Você está na página 1de 10

Entrevista

José Nelson Mucha

1) Como o senhor analisa a exacerbada va-


lorização dos aparelhos sob prescrição e da
multiplicidade de técnicas, tidas como tecno-
logias avançadas e significando “tratamento
ortodôntico”, em detrimento aos corretos
diagnósticos e planejamentos? Ana Maria
Bolognese
Em primeiro lugar deve dizer que fico hon-
rado em poder participar da seção de entrevistas
desta prestigiosa e conceituada revista. Em segun-
do lugar agradecer aos professores participantes,
os quais representam o que a Ortodontia brasi-
• Graduado pela Faculdade de Biologia de Passo Fundo, RS. leira tem de mais significativo, o que me coloca
• Especialista em Prótese Dentária pela Faculdade de
Ortodontia de Piracicaba - UNICAMP.
numa posição de respeito e responsabilidade em
• Especialista em Radiologia pela UFRJ - SOB/RJ.
estar a altura das expectativas e respostas a serem
• Mestre em Ciências - Ortodontia pela UFRJ.
apresentadas. Em terceiro lugar, respondendo a
• Doutor em Odontologia e Ortodontia pela UFRJ. esta pergunta, gostaria de fazer um exercício de
• Prof. Titular em Ortodontia da Faculdade de Odontologia retrospecção para entender como a Ortodontia
da Universidade Federal Fluminense de Niterói - RJ. evoluiu em relação aos tipos de aparelhos e em
• Coordenador do Curso de Especialização em Ortodontia relação às técnicas disponíveis atualmente. Os
da Universidade Federal Fluminense.
autores que prescreveram aparelhos, tais como
Andrews, Ricketts, Roth, Alexander, Bennett, Mc
Nesta edição publicamos a esperada entrevista com Lauglling entre outros, são profissionais da maior
o Prof. Dr. Nelson Mucha. Apresentar o Prof. Mucha qualidade que tiveram uma formação ortodôntica
significa apresentar a excelência da Ortodontia. Sua clássica e tradicional, com ênfase no diagnóstico
dedicação, seriedade, ciência e arte influenciaram e e planejamento dos casos. Com alta carga horária
influenciam inúmeros ortodontistas que puderam
nos conceitos de crescimento e desenvolvimento
ter a felicidade de ouvi-lo, ou de lerem seus artigos.
crâniofacial, e nos procedimentos técnico-labo-
Mesmo para aqueles que puderam ter apenas uma
ratoriais para a confecção dos aparelhos. Estamos
amostra de sua coleção de trabalhos e casos tratados
falando das décadas de 50, 60 e 70 onde a con-
com excelência percebem suas qualidades singula-
res. Por isto,muito nos honra publicar essa entrevista fecção e montagem de um aparelho ortodôntico
aqui enriquecida pelos ilustres entrevistadores Dr. eram práticas que necessitavam de tempo e alta
Alberto Consolaro, Dra. Ana Maria Bolognese,, Dr. habilidade. Gostaria de enfatizar esta última ca-
Estélio Zen, Dr. Guilherme Janson e Dr. Roberto racterística, HABILIDADE. Portanto, todos estes
M. Lima A. Filho. grandes profissionais foram altamente treinados
O Editor no sentido de desenvolverem uma habilidade para

R Dental Press Ortodon Ortop Facial 19 Maringá, v. 9, n. 4, p. 19-28, jul./ago. 2004


Entrevista

a confecção e montagem dos aparelhos, e condu- A Ortodontia é um ramo da Biologia e como


