UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
FACULDADE DE DIREITO
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PROCESSUAL
PENAL
NAMPULA
2024
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
FACULDADE DE DIREITO
ARSÉNIO DA CONCEIÇÃO NAZARÉ
BEMVINDA HALIA MÁRIO
FELIZ FERNANDO SINGANO
FILOMENA BAPTISTA ARMANDO
JUVÊNCIO DE AMARAL FERNANDO
NEÚSIA TANDY ARLINDO NHAMAHANGO
IVO ELIAS MATSINHE
REGINA ALEXANDRE SABÃO
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PROCESSUAL
PENAL
Trabalho de carácter avaliativo da cadeira de
Direito Processual Penal, referente ao 1º
semestre, Curso de Direito, 4º ano período
laboral. Leccionada pelo Docente: M/A.
Alberto Langa
NAMPULA
2024
LISTA DE ABREVIATURAS
ART. – Artigo;
CP – Código Penal
CPP- Código de Processo Penal
Idem - Mesma obra;
MP – Ministério Publico
nº. - Número;
Ob. Cit. - Obra citada;
P- Página;
Pp - Páginas.
PRM – Policia da República de Moçambique;
SERNIC – Serviço Nacional de Investigação Criminal;
I
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................2
2. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL..................................3
2.1. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO.......................................................................3
Da razão de ser, utilidade e importância dos Princípios gerais do Direito........................3
2.1.1. Princípios Gerais do processo penal........................................................................4
2.1.2. Princípios relativos à promoção ou iniciativa processual........................................4
2.1.3. Princípio da oficialidade..........................................................................................4
2.1.4. Princípio da legalidade............................................................................................6
2.1.5. Princípio da acusação..............................................................................................7
3. Princípios relativos prossecução ou decurso processual...............................................7
3.1. Princípio da investigação............................................................................................7
3.1.1. Princípio do contraditório........................................................................................8
3.2. Princípio da audiência................................................................................................9
3.2.1. Principio da suficiência.........................................................................................10
Questões prejudiciais em processo penal........................................................................10
3.2.2. Princípio da concentração......................................................................................12
3.2.3. Princípio relativos à prova.....................................................................................12
3.2.4. Princípio da investigação.......................................................................................12
3.2.5. Princípio da livre apreciação da prova..................................................................13
4. Objecto da prova..........................................................................................................13
4.1.Principio in dúbio pro réu..........................................................................................14
4.2.1. O princípio da publicidade....................................................................................14
4.2.2. Princípio da oralidade e da imediação...................................................................15
4.2.3. Outros princípios...................................................................................................16
4.2.4.Princípio da vinculação temática............................................................................16
4.2.5. Princípio do juiz natural........................................................................................17
4.2.6. Princípio de igualdade e oportunidade..................................................................18
CONCLUSÃO................................................................................................................19
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................20
1. INTRODUÇÃO
O trabalho em abordagem tem como tema: Princípios gerais do processo penal,
Antes de falar propriamente dos Princípios gerias do processo penal é pertinente a referência
aos Princípios gerais de direito de uma forma geral, isto é, sem considerar especificamente
uma determinada área jurídica, no que a razão de sua existência respeita, de modo a que, por
essa via, possamos ter ideia da sua utilidade e importância e, consequentemente, da
importância dos Princípios gerais do processo penal em particular.
Um dos objectivos fundamentais do tema conseguir trazer a destrinças entre
estes princípios e enunciar cada tipo de princípio e a sua funcionalidade.
Ao desenvolver do trabalho este encontra-se dividido em 4 capítulos e os
Princípios gerais do processo penal que, à semelhança dos Princípios gerais do direito, podem
desempenhar em matéria de processo penal as funções informadora, normativa e
interpretadora, podem para efeitos didácticos e expositivos ser agrupados tendo como
referencia a promoção ou iniciativa processual; a prossecução ou decurso processual; a prova;
e a forma.
O trabalho encontra-se estruturado da seguinte forma: índice, introdução,
desenvolvimento, conclusão e as referências bibliográficas usadas para a sua elaboração.
2
2. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PROCESSUAL PENAL
2.1. PRINCÍPIOS
Da razão de ser, utilidade e importância dos Princípios gerais do Direito
Antes de falar propriamente dos Princípios gerias do processo penal é
pertinente a referência aos Princípios gerais de direito de uma forma geral, isto é, sem
considerar especificamente uma determinada área jurídica, no que a razão de sua existência
respeita, de modo a que, por essa via, possamos ter ideia da sua utilidade e importância e,
consequentemente, da importância dos Princípios gerais do processo penal em particular. 1
Nisso consiste, assim, a importância dos Princípios para o direito, que sendo
considerados como “…a chave e essência de todo direito” 2. Este não existira sem Princípios.
As simples regra jurídicas de nada valem se não estiverem apoiadas em Princípios sólidos”. 3
Há autores que defendem que “…Violar um Princípio é muito mais grave que transgredir uma
norma. A desatenção ao Princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento
obrigatório mas a todo sistema de comandos. É a mais grave forma de ilegalidade ou
inconstitucionalidade conforme o escalão do Princípio atingido, porque representa insurgência
contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais”. 4 Conclui-se do acima
referido “… que os Princípios estão para o direito assim como o ar esta para o ser humano.
Renega-los, seria o mesmo que negar a existência do direito.5
Os Princípios exercem, pois, uma tríplice função, nalguns casos servindo como
inspiradores do legislador ou do criador da lei e de fundamento para o ordenamento jurídico
(função informadora); noutros servindo de orientação para o intérprete; noutros quando
funcionam como fonte supletiva, na ausência da lei, constituindo assim meio de integração do
direito ou preenchimento das lacunas da lei, em face da falta de lei ou costume aplicável ao
1
CUNA, Ribeiro José, Lições de Direito processual penal, Escolar Editora, Maputo, 2014, p. 73.
