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Puerto Iguazú Argentina
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Argentina

XIII ERIAC DÉCIMO TERCER ENCUENTRO REGIONAL IBEROAMERICANO DE CIGRÉ

24 al 28 de mayo de 2009

XIII/PI-C5 -09
XIII/PI-C5 -09

Comité de Estudio C5 - Mercados de Electricidad y Regulación

CÁLCULO DE PERDAS TÉCNICAS E COMERCIAIS EM SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO: COMPARAÇÃO ENTRE METODOLOGIA E CONJUNTO DE MEDIÇÕES EM UM PROJETO PILOTO

E.A.C. ARANHA NETO*

D. ISSICABA

J. COELHO

LabPlan/UFSC

LabPlan/UFSC

LabPlan/UFSC

Brasil

Brasil

Brasil

A.L. BETTIOL

A. CARNIATO

R. MARCELINO

SATC

SATC

SATC

Brasil

Brasil

Brasil

S.M. BARCELOS CELESC Brasil

Resumo – As perdas em sistemas de distribuição estão diretamente relacionadas às curvas de carga dos consumidores, as quais são variáveis devido à sazonalidade e/ou variações bruscas de carga ao longo do ano, resultando em incertezas na determinação do montante das perdas. O artigo apresenta uma metodologia probabilística para o cálculo de perdas técnicas e comerciais em sistemas de distribuição que considera a natureza aleatória da curva de carga através de um conjunto de medições ao longo do alimentador. O bom desempenho da metodologia é confirmado através de simulações numéricas efetuadas em um alimentador radial da região Sul de Santa Catarina (Brasil) que supre uma carga instalada de 11 MVA, a qual é constituída por consumidores comerciais, residenciais e pequenas indústrias.

Palavras chave: Medições – Monitoramento – Perdas Comerciais – Perdas Técnicas – Sistemas de Distribuição.

1 INTRODUÇÃO

As perdas elétricas representam uma parcela considerável na matriz de custos dos sistemas de distribuição e, por esse motivo, sempre tiveram grande destaque nos estudos de planejamento das empresas de energia elétrica, principalmente nos últimos anos devido aos programas de conservação de energia.

As perdas técnicas em sistemas de distribuição estão diretamente relacionadas às curvas de carga dos

consumidores, as quais são variáveis devido à sazonalidade e/ou variações bruscas de carga ao longo do ano, resultando em incertezas na determinação do montante das perdas. Estas incertezas podem ser determinadas

a partir da elaboração de um sistema de apoio à decisão que considere a natureza aleatória das curvas de carga através de um conjunto de medições ao longo dos alimentadores.

Este trabalho faz parte de um projeto de Pesquisa e Desenvolvimento entre a concessionária de distribuição de energia elétrica Celesc, o Laboratório LabPlan/UFSC, a Faculdade SATC e a empresa consultora A Vero Domino. O produto final do projeto é um sistema computacional de apoio à decisão baseado em sistemas de medição e bases corporativas de dados que fornecerá estimativas mais precisas das perdas técnicas e

comerciais de alimentadores. Como projeto piloto, utiliza-se um alimentador radial de média capilaridade da região Sul de Santa Catarina (Brasil). Este alimentador possui recursos para interconexão com outros alimentadores da concessionária e supre uma carga instalada de aproximadamente 11 MVA, a qual é constituída por consumidores comerciais, residenciais e pequenas indústrias.

2 CÁLCULO DAS PERDAS ELÉTRICAS

A determinação das perdas elétricas nos sistemas de transmissão e distribuição pode ser efetuada por

diferentes processos. Nos sistemas de transmissão, as perdas são estimadas por estudos de fluxo de potência

ou através de balanço energético do segmento. Nos sistemas de distribuição, a grande maioria das empresas

distribuidoras utiliza, entre outros, procedimentos como a gerência de redes, fluxo de potência, processos estatísticos e modelos geométricos [1].

