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Juízo de Direito - 5ª Vara da Comarca de Arapiraca – Criminal
Rua Samaritana, s/nº, Fórum Des. Orlando Monteiro Cavalcanti Manso, Santa Edwirges -
CEP 57311-180, Fone: 3482-9556, Arapiraca-AL - E-mail: vara5arapiraca@tjal.jus.br
Autos nº: 0700468-05.2025.8.02.0069
Ação: Inquérito Policial
Indiciante: Policia Civil do Estado de Alagoas
Indiciado: Leonardo da Silva Santos
DECISÃO
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por ALBERTO DE ALMEIDA, liberado nos autos em 03/12/2025 às 15:37 .
- Do pedido de revogação da prisão preventiva
Cuida-se de pedido de liberdade provisória formulado pela defesa de Leonardo da Silva
Santos, às p. 218-222.
Na oportunidade destacou que possuindo apenas anotações quando menor de idade, que
não podem ser consideradas para fins de reincidência, maus antecedentes ou para agravar a
situação processual. Outrossim, destacou que a quantidade de droga apreendida com o acusado é
irrisória e que estão ausentes os requisitos autorizadores de sua segregação cautelar.
Instado a se manifestar, o membro do Ministério Público opinou pela revogação da
prisão preventiva do réu, às p. 5-6.
É o que importa relatar. Fundamento e decido.
Inicialmente, cumpre destacar que pedido similar já foi apreciado por este Juízo há
menos de 2 (dois) meses atrás, conforme se observa em decisão de p. 202-204. Da análise do
pedido anterior e deste verifico que não há mudança no caso concreto a fim de ensejar a
revogação da prisão preventiva do réu. Explico.
Depreende-se dos autos que o réu, em 18 de junho de 2025, por volta das 13h30, nas
proximidades na Rua Vicente Leite da Silva, n. 306, no Bairro Cacimbas, na cidade de
Arapiraca/AL, o réu foi preso em flagrante delito pelo suposto cometimento dos crimes de de
tráfico de drogas (art. 33, caput, da Lei 11.343/ 2006), receptação (art. 180, caput, do CP) e
adulteração de sinal identificador de veículo (art. 311, § 2°, III, do CP).
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Verifica-se do caso concreto a gravidade da conduta do réu, em um mesmo dia, cometeu
crimes diversos que acabaram por causar risco à ordem pública. Além do mais, em que pese o
réu possuir apenas atos infracionais pretéritos, estes podem ser usados para manutenção de sua
prisão preventiva, uma vez que indicam que a personalidade do réu é voltada à prática de crimes,
vejamos:
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A prática de atos infracionais anteriores serve para justificar a decretação ou
manutenção da prisão preventiva como garantia da ordem pública, considerando
que indicam que a personalidade do agente é voltada à criminalidade, havendo fundado
receio de reiteração. STJ. 5ª Turma. RHC 47.671-MS, Rel. Min. Gurgel de Faria,
julgado em 18/12/2014 (Info 554).
Entendo, portanto, que a prática de crimes diversos e a existência de atos infracionais
anteriores são argumentos capazes de promover a manutenção da prisão preventiva do acusado.
E destaco que a manifestação favorável do membro do Ministério Público não vincula
este Juízo. Vejamos:
A determinação do magistrado pela cautelar máxima, em sentido diverso do
requerido pelo Ministério Público, pela autoridade policial ou pelo ofendido, não
pode ser considerada como atuação ex officio. STJ. 6ª Turma. RHC 145.225-RO,
Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 15/02/2022 (Info 725).
Isso posto, com base nos arts. 312 e 313 do Código de Processo Penal, mantenho a
prisão preventiva do réu Leonardo da Silva Santos.
Atualize-se o histórico de partes.
- Recebimento da denúncia
O Ministério Público Estadual ofereceu denúncia em desfavor de Leonardo da Silva
Santos, imputando-lhe(s) a(s) conduta(s) típica(s) descrita(s) no(s) no art. 33, caput, da Lei
11.343/2006, em concurso material com os arts. 180, caput, do CP (receptação) e art. 311, §
2°, III, do CP (adulteração de sinal identificador de veículo)
Tratando da propositura de ações penais com ritos diversos em um mesmo processo
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criminal, deve-se adotar o procedimento comum do art. 394 do CPP, pois, nele, restam
resguardados todos os mecanismos processuais descritos no art. 55 e seguintes da Lei nº
11.343/2009, embora em ordem distinta.
Neste sentido, vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça, conforme se extrai do
ementário extraído do HC 303385/RS:
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PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO
ORDINÁRIO. NÃO CABIMENTO. NOVA ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL.
