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LOGLINE X 3 ATOS
UFA, a primeira semana se foi, temos a logline pronta!
O próximo passo é decidir o final da sua história e um esboço do temeroso “meio”. Com
estas informações poderemos expandir sua logline para um esqueleto de cinco parágrafos,
criando um protótipo da estrutura de 3 atos.
Pode parecer difícil à primeira vista (e pode ser mesmo), mas lembre-se de que essa
estrutura não é rígida, e tanto a logline quanto esse "protótipo dos 3 atos" podem mudar no
futuro — na verdade, é provável que mudem.
Se você já tem uma ideia do seu meio, pule para a atividade, mas caso não o tenha ou
queira melhorar, vamos começar decidindo primeiro o final da sua história. No final,
você deve pensar onde a história ou o seu personagem deve chegar. Para isso deve-se
perguntar duas coisas sobre o seu personagem principal: O que o seu personagem principal
quer? O que o seu personagem precisa?
O que o seu personagem quer?
A resposta para essa pergunta provavelmente está em sua logline. Ele é o objetivo
que motiva o seu personagem a entrar na jornada. Ex: Solucionar um mistério, destruir o
vilão, resgatar alguém, vingar os pais, encontrar um ente perdido, destruir um esquema de
corrupção política, encontrar um lugar seguro, ser um cantor famoso.
O que o seu personagem precisa?
Já a resposta para essa pergunta é algo interno do seu personagem. Costumo dizer
que é o que o seu personagem poderia resolver em uma terapia, mas se ele a fizesse, a
história não rolaria: Ex: Aprender a criar confiança, ser independente, superar um trauma,
liberdade, curar a criança interior.
Tendo resolvido estas perguntas, agora temos que pensar se o seu personagem
conseguirá o que ele quer e o que ele precisa; e como ele ficará após o fim da
jornada.
➔ O objetivo estabelecido na logline será
atingido?Ele conseguirá resolver o mistério? destruir
o vilão? Resgatar a pessoa que ele buscava?
Vingar-se? Destruir o esquema de corrupção?
➔ O seu personagem terá o que ele precisa?
Ele aprenderá a confiar? Irá superar o trauma?
Ganhará independência?
➔ E quem o seu personagem será após a sua
jornada?
🎉🎉🎉
Ao responder todas essas perguntas, parabéns,
você terá o seu final.
Agora, vamos pensar no “meio” ou no "desenvolvimento" da história. Este é o ponto
mais longo e é a etapa que leva mais pessoas à desistência, pois se perdem ou ficam sem
saber o que fazer. Por isso, é importante ter pelo menos um guia do que fará ao longo da
narrativa. Quanto mais complexa e cheia de subplots for a sua história, mais detalhado
precisará ser o seu esqueleto.
Neste ponto, ajuda-me bastante criar listas:
● Uma lista de coisas que o meu personagem precisa ou pode precisar para atingir o
seu objetivo e então vou destrinchando.
Ex: O objetivo de um pirata fugitivo é encontrar um tesouro escondido em alto mar.
Para isso ele irá precisar:
➔ Encontrar um barco para atravessar o mar.
➔ Encontrar uma tripulação para o barco.
➔ Encontrar um mapa que o levará ao tesouro.
Então eu destrincho:
➔ Encontrar um barco.
◆ Precisará de dinheiro para comprar o barco. Onde ele o conseguirá?
◆ Se não for dinheiro então ele roubará um? De quem? Como?
➔ Encontrar uma tripulação.
◆ Onde?
◆ Quem?
◆ Pq topariam ir com ele?
➔ Encontrar um mapa.
◆ Onde está esse mapa? Como ele irá conseguir?
Este é um modo básico que utilizo para histórias de ação e aventura (que notei ser a
maioria dos casos na logline), entretanto, em casos de romance não fogem muito dessa
estrutura. Mas ao invés de perguntar o que o seu personagem precisa para atingir o
objetivo, você precisará se perguntar: o que precisa acontecer para esses
personagens se apaixonarem?
● A partir desta lista, eu crio outra, com todas as coisas que podem dar errado ou
impedir que seu personagem chegue aos sub-objetivos.
● Então, por fim, uma lista de locais onde cada um desses eventos ocorrerão.
Mas se este modelo não funcionar com você, basta pensar em 3 grandes desafios
que o seu personagem deve enfrentar para chegar ao final. No fim deste documento
há um anexo mais complexo para quem tiver interesse.
AGORA É A SUA VEZ!
1. Responda as questões abaixo:
a. Como é o mundo comum da sua história? Ou seja, como é a vida do seu
personagem antes do problema. PS: não esqueça de citar onde a história
inicia. (País, cidade e ano).
b. Qual o evento catalisador? Ou seja, aquilo que tira o seu personagem da
vida normal dele e o coloca em uma aventura.
c. Qual o objetivo do seu personagem? Ele permanece ao longo da narrativa ou
muda? Se mudar, muda para o que?
d. O que o seu personagem precisa?
e. Ele consegue o que ele quer e o que precisa?
f. Escolha três os desafios de dificuldade gradativa para o desenvolvimento.
g. Após o final, como estará o seu personagem?
