Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI

Trotskismo X Leninismo
Lições da História Parte VI

Sobre a Coletivização

Harpal Brar
Tradução – Pedro Castro

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 1

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Parte VI Sobre a Coletivização
Capítulo 18
A Coletivização......................................................................................................................................................... 4

Capítulo 19
Crítica do Grupo de Estudos da Política Chinesa............................................................................................. 41

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 2

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Parte VI Sobre a Coletivização "Apenas se conseguirmos na prática mostrar aos camponeses as vantagens do cultivo do solo comum, coletivo, cooperativo, a classe operária, que detém o poder do Estado em suas mãos, realmente provará aos camponeses a correção da política e realmente assegurará a adesão real e durável das vastas massas do campesinato." Lênin

"...a proclamação de uma bandeira não é bastante para levar o campesinato a voltarse em massa para o socialismo. Ao menos uma circunstância a mais é necessária para isso, a saber, que as massas do próprio campesinato estejam convencidas de que a bandeira proclamada está correta e que elas devem aceitá-la como sua própria."

"As fazendas coletivas não devem ser estabelecidas à força. Isso seria insensato e reacionário." Stalin

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 3

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Capítulo 18 A Coletivização A questão da coletivização na União Soviética foi sempre um tema controvertido dentro e fora da URSS. E não poderia ser de outro modo, por causa da importância da coletivização, em relação à questão da construção do socialismo no interior do país. Portanto, começaremos fazendo algumas observações sobre a importância da coletivização em gerai: depois, aproveitaremos esta oportunidade para comentar sobre dois desvios - o desvio de direita e o desvio 'esquerdista' - da linha leninista do Partido sobre a coletivização, contra os quais a linha do Partido teve de combater em uma luta feroz para ser vitoriosa; e, finalmente, mostraremos que a gritaria da burguesia de todos os países e de seus agentes no movimento da classe operária, os trotskistas, os revisionistas, os social-democratas e reformistas e reacionários de todas as cores e tonalidades, contra a coletivização na URSS, não era senão uma defesa disfarçada - e em alguns casos aberta - do capitalismo ou, mais corretamente, de sua restauração. A. A importância geral da coletivização (1) Primeiramente, a coletivização é de tremenda significação do ponto de vista do campesinato, pois a fazenda camponesa de pequena escala inevitavelmente leva à ruína, destituição e pauperização da maioria esmagadora da população camponesa. Eis alguns pronunciamentos de Lênin sobre esse ponto: "Não há escapatória da pobreza para a pequena fazenda" (Lênin, SW Vol. 8, p. 195). "O sistema de pequenas fazendas, na produção de commodities, não pode salvar a humanidade da pobreza e da opressão das massas" (Lênin, SW Vol. 6, p. 60). "Se continuarmos com as nossas velhas fazendas pequenas, mesmo como cidadãos livres em terras livres, nós ainda enfrentaremos a ruína inevitável" (Lênin, SWVol. 6, p. 370). "Somente com a ajuda do trabalho comum, cooperativo, poderemos escapar do impasse a que a guerra imperialista nos levou " (Lênin, SWVol. 8, p. 193). "Devemos passar ao cultivo comum, em grandes fazendas-modelo. Do contrário, não haverá escapatória do deslocamento, da situação verdadeiramente desesperadora em que a Rússia se encontra" (Lênin, SW, Vol. 6, p. 371). (2) Em segundo lugar, somente através da coletivização poderia a classe operária, que detinha o poder do Estado, assegurar a adesão duradoura das vastas massas do campesinato; somente através da coletivização poderia a classe operária efetivamente manter sua direção da principal massa do campesinato, no sistema da ditadura do proletariado.

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 4

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
"Somente se conseguirmos na prática mostrar ao campesinato as vantagens do cultivo do solo comum, coletivo, cooperativo, de 'artel', somente se tivermos êxito em ajudar o camponês por meio da fazenda cooperativa, de 'artel'1, a classe operária, que detém o poder do Estado em suas mãos, provará ao camponês a correção de sua política e realmente assegurará o prosseguimento real e duradouro das vastas massas do campesinato" (Lênin, SW, Vol. 8, p. 198). (3) Enquanto durou o sistema da fazenda camponesa de pequena escala, o perigo da restauração do capitalismo apresentava-se como o mais real de todos os perigos, pois "o regime soviético não podia continuar por longo prazo a manter dois fundamentos opostos: a indústria socialista em larga escala, que destruía os elementos capitalistas, e as fazendas pequenas do camponês individual, que engendravam os elementos capitalistas" (Stalin, Works, Vol. 13 p. 176). Eis o que Lênin teve a dizer sobre esse ponto: "Enquanto vivermos em um país de pequenos camponeses, há uma base mais segura para o capitalismo na Rússia do que para o comunismo. Deve-se ter isso em mente. Qualquer um que tiver cuidadosamente observado a vida no campo, quando comparada com a vida nas cidades, sabe que não rompemos com as raízes do capitalismo e não minamos os fundamentos, as bases do inimigo interno. Este depende da produção em pequena escala e só há uma forma de miná-lo, a saber, colocar a economia do país, inclusive a agricultura, em novas bases técnicas, as bases técnicas da produção moderna em larga escala. E é apenas a eletricidade que constitui tal base. O comunismo é o poder soviético mais a eletrificação de todo o país. De outro modo, o país continuará sendo um país de pequenos camponeses, e tomos que entender isso claramente. Nós somos mais débeis do que o capitalismo não apenas na escala mundial, mas também dentro do país. Todo mundo sabe disso. Estamos conscientes disso e cuidaremos que nossa base econômica seja transformada de uma base do pequeno camponês para uma base industrial em larga escala. Somente quando o país tiver sido eletrificado, somente quando nossa indústria, nossa agricultura, nosso sistema de transporte tiver sido colocado em bases técnicas da indústria de larga escala, alcançaremos a vitória final." E adiante: "A produção em pequena escala engendra o capitalismo e a burguesia continuamente, diariamente, a cada hora, espontaneamente e em uma escala de massa." (4) Finalmente, as fazendas coletivas são o meio mais conveniente para remodelar o camponês individualista no espírito do coletivismo, no espírito do socialismo, desse modo aproximando-o mais estreitamente da classe operária; elas são o único meio através do qual o vínculo entre a classe operária e o campesinato pode ser fortalecido de tal modo a tornar o campesinato mais estreitamente ligado à classe operária e assim pavimentar o caminho para a eliminação e abolição das classes. Como disse Stalin:

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 5

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
"Quem quer que não compreenda isso, ou se recuse a reconhecê-lo, não é um marxista nem um leninista, mas um 'filósofo camponês', que olha para trás em lugar de para adiante" (Obras Vol. 9, p. 222). E por que as fazendas coletivas são o meio mais conveniente de remodelar o campesinato no espírito coletivista? Por que elas são o meio que pavimenta o caminho para a abolição das classes? A resposta repousa no fato de que elas estabelecem entre a classe operária e o campesinato um vínculo que é baseado no metal, no novo equipamento técnico e no trabalho coletivo; e é precisamente tal vínculo que é exigido para remodelar o pequeno agricultor. Eis o que o camarada Lênin teve a dizer sobre isso: "A transformação do pequeno agricultor, a remodelação total de sua mentalidade e de seus hábitos, é um trabalho de gerações. Quando considerado o pequeno agricultor, esse problema pode ser resolvido, sua mentalidade total pode ser posta em linhas saudáveis, por assim dizer, somente pela base material, pelos meios técnicos, pela introdução de tratores e máquinas na agricultura em escala de massa, pela eletrificação em uma escala de massa. Isso é o que modificaria o pequeno agricultor fundamentalmente e com imensa rapidez." Tal era o plano de Lênin para transformar o campesinato, para tomá-lo mais próximo da classe operária e para criar as condições necessárias para a eliminação de todas as classes. Este plano leninista era completamente oposto às simplórias utopiazinhas reacionárias de que se ouve falar tanto, acerca dos 'socialistas' que gostariam de construir o 'socialismo' no pensamento das pessoas, sem construir uma base material para isso. O Plano de Lênin, por outro lado, mostra a única forma de remodelar o campesinato, a saber, criando as condições materiais necessárias para tal remodelação. De acordo com Lênin, o socialismo não pode ser construído apenas no pensamento das pessoas: ele tem uma base material. E somente por ignorar os ensinamentos revolucionários de Lênin que alguns 'socialistas' são capazes de criticar a coletivização e a industrialização na URSS. O anterior, então, brevemente, é o significado da coletivização. Pode-se ver agora claramente que aqueles que se opõem à coletivização da agricultura são inimigos do campesinato, inimigos da classe operária e inimigos do socialismo comunismo. B. O primeiro desvio da linha leninista do Partido sobre a coletivização - o desvio 'esquerdista' (trotskista) Brevemente, o desvio 'esquerdista' (trotskista) pode ser resumido nas seguintes palavras: ele considera todo o campesinato apenas um instrumento para a restauração do capitalismo; ele considera a massa básica do campesinato uma massa reacionária na qual não se podia confiar e, portanto, advoga não uma aliança com a massa básica do campesinato, mas uma 'discordância' com ela: acima de tudo, acredita na impossibilidade de sucesso na construção do socialismo em um único país, isoladamente. Tudo isso explica o aventureirismo característico das políticas advogadas pelos trotskistas. Esse aventureirismo sozinho explica porque Trotsky e
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 6

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Zinoviev tentaram ao extremo forçar o Partido à coletivização em larga escala, no 14° Congresso do Partido, em dezembro de 1925. Naturalmente, o Partido rejeitou essa política aventureirista, pelas razões que logo deixaremos claro. Desde a rejeição pelo Partido do aventureirismo trotskista (que tinha atração especial para a pequena burguesia, que está sempre em busca de algo excitante para preencher sua vida de outra forma vazia, inútil e insignificante) em matéria de coletivização, os trotskistas espalharam a lenda de que a política de coletivização foi adotada tarde demais, que o Partido Bolchevique e Stalin não perceberam a natureza bestial dos kulaks até que estes tentaram em 1928 ameaçar a própria existência do regime soviético, ao se recusarem a vender grãos ao Estado soviético, ameaçando assim as cidades e o Exército Vermelho com o espetáculo da inanição e da fome. Essa crítica está associada com a oposição trotskista na URSS. Essa crítica, no entanto, é totalmente infundada e baseada na usual substituição trotskista da realidade pela ilusão. O trotskismo cessaria de ser trotskista se tomasse a realidade concreta como seu ponto de partida. Que os kulaks eram "os exploradores mais bestiais, brutais e selvagens" e tinham portanto de ser eliminados estava longe de ser uma descoberta do trotskismo. Eis como Lênin retratou os kulaks: "Os kulaks são os exploradores mais bestiais, brutais e selvagens, que na história de outros países mais de uma vez restauraram o poder dos senhores de terra, tzares, sacerdotes e capitalistas. Todavia, os kulaks são uma minoria na população ... Esses sanguessugas enriqueceram às custas das carências sofridas pelo povo durante a guerra; amealharam milhares e centenas de milhares de rublos com a elevação dos preços dos cereais e de outros produtos. Essas aranhas engordaram às custas dos camponeses que foram arruinados pela guerra e às custas dos operários famintos. Esses parasitas sugaram o sangue dos trabalhadores e enriqueceram tanto mais quanto mais os operários nas cidades e fábricas passavam fome. Esses vampiros reuniram e estão se apoderando de terras que alugam aos camponeses pobres, que têm de pagar para ali trabalhar, sendo assim mantidos na escravidão." Que a eliminação dos kulaks como uma classe e a coletivização do campesinato era a única forma de salvaguardar o socialismo não era também uma descoberta do trotskismo; a passagem já citada dos escritos do camarada Lênin é a prova disso. A questão, portanto, era: em vista do enorme significado da coletivização e da necessidade de eliminar os kulaks como classe, porque não se embarcou na coletivização mais cedo e porque os kulaks não foram eliminados mais cedo do que efetivamente foram? Porque o Partido Bolchevique, quando voltou atrás no 8o Congresso do Partido, proclamou a política de restringir as tendências exploradoras dos kulaks, em lugar de proclamar uma política de eliminação dos kulaks como uma classe? Por que o Partido rejeitou a proposta trotskista de eliminação dos kulaks em 1926?

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 7

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
A resposta repousa no fato de que, tivesse o Partido empreendido uma ofensiva contra os kulaks sem preparar as necessárias condições para o êxito desta ofensiva, a ofensiva provaria ter sido o mais precipitado aventureirismo e certamente teria fracassado. E o fracasso significaria o fortalecimento dos kulaks. Uma ofensiva contra os kulaks em uma época prematura, digamos 1926, certamente teria fracassado, porque naquela época não havia no interior soviético uma rede ampla de fazendas do Estado e fazendas coletivas que pudessem constituir base para uma luta determinada contra os kulaks, porque naquela época o Estado soviético era incapaz de substituir a produção kulak capitalista pela produção socialista de fazendas estatais e fazendas coletivas. Eis o que o camarada Stalin disse sobre o ponto em consideração: "Em 1926-27, a oposição de Zinoviev-Trotsky fez o máximo para impor ao Partido a política de uma ofensiva imediata contra os kulaks. O Partido não embarcou nessa aventura perigosa, pois sabia que pessoas sérias não podem se dar ao luxo de brincar de uma ofensiva. Uma ofensiva contra os kulaks é uma questão séria. Não deve ser confundida com manifestações contra os kulaks. Não deve ser confundida com uma política de espetadelas contra os kulaks, que a oposição de Zinoviev-Trotsky tenta a todo custo impor ao Partido. Lançar uma ofensiva contra os kulaks significa que devemos esmagar os kulaks, eliminá-los como classe. Ao menos que estabeleçamos esses objetivos, uma ofensiva seria mera declamação, espetadelas, palavreado, qualquer coisa menos uma ofensiva bolchevique real. Lançar uma ofensiva contra os kulaks significa que devemos nos preparar para ela e depois golpear os kulaks, golpear tão duro que impeça que eles se levantem outra vez. E isso que nós bolcheviques chamamos de uma ofensiva real. Poderíamos ter empreendido tal ofensiva há uns cinco ou três anos com alguma perspectiva de sucesso? Não, não poderíamos. De fato, em 1927 os kulaks produziram 600 milhões de puds de grãos, cerca de 130 milhões dos quais eles comercializaram fora dos distritos rurais. Isso era um poder muito sério, que tinha de ser levado em conta. Quanto nossas fazendas coletivas e fazendas estatais produziam naquela época? Cerca de 80 milhões de puds, dos quais 35 milhões foram enviados ao mercado (grãos comercializáveis). Julguem por si próprios, poderíamos na época ter substituído a produção dos kulaks e os grãos comercializáveis dos kulaKS pela produção e grãos comercializáveis de nossas fazendas coletivas e fazendas estatais? Obviamente, não poderíamos. O que significaria lançar uma ofensiva determinada contra os kulaks, sob tais condições? Significaria fracasso certo, fortalecendo a posição dos kulaks e ficando sem grãos. Por isso é que na > poderíamos e não deveríamos ter empreendido uma ofensiva determinada contra - kulaks naquela época, a despeito das declarações aventureiristas da oposição de Zinoviev-Trotsky" (Works, Vol. 12 pp. 174-5). Isso então explica por que os kulaks, porque esses sanguessugas, esses aranhas, esses parasitas e esses vampiros eram tolerados e porque o Partido perseguiu a política de restringir suas tendências exploradoras em lugar de sua eliminação completa. Isso, então, explica porque o Partido, nesse 8o Congresso, adotou a política de restringir as tendências exploradoras dos kulaks, porque essa política foi anunciada outra vez no 11o Congresso do Partido, na época da introdução da Nova Política Econômica (NEP),
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 8

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
porque essa política foi confirmada no 15° Congresso do Partido e porque o Partido perseguiu essa linha correta até o verão de 1929. Como o camarada Stalin corretamente assinalou, "a proclamação de uma bandeira não é bastante para levar o campesinato a se voltar em massa para o socialismo". C. A receita trotskista para o desastre através da 'divergência' com o campesinato versus a fórmula leninista para construir o socialismo através de uma 'aliança estável' com a principal massa do campesinato Se o desvio "esquerdista" (trotskista) tivesse ganho ascendência no Partido, o resultado teria sido a restauração do capitalismo na URSS. Pois o que os trotskistas estavam advogando equivalia a nada menos do que uma declaração de guerra civil contra a principal massa do campesinato, o campesinato médio, isto é, 60% do campesinato. A declaração de tal guerra civil contra o campesinato médio teria significado a entrada do regime soviético em uma 'colisão hostil' com a principal massa do campesinato. E tal 'colisão hostil' não poderia senão representar um perigo muito sério para a própria existência do regime soviético. Não é de espantar que o Partido tenha rejeitado tal política 'aventureirista' advogada pelo trotskismo. Quem quer que tenha um mínimo de familiaridade com o trotskismo não se surpreenderia por ter o trotskismo advogado esta política aventureirista para com a principal massa do campesinato. Tal política era resultado direto da notória teoria de Trotsky da 'revolução permanente', que negava o papel revolucionário do campesinato e afirmava que era impossível construir o socialismo em um único país. De acordo com essa teoria da 'revolução permanente', é impossível para a classe operária conduzir a principal massa do campesinato para o rumo da construção socialista. Eis uns poucos pronunciamentos dos trotskistas sobre essa questão: "As contradições na posição de um governo dos operários em um país atrasado com esmagadora população camponesa podem ser resolvidas apenas em uma escala internacional, na arena da revolução proletária mundial" (Trotsky, The Year 1905 (prefácio)). E: "Sem apoio estatal direto do proletariado europeu, a classe operária da Rússia não será capaz de manter-se no poder e transformar sua direção temporária em uma ditadura socialista duradoura. Disto não podemos duvidar em nenhum instante" (Trotsky, Nossa Revolução). E: "Seria sem esperanças pensar... que, por exemplo, uma Rússia revolucionária poderia manter-se frente a uma Europa conservadora" [Works, Vol. III parte I, p. 90). Seria de surpreender então que Trotsky, que negando-se a enfrentar a realidade, tão obstinadamente mantinha a posição reacionária anterior, tivesse advogado uma política que, se posta em prática, teria transformado suas fantasias reacionárias em realidade? Tivesse sido seguida a linha de Trotsky, a classe operária da Rússia indubitavelmente não teria sido capaz de manter-se no poder.
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 9

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Zinoviev, aliado de Trotsky na oposição à linha leninista do Partido sobre a questão camponesa, também não acreditava em uma aliança entre a classe operária e o campesinato médio. Em lugar disso, afastando-se do leninismo, ele advogava a neutralização do campesinato médio sob as condições da ditadura do proletariado. Eis o que Zinoviev, que na época era presidente do Comintern, escreveu sobre esse assunto no Pravda, a 18 de janeiro de 1925: "Há uma série de tarefas que é ABSOLUTAMENTE COMUM A TODOS OS PARTIDOS DO COMINTERN. Tais, por exemplo, são ... a abordagem apropriada do campesinato. Há três estratos entre a população agrícola de todo o mundo, que podem e devem ser conquistados por nós e tornar-se aliados do proletariado (o proletariado agrícola, os semiproletários - os camponeses pequenos proprietários -e o pequeno campesinato que não contrata mão-de-obra). Há outro estrato do campesinato (o camponês médio), que deve ser ao menos NEUTRALIZADO POR NÓS" (Citado de acordo com Stalin, CW Vol. 7, pp. 381-2). O principal economista da oposição trotskista, Preobrazhensky, chegou ao ponto de declarar o campesinato uma 'colônia' para a indústria socialista, como um objeto a ser explorado ao máximo. Smirnov, outro dirigente da oposição, abertamente defendeu a "discrepância" com os camponeses médios: "Nós dizemos que nosso orçamento estatal deve ser revisado de tal modo que a maior parte deste orçamento de cinco bilhões deveria fluir para a indústria, pois SERIA MELHOR PARA NÓS TOLERARA DIVERGÊNCIA COM OS CAMPONESES MÉDIOS DO QUE NOS SUJEITARMOS A RUÍNA CERTA" (Smirnov, discurso proferido na Conferência Distrital do Partido em Rogzhsko-Simonovsky, 1927, citado de acordo com Stalin, CW, Vol. 10 p. 262). Têm-se apenas de comparar os pronunciamentos antes citados da oposição trotskista com as seguintes passagens dos escritos do camarada Lênin para compreender que fosso profundo separa o trotskismo do leninismo. Enquanto o trotskismo advogava "a divergência com o campesinato médio", como o melhor método de evitar "a ruína certa" o leninismo, ao contrário, defendia uma aliança com a massa básica do campesinato, como o único meio de assegurar o papel dirigente do proletariado e a consolidação da ditadura do proletariado. "...o supremo princípio" .dizia Lênin, "da ditadura do proletariado é a manutenção da aliança entre o proletariado e o campesinato, afim de que o proletariado possa reter seu papel dirigente e o poder do Estado" (Report on the Tactics of the RCP(B)), pronunciado no 3o Congresso do Comintern, em 5 de julho de 1921, CW, Vol. 32 p. 466). Assim, está claro que. de acordo com o leninismo, é impossível construir o socialismo exitosamente sem "uma aliança estável com os camponeses médios" (ver Lênin,
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 10

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
discurso proferido no 8 Congresso do RCP(B), a 18 de março de 1919, CW, Vol. 29 p. 125). De acordo com o trotskismo, entretanto, "divergir dos camponeses médios" era o único meio de evitar "a ruína certa" (ver Smirnov, citação anterior). Além disso, não se deve esquecer que, em 1927, o campesinato médio constituía 60% do campesinato inteiro. Uma divergência com o campesinato médio, portanto, teria significado dirigi-I: para os braços dos kulaks, fortalecer os kulaks e isolar os camponeses pobres: em outras palavras, uma divergência da natureza da advogada pelo trotskismo teria significado começar uma guerra civil no interior do país e enfraquecer a direção soviética no interior de forma muito perigosa. Tal era a lógica do trotskismo, não obstante suas intenções. Eis como o camarada Stalin descreveu a discrepância entre os desejos da oposição (suas boas intenções) e os inevitáveis resultados desastrosos de sua política de divergência com o campesinato médio. "Longe de mim acusar a oposição de buscar deliberadamente todos esses infortúnios. Não é, entretanto, uma questão do que a oposição deseja e está se esforçando por obter, mas dos resultados que devem inevitavelmente seguir-se da política da oposição de divergir do campesinato médio. A mesma coisa que está acontecendo com a oposição aqui aconteceu com o urso na fábula de Krylov 'O Ermitão e o Urso' (risos). Não é preciso dizer que a intenção do urso, ao esmagar a cabeça do seu amigo ermitão com uma pedra, era livrá-lo da mosca impertinente. O urso estava induzido pelos motivos mais amistosos. Todavia, os motivos amistosos do urso levavam-no a uma ação que estava longe de amistosa e pela qual o ermitão pagaria com sua vida. Certamente a oposição só quer o bem da revolução. Mas para tal, propõe um meio que resultaria na completa derrota da revolução, na completa derrota da classe operária e do campesinato, na destruição de todo o nosso trabalho de construção. A plataforma da oposição é uma plataforma para a ruptura da aliança entre a classe operária e o campesinato, uma plataforma para a destruição de nosso trabalho de construção, uma plataforma para a destruição da obra de industrialização" (Vol. 10, p. 265). D. O ano de 1929 e a passagem do campesinato para a coletivização Pela segunda metade de 1929, entretanto, o quadro tinha mudado drasticamente, e fizeram-se presentes todos os pré-requisitos para uma ofensiva determinada contra os kulaks e por sua eliminação como classe. Quais eram esses pré-requisitos? Eles eram: PRIMEIRO: as fazendas estatais e as fazendas coletivas tinham se desenvolvido a um grau em que eram capazes de substituir a agricultura dos kulaks, no que diz respeito à produção comercializável. Em 1929, as fazendas coletivas sozinhas produziam 29.100.000 centners2 de grãos, dos quais 12.700.000 eram grãos comercializáveis.
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 11