2
GABRIEL, Sérgio, Os Princípios Gerais de Direito e o princípio da dignidade da pessoa humana no Direito
das obrigações. Disponível em: http://jusvi.com/pecas/2585. Consultado em:09.03.2024.
3
GABRIEL, Sérgio, Os Princípios Gerais de Direito e o princípio da dignidade da pessoa humana no Direito
das obrigações. Disponível em: http://jusvi.com/pecas/2585. Consultado em:09.03.2024.
4
GABRIEL, Sérgio, Os Princípios Gerais de Direito e o princípio da dignidade da pessoa humana no Direito
das obrigações. Disponível em: http://jusvi.com/pecas/2585. Consultado em:09.03.2024.
5
GABRIEL, Sérgio, Os Princípios Gerais de Direito e o principio da dignidaede da pessoa humana no Direito
das obrigações. Disponível em:http://jusvi.com/pecas/2585. Consultado em:09.03.2024.
3
caso concreto, permitindo resolver situações não contempladas em norma alguma positiva,
mas que revelam ou tem relevância jurídica (função normativa); e noutros casos ainda quando
orientam o jurista, interprete ou o julgador, o juiz no momento de proferir a decisão, servindo
também de limite ao seu eventual arbítrio, evitando a tomada de decisões que ofendam o
espírito do ordenamento jurídico (função interpretadora). 6
2.1.1. Princípios Gerais do processo penal
2.1.2. Princípios relativos à promoção ou iniciativa processual
2.2.2.1. Princípio da oficialidade
Para saber o conteúdo e alcance deste Princípio é necessário responder a
questão de saber a quem cabe a iniciativa de proceder a investigação da prática de uma
infracção e a consequente decisão de submeter ou não essa mesma infracção a julgamento ou
ao conhecimento do tribunal.7 Não no sentido de determinar se uma tal competência deve ser
deferida ao juiz da causa ou antes a qualquer outra entidade dela diferenciada, uma vez que a
problemática relativa ao princípio em questão decorre a nível diferente da querela sobre a
estrutura acusatória ou inquisitória do processo penal, embora não deva negar-se que o
principio se afirmou historicamente em conjunção com a viragem para o processo
inquisitório.8
Concretamente, trata-se de saber se tal iniciativa deve competir a uma entidade
pública (que vele pelos interesses da comunidade) ou a uma entidade particular, como seria o
caso do ofendido pela infracção que deva ser investigada. Portanto, a natureza pública ou
privada da entidade é que releva para efeitos de descortinar o conteúdo e alcance do Princípio
da oficialidade.9
Tomando em consideração ou como pressuposto que o direito penal
substantivo é aquele que protege os bens ou valores fundamentais da comunidade (vida,
integridade física, propriedade, honra, honestidade, bom nome), e que o processo penal, sendo
instrumento de materialização daquele direito é algo de interesse para toda comunidade em
6
CUNA, Ribeiro José, Lições de Direito processual penal, Escolar Editora, Maputo, 2014, p. 75.
7
Idem. P.77.
8
DIAS, Jorge de Figuereido, Direito Processual Penal, 1 Edição, Coimbra editora, Coimbra, 2004. P.116
9
CUNA, Ribeiro José, Lições de Direito processual penal, Escolar editora, Maputo, 2014, pág. 77.
4
cujo nome e interesse determinada infracção deve ser esclarecida e o criminoso perseguido e
punido, regra geral na actualidade as legislações dos Estados vão no sentido de conferir a
promoção processual das infracções ao Estado, através de uma entidade vocacionada para o
efeito, a qual toma a iniciativa de investigar determinada infracção a titulo oficioso ou
oficiosamente, isto é, independentemente da vontade e da actuação de quaisquer particulares,
em especial os ofendidos e/ou vitimas – promoção processual oficiosa. 10 A legislação
processual moçambicana consagra semelhante solução, ao atribuir à MP, entidade pública, a
titularidade do exercício da acção penal, ressalvada naturalmente as restrições legais, nos
termos do art. 52 do Código do Processo Penal.11
Deste modo, “O Princípio da oficialidade do processo significa que a iniciativa
e a prossecução processuais pertencem ao Estado” 12, através do MP, que tem o direito e o
dever de perseguir criminalmente os criminosos com vista a responsabilização criminal dos
responsáveis sem consideração pela vontade dos ofendidos.
No entanto, é preciso ter em conta que há restrições legais (excepções ou
limitações) ao Princípio da promoção oficiosa do processo penal, as quais resultam da
existência de crimes semipúblicos e crimes particulares. Com efeito, face a um crime
semipúblico o MP só terá legitimidade e promoverá o processo criminal depois de
apresentação de denúncia (participação ou queixa) por parte do ofendido ou por quem tem
legitimidade (artigo 55.° CPP), e nos crimes particulares apenas o MP promoverá o processo
penal para esclarecimento do crime e punição do infractor desde que, fora a participação, haja
lugar a dedução de acusação particular por parte de pessoa com legitimidade para se constituir
em assistente e se tenha constituído como tal (artigo 56.º CPP). São as restrições a que se
refere o artigo 52.º.13 Nestes termos, é de concluir que o Princípio da oficialidade vale em
pleno quando se trata de crimes públicos, que são “…aqueles em que o MP promove
oficiosamente e por sua própria iniciativa o processo penal e decide com plena autonomia…
da submissão ou não submissão de uma infracção a julgamento”.14
10
CUNA, Ribeiro José, ob. Cit. P.77.
