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Mnemônica

Técnicas de Memorização para os Estudos e o Dia a dia

Miguel M. Macieira
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AVISO

O conteúdo abaixo reflete a opinião do(a) autor(a) e não deve ser


tomado como orientação ao leitor, que pode ou não assumir as diretrizes ou
seguir as informações ora elencadas, tudo por sua conta e risco.

Sempre procure a assessoria de um profissional especializado para


orientá-lo em sua tomada de decisão.
ÍNDICE

Introdução
Capítulo 1: O Básico da Mnemônica
Capítulo 2: Técnicas de Memorização
Capítulo 3: Mais Dicas e Técnicas
Conclusão
Mais de Miguel M. Macieira
Introdução

Uma memória pobre é, sem dúvida, uma grande desvantagem para


estudantes e profissionais – afinal, todos nós temos de nos lembrar de uma
infinidade de informações para termos sucesso nos estudos ou na carreira.

A boa notícia é que praticamente qualquer pessoa pode melhorar sua


memória através de exercícios físicos, da manutenção da saúde e também
das técnicas de memorização. Neste livro, falaremos com mais detalhes
sobre as técnicas de memorização, conhecidas, no seu conjunto, como
mnemônica.
É importante notar que a mnemônica pode ser usada por qualquer um,
independentemente da idade e da ocupação profissional.

Antes de começarmos, vamos tecer alguns breves comentários sobre o


cérebro e como ele memoriza as informações.

Como o cérebro memoriza

O cérebro é um órgão fantástico e também complicadíssimo. As partes


principais que armazenam e recuperam as informações são os neurônios e
as sinapses. Os neurônios enviam e recebem sinais elétricos; e as sinapses
fazem a conexão entre os neurônios. Quando nos lembramos de algo, os
neurônios enviam sinais pelo cérebro para criar uma sequência de dados
que conhecemos como memória. Quanto mais eficientes forem as sinapses,
mais fácil é a recuperação de informações. Além disso, o uso regular das
sinapses cria conexões mais fortes e consequentemente torna mais eficiente
a evocação das informações desejadas.

Memórias de curto e longo prazo

A memória de curto prazo entra em cena quando um estudante passa a


madrugada estudando para a prova do dia seguinte. Isso não é uma
estratégia sensata, porque provavelmente ele esquecerá muito do que foi
estudado. Além disso, como o objetivo é passar na prova, uma vez obtida
nota suficiente para tanto, não haverá muitos motivos para fazer a
necessária revisão do material estudado.

A memória de longo prazo, por outro lado, foca no entendimento de um


conceito. Além disso, ela é construída pela repetição das informações mais
valiosas, tarefa muito importante para a retenção prolongada dos dados que
se quer preservar.

O que é mnemônica?
A palavra mnemônica vem de Mnemosine, a deusa grega da memória.
Ao falar em mnemônica, estamos nos referindo às técnicas de memorização
que as pessoas usam para armazenar e recuperar as informações tidas como
importantes e úteis.

Além das técnicas que serão apresentadas neste trabalho, nada impede
que você use seus próprios métodos de memorização. Para tanto, a dica é
descobrir de qual tipo é o seu aprendizado: visual, auditivo ou sinestésico.
O emprego da mnemônica dependerá do perfil de cada pessoa.

As técnicas deste livro se prestam mais àqueles que aprendem


visualmente. No entanto, se seu aprendizado é auditivo, você pode
memorizar informações ouvindo arquivos de áudio ou criando rimas fáceis
de gravar, que se relacionem com as informações. Um aprendiz do tipo
sinestésico deve se imaginar utilizando ferramentas e objetos para
empreender ações, e relacionar o movimento do corpo com as informações
que deseja reter.

Muitas das vezes, pessoas com desempenhos fantásticos de memória


recorrem às técnicas que serão descritas neste livro. Elas não possuem
nenhuma aptidão extraordinária, como muitos pensam. Aprenderam a usar
essa coisa que temos entre as duas orelhas – o cérebro.

***

Feitas essas considerações iniciais, é hora de mergulhar no mundo da


mnemônica! Vire a página e vamos começar.
Capítulo 1: O Básico da Mnemônica

A seguir, veremos como a mnemônica funciona, as vantagens e


desvantagens de usar técnicas de memorização, dentre outros tópicos.

