O ABCDE da vida

Prof. Esp. Adalberto Cruz Sampaio

Significados
A – Airway – Abertura e desobstrução das vias aéreas superiores e coluna cervical;  B – Breathing – Respiração/ Ventilação;  C – Circulation – Ciculação;  D – Disability – Avaliação neurológica;  E – Exposure – Exposição/ Exame físico.

A – Airway – Abertura e desobstrução das vias aéreas superiores;

O que procurar nas vias aéreas?
Está permeável?

A

Existem corpos estranhos?
Existe sangue, vômito, etc?

. . . . Pode ser ocasionada por qualquer corpo estranho seja sólido ou líquido.Trauma nas vias aéreas.Choque elétrico.Intoxicações. A obstrução da vias aéreas também pode ser por: . .A. .Choque hipovolêmico. É toda e qualquer situação que impeça total ou parcialmente o fluxo de oxigênio entre o meio ambiente e os pulmões.Inconsciência.Definição de obstrução de V. . .Afogamento.Queimadura nas vias aéreas.Corpo estranho nas vias aéreas.

O que fazer? Alinhamento da cervical/ colar cervical Elevar o maxilar ou hiper estender o pescoço Colocação de cânula A Rolamento ou aspiração .

.Inclinação da cabeça e elevação do mento (Chin Lift). .Métodos de controle e desobstrução das vias aéreas no SBV .Elevação do ângulo da mandíbula (Tríplice Jaw Truhst). .Rolamento a 90º (nos casos onde o corpo estranho líquido).

Elevação do ângulo da mandíbula (Tríplice e Jaw Truhst) Na maioria dos casos as manobras manuais promovem e mantém a permeabilidade das vias aéreas. sendo esta. Como desvantagem as duas mãos ficam ocupadas e é tecnicamente mais difícil de ser realizada. por projetar a mandíbula anteriormente. Esta manobra é utilizada naquelas vítimas com suspeita de lesão na cervical e promove a desobstrução das vias aéreas. deslocando também a língua. a sua vantagem. .

apoiar os polegares na região mentoniana. . Os dedos indicador e médio devem ser colocados atrás do ângulo da mandíbula a fim.Técnica    Posicionar-se na cabeceira da vítima apoiando a região tenar do socorrista na região zigomática da vítima. Logo após. de deslocá-la anteriormente. e promover a abertura da boca.

. Tem como vantagem a facilidade de ser executada onde. o socorrista pode desocupar uma das mãos para continuar o exame da cavidade oral.Inclinação da cabeça e elevação do mento (Chin Lift) Esta manobra só deve ser utilizada em vítimas clínicas. pois hiper estende o pescoço.

Técnica    O controle cervical é mantido com uma das mãos posicionada na região frontal da vítima. Posicionar o polegar da outra mão no queixo com o indicador na face inferior do corpo da mandíbula. liberando assim as vias aéreas. realizando movimento de extensão da cabeça. Pinçar e tracionar anteriormente a mandíbula. .

abrimos a cavidade oral utilizando a técnica do dedo em gancho ou técnica dos dedos cruzados. A remoção manual é contra indicada em lactentes pois pode aprofundar o corpo estranho.Após a abertura das vias aéreas devemos abrir a boca e identificar a natureza do corpo estranho. Para tal. Para remover corpo estranho de natureza líquida realizamos o rolamento de 90º. removendo manualmente objeto de natureza sólida. .

Abertura da boca com o dedo em gancho Abertura da boca com a técnica dos dedos cruzados .

posicionando-a sobre a língua. . deve-se segurá-la ao lado da face da vítima com a extremidade inferior tocando o ângulo da mandíbula e a outra porção a comissura labial. nas crianças a concavidade deve ser inserida lateralmente. Realizar rotação helicoidal num ângulo de 180º. Para saber o tamanho da cânula orofaríngea. Nas crianças a cânula fica com a concavidade lateral e a rotação é de 90º.Cânula Orofaríngea     Deve ser inserida com a concavidade para cima e dirigida ao palato porém sem tocá-lo.

