EDUCAÇÃO

DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR

Aluno(a): _________________________________________________________________ Curso: ____________________________________ Turma: _________________________

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Sumário
1. Programa da disciplina ........................................................................................................... 4 1.1 Ementa ................................................................................................................................. 4 1.2 Carga horária total ............................................................................................................... 4 1.3 Objetivos .............................................................................................................................. 4 1.4 Conteúdo programático ....................................................................................................... 4 1.5 Metodologia ......................................................................................................................... 4 1.6 Critérios de avaliação ........................................................................................................... 5 1.7 Bibliografia recomendada .................................................................................................... 5 2 Conhecimento Sobre a Finalidade da Universidade seus Problemas e Perspectivas ............ 8 2.1 A Universidade – criação e produção de conhecimentos ................................................... 8 2.1.1 A universidade que não queremos ................................................................................... 8 2.1.2 A universidade que queremos .......................................................................................... 9 2.2 Referencial do MEC ............................................................................................................ 11 3 Competência pedagógica do professor universitário ........................................................... 12 3.1 Técnicas para o desenvolvimento da aprendizagem em aula ........................................... 12 3.2 Técnicas usadas em ambientes presenciais e universitários ............................................. 14 3.3 Técnicas que poderão ser usadas em ambientes de aprendizagem profissional ............. 31 3.4 Técnicas e seu uso para incentivar a aprendizagem ......................................................... 34 4 A docência superior e a interdisciplinaridade...................................................................... 39 4.1 A Intencionalidade do trabalho docente ........................................................................... 39 4.2 O valor pedagógico da relação professor-aluno ................................................................ 40 4.3 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa .................................. 41 4.4 Competências para ensinar ............................................................................................... 42 4.5 Didática .............................................................................................................................. 44 4.6 A interdisciplinaridade ....................................................................................................... 45 4.6.1 Como a escola pode tornar-se interdisciplinar ............................................................... 46 5 O planejamento e a organização da prática docente ........................................................... 47 5.1 A aula na universidade ....................................................................................................... 47 5.2 Planejamento de ensino .................................................................................................... 50 5.3 Estratégias de ensino aprendizagem ................................................................................. 52 5.3.1 Algumas dicas de técnicas a serem exploradas .............................................................. 54 5.3.2 Por que técnicas de dinâmicas de grupo? ...................................................................... 55 5.3.3 Lista de atividades de ensino .......................................................................................... 56 5.4 Avaliação do ensino ........................................................................................................... 57 5.4.1. O que é medir e avaliar .................................................................................................. 57 5.4.2. Modalidade de avaliação ............................................................................................... 58 5.5 Orientações práticas para elaboração do plano de ensino e de aula ............................... 59 5.5.1 Planejamento de ensino ................................................................................................. 59 5.5.2 Como elaborar um plano de ensino ............................................................................... 61 5.5.3 Modelo de plano de ensino ............................................................................................ 63
Didática do Ensino Superior

3 5.6 Reflexão............................................................................................................................. 65 6 Avaliação do ensino .............................................................................................................. 66 6.1 O que é medir e avaliar ...................................................................................................... 66 6.2. Modalidade de avaliação .................................................................................................. 67 6.3 A aprendizagem de conceitos e princípios ........................................................................ 70 6.3.1 Conteúdos conceituais .................................................................................................... 70 6.3.2 Os conteúdos procedimentais ........................................................................................ 70 6.3.3 Conteúdos atitudinais .................................................................................................... 70

Didática do Ensino Superior

leitura. 1. 1. 1. Planejamento: fundamentos e etapas. Didática do Ensino Superior . Específicos:        Analisar as funções de ensino.4 1. na pesquisa e na extensão. reflexão e debates. Conhecer os principais aspectos relacionados ao planejamento didático. A aula como momento de ensino e aprendizagem. PROGRAMA DA DISCIPLINA 1. pesquisa e extensão na universidade.2 Carga horária total A carga horária desta disciplina é de 48 horas.4 Conteúdo programático Unidade 1: conhecimento sobre a finalidade da universidade seus problemas e perspectivas. Despertar para o saber interdisciplinar na tentativa de superar a fragmentação do conhecimento científico. Identificar as novas tecnologias como recursos do ensino aprendizagem Aplicar situações pedagógicas que possibilitem a reflexão sobre situações concretas do exercício docente. Unidade 2: o ensino superior no novo milênio. Organização de Planos de Ensino. Unidade 3 : a docência superior e a interdisciplinaridade. Componentes básicos de um Plano de Ensino. estudo. Refletir sobre a importância da Didática do Ensino Superior para o desenvolvimento da prática docente. Implicações conceituais do trabalho universitário: intencionalidade / especificidade do ato pedagógico. Teoria e prática interdisciplinar no Ensino Superior.3 Objetivos Geral: Compreender as funções institucionais da Universidade a partir da análise sobre a produção e transmissão do conhecimento científico realizado nas práticas docentes do ensino supeiror. Unidade 4 : o planejamento e a organização da prática docente.1 Ementa O processo educativo na Universidade.5 Metodologia A disciplina será desenvolvida através de aulas expositivas e dialogada. Produção de conhecimento. Discutir os fundamentos teóricos-metodológicos do trabalho pedagógico na universidade. 1.

Pedagogia e Pedagogos.São Paulo: Ática. CANDAU. 1999. Autores Associados. Trad. 1997. 1. Papirus. Revista Educação. Ed. Iglu. Papirus. A didática em questão: 5ª ed. 1992. Regina Célia Cazaux. Autores Associados. DEMO. A. Nilson I. Cortez. 2001. P. HOFFMANN. Pedagogia da Autonomia. P. _______Docência na Universidade. 2003 GARCIA. M. São Paulo: 4ª ed. José Carlos. Estratégias de Supervisão. Petrópolis. (orgs. I. Maria Isabel: O bom professor e sua prática. 1995. Papirus. CASTRO. Campinas. Mundo Novo. Porto Alegre. Porto Editora.2000.ª: A didática do ensino superior.: O professor e a didática. Vozes. Zélia Domingues. Avaliação da Aprendizagem Escolar. Sistema de Avaliação e Aprendizagem. 5º ed. D. Brasília. 1995. em que serão utilizados os seguintes critérios: participação. clareza e consistência de argumentação capacidade de elaboração e leitura crítica.7 Bibliografia recomendada ALARCÃO. São Paulo: Cortez. M. Módulos Instrucionais para medidas e avaliação em educação. São Paulo. 7º ed. DINIZ. 1996. Alegre: Saraiva. Francisco Alves. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos. São Paulo. 1997. São Paulo. Papirus. Campinas-SP. A. Didática do Ensino Superior . Amélia A. Campinas. Terezinha. LEITE. GENTILI. saberes necessários à prática educativa. São Paulo. A. CUNHA. 1990. Epistemologia e Didática: As concepções de conhecimento e a prática docente. José Carlos: Didática.30.): Universidade futurante: Produção do ensino e inovação. p. LUCKESI. FAZENDA. Marcos T. 1981. MACHADO. São Paulo. Jussara. Cortez. M. Uma perspectiva construtiva. domínio do conteúdo. Educar pela pesquisa. Campinas. Artes Médicas. Os professores como intelectuais: rumo a uma pedagogia crítica da aprendizagem. Vera M. Daniel Bueno. Pedro. (org). Avaliação. 1996 CARVALHO. 1989. Rio de Janeiro: Ed.: Novas metodologias em educação. 1994.: Qualidade total na educação. Coleção Educação. 2002 MEDIANO. Ivani.. mediante a avaliação qualitativa das atividades realizadas. 1997. (org) Didática e interdisciplinaridade. O Professor Universitário em sala de aula. LIBÂNEO. Porto Editora. LIBÂNEO. y MOROSINI. Henry A.: Formação reflexiva dos professores. Papirus. 1998 FREIRE. 4º ed. GODOY: A didática do ensino superior. GIROUX. 1995. São Paulo: Paz e Terra. 28ª ed. Misto & Desafio. Campina/Sp. HAIDT. 1995 MASSETO. Curso de Didática Geral. para quê? São Paulo: Cortez. 1998. D.6 Critérios de avaliação O processo de avaliação será contínuo. Cipriano C. Paulo. Campinas-SP.5 1. 2002. 1994.

Porto Alegre. São Paulo. 1994. Ilza Martins. Vozes. G. Selma G. 2º ed. Gimeno J. 1998. Papirus. Cadernos Pedagógicos de Libertad. Papirus. 2002. ruptura.: Tendências e correntes da educação brasileira. A. (orgs): Confluências e divergências entre didática e currículo. Artmédicas. São Paulo. vol. 1994. 25 nº 88Especial.: O ensino superior: teoria e prática. TUGENDHAT. 1997. Petrópolis. J. D. SACRISTAN. R. Maximiliano. SAVIANI. 2. pp. Campinas-SP. Libertad.: Filosofia da educação brasileira. p. São Paulo:Loyola. Dermeval. RJ: Vozes. A nova lei da educação: trajetória.out/2004. SANTANNA. compromisso e pesquisa. Cortez. S. N. VASCONCELLOS. E. I. __________________________Planejamento: Plano de ensino aprendizagem e projeto educativo. 2000. 1989.. 1996. Editora da Universidade. ARTMED. PIMENTA. M.Didática: Aprender a ensinar. 79-96) PERRENNOUD. 1995. Libertad. Compreender e Transformar o Ensino.. Maria da Graça Nicoltte et. EDUFAL. 1984. Vozes. 2002. SANTANNA.6 MERCADO. S. W. Nova Enciclopédia. R. T. 1996. S. Rio de Janeiro. 8ª ed. Campinas. Autores Associados.: A didática como mediação na construção da identidade do professor: uma experiência de ensino e pesquisa na licenciatura. São Paulo: Cortez. CEDES. Ilza Martins. MORRISA. G. MIZUKAMI.): Os professores e sua formação. São Carlos.: Interdisciplinaridade: para além da filosofia do sujeito. __________________________Avaliação: Concepção dialética libertadora do processo de avaliação escolar.: O estágio na formação de professores: unidade teoria e prática. 1972. in MENDES. v. MORAES. Civilização Brasileira. limites e perspectivas. (org) Docência no Ensino Superior. Celso dos S. São Paulo.EdUFSCar. São Paulo. 1995. ___________Escola e democracia. Petrópolis.: Melhoria do ensino e capacitação docente. Cadernos Pedagógicos. 1993. SEVERINO. 3. pp. Luiz Paulo Leopoldo: Formação continuada de professores e novas tecnologias. 1999. Libertad. 19-47. 1994. Maceió. Campinas-SP. Loyola. 4ª ed.ª ed. OLIVEIRA. M. Antônio (coord. Lisboa. P. São Paulo: Cortez. OLIVEIRA. Avaliação.: Didática: aprender a ensinar. V. Didática. Philippe: Dez competências para ensinar. 1983.: Aprendizagem da docência: processos de investigação e formação. Porto Alegre. in PIMENTA. São Paulo: Libertad. São Paulo. PIMENTA. Rio de Janeiro. D. Porto Alegre. 1995 SAVIANI. MENEGOLLA.: Lições sobre Ética. 37-69. Por que Avaliar? Como Avaliar?: critérios e instrumentos. Celso dos S. NÓVOA. 2002 REVISTA EDUCAÇÃO E SOCIEDADE: Revista de Ciência da Educação. Didática do Ensino Superior . 3a ed. 1996. 2000 SANTANNA.: Construção da disciplina consciente e interativa na sala de aula e na escola. Maria Rita Neto Sales (org). Campinas-SP. 1998 VASCONCELOS. 176 pp. Zahar.

): Panejamento do ensino numa perspectiva crítica de educação. Libertad.mtm.eduline. in: LOPES.br Artigos de Educação em geral: http: //www.sp.gov.br/revistas.7 __________________________A construção do conhecimento em sala de aula. Papirus. Ilma (coord. com. Antonia: Repensando a Didática.mtm. 2002.br/~raies http://www. VEIGA.br/~raies/ main2. Campinas. Ed.fcc.ufsc.ufpel.unesp.br Didática: http://www.unicamp.org.fde. 1994. São Paulo.htm Cadernos CEDES: http://cedes-gw.ufsc.a ed.br Cadernos de Educação: http://www.jurere.editora. Sites: Revista de Educação e Informática: http: //www. br/amae/index.htm Debates sobre avaliação: http://www. 2.br Didática do Ensino Superior .html Estudos em Avaliação Educacional: http://www.

O melhor professor é aquele que traz maior número de informaçoes. não uma mera consumidora e repetidora de informaçoes importadas para ¨profissionalizar¨. As aulas sao constituídas por falaçoes do professor e audiçoes dos alunos. abertura e infra-estrutura que permitam e incentivem a pesquisa.1. Baptista. a heterogeneidade de lugar. Luckesi. simplesmente. Didática do Ensino Superior . Ser alheia. porque em dez. rigorosamente. Naidison. O ensino repetitivo é geralmente. sem levarem em conta. em determinada área ou disciplina. a evolução no sentido de consrt uir um mundo onde o homem seja mais homem. um ano. Uma universidade sem pesquisa não deve. ou seja. executar ensino. segundo médio. URSS. de temppo e das reais do aqui e do agora. nível superior. livresco e desvinculado da realidade concreta em que estamos. Verdades estudadas há dez. ler matéria a fim de se preparar para fazer provas.8 2 CONHECIMENTO SOBRE A FINALIDADE DA UNIVERSIDADE SEUS PROBLEMAS E PERSPECTIVAS 2. cinco anos passados podem até continuar válidas. ¨erudiçoes¨. contrária ao crescimento. compreende os graus: primeiro inicial. real e concreto. com a função ambigua de profissionalização. Estudar. erudiçoes. 2. onde o conteúdo como a forma não dizem respeito a um espaço geográfico e a um momento histórico concretos. específico do ser humano. bloqueadora de qualquer crise. onde não exista efetivamente campo. não identifica nem analisa problemas concretos a serem estudados. Não queremos uma universidade desvinculada. componente básico do sistema educacional. fica encerrado com o anuncio da nota ou conceito obtido na prova. desvinculada ou descomprometida com a realidade é sinônimo de fazer coisas. verbalístico. O aprendizado é medido pelo volume de ¨conhecimentos¨. o processo de conhecer. José. simplesmente como uma parasita ou um quisto. avessa as modificaçoes. é verbalizar ¨conhecimentos¨. dócil ao status quo. Barreto. ser chamada de universidade. É vociferar indistintamente as mesmas coisas ditas na França.no que se refere a escola. conteúdo de formas é implicitamente apregoar uma mentalidade estática. mas o jeito de estudá-las. e da universidade. nunca refletidas ou analisadas. de percebê-las é necessariamente novo. terceiro superior. nesse modelo é. proporemos a nossa reflexão na busca de entender a universidade que temos e de clarear a nossa tentativa de construir a universidade que pretendemos. Diante do sistema educacional. Eloy: Cosma. nos Estados Unidos. hoje. normalmente desmotivados. Em outros termos. em que se faça tão somente ensino. informaçoes memorizadas e facilmente repetidas nnas provas. em nosso país. Sacralizar verdades. O nosso sistema educacional. Cipriano. mas sim um recanto privilegiado onde se cultive a reflexão crítica sobre a realidade e se criem conhecimentos com base científica.1 A universidade que não queremos Não queremos uma universidade-escola. está profundamente vinculado a escola. sem uma paralela visao do contexto social. alheia a realidade onde está plantada. como um todo. o melhor aluno é o que mais fielmente repete o professor e seus eventuais textos nas provas. profissionalizante ou técnico. portanto. cinco. por sua vez. sujeito de um processo econstrutor de sua história.Cortez 2002. que não incentiva o hábito do estudo crítico. a realidade muda. e todo um processo de conhecimento intelectual e aprofundamento. Rejeitamos um modelo de universidade que não exercita a criatividade.1 A Universidade – criação e produção de conhecimentos Livro: Fazer Universidade: Uma proposta metodológica. criticamenta. Em nossa cultura. Japao etc.. de cultura.

ao intercâmbio das idéias. portanto. o trabalo crítico no sentido de aumentar o cabedal cognitivo da humanidade. através do exercício da assimilação – não simples deglutição – da comparação. não uma simples escola de nível superior. indicada pura e simplesmente pelos donos do poder polítiico e econômico sem a interferência de sua célula básica – aluno e professor – e aja como se fosse senhora de tudo. comprometida exclusivamente com a busca cada vez mais séria da verdade. Buscaremos. letras e artes e a formação de profissionais de nível universitário. é impossível uma universidade centro de reflexão crítica. 2º. . o mestre que fala.2 A universidade que queremos Queremos construir uma universidade. por pessoas capazes de refletir e abertas a reflexão. da análise da avaliação das proporções e dos conhecimentos. preciisa comprometer-se com a reflexão. uma vez que se bloqueia a fecundidade e o exercício da crítica. não queremos uma universidade originada da improvisação e meramente discursiva. mas nunca a definição última da universidade – surja a partir de organismos e razoes outros que não os eminentemente pedagógicos e didáticos. 2. reconhece que toda conquista do pensamento do homem passa a ser relativa. sua característica que a especifica como tal crítica. a fim de que a realidade seja percebida. A pesquisa será. professores – alunos – administração. a revelia do corpo de professores e alunos. de produção nova. sobre o projeto de sua comunidade. 1º. Todas as demais atividades tomarão significado só na medida em que concorram para proporcionar a pesquisa. a universidade deve ser o lugar por excelência do cultivo do espírito. aprender. reproduçãode idéias sem qualquer força de criação continua. estruturadas. Não queremos uma universidade na qual o professor aparece como o único sujeito. o magister. de ouvir. o centro da sabedoriae das decisões. questionada. com referencia ao ensino superior: Art. avaliada. em consequência. Isto Didática do Ensino Superior . isto é. o receptor passivo do que é emitido pelo professor-mestre. 540/ 68 da reforma universitária diz. Há sempre a necessidade de um entendimento novo. Uma universidade que se propõe a ser crítiica e aberta não tem o direito de estratificar. – O ensino superior tem por objetivo a pesquisa.9 1. ainda. o desenvolvimento das ciências. A Lei 5. em estabelecimentos isolados. Sem um minimo de clima de liberdade. Nesse centro buscaremos o máximo possível de informaçoes a todos os níveis. na medida em que o espaço-temporaliza. estudada e entendida em todos os seus ângulos e relações. Por conseguinte. O aluno é o ouvinte. Não queremos uma universidade onde a direção – administração – integrante fundamental do conjunto. indiscutivelmente certas e detém os critérios incontestáveis do certo e do errado. memorizar e repetir bem o que lhe é transmitido. Presumimos que. Em síntese. excepcionalmente. organizados como instituições de direito privado. do saber. diz verdades já prontas. A universidade que não toma a si esta tarefa de refletir criticamente e de maneira continuada sobre o momento histórico em que ela vive. todo o corpo universitário. Art. para que possa ser continuamente ransformada. – O ensino superior indissociável da pesquisa será ministrado em universidades e. todo o seu corpo seja constituído por pessoas adultas: todos já sabem muitas coisas a respeito de muitas coisas. a investigação crítica. e onde se desenvolvem as mais altas formas da cultura e da reflexão. absolutizar qualquer conhecimento como um valor em si.1. sua função é. formando profissionais de alto nível tecnológico e fazendo ciência. ao contrário. a participação em iniciativas construtivas. criando-a provocando-a permitindo-a e lutando continuamente para conquistar espaços de liberdade que assegurem a reflexão. portanto. Trata-se de uma função nitidamente objetificnte e orientado para uma simples repetição cultural. Nestes termos. nessa universidade. a atividade fundamental desse centro. estaelecer uma mentalidade criativa. não está realizando sua essencia. com rigor.

do Estado. razão concretizada. profissionais do saber. ao estudo e. a micro-região. queremos criar um interrelacionamento professor-aluno. o Estado. a crítica. para ver. A universidade. proposição de estudos. Queremos. Se entendemos a função específica da universidade como desenvolvimento da dimensão de racionalidade. coordenação. propor caminhos de soluções. lhe possibilitam escolher meios de superação das estruturas que o oprimem. está atentos para os desafios dessa nossa realidade e estudá-los é a grande tarefa do corpo universitário. propor perspectivas racionais de ação. queremos construir uma universidade plantada numa realidade concreta. do municipio. o país. de criar uma relação entre dois sujeitos empenhados em edificar a reflexão crítica: de um ladoo professor. as conquistas do saber humano. Nesses termos. porque sua missao não se esgota na mera transmissão do que já está sabido. uma universidade ¨consciência crítica da sociedade¨. Podíamos sintetizar as funções da universidade no esforço para imprimir eficácia na ação transformadora do homem sobre si mesmo e sobre as instituições que historicamente criou. investigar. questionamentos e debates. daí ser. econômico e cultural. ou seja. para analisar. o terceiro mundo. criadora e crítica. comparar. de criação. avaliar. Para ser consciência crítica. permitindo ampliar o poder do homem sobre a natureza ponha a serviço da realização de cada pessoa. porque específico da universidade é o esforço de ser e desenvolver nos seus membros a dimensão de uma consciência crítica. inventar. Não imaginamos um modelo definitivo de uiversidade. discernir. ou seja. em acordo sempre com as exigências do homem que aspira a ser mais. debater. econômica e cultural e equipada com adequado instrumental científico e técnico que. sujeito – nunca objeto – de seu aprendizado. porque isso marca a historicidade crítica de uma instituição humana. o continente lainoamericano.10 nos quer dizer que a universidade é. portanto. portanto.. Didática do Ensino Superior . Criadora e crítica. finalmente. julgar. exercitando e desenvolvendo seu potencial crítico. um corpo responsável por indagar. entretanto. para que possa criticamente iidentificar e estudar seus reais e significativos problemas e desafios. so poderá desempenhar tais funções quando for capaz de formar especialistas para os quadros dirigentes da própria universidade. na qual terá suas raízes. crítica. questionar. o planeta. porque a razão é emminentemente crítica. política. sujeito de criação. mas pretendemos achar. com isso. o município. a universidade deve estar continuamente em interaao com a sociedade. Nesse contexto a validez de qualquer conhecimento será mensurada na proporção em que este possa. da nação. conservação e transmissão da cultura. enfim. na medida em que a estivermos construindo. dentro do processo histórico. político. a região. porque tem a universidade a responsabilidade de formar os quadros superiores exigidos pelo desenvolvimento do país. refletir a nossa realidade histórico-geográfico nos seus níveis social. por excelência. segundo. a universidade ajuda a sociedade na busca de encontrar os instrumentos intelectuais que dando ao homem consciência de suas necessidades. fundamentado no princípio do incentivo a criatividade. marcando a corresponsabilidade na condução do próprio processo. a realidade que a gera e sustenta. ela deve fazer avançar o saber. aquele potencial humano racional constantemente ativo na leitura dos acontecimentos da realidade. de outro. fazer entender melhor e mais profundamente a realidade concreta. deve se colocar num processo permanente de revisão de suas próprias categorias. através de um esforço inteligente de assimilação. porque além de tomar consciência continuamente do que faz. Queremos uma universidade onde se torne possível e habitual trabalhar. ao debate. Como essas pretensões. Propondo-se a formar cientistas. com aguda consciência de nossa realidade social. Trata-se. Queremos uma universidade em contínuo fazer-se. até as esferas mais remotas. na medida em que exercita as funções de criação. a racionalidade instrumental-crítica.conquistar nosso modelo. de questionamento. desde a esfera mais próxima. o aluno. por natureza. ou não. Queremos produzir conhecimento a partir de uma realidade vivida e não de critérios estereotipados e pré-definidos por situações culturais distantes e alheias as que temos aqui e agora. inteligência institucionalizada. a racionalidade crítico-criadora. discernir e. poderemos visualizar o processar-se dessa mesma racionalidade em dois momentos complementares: promeiro.

proposiçoes criativas e originais. que jamais poderá existir sem professor e aluno voltados para a criação e construção do saber engajado. a fim de que possa proporcionar a seus alunos temas de reflexão concretos. a socialização e a reflexão coletiva das diretrizes do MEC como subsídios indispensáveis na gestão das ações pedagógicas. a responsabilidade pelo todo. buscando novos subsídios de informação e inovação.11 Para que um tal clima se faça. Pareceres e Portarias. elaboração e reelaboração curricular. é obviamente necessário que o professor esteja sempre bem iinformado da realidade como um todo. Ocasionando o desenvolvimento do potencial de reflexão crítica dos alunos. avaliação dos alunos. além de se consumir conhecimento. Enfim. com os demais companheiros. todas as diretrizes referentes ao Ensino Superior. formação continuada de professores. cada um a seu nível. É nesse sentido que o CELAM se expressa. professor-aluno e administração. desenvolvimento de projetos. por isso transformador. o professor se torna um motivador do saber. de maneira que não seja anulada a espontaneidade e criatiividade do educando.2 Referencial do MEC Os documentos do MEC são referenciais de qualidade para o Ensino Superior e podem ser utilizados para o planejamento e a operacionalização das atividades específicas. cabe ao professor-educador descobrir. serviçalismo e subserviência ao poder dominante. Enquanto pensamos livremente. disponibiliza em sua página na INTERNET as Resoluções. Dessa forma não se trata mais de uma universidade em que uns sabem e muitos não sabem . econômica e cultural. Um corpo universitário não mais deve presenciar passivamente a nomeação de dirigentes universitários estribada em critérios antidemocráticos de simpatia. O corpo universitário. decorrentes de incessante observação crítica da realidade. é ele quem se educa a si mesmo: ao educador compete apenas estimular e ordenar inteligentemente esse processo. enfim. uma universidade onde possamos lutar para conquistar espaços de liberdade. mas em que muitos sabem algo e querem saber muito mais. É nesses termos que pretendemos um corpo universitário que lute para eleger os seus diretores a partir de critérios que correspondam aos objetivos da Universidade. de 20 de dezembro de 1996. fazer-se sujeito em diálogo com o professor. para que nessa busca de interação seja construída a universidade. tais como: reconhecimento do curso. problemas e fontes de estudos. professores e do curso e demais diretrizes de ação. professores e aluno optaram por criá-lo e produzí-lo. com o aluno. necessita de espaço para assumir. O Ministério da Educação através de suas subsecretarias e órgãos. Queremos uma universidade democrática e voltada inteiramente para as lutas democráticas. através do estudo e pesquisa. como ser sujeito em diálogo com a realidade. Recomendamos o conhecimento.026. Enfim. Queremos. administrativas e político-sociais. de 10 de outubro de 1996: Estabelece procedimentos para o processo de avaliação dos cursos e instituições superior. efetivamente. isto é. política. Decreto nº 2. político ou econômico. uma universidade onde. e de sua área de especialização em particular. pelo contrário. Serão indicados alguns documentos do MEC. questionamos livremente. ao aluno. Didática do Ensino Superior . propomos livremente e livremente avaliamos a nossa responsailidade. As ferramentas do MEC colocadas à disposição do Ensino Superior são inúmeras e a proposta aos professores é que visitem sistematicamente a página do MEC. 2. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). O educando é o primeiro agente do processo educativo. considerados imprescindíveis para o planejamento:   Lei 9394/96. deve chegar a expressar em forma autenticamente pessoal o seu conteúdo. elaboração do projeto pedagógico do curso. com a realidade social.

