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Folha de Pagamento

É o documento que contabiliza os valores que o


empregado tem o direito de receber e os descontos
que ele pode sofrer, em decorrência de seu contrato
de trabalho.
Folha de Pagamento

Obrigatoriedade

A lei 8.212/91 no seu art. 32 e seus incisos


determina:
Art. 32. A empresa é também obrigada a:

I – preparar folhas de pagamento das remunerações


pagas ou creditadas a todos os segurados a seu
serviço, de acordo com os padrões e normas
estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade
Social;
Folha de Pagamento

II – lançar mensalmente em títulos próprios de sua


contabilidade, de forma discriminada, os fatos
geradores de todas as contribuições; o montante
das quantias descontadas, as contribuições da
empresa e os totais recolhidos;
Folha de Pagamento

III – prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social –


INSS e ao Departamento da Receita Federal – DRF,
todas as informações cadastrais, financeiras e
contábeis de interesse dos mesmos, na forma por
eles estabelecida, bem como os esclarecimentos
necessários à fiscalização.
O processo para execução da folha de pagamento
tem fator importante junto ao deptº de pessoal em
razão da riqueza técnica que existe para transformar
todas as informações do empregado e da empresa
num produto final que é a folha de pagamento.
A folha de pagamento por sua vez, tem função
operacional, contábil e fiscal, devendo ser
constituída com base em todas as ocorrências
mensais do empregado. É a descrição dos fatos que
envolveram a relação de trabalho, de maneira
simples e transparente, transformando em valores
numéricos, através de códigos, quantidades,
referências, porcentagens e valores, em resultados
que formarão a folha de pagamento.
O recibo de pagamento de cada empregado é a
parcela que contribuirá com a formação da folha de
pagamento. Será ele constituído de vencimentos,
descontos, demonstração da base de cálculo de
INSS, IRRF e FGTS, bem como seus respectivos
descontos e o seu resultado como valor líquido que
o empregado receberá.
Folha de Pagamento

Com o processo de automação na área de


Recursos Humanos, a Folha de Pagamento foi a
precursora no processo de modernização, hoje
temos muitas Folhas desenvolvidas por Software
House.
Folha de Pagamento

O processamento da Folha exige muitos esforços


por parte dos profissionais de Administração de
Pessoal e, também, da área de Informática, devido
às constantes alterações que vêm acontecendo na
nossa legislação trabalhista, previdenciária e da
Receita Federal.
Folha de Pagamento

Os lançamentos da Folha de Pagamento devem ser


expressos de modo mais simples e transparente,
para facilitar a sua compreensão por parte dos
empregados.
A demonstração de cada parcela deve ser isolada
das demais e com o nome determinado.
Divisão da Folha de
Pagamento

A Folha divide-se em:

Proventos, que também podem ser chamados de


remuneração, vencimentos, recebimentos;
Descontos, aqui se aplicando os legais, judiciais,
convencionais e os liberais;
Outros, as quais se enquadram as contas de base e
outras importantes rubricas.
Discriminação das Verbas

Todas as verbas que compõem a remuneração do


empregado devem ser discriminadas, ou seja, salário,
horas-extras, adicional noturno, adicional de
periculosidade, insalubridade, considerando que a
legislação trabalhista proíbe o chamado salário
complessivo, isto é, aquele que engloba vários direitos
legais ou contratuais. Nesse sentido, manifestou-se o
Tribunal Superior do Trabalho, através do Enunciado
nº 91:
“Nula é a cláusula contratual que fixa determinada
importância ou percentagem para atender
englobadamente vários direitos legais ou contratuais
do trabalhador.”
Podemos admitir que alguns eventos de vencimentos
ocorrem com mais frequência:

Salário – É o valor fixo ou variável, sua forma de


cálculo pode ser por hora (quantidade de horas por dia
x os dias trabalhados no mês); diário (quantidade de
dias x os dias trabalhados no mês, acrescido de DSR);
ou mensal (será o valor acertado para o mês ,
independente da quantidade de dias do mês já incluso
o DSR).

