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DIFERENCIANDO AS PROVAÇÕES DAS TENTAÇÕES

Tg. 1. 12-15

Rev. Fábio Henrique do Nascimento Costa

INTRODUÇÃO

Considere o problema de nascer nos dias de hoje. Jane, como


qualquer criança nascida no final do século XX e começo do século XXI, no
mundo ocidental, em geral, percebe a realidade definida sob óticas
completamente distintas – a sua mãe e de seu pai. Então, a família se rompe, e
o censo de justiça pode entrar em uma terceira definição da realidade humana.
Tal situação coloca um problema distinto de como decidir qual a forma real do
mundo.

Em contrapartida, João, uma criança do século XVII, foi embalada em


um consenso cultural que lhe concedia um sentido de lugar. O mundo ao redor
estava realmente lá – criado por Deus para estar lá. Como vice-regente de
Deus, o jovem João sentia que ele e outros seres humanos haviam recebido o
domínio sobre o mundo. Dele requeria-se o culto a Deus, mas, ele, eminente
era digno desse louvor. De igual sorte, dele exigia-se obediência a Deus, mas,
então, obedecer a Deus constituía a verdadeira liberdade, uma vez que era
para isso que as pessoas foram criadas. Além disso,o julgo de Deus era fácil e
o seu fardo leve. Igualmente as regras divinas eram vistas como primariamente
morais, e as pessoas eram livres para serem criativas sobre o universo
exterior, para aprender seus segredos, para moldá-lo e adaptá-lo como
mordomos de Deus, cultivando o jardim de Deus e oferecendo seu trabalho
como verdadeiro louvor diante de um Deus que honra sua criação com
liberdade e dignidade.

Havia um alicerce tanto para o propósito quanto para a moralidade e


também para a questão da identidade da cosmovisão teista cristã.
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ELUCIDAÇÃO

Depois de exortações meio parentéticas sobre sabedoria e oração nos versos


(5-8), pobreza e riqueza (9-11). Nos versos lidos Tiago retorna ao tema das
provações, e nos traz a aplicação dos assuntos que tratou nos dois parágrafos
anteriores, retornando ao tema das provações, o qual apresenta
“perseverança” como resultado da prova, o verso 12 mostra o prêmio por
suportar as provações.

TEMA:

ENXERGANDO O MUNDO COM A PERSPECTIVA DIVINA

DESENVOLVIMENTO

1º colocando em prática o conhecimento de Deus através das


suas promessas.

“Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a


provação”; a idéia aqui de suportar é familiar ao judaísmo. Suportar aqui com
paciência e triunfo, mostrar constância sob a pressão. Não é uma paciência da
pessoa que senta, abaixa sua cabeça e deixa as coisas passarem, e suporta
passivamente até o final da tormenta. É o espírito que pode suportar as coisas,
não somente com resignação, mas com uma ardente esperança
“Porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a
qual o Senhor prometeu aos que o amam”.
Há uma recompensa prometida ao cristão que alcança êxito a prova:
“A Coroa da Vida”. A palavra coroa “ste,fanon” originalmente se empregava
de qualquer coisa que cerca, tal como um exército que se faz um cerco, ou
muro que se faz em derredor da cidade. Já o sentido usual do termo veio a ser
usada no grego koinê de coroa. Especialmente a coroa da vitória alcançada
nas várias disputas atléticas. Sendo geralmente ela trabalhada de ouro puro,
era outorgada pelos estados gregos como sinal de honra. A coroa de fato,
desempenhava um papel em muitos costumes antigos, tendo várias
conotações, de vitória, festividade, adoração, cargo público ou honraria, a
realeza ou visitação real. E freqüentemente usavam a coroa figuradamente
com o significado de um ”objeto de orgulho”.
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E Tiago usou o termo “Coroa da Vida” como uma metáfora aos


troféus dos pagãos o galardão dos fiéis. Que é de interesse especial para os
leitores de Tiago. Como judeus entendiam a metáfora como o prêmio que
consiste na vida eterna. E essa vida é intocável pela ameaça da morte
espiritual, será o “prêmio” do atleta fiel que agüenta a perseguição até o sofrer
a morte física Ap. 2.10 “Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o
diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à
prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a
coroa da vida”. A figura cristã do mártir como atleta, ganhando na arena a sua
“coroa”. Policarpo, o exemplo clássico, sofreu assim em Esmirna.

