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Módulo 10 – Aplicações de Domótica – Ficha de Trabalho Nº3

1.5. Principais Funcionalidades da Domótica


As funções domóticas permitem-nos satisfazer um número considerável de necessidades.
Definem-se então, três grandes classes de funções segundo o tipo de "serviço" a que elas se
dirigem, as quais são divididas em sub-funções elementares, que podem ser mais facilmente
analisadas:

1.5.1. Função de Gestão


Esta função tem áreas comuns com a função de controlo. A função de gestão tem como
objectivo automatizar um certo número de acções sistemáticas. As automatizações
realizam-se segundo: uma programação, um controle dos consumos e uma manutenção. As
acções sistemáticas desta função relacionam-se principalmente com o conforto.

1.5.1.1. Iluminação – controlo e regulação


Embora a domótica seja muito mais do que um sistema de controlo de iluminação, é nesta
função que muitas vezes assume a sua face mais visível. Nos espaços de passagem, a
iluminação pode ser accionada através de detectores de movimento, sendo regulável o nível
de luminosidade mínima e o tempo de funcionamento após detecção.
Para máximo conforto, o fluxo luminoso dos aparelhos de iluminação comandados pelos
detectores pode alternar em dia e noite, para que durante o período nocturno (entre as
1h00 e as 7h00, por exemplo), o fluxo luminoso seja o mínimo suficiente para a circulação.
Nas divisões, a iluminação pode ser activada pela simples presença de alguém, mediante um
programa pre-estabelecido, como por exemplo:
• Quarto – durante o período de dia a iluminação só liga nas teclas de comando, desde que a
luminosidade ambiente seja suficiente para a circulação normal. Quando a luminosidade é
reduzida, a entrada de alguém implica a ligação automática da iluminação com um fluxo
luminoso baixo. Se a pessoa pretender aumentar o fluxo de iluminação ou apagar a luz,
basta para isso que carregue numa tecla, tal como o faria numa instalação tradicional.
Neste caso, o sistema mantém a iluminação escolhida até que esta seja anulada, e
recolocada em automático;
• Salas, cozinha e piscina – funciona de forma idêntica aos quartos, mas com maior riqueza de
cenários. Por exemplo, numa sala, pode escolher ao entrar que o sistema accione
automaticamente um cenário que é o mais utilizado. Caso queira optar por outro, terá
então que pressionar uma tecla tal como faria numa instalação tradicional.

1.5.1.2. Aquecimento – energias, controlo e regulação


Quando se pensa em conforto dentro de um edifício pensamos obrigatoriamente também em
climatização. A integração tecnológica de um sistema de domótica permite gerir o
funcionamento do sistema de climatização, tendo em conta as informações relativas aos
restantes sistemas. Por exemplo:
• Alarme – a climatização pode depender não só da temperatura interior mas também do
facto da central de alarme estar ou não armada. Por exemplo, quando a central de
alarme é armada o aquecimento comuta imediatamente para um patamar de funcionamento
mínimo, ou simplesmente é colocada fora de serviço;
• Janela – quando o sistema de domótica detecta a abertura de uma janela, desliga
imediatamente o aquecimento nessa divisão, permitindo assim a redução do consumo de
energia que de outra forma seria desperdiçada;
• Central meteorológica – o sistema de aquecimento actua não só em função da temperatura
interior vs temperatura pretendida, mas tem em conta o valor da temperatura
exterior, antecipando a influência que esta iria ter no seu desempenho.
A regulação do sistema de climatização depende do tipo de climatização escolhido. Em
edifícios de habitação, os mais usuais são os sistemas de aquecimento central utilizando
radiadores dispersos no edifício, ou utilizando pisos radiantes. Os sistemas de arrefecimento
mais usuais são os de ar condicionado, que assim servem também para aquecimento, embora
seja crescente a percentagem de habitações que utilizam o tecto radiante, onde uma
serpentina é colocada sob o tecto, percorrida por água a uma temperatura ligeiramente
inferior à temperatura ambiente.
O controlo da temperatura é efectuado automaticamente a partir de medições dispersas pelo
edifício, ou segundo instruções dadas pelo utilizador através de termostatos, teclas,
telemóveis ou consolas com software de supervisão.
Nas instalações mais dispendiosas as medições podem ser feitas divisão a divisão,
enquanto que o mais usual é termos medições nas zonas mais nobres e mais importantes do
edifício, como, por exemplo, salas e quartos.
Os programas automáticos são escolhidos e alterados pelo utilizador, sendo normalmente
constituídos por ciclos de funcionamento horário, diário/semanal, levando em conta o estado
da central de alarme e a temperatura exterior.
O sistema de supervisão, software de apoio à exploração do sistema, representa um papel
fundamental na afinação dos sistemas de climatização. Registando e apresentando em gráfico
a evolução da temperatura em cada divisão onde existem termómetros, cabendo aos técnicos
decidir da importância de uma intervenção sobre as regulações mecânicas ou das eventuais
alterações à própria programação.