11
Idem. P.78.
12
SILVA, Germano Marques da, Curso de processo penal I – Noções gerais elementos do processo penal, 6ª
ed., Verbo edição babel, Lisboa, 2010, p.86.
13
CUNA, Ribeiro José, Lições de Direito processual penal, Escolar Editora, Editores E Livreiros, Lda., Maputo,
2014 p. 78.
14
DIAS, Jorge de Figueiredo, Direito Processual penal, 1º volume, 1ª edicao-1974, reimpressão 2004,
coimbra,p.120.
5
2.2.3. Princípio da legalidade
A compreensão da razão de ser deste Princípio assenta, desde logo, na razão de
ser do Princípio da oficiosidade acima feito referencia, que é de levar o Estado a corresponder
ao seu dever de administrar e realizar a justiça penal, atento aos valores que esta visa
salvaguardar, obtendo a condenação dos culpados do cometimento de uma infracção, e para
tal o Princípio da oficiosidade não é suficiente para que o processo penal leve à materialização
de tal objectivo ou fim, logo também faz parte do processo penal, dentre os Princípios
relativos a promoção ou iniciativa processual, o Princípio da legalidade. 15 Por força deste
Princípio, o MP deve obrigatoriamente “… proceder e dar acusação por todas as infracções de
cujos pressupostos – factuais e jurídicos, substantivos e processuais tenha tido conhecimento e
tenha logrado recolher, na instrução, indícios suficientes…”.16
No que se refere ao alcance do referido Princípio da legalidade ambos é que o
MP, entidade de natureza pública a quem compete a iniciativa processual, sobre ele recai a
obrigatoriedade de efectivamente exercer acção penal perante determinada notícia de crime e
deduzir acusação, após ter recolhido provas bastantes para o efeito, levando o caso ao
conhecimento do tribunal.17 Trata-se de um dever (legal) do MP, e não de uma faculdade,
como sucede na área processual civil em que o interessado pode fazer um juízo de
oportunidade sobre se vale a pena ou não instaurar a acção. No processo penal a actividade do
MP no que diz respeito a promoção processual esta vinculada a lei e não a considerações de
qualquer natureza (politicas, financeiras, ou outras), não há espaço para juízos de
oportunidade.18
A manifesta extinção da punibilidade pode ficar a dever-se a causas como a
prescrição ou a amnistia, casos em que o MP não deve seguimento a notícia do crime. Só
tratando-se de notícia de crime eventualmente punível é que o MP deve necessariamente
promover o respectivo procedimento, contanto verificados os respectivo pressupostos de
legitimidade.19 O dever do MP de, por força do Princípio da legalidade em alusão, reunidas as
condições legais (pressupostos processuais, por exemplo a competência; inexistência de
15
CUNA, Ribeiro José, Lições de Direito processual penal, Maputo, 2014, Escolar editora pag 80.
16
DIAS, Jorge de Figueiredo, Direito processual penal, 1º volume, 1ª edicao-1974, reimpressão 2004,
coimbra,p.126.
17
CUNA, Ribeiro José, Lições de Direito processual penal, Maputo, 2014, Escolar editora, Maputo. P. 80.
18
CUNA, Ribeiro José, Lições de Direito processual penal, Maputo, 2014, Escolar editora pag 80.
19
SILVA, Germano Marques da, Curso de processo penal I – Noções gerais elementos do processo penal, 6ª
ed., revista e actualizada, verbo edição babel, Lisboa, 2010, p.64.
6
obstáculos processuais, v.g imunidade; punibilidade do comportamento; conhecimento da
infracção e existência de indícios suficientes ou prova bastante que fundamente a acusação)
promover o processo penal, de tal forma que a violação as referidas disposições e, por
conseguinte, a violação do Princípio da legalidade, e tendo em conta que o MP deve acusar
determinada pessoa havendo provas bastantes para o efeito, faz incorrer o respectivo agente
da conduta nos tipos legais de crimes.20
2.2.4. Princípio da acusação
O processo histórico mediante o qual o processo penal evoluiu de um tipo
inquisitório para um tipo acusatório releva para efeitos de descortinar o conteúdo e alcance do
Princípio de acusação e, principalmente, como que as razões que determinaram tal processo
de evolução, que se prenderam com a necessidade de imparcialidade e objectividade que, ao
lado da independência, são imprescindíveis para uma decisão justa e isenta em processo penal
por parte do tribunal, o que passa por, ao contrário do que se verificava no processo penal de
tipo inquisitório, em que a entidade julgadora tinha também funções de investigação
preliminar e acusação das infracções, ou pelo menos da investigação preliminar e acusação da
infracções, ou pelo menos da investigação preliminar, no processo penal de tipo acusatório a
dita entidade julgadora compete “investigar e julgar dentro dos limites que lhe são postos por
uma acusação fundamentada e deduzida por um órgão diferenciado”.
3. Princípios relativos prossecução ou decurso processual
3.2. Princípio da investigação
Este princípio tem consagração expressa em um dos artigos da audiência
preliminar do julgamento. Também chamado de “verdade material” que é ao mesmo tempo
um princípio geral da prossecução processual e um princípio geral da prova, é o princípio
segundo o qual o tribunal investiga o facto sujeito a julgamento independentemente dos
contributos da acusação e da defesa, construindo autonomamente as bases da sua decisão. 21
Este princípio identifica o estatuto do tribunal perante a verdade material, exigindo que o
20
SILVA, Germano Marques da, Curso de processo penal I – Noções gerais elementos do processo penal, 6ª
edição, revista e actualizada, verbo, edição babel, Lisboa, 2010, p.64.