de 18 de outubro de 2001: Oferta de disciplinas que. diagnósticos. de 13 de maio de 1997: Credenciamento de centros universitários para o sistema federal de ensino superior. no uso e na atualização de suas técnicas cirúrgicas. de avaliação e planejamento. internet. aulas expositivas. Muitas vezes para a aula expositiva são usados alguns recursos audiovisuais. e outros mais como veremos adiante. ou se exige que o aluno faça aquilo que foi ensinado na aula expositiva. aulas práticas. ensino por projetos. uso do quadro-negro. de organização para Centros Universitários. Chegam mesmo a apelidar de “perfumarias” quaisquer tentativas de se procurar trabalhar tecnicamente em educação. branco ou verde). a avaliação de cursos e institui providências. Nestas. Ao tratar das técnicas possíveis de serem usadas em aulas para colaborarem com a aprendizagem.306. em sua grande maioria.860.1 Técnicas para o desenvolvimento da aprendizagem em aula Tendo tratado da aprendizagem como ponto central em torno do qual deverá gravitar a ação docente. visitas técnicas.12    Decreto nº 2. dinâmicas de grupo. como retro projetor e transparências (que em geral substituem o quadro-negro. ou seja. utilizem método não presencial de organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos. e servem para o professor ler suas anotações. Didática do Ensino Superior . o conjunto de recursos e “ meios materiais utilizados na confecção de uma arte”. Quanto à ação docente. há um descaso total com a tecnologia. Portaria nº 639.   3 COMPETÊNCIA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR UNIVERSITÁRIO Marcos Tarciso Masseto 3. de interpretação dos código nos mais variados tratamentos de saúde. São exemplos de técnicas: recursos audiovisuais. porém. Decreto nº 3. de uso e domínio de língua estrangeira e de informática. de coleta e interpretação dos dados de qualquer fenômeno social. queremos em primeiro lugar dizer que entendemos por “técnica” o sentido que lhe atribuiu o Dicionário Larousse Cultural. se procura ou demonstrar o que se disse na aula teórica. de 9 de julho de 2001: Dispõe sobre a organização do ensino superior. Portaria nº 2. em seu todo ou em parte. pesquisa. acreditando que é suficiente o domínio de conteúdo para entrar em uma sala de aula e conseguir que os alunos aprendam. Ainda hoje. Portaria nº 2. e em nosso caso na realização de uma arte que se chama docência. de 19 de agosto de 1997: Regulamentação das instituições de ensino superior. o assunto deste capítulo se reveste de grande importância. os docentes do ensino superior preocupados em transmitir informações e experiências se utilizam praticamente de aulas teóricas expositivas e de aulas práticas. estudo de caso. leituras. É verdade que muitos dos docentes do ensino superior têm uma dupla atitude com relação às técnicas: super exigentes no conhecimento. 253.041 de 22 de outubro de 1997: Define critérios adicionais aos já estabelecidos na legislação vigente. de habilidades e de atitudes ou valores. e considerando que os objetivos a serem alcançados deverão permitir o desenvolvimento dos aprendizes na área do conhecimento.

talvez desinformados. internet etc. ao clima estabelecido na classe. Há necessidade de variar as técnicas no decorrer de um curso. Procurando conceituar de maneira mais formal. desafiador. É o que se pede aos alunos no decorrer das aulas: eles se sentirão mais ou menos envolvidos. Isso nos alerta para as necessidades de conhecermos e dominarmos várias técnicas que possam ser utilizadas tendo em vista o mesmo objetivo. na medida em que exige renovação. a fatos supervenientes. não é possível querermos ajudar os alunos a conseguirem tantos objetivos usando apenas uma ou duas técnicas. flexibilidade. Como no processo de aprendizagem trabalhamos com vários objetos (de conhecimento. de resolver problemas. Uma única maneira de dar aulas favorecerá sempre os mesmos e prejudicará sempre os mesmos. não sendo o desafio unicamente intelectual suficiente para manter os alunos em estado de alerta. embora reconhecendo sua validade e bom nível do conteúdo fornecido. o que se faz oportuno. Três conseqüências decorrem imediatamente dessa afirmação: 1. outros aprendem mais debatendo. de habilidades e competências. é lógico que tenhamos de usar múltiplas técnicas. afetivo-emocionais e de atitudes ou valores). 2. mais ou menos capazes para aprender. ou outras atividades individuais. a incidentes críticos acontecidos com determinado grupo. visitas técnicas. outros ainda realizando atividades individuais ou coletivas durante o tempo de aula. por exemplo. Também para o professor. repetiam uma única maneira de dar aula. à energia pessoal do próprio professor. que favoreçam o alcance dos objetivos educacionais pelo aprendiz. Essencial no conceito de técnicas ou estratégias é sua característica de instrumentalidade. Ou. em outras palavras. mais ou menos participantes. pois elas são um forte elemento de atuação sobre a motivação dos alunos. ou uso de dinâmicas de grupo. Para o mesmo objetivo. a variação na maneira de dar as aulas traz vantagens: também para ele o curso se torna dinâmico. devido ao turno em que acontece a aula (manhã. entretanto. se um curso todo é dado sob forma de aulas expositivas. Depois de dois ou três meses a produção da classe decaía. A segunda conseqüência é a seguinte: cada grupo de alunos ou cada turma ou cada classe é diferente um do outro. dialogando. apesar de estar desenvolvendo a capacidade de ouvir e receber informações.13 Mais abrangente que técnicas me parece o termo “estratégia” para iniciar os meios que o professor utiliza em aula para facilitar a aprendizagem dos alunos. à composição do grupo. A variação das técnicas permite que se atenda a diferenças individuais existentes no grupo de alunos da turma: enquanto uns aprendem mais ouvindo. de se expressar. desde a organização do espaço sala de aula com suas carteiras até a preparação do material a ser usado. ao estado físico ou motivacional do aluno. Todas as técnicas são instrumentos e como tais necessariamente precisam estar adequadas a um objetivo e ser eficiente para ajudar na consecução deste. talvez de fato não dando valor às estratégias. De nossa própria experiência como alunos.. Há necessidade do conhecimento das diferentes técnicas que sejam mais adaptadas a este ou aquele objetivo. mais ou menos responsáveis. não estará desenvolvendo a habilidade de trabalhar em grupo. recursos audiovisuais. informação sobre estratégias. Didática do Ensino Superior . dois fatores altamente favoráveis para uma aprendizagem significativa. podemos dizer que as estratégias para a aprendizagem constituem-se numa arte de decidir sobre um conjunto de disposições. determinada técnica pode ajudar um grupo e não servir para outro pelas mais diferentes razões. do começo ao fim do ano. tarde ou noite). e assim por diante. é como se a classe começasse a se sentir “cansada” daquelas aulas. 3. por exemplo. criatividade ao dar as aulas. A variação de técnicas favorece o desenvolvimento de diversas facetas dos alunos: por exemplo. de diálogo com os alunos. assim como a necessidade de se propor claramente os objetivos a serem alcançados. podemos lembrar de professores que eram excelentes especialistas em seus conteúdos e também capazes de estabelecer um clima de descontração em sala de aula.

14 A instrumentalidade das técnicas traz consigo uma decorrência: a relatividade da técnica. Só tecnologia moderna não resolve nossos problemas educacionais de aprendizagem e formação. outros usam dessa tecnologia como chamariz para seus vestibulares. Este também é um ponto muito importante para nossa reflexão: se alguns docentes e instituições do ensino superior desqualificam qualquer importância ou relevância para o uso da tecnologia em seus cursos. 2. Portanto. O que se espera do professor com relação às técnicas? Vale à pena a reflexão. de nada adiantará dispormos de alguma tecnologia. Que o professor desenvolva capacidade de adaptação das diversas técnicas. vamos organizá-las em três grupos: técnicas que são usadas em ambientes presenciais e universitários. Que o professor. com que estratégias podemos contar? Para análise e discussão. técnicas são instrumentos e como tais podem ser criadas por aqueles que vão usá-las. bem como o domínio do uso destas para poder utilizá-las em aulas. se torne capaz de criar novas técnicas que melhor respondam às necessidades de seus alunos. 3. bem como condições adequadas de trabalho. Ela é um instrumento. e não proporcionarmos formação continuada e em serviço para os professores. espera-se dele atitudes básicas: 1. Tecnologia educacional em educação é muito importante desde que venha como instrumento colaborativo das atividades de aprendizagem. pelo conhecimento e domínio prático de muitas técnicas e por sua capacidade de adaptação das técnicas existentes.2 Técnicas universitários usadas em ambientes presenciais e Como iniciar uma disciplina. no campo das técnicas. se não revirmos nossa posição quanto aos grandes princípios educacionais. técnicas usadas em ambientes reais de profissionalização. com sua prática. Afinal. Que o professor tenha conhecimento de várias técnicas ou estratégias. Mas. modificando-as naquilo que for necessário para que possam ser usadas com aproveitamento pelos alunos individualmente ou em grupos. É também o profissional da aprendizagem enquanto se responsabiliza pela gestão das situações da aprendizagem. Vamos indicar alguns exemplos apenas. pois muitas pessoas podem vê-lo apenas como um aplicador de técnicas. Assim sendo. afinal. O professor para nós é um educador e como tal tem clareza dos objetivos educacionais que se pretende com seus alunos. esperando que os professores possam.      Apresentação Simples Apresentação cruzada em duplas Complemento de frases Desenhos em grupo Deslocamento físico Didática do Ensino Superior . aquecer um grupo ou desbloqueá-lo? São várias as técnicas de que dispomos para iniciar um curso ou aquecer um grupo de alunos para trabalharem em aula. 3. querendo com isto indicar a modernidade ou atualização na formação de seus profissionais. Com isso queremos dizer que se espera do professor uma atitude muito ativa e de intervenção dinâmica no campo das estratégias. técnicas presentes em ambientes virtuais. enriquecer e ampliar essas sugestões.

. inclusive suas preferências em momentos de lazer e em outros momentos de sua vida social. 3. Por isso. tem uma frase completa. que será complementado pelo aluno.. Nessa condição.. Socialmente eu. e de grande aproximação entre o grupo..15     Brainstorming São objetivos dessas técnicas: Colaborar para que membros de um grupo que vão trabalhar juntos durante certo tempo se conheçam em um clima descontraído. Como a anterior. e é convidado a ler a frase em público para todos os colegas.. com pouca disposição de se comunicar oralmente. nesse período. Nesta disciplina espero aprender.. pois aquela leitura praticamente não compromete o leitor. que não foi escrita por ele.. A apresentação cruzada costuma ser bastante informal. deverá apresentá-lo ao grupo. no máximo. de forma que cada aluno. Além desse número. oralmente... ela se torna cansativa. Apresentação simples Cada membro do grupo. Complementação de frases Por vezes. A apresentação pode ser entremeada com perguntas feitas pelos participantes. no memento seguinte. Este é. criando freqüentemente momentos jocosos e hilariantes. Exemplos de frases: Vim para este curso. livremente. Cada elemento da dupla deverá dar toda atenção ao colega. uma técnica que pode ajudar o desbloqueio é a complementação de frases. se apresentar um ao outro nos mesmos moldes descritos na apresentação simples. essa técnica é mais aconselhável para grupos de 25 ou.. Em meus momentos de lazer. dizendo alguma coisa de si mesmo nos vários aspectos de sua vida. e ninguém sabe por quem o foi. É uma técnica que pode ser usada com pequenos e grandes grupos.. Esta disciplina serve para. agora. outra técnica deverá ser escolhida. 30 pessoas.. pois. Essa estratégia é mais aconselhável para grupos pequenos (20-25 pessoas). se apresenta.. Preparar uma classe que no início se mostra apática para um relacionamento mais vivo e.. mais favorável à aprendizagem da disciplina. Produzir grande número de idéias em prazo curto. os quais professor e/ou alunos não percebam claramente ou tenham dificuldade de expressar de modo direto. Além desse número. Quebrar percepções aprioristicamente preconceituosas entre os membros da classe.. portanto.. etc.. sobretudo se o professor recolher os cartões e examiná-los posteriormente. O desbloqueio se inicia. o objetivo da técnica. Apresentação cruzada em duplas Trata-se de uma variante da técnica anterior. recolhem-se os cartões e se redistribuem aleatoriamente. dando a oportunidade de todos se manifestarem. Didática do Ensino Superior . Os participantes se reúnem em duplas durante seis minutos e deverão. 2. Meus colegas dizem que esta disciplina. verbalmente. Com relação à minha profissão. de fato. e com base nela o professor pode fazer outras questões ou outros alunos podem querer ler frases semelhantes. Cada um tem três minutos para fazer sua apresentação ao colega. no qual escreve um início de frase.   1. encontramos uma turma muito inibida.. A inibição diminui. desenvolver a originalidade e a desinibição. Em seguida.. ouvirem uma grande parte de depoimentos e conhecerem o grupo de modo geral. precisamos escolher outra técnica. Expressar expectativas ou problemas que afetam o clima do grupo e o desempenho de seus membros. Em que consiste? O professor prepara um cartão para cada aluno..

Inicialmente. Isso poderá ser mais bem percebido adiante quando tratarmos das dinâmicas de grupo. procurem comunicar-se mediante outros recursos. Ou seja. até o final da sala. Dá-se um tema a respeito do qual se pede para os grupos debaterem durante 15 minutos. Desenhos em grupos Essa é uma técnica que poderá ser usada com grandes grupos. fotos etc. É muito importante que o encaminhamento dessa atividade dado pelo professor esteja explicitamente relacionado com objetivos de aprendizagem esperados. Didática do Ensino Superior . um aquecimento da classe.16 4. traz grande probabilidade de desatenção e apatia durante as aulas. Brainstorming Incluímos nessa categoria a técnica brainstorming (tempestade cerebral) porque. O professor terá levado para sala de aula folhas de papel-jornal ou cartolinas. sem manifestação do grupo que está expondo. levando em consideração o desconforto das cadeiras. procurem verbalizar imediatamente. e ao professor oferece oportunidade de conhecer o que seus alunos pensam a respeito do assunto sobre o qual se dialogou. Deslocamento Físico Nem sempre damos conta de que o tempo que os alunos permanecem sentados. para que os alunos não entendam a atividade apenas como uma “brincadeira” inconseqüente durante a aula. outros vão afirmar que “isso é coisa de escola fundamental” etc. Após esse tempo. a representação estática ou dinâmica. A técnica permite que os alunos do pequeno grupo se entrosem e interajam com a classe como um todo de uma forma. descontraída. abrir espaço entre as carteiras para que possa transitar livremente entre os alunos. ao ser apresentado o tema ou uma palavra. logo no início da aula solicitar colaboração para arrumar as carteiras em forma de semicírculo. Dá-se um tempo de mais 15 minutos para a realização dessa atividade. pergunta-se à classe quais idéias estão sendo comunicadas. Encerrado o tempo estipulado. 6. em geral. Divide-se a turma em grupos de cinco a sete pessoas no máximo. para se fazer uma colagem. pede-se que cada grupo procure uma forma de comunicar a toda a turma as idéias a que chegaram seus integrantes. cada grupo é chamado para fazer sua apresentação ou expor seu desenho. estão embotados em nós. lembrar que várias dinâmicas de grupo permitem deslocamentos maiores durante o tempo de aula. O diálogo aproxima muito os grupos e a turma de diversas formas. Por exemplo. alguns dirão não saber fazer a atividade. Evitar que se tenha tempo para pensar ou fazer longos raciocínios. Nessa técnica é importante a manifestação espontânea. gestos etc. em geral. as associações que lhes vierem à mente. Donde a necessidade de provocarmos deslocamentos físicos dos alunos e/ou do professor. como revistas. em geral. sem censura. sem usar a palavra oral ou escrita. 5. que procurem ajuda entre os colegas de outros grupos (não esqueçamos que nosso objetivo é a interação grupal) etc. sem preocupação com o certo ou errado. Após cerca de dois minutos. freqüentemente. por exemplo: o desenho. programar atividade de grupo que obrigue os alunos a mudarem de local na sala. embora seu principal objetivo seja levar a um desenvolvimento da criatividade. ou outro material que julgar conveniente. é o seguinte: orienta-se a classe para a atividade que vai acontecer. bem como à produção de grande número de idéias em curto prazo de tempo. procurando chegar à diversas idéias comuns. desde que tenhamos espaço físico suficiente. Certamente haverá muita reclamação por parte dos alunos que não estão acostumados a esse tipo de comunicação. Ao que responderemos que desejamos apenas desenvolver outros tipos de comunicação que. pedindo aos alunos que. dá-se a palavra ao grupo para se explicar. o que favorece muito mais a participação dos alunos nas aulas. Seu funcionamento. e fazer esse deslocamento aproximando-se dos mais variados alunos e ocupando os espaços da sala de aula diversas vezes durante a exposição. com plena liberdade. se o professor for dar uma aula expositiva. ela permite um desbloqueio. com pincéis atômicos para os desenhos.

de absorvê-las para reproduzir futuramente. Certa vez. os professores a usam para transmitir e explicar informações aos alunos. sua escolha deverá se orientar pelos critérios básicos de seleção: adequação ao objetivo de aprendizagem pretendido e eficiência para colaborar na consecução deste. E num processo contínuo. anotar. então. sem se preocupar com nenhuma ordem ou organização. postos de saúde. em geral. Como toda e qualquer técnica. Vamos começar com técnicas que. os sentimentos negativos com relação ao tema. a desatenção e o desinteresse pelo assunto. institutos de pesquisa. de preferência com os alunos. permitindo que em seguida se entrasse para a discussão do tema com mais tranqüilidade. novas experiências e com maior abertura para aprender. vale a pena recordar que a aula expositiva pode responder a três objetivos: abrir um tema de estudo. ambulatórios. isto é. Estes têm uma atitude de ouvir. buscando e discutindo novas informações. são usadas em ambientes presenciais. próprio da era tecnológica que estamos vivendo: o ambiente virtual de aprendizagem. quando o tema foi “Avaliação”. o coloca em uma situação passiva de receber e em condição que em muito favorece a apatia. o professor poderá mostrar porque não se incluem essas sugestões no trabalho realizado. justamente para incentivar as manifestações sem censura e total liberdade de associação. o professor apresenta um tema ou uma palavra que seja provocador(a) e instigante. em um curso de formação de professores. ou eliminar as que não possam ser colocadas em prática (o critério depende do tema proposto para a atividade). Em geral. e assim por diante. se identificar tudo que seja possível acerca do que está registrado na lousa. tema em geral carregado de ansiedades e experiências negativas. os aspectos pejorativos. prática clínica ou profissional em clínicas. visitas técnicas. Por tais razões. fóruns. escritórios. escrevendo-a na lousa. Decorrido cerca de dois a três minutos (ou seja. empresas. 1. juntamente com o grupo. Para esse ambiente também dispomos de técnicas específicas que precisamos comentar. que idéias são mais próximas do tema ou do conceito que a palavra escrita contém. Poderão surgir idéias que nada tenham a ver com o tema ou a palavra proposta. Imediatamente se iniciam as verbalizações que o professor vai registrando na lousa. Será interessante deixá-las por último para que os próprios alunos cheguem a essa conclusão. por exemplo. escolas. precisamos distinguir técnicas que poderão ser usadas em ambientes “universitários”. biblioteca. congressos. o professor vai construindo o conceito ou o tema utilizando as colaborações apresentadas. o brainstorming foi muito importante para se expor às defesas. e sem fazer nenhum comentário a favor ou contra. De que técnicas dispomos para dar sustentação a uma disciplina durante um semestre ou um ano? Tratando-se de ambientes presenciais em que a disciplina será ministrada. excursões. quando a aprendizagem se efetiva em ambientes próprios da atividade profissional para a qual o aluno está se preparando: estágios. um tempo não muito extenso). em geral. Didática do Ensino Superior . mas. laboratórios. ao redor da palavra ou do tema escrito. começa a organizar as manifestações solicitando agora a participação para. Aula expositiva Trata-se de uma técnica que a maioria absoluta dos professores do ensino superior usa freqüentemente. Não podemos nos esquecer de que hoje dispomos de outro ambiente de aprendizagem. por vezes perguntar. o aspecto emocional apareceu aí e pôde ser trabalhado. Se não perceberem. das técnicas que poderão ser utilizadas em ambientes “profissionais”. Enfim. fazer uma síntese após o estudo do assunto procurando reunir os pontos mais significativos e estabelecer comunicações que tragam atualidade ao tema ou explicações necessárias. Essa atitude do aluno. hospitais.17 Combinado o procedimento. evitando inclusive que suas reações às verbalizações sejam percebidas. o professor encerra as manifestações e. ou agrupar as idéias por alguma semelhança. em geral. ou seja. técnicas que poderão ser usadas em salas de aula.

livros e revistas em bibliotecas. Por que descartei dos objetivos da aula expositiva a transmissão cotidiana e contínua de informações ao aluno? Por uma razão: as informações básicas e fundamentais para a aprendizagem do aluno. Quando um estudo é realizado por diversos grupos. Essa preleção pode servir para motivar os alunos ao estudo do tema. ressaltar aqueles mais importantes e sintetizar informações de difícil acesso aos alunos. aprenderá a ler e compreender o que os autores escrevem e resolver as dúvidas. dar vida a um conteúdo que pode parecer frio e desinteressante e orientar a realização do estudo propriamente dito do tema. desenvolverá mais o raciocínio e a capacidade de pensar e trazer sua contribuição. Fazer uma síntese do assunto estudado. bem como possibilitará ver a síntese feita pelo professor. preparar uma piada. O professor pode expor recentes descobertas. quando o professor for usar a aula expositiva como técnica. ou novas teorias. ou mesmo aprenderá a ler livros de sua área. o professor pode transmitir ao aluno explicações sobre os pontos difíceis. Se o aluno for incentivado a buscar as informações. ou não ficaram suficientemente claros. encontram-se em fontes acessíveis a ele: livros-texto. Pela preleção. Preparar uma notícia de jornal ou revista atual que poderá usar em determinado momento para chamar a atenção dos alunos. mas de fazer uma síntese conclusiva sobre o tema. um exemplo ou caso bem adaptado ao que expõe. Mas observe: não se trata de repetir todas as informações estudadas. Para incentivar o aluno a buscar informações. para não cansar os alunos e favorecer a divagação. o que lhe será útil para o resto de sua vida. matérias do curso. aprenderá a fazer uso dela. etc. atualizando o conhecimento existente nos livros-texto ou em publicações acessíveis ao aluno. tais como pesquisas. Na preparação da aula expositiva.. para garantir que haja clareza e seqüência nas idéias. jornais. conforme explicamos acima. o professor apresente um cenário bem amplo em que se coloca a importância. Será interessante porque os alunos já dominam o assunto.18 Abrir um tema de estudo: por vezes é importante que. ele conhecerá a biblioteca. em geral. é preciso que se lembre de algumas medidas indispensáveis para prepará-la e ministrá-la. há que se trabalhar de forma diferente com a leitura fora de aula e o uso de técnicas dinâmicas em aula. exemplos etc. a buscar informações. de pesquisa ou de leituras. escolhendo linguagem. ou um caso hilariante para alegrar e minimizar a tensão durante a fala. bem como suas relações com outros assuntos. como veremos adiante. Isso demandará um tempo de mais ou menos 20 minutos. Considerar que há limite de tempo. é interessante uma aula expositiva para recuperar esses aspectos de uma forma sintética. Planejar a seqüência em que fará a explanação. uma vez que tais encontros se tornarão essenciais para a compreensão total do assunto. mais que de alguma forma se perderam durante uma discussão ou um debate. perguntas para formular aos alunos durante a explanação a fim de ativar a participação ou atenção dos alunos. Estabelecer comunicações que tragam atualidade ao tema ou explicações necessárias. a atualidade do estudo a ser feito. Aprenderá a ser mais ativo em seu processo de aprendizagem e a valorizar mais o encontro com o professor e seus colegas. sem cair em digressões. ou apresenta vários aspectos que precisam ser considerados. ao se iniciar um tema. com o exercício profissional. por exemplo: atividades de grupo ou individuais. ou é resultado de contato com especialistas. para o que se utilizará de outras técnicas. No entanto. Didática do Ensino Superior . de acordo com os alunos.      Ter claro o objetivo da aula. ou colhidas em fontes diversas. Considerar a classe para quem vai se dirigir. revistas etc.

