Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.

01-2004 ISSN 1678-8265

LUCIANE WEIMANN

ANÁLISE DA EFICÁCIA DO ULTRA-SOM TERAPÊUTICO NA REDUÇÃO DO FIBRO EDEMA GELÓIDE

CASCAVEL 2004

Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 01-2004 ISSN 1678-8265

LUCIANE WEIMANN

ANÁLISE DA EFICÁCIA DO ULTRA-SOM TERAPÊUTICO NA REDUÇÃO DO FIBRO EDEMA GELÓIDE
Trabalho de Conclusão de Curso do curso de Fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Orientadora: Celeide P. A. Peres

CASCAVEL 2004

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TERMO DE APROVAÇÃO

LUCIANE WEIMANN

TÍTULO: Análise da Eficácia do Ultra-Som Terapêutico na Redução do Fibro Edema Gelóide

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito parcial para obtenção do título graduado em Fisioterapia, na Universidade Estadual do Oeste do Paraná. ..................................................................... Orientadora: Profª . Ms. Celeide Pinto Aguiar Peres Colegiado de Fisioterapia – UNIOESTE ..................................................................... Profª . Juliana C. Frare Colegiado de Fisioterapia – UNIOESTE ..................................................................... Profª . Graciana Grespan Colegiado de Fisioterapia – UNIOESTE Cascavel, 11/02/2004

e ao meu irmão Eduardo Weimann. incentivo e oportunidades oferecidas. pelo apoio. paciência e carinho.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. uma pessoa especial. 01-2004 ISSN 1678-8265 Dedico este trabalho aos meus pais. iii . por todo o amor. Celso Weimann e Enita Weimann. Ao Victor Santolin.

pela orientação. pela atenção e colaboração. Peres. Às voluntárias deste trabalho. pela colaboração e materiais cedidos. ajuda e disponibilidade na elaboração e conclusão deste trabalho. À Professora Juliana Frare. iv .Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 01-2004 ISSN 1678-8265 AGRADECIMENTOS À Professora Celeide A.

1 Camada Germinativa ............................1.....................2.......................................................................................................4 As Teorias ...................................ix LISTA DE ANEXOS.........4 Camada Lúcida ...........................................................................1 GERAL...........3 1................12 2.....1....................................................................................2..................................6 2........................11 2......3 Fatores Condicionantes .......1.........20 2.............................................................................1 PELE.....1.5 2............1.......2 Camada Espinhosa ............1....................13 2...2..........................................................10 2...................................................1............................18 2.....................................................................................................16 2...................4 2 REVISÃO DA LITERATURA........................................................27 ...........................................................xi ABSTRACT............................................13 2........................................................7 2..............................9 2......................................3 MICROCIRCULAÇÃO DA PELE.......................4 SISTEMA LINFÁTICO ...............1.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n..........................................................................................................................................................20 2.................2...........................10 2.............2 ETIOPATOGENIA .....................................2......................1.......3 Camada Granulosa.................................................................................2 Definição Etiopatológica ...............................2............1...........................4 Elastina .....1.....................12 2................................................................................................................................................26 2...........1 DEFINIÇÃO................................................3 Definição Clínica...........................................16 2.......................................2.......................................................................................................................1..................................................................2 JUSTIFICATIVA .........1.............................................2........1........xii 1 INTRODUÇÃO ......1 Camada Papilar.8 2........................................................1.................................................................................. 01-2004 ISSN 1678-8265 SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS................1...1.................1..........1 OBJETIVOS.2.........................................2 Derme ........1...2........1.......viii LISTA DE TABELAS......2 Camada Reticular ....................2 ESPECÍFICOS ............3 1...........................3 Colágeno ......................2 FIBRO EDEMA GELÓIDE...........1......2..2...............................................................................................................1..............1.. 9 2.................1..............................................1........................................................1.......5 Camada Córnea ..................2 Fatores Determinantes ............1..................2...........................2.......................3 1...................................2.............1.... 5 2....................1.21 2.................11 2.............................1............1 Fatores Predisponentes .......................................2..............15 2.........................................................................24 2...2.............................................2 HIPODERME OU TELA SUBCUTÂNEA ....................1....................................1 SISTEMA TEGUMENTAR....................................14 2............2................27 2........................................................................................................................................................................2............................................................................1.............1 Teoria Alérgica .........1.1.....4..............................1....................................................18 2... 1 1......................................................................................1 Epiderme.....x RESUMO .........1......1 Definição Histológica...........................................

..................................2 Tratamento Cirúrgico ......4 Teoria Metabólica............................................................46 2....................7.....................................2 Fibro Edema Gelóide Brando ou Difuso (Flácido) ..................................52 2.........30 2...........2..2..............................4 EXAMES COMPLEMENTARES ..........................30 2..7......2.3...............2.32 2..................................................................2..................4..........................3 IDENTIFICAÇÃO DO FIBRO EDEMA GELÓIDE..........7.........................................2 TIPOS DE ONDAS .2...........................2..........................56 2...........7............2..5 Teoria Bioquímica ..........1 Atenuação ..........................4.................5 Impedância Bioelétrica..................59 2....33 2..2...........6 Endermologia ....4..41 2......2..........35 2..........................................................................................2...........3...................55 2....6......2............................2 Teoria Tóxica ..........2 Reflexão ......................5.............................44 2....4......................37 2.............................60 2.....................................2...........34 2..............................5.....34 2..................28 2...2.....6...........37 2............2....49 2...............................3.............................7..........2..7........3 Teoria Circulatória...............2................................... 01-2004 ISSN 1678-8265 2........................................32 2..........................................................................2..................3........................4...................1 GERAÇÃO DA ONDA ULTRA-SÔNICA ................................................50 2........................7.....3 Enzimas de Difusão.............................52 2....................47 2..............3 Ecografia Bidimensional ............3......35 2......................2 Fibro Edema Gelóide Moderado (Grau 2) .................................................41 2....4 Exame Anátomo-Patológico .....................Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n....................7..........2.....46 2........2.......................................38 2.........................2 Xerografia.2..29 2....................................................................................................................................................2............7..................53 2.4........7................................2............................................2.........2......35 2.....59 2..........2.....................................6 Teoria Hormonal .................................30 2.........2..2...............62 ............7................................................................2 Ativos Farmacológicos .......................5.............3 Correntes Excitomotoras......................................8 Drenagem Linfática ...........................................................7........5........4.....1 Mesoterapia ..3.......3 ULTRA-SOM .................4 Eletrolipoforese...33 2...............................................2..................................................4....5..............2.....................................38 2.........3 Terapia Medicamentosa ....................2.......................................................5 ESTÁGIOS DO FIBRO EDEMA GELÓIDE ...............................................................................2......................4.................................4 CARACTERÍSTICAS DO ULTRA-SOM ...................................................7...4..5............................3 MODOS DE PROPAGAÇÃO................3...2....................................................4 Terapia Física .....................................2 Correntes Diadinâmicas...........................1 Corrente Galvânica ..2.7 Laser ...........................41 2............7 ABORDAGENS TERAPÊUTICAS ..................................................34 2...............................................................................................................................57 2.............1 Fibro Edema Gelóide Consistente (Duro) .39 2........................................7................................3.............................1 Prevenção ...................................3 Refração...............2..1 Fibro Edema Gelóide Brando (Grau 1) ...............................................................2............43 2...7............................45 2.....3 Fibro Edema Gelóide Grave (Grau 3) ...............................5.................2.........2...........9 Ultra-som.4.......4.3...40 2....1 Termografia .............................48 2.......................................3 Fibro Edema Gelóide Edematoso .......................................6.................................2..................5 Eletroterapia ..29 2.........................4...............................................................2.................54 2.2.............7...........2..6 FORMAS CLÍNICAS DO FIBRO EDEMA GELÓIDE.................3.................................

.......................................67 2...............................................................72 2.......79 2....67 2...9.........9......................66 2.............78 2....78 2.........3...............................104 ........79 2...5.............................................................1 Físicos ................................ 01-2004 ISSN 1678-8265 2..........................................8.......................................7 Intensidade e Potência ..................................8 Duração do Tratamento ....................................3.............................75 2...............83 4 RESULTADOS ...........................................80 3 MATERIAIS E MÉTODOS....3..........................................................................................................................9..................3..........3....................3.....3.....7 CONTRA-INDICAÇÕES ..................64 2................................................4 Absorção .......5................................8...........................................................75 2......................71 2.. .................4.................3.62 2...................4 Tempo de Aplicação.....3 Intensidade Utilizada.............................................................................8 APLICAÇÃO DO ULTRA-SOM.................................................................................................................................................................................1 Freqüência Utilizada...........................................8................69 2..................9.........................................................3.4 Biológicos .....64 2..........................9 Intervalos entre os Tratamentos.........8............8.......................3.......................100 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................5.....................................3..................................3...............3.77 2..8........................................6 Área de Radiação Efetiva.............................................77 2............................................................................................................................................................................................................5 EFEITOS DO ULTRA-SOM .............6 INDICAÇÕES .......................................3....................2 Modo de Emissão.......................................................................................................5 Freqüência .............3..3 Elétricos.....Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n........................3......101 ANEXOS ............................3....68 2.............................66 2..8.........69 2...............3......3........................3............4.............................3....65 2................................................................................................................8.....3...............................................................................................................86 5 DISCUSSÃO .5 Terapêuticos..................................................9.........5 Transmissão...............3....................................77 2..............................74 2.......5 Técnica de Aplicação............................6 Efeitos do Ultra-som sobre o Fibro Edema Gelóide .................9......................................................2 Químicos ...........63 2...............3.....3..77 2.........9 TERAPIA ULTRA-SÔNICA NO FIBRO EDEMA GELÓIDE.................................................3.73 2......................3 Técnicas de Aplicação.....................5..................................6 Fonoforese................3........5..................................................69 2........................5.............................94 CONCLUSÃO................................................8...........................................................4 Manipulação do Cabeçote Transdutor ...............3.....................................................2 Agentes de Acoplamento ........1 Calibração .....

................ 86 87 87 88 90 viii ....... Não tabagista......................................................................................................................................................................................Forma clínica do fibro edema gelóide............. Alimentação gordurosa......................... ................................................................................ Permanência por tempo prolongado na postura sentada..Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n......................... 01-2004 ISSN 1678-8265 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 FIGURA 2 FIGURA 3 FIGURA 4 FIGURA 5 - Uso de anticoncepcional.............

.....................Grau do fibro edema gelóide observado no glúteo direito das participantes do grupo II......................................Grau de satisfação......................... ...............................................................................................................Coeficiente de atenuação do ultra-som nos tecidos.................................................................................. .................. .................................................................... 60 61 89 90 91 92 93 93 ix .................. ............................. .........................................Grau do fibro edema gelóide observado no glúteo esquerdo das participantes do grupo II. 01-2004 ISSN 1678-8265 LISTA DE TABELAS TABELA 1 TABELA 2 TABELA 3 TABELA 4 TABELA 5 TABELA 6 TABELA 7 TABELA 8 ..Grau do fibro edema gelóide observado no glúteo esquerdo das participantes do grupo I.........Perimetria...Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n......Porcentagem da onda incidente refletida pelas várias interfaces. ................................. ......................................................................................Grau do fibro edema gelóide observado no glúteo direito das participantes do grupo I....................

...........................................................................................................................................................Foto após dois meses de tratamento do grupo I.................... Ficha de avaliação................Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. ........ ................... 01-2004 ISSN 1678-8265 LISTA DE ANEXOS ANEXO 1 ANEXO 2 ANEXO 3 ANEXO 4 ANEXO 5 ANEXO 6 ANEXO 7 - Ficha de avaliação inicial....................................Fotos de antes e depois do tratamento do grupo II........................................................................................................................................................................................... Fotos de antes e depois do tratamento do grupo I...................... ...................................................Foto após dois meses de tratamento do grupo II.................. Ficha de evolução diária.......... 104 106 107 108 109 110 111 x ..............

para verificar o tipo e grau do fibro edema gelóide apresentado. As 10 participantes selecionadas para esta pesquisa foram aleatoriamente divididas em dois grupos.2 W/cm². O tratamento consistiu de 20 sessões. e foi aplicado por 7 minutos em cada glúteo. Após dois meses do término do tratamento outra avaliação realizada demonstrou que não houve manutenção dos resultados. em dias alternados. no modo contínuo. Este trabalho teve como objetivo analisar a eficácia do ultra-som terapêutico na redução do fibro edema gelóide encontrado na região glútea de mulheres jovens e sedentárias. Todas as voluntárias foram submetidas à avaliação inicial. O ultrasom foi utilizado na freqüência de 3 MHz. onde o primeiro grupo foi submetido à terapia com ultra-som. 01-2004 ISSN 1678-8265 RESUMO A Fisioterapia Dermato Funcional é uma área da Fisioterapia que vem acabando com o empirismo dos tratamentos estéticos. e o segundo grupo não recebeu nenhuma intervenção terapêutica no período. com dose de 1. fibro edema gelóide. uma vez que atua na comprovação científica dos métodos e técnicas utilizadas para o tratamento de patologias como o fibro edema gelóide. Com o término do tratamento proposto nova avaliação foi realizada e revelou que a utilização do ultra-som mostrou-se eficaz no tratamento do fibro edema gelóide. xi . Palavras-chave: Fisioterapia Dermato Funcional. uma vez que diminuiu o grau de acometimento.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. realizadas 3 vezes por semana. ultra-som.

The treatment consisted of 20 sessions. After two months of the ending of the treatment another evaluation was carried through and it demonstrated that it did not have maintenance of the results. and the second group did not receive any therapeutical intervention in the period. The 10 participants selected for this research had been aleatory divided in two groups. where the first group was submitted to the therapy with ultrasound. The ultrasound was used in the frequency of 3 MHz. All the volunteers had been submitted to the initial evaluation. This work had as objective to analyse the effectiveness of the therapeutical ultrasound in the reduction of fibro edema geloide found in the nadega region of sedentary young women. fibro edema geloide. in the continuous way. with dose of 1.2 W/cm². and was applied for 7 minutes in each nadega. 01-2004 ISSN 1678-8265 ABSTRACT The Dermato Functional Physiotherapy is an area of the Physiotherapy that have finished with the empiricism of the esthetic treatments. since it decreased the degree of the fibro edema geloide. since it acts in the scientific evidence of the methods and techniques used for the treatment of patologies as fibro edema geloide. to verify the type and degree of fibro edema gelóide presented. xii . in alternating days. Word-key: Dermato Functional Physiotherapy. performed 3 times per week. ultrasound. With the ending of the considered treatment new evaluation was developed and disclosed that the use of the ultrasound revealed to be efficient in the treatment of fibro edema geloide.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.

inclusive. Segundo GUIRRO (2002). 01-2004 ISSN 1678-8265 1 1 INTRODUÇÃO A Fisioterapia Dermato Funcional é uma área da Fisioterapia que vem acabando com o empirismo dos tratamentos estéticos amplamente utilizados. o fibro edema gelóide consiste numa infiltração edematosa do tecido conjuntivo. desenvolver problemas álgicos nas áreas atingidas (LOPES. 2003). podendo. . o fibro edema gelóide surge devido a um mau funcionamento dos adipócitos. diferente e alterado e que estimula a retenção de líquidos. 2003). o fibro edema gelóide pode ser definido clinicamente como um espessamento não inflamatório das capas subdérmicas. é favorecida por causas locais e gerais. resultante de uma alteração no meio interno. que retêm um maior teor de lipídio. Para FERNANDES (2003). infiltrando-se nas tramas. Essa polimerização (ou processo reativo) da substância fundamental amorfa.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. em virtude da qual os mucopolissacarídeos que a integram sofrem um processo de gelificação. uma vez que atua na comprovação científica dos métodos e técnicas abordados para o tratamento de diversas patologias. Além disso. seguida de polimerização da substância fundamental que. produz uma reação fibrótica consecutiva. gerando compressão dos vasos e comprometendo a circulação sanguínea. A reação fibrótica que ocorre no fibro edema gelóide como conseqüência do edema do tecido conjuntivo e da hiperpolimerização da substância fundamental se manifesta em forma de nódulos ou placas de variada extensão e localização. levando assim ao aumento de volume da célula. como é o caso do fibro edema gelóide (LEITE. Sendo assim.

Atualmente o público feminino. Como conseqüência.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 2001). quando interpretados e aplicados convenientemente. responsáveis pela sustentação da pele. é um recurso amplamente utilizado no tratamento do fibro edema gelóide. 2001). tem recorrido a métodos e técnicas com uma expectativa cada vez maior de bons resultados. Dentre outros efeitos do ultra-som de acordo com GUIRRO (2002). levaria ao inestético aspecto da pele. mais intensa nas junções tissulares. proporcionam resultados que certamente virão ao encontro dos anseios dos pacientes e profissionais (ROSSI. os efeitos foréticos (pelo aumento da permeabilidade celular) e os efeitos fibrolíticos (diminuindo a esclerose tecidual pelas fricções moleculares) constituem um método valioso no tratamento do fibro edema gelóide (ROSSI. 2001). a neovascularização com conseqüente aumento da . 01-2004 ISSN 1678-8265 2 o rompimento das fibras de colágeno e elastina. assim como na pesquisa e introdução de novos conceitos que. pode-se ainda destacar a fonoforese. A ação metabólica do ultra-som sobre o fibro edema gelóide é extremamente benéfica. os efeitos metabólicos (estimulando metabolismo e acelerando a cicatrização). O ultra-som. produzindo microvibrações moleculares que se traduzem como micromassagem. embora as bases fisiológicas dos seus efeitos sejam bastante desconhecidas por inúmeros profissionais da área (LONGO. por exemplo. Isto motivou uma verdadeira revolução na indústria de cosméticos e aparelhos de estética. E a ação térmica resultante das fricções produzidas pela micromassagem estimula de maneira marcante a o microcirculação. na busca pelo belo.

2 ESPECÍFICOS Ø Identificar o fibro edema gelóide na região glútea das participantes.1 OBJETIVOS 1. rearranjo e aumento da extensibilidade das fibras colágenas. Ø Classificar o fibro edema gelóide quanto ao grau e tipo do acometimento. 1. 01-2004 ISSN 1678-8265 3 circulação. . Ø Analisar a eficácia do tratamento proposto.1. após 20 sessões de terapia.1. 1. e melhora das propriedades mecânicas do tecido.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Ø Verificar a manutenção. agravamento ou melhora dos resultados obtidos após dois meses de tratamento.1 GERAL Verificar a eficácia do uso do ultra-som terapêutico na redução do fibro edema gelóide observado na região glútea de mulheres jovens e não praticantes de atividade física.

justifica-se este estudo pela importância da investigação quanto a utilização do ultra-som terapêutico visando reduzir o fibro edema gelóide. um problema que atinge um grande número de mulheres causando nestas um quadro patológico e estético indesejável.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.2 JUSTIFICATIVA Na Fisioterapia Dermato Funcional o campo da pesquisa científica não disponibiliza de um embasamento teórico e científico suficiente para o tratamento do fibro edema gelóide. 01-2004 ISSN 1678-8265 4 1. Portanto. .