Adicional Noturno – Percentagem de no mínimo 20%


acrescida à jornada de trabalho contratual
desempenhada entre 22h e 05h, considerando o
salário base como fórmula de cálculo.
Insalubridade – É um adicional instituído conforme o
grau de risco existente na empresa e exercido pela
função do empregado, podendo variar entre 10%
(mínimo), 20% (médio) e 40% (máximo) sobre o
salário mínimo. Normalmente é determinado pelo
médico do trabalho (PCMSO) com o
acompanhamento de tabelas do Ministério do
Trabalho, após avaliação das condições de risco que a
saúde do empregado encontra-se exposta, integrando
o salário para todos os fins legais.
Periculosidade – Também é um adicional, porém
específico para funções de inflamáveis ou explosivos.
Sua percentagem é de 30% sobre o salário base,
também acompanhado pelo médico do trabalho
(PCMSO), integrando o salário para todos os fins
legais.

Comissão – Pode ser valor ou percentagem.


Horas Extras – Hora extra, hora suplementar ou hora
extraordinária, é todo período de trabalho excedente à
jornada contratualmente acordada. Assim podemos
admitir que antes do início, durante o intervalo ou após
o fim da jornada, estando o empregado exercendo
trabalho ou estando à disposição do empregador,
configura-se hora extra.

Descanso Semanal Remunerado

Salário Família – Valor fixo devido ao empregado que


tiver dependente menor de 14 anos de idade ou nos
casos específicos determinados pela Previdência
Social. Esse valor fixo é fornecido pela Previdência
Social.
Assim como os vencimentos, se destacam os descontos:

Faltas Dias – São os dias que efetivamente o empregado


não compareceu e não houve nenhuma forma que
autorizasse o pagamento. Esses dias são utilizados para
dedução da base de cálculo do INSS, IRRF e FGTS,
também prejudicam o escalonamento das férias e 13º
salário, podendo sofrer o desconto dos feriados e
domingos em razão da falta.
Atrasos Horas – Essas horas são as que efetivamente o
empregado não compareceu e não houve nenhuma
forma que autorizasse o pagamento. Também são
utilizadas para dedução da base de cálculo do INSS,
IRRF e FGTS, e também podem acarretar o desconto
dos feriados e domingos em razão do descumprimento
da jornada diária.
Vale Refeição – É muito comum encontrar empresas
que forneçam o vale refeição ao empregado,
representando tal procedimento um benefício concedido
pelo empregador, pois não há lei que obrigue tal prática,
salvo existindo acordo ou convenção coletiva, seu
desconto é limitado por lei a 20% do valor entregue.

Vale Transporte – É um benefício entregue por força de


lei. Do valor entregue ao empregado, o empregador
pode descontar no máximo 6% do salário base, isso se
o valor entregue for maior, caso contrário, descontar o
valor entregue. Exemplo: Salário de R$ 600,00, valor
gasto com vale transporte R$ 80,00, 6% do salário = R$
36,00. Valor do desconto = R$ 36,00.
Desconto de DSR – Quando o empregado não cumpre
sua jornada de trabalho integralmente, dessa forma, o
empregador pode descontar o domingo ou feriado da
semana.

Adiantamento Salarial - É comum acordos ou normas


coletivas determinarem percentual de adiantamento de
salário, dessa forma será descontado no momento do
pagamento.

Contribuição Sindical – É devida pelo empregado a


contribuição de um dia de trabalho por ano,
normalmente ocorre em março, porém caso não tenha
sido descontada, deverá ser feita no mês seguinte à
admissão.
Contribuição Previdenciária – Todo empregado sofre
com a contribuição compulsória instituída pelo sistema
previdenciário do Brasil. O valor descontado é recolhido
aos cofres públicos da União, através da guia GPS.

