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ESCOLA DE NOTÁRIOS E REGISTRADORES DO RIO DE JANEIRO ENOREG/RJ

PRÁTICA DO DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL IMOBILIÁRIO
- UMA ANÁLISE ATUAL DOS NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS

PROFESSOR RODRIGO DE CASTRO
ASSOCIADO SENIOR DO CAMPOS MELLO ADVOGADOS

APRESENTAÇÃO E PROGRAMA
I. Questões Introdutórias ao Direito Notarial e Registral Imobiliário

1.

Noções de Direito Notarial 1.1 1.2 Conceito - Função notarial - Fé Pública Características

DIREITO NOTARIAL “É o ramo científico do Direito Público que, constituindo um todo orgânico, sanciona com a Fé Pública as ralações jurídicas voluntárias e extrajudiciais mediante a intervenção de um particular que atua por delegação do Poder Público”. – Leonardo Brandelli Fé pública – atribuição em certificação que visa garantir segurança das relações jurídicas – certeza daquilo que efetivamente foi feito – até que prove o contrário – presunção de autenticidade - inversão da prova. “Certifico e dou fé que...”

Não confundir com juízo de valor ou mesmo com afirmação de verdade do conteúdo declarado pelas partes.

CARÁTER ACAUTELATÓRIO .PREVENÇÃO DE LITÍGIOS .ACONSELHAMENTO . ASSIM COMO AUTENTICANDO FATOS. CONSERVANDO OS ORIGINAIS E EXPEDINDO CÓPIAS QUE DÊEM FÉ DE SEU CONTEÚDO.SEGURANÇA . .FUNÇÃO NOTARIAL: - CONFERINDO AUTENTICIDADE E CERTEZA JURÍDICA.IMPARCIALIDADE .

ou seja. Alexandre Rezende Pellegrini “O notariado e os registros públicos respondem a uma realidade secular de necessidade de segurança e consistente na autenticação e documentação de realidades mediante uma função que lhe é própria e inerente. valores que juntos com o Direito imprimem aos atos. agindo através de delegação do Poder Público. sustentado por outros. fatos e relações jurídicas o selo definitivo da autenticidade e legalidade”. Kioitsi Chicuta . conselheiro que desempenha sua função com total independência e imparcialidade. como instrumento de garantia da segurança jurídica e da liberdade de contratar”. a fé pública. a verdade e a justiça. como a liberdade. com encargo de conferir autenticidade aos documentos que redige. e toda sua obra está marcada por esse princípio fundamental e que.jurista.NOTÁRIO: “Profissional de direito .

1 Traslado 1.2 reconhecimento de firma 1.2 por semelhança PRINCIPAIS: 1.Atos notariais principais: .6 aprovação de testamento cerrado COMPLEMENTARES: 1. 6 e 7 Lei nº 8.3.3.3.1 autenticação 1.3.1 por autenticidade 1.3 ATOS NOTARIAIS Exclusividade e restrição de atos – arts.4 ata notarial 1.2 Certidão .1.Atos notariais complementares: SECUNDÁRIOS: 1.2.7.3 escritura e procuração (escrituras) 1.3.3.7.5 testamento (escritura) 1.3.3.2.3.935/94 .Atos notariais secundários: .3.

2. NOÇÕES DE DIREITO REGISTRAL IMOBILIÁRIO
2.1. Conceito 2.2. Características 2.3. Princípios 2.4. Matrícula 2.5. Exame e exigência 2.6. Atos de registro e atos de averbação 2.7. Retificação dos Registros (Retificação de Metragens)

2.1. CONCEITO
REGISTRO DE IMÓVEIS - Instituição que tem por atribuição legal a capacidade para publicizar fatos jurídicos que dizem respeito aos bens imóveis e direitos reais relacionados, bem como atos e fatos que digam respeito aos sujeitos que figuram nos registros, sempre que a lei impuser ou autorizar. - LEGALIDADE – TIPICIDADE – restrito campo de atuação rigorosamente determinado pela lei de forma típica e visando efetivamente proteger a propriedade.

2.2. CARACTERÍSTICAS E OBJETIVOS:
- AUTENTICIDADE – PUBLICIDADE – SEGURANÇA JURÍDICA – EFICÁCIA JURÍDICA (efeito erga omnes)

SISTEMA REGISTRAL ADOTADO NO BRASIL
- Sistema misto:

Necessidade do contrato escrito, forma prescrita em lei, escritura pública - art. 108 CC – direito obrigacional e relação inter partis;
Conjugado à necessidade de registrar o respectivo título no Fólio Real competente, constituição do direito real, verdadeiro cadastro de direitos e não apenas um cadastro informativo, relação passa a ser erga omnes – direito absoluto.
“Só é dono quem registra!” Tudo isto aliado à responsabilidade civil objetiva do Registrador Imobiliário – apólice de seguro

2. .3.1 PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE OBRIGAÇÃO LEGAL DE FORNECER INFORMAÇÕES “Publicidade é a alma dos Registros Públicos.” Nicolau Balbino Filho 2.EXAME DE QUALIFICAÇÃO DO TÍTULO – TIPICIDADE DOS DIREITOS REAIS E CORRESPONDÊNCIA AOS ELEMENTOS DO NEGÓCIO JURÍDICO NOS PLANOS DA EXISTÊNCIA. VALIDADE E EFICÁCIA – SEGURANÇA JURÍDICA E RAZÃO DE SUA EXISTÊNCIA.2 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE OBRIGAÇÃO DE EXAMINAR A LEGALIDADE DO TÍTULO APRESENTADO . 2.3.3 PRINCÍPIOS DOS REGISTROS DE IMÓVEIS AQUELES QUE NORTEIAM E VERDADEIRAMENTE CONSTITUEM OS ALICERCES DA INTERPRETAÇÃO DOS REGISTROS PÚBLICOS.

ou seja. A constituição de um verdadeiro emaranhado de elos de uma corrente ininterrupta de assentos 2.2.4 PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE – arts. para que então o registro reflita com exatidão o fato jurídico que o originou. de forma precisa e inequívoca. 195. 176. ou seja.3 PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE – arts. o imóvel. especialidade objetiva. sujeitos. Rigoroso encadeamento dominial envolvendo os direitos e os sujeitos titulares daqueles. especialidade subjetiva. imprescindível encadeamento entre assentos pertinentes a um dado imóvel e às pessoas interessadas. identificados e particularizados.3. e ainda com as mesmas condições antes registradas ou averbadas. . Principalmente visando-se evitar superposição de imóveis e/ou condôminos e/ou proprietários inexistentes.3. como os contratantes deste mesmo negócio. 236 e 237 ORDEM CRONOLÓGICA DE CARÁTER REAL E PESSOAL Em relação a cada imóvel. II e 225 IDENTIFICAÇÃO E PARTICULARIZAÇÃO .OBJETO E SUJEITO Tanto o objeto do negócio. ou seja. devem estar perfeitamente determinados. deve existir uma cadeia de titularidade à vista da qual só se fará o registro de um direito se o outorgante dele figurar no registro anterior.