2. Crie um texto com no mínimo 5 parágrafos, no qual:
➔ No primeiro parágrafo, você deve estabelecer a introdução da história,
apresentando os personagens, o cenário, a situação inicial/mundo
comum e o evento catalisador.
➔ No segundo, terceiro e quarto parágrafo, você entra no meio da história,
onde o conflito principal começa a se desenrolar. É nessa parte que os
obstáculos surgem, os personagens enfrentam desafios e a tensão
aumenta. Neste ponto, você deve apresentar 3 desafios ou três pontos
chaves. Sendo a dificuldade de resolução gradual. Ou seja, o primeiro
desafio é mais fácil, o segundo intermediário e o terceiro o mais difícil. Cada
paragrafo deve falar de um desafio.
➔ No quinto parágrafo, você chega à conclusão da história. Aqui, os eventos se
encaminham para uma resolução, os nós são desatados e as perguntas são
respondidas. Os personagens podem alcançar seus objetivos ou não, mas
é importante proporcionar uma conclusão satisfatória aos espectadores ou
leitores. Também é neste momento que é apresentado a nova realidade.
Lembre-se de que essa estrutura de 3 atos é flexível e pode ser adaptada de acordo
com as necessidades da sua história. À medida que você desenvolve a trama e os
personagens, é natural que ajustes e modificações sejam feitos tanto na logline quanto no
protótipo dos 3 atos.
(Se quiser mais detalhes, confira a próxima página)
O PRIMEIRO PARÁGRAFO A.K.A ATO I…………………………………………………………
1. Mundo comum
No contexto da escrita criativa, o "mundo comum" se refere ao ambiente ou cenário
inicial no qual a história se desenrola. É a realidade cotidiana e familiar na qual os
personagens existem antes de qualquer grande acontecimento ou transformação
ocorrer.
O mundo comum é o ponto de partida da narrativa, onde os leitores são introduzidos
à vida normal dos personagens, suas rotinas, relacionamentos e circunstâncias. É
um momento de estabilidade, no qual as coisas estão em equilíbrio antes de serem
abaladas pelo conflito ou pelo evento que impulsiona a história adiante.
Detalhes sobre o local, a época, as relações interpessoais e até mesmo as
pequenas peculiaridades da vida diária podem ser explorados para construir esse
cenário autêntico.
Ao estabelecer o mundo comum, os escritores têm a oportunidade de criar contraste
com os eventos que virão depois, tornando-os mais impactantes. Essa mudança no
mundo comum é muitas vezes o ponto de partida para o desenvolvimento da trama,
quando os personagens são lançados em situações de desafio, aventura ou
mudança significativa.
Assim pergunte-se: Quem era o seu protagonista antes do evento catalisador? O
que ele fazia? Qual a sua realidade? Em que cidade/país/bairro a história se inicia?
2. Evento catalisador:
O evento catalisador, também conhecido como incidente desencadeador, é um
acontecimento específico na história que provoca a transformação e o
desdobramento dos eventos principais. Esse evento é o ponto de virada que rompe
o equilíbrio do mundo comum e impulsiona os personagens em direção ao conflito
central da trama.
O evento catalisador é o gatilho que desencadeia a ação e a jornada dos
personagens. Pode ser um incidente repentino, uma descoberta importante, um
encontro inesperado ou qualquer outro evento que perturbe a ordem estabelecida.
Esse evento é crucial para impulsionar a narrativa adiante e criar o conflito central da
história.
Além de desencadear a ação, o evento catalisador geralmente desperta um desejo
ou objetivo nos personagens principais. Pode ser o despertar de um amor, a busca
por vingança, a luta pela sobrevivência, o desejo de alcançar um sonho, entre
outros. Esse desejo impulsiona os personagens a superarem obstáculos e
enfrentarem desafios ao longo da narrativa.
O evento catalisador é um elemento-chave na escrita criativa, pois estabelece a
mudança e o conflito necessários para criar uma narrativa cativante. Ele serve como
um ponto de partida para a transformação dos personagens e o desenvolvimento da
trama, criando a tensão e o interesse que mantêm os leitores engajados na história.
3. Ponto de virada:
O ponto de virada é um momento significativo na narrativa em que ocorre uma
mudança fundamental na direção dos eventos, impactando a trajetória dos
personagens e a progressão da história. É um ponto crucial onde as circunstâncias
se transformam de maneira significativa, levando a uma nova fase ou
desenvolvimento na trama.
O ponto de virada geralmente ocorre após o evento catalisador e serve para
intensificar o conflito e aumentar a tensão na história. Pode ser um acontecimento
repentino, uma revelação surpreendente, uma reviravolta inesperada ou a
concretização de uma ação importante pelos personagens.
Esse momento tem o poder de alterar as motivações, os objetivos e as relações
entre os personagens, lançando-os em uma nova direção. Pode ser um ponto de
virada positivo, onde os personagens alcançam uma descoberta valiosa ou avançam
em direção ao seu objetivo principal. Também pode ser um ponto de virada negativo,
no qual os personagens enfrentam uma grande derrota, perda ou reveleção
impactante.
