EDUCAÇÃO

DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR

Aluno(a): _________________________________________________________________ Curso: ____________________________________ Turma: _________________________

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Sumário
1. Programa da disciplina ........................................................................................................... 4 1.1 Ementa ................................................................................................................................. 4 1.2 Carga horária total ............................................................................................................... 4 1.3 Objetivos .............................................................................................................................. 4 1.4 Conteúdo programático ....................................................................................................... 4 1.5 Metodologia ......................................................................................................................... 4 1.6 Critérios de avaliação ........................................................................................................... 5 1.7 Bibliografia recomendada .................................................................................................... 5 2 Conhecimento Sobre a Finalidade da Universidade seus Problemas e Perspectivas ............ 8 2.1 A Universidade – criação e produção de conhecimentos ................................................... 8 2.1.1 A universidade que não queremos ................................................................................... 8 2.1.2 A universidade que queremos .......................................................................................... 9 2.2 Referencial do MEC ............................................................................................................ 11 3 Competência pedagógica do professor universitário ........................................................... 12 3.1 Técnicas para o desenvolvimento da aprendizagem em aula ........................................... 12 3.2 Técnicas usadas em ambientes presenciais e universitários ............................................. 14 3.3 Técnicas que poderão ser usadas em ambientes de aprendizagem profissional ............. 31 3.4 Técnicas e seu uso para incentivar a aprendizagem ......................................................... 34 4 A docência superior e a interdisciplinaridade...................................................................... 39 4.1 A Intencionalidade do trabalho docente ........................................................................... 39 4.2 O valor pedagógico da relação professor-aluno ................................................................ 40 4.3 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa .................................. 41 4.4 Competências para ensinar ............................................................................................... 42 4.5 Didática .............................................................................................................................. 44 4.6 A interdisciplinaridade ....................................................................................................... 45 4.6.1 Como a escola pode tornar-se interdisciplinar ............................................................... 46 5 O planejamento e a organização da prática docente ........................................................... 47 5.1 A aula na universidade ....................................................................................................... 47 5.2 Planejamento de ensino .................................................................................................... 50 5.3 Estratégias de ensino aprendizagem ................................................................................. 52 5.3.1 Algumas dicas de técnicas a serem exploradas .............................................................. 54 5.3.2 Por que técnicas de dinâmicas de grupo? ...................................................................... 55 5.3.3 Lista de atividades de ensino .......................................................................................... 56 5.4 Avaliação do ensino ........................................................................................................... 57 5.4.1. O que é medir e avaliar .................................................................................................. 57 5.4.2. Modalidade de avaliação ............................................................................................... 58 5.5 Orientações práticas para elaboração do plano de ensino e de aula ............................... 59 5.5.1 Planejamento de ensino ................................................................................................. 59 5.5.2 Como elaborar um plano de ensino ............................................................................... 61 5.5.3 Modelo de plano de ensino ............................................................................................ 63
Didática do Ensino Superior

3 5.6 Reflexão............................................................................................................................. 65 6 Avaliação do ensino .............................................................................................................. 66 6.1 O que é medir e avaliar ...................................................................................................... 66 6.2. Modalidade de avaliação .................................................................................................. 67 6.3 A aprendizagem de conceitos e princípios ........................................................................ 70 6.3.1 Conteúdos conceituais .................................................................................................... 70 6.3.2 Os conteúdos procedimentais ........................................................................................ 70 6.3.3 Conteúdos atitudinais .................................................................................................... 70

Didática do Ensino Superior

1. Refletir sobre a importância da Didática do Ensino Superior para o desenvolvimento da prática docente. PROGRAMA DA DISCIPLINA 1. reflexão e debates.2 Carga horária total A carga horária desta disciplina é de 48 horas.4 Conteúdo programático Unidade 1: conhecimento sobre a finalidade da universidade seus problemas e perspectivas. Despertar para o saber interdisciplinar na tentativa de superar a fragmentação do conhecimento científico. pesquisa e extensão na universidade. Específicos:        Analisar as funções de ensino.5 Metodologia A disciplina será desenvolvida através de aulas expositivas e dialogada. 1. Organização de Planos de Ensino. Produção de conhecimento. Unidade 2: o ensino superior no novo milênio. estudo. Unidade 4 : o planejamento e a organização da prática docente. Componentes básicos de um Plano de Ensino. na pesquisa e na extensão. leitura. Identificar as novas tecnologias como recursos do ensino aprendizagem Aplicar situações pedagógicas que possibilitem a reflexão sobre situações concretas do exercício docente. 1. Didática do Ensino Superior . Unidade 3 : a docência superior e a interdisciplinaridade. Planejamento: fundamentos e etapas. Implicações conceituais do trabalho universitário: intencionalidade / especificidade do ato pedagógico. Discutir os fundamentos teóricos-metodológicos do trabalho pedagógico na universidade. Conhecer os principais aspectos relacionados ao planejamento didático.4 1.3 Objetivos Geral: Compreender as funções institucionais da Universidade a partir da análise sobre a produção e transmissão do conhecimento científico realizado nas práticas docentes do ensino supeiror. Teoria e prática interdisciplinar no Ensino Superior.1 Ementa O processo educativo na Universidade. A aula como momento de ensino e aprendizagem. 1.

1989. P. LUCKESI. 1994. Campinas. 1998 FREIRE. Artes Médicas.: Novas metodologias em educação. Mundo Novo. Henry A. Papirus. Autores Associados. CUNHA.2000. A. DEMO. Sistema de Avaliação e Aprendizagem. 2003 GARCIA. Papirus.. I. (orgs.: Formação reflexiva dos professores.São Paulo: Ática. Porto Alegre. y MOROSINI. Pedagogia da Autonomia. P. São Paulo: 4ª ed. Autores Associados. José Carlos: Didática. 28ª ed. 1994. LEITE. D.: O professor e a didática. 1995. A. São Paulo: Cortez. Porto Editora. Amélia A. Maria Isabel: O bom professor e sua prática. Trad. Papirus. Epistemologia e Didática: As concepções de conhecimento e a prática docente. Nilson I.): Universidade futurante: Produção do ensino e inovação. mediante a avaliação qualitativa das atividades realizadas.6 Critérios de avaliação O processo de avaliação será contínuo. FAZENDA. Jussara. p. (org). Educar pela pesquisa. Marcos T. Francisco Alves. para quê? São Paulo: Cortez.7 Bibliografia recomendada ALARCÃO. Campinas-SP. Cortez. A didática em questão: 5ª ed. Daniel Bueno. GIROUX. Vozes. Iglu. 1997. Didática do Ensino Superior . saberes necessários à prática educativa. 1981. CASTRO. M. Vera M. Avaliação. Campinas. Petrópolis. Campinas-SP. Rio de Janeiro: Ed. M. Revista Educação. 1998. São Paulo. Coleção Educação.ª: A didática do ensino superior. clareza e consistência de argumentação capacidade de elaboração e leitura crítica. M. Uma perspectiva construtiva. O Professor Universitário em sala de aula. _______Docência na Universidade. domínio do conteúdo. Pedagogia e Pedagogos. GODOY: A didática do ensino superior. Ivani. Cortez. 1996.5 1. CANDAU. MACHADO. Campinas. Papirus. D. GENTILI. São Paulo. Regina Célia Cazaux. 1997. 1995. São Paulo: Paz e Terra. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. DINIZ. 4º ed. LIBÂNEO. 1992. 2002 MEDIANO.: Qualidade total na educação. Alegre: Saraiva. (org) Didática e interdisciplinaridade. 1996 CARVALHO. 2002. 7º ed. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. LIBÂNEO. Papirus. A. Pedro. 1. Avaliação da Aprendizagem Escolar. 1997.30. Porto Editora. Ed. São Paulo. Zélia Domingues. 1995. 1999. Módulos Instrucionais para medidas e avaliação em educação. Misto & Desafio. Brasília. José Carlos. 1995 MASSETO. em que serão utilizados os seguintes critérios: participação. Paulo. 2001. Campina/Sp. São Paulo. São Paulo. Estratégias de Supervisão. HAIDT. Terezinha. Cipriano C. 5º ed. Curso de Didática Geral. 1990. HOFFMANN.

N. São Paulo: Cortez. 79-96) PERRENNOUD. MORRISA. 19-47. 1998 VASCONCELOS. (orgs): Confluências e divergências entre didática e currículo. p. Porto Alegre. 176 pp. SACRISTAN. Artmédicas. Porto Alegre. 2002. Maceió.. São Paulo:Loyola. Petrópolis. Celso dos S. G. R. Philippe: Dez competências para ensinar. Antônio (coord. 1994. A nova lei da educação: trajetória. Maria da Graça Nicoltte et. 1999. pp. SANTANNA. São Paulo. 1996. __________________________Avaliação: Concepção dialética libertadora do processo de avaliação escolar. São Paulo. 1995 SAVIANI. M. S. Cadernos Pedagógicos. Editora da Universidade. 1996. 1989. PIMENTA. Maria Rita Neto Sales (org). RJ: Vozes. 1996. São Paulo: Cortez. Avaliação. M. EDUFAL. 1984. MIZUKAMI.out/2004. Petrópolis. 2000 SANTANNA. Didática. pp. SANTANNA. São Paulo. OLIVEIRA. G.: O ensino superior: teoria e prática. São Paulo. Maximiliano. R. Libertad. Campinas-SP. 3. 1995. J.. 1994. Luiz Paulo Leopoldo: Formação continuada de professores e novas tecnologias. 2002 REVISTA EDUCAÇÃO E SOCIEDADE: Revista de Ciência da Educação. Loyola. Libertad. Civilização Brasileira.: O estágio na formação de professores: unidade teoria e prática. ___________Escola e democracia. 1995. Zahar. MENEGOLLA. Campinas.: Didática: aprender a ensinar. V. limites e perspectivas. Vozes.: Tendências e correntes da educação brasileira. A. W. 2º ed. 1998. compromisso e pesquisa. SEVERINO. 4ª ed. ARTMED. Papirus. 2. Vozes. São Paulo. in PIMENTA. Compreender e Transformar o Ensino. Cortez. D. Lisboa. 1994.6 MERCADO. P. Papirus. Gimeno J.EdUFSCar.: Construção da disciplina consciente e interativa na sala de aula e na escola. ruptura. D. TUGENDHAT. 8ª ed. Selma G. 1997. 37-69. 1983. 2000. São Paulo: Libertad. S. OLIVEIRA. (org) Docência no Ensino Superior. Libertad. v. Cadernos Pedagógicos de Libertad.): Os professores e sua formação. S.: Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito. CEDES. VASCONCELLOS.: Filosofia da educação brasileira. Ilza Martins. I. 1993.: Melhoria do ensino e capacitação docente. 1972.: Aprendizagem da docência: processos de investigação e formação. Celso dos S. vol. __________________________Planejamento: Plano de ensino aprendizagem e projeto educativo.: A didática como mediação na construção da identidade do professor: uma experiência de ensino e pesquisa na licenciatura.: Lições sobre Ética. NÓVOA. São Carlos. PIMENTA. Por que Avaliar? Como Avaliar?: critérios e instrumentos. Rio de Janeiro. Autores Associados. Nova Enciclopédia. Didática do Ensino Superior . 2002. Rio de Janeiro. Porto Alegre. Dermeval. SAVIANI.Didática: Aprender a ensinar. Campinas-SP. 3a ed. T. Ilza Martins.ª ed. 25 nº 88Especial. E. MORAES. in MENDES. Campinas-SP.

fcc.editora. com.gov.br Artigos de Educação em geral: http: //www. in: LOPES.a ed. Campinas. Ed.org.mtm.ufsc.html Estudos em Avaliação Educacional: http://www.br Cadernos de Educação: http://www.htm Cadernos CEDES: http://cedes-gw. 2. 2002. Ilma (coord. Sites: Revista de Educação e Informática: http: //www.htm Debates sobre avaliação: http://www. São Paulo.br/revistas.br Didática do Ensino Superior .ufpel.sp.ufsc.unicamp. Libertad.eduline.7 __________________________A construção do conhecimento em sala de aula.br/~raies http://www.unesp. Papirus. VEIGA. Antonia: Repensando a Didática. br/amae/index.br Didática: http://www.fde.): Panejamento do ensino numa perspectiva crítica de educação.br/~raies/ main2.jurere. 1994.mtm.

Cortez 2002. informaçoes memorizadas e facilmente repetidas nnas provas. rigorosamente. ou seja. normalmente desmotivados. que não incentiva o hábito do estudo crítico.no que se refere a escola. Luckesi. 2.. erudiçoes. por sua vez. específico do ser humano. livresco e desvinculado da realidade concreta em que estamos. Não queremos uma universidade desvinculada. O aprendizado é medido pelo volume de ¨conhecimentos¨. compreende os graus: primeiro inicial. nunca refletidas ou analisadas. ser chamada de universidade. Cipriano.1 A Universidade – criação e produção de conhecimentos Livro: Fazer Universidade: Uma proposta metodológica. É vociferar indistintamente as mesmas coisas ditas na França. cinco anos passados podem até continuar válidas. Em nossa cultura. Diante do sistema educacional. terceiro superior. o processo de conhecer. verbalístico. Verdades estudadas há dez. O melhor professor é aquele que traz maior número de informaçoes. porque em dez. Naidison. Ser alheia. não uma mera consumidora e repetidora de informaçoes importadas para ¨profissionalizar¨. de percebê-las é necessariamente novo. e da universidade. em determinada área ou disciplina. a heterogeneidade de lugar. Didática do Ensino Superior . sujeito de um processo econstrutor de sua história. URSS. o melhor aluno é o que mais fielmente repete o professor e seus eventuais textos nas provas. mas sim um recanto privilegiado onde se cultive a reflexão crítica sobre a realidade e se criem conhecimentos com base científica. Japao etc. alheia a realidade onde está plantada. Rejeitamos um modelo de universidade que não exercita a criatividade. onde o conteúdo como a forma não dizem respeito a um espaço geográfico e a um momento histórico concretos. Estudar. com a função ambigua de profissionalização. Sacralizar verdades. Baptista. onde não exista efetivamente campo. ¨erudiçoes¨. a realidade muda. está profundamente vinculado a escola. sem uma paralela visao do contexto social. profissionalizante ou técnico. O nosso sistema educacional.8 2 CONHECIMENTO SOBRE A FINALIDADE DA UNIVERSIDADE SEUS PROBLEMAS E PERSPECTIVAS 2. nível superior. proporemos a nossa reflexão na busca de entender a universidade que temos e de clarear a nossa tentativa de construir a universidade que pretendemos. Barreto. José. Eloy: Cosma. Uma universidade sem pesquisa não deve. conteúdo de formas é implicitamente apregoar uma mentalidade estática. de cultura. real e concreto. de temppo e das reais do aqui e do agora. é verbalizar ¨conhecimentos¨. não identifica nem analisa problemas concretos a serem estudados. em que se faça tão somente ensino. abertura e infra-estrutura que permitam e incentivem a pesquisa. segundo médio. Em outros termos. executar ensino. ler matéria a fim de se preparar para fazer provas. em nosso país. componente básico do sistema educacional. O ensino repetitivo é geralmente. bloqueadora de qualquer crise. fica encerrado com o anuncio da nota ou conceito obtido na prova. hoje. nos Estados Unidos. simplesmente como uma parasita ou um quisto. a evolução no sentido de consrt uir um mundo onde o homem seja mais homem. cinco. um ano. sem levarem em conta. nesse modelo é. As aulas sao constituídas por falaçoes do professor e audiçoes dos alunos. desvinculada ou descomprometida com a realidade é sinônimo de fazer coisas. portanto. como um todo. criticamenta. contrária ao crescimento.1.1 A universidade que não queremos Não queremos uma universidade-escola. simplesmente. mas o jeito de estudá-las. e todo um processo de conhecimento intelectual e aprofundamento. avessa as modificaçoes. dócil ao status quo.

Isto Didática do Ensino Superior . absolutizar qualquer conhecimento como um valor em si. . ao intercâmbio das idéias. – O ensino superior tem por objetivo a pesquisa. Sem um minimo de clima de liberdade. estaelecer uma mentalidade criativa. Art. por pessoas capazes de refletir e abertas a reflexão. excepcionalmente. sobre o projeto de sua comunidade. o trabalo crítico no sentido de aumentar o cabedal cognitivo da humanidade. A pesquisa será. não uma simples escola de nível superior. comprometida exclusivamente com a busca cada vez mais séria da verdade. estudada e entendida em todos os seus ângulos e relações. a investigação crítica. Por conseguinte. para que possa ser continuamente ransformada. A universidade que não toma a si esta tarefa de refletir criticamente e de maneira continuada sobre o momento histórico em que ela vive. a revelia do corpo de professores e alunos. organizados como instituições de direito privado. Em síntese. indiscutivelmente certas e detém os critérios incontestáveis do certo e do errado. é impossível uma universidade centro de reflexão crítica. não queremos uma universidade originada da improvisação e meramente discursiva. Trata-se de uma função nitidamente objetificnte e orientado para uma simples repetição cultural. letras e artes e a formação de profissionais de nível universitário.9 1. 2. Não queremos uma universidade onde a direção – administração – integrante fundamental do conjunto. portanto. ainda. nessa universidade. diz verdades já prontas. com rigor. o mestre que fala. a universidade deve ser o lugar por excelência do cultivo do espírito. uma vez que se bloqueia a fecundidade e o exercício da crítica. a fim de que a realidade seja percebida. de produção nova. professores – alunos – administração. criando-a provocando-a permitindo-a e lutando continuamente para conquistar espaços de liberdade que assegurem a reflexão. sua característica que a especifica como tal crítica. sua função é. em estabelecimentos isolados. a participação em iniciativas construtivas. com referencia ao ensino superior: Art. através do exercício da assimilação – não simples deglutição – da comparação. de ouvir. 1º. todo o seu corpo seja constituído por pessoas adultas: todos já sabem muitas coisas a respeito de muitas coisas. avaliada. não está realizando sua essencia. o magister. do saber. Presumimos que. o desenvolvimento das ciências. A Lei 5. todo o corpo universitário. isto é. estruturadas. Há sempre a necessidade de um entendimento novo. e onde se desenvolvem as mais altas formas da cultura e da reflexão. 2º. formando profissionais de alto nível tecnológico e fazendo ciência. em consequência. Buscaremos. Nestes termos. na medida em que o espaço-temporaliza. o receptor passivo do que é emitido pelo professor-mestre.1. reconhece que toda conquista do pensamento do homem passa a ser relativa. Uma universidade que se propõe a ser crítiica e aberta não tem o direito de estratificar. reproduçãode idéias sem qualquer força de criação continua. O aluno é o ouvinte. o centro da sabedoriae das decisões. 540/ 68 da reforma universitária diz. memorizar e repetir bem o que lhe é transmitido. indicada pura e simplesmente pelos donos do poder polítiico e econômico sem a interferência de sua célula básica – aluno e professor – e aja como se fosse senhora de tudo. aprender. preciisa comprometer-se com a reflexão. portanto. mas nunca a definição última da universidade – surja a partir de organismos e razoes outros que não os eminentemente pedagógicos e didáticos.2 A universidade que queremos Queremos construir uma universidade. da análise da avaliação das proporções e dos conhecimentos. ao contrário. Não queremos uma universidade na qual o professor aparece como o único sujeito. – O ensino superior indissociável da pesquisa será ministrado em universidades e. Nesse centro buscaremos o máximo possível de informaçoes a todos os níveis. Todas as demais atividades tomarão significado só na medida em que concorram para proporcionar a pesquisa. questionada. a atividade fundamental desse centro.

desde a esfera mais próxima. a racionalidade crítico-criadora. ou seja. julgar.conquistar nosso modelo.. Não imaginamos um modelo definitivo de uiversidade. ao estudo e. avaliar. lhe possibilitam escolher meios de superação das estruturas que o oprimem. com isso. queremos construir uma universidade plantada numa realidade concreta. deve se colocar num processo permanente de revisão de suas próprias categorias. fazer entender melhor e mais profundamente a realidade concreta. aquele potencial humano racional constantemente ativo na leitura dos acontecimentos da realidade. exercitando e desenvolvendo seu potencial crítico. com aguda consciência de nossa realidade social. um corpo responsável por indagar. econômica e cultural e equipada com adequado instrumental científico e técnico que. política. ou seja. de questionamento. razão concretizada. questionar. discernir. através de um esforço inteligente de assimilação. o aluno. Propondo-se a formar cientistas. profissionais do saber. para que possa criticamente iidentificar e estudar seus reais e significativos problemas e desafios. Podíamos sintetizar as funções da universidade no esforço para imprimir eficácia na ação transformadora do homem sobre si mesmo e sobre as instituições que historicamente criou. porque tem a universidade a responsabilidade de formar os quadros superiores exigidos pelo desenvolvimento do país. na medida em que a estivermos construindo. o planeta. A universidade. as conquistas do saber humano. propor caminhos de soluções. sujeito – nunca objeto – de seu aprendizado. Criadora e crítica. a região. coordenação. Nesse contexto a validez de qualquer conhecimento será mensurada na proporção em que este possa. o Estado. propor perspectivas racionais de ação. portanto. ela deve fazer avançar o saber. para ver. inventar. até as esferas mais remotas. porque além de tomar consciência continuamente do que faz. ou não. em acordo sempre com as exigências do homem que aspira a ser mais. porque a razão é emminentemente crítica.10 nos quer dizer que a universidade é. na medida em que exercita as funções de criação. Queremos uma universidade em contínuo fazer-se. dentro do processo histórico. conservação e transmissão da cultura. uma universidade ¨consciência crítica da sociedade¨. a realidade que a gera e sustenta. investigar. Se entendemos a função específica da universidade como desenvolvimento da dimensão de racionalidade. de criar uma relação entre dois sujeitos empenhados em edificar a reflexão crítica: de um ladoo professor. de outro. daí ser. Queremos produzir conhecimento a partir de uma realidade vivida e não de critérios estereotipados e pré-definidos por situações culturais distantes e alheias as que temos aqui e agora. Queremos. para analisar. finalmente. a crítica. ao debate. Trata-se. Queremos uma universidade onde se torne possível e habitual trabalhar. marcando a corresponsabilidade na condução do próprio processo. discernir e. permitindo ampliar o poder do homem sobre a natureza ponha a serviço da realização de cada pessoa. o terceiro mundo. do municipio. entretanto. portanto. fundamentado no princípio do incentivo a criatividade. segundo. Como essas pretensões. do Estado. porque isso marca a historicidade crítica de uma instituição humana. sujeito de criação. debater. a micro-região. Para ser consciência crítica. mas pretendemos achar. refletir a nossa realidade histórico-geográfico nos seus níveis social. por excelência. porque específico da universidade é o esforço de ser e desenvolver nos seus membros a dimensão de uma consciência crítica. a racionalidade instrumental-crítica. so poderá desempenhar tais funções quando for capaz de formar especialistas para os quadros dirigentes da própria universidade. o país. na qual terá suas raízes. por natureza. a universidade ajuda a sociedade na busca de encontrar os instrumentos intelectuais que dando ao homem consciência de suas necessidades. está atentos para os desafios dessa nossa realidade e estudá-los é a grande tarefa do corpo universitário. comparar. da nação. criadora e crítica. enfim. queremos criar um interrelacionamento professor-aluno. proposição de estudos. o continente lainoamericano. a universidade deve estar continuamente em interaao com a sociedade. de criação. Didática do Ensino Superior . político. inteligência institucionalizada. o município. poderemos visualizar o processar-se dessa mesma racionalidade em dois momentos complementares: promeiro. porque sua missao não se esgota na mera transmissão do que já está sabido. Nesses termos. econômico e cultural. questionamentos e debates. crítica.

formação continuada de professores. fazer-se sujeito em diálogo com o professor. a responsabilidade pelo todo.2 Referencial do MEC Os documentos do MEC são referenciais de qualidade para o Ensino Superior e podem ser utilizados para o planejamento e a operacionalização das atividades específicas. Serão indicados alguns documentos do MEC. Pareceres e Portarias. de 20 de dezembro de 1996. disponibiliza em sua página na INTERNET as Resoluções.11 Para que um tal clima se faça. professores e aluno optaram por criá-lo e produzí-lo. O corpo universitário. avaliação dos alunos. As ferramentas do MEC colocadas à disposição do Ensino Superior são inúmeras e a proposta aos professores é que visitem sistematicamente a página do MEC. com o aluno. para que nessa busca de interação seja construída a universidade. e de sua área de especialização em particular. propomos livremente e livremente avaliamos a nossa responsailidade. É nesses termos que pretendemos um corpo universitário que lute para eleger os seus diretores a partir de critérios que correspondam aos objetivos da Universidade. enfim. política. decorrentes de incessante observação crítica da realidade. elaboração do projeto pedagógico do curso. Decreto nº 2. Didática do Ensino Superior . deve chegar a expressar em forma autenticamente pessoal o seu conteúdo. cada um a seu nível. a socialização e a reflexão coletiva das diretrizes do MEC como subsídios indispensáveis na gestão das ações pedagógicas. como ser sujeito em diálogo com a realidade. Queremos. uma universidade onde possamos lutar para conquistar espaços de liberdade. é ele quem se educa a si mesmo: ao educador compete apenas estimular e ordenar inteligentemente esse processo. isto é. político ou econômico. cabe ao professor-educador descobrir. professores e do curso e demais diretrizes de ação. é obviamente necessário que o professor esteja sempre bem iinformado da realidade como um todo. desenvolvimento de projetos. serviçalismo e subserviência ao poder dominante. Recomendamos o conhecimento. com os demais companheiros. professor-aluno e administração. através do estudo e pesquisa. todas as diretrizes referentes ao Ensino Superior. com a realidade social. 2. Um corpo universitário não mais deve presenciar passivamente a nomeação de dirigentes universitários estribada em critérios antidemocráticos de simpatia. pelo contrário. tais como: reconhecimento do curso. de maneira que não seja anulada a espontaneidade e criatiividade do educando. o professor se torna um motivador do saber. a fim de que possa proporcionar a seus alunos temas de reflexão concretos. necessita de espaço para assumir. por isso transformador. É nesse sentido que o CELAM se expressa. Enfim. proposiçoes criativas e originais. Dessa forma não se trata mais de uma universidade em que uns sabem e muitos não sabem . econômica e cultural. Queremos uma universidade democrática e voltada inteiramente para as lutas democráticas. Enfim. efetivamente. mas em que muitos sabem algo e querem saber muito mais. ao aluno. considerados imprescindíveis para o planejamento:   Lei 9394/96.026. problemas e fontes de estudos. administrativas e político-sociais. uma universidade onde. que jamais poderá existir sem professor e aluno voltados para a criação e construção do saber engajado. de 10 de outubro de 1996: Estabelece procedimentos para o processo de avaliação dos cursos e instituições superior. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Enquanto pensamos livremente. elaboração e reelaboração curricular. questionamos livremente. Ocasionando o desenvolvimento do potencial de reflexão crítica dos alunos. O educando é o primeiro agente do processo educativo. além de se consumir conhecimento. O Ministério da Educação através de suas subsecretarias e órgãos. buscando novos subsídios de informação e inovação.

