas de seus familiares e amigos. Etimologicamente a palavra sequestro
tem sua origem no vocabulário latino ³
  ´, que significa ³apoderar-se de
uma pessoa para exigir resgate ou encarcerar uma pessoa ilegalmente´.
URIBE (1999 apud FERREIRA-SANTOS, 2006) cita um documento publicado
em 1999 pela entidade colombiana que luta pelos direitos das vítimas da violência
urbana, a FONDELIBERDAD (Fondo Nacional para La Defensa de La Liberdad
Personal), onde consta que o:

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Sequestro não é a mera perda arbitrária da liberdade de um setor da
sociedade civil ou um resultado a mais da luta política que vive um país, se
não é um dos componentes preponderantes de um ³estado de guerra´ que
produz terror nos sequestros e nos que o rodeiam, desorienta e tende a
provocar paralisia social e um sentimento absoluto de impotência na
população civil. (p.20).

Segundo Wikipedia a palavra sequestro pode ter vários significados, dentre as quais
se destacam:
o quando se refere a uma pessoa, trata -se do ato de privar ilicitamente uma
pessoa de sua liberdade, mantendo -a em local do qual ela não possa
livremente sair.
o quando se refere a um bem, trata -se do ato de apreender ou depositar um
ou mais bens, sobre os quais pese litígio, como forma de garantir que
sejam entregues, no final de um processo, a quem lhes seja destinado por
direito.
O sequestro de pessoas em geral é feito com o intuito de extorção, coação do
próprio sequestrado ou de outras pessoas por meio d e violência ou ameaça, e com o
intuito de obter qualquer tipo de vantagem, seja dinheiro, bens materiais, ou mesmo
utilizar o sequestro como "moeda de troca" a fim de obter a libertação de um ou mais
indivíduos presos, etc.
Segundo o Código Penal Brasileir o, o crime de extorção mediante sequestro é
punido com a pena de reclusão de 8 a 15 anos (art. 159 do Código Penal Brasileiro).
Se Crime de Sequestro, no Código Penal Brasileiro (art 148) dos Crimes contra a
Liberdade Pessoal, do Sequ estro e cárcere privado, a Pena é Reclusão de 01 a 06
anos ( WIKIPÉDIA ).
Houve uma alteração legislativa a Lei 11.923, de 17.04.2009 onde foi
acrescentada a figura delitiva expressamente no artigo 158 do Códico Penal
(Extorsão), inclusive, o enunciado desta lei trouxe este exa to 'nomem juris'
(sequestro relâmpago). Trouxe essa norma o seguinte texto legal: Art. 158 (...) "§ 3o
Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição
é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclus ão, de 6
(seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte,
aplicam-se as penas previstas no art. 159, § 2o e 3o, respectivamente." Antes o
assunto era tratado como crime de roubo qualificado pela restrição da liberdade da
vítima (art, 157, § 2º, inciso V CP) (WIKIPÉDIA).

O sequestro é um delito de efeito devastador, um crime sinistro, pavoroso,
abominável, execrável, em que a vítima é tratada com requintes de perversidade e
crueldade. A vivência do sequestro e do ³em torno´, conforme depoimentos de
vítimas refletem o estado aflitivo vivido por pessoas envolvidas em conflitos como a
guerra (FERREIRA-SANTOS,2006, p.26).
Segundo Aires (s/d) no caso de sequestro as primeiras horas são as mais
perigosas, pois são as horas em que os sequestradores estão no auge de seu plano,
sendo assim importante que as vítimas mantenham o controle emocional.
Na década de 70 algumas facções da sociedade, não conseguiram ver suas
reivindicações atendidas pelos meios legais, e ntão partiram para atividades terroristas
com o intuito de pressionar o regime do Governo e ainda de arrecadar recursos. Sendo
que a motivação era tipicamente política, executada por pessoas politizadas, criminosos
comuns que alugavam seus serviços a terroristas. Então a abertura política foi se
graduando e os sequestr adores aos poucos foram perdendo seus entusiastas políticos,
sendo assim abandonado e foi então que foi adotado pelos criminosos comuns,
profissionais, a motivação deixou de ser política e pas sou a ser econômica, isso já no
inicio da década de 80. Suas vítimas passaram a ser empresários, em que o cativeiro e
extorsão poderiam render bastante dinheiro (AIRES, s/d).
Aires (s/d) escreve que à partir da década de 90 iniciou a fase vulgarizada dos
sequestros, a motivação continuou a ser econômica, já seus executores passaram a ser
indivíduos sem vida criminal suficiente, alguns nunca tiveram passagem pela polícia,
outros praticantes de pequenos roubos e furtos, tais grupos não pretendiam grandes
ações, por esse motivo seus alvos passaram a ser famílias de classe média, os que
possuem um poder aquisitivo razoável. Tornando -se assim mais difícil de combater por
seduzir um grande número de aventureiros do crime, que se baseiam e se guiam por
exemplos de outros sequestros, o medo que a família sente e a impunidade que é
significante uma vez que cabe a polícia, a difícil missão de identificar esses grupos mal
organizados, alguns que não possuem antecedentes criminais, muitos se mostram em
condições normais, sem despertarem suspeita alguma.
No decorrer de nossas vidas passamos por inúmeras experiências, sendo que
algumas delas nos deixam marcas que são difíceis de lidar. O processo de
superação das dificuldades não é fácil para ninguém e deixam mar cas traumáticas
no psiquismo. Depois de uma experiência de seq uestro ou outro tipo de violência, o
limiar de tolerância vivenciado é ultrapassado. Algumas pessoas demoram ou até

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não conseguem prosseguir com sua vida, tendo como conseqüência o decréscimo
do desempenho de suas funções sociais, como trabalho, estudo, lazer, etc. como
afirma Scarpato (2004).
Existem tipos singulares desse delito no Brasil, o seq uestro com cativeiro e o
sequestro relâmpago. É esta última modalidade que nos interessa. O sequestro
relâmpago é a prática de assalto à mão armada, onde a vítima permanece em poder
dos assaltantes por um período de tempo que pode variar, enquanto praticam furtos
em caixas bancários automáticos e violência física e/ou psicológica contra a vítima.
O sequestrado fica poucas horas em poder dos criminosos, mas a violência é muito
grande nesse período. As ameaças são fortes e concentradas, alem da vitima sofrer
com medo constante de morrer, derivados da tortura psicológica e física
(FERREIRA-SANTOS, 2006).
Segundo a Wikipédia o Seq uestro Relâmpago é um crime recorrente e
famoso no Brasil, em que a vítima é mantida por um curto espaço de tempo, ou seja,
passa poucas horas sob o controle dos bandidos. Sendo que o tempo que a vítima
permanece com os sequestradores é o necessário para que os meliantes saquem
dinheiro com os cartões de créditos da vítima, façam compras.
Ferreira-Santos (2007) explica que existem casos em que o sequestro
relâmpago se torna um sequestro com as características clássicas. Isto ocorre
porque os bandidos percebem, nos momentos de saques nos caixas eletrônicos,
que a vítima possui aplicações e investimentos. ³Os bandidos acabam µvendendo¶ a
vítima para outra quadrilha. Deixa de ser relâmpago para virar sequestro em
cativeiro´ assim afirma o autor.
É pertinente pontuar que o poder público, assim como os demais representantes
da sociedade, possuem uma preocupação intensa com aqueles que praticam atos de
violência, como os sequestradores, no entanto as pessoas que sofreram a ação delitiva
ficam sem assistência, principalmente psicológica.
Segundo a anatomia da criminalidade brasileira, o sequ estro é uma atividade
financeira onde se fatura muito dinheiro num pequeno espaço de tempo e os riscos são
menores. As ações são cada vez mais audaciosas e os sequestradores contam com um
sofisticado apoio logístico. Representando atualmente um risco de vida imediato para
um número cada vez maior de pessoas, atingindo níveis incontroláveis em determinados
estados. É alta a estatística policial de casos onde os sequestros são da classe média e
os valores dos resgates se limitam a bens móveis. O sequestro já é visto como um fato

comum, algo do nosso dia-a-dia, sendo que as sequelas causadas às vítimas são de
grandes proporções como afirma Souza (1993).
Antes as vítimas desse tipo de crime eram pessoas que tinham um alto poder
aquisitivo, com fama e fortuna, no entanto agora atinge pessoas simples, sem
muitos bens, que em muitas situações perdem sua economia de anos, na tentativa
de livrar-se da situação ameaçadora que o atorme nta. (FERREIRA-SANTOS, 2006).
Além dos mortos e feridos que podem ser contabilizados em delegacias e
hospitais, há também que se levar em consideração o sofrimento psíquico que é
invisível e tão importante, no entanto pouco se fala. As vítimas de violência quando
sobrevivem não tem apenas seqüelas físicas decorrentes das agressões sofridas. O
tema da violência é bastante amplo e permite várias abordagens. Podendo -se
avaliar a criminalidade urbana, as graves violações de direitos humanos e as
consequências psicológicas (VELÁSQUEZ; SILVEIRA, 2007).
As alterações psicossociais decorrentes da violência urbana são mais difíceis
de ser identificadas e documentadas e podem, ainda, ser mais graves do que as
lesões físicas. Lembrando que os distúrbios psicológicos n em sempre têm uma
relação temporal direta com o agravo violento, as queixas apresentadas podem
estar relacionadas a experiências passadas envolvendo conflitos violentos. Os
eventos relacionados à violência urbana são, na maioria das vezes, tão
assustadores que podem levar ao aparecimento de alterações no funcionamento
cognitivo, emocional e comportamental das vítimas. Ao vivenciar experiências tão
traumáticas, as vítimas nem sempre dispõem das ferramentas capazes de auxiliá -las
a superar o trauma. .
É necessário que todos colaborem, prevenindo, compreendendo e ajudando
a minimizar as possibilidades deste tipo de ocorrência. Neste sentido é que se faz
necessário a orientação para os comportamentos anti-riscos para que se obtenha
um objetivo comum, que é evitar a perda da liberdade de ir e vir, evitar ser vítima
dessa agressão física e psicológica. As vítimas de momentos de terror tendem a ter
a vida marcada pela angústia decorrentes desses momentos, como afirma Souza
(1996).
Considerando a realidade Brasileira e especial a do Estado do Pará, em que
estamos expostos a situações de violência que vão desde as ações de quadrilhas
organizadas até os sequestros relâmpagos. A existência deste diagnóstico pode


permitir o estabelecimento de estratégias de int ervenção com o objetivo de reduzir
as consequências e o sofrimento psíquico das vítimas. A violência pode provocar um
trauma psicológico nas vítimas e este trauma pode acarretar o desenvolvimento de
um quadro psicopatológico que é denominado Transtorno de Estresse Pós-
Traumático.
Velásquez & Silveira (2007) afirma que o tema violência urbana possibilita
uma discussão ampla que aborde não só os crimes e suas eventuais causas, mas
principalmente as consequências no que diz respeito ao aspecto psicológico. Em
razão da complexidade da temática violência, inúmeros são os prejuízos de ordem
fisiológica, cognitiva, emocional e social aos sujeitos que dela são agentes ou
vítimas. Desse modo, a violência se constitui como um problema estrutural na
sociedade, podendo se transformar em produtora real e potencial de transtorno de
Estresse Pós-Traumático (TEPT).


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Historicamente a exposição ao trauma pode reproduzir consequências
psicológicas duradouras. Os médicos voltaram sua atenção no final do século XIX,
para o impacto psicológico sofrido por veteranos da guerra civil dos Estados Unidos
e da guerra Franco-prussiana. Os clínicos a quem era solicitado atendimento para
os sobreviventes de trauma militar ou civil, durante esse período, ficavam chocados
com os sintomas fisiológicos e psicológicos exibidos como relata Friedman (2009).
Friedman (op. cit) afirma que o TEPT é um expressivo problema de saúde
pública e que é crescente o reconhecimento de que o estresse provocado por
eventos traumáticos e catástrofes é muito mais comum do que originalmente se
imagina. Ele ainda diz que segundo pesquisas feitas com veteranos da Segunda
Guerra Mundial e sobrevivente s do holocausto nazista, mostraram que o TEPT pode
durar mais de 50 anos, até mesmo a vida toda. As consequências psicológicas e
físicas da exposição a traumas em todo o mundo são desafios à saúde pública.
De acordo com Friedman (2009) o TEPT quanto à in tensidade, não é
diferente de outros transtornos clínicos ou psiquiátricos, podendo variar de leve a
grave. Algumas pessoas com esse transtorno podem ter uma vida satisfatória e
plena. Ainda que não haja estatística, percebe -se que uma minoria significativa de
paciente pode desenvolver uma doença mental incapacitante e persistente, marcada
por sintomas intoleráveis e graves, incapacidade conjugal, vocacional social e
extensivo uso de serviços comunitários e psiquiátricos. Sendo que essas pessoas
podem ser relegadas às margens da sociedade, a abrigos para sem -teto, ou ainda
participar de programas públicos projetados para pessoas com doença mental
crônica como esquizofrenia superficialmente indistinguíveis de portadores do TEPT.
Há três classes gerais de portadores de TEPT:

c' TEPT crônico: Atuais pesquisas indicam que 40% dos pacientes com
TEPT crônico, ainda que tenham recebido ou não tratamentos apresentam
pouca chance de recuperação. Podendo algumas apresentar melhora na
gravidade dos sintomas ou na capacida de funcional, porém, o TEPT


continua crônico, grave e permanente. É preciso, entretanto, que se
entenda que não havia tratamentos eficazes disponíveis, quando foi
realizada esta pesquisa.

D' TEPT em remissão com recidivas ocasionais: Pacientes em remissão há


algum tempo sem sintomas, podem repentinamente ter recidivas e
começar a apresentar o padrão completo de sintomas do TEPT. É
provável, quando isso ocorre, que tenham sido recentemente expostas a
alguma situação semelhante ao evento traumático inicial de m aneira
significativa.

*' De início tardio: Os indivíduos expostos a um evento traumático não


apresentam a síndrome do TEPT durante meses, na variante tardia do
TEPT, ou até mesmo anos. Como na recidiva, o fator desencadeante é
normalmente uma situação semelhante à original de maneira significativa,
como exemplo, um veterano da guerra do Vietnã cujo filho tenha sido
enviado para zona de conflito no Iraque ou no Afeganistão.