Nada mais frustrante para o professor e para o aluno do que chegar a uma sala com tudo preparado para a aula e o recinto não se mostrar apropriado. mesmo que seja para resolver mais rapidamente a questão apresentada.  Ao se dar aula expositiva propriamente dita. na categoria de “recursos” e não de elementos principais. Afinal. fazer perguntas. Inclusive o próprio professor precisará se policiar para não interferir a todo instante e com grande tempo de manifestação. ou de se comentar uma notícia de jornal. Como realizar essa técnica? Didática do Ensino Superior . Debate com a classe toda O objetivo principal dessa técnica é permitir ao aluno expressar-se em público. Utilizar-se livremente de recursos auxiliares à palavra para se fazer entender ou para manter o interesse e a atenção dos alunos. trazendo o material preparado para discussão. Permitir ao aluno valorizar o trabalho de grupo. respeitar opiniões diferentes da sua.    2. ou mesmo. utilizar esses indícios para re orientar sua própria exposição: é o momento de uma pergunta à classe. ou de abrir uma janela para conseguir mais ventilação. o tema indicado pelo professor deverá ser preparado pelos participantes do debate com leituras e pesquisas anteriores. Todos deverão ter oportunidade para fazer o uso da palavra. pedindo deles um feedback sobre a clareza do que está expondo. prepará-los apenas com imagens. Esse comportamento pode comprometer os objetivos da própria estratégia. mantendo-os. apresentando suas idéias. Evitar considerar as distrações dos alunos afronta pessoal ou desrespeito. Dirigir-se pessoalmente aos alunos. mediante a apresentação de um problema. porém. por vezes. há condições para o uso dos recursos. observar alguns pontos:    Deixar bastante claro para os alunos qual é o objetivo daquela aula. suas experiências e vivências. Considerar o ritmo da classe para tomar notas. a aula expositiva exige do aluno uma posição passiva. Procurar ganhar a atenção dos alunos de início. no espaço físico onde a aula será dada. refletir sobre o que está ouvindo. que ajudem na explicação ou permitam o debate e a discussão. argumentar e defender suas próprias posições.se pela sala. Preparar com antecedência os materiais e recursos necessários para a aula e verificar se. tabelas. apresentar os pontos difíceis mais devagar. em vez disso. percebendo como a discussão entre todos e as experiências de todos são mais ricas do que as de uma só pessoa. Há alguns pressupostos básicos para o funcionamento dessa técnica:    o professor deve dominar bem o assunto sobre o qual se dará o debate. comunicar. calcular muito bem o número a ser usado: poucos. Nunca usar um número excessivo que praticamente substitua a aula expositiva. nem sempre fácil de se manter. ou repetindo o mesmo conceito ou idéia sob diferentes formas. de contar uma piada. Quanto a slides. evitando o monopólio das intervenções por parte de alguns apenas.19  Se for usar slides ou transparências.se com os alunos. o professor deverá garantir a participação de todos. e. ouvir os outros. bem escolhidos. suas reflexões. permitir pausas rápidas para uma comunicação entre os próprios alunos. olhando-os nos olhos um a um. dialogar. e para isso locomover. de uma pergunta ou de um desafio. até por vezes pela própria iluminação natural que impede o uso de recursos audiovisuais. gráficos ou itens indicativos e nunca com textos longos para serem lidos durante o tempo todo.

e então o caso será apresentado antes dos estudos teóricos. no qual havia situações conhecidas e desconhecidas dos alunos. buscar informações necessárias para o encaminhamento da situação-problema. ou habilidades. Simulada. e assim por diante. trazer o grupo de volta ao tema central sempre que houver dispersões. integrando teoria e prática. jogos de empresa). e então o aluno já dispõe das informações básicas para resolver o caso. incluir a possibilidade de discussão entre os colegas na busca de solução. administrar o tempo e orientar para que. No dia do debate. sugere leituras e bibliografia básica e orienta para que se estude o assunto e se façam anotações. Ou poderá ser empregada como elemento motivador para aprendizagem. ser capaz de aprender a trabalhar em equipe. apresentar questões. E a experiência foi um sucesso de aprendizagem segundo o depoimento do professor. buscando uma solução para o problema. ou valores.20 O professor em data anterior ao debate escolhe um tema. As questões conhecidas permitiram revisão de matéria. ao final do debate. levantar dúvidas de compreensão do assunto. se possa chegar a algumas conclusões para seu fechamento e para as questões não ficarem no ar. se a técnica. expõe o tema. e muitos deles já se encontram em sites ou em outros programas de computação (por exemplo. Como usar essa técnica? Ela pode ser usada após o estudo de um conteúdo. O coordenador do grupo estará atento para contornar monopolizações. fixa um tempo para a atividade e abre a palavra aos participantes. Hoje encontramos estudos de caso ou cases. tendo por objetivo a aprendizagem de determinados conceitos. formular perguntas. Didática do Ensino Superior . a juízo do professor. mediante a aprendizagem em ambiente não ameaçador (sala de aula). Real. sugiro o emprego de outra técnica. ou em discussão em duplas ou trios com os colegas usando as mesmas fontes. Daí para a frente procurará garantir a palavra a todos para fazer comentários. “compõe” uma situação simulada com vários aspectos reais. ou solicitando auxílio do professor quando absolutamente necessário. ou teorias. A técnica em geral é bem-sucedida com pequenos grupos. incentivando o aluno a buscar as informações necessárias para a solução do problema ou na bibliografia de que dispõe. fazer uma análise diagnóstica da situação. complementar comentários do colega. Conheci a experiência de um professor de Contabilidade que organizou todo o conteúdo de um bimestre num estudo de caso simulado para ser resolvido. como costumam ser denominados em quase todas as áreas de conhecimento. por exemplo. aplicar as informações à situação real. levando em conta as variáveis componentes. o painel integrado sobre o qual falaremos adiante. Apresenta maior dificuldade quando realizada com grandes grupos. quando o professor. Nessa situação. como aplicação prática da teoria estudada. O assunto novo era por demais árido e difícil. quando o professor toma uma situação profissional existente e a apresenta aos alunos para ser encaminhada com soluções adequadas. as desconhecidas motivaram os alunos a aprenderem trabalhando em aula e fora dela. o professor ocupará o papel de mediador. 3. desenvolver a capacidade de analisar problemas e encaminhar soluções e preparar-se para enfrentar situações reais e complexas. permitindo um debate com a própria máquina para a sua solução Qual é o objeto dessa técnica? O que ela ajuda a aprender?       entrar em contato com uma situação real ou simulada de sua profissão. Estudo de caso Essa técnica tem por objetivo colocar o aluno em contato com uma situação profissional real ou simulada.

ordem. se forem casos diferentes. bibliografia a ser consultada. revistas. reformulá-las e tirar conclusões. com especialistas de seu curso e de outras instituições mediante entrevistas. como vai organizá-las e interpretá-las. analisar. comprová-las. entrar em contato com as mais diferentes fontes de informações (livros. sua validade. Essa é uma estratégia que pode ser usada uma vez no semestre ou duas no ano. organizar. É a pesquisa se iniciando já na formação dos profissionais contemporâneos. sites etc.      Também precisa ficar claro que a técnica só pode ser levada a efeito se o professor estiver disposto a orientar seus alunos nessa atividade. comparar. Tempo esse que será em pequena parte dos momentos das aulas e em grande parte de momentos fora das aulas. Quais são as etapas dessa estratégia?  Motivar os alunos a participarem da atividade. Didática do Ensino Superior    o . a abrangência da experiência será bem maior. metodologia de pesquisa. discutindo com eles no que consiste a pesquisa. é uma técnica que permite o desenvolvimento de várias aprendizagens:   tomar iniciativa na busca de informações. ou porque os processos de solução podem ser variados. Dividir a turma em pequenos grupos. Não será suficiente “mandar o aluno fazer pesquisa”. Além disso. a riqueza de aprendizagem que encerra. checá-las. periódicos. músicas. dado o tempo que ela consome. precisão cientifica. elaborar um relatório com características científicas. ou seja. Sempre será interessante um plenário para se discutirem as soluções encontradas visando ao enriquecimento do grupo. ficando cada um com um aspecto do assunto a ser pesquisado ou com um tema próprio.. pode-se trabalhar com um único caso ou com casos diferentes. internet. com que método vai trabalhar para coletar informações necessárias para responder ao problema. anais de congressos. ou porque. Discutir os critérios para a escolha do assunto ou da situação a ser pesquisada. selecionar. seus elementos e sua organização: o o definição precisa de um problema. oralmente ou por escrito. e-mails etc. levantar hipóteses. dados e materiais necessários para o estudo. lembrando que a pesquisa pode ser bibliográfica. aceita e defendida por todas as instituições de ensino superior. comunicar o resultado obtido com clareza.) e com os mais diversos ambientes informativos (bibliotecas. a importância e como se relaciona com a aprendizagem que se está desenvolvendo naquela disciplina e naquele semestre. correlacionar dados e informações.). 4. Apresentar e discutir com os alunos o que vem a ser um plano de pesquisa.21 Em qualquer das duas hipóteses (usar o estudo de caso como prática do que foi estudado ou como motivador para a aprendizagem). fotos etc. Será necessário orientar como se faz uma pesquisa e acompanhar sua realização. ou porque é possível que as soluções sejam diferentes. Ensino com pesquisa Trata-se hoje de uma estratégia fundamental para a melhoria da qualidade dos cursos de graduação. fazer inferências segundo dados e informações. de campo ou incluindo ambos os aspectos.

5. Ensino por projetos Essa técnica apresenta um aspecto diferente das que a precederam. que dão indicações detalhadas sobre o como realizar trabalhos desse tipo. No estudo do caso. tempo. relacionar as disciplinas entre si encaminhando para uma atitude interdisciplinar e para um exercício de integração dos conhecimentos de diferentes áreas. A finalização dessa atividade Didática do Ensino Superior . ações. ora no final de uma aula. de tal forma que a realização e integração de várias etapas apresentem o projeto concluído. recursos e estratégias. relatórios de discussão do grupo. Em princípio. lembrando que há várias publicações. se o plano de pesquisa estabelecido está sendo cumprido. se estão no caminho correto ou se desviando muito do tema da pesquisa. responsabilidades. O encaminhamento dessa técnica é muito parecido com o procedimento da técnica do “ensino com pesquisa”. perdendo assim a possibilidade de ajudar o aluno a aprender mediante a elaboração de um projeto. cartazes ou outras formas que incentivem a participação de todos os alunos. se reunir com o grupo para acompanhar o desempenho deles na pesquisa. debater com colegas os resultados obtidos nas várias pesquisas. elaboração do relatório científico. elaborar relatório científico. Sugere-se que essa comunicação seja dinâmica. respondendo às hipóteses. PowerPoint. e o professor procurará sempre orientar para o objetivo daquela pesquisa e analisar com eles o tempo que vem sendo empregado. as etapas de realização do projeto. A outra questão apresenta-se muito mais séria: a atitude do professor será a de um orientador de pesquisa. O professor deverá orientá-los e. participantes. de tempos em tempos. Comunicar os resultados a toda a classe e discuti-los em seguida. com linguajar adaptado aos alunos. paralelamente às outras atividades do semestre. O tempo de aula usado será algumas vezes para orientar o trabalho de pesquisa e para a comunicação final. evitando vir a tomar conhecimento do resultado apenas no final do tempo estabelecido para tal. Em que tempo? Ora marca-se uma orientação durante o intervalo do cafezinho. os alunos não sabem pesquisar. indicando os objetivos a serem atingidos (situação ideal futura). partindo de uma análise diagnóstica. Outro objetivo é ajudar o aluno a relacionar a teoria com a prática. O objetivo do ensino por projeto é criar condições para que o aluno aprenda a propor o encaminhamento e desenvolvimento de determinada situação. Poderá envolver só uma disciplina ou integrar várias delas em sua realização. Evidente que o projeto proposto poderá ser mais simples ou mais complexo. Desenvolver atitude prospectiva e habilidade de planejamento diante de uma situação também faz parte dos objetivos.22 o o o o  escolha de procedimentos a serem usados. Aliás. organizando um sistema de acompanhamento de avaliação e feedback. no ensino com pesquisa aprende a pesquisar. propiciando uma experiência integrativa de conhecimento e uma experiência de interdisciplinaridade. coleta de dados e sua respectiva análise. Trata-se de uma estratégia do alto alcance no que diz respeito às aprendizagens profissionais. ora se destina o tempo de uma aula para orientação de todos os grupos. O professor poderá solicitar que cada aluno (se o projeto for individual) ou cada grupo escolha um projeto que seja de seu interesse. e para cada uma delas estabelecendo metas parciais. que é profundamente interdisciplinar. Grande parte dele fora de sala de aula. Duas questões sempre aparecem quando discutimos esse assunto: haverá tempo suficiente para se fazer um trabalho como esse? Qual será o comportamento do professor durante a atividade? Tempo para essa atividade: de dois a dois meses e meio. E nessa orientação o que se faz? Observa-se se todos estão pesquisando. o aluno aprende a resolver problemas. É necessário também orientar para a elaboração do relatório final. usando pôsteres. os fichamentos do material lido. realizar a conclusão. esta última forma de realizá-los é mais condizente com a realidade profissional. Discutirá com o grupo os passos para a realização do projeto e acompanhará a elaboração deste de forma contínua.

um grupo de alunos do curso de Direito participa de um júri em que um faz o papel do advogado de defesa. dialogue com os outros para resolver o problema apresentado. de tal forma que. Dinâmicas de grupo Ao analisarmos a utilização de estratégias envolvendo um grupo de alunos. organiza-se uma equipe com membros diferenciados e pede-se que todos. alunos do curso de Odontologia participam de uma equipe de consultório em que um faz o papel da secretária. alunos do curso de Economia e Administração formam uma equipe para discutir os novos rumos de uma empresa. procure ter as reações e atitudes próprias daquele personagem. outro de aluno. Cria-se uma situação-problema. outro do promotor. o segundo do médico e o terceiro do observador. outro do professor. debatendo e discutindo os vários aspectos do tema. Esses exemplos mostram como alunos podem aprender desempenhando papéis próprios de suas realidades profissionais. aquisição de habilidades de relacionamento inter pessoal. com debate sobre cada um deles. outro do supervisor. relacionando-os com seus conhecimentos e suas experiências. outro é o contador. É uma técnica mais voltada para o desenvolvimento de habilidades e atitudes dos alunos. na prática. outro pela pesquisa de mercado. defenda as posições próprias daquele papel. São objetivos dessa técnica: que seus participantes desenvolvam a empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro. outro pelo marketing. para que todos possam aproveitar dos trabalhos realizados por cada grupo ou aluno e desenvolver assim suas aprendizagens. um terceiro do auxiliar. Quais são estes objetivos que poderemos desenvolver?  A capacidade de estudar um problema em equipe. Para que a aprendizagem aconteça é fundamental que cada elemento assuma integralmente seu papel. isso é. outro do juiz. seja pequeno ou grande. A apresentação também é um momento de aprendizagem e não apenas um encerramento de trabalhos. e assim por diante. outro do pai de aluno. outro do paciente. na qual um deles faz o papel do doente. ao término do trabalho em grupo. cada um defendendo seu papel. O que isto quer dizer: elas deverão trazer algumas vantagens diferentes das técnicas usadas para aprendizagens individuais e colaborar para outras aprendizagens que não seremos capazes de obter apenas individualmente. outro do secretário. o primeiro aspecto a que precisamos estar atentos é o fato de tratar-se de técnicas coletivas. 6. considerando determinados conteúdos já estudados ou sendo estudados naquele momento.23 deverá contar com a apresentação dos projetos para toda a turma. 7. trazendo sua colaboração. que possam trabalhar com valores como desenvolvimento pessoal. um quarto pela matéria-prima. o que não impede que ocorra. como profissional diante das questões colocadas. outros do júri. Além disso. na qual um é o dono. o que é fundamental para nossas atividades profissionais). outro do cirurgião-dentista-chefe. Essa estratégia em muito incentiva a participação dos alunos e permite avaliar de que modo ele se comporta. outro é o responsável pelas finanças. a capacidade de desempenhar papéis de outros e de analisar situações de conflito segundo não só o próprio ponto de vista. outro do protético. ouvindo as contribuições dos colegas. independência social e sensibilidade a situações grupais. comporte-se como tal. outro do bedel. consciência de si mesmo. mais também o de outras pessoas envolvidas. outro do réu. alunos do curso de Pedagogia ou Licenciatura participam de uma reunião numa escola para definir o planejamento do ano. na qual um faz o papel do diretor. outro pelo contato com os clientes. cada participante possa ter Didática do Ensino Superior . outro do servente. ampliando seu universo intelectual. Desempenho de papéis (dramatização) Consideremos alguns exemplos: alunos do curso de Medicina participam de uma situação simulada de entrevista com um paciente.

O melhor é dar aula expositiva!”. Aprofundar a discussão de um tema. e chegar-se a um ponto mais avançado e significativo da aprendizagem. considerarmos ao menos algumas das regras básicas para o bom funcionamento de um grupo: Que todos os participantes tenham muita clareza sobre qual é o objetivo daquela atividade em grupo. Pela mesma razão é desaconselhável que se permita ao aluno que não preparou o material participar da atividade de grupo. Que se distribuam funções entre os participantes: Didática do Ensino Superior . E. a fim de se encontrar apto para aproveitar a continuidade das atividades. no ensino médio e se repete no ensino superior. Se. sua verbalização. para além daquele aonde se chegaria sozinho. Para isso supõe-se sempre uma preparação prévia de estudo individual sobre o tema a ser discutido. de um lado. se o aluno não preparou o material proposto. Ele poderá se aproveitar das contribuições dos outros. seu relacionamento em equipe e sua capacidade de observação e crítica do desempenho grupal. hoje uma das exigências para atividade de qualquer profissional. A ausência dessa preparação faz com que o encontro dos grupos. então. Se houver muita dificuldade. em particular. onde se pretende chegar? Para garantir tal clareza sugere-se que alguém do grupo verbalize o objetivo e ele seja discutido até que se tenha um consenso sobre ele. o professor deve ser chamado para explicar melhor o objetivo.  A capacidade de discutir e debater. não lhes foi ensinado um conjunto mínimo de regras necessárias para que um grupo possa funcionar bem. as experiências e os conhecimentos prévios dos alunos sobre o assunto são interessantes para o debate. uma preparação imediata com leituras indicadas pelo professor ou sugeridas pelo aluno com aprovação do professor é fundamental para o êxito da dinâmica de grupo. Certamente conhecemos uma vasta literatura sobre dinâmicas de grupo que contém algumas regras básicas para se realizar bem a atividade grupal. este é o primeiro a dizer. acredito ser importante fazer ainda uma consideração: na maioria das vezes os professores “mandam” que os alunos façam uma atividade em grupo. Isso aconteceu no ensino fundamental. Com efeito. superando a simples justaposição de idéias. Confiar na possibilidade de aprender também com os colegas (além do professor) a valorizar os feedbacks que eles podem lhe oferecer para a aprendizagem. o debate. se transforme num bate-papo sem interesse e sem perspectiva de maiores aprendizagens. Esse ponto é fundamental para se evitar a dispersão e o fato de que cada aluno apresentar suas contribuições num sentido diferente do outro.      Antes de descrever algumas dinâmicas de grupo. Aumentar a flexibilidade mental mediante o reconhecimento da diversidade de interpretações sobre o mesmo assunto. Mas penso que vale a pena. nesse espaço. É só solicitar que cada um coloque numa folha de papel suas idéias para que depois então as reunamos em um texto comum.24 avançado e aprendido mais com relação ao tema em pauta do que se tivesse estudado sozinho. Em nenhum desses momentos houve preocupação de que os alunos aprendessem a trabalhar em grupo. mais não trará a sua própria colaboração e. em geral. “É. atua mais no sentido de dispersão do grupo. chegando a conclusões. Portanto. Valorizar o trabalho em equipe. durante o período da atividade de grupo. para que cada um exponha suas idéias a outros e depois se faça uma síntese dessas contribuições não há necessidade de dinâmica de grupo. A sugestão. quando as atividades grupais não saem a contento do professor. é no sentido de que o faça. trabalho em grupo não adianta mesmo. para que tenhamos um trabalho de grupo é fundamental a discussão. Ter oportunidade de desenvolver sua participação em grupos. por vezes.

a PEQUENOS GRUPOS COM UMA SÓ TAREFA: divide-se a classe em pequenos grupos e atribui a cada um uma tarefa. com base nas quais os próprios alunos e o professor fazem comentários que completam as respostas. o professor pede que cada dupla leia sua pergunta. Um cronometrista para acompanhar o tempo para a atividade. Em geral. administre o tempo dado para evitar que este se esgote e o grupo não chegue ao objetivo esperado. não permitindo que a tarefa fique inconclusa por distração quanto ao tempo. alerte quando as repetições se fizerem presentes. 7. É o que diz minha experiência de mais de 30 anos de docência no ensino superior. as atividades se completam ou se contradizem. ou “não é solicitado pelo professor”. sendo que cada um realizará uma atividade diferente. nós e os alunos. que o trabalho de grupo pode ser muito eficiente e eficaz e ajudar de modo significativo a aprendizagem. Vamos considerar alguns exemplos de dinâmica de grupo: 7. procurando levar o assunto adiante a não tomar uma atitude de repetição do que já foi discutido anteriormente. o professor e os colegas dos outros grupos ficam sem este feedback. Ao final de todas as respostas. O grupo. pedirá que quem tem questão próxima ou parecida se apresente para lê-la com a devida resposta e assim por diante. as idéias. Uma forma simples. Por exemplo. fecha-se a atividade com a apresentação em plenário das tarefas realizadas por todos os grupos. esse relatório é a materialização dos resultados obtidos e dos avanços do grupo na discussão proposta. para outro grupo pedirá que levante experiências concretas referentes ao tema Didática do Ensino Superior . decisões e conclusões ficam soltas no ar.b PEQUENOS GRUPOS COM TAREFAS DIVERSAS: a turma é dividida em pequenos grupos. estimule outro a participar. evite repetições (ficar “amassando barro”). Para cada uma o professor entrega uma pergunta a ser respondida em tempo curto. entrando em conflito e exigindo um debate posterior em seu fechamento. o que dificulta perceber se o objetivo do grupo foi alcançado ou não e até onde se avançou. e assim por diante. dez minutos. por exemplo. em geral. o que nos impede de avaliar a aprendizagem. Que a discussão do grupo em suas idéias principais e nas suas conclusões de grupo seja registrada em um relatório por escrito ou em outra forma. um relator que anote as manifestações dos participantes. é solicitar que no decorrer desta se leia um texto e formem-se duplas. Poderá fazer link com outras perguntas que virão. Trata-se de uma forma bem simples de começar a desenvolver com uma classe a habilidade de trabalhar em equipe. se observarmos ao menos essas poucas regras e a colocarmos em pratica vamos perceber. Sua função não é responder às questões ou dar as respostas esperadas. empreste dinamismo à discussão. embora possa e deva participar também como outro membro qualquer do grupo. estudar o mesmo caso e dar-lhe uma solução. corrigem-nas ou ampliam-nas. organize as idéias e primeiras conclusões de tal forma que facilite a elaboração de um relatório final. fazer uma síntese de um mesmo texto. Em qualquer dinâmica de grupo.25  Um coordenador que esteja atento para que todos possam se manifestar e a palavra na seja monopolizada por um ou alguns dos membros do grupo. Com efeito. Fim do tempo. responder a uma ou duas questões sobre o texto lido apresentadas pelo professor. sobre um assunto qualquer o professor apresenta dois ou três artigos ou autores que pensam de modo diferente e pede que um grupo resuma os pontos teóricos centrais de cada autor ou de cada teoria. a turma terá estudado o assunto de modo mais proveitoso do que se apenas ouvisse o professor falar sobre ele. quando necessário corte a palavra de alguém.   Que cada participante do grupo se disponha a ouvir seu companheiro de tal que suas contribuições sempre dêem continuidade ao que se manifestou antes. por exemplo. Quando ele não ser faz. a ponto de os alunos se motivarem a se preparar anteriormente para não perdê-las. responda-a e em seguida ele pode abrir para comentários do grupo todo e inclusive para sua participação. mais que dinamiza uma aula.

debatendo pontos que ficaram obscuros. e desenvolve a responsabilidade pelo processo de aprendizagem próprio e do colega. dividi-se a classe em grupos de cinco ou no máximo seis elementos. o professor. com no máximo cinco pessoas. 3. o professor se colocará em alguns dos grupos reunidos e ouvirá.c PAINEL INTEGRADO OU GRUPOS COM INTEGRAÇÃO HORIZONTAL OU VERTICAL. corrigir ou aperfeiçoar. é uma técnica que pode ser usada com classes pequenas e com classes numerosas: sempre serão cinco ou seis alunos trabalhando em grupo. É uma técnica que permite o desenvolvimento de varias habilidades. sublinhando outras. o que estará sendo trazido de cada um dos grupos anteriores para este novo grupo. As conclusões serão explicadas e discutidas e poderão até ser modificadas pelo novo grupo a luz das outras questões que lhes serão trazidas. O resultado da discussão deverá ser anotado por todos. normalmente o professor sugere um ponto mais amplo que possa englobar as varias discussões e leve o assunto para um âmbito mais geral. e estes se sentarão no circulo do centro. o papel de levar informações corretas de um grupo para o outro manifesta a responsabilidade do aluno para com o outro grupo.d GRUPO DE VERBALIZAÇÃO E GRUPO DE OBSERVAÇÃO (GVGO). integrarão a compreensão do assunto e enriqueceram as experiências dos alunos. 6. o professor decidirá se deve intervir e como intervir: corrigindo alguma informação incorreta. no centro. saberá o que esta sendo informado em todos os grupos e poderá completar. No segundo momento reunem-se os números 1 de todos os grupos. ou os números 2. A troca de informações é garantida pela presença de um componente que participou da discussão do primeiro momento e trouxe para este grupo as conclusões do grupo anotadas. uma vez que não se pode confiar apenas na memória. ou em experiências próprias. Outro maior (o restante do grupo) circulando o primeiro. observar. O terceiro momento será o do professor. e distribui-se entre os membros do grupo um número de 1 a 5 ou 1 a 6. Indica-se a tarefa a ser realizada e o tempo que poderá ser gasto para tanto. Seu funcionamento exige que se formem dois círculos concêntricos. Ela se realiza em três momentos. Trata-se de uma técnica que favorece em muito a participação dos alunos. que aponte questões importantes que merecem ser ouvidas. tais como: verbalizar. debatidos. Por exemplo. Deverão falar Didática do Ensino Superior . ouvir. formando-se agora vários grupos que realizarão duas outras atividades: trocar informações relatando o que aconteceu no primeiro grupo e fazer nova discussão.26 em discussão. Terão 15 minutos para fazer a discussão e fechá-la. De posse dessa informação. e a um terceiro. No primeiro. discutidas por toda a classe. A nova discussão acontecerá ou mediante uma nova questão apresentada pelo professor. acompanhando qualquer grupo do segundo momento. ou como resultado dos debates sobre as questões já estudadas. Para o bom funcionamento da técnica é importante que o professor tome alguns cuidados de organização: uma previsão adequada e um controle rígido do tempo de cada momento. 7. Ninguém poderá intervir no debate. Essas estratégias apresentam algumas vantagens: exige a participação de todos. durante o segundo momento. cada grupo deverá ter lido e discutirá um capitulo de um livro. 4. 7. e durante esse tempo somente os cinco poderão verbalizar. levando aleatoriamente os alunos a se encontrarem com colegas junto aos quais até este instante não haviam trabalhado e que nem conheciam. Com efeito. Aliás. pessoal e grupal. que o tipo de discussão a ser realizado possa ser acompanhado igualmente por todos os participantes. É uma técnica que pode ser mais bem usada com grupos de até 35 pessoas. que cada participante saia do primeiro grupo com anotações sobre as conclusões que deverá levar para o segundo grupo. Convidam-se 5 voluntários para participar da atividade. 5. A eles será dado um tema para discussão que poderá basear-se em texto indicado previamente para a leitura. ampliando terceiras. sem participar da discussão. trabalhar em grupo. facilitando o encaminhamento para aplicações concretas. Dessa forma ele estará se informando sobre o que está sendo trabalhado em todos os grupos. O fechamento dessa técnica deverá trazer ao plenário os aspectos diferentes que. um menor. dialogar. é uma forma de naturalmente se quebrarem “as panelas” existentes nas turmas.

