TRANSCRIÇÕES XIFOIDES LTDA
ANESTESIOLOGIA
08.05.17
Professor (a): Daniel W.
Transcrito por: Gabi
Revisado por:
AULA 8.1 – ANESTÉSICOS VENOSOS
OPIOIDES
Tripé Anestésico
o Hipnose
Realizados com agentes venosos ou inalatórios.
o Relaxamento muscular
Fármacos proprios, relaxantes musculares.
o Analgesia
A analgesia será abordada nessa aula. A analgesia é feita pelos opioides.
Histórico
o Provém da papoula. A 1º descrição da papoula vem dos Sumérios em 3000 a.C.
o Porem os sumérios não sabiam que o opio tinha efeitos analgésicos, nem usavam
para fins medicinais, usavam para fins recreativos. Somente em 2000 a.C. é que a
medicina egípcia introduziu o opio como se fosse uma medicação analgésica, muito
utilizada em pós-operatórios e etc.
o 700 a 800 d.C. é que foi feita a passagem do ópio para o oriente através da
caravanas árabes. Foi então introduzido no mercado asiático o opio e daí foi feita
sua disseminação.
o Somente em 1806 conseguiu-se isolar e sintetizar a morfina através do ópio. E
começou-se utilizar a morfina com fins medicinais.
o Em 1896 veio a heroína, em 1939 a meperidina, em 1959 fentanil, 1975 sufentanil,
1975 alfentanil e 1996 remifentanil.
Receptores opioides
o Existe três receptores opiodes principais, apesar de haver a divagação de que
hajam outros receptores, serão mostrados aqui os clássicos:
Mi, kappa e delta
Em vermelho é representada a maior população de receptores. Apesar de
que a maior população cerebral seja mi, existem também medulares. Os
kappa e delta são medulares em sua maioria.
o Efeitos
Geralmente o que se quer do receptor mi é a analgesia, ou seja, a analgesia
é feita principalmente pelo receptor mi.
O receptor kappa pode dar algum grau de analgesia, principalmente se for
feita de forma espinhal.
Os receptores delta também dão analgesia de forma espinhal.
Como funciona o receptor opioide?
o Existe uma molécula de sinalização, o opioide se liga ao receptor fazendo com que
essas subunidades (gama, beta e alfa) ligadas ao receptor ajam diretamente em
um receptor de um canal iônico. As proteínas ligadas a membrana também vão se
ligar ao canal iônico.
o Nesse caso está invertido, o sentido da passagem do íon não é extra>intra. Mas
sim intra>extracelular.
o O íon envolvido é o potássio (K) que provoca uma despolarização de membrana,
fazendo com que haja a diminuição da passagem do estimulo doloroso.
Divisão entre ligação e efeito
o Existem três tipo de agentes opioides:
Agonista total
Se liga no receptor e isso causa um efeito total de sua molécula.
Agonista parcial
Se liga ao receptor e não produz todos os efeitos esperados,
produzindo apenas alguns. Ex.: tem-se a bupernofina que é utilizada
para cólica biliar, os opioides fazem um espasmo biliar, ou seja, pode
potencializar a dor. No caso, bupernofina não faz esse efeito, faz
somente uma fraca ação analgésica e produz somente uma pequena
contração biliar.
Ou seja, não faz todos os efeitos e os efeitos que fazem não são tão
proeminentes.
Antagonista
Ex.: naluxona é um antagonista opioides, ou seja, ela se liga ao
receptor e não produz nenhum efeito.
Ou seja, por competição ela se liga ao receptor e desloca o opioides
que estava ligado aqui, não produzindo seu efeito, antagonizando
seu efeito.
Em baixo da linha azul na figura esta representado a afinidade da ligação
pelo seu receptor, onde temos o agonista total com alta afinidade, agonista
parcial com uma afinidade razoável e antagonista sem nenhuma afinidade.