176.2. 1º. único.3.3. 2.“Quem é o primeiro no tempo.9 PRINCÍPIO DA UNITARIEDADE DA MATRÍCULA A CADA IMÓVEL UMA MATRÍCULA – BASE DO SISTEMA DE FÓLIO REAL – SISTEMA CADASTRAL – arts.3.3.7 PRINCÍPIO DA PRIORIDADE – arts. 227.6 PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO ARQUIVO – REPOSITÓRIO DE DOCUMENTOS – ACERVO PÚBLICO 2.3.10 PRINCÍPIO DA TERRITORIEDADE OBRIGATORIEDADE DE JURISDIÇÃO .3. par.DIREITO DE PREFERÊNCIA .8 PRINCÍPIO DA INSTÂNCIA ROGAÇÃO OU RESERVA DE INICIATIVA – NECESSIDADE DE DEMANDA 2.ORDEM CRONOLÓGICA . tem preferência no direito!” 2. 182 e 186 PROTOCOLO . I. 233. II e 235 par.5 PRINCÍPIO DA DISPONIBILIDADE NINGUÉM PODE TRANSFERIR MAIS DIREITOS DO QUE TEM 2.

MATRÍCULA .NOVO SISTEMA REGISTRAL As informações passam a ser reunidas com prevalência do objeto – imóvel registrado e não em função dos sujeitos das relações jurídicas realizadas. DEFINIÇÃO DE MATRÍCULA: SUPORTE FÍSICO E JURÍDICO PARA TODOS OS LANÇAMENTOS REGISTRAIS QUE DEVEM SER FEITOS NO LIVRO nº 02 – REGISTRO GERAL.2.4. VERDADEIRO CURRICULUM VITAE OU ÁRVORE GENEALÓGICA DO IMÓVEL .015/73 DO FÓLIO PESSOAL AO FÓLIO REAL .LEI 6. individualização do sistema – busca do sistema cadastral absoluto. Princípio da Unitariedade da matrícula – para cada imóvel uma matrícula. MATRÍCULA Esta passa a ser mola mestra de todo o sistema adotado. por isso a expressão Fólio Real – coisa – imóvel.

5.5. EXAME E EXIGÊNCIA – 198 c/c art. 469 CN 2.2 FORMA – ESCRITA – ÚNICA .1 PRAZO – EXAME – 15 DIAS – art.2. 471 CN PROCEDIMENTO DO PROCESSO DE REGISTRO 2.5.FUNDAMENTADA .

Memorial de Incorporação. Relação de numerus clausus – relação exaustiva – art. ATOS DE REGISTRO E ATOS DE AVERBAÇÃO 2. declara e transfere os direitos reais sobre imóveis no Registro de Imóveis.LRP Os registros são considerados atos principais: Ex. Insituição de Usufruto ou Reserva de Usufruto.1. .6. Doação. Instituição de Condomínio. Compra e venda.2. Instituição de Bem de Família. I . institui. REGISTRO: Ato pelo qual se cria.6. Promessa de Compra e Venda. 167.

ou seja ainda em relação aos sujeitos envolvidos na relação. seja em relação ao direito real.6. Cláusula de inalienabilidade. seja em relação ao imóvel. renúncia de usufruto. Relação de numerus apertus – relação exemplificativa – art. retificação de registro.LRP As averbações são consideradas atos correlatos ou acessórios: Ex. mudança de nome. demembramento. AVERBAÇÃO: Ato pelo qual se altera. 167.2. II c/c art.2. 246 c/c 259 . mudança de estado civil. . construção. modifica ou amplia a situação jurídica espelhada pelo registro.

2. 213 LRP .requerimento da parte – art.7.assinatura dos confrontantes – notificação RI – RTD .7. RETIFICAÇÃO DE REGISTRO (retificação de metragem) 2. VIA JUDICIAL – VARA DE REGISTROS PÚBLICOS .de ofício – Registrador Imobiliário .procedimento – petição – planta – ART – memorial descritivo .1.averbação ou envio do processo para Vara de Registros Públicos 2.7.acordo entre as partes .2. VIA CARTÓRIO –ADMINISTRATIVO – CARTÓRIO DE RI .impugnação fundamentada .

USUFRUTO. SUPERFÍCIE. SERVIDÃO.DIREITO REAL ACESSÓRIO DE GARANTIA HIPOTECA. NOÇÕES DE DIREITOS REAIS DIREITO REAL PLENO = PROPRIEDADE DIREITOS REAIS LIMITADOS DE FRUIÇÃO E GOZO DOMINIO DESDOBRADO E LIMITAÇÃO DE USO = ENFITEUSE. USO. ANTICRESE. HABITAÇÃO DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA .3. PENHOR DIREITO REAL DE AQUISIÇÃO escritura de promessa irrevogável de compra e venda DIREITO REAL DA PROPRIEDADE RESOLÚVEL escritura de alienação fiduciária .

2 Conceito São aqueles derivados da ordem jurídica que atribui ou investe a pessoa na posse. 3. uso e gozo de uma coisa.2 Características 3.QUAL O MAIOR OBJETO DAS ATIVIDADES NOTARIAL E REGISTRAL? – DIREITOS REAIS 3. Direitos Reais = relação duradoura = verbo ter = submissão Direito Obrigacional = relação entre as partes contratantes – inter partis. persegue a coisa = coisa reservada. que é de sua propriedade. Direito Obrigacional = numerus apertus = exemplificativos = margem a criação humana = autonomia da vontade Direito Obrigacional = relação efêmera = verbo agir = cooperação de ações (dar e receber). Direito Real = Direito de Seqüela = onde a coisa for.3 Diferenças entre Direito Real/Obrigacional Direito Real = Direito absoluto – oponível contra toda a coletividade. Direito de Preferência = o titular do direito real tem o privilégio de ter a coisa em primeiro lugar. corpórea ou incorpórea. afetada ao credor do direito real. o direito real segue. . Direito Real = relação taxativa – fechada = numerus clausus = segurança legal – previsão legal. Direito Obrigacional = não são oponíveis em relação a terceiros.