analisar e avaliar argumentação. se o grupo procura se organizar em relação a tarefa solicitada. 7. Antes de começar a atividade de grupo. Os elementos do lado de fora permanecem em seus lugares. No segundo encontro cada um expõe ao outro seu aspecto do tema e o aspecto que ouviu de seu par no momento anterior. os elementos de fora e de dentro têm aspectos diferentes sobre os quais vão dialogar por um espaço de três a quatro minutos. Essa técnica de modo especial é apropriada para desenvolver a capacidade de argumentar. discutir etapas de um projeto. Exemplos de aspectos a serem observados: se o grupo verbalizador está usando todos os conceitos do texto lido. Vamos supor que o nosso tema fosse processo de aprendizagem. e produzir argumentos. aprendizagem de adultos. na parte interna voltados uns para os outros (de frente um para o outro) formando pares.e DIÁLOGOS SUCESSIVOS. Dado um tema. ou sobre experiências pessoais que estão sendo trazidas. Inicialmente. explicitar características de uma teoria. outra metade. É uma técnica que pode funcionar com turmas grandes e pequenas. Terminado este tempo os elementos de dentro do círculo giram no sentido anti-horário e se encontram com um segundo elemento.se os conceitos aos alunos que estarão nos círculos e cada um falará sucintamente de seu conceito para outro colega e o giro dos círculos se inicia. papel do professor. aprendizagem continuada. apresentando as diferentes observações feitas e. Caso terminem a discussão antes dos 15 minutos avisarão ao professor. se todos os participantes têm oportunidade de falar. e assim por diante. porque os participantes dialogarão. o que depende do objetivo da estratégia. fixar e relacionar conceitos. pode se repetir na mesma aula ou em outra a mesma técnica GVGO com outros elementos para se verificar se a aprendizagem das habilidades esperadas foi alcançada por outros também. defender ou atacar determinadas posições e teorias. no máximo. distribuem. E assim por diante. de debater. Talvez seja necessário um exemplo para explicar melhor esta técnica. de ensino. O movimento leva a um conhecimento cumulativo e/ou a formas melhores de expressar a mesma idéia. Poderão todos observar os mesmos aspectos ou dividir aspectos a serem observados por pequenos grupos de cinco ou seis alunos que estão no grupo de observação. aprendizagem significativa. Poderá ser em relação a um conteúdo que está sendo discutido. o grupo de verbalização passa a ser um grupo de observação e o grupo de observação passa a ser um grupo de verbalização. depois. Didática do Ensino Superior . sempre baseandose em argumentos. cenas de um filme. Então. mais queremos fixá-los. se o grupo segue as mínimas regras de funcionamento de um grupo. somente o último grupo pode verbalizar. se há emprego adequado dos conceitos. contrapropor argumentos. passos de uma pesquisa. Quais elementos precisariam ser bem compreendidos e fixados? Conceitos de aprendizagem. por umas três ou quatro vezes. aspectos de um vídeo. Em seguida. de tal forma que todos trabalharão com os aspectos de forma cumulativa. Essa técnica é a mais apropriada para compreender. o professor orientará o grupo observador sobre o que deverá observar. se as experiências são semelhantes ou não. se estão relacionados os novos conceitos com conceitos já aprendidos.27 em voz bem alta para que todos ouçam.f GRUPOS DE OPOSIÇÃO. e ouve o aspecto de seu novo parceiro e o que ele ouviu de seu par anterior. Como funciona? Organiza-se a classe em dois círculos concêntricos: metade dos alunos na parte de fora. e assim por diante. ou em relação a variáveis de funcionamento do próprio grupo. Esses assuntos já foram abordados. 7. o professor pode abrir para um diálogo entre os dois grupos sobre as observações feitas. com quatro ou cinco colegas e cumulativamente poderão estar ouvindo até oito ou nove colegas sobre o tema. Passados 15 minutos.

Didática do Ensino Superior . poderá complementá-la. Com essa técnica. sendo que um deles tem por tarefa defender uma idéia ou encontrar as suas vantagens enquanto o outro deverá atacar a mesma idéia ou mostrar suas desvantagens. aprender com colegas. ler as respostas que o primeiro grupo deu e redigir agora sua resposta que poderá ser de acordo com a resposta do primeiro grupo. Como funciona? Uma semana antes se indica um texto a ser lido para o próximo encontro sobre um assunto que se está estudando. ou corrigi-la. cada grupo se reúne para organizar seus argumentos de acordo com a tarefa que lhe cabe. 7. então. poderá pedir que o grupo que ataca uma posição passe a defendê-la. mais escrevendo na mesmo folha. perguntas que revelem dúvidas ou não compreensão do texto. Por último. enquanto. Durante 15 minutos. Este terá 10 minutos para: ler as perguntas. então. habilidade de trabalhar em grupo. que poderá também concordar ou não com as respostas. Durante o debate o professor deverá inverter as posições dos grupos. sem as responder. em seguida. complementações por parte do professor. o grupo deverá ler. para um quarto grupo que falarão do mesmo trabalho. Eventualmente poderá se constituir um terceiro pequeno grupo que funcione como um grupo de juizes para julgar qual grupo conseguiu desempenhar melhor seu papel. Visando desenvolver uma agilidade maior de argumentação. Tudo isso sem rabiscar as respostas do primeiro grupo. É evidente que não serão aceitas perguntas que se retirem diretamente do texto e cujas respostas aí se encontrem com facilidade. Terminada a rodada a folha com as perguntas e as respostas dos três ou quatro grupos é devolvida ao grupo original que as formulou. No primeiro momento em aula. o professor está lidando com a competição entre grupos de classe. ouvir e dialogar com colegas. as perguntas respondidas são passadas para outro grupo. muitas vezes. Marca-se um tempo para essa atividade: vinte a trinta minutos. Claro que não é um seminário. debate e até um comentário do professor sobre as pertinências das perguntas: foram elas de fato inteligentes? Representaram os aspectos mais importantes do texto e do tema? Se não. tendo em vista manter um clima de abertura e de cooperação dentro dela. Terminando o prazo. porém. Passa-se para um terceiro e. no máximo. permitindo esclarecimentos possíveis. A leitura. todos possam se olhar. nem arremedo de seminário. o professor apenas assiste sem interferir. compreensão do assunto. e assim os demais grupos. tamas de grande atualidade. compreendê-las. cada grupo lê as perguntas e as respostas. mas apenas para dinamizar ou organizar a discussão quando necessário. Será preciso. Essa técnica é uma das mais dinâmicas para ser usada em aula e agrega em si a possibilidade de desenvolver vários aspectos de aprendizagem: aprofundamento de conhecimentos. Inicia o debate dando a palavra a um dos grupos e a partir deste momento vale o diálogo entre os grupos. Inicia-se uma das várias rodadas: o grupo que formulou as duas perguntas. aspectos importantes que se gostaria de ver estudados com mais profundidade. Essas perguntas deverão ser escritas em uma folha de papel sulfite. 7. com letra legível e com o nome do grupo que a formulou. e a que a defende. Este vai agora analisar as respostas dos grupos e. refletir se isso será ou não prejudicial para a dinâmica da turma. No dia da aula. dentro do mesmo tempo. passaas para o grupo mais próximo.g PEQUENOS GRUPOS PARA FORMULAR QUESTÕES. Em seguida. Dá-se essa denominação até para resumo de capítulos de livro feitos pelos alunos e apresentados para seus colegas em aula. deverá permitir que cada aluno traga para aula duas ou três perguntas inteligentes: isto é. Essa é uma técnica das mais comuns no vocabulário de professores de ensino superior ou de alunos.h SEMINÁRIO. redigir a sua. passe a atacá-la. A intervenção é ver como os alunos reagem em posições inversas. caberá ao professor mostrar os pontos não trabalhados. em plenário. formam-se grupos de 5 alunos cada um. O assunto indicado anteriormente foi estudado por todos individualmente. O professor ocupa o lugar do mediador. O professor não deverá entrar na discussão do tema. Dá-se um tempo de 15 minutos para que o grupo responda por escrito às duas perguntas que recebeu. compreender as dez ou no máximo 15 perguntas e selecionar duas. o professor pede que os dois ou três grupos se coloquem na sala de tal forma que todos vejam a todos.28 Seu funcionamento supõe a organização de pelo menos dois grupos de alunos.

Ele envolve professor (professores) e alunos no trabalho de pesquisa por dois ou três meses. de elaboração de relatório de pesquisa. abrindo possibilidades de participação também para os ouvintes conduzindo os trabalhos de tal forma que. Eu também já vivi esse drama. com um número de páginas que possa ser lido e estudado em uma semana (supondo que os encontros de aula sejam semanais). E. que não aparecem á primeira vista. preparação pessoal é indispensável para se aprender e participar de uma atividade coletiva de aprendizagem. podendo participar pedindo a palavra ao coordenador. o tempo previsto chegue a produzir um tema novo com base nos grupos de pesquisa. de comunicação. nas quais o professor apresenta de forma resumida e organizada um conteúdo necessário. Orienta os diferentes grupos informando que não se trata de uma atividade em que cada um vai apresentar um resumo de sua pesquisa. de fazer inferências e produzir conhecimento em equipe. teremos realizado um seminário. Por ocasião da realização do seminário. então. pois trabalham o dia todo ou fazem outras tantas atividades. ou porque “acham muito chatas essas leituras. vida nova. Então. em meus cursos. Leituras Todos nós professores consideramos bastante importante que os alunos se preparem para as aulas lendo alguns textos ou preparando algum material. garantindo e incentivando a participação de todos. Cada aluno precisa ler. Como funciona? Em duas partes. de organização e fundamentação de idéias. Marca-se o dia do seminário. mas para cujo debate encontram-se idéias e informações nos vários grupos de pesquisa. de forma coletiva. explica ou retoma em aula: então. o professor mediará. vão aprender o que se propuseram. estabelece um tema para o seminário que diretamente não foi pesquisado por nenhum grupo. e. combinamos que ali nos encontramos para aprender e não apenas para “tirar uma nota”. Nesses moldes.29 O seminário (cuja etimologia está ligada a sêmen. idéias novas) é uma técnica riquíssima de aprendizagem que permite ao aluno desenvolver sua capacidade de pesquisa. Didática do Ensino Superior . professor aleatoriamente escolhe um elemento de cada grupo de pesquisa formando com eles uma mesa-redonda. O debate se instalará. Leitura. lembrando que o aluno não tem só a disciplina. O professor. nem preparam nenhum material fora de aula porque não tem tempo. no início do curso. indo para o lado prático. ou de crítica. mas de se retirar das pesquisas os elementos necessários para a discussão do novo tema. Fechado o compromisso. matutinos ou noturnos. A primeira delas corresponde ao ensino com pesquisa que já descrevemos. 8. para que estudar antes da aula?”. chegaria a afirmar que mesmo em cursos de pós-graduação o uso dessa técnica é por demais reduzido. é importante que os textos indicados para leitura sejam de fácil acesso. A segunda parte consiste no seguinte: os assuntos de pesquisa que foram distribuídos pelos diferentes grupos guardam entre si uma relação de complementação. inclusive apresentando questões a serem debatidas. Os demais assistirão ao debate. estudo. depois. Aberta a discussão cada participante exporá os dados e as informações que suas pesquisa oferece para o desenvolvimento daquele tema. os alunos já lêem e preparam o material para o encontro seguinte. é uma excelente técnica quando bem compreendida e adequadamente realizada. buscar informações e se preparar para um tempo na Universidade (aula) onde ele vai se encontrar com seus colegas e com o professor e todos juntos. portanto. sim. o professor as repõem. e após algumas tentativas. os diferentes grupos deveriam se preparar para isso. procurar entender os textos. quando fazemos sua programação. praticá-la e permitir que os nossos alunos a descubram também. Por isso. Ou seja: no primeiro momento usa-se a técnica do ensino com pesquisa até a comunicação final dos resultados de cada grupo. de produção de conhecimento. sementeira. Como disse anteriormente. Essa disposição exige trabalho do grupo durante o período de aula para aprender e esse tempo não pode ser ocupado só com aulas expositivas. vale apena conhecê-la. Em primeiro lugar. E são muitas as reclamações de que os alunos não lêem. em equipe.

aconselha-se a não colocar todos os itens de uma só vez nesses recursos. são cartazes. vídeo. tragam perguntas. para várias atividades de leitura fora de aula. solicitar que leiam um texto e dele façam um resumo com comentários pessoais e até mesmo. conhecer aspectos novos. em outra oportunidade. chateação que os professores mandam a gente fazer em casa. Vai notar. filmes. é orientá-la para que em cada semana ela seja feita de um modo diferente. telas. Aos poucos. Um segundo cuidado ao indicar uma leitura a ser feita. aos poucos. Pode-se ainda. numa terceira vez. aqueles que não realizaram a tarefa solicitada não poderão participar da dinâmica da classe mais deverão ser convidados a aproveitar aquele tempo para uma segunda oportunidade de ler e se preparar individualmente para a continuidade da aula. e por isso a primeira preocupação do professor será verificar se na sala de aula ou no local onde for usá-los dispõe-se destes instrumentos e das condições necessárias. mais abrir ou colocar um Didática do Ensino Superior . pois deu uma tarefa para casa”. CD-ROM. no power point. gráficos. em que a participação dos alunos com suas páginas escritas é fundamental. Em geral. interessantes. São recursos usados esteticamente ou com movimentos. músicas. ou um roteiro de aula apenas com palavras-chaves ou itens que serão desenvolvidos e poderão ser colocados no quadro-negro. vamos precisar de instrumentos e condições próprias para cada um. Cada um desses recursos possui regras próprias de uso. Não queremos descer aos detalhes do uso de cada um. etc. participar de dinâmicas novas. som. conforme seu uso em aula. por exemplo.point. é fundamental que os textos indicados sejam bem dosados na quantidade e na complexidade (indo dos mais simples aos mais complexos). Por vezes. e existem muitas outras. podemos solicitar que os alunos pesquisem outros materiais. o esquema de um estudo. mais chamar a atenção para alguns aspectos gerais que se referem a quase todos. fotos.se que em uma ou duas páginas tragam um caso resolvido. em outra semana. mapas. Veja quantas alternativas temos. mais atividades dinâmicas. Ou seja. Recursos audiovisuais. Explorá-las leva a motivação e supera-se aquela sensação de “tarefa. Para exibí-los. visando motivar o aluno. e sobre os quais freqüentemente somos interrogados em nossos contatos com professores do ensino superior. transparências. que os alunos leiam um texto e tragam-no resumido em uma página. TV. encontrando nele um significado próprio. Por exemplo. num slide. tomadas elétricas convenientes. slides. quadro negro. Há professores. um aspecto importante: a atividade que pedirmos para os alunos fazerem em casa deverá ter uma continuação em aula. só por fazer. mais neste caso a orientação é imprescindível. possibilidades de escurecer a sala. isoladamente ou em conjunto do tipo multimídia.30 mais um conjunto de oito a dez. por exemplo. No entanto. computador. por exemplo: iluminação natural adequada. obrigação. os recursos audiovisuais são empregados com apoio às aulas expositivas ou atividades com todo o grupo da classe. que tragam redigidos em uma página os pontos ou conceitos-chaves do texto. 9. E o que vai acontecer em aula não poderá ser uma aula expositiva repetida do texto lido (esta é a melhor forma de desencorajar alunos a estudarem fora de aula). pode-se oferecer uma série de perguntas relacionadas ao texto de leitura que deverão ser respondidas por escrito e assim por diante. Pela mesma razão. Como o próprio nome diz. Esses recursos devem ser usados para exibir. esses recursos não deveriam ser usados para a escrita e leitura de textos longos. discutir. que leiam o texto e. numa semana. Em geral. power. projetor multimidiático. O aluno precisa sentir que seu trabalho é importante e ele próprio é valorizado pelo que está acontecendo em aula. ou para o professor não se sentir omisso. O primeiro ponto. vir à aula pois se torna importante encontrar-se com colegas e professor para trocar idéia. a classe vai percebendo que é interessante ler. O aluno deve perceber que não fez seu trabalho em vão e que o material que preparou é importante para as atividades da aula. Para o professor uma aula assim será muito mais motivadora e instigadora e muito menos cansativa. a diferença de receber um material todo pronto e contribuir ele próprio para o seu conhecimento. em uma transparência. baseado neste. que escrevem seus textos de aula em transparências e passam o tempo de aula lendo-os. Aliás. pintura. debater. pede. retroprojetor.

Um número razoável de slides que permita. a atenção precisa estar voltada para alguns pontos: a quantidade de pontos. com pequeno intervalo. na prática. tanto no que diz respeito na construção da imagem de textos (movimento por efeito. com o computador. usos de figuras. ilegíveis. outros tamanhos e tipos de letra. ou até mesmo 200 minutos. há pouco dias. bem escolhidos e que permita discussão sobre eles. inclusive. figuras. Didática do Ensino Superior . por partes. o tamanho destas para que se permita visualizá-las de todos os lugares da sala (o mesmo valendo para o uso do quadro-negro). falhas e etc. que exige conhecimentos teóricos adquiridos ou a serem pesquisados. ao mesmo tempo. Por isso. analisar o que está havendo.31 de cada vez para que os alunos não se destraiam e se concentrem em um ponto por vez. à mão. com quadros também mal escritos. inclusive com um acender de luzes para que todos se velejam no debate. fotos. no caso das transparências pode se usar uma caneta ou lapiseira como um pulsor. o que vim a assistir. o estágio é uma aplicação da teoria estudada. ou de parceria e co-responsabilidade. convivendo numa equipe de trabalho que envolve profissionais de áreas diferentes trabalhando conjuntamente. Por exemplo: não se pode ir à prática sem antes dominar toda a teoria necessária. mapas. por exemplo. e. e deve usar de preferência ponteira lazer para se chamar a atenção para algum ponto em especial.3 Técnicas que poderão ser usadas em ambientes de aprendizagem profissional Hoje se tem por certo que o melhor local de aprendizagem para a formação de profissionais das mais diferentes carreiras é o próprio ambiente onde se vive e se atua profissionalmente. a habilidade de os aplicar à situação real. Poderão ser usadas para explicar o que estamos estudando ou tratando por meio de desenhos. no meu modo de ver. mapas. Por último. Algumas carreiras convencidas da importância da formação do profissional no seu ambiente profissional. slides ou power-point. Se não se dispuser deste instrumento. tabelas. o uso de power-point leva grande vantagem operacional. complexa. debater. de uma profunda falta de respeito com os participantes. No uso de transparências deve-se procurar elaborá-las com recursos de que dispomos hoje. em cima do retroprojetor. revêem alguns princípios que se julgavam inquestionáveis até pouco tempo atrás. Um número ideal deles é que permite ao aluno. uma sessão com número menor de slides. demonstrando a necessidade da multi ou interdisciplinaridade. é um ambiente extremamente motivador e envolvente para os alunos. a lógica dedutiva ao se trabalhar com teoria é básica. linhas. fotos. o estágio ou atividade equivalente só pode acontecer nos últimos períodos dos cursos. ver e compreender melhor o que se está explicando e discutir. figuras. não se esquecendo de escolher bem as cores do fundo e das letras. completamente tortos e rabiscados. que se interrompa sua seqüência para um debate e pedido de explicação ou apresentação de dúvidas comprime muito bem o seu papel de apoio à atividade em andamento. Trata-se de uma situação real. gráficos. É lamentável. ao invés de fazer a indicação com a mão ou dos dedos apontando para a tela. 3. Em todos esses aspectos. o professor deve atentar para não se posicionar entre o aparelho e a tela cobrindo assim parte da projeção. conflitante. Neste sentido. tabelas. buscando solução ou encaminhamento para um problema. colocando-a sobre a transparência. gráficos. com ou sem comentário. numa conferência internacional: o conferencista usava transparências mal escritas. integrando teoria e prática. Mesmo que se escolha a transparência ou power-point para poder escrever com caneta apropriada na hora da aula.) quanto à apresentação: dinâmica. será algo muito mais incentivador da aprendizagem do que as sessões contínuas de slides (com certeza fotográficamente cada vez mais belos e perfeitos) durante 50 ou 100. estão implementando projetos de cursos de graduação que. Sem dúvida. o raciocíonio universidade-instituição profissional é de justa posição. no uso de transparência. a escrita precisa ser bem legível. Cada recurso dispõe de forma própria de fazer isso.

fóruns etc. Mais infelizmente não é aproveitada pedagogicamente. Estágio Esta é uma prática de forma comum em todas as profissões. ainda não dispomos da teoria. há necessidade de se resgatar a importância e a validade do estágio como ambiente essencialmente necessário para a aprendizagem dos alunos. Os professores responsáveis pelo estágio em uma instituição educacional nem sempre são remunerados pelas horas que necessitam para orientar e acompanhar os estagiários. E nesse caso. Em outra circunstância. em que condições ele deverá atuar. com acompanhamento não apenas de um professor encarregado do estágio. até mesmo contando com certa cumplicidade do responsável do local onde fará o estágio.32 Que princípios substituem estes? A interação teoria-prática é fundamental para a aprendizagem. Para isto há que valorizá-lo institucionalmente colocando-o no lugar de destaque no currículo: ele deveria ser pensado como um dos eixos curriculares que perpassa todo o currículo. prática clínica. em geral. inclusive a divisão do ano acadêmico foi alterada de dois semestres para três quadrimestres a fim de que se organizasse a formação com quadrimestre full time na universidade seguido de um quadrimestre full time na empresa. pois lhe trará créditos e notas necessárias e da qual ele deverá se livrar de forma mais rápida. se realiza durante todo curso em situações diferentes cada vez mais complexas. Vamos ver como a teoria se comporta na situação completa em que estamos: ela poderá ajudar a resolvê-la. visitas técnicas. aulas práticas em escolas. como desenvolvê-las. Essas técnicas são específicas de cada profissão. o processo de aprendizagem é mais eficiente. E. 1. Por vezes buscamos conhecimentos e depois vamos ver como se comportam na pratica. com que profissionais. tratando-o como ambiente fundamental de aprendizagem. uma vez que cabe à carreira profissional junto com a universidade definir as características próprias de seu profissional e. algumas que são comuns e sobre as quais me parece oportuno comentar. Didática do Ensino Superior . em vários ambientes. no entanto. Ela precisa acontecer na realidade. O estágio é considerado eixo fundamental de um currículo. integrando disciplinas. de várias formas. partindose da situação concreta para os princípios teóricos. laboratórios. poderá sofrer adaptações. Assim entendido. reorganizando o currículo. o que poderá aprender. portanto a valorização da lógica indutiva como forma de e construir o conhecimento. Num projeto que conhecemos. Há. Assim. escritórios. que é obrigatória. excursões. o que esperar da presença do aluno no ambiente profissional. hospitais. desenvolve-se o sentido de parceria e co-responsabilidade pela aprendizagem entre as instituições envolvidas no processo. ou mesmo poderá exibir nova pesquisa. mais de todos os professores em cujas as disciplinas ele é realizado. por fim. ou seja. favorece a integração das disciplinas e da teoria com a prática. empresas. a teoria de que dispomos não foi suficiente para a situação vivida. instituições de pesquisa. A teoria vem em seguida ao contato direto com a situação profissional. não vamos necessariamente realizar uma prática conforme o padrão estabelecido pela teoria. mas podemos entrar em contato com um ambiente profissional e aprender a observar o que ali acontece e por essas primeiras observações buscar as informações de que se necessita para a compreensão do ambiente e da situação profissional que ali se desenrola. Em nosso entender. Consideramos técnicas para ambientes profissionais: o estágio. Há. e não apenas uma atividade a mais. conseqüentemente. Por isso mesmo é realizado desde o início do curso. Senão vejamos: o estágio aparece na vida dos alunos como uma tarefa indesejável que ele deverá fazer fora do horário de aula. de que forma realizar sua aprendizagem são definições próprias de cada profissão juntamente com os professores da universidade e certamente diferentes para cada curso de graduação. o estágio pode inclusive colaborar para aperfeiçoar o próprio currículo.