Vantagens da mnemônica:

Podemos apontar as seguintes vantagens da mnemônica:

· Oferece uma “ponte de memória” que o ajuda a lembrar


informações que, de outro modo, seriam de difícil recuperação;
· Funciona bem quando o usuário personaliza as técnicas,
adaptando-as a seus gostos pessoais. Assim ele se torna um
aprendiz ativo;

· Fornece novas maneiras de entender a informação e o material de


estudo, tornando-o mais interessante;

· Uma vez dominados seus princípios, fica menor o tempo


necessário para recuperar as informações de longo prazo;

· Você consegue armazenar mais informações sem sobrecarregar


sua mente com dados inúteis. Como você reorganiza a informação
à sua maneira, é mais fácil recuperá-la quando necessário.

Desvantagens da mnemônica:

A mnemônica também apresenta desvantagens:

· Para que as técnicas de memorização funcionem, elas precisam


de prática;

· O processo de aprender, praticar e até mesmo criar as técnicas de


memorização, é algo que leva tempo e requer esforço;

· Quando usada por estudantes, podem dar uma falsa sensação de


segurança de que se sabe a matéria da prova ou concurso;

· Como as técnicas se fundamentam mais no decorar do que no


entender, talvez leve a deficiências de compreensão da matéria.
Claro, eliminar a necessidade de compreender um assunto não é o
objetivo da mnemônica. Na verdade, as técnicas de memorização
constituem estratégias suplementares de aprendizado.
· Se usada em excesso, pode levar a situações confusas, nas quais
não se sabe qual técnica foi usada para facilitar a retenção de uma
determinada informação.

Como a mnemônica funciona

As técnicas de memorização alavancam o poder da memória. Isso


acontece pela construção de estrutura, sentido e significação, que se
atribuem à informação antes desprovida dessas características. É como se
fosse adicionado um sentido adicional à informação-base, a fim de torná-la
memorável. Portanto, as técnicas de memorização não precisam ser
aplicadas aos dados que já chamam a atenção e que fazem sentido óbvio no
contexto. Inversamente, quando uma informação não chama a atenção e
tampouco faz muito sentido, é interessante que o estudante se valha da
mnemônica.

Memorização e associação

As estratégias de memorização funcionam eficazmente através da


associação. Realmente, o modo mais fácil de aprender algo novo, é associar
esse novo dado a imagens interessantes, ou a algo que você já sabe.

Todos nós temos experiências, interesses e hobbies em diversas áreas da


vida e do conhecimento. Tendo em vista essa realidade, é aconselhável usar
os conhecimentos que você já possui ao aplicar a mnemônica, a fim de fazer
a conexão entre o que você já sabe e o que você ainda não sabe. A
informação nova será mais bem assimilada e guardada desse modo.

Além disso, imagens únicas ou mesmo “doidas” são sempre mais fáceis
de lembrar. Portanto, um uso efetivo da mnemônica é justamente associar a
informação nova às imagens malucas que você puder imaginar.

A ideia central é codificar a informação com imagens mentais vívidas,


estabelecendo assim a estrutura da informação – “onde” você vai “colocar”
a informação.
Os dados novos serão mais fáceis de recuperar quando você os associa
com imagens mentais e informações já conhecidas. Conforme avançamos
nesta obra, apresentaremos dicas práticas para fazer essa associação.

Seguem algumas maneiras de personalizar a mnemônica:

· Usando imagens positivas, porque as negativas você talvez


queira esquecer;

· Usando todos os sentidos: olfato, paladar, visão, tato e audição;

· Valendo-se de imagens em movimento: assistindo a um filme, a


uma apresentação, ou simplesmente visualizando. O movimento
torna mais fácil se lembrar das ações e acontecimentos, num fluxo
de associações. Para tornar tudo mais vívido, você pode exagerar
nos eventos principais;

· Usando o humor, já que coisas engraçadas são mais fáceis de


lembrar.

***

Vistos esses princípios gerais sobre a memória e a memorização, é hora


de aprendermos o lado prático da questão. No próximo capítulo,
apresentaremos algumas técnicas de memorização que são usadas em várias
situações e requerem uma dose de tempo e esforço para serem empregadas.
Além disso, a eficiência de cada técnica também varia, conforme ficará
claro.
Capítulo 2: Técnicas de Memorização

Neste capítulo, abordaremos algumas interessantes técnicas de


memorização. Não percamos tempo; vamos direto a elas:

Memorizando listas: Técnica do número/rima

A técnica do número/rima serve para memorizar listas numeradas. Para


os propósitos deste capítulo, vamos pensar numa pequena lista numerada de
1 a 10. A cada número se atribui uma palavra que rima com ele. Essa
palavra evoca um objeto, algo concreto e, portanto, mais fácil de ser
trabalhado pela imaginação.

