Aula dia 22/02/2024
Programa:
Meios processuais
Meios de impugnação das decisões (reclamações e recursos)
Direito processual penal- Maria João Antunes
O processo penal português tem uma fase obrigatória que é uma fase de inquérito, que é a
inquisição da notícia do crime pelo Ministério Publico. De ressaltar a importância de que a
notícia seja sobre um crime, para dar origem a um processo penal.
Artigo 241º ss.
A fase de investigação por excelência (262º), constitui uma investigação para determinar os
agentes e a responsabilidade deles, descobrindo e recolhendo as provas que mais tarde
permitirão condenar a pessoa. Nos termos do 263º o dominus do inquérito é o ministério
publico. Nessa direção do inquérito o ministério publico é coadjuvado pelos órgãos da polícia
criminal, porém há atos no inquérito que tem de ser praticados ou ordenado pelo juiz da
instrução, não tendo o ministério publico legitimidade para a prática de alguns destes atos,
porque há atos que referem as liberdades e garantias, em que é necessário ser decidido pelo
juiz. O mistério publico e os juízes são autoridades judiciárias. E este conceito está definido no
artigo 1º do código do processo penal. Há um conjunto de definições que vale para alem das
definições em si: sempre que o legislador utiliza a palavra autoridade judiciaria, isto supõe que
seja o juiz, o juiz de instrução e o MP. Alem disso o ministério publico no processo penal, é
coadjuvado pelos órgãos de polícia criminal, em que estes atuam sobre a direção e orientação
do ministério publico (aliena c). nos termos do artigo 286º, o MP na final do inquérito, ou
arquiva o processo (não recolha recursos suficientes, ou por virtude da investigação, conclui
que não há crime), ou deduz acusação, quando durante o inquérito tiver recolhido recursos
suficientes durante a prática do crime.
O artigo 90º do CPPenal, é mais um dos artigos que comprova a completude na elaboração do
código. O artigo 97º enumera a existência de vários atos decisórios. Os atos do MP, tem sempre
de acordo com este artigo a forma de despacho: um juiz pode despachar, fazer uma sentença
ou enquadrar um acórdão. A sentença e o acórdão são atos do juiz que conhecem sempre o
final do processo, mas no final da instrução, o objeto instrutório não conhece o objeto. A
diferença da sentença reside no fato da sentença ser um fato decisório próprio do juiz e o
acórdão é uma decisão coletiva.
Em seguida a acusação, nos podemos ir do inquérito para a fase de julgamento, o juiz profere
um despacho de acusação e o processo é enviado para julgamento. O julgamento ou é da
competência de um juiz tribunal singular (artigo 16º CPP) tribunal coletivo (composto por 3
juízes artigo 14º CCP) tribunal de júri (composto por 7 membros), este último só intervindo a
requerimento, decidindo também sob matéria de direito.
311º CPP- é em julgamento que se vai produzir a prova que vai levar o juiz a absolver ou a
condenar. Só as provas produzidas ou examinadas em julgamento é que servem para promover
a convicção do juiz, precisando ouvir diretamente as testemunhas. Quando o MP acusa e diz
que há indícios suficientes da prática do crime, desde logo indica as provas que vão permitir ao
juiz condenar o arguido. O MP só acusa quando a acusação for mais provável que a absolvição,
sendo necessário indicar as provas que vão permitir ao juiz condenar as pessoas que ele acusa.
Também pode ocorrer que entre a fase de inquérito e julgamento, ambas obrigatórias, pode
interpor-se a fase de instrução, que é concebida pela lei como uma forma exclusiva de o juiz
verificar se há razoes para o MP acusar, quando este arquiva o processo permite ao juiz de
instrução observar se o MP arquivou bem, observando se há razoes para submeter a pessoa a
julgamento, é uma fase de controlo. Quem pode requerer a abertura de instrução, é o arguido
287º CPP, quando o MP o acusa, este pode requerer a abertura da instrução para controlar o
processo, se o Ministério Publico arquiva quem tem interesse de verificar é o assistente em
processo penal (artigo 289º CPP), que é um processo que tutela o interesse das vítimas. Pode
constituir assistente alguém que for ofendida por um processo, a partida é fácil dizer quem é
ofendido com um crime de ofensa a integridade física. Porem muda de figura se estivermos
perante um crime de corrupção; em relação aos crimes em que não há ofendidos individuais, o
processo penal permite que qualquer pessoa possa se constituir assistente. O processo penal
atualmente é publico, só em raras exceções é secreto, porém o secretismo seria fundamental,
visto ser posto em causa a honra e o bom nome das pessoas.
Questiona-se o porquê de não se acabar com a fase de instrução, porem isso implicaria uma
maior confiança na fase de inquérito e da competência do MP para dirigir a fase de inquérito.
Esta poderia acabar se houvesse uma revisão constitucional que permitisse a sua conclusão.
Podemos considerar que a crise que vivemos atualmente tem haver com a hierarquia e a
competência. Uma coisa que distingue os juízes do MP é a hierarquia, porque os juízes são
independentes e apenas devem obediência a lei. O artigo 219º da CRP que define o estatuto do
MP, diz que a magistratura é por sua natureza hierarquizada, não sendo uma parte processual.
Ao contrário que acontece com o processual americano que é composto por partes, aqui em
Portugal o MP não pode ser considerado uma parte, porque tanto pode levar as pessoas a
julgamento, como não as levar também se chegar a conclusão de que não há crime.
