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MATEMATICOS E SUAS CONTRIBUIÇÕES

MATEMATICOS E SUAS CONTRIBUIÇÕES

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Apolónio (242 a.C -?

)

Matemático e geômetra grego. Nasceu em Perga, Pamphylia na Grécia (atual Turquia) por volta de 262 a.C.. Estudou na Alexandria, na escola dos sucessores de Euclides. Contemporâneo de Arquimedes, embora 25 anos mais novo, coloca-se entre os mais originais e profundos matemáticos gregos. A sua obra principal, "As Cônicas", compostos por seis livros, dos quais apenas se conhecem os textos originais dos quatro primeiros, que lhe valeu mais tarde o título de grande geômetra. Esta obra constitui um estudo quase exaustivo das secções planas de um cone de revolução, secções estas que Apolónio classifica em três categorias, ainda hoje utilizadas: elipse, parábola e hipérbole.

Arquimedes (287 a.C.-212 a.C.)

Imagine-se andando tranquilamente por uma rua, quando de repente sai correndo de uma casa um homem nu e molhado gritando EURECA, EURECA (achei, em grego). Isto aconteceu em Siracusa, uma colônia grega, há mais de 2200 anos atrás, e o nome do maluco em questão era Arquimedes. Que na verdade era um gênio. Foi julgado como arruaceiro. Mas após longos debates, os juízes da cidade resolveram absolvê-lo, pois ele havia descoberto algo realmente importante. Havia formulado o princípio que permite aos barcos flutuarem: "Qualquer corpo mais denso que um fluído, ao ser mergulhado neste, perde peso correspondente ao volume do fluído deslocado. Foi uma pessoa extremamente criativa, físico, matemático, astrônomo e inventor dos mais competentes. Arquimedes desenvolveu métodos para determinar áreas e volumes. Seus métodos anteciparam o cálculo integral, 2000 anos antes de ter sido "inventado" por Newton e Leibniz. Arquimedes também provou que o volume de uma esfera corresponde a dois terços do volume do cilindro circunscrito. Evidentemente ele considerou este como seu maior feito, pois pediu que sua lápide tivesse uma esfera circunscrita por um cilindro. Calculou ainda com boa aproximação o número PI. Formulou com exatidão cientifica os princípios da

alavanca, da roldana e do parafuso. Formulou teoremas fundamentais a respeito do centro de gravidade de figuras planas e sólidos. Foi dele a celebre frase "Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo". Entre as suas memoráveis invenções contam-se a roldana composta, o parafuso tubular para bombear água, as lentes convexas e um planetário. Desenhou catapultas, com as quais Siracusa defendeu-se dos romanos. Depois de uma guerra prolongada, os romanos finalmente conquistaram Siracusa. O general romano mandou que poupassem a vida de Arquimedes, que tanto ajudou na defesa da cidade com os seus inventos, destruindo inúmeros navios romanos. Mas quando sua casa foi invadida pelos soldados, ele estava tão concentrado em seu trabalho que não percebeu de imediato. E então pediu ao soldado para que não estragasse seus desenhos. A serenidade do sábio foi demais para o soldado. Com um golpe de espada terminava uma das mais brilhantes carreiras científicas.

Johann Bernoulli (1667-1748)

Matemático suíço nascido em Basileia (27 de Julho de 1667 - 1 de Janeiro de 1748). Irmão mais novo de Jakob, tentou afirmar-se noutros campos científicos que não a Matemática (química, medicina, estudo do movimento dos animais segundo a escola de Borelli), mas foi à Matemática que o seu nome ficou para sempre ligado. Sob a orientação do irmão, familiarizou-se com o cálculo infinitesimal descoberto por Leibniz, revelando-se imediatamente como um brilhante matemático a entrando nessa qualidade em relação com os mais ilustres cientistas da sua época. Em 1690 deslocou-se a Paris, a convite do conde de L'Hôpital, de quem foi hóspede e professor de cálculo diferencial a integral. Em 1695 foi nomeado professor de Matemática na Universidade de Grõningen, onde se conservou até 1705 e teve como discípulo o grande Euler. Em 1701 incompatibilizou-se com seu irmão Jakob devido a acerba discussão travada a propósito do problema dos isoperímetros e, deixando-se arrastar pela sua animosidade, passou a defender a física cartesiana, em oposição à física newtoniana, de que seu irmão era partidário. Por morte deste (1705), Johann sucedeu-lhe na cátedra de Basileia, cidade em que permaneceu até à morte. O aspecto mais importante da obra de Johann Bernoulli e a de seu irmão Jakob foi a contribuição que ambos deram ao desenvolvimento do cálculo diferencial e do calculo integral, cujos fundamentos haviam sido lançadas por Leibniz e por Newton. Devem-se ainda a Johann Bernoulli, além de alguns tratados, a fundação de uma florescente escola, várias descobertas da maior importância sobre calculo exponencial, a solução do problema da braquistocrona (curva que consente a descida no tempo mínimo), a fórmula mais tarde chamada de Taylor, susceptível de muitas aplicações.