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Explicando por que não era possível golpear os kulaks em 1927 e por que uma ofensiva contra os kulaks tinha se tornado uma realidade praticável em 1929, assim o camarada Stalin caracterizou as mudanças que tinham tido lugar desde 1927, que tornavam possível para o Partido empreender uma verdadeira ofensiva leninista contra os kulaks, em oposição às declamações e palavreado trotskistas contra os kulaks: "Porém, hoje? Qual é a posição agora? Hoje, temos uma base material adequada para golpearmos os kulaks, quebrarmos sua resistência, eliminá-los como uma classe e SUBSTITUIR seu produto pelo produto das fazendas coletivas e das fazendas estatais. Vocês sabem que em 1929 os grãos produzidos nas fazendas coletivas e nas fazendas estatais alcançaram não menos do que 400 milhões de puds (200 mil a menos do que a produção bruta das fazendas dos kulaks em 1927). Vocês também sabem que em 1929 as fazendas coletivas e as fazendas estatais supriram mais de 130 milhões de puds de grãos comercializáveis (isto é, mais do que os kulaks em 1927). Por último, vocês sabem que, em 1930, o produto bruto das fazendas coletivas e das fazendas estatais alcançarão não menos do que 900 milhões de puds de grãos (isto é, mais do que a produção bruta dos kulaks em 1927) e sua produção de grãos comercializáveis não será menos de 400 milhões de puds (isto é. incomparavelmente maior do que os kulaks supriram em 1927). E esta a situação para nós agora, camaradas. Aí vocês têm a mudança que teve lugar na economia de nosso país. Agora, como vocês vêem, temos a base material que nos capacita a SUBSTITUIR a produção dos kulaks pela produção das fazendas coletivas e fazendas estatais. E por essa razão que nossa ofensiva determinada contra os kulaks agora está tendo um inegável sucesso. E assim que uma ofensiva contra os kulaks deve ser conduzida, se pretendemos uma ofensiva genuína e determinada e não meras declamações contra os kulaks. É por isso que passamos da política de RESTRIÇÃO às tendências exploradoras dos kulaks para a política de ELIMINAR OS KULAKS COMO UMA CIASSE" [Works, Vol. 12 pp. 125-6). SEGUNDO: o Estado e a indústria soviéticos estavam agora em posição de ajudar o movimento das fazendas coletivas por meio das facilidades de crédito e do suprimento de máquinas e tratores. Em 1927-28, o governo soviético destinou 76 milhões de rublos para o financiamento das fazendas coletivas; em 1928-29, 170 milhões; e em 1929-30, 473 milhões. Além disso, 65 milhões de rublos foram destinados durante o mesmo período ao fundo de coletivização. Prerrogativas foram concedidas para as fazendas coletivas que fizeram crescer seus recursos em 200 milhões de rublos. Para uso nos campos das fazendas coletivas, o Estado forneceu não menos de 30.000 tratores com uma potência total de 400.000 cavalos, não levando em conta os 7.000 tratores do Centro de Tratores que servia às fazendas coletivas e a assistência sob a forma de tratores fornecidos pelas fazendas estatais às fazendas coletivas. Em 1929Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 12

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
30. as fazendas coletivas receberam empréstimos de sementes e assistência para as sementes num total de 10 milhões de centners de grãos (61 milhões de puds\. Per último, as fazendas coletivas foram enormemente ajudadas pela assistência organizacional dada a elas sob a forma de mais de 7.000 estações de máquinas e tratores. O resultado de todas essas medidas foi a multiplicação por 40 da área de colheita das fazendas coletivas em três anos, por 50 da produção de grãos das fazendas coletivas (com um crescimento em sua parte comercializável de mais de quarenta vezes) durante os mesmos três anos, isto é, 1927-1929. TERCEIRO: a passagem do campesinato para o socialismo, para a coletivização. Isso tudo não surgiu.de repente, de forma acidental ou espontânea; teve de ser preparado de maneira científica e através de luta dura durante anos, quando o Partido levou o povo a superar um obstáculo após outro, no caminho levando à coletivização. Eis como o camarada Stalin descreveu o processo de desenvolvimento com base no qual surgiu, na última metade de 1929, o poderoso movimento coletivo de massa de milhões de camponeses pobres e médios. "A passagem do campesinato para a coletivização não começou toda de uma vez. Ademais, não poderia começar toda de uma vez. Na verdade, o Partido proclamou a bandeira da coletivização já no 15° Congresso; mas a proclamação de uma bandeira não é o bastante para levar o campesinato a voltar-se em massa para o socialismo. Ao menos uma circunstância a mais era necessária para isso, a saber, que as próprias massas do campesinato estivessem convencidas de que a bandeira proclamada estava correta E que eles deveriam aceitá-la como sua. Portanto, essa passagem foi preparada gradualmente. Foi preparada por todo o decorrer do nosso desenvolvimento, pelo decorrer do desenvolvimento de nossa indústria e acima de tudo pelo desenvolvimento da indústria que fornece máquinas e tratores para a agricultura. Foi preparada pela política de enfrentar resolutamente os kulaks e pelo curso de nossas compras de grãos nas novas formas que assumiram em 1928 e 1929, que colocavam as fazendas dos kulaks sob o controle das massas de camponeses pobres e médios. Foi preparada pelo desenvolvimento das cooperativas agrícolas, que treinam o camponês individualista nos métodos coletivos. Foi preparada pela rede de fazendas coletivas, nas quais o campesinato verificava as vantagens das formas coletivas de fazenda sobre a fazenda individual. Por último, foi preparada pela rede de fazendas estatais, espalhadas por toda a URSS, e equipadas com máquinas modernas, que capacitavam os camponeses a se convencerem da potência e superioridade das máquinas modernas. Seria um erro considerar nossas fazendas estatais apenas como fontes de fornecimento de grãos. Realmente, as fazendas estatais, com suas máquinas modernas, com a assistência que prestam aos camponeses em sua vizinhança, e o escopo sem precedentes dessas fazendas, foi a força condutora que facilitou a passagem das massas camponesas e as levou ao caminho da coletivização.

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 13

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Ai vocês têm a base sobre a qual surgiu o movimento de fazendas coletivas em massa, de milhões de camponeses pobres e médios, que começou na última metade de 1929, e que inaugurou um período de grande mudança na vida de nosso país" (Works, Vol. 12, pp. 288-289, Relatório ao 16° Congresso). O precedente deixa perfeitamente claro que a política do Partido Bolchevique sobre a coletivização era uma política leninista e a única política correta. Está igualmente claro que a política advogada pelo trotskismo estava repleta do aventureirismo mais perigoso e desesperado e, tivesse esta política sido colocada em prática, o resultado teria sido certamente ruinoso. Podemos agora dizer que o Partido Bolchevique esteve mil vezes certo em rejeitar as propostas trotskistas de golpear os kulaks em 1926-27; também o Partido esteve mil vezes certo em 1929, tendo já preparado a base necessária, em lançar uma ofensiva contra os kulaks; o Partido estava perfeitamente justificado em 1929, passando da política que tinha sido seguida até então de RESTRINGIR as tendências exploradoras dos kulaks para a política de ELIMINAR OS KULAKS COMO UMA CLASSE. A eliminação dos kulaks como uma classe não era simplesmente uma questão de administração, como pensavam os trotskistas; era um assunto de suprema importância econômica. A classe dos kulaks não podia ser descartada com um decreto trotskista. Ela podia apenas ser eliminada com a tomada de medidas econômicas concretas (do tipo das enunciadas antes) e com a preparação das necessárias condições econômicas e políticas. Como disse o camarada Stalin: "Estão errados os camaradas que pensam que é possível e necessário dar um fim aos kulaks por meio de medidas administrativas, através do GPU: dar uma ordem, afixar um cartaz e está acabado. E uma solução fácil, mas está longe de ser eficaz. Os kulaks devem ser derrotados por meio de medidas econômicas e em conformidade com a lei soviética. A lei Soviética, entretanto, não é uma mera frase. Isso não exclui, é claro, a tomada de certas medidas administrativas contra os kulaks. Mas as medidas administrativas não devem tomar o lugar das medidas econômicas" (Works, Vol. 10, p. 319). Além disso, a oportunidade para lançar uma ofensiva total contra os kulaks tinha de estar correta; qualquer erro nessa área significava brincar de uma ofensiva contra os kulaks, significava arriscar a própria existência da ditadura do proletariado. Uma das principais características da direção leninista, das táticas bolcheviques, é escolher o momento certo e o terreno apropriado para lançar uma ofensiva contra os inimigos do socialismo. Para colocar isso na linguagem apropriada do camarada Stalin: "A arte da política bolchevique consiste em não descarregar indiscriminadamente todas as armas em todas as frentes, sem considerar as condições de tempo e lugar e sem considerar se as massas estão prontas para apoiar esse ou aquele passo da direção. A arte da política bolchevique consiste em ser capaz de escolher o tempo e o lugar e levar em conta todas as circunstâncias, no sentido de concentrar fogo na frente se pretende alcançar mais rapidamente os máximos resultados" (Works, Vol. 11, p. 55).

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 14

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Quando, entretanto, o Partido já tinha passado da política de restringir as tendências exploradoras dos kulaks para a política de eliminar os kulaks como uma classe, Trotsky que, como vimos, tinha advogado a deskulakização já no período imediatamente posterior ao 14° Congresso (1926-7), exigiu o abandono da política do Partido de eliminar os kulaks como uma classe. Em sua Carta Aberta aos Membros do PCUS, de 23 de março de 1930, Trotsky propunha que o Partido fizesse o seguinte: "Colocar as fazendas coletivas em linha com seus recursos reais de apoio"; "...abandonar a política da deskulakização" "...manter sob controle as tendências exploradoras dos kulaks durante um longo número de anos" e que "O principio guiador em relação aos kulaks deve ser um férreo 'sistema de contrato' [sob os quais os kulaks iriam suprir o Estado com certa quantidade de seus produtos e preços fixados - HB]". Esse é o trotskismo característico, o trotskismo com seu conteúdo verdadeiramente absurdo, antidialético e reacionário: deskulakização em 1926 e abandono da política de deskulakização em 1930! Como se esse absurdo não fosse bastante, Trotsky suplementou-o com uma nova edição, por assim dizer, em 1933. Em 1933, quando a coletivização tinha no principal sido realizada, Trotsky propunha, nas edições de seu Boletim, a dissolução das fazendas do Estado sob a alegação de que elas não compensavam; a dissolução da maioria das fazendas coletivas nos campos, sob a alegação de que eram fictícias; o abandono da política de eliminar os kulaks. No campo da indústria, Trotsky propunha uma reversão para a política de concessões e o leasing para concessionárias de uma série de empresas industriais soviéticas no campo, sob a alegação de que elas não compensavam. O camarada Stalin estava perfeitamente justificado em caracterizar os programas trotskistas como contra-revolucionários e de restauração do capitalismo: "Aí vocês têm o programa desses desprezíveis covardes e capitulacionistas -seu programa contra-revolucionário de restaurar o capitalismo na URSS" (Works, vol. 13, p. 370). Assim era como o 'esquerdista' Trotsky se desmascarava e revelava seu verdadeiro direitismo, para todos verem. Tendo abordado o desvio oportunista 'esquerdista' deixe-nos agora passar ao desvio oportunista de direita da linha leninista do Partido. E. O segundo desvio da linha leninista do Partido sobre a coletivização - o desvio oportunista de direita (bukharinista)
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 15

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Enquanto os oportunistas 'esquerdistas' (trotskistas) superestimavam a força do capitalismo, não acreditando na possibilidade de a URSS construir o socialismo exitosamente por seus próprios esforços, sem a ajuda da revolução vitoriosa na Europa Ocidental e, portanto, não era a favor mesmo da idéia da aliança com a E tal 'colisão hostil' não poderia senão representar um perigo muito sério para a própria existência do regime soviético. Não é de espantar que o Partido tenha rejeitado tal política 'aventureirista' advogada pelo trotskismo. Quem quer que tenha um mínimo de familiaridade com o trotskismo não se surpreenderia por ter o trotskismo advogado esta política aventureirista para com a principal massa do campesinato. Tal política era resultado direto da notória teoria de Trotsky da 'revolução permanente', que negava o papel revolucionário do campesinato e afirmava que era impossível construir o socialismo em um único país. De acordo com essa teoria da 'revolução permanente', é impossível para a classe operária conduzir a principal massa do campesinato para o rumo da construção socialista. Eis uns poucos pronunciamentos dos trotskistas sobre essa questão: "As contradições na posição de um governo dos operários em um país atrasado com esmagadora população camponesa podem ser resolvidas apenas em uma escala internacional, na arena da revolução proletária mundial" (Trotsky, The Year 1905 (prefácio)). E: "Sem apoio estatal direto do proletariado europeu, a classe operária da Rússia não será capaz de manter-se no poder e transformar sua direção temporária em uma ditadura socialista duradoura. Disto não podemos duvidar em nenhum instante" (Trotsky, Nossa Revolução). E: "Serias em esperanças pensar... que, por exemplo, uma Rússia revolucionária poderia manter-se frente a uma Europa conservadora" [Works, Vol. III parte I, p. 90). Seria de surpreender então que Trotsky, que negando-se a enfrentar a realidade, tão obstinadamente mantinha a posição reacionária anterior, tivesse advogado uma política que, se posta em prática, teria transformado suas fantasias reacionárias em realidade? Tivesse sido seguida a linha de Trotsky, a classe operária da Rússia indubitavelmente não teria sido capaz de manter-se no poder. Zinoviev, aliado de Trotsky na oposição à linha leninista do Partido sobre a questão camponesa, também não acreditava em uma aliança entre a classe operária e o campesinato médio. Em lugar disso, afastando-se do leninismo, ele advogava a neutralização do campesinato médio sob as condições da ditadura do proletariado. Eis o que Zinoviev, que na época era presidente do Comintern, escreveu sobre esse assunto no Pravda, a 18 de janeiro de 1925: "Há uma série de tarefas que é ABSOLUTAMENTE COMUM A TODOS OS PARTIDOS DO COMINTERN. Tais, por exemplo, são... a abordagem apropriada do campesinato. Há três estratos entre a população agrícola de todo o mundo, que podem e devem ser conquistados por nós e tornar-se aliados do proletariado (o proletariado agrícola, os
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 16

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
semiproletários — os camponeses pequenos proprietários -e o pequeno campesinato que não contrata mão-de-obra). Há outro estrato do campesinato (o camponês médio), que deve ser ao menos NEUTRALIZADO POR NÓS" (Citado de acordo com Stalin, CWVo\. 7, pp. 381-2). O principal economista da oposição trotskista, Preobrazhensky, chegou ao ponto de declarar o campesinato uma 'colônia' para a indústria socialista, como um objeto a ser explorado ao máximo. Smirnov, outro dirigente da oposição, abertamente defendeu a "discrepância" com os camponeses médios: "Nós dizemos que nosso orçamento estatal deve ser revisado de tal modo que a maior parte deste orçamento de cinco bilhões deveria fluir para a indústria, pois SERIA MELHOR PARA NÓS TOLERARA DIVERGÊNCIA COM OS CAMPONESES MÉDIOS DO QUE NOS SUJEITARMOS A RUÍNA CERTA" (Smirnov, discurso proferido na Conferência Distrital do Partido em Rogzhsko-Simonovsky, 1927, citado de acordo com Stalin, CW, Vol. 10 p. 262). Têm-se apenas de comparar os pronunciamentos antes citados da oposição trotskista com as seguintes passagens dos escritos do camarada Lênin para compreender que fosso profundo separa o trotskismo do leninismo. Enquanto o trotskismo advogava "a divergência com o campesinato médio", como o melhor método de evitar "a ruína certa" o leninismo, ao contrário, defendia uma aliança com a massa básica do campesinato, como o único meio de assegurar o papel dirigente do proletariado e a consolidação da ditadura do proletariado. "...o supremo princípio",dizia Lênin, "da ditadura do proletariado é a manutenção da aliança entre o proletariado e o campesinato, afim de que o proletariado possa reter seu papel dirigente e o poder do Estado" (Report on the Tactics ofthe RCP(B)), pronunciado no 3o Congresso do Comintern, em 5 de julho de 1921, CW, Vol. 32 p. 466). Assim, está claro que, de acordo com o leninismo, é impossível construir o socialismo exitosamente sem "uma aliança estável com os camponeses médios" (ver Lênin, discurso proferido no 8o Congresso do RCP(B), a 18 de março de 1919, CW, Vol. 29 p. 125). De acordo com o trotskismo, entretanto, "divergir dos camponeses médios" era o único meio de evitar "a ruína certa" (ver Smirnov, citação anterior). Além disso, não se deve esquecer que, em 1927, o campesinato médio constituía 60% do campesinato inteiro. Uma divergência com o campesinato médio, portanto, teria significado dirigi-lo para os braços dos kulaks, fortalecer os kulaks e isolar os camponeses pobres; em outras palavras, uma divergência da natureza da advogada pelo trotskismo teria significado começar uma guerra civil no interior do país e enfraquecer a direção soviética no interior de forma muito perigosa. Tal era a lógica do
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 17

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
trotskismo, não obstante suas intenções. Eis como o camarada Stalin descreveu a discrepância entre os desejos da oposição (suas boas intenções) e os inevitáveis resultados desastrosos de sua política de divergência com o campesinato médio. "Longe de mim acusar a oposição de buscar deliberadamente todos esses infortúnios. Não é, entretanto, uma questão do que a oposição deseja e está se esforçando por obter, mas dos resultados que devem inevitavelmente seguir-se da política da oposição de divergir do campesinato médio. A mesma coisa que está acontecendo com a oposição aqui aconteceu com o urso na fábula de Krylov 'O Ermitão e o Urso' (risos). Não é preciso dizer que a intenção do urso, ao esmagar a cabeça do seu amigo ermitão com uma pedra, era livrá-lo da mosca impertinente. O urso estava induzido pelos motivos mais amistosos. Todavia, os motivos amistosos do urso levavam-no a uma ação que estava longe de amistosa e pela qual o ermitão pagaria com sua vida. Certamente a oposição só quer o bem da revolução. Mas para tal, propõe um meio que resultaria na completa derrota da revolução, na completa derrota da classe operária e do campesinato, na destruição de todo o nosso trabalho de construção. A plataforma da oposição é uma plataforma para a ruptura da aliança entre a classe operária e o campesinato, uma plataforma para a destruição de nosso trabalho de construção, uma plataforma para a destruição da obra de industrialização" (Vol. 10, p. 265). D. O ano de 1929 e a passagem do campesinato para a coletivização Pela segunda metade de 1929, entretanto, o quadro tinha mudado drasticamente, e fizeram-se presentes todos os pré-requisitos para uma ofensiva determinada contra os kulaks e por sua eliminação como classe. Quais eram esses pré-requisitos? Eles eram: PRIMEIRO: as fazendas estatais e as fazendas coletivas tinham se desenvolvido a um grau em que eram capazes de substituir a agricultura dos kulaks, no que diz respeito à produção comercializável. Em 1929, as fazendas coletivas sozinhas produziam 29.100.000 centners3 de grãos, dos quais 12.700.000 eram grãos comercializáveis. Explicando por que não era possível golpear os kulaks em 1927 e por que uma ofensiva contra os kulaks tinha se tornado uma realidade praticável em 1929, assim o camarada Stalin caracterizou as mudanças que tinham tido lugar desde 1927, que tornavam possível para o Partido empreender uma verdadeira ofensiva leninista contra os kulaks, em oposição às declamações e palavreado trotskistas contra os kulaks: "Porém, hoje? Qual é a posição agora? Hoje, temos uma base material adequada para golpearmos os kulaks, quebrarmos sua resistência, eliminá-los como uma classe e SUBSTITUIR seu produto pelo produto das fazendas coletivas e das fazendas estatais. Vocês sabem que em 1929 os grãos produzidos nas fazendas coletivas e nas fazendas estatais alcançaram não menos do que 400 milhões de puds (200 mil a menos do que a produção bruta das fazendas dos kulaks em 1927). Vocês também sabem que em 1929
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 18

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
as fazendas coletivas e as fazendas estatais supriram mais de 130 milhões de puds de grãos comercializáveis (isto é, mais do que os kulaks em 1927). Por último, vocês sabem que, em 1930, o produto bruto das fazendas coletivas e das fazendas estatais alcançarão não menos do que 900 milhões de puds de grãos (isto ê, mais do que a produção bruta dos kulaks em 1927) e sua produção de grãos comercializáveis não será menos de 400 milhões de puds (isto é, incomparavelmente maior do que os kulaks supriram em 1927). E esta a situação para nós agora, camaradas. Aí vocês têm a mudança que teve lugar na economia de nosso país. Agora, como vocês vêem, temos a base material que nos capacita a SUBSTITUIR a produção dos kulaks pela produção das fazendas coletivas e fazendas estatais. E por essa razão que nossa ofensiva determinada contra os kulaks agora está tendo um inegável sucesso. E assim que uma ofensiva contra os kulaks deve ser conduzida, se pretendemos uma ofensiva genuína e determinada e não meras declamações contra os kulaks. É por isso que passamos da política de RESTRIÇÃO às tendências exploradoras dos kulaks para a política de ELIMINAR OS KULAKS COMO UMA CIASSE" [Works, Vol. 12 pp. 125-6). SEGUNDO: o Estado e a indústria soviéticos estavam agora em posição de ajudar o movimento das fazendas coletivas por meio das facilidades de crédito e do suprimento de máquinas e tratores. Em 1927-28, o governo soviético destinou 76 milhões de rublos para o financiamento das fazendas coletivas; em 1928-29, 170 milhões; e em 1929-30, 473 milhões. Além disso, 65 milhões de rublos foram destinados durante o mesmo período ao fundo de coletivização. Prerrogativas foram concedidas para as fazendas coletivas que fizeram crescer seus recursos em 200 milhões de rublos. Para uso nos campos das fazendas coletivas, o Estado forneceu não menos de 30.000 tratores com uma potência total de 400.000 cavalos, não levando em conta os 7.000 tratores do Centro de Tratores que servia às fazendas coletivas e a assistência sob a forma de tratores fornecidos pelas fazendas estatais às fazendas coletivas. Em 192930, as fazendas coletivas receberam empréstimos de sementes e assistência para as sementes num total de 10 milhões de centners de grãos (61 milhões de puds). Por último, as fazendas coletivas foram enormemente ajudadas pela assistência organizacional dada a elas sob a forma de mais de 7.000 estações de máquinas e tratores. O resultado de todas essas medidas foi a multiplicação por 40 da área de colheita das fazendas coletivas em três anos, por 50 da produção de grãos das fazendas coletivas (com um crescimento em sua parte comercializável de mais de quarenta vezes) durante os mesmos três anos, isto é, 1927-1929. TERCEIRO: a passagem do campesinato para o socialismo, para a coletivização. Isso tudo não surgiu de repente, de forma acidental ou espontânea; teve de ser preparado
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 19