Veremos quais são essas imagens logo a seguir; mas é preciso dizer,
apesar de ser um tanto óbvio, que as imagens podem ser substituídas por
outras, a critério do leitor.
Essa técnica parte do princípio de que as imagens, assim como os
respectivos números, já são bem conhecidos do estudante. Vejamos quais
são:

1. Pum

2. Arroz

3. Trigo

4. Prato

5. Cinto

6. Meia (escolhemos pela obviedade, apesar de não rimar com o


número seis)

7. Seta

8. Biscoito

9. Novelo (de lã)

10. Pés

Vamos usar a técnica para decorar uma lista de filósofos gregos, a qual
começa com Parmênides, Heráclito e Sócrates:

1. Parmênides: Comeram queijo PARMEsão e soltaram um PUM.

2. Heráclito: Misturaram ARROZ com HERA venenosa!


3. Sócrates: Por que devemos SOCar o TRIGO?

Essa fórmula deverá criar imagens que o ajudarão a lembrar a


informação. Portanto, se as imagens criadas forem sem graça e não
“grudarem” na sua mente – se elas não o atraírem, enfim –, você deverá
mudá-las até encontrar as que façam sentido para você.

A técnica do número/rima assegura que nenhuma informação


importante será deixada de lado, especialmente numa pequena lista.

E por falar em lista, segue outra técnica para guardar os itens de uma
lista: a técnica do número/forma.

Memorizando listas: Técnica do número/forma

Essa técnica é similar à anterior, e também se presta à memorização de


pequenas listas. Nela, associam-se imagens aos números, sendo certo que
essa associação de baseia na forma das imagens. Ou seja, as imagens se
parecem com os números.

O esquema padrão é:

1. Lança; vela; bastão.

2. Cisne.

3. Gire o número 3 em sentido horário, em 90 graus...

4. A vela de um barco.

5. Cavalo-marinho; gancho de carne.


6. Taco de golfe.

7. Machadinha; foice.

8. Homem de neve; ampulheta.

9. Um balão com a corda balançando.

10. Um poste de luz aceso.

Assim como na técnica anterior, as imagens devem representar as


informações que serão lembradas. Caso você não tenha gostado do sistema
de rima, pode adotar esse. Na verdade, pode até mesmo combinar os dois
sistemas. Não há regras rígidas quando o assunto é maneiras de memorizar;
existem apenas indicações já testadas e que podem ser copiadas.

Exemplo: Lista de compras do supermercado. A esposa envia uma


mensagem de celular ao marido, que já está quase saindo do trabalho:
“Amor, vamos comer uma massa hoje? Passa no mercado e compra um
talharim pra gente. Se não tiver talharim, compra espaguete. Se não tiver,
compra fusilli. Se também não tiver, compra farfalle. Nessa ordem, ok?
Beijo”.

O marido tem que cumprir o desejo da esposa; deve se lembrar da


ordem que ela colocou:

1. Talharim

2. Espaguete

3. Fusilli
4. Farfalle

Nessa história, é claro que a bateria do celular está acabando. O


marido tem poucos minutos para se lembrar da ordem de prioridade.
Valendo-se do método número/forma, ele cria a seguinte associação:

1. Causar incêndio ao jogar uma vela acesa no capIM - Talharim

2. Um cisne deformado é matéria de manchETE – Espaguete

3. Uma bunda maior do que o ChILE – Fusilli

4. Esfregar meu barco à vela com xALE? – Farfalle

Espero que o leitor não se aborreça com tantos exemplos de comida. É


que estava com fome quando escrevi isso.

A seguir, apresentamos a técnica do alfabeto.

Memorizando listas: a técnica do alfabeto

Essa técnica é mais difícil de aprender, quando comparada às anteriores.


Por outro lado, ela serve bem quando existe a necessidade de se decorar
uma grande lista de coisas. Como o alfabeto tem 26 letras, podemos usar
essa técnica para decorar uma lista de até 26 itens – ou 23, se
desconsiderarmos as letras K, W e Y, de ocorrência pouco frequente na
língua portuguesa.