porém.1 Técnicas para o desenvolvimento da aprendizagem em aula Tendo tratado da aprendizagem como ponto central em torno do qual deverá gravitar a ação docente. visitas técnicas. a avaliação de cursos e institui providências. dinâmicas de grupo. 253. de organização para Centros Universitários. aulas práticas. de avaliação e planejamento. o conjunto de recursos e “ meios materiais utilizados na confecção de uma arte”. Quanto à ação docente. pesquisa. de uso e domínio de língua estrangeira e de informática. os docentes do ensino superior preocupados em transmitir informações e experiências se utilizam praticamente de aulas teóricas expositivas e de aulas práticas. São exemplos de técnicas: recursos audiovisuais. internet. e considerando que os objetivos a serem alcançados deverão permitir o desenvolvimento dos aprendizes na área do conhecimento. e servem para o professor ler suas anotações.   3 COMPETÊNCIA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR UNIVERSITÁRIO Marcos Tarciso Masseto 3. Decreto nº 3. Portaria nº 2. ou seja. de 13 de maio de 1997: Credenciamento de centros universitários para o sistema federal de ensino superior. Chegam mesmo a apelidar de “perfumarias” quaisquer tentativas de se procurar trabalhar tecnicamente em educação. de interpretação dos código nos mais variados tratamentos de saúde. Ao tratar das técnicas possíveis de serem usadas em aulas para colaborarem com a aprendizagem. de 18 de outubro de 2001: Oferta de disciplinas que. utilizem método não presencial de organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos. e em nosso caso na realização de uma arte que se chama docência. de coleta e interpretação dos dados de qualquer fenômeno social. ensino por projetos. leituras. de habilidades e de atitudes ou valores. o assunto deste capítulo se reveste de grande importância.041 de 22 de outubro de 1997: Define critérios adicionais aos já estabelecidos na legislação vigente. queremos em primeiro lugar dizer que entendemos por “técnica” o sentido que lhe atribuiu o Dicionário Larousse Cultural. Portaria nº 639. em seu todo ou em parte. aulas expositivas. há um descaso total com a tecnologia. diagnósticos. de 19 de agosto de 1997: Regulamentação das instituições de ensino superior. como retro projetor e transparências (que em geral substituem o quadro-negro. no uso e na atualização de suas técnicas cirúrgicas.860. acreditando que é suficiente o domínio de conteúdo para entrar em uma sala de aula e conseguir que os alunos aprendam. Didática do Ensino Superior . em sua grande maioria. branco ou verde). Muitas vezes para a aula expositiva são usados alguns recursos audiovisuais. de 9 de julho de 2001: Dispõe sobre a organização do ensino superior. e outros mais como veremos adiante. Ainda hoje. uso do quadro-negro. estudo de caso. É verdade que muitos dos docentes do ensino superior têm uma dupla atitude com relação às técnicas: super exigentes no conhecimento.306. Portaria nº 2. se procura ou demonstrar o que se disse na aula teórica. ou se exige que o aluno faça aquilo que foi ensinado na aula expositiva.12    Decreto nº 2. Nestas.

outros ainda realizando atividades individuais ou coletivas durante o tempo de aula. Didática do Ensino Superior . talvez de fato não dando valor às estratégias. a variação na maneira de dar as aulas traz vantagens: também para ele o curso se torna dinâmico. não é possível querermos ajudar os alunos a conseguirem tantos objetivos usando apenas uma ou duas técnicas. Há necessidade de variar as técnicas no decorrer de um curso. dialogando. que favoreçam o alcance dos objetivos educacionais pelo aprendiz. não sendo o desafio unicamente intelectual suficiente para manter os alunos em estado de alerta. dois fatores altamente favoráveis para uma aprendizagem significativa. em outras palavras. Depois de dois ou três meses a produção da classe decaía. A segunda conseqüência é a seguinte: cada grupo de alunos ou cada turma ou cada classe é diferente um do outro. Há necessidade do conhecimento das diferentes técnicas que sejam mais adaptadas a este ou aquele objetivo. a fatos supervenientes. entretanto. o que se faz oportuno. é como se a classe começasse a se sentir “cansada” daquelas aulas. e assim por diante. do começo ao fim do ano. Uma única maneira de dar aulas favorecerá sempre os mesmos e prejudicará sempre os mesmos. flexibilidade. se um curso todo é dado sob forma de aulas expositivas. Todas as técnicas são instrumentos e como tais necessariamente precisam estar adequadas a um objetivo e ser eficiente para ajudar na consecução deste.13 Mais abrangente que técnicas me parece o termo “estratégia” para iniciar os meios que o professor utiliza em aula para facilitar a aprendizagem dos alunos. internet etc. visitas técnicas. podemos dizer que as estratégias para a aprendizagem constituem-se numa arte de decidir sobre um conjunto de disposições. desafiador. informação sobre estratégias. criatividade ao dar as aulas. pois elas são um forte elemento de atuação sobre a motivação dos alunos. desde a organização do espaço sala de aula com suas carteiras até a preparação do material a ser usado. determinada técnica pode ajudar um grupo e não servir para outro pelas mais diferentes razões. De nossa própria experiência como alunos. de habilidades e competências. talvez desinformados. devido ao turno em que acontece a aula (manhã. não estará desenvolvendo a habilidade de trabalhar em grupo. de se expressar. A variação das técnicas permite que se atenda a diferenças individuais existentes no grupo de alunos da turma: enquanto uns aprendem mais ouvindo. embora reconhecendo sua validade e bom nível do conteúdo fornecido. Procurando conceituar de maneira mais formal. à composição do grupo. Como no processo de aprendizagem trabalhamos com vários objetos (de conhecimento. à energia pessoal do próprio professor. É o que se pede aos alunos no decorrer das aulas: eles se sentirão mais ou menos envolvidos. 3. mais ou menos participantes. Ou. recursos audiovisuais. podemos lembrar de professores que eram excelentes especialistas em seus conteúdos e também capazes de estabelecer um clima de descontração em sala de aula. ao clima estabelecido na classe. a incidentes críticos acontecidos com determinado grupo. ao estado físico ou motivacional do aluno. A variação de técnicas favorece o desenvolvimento de diversas facetas dos alunos: por exemplo. por exemplo. repetiam uma única maneira de dar aula. na medida em que exige renovação. por exemplo. tarde ou noite). mais ou menos capazes para aprender. mais ou menos responsáveis. Três conseqüências decorrem imediatamente dessa afirmação: 1.. Isso nos alerta para as necessidades de conhecermos e dominarmos várias técnicas que possam ser utilizadas tendo em vista o mesmo objetivo. Para o mesmo objetivo. outros aprendem mais debatendo. apesar de estar desenvolvendo a capacidade de ouvir e receber informações. 2. ou outras atividades individuais. afetivo-emocionais e de atitudes ou valores). assim como a necessidade de se propor claramente os objetivos a serem alcançados. de resolver problemas. é lógico que tenhamos de usar múltiplas técnicas. de diálogo com os alunos. Também para o professor. Essencial no conceito de técnicas ou estratégias é sua característica de instrumentalidade. ou uso de dinâmicas de grupo.

Portanto. querendo com isto indicar a modernidade ou atualização na formação de seus profissionais.      Apresentação Simples Apresentação cruzada em duplas Complemento de frases Desenhos em grupo Deslocamento físico Didática do Ensino Superior . se torne capaz de criar novas técnicas que melhor respondam às necessidades de seus alunos.14 A instrumentalidade das técnicas traz consigo uma decorrência: a relatividade da técnica. O que se espera do professor com relação às técnicas? Vale à pena a reflexão. modificando-as naquilo que for necessário para que possam ser usadas com aproveitamento pelos alunos individualmente ou em grupos. Mas. Só tecnologia moderna não resolve nossos problemas educacionais de aprendizagem e formação. com sua prática. enriquecer e ampliar essas sugestões. técnicas presentes em ambientes virtuais. Com isso queremos dizer que se espera do professor uma atitude muito ativa e de intervenção dinâmica no campo das estratégias. espera-se dele atitudes básicas: 1. outros usam dessa tecnologia como chamariz para seus vestibulares. pelo conhecimento e domínio prático de muitas técnicas e por sua capacidade de adaptação das técnicas existentes. 3. afinal. Ela é um instrumento. 2. se não revirmos nossa posição quanto aos grandes princípios educacionais. e não proporcionarmos formação continuada e em serviço para os professores. bem como condições adequadas de trabalho. técnicas usadas em ambientes reais de profissionalização. técnicas são instrumentos e como tais podem ser criadas por aqueles que vão usá-las. Que o professor desenvolva capacidade de adaptação das diversas técnicas. Tecnologia educacional em educação é muito importante desde que venha como instrumento colaborativo das atividades de aprendizagem. bem como o domínio do uso destas para poder utilizá-las em aulas. Este também é um ponto muito importante para nossa reflexão: se alguns docentes e instituições do ensino superior desqualificam qualquer importância ou relevância para o uso da tecnologia em seus cursos. O professor para nós é um educador e como tal tem clareza dos objetivos educacionais que se pretende com seus alunos. de nada adiantará dispormos de alguma tecnologia.2 Técnicas universitários usadas em ambientes presenciais e Como iniciar uma disciplina. Afinal. aquecer um grupo ou desbloqueá-lo? São várias as técnicas de que dispomos para iniciar um curso ou aquecer um grupo de alunos para trabalharem em aula. Vamos indicar alguns exemplos apenas. É também o profissional da aprendizagem enquanto se responsabiliza pela gestão das situações da aprendizagem. pois muitas pessoas podem vê-lo apenas como um aplicador de técnicas. 3. Assim sendo. vamos organizá-las em três grupos: técnicas que são usadas em ambientes presenciais e universitários. Que o professor tenha conhecimento de várias técnicas ou estratégias. no campo das técnicas. com que estratégias podemos contar? Para análise e discussão. esperando que os professores possam. Que o professor.

Em seguida. Meus colegas dizem que esta disciplina.... outra técnica deverá ser escolhida.. que não foi escrita por ele... Cada um tem três minutos para fazer sua apresentação ao colega. mais favorável à aprendizagem da disciplina. uma técnica que pode ajudar o desbloqueio é a complementação de frases. o objetivo da técnica. Além desse número. Nesta disciplina espero aprender.. ela se torna cansativa.. Apresentação simples Cada membro do grupo. criando freqüentemente momentos jocosos e hilariantes. recolhem-se os cartões e se redistribuem aleatoriamente. A apresentação pode ser entremeada com perguntas feitas pelos participantes.. nesse período. tem uma frase completa. precisamos escolher outra técnica.. 3. A apresentação cruzada costuma ser bastante informal.. de forma que cada aluno. Produzir grande número de idéias em prazo curto. de fato. Apresentação cruzada em duplas Trata-se de uma variante da técnica anterior.15     Brainstorming São objetivos dessas técnicas: Colaborar para que membros de um grupo que vão trabalhar juntos durante certo tempo se conheçam em um clima descontraído. Em que consiste? O professor prepara um cartão para cada aluno. sobretudo se o professor recolher os cartões e examiná-los posteriormente. se apresenta. e é convidado a ler a frase em público para todos os colegas. Essa estratégia é mais aconselhável para grupos pequenos (20-25 pessoas). A inibição diminui. Exemplos de frases: Vim para este curso. Cada elemento da dupla deverá dar toda atenção ao colega. Socialmente eu. Em meus momentos de lazer.. no máximo. 30 pessoas.. Nessa condição. encontramos uma turma muito inibida. no qual escreve um início de frase. no memento seguinte. 2. verbalmente.. e com base nela o professor pode fazer outras questões ou outros alunos podem querer ler frases semelhantes. Preparar uma classe que no início se mostra apática para um relacionamento mais vivo e. que será complementado pelo aluno. Como a anterior. Quebrar percepções aprioristicamente preconceituosas entre os membros da classe. livremente. O desbloqueio se inicia. dizendo alguma coisa de si mesmo nos vários aspectos de sua vida. e de grande aproximação entre o grupo. Este é. essa técnica é mais aconselhável para grupos de 25 ou.. Com relação à minha profissão. Expressar expectativas ou problemas que afetam o clima do grupo e o desempenho de seus membros...   1. ouvirem uma grande parte de depoimentos e conhecerem o grupo de modo geral. desenvolver a originalidade e a desinibição. pois. Esta disciplina serve para. etc. Os participantes se reúnem em duplas durante seis minutos e deverão. Didática do Ensino Superior . com pouca disposição de se comunicar oralmente... Além desse número. Complementação de frases Por vezes. portanto. se apresentar um ao outro nos mesmos moldes descritos na apresentação simples. deverá apresentá-lo ao grupo. agora. É uma técnica que pode ser usada com pequenos e grandes grupos. pois aquela leitura praticamente não compromete o leitor. dando a oportunidade de todos se manifestarem.. os quais professor e/ou alunos não percebam claramente ou tenham dificuldade de expressar de modo direto. inclusive suas preferências em momentos de lazer e em outros momentos de sua vida social. oralmente. Por isso. e ninguém sabe por quem o foi.

Isso poderá ser mais bem percebido adiante quando tratarmos das dinâmicas de grupo. Nessa técnica é importante a manifestação espontânea.16 4. em geral. Desenhos em grupos Essa é uma técnica que poderá ser usada com grandes grupos. ela permite um desbloqueio. embora seu principal objetivo seja levar a um desenvolvimento da criatividade. Por exemplo. procurem comunicar-se mediante outros recursos. outros vão afirmar que “isso é coisa de escola fundamental” etc. logo no início da aula solicitar colaboração para arrumar as carteiras em forma de semicírculo. em geral. traz grande probabilidade de desatenção e apatia durante as aulas. sem preocupação com o certo ou errado. pergunta-se à classe quais idéias estão sendo comunicadas. Evitar que se tenha tempo para pensar ou fazer longos raciocínios. como revistas. com plena liberdade. pedindo aos alunos que. sem manifestação do grupo que está expondo. Dá-se um tempo de mais 15 minutos para a realização dessa atividade. Deslocamento Físico Nem sempre damos conta de que o tempo que os alunos permanecem sentados. sem censura. É muito importante que o encaminhamento dessa atividade dado pelo professor esteja explicitamente relacionado com objetivos de aprendizagem esperados. alguns dirão não saber fazer a atividade. e fazer esse deslocamento aproximando-se dos mais variados alunos e ocupando os espaços da sala de aula diversas vezes durante a exposição. desde que tenhamos espaço físico suficiente. bem como à produção de grande número de idéias em curto prazo de tempo. se o professor for dar uma aula expositiva. levando em consideração o desconforto das cadeiras. a representação estática ou dinâmica. abrir espaço entre as carteiras para que possa transitar livremente entre os alunos. é o seguinte: orienta-se a classe para a atividade que vai acontecer. Encerrado o tempo estipulado. e ao professor oferece oportunidade de conhecer o que seus alunos pensam a respeito do assunto sobre o qual se dialogou. Inicialmente. Dá-se um tema a respeito do qual se pede para os grupos debaterem durante 15 minutos. Ao que responderemos que desejamos apenas desenvolver outros tipos de comunicação que. procurem verbalizar imediatamente. por exemplo: o desenho. até o final da sala. O diálogo aproxima muito os grupos e a turma de diversas formas. com pincéis atômicos para os desenhos. O professor terá levado para sala de aula folhas de papel-jornal ou cartolinas. dá-se a palavra ao grupo para se explicar. lembrar que várias dinâmicas de grupo permitem deslocamentos maiores durante o tempo de aula. Didática do Ensino Superior . fotos etc. sem usar a palavra oral ou escrita. ou outro material que julgar conveniente. as associações que lhes vierem à mente. Após esse tempo. A técnica permite que os alunos do pequeno grupo se entrosem e interajam com a classe como um todo de uma forma. Brainstorming Incluímos nessa categoria a técnica brainstorming (tempestade cerebral) porque. programar atividade de grupo que obrigue os alunos a mudarem de local na sala. Donde a necessidade de provocarmos deslocamentos físicos dos alunos e/ou do professor. em geral. que procurem ajuda entre os colegas de outros grupos (não esqueçamos que nosso objetivo é a interação grupal) etc. procurando chegar à diversas idéias comuns. cada grupo é chamado para fazer sua apresentação ou expor seu desenho. Divide-se a turma em grupos de cinco a sete pessoas no máximo. gestos etc. Seu funcionamento. 5. pede-se que cada grupo procure uma forma de comunicar a toda a turma as idéias a que chegaram seus integrantes. Após cerca de dois minutos. descontraída. Ou seja. um aquecimento da classe. estão embotados em nós. ao ser apresentado o tema ou uma palavra. para se fazer uma colagem. 6. para que os alunos não entendam a atividade apenas como uma “brincadeira” inconseqüente durante a aula. Certamente haverá muita reclamação por parte dos alunos que não estão acostumados a esse tipo de comunicação. freqüentemente. o que favorece muito mais a participação dos alunos nas aulas.

ao redor da palavra ou do tema escrito. se identificar tudo que seja possível acerca do que está registrado na lousa. Essa atitude do aluno. biblioteca. sem se preocupar com nenhuma ordem ou organização. Vamos começar com técnicas que. Imediatamente se iniciam as verbalizações que o professor vai registrando na lousa. e assim por diante. a desatenção e o desinteresse pelo assunto. os sentimentos negativos com relação ao tema. tema em geral carregado de ansiedades e experiências negativas. em geral. ou seja. são usadas em ambientes presenciais. técnicas que poderão ser usadas em salas de aula. o professor vai construindo o conceito ou o tema utilizando as colaborações apresentadas. Poderão surgir idéias que nada tenham a ver com o tema ou a palavra proposta. Decorrido cerca de dois a três minutos (ou seja. empresas. laboratórios. quando a aprendizagem se efetiva em ambientes próprios da atividade profissional para a qual o aluno está se preparando: estágios. que idéias são mais próximas do tema ou do conceito que a palavra escrita contém. permitindo que em seguida se entrasse para a discussão do tema com mais tranqüilidade. institutos de pesquisa. Didática do Ensino Superior . em geral. prática clínica ou profissional em clínicas. visitas técnicas. ou eliminar as que não possam ser colocadas em prática (o critério depende do tema proposto para a atividade). um tempo não muito extenso). novas experiências e com maior abertura para aprender. hospitais. fóruns. por vezes perguntar. Para esse ambiente também dispomos de técnicas específicas que precisamos comentar. fazer uma síntese após o estudo do assunto procurando reunir os pontos mais significativos e estabelecer comunicações que tragam atualidade ao tema ou explicações necessárias. Certa vez. Aula expositiva Trata-se de uma técnica que a maioria absoluta dos professores do ensino superior usa freqüentemente. excursões. e sem fazer nenhum comentário a favor ou contra. próprio da era tecnológica que estamos vivendo: o ambiente virtual de aprendizagem. ou agrupar as idéias por alguma semelhança. de preferência com os alunos. justamente para incentivar as manifestações sem censura e total liberdade de associação. congressos. por exemplo. em geral. precisamos distinguir técnicas que poderão ser usadas em ambientes “universitários”. Será interessante deixá-las por último para que os próprios alunos cheguem a essa conclusão. Enfim. de absorvê-las para reproduzir futuramente. mas. Se não perceberem. o professor encerra as manifestações e. buscando e discutindo novas informações. o professor apresenta um tema ou uma palavra que seja provocador(a) e instigante. os aspectos pejorativos. De que técnicas dispomos para dar sustentação a uma disciplina durante um semestre ou um ano? Tratando-se de ambientes presenciais em que a disciplina será ministrada. juntamente com o grupo. escrevendo-a na lousa. então. Não podemos nos esquecer de que hoje dispomos de outro ambiente de aprendizagem. postos de saúde. o brainstorming foi muito importante para se expor às defesas. evitando inclusive que suas reações às verbalizações sejam percebidas. vale a pena recordar que a aula expositiva pode responder a três objetivos: abrir um tema de estudo.17 Combinado o procedimento. Por tais razões. quando o tema foi “Avaliação”. sua escolha deverá se orientar pelos critérios básicos de seleção: adequação ao objetivo de aprendizagem pretendido e eficiência para colaborar na consecução deste. o coloca em uma situação passiva de receber e em condição que em muito favorece a apatia. Como toda e qualquer técnica. anotar. escritórios. Em geral. escolas. das técnicas que poderão ser utilizadas em ambientes “profissionais”. ambulatórios. 1. os professores a usam para transmitir e explicar informações aos alunos. E num processo contínuo. o professor poderá mostrar porque não se incluem essas sugestões no trabalho realizado. em um curso de formação de professores. o aspecto emocional apareceu aí e pôde ser trabalhado. começa a organizar as manifestações solicitando agora a participação para. Estes têm uma atitude de ouvir. isto é.

Planejar a seqüência em que fará a explanação. Fazer uma síntese do assunto estudado. aprenderá a fazer uso dela. é interessante uma aula expositiva para recuperar esses aspectos de uma forma sintética. bem como possibilitará ver a síntese feita pelo professor. desenvolverá mais o raciocínio e a capacidade de pensar e trazer sua contribuição.      Ter claro o objetivo da aula. o professor apresente um cenário bem amplo em que se coloca a importância. para não cansar os alunos e favorecer a divagação. bem como suas relações com outros assuntos. com o exercício profissional. Será interessante porque os alunos já dominam o assunto. ou apresenta vários aspectos que precisam ser considerados. ou um caso hilariante para alegrar e minimizar a tensão durante a fala. Pela preleção. Considerar que há limite de tempo. como veremos adiante. etc. O professor pode expor recentes descobertas. dar vida a um conteúdo que pode parecer frio e desinteressante e orientar a realização do estudo propriamente dito do tema. Mas observe: não se trata de repetir todas as informações estudadas. ou é resultado de contato com especialistas. um exemplo ou caso bem adaptado ao que expõe. No entanto. Para incentivar o aluno a buscar informações. ou não ficaram suficientemente claros. Aprenderá a ser mais ativo em seu processo de aprendizagem e a valorizar mais o encontro com o professor e seus colegas. o professor pode transmitir ao aluno explicações sobre os pontos difíceis. tais como pesquisas. Didática do Ensino Superior . quando o professor for usar a aula expositiva como técnica. para o que se utilizará de outras técnicas. Isso demandará um tempo de mais ou menos 20 minutos. encontram-se em fontes acessíveis a ele: livros-texto. escolhendo linguagem. Na preparação da aula expositiva. Preparar uma notícia de jornal ou revista atual que poderá usar em determinado momento para chamar a atenção dos alunos. atualizando o conhecimento existente nos livros-texto ou em publicações acessíveis ao aluno. exemplos etc. ou mesmo aprenderá a ler livros de sua área. ele conhecerá a biblioteca. há que se trabalhar de forma diferente com a leitura fora de aula e o uso de técnicas dinâmicas em aula. Considerar a classe para quem vai se dirigir. por exemplo: atividades de grupo ou individuais.. perguntas para formular aos alunos durante a explanação a fim de ativar a participação ou atenção dos alunos. preparar uma piada. de acordo com os alunos. uma vez que tais encontros se tornarão essenciais para a compreensão total do assunto. mas de fazer uma síntese conclusiva sobre o tema. ressaltar aqueles mais importantes e sintetizar informações de difícil acesso aos alunos. é preciso que se lembre de algumas medidas indispensáveis para prepará-la e ministrá-la. mais que de alguma forma se perderam durante uma discussão ou um debate. ou novas teorias. Essa preleção pode servir para motivar os alunos ao estudo do tema. conforme explicamos acima. de pesquisa ou de leituras. o que lhe será útil para o resto de sua vida. matérias do curso. sem cair em digressões. em geral. a atualidade do estudo a ser feito. ou colhidas em fontes diversas.18 Abrir um tema de estudo: por vezes é importante que. aprenderá a ler e compreender o que os autores escrevem e resolver as dúvidas. livros e revistas em bibliotecas. Quando um estudo é realizado por diversos grupos. Estabelecer comunicações que tragam atualidade ao tema ou explicações necessárias. a buscar informações. Se o aluno for incentivado a buscar as informações. ao se iniciar um tema. para garantir que haja clareza e seqüência nas idéias. jornais. Por que descartei dos objetivos da aula expositiva a transmissão cotidiana e contínua de informações ao aluno? Por uma razão: as informações básicas e fundamentais para a aprendizagem do aluno. revistas etc.

há condições para o uso dos recursos. trazendo o material preparado para discussão. Preparar com antecedência os materiais e recursos necessários para a aula e verificar se. ou repetindo o mesmo conceito ou idéia sob diferentes formas. Quanto a slides. porém. respeitar opiniões diferentes da sua. Dirigir-se pessoalmente aos alunos. mantendo-os. mediante a apresentação de um problema. mesmo que seja para resolver mais rapidamente a questão apresentada. Afinal. utilizar esses indícios para re orientar sua própria exposição: é o momento de uma pergunta à classe. fazer perguntas. suas reflexões. Considerar o ritmo da classe para tomar notas. a aula expositiva exige do aluno uma posição passiva. observar alguns pontos:    Deixar bastante claro para os alunos qual é o objetivo daquela aula. gráficos ou itens indicativos e nunca com textos longos para serem lidos durante o tempo todo. de contar uma piada. pedindo deles um feedback sobre a clareza do que está expondo. permitir pausas rápidas para uma comunicação entre os próprios alunos. ou mesmo. percebendo como a discussão entre todos e as experiências de todos são mais ricas do que as de uma só pessoa. ou de se comentar uma notícia de jornal.19  Se for usar slides ou transparências. apresentar os pontos difíceis mais devagar. ou de abrir uma janela para conseguir mais ventilação. olhando-os nos olhos um a um. Inclusive o próprio professor precisará se policiar para não interferir a todo instante e com grande tempo de manifestação.  Ao se dar aula expositiva propriamente dita. até por vezes pela própria iluminação natural que impede o uso de recursos audiovisuais. argumentar e defender suas próprias posições. Debate com a classe toda O objetivo principal dessa técnica é permitir ao aluno expressar-se em público. ouvir os outros. Procurar ganhar a atenção dos alunos de início. apresentando suas idéias. evitando o monopólio das intervenções por parte de alguns apenas. o tema indicado pelo professor deverá ser preparado pelos participantes do debate com leituras e pesquisas anteriores. nem sempre fácil de se manter. no espaço físico onde a aula será dada. refletir sobre o que está ouvindo. comunicar. Permitir ao aluno valorizar o trabalho de grupo. na categoria de “recursos” e não de elementos principais. bem escolhidos. Evitar considerar as distrações dos alunos afronta pessoal ou desrespeito. Esse comportamento pode comprometer os objetivos da própria estratégia. em vez disso. o professor deverá garantir a participação de todos. suas experiências e vivências. tabelas. de uma pergunta ou de um desafio. Utilizar-se livremente de recursos auxiliares à palavra para se fazer entender ou para manter o interesse e a atenção dos alunos. por vezes. Nada mais frustrante para o professor e para o aluno do que chegar a uma sala com tudo preparado para a aula e o recinto não se mostrar apropriado. e. Todos deverão ter oportunidade para fazer o uso da palavra. Há alguns pressupostos básicos para o funcionamento dessa técnica:    o professor deve dominar bem o assunto sobre o qual se dará o debate.se pela sala. e para isso locomover. calcular muito bem o número a ser usado: poucos. Como realizar essa técnica? Didática do Ensino Superior . que ajudem na explicação ou permitam o debate e a discussão. Nunca usar um número excessivo que praticamente substitua a aula expositiva. prepará-los apenas com imagens.se com os alunos. dialogar.    2.