1995). recebe estímulos do ambiente. glândulas e tecido adiposo. exceto as unhas. entre as quais. 2001). a derme. embora tenha a mesma origem e morfologia da derme. além de permitir à pele uma considerável amplitude de movimento (GUIRRO e CARNEIRO. através das suas terminações nervosas. 01-2004 ISSN 1678-8265 5 2 REVISÃO DA LITERATURA 2. 1999). Além disso. graças à camada córnea que reveste a epiderme.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.1% da superfície total da pele e incluem as glândulas sudoríparas. os folículos pilosos e as unhas. juntamente com os anexos cutâneos. atravessam a epiderme (SIMÕES. 2002. O tegumento recobre toda a superfície do corpo e apresenta-se constituído por uma porção epitelial de origem ectodérmica. Os anexos da pele representam apenas 0.1 SISTEMA TEGUMENTAR O tegumento é o maior órgão do corpo. Abaixo e em continuidade com a derme está a hipoderme que. JUNQUEIRA e . A hipoderme serve de suporte e união da derme com os órgãos subjacentes. Suas glândulas sudoríparas participam GUIRRO. a qual é formada apenas por duas camadas. e uma porção conjuntiva de origem mesodérmica. constituindo 16% do peso corporal (GARTNER . as glândulas sebáceas. por meio dos seus vasos. proteger o organismo contra a perda de água por evaporação e contra o atrito. O sistema tegumentar é constituído pela pele e tela subcutânea. Todos. a epiderme. colabora na termorregulação do corpo. não faz parte da pele. As funções realizadas pelo sistema tegumentar são múltiplas.

o fluxo sanguíneo cutâneo é de aproximadamente 400 mililitros (mL) por minuto. 2002). Com cerca de 1. 01-2004 ISSN 1678-8265 6 na excreção de várias substâncias. 2002). 1995). que tem função protetora contra os raios ultravioletas (GUIRRO e GUIRRO. e é o maior sistema de órgãos expostos ao meio ambiente. Oferece uma grande superfície de dispersão calórica e de evaporação e. 2. tem função protetora contra os raios ultravioleta (JUNQUEIRA e CARNEIRO.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. A melanina. entre 100 e 340 glândulas sudoríparas. Funciona também como um vasto emunctório e com fábrica de vitamina D e melanina. . o mais externo e revestido de grande complexidade. A superfície da pele está coberta por uma delgada película líquida que tende para a acidez. Sob condições normais. a pele é muito mais do que o simples invólucro do corpo (SIMÕES. A pele representa 12% do peso seco total do corpo com peso de aproximadamente 4.5 quilos. Um pedaço de pele com aproximadamente 3 cm de diâmetro contém: mais de 3 milhões de células.1 PELE A pele é o maior órgão do corpo humano.1. 2001). 50 terminações nervosas e 90 cm de vasos sanguíneos (GUIRRO e GUIRRO.5 – 2 m² de área. desempenha importante papel na termorregulação por meio de seus vasos e glândulas. O fluxo sanguíneo pode ter uma grande variação. por isso. que é produzida e acumulada na epiderme.

A pele constitui o mais extenso órgão sensorial do corpo. 2001). 2002). 1995). para recepção de estímulos táteis. 2002). Além desse epitélio. 2. observa-se a presença de melanócitos. A pele é composta de duas camadas principais: 1) a epiderme.5 e 4 milímetros (GUIRRO e GUIRRO. endócrino e imunitário (SIMÕES. mas caracteriza-se pela presença de saliências e reentrâncias das duas camadas que se embricam e se ajustam entre si. camada superficial composta de células epiteliais intimamente unidas e 2) a derme. que constitui a maior parte da epiderme. contendo perto de 20% do conteúdo total de água do organismo. neurológico. de origem ectodérmica. 01-2004 ISSN 1678-8265 7 Sendo uma barreira por excelência. nomeadamente. Sua espessura situa-se entre 0. que são células responsáveis pela produção de melanina (JUNQUEIRA e CARNEIRO. camada mais profunda composta de tecido conjuntivo denso irregular. circulatório.1. em todos . O seu teor de água é de cerca de 70% do peso da pele livre de tecido adiposo. formando as papilas dérmicas (GUIRRO e GUIRRO. térmicos e dolorosos.1 Epiderme É constituída essencialmente por um epitélio estratificado pavimentoso queratinizado. A porção mais profunda da epiderme é constituída de células epiteliais que se proliferam continuamente para que seja mantido o seu número. O limite entre a epiderme e a derme não é regular.1. músculo-esquelético. Encontra-se associada a muitos sistemas. a pele não é contudo um órgão isolado. Tipicamente.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.

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os epitélios, não há vasos sanguíneos na epiderme, embora a derme subjacente seja bem vascularizada. Como resultado, o único meio pelo qual as células da epiderme podem obter alimento é através da difusão dos leitos capilares da derme. Esse método é suficiente para as células mais próximas da derme, mas à medida que as células se dividem e são empurradas para a superfície, ficando assim longe da fonte de alimento (derme), morrem (GUIRRO e GUIRRO, 2002). Quando as células da epiderme morrem elas se convertem em escamas de queratina que se desprendem da superfície epidérmica. A queratina é uma proteína que se hidrata facilmente e isto explica a tumefação da pele por imersão na água (DÂNGELO e FATTINI, 1995). A espessura da epiderme apresenta variações topográficas ao longo do organismo desde 75 a 150 milimicras, à exceção das palmas das mãos e plantas dos pés onde sua espessura atinge desde 0,4 milímetros até 1 milímetro (SAMPAIO, CASTRO e RIVITTI, 1992). A epiderme é em geral descrita como uma estrutura constituída de quatro a cinco camadas ou estratos, devido ao fato da camada lúcida estar ou não incluída (GUIRRO e GUIRRO, 2002; SAMPAIO, CASTRO e RIVITTI, 1992; JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1995; AZULAY e AZULAY, 1999).

2.1.1.1.1 Camada Germinativa

É a camada mais profunda e assim denominada porque gera novas células e apresenta intensa atividade mitótica. É responsável pela constante renovação da

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epiderme, fornecendo células para substituir aquelas que são perdidas na camada córnea. Nesse processo as células partem da camada germinativa e vão sendo deslocadas para a periferia até a camada córnea, num período de 21 a 28 dias (GUIRRO e GUIRRO , 2002; JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1995). Esta camada é constituída por dois tipos de células, as células basais e os melanócitos (SAMPAIO, CASTRO e RIVITTI, 1992).

2.1.1.1.2 Camada Espinhosa

É também denominada camada malpighiana. É constituída por células de Malpighi, ou células espinhosas, que vão se achatando à medida que exteriorizam, até chegarem a perder seus núcleos e transformarem-se em verdadeiras lâminas acidófilas anucleadas, que representam a camada córnea (AZULAY e AZULAY, 1999). As células desta camada têm importante função na manutenção da coesão das células da epiderme e, conseqüentemente, na sua resistência ao atrito (GUIRRO e GUIRRO, 2002; JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1995).

2.1.1.1.3 Camada Granulosa

O citoplasma das células desta camada caracteriza-se por conter grânulos de querato-hialina que parecem estar associados com o fenômeno de queratinização dos epitélios. À medida que os grânulos aumentam de tamanho, o núcleo se desintegra, resultando na morte das células mais externas da camada granulosa. Assim, a camada

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granulosa é formada por células que estão em franca degeneração. O núcleo das células já apresenta sinais de atrofia e os filamentos que as uniam à camada espinhosa quase desaparecem (GUIRRO e GUIRRO, 2002; JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1995).

2.1.1.1.4 Camada Lúcida

É constituída por várias camadas de células achatadas e intimamente ligadas. As camadas granulosa e lúcida constituem a chamada camada de transição, com importante função de barreira entre o meio interno e o exterior, pois impede a saída de água e impede a entrada de substâncias exógenas (AZULAY e AZULAY, 1999). A camada lúcida é mais proeminente em áreas de pele espessa e pode estar ausente em outros locais; não é observada com facilidade (GUIRRO e GUIRRO, 2002).

2.1.1.1.5 Camada Córnea

É a camada mais superficial da epiderme. Consiste de vários planos de células mortas e intimamente ligadas. A partir do momento em que seu citoplasma for substituído por uma proteína fibrosa denominada queratina, estas células mortas são referidas como corneificadas. Estas, formam uma cobertura ao redor de toda a superfície do corpo e não apenas protegem o organismo contra agressões físicas, químicas e biológicas, como também ajudam a restringir a perda de água do organismo. Embora a camada córnea seja de pequena espessura (cerca de 20 micrômetros), sua

Nesta camada foram descritas fibrilas especiais de colágeno. Observa-se na derme a camada papilar.1. JUNQUEIRA e CARNEIRO. AZULAY e AZULAY. A derme tem entre 1 a 4 mm de espessura e é constituída essencialmente por fibroblastos que produzem. colágeno e elastina. 1999). É suprida por vasos sanguíneos.1. e a camada reticular. Também contém glândulas especializadas e órgãos dos sentidos (GUIRRO e GUIRRO. 2002. São as fibras colágenas e elásticas que conferem à pele sua capacidade de distender-se quando tracionada. 2001). 2. 2.1. voltando ao estado original desde que cesse a tração (DÂNGELO e FATTINI. comunicando esta com a hipoderme. que se inserem na lâmina basal e penetram . 01-2004 ISSN 1678-8265 11 capacidade de retenção hídrica conserva a superfície da pele macia (GUIRRO e GUIRRO. a mais superficial. entre outros. constituída por tecido conjuntivo frouxo. 1995). Estes dois constituintes vão elaborar uma matriz que circunda as células e as estruturas dérmicas (SIMÕES.1. 2002). vasos linfáticos e terminações nervosas.1 Camada Papilar É delgada. 1995).2 Derme É uma espessa camada de tecido conjuntivo sobre a qual se apóia a epiderme.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 2002.2. a mais profunda (GUIRRO e GUIRRO.

JUNQUEIRA e CARNEIRO.1. JUNQUEIRA e CARNEIRO. 2001). 2.1. em parte. A parte mais interior da derme contém colágeno num estado de compactamento elevado. 01-2004 ISSN 1678-8265 12 profundamente na derme. 1995). 2002. enquanto na camada reticular os capilares são raros (GUIRRO e GUIRRO . constituída por tecido conjuntivo denso. enquanto que a parte mais exterior da derme contém colágeno numa forma mais laxa (SIMÕES. e é assim denominada devido ao fato de que os feixes de fibras colágenas que a compõem entrelaçam-se em um arranjo semelhante a uma rede (GUIRRO e GUIRRO.2. Ambas as camadas contêm muitas fibras elásticas. A camada papilar apresenta um suprimento sanguíneo bastante rico. 1995). Os feixes colágenos espessam-se da superfície para a profundidade.3 Colágeno O colágeno é uma proteína fibrosa. substância excretada pelos fibroblastos. responsáveis.2 Camada Reticular É a mais espessa. 1995). 2.1. As fibras colágenas compreendem 95% do tecido conectivo da derme. formada a partir da polimerização do tropocolágeno. pelas características de elasticidade da pele.1. Uma grande diferença entre as duas camadas diz respeito ao seu conteúdo de capilares.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Estas fibrilas teriam a função de prender a derme à epiderme (JUNQUEIRA e CARNEIRO.2. sendo mais finos na derme . 2002.

1. Funcionalmente. SAMPAIO. GARTNER e HIATT. a elastina é produzida por um precursor secretado pelos fibroblastos. na derme reticular. 1992).1. 2001). 2002. É responsável pela elasticidade da pele (SIMÕES. onde os vasos sanguíneos são numerosos e delicados. .2 HIPODERME OU TELA SUBCUTÂNEA Tecido sobre o qual a pele repousa. A tela subcutânea compõe-se em geral de duas camadas. 01-2004 ISSN 1678-8265 13 papilar e.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. ocorre aumento de espessura no ganho de peso. O colágeno tem como função fornecer resistência e integridade estrutural a diversos tecidos e órgãos (GUIRRO e GUIRRO. 1992). 2002. CASTRO e RIVITTI. grossos. 1999. a hipoderme. formado por tecido conjuntivo que varia do tipo frouxo ou adiposo ao denso nas várias localizações e nos diferentes indivíduos. Na camada lamelar. que é composta por adipócitos globulares e volumosos. Está organizada em fibras curtas e sobrepostas.4 Elastina Tal como o colágeno. além de depósito nutritivo de reserva participa no isolamento térmico e na proteção mecânica do organismo à pressões e traumatismos s externos (GUIRRO e GUIRRO. 2. entrelaçados e paralelos à superfície. CASTRO e RIVITTI.1. mais profunda. das quais a mais superficial é chamada de areolar. SAMPAIO. 2002). em disposição vertical. com aumento de volume dos adipócitos (GUIRRO e GUIRRO. 2.2.

também chamado plexo subpapilar (CORMACK. Os capilares que formam o plexo vascular dérmico não só transportam os nutrientes. 2001). enquanto o plexo superficial localiza-se entre as camadas papilar e reticular e é composto por capilares. os vasos cutâneos constituem sempre um plexo profundo em conexão com um plexo superficial. vênulas e arteríolas (SAMPAIO. idade (a camada areolar é mais espessa no adulto) (GUIRRO e GUIRRO. A coloração rósea da pele é principalmente causada pelo sangue nas amplas vênulas do plexo superficial.3 MICROCIRCULAÇÃO DA PELE Apesar das variações topográficas da disposição vascular da pele. como são responsáveis pela termorregulação corporal e ainda pela absorção de substâncias que tenham conseguido ultrapassar a barreira epidérmica (SIMÕES. região e segmento corporal. 1991). 01-2004 ISSN 1678-8265 14 A proporção dessas camadas varia de acordo com diversos fatores: espessura da pele (na pele espessa a camada areolar é preponderante sobre a lamelar. 2. sexo (a mulher tem a camada areolar mais espessa). CASTRO e RIVITTI. . na pele fina ocorre o inverso).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. O plexo profundo situa-se em nível dermo-hipodérmico e é formado por arteríolas.1. 2002). 1992).

troncos linfáticos e linfonodos que servem como filtros do líquido coletado pelos vasos e pelos órgãos linfóides que são encarregados de recolher. . nenhum dos quais pode ser removido por absorção direta pelos capilares sanguíneos (GUYTON e HALL. sendo aí filtrada e recolocada na circulação até atingir os vasos sanguíneos (LEDUC e LEDUC. passa através de vários linfonodos. o líquido intersticial e reconduzí-lo ao sistema vascular sanguíneo.4 SISTEMA LINFÁTICO 15 O sistema linfático representa uma via acessória pela qual o líquido pode fluir dos espaços intersticiais para o sangue. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. CASTRO e RIVITTI. 1992). na intimidade dos tecidos. A linfa absorvida nos capilares linfáticos é transportada para os vasos pré-coletores e coletores. reunindo-se num plexo linfático subpapilar que através da derme desemboca num plexo linfático profundo. que apresenta uma composição semelhante ao plasma sanguíneo. E. vasos coletores. para fora dos espaços teciduais. A linfa difere do sangue justamente por não conter células sanguíneas. Consiste de um conjunto particular de capilares.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Os vasos linfáticos estão dispostos em alças ao longo da derme papilar. de localização dermo-hipodérmica (SAMPAIO. 2000). os linfáticos podem transportar proteínas e material em grandes partículas. 1997). Quando o líquido intersticial passa para dentro dos capilares recebe o nome de linfa.1. o que é mais importante.

na tentativa de adequar o nome às alterações histomorfológicas encontradas. 01-2004 ISSN 1678-8265 16 2. Celulite. a denominação de Fibro Edema Gelóide (FEG) tem-se demonstrado como o conceito mais adequado para descrever o quadro historicamente conhecido e erroneamente denominado de celulite (GUIRRO e GUIRRO. o que não define o seu verdadeiro significado (GUIRRO e GUIRRO. Este erro de conceituação existe há muitos anos e ainda hoje conduz a várias controvérsias e discussões (GUIRRO e GUIRRO. retração e endurecimento. CIPORKIN.1 DEFINIÇÃO Para descrever ou definir o fibro edema gelóide é preciso ficar clara a inadequação do termo para se designar esta afecção. indicativo de inflamação. Alguns outros termos são utilizados para designar a celulite. derivada do adjetivo celulae. dentre eles estão: a Lipodistrofia Ginóide – Lipodistrofia significa gordura com crescimento anormal e Ginóide faz referência ao sexo feminino. 2002.2. mais o sufixo ite. que significa células. .2 FIBRO EDEMA GELÓIDE 2. Lipodistrofia Edematofibroesclerótica – onde Edematofibroesclerótica significa inchaço. 2002. Contudo. PARIENTI. a qual não afeta preferencialmente o elemento celular. 1992).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. quer dizer inflamação do tecido celular. Paniculopatia Fibroesclerótica – Paniculopatia é uma doença do tecido adiposo e Fibroesclerótica quer dizer endurecimento pelo tecido fibroso. palavra de origem latina. 2002). 2001). cellulite.

Para HORIBE (2000). com perda da elasticidade. com perda do equilíbrio histofisiológico local e que atinge principalmente a região dos quadris e coxas. 2002). Para LEITE (2003). que resulta no inestético aspecto macroscópico (GUIRRO e GUIRRO. o fibro edema gelóide é uma disfunção crônica. sem características inflamatórias. Sem dúvida trata -se de uma desordem localizada que afeta o tecido dérmico e subcutâneo. 01-2004 ISSN 1678-8265 17 O fibro edema gelóide afeta os tecidos cutâneo e adiposo em diversos graus. o fibro edema gelóide é uma alteração genuína e locorregional do panículo adiposo subcutâneo. com alterações vasculares e lipodistrofia com resposta esclerosante. que desenvolvem o aspecto em casca de laranja. na microcirculação e nos adipócitos. O organismo responde a essas alterações formando tramas de colágeno que tentam encapsular todo o extravasamento do adipócito. com conseqüente mudança no seu pH e alterações nas trocas metabólicas. determinante do formato corporal característico da mulher. os nódulos. que acomete as células gordurosas da tela subcutânea. o fibro edema gelóide inicia com um aumento de líquido dentro do adipócito.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Segundo ZANI (1994). e que ocorre quando há uma alteração na estrutura e disposição anatômica do tecido gorduroso subcutâneo. portanto ocorre comprovadamente nesta disfunção uma série de alterações estruturais na derme (pele). Formam-se assim. . O adipócito comprime as células nervosas provocando dor à palpação e devido ao aumento de tamanho ocorre a distensão do tecido conjuntivo.

um problema que afeta a vida afetiva. .. o fibro edema gelóide é uma infiltração edematosa do tecido conjuntivo. não inflamatória. na maioria dos casos. 2002).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.1.1. 2003).1 Definição Histológica Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002). 01-2004 ISSN 1678-8265 18 O fibro edema gelóide é uma afecção benigna que atinge as mulheres.2. seguida de polimerização da substância fundamental que. não apresentando risco de vida ou potencial inabilitante. O organismo então reage criando uma barreira fibrosa. então.2 Definição Etiopatológica Acredita-se que uma alteração do fibroblasto causada por diversos fatores faz com que as glicosaminoglicanas sofram alterações estruturais (hiperpolimerização). produz uma reação fibrótica consecutiva. uma vez que a circulação se processa lentamente. os capilares se enfraquecem. porém. de um problema circulatório. propiciando a perda do plasma para o exterior dos vasos sanguíneos e conseqüentemente levando ao aumento de líquido nos espaços intercelulares. elevando seu poder hidrofílico e a pressão osmótica intersticial (GUIRRO e GUIRRO. Segundo CARDOSO (2002).2. 2. causando importante desconforto emocional (NETO et al. que encarcera as células adiposas desenvolvendo. 2. o fibro edema gelóide. infiltrando-se nas tramas. o fibro edema gelóide resulta. Assim.

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Segundo PARIENTI (2001), esta alteração leva à hiperviscosidade da substância fundamental ligada à estase capilovenular e linfática. Desencadeia-se, então, uma série de sinais com transformação do tecido adiposo, em tecido celulítico. Estabelece-se um verdadeiro círculo vicioso. Isso traduz uma descompensação histoangiológica que evolui em quatro fases: Ø 1ª fase: estase venosa e permeabilidade capilar anormal. Ela se traduz por uma congestão do tecido subcutâneo com vasodilatação, bloqueios conjuntivos, seguida de uma exsudação plásmica com formação de um edema intersticial. Ø 2ª fase: organização progressiva e colagenização do exsudato plásmico. O fenômeno de estase acentua-se. A parede dos vasos capilares torna-se porosa e por esse motivo deixa de filtrar, no tecido subcutâneo, o soro que contém mucopolissacarídeos e sódio. Esta etapa vai dissociar a trama das fibras conjuntivas. Por essas razões, a pele perde sua elasticidade. Ø 3ª fase: sulcos celulíticos. O fibrócito desencadeia a produção de elementos fibrosos inelásticos que se entremeiam até dividir a hipoderme em

compartimentos com múltiplos alvéolos. A quantidade de adipócitos organiza-se em micronódulos. Ø 4ª fase: fase fibrocicatricial com alteração dos capilares. Os micronódulos comprimem as arteríolas, os nervos. As fibras conjuntivas aderem

superficialmente à pele e em profundidade às aponeuroses musculares.

Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 01-2004 ISSN 1678-8265 2.2.1.3 Definição Clínica

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Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002), trata-se de um espessamento não inflamatório das capas subepidérmicas, às vezes doloroso, que se manifesta em forma de nódulos ou placas de variada extensão e localização. Devido a esta modificação na textura dos tecidos subcutâneos superficiais ocorre aumento da sensibilidade e diminuição da mobilidade por meio de fenômenos de aderência superficial e profunda (PARIENTI, 2001). Trata-se de um tecido mal-oxigenado, subnutrido, desorganizado e sem elasticidade, resultante de um mau funcionamento do sistema circulatório e das consecutivas transformações do tecido conjuntivo. Com este quadro histopatológico, compreende-se a aparência nodulosa na epiderme, e em fases mais avançadas a dor ao contato, à pressão ou palpação (GUIRRO e GUIRRO, 2002).

2.2.2 ETIOPATOGENIA

Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002), não se pode falar em causa, visto que seria impossível garantir sua verdadeira influência, não sendo possível isolar cada um desses fatores, que somados, contribuem para o aparecimento do distúrbio. De maneira geral pode-se delinear uma etiologia para o fibro edema gelóide, enumerando e subdividindo os fatores que provavelmente desencadeiam o processo em três classes: fatores predisponentes, determinantes e condicionantes. Além disso, várias teorias se postulam como candidatas para tentar explicar o desenvolvimento do fibro

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edema gelóide. Cada uma guarda propriedades que justificam seu grau de aceitação e se complementam entre si.

2.2.2.1 Fat ores Predisponentes

São fatores que somados a outros se pode ter uma probabilidade razoável de instalação do fibro edema gelóide (LOPES, 2003; GUIRRO e GUIRRO, 2002; ROSSI, 2001). Ø Genéticos: São fornecidos pela presença de genes múltiplos com capacidade de expressão em pele de tecido celular subcutâneo de certas regiões. Depende de uma aptidão individual à capacidade de resposta (ROSSI, 2001). Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002), a incidência para o desenvolvimento do fibro edema gelóide é maior na raça branca, quando comparada à raças negra e amarela. s Ø Sexo: Segundo ZANI (1994), o fibro edema gelóide acomete preferencialmente as mulheres, representando 95% dos casos. GUIRRO e GUIRRO (2002), ressaltam que a mulher apresenta um número duas vezes maior de adipócitos em relação ao homem e que, o corpo feminino tem tendência ao acúmulo graxo nos glúteos e coxas, gordura sexo-específica, ao passo que no homem, tais acúmulos situam-se predominantemente no abdome. Os estrógenos estimulam enzimas que produzem uma acumulação de gordura nos adipócitos, com conseqüente aumento de tamanho. Por outro lado, os estrógenos produzem retenção de líquidos gerando edema, ou seja, infiltração de líquido dentro e fora das células, com surgimento de uma

entretanto. oscila durante a vida. idade. que é influenciado pelos hábitos de vida. mas favorece o aparecimento de fibro edema gelóide. As fibras do tecido conjuntivo das mulheres são mais separadas que as dos homens. impedindo sua subida. Ø Idade: As primeiras alterações do fibro edema gelóide apresentam-se muitas vezes ainda durante a puberdade. As fibras do tecido conjuntivo encontram-se dispostas cruzadas e interlaçadas. Isto ativa não somente o ciclo menstrual e a puberdade. produzindo uma circulação deficiente e dor (BERTRANOU. ficando num ângulo de aproximadamente 90º em relação à superfície da pele.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. mas não são entrelaçadas em forma reticular. hormônios. Sob o estímulo dos hormônios sexuais femininos. assim como o seu tamanho. 2003). 2003). formando uma trama firme que mantém os lóbulos adiposos no fundo da hipoderme. o cruzamento das fibras é desfeito e as fibras tomam uma posição paralela umas em relação às outras. Esses dois processos tendem a comprimir os pequenos vasos sanguíneos. Antes da puberdade o tecido conjuntivo conectivo de ambos os sexos é exatamente igual. Neste período. Seu número. ao contrário do feminino. O tecido masculino normal. 01-2004 ISSN 1678-8265 22 substância de aspecto gelatinoso que aumenta ainda mais o tamanho do adipócito. mas também modifica a situação na região entre a . mantém as fibras cruzadas e inclinadas num ângulo de aproximadamente 45º por toda a vida (LEITE. o que favorece a insuflação das células gordurosas depositadas. as alterações hormonais elevam a taxa de estrogênios no sangue. Esta alteração torna-se necessária para uma eventual gestação.

decisivas na etiologia da celulite. Ø Desequilíbrio hormonal: Os estrógenos e a progesterona induzem um tamanho maior dos adipócitos e um número maior em certos locais. 1982). Produz também um aumento da quantidade de homocisteína que inibe a formação de pontes transversais entre o colágeno e elastina. Por outro lado. pois a diminuição da taxa de glutation retarda o metabolismo celular. 01-2004 ISSN 1678-8265 23 pele e a hipoderme. com acúmulo de toxinas e metabólitos. desestruturando o tecido conjuntivo. considerados metabólitos dos estrógenos. A testosterona faz com que o tamanho e número dos adipócitos localizados nas regiões trocantéricas sejam reduzidos. ocasionando diminuição de glutation e cisteína. são produzidos com o extravasamento causado pela estase circulatória. A diminuição de T3 provoca a diminuição da hialuronidase (que despolimeriza os mucopolissacarídeos) com conseqüente aumento da viscosidade da substância fundamental.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Esta redução ocasiona uma série de alterações metabólicas. permitindo que moléculas gordurosas ali se depositem (ULRICH. com diminuição da difusão intercelular. A lipólise também se acha diminuída pela redução do T3. O tecido conjuntivo torna-se espesso. . Os catecolestrógenos. ocorre uma redução do metabolismo dos hormônios tireoideanos (na transformação de T4 em T3). 2001). produzindo um maior acúmulo de triglicérides intra adipocitários (ROSSI. Estas substâncias competem com as catecolaminas que têm sua taxa diminuída.

interferindo no tecido gorduroso subcutâneo. que não consegue mais desempenhar a contento suas funções (LEITE.2. Açúcares refinados.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 2002). favorece em grande escala o aparecimento do fibro edema gelóide. alimentos gordurosos. ambos os fatores concorrem para a deterioração do tecido conjuntivo. de café e fumo. 2001). Ø Estresse: Segundo ZANI (1994). hipotireoidismo e altas dosagens de cortisona determinam o aparecimento do fibro edema gelóide (ROSSI. pessoas agitadas. com maus hábitos alimentares e ainda com um desequilíbrio hormonal. 2001). Assim. chocolate e refrigerantes são alimentos que agravam o . têm maior propensão para adquirir o fibro edema gelóide. Ø Desequilíbrios glandulares e perturbações metabólicas do organismo em geral: diabetes. principalmente por alterações na microcirculação (ROSSI. Ø Maus hábitos alimentares: Uma dieta rica em gorduras e hidratos de carbono ou mesmo o baixo consumo hídrico e excessivo consumo de sal agravam o quadro microcirculatório com aumento da resistência capilar. a ansiedade afeta as secreções hormonais.2 Fatores Determinantes 24 Estes fatores estabelecem que uma pessoa do sexo feminino. será alvo de fácil acesso para as infiltrações teciduais (GUIRRO e GUIRRO. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. ou o seu agravamento.2. fumante. isolado ou concomitante. 2003). Ø Fumo: O uso. sobrecarregadas de preocupações e problemas. Ø Sedentarismo: A falta de exercício físico agrava tanto as alterações vasculares quanto às das fibras.

Bras. que perdem sua capacidade de reter líquido. 1985. concorrem para a piora do quadro. principalmente nos quadros de insuficiência. 01-2004 ISSN 1678-8265 25 quadro metabólico. MARINO 1 (1985 apud 1 MARINO. A alteração do pH provoca o endurecimento das fibras protéicas (colágeno e elastina). Belo Horizonte. Ø Patologias de base: As alterações renais e hepáticas. De . com diminuição da elasticidade da pele e do tecido adiposo. como perturbações hemodinâmicas importantes. quando dissolvido na água. favorecendo também o extravasamento de líquidos ao interstício. O excesso desta substância na derme e hipoderme provoca a acidificação dos tecidos. em ácido carbônico. são atribuídos. 2001). a ponto de serem fatores condicionantes da etiologia do fibro edema gelóide. Fisioterapia. insuficiência de retorno venoso e varizes agravam o bloqueio da microcirculação.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. . M. com conseqüente compressão da microcirculação. anteversão pélvica. aumentando o edema. agravando o quadro do fibro edema gelóide (ROSSI.I. MG. Recomenda-se ingesta hídrica em torno de 2 litros por dia (ROSSI. 2003). com diminuição da pressão oncótica e aumento do transudato. cujo pH é normalmente levemente alcalino. além de induzir alterações de permeabilidade e resistência dos capilares sanguíneos (LEITE. O gás das bebidas. joelhos valgos ou varos. Celulite e alterações posturais Tema Livre apresentado no VII Congr. Problemas circulatórios. transforma-se. Ø Alterações posturais e ortopédicas: Hiperlordose lombar. o gás carbônico – CO2. mas não confirmados. além da perda (renal) ou falta de produção (hepática) protéica. 2001). pela baixa capacidade de filtração/eliminação das toxinas.

pela compressão das cadeias ganglionares da região poplítea a inguino crural. defende tal etiologia a partir da constatação de que de 89 pacientes portadores de fibro edema gelóide. causando compressão do plexo dérmico superficial por um longo período. contribuem para a instalação de edema de toda a região comprimida. 85 deles (aproximadamente 95. 2001). como o hábito de se sentar. o aumento do estrogênio e progesterona concorre para diminuição da tonicidade das paredes vasculares. pela resistência oferecida à circulação de retorno veno-linfático. favorecendo a manutenção do edema loco regional. com vestimentas apertadas. 2. 2002).2. A falta de orientação no uso do vestuário. que podem: . agravar o quadro celulítico.3 Fatores Condicionantes A partir dos fatores acima citados criam-se perturbações hemodinâmicas locais. 01-2004 ISSN 1678-8265 26 GUIRRO e GUIRRO. Salienta ainda que a localização do fibro edema gelóide na região dos quadris. favorecendo sua dilatação com conseqüente alteração da permeabilidade vascular (ROSSI.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. pode. região pélvica e porção superior da face externa da coxa é caracterizada pela presença da hiperlordose lombar. A gravidez atua como componente mecânico dificultando o retorno venoso dos membros inferiores.5%) apresentavam hiperlordose lombar com anteversão pélvica. Ø Hábitos posturais e compressão interna: A posição preferencial durante o dia.2. com agravamento ou aparecimento do quadro.

Ø Favorecer a transudação linfática nos espaços intersticiais. ocasionando um trânsito mais lento de líquidos na região.1 Teoria Alérgica LAGÉZE 2 (1929 apud GUIRRO e GUIRRO. Ø A segunda fase de hiperplasia e formação fibrosa relacionada com uma exsudação fibrinosa. que associado a outros fatores.2.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Lyon. principalmente hormonais. Ø Dificultar a reabsorção linfática.2. Sciatiques et Infiltrat Cellulalgiques. aumentando de volume.4 As Teorias 2. criam condições propicias à maior deposição de gordura (GUIRRO e GUIRRO.4.2. 01-2004 ISSN 1678-8265 Ø Aumentar a pressão capilar. produzindo infiltração ainda flácida. 2. e fazem com que ele se torne mais hidrófilo. porém já dolorosa. . 2002). 1929. 2 LAGÉZE. 2002). Assim sendo. com aspecto nodular. Thesis Méd. o tecido passa a reter maior quantidade de água.2. P. reconhecendo 3 etapas sucessivas: Ø A primeira fase congestiva da invasão serosa. afirmou a natureza alérgica do fibro edema gelóide. 27 Estes fatores promovem alterações no tecido conjuntivo. É chamada de colagenização.

resultando de um fenômeno de vasodilatação acentuada de controle nervoso. então. ácido lático) tende a provocar um aumento de volume nas células e uma reação o que causaria o aparecimento do fibro edema gelóide. 2. por insuficiência hepática ou renal.2 Teoria Tóxica Para LAROCHE3 (1941 apud GUIRRO e GUIRRO. 2002). 1941. este seria um estado reativo de natureza defensiva contra uma intoxicação tornando-se um processo cicatricial. 42 -521. Sur queques erreurs graves par mecannaissance de la cellulite.4. pode-se observar a inexistência de fenômenos inflamatórios. No decorrer desses 3 estados. colesterol. . igual aos observados nas manifestações anafiláticas. logo. irreversível. o fibro edema gelóide deve ser considerado como uma reação do organismo às toxinas que o invadem. Press Méd. 3 LAROCHE. a partir do exame de cortes que mostram um exsudato de origem vascular.2. sendo nervos e vasos encerrados em uma massa comprimida. O acúmulo de resíduos (ácido úrico.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.2. atrófica e cicatricial. G. a natureza alérgica do fibro edema gelóide. O fibro edema gelóide seria uma série de edemas se repetindo e deixando persistir uma certa porção de exsudatos sobre os quais viria a se enxertar um novo surto. 01-2004 ISSN 1678-8265 28 Ø A terceira fase de retração esclerosa. invocando.

R.F. A má circulação dos tecidos. apud GUIRRO e GUIRRO. reconheceu no fibro edema gelóide uma origem hemodinâmica de natureza alérgica. como certas modificações do estado físico-químico da substância fundamental conjuntiva.2. impedindo a livre circulação dos líquidos intersticiais. 2002). 1958.3 Teoria Circulatória 29 MERLEN4 (1958 apud GUIRRO e GUIRRO.4 Teoria Metabólica DUVAL5 (1954. A. Sem. ou causas endógenas. Sugere-se que o fibro edema gelóide resulte de um acúmulo acima do normal de gorduras. causada por uma estase devida à presença de varizes. 30:852. 2. às custas dos ácidos graxos etilênicos..4. essencialmente por ácidos graxos saturados. 2002). Med. entila clinique et mecanisme pathogenique. menciona uma perturbação nutritiva histológica de natureza metabólica e de caráter distrófico. pois a estagnação do sangue não permite uma boa nutrição. como o uso de certos vestuários muito apertados. J. favorece a formação do fibro edema gelóide.2.2. Diagnostic et tratement de la cellulite.4. 4 MERLEN.2. Causas mais diversas têm sido invocadas para explicar o déficit circulatório: restrições mecânicas externas.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.. Concours Med. La cellulite. Esse desvio metabólico levaria a uma diminuição do anabolismo protéico e aumento do anabolismo lipídico. 5 DUVAL. 80-2311. 1954. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. .

São evidências desse fato: a maior incidência em mulheres. ciclo menstrual.2. o fibro edema gelóide resulta. 2. lactação e estrogenioterapia. atribuído a um estado de hiperfunção hormonal. . 2.2. muito especialmente. depois. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. O estrógeno é o principal hormônio envolvido e principal responsável pelo agravamento do fibro edema gelóide. de uma perturbação da fisiologia molecular no íntimo da matriz intercelular conjuntiva. CIPORKIN. e. de uma polimerização dos mucopolissacarídeos (GUIRRO e GUIRRO.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. em última instância.2. 2001).4. considerado como resultante de uma deficiência glandular e. de início.5 Teoria Bioquímica 30 Essa hipótese afirma que.6 Teoria Hormonal O fibro edema gelóide foi. além de sua relação com outros hormônios que interagem no fibro edema gelóide (GUIRRO e GUIRRO.2.4.3 IDENTIFICAÇÃO DO FIBRO EDEMA GELÓIDE Um interrogatório bem conduzido certamente será de valor inestimável. 1992). 2002). psicológicos e hereditários exercem sobre a instalação e evolução do fibro edema gelóide (ROSSI. quaisquer que sejam as causas. 2002.2. haja vista a importante influência que os hábitos diários e antecedentes patológicos. agravamento com a gestação. surgimento após a puberdade.

este também é um sinal do fibro edema gelóide. promove-se um movimento de tração. Ø Maior consistência tecidual. hiperceratose folicular. Se a sensação dolorosa for mais incômoda do que o normal. é importante a propedêutica de inspeção e palpação. a anamnese permite verificar determinados pontos que irão orientar a estratégia terapêutica. varizes. . estrias. segundo PARIENTI (2001). equimoses. O outro teste é denominado de “teste da preensão” (pinch test). Além das alterações de relevo inspecionam-se alterações associadas como: coloração tecidual. onde pressiona-se o tecido adiposo entre os dedos polegar e indicador ou entre as palmas das mãos.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. o primeiro teste para reconhecer o fibro edema gelóide consiste no “teste da casca de laranja”. As quatro evidências clínicas encontradas na palpação do fibro edema gelóide. pode mascarar o grau de acometimento dos tecidos. telangectasias. Após a preensão da pele juntamente com a tela subcutânea entre os dedos. tonicidade muscular e alterações posturais (GUIRRO e GUIRRO. No exame físico. Ø Maior sensibilidade àdor. A posição de decúbito não é adequada. classicamente conhecidas como “tétrade de Ricoux” são: Ø Aumento da espessura do tecido celular subcutâneo. Ø Diminuição da mobilidade por aderência aos planos mais profundos. 2002). onde já se encontra alteração da sensibilidade. com aparência rugosa. e a pele se parecerá com uma casca de laranja. Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002). 01-2004 ISSN 1678-8265 31 Além disso. A inspeção deve ser efetuada com a paciente na posição ortostática. decorrente da ação da gravidade. uma vez que a acomodação dos tecidos.

2. 2001).1 Termografia Trata-se de um método que mede a emissão infravermelha da superfície cutânea. tireoideanas.2. cuja função é avaliar e classificar o fibro edema gelóide de acordo com a temperatura cutânea superficial.2. ecografia bidimensional e exames anátomo-patológicos (GUIRRO e GUIRRO.) as quais será preciso igualmente tratar em paralelo (PARIENTI. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. xerografia. Após o contato placa-pele por alguns segundos.4. que no exame aparecem como zonas escuras (“buracos negros” ou “pele de leopardo”). Já zonas que indicam hipotermia. etc. pode ser ampliado por meio de exames complementares: termografia cutânea. 2002). compostas de cristais termossensíveis de colesterol. e objetivar a existência de enfermidades (afecções vasculares. O diagnóstico clínico de fibro edema gelóide baseado em uma anamnese adequada. que clinicamente corresponderia ao grau I ou ausência de fibro edema gelóide. associada à aplicação de testes clínicos. indicando diferença de temperaturas em áreas localizadas da superfície cutânea. acompanhar a evolução desses acometimentos sob tratamento. surge um “mapa” de cores.4 EXAMES COMPLEMENTARES 32 O diagnóstico paraclínico torna-se necessário para avaliar a importância das infiltrações celulíticas. diretamente relacionada com alterações circulatórias ocasionadas pelo distúrbio.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. indicam um . Imagem com coloração verde ou rosada significa menor envolvimento circulatório da área. O método utiliza placas flexíveis.