Schestatsky et al. (2003) afirmam que no ano de 1889 o termo neurose


traumática foi usada pela primeira vez pelo neurologista alemão Herman
Oppenheim. Sua conotação foi inteiramente organicista, considerando que na época
as lesões funcionais que pareciam ocorrer nestes casos eram devidas às mudanças
moleculares sutis no Sistema Nervoso Cerebral.
Os fenômenos traumáticos compartilharam de toda a ambivalência durante a
maior parte da história da psiquiatria, até muito recentemente, como representantes
maiores dos fatores ambientais externos. Muitos dos fatores ambientais traumáticos
dependiam e depe ndem de condições sociais, econômicas, culturais e políticas
resistentes a serem abordadas e modificadas (como a pobreza, a miséria, guerras,
maus tratos e opressão de crianças, de mulheres, de imigrantes, ou grupos étnicos
perseguidos e estigmatizados), n o entanto, tais situações eram negadas, ou não era
lhes dada maior importância como afirma Schestatsky et al. (2003).
Herman (1992 apud SCHESTATSKY et al., 2003) relata após seu estudo que
quando as pessoas experimentavam "emoções veementes", suas mentes se

mostravam incapazes de parar as experiências aterrorizantes com os esquemas
cognitivos prévios, "subconscientes´. Na sequência, as memórias da experiência
traumática não conseguiam ser integradas na consciência e dela permaneciam
dissociadas, assim como do controle voluntário. Janet formulava assim a primeira
compreensão mais abrangente dos efeitos dos traumas sobre a mente, baseada na
noção, bastante contemporânea, de que estados de excitação extremos podiam
causar o fracasso na integração de memórias traumáticas.
Os resíduos de memória traumática permaneceriam inconscientes, como
"idéias fixas", que não poderiam ser "eliminadas" enquanto não pudessem s er
transcritas dentro do contexto de uma narrativa pessoal do próprio paciente.
Enquanto isto não fosse possível, continuariam a se intrometer na consciência como
percepções abundantes de terror, preocupações obsessivas e re -experimentações
somáticas sob forma de reações ansiosas (SCHESTATSKY et al, op. cit.).
De acordo com Herman (apud SCHESTATSKY et al, 2003), nos últimos 200
anos a história dos traumas psíquicos, dentro da sociedade em geral, e da
sociedade médica-psiquiátrica em particular, tem sido a d e sucessivos focos de
reconhecimento da sua importância, seguidos de extensas "amnésias". As
"amnésias" sobre os traumas psíquicos são, muitas vezes, forçadas a ser superadas
ou por traumas maciços e generalizados (difíceis de ser negados), como as duas
Guerras Mundiais, a do Vietnã e, mais recentemente, a Guerra no Iraque, por
exemplo, ou por lutas políticas organizadas por segmentos tradicionalmente
oprimidos na cultura ocidental.
Foi o Psicanalista, Abram Kardiner quem se ocupou e pesquisou sobre o
assunto de forma integradora, incentivado pelos achados clínicos de uma situação
de guerra, a Segunda Guerra Mundial. No ano de 1941, Kardiner publica um livro
sobre "As Neuroses Traumáticas de Guerra", que passa a ser considerado por
vários autores especializados como a obra que viria a definir, pelo resto do século
XX, o que seria o Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Ele nota pela primeira
vez, entre outros achados clínicos detalhados, que os pacientes que sofriam de
neuroses traumáticas desenvolviam uma permanente hipervigilância e sensibilidade
frente às ameaças ambientais, afirmando que o núcleo destes quadros era uma
x  
, que estava presente, tanto no campo de batalha, como durante o
processo de reorganização emocional, sobrevivendo e persistin do sob forma


crônica, permanecendo a síndrome traumática sempre sem modificações como
afirma Schestatsky et al., (2003).
Vários desenvolvimentos ocorreram na área das síndromes traumáticos,
especialmente no seu tratamento, com o fim da guerra. Tanto Walter Menninger, nos
EUA, quanto Bion e seus colegas, na Inglaterra, descobriram a importância da
psicoterapia de grupo e dos tratamentos dentro de comunidades terapêuticas com
pacientes traumatizados pela guerra. Após, sucederam -se estudos sobre
prisioneiros que estiveram em campos de concentração "síndrome do campo de
concentração", evidenciando-se, mais uma vez, que pessoas submetidas a maciças
situações traumáticas desenvolviam graves conseqüências biológicas, psicológicas,
sociais e existenciais, incluindo uma capacidade diminuída de lidar com futuros
estresses psicológicos e biológicos ao longo da vida (SCHESTATSKY et al, op. cit.).
Os Psiquiatras Americanos, Chaim Shatan e Robert J. Lifton, em 1970,
começaram a fazer encontros de grupos com pacientes veter anos da guerra do
Vietnã, em Nova York, que acabaram se espalhando por todas as instituições
americanas que tratavam destes pacientes. Shatan e Lifton começaram a ler
Kardiner, a literatura sobre sobreviventes do holocausto e os trabalhos existentes
sobre vítimas de acidentes e queimaduras. A partir daí propuseram uma lista dos 27
sintomas mais comuns de "neuroses traumáticas", os quais compararam com as
fichas clínicas de 700 pacientes veteranos do Vietnã, o que acabou por se constituir
no embrião dos critérios usados pelo DSM-III para incluir a categoria de Transtorno
de Estresse Pós-Traumático (TEPT) na sua classificação diagnóstica. Dentro desta
nova categoria, foram então incluídas divers as síndromes como a do trauma do
estupro, da mulher espancada, dos veteranos do Vietnã e a da criança abusada,
como relatam Schestatsky et al., (2003).
Segundo o autor acima no DSM -III a definição original de TEPT requeria
apenas um sintoma de re-experimentação, dois sintomas de "embotamento"
emocional e um sintoma de uma lista de sintomas inespecíficos, sem critérios de
duração. Esses critérios foram utilizados em estudos populacionais como o
Epidemiological Catchment Area (ECA) e restringiam os eventos traumáticos a
abuso sexual, assaltos, desastres naturais e guerras. Essas informações levaram à
revisão dos critérios na edição do DSM -III (DSM-II-R) com o agrupamento de
sintomas na forma como é apresentado pelo DSM-IV, onde os sintomas são


classificados como manifestações de re-experimentação, evitação ou hyp  

(excitabilidade aumentada). Quando o TEPT foi então reavaliado para sua inclusão
no DSM-IV, em 1994. A maior modificação no DSM-IV está relacionada à definição
de trauma.
Um grande número de evidências sugeria que os desencadeantes típicos do
TEPT eram eventos relativamente comuns na vida das pessoas, enquanto o DSM-
III-R enfatiza que o trauma é uma experiência fora da normalidade. Sendo assim, o
DSM-IV enfatiza o quão ameaçador e aterrorizante foi o trauma para aquele
determinado indivíduo, sem mencionar a anormalidade do evento. O DSM-IV inclui
pela primeira vez critérios para Transtorno de Estresse Agudo, que consiste em
perturbações psíquicas, semelhantes àquelas do TEPT, que ocorrem em muitos
indivíduos após um trauma, com duração máxima de um mês. Este passa, então, a
ser também um diagnóstico bastante importante uma vez que um diagnóstico de
Transtorno de Estresse Agudo parece predispor o indivíduo ao TEPT
(SCHESTATSKY et al, 2003).

D D  $  %+ 

Os problemas da vida cotidiana já são imensos como: casamento,


descasamento, doenças pessoais e familiares, filhos, rivalidades no trabalho,
conflitos familiares, problemas econômicos e socias, além de um mundo violento,
rodeados de agentes estressores desde o clima até a violência urbana. O estresse,
portanto, corresponde a relação do individuo e o meio. Trata -se de uma agressão e
reação. (FERREIRA-SANTOS, 2006).
Transtorno de Estresse Pós-Traumático ou ñ 
      é
uma perturbação psíquica decorrente e relacionada a um evento ameaçador ao
sujeito ou como apenas testemunha do fato. Consiste em uma revivência, pois além
de recordar as imagens o mesmo sente como se estivesse vivendo novamente a
tragédia com todo o sofrimento que ela causo u, alem do próprio sofrimento é
desencadeado também alterações neurofisiológicas e mentais (PSICOSITE). 
O Estresse Pós-Traumático se diferencia dos demais transtornos de
ansiedade e da maioria dos transtornos mentais por ser causado a partir de um fator
externo. Qualquer pessoa pode desenvolver o estresse pós -traumático, desde uma


criança até um idoso. Os sintomas não surgem necessariamente logo após o
evento, podem levar meses (PSICOSITE).
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático acontece quando se vivencia um
trauma emocional de grande magnitude. Esses traumas incluem guerras, catástrofes
naturais, agressão física, estupro e sérios acidentes ( ABUCHAIM; ABUCHAIM,
2007).
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático é definido pelo DSM-IV como:

A característica essencial do Transtorno de Estresse Pós-Traumático é o


desenvolvimento de sintomas característicos após a exposição a um
extremo estressor traumático (...). Os eventos traumáticos vivenciados
diretamente incluem, mas não se limitam a, combate militar, agressão
pessoal violenta (ataque sexual, ataque físico, assalto à mão armada,
roubo), sequestro, ser tomado como refém, ataque terrorista, tortura,
encarceramento como prisioneiro de guerra ou em campo de concentração,
desastres naturais ou causados pelo homem, graves acidentes
automobilísticos ou receber o diagnóstico de uma doença que traz risco de
vida. (p.404)

No CID-10 (14), encontramos uma diferenciação entre Reação de Estresse


Agudo (F43.0) e o Transtorno do Estresse Pós -Traumático (F43.1).
A Reação de Estresse Agudo é considerada um transtorno transitório de
significativa gravidade, que se desenvolve no indivíduo sem nenhum distúrbio
mental aparente, em resposta a excessivo estresse físico e/ou mental, no qual o
agente do estresse é uma experiência traumática opressiva ou uma mudança
extraordinariamente rápida e ameaçadora na estrutura social do indivíduo. O
processo geralmente se limita há algumas horas ou dias e deverá haver uma
conexão imediata e temporal clara entre o impacto e o agen te excepcional do
estresse e o desencadeamento dos sintomas.

D *  ,,%+ 
De acordo com Ferreira-Santos (2007), estudos recentes que mostram
alterações expressivas na fisiologia e na anatomia cerebral enfatizam o vértice
biológico e consolidam a estrutura biopsicossocial do ser humano. Araújo, Lacerda &
Bressan (2005 apud FERREIRA-SANTOS, 2007) afirmam que:
A utilização de avançadas técnicas de neuroimagem tem colaborado
substancialmente para o entendimento de possíveis mecanismos
fisiopatológicos relacionados ao TEPT. A redução volumétrica do
hipocampo tem sido o achado neuroestrutural mais consistente descrito.
Estudos de neuroimagem funcional, utilizando diferentes paradigmas

investigativos (provocação de sintomas, ativação neurocognitiva, e desafio
farmacológico), têm revelado uma hiperativação do corpo amidalóide e uma
resposta atenuada do córtex pré-frontal medial, córtex orbitofrontal e do giro
do cíngulo anterior, o que eleva essas estruturas à condição de integrantes
de circuitos potencialmente relevantes para a fisiopatologia do TEPT (p 92).

Grassi-Oliveira, Pergher & Stein (2005 apud FERREIRA-SANTOS, 2007)


relatam um dado interessante sobre as cicatrizes neurobiológicos do TEPT, onde o
volume menor do hipocampo em pacientes com TEPT, seria devido à ação tóxica do
cortisol. Segundo eles, a hipótese de que um já reduzido volume do hipocampo
poderia predispor o indivíduo a desenvolver o TEPT quando exposto a um evento
traumático.
Selyen (1976 apud FERREIRA-SANTOS, 2007) já havia notado que em
situações agudas de estresse observa-se uma elevação dos níveis séricos de
cortisol de forma relativamente proporciona l à intensidade do estímulo estressante.
Munck et al (1984 apud FERREIRA-SANTOS, 2007) levantaram a hipótese de que
esse aumento dos níveis de cortisol teria o efeito de ³controlar´ a ação de
catecolaminas liberadas em sua ativação simpática de disponibili zar energia para os
órgãos vitais mediante o aumento da frequência cardíaca, pressão arterial e
glicemia. Desde modo, o cortisol funcionaria como um mediador do término da
resposta de estresse por meio de um x negativo sobre hipocampo,
amígdala, e hipotálamo.
Seguindo essa linha de raciocínio, seria de esperar um alto nível sérico de
cortisol em pacientes com TEPT. No entanto, existem fortes evidências de que os
níveis de cortisol se encontram reduzidos nestes pacientes. A redução dos níveis de
cortisol e o aumento de CRF têm se mostrado consistentes marcadores biológicos
do desenvolvimento do Transtorno de Estresse Pós -Traumático. Observações
indicam a existência de um substrato biológico que poderia facilitar o
desenvolvimento do TEPT, o que indic aria uma deficiência individual para inibir
respostas naturais de adaptação e defesa ao trauma (FERREIRA -SANTOS, 2007).
Segundo Ferreira -Santos (2007), os estudos sobre a neurobiologia do TEPT
possuem outro foco que afirma que, após a observação de pessoa s com esse
diagnóstico apresentam um número aumentado de receptores periféricos de
glicocorticóide, o que se traduz numa resposta exaltada dos níveis de cortisol, os
quais inibiriam momentaneamente as respostas fisiológicas normais às situações de
trauma.
c
Considerando todos os achados neurobiológicos, a atrofia hipocampal
observada em pacientes com TEPT não deve ser secundária a uma simples ação
tóxica do cortisol. Yehuda (2000 apud FERREIRA-SANTOS, 2007) sugere que a
hipersensibilidade observada em receptores glicocorticóides periféricos poderia
ocorrer em regiões específicas do hipocampo, o que facilitaria qualquer ação tóxica
do cortisol nessas regiões, mesmo em níveis reduzidos. Portanto, o autor citado
conclui que ³talvez as principais alterações fisiopatológicas do TEPT possam estar
associadas a anormalidades de receptores de glicocorticóides mais do que a níveis
alterados de secreção de cortisol´.
O hipocampo parece exercer significativo papel nas funções cognitivas
relacionadas coma memória contextual, episódica e espacial, cujo estudo mais
aprofundado pode contribuir para um melhor entendimento dos déficits cognitivos
comumente encontrados no TEPT. Em meio a tantas observações empíricas que se
contrariam a cada nova comunicação científica sobre o assunto, pode-se considerar
que essas hipóteses podem explicar, pelo menos no nível biológico, a ocorrência de
respostas diferentes ao mesmo tipo de trauma sofrido (FERREIRA -SANTOS, 2007).

