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ISBN 978-65-87926-11-7
DADOS INTERNACIONAIS
DE CATALOGAÇÃO NA
PUBLICAÇÃO

MARSILI, ITALO
Lives #74 [livro eletrônico] : Transcrições
das Lives @italomarsili -- 1. ed. -- Maringá, PR :
Real Life Books, 2020.
PDF

ISBN 978-65-87926-11-7

1. Auto-ajuda / Aperfeiçoamento pessoal.


2. Desenvolvimento e modificação do ca-
ráter e personalidade.
3. Relações humanas. I. Título

CDD-15
8.1

ÍNDICES PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO:

1. Auto-ajuda : Aperfeiçoamento pessoal 158.1

2
EQUIPE

EDITOR CHEFE SUPORTE


Arno Alcântara Márcia Corrêa de Oliveira
Alessandra Figueiredo Pelegati
REDAÇÃO E CONCEPÇÃO Rayana Mayolino
Luiza Araújo
Marcela Saint Martin FINANCEIRO
Marra Signorelli Douglas Pelegati
Raíssa Prioste Joline Pupim
William Rossatto
REVISÃO
Cristina Alcântara COORDENAÇÃO DE PROJETOS
Arno Alcântara
DIREÇÃO DE CRIAÇÃO Italo Marsili
Matheus Bazzo Matheus Bazzo

DESIGN E DIAGRAMAÇÃO COORDENAÇÃO DE


Jonatas Olimpio OPERAÇÃO
Vicente Pessôa Douglas Pelegati
Weverson Ramos

ILUSTRAÇÃO DA CAPA
André Martins

TRANSCRITORES
Edilson Gomes da Silva Jr
Rafael Muzzulon

Material exclusivo para assinantes do Guerrilha Way.

Transcrição das lives realizadas no Instagram do Dr. Italo Marsili.


3
ENTENDA O
SEU MATERIAL
1. O Caderno de Ativação ajudará você a incorporar
e a colocar em prática o conteúdo de uma das
fabulosas lives. É um material para FAZER.

2. No LIVES você encontrará transcrições, resumos


e uma visão geral das lives selecionadas para a
semana. É um material para se CONSULTAR.

3. Se quiser imprimir, utilize a versão PB, mais


econômica.

4. Imprima e pendure o seu PENDURE ISTO.

4
O LIVES
MUDOU!
Ele também andava pesado
e fora de forma...

Mais esbelto e funcional,


agora o seu LIVES trará,
toda semana, a transcrição
e o resumo da live
escolhida para o CA.

Mais foco e concentração


para melhores resultados:
parece que o #Menos50T
também passou por aqui.

Aproveite!

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O PONTO CENTRAL _______________________ 7

LIVE SAMIA E ITALO MARSILI ______________ 11

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O PONTO CENTRAL
R E S U M O D A S E M A N A

LIVE SAMIA E ITALO MARSILI


A relação com Deus é o que orienta a vida. Tentar fazer as
coisas por amor a Ele, colocando o coração onde precisa
ser colocado é o que dá cor, substância diante de qual-
quer coisa que se deseja fazer. Uma dica é ir à missa dia-
riamente, a fim de encontrar ali o próprio autor da graça,
ou seja, Cristo. Nessa ocasião é preciso colocar todas as
suas dificuldades e pedir para que Ele transforme tudo em
alguma coisa boa. Além disso, faz bem agradecer pelas
coisas boas que conseguiu.
Reservar um momento do dia – por volta de 20min – tam-
bém é fundamental. É o tempo propício para tentar falar
com Nosso Senhor, colocando o coração aberto ali com o
intuito de ver se o Espírito Santo soprará coisas em você.
Depois começar, então, a seguir em frente, fazendo disso
um compromisso.
Faça uma oração inicial de abertura. É a oportunidade de
se colocar na presença de Deus. Você já começa prepa-
rando seu espírito, para fazer com que ele seja a morada
divina. É preciso tentar sair com um propósito para aquele
dia, tendo em vista o que Nosso Senhor esperará de você.
Afinal, nada melhor do que unir a capacidade de articu-
lação desses momentos místicos de oração e de piedade
com a vida prática. Assim, você concretiza a coisa. É uma
oração com a tentativa de buscar as coisas práticas da
vida.
Complemente isso com a leitura da missa diária ou com a
de algum livro espiritual. Um exame de consciência e uma
confissão semanal também são de grande valia. O reco-
lhimento mensal – período de silêncio meditativo duran-

