Fisio Pat
Fisio Pat
2. Patologia Ortopédica
Coluna Vertebral
Espondilartrose
Fatores predisponentes:
Sintomas:
• O principal sintoma é a dor que agrava com o movimento, podendo haver espasmos
musculares associados à região do dorso e aos paravertebrais.
Tratamento:
Escoliose
• A coluna vertebral apresenta um padrão linear quando vista no plano frontal. Uma
alteração deste alinhamento com curvatura maior do que 10º (ângulo de Cobb) é
chamada de escoliose.
• Na verdade, a escoliose não é apenas uma curva no plano frontal, mas sim uma
rotação das vértebras que culmina em alterações em todos os planos da coluna.
• Quando vista de cima para baixo, a escoliose apresenta as vértebras envolvidas na
curva rodadas em relação umas as outras, o que pode determinar, além de rotação
da coluna, deformidades das costelas, tórax, cintura escapular e pélvis.
Tratamento:
• Se a escoliose for idiopática, que é o caso mais comum nas crianças, o tratamento
conservador inclui o colete, que visa evitar a progressão e não o tratamento; por
vezes, recorre-se ao tratamento cirúrgico.
• Se a escoliose for adquirida, que é o caso mais comum nos adultos devido a más
posturas e movimentos repetitivos, o tratamento passa pela correção postural,
ensino de técnicas de conservação de energia e alongamento e estiramento
muscular.
Espondilolistese
Sintomas:
Nota: As patologias acima referidas, são as mais comuns na coluna vertebral e todas elas
têm como principal sintoma a dor. Assim, a designação da dor vai incidir sobre a região
afetada, nomeadamente: cervical – cervicalgia; dorsal – dorsalgia; lombar – lombalgia.
Hérnia discal
• As vértebras estão separadas por discos cartilaginosos e cada disco é formado por
um anel fibroso externo e uma parte interna mole (núcleo pulposo) que atua com o
amortecedor durante o movimento das vértebras.
• Se um disco degenerar (por exemplo, devido a um traumatismo ou por
envelhecimento), a sua parte interna pode protrair ou rasgar e sair através do anel
fibroso (hérnia discal).
• O núcleo pulposo do disco pode comprimir ou irritar a raiz nervosa, havendo risco
de provocar lesão.
Sintomas:
Tratamento:
• O tratamento inclui repouso e evitar atividades que exijam movimentos de grandes
amplitudes de coluna ou os que provoquem dor;
• Pode igualmente haver a toma de fármacos.
• O tratamento fisioterapêutico está indicado para reduzir a dor e ensino de
exercícios de correção postural. Pode haver necessidade de procedimento cirúrgico
sempre que a sintomatologia neurológica não atenue ou a atrofia muscular se
mantenha.
Coxo-femoral
Coxartrose
• Também designada por artrose da anca, é o resultado do desgaste da cartilagem
desta articulação.
• Localmente, ocorre a desorganização da matriz de colagénio e a diminuição dos
proteoglicanos e do conteúdo hídrico (líquido sinovial) da cartilagem, assim como a
sua espessura. Assim, irá haver atrito e consequente destruição de tecido ósseo.
Fatores predisponentes:
Sintomas:
Tratamento:
• O tratamento para a coxartrose inicial é idêntico às restantes artroses.
• Na fisioterapia recorre-se à utilização de uma serie de aparelhos com objetivos anti-
inflamatórios, como por exemplo: ultrassons, ondas curtas, TENS, magnetoterapia.
• O tratamento deverá ser complementado com termoterapia –calor ou frio –,
técnicas manuais para alongamentos, mobilização articular e reforço muscular,
através de exercícios de hidroginástica ou com carga ligeiras.
• Quando o desgaste articular é grande, a artroplastia é a intervenção cirúrgica mais
utilizada, nomeadamente a prótese total da anca (PTA).
Nota: Uma PTA consiste na resseção da cabeça femoral e da cartilagem do acetabulo para
permitir a sua substituição por um implante (prótese) em metal.
Ciatalgia
Causas:
• A dor ciática é geralmente causada pela compressão de uma ou mais de suas raízes
lombossagradas, mas pode ocorrer devido à compressão do próprio nervo ciático.
