Resumos- Direito Processual Penal | Diana Barroso
Direito Processual Penal
Índice
Noções fundamentais...............................................................................................................................1
Constituição........................................................................................................................................................2
Finalidades do processo penal............................................................................................................................2
Modelos processuais penais...............................................................................................................................2
Formas do processo penal...................................................................................................................................3
Interpretação da lei processual penal, integração de lacunas e aplicação da lei no tempo........................4
Interpretação......................................................................................................................................................4
Integração de lacunas.........................................................................................................................................4
Aplicação da lei no tempo...................................................................................................................................4
Teoria dos sujeitos processuais.................................................................................................................5
Noções...............................................................................................................................................................5
O tribunal.................................................................................................................................................5
Competência territorial.......................................................................................................................................5
Competência por conexão...................................................................................................................................6
Impedimentos, recusas e escusas........................................................................................................................6
Impedimentos.......................................................................................................................................................................... 6
Recusa...................................................................................................................................................................................... 7
Escusa....................................................................................................................................................................................... 7
Ministério Público.....................................................................................................................................7
Caracterização....................................................................................................................................................7
Constituição de arguido............................................................................................................................7
Posição processual e direitos..............................................................................................................................7
Noções fundamentais
Direito processual penal – É um ramo de Direito Público. Trata-se de um conjunto de normas e
princípios jurídicos que disciplinam o modo como, perante as autoridades judiciárias, é conduzido
o conjunto de atos processuais encadeados entre si tem como objetivo de averiguar a comissão
ou não, por um ou mais agentes, de um crime ou de um facto ilícito-típico, em conformidade
condenado ou absolvendo o arguido ou arguidos.
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Constituição
A constituição e o Direito processual penal têm uma relação mútua de complementaridade
funcional
Artigo 27º nr 2 e 3 CRP - Direito à liberdade e à segurança
Artigo 28º CRP – prisão preventiva
Artigo 29º nr 5 e 6 CRP – aplicação da lei criminal
Artigo 30º CRP – Limites das penas e das medidas de segurança
Artigo 31º CRP – habeas corpus (como medida extraordinária de reação contra a detenção
ou prisão ilegal)
Artigo 32º CRP – garantias de processo criminal
Artigo 34º CRP – Inviolabilidade do domicílio e da correspondência
Artigo 20º CRP – acesso ao direito e tutela jurisdicional efetiva. A decisão final deve ser
proferida no mais curto espaço de tempo compatível com as garantias de defesa do
arguido.
Princípio da legalidade – “não há pena sem julgamento”
Princípio da judicialidade – artigo 202º CRP
Princípio da intransmissibilidade das reações criminais – penas e medidas de segurança.
Princípio da limitação temporal das reações criminais.
Recusa da pena de morte, prisão perpétua, de medidas de duração indeterminada ou ilimitada
Recusa de penas desumanas, cruéis, degradantes, de maus-tratos físicos e psíquicos.
Princípio da não automaticidade das penas.
Princípio do juízo natural e proibição de desaforamento.
Publicidade das audiências de julgamento, como regra.
Garantias de imparcialidade das autoridades judiciárias (impedimento, escusa e recusa)
Presunção de inocência e a sua ligação ao princípio “in dúbio pro reo”
Finalidades do processo penal
Existem várias finalidades:
1. Determinar se ocorreu ou não crime ou facto ilícito-típico
2. Condenar ou absolver o (s) arguido(s) em conformidade, no respeito pelos direitos
fundamentais de todos os sujeitos e intervenientes processuais.
3. Deve ser capaz de realizar a justiça e conduzir ao apuramento da verdade:
Verdade material e formal e a sua superação;
Procura-se, não a verdade histórica, mas aquela que é valida em função das
determinações do CPP e de legislação processual penal extravagante
4. Pacificação social – vertente processual das teorias da prevenção, de preferência positiva
artigo 40º nr 1 CP.
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Modelos processuais penais
Modelo inquisitório puro
o É típica de uma conceção autoritário do Estado, o principal é o interesse do Estado;
o Carácter inquisitório – é escrito e secreto do processo. Serve como um sistema de
provas legais;
o A entidade que investiga e acusa é a mesma que julga (não existe imparcialidade)
o O arguido é um mero objeto do processo e daí que se procure uma suposta verdade
material;
o Não importa os meios de prova e os meios da sua obtenção para se atingir a verdade
o A autoridade judiciária é o verdadeiro “dominus” de todo o processo.
Modelo acusatório puro
o Típico num Estado liberal (exemplo USA), onde o sujeito ocupa o centro das suas
preocupações;
o O arguido é essencialmente como sujeito de direitos, pode ser, apenas nas hipóteses
consagradas na Lei que são objeto do processo;
o A entidade que investiga e que acusa é diferente da que julga, com o objetivo de existir
uma imparcialidade;
o Garantias amplas de defesa do arguido;
o A verdade só se releva quando é processualmente válida e não a todo o custo – métodos
proibidos de prova;
o Existe um processo de partes (modelo adversarial) há um verdadeiro ónus da priva, o juiz
é um terceiro totalmente imparcial e particamente impassível, não lhe cabendo conduzir
para os atos provas “motu” próprio;
o A oportunidade e o consenso como regra.
