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1.

INTRODUÇÃO

Um diagrama de fase em físico-química, engenharia, mineralogia e ciência dos


materiais é um tipo de gráfico que mostra as condições de equilíbrio entre as fases
termodinamicamente distintas. Em matemática e em física, um diagrama de fase
também tem significados alternativos, como um sinônimo de espaço físico. No sentido
de tratar de estados da matéria, em especial em química, um diagrama de fase é também
chamado de carta termodinâmica[1].

Um diagrama de fase de uma substância pura, ou de uma mistura de substâncias,


mostra as regiões de pressão e de temperatura em que as diversas fases são
termodinamicamente estáveis. As curvas que separam as regiões são denominadas
curvas de equilíbrio e mostram os valores de p e T nos quais duas ou mais fases
coexistem em equilíbrio[2].

Um dos tipos de diagramas de fases, podem ser construídos, particularmente


quando mais que um componente puro está presente, no caso em que concentração
torna-se uma variável importante. Diagramas de fase com mais que duas dimensões
mostram o efeito de mais duas variáveis na fase de uma substância. Eles podem usar
outras variáveis em adição para ou no lugar de temperatura, pressão e composição, por
exemplo, a força de um campo elétrico ou magnético aplicado e podem também
envolver substâncias que tomem mais que somente três estados da matéria. Um tipo de
diagrama de fase traça temperatura contra as concentrações relativas de duas
substâncias em uma mistura binária, esse diagrama é chamado de diagrama de fases
binário, como mostrado na figura abaixo[1].

Figura 1: Representação gráfica de um diagrama de fases binário.


(Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Diagrama_de_fase )

AZEÓTROPOS

1
Azeótropo é o nome que se dá a uma mistura de líquidos, composta por dois ou
mais componentes, que, em proporções específicas dos constituintes, formam uma
mistura com Ponto de Ebulição (P.E.) constante e fixo, e que, portanto não podem ser
desagregados pelo mero processo de destilação simples.
Esse tipo de mistura foi assim batizado por John Wade e R.W. Merriman, em
1911, em seus estudos acerca das aplicações do método da destilação fracionada.
Uma característica peculiar dos azeótropos é que a constituição da fase gasosa
da mistura é igual à composição da fase líquida, o que não é nada surpreendente, haja
visto o fato de a mistura possuir P.E. fixo e constante, o que faz com que haja a ebulição
da mistura como um todo e não como componentes em separado, podendo assim ser
encarada como substância pura sob esse aspecto.

Classificação:
Existe uma classificação bastante simplificada para azeótropos, ela os agrupa de acordo
com o valor do P.E. da mistura formada:
- Para misturas com o ponto de ebulição maior que o das substâncias que a formam:
azeótropo de máximo.
- Para misturas com o ponto de ebulição menor que o das substâncias que a formam:
azeótropo de mínimo.

Figura 2: - Sequência exibindo diagramas binário líquido-vapor de uma solução


“ideal”, de um azeótropo de mínimo e máximo, respectivamente.

(Fonte: http://leandromaiafernandes.files.wordpress.com/2010/01/12.png)

Outro tipo de classificação diz respeita ao aspecto da mistura:


- Azeótropo Homogêneo: não há separação das fases líquidas, quando este é
condensado. Há completa miscibilidade, tornando a separação mais difícil.

2
- Azeótropo Heterogêneo: as fases líquidas se separam quando condensadas (são
imiscíveis numa faixa de composição). Há o equilíbrio entre uma fase vapor e duas
fases líquidas[3].

O presente trabalho tem como objetivo a construção de um diagrama de fases de


uma mistura de líquidos (CLOROFÓRMIO + ACETONA) que possuem forte desvio da
idealidade (lei de Raoult). A construção do diagrama de fases será efetuada destilando-
se soluções de clorofórmio e acetona e medindo-se a composição das fases líquida e
vapor utilizando um refratômetro de Abee.