Visitas técnicas e excursões Como o estágio. entremeadas com visitas técnicas e excursões. que estão ingressando por esse caminho e realizando projetos muito promissores. para que estes o percebam como uma situação real. A instituição que vai abrir o estágio também deve valorizá-lo. Há instituições. Prática para aprendizagem em ambientes virtuais formando um conjunto. Interessante será que o aluno possa contar com várias dessas aulas práticas e laboratoriais. em que o computador passa a ser uma máquina de intermédios entre professor e alunos em locais físicos distantes visando Didática do Ensino Superior . outras. realização e avaliação do estágio precisam ser muito bem planejadas e executadas juntamente com os alunos. do CD-ROM. Depende das circunstâncias e das possibilidades tanto da instituição educacional como do local da visita ou excursão. Os aspectos teóricos nunca estarão dispensados. principalmente da área de engenharia e da saúde. profissional. da hipermídia. Há algum tempo essas técnicas eram chamadas de “novas tecnologias” e. É uma visão realmente nova e talvez necessite de certa ousadia para po-la em prática. “novas tecnologias de informação e comunicação” (NTIC). que seus funcionários se relacionem com futuros profissionais dando prosseguimento à sua formação continuada por intermédio desse contato. vídeos e teleconferência. 2. percebendo como será interessante para ele relacionar-se com a universidade. Em qualquer hipótese. cada aluno redija um relatório das observações e dados obtidos e os traga na aula seguinte para o estudo e debate entre colegas e com o professor. correios eletrônicos e de outros recursos e linguagens digitais de que atualmente dispomos e que podem colaborar significativamente para tornar o processo de educação mais eficiente e eficaz. Para isso. mas será mais interessante e motivador tratá-los e aprende-los de forma integrada com a realidade profissional do que apenas subjetivamente. Essas novas tecnologias incluem o uso da internet. fóruns. em que eles encontrarão as melhores condições de se formar e aprender. trata-se de duas técnicas muito ricas que permitem ao aprendiz desenvolver aprendizagens cognitivas. definindo-se o que observar e o que registrar. Tecnologia essa que pode ser usada para se realizar educação a distância.33 Há que valorizá-lo diante dos alunos. de habilidades e de valores ou atitudes. após a visita técnica ou excursão. que cada grupo de alunos observe parte da situação para complementação posterior. grupos ou lista de discussão. precisamos tomar alguns cuidados:   Que as visitas técnicas e excursões estejam integradas aos assuntos que estão sendo estudados no momento: Que sejam preparadas juntamente com os alunos.  3. de ferramentas como o Chat. a tal ponto que em vez de abreviá-lo procurem explorá-lo cada vez mais. Mas não vemos outra saída para melhorar a qualidade dos cursos de graduação. Ás vezes será interessante que todos observem tudo. Elas podem ocorrer em grupos (pequenos ou com toda a turma). embora diferentes e específicas para cada curso e profissão. poderá levar em conta as recomendações que fizemos acima para visitas técnicas e excursões visando à eficiência para a aprendizagem dos alunos. com os professores universitários. é evidente que a preparação. Que. posteriormente. Aulas práticas e de Laboratório O uso de aulas práticas e de laboratório para a aprendizagem. da multimídia. Nesse debate é importante que sejam trazidas as questões teóricas buscando a interação teórica e prática. de sites. É interessante que se organize com o grupo de alunos um roteiro de observações e/ou entrevistas que deverão ser realizadas por eles além de orientá-lo como registrar os dados em material adequado. as técnicas que vamos analisar a seguir são aquelas que se baseiam em fundamentalmente no uso do computador e da informática. para que funcionem bem.

conhecidas ou desconhecidas). que para muito seriam inacessíveis. ou seja. o debate. Se em ambientes presenciais defendemos o uso de técnicas que possibilitem ao aluno encontrar um significado próprio para o conhecimento que esta construindo com o professor e com os colegas. por meio deste recurso agora já podem ser consultados. perguntando. discutindo. e mais vinculados com a nova realidade de estudo. ouvir. comunicando informações. respondendo. preferivelmente com a participação dos ouvintes. incentivar a formação permanente. Professor e aluno passam a trabalhar conjuntamente e não só na aula. ou do exterior. Nem o conferencista. movimento simultâneo a máxima velocidade no atendimento às nossas demandas e o trabalho com as nossas informações dos acontecimentos em tempo real. nem as pessoas precisam se deslocar dos vários lugares para participar da conferência. Teleconferência O que caracteriza a teleconferência é a possibilidade de colocar o professor ou um especialista em contato com telespectadores em locais físicos distantes daquele onde ela acontece. som. o professor se sente substituído em seu papel de transmissor de conhecimentos. por algum técnico em informática que recebendo informações do professor os disponibiliza no computador para uso e acesso direto dos alunos. se pergunta o que deverá fazer agora. basta que disponhamos de um endereço eletrônico para multiplicar o número de contatos (professor e alunos passam a se encontrar não só em aula mais a todo o momento. dialogando com o conferencista e o próprio conferencista dialogando com os Didática do Ensino Superior . de pesquisa e de contato com os conhecimentos produzidos. grandes autores e pesquisadores.  É verdade que muitos utilizam essas tecnologias para transmitir informações e conhecimentos. a pesquisa de informações básicas e das novas informações. a informática e a telemática nos abre outro grande mundo de experiências e de contatos. É uma perspectiva “instrucionista” na informática educativa. Desenvolver a aprendizagem: a aprendizagem como produto das inter-relações entre as pessoas. Por exemplo. Nessas circunstâncias. Professores especialistas. a construção de arquivos e textos. o registro de documentos. a elaboração de trabalhos. o diálogo. mais também a distância em suas residências no período entre uma aula e outra dialogando. pesquisando. fazendo perguntas. a construção da reflexão pessoal. a rapidez e o imediatismo destes contatos (seja com pessoas de nossos pais. ou especialista profere sua conferência em determinado local e todos poderão ouvi-lo e com ele debater estando cada um em sua escola ou em sua cidade. com o uso das técnicas em ambiente virtual isto não será diferente. ou apenas fazer alguma pergunta. A comunicação tecnológica dessa base de dados é realizada.34 o processo de aprendizagem ou poderá ser empregada como apoio às atividades presenciais de um curso de graduação de ensino superior tornando-os mais vivos.4 Técnicas e seu uso para incentivar a aprendizagem 1. por meio do correio eletrônico). Os objetivos que poderão ser alcançados por esta tecnologia são:  Valorizar a auto-aprendizagem. interessados. A teleconferência se realiza em tempo real. de algum modo. Exploram o uso de imagem. Outro exemplo: o uso do computador como banco de dados de uma disciplina para consultas e responder a perguntas sobre os assuntos determinados. 3. então. a exploração do vídeo ou teleconferência quando a participação dos telespectadores é mínima ou quase nenhuma. por vezes. quando se encontram fisicamente. A escola ao possuir um laboratório de informática em várias disciplinas se apresenta como uma escola moderna. dentre esse ângulo. a discussão. participantes. pois oferece a seus alunos o uso do computador. se levarmos em consideração o possível número de pessoas contatáveis. O professor.

criar ambientes de grande liberdade de expressão. há que se pensar em um assunto sobre o qual o grupo a se expressar. motivar um grupo para um assunto. ligados. Em outras palavras. seja para poder. e serve para. O professor procurará coordenar essas manifestações apenas no sentido de mantê-las dentro do assunto combinado. ocorre-se o risco de perder o controle da situação.35 participantes. uma vez que todos podem se manifestar ao mesmo tempo. Mesmo quando estes solicitam sua posição o melhor é analisar se é o caso de expressá-la ou devolver a questão para outros membros do grupo. seja para se policiar e não entrar a todo o momento nas manifestações. enfim. Não é aconselhável que o professor interfira em todos os momentos do Chat. Lista de Discussão Essa técnica cria a oportunidade de um grupo de pessoas poder debater um assunto ou tema sobre o qual ou sejam especialistas ou tenham realizado estudos prévios. quatro a sete dias. Com essa técnica estamos interessados em conhecer as manifestações espontâneas dos participantes sobre determinado assunto ou tema. Sua participação será importante ao final do Chat para tentar uma síntese da discussão. com atividades que se integrem com a teleconferência. dando continuidade as idéias produzidas e ao desenvolvimento da aprendizagem esperada. ou podemos simultaneamente dividir o assunto em vários tópicos e sobre cada um deles formar um grupo de discussão. por exemplo. a relação do tema com o programa que vem sendo desenvolvido naquele curso. das informações ou das experiências. uma ou mais vezes. informações sobre o pensamento do conferencista ou sobre os trabalhos que vem desenvolvendo o que permitiria um aproveitamento maior das contribuições do professor. Seu objetivo é fazer uma discussão que leve ao avanço dos conhecimentos. debates. haverá a necessidade de uma continuidade individual ou em grupo. Como a anterior. durante um tempo de. num Chat. Nas duas hipóteses. preparar uma discussão mais consistente. O objetivo do Chat e seu tema precisam estar bem definidos para que todos possam se expressar com liberdade. que serve para copensamento do conferencista e discutir o tema por ele apresentado. para além do somatório de opiniões. 3. exibida em qualquer tempo e para qualquer público em diferentes ocasiões. aquecer um posterior estudo e aprofundamento do tema. pois. sem que seja on-line naquele momento. com grande facilidade salta-se de um assunto para o outro. A técnica normalmente envolve muito dos participantes e a velocidade com que acontecem as contribuições é surpreendente. a teleconferência não poderá acontecer como uma atividade isolada. de forma a deixar maior tempo para os próprios alunos. por exemplo. Além disso. depois de algum tempo. depois de certo tempo. 2. um debate no ar com perguntas. É muito importante que a participação de uma tele ou videoconferência possa ser precedida de estudos sobre o tema. e. Há que está vinculada a outras que a seguem. incentivar um grupo quando o sentimos apáticos. de tal forma que o produto desse trabalho seja qualitativamente superior às idéias originais. presencial ou não. e são convidados a expressar suas idéias e associações sobre um tema proposto. podendo cada participante avançar e modificar suas próprias reflexões nesse tempo com base em seus estudos ou analisando Didática do Ensino Superior . orientar a atividade para o que se espera. A videoconferência é uma palestra gravada em vídeo. Pode-se organizar um único grupo para discutir. Chat ou bate-papo O Chat ou bate-papo on-line funciona como uma técnica de brainstorming. exemplo. Essa participação só será possível de dispusermos de equipamentos (câmeras e som) onde a teleconferência está sendo ministrada e nos diferentes locais de assistência. essa técnica também não pode existir sozinha. aportes. uma teleconferência que não seja monólogo. Isso vai exigir um acompanhamento muito perspicaz por parte do professor. mais um diálogo. É um momento em que todos os participantes estão no ar.

permitirá selecionar as mensagens. a resposta sempre deverá ser individualizada. a produção de textos em conjunto. Muitos professores despedem um número elevado de horas diárias com esse novo trabalho. não dispomos desses recursos. No segundo caso. de uma reflexão contínua. A disponibilidade do professor para responder aos e-mails é fundamental. Além disso. Desconhecem-se soluções efetivas para tal problema. a troca de materiais. ou sugestões interessantes. Tal forma de trabalhar grupalmente favorece o desenvolvimento de uma atitude crítica perante o assunto. Principalmente para o aluno. debate fundamentado de idéias. A dificuldade não nos deverá impedir de usar esse potente recurso de aprendizagem. há outro problema que aos poucos vai se agravando e para o qual precisamos estar atentos. o que fará de cada resposta “uma” resposta particular. Em outras circunstâncias. pelo atendimento a um pedido de orientação urgente para não interromper um possível trabalho até o novo encontro com o professor na próxima aula. o diálogo é um contato direto e poderá surgir a continuidade da orientação. sem nunca fechar o assunto. Além da disponibilidade e da forma de responder ao correio eletrônico. respondê-las e deixar para o dia seguinte as demais.36 as colaborações de seus colegas e do professor. e como membro do grupo também trazer suas combinações. o processo se interrompe. uma expressão pessoal fundada e argumentada sobre os vários aspectos que estão sendo debatidos e não pode ser atropelada pelo professor com interferências diretas “para resolver os conflitos. suas dificuldades ou as situações particulares pelas quais está passando. Não se trata de uma situação de perguntas e respostas entre os participantes e o professor. e sustenta a continuidade do processo e da aprendizagem. a resposta do professor poderá ser dirigida para o grupo todo ou para um aluno em particular. há que se atender à situação concreta e individual daquele aluno. ou responder às duvidas que surjam”. Didática do Ensino Superior . Isso quer dizer que conhecendo o aluno. quando um aluno nos faz uma pergunta. Pode-se tirar as primeiras conclusões e até produzir um texto: depende do objetivo prefixado e do tempo estabelecido para tal. ou avisos urgentes. Não podemos esquecer que na situação presencial. pois se à mensagem do aluno não se seguir imediatamente uma resposta do professor. que em alguns dias será mais só que suficiente. 4. suas reações ao fazer a pergunta e ao receber a primeira resposta. uma hora. esse recurso é ainda muito importante para sua aprendizagem. estamos vendo o aluno. alguns pontos merecem nossa reflexão. ou com algum deles em participar durante o intervalo entre uma aula e outra com informações novas. discutindo as idéias em questão. poderemos reunir um conjunto de mensagens que são afins e dar uma reposta coletiva para o grupo. favorecendo a interaprendizagem entre os próprios alunos. com intervenções do professor no sentido de incentivar o progresso dessa reflexão. por exemplo. entre uma aula e outra. O que se tem experimentado é procurar delimitar um tempo diário para a atividade. e o aluno se sente desmotivado para continuar o diálogo. e poderá ser diferente de um aluno para outro. Incentiva o aprendiz a assumir a responsabilidade pelo seu processo de aprendizagem. ou mediante uma comunicação geral do professor com todos os alunos da classe. Com relação ao papel do professor no uso desse recurso. e por isso o que escrevemos e o modo como o fazemos deverá levar em conta a possível situação e reação do receptador da mensagem. Mais sim. do tempo que a leitura e resposta a eles vai consumir. e certamente o motivará para o trabalho necessário para isso. porque coloca a todos em contato imediato. No uso do correio eletrônico. Em outros. o que não só aumenta sua carga de trabalho como o tira de outras atividades igualmente importantes. Correio eletrônico Essa técnica facilita o encontro entre aluno e professor. Mas o problema existe e exige que pensamos em um encaminhamento para ele. mais urgentes. Trata-se da qualidade de emails que o professor poderá passar a receber.

Ao professor caberá o papel de orientar a leitura de um trabalho de reflexão. atraente. é preciso que se aprenda a usá-lo. compra dados. compara. com possibilidade de acesso a um número ilimitado de informações.37 5. de construção do conhecimento e de elaboração de trabalhos e monografias. estar em condições de discutir e. ativando todos os sentidos e incentivando a reflexão e compreensão do assunto que se pretende aprender. com os próprios pesquisadores e especialistas nacionais e internacionais. analisá-os. Você acessa. registra reflexões. luz com texto. principalmente. Acrescente-se a tais vantagens a comodidade do acesso que se faz de casa. há que se orientar com fazer trabalhos e monografias que sejam produção de conhecimento. desenvolver nossa criatividade. links já organizados ou com possibilidades de torná-los presentes pelo acesso à internet. pesquisa. No fundo. desenvolver a autoaprendizagem e a interaprendizagem (com os outros. São técnicas multimidiáticas e hipermediáticas que integram imagem. A internet se apresenta como um recurso dinâmico. ainda não tenha descoberto. e não estranhar se. constrói pensamento. Sem dúvida. organizá-os. bem como ajudá-lo a desenvolver sua criatividade diante do que venha a encontrar. abrir os primeiros endereços ou sites que sejam relevantes para o assunto que se pretende pesquisar. e alguma resistência em se dirigir à biblioteca para pesquisar. como recursos facilitadores e mediadores de aprendizagem. Assim somo há um sem número de informações absolutamente dispensáveis. reproduz textos e imagens. pesquisa. Deve-se orientar os alunos para que não transforme tão rico instrumento de aprendizagem em uma forma mais caprichada de apresentar uma colagem de textos. Internet Esse é um recurso que poderá ajudar a nós professores e aos alunos em seu processo de aprendizagem a superar duas dificuldades no incentivo à leitura e à pesquisa: certa rejeição dos alunos em ler livros. com os mais diversos centros de pesquisa. Esses recursos disponibilizam informações e orientações de trabalho para os usuários de uma forma integrada. busca informações. o aluno encontrar dados ou informações que ele. professor. CD-ROM e Power Point Ainda como exemplos de novas técnicas. busca. 6. Com a internet podemos desenvolver habilidades para explorar esse novo recurso tecnológico. porventura. preferindo substituí-los por apostilas. Como todos os outros recursos. atualizadíssimo. debater as informações com ela. Didática do Ensino Superior . discutir valores éticos. com o mundo e suas realidades. do escritório. incentivar para que daí por diante o aluno faça suas próprias navegações. Alunos e professor vão aprendendo a desenvolver tal criatividade. com seu contexto). e de estar em contado com todas as grandes bibliotecas do mundo. Há necessidade de o professor orientar como utilizá-lo para as atividades de pesquisa. a internet é um grande recurso de aprendizagem múltipla: aprende-se. políticos e sociais na consideração dos fatos e denomenos que chegam a nossos conhecimentos de todas as partes do mundo. com os periódicos mais importantes das diversas áreas do conhecimento. tudo ao mesmo tempo. dos mais diferentes lugares. penso que é interessante comentar o uso do CD e do Power Point em aula. de busca de informações. como antes faziam com os textos de revistas ou de livros fotocopiados da biblioteca. porém. da biblioteca. Todos nós sabemos que há muita coisa importante é interessante a que chegamos pela internet. mas estar aberto para aprender também com novas informações conquistadas pelo aluno e. produz textos. Seu papel não é saber tudo o que existe sobre determinado assunto antes do aluno. lê. movimento. frutos da reflexão e do estudo pessoais e de discussões em grupo e não apenas cópias de textos já escritos. como pesquisar na internet.

trabalhar. manter sustendo de meus filhos. quantas vezes você tem sido educador e elevado a auto-estima de seus alunos. Falava de Báscara e Moliere com a mesma deliciosa naturalidade. deparo-me com meu professor de matemática Roque Baroni. durante muito tempo. muitas vezes confidente de meus sonhos e conflitos adolescente. dava um zero e depois sabia nos acariciar a auto-estima com um dez . por amor. Educador ao contrário. ou só se reconhecem incapazes. Quem me conhece sabe do que estou falando (é claro que a culpa não é só dele) – é assim: a gente só aprende com aqueles a quem outorgamos o direito de nos ensinar e para tanto é preciso um pouco de amor nesta relação de trocas. se preciso.. exigente e afável ao mesmo tempo. os alunos aprendem também. estultos e impermeáveis à sua disciplina? Você é daqueles que faz do conhecimento uma arma de cidadania e crescimento pessoal ou é da espécie que faz do zero uma arma cartorial. Ele era também o diretor e orientador de nossas peças teatrais. dominadora e disciplinadora? Na sua aula os alunos têm cara de adolescentes ou ficam absolutamente imbecis e atônicos? Alguém já dormiu em sua classe e você contínuou achando sua aula muito interessante? Quando o aluno cochila. e se refaz para procurar graças na próxima noite? A ciência que você ensina é “chata” por natureza ou você a fez assim? Em classe. encontro-me. e eu errava muito. sem saudades. (RUBEM ALVES). Passei a adorar matemática e acabei me tornando professor dessa disciplina. o professor tascava-nos um beliscão capaz de fazer corar um frasco de benzetacil. porém dos que existem e a confecção de material em Power-point visando à aprendizagem do aluno não poderão desconsiderar alguns princípios básicos: o aluno não pode fazer o papel de assistente passivo diante do que se desenrola na frente. momentos para o aluno perguntar. a culpa é só dele? Você gosta do som monocórdio de sua voz ou concorda com um relaxamento. um alongamento e uma catarse geral. desprezei o corpore sano.38 A confecção do CD-ROM exige cuidados e recursos técnicos especializados de que nem todos os professores dispõem. com tal mister. Pude. siciliano sanguíneo. não é profissão é vocação nasce de um grande amor. para depois começar sua docência? Confidencialmente. O uso.. o CD-ROM ou o Power-point não podem querer substituir as atividades do aprendiz. ou você é daqueles que acham que só Deus merece um dez? Nas suas avaliações. debater. o ideal é que você falasse o tempo todo e preferisse ouvir as moscas voarem a ouvir voz de aluno? Ou você gosta de fazer os meninos trabalharem e gosta de instigar o raciocínio da moçada? Toda pergunte de aluno de é cretina? Só você pergunta e responde bem? Ou você aprendeu mais dando aulas do que na sua própria escola? Você tem um caso de amor com o quadro negro-verde? Há quanto tempo você não usa outra coisa a não ser paleontolítico giz? A sirene toca e você começa a salivar à cão do Pavlov? Didática do Ensino Superior . EDUCADOR OU PROFESSOR? (MERA CONVERSA DE UM VELHO PROFESSOR COM UM COLEGA MAIS JOVEM) Educadores. não é algo que se define por dentro. lá a elas com medo. há que prever atividades. de uma grande esperança. redigir etc. Fico agora conversando com um professor de hoje: meu caro. Concedi-lhe minha permissão psicoemocional de alargar meu pensamento e aumentar meu conhecimento. tempo. Nunca mais gostei de Educação Física. Se errávamos. se a noite anterior sua esposa for de pouca graças. com o prof º de Educação Física. a ponto de nos levar à exaustão. Também em meus guardados de ginásio. onde estão? Em que covas terão se escondido? Professores há milhares. CDROM e Power Point deverão funcionar como incentivadores dessas várias atividades de aprendizagem. Rebuscando velhas gavetas da memória. jovem mestre e colega. que nos estipulava “cangurus” e “polichinelos”. pesquisar. Detestava suas aulas. Profº Roque. refletir. você desconta na sua garotada? Ou sublima. Mas professor é profissão.

se uma ponte cair o engenheiro leva a culpa. o professor é só rigoroso e competente... por sua vez. planeja. ELE fez de você um educador. portanto. pede um tempo e vai buscar a resposta ou o aluno vai para a sala do diretor por desrespeito a autoridade? Você que professor de português deve ou pode ser analfabeto em matemática ou vice versa? Ou você valoriza o conhecimento holístico e coloca em prática seus conhecimentos na hora da aula? Algum aluno já fez confidencia is pessoais para você e lhe contou coisas de sua vida? Ou. pelo vídeo e outros bichos? Se sim. O meio que estamos utilizando é a reflexão. quando você chega. e outro recurso didáticos com tv. 4 A DOCÊNCIA SUPERIOR E A INTERDISCIPLINARIDADE 4. Ocorre que estes. e.. Certo? Se o aluno tomar bomba.39 Ou há sempre um texto interessante para uma turma ler e uma dinâmica de grupo a ser adotada na aula? Você usa o retroprojetor. incompletas. etc) não pode. se a cirurgia der errada. Quem vai à luta são os jogadores. ensina mais não joga. Didática do Ensino Superior . afinal para tanto.1 A Intencionalidade do trabalho docente Nosso desejo é ajudar a transformar a prática educativa. você é daqueles que pensa que sua carreira está em extinção e que seu lugar vai ser tomado pelo computador. conceitos.? Alías.se acha que há muito o que fazer.. a rodinha muda de assunto e todos saem de fininho? Você prefere ser amigo ou bicho papão? Você acha que adolescente adolesce ou aborrece? Você entende que disciplina é meio ou fim em si mesmo? Disciplina é coisa de bedel ou você da conta de sua turma? Acha que nota ruim merece castigo ou recuperação? Você faz marketing com a cara feia ou é um mestre de verdade? Você sabe para que ensina seus conteúdos? Você sabe formular objetivos. têm sua ação pautada em algum nível de reflexão. nas condições objetivas. presidente do SINEPE/GO e diretor do Colégio ALFA BETA. interferir diretamente na realidade.. acalenta. Agora . de fato. merece tão destino. Agenor Cansado – Professor de Matemática. pois as pessoas nascem sem saber as coisas do mundo. que pode colocar toda a tecnologia do mundo a serviço da Educação e que é preciso alongar o pensamento e dar dimensão humana aos futurismos. quem age sobre a realidade – direta ou indiretamente (através de algum instrumento) – são os sujeitos. não sabe? Que habilidades e competências você espera ao final de seu trabalho? Você distingue Pedagogia de Didática? Ou tudo isso é coisa ara pedagogo passar fome? Já foi dito que o verdadeiro educador é como um técnico de futebol: orienta. etc.. então arregace as mangas e trate e de completar a obra de Deus. grita. e ele fica ao lado do campo a torcer e a gritar por eles. São seus alunos que jogam? Ou só você faz gols? Aqui entre nós. os slides. se a colheita frustar o agrônomo é responsável. o médico está lascado. A reflexão enquanto tal (atividade simbolizadora e seus produtos: representações. vídeo. teorias. na escola tem essas coisas? Você sabe preparar uma transparência? E o computador você já o descobriu? Ou você é contra esses modernismos? Seria você um dos “neoluditas”? Você tem internet como ferramenta de pesquisa e gosta de navegar por suas ondas ou tem medo de se afogar nesse mar de recursos? Você já descobriu que seu aluno já sabe muito mais do que se pensa sobre essa parafernália tecnicista? Você já desconfio que essa geração parece ter um chip a mais? Você gosta de capacitar continuamente ou acha que já sabe tudo sobre sua matéria? Se um pupilo fizer uma pergunta para a qual você não se acha preparado. e cabe a você ensina-las. Certo ou errado? Finalmente. cobra.

uma nova intencionalidade – Projeção de Finalidades. uma justificativa. basicamente. O quadro a seguir procura sistematizar as várias dimensões envolvidas neste processo. duas funções na sua relação com o aluno: Didática do Ensino Superior .querer mudar algo. Muito sinteticamente. (um conhecimento da realidade) – Análise da realidade. desmontar mitos e preconceitos.. utilitária.acreditar na possibilidade de mudança da realidade. se encontrar... por função propiciar o despertar do sujeito. estimula e ativa o interesse do aluno e orienta o seu esforço individual para aprender. Recursos Políticos 4. automático. um sentido. uma marca mana que é a intencionalidade. Campo Querer Área Necessidade Dimensões Vontade (motivo mais consciente) Desejo (motivo mais inconsciente) Poder Saber Ter *Saber *Saber Fazer * Saber Ser Recursos Matérias.”Limpar o meio de campo”: desconstruir representações equivocadas.2 O valor pedagógico da relação professor-aluno No processo de construção do conhecimento. projetar objetivos para a ação. 4. não carece de planejamento. então. propicie o despertar do desejo para a consciência de se integrar. além de capacitá-lo para caminhar. se dispor para a ação.. Corresponde a uma mobilização inicial..40 visto que a prática está sempre baseada numa significação. Incessantemente há na ação consciente dos sujeitos um nível de elaboração. remete a: 1. seja ela ideológica. Convencimento – ser elemento que dê força à atividade. podemos dizer que o indivíduo está na condição de sujeito de transformação quanto a uma prática. apontar alternativas para a intervenção. A reflexão tem. quando em relação a ela há um querer (estar resolvido a fazer alguma coisa) e um poder (capacidade de realizar algo). Quem age por condicionamento.. Para resgatar o lugar do planejamento na prática escolar. então. pois alguém já planejou por ele. Ajudar o sujeito (pessoal e coletivamente) a se convencer de que sua ação é importante. e um novo plano de ação – (Formas de mediação). Intervenção – ser uma guia para a prática que se quer transformadora. à gênese do resgate do professor como sujeito. O educador.. há um elemento fulcral que é o professor se colocar como sujeito do processo educativo.. uma primordial tarefa da reflexão: Reconstruir o sujeito mediador 2. um fim.vislumbrar a possibilidade de realizar aquela determinada ação. Esta é. alienada. casuístico. 2. Assim sendo. o valor pedagógico da interação humana é ainda mais evidente. qual seja. 3-perceber a necessidade da mediação teórico-metodológica. Planejar.Isto implica que a reflexão precisa articular duas dimensões: 1. aleatório. embora limitada. na sua relação com o educando. Indicar caminhos. pois. o professor tem. pois é por intermédio da relação professor-aluno e da relação aluno-aluno que o conhecimento vai sendo coletivamente construído. interesseira. Ajudar a ganhar competência para a ação: entender o que está acontecendo. não é um processo mecânico. se motivar.

