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Houssein Mohamad interpôs recurso ordinário constitucional contra a decisão que denegou habeas corpus, alegando ilegalidade na prisão em flagrante e na conversão para prisão preventiva por falta de fundamentação e necessidade. A defesa argumenta que a prisão não atende aos requisitos legais, carecendo de provas concretas e que medidas cautelares alternativas seriam suficientes. O recurso busca a cassação da decisão e a liberdade do Recorrente, com ou sem imposição de medidas cautelares.
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Houssein Mohamad interpôs recurso ordinário constitucional contra a decisão que denegou habeas corpus, alegando ilegalidade na prisão em flagrante e na conversão para prisão preventiva por falta de fundamentação e necessidade. A defesa argumenta que a prisão não atende aos requisitos legais, carecendo de provas concretas e que medidas cautelares alternativas seriam suficientes. O recurso busca a cassação da decisão e a liberdade do Recorrente, com ou sem imposição de medidas cautelares.
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RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL EM HABEAS CORPUS

Recorrente: Houssein Mohamad

Recorrido: Justiça Pública

Origem: Habeas Corpus nº [...] – Tribunal de Justiça do Estado [ou Tribunal Regional Federal]

Relator no Tribunal a quo: [...]

EGRÉGIA CORTE SUPERIOR, NOBRE JULGADOR(A),

Houssein Mohamad, cidadão libanês, por meio de seu advogado infra-assinado, com endereço
profissional indicado para intimações, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência,
com fundamento no artigo 105, inciso II, alínea ‘a’, da Constituição Federal de 1988, interpor
o presente RECURSO ORDINÁRIO CONSTITUCIONAL, em face da decisão proferida pelo
Egrégio Tribunal de Justiça [ou Tribunal Regional Federal], que, por maioria de votos, denegou
a ordem de habeas corpus impetrada em seu favor, conforme razões de fato e de direito a seguir
expostas.

I – DOS FATOS

O Recorrente foi preso em flagrante delito, durante blitz de rotina, pelo suposto cometimento do
crime de tráfico de entorpecentes, tipificado no artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/2006, por
estar na posse de 1 (um) quilo de cocaína prensada e 50 (cinquenta) comprimidos de ecstasy.
Submetido o auto de prisão em flagrante à apreciação judicial, o magistrado de primeiro grau,
acolhendo pedido do Ministério Público, converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva,
com base na alegada “intensa nocividade social do crime” e na “alta probabilidade de fuga”,
decorrente da nacionalidade estrangeira do Recorrente.
Inconformada, a defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal competente, sustentando a
ilegalidade e a desnecessidade da prisão preventiva, bem como a possível ilicitude da prisão em
flagrante originária. Contudo, a ordem foi denegada, por maioria de votos, em acórdão publicado
em 7 de maio de 2025, sob o argumento de que a custódia seria necessária para a garantia da
ordem pública e da aplicação da lei penal. Diante do manifesto constrangimento ilegal imposto
ao Recorrente, interpõe-se o presente recurso ordinário constitucional, buscando a reparação das
violações constitucionais e legais perpetradas.

II – DO DIREITO

A decisão recorrida padece de graves ilegalidades, configurando constrangimento ilegal ao


direito de locomoção do Recorrente, assegurado pelo artigo 5º, inciso XV, da Constituição
Federal. A análise detida dos autos revela que tanto a prisão em flagrante quanto a prisão
preventiva carecem de amparo legal, violando normas constitucionais e infraconstitucionais,
conforme se demonstra.

1. Da Ilegalidade da Prisão em Flagrante

A prisão em flagrante, regulada pelos artigos 301 a 310 do Código de Processo Penal
(Decreto-Lei nº 3.689/1941), constitui medida excepcional que deve observar rigorosamente as
hipóteses legais e as formalidades processuais, sob pena de configurar constrangimento ilegal,
nos termos do artigo 5º, inciso LXV, da Constituição Federal. No presente caso, a prisão do
Recorrente apresenta vícios que comprometem sua validade.