De acordo com [1] e [2], a adoção de um processo mais elaborado ou uma metodologia simplificada depende

do

objetivo proposto e dos dados disponíveis. Os métodos mais elaborados (como a gerência de redes e fluxo

de

potência) apresentam resultados próximos da realidade, podendo inclusive ser utilizados para análises

individuais e localizadas, mas necessitam de uma extensa base de dados e cadastro atualizado. Por sua vez,

as metodologias simplificadas (como os processos estatísticos e modelo geométricos) requerem um volume

reduzido de dados e permitem a estimativa das perdas de forma rápida, apresentando, no entanto, somente resultados satisfatórios quando aplicadas a grandes sistemas e de forma global.

A metodologia adotada pela Eletropaulo [3] e diversas outras concessionárias brasileiras, consiste em

calcular as perdas técnicas por segmento no sistema de distribuição (medidor de energia, ramal de ligação rede secundária, transformador de distribuição, rede primária e subestação de distribuição) dentro de uma política de cálculo periódico mensal com a utilização do software Pertec (CED/USP). Tal metodologia utiliza

os dados de rede provenientes do sistema de geoprocessamento (GIS), os dados de consumo provenientes do

faturamento e as curvas de carga típicas obtidas por campanha de medição. A partir dos dados de medições (nos transformadores das subestações e na saída dos circuitos primários de distribuição) são feitas correções

nas curvas de cargas estimadas dos consumos faturados. Desta forma é possível distribuir, ao longo da rede elétrica, as perdas técnicas provocadas pelos consumidores que fraudam ou furtam energia.

Em qualquer sistema fazendo-se a diferença entre a perda total e a perda técnica (calculada/estimada) obtêm-

se uma estimativa das perdas não-técnicas [1, 2, 3, 4] e, consequentemente, podem-se dirigir ações para

minimizar essas perdas comerciais gerando um aumento na rentabilidade. Contudo neste balanço entre perda total e perda técnica ainda não são consideradas as incertezas, conforme desenvolvido neste artigo. A seguir são descritas as metodologias desenvolvidas pelo CODI e pela ANEEL.

2.1 Metodologia Desenvolvida pelo CODI/ABRADEE

Em 1996 o CODI lançou o Documento Técnico 19-34 [2], que consiste em um método para determinação, análise e otimização das perdas técnicas em sistemas de distribuição. Este documento analisa e revê as formas tradicionais de cálculo do Fator de Perdas, conhecendo-se o Fator de Carga e o Fator de Potência, apresenta metodologia para o custeio das perdas técnicas a ser aplicada nas diversas etapas que constituem um plano de ação, com vistas à sua otimização, e apresenta o modelo para cálculo dos custos unitários das perdas técnicas em função dos fatores de carga e dos níveis de tensão, baseados nos custos marginais.

2.2 Metodologia Desenvolvida pela ANEEL

As perdas de energia influem na quantidade de energia contratada pela distribuidora. Estes custos, assim como os encargos setoriais e outros, são reconhecidos como custos “não gerenciáveis” e assim repassados diretamente às tarifas dos consumidores finais, processo conhecido como pass throw, pois os montantes e variações fogem ao controle da distribuidora [6].

Em junho de 2007, a ANEEL divulgou a NT-035/SRD [5], nota técnica que define uma metodologia de avaliação das perdas técnicas por nível decrescente de tensão baseada no balanço de energia, recalculando no sentido ascendente visando desconsiderar perdas irregulares. De forma geral, o procedimento de cálculo das perdas técnicas para cada segmento, seja de rede quanto de transformação, pressupõe o cálculo das perdas de potência (demanda) e a posterior obtenção das perdas de energia. Deste modo, calcula sempre a energia injetada em um determinado nível de tensão e utiliza este valor para o cálculo do Fator de Carga e do Fator de Perda. Calculadas todas as denominadas “perdas a fio” nos segmentos do sistema até os ramais e medidores, é fechado o balanço sobrando as “perdas irregulares” ou comerciais. Tendo em vista o objetivo de uma empresa distribuidora ótima, aquela sem perdas irregulares, a metodologia recalcula as perdas técnicas em todos os segmentos, agora em sentido crescente, encontrando as chamadas “perdas regulares de energia”, ou seja, reduzindo as perdas a fio anteriormente determinadas, na proporção do quadrado da relação entre a energia regular e a energia a fio [4].