Opioides na pratica diária
o Cada opioides tem uma propriedade ímpar:
Morfina
o Principal opioide quando se fala em analgesia, ela é parâmetro para os outros por
ser o primeiro a ser desenvolvido e sendo até hoje amplamente utilizada, pois é
uma das medicações analgésicas mais potentes que existem.
o Quando falamos em referência à potencia analgésica queremos dizer que a morfina
tem uma potencia de 1 e todas as outras tem potencias referenciadas.
o Ex.: 1000, 2000, 15, ½ em relaçao à potencial analgésica, se a morfina é 1 e a
outra é 200 quer dizer que a outra é 200 vezes mais potente que a morfina.
o Quando falamos em múltiplas vias de administração quer dizer que a morfina pode
ser administrada por via oral, via parenteral, via subcutânea, via epidual, via
subaracnóidea, etc.
o A morfina libera histamina, podendo causa uma síndrome anafilática ou então fazer
um rash cutâneo pela via tecidual do paciente.
o A morfina é uma agonista de todos os receptores opioides.
Codeína
o É utilizada principalmente por via oral, seja como xarope ou como comprimido.
o Tem efeito pronunciado antitussígeno, por isso ela é feita em alguns xaropes
antitussígenos.
o O seu efeito analgésico se torna melhor se for associada a anti-inflamatórios não
estereoidais. No caso, existe uma preparação comercial de codeína com
paracetamol que é uma das medicações feitas pra dor crônica, tendo uma eficácia
muito grande nesses casos.
o Podendo provocar constipação no paciente, como qualquer opioides do receptor
delta.
Tramadol
o É o principal fármaco visto como analgésico, principalmente em pós-operatório.
o Na maioria dos lugares se o paciente esta com dor, isso é sinônimo de administrar
tramadol, isso tem um lado bom e um lado ruim.
o As pessoas fazem tramadol buscando um efeito teto. De todas as medicações
disponíveis hoje para se realizar analgesia de um paciente, talvez o tramadol seja
aquela que tem um efeito protetor, ou seja, um efeito teto. Assim não existe a
correlação entre a dose efetiva e um efeito de depressão respiratória (que é o
efeito mais temido na administração desses medicamentos opioides).
o Como ele age? Ele não atua exatamente no receptor mi, ele é uma pró-droga, ou
seja, ele precisa ser metabolizado em nortramadrol, metiltramadol ou outros
metabólitos para que esses metabólitos tenham efeitos sobre o receptor mi1.
Seu efeito não ocorre somente sobre o receptor mi1 também tendo
efeitos sobre os receptores serotolinérgicos. Sendo um agonista mi e
agonista 5ht3.
o O tramadol tem efeito analgésico diferente em diferentes pessoas. Em algumas ele
tem o efeito mais pronunciado que pode ate chegar à depressão respiratória e em
outras tem um efeito muito fraco.
Essa discrepância entre a potencia do efeito do tramadol se dá pelo tipo de
metabolizador que o paciente é. Aqueles que têm uma capacidade muito
grande de metabolizar o tramadol tem uma fração livre dos metabólitos
muito alta e um efeito muito pronunciado, da mesma forma que aqueles que
tem uma baixa taxa de metabolização do tramadol terão um efeito fraco.
o Não existe uma correlação direta entra a dose que é feita e o efeito. Depende de
cada paciente e da forma que ele metaboliza.
Meperidina
o Tem uma propriedade única, apesar de ser sintética, ela tem efeito de anestésico
local. Ela não é utilizada como AL, pois pode ser toxica. Mas durante a indução é
observável que ela potencializa os efeitos como se fosse um AL.
o Além de efeito analgésico ela pode inibir o tremor pós-operatório, causado pelas
baixas temperaturas da sala de cirurgia, sendo usado como mecanismo de
reaquecimento. Esse mecanismo é prejudicial, pois consumo de O2 para fazer o
tremor é muito grande, maior que as reservas disponíveis do paciente no momento.
Não se sabe o mecanismo que ela faz parar o tremor.
o Existe um temor por parte dos médicos para usa-la, pois antes ela causava muita
depressão respiratória além de dependência.