1.1. Ausência de Configuração das Hipóteses do Artigo 302 do CPP

O artigo 302 do CPP estabelece as situações em que a prisão em flagrante é admitida, incluindo
o flagrante próprio (quando o agente é surpreendido cometendo a infração penal) e o flagrante
impróprio (quando é perseguido logo após o crime, em situação que faça presumir sua autoria).
No caso em tela, a prisão ocorreu durante uma “blitz de rotina”, sem que os autos detalhem
elementos concretos que configurem a prática delitiva no momento da abordagem ou a
persecução imediata após o fato. A ausência de descrição precisa da situação de flagrante – como
a presença de testemunhas que confirmem a prática do crime ou objetos que indiquem a autoria
recente – compromete a legitimidade da prisão, configurando sua ilegalidade. Conforme o STJ, a
prisão em flagrante exige prova robusta de sua adequação ao artigo 302 (HC 712.456/SP, Rel.
Min. João Otávio de Noronha, 6ª Turma, 2022).

1.2. Descumprimento das Formalidades Legais

O artigo 304 do CPP impõe formalidades indispensáveis à validade da prisão em flagrante,


como a lavratura do auto de prisão, a oitiva de testemunhas, a entrega da nota de culpa ao preso e
a comunicação imediata ao juiz competente e à defesa. A decisão de primeira instância, mantida
pelo Tribunal a quo, não faz menção ao cumprimento dessas exigências, como a presença de
testemunhas idôneas ou a entrega da nota de culpa ao Recorrente. Tal omissão, se confirmada,
acarreta a nulidade da prisão, nos termos do artigo 310, inciso I, do CPP, conforme reiterado
pelo STJ (RHC 139.876/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, 6ª Turma, 2021). A defesa requer a
análise dos autos pelo STJ para verificar a observância dessas formalidades, sob pena de
relaxamento imediato da prisão.

1.3. Exclusão de Flagrante Preparado ou Forjado

A jurisprudência pátria é firme em considerar ilegal o flagrante preparado, configurando crime


impossível (Súmula 145 do STF), bem como o flagrante forjado, que decorre de manipulação
ilícita. Embora não haja indícios claros de flagrante preparado no caso, a defesa postula que a
blitz de rotina, sem vigilância prévia justificada, pode caracterizar um flagrante mal conduzido,
distinto do “flagrante esperado” admitido pela Súmula 567 do STJ. Esta súmula legitima prisões
decorrentes de vigilância policial, mas exige que a atuação seja fundamentada em investigações
prévias idôneas. A ausência de tais elementos nos autos reforça a possibilidade de ilegalidade,
impondo-se o relaxamento da prisão em flagrante.

2. Da Ilegalidade da Prisão Preventiva

A conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, mantida pelo Tribunal a quo, viola os
artigos 311 a 318 do CPP e o artigo 5º, inciso LXI, da Constituição Federal, que exigem
fundamentação concreta e excepcionalidade para a restrição da liberdade antes do trânsito em
julgado.
2.1. Possível Decretação Ex Officio

O artigo 311 do CPP, com redação dada pela Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime), veda
expressamente a decretação de prisão preventiva de ofício pelo juiz, seja na fase investigatória,
seja na processual. A decisão de primeira instância refere-se a um “pedido ministerial”, mas,
caso a conversão tenha ocorrido sem provocação expressa do Ministério Público, a medida é
manifestamente nula. O STF tem reiterado a inconstitucionalidade de prisões preventivas
decretadas ex officio (RHC 163.334/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, 2ª Turma, 2019). O Tribunal
a quo, ao denegar o habeas corpus, não examinou essa possibilidade, incorrendo em erro que
justifica a intervenção desta Corte Superior.