época do ciclo menstrual.3 Ecografia Bidimensional Avalia a textura dos tecidos conjuntivos. 2002). Utilizando-se o método associado ao efeito “Doppler”.2 Xerografia O método consiste na radiação da pele com raios X. 2. febre. em diversas tonalidades) que evidenciam a diversidade de espessuras dos tecidos conjuntivos e musculares. temperatura e umidade da sala de exames (GUIRRO e GUIRRO.2. pois fatores externos e internos podem alterar significativamente o resultado do exame. 2002).4. como por exemplo: exposição solar. 01-2004 ISSN 1678-8265 33 grau mais avançado. tabagismo. Trata-se de um exame não inócuo que deve ser prescrito apenas por médicos. A passagem de radiação por tecidos com diferentes espessuras. 2001). PARIENTI. sendo possível a observação da ocorrência de edemas nestas regiões. Embora o exame seja inócuo.4. não permite uma avaliação de alterações microcirculatórias (GUIRRO e GUIRRO.2. bem como suas espessuras. .Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 2. 2002. além disso. como método de avaliação único não é seguro. permite a formação de imagens (de cor azul. pode-se avaliar também a circulação local (GUIRRO e GUIRRO.

por exemplo. O exame pode ser realizado através de biópsias com “punches” de 4 mm de diâmetro. dentre outras colorações (GUIRRO e GUIRRO. 2002).5 Impedância Bioelétrica Mede a resistência à passagem de uma corrente elétrica através do corpo. a classificação em apenas três graus. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. de acordo com o aspecto clínico e histopatológico. 2.2.2. Impedância é menor em tecidos magros onde os eletrólitos e a água são bons condutores de eletricidade. 2.2. sendo demonstrativa de fibras elásticas. A fração de hidratação do tecido magro permite calcular a massa magra.4 Exame Anátomo-Patológico 34 Tem o inconveniente de ser um método invasivo. fucsina resorcina e fucsina ácida (Weigert – Van Gieson). a qual apresenta as alterações clínicas mais marcantes. colágenas e musculares lisas.4. Entretanto.5 ESTÁGIOS DO FIBRO EDEMA GELÓIDE A classificação do fibro edema gelóide pode ser dividida em três ou quatro graus. É proporcional ao volume total de água corporal. 2003).3 a 5% (NETO et al.. e maior na gordura que tem um conteúdo de água diminuído. As colorações aplicadas podem ser.4. é a . O erro é de 0. a diferença é a gordura corporal total.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.

5.5.2. a ficarem mais aparentes mediante a compressão dos mesmos. sujeitas.2.2. 2.2 Fibro Edema Gelóide Moderado (Grau 2) As depressões são visíveis mesmo sem a compressão dos tecidos. Nesta fase. A pele fica enrugada e flácida. A aparência assemelha-se a um “saco de . 01-2004 ISSN 1678-8265 35 classificação mais condizente com a anamnese de rotina nos consultórios (GUIRRO e GUIRRO. não fazendo menção às alterações histopatológicas. quanto ao prognóstico. São consideradas as alterações cutâneas macroscópicas e a sensibilidade à dor. 2. portanto. sendo esta classificação fundamentada na avaliação clínica. não há alteração da sensibilidade à dor e. 2. 2002). as lesões teciduais surgem em três estágios. Segundo ULRICH (1982). e é freqüentemente curável (GUIRRO e GUIRRO. 2002).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 2002).3 Fibro Edema Gelóide Grave (Grau 3) O acometimento tecidual pode ser observado tanto em posição ortostática como em decúbito.1 Fibro Edema Gelóide Brando (Grau 1) Somente é percebido pela compressão do tecido entre os dedos ou da contração muscular voluntária.5. Já apresenta alteração da sensibilidade. é sempre curável (GUIRRO e GUIRRO. bem como o prognóstico.

que comporta essencialmente uma estase venosa e linfática. 2002) a descreveu e a subdividiu em quatro fases. Foi o primeiro a ter descrito tal anatomia. 2002). 1929. é uma fase breve. Os estágios do fibro edema gelóide não são totalmente delimitados. seguindo-se uma outra fase. complementando os achados histológicos apresentados por outros autores. LAGÉZE2 (1929 apud GUIRRO e GUIRRO. Nesta fase. podendo ocorrer uma sobreposição de graus em uma mesma área de uma mesma paciente (GUIRRO e GUIRRO. No que se refere a anatomia patológica do fibro edema gelóide. Lyon. ainda que passível de melhora (GUIRRO e GUIRRO. puramente circulatória.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Tal exsudato dissocia as fibras conjuntivas e altera as terminações nervosas da região. que progressivamente vai se transformando em colágeno. sendo o tecido celular invadido por um composto de mucopolissacarídeos e eletrólitos. 01-2004 ISSN 1678-8265 36 nozes”. Disso sofrem as estruturas do tecido. A sensibilidade à dor está aumentada e as fibras do conjuntivo estão quase totalmente danificadas. nela a dilatação arteriocapilar provocada pela estase acentua-se. P. As fases são: Ø Primeira Fase: Não é percebida pelos pacientes. formando um arcabouço fibroso. Ø Terceira Fase: É a fase dos nódulos propriamente ditos. Thesis Méd. . o fibro edema gelóide é considerado como incurável. Ø Segunda Fase: Considerada como a fase exsudativa. Aparecem os fibroblastos. 2002). 2 LAGÉZE. Sciatiques et Infiltrat Cellulalgiques.

2. Há retração esclerótica. não são comuns as grandes deformações. 2. 2002) distinguem-se três tipos de fibro edema gelóide. A pele fica cada vez mais seca. As arteríolas são atingidas. 01-2004 ISSN 1678-8265 37 Ø Quarta Fase: Com fibrose cicatricial.2.J. sendo os nervos comprimidos pelo conjunto de fibroses. Nesta forma. A celulite – causas e tratamentos. Europa-América. G.6 FORMAS CLÍNICAS DO FIBRO EDEMA GELÓIDE Segundo classificação feita por LEONARD 6 (1970 apud GUIRRO e GUIRRO.1 Fibro Edema Gelóide Consistente (Duro) A pele está tensa e apresenta característica granulosa sub dérmica. e apesar do espessamento cutâneo 6 LEONARD. As zonas atingidas conservam geralmente uma conformação bastante regular e uniforme. sendo que pode-se entender essas alterações teciduais como decorrência da tonicidade muscular associada ao problema. Sua incidência é maior em pessoas jovens e traduz estágios iniciais da patologia (ROSSI. Publ. Com uma regularidade quase constante percebem-se varicosidades. atrófica e irreversível. 2. ocorrendo uma endoarterite e uma periarterite. .6. 2001). rugosa. oferecendo resistência a sua mobilização.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 1970. A derme está espessada e aderente aos planos profundos. equimoses e extremidades frias.

Nestes casos. com as regiões atingidas manifestando uma deformação total. . em indivíduos com hipotonia muscular.2. às vezes muito firmes ou por vezes flácidas.6.2 Fibro Edema Gelóide Brando ou Difuso (Flácido) É a forma mais importante. encontram-se os tecidos superficiais sem a menor consistência. 2001).3 Fibro Edema Gelóide Edematoso Apresenta um aspecto exterior de um edema tecidual puro e simples. podendo apresentar estrias. 2001). 01-2004 ISSN 1678-8265 38 verificamos que a epiderme é de uma textura muito fina e delicada. Com o movimento. tornando-se difícil encontrar os contornos da área afetada. nota-se uma oscilação dos tecidos superficiais. Essa forma aparente do distúrbio é normalmente encontrada em indivíduos que praticam atividade física constantemente. Encontra-se quase que exclusivamente nos membros inferiores. apresentando inclusive a musculatura bem definida (GUIRRO e GUIRRO. 2002. e a consistência da pele é pastosa. Nos casos de indivíduos com peso normal ou abaixo. Pode apresentar-se em grandes ou pequenas proporções. 2. Apresenta consistência variável. 2002.6. tanto em número quanto nas manifestações aparentes. ROSSI.2. Na maioria das vezes é encontrado nos indivíduos que obtiveram perda de peso sem a associação da atividade física. 2. ROSSI.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. essa forma de fibro edema gelóide normalmente pode ser encontrada naqueles que são sedentários. os quais apresentam a massa muscular pouco desenvolvida (GUIRRO e GUIRRO.

fragilidade capilar. como insuficiência de retorno veno-linfático. equimoses. 2002). Sendo assim. que dispõem de uma gama de tratamentos e recursos que. 2002. 2001). Porém vale salientar que os melhores resultados serão obtidos quando o corpo for submetido a um tratamento que recupere a saúde e não que vise somente a eliminação do fibro edema gelóide. os melhores resultados são obtidos com procedimentos variados e complementares entre si. Há sinais e sintomas que destacam o comprometimento circulatório. a Fisioterapia Dermato Funcional dispõe de diversas técnicas que possuem finalidades positivas no tratamento do fibro edema gelóide (GUIRRO e GUIRRO. 2. proporcionam bons resultados. 01-2004 ISSN 1678-8265 39 situando-se quase sempre num grau médio entre esses dois extremos. prurido local. quando perfeitamente integrados. sensação de pernas cansadas e fadiga muscular (GUIRRO e GUIRRO. sendo assim.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. o tratamento envolve diversos profissionais.2. Encontramos a forma edematosa do fibro edema gelóide em qualquer faixa de idade ou de peso. Para isso. telangectasias. varizes. ROSSI. . sendo ainda muito importante a orientação da paciente para uma manutenção e/ou complementação doméstica (GUIRRO e GUIRRO. FRANCISCHELLI.7 ABORDAGENS TERAPÊUTICAS O fibro edema gelóide é um distúrbio de etiologia multifatorial. 2003). 2002.

principalmente o fumo. para se diminuir a retenção hídrica intersticial.2. Ø Em caso de sobrepeso.7. com diminuição da ingesta associada preferentemente com o aumento do gasto calórico.1 Prevenção 40 Segundo ROSSI (2001) existem algumas medidas úteis na prevenção do fibro edema gelóide: Ø Quando há edema associado. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. evitando-se a compressão de linfáticos do cavo poplíteo e inguino-crural. é interessante um aumento no fornecimento de fibras. Ø Técnicas de relaxamento devem ser introduzidas. para não permitir a compressão da rede linfática superficial e venosa. torna-se importante a redução de sódio e hidratos de carbono. visando diminuir o estresse diário. ricas em silício. o balanço calórico deverá ser negativo. Ø Os hábitos tóxicos devem ser abandonados ou reduzidos. Ø A atividade física deve ser estimulada.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. . Ø Como o silício participa ativamente da síntese de colágeno. presente em pessoas que trabalham sentadas. Ø O vestuário não deverá ser constritivo. Ø A posição preferencial durante o dia deverá ser corrigida.

A fisioterapia precoce diminui sobremaneira o risco de complicações. para cortar as fibras que repuxam a pele. desfazendo os nódulos. gelo.2 Tratamento Cirúrgico 41 Subcisão é uma técnica que consiste na introdução de uma agulha. A qualidade da pele e principalmente a capacidade de retração cutânea da paciente.3. 01-2004 ISSN 1678-8265 2.2.7. que também ajuda a elevar a pele. O procedimento só pode ser realizado por médicos habilitados. 2001).2.7. continuam sendo os critérios essenciais para a indicação operatória. e está indicado nos estágios mais avançados da celulite (ALVES. fazendo uso da drenagem linfática. O uso de uma meia elástica durante 24 horas durante 6 semanas é imprescindível após a intervenção. 2. corticosteróides.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.2. com ponta cortante. Os resultados serão visíveis dois meses após a intervenção. Além de liberar a pele. o hematoma decorrente do trauma leva à formação de tecido colágeno na região. 2002).3 Terapia Medicamentosa 2. 2003). por baixo do furinho da celulite. Neste grupo incluem-se anestésicos.1 Mesoterapia A mesoterapia visa utilizar a derme como receptora e difusora de pequenas quantidades de medicamentos.7. mas será preciso aguardar 6 meses para obter uma cicatrização definitiva (PARIENTI. ultra-som e laser (GUIRRO e GUIRRO. É necessária a anestesia local. .

a cada 2-3 meses como tratamento de manutenção (PARIENTI. A técnica tem origem francesa (GUIRRO e GUIRRO. . 2001). mas principalmente venosas e linfáticas (GUIRRO e GUIRRO. 2001). vasodilatadores e de substâncias que auxiliam o metabolismo do tecido conjuntivo. finalmente. potencialmente eficazes.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 2002. Faz-se cerca de dez injeções na zona celulítica. em seguida. O composto é injetado com aplicador tipo pistola. PARIENTI. o qual porta uma agulha. em determinadas regiões do organismo que apresentem sinais e sintomas de funções anormais (GUIRRO e GUIRRO. permitem tratar as enfermidades arteriais. Posteriormente é realizada uma sessão por mês durante 6 meses e. Os medicamentos vasoativos injetados. Os seguintes medicamentos podem ser utilizados: procaína 2%. 01-2004 ISSN 1678-8265 42 antibióticos. Esse método consiste em efetuar múltiplas injeções intradérmicas de uma mistura de diferentes substâncias farmacológicas. a cada 15 dias durante 2 meses. fonzylane. ou simplesmente se efetua a penetração através de pressão. Em cada ponto injeta-se 0. geralmente de 4mm. 2002). e outras substâncias utilizadas no tratamento do fibro edema gelóide. Essa mistura é composta de enzimas. 2002). A mesoterapia tem como objetivo difundir lentamente esses produtos em pequenas quantidades. esberiven. Realiza-se uma sessão por semana durante 3 semanas e.05 a 1ml da mistura medicamentosa escolhida.

melhorando o retorno venoso e a circulação arterial (GUIRRO e GUIRRO. podendo ser utilizados por via tópica. além de ginkgo biloba e rutina. J. com uso 7 HACHEM. 2002). Estudos experimentais demonstraram que o extrato de ginkgo biloba tem ação antiedematosa.2.7. Estes agem diminuindo a hiperpermeabilidade capilar e aumentando o tônus venoso.BOURGOIN. que contêm bioflavonóides. 2002). O silício é um elemento estrutural do tecido conjuntivo. sistêmica ou transdérmica. Dentre os ativos utilizados com ação no tecido conjuntivo.. Therap. cafeína. Etude anatomo clinique des effects de I extrait trite de centella asiatica dans la lipodystrophie localisee. 01-2004 ISSN 1678-8265 2.AU-2. A. Publi. ricos em saponinas.). aminofilina. Um estudo duplo-cego efetuado por HACHEM e BOURGOIN 7 (1979 apud GUIRRO e GUIRRO. modifica favoravelmente a permeabilidade capilar venosa e linfática (GUIRRO e GUIRRO. . supl. Dentre os princípios ativos atuantes na microcirculação encontram-se os extratos vegetais de hera e castanha-da-índia.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Os efeitos sistêmicos da cafeína quando utilizada por via tópica foram testados e revelam que as taxas séricas obtidas após uso criterioso de um gel hidroalcoólico a 5% foram inferiores às obtidas após ingestão de uma xícara de café. etc. Na microcirculação.. março.2 Ativos Farmacológicos 43 Os ativos farmacológicos utilizados na terapêutica do fibro edema gelóide atuam no tecido conjuntivo ou na microcirculação. Os princípios ativos conhecidos aos quais são atribuídos efeitos sobre o tecido adiposo são as metilxantinas (teobromina. 2002) em 35 mulheres afetadas por fibro edema gelóide. destacam-se o silício e a Centella asiática. teofilina.3. regulador e normalizador do metabolismo e da divisão celular. 1979.

7. Na análise histológica evidenciaram a ação da Centella asiática sobre a fibrose paniculada. foram executadas biópsias antes e após o tratamento. 2.3 Enzimas de Difusão As enzimas utilizadas para o tratamento do fibro edema gelóide tratam-se de mucopolissacaridases e de hialuronidases com ação despolimerizante. 2002).3. mobilizando edemas e infiltrados no tecido conjuntivo (GUIRRO e GUIRRO. da região deltóidea e trocantérica. Despolimerizando o ácido hialurônico. Para evidenciar os r esultados. pois estudos apontam o efeito deletério que esse recurso físico promove sobre as mesmas (GUIRRO e GUIRRO. tornando o tecido mais permeável à dispersão de outras substâncias e promovendo a reabsorção do excesso de fluidos. podendo explicar assim sua ação sobre o fibro edema gelóide. A hialuronidase é uma das enzimas presentes no interstício. As enzimas podem ser encontradas na forma de comprimidos.2. a hialuronidase reduz a viscosidade do meio intercelular. 01-2004 ISSN 1678-8265 44 oral de extrato de Centella asiática e placebo. supositórios. injetáveis e cremes. com a finalidade de assegurar uma absorção normal da substância fundamental amorfa através de todo o tecido conjuntivo.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. As técnicas de administração de princípios ativos utilizados pela fisioterapia são: corrente contínua (ionização) e ultra-som (fonoforese). sendo encarregada de manter o equilíbrio hídrico. 2002). . Deve-se evidenciar a não recomendação dos tratamentos que associam as enzimas ao ultra-som.

Os exercícios aeróbicos de longa duração e de intensidade moderada são os mais indicados para o tratamento do fibro edema gelóide (ZANI. no sentido de se promover uma boa circulação arterial e redução da estase venosa. face medial e trocantérica das coxas e região glútea. natação e ginástica aeróbica. o tônus muscular. pelo fato da circulação sanguínea e linfática ser deficiente. portanto. deve ser estimulada. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. dificultando o retorno venoso e linfático. 2001). Ø Aumento da flacidez músculo-tendínea.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. ROSSI. O tecido afetado pelo fibro edema gelóide é mal-oxigenado e mal nutrido.2. e prover maior aporte nutricional aos tecidos comprometidos (GUIRRO e GUIRRO.7. com aumento da massa gordurosa. são atividades que necessitam de energia para a contração muscular e esta é ofertada através da degradação das gorduras e açúcares presentes no organismo. As . 1994). notadamente na região abdominal. ajudam a queimar a gordura e a tonificar os músculos. além de melhorar a função cardiorrespiratória. Exercícios regulares melhoram a circulação. aumentar o fluxo linfático e o metabolismo.4 Terapia Física 45 Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002) o sedentarismo pode contribuir para o agravamento do fibro edema gelóide através dos seguintes mecanismos: Ø Diminuição da massa muscular. Isto pode favorecer o aparecimento de acúmulos de gordura. bicicleta. A atividade física. Ø Diminuição do mecanismo de bombeamento muscular dos membros inferiores. 2002. corridas. As atividades físicas como caminhadas. nódulos e placas celulíticas.

No caso da corrente galvânica pura os efeitos podem . ao contrário dos açúcares que são os primeiros a serem requisitados. 2002). porém sua degradação é mais demorada.1 Corrente Galvânica É utilizada na sua forma pura (galvanização) ou em associação a drogas despolimerizantes (iontoforese). Além do exercício localizado. pois estes melhoram a oxigenação e promovem a diminuição do estresse físico e mental (GUIRRO e GUIRRO. ele não é mais capaz de produzir o pico de tensão e desenvolve-se uma fraqueza com retração. Geralmente o fibro edema gelóide manifesta-se de forma localizada. A força muscular pode também ser alterada quando o tecido mole se encurta devido à adaptação que ocorre com o tempo. grande importância deve ser dada aos exercícios respiratórios e de relaxamento. 2003).5 Eletroterapia 2.2. A perda da flexibilidade. Para que as gorduras possam entrar como fornecedoras de energia os exercícios devem ser realizados por um intervalo de tempo maior. os exercícios resistidos são de grande importância para o desenvolvimento da força muscular. À medida que o músculo se encurta. daí a importância dos exercícios localizados. (GUIRRO e GUIRRO.5.7. pode também causar dor 2002). acima de 20 minutos (FERNANDES. visando desenvolver a musculatura local. aumentando o seu tônus.2. 01-2004 ISSN 1678-8265 46 gorduras fornecem mais energia que os açúcares. 2.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Dentre os exercícios localizados.7.