No dia do debate. permitindo um debate com a própria máquina para a sua solução Qual é o objeto dessa técnica? O que ela ajuda a aprender?       entrar em contato com uma situação real ou simulada de sua profissão. ou solicitando auxílio do professor quando absolutamente necessário. buscar informações necessárias para o encaminhamento da situação-problema. Nessa situação. Conheci a experiência de um professor de Contabilidade que organizou todo o conteúdo de um bimestre num estudo de caso simulado para ser resolvido. “compõe” uma situação simulada com vários aspectos reais. Apresenta maior dificuldade quando realizada com grandes grupos. ser capaz de aprender a trabalhar em equipe. Hoje encontramos estudos de caso ou cases. ou valores. incentivando o aluno a buscar as informações necessárias para a solução do problema ou na bibliografia de que dispõe. e assim por diante. a juízo do professor. apresentar questões. Daí para a frente procurará garantir a palavra a todos para fazer comentários. como aplicação prática da teoria estudada. ou teorias. sugiro o emprego de outra técnica. A técnica em geral é bem-sucedida com pequenos grupos. como costumam ser denominados em quase todas as áreas de conhecimento. O coordenador do grupo estará atento para contornar monopolizações. ao final do debate. no qual havia situações conhecidas e desconhecidas dos alunos. fazer uma análise diagnóstica da situação. Estudo de caso Essa técnica tem por objetivo colocar o aluno em contato com uma situação profissional real ou simulada.20 O professor em data anterior ao debate escolhe um tema. as desconhecidas motivaram os alunos a aprenderem trabalhando em aula e fora dela. quando o professor toma uma situação profissional existente e a apresenta aos alunos para ser encaminhada com soluções adequadas. Como usar essa técnica? Ela pode ser usada após o estudo de um conteúdo. incluir a possibilidade de discussão entre os colegas na busca de solução. Ou poderá ser empregada como elemento motivador para aprendizagem. formular perguntas. aplicar as informações à situação real. o professor ocupará o papel de mediador. As questões conhecidas permitiram revisão de matéria. jogos de empresa). O assunto novo era por demais árido e difícil. se a técnica. Simulada. desenvolver a capacidade de analisar problemas e encaminhar soluções e preparar-se para enfrentar situações reais e complexas. levantar dúvidas de compreensão do assunto. complementar comentários do colega. integrando teoria e prática. fixa um tempo para a atividade e abre a palavra aos participantes. ou habilidades. e então o aluno já dispõe das informações básicas para resolver o caso. e então o caso será apresentado antes dos estudos teóricos. tendo por objetivo a aprendizagem de determinados conceitos. levando em conta as variáveis componentes. Didática do Ensino Superior . trazer o grupo de volta ao tema central sempre que houver dispersões. administrar o tempo e orientar para que. E a experiência foi um sucesso de aprendizagem segundo o depoimento do professor. buscando uma solução para o problema. expõe o tema. sugere leituras e bibliografia básica e orienta para que se estude o assunto e se façam anotações. por exemplo. Real. se possa chegar a algumas conclusões para seu fechamento e para as questões não ficarem no ar. quando o professor. e muitos deles já se encontram em sites ou em outros programas de computação (por exemplo. o painel integrado sobre o qual falaremos adiante. 3. mediante a aprendizagem em ambiente não ameaçador (sala de aula). ou em discussão em duplas ou trios com os colegas usando as mesmas fontes.

dados e materiais necessários para o estudo. comunicar o resultado obtido com clareza. comprová-las. selecionar. ordem. Discutir os critérios para a escolha do assunto ou da situação a ser pesquisada. Dividir a turma em pequenos grupos. fotos etc. ou porque é possível que as soluções sejam diferentes. Além disso.. internet. reformulá-las e tirar conclusões. anais de congressos. correlacionar dados e informações. a importância e como se relaciona com a aprendizagem que se está desenvolvendo naquela disciplina e naquele semestre. sites etc. elaborar um relatório com características científicas. discutindo com eles no que consiste a pesquisa. Será necessário orientar como se faz uma pesquisa e acompanhar sua realização. Tempo esse que será em pequena parte dos momentos das aulas e em grande parte de momentos fora das aulas. com especialistas de seu curso e de outras instituições mediante entrevistas. ficando cada um com um aspecto do assunto a ser pesquisado ou com um tema próprio. fazer inferências segundo dados e informações. a abrangência da experiência será bem maior. Didática do Ensino Superior    o . sua validade. com que método vai trabalhar para coletar informações necessárias para responder ao problema. levantar hipóteses. 4. ou porque. de campo ou incluindo ambos os aspectos. Não será suficiente “mandar o aluno fazer pesquisa”. analisar.      Também precisa ficar claro que a técnica só pode ser levada a efeito se o professor estiver disposto a orientar seus alunos nessa atividade. precisão cientifica. Essa é uma estratégia que pode ser usada uma vez no semestre ou duas no ano. e-mails etc. pode-se trabalhar com um único caso ou com casos diferentes. ou seja. dado o tempo que ela consome. metodologia de pesquisa. músicas.) e com os mais diversos ambientes informativos (bibliotecas. organizar. ou porque os processos de solução podem ser variados. entrar em contato com as mais diferentes fontes de informações (livros. É a pesquisa se iniciando já na formação dos profissionais contemporâneos. lembrando que a pesquisa pode ser bibliográfica. periódicos. checá-las. Quais são as etapas dessa estratégia?  Motivar os alunos a participarem da atividade.21 Em qualquer das duas hipóteses (usar o estudo de caso como prática do que foi estudado ou como motivador para a aprendizagem). Ensino com pesquisa Trata-se hoje de uma estratégia fundamental para a melhoria da qualidade dos cursos de graduação. é uma técnica que permite o desenvolvimento de várias aprendizagens:   tomar iniciativa na busca de informações. como vai organizá-las e interpretá-las. Apresentar e discutir com os alunos o que vem a ser um plano de pesquisa. revistas. a riqueza de aprendizagem que encerra. Sempre será interessante um plenário para se discutirem as soluções encontradas visando ao enriquecimento do grupo. oralmente ou por escrito. se forem casos diferentes. seus elementos e sua organização: o o definição precisa de um problema.). aceita e defendida por todas as instituições de ensino superior. bibliografia a ser consultada. comparar.

usando pôsteres. indicando os objetivos a serem atingidos (situação ideal futura). Grande parte dele fora de sala de aula. O encaminhamento dessa técnica é muito parecido com o procedimento da técnica do “ensino com pesquisa”. relacionar as disciplinas entre si encaminhando para uma atitude interdisciplinar e para um exercício de integração dos conhecimentos de diferentes áreas. com linguajar adaptado aos alunos. ações. recursos e estratégias. Em princípio. no ensino com pesquisa aprende a pesquisar. se reunir com o grupo para acompanhar o desempenho deles na pesquisa. Duas questões sempre aparecem quando discutimos esse assunto: haverá tempo suficiente para se fazer um trabalho como esse? Qual será o comportamento do professor durante a atividade? Tempo para essa atividade: de dois a dois meses e meio. Outro objetivo é ajudar o aluno a relacionar a teoria com a prática. tempo. É necessário também orientar para a elaboração do relatório final. evitando vir a tomar conhecimento do resultado apenas no final do tempo estabelecido para tal. os fichamentos do material lido. ora no final de uma aula. No estudo do caso. que é profundamente interdisciplinar. organizando um sistema de acompanhamento de avaliação e feedback. 5. A finalização dessa atividade Didática do Ensino Superior . Discutirá com o grupo os passos para a realização do projeto e acompanhará a elaboração deste de forma contínua. paralelamente às outras atividades do semestre. as etapas de realização do projeto. Comunicar os resultados a toda a classe e discuti-los em seguida. Ensino por projetos Essa técnica apresenta um aspecto diferente das que a precederam. lembrando que há várias publicações. Poderá envolver só uma disciplina ou integrar várias delas em sua realização. coleta de dados e sua respectiva análise. realizar a conclusão. e para cada uma delas estabelecendo metas parciais. esta última forma de realizá-los é mais condizente com a realidade profissional.22 o o o o  escolha de procedimentos a serem usados. o aluno aprende a resolver problemas. participantes. de tal forma que a realização e integração de várias etapas apresentem o projeto concluído. O professor poderá solicitar que cada aluno (se o projeto for individual) ou cada grupo escolha um projeto que seja de seu interesse. propiciando uma experiência integrativa de conhecimento e uma experiência de interdisciplinaridade. partindo de uma análise diagnóstica. se o plano de pesquisa estabelecido está sendo cumprido. de tempos em tempos. Evidente que o projeto proposto poderá ser mais simples ou mais complexo. Trata-se de uma estratégia do alto alcance no que diz respeito às aprendizagens profissionais. se estão no caminho correto ou se desviando muito do tema da pesquisa. perdendo assim a possibilidade de ajudar o aluno a aprender mediante a elaboração de um projeto. responsabilidades. A outra questão apresenta-se muito mais séria: a atitude do professor será a de um orientador de pesquisa. E nessa orientação o que se faz? Observa-se se todos estão pesquisando. O tempo de aula usado será algumas vezes para orientar o trabalho de pesquisa e para a comunicação final. O professor deverá orientá-los e. Aliás. Em que tempo? Ora marca-se uma orientação durante o intervalo do cafezinho. ora se destina o tempo de uma aula para orientação de todos os grupos. e o professor procurará sempre orientar para o objetivo daquela pesquisa e analisar com eles o tempo que vem sendo empregado. que dão indicações detalhadas sobre o como realizar trabalhos desse tipo. os alunos não sabem pesquisar. debater com colegas os resultados obtidos nas várias pesquisas. Sugere-se que essa comunicação seja dinâmica. cartazes ou outras formas que incentivem a participação de todos os alunos. elaboração do relatório científico. O objetivo do ensino por projeto é criar condições para que o aluno aprenda a propor o encaminhamento e desenvolvimento de determinada situação. respondendo às hipóteses. relatórios de discussão do grupo. PowerPoint. Desenvolver atitude prospectiva e habilidade de planejamento diante de uma situação também faz parte dos objetivos. elaborar relatório científico.

outro do paciente. outros do júri. outro do secretário. um terceiro do auxiliar. e assim por diante. com debate sobre cada um deles. consciência de si mesmo. um grupo de alunos do curso de Direito participa de um júri em que um faz o papel do advogado de defesa. São objetivos dessa técnica: que seus participantes desenvolvam a empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro. outro do supervisor. um quarto pela matéria-prima.23 deverá contar com a apresentação dos projetos para toda a turma. A apresentação também é um momento de aprendizagem e não apenas um encerramento de trabalhos. Além disso. outro do protético. como profissional diante das questões colocadas. outro do promotor. mais também o de outras pessoas envolvidas. Para que a aprendizagem aconteça é fundamental que cada elemento assuma integralmente seu papel. alunos do curso de Odontologia participam de uma equipe de consultório em que um faz o papel da secretária. ouvindo as contribuições dos colegas. organiza-se uma equipe com membros diferenciados e pede-se que todos. seja pequeno ou grande. outro é o contador. outro do juiz. defenda as posições próprias daquele papel. o que é fundamental para nossas atividades profissionais). o que não impede que ocorra. debatendo e discutindo os vários aspectos do tema. outro de aluno. 6. comporte-se como tal. trazendo sua colaboração. na qual um é o dono. outro do bedel. alunos do curso de Economia e Administração formam uma equipe para discutir os novos rumos de uma empresa. o segundo do médico e o terceiro do observador. outro do pai de aluno. outro do servente. na prática. relacionando-os com seus conhecimentos e suas experiências. outro do réu. isso é. Dinâmicas de grupo Ao analisarmos a utilização de estratégias envolvendo um grupo de alunos. de tal forma que. dialogue com os outros para resolver o problema apresentado. cada participante possa ter Didática do Ensino Superior . Desempenho de papéis (dramatização) Consideremos alguns exemplos: alunos do curso de Medicina participam de uma situação simulada de entrevista com um paciente. outro pelo marketing. 7. aquisição de habilidades de relacionamento inter pessoal. outro do professor. que possam trabalhar com valores como desenvolvimento pessoal. Esses exemplos mostram como alunos podem aprender desempenhando papéis próprios de suas realidades profissionais. independência social e sensibilidade a situações grupais. outro pelo contato com os clientes. o primeiro aspecto a que precisamos estar atentos é o fato de tratar-se de técnicas coletivas. cada um defendendo seu papel. ampliando seu universo intelectual. outro pela pesquisa de mercado. Cria-se uma situação-problema. É uma técnica mais voltada para o desenvolvimento de habilidades e atitudes dos alunos. na qual um faz o papel do diretor. O que isto quer dizer: elas deverão trazer algumas vantagens diferentes das técnicas usadas para aprendizagens individuais e colaborar para outras aprendizagens que não seremos capazes de obter apenas individualmente. a capacidade de desempenhar papéis de outros e de analisar situações de conflito segundo não só o próprio ponto de vista. outro é o responsável pelas finanças. para que todos possam aproveitar dos trabalhos realizados por cada grupo ou aluno e desenvolver assim suas aprendizagens. Essa estratégia em muito incentiva a participação dos alunos e permite avaliar de que modo ele se comporta. Quais são estes objetivos que poderemos desenvolver?  A capacidade de estudar um problema em equipe. na qual um deles faz o papel do doente. alunos do curso de Pedagogia ou Licenciatura participam de uma reunião numa escola para definir o planejamento do ano. considerando determinados conteúdos já estudados ou sendo estudados naquele momento. ao término do trabalho em grupo. outro do cirurgião-dentista-chefe. procure ter as reações e atitudes próprias daquele personagem.

Esse ponto é fundamental para se evitar a dispersão e o fato de que cada aluno apresentar suas contribuições num sentido diferente do outro. para que tenhamos um trabalho de grupo é fundamental a discussão.  A capacidade de discutir e debater. A ausência dessa preparação faz com que o encontro dos grupos.24 avançado e aprendido mais com relação ao tema em pauta do que se tivesse estudado sozinho. “É. então. Valorizar o trabalho em equipe. Certamente conhecemos uma vasta literatura sobre dinâmicas de grupo que contém algumas regras básicas para se realizar bem a atividade grupal. E. trabalho em grupo não adianta mesmo. O melhor é dar aula expositiva!”. seu relacionamento em equipe e sua capacidade de observação e crítica do desempenho grupal. Em nenhum desses momentos houve preocupação de que os alunos aprendessem a trabalhar em grupo. quando as atividades grupais não saem a contento do professor. não lhes foi ensinado um conjunto mínimo de regras necessárias para que um grupo possa funcionar bem. o debate. sua verbalização. uma preparação imediata com leituras indicadas pelo professor ou sugeridas pelo aluno com aprovação do professor é fundamental para o êxito da dinâmica de grupo. Se houver muita dificuldade. É só solicitar que cada um coloque numa folha de papel suas idéias para que depois então as reunamos em um texto comum. Ter oportunidade de desenvolver sua participação em grupos. Para isso supõe-se sempre uma preparação prévia de estudo individual sobre o tema a ser discutido. Isso aconteceu no ensino fundamental. durante o período da atividade de grupo. chegando a conclusões. e chegar-se a um ponto mais avançado e significativo da aprendizagem. Ele poderá se aproveitar das contribuições dos outros. para que cada um exponha suas idéias a outros e depois se faça uma síntese dessas contribuições não há necessidade de dinâmica de grupo. este é o primeiro a dizer. é no sentido de que o faça. em particular. nesse espaço. Confiar na possibilidade de aprender também com os colegas (além do professor) a valorizar os feedbacks que eles podem lhe oferecer para a aprendizagem. Mas penso que vale a pena. Que se distribuam funções entre os participantes: Didática do Ensino Superior . Portanto. Se. por vezes. Aumentar a flexibilidade mental mediante o reconhecimento da diversidade de interpretações sobre o mesmo assunto. mais não trará a sua própria colaboração e. atua mais no sentido de dispersão do grupo. hoje uma das exigências para atividade de qualquer profissional. Com efeito.      Antes de descrever algumas dinâmicas de grupo. Aprofundar a discussão de um tema. A sugestão. de um lado. considerarmos ao menos algumas das regras básicas para o bom funcionamento de um grupo: Que todos os participantes tenham muita clareza sobre qual é o objetivo daquela atividade em grupo. as experiências e os conhecimentos prévios dos alunos sobre o assunto são interessantes para o debate. onde se pretende chegar? Para garantir tal clareza sugere-se que alguém do grupo verbalize o objetivo e ele seja discutido até que se tenha um consenso sobre ele. se o aluno não preparou o material proposto. se transforme num bate-papo sem interesse e sem perspectiva de maiores aprendizagens. em geral. superando a simples justaposição de idéias. para além daquele aonde se chegaria sozinho. Pela mesma razão é desaconselhável que se permita ao aluno que não preparou o material participar da atividade de grupo. no ensino médio e se repete no ensino superior. acredito ser importante fazer ainda uma consideração: na maioria das vezes os professores “mandam” que os alunos façam uma atividade em grupo. a fim de se encontrar apto para aproveitar a continuidade das atividades. o professor deve ser chamado para explicar melhor o objetivo.

Um cronometrista para acompanhar o tempo para a atividade.25  Um coordenador que esteja atento para que todos possam se manifestar e a palavra na seja monopolizada por um ou alguns dos membros do grupo. o que nos impede de avaliar a aprendizagem. quando necessário corte a palavra de alguém. por exemplo. o que dificulta perceber se o objetivo do grupo foi alcançado ou não e até onde se avançou. Que a discussão do grupo em suas idéias principais e nas suas conclusões de grupo seja registrada em um relatório por escrito ou em outra forma. um relator que anote as manifestações dos participantes. ou “não é solicitado pelo professor”. com base nas quais os próprios alunos e o professor fazem comentários que completam as respostas. Ao final de todas as respostas. estudar o mesmo caso e dar-lhe uma solução. fecha-se a atividade com a apresentação em plenário das tarefas realizadas por todos os grupos. e assim por diante. nós e os alunos. em geral. Vamos considerar alguns exemplos de dinâmica de grupo: 7. a turma terá estudado o assunto de modo mais proveitoso do que se apenas ouvisse o professor falar sobre ele.b PEQUENOS GRUPOS COM TAREFAS DIVERSAS: a turma é dividida em pequenos grupos. Em geral. Fim do tempo. o professor e os colegas dos outros grupos ficam sem este feedback. Por exemplo. a ponto de os alunos se motivarem a se preparar anteriormente para não perdê-las. embora possa e deva participar também como outro membro qualquer do grupo. por exemplo. 7. evite repetições (ficar “amassando barro”). estimule outro a participar. decisões e conclusões ficam soltas no ar. procurando levar o assunto adiante a não tomar uma atitude de repetição do que já foi discutido anteriormente. entrando em conflito e exigindo um debate posterior em seu fechamento. empreste dinamismo à discussão. Trata-se de uma forma bem simples de começar a desenvolver com uma classe a habilidade de trabalhar em equipe.a PEQUENOS GRUPOS COM UMA SÓ TAREFA: divide-se a classe em pequenos grupos e atribui a cada um uma tarefa. para outro grupo pedirá que levante experiências concretas referentes ao tema Didática do Ensino Superior . responda-a e em seguida ele pode abrir para comentários do grupo todo e inclusive para sua participação. mais que dinamiza uma aula. organize as idéias e primeiras conclusões de tal forma que facilite a elaboração de um relatório final. se observarmos ao menos essas poucas regras e a colocarmos em pratica vamos perceber. as idéias. é solicitar que no decorrer desta se leia um texto e formem-se duplas. corrigem-nas ou ampliam-nas. Para cada uma o professor entrega uma pergunta a ser respondida em tempo curto. Sua função não é responder às questões ou dar as respostas esperadas. É o que diz minha experiência de mais de 30 anos de docência no ensino superior. fazer uma síntese de um mesmo texto. que o trabalho de grupo pode ser muito eficiente e eficaz e ajudar de modo significativo a aprendizagem. dez minutos. responder a uma ou duas questões sobre o texto lido apresentadas pelo professor. O grupo. pedirá que quem tem questão próxima ou parecida se apresente para lê-la com a devida resposta e assim por diante. Uma forma simples. alerte quando as repetições se fizerem presentes. Com efeito. Em qualquer dinâmica de grupo. administre o tempo dado para evitar que este se esgote e o grupo não chegue ao objetivo esperado.   Que cada participante do grupo se disponha a ouvir seu companheiro de tal que suas contribuições sempre dêem continuidade ao que se manifestou antes. Poderá fazer link com outras perguntas que virão. sendo que cada um realizará uma atividade diferente. Quando ele não ser faz. as atividades se completam ou se contradizem. esse relatório é a materialização dos resultados obtidos e dos avanços do grupo na discussão proposta. não permitindo que a tarefa fique inconclusa por distração quanto ao tempo. o professor pede que cada dupla leia sua pergunta. sobre um assunto qualquer o professor apresenta dois ou três artigos ou autores que pensam de modo diferente e pede que um grupo resuma os pontos teóricos centrais de cada autor ou de cada teoria.

formando-se agora vários grupos que realizarão duas outras atividades: trocar informações relatando o que aconteceu no primeiro grupo e fazer nova discussão. Por exemplo. Convidam-se 5 voluntários para participar da atividade. e distribui-se entre os membros do grupo um número de 1 a 5 ou 1 a 6. que cada participante saia do primeiro grupo com anotações sobre as conclusões que deverá levar para o segundo grupo. Com efeito. 7. ou como resultado dos debates sobre as questões já estudadas. 7. Trata-se de uma técnica que favorece em muito a participação dos alunos. Aliás. A eles será dado um tema para discussão que poderá basear-se em texto indicado previamente para a leitura. No primeiro. corrigir ou aperfeiçoar. De posse dessa informação. e durante esse tempo somente os cinco poderão verbalizar.c PAINEL INTEGRADO OU GRUPOS COM INTEGRAÇÃO HORIZONTAL OU VERTICAL. é uma técnica que pode ser usada com classes pequenas e com classes numerosas: sempre serão cinco ou seis alunos trabalhando em grupo.26 em discussão. normalmente o professor sugere um ponto mais amplo que possa englobar as varias discussões e leve o assunto para um âmbito mais geral. As conclusões serão explicadas e discutidas e poderão até ser modificadas pelo novo grupo a luz das outras questões que lhes serão trazidas. é uma forma de naturalmente se quebrarem “as panelas” existentes nas turmas. A troca de informações é garantida pela presença de um componente que participou da discussão do primeiro momento e trouxe para este grupo as conclusões do grupo anotadas. dividi-se a classe em grupos de cinco ou no máximo seis elementos. durante o segundo momento. o professor. Outro maior (o restante do grupo) circulando o primeiro. acompanhando qualquer grupo do segundo momento. observar. e estes se sentarão no circulo do centro. Dessa forma ele estará se informando sobre o que está sendo trabalhado em todos os grupos.d GRUPO DE VERBALIZAÇÃO E GRUPO DE OBSERVAÇÃO (GVGO). Deverão falar Didática do Ensino Superior . debatidos. sem participar da discussão. Para o bom funcionamento da técnica é importante que o professor tome alguns cuidados de organização: uma previsão adequada e um controle rígido do tempo de cada momento. com no máximo cinco pessoas. o papel de levar informações corretas de um grupo para o outro manifesta a responsabilidade do aluno para com o outro grupo. o professor decidirá se deve intervir e como intervir: corrigindo alguma informação incorreta. ou os números 2. e desenvolve a responsabilidade pelo processo de aprendizagem próprio e do colega. O resultado da discussão deverá ser anotado por todos. Ela se realiza em três momentos. É uma técnica que pode ser mais bem usada com grupos de até 35 pessoas. Indica-se a tarefa a ser realizada e o tempo que poderá ser gasto para tanto. pessoal e grupal. Ninguém poderá intervir no debate. e a um terceiro. tais como: verbalizar. 5. trabalhar em grupo. ou em experiências próprias. 6. no centro. discutidas por toda a classe. dialogar. Terão 15 minutos para fazer a discussão e fechá-la. É uma técnica que permite o desenvolvimento de varias habilidades. o que estará sendo trazido de cada um dos grupos anteriores para este novo grupo. uma vez que não se pode confiar apenas na memória. A nova discussão acontecerá ou mediante uma nova questão apresentada pelo professor. sublinhando outras. No segundo momento reunem-se os números 1 de todos os grupos. um menor. levando aleatoriamente os alunos a se encontrarem com colegas junto aos quais até este instante não haviam trabalhado e que nem conheciam. integrarão a compreensão do assunto e enriqueceram as experiências dos alunos. cada grupo deverá ter lido e discutirá um capitulo de um livro. Essas estratégias apresentam algumas vantagens: exige a participação de todos. ouvir. O fechamento dessa técnica deverá trazer ao plenário os aspectos diferentes que. Seu funcionamento exige que se formem dois círculos concêntricos. ampliando terceiras. debatendo pontos que ficaram obscuros. que aponte questões importantes que merecem ser ouvidas. saberá o que esta sendo informado em todos os grupos e poderá completar. o professor se colocará em alguns dos grupos reunidos e ouvirá. facilitando o encaminhamento para aplicações concretas. 4. 3. que o tipo de discussão a ser realizado possa ser acompanhado igualmente por todos os participantes. O terceiro momento será o do professor.