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te uma manhã ou uma tarde – também é essencial. Basta
reservar quatro horas para aprofundar questões interiores,
tendo em vista que isso lhe auxiliará a dedicar-se mais aos
outros, à família e à comunidade (amigos etc.).
Para ser paciente com os familiares, por exemplo, basta
pensar no quanto Deus é paciente contigo. Se você reco-
nhece isso todo dia, faz um exame de consciência à noi-
te, pensa em todas as coisas que fez de ruim (junto com o
que fez de bom e de imperfeito), o quanto colocou aquele
propósito e, mesmo assim, você não conseguiu resolver –
sabendo o quanto Deus é paciente, o quanto Ele te ama,
não o abandona e continua paciente –, por que não ser
paciente com os que estão ao redor? Por isso, a religião
ajuda muito. Se você se conhece, pronto! Você não vai se
considerar melhor do que os demais. A grande questão é
esta: você não ter a capacidade de olhar para si, ver quem
está sendo e que só não é pior porque Deus o ajuda imen-
samente. A conquista da virtude, a constância e o amor
não são coisas espontâneas. Com o tempo, isso melhora.
Pensando a respeito do seio familiar, qual é a influência
dos pais na educação dos filhos? De 5 a 10%. Os outros
90% são do mundo. Os recursos humanos disponíveis de
berço (recurso educacional de colégio, intelectual, social,
de cidadania) são pouquíssimos. É uma luta diária para
ser pessoa. Muitos falam sobre um princípio de autoedu-
cação e a respeito de como melhorar a própria família.
Infelizmente, as pessoas querem o resultado, mas não o
caminho. São preguiçosas! Tenha uma vida sacramental e
articule essa vida espiritual com seu trabalho. Lembre-se:
você é feliz à medida que se aproxima da sua vocação.
Quando não faz isso, fica ruim.
Como fazer também para um casal manter sua indi-
vidualidade ao mesmo tempo que vive em comunhão, ou
seja, com uma vida em comum, por serem uma só carne?
Essas duas coisas parecem ser opostas, mas são faces da
mesma moeda no casamento. São duas células que, ao se

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juntarem, acabam se fundindo e dando uma nova vida. É a
fecundidade matrimonial. Com ou sem filhos, ela só acon-
tece quando esses núcleos se expandem, pois “o amor hu-
mano, o amor aqui embaixo na terra, quando é verdadeiro,
ajuda-nos a saborear o amor divino (I Coríntios 15, 28)”.
A individualidade é fundamental para isso! Mas a grande
tragédia em nosso tempo é que as pessoas não têm mun-
do interior. A primeira coisa é construir isto, ou seja, a ex-
pansão do núcleo individual. Como se faz? Através da reli-
gião, literatura e filosofia. Esse é um propósito bom para a
vida, é uma força boa na vida. Você passa a ter mais con-
versas, ficar mais inteligente, a ver a vida de outro jeito e
a ajudar aos outros de verdade. Você se torna uma pessoa
interessante. Não é uma inteligência para deduzir fórmu-
las. É uma inteligência vital, isto é, de viver. É uma coisa
que todos podem alcançar. Se você não cultivar isso, você
e seu cônjuge se distanciarão e nunca mais se encontra-
rão. Sem cultivar o mundo interior bem marcado, definido,
gordo, espesso, com nuances, você não tem o que compar-
tilhar com a outra pessoa. Nada vai conectá-lo a ela!
O que deve existir é ambos querendo fazer o máximo pos-
sível, tentando também poupar o trabalho do outro. É o ato
de se esforçar para estar com o outro. Então, isso faz a vida
fluir bem. Coisas periféricas não sustentam uma relação,
pois, em algum momento, mudam de lugar e somem. É for-
ça tornar mais profundo seu mundo interior.

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LIVE SAMIA E ITALO MARSILI
Italo: Hoje, vou chamar a pessoa que mais admiro. Samia,
além de médica, é a maior autoridade em Educação. Já de-
senvolve há anos um trabalho muito atento de leitura, es-
tudo e publicação no campo educacional. Ministra cursos
de obediência e sexualidade, por exemplo.

Samia: Oi! Que legal!

Italo: Então, vamos falar do que é fundamental para quem


está nos acompanhando, ou seja, sobre o que, de fato, é o
fio condutor da nossa vida... onde estamos com os olhos
postos há muitos anos... desde a Graça do Bom Deus, quan-
do fomos apresentados para o amor verdadeiro. Falaremos
disto! Concorda, amor?

Samia: É o que orienta a nossa vida, não é?

Italo: Linda, vou te fazer uma pergunta: qual é a impor-


tância do retiro espiritual e da oração para você ser este
mulherão? Muitos comentam: “A mulher, com seis filhos, é
a maior gostosa. É inteligente, estuda latim e ainda é rica”.
O pessoal olha para isso e acha que é o negócio. Mas es-
tamos nos bastidores. Nós dois é que sabemos a história
verdadeira. As pessoas querem o resultado, mas não o ca-
minho. São preguiçosas! Nós já estamos juntos há 18 anos.
Não somos preguiçosos. O pessoal acha que cai dos Céus.
Então, como é a coisa (o retiro espiritual, a oração)? Como
isto impacta, de fato, nessa presença que você tem? Você
aparece e já “leva uma galera”, as pessoas te amam.