As letras são uma “pista” das imagens que lhe são associadas. Trata-se
de uma pista fonética, como ficará claro a seguir.
A – Abacate

B – Bebê

C – Ceia

D – Dedo

E – Égua

F – Efetivo militar (o número de soldados, o que remete à ideia de


vários soldados)

G – General

H – Ágape (banquete)

I - Ilha

L – Elefante

M – Mala

N – Nata

O – Oboé

P – Pé

Q – Queijo

E assim por diante.


Personalize o sistema usando imagens de coisas que são interessantes
para você. Após ter feito a associação entre as letras e as coisas, você
poderá então associar a letra ao item da lista que deve ser memorizado. Por
exemplo, se você tiver de memorizar a lista dos presidentes do Brasil,
vejamos como cumpriríamos essa tarefa:

1 – Deodoro da Fonseca: Eu sempre demORO comendo abacate na


FONte SECA (a frase não faz muito sentido, mas isso não importa aqui).

2 – Floriano Peixoto – O bebê comeu um PEIXe e soltou um arrOTO.

3 – Prudente de Morais - DetergENTE na ceia é pior que florais (outra


frase sem sentido, mas que chama a atenção por ser muito estranha).

As letras maiúsculas estão presentes no nome das coisas que queremos


decorar – no caso, os nomes dos presidentes do Brasil, em ordem
cronológica. Esse sistema é realmente complexo; no entanto, possibilita que
se memorizem até 26 itens.

Memorizando através da música

A música encanta muita gente. O mercado de publicidade sabe disso, e


está sempre criando músicas para comerciais da TV e do rádio. A música
tem o objetivo de que o público memorize a marca objeto da ação
publicitária. Os comerciais devem se repetir no tempo, para garantir que os
consumidores se lembrem do produto ou serviço anunciado.

Além de ser uma bela forma de arte, a música também pode ajudar os
estudantes na preparação para provas. Quando há muitos itens para decorar,
o estudante pode criar uma música que contenha os principais conceitos da
matéria a ser assimilada. Essa técnica funciona bem com listas longas de
coisas a memorizar.

Memorizando através de um nome: acrônimos


Acrônimos são palavras compostas das primeiras letras da informação
que se quer guardar. Por exemplos, os grandes lagos da América do Norte –
Huron, Ontario, Michigan, Erie e Superior – são conhecidos pelo acrônimo
HOMES.

Essa técnica cria um nome qualquer para evocar uma lista de coisas. Por
exemplo, as cores. Nos países de língua inglesa, as pessoas decoram as
cores do espectro pelo nome Roy G. Biv – red, orange, yellow, green, blue,
índigo, violet (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta).
Não é necessário que o nome criado exista no dicionário.

No mundo jurídico, os estudantes memorizam as chamadas “condições


da ação” com o acrônimo PIL – possibilidade jurídica do pedido, interesse
de agir e legitimidade.

Técnica da visualização do cômodo

Para usar essa técnica, visualize um quarto ou cômodo que você


conhece bem. Também pode ser a cozinha, o banheiro, a garagem, etc. No
cômodo escolhido, você selecionará alguns objetos e os associará às
informações que deseja guardar. Na hora de evocar as informações, você
fará uma “viagem mental” lembrando os objetos associados a essas
informações.

Por exemplo: no banheiro, a torneira é o objeto 1. O sabonete, o objeto


2. A toalha de rosto, o item 3. Agora, você “colará” as informações que
deseja gravar nos objetos. No exemplo anterior dos presidentes do Brasil, o
primeiro presidente, Deodoro da Fonseca, terá tocado na sua torneira e a
transformado numa torneira “de ouro” – “de ouro” lembrará “Deodoro”.
O legal dessa técnica é que ela permite uma expansão da quantidade de
coisas a serem memorizadas: você pode selecionar 5 itens no quarto, depois
passar para a cozinha e selecionar mais 5 itens, depois ir ao escritório e
escolher 5 objetos... e assim por diante.

Técnica da viagem mental

Esse método de memorização é ótimo para quem tem boa memória


visual. Ele usa marcos, turísticos ou não, para gravar as informações
desejadas. Partindo do princípio de que você conhece as principais atrações
e marcos turísticos de uma cidade, é fácil percorrer mentalmente um
caminho que vai de um marco a outro. Lugares que são especiais para você
também podem fazer parte da viagem mental.

Escolha o trajeto e anote no papel os principais pontos, em ordem.