Georg Cantor (1845-1918)

Matemático de origem alemã, Georg Ferdinand Ludwig Philip Cantor nasceu em St. Petersburg a 3 de Março do 1845, e faleceu em Halle a 6 de Janeiro de 1918. Deixou a Rússia ainda menino emigrando com a família para a Alemanha. Estudou em Zurique, Berlim e Gõttingen. Em 1872, foi nomeado professor assistente de matemática em Halle, assumindo a direção da cadeira a partir de 1879. No dizer de muitos, a teoria dos conjuntos, criada por Cantor, é uma das mais notáveis inovações matemáticas dos últimos séculos. Nessa teoria, Cantor apresenta demonstrações novas de fatos conhecidos e, ao lado disso, inúmeros fatos novos. A teoria contribuiu decisivamente para que se passasse a encarar sob outra perspectiva os problemas da matemática, desde os que surgem nos fundamentos da disciplina, até os que são típicos de ramos especializados da álgebra, da análise ou da geometria. Apresentada em pleno séc. XIX, a teoria dos conjuntos foi muito combatida pelo contemporâneos de Cantor, suscitando várias polemicas. A intervenção de paradoxos que conduziam a resultados aparentemente inaceitáveis, e a rejeição de axiomas clássicos, muito contribuíram para o não reconhecimento, por parte dos matemáticos da época, da nova teoria. Todavia, com o decorrer dos anos, as aplicações da teoria dos conjuntos vieram comprovar sua extraordinária importância para o progresso da análise. A teoria ganhou universal aceitação por volta de 1908, com as exposições de Schõnflies, transformando-se então em alicerce indispensável para a análise. A teoria dos conjuntos torna-se tão popular depois disso que, em 1920, se cria na Polónia um periódico, os Fundamenta Mathematicae (Fundamentos de Matemática), destinado a explorar as ideias de Cantor.

Augustin Cauchy (1789-1857)

Matemático francês, Augustin Louis Cauchy nasceu em Paris a 21 de Agosto de 1789 e faleceu em Sceaux (Seine) a 23 de Maio de 1857. Estudou na École PoIvtechnique e na École des Ponts et Chaussées. Formouse em engenharia em 1809 e trabalhou no porto de Cherbourg de 1810 a 1813. Voltou a Paris nessa ocasião, colocando-se logo depois, em 1816, na primeira linha dos matemáticos franceses, tendo por maior rival o reticente Gauss. Aos 26 anos passou a lecionar na École Polytechnique, sendo logo depois nomeado membro do Collège de

France a da Sorbonne. Em 1816, foi nomeado para a secção de mecânica da Académie des Sciences, ocupando uma das vagas deixadas por Sadi Carnot a Gaspard Monge. Cauchy é o primeiro dos grandes matemáticos franceses cujo pensamento pertence claramente à Idade Moderna. Sua produção é imensa, comparável apenas à de Euler e à de Cayley. A fecundidade de Cauchy era tão prodigiosa, que sentiu necessidade de redigir uma espécie de diário, os Exercises de mathématique (1826-1830, Exercícios de matemática) que se prolongou na série denominada Exercises d'analyse mathématique et de physique (1840-1847:Exercícios de análise matemática a de física), em que divulgava sua produção. Note-se que também se deve a Cauchy a publicação dos Comptes Rendus (Atas) da Académie des Sciences (a partir de 1835), que inundou com suas produções, algumas muito extensas, com duzentas ou trezentas páginas. Ressalte-se que a direção da revista, assombrada com seu elevado custo, deliberou aceitar apenas pequenos resumos para publicação - medida que ainda hoje está em vigor. Cauchy escreveu mais de setecentas memórias, abarcando quase todos os ramos da matemática. Em todas elas sobressai o rigor com que os temas são tratados. Euler havia sido o último analista a trabalhar criticamente. O espírito de crítica aparece, a bem dizer, com Lagrange. Gauss é o primeiro a tratar com muito rigor os seus assuntos. Cauchy adopta a linha de pensamento rigoroso de Gauss, que vai atingir o clímax com Weierstrass.