Modelo de estrutura mista, inquisitória mitigada ou moderada
o Instrução preparatória a cargo de um juiz que, no fim do inquérito determinava ao MP que
acusasse ou não. Apenas se mantinha uma forma acusatória e não um verdadeiro sistema
acusatório;
o Tentativa de funcionalização dos magistrados;
o Típico dos regimes autoritários fascistas do sec. XX.
Modelo processual penal vigente
Artigo 32º nr 5 CRP
o Tendencialmente acusatório (ou de base acusatória), integrado por um princípio de
investigação processual;
o É um processo de sujeitos processuais;
o Artigo 340º CP – princípio de investigação processual (oficialmente quanto aos meios de
prova e de obtenção de prova);
o Atribuição da 1º fase processual de investigação, a uma magistrada diferente da judicatura,
em que os Órgão de Polícia Criminal atuam sob a dependência funcional do Ministério
Público;
o Existência de uma fase intercalar, da competência de um JIC, tendo como objetivo o
controlo da decisão que encerra o inquérito, meramente eventual e que tem como único
ato processual obrigatório a realização do debate instrutório;
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o Fase do julgamento como fase mais relevante, pois é com base nas provas aí produzidas
ou examinadas que o arguido será absolvido ou condenado (artigo 355º).
Formas do processo penal
Processo comum
Perante o tribunal singular, em regra o crime punível com pena de prisão máxima não seja
superior a 5 anos, ou quando o MP recorra ao artigo 16º nr 3 CP e esse limite não seja
ultrapassado.
Perante o tribunal coletivo, existem crimes com moldura penal superior. Estes são
compostos por 3 juízes.
Perante o tribunal do júri, só são possíveis para casos em que a pena máxima dos crimes
em causa seja superior a 8 anos de prisão e estão vocacionados para os chamados "crimes de
sangue".
Processo especial
Processo sumário - artigo 381º CPP
Processo abreviado – artigo 391º - A CPP
Processo sumaríssimo – artigo 392º CPP
Interpretação da lei processual penal, integração de lacunas e
aplicação da lei no tempo
Interpretação
Elementos:
Literal ou gramatical;
Sistemático;
Teleológico ou racional;
Histórico.
Prevalência de uma interpretação atualista e objetivista em detrimento de uma hermenêutica
historicista e subjetivista que é conforme a Constituição.
Resultados da interpretação – extensiva ou restritiva
O papel da jurisprudência como mera finte mediata, o que nada impõe a interpretação a favor do
arguido.
Integração de lacunas
Artigo 4º CPP – analogia
Artigo 11º CPP – normas excecionais admitem a interpretação extensiva
Aplicação da lei no tempo
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Artigo 5º CPP
Regra geral – aplicação imediata da lei nova, mesmo aos processos já pendentes.
Exceção – quando a lei nova implique um prejuízo para a posição processual do arguido.
Crimes semipúblicos e particulares que passam a públicos: não levantam dificuldades, uma vez
que se exigia mais do que ofendido/assistente para a prossecução criminal e agora exige-se
menos.
Crimes públicos que passam a particulares em sentido amplo: entende-se que a nova lei não
afeta a validade da instância processual.
Teoria dos sujeitos processuais
Noções
Sujeito processual: aquele que tem um efetivo poder de conformação do objeto do processo, tem
uma participação mais ativa na prossecução dos fins do processo penal. Pode ser o tribunal, o
ministério público, o arguido e o seu defensor, o assistente e o seu mandatário ou a vítima.
Interveniente processual: não contribui para a conformação do objeto processual. Tem um papel
secundário, como os OPC, funcionários judiciais, as partes civis, testemunhas, peritos,
consultores técnicos e o público.
O tribunal
Artigo 202º CRP – função jurisdicional: os tribunais são órgãos de soberania que administra a
justiça em nome da população.
Princípio do juiz natural e proibição do desaforamento.
Organização dos tribunais judiciais:
Tribunal singular – composto por 1 juiz;
Tribunal coletivo – composto por 3 juízes;
Tribunal do Júri – 3 juízes e 4 jurados (4 efetivos e 4 suplentes).
O
júri intervém na decisão das questões da culpabilidade e da determinação da sanção. Pode
ser jurado quem tiver idade inferior a 65 anos, escolaridade obrigatória, ausência de
doença ou anomalia física ou psíquica que torne impossível o bom desempenho do cargo,
tem de ter pleno gozo dos direitos civis e políticos, não estar preso ou detido, nem em
estado de contumácia, nem haver sofrido condenação definitiva em pena de prisão efetiva
processo de seleção e possibilidade de recusa não fundamentada;
Juízos locais criminais (artigo 130º LOSJ, competência para o julgamento de
pequenas criminalidades);
Juízos centrais criminais (artigo 118º LOSJ, têm competência para o julgamento de
crimes estritamente militares).