se os conceitos aos alunos que estarão nos círculos e cada um falará sucintamente de seu conceito para outro colega e o giro dos círculos se inicia. de debater. no máximo. 7. Os elementos do lado de fora permanecem em seus lugares. Poderão todos observar os mesmos aspectos ou dividir aspectos a serem observados por pequenos grupos de cinco ou seis alunos que estão no grupo de observação.f GRUPOS DE OPOSIÇÃO. o grupo de verbalização passa a ser um grupo de observação e o grupo de observação passa a ser um grupo de verbalização. e ouve o aspecto de seu novo parceiro e o que ele ouviu de seu par anterior. se as experiências são semelhantes ou não. Antes de começar a atividade de grupo. por umas três ou quatro vezes. e produzir argumentos. se há emprego adequado dos conceitos. fixar e relacionar conceitos. Esses assuntos já foram abordados. somente o último grupo pode verbalizar. porque os participantes dialogarão. Talvez seja necessário um exemplo para explicar melhor esta técnica. Então. sempre baseandose em argumentos. depois. se todos os participantes têm oportunidade de falar. Exemplos de aspectos a serem observados: se o grupo verbalizador está usando todos os conceitos do texto lido. ou sobre experiências pessoais que estão sendo trazidas. No segundo encontro cada um expõe ao outro seu aspecto do tema e o aspecto que ouviu de seu par no momento anterior. E assim por diante. e assim por diante. Vamos supor que o nosso tema fosse processo de aprendizagem. analisar e avaliar argumentação. Como funciona? Organiza-se a classe em dois círculos concêntricos: metade dos alunos na parte de fora. mais queremos fixá-los. aspectos de um vídeo. o que depende do objetivo da estratégia. Em seguida. o professor pode abrir para um diálogo entre os dois grupos sobre as observações feitas. defender ou atacar determinadas posições e teorias. cenas de um filme. se o grupo procura se organizar em relação a tarefa solicitada. pode se repetir na mesma aula ou em outra a mesma técnica GVGO com outros elementos para se verificar se a aprendizagem das habilidades esperadas foi alcançada por outros também. Dado um tema. Caso terminem a discussão antes dos 15 minutos avisarão ao professor. passos de uma pesquisa. Didática do Ensino Superior . e assim por diante. Quais elementos precisariam ser bem compreendidos e fixados? Conceitos de aprendizagem. Terminado este tempo os elementos de dentro do círculo giram no sentido anti-horário e se encontram com um segundo elemento. outra metade. apresentando as diferentes observações feitas e. contrapropor argumentos. Essa técnica de modo especial é apropriada para desenvolver a capacidade de argumentar. Poderá ser em relação a um conteúdo que está sendo discutido. com quatro ou cinco colegas e cumulativamente poderão estar ouvindo até oito ou nove colegas sobre o tema. os elementos de fora e de dentro têm aspectos diferentes sobre os quais vão dialogar por um espaço de três a quatro minutos. É uma técnica que pode funcionar com turmas grandes e pequenas. aprendizagem continuada. o professor orientará o grupo observador sobre o que deverá observar. Inicialmente. de tal forma que todos trabalharão com os aspectos de forma cumulativa. papel do professor. distribuem.27 em voz bem alta para que todos ouçam. discutir etapas de um projeto. aprendizagem de adultos. O movimento leva a um conhecimento cumulativo e/ou a formas melhores de expressar a mesma idéia. Passados 15 minutos. 7. aprendizagem significativa. Essa técnica é a mais apropriada para compreender. se o grupo segue as mínimas regras de funcionamento de um grupo. ou em relação a variáveis de funcionamento do próprio grupo. de ensino.e DIÁLOGOS SUCESSIVOS. explicitar características de uma teoria. se estão relacionados os novos conceitos com conceitos já aprendidos. na parte interna voltados uns para os outros (de frente um para o outro) formando pares.

debate e até um comentário do professor sobre as pertinências das perguntas: foram elas de fato inteligentes? Representaram os aspectos mais importantes do texto e do tema? Se não. permitindo esclarecimentos possíveis. o grupo deverá ler. compreensão do assunto. habilidade de trabalhar em grupo. cada grupo lê as perguntas e as respostas. formam-se grupos de 5 alunos cada um. O professor ocupa o lugar do mediador. complementações por parte do professor. dentro do mesmo tempo. aspectos importantes que se gostaria de ver estudados com mais profundidade. muitas vezes.h SEMINÁRIO.28 Seu funcionamento supõe a organização de pelo menos dois grupos de alunos. tendo em vista manter um clima de abertura e de cooperação dentro dela. com letra legível e com o nome do grupo que a formulou. e assim os demais grupos. Será preciso. O assunto indicado anteriormente foi estudado por todos individualmente. Visando desenvolver uma agilidade maior de argumentação. Essas perguntas deverão ser escritas em uma folha de papel sulfite. para um quarto grupo que falarão do mesmo trabalho. sem as responder. ou corrigi-la. Com essa técnica. então. nem arremedo de seminário. tamas de grande atualidade. perguntas que revelem dúvidas ou não compreensão do texto. Claro que não é um seminário. as perguntas respondidas são passadas para outro grupo. mais escrevendo na mesmo folha. Dá-se essa denominação até para resumo de capítulos de livro feitos pelos alunos e apresentados para seus colegas em aula. compreender as dez ou no máximo 15 perguntas e selecionar duas. no máximo. ouvir e dialogar com colegas. Este terá 10 minutos para: ler as perguntas. Terminada a rodada a folha com as perguntas e as respostas dos três ou quatro grupos é devolvida ao grupo original que as formulou. caberá ao professor mostrar os pontos não trabalhados. É evidente que não serão aceitas perguntas que se retirem diretamente do texto e cujas respostas aí se encontrem com facilidade. Durante 15 minutos. em plenário. Essa técnica é uma das mais dinâmicas para ser usada em aula e agrega em si a possibilidade de desenvolver vários aspectos de aprendizagem: aprofundamento de conhecimentos. Essa é uma técnica das mais comuns no vocabulário de professores de ensino superior ou de alunos. em seguida. passe a atacá-la. Marca-se um tempo para essa atividade: vinte a trinta minutos. refletir se isso será ou não prejudicial para a dinâmica da turma. poderá complementá-la. Durante o debate o professor deverá inverter as posições dos grupos. Terminando o prazo. 7. No primeiro momento em aula. Inicia-se uma das várias rodadas: o grupo que formulou as duas perguntas. Este vai agora analisar as respostas dos grupos e. cada grupo se reúne para organizar seus argumentos de acordo com a tarefa que lhe cabe. aprender com colegas. O professor não deverá entrar na discussão do tema. Passa-se para um terceiro e. todos possam se olhar. 7. Como funciona? Uma semana antes se indica um texto a ser lido para o próximo encontro sobre um assunto que se está estudando. o professor está lidando com a competição entre grupos de classe. A intervenção é ver como os alunos reagem em posições inversas. compreendê-las. deverá permitir que cada aluno traga para aula duas ou três perguntas inteligentes: isto é. A leitura. porém.g PEQUENOS GRUPOS PARA FORMULAR QUESTÕES. ler as respostas que o primeiro grupo deu e redigir agora sua resposta que poderá ser de acordo com a resposta do primeiro grupo. enquanto. Inicia o debate dando a palavra a um dos grupos e a partir deste momento vale o diálogo entre os grupos. Por último. Eventualmente poderá se constituir um terceiro pequeno grupo que funcione como um grupo de juizes para julgar qual grupo conseguiu desempenhar melhor seu papel. sendo que um deles tem por tarefa defender uma idéia ou encontrar as suas vantagens enquanto o outro deverá atacar a mesma idéia ou mostrar suas desvantagens. passaas para o grupo mais próximo. Dá-se um tempo de 15 minutos para que o grupo responda por escrito às duas perguntas que recebeu. e a que a defende. Em seguida. Tudo isso sem rabiscar as respostas do primeiro grupo. o professor apenas assiste sem interferir. Didática do Ensino Superior . que poderá também concordar ou não com as respostas. poderá pedir que o grupo que ataca uma posição passe a defendê-la. No dia da aula. então. o professor pede que os dois ou três grupos se coloquem na sala de tal forma que todos vejam a todos. mas apenas para dinamizar ou organizar a discussão quando necessário. redigir a sua.

Ele envolve professor (professores) e alunos no trabalho de pesquisa por dois ou três meses. sementeira. Por isso. procurar entender os textos. E são muitas as reclamações de que os alunos não lêem. quando fazemos sua programação. Ou seja: no primeiro momento usa-se a técnica do ensino com pesquisa até a comunicação final dos resultados de cada grupo. Leitura.29 O seminário (cuja etimologia está ligada a sêmen. Essa disposição exige trabalho do grupo durante o período de aula para aprender e esse tempo não pode ser ocupado só com aulas expositivas. estudo. teremos realizado um seminário. Leituras Todos nós professores consideramos bastante importante que os alunos se preparem para as aulas lendo alguns textos ou preparando algum material. estabelece um tema para o seminário que diretamente não foi pesquisado por nenhum grupo. ou porque “acham muito chatas essas leituras. Eu também já vivi esse drama. A primeira delas corresponde ao ensino com pesquisa que já descrevemos. de produção de conhecimento. mas para cujo debate encontram-se idéias e informações nos vários grupos de pesquisa. o professor as repõem. lembrando que o aluno não tem só a disciplina. vão aprender o que se propuseram. de elaboração de relatório de pesquisa. vale apena conhecê-la. depois. Orienta os diferentes grupos informando que não se trata de uma atividade em que cada um vai apresentar um resumo de sua pesquisa. buscar informações e se preparar para um tempo na Universidade (aula) onde ele vai se encontrar com seus colegas e com o professor e todos juntos. Fechado o compromisso. Como disse anteriormente. E. de organização e fundamentação de idéias. mas de se retirar das pesquisas os elementos necessários para a discussão do novo tema. e. inclusive apresentando questões a serem debatidas. Cada aluno precisa ler. O professor. garantindo e incentivando a participação de todos. Aberta a discussão cada participante exporá os dados e as informações que suas pesquisa oferece para o desenvolvimento daquele tema. indo para o lado prático. 8. Por ocasião da realização do seminário. pois trabalham o dia todo ou fazem outras tantas atividades. sim. Marca-se o dia do seminário. Nesses moldes. praticá-la e permitir que os nossos alunos a descubram também. de forma coletiva. que não aparecem á primeira vista. é uma excelente técnica quando bem compreendida e adequadamente realizada. Didática do Ensino Superior . de comunicação. em meus cursos. portanto. idéias novas) é uma técnica riquíssima de aprendizagem que permite ao aluno desenvolver sua capacidade de pesquisa. para que estudar antes da aula?”. abrindo possibilidades de participação também para os ouvintes conduzindo os trabalhos de tal forma que. O debate se instalará. podendo participar pedindo a palavra ao coordenador. preparação pessoal é indispensável para se aprender e participar de uma atividade coletiva de aprendizagem. ou de crítica. de fazer inferências e produzir conhecimento em equipe. e após algumas tentativas. o tempo previsto chegue a produzir um tema novo com base nos grupos de pesquisa. os diferentes grupos deveriam se preparar para isso. o professor mediará. com um número de páginas que possa ser lido e estudado em uma semana (supondo que os encontros de aula sejam semanais). nem preparam nenhum material fora de aula porque não tem tempo. matutinos ou noturnos. nas quais o professor apresenta de forma resumida e organizada um conteúdo necessário. no início do curso. Como funciona? Em duas partes. Em primeiro lugar. em equipe. Então. Os demais assistirão ao debate. A segunda parte consiste no seguinte: os assuntos de pesquisa que foram distribuídos pelos diferentes grupos guardam entre si uma relação de complementação. combinamos que ali nos encontramos para aprender e não apenas para “tirar uma nota”. vida nova. professor aleatoriamente escolhe um elemento de cada grupo de pesquisa formando com eles uma mesa-redonda. os alunos já lêem e preparam o material para o encontro seguinte. chegaria a afirmar que mesmo em cursos de pós-graduação o uso dessa técnica é por demais reduzido. então. é importante que os textos indicados para leitura sejam de fácil acesso. explica ou retoma em aula: então.

numa terceira vez. aos poucos. os recursos audiovisuais são empregados com apoio às aulas expositivas ou atividades com todo o grupo da classe. TV. Como o próprio nome diz. encontrando nele um significado próprio. conhecer aspectos novos. mais neste caso a orientação é imprescindível.se que em uma ou duas páginas tragam um caso resolvido. esses recursos não deveriam ser usados para a escrita e leitura de textos longos. em outra oportunidade. é fundamental que os textos indicados sejam bem dosados na quantidade e na complexidade (indo dos mais simples aos mais complexos). discutir. vamos precisar de instrumentos e condições próprias para cada um. Por vezes. conforme seu uso em aula. Veja quantas alternativas temos. possibilidades de escurecer a sala. chateação que os professores mandam a gente fazer em casa. mais atividades dinâmicas. Para exibí-los. CD-ROM. Esses recursos devem ser usados para exibir. pede. no power point. som. Não queremos descer aos detalhes do uso de cada um. mais abrir ou colocar um Didática do Ensino Superior . só por fazer. power. computador. No entanto. visando motivar o aluno.30 mais um conjunto de oito a dez. Vai notar. Explorá-las leva a motivação e supera-se aquela sensação de “tarefa. Por exemplo. projetor multimidiático. numa semana. mapas. em que a participação dos alunos com suas páginas escritas é fundamental. pois deu uma tarefa para casa”. O aluno deve perceber que não fez seu trabalho em vão e que o material que preparou é importante para as atividades da aula. Recursos audiovisuais. são cartazes. obrigação. e existem muitas outras. um aspecto importante: a atividade que pedirmos para os alunos fazerem em casa deverá ter uma continuação em aula. em uma transparência. Para o professor uma aula assim será muito mais motivadora e instigadora e muito menos cansativa. O primeiro ponto. o esquema de um estudo. transparências. pode-se oferecer uma série de perguntas relacionadas ao texto de leitura que deverão ser respondidas por escrito e assim por diante. Pode-se ainda.point. Um segundo cuidado ao indicar uma leitura a ser feita. Ou seja. a classe vai percebendo que é interessante ler. por exemplo. fotos. quadro negro. e por isso a primeira preocupação do professor será verificar se na sala de aula ou no local onde for usá-los dispõe-se destes instrumentos e das condições necessárias. 9. músicas. que tragam redigidos em uma página os pontos ou conceitos-chaves do texto. ou para o professor não se sentir omisso. telas. Aos poucos. gráficos. slides. pintura. baseado neste. é orientá-la para que em cada semana ela seja feita de um modo diferente. tragam perguntas. aconselha-se a não colocar todos os itens de uma só vez nesses recursos. participar de dinâmicas novas. etc. aqueles que não realizaram a tarefa solicitada não poderão participar da dinâmica da classe mais deverão ser convidados a aproveitar aquele tempo para uma segunda oportunidade de ler e se preparar individualmente para a continuidade da aula. Em geral. isoladamente ou em conjunto do tipo multimídia. vir à aula pois se torna importante encontrar-se com colegas e professor para trocar idéia. que os alunos leiam um texto e tragam-no resumido em uma página. tomadas elétricas convenientes. num slide. Aliás. debater. filmes. Há professores. retroprojetor. por exemplo: iluminação natural adequada. e sobre os quais freqüentemente somos interrogados em nossos contatos com professores do ensino superior. por exemplo. Pela mesma razão. solicitar que leiam um texto e dele façam um resumo com comentários pessoais e até mesmo. que leiam o texto e. mais chamar a atenção para alguns aspectos gerais que se referem a quase todos. vídeo. E o que vai acontecer em aula não poderá ser uma aula expositiva repetida do texto lido (esta é a melhor forma de desencorajar alunos a estudarem fora de aula). São recursos usados esteticamente ou com movimentos. a diferença de receber um material todo pronto e contribuir ele próprio para o seu conhecimento. Cada um desses recursos possui regras próprias de uso. O aluno precisa sentir que seu trabalho é importante e ele próprio é valorizado pelo que está acontecendo em aula. Em geral. podemos solicitar que os alunos pesquisem outros materiais. interessantes. que escrevem seus textos de aula em transparências e passam o tempo de aula lendo-os. para várias atividades de leitura fora de aula. ou um roteiro de aula apenas com palavras-chaves ou itens que serão desenvolvidos e poderão ser colocados no quadro-negro. em outra semana.

Sem dúvida. integrando teoria e prática. tanto no que diz respeito na construção da imagem de textos (movimento por efeito. No uso de transparências deve-se procurar elaborá-las com recursos de que dispomos hoje. inclusive. 3. Poderão ser usadas para explicar o que estamos estudando ou tratando por meio de desenhos. a lógica dedutiva ao se trabalhar com teoria é básica. a habilidade de os aplicar à situação real. tabelas. o professor deve atentar para não se posicionar entre o aparelho e a tela cobrindo assim parte da projeção. convivendo numa equipe de trabalho que envolve profissionais de áreas diferentes trabalhando conjuntamente. de uma profunda falta de respeito com os participantes. no uso de transparência. estão implementando projetos de cursos de graduação que. numa conferência internacional: o conferencista usava transparências mal escritas. por partes. há pouco dias. Em todos esses aspectos. Por isso. usos de figuras. ver e compreender melhor o que se está explicando e discutir. Didática do Ensino Superior . figuras. no meu modo de ver. Neste sentido. o raciocíonio universidade-instituição profissional é de justa posição. uma sessão com número menor de slides. demonstrando a necessidade da multi ou interdisciplinaridade. é um ambiente extremamente motivador e envolvente para os alunos.) quanto à apresentação: dinâmica. ao invés de fazer a indicação com a mão ou dos dedos apontando para a tela. no caso das transparências pode se usar uma caneta ou lapiseira como um pulsor. ilegíveis. com ou sem comentário. Por último. gráficos. Algumas carreiras convencidas da importância da formação do profissional no seu ambiente profissional. que exige conhecimentos teóricos adquiridos ou a serem pesquisados. analisar o que está havendo. por exemplo. com pequeno intervalo. slides ou power-point.3 Técnicas que poderão ser usadas em ambientes de aprendizagem profissional Hoje se tem por certo que o melhor local de aprendizagem para a formação de profissionais das mais diferentes carreiras é o próprio ambiente onde se vive e se atua profissionalmente. à mão. fotos. Se não se dispuser deste instrumento. será algo muito mais incentivador da aprendizagem do que as sessões contínuas de slides (com certeza fotográficamente cada vez mais belos e perfeitos) durante 50 ou 100. o que vim a assistir. Mesmo que se escolha a transparência ou power-point para poder escrever com caneta apropriada na hora da aula. o estágio é uma aplicação da teoria estudada. fotos. Por exemplo: não se pode ir à prática sem antes dominar toda a teoria necessária. Cada recurso dispõe de forma própria de fazer isso. outros tamanhos e tipos de letra. figuras. Um número ideal deles é que permite ao aluno. buscando solução ou encaminhamento para um problema. o uso de power-point leva grande vantagem operacional. em cima do retroprojetor. complexa. É lamentável.31 de cada vez para que os alunos não se destraiam e se concentrem em um ponto por vez. com quadros também mal escritos. a atenção precisa estar voltada para alguns pontos: a quantidade de pontos. ou de parceria e co-responsabilidade. e deve usar de preferência ponteira lazer para se chamar a atenção para algum ponto em especial. completamente tortos e rabiscados. a escrita precisa ser bem legível. Um número razoável de slides que permita. tabelas. mapas. inclusive com um acender de luzes para que todos se velejam no debate. não se esquecendo de escolher bem as cores do fundo e das letras. gráficos. conflitante. ao mesmo tempo. bem escolhidos e que permita discussão sobre eles. linhas. que se interrompa sua seqüência para um debate e pedido de explicação ou apresentação de dúvidas comprime muito bem o seu papel de apoio à atividade em andamento. falhas e etc. debater. colocando-a sobre a transparência. o tamanho destas para que se permita visualizá-las de todos os lugares da sala (o mesmo valendo para o uso do quadro-negro). na prática. Trata-se de uma situação real. com o computador. mapas. ou até mesmo 200 minutos. o estágio ou atividade equivalente só pode acontecer nos últimos períodos dos cursos. revêem alguns princípios que se julgavam inquestionáveis até pouco tempo atrás. e.

E nesse caso. partindose da situação concreta para os princípios teóricos. Por vezes buscamos conhecimentos e depois vamos ver como se comportam na pratica. E. se realiza durante todo curso em situações diferentes cada vez mais complexas. Em outra circunstância. que é obrigatória. há necessidade de se resgatar a importância e a validade do estágio como ambiente essencialmente necessário para a aprendizagem dos alunos. no entanto.32 Que princípios substituem estes? A interação teoria-prática é fundamental para a aprendizagem. conseqüentemente. Há. com que profissionais. Para isto há que valorizá-lo institucionalmente colocando-o no lugar de destaque no currículo: ele deveria ser pensado como um dos eixos curriculares que perpassa todo o currículo. o processo de aprendizagem é mais eficiente. em que condições ele deverá atuar. Num projeto que conhecemos. aulas práticas em escolas. mais de todos os professores em cujas as disciplinas ele é realizado. Ela precisa acontecer na realidade. com acompanhamento não apenas de um professor encarregado do estágio. visitas técnicas. algumas que são comuns e sobre as quais me parece oportuno comentar. a teoria de que dispomos não foi suficiente para a situação vivida. o que poderá aprender. Vamos ver como a teoria se comporta na situação completa em que estamos: ela poderá ajudar a resolvê-la. Consideramos técnicas para ambientes profissionais: o estágio. Há. laboratórios. uma vez que cabe à carreira profissional junto com a universidade definir as características próprias de seu profissional e. tratando-o como ambiente fundamental de aprendizagem. 1. o estágio pode inclusive colaborar para aperfeiçoar o próprio currículo. Em nosso entender. Assim entendido. pois lhe trará créditos e notas necessárias e da qual ele deverá se livrar de forma mais rápida. O estágio é considerado eixo fundamental de um currículo. como desenvolvê-las. ainda não dispomos da teoria. e não apenas uma atividade a mais. não vamos necessariamente realizar uma prática conforme o padrão estabelecido pela teoria. Essas técnicas são específicas de cada profissão. poderá sofrer adaptações. em geral. excursões. Por isso mesmo é realizado desde o início do curso. Senão vejamos: o estágio aparece na vida dos alunos como uma tarefa indesejável que ele deverá fazer fora do horário de aula. Os professores responsáveis pelo estágio em uma instituição educacional nem sempre são remunerados pelas horas que necessitam para orientar e acompanhar os estagiários. ou mesmo poderá exibir nova pesquisa. instituições de pesquisa. fóruns etc. prática clínica. Estágio Esta é uma prática de forma comum em todas as profissões. escritórios. em vários ambientes. portanto a valorização da lógica indutiva como forma de e construir o conhecimento. desenvolve-se o sentido de parceria e co-responsabilidade pela aprendizagem entre as instituições envolvidas no processo. favorece a integração das disciplinas e da teoria com a prática. hospitais. Assim. Didática do Ensino Superior . inclusive a divisão do ano acadêmico foi alterada de dois semestres para três quadrimestres a fim de que se organizasse a formação com quadrimestre full time na universidade seguido de um quadrimestre full time na empresa. A teoria vem em seguida ao contato direto com a situação profissional. mas podemos entrar em contato com um ambiente profissional e aprender a observar o que ali acontece e por essas primeiras observações buscar as informações de que se necessita para a compreensão do ambiente e da situação profissional que ali se desenrola. empresas. Mais infelizmente não é aproveitada pedagogicamente. de que forma realizar sua aprendizagem são definições próprias de cada profissão juntamente com os professores da universidade e certamente diferentes para cada curso de graduação. o que esperar da presença do aluno no ambiente profissional. até mesmo contando com certa cumplicidade do responsável do local onde fará o estágio. reorganizando o currículo. por fim. de várias formas. ou seja. integrando disciplinas.

posteriormente. para que estes o percebam como uma situação real. que estão ingressando por esse caminho e realizando projetos muito promissores. é evidente que a preparação. É uma visão realmente nova e talvez necessite de certa ousadia para po-la em prática. embora diferentes e específicas para cada curso e profissão. que cada grupo de alunos observe parte da situação para complementação posterior. precisamos tomar alguns cuidados:   Que as visitas técnicas e excursões estejam integradas aos assuntos que estão sendo estudados no momento: Que sejam preparadas juntamente com os alunos. Tecnologia essa que pode ser usada para se realizar educação a distância. grupos ou lista de discussão. Para isso. Visitas técnicas e excursões Como o estágio. Os aspectos teóricos nunca estarão dispensados. Essas novas tecnologias incluem o uso da internet. A instituição que vai abrir o estágio também deve valorizá-lo. de ferramentas como o Chat. cada aluno redija um relatório das observações e dados obtidos e os traga na aula seguinte para o estudo e debate entre colegas e com o professor. as técnicas que vamos analisar a seguir são aquelas que se baseiam em fundamentalmente no uso do computador e da informática. do CD-ROM. Interessante será que o aluno possa contar com várias dessas aulas práticas e laboratoriais. realização e avaliação do estágio precisam ser muito bem planejadas e executadas juntamente com os alunos. com os professores universitários. mas será mais interessante e motivador tratá-los e aprende-los de forma integrada com a realidade profissional do que apenas subjetivamente. da hipermídia.  3. É interessante que se organize com o grupo de alunos um roteiro de observações e/ou entrevistas que deverão ser realizadas por eles além de orientá-lo como registrar os dados em material adequado. “novas tecnologias de informação e comunicação” (NTIC). principalmente da área de engenharia e da saúde. Há instituições. poderá levar em conta as recomendações que fizemos acima para visitas técnicas e excursões visando à eficiência para a aprendizagem dos alunos. definindo-se o que observar e o que registrar. correios eletrônicos e de outros recursos e linguagens digitais de que atualmente dispomos e que podem colaborar significativamente para tornar o processo de educação mais eficiente e eficaz. outras. entremeadas com visitas técnicas e excursões. da multimídia. de sites. trata-se de duas técnicas muito ricas que permitem ao aprendiz desenvolver aprendizagens cognitivas. fóruns.33 Há que valorizá-lo diante dos alunos. Há algum tempo essas técnicas eram chamadas de “novas tecnologias” e. Nesse debate é importante que sejam trazidas as questões teóricas buscando a interação teórica e prática. de habilidades e de valores ou atitudes. após a visita técnica ou excursão. Que. Prática para aprendizagem em ambientes virtuais formando um conjunto. a tal ponto que em vez de abreviá-lo procurem explorá-lo cada vez mais. Em qualquer hipótese. em que o computador passa a ser uma máquina de intermédios entre professor e alunos em locais físicos distantes visando Didática do Ensino Superior . Ás vezes será interessante que todos observem tudo. 2. em que eles encontrarão as melhores condições de se formar e aprender. percebendo como será interessante para ele relacionar-se com a universidade. vídeos e teleconferência. Aulas práticas e de Laboratório O uso de aulas práticas e de laboratório para a aprendizagem. Mas não vemos outra saída para melhorar a qualidade dos cursos de graduação. para que funcionem bem. Elas podem ocorrer em grupos (pequenos ou com toda a turma). Depende das circunstâncias e das possibilidades tanto da instituição educacional como do local da visita ou excursão. que seus funcionários se relacionem com futuros profissionais dando prosseguimento à sua formação continuada por intermédio desse contato. profissional.