• As causas mais prováveis são:
• hérnia de disco;
• estenose espinal;
• síndrome do piramidal;
• hábitos e posturas não saudáveis, exercícios executados de forma incorreta e
falta de alongamento, que podem ocasionar problemas vertebrais e
consequente ciatalgia.
• Outras causas da ciática incluem infeções, tumores ou síndrome da cauda equina.
• Entre 13% e 40% das pessoas tem ciatalgia ao longo da vida, mas apenas 1,6% têm
casos mais graves.
Tratamento:
• Geralmente, fármacos analgésicos, repouso e fisioterapia são suficientes para
resolver a condição, uma vez que a grande maioria dos casos é causada por
herniações.
• Uma vez que várias condições podem comprimir as raízes do nervo ciático e causar
ciática, as opções de tratamento geralmente diferem.
• O tratamento da compressão é geralmente a prática mais eficiente.
• Quando a causa se deve ao disco intervertebral lombar prolapsado a uma hérnia,
pesquisas têm mostrado que em 90% dos casos existe recuperação mesmo sem
tratamento, apesar de a fisioterapia para reeducação postural e repouso acelerarem
a recuperação.
Bursite da coxofemoral
Causas:
• A bursite da anca pode ser provocada por um traumatismo direto, como o de uma
queda, ou pela flexão e extensão excessivas desta articulação como, por exemplo
quando se anda de bicicleta.
Sintomas:
• A dor é variável de acordo com o tipo de bursite presente.
• Pode estar localizada sobre a parte externa da anca e da coxa, ou apresentar-se
inicialmente sobre a nádega e só mais tarde passar para a anca.
• A dor também pode estar presente na virilha e irradiar, de forma ligeira, para a anca
oposta.
• Os sintomas agravam-se ao fazer pressão sobre a anca ou virilha, ou através da
rotação interna da anca com flexão. Também tendem a piorar na posição de
sentado ou com esforço, por exemplo, na defecação.
• A dor pode agrava-se durante a noite.
Tratamento:
O tratamento, no caso de ser uma lesão aguda, tem como objetivo inicial controlar os sinais
inflamatórios, através de:
• Repouso:
• Evitar caminhar e estar muito tempo pé. Se necessário, numa fase inicial,
devem usar-se canadianas.
• Gelo:
• Aplicar uma compressa de gelo na área lesada, colocando uma toalha fina
entre o gelo e a pele.
• Fazer gelo por 20 minutos e depois esperar pelo menos 40 minutos antes de
aplicar novamente.
• Repetir 2 a 3 vezes por dia.
• Analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides.
• Assim que os sintomas diminuírem, deve ser iniciado um programa de fisioterapia.
As técnicas que revelam maior eficácia nesta condição são:
• Exercícios de alongamento progressivo, principalmente do tensor da
fáscialata.
• Aplicação de ultrassons e TENS
• Exercícios de fortalecimento dos abdutores da coxa, sobretudo o glúteo
médio, para potenciar o retorno à atividade e para diminuir o risco de
recidivas.
Pubalgia
• Também conhecida como osteíte púbica, uma vez que ocorre dor e inflamação das
estruturas ao redor e sobre a sínfise púbica.
• A pubalgia resulta de um uso excessivo e repetitivo dos músculos que se inserem na
sínfise púbica e pode implicar uma interrupção prolongada na atividade física.
• O osso púbico é local onde se inserem diversos músculos, cujos tendões ficam
inflamados devido ao stress repetitivo na região da sínfise púbica.
Fatores de risco:
• A falta ou a inadequada execução de alongamento da musculatura adutora da coxa
associada ao excesso de exercícios abdominais que os atletas realizam, podem ser
causa de desequilíbrio muscular na sínfise púbica e, consequentemente, de
pubalgia;
• A gravidez é também um fator de risco.
• Por outro lado, existem fatores de risco que são intrínsecos a cada pessoa como, por
exemplo, anomalias congénitas ou adquiridas da parede abdominal, sobretudo nas
suas localizações mais inferiores, tal como as anomalias do canal inguinal ou as
desigualdades no comprimento dos membros inferiores (que são muito frequentes,
embora inaparentes), que geram instabilidade pélvica.
• A qualidade do solo e do calçado usado (pisos duros e uso de calçados com pouca
absorção de choques) podem igualmente contribuir para o desenvolvimento da
pubalgia.
