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O transporte nas plantas

10º ano

As plantas, enquanto seres pluricelulares complexos, necessitam de transportar substâncias minerais até às folhas, para garantir a síntese de compostos orgânicos que aí ocorre. Posteriormente, esses compostos terão de ser distribuídos a todas as células, de forma a poderem ser utilizados.  A água e os sais minerais utilizados na síntese de matéria orgânica, entram na planta, por absorção, através da raiz.  O dióxido de carbono utilizado na fotossíntese entra na planta através dos estomas. Estomas – estruturas que possuem células de guarda que controlam a abertura e o fecho do ostíolo, regulando deste modo a quantidade de dióxido de carbono que entra na planta.  Os estomas também controlam a quantidade de água que se evapora pelas folhas, num processo denominado transpiração.

Classificação das plantas:
Avasculares: não possuem tecidos especializados na condução de substâncias;
A água movimenta-se por osmose através da sua superfície, continuando nessa forma o seu trajecto no interior. Os produtos resultantes da fotossíntese e os sais absorvidos movimentam-se por difusão e transporte activo entre as células da planta.

Vasculares: possuem dois tipos especializados no transporte de substâncias:
  Xilema – conduz a água e os sais minerais (seiva bruta ou seiva xilémica) desde a raiz até às folhas onde se realiza a fotossíntese. Floema – transporta em solução os compostos orgânicos resultantes da fotossíntese (seiva elaborada ou seiva floémica) das folhas para todas as partes da planta.

Translocação (fig 1): movimento de água e solutos no interior da planta através dos tecidos
condutores (xilema e floema).

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as quais contactam entre si. o armazenamento ou a secreção de substâncias.tecido formado por células vivas. formando tubos que permitem a passagem de água e de sais minerais.células vasculares com um diâmetro superior ao dos tracóides.Constituído por quatro tipos de células: Resumos Biologia 21 . Únicas células vivas do xilema e desempenham funções essencialmente de reserva. que resultam de células mortas que perderam as paredes transversais e cujas paredes laterais apresentam espessamentos de lenhina (substância que lhes confere rigidez).O transporte nas plantas 10º ano Fig.Constituído por quatro tipos de células:  Elementos condutores . pouco diferenciadas.células mortas onde circulam a água e os sais minerais.O xilema (tecido traqueno ou lenho) está especializado no transporte de água e sais minerais. tais como a fotossíntese. Parênquima lenhoso . -Elementos de vasos . que desempenha importantes actividades metabólicas nas plantas.constituídas por células mortas cujas paredes são espessas devido à deposição de lenhina e desempenham funções de suporte.O floema (tecido crivoso ou líber) está especializado no transporte de água e substâncias orgânicas. 1 Xilema: .Tracóides – células longas de extremidades afiladas. Fibras lenhosas . . que podem ser de dois tipos: . .   Floema: .

células vivas muito especializadas. que desempenha importantes actividades metabólicas nas plantas. onde é libertada sob a forma líquida. os iões entram para as células por transporte activo.comprimento variável. Hipóteses para o movimento ascendente de água no xilema: → Pressão radicular: A ascensão da água do xilema dá-se graças a uma pressão que se desenvolve ao nível da raiz. • Gutação: quando a pressão radicular é muito elevada. que faz com que a água tenda a passar por osmose até ao xilema. movendo-se desde o solo até aos vasos xilémicos existentes no interior da raiz. Então. as moléculas de água tendem a ligar-se umas às outras por pontes de hidrogénio.   Fibras . é usual verificar-se elevada concentração destes iões no meio intracelular. embora tenham perdido a maior parte dos organelos. A acumulação de água nos tecidos provoca uma pressão na raiz que força a água a subir no xilema. pelo que a água tende a entrar na planta por osmose. os orifícios destas placas crivosas ficam obstruídos por calose que se dissolve na Primavera. Desempenham funções essencialmente de reserva. No Inverno. pouco diferenciadas. ligadas entre si pelos topos e cujas paredes de contacto possuem uma série de orifícios. ajudando-as.  O transporte activo de iões através das células da periferia da raiz até ao xilema cria um gradiente osmótico. assim. As células dos tubos crivosos são vivas. devido à polaridade que apresentam. que se assemelham a um crivo. − Argumentos a favor: • Exsudação: quando se fazem podas tardias em certas plantas. verifica-se a saída de água pelas zonas dos cortes efectuados. tais como a fotossíntese.células vivas que se situam junto das células dos tubos crivosos. no entanto.  Células de companhia . desempenham funções de suporte. → Adesão-coesão-tensão: A quantidade de vapor de água que sai das folhas por transpiração causa uma tensão na parte superior da planta que provoca a ascensão da água.tecido formado por células vivas. entram nas células da raiz por difusão simples. o armazenamento ou a secreção de substâncias. Parênquima . a água é forçada a subir até às folhas. − Argumentos contra: • Os valores da pressão radicular nem sempre são suficientes para explicar a ascensão de água até ao topo das árvores. A contínua acumulação de iões nas células da raiz tem como consequência a entrada de água para a planta. Transporte no xilema:  A maior parte da água e dos iões necessários para as várias actividades da planta é absorvida pelo sistema radicular. Esta tensão ocorre devido às propriedades da água circulante na planta. graças à ocorrência de forças osmóticas. no seu funcionamento. • Existem mesmo várias espécies que não apresentam pressão radicular.O transporte nas plantas  10º ano Células dos tubos crivosos .  Os iões minerais presentes no solo em concentrações elevadas. com as quais mantêm numerosas ligações citoplasmáticas. que se Resumos Biologia 22 .  O meio intracelular das células da raiz é hipertónico relativamente ao exterior. Neste caso.