D &-

Caminha (2005), a abrangência progressi va na estimativa de prevalência que
define o evento do TEPT reflete o reconhecimento de que experiências
potencialmente traumáticas se encontram dentro da cadeia normal de eventos que
os indivíduos experienciam ao longo do ciclo da vida.
De acordo com Helzer, Robbins e McEvoy (1987 apud CAMINHA, 2005)
realizaram estudo pioneiro na identificação da prevalência do TEPT na população
em geral, como parte do Epidemiologic Catchment Area (ECA) se estima que 1% da
população apresenta critérios para o TEPT ao longo da vida. E utilizando ainda a
metodologia de avaliação do ECA, Davidson, Hughes, Blazer e George (1991)
verificaram que 1,3% da população preenchia os critérios para o diagnóstico de
TEPT, enquanto Shore, Vollmer e Tatum (1989, apud CAMINHA, 2005), estimaram a
prevalência em 2,6% da população. Baseada nestes estudos iniciais, pesquisadores
e clínicos concluíram que o TEPT era um transtorno raro. Posteriormente.


Breslau et al. (1991), empregando uma versão revisada na versão da NIMH -
DIS, operacionalizada a partir dos critérios do DSM-III-R, que estimou a prevalência
de TEPT ao longo da vida na população geral em 9,2% a partir de amostra
composta por 1.007 participantes e outro estudo importante na área foi o National
Comorbidity Survey (NCS), onde empregou os critérios do DSM-III-R
operacionalizados na WMH-CIDI e na NIMH-DIS, onde foi conduzido entre 1990 e
1992, o NCS investigou o TEPT em 5.877 participantes, estimando uma prevalência
ao longo da vida em 7,8%.
Breslau (2001 apud CAMINHA, 2005) cita que estes estudos foram essenciais
para transformar a percepção sobre o TEPT, sendo considerado um dos transtornos
mentais mais comuns. Falando ainda que a estimativa do risco condicional é
baseada na informação sobre a prevalência de um ou mais eventos poten cialmente
estressores e na proporção daqueles indivíduos expostos que preenchem os
critérios para o TEPT em relação a um dos eventos.
Definições muito restritas como eventos raros e de extremo potencial
traumático vão, por um lado, apresentar baixa prevalência em relação à exposição,
mas elevado risco condicional. Diferenças em relação ao procedimento de
mensuração também podem produzir estimativas diversas para o risco condicional.
Estratégias empregando uma única questão, em comparação a estudos
empregando listas de eventos, tendem a produzir uma prevalência de exposição
baixa, mas um risco condicional elevado assim afirma Breslau (2002 apud
CAMINHA, 2005).
A avaliação do risco condicional é útil na compreensão de um fenômeno
dentro das reações pós-traumáticas: embora as mulheres apresentem menores
taxas de exposição a eventos estressores traumáticos, comparadas aos homens,
são elas que apresentam uma maior prevalência do transtorno, e também maior
risco condicional para desenvolver o TEPT após exposição a eventos estressores
Breslau (2002 apud CAMINHA, 2005).
De acordo com Kessler et al., (1995 apud CAMINHA, 2005), que tomou como
referência o National Comorbidity Survey (NCS) 60,7% dos homens e 51,2% das
mulheres experienciaram ao menos um evento estressor traumático. E em relação à
prevalência ao longo da vida, 5% dos homens e 10,4% das mulheres preencheram
critérios para o TEPT e quando foi computado o risco condicional a partir do pior


evento, essa diferença de gênero se tornou ainda mais evidente, uma vez que 8,2%
dos homens e 20,4% das mulheres desenvolveram TEPT após exposição a eventos
estressores.
Breslau et al. (1998 apud CAMINHA, 2005) constataram uma prevalência de
eventos estressores traumáticos em torno de 92,2% entre os homens e 87,1% entre
as mulheres, que afirmam que o risco condicional estimado ao longo da vida a partir
do pior evento indicou valores próximos ao o National Comorbidity Survey (NCS):
9,5% dos homens e 17,7% das mulheres. Onde foi empregado como critério para o
estressor um evento selecionado aleatoriamente, verificaram ainda um risco
condicional para o TEPT estimado em 6,2% dos homens e 13% das mulheres,
sendo que esse risco aumentado para as mulheres continuou constante mesmo
quando o tipo de trauma e outros fatores sociodemográficos foram controlados em
cálculo de regressão. Embora o aumento do risco para se desenvolver o TEPT
associado a uma história prévia de trauma, as diferenças em relação a gênero
permaneceram estáveis.

D  (. &/&+% -01



Alguns dos sintomas apresentados em pessoas com Transtorno de Estresse
Pós-Traumático são: falta de ar, taquicardia, tremor, fraqueza nas pernas, ondas de
frio ou de calor, tontura, sensação de estranheza, de que vai desmaiar, de que vai
ter um infarto, de pressão na cabeça, de que vai "ficar louco", de nó na garganta, de
engasgo com alimentos, assim como crises noturnas de acordar sobressaltado com
o coração disparando e sudorese intensa (pavor noturno), diarréias, sintomas de
Labirintite, pensamentos que não saem da cabeça tais como: de que poderia ter
doenças graves mesmo que todos os exames sejam normais, ou de que poderia
fazer mal a si mesmo ou a outras pessoas. Pesadelos e terrores noturnos
relacionados com o evento traumático assim como Flashbacks (a pessoa tem a
sensação de estar vendo ou vivenciando a mesma situação, como uma cena de
filme) podem acontecer. (MENTALHELP).
As pessoas com TEPT, às vezes são expostas a fatores que lembram o
trauma, e repentinamente se encontram envolvidas em um estado psicológico, o
flashback do TEPT, em que revivem a experiência traumática, perdendo a conexão


com o presente. Esse estado é chamado de estado dissociativo agudo ou estado
psicótico breve, onde os indivíduos agem como se estivesses que lutar pela vida,
como durante a exposição ao trauma iniciado.
o Revivência dos sintomas: Apenas presente no TEPT, esses sintomas refletem
a persistência de pensamentos, sensações e comportamentos relacionados
especificamente ao evento traumático. Tais memórias são intrusivas,
indesejadas e intensas o suficiente para impossibilitar qualquer outro
pensamento. Lembranças durante o dia e pesadelos traumáticos à noite,
evocando pânico, pavor, terror, luta ou desespero.

o Sintomas de evitação/entorpecimento: São sintomas considerados


estratégicos comportamentais, cognitivas ou emocionais utilizadas para dirimir
o desgaste e o terror provocados pela revivência dos sintomas.
Os sintomas de evitação incluem:
Esforço para evitar sensações, atividades, pensamentos, pessoas e locais
relacionados ao evento traumático original.
Amnésia psicogênica para as memórias relacionadas ao trauma.

o Sintomas de entorpecimento: são mecanismos psicológicos, onde inclui o


entorpecimento psíquico, em que a pessoa reprime os sentimentos,
bloqueando também os sentimentos intoleráveis, mecanismos esses
psicológicos pelos quais os portadores do TEPT se anestesiam contra o
pânico intolerável, a dor e o terror evocados pela revivência dos sintomas.

o Sintomas de hipervigilância: São as manifestações mais aparente do excesso


de atividade fisiológica de alerta, que é parte da síndrome do TEPT, incluindo,
irritabilidade, insônia, reações de hipervigilância e sobressalto. Os sintomas
de hipervigilância criam um estado psicofisiológico hiper -reativo, tornando
difícil para os portadores do transtorno, concentrarem -se ou realizarem outras
tarefas cognitivas. Por exemplo, um jovem com TEPT pode não conseguir
fazer os deveres da escola nem manter focada a atenção em tarefas
intelectuais.


Com o passar do tempo, o paciente que apresenta o Transtorno de Estresse
Pós-Traumático desenvolve um estado depressivo crônico com apatia, irritabilidade,
desinteresse, diminuição da memória e culpa. Algo que lembra a situação
desencadeante pode causar ataques de ansiedade é então a partir da í que a pessoa
passa a evitar situações que possam lembrar o evento que provocou o TEPT. A
diminuição de rendimento escolar e profissional faz parte do quadro, provocado pelo
desinteresse. O paciente se isola socialmente, afastando -se das pessoas que fazem
parte de seu convívio. A desesperança é uma constante, contribuindo para que a
vida do indivíduo fique estagnada em relação a planos de vida de antes do evento
traumático(MENTALHELP).
A pessoa tem recordações do trauma vivenciado, incluindo imagens, ou
pensamentos, com muita aflição. Sendo que também podem ocorrer sonhos
amedrontadores, o indivíduo pode sentir ou agir como se o evento traumático
estivesse ocorrendo novamente, sendo que um grande sofrimento psicológico se
desenvolve quando surgem lembranças de alguns aspectos do trauma. Há
necessidade de evitar sentimentos, conversas, pensamentos, pessoas ou lugares
que ativem recordações do trauma, podendo também ocorrer uma incapacidade de
se recordar algum aspecto importante do trauma, dificuldade de ma nter e conciliar o
sono, surtos de raiva, baixa concentração e irritabilidade ( ABUCHAIM; ABUCHAIM,
2007).
Apesar da temática violência se constituir um problema crônico e fazer parte
da vida da maioria das pessoas favorecendo a exposição a um evento traumá tico, o
TEPT, principal transtorno psiquiátrico associado a acidentes e violência no Brasil,
não recebe a atenção necessária, nem no que diz respeito ao diagnóstico e nem
referente aos estudos sistemáticos do tema (KAPCZINSKI & MARGIS, 2003).
O autor citado acima ainda afirma que o termo Estresse Pós- Traumático se
deu para descrever a forma de mal estar psíquico e as dificuldades de ajustamento
dele provenientes, um conceito que avalia o quão ameaçador foi determinado evento
traumático, assim como os sintomas apresentados pelo paciente.
Depois da década de 80 o tema Transtorno de Estresse Pós Traumático
(TEPT) começou a ser estudado com maior empenho em virtude da ocorrência de
dificuldades encontradas por soldados veteranos, após voltarem da Guerra do
Vietnã, para adaptação à vida diária.


De acordo com o DSM-IV, os critérios necessários para fazer o diagnóstico de
Transtorno de Estresse Pós-Traumático são: A existência de um evento traumático
claramente reconhecível como um atentado à integridade física, própria ou alheia,
que haja sido experimentado direta ou indiretamente pela pessoa afetada e que lhe
provoque temor, angústia ou horror; A reexperimentação repetida do evento, ou
seja: pensamentos recorrentes e intrusivos (flashback); Pesadelos; Comportame nto
como se o evento ocorresse novamente.
A insensibilidade afetiva, identificável por: Diminuição expressiva no interesse
em realizar atividades comuns ou significativas, especialmente se tem alguma
relação com o evento traumático; Sensação de alheamento em relação às outras
pessoas; Restrição afetiva. Incapacidade de amar; Ativação Psicomotora;
Hiperatividade; Distúrbio do sono;
Friedman (2009) expõe que para receber um diagnóstico de TEPT, o
indivíduo deve ter passado por um trauma, apresentar sintomas por ao menos um
mês após o ocorrido, pois o critério do estresse traumático é definido por dois
componentes: a exposição a evento catastrófico e sofrimento emocional devido tal
exposição. É essencial que a entrevista diagnostica seja conduzida pelos clíni cos de
maneira a reconhecer os piores medos do paciente, oferecendo -lhe um ambiente
seguro, sensível e confiável. Em geral, se o clínico mantiver os critérios de
diagnóstico em mente, não é difícil de diagnosticar o TEPT.
Ainda segundo Friedman (2009), no caso de TEPT crônico, o clinico deve ter
paciência para conseguir a história do trauma em ritmo tolerável para o indivíduo,
uma vez que no TEPT crônico as camadas de produção se solidificam durante anos
ou décadas. É interessante normalmente comentar com o paciente o quão difícil é
responder às perguntas, encorajá -lo a sinalizar quando a entrevista ficar
desgastante retrocedendo de imediato quando ele o fizer.
Por conta de que a maioria das pessoas que sofre um trauma não desenvolve
o TEPT, é importante entender quem pode apresentar maior risco. Uma recente
meta-análise indica que os maiores fatores de risco eram a gravidade do trauma e o
pouco apoio social pós-trauma. O diagnóstico de TEPT pode exigir vários encontros,
onde o clínico conduzirá uma entrevista cuidadosa, perguntando sobre fatores de
risco para o TEPT e excluindo outros transtornos possíveis. Podendo utilizar ainda
ferramentas de avaliação, como instrumentos psicométricos para determinar a


gravidade dos sintomas do TEPT em adultos e crianças e para avaliar a exposição
ao trauma (FRIEDMAN, 2009).
O TEPT pode ou não desenvolver-se em uma pessoa que tenha sido exposta
a um acontecimento traumático, dependendo de fatores propiciatórios individuais
(vulnerabilidade) e da natureza do evento traumático. Quanto mais traumático o
acontecimento, mais probabilidades de que surja, e quanto menos vulnerabilidade
individual prévia, menor a probabilidade de gerá -lo. Entre os fatores que contribuem
para o desenvolvimento do TEPT, estão: a extensão em que o evento traumático
afeta a vida íntima e pessoal do afetado; a duração do evento; o grau de
vulnerabilidade ante a maldade humana (é mais provável que o TEPT ocorre em
eventos provocados pela mão do homem do que por eventos naturais) (WIKIPÉDIA).
Após uma situação de violência, uma pessoa pode permanecer em estado
alterado por períodos variáveis. É classificado como estado de estresse agudo
quando a pessoa apresenta sinais intensos de estresse após o evento traumático,
mas volta ao seu padrão de funcionamento normal dentro do primeiro mês. Quando
as reações persistem por meses e até anos, é classificado como estresse pós -
traumático. (ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA, 2002).
Segundo a classificação proposta por Keleman ( 1989 apud SCARPATO,
2004), quando a reação de estresse vivida numa situação não se desfaz, ela é
denominada de distresse. O nome certo de um estado permanente seria, portanto,
distresse pós-traumático, porém o uso consagrou o termo estresse pós-traumático.
O estresse (quando desfaz) e o distresse (quando permanece) são respostas a
situações de agressão tanto externas - que vem do encontro com o mundo - quanto
internas, que decorrem do sentir dentro de si coisas além do assimilável.
Keleman (1989 apud SCARPATO, 2004), afirma que os sentimentos vividos
na situação de violência podem ser excessivos e agres sivos, ultrapassando o limiar
de tolerância e assimilação de uma pessoa. Para alguém, por exemplo, sentir muito
medo ou ódio nascendo dentro de si, pode ser extremamente assustador, de modo
que a pessoa reage com forte estresse frente aos próprios sentimen tos, que a
agridem de dentro. Isto além da própria agressão que vem de fora.
Quando sintomas permanecem por um período mais longo, indicam que a
agressão foi vivida muito intensamente, com um estado de estresse excessivo que
levou à cristalização em um p     . Os padrões de distresse são