Reserva Legal . Código Florestal.Averbação – legalização – de construção ou de demolição CND do INSS relativa à obra e certidão do habite-se . 2.4.2001 .2. Conceito Art. Ela varia de acordo com o bioma e o tamanho da propriedade e pode ser: I – 80% da propriedade rural localizada na Amazônia Legal. 1°.é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural. de 24.uma das modalidades de limitação administrativa . à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. II – 35% da propriedade rural localizada no bioma cerrado dentro dos estados que compõem a Amazonia Legal III. §2°. NOÇÕES SOBRE CONCEITO DE IMÓVEL 4. III. Imóvel Urbano e Imóvel Rural .08. que não seja a de preservação permanente. necessária ao uso sustentável dos recursos naturais. 79 c/c 80 CC 4.166-67.20% nas propriedades rurais localizadas nas demais regiões do país. inserido pela MP n°. em seu art. à conservação e reabilitação dos processos ecológicos.1.

em seus limites.015/75. Quem está obrigado a fazer o georreferenciamento? Em regra.dos usufrutuários e dos nus-proprietários. junto ao INCRA.449/02: I . características e confrontações. III . em razão de serem obrigadas a prestar a declaração para o cadastro de imóveis rurais (CCIR). com a devida ART. através de memorial descritivo firmado por profissional habilitado. 10 do Decreto nº 4. Será também exigido das seguintes pessoas. da Lei 6. II . observados os prazos do art. todos os proprietários de imóvel rural.dos posseiros.267/01).dos enfiteutas e dos foreiros. com redação dada pela Lei 10. .Georreferenciamento? O chamado georreferenciamento consiste na obrigatoriedade da descrição do imóvel rural. "contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites dos imóveis rurais. georreferenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro e com precisão posicional a ser fixada pelo INCRA" (art. § 4º. 176.

579/05 de 31 de outubro de 2005 fixou os prazos legais para o georreferenciamento de imóveis rurais: Áreas iguais ou superiores a 5. Áreas entre 1.000 e 5. Áreas inferiores a 500 ha o prazo vencerá em 21-11-2011.000 ha o prazo entrou em vigor em 29-01-2003. Em caso de processos judiciais todas as áreas devem ser georreferenciadas . em qualquer situação de transferência do imóvel rural.000 ha o prazo entrou em vigor em 31-102003.Não se fazendo georreferenciamento. o que implica? Após o vencimento dos prazos ocorre o impedimento da efetivação do registro. Quais os prazos? O decreto 5.000 ha o prazo entrou em vigor em 21-11-2008. Áreas entre 500 e 1.

PAP – PLANTA DE ALINANHAMENTOS PROJETADOS .. ainda. desmembramento ou remembramento. PAL – PLANO APROVADO DE LOTEAMENTO – Projeto de parcelamento do solo na forma de loteamento. de outros bens públicos.PROJETOS URBANÍSTICOS APROVADOS PELO PODER PÚBLICO PA(A) – PROJETO DE ALINHAMENTO APROVADO – Projeto que define o traçado dos logradouros públicos. separando espaços públicos das propriedades particulares ou. sendo que nestes projetos são identificados os lotes e/ou glebas com suas respectivas dimensões.

concluindo que a inaproveitabilidade da área. isoladamente inconstruível. visto que só ele pode incorporá-la ao seu lote e utilizála com o todo a que ficou integrada. ao terreno particular confinante que ficou afastado do novo alinhamento em razão de alteração do traçado urbano. atualmente. isoladamente. pois não poderia ser usada por outrem que não o proprietário do imóvel lindeiro. Esse clássico conceito doutrinário merece. Realmente. no sentido de abranger qualquer área inaproveitável isoladamente. área inaproveitável isoladamente é aquela que não se enquadra nos módulos estabelecidos por lei para edificação urbana ou aproveitamento para fins agropecuários. . remanescente ou resultante de obra pública uma vez que esta pode afetar também os terrenos rurais. Assim sendo. é justificativa suficiente para a alienação e também para a dispensa de licitação. essa situação cria para o proprietário confinante o direito de adquirir por investidura a área pública remanescente e inaproveitável segundo sua destinação natural. ampliação.INVESTIDURA: Conceito: É a incorporação de uma área pública.

. embora seja forma de alienação e aquisição de imóvel público. de que resultaram sobras inaproveitáveis de terrenos públicos na divisa ou no meio das propriedades particulares.Por isso mesmo. Esse caráter de incorporação compulsória permite aos beneficiários da investidura a plena utilização da área a ser investida. segundo os valores correntes no local. a investidura. dispensa a concorrência. sempre sujeitos a transcrição no registro imobiliário. uma vez que a transferência de propriedade só se pode fazer ao particular lindeiro e pelo preço apurado em avaliação prévia. A formalização da investidura se faz por escritura pública ou termo administrativo. desde o momento da retração do alinhamento ou da conclusão das obras.

11.14.13. 215 CC c/c art.2. Da Situação Jurídica 5.Da Aceitação 5.7.Do Imposto de Transmissão 5.Do Mandato 5.Das Certificações Legais e Declarações 5.5. Do Preço e Da Forma de Pagamento 5. Do Ato Propriamente Dito “Da Compra e Venda” 5. Da Titulação 5. Do Imóvel 5.1 Da Introdução 5. Cláusulas Gerais da Escritura Pública Estrutura dos Negócios Imobilários – art.8. Das Condições do Negócio 5.4.Do Encerramento .12.3.10.5.9. Da Imissão na Posse 5.6. Da Qualificação das Partes 5. 420 Código de Normas 5.