Imposto de Renda – Desconto compulsório determinado


pelo Governo sobre o rendimento assalariado, depende
do evento pago no recibo de pagamento. Após o
desconto o valor é recolhido aos cofres públicos da
União através da guia DARF.
Descontos

A legislação trabalhista permite que se efetue


descontos no salário do empregado, somente quando
tratar-se de adiantamentos (vales), de dispositivos de
Lei ou de contrato coletivo. Os demais descontos,
somente serão permitidos através de acordo entre
empregado e empresa ou com expressa autorização
do empregado.
Não sendo os descontos provenientes de amparo legal,
é importante solicitar a autorização do empregado para
participar do benefício e consequentemente do
desconto.

O pagamento do salário deve ser feito até o quinto dia


útil do mês seguinte ao vencido. Lembrando que o
sábado é considerado dia útil para o trabalhador.
Salários

Salário é a contraprestação devida ao empregado pela


prestação de serviço em decorrência do contrato de
trabalho.
Salários

Salário-mínimo – é o valor mínimo que todo


empregado deverá receber quando prestar
serviço no território nacional.
Salário profissional – algumas profissões foram
regulamentadas mediante legislação especial.
Através dessa regulamentação foi fixado o
salário profissional mínimo que referidos
empregados deverão perceber. Ex.: médicos,
dentistas, engenheiros, etc.
Piso salarial – corresponde ao mínimo da categoria.
Compreendem-se na remuneração do
empregado, para todos os efeitos
legais, além do salário devido e pago
diretamente pelo empregador, como
contraprestação do serviço, as
gorjetas que receber.
Integram o salário, não só a
importância fixa estipulada, como
também as comissões, percentagens,
gratificações ajustadas, diárias para
viagem e abonos pagos pelo
empregador.
Não se incluem nos salários as ajudas
de custo, assim como as diárias para
viagem que não excedam de
cinqüenta por cento do salário
percebido pelo empregado.
Proventos ou Remuneração

Portanto, é a soma do salário com vantagens


percebidas pelo empregado em decorrência do
contrato (prêmios, gratificações, adicionais, abonos
e outras vantagens de ordem pessoal).
Jornada de Trabalho e Intervalos
De acordo com a Constituição Federal, a jornada é de 8 horas
diárias, num total de 44 horas por semana, 220 horas por mês. A
carga horária pode ser prorrogada por duas horas mediante
contrato coletivo ou entre empregado e empregador.

Intervalo entre jornadas: – É o tempo destinado para o repouso,


não remunerado, entre duas jornadas de trabalho. Em regra, de no
mínimo 11 horas entre o término do expediente em um dia até o
início do expediente no dia seguinte.
Para entender melhor, é o período entre um dia e outro de trabalho.
Intervalos intrajornadas: Tempo destinado ao repouso ou
alimentação dentro da jornada, este período não é remunerado e o
limite máximo é de 02 horas.
Considerando o módulo semanal de 44 horas, a jornada normal
diária corresponde a 7h20min, obtida mediante o seguinte
cálculo:

a) Dias de trabalho na semana = 6 (2ª feira a sábado, por


exemplo);

b) Limite máximo semanal = 44 horas;

c) Divisão da duração semanal pelo número de dias de trabalho


na semana:

44 : 6 = 7,3333
Observa-se que o cálculo da divisão resulta em dízima periódica
simples, não representando 7 horas e 33 minutos, mas 7 horas e
20 minutos, tendo em vista que a operação matemática é
realizada em escala decimal, contra-pondo-se, portanto, às
frações de horário, cuja escala é sexagesimal (60 segundos e 60
minutos)

Para se obter a jornada mensal: 30 dias x 7,33 = 220 horas


mensais
Minutos que sucedem
e antecedem a
jornada normal
Não serão
descontadas nem
computadas como
jornada extraordinária
às variações de horário
no registro de ponto
não excedentes de 5
minutos, observado o
limite máximo de 10
minutos diários.
" Atrasos e saídas Antecipadas"