2.MATERIAIS E REAGENTES

- Sistema de destilação conforme fig.3;

- Clorofórmio PA;

- Acetona PA;

- Béquer de vidro de 250 ml;

- Funil de vidro;

- 02 provetas de 50 ml;

- Tubos de Ensaios.

3.PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Montou-se um esquema experimental de acordo com a figura:

RESÍDUO

DESTILAD
O

Figura 3: Aparelho de destilação utilizado no experimento.

Uma curva de ponto de ebulição foi construída de dados obtidos num aparelho de
destilação simples de um único prato. Pequenas amostras de DESTILADO foram obtidas
diretamente do condensador, após pequenas amostras do RESÍDUO terem sido retiradas com
uma pipeta. As amostras de destilado (V) e resíduo (L) foram analisadas, e suas composições

3
são graficadas num diagrama de ponto de ebulição em função da temperatura às quais elas
foram obtidas. No caso do destilado, a temperatura que foi graficada para cada amostra foi uma
média dos valores inicial e final durante o tempo de obtenção da amostra. A temperatura do
resíduo que foi graficada é aquela do ponto onde a destilação é interrompida para se obter a
amostra do resíduo.

O procedimento utilizado para determinar a composição das amostras foi o ÍNDICE DE


REFRAÇÃO (nD20) que é a propriedade mais apropriada no caso destes sistemas. O logarítmo
de nD20 é uma função quase linear da percentagem em peso de um dos componentes. Portanto
pôde-se fazer interpolações lineares entre os valores listados de índice de refração obtidos para
uma mistura onde as concentrações são conhecidas.

Obtenção do diagrama

Para se obter o diagrama uma mistura de clorofórmio/ acetona foi utilizada. Usou-se materiais
mais puros possíveis e evitou-se prolongar desnecessariamente a destilação.

O aparelho de destilação simples que foi usado neste experimento está mostrado na
figura acima. O bulbo do termômetro esteve posicionado no nível da saída lateral para o
condensador. Exceto quando a amostra do destilado(V) esteve sendo colhida para a análise, um
frasco coletor foi colocado na saída final do condensador.

Antes de começar a destilar, preparou-se 20 frascos de cinco mL para colocar as


amostras. Escreveu - se nas tampas as designações 1L, 2L,... 10L e 1V, 2V,... 10V para as
amostras do Líquido (RESÍDUO) e Vapor (DESTILADO), respectivamente. As quantidades
de amostras que foram colhidas são de aproximadamente 2 a 3 mL.

O procedimento geral foi o seguinte.

(*) Colocou-se uma mistura de composição aproximadamente conhecida no frasco do


RESÍDUO e iniciou-se a destilação. Quando a destilação estava procedendo num ritmo
(velocidade) normal, não excessivo, por volta da temperatura desejada, recolheu-se amostra
do DESTILADO, trocando rapidamente o frasco cônico por um dos 10 frascos de
amostra DESTILADO (V) lendo-se a temperatura quando iniciou e quando terminou o
recolhimento dos 2 ml. Trocou-se o frasco da amostra pelo frasco coletor tampando o
primeiro rapidamente. Desligou-se a manta aquecedora e parou a destilação. No ponto onde a
temperatura começa a cair, leu-se a temperatura no termômetro. Após o frasco ter sido
resfriado cerca de 15o, removeu-se a tampa do frasco de resíduo e insiriu a pipeta com

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uma pêra retirando dois mL do RESÍDUO líquido(L), colocando-o no frasco designado
para tal amostra e tampando-o bem. NÃO É IMPORTANTE SABER AS
COMPOSIÇÕES EXATAS DISCRIMINADAS NAS ETAPAS ABAIXO PORQUE A
COMPOSIÇÃO FINAL DA MISTURA SERÁ DETERMINADA PELO ÍNDICE DE
REFRAÇÃO.

Para efeito de economia iniciou-se o experimento com um dos componentes puros (o


mais volátil-acetona) com um volume entre 50-200 ml, seguindo os seguintes passos gerais.