O professor. que para muito seriam inacessíveis. Se em ambientes presenciais defendemos o uso de técnicas que possibilitem ao aluno encontrar um significado próprio para o conhecimento que esta construindo com o professor e com os colegas. incentivar a formação permanente. nem as pessoas precisam se deslocar dos vários lugares para participar da conferência. se levarmos em consideração o possível número de pessoas contatáveis.4 Técnicas e seu uso para incentivar a aprendizagem 1. participantes. comunicando informações. movimento simultâneo a máxima velocidade no atendimento às nossas demandas e o trabalho com as nossas informações dos acontecimentos em tempo real. perguntando. A teleconferência se realiza em tempo real. Nem o conferencista. por meio deste recurso agora já podem ser consultados. A escola ao possuir um laboratório de informática em várias disciplinas se apresenta como uma escola moderna. respondendo. Exploram o uso de imagem.34 o processo de aprendizagem ou poderá ser empregada como apoio às atividades presenciais de um curso de graduação de ensino superior tornando-os mais vivos. Desenvolver a aprendizagem: a aprendizagem como produto das inter-relações entre as pessoas. pois oferece a seus alunos o uso do computador. o professor se sente substituído em seu papel de transmissor de conhecimentos. dialogando com o conferencista e o próprio conferencista dialogando com os Didática do Ensino Superior . a elaboração de trabalhos. ouvir. dentre esse ângulo. Teleconferência O que caracteriza a teleconferência é a possibilidade de colocar o professor ou um especialista em contato com telespectadores em locais físicos distantes daquele onde ela acontece. É uma perspectiva “instrucionista” na informática educativa. quando se encontram fisicamente. fazendo perguntas. Por exemplo. por meio do correio eletrônico). de pesquisa e de contato com os conhecimentos produzidos. discutindo. se pergunta o que deverá fazer agora. 3. pesquisando. a informática e a telemática nos abre outro grande mundo de experiências e de contatos. o debate. A comunicação tecnológica dessa base de dados é realizada. Professor e aluno passam a trabalhar conjuntamente e não só na aula. a exploração do vídeo ou teleconferência quando a participação dos telespectadores é mínima ou quase nenhuma. Nessas circunstâncias. Os objetivos que poderão ser alcançados por esta tecnologia são:  Valorizar a auto-aprendizagem. a rapidez e o imediatismo destes contatos (seja com pessoas de nossos pais. interessados. a construção de arquivos e textos. por vezes. a construção da reflexão pessoal. de algum modo. ou especialista profere sua conferência em determinado local e todos poderão ouvi-lo e com ele debater estando cada um em sua escola ou em sua cidade. grandes autores e pesquisadores. a discussão.  É verdade que muitos utilizam essas tecnologias para transmitir informações e conhecimentos. então. preferivelmente com a participação dos ouvintes. mais também a distância em suas residências no período entre uma aula e outra dialogando. ou seja. o diálogo. e mais vinculados com a nova realidade de estudo. com o uso das técnicas em ambiente virtual isto não será diferente. basta que disponhamos de um endereço eletrônico para multiplicar o número de contatos (professor e alunos passam a se encontrar não só em aula mais a todo o momento. o registro de documentos. ou apenas fazer alguma pergunta. ou do exterior. conhecidas ou desconhecidas). por algum técnico em informática que recebendo informações do professor os disponibiliza no computador para uso e acesso direto dos alunos. som. Professores especialistas. a pesquisa de informações básicas e das novas informações. Outro exemplo: o uso do computador como banco de dados de uma disciplina para consultas e responder a perguntas sobre os assuntos determinados.

3. a teleconferência não poderá acontecer como uma atividade isolada. Lista de Discussão Essa técnica cria a oportunidade de um grupo de pessoas poder debater um assunto ou tema sobre o qual ou sejam especialistas ou tenham realizado estudos prévios. A videoconferência é uma palestra gravada em vídeo. ligados. Seu objetivo é fazer uma discussão que leve ao avanço dos conhecimentos. com atividades que se integrem com a teleconferência. uma ou mais vezes. É um momento em que todos os participantes estão no ar. O objetivo do Chat e seu tema precisam estar bem definidos para que todos possam se expressar com liberdade. de tal forma que o produto desse trabalho seja qualitativamente superior às idéias originais. uma teleconferência que não seja monólogo. de forma a deixar maior tempo para os próprios alunos. dando continuidade as idéias produzidas e ao desenvolvimento da aprendizagem esperada. uma vez que todos podem se manifestar ao mesmo tempo. Mesmo quando estes solicitam sua posição o melhor é analisar se é o caso de expressá-la ou devolver a questão para outros membros do grupo. criar ambientes de grande liberdade de expressão. e são convidados a expressar suas idéias e associações sobre um tema proposto. presencial ou não. aquecer um posterior estudo e aprofundamento do tema. Com essa técnica estamos interessados em conhecer as manifestações espontâneas dos participantes sobre determinado assunto ou tema. sem que seja on-line naquele momento. há que se pensar em um assunto sobre o qual o grupo a se expressar. pois. Além disso. um debate no ar com perguntas. por exemplo. A técnica normalmente envolve muito dos participantes e a velocidade com que acontecem as contribuições é surpreendente. É muito importante que a participação de uma tele ou videoconferência possa ser precedida de estudos sobre o tema. durante um tempo de. mais um diálogo. quatro a sete dias. seja para poder. essa técnica também não pode existir sozinha. seja para se policiar e não entrar a todo o momento nas manifestações. Chat ou bate-papo O Chat ou bate-papo on-line funciona como uma técnica de brainstorming. informações sobre o pensamento do conferencista ou sobre os trabalhos que vem desenvolvendo o que permitiria um aproveitamento maior das contribuições do professor. preparar uma discussão mais consistente. com grande facilidade salta-se de um assunto para o outro. Essa participação só será possível de dispusermos de equipamentos (câmeras e som) onde a teleconferência está sendo ministrada e nos diferentes locais de assistência. para além do somatório de opiniões. haverá a necessidade de uma continuidade individual ou em grupo. incentivar um grupo quando o sentimos apáticos. ocorre-se o risco de perder o controle da situação. a relação do tema com o programa que vem sendo desenvolvido naquele curso. podendo cada participante avançar e modificar suas próprias reflexões nesse tempo com base em seus estudos ou analisando Didática do Ensino Superior . exemplo. das informações ou das experiências. por exemplo. exibida em qualquer tempo e para qualquer público em diferentes ocasiões. aportes. e. depois de algum tempo. ou podemos simultaneamente dividir o assunto em vários tópicos e sobre cada um deles formar um grupo de discussão. motivar um grupo para um assunto. Em outras palavras. Há que está vinculada a outras que a seguem.35 participantes. Pode-se organizar um único grupo para discutir. depois de certo tempo. que serve para copensamento do conferencista e discutir o tema por ele apresentado. orientar a atividade para o que se espera. O professor procurará coordenar essas manifestações apenas no sentido de mantê-las dentro do assunto combinado. enfim. Como a anterior. debates. Isso vai exigir um acompanhamento muito perspicaz por parte do professor. 2. Sua participação será importante ao final do Chat para tentar uma síntese da discussão. Nas duas hipóteses. num Chat. Não é aconselhável que o professor interfira em todos os momentos do Chat. e serve para.

Além da disponibilidade e da forma de responder ao correio eletrônico. Trata-se da qualidade de emails que o professor poderá passar a receber. ou responder às duvidas que surjam”. que em alguns dias será mais só que suficiente. o que fará de cada resposta “uma” resposta particular. com intervenções do professor no sentido de incentivar o progresso dessa reflexão. favorecendo a interaprendizagem entre os próprios alunos. 4. o processo se interrompe. Desconhecem-se soluções efetivas para tal problema. ou mediante uma comunicação geral do professor com todos os alunos da classe. Mais sim. Mas o problema existe e exige que pensamos em um encaminhamento para ele. suas dificuldades ou as situações particulares pelas quais está passando. uma hora. e por isso o que escrevemos e o modo como o fazemos deverá levar em conta a possível situação e reação do receptador da mensagem. há outro problema que aos poucos vai se agravando e para o qual precisamos estar atentos. Didática do Ensino Superior . a resposta sempre deverá ser individualizada. de uma reflexão contínua. Correio eletrônico Essa técnica facilita o encontro entre aluno e professor. uma expressão pessoal fundada e argumentada sobre os vários aspectos que estão sendo debatidos e não pode ser atropelada pelo professor com interferências diretas “para resolver os conflitos. permitirá selecionar as mensagens. não dispomos desses recursos. O que se tem experimentado é procurar delimitar um tempo diário para a atividade. Incentiva o aprendiz a assumir a responsabilidade pelo seu processo de aprendizagem. Muitos professores despedem um número elevado de horas diárias com esse novo trabalho. Além disso. Com relação ao papel do professor no uso desse recurso. ou com algum deles em participar durante o intervalo entre uma aula e outra com informações novas. entre uma aula e outra. pelo atendimento a um pedido de orientação urgente para não interromper um possível trabalho até o novo encontro com o professor na próxima aula. a resposta do professor poderá ser dirigida para o grupo todo ou para um aluno em particular. Não podemos esquecer que na situação presencial. debate fundamentado de idéias. sem nunca fechar o assunto. a produção de textos em conjunto. No uso do correio eletrônico. ou avisos urgentes. porque coloca a todos em contato imediato. Tal forma de trabalhar grupalmente favorece o desenvolvimento de uma atitude crítica perante o assunto. suas reações ao fazer a pergunta e ao receber a primeira resposta. por exemplo. Não se trata de uma situação de perguntas e respostas entre os participantes e o professor. A dificuldade não nos deverá impedir de usar esse potente recurso de aprendizagem. poderemos reunir um conjunto de mensagens que são afins e dar uma reposta coletiva para o grupo.36 as colaborações de seus colegas e do professor. há que se atender à situação concreta e individual daquele aluno. do tempo que a leitura e resposta a eles vai consumir. e sustenta a continuidade do processo e da aprendizagem. A disponibilidade do professor para responder aos e-mails é fundamental. e certamente o motivará para o trabalho necessário para isso. respondê-las e deixar para o dia seguinte as demais. Isso quer dizer que conhecendo o aluno. estamos vendo o aluno. No segundo caso. pois se à mensagem do aluno não se seguir imediatamente uma resposta do professor. e como membro do grupo também trazer suas combinações. ou sugestões interessantes. esse recurso é ainda muito importante para sua aprendizagem. mais urgentes. o diálogo é um contato direto e poderá surgir a continuidade da orientação. alguns pontos merecem nossa reflexão. discutindo as idéias em questão. quando um aluno nos faz uma pergunta. Em outros. Em outras circunstâncias. Principalmente para o aluno. e poderá ser diferente de um aluno para outro. Pode-se tirar as primeiras conclusões e até produzir um texto: depende do objetivo prefixado e do tempo estabelecido para tal. a troca de materiais. o que não só aumenta sua carga de trabalho como o tira de outras atividades igualmente importantes. e o aluno se sente desmotivado para continuar o diálogo.

A internet se apresenta como um recurso dinâmico. ativando todos os sentidos e incentivando a reflexão e compreensão do assunto que se pretende aprender. e não estranhar se. Acrescente-se a tais vantagens a comodidade do acesso que se faz de casa. organizá-os. desenvolver nossa criatividade. da biblioteca. há que se orientar com fazer trabalhos e monografias que sejam produção de conhecimento. como antes faziam com os textos de revistas ou de livros fotocopiados da biblioteca. Internet Esse é um recurso que poderá ajudar a nós professores e aos alunos em seu processo de aprendizagem a superar duas dificuldades no incentivo à leitura e à pesquisa: certa rejeição dos alunos em ler livros. analisá-os. produz textos. porém. CD-ROM e Power Point Ainda como exemplos de novas técnicas. penso que é interessante comentar o uso do CD e do Power Point em aula. o aluno encontrar dados ou informações que ele. porventura. Há necessidade de o professor orientar como utilizá-lo para as atividades de pesquisa. busca. com os periódicos mais importantes das diversas áreas do conhecimento. mas estar aberto para aprender também com novas informações conquistadas pelo aluno e. de construção do conhecimento e de elaboração de trabalhos e monografias. compara. professor. discutir valores éticos. Assim somo há um sem número de informações absolutamente dispensáveis. Ao professor caberá o papel de orientar a leitura de um trabalho de reflexão. atualizadíssimo. com o mundo e suas realidades. links já organizados ou com possibilidades de torná-los presentes pelo acesso à internet. e de estar em contado com todas as grandes bibliotecas do mundo. Como todos os outros recursos. lê. Sem dúvida. estar em condições de discutir e. desenvolver a autoaprendizagem e a interaprendizagem (com os outros. Esses recursos disponibilizam informações e orientações de trabalho para os usuários de uma forma integrada. a internet é um grande recurso de aprendizagem múltipla: aprende-se. Deve-se orientar os alunos para que não transforme tão rico instrumento de aprendizagem em uma forma mais caprichada de apresentar uma colagem de textos. movimento. São técnicas multimidiáticas e hipermediáticas que integram imagem. com os mais diversos centros de pesquisa. reproduz textos e imagens. atraente. Alunos e professor vão aprendendo a desenvolver tal criatividade. 6. do escritório. incentivar para que daí por diante o aluno faça suas próprias navegações. Você acessa. registra reflexões. dos mais diferentes lugares. com seu contexto). compra dados. frutos da reflexão e do estudo pessoais e de discussões em grupo e não apenas cópias de textos já escritos. de busca de informações. pesquisa. principalmente. tudo ao mesmo tempo. Seu papel não é saber tudo o que existe sobre determinado assunto antes do aluno. Todos nós sabemos que há muita coisa importante é interessante a que chegamos pela internet. políticos e sociais na consideração dos fatos e denomenos que chegam a nossos conhecimentos de todas as partes do mundo. pesquisa.37 5. constrói pensamento. preferindo substituí-los por apostilas. No fundo. ainda não tenha descoberto. como recursos facilitadores e mediadores de aprendizagem. é preciso que se aprenda a usá-lo. com possibilidade de acesso a um número ilimitado de informações. luz com texto. busca informações. como pesquisar na internet. e alguma resistência em se dirigir à biblioteca para pesquisar. Didática do Ensino Superior . abrir os primeiros endereços ou sites que sejam relevantes para o assunto que se pretende pesquisar. debater as informações com ela. com os próprios pesquisadores e especialistas nacionais e internacionais. Com a internet podemos desenvolver habilidades para explorar esse novo recurso tecnológico. bem como ajudá-lo a desenvolver sua criatividade diante do que venha a encontrar.

Também em meus guardados de ginásio. ou só se reconhecem incapazes.38 A confecção do CD-ROM exige cuidados e recursos técnicos especializados de que nem todos os professores dispõem. a culpa é só dele? Você gosta do som monocórdio de sua voz ou concorda com um relaxamento. onde estão? Em que covas terão se escondido? Professores há milhares. e eu errava muito. a ponto de nos levar à exaustão.. Passei a adorar matemática e acabei me tornando professor dessa disciplina. Concedi-lhe minha permissão psicoemocional de alargar meu pensamento e aumentar meu conhecimento. que nos estipulava “cangurus” e “polichinelos”. Quem me conhece sabe do que estou falando (é claro que a culpa não é só dele) – é assim: a gente só aprende com aqueles a quem outorgamos o direito de nos ensinar e para tanto é preciso um pouco de amor nesta relação de trocas. dominadora e disciplinadora? Na sua aula os alunos têm cara de adolescentes ou ficam absolutamente imbecis e atônicos? Alguém já dormiu em sua classe e você contínuou achando sua aula muito interessante? Quando o aluno cochila. debater. Pude. CDROM e Power Point deverão funcionar como incentivadores dessas várias atividades de aprendizagem. desprezei o corpore sano. com o prof º de Educação Física. encontro-me. deparo-me com meu professor de matemática Roque Baroni. o professor tascava-nos um beliscão capaz de fazer corar um frasco de benzetacil. de uma grande esperança. se a noite anterior sua esposa for de pouca graças. durante muito tempo. o ideal é que você falasse o tempo todo e preferisse ouvir as moscas voarem a ouvir voz de aluno? Ou você gosta de fazer os meninos trabalharem e gosta de instigar o raciocínio da moçada? Toda pergunte de aluno de é cretina? Só você pergunta e responde bem? Ou você aprendeu mais dando aulas do que na sua própria escola? Você tem um caso de amor com o quadro negro-verde? Há quanto tempo você não usa outra coisa a não ser paleontolítico giz? A sirene toca e você começa a salivar à cão do Pavlov? Didática do Ensino Superior . O uso. jovem mestre e colega. Educador ao contrário. refletir. manter sustendo de meus filhos. (RUBEM ALVES). exigente e afável ao mesmo tempo. EDUCADOR OU PROFESSOR? (MERA CONVERSA DE UM VELHO PROFESSOR COM UM COLEGA MAIS JOVEM) Educadores. Se errávamos. estultos e impermeáveis à sua disciplina? Você é daqueles que faz do conhecimento uma arma de cidadania e crescimento pessoal ou é da espécie que faz do zero uma arma cartorial. por amor. os alunos aprendem também. Ele era também o diretor e orientador de nossas peças teatrais. dava um zero e depois sabia nos acariciar a auto-estima com um dez . não é algo que se define por dentro. com tal mister. porém dos que existem e a confecção de material em Power-point visando à aprendizagem do aluno não poderão desconsiderar alguns princípios básicos: o aluno não pode fazer o papel de assistente passivo diante do que se desenrola na frente. redigir etc. Profº Roque. muitas vezes confidente de meus sonhos e conflitos adolescente. para depois começar sua docência? Confidencialmente. Mas professor é profissão. ou você é daqueles que acham que só Deus merece um dez? Nas suas avaliações. quantas vezes você tem sido educador e elevado a auto-estima de seus alunos. lá a elas com medo. tempo. pesquisar. Nunca mais gostei de Educação Física. momentos para o aluno perguntar. Falava de Báscara e Moliere com a mesma deliciosa naturalidade. trabalhar. Detestava suas aulas. Rebuscando velhas gavetas da memória. sem saudades. não é profissão é vocação nasce de um grande amor. há que prever atividades. e se refaz para procurar graças na próxima noite? A ciência que você ensina é “chata” por natureza ou você a fez assim? Em classe. você desconta na sua garotada? Ou sublima. o CD-ROM ou o Power-point não podem querer substituir as atividades do aprendiz. um alongamento e uma catarse geral. siciliano sanguíneo. Fico agora conversando com um professor de hoje: meu caro.. se preciso.

grita. e ele fica ao lado do campo a torcer e a gritar por eles. incompletas. Agora . teorias. Agenor Cansado – Professor de Matemática. o médico está lascado. quando você chega. Ocorre que estes. na escola tem essas coisas? Você sabe preparar uma transparência? E o computador você já o descobriu? Ou você é contra esses modernismos? Seria você um dos “neoluditas”? Você tem internet como ferramenta de pesquisa e gosta de navegar por suas ondas ou tem medo de se afogar nesse mar de recursos? Você já descobriu que seu aluno já sabe muito mais do que se pensa sobre essa parafernália tecnicista? Você já desconfio que essa geração parece ter um chip a mais? Você gosta de capacitar continuamente ou acha que já sabe tudo sobre sua matéria? Se um pupilo fizer uma pergunta para a qual você não se acha preparado.se acha que há muito o que fazer.. acalenta. e cabe a você ensina-las.. então arregace as mangas e trate e de completar a obra de Deus. de fato.39 Ou há sempre um texto interessante para uma turma ler e uma dinâmica de grupo a ser adotada na aula? Você usa o retroprojetor. Didática do Ensino Superior . e outro recurso didáticos com tv. Certo ou errado? Finalmente. portanto. os slides.. O meio que estamos utilizando é a reflexão. pede um tempo e vai buscar a resposta ou o aluno vai para a sala do diretor por desrespeito a autoridade? Você que professor de português deve ou pode ser analfabeto em matemática ou vice versa? Ou você valoriza o conhecimento holístico e coloca em prática seus conhecimentos na hora da aula? Algum aluno já fez confidencia is pessoais para você e lhe contou coisas de sua vida? Ou. se uma ponte cair o engenheiro leva a culpa. etc. se a colheita frustar o agrônomo é responsável. você é daqueles que pensa que sua carreira está em extinção e que seu lugar vai ser tomado pelo computador. por sua vez. não sabe? Que habilidades e competências você espera ao final de seu trabalho? Você distingue Pedagogia de Didática? Ou tudo isso é coisa ara pedagogo passar fome? Já foi dito que o verdadeiro educador é como um técnico de futebol: orienta. pois as pessoas nascem sem saber as coisas do mundo. e. a rodinha muda de assunto e todos saem de fininho? Você prefere ser amigo ou bicho papão? Você acha que adolescente adolesce ou aborrece? Você entende que disciplina é meio ou fim em si mesmo? Disciplina é coisa de bedel ou você da conta de sua turma? Acha que nota ruim merece castigo ou recuperação? Você faz marketing com a cara feia ou é um mestre de verdade? Você sabe para que ensina seus conteúdos? Você sabe formular objetivos. etc) não pode. quem age sobre a realidade – direta ou indiretamente (através de algum instrumento) – são os sujeitos. nas condições objetivas. conceitos. ELE fez de você um educador. que pode colocar toda a tecnologia do mundo a serviço da Educação e que é preciso alongar o pensamento e dar dimensão humana aos futurismos. pelo vídeo e outros bichos? Se sim. 4 A DOCÊNCIA SUPERIOR E A INTERDISCIPLINARIDADE 4.. interferir diretamente na realidade.. o professor é só rigoroso e competente. São seus alunos que jogam? Ou só você faz gols? Aqui entre nós. se a cirurgia der errada. têm sua ação pautada em algum nível de reflexão. Quem vai à luta são os jogadores. merece tão destino. planeja.. vídeo. ensina mais não joga. A reflexão enquanto tal (atividade simbolizadora e seus produtos: representações.? Alías. presidente do SINEPE/GO e diretor do Colégio ALFA BETA. afinal para tanto. cobra. Certo? Se o aluno tomar bomba.1 A Intencionalidade do trabalho docente Nosso desejo é ajudar a transformar a prática educativa.

qual seja. duas funções na sua relação com o aluno: Didática do Ensino Superior . 4. Campo Querer Área Necessidade Dimensões Vontade (motivo mais consciente) Desejo (motivo mais inconsciente) Poder Saber Ter *Saber *Saber Fazer * Saber Ser Recursos Matérias. à gênese do resgate do professor como sujeito. se encontrar.. utilitária.2 O valor pedagógico da relação professor-aluno No processo de construção do conhecimento.. na sua relação com o educando. uma nova intencionalidade – Projeção de Finalidades. uma justificativa. Para resgatar o lugar do planejamento na prática escolar. Esta é. A reflexão tem. por função propiciar o despertar do sujeito. o professor tem. remete a: 1. Recursos Políticos 4.querer mudar algo. além de capacitá-lo para caminhar. um sentido. O quadro a seguir procura sistematizar as várias dimensões envolvidas neste processo. automático. uma marca mana que é a intencionalidade. 2. o valor pedagógico da interação humana é ainda mais evidente. há um elemento fulcral que é o professor se colocar como sujeito do processo educativo. um fim. uma primordial tarefa da reflexão: Reconstruir o sujeito mediador 2. casuístico.. então.. propicie o despertar do desejo para a consciência de se integrar.”Limpar o meio de campo”: desconstruir representações equivocadas. Planejar. O educador.. projetar objetivos para a ação. apontar alternativas para a intervenção. quando em relação a ela há um querer (estar resolvido a fazer alguma coisa) e um poder (capacidade de realizar algo). Intervenção – ser uma guia para a prática que se quer transformadora.40 visto que a prática está sempre baseada numa significação.Isto implica que a reflexão precisa articular duas dimensões: 1. embora limitada.. Convencimento – ser elemento que dê força à atividade. alienada. Muito sinteticamente. Assim sendo. interesseira. seja ela ideológica. Incessantemente há na ação consciente dos sujeitos um nível de elaboração. não é um processo mecânico. então. 3-perceber a necessidade da mediação teórico-metodológica. Quem age por condicionamento. basicamente.. se dispor para a ação. podemos dizer que o indivíduo está na condição de sujeito de transformação quanto a uma prática. Corresponde a uma mobilização inicial. pois é por intermédio da relação professor-aluno e da relação aluno-aluno que o conhecimento vai sendo coletivamente construído. e um novo plano de ação – (Formas de mediação).vislumbrar a possibilidade de realizar aquela determinada ação. aleatório. pois alguém já planejou por ele. desmontar mitos e preconceitos. pois. Ajudar o sujeito (pessoal e coletivamente) a se convencer de que sua ação é importante. se motivar. (um conhecimento da realidade) – Análise da realidade. não carece de planejamento. estimula e ativa o interesse do aluno e orienta o seu esforço individual para aprender.acreditar na possibilidade de mudança da realidade. Ajudar a ganhar competência para a ação: entender o que está acontecendo. Indicar caminhos..