Segundo [4] as metodologias utilizadas pelo CODI e pela ANEEL, por usarem dados típicos da rede, bitolas de cabos padronizadas, fator de potência médio, fator de perdas e outros parâmetros semelhantes, são eficazes no cálculo da perda total de uma empresa, mas podem conduzir a erros significativos quando se deseja estudar a área de uma regional ou apenas de uma subestação, mesmo para a perda técnica total melhor seria não usar valores médios para diversos parâmetros, mas proceder uma análise de sensibilidade ou a simulação com valores extremos, o que resultaria numa faixa ou em valores limites dentro dos quais estariam as perdas, o que seria algo mais consistente.

3 METODOLOGIA

Lembrando que a modelagem sobre determinação de perdas elétricas proposta pela ANEEL baseia-se na avaliação indireta das perdas e em dados do balanço energético, assim como em modelos e estimativa de parâmetros de equipamentos, com base em dados históricos, propõe-se neste artigo o desenvolvimento de um modelo probabilístico da variação das perdas técnicas versus variação da carga. Este modelo permitirá estimar adequadamente a sensibilidade das tensões e seus respectivos ângulos para com a variação da carga, assim como a sensibilidade das perdas para com a variação da carga. Deste modo, através de estimativas das variações temporais das cargas (sazonalidade, crescimento vegetativo e outros) poder-se-á estimar também a variação nas perdas elétricas, conforme delineado a seguir e representado esquematicamente no fluxograma da Fig. 1 [7].

Do ponto de vista metodológico, propõe-se efetuar inicialmente o levantamento da demanda (kW) de cada cliente de um alimentador piloto de distribuição. Todo consumidor será agregado ao seu transformador de ligação com a rede de média tensão (MT). Dessa forma, obtém-se o carregamento em kW de cada transformador tipo MT/BT da rede, de modo a se poder executar um fluxo de carga completo (ou um algoritmo equivalente, conforme proposto em [8]). O fator de potência (FP) concentrado desses transformadores pode ser obtido via base de dados de medição individualizada para os consumidores industriais e para os demais consumidores (ou no caso da indisponibilidade das medições individualizadas), utilizar-se-á o fator de potência obtido por meio de medições na média tensão.

De posse da demanda de cada cliente (kW), calculam-se os momentos estatísticos (média e desvio padrão) desses consumos em um período de análise, para formação de uma base de dados probabilística de cada ponto de carga. Esses momentos são utilizados em Simulações Monte Carlo (SMC) com a finalidade de se determinar a função densidade de probabilidade (e a respectiva função densidade acumulada) das perdas técnicas nesse período. O cálculo efetivo das perdas técnicas é realizado por meio de algoritmos específicos desenvolvidos para a análise em regime permanente de redes radiais. Em função do elevado tempo de processamento necessário para a execução das SMCs, foi desenvolvida uma formulação analítica para a sensibilidade das perdas técnicas para com a variação do consumo [7]. Utiliza-se dessa sensibilidade para estimar o resultado de variações de soluções de fluxo de carga perante variações no consumo, sem contudo executar estes fluxos de potência. Técnicas de redução de rede são empregadas com a finalidade de obter economia de tempo e processamento computacional, com o objetivo de viabilizar esta formulação para grandes redes de distribuição.

