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Segurança Mineira

PROTECÇÃO, CONTROLO, COMBATE E PREVENÇÃO DAS PROJECÇÕES OU


ULTRA LANÇAMENTOS NO DESMONTE DE ROCHAS
Impactos ambientais associados a desmontes de rochas
com explosivos
• Os principais impactos ambientais decorrentes de desmontes de rochas
com explosivos estão associados à dissipação da fracção de energia
liberada pelo explosivo na detonação que não é transformada em trabalho
útil. Tal fracção de energia dissipa-se, em sua maior parte, através do
maciço circundante sob a forma de vibrações, e da atmosfera sob a forma
de sobrepressão atmosférica.
• Gera, complementarmente, poeira, podendo ainda ocasionar danos ao
maciço remanescente e ultra lançamentos. Outro efeito indesejável na
detonação é a geração de gases tóxicos. Eston (1998) cita ainda como
efeitos deletérios relacionados aos desmontes de rocha a possibilidade de
contaminação de águas subterrâneas pelo escoamento de produtos
químicos contidos nos furos e incómodos visual e psicológico decorrentes
da não familiaridade do cidadão comum com a actividade.
Ultra lançamentos (Projecções)

Ultra lançamento e a projecção de fragmentos de rocha de diâmetro


superior a 1000 mm além da área de operação decorrentes do
desmonte de rocha com uso de explosivos.
O Ultralançamento proveniente de uma detonação pode resultar de
três mecanismos chaves:
• Falta de confinamento da energia na coluna explosivo;
• Carga insuficiente para o diâmetro do furo;
• Zona de fraqueza da rocha.
Conti…

• Rompimento prematuro de parte da face: As condições de carga


geralmente controlam a distâncias de lançamento do Ultralançamento da
frente de detonação.
• Formação do efeito cratera: Se a relação entre a altura do tampão e o
diâmetro do furo for muito pequena ou a região do colar do tampão for
fraca o Ultralançamento pode ser projetado em qualquer direção.
• Ejeção prematura do tampão: A relação comprimento do tampão x
diâmetro do furo é suficiente para evitar a formação do efeito cratera, mas
se o material utilizado no tampão não for adequado ou ainda seu
comprimento também não for adequado poderá haver a geração de
Ultralancamento.
Conti…

Figura 1. Mecanismos de Ultralançamento


Conti…
Dele decorrem os maiores riscos pessoais e materiais passíveis de ocorrer em um desmonte de rochas com
explosivos. Sua prevenção dá-se na elaboração de um bom plano de fogo, não sendo, entretanto, suficiente
para evitá-los. Silva et al (2000) citam as seguintes causas de ultra lançamentos:
• Afastamento insuficiente ou excessivo;
• Impróprio alinhamento dos furos;
• Iniciação instantânea de furos em filas consecutivas;
• Ocorrência de anomalias geológicas;
• Tampão inadequado;
• Ultra quebras ou fragilização da face livre, decorrentes de detonações anteriores;
Os ultra-lançamentos ou projecções podem resultar de um excesso de carga ou da existência de micro
fracturas que individualizam blocos que, por efeito do explosivo, são projectados a distância superior à
esperada.
Podem ainda resultar projecções devido a um esquema de fogo deficiente, mal aplicado ou mal executado.
Conti…
Sendo um efeito indesejado, deve ter-se em atenção a heterogeneidade da
rocha e o tipo de esquema de pega de fogo a aplicar e, fundamentalmente,
a sua execução prática. Guias para redução das projecções:
• A utilização de detonadores micro-retardados e com carga reduzida por
número pode resultar como medida eficiente para reduzir as possibilidades
de projecção.
• A utilização de pegas de fogo de fiadas múltiplas conduz, geralmente, a
rebentamentos com menos projecções.
• Em casos em que se torna necessário evitar a todo o custo as projecções,
as pegas de fogo devem ser cobertas com telas velhas de borracha, pneus
velhos e produtos desmontados. A base do degrau deve ser protegida com
produtos desmontados.
Figura 2: Processo de protecção contra projecções.
Figura 3: Rede tipo nitro blasting para protecção contra projecções.
Figura 4: Esteira de borracha para protecção contra projecções.
Tampão
• Tampão (T)