organizações psicofísicas que mantém a pessoa paralisada num modo de
funcionamento, sem poder voltar ao seu modo de vida anterior (KELEMAN , 1989
apud SCARPATO, 2004).
Por exemplo, uma pessoa que sofreu uma situação de violência, não
conseguia mais dormir à noite, ficando alerta e atenta aos barulhos da noite,
sentindo medo de que a situação pudesse se repetir. Ela evitava sair de casa, temia
os olhares dos outros, temia que o agressor pudesse voltar a qualquer momento,
tinha pesadelos com cenas de violência e a desconfiança dominava a sua
experiência no mundo. Sua vida ficou bruscamente limitada, num estado de muito
sofrimento e exaustão que já duravam alguns meses quando ela chegou para o
tratamento. Observando seu corpo pudemos ver que ela estava com o olhar
oscilando entre expressões de desconfiança, vigilância e medo, a visão geralmente
sem foco, com perda da convergência binocular, a respiração superficial e rápida, o
diafragma contraído, a postura puxada pa ra cima, aumentando a pressão na cabeça
e no peito. Há uma relação intrínseca entre os estados somáticos e os estados
subjetivos, pois os padrões motores organizam e sustentam como uma pessoa
sente e percebe o mundo (KELEMAN, op. cit.).
Há uma organização psicofísica que sustenta a pessoa no estado de
distresse, criando a percepção de que o mundo é de certo modo , no caso, hostil e
produzindo repetições infinitas de pensamentos, fantasias, pesadelos e sentimentos
em torno de uma mesma questão, criada e mant ida por um padrão alterado de
funcionamento. ³Tanto os sentimentos como a percepção, os pensamentos e a
postura corporal são organizados pelo padrão de distresse´ (SCARPATO, 2004, não
paginado) Criam a realidade do perigo iminente e deixam a pessoa como se
estivesse em vias de reviver a situação a todo o momento. A reação não se desfez,
o alerta está lá dizendo que o perigo pode voltar a qualquer momento. A percepção
da pessoa tende a interpreta r tudo pela ótica do medo, tudo que a pessoa percebe é
visto pela perspectiva de seu padrão ansioso de distresse.
O padrão ansioso organizado produz e mantém estados de apreensão, alerta,
desconfiança, medo, confusão e pânico. Estes estados podem se alter nar e se
intensificar em diferentes momentos e situações. Padrões de distresse são
organizações psicofísicas que compõe modos "fixos" e "determinados" de funcionar
na vida e que surgem a partir de situações que interferem drasticamente no


processo existencial de uma pessoa, nestes casos, as experiências de violência. A
partir da situação traumática a pessoa fica fixada e paralisada num modo repetitivo
de funcionamento emocional. O padrão de distresse se organiza através de uma
forma no corpo, é uma realidad e postural, sustentada pela musculatura e que afeta a
motilidade interna das Vísceras, o estado emocional, a percepção, os pensamentos,
enfim a pessoa inteira fica organizada segundo este padrão (KELEMAN , 1989 apud
SCARPATO, 2004).
Na avaliação da exposição a eventos estressores traumáticos, assim como
das consequências dessa exposição, para mensurar a presença de TEPT e
aspectos relacionados à síndrome, foram propostos diversos instrumentos ao longo
das últimas duas décadas (CAMINHA, 2005).
Cruz (2002 apud CAMINHA, 2005) relata que se pode definir o objeto a ser
avaliado como fenômeno ou processo psicológico ou psicobiológico a ser
investigado, refletindo sobre o processo de avaliação do estresse pós -traumático
como fenômeno psicológico a partir de diferentes enfoques ou prismas. O objetivo
da avaliação é visar os propósitos e os fins da avaliação, podendo estar vinculados à
necessidade de estabelecer diagnóstico , avaliação ou compreensão de uma
situação, estabelecendo relações entre fenômenos , dentre outras possibilidades.
Entendendo como uma situação se estruturou, por exemplo, quando uma pessoa
procura um serviço psicológico com a queixa de sintomas identificados facilmente
como decorrentes de uma situação estressante ou respostas a ela, o trabalho do
psicólogo clínico inicialmente teria como principal objetivo, realizar um diagnóstico
diferencial, para ter certeza de que se trata de um transtorno de estresse pós -
traumático, identificando a situação desencadeadora dos sintomas e posteri ormente,
propor uma intervenção, que não necessariamente deve ser realizada pelo
avaliador.
O método avaliativo utilizado para um fenômeno ou processo está
intrinsecamente ligado ao objeto a ser avaliado, ao sujeito, ao ambiente onde
acontecerá a avaliação e aos propósitos dela, e não necessariamente deve ser
vinculado às preferências metodológicas do pesquisador ou do clínico. Pensa que a
melhor analogia para descrever a escolha do método é o mito de Procustuo, que
sempre tentava adequar seus hóspedes a uma determinada cama. Por exemplo,
quando o hospede era maior que a cama , seus braços ou pernas eram cortados


para que ele se ajustasse à cama; quando era menor seus membros eram
alongados. O mito de Procustuo ilustra o antimétodo, ou seja, procura adequar o
objeto de estudo ou fenômeno ao método Cruz (2002 apud CAMINHA, 2005).
Breslau et al (2002 apud CAMINHA, 2005) definem o TEPT é definido como
uma resposta sintomática envolvendo revivência, evitação, entorpecimento,
excitabilidade aumentada, a um evento estressor, sendo que é um transtorno que
acarreta um significativo sofrimento e/ou prejuízo funcional apresentando sintoma s
por mais de um mês. A característica distintiva e essencial do TEPT é a conexão
entre sintomas e sinais, no entanto a evidência empírica resultante de estudos na
população geral sugere que indivíduos experienciam comumente mais de um evento
estressor traumático.
Segundo Kessler & Üstün (2004 apud CAMINHA, 2005) alguns exemplos de
entrevistas utilizadas comumente são a NIMH-DIS e a WMH-CIDI, é empregada em
versão assistida por lápis e papel, ou por computador, sendo que o participante
estabelece uma conexão entre o evento anteriormente experienciado e seus
sintomas, avaliando diretamente a presença de sintomas em indivíduos com
múltiplas experiências traumáticas, onde é explorada a história de eventos
estressores experienciado pelo participante ao longo de sua vida, tendo o emprego
de uma lista de eventos, solicitando assim que o participante selecione o pior evento
por ele experienciado , assim sendo os sintomas de TEPT são explorados em
relação a esse evento particular selecionado.
De acordo com Othmer & Othmer (1992, apud FERREIRA-SANTOS, 2007),
cita alguns tipos de avaliações como:
SCID - Structured Clinical Interview for DSM-IV - é uma entrevista clínica
estruturada para o DSM-IV, que foi desenvolvida por First et al. (1997), é uma
medida de rastreio que exige grande exposição a eventos estressores
potencialmente traumáticos, porém se utilizado, à saúde mental, deve limitar-se a
utilização de uma medida de rastreio , sendo utilizada somente quando sua validade
for comprovada.
IES ± Impacto of Event Scale ± Escala de Impacto de Evento, é uma escala
de auto-aplicação, desenvolvida por Horowitz, Wilmer & Alvares (1979 apud
FERREIRA-SANTOS, 2006), é composta de quinze itens que medem a presença de
esquiva após a ocorrência de situações traumáticas e de sintomas instrutivos. È uma

c
escala que contribui na constatação da proporção do trauma estudado. A IES está
entre as medidas de auto-relato mais comum empregadas na detecção do TEPT,
por incluir o agrupamento de sintomas de excitabilidade aumentada .
PCL-C ± Posttraumatic stress disorder checklist Civilian version - foi
desenvolvido em 1993 por Weathers, Litz, Huska e Keane, (1993 apud FERREIRA-
SANTOS, 2006) do National Center for PTSD (EUA) foi escolhida para ser um
instrumento para rastrear o TEPT por diversos autores , é auto-aplicável, sendo que
não necessita de um examinador externo, possui vários estudos de determinação de
suas propriedades psicométricas e estudos de validação.
ISSL ± Inventário de sintomas de estresse de Lipp ± foi criado e validado para
a população brasileira por Lipp e Guevara (1994 apud FERREIRA-SANTOS, 2006),
tem como objetivo claro de avaliar o atual estado de sofrimento dos pacientes,
evidenciando se possuem os referidos sintomas de estresse e se for detectado, que
tipo de sintoma existe (psicológico ou somático) e ainda a fase em que se encontra.
















*  
ÊÊ   Ê        Ê,Ê2  
Ê # Ê     3Ê 45Ê 

Segundo Soler (2004 apud FONSECA, 2007) trauma é algo que marca
profundamente um sujeito levando -o a sentimentos e comportamentos inusitados,
algo que é sempre externo e que por isso tira a responsabilidade do sujeito,
tornando-o sempre vítima do infortúnio. Sendo que nem tud o o que se passa no
psiquismo pode receber tratamento simbólico, uma vez que existe repulsa da ordem
do trauma, que não têm como ser descritos. Vivências de um real inflexível, que não
podem ser antecipadas ou evitadas, nas quais está implicado certamente o outro e
seu desejo indecifrável, que exclui o sujeito. Além de ser excluído, o sujeito carrega
as marcas deixadas por um trauma ao qual não pôde reagir, nem teve como lutar.
Conforme Laplanche & Pontales (1988 apud VALE, 2007) o trauma é definido
como um acontecimento da vida que se define pela sua intensidade, pela
incapacidade do sujeito de reagir a ele de forma adequada, pelo transtorno e pelos
efeitos patogênicos duradouros que provoca na organização psíquica. Assim sendo,
o trauma pode ser caracteri zado também como um ato de violência imposto ao
sujeito, que por sua vez, não tem outra escolha se não submeter -se. No trauma,
estão contidos o caráter surpresa e a noção de fração, os quais remetem à idéia de
uma ruptura que vem quebrar o contínuo da exis tência do sujeito.
Pode-se apontar que o sujeito que foi vítima de um sequestro relâmpago, que
passou por perigo, depara -se com a angústia mobilizada internamente. Portanto, se
acontece uma invasão externa, esta também detona simultaneamente outra, a part ir
do interior do aparelho psíquico. Consequentemente há um aumento de tensão,
provocando assim um empobrecimento das demais funções psíquicas (SPINK,
1997).
Ainda segundo a autora, o aumento de tensão no trauma indica que os
mecanismos de defesa falharam e que a barreira de proteção contra estímulos do
aparelho psíquico foi insuficiente para amortecer o choque. Quando as defesas se
rompem, acarreta o empobrecimento das outras funções psíquicas, visto que com o
aumento de energia, o ego corre o risco de ser inundado por energia externa ou
interna e pode romper as fortificações que continuam a protegê -lo.


Spink (1997) relata que há um estreitamento do campo da consciência, na
tentativa de controlar a angústia, pois toda energia psíquica fica concentrada na
ruptura para proteger o psiquismo da intensidade a que foi submetido. Quando a
barreira de proteção contra estímulos é perfurada, as instâncias reguladoras da
ordem representacional desorganizam -se, colocando em risco toda a subjetividade.
É a vida que está ameaçada. Isso faz com que o sujeito seja tomado pela angústia
de morte.
Sobre o trauma, Ferenczi (1992 apud FONSECA, 2007), pontua que diante do
choque emocional há uma decepção causada pela perda de segurança,
anteriormente estabelecida pelo sujeito; oco rre assim uma mudança de referências
do sujeito sobre si mesmo que, diante do acontecimento, perde a confiança que
tinha em si e no mundo. Afirma que a consequência imediata é a angústia, que
provoca aumento de desprazer, sugerindo então, que a necessidade do alívio seja
oferecida pela autodestruição.
O mais fácil de destruir em nós é a consciência, a coesão das formações
psíquicas numa entidade, assim nasce a  desorientação psíquica. A comoção
psíquica ocorre sempre sem preparação. Teve que ser precedida pelo sentimento de
estar seguro de si, no qual, em consequência dos eventos, a pessoa sentiu -se
decepcionada. Antes do evento traumático tinha excesso de confiança em si e no
mundo circundante, depois, muito pouca ou nenhuma. Subestimou a sua própria
força e viveu na louca ilusão de que tal coisa não podia acontecer; "não a mim"
Ferenczi (1992 apud FONSECA, 2007).
De acordo Vale (2007) após relatos de pacientes, Freud passou a considerar
como ponto de partida da experiência traumática inicial, ou seja, do traumatismo
psíquico, o conflito do qual com muito esforço, o paciente, tentava libertar -se. E
assim Freud pareceu identificar a segunda fase da gênese da neurose: uma fase de
luta contra o afeto desagradável ligado à lembrança do acontecimento
traumatizante, colocando em destaque duas funções fundamentais descritas em sua
obra: a noção de resistência e de defesa que preparam o caminho para a primeira
abordagem da noção de recalque.
A terceira fase é uma fase do sucesso temporário da defesa, se diz
temporário, porque logo sucedeu ao paciente outra lembrança que ele não
conseguiu desembaraçar, pois o reprimido tentava aparecer sob formas


mascaradas. Depois Freud apresenta a quarta e última fase, chamando -a de retorno
do reprimido (recalcado) sob a forma de si ntomas. Referindo que o paciente, procura
satisfazer ao mesmo tempo, as exigências do desejo recalcado e às exigências da
defesa, através dos sintomas. Isto quer dizer que o aparelho psíquico de tão
assediado por grandes quantidades de excitação, não conse gue liquidar ou elaborar.
A posição freudiana se distinguiu das de outros teóricos, que vêem a causa
dos transtornos neuróticos nas dificuldades de adaptação que experimenta o
individuo com relação ao meio ambiente em que vive. Freud não menospreza o
papel das dificuldades de adaptação, mas para ele, elas em lugar de explicar a
gênese dos transtornos neuróticos são antes a explicação de transtornos reativos,
que não são propriamente neuróticos, já que podem desaparecer se as
circunstâncias exteriores se tornarem favoráveis, sem que nenhuma mudança mais
profunda se faça na economia libidinal do sujeito, fazendo com que a noção de
conflito seja fundamental na explicação freudiana da neurose. De acordo com a
teoria Freudiana, dificuldades exteriores podem refor çar e reativar os fatores que
dão origem aos conflitos, mas para que tais dificuldades tornem -se causas da
neurose devem ser internalizadas. Desse modo, as dificuldades exteriores só se
tornam causa da neurose, quando em virtude de sua dimensão fantasmátic a, elas se
tornam um dos pólos de conflito intrapsíquico (VALE, op. cit.).
Freud (1899 apud VALE, 2007) interessou -se em investigar o fato de que em
uma dada experiência, alguns elementos são lembrados e outros são omitidos, e
atribui a existência de duas forças psíquicas envolvidas na promoção desse tipo de
lembranças. Uma dessas forças encara a importância da experiência, e de um
motivo para procurar lembrá-la, enquanto a outra tenta impedir que se manifeste
qualquer preferência dessa ordem - resistência.
Sigmund Freud adota do modelo médico a noção de efração contida no
trauma, subvertendo-a em seu aspecto tópico, ao colocar a possibilidade de um
transbordamento gerado pela invasão do psiquismo por um corpo estranho interno.
O trauma instaura uma desordem e esta se presentifica como um problema do
sujeito. Foi utilizado por Freud na Psicanálise apenas o termo trauma que transpôs
sua noção do domínio físico para o domínio psíquico, mas levando em consideração
as três significações que no trauma estão implica das: ³a de um choque violento, a de