. Mas o professor deve ter bem claro que. Quem concebe assim o educando.... ideais e valores. sincrético. que atua diretamente na formação da personalidade. Ensinar exige pesquisa. que atualiza suas possibilidades. Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos.. Ensinar exige criticidade........ A convicção de que a mudança é possível.. idéias. De acordo com nossa concepção. aceitação do novo e rejeição a discriminação. Cabe ao professor.. valores e princípios de vida (elementos da esfera afetiva). Assim..... pois sua personalidade é norteada por valores e princípios de vida. o educando é “uma pessoa que se desenvolve... orientados por valores que lhe conferem individualidade e prospectividade”.. Ensinar exige bom senso. conceitos e idéias (aspecto cognitivo). ao interagir com cada aluno em particular e ao se relacionar com a classe como um todo. o professor não apenas transmite conhecimentos. tolerância e luta em defesa dos direitos. mediante processos dinâmicos. ajudando-o a construir seu próprio conhecimento. Ensinar exige apreensão da realidade.41   Uma função incentivadora e energizante.. durante sua intervenção em sala de aula e por meio de sua interação com a classe. NÃO É TRANSFERIR CONHECIMENTO Ensinar exige consciência do inacabamento. O reconhecimento de ser condicionado. pois vê nessa interação um processo de intercâmbio de conhecimentos.. ele é um educador. pois ele deve aproveitar a curiosidade natural do educando para despertar o seu interesse e mobilizar seus esquemas cognitivos (esquemas operativos de pensamento).. ajudar o aluno a transformar sua curiosidade em esforço cognitivo e a passar de um conhecimento confuso. Respeito à autonomia do ser do educando.. em forma de informações.. que se ajusta e se reajusta... Humildade. 4.. contribuindo para a formação da personalidade do educando. 2. a um saber organizado e preciso. Ensinar exige estética e ética.3 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa Paulo Freire 1.. mas também facilita a veiculação de idéias. pois deve orientar o esforço do aluno para aprender.. Ensinar exige alegria e esperança. fragmentado. e consciente ou inconscientemente. Uma função orientadora. Reconhecimento e a assunção da identidade cultural. Didática do Ensino Superior . manifestando-os a seus alunos. explícita ou implicitamente ele veicula esses valores em sala de aula. tende a valorizar ainda mais a relação professor-aluno. NÃO HÁ DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA                  Ensinar exige rigorosidade metódica. Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática... Risco. Exige a corporeificação da palavra pelo exemplo. antes de ser um professor.

. Ensinar exige tomada consciente de decisões. ampliar a gestão de classe para um espaço mais vasto.. 2. Adquirir uma visão longitudinal dos objetivos do ensino Estabelecer laços com as teorias subjacentes as atividades de aprendizagem. Reconhecer que a educação é ideológica. Ensinar exige querer bem aos educandos.42           Ensinar exige curiosidade.. Instituir um conselho de alunos e negociar com eles diversos tipos de regras e de contratos..... ADMINISTRAR A PROGRESSAO DAS APRENDIZAGENS Conceber e administrar situações-problema ajustadas ao nível e as possibilidades dos alunos. 3.. Ensinar exige liberdade e autoridade. competência e generosidade. Construir e planejar dispositivos e seqüências didáticas. de acordo com uma abordagem formativa. Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos a aprendizagem.4 Competências para ensinar Philippe Perrenoud 10 Novas Competências para Ensinar 1. em projetos de conhecimento. CONCEBER E FAZER EVOLUIR OS DISPOSITIVOS DE DIFERENCIAÇÃO Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma. para determinada disciplina.. Fornecer apoio integrado.. explicitar a relação com o saber. Didática do Ensino Superior . 4. Abrir. É UMA ESPECIFICIDADE HUMANA Segurança.. Observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagem. trabalhar com alunos portadores de grandes necessidades. Envolver os alunos em atividades de pesquisa.. o sentido do trabalho escolar e desenvolver no aluno a capacidade de auto-avaliação. Compreender que a educação é uma forma de Intervenção no mundo .                  Trabalhar a partir das representações dos alunos... Ensinar exige comprometimento. Fazer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão. Uma dupla construção. Desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas simples de ensino mutuo. 4.. Disponibilidade para o diálogo... os conteúdos a serem ensinados e sua tradução em objetivos de aprendizagem. Rumo a ciclos de aprendizagem. ORGANIZAR E DIRIGIR SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM  Conhecer. Ensinar exige saber escutar.. ENVOLVER OS ALUNOS EM SUAS APRENDIZAGENS E EM SEU TRABALHO Suscitar o desejo de aprender. 3.

Analisar a relação pedagógica. no âmbito da escola. 5. étnicas e sociais. a participação dos alunos. Envolver os pais na construção dos saberes. 10. Administrar crises ou conflitos interpessoais. as sanções e a apreciação da conduta. Desenvolver o senso de responsabilidade. Comunicar-se a distancia por meio da telemática. representações comuns. Favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno.. Competências para trabalhar em ciclos de aprendizagem. TRABALHAR EM EQUIPE Elaborar um projeto em equipe. 9. negociar um projeto da instituição. Coordenar. Organizar e fazer evoluir. Dilemas e competências. UTILIZAR NOVAS TECNOLOGIAS A informática na escola uma disciplina como qualquer outra. Didática do Ensino Superior . Utilizar as ferramentas multimídia no ensino. 6. conduzir reuniões. a autoridade e a comunicação em aula. Lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais. Competências fundamentadas em uma cultura tecnológica. ENFRENTAR OS DEVERES E OS DILEMAS ETICOS DA PROFISSAO Prevenir a violência na escola e fora dela. 7. INFORMAR E ENVOLVER OS PAIS Dirigir reuniões de informações e de debate. 8. Dirigir um grupo de trabalho. ADMINISTRAR SUA PROPRIA FORMAÇÃO CONTINUA. Administrar os recursos da escola. Utilizar editores de texto. Formar e renovar uma equipe pedagógica. dirigir uma escola com todos os seus parceiros. Saber explicitar as próprias praticas. a solidariedade e o sentimento de justiça.43                              Oferecer atividades opcionais de formação. Estabelecer seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de formação continua. Explorar as potencialidades didáticas dos programas em relação aos objetivos do ensino. PARTICIPAR DA ADMINISTRAÇÃO DA ESCOLA Elaborar. Fazer entrevistas.. Participar da criação de regras de vida comum referente à disciplina na escola. Enfrentar e analisar em conjunto situações complexas praticas e problemas profissionais.

A Didática é uma ciência dimensionada para o humano. o educando. A didática pode ser definida como a “capacidade de tomar decisões acertadas sobre o que e como ensinar. A Didática busca eficiência no processo ensino-aprendizagem para que se possa obter aprendizagens significativas com menos esforços e em menos tempo. Acolher a formação dos colegas e participar dela. considerando quem são os nossos alunos e porque o fazemos. A didática ajuda a tomar decisões sobre a educação. Perrenoud Philippe. os conteúdos. como ensinar e com que ensinar. Esta palavra foi empregada pela 1a. mudanças significativas de comportamento. do ensino. porém. de educar e de aprender. a quem ensinar. 4. Considerando ainda quando e onde e com que se ensina”. quando ensinar. que quer dizer arte de ensinar. A didática deve ser uma disciplina altamente questionadora da realidade educacional. A Didática primeiramente significou arte de ensinar. Didática do Ensino Superior . Amplo – preocupa-se com os procedimentos que orientam o educando a aprender algo. das disciplinas e conteúdos. responsável para na mesma atuar como um cidadão participante . vinculado ao de Educação. A didática pretende orientar o agir do professor e do aluno na sua ação de ensinar. vez. da intuição do professor. Ser agente do sistema de formação continua. A Didática deve questionar por que educar. rede). Didática pode ser compreendida em dois sentidos: 1. 2000. a palavra Didática foi consagrada em 1657 quando João Amos Comenius lançou a famosa obra “ Didática Magna ”. eficientes e responsáveis. para que se possa obter respostas para saber como ensinar. eficiente . 2. aprendizagens. com sentido de ensinar em 1629 por Ratre.sem a preocupação com valores sócio-morais.44     Negociar um projeto de formação comum com os colegas (equipe. o professor. mas sobretudo a formação de cidadãos conscientes. da realidade cultural. vem do Grego Didaktiké. Envolver-se em tarefas em escala de uma ordem de ensino ou do sistema educativo. o ensino. críticos. da escola. o que ensinar . . criativos. tendo em vista orientá-lo à atingir um estado de maturidade que lhe permita desvendar a realidade de maneira consciente. da aprendizagem. Pedagógico – apresenta compromissos com o sentido sócio-moral da aprendizagem do educando visando não só a transmissão de conhecimentos. Tradução Patrícia Chittoni Ramos. O objeto da didática é o ensino que se propõe estabelecer os princípios para orientar a aprendizagem com segurança e eficiência.os métodos e técnicas e sobre a comunidade escolar. sente necessidade constante de se perguntar o que é o homem. da política educacional.5 Didática A palavra Didática. da metodologia.Com o tempo. pode ser conceituado da seguinte forma: Didática é o estudo do conjunto de recursos que tem como objetivo dirigir a aprendizagem do educando. as disciplinas. do professor. escola. por isso. O conceito de Didática. em seu livro “Principais aforismos Didáticos”. E como arte. a Didática passou a ser conceituada como ciência e arte de ensinar. a Didática dependia muito do jeito de ensinar. por que ensinar. 10 Competências para ensinar. ARTMED. A didática objetiva resultados.

ou seja. ao aluno. tornando-se bem forte a diferença entre dois grupos: “entre os que pensam e os que fazem. entre os que planejam e os que executam”.. habilidade que requer conhecimentos e uma grande visão. para melhor compreender a realidade. traz para seu fazer essa dicotomia: discriminando uns e reforçando outros .45 O que ensinar. Ora. os homens se uniram. Significa também “Matéria (campo de conhecimento determinado que se destaca para fins de estudo ) tratada didaticamente. O professor deve ser capaz de selecionar adequadamente um método didático e organizar todos os procedimentos e técnicas. onde cada indivíduo era tratado e respeitado como um todo –ser individual e social. não só do presente. destinado à ( re ) construção do saber socialmente produzido e sistematizado. Disciplina refere-se à ordem conveniente. ver o todo e as partes. mas também do futuro. tentando captar tudo. onde o aluno abre “portas” e “janelas “ em seu cérebro. A escola. A escola. se esfacelado. com ênfase na aquisição de conhecimentos e no desenvolvimento de habilidades intelectuais. Com o advento do capitalismo e da tecnologia. visando propiciar aos alunos a melhor aprendizagem. enquanto os seus professores só se preocupam com uma parcela do conhecimento – o seu saber específico. espaço institucionalizado. para sobreviver. O melhor procedimento é aquele que atende as características individuais ou grupais. como instituição social . A didática pode oferecer perspectivas e ajudar a escolher o que ensinar para que o aluno aprenda como aprender. ou determinado conteúdo? O que se pretende com a educação e com o ensino ? Será que o aluno sabe e entende por que está estudando? E os pais sabem por que mandam os filhos à escola? Quais são os reais objetivos do ensino. conceituando-os com clareza. Houve uma época em que. A interdisciplinaridade apresenta-se como uma forma de permitir ao aluno visão global da realidade. Para que isto ocorra . 4. é necessário que os professores tenham bem claro o que seja um trabalho interdisciplinar. Inter/Disciplinar/ Idade: Deriva da palavra primitiva disciplinar ( que diz respeito a disciplina ) . Quando ensinar. fragmentando e/ou impedindo a construção de um saber integral. a um funcionamento regular.” Didática do Ensino Superior . dividindo os conteúdos. dos conteúdos. não permite o aprimoramento. Os procedimentos didáticos devem estar intimamente relacionados com o objetivo do ensino. tem que encontrar uma forma de quebrar a dicotomia e permitir. a sociedade dividiu-se em classes. dos procedimentos e de todas as possibilidades humanas e materiais que o ambiente escolar pode oferecer em termos de meios a empregar no processo ensino-aprendizagem. o homem é um ser inteiro. estado ou resultado da ação) . por que ensinar algo? Como ensinar. Com que ensinar. a visão do todo. Para atingi-las. formando grupos coesos. Quem planeja o ensino deve partir de uma análise dos objetivos. No ensino sempre se estabelecem certas prioridades. Por que ensinar. Originalmente significa submissão ou subordinação a um regulamento superior. Será que o professor sabe realmente por que ensinar cada disciplina.6 A interdisciplinaridade A sociedade é produto da evolução do homem e de seus relacionamentos. começaremos pela compreensão de alguns termos específicos. integral. traçam-se estratégias que dirigem toda a ação. Para discutirmos o tema “interdisciplinaridade” . com os conteúdos a serem ensinados e com as características e habilidades dos alunos. por prefixação ( inter-ação: recíproca comum ) e sufixação (dade: qualidade. inter-relacionado. O pensar. nos diversos campos do conhecimento.

Para que este novo papel social da educação se cumpra. de transformação. grande preocupação dos administradores escolares hoje. a auto-valorização ( reconhecimento da própria dignidade ) . colaboração ) . Interdisciplinar – com nova concepção de divisão do saber. pois. com menor fragmentação. com livre trânsito de um campo de saber para outro. sua humildade. quanto ao tratamento didático que deve ser dado a cada matéria escolar. a curiosidade e a autonomia na construção do conhecimento ( estabelecendo rede de significação interdisciplinar ). como o exército. trabalho de equipe (parceria. De posse desses conceitos básicos . a co-responsabilidade ( iniciativa. A utilização desta mesma palavra para denominar os conteúdos escolares refere-se tanto à necessidade de submeter-se à mente a mesma ordem que controla o corpo dos educandos. a comunicação existente entre as disciplinas e buscando a integração do conhecimento num todo harmônico e significativo . frisando a interdependência. desenvolver atitude de busca. construção. criativa. formando-se áreas de estudo com conteúdos afins ou coordenação de área. Uma prática escolar interdisciplinar tem algumas características que podem ser apontadas como fundamentos ou “vistas” para uma transformação curricular e que exige mudança de atitude. cooperação) e currículo interdisciplinar – todos estes mecanismos que superam o modelo individualista. procedimento. entre outros. em equipe interdisciplinar. causas. crítica. a fábrica e a Igreja. a interação. Pluridisciplinar .1 Como a escola pode tornar-se interdisciplinar O primeiro passo rumo à nova proposta é a mudança do paradigma de escola e da postura dos professores. resgatar sua própria inteireza. como: a auto-expressão ( livre. investigação e descoberta. Transdisciplinar – quando há coordenação de todas as disciplinas num sistema lógico de conhecimentos. é preciso rever o funcionamento da escola. será alcançada via gestão participativa. postura por parte dos educadores:      perceber-se interdisciplinar. definir uma base teórica única como eixo norteador de todo o trabalho escolar. 4. aprender a ler jornal e a discutir as notícias ). integrada ( tanto o corpo docente como o corpo discente ) . estabelecendo pontos de contatos entre as diversas disciplinas do currículo. conseqüências e significações. fragmentado e centralizador de administração e de produção do saber. de pesquisa. A qualidade da educação. participação. O segundo passo rumo à operacionalização do currículo interdisciplinar é. sem relação aparente entre si . mas também quanto à maneira de tratar o aluno e aos comportamentos que deve estimular.46 É uma palavra muito presente em instituições. valorizar o trabalho em parceria. a administração participativa e a metodologia participativa.quando se justapõem disciplinas mais ou menos vizinhas nos domínios do conhecimento. não só quanto a conteúdos. seja ideológico ( que tipo de homens queremos formar) psicopedagógica ( que teoria de Didática do Ensino Superior .6. metodologias e atividades. consciente ) . vamos analisar os diversos tipos de composição curricular: Multidisciplinar – modelo fragmentado em que há justaposição de disciplinas diversas. interessando-se por suas origens. que valorizam a disciplina na formação de seu pessoal. historicizar e contextualizar os conteúdos ( resgatar a memória dos acontecimentos. sentir-se “parte do universo e um universo à parte” .

Iris Barbosa ( org. que elimina a artificialidade da escola. evitando repetições inúteis e cansativos) . Didática do Ensino Superior . por exemplo. de sua competência pedagógica e política. seguramente. responsabilidade social da universidade. capacitação e condições de trabalho dos docentes.1995. vejo relevância em abordar esse tema da forma mais interrogativa e investigadora possível.RJ : Vozes.. de seu papel nele. Petrópolis. de profissionalização de aprendizagem. em que está presente todos aqueles problemas. da autonomia e da centralização decisória na escola) . a questão do poder. investimentos. (Masetto. um tempo. a aula é sim um pequeno mundo onde. de sua visão de mundo e da sociedade contemporânea.) A educação na perspectiva construtivista.1 A aula na universidade Tratar da ”aula na universidade” parece uma questão menor diante dos grandes problemas que afetam o ensino superior brasileiro: políticas. um espaço. a concepção que o professor tem da aprendizagem. resgatar o sentido do humano. A forma como se der a interação desses três elementos ( professor. que realizei com alunos do curso de licenciatura da Faculdade de Educação da USP. trabalhar com a pedagogia de projetos. concretizados na interação educativa de professores e alunos que desenvolvem um programa de formação. pesquisa. atualizando-os. a cooperação e a coresponsabilidade. a criatividade.ou relacional ( como são as relações interpessoais. acesso ao ensino superior. iniciando-se assim. Por essas razões. desvelará maneiras de integrar teoria e prática. Desenvolver projetos na escola é. A importância de discutir e debater a “aula na universidade” advém do fato de ela constituir uma situação. começando pelo confronto dos planos de curso das diversas disciplinas. gratuidade. uma real revisão curricular. A discussão desse assunto tomou para mim um interesse particular a partir de uma pesquisa. indicará as diretrizes políticas e educacionais tanto do MEC quanto da instituição concreta onde essa aula se realiza. diretrizes. ou seja. para citar alguns. assim. analisando e refazendo os programas em conjunto. e estimula a iniciativa. custos. do papel que cabe ao aluno. perguntando-se a todo momento : “o que há de profundamente humano neste novo conteúdo ?” ou “em que este conteúdo contribui para que os alunos se tornem mais humanos ? ” . qualidade do ensino. a proposta da interdisciplinaridade de buscar o sentido e a unidade do conhecimento e do ser. o mais profundo e significativo eixo da interdisciplinaridade. Aula como espaço de convivência humana e de relações pedagógicas. nas ações e interações de professores-alunos-programa no dia-a-dia. ciência e realidade cotidiana fora da estrutura escolar. aluno. enriquecendo-os ou “enxugando-os “.47 aprendizagem fundamenta o trabalho escolar ) . 1995). modelos de estruturas universitárias etc. a melhor maneira de garantir a integração de conteúdos pretendida pelo currículo interdisciplinar. 5 O PLANEJAMENTO E A ORGANIZAÇÃO DA PRÁTICA DOCENTE 5. remuneração. um ambiente. dinamizar a coordenação de área ( trabalho integrado com conteúdos afins. Reflexões de uma equipe interdisciplinar. aproximando-a da vida real. Referência: GOULART. discutindo menos como acontecem as aulas e mais como poderão acontecer de uma perspectiva eminentemente educacional.    Realiza-se. programa) revelará. realiza-se a educação de nossos educandos e educadores.

O grupo classe. Investigando com professores de hoje. a pesquisar. prioridades. cultura. pesquisas. a demonstração de confiança no aluno e em sua responsabilidade pela aprendizagem como fatores fundamentais para fortalecer a convivência. Aula como vivência quer dizer aula como vida. formado por alunos e professores que existem historicamente. o científico. que ainda não descobriram a riqueza desse intercâmbio. A aula como espaço que favoreça e estimule a discussão. Essa aula passa a ser interessante e motivadora para alunos e professores. Essa vivência e essa aprendizagem com os outros colegas em aula não costumam ser valorizados nem trabalhados por professores e alunos. E vamos precisar aprender a viver com essas pessoas. conflitos. características dos professores que vão além do domínio do Didática do Ensino Superior . É o vivo. o atual presentes nessa ação educativa. professores e alunos é um grupo com características próprias. Todas as características que apontam claramente para uma convivência humana no processo de ensino-aprendizagem. “aula como espaço de convivência humana e de relações pedagógicas?”. Seus assuntos e temas se revestem das mesmas características da realidade – globalidade. com visões de mundo. acontecimentos. ex-alunos universitários. paixão pela docência. e precisa ser estudada. O estudo de alguns resultados dessa pesquisa levou-me a refletir sobre o significado do espaço “sala de aula”.48 Essa pesquisa procurou identificar condições facilitadoras de aprendizagem em sala de aula de 3º grau.funciona como um espaço aberto que se impregna de fatos. a explicitação das expectativas e necessidades dos alunos. Essa realidade está diretamente integrada ao grupo classe. com a realidade profissional e com as necessidades dos alunos. antes de mais nada. dialogavam. estudos análises. Permite aos alunos desenvolver uma visão crítica acerca dos problemas econômicos e sociais da atualidade e a pensar sua própria atuação profissional nas condições da realidade brasileira. teorias que estão agitando o meio em que vivem alunos e professores. as características de professores que foram marcantes para eles em seu período de formação. a buscar informações. eram abertos à crítica. buscando pistas que fizessem com que os alunos superassem aquela sensação de que as aulas são inúteis e uma perda de tempo e com que os professores se sentissem gratificados ao realizar a docência e esta não lhes fosse um fardo e fonte de tantas frustrações. como nos grupos humanos fora da universidade. porque é real e desafiadora. Ela permite aplicações práticas. dialogar e trabalhar com elas. Acostumados por demais a ver nossas aulas como espaço físico. onde predomina uma grande heterogeneidade. como realidade. com elas aprender a construir conhecimentos e fazer ciência. A sala de aula – vivência. as propostas das ciências a respeito dessa mesma realidade. trabalha-a com a ciência e permite um retorno a ela com nova perspectiva para sua transformação. ensinavam a pensar. de vida de profissão. o trabalho em equipe. etc. a pesquisa e o debate. Pesquisas indicam depoimentos de alunos que salientam as estratégias integradoras do grupo como importantes para a aprendizagem e o relacionamento de professores e aluno. refletida e debatida por esse grupo. leva para a realidade extraclasse as reflexões. integração e complexidade – e assim são tratados. A aula acontece num movimento de mão dupla: recebe a realidade. os estudos. Mas o que quer dizer essa expressão. a relação do conhecimento com a experiência. valorizando as ações participativas. amizade. Esta aula traz o dia-a-dia para a sala. nós nos demos conta de que. A nossa experiência tem sido a de aprender apenas com nossos professores numa relação individual e de dependência em relação a eles. somos um grupo de pessoas que estão se reunindo durante uma grande parte de nossas vidas para buscar algo de muita importância para nós. o estudo. tinham honestidade intelectual. Talvez aqui se encontre a pedra de toque dessas reflexões. encontram certa unanimidade de respostas: tinham respeito pelo aluno. Aula como convivência humana.

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conhecimento específico de determinada matéria, qualidade imprescindível para um professor, mas insuficiente para educar seus alunos para a vida. Dois filmes, relativamente atuais, que demonstram bem o significado desse aspecto de convivência humana como elemento básico de formação e educação para professores e alunos: Sociedade dos poetas mortos e Admirável professor, que me abstenho de comentar, dada sua divulgação e dado o fácil acesso a eles. A aula como espaço de relações pedagógicas. O encontro desse grupo humano formado de professores e alunos em uma escola tem objetivos educacionais bem definidos. Visa á aprendizagem na área do conhecimento: adquirir informações relacioná-las, contrapô-las a outras, criticá-las, reconstruir o próprio conhecimento, buscar novas informações, sintetizar e tirar conclusões, generalizar etc. A aprendizagem na área de habilidades humanas e profissionais visa aprender a pesquisar, a trabalhar em equipe, comunicar-se com diferentes públicos, relacionar-se com clientes, entrevistar pessoas, aprender a aprender, dominar línguas estrangeiras e recursos oferecidos pela informática. Além dessas, todas aquelas que são específicas de cada profissional e que caberá aos docentes do curso identificar para serem trabalhadas e desenvolvidas. Na área de atitudes e valores, visa o desenvolvimento da consciência da cidadania e de seu compromisso com ela, à discussão dos valores atuais e emergentes, aprendendo a fazer opções e tomar posição diante deles, á valorização da pesquisa e da produção do conhecimento, ao desenvolvimento de uma atitude crítica diante do exercício de sua profissão na sociedade brasileira contemporânea. Queremos chamar a atenção para o fato de que, se a aula na universidade existe para que se adquiram informações e conhecimentos, existe também e principalmente para outros objetivos que no momento parecem estar esquecidos. Sua ausência explica grandemente o desinteresse dos alunos, e sua presença devolveria o interesse e a motivação por ela. Essa concepção de aula traz consigo a modificação da postura do professor de “ensinante” para “estar com”; de transmissor para parceiro de troca, por meio de uma ação conjunta do grupo. Sala de aula: trabalho em equipe, que se explicita na revisão do programa da disciplina ou da matéria encaixando a vida, o concreto, o real, as expectativas, os interesses e os problemas dos aprendizes com a especificidade da disciplina. Nela as estratégias são selecionadas visando à formação do cidadão, do profissional, do pesquisador, favorecendo a iniciativa, a criatividade e a participação no processo. A avaliação é pensada como um feedback relacionado a todos os objetivos educacionais e não apenas àqueles de ordem cognitiva. Essa aula pode se transformar num instante inovador na vida de seus participantes, quando contradições se apresentam, evidências antigas são destruídas e novas, construídas. O professor Rualdo (1996), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, escrevendo sobre a melhoria do ensino e capacitação docente, faz uma reflexão sobre a sala de aula na qual discute a situação mais comumente encontrada de ver aquele espaço como oportunidade de passar conhecimentos versus outra em que pensar, refletir, reconstruir o conhecimento, trabalhar na biblioteca e em laboratórios e pesquisar passa, a ser as atividades rotineiras. Defendendo o contexto da sala de aula como um espaço multifacetado, professor Rualdo destaca, para o nosso debate, os seguintes pontos:    a sala de aula como local de crescimento pessoal e interpessoal; a busca de experiências significativas; a sala de aula como local de incentivo á descoberta: o conhecimento como construção/ aventura. a sala de aula como local de desenvolvimento de capacidade de raciocínio; a busca da habilidade de pensar sobre si mesmo.