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
de maneira científica e através de luta dura durante anos, quando o Partido levou o povo a superar um obstáculo após outro, no caminho levando à coletivização. Eis como o camarada Stalin descreveu o processo de desenvolvimento com base no qual surgiu, na última metade de 1929, o poderoso movimento coletivo de massa de milhões de camponeses pobres e médios. "A passagem do campesinato para a coletivização não começou toda de uma vez. Ademais, não poderia começar toda de uma vez. Na verdade, o Partido proclamou a bandeira da coletivização já no 15° Congresso; mas a proclamação de uma bandeira não é o bastante para levar o campesinato a voltar-se em massa para o socialismo. Ao menos uma circunstância a mais era necessária para isso, a saber, que as próprias massas do campesinato estivessem convencidas de que a bandeira proclamada estava correta E que eles deveriam aceitá-la como sua. Portanto, essa passagem foi preparada gradualmente. Foi preparada por todo o decorrer do nosso desenvolvimento, pelo decorrer do desenvolvimento de nossa indústria e acima de tudo pelo desenvolvimento da indústria que fornece máquinas e tratores para a agricultura. Foi preparada pela política de enfrentar resolutamente os kulaks e pelo curso de nossas compras de grãos nas novas formas que assumiram em 1928 e 1929, que colocavam as fazendas dos kulaks sob o controle das massas de camponeses pobres e médios. Foi preparada pelo desenvolvimento das cooperativas agrícolas, que treinam o camponês individualista nos métodos coletivos. Foi preparada pela rede de fazendas coletivas, nas quais o campesinato verificava as vantagens das formas coletivas de fazenda sobre a fazenda individual. Por último, foi preparada pela rede de fazendas estatais, espalhadas por toda a URSS, e equipadas com máquinas modernas, que capacitavam os camponeses a se convencerem da potência e superioridade das máquinas modernas. Seria um erro considerar nossas fazendas estatais apenas como fontes de fornecimento de grãos. Realmente, as fazendas estatais, com suas máquinas modernas, com a assistência que prestam aos camponeses em sua vizinhança, e o escopo sem precedentes dessas fazendas, foi a força condutora que facilitou a passagem das massas camponesas e as levou ao caminho da coletivização. Aí vocês têm a base sobre a qual surgiu o movimento de fazendas coletivas em massa, de milhões de camponeses pobres e médios, que começou na última metade de 1929, e que inaugurou um período de grande mudança na vida de nosso país" (Works, Vol. 12, pp. 288-289, Relatório ao 16° Congresso). O precedente deixa perfeitamente claro que a política do Partido Bolchevique sobre a coletivização era uma política leninista e a única política correta. Está igualmente claro que a política advogada pelo trotskismo estava repleta do aventureirismo mais perigoso e desesperado e, tivesse esta política sido colocada em prática, o resultado teria sido certamente ruinoso. Podemos agora dizer que o Partido Bolchevique esteve mil vezes certo em rejeitar as propostas trotskistas de golpear os kulaks em 1926-27; também o Partido esteve mil vezes certo em 1929, tendo já preparado a base necessária, em lançar uma ofensiva contra os kulaks; o Partido estava perfeitamente
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 20

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
justificado em 1929, passando da política que tinha sido seguida até então de RESTRINGIR as tendências exploradoras dos kulaks para a política de ELIMINAR OS KULAKS COMO UMA CLASSE. A eliminação dos kulaks como uma classe não era simplesmente uma questão de administração, como pensavam os trotskistas; era um assunto de suprema importância econômica. A classe dos kulaks não podia ser descartada com um decreto trotskista. Ela podia apenas ser eliminada com a tomada de medidas econômicas concretas (do tipo das enunciadas antes) e com a preparação das necessárias condições econômicas e políticas. Como disse o camarada Stalin: "Estão errados os camaradas que pensam que é possível e necessário dar um fim aos kulaks por meio de medidas administrativas, através do GPU: dar uma ordem, afixar um cartaz e está acabado. E uma solução fácil, mas está longe de ser eficaz. Os kulaks devem ser derrotados por meio de medidas econômicas e em conformidade com a lei soviética. A lei Soviética, entretanto, não é uma mera frase. Isso não exclui, é claro, a tomada de certas medidas administrativas contra os kulaks. Mas as medidas administrativas não devem tomar o lugar das medidas econômicas" (Works, Vol. 10, p. 319). Além disso, a oportunidade para lançar uma ofensiva total contra os kulaks tinha de estar correta; qualquer erro nessa área significava brincar de uma ofensiva contra os kulaks, significava arriscar a própria existência da ditadura do proletariado. Uma das principais características da direção leninista, das táticas bolcheviques, é escolher o momento certo e o terreno apropriado para lançar uma ofensiva contra os inimigos do socialismo. Para colocar isso na linguagem apropriada do camarada Stalin: "A arte da política bolchevique consiste em não descarregar indiscriminadamente todas as armas em todas as frentes, sem considerar as condições de tempo e lugar e sem considerar se as massas estão prontas para apoiar esse ou aquele passo da direção. A arte da política bolchevique consiste em ser capaz de escolher o tempo e o lugar e levar em conta todas as circunstâncias, no sentido de concentrar fogo na frente se pretende alcançar mais rapidamente os máximos resultados" [Works, Vol. 11, p. 55). Quando, entretanto, o Partido já tinha passado da política de restringir as tendências exploradoras dos kulaks para a política de eliminar os kulaks como uma classe, Trotsky que, como vimos, tinha advogado a deskulakização já no período imediatamente posterior ao 14° Congresso (1926-7), exigiu o abandono da política do Partido de eliminar os kulaks como uma classe. Em sua Carta Aberta aos Membros do PCUS, de 23 de março de 1930, Trotsky propunha que o Partido fizesse o seguinte: "Colocar as fazendas coletivas em linha com seus recursos reais de apoio"; "...abandonar a política da deskulakização" "...manter sob controle as tendências exploradoras dos kulaks durante um longo número de anos" e que
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 21

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
"O principio guiador em relação aos kulaks deve ser um férreo 'sistema de contrato' [sob os quais os kulaks iriam suprir o Estado com certa quantidade de seus produtos e preços fixados - HB]". Esse é o trotskismo característico, o trotskismo com seu conteúdo verdadeiramente absurdo, antidialético e reacionário: deskulakização em 1926 e abandono da política de deskulakização em 1930! Como se esse absurdo não fosse bastante, Trotsky suplementou-o com uma nova edição, por assim dizer, em 1933. Em 1933, quando a coletivização tinha no principal sido realizada, Trotsky propunha, nas edições de seu Boletim, a dissolução das fazendas do Estado sob a alegação de que elas não compensavam; a dissolução da maioria das fazendas coletivas nos campos, sob a alegação de que eram fictícias; o abandono da política de eliminar os kulaks. No campo da indústria, Trotsky propunha uma reversão para a política de concessões e o leasing para concessionárias de uma série de empresas industriais soviéticas no campo, sob a alegação de que elas não compensavam. O camarada Stalin estava perfeitamente justificado em caracterizar os programas trotskistas como contra-revolucionários e de restauração do capitalismo: "Aí vocês têm o programa desses desprezíveis covardes e capitulacionistas -seu programa contra-revolucionário de restaurar o capitalismo na URSS" (Works, vol. 13, p. 370). Assim era como o 'esquerdista' Trotsky se desmascarava e revelava seu verdadeiro direitismo, para todos verem. Tendo abordado o desvio oportunista 'esquerdista' deixe-nos agora passar ao. desvio oportunista de direita da linha leninista do Partido. E. O segundo desvio da linha leninista do Partido sobre a coletivização - o desvio oportunista de direita (bukharinista) Enquanto os oportunistas 'esquerdistas' (trotskistas) superestimavam a força do capitalismo, não acreditando na possibilidade de a URSS construir o socialismo exitosamente por seus próprios esforços, sem a ajuda da revolução vitoriosa na Europa Ocidental e, portanto, não era a favor mesmo da idéia da aliança com a massa básica do campesinato, os oportunistas de direita iam para o outro extremo, por subestimar a força do capitalismo, declarar-se a favor de qualquer forma de aliança com todo o campesinato, inclusive os kulaks e, desconsiderando os mecanismos da luta de classes nas condições da ditadura do proletariado, proclamar que os kulaks automaticamente "se convertessem ao socialismo" (Bukharin, The Path to Socialism (citado em Stalin, Collected Works, Vol. 12 p. 41). O grupo de Bukharin sustentava que, com o avanço do socialismo e o desenvolvimento das formas socialistas da economia, a luta de classes se abrandaria. Essa teoria oportunista de direita, advogada pelo grupo de Bukharin, representava um perigo muito sério para a ditadura do proletariado. Seu mal estava "...no fato de que embala a classe operária para dormir, mina o estado de preparação
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 22

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
mobilizada das forças revolucionárias de nosso país, desmobiliza a classe operária e facilita o ataque dos elementos capitalistas contra o governo soviético" (Stalin, Works, Vol. 12 p. 41). E foi o que fez. No começo de 1928, os kulaks, percebendo que a NEP, longe de restaurar o capitalismo na URSS, como eles tinham acreditado e esperado, estava, ao contrário, levando ao enfraquecimento e aniquilamento dos elementos capitalistas no interior e à consolidação do socialismo, deram início à resistência organizada ao regime soviético. Desde 1928, essa resistência assumiu formas mais agudas. A resistência dos kulaks foi a prova mais eloqüente de: (a) o fato de que a ofensiva socialista contra os elementos capitalistas estava avançando a todo o vapor e, de acordo com o planejado, que os kulaks estavam, portanto, sentindo o aperto e tinham de decidir resistir desesperadamente ou sair de cena voluntariamente; e (b) o fato de que os elementos capitalistas não desejavam sair de cena voluntariamente. O camarada Stalin, contrariando o conto de fadas oportunista de direita de Bukharin, a respeito do abrandamento da luta de classes, expressou-se nas seguintes palavras inesquecíveis: "Não se deve imaginar que as formas socialistas se desenvolverão, esmagando os inimigos da classe operária, enquanto nossos inimigos se retirarão em silêncio e abrindo caminho para o nosso avanço, que então outra vez avançaremos e eles outra vez se retirarão, até que 'inesperadamente' todos os grupos sociais, sem exceção, kulaks e camponeses pobres, operários e capitalistas, encontrar-se-ão 'repentinamente' e 'imperceptivelmente', sem luta ou comoção, no regaço de uma sociedade socialista. Tais contos de fadas não acontecem nem podem acontecer em geral, e nas condições da ditadura do proletariado em particular. Nunca aconteceu e nunca acontecerá que a classe operária avançará para o socialismo em uma sociedade de classes sem luta ou comoção. Ao contrário, o avanço para o socialismo não pode senão levar os elementos exploradores a resistirem a esse avanço, e a resistência dos exploradores não pode senão levar ã agudização da luta de classes. Eis por que a classe trabalhadora não deve se iludir com a conversa de a luta de classes desempenhar um papel secundário" (Stalin, Works, Vol. 11 p. 180). Apesar das simplórias fabulazinhas de Bukharin a respeito do abrandamento da luta de classes e o milagre de os kulaks "se converterem ao socialismo", os kulaks começaram a formar uma séria resistência organizada ao governo soviético. Quem, senão Bukharin e seu grupo, iria no Partido defender os interesses dos kulaks? Os bukharinistas representavam a decadência da fazenda dos kulaks como uma decadência da agricultura na URSS. Eles exigiam que a taxa de crescimento industrial fosse reduzida, que o monopólio do comércio estrangeiro fosse relaxado, que a coletivização fosse relegada a segundo plano e que os elementos capitalistas recebessem amplas concessões. O primeiro sério ataque dos kulaks veio na época da crise de aquisição de grãos de janeiro de 1928. Os kulaks se recusaram a vender grãos para o Estado soviético; o
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 23

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
governo soviético defrontou-se com um déficit de grãos de 130 milhões de puds. Na ausência de reservas, o governo soviético não podia senão recorrer a medidas de emergência, tais como a aplicação do Artigo 107 do Código Criminal, que previa, caso os kulaks se recusassem a vender grãos, o confisco dos seus grãos. A aplicação das medidas emergenciais, que, a despeito das distorções individuais aqui e ali, foram um grande sucesso e tiveram o efeito desejado de obterem dos kulaks o necessário suprimento de grãos requerido pelo Estado, enfureceram os bukharinistas. Sob a alegação de combater 'excessos', os bukharinistas engajaram-se de fato no combate à política correta do Partido e na defesa dos kulaks. Eis como o camarada Stalin expôs essa trapaça oportunista fraudulenta dos bukharinistas: "A palavra mais em moda neste momento, entre o grupo dos bukharinistas é a palavra 'excessos" na aquisição de grãos. Essa palavra é a mercadoria mais corrente entre eles, visto que os ajuda a mascarar sua linha oportunista. Quando eles querem mascarar sua própria linha, usualmente dizem: é claro que não nos opomos à pressão que está sendo exercida sobre os kulaks, mas nos opomos aos excessos que estão sendo cometidos nessa esfera e que atingem o camponês médio. Eles então passam a relatar estórias de 'horrores' desses excessos; eles lêem cartas de 'camponeses', cartas de completo pânico de camaradas como Markov e, então, extraem a conclusão: a política de fazer pressão sobre os kulaks deve ser abandonada. Que tal isso? PORQUE excessos são cometidos na condução de uma política correta, AQUELA POLÍTICA CORRETA, parece-lhes, DEVE SER ABANDONADA. Esse é o truque usual do oportunista: sob o pretexto de que excessos são cometidos na condução de uma linha correta, abolir a linha e substituí-la por uma linha oportunista. Além disso, os seguidores do grupo de Bukharin muito cuidadosamente silenciam sobre o fato de que há outro tipo de excessos, mais perigoso e mais danoso - a saber, excessos na direção de uma união com os kulaks, na direção de adaptação ao estrato mais próspero da população rural, na direção do abandono da política revolucionária do Partido em troca da política oportunista dos que se desviam para a direita. E claro que todos nos opomos àqueles excessos. Nenhum de nós deseja que os golpes dirigidos contra os kulaks atinjam os camponeses médios. Isso é óbvio e não pode haver nenhuma dúvida sobre isso. Mas nos opomos muito enfaticamente à conversa sobre excessos em que insiste tão zelosamente o grupo de Bukharin, que é usada para escamotear a política revolucionária de nosso Partido e substituí-la pela política oportunista do grupo de Bukharin. Não, esse truque deles não vai funcionar. Apontemos ao menos uma medida política tomada pelo Partido que não tenha sido acompanhada por excessos de um tipo ou de outro. A conclusão a ser extraída disso é que devemos combater os excessos. Mas se pode, A ESTE PRETEXTO, criticar a própria linha, que é a única linha correta? Tomemos uma medida como a introdução da jornada de sete horas. Não pode haver dúvida de que esta é uma das medidas mais revolucionárias conduzidas pelo nosso Partido no período recente. Quem não sabe que essa medida, que por sua natureza é profundamente revolucionária, é freqüentemente acompanhada por excessos, algumas

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 24

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
vezes de um tipo muito criticável? Isso significa que devemos abandonar a política de introduzir a jornada de sete horas? Os seguidores da oposição bukharinista entendem em que confusão estão se metendo ao enfatizar os excessos cometidos durante a aquisição de grãos?" (Works, Vol. 12, pp. 96-97). Na defesa dos interesses dos kulaks, o grupo de Bukharin chegou ao ponto de acusar o Partido de perseguir uma política de exploração militar-feudal para com o campesinato. Mal se precisa provar que o grupo de Bukharin tomou emprestada essa arma contra o Partido do arsenal da burguesia contra-revolucionária. "Na história de nosso Partido, não posso encontrar qualquer caso de o Partido ser acusado de perseguir uma política de exploração militar-feudal. Essa arma contra o Partido não foi tomada de empréstimo do arsenal dos marxistas. De onde, então, ela foi tomada de empréstimo? Do arsenal de Milyukov, o líder dos Cadetes. Quando os Cadetes desejavam semear a dissensão entre a classe operária e o campesinato, usualmente diziam: Vocês, senhores bolcheviques, estão construindo o socialismo sobre os cadáveres dos camponeses. Quando Bukharin levanta uma grita acerca do 'tributo', ele está dançando conforme a música dos senhores Milyukovs, e está seguindo na esteira dos inimigos do povo" (Vol. 12 p. 59). O grupo de Bukharin opunha-se à luta contra os kulaks; ele era a favor de uma aliança da classe operária com o campesinato INTEIRO, inclusive os kulaks. O Partido, entretanto, se opunha muito enfaticamente a tal aliança. "Não, camaradas, tal aliança não advogamos e não podemos advogar. Sob a ditadura do proletariado, quando o poder da classe operária está firmemente estabelecido, a aliança da classe operária com o campesinato significa apoiar-se nos camponeses pobres, aliar-se aos camponeses médios e lutar contra os kulaks. Quem quer que pense que sob nossas condições a aliança com o campesinato significa aliança com os kulaks nada tem em comum com o leninismo. Quem quer que pense em conduzir uma política no interior que agrade a todos, ricos e pobres igualmente, não é um marxista, mas um imbecil, porque tal política não existe na natureza, camaradas (risos e aplausos). Nossa política é uma política de classe" (Stalin, Works,Vol. 11 p. 52). O leninismo certamente defende uma aliança estável com a principal massa do campesinato, porém, de acordo com o leninismo, o propósito maior da aliança da classe operária com a massa básica do campesinato é assegurar o papel dirigente da classe operária, consolidar a ditadura do proletariado e criar as condições necessárias materiais e espirituais (culturais) - que facilitem a abolição das classes. Em síntese, o leninismo defende uma aliança estável com a massa principal do campesinato (EXCLUÍDOS os kulaks), com o objetivo final de abolir as classes. O leninismo não defende qualquer tipo de aliança. Eis como o camarada Lênin expressou-se sobre esse assunto:

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 25

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
"O acordo entre a classe operária e o campesinato pode ser visto como significando qualquer coisa. Se não temos em mente que, do ponto de vista da classe operária, o acordo é permissível, correto e possível em princípio somente se sustenta a ditadura da classe operária e é uma das medidas visando a abolição das classes, então a fórmula de acordo entre a classe operária e o campesinato torna-se, é claro, uma formula que todos os inimigos do regime soviético e todos os inimigos da ditadura do proletariado subscrevem." E adiante: "No momento", diz Lênin. "o proletariado detém o poder e dirige o Estado. Dirige o campesinato. O que significa dirigir o campesinato? Significa, em primeiro lugar, perseguir um rumo para a abolição das classes e não do pequeno produtor. Se nos desviarmos desse rumo radical e principal, cessaremos de ser socialistas e nos encontraremos no campo da pequena burguesia, no campo dos revolucionários socialistas e mencheviques, que são agora os mais ferozes inimigos do proletariado." A aliança com o campesinato, defendida por Bukharin, entretanto, significava uma aliança não apenas com o campesinato médio mas também com os kulaks. E desnecessário provar que tal aliança, longe de assegurar o papel dirigente do proletariado, fortalecer a ditadura do proletariado e facilitar a abolição das classes, teria levado à negação do papel dirigente do proletariado, ao enfraquecimento de sua ditadura, à perpetuação das classes, pois somente uma aliança com o campesinato médio, que é ao mesmo tempo uma aliança contra os kulaks, pode abrir caminho na direção da abolição das classes. As classes só podem ser abolidas por meio da luta de classes contra os exploradores - contra os kulaks e outros elementos capitalistas - e não por meio da aliança com eles. É desnecessário provar que o grupo oportunista de direita de Bukharin, com suas políticas oportunistas, tinha de ser derrotado. Sem sua derrota teria havido uma restauração segura do capitalismo na URSS no início dos anos 30. Deve ser dito, para crédito, glória e honra do Partido Bolchevique e de seu dirigente na época, o camarada Stalin, que os oportunistas de direita do grupo de Bukharin foram tão seguramente derrotados como aqueles do grupo Trotskv-Zinoviev oportunista 'esquerdista'. Os grupos derrotados juntaram suas forças subseqüentemente (da mesma forma que tinham feito anteriormente) na oposição ao Partido, demonstrando assim sua essência antileninista e reacionária de direita. Não havia diferença entre os dois, exceto na forma de suas plataformas. A verdade é que o programa dos 'esquerdistas' levava tanto quanto o dos direitistas na direção da restauração do capitalismo. K nesse sentido, e por causa disso, que os marxistas-leninistas têm sempre sustentado que os 'esquerdistas' também são de fato direitistas. Eis como o camarada Stalin caracterizou os oportunistas da direita (bukharinistas) e da 'esquerda' l trotskistas), mostrando o que era comum a ambos, a saber, suas respectivas plataformas para a restauração do capitalismo, embora seguindo rumos distintos: "Onde está o perigo do desvio de DIREITA, francamente oportunista, em nosso Partido? No fato de que ele SUBESTIMA a força de nossos inimigos, a força do capitalismo: não
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 26

