Conteúdo Programático

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Coesão e Coerência Texto Dissertativo Articulação de Idéias Construção de Parágrafos Dicas Importantes Temas e Orientações I Temas e Orientações II Coesão e Coerência

Antes de tudo é preciso saber o que é coesão e coerência, pois elas são as principais chaves de qualquer texto. Coesão - é a ligação existente entre as ideias, feita através de conectivos apropriados, como conjunções, pronomes e artigos. O uso indevido de elementos de ligação e mesmo a má escolha vocabular podem comprometer os processos coesivos do texto. Coerência - é a relação lógica entre as várias ideias que compõem um texto. O problema básico envolvido na produção da coerência é o do acerto das partes com relação ao todo textual, do ajuste sequencial das ideias, da progressão dos argumentos, das afirmativas que são explicadas. Texto Dissertativo .......Dissertar consiste em argumentar em torno de uma ideia, baseando-se em um ponto de vista para fazer defesas ou acusações. Através de fundamentação, um texto dissertativo é construído. Nesse tipo de texto você estará expondo suas ideias sobre um determinado tema. Antes de começar a escrever, é preciso ter em mente qual é o seu principal objetivo e o que você quer provar ao leitor. .....A maioria dos vestibulares cobram a dissertação. Trazem uma orientação e a partir dela você cria seu texto. Não fuja do tema proposto e organize seu texto em um rascunho. Fique sempre atento ao que está escrevendo! Coloque-se sempre no lugar do leitor e nunca deixe ideias vagas em seu texto.

Articulação de Ideias Desenvolvendo parágrafos. Uma sugestão: Cada parágrafo, ao ser desenvolvido, deve ser organizado em torno de certas frasesbásicas, que têm as suas funções originais: Tópico Frasal: é a frase inicial, desenvolvida a partir da temática da orientação. Para se achar a temática de uma orientação, basta resumir o conteúdo principal do tema apresentado. Frase de desenvolvimento: é desenvolvida a partir das respostas à pergunta "por quê?", feita ao tópico frasal. Geralmente, um parágrafo se desenvolve com duas ou três dessas frases.

Frase de Conclusão: fecha a ideia do parágrafo. Iniciado por expressões do tipo "é preciso", "é necessário"; fazendo assim uma relação de análise e solução. Exemplo: "Viver na cidade tornou-se um grande desafio. A todo momento, as pessoas são vítimas das mais variadas formas de violência. É preciso que o governo se posicione urgentemente e crie medidas que mudem essa situação." Construção de Parágrafos Ao desenvolver uma dissertação, é preciso preocupar-se com a função dos parágrafos, além, é claro, da preocupação estética A produção não deve ultrapassar cinco parágrafos, cada um com a função abaixo: Observação: o texto abaixo é para exemplificação da técnica, por isso sua fundamentação é superficial. Ao escrever, explore de forma mais abrangente seus argumentos. 1º. parágrafo - localização de tempo e espaço, reação social e índice de variação do assunto. Exemplo: O Brasil é um país em que nos últimos anos apresenta um aumento assustador do índice de violência policial, gerando grandes revoltas por parte da população. 2º. parágrafo - Abrange o "falar a respeito", que pode ser iniciado a partir das ideias obtidas com a pergunta "por quê?", feita ao tópico frasal. Exemplo: Os policiais atualmente são vítimas do desinteresse político que julga a preparação integral desses profissionais como uma atividade secundária. 3º. parágrafo - exemplificação. Localização de tempo e espaço, reação social e/ou nacional e o fato. Exemplo: Há cerca de dois anos, a sociedade paulista e também nacional se chocou com o comportamento de policiais militares que usaram do poder que lhes é peculiar, para torturar pessoas inocentes com o objetivo de tirar-lhes dinheiro.

4º. parágrafo - conclusão. Evidencia seu ponto de vista direta ou indiretamente. Use expressões como "é preciso", "é importante", "é necessário" para iniciar seu parágrafo conclusivo. Exemplo: É preciso que o governo assuma verdadeiramente seu papel e crie mudanças de combate à violência, sobretudo, policial. Afinal as pessoas têm direito à uma vida mais digna e tranquila. Sugestão de Produção de Texto com Base em Esquemas Esquema Básico da Dissertação 1º parágrafo: TEMA + argumento 1 + argumento 2 + argumento 3 2° parágrafo :desenvolvimento do argumento 1 3° parágrafo: desenvolvimento do argumento 2 4° parágrafo: desenvolvimento do argumento 3 5° parágrafo: expressão inicial + reafirmação do tema + observação final.

Exemplo: TEMA: Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver graves problemas que preocupam a todos. Por Quê?
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arg. 1: Existem populações imersas em completa miséria. arg. 2: A paz é interrompida frequentemente por conflitos internacionais. arg. 3: O meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico. Texto definitivo

Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver os graves problemas que preocupam a todos, pois existem populações imersas em completa miséria, a paz é interrompida frequentemente por conflitos internacionais e, além do mais, o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico. Embora o planeta disponha de riquezas incalculáveis – estas, mal distribuídas, quer entre Estados, quer entre indivíduos – encontramos legiões de famintos em pontos específicos da Terra. Nos países do Terceiro Mundo, sobretudo em certas regiões da África, vemos com tristeza, a falência da solidariedade humana e da colaboração entre as nações. Além disso, nesta últimas décadas, temos assistido, com certa preocupação, aos conflitos internacionais que se sucedem. Muitos trazem na memória a triste lembrança das guerras do Vietnã e da Coréia, as quais provocaram grande extermínio. Em nossos dias, testemunhamos conflitos na antiga Iugoslávia, em alguns membros da Comunidade dos Estados Independentes, sem falar da Guerra do Golfo, que tanta apreensão nos causou. Outra preocupação constante é o desequilíbrio ecológico, provocado pela ambição desmedida de alguns, que promovem desmatamentos desordenados e poluem as águas dos rios. Tais atitudes contribuem para que o meio ambiente, em virtude de tantas agressões, acabe por se transformar em local inabitável. Em virtude dos fatos mencionados, somos levados a acreditar que o homem está muito longe de solucionar os graves problemas que afligem diretamente uma grande parcela da humanidade e indiretamente a qualquer pessoa consciente e solidária. É desejo de todos nós que algo seja feito no sentido de conter essas forças ameaçadoras, para podermos suportar as adversidades e construir um mundo que, por ser justo e pacífico, será mais facilmente habitado pelas gerações vindouras.LIDADE DE VIDA NA CIDADE E NO CAMPOÉ de conhecimento geral, embora refutada por A QUALIDADE DE VIDA NA A Q O VALOR DA DIFERENÇA O desafio de se conviver com a diferença na sociedade é complicado, mas necessário. Diante da grande pluralidade cultural e étnica que se choca com frequência no mundo globalizado é preciso, além de tolerância, respeito incondicional aos direitos humanos. Diariamente, nos deparamos com pessoas das mais variadas culturas, opiniões e classes sociais. Muitas vezes, são nossos vizinhos, colegas e amigos. Essa convivência enriquece nossas vidas, pois aprendemos a respeitar o nosso próximo, nos tornando pessoas mais fraternas. Porém nem sempre essa relação acontecem facilmente fatos divulgados pela mídia nos mostram que, para alguns ainda, a simples diferença fenotípica gera discriminação e violência, como no caso do brasileiro que foi confundido com um

terrorista em Londres. Ele foi brutamente exterminado pela policia inglesa por ter feições diferentes da maioria dos britânicos. Para o bom funcionamento das sociedades, a diferença precisa ser respeitada. Nas relações econômicas internacionais, se lida com diferentes culturas ao menos tempo. Não há espaço para discriminação para quem quer ser competitivo no mercado. idades, pelos fatores já expostos, de pouco tempo dispõem para interagir em relacionamentos interpessoais mais profundos. Em virtude de tudo o que foi mencionado, entende-se que o campo propicia uma A NECESSIDADE DAS DIFERENÇAS De acordo com a Teoria da Educação das Espécies, o que possibilita a formação do mundo como conhecemos hoje foi a sobrevivência dos mais aptos ao ambiente. A seleção natural se baseia na escolha das características mais úteis. Estas somente se originam a partir das diferenças determinadas por mutações em códigos genéticos com o passar do tempo. Se no âmbito Biológico as variações são imprescindíveis à vida, no sociológico não é diferente. Uma vez todos iguais, seriamos atingidos pelos mesmos problemas sem perspectiva de resolução, já que todas as ideias seriam semelhantes. A maioria das pessoas está inserida em um contexto social. Contudo grandes inovações se fazem a partir do reconhecimento da individualidade de seus integrantes. Assim é de nossa responsabilidade respeitar nossos semelhantes independentes do sexo, raça, idade, religião, visto que dependemos mutuamente. Obviamente nem todas as diferenças são benéficas. Por exemplo, a diferença entre classes sociais não poderia assumir tal demissão. Para somá-la, necessitamos de uma melhor distribuição de renda aliada a oportunidades de trabalho, educação e saúde para todos. Devemos nos conscientizar de que somos todos iguais em espécie e que é preciso conviver com as diferenças (por mais difícil que pareça), pois elas nos enriquecem como pessoas. Nossos esforços devem ser voltados contra discriminações anacrônicas e vis, como o racismo ou perseguições religiosas. Estas não nos levam a lugar algum, apenas nos desqualificam como seres humanos.da Dicas Importantes 1)São condições de nulidade de redação no Vestibular: - ser ilegível; - fugir totalmente ao tema proposto; - não obedecer aos tipos de composição propostos (narração, dissertação,descrição); - apresentar 20 ou mais erros de ortografia, 20 ou mais erros de pontuação; - estar escrita a lápis; 2) Nunca use em seu texto frases que estavam prontas na orientação apresentada. Isso pode ser considerado plágio e sua redação corre o risco de ser anulada. 3) Gírias ou ditados populares não devem aparecer em sua dissertação (é um caso de plágio também) Caso queira usar, por exemplo: Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura; que é um ditado.

4) Procure não utilizar a primeira pessoa em sua redação, principalmente quando for determinado texto objetivo. A primeira pessoa dá um caráter muito subjetivo ao seu texto, o que de certa forma prejudica sua argumentação. CARTA ARGUMENTATIVA a) Estrutura dissertativa: costuma-se enquadrar a carta na tipologia dissertativa, uma vez que, como a dissertação tradicional, apresenta a tríade introdução / desenvolvimento / conclusão. Logo, no primeiro parágrafo, você apresentará ao leitor o ponto de vista a ser defendido; nos dois ou três subsequentes (considerando-se uma carta de 20 a 30 linhas), encadear-se-ão os argumentos que o sustentarão; e, no último, reforçar-se-á a tese (ponto de vista) e/ou apresentar-se-á uma ou mais propostas. Os modelos de introdução, desenvolvimento e conclusão são similares aos que você já aprendeu (e você continua tendo a liberdade de inovar e cultivar o seu próprio estilo!); b) Argumentação: como a carta não deixa de ser uma espécie de dissertação argumentativa, você deverá selecionar com bastante cuidado e capricho os argumentos que sustentarão a sua tese. É importante convencer o leitor de algo. Apesar das semelhanças com a dissertação, que você já conhece, é claro que há diferenças importantes entre esses dois tipos de redação. Vamos ver as mais importantes: a) Cabeçalho: na primeira linha da carta, na margem do parágrafo, aparecem o nome da cidade e a data na qual se escreve. Exemplo: Londrina, 15 de março de 2003. b) Vocativo inicial: na linha de baixo, também na margem do parágrafo, há o termo por meio do qual você se dirige ao leitor (geralmente marcado por vírgula). A escolha desse vocativo dependerá muito do leitor e da relação social com ele estabelecida. Exemplos: Prezado senhor Fulano, Excelentíssimo senhor presidente Luís Inácio Lula da Silva, Senhor presidente Luís Inácio Lula da Silva, Caro deputado Sicrano, etc. c) Interlocutor definido: essa é, indubitavelmente, a principal diferença entre a dissertação tradicional e a carta. Quando alguém pedia a você que produzisse um texto dissertativo, geralmente não lhe indicava aquele que o leria. Você simplesmente tinha que escrever um texto. Para alguém. Na carta, isso muda: estabelece-se uma comunicação particular entre um eu definido e um você definido. Logo, você terá que ser bastante habilidoso para adaptar a linguagem e a argumentação à realidade desse leitor e ao grau de intimidade estabelecido entre vocês dois. Imagine, por exemplo, uma carta dirigida a um presidente de uma associação de moradores de um bairro carente de determinada cidade. Esse senhor, do qual você não é íntimo, não tem o Ensino Médio completo. Então, a sua linguagem, escritor, deverá ser mais simples do que a utilizada numa carta para um juiz, por exemplo, (as palavras podem ser mais simples, mas a Gramática sempre deve ser respeitada...). Os argumentos e informações deverão ser compreensíveis ao leitor, próximos da realidade dele. Mas, da mesma maneira que a competência do interlocutor não pode ser superestimada, não pode, é claro, ser menosprezada. Você deve ter bom senso e equilíbrio para selecionar os argumentos e/ou informações que não sejam óbvios ou incompreensíveis àquele que lerá a carta. d) Necessidade de dirigir-se ao leitor: na dissertação tradicional, recomenda-se que você evite dirigir-se diretamente ao leitor por meio de verbos no imperativo (“pense”, “veja”, “imagine”, etc.). Ao escrever uma carta, essa prescrição cai por terra. Você até passa a ter a necessidade de fazer o leitor “aparecer” nas linhas. Se a carta é para ele, é claro que ele deve ser evocado no decorrer do texto. Então, verbos no imperativo – que fazem o leitor perceber que é ele o interlocutor – e vocativos são bem-vindos. Observação: é falha comum entre os alunos-escritores “disfarçar” uma dissertação tradicional de carta argumentativa. Alguns escrevem o cabeçalho, o vocativo inicial, um texto que não evoca em momento

etc. É o crime com crueldade. por exemplo. será possível gerar várias outras expressões. a ideia de que boa parte dos problemas de segurança poderia ser resolvida com investimentos maciços na área social. . desde 1995. é apenas o exemplo mais recente de uma tragédia que se repete a toda hora. ele deve escrever a inicial do nome e dos sobrenomes (J. Na Unicamp. “De um cidadão que votou no senhor”. por questões de espaço. dependendo da sua criatividade e das suas intenções para com o interlocutor. vale reforçar. ao final. a) A violência. A. Preste muita atenção ao que foi pedido no enunciado e aos textos de apoio (suprimiu-se. na linha de baixo (margem do parágrafo). a assinatura. houvesse um crescimento de 41% no número de mortes de jovens entre 15 a 24 anos. escreva uma carta dirigida a um jornal da cidade.e não a vida. já não é o que mais preocupa o brasileiro. costuma-se solicitar ao aluno que não escreva o próprio nome por extenso. perdem a carteira ou o carro . sugerindo medidas para conter a violência em Londrina. A mais comum é “Atenciosamente”. quem diria. a prefeitura do Rio já investiu quase 2 bilhões de reais em projetos de urbanização.algum o leitor e. como é a carta. de modo simplista. uma expressão que precede a assinatura do autor. nos últimos dez anos. os números relativos à educação. Isso não impediu que. para o nome supracitado). A morte trágica de Tim Lopes. por exemplo). Tome cuidado! Na carta. o leitor “aparece”. Nos vestibulares. somente a inicial do prenome deve aparecer (J. Trata-se de um equívoco. Note que os elementos da estrutura da carta foram respeitados pelo autor: A partir da leitura crítica dos textos de apoio. De alguém que deseja ser atendido”. P. Essa postura adotada pelas universidades é importante para que se garanta a imparcialidade dos corretores na avaliação das redações. e) Expressão que introduz a assinatura: terminada a carta. mas. (Marcelo Carneiro e Ronaldo França) Não é preciso ser especialista em segurança pública para perceber que o crime atingiu níveis insuportáveis. as vítimas da violência têm a sensação quase de alívio quando. Na UEL. Chegamos à era da selvageria. é de praxe produzir. O aumento da criminalidade desafia qualquer lógica que vincule. num assalto. com uma questão ainda mais aguda: por que um bandido precisa brutalizar as suas vítimas? O fato de as cenas mais chocantes da brutalidade estarem quase sempre associadas a regiões pobres das áreas metropolitanas das capitais brasileiras criou. UM EXEMPLO DE CARTA Leia agora uma carta argumentativa baseada num tema proposto pela UEL em 2002. um trecho do texto b). Hoje. deve ser assinado pelo autor. em alguns especialistas. como “De um amigo”. na maioria moradores de áreas carentes. saneamento e lazer em favelas. o repórter da Rede Globo que realizava uma reportagem sobre tráfico de drogas e exploração sexual de menores em um baile funk numa favela da Zona Norte do Rio de Janeiro. Um levantamento do jornal O Globo mostra que. para João Alves Pereira. f) Assinatura: um texto pessoal. Desta vez. Essa espiral de insegurança gerou uma variante ainda mais assustadora. quando o tráfico de drogas passou a se estabelecer definitivamente nas principais cidades brasileiras. indicadores sociais a baixos índices de violência. saúde e saneamento só fazem melhorar no país. porém. Desde a década de 80.

