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Estrutura e Princípios do Processo Penal

Matéria de Direito Processual Penal parte 1

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Direito Processual Penal

Luísa Ramos Naia


I. Introdução

a. A estrutura do processo penal português

b. Direito Processual Penal no sistema penal

c. O Direito Processual Penal e o Direito Processual


a. A estrutura do processo penal português
Estrutura do processo penal português

- CPP 1929: - Estrutura formalmente acusatória, mas materialmente inquisitória


- Juiz instruía e julgava;
- MP deduzia acusação – MP governamentalizado e não controlado judicialmente
(com a Lei n.º 2/72: criação do juiz de instrução para fiscalização da atividade instrutória do MP e
das polícias)

Estado de direito democrático (2.º CRP) - reforma do processo penal


CPP 1987: estrutura acusatória (32.º/5 CRP) integrada por um princípio subsidiário de investigação
• Estrutura acusatória: ideia civilizacional e constitucionalmente prevista
2 vertentes: vertente objetiva/institucional – separação de poderes
vertente subjetiva – garantia do destinatário do processo

• entidade que investiga, acusa e sustenta a acusação (MP) ≠ entidade que julga (juiz)
- MP e Magistratura judicial: magistraturas diferentes (27.º/2; 32.º/4 e 5; 202.º/1 e 2; 219.º CRP + 8.º, 9.º, 48.º, 53.º/2, b); 262.ºss; 311.ºss CPP )
- a acusação define o tema de julgamento e o tema sobre o que o arguido se vai defender
- juiz de julgamento: julga exclusivamente sobre o que lhe é pedido; sobre a questão controvertida que lhe é solicitada
- separação de poderes: garantia de independência e intervenção de um terceiro imparcial como entidade julgadora
- Fase de instrução: controlo judicial da acusação do MP

• leque alargado de sujeitos processuais e ao destinatário do processo/arguido é atribuído “direito de audiência” (participação nas
decisões; direito ao contraditório quanto à produção de prova; de influenciar a prova e o decurso da audiência de julgamento através das suas
declarações)
princípio do contraditório: “participação construtiva dos sujeitos processuais na declaração do direito ao caso” (Figueiredo Dias)

• princípio subsidiário de investigação do juiz: poder-dever de ordenar oficiosamente a produção de meios de prova necessários à descoberta
da verdade e à boa decisão da causa (340.º/1 CPP)
subsidiário? para compatibilizar com a máxima acusatoriedade possível
• natureza acusatória e natureza subsidiária do princípio de investigação
Exemplo:
348.º CPP: testemunha é inquirida por quem a indicou e depois sujeita a contrainterrogatório; não é inquirida por via do juiz;
- juiz e jurados podem, a qualquer momento, formular à testemunha perguntas necessárias para o esclarecimento do
depoimento prestado e para a boa decisão da causa

• Acórdãos 394/89 e 137/2002, TC: fundamentam constitucionalmente o princípio da investigação e da verdade material (não consagração
expressa na letra da CRP)
b. Direito Processual Penal no sistema penal
1. “Ciência total do direito penal”

Direito Penal em Criminologia


Política criminal
sentido amplo

Direito Penal Substantivo: crime + consequências

Direito Penal Processual: modo de investigação da prática do crime e do seu agente em ordem à aplicação de
sanção ou resolução do conflito jurídico-penal.

Direito Penal Executivo: execução da pena e medida de segurança decretada na sentença condenatória
2. Direito Penal Processual e Direito Penal

Direito processual penal e direito penal: relação mútua de complementaridade funcional

• Direito penal como tema de investigação/acusação e da discussão

• DPP como modo exclusivo de realizar o DP

• Princípio da ressocialização do agente e exigência de fundamentação da medida da pena (40.º/1 e 71.º/3 CP)
- relevo específico no processo penal (160.º; 283.º/3, b); 368.º e 369.º; 370.º; 371.º; 375.º/1)

• Influência do DPP no DP:


Exemplo: princípio da subsidiariedade da intervenção penal – exigência processual de não sobrecarregar tribunais
soluções divertidas do processamento normal (280.º e 281.º CPP)
3. Fins e Finalidades do Processo Penal
Processo Penal:

- Fase de inquérito: investigação e descoberta da existência de crimes e seus agentes

- Fase de julgamento: estabelecer a responsabilidade penal do agente

Fim primordial/legitimação do processo penal: discussão sobre a presunção de inocência

Função instrumental: assegurar que nenhum responsável passe sem punição, nem nenhum inocente seja condenado (Germano Marques da Silva)