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
vê o perigo da restauração do capitalismo; não entende o mecanismo da luta de classes sob a ditadura do proletariado e, portanto, tão prontamente concorda em fazer concessões ao capitalismo, exigindo uma redução do ritmo de desenvolvimento de nossa indústria, exigindo concessões aos elementos capitalistas na cidade e no campo, exigindo que a questão das fazendas coletivas e fazendas estatais seja relegada ao segundo plano, exigindo que o monopólio do comércio exterior seja relaxado, etc., etc. Não há duvida de que o triunfo do desvio de direita em nosso Partido liberaria as forças do capitalismo, minando as posições revolucionárias do proletariado e aumentando as chances da restauração do capitalismo em nosso país. Onde está o perigo do desvio de ESQUERDA' (trotskista) em nosso Partido? No fato de que ele SUPERESTIMA a força de nossos inimigos, a força do capitalismo; vê apenas a possibilidade de restauração do capitalismo, porém não pode ver a possibilidade de construção do socialismo pelos esforços de nosso país; dá lugar ao desespero e é obrigado a consolar-se com o palavreado sobre as tendências de Termidor em nosso Partido. A partir das palavras de Lênin de que 'enquanto vivermos em um país de pequenos camponeses, há uma base mais segura para o capitalismo na Rússia do que para o comunismo', o desvio 'esquerdista' extrai a conclusão de que é impossível construir o capitalismo em toda a Rússia; que não podemos marchar juntos com o campesinato; que a idéia de uma aliança entre a classe operária e o campesinato é uma idéia obsoleta; a menos que uma revolução vitoriosa no Ocidente venha em nossa ajuda, a ditadura do proletariado na Rússia deve fracassar ou degenerar; que, a menos que adotemos o plano fantástico da superindustrialização, mesmo à custa de uma cisão com o campesinato, a causa do socialismo na URSS deve ser considerada como perdida Daí o aventureirismo na política do desvio de 'esquerda'. Daí seus saltos 'sobrehumanos' na esfera da política. Não há dúvida de que o triunfo do desvio 'esquerdista' em nosso Partido levaria a classe operária a separar-se do resto das massas da classe trabalhadora e, conseqüentemente, á derrota do proletariado e a facilitar as condições de restauração do capitalismo. Vocês vêem, portanto, que ambos os perigos, o de 'esquerda' e o de direita, ambos esses desvios da linha leninista, o direitista e o 'esquerdista', levam ao mesmo resultado, embora por caminhos diferentes" (CW, Vol. 11 pp. 240-1). A única diferença é que os 'esquerdistas" (trotskistas) usam frases de ultra-'esquerda', o que incidentalmente explica: "...porque os 'esquerdistas' algumas vezes conseguem atrair parte dos operários para o seu lado, com a ajuda de frases 'esquerdistas' altissonantes e por se posarem de oponentes mais determinados dos direitistas, embora todo mundo saiba que eles, os 'esquerdistas', têm as mesmas raízes sociais que os direitistas e que não raro entram
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 27

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
em acordo, em um bloco, com os direitistas, afim de enfrentarem a linha leninista" (Stalin, Works, Vol. 11 p. 291). Antes de prosseguir, pode-se dizer de passagem que a maioria das criticas dirigidas pela burguesia ordinária à linha leninista do Partido Bolchevique sobre a coletivização era baseada nas plataformas e linha de argumentação dos socialistas burgueses dentro do Partido Bolchevique, a saber, os oportunistas de 'esquerda' (trotskistas) e os desviados de direita (Bukharinistas). Não poderia ser de outro modo, pois as plataformas dos oportunistas de esquerda e de direita eram plataformas de restauração capitalista, embora em forma dissimulada e mesmo envolta em terminologia marxista. Daí a concorrência nas visões da burguesia ordinária, por um lado, e os oportunistas 'socialistas', como os trotskistas e bukharinistas, por outro lado; daí a simpatia da burguesia ordinária pelos representantes dos interesses de sua classe (a classe burguesa) no movimento comunista, a saber, o oportunista socialista; daí o antistalinismo e o pró-trotskismo da burguesia ordinária. A burguesia não se importa com a terminologia usada; ela não faz objeções mesmo ao uso da terminologia marxista, na medida em que é usada na defesa e preservação do capitalismo mais do que para sua derrubada revolucionária. De fato, sob certas circunstâncias, a única forma de servir ao capitalismo é através do uso de frases marxistas, pois somente tais frases podem iludir os trabalhadores. Como poderiam os trotskistas, por exemplo, abertamente, propor a restauração do capitalismo na URSS quando a classe operária estava no poder? Mal teriam proferido uma sentença abertamente e seriam lançados para fora de toda organização dos operários, especialmente o Partido de vanguarda do proletariado, e completamente desprezados por todo operário com consciência de classe. Assim, eles eram obrigados a apresentarem seu programa pela restauração capitalista em nome da classe operária e do marxismo. Nisto está o serviço que prestaram à burguesia; e também assim sua traição à classe operária e ao movimento comunista. F. O uso da força e a coletivização Há mais uma questão que desejamos comentar, a saber, aquela do uso da força na coletivização. Os ideólogos burgueses fizeram a alegação de que a coletivização na URSS foi uma coletivização forçada - contra a vontade da maioria do campesinato. Essa alegação adquiriu, através de pura repetição e ignorância, a força de um preconceito público no qual, deve-se admitir com grande vergonha, acreditam não apenas pessoas comuns mas também algumas pessoas que se autodenominam marxistas-lenmistas. Em vista disso, é natural que desejemos dizer algumas palavras sobre essa questão. Somente os burocratas incorrigíveis - da burguesia ordinária, bem como do tipo trotskista - podem acreditar que a coletivização na União Soviética foi, ou poderia ter sido, realizada pela força: somente pessoas que consideram a coletivização como um assunto burocrático administrativo, mais do que uma medida econômica da maior importância, podem considerar a coletivização com esta visão. Se a coletivização pudesse ser realizada por um 'sargento Prishibeyev", armado com um decreto departamental trotskista para coletivizar, então, de fato. haveria razão para coletivizar não em 1929. mas em 1926 (como queriam Trotsky e Zinoviev) e até muito mais cedo, isto é. enquanto Lênin estava vivo. Nesse caso. seríamos obrigados a admitir que o
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 28

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
trotskismo estava certo em propor a coletivização em 1926, enquanto os leninistas estariam errados em rejeitar essa proposta. Os trotskistas propuseram a coletivização em 1926 precisamente porque eram eles que, acostumados com as piores tradições burocráticas burguesas, acreditavam (e ainda acreditam) que a coletivização pode ser alcançada com um pedaço de papel e o bastão de um sargento prussiano. Se o Partido tivesse sido tolo o bastante para considerar a coletivização dessa forma e colocado este método em ação, o resultado teria sido, como já explicado, uma colisão hostil' entre a classe operária, que estava no poder e a massa básica do campesinato, sem cuja aliança a classe operária não podia esperar manter-se no poder por longo tempo; o efeito teria sido uma guerra civil e ruína certa para a ditadura do proletariado. O Partido, entretanto, considerou a coletivização como uma medida econômica que não poderia ser realizada sem que estivessem criados os pré-requisitos econômicos necessários. E, para repetir, esses pré-requisitos eram: *Nota do tradutor: O "sargento Prishibeyev" é um personagem caricaturalmente autoritário de um conto de Tchekhov. (a) o desenvolvimento da indústria em tal grau que pudesse suprir a agricultura com tratores, máquinas e conhecimento técnico; (b) a capacidade do Estado de garantir créditos e outras facilidades e assistência financeiras; (c) o desenvolvimento das fazendas coletivas e estatais ao ponto em que elas pudessem substituir a produção dos kulaks; (d) a orientação dada pelos operários avançados (na forma de brigadas de trabalhadores e propagandistas trabalhadores) aos camponeses soviéticos na questão do desenvolvimento da fazenda coletiva; (e) a implementação pelo Partido da política de Lênin de educação das massas, através da implantação de uma vida comunal cooperativa entre elas através de cooperativas de suprimento e de mercado e cooperativas de produtores. Todas as medidas acima não poderiam senão fortalecer o vínculo entre a classe operária e o campesinato, sem o qual todas as tentativas de coletivização teriam terminado como a "Marcha sobre Varsóvia", sem o qual a coletivização teria perdido seu caráter voluntário que, por sua vez, faria soar o dobre de finados da coletivização. Os sucessos na coletivização foram realizados precisamente por causa da natureza voluntária da coletivização. No momento em que a compulsão entrou em cena (sobre o qual mais será comentado adiante), fazendas coletivas começaram a se desfazer e uma seção dos camponeses que, para citar Stalin, "apenas ontem tinham a maior confiança nas fazendas coletivas, começaram a dar as costas a elas" (Resposta aos Camaradas das Fazendas Coletivas). De fato, o movimento em favor da coletivização tinha sido recebido tão entusiasticamente pela maioria esmagadora do campesinato e tinha adquirido tal
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 29

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
ímpeto que, ao fim de 1929, estava evidente que qualquer insatisfação que houvesse entre a principal massa do campesinato "não era por causa da política das fazendas coletivas do governo soviético, mas por ter sido o governo soviético incapaz de acompanhar o ritmo do crescimento do movimento das fazendas coletivas, no que diz respeito a suprir os camponeses com máquinas e tratores" (Stalin, Works. vol. 12, p. 137). Embora o movimento das fazendas coletivas no todo fosse de caráter voluntário, isso não implicava que não houvesse distorção da política do Partido em casos individuais, por funcionários do Partido excessivamente zelosos e todo tipo de distorcedores "esquerdistas". Essas distorções foram da seguinte natureza: (a) Violação do princípio referente ao caráter voluntário do movimento de fazendas coletivas, uma violação que teve como efeito fazer com que fazendas coletivas se desfizessem. Não tivesse essa violação sido removida, não tivesse essa distorção sido corrigida, não teria havido sucesso na coletivização na URSS. Isso apenas serve para mostrar quanto estão errados os críticos burgueses ao afirmarem que a coletivização na URSS foi obtida à força. Foi justamente o contrário. (b) Violação do princípio que determinava fosse levada em conta a diversidade de condições na URSS (a URSS tinha sido dividida em três grupos de distritos, para cada um dos quais tinham sido fixadas datas aproximadas para que se implantasse, no principal, a coletivização). (c) Violação da regra que definia a FORMA ARTEL do movimento de fazendas coletivas como O PRINCIPAL ELO NO SISTEMA DE FAZENDAS COLETIVAS naquela época. Fizeram-se tentativas de saltar o estágio do sistema artel agrícola e passar logo para o estágio comunal. Cada uma dessas três distorções teve lugar em violação da decisão do Birô Político do Comitê Central, adotada em 5 de janeiro de 1930, sob o título O ritmo da coletivização e as medidas estatais para assistir o desenvolvimento das fazendas coletivas. É desnecessário dizer que essas violações foram muito do desagrado e da aversão do Birô Político, do Comitê Central e de Stalin. Conseqüentemente, foram o Comitê Central e Stalin que tomaram as medidas para corrigir essas distorções da política do Partido, desde o momento que elas vieram à tona. Têm-se apenas que ler os artigos do camarada Stalin Embriagados de Sucesso (2 de março de 1930) e Resposta aos camaradas das fazendas coletivas (25 de abril de 1930), para se convencer disso - não obstante os trotskistas e outros burgueses afirmarem o contrário. Eis, por exemplo, o que o camarada Stalin escreveu em relação a essas distorções da política do Partido sobre a coletivização e em sua condenação: "O que pode haver em comum entre essa 'política' do sargento Prishibeyev e a política do Partido de apoiar-se no princípio da voluntariedade e de tomar as peculiaridades locais em conta no desenvolvimento das fazendas coletivas? Claramente, não há enem pode haver nada em comum entre elas" ("Dizzy with Success").

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 30

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
E adiante: "Quem se beneficia com essas distorções, esse decretismo burocrático do movimento das fazendas coletivas, essas ameaças inconvenientes contra os camponeses? Ninguém, exceto nossos inimigos" (ibid.). Stalin denunciou as tentativas de substituir o trabalho preparatório para a organização das fazendas coletivas pelo "decretismo burocrático do movimento de fazendas coletivas, resoluções de papel sobre o crescimento das fazendas coletivas, organizações de fazendas coletivas no papel - fazendas coletivas que não existiam ainda na realidade, mas cuja existência era proclamada num montão de resoluções fanfarronas" (ibid.) Mas, somente porque tiveram lugar algumas distorções locais - distorções que foram rapidamente eliminadas pelo Partido -, isso significa, então, que a linha do Partido sobre a coletivização estava errada? Não, certamente não significa isso. Nunca foi posta em prática uma política correta que não fosse acompanhada por algumas distorções. Somente trapaceiros oportunistas podem querer o abandono de uma política correta apenas por terem ocorrido algumas distorções dela no curso de sua execução. A conclusão correta a ser sacada das distorções é que devemos combatê-las, devemos jogá-las fora. não que devamos abandonar a política correta. Outra vez devese afirmar que a política do Partido sobre a coletivização era uma política leninista e correta; era uma política baseada na fórmula leninista correta: Apoiar-se no camponês pobre, construir uma aliança estável com o camponês médio, nunca, em nenhum momento, cessar a luta contra os kulaks'. Somente aplicando essa fórmula poderia a principal massa do campesinato ser conduzida, como de fato foi, para o canal da construção socialista. A política do Partido triunfou porque desenvolveu uma luta consistente e fundamentada contra os desvios 'esquerdista' (trotskista) e direitista (bukharinista), porque o Partido desenvolveu uma luta sem tréguas contra aqueles que tentaram antecipar-se (trotskistas), bem como aqueles que arrastavam os pés (bukharinistas). Nisso estava o segredo do sucesso da política do Partido sobre a coletivização, como sobre outros temas. Excetuando umas poucas distorções dos tipos mencionados, a coletivização foi realizada através da cooperação ativa e do entusiasmo da massa básica do campesinato. Isso, entretanto, não significa que o Estado da classe operária não tenha feito uso da violência revolucionária contra os kulaks e exploradores que se engajaram no uso da violência contra-revolucionária e que recorreram ao terrorismo e assassinato de funcionários do governo e do Partido, em suas tentativas desesperadas para conter o avanço do socialismo. Podemos reprovar o Estado soviético por ter usado a violência revolucionária para conter a violência reacionária dos kulaks e de outros elementos capitalistas? Ao contrário, não teríamos maior justificativa para reprová-lo, se ele tivesse deixado de fazer isso, tuna de suas tarefas principais? O que pode haver de errado no uso da violência revolucionária contra nosso inimigo de classe, os kulaks? Que isso devia evocar uma grita cômica dos trotskistas, revisionistas e social-democratas é apenas mais comprovação do fato de que eles eram agentes da burguesia nas fileiras do movimento da classe operária. Eis, por exemplo, o que Engels escreveu sobre a questão em consideração, a saber, o uso da violência revolucionária pelo Partido revolucionário vitorioso contra os reacionários:
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 31

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
"...se o partido vitorioso (em uma revolução) não quer ter lutado em vão, deve manter seu domínio por meio do terror que suas armas inspiram aos reacionários. Teria a Comuna de Paris sobrevivido um único dia se ela não tivesse feito uso dessa autoridade do povo armado contra a burguesia? Não se deveria tê-la reprovado, ao contrário, se ela não tivesse usado isso de sobejo?" (Engels, On Authority, citado por Lênin em State and Revolution, p. 74). Terão esses senhores (trotskistas e outros socialistas burgueses) esses antistalinistas (que devem portanto ser também antileninistas, pois Stalin foi apenas um aluno muito fiel de Lênin), ponderado sobre a profundidade do significado da citação anterior de um gênio revolucionário - citação da qual cada palavra está plena do mais profundo significado? G. Os sucessos da coletivização Quando a coletivização foi iniciada pelo Partido, enfrentou uma recepção hostil não apenas dos kulaks e de toda a burguesia mundial, mas também dos elementos oportunistas no Partido: enfrentou a crítica dos homens de 'ciência'; todos esses elementos afirmavam que o dinheiro gasto nas fazendas estatais e nas fazendas coletivas era dinheiro 'jogado fora'". Entretanto, o sucesso subseqüente da política de coletivização do Partido tornou evidente que "as pessoas que ridicularizaram as decisões do Birô Político do Comitê Central [que diziam respeito à organização das fazendas estatais e coletivas na preparação para a ofensiva de larga escala contra os kulaks] ridicularizaram-se a si mesmas ferozmente" (Stalin). ]á em fevereiro de 1930, 50% das fazendas camponesas tinham sido coletivizadas, superando assim o plano qüinqüenal de coletivização em 100%. No decorrer de cerca de três anos, entre 1929 e 1931, o Partido resolveu organizar 200.000 fazendas coletivas e cerca de 5.000 fazendas estatais dedicadas ao aumento de grãos e à criação de gado. No curso dos cinco anos, o Partido resolveu ao mesmo tempo expandir a área de colheita em 21 milhões de hectares. Ao final do primeiro plano qüinqüenal, o Partido tinha conseguido fazer com que mais de 60% das fazendas camponesas se reunissem em fazendas coletivas, cobrindo mais de 70% da terra total cultivada pelos camponeses - superando assim o plano qüinqüenal em três vezes (ver tabelas 1 e 2). Ao final do primeiro plano qüinqüenal, o Partido tinha também conseguido tornar possível a aquisição de 1,2 bilhão a 1,4 bilhão de puds de grão comercializável anualmente, em comparação anualmente com os 500 milhões a 600 milhões de puds que foram conseguidos no período de predominância da fazenda camponesa individual (ver tabelas).

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 32

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Tabela 1 - Progresso na Coletivização 1929 1930 1931 Porcentagem de domicílios coletivizados (em proporção ao número total de unidades) 3,9 23,6 52,7 Porcentagem de área plantada coletivizada 87.4 99,3 (em relação à área plantada total) 4,9 33,6 Tabela 2 Setores 1. Fazendas estatais 1.5 2.9 8,1 9,3 10,8 3.4 29.7 2. Fazendas coletivas 92,0 61,0 69,1 75,0 0,6 3. Fazendas camponesas 91.1 69.2 35,3 21,3 15,7 individuais Total de área plantada 96.0 101.8 104,4 99,7 101,5 com grãos na URSS - Áreas de Colheita de Grãos, por setores 1929 1930 1931 1932 1933 Percentagem da área 1938 em milhões de hectares) total em 1933 10.6 73,9 15,5 100.0 61,5 65,0 71.4 93,5 1932 1933 1934 1938

(Na época do 17° Congresso do Partido, em janeiro de 1934, as fazendas estatais e as fazendas coletivas juntas controlavam 84,5% da área total do cultivo de grãos da URSS, tornando-se assim uma força determinante de fato no total da agricultura de todos os ramos na URSS: enquanto todas as fazendas camponesas individuais que ainda permaneciam, representando 35% da população camponesa total, controlavam apenas 15,5% da área de cultivo de grãos.) A política do Partido para a coletivização foi bem sucedida em destruir os kulaks como uma classe, em emancipar o campesinato trabalhador da exploração e dominação kulak e em dotar o regime soviético de uma firme base econômica no interior, a base da fazenda coletiva em larga escala. "O Partido teve êxito em converter a URSS de um país de pequenas fazendas camponesas em um país com a agricultura de maior escala do mundo" (Stalin, Works, Vol. 13, p. 194). Esses sucessos alcançados pelo Partido foram reconhecidos mesmo por alguns capitalistas e reformistas, isto é, aqueles que eram minimamente honestos e capazes de reconhecer a verdade. Eis, por exemplo, o que o capitalista inglês Mr. Gibson Jarvis, presidente do United Dominion Trust, escreveu em outubro de 1932:

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 33

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
"Agora desejo que fique claro que não sou comunista nem bolchevique. Sou definitivamente capitalista e individualista ...A Rússia está arrancando para a frente enquanto muitas de nossas fábricas e lojas estão ociosas e aproximadamente 3 milhões de nossa população desesperadamente buscam trabalho. Fizeram piadas acerca do plano qüinqüenal e previram seu fracasso. Vocês podem acreditar que, fora de dúvida, sob o plano qüinqüenal, muito mais tem sido cumprido do que jamais foi antecipado ... Em todas essas cidades industriais que eu visitei, uma nova cidade está surgindo, com um plano definido, com amplas ruas, no processo de serem embelezadas por árvores e canteiros cobertos de grama, casas do tipo mais moderno, escolas, hospitais, clubes operários e a inevitável creche ou berçário, onde as crianças das mães operárias são cuidadas ... Não menosprezem os russos ou seus planos e não cometam o erro de acreditar que o governo soviético pode cair ...A Rússia hoje é um país com uma alma e um ideal. A Rússia é um país de atividade surpreendente. Eu acredito que o objetivo russo é sadio ... E talvez o mais importante de tudo, toda essa juventude e todos esses operários na Rússia têm uma coisa que muito lamentavelmente falta nos países capitalistas hoje, e que é a esperança! O marco de orientação no interior soviético não é mais a cúpula de uma igreja, mas o elevador de transportar grãos e o silo. As coletivas estão construindo chiqueiros, celeiros e casas. A eletricidade está penetrando na aldeia e o rádio e o jornal a conquistaram. Os operários estão aprendendo a operar as máquinas mais modernas do mundo; os jovens camponeses fazem e usam maquinário agrícola maior e mais complicado do que a América jamais viu. A Rússia está adquirindo uma mentalidade de máquinas, a Rússia está passando rapidamente da idade da madeira para a idade do ferro, do aço, do concreto e dos motores." (Novembro de 1932, da revista burguesa do Estados Unidos The Nation, citada por Stalin, Works. Vol. 13 pp. 169-70). Agora, a opinião de um reformista. O que segue é a opinião expressa em setembro de 1932 por uma revista da 'esquerda' reformista britânica, Forward: "Ninguém pode deixar de notar a enorme quantidade de trabalho de construção que está acontecendo. Novas fábricas, novas casas pintadas, novas escolas, novos clubes, novos grandes blocos de moradias, em toda parte novas construções, muitas completadas, outras com andaimes. E difícil transmitir para a mente do leitor britânico exatamente o que tem sido e está sendo feito. Tem de ser visto para se acreditar. Nossos próprios esforços do tempo de guerra são ninharia em relação ao que está sendo feito na Rússia. Os norte-americanos admitem que mesmo nos maiores dias de 'rush' que o Ocidente pode ter experimentado, nada ocorreu como a efervescente atividade construtiva que está ocorrendo na Rússia hoje. Vêem-se tantas mudanças na cena russa, após dois anos, que se desiste de imaginar o que será a Rússia daqui a outros dez anos ... Desse modo, tirem de suas cabeças as estórias fantásticas da imprensa britânica, que mente tão persistentemente, tão vergonhosamente sobre a Rússia, e todas as meias verdades e distorções que têm circulado pela intelligentsia diletante que olha para a Rússia de modo condescendente, através de óculos da classe média, sem ter o mais leve entendimento do que está acontecendo ... A Rússia está construindo uma nova sociedade em linhas que são, falando genericamente, fundamentalmente sadias. Para fazê-lo está assumindo riscos, está trabalhando entusiasticamente, com uma energia que nunca foi vista no mundo antes, tem
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 34