Comparando-se a potência medida pela concessionária com o consumo (dados do faturamento) adicionado das perdas técnicas, estimam-se as perdas comerciais de cada circuito. Ademais, a densidade das perdas técnicas em cada circuito de distribuição se constitui em uma informação de elevada relevância para a gestão de possíveis perdas comerciais. Na disponibilidade de informações quanto aos transformadores MT/BT, assim como da rede de baixa tensão, demais estratégias podem ser desenvolvidas visando uma melhor aproximação das perdas técnicas de cada circuito.

melhor aproximação das perdas técnicas de cada circuito. Fig. 1. Diagrama de blocos da metodologia 3.1
melhor aproximação das perdas técnicas de cada circuito. Fig. 1. Diagrama de blocos da metodologia 3.1
melhor aproximação das perdas técnicas de cada circuito. Fig. 1. Diagrama de blocos da metodologia 3.1
melhor aproximação das perdas técnicas de cada circuito. Fig. 1. Diagrama de blocos da metodologia 3.1

Fig. 1. Diagrama de blocos da metodologia

3.1 Balanço de Perdas – Comparação das Curvas de Perdas

Efetuando-se o balanço entre os valores procedentes da medição e os procedentes do faturamento – duas variáveis aleatórias, representadas por suas médias e variâncias, consegue-se estimar um valor médio da perda comercial, sendo que neste valor médio estão inclusos também as perdas por efeito Joule derivadas desse ‘consumo irregular’ . As equações seguintes exemplificam este procedimento:

Potência medida(SE)=CARGA+PERDA TÉC (FAT)+PERDA COM+PERDA TÉC(Ñ-FAT)

onde:

Potência Faturada =CARGA+PERDA TÉC (FAT)

Pot. Medida Pot.Faturada= PERDA COM +PERDA TÉC(Ñ-FAT)

(1)

(2)

(3)

Se tanto os valores medidos quanto os valores faturados possuírem média e desvio padrão estimados adequadamente e, supondo-se que estas variáveis aleatórias seguem uma distribuição normal, pode-se efetuar a subtração destas duas curvas normais (processo de deconvolução), similarmente aos modelos de confiabilidade estrutural – Load-Strength Interference [9], Figuras 2 e 3. Na Fig. 2 as duas curvas não têm nenhuma área em comum enquanto na Fig. 3 elas se cruzam, formando uma área de interseção.

Estas figuras representam duas situações distintas:

1) Quando não há overlap (sobreposição das curvas) há indícios de fraude, isto é, há grande diferença entre as Perdas Joule Totais (incluindo as Perdas Técnicas e Comerciais, calculadas com os dados de medição) e as Perdas Joule Parciais (apenas as Perdas Técnicas, calculadas com os dados do Faturamento): fraude com probabilidade próxima a 1 (Fig.2);

2)

Quando há overlap pode estar ocorrendo fraude com probabilidade pequena (pequena área de sobreposição entre as duas curvas da função densidade de probabilidade) (Fig. 3).

fdp

PERDAS TOTAIS E PARCIAIS

0,025 0,02 0,015 0,01 0,005 0 0 20 40 60 80 100 120 140 160
0,025
0,02
0,015
0,01
0,005
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200

PERDAS EM kW

fdp PERDAS TOTAIS E PARCIAIS 0,025 0,02 0,015 0,01 0,005 0 0 20 40 60 80
PERDAS_T PERDAS_P

PERDAS_T

PERDAS_P

Fig. 2. Curvas de Perdas sem superposição.

fdp

PERDAS TOTAIS E PARCIAIS

0,025 0,02 0,015 0,01 0,005 0 0 20 40 60 80 100 120 140 160
0,025
0,02
0,015
0,01
0,005
0
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200

PERDAS EM kW

fdp PERDAS TOTAIS E PARCIAIS 0,025 0,02 0,015 0,01 0,005 0 0 20 40 60 80
PERDAS_T PERDAS_P

PERDAS_T

PERDAS_P

Fig. 3. Curvas de Perdas com superposição.