21
ANTUNES Mário João, direito processual penal, Edições Almedinas, S.A. Abril 2016 pág. 163 a 165.
7
tribunal tenha o poder e o dever de procurar obter todo o conhecimento necessário para a
descoberta da verdade material e para a boa decisão da causa.22
Este princípio traduz-se no poder-dever que o tribunal incumbe de proceder
oficiosamente a produção de todos os meios de prova cujo conhecimento se lhe afigure
necessário a descoberta da verdade e boa decisão da causa. Para além do dever de atender aos
meios de prova fornecidos em temo oportuno pela defesa e pela acusação, o juiz pode ainda
ordenar a produção de quaisquer outros. No âmbito da audiência de julgamento este princípio
verifica-se de forma limitada, uma vês que o princípio da vinculação temática restringe os
poderes de cognição do juiz proibindo-o de investigar os factos que se afastem do abjecto do
processo.23 Tendo em consideração que a finalidade do princípio é permitir a obtenção, pelo
Tribunal, das bases da decisão, pode também ser designado por princípio da verdade material,
visto que a descoberta da verdade material é a razão de ser, para que se alcance o fim da
justiça penal, a condenação dos culpados e só dos culpados e só dos culpados.24
3.2.2. Princípio do contraditório
Este principio já vem expressamente consagrado no artigo 5 do código de
processo penal na qual nos diz que: o processo penal subordina-se ao princípio do
contraditório.25
O princípio do contraditório corresponde a uma forma de organizar um diálogo
judicial no processo penal e, em termos mais substanciais, a uma forma específica de
construir a decisão final. De primeira, significa que as decisões do tribunal devem partir de
uma ponderação dos contributos dos diversos sujeitos processuais e não em termos de
implicar uma posição passiva do tribunal. 26 Este princípio traduz o direito que tem a acusação
e a defesa de se pronunciarem sobre as alegações, as iniciativas, os actos ou quaisquer atitudes
processuais de qualquer delas.27 Este princípio traduz-se na estruturação da audiência em
termos de um debate ou discussão entre a acusação e a defesa. Cada um destes sujeitos é
22
PINTO Frederico De Lacerda Da Costa, direito processual penal, Lisboa, Abril de 1998, pág. 223 a 225
23
CARVALHO Paula MARQUES, manual prático de processo penal, Maio, 2013 Edições ALMEIDA, S.A
24
CUNA, Ribeiro José, Direito Processual Penal, escolar editora, Maputo, 2014, pág 86
25
REPÚBLICA DE MOCAMBIQUE, Lei n 25/ 2019 de 29 de Dezembro (Código de Processo penal), (2019) in
Boletim da Republica 1◦ Serie n 249.
26
PINTO Frederico De Lacerda Da Costa, Direito Processual Penal, Lisboa, 1998, Pp. 226-229
27
SILVA, Germano Marques da, Curso de Processo Penal, 3ª edição, editorial VERBO, Lisboa, 1996, P. 71
8
chamado a aduzir as suas razões de facto e de direito, a oferecer as suas provas, a controlar as
provas contra si oferecidas e a discretear sobre o resultado de umas e outras.28
A oportunidade que é conferida a todo o participante no processo de influir
através da sua adição na decisão de caso concreto. Através do principio da audiência tem-se o
reconhecimento da dignidade pessoal do Homem, impendido que ele se torne num objecto do
processo. O arguido, como qualquer outro sujeito processual, é um sujeito activo, é um sujeito
participativo em todo o processo.29 Por conseguinte, deve ser ouvido porque através das suas
declarações ele contribui para a decisão do caso concreto. Por via do principio do
contraditório assegura-se que, no decurso do processo, não se tome qualquer decisão que
atinja o estatuto jurídico de determinada pessoa sem que a mesma tenha tido a oportunidade
de se fazer previamente ouvir, permitindo a exposição em particular pelo arguido das suas
razões.30
3.3. Princípio da audiência
Se o principio da contraditoriedade não só salvaguarda o direito de defesa do
arguido, como também do lugar da audição pelo juiz da causa e da defesa sobre o objecto do
processão penal, o principio da audiência é como que consequência do primeiro, pois, o
mesmo consiste na oportunidade de que é conferida a todo os participantes ou intervenientes
no processo de influi, mediante a sua audição pelo tribunal, no decurso ou desenrolar do
processo. Este princípio está plasmado no art. 65 da CRM conjugado com o art. 365 n.º 1 do
CPP, mais o art. 13 da Lei da organização Judiciária, nos dando a entender que en casos não
específicos a audiência não tem impedimento para aquele que queira assistir, ou seja, isto vai
depender do carácter em si da própria audiência.
Este princípio traduz-se na oportunidade conferida a todos os intervenientes no
processo de influir, através da sua audição pelo tribunal, no desenrolar do processo,
revestindo-se de relevo tendo em conta as consequências para o formalismo a que devem
obedecer os interrogatórios do arguido.31
3.3.2. Principio da suficiência
28
SILVA, Germano Marques da, Curso de Processo Penal, 3ª edição, editorial VERBO, Lisboa, 1996, pág. 72
29
CUNA, Ribeiro José, Direito Processual Penal, Escolar Editora, Editores E Livreiros, Lda., Maputo, 2014, p.
87
30
Idem. p. 88
31
CUNA Ribeiro José, Lições de Direito Processual Penal, 2040 by escola editora, editores e livreiros Lda. pág.