. nos casos em que a vítima já está imobilizada. O socorrista deve manter o controle cervical da vítima.Rolamento a 90º    Remove a vítima do décubito dorsal para o lateral. realiza a lateralização da vítima na própria tábua. Tal manobra promove a escoação de secreções e sangue das vias aéreas superiores.

 Aplicar cinco compressões torácicas. na região da linha dos mamilos.  Virar o lactente firmemente segurando-o entre suas mãos e braços (socorrista). utilizando um ou dois dedos.  .Desobstrução das Vias Aéreas em crianças e lactentes Com a região hipotenar da mão aplicar até cinco palmadas no dorso do lactente (entre as escápulas).

Após estabilizar as VAS. deve-se colocar o colar cervical .

B – Breathing – Respiração/ ventilação .

VER: observar a expansibilidade torácica.É possível perceber os movimentos respiratórios através do ver. . SENTIR: saída de ar. ouvir e sentir. OUVIR: ruídos respiratórios.

Após realizar o ver. se a vítima não respirar. ouvir e sentir e a abertura das vias aéreas .boca – a – boca. .boca – nariz. RN: 01 sopro bem suave a cada 2 segundos. VALORES Adultos: 01 ventilação a cada 5 segundos. .boca – ambu (ressuscitador manual).boca – máscara. OBSERVAÇÃO: sempre que possível a respiração artificial deve ser auxiliada com equipamento de proteção. . . através de respiração artificial. devemos iniciar uma seqüência ventilatória. evitando contato direto com a boca da vítima. podendo ser: . Crianças: 01 ventilação a cada 3 segundos.

 Sopre lentamente até o peito dela encher-se.Boca – a – boca Feche as narinas da vítima com os dedos indicador e polegar.  . retire sua boca e deixe o ar sair livremente.  Coloque sua boca com firmeza sobre a boca da vítima.

com o ápice sobre a ponta do nariz e a base entre os lábios e o queixo.  .  Remover a boca da máscara para que a vítima expire passivamente. mantendo assim a máscara firme.  Inspirar profundamente e expirar através da abertura da máscara.Boca . anular e mínimo.  Segurar a mandíbula da vítima com os dedos médio.máscara Posicionar a máscara sobre a face da vítima.

nariz Desobstruir as narinas da vítima.  Manter a boca da vítima fechada com o polegar e soprar pelo nariz da vítima.  .Boca .  Abrir a boca da vítima para que ocorra a expiração.

Boca .  Manter a boca da vítima fechada com o polegar e soprar pelo nariz da vítima.  Abrir a boca da vítima para que ocorra a expiração.  .nariz Desobstruir as narinas da vítima.

nariz .Respiração boca – a boca Respiração boca .

C – Circulation – Circulação .

. A circulação é caracterizada pela pulsação que indica a freqüência e a força do trabalho do coração.CIRCULAÇÃO Está relacionada ao movimento do sangue que é bombeado através do coração e realiza a pequena e a grande circulação.

pobre em oxigênio e rico em gás carbônico. onde este será oxigenado tornando-se em sangue arterial rico em oxigênio. a partir do lado direito do coração até aos pulmões. proveniente de todo o organismo. onde se iniciará um novo ciclo.Pequena circulação X Grande circulação A grande circulação conduz sangue arterial oxigenado do coração esquerdo. recebendo suas excretas e transformando-se em sangue venoso desoxigenado e rico em gás carbônico. A pequena circulação conduz o sangue venoso. . para o lado esquerdo do coração. para todos os tecidos do organismo. o qual volta para o coração direito.

.Conduta do Prestador de Primeiros Socorros A correta aplicação da RCP pode manter a vida da vítima até que esta se recupere o suficiente para ser transportada para uma unidade hospitalar ou para que possa receber atendimento especializado. onde será feita a desfibrilação.