Evidentemente, se houver a necessidade de gravar muitos itens, a jornada
será maior. Associe cada marco do caminho a uma informação que deseja
guardar. Como o caminho é personalizado por você, fica mais fácil se
lembrar do que há nele.
Como se lembrar de nomes

Quando você conhecer alguém de cujo nome desejará se lembrar, olhe


bem para o rosto da pessoa e identifique alguma peculiaridade: pode ser a
testa, os lábios, a orelha, os olhos, os brincos, etc.

Crie então uma associação entre o nome da pessoa e a característica do


corpo dela. Se a pessoa em questão se chamar Tereza e tiver uma testa
pronunciada, lembre-se de “Testereza”.

Outra técnica, bem mais simples, consiste na repetição. Quando você for
apresentado a uma pessoa, peça que ela repita o nome. Conforme você vai
conversando, use o nome da pessoa: “Mas como aconteceu isso, Fulano?”.
“Pois é, Fulano, eu soube disso através do Sicrano”.

Revisão para provas

A revisão é um dos componentes essenciais para o êxito em provas. Não


apenas a revisão da matéria é importante; também é preciso revisar o
emprego das técnicas de memorização. Se você usar a jornada mental para
gravar os principais pontos de uma matéria, é útil revisar a matéria, lendo os
livros e cadernos, e também fazer a jornada mental várias vezes. O mesmo
pode ser dito a respeito das listas memorizadas.
Quando chegar a hora da prova, você saberá que pode contar com as
informações mais importantes que consolidou através da mnemônica.

Aprendizado de idiomas

Aprender idiomas estrangeiros não é uma tarefa exatamente fácil. O


modo tradicional de aprender línguas é através da repetição. Você repete,
repete e repete as palavras estranhas, até guardá-las na memória. Um outro
jeito de fazer consiste em inventar uma história. Para decorar a palavra
“moon” – lua em inglês – imagine uma vaca mugindo na lua: muuu... Eu sei
que é ridículo, mas quanto mais ridículo for, melhor.

Para gravar o vocabulário básico, você pode usar as técnicas de


visualização do cômodo e viagem mental anteriormente expostas, tentando
se lembrar do nome dos objetos na língua estudada.

Decorando números
Se a sequência de números a decorar for pequena, use as técnicas de
listas anteriormente abordadas. Se, ao contrário, você tiver de gravar uma
série grande de números, será melhor se valer da viagem mental. Caso haja
realmente muitos números, combine os métodos: usando a viagem mental,
em cada marco crie uma lista do tipo número/rima ou número/forma.

Escolhendo o método de acordo com o tamanho da lista

Como ficou claro, sempre será necessário usar a imaginação para criar
associações relevantes quando o assunto é decorar listas. No entanto,
dependendo da quantidade de itens em uma lista, a escolha do método
apropriado varia: para listas curtas, prefira a técnica do número/rima ou a
do número/forma; para listas médias e longas, dê preferência à técnica da
viagem mental, combinando-a com outras técnicas se necessário.

***

No próximo capítulo, veremos como melhorar a memória com a


mnemônica.
Capítulo 3: Mais Dicas e Técnicas

A mnemônica nos auxilia a busca a informação desejada através de


associações de palavras, imagens e sons. Trata-se de técnicas de
memorização que nos ajudam a organizar e estruturar a informação de
modo simples, para tornar mais fácil a recuperação dessa informação.

A mnemônica se vale de gatilhos de memória para facilitar os processos


de estudar para provas e concursos; aplicar conceitos e práticas
profissionais; lembrar-se das atividades e tarefas do dia a dia.

Os dados guardados com ajuda da mnemônica tendem a não se


perderem com o avanço da idade. Isso é uma grande vantagem,
especialmente quando realmente precisamos das informações para o longo
prazo ou para a vida inteira. No entanto, talvez o processo de evocar as
informações se torne mais lento com a idade.
A seguir, apresentamos algumas técnicas para melhorar a memória com
o auxílio da mnemônica:

Imagens visuais

Na técnica conhecida como “imagens visuais”, as informações são


associadas a um nome ou a uma imagem. Imagens vívidas e coloridas, de
preferência tridimensionais, são as melhores para serem associadas às
informações de cuja retenção se precisa. Se você conhecer uma mulher
chamada Rosa Parks, associe o nome a um parque cheio de rosas. Melhor
ainda, visualize Rosa sentada num banco em um parque repleto de rosas.

Outro exemplo: o sobrenome Souza pode ser associado à conhecida


marca de cigarro. O sobrenome Lima lembra um limão ou uma laranja lima.
Pereira e Macieira lembram... pereira e macieira. E por aí vai.