"Vincular violência somente a problemas sociais. é um erro. identidade e família. como pode uma parte dela comportar-se de modo tão bárbaro. caía também o número de mortes. narcotráfico. Assim feito. O crime organizado e a brutalidade que ele gera são um fenômeno internacional". qualidade de vida. não diferem em nada do "microondas". Só neste ano. o governador paulista. jun. cidadania. Quando finalmente se decidir pela ação.um recorde. Por enquanto. Cidade de Deus. Cantagalo e Parada de Lucas. diz a juíza aposentada Denise Frossard. ao mesmo tempo que uma faxina nas delegacias eliminou centenas de policiais corruptos. especializada em decepar a língua dos traidores. a sociedade se pergunta. com mutilações do globo ocular. As soluções para tentar diminuir a espiral da brutalidade também podem ser encontradas no exterior. criação dos traficantes cariocas para incinerar seus inimigos. um crime mais leve. • Vigário Geral Nome: Grupo Cultural Afro Reggae Área de atuação: combate ao narcotráfico e ao subemprego Comunidades atendidas: Vigário geral. São medidas que. por exemplo. de 2002) b) Iniciativas contra sete gatilhos da violência urbana É imprescindível discutir a violência quando ocorre um homicídio por hora só na grande São Paulo.O investimento dos governos estaduais em segurança também é crescente. a construção de três penitenciárias e a aquisição de novos veículos . Elas atuam sobre sete fatores que influem na criminalidade: desemprego. no Brasil. da prefeitura de Nova York. Combatendo-se o furto. Este artigo apresenta iniciativas que tentam minimizar algumas causas da violência como as detalhadas no quadro abaixo. o projeto de Tolerância Zero. ainda estão no campo da discussão. talvez já seja tarde. tinha desde o início o objetivo de combater os violentos crimes de homicídio por tráfico de drogas. Os códigos de crueldade das organizações criminosas chinesas. Criado em 1993. A cifra prova que o poder público fracassou numa das principais obrigações determinadas pela Constituição: garantir a segurança dos cidadãos. perplexa. tinha relação direta com os assassinatos. Geraldo Alckmin. urbanização. (Veja. Descobriu-se que o furto de veículos. prometeu destinar 190 milhões de reais para o combate à criminalidade. ou da máfia italiana. Rio de Janeiro (RJ) População atendida: 744 jovens e adultos (números atuais) Quando começou: 21 de janeiro de 1993 Quem financia: Fundação Ford (apoio institucional) • Jardim Ângela Nome: Base Comunitária da Polícia Militar Área de atuação: policiamento e atendimento social .

como nos demonstra um paradigma do exterior. que. que poderiam sanar ou. seria mister combater outros crimes.inclusive pelo seu jornal. adotado pela prefeitura novaiorquina há cerca de dez anos. além de reprimir os homicídios relacionados ao narcotráfico (intenção inicial). são atendidas pelo grupo as comunidades de Cidade de Deus. . no início de 1993. em nosso e em outros países. são apresentadas. mitigar o problema da violência em Londrina. Foi muito divulgado pela mídia . Além de Vigário Geral. foi descoberto que. O senhor e eu podemos afirmar com segurança que a violência em Londrina atingiu proporções caóticas. teve repercussão positiva na redução de homicídios. Para chegar a tal conclusão. Basta sairmos às ruas (a pé ou de carro) num dia de "sorte" para constatarmos pessoalmente a gravidade da situação. tem beneficiado cerca de 750 jovens. mas não irremediável). no Rio de Janeiro. Mas combater somente o narcotráfico e o problema do desemprego não basta. como todos os londrinenses. o Grupo cultural Afro Reggae. Já não é tempo de as nossas autoridades se espelharem em bons modelos? As iniciativas mencionadas foram somente duas de várias outras. que tem assustado a todos. pelo menos. tenho a certeza de que poderemos ter mais tranqüilidade na terceira cidade mais importante do Sul do país. Mas não acredito que esse quadro seja irremediável. mas que também tinham relação direta com a incidência de assassinatos. não é necessário recorrer a estatísticas. Se as nossas autoridades seguirem alguns exemplos nacionais e internacionais.o projeto de Tolerância Zero. senhor editor: faltam vontade e ação políticas. Convenhamos. a Folha de Londrina . não tão graves. onde foi criado. Cantagalo e Parada de Lucas. A iniciativa. por exemplo. Um bom modelo de ação a ser considerado é o adotado em Vigário Geral. Atenciosamente. deseja viver tranquilamente em nossa cidade. Prezado editor. cujos principais alvos são o tráfico de drogas e o subemprego. Espero que o senhor publique esta carta como forma de exteriorizar o protesto e as propostas deste leitor. 10 de setembro de 2002.Comunidades atendidas: Jardim Ângela População atendida: 260 mil habitantes Quando começou: 1998 Quem financia: Governo do Estado de São Paulo Exemplo de carta Londrina. M. Percebeu como a estrutura da carta é dissertativa? No primeiro parágrafo – releia e confira – é apresentada a tese a ser defendida (a de que a situação da violência é grave. Por meio desse plano. A diminuição do número de casos de furtos de veículos. nos dois parágrafos subsequentes (o desenvolvimento).

aos 68 anos. fez dezenas de novelas e quase 60 peças. ARGUMENTANDO EM FAVOR DO ARTISTA QUE VOCÊ CONSIDERA MERECEDOR DO PRÊMIO. Fernanda Montenegro. pânico no rosto das mulheres que fogem. E. Corre o frêmito no ar.. foi um brilhante cronista esportivo. 5 ed. o que é muito positivo em se tratando de uma carta. Beijo no asfalto e A dama do lotação. o editor do jornal. BASEANDO-SE NOS RESUMOS TRANSCRITOS ACIMA. Desafiador O dramaturgo pernambucano era um transgressor da moral e dos bons costumes. Escandalizou as plateias com personagens trágicos. são apresentados os perfis dos artistas mais votados pela crítica especializada para receberem o prêmio de brasileiro do século nas Artes Cênicas. que lhe valeu a indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz (o filme ganhou o Globo de Ouro de melhor fita estrangeira). Nelson Rodrigues.. filha de um funcionário da Light. considerada necessária para que você possa construir seu texto. OPÇÃO A Na reportagem especial "Eleja o artista cênico do século". como não poderia deixar de ser. da Revista Isto é(10/02/99). propõe-se que as autoridades sigam exemplos como os citados no desenvolvimento. muitos deles transformados em filmes nos anos 70 e 80. e Eles não usam blach-tie. atuou em Tudo bem (1978). ): "Estou numa esquina de Copacabana. ESCREVA UMA CARTA PARA A REVISTA. motivação textual e comunicativa. fazendo a chamada vida fácil. “apareceu” no texto. que ganhou o Festival de Veneza. De súbito a paisagem se perturba. Outros se esgueiram pela calçada. OPÇÃO B O texto a seguir foi retirado do livro Quadrante I. Deixou clássicos como Engraçadinha. em 1981. seguindo estritamente as orientações dadas pelo enunciado. e no último parágrafo. O leitor. Você deve escolher uma delas e desenvolvê-la. é um talento luminoso. a conclusão. incestuosos. No cinema. de Arnaldo Jabor. A carioca Arlete Pinheiro Esteves da Silva. Cada uma contém em seu enunciado. mentirosos. Espero uma condução que me leve para casa. Temas e Orientações I • • • Há três opções sugeridas pela redação. de Leon Hirszman. mulheres entram e saem. não se vê mais uma saia pelas ruas e mesmo os homens se recolhem discretamente à sombra dos edifícios. 69 anos. Morreu em 1980. Além de dramaturgo. propostas para combater a violência na cidade de Londrina." . Seu último sucesso foi Central do Brasil. foram respeitados os elementos pré-textuais (cabeçalho e vocativo) e pós-textuais (expressão introdutora de assinatura e assinatura). adúlteros e amargurados. são duas horas da madrugada. segundo o tipo de texto indicado. homens conversam. Em quase meio século. vítima de insuficiência cardíaca e respiratória.obedecendo ao que se pediu no enunciado. o porteiro espia sonolento. À porta de um "Dancing". Que aconteceu? De um momento para o outro. de Fernado Sabino (Rio de Janeiro: Editora do Autor.

responsável pelo crescente aquecimento da Terra. Mas o comodismo se estende também aos governos dos países ricos (que. OPÇÃO C Imagine que você é gerente de recursos humanos de uma empresa e necessita de uma funcionária para exercer o cargo de secretária. entende-se o motivo da cômoda satanização do "El Niño": ela evita que cada um enfrente suas próprias responsabilidades. os dados do governo indicam diminuição do desmatamento. nega-se a aceitar um aumento nos preços dos combustíveis fósseis. a delimitação de um assunto. verifique qual é o seu tema. Bill Clinton. O importante não é tanto se o desmatamento aumentou ou diminuiu. por exemplo. Após leitura atenta do editorial da Folha de S. o Brasil é o terceiro país do mundo em área preservada de florestas de fronteira. Se considerar que quase a metade das florestas mundiais já virou pasto ou campo agrícola. o papel antes reservado às pragas bíblicas. DESCREVENDO AS TAREFAS QUE DEVERÃO SER DESEMPENHADAS E O PERFIL ESPERADO DA CANDIDATA. Sem negar os efeitos do fenômeno. cada vez mais graves. Para o porta-voz da Presidência. Paulo e percepção das suas ideias principais. Típica do comodismo é a reação do governo brasileiro contra relatório do Fundo Mundial para a Natureza que aponta o Brasil como campeão mundial de desmatamento de florestas tropicais nos últimos anos. Proposta I . uma forma de tentar conter a emissão dos gases que geram o efeito estufa. Culpar um fenômeno natural exime as autoridades e a sociedade de refletir sobre os danos à natureza provocados pelo homem. passando pelas queimadas no Sudeste Asiático. É preciso levar em conta que. atrás apenas de Rússia e Canadá.Dissertação Todo texto dissertativo aborda um tema. ou seja. A importância dos conectivos . Tudo somado. REDIJA UM TEXTO PARA SER COLOCADO EM JORNAL. responsáveis por todas as desgraças. segundo a ONU. fica evidenciada a importância internacional de se preservar o que resta. parece um raciocínio simplista e cômodo atribuir a ele todos os males.CONTINUE A NARRATIVA ACIMA. O presidente dos EUA. TEXTO O fenômeno meteorológico batizado de "El Niño" começa a assumir. no mundo todo. RELATANDO O EVENTO QUE DESENCADEOU O PÂNICO REPENTINO. já promoveram uma devastação quase total de suas florestas). mas o fato de que ocorra sem que fique clara uma política de ocupação da Amazônia. do inverno que foi verão forte no Centro-Sul brasileiro às enchentes na Espanha. aliás.

Por exemplo. tais como: então. isto é. já que entre os dois segmentos ligados existe uma contradição. acostume-se a relêlas. ora. TENHO CERTEZA DE QUE RESOLVEREMOS O PROBLEMA DA FOME. (Extraído do livro: Escrevendo Melhor. observando se suas palavras. dessa forma. a conjunção deverá ser outra: EMBORA.A coesão de um texto depende muito da relação entre as orações que foram os períodos e os parágrafos. Se não for assim. portanto. orações e períodos estão adequadamente relacionados. assim. a conjunção MAS só deve ser usada para estabelecer uma relação de oposição entre dois enunciados. Seria descabido permutar o porém pelo porque. Ao dizer: Tudo permanece imóvel e fica sem se alterar. acrescenta. A seqüência introduzida por eles serve normalmente para explicitar. 2) e: anuncia o desenvolvimento do discurso e não a repetição do que foi dito antes. 1995. Observe um caso de escolha inadequada da conjunção: "EMBORA O BRASIL SEJA UM PAÍS DE GRANDES RECURSOS NATURAIS. Para cada tipo de relação que se pretende estabelecer entre duas orações. Como a relação é de causa-efeito. Para que problemas desse tipo não aconteçam em suas redações. faz sentido o uso do porém. confirmar ou ilustrar o que se disse antes. O Governador resolveu não comprometer-se com nenhuma das facções em disputa pela liderança do partido. porque. 8ª série. desse modo: têm um valor exemplificativo e complementar. porém chega a exportar certos produtos agrícolas. constitui pura repetição e deve ser evitada. indica uma progressão que adiciona.) Conectivos Conectivos ou elementos de coesão são todas as palavras ou expressões que servem para estabelecer elos. . mas. se não quisermos torná-los incompreensíveis. embora e tantas outras. algum dado novo. ele ficará à vontade para negociar com qualquer uma que venha a vencer. se houver um relação de adição ou idéia de concessão. que serve para indicar causa. Se não acrescentar nada. No caso. já que. o enunciado ficará sem nexo. daí. aí. Editora Ática. Assim. Porém. Relação dos principais elementos de coesão: 1) assim. deveria ter sido usada uma conjunção causal: COMO O BRASIL É UM PAÍS DE GRANDES RECURSOS. TENHO CERTEZA DE QUE RESOLVEREMOS O PROBLEMA DA FOME" Veja que não existe a relação de oposição ou a ideia de concessão que justificaria a conjunção EMBORA. com efeito. para criar relações entre segmentos do discurso. Dileta Delmanto. Veja o exemplo: Israel possui um solo árido e pouco apropriado à agricultura. Os períodos compostos precisam ser relacionados por meio de conectivos adequados. existe uma conjunção que se adapta perfeitamente a ela.

Muitos jornais. Quer ser dono de bens materiais. apresentado como acréscimo. pelo menos. entre outras coisas. em outras palavras: introduzem esclarecimentos. retificações ou desenvolvimento do que foi dito anteriormente. pés velozes como o raio. vamos resolver o problema da fome. de seu não comprometimento com nenhuma das forças em ação no interior da sociedade. Convém lembrar ainda que os serviços públicos são extremamente deficientes. ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto qualquer. Servem para admitir um dado contrário para depois negar seu valor de argumento. Exemplo: Embora o Brasil possua um solo fértil e imensas áreas de terras plantáveis. mesmo que: são relatores que estabelecem ao mesmo tempo uma relação de contradição e de concessão. porém e outros conectivos adversativos: marcam oposição entre dois enunciados ou dois segmentos do texto. O homem é ambicioso. O uso do embora e conectivos do mesmo sentido pressupõe uma relação de contradição. deixa o enunciado descabido. como se fosse desnecessário. da ciência. 8. além disso: introduzem um argumento decisivo. outros. Choveu na semana passada. 6) mas. 5) isto é. com esses relatores. Certos elementos de coesão servem para estabelecer gradação entre os componentes de uma certa escala. isto é. Não se podem ligar. Observe o exemplo: Ainda que a ciência e a técnica tenham presenteado o homem com abrigos confortáveis. além do mais. afirma-se uma desvantagem maior. 4) aliás. mas não o suficiente para se começar o plantio. no mínimo. Às vezes. não resolveram o problema das injustiças. até mesmo.3) ainda: serve. situam-na no plano mais baixo. fazem alarde de sua neutralidade em relação aos fatos. . do próprio semelhante. Trata-se de um expediente de argumentação muito vigoroso: sem negar as possíveis objeções. Alguns. 7) embora. situam alguma coisa no topo da escala. para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão. quer dizer. mesmo concedendo ou admitindo as grandes vantagens da técnica e da ciência. O nível de vida dos brasileiros é baixo porque os salários são pequenos. até mesmo do futuro e da morte. afirma-se um ponto de vista contrário. além de tudo. Além de tudo são considerados como renda e taxados com impostos. Como se nota. a oposição se faz entre significados implícitos no texto. como ao menos. Os salários estão cada vez mais baixos porque o processo inflacionário diminui consideravelmente seu poder de compra. se não houve. ainda que. que. até. como mesmo. justamente para dar o golpe final no argumento contrário. ou seja. olhos de longo alcance e asas para voar. segmentos que não se opõem.

ex-presidente da Fiesp. que revela um preconceito ou uma ironia. que nesse caso se pratica não é compensada por qualquer sacrifício ou contribuição que atenda à necessidade de recursos imanente a todos os erários. (6) E sem . (5) Ora. ficaria assim: A proposta de aumento de salário formulada pelo PT provocou desacordo com o PMDB. no entanto. (4) Cínica porque a sonegação.ou É preciso garantir ao homem seu bem-estar: o lazer. Desfazendo a ambiguidade. este é calmo. Texto: Um argumento cínico (1)Certamente nunca terá faltado aos sonegadores de todos os tempos e lugares o confortável pretexto de que o seu dinheiro não deve ir parar nas mãos de administradores incompetentes e desonestos. genericamente. sem recursos obtidos da comunidade não há policiamento. São anafóricos: pronomes demonstrativos: esse. No caso. o qual. aquele pronomes relativos: que. a liberdade. Anafórico. são muito diferentes. não há transportes. Às vezes o conectivo tem seu uso inadequado de forma proposital. é cínica e improcedente. (3) Como argumento. dessa feita. acima. Mário Amato. ou também para antecipar termos que virão depois. a cultura. mas é capaz. sejam eles bem ou mal administrados. no mínimo. as invocação é insuperável e tem mesmo a cor e os traços do mais acendrado civismo. pode ser definido como uma palavra ou expressão que serve para retomar um termo já expresso no texto. O termo este retoma a nome próprio “Renato”. Por exemplo. apesar de serem gêmeos. a moradia. (2) Como pretexto. ou. sua pode estar se referindo à proposta do PT ou à do PMDB. atrás. onde advérbios e expressões adverbiais: então. não há escolas ou hospitais. A retomada ou a antecipação de termos Observe o trecho que segue: José e Renato. aquele é explosivo. referiu--se à ex-ministra Dorothea Werneck desta forma: Ela é mulher. Eis alguns exemplos de ambiguidade por causa do uso dos anafóricos: O PT entrou em desacordo com o PMDB por causa de sua proposta de aumento de salário. o alimento e a saúde. Este e aquele são chamados de anafóricos. enquanto aquele faz a mesma coisa com a palavra “José”.

mesmo querendo. 4º período: através do conectivo “porque” ele diz a causa pela qual considera cínico o argumento dos sonegadores. longe de fazer melhores os maus governos. 10º período .Platão & Fiorin. o autor passa a demonstrar que é também improcedente.os que vivem de salário. 6º período . o que já foi afirmado no terceiro período. não têm como dela fugir . (10) Ou não tenhamos colaborado na proporção da nossa renda. mas não deixa de ser. uma hipocrisia. VILLELA. João Baptista. 25 set. Editora Ática. além de agravar a carga tributária dos que não querem e dos que.depois de demonstrar que o argumento dos sonegadores é cínico. É usado o conectivo “porque” para isso. não há Estado e não pode haver sociedade política. 8º período . estimula-os à prepotência e ao arbítrio.o conectivo “e” introduz um segmento que adiciona um argumento ao que se afirmou no período anterior. Veja. 2º período: o autor admite como pretexto a justificativa dos sonegadores. dizendo que a justificativa é cínica e improcedente. 1985.o autor usa dois conectivos: “antes” e “até mesmo” que reforçam sua argumentação. Comentários: 1º período: o autor começa a desmontar o argumento dos sonegadores através da expressão “confortável pretexto”.1 .O aluno deve preencher corretamente todos os itens do cabeçalho com letra legível. no fundo. . é preciso pagar. 7º período . 5º período: o conectivo “ora” dá início a uma argumentação contrária à idéia de que o Estado possa sobreviver sem arrecadar impostos e sem se prover de recursos. 9 º parágrafo . 1995) Apresentação visual da redação 1. reclamar contra o mau uso dos dinheiros públicos para cuja formação não tenhamos colaborado. (8) Antes.o conectivo “mas” estabelece a contradição das duas argumentações (dos sonegadores e do autor). (9) É muito cômodo. Os períodos estão numerados. por exemplo.serviços públicos essenciais. até mesmo para que não faltem legitimidade e força moral às denúncias de malversação.Leitura e Redação .o conectivo “ou” inicia uma passagem que contém uma alternativa que caracteriza ainda a atitude hipócrita dos sonegadores. 3º período: o conectivo “no entanto” introduz uma argumentação contrária. Mais adiante o conectivo “além de” introduz um argumento a mais a favor da improcedência da sonegação. (7) Improcedente porque a sonegação. (in Para Entender o Texto .