Através do direito processual penal é que regulamentamos a forma como se investiga se há
crime, e caso se conclua que há crime, o direito processual penal também regulamenta a forma
de aplicação da sanção aquela pessoa. O direito processual penal é a forma necessária para
que se possa aplicar alguém uma pena ou medida de segurança. No âmbito do direito civil,
para este ter aplicação não é necessária a existência de um processo, porem no processo penal
não há lugar sem a existência de um processo a aplicação de uma sanção. Porem esta ideia não
pode levar a dizer que o direito do processo penal é meramente instrumental do direito penal,
mas sim devemos afirmar que entre eles não existe uma mera relação de complementaridade
instrumental, mas sim uma relação de complementaridade funcional mútua, em que ambas
influenciam um ao outro. Exemplos que ilustram bem este aspeto, é a declaração de
imputabilidade pressupõe uma ligação concreta ao fato praticado pelo agente, que so é
avaliada quanto ao momento que pratica o fato. Isso faz com que o código do processo penal
regule esta questão de uma determinada forma, em que existia o incidente de alienação
mental, que não é compatível com o artigo 20º que atualmente temos no nosso código penal.
O código de processo penal não restringe os casos que terminam em determinação de um caso
de inimputabilidade, resultando na aplicação de uma medida de segurança em comparação
aos que terminam a punição com uma pena, existindo um mesmo processo que serve para o
juiz concluir se aquela pessoa que ele declara inimputável verdadeiramente cometeu o caso.
(alínea a do CPP). Queremos dizer que há uma tramitação igual dos casos, diferenciando-se
apenas nos termos do artigo 368º e 369º depois de encerrado o processo de julgamento,
quando o tribunal está a elaborar a sentença, tendo em conta a existência de culpa. O princípio
da socialização também condiciona o processo penal, em que o juiz tem de ter em conta vários
aspetos da personalidade do agente para efeitos de socialização (artigo 170º CP), deste modo o
direito penal influencia também em certo modo o processo penal. A teoria da culpa, como
poder agir de outra maneira foi abandonada porque não era processualmente verificável poder
observar se a pessoa poderia agir de uma outra maneira. Portanto as dificuldades ao nível do
processo mostraram que tínhamos de a abandonar no processo penal.
O princípio da subsidiariedade do princípio penal teve contribuição também do processo penal
para a não sobrecarregação com questões menores.
Há também crimes que exigem um processo diferente, artigo 1º m), obrigando a soluções
diferenciadas a nível do processo penal. Por isso que temos a lei 101º/2001, em que de acordo
com o direito português podemos ter o agente infiltrado (encoberto), que apesar de não ser
objeto de estudo, é relevante conhecer. Porem não se admite a existência do agente
provocador. Lei 5/2002 que é uma lei que permite uma recolha de provas e que permite a
quebra do silencio profissional, permitindo para certo tipo de criminalidade.
Direito penal do inimigo: os cidadãos e os inimigos que devem ser tratados de forma diferente-
prof Yacobs. Se separarmos as águas evitamos as contaminações, não caindo na tentação de
generalizar as especialidades que se justificam
Mostra-nos que apesar de recusar, a DR. admite que deva existir soluções diferenciadas para a
criminalidade mais grave em comparação a criminalidade menos grave ou mais ou menos.
O prazo alargado de prescrição da corrupção é igual ao do homicídio (mesmo que este seja
qualificado), porque se chegou a conclusão de que os prazos que havia anteriormente era
demasiado curto, por isso atualmente os prazos atualmente são de 15 anos. Até 1988 era
preciso que se provasse que o agente na prática de crime explorava a situação de
vulnerabilidade económica da pessoa que exercia a constituição, hoje caiu esse elemento
típico. Nós punimos punir apenas o que conseguimos provar porque muitas vezes não punimos
o que queremos punir porque não conseguimos provar, o que acaba por justificar as
modificações feitas no âmbito da punição das tentativas.
Se a prescrição tiver natureza de processo penal vale a analogia, mas já não se verifica o
mesmo se tiver natureza penal.
No artigo 113º CP e ss., que tem natureza …
O direito processual penal distingue-se do direito penal e o mesmo se diz do direito da
execução das penas e das medidas de segurança, em que o direito penal em sentido amplo
trata das três.
Garantias do processo criminal- 32º da CRP
Sendo uma das garantias o direito ao recurso, muitas vezes o direito processual penal é
considerado o direito constitucional aplicado
A criminologia denuncia o processo de seleção da delinquência, demonstrando através dos
seus estudos que não é somente necessário ter o rotulo de criminoso, dependendo também de
outros fatores que depende do processo de seleção da delinquência, sendo criminoso a quem
esse estigma é aplicado com sucesso. À criminologia temos uma imagem de um funil, em que a
base larga que corresponde aos crimes praticados na sociedade e a base estreita do funil
corresponde as condenações aplicadas, sendo a criminologia fundamental para melhor o
processo penal.
A criminologia também nos ensina a evitar a estigmação das pessoas. O processo penal que
temos é todo ele consequência de determinado programa de política criminal que também se
projeta no processo penal, principalmente quando a política criminal chama a atenção para a
necessidade de existência de julgamentos céleres.
Finalidades do processo penal
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