Sintomas:
• O início desta patologia é insidioso, pelo que a dor aumenta progressivamente até
haver limitação de mobilidade.
• Com o agravar da inflamação, a dor que antes se concentrava apenas no quadril
migra para outras partes, como o abdómen inferior e a virilha.
• A dor piora com exercício, esforço ou certas posturas, podendo ser sentida ao subir
escadas ou no impulso do quadril para frente.
• A dor pode ainda irradiar para o períneo e testículos, causando lombalgia, quando
associada a uma lesão da sacroilíaca.
Tratamento:
• O tratamento da pubalgia é feito através de termoterapia e repouso;
• Quando a dor diminui, devem ser iniciados exercícios de alongamento para os
músculos da região interna da coxa, exercícios de fortalecimento abdominal e da
região lombar, exercícios de fortalecimento dos adutores, abdutores, flexores e
extensores do quadril e exercícios de estabilização do tronco e da coluna vertebral.
• O retorno à atividade desportiva pode ocorrer, nos casos mais ligeiros, ao fim de 3 a
5 dias. Nos casos mais graves, o repouso e tratamento devem durar 3 semanas a 3
meses, podendo estender-se até 6 meses.
• Se, após 3 meses, o tratamento conservador não for eficaz, deve-se considerar o
tratamento cirúrgico.
Joelho
Lesão meniscal
Sintomas:
• Logo após a rotura, a maioria das pessoas consegue andar e muitos atletas
continuam a praticar desporto; no entanto, ao fim de 2 a 3 dias, o joelho fica menos
móvel e inchado.
• Os sintomas mais comuns são a dor, a rigidez, o edema, uma sensação de perda de
controlo do joelho e a redução da amplitude dos movimentos, tanto de extensão
como de flexão.
Tratamento:
• O tratamento da lesão é fundamental, uma vez que um fragmento do menisco pode
soltar-se e bloquear a articulação do joelho.
• As indicações para tratamento não cirúrgico incluem lesões estáveis, lesões de
espessura parcial, lesões degenerativas assintomáticas ou lesões cujos sintomas são
bem tolerados pelo paciente. Nestes casos, o protocolo RICE é útil, devendo ser
usadas canadianas, toma de fármacos anti-inflamatórios e fisioterapia com vista ao
alongamento e reforço muscular.
• O tratamento cirúrgico das lesões meniscais está indicado nas situações de
persistência dos sintomas após tratamento conservador, persistência da dor ou
bloqueio articular.
Fatores predisponentes:
• As lesões do ligamento cruzado anterior são comuns e aproximadamente 70%
ocorrem durante a prática de desporto.
• Entre 70% e 90% das lesões deste ligamento ocorrem em situações sem contacto
direto contra o joelho e associam-se, frequentemente, a lesões de outras estruturas
(meniscos, ligamentos e cartilagem), dado que as lesões isoladas são raras.
Classificação:
• Estas lesões podem ser classificadas em função da sua gravidade:
• Grau 1: Lesão ligeira em que o ligamento se encontra ligeiramente
distendido, mas tem capacidade de manter a articulação do joelho estável.
• Grau 2: Maior distensão e laxidão ligamentar, podendo ocorrer uma rotura
parcial. Existe perda parcial da estabilidade da articulação.
• Grau 3: Corresponde a uma rotura total do ligamento, com instabilidade da
articulação do joelho.
Sintomas:
• O paciente refere dor imediata após o trauma que provocou a lesão, apresentando
uma sensação de estalido ou mesmo um som audível.
• O edema secundário à hemartrose (acumulação de sangue na articulação) é
observado algumas horas após o momento da lesão, agravando os sintomas
dolorosos e a limitação funcional. Estima-se que cerca de75% das lesões deste
ligamento se associem a uma hemartrose aguda.
• As sensações de instabilidade, caracterizadas por passos em falso, são comuns
durante as tentativas de retorno ao desporto, podendo manifestar-se também nas
atividades de vida diárias.
Tratamento:
• O tratamento a realizar é decidido de acordo com o nível de atividade física do
paciente.
• Os pacientes sedentários, sem grande apetência pelo desporto, poderão ser
tratados de um modo conservador, sendo a fisioterapia importante para o
tratamento dos sintomas inflamatórios (dor e edema), restauração completa do
movimento, recuperação da atrofia muscular e retorno às condições funcionais
satisfatórias para as atividades devida diárias.