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Artigo 39º LOSJ – Não é permitido deslocar a causa do tribunal ou juízo competente;
Artigo 81º LOSJ – Competência dos Juízos;
Artigo 83º LOSJ – Tribunais de primeira instância;
Artigo 118º LOSJ – Juízos centrais criminais;
Artigo 119º LOSJ – Competências dos juízos de instrução criminal;
Artigo 120º LOSJ – Crimes que são da competência do tribunal central de instrução criminal;
Artigo 130º LOSJ – Juízos locais criminais;
Competência territorial
Artigo 19º CPP – regras gerais da territorialidade;
Artigo 20º CPP – crimes cometidos a bordo de navio ou aeronave;
Artigo 21º CPP – crimes de localização duvidosa ou desconhecida;
Artigo 22º CPP – crimes cometidos no estrangeiro;
Artigo 23º CPP – Processo respeitante a magistrado;
Competência por conexão
Artigo 24º CPP – agente cometeu vários crimes;
Objetiva:
O mesmo crime tiver sido cometido por vários agentes em comparticipação;
Vários agentes tiverem cometido diversos crimes em comparticipação, na mesma ocasião
ou lugar, sendo uns causa ou efeito dos outros, ou destinando-se uns a continuar ou a
ocultar os outros;
Vários agentes tiverem cometido diversos crimes reciprocamente na mesma ocasião ou
lugar.
Subjetiva
O mesmo agente tiver cometido vários crimes através da mesma ação ou omissão;
O mesmo agente tiver cometido vários crimes, na mesma ocasião ou lugar, sendo uns
causa ou efeito dos outros, ou destinando-se uns a continuar ou a ocular os outros.
Territorial – artigo 25º CPP: conexão de processos quando o mesmo agente tiver cometido vários
crimes cujo conhecimento seja da competência de tribunais com sede na mesma comarca, nos
termos dos artigos 19º e ss.
Limites à conexão – artigo 24º CPP
o Só opera relativamente aos processos que se encontrarem simultaneamente na fase de
inquérito, da instrução ou do julgamento (nr 2);
o Não opera entre os processos que sejam e não sejam da competência de tribunais de
menores (artigo 26º CPP);
o Se os processos conexos devessem ser da competência de tribunais de diferente
hierarquia ou espécie, é competente para todos o tribunal de hierarquia ou espécie mais
elevada (artigo 27º CPP);
Artigo 29º CPP – crimes determinantes de uma conexão organizam-se num só processo.
Artigo 28º CPP – competência determinada pela conexão.
Artigo 31º CPP – prorrogação da competência.
Artigo 30º CPP – separação dos processos.
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Artigo 32º CPP – conhecimento e dedução da incompetência.
Artigo 33º CPP – efeitos da declaração de incompetência.
Artigo 34º CPP – casos de conflito e a sua cessação.
Impedimentos, recusas e escusas
Impedimentos
Artigo 40º a 42º CPP
Relação com os sujeitos processuais – artigo 39º CPP
Por participação em processo – artigo 40º CPP
Deve ser declarado pelo próprio juiz ou requerida a declaração pelo MP, arguido, assistente ou
partes civis;
Se o juiz se considera impedido não há direito a recurso
Se considera que não existe impedimento, há recurso para o tribal imediatamente superior.
Recusa
A intervenção do juiz pode ser recusada, quando correr o risco de ser considerada suspeita, por
existir motivo, sério e grave, adequado a gerar desconfiança sobre a sua imparcialidade: artigo
43º CPP.
Pode ser requerida pelo MP, pelo arguido, pelo assistente ou pelas partes civis.
Escusa
O juiz não pode declarar suspeito, mas pode pedir ao tribunal superior que o escuse de intervir
(artigo 43 nr 4 CPP).
Ministério Público
Caracterização
Artigo 219º CPP
Constituição de arguido
Artigo 58º CPP. Implica a entrega, sempre que possível no próprio ato, de documentos de que
constem a identificação do processo e do defensor, se este tiver sido nomeado e os seus direitos
e deveres processuais referidos no artigo 61º CPP.
Realizada por OPC é comunicada à autoridade judiciária no prazo de 10 dias e por esta
apreciada, em ordem à sua validação, no prazo de 10 dias (artigo 58º nr 3 CPP.
Sanção: proibição de prova relativa (artigo 58º nr 5 e 6) – as declarações prestadas pela
pessoa visada não podem ser utilizadas como prova, mas a não validação não prejudica as
provas anteriormente obtidas.
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Regime próprio para o incumprimento das formalidades de constituição de arguido, próximo das
proibições de prova, mas com aproveitamento de certos atos se a validade constituir na não
validação da constituição pela autoridade judiciária.
Os sujeitos de direito (artigo 32 nr 1) podem também ser objeto de medidas estritamente
necessárias as finalidades processuais (MCP, MGO e diligencias probatórias). É- lhes assegurado
o exercício de direitos e deveres processuais, sem prejuízo da aplicação de medidas de coação e
de garantia patrimonial e da efetivação de diligências probatórias, nos termos especificados na lei
(artigo 60º CPP).
Posição processual e direitos
Direitos – artigo 61 nr 1 e 2 CPP.
Deveres – artigo 63 nr 3 CPP.