fragmentado. Ensinar exige criticidade....41   Uma função incentivadora e energizante.. manifestando-os a seus alunos. Ensinar exige apreensão da realidade. sincrético. pois deve orientar o esforço do aluno para aprender. Cabe ao professor....3 Pedagogia da autonomia saberes necessários à prática educativa Paulo Freire 1.. Quem concebe assim o educando.. que atualiza suas possibilidades.. NÃO É TRANSFERIR CONHECIMENTO Ensinar exige consciência do inacabamento... Assim. o educando é “uma pessoa que se desenvolve. durante sua intervenção em sala de aula e por meio de sua interação com a classe. 2..... Ensinar exige estética e ética... ao interagir com cada aluno em particular e ao se relacionar com a classe como um todo. ajudando-o a construir seu próprio conhecimento.. Exige a corporeificação da palavra pelo exemplo. e consciente ou inconscientemente. Ensinar exige alegria e esperança. pois vê nessa interação um processo de intercâmbio de conhecimentos.. 4. explícita ou implicitamente ele veicula esses valores em sala de aula. contribuindo para a formação da personalidade do educando.. mediante processos dinâmicos.. tende a valorizar ainda mais a relação professor-aluno.. que se ajusta e se reajusta. orientados por valores que lhe conferem individualidade e prospectividade”. conceitos e idéias (aspecto cognitivo). NÃO HÁ DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA                  Ensinar exige rigorosidade metódica. idéias. pois sua personalidade é norteada por valores e princípios de vida.. ajudar o aluno a transformar sua curiosidade em esforço cognitivo e a passar de um conhecimento confuso. Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos. Humildade.. ideais e valores. Reconhecimento e a assunção da identidade cultural. ele é um educador. Risco.. que atua diretamente na formação da personalidade. O reconhecimento de ser condicionado. a um saber organizado e preciso. Uma função orientadora.. A convicção de que a mudança é possível.. em forma de informações. antes de ser um professor. Mas o professor deve ter bem claro que.. De acordo com nossa concepção. Didática do Ensino Superior . Ensinar exige pesquisa.. o professor não apenas transmite conhecimentos. Ensinar exige bom senso. aceitação do novo e rejeição a discriminação. Respeito à autonomia do ser do educando. mas também facilita a veiculação de idéias.. Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática... pois ele deve aproveitar a curiosidade natural do educando para despertar o seu interesse e mobilizar seus esquemas cognitivos (esquemas operativos de pensamento). valores e princípios de vida (elementos da esfera afetiva). tolerância e luta em defesa dos direitos.

o sentido do trabalho escolar e desenvolver no aluno a capacidade de auto-avaliação. Fazer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão.. Envolver os alunos em atividades de pesquisa. Desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas simples de ensino mutuo. CONCEBER E FAZER EVOLUIR OS DISPOSITIVOS DE DIFERENCIAÇÃO Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma.. ADMINISTRAR A PROGRESSAO DAS APRENDIZAGENS Conceber e administrar situações-problema ajustadas ao nível e as possibilidades dos alunos... Adquirir uma visão longitudinal dos objetivos do ensino Estabelecer laços com as teorias subjacentes as atividades de aprendizagem. Abrir. 3. Observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagem. Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos a aprendizagem. Rumo a ciclos de aprendizagem. Disponibilidade para o diálogo. Construir e planejar dispositivos e seqüências didáticas. explicitar a relação com o saber.42           Ensinar exige curiosidade. Instituir um conselho de alunos e negociar com eles diversos tipos de regras e de contratos. os conteúdos a serem ensinados e sua tradução em objetivos de aprendizagem. competência e generosidade. para determinada disciplina.. Reconhecer que a educação é ideológica.. ENVOLVER OS ALUNOS EM SUAS APRENDIZAGENS E EM SEU TRABALHO Suscitar o desejo de aprender. em projetos de conhecimento. Uma dupla construção. 2. 3.. 4. Didática do Ensino Superior . Ensinar exige liberdade e autoridade.. 4.. ampliar a gestão de classe para um espaço mais vasto. Compreender que a educação é uma forma de Intervenção no mundo .                  Trabalhar a partir das representações dos alunos.4 Competências para ensinar Philippe Perrenoud 10 Novas Competências para Ensinar 1. Ensinar exige saber escutar. trabalhar com alunos portadores de grandes necessidades...... Ensinar exige tomada consciente de decisões.. de acordo com uma abordagem formativa.. Ensinar exige querer bem aos educandos. É UMA ESPECIFICIDADE HUMANA Segurança... Fornecer apoio integrado. ORGANIZAR E DIRIGIR SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM  Conhecer. Ensinar exige comprometimento.

Administrar crises ou conflitos interpessoais. PARTICIPAR DA ADMINISTRAÇÃO DA ESCOLA Elaborar. a solidariedade e o sentimento de justiça. no âmbito da escola. representações comuns. Didática do Ensino Superior . as sanções e a apreciação da conduta. Enfrentar e analisar em conjunto situações complexas praticas e problemas profissionais. étnicas e sociais. Explorar as potencialidades didáticas dos programas em relação aos objetivos do ensino. INFORMAR E ENVOLVER OS PAIS Dirigir reuniões de informações e de debate. Analisar a relação pedagógica. dirigir uma escola com todos os seus parceiros. Saber explicitar as próprias praticas. Desenvolver o senso de responsabilidade. Dirigir um grupo de trabalho. Lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais. Favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno. 5. Organizar e fazer evoluir. negociar um projeto da instituição. Comunicar-se a distancia por meio da telemática. Utilizar as ferramentas multimídia no ensino. 8. Coordenar. UTILIZAR NOVAS TECNOLOGIAS A informática na escola uma disciplina como qualquer outra. Competências fundamentadas em uma cultura tecnológica. 7. Competências para trabalhar em ciclos de aprendizagem. a participação dos alunos. ADMINISTRAR SUA PROPRIA FORMAÇÃO CONTINUA. Utilizar editores de texto. 10. Participar da criação de regras de vida comum referente à disciplina na escola.. TRABALHAR EM EQUIPE Elaborar um projeto em equipe.. Estabelecer seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de formação continua. Dilemas e competências. Formar e renovar uma equipe pedagógica. a autoridade e a comunicação em aula. 6. Administrar os recursos da escola.43                              Oferecer atividades opcionais de formação. 9. Envolver os pais na construção dos saberes. ENFRENTAR OS DEVERES E OS DILEMAS ETICOS DA PROFISSAO Prevenir a violência na escola e fora dela. Fazer entrevistas. conduzir reuniões.

5 Didática A palavra Didática. A Didática primeiramente significou arte de ensinar. eficiente . Amplo – preocupa-se com os procedimentos que orientam o educando a aprender algo. em seu livro “Principais aforismos Didáticos”. Esta palavra foi empregada pela 1a. E como arte. eficientes e responsáveis. das disciplinas e conteúdos. sente necessidade constante de se perguntar o que é o homem. da metodologia. tendo em vista orientá-lo à atingir um estado de maturidade que lhe permita desvendar a realidade de maneira consciente.os métodos e técnicas e sobre a comunidade escolar. A didática deve ser uma disciplina altamente questionadora da realidade educacional.sem a preocupação com valores sócio-morais. Didática do Ensino Superior . críticos. Considerando ainda quando e onde e com que se ensina”. 10 Competências para ensinar. por isso. Didática pode ser compreendida em dois sentidos: 1. 2. por que ensinar. para que se possa obter respostas para saber como ensinar. . Tradução Patrícia Chittoni Ramos. os conteúdos. A Didática busca eficiência no processo ensino-aprendizagem para que se possa obter aprendizagens significativas com menos esforços e em menos tempo. escola. a palavra Didática foi consagrada em 1657 quando João Amos Comenius lançou a famosa obra “ Didática Magna ”. rede). Pedagógico – apresenta compromissos com o sentido sócio-moral da aprendizagem do educando visando não só a transmissão de conhecimentos. o ensino. A didática pode ser definida como a “capacidade de tomar decisões acertadas sobre o que e como ensinar. mudanças significativas de comportamento. as disciplinas. do professor. criativos. vem do Grego Didaktiké. da intuição do professor. aprendizagens. Perrenoud Philippe. de educar e de aprender. a Didática dependia muito do jeito de ensinar. porém. da aprendizagem. da escola. A Didática é uma ciência dimensionada para o humano. do ensino. A Didática deve questionar por que educar. como ensinar e com que ensinar. vez. 4. a quem ensinar. com sentido de ensinar em 1629 por Ratre. Acolher a formação dos colegas e participar dela. A didática objetiva resultados.44     Negociar um projeto de formação comum com os colegas (equipe. A didática pretende orientar o agir do professor e do aluno na sua ação de ensinar. quando ensinar. da política educacional. Envolver-se em tarefas em escala de uma ordem de ensino ou do sistema educativo. ARTMED. vinculado ao de Educação. que quer dizer arte de ensinar. mas sobretudo a formação de cidadãos conscientes. pode ser conceituado da seguinte forma: Didática é o estudo do conjunto de recursos que tem como objetivo dirigir a aprendizagem do educando. O conceito de Didática. A didática ajuda a tomar decisões sobre a educação.Com o tempo. o professor. O objeto da didática é o ensino que se propõe estabelecer os princípios para orientar a aprendizagem com segurança e eficiência. considerando quem são os nossos alunos e porque o fazemos. a Didática passou a ser conceituada como ciência e arte de ensinar. Ser agente do sistema de formação continua. responsável para na mesma atuar como um cidadão participante . da realidade cultural. o que ensinar . o educando. 2000.

Quando ensinar. a um funcionamento regular. ao aluno. ou determinado conteúdo? O que se pretende com a educação e com o ensino ? Será que o aluno sabe e entende por que está estudando? E os pais sabem por que mandam os filhos à escola? Quais são os reais objetivos do ensino. A didática pode oferecer perspectivas e ajudar a escolher o que ensinar para que o aluno aprenda como aprender. Originalmente significa submissão ou subordinação a um regulamento superior. entre os que planejam e os que executam”. Por que ensinar. A escola. por que ensinar algo? Como ensinar. visando propiciar aos alunos a melhor aprendizagem. Para que isto ocorra .. ver o todo e as partes. a sociedade dividiu-se em classes. Com o advento do capitalismo e da tecnologia. é necessário que os professores tenham bem claro o que seja um trabalho interdisciplinar. tornando-se bem forte a diferença entre dois grupos: “entre os que pensam e os que fazem. Quem planeja o ensino deve partir de uma análise dos objetivos.6 A interdisciplinaridade A sociedade é produto da evolução do homem e de seus relacionamentos. dos conteúdos.” Didática do Ensino Superior . como instituição social . O pensar. para sobreviver. o homem é um ser inteiro. nos diversos campos do conhecimento. 4. Para discutirmos o tema “interdisciplinaridade” . Será que o professor sabe realmente por que ensinar cada disciplina. tem que encontrar uma forma de quebrar a dicotomia e permitir. ou seja. não só do presente. dividindo os conteúdos. A escola. estado ou resultado da ação) . inter-relacionado. a visão do todo. destinado à ( re ) construção do saber socialmente produzido e sistematizado. Disciplina refere-se à ordem conveniente. não permite o aprimoramento. Os procedimentos didáticos devem estar intimamente relacionados com o objetivo do ensino. A interdisciplinaridade apresenta-se como uma forma de permitir ao aluno visão global da realidade. conceituando-os com clareza. habilidade que requer conhecimentos e uma grande visão. traçam-se estratégias que dirigem toda a ação. dos procedimentos e de todas as possibilidades humanas e materiais que o ambiente escolar pode oferecer em termos de meios a empregar no processo ensino-aprendizagem. tentando captar tudo. Ora. mas também do futuro. para melhor compreender a realidade. começaremos pela compreensão de alguns termos específicos. com os conteúdos a serem ensinados e com as características e habilidades dos alunos. Para atingi-las. No ensino sempre se estabelecem certas prioridades. os homens se uniram.45 O que ensinar. O melhor procedimento é aquele que atende as características individuais ou grupais. enquanto os seus professores só se preocupam com uma parcela do conhecimento – o seu saber específico. Inter/Disciplinar/ Idade: Deriva da palavra primitiva disciplinar ( que diz respeito a disciplina ) . O professor deve ser capaz de selecionar adequadamente um método didático e organizar todos os procedimentos e técnicas. Houve uma época em que. integral. traz para seu fazer essa dicotomia: discriminando uns e reforçando outros . Com que ensinar. com ênfase na aquisição de conhecimentos e no desenvolvimento de habilidades intelectuais. Significa também “Matéria (campo de conhecimento determinado que se destaca para fins de estudo ) tratada didaticamente. espaço institucionalizado. por prefixação ( inter-ação: recíproca comum ) e sufixação (dade: qualidade. onde cada indivíduo era tratado e respeitado como um todo –ser individual e social. se esfacelado. formando grupos coesos. onde o aluno abre “portas” e “janelas “ em seu cérebro. fragmentando e/ou impedindo a construção de um saber integral.

sentir-se “parte do universo e um universo à parte” . sua humildade. metodologias e atividades. entre outros. resgatar sua própria inteireza. A utilização desta mesma palavra para denominar os conteúdos escolares refere-se tanto à necessidade de submeter-se à mente a mesma ordem que controla o corpo dos educandos.quando se justapõem disciplinas mais ou menos vizinhas nos domínios do conhecimento. a curiosidade e a autonomia na construção do conhecimento ( estabelecendo rede de significação interdisciplinar ). a interação. formando-se áreas de estudo com conteúdos afins ou coordenação de área. participação. a administração participativa e a metodologia participativa. que valorizam a disciplina na formação de seu pessoal. como o exército. Uma prática escolar interdisciplinar tem algumas características que podem ser apontadas como fundamentos ou “vistas” para uma transformação curricular e que exige mudança de atitude. procedimento. a auto-valorização ( reconhecimento da própria dignidade ) . grande preocupação dos administradores escolares hoje. criativa. mas também quanto à maneira de tratar o aluno e aos comportamentos que deve estimular. a fábrica e a Igreja. sem relação aparente entre si . causas. aprender a ler jornal e a discutir as notícias ). a co-responsabilidade ( iniciativa. de transformação. vamos analisar os diversos tipos de composição curricular: Multidisciplinar – modelo fragmentado em que há justaposição de disciplinas diversas. Pluridisciplinar . cooperação) e currículo interdisciplinar – todos estes mecanismos que superam o modelo individualista. com livre trânsito de um campo de saber para outro. não só quanto a conteúdos. O segundo passo rumo à operacionalização do currículo interdisciplinar é. De posse desses conceitos básicos . construção. estabelecendo pontos de contatos entre as diversas disciplinas do currículo. fragmentado e centralizador de administração e de produção do saber. integrada ( tanto o corpo docente como o corpo discente ) . crítica. Interdisciplinar – com nova concepção de divisão do saber. é preciso rever o funcionamento da escola. em equipe interdisciplinar. será alcançada via gestão participativa. 4. frisando a interdependência. definir uma base teórica única como eixo norteador de todo o trabalho escolar. colaboração ) . postura por parte dos educadores:      perceber-se interdisciplinar. a comunicação existente entre as disciplinas e buscando a integração do conhecimento num todo harmônico e significativo . seja ideológico ( que tipo de homens queremos formar) psicopedagógica ( que teoria de Didática do Ensino Superior . valorizar o trabalho em parceria. Transdisciplinar – quando há coordenação de todas as disciplinas num sistema lógico de conhecimentos. desenvolver atitude de busca. conseqüências e significações. A qualidade da educação. Para que este novo papel social da educação se cumpra. interessando-se por suas origens.46 É uma palavra muito presente em instituições. de pesquisa. trabalho de equipe (parceria. com menor fragmentação. historicizar e contextualizar os conteúdos ( resgatar a memória dos acontecimentos. investigação e descoberta.6. pois.1 Como a escola pode tornar-se interdisciplinar O primeiro passo rumo à nova proposta é a mudança do paradigma de escola e da postura dos professores. quanto ao tratamento didático que deve ser dado a cada matéria escolar. como: a auto-expressão ( livre. consciente ) .

a melhor maneira de garantir a integração de conteúdos pretendida pelo currículo interdisciplinar. modelos de estruturas universitárias etc. trabalhar com a pedagogia de projetos. uma real revisão curricular. programa) revelará. evitando repetições inúteis e cansativos) . ciência e realidade cotidiana fora da estrutura escolar. por exemplo. discutindo menos como acontecem as aulas e mais como poderão acontecer de uma perspectiva eminentemente educacional. remuneração. a concepção que o professor tem da aprendizagem. de sua visão de mundo e da sociedade contemporânea. dinamizar a coordenação de área ( trabalho integrado com conteúdos afins. a criatividade. do papel que cabe ao aluno. acesso ao ensino superior.) A educação na perspectiva construtivista. A discussão desse assunto tomou para mim um interesse particular a partir de uma pesquisa. concretizados na interação educativa de professores e alunos que desenvolvem um programa de formação. a questão do poder.. seguramente.RJ : Vozes. 5 O PLANEJAMENTO E A ORGANIZAÇÃO DA PRÁTICA DOCENTE 5. Reflexões de uma equipe interdisciplinar. Referência: GOULART. começando pelo confronto dos planos de curso das diversas disciplinas. um espaço. Desenvolver projetos na escola é.1995. a proposta da interdisciplinaridade de buscar o sentido e a unidade do conhecimento e do ser. aproximando-a da vida real. diretrizes. para citar alguns. investimentos. enriquecendo-os ou “enxugando-os “. A importância de discutir e debater a “aula na universidade” advém do fato de ela constituir uma situação. e estimula a iniciativa. o mais profundo e significativo eixo da interdisciplinaridade. 1995). nas ações e interações de professores-alunos-programa no dia-a-dia. vejo relevância em abordar esse tema da forma mais interrogativa e investigadora possível. da autonomia e da centralização decisória na escola) . Aula como espaço de convivência humana e de relações pedagógicas. a cooperação e a coresponsabilidade. a aula é sim um pequeno mundo onde. assim. resgatar o sentido do humano. de sua competência pedagógica e política. Iris Barbosa ( org.ou relacional ( como são as relações interpessoais. responsabilidade social da universidade. de profissionalização de aprendizagem. aluno. que elimina a artificialidade da escola. desvelará maneiras de integrar teoria e prática. Por essas razões. gratuidade. realiza-se a educação de nossos educandos e educadores.1 A aula na universidade Tratar da ”aula na universidade” parece uma questão menor diante dos grandes problemas que afetam o ensino superior brasileiro: políticas. A forma como se der a interação desses três elementos ( professor. em que está presente todos aqueles problemas. qualidade do ensino. um tempo. ou seja. (Masetto. Petrópolis. indicará as diretrizes políticas e educacionais tanto do MEC quanto da instituição concreta onde essa aula se realiza. perguntando-se a todo momento : “o que há de profundamente humano neste novo conteúdo ?” ou “em que este conteúdo contribui para que os alunos se tornem mais humanos ? ” . analisando e refazendo os programas em conjunto. iniciando-se assim. capacitação e condições de trabalho dos docentes. pesquisa.47 aprendizagem fundamenta o trabalho escolar ) . atualizando-os. custos. Didática do Ensino Superior . um ambiente. de seu papel nele. que realizei com alunos do curso de licenciatura da Faculdade de Educação da USP.    Realiza-se.

nós nos demos conta de que. Todas as características que apontam claramente para uma convivência humana no processo de ensino-aprendizagem. ensinavam a pensar. O grupo classe. os estudos. “aula como espaço de convivência humana e de relações pedagógicas?”. leva para a realidade extraclasse as reflexões. como realidade. tinham honestidade intelectual. amizade. as propostas das ciências a respeito dessa mesma realidade. a explicitação das expectativas e necessidades dos alunos. a pesquisar. como nos grupos humanos fora da universidade. refletida e debatida por esse grupo. prioridades. Essa vivência e essa aprendizagem com os outros colegas em aula não costumam ser valorizados nem trabalhados por professores e alunos. eram abertos à crítica. dialogavam. ex-alunos universitários. encontram certa unanimidade de respostas: tinham respeito pelo aluno. o trabalho em equipe. A nossa experiência tem sido a de aprender apenas com nossos professores numa relação individual e de dependência em relação a eles. A aula acontece num movimento de mão dupla: recebe a realidade. estudos análises. Esta aula traz o dia-a-dia para a sala. paixão pela docência. É o vivo. buscando pistas que fizessem com que os alunos superassem aquela sensação de que as aulas são inúteis e uma perda de tempo e com que os professores se sentissem gratificados ao realizar a docência e esta não lhes fosse um fardo e fonte de tantas frustrações. dialogar e trabalhar com elas. características dos professores que vão além do domínio do Didática do Ensino Superior . de vida de profissão. Aula como convivência humana. as características de professores que foram marcantes para eles em seu período de formação. teorias que estão agitando o meio em que vivem alunos e professores. Pesquisas indicam depoimentos de alunos que salientam as estratégias integradoras do grupo como importantes para a aprendizagem e o relacionamento de professores e aluno. conflitos. e precisa ser estudada. Aula como vivência quer dizer aula como vida. a buscar informações. Permite aos alunos desenvolver uma visão crítica acerca dos problemas econômicos e sociais da atualidade e a pensar sua própria atuação profissional nas condições da realidade brasileira. trabalha-a com a ciência e permite um retorno a ela com nova perspectiva para sua transformação. Mas o que quer dizer essa expressão. com a realidade profissional e com as necessidades dos alunos. valorizando as ações participativas. a demonstração de confiança no aluno e em sua responsabilidade pela aprendizagem como fatores fundamentais para fortalecer a convivência. pesquisas. formado por alunos e professores que existem historicamente. Essa aula passa a ser interessante e motivadora para alunos e professores. que ainda não descobriram a riqueza desse intercâmbio. O estudo de alguns resultados dessa pesquisa levou-me a refletir sobre o significado do espaço “sala de aula”. Talvez aqui se encontre a pedra de toque dessas reflexões. com elas aprender a construir conhecimentos e fazer ciência. A sala de aula – vivência. Essa realidade está diretamente integrada ao grupo classe. o atual presentes nessa ação educativa. integração e complexidade – e assim são tratados. porque é real e desafiadora. A aula como espaço que favoreça e estimule a discussão. a relação do conhecimento com a experiência. professores e alunos é um grupo com características próprias. antes de mais nada. etc. o científico. com visões de mundo. cultura. a pesquisa e o debate. Ela permite aplicações práticas. acontecimentos. Seus assuntos e temas se revestem das mesmas características da realidade – globalidade. o estudo. somos um grupo de pessoas que estão se reunindo durante uma grande parte de nossas vidas para buscar algo de muita importância para nós.funciona como um espaço aberto que se impregna de fatos. E vamos precisar aprender a viver com essas pessoas. onde predomina uma grande heterogeneidade. Acostumados por demais a ver nossas aulas como espaço físico. Investigando com professores de hoje.48 Essa pesquisa procurou identificar condições facilitadoras de aprendizagem em sala de aula de 3º grau.

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conhecimento específico de determinada matéria, qualidade imprescindível para um professor, mas insuficiente para educar seus alunos para a vida. Dois filmes, relativamente atuais, que demonstram bem o significado desse aspecto de convivência humana como elemento básico de formação e educação para professores e alunos: Sociedade dos poetas mortos e Admirável professor, que me abstenho de comentar, dada sua divulgação e dado o fácil acesso a eles. A aula como espaço de relações pedagógicas. O encontro desse grupo humano formado de professores e alunos em uma escola tem objetivos educacionais bem definidos. Visa á aprendizagem na área do conhecimento: adquirir informações relacioná-las, contrapô-las a outras, criticá-las, reconstruir o próprio conhecimento, buscar novas informações, sintetizar e tirar conclusões, generalizar etc. A aprendizagem na área de habilidades humanas e profissionais visa aprender a pesquisar, a trabalhar em equipe, comunicar-se com diferentes públicos, relacionar-se com clientes, entrevistar pessoas, aprender a aprender, dominar línguas estrangeiras e recursos oferecidos pela informática. Além dessas, todas aquelas que são específicas de cada profissional e que caberá aos docentes do curso identificar para serem trabalhadas e desenvolvidas. Na área de atitudes e valores, visa o desenvolvimento da consciência da cidadania e de seu compromisso com ela, à discussão dos valores atuais e emergentes, aprendendo a fazer opções e tomar posição diante deles, á valorização da pesquisa e da produção do conhecimento, ao desenvolvimento de uma atitude crítica diante do exercício de sua profissão na sociedade brasileira contemporânea. Queremos chamar a atenção para o fato de que, se a aula na universidade existe para que se adquiram informações e conhecimentos, existe também e principalmente para outros objetivos que no momento parecem estar esquecidos. Sua ausência explica grandemente o desinteresse dos alunos, e sua presença devolveria o interesse e a motivação por ela. Essa concepção de aula traz consigo a modificação da postura do professor de “ensinante” para “estar com”; de transmissor para parceiro de troca, por meio de uma ação conjunta do grupo. Sala de aula: trabalho em equipe, que se explicita na revisão do programa da disciplina ou da matéria encaixando a vida, o concreto, o real, as expectativas, os interesses e os problemas dos aprendizes com a especificidade da disciplina. Nela as estratégias são selecionadas visando à formação do cidadão, do profissional, do pesquisador, favorecendo a iniciativa, a criatividade e a participação no processo. A avaliação é pensada como um feedback relacionado a todos os objetivos educacionais e não apenas àqueles de ordem cognitiva. Essa aula pode se transformar num instante inovador na vida de seus participantes, quando contradições se apresentam, evidências antigas são destruídas e novas, construídas. O professor Rualdo (1996), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, escrevendo sobre a melhoria do ensino e capacitação docente, faz uma reflexão sobre a sala de aula na qual discute a situação mais comumente encontrada de ver aquele espaço como oportunidade de passar conhecimentos versus outra em que pensar, refletir, reconstruir o conhecimento, trabalhar na biblioteca e em laboratórios e pesquisar passa, a ser as atividades rotineiras. Defendendo o contexto da sala de aula como um espaço multifacetado, professor Rualdo destaca, para o nosso debate, os seguintes pontos:    a sala de aula como local de crescimento pessoal e interpessoal; a busca de experiências significativas; a sala de aula como local de incentivo á descoberta: o conhecimento como construção/ aventura. a sala de aula como local de desenvolvimento de capacidade de raciocínio; a busca da habilidade de pensar sobre si mesmo.