zirem de maneira adequada os tratamentos or- tal, o tratamento deve estar embasado em conhe-
todônticos, com a confecção individual de arcos cimentos dos princípios biológicos, diagnóstico
para o correto desenvolvimento e finalização dos criterioso, com todos os elementos necessários;
tratamentos. A partir de um domínio técnico e de planejamento com objetivos claramente definidos,
habilidades é perfeitamente possível e justificável tendo em vista excelência em: tecidos bucais sau-
simplificar certos procedimentos para que se tenha dáveis; função adequada; estética facial e dentá-
maior rendimento e aproveitamento do tempo de ria e; estabilidade dos resultados em longo prazo.
consultório. A partir do conhecimento básico que Após a conclusão do tratamento e da remoção do
estes profissionais apresentavam, e da experiência aparelho, somente poderá ser afirmada a excelên-
clínica pessoal, incorporaram modificações, desen- cia no diagnóstico e planejamento e da correta uti-
volveram estratégias e elaboraram artifícios técni- lização da mecanoterapia, ou o contrário. Um pés-
cos de acordo com preferências pessoais, desen- simo diagnóstico e planejamento com a utilização
volvendo os chamados aparelhos programados ou do melhor aparelho sem o adequado treinamento,
prescrições. Cada autor com a sua preferência de resultará em tratamentos péssimos. Os dentes são
acordo com valores próprios pré-estabelecidos de estúpidos. Eles não conseguem entender o apelo
média, ou normal. Repetindo, está se falando de do fabricante ou do líder carismático. Eles enten-
média. Para se atingir a excelência na finalização dem de força ótima.
será necessário incorporar dobras para se atingir A resposta a sua pergunta objetivamente é: Trata-
o ideal individual. A minha opinião pessoal nes- se de comércio e leis de oferta e procura, e talvez na
te caso não é contra os aparelhos com prescrição, nossa falha ou omissão, como professores, em não
pois podem ser considerados uma evolução, mas alardear com maior ênfase estas verdades máximas
sim contra a falta do treinamento básico impres- aos consumidores (pacientes, dentistas e ortodon-
cindível para a prática da boa Ortodontia. Sem o tistas) de que os princípios básicos biomecânicos,
treinamento isto será impossível, pois estes apa- diagnóstico, planejamento com definição clara de
relhos, como qualquer aparelho fixo, apresentam objetivos e o domínio técnico dos aparelhos são mais
uma série de limitações tais como: imprecisões importantes do que os apelos dos fabricantes.
na montagem do aparelho; variações anatômicas;
variações nas relações maxilomandibulares; neces- 2) Como professor de uma renomada uni-
sidade de sobre-correções; variáveis mecânicas (o versidade, qual o conselho você daria para
centro de resistência do dente está longe do ponto um estudante que pretende ingressar em
de aplicação da força; folga entre “slot” e braquete uma Faculdade de Odontologia? Ana Maria
e diminuição das forças liberadas pelos arcos). Bolognese
A partir daí, as empresas comerciais passaram Por princípio me vejo como uma pessoa otimista,
a oferecer os aparelhos desenvolvidos pelos profis- porém este otimismo está relacionado às expecta-
sionais como se fossem resolver todos os problemas. tivas criadas em relação a qualquer profissão, bem
Como existem tantas prescrições e técnicas a ques- como as possibilidades dela vir a ser concretizada, e a
tão ainda é: qual a melhor qual é a que oferece o oportunidade real de satisfação esperada, bem como
melhor resultado? A questão que aqui se apresenta a preparação e o desejo ou vontade que o estudan-
é a qualidade dos serviços prestados que se espera te demonstra em relação à determinada carreira ou
que devam ser provenientes de um bom ortodon- profissão. Através dos tempos, os anseios e as expec-
tista. Que devem ser: a melhor qualidade no menor tativas mudam em relação a qualquer profissão. Ex-
tempo e com o maior benefício ao paciente. plicando melhor, diria que uma das melhores profis-

R Dental Press Ortodon Ortop Facial 20 Maringá, v. 9, n. 4, p. 19-28, jul./ago. 2004


MUCHA, J. N.

sões do mundo atualmente, em termos financeiros, é mente os recém egressos das Faculdades para que
ser dono da Microsoft, ou ser o Bill Gates, mas não possam dar um depoimento realista da situação
adianta ter esta expectativa pois ela é improvável. atual da Odontologia. Mas se, conhecendo as li-
Atualmente existem muitas profissões que oferecem mitações e riscos do mercado, ainda assim consi-
um futuro promissor em relação à remuneração fi- derar que a Odontologia é a profissão da sua vida,
nanceira, prestígio e bem estar. Certamente a Odon- e que pretende exercê-la com amor, dedicação,
tologia já foi uma profissão bem mais glamourosa e desprendimento e total atenção à saúde bucal de
de maior retorno financeiro, portanto, espera-se que seus pacientes, sem ter uma excelente retribuição
os futuros candidatos à carreira tenham consciên- financeira, vá em frente. O sol nasceu para todos.
cia que existe uma saturação do mercado em rela-
ção aos tratamentos ditos especializados, mas com 3) E para aquele estudante que está concluin-
carências na parte de clínica geral. Com esta maior do a graduação em Odontologia e pretende
saturação do mercado, os rendimentos sejam natu- fazer sua especialização em Ortodontia e Or-
ralmente menores. Porém, em qualquer profissão, se topedia Facial, que orientação você daria?
o profissional realmente gostar do que faz, fizer com Roberto Mario Amaral Lima Filho
carinho e dedicação e em busca da excelência, com Procure conversar com os professores de sua
o objetivo de realmente atender ao paciente com o Faculdade, aqueles considerados os educadores
melhor trabalho, o retorno vai ocorrer. Este retorno e não apenas professores. Também com os bons
será inicialmente na forma de gratidão e reconheci- profissionais do mercado, aqueles que tem belos
mento de seus pacientes e de seus colegas, e depois casos clínicos para mostrar para quem for fazer
conseqüentemente com uma paga justa pelos seus uma visita ao consultório. Aqueles que podem ser
serviços. Não vejo a possibilidade de ganhos elevados considerados exemplos de dedicação e com tra-
na profissão, mas uma forma digna de ganhar o sus- balhos bem realizados. Certamente as orientações
tento e de fornecer um serviço de qualidade. serão no sentido de selecionar os cursos com carga
Considero que existe a necessidade de maior horária de 2000 a 3000 horas, com 24 a 36 me-
quantidade de cursos técnicos, como os de prótese ses de duração, com a uma boa distribuição entre
dentária, higienista e atendentes de consultórios as atividades das ciências básicas, de treinamento
odontológicos. Os higienistas poderiam fazer um básico e laboratorial, de atendimento clínico e de
excelente trabalho de conscientização da popu- pesquisa. Com um corpo docente que esteja com-
lação, com um tempo de treinamento mínimo e prometido com todas estas áreas, para que possa
com menores custos, como para a formação de um ter um treinamento adequado.
Cirurgião-Dentista e resultaria, como conseqüên- Que ao se candidatar a um curso deste gabari-
cia, em uma grande contribuição para a melhora to entenda que a concorrência será grande e que
da saúde bucal da população, principalmente os talvez não seja aprovado ou aceito para realizar o
de menor renda. Acredito que a criação destes curso em uma primeira tentativa, mas a perseve-
programas (e que está sendo discutida pelo CFO) rança é uma qualidade que se espera de um bom
melhoraria muita a situação da Odontologia. Po- ortodontista e que este tempo de espera para ou-
rém, com os valores vigentes há a necessidade im- tras tentativas deve ser bem aproveitado. Como
periosa da obtenção do título de doutor, ou então para o aprimoramento dos conhecimentos gerais
o indivíduo não será nada. da odontologia (Anatomia, Histologia, Embriolo-
Objetivamente, responderia que o estudante gia, Fisiologia, Genética, Materiais Dentários, Pa-
deve ponderar as reais expectativas e conversar tologia, Radiologia, Periodontia Odontopediatria
com pessoas egressas por mais tempo e principal- e outras áreas comuns a Ortodontia), pois acre-