uma efração e a de consequências sobre o conjunto da organização´, como afirma
Laplanche (1993 apud VALE, 2007).
O conflito psíquico como anteriormente pontuado, é uma questão que
encontramos frequentemente na teoria das neuroses e é interessante observarmos
a existência do conflito também nas lembranças encobridoras. No caso transtorno
de estresse pós-traumático em vítimas de sequestro relâmpago, é importante
reconhecer ou identificar como as recordações de elementos das cenas sofridas
aparecem. Em algumas situações, o traumatismo toma parte determinante no
aparecimento de sintomas, que após um choque emotivo, ligado a uma situação em
que o sujeito sentiu a sua vida ameaçada, passa a apresentar lembranças,
ruminações do acontecimento traumatizante, como nos diz Laplanche (1993 apud
VALE, 2007, p. 44), apresentam ³pesadelo repetitivo, perturbações do sono, dentre
outros e que aparecem como uma tentativa repetida de abreagir o trauma´.
O evento traumático é entendido como a confirmação de uma suspeita
preexistente de que o mundo é um lugar hostil e perigoso. O autor acima citado
explica que ³o ego é atacado de dentro, pelas excitações pulsionais, como é atacado
de fora, e se vê sem recursos´. Freud no ano de 1917 (apud VALE, 2007), afirma
que as neuroses traumáticas dão uma indicação precisa de que sua raiz se situa
uma fixação no momento do acidente traumático. Esses pacientes repetem com
regularidade a situação traumática em seus sonhos [...] é como se esses pacientes
não tivessem findado com a situação traumática (p.325).
Trauma psíquico pode ser compreendido como um acontecimento ou uma
situação que causa dano a longo prazo ao aparelho psíquico. Freud usava a palavra
grega trauma significando uma ferida, metaforicamente par a descrever como
acontecimentos que são suficientemente grandes, violentos ou inesperados podem
romper o ³escudo protetor´ do aparelho psíquico. Sendo que o resultado encontrado
na teoria psicanalítica é uma ruptura das defesas contra a ansiedade, fazendo o
indivíduo ter um funcionamento psíquico precário (VALE, 2007).
Parece que o conceito de trauma implica necessariamente [...]
num acontecimento externo que está destinado a provocar um
distúrbio em grande escala num funcionamento da energia do
organismo e a colocar todas as medidas defensivas possíveis.
Ao mesmo tempo, o principio do prazer é momentaneamente
posto fora de ação. Não há mais possibilidade de impedir que o
aparelho mental seja inundado com grande quantidade de
estímulos; em vez disso outro problema surge, o problema de
dominar as quantidades de estímulos que irromperam, e de


vinculá-las no sentido psíquico, a fim que delas se possa então
desvencilhar. (FREUD, 1920, apud VALE, 2007, p. 45)

Às vezes o mecanismo de negação é mais extremo, quan do a parte da


realidade que tem que ser encarada é insuportável. Para esses casos Freud
descreveu o modo de como um remendo ilusório é usado para cobrir o corte feito no
³escudo protetor´ por um evento intolerável.
Freud após seus inúmeros estudos, conclui e afirma que a proteção contra os
estímulos é para os organismos vivos, um papel quase mais importante do que a
recepção deles. Seu próprio estoque de energia é o suprimento do escudo protetor e
deve, acima de tudo, esforçar-se por preservar os modos especiais de
transformação de energia que nele operam, contra os efeitos ameaçadores, das
enormes energias em ação no mundo externo.
Rudge (2003 apud VALE, 2007) também nos baliza para eventos traumáticos
que ocorridos no presente, tendem a ligar -se com eventos traumáticos do passado.
Ela refere que psicopatologia traumática teve o poder de instalar uma controvérsia
no campo da psicanálise, pois grande parte dos analistas enfatiza a infância e a
relação com a mãe como o terreno onde se instala uma vulnerabilidade,
considerando o trauma atual apenas uma reativação do trauma infantil. Outra
corrente considera que eventos catastróficos podem dar origem a psicopatologia,
independente de pré -disposição oriundos da infância.
Rudge (op. cit) considera que os recu rsos simbólicos que dispomos para lidar
com o que a vida nos apresenta são limitados, e pontua que a falta de recursos para
lidar com certos acontecimentos jamais é completamente superada. Pode -se ser
reconduzido a uma situação de desamparo em qualquer mom ento da vida: o vazio
de razões, a falta de preparação, a impossibilidade de dar qualquer sentido para um
acontecimento doloroso, nos remete a uma posição de impotência para responder a
ele e o caracterizam como traumático. Partindo desse princípio, é rele vante destacar
que o Transtorno de Estresse Pós - Traumático pode levar o indivíduo ao
desamparo pela falta de recursos para lidar com certos acontecimentos. Reforçando
essa colocação temos a idéia de Freud (1925 apud VALE, 2007) para o qual
experiência traumática é o resultado do conflito intrapsíquico, visto que, o sujeito não
pode integrar o afeto desagradável ligado a um acontecimento traumatizante, pelo
fato de que a lembrança desagradável suscita a oposição e a resistência do ego. É


precisamente para se defender do afeto desagradável ligado à lembrança do
acontecimento traumatizante que o ego expulsa a lembrança do campo da
consciência e a reprime ou a recalca.
No caso de sequestro relâmpago, é importante identificar ou reconhecer como
as recordações de elementos das cenas sofridas aparecem. Compreende-se que
há uma necessidade de conciliação interna, por ser tal evento intolerável,
ameaçador e invasivo. Havendo exigência às funções egoicas para que estejam
desenvolvidas e atuantes a fim de responderem como defesa (VALE, 2007).





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A pessoa que desenvolveu um quadro de Transtorno de Estresse Pós
Traumático chega ao consultório buscando ajuda para seu problema e espera sentir-
se melhor o mais rápido possível, e como afirma Ferreira -Santos (2007) não há
abordagem psicoterápica suficientemente rápida para abrandar seu sofrimento
imediato.
A proposta é que paralelo ao tratamento Psicoterapêutico o paci ente faça uso
de uma terapia medicamentosa de urgência com ansiolíticos, que têm como objetivo
único e exclusivo reduzir a ansiedade imediata e devolver a ele a possibilidade de
um sono reparador.
No entanto, é contra indicado o uso prolongado de ansiolíticos, pois embora
produzam a sensação de melhora, são medicações que apresentam o
caráter de tolerância (exige-se cada vez doses mais elevadas) e
dependência ± sem elas o paciente retorna ao seu quadro de ansiedade
original (FERREIRA-SANTOS, 2007, p.140)

O Psiquiatra Ferreira -Santos (2007) indica para um tratamento intenso a
utilização de medicações como a sertralina ou paroxetina, antidepressivos com ação
ansiolítica com aprovação dos órgãos competentes na área da saúde. Segundo sua
experiência pessoal, os resultados foram obtidos com o uso da paroxetina, em
doses de 20 mg ou 40 mg por dia e no período médio de uma semana o paciente
restabelece minimamente sua vida cotidiana.
O médico deve monitorar o uso de psicofármacos, pois os efeitos colaterais
bem como as interações medicamentosas podem ser facilitadores de inúmeros
danos ao paciente. É necessária atenção especial ao uso de álcool
concomitantemente aos psicofármacos, pois ele potencializa expressivamente em
alguns pacientes os efeitos da medicação, sendo recomendável suspender a
ingestão de bebidas alcoólicas durante o tratamento, alerta Ferreira -Santos (2007).
Ferreira-Santos (2007) diz que é relevante pontuar que o conhecimento da
farmacologia, o bom senso e o senso crítico, orientarão o médico na indicação de
determinado medicamento, visto que é bom lembrar que as pessoas possuem sua
individualidade, e nem sempre o que serve para um terá o mesmo efeito em outro
paciente. As diferentes reações aos medicamentos são devidas à sua interação com

citocromos hepáticos que, por seleção natural, podem estar ou não presentes
naquela pessoa. Assim, determinada substância não seria devidamente
metabolizada no fígado do paciente e, em vez de lhe trazer os efeitos benéficos,
poderia apenas provocar efeitos colaterais indesejáveis. Então é o clínico que irá
avaliar com assiduidade a evolução do paciente e não ter receio de realizar
mudanças na medicação que ³não está dando certo´.
A recomposição de neurotransmissores provoca pela ação farmacológica
apenas dará ao paciente mais ³força biológica´ para enfrentar os as dificuldades que
estão assombrando sua existência. Sendo importante lembrar que a medicação é
apenas uma das formas de ³atacar´ o problema, a biológica, mas que sozinha, trará
apenas efeitos paliativos, e não resolutivos. Devendo ser administrado
simultaneamente com o tratamento farmacológico o psicoterapêutico e vice -versa.
Friedman (2009) diz que a farmacoterapia é apenas uma dentre várias
opções de tratamento para pacientes de TEPT. Os medicamentos po dem ser boa
escolha quando:
For alta a aceitação do paciente para tal abordagem;
Houver comórbidas condições que respondam à farmacoterapia como:
transtorno do pânico, fobia social, transtorno o bsessivo-compulsivo e
depressão;
Não houver disponibilidade de tratamento por Terapia Cognitivo -
Comportamental (TCC).
Apenas dois inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs) são
aprovados pela FDA (agência reguladora de remédios e alimentos nos EUA), para o
tratamento do TEPT, são a paroxetina e a sertralina os ISRSs, considerados
primeira linha de tratamento para o TEPT, por que:
Seus efeitos são de amplo espectro contra todos o s conjuntos de sintomas do
TEPT;
São eficazes contra muitos transtornos comórbidos;
São eficazes contra sintomas associados, como agressividade, impulsividade
e pensamentos suicidas.
Caminha (2005) afirma que os primeiros antidepressivos a serem usados no
tratamento do TEPT, foram os triciclos e os Inibidores Seletivos da Monoamino -
Oxidase (IMAOs).


O papel dos IMAOs no tratamento do TEPT, tal qual o dos tricíclicos, não foi
estudado suficientemente, pois os poucos estudos disponíveis apresentam
problemas metodológicos sérios. Os IMAOs tradicionais devem ser usados somente
nos pacientes com TEPT em condições muito especiais: em casos graves e
comprovadamente refratários às diversas estratégias farmacológicas e
psicoterápicas existentes. Esses cuidados são pelo fato desses medicamentos
apresentarem efeitos colaterais graves como risco de crise hipertensi va e
subseqüente acidente vascular encefálico hemorrágico, associado principalmente a
dietas ricas em tiramina ou quando administrados em conjunto com
simpaticomiméticos.
Albucher et al (2002 apud VIEIRA NETO, 2004) assegura que os Inibidores
Seletivos da Recaptação da Serotonina (ISRS) constituem a primeira escolha para o
tratamento do TEPT, sua eficácia foi amplamente confirmada por diversos ensaios
duplo-cegos com placebo. Estudos recentes e experiência clínica mostraram que
alguns efeitos indesejáveis d esses medicamentos, sobretudo os sexuais, talvez
tenham sido subestimados, sendo um entrave sério para adesão prolongada ao
tratamento. Com a sedação diurna, outros efeitos indesejáveis, também afetam
negativamente a qualidade de vida e a adesão ao tratame nto.
O envolvimento da serotonina no TEPT provém de pesquisas empreendidas
em animais e em seres humanos, sendo que estes estudos Albucher et al. (2002
apud VIEIRA NETO, 2004) demonstram a correlação entre a diminuição da
neurotransmissão serotonérgica e o aumento da impulsividade, agressividade, da
tristeza, depressão e medo.
O aumento da função serotonérgica em pacientes com TEPT tratados com
inibidores seletivos ou não da recaptação da serotonina pode produzir melhora do
humor, da raiva, da impulsividade e da ansiedade.
Benyakar (2003 apud VIEIRA NETO, 2004) sustenta a idéia de que o caráter
traumático de um acontecimento depende da relação entre três conceitos: evento
factual, vivência e experiência. Por evento factual pode-se pensar no fato em si,
vindo da realidade e independente do pensamento ou desejo do indivíduo, aquilo
que costumeiramente é chamado de mundo externo ou realidade. Já o conceito de
vivência remete exclusivamente ao que é conhecido como mundo interno. A
experiência, por sua vez, seria o resultado da articulação entre os conceitos

c
anteriores, do Evento factual e da Vivência. Aqui se daria o caráter traumático a um
acontecimento. Dessa forma, uma experiência traumática ocorreria quando um
evento factual específico apresenta-se com intensidade capaz de romper a
articulação entre o afeto e representação, conservando -se no psiquismo como um
fato não elaborado ou elaborável Benyakar, (2003 apud VIEIRA NETO, 2004, p.37).
Embora muitos eventos factuais podem ter conseqüências traumáticas,
alguns acontecimentos da realidade podem ter uma maior capacidade traumática, se
tiver as seguintes qualidades:
a) Ser inesperado
b) Causar a interrupção de um processo normal
c) Prejudicar o sentimento de confiança nos outros
d) Conter traços estranhos, não codificáveis ou interpretáveis
e) Ameaçar a integridade física própria ou de pessoas significativas
f) Distorcer ou destruir o lar.