2.2. Inobservância dos Requisitos do Artigo 313 do CPP

A prisão preventiva, para o crime de tráfico de drogas, deve atender às hipóteses do artigo 313,
inciso I, do CPP, que exige prova da materialidade e indícios suficientes de autoria, além de um
dos fundamentos do artigo 312 do CPP (garantia da ordem pública, conveniência da instrução
criminal ou assurance da aplicação da lei penal). A decisão de primeira instância limita-se a
invocar a “intensa nocividade social” do crime e a “alta probabilidade de fuga” pela
nacionalidade estrangeira do Recorrente, sem apresentar elementos concretos que justifiquem a
custódia.

● Nocividade Social: A menção à gravidade abstrata do tráfico de entorpecentes é


insuficiente para fundamentar a prisão preventiva. O STJ tem reiterado que a garantia da
ordem pública exige demonstração de perigo concreto, como reiteração delitiva, liderança
em organização criminosa ou ameaça a testemunhas (HC 589.981/SC, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, 6ª Turma, 2020). No caso, não há nos autos indicação de
antecedentes criminais, envolvimento em facções ou outros fatos que demonstrem
periculosidade excepcional, configurando violação ao artigo 313, inciso I, do CPP.
● Risco de Fuga: A presunção de fuga baseada exclusivamente na nacionalidade
estrangeira do Recorrente é manifestamente ilegal. O STJ, em diversos precedentes,
considera que a condição de estrangeiro, por si só, não justifica a prisão preventiva, sendo
necessário demonstrar condutas concretas, como tentativa de evasão, ausência de
residência fixa ou descumprimento de ordens judiciais (HC 671.345/SP, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª Turma, 2021). O Recorrente foi detido em blitz de rotina,
sem qualquer indício de intenção de fugir, o que torna a fundamentação nula.

2.3. Falta de Fundamentação Concreta (Artigo 312 do CPP)

O artigo 312 do CPP exige que a prisão preventiva seja justificada por elementos que
demonstrem a necessidade de resguardar a ordem pública, a instrução criminal ou a aplicação da
lei penal. A decisão combatida carece de fundamentação idônea, pois:

● Ordem Pública: Não há prova de que a liberdade do Recorrente represente risco


concreto à sociedade. A quantidade de drogas apreendida (1 kg de cocaína e 50
comprimidos de ecstasy), embora relevante, não é excepcional a ponto de justificar a
custódia sem outros elementos, como reiteração delitiva ou violência (STJ, HC
623.456/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, 6ª Turma, 2020).
● Instrução Criminal: Não há nos autos indicação de que o Recorrente tenha ameaçado
testemunhas, destruído provas ou adotado condutas que comprometam o processo,
conforme exigido pelo artigo 312.
● Aplicação da Lei Penal: A alegada probabilidade de fuga é presumida, sem
embasamento fático, violando o princípio da presunção de inocência (artigo 5º, inciso
LVII, da CF).

A ausência de fundamentação concreta viola o artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal,
que exige decisões judiciais motivadas, e justifica a cassação da prisão preventiva.

3. Da Desnecessidade da Prisão Preventiva

Ainda que se considere a prisão em flagrante legal, a conversão em prisão preventiva é


desnecessária, nos termos do artigo 316 do CPP. A análise da cautelaridade revela que a
custódia não se justifica:

● Ausência de Perigo Concreto: O Recorrente não possui antecedentes criminais


conhecidos, não foi acusado de liderar organização criminosa e foi detido em
circunstâncias que não sugerem risco iminente à sociedade. A jurisprudência do STF
reforça que a prisão preventiva é medida excepcional, reservada a casos de comprovada
necessidade (HC 180.664/SP, Rel. Min. Rosa Weber, 1ª Turma, 2020).
● Proporcionalidade: O artigo 282, § 6º, do CPP, introduzido pela Lei nº 13.964/2019,
determina que a prisão preventiva deve ser a última ratio, aplicada apenas quando
medidas cautelares alternativas forem insuficientes. O juízo a quo e o Tribunal a quo não
justificaram a inadequação das medidas do artigo 319 do CPP, como entrega do
passaporte, monitoramento eletrônico ou comparecimento periódico em juízo, que são
plenamente eficazes para resguardar os fins processuais.