R Dental Press Ortodon Ortop Facial 21 Maringá, v. 9, n. 4, p. 19-28, jul./ago. 2004


Entrevista

dito que um excelente dentista será um excelente objetivos a serem atingidos. Porém, como elemen-
ortodontista. Que invista na experiência da prá- to de diagnóstico, a cefalometria ou as análises ce-
tica clínica da Odontologia, ao atendimento de falométricas falham em informar a exata dimensão
pacientes, pois isto será vital para o sucesso no seu dos problemas, pois além de utilizarem medidas
treinamento no curso de Ortodontia. bidimensionais de um problema tridimensional,
Que procure desenvolver a habilidade manual podem apresentar erros inerentes à tomada radio-
e conhecimentos de Inglês e informática impres- gráfica, erros dos traçados, erros da localização dos
cindíveis para se manter atualizado e acompanhar pontos, erros da determinação das linhas, planos
qualquer curso. e obtenção das medidas, sejam elas manuais ou
Que não caia na tentação de fazer cursos rápidos através de programas de computador, além das
e ditos preparatórios pois eles apenas visam angariar variações entre os indivíduos ao se aplicar normas
lucros dos candidatos ansiosos e ávidos por conheci- ou medidas padrão. Além disto, qualquer análise
mentos. Os bons cursos não levam em consideração está baseada em dados da média da população es-
os cursos preparatórios, pois tudo isto será ministra- colhida por determinado autor para descrever o
do novamente durante o curso em questão. problema, a partir da média considerada normal.
Que tenha uma visão realista do mercado, onde Portanto, como clínico, prefiro me basear em dados
atualmente existe uma proliferação de cursos de mais subjetivos para a tomada de decisões e não
final de semana, com ênfase nos aparelhos mila- em números absolutos. Exemplificando: considero
grosos e com forte apelo de marketing, e que vai como primordial na consulta inicial do paciente
acarretar em um primeiro momento numa con- saber a sua queixa principal e conseqüentemente
corrência desleal, mas que em longo prazo o reco- realizar uma boa anamnese, com adequada coleta
nhecimento e as recompensas virão. A Ortodontia de dados e, então, a análise das características fa-
é uma especialidade muito gratificante. Somos ciais e dentárias deste paciente. Após então, com
da área da saúde e atendemos aos pacientes mais os dados obtidos das radiografias dentárias periapi-
saudáveis que existem. Jovens na sua plenitude de cais e dos modelos, procedo a uma confirmação, ou
vigor, alegria e energia, e que apenas apresentam não, destas primeiras informações, através da aná-
desarmonias dentárias ou esqueléticas. lise cefalométrica. Esta avaliação então consistirá
em determinar, por exemplo, se realmente existe
4) Qual a importância da cefalometria em seu uma desarmonia entre maxila e mandíbula, e que
planejamento ortodôntico? Guilherme Janson até pode ser traduzida em números (ângulo ANB,
Como professor devo dizer que a cefalometria SNA, SNB ou WITS). Se o problema vertical tem
é uma excelente ferramenta de ensino, pois é qua- implicações esqueléticas (FMA, GoGn-SN, Eixo
se impossível ensinar e descrever certas caracterís- Y), e como estes planos faciais se apresentam es-
ticas das más oclusões sem recorrer à linguagem pacialmente em relação à face total do paciente
da matemática. Da mesma forma as pesquisas em (algo como a análise de Sassouni). Posteriormente
relação aos padrões, diagnósticos e resultados de então, procedo a análise das relações dos incisivos
tratamentos, seriam impossíveis de terem respos- inferiores em relação à face e à mandíbula (1-NB e
tas claras sem o auxílio da matemática que é for- IMPA). Caso a face apresente um bom aspecto, ou
necida pelas medidas obtidas pela cefalometria. a relação dos tecidos moles entre o lábio inferior
Considero também a radiografia cefalométrica e mento estiverem harmoniosos, então o incisivo
um valioso instrumento para comunicação entre o inferior deverá ser mantido naquela posição. Caso
profissional e o paciente, para ilustrar os problemas exista protrusão dos lábios tornando o aspecto
e explicar as razões da terapêutica, bem como os facial desagradável, ou o lábio inferior estiver