Existem situações potencialmente traumáticas que segundo Vieira Neto


(2003), não envolvem risco de morte. Essas situações também podem trazer
sofrimento psíquico e desenvolvimento de sintomas. Alguns autores, motivados por
isso estabeleceram uma classificação dos tipos de trauma e suas possíveis
conseqüências psicológicas.
Segundo Cia (2001), haveria dois tipos básicos de situação traumática. O
trauma de Tipo I relaciona-se com o tipo de evento que está sendo explorado neste
trabalho. São traumas de pequen a duração, inesperados e eventuais, como
geralmente são os assaltos ou sequestro com finalidade de assalto, e que
freqüentemente favorecem o desenvolvimento do TEPT. O trauma de Tipo II seria
provocado por eventos de maior duração, previsíveis e repetidos. Este tipo de
trauma favorece o desenvolvimento de Transtorno Dissociativo.
Depois do evento traumático vivido, há pessoas que mais do que medo,
possuem a certeza de que aquela situação ainda não terminou , e se repetirá,
ficando a sensação de que o perigo continua, e que como na situação original, não
se sabe como vai terminar. No atendimento emergencial - Ñ      
 x  ou  x , o terapeuta utiliza esse procedimento para retomar com os
indivíduos a lembrança do término da situ ação traumática.


As reações a situações de grande sofrimento vão depender não apenas do
trauma em si, mas também e principalmente, da sua maturidade física e emocional,
de seu histórico familiar e de desenvolvimento, bem como da estrutura de apoio que
os cerca. Quando excede a capacidade de absorção e elaboração do indivíduo,
tanto pode ter efeitos imediatos, para o mesmo, como pode desencadear outros
transtornos, que não terão hora ou tempo para aparecer, nem necessariamente
identificação direta com o t rauma, mas se repercutirão no modo de agir e enfrentar
outras situações de estresse para o resto de sua vida (CIA, op. cit).
Uma vez que se considere a possibilidade de que exista, de fato, uma
vulnerabilidade humana ao estresse emocional, a questão surge quanto a ser ou
não possível se reduzir ou eliminar essa vulnerabilidade. A resposta a essa questão
necessita considerar que as vulnerabilidades psicológicas têm em comum um
veículo que as leva do estado latente no qual existem, dentro do ser humano, para o
pico do estresse e para a ação prejudicada: o pensamento. Desse modo, propõe -se
que seja possível, pelo menos, reduzir a predisposição ao desenvolvimento da
reação do estresse emocional por meio de medidas psicológicas que se baseiam na
reestruturação cognitiva e que tenham por objetivo a reformulação de pensamentos
estressógenos. Essa afirmação se baseia no vários estudos ( TORREZAN, 1999;
BRASIO, 2000; VILELLA, 2001; E TANGANELLI, 2001 apud CIA, 2001 ) que têm
comprovado a eficácia do treino de controle do estresse na redução de crenças
irracionais ou pensamentos disfuncionais.

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Diversas são as modalidades de psicoterapia utilizadas para o tratamento do


Transtorno de Estresse Pós-Traumático. A finalidade das psicoterapias aplicadas às
vítimas de traumas psicológicos é segundo Peres, Mercante e Nasello (2005),
atribuir gradualmente novos significados emocionais à experiência traumática
passada, que não ocorre mais no presente.
Segundo Keleman (1989 apud SCARPATO, 2004), cada pessoa em situação
de Estresse Pós-Traumático, necessita de uma atenção cuidadosa, pois cada
indivíduo tem sua história de vida, e reage de acordo com essa história, deve -se
levar em consideração a capacidade que o indivíduo tem de lidar com sentimentos e


emoções, o impacto que a experiência teve em sua vida e a qualidade de suas
experiências de vida dali para frente.
A intervenção terapêutica é um valioso recurso para que a pessoa possa
reorganizar seu padrão de funcionamento e continuar viv endo de modo mais
saudável, possibilitando que a pessoa em situação de Estresse Pós -Traumático
sinta e veja o mundo diferente, fazendo com que saia da situação de sofrimento
constante, realizando mudanças nos padrões de distresse organizados, Keleman
(1989 apud SCARPATO, 2004),
Através da observação atenta do corpo, do olhar, da postura, da respiração e
do modo de se mover, o psicoterapeuta pode identificar o estado subjetivo interno
que esta pessoa pode estar vivendo. É importante ajudar e capacitar a pess oa a
perceber o próprio corpo, discriminando com clareza a sua própria experiência e as
conexões que há entre a sua vivência subjetiva e o modo como o seu corpo está
organizado naquele momento, além de tentar identificar os sina is exteriores. A partir
da autopercepção é possível fazer com que a pessoa perceba e consiga interferir
em seus padrões de sofrimento somaticamente organizados, através de exercícios
específicos, que irão agir sobre os seus padrões de distresse. A percepção de suas
próprias sensações corporais, sua organização postural e suas atitudes organizadas
somaticamente, podem ajudá-la a perceber como o corpo está totalmente interligado
ao que ela sente, vê e pensa, organizado num padrão de distresse. A partir daí
podemos ajudar a pessoa a dial ogar com a própria experiência através de um
método eficiente, conforme proposto por Keleman (op. cit.).
São utilizadas na terapia técnicas que vão atuar nos pontos que mantém a
pessoa em estado de distresse. Ajudando no reconhecimento da organização
corporal deste padrão, podendo modular, aumentar e diminuir sua intensidade e
permitir a sua desorganização e reorganização, permitindo que a pessoa crie modos
mais vitais de lidar com os afetos e com as situações de sua vida, ensinando um
autogerenciamento do estresse que possa servir como habilidade ao longo de toda a
vida da pessoa.
De acordo com Caminha (2005), um evento traumático pode levar a um
confronto dos esquemas e das crenças do indivíduo. Uma crença positiva que se
refere à capacidade de se defender , podendo se modificar para uma idéia de
extrema vulnerabilidade após o trauma, por outro lado os esquemas negativos e


disfuncionais preexistentes acabam se reforçando por um evento traumático. A
terapia cognitiva explora e questiona estes esquemas disfunc ionais, tentando
impedir a generalização deles para outros aspectos da vida do indivíduo trabalhando
na reconstrução dos esquemas de segurança, competência e valor pessoal.
Segundo Ferreira -Santos (2007), nossos mecanismos de defesa psicológicos,
tratam de manter os conflitos e angústias no lugar oculto do inconsciente, de modo
que, este ou aquele movimento possa influenciar em nossa vida, não causam
maiores problemas.
Ocorre um rompimento dessas barreiras de defesa, por conta da força
emocional do impacto atual que ocorre, permitindo a manifestação, se não do
consciente, a um plano pré-consciente, cada uma das feridas que estavam
adormecidas. O trauma por si só já é demolidor, sendo que a soma dos efeitos
desses traumas passados provoca uma grande confusão, uma desordem na mente,
o que leva ao fenômeno disruptivo e conseq uentemente desorganização do sistema
psíquico, causando inúmeros sintomas do transtorno. (FERREIRA-SANTOS, 2007).

 D c  &$,&-3(6

É sugerida para atuar alinhavando o trauma presente aos traumas passados,


e sua resolução após o reconhecimento destes. O terapeuta penetra em sua
desordem psicológica lhe mostrando cada um dos pequenos acontecimentos de sua
vida e como isso está influenciando seu desajuste atual assim afirm a Ferreira-
Santos (2007).
O Psicoterapeuta por meio da condução, cena a cena, dos traumas do
paciente, conduzirá a terapia, na tentativa de fazer com que o paciente possa
perceber que é capaz de enfrentar cada um desses traumas, mostrando que esse
trauma atual, ainda que seja terrível, é mais uma experiência que se soma ao
conjunto de vivencias que o paciente experimentou ao longo da vida, assim como as
experiências frustrantes da vida normal lhe deu força e maturidade para enfrentar o
cotidiano. Conduzida com cuidado e experiência tende a permitir que o paciente
entre em contato com situações dolorosas e as expresse através do choro e por
emoção muito forte (FERREIRA-SANTOS, 2007).


A Psicoterapia permite recuperar a capacidade de lidar com fortes emoções
internas, que pode ter ficado comprometida. Sendo que este processo precisa
ocorrer num contexto vincular de cuidado e confiança, no qual o terapeuta, primeiro
ajuda seu cliente a se acalmar, com a ajuda de técnicas específicas, para então
começar a ensiná-lo a manejar melhor seus estados internos e o mundo à sua volta,
objetivando a sua recuperação e o seu desenvolvimento, para que a pessoa em
situação de Estresse Pós-Traumático possa voltar a viver o seu presente, e deixar
de ficar paralisado por uma situa ção que já poderia ter passado.
É impossível desenvolver qualquer tipo de tratamento que funcione para a
patologia, sem está situação. É essencial, além disso, que o vínculo entre paciente e
terapeuta esteja bem consolidado, uma vez que pessoas que foram e xpostas a
eventos traumáticos tendem a não querer gerar memórias sobre o acontecimento ou
não querer falar sobre o assunto (CAMINHA, 2005). A terapia cognitiva usa
exatamente da memória para a recriação da cena traumática.
Um aspecto imprescindível ao trat amento e que ocorre normalmente nas
sessões de avaliação é a coleta de dados sobre outros problemas, co -morbidades e
a disponibilidade de apoio social, sendo que o apoio social é fundamentalmente
importante para o suporte emocional do paciente. A educação sobre o transtorno,
suas manifestações e características devem ser realizadas, quando possível, com o
paciente e também com a família (DATILLIO, FRIEDMAN & Cols, 2004).
O início da aplicação das técnicas propostas para o tratamento do TEPT é
possibilitada, quando o estabelecimento de uma aliança terapêutica firme com o
paciente e a certeza de que a situação traumática não está mais presente na vida do
indivíduo.

 D D  ) +- ($&( 

Está dentre as terapias psicológicas utilizadas para tratar o TEPT. Ela afirma
que se a pessoa não se expuser a novas situações e quebrar o emparelhamento
das situações estressoras com outros estímulos relacionados à pessoa pode
continuar respondendo da me sma forma e apresentando os mesmos
comportamentos. Nela também se procura desenvolver habilidades de relaxamento,


capacitando o cliente a controlar sua resposta emocional e fisiológica de modo a
diminuir a resposta frente às situações estressoras (RANGÉ, 2 001).
O autor acima citado afirma que a Análise do Comportamento propõe que,
quando se experiência um evento traumático, há um emparelhamento das reações
comportamentais e emocionais da pessoa com os estímulos presentes (lugar,
objetos, contexto, hora do d ia, um tipo físico). Assim, estímulos similares passarão a
desencadear as mesmas reações que as pessoas viveram naquele momento.
Ainda segundo Rangé (2001), é notório em observações que após o evento
traumático as pessoas com TEPT, não conseguem se adapta r novamente ao
contexto em que estão inseridos, assim, uma releitura do ambiente será fundamental
para redimensionar as situações vividas e as ameaças atuais. As pessoas
traumatizadas gastam energia no processo de evitação do evento já vivido, das
lembranças e do sofrimento. Conseqüentemente, existe pouco espaço para a
realização de atividades gratificantes. De tal modo, que a longo prazo, estas perdem
o prazer por realizar qualquer atividade. A intervenção terapêutica proporciona uma
reinserção da pessoa na sociedade, no seu ambiente familiar, no trabalho, escola e
atividades que realizavam regularmente. A fuga das situações que lembram o
evento e a evitação dessas situações a qualquer preço, só agravam o quadro e
acarretam a cada dia mais prejuízo para a p essoa, sendo então reforçado o
enfrentamento da situação.
Para o autor a demora pela busca de um tratamento especializado pode
agravar o quadro do TEPT e aumentar a incidência de transtornos relacionados. O
uso de medicamentos pode controlar a evolução do quadro, todavia, é necessário
que a pessoa se exponha a novas situações que favoreça o enfrentamento da
situação. É indispensável também o aumento da rede de apoio social, pois aumenta
as medidas de proteção e suporte, bem como o apoio emocional, proporci onando
uma diminuição do sentimento de desamparo vivido pelos clientes.
Para Caminha (2005), as intervenções comportamentais são prioritariamente
utilizadas, para desfazer o condicionamento (resposta condicionada) aos estímulos
condicionados que foram pareados ao trauma. A terapia comportamental de
exposição ao estimulo condicionado envolve tanto técnicas graduais como a
dessensibilização, como técnicas massivas como a inundação. Outra distinção pode
ser feita entre a exposição imagística e a exposição in vivo.


Segundo Malagris (2003 apud CAMINHA, 2005), a Terapia Cognitivo-
Comportamental atualmente é a abordagem com maior suporte empírico para o
Tratamento de Estresse Pós-Traumático. Objetivando principalmente uma
reestruturação cognitiva a respeito da situação traumática bem como uma
reorganização e modificação das memórias relacionadas ao trauma. Um
fundamental aspecto eficaz para o tratamento do estresse pós -traumático é a
cessação da exposição ao evento estressor.
É impossível desenvolver qualquer tipo de tratamento que funcione para a
patologia, sem está situação. É essencial, além disso, que o vínculo entre paciente e
terapeuta esteja bem consolidado, uma vez que pessoas que foram expostas a
eventos traumáticos tendem a não querer gerar memórias s obre o acontecimento ou
não querer falar sobre o assunto (CAMINHA, 2005). A terapia cognitiva usa
exatamente da memória para a recriação da cena traumática.
Um aspecto imprescindível ao tratamento e que ocorre normalmente nas
sessões de avaliação é a coleta de dados sobre outros problemas, co-morbidades e
a disponibilidade de apoio social, sendo que o apoio social é fundamentalmente
importante para o suporte emocional do paciente. A educação sobre o transtorno,
suas manifestações e características devem ser realizadas, quando possível, com o
paciente e também com a família (DATTILIO, FREEMAN & Cols. 2004).
O início da aplicação das técnicas propostas para o tratamento do TEPT é
possibilitada, quando o estabelecimento de uma aliança terapêutica firme com o
paciente e a certeza de que a situação traumática não está mais presente na vida do
indivíduo.
Segundo Friedman (2009) a Terapia Cognitivo -Comportamental (TCC)  se
considerar o fato de que o TEPT se desenvolve quando um excessivo estímulo elicia
uma reação emocional profunda, sendo compreensível que condicionamento
modelos de aprendizado tenham se mostrado uma abordagem conceitual poderosa
para o TEPT. A TCC se confronta diretamente com pensamentos distorcidos
relacionados ao TEPT. A psicologia cognitiva, per spectivamente vê a exposição ao
trauma como criadora de pensamentos automáticos errôneos sobre o ambiente, vê o
ambiente como ameaçador e perigoso e sobre si mesmo vê como incompetente e
impotente. Várias abordagens da TCC procuram atacar os pensamentos er rôneos,
confrontando diretamente tais distorções de pensamentos relacionadas ao TEPT,


com objeto final de normalizar pensamentos, sentimentos e anormais
comportamentos exibidos nos casos de TEPT.
Friedman (2009) relata que a Terapia por Processamento Cogni tivo (TPC)
usa também narrativas escritas para abordar tanto as consequências emocionais,
quanto as consequências cognitivas da exposição no trauma, de maneira que o
paciente possa acessar e processar as emoções naturais distorcidas e obscurecidas
por pessoais interpretações do evento traumático.
Segundo a TPC, os sistemas de crenças negativas gerados após um trauma
(o mundo é um lugar perigoso, sou incapaz, sou inadequado) crenças essas que
impossibilitam o processamento natural das reações emocionais nor mais ao evento
catastrófico, como medo e tristeza, ocorrendo porque o sobrevivente do trauma está
preocupado com insuportáveis e inadequadas emoções como vergonha, culpa
originados das interpretações e crenças errôneas da experiência traumática.
Confrontando as memórias traumáticas distorcidas, os pacientes (FRIEDMAN,
2009).