88
9
O princípio da suficiência encontra-se consagrada no art. 13 do CPP, do qual
decorre a auto-suficiência do processo penal, isto é, que o exercício e julgamento da acção
penal não depende de qualquer outra acção, e para o efeito no processo penal resolvem-se
todas as questões que interessam à decisão da causa ou cuja resolução condiciona o ulterior
desenrolar do processo penal, sejam elas de natureza penal, civil ou administrativa, que sejam
susceptíveis de cognição autónima pelo tribunal.32
Em outros termos, segundo este princípio, o processo penal é promovido
independentemente de qualquer outro e nele se resolve todas as questões que interessam a
decisão da causa. Nele se resolvem as denominadas "questões prejudiciais em processo
penal", aquelas que constituem um antecedente jurídico-concreto da questão principal, que
são autónomas quanto o seu objecto e natureza, podendo dar origem a um processo
independente, e que são necessárias a resolução da questão principal de natureza prejudicial. 33
Este princípio significa "…que a acção penal pode ser exercida e julgada
independentemente de qualquer outra acção; no processo penal resolvem-se todas as questões
que interessam a decisão da causa, qualquer que seja a natureza, caso nos casos exceptuados a
lei".34 Este principio tem em vista evitar a interrupção da marcha ou decurso do processo
penal e seu consequente exercício, devido ao surgimento de uma questão susceptível de ser
conhecida pelo tribunal de uma forma autónoma, pois, tal a suceder levantar-se-ia as
exigências de concentração e de continuidade do processo penal, prejudicando assim o fim da
verdade material do processo.
Questões prejudiciais em processo penal
São as questões susceptíveis de cognição autónoma pelo tribunal que surjam no decurso do
processo penal. Para este conceito, há que respeitar três pressupostos:
1º. Que a questão prejudicial represente um antecedente lógico-jurídico da decisão da
questão principal (anterioridade da questão prejudicial relativamente a principal),
conferindo-lhe assim uma relevância que imponha a sua resolução antes da decisão
32
CUNA, Ribeiro José, Lições De Direito Processual Penal, Escolar Editora, Editores E Livreiros, Lda.,
Maputo, 2014, pp. 88-89
33
CARVALHO, Paula Marques, Manual Prático De Direito Processual Penal, Edicoes Almedina, Coimbra,
2013 p. 76
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei N.° 25/2019 De 26 De Dezembro, que aprova a
34
Revisão Do Código De Processo Penal, in Boletim da República, art.13.
10
final da questão principal. Isto é, a questão prejudicial condiciona a decisão da questão
principal:
2º. O carácter autónomo da questão prejudicial, em termos de ela própria poder
legitimar o recurso a um processo independente, seja penal ou não.
3º. O carácter necessário da questão, ou seja, que a sua resolução seja plausível ou
tenha razão de ser.
Como resultado do princípio da suficiência do processo penal, em regra o
processo penal não pode ser interrompido em consequência do surgimento de uma questão
prejudicial, uma vez que esta não levantara nenhum problema específico, pois, o tribunal
penal terá sempre competência para dela conhecer e decidir e também, resolver a questão
principal. A lei confere ao juiz penal poder discricionário para fazer a devolução da questão
prejudicial para o tribunal que em condições normais seria competente, concretamente quando
se trate de qualquer questão de natureza não pela que não possa decidir-se no processo penal
sem inconveniência, e porque a razão de ser do princípio da suficiência é evitar a criação de
obstáculos ao exercício da acção penal com a devolução, o juiz tendo ordenado a devolução
marcará prazo da suspensão (art. 14 n.º 4 CPP).35 Porém, para que o juiz use desta faculdade,
é necessário que se trate de questão essencial e não somente circunstancial e que a mesma não
possa ser conveniente decidida no processo penal.
O juiz penal terá, em princípio, de fazer a devolução da questão prejudicial de natureza não
penal, embora possa decidir sentido contrário, face as seguintes questões previstas no art. 2 do
CPP:
a) Quando incida sobre o estado civil das pessoas;
b) Quando seja de difícil solução e não verse sobre os factos cuja prova a lei civil limite.
As questões sobre o estado civil das pessoas são aquelas em que mais flagrantemente se
aponta a inconveniência de serem resolvidas no processo penal, quando delas dependa a
existência de um crime, ate porque nelas o processo civil toma especiais cautelas para
assegurar sempre o triunfo da verdade material.36
3.3.3. Princípio da concentração
35
CUNA, Ribeiro José, Lições De Direito Processual Penal, Escolar Editora, Editores E Livreiros, Lda.,
Maputo, 2014, p. 91.
36
Ibdem. p. 92.