g. O texto não será corrigido em caso de utilização de lápis ou caneta vermelha. 1.3. 10km (m. 1.Centralizar o título na primeira linha. verde etc. Ficar aproximadamente entre cinco linhas aquém ou além dos limites. Distinguir bem as maiúsculas das minúsculas. Pular uma linha entre o titulo e o texto. em que a redundância desnecessária e mesmo prejudicial informação: 1. para então iniciar a redação. Evitar exceder o número de linhas pautadas ou pedidas como limites máximos e mínimos. 1. 10m.4. dark. Escrever apenas com caneta preta ou azul. B) Datas. rigorosa. 1. Aprimoramento linguístico O que você deve evitar na redação Por ser um conjunto de opiniões pessoais logicamente concatenadas. Palavras Estrangeiras As que estiverem incorporadas aos hábitos linguísticos devem vir sem aspas: marketing. deve ser sugestiva e original. h. 2. OBSERVAÇÕES: Números A) Idade . punk. 1. Não ultrapassar as margens (direita e esquerda) e também não deixar de atingi-las. ele deverá anular o erro com um traço apenas. tanto de fôrma quanto cursiva. I. kg).7. 1.5. Evitar rasuras e borrões. 16m30cm. . 12h.deve-se escrever por extenso até o nº 10. Apresentar letra legível. Fazer parágrafos distando mais ou menos três centímetros da margem e mantê-los alinhados. Queísmo .2. a redação deve ser precisa. Do nº 11 em diante devem-se usar algarismos. 1.1. na redação definitiva. show etc. offlce-boy.9. A vulgaridade é o nível em que a mensagem é só redundância. sem aspas e sem grifo.6. Para despertar interesse. status.8. O rascunho ou o esboço das idéias podem ser feitos a lápis e rasurados. hippie. km. Caso o aluno erre. horas e distâncias sempre em algarismos: 10h30min.10. Vejamos os casos mais frequentes de vulgaridades. O título pode apresentar interrogação desde que o texto responda à pergunta. 1. merchandising.Adjetivação excessiva A incômoda e nociva poluição ambiental pode tornar o já problemático e atrasado Brasil uma terra inabitável. software.

"muita gente pensa que". na minha opinião. a gente vegeta. Intromissão Cultura. não obstante o que possam dizer. "pedra sobre pedra". 11. 3.O fato de que o homem que seja inteligente tenha que entender os erros dos outros e perdoá-los não parece que seja certo. "encerrar com chave de ouro". “esmagadora maioria". 9. "dos males o menor". "calorosa polêmica”. “merecidos aplausos". 10. continuam preferindo os toca-discos tradicionais. 4. "a grosso modo”. "sol quente”. "em todos os cantos do mundo”. / São Paulo. "dentes de pérola". e assim sucessivamente. "mais alta estima". "alma trasbordante". "fazer fé em". o problema vai-se pondo numa perspectiva melhor. "grande homem". “a nível de". Porém. pouco acessível à maioria dos consumidores que. 6. apesar de tudo. dizem que antigamente a coisa era melhor porque havia mais tempo para as diversões. "agora ou nunca". 'lábios de mel". 5. "mulher fatal”. atualmente. Projeção da linguagem oral Hoje em dia a gente não vive. única e exclusivamente. é tão complexa que. Lugar-comum ou clichê "Subir os degraus da glória”. Palavras de introdução embromatória A vida. "isto quer dizer que". "encher os bolsos". séria conversa. Abstração grosseira Porque aí nós pegamos e pensamos: para onde vai a humanidade? 7. o maior centro industrial da América Latina. “sair com as mãos abanando". "cabelos negros como a noite". "da melhor maneira possível". "chorando copiosamente". na atualidade. torna-se altamente problemática.(verdade evidente) Todos os homens são mortais. Truísmo . “gol espetacular"./ Pelé considerado rei do futebol. "fazer das tripas coração". "calorosos aplausos". ficando mais claro.. "notável artista".. tem havido um crescente interesse pela aquisição dessa recente inovação tecnológica. 8. Predominância do gerúndio (endorréia) Entendendo dessa maneira. "semblante carregado". . para a família. Adjetivos cristalizados "Silêncio mortal".. /Os idosos são pessoas que viveram mais que os jovens.. / A criança de hoje será o adulto de amanhã. "contorcendo-se em dores”. é . "amor inesquecível". hoje. “com a voz embargada pela emoção". "solução para este problema". “Atualidade” redundante O sistema de disco laser . para as conversas. " uma vergonha". "sinceros votos de feliz natal “. “colocar os pingos nos ii ".

Exemplo: No Brasil.Argumentação pelo exemplo (Hélio Consolaro* ) Argumentar por meio de exemplo não é um procedimento defeituoso. quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas. Isso nos leva a concluir que o homem não é mesmo capaz de entrar em entendimento e.) O dissacarídeo de fórmula C12H22O11. uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico. A difícil arte de simplificar textos ”Muitos textos científicos são escritos numa linguagem de difícil compreensão para o grande público. Texto original (versão Ph. Mas deve ser real e verdadeiro. cronista diário da Folha da Região . obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da ramínea Saccharus officinarum. apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena deformidade que lhe é peculiar. a maioria da população ativa ganha acima de dez salários mínimos. O exemplo abaixo contém generalização apressada e o fato narrado não tem valor comprobatório: Venho acompanhando pelo jornal um debate acalorado entre professores universitários a respeito de um tema da especialidade deles: literatura moderna.D. Reproduzo a versão da colega que tem coluna congênere no jornal de Brasília. é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo. (Baseado no material didático do Sistema Uno) *Hélio Consolaro é professor de Português. tornando-os mais acessíveis. O debate. e dele não se pode concluir nada que tenha conteúdo de verdade. configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura. correspondendo à realidade. sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade. o mundo está repleto de guerras. por isso precisa ser coerente com a tese defendida na introdução da dissertação. Torna-se necessário simplificá-los. que se iniciou com dois professores e acabou envolvendo outros mais. Observem abaixo os estágios da simplificação. 2 de fevereiro de 2003.” – Assim escreveu Dad Squarisi no Correio Braziliense. produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifica. por isso. Primeira simplificação (mestre) . presidente da Academia Araçatubense de Letras e coordenador do site Por Trás das Letras. não corresponde à realidade. no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica. impressiona favoravelmente as papilas gustativas. terminou sem que se chegasse a uma conclusão uniforme. Linneu. pois é uma forma de revelar os dados que vão servir de base para as conclusões que virão posteriormente. Linneu. Esse dado é simplesmente falso.Araçatuba -SP. No entanto. isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas.

o editorial. se a sociedade em que vivemos é marcada pelas diferenças. ao contrário. do meu ponto de vista. como: Acho que. é visível o interesse do locutor em relatar a sua visão sobre o assunto.ª pessoa e verbos e pronomes (defendi. impressiona agradavelmente o paladar. como a crítica. menos confiável quanto ao ponto de vista que defende. que discute a obrigatoriedade do uso de uniforme nas escolas: Sempre defendi a ideia de que nossos alunos não devem usar uniforme. tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas. mas não é mole. tenho. nossos. a democracia está nas pequenas coisas do dia-a-dia. tem o sabor agradável do mel. Quando há um esforço da parte do autor em se distanciar do assunto abordado. nos penteados. Terceira simplificação (ensino médio) Açúcar não refinado. Segunda simplificação (graduação universitária) O açúcar. No meu modo de ver. apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal. Acho que. como se ele contivesse verdades universais e indiscutíveis . pois essa característica confere maior credibilidade ao texto. porém não muda de forma quando pressionado. Entretanto. Em textos científicos e argumentativos. dizemos que o texto é impessoal. há várias marcas de pessoalidade do discurso. minha). todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão. quando ainda não submetido à refinação e. pode trazer marcas de pessoalidade ou impessoalidade. vivemos. nas decisões que eu tenho de tomar com minha mulher. e está também na liberdade de escolha de meus filhos quanto à roupa que lês vão usar para ir à escola. Leia este excerto de texto argumentativo. quase se procura escrever com impessoalidade. Quarta simplificação (ensino fundamental) Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado. que na escola essas diferenças apareçam nas roupas. é natural. Simplificação final (linguagem popular) Rapadura é doce. a partir de sua experiência. que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino. manifestando-s como locutor.A sacarose. extraída da cana-de-açúcar. eu tenho. lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. tratando objetivamente dos fatos. Quando o autor se apresenta de modo evidente. meus. portanto. dizemos que o texto é pessoal. tende a ser considerado subjetivo e. apresentando-se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular. não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas. Seja no emprego da 1. nas discussões que tenho com meus filhos em casa. mas não é macio ou flexível. sob a forma de pequenos blocos. O texto com marcas de pessoalidade. Nesse excerto. pelo menos do meu ponto de vista. . No meu modo de ver. não! A impessoalidade nos textos dissertativos (Associação de Ensino Guararapes ) Todo texto independentemente do gênero textual a que pertence. a dissertação. seja em expressões.

pela não-utilização do uniforme. Não se pode esquecer.” 2. Para isso. No restante do texto. criatividade e respeito a valores comunitários tornaram-se vivos” para quem? No 3. Na minha opinião.” 4.º trecho. Regras e normas são elabo¬radas e devem refletir a necessidade do grupo. também. o que inclui as pessoas. Uma das formas de impessoalizar a linguagem é indeterminar o sujeito.º. •emprega-se verbo intransitivo ou transitivo indireto ou de ligação + pronome se.º . É indispensável.” (VTI + se) . Já redigiram o requerimento.º excerto busca conscientemente a impessoalização do texto. Do meu ponto de vista. etc. Veja estes trechos: 1º .“Optou-se. No meu modo de ver. afirma que “novos métodos foram implantados”.ª pessoa do plural) Os diretores de escola e os professores optaram pela não-utilização do uniforme. estar a serviço desse mesmo grupo. isto é. ou seja. Optou-se.Trata-se.º “Conceitos como consciência crítica e social. pela não-utilização do uniforme. É eviden¬te que ele se refere à instituição como um todo./dez. Veja os exemplos: O presidente da associação já redigiu o requerimento.” Perceba que.” 3. Sua presença é sentida mais diretamente apenas no emprego da expressão “nossos alunos”. o autor afirma que a escola passou por grandes alterações.“Regras e normas são elaboradas e devem refletir a necessidade do grupo. “consciência crítica e social. os nossos alunos utilizavam uniforme.º trecho. (verbo na 3. Pais & Teens. Conceitos como consciência crítica e social.) Observe que. as regras e normas escolares foram elaboradas por quem? Como se vê.“Nessa época a escola passou por grandes alterações. portanto. A prática peda¬gógica da escola tem sido construída ao longo do tempo: educandos e educadores são os principais agentes dessa construção./jan. de uma visão subjetiva. se desejamos conferir maior impessoalidade e objetividade aos nossos textos. ou seja. sobre o mesmo assunto: Na década de 60. Assim. Isso o torna mais objetivo e as ideias defendidas ganham maior credibilidade junto ao leitor. em quase todo o texto. A utilização do uniforme deveria proporcionar benefícios significati¬vos à comunidade escolar. há uma série de mecanismos linguísticos que tornam a linguagem impessoal. os alunos? No 4. no 1. existem duas possibilidades: •suprime-se o sujeito e põe-se o verbo na 3ª pessoa do plural. 1997. os pais. tam¬bém. os profissionais da educação. por outras como: Convém observar. “Optou-se pela não-utilização do uniforme. EXERCÍCIOS 1. Novos métodos de ensino foram implantados. É importante. estar a serviço desse mesmo grupo. etc. o autor do 2. Quem teria implantado esses métodos? No 2. os professores. Em seguida. Nessa época a escola passou por grandes alterações. criatividade e respeito a valores comunitários tornaram-se vivos na prática da escola. Compare o excerto lido com este outro. É preciso considerar. devemos substituir expressões como: Eu acho.º . nov.º. Novos métodos de ensino foram implantados. quem teria optado pela não-utilização do uniforme? Os diretores de esco¬la. É bom lembrar. o autor trata do tema de forma distanciada. criatividade e respeito a valores comunitá¬rios tornaram-se vivos na prática da escola. (Eduardo Roberto da Silva.

(voz ativa) O fiscal da prova foi chamado. Além de o garoto poder estar só querendo brincar comigo e com minha amiga. aos domingos. a) As pessoas carentes nunca precisaram tanto de ajuda como agora. ainda correria o risco de acabar com uma amizade verdadeira. Outra forma de impessoalizar a linguagem é passar as orações da voz ativa para a voz passiva. R. b) Naqueles tempos. numa ami¬zade. Na minha opinião. R. d) Como as crianças eram felizes naquela casa! R. R. e) Os governantes tomam decisões sem consultar o povo. R. E. (voz passiva analítica com verbo ser) Chamou-se o fiscal da prova. é a confiança. não seria capaz de sair com o namorado da minha melhor amiga. R. R. Impessoalize o sujeito.Faça o mesmo com as frases que seguem. uma das coisas mais importantes na vida são os amigos. . Leia a resposta de uma das leitoras: Mesmo que eu estivesse perdidamente apai¬xonada. e) A professora perguntou de você na escola. f) As autoridades proibiram a xerocópia de livros. g) Os interessados devem enviar carta por escrito à Secretaria de Saúde. d) Os deputados aprovaram uma lei de validade discutível. empregando um desses dois recursos ou os dois. o respeito. suprimindo o agente da passiva. R. A revista Atrevida fez a seguinte pergunta às suas leitoras: “Você sairia com o namorado da sua melhor amiga?”. (voz passiva sintética ou pronominal com pronome apas¬sivador se) Faça o mesmo com as frases a seguir: a) A diretora nunca exigiu o uso do uniforme. quando possível. c) Várias pessoas contestaram os argumentos do candidato. Veja: Uma candidata chamou o fiscal da prova. b) Os médicos iniciaram a campanha de vacinação. No momento em que eu estivesse com o garoto. R. R. R. c) As pessoas hoje já não se importam com bons modos. os moradores iam tomar banho no rio. R.

) O texto apresenta uma linguagem informal. Exemplo de incoerência em narração: “O quarto espelha as características de seu dono: um esportista. explicação. um tabuleiro de xadrez com as peças arrumadas sobre uma mesinha. Na narração. precisa haver um motivo. (FAZER NA FOLHA DE REDAÇÃO) Do livro Português: Linguagens William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães Atual Editora Coerência textual As ideias numa dissertação precisam se completar. consequência. as obras completas de Shakespeare”. porque os conectivos ajudam a dar o sentido à união de duas ou mais ideias: alternância. a razão que será dada pela própria narrativa. conclusão. Elas fazem o papel de conectivos nos textos. condição. mas um amontoado de palavras sem nexo. com certeza deixaria a nossa ami¬zade falar mais alto e me conteria. deve permanecer assim até o final. conquistas amorosas e capacidade de sair-se bem das situações. conta-lhe sobre seu prestígio profissional. suprimindo ou adaptando o que for necessário. Só com as barras de cano (6 m cada) não seria possível construí-lo. causa. Comparo a feitura de um texto à construção de encanamento de água. Reconheça essas marcas e reescreva o texto fazendo uso da variedade padrão formal e impessoal. não cairá nenhum grão. Por toda a parte. equipamento de alpinismo. finalidade. Veja o exemplo abaixo: . RS). Veja um exemplo de incoerência na dissertação: “O verdadeiro amigo não comenta sobre o próprio sucesso quando o outro está deprimido. a particular sustenta a geral. Porto Alegre. adição. Assim é a construção de um texto. vai melhorar o estado de espírito do infeliz”. não. que. Isso. podendo até causar o rompimento de uma amizade. Os caroços de um prato de arroz “unidos venceremos”. Os conectivos possuem função muito importante. Só assim demonstraria a ela que sou uma amiga de verda¬de! Porque amores a gente vai cruzar muitos pela vida. temporalidade. mesmo que eu [. Essas a gente escolhe para durarem para sempre. possui uma forte coesão. cotovelo. conformidade. todas as palavras não necessárias. se jogado na parede. com marcas de pessoalidade. concessão. skate. com certeza. a geral se apoia na particular. comparação. fazem-se necessárias as conexões: tê. (Ingrid Frank de Ramos.. Caso ela chegue gorda no final. quisesse muito sair com ele. Coesão textual Coesão significa união íntima das partes de um todo. havia sinais disso: raquetes de tênis..º 42.. se uma personagem for magra no começo. prancha de surf. Enfim. pois sem eles o texto não seria tecido. (Atrevida. A coesão colabora com a coerência. oposição. Para distraí-lo.estaria separan¬do esses laços de confiança. n. mas as amizades. curva.]. que adorava a vida ao ar livre e não tinha o menor gosto pelas atividades intelectuais.