Finalidades (ideais ou exteriores) ao processo penal:

(i) realização da justiça e descoberta da verdade material

(ii) proteção perante o Estado dos direitos fundamentais

(iii) restabelecimento da paz jurídica (comunitária e do arguido)


c. O Direito Processual Penal e o Direito Processual
3. Direito Processual Penal e outros Ramos do Direito Processual
• Processo civil e processo penal: diferente titularidade da ação, que desencadeia a jurisdição

Processo civil:
- dominado pelo princípio do dispositivo (disponibilidade na condução processual como consequência da disponibilidade dos
interesses que vigora no direito civil)
- Princípio da autonomia privada
- Bilateralidade: réu pode ter um direito autónomo de ação (p.e.: alargando os pedidos; por reconvenção)

Processo Penal:
- Indisponibilidade dos interesses
- Titularidade da ação – órgão público, que atua segundo o princípio da legalidade, dotado de poderes de autoridade
- Processo unilateral – só um titular do direito de ação
- Posição/estatuto do arguido ≠ réu em processo civil
não há ónus de impugnar a acusação; da ausência de defesa/ da não apresentação de elementos que contrariem a acusação não
se extrai valor probatório contra ele (presunção de inocência)
I. As fontes do Direito Processual Penal

a. A lei e o princípio da legalidade


b. A lei processual penal: interpretação, integração e aplicação no tempo
c. Aplicação da lei processual penal quanto às pessoas e responsabilidade criminal das pessoas
coletivas e entidades equiparadas
a. A lei e o princípio da legalidade
→ A lei é a única fonte (imediata) de direito processual penal
- Jurisprudência e doutrina não constituem fontes do direito processual penal
- Acórdãos de fixação de jurisprudência têm um papel importante na uniformização da jurisprudência, mas não são fonte de
Direito

Fontes do Direito Processual Penal:


• Diplomas Internacionais vinculadores do legislador português:
- Declaração Universal dos Direitos Humanos (arts. 8.º a 11.º)
- Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (arts. 47.º e 48.º)
- Convenção Europeia para a Proteção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais (art.º 6.º + arts. 2.º e 4.º
do 7.º Protocolo Adicional à CEDH)
- Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (art.º 14.º)
• Constituição da República Portuguesa (especialmente art.º 32.º*)
• Código de Processo Penal e legislação extravagante
Art.º 32.º CRP

• n.º 1: “O processo criminal assegura todas as garantias de defesa, incluindo o recurso.”


i) impõe ao legislador que adote na solução legislativa tais direitos de defesa;
ii) os órgãos da Administração da Justiça Penal (Tribunal) devem respeitar e propiciar o concreto exercício dos direitos de defesa.
Em especial, imposição ao tribunal de demonstrar, na fundamentação da sentença, que atendeu aos direitos de defesa;
iii) O tribunal, no exercício das suas funções, deve garantir que a restrição dos direitos de defesa seja a estritamente necessária e que,
no essencial, todo o juízo-decisão final definitivo se possa dizer “globalmente justo”;
iv) o direito de defesa pressupõe o conhecimento das acusações por forma precisa e concretizada e, em regra, com o tempo
necessário para preparar a defesa e em circunstâncias de igualdade para a afirmação do contraditório.

• n.º 2: “Todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de condenação, devendo ser julgado no mais
curto prazo compatível com as garantias de defesa.”
i) garante a presunção de inocência do arguido, ao longo de todo o processo e em qualquer fase do processo, até ao trânsito em
julgado da sentença;
ii) “até ao trânsito em julgado da sentença de condenação” – consagração do direito ao recurso, enquanto direito de o arguido
solicitar a reapreciação da decisão que o condenou
iii) direito a ser julgado no mais curto tempo: direito a, enquanto arguido, ver definida rapidamente a sua situação processual
Art.º 32.º CRP

• n.º 3: “O arguido tem direito a escolher defensor e a ser por ele assistido em todos os atos do processo, especificando a lei os casos
e as fases em que a assistência por advogado é obrigatória”
i) o arguido tem sempre o direito à escolha e à assistência (informação/aconselhamento/representação na defesa dos interesses do
arguido) de um defensor da sua confiança pessoal; esta confiança deverá ser sempre garantida
ii) em determinados casos será obrigatório estar presente um defensor