2º Conhecendo a natureza humana, e a concepção do pecado no


coração do homem.

As várias dificuldades e aflições enfrentadas pelos cristãos no mundo


podem produzir perfeição espiritual (V.4) e levá-los a recompensa de Deus
(v.12), caso perseverem na fé. Contudo, elas podem causar um efeito nocivo
se forem encaradas com a atitude errada. Tiago declara que uma dessas
atitudes é a de culpar Deus pelo fascínio do pecado que acompanha as
provações. É certo que Deus testa os seus servos testou Abraão (Gn. 22.1),
testou Israel, deixando-o cercado das nações pagãs (Jz 2.22). Mas, apesar de
Deus provar os seus servos, a fim de fortalecer-lhes a fé, ele nunca tenta
induzir ao pecado e destruir a fé.

A pessoa que enfrenta as dificuldades e tropeçam nelas não devem


atribuir os seus fracassos em Deus. Se desejar culpar alguém, tem apenas a si
mesmo para culpar. E é interessante que Tiago não menciona no seu contexto
a atuação de Satanás, o tentador, embora mais adiante ele ensine aos crentes
a resistir as tentações de Satanás (4.7).

Somos tentados por nosso “própria cobiça”. Tiago está consciente de


que pelo fato de seus leitores serem crentes em Jesus Cristo não os livras da
presença da cobiça no coração.

Nessa segunda parte Tiago mostra em termos dramáticos como a


cobiça, personalizada como mulher, concebe do desejo humano, fica grávida
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do pecado e gera um filho, a morte, que em seguida mata o próprio pai. Aqui
Tiago usa figuradamente o verbo “conceber” para descrever a cobiça grávida
com o desejo humano e prestes a dar a luz o pecado.

Quando respondemos a cobiça com a nossa vontade, o encontro dos


dois engravida a cobiça com o pecado. O processo é narrado como se fosse
irreversível. Veja figura semelhante em Jó 15.35 Concebem a malícia e dão à
luz a iniqüidade, pois o seu coração só prepara enganos. E também no
Salmo 7.14 Eis que o ímpio está com dores de iniqüidade; concebeu a
malícia e dá à luz a mentira.

Para Tiago o pecado aqui já nasce para seguir a sua carreira, ele
“uma vez consumado gera a morte”, a morte aqui não deve ser referida a
morte eterna, em se tratando de pecados cometidos por cristãos. Pois
significaria a queda da graça ou a perda da salvação. Em vez disso, morte aqui
deve ser entendida como uma referência àqueles efeitos mortíferos que o
pecado traz para a alma, mesmo a do cristão: amortecimento, culpa,
escurecimento, endurecimento, e confusão no coração.

APLICAÇÃO

 Busque ao Senhor de todo o vosso coração, cresça no


conhecimento de Deus, com toda a força da sua alma, e o seu coração.

 Procure olhar as provações discernindo provações de tentações,


com os óculos da Palavra de Deus.

 Procure também olhar para o mundo sem as perspectivas da


cosmovisão pós-modernistas como Jane, e sim com a cosmovisão da
perspectiva Teista cristã como João. Sabendo que somo vice-regentes e que
em Deus nos movemos e existimos. E vivamos para a sua glória em meio a
uma geração corrupta e sem Deus.

CONCLUSÃO
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Cada cosmovisão considera aquilo que você conhece de Deus e


considera as seguintes questões básicas: a natureza e o caráter de Deus ou
suprema realidade, a natureza do universo, a natureza da humanidade, a
questão quanto ao que ocorre a uma pessoa quando ela morre, a base do
conhecimento humano, a base da ética e o significado da história.