 D *  &$7$01Ê(+)& 

Como possibilidade a psicologia apresenta para a reestruturação cognitiva de


eventos passados sob uma nova perspectiva de compreensão e aprendizagem. O
elemento essencial do tratamento de exposição envolve repetidos confrontos com as
memórias do estressor traumático (exposição de imagens). Conseqüentemente, o
efeito terapêutico não ocorre somente com o confronto, mas com a maneira como os
conhecimentos são confrontadas para promover a reestruturação cognitiva e
terapêutica. O princípio terapêutico de confro ntos repetidos deve ser alinhado aos
preditores de resiliência, como, por exemplo, enfrentar as adversidades em vez de
recriar o sofrimento. As terapias de exposição e reestruturação cognitiva melhoram
acentuadamente o TEPT, e seus resultados continuam est áveis (PERES,
MERCANTE & NASELLO, 2005).
O autor acima destaca ainda que as dinâmicas psicológicas influenciam a
interpretação do evento traumático e permeiam a reconstrução da memória,
afetando a relação com esse evento. Existem três fases principais que são
necessárias para reconstruir terapeuticamente a memória traumática, de acordo com


a abordagem psicoterápica que é baseada na terapia de exposição e reestruturação
cognitiva. Na primeira fase, que ocorre durante a anamnese, a valência positiva das
memórias emocionais relacionadas às atitudes resilientes, em que a auto -estima, a
autoconfiança e uma auto-interpretação positiva são recuperadas e fortalecidas. As
interpretações do evento estressor ocorrem por meio dos diálogos internos sobre
como o indivíduo recorda o trauma.
Durante a segunda fase, o indivíduo evoca e narra a memória traumática para
compreender, com a ajuda do terapeuta, as emoções e os estados de consciência
que modularam a memória, a percepção, a interpretação e o relacionamento
correspondente ao evento estressor, vivenciando uma exposição imaginária. O
paciente se torna consciente da dinâmica psicológica e das correspondentes
interpretações que mantêm o sofrimento psicológico. Uma vez que os sistemas
múltiplos de memória são ativados simultaneamente e podem interagir em várias
ocasiões, a reconstrução terapêutica da memória traumática está ligada diretamente
à interface, com o banco de memória resiliente. (PERES, MERCANTE e NASELLO,
2005).
A terceira fase promove o ³deslocamento´ dos diálo gos internos alinhados ao
banco de memória resiliente com a finalidade de suscitar novas interpretações, que
promoverão a reestruturação terapêutica da memória traumática. A possibilidade de
interação dos circuitos neurais é um aspecto crucial no desenvolvimento de uma
abordagem psicoterápica, que pode favorecer a tradução integrativa da memória
traumática num sistema declarativo e resiliente de memória. (PERES, MERCANTE e
NASELLO, op. cit).
Uma vez que as dinâmicas psicológicas podem alimentar padrões
disfuncionais de comportamento, a psicoterapia será mais eficiente quando o
paciente compreender a relação entre as memórias carregadas de emoção e o
sofrimento psicológico trazido como queixa. A maneira pela qual o indivíduo
percebe, interpreta e se relaciona com o evento estressor por meio de suas
memórias pode ser modificada no processo terapêutico. A compreensão dessas
dinâmicas facilita o direcionamento do indivíduo a construir novas escolhas
preditoras de resiliência. (PERES, MERCANTE & NASELLO, 2005).
A psicoterapia de exposição imaginária voltada para as vítimas de trauma
deve propiciar a percepção e a conscientização do paciente sobre as características


psicológicas permeantes à interpretação do evento e a influência relativa da
respectiva dinâmica psicológica na continuidade do sofrimento psíquico. Os
principais aspectos a serem trabalhados na psicoterapia dizem respeito à vítima
aprender e crescer a partir das experiências positivas e negativas de vida e
desenvolver a capacidade de lidar com adversid ades severas. Os psicoterapeutas
não devem dizer intelectualmente aos pacientes ³como fazer isso´, e sim facilitar,
através da vivência terapêutica, a autocompreensão sobre a possibilidade de
escolher dinâmicas psicológicas preditoras de melhor qualidade d e vida (PERES,
MERCANTE & NASELLO, 2005).
De acordo com Friedman (2009) a Terapia do Ensaio Imaginário (TEI) foi
desenvolvida para diminuir os pesadelos traumáticos centrais do TEPT, reduzindo a
insônia e a gravidade dos sintomas, sendo que o tratamento co nsiste em três
sessões semanais, onde os pacientes aprendem técnicas cognitivo -
comportamentais para substituir as desagradáveis imagens por agradáveis.
Focando, depois em um único pesadelo, intolerável e instruído a fazer da forma que
quiserem a ³mudar o pesadelo´, ensaiando tal sonho todos os dias de 5 a 20
minutos.

 D   8&9+%+:;

É outra intervenção disseminada e utilizada após exposição ao trauma . Para


Mitchell (1983 apud FRIEDMAN, 2009) o Debriefing Psicológico é uma técnica
desenvolvida para intervir imediatamente após o trauma, tem como finalidade ajudar
a lidar com o estresse inicial, bem como diminuir a ocorrência de patologias
associadas ao trauma (como o transtorno de Estresse Pós -Traumático) ou de
sequelas psicológicas. Normalmente é realizado dentro de 48 horas depois do
incidente, em grupo, objetivando a facilitação do processamento da informação, a
ventilação das emoções, fornecendo apoio grupal, iniciando o luto, reduzindo a idéia
de ser o único a vivenciar tal situa ção e educação quanto aos sintomas físicos,
cognitivos e emocionais.
Friedman (2009) alega que após constatação de que um paciente realmente
tem TEPT, existem várias questões que devem ser abordados pelos clínicos.
Geralmente, tais questões não diferem dos assuntos relativos a outros transtornos

c
psiquiátricos. Segundo os clínicos, o tratamento começa com a pergunta: ³Por que
procurar ajuda neste momento?´. Prosseguindo então, para determinar situações ou
tópicos que possam retardar ou alterar uma abordagem típica de tratamento par o
TEPT.

 D    01

Relativamente é fácil passar de uma avaliação diagnóstica abrangente para


fase de tratamento psicoeducativa, mostrando ao paciente como vários sintomas de
evitação/entorpecimento, revivência e hipervigilânci a se encaixam em uma coerente
síndrome. Os pacientes necessitam compreender que não estão ficando louco,
como muitos deles realmente temem que muitos outros sofreram após serem
expostos a um estressor catastrófico de modo semelhante e que a constelação de
sintomas tem nome específico. (FRIEDMAN, 2009).
Segundo o autor acima citado os benefícios da intervenção psicoeducativa
tornam uma forma frutífera e poderosa de ajudar pacientes a:
Atingir a normalização: pois o simples fato de dizer às pessoas que a
natureza de seu sofrimento emocional pós-trauma não é diferente do
sofrimento de milhões de outras pessoas expostas a estresses semelhantes,
já gera uma sensação profunda de alívio na maioria das pessoas.

Remover a autoculpa e a autodúvida: dizendo ao pacien te que o TEPT é


basicamente estar no lugar errado, na hora errada, ser sobrecarregado por
um estressor que não espera que qualquer pessoa consiga lidar, é uma
mensagem que os pacientes na sua maioria podem receber de bom grado,
mensagem importante que ajuda a aliviar a dúvida e a culpa, uma vez que a
maioria das pessoas não passa por tais eventos da maneira que gostaria.

Corrigir mal-entendidos: é outro importante benefício da psicoeducação, uma


vez que o modelo do TEPT ajuda na compreensão do comportamento
perturbador que os pacientes erroneamente podem ter interpretado.


Aumentar a credibilidade do clínico: uma vez que a vantagem final da
psicoeducação é permitir rapidamente que o paciente saiba que o clínico
entende o problema em sua mais fundamental base. É uma rápida e efetiva
comunicação em que o clínico merece confiança e está qualificado para tratá -
lo, conseguindo ajudar o paciente a compreender seus sintomas
perturbadores.

 D   &$7$01$&+:; 

Foi desenvolvida para separar a memória traumática da resposta emocional


condicionada, de maneira que a memória não domine mais os pensamentos,
comportamentos e sentimentos. Esse tipo de abordagem utiliza tanto a exposição ao
vivo quanto a imaginaria. É pedido pelos clínicos para que os pacientes narrem os
eventos traumáticos em exposição na sua imaginação. Se houver vários eventos
traumáticos como no caso de sobreviventes de trauma de guerra ou tortura, o clínico
solicita que o paciente construa narrativas sobre os piores eventos dos quais lembre
com clareza, instigando a fechar os olhos visualizando (imaginando) o acontecido,
repetindo várias vezes a narrativa em uma sessão (FRIEDMAN, 2009).
De acordo com o autor acima citado, Inicialmente pode ser que o paciente
apresente grande ansiedade quando começar a se imaginar no evento traumático
novamente. Pedindo que ele pontue o grau de sofrimento subjetivo em uma escala
de 10 a 100 a cada 10 minutos, a Subjective Units of Distress Scale (SUDS) em que
o 10 representa a ausência de estresse e o 100 representa o maior medo, horror,
impotência sentida em sua vida.
Sendo que durante as primeiras sessões de exposições variam normalmente
entre 70 e 90 os níveis de sofrimentos, contudo os pacientes apresentam redução
progressiva nos níveis de sofrimento com a exposição repetida à memória
traumática, podendo passar para 10 ou 20 pontos em uma única sessão,
permanecendo em irrelevantes níveis ao final da oitava ou décima sessão. Os
pacientes podem confrontar as memórias traumáticas sem que as le mbranças
disparem sintomas de intrusivos/ de hipervigilância, após o tratamento por exposição
bem-sucedido (FRIEDMAN, 2009).


Os pacientes quando prontos, são estimulados a confrontar com situações
associadas ao evento traumático no contexto exposição asso ciadas ao evento
traumático no contexto exposição ao vivo, como parte da terapia que será realizada
em casa.
A exposição prolongada pode não ter utilidade para todos, pode ser que
alguns pacientes não estejam dispostos ou prontos a confrontar a intensa ans iedade
provocada pela técnica e as memórias traumáticas (FRIEDMAN, 2009).

 D   &$ +-

Vem abordar crenças e pensamentos gerados pelo evento traumático e não
as respostas emocionais condicionadas abordadas na terapia por exposição. Tal
abordagem é focada na forma como o indivíduo com TEPT interpreta o evento
traumático em relação a como avalia o mundo e a si mesmo. Indivíduos expostos a
um devastador estressor catastrófico percebem normalmente o mundo como um
perigoso lugar e a si mesmo como incomp etente, sendo que os pacientes portadores
de TEPT resultam se vendo como vítimas eternas e impotentes para lidar com a
vida, não sendo capaz de tomar as rédeas de seu próprio destino, modificando,
desafiando tais crenças dissipando assim, inadequadas emoçõ es (FRIEDMAN,
2009).

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Seus propositores crêem que os movimentos oculares sacádicos
reprogramam a função cerebral, fazendo com que o impacto emocional de um
trauma possa ser resolvido completamente. Na realização da DRMO, o paciente é
instruído pelo clínico a imaginar uma doloro sa e traumática memória e uma cognição
negativa associada, como medo ou culpa, pedindo então, que seja articulada por ele
uma cognição positiva incompatível, por exemplo, valorização pessoal, confiança ou
autoeficácia. O paciente é orientado, a partir daí a completar a memória traumática
enquanto visualmente enfoca os rápidos movimentos dos dedos, sendo que o clínico


lhe pede que avalie após 10 a 12 movimentos oculares, a memória negativa quanto
sua crença na cognição positiva (FRIEDMAN, 2009).

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Os clínicos utilizam há mais de cem anos, a psicoterapia psicodinâmica para
tratar transtornos pós-trauma. Essa teoria enfoca o equilíbrio psíquico, exigindo que
às vezes o paciente force os sentimentos e pensamentos intoleráveis para fo ra da
esfera consciente por meio do processo de repressão. Tais memórias traumáticas
agora inconscientes ainda têm poder suficiente para expressar -se pelos sintomas do
TEPT, como os de entorpecimento, intrusão, evitação e hipervigilância. (FRIEDMAN,
2009).
Com base no autor acima citado, o tratamento procura entender o contexto
das memórias traumáticas e os processos defensivos pelos quais o inconsciente
transforma as reprimidas memórias em sintomas mal -adaptativos, que levam ao
tratamento. De acordo com a teoria psicanalítica, pouco pode ser conseguido com o
simples fato de enfocar a redução dos sintomas se as memórias reprimidas
estiverem presentes ainda. Os tratamentos variam de 10 a 20 sessões, tendo
tratamentos que duram vários anos, sem previsão de tér mino. Os mais prolongados
procuram criar uma mudança de base no equilíbrio psíquico, enquanto formas mais
breve de 12 a 15 sessões, procuram aumentar o autoconhecimento e fortalecimento
do ego.

 D c  &$=& $

É eficaz e popular para aqueles que sobre viveram ao mesmo tipo de trauma,
os participantes compartilham experiências, criam entre si conexões, reconhecendo
seus medos, culpas, vergonhas, fragilidades e desmoralizações, são todos
sentimentos humanos.
As terapias de grupo têm abordagem psicodinâmica de Terapia Cognitivo -
Comportamental (TCC) ou de Terapias de Apoio, cada uma com um diferente foco,


podendo ser combinadas com as demais terapias. Sobreviventes do trauma, em
todos os casos, aprendem sobre o TEPT e se ajudam mutuamente, auxiliados por
um profissional, que orienta a validação e normalização desses sentimentos,
pensamentos e comportamentos progredindo em direção à aquisição de estratégias
mais adaptativas para lidar com o problema, à obtenção de significado e/ou à
redução dos sintomas a partir do evento traumático (FRIEDMAN, 2009).
Friedman (2009) afirma que existem o utros tratamentos que não foram
sistematicamente testados para pacientes com TEPT, como terapia de
casais/familiar, hipnose e terapias de reabilitação social.