• n.º 4: “Toda a instrução é da competência de um juiz, o qual pode, nos termos da lei, delegar noutras entidades a prática dos atos
instrutórios que se não prendam diretamente com os direitos fundamentais.”
i) “instrução” enquanto fase do processo (fase de instrução): competência do juiz de instrução; fase não obrigatória; fase de
comprovação da decisão do MP de acusar ou arquivar
ii) “atos instrutórios” enquanto atos de reserva de juiz: atos que se prendem com direitos, liberdades e garantias; são sobretudo
necessários em fase de inquérito (fase da competência do MP) – arts. 268.º e 269.º CPP
Art.º 32.º CRP

• n.º 5: “O processo criminal tem estrutura acusatória, estando a audiência de julgamento e os atos instrutórios que a lei determinar
subordinados ao princípio do contraditório.”
o princípio do contraditório implica a participação, contemporânea e contraposta, no processo; tem a sua expressão máxima na
audiência de julgamento

• n.º 6: “A lei define os casos em que, assegurados os direitos de defesa, pode ser dispensada a presença do arguido ou acusado em
atos processuais, incluindo a audiência de julgamento.”
i) versão original CPP: princípio de obrigatoriedade de presença do arguido na audiência de julgamento – assegurada
compulsivamente a sua presença;
ii) julgamento na ausência ou ausência do arguido em atos processuais: situação excecional + direitos de defesa assegurados

• n.º 7: “O ofendido tem o direito de intervir no processo, nos termos da lei.”


ausência de conteúdo mínimo quanto intervenção ou a eventuais direitos do ofendido
Art.º 32.º CRP

• n.º 8: “São nulas todas as provas obtidas mediante tortura, coação, ofensa da integridade física ou moral da pessoa, abusiva
intromissão na vida privada, no domicílio, na correspondência ou nas telecomunicações.”
i) meios/métodos absolutamente (sempre) proibidos: tortura, coação, ofensa da integridade física ou moral da pessoa – prova nula
ii) meios relativamente (só em caso de abuso) proibidos: vida privada, domicílio, correspondência ou telecomunicações – é preciso
uma lei e uma ponderação concreta
iii) art.º 126.º CPP

• n.º 9: “Nenhuma causa pode ser subtraída ao tribunal cuja competência esteja fixada em lei anterior.”
i) garante o denominado juiz natural/juiz legal
ii) ≠ art.º 209.º, n.º 4 CRP: proibição de instituição de tribunais penais especiais ou de competência específica
iii) havendo uma causa esta deve ser resolvida pelo órgão competente no momento da formalização da controvérsia (e não pelo
órgão competente em consequência da modificação da lei que entrou em vigor depois daquela formalização)
iv) momento em que se fixa a competência do tribunal: dedução da acusação (momento preferencial) ou o ato de constituição de
arguido
v) visa o reforço da confiança e da transparência na Administração da Justiça
b. A lei processual penal: interpretação, integração e aplicação no tempo
1. Interpretação da lei processual penal

• Consideração das finalidade do processo penal

• Princípio da interpretação conforme à Constituição

artigo 80.º/3 Lei de Funcionamento, Organização e Processo do TC: TC pode impor ao tribunal recorrido uma
interpretação normativa conforme à CRP

Exemplos:
Acórdãos n.ºs 41/2000 e 444/2003: 199.º/1, a) CPP não abrange titulares de cargos políticos

Acórdão 312/2005: prazo para interpor recurso da decisão condenatória de arguido ausente é contado a partir da notificação
pessoal e não do depósito na secretaria, independentemente dos motivos da ausência e se os mesmos são ou não justificáveis

Acórdão 53/2006: 379.º/2 permite a suscitação, perante o tribunal que proferiu a decisão, de vícios desta que sejam
enquadráveis no elenco dos vícios da sentença, mesmo quando desta não se possa interpor recurso
2. Integração da lei processual penal
Integração de lacunas - 4.º CPP:
“Nos casos omissos, quando as disposições deste Código não puderem aplicar-se por analogia, observam-se as normas do processo
civil que se harmonizem com o processo penal e, na falta delas, aplicam-se os princípios gerais do processo penal.”

• Princípio da legalidade criminal (29.º/1 CRP) – aplicável na medida imposta pelo seu conteúdo de sentido ao processo penal pois a
ele cabe assegurar as garantias de defesa (32.º/1 CRP).

Consequência? inadmissibilidade constitucional de aplicação analógica in malam partem.


Acórdão 324/2013, TC: estendeu o princ. legalidade penal ao proc. penal; proibição de analogia quando enfraquece posição
processual do arguido ou diminua os seus direitos processuais.

• Princípios gerais do processo penal


dupla função: controlo do recurso ao direito subsidiário + função integradora, na falta das outras duas fontes de integração de lacunas.

