VARICELA
Varicela é uma doença benigna predominantemente da infância, é causada pelo
vírus varicela- zoster (VVZ), um vírus do grupo herpes. A maioria dos casos
ocorrem em crianças antes dos 10 anos de idade, mas também pode surgir em
crianças mais velhas e até mesmo em adultos.
A infecção propaga-se rapidamente de uma pessoa para outra, sendo mais
frequente no final do inverno e começo da primavera. É caracterizada pelo
aparecimento de lesões cutâneas vermelhas ou rosadas, que dão lugar a
vesículas de bolhas cheia de líquido, posteriormente as pústulas e por fim, crosta.
Sua distribuição é centrípeta (começa no tronco e se espalha para face, cabeça e
membros).
A transmissão ocorre por meio de contato direto ou de secreções respiratórias
(saliva, espirro, tosse), o período de incubação do vírus é de 4 a 16 dias antes do
aparecimento das lesões de pele e até 6 dias depois da fase de crosta das lesões.
Existe ainda a transmissão materno-fetal, que pode levar a defeitos congênitos no
bebê.
Os sintomas em geral, começam entre 10 e 21 dias após o contágio da doença,
normalmente, o paciente desenvolve vesícula ou bolhas de conteúdo claro e com
bordas avermelhadas em todo o corpo, inclusive no couro cabeludo, boca e
mucosas, acompanhadas de febre baixa a moderada com duração média de
quatro dias, além do mal-estar, cansaço, dor de cabeça e perda de apetite. Outra
característica da doença é que ela é polifórmica, ou seja, o paciente tem lesões
de pele em vários estágios diferentes ao mesmo tempo, em geral, ocorrem 2 a 4
ciclos de novas lesões. As complicações podem resultar sobre infecção
bacteriana secundaria (celulite, pneumonia, fascite necrosante, choque toxico),
quer ao próprio vírus (cerebelite, encefalite). No feto, pode ocorrer a síndrome da
varicela congênita e, no RN, varicela grave quando a doença materna se manifesta
5 dias antes ou 2 dias após o parto.
O Tratamento da varicela é dirigido aos sintomas, anti-histamínicos orais podem
ser prescritos para o prurido, e antitérmico para reduzir a febre.
A administração do aciclovir nas primeiras 72h de doença esta recomendada
apenas nas situações de risco: imunossupressão, complicações da varicela
(pneumonia, encefalite, meningite), varicela neonatal, idade superior a 12 anos.
No caso de se tratar do segundo caso na família e nas crianças sob terapêutica
com corticoides orais, inalados ou salicilatos.
O banho com permanganato deve ser realizado por prescrição médica, pois
quando mal diluído, pode causar queimaduras na pele e acrescentar morbidade a
doença. Fazer a higiene adequada da pele, com água e sabão, durante o banho
habitual, e cortar bem as unhas da criança para que ela não coce as vesículas, o
que aumenta o risco de infeccioná-las.
A prevenção evitar o contato com pessoas infectadas, pois a doença e altamente
contagiosa, especialmente nos primeiros dias da erupção cutânea e até que as
últimas crostas sequem. Lavar as mãos frequentemente. Isolamento de
indivíduos infectados em ambientes como escolas e creches, para evitar surtos.
Além disso, existe a vacina para a doença, que entrou no calendário nacional de
vacinação do sus em 2013, compondo a vacina tetra viral.
Curiosidades
o termo varicela tem origem latina “varicelle”, que significa “varíola leve”
o termo catapora, vem do Tupy “tata porá” e significa “fogo que salta” ou “o que
tem fogo dentro” – (tata: fogo, porá: mancha/fenda).
Pela cor clara da vesícula sobre a base hiperemiada, as lesões são conhecidas
como: “Gota de orvalho em pétala de rosa”
Rhazes- cientista persa foi o primeiro a descrever as lesões da varicela entre 865 e
925
Até 1767, quando Heberden estabeleceu as diferenças entre varicela e outras
doenças eruptivas, a varicela era confundida com a varíola.
O japonês Michiaki Takahashi inventou a vacina da varicela na década de 1960,
após seu filho de seis anos contrair a doença.