René Decartes (1596-1650)

Matemático e filósofo francês. Acreditava que o conhecimento normalmente aceite era duvidoso dada a natureza subjetiva dos sentidos, e tentou reconstruir o conhecimento humano usando a máxima de sua autoria cogito ergo sum («penso, logo existo»). Acreditava também que todo o universo material poderia ser explicado em termos físico matemáticos, e inventou a geometria analítica como uma forma de definir e manipular as formas geométricas usando expressões algébricas. As coordenadas cartesianas, a forma através da qual os pontos são representados neste sistema, têm o seu nome. Descartes também desenvolveu a ciência da óptica, e ajudou a modelar as teorias contemporâneas da astronomia e do comportamento animal. Descartes identificou a «coisa pensante» (res cogitans) ou mente como sendo a alma humana ou consciência; o corpo, apesar de interagir de alguma forma com a alma, era uma máquina física, secundária, e em princípio separável da alma. Defendia que tudo tinha uma causa; nada pode resultar do nada. Ele acreditava que, apesar de toda a matéria estar em movimento, a matéria não se move por si; o impulso inicial vem de Deus. Postulou igualmente duas substâncias bastante diferentes: substância espacial, ou matéria, e substância pensante, ou mente. Isto é denominado «dualismo cartesiano», e poupou-o de séria controvérsia com a Igreja. Descartes nasceu em La Haye (rebaptizada Descartes em sua honra), a sul de Tours, e estudou em Poitiers. Integrou o exército do príncipe Maurício de Orange, e em 1619, enquanto viajava pela Europa, decidiu aplicar os métodos da matemática à metafísica e à ciência. Instalou-se nos Países Baixos em 1628, onde tinha mais possibilidades de se libertar da interferência da igreja católica. Em 1649 visitou a corte da rainha Cristina da Suécia, morrendo pouco depois em Estocolmo. O maior trabalho de Descartes em matemática foi La Géométrie/A Geometria (1637). Apesar de não ter sido o primeiro a usar a álgebra na geometria, foi o primeiro a usar a geometria na álgebra. Foi também o

primeiro a classificar curvas sistematicamente, separando «curvas geométricas» (que podem ser expressas com exatidão através de uma equação) de «curvas mecânicas» (que não podem). Outros trabalhos incluem Discurso do Método (1637), Meditações sobre a Primeira Filosofia (1641) e Princípios da Filosofia (1644), e inúmeros livros sobre fisiologia, óptica e geometria.

Eratóstenes (276 a.C.-194 a.C.)

Cirene, 276 a.C. – 194 a.C.. Geógrafo, matemático, astrônomo, poeta e filósofo grego. Discípulo de Aristos de Quíos, contemporâneo de Arquimedes e Apolônio. Parece ter vivido em Atenas até que Ptolomeu Evergetes o chamou para dirigir a famosa Biblioteca de Alexandria. Calculou a longitude do meridiano terrestre. Políbio, Estrabão e Plínio citam-no como geógrafo. Sua Cosmografia assinala as épocas dos principais acontecimentos históricos. Determinou a obliquidade da elíptica em 23º 51` 20``. São dele os dados que serviram de base para a confecção do Calendário Juliano. Inventou um processo de cálculo denominado Crivo de Erastóstenes. Uma de suas obras, que se perdeu, tratava da duplicação do cubo por meio de instrumento chamado mesolábio, que assinalava as duas médias proporcionais. Outra obra é o Tratado Sobre a Antiga Comédia Ática. Na Eratostécnica, de Bernhardy (Berlim, 1822), encontra-se uma lista completa de suas obras. Dizem que se suicidou por ter ficado cego.

Euclides

Viveu na Alexandria cerca de 300 a.C. A par de Arquimedes e de Apolónio, é um dos três maiores matemáticos da Antiguidade grega e, sem dúvida, de todos os tempos. Pouco sabemos acerca dele. No entanto, é certo ter fundado em Alexandria, durante o reinado de Ptolemeu 1 (306-283 a.C.), uma escola de geometria que foi a mais importante da Grécia. Segundo consta, teria vivido entre 330 a 275 a.C. A obra máxima de Euclides é os Elementos. Foi o livro

que, depois da Bíblia, teve maior tiragem. Ainda hoje, os manuais de geometria usados nas escolas são frequentemente versões modificadas do texto euclidiano Quanto aos restantes livros escritos por Euclides apenas conhecemos alguns breves resumos feitos pelos comentadores um pouco mais tarde (em particular por Proclo). Lembremos, contudo, os Porismas, em que Euclides desenvolve os teoremas de geometria que presentemente qualificamos de teoremas de geometria projetiva. Os Lugares à Superfície a as Cônicas, que parece conterem já algumas das conclusões expostas mais tarde por Apolónio e, por fim, as obras sobre a Óptica e a Catóptrica.

Leonhard Euler (1707-1783)