2001).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. obtidos de derivados vegetais (alcachofra.2 Correntes Diadinâmicas Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002) as correntes diadinâmicas que podem ser utilizadas no tratamento do fibro edema gelóide são: . enzimas proteolíticas (tiomucase). A duração é em média de 20 minutos. que quebram as longas cadeias de mucopolissacarídeos em cadeias menores. podendo-se realizar novas sessões após um descanso de 1 mês. 2001). 01-2004 ISSN 1678-8265 47 promover um incremento na nutrição do tecido afetado conseqüente ao aumento da circulação local. maior eliminação de água retida no interstício. 2. hera. 2001.2. Segundo PARIENTI (2001). gingko biloba).5. ROSSI. Os princípios ativos devem permitir o aumento do catabolismo lipídico. 2002). que é mais estimulante (GUIRRO e GUIRRO. que ocorre principalmente no nível do pólo negativo. tieroideanos (triiodotiroacetato).7. argila verde). promover a despolimerização dos mucopolissacarídeos e incrementar a microcirculação cutânea (ROSSI. os primeiros resultados aparecem em geral por volta da 6a ou 7a sessão de ionização. A iontoforese consiste em fazer penetrar no organismo substâncias medicamentosas ionizáveis através do revestimento cutâneo por meio de uma corrente elétrica unidirecional que possui propriedades polares iontoforéticas (PARIENTI. Existe uma série de ativos utilizados em eletroterapia. minerais (silício. O número de sessões é de 20.

5. maior intensidade o paciente suportará. 2002). O objetivo desta modalidade terapêutica é propiciar o fortalecimento e/ou hipertrofia muscular. Ø A corrente ritmo sincopado (RS): provoca contrações rítmicas das fibras musculares. maior o número de unidades motoras recrutadas (GUIRRO e GUIRRO. maior a profundidade do campo elétrico e. pois quanto mais agradável for. bem como o aumento da circulação sanguínea e linfática. além de promover melhora dos transtornos circulatórios. porém.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.7.3 Correntes Excitomotoras A estimulação elétrica neuromuscular (NMES) é um importante complemento no tratamento do fibro edema gelóide. melhorando a hipotonia muscular associada. é extremamente desagradável. conseqüentemente.2. Um ponto importante a ser observado é a sensibilidade do paciente. 2. 01-2004 ISSN 1678-8265 48 Ø A corrente difásica (DF): proporcionando analgesia temporária. melhorando assim o trofismo dos tecidos. pois eleva o limiar de excitação das fibras nervosas sensitivas. . Ø A corrente curtos períodos (CP): indicada para situações que necessitem de aumento de circulação local ou segmentar. Ø A corrente monofásica (MF): possui uma predileção no sentido de atenuar a tonicidade vascular simpática e estimular o metabolismo do tecido conjuntivo.

que consiste da localização de dois eletrodos do tipo placa sobre cada extremo do ventre muscular a ser estimulado. Vários pares de agulhas finas (0. aumento da circulação e aumento do metabolismo (ROSSI. os quais estão localizados na área onde o nervo penetra no epimísio. distribuídos portanto em 6 canais. com um ritmo semanal de 2 a 3 vezes. redução dos depósitos adiposos. 2001). em sessões com duração de 1520 minutos. sensitivo e motor.2. são ligadas a correntes de baixa .Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Os pontos motores são as áreas ótimas para a estimulação elétrica dos músculos esqueléticos. serão menores nestes pontos. 2002). de modo que a corrente atravesse o músculo em todo o seu comprimento (GUIRRO e GUIRRO. O número de sessões está compreendido entre 15 e 30.3mm) e longas (5 a 15cm). podendo ser trabalhados 6 grupos musculares (ROSSI. poderemos ter uma boa contração muscular. Quando não se tem o conhecimento da localização dos pontos motores. desempenhando o papel de eletrodos.5. 2001).5 a 60 Hz. 01-2004 ISSN 1678-8265 49 Geralmente os equipamentos dispõem de 6 eletrodos positivos e 6 eletrodos negativos. Os limiares.4 Eletrolipoforese Trata-se de um procedimento que consiste em veicular ondas elétricas de intensidade e de freqüência definidas. recomenda-se a aplicação da técnica mioenergética. 2. Trabalhando-se com correntes de baixa freqüência (até 300Hz). Os resultados esperados e obtidos além de 10 sessões são representados por uma tonificação seletiva dos músculos.7. em torno de 0.

2. é considerado de uso médico (GUIRRO e GUIRRO. A duração da sessão é de 50 minutos. associada ao rolamento (manobra do “palper-rouler”) exercido pelos rolos presentes no cabeçote. onde é utilizada a pressão negativa na sucção. . criando um campo elétrico entre elas (GUIRRO e GUIRRO. que utiliza-se de um aparelho que permite uma dupla ação sinérgica de aspiração e mobilização dérmica. e o espaço entre eles é determinado pela espessura da dobra cutânea. A pele é aspirada pela depressão de ar criada entre os dois roletes motorizados que deslizam sobre a pele. Atribui-se ao tratamento uma modificação do meio intersticial. Como o processo é considerado invasivo.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. A intensidade da corrente utilizada varia de 5 a 40 mA e a freqüência é escolhida entre 5 e 500 Hz. 2001). que favorece trocas metabólicas. sendo que a implantação das agulhas pode ser alterada a cada sessão de acordo com a localização dos enchimentos celulíticos (PARIENTI. sendo realizada uma vez por semana. Esta técnica permite a redução do fibro edema gelóide bem como uma melhor condição da pele (LOPES. O cabeçote faz a função de “apalpar-sugarrolar”. 2002). 2001). e ainda lipólise. 01-2004 ISSN 1678-8265 50 intensidade. logo é formado por uma câmara de aspiração onde o estancamento é garantido por válvulas laterais e longitudinais. PARIENTI. 2003). 2002. O número de sessões varia de 3 a 6.6 Endermologia A endermologia é uma técnica terapêutica.7.2.

com ação inclusive nas etapas mais avançadas do distúrbio. pode-se citar como ações resultantes do tratamento com endermologia a ação lipolítica (pela ação mecânica). atenuar eventual desconforto provocado pela aspiração e pinçamento da prega cutânea pelo cabeçote. drenagem linfática e eliminação dos resíduos metabólicos (através da ação de hipervascularização associada ao desfibrosamento do tecido conjuntivo. a endermologia estimula a dissolução dos nódulos e libera as aderências teciduais. bem como favorece na diminuição dos transtornos circulatórios. . antes da sessão de tratamento com a endermologia a paciente poderá vestir-se com uma malha finíssima em tecido sintético antialérgico. Além disso. suavizando o aspecto acolchoado da pele. que terá como função ser uma segunda pele. Logo. tonificação da pele (pelo estímulo gerado no fibroblasto associado ao descongestionamento dos tecidos) e desestresse muscular (por diminuir as tensões e otimizar as trocas tissulares) (LOPES. além de garantir maior higiene ao tratamento. 2002). reverter o processo patológico do fibro edema gelóide instalado no tecido conjuntivo hipodérmico (SILVA. As funções do tratamento com a endermologia no fibro edema gelóide consistem em melhorar a maleabilidade do tecido. 2003). através de ação puramente mecânica. A endermologia visa. 01-2004 ISSN 1678-8265 51 Segundo LOPES (2003). garantindo uma melhor circulação dos fluidos).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. e facilitar as manobras e o deslizamento dos roletes em todas as regiões do corpo.

neoformação de vasos sanguíneos e regeneração dos linfáticos. A drenagem linfática manual da região glútea começa no nível dos gânglios inguinais.2.7. 2. 2002). diante do quadro de estase sanguínea e linfática. PARIENTI. As respostas decorrentes dos efeitos secundários são: vasodilatação no nível da microcirculação. sendo que quantidades de energias maiores. próximas de 6 J/cm² são indicadas para processos de regeneração tecidual (GUIRRO e GUIRRO. regeneração de fibras nervosas. dessa forma. 2002. A técnica consiste em captar o líquido intersticial excedente que originou o edema e evacuá-lo em direção aos corredores de reserva ganglionares. antálgica e circulatória. mantendo. dando ênfase às ações antiedematosa e fibrinolítica. Deve-se levar em conta o fato de .2. ação da histamina sobre os esfíncteres capilares. LEDUC e LEDUC. 2000). Contudo.8 Drenagem Linfática É de grande valia no tratamento do fibro edema gelóide. os círculos com os polegares drenam as faces externas das nádegas. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. (GUIRRO e GUIRRO.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. É sabido que a irradiação com energias próximas de 3 J/cm² exercem uma ação antiinflamatória.7.7 Laser 52 É possível relacionar os efeitos da radiação laser no tratamento do fibro edema gelóide. o equilíbrio hídrico dos espaços intersticiais. 2001. para se conhecer a verdadeira ação do laser sobre o fibro edema gelóide há necessidade de estudos mais acurados. estando a paciente em decúbito ventral. Em seguida.

Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002). a massagem não representa mais que um coadjuvante no tratamento do fibro edema gelóide. e melhora das propriedades mecânicas do tecido (GUIRRO e GUIRRO. As manobras de demanda são seguidas por manobras de pressão. 2002).7. os círculos com os polegares ou com as falanges distais dos dedos forçam a linfa do terço interno da nádega em direção à sua face interna e à raiz da coxa. ao passo que o terço interno é drenado pela via interna em direção ao grupo ganglionar inguinal súpero-interno.9 Ultra-som O uso do ultra-som no tratamento do fibro edema gelóide está vinculado à sua capacidade de fonoforese. 01-2004 ISSN 1678-8265 53 que os dois terços externos da nádega são drenados pela via externa em direção aos gânglios inguinais. .Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Então. 2000). A massagem promove analgesia. além de promover neovascularização com conseqüente aumento da circulação. incremento na circulação sanguínea e linfática. devido à etiologia multifatorial. 2.2. não devendo ser utilizada como recurso terapêutico único e completo. A drenagem linfática manual da região glútea termina com a drenagem dos grupos superiores dos gânglios inguinais (LEDUC e LEDUC. auxilia na penetração de produtos com princípios ativos específicos. rearranjo e aumento da extensibilidade das fibras colágenas. e aumenta a maleabilidade tecidual.

. para o tratamento das mais diversas lesões do sistema músculo-esquelético. O cristal contrai sob a influência de uma corrente elétrica em uma determinada direção e expande-se quando a corrente elétrica for revertida. 2001. O ultra-som foi originalmente produzido através de um cristal de quartzo vibrante quando submetido a uma corrente de alta freqüência. 01-2004 ISSN 1678-8265 54 2. a primeira aplicação do ultra-som em medicina. Atualmente. 1996b. ROBERTSON e BAKER. sendo que a partir de então sua evolução progrediu rapidamente. Quando a corrente for desligada o cristal retorna a sua forma original (FUIRINI e LONGO. produzindo ondas por compressão e descompressão. A liga entre chumbo. o ultra-som é muito utilizado no tratamento do fibro edema gelóide. a energia ultra-sônica está entre as mais utilizadas pelos profissionais fisioterapeutas. 2001). 1996). Além disso. LONGO. zircônio e titânio é um excelente sintético pela sua durabilidade e eficiência em converter corrente elétrica em vibrações mecânicas. são utilizados cristais cerâmicos sintéticos. com sucesso. embora as bases fisiológicas de seus efeitos sejam ainda bastante desconhecidas (GUIRRO et al. sendo descoberto por Langevin em 1917..3 ULTRA-SOM Foi no final da década de 40 e início da década de 50 que se conseguiu.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. A vibração aciona as partículas do meio. Hoje.

3. procedimento este que visa garantir a intensidade de saída a mais próxima possível da intensidade selecionada no painel do aparelho. GUIRRO et al. 1996). relatam que neste recurso a intensidade pode variar de 0.000 ciclos/s.. (1996a). O efeito piezoelétrico foi descoberto por Pierri e Jacques Curie. As ondas ultra-sônicas são ondas longitudinais e provocam oscilações nas partículas do meio onde se propagam. E também destacam que para a obtenção de um efeito terapêutico satisfatório o aparelho de ultra-som terapêutico deve estar devidamente calibrado. GUIRRO et al.. as quais são mais altas que a faixa de audição humana.0 Watts/cm² na maioria dos aparelhos. fenômeno conhecido como efeito piezoelétrico inverso (GUIRRO et al. 1996b). A freqüência para diagnóstico de imagem varia de 5 a 20 Mega Hertz (MHz) e para terapia de 0. Ao se colocar um material piezoelétrico num campo elétrico.000 de ciclos por segundos (ciclos/s). 2002. .7 a 3 MHz (FUIRINI e LONGO. 1997). Os transdutores ultra-sônicos convertem a energia elétrica em energia mecânica e viceversa (GUIRRO e GUIRRO.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. e consiste na formação de cargas elétricas na superfície de certos materiais sujeitos a pressões mecânicas. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. em 1880.000 a 20. conectado a uma cerâmica piezoelétrica sintética (titanato zirconato de chumbo – PZT). a qual se deforma na presença de um campo elétrico.1 a 3. Possuem freqüências que variam de 20.1 GERAÇÃO DA ONDA ULTRA-SÔNICA 55 O equipamento de ultra-som terapêutico consiste de um gerador de corrente elétrica de alta freqüência. as cargas da rede cristalina interagem com o mesmo e produzem tensões mecânicas. que varia de 20 a 20.000.

Ondas longitudinais são transportadas em meios líquidos não viscosos. e portanto. as partículas se deslocam paralelamente à direção do som. 1996).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. com comprimentos de ondas também diferentes (GUIRRO et al. Ondas transversais são formas comuns de propagação de ondas em meios sólidos. . As ondas estacionárias poderão ocorrer se parte das ondas forem refletidas por uma interface entre meios com impedâncias acústicas diferentes. embora com velocidades diversas. Ondas estacionárias poderão ser produzidas se a onda que incide na interface e a onda refletida na interface se tornarem superpostas a tal ponto que seus picos de intensidade se somem (LOW e REED. líquidos e sólidos. por exemplo. capazes de se propagar através de gases. as transversais e as estacionárias. A alternância de pressão alta e baixa exercida pelo feixe de ultra-som resulta em regiões de compressão (elevada densidade de partícula) e de rarefação (baixa densidade de partícula) ao longo do caminho da onda. as partículas se deslocam perpendicularmente à direção da onda sonora. 01-2004 ISSN 1678-8265 56 Os sons e os ultra-sons são vibrações elásticas. YOUNG. FUIRINI e LONGO. como. em relação a cada meio. 1996b).. osso e músculo. A longitudinal ou compressional é a onda mais comum. 2. 2001. Na transversal ou de cisalhamento. com amplitude e comprimento de onda determinados.3. 1998.2 TIPOS DE ONDAS Podem ser produzidos três tipos de ondas: as longitudinais.

e as ondas de polarização transversal propagam-se somente em meios sólidos (GUIRRO et al. principalmente pela utilização estática prolongada do aplicador ultra-sônico em um dado ponto e numa intensidade elevada (GUIRRO et al. 2. Segundo FUIRINI e LONGO (1996). ROBERTSON e DUCK (2001).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. sem modulação. na prática. o modo contínuo se caracteriza por ondas sônicas contínuas. 1996b).3. . 01-2004 ISSN 1678-8265 57 As ondas estacionárias ocorrem. 2002). assumindo que os efeitos não térmicos serão acompanhados por algum aquecimento pela interação entre o tecido e o ultra-som. O modo pulsado apresenta características como ondas sônicas pulsadas. uma vez que os tecidos moles do corpo humano podem ser considerados como um fluído.3 MODOS DE PROPAGAÇÃO Há dois regimes de pulso comumente empregados na prática clínica do ultrasom terapêutico. alteração da pressão e micromassagem. com efeitos térmicos. e sim que os dois efeitos não podem ser separados. sendo simultaneamente térmico e mecânico.. BAKER. o contínuo e o pulsado (GUIRRO e GUIRRO. modulação em amplitude com freqüências de 16 Hz a 100Hz. efeitos térmicos minimizados e alteração da pressão. Nos equipamentos de ultra-som terapêutico somente a onda longitudinal é utilizada. 1996b). referem não concordar em assumir que apenas um efeito é presente durante uma terapia. em uma revisão dos efeitos biofísicos do ultra-som terapêutico..

As vibrações ultra-sônicas causam compressões e expansões nos tecidos em uma mesma freqüência que é emitida pelo aparelho.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. O efeito mecânico. O microfluxo acústico é resultado da pressão . fenômeno este denominado de cavitação (GUIRRO et al. dentre outros efeitos conseqüentes destas alterações. Os efeitos não térmicos resultantes principalmente da cavitação exercem efeitos marcantes na estimulação celular e em microorganismos. ou mesmo células. 2002). O colapso dessas bolhas libera energia que pode romper as ligações moleculares. 1996b). e aumenta o metabolismo celular.. a força de radiação produz uma alteração na permeabilidade da membrana celular. 1996b). As forças de radiação (pressão acústica) podem deslocar. 01-2004 ISSN 1678-8265 58 Na forma pulsada predominam os efeitos não térmicos ou mecânicos – cavitação estável. o suprimento de oxigênio e nutrientes.. portanto. facilita o fluxo sanguíneo. com relação às suas configurações normais. também é chamado de micromassagem. Sob efeito da micromassagem. Já a cavitação instável pode promover danos teciduais decorrentes das altas temperaturas e pressões geradas em razão da liberação de energia no instante da ruptura da bolha de ar. alterando a permeabilidade de membranas. e esta consiste na reação mecânica dos tecidos devido à pressão da onda ultra-sônica (GUIRRO et al. micro-fluxo acústico e força de radiação. altamente reativos (GUIRRO e GUIRRO. Evitando-se a cavitação instável. os gases existentes nos tecidos podem resultar em pequenas bolhas de ar que oscilam através do campo ultra-sônico. distorcer e/ou reorientar partículas intercelulares. provocando a produção de radicais livres.