É a parte superior do furo que não é carregada com explosivos, mas sim com terra, areia ou outro material
inerte bem socado a fim de confinar os gases do explosivo. O óptimo tamanho do material do tampão (OT)
apresenta um diâmetro médio (D) de 0,05 vezes o diâmetro do furo, isto é:

𝑂𝑇 = 𝐷/20

O material do tampão deve ser angular para funcionar apropriadamente. Detritos de perfuração devem ser
evitados.
O adequado confinamento é necessário para que a carga do explosivo funcione adequadamente e emita a
máxima de energia, bem como para o controle da sobrepressão atmosférica e o ultra lançamento dos
fragmentos rochosos.
Conti…
A altura do tampão pode ser calculada pela seguinte expressão:

𝑇 = 2𝑥𝐴
Onde: A – e o afastamento

• Afastamento (A)
É a menor distância que vai do furo à face livre da bancada ou a menor
distância de uma linha de furos a outra. De todas as dimensões do
plano de fogo essa é a mais crítica.
Conti…
Uma expressão empírica e bastante útil para o cálculo do afastamento
(A) é expressa por:

• sendo: e - densidade do explosivo (g/cm3);


r - densidade da rocha (g/cm3);
De - diâmetro do explosivo (mm).
Conti…
• Afastamento excessivo – Grande emissão de gases dos furos
contribuindo para um ultra lançamento dos fragmentos rochosos à
distâncias consideráveis, crateras verticais, alto nível de onda aérea e
vibração do terreno. A fragmentação da rocha pode ser
extremamente grosseira e problemas no pé da bancada podem
ocorrer.
• Afastamento muito pequeno – A rocha é lançada a uma considerável
distância da face. Os níveis de pulsos de ar são altos e a fragmentação
poderá ser excessivamente fina.
Conti…
• Danos ao maciço remanescente
A acção do explosivo sobre o maciço remanescente ao desmonte pode ocasionar a fragmentação e/ou
deslocamento de material além da última linha de perfurações, podendo acarretar a ocorrência de ultra
lançamentos em desmontes subsequentes.
• Retardos nos desmontes de rochas
A iniciação simultânea de uma fila de furos permite um maior espaçamento e consequentemente o custo por
m3 de material desmontado é reduzido. Os fragmentos poderão ser mais grossos. Os tempos dos retardos
produzem os seguintes efeitos:
• Menores tempos de retardo causam pilhas mais altas e mais próximas à face;
• Menores tempos de retardo causam mais a quebra lateral do banco (end break);
• Menores tempos de retardo causam onda aérea;
• Menores tempos de retardo apresentam maior potencial de ultra lançamento (fly rock);
• Maiores tempos de retardo diminuem a vibração do terreno;
• Maiores tempos de retardo diminuem a incidência da quebra para trás (backbreak).
Desmonte secundário
• Muitas vezes por falhas na execução do plano de fogo, seja por erro de cálculo, furação, carregamento,
amarração, defeito nos explosivos e acessórios, ou pela condição de variáveis geológica da rocha, não se
obtém 100 % de sucesso na fragmentação do material. Resultam daí repés nas bancadas ou blocos de rocha
com dimensões maiores, os chamados matacões.
• Para a reparação desses defeitos utiliza-se o desmonte secundário, com a finalidade de cominuir os
matacões e repés, possibilitando seu manuseio com equipamentos de carga e transporte.
• Sempre foi usado o chamado fogacho, que consiste na perfuração e detonação da massa rochosa com
carregamento mínimo de explosivo. No entanto, este é exactamente um dos maiores problemas na
execução do desmonte de rocha.
• Em virtude de se tratar de um bloco de rocha ou repé, não existe uma face livre preferencial, ou seja, não se
tem o controle da detonação, ao contrário de quando o fogo é dado na bancada. Assim, muitos dos ultra
lançamentos que existem, provêm exactamente da utilização desta metodologia para o desmonte
secundário por explosivo.
• Nas últimas décadas a evolução de equipamentos fez surgir o rompedor hidráulico ou martelo rompedor e a
drop-ball. São equipamentos que permitem quebrar a rocha através somente do esforço mecânico, não
utilizando explosivos, o que garante segurança e economia na operação.