1. SAIBAM QUANTOS ESTA VIREM QUE.2. .. Técnica Notarial .1. (relato pelo notário de que conforme solicitação das partes assim instrumentalizou o referido negócio jurídico emprestando ao mesmo sua fé pública através da autenticação daquele fato).1. Introdução 1. sem repetição desnecessárias de palavras.2. CONTINUIDADE DA ESCRITA E SEPARAÇÃO POR TÓPICOS = forma de visualização mais clara e menos cansativa – ajuda ao RI – 1.Qualidade de redação dos atos notariais: CLAREZA E CONCISÃO = construções em ordem direta e períodos curtos.2..

estrangeiro solteiro – tem que mencionar “solteiro.2 DAS PARTES 1.2.2.4 pessoa jurídica . condomínio edilício. fundo de investimento imobiliário 1.caso da súmula 377 STF – regime da separação obrigatória de bens – atenção para averbação prevista no art.2.2.alvará judicial 1.6 espólio .2.2.2 outorga conjugal – assistência – separação de bens . 245 da Lei nº 6.7 assinatura a rogo – testemunhas 1.1.2.3 interveniência .8 declaração de residência e domicílio (certidões da comarca do domicílio e do imóvel) residente e domiciliado em outra cidade – consignar expressão “ora de passagem por esta cidade” . maior…” – consórcio.2.2. espólio.2.5 procurador .1 pessoa física – pessoa jurídica – contrato social reg.2. .015/73 1.

seu registro – quase ninguém o faz – no entanto.3 DO IMÓVEL .Forma de aquisição Descrever título anterior de aquisição e.2. o registro é ato constitutivo da propriedade .Descrição do imóvel 1.domínio útil do prazo de terras .georreferenciamento) 1. consequentemente.3. em nosso Direito.Enfiteuse (diferente das expressões terras próprias – alodiais) 1.3 imóveis foreiros .4.4 DA TITULAÇÃO .3.3. I.1.M.3. (não há necessidade de descrever o imóvel através de seus confrontantes) 1.267/01 .2.L. imóvel rural – CCIC – ITR (descrição com confrontantes e lei nº 10.1 imóvel urbano – matrícula – C.2 fração ideal 1.2.2.2.2.

2.2 dinheiro ou cheque – descrever os títulos. nota promissória pro soluto ou pro solvendo – cuidado com exigência de quitação a ser formulada pelo RI – 1.6 Ato propriamente dito 1.1.2.1 moeda nacional ou moeda estrangeira com equivalente em moeda nacional ao cambio comercial para contratos de câmbio 1.3 quitação .ônus existentes ações reais ou reipersecutórias. foro etc 1.7 DO PREÇO e DA FORMA DE PAGAMENTO I 1.2.7.2.7.7.2.2.5 DA SITUAÇÃO JURÍDICA .

2. pois. e. .Cláusulas do Negócio Jurídico 1. uma vez que a própria certidão de ônus reais da matrícula do imóvel obrigatortiamente mençionaria tais situações.1.1 limitação do direito transmitido – doação com reserva de usufruto 1.2.2.2.8. assim sendo já deveriam ter sido previstas na seção ônus. Vale lembrar que todas estas cláusulas são situações que estarão sendo afetas ao negócio jurídico em questão no momento da lavratura da escritura com respectivo registro.8.8 DAS CONDIÇÕES . nunca já existentes.2 encargo – doação com encargo de cuidar de um animal até sua morte 1.8.3 condição suspensiva ou resolutiva – compra e venda com cláusula de direito de preferência para recompra .doação com cláusula de reversão ocorrendo evento morte do donatário anterior à morte do doador Obs.

vendedor e comprador já estão vinculados desde a celebração do negócio. CC. portanto. Cláusula de acrescer – usufruto art. sendo o direito dele decorrente exercido desde então. No caso de compra e venda. 474. 547. 505 retrovenda. 127. ou seja. é valido e produz efeitos desde sua constituição. par. 513 preferência. na hipótese de implemento da condição resolutiva – propriedade resolúvel Exemplos: Condição relativa à aprovação de projeto de construção. mas ainda não produz efeitos. O negócio jurídico existe. 1411 CC. Cláusula de reversão – art. . somente mediante o implemento ou acontecimento de determinada situação – evento futuro e incerto o qual se refere a condição. ainda não pode ser exigido pelas partes. independentemente de deixarem de vigorar no futuro. Cláusula resolutiva – arts. Único CC. em virtude do qual se restringe ou se dispõe a respeito das condições em que o mesmo possa exercer seus efeitos em relação às partesque o elaboraram e aceitaram Cláusula suspensiva – o negócio jurídico existe e é válido. 128.Condição: Manifestação de vontade imposta no contrato. sendo claro que as respectivas obrigações podem ser exigidas desde logo.

Alternativa da instituição de contrato de comodato .2.9. pessoas e ainda com as características do momento de fechamento do negócio) Obs.2.2.1 posse direta e indireta – cláusula de imissão de posse (entrega das chaves do imóvel no ato da lavratura da escritura .erro muito comum na maioria das escrituras – principalmente naquelas mais antigas) 1.2 posse indireta – cláusula constituti (caso de entrega das chaves do imóvel em outro ato posterior – estabelecer cláusula penal com pagamento de multa diária em caso de inadimplemento da obrigação de fazer – entrega do imóvel livre de coisas.9.1.9 DA IMISSÃO NA POSSE 1.

imite a OUTORGADA na posse do imóvel objeto desta escritura de compra e venda. entre segundas e sextas feiras.1. configurará esbulho possessório. . será facultado à OUTORGADA. inteiramente livre de pessoas e coisas.4. tarifas. 5. e 5. encargos e despesas que incidem sobre o imóvel até a data de sua efetiva liberação e entrega à OUTORGADA. após a aludida data. 5. A OUTORGANTE. durante o horário entre 09:00 e 18:00 horas.2. objetivando a realização de obras no imóvel.3. A OUTORGANTE continuará pagando todos os tributos.000.00 (hum mil reais). Medida liminar em ação de reintegração de posse.1. quando deverá ser desocupado e entregue à OUTORGADA em perfeito estado de conservação. dando-lhe o mesmo em comodato por prazo determinado. sem prejuízo das perdas e danos que se vierem a apurar ou das demais penalidades legais. Sem prejuízo do disposto acima. ademais. 5. sempre mediante comunicação realizada com pelo menos 24 horas de antecedência. estando ciente a OUTORGANTE de que a permanência no imóvel.Aplicação direta junto às escrituras que transmitem a posse do imóvel DA IMISSÃO NA POSSE E DA INSTITUIÇÃO DO COMODATO: 5. o acesso ao imóvel. incorrendo a OUTORGANTE. Multa moratória diária no valor de R$ 1. Sem prejuízo do disposto acima e por liberalidade da OUTORGADA. a findar-se no dia 06 de agosto de 2007. por este ato e na melhor forma de direito. estes no importe de 20% (vinte por cento) do valor da causa.2. atualizada monetariamente pela variação do IGPM-FGV.2. nos dias de semana. sujeitando-a à: 5. para realizar estudos e providências que julgar necessárias. nas custas judiciais e nos honorários advocatícios. esta consente na permanência da OUTORGANTE no imóvel.2.

