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Depressão: Critérios pelo DSM-5 e

Tratamento Multiprofissional
Michelle Cristina da Silveira
Psicóloga
Curso de Pós Graduação em Saúde Mental para Equipes
Multiprofissionais
UNIP
São Paulo / 2015
Evolução do Diagnóstico em
Psiquiatria

- Kraepelin (1921) = Curso da doença;


- Kurt Schneider (1945) = Avaliação dos sinais e
sintomas;
- Robins e Guze (1970) = Genética + Ausência
de resposta terapêutica;

(EL-MALLAKH, GHAEMI, 2008)


Manual Diagnóstico e Estatístico
de Transtornos Mentais DSM-5

• American Psychiatric Association (2014);


“(...) guia prático, funcional e flexível para
organizar informações que podem auxiliar o
diagnóstico preciso e o tratamento dos
transtornos mentais (...)” (Prefácio, pag. xli);
Classificação Internacional das
Doenças CID-10
• Organização Mundial da Saúde (OMS, 1993);
• Classificação dos Transtornos Mentais e de
Comportamento da CID-10;

“(...) Estas descrições não pretendem ser proposições


completas acerca do estágio atual de conhecimento dos
transtornos. Elas são simplesmente um conjunto de
sintomas e comentários sobre os quais houve uma
concordância por parte de um grande número de
conselheiros e consultores em muitos diferentes países
como sendo uma base razoável para definir os limites de
categorias na classificação de transtornos mentais.” (p. 02)
Depressão
• Mal da vida moderna;
• Atinge cada vez mais pessoas a cada ano;
• Incidência na população igual ao diabetes
(10%);
• Apenas um terço das pessoas com transtornos
mentais severos recebe o tratamento devido;
Depressão
• Epidemiologia:
- São Paulo Megacity: 10,9% teve ao menos um
episódio de depressão no ano anterior à
entrevista;
- EUA: 7% (12 meses de Transtorno Depressivo
Maior);
- Mais prevalente entre mulheres (1,5 a 3
vezes);
Diagnóstico
• DSM 5 (2014):
- Transtorno Depressivo Maior;
- 5 ou mais sintomas presentes durante o
mesmo período de duas semanas;
- Representam uma mudança em relação ao
funcionamento anterior;
- Pelo menos um dos sintomas é humor
deprimido ou perda de interesse ou prazer;
Diagnóstico
1. Humor deprimido na maior parte do dia,
quase todos os dias, conforme indicado por
relato subjetivo ou por observação feitas
pelas outras pessoas;
2. Acentuada diminuição do interesse ou prazer
em todas ou quase todas as atividades na
maior parte do dia, quase todos os dias;
Diagnóstico

3. Perda ou ganho significativo de peso sem


estar fazendo dieta, ou redução ou aumento do
apetite quase todos os dias;
4. Insônia ou hipersonia quase todos os dias;
5. Agitação ou retardo psicomotor quase todos
os dias;
Diagnóstico
6. Fadiga ou perda de energia quase todos os
dias;
7. Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva
ou inapropriada;
8. Capacidade diminuída para pensar ou se
concentrar, ou indecisão, quase todos os dias;
9. Pensamentos recorrentes de morte;
Diagnóstico
• Sofrimento clinicamente significativos ou prejuízo
no funcionamento em outras áreas importantes;
• Não é atribuível aos efeitos fisiológicos de uma
substância ou a outra condição médica;
• Não é mais bem explicado por transtornos do
espectro da esquizofrenia ou transtornos
psicóticos;
• Nunca houve episódio maníaco ou hipomaníaco;
Classificar

• Episódio único, ou recorrente;


• Leve, moderada, ou grave;
• Com ou sem características psicóticas;
• Em remissão parcial ou completa;
• Não especificado;
Especificar
• Com sintomas ansiosos;
• Com características mistas;
• Com características melancólicas;
• Com características atípicas;
• Com características psicóticas congruentes com o
humor;
• Com características psicóticas incongruentes com o
humor;
• Com catatonia;
• Com início no periparto;
• Com padrão sazonal;
Rastreio
• Atenção à expressão facial e às atitudes;
• Atenção às queixas somáticas;
• Queixas mais comuns: insônia e fadiga;
• Sentimentos de vazio;
• Desesperança;
• Indiferença;
• Aplicação de escalas validadas;
Desenvolvimento e Curso

• Pode aparecer em qualquer idade;


• Aumenta probabilidade com a puberdade;
• Curso variável
– Indivíduos que experimentam raras remissões e
indivíduos que vivem anos com poucos sintomas
• Importante: detecção precoce
• Fatores de risco: comorbidades psiquiátricas;
• Está associado com alta mortalidade;
Fatores de Risco e Prognóstico
• Temperamentais:
- Afetividade negativa;

• Ambientais:
- Experiências adversas na infância ou na vida;

• Genéticos e fisiológicos:
- Parentes de primeiro grau mais vulneráveis (2 a 4
vezes);
Consequências
• Podem ser leves, mas pode chegar à
incapacidade;
• Atenção às necessidades básicas;
• Pouca ou nenhuma fala;
• Dores e doenças físicas;
• Impactos sociais;
• Prejudica as relações;
Caso Clínico
A., 28 anos, solteira, sem filhos. Manifesta doença renal
crônica dependendo de hemodiálise três vezes por
semana. Conseguiu transplante renal “fase mais feliz da
minha vida!”. Sucesso no trabalho, vai morar sozinha,
viagens, começa um relacionamento, porém, aos 37 anos,
sofre um acidente quando voltava do interior após
conflitos com o namorado. Perdeu o rim e teve outras
consequências físicas. Não pôde manter-se no trabalho e
acabou o namoro. Desenvolve processo depressivo
importante, inclusive, com manifestação de sintomas
psicóticos e importante ideação suicida: “A minha vida
não faz mais sentindo nenhum!”
Como uma equipe Multiprofissional poderá ajudá-la?
Equipe Multiprofissional
• Médico
• Enfermeiro;
• Psicólogo;
• Terapeuta Ocupacional;
• Serviço Social;
• Educador Físico;
• Farmacêutico;
• Nutricionista;
• Oficineiros;
• Outros;
Tratamento
• Psicofarmacologia;
• Terapia de Grupo;
• Psicoterapia individual:
- Busca de um novo sentido;
- Estímulo às potencialidades;
- Ressignificação;
• Mediação da relação familiar;
• Fortalecer rede de apoio;
Muito Obrigada!!

michelle@vidamental.com.br
Referências Bibliográficas
• American Psychiatric Association. Manual
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
(DSM-5). Porto Alegre: Artmed, 2014;

• DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e Semiologia


dos Transtornos Mentais. Porto Alegre: Artmed,
2008;

• EL-MALLAKH R.S., GHAEMI, S.N. Depressão Bipolar:


Um Guia Abrangente. Porto Alegre: Artmed, 2008;