11
Este funda-se na necessidade de evitar obstáculos ao exercício do processo penal,
enformando deste modo todo o decurso processual penal. Por outra, este princípio reivindica
uma tramitação unitária, continuada e concentrada (do ponto de vista temporal e espacial) do
processo penal, de forma a poder realizar-se uma justiça penal atempada e eficaz. 37
Este princípio, na perspectiva temporal, está consagrado no art. 2, n.º 1 do CPP,
segundo o qual o arguido deve ser julgado no mais curto prazo compatível com as garantias
de defesa. Neste âmbito, encontra-se ligado o princípio da celeridade e garantias de defesa, ou
por outra, o princípio da continuidade da audiência, o que não impede a existência de
eventuais interrupções ou adiamentos. Já na perspectiva espacial, exige que a audiência de
julgamento se desenrole no mesmo local.38
3.3.4. Princípio relativos à prova
3.3.5. Princípio da investigação
O princípio da investigação, também denominado "da verdade material", que é ao
mesmo tempo um princípio geral da prossecução processual e um princípio geral da prova, é o
princípio segundo o qual o tribunal investiga o facto sujeito ou a sujeitar a julgamento,
independentemente dos contributos da acusação e da defesa, construindo autonomamente as bases da
sua decisão. Consiste no dever do Tribunal de investigar e esclarecer a título oficioso,
independentemente das contribuições das partes, ou da acusação e defesa, o facto submetido a
julgamento (conhecimento e decisão), o princípio encontra-se patente nos artigos 330°, 332° e
seguintes, todos do CPP. Cabe referir, porém, que o princípio da investigação sofre uma limitação no
âmbito da audiência de julgamento, limitação que decorre da restrição dos poderes de cognição do
juiz, imposta pelo princípio da vinculação temática, que o proíbe de investigar os factos que se afastem
do objecto do processo, que este, por sua vez, deve se manter o mesmo desde a acusação ao trânsito
em julgado da sentença (estabilidade do objecto). Entretanto, é preciso ter-se em conta que este
princípio, de modo algum, se opõe ao princípio da acusação, pelo que não impede nem limita a
actividade probatória do Ministério Público, do assistente ou do arguido e o aproveitamento dessa
actividade pelo tribunal, o que significa que o princípio da investigação é, contrariamente ao que
sucede com o princípio da discussão em que sobre as partes recai a auto-responsabilidade probatória,
"...a actividade investigatória do tribunal não é limitada pelo material de facto aduzido pelos outros
37
CARVALHO, Paula Marques, Manual Prático De Direito Processual Penal, Edições Almedina, Coimbra,
2013, p. 11
38
CUNA, Ribeiro José, Lições De Direito Processual Penal, Escolar Editora, Editores E Livreiros, Lda.,
Maputo, 2014, p. 92
12
sujeitos processuais, antes se estende autonomamente a todas as circunstâncias que devam reputar-se
relevantes."39
3.3.6. Princípio da livre apreciação da prova
O processo penal quando se encontra na fase de julgamento faz-se a produção de
provas com vista a dotar o tribunal de condições necessárias para formar a sua convicção sobre a
existência ou inexistência dos factos juridicamente relevantes para a sentença, podemos usar como
base o artigo 1° do CPP. Embora o princípio tenha um relevo especial na fase do julgamento, por a
regra ser a de que não valem nesta fase, nomeadamente para o efeito de formação da convicção do
tribunal, quaisquer provas que não forem produzidas ou examinadas em audiência, o princípio vale
também para outras entidades, nomeadamente para o juiz de instrução e para o Ministério Público,
sendo um princípio geral de processo penal com incidência no decurso de todo o processo.
Este significa, negativamente, a ausência de critérios legais que predeterminem o valor
da prova e, positivamente, que as entidades a quem caiba valorar a prova o façam de acordo com o
dever de perseguir a realização da justiça e a descoberta da verdade material, numa apreciação que terá
de ser sempre objectivável, motivável e, por conseguinte, susceptível de controlo. A livre apreciação
da prova comporta duas vertentes:
1. Por um lado, a entidade que decide fá-lo de acordo com a sua íntima convicção em face do rol
de provas apresentadas no processo, em especial na audiência de julgamento, quer sejam
arroladas pela acusação, quer pela defesa, quer ainda aquelas que o Tribunal entende
oficiosamente conhecer;
2. Por outro lado, essa convicção objectivamente formada com apoio em regras técnicas e de
experiência não deve estar sujeita a quaisquer cânones legalmente pré-estabelecidos.
4. Objecto da prova
O objecto da prova é constituído por todos os factos juridicamente relevantes para a
existência ou inexistência do crime, a punibilidade ou não, do agente e a determinação da pena ou da
medida de segurança aplicáveis, art.124 do CPP. O objecto, através das alegações de facto da acusação
e da defesa, as provas são os instrumentos utilizados para demonstrá-los, segundo as regras do
processo.40
O Tribunal deve fundamentar ou motivar a apreciação que faz em torno da prova,
especificando os fundamentos que foram decisivos para a sua convicção relativamente aos factos que
39
DIAS, Jorge de Figueiredo, Direito Processual Penal, 1º volume, 1ª edição, Coimbra, p.192.
40
SILVA, Germano Marques da, Curso de Processo Penal, Vol. Ⅱ, 3.ª ed, p.104.
13
dê como provados, art.8° do CPP. O princípio da livre apreciação da prova vale sem quaisquer
limitações relativamente à prova testemunhal e por declarações, art.174° do CPP, porque face ao
depoimento de um declarante ou de uma testemunha, o juiz é livre de formar a sua convicção em
termos de dar por provados ou não determinados factos a que respeita. Já no que toca ao depoimento
do arguido, quando este negue aos factos a respectiva valoração é feita de acordo com o princípio da
livre apreciação da prova, pelo que em tal caso tem efectivamente aplicação plena.
4.2. Principio in dúbio pro réu
Resulta do princípio de contradição e discussão, próprio de processo civil, que às
partes (autor e réu) impende a auto-responsabilidade probatória ou produção dos meios de prova
necessários à decisão, bem assim sobre as mesmas recai o risco da condução do processo em matéria
probatória, pelo que aquela que não produzir os meios necessários à comprovação das suas
afirmações, suporta as consequências desvantajosas daí resultantes. 41 O princípio in dubio pro reo
garante que todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de
condenatória, conforme o artigo 3° do CPP e artigo 59, n°2 da CRM. Da presunção de inocência do
arguido só pode decorrer que se dêem comprovados os factos favoráveis ao arguido, decidindo o
tribunal como se tivesse sido feita prova dos factos, caso fique aquém da dúvida razoável. O princípio
vale para toda a matéria de facto, quer para a relativa ao crime, quer para a atinente à sanção que lhe
corresponde (por exemplo, quer quanto a uma causa de exclusão da ilicitude, quer em relação a uma
circunstância modificativa atenuante).