• Regras de processo civil


limites: - não contrariar o programa e conteúdo dos princípios de processo penal;
- não aplicação a fases do processo penal que não tenham as características da jurisdicionalidade (típicas do proc. civil), como
inquérito ou instrução.
3. Aplicação da lei processual penal no tempo
Art. 5.º CPP:
“1 - A lei processual penal é de aplicação imediata, sem prejuízo da validade dos actos realizados na vigência da lei anterior.
2 - A lei processual penal não se aplica aos processos iniciados anteriormente à sua vigência quando da sua aplicabilidade imediata possa
resultar:
a) Agravamento sensível e ainda evitável da situação processual do arguido, nomeadamente uma limitação do seu direito de defesa; ou
b) Quebra da harmonia e unidade dos vários actos do processo.”

• Princípio da aplicação imediata das normas processuais: aplica-se aos processos pendentes
(≠ artigo 2.º CP; princípio da aplicação da lei vigente no momento da prática do facto)
- Aplicação imediata para o futuro, podendo atingir processos já iniciados;
- «início» do processo? Momento de constituição de arguido (direitos de defesa; 32.º CRP).

• Limitações: 5.º/ 2, a) e b)
- alínea a): fundamento na salvaguarda das garantias de defesa (32.º/1 CRP)
- alínea b): levou à limitação do CPP de 1987 a processos somente iniciados na sua vigência (Acórdão n.º 4/2009, STJ, fixação
de jurisprudência)

• Acórdãos 247/2009 e 551/2009, TC: aplicação da lei proc. penal no tempo deve ser vista à luz do princ. da aplicação da lei mais
favorável ao arguido (29.º/4 CRP)
4. Aplicação da lei processual penal no espaço
Art. 6.º CPP:
“A lei processual penal é aplicável em todo o território português e, bem assim, em território estrangeiro nos limites definidos pelos
tratados, convenções e regras do direito internacional. ”

princípio da territorialidade

Princípio do auxílio jurídico interestadual em matéria penal:


- art. 229.º ss CPP;
- Lei 144/99;
- Lei 65/2003 (MDE);
- Lei 88/2017 (DEI);
- Regulamento 2018/1805 (reconhecimento mútuo das decisões de apreensão e de perda; …
- Convenções internacionais, p.e., Convenção de Auxílio dos Países de Língua Portuguesa (aprovada pela Resolução da AR n.º 46/2008 e
ratificada pelo Decreto do PR 64/2008); …
c. Aplicação da lei processual penal quanto às pessoas e responsabilidade criminal das pessoas coletivas e
entidades equiparadas
1. Aplicação da lei processual penal quanto às pessoas

• Aplicação a todas as pessoas, nacionais ou não, a quem é aplicável o direito penal português;

• Aplicação mesmo a quem não é arguido

• Isenções de direito internacional: Chefes de Estado, diplomatas acreditados junto do Estado estrangeiro

fundamento: garantia de desempenho livre das funções de representação do Estado no estrangeiro

exemplo: Convenção sobre Relações Diplomáticas, Viena, 1961


Artigo 31.º: “O agente goza de imunidade de jurisdição penal do Estado acreditador. (…)”

• Aplicação com especialidades de regime:


PR (130.º/1, 2 e 4 + 163.º/c) CRP
Deputados (157.º/2 e 3 CRP)
Membros do Governo (163.º/c) + 196.º/1 CRP)
magistrados judiciais e do MP (11.º/4, a), e 7; 12.º/3, a), e 6 CPP + 19.º e 20.º EMJ + 112.º e 113.º EMP
outras limitações: 11.º/ 2, b); 11.º/3, c); 11.º/ 7 CPP
2. Responsabilidade criminal das pessoas coletivas e entidades equiparadas

12.º/2 CRP
11.º CP
Alteração CPP - Lei n.º 94/2021, de 21 de dezembro

Direitos com relevo no processo penal compatíveis com a natureza das pessoas coletivas:
Acórdãos 539/97; 174/200; 216/2010, TC: direito de acesso ao direito e aos tribunais
Acórdão 242/2018: direito à proteção jurídicas de pessoas jurídicas sem fins lucrativos
Acórdãos 198/85; 569/98: direito ao sigilo da correspondência (34.º/1 CRP)
Acórdão 298/2019: direito à não autoincriminação
Acórdãos 593/2008, 596/2008: buscas na sede e domicílio profissional de pessoas coletivas extravasa o artigo 34.º/2 CRP, não
sendo competência reservada do juiz ordenar a busca

(Diretiva 2016/343, sobre o reforço aspetos da presunção de inocência – aplicação exclusiva às pessoas singulares)

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