.4. já que essa não é modulada e emite feixes de onda contínuos. 1998. O aumento da temperatura está relacionado com o aumento do tempo de aplicação ou da intensidade utilizada.4 CARACTERÍSTICAS DO ULTRA-SOM 2. aumento na permeabilidade da membrana e na distensibilidade das fibras colágenas. 2002).1 Atenuação A perda de energia pelo feixe de ultra-som nos tecidos é denominada de atenuação (HARR. Esse aumento da temperatura tecidual ocasionará um aumento do fluxo sanguíneo local. . não havendo tempo hábil por parte do sistema circulatório sanguíneo para o resfriamento do tecido. A tabela 1 mostra os coeficientes de atenuação (citados em decibel/centímetro/Mega Hertz) relativos para diferentes tecidos biológicos. 1996b). 2.3.3. O efeito térmico decorre da absorção das ondas mecânicas pelo tecido e sua conversão gradual em calor.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. podendo trazer respostas benéficas ou deletérias ao organismo. LOW e REED. É predominante na forma de onda contínua. 2001). levando a um aumento da capacidade de regeneração de tecidos lesados e da elasticidade tecidual (GUIRRO et al . 01-2004 ISSN 1678-8265 59 de radiação exercida pela onda ultra-sônica quando desloca-se através de um meio compressível como uma suspensão de célula ou tecido (GUIRRO e GUIRRO.

chamada de impedância acústica (HARR. Manole.4. à medida que o feixe de u ltra-som segue sua trajetória através dos tecidos é conhecido como queda exponencial (HARR. Essa diminuição de intensidade é causada pela difusão do som em um meio heterogêneo. 01-2004 ISSN 1678-8265 Tabela 1 .3-3. sobre sua forma de feixe. pela reflexão e refração nas interfaces e pela absorção do meio (FUIRINI e LONGO. 2.3. 1996). . 3-30.3 20 41 342 (1MHz) 0. p.6 1.0 1. In: KITCHEN. a amplitude e a intensidade diminuem à medida que as ondas de ultra-som. Eletroterapia de Clayton.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. BAZIN.2 Reflexão Os tecidos oferecem uma resistência à passagem de ultra-som. Segundo FUIRINI e LONGO (1996).2 0. 1998). Gail T. O modo pelo qual a intensidade vai caindo. Propriedades eletrofísicas.002 60 Fonte: HARR. 1998).Coeficiente de atenuação do ultra-som nos tecidos. São Paulo. Tecido Sangue Gordura Fígado Músculo Osso Pulmão Ar Água Atenuação (db/cm/MHz) 0. Sarah. passam através de um meio. 1998. Sheila. 10ª ed.

por exemplo. Interfaces Água/Tecido mole* Tecido mole/Gordura Tecido mole/Osso Tecido mole/Ar PZT/Ar % de reflexão 0. LONGO...Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Já a onda transmitida continua a se propagar após a interface. J. A onda refletida na interface retorna através do meio incidente com a mesma velocidade com que se aproximou da mesma. quando a onda encontra uma interface. G. Esta terceira onda recebe a denominação de onda estacionária. Ultra-som.2 1 15-40 99. sangue. Jr. N.99 Os valores disponíveis de impedância acústica para tecidos moles. Fonte: FUIRINI. . com amplitudes variando de zero até duas vezes a amplitude da onda incidente. Tabela 2 – Porcentagem da onda incidente refletida pelas várias interfaces. essa reflexão pode ser parcial ou completa (quando toda energia é impedida de entrar na próxima camada de densidade) (FUIRINI e LONGO. 1996. Quanto maior a diferença das impedâncias acústicas dos meios (tecidos). formando uma terceira onda. Se os dois meios possuírem a mesma impedância acústica a reflexão não ocorrerá. parte dela é refletida e parte é transmitida. A onda refletida pode sobrepor-se a uma nova onda incidente. 2001). com propriedades acústicas diferentes. mas com velocidade característica do segundo meio (GUIRRO et al. maior será a quantidade de energia ultra-sônica refletida (FUIRINI e LONGO. Assim. 01-2004 ISSN 1678-8265 61 A reflexão ocorre quando uma onda não consegue atravessar a próxima densidade. 1996. Amparo: KLD – Biossistemas equipamentos eletrônicos Ltda. 1996). Quando ocorre. STARKEY. devido a uma diferença da impedância acústica dos meios.9 99. A tabela 2 mostra as porcentagens da onda incidente refletida pelas várias interfaces. fígado e músculos são muito semilares que a reflexão é desprezível. 1996b).

1991). freqüência do ultra-som. quantidade de água ou gordura. refratada ou absorvida.4.3 Refração 62 Refração é um desvio da onda de som nas várias interfaces dos tecidos. até atingir uma camada com outra densidade. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. A absorção do ultra-som depende da impedância acústica do tecido.4. Nesse ponto. Qualquer energia não refletida ou absorvida por uma camada de tecido continua a atravessar o tecido. ângulo de refração. quantidade de proteína do tecido. O feixe ultra-sônico deverá ser aplicado sempre perpendicularmente a superfície de tratamento. pois um desvio maior que 15º com a normal provoca um ângulo de refração de tal maneira que a onda incidente terá parte refletida e o restante refratado em direção paralela a interface. 2.4 Absorção As ondas ultra-sônicas são absorvidas pelos tecidos e transformadas em calor (MACHADO. 2001). densidade do tecido e suas interfaces.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. refratada ou absorvida ou passar para o próximo tecido. Cada vez que a onda é parcialmente refletida.3. e sai desse tecido ou interface a um ângulo diferente. ângulo de incidência. 1996). reflexão. viscosidade do fluido. ela pode ser refletida. tornando o tratamento ineficaz (FUIRINI e LONGO.3. chamado de ângulo de incidência. A onda de som penetrará no tecido ou interface a um ângulo. . diminui a energia remanescente disponível para os tecidos mais profundos (STARKEY. Os tecidos podem absorver parte ou toda energia neles introduzida.

1996).5 Transmissão As ondas de ultra-som se propagam mais facilmente em determinados tecidos que em outros. 1996). 2. hemoglobina. 2002). Quando as impedâncias acústicas dos dois meios são similares. Em contrapartida. cápsulas intra-articulares.3.6 cm de gordura subcutânea (FUIRINI e LONGO. como na interface músculo-osso. Isto é determinado pela impedância acústica característica de cada tecido (FUIRINI e LONGO.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. podem ocorrer reflexões e alterações na propagação e absorção do feixe (GUIRRO e GUIRRO.4. . Por exemplo. tendões com alta concentração de colágeno. e a uma freqüência de 3 MHz a sua intensidade diminui em 50% ao atravessar 1. 01-2004 ISSN 1678-8265 63 refração e ondas transversais. a uma freqüência de 1 MHz a intensidade diminui em 50% ao atravessar 5 cm de gordura subcutânea. quase toda a intensidade é transmitida. Segundo FUIRINI e LONGO (1996). nas interfaces teciduais. ligamentos. o ultra-som é bem absorvido por proteína em tecido nervoso. proteína no músculo. não obtendo uma boa absorção pela pele e gordura.

Com relação aos efeitos atérmicos YOUNG (1998). refere que existem muitas situações em que o ultra-som produz bioefeitos. Com isto. produzindo assim o efeito térmico.5 EFEITOS DO ULTRA-SOM 64 2.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.3. Esse efeito é decorrente da absorção das ondas ultra-sônicas pelo tecido.5. As ondas ultra-sônicas ao penetrarem no tecido provocam uma vibração a nível celular (micromassagem).3. tem-se um aumento da permeabilidade da membrana. mas que apesar disso não há envolvimento de uma temperatura significativa. A vibração celular e de suas partículas provoca um atrito entre elas.1 Físicos Quando o ultra-som penetra no corpo. No ultra-som com feixe contínuo prevalece o efeito térmico. 1991). pode exercer um efeito sobre as células e tecidos mediante dois mecanismos físicos: térmico e atérmico (YOUNG. e uma aceleração dos processos osmóticos. não ocorrendo o mesmo com o feixe ultra-sônico pulsátil (MACHADO. O som atenua-se à medida que atravessa um meio ou diminui sua intensidade durante este trajeto. acelerando a velocidade de difusão de íons através da membrana celular. 1998). O efeito térmico do ultra-som é considerado de grande importância. Parte dessa atenuação é causada pela conversão da energia em calor por . transformando-se em calor. O potencial da membrana é alterado produzindo a sua despolarização (MACHADO. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. 1991).

Tecidos com elevado conteúdo protéico absorvem mais rapidamente que aqueles com maior conteúdo de gordura.5. o ultra-som pode produzir efeitos tais como a inversão do açúcar da cana.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. seu grau de vascularização. Esta temperatura produz um temporário aumento da extensibilidade de estruturas colágenas. O aquecimento do tecido é causado pelo coeficiente de absorção (FUIRINI e LONGO. hidrólise. . tanto pela difusão térmica como pelo fluxo sanguíneo local (YOUNG. 01-2004 ISSN 1678-8265 65 absorção e o restante. MACHADO. aliviando a dor e diminuindo a rigidez articular (GUIRRO e GUIRRO. o ultra-som age como um catalisador nas reações químicas. Para se obter efeitos terapêuticos do ultra-som pelo aquecimento sem lesão. exercendo grande influência no poder de catálise das enzimas e foto-reações (FUIRINI e LONGO. e da freqüência do ultra-som.2 Químicos Segundo FUIRINI e LONGO (1996). pela reflexão e refração do feixe. Em geral. maior a absorção. 1996. oxidação e despolimerização de polímeros de cadeias longas. 2. 1991). o calor é então dissipado. 1998). cristalizações de soluções supersaturadas. e quanto maior a freqüência. 2002). Uma vez gerado. acelerando as trocas químicas. cristalização.3. a temperatura do tecido deve manter-se entre 40 e 45ºC por aproximadamente cinco minutos. A quantidade de absorção depende da natureza do tecido. 1996).

citam o aumento da taxa metabólica dos tecidos. aumento da taxa de sínteses de proteínas. Segundo FUIRINI e LONGO (1996). liberação de histaminas e agentes quimiotáxicos.5. diminuição da atividade elétrica dos tecidos. 2000).4 Biológicos No corpo humano. promoção da oscilação dos tecidos. 1996). .Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Com relação aos efeitos térmicos FUIRINI e LONGO (1996). do movimento dos fluídos e da circulação nos vasos sanguíneos expostos a ondas estáveis.3. quando submetidas à pressão. Isso possivelmente deve-se ao fato de que a aplicação de ultra-som em proteínas atrai os metabólitos eletrofílicos liberados durante a isquemia e dor (FUIRINI e LONGO. as mudanças biológicas decorrentes dos efeitos não térmicos do ultra-som terapêutico seriam o aumento da permeabilidade das membranas e difusão celular. Moléculas grandes como proteínas e celulose. aumento da elasticidade do colágeno. o ultra-som exerce vários efeitos pronunciados sobre os tecidos biológicos (HARRELSON. aumento do transporte dos íons de cálcio através das membranas das células.3. exibem mudanças elétricas em suas superfícies.3 Elétricos 66 O ultra-som é capaz de mudar as soluções eletrolíticas e causar trocas de íons. aumento da síntese de colágeno. 2. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. WEBER e LEAVER-DUNN.5. aumento da atividade enzimática nas células. degranulação de mastócitos. promoção de mudanças vasculares concomitantes.

5 Terapêuticos Os efeitos não térmicos terapêuticos seriam a regeneração tissular e reparação dos tecidos moles. diminuição de espasmos musculares. estimulação do calo ósseo.5. E os efeitos térmicos seriam o aumento de mobilidade da articulação. aumento da circulação tissular. normalização do tônus muscular. aumento das propriedades viscoelásticas dos tecidos conjuntivos. diminuição da sensibilidade dos elementos neurais. redução de espasmos musculares. diminuição de espasmos. 1991). 1996).5. 2002. 2001. aumento da extensibilidade em tecidos ricos em colágeno.6 Fonoforese Fonoforese ou sonoforese é um termo que descreve a habilidade do ultra-som em incrementar a penetração de agentes farmacológicos ativos através da pele. 1996). estimulação das fibras nervosas aferentes (FUIRINI e LONGO. ativação do ciclo do cálcio. 01-2004 ISSN 1678-8265 67 aumento da extensibilidade do colágeno. 2.3. Tratase de uma eficiente alternativa de transporte de substâncias além da utilização medicamentosa via oral. resolução de processos inflamatórios crônicos (FUIRINI e LONGO. alívio da dor. efeito sobre os nervos periféricos.3. 2. .Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. MACHADO. aumento da circulação sanguínea. LOW e REED. aumento da taxa de atividade enzimática. síntese de proteína. ou injeções intradérmicas (GUIRRO e GUIRRO.

STARKEY. 1991). 2000). Há várias evidências de que o ultra-som possa promover a penetração de substâncias químicas.3. um efeito não térmico. neuroma. distúrbios do sistema nervoso simpático.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. WEBER e LEAVER-DUNN. 01-2004 ISSN 1678-8265 68 A agitação e o movimento rápido e contínuo das moléculas no trajeto das ondas sonoras. Neste caso a dose deve ser cuidadosamente selecionada uma vez que as enzimas se desnaturam em temperaturas acima do limite suportável (GUIRRO e GUIRRO. MACHADO. FUIRINI e LONGO 1996. contraturas. 2002). A cavitação ultra-sônica é tida como responsável pela permeabilização de células e tecidos de interesse para aplicações farmacêuticas. 2. luxações e fraturas. 2002. distensões. pontos gatilhos. espasmos musculares. transtornos circulatórios. O aumento da permeabilidade de membrana promovida pelo ultra-som é o fator que torna possível a maior penetração de fármacos no organismo (GUIRRO e GUIRRO. em condições inflamatórias agudas e crônicas. 2001. uma vez que o feixe ultra-sonico é capaz de alterar os potenciais de membrana. . Entre elas pode-se citar traumatismos do tecido ósseo. 2002). Na área de dermatologia a fonoforese é utilizada principalmente com enzimas de difusão.6 INDICAÇÕES As indicações do ultra-som são amplas. em reparo de lesões. no fibro edema gelóide. poderia ser responsável em partes pelo efeito positivo da fonoforese (HARRELSON. entre outras (GUIRRO e GUIRRO. de articulações e músculos como anomalias pós-traumáticas.

Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 01-2004 ISSN 1678-8265 2.3.7 CONTRA-INDICAÇÕES

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O ultra-som pode ser uma terapia efetiva, ou um risco potencial, dependendo de como é aplicada esta modalidade. Existem listas de contra-indicações e precauções como: áreas isquêmicas, tromboflebite e varizes, diretamente sobre endopróteses e implantes metálicos, sobre útero gravídico, tumores cancerígenos, sistema nervoso, áreas anestesiadas, infecção ativa, gônadas, área cardíaca, olhos, hemofílicos não tratados e placas epifisárias (YOUNG, 1998; STARKEY, 2001; FUIRINI e LONGO 1996; LOW e REED, 2001; GUIRRO e GUIRRO, 2002).

2.3.8 APLICAÇÃO DO ULTRA-SOM

2.3.8.1 Calibração

Segundo YOUNG (1998), o aparelho deve ser calibrado regularmente, em comparação a um dispositivo de calibração confiável, como um comparador de radiação, sendo muito importante saber que a leitura do medidor de saída de potência do aparelho não é uma orientação acurada. Estudos relatam a falta de uma apropriada calibração nos aparelhos de ultra-som utilizados, o que vem a se confirmar pela pesquisa de ARTHO et al. (2002), que publicaram um trabalho com o propósito de verificar aparelhos de ultra-som usados nas clínicas com relação à calibração de intensidade e de precisão de tempo. Foram obtidas medidas de 83 aparelhos de ultra-som em uso, esses que foram testados em 4

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intensidades (0.5, 1.0, 1.5, e 2.0 W/cm2) usando o modo contínuo com uma freqüência de 1 MHz. As intensidades e os cronômetros medidos foram convertidos a porcentagens de erro e comparados com o padrão (±20% para intensidade e o ±10% padrão para precisão de cronômetro). Como resultado foram encontrados 32 (39%) aparelhos fora do padrão de calibração para pelo menos uma das intensidades testadas. Destes aparelhos, 15 (18%) estavam dentro dos limites de 20%, e 17 (21%) estavam abaixo, para pelo menos uma das intensidades. Dos 32 aparelhos fora do padrão, 26 (31%) estavam fora para 2 ou mais intensidades, e 3 (4%) não respondiam a nenhuma delas. Dos cronômetros mecânicos testados, 7 (28%) estavam fora dos ±10% para precisão de cronômetro ao intervalo de 5 minutos, e 6 (24%) estavam fora do intervalo de 10 minutos. Todos os cronômetros digitais testados estavam obedecendo o valor estipulado. Concluíram, então, que mais de um terço de máquinas testadas neste estudo estavam fora do padrão para a intensidade, e aproximadamente um quarto dos cronômetros mecânicos para o tempo, sendo necessário melhorias adicionais na precisão dos aparelhos. A possibilidade de calibração do ultra-som terapêutico, no momento, está exclusivamente nas indústrias fabricantes. Contudo, o teste de cavitação deve ser realizado periodicamente indicando a emissão ou não da energia ultra-sônica. Neste teste a cavitação deve ser visível na intensidade de 0,1 W/cm², no modo contínuo. Apesar de ser uma análise qualitativa o teste pode fornecer uma indicação da intensidade emitida pelo transdutor, onde a uma potência de 5,5 a 6,0 W, a qual corresponde a uma intensidade entre 1,3 a 1,8 W/cm², pode-se observar a nebulização

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da água, desde que a freqüência de oscilação da cerâmica esteja próxima da normalidade (GUIRRO e SANTOS, 1997; GUIRRO e GUIRRO, 2002).

2.3.8.2 Agentes de Acoplamento

Os agentes de acoplamento são usados nas aplicações do ultra-som terapêutico em virtude deste não se propagar no ar, fazendo com que o coeficiente de atenuação entre os dois meios envolvidos se tornem similares, e assim quase toda a intensidade incidente seja transmitida (GUIRRO e SANTOS, 1997). A impedância acústica similar à dos tecidos, alta transmissibilidade para o ultrasom, alta viscosidade para agir como um lubrificante entre o transdutor e a parte que está sendo tratada, baixa suscetibilidade para a formação de bolhas, natureza quimicamente inativa, caráter hipoalergênico, esterilidade relativa, além de ser transparente e de baixo custo, são requisitos para a escolha do meio de acoplamento (LOW e REED, 2001; GUIRRO e GUIRRO, 2002; YOUNG, 1998). Os agentes de acoplamento mais utilizados são os géis preparados comercialmente, a água e o óleo mineral (HARRELSON, WEBER e LEAVER-DUNN, 2000). Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002), existe uma grande variedade de agentes de acoplamento utilizados na prática clínica: gel, glicerina, água desgaseificada, parafina líquida, entre outros, sendo o gel hidrossolúvel e a água desgaseificada considerados como os materiais com maior eficiência. Estudos demonstram que a energia transmitida nos diferentes meios f i sempre inferior à incidente. O autor cita o

sendo melhor realizado quando a superfície a ser irradiada é razoavelmente plana. STARKEY. 2002. o que dificulta o bom contato entre o cabeçote e a pele. a transferência de energia poderá ocorrer de duas formas: contato direto entre o cabeçote e o corpo ou através de tratamento submerso. considerando a parafina líquida ineficiente. à dor. o transdutor é colocado diretamente sobre a pele. Esta técnica também é utilizada quando não for possível o contato direto devido. FUIRINI e LONGO 1996).65% para a glicerina e 72.8. sem muitas irregularidades. . 2001). sendo que a base desta formulação deve ser preferencialmente o gel (GUIRRO e GUIRRO.1996.3.3 Técnicas de Aplicação Segundo FUIRINI e LONGO (1996). a eficiência do gel.06% de transmissão da energia ultra-sônica para a parafina líquida. O modo de transferência de energia por contato direto é o mais utilizado. permitindo um bom contato de toda superfície metálica do transdutor com a pele (FUIRINI e LONGO. Se a superfície do corpo for muito irregular.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. fonoforese. (GUIRRO e GUIRRO. portanto. GUIRRO e GUIRRO. por exemplo. Nesta técnica de aplicação pode-se utilizar como agente de acoplamento. 67. como as extremidades distais. Nesse. faz-se uso da técnica de imersão. formulações farmacológicas com fins terapêuticos para tratamentos específicos. além do gel hidrossolúvel. 2.6% para o gel hidrossolúvel reafirmando. 2002. 01-2004 ISSN 1678-8265 72 uma taxa de 19. 2002).

uma terceira técnica para o tratamento de superfícies com forma irregular é a chamada almofada d’água. Trata-se de uma bolsa de plástico com água se adapta perfeitamente sobre a área a ser tratada. a reflexão e refração no padrão de absorção de energia nos tecidos que é muito irregular. e então aplica-se o cabeçote sobre a superfície da bolsa. Em certas áreas do corpo de difícil tratamento. pode-se usar uma placa metálica posicionada no fundo do recipiente. sem dúvida. 2. e a cavitação instável ou aquecimento excessivo (com altas intensidades) que poderá causar dano tecidual. Nesta técnica ocorre. Submerge-se também o cabeçote e posiciona-se a uma certa distância da parte a ser tratada. Esta placa refletirá o ultra-som para que chegue na área a ser tratada no sentido de baixo para cima (FUIRINI e LONGO 1996). O cabeçote e a superfície da bolsa em contato com a pele devem ser cobertos com agente de acoplamento. perda razoável de energia.4 Manipulação do Cabeçote Transdutor Em todos os métodos é importante mover o cabeçote continuamente em relação aos tecidos devido a grande irregularidade do feixe de ultra-som no campo próximo. 01-2004 ISSN 1678-8265 73 Na técnica de imersão a parte do corpo em questão é submersa em um recipiente completamente cheio de água em temperatura agradável. Segundo FUIRINI e LONGO (1996). como por exemplo a superfície interior dos dedos dos pés. O movimento .Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.3. as ondas estacionárias que podem se formar causando estase temporária das células sanguíneas circulantes e dano endotelial.8.

sendo mais efetiva para o tratamento de tecidos superficiais. 01-2004 ISSN 1678-8265 74 constante do cabeçote nivelará a dose emitida para os tecidos e eliminará os riscos de danos (LOW e REED.8. uma vez que seu poder de penetração diminui (GUIRRO et al. 1998). O cabeçote pode mover-se de duas formas: (1) por meio de movimentos curtos. O controle da freqüência de saída do ultra-som proporciona ao terapeuta o controle da profundidade a ser atingida pela energia. sendo estes superposicionados levando a um movimento praticamente espiral. sendo que a unidade para a freqüência será de ciclos por segundo. sendo que alguns equipamentos apresentam uma maior variação das freqüências na forma de onda pulsada (GUIRRO et al.3. FUIRINI e LONGO 1996). quanto maior for a freqüência. YOUNG. maior será a sua absorção.. O ultra-som terapêutico caracterizase por apresentar uma freqüência de 1 ou 3 mega hertz (MHz). 1996b. manter o cabeçote em movimento contínuo e lento. é necessário. para o tratamento o mais uniforme possível. Segundo FUIRINI e LONGO (1996). e (2) por meio de pequenos movimentos circulares. Assim. 1996b). . 2.5 Freqüência A freqüência está relacionada com o número de ondas que passam por um determinado ponto em unidade de tempo.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. de poucos centímetros. conhecido como hertz (Hz). 2001.. que se superpõem com a finalidade de assegurar o tratamento uniforme da área.