Prevenção de ultra lançamentos
• O plano de fogo
Sendo a base para o correcto procedimento de desmonte de rocha com uso de
explosivos na mineração, o plano de fogo traz as informações necessárias para
melhor executar a tarefa. As variáveis que devem ser consideradas na elaboração
de um plano de fogo dependem do próprio projecto da lavra e britagem, dos
equipamentos utilizados, das condições geológicas (tipo de rocha, fracturas,
descontinuidades, etc.), condições ambientais (áreas urbanas, presença de grutas e
cavernas, áreas de preservação, etc.), explosivos e acessórios disponíveis.
Hoje existem várias metodologias para a determinação da malha de perfuração e
carregamento de explosivos, inclusive com vários softwares e aparelhos
específicos, utilizados para medições de desvio de furos e levantamentos
sismográficos.
Conti…
• Afastamento – distância entre a face livre da rocha e a primeira linha de furação e/ou entre linhas de furação
consecutivas;
• Espaçamento – distância lateral entre furos consecutivos na mesma linha;
• Diâmetro – diâmetro do furo utilizado para carregamento com explosivos;
• Altura da bancada – altura projectada para a bancada;
• Inclinação do furo – ângulo formado com a vertical, que deverá ser executado o furo para carregamento dos
explosivos;
• Comprimento do furo – distância do furo entre a superfície até atingir a altura projectada da bancada;
• Sub-furação – comprimento adicional do furo além da linha da cota da praça ou de seu comprimento
projectado, visando garantia de fragmentação no fundo do furo;
• Comprimento final – comprimento do furo mais o da sub-furação;
• Carga de fundo – local no fundo do furo destinado geralmente a um carregamento mais adensado de
explosivo;
• Carga de coluna – local na coluna do furo destinado geralmente a um carregamento menos adensado de
explosivo;
Conti…
• Tampão – local da parte superior do furo, destinado a ser preenchido com pó da perfuração, pó
de pedra ou outro material que venha a confinar o carregamento e impedir que os gases se
expilam facilmente;
• Razão de carregamento – quantidade de explosivo necessário para detonar certo volume de
rocha;
• Número de linhas e furos – em razão da produção de minério projectada;
• Carga máxima de espera – carga total de explosivo que será detonado ao mesmo instante;
Avaliando-se estes parâmetros a partir das características de cada mina, obtém-se um plano de fogo
seguro, económico e viável, mesmo em áreas urbanas ou de preservação ambiental, onde a
presença de moradias e pessoas não necessariamente impede a continuidade da mineração
exercida com responsabilidade e técnica.
Monitoramento e avaliações do desmonte
Como as propriedades de um maciço rochoso variam espacialmente, cada rocha reage de maneira diferente na
interacção explosivo/rocha, de acordo com a localização dos pontos de aplicação da energia transferida pelo
explosivo no maciço rochoso. Daí, tem-se a necessidade de estudar o maciço rochoso e adoptar um plano de
desmonte que se ajuste as condições ideais, com o objectivo de obter uma melhor fragmentação e,
consequentemente, menor dano ao meio ambiente. Entre os vários métodos de monitoramento e avaliação do
desmonte destacam-se:
• Perfilagem da bancada;
• Verificação e avaliação de possíveis desvios de perfuração;
• Monitoramento sismográfico;
• Medição de velocidade de detonação;
• Verificação da pressão de detonação;
• Medição dos tempos reais de retardo;
• Monitoramento de trincas;
• Analise granulométrica.
Aplicação de um sistema electrónico de
desmonte
O sistema electrónico de iniciação representa uma revolução nas operações de desmonte,
permitindo uma maior segurança e controle dos tempos de iniciação, adequando a operação as
exigências das normas técnicas e ambientais. Entre as muitas características podemos citar:
• Sistema totalmente programável no furo de 0 - 8.000 ms, em incrementos de 1 m/s;
• Conexão perfeitamente segura feitas através de conectores;