R Dental Press Ortodon Ortop Facial 22 Maringá, v. 9, n. 4, p. 19-28, jul./ago. 2004


MUCHA, J. N.

protruído ou evertido em relação ao mento, então ta posição e retrair os anteriores com o risco de
os incisivos inferiores deverão ser retraídos. Para perda de ancoragem. Prefiro então a força extra-
definir esta quantidade considero a linha “S” de bucal ou extrações de pré-molares, no qual o tra-
Steiner um bom parâmetro, numa relação de 1:1 tamento será menos traumático, em menor tempo
(Linha S-LI e 1-NB). e com maior benefício ao paciente, provavelmente
Resumindo: A ordem de prioridade é a seguin- preservando os terceiros molares.
te: 1) A queixa do paciente; 2) Anamnese e coleta
de dados na ficha de consulta. 3) A análise facial e 6) O Sr. utiliza aparelhos funcionais em sua clí-
dentária; 4) A análise das radiografias periapicais; nica e/ou departamento de Ortodontia? Por-
5) A análise dos modelos e 6) A confirmação das que? Guilherme Janson
informações com a análise cefalomérica. O curso de especialização em Ortodontia da
UFF tem duração de 30 meses, com carga horária de
5) Qual a sua opinião sobre os distalizadores 2.130 horas, e considero que o ideal de um curso de
intrabucais para a correção da Classe II? O Sr. Especialização seria de 36 meses, com 3.000 horas
os utiliza em sua clínica ou os recomenda aos ou mais7. Não estou mencionando Curso de Mes-
seus alunos? Guilherme Janson trado ou Doutorado, pois tenho uma concepção um
A movimentação de molares para distal é algo pouco diferente de como estes deveriam ser (com
fácil de ser conseguido, porém será crítica a manu- ênfase na pesquisa, com os instrumentos para análise
tenção dos resultados obtidos com qualquer for- e consumo da literatura científica, didática e pedago-
ma de movimento para distal dos molares, quando gia, e aprofundamento dos conhecimentos da área
da aplicação de força para retraírem-se os dentes básica). Mas isto é um outro assunto. Não considero
anteriores. Considero os aparelhos extra-bucais e válido também os cursos ditos preparatórios, pois den-
os implantes como sendo as abordagens mais con- tre os objetivo do curso de especialização que eu coor-
troladas para garantir o controle efetivo de anco- deno, pretende-se estabelecer muito claramente uma
ragem, sendo capazes de manterem os molares em filosofia de tratamento ortodôntico. Após este apren-
suas posições mais posteriores. Portanto, para se dizado poderá e naturalmente acrescentará outras in-
ter um efeito significativo e controlar este resulta- formações técnicas ou filosofia que considera relevan-
do, prefiro utilizar a força extra-bucal. Alguns apa- tes para sua prática clínica. E se o candidato aprender
relhos para movimentar os molares para distal uti- outras filosofias de maneira incompleta, isto acarretará
lizam apoio no arco inferior e, conseqüentemente, conflitos e divergências com dificuldades de análise
por uma questão de ação e reação de forças os e de aproveitamento. No último semestre do Curso,
dentes incisivos inferiores serão projetados ante- temos uma relação de seminários de Técnicas Orto-
riormente. Este efeito está fora dos meus objetivos dônticas e Filosofias de Tratamentos, com 18 a 20 itens
de tratamento ortodôntico. Outro argumento é o que são pesquisados, analisados e apresentados pelos
de que como ortodontistas, somos essencialmente próprios alunos na forma de seminário seguido de de-
administradores de espaços, e muitas vezes a mo- bates. Onde também figuram os assuntos de Técnicas e
vimentação dos molares para distal requer espaço, Filosofias com Aparelhos Funcionais1. Temos portanto,
tal como a extração dos segundos ou terceiros mo- uma discussão teórica, porém não na forma sistemática
lares. Ora, é muito esforço para conseguir espaço à de aplicação clínica. Utiliza-se em alguns casos de gran-
distal dos primeiros molares, instalar um aparelho des assimetrias (microssomia hemifacial), em fase de
que pode quebrar e causar injúrias ao paciente, crescimento, ou mordidas cruzadas unilaterais reais,
conseguir os espaços e antão estabelecer alguma em que será necessário algum reposicionamento
forma de ancoragem para manter estes dentes nes- mandibular para evitar futuras cirurgias.