 A translocação floémica está intimamente relacionada com a actividade das células vivas do floema.  A remoção do anel de casca leva à interrupção da translocação floémica proveniente das folhas. Transporte no floema:  A seiva floémica/seiva elaborada é constituída por produtos orgânicos. isto é. mais rápida se torna a absorção radicular – este sistema só funciona quando existe uma continuidade na coluna de água. desde as raízes até às folhas. pois acumula-se aí a seiva floémica. substâncias minerais e hormonas vegetais. em tubos de diâmetro de vasos xilémicos. Consequentemente.  O conteúdo floémico se encontra sob pressão e flui em todas as direcções. incapaz de prosseguir o seu trajecto até à parte inferior da planta. estas forças de adesão-coesãotensão fazem com que se estabeleça uma coluna de água no xilema. As moléculas de água têm ainda a capacidade de aderir a outras substâncias. O movimento das moléculas de água. Por último. que se perdem por transpiração ao nível das folhas. quando não há a interferência de bolhas de água ou arrefecimento intenso da água. quanto mais rápida for a transpiração foliar. − Argumento a favor: a tensão produzida pela transpiração é suficiente para provocar a ascensão da água até a uma altura de 150 metros. a uma velocidade variável. Passado algum tempo. nomeadamente aos constituintes das paredes do xilema. Graças a estas forças de coesão. as moléculas de água mantêm-se unidas entre si. nota-se um aumento de volume da zona situada imediatamente acima do corte.O transporte nas plantas 10º ano estabelecem entre os átomos de hidrogénio de uma molécula e os átomos de oxigénio de moléculas próximas. faz mover toda esta coluna no sentido ascendente. o que lhe confere uma certa viscosidade. Resumos Biologia 23 .

que ficam túrgidas. a sacarose passa destas células para os elementos dos tubos crivosos. Porém a entrada de sacarose no floema requer energia. -A passagem da sacarose das células das folhas para as células de companhia do floema ocorre por transporte activo. -O aumento da concentração de sacarose nas células dos tubos crivosos provoca uma entrada de água. pois dá-se por transporte activo.O transporte nas plantas 10º ano Fluxo de massa: -Os glícidos produzidos nas folhas durante a fotossíntese são convertidos em sacarose antes de entrarem para o floema. A pressão de turgescência obriga a solução de sacarose a deslocar-se através da placa crivosa para a célula seguinte do tubo e assim sucessivamente. as sementes. o que gera um gradiente de concentração descendente. os caules ou as raízes. desde o local de produção (folhas) até ao local de consumo ou armazenamento. tais como as flores. -O transporte das substâncias contidas no floema não implica gasto de energia. através das ligações citoplasmáticas. vinda do xilema. os frutos. -O sentido do fluxo é determinado pelas concentrações relativas da sacarose que é produzida e utilizada. para serem transportados aos locais onde são armazenados ou gastos. -Seguidamente. nestas células. Resumos Biologia 24 .

a sacarose passa destas células para os elementos dos tubos crivosos. Porém a entrada de sacarose no floema requer energia. pois dá-se por transporte activo.10º ano O transporte nas plantas -Os glícidos produzidos nas folhas durante a fotossíntese são convertidos em sacarose antes de entrarem para o floema. os caules ou as raízes. desde o local de produção (folhas) até ao local de consumo ou armazenamento. que ficam túrgidas. -O sentido do fluxo é determinado pelas concentrações relativas da sacarose que é produzida e utilizada. -O transporte das substâncias contidas no floema não implica gasto de energia. o que gera um gradiente de concentração descendente. os frutos. -O aumento da concentração de sacarose nas células dos tubos crivosos provoca uma entrada de água. -A passagem da sacarose das células das folhas para as células de companhia do floema ocorre por transporte activo. nestas células. para serem transportados aos locais onde são armazenados ou gastos. -Seguidamente. tais como as flores. vinda do xilema. Resumos Biologia . as sementes. através das ligações citoplasmáticas. A pressão de turgescência obriga a solução de sacarose a deslocar-se através da placa crivosa para a célula seguinte do tubo e assim sucessivamente.