Em todos os casos, se os dados de faturamento forem de apenas um mês, haverá apenas um valor de Perda Parcial representado por uma reta centrada no valor faturado (função impulso), isto é, Desvio Padrão igual a zero (Caso Determinístico), uma vez que não é possível o cálculo do desvio padrão dos dados provenientes do faturamento, estima-se apenas o valor da média de consumo, Fig. 4. Neste caso, pode-se utilizar uma função distribuição acumulada para os valores de medição e a média para os valores do faturamento, ou estimar intervalos de confiança (mais recomendado) conforme apresentado na Fig. 5.

(mais recomendado) conforme apresentado na Fig. 5. Intervalo de Confiança de 95% 0,450000 0,350000 0,250000
Intervalo de Confiança de 95% 0,450000 0,350000 0,250000 0,150000 0,050000 -0,050000 Z Normal padrão Zcrítico1
Intervalo de Confiança de 95%
0,450000
0,350000
0,250000
0,150000
0,050000
-0,050000
Z
Normal padrão
Zcrítico1
Z calculado
Zcrítico2
f(x)
-5,5
-5 5 4 3 2 1 0
-4,5
-4
-3,5
-3
-2,5
-2
-1,5
-1
-0,5
0,5
1,5
2,5
3,5
4,5
5,5

Fig. 4. Perdas Parciais sem Desvio Padrão.

Fig. 5. Curvas de Perdas com Intervalo de Confiança de 95%.

Nota-se na Fig. 4 que nesta situação seria o caso de analisar as incertezas, como no exemplo a seguir, pois a interseção entre as curvas é pequena, e há ainda probabilidades de fraudes, mas a própria variabilidade da carga e/ou outras incertezas do processo de medição podem indicar que as diferenças são não significativas (isto é, as curvas poderiam ainda ser iguais, dentro de um determinado intervalo de confiança, conforme analisado no estudo de caso). Por isto a importância de se considerá-las como variáveis aleatórias.

4 SISTEMA TESTE

Como sistema teste foi utilizado um sistema real de uma concessionária do sul do Brasil, com características de carga mistas: comercial, residencial, pequenas indústrias e uma pequena região rural. O alimentador atende principalmente o centro da cidade, tem aproximadamente 10 km de extensão, é radial com capilaridade média e possui interligação para remanejamento de carga. Está conectado um total de 4.129 consumidores com uma carga instalada de 11 MVA. Este alimentador era inicialmente composto por 605 barras e após executada a rotina de redução de pontos e ordenação da rede, o mesmo foi reduzido para 368

barras, sem com isso acarretar em perda de informação, havendo, entretanto, um enorme ganho computacional. Na Fig. 6 tem-se o traçado georreferenciado do mesmo.

Na Fig. 6 tem-se o traçado georreferenciado do mesmo. Fig. 6. Traçado georreferenciado do alimentador analisado.

Fig. 6. Traçado georreferenciado do alimentador analisado.

4.1 Dados de Medição

Foram realizadas medições do dia 24 de maio ao dia 23 de junho de 2008, sendo feitas 24 medidas diárias (medição horária), totalizando 744 medições. A partir desses dados, foram extraídas as informações de Fator de Demanda (FD) e Fator de Potência (FP) formando assim um conjunto de 744 demandas, com uma demanda média do alimentador de 2.167,49 kW com um desvio padrão de 755,15 kW. O Fator de Demanda médio foi de 0,21 e o Fator de Potência médio foi de 0,89. Na Fig. 7 têm-se as curvas de carga diárias para o período analisado e na Fig. 8 a média e desvio padrão diários para o período analisado.