R Dental Press Ortodon Ortop Facial 23 Maringá, v. 9, n. 4, p. 19-28, jul./ago. 2004


Entrevista

Mesmo que a argumentação de que, com os Respondendo mais categoricamente, não uti-
aparelhos ortopédicos funcionais apresentaria lizo na minha clínica, por considerar que o resul-
uma melhor posição da mandíbula nos casos de tado que eu obtenho com as formas tradicionais
retrusão mandibular, eu teria a dizer que com de tratamento da Classe II, com força extrabucal
um bom controle vertical com aparelho extra- do tipo Klohen, cervical ou alta, são excelentes,
bucal do tipo Klohen de tração alta, pode-se re- em menor tempo e com menor custo, pois seriam
verter esta tendência e ao final do tratamento necessários praticamente dois tratamento para re-
estas características seriam imperceptíveis clini- solver apenas um problema do paciente.
camente. Após uma fase com a utilização dos
aparelhos funcionais, será necessário, inevitavel- 7) Como você determina a época para iniciar
mente, uma outra fase com aparelhos fixos. Nes- o tratamento ortodôntico? Estélio Zen
ta fase poderá ocorrer extrusões dentárias, perda Em primeiro lugar, o período em que pratica-
da relação molar, e recidiva do que era apenas mente todos os problemas ortodônticos são mais
uma reposição mandibular e não uma remode- bem diagnosticados, orientados e prevenidos é,
lação condilar ou da fossa articular. E teremos indiscutivelmente, a fase da dentição mista tais
novamente a necessidade de utilizar aparelhos como: controle de saúde bucal, restaurações ade-
para melhorar a relação molar. Com o aparelho quadas, controle periodontal e orientação de téc-
fixo instalado ficará mais difícil retornar ao apa- nicas de escovação, controle de hábitos, correções
relho funcional e então a escolha ideal recairá de mordida cruzada posterior e anterior e trata-
sobre os aparelhos extrabucais. mento ou controle da má oclusão de Classe III.
Ao se analisar mais criteriosamente os efeitos dos Fora estes problemas considero que a melhor fase,
aparelhos ortopédicos funcionais (para a correção inclusive para o controle de espaços é a fase final
da Classe II), que estão indicados para os casos de: da dentição mista, pois ainda estarão presentes
a) dentição mista, b) com bom potencial de cresci- os segundos molares temporários, e será possível
mento, c) com boa resultante de crescimento (mais aproveitar o “Lee Way Space”, para a correção de
horizontal), d) com possibilidade de projetar incisi- apinhamentos suaves ou moderados. Está época
vos inferiores (o que é raro) e e) não necessitar de situa-se após a erupção dos caninos permanentes
aparelho extrabucal, tem-se que praticamente todos e o aproveitamento do potencial inerente a este
vão apresentar um apoio ou grampo para restringir o arco dentário, para o aumento inclusive da distan-
movimento do primeiro molar superior para mesial, cia entre os dentes caninos temporários.
ou até para incliná-lo ou movimentá-lo para distal. Em segundo lugar a sua pergunta poderia ense-
Terão um dispositivo ou alívio para permitir a migra- jar a questão do tratamento ortodôntico em uma
ção e extrusão do primeiro molar inferior para me- fase ou duas fases. Procuro tratar todos os pacien-
sial (no espaço ocupado pelo segundo molar tempo- tes em apenas uma fase (exceto os problemas des-
rário). Terão um grampo para verticalizar os incisivos critos acima), definindo que a melhor época é a
superiores e terão algum apoio ou dispositivo contra fase final da dentição mista.
o rebordo anterior inferior, o qual projetará por incli- Para os problemas de Classe I com falta de es-
nação ou de corpo os incisivos inferiores para labial. paço, Classe I com espaços generalizados ou Clas-
Ora, até aqui está se falando em movimentos den- se I com Biprotrusão, a melhor fase é a dentição
tários. Com o reposicionamento mandibular poderá permanente.
haver uma remodelação ou não dependendo de ca- Para os problemas de Classe II, nas meninas o
racterísticas muito específicas de cada paciente, com início situa-se entre os 9 aos 11 anos e nos meni-
variações individuais. nos entre os 11 e 13 anos, que vai coincidir com a

R Dental Press Ortodon Ortop Facial 24 Maringá, v. 9, n. 4, p. 19-28, jul./ago. 2004


MUCHA, J. N.