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
tremendas dificuldades inseparáveis desta tentativa de construir o socialismo em um país vasto, subdesenvolvido, isolado do resto do mundo. Mas a impressão que tenho, após vê-la outra vez depois de dois anos, é de uma nação fazendo um progresso sólido, planejando, criando, construindo de uma forma que é um notável desafio ao mundo capitalista hostil." As citações acima apenas servem para mostrar que os trotskistas e outros 'socialistas', que atacam a coletivização e a construção do socialismo na URSS, que se recusam a reconhecer os ganhos do socialismo alcançados então, são de fato piores do que os reformistas honestos e os capitalistas honestos e francos como Mr. Jarvis. Servem simplesmente para mostrar que os trotskistas e outros socialistas burgueses e críticos da coletivização são "cabeças-duras" que "pertencem às espécies de fósseis medievais para os quais os fatos nada significam e que persistem em suas opiniões...", não importa quão bem-sucedido seja o plano de coletivização. Tais foram os sucessos da construção socialista (industrialização e coletivização socialistas) e as melhoras conseqüentes nas condições materiais e culturais dos operários e camponeses, que Stalin foi capaz de dizer 110 17° Congresso do Partido: "...tudo isso cria condições de trabalho e de vida para a classe operária que nos capacita a criar uma nova geração de trabalhadores sadios e vigorosos, capazes de elevar o poderio do pais soviético ao seu nível apropriado e de protegê-lo com suas vidas dos ataques de seus inimigos" (Works, Vol. 12 p. 307). Sem dúvida, as condições materiais dos operários tinham melhorado de maneira irreconhecível. Contudo, como seria de esperar, os teimosos burgueses (inclusive trotskistas e 'socialistas' semelhantes), esses "fósseis medievais", continuavam e ainda continuam a negar que qualquer melhoria tenha tido lugar nas condições materiais e culturais dos operários e camponeses. Como Stalin colocou: "Os únicos que podem ter dúvida sobre esse ponto [isto é, que as condições materiais e culturais do povo estavam melhorando rapidamente] são os inimigos jurados do regime soviético, ou talvez certos representantes da imprensa burguesa, que dificilmente sabem qualquer coisa a mais sobre a economia das nações e sobre a condição do povo trabalhador do que, digamos, o imperador da Abissínia sabe sobre matemática superior" (Works. Vol. 13, p. 204). Em vista do que já foi dito antes, e à guisa de resumo, pode-se dizer que a política do Partido sobre a coletivização obteve os seguintes sucessos históricos: (a) ajudou a massa dos camponeses pobres a juntar-se em fazendas coletivas, elevando-os assim ao nível de camponeses médios e pondo um fim na sua insegurança material e sua fome (não menos de 20 milhões de camponeses foram salvos da miséria e da ruína); (b) pôs um fim na diferenciação do campesinato em campesinato pobre e kulaks (em 1928, a diferenciação entre o campesinato era crescente, mas a coletivização pôs um fim na diferenciação);
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 35

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
(c) eliminou a classe dos kulaks, e o sistema econômico socialista tornou-se predominante na agricultura; (d) criou as bases, através da fazenda coletiva mecanizada em grande escala, para a remodelação do campesinato no espírito do coletivismo - do socialismo; (e) pôs um fim na fazenda de pequena escala (que engendra o capitalismo), reduzindo assim o perigo da restauração capitalista; (f) mais adiante, consolidou a direção do campesinato pela classe operária, fortalecendo assim a ditadura do proletariado; (g) tornou possível atender à grande demanda de grãos alimentícios do Estado soviético (pois somente a fazenda socialista de grande escala podia produzir este grande suprimento comercializável), protegendo assim a classe operária nas cidades e o Exercito Vermelho contra o espectro da fome e da inanição; (h) transformou a URSS de país agrário com produção camponesa pequena em país industrial com indústria socialista de grande escala e agricultura socialista de grande escala; e, finalmente, (i) de modo geral pôs um fim na pobreza e miséria de milhões de pessoas no interior, que agora desfrutavam de condições até então desconhecidas. Não foi sem justificativa que, em seu Relatório ao 17° Congresso do Partido (janeiro de 1934), o camarada Stalin, revivendo o período desde o 16° Congresso (junho de 1930) e sublinhando as mudanças que tinham tido lugar, foi capaz de dizer o seguinte: "Durante este período a URSS se transformou radicalmente e libertou-se do manto do atraso e do medievalismo. De um país de pequena agricultura individual, tornou-se um país de agricultura mecanizada, coletiva, de grande escala. De um país ignorante, iletrado e inculto, tornou-se - ou melhor, está se tornando - um país letrado e culto, coberto por vasta rede de escolas superiores, intermediárias e elementares, ensinando nas linguagens das nacionalidades da URSS" (Relatório ao 17° Congresso do Partido). No total, os sucessos da URSS no campo da coletivização socialista (assim como da industrialização socialista) abalou de uma vez por todas a tese trotskista socialdemocrata contra-revolucionária de que era impossível construir o socialismo em um único país, tomado separadamente; fizeram em pedaços as teses burguesas trotskistas de que o campesinato é contra-revolucíonário por natureza, que sua missão era restaurar o capitalismo na URSS e que, portanto, não poderia ser um aliado estável da classe operária na construção socialista. Os sucessos da URSS são prova eloqüente da correção do leninismo, do fato de que o socialismo podia ser exitosamente construído em um único país, tomado separadamente, do caráter revolucionário da massa básica do campesinato e do fato de que este pode ser, com sucesso, mobilizado para a construção de um sistema socialista, soviético, da economia.

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 36

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Depois de tudo que foi dito acima, será possível para alguém, é desnecessário dizer, que não pertença a uma espécie de fóssil medieval para quem os fatos não significam nada, duvidar da correção da política do Partido Bolchevique durante o período sob consideração? Não, é impossível duvidar da sua correção. Mas de que forma é comprovada a correção da linha geral do Partido? "Ela é comprovada por nossos sucessos e conquistas no campo da construção socialista. Não foi e não pode ser o caso de que a vitória decisiva alcançada pelo Partido na frente da construção socialista na cidade e no campo durante o período passado fosse o resultado de uma política incorreta. Somente uma linha geral correta podia ensejar tal vitória. É comprovada pela grita frenética contra a política de nosso partido, levantada ultimamente pelos nossos inimigos de classe, os capitalistas e sua imprensa, o Papa e os bispos de todos os tipos, os social-democratas e os mencheviques russos do tipo dos Abramovich e Dan. Os capitalistas e seus lacaios estão injuriando nosso Partido - isto é um sinal de que a linha geral de nosso Partido está correta [aplausos]. E comprovada pelo destino do trotskismo, com o qual todo o mundo está agora familiarizado. Os senhores do campo de Trotsky tagarelaram sobre a 'degeneração' do regime soviético, sobre o 'Termidor', sobre a 'vitória inevitável' do trotskismo e assim por diante. Porém, realmente, o que aconteceu? O que aconteceu foi o colapso, o fim do trotskismo. Uma seção dos trotskistas, como é sabido, separou-se do trotskismo e em numerosas declarações de seus representantes admitiu que o Partido estava certo e reconheceu o caráter contra-revolucionário do trotskismo. Outra seção dos trotskistas realmente degenerou em contra-revolucionários pequeno-burgueses típicos e na realidade tornou-se um birô da imprensa capitalista sobre assuntos que dizem respeito ao PCUS(B). Porém, o regime soviético, que era para ter 'degenerado' (ou 'tinha já degenerado'), continua a prosperar e construir o socialismo com sucesso, quebrando a espinha dorsal dos elementos capitalistas em nosso país e seus bajuladores pequeno-burgueses. E comprovada pelo destino dos desviados de direita, com os quais todo o mundo está agora familiarizado. Eles tagarelaram e berraram sobre a linha do Partido como sendo 'fatal', acerca da 'catástrofe provável' da URSS, sobre a necessidade de 'salvar' o país do Partido e sua direção e assim por diante. Porém, o que realmente aconteceu? O que realmente aconteceu foi que o Partido realizou sucessos gigantescos em todas as frentes da construção socialista, enquanto o grupo dos desviados de direita, que esperava 'salvar' o país mais tarde, admitiu que ele estava errado, ficou agora abandonado. E comprovada pela atividade revolucionária crescente da classe operária e do campesinato, pelo apoio ativo ã política do Partido pelas vastas massas dos operários e das fazendas coletivas campesinas, a imensidão dos quais deixa atônitos os amigos e os inimigos de nosso país. Isto dá sinais do crescimento da confiança no Partido como afiliação dos operários ao Partido em todas as lojas e fábricas, o crescimento do número de membros do Partido entre os 16° e 17° Congressos acima de 600.000, e os
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 37

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
200.000 novos membros que se juntaram ao Partido só no primeiro trimestre deste ano. O que tudo isso mostra senão que as vastas massas do povo trabalhador confiam que a política do nosso Partido está correta e estão prontas a apoiá-la? Deve-se admitir que esses fatos não teriam existido se a linha geral de nosso Partido não tivesse sido a única correta" (Vol.12, pp. 352-4). O que foi dito acima, então, é um breve esboço da importância da coletivização e do significado histórico mundial de seu sucesso na URSS; dos desvios de 'esquerda' (trotskista) e de direita (bukharinista) da linha leninista sobre a coletivização. O significado internacional da questão da coletivização na URSS tornou uma questão de necessidade prática para nós escrever as notas acima, à guisa de prefácio às contribuições mais brilhantes do camarada Stalin, publicadas pela primeira vez na Inglaterra na atual coleção2, sobre a questão da coletivização. A importância da publicação do volume atual, contendo quase todos os escritos e discursos do camarada Stalin sobre a coletivização, repousa, antes de tudo, no fato de que ela contém os pronunciamentos da maior autoridade marxista-leninista sobre a questão da coletivização e, portanto, não pode senão ajudar na erradicação de todas as várias teorias burguesas e difamações que muitas vezes - para nossa vergonha - são divulgadas não somente pelos burgueses ordinários, mas também por pessoas que se autodenominam anti-revisionistas e comunistas e que enchem de asneiras as cabeças de nossos jovens camaradas inexperientes e muitas vezes mal informados. Essas teorias, que deveriam ter sido erradicadas e descartadas há longo tempo, são ainda correntes. Daí a importância de uma luta sem tréguas contra elas, pois somente com uma luta sem tréguas contra essas teorias e calúnias burguesas pode se desenvolver e elevar o pensamento teórico entre os estudantes marxistas-leninistas da questão agrária3. Daí a importância dá presente publicação.

Notas 1. Precisamente porque a oposição trotskista na URSS refletia o sentimento das classes não proletárias, que estavam insatisfeitas com a ditadura do proletariado, os inimigos da ditadura do proletariado perdiam-se em elogios à oposição, dos quais os seguintes não são senão alguns exemplos. Eis o que Dan, o dirigente dos social-democratas 'russos', o dirigente dos mencheviques 'russos' que advogou a restauração do capitalismo na URSS, tinha a dizer sobre a oposição. "Por sua crítica do sistema existente, que repete a crítica social-democrata quase palavra por palavra, a oposição bolchevique está preparando as mentes ... para a aceitação da plataforma positiva da social-democracia. ...Não somente entre a massa de operários, mas entre os operários comunistas também, a oposição está plantando sementes de idéias e sentimentos que, se habilmente cultivados, podem facilmente produzir frutos social-democratas" (Sotsialistichesky Vestnik, n° 17-18).

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 38

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Eis o que Posledniye Novosti, o orgão central do partido burguês contrarevolucionário de Milyukov, disse das oposições: "Hoje, a oposição está minando a ditadura, cada nova publicação da oposição expressa palavras cada vez mais 'terríveis', a própria oposição está evoluindo na direção de ataques crescentemente violentos ao sistema prevalecente; e isso, por ora, é bastante para que a aceitemos com gratidão, como porta-voz de amplas seções da população politicamente insatisfeita" (Posledniye Novosti, n° 1990, citado em Stalin, Obras, Vol. 9, pp. 56-7) E adiante: "O inimigo mais formidável do poder soviético hoje é aquele que o ataca insidiosamente, agarra-o com seus tentáculos por todos os lados e o destrói antes que ele perceba que foi destruído. E precisamente este papel - inevitável e necessário no período preparatório do qual ainda não emergimos - que a oposição soviética está desempenhando" (Posledniye Novosti, n°. 1983, citado em Stalin, ibid.) Qualquer comentário seria supérfluo. 2. A coleção dos escritos de Stalin sobre a coletivização não está reproduzida aqui. Quem quiser uma cópia dela deve conseguir obtê-la com F.J. Rule c/o 14 Featherstone Road. Southall, Middx UB2 5AA. 3. Alguns camaradas podem dizer: nas condições da Europa, cheia como é de fazendas capitalistas em grande escala, qual é o significado e a necessidade de viver preocupado com questões que digam respeito à coletivização? Por que gastar tempo com tais questões? Tal enfoque está errado, primeiro porque o processo de eliminação da fazenda camponesa individual de pequena escala não foi tão longe, mesmo na Europa Ocidental, que chegue a tornar questões de coletivização sem importância e irrelevantes para nós. Em segundo lugar, do ponto de vista da estratégia global do proletariado mundial, as questões da coletivização e das atitudes para com o campesinato são de significado vital. Quase dois terços da população mundial vive em países que são predominantemente agrários. Para alcançar a vitória nesses países, o proletariado desses países tem de ter um programa definido para atrair o campesinato para o caminho da revolução, sua consolidação, a construção do socialismo e o avanço para o comunismo. Nesse sentido, a questão da coletivização, que não é senão uma parte do problema geral da construção do socialismo, torna-se muito importante. Para nós, na Inglaterra, é nosso dever estender nossa solidariedade a nossos camaradas em outros países, que aplicaram com sucesso, ou estão aplicando com sucesso, o marxismo-leninismo em matéria de coletivização, pois seus sucessos tomarão nossos sucessos mais próximos. Por isso é que nós damos o melhor de nós para combater a doutrina inteiramente contra-revolucionária do trotskismo em todas as questões, das quais não é a menor a questão da coletivização. 1 Nota do tradutor: Artel = organização produtiva no campo, da forma cooperativa. 2 Nota do tradutor: Centner = unidade de peso equivalente a 100 kg.
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 39

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
3 Nota do tradutor: Centner = unidade de peso equivalente a 100 kg.

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 40

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Capítulo 19 Crítica do Grupo de Estudos da Política Chinesa As tentativas dos liberais burgueses do Grupo de estudos da Política Chinesa de solapar o leninismo Neste contexto, seria equivocado concluir sem referência a algumas notas sobre as calúnias disseminadas contra Stalin e contra a linha marxista — leninista do partido Bolchevique sobre o campesinato e sobre a coletivização por um círculo professoral que distribui sua mercadoria burguesa sob o nome comercial de Grupos de Estudos da Política Chinesa (GSPC). Esse grupo publica um boletim mensal chamado Broadsheet. A fisionomia política desse grupo pode ser julgada pelo fato de seus luminares dirigentes incluem os seguintes professores burgueses: Dr. Joseph Needham FRS, Professor Cyril Offord FRS, Professora Joan Robinson e o professor George Thomson. Esse grupo está também estreitamente relacionado com a sociedade para [deveria ser contra] o Entendimento Anglo-Chinês (SACU), uma sociedade burguesa, antichinesa e anticomunista, pretensamente tendo amizade com a República Popular da China e com a causa do comunismo. No número de novembro de 1974 do Broadsheet (Vol. 11 n° 11), os cavalheiros professorais do GSPC apresentaram-nos um artigo intitulado Os Caminhos de Duas Revoluções, que pretendia ser uma comparação analítica entre a Revolução de Outubro na Rússia e a revolução Chinesa. Este artigo, à maneira típica dos círculos professorais burgueses está pleno de ousadas mas ignorantes afirmações, ao lado de ataques grosseiros a Stalin e o PCUS(B), que ele dirigiu. Não contém nenhuma análise marxista. É, ao contrário, um escárnio de uma análise. Os cento e um ataques que ele contem sobre o camarada Stalin e o PCUS de seus dias não nos interessam aqui1. A única questão que estamos interessados em apresentar nesta ocasião é a que diz respeito à política do PCUS e de Stalin para o campesinato. Esperamos que o leitor seja tolerante conosco e não tome como uma digressão se citamos completa a seção nesse artigo que trata do papel do campesinato. Essa longa citação é necessária: (a) para capacitar o leitor a entender em profundidade o conteúdo completamente anticomunista, burguês degenerado, desse artigo e em alguma medida a política de seus autores; (b) para familiarizar o leitor com os métodos dissimulados desses embusteiros fraudulentos, os truques de prestidigitação com os quais eles tentam obliterar as fronteiras entre o marxismo-leninismo e o oportunismo; a facilidade com a qual, através do método burguês bem experimentado da insinuação, eles inventam 'novos' mitos que nada têm a ver com os fatos históricos e nada em comum com o marxismo-leninismo; (c) ajudar o leitor a tornar-se plenamente consciente das tentativas desesperadas que estão sendo feitas por esses escribas burgueses para colocarem uma cunha entre o camarada Stalin e o camarada Mao, entre a Revolução Russa e a Revolução Chinesa; e, finalmente, (d) para evitar as acusações de distorção e de citações fora de contexto. Eis a citação:

Desde o início, sob um aspecto relevante as duas revoluções divergem. Em ambos os países, o campesinato representava a maioria do povo - na China, mais de 80%. O
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 41

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
tratamento da questão campesina mostrar-se-ia o elemento político decisivo em ambos os países. Na Rússia tzarista, os camponeses, oprimidos como eram, formavam uma força de reserva da burguesia. Dominados pelo feudalismo, anestesiados pela poderosa Igreja Ortodoxa Russa, eles forneciam apoio ao Partido Camponês, que repetidamente se alinhava com os mencheviques e seus aliados da pequena burguesia no desafio e contestação às iniciativas dos bolcheviques dirigidos por Lênin. Durante anos após 1917, nas lutas em torno da linha e da política, os dirigentes do Partido Camponês mantiveram seu apoio aos antimarxistas e revisionistas. Na China, desde sua emergência inicial na direção do Partido, Mao Tsé-tung fez da conquista do campesinato o ponto focal de sua política. Por anos ele dirigiu uma minoria que se opôs à direção do Partido, à época seguindo a linha 'de esquerda' de se concentrar sobre as cidades. Não foi senão em 1935, durante a Longa Marcha, que sua direção foi reconhecida. Na União Soviética, durante os anos duros, difíceis que se seguiram às guerras de Intervenção pelas potências imperialistas, os dirigentes soviéticos, agora privados da mão-guia de Lênin, viram-se às voltas com o problema de construir o poderio econômico do país. Circundados por um mundo hostil, eles escolheram a prioridade de criar a indústria pesada, à qual tudo o mais tinha de ser sacrificado. Foram os camponeses que tiveram de carregar o fardo nos ombros, porque eles eram vistos como o único elemento capaz de produzir a acumulação necessária para financiar a imensa base industrial que precisava ser criada depressa praticamente do nada. Essa decisão política, diriam alguns, foi a fonte dos conflitos políticos, econômicos e sociais que nunca foram abrandados — os camponeses nunca foram conquistados sem reservas pela revolução. A indústria leve, o meio principal de elevar os padrões de vida, nunca pôde avançar, nunca teve condições de fazer sua contribuição adequada para aliviar a carga do campesinato e da classe operária. Na China pós-1949, Mao Tsé-tung levou seu partido por um caminho inteiramente diferente, a despeito de muita oposição dos dirigentes soviéticos e seus apoiadores no interior da direção chinesa. 'A agricultura', ele declarou, 'é o fundamento, a indústria o fator dirigente.' Assim, enquanto o desenvolvimento agrícola tornou-se prioridade, a indústria leve era expandida rapidamente para fornecer os bens de consumo, para elevar os padrões de vida de todo o povo e acumulação de fundos para financiar a indústria pesada. Assim, na União Soviética, o campesinato - a maioria da população - tinha permanecido uma força silenciosa desencantada, enquanto na China seu impulso revolucionário tinha sido aumentado, encorajado e transformado numa poderosa força ideológica.

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 42

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
A história pode julgar que o fracasso da direção soviética, após Lênin, em produzir um novo 'Homem Soviético ', provém de dois erros fatais: a política errada para com o campesinato e a ausência de uma linha de massa." Um livro inteiro poderia (e deveria) ser devotado à refutação dessas distorções, fabricações e afirmações mentirosas. É muito mais fácil para os professores empregados pela burguesia dizerem mentiras em seu favor, espalhar falsidades de uma milha de profundidade sem a menor base na realidade, do que para nós refutálas. Como pode ser visto na citação anterior, os charlatães burgueses conseguiram numa única página enfiar tantas mentiras e semear tanta confusão que seria preciso um volume inteiro para refutá-las. Porém, nem o tempo nem o espaço permitem um tratamento exaustivo e completo do assunto. No momento limitar-nos-emos, portanto, a uns poucos breves comentários sobre essas citações particulares: 1. Nos próprios primeiros dois parágrafos citados antes, cria-se a impressão distinta de que, enquanto o Partido Comunista Chinês dirigido pelo camarada Mao Tsé-tung fez "da conquista do campesinato o ponto focal" de sua política, os bolcheviques na Rússia simplesmente ignoraram o campesinato. Qualquer leitor que não conheça a história do bolchevismo e nunca tenha tido acesso aos magníficos e brilhantemente ricos escritos do camarada Lênin, bem como do camarada Stalin, seria levado a acreditar que os bolcheviques não tinham programa, nem política, para a conquista do campesinato, e que os bolcheviques não fizeram da "conquista do campesinato o ponto focal" de sua política. Se isso fosse verdadeiro, qual era então, tem-se o direito de perguntar aos doutos professores, a diferença entre o leninismo, de um lado, e o trotskismo, de outro? Como, então, se os bolcheviques não tinham programa para conquistar os camponeses, foram capazes com sucesso não só de dirigir a Grande Revolução Socialista de Outubro mas também de mantê-la, consolidá-la e construir o socialismo em um só país, com uma população predominantemente camponesa? Como então os sucessos da Revolução de Outubro podem ser explicados? Aí pode haver apenas 'duas' explicações: ou a Revolução Russa foi um milagre que teve lugar como um resultado da providencia divina, ou a Revolução Russa alcançou o sucesso que teve porque, entre outros fatores, os bolcheviques tiveram um programa correto sobre a questão do campesinato - um plano correto para ganhar o campesinato. A primeira explicação não é certamente uma explicação em tudo, senão um escárnio disso; ela só pode ser aceita por aqueles que acreditam em milagres, em curas pela fé, pela providência divina e pelas concepções de virgens etc. Se nossos autores burgueses querem subscrever tal "explicação' da revolução Russa (e tudo indica que eles fazem isso) então podemos parar de seguir adiante. Eles não devem, entretanto, convidar qualquer Marxista-leninista que se respeite para aceitar esses pratos de feitiçaria como uma explicação da revolução Russa. A segunda explicação é a única a que os marxistas-leninistas podem aderir. A verdade é que os bolcheviques tinham uma política correta para conquistar o campesinato. A verdade é que eles fizeram da "conquista do campesinato o ponto focal" de sua política. Isso ficará absolutamente claro para qualquer que leia a seção Agrária do Programa do POSDR2 (Partido Operário Social-Democrata Russo), ou Duas Táticas da Social-Democracia na Revolução Democrática, texto que foi publicado
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 43

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
inicialmente em 1905, ou um registro de outros escritos do camarada Lênin e mais tarde do camarada Stalin. Ficará claro que o programa dos bolcheviques para o campesinato era o único correto; que era um tal programa modelo que os Partidos Comunista e de Operários em todos os países com populações predominantemente camponesas vêm desde então adotando-o como seu próprio, com algumas modificações pequenas. O Partido Chinês não foi exceção3. Sendo assim, porque então nossos escribas burgueses tentam distorcer o assunto e põem os fatos de cabeça para baixo? A resposta só pode ser que eles ou estão engajados na distorção deliberada dos fatos, ou são completos ignorantes. Em qualquer caso, estão fazendo muito mal ao movimento comunista. 2. Tendo nos dois primeiros parágrafos antes citados cometido a distorção, embora implícita, de que os bolcheviques não tinham uma política para conquistar o campesinato, nossos autores burgueses seguem admitindo, no parágrafo seguinte, que, a despeito desta falta de política, o Partido Bolchevique foi capaz de alguma forma de seguir adiante enquanto existiu a "mão-guia de Lênin". Assim, a "mão-guia de Lênin" tornou-se um substituto para uma estratégia bem definida de conquista do campesinato. Isto é um louvor de fato para Lênin! Na prática, tal elogio de Lênin prova não ser menos para o leninismo do que o notório beijo de Judas em Cristo. Não, valorosos professores burgueses. Nós não aceitamos seu 'elogio' a Lênin como sendo honesto. Nós o reconhecemos pelo que ele realmente é, uma tentativa de degradar e diminuir o leninismo. Lênin foi o maior marxista que já existiu; ele, no verdadeiro espírito do marxismo, acreditava em analisar a realidade concreta e em aplicar o marxismo à realidade concreta; acreditava em ter uma estratégia concreta para questões importantes que afetavam o destino da revolução como a questão camponesa. Atribuir ao gigante Lênin uma posição segundo a qual sua "mão-guia" se tornou um substituto para um programa claro sobre qualquer questão, inclusive a questão camponesa, não é apenas um absurdo burlesco e vulgar, mas também uma mentira repugnante e indecente. Os bolcheviques tinham algo mais do que a "mãoguia de Lênin", a saber, o próprio leninismo. Mesmo após a partida de Lênin, mesmo após a "mão-guia de Lênin" já não estar mais ali, o Partido Bolchevique, agora sob a direção de Stalin, continuou a aderir firmemente ao leninismo em todas as questões, inclusive a questão camponesa. Seguindo o leninismo, o Partido alcançou sucessos verdadeiramente estonteantes e monumentais. É, portanto, uma mentira evidente de nossos autores burgueses, pretensamente marxistas, dizerem que (a) os Bolcheviques não tinham um programa para a questão camponesa; que tudo de que eles dispunham era a "mão-guia de Lênin" e (b) uma vez que a "mão-guia de Lênin" não estava mais ali, os bolcheviques ficaram sem nenhum programa nem uma "mão-guia" para guiá-los na questão camponesa. Adiante, no sexto parágrafo, os burgueses 'marxistas' aplicam o golpe 'aniquilador' final em Stalin e no PCUS quando dizem: "A História pode julgar que o fracasso da direção soviética, após Lênin, em produzir um novo "Homem Soviético" provém de dois erros fatais: a política errada para o campesinato e a ausência de uma linha de massa."