O ponto de virada desempenha um papel crucial no desenvolvimento da trama,
oferecendo uma virada surpreendente ou significativa que mantém o interesse dos
leitores ou espectadores. Ele marca uma mudança importante na história,
impulsionando-a em direção ao clímax e à resolução final.
Usando o exemplo da ladra:
● Mundo Comum: Anika é uma ladra cínica procurada pela polícia, ela
estará cometendo um roubo no Louvre.
● Incidente iniciado: Anika é presa pela polícia.
● Ponto de virada: Ela está sendo levada em um avião quando os policiais
recebem um chamado e percebem que ela seria boa para realizar a
missão; portanto negociam com ela a liberdade. Anika pensa um pouco,
mas aceita.
Portanto, colocando no meu estilo de escrita que sempre explica o mundo
comum junto ao incidente: Quando os agentes franceses encarregados de levar Anika,
uma ladra cínica presa no Louvre, recebem uma missão, eles notam que ela é chave
fundamental e a oferecem uma oportunidade de liberdade: Roubar uma arma russa. Ela
aceita.
Mas também poderia ser: Anika entra no louvre para roubar um diamante,
entretanto, é presa por agentes franceses. Ela está sendo levada em um avião quando os
policiais recebem um chamado e percebem que ela seria boa para realizar a missão;
portanto negociam com ela a liberdade. Anika pensa um pouco, mas aceita.
Ou poderia: Anika, encontrava-se algemada e cercada por agentes franceses
após invadir o Louvre e ser pega. Sua reputação como uma habilidosa e cínica ladra a
precedia, e agora ela estava prestes a enfrentar as consequências de seus atos. No
entanto, seu destino tomaria um rumo inesperado quando os agentes franceses recebem
uma missão confidencial. Eles precisavam obter uma arma russa altamente secreta, que
estava sob a guarda de um grupo paramilitar no coração de Moscou. Sabendo que Anika
era a chave para essa operação arriscada, eles oferecem a ela uma oportunidade de
liberdade em troca de sua ajuda. Inicialmente relutante, Anika percebe que essa é a única
chance de escapar de uma longa sentença de prisão. Ela aceita a oferta dos agentes
franceses e embarca em um avião rumo a Moscou, onde seria apresentada ao restante
da equipe.
O SEGUNDO, TERCEIRO E QUARTO PARÁGRAFO A.K.A ATO II………………………….
Lembra-se do objetivo do seu personagem? E da força antagônica? Esse é o momento em
que seu personagem começa a ir atrás do primeiro e enfrenta desafios para os conseguir.
Isto é feito de modo progressivo e para isso gosto de pensar em 3 partes que seu
personagem precisa enfrentar.
Esses obstáculos, claro, devem ter ordem progressiva de dificuldade.
Portanto, pense: O que o meu personagem precisa aprender, conseguir ou destruir
para atingir o seu objetivo? Pense no macro. Faça realmente uma lista, você pode colocar
todas as coisas que você acha que ele precisa aprender, antagonistas que precisam ser
derrubados ou eventos marcantes.
1. PRIMEIRA PARTE DO ATO II
a. Reação do personagem ao catalisador:
b. Apresentação da nova realidade:
c. A busca do equilíbrio - tentando descobrir para onde a sua vida deve ir.
d. Conflito de baixa dificuldade.
No exemplo da ladra: No quartel-general francês em Moscou, Anika é introduzida aos
outros membros da equipe. Há um clima de desconfiança no ar, pois alguns agentes não
esqueceram os delitos passados de Anika e nutrem mágoa contra ela. Um dos membros da
equipe, Vincent, em especial, parece ressentido e hostil. Ele havia sido vítima de um roubo
realizado por Anika no passado que atrapalhou sua missão e estava relutante em confiar
em suas habilidades. Determinada a provar seu valor, Anika concentra-se em planejar
meticulosamente o roubo da arma russa. Ela estuda a localização exata do esconderijo,
analisa as rotinas de segurança do grupo paramilitar e identifica suas vulnerabilidades. Seu
objetivo é criar um plano perfeito que minimize os riscos e maximize as chances de
sucesso. Enquanto Anika trabalha intensamente em seu planejamento, ela também tenta
construir uma ponte com os outros membros da equipe. Ela sabe que sua única esperança
de sucesso é conquistar sua confiança e superar as desconfianças que existem entre eles.
Com o tempo, Anika espera que sua experiência e habilidades possam mudar a opinião dos
agentes e provar que ela é uma aliada valiosa.
2. SEGUNDA PARTE DO ATO II
a. Começa a reagir
b. Resposta definitiva e que altere a história dos personagens
c. Criação de habilidades e conhecimentos para o climax
d. Dramaticamente novo e diferente de tudo o que aconteceu
3. TERCEIRA PARTE DO ATO II
a. Personagem começa a agir
b. Mistérios devem ser solucionados (ou falsamente solucionados)
c. Maior risco
O TERCEIRO PARÁGRAFO A.K.A ATO III………………………………………………………
Clímax
Nova realidade