1.2.2 Distribuição no prazo legal .2.2.12.2.2.11.12 DA CERTIFICAÇÃO 1.Município ITD – Transmissão gratuita .10.2.3 DO IMPOSTO DE TRANSMISSÃO ITBI – Transmissão onerosa .10 DO MANDATO 1.1.Estado 1.1 DOI – declaração de operações imobiliárias 1. Re-ratificar a escritura – exigência do RI 1.12.

Assinatura do tabelião ou escrevente .1.14 Assinaturas .2. 391 .13 DO ENCERRAMENTO E DA ACEITAÇÃO – Formalidades Finais .conforme permite o Código de Normas art.declaração de dispensa ou não das testemunhas .declaração de leitura em voz alta .declaração de conformidade e aceitação pelas partes .declaração de comparecimento e assinatura das testemunhas 1.2.Assinaturas das partes .

1 Escritura de compra e venda – de bens imóveis 6.1.1.2 Elementos essenciais 6.concensus = coisa – preço – consentimento 6.6.1.1.3 consenso – quitação do preço .2 preço = valor em dinheiro ou correspondente – valor maior em dinheiro 6.1.1.2.2.2.1.2.1.1.1. Obrigações – efeito obrigacional obrigação de transferir a propriedade de uma coisa obrigação de pagar pela coisa soma em dinheiro ou equivalente 6.2 Objeto = prestação 6.1 res – pretium .1.1 coisa = bem imóvel ou fração deste bem imóvel – 6.

504 CC (v) Direito de Preferência do Locatário – art. 499 c/c 1647 c/c 1687 c/c 1656 CC (iii) Outorga Conjugal – art.1.1.1 cláusula suspensiva 6.4 Cláusulas do negócio – Compra e Venda Condicional – Cláusulas Especiais – Pactos Adjetos 6. 8.6.4.4.4.3 compra e venda ad corpus – sem definição de área do imóvel 6.4.245/91 (cláusula de vigência – contrato de locação) .1.1.1. 1647 CC (iv) Direito de Preferência do condômino – art.4 compra e venda ad mensurum – área como determinante do preço – art. 33 – Lei n. 500 CC Observações: (i) Compra e Venda entre ascendente e descendente – art.2 cláusula resolutiva 6. 496 CC (ii) Compra e Venda entre Cônjuges – arts.

2.3 Promessa com pagamento parcelado 6.2 com pagamento de ITBI – 30/60/90 dias .2 Promessa com quitação do preço 6.importância 6.1 Cláusula de irretratabilidade e irrevogailidade 6.3 notas promissórias pro soluto e pro solvendo (c/v c/ cláusula resolutiva expressa e a ser averbada no RI.2.2.1 juros 6.2.2.5 Registro – obrigatório para constituir o direito real de aquisição 6.2 Promessa de Compra e Venda de Bens Imóveis 6.6 Procuração vinculada .3.CTM 6.2.2.2.4 Certidões negativas .2.2 rescisão e devolução = 10/20% retenção – CDC 6.2.1 sem pagamento de ITBI 6.2.6. 6.3.2.3.2.

5. entregues em quitação do preço do imóvel. Dação em Pagamento 6.1. Permuta 6. Permuta Típica 6. Direito de Preferência – averbação 6.5.6.4.2.3.5. Locação 6.1.1.1.2. direito real limitado – ônus real 6. Confissão de Dívida.5.1.5.3.6.1. Mandato . imóvel dominante – averbação 6.6. Permuta Atípica – Escritura de Novação de Notas Promissórias emitidas em caráter pro soluto.2.3.2. 33 c/c 8.6.245/91 6. imóvel serviente – registro 6. servidão recíproca 6. Servidão 6. – Lei n.2. Cláusula de Vigência – registro Observações: art. 8.7. 6. seguida de novação da obrigação cambial pela obrigação civil de fazer e entregar unidades no local 6.

3.3.3 temporalidade x doação . deve restituir”.3.3 características 6.8.1 espécie do gênero empréstimo 6.8. uma coisa que.6.8. Comodato 6.2 definição – empréstimo de uso “contrato em que uma das partes recebe.8.1 gratuidade x locação 6.8.8.2 não-fungibilidade e não consumibilidade da coisa 6. a coisa emprestada deve ser restituída na sua individualidade cessão gratuita de uma coisa para seu uso com estipulação de que será devolvida após algum tempo” – art. depois de certo tempo.8. 6. para uso ou utilização. 579 CC.

modo e forma de constituição 7. publicidade 7.5. preferência 7.3.7.1.1. registro .1.1.2. seqüela 7.1.2.1.1. função 7. distinção entre direitos reais de garantia (acessório) e de gozo (autônomo) 7.3.5.2.1.5.4.1. Dos Diretos Reais de Garantia 7.7. definição e características e sujeitos 7.1.6.1. princípios 7. Hipoteca 7. atributos 7.1.1.3. especialização 7.1.1.

este então se obriga a dar-lhe determinada destinação e. – art. Registro – efeito erga omens – absoluto a então relação inter partis – relação pessoal. . retransmitir a coisa ou direito ao fiduciante ou a um beneficiário indicado no pacto fiduciário.1. o caráter resolúvel desta propriedade transmitida em confiança com escopo de garantia de alguma obrigação principal. Constitui-se a propriedade fiduciária de bens imóveis mediante registro no competente serviço de Registro de Imóveis . sobretudo. Conceituação.514/97 . 22 da Lei nº 9. tendo em vista. – Definição – sujeitos – objeto Negócio fiduciário é o negócio jurídico pelo qual uma pessoa – fiduciante ou garante ou devedor – transmite a propriedade de uma coisa ou a titularidade de um direito a outra – fiduciário ou credor.1. que.2.2.2. por sua vez. cumprido esse encargo.1. estrutura e função do negócio fiduciário 7. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA 7.7.

por sua vez. Credor Fiduciário – aquele que recebe o mesmo bem imóvel dado em garantia para o cumprimento de obrigação principal.514/97. Assim como recebendo ainda a posse indireta deste mesmo bem imóvel mediante o registro da garantia fiduciária no competente Registro de Imóveis. reservando-se ainda na posse direta do mesmo objeto da garantia mediante seu adimplemento da referida obrigação. Devedor Fiduciante – aquele que se obriga ao cumprimento da obrigação principal e que. . parágrafo único da Lei nº 9. integrantes ou não do SFI – art. 22. recebendo esta propriedade fiduciária em caráter resolúvel ou condicional.Sujeitos: Pessoas físicas ou jurídicas. dá em confiança e como escopo de garantia para o cumprimento desta mesma obrigação um bem imóvel de sua propriedade em caráter resolúvel a ser transmitido a outrem. todavia.

apartamentos. independente de existência de financiamento imobiliário – art. edificações comerciais. parágrafo único da Lei nº 9.514/97. vaga de garagem.. terrenos sem edificação.’’. fração ideal.. domínio útil – bens enfitêuticos – art. as obrigações em geral também podem ser garantidas. 22.931/04. Obrigações: Quais as obrigações que podem ser garantidas por alienação fiduciária? “ Sem prejuízo das disposições do CC.Objetos: Quais os bens imóveis podem ser dados em garantia fiduciária? Bens imóveis constituídos por casas residenciais.. portanto. . 51 da Lei nº 10.