Samia: Então, lindo, acho que você sabe mais do que nin-
guém que, de fato, o que orienta mesmo a minha vida é
essa relação com Deus. Às vezes nós queremos falar isso
diretamente para as pessoas. O pessoal pergunta coisas
periféricas, do tipo: “Como você consegue acordar cedo,

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após ter dormido às 23h? Como fazer as coisas tendo seis
filhos? Como decidiu a respeito de determinadas coisas?
A resposta verdadeira é somente uma: Italo e eu tentamos
fazer as coisas por amor a Deus. Tentamos fazer tudo colo-
cando o coração onde ele precisa ser colocado. Acho que
isso é o que dá cor, substância diante de qualquer coisa
que buscamos fazer. Muitos perguntam: “Você largou a
medicina para ser mãe?”. Independentemente da escolha
feita por nós – se vamos ter dez filhos, se moraremos em
outro país ou aqui, seja num apartamento ou numa casa –,
o que dá sentido a qualquer coisa que fazemos é, de fato,
esse trato com Deus. Em nosso convite de casamento, há
uma frase que mostra isso. Na verdade, foi o que conduziu
a nossa vida juntos.

Italo: A frase é a seguinte: “O amor humano, o amor aqui


embaixo na terra, quando é verdadeiro, ajuda-nos a sabo-
rear o amor divino (I Coríntios 15, 28)”.

Samia: Acho que esta frase está sempre na minha cabeça.


Quando olho para o Italo, é isso que penso. Para mim, nós
dois somos isso. De fato, é o que me ajuda manter o olhar
no caminho para o qual preciso olhar – independente-
mente do que aconteça na vida, se está fácil ou difícil, por
exemplo. Italo, para mim, de fato, você é Nosso Senhor.

Italo: Acho que podemos seguir por dois caminhos aqui:


o natural, no qual vamos declarar nosso amor um para o
outro...

Samia: Você me pediu para falar, não é?

Italo: É a tentação de fazer isso, mas vamos nos guardar,


não é?

Samia: Quer que eu seja mais prática (falando a respeito

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do que eu faço realmente)?

Italo: Isso! Hoje, até me perguntaram: “Vocês são felizes


mesmo?”. Como o pessoal nos imagina? Pensam que fica-
mos o dia todo rindo, namorando, tendo relação sexual,
bebendo vinho. Óbvio que não é assim – da minha parte,
muito mais. Faço bem mais merdas do que a Samia, por
isso ela precisa me aguentar bastante. É claro que existem
momentos pesados, dramáticos, tensos e dificultosos. A
resposta para a pergunta está no meu coração. “Sou feliz
na medida em que me aproximo da minha vocação. Quan-
do não faço isso, fica ruim”. Nossa vocação passa por um
trato de intimidade prática. Obviamente, o primeiro lugar
onde Samia e eu alimentamos essa intimidade é entre nós.
Mas há uma coisa que fica nos bastidores, de modo oculto,
a respeito da qual nunca falamos – porém, acho que este é
o momento para falarmos sobre isso.

Samia: Só queria dizer que tenho claro na minha cabeça –


peço desculpas, mas vou te elogiar de novo – que só con-
sigo fazer todas essas coisas práticas porque você está do
meu lado. Quando isso não acontece, fica tudo confuso. Eu
fico desestabilizada.

Italo: Então, fale o que você faz.

Samia: Em primeiro lugar, vou à missa diariamente. Ali eu


encontro a verdadeira graça, para conseguir fazer tudo o
que faço. Encontro o próprio autor da graça, ou seja, Cristo.
É onde coloco todas as minhas dificuldades e peço para
que Ele transforme tudo em alguma coisa boa. Além disso,
eu agradeço pelas coisas boas que consigo fazer.

Italo: Uma vez o Padre Vicente me falou uma coisa – ele


estava explicando sobre o ofertório. Muitas pessoas assis-
tem à missa sem a dimensão real do que acontece ali. Ele

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falou: “Sabe aquela hora do ofertório, quando o padre põe
uma gotinha d’água no cálice de vinho? Aquela gotinha é
o seu trabalho, criatura. O vinho é o sangue de Cristo. En-
tão, água e vinho se identificam de tal modo, que você não
sabe mais o que é um ou outro”. O que está acontecendo
ali, Samia, é isto: seu trabalho dentro de casa... como do-
cente... médica... de dirigir outras pessoas... como estu-
dante... o meu também como professor, médico, autor e
comunicador. Quando esse trabalho é entregue na missa,
naquela hora do ofertório, vira o próprio Cristo. Ganha,
assim, uma dimensão superior, uma estatura da graça. Isso
não é só uma coisa bonita, concorda?

Samia: É real!

Italo: Isso gera um efeito, um resultado. As pessoas olham


e acham bonito: “Olha o casal! Eles se amam, têm um mon-
te de filhos bonitinhos etc.”.

Samia: O segredo é esse mesmo, sem pieguice. Retomando:


uma hora de oração por dia (meia hora de manhã e meia
hora à tarde).

Italo: Assim é fácil! O que é oração? Como você faz?

Samia: É um tempo para tentarmos falar com Nosso Se-


nhor, colocando nosso coração aberto ali com o intuito de
ver se o Espírito Santo soprará coisas em nós. Gosto muito
de pegar a leitura da missa do dia, por exemplo, o Antigo
Testamento, o salmo, o Novo Testamento. Ultimamente,
tenho lido também um livro chamado Sulco, de Josemaria
Escrivá, que é uma preciosidade.

Italo: Esse livro foi compilado depois dele, né? Quem es-
creveu não foi ele.