• As indicações para o tratamento cirúrgico são a instabilidade sintomática para as
atividades quotidianas e desportivas, o desejo de manter a atividade desportiva e a
ineficácia do tratamento conservador.
• De um modo geral, as duas porções do ligamento são suturadas ou o
ligamento é reconstruído com recurso a técnicas de enxerto.
• A estratégia a adaptar deverá ser sempre devidamente individualizada.
• A recuperação após a cirurgia é lenta, sendo necessários 6 meses ou mais
antes de se poder retomar a atividade desportiva.
• A fisioterapia é essencial para restaurar gradualmente a flexibilidade dos
ligamentos e a força muscular.
Condropatia femoro-patelar
Tratamento:
• O tratamento normalmente é não cirúrgico.
• Cuidados nos exercícios físicos de alto impacto, adaptações do calçado, fármacos e
fisioterapia normalmente são as opções utilizadas.
Tendinopatia da pata de ganso
• Designa-se por Pata de Ganso a junção de três tendões provenientes dos seguintes
músculos: costureiro, semi-tendinoso e grácil (reto interno).
• Inserem-se na superfície medial da tíbia e a sua principal função é a flexão do
joelho;
• a função secundária é promover a rotação medial do mesmo, auxiliando nas forças
em valgo, bem como nas forças rotativas.
• Nesta estrutura, é ainda importante salientar a importância de uma bolsa sinovial,
localizada entre tíbia e os tendões da Pata de Ganso, a qual reduz o atrito entre
tendões e osso, promovendo a proteção das estruturas.
Sintomas:
• O desgaste desta bolsa sinovial leva a que o atrito agrave, traduzindo-se em dor.
• Esta é sentida na região medial do joelho ao subir e descer escadas, ao caminhar,
após estar sentado, ao iniciar marcha e à palpação, havendo edema localizado.
Causas:
• É causado por overtraining, aumento abrupto de treino em subidas, hipotrofia
muscular da coxa, joelhos valgos, pé chato e tipo de passada (pronada).
Tratamento:
• O tratamento neste tipo de patologia depende da fase em que se encontra.
• Caso se esteja perante uma lesão em fase aguda, deverá haver recurso a técnicas
para eliminar o fator inflamatório. Assim, deverá ser aplicado gelo
(preferencialmente dinâmico), laser, TENS, fármacos anti-inflamatórios e exercícios
de alongamento e reforço muscular dos músculos periféricos.
• Numa fase mais crónica, a aplicação de gelo deixa de ser viável, pois não existirá
inflamação; neste caso, o calor é melhor opção, para que haja um maior aporte de
sangue à estrutura, relaxamento da área e regeneração dos tecidos.
Pé
Sintomas:
• No momento da lesão, pode ser audível um estalido, seguido de uma dor forte
imediata na parte posterior do tornozelo e na parte inferior da perna que,
normalmente, afeta a capacidade de andar corretamente, podendo o pé ficar
pendente.
Causas:
• Uma lesão no tendão de Aquiles pode ser causada por:
• uso excessivo
• aumento do nível de atividade física de forma brusca
• ausência de alongamento
• usar sapatos de salto alto
• encurtamento muscular.
Tratamento:
• A cirurgia é frequentemente a melhor opção de tratamento para reparar uma
rotura do tendão de Aquiles.
Neuroma de Morton
• O neuroma de Morton trata-se de um espessamento da bainha tendinosa que leva
ao engrossamento do tecido que envolve o nervo digital, que percorre os dedos do
pé.
• Ocorre quando o nervo passa sob o ligamento que conecta os ossos do dedo, entre
o 3º e 4º dedos do pé, pela compressão mecânica dos ramos digitais dos nervos
plantares.
• Caracteriza-se por uma lesão não neoplásica, com formação de fibrose perineural do
nervo plantar, ou seja, há um alargamento fusiforme do nervo digital plantar,
geralmente como reação à irritação, ao trauma ou à pressão excessiva.
Incidência:
• A incidência do neuroma de Morton é 8 a 10 vezes maior nas mulheres do que nos
homens.