2) a coerência (conectividade conceitual) e a coesão (conectividade sequencial) são requisitos fundamentais para a elaboração de qualquer tipo de texto. Assim. e o filho depôs contra ele. manifestada em grande parte no nível macrotextual. É importante também lembrar que a coesão pode auxiliar no estabelecimento da coerência. procuramos fazer com que os usuários saibam empregar adequadamente cada mecanismo não só para depreender o sentido de um texto como para produzir textos com sentido. mostrar o papel e a importância de cada um desses mecanismos não só para a leitura e a compreensão de textos como também para sua produção. portanto. dizendo: . é o resultado da possibilidade de se estabelecer alguma forma de unidade ou relação entre os elementos do texto. Considerações sobre o conceito de coerência .“O Duque de She dirigiu-se a Confúcio. de modo a instaurar entre elas uma unidade. a coerência. embora. Gente direita é assim que se comporta. 4) é necessário perceber como coerência e coesão se completam no processo de produção e compreensão do texto. Máximas de Confúcio. a do pai. mostramos. trabalhando com os conceitos de coerência e coesão. Ao analisar esses mecanismos. O pai oculta a culpa do filho. a coesão pode se apresentar por meio de marcas linguísticas. Seu pai furtou uma ovelha. Eles são divididos em articuladores e anafóricos. – Na nossa cultura. retrucou Confúcio. Este tema será. observadas na gramática ou no léxico. se refere ao modo como os vocábulos se ligam dentro de uma sequência. a coerência. a coesão nem sempre se manifeste explicitamente através de marcas linguísticas. desenvolvido com o objetivo de mostrar aos usuários da língua que: 1) mais importante que conhecer os conceitos de coerência e coesão é saber de que maneira esses fenômenos contribuem para tornar um texto inteligível. e o filho. ou seja. Ao mesmo tempo. ser direito é proceder de maneira diferente. manifestada no nível microtextual. Coerência e coesão (Um estudo aprofundado sobre os dois temas. E a coesão. A coerência e a coesão contribuem para conferir textualidade a um conjunto de enunciados. 1957) Os conectivos estão em negrito.Temos em nossa terra um homem direito. ) Pretendemos. às vezes. 3) enquanto a coerência se fundamenta na continuidade de sentidos. as formas em que podem ocorrer.” (Bertrand Russel. neste tema. o que faz concluir que pode haver textos coerentes mesmo que não tenham coesão explícita. estabelecendo uma continuidade entre as partes. por meio de exemplos.

Uma simples frase. enfim. devemos dizer que a ele se acrescentam as informações novas. uma conversa animada.. escapa a elas o entendimento de uma frase ou de todo o texto. quando dizemos que um texto é incoerente. entre os quais vale ressaltar:  o conhecimento do mundo e o grau em que esse conhecimento deve ser ou é compartilhado pelos interlocutores. considerando a situação em que se encontram. as suas intenções de comunicação. Esta frase não tem coerência.). precisamos esclarecer que motivos nos levaram a afirmar isto.. porque quem o produziu não soube adequá-lo ao receptor. quando lemos um texto muito técnico. O seu texto está incoerente. Assim. Ela tem uma dimensão semântica . Ainda com respeito ao conhecimento partilhado de mundo. para quem ouve ou lê. precisa ter coerência. o discurso de um político ou do operário. suas crenças. o texto pode se tornar incoerente devido à não-familiaridade do ouvinte/leitor com essa massa desconhecida de informações. não-linear. a coerência se estabelece numa situação comunicativa. Portanto. à possibilidade de interpretação daquilo que se diz ou escreve. é o fato de perceberem que. ela é a responsável pelo sentido que um texto deve ter quando partilhado por esses usuários. Ele pode ser incoerente em uma determinada situação. A coerência depende de uma série de fatores. entre os quais existe um acordo pré-estabelecido. a função comunicativa do texto. que pressupõe limites partilhados por eles e um domínio comum da língua. de uma área na qual somos leigos. isto é. novela.No nosso dia-a-dia. pois. enfim. Na verdade. como pontos de partida para o trabalho com textos que se segue: "A coerência é profunda. um texto de jornal.é fundamental. Embora nosso objetivo não seja teorizar em demasia o conceito de coerência. Se estas forem muito numerosas. É isto que acontece. não levou em conta o fato de que a coerência está diretamente ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido para o texto. no estabelecimento da coerência.caracteriza-se por uma interdependência semântica entre os elementos constituintes do texto. ligada à compreensão. por exemplo. um livro. achamos necessário retomar algumas afirmações feitas por Koch e Travaglia (1989). O que leva as pessoas a fazerem tais observações. por algum motivo. provavelmente. não obedeceu ao código linguístico. independente de sua extensão. (. subjacente à superfície textual... poema. o nosso conhecimento de mundo.isto vai possibilitar as várias combinações dos elementos linguísticos.. a coerência é decorrente do sentido contido no texto. uma obra literária (romance. de maneira ordenada. uma canção . A coerência se manifesta nas diversas camadas da organização do texto. Tem principalmente uma dimensão pragmática .. não valorizou suficientemente a questão da comunicabilidade. qualquer comunicação. e esse conhecimento é acumulado ao longo de nossa existência.  os próprios interlocutores. não marcada explicitamente na estrutura de superfície.) . são comuns comentários do tipo: Isto não tem coerência. precisa ter sentido..  o domínio das regras que norteiam a língua . Coerência está.

b) Todo mundo viu o mico-leão. O lenhador derrubou a árvore. à medida que quem o faz quer que seja entendido por seu interlocutor. Dizemos. em que temos a combinatória possível ser racional + grávida..Ela tem a ver com a produção do texto. que depende de uma complementação para esclarecer qual o meio utilizado pelo homem para voar . As árvores estão plantadas no deserto. (. portanto. têm coerência. b) Todo mundo destrói a natureza menos todo mundo. podemos notar que as quatro primeiras não oferecem qualquer problema de compreensão. Neste plano. é resultado de uma construção feita pelos interlocutores. então. Sua boca cuspia desaforos. consideradas do ponto de vista estritamente referencial. a) Todo mundo destrói a natureza menos eu. a) Todo mundo viu o mico-leão. na mente dos interlocutores. há uma restrição na combinatória ser vegetal + grávida. Observe os três pares que se seguem: 1. sociocultural e interacional. numa situação de interação dada. A frase a tem um grau de aceitação maior do que a frase b. a floresta não tem muitas árvores. O pássaro fez o ninho. b) Apesar de estarem derrubando muitas árvores. O trabalhador acompanhou o noticiário criticamente. A combinação de homem com voa tem outras significações no plano da conotação: O homem sonha. longe de constituir mera qualidade ou propriedade do texto.) A coerência diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície textual vêm a constituir. Examinemos agora as frases: a) O pássaro voa. mas eu não ouvi o sabiá cantar. muitas outras combinações são possíveis: As nuvens estão prenhes de chuva. mas eu não. A árvore está grávida. (. situacional. . uma contraria a outra. O homem construiu uma casa na floresta. Já não ocorre o mesmo em relação às duas últimas.) A coerência.  a) Apesar de estarem derrubando muitas árvores. Em As árvores estão plantadas no deserto. a floresta sobrevive. que elas têm coerência. por exemplo. as frases de letra a de cada par são facilmente compreendidas. uma configuração veiculadora de sentidos. o homem delira. há duas ideias opostas.O homem voa de asa delta. b) O homem voa. Em A árvore está grávida. 3. 2. o que não ocorre em A mulher está grávida. o homem anda rápido." Observando o grupo de frases abaixo... pela atuação conjunta de uma série de fatores de ordem cognitiva..

nas frases de letra b. Daí a muitas árvores incoerência da frase b. positiva/negativa. Todo mundo viu o mico-leão. as leis de proteção nem sempre são respeitadas. não se define apenas pelo modo como elementos linguísticos se combinam. Assim. o vocábulo menos indica exclusão de uma parte do grupo. neste caso. porque todo mundo se diferencia de eu mas introduz uma idéia oposta. porque o vocábulo menos indica 1 b. mas é o contrário da idéia anterior.pouco a pouco a Mata Atlântica vai desaparecendo do mapa. portanto. Apesar de estarem derrubando contrárias. O sentido do texto é viabilizado pela combinação dos elementos presentes numa progressão harmoniosa. Estas observações mostram que a coerência de uma frase. que é perfeitamente eu não aceitável. a floresta não tem negativa/positiva. por isto não contribuíram para estabelecer a coerência. a floresta sobrevive negativa/positiva. em que ocorrem duas negativas simultâneas 1 a. bem como do tipo de texto em questão. portanto. Por exemplo: milhões de brasileiros habitantes Mata Atlântica florestas tropicais verbo fiscalização mundo planeta mapa importante essencial e portanto (conectores) curta pouca proteção sobrevivência . mostra as dificuldades sentidas pelos habitantes da Mata Atlântica como conseqüência da crise econômica.portanto. positiva/negativa o uso de apesar de pressupõe a presença de idéias 3 b. e. qualquer que seja a ordem : muitas árvores. depende também do conhecimento do mundo partilhado por emissor e receptor. Todo mundo destrói a natureza menos eu. pode ser combinado com o pronome eu há uma restrição. essencial à sobrevivência do planeta . com isso. os elementos de coesão não foram usados de forma adequada. Observe como este sentido vai sendo construído a partir da ocorrência de vocábulos relacionados entre si. O trecho abaixo Assim como milhões de brasileiros. qualquer que seja a ordem: muitas árvores. que é inaceitável porque o conteúdo da idéia introduzida por mas não 2 b. neste menos todo mundo caso. as frases de letra b de cada par apresentam problema de compreensão. não pode ser combinado com todo mundo. a primeira eu não ouvi o sabiá cantar parte Todo mundo viu o mico-leão não pode ser combinada com eu não ouvi o sabiá cantar por intermédio do vocábulo mas o uso de apesar de pressupõe a presença de idéias 3 a. As verbas são curtas.Todo mundo destrói a natureza exclusão de uma parte do grupo. os habitantes da Mata Atlântica estão sentindo na pele os efeitos da crise econômica. de um texto. a fiscalização é pouca. Resultado : mesmo sendo uma das mais importantes florestas tropicais do mundo . Podemos ainda dizer que. que indica o grupo inteiro 2 a. Apesar de estarem derrubando contrárias. mas mas introduz uma idéia oposta.Todo mundo viu o mico-leão.

ouvem-se vozes exaltadas para onde acorreram muitos fotógrafos e telegrafistas para registrarem o fato. A primeira decorre do uso inadequado de corresponder . O uso do vocábulo telegrafista é inadequado neste contexto. mas. a saber. coerência sintática.corresponder em relação ao nível . ou quando são contraditórios. os autores apontam alguns tipos de coerências. de maneira cooperativa.lei Observe finalmente: com isso Se está difícil sobreviver aí na cidade.incoerências locais no caso . que teria vozes exaltadas como referente. Enquanto a primeira se refere a partes do texto.. Mas. coerência semântica. A presença de uma incoerência local pode não prejudicar a compreensão do texto. a segunda se refere ao texto como um todo. ocorrerem partes ou passagens com problemas de incoerências . Numa primeira leitura. o que não é possível. depois. implícita no pronome relativo onde.que acabam por perturbar a compreensão daquela passagem. coerência estilística. interagindo. mas é claro que assim não será se houver um grande número de problemas desse tipo. pois o fato que causa espanto será documentado por fotógrafos e. se situarmos esta frase como introdutória ao texto sobre a Mata Atlântica. Seria mais adequado os dois verbos estarem no mesmo tempo. por cronistas.. sobretudo se a frase for acompanhada da imagem de um habitante da Mata Atlântica. a incoerência aparece quando esses sentidos não combinam. Van Dijk e Kintsch (1983) falam de coerência local e de coerência global. porque esse referente não contém ideia de lugar. Exemplos: 1) . há um outro problema. Cabe ainda uma observação quanto ao tempo verbal de ouvem-se e acorreram. mas certamente telegrafistas não são espectadores comuns nessas circunstâncias.corresponder a (alguma coisa). o complemento teria que ser modificado. para resolver o problema da incoerência sintática . em um mesmo texto. talvez. 2) O governo principalmente não corresponde de uma maneira correta em relação ao nível de condições que para muitos seriam uma decisão óbvia. Embora já tenha sido dito anteriormente que a coerência diz respeito à intenção comunicativa do emissor. poderão escrever uma crônica sobre ele. A segunda está na . coerência pragmática. Nesta frase. entretanto cada uma elas claramente se opõe a "cidade". acontece de. o sentido fica mais explícito. Coerência Semântica Refere-se à relação entre os significados dos elementos das frases em sequência. Ao lado deste.que poderia ser substituído por responder. com o seu interlocutor. presente e pretérito perfeito. de ordem sintática: trata-se do emprego de para onde. imagine aqui. mesmo assim. Ainda na obra citada. esta mensagem parece vaga : aqui aponta para várias possibilidades de significação. respectivamente. há duas incoerências semânticas. que. Tipos de Coerência Em obra na qual discutem as estratégias cognitivas de compreensão do discurso.

A inadequação. O tempo nos proporciona muitos sacrifícios. O Brasil é um país em alta-rotatividade. com as gavetas afogadas de tantas roupas dispersivas. . A audiência no Maracanã é grande quando jogam Vasco e Flamengo. A televisão transmite lazer. parece-nos. Isto acontece quando você está batendo uma conversa informal. O rei quis obter as luxúrias que sua posição oferecia. sendo este o dominador comum das mudanças. a incoerência semântica está na não-combinação entre os sentidos de ter acesso e problema. da forma como ordenou as palavras. Ainda dentro deste tipo de coerência. o antecedente é problema universal. se deve ao fato de não ficar claro qual é o antecedente do pronome que. Coerência Sintática . 3) Educação. Jamais fui a uma igreja seja ela de qual raça ou costume. causou ambiguidade com relação ao antecedente do que.. . que é o sentido de ter acesso.. problema universal que por direito todo indivíduo deve ter acesso. mas. obviamente com medo de aferir a opinião dos outros. O sol deixa um rastro de cor reflexada na água. e. O armário estava desarrumado. O quarto era o maior ambiente do barraco. solucionado. como as que seguem: O jardim que circula a casa estava maltratado. O que existe é um apontamento dos erros do vestibular. Entramos em um círculo de mudanças. neste caso. Um problema precisa ser resolvido.. vencendo a oscilação que repousava em sua mente.expressão nível de condições. Minhas suspeitas se atrapalham. podendo-se dizer simplesmente em relação às condições. É muito mais provável que o autor desta frase tenha pensado que todo indivíduo deve ter acesso à educação. mas não ser alcançado. Da maneira como foi escrita a frase.. Não deu asas ao pensamento. O vocábulo nível é desnecessário. lembramos que o pouco domínio do sentido dos vocábulos e das restrições combinatórias podem também gerar frases com problemas de compreensão.

de escrever. e a frase ficou fragmentada. usada isoladamente.Refere-se aos meios sintáticos usados para expressar a coerência semântica: conectivos.). etc. ainda. acaba discordando dele. Pode-se dizer que há um cruzamento na estrutura da frase. principalmente crianças e adultos. falta de treino de escrita. se algum sujeito bancar o sentimental em cima de você e te jurar uma paixão do tamanho . de escrever. por isso o predicado. A primeira seria a troca do relativo onde. equipamentos e até professores melhores. não precisando pensar. na verdade. O primeiro é o nãoparalelismo entre leitura (nome) e escrever (verbo). Por último. para no qual ou em que (ensino particular. seria desejável. 2) Na verdade. nesta frase. dizer falta de ler. Leia este poema de Manuel Bandeira: Teresa. de maneira que a oração relativa não ocorresse como uma oração completa e independente da anterior. o que causa uma incoerência sintática. sem problemas de compreensão: Então as pessoas que têm condições procuram mesmo o ensino particular. não está sendo cumprido. vários problemas que prejudicam a sua coerência. Teríamos a seguinte oração. ela perde o seu sentido alternativo. hoje não está alcançando esse objetivo. por outro lado. por exemplo. que seria de formar e informar. ou falta de leitura. e a segunda seria a substituição do ponto por vírgula. mas pela inadequação do vocabulário. Onde há métodos. no qual/ em que há métodos . um recurso estilístico. muito distante do sujeito. Percebemos. Entretanto. que geralmente se usa para apresentar mais de uma alternativa: seja porque tudo já vem pronto. que este tipo de coerência não chega. Talvez o autor estivesse querendo dizer seja porque tudo já vem mastigado. É desejável que quem escreve ou lê se mantenha num estilo relativamente uniforme. Esta frase apresenta o seguinte problema: ela é longa demais. que o sujeito essa falta de leitura acabou não se juntando a nenhum predicado. (As frases usadas como exemplos foram produzidas por alunos recém-ingressos na universidade. seja porque tudo já vem pronto. pronomes. O papel da escola A escola X não está alcançando esse objetivo. Exemplos: 1) Então as pessoas que têm condições procuram mesmo o ensino particular. a perturbar a interpretabilidade de um texto. essa falta de leitura. é uma noção relacionada à mistura de registros linguísticos. não gramaticalmente. no qual há equipamentos e até professores melhores.. a elipse da conjunção na segunda expressão foi inadequada. a alternância de registros pode ser.) Coerência Estilística Percebemos. mastigado para uma boa compreensão. Depois foi empregada a conjunção seja. pelos exemplos citados abaixo. A coerência deste período poderia ser recuperada se duas alterações fossem feitas.. seja porque não há estímulo por parte dos professores. específico de lugar. não foi explicitado o termo que pode preencher essa função. Há. 3) O papel preponderante da escola.