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 a sala de aula como local de desenvolvimento da compreensão ética: o professor como modelo de integridade profissional.

Autor: Marcos T. Masetto Fonte; In: FAZENDA, Ivani (org). Didática e Interdisciplinaridade. Campinas-SP, 1998,( p.179-191)

5.2 Planejamento de ensino
Texto organizado por Clemência Maia Vital Mestre e Doutora em Educação. Para buscar respostas plausíveis aos desafios que essa nova educação impõe, o educador deve organizar-se buscando quatro aprendizagens essenciais que, ao longo de toda vida, serão de algum modo sua bússola segura: essas aprendizagens seriam:  Aprender a conhecer. Isto é, adquirir as competências para a compreensão, incluindo o domínio dos próprios instrumentos de conhecimento. Em síntese, quem aprende a conhecer aprende a aprender, e essa aprendizagem é absolutamente essencial para as relações interpessoais, as capacidades profissionais e os fundamentos de uma vida digna. Essa primeira aprendizagem seria uma palavra de ordem que dá um basta à aprendizagem dos saberes inúteis que entulham nossos currículos e também o fim de uma visão de que o ensino deve estar restrito a certo número de horas por dia e de certo número de anos para sua conclusão. Em seu lugar devem imperar habilidades para se construir conhecimentos, exercitando os pensamentos, atenção e a memória, selecionando as informações que efetivamente possam ser contextualizadas com a realidade que se vive e capazes de serem expressas através de linguagens diferentes; Aprender a fazer. Embora quem aprenda a conhecer já esteja aprendendo a fazer, essa segunda aprendizagem enfatiza a questão da formação profissional e o preparo para o mundo do trabalho. Que não se entenda aqui que o tema possa se referir ao Ensino Técnico ou algo similar, mas sim que a escola, desde a educação infantil, ressalte a importância de se pôr em prática os conhecimentos significativos ao trabalho futuro. Aprender a fazer, portanto, não pode continuar significando “preparar alguém para uma tarefa determinada” , mas sim despertar e estimular a criatividade para que se descubra o valor construtivo do trabalho, sua importância com forma de comunicação entre o homem e a sociedade, seus meios como ferramentas de cooperação e para que transforme o progresso do conhecimento em novos empreendimentos e em novos empregos”; Aprender a viver juntos, viver com os outros. Para que isso possa verdadeiramente acontecer é essencial que os professores tenham coragem de desvestir a escola de sua fisionomia de quartel e deixar de ser um disfarçado campo de competições para, aos poucos, ir se transformando em um verdadeiro centro de descoberta do outro e também um espaço estimulador de projetos solidários e cooperativos, identificados pela busca de objetivos comuns. Essa missão é bem mais difícil de ser começada do que ser concluída e em diferentes pontos e lugares existem experiências extraordinárias da descoberta do outro a partir da descoberta de si mesmo. Os caminhos do autoconhecimento e da autoestima são os mesmos da solidariedade e da compreensão; Aprender a ser. Ouve um tempo na educação grega em que era quase impossível pensar na mente sem que se pensasse também no corpo. Essa visão holística e integral do homem, tempos depois, foi sendo devorada por uma concepção divisionária da educação, onde os atributos do corpo somente deveriam ser perseguidos pelos limitados em sua mente. Aprender a ser retoma a idéia de que todo ser humano deve ser preparado inteiramente – espírito e corpo, inteligência e sensibilidade, sentido estético e responsabilidade pessoal, ética e espiritualidade – para elaborar pensamentos autônomos críticos e também para formular os próprios juízos de valores, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir em diferentes circunstâncias da vida. Didática do Ensino Superior

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Evidente que os argumentos são sedutores, mas também é natural que surja no professor uma respeitável dúvida quanto a sua prática. Não seriam os pilares da educação propostos nesse relatório apenas “palavras vazias”, objetivas retóricos, discursos distantes do cotidiano em uma sala de aula? A resposta é não e o próprio relatório Educação – Um tesouro a descobrir já apresenta alguns caminhos. Outros são propostos por Perrenoud. Os conteúdos a serem trabalhados na formação dos sujeitos podem ser classificados em três grandes categorias, a saber:    Conceituais: relativos a informações, fatos, conceitos, imagens, etc. Procedimentais: habilidades, hábitos, aptidões, procedimentos, etc. Atitudinais: disposições, interesses, posturas, atitudes, etc.

A aprendizagem de conceitos e princípios1 Conteúdos conceituais:  Os conceitos se referem ao conjunto de fatos, objetos ou símbolos que têm características comuns (mamífero, densidade, impressionismo, romantismo, sujeito, cidade, cambalhota,...); Os princípios se referem às mudanças que se produzem num fato, objeto ou situação em relação a outros fatos, objetos e situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação (as leis ou regras como a de Arquimedes, as normas ou regras de uma corrente literárias,...). Uma das características dos conteúdos conceituais é sempre existe a possibilidade de ampliar ou aprofundar seu conhecimento, de fazê-la mais significativa. As condições para a aprendizagem são: o o o o Atividades complexas que provocam um verdadeiro processo de elaboração e construção pessoal do conceito. Atividades experimentais que favoreçam que os novos conteúdos se relacionem com os conhecimentos prévios. Atividades que promovam essas relações e desafios ajustados às possibilidades reais, proporcionando significado e funcionalidade aos novos conceitos. Atividades que favoreçam a compreensão do conceito a fim de utilizá-lo para a interpretação ou o conhecimento de situações, ou para a construção de outras idéias.

 

Os conteúdos procedimentais:     Um conteúdo procedimental inclui, entre outras coisas, as regras, técnicas, os métodos, as destrezas ou habilidades, as estratégias, os procedimentos - um conjunto de ações ordenadas e com um fim, ou seja, dirigidas para a realização de um objetivo. Aprende-se os conteúdos procedimentais a partir de modelos especializados. A realização das ações que compõem o procedimento ou a estratégia é o ponto de partida para a aprendizagem. Em seguida a exercitação múltipla até que possa dominar e a reflexão sobre a própria ação para tomar consciência da mesma, pois para poder melhorar o procedimento é necessário refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso, sendo, então, imprescindível conhecer o conteúdo.

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ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. Didática do Ensino Superior

de acordo com valores determinados. imprescindível conhecer o conteúdo. enfim.  Atitudes: são tendências ou predisposições relativamente estáveis das pessoas para atuar de certa maneira. uma análise e uma avaliação das normas e uma tomada de posição. o respeito. e quando se interiorizam as normas e se aceitam como regras básicas de funcionamento. ou se aplicará um estudo dirigido. é a partir desses aspectos que se estabelece o como ensinar. então. 5. Ou seja. sua escolha e aplicação dependem dos objetivos estabelecidos. Consideramos procedimentos de ensino as “ações. como a solidariedade. processos ou comportamentos planejados pelo professor. Como a aprendizagem é um processo dinâmico. desde as mais instintivas até as fortemente reflexivas. para colocar o aluno em contato direto com coisas. Aprende-se uma norma em diferentes graus: aceitação. ou se fará um trabalho com texto.  Normas: são padrões ou regras de comportamento que devemos seguir em determinadas situações. sendo. isto é. É a partir dos objetivos propostos para o ensino que se escolhem os procedimentos de ensino e se organizam as experiências de aprendizagem mais adequadas. fatos ou fenômenos que lhes possibilitem modificar sua conduta. A aplicação. os procedimentos de ensino dizem respeito às formas de intervenção na sala de aula. Além do mais. e participar das atividades. Os conteúdos atitudinais envolvem um processo marcado pela necessidade de elaborações complexas de caráter pessoal. ou se utilizará jogos educativos. supondo uma reflexão sobre os possíveis modelos. em função dos objetivos previstos” Turra. a partir desses critérios básicos. Conteúdos atitudinais: Os conteúdos atitudinais estão configurados por componentes afetivos (sentimentos e preferências). que se definem as formas de intervenção na sala de aula para ajudar o aluno no processo de reconstrução do conhecimento.126 Portanto. Refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso. ou se fará um trabalho em grupo. São exemplos: cooperar. Engloba uma série de conteúdos que tratam de:  Valores: são os princípios ou as idéias que permitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e se sentido. enfim. o professor fará em sua aula uma exposição dialogada. Portanto.p. critérios morais que regem a atuação e a avaliação de si mesmo e dos outros. conformidade quando implica uma certa reflexão sobre o significado da norma. a responsabilidade e a liberdade. Didática do Ensino Superior . em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo. constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que pode se fazer e o que não pode se fazer neste grupo. sente e atua de uma forma mais ou menos constante. embora não se entenda a necessidade de cumpri-la.3 Estratégias de ensino aprendizagem O termo estratégia de ensino é empregado para designar os procedimentos e recursos didáticos a serem utilizados para atingir os objetivos desejados e previstos. Aprende-se um valor quando foi interiorizado e foram elaborados critérios para tomar posição frente àquilo que deve se considerar positivo ou negativo.52    A aplicação. cognitivos (conhecimentos e crenças) e condutores ( ações e declarações de intenção). em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo. Aprende-se uma atitude quando a pessoa pensa. ela só ocorre quando o aluno realiza algum tipo de atividade. podendo ser voluntária ou forçada.

Por isso. Por isso. Didática do Ensino Superior . justificar e criar. independentemente dos procedimentos adotados. estimular os esquemas mentais dos alunos.53 A aprendizagem ocorre quando o aluno participa ativamente do processo de reconstrução do conhecimento. compreensiva e construtiva. permitir que o aluno aplique seus esquemas mentais ao conteúdo a ser aprendido. isto é. Uma didática operatória baseada no construtivismo cognitivo de Jean Piaget. ouvir. contribuindo para o desenvolvimento do pensamento operatório. é preciso substituir. Desses princípios podemos extrair algumas normas didáticas que podem nortear o trabalho docente. ler. a manipulação e a experimentação se realizem. como operação mental. Por sua vez. ordenar. garantindo uma aprendizagem mais duradoura. existem dois princípios pedagógicos fundamentais que devem ser postos em prática. assimilação e fixação. criando condições para que eles construam o conhecimento através de sua própria atividade. que concebe o conhecimento como uma redescoberta e uma reconstrução por meio da atividade do educando. No entanto. como pensamento reflexivo. as tarefas mecânicas que apelam para a repetição e a memorização. criando condições para que eles se mantenham numa atitude reflexiva. conceituar. E atividade aqui é entendida não apenas como ação efetiva. Cabe ao professor. refletir. se o aluno puder construir o objeto do ensino por meio de sua atividade mental. Para que a aprendizagem se torna mais efetiva. ao aluno cabe manipular. induzir. seriar. redigir. perguntar. e ambos formam as estruturas mentais do indivíduo. O procedimento didático mais adequado. dialogando e dando explicações claras. estimulando o pensamento operatório. isto é. experimentar. provar. a função do professor é coordenar e facilitar o processo de reconstrução do conhecimento por parte do aluno:    apresentando situações desafiadoras que acionem os esquemas operatórios de pensamento. e para desenvolver habilidades operatórias. deduzir. mas antes de tudo como ação interiorizada. à aprendizagem de um determinado conteúdo é aquele que ajuda o aluno a incorporar os novos conhecimentos de forma ativa. O professor pode utilizar os mais variados procedimentos de ensino e oferecer aos seus alunos as mais diversas experiências de aprendizagem. comparar. fazer estimativas. nas aulas. conceituar. Os esquemas de ação são a base dos esquemas operatórios. classificar. tem dois objetivos básicos:   estimular as estruturas e os esquemas mentais do aluno. ao planejar uma unidade didática. para facilitar sua compreensão. enunciar conclusões. mais significativa e duradoura. aplicando seus esquemas operatórios de pensamento aos conteúdos estudados. a aprendizagem supõe atividade mental. falar. situar fatos no tempo e no espaço. Nessa perspectiva. A aprendizagem será mais significativa se o ensino partir das experiências. por tarefas que exijam dos alunos a execução de operações mentais. sintetizar. qualquer que seja o procedimento de ensino adotado. pois aprender é agir e operar mentalmente é pensar. observar. construir. São elas:  Incentivar sempre a participação dos alunos. analisar. estabelecer relações. vivências e conhecimentos anteriores dos alunos. física. propor hipóteses. São eles:   A aprendizagem será mais eficiente. criando condições para que a pesquisa. o professor deve prever e determinar as operações mentais que serão realizadas pelos alunos. independente dos procedimentos de ensino que usa e dos métodos que aplica.

Oferecer ao aluno oportunidade de transferir e aplicar o conhecimento aprendido a casos concretos e particulares.54     Aproveitar as experiências anteriores dos alunos. ou expressando opiniões e posições. nas mais variadas situações. Estudar e analisar um tema por um pequeno grupo de pessoas interessadas. vinculada a uma concepção de mundo e de sujeito educado. Este componente do Plano de Ensino delineia como vão ser desenvolvidos os conteúdos de ensino. relacionando-os com os objetivos. para que eles possam associar os novos conteúdos assimilados às suas vivências significativas. quer formulando respostas e perguntas. é exatamente como o professor vai proceder na sala de aula para incentivar. Pergunta circular. Painel Simpósio. se o aluno assimilou e compreendeu o conteúdo desenvolvido.1 Algumas dicas de técnicas a serem exploradas OBJETIVO EDUCATIVO Possibilitar aos alunos numa classe numerosa ocasião de participar. para fornecer informação e esclarecer conceitos. mas toda uma teoria que a sustenta. A concretização da metodologia é feita com o componente chamado procedimento metodológico. o professor não está escolhendo somente técnicas ou métodos. O professor deve ter perante a didática uma atitude crítica. A prática pedagógica deve ser analisada e repensada continuamente pela reflexão. ou procedimentos de ensino e que são muitas vezes denominados de estratégias. Adequar o conteúdo e a linguagem ao nível de desenvolvimento cognitivo da classe. deve refletir sobre a melhor forma de ajudar seus alunos no processo de reconstrução do conhecimento e sobre a eficácia de sua ação didática. A metodologia refere-se ao “como” do processo de ensino. Desenvolver capacidade de observação e crítica do desempenho grupal. Nesse processo há uma combinação entre atividades do professor e atividades dos alunos. chegando a conclusões(consenso). Grupos de verbalização e Tempestade cerebral. integração. por intermédio da avaliação contínua.3. Conseguir que todos os participantes expressem as suas opiniões. Grupos pequenos. 5. Produzir grande quantidade de idéias em prazo curto. Grupos de observação. organizar o processo ensino-aprendizagem. Por isso. TÉCNICAS ADEQUADAS Phillips 66 Díade Grupos de cochicho Times de observação Aprofundar a discussão de um tema ou problema. Didática do Ensino Superior . com alto grau de originalidade e desinibição. Verificar constantemente. expressa nos resultados da avaliação do aproveitamento do aluno. Apresentar diversos aspectos de um mesmo tema ou problema. Torna-se importante ressaltar que ao escolher uma determinada metodologia para desenvolver uma aula ou curso.

Diálogos sucessivos. Investigar diversos aspectos de um problema e colocar resultados em comum. Desenvolver a empatia ou capacidade de desempenhar os papéis de outros e de analisar situações de conflito. Reflexão ou círculo de estudos. Painel de oposição. ou para trabalhar. Método de Projetos. as técnicas de dinâmica de grupo são indispensáveis no processo de ensinoaprendizagem. mais ele interioriza conceitos. Desenvolver a capacidade analítica e preparar-se para saber enfrentar situações complexas. possibilitando interação e aprendizagem. Estudo orientado em equipes. análise e síntese.3. Oficina ou Laboratório (“Workshop”). Dramatização Seminário. ouve. com ajuda de pessoas para consulta. Será que nós professores concordamos com isso? Façamos agora uma reflexão coletiva das questões abaixo:     Qual o professor que marcou positivamente em minha vida de estudante? Por que? Qual as lembranças desagradáveis do período em que passei na escola? Quais os momentos mais agradáveis vividos? Qual o tipo de aula que mais gostei? E as que detestei? O resultado dessas respostas discutidas e socializadas. Enfrentar pessoas com idéias opostas para que de sua confrontação surjam subsídios para orientar as opiniões. Debate.55 Meditar coletivamente sobre um tema importante. Na prática de sala de aula. Aprender a trabalhar em equipes na solução de problemas. Reconhecer a diversidade de interpretações sobre um mesmo assunto. Desenvolver a capacidade de estudar um problema em Equipe. Aprender fazendo e resolvendo problemas com a intervenção de recursos humanos competentes e o benefício da discussão. vê e participa de atividades. mediante o estudo coletivo de situações reais ou fictícias.2 Por que técnicas de dinâmicas de grupo? A Dinâmica de Grupo estuda as interações (influências mútuas) entre as pessoas que estão juntas para divertir-se. quais são as funções das técnicas de dinâmica de grupo? Eis algumas para reflexão: Didática do Ensino Superior . adquirindo habilidades de interpretação. de forma sistemática. participativa e prazerosa. Estudo de casos. Na escola. 5. estudar. a fim de chegar a uma tomada de e posição. sente. pois quanto mais o aluno fala. com certeza nos ajudará a valorizar uma aula dinâmica.

Cópias de fax . O trabalho em grupo derruba as barreiras individuais e destrói as MÁSCARAS. Uso de gravadores Estágios .3 Lista de atividades de ensino Lista de atividades de ensino . No grupo não há o bode expiatório (culpado pelo fracasso). O incentivo e a fidelidade ao grupo são forças muito mais poderosas para a produtividade que o prêmio e o castigo. cinema ) Uso de instrumentos de observação: microscópio. simpósios e painéis.. Consultas bibliográficas. Comparação de objetos e fenômenos. Sociograma (sociometria).56  O trabalho em grupo possibilita que o aluno participe com o máximo de suas potencialidades. incluindo revistas e folhetos. tanto do ponto de vista da criatividade (originalidade). Didática do Ensino Superior . Apostilas mimeografadas. Comitês de observação ou escuta. convites a especialistas para proferirem palestras Assistência a exposições e exibições . pode servir para desenvolver diversas capacidades . Instrução programada Manuseio de máquinas . Transmissão de informação por vários receptores. TV. daí a repetição que se observa nas diversas listas parciais. Seminários . Toda comunicação produz aprendizagens. 1. catalogadas segundo o tipo de capacidade que mais provavelmente desenvolverá . rádio. Auxílios audiovisuais (flanelógrafo . álbum seriado .3. mas um bando. evidentemente .                   Excursão e visitas. Desenho de objetos. lâminas . A Dinâmica de Grupo torna o conhecimento próprio de cada um de seus membros um patrimônio do grupo pela intensificação da COMUNICAÇÃO entre seus membros.é que não era um grupo. Correspondência . promovendo um relacionamento profundo e autêntico. construções etc. partes vegetais. sendo que uma mesma atividade de ensino . Concurso sobre quem observa mais detalhes numa situação.       5.) Uso de meios de comunicação pública(jornais. donde surge intensa solidariedade e afetividade. Entrevistas de pessoas. pedras.. Se aparece o bode expiatório. etc. binóculos Uso de câmaras fotográficas e de cinema . Exame dos objetos reais (espécies) Escrever o que foi observado. mas a cultura é do grupo”. Censo de problemas em reunião. lupa. Coleção de insetos. animais . descrever situações e adquirir conhecimentos e informações. O trabalho em grupo cria o ESPÍRITO DE EQUIPE e a FIDELIDADE AO PROJETO comum. pois põe em comum experiência diversa.CAPACIDADE DE OBSERVAR Inclui as operações: Perceber a realidade. xerox e internet . Dinâmica de Grupo se faz pela COMUNICAÇÃO. fazendo as pessoas trabalharem por prazer e não como uma obrigação. etc. Pesquisa de informação . Levantamento de campo. como do ponto de vista da coerência. a ponto de dizer que “a especialidade é dos indivíduos.

decisões . “Medir é o ato de colher informações. transpor e transformar . Construção de maquetes . Leitura individual supervisionada 3 – CAPACIDADE DE TEORIZAR Inclui as operações: Repensar a realidade . realizar. construir. passos de uma seqüência ou processo . faz a seguinte distinção entre medir e avaliar. criticar . tomar 5. Discussão dirigida pelo professor Painel de discussão . Pergunta circular Julgamento de concursos e exibições . levando em conta seu aspecto quantitativo numérico. discutir valores . pesquisar . explicar ou desenvolver conceitos e proposições .. resolver problemas . Leitura de textos sobre pesquisa Leituras de jornais diversos . Projetos de pesquisa individual e grupal       Preparação de instrumentos de coletar dados (questionários etc ) Prática de entrevistas . construir modelos. 2 – CAPACIDADE DE ANALISAR Inclui as operacões : decompor objetos ou sistemas em elementos constitutivos.chaves . física . muitas vezes. em educação. dirigir. formular hipóteses . Diagnóstico de situações (plantas. extrapolar . Painel de oposição . objetos Execução de análise ( química . Estudo dirigido . interpretar segundo critérios vários. Reflexão individual ou em grupos Contato com estudiosos 4 – CAPACIDADE DE SINTETIZAR Inclui as operações : Julgar . insetário etc . Zélia Domingues Mediana. é empregada como mensuração. debater. grupos ) Estudos de caso .4. aulas expositivas. Análise de projetos Recursos visuais: diagramas esquemas gráficos . discriminar elementos de um problema . pesquisas . organizar. O que é medir e avaliar A palavra Avaliação. animais.. 5 – CAPACIDADE DE APLICAR E TRANSFERIR O APRENDIDO Inclui as operações : Planejar. Pesquisa bibliográfica. fenômenos. A medida. Reflexão . predizer . apreciar . ) Estudo dirigido . fatores varáveis e parâmetros de uma situação. inferir. enumerar qualidades e propriedades . produzir. Redação Discussão em pequenos grupos . miniaturas. procura descrever quantitativamente o grau em que o aluno dominou Didática do Ensino Superior .57  Redação de relatórios . Leitura de relatórios de pesquisa Coleções : herbário . Simpósios Comparação de teorias. relações e partes de um todo . modelos .1. palestras. associar . avaliar . executar. conferências . deduzir. distinguir pontos.. generalizar .4 Avaliação do ensino 5.           Instrução programada . botânica etc .

que conduzam a melhoria da aprendizagem. Diagnóstica – visa determinar a presença ou ausência de conhecimentos e habilidades. problematizar. É simplesmente uma descrição quantitativa do conteúdo aprendido. p. É progressiva: não é estanque. de um ambiente educativo. precisos. 2. recebem a atenção de quem avalia em função de alguns critérios ou pontos de referencias para emitir julgamento que seja relevante em educação”. 3. Formativa – tem como finalidade informa ao professor e o aluno sobre os resultados da aprendizagem. A avaliação fundamenta-se em pressuposto como:       É dinâmica: não é estática. formular objetivos em termos de comportamentos observáveis. Avaliar é um processo mais amplo que a medida porque utiliza tanto descrições quantitativas. 1. segundo níveis de aproveitamento apresentados. durante o desenvolvimento das atividades escolares. Somativa – tem a função de classificar o aluno ao final de uma unidade de estudos. É integrada: não é isolada do ensino. etc. O aluno não deve ser um indivíduo passivo e o professor a autoridade que decide o que o aluno precisa e deve saber. de materiais didáticos. etc.. Enquanto a avaliação formativa verifica o desenrolar do processo ensino-aprendizagem. Ela deverá ocorrer no inicio de cada ciclo de estudo. O professor não irá apresentar verdades. A partir de uma segura avaliação diagnóstica é possível estabelecer novos objetivos. ”(1995 p. 5. emitir juízo de valor que sirva de base para ações futuras. 32) Na linguagem popular o verbo avaliar significa atribuir valor a alguma coisa. trabalhos dissertativos. Didática do Ensino Superior . a avaliação somativa busca verificar o processo final da aprendizagem. Uma avaliação deve se alicerçar em objetivos claros. questionar as teorias e juntos descobrirão as melhores alternativas para superá-los. ambos caminhando na mesma direção em busca dos mesmos objetivos.4. inclusive buscando detectar pré-requisitos para novas experiências de aprendizagem. Modalidade de avaliação A avaliação classifica-se em três modalidades. de objetivos educacionais. mas com o aluno irá investigar. Deve-se observar na avaliação formativa: saber o que se deve avaliar e para que serve os resultados. testes.58 determinado objetivo. já que é o sujeito da ação educativa.2.298) afirma: “A avaliação se refere a qualquer processo por meio do qual algumas ou várias características de um aluno/a de um grupo de estudantes. É versátil: não se efetiva sempre da mesma forma. professores/as. Gimeno Sacristán e Perez Gomes em sua obra “Compreender e Transformar o Ensino” (2000. É abrangente: não restrita a alguns aspectos da personalidade do educando. programas. simples. com a participação do aluno. estabelecer diferentes estratégias de reforço (Feedback). Na Educação o significado de avaliar consiste em classificar o aluno através de provas. como qualitativas. Não inclui descrições qualitativas nem juízo de valor”. A avaliação só será eficaz se ocorrer de forma interativa entre professor e aluno. etc. É continua: não é terminal.