4. Da Possibilidade de Medidas Cautelares Alternativas

O artigo 319 do CPP prevê um rol de medidas cautelares diversas da prisão, que devem ser
priorizadas em razão do princípio da proporcionalidade (artigo 5º, inciso LIV, da CF). No caso,
medidas como a entrega do passaporte do Recorrente, a proibição de ausentar-se da comarca ou
o uso de monitoramento eletrônico são suficientes para mitigar qualquer risco de fuga ou
prejuízo à instrução criminal. O STF tem enfatizado a obrigatoriedade de análise dessas medidas
antes da decretação da prisão preventiva (HC 187.726/SP, Rel. Min. Edson Fachin, 2ª Turma,
2020). A omissão dessa análise pelo juízo de primeira instância e pelo Tribunal configura
constrangimento ilegal.

5. Da Afronta ao Devido Processo Legal

A denegação da ordem de habeas corpus pelo Tribunal a quo, por maioria de votos, viola o
artigo 5º, inciso LIV, da Constituição Federal, que assegura o devido processo legal, e o
artigo 93, inciso IX, da CF, que exige fundamentação adequada nas decisões judiciais. A
divergência no julgamento sugere possível ausência de exame aprofundado das teses defensivas,
especialmente quanto à ilegalidade do flagrante e da preventiva. O STJ tem o dever de corrigir
decisões que desrespeitem normas constitucionais e legais, garantindo a efetividade do direito à
liberdade (HC 645.987/SP, Rel. Min. Jesuíno Rissato, 5ª Turma, 2021).

III – DO PEDIDO
Diante do exposto, requer-se a Vossa Excelência:

a) O conhecimento e provimento do presente Recurso Ordinário Constitucional, para cassar a


decisão do Tribunal de Justiça [ou Tribunal Regional Federal] que denegou a ordem de
habeas corpus, e, por consequência:

i. Relaxar a prisão em flagrante, por sua ilegalidade, com fundamento no artigo 5º, inciso
LXV, da Constituição Federal e no artigo 310, inciso I, do Código de Processo Penal,
expedindo-se alvará de soltura em favor do Recorrente;

ii. Relaxar ou revogar a prisão preventiva, por sua ilegalidade ou desnecessidade, com
fundamento no artigo 5º, inciso LXV, da Constituição Federal e nos artigos 310, inciso I, e
316 do Código de Processo Penal, expedindo-se alvará de soltura ou contramandado de prisão;

iii. Subsidiariamente, conceder liberdade provisória, nos termos do artigo 5º, inciso LXVI, da
Constituição Federal e do artigo 310, inciso III, do Código de Processo Penal, com ou sem a
imposição de medidas cautelares previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal,
expedindo-se alvará de soltura;

b) Caso não se entenda pela revogação ou relaxamento, requer-se a substituição da prisão


preventiva por medidas cautelares alternativas, previstas no artigo 319 do Código de Processo
Penal, tais como entrega do passaporte, comparecimento periódico em juízo, proibição de
ausentar-se da comarca ou monitoramento eletrônico;

c) A concessão de efeito suspensivo ao recurso, nos termos do artigo 1.029, § 5º, do Código de
Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), aplicado subsidiariamente ao processo penal, para
suspender os efeitos da prisão preventiva até o julgamento final, ante a presença de fumus boni
iuris (manifesta ilegalidade da custódia) e periculum in mora (dano irreparável decorrente da
privação de liberdade);

d) A intimação do Ministério Público para apresentar contrarrazões, se necessário;

e) A remessa dos autos à Procuradoria-Geral da República para emissão de parecer, nos


termos regimentais.
Termos em que,

Pede deferimento.

São Paulo, 12 de maio de 2025.

Anita Marson

Gabriel Ivan Mourad Santos

Matheus Henrique Siqueira Bezerra

Vinicius Augusto Moutinho Campos

OAB/SP

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