(Corpus do Projeto NURC/RJ . aquele negócio que eu falei. talvez com o objetivo de tornar a explicação menos pesada e a exposição mais interessante para os alunos. Portanto.de um bonde Se ele chorar Se ele ajoelhar Se ele se rasgar todo Não acredita não Teresa É lágrima de cinema É tapeação Mentira CAI FORA O autor procede como se estivesse falando. estar por dentro. ao mesmo tempo em que emprega o futuro do subjuntivo. cara). Por outro lado. cada interlocutor. de uma promessa. para explicar o conceito de solubilidade. nesta passagem. Entendeu qual é a jogada? O que tem na solução daqueles íons não vai atrapalhar ninguém.UFRJ. isso aí é um conceitozinho um pouco maior. mistura de registros. o professor emprega uma grande variação de registro. como "do tamanho de um bonde". "se ele se rasgar todo". de uma negação. Agora pergunto: aquilo lá não é uma cascata muito grande? Quando a gente agora está por dentro do assunto? O que o cara quer dizer com solúveis. muito solúveis.) Nesta exposição. movendo-se todo o tempo entre o formal. pode ter uma causa objetiva. Há mistura de tratamento (tu/você). virar . advertindo sobre uma possível "cantada". de outra pergunta. a resposta pode se manifestar por meio de uma afirmação. por decoreba. e o informal. Para haver coerência nesta seqüência.. Professor de química numa aula para o terceiro ano do segundo grau. deve conjugar o seu discurso ao do seu ouvinte. dentro do corpus do projeto.. é que nós sabemos que os cloretos. extraído de uma aula gravada: . jogada. servindo-se de gírias (troço. Quando uma pessoa faz uma pergunta a outra. "cai fora" . os cloretos e prata. 31 anos. Qualquer uma dessa seqüências seria considerada coerente. aconselhando alguém. se o interlocutor não responder. na sua vez de falar.. isto é. de elocução formal. Coerência Pragmática Refere-se ao texto visto como uma seqüência de atos de fala. Agora leia este trecho. tempo mais comum num registro mais cuidado. cascata. todos os outros cloretos são solúveis.. sem causar incoerência. chumbo são insolúveis. é preciso que os atos de fala se realizem de forma apropriada. AgCl é considerado insolúvel porque o que fica de AgCl é um troço tão irrisório que a gente não considera . aproximando-se deles ao usar essa maneira de falar.Informante: Homem. Você pode comer quilos desse troço que a prata não vai te perturbar. chamada. decoreba. pois o autor utiliza várias expressões da língua oral. a mistura de registros. pouco solúveis? Apenas um conceito relativo.

pelo menos. lembramos que cada tipo de texto tem sua estrutura própria. Ou então. E um último exemplo pode ser esta frase. Tomemos como exemplo o conhecido poema A pesca. Exemplo: A: Você pode me dizer onde fica a Rua Alice? B: O ônibus está muito atrasado hoje. ouvida recentemente em um programa de televisão: "Me inclui fora dessa.as costas e sair andando. começar a cantar. pois a sequência contém uma contradição.A senhorita pode me dizer quanto tempo dura o voo do Rio a Lisboa? B . Se você ouvir a frase Meu irmão é filho único pode pensar que quem a pronunciou desconhece o sentido dos vocábulos usados. Piadas podem ser elaboradas a partir de incoerências: No balcão da companhia aérea. por isso os mecanismos de coerência e de coesão também vão se manifestar de forma diferente na superfície linguística. Para quem fez a pergunta. descritivo ou dissertativoargumentativo. mas da escolha de vocábulos de campos semânticos relacionados à pesca. No entanto há coerência em função de uma sequência temporal depreendida não só da ordem em que foram colocados os substantivos. conforme se trate de um texto narrativo. é simplesmente um pedido de tempo para depois dar atenção ao interlocutor A. usa expressamente o advérbio fora para explicar sua intenção de não ser incluído em algum projeto. Entretanto. uma irmã ou irmão. Nós é que percebemos a incoerência da sequência e tomamos o conjunto como uma piada.O texto narrativo (tema 6). em que não há elementos coesivos. ou mesmo dizer algo totalmente desconectado do tema da pergunta. sobretudo. estas seqüências seriam consideradas incoerentes. a coerência existe em função. que certamente não pode ocorrer combinado com fora. da ordenação temporal. A pesca o anil a garganta . o viajante perguntou à atendente: A ." Parece que o emissor não conhece o sentido do verbo incluir. A .Muito obrigado. mostramos como a coerência e a coesão ocorrem nos diversos tipos de texto. Texto e Coerência Em outros temas desenvolvidos nesta série . a frase de B não é a resposta. No texto narrativo. Retomando este ponto. Há ainda incoerências geradas a partir da desobediência a articulações de conteúdo. de Affonso Romano de Sant’Anna.Um momentinho. O sentido de irmão inclui o fato de que esse indivíduo tem. não pareceu nem um pouco incoerente a resposta obtida. O texto descritivo (tema 7). O texto dissertativo e a argumentatividade (tema 8) -.

numa casa sonolenta. Era uma vez uma casa sonolenta onde todos viviam dormindo Nessa casa tinha uma cama uma cama aconchegante. numa cama aconchegante. em cima de um cachorro cochilando. é mais um bom exemplo de como a sequência é fundamental para que se estabeleça a coerência textual. onde todos viviam dormindo. .o anzol o azul o silêncio o tempo o peixe a agulha vertical mergulha a água a linha a espuma o tempo a âncora o peixe a âncora o peixe a boca o arranco o rasgão aberta a água aberta a chaga aberto o anzol aquelíneo ágil claro estabanado o peixe a areia o sol azul anil areia sol mergulhar anzol boca isca rasgão materi "agulha peix chaga ma al e " gargant r linha a A história infantil A Casa Sonolenta. em cima de uma avó roncando. em cima de um menino sonhando. numa casa sonolenta. Em cima desse cachorro tinha um gato um gato ressonando. onde todos viviam dormindo. um texto narrativo e descritivo.

E em cima desse rato numa cama aconchegante. dormitando. numa casa sonolenta. em cima de uma avó roncando. numa casa sonolenta. onde todos viviam dormindo. cochilando. numa cama aconchegante. Em cima desse menino que picou o rato. um cachorro cochilando. numa cama aconchegante.todos estão dormindo. que arranhou o cachorro. cada um por sua vez. onde todos viviam dormindo. Não houve repetição de nenhum verbo.Em cima desse gato Nessa cama tinha um rato.. e cada um deles foi combinado . Um pulga acordada.todos acordam. sonolenta. em cima de um menino sonhando. que deu um susto na avó. em cima de uma avó roncando. numa casa sonolenta. onde ninguém mais estava dormindo. 2º momento . que caiu sobre o menino. que assustou o gato. tinha um cachorro. sonhando. A história se estrutura com base em dois momentos: 1º momento . roncando. numa casa sonolenta. tinha um menino. aconchegante. A coerência. em cima de um menino sonhando. se dá pela escolha de vocábulos do campo semântico de dormir . ressonando. Em cima dessa avó numa cama aconchegante. numa casa sonolenta. um rato dormitando. em cima de uma avó roncando. em cima de um gato ressonando. um menino sonhando. Será possível? onde todos viviam dormindo.cama.. onde todos viviam dormindo. que quebrou a cama. uma avó roncando. tinha uma pulga. tinha uma avó. movidos pela ação da pulga. em cima de um cachorro cochilando. na primeira parte.

casa sonolenta dormindo roncando sonhando ressonando cochilando viviam tinha casa acordada picou assustou arranhou caiu deu quebrou Lembramos ainda o título do conto de Carlos Drummond de Andrade . acaba definhando e morrendo. em função de uma ordenação espacial. Preparou-se para cuspir novamente. No entanto. é interessante assinalar que a ordem em que são percebidos os objetos ou os componentes de uma cena pode determinar a organização linear das sequências usadas para descrevê-los. obedecendo a uma sequência. Os três vocábulos juntos. Jogo longe uma cusparada. acendeu o cachimbo. seja uma pessoa. passa a receber insistentes telefonemas feitos por uma voz que reclama de volta a sua flor. A família se envolve. Por uma extravagante associação. Nunca mais houve telefonemas. O resultado foi secar a garganta. Besteira. pôs-se a chupar o canudo de taquari cheio de sarro.Flor. com a finalidade de auxiliar o leitor/ouvinte a compor o todo a partir dessas informações parciais. moça. Ergueu-se desapontada. O caso termina em tragédia. machucou-a com as mãos e depois jogou-a fora. Apenas os fatos narrados no conto justificam a ordem em que os vocábulos foram organizados no título. temos uma série de atos que. a cada dia. com um gesto distraído. que tinha o costume de passear no cemitério. que se resume na seguinte história: uma moça. No trecho abaixo. Aproximou-se do canto onde o pote se erguia numa forquilha de três pontas. a cama seria comprada antes do fim do ano. extraído de "Vidas Secas". que passou por cima da janela e foi cair no terreiro. inutilmente. telefone. sem ânimo para coisa alguma. Os verbos estão no pretérito perfeito. aquilo não valia. atiçou o fogo. inclinou-se . entulhada de lápis de . sobretudo. Se o cuspo alcançasse o terreiro. Quem descreve procura percorrer os detalhes daquilo que descreve. a coerência se estabelece. não constituem título coerente para um conto. A segunda parte do texto apresenta a mudança desencadeada a partir da picada da pulga. apanhou uma brasa com a colher.coerentemente com cada habitante da casa. seja um cenário. A partir daí. bebeu um caneco de água.e não conseguiu o que esperava." Com respeito a essa ordenação das informações num texto descritivo. prejudica a coerência do texto. a coerência advém do próprio conto. seja um objeto. com os joelhos cruzados e a cabeça baixa. arrancou uma flor de um túmulo. À sua direita havia uma mesinha de desarmar. A moça. como no parágrafo abaixo: O homem estava sentado num tamborete rústico. aparentemente. Água salobra. se alterada. relacionou esse ato com a lembrança da cama. deixam a moça mais nervosa e sem apetite. "(Sinhá Vitória) Agachou-se. Fez várias tentativas. O caráter descritivo desta parte se apóia em adjetivos (caracterizando os seres inanimados) e verbos no gerúndio e pretérito imperfeito (atribuídos aos seres animados). um dia. marcando a ação finalizada. Encheu a boca de saliva. tentando uma solução para os telefonemas que. No texto descritivo.

Presidiu o Presidente da República. pois. ou seja. Há conectores específicos para se expressar as diferentes articulações sintáticas . uma combinação cuidadosa dos tempos verbais empregados. o que foi feito pelo autor do texto (desde que . quando o objetivo é argumentar de maneira coerente e coesa. desde que. apresentamos algumas considerações sobre o conceito de coesão com o objetivo de mostrar a presença e a importância desse fenômeno na produção e interpretação dos textos. sob pena de alterar o que se quer expressar. No texto dissertativo-argumentativo. o produto da casa satisfaça suas expectativas. evidentemente têm a finalidade de introduzir e reforçar os argumentos. formando sequências veiculadoras de sentido. expressões ou frases do texto. neste parágrafo. trata-se de uma maneira de recuperar. condição etc. conclusão. Trabalhadores do Brasil) Entretanto. a conexão entre as palavras. apoiando-se na pilastra onde estavam expostos seus trabalhos: fotografias coloridas de grandes personalidades e caricaturas também de grandes personalidades. escolher os conectores adequados. atrasado e sorridente. por meio de recursos também linguísticos. (Wander Piroli. Havia ainda uma tabuleta em cima da pequena mesa. que não podem ser substituídos por conectores de outro sentido.vários tipos e cores. Observe: Depois que um rolo compressor passou pelo cinema brasileiro. de acordo com a relação que se quer exprimir ao desenvolver uma argumentação. Temos. Finalmente. os conectores mas (ideia adversativa) e desde que (condição). é muito importante para a coerência a ordenação lógica das ideias. segundo Suárez Abreu (1990). com respeito à coesão." Daí a necessidade de haver concordância entre o termo da sentença A e o termo que o retoma na sentença B. a se voltar para o filme estrangeiro. lembramos que o uso do conector desde que pede o emprego do verbo no modo subjuntivo. mas tende. a ordenação é feita a partir da seleção das informações julgadas relevantes. alijando-o intempestivamente do mercado. tempo presente. folhas de papel em branco. tesoura e um pouco de estopa. produtores. satisfaça).. Suárez Abreu (1990) e Marcuschi (1983).causa. que fez o discurso inaugural. é bom saber que existem fórmulas ao alcance de diretores... em uma sentença B. As expressões é bom saber. Precisa de boa sacudida que o faça retomar o caminho de casa." A coesão é. É ainda muito importante. a relação. roteiristas e artistas para retomar o diálogo. . Foi preciso esperar meia hora pelo Primeiro Ministro. O mercado consumidor tem fôlego. isto pode não acontecer. "o encadeamento semântico que produz a textualidade. Platão e Fiorin (1996). por distorção natural. As possibilidades de correlacionar os argumentos decorrem dos operadores lógico-discursivos empregados. O mesmo se verifica na frase anterior: Precisa de boa sacudida que o faça. finalidade. um termo presente em uma sentença A. que chegou.. Considerações sobre o Conceito de Coesão São muitos os autores que têm publicado estudos sobre coerência e coesão. a coesão textual "é a ligação. É importante. Koch (1997) conceitua a coesão como "o fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos presentes na superfície textual se encontram interligados. Apoiados nos trabalhos de Koch (1997). evidentemente. como no texto abaixo: A cerimônia esteve muito concorrida. .e eles devem ser usados adequadamente. borrachas." Para Platão e Fiorin (1996). como sempre.

por meio dos elementos de coesão. Nesses exemplos. Duas ou três fariam crer nela aos outros. e (e quase todos creem na mocidade. respectivamente. outras. (Machado de Assis. para que um conjunto de vocábulos. nela retoma a expressão na mocidade. entre os elementos linguísticos do texto. respectivamente. que tem servido de base para grande número de estudos sobre o assunto. oito dezenas de mulheres decidiram contar como aconteceu o fato que marcou sua vida. Mas essa afirmativa não é categórica nem definitiva." A coesão pode ser observada tanto em enunciados mais simples quanto em enunciados mais complexos. no entanto. Dom Casmurro) Observemos os elementos de coesão presentes neste texto. que. na oração seguinte. Na verdade. Do mesmo modo. expressões. em que o autor discorre sobre as amigas. relações de sentido. e tal frequência é cansativa) assinalam relação de contraste ou de oposição e de adição de argumentos ou ideias. Quanto às amigas. Observe: 1) Mulheres de três gerações enfrentam o preconceito e revelam suas experiências. em obra clássica sobre coesão textual. 2) Elas resolveram falar. são considerados . mas a língua que falam obriga muita vez a consultar os dicionários.Finalmente. é o sujeito de datam. todos e os se relacionam a amigos. por algumas razões. os seres humanos costumam achar que dominam a terra e todos os outros seres vivos. Uma delas é que podemos ter conjuntos linguísticos destituídos de elos coesivos que. autores como Halliday e Hasan (1976). que é o sujeito dos verbos restam e são. fariam. os pronomes algumas. Esses fatos representam mecanismos de coesão. Já no segundo período. Outros mecanismos marcam a relação de sentido entre os enunciados. mas existem muitos outros. os vocábulos mas (mas a língua que falam). como veremos mais adiante. daí a concordância. isto é. os mecanismos formais de uma língua que permitem estabelecer. Assim. Quebrando o muro de silêncio. creem. 3) Do alto de sua ignorância. entre eles. A respeito do conceito de coesão. outras de menos. o texto vai sendo "tecido". para que se crie um texto. por sua vez. Estes são apenas alguns mecanismos de coesão. é preciso haver relações de sentido entra essas unidades (coerência) e um encadeamento linear das unidades linguísticas presentes no texto (coesão). assinalando relações entre os vocábulos do texto. algumas datam de quinze anos. Vejamos agora a coesão num período mais complexo: Os amigos que me restam são da data mais recente. temos os pronomes suas e que retomando mulheres de três gerações e o fato. afirmam que a coesão é condição necessária. e quase todas creem na mocidade. todos os amigos foram estudar a geologia dos campos-santos. o autor usou a expressão sinônima tal frequência. que representa a língua. frases seja considerado um texto. No primeiro período. E. respectivamente. evitando sua repetição. temos o pronome que remetendo a amigos. para retomar muita vez. falam. os numerais duas. amigos é o sujeito de foram. três também remetem a amigas. em pessoa e número. todas remetem a amigas. Marcuschi (1983) assim define os fatores de coesão: "são aqueles que dão conta da sequenciação superficial do texto. os pronomes elas e sua antecipam oito dezenas de mulheres e os seres humanos. e tal frequência é cansativa. vai sendo construído. Dessa maneira. mas não suficiente.

Frustrou. Associou-se. Lamentou. Lesou. Por outro lado. Leu. Engoliu. Preparou-se. Lucrou. Insistiu. Levantou. Demitiu. Beijou. Irritou-se. Vendeu. Roncou. sem elos coesivos explicitados linguisticamente. em que só existem verbos. Sonhou. Advertiu. Levantou-se. Ganhou. Sobressaltou-se. Explorou. Escondeu. Tentou. Podemos constatar que "Como se conjuga um empresário" não precisou de elementos coesivos para ser considerado um texto. Cumprimentou. Demitiu. Depositou. Acordou. Beijou. Subiu. Despachou. Assinou. Abraçou. Esperou. Barbeou-se. Como se conjuga um empresário Acordou. Lucrou. Verbos como lesou. Dormiu. Levantou-se. expositivos.. Entrou. Entrou. Assentou-se. Estimulou. Escovou. Beijou. A vista que tenho da casa é muito agradável. são os elementos coesivos que dão a eles maior legibilidade e evidenciam as relações entre seus diversos componentes. Interrompeu. Chegou. Deitou-se. embora a coesão não seja condição suficiente para que enunciados se constituam em textos. Perfumouse. Ganhou. Chegou. Bolinou. Convocou. elos coesivos não são suficientes para garantir a coerência de um texto. Leu. Vendeu. Dormiu. Vigiou. mas os pedreiros estão almoçando. Negou. Depositou. É o caso do exemplo a seguir: As janelas da casa foram pintadas de azul. Vendeu-se. Fungou. Lavou-se. explorou. apresentam uma continuidade semântica. Saiu. Convocou.textos porque são coerentes. Ordenou. Rasgou. Consideramos que é necessário perceber como esses mecanismos estão presentes no texto (quando estão) e de que maneira contribuem para sua tecitura. Leu. Suspendeu. Ansiou. a coerência é depreendida da sequência ordenada dos verbos com os quais o autor mostra o dia-a-dia de um empresário. Safou-se. Abraçou. Orientou. Convidou. Despachou. Saiu. Desceu. Mexeu. safouse . Examinou. Negou. Finalizando. Dormiu. sua organização. Lanchou. Aprontou-se. Apanhou. Bebeu. Vendeu. Depositou. Preocupou-se. Vendeu. Bebeu.. Conferiu. entretanto foi tratada com cloro. "todos os processos de sequencialização que asseguram (ou tornam recuperável) uma ligação linguística significativa entre os elementos que ocorrem na . Suou. Virou-se. Ganhou. Mecanismos de Coesão São variadas as maneiras como os diversos autores descrevem e classificam os mecanismos de coesão. de Ricardo Ramos. Aprontou-se . Relaxou-se. Chegou. Temeu. Rasgou. como vimos no texto "Circuito Fechado". Comprou. Depositou. Telefonou. transmitem um julgamento de valor do autor do texto em relação à figura de um empresário. Antecipou. Repreendeu. Cumprimentou. Um outro bom exemplo da possibilidade de haver texto. Explorou. Para Mira Mateus (1983). Presenteou. Saiu.. Enxugou-se. Neste texto. Despertou. Despiu-se. Justificou-se. isto é. Burlou. porque há coerência. Acordou. Envergonhou-se. Babou. Temeu. Desconfiou. Lesou. Dirigiu-se.. Controlou. Engoliu. Comentou. é o texto do escritor cearense Mino. Despachou. Lucrou. Despiu-se. Chegou. Sacou. A coerência em textos didáticos. Dormiu. Lucrou. Sacou. jornalísticos depende da utilização explícita de elementos conectores. A água da piscina parece limpa. Gemeu. Elogiou. vale dizer que. Entregou. burlou.

demonstrativos. rústicas.  Coesão Frásica . entre o sujeito e seus predicadores. interrogativos. ali. interfrásica. advérbios (aqui. rústicas. Exemplos: 1)Florianópolis tem praias para todos os gostos. suingada. passamos a ver separadamente cada um dos tipos de conexão gramatical. aí). entre o sujeito e o verbo. no mundo inteiro. têm. sofisticadas. dos pronomes pessoais de terceira pessoa (retos e oblíquos). na ordem dos vocábulos na oração. é algo que poucas cantoras. de expressões de valor temporal. Rascante. diversos tipos de numerais." Esses instrumentos se organizam da seguinte forma: Coesão Gramatical Faz-se por meio das concordâncias nominais e verbais. De acordo com o quadro antes apresentado. agitadas. oclusiva.este tipo de coesão estabelece uma ligação significativa entre os componentes da frase. da ordem dos vocábulos.) concordância verbal Florianópolis (sujeito) tem (verbo) os (artigo) gostos (substantivo) 2) A voz de Elza Soares é um patrimônio da música brasileira. agitadas. com ondas. (adjetivos) ) todos (pron. com base na concordância entre o nome e seus determinantes. na regência nominal e verbal. concordância nominal praias desertas. oclusiva. suingada poucas cantoras música brasileira mundo inteiro concordância verbal voz é . dos conectores. lá. concordância nominal voz rascante. sofisticadas (subst. desertas. pronomes possessivos. frásica.superfície textual podem ser encarados como instrumentos de coesão. temporal e referencial. indefinidos. relativos. artigos definidos. a saber. sem ondas.