1. etapa 1- colocou-se um volume de 69,0 mL de acetona componente mais volátil no balão de


destilação e destilou-se até a temperatura constante. Coletou 3 mL (amostras 1L e 1V) e
determinou o ponto de ebulição (53,3 oC) e o índice de refração da amostra. No caso da acetona
estar pura, a temperatura ser 25oC, e o refratômetro estar calibrado, o valor de nD20deve ser
1,3562.

2. etapa 2- resfriou-se o frasco de resíduo, adicionou por volta de 12% (em volume) = 7,5 mL
do componente menos volátil (clorofórmio) e retomou a destilação. Quando a temperatura
estava alguns graus acima da do ítem anterior, rejeitou-se os 3 primeiros mL de amostra e
coletou 2L e 2V para análise, segundo as instruções em (*).

3.etapa 3-Adicionou-se ao resíduo a amostra No 1 da tabela abaixo, retomou a destilação desta


mesma amostra até a temperatura subir alguns graus acima daquela da etapa 2 (~60oC),
desprezou-se os primeiros 3 mL e coletou 3L e 3V seguindo (*).

4.etapas 4/5/6-Repitiu-se o procedimento da etapa 3 para as amostras N o 2,3,e 4 nas


temperaturas 61, 62, e 63,5 e coletou as amostras 4L/4V, 5L/5V, e 6L/6V sempre segundo (*).

7.etapa 7- Lavou-se o frasco de resíduo com cuidado enxaguando com um pouco do


componente menos volátil (clorofórmio). Colocou então cerca de 65,0 mL do clorofórmio
puro no frasco de resíduo limpo, destilou até a temperatura constante e determinou seu ponto
de ebulição (61,7oC).

8.etapa 8/9/10/11 repitiu-se os processos das etapas 3-7 acima adicionando as amostras de No
5, 6, 7 e 8, para as temperaturas 62/62,5/63/63,5 sempre segundo(*).

Amostra No Clorofórmio(mL) Amostra No Acetona(mL)

5
3 15,0 7 5,0

4 22,0 8 12,5

5 37,5 9 20,0

6 60,0 10 32,5

4.RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os valores de temperatura observados na destilação e os valores obtidos do índice de


refração estão demonstrados da tabela 1.

Tabela 1 – Medidas experimentais de temperatura e índice de refração relativa a cada


adição de clorofórmio à acetona e acetona à clorofórmio.
Amostra Temperatura Índice de Índice de
de Ebulição Refração do Refração vapor
(ºC) liquido
1 Acetona pura 53,5 1,359 1,358

2 Acetona + 7,5 54,0 1,367 1,363


mL de CHCl3

3 Acetona +15,0 55,0 1,382 1,372


mL de CHCl3

4 Acetona+22,0 56,5 1,396 1,387


mL de CHCl3

5 Acetona+37,5 57,0 1,409 1,405


mL de CHCl3

6 Acetona +60 de 57,5 1,420 1,422


mL CHCl3

7 CHCl3 puro 58,0 1,444 1,444

8 CHCl3+ 5 mL 57,0 1,438 1,430


de Acetona

9 CHCl3+12,5 mL 59,0 1,423 1,422


de Acetona

1 CHCl3+20 mL 59,0 1,408 1,399


0 de Acetona

6
1 CHCl3+32,5 mL 58,0 1,394 1,382
1 de Acetona

De posse dos índices de refração do vapor e do liquido obtem-se a fração molar de


clorofórmio presente em cada solução.
Esses valores estão mostrados na tabela 2.

Tabela 2 – Fração molar de clorofórmio presentes no liquido e no vapor

Amostra T média °C Xcloroformio Xcloroformio


(líquido) (vapor)

1 53,25 0,0275 0,0175

2 54,5 0,103 0,0485

3 55,5 0,3425 0,2450

4 56,75 0,4980 0,4425

5 58,5 0,6690 0,6225

6 59,0 0.78325 0,7770

7 57,5 0,9928 0,9928

8 57,5 0,9300 0,8705

9 58,5 0,7530 0,7590

10 59,5 0,5875 0,4980

11 57,0 0,43675 0,28325

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De posse dos dados da fração molar e da temperatura, grafica-se temperatura em
função da composição molar da solução, obtendo-se o seguinte gráfico.