.Propriedade Fiduciária e Propriedade Resolúvel . a partir deste momento surge uma espécie de afetação deste bem imóvel dado em confiança.7. uma vez realizada a condição resolutória ou o termo extintivo criado pela declaração da vontade das partes no contrato principal. Desta forma. limitada pelas restrições que sofre em seu conteúdo. ou seja. sobretudo pela limitação então imposta. . É aquela que nasce marcada para ser extinta. A propriedade fiduciária de bem imóvel é um direito real resolúvel de garantia sobre coisa própria.2 . gerado com o registro do contrato de alienação fiduciária no competente Registro de Imóveis.2.1. em virtude da finalidade para a qual foi constituída. A característica marcante da propriedade fiduciária é transferir para o credor da obrigação e denominado fiduciário a propriedade resolúvel que é a propriedade transmitida como revogável ou condicional. apenas exercer a função de garantia.

devedor fiduciante passa a ser titular de um direito de aquisição sob condição suspensiva. Da mesma forma.. . este último se necessário. De fato. titular de um “direito potencial” ou “expectativo”. ele. . uma vez que efetivamente implementada a condição de adimplemento integral da obrigação principal. após os procedimentos legais a seguir analisados. E ainda. na medida em que transmite essa propriedade resolúvel ao credor fiduciário”. terá esta então propriedade resolúvel consolidada em seu nome mediante pagamento do ITBI e laudêmio. o devedor fiduciante “se despe da qualidade de proprietário do bem imóvel. este se tornará novamente titular da propriedade plena do referido bem imóvel – aquisição por reversão. o credor fiduciário em caso de inadimplemento configurado do devedor fiduciante. tendo o mesmo imóvel como objeto.

o mesmo recebe por via do registro deste mesmo instrumento constitutivo a posse indireta do bem imóvel. simultaneamente a constituição da garantia fiduciária com a transferência do domínio do bem imóvel para o então credor fiduciário com aquisição da propriedade resolúvel.7.3.514/97.Estrutura e mecanismos de constituição da propriedade resolúvel – desdobramento da posse – segregação de patrimônio – art. parágrafo único da Lei nº 9. com o registro do contrato no competente serviço de Registro de Imóveis. De fato.2.1. 23. . Posse direta – devedor fiduciante = fruto do contrato Posse indireta – credor fiduciário = fruto do contrato .

2. De fato. portanto. ou não fazer. – Objetivos – contrato acessório O objetivo da alienação fiduciária é sobretudo proporcionar um instituto de garantia de cumprimento de obrigação principal. que tanto pode ser de uma obrigação de dar.2.1.7. tendo em vista representar rápida possibilidade de recomposição das situações de inadimplemento e resolução dos respectivos contratos. dependendo. .2. a ser intensamente utilizado na garantia do crédito imobiliário. o contrato de alienação fiduciária é um contrato acessório. fazer.2. Objetivos e formas da Alienação Fiduciária 7. A lei não faz limitações. de um contrato principal.

2 . .3 . .Alienação fiduciária em garantia de contrato de mútuo com confissão de dívida – outras obrigações. 7. podendo existir um terceiro que realiza o contrato de financiamento ou o próprio incorporador – também o caso do contrato de promessa.Alienação fiduciária em garantia de bens imóveis – financiamento imobiliário – incorporação imobiliária.compra e venda com pacto adjeto de alienação fiduciária.2.Desta forma.2.2. podem ser destacados os seguintes casos principais envolvendo contratos de alienação fiduciária: 7. obrigação de definitiva na entrega das chaves com pacto adjeto de alienação fiduciária.2.

tem a garantia de liquidez do empreendimento com a maior respeitabilidade do crédito e a facilitação de liquidação-resolução.3 Procedimentos do negócio fiduciário 7. com base e na crença da prestação judiciária morosa ao arrastar-se por anos em demanda judicial. . credor e devedor da obrigação principal.2.exigi-se um prazo de carência – antes da mora e inadimplemento definitivo. . rápida solução de conflitos e desdobramentos futuros.não deixa que os débitos se acumulem. apresenta-se como verdadeira solução contratual para ambas as partes.1 . ou seja. . .2.Vantagens do devedor e credor – incentivo ao crédito imobiliário mecanismo que envolve toda a sua instauração.7.trata-se de um autêntico bem de afetação ou bem destinado ao fim do contrato.3.recebe desde logo uma escritura definitiva – propriedade do bem imóvel. . bem protegido contra terceiros. . Vantagens do comprador (devedor fiduciante) que não conseguiria em uma promessa de compra e venda: .

rescisão do contrato na via administrativa do serviço de Registro de Imóveis competente e não via judicial no caso de inadimplemento. quando ali ocorre o pagamento por parte do devedor de mais de 1/3 do débito. parágrafo 4º e 5º da Lei nº 9. o vendedor passa a ter a obrigação de restituir o valor de tal benfeitoria. . Diferentemente da Lei de Loteamentos nº 6. De fato. em seus arts. pelo efeito da quitação mútua do 2º leilão – art. 27. um impedimento para execução do devedor moroso e um estímulo ao não pagamento.ação possessória de reintegração de posse com prazo máximo de 60 dias. . portanto.766/79. as benfeitorias não são indenizáveis. Como conseqüência surge o direito de retenção da coisa por parte do comprador inadimplente. .possibilidade garantida pela própria lei de emissão dos certificados de recebíveis imobiliários – CRI – uma securitização imediata dos créditos. desta forma.. uma forte e nova fonte de arrecadação. até ser indenizado pelo que pagou e pelas valiosas benfeitorias erguidas no imóvel. .no caso de venda de loteamentos. Vantagens do vendedor (credor fiduciante) que não conseguiria em uma promessa de compra e venda: . assim.514/97. 32 a 34. cria-se.