Fentanil
o É o opioides mais prevalente nos centro cirúrgicos. Usa-se o fentanil como se fosse
a medicação analgésica de escolha perioperatória.
o 100 vezes mais potente que a morfina, pois usa-se uma dose 100 vezes menor de
fentanil para atingir o mesmo efeito de uma dose de morfina.
o É o primeiro de uma serie de medicações chamadas fenilpeperidínicas, ou seja,
elas são sintéticas.
o Produz um efeito chamado SINDROME DO TORAX RIGIDO que ocorre quando se
aplica fentanil sem diluir e muito rápido uma dose alta o tórax do paciente começa a
ficar duro, sendo difícil a respiração. Esse efeito ele é ocultado, pois o paciente
também faz uma depressão respiratória.
A ventilação sobre mascara é difícil.
Esse efeito é revertido pelo uso de relaxante muscular em baixas doses.
o Ele não libera histamina, sem efeito de síndrome anafilática.
o Duração de 50 min-80 min de duração de ação, ótima para cirurgias de media a
longa duração. Depois disso ocorre uma diminuição progressiva do efeito.
Alfentanil
o Mais recente que o fentanil, tem o inicio de ação mais rápida de todos os opioides
devido ao seu pka baixo que permite sua passagem rápida pela membrana.
Inicio de ação por volta de 1 min.
o Meia vida de 10 a 15 min.
o Pode causar a SINDROME DO TORAX RIGIDO.
o Usa-se para efeito opioides de procedimentos rápidos.
Sufentanil
o 500 vezes mais potente que morfina.
o Período de ação de 30-60min (meia-vida)
o Usado por via subaracnóidea, principalmente, na obstetrícia.
o Pode causar a SINDROME DO TORAX RIGIDO.
Remifentanil
o Mais novo de todo os opioides.
o Meia vida ultra-curta (5 min), pois é metabolizado no plasma, por esterases
plasmáticas.
o Causa hiperalgesia, paciente sai com uma dor muito maior após seu uso.
Para evitar não se para a infusão de uma vez, mas sim de forma
progressiva.
o Feito em bombas de infusão, por TIVA (infusão simples ml/hora) ou TCI (infusão
que leva em consideração o peso, idade, sexo, etc,).
o Pode causar a SINDROME DO TORAX RIGIDO.
Naloxona
o Antagonista opioide. No brasil, só existe ele como antagonista opioide.
o Meia vida pequena.
o Usar titulando = pequena dose da medicação e espera-se o efeito, caso não
atingido faz-se outra pequena dose e assim progressivamente ate achar o efeito.
o Em alta dose pode causar edema agudo de pulmão.
Essa 1º tabela esta com valores acima dos comuns, mas é pra mostrar alguns exemplos de
quantidade que é feita de alguns analgésicos.
A 2º tabela mostra a titulação de outros analgésicos e os efeitos de algumas medicações
equivalem a essas doses.
5 principais efeitos adversos dos opioides
o Depressão respiratória (DR)
Causada por um ajuste do centro regulação de percepção do co2 no bulbo
cerebral. Ajustando a percepção pra cima. Sente-se o co2 de 35-35mmHg
no líquor durante a respiração normal, quando usa-se um opioides esse
valor é regulado para cima sentindo-se de 55-65mmHg, ou seja, paciente faz
apneia e/ou diminuiu a FR para respirar menos e captar menos co2, isso
também faz com capte menos o2 e ai desenvolve hipóxia e assim depressão
respiratória.
o Retenção urinaria
Dicinesia entre os músculos detrusores da bexiga e não ocorre uma
contração sincrônica da bexiga, sendo assim apesar se sentir a vontade de
fazer xixi (rs) ele não consegue expelir a urina.
o Prurido
Não só pela liberação de histamina, mas tambem ativação de zonas
cerebrais.
o Sedação
Principalmente pelo receptor mi1 caminha junto com a DR
o Constipação
Receptores delta por uso de opioides sistêmicos de longa data.