Sintomas:
• O neuroma de Morton causa dor na parte anterior do pé, que melhora perante a
retirada do calçado ou massagem.
• Ocorre irradiação para os dedos, acompanhada ou não de parestesias nas áreas
inervadas pelos ramos envolvidos, piorando com o uso de calçado mais apertado.
Tratamento:
• Inicialmente, o tratamento envolve a mudança de calçado e a toma de fármacos
anti-inflamatórios e fisioterapia, com objetivo de alongamento da fáscia plantar e
musculatura flexora dos dedos.
• O uso de palmilhas para supressão da carga na região dos metatarsos pode ser
usado como coadjuvante.
• Quando o tratamento conservador é ineficaz, recorre-se à cirurgia para neurólise e
libertação do ligamento metatársico transverso, com vista à descompressão.
Entorse tibiotársica
• Também denominada de entorse do tornozelo.
• É, provavelmente, a lesão mais comum no universo das alterações músculo-
esqueléticas.
• Estima-se que 15-25% de todas as lesões músculo-esqueléticas sejam deste tipo.
• Na sua esmagadora maioria, as entorses do tornozelo são externas (cerca de 95%).
• Os ligamentos do tornozelo mantêm os ossos e a articulação estáveis, protegendo a
última de movimentos extremos, como as torções e rolamentos do pé,
particularmente por inversão. São estruturas elásticas que estiram até ao seu limite,
regressando à sua configuração inicial. Se um ligamento for forçado para lá da sua
normal capacidade elástica, ocorre uma entorse que, em casos graves, pode
associar-se a uma rotura das fibras que o compõem.
Classificação:
• Esta lesão apresenta 3 graus, de acordo com a sua severidade:
• Grau 1. Distensão do ligamento perónio-astragaliano-anterior
• Grau 2. Seção do ligamento perónio-astragaliano-anterior e da cápsula
anterior
• Grau 3. Seção dos ligamentos estabilizadores do pé e da cápsula, lesão dos
peroniais e lesão osteocondral.
Fatores de Risco:
Os principais fatores de risco são:
• alterações anatómicas (como a diferença de comprimento dos membros inferiores
ou laxidão ligamentar);
• a existência de antecedentes de entorse de repetição;
• a prática de desportos que envolvem movimentos de impulsão/salto e corrida.
Sinais e sintomas:
• Destacam-se como sintomas de alerta para uma entorse grave a presença de dor
imediata e lancinante, perceção de rotura na face externa do tornozelo
acompanhada de estalido/ruído e o aparecimento rápido de tumefação/edema.
• Pode também ocorrer dor noturna, formação de hematoma, instabilidade nos
movimentos e a impossibilidade de suportar carga sobre o tornozelo.
• Os sintomas serão tanto mais acentuados quanto mais grave for a entorse.
Tratamento:
• O tratamento das entorses vária com a sua gravidade.
• Na entorse de grau I:
• Não é necessária imobilização, bastando a realização de exercícios de força e
flexibilidade.
• Nestes casos, o repouso, a crioterapia, a contenção e a elevação do tornozelo
acima do nível do coração durante os primeiros dois dias são medidas muito
úteis.
• Nas entorses de grau II, as medidas anteriores são importantes, mas as
imobilizações associadas à fisioterapia adquirem maior relevância.
• No grau III, a cirurgia poderá ser necessária, embora alguns casos possam ser
tratados somente com uma imobilização adequada.
• Os casos II e III, implicam o uso de canadianas e toma de fármacos anti-
inflamatórios analgésicos.
• Na maioria dos casos, o processo de cicatrização dura 4 semanas a 6 meses.
• A incorporação precoce de movimentos no caso das lesões do tornozelo é
importante para prevenir a rigidez.
• No processo de reabilitação, a estimulação elétrica ou por ultrassons ajuda a
controlar a dor e o edema e permite prevenir a cronicidade do problema, a que se
deve associar a recuperação da força muscular e amplitude de movimento.
• A cirurgia raramente é necessária, sendo utilizada apenas quando o tratamento
médico não é eficaz. A cirurgia pode ser realizada por artroscopia, que permite a
visualização da articulação e a deteção de fragmentos ósseos ou de cartilagem, bem
como a visualização direta e reconstrução do ligamento afetado.