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 44

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
A respeito da acusação da "ausência de uma linha de massa", não trataremos disso aqui, pois não apenas não é DIRETAMENTE relevante para os propósitos atuais, mas também porque tratamos disso em nosso Prefácio para uma coleção dos discursos de Stalin intitulado Sobre a Mecânica da Luta de Classes na Ditadura do Proletariado'"1. Nesse Prefácio, refutamos, entre outros, o Professor G. Thomson, um dos luminares dirigentes do Grupo de Estudos da Política Chinesa, que tinha também dado expressão a essa mesma acusação absurda em seu livro De Marx a Mao Tsé-tung. Quanto à acusação de "política errada para o campesinato", já demonstramos, além de qualquer dúvida, que a política do Partido Bolchevique para a questão camponesa estava correta. Para reiterar, o programa bolchevique para o campesinato pode ser resumido nas seguintes três bandeiras, que correspondem aos diferentes períodos no desenvolvimento da Revolução Russa. Quando o povo russo estava se aproximando da revolução democrática burguesa, no período em que a tarefa imediata era a destruição da autocracia tzarista e o estabelecimento de um governo revolucionário provisório, que iria ser a ditadura democrática do proletariado e do campesinato, a bandeira bolchevique era aquela de uma aliança com todo o campesinato. No segundo período, quando o proletariado estava se aproximando da revolução socialista de outubro, a bandeira bolchevique era uma aliança com o campesinato pobre, neutralizar campesinato médio e lutar contra os kulaks. No terceiro período, ao final da Guerra Civil e da Guerra de Intervenção, no período quando a ditadura do proletariado tinha sido consolidada e a tarefa com a qual defrontava o Partido era construir socialismo - nesse período, a bandeira não era mais apenas a que visava neutralizar o campesinato médio. Agora, a bandeira era chegar a um acordo com o campesinato médio, enquanto isso em nenhum momento renunciar à luta contra o kulak e firmemente confiar exclusivamente no campesinato pobre. Foi por colocar esta bandeira em ação que o socialismo foi construído na URSS; foi por tais meios, foi por seguir um programa tão complicado mas científico e claramente elaborado, que o Partido Bolchevique conseguiu tais conquistas históricas. A despeito desses fatos patentes, e em completa desconsideração desses fatos, nossos críticos 'Marxistas' dizem que o Partido Bolchevique tinha uma "política errada para com o campesinato" Muito bem, senhores: o que significa para vocês, quando afirmam que o Partido Bolchevique tinha uma "política errada para com o campesinato?" Vocês devem ser muito obtusos para acreditar que a política bukharinista (de uma aliança com o campesinato inteiro, inclusive os kulaks), ou a política trotskista (de nenhuma aliança com o campesinato, mesmo o campesinato pobre e médio) estavam corretas. Se isso é o que vocês acreditam que está correto (e todas as indicações é de que vocês aderem a tal ponto de vista), então tenham a coragem de emitir sua opinião abertamente. Não se 'amotinem de joelhos', se realmente querem se amotinar. E quando, tendo expressado tal entulho reacionário, vocês prosseguem comparando a China com a URSS e fazem chover elogios à primeira, vocês estão apenas admitindo (e outra vez vocês devem ser muito obtusos para acreditar nisso) que o PCC alcançou sucessos sobre a questão camponesa por seguir uma linha que era fundamentalmente
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 45

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
hostil àquela seguida na URSS. O que isso pode significar? Poderia somente significar que o PCC seguiu os bukharinistas ou os trotskistas na questão camponesa! Tal é o absurdo lógico de suas afirmações, que os senhores, em seu zelo para denunciarem o Partido Bolchevique e Stalin, estão de fato denunciando, ao atribuírem falsamente a eles posições bukharinistas e trotskistas, antibolcheviques e antistalinistas, à grande República Popular da China, ao PCC e ao camarada Mao Tsé-tung, todos aqueles que devem e reconhecem um grande dever de gratidão ao Partido Bolchevique e ao camarada Stalin. Pode haver algumas pessoas ingênuas no movimento a quem vocês sejam capazes de enganar por algum tempo. Mas recordem, senhores, que os marxistas-leninistas revolucionários no movimento já estão bem equipados para descosturarem suas mentiras burguesas. Fiquem certos, trapaceiros burgueses, que vocês serão expostos. 3. Em relação à acusação de que o Partido Bolchevique não tinha política (ou tinha uma política errada) para o campesinato, nossos autores pseudo-marxistas acrescentam outra acusação a suas condenações ao Partido Bolchevique, a saber, que a indústria pesada foi desenvolvida às custas da agricultura; que o Partido Bolchevique "escolheu5 a prioridade de criar a indústria pesada, à qual tudo mais teve que ser sacrificado; que "o campesinato... teve de carregar nos ombros o fardo, porque ele era VISTO como o único elemento capaz de produzir a acumulação necessária para financiar a base industrial...", implicando assim que o campesinato soviético era explorado sob a direção bolchevique. O leitor notará a similaridade dessa acusação com a acusação bukharinista de que o Partido estava sujeitando o campesinato à exploração "militar feudal". Afirma-se ademais que a política do Partido de industrialização foi a causa dos "conflitos políticos, econômicos e sociais" que resultaram em afastar o campesinato da revolução. Vale a pena repetir a formulação completamente covarde, ao mesmo tempo que completamente oportunista, dessa acusação. Diz-se: "Essa decisão política [a respeito da indústria de base], diriam ALGUNS [esse 'alguns' é sua forma oportunista de dizer que eles subscrevem essa visão mas não têm coragem de dizer isso], foi a fonte dos conflitos políticos, econômicos e sociais que nunca foram abrandados- os camponeses NUNCA foram conquistados sem reservas pela revolução." E para cobrir as acusações anteriores contra o Partido Bolchevique - acusações que deviam sua origem às ideologias da burguesia imperialista e dos "Cadetes"1 nossos embusteiros burgueses usam seu embuste fraudulento característico de contrapor a China à URSS e o camarada Mao Tsé-tung ao camarada Lênin e ao camarada Stalin. "Na China pós-1949", eles alegam, "Mao Tsé-tung levou seu partido por um caminho INTEIRAMENTE DIFERENTE, a despeito de muita oposição dos dirigentes soviéticos e seus apoiadores dentro da direção chinesa. A agricultura', ele declarou, 'é o fundamento, a indústria o fator dirigente'..." Eis algumas poucas anotações a respeito dessas acusações contra-revolucionárias:

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 46

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Foi incorreto o Partido Bolchevique ter enfatizado o significado do desenvolvimento da indústria pesada? Não, certamente não foi. A primeira razão porque não foi incorreto é que, sem a ênfase no desenvolvimento da indústria pesada, em particular a indústria de construção de máquinas, teria sido impossível arrancar a URSS de seu passado medieval para entrar no mundo moderno do século XX. A segunda razão é que, sem o desenvolvimento da indústria pesada, a URSS não emergiria como um país plenamente independente, pois estaria sempre sujeita à chantagem econômica do imperialismo. A terceira razão é que, sem a base da indústria pesada, a URSS nunca teria tido êxito em construir sua indústria de defesa e de salvaguarda das fronteiras do primeiro Estado socialista contra o ataque militar do imperialismo internacional. Pode alguém negar a enorme contribuição da indústria pesada soviética, das forças armadas soviéticas e do povo soviético para a derrota das forças obscuras do fascismo? A quarta razão é que, sem o desenvolvimento da indústria pesada soviética, mesmo a agricultura soviética não teria sido capaz de se desenvolver muito6. Antes que as fazendas coletivas pudessem ser desenvolvidas em uma base sólida, a indústria soviética, entre outros fatores, tinha de estar em uma posição de poder prover as fazendas estatais e coletivas com o maquinário necessário e com assistência técnica e científica. A razão final é que, sem o desenvolvimento da indústria pesada, teria sido impossível estabelecer entre a classe operária e o campesinato aquele vínculo que é baseado na substância material, o único vínculo que lança as bases e facilita a remodelação do ponto de vista do campesinato individualista para o padrão coletivista - o padrão do socialismo e do comunismo. Nossos autores incidem não apenas no contra-senso completo, mas nas calúnias deliberadas e maliciosas, ao dizer que "após 1949 Mao Tsé-tung levou seu partido por um caminho inteiramente diferente, a despeito de muita oposição dos dirigentes soviéticos ... 'A Agricultura . ele declarou, 'é o fundamento, a indústria pesada o fator dirigente'..." Antes de tudo, não é verdade que tivesse havido uma oposição dos "dirigentes soviéticos" à linha do Partido Chinês; não há a menor evidência disso, salvo as afirmações que de quando em quando emanam dos setores burgueses do tipo representado pelo Grupo de Estudos da Política Chinesa. Em segundo lugar, o PCC não seguiu uma estrada diferente, muito menos "inteiramente diferente", daquela seguida pelo Partido Bolchevique, na questão sob consideração. Isso é admitido até mesmo por nossos obtusos autores burgueses, quando eles citam as palavras de Mao Tsé-tung de que "a Agricultura é o fundamento, a indústria o fator dirigente". O que significa isso? Significa dar prioridade à construção da indústria, em particular a indústria pesada, com sua ênfase na indústria de construção de máquinas. Somente tal tipo de indústria pode ser um "fator dirigente"; somente tal tipo de indústria pode "dirigir" o desenvolvimento da indústria e da agricultura e colocar o país na estrada do desenvolvimento e prosperidade, somente tal tipo de indústria pode libertar o país da dependência do imperialismo estrangeiro; e somente tal tipo de indústria pode ser a base de um vínculo - uma aliança - entre a classe operária e o campesinato, o único que pode remodelar a perspectiva do campesinato no sentido das linhas do coletivismo e do comunismo e conduzido na direção da abolição das classes. Quaisquer outras idéias sobre mudar a perspectiva dos camponeses e de conquistá-los não são senão tentativas de filosofar e teorizar sobre o camponês e que nada têm em comum com o marxismo-leninismo. Assim, quando nossos autores citam Mao Tsé-tung
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 47

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
com aplauso, eles, sem se darem conta, estão citando-o contra si próprios e não contra o Partido Bolchevique ou contra o amarada Stalin! Nossos críticos burgueses tentaram atacar o camarada Stalin. Eles terminaram por atacar a si próprios. Já registramos antes o espetáculo dos oportunistas sendo esbofeteados pelos revolucionários. Nunca antes registramos o espetáculo verdadeiramente maravilhoso dos oportunistas publicamente esbofeteando a si próprios, e por isso nossos autores merecem elogios e congratulações. O antes citado deixa igualmente claro que o que nossos autores gostariam que a URSS tivesse feito não é de nenhum modo diferente do que o capitalismo monopolista internacional gostaria que a URSS fizesse, a saber, não desenvolvesse sua indústria pesada, permanecesse economicamente atrasada e dependente, militarmente fraca e no curso to tempo subjugada pela força combinada da burguesia 'soviética' (isto é, os kulaks) e o capitalismo internacional. Pois o processo de retorno ao capitalismo teria começado muito antes do 20° Congresso do Partido se a URSS não tivesse dado prioridade à construção do socialismo na URSS, pela derrota das forças capitalistas internas, e sem o que teria sido incapaz de realizar a gloriosa vitória na guerra antifascista. Está agora perfeitamente claro de que lado nossos autores realmente estão.

Nossos autores se queixam de que "foram os camponeses que tiveram de carregar o fardo nos ombros, porque eles eram VISTOS como o único elemento capaz de produzir a acumulação necessária para financiar a imensa base industrial que precisava ser criada depressa praticamente do nada. Essa decisão política, diriam alguns [o notório 'alguns' implica que os próprios autores mantinham essa opinião], foi a fonte dos conflitos políticos, econômicos e sociais que nunca foram abrandados- os camponeses nunca foram conquistados sem reservas pela revolução. * Comentários: Primeiro, é incorreto dizer que os camponeses eram "VISTOS" como o único elemento capaz de produzir a acumulação necessária. A verdade é que havia duas fontes principais que poderiam produzir, e de fato produziram, a acumulação necessária, isto é, a classe operária e o campesinato. Como Stalin colocou: "Nos países capitalistas, a industrialização foi usualmente efetivada, no principal, pela pilhagem de outros países, pela pilhagem de colônias ou de países, derrotados ou com a ajuda de empréstimos de fora, mais ou menos escravizantes' {(Obras, Vol. ll, p. 165). E adiante: "Um aspecto no qual nosso país difere dos países capitalistas é que ele não pode e não deve engajar-se em pilhagem colonial ou roubo de outros países em geral. Esse caminho, portanto, está barrado para nós. Tampouco, entretanto, nosso país tem ou quer ter empréstimos externos* escravizantes. Conseqüentemente, esse caminho também está fechado para nós.
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 48

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
O que resta, então? Somente uma coisa, que é o desenvolvimento da indústria ... com a ajuda da acumulação INTERNA" (Ibid., p. 166). Porém, quais são as fontes principais do sucesso dessa acumulação?... há duas fontes principais: primeiramente, a classe operária, que cria valores e faz avançar a nossa indústria; secundariamente, o campesinato" (Ibid., p.167). O campesinato contribuiu para a acumulação interna não apenas pagando ao Estado os impostos de costume, mas também pagando preços relativamente altos por bens manufaturados e sendo subpago nos preços para os produtos agrícolas. Isso, nas circunstâncias da URSS, na época, era inevitável. Surge, entretanto, a questão de estar ou não o campesinato soviético em condições de suportar esse fardo, ou se o fardo era insuportável e o campesinato estava sendo explorado pela classe operária. É indubitavelmente verdadeiro que o campesinato soviético era perfeitamente capaz de suportar esse fardo. Eis como o camarada Stalin respondeu a essa questão: "São os camponeses capazes de suportar esse fardo? Eles indubitavelmente são; primeiro, porque esse fardo se tornará mais leve de ano para ano e, segundo, porque essa taxa adicional está sendo cobrada não sob as condições do desenvolvimento capitalista, onde as massas do campesinato estão condenadas à pobreza e à exploração, mas sob condições soviéticas, onde a exploração do campesinato pelo Estado socialista está fora de questão, e onde essa taxa adicional está sendo paga em uma situação em que o padrão de vida do campesinato está se elevando firmemente" (Ibid., pp. 168-9). (c) A relação entre a indústria leve e a indústria pesada "A indústria leve", afirmam nossos autores reacionários e ignorantes, "nunca pôde avançar, nunca lhe foi permitido fazer sua contribuição apropriada para facilitar o fardo do campesinato e da classe operária." Mesmo um exame superficial, que dirá um estudo sustentado, da história real da União Soviética, mostra claramente a qualquer um que não esteja inventando sua própria historia, como substituto para a real, que a URSS começou por estabelecer entre a classe operária e o campesinato um vínculo baseado em satisfazer as necessidades pessoais do campesinato. O estágio inicial da NEP foi caracterizado pela ênfase nesse aspecto do vínculo, pois essa era a única forma de reativar o comércio entre a cidade e o campo, de reerguer a agricultura individual dos camponeses e fortalecê-la, de assegurar que as cidades obtivessem o produto agrícola necessário. Todas essas coisas foram necessárias NA ÉPOCA, quando a necessidade era de um lado reabilitar a indústria e de outro fortalecer a agricultura individual, a fim de reavivar o comércio entre a cidade e o campo. Isso não poderia, como foi assinalado muitas vezes, continuar eternamente. O vínculo entre a classe operária e o campesinato não poderia ser baseado EXCLUSIVAMENTE em satisfazer as reivindicações pessoais do campesinato. Em última instância, tinha de ser baseado no material, para que a União Soviética pudesse remodelar a perspectiva do campesinato e construir o socialismo. Naturalmente, os oportunistas bukharinistas advogavam, como fez o Grupo de Estudos da Política Chinesa, que a indústria leve fosse usada EXCLUSIVAMENTE como um meio de estabelecer j vínculo entre a classe operária e o
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 49

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
campesinato. Eis como o camarada Stalin respondeu aos bukharinistas - uma resposta que é mais do que suficiente para refutar o contra-senso bukharinista do Grupo de Estudos da Política Chinesa: "A segunda questão diz respeito ao problema do VINCULO COM O CAMPESINATO MÉDIO - o problema dos objetivos do vínculo e dos meios para efetivá-lo. Segue-se do que alguns dizem que o vínculo entre a cidade e o campo, entre a classe operária e a principal massa do campesinato é baseado EXCLUSIVAMENTE em têxteis, satisfazendo-se as reivindicações PESSOAIS do campesinato? Isso é verdade? Isso é uma inverdade, camaradas. Por certo, é de imensa importância satisfazer as reivindicações pessoais dos camponeses em relação aos têxteis. Foi assim que começamos a estabelecer o vínculo com o campesinato nas novas condições. Mas afirmar, com base nisto, que o vínculo baseado nos têxteis é o começo e o fim da questão, que o vínculo baseado em satisfazer as reivindicações pessoais dos camponeses é o fundamento completo, ou principal, da aliança econômica entre a classe operária e o campesinato, é cometer um erro muito sério. Na realidade, o vinculo entre a cidade e o campo está baseado não apenas em satisfazer as reivindicações PESSOAIS, não apenas em têxteis, mas também em satisfazer as reivindicações ECONÔMICAS dos camponeses como PRODUTORES de produtos agrícolas. Não são apenas máquinas de fábricas de algodão que damos aos camponeses. Nós também lhes damos máquinas de todos os tipos, sementes, arados, fertilizantes, etc., que são de enorme importância para o avanço e transformação socialista da agricultura camponesa. Daí o vínculo estar baseado não somente nos têxteis, mas também em outros materiais. Sem isso, o vínculo com o campesinato seria inseguro. De que forma o vínculo baseado nos têxteis difere do vínculo baseado em materiais? Primeiramente, no fato de que o vínculo baseado nos tecidos principalmente diz respeito às reivindicações pessoais do camponês, sem afetar ou afetando numa extensão comparativamente pequena o lado da produção da agricultura camponesa, melhorando-a, mecanizando-a, tornando-a mais remunerativa e pavimentando o caminho para transformar as fazendas camponesas dispersas e pequenas em fazendas conduzidas socialmente em larga escala. Seria um erro pensar que o propósito do vínculo é preservar as classes, a classe camponesa em particular. Não é isso, camaradas. Esse não é o propósito do vínculo, de forma alguma. O propósito do vínculo é unir o camponês mais estreitamente à classe operária, a dirigente de nosso desenvolvimento em geral, fortalecer a aliança do campesinato com a classe operária, a força dirigente na aliança, para REMODELAR gradualmente o campesinato, sua mentalidade e sua produção, NO CAMINHO DA LINHA COLETIVISTA, e assim produzir as condições para a abolição das classes.