Leonhard Euler nascido em Basileia em 15 de Abril de 1707, morreu em S. Petersburgo em 18 de Setembro de 1783. Seu pai, Paul Euler, pastor protestante dado às matemáticas e amigo do célebre Jean Bernoulli, ocupou-se pessoalmente da educação do filho. Ensinou-lhe principalmente matemática, comunicando-lhe o gosto por esta disciplina. Mais tarde, Leonhard foi enviado para Basileia, a fim de acabar os estudos na Faculdade de Teologia; seguiu, além dos cursos de teologia, os de matemática, aperfeiçoando-se sob a direção paternal de Bernoulli. Em 1723, doutorou-se: apresentou uma tese sobre a diferença entre a filosofia cartesiana e a filosofia newtoniana. A partir daí dedicou-se quase exclusivamente às ciências matemáticas puras a aplicadas. Em 1727, recebeu um premio da Academia de Ciências de Paris pela melhor tese sobre a construção de navios. Em Basileia, Euler tornara-se amigo de Hermann e Daniel Bernoulli, filhos de Jean, também considerados os maiores matemáticos da época. Chamados por Catarina I à Academia de S. Petersburgo em 1730, mandaram ir Euler, que, em 1733, obteve a cadeira de Física. Foi nessa altura que escreveu uma série de obras que o consagraram um dos maiores matemáticos europeus. Mas, em 1735, caiu gravemente doente, escapando por pouco à morte. Curou-se, mas perdeu a vista direita, em virtude de um abcesso. Isto, porém, não diminuiu a sua atividade, o que é provado por uma obra magistral por ele publicada, A Mecânica, Exposta Analiticamente, a que foi seguida de várias publicações extremamente interessantes relacionadas com a geometria analítica, as análises infinitesimais a as matemáticas aplicadas à física. Em Junho de 1741 deixou S. Petersburgo por Berlim, onde Frederico da Prússia, que o nomeara membro da Academia de Ciências, o acolheu com grandes honras. Uma vez a Academia reorganizada (1744), Euler ocupou aí a cadeira de Matemática, publicando no mesmo ano uma obra clássica sobre a Astronomia, aTeoria do Movimento dos Cometas a dos Planetas, que foi seguida alguns anos depois por dois tratados célebres. a Introdução à Análise Infinitesimal (1748) a asInstituições do Cálculo Diferencial (7755). Publicou ainda numerosos tratados de mecânica racional, interessando-se sobretudo pelo problema do movimento dos projéteis. Alguns anos antes, uma sobrinha do rei, a princesa de Anhalt-Dessau, desejou que ele lhe desse lições de filosofia e física; estas foram reunidas a publicadas em 1755 sob o título de: Cartas a Uma Princesa Alemã sobre Alguns Assuntos de Física a de Filosofia (1768-1772), que foram editadas em França por Condorcet. Mas na Academia de Berlim as vantagens financeiras eram menores do que as honras, a Euler, pai de família, regressou à Rússia (Junho-Julho de 1766), onde lhe ofereceram magnífico ordenado. Infelizmente, depois de uma doença, perdeu o olho que lhe restava, ficando inteiramente cego. Ainda assim, prosseguiu os

seus trabalhos, entre os quais os mais célebres são: a Teoria Completa da Construção a da Manobra dos Navios, uma Dióptrica e, enfim, as célebresInstituições do Cálculo Integral, consideradas a sua obra-prima. Morreu em. S. Petersburgo, aos 76 anos de idade. Casou duas vezes, uma, em 1733, com Catherine Gsell, que o deixou viúvo, a outra com um parente desta, Salomé Gsell. Teve treze filhos da primeira mulher, que seguiram brilhantemente os passos do pai. Euler era de natureza franca, mostrando-se fiel com os amigos e generoso com os inimigos. Pierre de Fermat (1601-1665)

Matemático francês, Pierre de Fermat nasceu em Beaumom-de-Lomagne, perto de Montauban, a 17 de Agosto de 1601, e faleceu em Castres, a 12 de Janeiro de 1665. Filho de um comerciante de couros, passou quase toda a vida em Toulouse, como conselheiro do parlamento. Extremamente dedicado aos deveres do cargo, pontual no cumprimento das suas obrigações, Fermat ocupava todos os momentos de lazer com resoluções de problemas matemáticos. Para ele, o cálculo era quase um divertimento. De temperamento avesso às longas demonstrações, Fermat conseguiu resumir em poucas linhas, frequentemente traçadas à margem dos compêndios que manuseava, algumas de suas geniais concepções. O tradutor de Descartes, Frans Van Schooten (1661), professor de matemática em Leyden, incluiu-o, ao lado de Descartes e Roberval, entre os três maiores geômetras do mundo. Pascal foi além, pois atribuiu a ele o primeiro lugar entre os geômetras da Europa. A matemática moderna tem início com cinco notáveis contribuições do séc. XVII: 1) a geometria analítica de Fermat (1629) e Descartes (1637); 2) o cálculo infinitesimal de Newton e Leibniz; 3) a análise combinatória (1654), particularmente com os trabalhos de Fermat e Pascal, que delineiam o cálculo de probabilidades; 4) a aritmética superior, de Fermat (1630-1665); 5) a dinâmica de Galileu (1612) e Newton (1666-1684) e a gravitação universal de Newton (16,4-1687). Paralelamente, aparecem indícios de outros rumos, como a lógica, de Leibniz (1665-1690), e a geometria projetiva sintética, de Desargues (1636-1639). Depois do primeiro período áureo da matemática, em que predominam as figuras de Arquimedes, Euclides, Apolônio e outros, chega-se ao segundo período áureo em que a presença de Fermat se destaca sobremaneira. O último teorema de Fermat. Considerando a equação xn+yn=zn, Fermat estabeleceu que não existem valores inteiros para x, y e z que a satisfaçam, quando n é um número inteiro maior do que 2. A propósito de sua demonstração, Fermat escreveu à margem de um exemplar da edição preparada por Claude Gaspard Bachet de Méziriac (1581-1638) das obras do matemático grego Diolamo (séc. III d. C.): "Encontrei uma demonstração verdadeiramente admirável, mas a margem é muito pequena para apresentá-la".