• Comunicação bidireccional entre o equipamento de controle e as espoletas; possibilitando a
avaliação do sistema antes da detonação;
• Fácil de se usar e programar;
• Planos de detonação digitais facilmente projectados com o software;
• Um espoleta de tamanho único e padronizado que se adapta a todos os boosters convencionais;
Conti…
• Sistema de hardware e software totalmente auto testáveis;
• A aplicação esse sistema é recomendada em situações que exigem
um controle rígido do ponto de vista técnico, segurança e ambiental,
etc., dentre as quais podemos citar:
• Controle de vibrações, próximos a estruturas e a ambientes sensíveis;
• Desmontes complexos;
• Controle rígido do maciço remanescente, permitindo uma maior
estabilidade e segurança;
• Minimização da diluição do minério;
• Optimização do lançamento da pilha.
Protecção contra ultra lançamentos
• De acordo com o Artigo 33 número 5 do Regulamento de segurança técnica
e de saúde nas actividades geológicas e mineiras a explosão só pode ser
provocada após o operador de explosivos verificar se todos trabalhadores
se encontram convenientemente protegidos, os acessos a zona afectada
devidamente controlados e não haver riscos de terceiros serem atingidos.
• Os trabalhadores devem usar equipamentos de protecção individual com
vista a evitar possíveis danos físicos advindos de ultra lançamentos de
fragmentos no desmonte.
Medidas mitigadoras
• A remoção do solo residual ou outro material de cobertura da rocha gera, em
geral, uma superfície irregular que dificulta as primeiras operações de perfuração
e desmonte. Recomenda-se que seja feita uma limpeza da superfície removendo
todos fragmentos de rocha, para que não fiquem materiais disponíveis para
ultralançamentos.
• As detonações podem ser acompanhadas do uso de sirenes de aviso,
aumentando o nível de fundo dos ruídos e antecipando o efeito psicológico da
surpresa causada pela explosão (Areia & Brita, 1997b). A instalação de barreiras
físicas (“cortina vegetal”, “diques” com material estéril, muros de concreto etc.) é
outras medidas adoptadas por algumas empresas para atenuar os efeitos da
poluição sonora, particularmente nas pedreiras posicionadas em áreas urbanas
(Ribeiro, 1995; Sanchez, 1995a).
Conti…
• Segundo Silva et al (2000), as acções mitigadoras possíveis dão-se por meio de: verificação das
condições meteorológicas existentes, evitando a detonação em situações desfavoráveis; execução
de malhas de perfuração perfeitamente demarcadas e perfuradas; não direcionamento da frente
de detonação para o local a ser preservado; detonações em horário de maior ruído; implantação
de obstáculos entre a fonte e o local a ser preservado; adoção do maior tampão possível e
material adequado; recobrimento de acessórios de detonação explosivos; colocação de tampão
intermediário em fracturas; redução da carga máxima de explosivo a ser detonada
instantaneamente; adequação do tempo de retardo, fazendo t = 2.s/v, onde t é o tempo de
retardo, s é o afastamento em metros e v é a velocidade de propagação do som em metros por
segundo; iniciação das minas pelo fundo; iniciação do fogo na extremidade mais próxima do local
a ser preservado; iniciação da detonação com o menor número possível de furos; redução da
frequência de detonações por período produtivo através de acréscimo no número de furos por
detonação.
Conti…
• O principal factor a ser considerado, objectivando a redução das
vibrações que se propagam pelo terreno, é a execução criteriosa de
planos de fogo adequadamente dimensionados. Evitar o excessivo
confinamento do explosivo através da minimização do desvio de
furos, a eliminação de repés – material in situ remanescente da
detonação anterior posicionado na intersecção da face livre com a
praça – ou outros obstáculos que impeçam o deslocamento do
material desmontado, redução do tampão – mas não a ponto de
incrementar a sobrepressão atmosférica ou acarretar ultra
lançamentos – e da sub-perfuração, são medidas efectivas no
controle dos níveis de vibração (Dallora Neto, 2004).
OBRIGADO