Segundo Sacristán (2000. p. A tarefa não é simples e não existe garantia absoluta de êxito. selecionar. semelhanças e diferenças.1 Planejamento de ensino Inúmeras são as conceituações sobre planejamento de ensino encontradas nos diferentes autores consultados. econômico e eficiente”.. que os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos. Transferir conhecimentos adquiridos para situações semelhantes. elaboração de material e muita atenção aos comportamentos dos alunos. recolher e tratar informações válidas. Concluindo: ensinar a pensar implica oferecer ao aluno oportunidades para que este pense. Didática do Ensino Superior . Comparar idéias ou processos. Isso é valorizar os aspectos qualitativos da avaliação.5 Orientações práticas para elaboração do plano de ensino e de aula 5. Isso significa dizer que deve ser valorizadas a capacidade e habilidade do indivíduo. planejamento de atividades.. nº 9394/96.. até porque exige do professor dedicação. Entretanto. Cabe ao professor oferecer atividades que exijam a participação dos alunos com o emprego de pensamento e habilidades mentais. (não cabe ao professor fazer críticas que possam restringir a imaginação e a criatividade do aluno). de modo a tornar o ensino seguro. Imaginar o que faria se. “Previsão de situações específicas do professor com a classe”. Criticar a validade e/ou deficiências de uma situação com fundamento em sua avaliação e experiências. Formular hipóteses relativas às soluções de alguns problemas.59 Diz a lei de diretrizes e Bases da Educação Brasileira. Decodificar e interpretar mensagens orais e escritas. No entanto. importa dizer que as atividades acima relacionadas para desenvolver o pensamento e as habilidades mentais são apenas alguns exemplos dentro de um contexto mais amplo. alínea “a”.5. Estabelecer relações entre essas informações. apresentando seu ponto de vista. Vejamos alguns exemplos do emprego de pensamento e habilidades mentais que podem ser desenvolvidos pelo aluno:             Detectar. destacando os aspectos mais significativos. 5. 303) “as capacidades e habilidades dizem respeito a modos organizados de operações e a técnicas generalizadas para tratar de materiais e problemas”. Interpretar um texto. inciso V. Justificar uma situação problema através de uma linguagem verbal clara e objetiva. Apresentar solução para um problema. consideramos as seguintes: Planejamento de Ensino é:   “previsão inteligente e bem calculada de todas as etapas do trabalho escolar que envolvem as atividades docentes e discentes. buscando encontrar relações mútua. Resumir um texto. em seu artigo 24.

assegurar um ensino efetivo e econômico. p. PRECISÃO E OBJETIVIDADE Os enunciados devem ser claros. gradualmente. 1969.dos elementos previstos. possibilitando melhores resultados e. Kapelusz. de acordo com as necessidades e/ou interesses dos alunos. Flávia Maria et al. toda a ação a ser empreendida (Plano de Ensino ou de Curso). subtemas não previstos e questões que enriqueçam os conteúdos por desenvolver. Por ordem de abrangência. as distintas atividades. PLANO DE ENSINO É um instrumento de trabalho amplo. Porto Alegre. Planejamento de Ensino e Avaliação. verificar a marcha do processo educativo. maior produtividade”.2 OBJETOS DO PLANEJAMENTO DE ENSINO São objetivos do planejamento de ensino:     racionalizar as atividades educativas. 1996. especificar as realizações diárias para a concretização dos planos anteriores (Plano de Aula). bem como permitir alteração . O planejamento tende a prevenir as vacilações do professor. as sugestões devem ser inequívocas. Didática do Ensino Superior . precisos. é considerada etapa obrigatória de todo trabalho docente. Buenos Aires. desde a primeira até a última. Pelo significativo apoio que o planejamento empresta à atividade do professor e alunos. na situação ensino-aprendizagem. oferecendo maior segurança na consecução dos objetivos previstos. durante o período (ano ou semestre) letivo. As indicações não podem ser objeto de dupla interpretação. pode organizar três tipos de planos. objetivos e sintaticamente impecáveis. conduzir os alunos ao alcance dos objetivos. 2 SANT’ANNA. globalmente. derivados dos fins a serem alcançados. de sua unidade e correlação dependerá o alcance dos objetivos propostos. disciplinar partes da ação pretendida no plano global (Plano de Unidade).56-57. Flexibilidade Deve permitir a inserção sobre a marcha.60  “processo de tomada de decisões bem informadas que visam à racionalização das atividades do professor e do aluno.restrição ou supressão . 11. de temas ocasionais. sintético que serve de marco de referência às operações de ensino-aprendizagem que se desencadearão durante o curso. genérico. em conseqüência. Sagra: De Luzzatto. considera como características essenciais do bom plano de ensino: Coerência As atividades planejadas devem manter perfeita coesão entre si. ed. de modo que nada fique jogado ao acaso. Seqüência Deve existir uma linha ininterrupta que integre. CARACTERÍSTICAS DO BOM PLANO DE ENSINO Ricardo Nervi em La prática docente e seus fundamentos psico-pedagógicos. vai:    delinear. O professor. bem como na verificação da qualidade e quantidade do ensino que está sendo orientado pelo mestre e pela escola. de modo que não se dispersem em distintas direções.

............. Carga horária:.............. seqüência lógica... isto é..................... Curso:....... CONTEÚDOS / UNIDADES No Plano de Curso......... Todo plano....................... ou de cada unidade................... favorecendo o processo de aprendizagem.... e em critérios psicológicos que traduzem o sentido que o conteúdo tem para o aluno..............5........................................... trimestre ou mês).............. Ao realizar esta previsão... Os gerais serão alcançados no final do curso e os específicos no final de cada aula.... Para isso......... descrevendo comportamentos que se esperam dos alunos................... Período:.... entretanto..... todos os componentes do plano estarão organizados dentro de uma linha que haja coerência............... essa asserção também é verdadeira....... em sua estrutura........... ensino e aprendizagem.......................... Município:. organizando-as em seqüência de aprendizagem.......... homem... Horário:..........2 Como elaborar um plano de ensino Não existe uma forma rígida e ser seguida na elaboração de planos................ Para tanto............................................................ No caso do Plano de Ensino........ todo professor deve ter o cuidado de iniciar seu plano fazendo constar os dados abaixo:        Entidade:.......................... sociedade...... EMENTA A ementa é um resumo do conteúdo a ser ministrado. porque indica o que o professor e os alunos farão no desenrolar de uma aula ou conjunto de aulas.............61 O Plano de ensino é o pré-estabelecimento do trabalho a ser desenvolvido enquanto durar o curso (semestre................... esta deve ser feita com base em critérios lógicos atendendo às necessidades do conteúdo............ Didática do Ensino Superior ......................................... deve conter.................... Professorª: ... as informações consideradas valiosas para o alcance dos objetivos.................. o professor buscará selecionar os pontos fundamentais... OBJETIVOS Os objetivos do plano de curso devem ser formulados em termos gerais e específicos............... a organização seqüencial dos conteúdos implica relacionamento dos temas selecionados............... objetividade e flexibilidade para que seja efetivamente um instrumento para a ação do professor e do aluno.......... toda experiência nova deve relacionar-se e integrar-se com as experiências prévias dos alunos........................................ Nossa sugestão é a seguinte: DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Toda situação particular requer a determinação de sua identidade................................................................. Deverá ser um guia de orientação que estabelecerá as diretrizes e os meios de realização do trabalho docente.. os elementos que garantam uma seqüência coerente nas situações de ensino-aprendizagem.................................. 5............................ a previsão dos conteúdos deve enfatizar a dependência do novo conhecimento a ser adquirido com os conhecimentos já aprendidos. Segundo Cols e Marti (1972)....................... O Plano de Ensino será elaborado a partir da concepção que se tem sobre educação............... METODOLOGIA Esse componente é que dará vida aos objetivos e conteúdos.

Refere-se ao “como” do processo de ensino. como serão organizadas as aulas teóricas e as aulas práticas. Ressaltando novamente. ou seja. os instrumentos que utilizará e a forma de comunicação dos resultados. efetivamente. é exatamente como o professor vai proceder na sala de aula para incentivar. Dependendo do sistema de avaliação selecionado. organizar o processo ensino-aprendizagem. A concretização da metodologia é feita com o componente chamado procedimentos metodológicos. no seu plano de curso. ou procedimentos de ensino muitas vezes denominados de estratégias. Ex: Quadro-de-giz. providenciará a confecção do necessário. É super importante ter esse processo em mente. “a priori”. Não existe. Adotando tal medida. RECURSOS DIDÁTICOS Os recursos de ensino devem também ser previstos pelo professor no seu plano de curso. mas toda uma teoria que a sustenta. o professor poderá adotar graus ou conceitos para especificar o nível de alcance dos objetivos.62 O processo ensino/aprendizagem requer a presença de duas facetas: a assimilação de novos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas dos alunos. Só assim ele saberá o número de aulas que. relacionando-os com os objetivos. retroprojetor. antecipará a constatação da disponibilidade de recursos existentes. cartazes. Torna-se importante ressaltar que ao escolher uma determinada metodologia para desenvolver uma aula ou curso. Didática do Ensino Superior . ou na falta dos mesmos. etc. porém. apagador. é necessário que o professor estabeleça um cronograma de execução. um modelo único. a grande preocupação é que na metodologia esteja claro como se dará a relação teoria e prática. Nesse processo há uma combinação entre atividades do professor e atividades dos alunos. Este componente do Plano de Ensino delineia como vão ser desenvolvidos os conteúdos de ensino. FORMAS DE APRESENTAÇÃO DE PLANO DE CURSO As formas de apresentação do plano de curso podem ser variadas. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO Para que o plano de curso atenda a condição de exequibilidade em relação ao tempo disponível. vinculada a uma concepção de mundo e de sujeito educado. REFERÊNCIAS É uma lista de material publicado. disporá para desenvolvimento de seu trabalho. AVALIAÇÃO Para avaliar o alcance dos objetivos propostos. o professor não está escolhendo somente técnicas ou métodos. apostilas. não perdendo de vista a articulação teoria e prática. a importância de o plano guardar uma organização estrutural coerente com as situações de ensino-aprendizagem. utilizado pelo instrutor para elaboração de seu curso. Neste sentido. o professor indicará. para que o conhecimento seja construído.

5.63 5._______________________________________________________ Horário_______________________________________________________ Período: ______________________________________________________ Carga horária: _________________________________________________ Professor (a): __________________________________________________ EMENTA REFERÊNCIAS LEGAIS HABILIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS NOS ALUNOS CARACTERIZAÇÃO DA DISCIPLINA OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS Didática do Ensino Superior .3 Modelo de plano de ensino DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Entidade: _____________________________________________________ Município: ____________ ________________________________ Curso:.

Nota 3A. Nota Didática do Ensino Superior .64 OPERACIONALIZAÇÃO DO PLANO DE AULA MMês Total de aulas CONTEÚDOS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO 1A. Nota ESTRATÉGIAS CRITÉRIOS E PONTUAÇÃO 2A. Nota 4a.

. responsabilizando-os dos pequenos e grandes problemas. Os homens jogavam então a bola para os governantes. E alguns pensadores começaram a questionar se a bola não ficaria melhor nas mãos do pai e da mãe . o sofrimento. fazia aumentar a prostituição. e do pai. Afinal. O povo passava fome. e do sistema..Culpa do governo. ou caindo pela tangente a bola estava nas mãos do sistema. o senhor sistema não educou bem seus cidadãos! Houve um esforço grande para entender se realmente a bola ficaria na estante do sistema. Alunos não tinham bom desempenho... Os homens passaram a atribuir todo o mal do mundo .. Assim foi durante muito tempo! .Afinal. O sistema: Vindo da direita. as injustiças – a falta cometida por Adão e Eva. O homem aos poucos se conscientizava e chegava a’ conclusão de que a bola não era. Professores não eram competentes.. tudo o que vem de um presidente vulnerável aos altos e baixos de popularidade. sim. por todos os males que envolviam a sociedade. E jogavam a bola para o governo... as crises.. Sim.Ou e dos educadores. Culpa do governo. Didática do Ensino Superior . o sistema.. a marginalidade.. culpa dos parlamentares. o responsável direto pela decadência da sociedade. e a família o berço da aprendizagem. o tempo passando e o mundo evoluindo. de quem e a bola. Adão e Eva cometeram a primeira falta contra Deus. só pode ser o sistema. e do governo. Sim. a violência que amedronta a todos... Culpa do governo. da mãe e da escola. Adão e Eva No principio do mundo.as doenças.65 5a. do congresso. ele devia ser a causa de tudo! O governo: O governo passou a ser responsável por todos os problemas.. do centro.. Acontecem que as crises foram aumentando.Ele.. não podia ser só de Adão e Eva.6 Reflexão DE QUEM E A BOLA (Adaptação de texto-Carmen Lucia Carnieri) E de adão e Eva. Nota REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS _________________________ Professor(a) _______________________ Coordenador(a) 5. Culpa do governo. da moral e dos bons costumes.. A educação não ia bem.. saindo da esquerda.

trabalhos dissertativos. O problema não chega a uma solução porque todos deveriam assumir. Na Educação o significado de avaliar consiste em classificar o aluno através de provas. só pensa na emancipação. AMIGOS A Bola está agora em suas mãos. as crianças se degeneram e o mundo que foi criado para ser paraíso. Como a crise permanência.. do Adão. É simplesmente uma descrição quantitativa do conteúdo aprendido. os pais estavam com a bola nas mãos e se distraiam com ela. programas. a responsabilidade. O dialogo. “Medir é o ato de colher informações... do governo. da Mãe.298) afirma: “A avaliação se refere a qualquer processo por meio do qual algumas ou várias características de um aluno/a de um grupo de estudantes. faz a seguinte distinção entre medir e avaliar. apáticos. trabalha dois horários e não tem tempo para vê-los ou ouvi-los. A população aumenta. os direitos e deveres. campo de promiscuidade e corrupção. não cuida da saúde deles. As pessoas fazem à diferença. professores/as. campo de concentração. por que não procurar alguém que possa ficar com a bola Para o casal era interessante.. 32) Na linguagem popular o verbo avaliar significa atribuir valor a alguma coisa. do sistema. cômodo e ainda se livrava do sentimento de culpa. E a escola resolve também se isentar dessa responsabilidade de educar e diz que o problema-a bola é do Pai. Zélia Domingues Mediano. de um ambiente educativo. 6 AVALIAÇÃO DO ENSINO 6. ao ter uma folga.A medida. etc. jogar futebol com os amigos. de objetivos educacionais. a solidariedade. de materiais didáticos. como qualitativas. por sua vez. levando em conta seu aspecto quantitativo numérico. A mãe. e se divertir em barzinho. Avaliar é um processo mais amplo que a medida porque utiliza tanto descrições quantitativas. passa a ser campo de batalha. é empregada como mensuração.. sentindo-se injustiçada e magoada devolvia a bola para o Pai acusando-o por trabalhar demais. a sensibilidade. da Eva e que ela. testes. a educação para a paz universal. etc. p. desajustados.. A Escola: A escola recebe os reflexos dos problemas familiares e sociais traduzido em alunos problemáticos. a escola só vai fazer aquilo que lhe compete e o que diz a Lei. muitas vezes. Gimeno Sacristán e Perez Gomes em sua obra “Compreender e Transformar o Ensino” (2000. A bola era acionada para os dois como um verdadeiro jogo de tênis em campeonato. recebem a atenção de quem avalia em função Didática do Ensino Superior . acusando-a pela ma educação dos filhos dizendo: Você não para em casa. e o mundo em decadência globalizada. A bola continua sendo jogada de uma escola para outra. procura descrevewr quantitativamente o grau em que o aluno dominou determinado objetivo.66 O pai e mãe: Sem perceber. os homens se violentam. Educador: A bola continua solta. O pai jogava para a mãe. Não inclui descrições qualitativas nem juízo de valor”..”(1995 p.. carentes. drogados.e a bola foi qui-can-do para a escola.1 O que é medir e avaliar A palavra Avaliação. em educação. ficar o tempo todo no computador. Quem faz a Instituição são as pessoas..

6. Segundo Sacristán (2000. A partir de uma segura avaliação diagnóstica é possível estabelecer novos objetivos. Uma avaliação deve se alicerçar em objetivos claros. Cabe ao professor oferecer atividades que exijam a participação dos alunos com o emprego de pensamento e habilidades mentais. Enquanto a avaliação formativa verifica o desenrolar do processo ensino-aprendizagem. recolher e tratar informações válidas. 303) “as capacidades e habilidades dizem respeito a modos organizados de operações e a técnicas generalizadas para tratar de materiais e problemas”. 3. mas com o aluno irá investigar. simples. em seu artigo 24. É versátil: não se efetiva sempre da mesma forma. precisos. Vejamos alguns exemplos do emprego de pensamento e habilidades mentais que podem ser desenvolvidos pelo aluno:     Detectar. O aluno não deve ser um indivíduo passivo e o professor a autoridade que decide o que o aluno precisa e deve saber. formular objetivos em termos de comportamentos observáveis. selecionar. durante o desenvolvimento das atividades escolares. Modalidade de avaliação A avaliação classifica-se em três modalidades. Isso significa dizer que deve ser valorizadas a capacidade e habilidade do indivíduo. Ela deverá ocorrer no inicio de cada ciclo de estudo. Deve-se observar na avaliação formativa: saber o que se deve avaliar e para que serve os resultados. que conduzam a melhoria da aprendizagem. a avaliação somativa busca verificar o processo final da aprendizagem. A avaliação fundamenta-se em pressuposto como:       É dinâmica: não é estática. com a participação do aluno. Justificar uma situação problema através de uma linguagem verbal clara e objetiva. A avaliação só será eficaz se ocorrer de forma interativa entre professor e aluno. nº 9394/96. inciso V. É abrangente: não restrita a alguns aspectos da personalidade do educando. 2. que os aspectos qualitativos devem prevalecer sobre os quantitativos. Diz a lei de diretrizes e Bases da Educação Brasileira.2. É progressiva: não é estanque. estabelecer diferentes estratégias de reforço (Feedback).67 de alguns critérios ou pontos de referencias para emitir julgamento que seja relevante em educação”. já que é o sujeito da ação educativa. Formativa – tem como finalidade informa ao professor e o aluno sobre os resultados da aprendizagem. Somativa – tem a função de classificar o aluno ao final de uma unidade de estudos. inclusive buscando detectar pré-requisitos para novas experiências de aprendizagem. É continua: não é terminal. segundo níveis de aproveitamento apresentados. ambos caminhando na mesma direção em busca dos mesmos objetivos. questionar as teorias e juntos descobrirão as melhores alternativas para superá-los. alínea “a”. Estabelecer relações entre essas informações. problematizar. O professor não irá apresentar verdades. p. É integrada: não é isolada do ensino. emitir juízo de valor que sirva de base para ações futuras. Decodificar e interpretar mensagens orais e escritas. Diagnóstica – visa determinar a presença ou ausência de conhecimentos e habilidades. 1. etc. Didática do Ensino Superior .

Levar em conta a reação dos alunos à questão.. PRINCÍPIOS GERAIS PARA ELABORAÇÃO DAS QUESTÕES OBJETIVAS       Abster-se de fazer perguntas sobre assunto controvertido.. Concluindo: ensinar a pensar implica oferecer ao aluno oportunidades para que este pense. Reduzir ao mínimo as negativas simples e abster-se de usar negações duplas. importa dizer que as atividades acima relacionadas para desenvolver o pensamento e as habilidades mentais são apenas alguns exemplos dentro de um contexto mais amplo. Evitar o emprego das palavras muito inclusivas. Comparar idéias ou processos.. semelhanças e diferenças. Buscar situações novas para as questões. Entretanto. Apresentar solução para um problema. principalmente nas destinadas a verificar discernimento..           Redigir com clareza as questões. Substituir por outras inteiramente novas as questões muito defeituosas. todos. Enunciar as questões com concisão. FORMA DE APRESENTAR AS QUESTOES. buscando encontrar relações mútua. Didática do Ensino Superior . Isso é valorizar os aspectos qualitativos da avaliação. Resumir um texto. Formular as questões com precisão.... apresentando seu ponto de vista.. Construir questões que separem os alunos fortes dos médios e estes dos fracos. Colocar a dificuldade no conteúdo e não na forma de apresentação da questão. Respeitar a boa forma gramatical. como: sempre. Incluir apenas os dados que interessam à solução do problema. planejamento de atividades. nunca. Transferir conhecimentos adquiridos para situações semelhantes. Formular hipóteses relativas às soluções de alguns problemas. (não cabe ao professor fazer críticas que possam restringir a imaginação e a criatividade do aluno). A tarefa não é simples e não existe garantia absoluta de êxito. até porque exige do professor dedicação. Criticar a validade e/ou deficiências de uma situação com fundamento em sua avaliação e experiências. jamais ou invariavelmente. destacando os aspectos mais significativos... Imaginar o que faria se. elaboração de material e muita atenção aos comportamentos dos alunos. Abordar apenas assuntos de importância.68         Interpretar um texto. Usar vocabulário simples e acessível ao grupo. Prever apenas uma resposta certa para cada questão..

Dificulta a correção Dificulta a cola. Não requer conhecimentos técnicos profundos do elaborador.. etc. Prepare o esquema básico da prova. Planeje a prova com antecedência. Não há liberdade para expressão do pensamento. seleção. QUADRO COMPARATIVO DAS PROVAS OBJETIVAS E SUBJETIVAS/DISCURSIVAS PROVAS SUBJETIVAS PROVAS OBJETIVAS Vantagens Desvantagens Dificulta e torna demorada a elaboração.revisão. Utilize questões de resposta aberta se tiver certeza do objetivo. Verifica em profundidade..      Defina a finalidade da prova: diagnósticos. Abrange limitado campo dos conteúdos estudados. Facilita a cola. Vantagens É de rápida elaboração.definindo o que quer verificar.69 PRINCÍPIOS GERAIS PARA ELABORAÇÃO DAS QUESTÕES SUBJETIVAS / DISCURSIVAS.. Facilita a dosagem da dificuldade das questões Requer conhecimentos técnicos do elaborador. Desvantagens Facilita a correção Facilita o acerto por acaso. Não há acerto por acaso.o Verifica superficialmente.. Há liberdade para expressão do pensamento. Didática do Ensino Superior . Prefira empregar mais questões de resposta curta a menor número de perguntas extensas. Dificulta a dosagem de dificuldade das questões Abrange grande campo de conhecimento.

Uma das características dos conteúdos conceituais é sempre existe a possibilidade de ampliar ou aprofundar seu conhecimento.3 Conteúdos atitudinais Os conteúdos atitudinais estão configurados por componentes afetivos (sentimentos e preferências).). ou seja. As condições para a aprendizagem são:     Atividades complexas que provocam um verdadeiro processo de elaboração e construção pessoal do conceito. ou para a construção de outras idéias. cambalhota.1 Conteúdos conceituais Os conceitos se referem ao conjunto de fatos. objetos e situações e que normalmente descrevem relações de causa-efeito ou de correlação (as leis ou regras como a de Arquimedes.3. os métodos. as regras. as normas ou regras de uma corrente literárias. 6. Atividades que promovam essas relações e desafios ajustados às possibilidades reais. impressionismo. os procedimentos . imprescindível conhecer o conteúdo. supondo uma reflexão sobre os possíveis modelos.70 6. 6. cidade. sujeito. A aplicação. Didática do Ensino Superior . Engloba uma série de conteúdos que tratam de: 3 ZABALA. pois para poder melhorar o procedimento é necessário refletir sobre a maneira de realizá-lo e sobre quais são as condições ideais de seu uso.3.um conjunto de ações ordenadas e com um fim.). as estratégias. cognitivos (conhecimentos e crenças) e condutuais (ações e declarações de intenção). Atividades que favoreçam a compreensão do conceito a fim de utilizá-lo para a interpretação ou o conhecimento de situações. enfim.3. Em seguida a exercitação múltipla até que possa dominar e a reflexão sobre a própria ação para tomar consciência da mesma. Aprende-se os conteúdos procedimentais a partir de modelos especializados. objeto ou situação em relação a outros fatos. técnicas. proporcionando significado e funcionalidade aos novos conceitos. em contextos diferenciados ocorre quando há o domínio do mesmo.3 A aprendizagem de conceitos e princípios3 6.Os conteúdos atitudinais envolvem um processo marcado pela necessidade de elaborações complexas de caráter pessoal.2 Os conteúdos procedimentais Um conteúdo procedimental inclui. objetos ou símbolos que têm características comuns (mamífero. Porto Alegre: Artes Médicas. Antoni. de fazê-la mais significativa. 1998. então. Os princípios se referem às mudanças que se produzem num fato. A realização das ações que compõem o procedimento ou a estratégia é o ponto de partida para a aprendizagem. sendo. romantismo. uma análise e uma avaliação das normas e uma tomada de posição. entre outras coisas. as destrezas ou habilidades. densidade. Atividades experimentais que favoreçam que os novos conteúdos se relacionem com os conhecimentos prévios. A prática educativa: como ensinar. dirigidas para a realização de um objetivo.

Observar Registrar. desde as mais instintivas até as fortemente reflexivas. a responsabilidade e a liberdade. conformidade quando implica uma certa reflexão sobre o significado da norma. constituem a forma pactuada de realizar certos valores compartilhados por uma coletividade e indicam o que pode se fazer e o que não pode se fazer neste grupo. e quando se interiorizam as normas e se aceitam como regras básicas de funcionamento.Tirar Recortar Organizar Destacar Utilizar Aplicar Elaborar Classificar Calcular Traduzir Seriar ATITUDINAIS Valorizar Colaborar Apreciar Verbalizar Socializar Participar Respeitar Cooperar Perceber Saber ouvir Saber lidar Ser persistente Sensibilizar-se Agir de acordo com      Didática do Ensino Superior . EXEMPLOS DE VERBOS UTILIZADOS EM OBJETIVOS VOLTADOS PARA CONTEÚDOS CONCEITUAIS Analisar Desenvolver Inferir* Identificar Reconhecer Resumir Descrever Elaborar Enunciar Adquirir Compreender Entender Explicar Relacionar Comentar Concluir Trabalhar conteúdos conceituais. Normas: são padrões ou regras de comportamento que devemos seguir em determinadas situações. PROCEDIMENTAIS Ler. procedimentais e atitudinais significa preocupar-se com a educação de forma integral. Coletar Interpretar. Aprende-se um valor quando foi interiorizado e foram elaborados critérios para tomar posição frente àquilo que deve se considerar positivo ou negativo. critérios morais que regem a atuação e a avaliação de si mesmo e dos outros. Fazer Retirar. como a solidariedade. e participar das atividades. podendo ser voluntária ou forçada. São exemplos: cooperar.71  Valores: são os princípios ou as idéias que permitem às pessoas emitir um juízo sobre as condutas e se sentido. Escrever Desenhar. Aprende-se uma atitude quando a pessoa pensa. Aprende-se uma norma em diferentes graus: aceitação. sente e atua de uma forma mais ou menos constante. o respeito. de acordo com valores determinados. embora não se entenda a necessidade de cumpri-la. Atitudes: são tendências ou predisposições relativamente estáveis das pessoas para atuar de certa maneira.

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