Jean Fourier (1768-1830)

Jean Joseph Fourier, barão, nascido em Auxerre (Yoone) em 2l de Março de 1768. Morreu em Paris em 16 de Maio de 1830. Seu pai, alfaiate, era originário de Lorena. Tendo, ficado órfão, foi recolhido quando tinha 8 anos, pelo organista Pallais, mestre de música na catedral de Auxerre e diretor de um pensionato, que lhe ensinou um pouco de latim. As excepcionais aptidões de que deu provas valeram-lhe a atenção do bispo de Auxerre, que o fez entrar na escola militar da cidade, escola então dirigida pelos beneditinos de SaintMaur. Fourier revelou-se imensamente dotado para as matemáticas Mas, como não podia seguir a carreira militar, que era reservada a nobres, tomou o habito de noviço na abadia de Saint Benoìt sur Loire. Durante a Revolução, abandonou o convento e foi ensinar a matemática. No fim de 1789 dirigiu-se a Paris e apresentou à Academia de Ciências a sua primeira memória (escrita em 1787), sobre a Resolução Equações de Qualquer Grau (Sun la résolution des équations de n'importe quel degré). Participou na comissão revolucionária de inspecção em Auxerre, onde preencheu com muita moderação o cargo que lhe era destinado. Quando a École Normal, foi criada, obteve um lugar de professor a depois foi-lhe conferida a cadeira de Análises na École Polytechnique (1795-98). Em 1798, dirigiu-se ao Egipto com a expedição comandada por Bonaparte; ajudado par Monge e Berthollet, ocupou-se -- primeiro como membro, depois como secretário perpétuo do Instituto do Cairo (Agosto 1798) - de Investigações e de estudos sobre as descobertas dos arqueólogos no Egipto. Em Agosto de 1799, assumiu a direção de uma das duas expedições científicas enviadas ao vale superior do Nilo. Foi encarregado pelos colegas de reunir e classificar todo o material recolhido. Em 1801 regressou a França, onde quis retomar a sua cadeira. Mas Napoleão nomeou-o prefeito de lsère (1802). Excelente administrador, exerceu perfeitamente os cargos mais diversos, encontrando tempo para escrever uma Descrição do Egipto (Description de l'Egypte), um Memorial da Expedição do Egipto (Memorial de l'expédition de l'Egypte) e para continuar os seus estudos científicos. Deste período datam as memórias mais importantes que escreveu. Em 1808, Napoleão nomeou-o barão. Depois de ter apoiado o regresso dos Bourbon (1814), durante os «cem dias», submeteu-se ao imperador, qual o nomeou conde e lhe confiou a prefeitura do Ródano, cargo de qual Fouríer se demitiu rapidamente. Quando regressou a Paris, teve de passar por toda a espécie de dificuldades, até obter finalmente a direção da Secretaria da Estatística. Em 1817 entrou na Academia das Ciências e em 1822 tornou-se secretário perpétuo para as Matemáticas. Em 1826, foi eleito para a Académie Française, tendo de exercer vários cargos anexos. As suas obras mais importantes dividem-se em dois grupos: teorias do calor e solução das equações numéricas, expostas em várias memórias, entre as quais as Memórias sobre a Teoria do Movimento do Calor (Mémoires sur la théorie du mouvement de la chaleur) e a Teoria Analítica do Calor (Théorie analytique de la chaleur). Além disso, fez importantes estudos sobre estatística, egiptologia (monumentos, escavações projectos) e vários elogios para a Academia. Com o títuloObras de Fourier (Oeuvres de Fourier, Paris, 1889-90), Darboux publicou uma edição das suas obras mais importantes.

Evariste Galois (1811-1832)