Dessa maneira. com a finalidade de comprimir o coração que está situado entre duas estruturas ósseas (por trás do esterno e adiante a coluna torácica).Conduta na Parada Cardíaca Verificar a ausência de pulsação através do pulso central e iniciar a massagem cardíaca. ao ser pressionado entre essa duas estruturas o sangue é forçado a sair e durante a descompressão o coração é preenchido de sangue mais uma vez. .

 .  Verifique o pulso (artéria carótida ou femoral).  A compressão torácica deve ser rápida. marque dois pontos acima e posicione a mão exatamente no meio do peito da vítima. forte sem parar.Conduta na massagem cardíaca externa Deite a vítima de costas sobre uma superfície rígida.  Após localizar o apêndice xifóide.  Os braços devem estar esticados usando o peso do corpo do socorrista.

.

para todas as vítimas exceto RN. Em crianças menores de 8 anos devemos realizar a massagem cardíaca com apenas uma das mãos posicionada sobre o meio do peito da vítima. comprimindo o peito do bebê abaixo da linha do mamilo. .Valores - - - Devemos realizar até 100 compressões torácicas por minuto. Em recém-nascidos a massagem é realizada com dois dedos.

RN: 03 compressões para uma ventilação (03:1). . independente da quantidade de socorristas.Consenso de 2005 para RCP - - - Adultos: 30 compressões para duas ventilações (30:2). independente da quantidade de socorristas. Lactentes e crianças até a puberdade: 15 compressões para duas ventilações (15:2).

Até quando manter ou abandonar a RCP?  - - - Manter até que: Haja o retorno espontâneo da circulação. Chegada de pessoal mais capacitado ao local. porém mantemos a ventilação. Falta de resposta a dor.  - - Abandonar quando: Pupilas dilatadas. fixas e não fotoreagente. . Retorno da circulação e da respiração.

0 Dois dedos cm abaixo da na linha linha dos dos mamilos mamilos 15 : 02 03 : 01 Boca-nariz Boca-nariz .8 anos 30 dias .1 ano 0 .0 cm acima do apêndice xifóide 30 : 02 Boca-boca Uma mão 2.30 dias Duas mãos 2.Adulto Criança Lactente RN 8 anos a + 1 .0 cm acima do apêndice 15 : 02 Boca-boca Dois dedos 1.

.

D – Disability – Avaliação Neurológica .

Possui entre 50 e 100 bilhões de neurônios. Sistema Nervoso central – é formado pelo encéfalo (cérebro e cerebelo) e medula espinhal. Sistema Nervoso Periférico – compreende os doze pares de nervos cranianos e as raízes de nervos raquianos. O cérebro é coberto por uma membrana denominada meninge. .Considerações gerais O sistema nervoso se divide em sistema nervoso central e sistema nervoso periférico. que agrupam-se em plexos prolongam-se nos troncos nervosos ramificam-se por todo o organismo. divide-se em dois hemisférios separados por uma fissura longitudinal.

Alguns danos reversíveis ou não ocorrem devido a falta de oxigenação no cérebro.4 minutos. improváveis danos cerebrais 4 – 6 minutos possíveis danos cerebrais 6 – 10 minutos prováveis danos cerebrais Mais de 10 minutos danos cerebrais severos ou morte cerebral . 0 .

 Se alerta: • está orientado? • confuso? • emite palavras inapropriadas? • emite sons incompreensíveis?  resposta a voz: • abre os olhos? • obedece a ordens? .Avaliação Neurológica É quando avaliamos o nível de consciência da vítima.

Avaliação Neurológica  Resposta a dor: • abre os olhos? • obedece a ordens?  Resposta a dor: • localiza a dor? • tem fuga a dor?  Sem resposta a estímulos? • tem movimentos de flexão normal? • tem movimentos de extensão normal? • convulsões? .