4.3. Princípios gerais relativos a forma
4.3.2. O princípio da publicidade
Este princípio é constitucionalmente consagrado a luz do artigo 65n.º 2 da
CRM, ao dispor em geral que, as audiências de julgamento em processo criminal são públicas,
salvo quando a salvaguarda da intimidade pessoal, familiar, social ou da moral, ou ponderosas
razões de segurança da audiência ou de ordem pública aconselharem a exclusão ou restrição
da publicidade. 42
A publicidade em processo penal tem como finalidade evitar a desconfiança da
comunidade quanto ao funcionamento dos tribunais e realização da justiça, no qual, segundo
Germano Marques da Silva, entende que, para além de ser uma garantia de transparência da
41
CUNA, Ribeiro José, Lições de Direito Processual Penal, Escolar Editora, p.99.
42
ANTUNES, Maria João, Direito Processual Penal, Almedina, Coimbra, 2016, Pag.174
14
justiça, a publicidade é um modo de facilitar a fiscalização da legalidade do procedimento e
um componente importante para o exercício do direito de defesa. 43
Este princípio encontra a sua manifestação nos números 1 e 2, do art. 96 do
CPP, segundo o qual: o processo penal é, sob pena de nulidade, público a partir do despacho
de pronúncia ou se a audiência preliminar não tiver lugar, do despacho que designa o dia para
a audiência de julgamento, vigorando até qualquer desses momentos o segredo de justiça.44
Este princípio, apresenta limitações que constam no art. 9 do CPP quando se
chegue à conclusão que a publicidade possa causar dano grave a dignidade das pessoas, a
moral pública ou ao normal decurso do acto, a requerimento do Ministério Público, do
defensor ou do assistente por despacho decidido pelo juiz e as limitações previstas nos artigos
98 e 99 ambos da lei acima referida.
4.3.3. Princípio da oralidade e da imediação
Versa sobre este princípio o modo de obtenção da decisão, isto é, os atos
processuais e a decisão devem ser processados e proferidos sob forma oral. Este princípio
pouco se descura do princípio da imediação, na medida em que este tem a ver com a relação
de proximidade comunicante que deve ser estabelecida entre o tribunal e os sujeitos e
participantes processuais, por não ser relevante apenas o que se diz, mas também a forma
como se diz, para o efeito de formação da convicção do julgador.45
A oralidade não significa exclusão da escrita, no sentido de proibição de que
dos actos que tenham lugar oralmente fiquem registados, protocolos ou actas, a servir para
fins de controlo de assunção de prova, máxime em matéria de recursos.
Segundo Eduardo Correia, este princípio determina que o juiz deverá tomar
contacto imediato com os elementos de prova, através de uma percepção directa (princípio da
imediação subjectiva) ou pessoal (princípio da imediação formal).46
4.3.4. Outros princípios
4.3.5. Princípio da vinculação temática
43
CARVALHO, Paula Marques de MANUAL PRATICO DE PROCESSO PENAL, Almedina,
Portugal,2013.
44
CARVALHO, Paula Marques de, MANUAL PRATICO DE PROCESSO PENAL, Almedina,
Portugal,2013.
45
ANTUNES, Maria João, Direito Processual Penal, Almedina, Coimbra, 2016, p. 178
46
Idem
15
Por força do princípio da acusação a intedade acusadora de der diferente da que
julga com o íncio e direção da investigação criminal a com pintor com o MP aquém cabe
também deduzir a acusação, e o julgamento ao tribunal.
Uma vez deduzida acusação, por força do princípio da vinculação temática do
tribunal o processo está fixado, qual diver-se-a manter estável, tende permanecer o mesmo
desde a acusação até ao trânsito em julgado da sentença, estabilidade do objeto do processo
que é fundamental para efeitos de defesa do arguido (Carvalho 2010). Que não deve ser
surpreendido pelos factos novos, em particular no julgamento, para o quais não teria se
preparado para a defesa.47 Portanto, o princípio da vinculação temática do tribunal expressa a
ideia de vinculação temática do tribunal ao objeto fixado pela acusação, que também limita a
sua actividade investigatório na busca da verdade material ao abrigo do princípio da
investigação.48
Este princípio preconiza que o objeto do processo 49 deve se manter estável
desde a acusação até ao trânsito em julgado da sentença, tratando-se de uma condição
essencial da defesa do arguido. E de sublinhar a estrita relação do objeto do processo com o
conceito de alteração substancial dos factos 50. Na fase do inquérito, o conceito de alteração
dos factos encontra-se enunciado no art. 52 do CPP(acusação pelo assistente), e art. 55 e 56
do CPP(acusação particular).51 Na fase de instrução, o juiz está sujeito aos limites de
cognição impostos pelos factos que lhe são trazido pela acusação do ministério público (MP)
nós "crimes público e semi-publico" ou do assistente "crimes particular" ou pelo
requerimento de abertura do instrução (do assistente). Assim convém salientar que os seus
poderes de investigação autónoma só funcionam dentro de certos limites de acordo com do
art. 52. Paralelamente a acusação, o requerimento de abertura instrução delimita thema
probandum da actividade desta fase processual, isto é, vincula tematicamente o juiz por tanto,
a decisão instrutória só pode recair sobre estes factos. A vinculação temática funciona num
duplo sentido: impede o tribunal de conhecer para além dos factos e obriga-o a pronunciar-se
até ao limite do facto, sendo este o narrado pelo ministério público na acusação, pela defesa
47
CUNA, Ribeiro José, lições de direito penal, Escolar Editora.
48
Idem.
49
CARVALHO, Paula Marques, Manuel de pratica do processo penal, editora Almedina, Coimbra,2013.