Exemplo: A cidade inteira assistiu ao desfile das escolas de samba.Os Anjos do Asfalto assistiram as vítimas do acidente. podemos entender que a Mesbla foi liquidada. presenciar. Observe: O médico assistiu ao doente durante toda a noite. No sentido de acompanhar. a coesão pode ficar prejudicada se não forem tomados alguns cuidados. com um olhar lânguido. Poderíamos ter.. causa ambiguidade. é preciso alterar a ordem dos vocábulos. Há verbos que mudam de sentido conforme a regência. Entretanto. conforme a relação que estabelecem com o seu complemento. prestar assistência. devido à posição em que foi colocada. . Observe estas frases: a) O barão admirava a bailarina que dançava com um olhar lânguido. socorrer. então: A moto em que lentamente ele estava passeando saiu da estrada. recorremos a uma mudança na ordem dos vocábulos. foi vendida ou que a Mesbla promoveu uma liquidação de seus produtos. A moto em que ele estava passeando saiu lentamente da estrada. Dependendo do sentido que queremos dar à frase. na linguagem coloquial. dançava. há também casos em que os enunciados podem se prestar a mais de uma interpretação. Para deixar claro um ou outro sentido. ajudar. b) A moto em que ele estava passeando lentamente saiu da estrada. temos frases como: Ainda não assisti o filme que foi premiado no festival. isto é. estar presente. se liga o advérbio lentamente? Da forma como foi colocado. Por exemplo. este verbo é usado sem a preposição. Também em relação à regência verbal. usa-se com proposição ou não. A qual das duas.cantoras têm Com respeito à ordem dos vocábulos na oração. No que diz respeito à regência nominal. A análise deste período mostra que ele é formado de duas orações: A moto saiu da estrada e em que ele estava passeando. pode se ligar a qualquer uma das orações. Por isso. com frequência. no entanto. O barão admirava a bailarina que. o verbo assistir é usado com a preposição a quando significa ser espectador. deslocamentos de vocábulos ou expressões dentro da oração podem levar a diferentes interpretações de um mesmo enunciado. Ou A peça que assisti ontem foi muito bem montada (ao invés de a que assisti). pois tanto pode se referir ao barão como à bailarina. A expressão com um olhar lânguido. Se dissermos A liquidação da Mesbla foi realizada no fim do verão. O barão. Isso acontece porque o nome liquidação está acompanhado de um outro termo (da Mesbla). Para evitar a ambiguidade. podemos reescrevê-la de duas maneiras: A Riachuelo foi liquidada no fim do verão. com um olhar lânguido. admirava a bailarina que dançava.

no 30. É necessário. Essas relações são expressas pelos conectores ou operadores discursivos. mas sabe-se que seu intercurso é muito rápido. as bolhas concentram o alimento num círculo. é completamente diferente da original. então. julho/97) b) Como suas glândulas mamárias são internas. (idem ) f) A jubarte é engenhosa na hora de se alimentar. Depois. as fêmeas sem filhote e. As primeiras a chegar são as mães. Em 1576. que ainda amamentam os filhotes nascidos há um ano. porém tão grande é a baleia que parece um balé em câmara lenta. ela mergulha e nada em volta dos peixes.designa os variados tipos de interdependência semântica existente entre as frases na superfície textual. porém. Elas têm pressa. Ao subir. (idem ) c) Ao longo dos meses. usar o conector adequado à relação que queremos expressar. as baleias encontram as condições ideais para acasalar. até que. entre o Espírito Santo e a Bahia. A coreografia dura segundos. Pero de Magalhães Gândavo registrou ter visto centenas delas na baía de Guanabara. elimina a . quando estacionavam em vários pontos da costa brasileira. Sua cauda. uma faixa com cerca de 500 quilômetros de água rasa e cálida. Como sua comida costuma ficar na superfície. porque é difícil conciliar amamentação e viagem. a música vai sofrendo pequenas mudanças. parir e amamentar. Nunca um ser humano presenciou uma cópula de jubartes. portanto. (idem ) d) A baleia vem devagar. Ao todo. (idem ) e) Tão grande quanto as baleias é a sua discrição. Já foram dezenas de milhares na época do descobrimento. a baleia abocanha tudo.A Riachuelo promoveu uma liquidação no fim do verão. afunda a cabeça. ergue o corpanzil em forma de arco e desaparece um instante. Em seguida. as grávidas. dura apenas alguns segundos.  Coesão Interfrásica . por último. são cerca de 1000 baleias que chegam a Abrolhos todos os anos. ressurge gloriosa sobre a água como se fosse uma enorme borboleta molhada. No banco de Abrolhos. já que um filhote tem necessidade de mamar cerca de 100 litros de leite por dia para atingir a média ideal de aumento de peso: 35 quilos por semana. soltando bolhas de água. Seguem exemplos dos diferentes tipos de conectores que podemos empregar: a) As baleias que acabam de chegar ao Brasil saíram da Antártida há pouco mais de um mês. depois de cinco anos. ela espirra o leite na água. vêm os machos. (Revista VEJA.

Vivem a dúvida de preservar a pureza da Casa de Deus ou apoiar um empreendimento que pode trazer benesses materiais. no entanto. (idem ) i) Se já não é possível espantar a chicotadas os vendilhões do templo. portanto. mas também das pessoas que frequentam o interior do templo para exercer a mais legítima de suas funções. no 27. sapatos. julho/97) j) Na verdade. (idem ) m) Aparentemente boa. discos. (idem ) l) A Igreja e a prefeitura estimam que o shopping deve gerar pelo menos 1000 empregos. Não espere. quando num único fim de semana surgem 300 mil fiéis. a solução é integrálos à paisagem da fé. (. A autora faz uma lista dos lugares onde o turista pode comprar roupas. a oração.) As críticas vêm não só dos vendilhões ameaçados de ficar de fora..água pelo canto da boca e usa a língua como uma canaleta a fim de jogar o que interessa goela adentro. (idem ) n) O shopping da fé também contará com um centro de eventos com palco giratório. (idem ) g) Várias publicações estrangeiras foram traduzidas. descobrir através dele o horário de funcionamento dos museus. a infraestrutura da Basílica se transforma em pó em outubro. muitos habitantes de Aparecida estão entre a cruz e a caixa registradora. (idem ) h) Como guia de Paris. (Revista VEJA. o livro é um embuste. embora muitas vezes valha a pena comprar a versão original. por exemplo.. livros. (idem ) Conectores: . não fornece as faixas de preço das lojas. óculos.

não media palavras. ou no qual o texto se insere. somente na década de vinte chegou-se ao tubo catódico. A coesão temporal é assegurada pelo emprego adequado dos tempos verbais. Ainda dentro da coesão interfrásica.operador para reforçar mais um argumento apresentado.indicam uma comparação. ao uso de advérbios que ajudam a situar o leitor no tempo (são.uma sequência só se apresenta coesa e coerente quando a ordem dos enunciados estiver de acordo com aquilo que sabemos ser possível de ocorrer no universo a que o texto se refere. tão .e (exemplos a. em que a coesão se dá em função da sequência do texto. tão . Foi em cabarés e mesas de bar que Di Cavalcanti fez amigos.servem para explicar a ordem dos fatos.f) . obedecendo a uma sequência plausível. eles são depreendidos da relação que está implícita entre as partes da frase.liga termos ou argumentos. não só.. como (exemplos b. de certa forma. Após . já que (exemplo a).mas também (exemplo i) . em seguida foi para Paris. no 37. Acabou conhecendo Picasso. principal peça do aparelho de tevê. O trecho abaixo é um exemplo de justaposição. i).. Matisse e Braque nos cafés de Montparnasse. porque (exemplo a). nos Estados Unidos. depois de cinco anos (c). Teve um inimigo na vida.  Coesão Temporal . uma alternativa. então (d) . Di Cavalcanti era irreverente demais e calculista de menos em relação aos famosos e poderosos.indicam uma finalidade. Quando se irritava com alguém. por exemplo (exemplo m) . os conectores temporais). A briga entre ambos começou nos anos 40.indicam uma contraposição. existe o processo de justaposição. uma amplificação.apresenta um disjunção argumentativa. para (exemplos a. mas (e) .. portanto (h) . d).. até que (c) . em seguida (f)...introduzem uma explicação ou justificativa.evidencia uma conclusão.serve para especificar o que foi dito antes. quando (a). por último (a). porém (exemplos c. já (a). para encadear os acontecimentos. o texto apresentará problemas no seu sentido. nova. O também pintor Cândido Portinari.setembro/97) Há. (Revista VEJA. na verdade (exemplo j) . como (exemplo d) . da ordem em que as informações. f) . ou (exemplo j) . Depois (a) . no decorrer de pesquisas sobre a amplificação eletrônica.serve para mostrar uma soma de argumentos. foi apresentado a medalhões das artes e da política. Nos anos 20. se (exemplo i) . Os demais possíveis conectores são indicados por ponto e ponto-e-vírgula. trocou o Rio por longas temporadas em São Paulo. também (exemplo n) . Se essa ordenação temporal não satisfizer essas condições.expressa uma generalização. não media palavras".d. neste trecho. conquistou mulheres. os argumentos vão sendo apresentados. relativamente. embora (g) . apenas uma coesão interfrásica explicitada: trata-se da oração "Quando se irritava com alguém. Exemplos: A dita Era da Televisão é. ao longo dos meses (c). Quando isto acontece. Embora os princípios técnicos de base sobre os quais repousa a transmissão televisual já estivessem em experimentação entre 1908 e 1914. a fim de (exemplo f) . no entanto (h) .operador que serve para dar continuidade ao texto. que (exemplo d). as proposições. Portinari não tocava publicamente no nome de Di. quanto (exemplo e) .indica uma forma de condicionar uma proposição a outra. ainda que os operadores não tenham sido explicitados. Jamais se reconciliaram.

em todo o território brasileiro.o retoma as ações de saltar. um componente da superfície textual faz referência a outro componente. pretendia participar. em 1939. Madre Teresa e o papa tinham grande afinidade. -(Revista VEJA. A guerra impôs um hiato às experiências. hoje. diversos tipos de numerais. e o que contribui para a clareza desta trajetória é a sequência coerente das datas: entre 1908 e 1914. bater. (época da) guerra. com a inauguração do Canal 3 (TV Tupi). por sua vez. em Calcutá. -(Revista VEJA. onde morava há quase setenta anos. ali. A ascensão vertiginosa do novo veículo deu-se após 1945. Além disso. Para esta referência são largamente empregados os pronomes pessoais de terceira pessoa (retos e oblíquos). A comunicação do grotesco) Temos. como sempre. artigos. Madre Teresa perdeu a batalha entre seu organismo debilitado e frágil e sua vontade de ferro e morreu vítima de ataque cardíaco. no Brasil.várias experiências por sociedades eletrônicas. estava triste na semana passada. neste parágrafo.retoma o termo filhote ele também o faz . por Assis Chateaubriand. indefinidos. que. tiveram início. pronomes possessivos. ele . vale a pena mostrar também a ordenação espacial que acompanha as diversas épocas apontadas no parágrafo: nos Estados Unidos. No Brasil. é claro. lá. Instalada em uma cadeira de rodas. entre Nova Iorque e Chicago.julho/97) ela. na década de vinte. e perto de 4 milhões de aparelhos receptores.neste tipo de coesão. Perdera uma amiga. Já que não podia ir a Londres. Após várias experiências por sociedades eletrônicas. a mãe ensina os segredos da sobrevivência ao filhote e é arremedada por ele. Aos 87 anos. seus problemas de saúde agravaramse. Nesse mesmo ano. a . seu médico foi chamado às pressas. A baleiona salta. setembro/97) . que a mãe pratica. em todo o território brasileiro. nos Estados Unidos.mas quase não havia aparelhos particulares. servindo a doze milhões de aparelhos. Embora o assunto neste tópico seja a coesão temporal. Exemplos: a) Durante o período da amamentação. a princesa Diana. no 30. advérbios (aqui. demonstrativos. a tevê só foi mesmo implantada em setembro de 1950. interrogativos. ela mantinha-se. nº 36. relativos. as transmissões regulares entre Nova Iorque e Chicago . que em 1979 ganhou o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho com os destituídos do mundo. na ativa. já ocorreu antes. ele também o faz. já havia cerca de cem estações. que. no sábado. a apresentação da trajetória da televisão no Brasil. o filhote a imita.retomam o termo baleiona. em setembro de 1950. Não adiantou. nesse mesmo ano. após 1945. em 1939. O Papa João Paulo II declarou-se "sentido e entristecido". Ela bate a cauda.  Coesão Referencial . Na noite de sexta-feira. [dados de 1971] (Muniz Sodré. substitui o vocábulo mãe. b) Madre Teresa de Calcutá. Existem hoje mais de 50 canais em funcionamento. aí). a despeito de algumas experiências pioneiras de laboratório (Roquete Pinto chegou a interessar-se pela transmissão da imagem). de um ato em memória da princesa.

as mulheres precisam fazer escolhas difíceis. as jubartes fazem a maior esbórnia. seu. elas (que se refere a fêmeas) e deles (que se refere a machos) ocorrem depois dos nomes que representam. Como há mais machos que fêmeas. no 30. que não é retomada pelo pronome correspondente ela. no 37. mas o guardacostas não se lembra de nada. princesa retoma a expressão princesa Diana. Elas se reúnem em grupos de três a oito animais. -(Revista VEJA. julho/97) Temos neste período uma referência por elipse. um acréscimo ao que já fora dito e uma justificativa. ela. -(Revista VEJA. É ela. julho/97) . e temos o que se chama uma referência catafórica. que determina a velocidade e a direção a seguir. respectivamente a guarda-costas e mulheres aparecem antes do nome que retomam. na expectativa de ver se a fêmea cai na rede. f) A expedição de Vasco da Gama reunia o melhor que Portugal podia oferecer em tecnologia náutica. Dispunha das mais avançadas cartas de navegação e levava pilotos experientes. por isso. Há ainda outros elementos de coesão. Trabalhos como esse vêm alcançando bons resultados. Os machos vão atrás. por exemplo.é que indica a referência. isto é. seus. no 30. com o perdão do trocadilho. onde refere-se à cidade de Calcutá. -(Revista VEJA. como Além disso. Os pronomes elas (que retoma jubartes). -(Revista VEJA. -(Revista VEJA. ocorre um tipo bastante comum de referência .e aceita copular. mas por elipse. d) Ele foi o único sobrevivente do acidente que matou a princesa.3ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do indicativo . elas copulam com vários deles para ter certeza de que engravidarão. setembro/97) e) Elas estão divididas entre a criação dos filhos e o desenvolvimento profissional. a concordância do verbo . sempre com uma única fêmea no comando. muitas vezes. julho/97) Nas letras d. respectivamente. já que. como acontece nas frases a seguir: a) Todos os detalhes sobre a vida das jubartes são resultado de anos de observação de pesquisadores apaixonados pelo objeto de estudo. que se referem. no 30.que. Isto acontece porque os pronomes Ele e Elas. Existe ainda a possibilidade de uma idéia inteira ser retomada por um pronome.a anafórica. ela (que retoma fêmea). sua referem-se a Madre Teresa. O sujeito dos verbos dispunha e levava é A expedição de Vasco da Gama. no 27. que introduzem. julho/97) Neste exemplo. c) Em Abrolhos. papa retoma a expressão Papa João Paulo II.