Acrósticos

Trata-se de fases criadas com a primeira letra de cada item de que você
deseja se lembrar. Isso é interessante para memorizar senhas de banco que
usam letras. Por exemplo, se a sua senha de letras é L-Q-J, poderá lembrar
delas com a frase “Lamento as quimeras de Juscelino”.

Rimas e Aliteração

A aliteração consiste na repetição de um som ou sílaba: o rato roeu a


roupa do rei de Roma. Sons repetidos podem ser usados para lembrar
informações do dia a dia. É o caso da cantiga “30 dias tem setembro” que
ensina quantos dias há em cada mês do ano, atribuída à mãe ganso dos
contos de fada:

Thirty days hath September,

April, June, and November

All the rest have 31,

Except for February.

Fonte:http://en.wikipedia.org/wiki/Thirty_days_hath_September#Knuck
le_Mnemonic

Traduzindo:

30 dias tem setembro

Abril, junho e novembro

Os outros têm 31

Exceto fevereiro

Repetição:
Todo mundo que já frequentou uma escola sabe o que é repetição. Em
mnemônica, a repetição é uma prática importante para se familiarizar com a
informação – afinal, você vai guardar e evocar da memória a mesma
informação, várias vezes.

No entanto, em vez de repetir a mesma coisa do mesmo jeito, tente


variar um pouco. O elemento da novidade, quando adicionado à repetição,
tem o condão de estimular a mente para guardar a informação de modo
mais eficaz.

Você pode tomar notas, repetir a informação após tê-la ouvido pela
primeira vez, ou parafrasear – dar uma nova abordagem – a informação
fornecida por outra pessoa.

O ideal é que os estudantes revejam as matérias estudadas, e em


intervalos diferentes. Por exemplo, após a aula, pode ser feita uma revisão
no mesmo dia, outra no dia seguinte, a próxima daí a 3 dias, a seguinte em 1
semana, e assim por diante. Isso é conhecido como “ensaio espaçado” e se
destina a combater o esquecimento.

Agrupamento

Para os estudantes, é tedioso entender e memorizar muitas informações


de uma só vez. É melhor agrupá-las entre subgrupos menores, facilitando o
armazenamento e a recuperação dos dados. Por uma questão de efetividade,
os subgrupos devem ser divididos em partes significativas com ideias
completas. Essa estratégia foca no desenvolvimento da organização e da
associação, a fim de expandir a memória de curto prazo.

O método dos loci

Esse é um antigo método grego, que associa uma informação importante


a um lugar que é familiar para você. Basicamente, trata-se da técnica da
visualização do cômodo que já vimos antes.
Fragmentação

O método de fragmentação serve para quebrar uma grande sequência de


números em séries menores. Para memorizar um número de telefone de 9
dígitos (ex.: 726246345), quebre-o em três blocos: 726-246-345.

Organização

Lembrar-se de datas e compromissos requer organização. Uma pessoa


organizada consegue dar conta das múltiplas atribuições que lhe competem.
Se você não consegue se lembrar de todos os compromissos, apele para a
agenda ou para os avisos em um aplicativo de celular.
Preste atenção

Preste atenção à informação estudada, inclusive aos detalhes. Acione ao


máximos os seus sentidos, envolvendo o objeto de seus estudos com cores,
texturas e cheiros, ainda que imaginários.

Em resumo

Após aplicar as técnicas da mnemônica para melhorar a memória, você


estará mais próximo daqueles que têm uma “memória de elefante”.
Conclusão

Espero que este livro tenha sido útil para você. Não há dúvida de que
uma boa memória é essencial nos dias de hoje. Aliás, sempre foi. O desafio
hoje em dia é, antes de tudo, separar as informações úteis das inúteis.
Vivemos uma era digital onde o fluxo constante de dados acaba gerando
uma “poluição de informações”, um redemoinho digital de assuntos,
tendências e modas, do qual temos de retirar aquilo que servirá para nossa
vida pessoal e profissional.

Uma vez descoberto aquilo que realmente fará a diferença na sua vida –
os assuntos ou as notícias realmente relevantes –, aí sim, use os métodos
delineados neste livro. E não se esqueça de praticá-los. Boa sorte!

Miguel M. Macieira
Mais de Miguel M. Macieira

Os Macetes do Estudo: Dicas e Truques para Passar em Provas e


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