• É de realçar que a ocorrência de uma entorse no passado incorretamente tratada
aumenta o risco de novas entorses. Quando as mesmas ocorrem de forma repetida
e a dor se mantém durante mais de 4 semanas a 6 meses, considera-se a entorse
crónica. Estas lesões crónicas alteram a propriocepção e geram desequilíbrio e
fraqueza muscular que aumentam o risco de novas lesões.
3. Patologia Neurológica
Até inícios do ano 2000, as lesões neurológicas não eram alvo de tratamento da
fisioterapia, pois acreditava-se que não era possível trabalhar o SNC. Atualmente, a a
terapêutica da patologia neurológica envolve a fisioterapia pois esta, além de recuperar,
auxilia na prevenção de lesões e agravamento das mesmas.
• Também conhecido pela sigla AVC, é caracterizado pela perda rápida de função
neurológica, decorrente do entupimento (isquemia) ou rompimento
(hemorragia) de vasos sanguíneos cerebrais.
• De acordo com a Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral, Portugal
é, na Europa Ocidental, o país com mais elevada taxa de mortalidade, sobretudo
na população com menos de 65 anos de idade.
Sinais e Sintomas:
Classificação do AVC:
AVC Isquémico
AVC Hemorrágico
• O AVC hemorrágico é menos comum, estando presente em cerca de 20% dos casos,
mas não menos grave.
• Ocorre pela rotura de um vaso sanguíneo intracraniano. O sangue em contato com o
parênquima nervoso tem ação irritativa. Além disso, a inflamação e o efeito de
massa ou pressão exercida pelo coágulo de sangue no tecido nervoso prejudica e
degenera o cérebro e a função cerebral.
• As consequências são mais graves.
1. Hipertensão arterial: é o principal fator de risco para AVC, pois acelera o processo
aterosclerose, além de poder levar a uma ruptura de um vaso sanguíneo ou uma
isquemia;
2. Doença cardíaca;
3. Colesterol: é produzido principalmente no fígado e adquirido através da dieta rica
em gordura. Os seus níveis alterados, especialmente a elevação da fração LDL (mal
colesterol, presente nas gorduras saturadas, ou seja, aquelas da origem animal,
como carnes, gema de ovo etc) ou a redução da fração HDL (bom colesterol) estão
relacionados com a formação das placas aterosclerose;
4. Tabagismo: o fumo acelera o processo de aterosclerose, diminui a oxigenação do
sangue e aumenta o risco de hipertensão arterial;
5. Consumo excessivo de bebidas alcoólicas: eleva níveis de colesterol e a maior
propensão à hipertensão arterial;
6. Diabetes;
7. Idade: quanto mais idosa uma pessoa, maior a probabilidade de AVC;
8. Sexo: até aproximadamente 50 anos de idade vírgula o homem tem maior
propensão do que as mulheres; depois desta idade, o risco é semelhante;
9. Obesidade: aumenta o risco de diabetes, de hipertensão arterial e de aterosclerose;
10. Anticoncecionais hormonais;
11. Malformação arteriovenosa cerebral: distúrbio congénito dos vasos sanguíneos do
cérebro nos locais onde exista uma conexão anormal entre as artérias e as veias;
12. Stress.
Nota: Para saber se uma pessoa está a ter um AVC, devem ser feitas três solicitações:
1. Sorrir
2. Levantar os braços
3. Repetir uma frase (“trinta e três”)
Fisiopatologia
• Estima-se que existam 3 a 5 casos de ELA por cada 100 mil pessoas da população
geral.
• Embora muitos casos surjam entre os 40 e os 75 anos, a maioria das pessoas
afetadas tem uma idade superior a 60 anos. Contudo, esta doença pode manifestar-
se em qualquer idade.
• É mais comum em homens do que em mulheres e mais nos caucasianos do que nos
indivíduos de raça negra.
Sinais e Sintomas
• Os principais sintomas desta doença são a falta de força muscular, atrofia muscular,
espasmos involuntários nos músculos, cãibras, fadiga, músculos presos por aumento
do seu tónus (espasticidade) e aumento da quantidade de produção de saliva.
• Existem diferentes formas de apresentação para esta doença:
• A forma medular, mais frequente, envolve os músculos dos braços ou das pernas,
causando dificuldades na marcha. Se envolver fraqueza dos músculos das mãos,
pode associar-se a outro tipo de dificuldades como, por exemplo, em abotoar um
casaco. Pode ainda ocorrer dificuldade na articulação de palavras, em mastigar e em
engolir.