Evariste Galois, nascido em Bourg-la-Reine em 25 de Outubro de 1811 e morreu em 31 de Maio de 1832, em consequência dos ferimentos recebidos num duelo. Galois foi um dos maiores matemáticos de todos os tempos e talvez o exemplo mais excepcional de um precoce gênio matemático. No decurso da sua breve e atormentada vida, desconhecido ou incompreendido pelos matemáticos do tempo, gozou de certa notoriedade como representante da extrema republicana. Supõe-se que, sob o domínio dos Bourbons, quando era ainda aluno no colégio Louis-le-Grand, participou em manifestações contra a monarquia absoluta. Certo é que foi afastado da Escola Normal pouco depois das jornadas de Julho de 1830. Alistou-se então na artilharia da Guarda Nacional e participou numa tentativa falhada de golpe de Estado. Condenado a vários meses de prisão em seguida a uma manifestação de ex-guardas nacionais, foi particularmente perseguido pela polícia e sofreu, ao que parece, uma tentativa de assassínio: alguém disparou um tiro para dentro da cela que ocupava. Acabava de sair da prisão, quando o seu corpo foi descoberto, ferido e abandonado, nos arredores de Paris. A interpretação que se generalizou foi a de que se tratava de um duelo por causa de uma mulher, mas é possível que se trate de uma encenação feita pela própria polícia para se desfazer de Galois. Esta é, de resto, a tese de L. Ingeld, o seu mais recente e o mais fidedigno biógrafo, Galois deixou os seus manuscritos científicos inéditos (Escritos de Galois) ao seu amigo Auguste Chevalier, matemático, juntamente com uma carta escrita na véspera da sua morte. Ainda estudante de liceu, tinha publicado nos Annales de Gergonne (1828, tomo XIX) uma Demonstração de um Teorema sobre as Fracções Contínuas Periódicas (Demonstration d'un théorème sur les fractions continues périodiques). Em 1830, publicou no Bulletin de Férussac uma memória sobre a resolução algébrica das equações, escrevendo ainda mais cinco sobre as frações imaginárias, conhecidas também por «de Galois». Mas o seu trabalho fundamental, sobre a possibilidade de resolução das equações algébricas, não foi considerado digno de atenção pelo grande A. Cauchy a tido por demasiado obscuro por Poisson. Só em 1846 foi publicado por J. Liouville, no seu Journal, mas a sua importância só foi compreendida quando C. Jordan consagrou o seu Tratado das Substituições a Equações Algébricas (Traité des substitutions et des équations algébriques). Galois havia conseguido expor as condições necessárias e suficientes à resolução das equações algébricas por meio de radicais; para chegar a este resultado, Galois recorrera a um grupo de substituições sobre as raízes das equações (grupo de Galois), revelando o laço existente entre a teoria moderna dos grupos e a teoria clássica das equações. A edição completa das obras de Galois data de 1951 a tem o título de Obras Matemáticas (Oeuvres mathématiques).

Carl Gauss (1777-1855)

Carl Friedrich Gauss, matemático, astrônomo e físico alemão, nasceu em Braunschweig a 30 de Abril de 1777 e faleceu em Gottingen a 23 de Fevereiro de 1855. Filho de camponeses pobres, Gauss encontrou apoio de sua mãe e de seu tio para estudar, apesar das objeções paternas. E um dos casos mais espantosos de precocidade registrados na história da matemática, contando-se que já aos três anos de idade era capaz de efetuar algumas operações aritméticas. Aos dez anos, Gauss iniciou seus estudos de aritmética, espantando ao seu mestre, Buttner, pela facilidade com que completava complicadas operações. Buttner tinha, nessa época, um jovem assistente, de 17 anos, Johann Martin Bartels, apaixonado pela matemática, a quem entregou a tarefa de ensinar ao precoce Gauss. Entre os dois moços firmou-se sólida amizade, que durou até a morte de Bartels. A propósito da posição de destaque ocupada por Gauss é oportuno relatar duas anedotas célebres. Humboldt e Laplace teriam, certa vez, logo após a descoberta do planeta Ceres, travado o seguinte diálogo: "Qual é o maior matemático da Alemanha?" -- perguntava Humboldt, "Pfaff" -- retrucava Laplace. "Pfaff ? E Gauss ?". "Gauss é o maior do mundo". Quando Gauss contava nove anos, a mãe, preocupada com os estudos do menino, perguntou ao célebre matemático Bólyai se ele chegaria a ser alguém. Bólyai teria respondido: "Será o maior matemático da Europa". Já na mocidade, enquanto estudava com Bartels, Gauss apresentou uma demonstração rigorosa do teorema do binômio (em que se tem o desenvolvimento de | 1+x | n) para o caso de n não inteiro positivo. O uso correto dos processos infinitos e uma nova imagem do rigor matemático são as contribuições que o jovem Gauss traz para a matemática, mudando-lhe a fisionomia. Com efeito, o rigor imposto à análise se transporta para toda a matemática e é com Gauss que se inicia o período que levaria aos Weierstrass e aos Dedekind. A dissertação doutoral de Gauss, que lhe valeu o título conferido pela universidade de Heimstèdt, em 1799, contém a primeira demonstração do teorema fundamental da álgebra. Em memória publicada em 1825, Gauss abre novos rumos com a invenção de um tipo novo de números, os inteiros complexos gaussianos da forma a + bi, em que a e b são inteiros racionais e i a unidade imaginária. Kummer e Dedekind usariam amplamente as ideias dessa monografia, aperfeiçoando teorias gerais importantes. Exemplo de espírito afeito ao rigor, Gauss passa à história com o título de "príncipe da matemática". Alguns historiadores colocam-no ao lado de Arquimedes e Newton como um dos três génios da matemática de todos os tempos.