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 a sala de aula como local de desenvolvimento da compreensão ética: o professor como modelo de integridade profissional.

Autor: Marcos T. Masetto Fonte; In: FAZENDA, Ivani (org). Didática e Interdisciplinaridade. Campinas-SP, 1998,( p.179-191)

5.2 Planejamento de ensino
Texto organizado por Clemência Maia Vital Mestre e Doutora em Educação. Para buscar respostas plausíveis aos desafios que essa nova educação impõe, o educador deve organizar-se buscando quatro aprendizagens essenciais que, ao longo de toda vida, serão de algum modo sua bússola segura: essas aprendizagens seriam:  Aprender a conhecer. Isto é, adquirir as competências para a compreensão, incluindo o domínio dos próprios instrumentos de conhecimento. Em síntese, quem aprende a conhecer aprende a aprender, e essa aprendizagem é absolutamente essencial para as relações interpessoais, as capacidades profissionais e os fundamentos de uma vida digna. Essa primeira aprendizagem seria uma palavra de ordem que dá um basta à aprendizagem dos saberes inúteis que entulham nossos currículos e também o fim de uma visão de que o ensino deve estar restrito a certo número de horas por dia e de certo número de anos para sua conclusão. Em seu lugar devem imperar habilidades para se construir conhecimentos, exercitando os pensamentos, atenção e a memória, selecionando as informações que efetivamente possam ser contextualizadas com a realidade que se vive e capazes de serem expressas através de linguagens diferentes; Aprender a fazer. Embora quem aprenda a conhecer já esteja aprendendo a fazer, essa segunda aprendizagem enfatiza a questão da formação profissional e o preparo para o mundo do trabalho. Que não se entenda aqui que o tema possa se referir ao Ensino Técnico ou algo similar, mas sim que a escola, desde a educação infantil, ressalte a importância de se pôr em prática os conhecimentos significativos ao trabalho futuro. Aprender a fazer, portanto, não pode continuar significando “preparar alguém para uma tarefa determinada” , mas sim despertar e estimular a criatividade para que se descubra o valor construtivo do trabalho, sua importância com forma de comunicação entre o homem e a sociedade, seus meios como ferramentas de cooperação e para que transforme o progresso do conhecimento em novos empreendimentos e em novos empregos”; Aprender a viver juntos, viver com os outros. Para que isso possa verdadeiramente acontecer é essencial que os professores tenham coragem de desvestir a escola de sua fisionomia de quartel e deixar de ser um disfarçado campo de competições para, aos poucos, ir se transformando em um verdadeiro centro de descoberta do outro e também um espaço estimulador de projetos solidários e cooperativos, identificados pela busca de objetivos comuns. Essa missão é bem mais difícil de ser começada do que ser concluída e em diferentes pontos e lugares existem experiências extraordinárias da descoberta do outro a partir da descoberta de si mesmo. Os caminhos do autoconhecimento e da autoestima são os mesmos da solidariedade e da compreensão; Aprender a ser. Ouve um tempo na educação grega em que era quase impossível pensar na mente sem que se pensasse também no corpo. Essa visão holística e integral do homem, tempos depois, foi sendo devorada por uma concepção divisionária da educação, onde os atributos do corpo somente deveriam ser perseguidos pelos limitados em sua mente. Aprender a ser retoma a idéia de que todo ser humano deve ser preparado inteiramente – espírito e corpo, inteligência e sensibilidade, sentido estético e responsabilidade pessoal, ética e espiritualidade – para elaborar pensamentos autônomos críticos e também para formular os próprios juízos de valores, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir em diferentes circunstâncias da vida. Didática do Ensino Superior

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Evidente que os argumentos são sedutores, mas também é natural que surja no professor uma respeitável dúvida quanto a sua prática. Não seriam os pilares da educação propostos nesse relatório apenas “palavras vazias”, objetivas retóricos, discursos distantes do cotidiano em uma sala de aula? A resposta é não e o próprio relatório Educação – Um tesouro a descobrir já apresenta alguns caminhos. Outros são propostos por Perrenoud. Os conteúdos a serem trabalhados na formação dos sujeitos podem ser classificados em três grandes categorias, a saber:    Conceituais: relativos a informações, fatos, conceitos, imagens, etc. Procedimentais: habilidades, hábitos, aptidões, procedimentos, etc. Atitudinais: disposições, interesses, posturas, atitudes, etc.

A aprendizagem de conceitos e princípios1 Conteúdos conceituais:  Os conceitos se referem ao conjunto de fatos, objetos ou símbolos que têm características comuns (mamífero, densidade, impressionismo, romantismo, sujeito, cidade, cambalhota,...); Os princípios se referem às mudanças que se produzem num fato, objeto ou situação em relação a outros fatos, objetos e situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação (as leis ou regras como a de Arquimedes, as normas ou regras de uma corrente literárias,...). Uma das características dos conteúdos conceituais é sempre existe a possibilidade de ampliar ou aprofundar seu conhecimento, de fazê-la mais significativa. As condições para a aprendizagem são: o o o o Atividades complexas que provocam um verdadeiro processo de elaboração e construção pessoal do conceito. Atividades experimentais que favoreçam que os novos conteúdos se relacionem com os conhecimentos prévios. Atividades que promovam essas relações e desafios ajustados às possibilidades reais, proporcionando significado e funcionalidade aos novos conceitos. Atividades que favoreçam a compreensão do conceito a fim de utilizá-lo para a interpretação ou o conhecimento de situações, ou para a construção de outras idéias.

 

Os conteúdos procedimentais:     Um conteúdo procedimental inclui, entre outras coisas, as regras, técnicas, os métodos, as destrezas ou habilidades, as estratégias, os procedimentos - um conjunto de ações ordenadas e com um fim, ou seja, dirigidas para a realização de um objetivo. Aprende-se os conteúdos procedimentais a partir de modelos especializados. A realização das ações que compõem o procedimento ou a estratégia é o ponto de partida para a aprendizagem. Em seguida a exercitação múltipla até que possa dominar e a reflexão sobre a própria ação para tomar consciência da mesma, pois para poder melhorar o procedimento é necessário refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso, sendo, então, imprescindível conhecer o conteúdo.

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ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. Didática do Ensino Superior

3 Estratégias de ensino aprendizagem O termo estratégia de ensino é empregado para designar os procedimentos e recursos didáticos a serem utilizados para atingir os objetivos desejados e previstos. Os conteúdos atitudinais envolvem um processo marcado pela necessidade de elaborações complexas de caráter pessoal. ela só ocorre quando o aluno realiza algum tipo de atividade. Portanto. é a partir desses aspectos que se estabelece o como ensinar. em função dos objetivos previstos” Turra. sua escolha e aplicação dependem dos objetivos estabelecidos. e participar das atividades. em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo. e quando se interiorizam as normas e se aceitam como regras básicas de funcionamento. como a solidariedade. ou se utilizará jogos educativos. critérios morais que regem a atuação e a avaliação de si mesmo e dos outros. ou se aplicará um estudo dirigido.  Normas: são padrões ou regras de comportamento que devemos seguir em determinadas situações. fatos ou fenômenos que lhes possibilitem modificar sua conduta. É a partir dos objetivos propostos para o ensino que se escolhem os procedimentos de ensino e se organizam as experiências de aprendizagem mais adequadas. a responsabilidade e a liberdade. enfim. ou se fará um trabalho com texto. para colocar o aluno em contato direto com coisas. ou se fará um trabalho em grupo. Conteúdos atitudinais: Os conteúdos atitudinais estão configurados por componentes afetivos (sentimentos e preferências).52    A aplicação. em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo. desde as mais instintivas até as fortemente reflexivas. 5. sente e atua de uma forma mais ou menos constante. podendo ser voluntária ou forçada. Consideramos procedimentos de ensino as “ações. os procedimentos de ensino dizem respeito às formas de intervenção na sala de aula. constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que pode se fazer e o que não pode se fazer neste grupo. A aplicação. Ou seja. isto é. então. Didática do Ensino Superior . Como a aprendizagem é um processo dinâmico. Aprende-se um valor quando foi interiorizado e foram elaborados critérios para tomar posição frente àquilo que deve se considerar positivo ou negativo. processos ou comportamentos planejados pelo professor. supondo uma reflexão sobre os possíveis modelos. a partir desses critérios básicos. o professor fará em sua aula uma exposição dialogada. Engloba uma série de conteúdos que tratam de:  Valores: são os princípios ou as idéias que permitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e se sentido.126 Portanto. o respeito. que se definem as formas de intervenção na sala de aula para ajudar o aluno no processo de reconstrução do conhecimento. Aprende-se uma norma em diferentes graus: aceitação. embora não se entenda a necessidade de cumpri-la. enfim. Aprende-se uma atitude quando a pessoa pensa. imprescindível conhecer o conteúdo. uma análise e uma avaliação das normas e uma tomada de posição. de acordo com valores determinados. sendo. cognitivos (conhecimentos e crenças) e condutores ( ações e declarações de intenção). Além do mais. Refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso.p.  Atitudes: são tendências ou predisposições relativamente estáveis das pessoas para atuar de certa maneira. São exemplos: cooperar. conformidade quando implica uma certa reflexão sobre o significado da norma.

situar fatos no tempo e no espaço. conceituar. como pensamento reflexivo. o professor deve prever e determinar as operações mentais que serão realizadas pelos alunos. criando condições para que a pesquisa. perguntar. estimular os esquemas mentais dos alunos. criando condições para que eles se mantenham numa atitude reflexiva. aplicando seus esquemas operatórios de pensamento aos conteúdos estudados. isto é. estabelecer relações. se o aluno puder construir o objeto do ensino por meio de sua atividade mental. independente dos procedimentos de ensino que usa e dos métodos que aplica. experimentar.53 A aprendizagem ocorre quando o aluno participa ativamente do processo de reconstrução do conhecimento. nas aulas. classificar. No entanto. e ambos formam as estruturas mentais do indivíduo. induzir. é preciso substituir. tem dois objetivos básicos:   estimular as estruturas e os esquemas mentais do aluno. construir. E atividade aqui é entendida não apenas como ação efetiva. estimulando o pensamento operatório. enunciar conclusões. e para desenvolver habilidades operatórias. fazer estimativas. observar. a aprendizagem supõe atividade mental. A aprendizagem será mais significativa se o ensino partir das experiências. propor hipóteses. a função do professor é coordenar e facilitar o processo de reconstrução do conhecimento por parte do aluno:    apresentando situações desafiadoras que acionem os esquemas operatórios de pensamento. seriar. isto é. contribuindo para o desenvolvimento do pensamento operatório. criando condições para que eles construam o conhecimento através de sua própria atividade. permitir que o aluno aplique seus esquemas mentais ao conteúdo a ser aprendido. comparar. analisar. provar. existem dois princípios pedagógicos fundamentais que devem ser postos em prática. independentemente dos procedimentos adotados. O procedimento didático mais adequado. ao planejar uma unidade didática. São elas:  Incentivar sempre a participação dos alunos. que concebe o conhecimento como uma redescoberta e uma reconstrução por meio da atividade do educando. física. Por sua vez. pois aprender é agir e operar mentalmente é pensar. Uma didática operatória baseada no construtivismo cognitivo de Jean Piaget. Nessa perspectiva. a manipulação e a experimentação se realizem. ao aluno cabe manipular. assimilação e fixação. sintetizar. O professor pode utilizar os mais variados procedimentos de ensino e oferecer aos seus alunos as mais diversas experiências de aprendizagem. falar. São eles:   A aprendizagem será mais eficiente. as tarefas mecânicas que apelam para a repetição e a memorização. ouvir. vivências e conhecimentos anteriores dos alunos. Desses princípios podemos extrair algumas normas didáticas que podem nortear o trabalho docente. dialogando e dando explicações claras. Didática do Ensino Superior . por tarefas que exijam dos alunos a execução de operações mentais. justificar e criar. qualquer que seja o procedimento de ensino adotado. para facilitar sua compreensão. Os esquemas de ação são a base dos esquemas operatórios. mas antes de tudo como ação interiorizada. mais significativa e duradoura. Por isso. Por isso. ler. como operação mental. à aprendizagem de um determinado conteúdo é aquele que ajuda o aluno a incorporar os novos conhecimentos de forma ativa. redigir. deduzir. garantindo uma aprendizagem mais duradoura. refletir. ordenar. conceituar. compreensiva e construtiva. Cabe ao professor. Para que a aprendizagem se torna mais efetiva.

integração. nas mais variadas situações. Apresentar diversos aspectos de um mesmo tema ou problema. chegando a conclusões(consenso). A concretização da metodologia é feita com o componente chamado procedimento metodológico. deve refletir sobre a melhor forma de ajudar seus alunos no processo de reconstrução do conhecimento e sobre a eficácia de sua ação didática. Torna-se importante ressaltar que ao escolher uma determinada metodologia para desenvolver uma aula ou curso. Oferecer ao aluno oportunidade de transferir e aplicar o conhecimento aprendido a casos concretos e particulares. por intermédio da avaliação contínua. Painel Simpósio. para fornecer informação e esclarecer conceitos. expressa nos resultados da avaliação do aproveitamento do aluno. para que eles possam associar os novos conteúdos assimilados às suas vivências significativas.3. ou procedimentos de ensino e que são muitas vezes denominados de estratégias. Produzir grande quantidade de idéias em prazo curto.54     Aproveitar as experiências anteriores dos alunos. Grupos de observação. o professor não está escolhendo somente técnicas ou métodos. 5. Este componente do Plano de Ensino delineia como vão ser desenvolvidos os conteúdos de ensino. vinculada a uma concepção de mundo e de sujeito educado. A prática pedagógica deve ser analisada e repensada continuamente pela reflexão. Conseguir que todos os participantes expressem as suas opiniões. é exatamente como o professor vai proceder na sala de aula para incentivar. se o aluno assimilou e compreendeu o conteúdo desenvolvido. relacionando-os com os objetivos. A metodologia refere-se ao “como” do processo de ensino. Didática do Ensino Superior . Por isso. Nesse processo há uma combinação entre atividades do professor e atividades dos alunos. com alto grau de originalidade e desinibição. mas toda uma teoria que a sustenta. ou expressando opiniões e posições. Desenvolver capacidade de observação e crítica do desempenho grupal. Grupos de verbalização e Tempestade cerebral. quer formulando respostas e perguntas. Pergunta circular. Verificar constantemente.1 Algumas dicas de técnicas a serem exploradas OBJETIVO EDUCATIVO Possibilitar aos alunos numa classe numerosa ocasião de participar. Grupos pequenos. Adequar o conteúdo e a linguagem ao nível de desenvolvimento cognitivo da classe. TÉCNICAS ADEQUADAS Phillips 66 Díade Grupos de cochicho Times de observação Aprofundar a discussão de um tema ou problema. Estudar e analisar um tema por um pequeno grupo de pessoas interessadas. organizar o processo ensino-aprendizagem. O professor deve ter perante a didática uma atitude crítica.

Desenvolver a capacidade analítica e preparar-se para saber enfrentar situações complexas. com certeza nos ajudará a valorizar uma aula dinâmica. Desenvolver a capacidade de estudar um problema em Equipe. Dramatização Seminário. pois quanto mais o aluno fala. Estudo de casos.55 Meditar coletivamente sobre um tema importante. Método de Projetos. Diálogos sucessivos. Reconhecer a diversidade de interpretações sobre um mesmo assunto. mais ele interioriza conceitos. Painel de oposição. Desenvolver a empatia ou capacidade de desempenhar os papéis de outros e de analisar situações de conflito. estudar. ouve. Reflexão ou círculo de estudos. Será que nós professores concordamos com isso? Façamos agora uma reflexão coletiva das questões abaixo:     Qual o professor que marcou positivamente em minha vida de estudante? Por que? Qual as lembranças desagradáveis do período em que passei na escola? Quais os momentos mais agradáveis vividos? Qual o tipo de aula que mais gostei? E as que detestei? O resultado dessas respostas discutidas e socializadas. Na escola. vê e participa de atividades. participativa e prazerosa. Aprender fazendo e resolvendo problemas com a intervenção de recursos humanos competentes e o benefício da discussão. as técnicas de dinâmica de grupo são indispensáveis no processo de ensinoaprendizagem.3. ou para trabalhar. análise e síntese. Oficina ou Laboratório (“Workshop”). Debate. Investigar diversos aspectos de um problema e colocar resultados em comum. com ajuda de pessoas para consulta. Na prática de sala de aula. mediante o estudo coletivo de situações reais ou fictícias. Aprender a trabalhar em equipes na solução de problemas. adquirindo habilidades de interpretação. quais são as funções das técnicas de dinâmica de grupo? Eis algumas para reflexão: Didática do Ensino Superior .2 Por que técnicas de dinâmicas de grupo? A Dinâmica de Grupo estuda as interações (influências mútuas) entre as pessoas que estão juntas para divertir-se. Estudo orientado em equipes. possibilitando interação e aprendizagem. de forma sistemática. a fim de chegar a uma tomada de e posição. sente. Enfrentar pessoas com idéias opostas para que de sua confrontação surjam subsídios para orientar as opiniões. 5.

etc. 1.3 Lista de atividades de ensino Lista de atividades de ensino . tanto do ponto de vista da criatividade (originalidade). Auxílios audiovisuais (flanelógrafo .. construções etc. sendo que uma mesma atividade de ensino . etc. Apostilas mimeografadas.. binóculos Uso de câmaras fotográficas e de cinema .é que não era um grupo. álbum seriado . O trabalho em grupo cria o ESPÍRITO DE EQUIPE e a FIDELIDADE AO PROJETO comum. incluindo revistas e folhetos. partes vegetais. Toda comunicação produz aprendizagens. Instrução programada Manuseio de máquinas . Sociograma (sociometria).CAPACIDADE DE OBSERVAR Inclui as operações: Perceber a realidade. Consultas bibliográficas. xerox e internet . evidentemente . Comitês de observação ou escuta. lâminas . rádio. A Dinâmica de Grupo torna o conhecimento próprio de cada um de seus membros um patrimônio do grupo pela intensificação da COMUNICAÇÃO entre seus membros. simpósios e painéis. animais . fazendo as pessoas trabalharem por prazer e não como uma obrigação. mas a cultura é do grupo”. pode servir para desenvolver diversas capacidades . Concurso sobre quem observa mais detalhes numa situação. Seminários . Levantamento de campo. catalogadas segundo o tipo de capacidade que mais provavelmente desenvolverá . O trabalho em grupo derruba as barreiras individuais e destrói as MÁSCARAS. Comparação de objetos e fenômenos. Correspondência . descrever situações e adquirir conhecimentos e informações.3. Transmissão de informação por vários receptores. Entrevistas de pessoas. Uso de gravadores Estágios . cinema ) Uso de instrumentos de observação: microscópio. TV. a ponto de dizer que “a especialidade é dos indivíduos. como do ponto de vista da coerência. No grupo não há o bode expiatório (culpado pelo fracasso). daí a repetição que se observa nas diversas listas parciais. convites a especialistas para proferirem palestras Assistência a exposições e exibições . Se aparece o bode expiatório. lupa. donde surge intensa solidariedade e afetividade. Coleção de insetos. Pesquisa de informação .       5. Didática do Ensino Superior . Exame dos objetos reais (espécies) Escrever o que foi observado. Cópias de fax . promovendo um relacionamento profundo e autêntico.                   Excursão e visitas.56  O trabalho em grupo possibilita que o aluno participe com o máximo de suas potencialidades.) Uso de meios de comunicação pública(jornais. Desenho de objetos. O incentivo e a fidelidade ao grupo são forças muito mais poderosas para a produtividade que o prêmio e o castigo. pedras. Dinâmica de Grupo se faz pela COMUNICAÇÃO. pois põe em comum experiência diversa. mas um bando. Censo de problemas em reunião.

criticar . apreciar . Estudo dirigido . decisões . generalizar . aulas expositivas. avaliar . palestras.1. objetos Execução de análise ( química . Projetos de pesquisa individual e grupal       Preparação de instrumentos de coletar dados (questionários etc ) Prática de entrevistas . formular hipóteses . animais. passos de uma seqüência ou processo . executar.4 Avaliação do ensino 5. modelos . Reflexão . Construção de maquetes .. A medida. O que é medir e avaliar A palavra Avaliação. produzir. conferências .. Reflexão individual ou em grupos Contato com estudiosos 4 – CAPACIDADE DE SINTETIZAR Inclui as operações : Julgar . explicar ou desenvolver conceitos e proposições . tomar 5. Análise de projetos Recursos visuais: diagramas esquemas gráficos . transpor e transformar . extrapolar . Pergunta circular Julgamento de concursos e exibições . ) Estudo dirigido . “Medir é o ato de colher informações. organizar. pesquisas . Simpósios Comparação de teorias. predizer .4. insetário etc . Zélia Domingues Mediana. debater. construir. construir modelos. procura descrever quantitativamente o grau em que o aluno dominou Didática do Ensino Superior . em educação. 5 – CAPACIDADE DE APLICAR E TRANSFERIR O APRENDIDO Inclui as operações : Planejar. distinguir pontos. física . resolver problemas . faz a seguinte distinção entre medir e avaliar. Leitura de relatórios de pesquisa Coleções : herbário . Pesquisa bibliográfica.           Instrução programada . é empregada como mensuração.. botânica etc . levando em conta seu aspecto quantitativo numérico. interpretar segundo critérios vários. 2 – CAPACIDADE DE ANALISAR Inclui as operacões : decompor objetos ou sistemas em elementos constitutivos. Redação Discussão em pequenos grupos .57  Redação de relatórios . enumerar qualidades e propriedades . grupos ) Estudos de caso . dirigir. fenômenos. discutir valores . Painel de oposição . Discussão dirigida pelo professor Painel de discussão . Leitura individual supervisionada 3 – CAPACIDADE DE TEORIZAR Inclui as operações: Repensar a realidade . relações e partes de um todo . realizar. inferir.chaves . discriminar elementos de um problema . pesquisar . muitas vezes. fatores varáveis e parâmetros de uma situação. associar . deduzir. Diagnóstico de situações (plantas. miniaturas. Leitura de textos sobre pesquisa Leituras de jornais diversos .

etc. Didática do Ensino Superior . formular objetivos em termos de comportamentos observáveis. durante o desenvolvimento das atividades escolares. Enquanto a avaliação formativa verifica o desenrolar do processo ensino-aprendizagem.. ambos caminhando na mesma direção em busca dos mesmos objetivos.58 determinado objetivo. É simplesmente uma descrição quantitativa do conteúdo aprendido. 3. questionar as teorias e juntos descobrirão as melhores alternativas para superá-los. de materiais didáticos. Modalidade de avaliação A avaliação classifica-se em três modalidades. emitir juízo de valor que sirva de base para ações futuras. É integrada: não é isolada do ensino. A avaliação só será eficaz se ocorrer de forma interativa entre professor e aluno. professores/as. etc. É abrangente: não restrita a alguns aspectos da personalidade do educando. O aluno não deve ser um indivíduo passivo e o professor a autoridade que decide o que o aluno precisa e deve saber. que conduzam a melhoria da aprendizagem. etc. como qualitativas. Ela deverá ocorrer no inicio de cada ciclo de estudo. 32) Na linguagem popular o verbo avaliar significa atribuir valor a alguma coisa.4. simples. Somativa – tem a função de classificar o aluno ao final de uma unidade de estudos. 1. ”(1995 p. Na Educação o significado de avaliar consiste em classificar o aluno através de provas. segundo níveis de aproveitamento apresentados. programas. problematizar. de um ambiente educativo. Uma avaliação deve se alicerçar em objetivos claros. Deve-se observar na avaliação formativa: saber o que se deve avaliar e para que serve os resultados. a avaliação somativa busca verificar o processo final da aprendizagem. 2. É continua: não é terminal. recebem a atenção de quem avalia em função de alguns critérios ou pontos de referencias para emitir julgamento que seja relevante em educação”. com a participação do aluno. já que é o sujeito da ação educativa. p. mas com o aluno irá investigar. precisos. O professor não irá apresentar verdades.298) afirma: “A avaliação se refere a qualquer processo por meio do qual algumas ou várias características de um aluno/a de um grupo de estudantes. de objetivos educacionais. inclusive buscando detectar pré-requisitos para novas experiências de aprendizagem. A avaliação fundamenta-se em pressuposto como:       É dinâmica: não é estática. Formativa – tem como finalidade informa ao professor e o aluno sobre os resultados da aprendizagem.2. É progressiva: não é estanque. trabalhos dissertativos. É versátil: não se efetiva sempre da mesma forma. A partir de uma segura avaliação diagnóstica é possível estabelecer novos objetivos. Não inclui descrições qualitativas nem juízo de valor”. 5. Avaliar é um processo mais amplo que a medida porque utiliza tanto descrições quantitativas. testes. Diagnóstica – visa determinar a presença ou ausência de conhecimentos e habilidades. estabelecer diferentes estratégias de reforço (Feedback). Gimeno Sacristán e Perez Gomes em sua obra “Compreender e Transformar o Ensino” (2000.