• Existem também formas respiratórias de manifestação da doença (falta de ar, tosse,
entre outras).
• Geralmente, acaba por ocorrer um envolvimento progressivo da musculatura
corporal de forma difusa, sendo o ritmo de progressão muito variável.
• Quando a fraqueza muscular envolve os músculos do pescoço ou do dorso, estamos
perante a forma axial da doença.
• Quando ocorrem queixas associadas a diversos pontos do corpo, denomina-se
forma difusa.
• A ELA não é uma doença contagiosa.
Tratamento
Doença de Parkinson
Fisiopatologia e Etiopatogenia
• É uma perturbação cerebral que resulta da redução dos níveis de dopamina, que
funciona como um mensageiro químico nos centros que comandam os movimentos.
• Os níveis de dopamina reduzem-se como consequência da morte das células
cerebrais que a produzem.
• Para que os sintomas de Parkinson se manifestem, é necessária a morte de 70 a 80%
dessas células.
• Contudo, não se sabe por que razão estas morrem o porquê de algumas pessoas
desenvolvem esta doença e outras não.
• A história familiar, a exposição a pesticidas ou toxinas industriais e o
envelhecimento em si mesmo são fatores que contribuem para o desenvolvimento
de Parkinson.
Sinais e Sintomas
• Uma vez que a dopamina controla a atividade muscular, os sintomas relacionam-se
essencialmente com os movimentos.
• Para além dos tremores, rigidez e lentidão de movimentos, existem outros sintomas
que se traduzem no sono, no pensamento, na fala e no estado de espírito dos
pacientes.
• A manifestação inicial da doença de Parkinson é, de um modo geral, um tremor
ligeiro numa mão, braço ou perna que ocorre quando a extremidade afetada se
encontra em repouso, mas que pode aumentar em momentos de maior ansiedade.
Como regra, o tremor melhora quando o paciente move voluntariamente a
extremidade afetada e pode desaparecer durante o sono.
• À medida que a doença progride, o tremor torna-se mais difuso e pode afetar as
extremidades de ambos os lados do corpo. Quando os músculos da face são
afetados, a expressão pode ficar apagada e, no caso de outros músculos, o doente
pode ser incapaz de cuidar de si próprio.
• A depressão ou ansiedade são frequentes nos pacientes com Parkinson, bem como
as perturbações da memória.
• É comum ocorrerem dificuldades visuais, incontinência urinária e alterações na
sexualidade, cãibras, dificuldade de mastigação e deglutição, bem como aumento da
sudação.
• A instabilidade postural e as dificuldades na marcha tornam a doença de Parkinson
bastante incapacitante, dificultando o sentar e o levantar, obrigando a uma marcha
com pequenos passos, arrastados e sem o normal movimento pendular dos braços.
Tratamento
• Embora não exista cura, os sintomas podem ser controlados através de diversos
tipos de medicamentos que estimulam a libertação de dopamina, desde que ainda
existam células cerebrais produtoras desta.
• Quando tal não é possível, recorre-se a outro tipo de medicamentos, como
Levodopa, que depois é convertida em dopamina a nível cerebral.
• Existem ainda classes de medicamentos que imitam a ação da dopamina e outros
que impedem a sua degradação, assim prolongando a ação no cérebro.
• A escolha do tratamento adequado para doença de Parkinson dependerá, portanto,
da fase da doença e das circunstâncias idiossincráticas.
• São igualmente importantes medidas como a prática regular de exercício físico e
uma dieta equilibrada, as quais permitem oferecer melhor qualidade vida e
melhorar o controlo corporal.
• A fisioterapia auxilia no equilíbrio muscular, na postura e no equilíbrio.
Demência de Alzheimer
Fisiopatologia
Sinais e Sintomas
• Assim, conforme a Doença de Alzheimer vai afetando as várias áreas cerebrais, vão-
se perdendo certas funções ou capacidades.
• As memórias mais remotas resistem melhor, mas acabam também por se perder ao
longo da progressão da doença.