época de maior crescimento. Portanto, nas meni- dos acessórios nos casos de extrações para favo-
nas será a fase final da dentição mista e início da recer o fechamento de espaços e obter um exce-
dentição permanente, e os meninos praticamente lente paralelismo radicular e também favorecer a
na dentição permanente. reforço ou perda de ancoragem. Se isto é aparelho
Repetindo, prefiro iniciar os tratamentos com programado para a eficácia do tratamento, uso-os
problemas de espaço considerados suaves e mode- sim. Por outro lado os aparelhos com programa-
rados, na fase final da dentição mista, após a erupção ções de fábrica, não faço uso deles, pois elas são
dos caninos permanente e antes da esfoliação dos apenas médias, como também é média a forma de
segundos molares temporários (aproveitamento do fabricação de um aparelho sem programação ne-
Lee Way Space). Com isto os tratamentos em mais nhuma. Programo também os diversos arcos que
de 90% dos casos será resolvidos em apenas uma serão utilizados naquele caso especificamente e
fase2,4, com o tempo de aproximadamente 1 ano a com as dobras e modificações necessárias para se
1½ ano ainda na fase de dentição mista e erupção atingir uma excelente finalização.
dos dentes permanentes e mais 1 ano a 1½ ano na
fase de dentição permanente. O meu tempo médio 9) Apesar das reconhecidas limitações estéti-
de tratamento é de 30 meses, variado de 24 a 36 me- cas e funcionais dos implantes dentários em
ses, muito bem definido, com o paciente e respon- casos de anodontia parcial de incisivo lateral
sáveis, e sem a necessidade de planejar outros trata- superior em pessoas com idade inferior a 23-
mentos no futuro, para resolver os demais problemas 25 anos, esta conduta ainda é muito adotada
remanescentes. Até por que eu teria dificuldades em no meio odontológico. Qual sua experiência
definir diversos preços de diferentes tratamentos. sobre as conseqüências estéticas da coloca-
ção de implantes de incisivos laterais superio-
8) Você usa aparelhos programados? Como? res em idades inferiores a 18 anos? Como cor-
Quando? Estélio Zen rigí-las? Quais seriam as opções para esperar
Esta pergunta em parte já foi respondida na a idade mais adequada para os implantes na
pergunta formulada pela Dra. Ana Maria Bolog- região superior anterior? Alberto Consolaro
nese. Mas tentando esclarecê-la mais ainda, consi- A utilização de implantes para substituir in-
dero vital para o sucesso do tratamento ortodônti- cisivos laterais ausentes é um assunto, na minha
co, tendo em vista principalmente uma excelente opinião, muito paradoxal, senão vejamos: para co-
finalização, definir muito claramente como mon- locar um implante é necessário um espaço mésio-
tar o aparelho. Ou seja, programar os detalhes da distal, de pelo menos 3,5 a 4mm para o implante e
montagem do aparelho. Para tanto, ao profissional de mais 1,5mm de cada lado (4+3=7mm pelo me-
que está se iniciando na profissão, considero mui- nos). Esta largura de 7mm, é muitas vezes, maior
to importante um ensaio em modelos (set-up), do que a largura do lateral. Se um espaço maior
para avaliar as possibilidades de tratamento e os for aberto, haverá melhores condições para a co-
detalhes que deverão ser levados em conta para locação do implante, porém haverá naturalmente
se atingir a excelência na finalização. Este ensaio uma remodelação com diminuição da altura óssea.
deve ser feito de maneira rigorosa, caso contrá- Conseqüentemente a papila gengival terá uma re-
rio, os dados não poderão ser obtidos de maneira tração pois só existe papila quando do ponto de
precisa. Após então o ensaio em modelos, pode- contato até a crista óssea houver uma distância
se definir as alturas dos acessórios ortodônticos, as de 5mm ou menos. Poderá se trabalhar no perfil
inclinações dos acessórios, como por exemplo nos de emergência para contornar este problema. Mas
dentes anteriores superiores, o posicionamento esteticamente a situação ficará comprometida pois

R Dental Press Ortodon Ortop Facial 25 Maringá, v. 9, n. 4, p. 19-28, jul./ago. 2004


Entrevista

o incisivo ficará com maior largura na região cervi- ço na distal destes com provisórios e será necessário
cal. Ao se deixar a forma do incisivo mais estreito um novo tratamento ortodôntico nesta época, para
na região cervical para criar uma ilusão de ótica de preparar o espaço para o implante e prótese.
dente mais estreito, faltará papila. Para ter papila, no- Conclusão. Prefiro pensar primeiro em substi-
vamente, existe a necessidade de se ter crista óssea. tuir os laterais pelos caninos e só então como úl-
Vamos adiante. Para abrir o espaço haverá timo recurso, resolver com os implantes em uma
perda óssea. Ao se manter o espaço aberto desde idade adequada.
a adolescência até 25 anos de idade, vai ocorrer
maior perda óssea ainda. Ao se abrir o retalho para 10) Em casos de anodontia parcial ou de per-
a colocação do implante vai ocorrer perda óssea. da dentária por traumatismo na região supe-
Ao se fazer enxerto de gengiva ou enxerto ósseo rior anterior, qual a sua experiência dos trans-
terá que se fazer uma estimativa das reabsorções plantes dentários autógenos como opção
ósseas que ocorrerão para se ter um aspecto esté- terapêutica em um contexto ortodôntico?
tico aceitável. Está se falando de 3, 4 ou 5 inter- Considerando a experiência bem sucedida
venções cirúrgicas para a colocação do implante, dos ortodontistas escandinavos neste cam-
que a longo prazo poderá ter reabsorções ósseas po, no Brasil há disponibilidade suficiente de
deixando exposto este implante8. cirurgiões habilitados na técnica dos trans-
Nos casos de ausências de laterais superiores plantes dentários autógenos que possam ser
com má oclusão de Classe II, ou tendência à rela- acionados pelos ortodontistas? Em sua opi-
ção de Classe II, com boa forma de caninos, consi- nião quais seriam as principais dificuldades
dero que a substituição dos laterais ausentes pelos para esta técnica ser mais difundida em nosso
caninos a melhor solução5,6. meio e quais as suas sugestões para superá-
Para os casos de Classe I e que se planeja a co- las? Alberto Consolaro
locação de implantes, teoricamente, a melhor so- A possibilidade de sucesso de transplante den-
lução seria a manutenção dos caninos no local dos tário autógeno é muito alta, atingindo mais de 80%,
laterais até o final real do crescimento do paciente, quando realizada com o dente a ser trasplantado
deixando espaços no lado distal do canino, com com até 2/3 da raiz formada. Pode-se transplan-
algum recurso protético, para então nesta época tar o dente até com a raiz parcialmente formada,
movimentar os caninos para o espaço que eles mas desde que tenha o ápice francamente aberto.
devem ocupar, eliminando o recurso protético e Temos alguns casos bem sucedidos e realizados na
realmente preparando o espaço para o implante. UFF, com o cirurgião Dr. Paulo José Medeiros.
Conseqüentemente haverá osso em altura e espes- Portanto, respondendo a segunda parte da per-
sura suficiente para a colocação de um implante gunta, temos sim cirurgiões habilitados, pois a téc-
na área do lateral. Só que esta situação é hipoté- nica é relativamente simples, e nos casos de trauma
tica e acho pouco provável que o paciente aceite em que o alvéolo receptor não apresentar eviden-
esta alternativa de bom grado. cia de lesão inflamatória aguda, o dente pode ser
Resumindo, estamos diante de paradoxos: se transplantado em um único tempo cirúrgico. Ha-
for realizado precocemente haverá problemas na vendo processo agudo associado, o procedimento
altura cervical e bordas incisais; se o espaço for envolve a preparação de um leito para o futuro
mantido por muito tempo haverá perda óssea; se transplante, aguardando-se a formação de um te-
os caninos forem mantidos no local dos laterais até cido de granulação de 1 a 2 semanas (por volta de
o final do crescimento, haverá problemas estéticos 15 dias) e ai então o dente é transplantado para o
neste período, com a necessidade de manter o espa- local definitivo. Este tecido de granulação será o