5 cm. a profundidade de penetração das ondas é aproximadamente de 5 cm. enquanto o ultra-som de 3 MHz tem sido utilizado para aquecer estruturas a uma profundidade menor que 2. a qual dependerá da área da cerâmica geradora do ultra-som e da energia produzida (GUIRRO e GUIRRO. o ultra-som de 1 MHz tem sido utilizado para aquecer estruturas a uma profundidade igual ou maior que 2. A ERA é geralmente de 4 cm² para a maioria dos aparelhos nacionais. 2.6 Área de Radiação Efetiva A área de radiação efetiva (ERA) compreende todos os pontos nos quais a intensidade ultra-sônica é igual ou superior a 5% da intensidade ultra-sônica máxima espacial. Deve-se entender que a ERA não deve ser considerada como a área física do cabeçote transdutor.3.8. Portanto. Para MACHADO (2001). expressa em cm². 2002.8. 2.3. SANDREY e MERRICK (2001).5 cm.7 Intensidade e Potência A intensidade é definida como a quantidade de energia que passa pela unidade de área na unidade de tempo. 01-2004 ISSN 1678-8265 75 Segundo HAYES.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. um transdutor com área de acoplamento maior (face metálica) não necessariamente tem uma ERA maior. sem especificar a freqüência utilizada. decrescendo proporcionalmente. sendo o watt por metro quadrado a sua unidade no . FUIRINI e LONGO 1996).

A intensidade deve ser mantida num mínimo que possibilite um tratamento efetivo (GUIRRO et al. Os diferentes tecidos que se encontram no campo ultra-sônico. Os aparelhos mais avançados permitem valores de até 2 W/cm² no modo contínuo e de até 3 W/cm² em modo pulsado (FUIRINI e LONGO 1996). . 2002). 01-2004 ISSN 1678-8265 76 sistema internacional. 1997.. 2002). é convenção na aplicação do ultra-som terapêutico a unidade ser W/cm² (GUIRRO e GUIRRO.. a sua profundidade. mas como a área de radiação efetiva do transdutor é dada em cm². Para efeito ilustrativo. 1996b). GUIRRO et al. Esse valor é conseguido multiplicando-se a intensidade pela ERA.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. energia essa suficiente para causar lesões nos tecidos biológicos (GUIRRO e SANTOS. 1996b). sendo necessário sua utilização apropriada para que seja eficaz (ARTHO et al. podemos considerar que um equipamento que tenha uma intensidade máxima de 3 W/cm² irá emitir 12 W de potência.. contudo a maioria das indústrias nacionais adotam uma ERA de 4 cm². a qual pode variar entre os fabricantes. Quando a intensidade for muito baixa não terá efeito terapêutico e se for com uma dose muito alta provocará efeitos indesejados. a freqüência da onda e o tempo de aplicação são fatores que determinam a intensidade selecionada. A partir da intensidade pode-se obter o valor da potência da radiação ultr a-sônica emitida.

Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. A duração depende da dimensão da área a ser tratada. como regra geral. 1998. 2.9 Intervalos entre os Tratamentos O intervalo entre tratamentos sucessivos depende da natureza da lesão. 2.8 Duração do Tratamento 77 As opiniões expostas nas literaturas sobre a duração do tratamento são variáveis. duas ou três vezes por semana (YOUNG. Recomenda-se que seja dispendido um tempo de tratamento total máximo de 15 minutos (YOUNG.3. o tempo de dois minutos para áreas próximas de 10 cm².3. como ocorre no .8. 01-2004 ISSN 1678-8265 2. 1998.8. FUIRINI e LONGO 1996). As lesões com caráter agudo devem ser tratadas diariamente e as lesões com caráter crônico.3.9 TERAPIA ULTRA-SÔNICA NO FIBRO EDEMA GELÓIDE 2. maior será a absorção nos tecidos superficiais e menor será a profundidade de penetração.3. poderão ser tratados em dias alternados. FUIRINI e LONGO 1996). estabelece-se. aguda ou crônica.9. por isso as freqüências mais elevadas são utilizadas nos tratamentos de tecidos superficiais.1 Freqüência Utilizada Sabe-se que quanto maior for a freqüência utilizada. em geral menos severo.

5 cm de tecido adiposo.2 Modo de Emissão As ondas ultra-sônicas podem ser emitidas de modo contínuo ou pulsado. 2001). uma ação analgésica.3 Intensidade Utilizada A dose do ultra-som é expressa em W/cm². No tratamento do fibro edema gelóide recomenda-se o uso do ultra-som em emissão contínua. Com isso. GUIRRO e GUIRRO. Em geral para o tratamento do fbro i edema gelóide recomenda-se iniciar com doses baixas e aumentar a intensidade progressivamente. 2. e o efeito mecânico é predominante obtendo-se. deste modo. o seu efeito térmico é menor. estas não devem ultrapassar 2 W/cm². o ultra-som de 3 MHz deixa de ser efetivo após penetrar 3. 2002). exceto se existir alguma circunstância que contra indique a aplicação de calor (ROSSI. Então. quando a região a ser tratada apresentar uma camada de 5-6 cm de panículo adiposo. Na emissão contínua predomina o efeito térmico. sobretudo quando se . 2. antiinflamatória e antiedematosa.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.3.9. Segundo LONGO (2001). Na emissão pulsada entre um impulso e outro há um tempo que facilita a dispersão do calor.9. 01-2004 ISSN 1678-8265 78 fibro edema gelóide. deve-se optar pelo uso do ultra-som de 1 MHz. Porém. Sendo assim.3. a faixa de freqüência ideal no tratamento do fibro edema gelóide é de 3 MHz (ROSSI 2001.

de 2 a 3 vezes na semana.9.3. pode-se estabelecer o tempo de dois minutos para áreas próximas de 10 cm².3.4 Tempo de Aplicação Como regra geral segundo GUIRRO e GUIRRO (2002). portanto. 2001). Já LONGO (2001). Após o término destas deve-se aguardar 1 a 2 meses para então reiniciar o tratamento (ROSSI. além de outros efeitos colaterais. PARIENTI (2001). 20 sessões. Caso a aplicação seja em emissão pulsada a intensidade pode variar de 2 a 3 W/cm² (ROSSI. Deve-se aplicar. e que a zona de atuação é de 10x15cm. pois podem ocorrer vertigens. Isto limita.5 Técnica de Aplicação No caso do fibro edema gelóide se utiliza a aplicação móvel por contato direto. Com esses parâmetros verifica-se que a máxima área de tratamento não é grande. estresse. 2001).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 2. não aconselha uma aplicação por mais de 15 a 20 minutos contínuos em uma mesma sessão de tratamento. tonturas.9. sendo bem menor que um glúteo ou uma coxa. 2. no máximo. cita que a sessão de ultra-som não deve exceder 10 minutos. 01-2004 ISSN 1678-8265 79 trabalha em emissão contínua. O ultra-som pode ser instituído no tratamento em dias alternados. a qual consiste em manter o cabeçote emissor do ultra-som em contato direto com a pele . a área de tratamento. Então recomenda-se concentrar a utilização do ultra-som nas regiões mais afetadas.

A aplicação deve ser realizada via um agente de acoplamento. o que favoreceria a atenuação do feixe (GUIRRO e GUIRRO. Sua ação metabólica é extremamente benéfica. A v elocidade de movimento não deve ser rápida. O paciente não deve sentir pinçamentos ou aquecimentos excessivos. 01-2004 ISSN 1678-8265 80 que se deseja tratar. 2001). 2002). Simples rotações contínuas deverão ser feitas com o cabeçote. o que minimiza a energia refletida e refratada. térmicos e químicos. mais intensa nas junções tissulares (ROSSI. 2001). Além disso.9. nem se deve manter o transdutor fixo. 2002). O transdutor deve ser mantido s empre perpendicular à área a ser tratada. sendo que este deve ser suficientemente viscoso para agir como lubrificante entre o transdutor e a pele. É essencial que durante a emissão da energia ultra-sônica o transdutor esteja em constante movimentação e que seja mantido a todo o momento o contato com a mesma. o efeito .3. produzindo microvibrações moleculares que se traduzem como micromassagem. sendo que a melhora desta deve ser uma das principais preocupações no tratamento do fibro edema gelóide. apenas uma ligeira sensação de calor (GUIRRO e GUIRRO.6 Efeitos do Ultra-som sobre o Fibro Edema Gelóide Em virtude dos efeitos mecânicos.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. A ação térmica resultante das fricções produzidas pela micromassagem estimula de maneira marcante a microcirculação. 2. o ultra-som produz uma série de efeitos terapêuticos no fibro edema gelóide (ROSSI. estéril para evitar contaminação e não apresentar bolhas de ar no seu interior. e gel deverá ser acrescentado caso necessário.

Além da preservação da membrana celular verificou-se manutenção da integridade física de todas as estruturas. obtém-se um efeito de reabsorção de edemas (ROSSI. sem quebra da membrana celular. mostrando que o ultra-som. sob ação do ultra-som. 2002). CARDOSO. Com isso. como mitocôndrias. Este fato demonstra a inadequação do conceito. 01-2004 ISSN 1678-8265 81 térmico associado com a liberação de substâncias vasodilatadoras leva a uma ativação do metabolismo local (ROSSI. 2001). Os . Em parte pelo efeito térmico e em parte pela ação direta do ultra-som sobre os mecanismos contráteis e fibras nervosas obtém-se efeito analgésico e de relaxamento muscular. que no fibro edema gelóide encontra-se aumentada (ROSSI. arteríolas. Produz-se uma despolimerização ou fragmentação das moléculas grandes de modo a diminuir a viscosidade do meio. 2001). 2001. LONGO (2001). não causa dano a tecidos sãos. onde é observado o esvaziamento de adipócitos. O ultra-som tem efeitos fibrolíticos. favorecendo a penetração de substâncias farmacologicamente ativas. há muito repetido e afirmado. de que o ultra-som “quebra” o fibro edema gelóide. ressalta outro efeito do ultra-som em tecidos adiposos. que diminuem a esclerose tecidual com as fricções moleculares. quando utilizado nas doses terapêuticas recomendadas (máximo de 3 W/cm²). O aumento da permeabilidade das membranas celulares associado com o estímulo circulatório favorece os intercâmbios celulares e a reabsorção de líquidos e resíduos metabólicos.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. O uso do ultra-som também produz sobre os tecidos superficiais um aumento da permeabilidade das membranas biológicas e alterações nos potenciais de membrana. ramos nervosos e outros.

A fonoforese tem a vantagem de que o medicamento a ser introduzido não necessita ter carga elétrica. Diante desse fato. aconselha-se a utilização de um agente de acoplamento enriquecido com princípios ativos. com intensidades entre 1 e 3 W/cm². . Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002). O autor relata que soluções enzimáticas são inativadas por ultra-som na freqüência de 3 MHz. 2002). ser polarizado. que contenham cafeína. extrato de gingko biloba. extrato de alecrim. 01-2004 ISSN 1678-8265 82 efeitos não térmicos são os principais responsáveis pela permeação de substâncias (ROSSI. extrato de centella asiática (ROSSI. Deve-se optar pela iontoforese no caso de tratamento àbase de enzimas de difusão. Para potencializar os efeitos da fonoforese. Dentre outros efeitos do ultra-som pode-se destacar a neovascularização com conseqüente aumento da circulação. 2001). 2001). e melhora das propriedades mecânicas do tecido (GUIRRO e GUIRRO. isto é. rearranjo e aumento da extensibilidade das fibras colágenas.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. o uso do ultra-som no tratamento do fibro edema gelóide está vinculado aos seus efeitos fisiológicos associados à sua capacidade de veiculação de substâncias através da pele (fonoforese). pelo risco de ineficiência terapêutica. deve-se evitar a utilização de enzimas em géis aditivados para fonoforese.

aleatoriamente. com idade média de 21. o grupo II ficou com 4 integrantes. Logo. Contribuíram para a realização deste trabalho 10 indivíduos.66m e média de peso corporal de 56. logo em seguida. e não sofreram intervenção de tratamento . submetidas à terapia com ultra-som terapêutico e 5 fizeram parte do grupo II ou grupo controle. aceitando a participação e a utilização dos resultados obtidos. 5 mulheres fizeram parte do grupo I. demonstrando ter conhecimento das etapas do trabalho. um programa de fortalecimento muscular com correntes de média freqüência na região de glúteos. 01-2004 ISSN 1678-8265 83 3 MATERIAIS E MÉTODOS A pesquisa em questão caracteriza-se por ser um ensaio clínico randomizado. do sexo feminino. Toda a coleta de dados foi realizada nas dependências da Clínica de Fisioterapia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. em dois grupos de 5 pessoas. antes do início dos experimentos. Uma integrante do grupo controle foi retirada do trabalho. As voluntárias foram esclarecidas sobre os procedimentos experimentais e assinaram. pois iniciou. um termo de consentimento. O processo de seleção do grupo amostral foi aleatório e voluntário.32Kg. . As participantes foram divididas. através de convite verbal. Assim sendo. não praticantes de atividade física e que apresentassem fibro edema gelóide na região de glúteos. As participantes apresentavam média de altura de 1.9 anos.

. registrando nenhuma satisfação e muita satisfação. apud GUIRRO e GUIRRO. com freqüência de 3 6 LEONARD.US 9705. A celulite – causas e tratamentos. por fim. através de uma escala numérica de 0 a 10. conforme classificação de ULRICH (1982) e LEONARD 6 (1970. além da temperatura e sensibilidade local da pele. Ainda nestas avaliações foram verificados. 2002). 1970. a qual permaneceu em posição ortostática realizando a contração muscular voluntária de glúteos. modelo Cyber Shot DSC-P9. respectivamente. o grau e o tipo do fibro edema gelóide apresentados pelas participantes. perimetria e o grau de satisfação pessoal com o quadro apresentado. O grupo I foi submetido à terapia com ultra-som terapêutico. respectivamente. modelo Avatar V . tiradas a um metro de distância da participante. antecedentes pessoais e hábitos de vida. fez-se uso de imagens fotográficas utilizando máquina digital da marca Sony Digital Câmera. de fabricação brasileira. que consistia de identificação. Europa-América. sendo utilizado o aparelho da marca KLD Biossistemas. A temperatura e a sensibilidade local d pele foram a avaliadas mediante o toque da região e com a realização do Teste da Preensão (Pinch Test).Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. G. E. As fotos foram realizadas em vista posterior enfatizando-se a região glútea. 01-2004 ISSN 1678-8265 84 Como instrumento da pesquisa foram utilizadas fichas de avaliação inicial (ANEXO 1). Para tanto.J. A perimetria foi realizada com uma fita métrica da marca Ricsen. tomando como único ponto de referência a região púbica (localizada traçando-se uma linha vertical de 16 cm a partir do umbigo). Publ. a própria participante avaliava o seu grau de satisfação com o fibro edema gelóide apresentado.

Passados dois meses das reavaliações foram realizadas novas avaliações (ANEXO 3). visando observar a manutenção. O grupo II que não recebeu esse tratamento teve direito ao mesmo. com duração de 15 minutos cada sessão. Cada participante teve uma ficha de evolução diária de tratamento (ANEXO 2). enquanto as demais participantes realizaram 20 sessões. em dias alternados. Uma integrante deste grupo precisou se ausentar ao final do tratamento e.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. melhora ou agravamento do quadro do fibro edema gelóide. Limpou-se a pele da participante e o cabeçote do aparelho com um algodão embebido em álcool comum. após 6. . para posterior análise de resultados. realizadas 3 vezes por semana. realizou apenas 15 sessões. sempre antes e depois da realização das terapias. no modo contínuo. O tratamento consistiu de 20 sessões consecutivas.2 W/cm2. sem princípios ativos. Foi realizado o método por acoplamento direto. foram realizadas reavaliações (ANEXO 3).5 semanas de tratamento. 01-2004 ISSN 1678-8265 85 MHz. com dose de 1. Com o término das vinte sessões. sendo utilizado um gel comum. portanto. em uma área aproximada de 36cm². sendo 7 minutos de aplicação para cada glúteo. com o término do trabalho.

FIGURA 1 . Os dados estão ilustrados na figura 1.9 anos. 01-2004 ISSN 1678-8265 86 4 RESULTADOS De acordo com o questionário aplicado na ficha de avaliação inicial constatou-se que a faixa etária das participantes deste estudo variou entre 20 e 25 anos. Com relação ao tempo de uso foi observado uma média de 3 anos e 1 mês. A média de peso corporal foi de 56. com uma média de idade de 21. Questionadas com relação ao uso de anticoncepcional. independente da via de administração.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.32 Kg e a média de altura foi de 1.Uso de anticoncepcional 30% 70% Não Sim . foi verificado que 3 participantes (30%) não faziam uso. enquanto que a maioria. 7 participantes (70%) faziam uso do anticoncepcional.66 m.

A ilustração deste dado segue na figura 2. conforme ilustrado na figura 3.Não tabagistas 100% Com relação à alimentação. negam a ingestão deste tipo de alimento. 01-2004 ISSN 1678-8265 87 As 10 participantes deste estudo negaram o tabagismo como um hábito de vida. FIGURA 3 . enquanto 4 (40%).Alimentação gordurosa 40% 60% Sim Não . 6 participantes (60%). FIGURA 2 . referem uma alimentação gordurosa no seu cardápio.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.

e apenas 1 participante (10%) refere que esta postura não é a principal adotada durante o seu dia. ou seja.3 cm entre a medida inicial e a medida . antes do tratamento. demonstrando a média dos valores da mensuração na primeira avaliação. a média realizada após dois meses de tratamento. foi verificado que a grande maioria das participantes. que foi submetido à terapia. FIGURA 4 . a média verificada depois do tratamento. E nesse mesmo grupo foi observado um aumento de 0. Esses dados estão ilustrados na figura 4. ou seja. Das 10 participantes do estudo. permanece a maior parte do dia na postura sentada. 01-2004 ISSN 1678-8265 88 Quanto ao hábito de permanência por tempo prolongado na postura sentada. Observa -se.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. adota preferentemente esta postura durante o seu dia.3 cm entre a medida realizada depois das vinte sessões de terapia e a medida realizada após dois meses de tratamento. 90%. e por fim. para os dois grupos da pesquisa. para o grupo I. Ao analisar as medidas de perimetria do grupo controle notou-se um aumento do diâmetro de 1.5 cm entre a medida de antes e depois do tratamento.Permanência por tempo prolongado na postura sentada 10% 90% Sim Não Os resultados da perimetria estão detalhados na tabela 3. 9 delas. um aumento do diâmetro de 1.