também. Pelo contrário. ou seja. podemos distinguir a reiteração e a substituição. Segundo. muitos afirmavam que seria difícil uma refinaria brasileira dar certo. que dificilmente isso seria possível. Além disso. a aprovação do texto foi obtida mediante emprego de argumentos falsos. neste caso. porque existem entre eles traços semânticos semelhantes. nesta propaganda da Ipiranga. Primeiro e Segundo . dos assuntos. Além disso . quantas vezes é repetido o nome da refinaria. com o objetivo de fazer o ouvinte/leitor reter o nome e as qualidades do que é anunciado.faz referência a área pública. muitos afirmavam. o projeto não repassa aos moradores o custo disso. não permitindo que os demais habitantes transitem por ali. anteriormente citada.estes conectores indicam a ordem dos argumentos. a responsabilidade pela coleta de lixo.retoma o que é considerado um absurdo dentro da nova lei. ou seja. quando a Ipiranga foi fundada. ali . c) A lei é um absurdo do começo ao fim. a taxa de limpeza pública seria reduzida para os moradores. Quando a Ipiranga começou a produzir querosene de padrão internacional. porque permite aos moradores da superquadra isolar uma área pública. Em 1937. Por reiteração entendemos a repetição de expressões linguísticas.O pronome esse retoma toda a seqüência anterior. haverá um desastre sem precedentes na Amazônia brasileira. pelos serviços de água e luz e pela instalação de telefones. b) Se ninguém tomar uma providência. até mesmo opostos. julho/97) Este texto apresenta diferentes tipo de elementos de coesão. Ao mesmo tempo. bastante usado nas propagandas. muitos disseram que isso . Ainda há tempo de evitá-lo -(Revista VEJA. pelo contrário . Este recurso é. em geral. Dentro da coesão lexical. Observe. uma correção. Quando a Ipiranga comprou as multinacionais Gulf Oil e Atlantic. usamos termos que retomam vocábulos ou expressões que já ocorreram.conector que tem por função acrescentar mais um argumento ao que está sendo discutido. Primeiro. disso . disso é explicado a partir do operador ou seja. junho/97) O pronome lo se refere ao desastre sem precedentes citado antes.conectores que introduzem uma retificação. -(Revista VEJA. Coesão Lexical Neste tipo de coesão. existe identidade de traços semânticos.

com 5600 postos de abastecimento anual de 5. nº 39. há um julgamento de valor na substituição de Cuba por ilha da Fantasia. o zagueiro rubro-negro agora orienta os mais jovens e aposta nesta nova geração do Flamengo. "Eles são a minha razão de viver e lutar por coisas boas". Caderno Viagem. Na galeria do ídolos. pois pode se efetuar por meio da sinonímia. nunca faltaram previsões que indicavam outra direção. Júnior Baiano coloca três craques: Leandro. ele passou a agir de maneira mais sensata. está preparada para o futuro? É que. neste caso. b) Aos 26 anos. a cada passo que a Ipiranga deu nesses anos todos. aventureiros ingleses e aventureiros franceses. Vamos ilustrar cada um desses mecanismos por meio de exemplos. numa alusão a lugar onde não há seriedade. atitude que já levou até a Seleção Brasileira. nº 37. da hiponímia. que além de tudo. Deixando para trás a fase de desajustado e brigão. a Ipiranga teve sorte: a gente estava tão ocupado trabalhando que nunca sobrou muito tempo para prestar atenção em profecias. só Clinton insiste no isolamento de Cuba. comenta o zagueiro. (Revista VEJA. o zagueiro Júnior Baiano deu uma grande virada em sua carreira. O zagueiro da Seleção só questiona se um dia terá o mesmo prestígio deles. e os filhos Patrícia Caroline e Patrick são as maiores alegrias desse baiano nascido na cidade de Feira de Santana. outubro/97) Os termos assinalados têm o mesmo referente. Patrícia. Sinonímia a) Pelo jeito. E. além de ousadia. da hiperonímia. que procuraram portos naturais.era incomum. . Quem poderia imaginar que a partir de uma refinaria como aquela a Ipiranga se transformaria numa das principais empresas do país. portos seguros para proteger suas embarcações de tempestades. -(Revista VEJA. da antonímia. "Eles sabem tudo de bola. (JB. diz o jogador. é preciso esclarecer que.4 bilhões de dólares? E. João Paulo II decidiu visitar em janeiro a ilha da Fantasia. Entretanto. 25/08/93) A substituição é mais ampla. Conhecido por suas inconsequentes "tesouras voadoras". Mozer a Aldair. a esposa. setembro/97) Outro exemplo: A história de Porto Belo envolve invasão de aventureiros espanhóis.

e) Depois do ciclo Romário. Por exemplo.setembro/97) Os vocábulos assinalados indicam a sinonímia para o nome de Antônio Conselheiro. fixou é sempre o mesmo. mas só ao final do texto esse sujeito é esclarecido. uma certa época. chamava. e deles. foi conhecido. o sujeito de vestia. houve uma referência por elipse. O dirigente nega a intenção do clube em fazer de seu atacante uma moeda de troca. "No ano passado me ofereceram US $ 9 milhões e mais o passe do Romário pelo Sávio e eu não fiz negócio". observamos ainda outros mecanismos de coesão já vistos anteriormente: sua. Nas mãos levava um cajado.os pronomes oblíquos no e o retomam a figura de Antônio Conselheiro. c) Como uma ilha entre as pessoas que se comprimiam no abrigo do bonde. que mostrava um dos melhores sorrisos do presidente morto. os escolhidos. protegia-a do sol inclemente com um chapelão de abas largas.-(Jornal dos Sports. De batismo. Trabalhadores do Brasil) d) Vestia um camisolão azul. lembrou. vale a pena mostrar mais alguns deles. que retoma os três craques. Segundo Kleber. Da mesma forma. Júnior Baiano. Quando fixou sua fama. -(Jornal dos Sports. o jogador tem categoria suficiente para se transformar em um ídolo nacional. que retomam o jogador Júnior Baiano. calçava. Tinha cabelos longos como Jesus e barbas longas. -(Wander Piroli. Por falar em prata da casa. nome com o qual conquistou os sertões e além. Era especialista em colorir retrato e fazia caricatura em cinco minutos. com Sávio. os guiadores de gente. "Santo Antonio". era Antônio Conselheiro. No momento. apoiado por Zico. neste caso. que. Ele acha que. Antônio Conselheiro. mantendo a base. o Flamengo entra na era Sávio. o.o presidente do Flamengo. era Antonio Vicente Mendes Maciel. Os outros chamavam-no "meu pai". ele retocava uma foto de Getúlio Vargas. 24/08/97) . levava. Athirson. os que sabiam o caminho do céu. Evandro e Lúcio. Foi conhecido como Antonio dos Mares.Por ser um parágrafo rico em mecanismos de coesão. sem cintura. tinha. Dizemos. e o possessivo sua (sua fama) tem como referente o mesmo Antônio Conselheiro. Nos pés calçava sandálias para enfrentar o pó das estradas e. Os mais devotos o intitulavam "Bom Jesus". ele. como os profetas. Dentro desse parágrafo. e também como Irmão Antonio. 24/08/97) Este tipo de procedimento é muito útil para evitar as constantes repetições que tornam um texto cansativo e pouco atraente. os santos. Observe quantas diferentes maneiras foram empregadas para fazer alusão à mesma pessoa. -(Revista VEJA. a cabeça. o time rubro-negro terá condições de chegar às finais do Campeonato Brasileiro e Supercopa. Chamavam-no e o intitulavam . Pelo menos é essa a intenção do presidente Kleber Leite. Chamava os outros de "meu irmão". o pronome a (protegia-a) refere-se ao nome cabeça. então. isto é. o homem mantinha-se concentrado no seu serviço. vai apostar nos jovens valores do clube para o segundo semestre.

os sinônimos escolhidos para Estados Unidos se revestem de um juízo de valor. de preferência. no 30.É a seleção de expressões linguísticas com traços semânticos opostos. É ela. Existe igualmente sinonímia entre Sávio.é substituído por um termo menos geral . embora todas remetam ao presidente do clube carioca.o hipônimo. 25/08/93) . a maior empresa de entregas terrestres do mudo. temos em dirigente um sinônimo de fato. f) Penando para tentar reduzir a conta dos direitos e benefícios dos trabalhadores. que determina a velocidade e a direção a seguir. Por hiponímia designamos o caso inverso: a primeira expressão mantém com a segunda uma relação de parte-todo ou elemento-classe. Caderno Viagem. Antonímia . dura apenas alguns segundos. a praia de Garopaba oferece no verão uma das mais belas paisagens catarinenses. julho/97) b) Em Abrolhos. Nunca um ser humano presenciou uma cópula de jubartes. setembro/97) Não podemos deixar de apontar que. são denominações de caráter pejorativo. neste exemplo. ou vice-versa. -(Revista VEJA. Na verdade.As expressões assinaladas em azul se referem à mesma pessoa. Elas se reúnem em grupos de três a oito animais. sempre com uma única fêmea no comando. todo governante europeu hoje em dia baba de inveja dos Estados Unidos . -(Idem) c) Dentre as 79 espécies de cetáceos. Os exemplo ajudam a entender melhor. Caderno Viagem.o hiperônimo . Em outras palavras. por exemplo. as jubartes são as únicas que cantam tanto que são conhecidas também por "baleias cantoras". enquanto as outras substituições podem ser chamadas de elipses parciais.Por hiperonímia temos o caso em que a primeira expressão mantém com a segunda uma relação de todo-parte ou classe-elemento. essas substituições ocorrem quando um termo mais geral . -(JB. as jubartes fazem a maior esbórnia.o país do cada um por si e o governo. Exemplos: a) Gelada no inverno. -(JB. mas sabe-se que seu intercurso é muito rápido. -(Idem) d) A renda de bilro é a mais conhecida e criativa forma de artesanato catarinense. bem longe dessas questões. a) Tão grande quanto as baleias é a sua discrição. -(Revista VEJA. Pois foi justamente na terra do vale-tudo entre patrão e empregado que 185000 filiados de um sindicato cruzaram os braços neste mês e pararam por quinze dias a UPS. 25/08/93) Hiperonímia e Hiponímia . atacante e jogador.

a ilha de São Francisco do Sul. baseando-se nas descobertas da Linguística Textual sobre coesão e coerência. É preciso. picareta. "um professor pode fazer grandes modificações em sua metodologia de ensino de produção e compreensão de textos. Como afirma Koch (1990). ainda que os sem-terra tenham escolhido a foice como um dos seus símbolos de luta pela reforma agrária. pois remetem aos assentados. Mesmo entre os instrumentos de trabalho mais corriqueiros. enseada pá. ilha. Os pronomes eles (caso reto) e se (caso oblíquo) são exemplos de coesão gramatical referencial. ao produzir seus textos. lidar com a coerência e a coesão. isto não seria de grande proveito. julho/97) Hiperônimos (termos mais gerais) baleias animais cetáceos artesanato litoral norte instrumentos Hipônimos (termos mais específicos) jubartes jubartes baleias renda de bilro praia. é expressivo o número de analfabetos. Coerência e Coesão Seu Papel na Compreensão e Produção de Textos Neste último item. pode-se ter uma idéia de quanto é difícil elaborar um projeto ou usar novas tecnologias. e a maioria dos assentados não dispõe nem mesmo de uma pá ou de uma picareta. Este trabalho não deve se ater ou se restringir aos nomes e definições de cada mecanismo. Entre eles. eles costumam usar sementes de qualidade baixa e voltar-se para a produção de consumo familiar. entre assentados e sem-terra (exemplo f) e entre jubartes e baleias cantoras (exemplo c). Com pouco dinheiro e escassa assistência." . a enseada do Brito. acima de tudo. foice. nosso objetivo é mostrar como o trabalho com os mecanismos de coerência e coesão é necessário para a atividade de compreensão e produção de textos. -(Revista VEJA. sem fazer qualquer referência teórica sobre o assunto para seus alunos de 1º e 2º graus. entre os assentados.e) O litoral norte de Santa Catarina tem um verdadeiro festival de localidades famosas: a praia de Camboriu. também há escassez brutal. mostrar aos alunos como devem. enxada Vale a pena apontar também a coesão lexical por sinonímia. nº 29. -(Idem) f) Dado que. o instrumento mais comum ainda é a velha enxada.

não sei usar vírgulas. Outro assunto que também é trabalhoso no ensino de língua portuguesa diz respeito à pontuação. a possibilidade de substituir os pontos por conectores explícitos antecedidos de vírgulas. julho/97) Temos um período formado de quatro orações. ia de cerveja a cachaça. Nunca ficava bêbado. Entretanto. mais proveitoso aliar o ensino da pontuação ao ensino dos mecanismos de coerência e coesão. mas. a grande preocupação do ensino de língua portuguesa é fazer com que os alunos decorem. coerente e objetivo. bebia. Lembramos aqui as sempre atuais colocações de Othon M. poderíamos reescrever esse mesmo período da seguinte maneira: Nas vacas magras. Muitas vezes. expondo seu pensamento de modo claro. estando de acordo com as intenções e preferências do autor do texto. muitas vezes. Na atividade de produção de textos. isto é. dado que) tinha um poder enorme sobre o copo. sobretudo. contudo) nunca ficava bêbado. Tinha um poder enorme sobre o copo. e. percebemos de que forma essas orações se combinam. por exemplo. da ausência de unidade e encadeamento lógico dos argumentos. as coordenativas e as subordinativas." . depois deitava. depois deitava. porém (entretanto. descansava. uma interminável lista de conjunções. Nas vacas magras. visto que. Daí a necessidade de saber lidar com a coerência e a coesão. Assim como podemos usar conectores e outros elementos de coesão para articular vocábulos ou orações e indicar as relações existentes entre eles. os sinais de pontuação também contribuem para a "costura" do texto. o cuidado maior. Esta reescritura serve para mostrar o sentido das conjunções empregadas. pois (porque. da incoerência das ideias. Seria. se quiséssemos usar conjunções e outros coesores. é com a correção gramatical. ia de cerveja a cachaça. mostrando a importância da pontuação para o estabelecimento do sentido do texto. lia. Garcia (1973): "uma composição pode estar absolutamente correta do ponto de vista gramatical e revelar-se absolutamente inaproveitável. Bebia. relaxava. formando uma seqüência. etc. sua função argumentativa. percebemos que. extraído de uma reportagem sobre o pintor Di Cavalcanti. os problemas mais graves advêm das falhas na estruturação da frase. Embora não haja conectores gramaticais explícito. mostrando como cada uma delas contribui para a elaboração de um bom texto." Mais adiante continua: "Quando o estudante aprende a concatenar as ideias e estabelecer suas relações de dependência. Observe o trecho abaixo. E esse mínimo de erros se consegue evitar com um mínimo de ‘regrinhas’ gramaticais. sua adequação ao transmitir as relações entre as orações. São extremamente comuns as queixas não sei pontuar. como se ela fosse a qualidade mais importante do texto. por parte dos professores. nº 37. É muito mais produtivo eles entenderem o sentido das conjunções. Observamos ainda que essa forma de escrever (sem as conjunções) pode ser marca de um estilo.Às vezes. talvez. lia. a forma gramatical vem com um mínimo de erros que não chegam a invalidar a redação. as relações que estabelecem entre as idéias como uma forma de evitar os períodos incoerentes do ponto de vista sintático e semântico. (Revista VEJA. separadas por ponto.

Trata-se de processos de seqüencialização que asseguram uma ligação entre os elementos linguísticos formadores do texto . Ática. embora concorra para que esta se estabeleça. 3. Othon M. São Paulo. KOCH. Longman. Lindley. Ática. São Paulo. 1997. 1973. Nesta etapa. se o seu uso contrariar a sua função. FÁVERO. ANTUNES. 5. Fundação Getúlio Vargas. Muitas vezes. CUNHA. Editora da UFPE. vai familiarizar seu público com essas novas aquisições linguísticas. 1990. 8. isto é. Só então os alunos passariam a desenvolver a sua própria produção. Se isto acontecer. 7. São Paulo. Contexto.A coesão textual. jornalísticos. Indicações Bibliográficas 1. como podem ser resolvidos. é bom lembrar que. 1996. São Paulo. nos estudos sobre coerência e coesão. o resultado será a incoerência ou a falta de sequencialidade de modo que o leitor/ouvinte não será capaz de construir a interpretação adequada. F. Ingedore V. funções específicas. Comunicação em prosa moderna.Há. Ática. Vimos que a coesão não garante a coerência. 1991. 10. por convenção. não-literários. Cohesion in English. se o professor quer que seus alunos produzam textos coerentes e coesos. pode. 6. não podem ser usados sem respeitar tais convenções. não basta dizer que o texto do aluno é incoerente. Rio de Janeiro. os alunos vão perceber que fazem parte da língua elementos que têm a função de estabelecer relações textuais. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo. KOCH. ABREU. José L. 1990. Nova Fronteira. Leonor L. Curso de redação. sobretudo. Recife. Aspectos da coesão do texto. Desta forma. Ingedore V. HALLIDAY. Celso F. Gramática do português contemporâneo. Coesão e coerência textuais. Contexto. L. publicitários. 1996. e SAVIOLI. No entanto. e HASAN. é preciso mostrar onde estão os problemas e. 1976. . Francisco P. uma posição comum quanto à íntima relação entre esses dois mecanismos na produção e compreensão de textos. R. São Paulo. Irandé C. Cortez. Rio de Janeiro.A. mostrar a presença desses mecanismos em textos literários. Luiz C. ------------------------. Charolles (1986) é muito claro quando afirma que "o uso dos mecanismos coesivos tem por função facilitar a interpretação do texto e a construção da coerência pelos usuários.são os chamados recursos de coesão textual ou instrumentos de coesão. 9. 1989. e TRAVAGLIA. GARCIA. Londres. Antonio S. Texto e coerência. em primeiro lugar. M. e CINTRA. 2. O texto e a construção dos sentidos.K. FIORIN. 1985 4." Finalmente. eles [os mecanismos coesivos] podem produzir incoerências: como possuem.