1.5.1.3. Cortinas, Toldos e Estores


O controlo da abertura e fecho de estores é uma funcionalidade típica dos sistemas de
domótica, devendo o seu funcionamento ser parte integrante de todo o sistema. Assim, o
controlo da abertura e fecho de estores deve ser acompanhado pelo efectivo controlo da
posição respectiva, sendo regulado por factores tão diversos como:
• Ciclo diário/semanal
• Intrusão
• Quebra de vidros
• Luminosidade máxima
• Luminosidade constante
• Comandos gerais locais e remotos
• Comandos à distância
• Simulação de presença, etc.
Exemplo: nos espaços com controlo de luminosidade constante, uma sala de exposições, um
gabinete, etc., a posição dos toldos é ajustada automaticamente em função da incidência
solar.

1.5.1.4. Rega – controlo, regulação e automatização de processos em função de


condições ambientais
Os sistemas de domótica podem associar o controlo da rega, tanto de espaços interiores como
exteriores, o controlo do funcionamento de espelhos de água, fontes e repuxos, introduzindo
na sua gestão dados relativos aos restantes sistemas. Assim, a rega será efectuada
segundo procedimentos que estabelecem regras em função da temperatura e humidade do
ar, vento, luminosidade, etc. Outros factores podem no entanto associar-se, inibindo a rega
em caso de falha do abastecimento de água, em caso de detecção de presença, ou em caso de
uma zona do jardim estar em manutenção e não precisar de ser regada.
A introdução de adubos líquidos pode ser automática em função de um programa
semanal, mensal ou anual, com o registo histórico de todos os doseamentos por tipo de
produto, de forma a auxiliar a tomada de decisões relativas à dosagem dos produtos.
Todos os valores são registados, permitindo assim quantificar consumos e custos por mês, e
melhorar a gestão dos processos associados à gestão do jardim.

1.5.1.5. Piscinas – controlo da qualidade da água, vigilância e segurança


O controlo do funcionamento das piscinas através do sistema de domótica permite a
selecção da capacidade de desinfecção e filtração da água, ajustando-a às necessidades de
cada momento, em função do tipo e intensidade de utilização. Por exemplo: se após uma
tarde de uso intenso, eventualmente com muitas crianças, a água revelar necessidade de
cuidados especiais, com um simples toque numa tecla o sistema inicia um programa de
tratamento da água de forma intensiva. No dia seguinte, a piscina está pronta a ser utilizada
em condições máximas de segurança e conforto. Permite também monitorizar a temperatura
da água, registando-a para análise do comportamento do sistema de aquecimento, e
monitorizar e registar a evolução dos valores de cloro livre e do pH.
Em caso de anomalia, ou de variação dos valores de pH e cloro para fora dos intervalos fixados
como aceitáveis, é gerado um alarme e anunciada a falha nos displays e consolas de
supervisão.
Sendo as piscinas locais extremamente perigosos para as crianças, podemos vigiar a sua
utilização através do sistema de vigilância de vídeo digital, a partir de qualquer ponto da casa,
ou remotamente via internet.
Utilizando os sensores de movimento, eventualmente já existentes para a segurança contra
intrusão, podemos ser avisados da aproximação das crianças através de sinais acústicos e de
avisos nos displays.