 *    Ê,Ê Ê  =Ê      >


  

De acordo com Vieira & Neto (2005) a Psicologia da Saúde pode não
somente contribuir para as intervenções psicoterapêuticas quando a doença já esta
instalada, como também colaborar com a prevenção do TEPT, derivado da
ocorrência de eventos traumáticos. A resiliência é um tipo de ³vacina patológica´ em
níveis social, comunitário, familiar e individual. Pesquisas epidemiológicas indicam
que pessoas variam em sua vulnerabilidade no que diz respeito ao desgaste pós-
trauma, corroborando estratégias públicas em saúde mental para promover e
identificar a resiliência entre as de maior risco de reações graves, crônicas e
debilitantes pós-trauma.

A passagem por uma situação traumática, não se trans forma em experiência,


no sentido de um aprendizado, de ³habilidade que se adquire na prática´. Como o
próprio conceito de trauma estabelece, ele fica com um corpo estranho e cada
situação ameaçadora é vivida como única. Tais situações estão presente em tod os
os lugares uma vez que o TEPT é uma epidemia dos tempos modernos e resultado
da violência, assim afirma Vieira & Neto (2005).

O filósofo grego Heráclito dizia que uma pessoa não pode mergulhar duas
vezes no mesmo rio, pois na segunda vez nem ela, nem o rio são os mesmos.
Sendo que cada situação de violência pode ser considerada como nova e assim
como ocorre em outras situações de vida (VIEIRA NETO & SODRÉ VIEIRA 2005). 

O indivíduo que após uma experiência traumática desenvolve sintomas de
TEPT, ficando preso em um circuito de reexperimentação, ansiedade e evitação,
além de sentir dificuldade para adaptar -se de maneira eficaz após a situação
traumática vivida.

Segundo Simon (1989), o conceito de adaptação implica em um conjunto de


respostas de um organismo em vários momentos, às situações que o modificam,
permitindo a manutenção de sua organização. Ocorre algum tipo de adaptação a
uma mudança, no entanto a dificuldade é encontrar uma adaptação que seja
adequada, pois não é possível voltar ao estado anteri or, visto que não se refaz o
passado.

Vieira Neto & Sodré Vieira (2005) ressalta que como principio de atendimento
em saúde mental tem-se a prevalência, que é compreendida tomando por base duas
vertentes:

A primeira é adotar medidas com o objetivo de evit ar a situação de trauma.


Em nosso país essas prevenções passam não apenas por uma ação de
transformação social, mas também pela transformação das políticas de segurança e
das próprias pessoas reconhecerem de fato a realidade, se considerar que a
violência é algo normal pode ser tão patológico quanto ela. Diluindo o terror que ela
provoca, submetendo aos efeitos causados e de não se implicar nas possibilidades
mesmo pequenas de transformação

A segunda relaciona-se com o conceito de imunidade psíquica que propõe o


contato com doses controladas do elemento patogênico com ações de discussão e
divulgação das consequências de situações violentas. O objetivo é estimular a
capacidade de imunizar-se contra os danos de tais situações. Necessitando que os
profissionais de saúde criem, desenvolvam e disponibilizem recursos para a
população, bem como atendimento as vítimas com TEPT (VIEIRA NETO & SODRÉ
VIEIRA, op. cit.).

Vieira Neto & Sodré Vieira (2005) diz que dentre essas práticas é importante
que se estimule a promoção da resiliência podendo ser:


- Em nível social: desenvolvimento de políticas, leis e práticas garantindo
melhor preparação para ataques terroristas e para respostas à população em
relação a tais ataques.

- Em nível comunitário: talvez fosse mais eficaz ³vacina psicológica´ para a


maioria das crianças e dos adultos a psicoeducação pró -ativa oferecida nas escolas,
locais de trabalho e na comunidade.

- Em nível familiar: estímulo ao apoio mútuo e à coesão, para que a união


familiar amorteça o impacto do est resse traumático sobre seus membros.

-E nível individual: aumento da capacidade que o do indivíduo tem para lidar


com o estresse traumático por meios de estratégias adaptativas, como controles das
respostas fisiológicas, comportamentos de proteção ou procu ra ativa por apoio
social.





   Ê 23Ê Ê


Ao longo deste trabalho apresentou -se a trajetória percorrida na vivência do
cotidiano, visto que, o ser humano está exposto às vicissitudes da existência, como
a violência urbana. O Transtorno de Estresse Pós Traumático se constitui como uma
possível consequência traumática mediante a exposição a momentos de medo,
ameaça e comportamentos deliberadamente transgressor e agressivo.
Segundo Ferreira-Santos (2007), são inúmeras as ameaças à integridade das
pessoas, a população vive um momento social de grande crueldade. O grau de
Estresse Pós-Traumático, produto da vivência de um trauma emocional de grande
impacto na vida das pessoas, é um manifesto significante nas vítimas d e sequestro
relâmpago, sendo que as pessoas que sofrem esse tipo de violação de seus direitos
mostram sinais sérios de que passaram por intensa tortura psicológica, podendo
prejudicar seriamente suas vidas, apesar de o sequestro ficar poucas horas em
poder dos criminosos, a violência é muito grande neste período, as ameaças são
mais fortes e concentradas: ameaças de morte, tortura psicológica, tortura física,
que podem causar o rompimento do mecanismo de defesa.
Alguns sintomas do Transtorno de Estresse Pós-Traumático em vítimas de
sequestro relâmpago é a ansiedade ou medo exagerado, recordações obsessivas
do episódio, distúrbios do sono, depressão, pesadelos e medo constante, sensação
de distanciamento e afastamento das outras pessoas, perda ou redução ace ntuada
de interesse em relações sociais, afetivas, de estudo ou trabalho, irritabilidade
acentuada, dificuldade de concentração, sobressalto exagerado e fuga de situações
que lembrem o ocorrido, sintomas esses que se não forem tratados podem evoluir
para quadros de depressão e ansiedade permanentes. O Estresse do Transtorno
Pós-Traumático em vítimas de sequestro relâmpago surge geralmente dois meses
depois do ocorrido, é causado por um quadro reativo, uma resposta à brutalidade e
à violência que causam uma falha no sistema de defesa da pessoa. (FERREIRA-
SANTOS, 2007).


Mir (2004), que em seu trabalho reúne medicina e história, comprova o estado
de guerra onde morrem 150 mil pessoas a cada ano, sendo que 56 mil são vítimas
de arma de fogo.
Ferreira-Santos (2007) afirma que as vítimas de sequestro relâmpago, podem
apresentar danos psíquicos consideráveis, consistente com o diagnóstico de
transtorno de estresse pós -traumático, sendo que são pertinentes os
comportamentos de ³blindagem pessoal´ percebidos, pois os danos ocasionados por
esse delito deixam marcas e sequelas que ninguém quer correr o risco de
apresentar. O problema é que além de ter havido uma expansão geográfica do
crime, o sequestro passou a alcançar cidades de médio e pequeno porte, e as
vítimas não são só abonados e famosos, mas professores, bancários, profissionais
liberais e até porteiro de hospitais. Sequestrar pessoas que não possuem muitos
recursos dá menos lucro, mas os riscos e custos também são menores, sem contar
a vantagem de disponibilizar de grande oferta de vítimas, uma vez que qualquer um
pode ser vítima de sequestro relâmpago em qualquer hora e em qualquer lugar.
Em relação ao sequestro relâmpago, uma das maiores angústias que a vítima
sente é o rompimento da ética, que dá a essas vít imas ainda que ilusória, uma
sensação de segurança até nos atos de violências que ela possa vir a sofrer. No
sequestro a pessoa desconhece as reais intenções do sequestrador, o tempo que
ficará à mercê dele. Sem contar a angústia psicológica de ficar preso em um porta-
mala, obrigado a sacar seu dinheiro em caixa eletrônico, ou perambular por horas
por lugares sombrios, ameaçadores e desconhecidos. Sendo que tudo é
aterrorizante e imprevisível. A insegurança pública que se vive atualmente tem
levado a população a viver um estado alterado de ansiedade e medo, chegando a
gerar um estado de transtorno de estresse pré-traumático. (FERREIRA-SANTOS,
2007).
Ferreira-Santos (2007) cita que insistentemente as notícias difundidas nos
diversos meios de comunicação, relatos verdadeiros, amplificados ou mesmo
imaginários, de amigos, parentes colegas de trabalho, vítimas, testemunhas, ou
simplesmente ouvinte de histórias trágicas e assustado ras relacionadas a vítimas de
sequestro relâmpago, fez com que o perigo real ou imaginário de sofrer esse tipo de
violência tenha transformado em ameaça o que é um risco apenas. Assim o senso
em pessoas com traços de personalidade fóbica, paranóide ou inse gura, até mesmo


naquelas que já sofrem efetivamente algum tipo de agressão, aflora mecanismos de
defesa psicológicos não adequados para enfrentar tais situações, derivados da
ansiedade, angústia e da impotência generalizada diante das possibilidades de
perder seus bens materiais ou a própria vida. Sendo que pessoas efetivamente
ameaçadas de sequestro relâmpago sofrem a violência de uma agressão
permanente, devido à probabilidade de a qualquer momento serem seqüestradas
subitamente.
Segundo Meluk (1998, apud FERREIRA-SANTOS, 2007) o isolamento, a
negação e o distanciamento social, afetivo e, profissional costumam ser na maioria
dos casos imediatas respostas. Sendo que as vítimas de sequestro relâmpago com
estresse pós-traumático tendem a abandonar certas atividades habitualmente
realizadas por ela, como trabalho e lazer, reduzindo suas atividades cotidianas a
atividades mínimas, para assim então se proteger do perigo , adotando atitudes
como contratar seguranças particulares, dentre outras, o que torna essas vítimas
reféns do seu próprio medo.
Para Ferreira-Santos (2007), baseado nos relatos de pacientes, o maior medo
que a vítima sente é de morrer, pois durante o sequestro, os processos de
pensamento tendem a paralisar -se, passando a vítima a sentir uma sensação
estranha de estar morto. Nos sequestros relâmpago, as ameaças interruptas e as
ações mais agressivas, são praticadas por indivíduos aparentemente alcoolizados
e/ou drogados, gerando assim na vítima, sensação de desfecho iminente trágico.
De acordo co o autor acima citado, a análise objetiva do que está realmente
acontecendo, são afetadas por impulsos determinados pelo terror e pelo medo,
substituindo o ordenamento das idéias e dos afetos e a seleção de respostas
adequadas para reagir ao acontecimento, s endo que algumas vítimas tentam reagir
fisicamente e enfrentando trágicas consequências, como a própria morte. No
sequestro relâmpago, o maltrato físico é bastante intenso, sem detrimento do
sofrimento psicológico. O trauma mesmo que não seja entendida com o tal,
caracteriza-se por uma grande situação de perigo , levando o organismo a uma
espécie de choque. Se seguida pela impossibilidade de resolvê -la ou mesmo de lidar
com ela, é também uma situação de estresse. Daí vem o termo estresse pós -
traumático (FERREIRA-SANTOS, 2007).

c
No Brasil não há programas sociais para esses casos de vítimas de sequestro
relâmpago, e é grande a desinformação sobre o assunto, oposto do que ocorre em
diversos países; e ao se comparar a proteção, a atenção dada aos sequestradores
por organizações de direitos humanos, e a atenção dada às vítimas deste tipo de
violência é pouca ou nenhuma. Sendo que é preciso sensibilizar as pessoas sobre o
problema e a necessidade de tratamento específi co para as vítimas de sequestro
relâmpago. Uma vez que nos casos mais graves, o indivíduo fica incapacitado de
prosseguir sua vida normalmente, não consegue virar a página e de certa forma
revive o drama o que vai depender de vários fatores como: estrutura da
personalidade, do momento de vida, se já passou por situações parecidas .
(FERREIRA-SANTOS, 2007).

O TEPT surge geralmente dois meses depois do ocorrido, podendo aparecer


até cinco anos depois do sequestro, e o tratamento depende da reação da pessoa,
podendo englobar tanto a terapia como medicamentos, a vítima pode desenvolver,
paralelamente, um quadro de depressão, exigindo também tratamento. O TEPT é o
tipo mais grave, causado por um quadro reativo, uma resposta à brutalidade e a
violência que causam uma falha no sistema de defesa da pessoa, se não for tratado,
pode evoluir para quadros de ansiedade e depressão permanentes. O tratamento
pode curar o transtorno de estresse pós -traumático e tirar a angústia, sendo que há
uma probabilidade de permanecere m para sempre às cicatrizes, por isso é
importante mostrar o descaso com as vítimas e oferecer meios de mudança.
O Código de Ética profissional dos Psicólogos (2005), em seu Art. II dos
Princípios Fundamentais, diz que ³O Psicólogo trabalhará visando promo ver a saúde
e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a
eliminação de quaisquer formas de negligencia, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão´.
O Psicólogo em sua intervenção junto às vítimas de sequestro relâmpago que
tiveram como decorrência o TEPT atuará de modo a ajudá-lo a reconfigurar sua
visão de mundo que foi modificada a partir da experiência vivenciada, numa busca
de voltar ao convívio social o mais próximo de como era antes desse acontecimento.
Destarte, é notória a importância do profissional de psicologia estar
teoricamente atualizado sobre o tema, uma vez que a demanda dessas vítimas está


em crescente desenvolvimento e chegam aos consultórios clínicos e hospitais,
necessitando de diagnóstico preciso e tratamento adequado. É relevante ainda
pontuar a indispensável colaboração de outros profissionais, em especial, do
Psiquiatra para a associação entre o tratamento farmacológico e o psicoterapêutico.
Portanto, pode-se concluir ao finalizar essa pesquisa que a vítima de TEPT
em Sequestro Relâmpago traz consigo muito sofrimento, pois as perdas são
inúmeras, como exemplo a modificação brusca no seu cotidiano e os sintomas por
elas apresentados, que representa a perda de sua saúde, de sua integridade
biopsicossocial. Ressalta-se ainda o quanto é imprescindível o diagnóstico
adequado para o tratamento que resultará em um prognóstico favorável, para que as
marcas psíquicas daquela experiência, que provavelmente não mais será esquecida,
sejam minimizadas.
Na crença de que o indivíduo é um ser de experiências, positivas e
negativas, que é capaz de ressignificar e reconstruir o sentido de suas vivências,
acredita-se que a pessoa que está acometida pelo Transtorno de Estresse Pós
Traumático possui capacidade de modificar a sua realidade com a ajuda do
psicólogo e principalmente de si mesmo.


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