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Samia: Sim. Vou até revelar um tema do qual ando tratan-
do: como aproximar as pessoas de Deus. Então, sigo lendo
os pontos ali, tentando conversar mesmo com Deus. Co-
loco perto um crucifixo e uma imagem de Cristo e Nossa
Senhora. Nem sempre consigo, mas é uma tentativa.

Italo: Vou explicar, pois mais de 20 mil pessoas estão nos


acompanhando. Você arranja de 10 a 20 min da sua vida
para fazer a oração. É começar e, então, continuar seguin-
do em frente, pois é um compromisso. Faça uma oração
inicial de abertura: “Meu Senhor e meu Deus! Creio firme-
mente que estás aqui, que me vês, que me ouves; adoro-Te
com profunda reverência. Peço-Te perdão dos meus pe-
cados e graça para fazer com fruto este tempo de oração.
Minha Mãe Imaculada, São José, Meu Pai e Senhor, Anjo
da Guarda, intercedei por mim”. É quando você se coloca
na presença de Deus. Creio firmemente que está aqui, e
não em outro lugar, ou seja, não está nas nuvens, não está
numa ideia bonita, nem morto há 2 mil anos. Hoje, uma
retardada falou assim: “Cristo nem morreu na cruz”. Não,
não! Creio firmemente que estás aqui, na minha alma (que
luta por estar em graça e se arrepender dos pecados, tenta
melhorar e se entregar mais a cada dia). “Faça a morada
em mim, hoje, Senhor!”. Você já começa preparando seu
espírito, para fazer com que ele seja a morada de Deus.
Você está aberto. Essa é a oração inicial que você utiliza?

Samia: Sim. Eu pego o texto do Antigo Testamento, dos sal-


mos, do evangelho do dia. Depois, sigo conversando com
Deus sobre isso. Por exemplo: imagine um trecho do evan-
gelho sobre perder a vida, aquele que menciona isto: “é
necessário perder a nossa vida para conseguirmos ganhá-
-la”. Então, peço mesmo a Nosso Senhor: “Jesus, ajude-me
sempre a não colocar limites na minha entrega”.

Italo: Uma coisa que considero bem diferente na sua espi-

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ritualidade, algo diferente do que já vi por aí, é a capaci-
dade de articulação desses momentos místicos de oração
e de piedade com a vida prática. Ou seja, como o ato de
fazer uma oração, de fato, impacta no seu olhar em dire-
ção a mim, às crianças, às moças que trabalham para nós,
às suas amigas. Quando se desvia um pouco do caminho,
já se pensa em emendar mais rápido, para resolver e ten-
tar se identificar com aquele caminho que abandonamos.

Samia: Sim. Totalmente!

Italo: Ou seja, é concretizar a coisa, sem ficar naquela ora-


ção “Oh, Trindade Beatíssima!”.

Samia: Exatamente. Tento sair sempre com um propósito


para aquele dia, tendo em vista o que Nosso Senhor espe-
rará de mim naquele dia. Já sei as coisas que precisarei fa-
zer. Por exemplo: Tenho um grande problema com ordem.

Italo: E o pessoal acha que você é a rainha da organiza-


ção.

Samia: Sou muito desorganizada. Graças a Deus que tenho


meus filhos, que me ajudam quanto à minha organização.
O Antônio é tudo na minha vida. Ele me ajuda muito! Reto-
mando, eu não posso deixar de fazer algumas coisas que
são importantes. Então, eu já procuro anotar. Se eu não for
à missa de manhã, por exemplo, ferrou! Não conseguirei ir
nunca mais. Já tento, então, fazer as coisas mais importan-
tes no início do dia. Até anoto no telefone celular quanto
preciso ligar para uma amiga.

Italo: E as pessoas que falam: “Ah, Samia! Isso é muito arti-


ficial, não é espontâneo”.

Samia: Não é espontâneo. Isso acaba se tornando espontâ-

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neo.

Italo: Na vida, coisas espontâneas são espirro, dor de bar-


riga. Agora, a conquista da virtude, a constância e o amor
não são coisas espontâneas.

Samia: Espontâneo é dormir durante o dia inteiro, pensar


em mim, não querer fazer nada. Para fazer coisa boa, não
há nada de espontaneidade, não. Mas, com o tempo, isso
melhora. Você sabe que não sou melosa demais, mas, ao
longo do tempo, fui melhorando neste ponto por tentar ser
artificialmente assim. Você já é muito mais carinhoso do
que eu...

Italo: Canceriano, não é?

Samia: Eu sou carinhosa de outro jeito. É que não sou tão


assim...

Italo: Melosa! Voltando, é uma oração com a tentativa de


buscar as coisas práticas da vida.

Samia: E não o entendimento da Santíssima Trindade.


Quem faz isto é Santo Agostinho.

Italo: Nós somos ralé, pedreiros da Casa do Senhor. So-


mos a graminha do jardim – isto é do cacete! A respeito
da vida espiritual, o pessoal olha para o jardim e quer ser
logo o girassol, a rosa ou o lírio. Contente-se em ser gra-
ma, pois ela é necessária para compor o cenário do jar-
dim. E o que é mais necessário ainda? Esterco! A Samia
não é, mas eu e vocês somos. O certo é concretizar a coisa
da oração.