V – Responde a estímulos verbais.Escala de Coma de glasgow. D – Responde a estímulos dolorosos. I – Irresponsível (Inconsciente) .Método AVDI. • Método AVDI A – Alerta. .A avaliação neurológica pode ser feita de duas maneiras: .

resposta verbal. tamanho e reação pupilar.• Escala de Coma de Glasgow Nesta etapa avaliamos a função neurológica da vítima avaliando o nível de consciência. resposta a dor em flexão e extensão. Abertura dos olhos Resposta verbal Espontâneo Á voz Á dor Resposta motora 6 5 4 4 Orientada 3 Confusa 2 Palavras inapropriadas Obedece a ordens 6 Localiza a dor Fuga a dor 5 4 S/ resposta 1 Sons incompreensíveis 3 Nenhuma s/ resposta 1 Flexão anormal Extensão normal 3 2 1 .

Pupilas mióticas: circunferência diminuídas. . Fotoreagentes: apresenta ou não sensibilidade a luz. Reação Pupilar Pupilas isocóricas: mesmo tamanho. Ges:> ou = 8 – Traumatismo Cranioencefálico Grave. Pupilas anisocóricas: tamanhos diferentes. Pupilas midriáticas: circunferência dilatada.Pontuação da escala x valor encontrado Ges: 13/15 – Traumatismo Cranioencefálico Leve. Pupilas puntiformes. Ges: 9/12 – Traumatismo Cranioencefálico Moderado.

Miose Midríase Anisocoria .

E – Exposition Exame Físico ou Avaliação Secundária .

Considerações Gerais Para realizar o exame físico é necessário remover as vestes da vítima. devemos ter uma visão geral do paciente da cabeça aos pés para detectar outras lesões. C e D. B. se necessário. Em caso de feridas com presença de sangue. contanto. o exame físico é realizado no sentido céfalo-caudal e após termos feito o A. Visão geral Descobrir o corpo do paciente. em busca de feridas sangrantes ou deformidades que façam suspeitar de fraturas e luxações. etc. torniquete. observar se existe hemorragia e as características da mesma. estancar hemorragia através de compressas estéreis. devemos prevenir a hipotermia. .

sem fletir nem estender . .Avaliação da cabeça A cabeça deve ficar em posição neutra e estável. a fim de imobilizar essa área. palpamos o crânio. Se a função respiratória permitir deve-se colocar um colar cervical. mantendo-o em posição neutra. procurando possíveis afundamentos e feridas. Avaliação do pescoço Deve ser realizada com o maior cuidado. Ainda observamos aparecimento de sangue e/ ou líquido cefalorraquidiano pelas fossas nasais ou canal auditivo externo.

apoiando a palma da mão sobre esterno. perguntando ao paciente se sente dor em algumas das regiões torácicas. Avaliar a rigidez da caixa torácica. . Assim. Se existem corpos estranhos encravados. se alguma costela encontra-se fraturada podemos detectar. mantendo-os como estão até a extração cirúrgica. ou procurando o aparecimento de alguma crepitação ou instabilidade costal. Realizar o IPPA. não devem ser retirados. observando presença de feridas penetrantes. fazendo leve pressão sobre todo o corpo esternal.Avaliação torácica Realizar inspeção visual dando atenção para os movimentos da caixa torácica.

Observação. percussão (pode apresentar som “maciço”. palpação e observação externas. . procuramos presença de feridas. ausculta (serve para observar a presença de ruídos abdominais). sangue pelo meato urinário. Avaliação pélvica É realizada mediante. escroto. Em caso negativo a avaliação restante é feita mediante palpação (avaliamos a rigidez e o edemaciamento de vísceras). som “timpânico”. hematomas ou perdas sanguíneas na região do púbis.Avaliação abdominal Inicialmente. realizamos inspeção visual procurando feridas penetrantes ou de hemorragia abundante.

luxações ou hemorragias avaliamos também a pulsação e as funções nervosas através. Palpamos também os pulsos femorais.vagina ou ânus. diminuição da sensibilidade e mobilidade das extremidades. na presença de dor ou crepitação óssea é indicativo de fratura. procuramos deformidade da estrutura pélvica. tendo especial atenção a ausência ou diminuição dos mesmos. Avaliação dos membros É o último passo do exame físico no politraumatizado. iniciamos pelos MMII e finalizamos nos MMSS. da presença de parestesia. a fim de detectar fraturas. Palpação. . Observamos.

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