Temos que, não cumprindo a jornada integral de


trabalho, por atrasos ou saídas antecipadas (mesmo
que de minutos ou horas) não justificados, o
empregado, ressalvada eventual disposição em acordo
coletivo ou convenção, perde o direito de receber a
remuneração do repouso semanal e dos minutos ou
horas correspondentes aos atrasos ou saídas
antecipadas, pois o salário é pago como
contraprestação por serviços prestados. Não havendo
prestação de serviço, tempo à disposição do
empregador nem motivo legal ou considerado justo,
não há o direito ao recebimento do salário relativo ao
período, salvo liberalidade do empregador, ressalvado
o disposto na CLT , art. 58 , § 1º e na Orientação
Jurisprudencial nº 326 do Tribunal Superior do
Trabalho (TST) .
O direito ao Descanso Semanal Remunerado - DSR,
ou Repouso Semanal Remunerado – RSR, foi
instituído pela Lei 605/49, regulamentado pelo
Decreto 27.048 de 12 de agosto de 1949.
O DSR é garantido pela referida Lei e pela
Constituição Federal em seu artigo 7º, inciso XV, ao
empregado que não faltar durante a semana sem
motivo justificado, ou seja, que tenha cumprido
integralmente o seu horário de trabalho na semana.
Podemos dizer que o DSR possui dois reflexos
diferentes:

I- Reflexo de repouso pela semana trabalhada: neste


o empregado tem direito ao descanso de um dia na
semana (preferencialmente no domingo), por ter
cumprido a carga horária semanal sem faltas
injustificadas;

II – Reflexo na remuneração sobre os adicionais


recebidos: neste o empregado tem direito ao
acréscimo da remuneração sobre os adicionais
recebidos durante o mês.
Descanso Semanal Remunerado

Descanso semanal remunerado é o descanso de 24


horas consecutivas, quase sempre ocorre aos
domingos.
As empresas que adotam o sistema de revezamento,
devem a cada 7 semanas dar uma folga no domingo
ao funcionário.
O descanso semanal não pode ser substituído por
pagamento.
Havendo necessidade de trabalho aos domingos,
desde que previamente autorizados pelo Ministério do
Trabalho, aos trabalhadores é assegurado pelo menos
um dia de repouso semanal remunerado coincidente
com um domingo a cada período, dependendo da
atividade.
“Art. 67 da CLT – Será assegurado a todo empregado
um descanso semanal de 24 horas consecutivas, o
qual salvo motivo de conveniência pública ou
necessidade imperiosa de serviço, deverá coincidir com
o domingo, no todo ou em parte.”
“Parágrafo Único – Nos serviços que exijam trabalho
aos domingos, com exceção quanto os elencos
teatrais, será estabelecida escala de revezamento,
mensalmente organizada e constando de quadro
sujeito à fiscalização.”
A remuneração do Repouso Semanal Remunerado
corresponderá:
Para os que trabalham por dia, semana ou mês: a um
dia de serviço, computadas as horas extraordinárias
habitualmente prestadas;
Para os que trabalham por hora: a sua jornada de
trabalho normal, computadas as horas extraordinárias
habitualmente prestadas;
Para os que trabalham por tarefa ou peça: o
equivalente ao salário correspondente às tarefas ou
peças feitas durante a semana, no horário normal de
trabalho, divididos pelos dias de serviço efetivamente
prestados ao empregador;
Para o empregado em domicílio: o equivalente ao
quociente da divisão por 06 (seis) da importância total
da sua produção na semana.
Repouso Semanal Remunerado

Feriados: O empregado tem direito além do


descanso semanal, também ao descanso nos
feriados, mas nada impede que o empregado
trabalhe nestas datas, no entanto o pagamento deve
ser em dobro.

LEMBRETE: CARNAVAL NÃO É FERIADO!


Para fins de legislação trabalhista, o carnaval não é
considerado feriado. Não obstante, nada impede as
empresas de efetuarem acordo de compensação
com seus empregados, relativamente ao período em
questão.
Não será devida a remuneração (DSR) quando,
sem motivo justificado, o empregado não tiver
trabalhado durante toda a semana anterior,
cumprindo integralmente o seu horário de
trabalho.