CONEXÃO ENTRE CRIMES DE TRÁFICO DE ENTORPECENTES E PORTE
ILEGAL DE ARMA. ALEGADA NULIDADE POR INOBSERVÂNCIA DO RITO
PREVISTO NA LEI N. 11.343/2006. INEXISTÊNCIA. RITO ORDINÁRIO. AMPLA
DEFESA OBSERVADA. PRECEDENTES DO STJ. HABEAS CORPUS NÃO
CONHECIDO. I - A Primeira Turma do col. Pretório Excelso firmou orientação no
sentido de não admitir a impetração de habeas corpus substitutivo ante a previsão legal
de cabimento de recurso ordinário (v.g.: HC n. 109.956/PR, Rel. Min. Marco Aurélio,
DJe de 11/9/2012; RHC n. 121.399/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 1º/8/2014 e
RHC n. 117.268/SP, Rel. Ministra Rosa Weber, DJe de 13/5/2014). As Turmas que
integram a Terceira Seção desta Corte alinharam-se a esta dicção, e, desse modo,
também passaram a repudiar a utilização desmedida do writ substitutivo em detrimento
do recurso adequado (v.g.: HC n. 284.176/RJ, Quinta Turma, Rel. Ministra Laurita
Vaz, DJe de 2/9/2014; HC n. 297.931/MG, Quinta Turma, Rel. Min. Marco Aurélio
Bellizze, DJe de 28/8/2014; HC n. 293.528/SP, Sexta Turma, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
DJe de 4/9/2014 e HC n. 253.802/MG, Sexta Turma, Rel. Ministra Maria Thereza de
Assis Moura, DJe de 4/6/2014). II - Portanto, não se admite mais, perfilhando esse
entendimento, a utilização de habeas corpus substitutivo quando cabível o recurso
próprio, situação que implica o não-conhecimento da impetração. Contudo, no caso de
se verificar configurada flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal,
recomenda a jurisprudência a concessão da ordem de ofício. III - Tratando-se de ação
penal referente a crimes diversos, afetos a ritos distintos, porém conexos, a adoção
do rito ordinário, como na hipótese, na linha da jurisprudência desta eg. Corte,
não acarreta nulidade, porquanto o procedimento nele inserto possui, em tese,
maior amplitude, apta a possibilitar o pleno exercício do direito de defesa
(Precedentes). [grifei] Habeas corpus não conhecido.
Neste diapasão, observo que a denúncia ofertada concentra todos os requisitos
relacionados no art. 41 do Código de Processo Penal, pois traz os dados qualificadores do(s)
denunciado(s); apresenta o(s) fato(s) delituoso(s), com todas as suas circunstâncias; aponta a
classificação do(s) ato(s) criminoso(s) e apresenta rol de testemunhas.
Afora os requisitos supracitados, estão presentes os pressupostos indiciários de autoria e
materialidade exigidos para o recebimento da denúncia, consolidados nos elementos de
convicção compreendidos nos autos do Inquérito Policial, iniciado por Auto de Prisão em
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Flagrante.
Ademais, os fatos narrados constituem, em tese, o(s) tipo(s) penal(is) descrito(s) na
exordial. As condições da ação e os pressupostos processuais se encontram presentes, bem como
inexiste qualquer causa de extinção de punibilidade.
Enfim, não há nos autos, neste momento, qualquer elemento que indique a necessidade
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de rejeição liminar da pretensão inicial acusatória, conforme disposto pelo art. 395 do Código de
Processo Penal, com redação dada pela Lei nº 11.719/2008.
Assim sendo, recebo a denúncia em todos os seus termos, dando Leonardo da Silva
Santos como incurso nos delitos tipificados no arts. 33 da Lei nº 11.343/2006, art. 180, caput,
do CP e art. 311, § 2º, inciso III, do Código Penal, na forma do art. 69 do CP.
Cite(m)-se o(s) imputado(s)para que responda(m) à acusação, por escrito, no prazo de 10
(dez) dias, advertindo-o(s) de que poderá(ão), por esta via, arguir preliminares e alegar tudo o
que interesse à(s) sua(s) defesa(s), oferecer documentos e justificações, especificar as provas
pretendidas e arrolar testemunhas, até o máximo de 8 (oito) para cada qual, qualificando-as e
requerendo suas intimações, se necessário, nos moldes dos artigos 396 e 396-A do CPP, com
redação dada pela Lei nº 11.719/08.
Consigne-se no mandado de citação que o Sr. Oficial de Justiça deverá indagar ao(s)
citando(s) se possui(em) advogado. Em caso negativo, deverá questionar acerca de suas
respectivas situações financeiras e se pretende(m) ser assistido(s) pela Defensoria Pública,
devendo tudo ser devidamente certificado nos autos.
Não apresentada a resposta no prazo legal por advogado constituído pelos próprios
denunciados, remetam-se os autos ao Defensor Público para que apresente a referida peça
processual nos termos do art. 396-A, §2º, do CPP.
Requisite-se a(s) Folha(s) de Antecedentes Criminais do(s) réu(s) Paulo Victor Estevam
Oliveira ao Instituto de Identificação de Alagoas.
Emita-se certidão sobre os antecedentes do(s) acusado(s), inclusive de seus registros no
CIBJEC.
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Altere-se sua classe processual no SAJ.
Oficie-se à Autoridade Policial (54º Distrito Policial) para que, no prazo de 5 (cinco)
dias, encaminhe o veículo FORD/ KA SE 1.0 HAC (placa original RGP5D47) à Perícia Oficial,
a fim de que seja realizado o Exame Pericial no veículo, respondendo aos quesitos necessários
sobre a adulteração da placa e a real identificação do chassi e motor.
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por ALBERTO DE ALMEIDA, liberado nos autos em 03/12/2025 às 15:37 .
Cumpra-se.
Arapiraca, 03 de dezembro de 2025.
Alberto de Almeida
Juiz de Direito