R Dental Press Ortodon Ortop Facial 26 Maringá, v. 9, n. 4, p. 19-28, jul./ago. 2004


MUCHA, J. N.

responsável para a futura formação do ligamento nimizar esta ocorrência seria no sentido de: evitar
periodontal deste dente. Os dentes com até 2/3 de movimentos indesejáveis (mecânicas ortodônticas
raiz formada terão o restante da raiz formada sem de ida e volta); evitar tratamentos muito longos;
maiores problemas e com vitalidade pulpar. Um eliminar os hábitos, e pressões anormais; procurar
dos problemas que poderá ocorrer será a neces- utilizar elásticos intermaxilares apenas como um
sidade de realizar tratamento endodôntico, face a último recurso e na fase de finalização; evitar trau-
não reparação do tecido pulpar neste novo local, e mas, ou prematuridades, entre os dentes incisivos na
em dentes com raízes praticamente formadas. retração dos dentes anteriores (a- retrair primeiro os
Uma das razões para esta técnica simples, econô- incisivos inferiores, b- reduzir a sobremordida para
mica, rápida e com alto grau de sucesso se deve ao depois, c- reduzir o transpasse horizontal); Não uti-
mito criado com os implantes de que eles são a so- lizar fios muito rígidos ou muito espessos, ou utili-
lução a todos os problemas. Sabe-se que os implan- zar os que apresentem folga entre “slot” e fio. Isto
tes também apresentam alguns problemas. Outro eliminará ações ou efeitos indesejáveis na maioria
aspecto devido à pouca aceitação ou utilização é o dos dentes, mesmo que em alguns dentes esta força
fato de que este procedimento é pouco compensa- seja alta; caso não seja necessário controle de torque,
dor financeiramente, pois não existem custos agrega- os fios redondos podem e devem ser utilizados com
dos, como materiais e equipamentos especiais para a sucesso; estabelecer a forma dos arcos de ligas metá-
sua realização. A maneira de mudar esta situação é licas, de acordo com a forma da arcada dentária, para
com a divulgação dos resultados e demonstrando as serem repetidamente utilizadas durante todas as fa-
evidencias dos procedimentos através dos meios de ses do tratamento para evitar movimentos contra as
divulgação, como as revistas científicas. corticais ósseas.
Considero que a associação dos seguintes fa-
11) Qual a sua experiência quanto à freqüên- tores como determinantes da maior reabsorção:
cia das reabsorções dentárias associadas ao o tempo de tratamento x o tipo de movimento
movimento ortodôntico e quais suas condu- (torque, intrusão e translação, nesta ordem) x a
tas predictivas e preventivas mais eficazes extensão do movimento x forma radicular = maior
em sua prática clínica? Neste contexto, qual possibilidade de reabsorções.
sua visão clínica sobre os melhores resulta- Quanto a última parte da sua pergunta, se o
dos, quanto à gravidade e freqüência de re- tempo de espera seria um fator para minimizar
absorções radiculares, quando após 6 meses as reabsorções, diria que isto é uma falácia. Expli-
de tratamento se propicia um descanso de cando melhor. Diante de uma constatação, após
não ativação dos aparelhos por 2 a 3 meses? 6 meses ou um ano de tratamento, de reabsor-
Alberto Consolaro ções severas nos incisivos superiores, qual seria o
Considero que a freqüência de reabsorções procedimento a ser adotado? Não movimentar os
perceptíveis radiograficamente associadas ao tra- dentes envolvidos! Neste caso a minha conduta e
tamento ortodôntico situam-se entre 10 a 15% recomendação seriam remover o aparelho destes
dos casos. Este número está muito próximo da dentes, continuar o tratamento nos demais dentes
freqüência de reabsorções em indivíduos que não no sentido de obter uma excelente intercuspida-
foram submetidos a tratamento ortodôntico3. ção dos dentes posteriores e então, após aproxima-
Destes 10 a 15% de casos de reabsorções, 10% damente 6 ou 12 meses, incluir novamente os dentes
são os casos mais graves. Ou seja, afirmaria que 1% anteriores no aparelho e alinhar e nivelar estes den-
do total dos casos da clínica apresentam algum tipo tes, fechar espaços se necessário, e no menor tempo
de reabsorção mais preocupante, e a forma de mi- possível finalizar o caso e “esplintar” estes dentes.