2. Para que isso ocorra é necessário um texto fluente contendo as seguintes informações: * o título do livro resenhado.11. além de ter lido o livro. propor aos alunos que justifiquem sua escolha por meio de uma análise do texto: destaque dos trechos que contenham as informações fundamentais para este tipo de texto jornalístico. -------------------------------------------------------. Academic Press. entrevistas etc. objetivam divulgar os novos lançamentos editoriais de forma sintética e comentada. Geralmente publicadas em jornais e revistas especializadas. Gramática da língua portuguesa. New York. Selecionadas as resenhas. Livraria Almedina.). Solicitar aos alunos que selecionem somente as resenhas tendo em mente as características principais. eles trarão os resultados e pode-se promover uma discussão enfocando questões tais como: Por que você escolheu essa obra? Quais os aspectos mais importantes do livro analisado? Qual é sua opinião sobre ele? ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE COMO FAZER RESENHA (Prof. Organizar a classe em grupos de 2 ou 3 alunos e distribuir diferentes tipos de textos (resenhas. M. Pedro Cezar Dutra Fonseca ) . psicologia etc. 1983.) publicados no Estadão. como tarefa de casa. O professor pode também propor aos alunos que cada um escolha um livro e elabore individualmente uma resenha. e KINTSCH. Uma resenha serve a seus propósitos quando desperta a atenção do leitor para o livro em questão. Coimbra. 3.A. precisa ser um conhecedor do assunto para poder discuti-lo e criticá-lo de forma abrangente e rigorosa. 4. W. o nome completo do seu autor e editora * uma pequena biografia do autor. S.A coerência textual. 1983. Helena et alii. T. propor que identifiquem a opinião pessoal do resenhista sobre o livro que analisou. Dr. São Paulo. contendo aspectos relevantes de sua vida e de sua obra * um resumo das principais ideias do livro * comentários críticos sobre o conteúdo e o estilo formal do livro 1. 1990. O resenhista. filosofia. crônicas. Costa Pinto ) As resenhas são textos críticos e informativos sobre livros. 12. 13. Strategies in discourse comprehension. MIRA MATEUS. Uma leitura de resenhas (Graziela R. situando-o quanto à importância de tal lançamento editorial na área a que se destina (literatura. Contexto. se ele gostou ou não do livro e por quê. relacionadas acima. Em data combinada. Finalmente. VAN DIJK.

seja à utilização ou à própria conceituação feita pelo autor [em uma resenha para revistas especializadas. deve embasá-las seja com evidências extraídas da própria obra ou de outras de que se valeu para elaborar a resenha. nos termos já referidos anteriormente no item 1. mas é essencial em trabalhos de aula. O resumo deve se limitar ao conteúdo do trabalho. a avaliação crítica. mostrando qual é o objetivo do autor. inserindo-os em um quadro referencial mais amplo. se não apresenta falhas lógicas ou de conteúdo. até por economia de espaço. pois além de resumir. ele estará escrevendo um resumo e não uma recensão crítica. quando se contextualiza o autor e a obra. Conhecida como resumo crítico. Deve-se deter no essencial. lacunas e virtudes. as ideias principais e. Finalmente. mostrando sua contribuição diante de outros autores e sua originalidade. o recensor se limita a relatar o conteúdo. sem qualquer julgamento de valor. dá-se ao direito de proceder a um julgamento. sustentando suas considerações. a resenha só pode ser elaborada por alguém com conhecimentos na área. Este é o ponto alto da resenha. se ele não sustenta ou ilustra seus julgamentos com dados extraídos da obra recenseada. A resenha pode ser de um ou mais capítulos. o que ajuda evidenciar seu approach teórico. e (b) a externa. ou síntese do conteúdo. o resumo da obra.Resenha é um trabalho de síntese que revistas e jornais científicas publicam geralmente logo após a edição de uma obra. ele não dá ao leitor a oportunidade de formar seus próprios julgamentos". duma coleção ou mesmo dum filme. Há vários tipos de críticas. Não se trata de um simples resumo. apresentando suas linhas básicas. com máxima concisão. De uma boa resenha devem constar:      a referência bibliográfica da obra. Já a resenha vai além. seja histórico ou intelectual. as partes ou capítulos em que se divide o trabalho. as categorias ou termos teóricos principais de que o autor se utiliza. destacando a área do conhecimento. embora a crítica já possa estar presente. deve avaliá-la. . Atualmente quase todas as revistas científicas trazem boas seções de resenhas. Aqui não só se deve expor claramente como o autor conceitua ou define determinado termo teórico. o tema. precisando seu sentido. pois sua elaboração exige opinião formada. explora o contexto histórico em que a obra fora elaborada e faz comparações com outros autores. Apresenta falhas. Sempre é aconselhável ir a uma biblioteca e consultar alguns destes periódicos para observar atentamente como os mais destacados profissionais e pesquisadores da área as elaboram. mas destacam-se: (a) a interna. vínculo acadêmico e outras obras. o resenhista avalia a obra. por outro lado. em que o recensor é também aprendiz]. mostrando seus pontos fortes e fracos. por exemplo). sem julgá-lo criticamente. esta parte pode ser dispensada. a coerência diante de seus objetivos. situando-o no debate acadêmico e permitindo sua comparação com outros autores. com o objetivo de divulgá-la. mas já se deve introduzir críticas. resume a obra e faz uma avaliação sobre ela. alguns dados biográficos relevantes do autor (titulação. preferencialmente seguindo a ABNT. Se. Este momento é mais informativo que crítico. onde o recensor mostra seu conhecimento. quando se avalia o conteúdo da obra em si. opcionalmente. dialoga com o autor e/ou com leitor. evitando recorrer a detalhes e exemplos. o leitor que não a conhece encontrará dificuldades em acompanhar a análise crítica. "Se o resumo do conteúdo da obra não está bem feito.

Júnia Lessa et alii. fortes ou fracos do trabalho. "o autor afirmou que". Porto Alegre. 2. São Paulo. "da mesma forma". SILVA. 3. Rebeca Peixoto da Silva et alii. Ler todo o texto para descobrir do que se trata. (BISOGNIN. sem usar expressões como "segundo o autor". UFMG. 7. Observar as palavras que fazem a ligação entre as diferentes ideias do texto. Deve-se certamente apresentar e comentar pontos específicos. são necessárias algumas recomendações: 1. descrições detalhadas. FTD.) . porque cada um encerra uma ideia diferente.ed. não devem aparecer diálogos. sem base teórica ou empírica. facilitando o trabalho da memória. 2000. 6. 9. não se devem comentar as ideias do autor. os ambientes e as ações mais importantes devem ser registrados. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. Resumir um texto é reproduzir com poucas palavras aquilo que o autor disse. Ler os parágrafos resumidos e observar se há uma estrutura coerente. Fazer o resumo de cada parágrafo. Isto ajuda a identificar. Redação técnica. "em decorrência de". 8. Ou elogios gratuitos. 8ª série. isto é. mas estes devem ser relevantes. 1994. se todas as partes estão bem encadeadas e se formam um todo. Deve-se registrar apenas o que ele escreveu. Como resumir texto Ler não é apenas passar os olhos no texto. 4. sem perder-se em detalhes e em passagens isoladas que podem distorcer ideias. Nada mais deplorável do que uma crítica vazia de conteúdo. 5. também chamadas de conectivos: "por causa de".Finalmente. Bibliografia: FRANÇA. 2. cenas ou personagens secundárias. Belo Horizonte. O tamanho do resumo pode variar conforme o tipo de assunto abordado. Saber resumir as ideias expressas em um texto não é difícil. Formação. sublinhando frases ou palavras importantes. Nos resumos de livros. que lembre preconceito. "assim sendo". Reler uma ou mais vezes. "pois". É preciso saber tirar dele o que é mais importante. que podem parecer corporativismo ou "puxa-saquismo". "por outro lado". Distinguir os exemplos ou detalhes das ideias principais. 1976. deve-se lembrar que o recensor deve preocupar-se com a obra em sua totalidade. Somente as personagens. "além do mais". Tadeu Rossato Descoberta & Construção. Num resumo. É recomendável que nunca ultrapasse vinte por cento da extensão do texto original. Para se realizar um bom resumo.

ocupando-lhe o tempo. gráficos e (ou) figuras para que o estudante tenha subsídios para analisar o problema apresentado.Como fazer redação no Enem (Hélio Consolaro* ) O tema proposto pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sempre traz uma situação como tema. O aluno deve verbalizar no primeiro parágrafo o problema apresentado como tema.º parágrafo (causa): Algumas pessoas refugiam-se nas drogas na tentativa de esquecer seus problemas. A conquista do penta. quantidade ideal para atingir as 25 linhas propostas. Tópico frasal do 2. como aconteceu com a Itália . a banca examinadora pede para que o estudante apresente a solução para o problema. o estudante indica uma causa do problema. Tudo isso aconteceu porque houve excesso de autoconfiança por parte da equipe brasileira. ocorre tal coisa. Tópico frasal do 3. com atividades culturais e esportivas para a juventude. a solução. no terceiro. Conclusão (solução): Fazem-se necessárias políticas públicas fortes de prevenção. com suas próprias palavras. sem delongas. para que o estudante faça uma análise. na maioria das vezes. na segunda. outros ficaram raivosos porque a seleção brasileira foi desclassificada nas quartas-de-final da Copa do Mundo. Alguns brasileiros caíram num baixo astral. A banca apresenta textos de apoio. em razão dele. sempre proponho a meus alunos do ensino médio que façam uma dissertação de quatro parágrafos. No segundo parágrafo. transformam-se em pessoas inúteis para si mesmas e para a comunidade. pois não se trata de dissertação argumentativa. Introdução e conclusão devem ser curtas. como sempre. pois na primeira apresenta-se o problema. uma consequência. não se dá opinião. A maior parte das linhas deve ser usada nos parágrafos da causa e da consequência. Exemplo bem resumido: Introdução: Muitos jovens deixam-se dominar pelo vício em diversos tipos de entorpecentes. Modelos de redações do ENEM Modelo 1: Copa do Mundo Excesso de confiança estraga Aquilo que era ânimo virou desânimo. A posição ideológica do aluno (não se omita) vai aparecer nos apontamentos da causa e da consequência.º parágrafo (consequência): Tornam-se dependentes dos psicóticos dos quais se utilizam e. feita com muita dificuldade em 2002. e principalmente na conclusão. formando o caráter dos adolescentes. E na conclusão. o porquê daquilo acontecer. Nele. mal que se alastra cada vez no Brasil. Nesse modelo. geralmente de caráter social.

neste ano. pois tinha me deitado às 3h30 min. Está provado que erra menos quem duvida e não acredita piamente em certezas. instalou-se o vale-tudo. depois daquele jogo com a França. f) As crianças devem ser castigadas.. pois está tomada pelo êxtase do capitalismo exacerbado. pouco mais de três horas. meu Deus. mesmo que seja sem ética. se bem que se revelem desobedientes. A vida espiritual se reduziu a orar para TER mais e não para SER mais. Parece que a humanidade precisará viver uma catástrofe para acordar. na África do Sul. o Brasil não se submeterá a outro fiasco. uma verdadeira caça às bruxas. no início da excursão. Carlos Alberto Parreira. As pessoas estão indignadas. por isso "levar vantagem em tudo" é o grande slogan da pessoa vencedora. Nessa competição em que a vida foi transformada. vem sendo tomado pela violência. Modelo 2 . Tudo isso acontece porque se injetou na sociedade brasileira um exacerbado espírito de competição. infelizmente. conquanto não tenha nenhum compromisso para hoje. c) Posso esperá-lo sem preocupação. ao passo que não conhece ainda o Butantã. mas como um concorrente. desorientados. exercendo o seu poder de crítica antecipadamente. E a pessoa bem-sucedida é aquela que compra mais. Nem que seja pela violência. se perguntando: por que. mas também deixar o outro viver. Deus não é o grande Pai. mas também não conseguem interpretar a nova realidade. . Assim descobrirá que é preciso viver. nem que para vencer precise massacrar outras pessoas. E como participantes de uma civilização judaico-cristã. não importa como. Exercícios 1. d) O cão ladra e não morde. na próxima copa. só foram encontrados duas horas mais tarde. cegou a todos. deixando-os de salto alto. E todos os brasileiros estarão com o senso crítico mais aguçado e não confiarão cegamente. Devido ao sucesso da copa anterior. o técnico. Amar e perdoar é mais importante que competir e vencer. em 2010. uma pessoa a ser derrotada. em que o Brasil foi derrotado e desclassificado . ninguém mais vê o outro como irmão. Corrija as incoerências das frases abaixo: a) Levantei-me às 6 horas. Vencer é mais importante do que perdoar. b) Não nos entendíamos. h) Os turistas perderam-se na mata e. Com certeza. porque tem como exemplo o amargo da derrota de 2006. com a realidade estampada. e os jogadores Roberto Carlos e Cafu foram crucificados. como se em futebol não se pudesse conjugar o verbo perder. consome mais. g) Ele mora em São Paulo há mais de dez anos. imprensa e torcida se empolgaram. porquanto é muito interessante. os brasileiros foram atrás de culpados e vítimas. aliás. usa produtos de boa marca. embora falássemos línguas diferentes. veio a revolta e a depressão da torcida. achando que o Brasil seria campeão por antecipação.Violência Amar e perdoar O Brasil. dormi. Isso contagiou jogadores e dirigentes. acontece tudo isso. Logo. por isso ficam meio perdidas. e) O livro é muito volumoso. Todos querem vencer.

"charge" ou qualquer outro tipo de estímulo visual. seja feita a vossa vontade. santificado seja vosso nome. ultimamente. venha a nós o vosso reino. um importante regenerador de matas naturais. 5. DISSERTACÃO A PARTIR DE UM ESTÍMULO VISUAL Aqui você vai aprender a como proceder no momento em que tiver de fazer uma dissertação a partir de um desenho. perdoai as nossas ofensas. [Oposição à primeira] • O fogo destrói o excesso de material combustível acumulado no chão. alterará o sentido do mesmo? Comente. [tese ou ideia principal] • As pessoas atribuem às mulheres a responsabilidade fundamental do romantismo. [oposição à primeira] • O fogo é. [Causa da primeira] 4. II. Amém. remédios. a maior fabricante de cigarros do país. e não nos deixeis cair em tentação. 6. Diga que incoerência é essa. mas é negro.” Na oração do “Pai Nosso” parece haver uma incoerência semântica devido ao uso do operador argumentativo mas. Se tais sentenças fossem ditas numa entrevista de emprego. a Souza Cruz. [Tese ou ideia principal] • O fogo destrói a matéria orgânica necessária à formação do humo no solo. assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. É quase impossível encontrar alguém que nunca tenha usado o telefone para comprar comida. Há dois anos. a) Ele é negro. paradoxalmente. assim na terra como no céu. Relacione as três ideias de cada grupo de sentenças abaixo em um só período. [causa da primeira] • O problema da dominação masculina vem explodindo. mas livrai-nos do mal. faz um bom trabalho. Embora ela seja mulher. I. também resolveu usar o telefone. é correto afirmar que os operadores argumentativos podem evidenciar a posição ideológica de alguém? Discuta. é correto afirmar que os operadores argumentativos podem evidenciar a posição ideológica de alguém? Discuta. mas fez um bom trabalho. Ao substituir alguns vendedores de rua por operadores de telemarketing. em qual das duas o possível candidato teria chances de ser contratado? Tendo em vista sua resposta. no excerto abaixo. Utilize os operadores argumentativos. em qual das duas a possível candidata teria chances de ser contratada? Tendo em vista sua resposta. a companhia conseguiu cortar em 20% os custos para vender cigarros aos 11500 varejistas que pedem até 15 pacotes por semana.2. b) Ele fez um bom trabalho. obedecendo às indicações entre colchetes. • As mulheres assumiram a cumplicidade no papel da dominação masculina. 3. Se as questões abaixo fossem ditas numa entrevista de emprego. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. gravura. que estais no céu. A novidade é que não são mais só as empresas de serviços que têm no aparelho um fiel aliado. ela é mulher. passagens ou saber com anda o saldo no banco. . substituindo o operador mas por um outro que não atente contra o sentido da frase. Embora faça um bom trabalho. Se apagarmos as palavras “só” e “até”. “Pai-nosso.

podemos aplicar a técnica básica da dissertação. a princípio. mal-entendidos. dessa forma. ou seja. OUVIR: MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL Caso um dia parássemos para analisar como são as conversas. de um certa ansiedade que cada um tem em comunicar sua ideias. Deste conteúdo. Quantas vezes nos corredores de firmas. Para desenvolver esta redação. vão conversando enquanto se distanciam. . Outro elemento que dificulta substancialmente o estabelecimento do diálogo é a incapacidade de ouvir. Compreensão do conteúdo básico do desenho. a falta de paciência em ouvir e a ansiedade de falar. Acreditamos que no dia em que essas dificuldades forem superadas. aumentando o tom de voz até que se perdem de vista. não o faz com a devida atenção. 2. devemos passar pelas seguintes etapas até chegar à dissertação: 1. escolas e tantos outros lugares. pois o desenho sugere que um dos interlocutores não está ouvindo o outro. notase claramente que falar é fácil. Envolvidos na rotina e na neurotizante correria das grandes cidades. Dentre eles destacamos a agitação das cidades grandes. a cena se repete: duas pessoas andando em sentidos opostos. podem estabelecer. ou mesmo a total falta de oportunidade de conversar. Assim. para que possa sustentar um diálogo produtivo. consequentemente. essa impaciência é fruto. 3. perguntas sem resposta. Formulação de um tema dissertativo. mas ouvir e dialogar é uma prática que não se encontra com facilidade. mas entender o que o interlocutor falou e refletir sobre o que escutou. já de início torna·se difícil imaginar que o diálogo entre duas ou mais pessoas possa ser diferente de frases interrompidas. interrompendo. o assunto tratado. em parte. os supostos diálogos ocorridos nas diversas situações do nosso cotidiano. 4. Caso esteja ouvindo. fazer-se entender. cada indivíduo poderá ampliar a compreensão do outro e. ficaríamos surpresos com os inúmeros elementos que interferem negativamente no processo de comunicação. Como se pode perceber. Elaboração de uma dissertação. podemos elaborar um tema: Apesar da importância da comunicação para uma melhor convivência. assim. Ouvir não é s escutar o que o outro disse. que não está havendo comunicação propriamente dita. a do uso de argumentos. Aplicação de uma das técnicas. fábricas. O que mais podemos notar nos diálogos é a falta de paciência para ouvir o que a pessoa tem a dizer até que ela conclua seu raciocínio e possa. da própria natureza humana. o que se costuma ver habitualmente é um arremedo de diálogo através do qual as pessoas dificilmente conseguem uma interação pela linguagem oral. Ao que parece. a fim de dar continuidade à conversa.Estímulo visual sem texto Para compreender conteúdo básico do desenho.

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