2 entre a avaliação inicial e a avaliação após dois meses de terapia. no grupo I um aumento de 0. incluso na ficha de avaliação (ANEXO 1).1 entre a avaliação inicial e a avaliação após dois meses. e um aumento de 0.4 cm desta última medida para a medida de perimetria após 2 meses.9 cm 94. E uma diminuição de 0.6 cm 93.9 cm GRUPO II 93. Assim. e uma diminuição de 0. No grupo II observou-se uma diminuição de 0.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. verificouse.4 entre a avaliação inicial e a avaliação depois do tratamento. Foram realizadas as médias antes do tratamento. Tabela 3 .5 cm Outro parâmetro utilizado foi uma escala de grau de satisfação. As médias dos dois grupos do estudo encontram-se detalhados na tabela 4. bem como depois da terapia ultra-sônica e também após 2 meses de tratamento.5 semanas de tratamento do grupo I.6 cm 94.Perimetria PERÍODO Antes do tratamento Depois do tratamento Após 2 meses de tratamento GRUPO I 92. 01-2004 ISSN 1678-8265 89 realizada após 6. .1 cm 93.3 entre a avaliação inicial e a avaliação depois do tratamento.

Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 01-2004 ISSN 1678-8265 Tabela 4 – Grau de satisfação PERÍODO Antes do tratamento Depois do tratamento Após dois meses de tratamento GRUPO I 5.6 4. quanto às formas clínicas apresentadas.8 5. enquanto apenas 10% apresentavam o fibro edema gelóide na sua forma consistente ou dura.3 4. FIGURA 5 .7 Com relação à classificação do fibro edema gelóide. sendo elas: fibro edema gelóide duro. 2 ou 3 – os resultados foram divididos conforme observação do glúteo direito e . verificou-se que a maioria das participantes envolvidas neste estudo apresentavam a forma flácida do fibro edema gelóide.2 90 GRUPO II 4. flácido e edematoso. Os dados estão ilustrados na figura 5.4 5.Forma clínica do fibro edema gelóide 10% 90% Flácido Duro Segundo a classificação do fibro edema gelóide quanto ao estágio encontrado grau 1.

E a avaliação realizada após 2 meses de terapia demonstrou os mesmos resultados observados na primeira avaliação. observou-se que dos 60% de grau 1 apenas 40% manteve este grau e 20% evoluiu para grau 2. realizada após dois meses. que foi submetido à terapia. . revelaram que 40% apresentavam acometimento em grau 3 e que 60% apresentavam o fibro edema gelóide em grau 1. revelaram que a maioria das voluntárias apresentavam grau 2 no início da pesquisa. Os detalhes estão na tabela 5. Além disso. antes do tratamento. Tabela 5 – Grau do fibro edema gelóide observado no glúteo direito das participantes do grupo I PERÍODO Antes do tratamento Depois do tratamento Após dois meses de tratamento GRAU 1 1 3 1 GRAU 2 3 2 3 GRAU 3 1 1 Os resultados obtidos analisando o glúteo esquerdo do grupo I. Os resultados estão detalhados na tabela 6. Depois do tratamento obser vouse que 60% mantinham o grau 1. demonstrou que novamente 40% das participantes apresentavam grau 3.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 01-2004 ISSN 1678-8265 91 do glúteo esquerdo. A última avaliação. Os resultados obtidos analisando o glúteo direito do grupo I. depois deste. que foi submetido à terapia. para os dois grupos da pesquisa. tal qual no início. sendo que nenhuma apresentava grau 3. A avaliação realizada após as vinte sessões de ultra-som terapêutico revelou que as participantes apresentavam grau 1 e grau 2. e após 2 meses de terapia. enquanto 20% apresentavam grau 2 e 20% apresentavam grau 3.

que serviu de grupo controle. E na avaliação realizada após dois meses de tratamento do grupo I verificou-se que 50% apresentavam grau 2 e os demais 50% apresentavam grau 3. Os resultados podem ser visualizados na tabela 7. 01-2004 ISSN 1678-8265 92 Tabela 6 . apresentavam fibro edema gelóide em grau 2. verificou-se que as 4 participantes (100%). uma vez que este grupo teve uma desistência. revelaram que a maioria (60%) apresentavam grau 2.Grau do fibro edema gelóide observado no glúteo esquerdo das participantes do grupo I PERÍODO Antes do tratamento Depois do tratamento Após dois meses de tratamento GRAU 1 3 3 2 GRAU 2 1 1 GRAU 3 2 1 2 Os resultados obtidos analisando o glúteo direito do grupo II. Na segunda avaliação. . não sendo submetido a nenhuma intervenção. realizada depois do tratamento do grupo I. enquanto que 20% apresentavam grau 1 e 20% grau 3. ou seja.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. duas participantes evoluíram do grau 2 para o grau 3.

Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. e nenhuma participante apresentava grau 3.Grau do fibro edema gelóide observado no glúteo direito das participantes do grupo II PERÍODO Antes do tratamento Depois do tratamento Após dois meses de tratamento GRAU 1 1 GRAU 2 3 4 2 GRAU 3 1 2 Os resultados obtidos analisando o glúteo esquerdo do grupo II revelaram que a maioria das voluntárias (80%) apresentavam fibro edema gelóide grau 2. na avaliação realizada após dois meses de terapia com o grupo I. Tabela 8 . Na segunda avaliação observou-se que 50% apresentavam grau 2. 01-2004 ISSN 1678-8265 93 Tabela 7 . enquanto 25% mantiveram o grau 1. Por fim. 25% apresentava grau 1 e 25% já apresentava grau 3.Grau do fibro edema gelóide observado no glúteo esquerdo das participantes do grupo II PERÍODO Antes do tratamento Depois do tratamento Após dois meses de tratamento GRAU 1 1 1 1 GRAU 2 4 2 GRAU 3 1 3 . verificou-se que a maioria (75%) das participantes evoluíram para fibro edema gelóide grau 3. Os resultados estão expostos na tabela 8. enquanto 20% apresentavam grau 1.

Para ROSSI (2001). como a postura sentada por período prolongado. As participantes não apresentavam o tabagismo como um hábito de vida. já deficiente no fibro edema gelóide. Porém. pode comprimir as cadeias ganglionares da . como o tabagismo. e isso é importante. De acordo com CARDOSO (2002). Os anticoncepcionais. pois segundo FERNANDES (2003). 01-2004 ISSN 1678-8265 94 5 DISCUSSÃO Conforme visto existem vários fatores predisponentes no aparecimento do fibro edema gelóide. por apresentarem na sua constituição hormônios femininos levariam segundo FERNANDES (2003). uma vez que a maioria fazia uso deste método contraceptivo.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. a posição preferencial adotada durante o dia. Sendo assim. maus hábitos alimentares e maus hábitos posturais. as substâncias do cigarro determinam espessamento das paredes dos vasos sanguíneos prejudicando a circulação. desencadeando o problema. por exemplo. os hábitos desordenados e abusos na dieta criam com o passar do tempo desequilíbrios a nível celular que originarão uma reação em cadeia influenciando diretamente na formação do fibro edema gelóide. Com relação a alimentação verificou-se que a maioria das participantes apresentava uma alimentação gordurosa. Outra provável etiologia para o fibro edema gelóide seriam os fatores determinantes. apenas alguns fatores foram analisados nesta pesquisa. o uso do anticoncepcional poderia agravar o quadro de fibro edema gelóide apresentado pelas participantes deste trabalho. que foram analisados neste estudo. a alterações nos adipócitos.

Posteriormente observou-se uma diminuição do valor numérico. que não recebeu nenhuma intervenção terapêutica. ou seja. Observou-se que no grupo I houve um aumento do diâmetro entre a medida de antes e depois do tratamento. uma diminuição do r diâmetro entre a medida realizada após o tratamento e a medida realizada após dois meses de terapia no grupo controle. Outro parâmetro utilizado como avaliação complementar foi a escala de grau de satisfação. De forma semelhante verificou-se um aumento do diâmetro entre a medida inicial e a medida realizada após o tratamento no grupo controle. A perimetria realizada não foi utilizada para identificar o fibro edema gelóide ou classificá-lo. Contudo. ou seja. E como pôde ser observado nos resultados a maioria das participantes permanecem sentadas por tempo prolongado. a satisfação com o tratamento havia melhorado. realizada pela própria participante. pois um aumento na circunferência da região glútea poderia estar relacionada com ganho de peso e este com o fibro edema gelóide. E também um aumento do diâmetro entre a medida realizada depois das vinte sessões de terapia e a medida realizada após dois meses de tratamento.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. entre a avaliação inicial (pré-tratamento) e a avaliação após dois meses de terapia . ao término deste t abalho. Analisando-se os resultados do grupo I verificou-se inicialmente um aumento do valor numérico dado pela participante. a qual graduava de zero a dez a sua satisfação com relação ao seu fibro edema gelóide apresentado na região glútea. mas como uma medida complementar e indireta na avaliação deste. observou-se. 01-2004 ISSN 1678-8265 95 região poplítea e inguino crural e agravar o quadro do fibro edema gelóide devido à resistência oferecida à circulação de retorno veno-linfático. favorecendo o desenvolvimento do fibro edema gelóide.

as quais não eram praticantes de atividade física. após um período de dois meses o fibro edema gelóide voltou a ter o mesmo aspecto observado no início deste estudo. ou seja. observou-se inicialmente. com conseqüente redução do grau de acometimento. Já no grupo controle observou-se o inverso: inicialmente uma queda quanto ao grau de satisfação e posteriormente uma melhora com relação a satisfação do fibro edema gelóide apresentado. 01-2004 ISSN 1678-8265 96 verificou-se que as participantes estavam menos satisfeitas ao final do estudo com relação a satisfação referida no início. na avaliação realizada após dois meses do tratamento.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Em relação a observação do glúteo esquerdo do grupo I verificou-se que inicialmente houve um decréscimo do grau de acometimento em 20% das participantes e manutenção da classificação para as demais. e sim uma piora pois verificou-se um aumento do grau de acometimento em 20% das participantes. ou seja. que referem-se a forma flácida do fibro edema gelóide como sendo a mais comumente encontrada. O que diferiu. Observando-se as formas clínicas do fibro edema gelóide apresentado pelas participantes deste estudo nota-se que os resultados estão de acordo com GUIRRO e GUIRRO (2002). Posteriormente. no entanto. que foi submetido à terapia. Com relação a classificação do fibro edema gelóide quanto ao estágio encontrado analisando-se isoladamente o glúteo direito do grupo I. especialmente em indivíduos sedentários como é o caso das participantes deste estudo. As possíveis causas para esta diferença de resultados entre os dois glúteos podem ser . uma melhora no aspecto do fibro edema gelóide. da primeira para a segunda avaliação. foi que na avaliação final não houve retorno para a classificação original de todas as participantes tal qual foi observado no glúteo direito. verificou-se a mesma classificação encontrada na primeira avaliação.

Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. por exemplo. uma vez que o aparelho de ultra-som estava localizado próximo ao lado direito das participantes. não houve manutenção dos resultados obtidos com o tratamento por um período prolongado. o fibro edema gelóide não deve ser considerado isoladamente para o tratamento pois é preciso buscar a saúde da paciente em todos os seus aspectos. 01-2004 ISSN 1678-8265 97 devido ao próprio biotipo da participante com assimetria da microcirculação e distribuição do fibro edema gelóide. ROSSI (2001). o grupo que foi submetido ao tratamento proposto utilizando ultra-som apresentou. Vale ressaltar que este modo de aplicação foi realizado apenas no início da pesquisa. que solicitava a mudança de posicionamento da participante. de modo a deixar o glúteo esquerdo mais próximo do aparelho. Esta redução inicial pode. o sistema muscular e a gordura localizada também devem ser . Isto está de acordo com GUIRRO e GUIRRO (2002). sendo mais difícil a sua aplicação no glúteo esquerdo. NETO et al. ou seja. e LONGO (2001). que afirmam que o ultrasom terapêutico constitui um recurso eficaz no tratamento do fibro edema gelóide. Segundo GUIRRO e GUIRRO (2002). de uma forma geral. Como visto. foi verificado que após dois meses sem intervenção houve um retorno à classificação inicial. ou seja. inicialmente. ou devido a disposição da área que foi tratada durante a aplicação. (2003). e FERNANDES (2003). LOPES (2003). quando é comparada a fotografia da primeira avaliação com a fotografia realizada após as vinte sessões de terapia. Contudo. ser visualizada no ANEXO 4. redução do grau de acometimento do fibro edema gelóide na região glútea. sendo alterado posteriormente para maior comodidade da terapeuta. Isto pode possivelmente ser explicado.

Isto pode ser obtido através da adoção de medidas alimentares equilibradas e com a prática de atividades físicas. durante a inspeção e através das imagens fotográficas. neste grupo que não recebeu intervenção terapêutica notou-se que não houve melhora alguma do quadro do fibro edema gelóide. posteriormente. na última avaliação verificou-se que a maioria das participantes apresentava piora do quadro uma vez que evoluíram para grau 3. Analisando-se o grupo controle. Isto pode ser melhor observado em ANEXO 6 e ANEXO 7. pois permitem a comunicação do terapeuta com companheiros e pacientes. 01-2004 ISSN 1678-8265 98 abordadas para devolver ou manter a harmonia corporal. mas manutenção ou evolução para grau mais avançado. tanto glúteo direito como glúteo esquerdo. têm sido utilizadas para capturar e documentar as amplas manifestações de doenças da pele.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. A não manutenção dos resultados obtidos com o tratamento proposto pode ser visualizada em ANEXO 5. As classificações referentes ao grau de acometimento do fibro edema gelóide foram realizadas nas avaliações. Um obstáculo não sobreposto observado nesta pesquisa foi em relação a execução das fotografias. foi verificado que na primeira e na segunda avaliação a maioria das participantes se enquadravam na classificação do fibro edema gelóide em grau 2 e que. devido a não padronização da vestimenta das participantes e pela inconstante iluminação proporcionada pelo ambiente. que demonstram bem este exemplo de piora quanto ao grau de acometimento. Ou seja. Estas fotografias digitais segundo RATNER e THOMAS (2003). Outro aspecto relevante para a execução deste trabalho diz respeito a inspeção e as fotografias digitais que foram .

01-2004 ISSN 1678-8265 99 analisadas apenas por um examinador.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. . visando minimizar a subjetividade na determinação da classificação.

através de estudos comparativos. verificou-se que os resultados obtidos ao término da terapia não foram mantidos após dois meses do tratamento. bem como a utilização de uma amostragem mais significativa. . a verdadeira eficácia do ultra-som nos tecidos acometidos pelo fibro edema gelóide. Através da análise dos resultados obtidos com a pesquisa pode-se concluir que o ultra-som terapêutico utilizado como recurso no tratamento do fibro edema gelóide foi eficaz após vinte sessões de terapia. Por fim. 01-2004 ISSN 1678-8265 100 CONCLUSÃO Conforme os objetivos propostos para este estudo. o fibro edema gelóide foi identificado na região glútea e posteriormente classificado quanto ao grau e tipo do acometimento. Para tanto. sugere-se o uso de meios avaliativos complementares e mais fidedignos como por exemplo a termografia. Conclui-se que embora a utilização do ultra-som tenha mostrado eficácia na redução do fibro edema gelóide em mulheres jovens e sedentárias há a necessidade de se realizar pesquisas mais acuradas.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Isto se faz necessário a fim de se aferir.

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Identificação: Data: __/__/__ Nome: ______________________________________________ Idade: ______ Profissão:___________________________Cor:____________Telefone:____________ B. Qual?__________________________________ Hipertensão( ) Hipotensão( ) Normotensa( ) Disfunção hormonal: ( )não ( )sim. Qual?__________________________________ Transtorno circulatório: ( )não ( )sim Anticoncepcional: ( )não ( )sim. Há quanto tempo?________ Tabagismo: ( )não ( )sim. De bebidas alcoólicas: ( )não ( )sim Ingestão diária de líquidos: ( litros Alimentação gordurosa: ( )sim ( )não Permanece por muito tempo na posição sentada:( )não ( )sim História de fibro edema gelóide na família: ( )não ( )sim Aparecimento do fibro edema gelóide em outras regiões:_______ Tratamentos anteriores para o fibro edema gelóide: ( )não ( )sim. E o resultado foi: ( )ruim ( )bom ( )ótimo )abaixo de 1litro ( )entre 1 e 2 litros ( )acima de 2 . Ficha Clínica: Peso: __________ Altura: _________ Diabetes: ( )não ( )sim Uso de medicamentos: ( )não ( )sim. quantos por dia?______ Ingestão diária de refrigerantes: ( )não ( )sim.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 01-2004 ISSN 1678-8265 104 ANEXOS ANEXO 1 A.

Perimetria: E. Grau de satisfação pessoal quanto ao fibro edema gelóide em glúteos: 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 pouco satisfeita muito satisfeita . 01-2004 ISSN 1678-8265 C. Caracterização do Fibro Edema Gelóide: 105 Glúteo D Grau: Tipo: Temperatura local da pele: Sensibilidade: Glúteo E Grau: Tipo: Temperatura local da pele: Sensibilidade: D.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n.

Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 01-2004 ISSN 1678-8265 ANEXO 2 106 Identificação:______________________________________ EVENTO Primeira avaliação 1a sessão 2a sessão 3a sessão 4a sessão 5a sessão 6a sessão 7a sessão 8a sessão 9a sessão 10a sessão 11a sessão 12a sessão 13a sessão 14a sessão 15a sessão 16a sessão 17a sessão 18a sessão 19a sessão 20a sessão Segunda avaliação Terceira avaliação DATA ASSINATURA .

01-2004 ISSN 1678-8265 ANEXO 3 107 C.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Grau de satisfação pessoal quanto ao fibro edema gelóide em glúteos: 0_____1_____2_____3_____4_____5_____6_____7_____8_____9_____10 pouco satisfeita muito satisfeita . Perimetria: E. Caracterização do Fibro Edema Gelóide: Glúteo D Grau: Tipo: Temperatura local da pele: Sensibilidade: Glúteo E Grau: Tipo: Temperatura local da pele: Sensibilidade: D.

Paciente 1 com fibro edema gelóide grau 3. Paciente 1 com fibro edema gelóide grau 2. DEPOIS DO TRATAMENTO. . bilateral. 01-2004 ISSN 1678-8265 ANEXO 4 108 ANTES DO TRATAMENTO.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. bilateral.

bilateral. ANEXO 6 .Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. Paciente 1 com fibro edema gelóide grau 3. 01-2004 ISSN 1678-8265 ANEXO 5 109 APÓS 2 MESES DO TRATAMENTO.

ANEXO 7 . DEPOIS DO TRATAMENTO.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. bilateral. e grau 3 em glúteo direito. 01-2004 ISSN 1678-8265 110 ANTES DO TRATAMENTO. Paciente 2 com fibro edema gelóide grau 2 em glúteo esquerdo. Paciente 2 com fibro edema gelóide grau 2.

.Monografias do Curso de Fisioterapia – Unioeste n. 01-2004 ISSN 1678-8265 111 APÓS 2 MESES DO TRATAMENTO. Paciente 2 com fibro edema gelóide grau 3. bilateral.

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