David Hilbert (1862-1943)

Matemático alemão, David Hilbert nasceu em Kõnigsberg a 23 de Janeiro de 1862 e faleceu em Gõttingen a 14 de Fevereiro de 1943. Completou seus estudos básicos na universidade local, onde passou a lecionar, em 1886, na qualidade de Privadozent. Nomeado professor titular em 1893, ocupou o cargo até 1895, quando se transferiu para a universidade de Gõttingen. Granjeando fama, atraiu para a universidade um considerável número de estudiosos, transformando-a num dos principais centros de estudos matemáticos de todo o mundo. Hilbert não manifestou grande precocidade. Em 1888, porém, atraiu a atenção do mundo científico, com um estudo acerca da teoria dos invariantes. Depois disso, suas descobertas se sucederam rapidamente e, em 1900, por ocasião do congresso internacional, realizado em Paris, desponta como um dos principais matemáticos de sua geração. O que desperta a atenção, nas obras de Hilbert, é a beleza de sua grandiosa arquitetura: delas brota uma real satisfação estética, resultante da harmonia que se estabelece entre os fins visados e os meios utilizados para alcançá-los, meios de desconcertaste simplicidade, que não se limitam a reformular técnicas já conhecidas, mas que atingem as raízes das questões tratadas. A reação que provocam os trabalhos de Hilbert pode ser retratada na exclamação do matemático alemão Paul Gordan (18371912), que, diante dos resultados gerais obtidos por Hilbert, em poucas páginas e com um mínimo de cálculo, teria dito: "Isso não é matemática, é teologia!". A influência de Hilbert é considerável. Ao lado de suas descobertas notáveis, o tipo de atitude assumida atrai a adesão intelectual dos que examinam suas obras. Hilbert está sempre em busca da estrutura lógica mais íntima dos problemas, tentando real compreensão das questões que estuda. Age com grande probidade e rigor, visando a uma unificação de conhecimentos. Como afirma Dieudonné, "ele encarna, para a geração "entre-guerras", o verdadeiro ideal do matemático".

Johannes Kepler (1571-1630)

Matemático e astrônomo alemão. Kepler formulou o que hoje se chamam as leis de Kepler do movimento planetário: (1) a órbita de cada planeta é uma elipse com o Sol num dos focos; (2) o vetor raio de cada planeta varre áreas iguais em tempos iguais; (3) os quadrados dos períodos dos planetas são proporcionais aos cubos das suas distâncias médias ao Sol. Kepler tornou-se assistente do astrônomo dinamarquês Tycho Brahe em 1600, e sucedeu-lhe em 1601 como matemático imperial do imperador romano Rudolph II. Kepler observou em 1604 uma supernova, a primeira visível desde a supernova descoberta por Brahe em 1572. Kepler completou e publicou as Rudolphine Tables (1627), as primeiras tabelas astronómicas modernas, baseadas nas observações de Brahe. A sua análise destes dados levou à descoberta das suas três leis, as duas primeiras das quais publicou em Astronomia Nova (1609) e a terceira em Harmonices Mundi (1619). Kepler nasceu em Weil der Stadt em Baden-Württemberg, e estudou em Tübingen. Como Protestante Luterano, Kepler foi expulso duas vezes de Graz, onde leccionava; depois de Praga em 1612; depois de Linz, Áustria, de onde se mudou para Ulm. Em 1618 em Wittenberg, problemas domésticos de Kepler incluiriam uma acusação de bruxaria sem consequências, proferida pela sua mãe. Kepler foi um dos primeiros defensores da cosmologia heliocêntrica, como havia sido proposto por Copérnico. As leis de Kepler constituem os fundamentos para a compreensão do Sistema Solar, e cientistas como Isaac e Newton basearam-se nestas leis para fundamentarem muitas das suas ideias.

Joseph Lagrange (1736-1813)

Matemático franco-italiano, Joseph Louis Lagrange nasceu a 5 de Janeiro de 1736 em Turim, na Itália, e faleceu a 10 de Abril de 1813 em Paris. Ainda jovem, interessou-se pelas línguas clássicas, o que o levou a ler Euclides e Arquimedes. Posteriormente, entrando em contacto com as obras de Halley (o amigo de Newton), inclinou-se para a matemática. Parece (mas não se tem certeza disso) que Lagrange foi nomeado professor de matemática da Real Escola de Artilharia, de Turim, quando contava apenas 16 anos. Inicia-se,