Curvas de Carga

4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 Potência Ativa (kW) 24 25 26 27
4
3,5
3
2,5
2
1,5
1
0,5
Potência Ativa (kW)
24
25
26
27
28
29
30
31
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
20
21
22
23

Dia (Maio-Junho)

Fig. 7. Curvas de carga diárias para o período analisado. Média e Desvio Padrão Diários
Fig. 7. Curvas de carga diárias para o período analisado.
Média e Desvio Padrão Diários - 24/05/2008 a 23/06/2008
3.000,00
2.500,00
2.000,00
Média
1.500,00
Desvio Padrão
1.000,00
500,00
0,00
Sábado
2a-feira
4a-feira
6a-feira
Domingo
3a-feira
5a-feira
Sábado
2a-feira
4a-feira
6a-feira
Domingo
3a-feira
5a-feira
Sábado
2a-feira

Fig. 8. Média e desvio padrão diários para o período analisado.

4.2

Dados de Faturamento

Em relação aos dados do faturamento, foram utilizadas as leituras feitas nos consumidores no dia 23 de junho de 2008, referentes a um período de medição de 31 dias. O total consumido no período foi de 1.409.987,52 kWh, o que equivale a um valor de demanda faturada de 1.707,04 kW (sem desvio padrão, análogo aos casos representados nas Figuras 4 e 5).

4.3 Resultados das Simulações e dos Balanços de Potência

A tabela abaixo apresenta um resumo dos cálculos das Perdas Totais obtidos através das medições no

alimentador e das Perdas Parciais, obtidas através dos dados de faturamento.

TABELA I. RESULTADOS DE MEDIÇÃO E FATURAMENTO

Resultado dos Dados de Medição

Resultado dos Dados de Faturamento

Número de Barras: 368

Número de Barras: 368

Demanda Ativa (MW): 2,167489

Demanda Ativa (MW): 1,70704

Demanda Reativa (Mvar): 1,081335

Demanda Reativa (Mvar): 0,874544

Perda Ativa (kW): 39,80

Perda Ativa (kW): 24,30

Perda Reativa (kvar): 53,85

Perda Reativa (kvar): 32,88

Perda Ativa (%): 1,84

Perda Ativa (%): 1,42

Desvio da Demanda Ativa (kW): 755,15

Desvio da Demanda Ativa (kW): n*

Matriz de sensibilidade

Matriz de sensibilidade

Desvio da Perda Ativa Estimado (kW): 30.26

Desvio da Perda Ativa Estimado (kW): n*

 

n* = não se aplica

Com resultados do quadro acima e com o auxílio das equações de balanço (Eq. 1-3), analisam-se três situações de incertezas.

CASO_1: Incertezas devido à variação da carga

Efetuando-se o Balanço de Potência para o Alimentador do Projeto Piloto, obtém a diferença simples entre a Pot. Medida e a Pot. Faturada obtém-se 460,4kW.

A pergunta é: há diferenças significativas entre estes valores para indicar que ocorre fraude ou furto de

energia? Levando em consideração que o Desvio Padrão mensal medido foi 755,15kW em 744 medições horárias (devido à sazonalidade e variações de carga horária ao longo do dia), aplica-se o teste exemplificado na Fig. 5, onde, para haver superposição significativa o valor da Pot. Faturada (ou variável equivalente, representada pelo Zcalculado) deve estar entre limites das barras determinadas pelo Zcríticos

(Zcrítico(95%)). Assim encontra-se que Zcalculado>Zcrítico(95%). Isto significa que há fraudes com um intervalo de confiança de 95%.

CASO_2: Igual ao CASO_1 mais as Perdas Técnicas Efetuando o balanço de potência descontando também o valor das perdas técnicas totais (Faturadas e Não Faturadas), obtém-se uma diferença de 420,65kW, indicando ainda uma possibilidade de fraude, ao nível de significância de 5% (ou confiança de 95%), ou seja, de forma similar ao CASO_1, a área de superposição entre as curvas de potência é insignificante.

CASO_3: Igual ao CASO_2 mais as incertezas na determinação do montante das perdas Neste último caso considera-se que estão presentes todas as incertezas relacionadas com a variabilidade da carga (potência) no mês, com o processo de medição não coincidente no tempo em todos os consumidores, etc., ou seja, consideram-se três Desvios da Perda Ativa Estimada (3 x 30,26kW). Ainda assim a decisão é de aceitar de que há fortes indícios de fraudes ou furtos de energia neste alimentador.