devendo o então credor fiduciário fornecer ao também então devedor fiduciante o termo de quitação dentro de 30 dias. 25 e parágrafos da Lei nº 9. averbado o cancelamento do registro da alienação fiduciária – art. Caso credor fiduciário retenha a entrega do mencionado termo de quitação e. daí porque dispõe a lei que com o pagamento da dívida resolve-se a propriedade fiduciária do imóvel. daí decorrendo a automática reversão da propriedade ao fiduciante. passe a ser o inadimplente. permanecendo o imóvel na propriedade fiduciária do credor fiduciário até que seja paga a dívida da obrigação principal.2. Portanto. o fato jurídico que extingue a obrigação. 25.514/97.514/97 no art. é o pagamento.7.3. a própria Lei nº 9. o fiduciante transfere ao fiduciário a propriedade resolúvel do imóvel com escopo de garantia. de fato. pois na alienação fiduciária. . portanto. então. De tal forma que levado este ao oficial de Registro de Imóveis competente seja.2 – Pagamento O pagamento é a condição para que a propriedade plena retorne ao fiduciante conforme vimos anteriormente. enfim. estabelece a aplicação de multa equivalente a 0. parágrafo primeiro.5% ao mês sobre o valor do contrato por este atraso a partir de 30 dias contados do pagamento da última parcela do preço.

. aquele que detém a matrícula do imóvel onde se encontra registrada a alienação fiduciária respectiva. geralmente entre 30 e 90 dias. Ponto inovador e muito interessante de toda a sistemática que envolve a alienação fiduciária de bens imóveis. a própria Lei nº 9. na hipótese de atraso no pagamento. para que após então este termo emita comunicação ao devedor fiduciante para que este satisfaça no prazo de 15 dias a prestação vencida e as que se vencerem até a data do pagamento com todos os demais encargos. depois do vencimento.3.514/97. Todavia.2.7. . aguarde o decurso do prazo de carência que eventualmente tenha sido pactuado no contrato. 26 estabelece que o credor fiduciário. ou seja. no parágrafo primeiro do mencionado art. o credor fiduciário deverá requerer ao Oficial do Registro de Imóveis competente. Todo o procedimento a seguir elencado é feito via administrativa por iniciativa das partes junto ao serviço de Registro de Imóveis competente e mediante sucessivos eventos públicos. Desta forma. . – Mora e Inadimplemento . Cuidado com requerimento detalhado ao Oficial de RI. porém sempre extrajudiciais.3. a intimação do devedor fiduciante para que este purgue a mora no prazo de quinze dias.

por correio através de carta com aviso de recebimento.AR . parágrafos terceiro e quarto da Lei nº 9.7. Necessidade de intimação pessoal do devedor fiduciante ou em nome de seu procurador contratualmente estabelecido.2. a intimação será feita por edital . a requerimento do credor fiduciário.3. 26. podendo ainda realizá-la por AR. . mediante um procedimento totalmente extrajudicial.art. .4 – Notificação extrajudicial – Oficial do RI ou RTD .514/97. Portanto. ou seja. Caso ainda não seja encontrado o devedor ou seu representante. o Oficial de Registro de Imóveis competente ou declinando para o Oficial de Registro de Títulos e Documentos com jurisdição para atuar naquela determinada circunscrição imobiliária ou do domicílio do próprio devedor inadimplente.

art.art.. . Sendo ainda realizado pelo Oficial do Registro de Imóveis a transferência dos recursos ao credor descontados valores da intimação e despesas de cobrança no prazo de 3 dias seguintes à purgação da mora . .514/97. Garantia do amplo direito de defesa e do contraditório para o devedor fiduciante e ainda transparência e segurança para atuação do próprio Oficial registrador imobiliário. recupera-se e segue o seu cumprimento normal . 614.514/97.26 parágrafo sexto da Lei nº 9. o contrato de alienação fiduciária convalesce. Importância de instrução do requerimento de intimação ao Oficial de Registro de Imóveis com detalhado demonstrativo de débito conforme estabelece o art. Purgada a mora pelo devedor fiduciante. ou seja.26 parágrafo quinto da Lei nº 9. II do CPC para hipótese de execução.

provisória. sendo necessário um requerimento do credor fiduciário instruído com o comprovante do pagamento do ITBI e do laudêmio. em nome do credor fiduciário. caso o devedor fiduciante regularmente intimado não realize a purgação da mora no prazo legal estará. 156.5 . domínio útil – art. consolidar de forma plena e definitiva.Consolidação da propriedade e pagamento de ITBI e laudêmio . configurado o inadimplemento absoluto e a conseqüente consolidação da propriedade em nome do credor fiduciário. portanto. para. ou seja.2. INADIMPLENTO ABSOLUTO = CONSOLIDAÇÃO DA PROPRIEDADE SEM PARTICIPAÇÃO OBRIGATÓRIA DO JUDICIÁRIO . este último em caso do imóvel objeto da referida alienação fiduciária ser bem enfitêutico. esta mesma propriedade em seu nome. agora. . Uma vez que o Oficial de Registro de Imóveis certificará este fato e promoverá a averbação na mesma matrícula do imóvel onde à época foi realizado o registro da alienação fiduciária com transferência inicial apenas da propriedade resolúvel.3. II CF/88. 26 parágrafo sétimo da Lei nº 9.7. portanto. No entanto.514/97 c/c art.

.art.art. Neste segundo leilão será aceito o maior lance oferecido. 27. ou seja.514/97. Sendo ainda realizado um segundo leilão 15 dias seguintes à data do primeiro.27. VI da Lei nº 9. .art.2.6 – Leilão Público e Extrajudicial – 1º e 2º . Uma vez consolidada a propriedade em nome do fiduciário. desde que igual ou superior ao valor da dívida e demais encargos . parágrafo segundo da Lei nº 9. .3.514/97. este deverá promover a venda do imóvel em primeiro leilão público e extrajudicial. Prazo – 30 dias contado da consolidação da propriedade em nome do credor fiduciário. quando da averbação da consolidação da propriedade . 24. parágrafo primeiro c/c art.7. se o maior lance oferecido tiver sido inferior ao valor do imóvel previamente estipulado no contrato de alienação fiduciária . . 27 caput da Lei nº 9.514/97.