• Aos problemas de memórias juntam-se lentamente outros sintomas característicos
da doença de Alzheimer:
• Começa a haver dificuldade em reconhecer pessoas;
• O discurso torna-se cada vez mais pobre e entrecortado, à procura de palavras;
• A orientação espacial torna-se cada vez mais difícil;
• Com o tempo, começam também a surgir as primeiras alterações do
comportamento, sendo frequentes as alucinações visuais e a atividade delirante (o
doente achar que o roubam ou perseguem), resultando em agitação e
agressividade.
• Este conjunto de dificuldades aumenta até ser suficiente para o indivíduo deixar de
viver de forma autónoma, necessitando de ajuda em tarefas antes realizadas de
forma natural como cozinhar, vestir-se, lavar-se, lidar com eletrodomésticos ou
dinheiro.
Tratamento
1. Síndrome de Down
2. Distrofia Muscular de Duchenne-Erb
3. Espinha Bífida
4. Luxação Congénita da Anca
5. Lesão do Plexo Braquial
Síndrome de Down
• Uma pessoa com síndrome de Down pode apresentar todas ou algumas das
seguintes condições físicas:
o Olhos amendoados;
o Uma prega palmar transversal única (também conhecida como prega
simiesca);
o Dedos pequenos;
o Fissuras palpebrais oblíquas;
o Ponte nasal achatada;
o Língua protusa (devido à pequena cavidade oral);
o Pescoço curto;
o Uma flexibilidade excessiva nas articulações (laxidão ligamentar);
o Problemas cardíacos congénitos;
o Espaços excessivos entre o hálux e o segundo dedo do pé.
• Ao nível intelectual, as pessoas com síndrome de Down podem ter uma capacidade
cognitiva abaixo da média, geralmente variando de défice mental (QI 50-70) a
capacidade moderada (QI 35-50), podendo ainda ser défice profundo.
• Outra característica frequente é a microcefalia, um reduzido peso e tamanho do
cérebro.
• O progresso na aprendizagem é também tipicamente afetado por doenças e
deficiências motoras, como doenças infeciosas recorrentes, problemas no coração,
problemas na visão (miopia, astigmatismo ou estrabismo) e na audição.
Tratamento
Fisiopatologia e Etiopatogenia
Tratamento
• Ainda não existe cura e o tratamento visa controlar os sintomas, realizar atividade
física, manter a força e função muscular, com o auxílio da fisioterapia.
Espinha Bífida
Fisiopatologia
Sinais e Sintomas
Tratamento
• facilitar o posicionamento;
• evitar complicações (problemas respiratórios, lesões de pele);
• promover a locomoção (marcha);
• treino de AVD’s;
• ajudar nas transferências;
• orientar e auxiliar a família.
Fisiopatologia e Etiopatogenia
Sinais
Tratamento
Fisiopatologia e Clínica
Tratamento
5. Patologia Respiratória
Asma
Definição
• É uma doença inflamatória crónica dos brônquios.
• Resulta do estreitamento destes, o que leva a que o ar saia e entre nos pulmões
com maior dificuldade.
• Este estreitamento é provocado pela contração dos músculos que existem à volta da
parede dos brônquios, que ficam mais estreitos, e pelo aumento da quantidade de
secreções produzidas.
Sintomas
Desencadeantes e Agravantes
Tratamento
É uma doença bronco pulmonar que resulta de uma obstrução das vias aéreas. Sob esta
designação incluem-se:
Bronquite Crónica:
Enfisema:
Tuberculose
Patologia
• É uma doença infeciosa que se transmite por via inalatória, causada pelo bacilo da
Tuberculose ou bacilo de Koch (BK), pertencente à família das micobactérias.
• Quando os bacilos inalados durante a inspiração alcançam e depositam-se nos
pulmões, pode ocorrer uma das seguintes situações:
• 1. O individuo que inalou os bacilos consegue eliminá-los dos pulmões
através das suas defesas naturais;
• 2. O bacilo ultrapassa e vence as defesas naturais, causando o aparecimento
de sintomas – Tuberculose;
• 3. Após a instalação dos bacilos, estes podem permanecer no interior do
organismo por longos períodos de tempo – Tuberculose latente. Isto significa
que o individuo se encontra infetado pelo bacilo, mas não tem sintomas, não
se encontrando doente.
Sintomas
Tratamento
Patologias da Pleura
Papel da Fisioterapia