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 50

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
O propósito do vínculo não é preservar as classes, mas aboli-las. Enquanto o vínculo baseado nos têxteis afeta muito pouco o lado produtivo da fazenda camponesa e, portanto, geralmente falando, não pode resultar no remodelamento do campesinato no sentido da linha coletivista e da abolição das classes, o vinculo baseado em materiais, ao contrário, afeta primariamente o lado produtivo da fazenda camponesa, sua mecanização e sua coletivização e por esta própria razão resulta no remodelamento gradual do campesinato, na eliminação gradual das classes, inclusive a classe camponesa. Como, em geral, pode o camponês, sua mentalidade, sua produção - ser remodelada, refeita, ao longo da linha de tornar sua mentalidade mais próxima da classe operária, da linha do princípio da produção socialista? O que isso exige? Exige, primeiramente, a mobilização mais ampla em prol do coletivismo entre as massas camponesas. Requer, em segundo lugar, a implantação de uma vida comunal cooperativa e a extensão mais ampla de nossos suprimentos cooperativos e organização comercial para os milhões de fazendeiros camponeses. Não pode haver dúvida de que, se não tivesse havido o desenvolvimento amplo de nossas cooperativas, não teríamos tido o impulso para diante do movimento de fazendas coletivas que observamos entre os camponeses atualmente, pois o desenvolvimento das cooperativas de suprimento e comercialização é, em nossas condições, um meio de preparar o campesinato para o caminho da fazenda coletiva. Mas tudo isso está longe ainda de remodelar o campesinato. A principal força de remodelar o campesinato ao longo das linhas socialistas repousa nos novos meios técnicos na agricultura, na mecanização da agricultura, no trabalho camponês coletivo e na eletrificação do país. Sobre isso remetemos a Lênin, de cujas obras citamos uma passagem sobre o vínculo com a agricultura camponesa. Mas tomar Lênin em parte, sem desejar tomá-lo como um todo, é subestimá-lo . Lênin tinha plena consciência de que o vínculo com o campesinato baseado nas mercadorias têxteis era uma questão importante. Mas ele não parava aí, pois. lado a lado com isso, insistia em que o vínculo com o campesinato deveria ser baseado também nos materiais, em suprir o camponês com máquinas, na eletrificação do país, isto é, em todas aquelas coisas que promoviam a transformação e o remodelamento da AGRICULTURA camponesa na linha coletivista. Por favor, ouçam, por exemplo, as seguintes citações de Lênin: A transformação do pequeno agricultor, o remodelamento de sua mentalidade e de seus hábitos em geral, é um trabalho de gerações. Quando consideramos o pequeno agricultor, este problema pode ser resolvido, sua mentalidade geral pode ser colocada numa linha sadia, por assim dizer, somente pela base material, pelos meios técnicos, por introduzir tratores e máquinas na agricultura em grande escala, pela eletrificação

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 51

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
em grande escala. Isso é o que transformaria o pequeno agricultor fundamentalmente e com imensa rapidez' (Vol. XXVI, p. 239). Muito claramente, a aliança entre a classe operária e o campesinato não pode ser estável e duradoura, o vínculo não pode ser estável e duradouro e não pode alcançar seus propósitos de remodelar gradativamente o campesinato, aproximando-o da classe operária e colocando-o na linha coletiva, se o vínculo baseado em têxteis não for suplementado pelo vínculo baseado nos materiais. Era assim que o camarada Lênin entendia o vínculo." Esperamos que o leitor nos releve essas prolongadas citações. Elas foram necessárias para expor os entulhos reacionários com que varias organizações burguesas, tais como o Grupo de Estudos da Política Chinesa, sob várias roupagens de 'esquerda', procuram encher as cabeças das pessoas no movimento da classe operária. É de todo necessário expor esse entulho reacionário, já que o movimento da classe operária na Inglaterra não é apenas mais ou menos teoricamente ignorante, mas é mesmo ignorante de quais devem ser as verdades geralmente bem conhecidas de qualquer um no movimento proletário. Uma coisa é certa das citações anteriores do camarada Stalin, a saber, que não era uma questão de se a URSS deveria desenvolver a indústria leve, se deveria permitir a indústria leve "seguir adiante"; era mais uma questão de se a URSS deveria desenvolver a indústria leve EXCLUSIVAMENTE ou mesmo desenvolver sua indústria com ÊNFASE na indústria leve. Certamente a União Soviética desenvolveu amplamente uma indústria leve7, pois esse era o único modo de satisfazer as necessidades da classe operária e do campesinato. Seguramente, o Grupo de Estudos da Política Chinesa não está sugerindo que durante mais de 30 anos o povo soviético vivesse de aço e comesse metais, estações de energia hidrelétricas, etc.! Não, o fato é que o padrão de vida da classe operária e camponesa elevou-se firmemente durante aqueles anos: e isso só poderia ter acontecido se, além da indústria pesada, a indústria leve fosse também desenvolvida em larga escala. Além do desenvolvimento da indústria leve. entretanto, a União Soviética não só construiu a indústria pesada, mas também teve esta como prioritária, em particular a sua seção de construção de máquinas. Sem isso, a URSS nunca teria realizado seu êxito verdadeiramente gigantesco e quase miraculoso na construção do socialismo, defendendo a terra pátria contra a força combinada da burguesia imperialista internacional e derrotando o fascismo, libertando a humanidade das hordas fascistas. Essas realizações gloriosas da parte da União Soviética - que são ao mesmo tempo as realizações gloriosas do movimento da classe operária internacional - não são do agrado da burguesia ordinária, inclusive a burguesia ordinária do Grupo de Estudos da Política Chinesa. Essas realizações são muito odiadas por tais pessoas. Porém, apesar de seus desgostos, as gloriosas vitórias da União Soviética nas frentes econômica, política, ideológica, cultural e militar fizeram inestimável contribuição para o avanço do movimento proletário mundial, para a derrota final da burguesia mundial; deixaram marcas indeléveis no movimento comunista e nunca serão erodidas pelo sarcasmo dos escribas e hipócritas burgueses do tipo representado pelo Grupo de Estudos da Política Chinesa.

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 52

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Freqüentemente acusam-se Stalin e o PCUS(B) de que a taxa de desenvolvimento da indústria, em particular da produção dos meios de produção, foi alta demais na URSS. Essa acusação também está implícita nas citações antes referidas do Grupo de Estudos da Política Chinesa, em sua usual maneira covarde, evasiva e amorfa. Portanto, tratase de verificar a validade dessa acusação. Poderia a União Soviética ter conduzido o trabalho de industrialização a um ritmo mais baixo ou como perguntado por Stalin, "em uma atmosfera mais 'tranqüila'? Não foi a alta taxa do desenvolvimento industrial devida ao caráter impaciente dos membros do Birô Político e do Conselho dos Comissários do Povo?" Stalin respondeu a esta questão assim: "É claro que não! Os membros do Birô Político e do Conselho dos Comissários do Povo são pessoas calmas e sóbrias. Abstratamente falando, isto é, se nós desconsiderássemos a situação externa e interna, poderíamos certamente conduzir o trabalho a uma velocidade menor, mas a questão é que, primeiramente, não podemos desconsiderar a situação externa e interna e, em segundo lugar, se tomamos a situação circundante como nosso ponto de partida, tem de ser admitido que é precisamente essa situação que DITA (ênfase minha) uma alta taxa de desenvolvimento de nossa indústria" (Stalin, Works, Vol. 11, Industrialization of the Country and the Right Deviation in the PCUS(B)). Stalin então passa a um exame das condições externas e internas que ditaram a alta taxa de desenvolvimento da indústria soviética. Ele lista as seguintes como as condições principais que ditaram essa alta taxa: CONDIÇÕES EXTERNAS (i) Os bolcheviques tinham assumido o poder em um país que era técnica e industrialmente atrasado, quando comparado aos países capitalistas avançados da época, como a Alemanha, a Inglaterra e a América, etc. Mas o sistema política: na URSS - o sistema soviético - era o sistema mais avançado do mundo. Assim havia uma contradição entre o sistema político avançado, por um lado, e a indústria e a técnica atrasadas, por outro. Enquanto essas contradições existissem, era impossível realizar a vitória do socialismo na URSS. Assim, o que se tinha de fazer para pôr um fim a essa contradição? "Para concluir, devemos alcançar e ultrapassar a tecnologia dos países capitalistas desenvolvidos. Alcançamos e superamos os países capitalistas avançados no sentido do estabelecimento de um sistema político novo. Isso é bom. Mas não é bastante. Para assegurar a vitória final do socialismo em nosso país, devemos também alcançar e ultrapassar esses paises técnica e economicamente. Ou conseguimos isso, ou ficaremos com as costas contra a parede." Para dizer a mesma coisa nas palavras do camarada Lênin: "O resultado da revolução tem sido que o sistema político da Rússia em poucos meses alcançou aqueles dos paises avançados. Mas isso não é bastante. A guerra é inexorável: ela coloca a alternativa com cruel severidade: perecer ou alcançar e superar
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 53

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
os países avançados também economicamente ... Perecer ou seguir em frente a pleno vapor. Essa é a alternativa com a qual nos defrontamos." (ii) Sem uma alta taxa de desenvolvimento industrial, não se poderia criar uma adequada base para a defesa e. portanto, a independência da URSS não poderia ser sustentada. (iii) A questão de uma alta taxa de desenvolvimento da indústria não se colocaria para a União Soviética na forma aguda em que ela se colocava, se a União Soviética tivesse tido uma indústria uma tecnologia altamente desenvolvida como tinha a Alemanha, por exemplo, e se a importância relativa da indústria na economia nacional da URSS tivesse sido tão alta quanto a da Alemanha, para tomar o mesmo exemplo. (iv) A União Soviética era o único Estado socialista no mundo, existindo nas condições de cerco capitalista: "A questão da alta taxa de desenvolvimento da indústria não nos afetaria tão agudamente se não fôssemos o único país mas um dos países da ditadura do proletariado, se houvesse ditadura do proletariado não somente em nosso país mas em outros países mais avançados. Alemanha e França, digamos" (Stalin, ibid.). Adiante: "Algumas vezes se pergunta se não seria possível abrandar um pouco o ritmo, dar um freio no movimento. Não, camaradas, não é possível! O ritmo não deve ser reduzido! Ao contrário, devemos apressá-lo na medida de nossas energias e possibilidades. Isso nos é ditado por nossas obrigações com os operários e camponeses da URSS. Isso nos é ditado por nossa obrigação com a classe operária de todo o mundo. Abrandar o ritmo significaria voltar atrás. E aqueles que voltam atrás são vencidos. Mas nós não queremos ser vencidos. Não, nós nos recusamos a ser vencidos! Uma característica da história da Rússia foram os baques que ela sofreu por seu atraso. Ela foi vencida pelos khans mongóis. Foi vencida pela pilhagem turca. Foi vencida pelos senhores feudais suecos. Foi vencida pelos poloneses e lituanos. Foi vencida pelos capitalistas britânicos e franceses. Foi vencida pelos barões japoneses. Todos a venceram - por causa de seu atraso, por causa de seu atraso militar, atraso cultural, atraso político, atraso industrial, atraso agrícola. Venceram-na porque fazê-lo era proveitoso e podiam fazê-lo com impunidade. Vocês se lembram das palavras do poeta pré-revolucionário: 'Você é pobre e abundante, potente e impotente, Mãe Rússia.' Aqueles senhores eram muito familiares com os versos do velho poeta. Eles venciam-na dizendo: 'Você é abundante.' Assim se pode enriquecer às suas custas. Venciam-na dizendo: 'Você é pobre e impotente", assim você pode ser vencida e pilhada com impunidade. Tal é a lei dos exploradores - vencer os atrasados e os fracos. É a lei da selva do capitalismo. Você é atrasada, você é fraca -portanto você está errada; daí, você pode ser vencida e escravizada. Você é poderosa - portanto você está certa; daí, temos de nos precaver contra você. É por isso que não devemos de modo nenhum ficar para trás8

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 54

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
No passado não tínhamos pátria, nem podíamos ter. Mas agora, que derrotamos o capitalismo e temos o poder em nossas mãos, nas mãos do povo, temos uma pátriamãe e devemos sustentar sua independência.Vocês querem que nossa pátria-mãe socialista seja vencida e perca sua independência? Se você não quer isso, você deve pôr fim ao seu atraso no mais curto espaço de tempo possível e desenvolver um ritmo bolchevique genuíno na construção da economia socialista. Não há outro caminho. Foi por isso que Lênin disse às vésperas da Revolução de Outubro: 'Pereceremos ou alcançaremos e superaremos os países capitalistas avançados'. Estamos cinqüenta ou cem anos atrás dos países avançados. Devemos tirar essa diferença em dez anos. Faremos isso ou cairemos. Isso é o que nos ditam nossas obrigações com os operários e camponeses. Mas nós temos ainda outras obrigações, mais sérias e mais importantes. São nossas obrigações para com o proletariado. Elas coincidem com nossas obrigações com os operários e camponeses da URSS; Mas nós as colocamos mais alto. A classe operária da URSS é parte da classe operária do mundo. Nós alcançamos a vitória não apenas através dos esforços da classe operária da URSS, mas também somos gratos ao apoio da classe operária do mundo. Sem esse apoio, teríamos sido feitos em pedaços há longo tempo. Diz-se que o nosso país é a tropa de choque do proletariado de todos os países. Isso é verdade. Mas nos impõe obrigações muito sérias. Porque o proletariado internacional nos apóia? Como chegamos a merecer esse apoio? Pelo fato de que nós fomos os primeiros a nos lançarmos na batalha contra o capitalismo, fomos os primeiros a estabelecer o poder estatal da classe operária, fomos os primeiros a começar a construir o socialismo. Pelo fato de estarmos engajados em uma causa que, se vitoriosa, transformará todo o mundo e libertará toda a classe operária. Porém, o que é necessário para o sucesso? A eliminação de nosso atraso, o desenvolvimento de um ritmo de construção bolchevique. Devemos marchar para a frente de tal modo que a classe operária de todo o mundo olhe para nós e possa dizer: Ali estão o meu destacamento avançado, minha tropa de choque, meu poder estatal da classe operária, minha pátria-mãe; eles estão engajados em sua causa, NOSSA causa, e eles estão trabalhando bem; vamos apoiá-los contra os capitalistas e promover a causa da revolução mundial. Não devemos corresponder às esperanças da classe operária do mundo, não devemos cumprir nossas obrigações com ela? Sim, devemos, se não queremos desgraçar-nos completamente" (Works, Vol. 13 pp. 40-42). Completamente preconceituoso como é contra Stalin, Isaac Deutscher, em sua biografia de Stalin, é obrigado a fazer a seguinte afirmação quanto aos fatores subjacentes à vitória soviética na Segunda Guerra Mundial: "A verdade é que a guerra não poderia ter sido ganha sem a industrialização intensiva da Rússia e de suas províncias orientais em particular. Nem poderia ter sido ganha sem a coletivização de grande número de fazendas. O mujique de 1930, que nunca manobrou um trator ou qualquer outra máquina, teria sido de muito pouca utilidade numa guerra moderna. A fazenda coletivizada, com suas estações de máquinas e tratores espalhadas por todo o país, tinha sido a escola preparatória dos camponeses
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 55

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
para a guerra mecanizada. A rápida elevação do padrão médio de educação tinha também capacitado o Exército Vermelho a contar com considerável reserva de oficiais e homens inteligentes. 'Nós estamos cinqüenta ou cem anos atrás dos países avançados. Devemos tirar esta diferença em dez anos. Faremos isso ou cairemos' assim Stalin falou exatamente dez anos antes de Hitler decidir conquistar a Rússia. Suas palavras, quando são lembradas agora, não podem senão dar às pessoas a impressão de uma profecia brilhantemente cumprida, um apelo à ação mais do que oportuno. E, de fato, uma demora de poucos anos na modernização da Rússia poderia ter feito toda a diferença entre a vitória e a derrota" (Deutscher, Stalin: A Political Biography, London, Pelican, 1966, p. 535). CONDIÇÕES INTERNAS (i) O atraso da agricultura soviética ditou uma taxa alta de desenvolvimento industrial, sem o que seria impossível levar a agricultura soviética a uma nova base técnica, a base da produção em larga escala; (ii) Sem uma alta taxa de desenvolvimento da indústria, seria impossível abolir a pequena economia de mercadoria dos camponeses, seria impossível "cortar a raiz do capitalismo" e minar o fundamento, a base, do inimigo interno". "Enquanto vivermos em um país de pequenos camponeses, haverá uma base mais segura para o capitalismo na Rússia do que para o comunismo ... Nós não arrancamos as raízes do capitalismo e não minamos o fundamento, a base do inimigo interno. Este depende da produção em pequena escala, e só há uma forma de miná-la, a saber, colocar a economia do país, inclusive a agricultura, em nova base, a base da produção moderna de larga escala. E é somente a eletricidade que está em tal base. O comunismo é o poder soviético mais a eletrificação de todo o país." Adiante: "Se tivermos eletrificação em 10-20 anos, então o individualismo do pequeno agricultor e a liberdade para que ele negocie localmente não serão nada terríveis. Se não tivermos a eletrificação, um retorno ao capitalismo será inevitável de qualquer maneira " (Lênm. The Tax in Kind). E adiante ainda: "Dez ou vinte anos de relações corretas com o campesinato e a vitória numa escala mundial será assegurada (mesmo que as revoluções proletárias que estão crescendo sejam adiadas): de outro modo, 20-40 anos de tormentas do terrorismo dos guardas brancos." (iii) A taxa alta de desenvolvimento industrial, com sua capacidade de colocar a agricultura sobre uma nova base técnica, a base da produção em larga escala, fornecerá a única base material para remodelar a perspectiva do campesinato ao longo de linhas coletivistas. Pois, como disse Lênin: "A transformação do pequeno agricultor, a remodelação de sua mentalidade e seus hábitos totais, é um trabalho de gerações ... essa mentalidade geral pode ser colocada em linhas sadias, por assim dizer, somente pela base material, por meios técnicos, pela introdução de tratores e máquinas na agricultura em larga escala, pela eletrificação
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 56

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
em larga escala. Isso é o que transforma o pequeno agricultor fundamentalmente e com imensa rapidez." Assim Lênin entendia a questão das "relações corretas com o campesinato". Colocar "a economia do país sobre uma nova base técnica, a base técnica da produção moderna em larga escala" ou o retorno ao capitalismo seria inevitável. Mas, para o Grupo de Estudos da Política Chinesa, a adoção da política leninista para com o campesinato significava a adoção de uma "política errada para com o campesinato", que eles alegam ser um dos "erros cardinais responsáveis pela prostituição da revolução bolchevique que o mundo está testemunhando até hoje"! Em outras palavras, a aderência do Partido Bolchevique ao programa bolchevique, leninista, na questão do campesinato e da industrialização da Rússia, levou à "prostituição da revolução bolchevique!" De acordo com essa 'nova' teoria, o leninismo e os bolcheviques são como o capitalismo, na medida em que a maior barreira ao seu maior desenvolvimento são os próprios leninismo e bolchevismo! Estranho, não é, camaradas? Essa teoria estranha nos permite julgar a fisionomia política e a filiação da gentalha professoral do Grupo de Estudos da Política Chinesa. Quando nossos professores "marxistas" declaram impertinentemente que "na União Soviética o campesinato - a maioria da população - tem permanecido uma força silenciosamente desencantada", eles se revelam verdadeiramente como os impulsionadores burgueses de terceira classe mais detestáveis e fanáticos anticomunistas que são e como pessoas que, em termos de honestidade, não alcançam os padrões de um capitalista honesto como Mr. Gibson Jarvis. O senhor Jarvis, que foi presidente do United Dominium Trusts em 1932, pôde então escrever: "A Rússia hoje é um país com uma alma e um ideal... de atividade espantosa ... E talvez o mais importante de tudo, todos esses jovens e esses operários na Rússia têm uma coisa que falta muito aos países capitalistas hoje e que é - a esperança!" Dificilmente será o quadro de um país cuja "maioria" do povo "tem permanecido uma força silenciosamente desencantada". O anticomunismo do Grupo de Estudos da Política Chinesa, a despeito de seus truques de prestidigitação e subterfúgios fraudulentos, não consegue se esconder atrás dos 'louvores' que despejam sobre a China na mesma sentença: "...enquanto na China seu [dos camponeses] impulso revolucionário tem sido aproveitado, organizado e transformado em uma força ideológica poderosa ". Ouvindo estes professores burgueses que nada entendem de comunismo, pode-se pensar que tudo isso é necessário, para conduzir o campesinato na direção do comunismo e do coletivismo, combinar o "impulso revolucionário" do campesinato com doses extrapotentes de ideologia, isto é, tudo que é necessário é transformar o camponês, é mudar o pensamento do camponês. Em outras palavras, não há relação entre o pensamento do camponês e as condições materiais que o cercam. Esse tipo de asneira é conhecida nos círculos burgueses modernos pelo nome de 'harekrishnaísmo', mas em filosofia é conhecido pelo nome de 'idealismo'. É pura asneira idealista que os críticos burgueses de Stalin e do bolchevismo do Grupo de Estudos da Política Chinesa estão servindo em sua forma mais pura, embora disfarçada. Não há dúvida de que o campesinato chinês continua a ser transformado.
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 57

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Mas isto está sendo conseguido pela transformação da base material, por meios técnicos - e não a despeito da transformação material. Quem quer que pense que o campesinato soviético permaneceu "uma força silenciosamente desencantada", que nunca foi conquistado totalmente para a revolução, que pergunte: Como foi possível aos bolcheviques, sem conquistar totalmente o campesinato, ascender ao poder? Como foi possível para eles derrotar a força combinada dos Guardas Brancos Russos e os 14 países imperialistas e não imperialistas que, armados até os dentes, atacaram a jovem República Soviética no período da Guerra Civil e da Guerra de Intervenção? Como foi possível para a URSS, possuída de tal "força silenciosamente desencantada", a saber, o campesinato, ter alcançado resultados tão sensacionais na tarefa de construir o socialismo e colocar toda a economia do país. inclusive a agricultura, em uma nova base técnica, a base técnica da produção moderna de larga escala? Como foi que essa "força silenciosamente desencantada' juntou-se ao movimento pela coletivização com tal entusiasmo? Como foi possível para esse povo"silencioso", "desencantado" e supostamente miserável derrotar a máquina de guerra dos nazistas? Basta fazer essas perguntas para confirmar a natureza absurdamente contra-revolucionária da acusação. Somente aderentes do trotskismo podem subscrever a idéia de que a União Soviética poderia ter alcançado as vitórias que alcançou sem ao mesmo tempo conquistar o campesinato totalmente, enquanto este permanecia "uma força silenciosamente desencantada Quem quer que pense por si e que seja ao menos honesto9, não acreditará nas asneiras escritas por nossos professores burgueses, após defrontar-se com os escritos e discursos do camarada Stalin sobre a questão em discussão. Do anterior, pode-se concluir que os senhores do Grupo de Estudos da Política Chinesa nada sabem acerca do ponto de vista do leninismo sobre a questão camponesa, ou sobre a industrialização na União Soviética; que tratam da questão do campesinato de modo idealista que ignora a base material; que tratam da questão da industrialização de forma abstrata, que ignora as condições externas e internas da industrialização na União Soviética; que não são comunistas mas "filósofos do campesinato"; que não entendem coisa alguma do que constituem "relações corretas com o campesinato": que reduzem a questão das "relações corretas com o campesinato" a simplesmente "afagar" o camponês, em lugar de considerá-lo como questão de ajudar o campesinato a tocar sua lavoura "em uma nova base técnica da produção moderna em larga escala": em resumo, que nada sabem acerca do marxismo-leninismo e do comunismo. Após não ter feito nada senão espalhar confusão, nossos críticos do bolchevismo e de Stalin em particular seguem escrevendo a seguinte sentença que é não apenas uma das mais hilariantes mas também uma das raras declarações verdadeiras de todo o artigo. Ei-la: "O papel de Stalin" eles escreveram "necessita de esclarecimento e avaliação - muito continua oculto sob dissimulação, inverdade e conjetura. Nenhum marxista-leninista pode sentir que a verdade plena tenha ainda sido dita."
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 58

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Em vista do que o Grupo de Estudos da Política Chinesa disse sobre Stalin nesse artigo, assim como em outras partes, dificilmente seria surpresa para eles ao menos que "muito (acerca do papel de Stalin) continua oculto sob dissimulação, inverdade e conjetura". Longe de fazer qualquer contribuição para o "esclarecimento e avaliação" do papel de Stalin. eles se perderam em uma orgia de difamações contra o bolchevismo e Stalin. o PCUS(B), as realizações do socialismo na URSS - em resumo, a Grande Revolução Socialista de Outubro - por meio de métodos burgueses bem testados e consagrados de esconder tudo ainda mais, sob "dissimulação, inverdade e conjetura". "Nenhum marxista-leninista pode sentir que" uma única verdade "tenha ainda sido dita" pelo Grupo de Estudos da Política Chinesa acerca do bolchevismo e de Stalin. muito menos a "plena verdade". Eles simplesmente acrescentaram a maior confusão ao que já existia e ampliaram o manto de "dissimulação, inverdade e conjetura" que cerca o papel de Stalin nos círculos burgueses-trotskistas- revisionistas, manto este que provém diretamente desses círculos. Mas, como o camarada Mao Tsétung disse: "coisas más podem ser transformadas em coisas boas". O artigo completamente trotskista do Grupo de Estudos da Política Chinesa pode e deve ser usado utilmente como um meio de expor a natureza burguesa-trotskista-revisionista dessa organização: Esses senhores, verdadeiramente, não disseram uma única verdade sobre o papel de Stalin mas, pelos escritos deste artigo e de outros similares, eles nos disseram a "plena verdade" sobre si próprios, a saber, que eles são os mercadores das lendas burguesas-trotskistas-revisionistas no movimento da classe operária. Pois são apenas a burguesia imperialista (e não imperialista), os trotskistas e os revisionistas que têm escondido o papel de Stalin "em dissimulação, inverdade e conjetura". Para os marxistas-leninistas de todo o mundo, o papel de Stalin, longe de ser um mistério, está tão claro quanto claro pode estar, a saber, que após a morte de Lênin, ele assumiu o comando que era de Lênin; que ele dirigiu a construção do socialismo na URSS, defendeu a ditadura do proletariado na URSS contra seus inimigos internos (capitalistas-trotskistas-bukharinistas) e externos (a burguesia imperialista), que cumpriu todas essas tarefas com honra. São apenas os hipócritas burgueses, como os do Grupo de Estudos da Política Chinesa, que ocultaram o papel de Stalin "em dissimulação, inverdade e conjetura", e também, com grande entusiasmo, ampliaram o amontoado de "dissimulações, inverdades e conjeturas" burgueses. Se o Grupo de Estudos da Política Chinesa for sincero em seu desejo de esclarecer o papel de Stalin, então, deve aproximar-se da história real da União Soviética, do papel real de Joseph Stalin, não do mito de Stalin. Somente quando tiverem feito isso devem fazer qualquer tentativa de escrever sobre Stalin. Se, entretanto, sentem que essa tarefa está fora de seu alcance, devem ficar calados sobre o tema. Isso ao menos teria a vantagem de reduzir aquela parcela de confusão a respeito do papel de Stalin que existe somente por causa de sua "dissimulação, inverdade e conjetura". O leitor deve, entretanto, estar precavido quanto ao aspecto peculiar do antibolchevismo e antimarxismo-leninismo dos senhores do Grupo de Estudos da Política Chinesa, a saber, que o antibolchevismo desses senhores é invariavelmente acompanhado por suas sonoras manifestações de 'apoio' e 'elogio' à China, ao PCC e ao camarada Mao Tsé-tung. Por que isso é assim? Por que esses burgueses adotam essa posição?