26. parágrafo quarto da Lei nº 9. considerar-se-á extinta a dívida. . Respeito à vedação da cláusula de decaimento – CDC Princípios de equidade e de transparência .RESULTADOS DO LEILÃO – IMPORTANTE . 27. inclusive. Devendo. parágrafo quinto da Lei nº 9. o credor dar quitação ao devedor no prazo de cinco dias da realização do segundo leilão.514/97. caso no segundo leilão o maior lance oferecido seja recusado por não ser igual ou superior ao valor da dívida e demais despesas ou em virtude da própria ausência de lance.514/97. o que importará em recíproca quitação. exonerando-se o devedor da obrigação pelo eventual saldo remanescente – art. Sendo arrematado por valor superior ao valor da dívida e demais despesas. deverá o credor fiduciário entregar ao devedor fiduciante a importância excedente – art. Da mesma forma.

ordem judicial para desocupação no prazo máximo de sessenta dias. inclusive. conforme quem seja o autor da ação de reintegração de posse. requerer a reintegração de sua posse. ou do registro do contrato celebrado em decorrência do leilão. inclusive ao adquirente do imóvel em leilão. a importância de aquisição da posse indireta mediante o registro da alienação fiduciária no competente serviço de Registro de Imóveis lá no início de toda esta sistemática que representa a constituição da propriedade fiduciária. a seus cessionários ou sucessores.2. . desde que comprovada. liminarmente.7.514/97 assegura ao credor fiduciário. sendo concedida. a consolidação da propriedade plena em nome do credor fiduciário tendo em vista a mencionada averbação. daí. mediante certidão da matrícula do imóvel.3. 30 da Lei nº 9.7 – Ação de reintegração de posse – posse contratual e posse ilegal – taxa de ocupação de 1% ao mês O art.

mansa e legal. 24 da Lei nº 9. conforme o estabelecido no art. por mês ou fração. Tudo isto porque aquela posse direta então exercida em virtude do registro do contrato de alienação fiduciária de justa.514/97.514/97 com o pagamento de taxa de ocupação do imóvel. mais um mecanismo de aceleração na resolução dos conflitos e garantia para o mercado imobiliário foi introduzido ao se estabelecer a penalização aplicada ao devedor fiduciante.514/97 por ocasião da edição da Lei nº 10. vier a ser emitido na posse do imóvel. valor correspondente a 1% do valor a que se refere o inciso VI do art. este devedor passou a exercê-la de forma precária e ilegal. com o inadimplemento absoluto da obrigação presente no mesmo contrato. diante da recente mudança na própria Lei nº 9. 37-A da Lei nº 9. ou seus sucessores. computado e exigível desde a data da alienação em leilão até a data em que o credor fiduciário. .931/04.Multa de 1% do valor da contrato – taxa de ocupação irregular Outrossim.

4. posse direta do bem imóvel INCORPORADOR CONSTRUTOR Cessão de crédito imobiliários fiduciários Propriedade resolúvel Segregação de patrimônio . ou 1 averbação do requerimento da consolidação da propriedade com pg ITBI e/ou Laudêmio – inadimplemento absoluto Ação de reintegração de posse 1º e 2º leilões públicos e extrajudiciais – 30/15 dias 3º MOMENTO: registro do arrematante ou averbação do resultado negativo dos leilões e devolução de saldo ao devedor em 5 dias . FLUXOGRAMA DA OPERAÇÃO DE FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO ENVOLVENDO ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA ADQUIRENTE Escritura de compra e venda c/ pg ITBI e Laudêmio e Financiamento com pacto adjeto de alienação fid.2. 1º MOMENTO: 2 registros : c/v com alienação fid.afetação SECURITIZADORA 2º MOMENTO: 1 averbação do termo de quitação – pagamento importa implemento da condição resolutiva Novo proprietário definitivo RI Inadimplemento – requerimento de notificação em mora INVESTIDOR 2º MOMENTO: Pagamento do débito e vigência do contrato.7.

2 – cláusula de prazo e condições de reposição do empréstimo ou do crédito imobiliário .obrigatória 7.3 – cláusula de taxas de juros e encargos .5.obrigatória 7. 7.5.5.2.Requisitos da escritura pública – contrato de alienação fiduciária – arts. 22 a 24 da Lei nº 9.obrigatória . comprometendo-se a manter o imóvel em prefeito estado de segurança.2.7.6 – cláusula assegurando a livre utilização pelo devedor enquanto ele estiver adimplente.5 – cláusula de constituição da propriedade fiduciária em favor do credor.2.5.2. habitabilidade e ao pagamento de todas as obrigações de caráter propter rem . com o conseqüente desdobramento da posse do mesmo bem imóvel .4 – cláusula de obrigações do devedor em relação aquele contrato de financiamento 7.2.2.1 – cláusula de valor principal da dívida .5.514/97.obrigatória 7. indicação do título e modo de aquisição.5.5.2. . com descrição do imóvel objeto da alienação.obrigatória 7.

8 – cláusula de direito de cessão dos direitos do devedor mediante prévia e expressa anuência do credor 7.2.2.514/97 – obrigatória Indicação para efeito de venda em público leilão do valor do imóvel e dos critérios para a respectiva revisão .7 – cláusula de ciência e anuência do devedor da possibilidade de cessão do crédito fiduciário pelo credor 7.2.2.2.9 – cláusula de obrigação de fornecimento pelo credor de termo de quitação ao devedor no prazo de 30 dias a contar da data liquidação da dívida sob pena de pagamento de multa 7.2.10 – cláusula de prazo de carência do contrato 7.5.5.5.5.5. 27 da Lei nº 9.12 – cláusula sobre procedimento de 1º e 2º leilões públicos e extrajudiciais – art.11 – cláusula de procedimento de intimação 7.5.7.

Penhora . Arresto 8.8. Constrições Judiciais mais Freqüentes junto ao Registro de Imóveis 8.2.3.1. Seqüestro 8.

3. Distribuidor 6. Tarifa de Água e Esgoto 3. Foro e CAT 5. Imposto – ITBI – ITD – IPTU . Certidões do Imóvel 6. Justiça Federal e Trabalhista 7.Incidência Tributária nas Operações e documentação necessária Negócios Imobiliários . Tributos 1. Taxa – Bombeiro 2.2.2. Distribuidores 7.1.Prefeitura 7. Enfiteuse – Laudêmio.1.2.3.Despesas de Natureza propter rem 1. Despesa de Condomínio 4. CND Previdência e Receita Federal . CCIR 6. Quitação Fiscal – Prefeitura 6. Registro de Imóveis (inteiro teor e ônus reais) 6.ITR 1.4.1. Certidão de Informação de Alinhamento . Certidões Pessoais (PF e PJ (incluindo sócios) ) 7.

Rodrigo de Castro rcastro@dlapiper.com OBRIGADO PELA ATENÇÃO! .