Samia: O que já é uma grande coisa. Muitos perguntam:


“Como é possível ser paciente com os filhos?”. Aí é uma

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questão prática. O quanto Deus é paciente comigo? Se eu
reconheço todo dia, faço um exame de consciência à noi-
te, pensando em todas as coisas que fiz de maneira ruim
(o que fiz de bom e o que preciso melhorar) e o quanto eu
coloquei aquele propósito e não consegui resolver – sa-
bendo o quanto Deus é paciente, o quanto Ele me ama,
não me abandona e continua paciente –, por que não serei
paciente com meus filhos? Por isso, a religião ajuda mui-
to. É conhecer a antropologia humana dentro da religião,
o Pecado Original, o quanto temos inclinação para o mal,
tentamos e não conseguimos. Tudo isso nos ajuda no rela-
cionamento com o cônjuge, o sogro, a sogra, os filhos. Se
você se conhece, pronto! Você não vai se considerar me-
lhor do que todos. A grande questão é esta: você não ter a
capacidade de olhar para si, ver a porcaria de pessoa que
é e que só não é pior porque Deus ajuda imensamente.

Italo: Quando o pessoal fala: “Ah, Italo! Regrave os cursos


que falam sobre afetividade infantil e harmonia familiar,
relacionamentos, educação dos filhos”, todo o meu cansa-
ço é por causa da necessidade de ter que gravar um curso
de Religião e Antropologia. Há um tempo, perguntaram:
“Qual é a influência dos pais na educação dos filhos?”. Res-
pondi uma coisa que deixou o pessoal escandalizado: “Sua
influência sobre seu filho é de 5 a 10%. Os 90% são do mun-
do”. Aí falaram: “Ah, mas é o contrário. A Samia falou sobre
educação etc.”. Então, falei: “Não falei que a influência dela
é de 10%. A sua é assim”. Os recursos humanos disponíveis
de berço (recurso educacional de colégio, intelectual, so-
cial, de cidadania) ... isso tudo é muito pouco. Empírica,
antropológica e fisicamente falando, a única coisa que
observamos, de fato, é como essas coisas estão encaixadas
em você. “Mas e os princípios da autoeducação?”. Às favas
com a sua educação. Por que você quer se autoeducar?
Você vai educar o quê? Um asno? O Pinóquio (que é um
boneco de pau)? Você precisa ser um menino de verdade,

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uma pessoa. É uma luta diária para ser pessoa. Samia e
eu estamos há 10 anos numa espiritual real e verdadeira.
Se você tiver um descuido por quatro segundos, cai pior
do que era – de boca no meio-fio, quebra todos os dentes,
fica desfigurado por um tempo até que alguém com amor
comece a te consertar de novo; essa é a luta. Então, quan-
do as pessoas falam sobre isso (educar filho, princípio de
autoeducação), elas estão indo à missa? Estão orando?

Samia: Isso não vai entrar em lugar nenhum. Vai ficar


numa caixinha de soberba.

Italo: Vai se tornar um boneco de pau educado, um sober-


bo, um asno educado.

Samia: Como o burro que carregou Cristo até Jerusalém.


Ele pensava: “Nossa! Quantas palmas para mim”.

Italo: A verdade está montada em cima de você, criatura.

Samia: E achando que tudo era para ele.

Italo: É uma caricatura escrotérrima. O pessoal fala sobre


princípio de autoeducação, como melhorar a própria famí-
lia. Falam: “Ah, Samia! Como ter paciência com o marido?
Como perdoar, entregar-se e resgatar um casamento? Exis-
tem pouquíssimos recursos humanos para isso.

Samia: Exato! Concordo!

Italo: Terapia não adianta. Se é mal desenvolvida, malfei-


ta...

Samia: O terapeuta precisa ter a total noção disso.

Italo: Você precisa ter uma vida sacramental.

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Samia: Não há outra solução.

Italo: Damos graças a Deus por conhecermos pessoas


maravilhosas, muito distintas, diferenciadas, ou seja, su-
periores de fato. Qual é o ponto comum nelas? A vida sa-
cramental. “Ah, Italo! Mas eu não tenho fé nem religião”. E
daí? A diferença entre você e uma pessoa que tem muita
fé – que são pessoas vivendo a vida sacramental – é muito
pequena. É muito baixa diante do tamanho de Deus.

Samia: Não há outro caminho. Acho também que as pesso-


as têm uma caricatura do que é ter religião. Acham que é
preciso ser triste, chato e se vestir mal.

Italo: Acham que não se pode usar silicone.

Samia: Precisa ter picuinha, não pode se cuidar. Só pode


falar a respeito de Deus o tempo todo. Na verdade, nós fa-
lamos e não falamos. Não é uma coisa caricata! É a nossa
vida. Não é algo distinto, do tipo “vai lá, faz uma oração,
pensa sobre várias coisas da Santíssima Trindade, sabe
tudo sobre o Antigo Testamento, mas quando chega em
casa é uma pessoa chata com o cônjuge, não se cuida, só
fica o dia inteiro na igreja”. É metade anjo e metade demô-
nio. Realmente, é uma pessoa chata. Ninguém aguenta.

Italo: Outra coisa que o pessoal fala é: “Italo, eu não con-


sigo descobrir meu propósito”. O Ícaro de Carvalho falou:
“Eu estava lá com Italo e Arno. Eles estavam fazendo um
lançamento multimilionário, mas não abriram nenhuma
vez o Hotmart para ver quanto estavam faturando”. E o seu
curso vai ser do cacete, linda! De fato, não é pelo dinhei-
ro. As pessoas terão a oportunidade de presenciar você
falando sobre sexualidade, tendo como foco as crianças e
os adolescentes. Professores, pais e mães não sabem sobre

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isso. Retomando a questão do lançamento, se você pegar o
conteúdo daquilo, vai notar que é um círculo gigante, um
bilhete de São Josemaria Escrivá. O que eu queria comuni-
car era outra coisa. Com 70 mil pessoas online, você acha
que eu iria perder meu tempo ganhando dinheiro? Grana
é algo que a traça corrói, o tempo come. O objetivo era
comunicar para o coração daquelas pessoas. Aquilo que
eu recebi, que transformou meu coração, vou tentar devol-
ver para as pessoas. Há 40 mil pessoas online agora, você
acha que vou perder tempo falando sobre assuntos perifé-
ricos?

Samia: Porque aí, na verdade, estaríamos enganando as


pessoas, sem demonstrarmos a verdade da nossa vida. As-
sim como você falou no início, não adianta querer ter uma
coisa igual sem querer um meio. O meio é esse! Você pode
se incomodar com religião, do tipo “Ah, eu não quero”. En-
tão, você não quer o conjunto. Se quer mesmo, é isso aí!

Italo: Esta é uma das coisas, ou seja, a oração que você faz.
Quanto ao retiro espiritual, eu sei que você faz uma vez
por ano, pois fico com nossos filhos. Agora, retomando a
questão do dia, o que mais você faz?

Samia: Faço uma leitura espiritual, que pode ser uma leitu-
ra dos Santos, de alguma doutrina da Igreja, de uma parte
do Evangelho, a Sagrada Escritura, ou seja, de algum livro
espiritual.

Italo: Você está lendo um livro agora ou coisas aleatórias?

Samia: Estou lendo vários textos sobre a castidade.

Italo: Por causa do curso sobre sexualidade?

Samia: Exatamente. É o que precisa estar na minha cabeça

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e no meu coração.

Italo: É a vida espiritual articulada com seu trabalho.

Samia: Eu tenho uma direção espiritual com o padre sema-


nalmente. Isso é maravilhoso! O sacerdote fala para mim:
“Samia, isso é o que está na sua cabeça. Essa é a sua vida.
Então, sua vida espiritual precisa estar relacionada com
isso. Não há problema ao fazer uma leitura espiritual so-
bre a castidade, o amor humano”. É exatamente o que es-
tou fazendo, então. Todos já sabem que rezo o terço com
os meninos, rezo também o Angelus. Além de fazer uma
contemplação dos mistérios, também faço um exame de
consciência e uma confissão semanal.

Italo: Como você consegue fazer isso tudo e ainda cuidar


de seis filhos e educá-los?

Samia: Eu acordo cedo.

Italo: O pessoal não entende que é por meio disso você


consegue fazer as coisas.

Samia: Exatamente. Quando eu não consigo fazer essas


coisas, sai tudo errado com os meninos, uma confusão –
fica tudo uma porcaria. De vez em quando, acabamos nos
enrolando um pouco, mas dá certo. Como eu e você tam-
bém temos essa coisa, acho que isso faz nossos corações
baterem no mesmo ritmo. Então, isso nos ajuda bastante.
Retomando, também faço o recolhimento mensal.

Italo: É tipo o Eixo Experience, ou seja, um período de si-


lêncio durante uma manhã ou uma tarde. É como se o Eixo
Total equivalesse ao retiro; já o Experience, o recolhimen-
to. Uma vez por mês, então, ficamos em silêncio medita-
tivo por um período. Não é um silêncio esvaziado. É ficar

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por quatro horas se aprofundando em questões interiores.
Não é aquele autoconhecimento como uma coisa remordi-
da, “ah como eu sou”. Eu já disse como o sujeito é, ou seja,
é luxurioso, guloso, avarento, preguiçoso.

Samia: Ao final de cada recolhimento, chegamos à mesma


conclusão.

Italo: O que importa é o que você vai fazer, como vai se


doar mais. É como a sua frase, Samia: “Como vou chegar
espremida, igual a um limão, ao final do dia”. Como você
vai se dedicar mais para os outros, para sua família e co-
munidade (amigos etc.).

Samia: Muitas pessoas perguntam sobre como fazemos a


divisão de tarefas. Nós nunca fizemos isto! O que existe é
um e outro, ao mesmo tempo, querendo fazer o máximo
possível, tentando também poupar o trabalho do outro.
Então, isso faz a vida fluir bem. Se não conseguimos... no-
tamos que o outro está com alguma dificuldade, cansado...
ou na época em que o Italo trabalhava demais, de quinta a
domingo, e não conseguia me ajudar com os meninos. Ou
seja, não tinha como. Então, eu pegava a coisa para mim.

Italo: Naquele período de quatro dias, eu ficava fora de


casa, de plantão, sem dormir.

Samia: Italo tinha quatro empregos, eram 100h semanais


de trabalho. Realmente, não tinha como eu chegar e pe-
dir para ele acordar de madrugada. Não era uma divisão
de tarefas “eu faço isso; você, aquilo”. Era um bom senso
que vinha do amor pelo outro, de entender a situação pela
qual o outro estava passando. Aí a coisa foi meio que dese-
nhada assim.

Italo: O egoísmo é um movimento do espírito que leva a

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olhar apenas para si, sem nunca conseguir botar o olho
para fora em direção ao outro. Quando se consegue olhar
para o outro, não tem como falar “não” para a Samia. Você
olha e percebe que é o mínimo que ela precisa ter e fazer.
“Toma, é seu”. Pela experiência que tenho, após atender
a tantas pessoas, essas grandes reclamações de casais,
do tipo “ele não está me notando etc.” ... eu vi a resposta
perfeita que minha irmã deu hoje. Nos stories da Mila, ha-
via alguém se queixando sobre o cônjuge não olhar mais,
nem se interessar. É claro que isso acontece. A pessoa está
há quantos anos só reclamando, sem ver o que ele preci-
sa, qual é a comida preferida dele (nem sabe cozinhá-la)?
Você não faz nada. É claro que a coisa vai acabar. Quem
gosta de ficar ao lado de uma porta, de um peso morto?
Ninguém aguenta. “Ah, mas o outro também não faz nada”.
Você também não faz, caramba!

Samia: Italo foi a primeira pessoa que vi na época da fa-


culdade. Tinha acabado de voltar de um intercâmbio de
três meses na Nova Zelândia. Como foi a primeira pessoa
com quem conversei, o pessoal achou que já nos conhecí-
amos havia anos.

Italo: Já nos consideravam namorados anteriormente.

Samia: Depois de tanta conversa, no dia seguinte ele já co-


meçou a falar várias coisas sobre a Nova Zelândia. Eu pen-
sei: “Nossa! Que entendido! Ninguém conhece esse país”.

Italo: O Pai já estava on desde 2002.

Samia: “Caramba! Que inteligente!”

Italo: Sabia sobre o primeiro-ministro, a capital, o clima.

Samia: Ele sabia qual era a capital. Tinha aberto a enciclo-

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pédia, pois nem havia internet na época.

Italo: Fiquei durante a madrugada toda lendo a Barsa.

Samia: De fato, isso me encantou. Estou contando essa his-


tória, porque é exatamente isso. É o ato de se esforçar para
poder ficar com o outro.

Italo: “Vou ter assunto com essa morena. Só fala sobre


Nova Zelândia, acabou de chegar de lá”.

Samia: Por outro lado, o Italo, superinteligente e filosófi-


co, como eu iria conversar com ele? Ia para a faculdade e
voltava de lá escutando o Olavo de Carvalho. Eu o ouvia
falando sobre escolástica – a primeira vez que ouvi a res-
peito do assunto –, em 2002, no toca CD do carro. Escutava
tudo e não entendia nada. É a questão de se esforçar para
estar com o outro, ter papo – e estávamos namorando. Na
teoria, poderíamos pensar que isso não seria necessário.
Nós tínhamos uma megassintonia, conversávamos sobre
muitas coisas, mas não era este o ponto.

Italo: Há uma espontaneidade da relação que vem muito


da periferia. Os dois com 18 anos, Samia linda, eu não iria
querer conversar e namorar com ela o dia inteiro? Mas,
por algum motivo, com uma certa intuição – que veio de
algum lugar – percebi que aquilo não iria sustentar nossa
relação, porque, em algum momento, as coisas periféri-
cas iriam mudar de lugar, desconectar, apodrecer e sumir.
É como o exemplo de um casal que se apaixonou porque
ambos gostavam de frequentar a cena gastronômica ca-
rioca. Num certo momento, um deles foi demitido e passou
a não ter mais dinheiro. Eles estavam prestes a se separar.
Por quê? Porque o relacionamento deles foi baseado em al-
gum muito periférico, ou seja, em gostos por comida e via-
gem. Legal! Esse é o primeiro eros, isto é, a primeira coisa

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erótica que te atrai e dá liga – é claro, precisa ter algo a
ver para que haja relacionamento. “Eu gosto do cheiro da
boca, da textura da pele, do cabelo etc.”. Obviamente, isso
é importante. Só que é preciso ter um aprofundar num cer-
to mundo interior. Mas a grande tragédia em nosso tempo
é que as pessoas não têm um mundo interior. A primeira
coisa é construir isto. Como se faz? Através da religião,
literatura e filosofia. Se você não cultivar isso, continuará
sendo uma caravela sem leme – qualquer vento te deslo-
cará. Com o vento soprando para cá em você e para lá no
seu marido, vocês se distanciarão e nunca mais se encon-
trarão. Você vai olhar para seu cônjuge... tesão por tesão...
nem tem mais, não está nem pensando nisso. Está falido,
sem dinheiro, trabalhando demais, então acaba nem pen-
sando nisso. Você olha para a pessoa e pensa “o que me
conecta a ela?”. Sem cultivar o mundo interior, nada te co-
necta!

Samia: Nada vai te conectar. É exatamente isso.

Italo: Ao conversar com a Samia sobre individualidade,


veio a questão: “Como é que um casal mantém sua indi-
vidualidade ao mesmo tempo que vive em comunhão, ou
seja, com uma vida em comum, por serem uma só carne?”.

Samia: Porque as duas coisas são importantes.

Italo: Essas duas coisas parecem ser opostas, mas são fa-
ces da mesma moeda no casamento. A individualidade é
fundamental para a comunhão. Quem não tem isso, acaba
não conseguindo ter comunhão com o cônjuge. Concorda?

Samia: Sim.

Italo: Se eu não tenho um mundo interior bem marcado,


definido, gordo, espesso, ou seja, com nuances, não tenho

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o que compartilhar com a outra pessoa. Se ela também
não tem, fica sem ter onde receber – ela também não tem
o que dar. Por uma carência de religião, literatura e filoso-
fia, as pessoas são rasas/superficiais como uma folha de
papel A4. É algo tão superficial que “a água bate nos calca-
nhares”. Nosso mundo interior precisa ser um mar que nos
afoga, uma região abissal em nosso espírito, algo sem fun-
do. A individualidade não é “Ai, vou sair com meus amigos
no domingo. Vou ao salão com minhas amigas na quinta.
Você deve respeitar isso”. De verdade, Samia, você e eu te-
mos isso?

Samia: É. As pessoas perguntam: “Você tem seu tempo?”.


Para mim, essa pergunta nem se aplica. Enquanto você fa-
lava, eu pensava assim: “Que analogia podemos fazer com
essa coisa? São duas células que, ao se juntarem, acabam
se fundindo e dando uma nova vida.

Italo: Não é só quando se tem filhos que isso acontece.

Samia: É óbvio que não. É uma coisa que você consegue


visualizar assim.

Italo: É a fecundidade matrimonial. Com ou sem filhos, ela


só acontece quando esses núcleos se expandem. O que é,
então, a expansão do núcleo individual, ou seja, da pes-
soa? Você só alcança isso pela religião, filosofia e literatu-
ra. Seria melhor alcançar isso pela musculação, nutrição
saudável, por ser algo muito mais fácil. Eu diria isso para
vocês. Ter um corpo bonito e uma boa alimentação é bem
mais fácil. Poderia ser assim, mas não é. Não adianta, você
vai precisar se esforçar. E é gostoso! Você fica uma pessoa,
de fato, com uma potência. Esse é um propósito bom para
a vida, é uma força boa na vida. Como se faz isso? Como
a Samia disse: a religião. Você deve concretizar. Religião
não é espiritualidade. Não são bons propósitos na sua ca-

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beça – isto faz parte da filosofia da religião. É legal, é bom
ter também. Só que a religião é uma outra coisa: é preci-
so ter uma prática. Por quê? Só com boas ideias você não
concretiza na sua vida cotidiana, laboral familiar, sexual
e afetiva. Depois, o contato com os clássicos da literatura
nos deixa mais inteligentes.

Samia: Nós passamos a ter mais conversas, ficamos mais


inteligentes, passamos a ver a vida de outro jeito e a aju-
dar aos outros de verdade. Você se torna uma pessoa inte-
ressante.

Italo: Uma pessoa legal de se conviver.

Samia: A religião nos dá muito disso, abre muito a nossa


inteligência. Podemos até pensar: “Mas só pessoas inteli-
gentes conseguem ter um casamento feliz?”.

Italo: Não e sim.

Samia: A religião consegue completar bastante disso. É


que estamos falando com pessoas que têm capacidade
para isso, ou seja, serem inteligentes.

Italo: Não é uma inteligência para deduzir fórmulas. É uma


inteligência vital, isto é, de viver.

Samia: Isso aí.

Italo: Como se faz, então? Ao mesmo tempo que não tem


receita, não é tão difícil.

Samia: Na verdade, eu falei isso. Só que o corte está tão


raso, que nem o mínimo as pessoas têm. Qualquer um po-
deria alcançar isso. É uma coisa que todos podem alcan-
çar. Mudando um pouco, eu preciso falar do meu curso,

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por favor.

Italo: Por favor? Fale aí.

Samia: O curso sobre sexualidade infantil abordará temas


que geram muitas perguntas, tais como: “É possível pre-
venir o abuso sexual? Podemos tomar banho com nossos
filhos? Podemos ficar com roupa intima ou sem ela perto
deles? Por que os adolescentes procuram a pornografia?

Italo: A idade de procura é de 9 anos.

Samia: Exatamente. Falaremos sobre a sexualidade preco-


ce e a exposição a internet, Youtube e Funk, ou seja, se há
uma relação nisso. Também debateremos sobre como falar
com as crianças a respeito de onde vêm os bebês, quan-
do e o que falar, como responder a determinadas coisas.
Serão seis lives: falarei nas primeiras três – com material
pronto – e as outras três serão destinadas às dúvidas. To-
das serão transcritas.

Italo: Muito obrigado a todos. Fiquem com Deus. Beijo, lin-


da.

Samia: Beijo, lindo. Eu te amo.

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@italomarsili
italomarsili.com.br

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