Figura 3– Temperatura versus fração molar de clorofórmio

8
Como a maioria das soluções são não-ideais, seus diagramas de temperatura versus
fração molar determinados experimentalmente são mais complicados que aqueles que
‘obedecem’ à idealidade. Se o sistema exibir um desvio positivo da lei de raoult, a
curva mostrará um ponto de ebulição mínimo, como na figura 2b. Ao contrário, um
desvio negativo da lei de raoult resultará num ponto de ebulição máximo, figura 2c. No
caso da mistura cetona-clorofórmio tem-se um desvio negativo da lei de raoult.O desvio
negativo ocorre em soluções que se formam exotermicamente. Isto significa que as
forças de atração entre as moléculas do soluto e do solvente na solução são mais fortes
que as que existem no estado puro do soluto e do solvente. As moléculas têm menos
capacidade de escapar na solução do que no estado puro. Como resultado a pressão
parcial da solução é inferior ao calculado pela Lei de Raoult e a temperatura de ebulição
maior. Dessa maneira então, a mistura não pode ser separada completamente em
componentes puros por destilação fracionada apenas. Na formação do azeotrópo ocorre
basicamente, sucessivas ebulições até resultar em um destilado que tenha
aproximadamente a mesma composição do liquido do frasco, no caso da experiência o
condensado é a acetona que tem menor ponto de ebulição e o liquido o clorofórmio que
possui o maior. O destilado é o chamado azeotrópo ( que em greo significa ferver sem
mudanças). Uma vez que o destilado azeotrópico tenha sido produzido, destilações
adicionais não resultarão em mais separações e o liquido entrará em ebulição à
temperatura constante.[4]
Para a mistura clorofórmio-acetona, tem-se de acordo com a literatura (handbook de
química) uma mistura contendo 20% em composição de acetona e 80% da composição
de clorofórmio. Experimentalmente obteve-se o azeotrópo com uma fração molar de
clorofórmio de 78,325% e de acetona de 21,675%, que foi bastante próximo do ideal.

È sabido que um azeotropo possui ponto de ebulição constante e fixo. Na literatura foi
encontrado que para a mistura clorofórmio-acetona esse valor é de 64,7ºC, observando a
figura 3 notamos que a temperatura de ebulição obtida experimentalmente foi de 59°C.
[1]

Assim, podemos calcular o erro relativo:

= 0,088

9
Ou seja, temos um erro de 8,8% . È importante salientar que as temperaturas de
ebulição tabeladas se referem a regiões no nível do mar. Uberlândia encontra-se acima
do nível do mar, assim as substancias entram em ebulição a uma temperatura menor.
Pode-se supor portanto que se não houvesse nenhuma fonte de erro a mistura acetona-
cloroformio teria um ponto de ebulição de 62,7 °C e portanto o erro encontrado seria de
aproximadamente 6%.

Os erros podem ter sido causados por impurezas presentes nos reagentes, erro na leitura
do termômetro ou na leitura do índice de refração.

5.CONCLUSÕES

As diversas fontes de erros foram com certeza as responsáveis pelo desvio encontrado,
porém o erro encontrado foi mínimo de 8,8%, portanto como o erro foi pequeno pode-se
considerar que a técnica de destilação simples (figura 3), é bastante eficiente para se
chegar ao azeotrópo.

6.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] MOORE, WALTER J. Physical Chemistry, 3rd ed., Prentice-Hall 1962

[2] ATKINS, P.; PAULA,J.;, Físico-Química, 8ª ed. LTC, 2008.

[3] http://leandromaiafernandes.wordpress.com/2010/01/04/azeotropos-2/, acessado em


Maio de 2011, às 14:44 h.

[4] CHANG,R.; Fisíco-química, para ciências químicas e biológica, volume 1, 3ª ed.

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