R Dental Press Ortodon Ortop Facial 27 Maringá, v. 9, n. 4, p. 19-28, jul./ago. 2004


Entrevista

Com este procedimento estamos minimizando as menor tempo que a força será aplicada no futuro
ações de forças, as reverberações dos arcos orto- fará com que estas reabsorções se tornem menores
dônticos (“rebounding”, idas e voltas dos efeitos ou imperceptíveis.
dos arcos ortodônticos, mesmo que mínimas) e o É mais ou menos como a lei de “Murphy”, mas
tempo de ação das forças sobre estes dentes. Não poderia ser a lei da reabsorção: “Se já aconteceu,
é o tempo de espera e o reparo que fará com que ou está acontecendo, vai continuar acontecendo,
não mais ocorram as reabsorções no futuro, mas o desde que cesse ou diminua a força.”

Alberto Consolaro Estélio Zen


- Graduado pela UNESP. - Formado em Odontologia pela Faculdade de Odon-
- Especialista em Patologia Bucal pelo CFO. tologia de Araraquara - UNESP.
- Mestre em Biologia e Patologia pela UNICAMP. - Mestre em Ortodontia pela UFRJ.
- Doutor em Diagnóstico Oral pela USP. - Membro do Board Brasileiro de Ortodontia
- Livre Docente em Patologia pela USP. - Membro da Sociedade Brasileira de Ortodontia
- Professor Titular em Patologia da USP. - Membro da ABOR
- Membro Internacional da American Association of
Orthodontists.
Guilherme R. P. Janson
- Membro da Tweed International Foundation for the
- Professor Associado da Disciplina de Ortodontia da
Orth. Research
Faculdade de Odontologia de Bauru - Universidade
- Membro da WFO
de São Paulo.
- Fellow of International College of Dentists.
- Pós-Doutorado na Universidade de Toronto, Canadá.
- Coordenador do Curso de Mestrado em Ortodontia
da FOB - USP.
Roberto Mario Amaral Lima Filho
Ana Maria Bolognese - Graduado pela Faculdade de Odontologia da Ponti-
- Graduada pela Universidade Federal do Rio Grande fícia Universidade Católica de Campinas (PUC).
do Sul, UFRGS. - Pós graduado em Ortodontia pela Universidade de
- Doutora em Ortodontia pela Universidade Federal Illinois em Chicago, EUA
do Rio de Janeiro, UFRJ. - Diplomado do American Board of Orthodontics.
- Pós-Doutorado pela Northwestern University, NU, - Membro da Sociedade Brasileira de Ortodontia;
Estados Unidos. American Association of Orthodontics; College of
- Professora Titular do departamento de Odontologia Diplomates of the American Board of Orthodon-
da Universidade Federal do rio de Janeiro. tics; European Society of Orthodontics; University
- Coordenadora da pós-graduação em Ortodontia da of Illinois - Orthodontic Alumni Association; World
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Federation of Orthodontics.

Referências 5. TUVERSON, D.L. Orthodontic treatment using canines in place


of missing maxillary lateral incisors. Am J Orthod, St. Louis, v.
88, n. 2, p.109-127, Aug. 1970.
1. BASTOS, G.K.; MUCHA, J.N. Aparelhos funcionais: uma revi- 6. TUVERSON, D.L. Anterior interocclusal relations - Part 1 and
são. RBO, Rio de Janeiro, v. 59, p.184-188, mai./jun., 2002. Part 2. Am J Orthod, St. Louis, v. 78, n. 4, p. 361-393, Oct.
2. BOWMAN, S.J. One-stage versus two-stage treatment: Are 1980.
two really necessary? Am J Orthod Dentofacial Orthop, St. 7. VAN DER LINDEN, F.P.G.M. Three years Postgraduate
Louis, v. 113, n. 1, p. 111-116, Jan. 1998 Programme in Orthodontics: the final report of the Erasmus
3. CONSOLARO, A. Reabsorções dentárias nas especialidades Project, Am J Orthod Dentofacial Orthop, St. Louis, v. 110,
clínicas. Dental Press Ed., Maringá, 2002. n. 1, p 101-107, July 1996
4. GIANELLY, A.A. One phase versus two phase treatment. Am J 8. ZACHRISSON, B.U. Diferença clínica entre transplantes e
Orthod Dentofacial Orthop, St. Louis, v. 108, no. 5, p. 556- implantes. R Clin Ortodon Dental Press, Maringá, v.1, n.3,
559, Nov. 1995. p.19-23, jul./ago. 2002

R Dental Press Ortodon Ortop Facial 28 Maringá, v. 9, n. 4, p. 19-28, jul./ago. 2004

Você também pode gostar