dessa forma. Uma das mais brilhantes carreiras na história da matemática. Lagrange é, para alguns historiadores da ciência, o maior matemático do séc. XVIII e um dos maiores da história. Explorando todos os ramos da matemática existentes em sua época, dá início ao enfoque geral e abstrato, que só viria a ser inteiramente apreciado no séc. XX. No estudo das equações algébricas, antecipa o período de rigor que viria a estabelecer-se anos depois. Sua mecânica analítica é o ponto em que se desenvolvem métodos unificados, diretos e universais, abrangendo toda a mecânica até então conhecida -- a sua utilidade prática é ainda hoje reconhecida. A matemática ao tempo de Lagrange, era mais engenharia do que propriamente matemática, predominando as fórmulas práticas, de aplicação satisfatória, como as que Laplace descobria para os corpos celestes e que Jean Fourier estabelecia para os corpos terrestres. Esse gosto pelas operações bem sucedidas, mas sem o lastro de teorias, foi combatido por Lagrange, até cerca de 1800, mas sem muito êxito -- êxito que seria alcançado por Gauss, cinquenta anos depois, quando as teorias gerais e rigorosas se introduzem definitivamente na matemática.

Pierre Laplace (1749-1827)

Pierre Simon Laplace, nascido em Beaumont-en-Auge (na Normandia), a 23 de Março de 1749; morreu em Arcueil, a 5 de Março de 1827. Seu pai era um pobre colono; só graças ao auxilio de alguns protetores pôde proporcionar estudos ao filho. Na mesma academia militar de Beaumont que frequentara foi Laplace encarregado ainda jovem de reger a cadeira de Matemática e com 18 anos apenas apresentava-se em Paris ao matemático d'Alembert, que lhe conseguiu a nomeação para professor de Matemática da Escola Militar de Paris. Mestre na análise, ao ponto de lhe chamarem «o Newton da França», aplicava-se aos magnos problemas da gravitação universal nas relações dos movimentos dos corpos celestes. Seguindo pari-passu com Lagrange, obteve consideráveis resultados neste campo, comprovando a estabilidade do sistema solar, realizando importantes descobertas, que se encontram nos volumes da Academia de Ciências de França, a partir de 1874. Desenvolveu a teoria dos movimentos de Júpiter a de Saturno, descobriu essa particularidade do sistema de Júpiter expressa nas chamadas « Leis de Laplace» e explicou como a aceleração lunar depende das variações seculares da excentricidade da órbita terrestre. O seu Tratado de Mecânica Celeste, publicado entre 1799 a 1825, é excedido apenas pelos Princípios de Newton e conquistaram-lhe fama mundial. A sua obra Exposições do Sistema do Mundo (Exposition du système du monde), publicada em 1796, foi definida por Arago como a divulgação e a conclusão do seu tratado de mecânica celeste sem o recurso à fórmula matemática. Na Teoria Analítica das Probabilidades (Théorie analytique des probabilités, 1812), Laplace conferiu uma forma clássica ao cálculo das probabilidades. Eleito membro das principais academias, devotado a Bonaparte, consagrou-se também à política, sendo nomeado senador; após a Restauração, em 1817, obteve o título de marquês. Morreu na sua tranquila casa de campo de Arcueil com 78 anos de idade, dizendo: «É pouco o que conhecemos e imenso o que ignoramos (Ce que nous connaissons est peu de chose, ce que nous ignorons est immense).

Henri Lebesgue (1875-1941)

Matemático francês, Henri Léon Lebesgue nasceu em Beauvais a 28 de Junho de 1875 e faleceu em Paris a 26 de Julho de 1941. Mostrou, desde a infância, grande pendor para o cálculo. Fez seus primeiros estudos em sua cidade natal e, depois, no liceu de Paris e na École Normale Supérieure (onde ingressou em 1894). Recebendo seu título de agrega em 1897, Lebesgue é nomeado professor do liceu de Nancy. Graças aos seus trabalhos, de grande originalidade, ocupa, sucessivamente, cargos na Faculté des Sciences, de Rennes (1902-1906), na Universidade de Poitiers (1906-1910) e na Sorbonne (1910-1910), onde se torna mestre de conferências. Em 1920 e 1921, exerce as funções de professor titular da Sorbonne, cargo que abandona para ocupar uma das cátedras do Coliège de France. Lebesgue é um dos grandes renovadores da análise. Sua teoria da integral supera a de Riemann e ganha, pela sua generalidade e manejo mais fácil, os favores dos analistas da atualidade. Para erigir sua teoria, introduz a noção de medida de um conjunto de pontos, para a qual apresenta uma definição descritiva, isto é, por meio de axiomas compatíveis (substituindo definição construtiva de Emile Borel, de 1894, menos fácil de manipular). Na sua tese de doutoramento, Intégrale, longueur, aire (Integral, comprimento, área), preparada por volta de 1898-1899, Lebesgue apresenta a teoria da integração de funções de variável real e mostra de que modo se pode formular adequada definição de "área de uma superfície curva". Suas ideias parecem, aos pontífices da época, um tanto audaciosas. Lebesgue é obrigado a superar algumas dificuldades até ver acolhido o seu trabalho (1902). Pouco depois, entretanto, a tese é reconhecida como verdadeira obra-prima e alcança repercussão em todos os meios científicos.

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