50
Idem.
51
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, lei nº 25/2019 de 26 se Dezembro, código de processo penal, in Boletim
da República.
16
na contestação, bem como o que resultar da discussão da causa com relevância para a
decisão.52
4.3.6. Princípio do juiz natural
Outra das garantias de defesa do processo penal e o princípio do juiz natural,
segundo o qual nenhuma causa pode ser subtraída ao tribunal cuja competência esteja fixada
por lei anterior, de acordo com o nº 4 do art. 65 da CRM, conjugado com o art 16 do CPP .
Com efeito,a reparação de competência pelos tribunais há-de ser feita por lei e está deve ser
anterior a pratica do facto que vai ser objeto do processo, procurando evitar-se designação
arbitrária de um juiz para determinado processo.53
Por força deste princípio e proibido a criação de jurisdições de excepção ou ad
hoc, destinada a conhecer e decidir de certo caso ou um certo grupo de casos.54
O tribunal competente deve ser determinado segundo as regras gerais de
competência anterioramente definidas, savalguardando-se desta forma a garantia dos direitos
dos cidadãos, no sentido de que vai ser julgado por um tribunal independente e imparcial, com
a consequente confiança da comunidade na administração da justiça, visto que por via do
princípio do juiz natural55.
4.3.7. Princípio de igualdade de oportunidade
De acordo com o princípio de igualdade e oportunidade ou igualdade de armas,
a tramitação processual deve estar estruturada de modo a garantir que a acusação e a defesa
disponham dos mesmos direitos e deveres no âmbito da intervenção judicia.56
52
CUNA, Ribeiro José, lições de direito penal, Escolar Editora.
53
CARVALHO, Paula Marques, Manuel de pratica do processo penal, editora Almedina, Coimbra,2013.
54
Idem.
55
Idem.
56
ABREU, Carlos Pinto de, A informática na audiência do Julgamento - Registo da audiência e meios de
produção de prova a distancia in revista portuguesa de ciência criminal. Coimbra Editora , 2010 Pag7
CUNA, Ribeiro José, Lições de direito processual penal, Escolar editora.
17
O princípio da igualdade de oportunidade, também denominado princípio da
igualdade de armas, traduz-se em que a acusação e a defesa devem dispor dos mesmos
direitos e deveres processuais no âmbito da intervenção judicial, mediante estruturação da
tramitação processual para o efeito. Com este teor, o principio de oportunidades tem uma
estreita ligação
CONCLUSÃO
Finalizado o trabalho, pudemos concluir que os Princípios exercem, pois, uma
tríplice função, nalguns casos servindo como inspiradores do legislador ou do criador da lei e
de fundamento para o ordenamento jurídico (função informadora); noutros servindo de
orientação para o intérprete; noutros quando funcionam como fonte supletiva, na ausência da
lei, constituindo assim meio de integração do direito ou preenchimento das lacunas da lei, em
18
face da falta de lei ou costume aplicável ao caso concreto, permitindo resolver situações não
contempladas em norma alguma positiva, mas que revelam ou tem relevância jurídica (função
normativa); e noutros casos ainda quando orientam o jurista, intérprete ou o julgador, o juiz
no momento de proferir a decisão, servindo também de limite ao seu eventual arbítrio,
evitando a tomada de decisões que ofendam o espírito do ordenamento jurídico (função
interpretadora).
São Princípios referente a prossecução ou decurso processual, ou seja,
relacionados com a marcha do processo penal uma vez promovido ou iniciado por órgão com
competência, os Princípios da investigação, da contraditoriedade e audiência, da suficiência e
da concentração.
Também conclui-se que existem vários outros princípios que também serão
sumariamente abordados, designadamente: Princípio da vinculação temática, Princípio do juiz
natural, Princípio da igualdade de oportunidades, Princípio da proibição de reformativo in
pejus e Princípio da recorribilidade.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Legislação:
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Constituição da República de Moçambique
(2004), actualizada pela Lei n°1/2018 de 12 de Junho in Boletim da República, I série
n. 115 de 12 de Junho.
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n.º 24/2019, de 24 de Dezembro Código
Penal, in Boletim da República, I Série, n⸰ 248.
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, lei nº 25/2019 de 26 se Dezembro, código de
processo penal, in Boletim da República , I Série, n⸰ 248.
REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE, Lei n.° 9/87, de 19 de Setembro (Lei de defesa da
economia).
Doutrina:
CARVALHO, Paula Marques, Manual Pratico de Processo Penal, 5ª edição,
Almedina, Coimbra, 2010.
CUNA, Ribeiro José, Lições de Direito processual penal, Maputo, 2014, Escolar
editora.
DIAS, Jorge de Figueiredo, Direito Procesual penal, Vol. I, 1ª edicao-1974,
reimpressão 2004, Coimbra.
MENDES, João de castro, Introdução ao Estudo do Direito, 3ª Edição, Pedro
Ferreira-Artes Gráficas, Lda., Lisboa, 2010.
SILVA, Germano Marques da, Curso de processo penal I – Noções gerais elementos
do processo penal, 6ª edição, revista e actualizada, verbo, edição babel, Lisboa, 2010,
p.64.
Internet:
GABRIEL, Sérgio, Os Princípios Gerais de Direito e o princípio da dignidaede da
pessoa humana no Direito das obrigações. Disponível em:
http://jusvi.com/pecas/2585.
20
JOHNSTON, Aldem, Um estudo sobre os princípios do Direito do Trabalho.
Disponível em:http://www.direitonet.com.bt/artigos/exibir/543/um-estudo-sobre-os-
principios-do-Direito-do-Trabalho.
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