5

CONCLUSÕES

O trabalho apresentou o desenvolvimento de uma metodologia probabilística de determinação e segregação das perdas técnicas e comerciais em sistemas de distribuição.

A metodologia proposta permite estimar adequadamente a sensibilidade das tensões fasoriais com a variação da carga, assim como a sensibilidade das perdas para com a variação da carga. Deste modo, através de estimativas das variações temporais das cargas e do reduzido uso de execuções de fluxo de potência, pode-se estimar indiretamente a variação nas perdas elétricas com uma boa precisão.

Resultados preliminares obtidos com a determinação probabilística das perdas comerciais em um alimentador radial de média capilaridade da região Sul de Santa Catarina (Brasil) comprovaram o bom desempenho e robustez da metodologia. Neste momento, os autores trabalham em diversas melhorias metodológicas cujos resultados serão posteriormente divulgados.

6 AGRADECIMENTOS

Os autores gostariam de agradecer ao Projeto de P&D ANEEL/CELESC e ao apoio dos demais membros da equipe do projeto: Maurício Sperandio, Marcel Campos Inocêncio, Gustavo Faria Souza, Paulo Vítor Larroyd, Ricardo Steiner e Sérgio Luiz Zimath

7 REFERENCIAS

[1] M.E. Oliveira; A. Padilha-Feltrin; S.A. Oliveira; D.B. Carmargo; F.J. Candian; M.A. Pereira, “Metodologia para Calcular Indicadores de Perdas Técnicas na Distribuição” in CIDEL2006 - Congreso Internacional de Distribución Eléctrica, Buenos Aires - Argentina, 2006. [2] ABRADEE - Associação Brasileira De Distribuidores De Energia Elétrica, Método para Determinação, “Análise e Otimização das Perdas Técnicas em Sistemas de Distribuição”. Documento Técnico ABRADEE-19.34. Rio de Janeiro, 1996. [3] A. Méffe; U.S. Braga; C.C.B. Oliveira; C.A.S. Penin; W. Sybine; E.A. Ushimaru; S. Jonathan, “Metodologia e Aplicação de Cálculo de Perdas Técnicas por Segmento no Sistema de Distribuição com Inclusão de Medições nas Subestações” in SENDI2006 - XVII Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica, Belo Horizonte, 2006. [4] P.R.F.M. Bastos; N. Ferreira; B.A. Souza, “Perdas Técnicas: aspectos geralmente não abordados e sugestões à Nota Técnica 035 da ANEEL” in XVIII SENDI - Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica, Olinda, 2008. [5] ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica, “Metodologia e Procedimentos para o Estabelecimento de Regulamentação para Apuração de Perdas Técnicas no Segmento de Distribuição de Energia Elétrica”. Nota Técnica n° 0035/2007-SRD/ANEEL. 2007. [6] M. Andrey; R.K. Yatsu; K. Hashimoto, “Perdas Técnicas Regulatórias em Sistemas de Distribuição” in XII ERIAC - Encontro Regional Ibero-americano do CIGRÉ, Foz do Iguaçu, 2007. [7] E. A. C. Aranha Neto, “Desenvolvimento de uma Metodologia Probabilística para Estimação de Perdas Técnicas e Comerciais em Alimentadores de Sistemas de Distribuição”, Documento de Exame de Qualificação (Doutorado), Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2008. [8] A. B. Knolseisen, D. Issicaba, M. Sperandio, J. Coelho, A. L. Bettiol, M. V. P. Alcântara, “Sensitivity Matrix for the Capacitor Placement Problem in Radial Distribution Systems” in CEE'07 - 2nd International Conference on Electrical Engineering, Coimbra - Portugal, 2007. [9] M. L. Shooman, Probabilistic Reliability: an engineering approach. New York,: McGraw-Hill, 1968.