1.5.1.6. Gestão de Energia


A exigência da optimização dos consumos energéticos é uma realidade que implica não a
ausência do consumo, mas sim a sua gestão e quando necessário a sua racionalização. Se isto
é verdade quando temos alimentação eléctrica a partir do distribuidor, quando estas
preocupações se prendem apenas com factores económicos e ecológicos, é muito mais
verdade quando estamos dependentes de sistemas de emergência como UPS ou grupos
electrogéneos de socorro.

Questionário:
1. Quais as grandes classes/categorias em que se costuma agrupar as funções da domótica?
2. Essa classificação é feita com base em que critério?
3. Qual o objectivo da função de gestão na domótica?
4. As automatizações proporcionadas pela função de gestão podem realizar-se segundo: uma
programação, um controlo de consumos e uma manutenção. Explique os três significados
subjacentes e depois, para cada um dos casos, dê um exemplo concreto, detalhando o seu
funcionamento.
5. As acções automáticas da função de gestão relacionam-se primordialmente com o aspecto
económico? Justifique.
6. Dê três exemplos concretos, detalhando o respectivo funcionamento, da utilização da
função de gestão num sistema domótico, no âmbito da iluminação. Nota: pode basear-se nos
exemplos apresentados nos apontamentos mas não limitar-se a copiá-los, devendo, nesse
caso, alterá-los o mais substancialmente possível e/ou enriquecê-los.
7. O que entende por “cenário” no âmbito da domótica?
8. Dê um exemplo concreto de cenário aplicado ao sistema de iluminação da sua casa,
descrevendo o seu funcionamento o mais detalhadamente possível.
9. Quais os tipos de climatização que são mais usados, hoje em dia, nas habitações de
construção recente e com sistema domótico integrado?
10. O sistema de climatização pode ser actuado através de outros sistemas domóticos
existentes e integrados numa habitação. Dê três exemplos, explicando detalhadamente o seu
funcionamento e as razões de ser de tal funcionamento.
11. Que tipos de sensores e actuadores podem ser usados num sistema domótico de
climatização?
12. Descreva, com detalhe, o funcionamento de um sistema de climatização complexo em que
este possa ser actuado manualmente (ligar/desligar/regular), de forma automática através de
um programa previamente carregado no software de gestão, ou directamente por acção de
um outro sistema domótico integrado no sistema global. Preveja ainda um cenário e também
situações de ciclos de funcionamento horário, diário e semanal.
13. Nos sistemas de controlo de abertura e fecho de estores de uma habitação, qual a razão
por que o seu comando/actuação tem de ser acompanhado pelo conhecimento do sistema da
posição actual desses estores?
14. A abertura, fecho e posicionamento dos estores pode depender, em geral, de que
factores? Para cada caso, explique o significado respectivo e apresente um exemplo prático.
15. Dê três exemplos de aplicação da domótica aos sistemas de rega.
16. Descreva, com detalhe, um exemplo concreto de funcionamento dum sistema domótico
aplicado a um sistema de rega imaginado por si. Na sua resposta, deve indicar os respectivos
componentes utilizados, a sua função e o descrever o funcionamento de todo o sistema.
17. De que modos um sistema domótico pode ser útil quando aplicado a uma piscina.
18. Descreva, com detalhe, um exemplo concreto de funcionamento dum sistema domótico,
imaginado por si, aplicado a uma piscina. Na sua resposta, deve indicar os respectivos
componentes utilizados, a sua função e o descrever o funcionamento de todo o sistema.
19. Indique de que modos um sistema domótico pode ser útil quando a sua intenção for a de
racionalizar o seu consumo de energia eléctrica, isto é, poupar dinheiro na factura mensal de
electricidade.

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