Criticar a validade e/ou deficiências de uma situação com fundamento em sua avaliação e experiências. nº 9394/96. A tarefa não é simples e não existe garantia absoluta de êxito.59 Diz a lei de diretrizes e Bases da Educação Brasileira. elaboração de material e muita atenção aos comportamentos dos alunos. buscando encontrar relações mútua. Entretanto. consideramos as seguintes: Planejamento de Ensino é:   “previsão inteligente e bem calculada de todas as etapas do trabalho escolar que envolvem as atividades docentes e discentes. Imaginar o que faria se. Segundo Sacristán (2000. econômico e eficiente”. Decodificar e interpretar mensagens orais e escritas. recolher e tratar informações válidas. Vejamos alguns exemplos do emprego de pensamento e habilidades mentais que podem ser desenvolvidos pelo aluno:             Detectar.1 Planejamento de ensino Inúmeras são as conceituações sobre planejamento de ensino encontradas nos diferentes autores consultados. planejamento de atividades. Comparar idéias ou processos. No entanto. destacando os aspectos mais significativos. inciso V. 5. alínea “a”. selecionar. (não cabe ao professor fazer críticas que possam restringir a imaginação e a criatividade do aluno).. que os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos. importa dizer que as atividades acima relacionadas para desenvolver o pensamento e as habilidades mentais são apenas alguns exemplos dentro de um contexto mais amplo. Estabelecer relações entre essas informações. semelhanças e diferenças. Transferir conhecimentos adquiridos para situações semelhantes. Isso é valorizar os aspectos qualitativos da avaliação. p. Apresentar solução para um problema.5. de modo a tornar o ensino seguro. Didática do Ensino Superior ..5 Orientações práticas para elaboração do plano de ensino e de aula 5. em seu artigo 24. 303) “as capacidades e habilidades dizem respeito a modos organizados de operações e a técnicas generalizadas para tratar de materiais e problemas”. Justificar uma situação problema através de uma linguagem verbal clara e objetiva.. apresentando seu ponto de vista. “Previsão de situações específicas do professor com a classe”. Formular hipóteses relativas às soluções de alguns problemas. Resumir um texto. Interpretar um texto. Concluindo: ensinar a pensar implica oferecer ao aluno oportunidades para que este pense. Cabe ao professor oferecer atividades que exijam a participação dos alunos com o emprego de pensamento e habilidades mentais. até porque exige do professor dedicação. Isso significa dizer que deve ser valorizadas a capacidade e habilidade do indivíduo.

especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores (Plano de Aula).2 OBJETOS DO PLANEJAMENTO DE ENSINO São objetivos do planejamento de ensino:     racionalizar as atividades educativas. desde a primeira até a última. vai:    delinear. O professor. objetivos e sintaticamente impecáveis. Pelo significativo apoio que o planejamento empresta à atividade do professor e alunos. Buenos Aires. conduzir os alunos ao alcance dos objetivos. genérico. Didática do Ensino Superior . considera como características essenciais do bom plano de ensino: Coerência As atividades planejadas devem manter perfeita coesão entre si. as sugestões devem ser inequívocas. as distintas atividades. Flexibilidade Deve permitir a inserção sobre a marcha. em conseqüência. Kapelusz. globalmente. As indicações não podem ser objeto de dupla interpretação. oferecendo maior segurança na consecução dos objetivos previstos. pode organizar três tipos de planos. 2 SANT’ANNA. sintético que serve de marco de referência às operações de ensino-aprendizagem que se desencadearão durante o curso. Porto Alegre. gradualmente. derivados dos fins a serem alcançados. bem como na verificação da qualidade e quantidade do ensino que está sendo orientado pelo mestre e pela escola. Planejamento de Ensino e Avaliação. 1996. Sagra: De Luzzatto.60  “processo de tomada de decisões bem informadas que visam à racionalização das atividades do professor e do aluno. é considerada etapa obrigatória de todo trabalho docente. bem como permitir alteração . de sua unidade e correlação dependerá o alcance dos objetivos propostos.restrição ou supressão . verificar a marcha do processo educativo. PLANO DE ENSINO É um instrumento de trabalho amplo. O planejamento tende a prevenir as vacilações do professor. PRECISÃO E OBJETIVIDADE Os enunciados devem ser claros. assegurar um ensino efetivo e econômico. 11. disciplinar partes da ação pretendida no plano global (Plano de Unidade). na situação ensino-aprendizagem. possibilitando melhores resultados e. 1969.56-57. de temas ocasionais. maior produtividade”. precisos. durante o período (ano ou semestre) letivo. Seqüência Deve existir uma linha ininterrupta que integre. Por ordem de abrangência. ed. toda a ação a ser empreendida (Plano de Ensino ou de Curso). p. de modo que não se dispersem em distintas direções. Flávia Maria et al. CARACTERÍSTICAS DO BOM PLANO DE ENSINO Ricardo Nervi em La prática docente e seus fundamentos psico-pedagógicos. de acordo com as necessidades e/ou interesses dos alunos.dos elementos previstos. subtemas não previstos e questões que enriqueçam os conteúdos por desenvolver. de modo que nada fique jogado ao acaso.

........... ensino e aprendizagem.................................................... Deverá ser um guia de orientação que estabelecerá as diretrizes e os meios de realização do trabalho docente............... descrevendo comportamentos que se esperam dos alunos.................. Segundo Cols e Marti (1972)........................................ os elementos que garantam uma seqüência coerente nas situações de ensino-aprendizagem... Nossa sugestão é a seguinte: DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Toda situação particular requer a determinação de sua identidade... Ao realizar esta previsão........... No caso do Plano de Ensino..................... Didática do Ensino Superior ....... a organização seqüencial dos conteúdos implica relacionamento dos temas selecionados.... Os gerais serão alcançados no final do curso e os específicos no final de cada aula........... OBJETIVOS Os objetivos do plano de curso devem ser formulados em termos gerais e específicos................. Curso:.. objetividade e flexibilidade para que seja efetivamente um instrumento para a ação do professor e do aluno. Horário:....... toda experiência nova deve relacionar-se e integrar-se com as experiências prévias dos alunos......... deve conter.................. esta deve ser feita com base em critérios lógicos atendendo às necessidades do conteúdo........................ o professor buscará selecionar os pontos fundamentais........ O Plano de Ensino será elaborado a partir da concepção que se tem sobre educação...................... seqüência lógica. Município:.... todo professor deve ter o cuidado de iniciar seu plano fazendo constar os dados abaixo:        Entidade:..................... e em critérios psicológicos que traduzem o sentido que o conteúdo tem para o aluno. organizando-as em seqüência de aprendizagem.... isto é.............................. EMENTA A ementa é um resumo do conteúdo a ser ministrado............... homem...... Período:....2 Como elaborar um plano de ensino Não existe uma forma rígida e ser seguida na elaboração de planos...... METODOLOGIA Esse componente é que dará vida aos objetivos e conteúdos.. entretanto........61 O Plano de ensino é o pré-estabelecimento do trabalho a ser desenvolvido enquanto durar o curso (semestre.............. em sua estrutura............................ Todo plano........................... 5....5.................................................................................. trimestre ou mês).......... Carga horária:........ Para tanto.......... essa asserção também é verdadeira..... ou de cada unidade............ Para isso.......... favorecendo o processo de aprendizagem........................................... Professorª: .............. sociedade............................... CONTEÚDOS / UNIDADES No Plano de Curso...................... porque indica o que o professor e os alunos farão no desenrolar de uma aula ou conjunto de aulas...... todos os componentes do plano estarão organizados dentro de uma linha que haja coerência..... a previsão dos conteúdos deve enfatizar a dependência do novo conhecimento a ser adquirido com os conhecimentos já aprendidos............. as informações consideradas valiosas para o alcance dos objetivos........................................................

como serão organizadas as aulas teóricas e as aulas práticas. é exatamente como o professor vai proceder na sala de aula para incentivar. Neste sentido. disporá para desenvolvimento de seu trabalho. a grande preocupação é que na metodologia esteja claro como se dará a relação teoria e prática. Refere-se ao “como” do processo de ensino. a importância de o plano guardar uma organização estrutural coerente com as situações de ensino-aprendizagem. ou procedimentos de ensino muitas vezes denominados de estratégias. o professor poderá adotar graus ou conceitos para especificar o nível de alcance dos objetivos. Adotando tal medida. ou seja. A concretização da metodologia é feita com o componente chamado procedimentos metodológicos. REFERÊNCIAS É uma lista de material publicado. cartazes. não perdendo de vista a articulação teoria e prática. mas toda uma teoria que a sustenta. É super importante ter esse processo em mente. Não existe. antecipará a constatação da disponibilidade de recursos existentes. ou na falta dos mesmos. relacionando-os com os objetivos. apagador. é necessário que o professor estabeleça um cronograma de execução. Didática do Ensino Superior . o professor indicará. apostilas. Nesse processo há uma combinação entre atividades do professor e atividades dos alunos. FORMAS DE APRESENTAÇÃO DE PLANO DE CURSO As formas de apresentação do plano de curso podem ser variadas. RECURSOS DIDÁTICOS Os recursos de ensino devem também ser previstos pelo professor no seu plano de curso. para que o conhecimento seja construído. Torna-se importante ressaltar que ao escolher uma determinada metodologia para desenvolver uma aula ou curso. retroprojetor. vinculada a uma concepção de mundo e de sujeito educado. Ressaltando novamente. etc. organizar o processo ensino-aprendizagem. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO Para que o plano de curso atenda a condição de exequibilidade em relação ao tempo disponível. porém. “a priori”.62 O processo ensino/aprendizagem requer a presença de duas facetas: a assimilação de novos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos. Só assim ele saberá o número de aulas que. um modelo único. no seu plano de curso. Ex: Quadro-de-giz. Dependendo do sistema de avaliação selecionado. AVALIAÇÃO Para avaliar o alcance dos objetivos propostos. efetivamente. utilizado pelo instrutor para elaboração de seu curso. o professor não está escolhendo somente técnicas ou métodos. providenciará a confecção do necessário. Este componente do Plano de Ensino delineia como vão ser desenvolvidos os conteúdos de ensino. os instrumentos que utilizará e a forma de comunicação dos resultados.

_______________________________________________________ Horário_______________________________________________________ Período: ______________________________________________________ Carga horária: _________________________________________________ Professor (a): __________________________________________________ EMENTA REFERÊNCIAS LEGAIS HABILIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS NOS ALUNOS CARACTERIZAÇÃO DA DISCIPLINA OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS Didática do Ensino Superior .5.63 5.3 Modelo de plano de ensino DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Entidade: _____________________________________________________ Município: ____________ ________________________________ Curso:.

64 OPERACIONALIZAÇÃO DO PLANO DE AULA MMês Total de aulas CONTEÚDOS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO 1A. Nota 3A. Nota ESTRATÉGIAS CRITÉRIOS E PONTUAÇÃO 2A. Nota Didática do Ensino Superior . Nota 4a.

a violência que amedronta a todos. do congresso. tudo o que vem de um presidente vulnerável aos altos e baixos de popularidade.as doenças. da mãe e da escola. Sim. Culpa do governo... e do sistema..Culpa do governo. Culpa do governo...Ele. só pode ser o sistema.Ou e dos educadores. Os homens passaram a atribuir todo o mal do mundo .. E alguns pensadores começaram a questionar se a bola não ficaria melhor nas mãos do pai e da mãe . Professores não eram competentes. e do governo. do centro. Nota REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS _________________________ Professor(a) _______________________ Coordenador(a) 5.. o sofrimento. as crises. E jogavam a bola para o governo.Afinal. a marginalidade. o responsável direto pela decadência da sociedade. Assim foi durante muito tempo! . Alunos não tinham bom desempenho. O homem aos poucos se conscientizava e chegava a’ conclusão de que a bola não era. saindo da esquerda. não podia ser só de Adão e Eva. e do pai.. Didática do Ensino Superior .6 Reflexão DE QUEM E A BOLA (Adaptação de texto-Carmen Lucia Carnieri) E de adão e Eva. as injustiças – a falta cometida por Adão e Eva. fazia aumentar a prostituição. ele devia ser a causa de tudo! O governo: O governo passou a ser responsável por todos os problemas. por todos os males que envolviam a sociedade.65 5a.. culpa dos parlamentares. Sim. o sistema. da moral e dos bons costumes. Acontecem que as crises foram aumentando. Afinal. Adão e Eva No principio do mundo. o tempo passando e o mundo evoluindo. e a família o berço da aprendizagem. responsabilizando-os dos pequenos e grandes problemas.. de quem e a bola... O povo passava fome... Os homens jogavam então a bola para os governantes. ou caindo pela tangente a bola estava nas mãos do sistema. A educação não ia bem. o senhor sistema não educou bem seus cidadãos! Houve um esforço grande para entender se realmente a bola ficaria na estante do sistema. sim. Adão e Eva cometeram a primeira falta contra Deus.... O sistema: Vindo da direita. Culpa do governo..

professores/as. os pais estavam com a bola nas mãos e se distraiam com ela. A bola continua sendo jogada de uma escola para outra. cômodo e ainda se livrava do sentimento de culpa. Zélia Domingues Mediano. os homens se violentam. Como a crise permanência. em educação. não cuida da saúde deles.1 O que é medir e avaliar A palavra Avaliação. e o mundo em decadência globalizada. campo de promiscuidade e corrupção. as crianças se degeneram e o mundo que foi criado para ser paraíso. apáticos.. de objetivos educacionais. levando em conta seu aspecto quantitativo numérico.298) afirma: “A avaliação se refere a qualquer processo por meio do qual algumas ou várias características de um aluno/a de um grupo de estudantes. e se divertir em barzinho. jogar futebol com os amigos. por sua vez. procura descrevewr quantitativamente o grau em que o aluno dominou determinado objetivo. E a escola resolve também se isentar dessa responsabilidade de educar e diz que o problema-a bola é do Pai. Na Educação o significado de avaliar consiste em classificar o aluno através de provas. desajustados. etc. é empregada como mensuração. A Escola: A escola recebe os reflexos dos problemas familiares e sociais traduzido em alunos problemáticos.. passa a ser campo de batalha. por que não procurar alguém que possa ficar com a bola Para o casal era interessante. ficar o tempo todo no computador. a responsabilidade. A bola era acionada para os dois como um verdadeiro jogo de tênis em campeonato. Avaliar é um processo mais amplo que a medida porque utiliza tanto descrições quantitativas. 32) Na linguagem popular o verbo avaliar significa atribuir valor a alguma coisa. do sistema. do Adão. faz a seguinte distinção entre medir e avaliar.”(1995 p. Quem faz a Instituição são as pessoas. 6 AVALIAÇÃO DO ENSINO 6. trabalha dois horários e não tem tempo para vê-los ou ouvi-los.A medida... a solidariedade. de materiais didáticos.e a bola foi qui-can-do para a escola. campo de concentração... acusando-a pela ma educação dos filhos dizendo: Você não para em casa. Não inclui descrições qualitativas nem juízo de valor”. do governo. Educador: A bola continua solta.66 O pai e mãe: Sem perceber. O dialogo. recebem a atenção de quem avalia em função Didática do Ensino Superior . a educação para a paz universal. ao ter uma folga. da Eva e que ela. Gimeno Sacristán e Perez Gomes em sua obra “Compreender e Transformar o Ensino” (2000. AMIGOS A Bola está agora em suas mãos.. O problema não chega a uma solução porque todos deveriam assumir. O pai jogava para a mãe. p. só pensa na emancipação. carentes. testes. como qualitativas. muitas vezes. de um ambiente educativo. etc. a sensibilidade. drogados.. sentindo-se injustiçada e magoada devolvia a bola para o Pai acusando-o por trabalhar demais. da Mãe. É simplesmente uma descrição quantitativa do conteúdo aprendido. “Medir é o ato de colher informações. A população aumenta. As pessoas fazem à diferença. a escola só vai fazer aquilo que lhe compete e o que diz a Lei. A mãe. programas.. os direitos e deveres. trabalhos dissertativos.

O aluno não deve ser um indivíduo passivo e o professor a autoridade que decide o que o aluno precisa e deve saber. questionar as teorias e juntos descobrirão as melhores alternativas para superá-los. Isso significa dizer que deve ser valorizadas a capacidade e habilidade do indivíduo. etc. A avaliação só será eficaz se ocorrer de forma interativa entre professor e aluno. 3. Enquanto a avaliação formativa verifica o desenrolar do processo ensino-aprendizagem. É versátil: não se efetiva sempre da mesma forma. Diagnóstica – visa determinar a presença ou ausência de conhecimentos e habilidades. já que é o sujeito da ação educativa. É progressiva: não é estanque. 6. 2. formular objetivos em termos de comportamentos observáveis. em seu artigo 24. com a participação do aluno. selecionar. Estabelecer relações entre essas informações. recolher e tratar informações válidas. alínea “a”. mas com o aluno irá investigar. É abrangente: não restrita a alguns aspectos da personalidade do educando. Deve-se observar na avaliação formativa: saber o que se deve avaliar e para que serve os resultados. que conduzam a melhoria da aprendizagem. É integrada: não é isolada do ensino. Didática do Ensino Superior . precisos.67 de alguns critérios ou pontos de referencias para emitir julgamento que seja relevante em educação”. Formativa – tem como finalidade informa ao professor e o aluno sobre os resultados da aprendizagem. inciso V. O professor não irá apresentar verdades. Uma avaliação deve se alicerçar em objetivos claros. que os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos. durante o desenvolvimento das atividades escolares. 303) “as capacidades e habilidades dizem respeito a modos organizados de operações e a técnicas generalizadas para tratar de materiais e problemas”. estabelecer diferentes estratégias de reforço (Feedback). segundo níveis de aproveitamento apresentados. Modalidade de avaliação A avaliação classifica-se em três modalidades. problematizar. ambos caminhando na mesma direção em busca dos mesmos objetivos. p. A avaliação fundamenta-se em pressuposto como:       É dinâmica: não é estática. Segundo Sacristán (2000. É continua: não é terminal. 1. A partir de uma segura avaliação diagnóstica é possível estabelecer novos objetivos. inclusive buscando detectar pré-requisitos para novas experiências de aprendizagem. Somativa – tem a função de classificar o aluno ao final de uma unidade de estudos. Vejamos alguns exemplos do emprego de pensamento e habilidades mentais que podem ser desenvolvidos pelo aluno:     Detectar. nº 9394/96. simples. Decodificar e interpretar mensagens orais e escritas. Diz a lei de diretrizes e Bases da Educação Brasileira. Cabe ao professor oferecer atividades que exijam a participação dos alunos com o emprego de pensamento e habilidades mentais.2. Justificar uma situação problema através de uma linguagem verbal clara e objetiva. a avaliação somativa busca verificar o processo final da aprendizagem. Ela deverá ocorrer no inicio de cada ciclo de estudo. emitir juízo de valor que sirva de base para ações futuras.

nunca.. buscando encontrar relações mútua... como: sempre. FORMA DE APRESENTAR AS QUESTOES. Didática do Ensino Superior . Incluir apenas os dados que interessam à solução do problema. Criticar a validade e/ou deficiências de uma situação com fundamento em sua avaliação e experiências.. Substituir por outras inteiramente novas as questões muito defeituosas. Imaginar o que faria se.. importa dizer que as atividades acima relacionadas para desenvolver o pensamento e as habilidades mentais são apenas alguns exemplos dentro de um contexto mais amplo.. Apresentar solução para um problema. Transferir conhecimentos adquiridos para situações semelhantes. Enunciar as questões com concisão. destacando os aspectos mais significativos. (não cabe ao professor fazer críticas que possam restringir a imaginação e a criatividade do aluno). Construir questões que separem os alunos fortes dos médios e estes dos fracos. Respeitar a boa forma gramatical. Evitar o emprego das palavras muito inclusivas. Reduzir ao mínimo as negativas simples e abster-se de usar negações duplas. Isso é valorizar os aspectos qualitativos da avaliação. jamais ou invariavelmente. todos.. Prever apenas uma resposta certa para cada questão. A tarefa não é simples e não existe garantia absoluta de êxito. até porque exige do professor dedicação. PRINCÍPIOS GERAIS PARA ELABORAÇÃO DAS QUESTÕES OBJETIVAS       Abster-se de fazer perguntas sobre assunto controvertido.. Comparar idéias ou processos.. elaboração de material e muita atenção aos comportamentos dos alunos. Formular as questões com precisão.. Entretanto. planejamento de atividades. Buscar situações novas para as questões. principalmente nas destinadas a verificar discernimento. Colocar a dificuldade no conteúdo e não na forma de apresentação da questão.68         Interpretar um texto. Abordar apenas assuntos de importância. Resumir um texto. Concluindo: ensinar a pensar implica oferecer ao aluno oportunidades para que este pense.. Formular hipóteses relativas às soluções de alguns problemas. Usar vocabulário simples e acessível ao grupo. semelhanças e diferenças.           Redigir com clareza as questões. apresentando seu ponto de vista. Levar em conta a reação dos alunos à questão.

. Verifica em profundidade. Utilize questões de resposta aberta se tiver certeza do objetivo. Facilita a dosagem da dificuldade das questões Requer conhecimentos técnicos do elaborador. Abrange limitado campo dos conteúdos estudados.. Didática do Ensino Superior . Não requer conhecimentos técnicos profundos do elaborador.definindo o que quer verificar. Dificulta a correção Dificulta a cola. Há liberdade para expressão do pensamento. Não há liberdade para expressão do pensamento.      Defina a finalidade da prova: diagnósticos.. Dificulta a dosagem de dificuldade das questões Abrange grande campo de conhecimento. QUADRO COMPARATIVO DAS PROVAS OBJETIVAS E SUBJETIVAS/DISCURSIVAS PROVAS SUBJETIVAS PROVAS OBJETIVAS Vantagens Desvantagens Dificulta e torna demorada a elaboração. seleção. Facilita a cola. etc..revisão. Prefira empregar mais questões de resposta curta a menor número de perguntas extensas. Planeje a prova com antecedência. Prepare o esquema básico da prova.o Verifica superficialmente. Desvantagens Facilita a correção Facilita o acerto por acaso.69 PRINCÍPIOS GERAIS PARA ELABORAÇÃO DAS QUESTÕES SUBJETIVAS / DISCURSIVAS. Vantagens É de rápida elaboração. Não há acerto por acaso.

as estratégias.Os conteúdos atitudinais envolvem um processo marcado pela necessidade de elaborações complexas de caráter pessoal. os métodos.3. pois para poder melhorar o procedimento é necessário refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso.3 A aprendizagem de conceitos e princípios3 6. Engloba uma série de conteúdos que tratam de: 3 ZABALA. ou seja.3 Conteúdos atitudinais Os conteúdos atitudinais estão configurados por componentes afetivos (sentimentos e preferências). Porto Alegre: Artes Médicas. 1998. as destrezas ou habilidades. Em seguida a exercitação múltipla até que possa dominar e a reflexão sobre a própria ação para tomar consciência da mesma. em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo. as normas ou regras de uma corrente literárias. Os princípios se referem às mudanças que se produzem num fato. objetos e situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação (as leis ou regras como a de Arquimedes. entre outras coisas. A realização das ações que compõem o procedimento ou a estratégia é o ponto de partida para a aprendizagem. técnicas. cognitivos (conhecimentos e crenças) e condutuais (ações e declarações de intenção). 6. As condições para a aprendizagem são:     Atividades complexas que provocam um verdadeiro processo de elaboração e construção pessoal do conceito. 6. imprescindível conhecer o conteúdo.3. densidade. enfim. Didática do Ensino Superior . Atividades experimentais que favoreçam que os novos conteúdos se relacionem com os conhecimentos prévios. Aprende-se os conteúdos procedimentais a partir de modelos especializados. as regras. Antoni.um conjunto de ações ordenadas e com um fim. supondo uma reflexão sobre os possíveis modelos.3.2 Os conteúdos procedimentais Um conteúdo procedimental inclui. ou para a construção de outras idéias. cidade. Uma das características dos conteúdos conceituais é sempre existe a possibilidade de ampliar ou aprofundar seu conhecimento. romantismo. objetos ou símbolos que têm características comuns (mamífero. proporcionando significado e funcionalidade aos novos conceitos. uma análise e uma avaliação das normas e uma tomada de posição. impressionismo. A aplicação. então.70 6. Atividades que favoreçam a compreensão do conceito a fim de utilizá-lo para a interpretação ou o conhecimento de situações. dirigidas para a realização de um objetivo. de fazê-la mais significativa. A prática educativa: como ensinar. sujeito.1 Conteúdos conceituais Os conceitos se referem ao conjunto de fatos. objeto ou situação em relação a outros fatos. Atividades que promovam essas relações e desafios ajustados às possibilidades reais. sendo.).). cambalhota. os procedimentos .

São exemplos: cooperar. de acordo com valores determinados. o respeito. critérios morais que regem a atuação e a avaliação de si mesmo e dos outros.71  Valores: são os princípios ou as idéias que permitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e se sentido.Tirar Recortar Organizar Destacar Utilizar Aplicar Elaborar Classificar Calcular Traduzir Seriar ATITUDINAIS Valorizar Colaborar Apreciar Verbalizar Socializar Participar Respeitar Cooperar Perceber Saber ouvir Saber lidar Ser persistente Sensibilizar-se Agir de acordo com      Didática do Ensino Superior . Fazer Retirar. Aprende-se uma norma em diferentes graus: aceitação. Coletar Interpretar. procedimentais e atitudinais significa preocupar-se com a educação de forma integral. EXEMPLOS DE VERBOS UTILIZADOS EM OBJETIVOS VOLTADOS PARA CONTEÚDOS CONCEITUAIS Analisar Desenvolver Inferir* Identificar Reconhecer Resumir Descrever Elaborar Enunciar Adquirir Compreender Entender Explicar Relacionar Comentar Concluir Trabalhar conteúdos conceituais. e participar das atividades. embora não se entenda a necessidade de cumpri-la. sente e atua de uma forma mais ou menos constante. e quando se interiorizam as normas e se aceitam como regras básicas de funcionamento. constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que pode se fazer e o que não pode se fazer neste grupo. Atitudes: são tendências ou predisposições relativamente estáveis das pessoas para atuar de certa maneira. PROCEDIMENTAIS Ler. desde as mais instintivas até as fortemente reflexivas. podendo ser voluntária ou forçada. como a solidariedade. Normas: são padrões ou regras de comportamento que devemos seguir em determinadas situações. Aprende-se uma atitude quando a pessoa pensa. Observar Registrar. Aprende-se um valor quando foi interiorizado e foram elaborados critérios para tomar posição frente àquilo que deve se considerar positivo ou negativo. conformidade quando implica uma certa reflexão sobre o significado da norma. Escrever Desenhar. a responsabilidade e a liberdade.

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