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 59

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Eles adotam essa posição porque assim esperam matar dois coelhos com uma só cajadada. Primeiramente, sob a camuflagem fraudulenta do interesse pelo campesinato soviético, estão interessados em denunciar e desacreditar a linha leninista do PCUS(B) sobre a questão agrária - a questão do campesinato e da coletivização; e, em segundo lugar, convencer os simplórios entre os revolucionários com narrativas das supostas diferenças entre a China e a URSS, entre o camarada Mao Tsé-tung e o camarada Stalin e para confundi-los completamente, atraindo-os para fora do leninismo. Como alguns de nossos camaradas do movimento reagem a esses truques fraudulentos? Em lugar de arrancar a máscara dos embusteiros burgueses, em lugar de condená-los por praticar fraudes, eles mordem a isca, caem na armadilha e são levados a adotar uma posição antistalinista e, portanto, antileninista. Esses camaradas deixam de perceber que os fatos são tais que é impossível atacar Stalin sem ao mesmo tempo atacar Lênin, pois Stalin, o mais fiel a ele, firmemente praticou o leninismo por toda sua vida. Eles não entendem que é impossível alguém atacar Stalin e ao mesmo tempo ser um verdadeiro amigo da Grande República Popular da China, ou do camarada Mao Tsé-tung. Eles não compreendem que nem todos que 'elogiam' a China são marxistas. Ao contrário, algumas das pessoas que professam 'louvar' a China são no fundo antimarxistas e daí inteiramente antichineses. Eis, por exemplo, um ramalhete, escolhido ao azar, das notas maravilhosamente elogiosas que a professora Joan Robinson, um dos luminares dirigentes do Grupo de Estudos da Política Chinesa, fez sobre Karl Marx, o gênio fundador do socialismo científico. No Prefácio à segunda edição de seu livro Um Ensaio sobre a Economia Marxista (que seria mais apropriadamente intitulado Um Ensaio CONTRA a Economia Marxista/. Mrs. Robinson acusa Marx de "hábitos metafísicos de pensar". Ela escreve: "Os acadêmicos nem mesmo fingem entender Marx. Parece-me que, aparte o preconceito, uma barreira foi criada para eles por seus hábitos metafísicos de pensar do século XIX, que são estranhos para uma geração educada para perguntar o significado do significado. Eu. portanto, tento traduzir os conceitos de Marx em uma linguagem que um acadêmico possa entender. Isso confundiu e irritou os marxistas declarados, para os quais a metafísica é preciosa em si própria" (p. vii). Da teoria do valor do trabalho de Marx, que é a pedra fundamental de toda a ciência econômica marxista e que revolucionou o mundo, nossa erudita professora da região de Fenland, do leste da Inglaterra [isto é, a Universidade de Cambridge] tem isto a dizer: "O conceito de VALOR parece-me um exemplo marcante de como uma noção metafísica pode inspirar pensamento original, embora em si seja completamente despida de significado operacional" (ibid. p. xi). "A teoria do valor de Marx tem causado muita confusão e gerado muita controvérsia. Parece certamente causar perplexidade quando seguimos o penoso trajeto do próprio pensamento de Marx do simples dogmatismo do primeiro volume de O Capital para a

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 60

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
intrincada formulação do Volume III. Porém, se começamos do ponto favorável do Volume III. a jornada é muito menos árdua" (ibid. p. 17). Em sua obstinada tentativa, mas ainda assim fútil, de substituir o marxismo pelo malthusianismo, ela diz o seguinte: "EMPREGO E SALÁRIOS. É geralmente reconhecido hoje em dia que o desemprego devido à deficiência de demanda efetiva (muitas vezes chamado 'keynesiano') deve ser distinguido do não-emprego (muitas vezes chamado 'marxiano') que ocorre quando o suprimento disponível de mão-de-obra está crescendo mais do que o número de postos ofertados pela economia capitalista. Marx pensa do suprimento de mão-de-obra como sendo alimentado pela ruína da economia camponesa e artesã. Em sua ansiedade para combater a visão reacionária de Malthus, ele se recusa a admitir que um rápido crescimento da população é deletério aos interesses da classe operária. Isso parece ser uma aberração, inconsistente com sua teoria" (ibid. p. xiv). O capitalismo, ela diz mais adiante, já não é causa da miséria, é a superpopulação contra a qual, de agora em diante, deveremos lutar, e não contra o capitalismo: "...a exploração não pode ser mais longamente representada como uma causa da miséria crescente. Em lugar disso, oferece uma posição privilegiada no mundo que faz da classe operária industrial uma força mais conservadora do que revolucionária. A miséria está certamente crescendo, mas está crescendo tanto fora da órbita do socialismo quanto do capitalismo, onde a força de trabalho disponível cresce mais do que a exploração pode acompanhar." E assim por diante. São comuns a todas as páginas desse livro as distorções de Joan Robinson sobre a ciência econômica marxista e as mentiras em torno dela - em resumo, os ataques ao marxismo. E, no entanto, a professora Robinson é uma 'marxista'! Com amigos assim, Marx certamente não necessitava de inimigos. As pessoas que são capazes de acusar Marx - este maior mestre do materialismo dialético e histórico - de "hábitos de pensamento metafísicos" e de "simples dogmatismo", que denunciam a teoria marxista do valor do trabalho como "completamente despida de significado operacional", que acusações não seriam capazes de lançar ao pobre velho Stalin? Podem tais pessoas ser tidas como verdadeiras amigas da China? Não é preciso dizer que não podem. E, todavia, há camaradas no movimento que, seguindo a posição dos professores burgueses ordinários do tipo de Joan Robinson, começam impensadamente, por assim dizer, a atacar Stalin. Nossos camaradas no movimento também não conseguem entender isso justamente porque os professores burgueses, em seus esforços para rebaixarem e menosprezarem o marxismo-leninismo e Stalin, freqüentemente usam o nome do camarada Mao Tsétung, sem que isso signifique que eles representam a visão do camarada Mao Tsé-tung. Muito pelo contrário. Se alguém quer saber o que o camarada Mao Tsé-tung pensava do bolchevismo, de Stalin e da União Soviética, durante o período de Stalin, que leia as
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 61

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
Obras Escolhidas de Mao Tsé-tung, em vez de confiar em colunas burguesas de fofocas, como o Broadsheet, produzido pelo Grupo de Estudos da Política Chinesa. Eis umas poucas citações do camarada Mao Tsé-tung: "Para estudar o marxismo, devemos usar a História do Partido Comunista da União Soviética (bolcheviques), Curso Resumido10 como o material principal. É a melhor síntese e resumo do movimento comunista mundial dos últimos cem anos, um modelo de integração da teoria e prática e até agora o único modelo abrangente em todo o mundo. Quando vemos como Lênin e Stalin integraram a verdade universal do Marxismo com a prática concreta da revolução soviética e portanto desenvolveram o marxismo, sabemos como deveremos trabalhar na China" (Reform Our Study, 1941, SW Vol. 3 p. 24). Enquanto o camarada Mao Tsé-tung aqui fala de Lênin e Stalin integrando "a verdade universal do marxismo com a prática concreta da revolução soviética" e, portanto, desenvolvendo o marxismo, nossos ilustres professores burgueses do Grupo de Estudos da Política Chinesa falam do PCUS(B) como não tendo uma política correta sobre o campesinato; enquanto o camarada Mao Tsé-tung adota o exemplo da União Soviética, do PCUS(B) e de Stalin como apontando o caminho para os camaradas chineses, considerando como eles deveriam trabalhar na China, o circulo social professoral, por outro lado, fala de Mao Tsé-tung seguindo uma política completamente diferente na questão do campesinato daquela seguida na União Soviética e supostamente enfrentando grande oposição da União Soviética. É assim que a história é escrita. É assim que a 'análise crítica' do desenvolvimento do revisionismo na União Soviética é conduzida nos círculos burgueses. A origem e o crescimento do revisionismo na União Soviética já foi explicado. Uma coisa, entretanto, é certa: isto é, que a forma de conduzir tal análise não é a forma que os professores burgueses estão adotando! Mao Tsé-tung disse em outra parte: "Essa teoria (isto é, do materialismo dialético e histórico) foi mais desenvolvida por Lênin e Stalin" (Sobre a Contradição - Ênfase minha). E adiante: "A análise de Stalin nos fornece um modelo para entender a particularidade e a universalidade da contradição e sua interconexão" (ibid.). Tudo isso não impediu Professor George Thomson, outro luminar dirigente do Grupo de Estudos da Política Chinesa, de acusar Stalin, em nome de Mao Tsé-tung, de não entender a dialética e as diferenças entre as contradições antagônicas e não antagônicas! "Mesmo nas condições sociais existentes na União Soviética, há uma diferença entre os operários e camponeses, e essa própria diferença é uma contradição, embora, diferentemente da c contradição entre trabalho e capital, não se intensificará até o antagonismo ou assumirá a forma de luta de classes; os operários e os camponeses
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 62

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
estabeleceram uma firme aliança no curso da construção socialista e estão gradualmente resolvendo essa contradição no curso do avanço do socialismo para o comunismo" (Mao Tsé-tung. ibid.). Enquanto o camarada Mao Tsé-tung fala da "firme aliança" entre a classe operária e o campesinato soviético nossos professores burgueses do Grupo de Estudos da Política Chinesa falam nas notas antes citadas de seu artigo, do campesinato soviético como uma força silenciosamente desencantada" que "nunca" teria sido "conquistada totalmente pela revolução". Enquanto o camarada Mao Tsé-tung fala da "construção socialista" e do "avanço do socialismo para o comunismo" na URSS, nossos críticos burgueses falam dessa "decisão política" (isto é, a industrialização) como "a fonte da disputa política, econômica e social que nunca se abrandou". Enquanto o camarada Mao Tsé-tung fala favoravelmente da política soviética para o campesinato - aquela de uma "firme aliança" com ele - nossos burgueses 'aniquiladores' de Stalin falam como se Mao Tsé-tung e a linha do PCC para o campesinato fossem completamente diferentes do que foi seguido na União Soviética.11 E, finalmente: "Stalin é o amigo verdadeiro da causa da libertação do povo chinês. Nenhuma tentativa de disseminar dissensão, nenhuma mentira e calúnia, podem afetar o amor e respeito sinceros do povo chinês por Stalin e nossa genuína amizade pela União Soviética" (De um discurso proferido pelo camarada Mao Tsé-tung em ' 20 de dezembro de 1939, por ocasião do 60° aniversário de Stalin, reproduzido nas Obras Escolhidas de Mao Tsé-tung. Vol. II). Os camaradas no movimento deveriam prestar particular atenção a esta última citação de Mao Tsé-tung, em uma época em que se fazem tentativas em vários setores burgueses, inclusive no Grupo de Estudos da Política Chinesa, por meio de calúnias e mentiras, de construir uma Muralha da China entre Stalin e Mao Tsé-tung, entre a Revolução de Outubro e a Revolução Chinesa. Agora, em vista das citações acima do camarada Mao Tsé-tung, podemos maravilharnos com a estupidez das afirmações feitas pelos senhores do Grupo de Estudos da Política Chinesa que, parece-nos, não só não sabem nada sobre Stalin, como não sabem qualquer coisa acerca dos escritos e da posição política do camarada Mao Tsétung e também do PCC. Finalmente, para fortalecer a importância da publicação da atual coleção dos escritos de Stalin, desejamos registrar as seguintes linhas de Karl Marx: "Uma nação pode e deve aprender com as outras. E, mesmo quando uma sociedade segue no caminho certo para a descoberta das leis naturais de seu desenvolvimento - e é o objetivo ultimo deste trabalho desvendar a lei econômica do movimento da sociedade moderna -, ela não pode tampouco transpor por saltos audaciosos, nem remover por decreto os obstáculos oferecidos pelas sucessivas fases de seu

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 63

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
desenvolvimento normal. Mas ela pode encurtar e diminuir as dores do parto" (Marx, Prefácio do autor à primeira edição de O Capital, vol. 1). É muito positivo aprender com a experiência da União Soviética. Nosso propósito ao publicar esse volume é "desvendar" a natureza trotskista-bukharinista dos ataques do tipo feito pelo Grupo de Estudos da Política Chinesa e de outros "marxistas" do mesmo gênero sobre Stalin e o PCUS, para levar ao conhecimento do movimento da classe operária a linha leninista do PCUS, sob a direção do camarada Stalin, sobre a questão agrária, e fortalecer a luta contra várias formas da ideologia burguesa, tais como o trotskismo, o revisionismo e o reformismo. Não há dúvida de que cada nação, em sua luta para e pelo avanço do socialismo, terá de enfrentar seus próprios problemas. "Mas ela pode encurtar e diminuir as dores do parto" ao aprender com a experiência positiva da Revolução de Outubro, da coletivização na URSS e da construção do socialismo na URSS.

Notas 1. A maioria desses ataques foi tratada em meu Prefácio à coleção de discursos de Stalin. publicado sob o título Sobre o Mecanismo da Luta de Classes na Ditadura do Proletariado. Este Prefácio, publicado em outra parte deste volume, contém uma seção especial sobre os ataques similares do Professor Thomson a Stalin e ao PCUS. 2. A seção agrária foi esboçada por Lênin. 3. Ver, por exemplo, Peking Review, 1975, N° 22, Ideological Weapon or Restricting Bourgeois Right. 4. Este Prefácio está publicado em outra parte deste volume. 5. O Partido Bolchevique não 'escolheu'. Essa 'escolha' foi imposta pelas condições externas e internas da Revolução de Outubro. "A salvação da Rússia repousa não apenas em uma boa colheita das fazendas camponesas - isso não é bastante; e não somente nas boas condições da indústria leve, que fornece ao campesinato bens de consumo - o que, também, não é bastante. Nós também necessitamos de indústria PESADA. E, para colocá-la em boas condições, serão necessários muitos anos de trabalho". E adiante: A menos que salvemos a indústria pesada, a menos que nós a restauremos, não seremos capazes de construir qualquer indústria; e, sem isso, nós nos arruinaremos como país independente" (Lênin). 6. "Nós temos o hábito de dizer que a indústria é o principal fundamento de nossa economia nacional como um todo, inclusive a agricultura, que é a chave para a reconstrução de nosso sistema de agricultura atrasado e disperso em uma base coletivista. Isso é perfeitamente verdadeiro. Desta posição não devemos nos afastar sequer por um momento. Mas deve também ser relembrado que. enquanto a indústria é o principal fundamento, a agricultura constitui a base para o desenvolvimento industrial, tanto como um mercado que absorve os produtos da
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 64

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
indústria e como fornecedor de matérias-primas e gêneros alimentícios, quanto como uma fonte de exportação de reservas, essencial para importar o maquinário para as necessidades de nossa economia nacional. Podemos fazer avançar a indústria enquanto deixamos a agricultura em um estado de completo atraso, sem prover uma base agrícola para a indústria, sem reconstruir a agricultura e conduzi-la ao nível da indústria? Não. não podemos. Daí a tarefa de suprir a agricultura com a máxima quantidade de instrumentos e meios essenciais de produção, afim de acelerar e promover sua reconstrução sobre uma nova base técnica. Mas, para o cumprimento dessa tarefa, é necessária uma taxa rápida de desenvolvimento de nossa indústria" Stalin. Industrialization of the Country and the Right Deviation in the CPSU(B), discurso proferido na Plenária do CC, PCUS(B), 19 de novembro de 1928, Works, Vol. 11) 7. Seguem-se os números da produção da indústria de larga escala, entre 1913-1937, em bilhões de rublos, a preços invariáveis de 1926/27. Ano 1913 1917 1920 1928 1932 1937 Bens de Produção 4.7 3.7 0.9 7.8 21.7 53.3 Bens de Consumo 6,3 3,2 0,8 9,0 17,2 36,9

8. Os escritores burgueses usualmente interrompem essa citação neste ponto, retirando-a assim de seu contexto, com o exclusivo propósito de fortalecer o alegado nacionalismo e falta de internacionalismo proletário de Stalin. Para expor esta crítica fraudulenta, não muito esperta, preferimos reproduzir a citação na íntegra. 9. Pode ser uma descoberta para nossos "marxistas" do Grupo de Estudos da Política Chinesa mas, não obstante, é um fato que mesmo a Children's Encyclopaedia, declaradamente burguesa, publicada por volta de 1948 em um país imperialista como a Inglaterra, contém verdades acerca da vida soviética tais como se segue: "O segundo plano era anda mais impressionante do que o primeiro, mas tinha um objetivo menos austero. O bem-estar do povo iria ser dobrado e as fazendas coletivas prosperariam ... gêneros alimentícios e outras 'coisas' seriam acrescidas para suprir as necessidades dos operários. Grosso modo. a Rússia projetava dobrar seu produto interno em 1932 ... Novos hospitais, casas de repouso, escolas, berçários, lavanderias, gabinetes de leitura, clubes, campos de esportes e assim por diante, aumentaram em número. O consumo de carne, leite, ovos, banha, açúcar, roupas e sapatos mais do que dobrou ... Hoje, os operários encaram a máquina não como causadora de desemprego, mas como libertadora da humanidade, pois quando as máquinas substituem cada vez mais o trabalho do homem, a população obtém o
Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/ Página 65

Trotskismo x Leninismo - Lições Da história – Parte VI
retorno em mais mercadorias para consumir, maiores salários, melhores condições de trabalho. uma jornada de trabalho mais curta. Mas a liberdade política absoluta, no sentido da palavra, é ainda desconhecida para os russos. Presumivelmente eles não sentem muita falta de algo que eles nunca tiveram. Mas eles têm liberdades sociais e econômicas que significam muito. Eles têm a liberdade de considerarem-se iguais a quaisquer outros homens. Apenas o serviço para a comunidade determina a posição social. Se eles estão muito velhos para trabalhar, tornam-se pensionistas; se estão doentes, são cuidados. Seus filhos são educados pelo Estado até os 17 anos ... Este amor sincero por seu país mostrou-se congênito em todo russo, tanto homem da cidade quanto do campo, quando as hordas nazistas invadiram seu país ... em 1941. Suas forças armadas lutaram até a morte, os operários de fábrica trabalharam sem repouso e os camponeses não hesitaram em destruir tudo que tivesse valor para os nazistas que avançavam". Deixando de lado as calúnias usuais sobre a falta de liberdade sob a ditadura do proletariado em geral e o 'amor' do povo pela falta de liberdade em particular, os parágrafos anteriores indubitavelmente descrevem a verdade acerca do bem-estar material e espiritual do povo soviético durante a época em discussão; refletem verdadeiramente o entusiasmo e a alegria do povo soviético e o seu amor pela terra do socialismo e pelo Partido de Lênin e Stalin, o que contradiz totalmente a afirmação de nossos 'marxistas' sobre o campesinato soviético sendo "uma força silenciosa e desencantada". 10. A História do Partido Comunista da União Soviética (Bolcheviques) - Curso Resumido foi escrito pelo camarada Stalin e é um volume de suas Obras Escolhidas. 11. A maior prova do fato de que as calúnias do Grupo de Estudos da Política Chinesa e do seu gênero espalhadas contra Stalin e o PCUS(B) que ele dirigia não eram senão realmente calúnias, foi a publicação, em meados dos anos 1970, pela Foreign Languages Publishing House (Pequim) dos escritos do camarada Stalin Sobre a Oposição, todos os quais são extremamente relevantes para os argumentos contra o Grupo de Estudos da Política Chinesa. 1 Nota do tradutor: K.D. (Cadetes), principal partido da burguesia monárquica liberal e em seguida da burguesia imperialista russa, formado em 1905 e constituído por burgueses, latifundiários e intelectuais burgueses.

Comunidade Josef Stálin - http://comunidadestalin.blogspot.com/

Página 66

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful