Conteúdo Programático

:
• • • • • • •

Coesão e Coerência Texto Dissertativo Articulação de Idéias Construção de Parágrafos Dicas Importantes Temas e Orientações I Temas e Orientações II Coesão e Coerência

Antes de tudo é preciso saber o que é coesão e coerência, pois elas são as principais chaves de qualquer texto. Coesão - é a ligação existente entre as ideias, feita através de conectivos apropriados, como conjunções, pronomes e artigos. O uso indevido de elementos de ligação e mesmo a má escolha vocabular podem comprometer os processos coesivos do texto. Coerência - é a relação lógica entre as várias ideias que compõem um texto. O problema básico envolvido na produção da coerência é o do acerto das partes com relação ao todo textual, do ajuste sequencial das ideias, da progressão dos argumentos, das afirmativas que são explicadas. Texto Dissertativo .......Dissertar consiste em argumentar em torno de uma ideia, baseando-se em um ponto de vista para fazer defesas ou acusações. Através de fundamentação, um texto dissertativo é construído. Nesse tipo de texto você estará expondo suas ideias sobre um determinado tema. Antes de começar a escrever, é preciso ter em mente qual é o seu principal objetivo e o que você quer provar ao leitor. .....A maioria dos vestibulares cobram a dissertação. Trazem uma orientação e a partir dela você cria seu texto. Não fuja do tema proposto e organize seu texto em um rascunho. Fique sempre atento ao que está escrevendo! Coloque-se sempre no lugar do leitor e nunca deixe ideias vagas em seu texto.

Articulação de Ideias Desenvolvendo parágrafos. Uma sugestão: Cada parágrafo, ao ser desenvolvido, deve ser organizado em torno de certas frasesbásicas, que têm as suas funções originais: Tópico Frasal: é a frase inicial, desenvolvida a partir da temática da orientação. Para se achar a temática de uma orientação, basta resumir o conteúdo principal do tema apresentado. Frase de desenvolvimento: é desenvolvida a partir das respostas à pergunta "por quê?", feita ao tópico frasal. Geralmente, um parágrafo se desenvolve com duas ou três dessas frases.

Frase de Conclusão: fecha a ideia do parágrafo. Iniciado por expressões do tipo "é preciso", "é necessário"; fazendo assim uma relação de análise e solução. Exemplo: "Viver na cidade tornou-se um grande desafio. A todo momento, as pessoas são vítimas das mais variadas formas de violência. É preciso que o governo se posicione urgentemente e crie medidas que mudem essa situação." Construção de Parágrafos Ao desenvolver uma dissertação, é preciso preocupar-se com a função dos parágrafos, além, é claro, da preocupação estética A produção não deve ultrapassar cinco parágrafos, cada um com a função abaixo: Observação: o texto abaixo é para exemplificação da técnica, por isso sua fundamentação é superficial. Ao escrever, explore de forma mais abrangente seus argumentos. 1º. parágrafo - localização de tempo e espaço, reação social e índice de variação do assunto. Exemplo: O Brasil é um país em que nos últimos anos apresenta um aumento assustador do índice de violência policial, gerando grandes revoltas por parte da população. 2º. parágrafo - Abrange o "falar a respeito", que pode ser iniciado a partir das ideias obtidas com a pergunta "por quê?", feita ao tópico frasal. Exemplo: Os policiais atualmente são vítimas do desinteresse político que julga a preparação integral desses profissionais como uma atividade secundária. 3º. parágrafo - exemplificação. Localização de tempo e espaço, reação social e/ou nacional e o fato. Exemplo: Há cerca de dois anos, a sociedade paulista e também nacional se chocou com o comportamento de policiais militares que usaram do poder que lhes é peculiar, para torturar pessoas inocentes com o objetivo de tirar-lhes dinheiro.

4º. parágrafo - conclusão. Evidencia seu ponto de vista direta ou indiretamente. Use expressões como "é preciso", "é importante", "é necessário" para iniciar seu parágrafo conclusivo. Exemplo: É preciso que o governo assuma verdadeiramente seu papel e crie mudanças de combate à violência, sobretudo, policial. Afinal as pessoas têm direito à uma vida mais digna e tranquila. Sugestão de Produção de Texto com Base em Esquemas Esquema Básico da Dissertação 1º parágrafo: TEMA + argumento 1 + argumento 2 + argumento 3 2° parágrafo :desenvolvimento do argumento 1 3° parágrafo: desenvolvimento do argumento 2 4° parágrafo: desenvolvimento do argumento 3 5° parágrafo: expressão inicial + reafirmação do tema + observação final.

Exemplo: TEMA: Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver graves problemas que preocupam a todos. Por Quê?
• • •

arg. 1: Existem populações imersas em completa miséria. arg. 2: A paz é interrompida frequentemente por conflitos internacionais. arg. 3: O meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico. Texto definitivo

Chegando ao terceiro milênio, o homem ainda não conseguiu resolver os graves problemas que preocupam a todos, pois existem populações imersas em completa miséria, a paz é interrompida frequentemente por conflitos internacionais e, além do mais, o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico. Embora o planeta disponha de riquezas incalculáveis – estas, mal distribuídas, quer entre Estados, quer entre indivíduos – encontramos legiões de famintos em pontos específicos da Terra. Nos países do Terceiro Mundo, sobretudo em certas regiões da África, vemos com tristeza, a falência da solidariedade humana e da colaboração entre as nações. Além disso, nesta últimas décadas, temos assistido, com certa preocupação, aos conflitos internacionais que se sucedem. Muitos trazem na memória a triste lembrança das guerras do Vietnã e da Coréia, as quais provocaram grande extermínio. Em nossos dias, testemunhamos conflitos na antiga Iugoslávia, em alguns membros da Comunidade dos Estados Independentes, sem falar da Guerra do Golfo, que tanta apreensão nos causou. Outra preocupação constante é o desequilíbrio ecológico, provocado pela ambição desmedida de alguns, que promovem desmatamentos desordenados e poluem as águas dos rios. Tais atitudes contribuem para que o meio ambiente, em virtude de tantas agressões, acabe por se transformar em local inabitável. Em virtude dos fatos mencionados, somos levados a acreditar que o homem está muito longe de solucionar os graves problemas que afligem diretamente uma grande parcela da humanidade e indiretamente a qualquer pessoa consciente e solidária. É desejo de todos nós que algo seja feito no sentido de conter essas forças ameaçadoras, para podermos suportar as adversidades e construir um mundo que, por ser justo e pacífico, será mais facilmente habitado pelas gerações vindouras.LIDADE DE VIDA NA CIDADE E NO CAMPOÉ de conhecimento geral, embora refutada por A QUALIDADE DE VIDA NA A Q O VALOR DA DIFERENÇA O desafio de se conviver com a diferença na sociedade é complicado, mas necessário. Diante da grande pluralidade cultural e étnica que se choca com frequência no mundo globalizado é preciso, além de tolerância, respeito incondicional aos direitos humanos. Diariamente, nos deparamos com pessoas das mais variadas culturas, opiniões e classes sociais. Muitas vezes, são nossos vizinhos, colegas e amigos. Essa convivência enriquece nossas vidas, pois aprendemos a respeitar o nosso próximo, nos tornando pessoas mais fraternas. Porém nem sempre essa relação acontecem facilmente fatos divulgados pela mídia nos mostram que, para alguns ainda, a simples diferença fenotípica gera discriminação e violência, como no caso do brasileiro que foi confundido com um

terrorista em Londres. Ele foi brutamente exterminado pela policia inglesa por ter feições diferentes da maioria dos britânicos. Para o bom funcionamento das sociedades, a diferença precisa ser respeitada. Nas relações econômicas internacionais, se lida com diferentes culturas ao menos tempo. Não há espaço para discriminação para quem quer ser competitivo no mercado. idades, pelos fatores já expostos, de pouco tempo dispõem para interagir em relacionamentos interpessoais mais profundos. Em virtude de tudo o que foi mencionado, entende-se que o campo propicia uma A NECESSIDADE DAS DIFERENÇAS De acordo com a Teoria da Educação das Espécies, o que possibilita a formação do mundo como conhecemos hoje foi a sobrevivência dos mais aptos ao ambiente. A seleção natural se baseia na escolha das características mais úteis. Estas somente se originam a partir das diferenças determinadas por mutações em códigos genéticos com o passar do tempo. Se no âmbito Biológico as variações são imprescindíveis à vida, no sociológico não é diferente. Uma vez todos iguais, seriamos atingidos pelos mesmos problemas sem perspectiva de resolução, já que todas as ideias seriam semelhantes. A maioria das pessoas está inserida em um contexto social. Contudo grandes inovações se fazem a partir do reconhecimento da individualidade de seus integrantes. Assim é de nossa responsabilidade respeitar nossos semelhantes independentes do sexo, raça, idade, religião, visto que dependemos mutuamente. Obviamente nem todas as diferenças são benéficas. Por exemplo, a diferença entre classes sociais não poderia assumir tal demissão. Para somá-la, necessitamos de uma melhor distribuição de renda aliada a oportunidades de trabalho, educação e saúde para todos. Devemos nos conscientizar de que somos todos iguais em espécie e que é preciso conviver com as diferenças (por mais difícil que pareça), pois elas nos enriquecem como pessoas. Nossos esforços devem ser voltados contra discriminações anacrônicas e vis, como o racismo ou perseguições religiosas. Estas não nos levam a lugar algum, apenas nos desqualificam como seres humanos.da Dicas Importantes 1)São condições de nulidade de redação no Vestibular: - ser ilegível; - fugir totalmente ao tema proposto; - não obedecer aos tipos de composição propostos (narração, dissertação,descrição); - apresentar 20 ou mais erros de ortografia, 20 ou mais erros de pontuação; - estar escrita a lápis; 2) Nunca use em seu texto frases que estavam prontas na orientação apresentada. Isso pode ser considerado plágio e sua redação corre o risco de ser anulada. 3) Gírias ou ditados populares não devem aparecer em sua dissertação (é um caso de plágio também) Caso queira usar, por exemplo: Água mole, pedra dura, tanto bate até que fura; que é um ditado.

4) Procure não utilizar a primeira pessoa em sua redação, principalmente quando for determinado texto objetivo. A primeira pessoa dá um caráter muito subjetivo ao seu texto, o que de certa forma prejudica sua argumentação. CARTA ARGUMENTATIVA a) Estrutura dissertativa: costuma-se enquadrar a carta na tipologia dissertativa, uma vez que, como a dissertação tradicional, apresenta a tríade introdução / desenvolvimento / conclusão. Logo, no primeiro parágrafo, você apresentará ao leitor o ponto de vista a ser defendido; nos dois ou três subsequentes (considerando-se uma carta de 20 a 30 linhas), encadear-se-ão os argumentos que o sustentarão; e, no último, reforçar-se-á a tese (ponto de vista) e/ou apresentar-se-á uma ou mais propostas. Os modelos de introdução, desenvolvimento e conclusão são similares aos que você já aprendeu (e você continua tendo a liberdade de inovar e cultivar o seu próprio estilo!); b) Argumentação: como a carta não deixa de ser uma espécie de dissertação argumentativa, você deverá selecionar com bastante cuidado e capricho os argumentos que sustentarão a sua tese. É importante convencer o leitor de algo. Apesar das semelhanças com a dissertação, que você já conhece, é claro que há diferenças importantes entre esses dois tipos de redação. Vamos ver as mais importantes: a) Cabeçalho: na primeira linha da carta, na margem do parágrafo, aparecem o nome da cidade e a data na qual se escreve. Exemplo: Londrina, 15 de março de 2003. b) Vocativo inicial: na linha de baixo, também na margem do parágrafo, há o termo por meio do qual você se dirige ao leitor (geralmente marcado por vírgula). A escolha desse vocativo dependerá muito do leitor e da relação social com ele estabelecida. Exemplos: Prezado senhor Fulano, Excelentíssimo senhor presidente Luís Inácio Lula da Silva, Senhor presidente Luís Inácio Lula da Silva, Caro deputado Sicrano, etc. c) Interlocutor definido: essa é, indubitavelmente, a principal diferença entre a dissertação tradicional e a carta. Quando alguém pedia a você que produzisse um texto dissertativo, geralmente não lhe indicava aquele que o leria. Você simplesmente tinha que escrever um texto. Para alguém. Na carta, isso muda: estabelece-se uma comunicação particular entre um eu definido e um você definido. Logo, você terá que ser bastante habilidoso para adaptar a linguagem e a argumentação à realidade desse leitor e ao grau de intimidade estabelecido entre vocês dois. Imagine, por exemplo, uma carta dirigida a um presidente de uma associação de moradores de um bairro carente de determinada cidade. Esse senhor, do qual você não é íntimo, não tem o Ensino Médio completo. Então, a sua linguagem, escritor, deverá ser mais simples do que a utilizada numa carta para um juiz, por exemplo, (as palavras podem ser mais simples, mas a Gramática sempre deve ser respeitada...). Os argumentos e informações deverão ser compreensíveis ao leitor, próximos da realidade dele. Mas, da mesma maneira que a competência do interlocutor não pode ser superestimada, não pode, é claro, ser menosprezada. Você deve ter bom senso e equilíbrio para selecionar os argumentos e/ou informações que não sejam óbvios ou incompreensíveis àquele que lerá a carta. d) Necessidade de dirigir-se ao leitor: na dissertação tradicional, recomenda-se que você evite dirigir-se diretamente ao leitor por meio de verbos no imperativo (“pense”, “veja”, “imagine”, etc.). Ao escrever uma carta, essa prescrição cai por terra. Você até passa a ter a necessidade de fazer o leitor “aparecer” nas linhas. Se a carta é para ele, é claro que ele deve ser evocado no decorrer do texto. Então, verbos no imperativo – que fazem o leitor perceber que é ele o interlocutor – e vocativos são bem-vindos. Observação: é falha comum entre os alunos-escritores “disfarçar” uma dissertação tradicional de carta argumentativa. Alguns escrevem o cabeçalho, o vocativo inicial, um texto que não evoca em momento

. Um levantamento do jornal O Globo mostra que. indicadores sociais a baixos índices de violência. UM EXEMPLO DE CARTA Leia agora uma carta argumentativa baseada num tema proposto pela UEL em 2002. Hoje. como é a carta. a assinatura. Desde a década de 80. Preste muita atenção ao que foi pedido no enunciado e aos textos de apoio (suprimiu-se. ao final. Na UEL. Na Unicamp. P. com uma questão ainda mais aguda: por que um bandido precisa brutalizar as suas vítimas? O fato de as cenas mais chocantes da brutalidade estarem quase sempre associadas a regiões pobres das áreas metropolitanas das capitais brasileiras criou. Essa postura adotada pelas universidades é importante para que se garanta a imparcialidade dos corretores na avaliação das redações. a ideia de que boa parte dos problemas de segurança poderia ser resolvida com investimentos maciços na área social.algum o leitor e. Note que os elementos da estrutura da carta foram respeitados pelo autor: A partir da leitura crítica dos textos de apoio. etc. “De um cidadão que votou no senhor”. por exemplo). nos últimos dez anos. já não é o que mais preocupa o brasileiro. a prefeitura do Rio já investiu quase 2 bilhões de reais em projetos de urbanização. (Marcelo Carneiro e Ronaldo França) Não é preciso ser especialista em segurança pública para perceber que o crime atingiu níveis insuportáveis. houvesse um crescimento de 41% no número de mortes de jovens entre 15 a 24 anos. ele deve escrever a inicial do nome e dos sobrenomes (J. Nos vestibulares. porém. em alguns especialistas. o repórter da Rede Globo que realizava uma reportagem sobre tráfico de drogas e exploração sexual de menores em um baile funk numa favela da Zona Norte do Rio de Janeiro. vale reforçar. f) Assinatura: um texto pessoal. perdem a carteira ou o carro . Trata-se de um equívoco. um trecho do texto b). Desta vez. Chegamos à era da selvageria. de modo simplista. é de praxe produzir. a) A violência. De alguém que deseja ser atendido”. deve ser assinado pelo autor. mas. costuma-se solicitar ao aluno que não escreva o próprio nome por extenso. O aumento da criminalidade desafia qualquer lógica que vincule. num assalto. por questões de espaço. é apenas o exemplo mais recente de uma tragédia que se repete a toda hora. saúde e saneamento só fazem melhorar no país. os números relativos à educação. quando o tráfico de drogas passou a se estabelecer definitivamente nas principais cidades brasileiras. É o crime com crueldade. A morte trágica de Tim Lopes. uma expressão que precede a assinatura do autor.e não a vida. dependendo da sua criatividade e das suas intenções para com o interlocutor. desde 1995. Essa espiral de insegurança gerou uma variante ainda mais assustadora. Tome cuidado! Na carta. como “De um amigo”. saneamento e lazer em favelas. A mais comum é “Atenciosamente”. escreva uma carta dirigida a um jornal da cidade. por exemplo. somente a inicial do prenome deve aparecer (J. o leitor “aparece”. sugerindo medidas para conter a violência em Londrina. Isso não impediu que. e) Expressão que introduz a assinatura: terminada a carta. na maioria moradores de áreas carentes. quem diria. na linha de baixo (margem do parágrafo). para o nome supracitado). será possível gerar várias outras expressões. para João Alves Pereira. A. as vítimas da violência têm a sensação quase de alívio quando.

o governador paulista. Criado em 1993. qualidade de vida. caía também o número de mortes. Assim feito. Cidade de Deus. Cantagalo e Parada de Lucas. a sociedade se pergunta. O crime organizado e a brutalidade que ele gera são um fenômeno internacional". "Vincular violência somente a problemas sociais. com mutilações do globo ocular. criação dos traficantes cariocas para incinerar seus inimigos. identidade e família. jun. tinha relação direta com os assassinatos. Só neste ano. perplexa. Os códigos de crueldade das organizações criminosas chinesas. urbanização. Quando finalmente se decidir pela ação. Combatendo-se o furto. Geraldo Alckmin. cidadania. narcotráfico. não diferem em nada do "microondas".um recorde. • Vigário Geral Nome: Grupo Cultural Afro Reggae Área de atuação: combate ao narcotráfico e ao subemprego Comunidades atendidas: Vigário geral. no Brasil. Elas atuam sobre sete fatores que influem na criminalidade: desemprego. um crime mais leve. o projeto de Tolerância Zero. por exemplo. Este artigo apresenta iniciativas que tentam minimizar algumas causas da violência como as detalhadas no quadro abaixo. talvez já seja tarde. ainda estão no campo da discussão. como pode uma parte dela comportar-se de modo tão bárbaro. Rio de Janeiro (RJ) População atendida: 744 jovens e adultos (números atuais) Quando começou: 21 de janeiro de 1993 Quem financia: Fundação Ford (apoio institucional) • Jardim Ângela Nome: Base Comunitária da Polícia Militar Área de atuação: policiamento e atendimento social . Por enquanto. (Veja. São medidas que. a construção de três penitenciárias e a aquisição de novos veículos . A cifra prova que o poder público fracassou numa das principais obrigações determinadas pela Constituição: garantir a segurança dos cidadãos. ao mesmo tempo que uma faxina nas delegacias eliminou centenas de policiais corruptos. de 2002) b) Iniciativas contra sete gatilhos da violência urbana É imprescindível discutir a violência quando ocorre um homicídio por hora só na grande São Paulo. prometeu destinar 190 milhões de reais para o combate à criminalidade. tinha desde o início o objetivo de combater os violentos crimes de homicídio por tráfico de drogas. ou da máfia italiana. da prefeitura de Nova York. As soluções para tentar diminuir a espiral da brutalidade também podem ser encontradas no exterior. é um erro. Descobriu-se que o furto de veículos.O investimento dos governos estaduais em segurança também é crescente. diz a juíza aposentada Denise Frossard. especializada em decepar a língua dos traidores.

mas que também tinham relação direta com a incidência de assassinatos. no início de 1993. onde foi criado. em nosso e em outros países. A diminuição do número de casos de furtos de veículos. M. são atendidas pelo grupo as comunidades de Cidade de Deus. não tão graves. que. Além de Vigário Geral. mas não irremediável). Um bom modelo de ação a ser considerado é o adotado em Vigário Geral. Espero que o senhor publique esta carta como forma de exteriorizar o protesto e as propostas deste leitor. além de reprimir os homicídios relacionados ao narcotráfico (intenção inicial). teve repercussão positiva na redução de homicídios. Por meio desse plano. adotado pela prefeitura novaiorquina há cerca de dez anos. Mas combater somente o narcotráfico e o problema do desemprego não basta. Mas não acredito que esse quadro seja irremediável. são apresentadas. a Folha de Londrina . Para chegar a tal conclusão. o Grupo cultural Afro Reggae. por exemplo. Se as nossas autoridades seguirem alguns exemplos nacionais e internacionais. A iniciativa. foi descoberto que. como todos os londrinenses. deseja viver tranquilamente em nossa cidade. Atenciosamente. pelo menos. Já não é tempo de as nossas autoridades se espelharem em bons modelos? As iniciativas mencionadas foram somente duas de várias outras. O senhor e eu podemos afirmar com segurança que a violência em Londrina atingiu proporções caóticas. tem beneficiado cerca de 750 jovens. Basta sairmos às ruas (a pé ou de carro) num dia de "sorte" para constatarmos pessoalmente a gravidade da situação. Cantagalo e Parada de Lucas. como nos demonstra um paradigma do exterior. Percebeu como a estrutura da carta é dissertativa? No primeiro parágrafo – releia e confira – é apresentada a tese a ser defendida (a de que a situação da violência é grave. 10 de setembro de 2002. não é necessário recorrer a estatísticas. mitigar o problema da violência em Londrina. que tem assustado a todos. Convenhamos. Prezado editor.inclusive pelo seu jornal. seria mister combater outros crimes. no Rio de Janeiro. que poderiam sanar ou.o projeto de Tolerância Zero. senhor editor: faltam vontade e ação políticas.Comunidades atendidas: Jardim Ângela População atendida: 260 mil habitantes Quando começou: 1998 Quem financia: Governo do Estado de São Paulo Exemplo de carta Londrina. cujos principais alvos são o tráfico de drogas e o subemprego. Foi muito divulgado pela mídia . tenho a certeza de que poderemos ter mais tranqüilidade na terceira cidade mais importante do Sul do país. . nos dois parágrafos subsequentes (o desenvolvimento).

mentirosos. não se vê mais uma saia pelas ruas e mesmo os homens se recolhem discretamente à sombra dos edifícios. o editor do jornal. homens conversam. atuou em Tudo bem (1978). mulheres entram e saem. BASEANDO-SE NOS RESUMOS TRANSCRITOS ACIMA. que lhe valeu a indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz (o filme ganhou o Globo de Ouro de melhor fita estrangeira). propõe-se que as autoridades sigam exemplos como os citados no desenvolvimento. foram respeitados os elementos pré-textuais (cabeçalho e vocativo) e pós-textuais (expressão introdutora de assinatura e assinatura). Em quase meio século. Que aconteceu? De um momento para o outro. Desafiador O dramaturgo pernambucano era um transgressor da moral e dos bons costumes. são apresentados os perfis dos artistas mais votados pela crítica especializada para receberem o prêmio de brasileiro do século nas Artes Cênicas. filha de um funcionário da Light. Seu último sucesso foi Central do Brasil. Temas e Orientações I • • • Há três opções sugeridas pela redação. e no último parágrafo. À porta de um "Dancing". A carioca Arlete Pinheiro Esteves da Silva. considerada necessária para que você possa construir seu texto. como não poderia deixar de ser. ): "Estou numa esquina de Copacabana.. “apareceu” no texto. fazendo a chamada vida fácil. seguindo estritamente as orientações dadas pelo enunciado. o porteiro espia sonolento. adúlteros e amargurados. são duas horas da madrugada.. OPÇÃO A Na reportagem especial "Eleja o artista cênico do século". ARGUMENTANDO EM FAVOR DO ARTISTA QUE VOCÊ CONSIDERA MERECEDOR DO PRÊMIO. Beijo no asfalto e A dama do lotação. ESCREVA UMA CARTA PARA A REVISTA. de Arnaldo Jabor. vítima de insuficiência cardíaca e respiratória. muitos deles transformados em filmes nos anos 70 e 80. No cinema." . de Fernado Sabino (Rio de Janeiro: Editora do Autor. pânico no rosto das mulheres que fogem. a conclusão. OPÇÃO B O texto a seguir foi retirado do livro Quadrante I. e Eles não usam blach-tie. E. Morreu em 1980. Você deve escolher uma delas e desenvolvê-la. incestuosos. em 1981. propostas para combater a violência na cidade de Londrina. Nelson Rodrigues.obedecendo ao que se pediu no enunciado. Deixou clássicos como Engraçadinha. Outros se esgueiram pela calçada. Corre o frêmito no ar. da Revista Isto é(10/02/99). o que é muito positivo em se tratando de uma carta. de Leon Hirszman. Espero uma condução que me leve para casa. foi um brilhante cronista esportivo. Escandalizou as plateias com personagens trágicos. é um talento luminoso. Fernanda Montenegro. fez dezenas de novelas e quase 60 peças. O leitor. 69 anos. aos 68 anos. De súbito a paisagem se perturba. segundo o tipo de texto indicado. que ganhou o Festival de Veneza. motivação textual e comunicativa. Além de dramaturgo. Cada uma contém em seu enunciado. 5 ed.

uma forma de tentar conter a emissão dos gases que geram o efeito estufa. aliás.Dissertação Todo texto dissertativo aborda um tema. REDIJA UM TEXTO PARA SER COLOCADO EM JORNAL. O importante não é tanto se o desmatamento aumentou ou diminuiu. já promoveram uma devastação quase total de suas florestas). Típica do comodismo é a reação do governo brasileiro contra relatório do Fundo Mundial para a Natureza que aponta o Brasil como campeão mundial de desmatamento de florestas tropicais nos últimos anos.CONTINUE A NARRATIVA ACIMA. DESCREVENDO AS TAREFAS QUE DEVERÃO SER DESEMPENHADAS E O PERFIL ESPERADO DA CANDIDATA. entende-se o motivo da cômoda satanização do "El Niño": ela evita que cada um enfrente suas próprias responsabilidades. O presidente dos EUA. responsáveis por todas as desgraças. Paulo e percepção das suas ideias principais. OPÇÃO C Imagine que você é gerente de recursos humanos de uma empresa e necessita de uma funcionária para exercer o cargo de secretária. Mas o comodismo se estende também aos governos dos países ricos (que. o papel antes reservado às pragas bíblicas. Para o porta-voz da Presidência. passando pelas queimadas no Sudeste Asiático. fica evidenciada a importância internacional de se preservar o que resta. mas o fato de que ocorra sem que fique clara uma política de ocupação da Amazônia. por exemplo. os dados do governo indicam diminuição do desmatamento. segundo a ONU. RELATANDO O EVENTO QUE DESENCADEOU O PÂNICO REPENTINO. Após leitura atenta do editorial da Folha de S. cada vez mais graves. É preciso levar em conta que. Culpar um fenômeno natural exime as autoridades e a sociedade de refletir sobre os danos à natureza provocados pelo homem. Proposta I . do inverno que foi verão forte no Centro-Sul brasileiro às enchentes na Espanha. no mundo todo. Tudo somado. nega-se a aceitar um aumento nos preços dos combustíveis fósseis. o Brasil é o terceiro país do mundo em área preservada de florestas de fronteira. Se considerar que quase a metade das florestas mundiais já virou pasto ou campo agrícola. atrás apenas de Rússia e Canadá. ou seja. a delimitação de um assunto. Bill Clinton. responsável pelo crescente aquecimento da Terra. A importância dos conectivos . Sem negar os efeitos do fenômeno. TEXTO O fenômeno meteorológico batizado de "El Niño" começa a assumir. verifique qual é o seu tema. parece um raciocínio simplista e cômodo atribuir a ele todos os males.

A coesão de um texto depende muito da relação entre as orações que foram os períodos e os parágrafos. Como a relação é de causa-efeito. algum dado novo. TENHO CERTEZA DE QUE RESOLVEREMOS O PROBLEMA DA FOME" Veja que não existe a relação de oposição ou a ideia de concessão que justificaria a conjunção EMBORA. Dileta Delmanto. deveria ter sido usada uma conjunção causal: COMO O BRASIL É UM PAÍS DE GRANDES RECURSOS. dessa forma. Para que problemas desse tipo não aconteçam em suas redações. a conjunção deverá ser outra: EMBORA. Seria descabido permutar o porém pelo porque. Veja o exemplo: Israel possui um solo árido e pouco apropriado à agricultura. Assim. daí. . assim. portanto. se não quisermos torná-los incompreensíveis. existe uma conjunção que se adapta perfeitamente a ela. tais como: então. porque. Editora Ática. No caso. acostume-se a relêlas. A seqüência introduzida por eles serve normalmente para explicitar. Se não for assim. que serve para indicar causa. ele ficará à vontade para negociar com qualquer uma que venha a vencer. a conjunção MAS só deve ser usada para estabelecer uma relação de oposição entre dois enunciados. Para cada tipo de relação que se pretende estabelecer entre duas orações. Observe um caso de escolha inadequada da conjunção: "EMBORA O BRASIL SEJA UM PAÍS DE GRANDES RECURSOS NATURAIS. se houver um relação de adição ou idéia de concessão. ora.) Conectivos Conectivos ou elementos de coesão são todas as palavras ou expressões que servem para estabelecer elos. aí. 8ª série. (Extraído do livro: Escrevendo Melhor. para criar relações entre segmentos do discurso. embora e tantas outras. 1995. constitui pura repetição e deve ser evitada. mas. TENHO CERTEZA DE QUE RESOLVEREMOS O PROBLEMA DA FOME. Ao dizer: Tudo permanece imóvel e fica sem se alterar. o enunciado ficará sem nexo. Relação dos principais elementos de coesão: 1) assim. porém chega a exportar certos produtos agrícolas. orações e períodos estão adequadamente relacionados. confirmar ou ilustrar o que se disse antes. O Governador resolveu não comprometer-se com nenhuma das facções em disputa pela liderança do partido. isto é. acrescenta. Os períodos compostos precisam ser relacionados por meio de conectivos adequados. Por exemplo. 2) e: anuncia o desenvolvimento do discurso e não a repetição do que foi dito antes. observando se suas palavras. já que entre os dois segmentos ligados existe uma contradição. Se não acrescentar nada. já que. desse modo: têm um valor exemplificativo e complementar. Porém. com efeito. indica uma progressão que adiciona. faz sentido o uso do porém.

entre outras coisas. quer dizer. do próprio semelhante. isto é.3) ainda: serve. Trata-se de um expediente de argumentação muito vigoroso: sem negar as possíveis objeções. justamente para dar o golpe final no argumento contrário. que. de seu não comprometimento com nenhuma das forças em ação no interior da sociedade. ainda que. além do mais. Observe o exemplo: Ainda que a ciência e a técnica tenham presenteado o homem com abrigos confortáveis. para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão. O uso do embora e conectivos do mesmo sentido pressupõe uma relação de contradição. O homem é ambicioso. Como se nota. apresentado como acréscimo. O nível de vida dos brasileiros é baixo porque os salários são pequenos. ou seja. além de tudo. mas não o suficiente para se começar o plantio. pés velozes como o raio. 8. porém e outros conectivos adversativos: marcam oposição entre dois enunciados ou dois segmentos do texto. afirma-se uma desvantagem maior. situam-na no plano mais baixo. 6) mas. Quer ser dono de bens materiais. Os salários estão cada vez mais baixos porque o processo inflacionário diminui consideravelmente seu poder de compra. até. com esses relatores. fazem alarde de sua neutralidade em relação aos fatos. . 7) embora. até mesmo. como ao menos. além disso: introduzem um argumento decisivo. 4) aliás. segmentos que não se opõem. Não se podem ligar. mesmo que: são relatores que estabelecem ao mesmo tempo uma relação de contradição e de concessão. Às vezes. 5) isto é. Certos elementos de coesão servem para estabelecer gradação entre os componentes de uma certa escala. como mesmo. até mesmo do futuro e da morte. Muitos jornais. pelo menos. se não houve. Convém lembrar ainda que os serviços públicos são extremamente deficientes. mesmo concedendo ou admitindo as grandes vantagens da técnica e da ciência. olhos de longo alcance e asas para voar. não resolveram o problema das injustiças. Além de tudo são considerados como renda e taxados com impostos. retificações ou desenvolvimento do que foi dito anteriormente. afirma-se um ponto de vista contrário. no mínimo. Alguns. outros. ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto qualquer. Servem para admitir um dado contrário para depois negar seu valor de argumento. como se fosse desnecessário. situam alguma coisa no topo da escala. deixa o enunciado descabido. em outras palavras: introduzem esclarecimentos. Exemplo: Embora o Brasil possua um solo fértil e imensas áreas de terras plantáveis. vamos resolver o problema da fome. a oposição se faz entre significados implícitos no texto. da ciência. Choveu na semana passada.

que nesse caso se pratica não é compensada por qualquer sacrifício ou contribuição que atenda à necessidade de recursos imanente a todos os erários. (4) Cínica porque a sonegação. O termo este retoma a nome próprio “Renato”. é cínica e improcedente. o alimento e a saúde. referiu--se à ex-ministra Dorothea Werneck desta forma: Ela é mulher. dessa feita. atrás. são muito diferentes.ou É preciso garantir ao homem seu bem-estar: o lazer. São anafóricos: pronomes demonstrativos: esse. o qual. não há escolas ou hospitais. a liberdade. (5) Ora. sem recursos obtidos da comunidade não há policiamento. Às vezes o conectivo tem seu uso inadequado de forma proposital. a cultura. as invocação é insuperável e tem mesmo a cor e os traços do mais acendrado civismo. que revela um preconceito ou uma ironia. Este e aquele são chamados de anafóricos. a moradia. acima. A retomada ou a antecipação de termos Observe o trecho que segue: José e Renato. apesar de serem gêmeos. ou também para antecipar termos que virão depois. aquele é explosivo. mas é capaz. enquanto aquele faz a mesma coisa com a palavra “José”. onde advérbios e expressões adverbiais: então. (3) Como argumento. Eis alguns exemplos de ambiguidade por causa do uso dos anafóricos: O PT entrou em desacordo com o PMDB por causa de sua proposta de aumento de salário. Anafórico. sua pode estar se referindo à proposta do PT ou à do PMDB. Texto: Um argumento cínico (1)Certamente nunca terá faltado aos sonegadores de todos os tempos e lugares o confortável pretexto de que o seu dinheiro não deve ir parar nas mãos de administradores incompetentes e desonestos. este é calmo. sejam eles bem ou mal administrados. aquele pronomes relativos: que. Mário Amato. não há transportes. No caso. ou. genericamente. (6) E sem . no entanto. pode ser definido como uma palavra ou expressão que serve para retomar um termo já expresso no texto. ex-presidente da Fiesp. (2) Como pretexto. Por exemplo. Desfazendo a ambiguidade. ficaria assim: A proposta de aumento de salário formulada pelo PT provocou desacordo com o PMDB. no mínimo.

mesmo querendo. no fundo. reclamar contra o mau uso dos dinheiros públicos para cuja formação não tenhamos colaborado. 25 set.serviços públicos essenciais. não têm como dela fugir . dizendo que a justificativa é cínica e improcedente. 8º período .os que vivem de salário. VILLELA. 4º período: através do conectivo “porque” ele diz a causa pela qual considera cínico o argumento dos sonegadores.O aluno deve preencher corretamente todos os itens do cabeçalho com letra legível. (7) Improcedente porque a sonegação. 7º período . o autor passa a demonstrar que é também improcedente. (in Para Entender o Texto . mas não deixa de ser. longe de fazer melhores os maus governos. Editora Ática. não há Estado e não pode haver sociedade política. estimula-os à prepotência e ao arbítrio. 2º período: o autor admite como pretexto a justificativa dos sonegadores. (10) Ou não tenhamos colaborado na proporção da nossa renda.o conectivo “mas” estabelece a contradição das duas argumentações (dos sonegadores e do autor). (8) Antes.1 . 1985. Veja. 5º período: o conectivo “ora” dá início a uma argumentação contrária à idéia de que o Estado possa sobreviver sem arrecadar impostos e sem se prover de recursos. João Baptista. Mais adiante o conectivo “além de” introduz um argumento a mais a favor da improcedência da sonegação. por exemplo. o que já foi afirmado no terceiro período. 3º período: o conectivo “no entanto” introduz uma argumentação contrária. (9) É muito cômodo. . Os períodos estão numerados.o conectivo “e” introduz um segmento que adiciona um argumento ao que se afirmou no período anterior. 9 º parágrafo . 6º período . é preciso pagar.depois de demonstrar que o argumento dos sonegadores é cínico. uma hipocrisia.Platão & Fiorin. Comentários: 1º período: o autor começa a desmontar o argumento dos sonegadores através da expressão “confortável pretexto”. 1995) Apresentação visual da redação 1.Leitura e Redação . até mesmo para que não faltem legitimidade e força moral às denúncias de malversação. 10º período . além de agravar a carga tributária dos que não querem e dos que.o conectivo “ou” inicia uma passagem que contém uma alternativa que caracteriza ainda a atitude hipócrita dos sonegadores.o autor usa dois conectivos: “antes” e “até mesmo” que reforçam sua argumentação. É usado o conectivo “porque” para isso.

10.2. ele deverá anular o erro com um traço apenas.3. I.8. sem aspas e sem grifo.4.6. 12h. O rascunho ou o esboço das idéias podem ser feitos a lápis e rasurados. tanto de fôrma quanto cursiva. 1. Distinguir bem as maiúsculas das minúsculas. status.1. Evitar rasuras e borrões. Apresentar letra legível. .5. 10m. hippie. A vulgaridade é o nível em que a mensagem é só redundância. 1. 1. h. rigorosa. Aprimoramento linguístico O que você deve evitar na redação Por ser um conjunto de opiniões pessoais logicamente concatenadas. B) Datas. km. para então iniciar a redação. Fazer parágrafos distando mais ou menos três centímetros da margem e mantê-los alinhados. 1. software. 1. horas e distâncias sempre em algarismos: 10h30min. Não ultrapassar as margens (direita e esquerda) e também não deixar de atingi-las. na redação definitiva. offlce-boy.deve-se escrever por extenso até o nº 10. a redação deve ser precisa. 10km (m.Adjetivação excessiva A incômoda e nociva poluição ambiental pode tornar o já problemático e atrasado Brasil uma terra inabitável. O título pode apresentar interrogação desde que o texto responda à pergunta. Ficar aproximadamente entre cinco linhas aquém ou além dos limites. g. Para despertar interesse. punk. em que a redundância desnecessária e mesmo prejudicial informação: 1. kg). 16m30cm.7. Vejamos os casos mais frequentes de vulgaridades. 2. verde etc. OBSERVAÇÕES: Números A) Idade . 1. Caso o aluno erre. 1. Evitar exceder o número de linhas pautadas ou pedidas como limites máximos e mínimos.Centralizar o título na primeira linha. Palavras Estrangeiras As que estiverem incorporadas aos hábitos linguísticos devem vir sem aspas: marketing. 1. Pular uma linha entre o titulo e o texto. dark. O texto não será corrigido em caso de utilização de lápis ou caneta vermelha.9. show etc. Do nº 11 em diante devem-se usar algarismos. merchandising. Escrever apenas com caneta preta ou azul. deve ser sugestiva e original. Queísmo .

"fazer das tripas coração". "da melhor maneira possível". "encerrar com chave de ouro". para a família. é . “colocar os pingos nos ii ". 5. 8. 6. 3. atualmente. "notável artista". “esmagadora maioria". "dos males o menor". o problema vai-se pondo numa perspectiva melhor. "dentes de pérola". "semblante carregado". "mulher fatal”. Intromissão Cultura.. "a grosso modo”. / São Paulo.. "contorcendo-se em dores”.. "sinceros votos de feliz natal “. "sol quente”. Abstração grosseira Porque aí nós pegamos e pensamos: para onde vai a humanidade? 7. a gente vegeta. na minha opinião. pouco acessível à maioria dos consumidores que. para as conversas. / A criança de hoje será o adulto de amanhã. "encher os bolsos". 'lábios de mel". Lugar-comum ou clichê "Subir os degraus da glória”. 4. "alma trasbordante". não obstante o que possam dizer.O fato de que o homem que seja inteligente tenha que entender os erros dos outros e perdoá-los não parece que seja certo. é tão complexa que. Projeção da linguagem oral Hoje em dia a gente não vive. séria conversa. "calorosa polêmica”. Truísmo . 11. apesar de tudo. dizem que antigamente a coisa era melhor porque havia mais tempo para as diversões. tem havido um crescente interesse pela aquisição dessa recente inovação tecnológica. "agora ou nunca". Palavras de introdução embromatória A vida. torna-se altamente problemática. /Os idosos são pessoas que viveram mais que os jovens. Predominância do gerúndio (endorréia) Entendendo dessa maneira. Adjetivos cristalizados "Silêncio mortal". Porém. "mais alta estima". "chorando copiosamente". “gol espetacular". "amor inesquecível". na atualidade. única e exclusivamente. "fazer fé em". o maior centro industrial da América Latina. " uma vergonha". "muita gente pensa que". 10. “sair com as mãos abanando". "calorosos aplausos". "isto quer dizer que". 9. "pedra sobre pedra". "cabelos negros como a noite".. “Atualidade” redundante O sistema de disco laser . "em todos os cantos do mundo”. “com a voz embargada pela emoção".(verdade evidente) Todos os homens são mortais. "solução para este problema". ficando mais claro. . "grande homem"./ Pelé considerado rei do futebol. continuam preferindo os toca-discos tradicionais. “a nível de". “merecidos aplausos". hoje. e assim sucessivamente.

tornando-os mais acessíveis. Linneu. que se iniciou com dois professores e acabou envolvendo outros mais. Linneu. apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena deformidade que lhe é peculiar. Torna-se necessário simplificá-los. (Baseado no material didático do Sistema Uno) *Hélio Consolaro é professor de Português. uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico. não corresponde à realidade. por isso. configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura.) O dissacarídeo de fórmula C12H22O11. No entanto. cronista diário da Folha da Região . no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica. Isso nos leva a concluir que o homem não é mesmo capaz de entrar em entendimento e.D. O debate. Observem abaixo os estágios da simplificação.Argumentação pelo exemplo (Hélio Consolaro* ) Argumentar por meio de exemplo não é um procedimento defeituoso. isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas. quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e arestas retilíneas. sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade. por isso precisa ser coerente com a tese defendida na introdução da dissertação.” – Assim escreveu Dad Squarisi no Correio Braziliense. impressiona favoravelmente as papilas gustativas. e dele não se pode concluir nada que tenha conteúdo de verdade. pois é uma forma de revelar os dados que vão servir de base para as conclusões que virão posteriormente. a maioria da população ativa ganha acima de dez salários mínimos. presidente da Academia Araçatubense de Letras e coordenador do site Por Trás das Letras. 2 de fevereiro de 2003.Araçatuba -SP. é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo. o mundo está repleto de guerras. obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da ramínea Saccharus officinarum. Texto original (versão Ph. Reproduzo a versão da colega que tem coluna congênere no jornal de Brasília. produzindo nos órgãos especiais existentes na Apis mellifica. correspondendo à realidade. A difícil arte de simplificar textos ”Muitos textos científicos são escritos numa linguagem de difícil compreensão para o grande público. Primeira simplificação (mestre) . Esse dado é simplesmente falso. terminou sem que se chegasse a uma conclusão uniforme. Exemplo: No Brasil. O exemplo abaixo contém generalização apressada e o fato narrado não tem valor comprobatório: Venho acompanhando pelo jornal um debate acalorado entre professores universitários a respeito de um tema da especialidade deles: literatura moderna. Mas deve ser real e verdadeiro.

Entretanto. sob a forma de pequenos blocos. Quando há um esforço da parte do autor em se distanciar do assunto abordado. apresentando-se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular. a partir de sua experiência. nas discussões que tenho com meus filhos em casa. . impressiona agradavelmente o paladar. pelo menos do meu ponto de vista. todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão. Acho que. que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino. porém não muda de forma quando pressionado. tem o sabor agradável do mel. tenho. extraída da cana-de-açúcar. nas decisões que eu tenho de tomar com minha mulher. não! A impessoalidade nos textos dissertativos (Associação de Ensino Guararapes ) Todo texto independentemente do gênero textual a que pertence. mas não é mole. tratando objetivamente dos fatos. dizemos que o texto é pessoal. Em textos científicos e argumentativos. mas não é macio ou flexível.ª pessoa e verbos e pronomes (defendi. tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas. é visível o interesse do locutor em relatar a sua visão sobre o assunto. ao contrário. Terceira simplificação (ensino médio) Açúcar não refinado. se a sociedade em que vivemos é marcada pelas diferenças. há várias marcas de pessoalidade do discurso. apresentando-se em blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal.A sacarose. tende a ser considerado subjetivo e. Segunda simplificação (graduação universitária) O açúcar. é natural. Leia este excerto de texto argumentativo. não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas. nossos. que discute a obrigatoriedade do uso de uniforme nas escolas: Sempre defendi a ideia de que nossos alunos não devem usar uniforme. como: Acho que. e está também na liberdade de escolha de meus filhos quanto à roupa que lês vão usar para ir à escola. quando ainda não submetido à refinação e. o editorial. lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Quando o autor se apresenta de modo evidente. que na escola essas diferenças apareçam nas roupas. seja em expressões. manifestando-s como locutor. Quarta simplificação (ensino fundamental) Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado. vivemos. minha). Nesse excerto. nos penteados. No meu modo de ver. Simplificação final (linguagem popular) Rapadura é doce. como se ele contivesse verdades universais e indiscutíveis . eu tenho. O texto com marcas de pessoalidade. pois essa característica confere maior credibilidade ao texto. No meu modo de ver. Seja no emprego da 1. do meu ponto de vista. a dissertação. quase se procura escrever com impessoalidade. pode trazer marcas de pessoalidade ou impessoalidade. meus. portanto. a democracia está nas pequenas coisas do dia-a-dia. dizemos que o texto é impessoal. como a crítica. menos confiável quanto ao ponto de vista que defende.

Pais & Teens.” Perceba que. “Optou-se pela não-utilização do uniforme. No restante do texto. É importante.“Nessa época a escola passou por grandes alterações. os pais. Optou-se. Veja os exemplos: O presidente da associação já redigiu o requerimento. criatividade e respeito a valores comunitá¬rios tornaram-se vivos na prática da escola. ou seja. “consciência crítica e social. existem duas possibilidades: •suprime-se o sujeito e põe-se o verbo na 3ª pessoa do plural. É bom lembrar.ª pessoa do plural) Os diretores de escola e os professores optaram pela não-utilização do uniforme. etc. os nossos alunos utilizavam uniforme. É eviden¬te que ele se refere à instituição como um todo. Já redigiram o requerimento.º trecho. afirma que “novos métodos foram implantados”.º “Conceitos como consciência crítica e social. Assim. sobre o mesmo assunto: Na década de 60.º excerto busca conscientemente a impessoalização do texto. Novos métodos de ensino foram implantados. etc. Compare o excerto lido com este outro. Novos métodos de ensino foram implantados. Regras e normas são elabo¬radas e devem refletir a necessidade do grupo. Do meu ponto de vista.“Optou-se. os professores. estar a serviço desse mesmo grupo. Para isso. Quem teria implantado esses métodos? No 2. É preciso considerar.” 4. Nessa época a escola passou por grandes alterações.º.” 2. (Eduardo Roberto da Silva. estar a serviço desse mesmo grupo. Veja estes trechos: 1º ./jan. os profissionais da educação.” (VTI + se) . o autor do 2. pela não-utilização do uniforme. •emprega-se verbo intransitivo ou transitivo indireto ou de ligação + pronome se. de uma visão subjetiva. A utilização do uniforme deveria proporcionar benefícios significati¬vos à comunidade escolar. os alunos? No 4. em quase todo o texto.) Observe que. ou seja.º trecho. o que inclui as pessoas. criatividade e respeito a valores comunitários tornaram-se vivos na prática da escola. nov. quem teria optado pela não-utilização do uniforme? Os diretores de esco¬la./dez. EXERCÍCIOS 1. A prática peda¬gógica da escola tem sido construída ao longo do tempo: educandos e educadores são os principais agentes dessa construção. pela não-utilização do uniforme.” 3. também. Conceitos como consciência crítica e social. o autor afirma que a escola passou por grandes alterações. Isso o torna mais objetivo e as ideias defendidas ganham maior credibilidade junto ao leitor.º .º . se desejamos conferir maior impessoalidade e objetividade aos nossos textos. no 1. No meu modo de ver. isto é. há uma série de mecanismos linguísticos que tornam a linguagem impessoal. Na minha opinião. o autor trata do tema de forma distanciada.“Regras e normas são elaboradas e devem refletir a necessidade do grupo. (verbo na 3. portanto. por outras como: Convém observar.º. É indispensável. 1997. criatividade e respeito a valores comunitários tornaram-se vivos” para quem? No 3. as regras e normas escolares foram elaboradas por quem? Como se vê. Sua presença é sentida mais diretamente apenas no emprego da expressão “nossos alunos”. devemos substituir expressões como: Eu acho. Em seguida. tam¬bém.Trata-se. Uma das formas de impessoalizar a linguagem é indeterminar o sujeito. Não se pode esquecer.

e) A professora perguntou de você na escola. R. e) Os governantes tomam decisões sem consultar o povo. R. empregando um desses dois recursos ou os dois. R. Além de o garoto poder estar só querendo brincar comigo e com minha amiga. é a confiança. numa ami¬zade. Impessoalize o sujeito. Veja: Uma candidata chamou o fiscal da prova. os moradores iam tomar banho no rio. quando possível. a) As pessoas carentes nunca precisaram tanto de ajuda como agora. E. b) Os médicos iniciaram a campanha de vacinação. f) As autoridades proibiram a xerocópia de livros. Na minha opinião. R. (voz passiva analítica com verbo ser) Chamou-se o fiscal da prova. o respeito. R. R. c) As pessoas hoje já não se importam com bons modos. Outra forma de impessoalizar a linguagem é passar as orações da voz ativa para a voz passiva. A revista Atrevida fez a seguinte pergunta às suas leitoras: “Você sairia com o namorado da sua melhor amiga?”.Faça o mesmo com as frases que seguem. c) Várias pessoas contestaram os argumentos do candidato. R. (voz passiva sintética ou pronominal com pronome apas¬sivador se) Faça o mesmo com as frases a seguir: a) A diretora nunca exigiu o uso do uniforme. R. não seria capaz de sair com o namorado da minha melhor amiga. ainda correria o risco de acabar com uma amizade verdadeira. suprimindo o agente da passiva. d) Os deputados aprovaram uma lei de validade discutível. d) Como as crianças eram felizes naquela casa! R. No momento em que eu estivesse com o garoto. R. Leia a resposta de uma das leitoras: Mesmo que eu estivesse perdidamente apai¬xonada. R. aos domingos. uma das coisas mais importantes na vida são os amigos. R. b) Naqueles tempos. (voz ativa) O fiscal da prova foi chamado. g) Os interessados devem enviar carta por escrito à Secretaria de Saúde. .

mesmo que eu [. se jogado na parede. Elas fazem o papel de conectivos nos textos. não cairá nenhum grão. havia sinais disso: raquetes de tênis. mas um amontoado de palavras sem nexo. a razão que será dada pela própria narrativa. Coesão textual Coesão significa união íntima das partes de um todo. temporalidade.]. (Atrevida. conformidade. mas as amizades. consequência. oposição. que adorava a vida ao ar livre e não tinha o menor gosto pelas atividades intelectuais. se uma personagem for magra no começo. possui uma forte coesão. Exemplo de incoerência em narração: “O quarto espelha as características de seu dono: um esportista. Caso ela chegue gorda no final. que. Isso. Reconheça essas marcas e reescreva o texto fazendo uso da variedade padrão formal e impessoal. com certeza. n. Por toda a parte. Enfim. Na narração. skate. porque os conectivos ajudam a dar o sentido à união de duas ou mais ideias: alternância. pois sem eles o texto não seria tecido.. Assim é a construção de um texto. Os caroços de um prato de arroz “unidos venceremos”. A coesão colabora com a coerência. quisesse muito sair com ele. com marcas de pessoalidade. prancha de surf.. (FAZER NA FOLHA DE REDAÇÃO) Do livro Português: Linguagens William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães Atual Editora Coerência textual As ideias numa dissertação precisam se completar. condição. todas as palavras não necessárias. deve permanecer assim até o final. Comparo a feitura de um texto à construção de encanamento de água. curva. não. finalidade. as obras completas de Shakespeare”.º 42. Só com as barras de cano (6 m cada) não seria possível construí-lo. vai melhorar o estado de espírito do infeliz”. cotovelo. explicação.) O texto apresenta uma linguagem informal. Veja o exemplo abaixo: . conta-lhe sobre seu prestígio profissional. concessão. Veja um exemplo de incoerência na dissertação: “O verdadeiro amigo não comenta sobre o próprio sucesso quando o outro está deprimido. um tabuleiro de xadrez com as peças arrumadas sobre uma mesinha. Só assim demonstraria a ela que sou uma amiga de verda¬de! Porque amores a gente vai cruzar muitos pela vida. Porto Alegre. a particular sustenta a geral. a geral se apoia na particular. podendo até causar o rompimento de uma amizade. Para distraí-lo. conclusão. suprimindo ou adaptando o que for necessário. causa. adição. com certeza deixaria a nossa ami¬zade falar mais alto e me conteria. RS). (Ingrid Frank de Ramos. fazem-se necessárias as conexões: tê. Os conectivos possuem função muito importante. equipamento de alpinismo. Essas a gente escolhe para durarem para sempre. precisa haver um motivo..estaria separan¬do esses laços de confiança. comparação. conquistas amorosas e capacidade de sair-se bem das situações.

procuramos fazer com que os usuários saibam empregar adequadamente cada mecanismo não só para depreender o sentido de um texto como para produzir textos com sentido. ) Pretendemos. observadas na gramática ou no léxico. a coerência. E a coesão. Seu pai furtou uma ovelha. Gente direita é assim que se comporta. é o resultado da possibilidade de se estabelecer alguma forma de unidade ou relação entre os elementos do texto. 4) é necessário perceber como coerência e coesão se completam no processo de produção e compreensão do texto. e o filho depôs contra ele. por meio de exemplos. desenvolvido com o objetivo de mostrar aos usuários da língua que: 1) mais importante que conhecer os conceitos de coerência e coesão é saber de que maneira esses fenômenos contribuem para tornar um texto inteligível. estabelecendo uma continuidade entre as partes. se refere ao modo como os vocábulos se ligam dentro de uma sequência. retrucou Confúcio. o que faz concluir que pode haver textos coerentes mesmo que não tenham coesão explícita. manifestada em grande parte no nível macrotextual.Temos em nossa terra um homem direito. neste tema. a coesão pode se apresentar por meio de marcas linguísticas. Coerência e coesão (Um estudo aprofundado sobre os dois temas. e o filho. a coesão nem sempre se manifeste explicitamente através de marcas linguísticas. É importante também lembrar que a coesão pode auxiliar no estabelecimento da coerência. Considerações sobre o conceito de coerência . 2) a coerência (conectividade conceitual) e a coesão (conectividade sequencial) são requisitos fundamentais para a elaboração de qualquer tipo de texto. Este tema será. – Na nossa cultura. 1957) Os conectivos estão em negrito. mostrar o papel e a importância de cada um desses mecanismos não só para a leitura e a compreensão de textos como também para sua produção. Ao mesmo tempo. Máximas de Confúcio. dizendo: . Assim. embora. trabalhando com os conceitos de coerência e coesão. mostramos. de modo a instaurar entre elas uma unidade. A coerência e a coesão contribuem para conferir textualidade a um conjunto de enunciados.“O Duque de She dirigiu-se a Confúcio.” (Bertrand Russel. as formas em que podem ocorrer. a do pai. portanto. a coerência. O pai oculta a culpa do filho. Ao analisar esses mecanismos. 3) enquanto a coerência se fundamenta na continuidade de sentidos. às vezes. Eles são divididos em articuladores e anafóricos. ou seja. ser direito é proceder de maneira diferente. manifestada no nível microtextual.

por algum motivo. pois. um livro.caracteriza-se por uma interdependência semântica entre os elementos constituintes do texto. A coerência depende de uma série de fatores. não-linear. Se estas forem muito numerosas. Coerência está. não levou em conta o fato de que a coerência está diretamente ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido para o texto. Embora nosso objetivo não seja teorizar em demasia o conceito de coerência. Tem principalmente uma dimensão pragmática . Na verdade. Ela tem uma dimensão semântica . uma canção . A coerência se manifesta nas diversas camadas da organização do texto. como pontos de partida para o trabalho com textos que se segue: "A coerência é profunda. ligada à compreensão. porque quem o produziu não soube adequá-lo ao receptor. entre os quais existe um acordo pré-estabelecido. a coerência é decorrente do sentido contido no texto...) . poema. e esse conhecimento é acumulado ao longo de nossa existência. (. entre os quais vale ressaltar:  o conhecimento do mundo e o grau em que esse conhecimento deve ser ou é compartilhado pelos interlocutores. Ele pode ser incoerente em uma determinada situação. O que leva as pessoas a fazerem tais observações.isto vai possibilitar as várias combinações dos elementos linguísticos. enfim. é o fato de perceberem que. que pressupõe limites partilhados por eles e um domínio comum da língua. no estabelecimento da coerência. precisamos esclarecer que motivos nos levaram a afirmar isto.. ela é a responsável pelo sentido que um texto deve ter quando partilhado por esses usuários. enfim. subjacente à superfície textual. de uma área na qual somos leigos. o nosso conhecimento de mundo. quando dizemos que um texto é incoerente. isto é.No nosso dia-a-dia. devemos dizer que a ele se acrescentam as informações novas.  os próprios interlocutores. não obedeceu ao código linguístico. precisa ter sentido.). escapa a elas o entendimento de uma frase ou de todo o texto. as suas intenções de comunicação. para quem ouve ou lê.  o domínio das regras que norteiam a língua . Portanto. independente de sua extensão. um texto de jornal... precisa ter coerência. novela. Ainda com respeito ao conhecimento partilhado de mundo. suas crenças. o discurso de um político ou do operário.. não marcada explicitamente na estrutura de superfície. quando lemos um texto muito técnico. de maneira ordenada. à possibilidade de interpretação daquilo que se diz ou escreve. são comuns comentários do tipo: Isto não tem coerência. Esta frase não tem coerência.é fundamental. uma conversa animada. não valorizou suficientemente a questão da comunicabilidade. O seu texto está incoerente. provavelmente. qualquer comunicação. É isto que acontece. a função comunicativa do texto. Uma simples frase. considerando a situação em que se encontram. uma obra literária (romance. Assim. a coerência se estabelece numa situação comunicativa. achamos necessário retomar algumas afirmações feitas por Koch e Travaglia (1989). o texto pode se tornar incoerente devido à não-familiaridade do ouvinte/leitor com essa massa desconhecida de informações. por exemplo..

Examinemos agora as frases: a) O pássaro voa. Em A árvore está grávida. O trabalhador acompanhou o noticiário criticamente. O homem construiu uma casa na floresta. muitas outras combinações são possíveis: As nuvens estão prenhes de chuva. podemos notar que as quatro primeiras não oferecem qualquer problema de compreensão..O homem voa de asa delta. há duas ideias opostas. b) Apesar de estarem derrubando muitas árvores. b) Todo mundo viu o mico-leão. consideradas do ponto de vista estritamente referencial. O pássaro fez o ninho." Observando o grupo de frases abaixo. pela atuação conjunta de uma série de fatores de ordem cognitiva. . o que não ocorre em A mulher está grávida. por exemplo. A frase a tem um grau de aceitação maior do que a frase b. então. as frases de letra a de cada par são facilmente compreendidas.. b) O homem voa. que elas têm coerência. que depende de uma complementação para esclarecer qual o meio utilizado pelo homem para voar . Dizemos. 3. b) Todo mundo destrói a natureza menos todo mundo. Sua boca cuspia desaforos.) A coerência. sociocultural e interacional. a floresta não tem muitas árvores. mas eu não ouvi o sabiá cantar. têm coerência. longe de constituir mera qualidade ou propriedade do texto.. a) Todo mundo viu o mico-leão. Neste plano. A árvore está grávida. a) Todo mundo destrói a natureza menos eu. há uma restrição na combinatória ser vegetal + grávida. numa situação de interação dada. à medida que quem o faz quer que seja entendido por seu interlocutor. portanto. o homem anda rápido. o homem delira. O lenhador derrubou a árvore. Em As árvores estão plantadas no deserto. a floresta sobrevive. A combinação de homem com voa tem outras significações no plano da conotação: O homem sonha. situacional.. na mente dos interlocutores. uma contraria a outra. 2.Ela tem a ver com a produção do texto. (. Observe os três pares que se seguem: 1. Já não ocorre o mesmo em relação às duas últimas. é resultado de uma construção feita pelos interlocutores. mas eu não.) A coerência diz respeito ao modo como os elementos subjacentes à superfície textual vêm a constituir. (. em que temos a combinatória possível ser racional + grávida. uma configuração veiculadora de sentidos. As árvores estão plantadas no deserto.  a) Apesar de estarem derrubando muitas árvores.

qualquer que seja a ordem: muitas árvores. nas frases de letra b. As verbas são curtas. as leis de proteção nem sempre são respeitadas.portanto. que é perfeitamente eu não aceitável. a floresta sobrevive negativa/positiva. positiva/negativa o uso de apesar de pressupõe a presença de idéias 3 b.Todo mundo viu o mico-leão.Todo mundo destrói a natureza exclusão de uma parte do grupo. os elementos de coesão não foram usados de forma adequada. Por exemplo: milhões de brasileiros habitantes Mata Atlântica florestas tropicais verbo fiscalização mundo planeta mapa importante essencial e portanto (conectores) curta pouca proteção sobrevivência . Todo mundo destrói a natureza menos eu. Daí a muitas árvores incoerência da frase b. positiva/negativa. Apesar de estarem derrubando contrárias. O trecho abaixo Assim como milhões de brasileiros. O sentido do texto é viabilizado pela combinação dos elementos presentes numa progressão harmoniosa. Assim. essencial à sobrevivência do planeta . por isto não contribuíram para estabelecer a coerência. portanto. a floresta não tem negativa/positiva. Todo mundo viu o mico-leão. não se define apenas pelo modo como elementos linguísticos se combinam. depende também do conhecimento do mundo partilhado por emissor e receptor. o vocábulo menos indica exclusão de uma parte do grupo. qualquer que seja a ordem : muitas árvores. porque o vocábulo menos indica 1 b. de um texto. mostra as dificuldades sentidas pelos habitantes da Mata Atlântica como conseqüência da crise econômica. Podemos ainda dizer que. mas é o contrário da idéia anterior. portanto.pouco a pouco a Mata Atlântica vai desaparecendo do mapa. que indica o grupo inteiro 2 a. a primeira eu não ouvi o sabiá cantar parte Todo mundo viu o mico-leão não pode ser combinada com eu não ouvi o sabiá cantar por intermédio do vocábulo mas o uso de apesar de pressupõe a presença de idéias 3 a. Estas observações mostram que a coerência de uma frase. e. pode ser combinado com o pronome eu há uma restrição. Resultado : mesmo sendo uma das mais importantes florestas tropicais do mundo . bem como do tipo de texto em questão. neste caso. a fiscalização é pouca. neste menos todo mundo caso. com isso. que é inaceitável porque o conteúdo da idéia introduzida por mas não 2 b. os habitantes da Mata Atlântica estão sentindo na pele os efeitos da crise econômica. Observe como este sentido vai sendo construído a partir da ocorrência de vocábulos relacionados entre si. porque todo mundo se diferencia de eu mas introduz uma idéia oposta. em que ocorrem duas negativas simultâneas 1 a. Apesar de estarem derrubando contrárias. não pode ser combinado com todo mundo. mas mas introduz uma idéia oposta. as frases de letra b de cada par apresentam problema de compreensão.

há duas incoerências semânticas. entretanto cada uma elas claramente se opõe a "cidade". Tipos de Coerência Em obra na qual discutem as estratégias cognitivas de compreensão do discurso. ocorrerem partes ou passagens com problemas de incoerências . Ao lado deste. respectivamente. interagindo.corresponder em relação ao nível . Cabe ainda uma observação quanto ao tempo verbal de ouvem-se e acorreram. A segunda está na . mas certamente telegrafistas não são espectadores comuns nessas circunstâncias. de maneira cooperativa. ouvem-se vozes exaltadas para onde acorreram muitos fotógrafos e telegrafistas para registrarem o fato.. se situarmos esta frase como introdutória ao texto sobre a Mata Atlântica. a saber. em um mesmo texto.. sobretudo se a frase for acompanhada da imagem de um habitante da Mata Atlântica. por cronistas. pois o fato que causa espanto será documentado por fotógrafos e. presente e pretérito perfeito. acontece de. de ordem sintática: trata-se do emprego de para onde. depois. 2) O governo principalmente não corresponde de uma maneira correta em relação ao nível de condições que para muitos seriam uma decisão óbvia. a incoerência aparece quando esses sentidos não combinam. para resolver o problema da incoerência sintática . a segunda se refere ao texto como um todo. implícita no pronome relativo onde.lei Observe finalmente: com isso Se está difícil sobreviver aí na cidade. Exemplos: 1) .corresponder a (alguma coisa). O uso do vocábulo telegrafista é inadequado neste contexto. coerência pragmática. coerência semântica. coerência estilística. Nesta frase. porque esse referente não contém ideia de lugar.que acabam por perturbar a compreensão daquela passagem. Enquanto a primeira se refere a partes do texto. mas é claro que assim não será se houver um grande número de problemas desse tipo. poderão escrever uma crônica sobre ele. os autores apontam alguns tipos de coerências. A presença de uma incoerência local pode não prejudicar a compreensão do texto.incoerências locais no caso . Embora já tenha sido dito anteriormente que a coerência diz respeito à intenção comunicativa do emissor. Ainda na obra citada. com o seu interlocutor. Numa primeira leitura. mas. talvez. o complemento teria que ser modificado. Van Dijk e Kintsch (1983) falam de coerência local e de coerência global. A primeira decorre do uso inadequado de corresponder . esta mensagem parece vaga : aqui aponta para várias possibilidades de significação. há um outro problema. Seria mais adequado os dois verbos estarem no mesmo tempo. ou quando são contraditórios. Mas.que poderia ser substituído por responder. Coerência Semântica Refere-se à relação entre os significados dos elementos das frases em sequência. mesmo assim. o sentido fica mais explícito. imagine aqui. o que não é possível. que teria vozes exaltadas como referente. que. coerência sintática.

se deve ao fato de não ficar claro qual é o antecedente do pronome que. da forma como ordenou as palavras. com as gavetas afogadas de tantas roupas dispersivas. e. neste caso.. Minhas suspeitas se atrapalham. É muito mais provável que o autor desta frase tenha pensado que todo indivíduo deve ter acesso à educação. O tempo nos proporciona muitos sacrifícios. podendo-se dizer simplesmente em relação às condições.expressão nível de condições. O quarto era o maior ambiente do barraco. Um problema precisa ser resolvido. Não deu asas ao pensamento. a incoerência semântica está na não-combinação entre os sentidos de ter acesso e problema. solucionado. . Ainda dentro deste tipo de coerência.. Jamais fui a uma igreja seja ela de qual raça ou costume.. O vocábulo nível é desnecessário. mas. como as que seguem: O jardim que circula a casa estava maltratado. mas não ser alcançado. O sol deixa um rastro de cor reflexada na água. Entramos em um círculo de mudanças. Coerência Sintática . O que existe é um apontamento dos erros do vestibular. vencendo a oscilação que repousava em sua mente. A televisão transmite lazer. Isto acontece quando você está batendo uma conversa informal. sendo este o dominador comum das mudanças. lembramos que o pouco domínio do sentido dos vocábulos e das restrições combinatórias podem também gerar frases com problemas de compreensão. causou ambiguidade com relação ao antecedente do que. problema universal que por direito todo indivíduo deve ter acesso. 3) Educação. O Brasil é um país em alta-rotatividade. parece-nos.. O armário estava desarrumado. o antecedente é problema universal. O rei quis obter as luxúrias que sua posição oferecia. Da maneira como foi escrita a frase. obviamente com medo de aferir a opinião dos outros. . A inadequação. que é o sentido de ter acesso. A audiência no Maracanã é grande quando jogam Vasco e Flamengo.

a alternância de registros pode ser. por outro lado. Teríamos a seguinte oração. 3) O papel preponderante da escola. usada isoladamente. Exemplos: 1) Então as pessoas que têm condições procuram mesmo o ensino particular. que este tipo de coerência não chega. nesta frase. a perturbar a interpretabilidade de um texto. (As frases usadas como exemplos foram produzidas por alunos recém-ingressos na universidade.) Coerência Estilística Percebemos. não está sendo cumprido. o que causa uma incoerência sintática. a elipse da conjunção na segunda expressão foi inadequada. Onde há métodos. é uma noção relacionada à mistura de registros linguísticos. dizer falta de ler. ainda. A primeira seria a troca do relativo onde.Refere-se aos meios sintáticos usados para expressar a coerência semântica: conectivos. mas pela inadequação do vocabulário. Leia este poema de Manuel Bandeira: Teresa. um recurso estilístico. muito distante do sujeito. específico de lugar. e a frase ficou fragmentada. pelos exemplos citados abaixo.. se algum sujeito bancar o sentimental em cima de você e te jurar uma paixão do tamanho . Por último. não gramaticalmente. Esta frase apresenta o seguinte problema: ela é longa demais. etc. Depois foi empregada a conjunção seja. para no qual ou em que (ensino particular. principalmente crianças e adultos. por isso o predicado. É desejável que quem escreve ou lê se mantenha num estilo relativamente uniforme. seria desejável. na verdade. que seria de formar e informar. equipamentos e até professores melhores. falta de treino de escrita. mastigado para uma boa compreensão. seja porque não há estímulo por parte dos professores. essa falta de leitura. Talvez o autor estivesse querendo dizer seja porque tudo já vem mastigado. que geralmente se usa para apresentar mais de uma alternativa: seja porque tudo já vem pronto. O primeiro é o nãoparalelismo entre leitura (nome) e escrever (verbo). 2) Na verdade. vários problemas que prejudicam a sua coerência. A coerência deste período poderia ser recuperada se duas alterações fossem feitas. ela perde o seu sentido alternativo. no qual/ em que há métodos . acaba discordando dele. ou falta de leitura. por exemplo. O papel da escola A escola X não está alcançando esse objetivo. sem problemas de compreensão: Então as pessoas que têm condições procuram mesmo o ensino particular. Percebemos. não precisando pensar. pronomes. e a segunda seria a substituição do ponto por vírgula. no qual há equipamentos e até professores melhores. hoje não está alcançando esse objetivo. Há.. de escrever.). Entretanto. de escrever. que o sujeito essa falta de leitura acabou não se juntando a nenhum predicado. Pode-se dizer que há um cruzamento na estrutura da frase. de maneira que a oração relativa não ocorresse como uma oração completa e independente da anterior. não foi explicitado o termo que pode preencher essa função. seja porque tudo já vem pronto.

de um bonde Se ele chorar Se ele ajoelhar Se ele se rasgar todo Não acredita não Teresa É lágrima de cinema É tapeação Mentira CAI FORA O autor procede como se estivesse falando. aconselhando alguém. jogada. mistura de registros. AgCl é considerado insolúvel porque o que fica de AgCl é um troço tão irrisório que a gente não considera .Informante: Homem. cada interlocutor. isto é.) Nesta exposição. o professor emprega uma grande variação de registro. "cai fora" .. pois o autor utiliza várias expressões da língua oral. de uma negação. Coerência Pragmática Refere-se ao texto visto como uma seqüência de atos de fala. por decoreba.UFRJ. a resposta pode se manifestar por meio de uma afirmação. chamada.. na sua vez de falar. cascata. extraído de uma aula gravada: . estar por dentro. chumbo são insolúveis. muito solúveis. como "do tamanho de um bonde". virar . cara). "se ele se rasgar todo".. os cloretos e prata. Você pode comer quilos desse troço que a prata não vai te perturbar. Para haver coerência nesta seqüência. Professor de química numa aula para o terceiro ano do segundo grau. Agora leia este trecho. a mistura de registros. todos os outros cloretos são solúveis. ao mesmo tempo em que emprega o futuro do subjuntivo. Agora pergunto: aquilo lá não é uma cascata muito grande? Quando a gente agora está por dentro do assunto? O que o cara quer dizer com solúveis. decoreba. advertindo sobre uma possível "cantada". 31 anos. Há mistura de tratamento (tu/você). sem causar incoerência. é preciso que os atos de fala se realizem de forma apropriada. aproximando-se deles ao usar essa maneira de falar. Qualquer uma dessa seqüências seria considerada coerente. isso aí é um conceitozinho um pouco maior. de uma promessa. dentro do corpus do projeto. de outra pergunta. e o informal. nesta passagem. tempo mais comum num registro mais cuidado. para explicar o conceito de solubilidade. Entendeu qual é a jogada? O que tem na solução daqueles íons não vai atrapalhar ninguém. (Corpus do Projeto NURC/RJ . pode ter uma causa objetiva. Portanto. se o interlocutor não responder. Por outro lado. aquele negócio que eu falei. é que nós sabemos que os cloretos. pouco solúveis? Apenas um conceito relativo. Quando uma pessoa faz uma pergunta a outra. talvez com o objetivo de tornar a explicação menos pesada e a exposição mais interessante para os alunos. deve conjugar o seu discurso ao do seu ouvinte. movendo-se todo o tempo entre o formal.. servindo-se de gírias (troço. de elocução formal.

Piadas podem ser elaboradas a partir de incoerências: No balcão da companhia aérea. lembramos que cada tipo de texto tem sua estrutura própria. O texto dissertativo e a argumentatividade (tema 8) -. estas seqüências seriam consideradas incoerentes. pelo menos. o viajante perguntou à atendente: A . sobretudo. Para quem fez a pergunta. E um último exemplo pode ser esta frase. No texto narrativo. descritivo ou dissertativoargumentativo. começar a cantar. mas da escolha de vocábulos de campos semânticos relacionados à pesca." Parece que o emissor não conhece o sentido do verbo incluir. Nós é que percebemos a incoerência da sequência e tomamos o conjunto como uma piada. em que não há elementos coesivos. Ou então. por isso os mecanismos de coerência e de coesão também vão se manifestar de forma diferente na superfície linguística. O texto descritivo (tema 7). é simplesmente um pedido de tempo para depois dar atenção ao interlocutor A.Muito obrigado. de Affonso Romano de Sant’Anna. a coerência existe em função. Exemplo: A: Você pode me dizer onde fica a Rua Alice? B: O ônibus está muito atrasado hoje. da ordenação temporal. a frase de B não é a resposta. não pareceu nem um pouco incoerente a resposta obtida. Há ainda incoerências geradas a partir da desobediência a articulações de conteúdo. ou mesmo dizer algo totalmente desconectado do tema da pergunta. Retomando este ponto. Tomemos como exemplo o conhecido poema A pesca. conforme se trate de um texto narrativo. que certamente não pode ocorrer combinado com fora. Texto e Coerência Em outros temas desenvolvidos nesta série . A pesca o anil a garganta .O texto narrativo (tema 6). A . pois a sequência contém uma contradição. uma irmã ou irmão.Um momentinho. ouvida recentemente em um programa de televisão: "Me inclui fora dessa.as costas e sair andando. Entretanto. usa expressamente o advérbio fora para explicar sua intenção de não ser incluído em algum projeto. mostramos como a coerência e a coesão ocorrem nos diversos tipos de texto. Se você ouvir a frase Meu irmão é filho único pode pensar que quem a pronunciou desconhece o sentido dos vocábulos usados.A senhorita pode me dizer quanto tempo dura o voo do Rio a Lisboa? B . No entanto há coerência em função de uma sequência temporal depreendida não só da ordem em que foram colocados os substantivos. O sentido de irmão inclui o fato de que esse indivíduo tem.

Em cima desse cachorro tinha um gato um gato ressonando.o anzol o azul o silêncio o tempo o peixe a agulha vertical mergulha a água a linha a espuma o tempo a âncora o peixe a âncora o peixe a boca o arranco o rasgão aberta a água aberta a chaga aberto o anzol aquelíneo ágil claro estabanado o peixe a areia o sol azul anil areia sol mergulhar anzol boca isca rasgão materi "agulha peix chaga ma al e " gargant r linha a A história infantil A Casa Sonolenta. Era uma vez uma casa sonolenta onde todos viviam dormindo Nessa casa tinha uma cama uma cama aconchegante. onde todos viviam dormindo. numa casa sonolenta. em cima de um cachorro cochilando. em cima de uma avó roncando. numa casa sonolenta. em cima de um menino sonhando. um texto narrativo e descritivo. é mais um bom exemplo de como a sequência é fundamental para que se estabeleça a coerência textual. . numa cama aconchegante. onde todos viviam dormindo.

A coerência. movidos pela ação da pulga. que assustou o gato. tinha uma avó. em cima de uma avó roncando. 2º momento . numa casa sonolenta. numa cama aconchegante. Será possível? onde todos viviam dormindo. E em cima desse rato numa cama aconchegante..todos acordam. um menino sonhando. sonolenta. em cima de um menino sonhando. onde ninguém mais estava dormindo. sonhando. uma avó roncando. tinha um menino. que caiu sobre o menino. um rato dormitando.. Em cima dessa avó numa cama aconchegante. um cachorro cochilando. Um pulga acordada.todos estão dormindo. tinha um cachorro. ressonando. aconchegante. em cima de uma avó roncando. numa cama aconchegante. roncando. numa casa sonolenta. onde todos viviam dormindo. que arranhou o cachorro. Em cima desse menino que picou o rato. dormitando. cochilando. numa casa sonolenta. onde todos viviam dormindo.cama.Em cima desse gato Nessa cama tinha um rato. em cima de um menino sonhando. em cima de um cachorro cochilando. em cima de um gato ressonando. numa casa sonolenta. que deu um susto na avó. em cima de uma avó roncando. Não houve repetição de nenhum verbo. se dá pela escolha de vocábulos do campo semântico de dormir . onde todos viviam dormindo. que quebrou a cama. cada um por sua vez. e cada um deles foi combinado . na primeira parte. A história se estrutura com base em dois momentos: 1º momento . tinha uma pulga. numa casa sonolenta.

À sua direita havia uma mesinha de desarmar. A família se envolve. prejudica a coerência do texto. atiçou o fogo. Ergueu-se desapontada. Besteira. marcando a ação finalizada. machucou-a com as mãos e depois jogou-a fora. O resultado foi secar a garganta.e não conseguiu o que esperava. No trecho abaixo. Os três vocábulos juntos. aparentemente. um dia. relacionou esse ato com a lembrança da cama. Encheu a boca de saliva. moça. Apenas os fatos narrados no conto justificam a ordem em que os vocábulos foram organizados no título. "(Sinhá Vitória) Agachou-se. Se o cuspo alcançasse o terreiro. inutilmente. obedecendo a uma sequência. não constituem título coerente para um conto. seja uma pessoa. O caso termina em tragédia. como no parágrafo abaixo: O homem estava sentado num tamborete rústico. com a finalidade de auxiliar o leitor/ouvinte a compor o todo a partir dessas informações parciais. pôs-se a chupar o canudo de taquari cheio de sarro. em função de uma ordenação espacial. No entanto. com os joelhos cruzados e a cabeça baixa. No texto descritivo. seja um cenário. deixam a moça mais nervosa e sem apetite. passa a receber insistentes telefonemas feitos por uma voz que reclama de volta a sua flor. a coerência se estabelece." Com respeito a essa ordenação das informações num texto descritivo. Quem descreve procura percorrer os detalhes daquilo que descreve. que tinha o costume de passear no cemitério. Os verbos estão no pretérito perfeito. a coerência advém do próprio conto. a cada dia. acaba definhando e morrendo. A moça. A partir daí. bebeu um caneco de água. entulhada de lápis de . Por uma extravagante associação. temos uma série de atos que. O caráter descritivo desta parte se apóia em adjetivos (caracterizando os seres inanimados) e verbos no gerúndio e pretérito imperfeito (atribuídos aos seres animados).Flor. casa sonolenta dormindo roncando sonhando ressonando cochilando viviam tinha casa acordada picou assustou arranhou caiu deu quebrou Lembramos ainda o título do conto de Carlos Drummond de Andrade . apanhou uma brasa com a colher. extraído de "Vidas Secas". sobretudo. Jogo longe uma cusparada. inclinou-se . se alterada. é interessante assinalar que a ordem em que são percebidos os objetos ou os componentes de uma cena pode determinar a organização linear das sequências usadas para descrevê-los. Nunca mais houve telefonemas. Água salobra. A segunda parte do texto apresenta a mudança desencadeada a partir da picada da pulga. arrancou uma flor de um túmulo. a cama seria comprada antes do fim do ano. telefone. que se resume na seguinte história: uma moça.coerentemente com cada habitante da casa. Fez várias tentativas. Preparou-se para cuspir novamente. seja um objeto. sem ânimo para coisa alguma. Aproximou-se do canto onde o pote se erguia numa forquilha de três pontas. tentando uma solução para os telefonemas que. com um gesto distraído. acendeu o cachimbo. aquilo não valia. que passou por cima da janela e foi cair no terreiro.

. É ainda muito importante.. em uma sentença B. No texto dissertativo-argumentativo. apoiando-se na pilastra onde estavam expostos seus trabalhos: fotografias coloridas de grandes personalidades e caricaturas também de grandes personalidades. roteiristas e artistas para retomar o diálogo. Koch (1997) conceitua a coesão como "o fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos linguísticos presentes na superfície textual se encontram interligados. é muito importante para a coerência a ordenação lógica das ideias. desde que. a relação. os conectores mas (ideia adversativa) e desde que (condição). "o encadeamento semântico que produz a textualidade. folhas de papel em branco. (Wander Piroli. . Precisa de boa sacudida que o faça retomar o caminho de casa. com respeito à coesão. satisfaça). a conexão entre as palavras. tesoura e um pouco de estopa. por meio de recursos também linguísticos. atrasado e sorridente." Daí a necessidade de haver concordância entre o termo da sentença A e o termo que o retoma na sentença B. uma combinação cuidadosa dos tempos verbais empregados.causa. Platão e Fiorin (1996). tempo presente. borrachas. Apoiados nos trabalhos de Koch (1997). como no texto abaixo: A cerimônia esteve muito concorrida. . a se voltar para o filme estrangeiro. neste parágrafo. O mesmo se verifica na frase anterior: Precisa de boa sacudida que o faça. Suárez Abreu (1990) e Marcuschi (1983). trata-se de uma maneira de recuperar. condição etc. conclusão. que fez o discurso inaugural. quando o objetivo é argumentar de maneira coerente e coesa. mas tende. segundo Suárez Abreu (1990)." A coesão é. Temos. Há conectores específicos para se expressar as diferentes articulações sintáticas . ou seja. evidentemente.. Observe: Depois que um rolo compressor passou pelo cinema brasileiro." Para Platão e Fiorin (1996). Havia ainda uma tabuleta em cima da pequena mesa. formando sequências veiculadoras de sentido.e eles devem ser usados adequadamente. As possibilidades de correlacionar os argumentos decorrem dos operadores lógico-discursivos empregados. a ordenação é feita a partir da seleção das informações julgadas relevantes. é bom saber que existem fórmulas ao alcance de diretores. a coesão textual "é a ligação. As expressões é bom saber. alijando-o intempestivamente do mercado. por distorção natural. lembramos que o uso do conector desde que pede o emprego do verbo no modo subjuntivo. Trabalhadores do Brasil) Entretanto. que não podem ser substituídos por conectores de outro sentido. o produto da casa satisfaça suas expectativas. evidentemente têm a finalidade de introduzir e reforçar os argumentos. É importante. finalidade. Considerações sobre o Conceito de Coesão São muitos os autores que têm publicado estudos sobre coerência e coesão. Foi preciso esperar meia hora pelo Primeiro Ministro. apresentamos algumas considerações sobre o conceito de coesão com o objetivo de mostrar a presença e a importância desse fenômeno na produção e interpretação dos textos. sob pena de alterar o que se quer expressar. escolher os conectores adequados. como sempre. um termo presente em uma sentença A. o que foi feito pelo autor do texto (desde que . de acordo com a relação que se quer exprimir ao desenvolver uma argumentação. produtores. Presidiu o Presidente da República. Finalmente. O mercado consumidor tem fôlego. expressões ou frases do texto.vários tipos e cores. isto pode não acontecer. que chegou. pois..

são considerados . todas remetem a amigas. em pessoa e número. isto é. evitando sua repetição. falam. que tem servido de base para grande número de estudos sobre o assunto. que representa a língua. por algumas razões. e tal frequência é cansativa. temos o pronome que remetendo a amigos. afirmam que a coesão é condição necessária. Esses fatos representam mecanismos de coesão. Marcuschi (1983) assim define os fatores de coesão: "são aqueles que dão conta da sequenciação superficial do texto. e tal frequência é cansativa) assinalam relação de contraste ou de oposição e de adição de argumentos ou ideias. para que se crie um texto. respectivamente. por sua vez. algumas datam de quinze anos. em que o autor discorre sobre as amigas. Quanto às amigas. como veremos mais adiante. temos os pronomes suas e que retomando mulheres de três gerações e o fato. Uma delas é que podemos ter conjuntos linguísticos destituídos de elos coesivos que. Vejamos agora a coesão num período mais complexo: Os amigos que me restam são da data mais recente. para que um conjunto de vocábulos. respectivamente. os pronomes algumas. mas existem muitos outros. e (e quase todos creem na mocidade. Quebrando o muro de silêncio. Dessa maneira.Finalmente. Dom Casmurro) Observemos os elementos de coesão presentes neste texto. Nesses exemplos. todos e os se relacionam a amigos. entre eles. outras de menos. fariam. relações de sentido. três também remetem a amigas. por meio dos elementos de coesão. amigos é o sujeito de foram. mas a língua que falam obriga muita vez a consultar os dicionários. vai sendo construído. E. os pronomes elas e sua antecipam oito dezenas de mulheres e os seres humanos. expressões. Mas essa afirmativa não é categórica nem definitiva. todos os amigos foram estudar a geologia dos campos-santos. que. No primeiro período. mas não suficiente. para retomar muita vez. o texto vai sendo "tecido". autores como Halliday e Hasan (1976). Já no segundo período. Duas ou três fariam crer nela aos outros. assinalando relações entre os vocábulos do texto. os seres humanos costumam achar que dominam a terra e todos os outros seres vivos. no entanto. respectivamente. Estes são apenas alguns mecanismos de coesão. na oração seguinte. Assim. frases seja considerado um texto. outras. o autor usou a expressão sinônima tal frequência. nela retoma a expressão na mocidade. e quase todas creem na mocidade. é o sujeito de datam. (Machado de Assis. é preciso haver relações de sentido entra essas unidades (coerência) e um encadeamento linear das unidades linguísticas presentes no texto (coesão). 2) Elas resolveram falar. 3) Do alto de sua ignorância. daí a concordância. A respeito do conceito de coesão. os mecanismos formais de uma língua que permitem estabelecer. entre os elementos linguísticos do texto. oito dezenas de mulheres decidiram contar como aconteceu o fato que marcou sua vida. os numerais duas. Observe: 1) Mulheres de três gerações enfrentam o preconceito e revelam suas experiências. Do mesmo modo." A coesão pode ser observada tanto em enunciados mais simples quanto em enunciados mais complexos. creem. que é o sujeito dos verbos restam e são. Outros mecanismos marcam a relação de sentido entre os enunciados. em obra clássica sobre coesão textual. os vocábulos mas (mas a língua que falam). Na verdade.

burlou. Virou-se. A vista que tenho da casa é muito agradável. Lucrou.. Depositou. Escondeu. Chegou. Cumprimentou. Examinou. Controlou. Beijou. Explorou. Acordou. Burlou. Acordou. Beijou. Safou-se. Elogiou. "todos os processos de sequencialização que asseguram (ou tornam recuperável) uma ligação linguística significativa entre os elementos que ocorrem na . Dormiu. Lamentou. Como se conjuga um empresário Acordou. Comprou. Esperou. Negou. Temeu. embora a coesão não seja condição suficiente para que enunciados se constituam em textos. Convocou. Negou. Depositou. Sobressaltou-se. Subiu. Comentou. Entrou. Suspendeu. Vigiou. Temeu. Bebeu. Lucrou. Escovou. Vendeu. Leu. Levantou. Vendeu. como vimos no texto "Circuito Fechado". Telefonou.. Mexeu. Gemeu. Ordenou. Cumprimentou. Rasgou. Barbeou-se. em que só existem verbos. Assinou. Tentou. Convidou. Engoliu. Lavou-se. Despertou. Perfumouse. Por outro lado. Apanhou. Lesou. Advertiu. Suou. Levantou-se. Depositou. Abraçou. Vendeu. Saiu. Despachou. Ganhou. Envergonhou-se. Aprontou-se. Deitou-se. Sacou. Fungou. Dormiu. explorou. Presenteou. elos coesivos não são suficientes para garantir a coerência de um texto. Preparou-se. Explorou. mas os pedreiros estão almoçando. Podemos constatar que "Como se conjuga um empresário" não precisou de elementos coesivos para ser considerado um texto. porque há coerência. Neste texto. Despachou. a coerência é depreendida da sequência ordenada dos verbos com os quais o autor mostra o dia-a-dia de um empresário. Ganhou. Preocupou-se. A água da piscina parece limpa. expositivos. Entregou. Entrou. Bolinou. Insistiu. Despiu-se. é o texto do escritor cearense Mino. Frustrou. Lanchou. Associou-se. Demitiu. Aprontou-se . Dormiu. Saiu. apresentam uma continuidade semântica. Para Mira Mateus (1983). Justificou-se. Estimulou. Verbos como lesou. Leu. Beijou. Enxugou-se. Interrompeu. Repreendeu. Chegou. Finalizando. Depositou. Desconfiou. Roncou. Sonhou. Lucrou. Despachou. Rasgou. jornalísticos depende da utilização explícita de elementos conectores. É o caso do exemplo a seguir: As janelas da casa foram pintadas de azul. Irritou-se.textos porque são coerentes. Abraçou. Chegou. Desceu. são os elementos coesivos que dão a eles maior legibilidade e evidenciam as relações entre seus diversos componentes. Leu. Saiu. vale dizer que. Chegou. de Ricardo Ramos. Assentou-se. Demitiu. Babou. Despiu-se. Convocou. safouse . Vendeu. Orientou. Levantou-se. Um outro bom exemplo da possibilidade de haver texto. entretanto foi tratada com cloro. Sacou. sua organização. Ganhou. Dirigiu-se. Conferiu.. transmitem um julgamento de valor do autor do texto em relação à figura de um empresário. Antecipou. Vendeu-se. Lesou. Dormiu.. isto é. sem elos coesivos explicitados linguisticamente. Ansiou. Lucrou. A coerência em textos didáticos. Mecanismos de Coesão São variadas as maneiras como os diversos autores descrevem e classificam os mecanismos de coesão. Relaxou-se. Bebeu. Consideramos que é necessário perceber como esses mecanismos estão presentes no texto (quando estão) e de que maneira contribuem para sua tecitura. Engoliu.

na regência nominal e verbal. têm. interrogativos.  Coesão Frásica . dos conectores. sofisticadas. suingada. no mundo inteiro. relativos. concordância nominal voz rascante. com base na concordância entre o nome e seus determinantes. na ordem dos vocábulos na oração. advérbios (aqui. sofisticadas (subst. rústicas. entre o sujeito e o verbo. dos pronomes pessoais de terceira pessoa (retos e oblíquos). indefinidos. Rascante. aí). da ordem dos vocábulos. ali. demonstrativos. agitadas. é algo que poucas cantoras. oclusiva. entre o sujeito e seus predicadores. (adjetivos) ) todos (pron. passamos a ver separadamente cada um dos tipos de conexão gramatical. interfrásica. com ondas. artigos definidos. frásica. diversos tipos de numerais. concordância nominal praias desertas. de expressões de valor temporal. rústicas. Exemplos: 1)Florianópolis tem praias para todos os gostos. oclusiva. a saber.este tipo de coesão estabelece uma ligação significativa entre os componentes da frase. temporal e referencial. desertas.) concordância verbal Florianópolis (sujeito) tem (verbo) os (artigo) gostos (substantivo) 2) A voz de Elza Soares é um patrimônio da música brasileira. sem ondas." Esses instrumentos se organizam da seguinte forma: Coesão Gramatical Faz-se por meio das concordâncias nominais e verbais. suingada poucas cantoras música brasileira mundo inteiro concordância verbal voz é . De acordo com o quadro antes apresentado. agitadas. pronomes possessivos.superfície textual podem ser encarados como instrumentos de coesão. lá.

O barão. O barão admirava a bailarina que. isto é. estar presente. Observe estas frases: a) O barão admirava a bailarina que dançava com um olhar lânguido. Dependendo do sentido que queremos dar à frase. Ou A peça que assisti ontem foi muito bem montada (ao invés de a que assisti). Para deixar claro um ou outro sentido. com um olhar lânguido. este verbo é usado sem a preposição. Observe: O médico assistiu ao doente durante toda a noite. No que diz respeito à regência nominal. deslocamentos de vocábulos ou expressões dentro da oração podem levar a diferentes interpretações de um mesmo enunciado. b) A moto em que ele estava passeando lentamente saiu da estrada. temos frases como: Ainda não assisti o filme que foi premiado no festival. causa ambiguidade. Para evitar a ambiguidade. admirava a bailarina que dançava. podemos entender que a Mesbla foi liquidada.Os Anjos do Asfalto assistiram as vítimas do acidente. presenciar.. no entanto. com um olhar lânguido. A expressão com um olhar lânguido. foi vendida ou que a Mesbla promoveu uma liquidação de seus produtos. prestar assistência. é preciso alterar a ordem dos vocábulos. Há verbos que mudam de sentido conforme a regência. conforme a relação que estabelecem com o seu complemento. o verbo assistir é usado com a preposição a quando significa ser espectador. Também em relação à regência verbal. há também casos em que os enunciados podem se prestar a mais de uma interpretação. Por isso. se liga o advérbio lentamente? Da forma como foi colocado. na linguagem coloquial. a coesão pode ficar prejudicada se não forem tomados alguns cuidados. usa-se com proposição ou não. Poderíamos ter. pois tanto pode se referir ao barão como à bailarina. podemos reescrevê-la de duas maneiras: A Riachuelo foi liquidada no fim do verão. dançava. A análise deste período mostra que ele é formado de duas orações: A moto saiu da estrada e em que ele estava passeando. Se dissermos A liquidação da Mesbla foi realizada no fim do verão. pode se ligar a qualquer uma das orações. A moto em que ele estava passeando saiu lentamente da estrada. Entretanto. devido à posição em que foi colocada. No sentido de acompanhar. . Por exemplo. ajudar. com frequência. Exemplo: A cidade inteira assistiu ao desfile das escolas de samba. socorrer. então: A moto em que lentamente ele estava passeando saiu da estrada.cantoras têm Com respeito à ordem dos vocábulos na oração. Isso acontece porque o nome liquidação está acompanhado de um outro termo (da Mesbla). A qual das duas. recorremos a uma mudança na ordem dos vocábulos.

que ainda amamentam os filhotes nascidos há um ano. as baleias encontram as condições ideais para acasalar. portanto. Nunca um ser humano presenciou uma cópula de jubartes. Como sua comida costuma ficar na superfície. Ao subir. ela espirra o leite na água. usar o conector adequado à relação que queremos expressar. por último. É necessário.  Coesão Interfrásica . uma faixa com cerca de 500 quilômetros de água rasa e cálida. vêm os machos. entre o Espírito Santo e a Bahia. ela mergulha e nada em volta dos peixes. a música vai sofrendo pequenas mudanças. afunda a cabeça. até que. (idem ) d) A baleia vem devagar. mas sabe-se que seu intercurso é muito rápido. (Revista VEJA. Seguem exemplos dos diferentes tipos de conectores que podemos empregar: a) As baleias que acabam de chegar ao Brasil saíram da Antártida há pouco mais de um mês. quando estacionavam em vários pontos da costa brasileira. Pero de Magalhães Gândavo registrou ter visto centenas delas na baía de Guanabara. a baleia abocanha tudo. porém. Sua cauda. depois de cinco anos. elimina a . é completamente diferente da original. A coreografia dura segundos. soltando bolhas de água. Já foram dezenas de milhares na época do descobrimento. (idem ) e) Tão grande quanto as baleias é a sua discrição. porém tão grande é a baleia que parece um balé em câmara lenta. no 30. as grávidas.A Riachuelo promoveu uma liquidação no fim do verão. são cerca de 1000 baleias que chegam a Abrolhos todos os anos. Elas têm pressa. já que um filhote tem necessidade de mamar cerca de 100 litros de leite por dia para atingir a média ideal de aumento de peso: 35 quilos por semana. As primeiras a chegar são as mães. parir e amamentar. Ao todo. Depois.designa os variados tipos de interdependência semântica existente entre as frases na superfície textual. porque é difícil conciliar amamentação e viagem. Em seguida. Em 1576. (idem ) c) Ao longo dos meses. dura apenas alguns segundos. ressurge gloriosa sobre a água como se fosse uma enorme borboleta molhada. as fêmeas sem filhote e. No banco de Abrolhos. então. as bolhas concentram o alimento num círculo. ergue o corpanzil em forma de arco e desaparece um instante. julho/97) b) Como suas glândulas mamárias são internas. (idem ) f) A jubarte é engenhosa na hora de se alimentar. Essas relações são expressas pelos conectores ou operadores discursivos.

Vivem a dúvida de preservar a pureza da Casa de Deus ou apoiar um empreendimento que pode trazer benesses materiais. (idem ) l) A Igreja e a prefeitura estimam que o shopping deve gerar pelo menos 1000 empregos. portanto. óculos. A autora faz uma lista dos lugares onde o turista pode comprar roupas. (. (idem ) i) Se já não é possível espantar a chicotadas os vendilhões do templo. a infraestrutura da Basílica se transforma em pó em outubro. sapatos.. (idem ) h) Como guia de Paris. mas também das pessoas que frequentam o interior do templo para exercer a mais legítima de suas funções. muitos habitantes de Aparecida estão entre a cruz e a caixa registradora. não fornece as faixas de preço das lojas. por exemplo. (idem ) n) O shopping da fé também contará com um centro de eventos com palco giratório. julho/97) j) Na verdade. no 27. embora muitas vezes valha a pena comprar a versão original. a oração. quando num único fim de semana surgem 300 mil fiéis. Não espere. (idem ) g) Várias publicações estrangeiras foram traduzidas.. livros. discos. (Revista VEJA.) As críticas vêm não só dos vendilhões ameaçados de ficar de fora. (idem ) m) Aparentemente boa. o livro é um embuste. (idem ) Conectores: . no entanto.água pelo canto da boca e usa a língua como uma canaleta a fim de jogar o que interessa goela adentro. descobrir através dele o horário de funcionamento dos museus. a solução é integrálos à paisagem da fé.

se (exemplo i) . embora (g) . ao longo dos meses (c). por exemplo (exemplo m) . conquistou mulheres. apenas uma coesão interfrásica explicitada: trata-se da oração "Quando se irritava com alguém.indicam uma contraposição.mas também (exemplo i) . já (a). ao uso de advérbios que ajudam a situar o leitor no tempo (são.uma sequência só se apresenta coesa e coerente quando a ordem dos enunciados estiver de acordo com aquilo que sabemos ser possível de ocorrer no universo a que o texto se refere. Jamais se reconciliaram. já que (exemplo a). Se essa ordenação temporal não satisfizer essas condições. até que (c) .. tão . ou no qual o texto se insere. ainda que os operadores não tenham sido explicitados. existe o processo de justaposição. A coesão temporal é assegurada pelo emprego adequado dos tempos verbais. também (exemplo n) . principal peça do aparelho de tevê. quando (a). Após ..operador que serve para dar continuidade ao texto.indicam uma comparação. obedecendo a uma sequência plausível. então (d) . no 37. porém (exemplos c. relativamente. d). Matisse e Braque nos cafés de Montparnasse. nova. depois de cinco anos (c).. Portinari não tocava publicamente no nome de Di. no decorrer de pesquisas sobre a amplificação eletrônica.introduzem uma explicação ou justificativa. para encadear os acontecimentos.indicam uma finalidade. ou (exemplo j) . em que a coesão se dá em função da sequência do texto. somente na década de vinte chegou-se ao tubo catódico. mas (e) . de certa forma. f) . Foi em cabarés e mesas de bar que Di Cavalcanti fez amigos.indica uma forma de condicionar uma proposição a outra.liga termos ou argumentos.f) . a fim de (exemplo f) . que (exemplo d). como (exemplo d) .operador para reforçar mais um argumento apresentado. os argumentos vão sendo apresentados. trocou o Rio por longas temporadas em São Paulo. tão .expressa uma generalização. Nos anos 20.serve para especificar o que foi dito antes.e (exemplos a. (Revista VEJA. O também pintor Cândido Portinari. Exemplos: A dita Era da Televisão é. não media palavras..setembro/97) Há. Quando isto acontece. foi apresentado a medalhões das artes e da política.apresenta um disjunção argumentativa. não media palavras". em seguida (f). portanto (h) . não só. Os demais possíveis conectores são indicados por ponto e ponto-e-vírgula.. Quando se irritava com alguém. como (exemplos b. da ordem em que as informações. as proposições. i). por último (a)..servem para explicar a ordem dos fatos. eles são depreendidos da relação que está implícita entre as partes da frase. Teve um inimigo na vida. em seguida foi para Paris.d. porque (exemplo a). o texto apresentará problemas no seu sentido. Embora os princípios técnicos de base sobre os quais repousa a transmissão televisual já estivessem em experimentação entre 1908 e 1914.serve para mostrar uma soma de argumentos. Depois (a) . quanto (exemplo e) . Ainda dentro da coesão interfrásica. para (exemplos a.evidencia uma conclusão. Acabou conhecendo Picasso. no entanto (h) . nos Estados Unidos.  Coesão Temporal . A briga entre ambos começou nos anos 40. Di Cavalcanti era irreverente demais e calculista de menos em relação aos famosos e poderosos. neste trecho. O trecho abaixo é um exemplo de justaposição. os conectores temporais). uma amplificação. uma alternativa. na verdade (exemplo j) .

nos Estados Unidos. em 1939. em Calcutá. neste parágrafo.retoma o termo filhote ele também o faz . a apresentação da trajetória da televisão no Brasil. em 1939. na década de vinte. pretendia participar. que. em setembro de 1950. interrogativos. as transmissões regulares entre Nova Iorque e Chicago . nº 36. a princesa Diana. Já que não podia ir a Londres. por sua vez. a . ele . A ascensão vertiginosa do novo veículo deu-se após 1945. b) Madre Teresa de Calcutá. indefinidos. no 30. é claro. hoje. na ativa. e o que contribui para a clareza desta trajetória é a sequência coerente das datas: entre 1908 e 1914. como sempre. Existem hoje mais de 50 canais em funcionamento. A baleiona salta. Nesse mesmo ano. que a mãe pratica. Após várias experiências por sociedades eletrônicas. ali. um componente da superfície textual faz referência a outro componente. A comunicação do grotesco) Temos. ele também o faz. Embora o assunto neste tópico seja a coesão temporal. ela mantinha-se. O Papa João Paulo II declarou-se "sentido e entristecido". com a inauguração do Canal 3 (TV Tupi). no sábado. Perdera uma amiga. a despeito de algumas experiências pioneiras de laboratório (Roquete Pinto chegou a interessar-se pela transmissão da imagem). nesse mesmo ano.várias experiências por sociedades eletrônicas. relativos. entre Nova Iorque e Chicago. lá. Na noite de sexta-feira. A guerra impôs um hiato às experiências.o retoma as ações de saltar. -(Revista VEJA. -(Revista VEJA. Madre Teresa perdeu a batalha entre seu organismo debilitado e frágil e sua vontade de ferro e morreu vítima de ataque cardíaco.neste tipo de coesão. advérbios (aqui. estava triste na semana passada. já ocorreu antes. No Brasil. seu médico foi chamado às pressas. seus problemas de saúde agravaramse. (época da) guerra.  Coesão Referencial . e perto de 4 milhões de aparelhos receptores. no Brasil. substitui o vocábulo mãe. que em 1979 ganhou o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho com os destituídos do mundo. Ela bate a cauda. diversos tipos de numerais. Além disso. pronomes possessivos. [dados de 1971] (Muniz Sodré. artigos. que. a mãe ensina os segredos da sobrevivência ao filhote e é arremedada por ele.retomam o termo baleiona. Madre Teresa e o papa tinham grande afinidade. Exemplos: a) Durante o período da amamentação.julho/97) ela. demonstrativos. vale a pena mostrar também a ordenação espacial que acompanha as diversas épocas apontadas no parágrafo: nos Estados Unidos. tiveram início. o filhote a imita. a tevê só foi mesmo implantada em setembro de 1950. aí). bater. em todo o território brasileiro. Instalada em uma cadeira de rodas. onde morava há quase setenta anos. servindo a doze milhões de aparelhos. após 1945. Não adiantou. em todo o território brasileiro. setembro/97) . Para esta referência são largamente empregados os pronomes pessoais de terceira pessoa (retos e oblíquos). por Assis Chateaubriand. Aos 87 anos. já havia cerca de cem estações.mas quase não havia aparelhos particulares. de um ato em memória da princesa.

Como há mais machos que fêmeas. elas (que se refere a fêmeas) e deles (que se refere a machos) ocorrem depois dos nomes que representam.que. Existe ainda a possibilidade de uma idéia inteira ser retomada por um pronome.e aceita copular. f) A expedição de Vasco da Gama reunia o melhor que Portugal podia oferecer em tecnologia náutica. elas copulam com vários deles para ter certeza de que engravidarão. julho/97) Neste exemplo. ocorre um tipo bastante comum de referência . muitas vezes. -(Revista VEJA. um acréscimo ao que já fora dito e uma justificativa. -(Revista VEJA. ela. sempre com uma única fêmea no comando.a anafórica. no 30. e temos o que se chama uma referência catafórica. setembro/97) e) Elas estão divididas entre a criação dos filhos e o desenvolvimento profissional. julho/97) Nas letras d. que não é retomada pelo pronome correspondente ela. Elas se reúnem em grupos de três a oito animais. O sujeito dos verbos dispunha e levava é A expedição de Vasco da Gama. no 37. mas por elipse. Isto acontece porque os pronomes Ele e Elas. onde refere-se à cidade de Calcutá. na expectativa de ver se a fêmea cai na rede. isto é. que determina a velocidade e a direção a seguir. por isso. É ela. ela (que retoma fêmea). como acontece nas frases a seguir: a) Todos os detalhes sobre a vida das jubartes são resultado de anos de observação de pesquisadores apaixonados pelo objeto de estudo. Os pronomes elas (que retoma jubartes). -(Revista VEJA. Os machos vão atrás. sua referem-se a Madre Teresa. respectivamente. no 27. d) Ele foi o único sobrevivente do acidente que matou a princesa. a concordância do verbo . seus. já que. as mulheres precisam fazer escolhas difíceis. julho/97) . papa retoma a expressão Papa João Paulo II. por exemplo. Dispunha das mais avançadas cartas de navegação e levava pilotos experientes. que se referem. princesa retoma a expressão princesa Diana. Trabalhos como esse vêm alcançando bons resultados. -(Revista VEJA. seu. julho/97) Temos neste período uma referência por elipse. como Além disso.3ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do indicativo . que introduzem. -(Revista VEJA. Há ainda outros elementos de coesão. respectivamente a guarda-costas e mulheres aparecem antes do nome que retomam. as jubartes fazem a maior esbórnia. c) Em Abrolhos. com o perdão do trocadilho. no 30.é que indica a referência. mas o guardacostas não se lembra de nada. no 30.

Quando a Ipiranga começou a produzir querosene de padrão internacional. Pelo contrário. pelos serviços de água e luz e pela instalação de telefones. muitos disseram que isso .conectores que introduzem uma retificação. com o objetivo de fazer o ouvinte/leitor reter o nome e as qualidades do que é anunciado. também.conector que tem por função acrescentar mais um argumento ao que está sendo discutido. usamos termos que retomam vocábulos ou expressões que já ocorreram. muitos afirmavam. b) Se ninguém tomar uma providência. neste caso. ali . bastante usado nas propagandas. uma correção. quando a Ipiranga foi fundada. c) A lei é um absurdo do começo ao fim. Além disso.O pronome esse retoma toda a seqüência anterior. até mesmo opostos. a aprovação do texto foi obtida mediante emprego de argumentos falsos. junho/97) O pronome lo se refere ao desastre sem precedentes citado antes. Além disso . ou seja. quantas vezes é repetido o nome da refinaria. em geral. -(Revista VEJA. pelo contrário . não permitindo que os demais habitantes transitem por ali.faz referência a área pública. Em 1937.estes conectores indicam a ordem dos argumentos. julho/97) Este texto apresenta diferentes tipo de elementos de coesão. disso é explicado a partir do operador ou seja. a taxa de limpeza pública seria reduzida para os moradores. Quando a Ipiranga comprou as multinacionais Gulf Oil e Atlantic. anteriormente citada. Primeiro e Segundo . o projeto não repassa aos moradores o custo disso. nesta propaganda da Ipiranga. Por reiteração entendemos a repetição de expressões linguísticas. ou seja. porque existem entre eles traços semânticos semelhantes. Observe. disso . a responsabilidade pela coleta de lixo. Ainda há tempo de evitá-lo -(Revista VEJA.retoma o que é considerado um absurdo dentro da nova lei. Primeiro. que dificilmente isso seria possível. muitos afirmavam que seria difícil uma refinaria brasileira dar certo. Segundo. dos assuntos. Ao mesmo tempo. haverá um desastre sem precedentes na Amazônia brasileira. Este recurso é. existe identidade de traços semânticos. Coesão Lexical Neste tipo de coesão. podemos distinguir a reiteração e a substituição. Dentro da coesão lexical. porque permite aos moradores da superquadra isolar uma área pública.

25/08/93) A substituição é mais ampla. Vamos ilustrar cada um desses mecanismos por meio de exemplos. da hiperonímia. a cada passo que a Ipiranga deu nesses anos todos. que além de tudo. e os filhos Patrícia Caroline e Patrick são as maiores alegrias desse baiano nascido na cidade de Feira de Santana. E. só Clinton insiste no isolamento de Cuba. atitude que já levou até a Seleção Brasileira. pois pode se efetuar por meio da sinonímia. está preparada para o futuro? É que. outubro/97) Os termos assinalados têm o mesmo referente. nunca faltaram previsões que indicavam outra direção. é preciso esclarecer que. comenta o zagueiro. . com 5600 postos de abastecimento anual de 5. João Paulo II decidiu visitar em janeiro a ilha da Fantasia. Júnior Baiano coloca três craques: Leandro. da hiponímia. há um julgamento de valor na substituição de Cuba por ilha da Fantasia. nº 37. que procuraram portos naturais. diz o jogador. (JB. nº 39. -(Revista VEJA. além de ousadia. O zagueiro da Seleção só questiona se um dia terá o mesmo prestígio deles. Mozer a Aldair. Caderno Viagem. Deixando para trás a fase de desajustado e brigão. Na galeria do ídolos. neste caso. portos seguros para proteger suas embarcações de tempestades. setembro/97) Outro exemplo: A história de Porto Belo envolve invasão de aventureiros espanhóis. Conhecido por suas inconsequentes "tesouras voadoras". numa alusão a lugar onde não há seriedade. "Eles sabem tudo de bola.4 bilhões de dólares? E. da antonímia. o zagueiro rubro-negro agora orienta os mais jovens e aposta nesta nova geração do Flamengo. b) Aos 26 anos. a esposa. "Eles são a minha razão de viver e lutar por coisas boas". aventureiros ingleses e aventureiros franceses. (Revista VEJA.era incomum. Sinonímia a) Pelo jeito. Patrícia. o zagueiro Júnior Baiano deu uma grande virada em sua carreira. a Ipiranga teve sorte: a gente estava tão ocupado trabalhando que nunca sobrou muito tempo para prestar atenção em profecias. Entretanto. Quem poderia imaginar que a partir de uma refinaria como aquela a Ipiranga se transformaria numa das principais empresas do país. ele passou a agir de maneira mais sensata.

Tinha cabelos longos como Jesus e barbas longas. o jogador tem categoria suficiente para se transformar em um ídolo nacional. como os profetas. Pelo menos é essa a intenção do presidente Kleber Leite. com Sávio. Era especialista em colorir retrato e fazia caricatura em cinco minutos. houve uma referência por elipse. Os mais devotos o intitulavam "Bom Jesus".os pronomes oblíquos no e o retomam a figura de Antônio Conselheiro. calçava. ele. o. Antônio Conselheiro. nome com o qual conquistou os sertões e além. mas só ao final do texto esse sujeito é esclarecido. vale a pena mostrar mais alguns deles. Segundo Kleber. Athirson. Trabalhadores do Brasil) d) Vestia um camisolão azul. chamava. ele retocava uma foto de Getúlio Vargas. Júnior Baiano. 24/08/97) Este tipo de procedimento é muito útil para evitar as constantes repetições que tornam um texto cansativo e pouco atraente. Dizemos. que. Observe quantas diferentes maneiras foram empregadas para fazer alusão à mesma pessoa. foi conhecido. Por falar em prata da casa. "No ano passado me ofereceram US $ 9 milhões e mais o passe do Romário pelo Sávio e eu não fiz negócio". os guiadores de gente. o time rubro-negro terá condições de chegar às finais do Campeonato Brasileiro e Supercopa. neste caso. Nas mãos levava um cajado. isto é. sem cintura. Dentro desse parágrafo. Da mesma forma. Os outros chamavam-no "meu pai". e o possessivo sua (sua fama) tem como referente o mesmo Antônio Conselheiro. O dirigente nega a intenção do clube em fazer de seu atacante uma moeda de troca. "Santo Antonio". apoiado por Zico. que retoma os três craques. mantendo a base. o homem mantinha-se concentrado no seu serviço. lembrou. Foi conhecido como Antonio dos Mares. a cabeça. fixou é sempre o mesmo. os santos. Por exemplo. os escolhidos. Nos pés calçava sandálias para enfrentar o pó das estradas e.setembro/97) Os vocábulos assinalados indicam a sinonímia para o nome de Antônio Conselheiro. levava. Chamavam-no e o intitulavam . era Antônio Conselheiro. -(Wander Piroli. No momento. protegia-a do sol inclemente com um chapelão de abas largas. que retomam o jogador Júnior Baiano. e também como Irmão Antonio. os que sabiam o caminho do céu. vai apostar nos jovens valores do clube para o segundo semestre.o presidente do Flamengo. Evandro e Lúcio. e) Depois do ciclo Romário. e deles. tinha. Chamava os outros de "meu irmão".Por ser um parágrafo rico em mecanismos de coesão. c) Como uma ilha entre as pessoas que se comprimiam no abrigo do bonde. observamos ainda outros mecanismos de coesão já vistos anteriormente: sua. Ele acha que.-(Jornal dos Sports. 24/08/97) . então. era Antonio Vicente Mendes Maciel. o Flamengo entra na era Sávio. -(Jornal dos Sports. -(Revista VEJA. Quando fixou sua fama. uma certa época. que mostrava um dos melhores sorrisos do presidente morto. o pronome a (protegia-a) refere-se ao nome cabeça. o sujeito de vestia. De batismo.

bem longe dessas questões. Existe igualmente sinonímia entre Sávio. os sinônimos escolhidos para Estados Unidos se revestem de um juízo de valor. as jubartes são as únicas que cantam tanto que são conhecidas também por "baleias cantoras".o hiperônimo . Os exemplo ajudam a entender melhor. neste exemplo. Em outras palavras. mas sabe-se que seu intercurso é muito rápido. -(JB. embora todas remetam ao presidente do clube carioca. por exemplo. Na verdade. essas substituições ocorrem quando um termo mais geral .Por hiperonímia temos o caso em que a primeira expressão mantém com a segunda uma relação de todo-parte ou classe-elemento. no 30. dura apenas alguns segundos. são denominações de caráter pejorativo. a praia de Garopaba oferece no verão uma das mais belas paisagens catarinenses. -(Idem) c) Dentre as 79 espécies de cetáceos. 25/08/93) . Por hiponímia designamos o caso inverso: a primeira expressão mantém com a segunda uma relação de parte-todo ou elemento-classe. sempre com uma única fêmea no comando. ou vice-versa. Exemplos: a) Gelada no inverno. 25/08/93) Hiperonímia e Hiponímia . setembro/97) Não podemos deixar de apontar que. -(Revista VEJA. -(Revista VEJA. f) Penando para tentar reduzir a conta dos direitos e benefícios dos trabalhadores. -(JB. Nunca um ser humano presenciou uma cópula de jubartes. que determina a velocidade e a direção a seguir. Pois foi justamente na terra do vale-tudo entre patrão e empregado que 185000 filiados de um sindicato cruzaram os braços neste mês e pararam por quinze dias a UPS. -(Idem) d) A renda de bilro é a mais conhecida e criativa forma de artesanato catarinense. Caderno Viagem. julho/97) b) Em Abrolhos. a) Tão grande quanto as baleias é a sua discrição. de preferência.As expressões assinaladas em azul se referem à mesma pessoa. temos em dirigente um sinônimo de fato. a maior empresa de entregas terrestres do mudo.é substituído por um termo menos geral . Caderno Viagem. Elas se reúnem em grupos de três a oito animais.o hipônimo. atacante e jogador.É a seleção de expressões linguísticas com traços semânticos opostos.o país do cada um por si e o governo. enquanto as outras substituições podem ser chamadas de elipses parciais. as jubartes fazem a maior esbórnia. É ela. todo governante europeu hoje em dia baba de inveja dos Estados Unidos . Antonímia .

entre os assentados. foice. Coerência e Coesão Seu Papel na Compreensão e Produção de Textos Neste último item. pois remetem aos assentados. enseada pá. pode-se ter uma idéia de quanto é difícil elaborar um projeto ou usar novas tecnologias. picareta. julho/97) Hiperônimos (termos mais gerais) baleias animais cetáceos artesanato litoral norte instrumentos Hipônimos (termos mais específicos) jubartes jubartes baleias renda de bilro praia. "um professor pode fazer grandes modificações em sua metodologia de ensino de produção e compreensão de textos. também há escassez brutal. Como afirma Koch (1990). É preciso. ilha. e a maioria dos assentados não dispõe nem mesmo de uma pá ou de uma picareta. o instrumento mais comum ainda é a velha enxada. lidar com a coerência e a coesão.e) O litoral norte de Santa Catarina tem um verdadeiro festival de localidades famosas: a praia de Camboriu. -(Idem) f) Dado que. isto não seria de grande proveito. Com pouco dinheiro e escassa assistência. é expressivo o número de analfabetos. nosso objetivo é mostrar como o trabalho com os mecanismos de coerência e coesão é necessário para a atividade de compreensão e produção de textos. entre assentados e sem-terra (exemplo f) e entre jubartes e baleias cantoras (exemplo c). mostrar aos alunos como devem. eles costumam usar sementes de qualidade baixa e voltar-se para a produção de consumo familiar. a ilha de São Francisco do Sul. nº 29. acima de tudo. -(Revista VEJA. Mesmo entre os instrumentos de trabalho mais corriqueiros." . enxada Vale a pena apontar também a coesão lexical por sinonímia. ainda que os sem-terra tenham escolhido a foice como um dos seus símbolos de luta pela reforma agrária. baseando-se nas descobertas da Linguística Textual sobre coesão e coerência. sem fazer qualquer referência teórica sobre o assunto para seus alunos de 1º e 2º graus. a enseada do Brito. Os pronomes eles (caso reto) e se (caso oblíquo) são exemplos de coesão gramatical referencial. ao produzir seus textos. Entre eles. Este trabalho não deve se ater ou se restringir aos nomes e definições de cada mecanismo.

etc. Bebia. E esse mínimo de erros se consegue evitar com um mínimo de ‘regrinhas’ gramaticais. separadas por ponto. uma interminável lista de conjunções. julho/97) Temos um período formado de quatro orações. sua adequação ao transmitir as relações entre as orações. Lembramos aqui as sempre atuais colocações de Othon M. Embora não haja conectores gramaticais explícito. Nunca ficava bêbado. percebemos que. percebemos de que forma essas orações se combinam. Entretanto. depois deitava. o cuidado maior. São extremamente comuns as queixas não sei pontuar. coerente e objetivo. as relações que estabelecem entre as idéias como uma forma de evitar os períodos incoerentes do ponto de vista sintático e semântico. porém (entretanto. os problemas mais graves advêm das falhas na estruturação da frase." . Muitas vezes. as coordenativas e as subordinativas. como se ela fosse a qualidade mais importante do texto. Observe o trecho abaixo. estando de acordo com as intenções e preferências do autor do texto. mais proveitoso aliar o ensino da pontuação ao ensino dos mecanismos de coerência e coesão. se quiséssemos usar conjunções e outros coesores. ia de cerveja a cachaça. É muito mais produtivo eles entenderem o sentido das conjunções. relaxava. a grande preocupação do ensino de língua portuguesa é fazer com que os alunos decorem." Mais adiante continua: "Quando o estudante aprende a concatenar as ideias e estabelecer suas relações de dependência. sobretudo. isto é. mostrando a importância da pontuação para o estabelecimento do sentido do texto. a possibilidade de substituir os pontos por conectores explícitos antecedidos de vírgulas. formando uma seqüência.Às vezes. Seria. bebia. extraído de uma reportagem sobre o pintor Di Cavalcanti. é com a correção gramatical. pois (porque. contudo) nunca ficava bêbado. nº 37. Esta reescritura serve para mostrar o sentido das conjunções empregadas. a forma gramatical vem com um mínimo de erros que não chegam a invalidar a redação. da incoerência das ideias. por parte dos professores. lia. visto que. Daí a necessidade de saber lidar com a coerência e a coesão. Assim como podemos usar conectores e outros elementos de coesão para articular vocábulos ou orações e indicar as relações existentes entre eles. Garcia (1973): "uma composição pode estar absolutamente correta do ponto de vista gramatical e revelar-se absolutamente inaproveitável. lia. mas. Observamos ainda que essa forma de escrever (sem as conjunções) pode ser marca de um estilo. os sinais de pontuação também contribuem para a "costura" do texto. descansava. expondo seu pensamento de modo claro. da ausência de unidade e encadeamento lógico dos argumentos. Na atividade de produção de textos. não sei usar vírgulas. por exemplo. (Revista VEJA. Nas vacas magras. Tinha um poder enorme sobre o copo. dado que) tinha um poder enorme sobre o copo. e. mostrando como cada uma delas contribui para a elaboração de um bom texto. poderíamos reescrever esse mesmo período da seguinte maneira: Nas vacas magras. depois deitava. ia de cerveja a cachaça. Outro assunto que também é trabalhoso no ensino de língua portuguesa diz respeito à pontuação. sua função argumentativa. talvez. muitas vezes.

Cohesion in English. vai familiarizar seu público com essas novas aquisições linguísticas. e TRAVAGLIA. CUNHA. e CINTRA. Contexto. o resultado será a incoerência ou a falta de sequencialidade de modo que o leitor/ouvinte não será capaz de construir a interpretação adequada. Indicações Bibliográficas 1. Londres.A coesão textual. Comunicação em prosa moderna. embora concorra para que esta se estabeleça. Antonio S. Luiz C. é preciso mostrar onde estão os problemas e. 1996. Ingedore V. Cortez. Lições de texto: leitura e redação. Francisco P. Trata-se de processos de seqüencialização que asseguram uma ligação entre os elementos linguísticos formadores do texto . Vimos que a coesão não garante a coerência. Ática. São Paulo. 1976. 1985 4. por convenção. os alunos vão perceber que fazem parte da língua elementos que têm a função de estabelecer relações textuais. 2. em primeiro lugar. Coesão e coerência textuais. São Paulo. M. Ingedore V. Rio de Janeiro. FÁVERO. 10. 9. Gramática do português contemporâneo. GARCIA. não-literários. José L. ANTUNES. No entanto. Desta forma. como podem ser resolvidos. 3. F. ------------------------. 8. uma posição comum quanto à íntima relação entre esses dois mecanismos na produção e compreensão de textos. pode. Recife. Lindley. KOCH. 1990. . e HASAN. 1973. São Paulo. Irandé C. L. Texto e coerência. Editora da UFPE. KOCH. Fundação Getúlio Vargas. 1990. Muitas vezes. São Paulo. ABREU. Rio de Janeiro. sobretudo. 6. 7. Ática. se o professor quer que seus alunos produzam textos coerentes e coesos. Só então os alunos passariam a desenvolver a sua própria produção. 5. Nova Fronteira. Charolles (1986) é muito claro quando afirma que "o uso dos mecanismos coesivos tem por função facilitar a interpretação do texto e a construção da coerência pelos usuários. Curso de redação. 1991. Nesta etapa. 1997. é bom lembrar que.Há. e SAVIOLI. funções específicas. R. mostrar a presença desses mecanismos em textos literários. Ática. eles [os mecanismos coesivos] podem produzir incoerências: como possuem. O texto e a construção dos sentidos. Se isto acontecer. Leonor L." Finalmente. Longman. Aspectos da coesão do texto.A. Celso F. São Paulo. Contexto.K. nos estudos sobre coerência e coesão. isto é. jornalísticos. publicitários. HALLIDAY. 1996. Othon M. não podem ser usados sem respeitar tais convenções. não basta dizer que o texto do aluno é incoerente. São Paulo. 1989.são os chamados recursos de coesão textual ou instrumentos de coesão. se o seu uso contrariar a sua função. FIORIN.

Strategies in discourse comprehension. Uma leitura de resenhas (Graziela R. Organizar a classe em grupos de 2 ou 3 alunos e distribuir diferentes tipos de textos (resenhas. filosofia. Para que isso ocorra é necessário um texto fluente contendo as seguintes informações: * o título do livro resenhado. Em data combinada. Finalmente. W. MIRA MATEUS. relacionadas acima. S. Coimbra. Selecionadas as resenhas. crônicas. 2. T. Pedro Cezar Dutra Fonseca ) .A coerência textual. Uma resenha serve a seus propósitos quando desperta a atenção do leitor para o livro em questão. 1990. Costa Pinto ) As resenhas são textos críticos e informativos sobre livros. 1983. e KINTSCH. Contexto. 3. propor aos alunos que justifiquem sua escolha por meio de uma análise do texto: destaque dos trechos que contenham as informações fundamentais para este tipo de texto jornalístico. contendo aspectos relevantes de sua vida e de sua obra * um resumo das principais ideias do livro * comentários críticos sobre o conteúdo e o estilo formal do livro 1. M.) publicados no Estadão. Solicitar aos alunos que selecionem somente as resenhas tendo em mente as características principais. 12. Academic Press. Livraria Almedina. Geralmente publicadas em jornais e revistas especializadas. psicologia etc. New York. 4. Helena et alii. precisa ser um conhecedor do assunto para poder discuti-lo e criticá-lo de forma abrangente e rigorosa. o nome completo do seu autor e editora * uma pequena biografia do autor. O professor pode também propor aos alunos que cada um escolha um livro e elabore individualmente uma resenha. eles trarão os resultados e pode-se promover uma discussão enfocando questões tais como: Por que você escolheu essa obra? Quais os aspectos mais importantes do livro analisado? Qual é sua opinião sobre ele? ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE COMO FAZER RESENHA (Prof. entrevistas etc. 1983. além de ter lido o livro. Dr.A. se ele gostou ou não do livro e por quê. Gramática da língua portuguesa. situando-o quanto à importância de tal lançamento editorial na área a que se destina (literatura. objetivam divulgar os novos lançamentos editoriais de forma sintética e comentada.). como tarefa de casa.11. São Paulo. propor que identifiquem a opinião pessoal do resenhista sobre o livro que analisou. O resenhista. -------------------------------------------------------. VAN DIJK. 13.

ele não dá ao leitor a oportunidade de formar seus próprios julgamentos". o leitor que não a conhece encontrará dificuldades em acompanhar a análise crítica. preferencialmente seguindo a ABNT. Já a resenha vai além. seja histórico ou intelectual. lacunas e virtudes. deve embasá-las seja com evidências extraídas da própria obra ou de outras de que se valeu para elaborar a resenha. as categorias ou termos teóricos principais de que o autor se utiliza. resume a obra e faz uma avaliação sobre ela. . precisando seu sentido. o recensor se limita a relatar o conteúdo. com máxima concisão. as partes ou capítulos em que se divide o trabalho. sem julgá-lo criticamente. A resenha pode ser de um ou mais capítulos. nos termos já referidos anteriormente no item 1. o resumo da obra. por exemplo). Este momento é mais informativo que crítico. Aqui não só se deve expor claramente como o autor conceitua ou define determinado termo teórico. Este é o ponto alto da resenha. "Se o resumo do conteúdo da obra não está bem feito. se não apresenta falhas lógicas ou de conteúdo. embora a crítica já possa estar presente. Não se trata de um simples resumo. sustentando suas considerações. inserindo-os em um quadro referencial mais amplo. por outro lado. destacando a área do conhecimento. Conhecida como resumo crítico. até por economia de espaço. Apresenta falhas. vínculo acadêmico e outras obras. a resenha só pode ser elaborada por alguém com conhecimentos na área. se ele não sustenta ou ilustra seus julgamentos com dados extraídos da obra recenseada. seja à utilização ou à própria conceituação feita pelo autor [em uma resenha para revistas especializadas. opcionalmente. as ideias principais e. ou síntese do conteúdo. De uma boa resenha devem constar:      a referência bibliográfica da obra. ele estará escrevendo um resumo e não uma recensão crítica. e (b) a externa. Sempre é aconselhável ir a uma biblioteca e consultar alguns destes periódicos para observar atentamente como os mais destacados profissionais e pesquisadores da área as elaboram.Resenha é um trabalho de síntese que revistas e jornais científicas publicam geralmente logo após a edição de uma obra. a coerência diante de seus objetivos. quando se contextualiza o autor e a obra. deve avaliá-la. mas é essencial em trabalhos de aula. pois além de resumir. alguns dados biográficos relevantes do autor (titulação. dá-se ao direito de proceder a um julgamento. mas destacam-se: (a) a interna. Há vários tipos de críticas. evitando recorrer a detalhes e exemplos. o que ajuda evidenciar seu approach teórico. quando se avalia o conteúdo da obra em si. Finalmente. com o objetivo de divulgá-la. Atualmente quase todas as revistas científicas trazem boas seções de resenhas. duma coleção ou mesmo dum filme. explora o contexto histórico em que a obra fora elaborada e faz comparações com outros autores. apresentando suas linhas básicas. Deve-se deter no essencial. em que o recensor é também aprendiz]. situando-o no debate acadêmico e permitindo sua comparação com outros autores. pois sua elaboração exige opinião formada. onde o recensor mostra seu conhecimento. a avaliação crítica. O resumo deve se limitar ao conteúdo do trabalho. o resenhista avalia a obra. mostrando sua contribuição diante de outros autores e sua originalidade. dialoga com o autor e/ou com leitor. mas já se deve introduzir críticas. sem qualquer julgamento de valor. mostrando seus pontos fortes e fracos. mostrando qual é o objetivo do autor. esta parte pode ser dispensada. Se. o tema.

Bibliografia: FRANÇA. que lembre preconceito. Resumir um texto é reproduzir com poucas palavras aquilo que o autor disse. 8. descrições detalhadas. 2. Para se realizar um bom resumo. fortes ou fracos do trabalho. Distinguir os exemplos ou detalhes das ideias principais.ed. SILVA. Como resumir texto Ler não é apenas passar os olhos no texto. "assim sendo". sem base teórica ou empírica. 1994. "em decorrência de". os ambientes e as ações mais importantes devem ser registrados. Ler todo o texto para descobrir do que se trata. Observar as palavras que fazem a ligação entre as diferentes ideias do texto.Finalmente. São Paulo. Redação técnica. que podem parecer corporativismo ou "puxa-saquismo". 2. porque cada um encerra uma ideia diferente. facilitando o trabalho da memória. mas estes devem ser relevantes. são necessárias algumas recomendações: 1. 8ª série. não devem aparecer diálogos. Somente as personagens. Saber resumir as ideias expressas em um texto não é difícil. UFMG. Reler uma ou mais vezes. 2000. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. "por outro lado". sem perder-se em detalhes e em passagens isoladas que podem distorcer ideias. Num resumo. Tadeu Rossato Descoberta & Construção. Deve-se registrar apenas o que ele escreveu. 1976. Ler os parágrafos resumidos e observar se há uma estrutura coerente. Ou elogios gratuitos. sublinhando frases ou palavras importantes. isto é. Belo Horizonte. "o autor afirmou que". Isto ajuda a identificar. É preciso saber tirar dele o que é mais importante. Fazer o resumo de cada parágrafo. FTD. Deve-se certamente apresentar e comentar pontos específicos. Rebeca Peixoto da Silva et alii. também chamadas de conectivos: "por causa de". (BISOGNIN. O tamanho do resumo pode variar conforme o tipo de assunto abordado. 6. Nos resumos de livros. É recomendável que nunca ultrapasse vinte por cento da extensão do texto original. Júnia Lessa et alii. "além do mais". sem usar expressões como "segundo o autor". "pois". Formação. 5. cenas ou personagens secundárias. 7.) . Nada mais deplorável do que uma crítica vazia de conteúdo. deve-se lembrar que o recensor deve preocupar-se com a obra em sua totalidade. 4. 3. Porto Alegre. se todas as partes estão bem encadeadas e se formam um todo. não se devem comentar as ideias do autor. 9. "da mesma forma".

A maior parte das linhas deve ser usada nos parágrafos da causa e da consequência. sempre proponho a meus alunos do ensino médio que façam uma dissertação de quatro parágrafos. Conclusão (solução): Fazem-se necessárias políticas públicas fortes de prevenção.Como fazer redação no Enem (Hélio Consolaro* ) O tema proposto pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sempre traz uma situação como tema. Introdução e conclusão devem ser curtas. uma consequência. Tópico frasal do 2. com atividades culturais e esportivas para a juventude. a solução. feita com muita dificuldade em 2002. com suas próprias palavras. e principalmente na conclusão. a banca examinadora pede para que o estudante apresente a solução para o problema. como aconteceu com a Itália . E na conclusão. outros ficaram raivosos porque a seleção brasileira foi desclassificada nas quartas-de-final da Copa do Mundo. A conquista do penta. pois na primeira apresenta-se o problema. sem delongas. Alguns brasileiros caíram num baixo astral. A posição ideológica do aluno (não se omita) vai aparecer nos apontamentos da causa e da consequência. o estudante indica uma causa do problema. para que o estudante faça uma análise. como sempre. A banca apresenta textos de apoio. na maioria das vezes. geralmente de caráter social. o porquê daquilo acontecer. quantidade ideal para atingir as 25 linhas propostas. em razão dele. gráficos e (ou) figuras para que o estudante tenha subsídios para analisar o problema apresentado. transformam-se em pessoas inúteis para si mesmas e para a comunidade.º parágrafo (causa): Algumas pessoas refugiam-se nas drogas na tentativa de esquecer seus problemas. Nele.º parágrafo (consequência): Tornam-se dependentes dos psicóticos dos quais se utilizam e. Tópico frasal do 3. mal que se alastra cada vez no Brasil. No segundo parágrafo. Tudo isso aconteceu porque houve excesso de autoconfiança por parte da equipe brasileira. Nesse modelo. Modelos de redações do ENEM Modelo 1: Copa do Mundo Excesso de confiança estraga Aquilo que era ânimo virou desânimo. na segunda. formando o caráter dos adolescentes. no terceiro. ocorre tal coisa. pois não se trata de dissertação argumentativa. O aluno deve verbalizar no primeiro parágrafo o problema apresentado como tema. não se dá opinião. ocupando-lhe o tempo. Exemplo bem resumido: Introdução: Muitos jovens deixam-se dominar pelo vício em diversos tipos de entorpecentes.

mas também não conseguem interpretar a nova realidade. Nem que seja pela violência.. o técnico. consome mais. com a realidade estampada. só foram encontrados duas horas mais tarde. d) O cão ladra e não morde. Corrija as incoerências das frases abaixo: a) Levantei-me às 6 horas. se perguntando: por que. os brasileiros foram atrás de culpados e vítimas. depois daquele jogo com a França. em que o Brasil foi derrotado e desclassificado . porque tem como exemplo o amargo da derrota de 2006. E como participantes de uma civilização judaico-cristã. como se em futebol não se pudesse conjugar o verbo perder. Vencer é mais importante do que perdoar. A vida espiritual se reduziu a orar para TER mais e não para SER mais. porquanto é muito interessante. aliás. Logo. Assim descobrirá que é preciso viver. E todos os brasileiros estarão com o senso crítico mais aguçado e não confiarão cegamente. Isso contagiou jogadores e dirigentes. . b) Não nos entendíamos. e) O livro é muito volumoso. mas também deixar o outro viver. e os jogadores Roberto Carlos e Cafu foram crucificados. exercendo o seu poder de crítica antecipadamente. mesmo que seja sem ética. pois está tomada pelo êxtase do capitalismo exacerbado. Amar e perdoar é mais importante que competir e vencer. pois tinha me deitado às 3h30 min.Violência Amar e perdoar O Brasil. deixando-os de salto alto. não importa como. Deus não é o grande Pai. Tudo isso acontece porque se injetou na sociedade brasileira um exacerbado espírito de competição. infelizmente. ao passo que não conhece ainda o Butantã. vem sendo tomado pela violência. Devido ao sucesso da copa anterior. Modelo 2 . acontece tudo isso. usa produtos de boa marca. ninguém mais vê o outro como irmão. dormi. na África do Sul. nem que para vencer precise massacrar outras pessoas. Com certeza. o Brasil não se submeterá a outro fiasco. meu Deus. E a pessoa bem-sucedida é aquela que compra mais. As pessoas estão indignadas. pouco mais de três horas. veio a revolta e a depressão da torcida. uma pessoa a ser derrotada. uma verdadeira caça às bruxas. Nessa competição em que a vida foi transformada. na próxima copa. mas como um concorrente. achando que o Brasil seria campeão por antecipação. imprensa e torcida se empolgaram. f) As crianças devem ser castigadas. g) Ele mora em São Paulo há mais de dez anos. conquanto não tenha nenhum compromisso para hoje. em 2010.neste ano. se bem que se revelem desobedientes. Carlos Alberto Parreira. instalou-se o vale-tudo. h) Os turistas perderam-se na mata e. por isso ficam meio perdidas. Todos querem vencer. Parece que a humanidade precisará viver uma catástrofe para acordar. c) Posso esperá-lo sem preocupação. Exercícios 1. desorientados. Está provado que erra menos quem duvida e não acredita piamente em certezas. no início da excursão. cegou a todos. embora falássemos línguas diferentes. por isso "levar vantagem em tudo" é o grande slogan da pessoa vencedora.

. em qual das duas o possível candidato teria chances de ser contratado? Tendo em vista sua resposta. alterará o sentido do mesmo? Comente. faz um bom trabalho. Se tais sentenças fossem ditas numa entrevista de emprego. no excerto abaixo. um importante regenerador de matas naturais. “Pai-nosso. • As mulheres assumiram a cumplicidade no papel da dominação masculina. obedecendo às indicações entre colchetes. Há dois anos. remédios. assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. [causa da primeira] • O problema da dominação masculina vem explodindo. a Souza Cruz. 5. A novidade é que não são mais só as empresas de serviços que têm no aparelho um fiel aliado. b) Ele fez um bom trabalho. Se apagarmos as palavras “só” e “até”. Embora faça um bom trabalho. é correto afirmar que os operadores argumentativos podem evidenciar a posição ideológica de alguém? Discuta. mas fez um bom trabalho. paradoxalmente. a) Ele é negro. ela é mulher. em qual das duas a possível candidata teria chances de ser contratada? Tendo em vista sua resposta. [Causa da primeira] 4. Diga que incoerência é essa. Utilize os operadores argumentativos.2. passagens ou saber com anda o saldo no banco. gravura. também resolveu usar o telefone. venha a nós o vosso reino. [oposição à primeira] • O fogo é. 6. santificado seja vosso nome. É quase impossível encontrar alguém que nunca tenha usado o telefone para comprar comida.” Na oração do “Pai Nosso” parece haver uma incoerência semântica devido ao uso do operador argumentativo mas. 3. I. "charge" ou qualquer outro tipo de estímulo visual. seja feita a vossa vontade. perdoai as nossas ofensas. mas livrai-nos do mal. substituindo o operador mas por um outro que não atente contra o sentido da frase. mas é negro. assim na terra como no céu. Amém. [Tese ou ideia principal] • O fogo destrói a matéria orgânica necessária à formação do humo no solo. Relacione as três ideias de cada grupo de sentenças abaixo em um só período. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. II. Embora ela seja mulher. Se as questões abaixo fossem ditas numa entrevista de emprego. [Oposição à primeira] • O fogo destrói o excesso de material combustível acumulado no chão. DISSERTACÃO A PARTIR DE UM ESTÍMULO VISUAL Aqui você vai aprender a como proceder no momento em que tiver de fazer uma dissertação a partir de um desenho. a maior fabricante de cigarros do país. ultimamente. que estais no céu. [tese ou ideia principal] • As pessoas atribuem às mulheres a responsabilidade fundamental do romantismo. a companhia conseguiu cortar em 20% os custos para vender cigarros aos 11500 varejistas que pedem até 15 pacotes por semana. Ao substituir alguns vendedores de rua por operadores de telemarketing. e não nos deixeis cair em tentação. é correto afirmar que os operadores argumentativos podem evidenciar a posição ideológica de alguém? Discuta.

que não está havendo comunicação propriamente dita. 4. Outro elemento que dificulta substancialmente o estabelecimento do diálogo é a incapacidade de ouvir. vão conversando enquanto se distanciam. 2. Formulação de um tema dissertativo. a cena se repete: duas pessoas andando em sentidos opostos. consequentemente. podemos elaborar um tema: Apesar da importância da comunicação para uma melhor convivência. o assunto tratado. notase claramente que falar é fácil. pois o desenho sugere que um dos interlocutores não está ouvindo o outro. O que mais podemos notar nos diálogos é a falta de paciência para ouvir o que a pessoa tem a dizer até que ela conclua seu raciocínio e possa. Aplicação de uma das técnicas. os supostos diálogos ocorridos nas diversas situações do nosso cotidiano. fábricas. OUVIR: MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL Caso um dia parássemos para analisar como são as conversas. o que se costuma ver habitualmente é um arremedo de diálogo através do qual as pessoas dificilmente conseguem uma interação pela linguagem oral. aumentando o tom de voz até que se perdem de vista. Elaboração de uma dissertação. mas ouvir e dialogar é uma prática que não se encontra com facilidade. Dentre eles destacamos a agitação das cidades grandes. a princípio. Quantas vezes nos corredores de firmas. Para desenvolver esta redação. devemos passar pelas seguintes etapas até chegar à dissertação: 1. podem estabelecer. mas entender o que o interlocutor falou e refletir sobre o que escutou. interrompendo. Deste conteúdo. de um certa ansiedade que cada um tem em comunicar sua ideias. perguntas sem resposta. assim. essa impaciência é fruto. dessa forma. Compreensão do conteúdo básico do desenho. . Assim. ficaríamos surpresos com os inúmeros elementos que interferem negativamente no processo de comunicação. não o faz com a devida atenção. 3. a do uso de argumentos. Acreditamos que no dia em que essas dificuldades forem superadas.Estímulo visual sem texto Para compreender conteúdo básico do desenho. mal-entendidos. fazer-se entender. Envolvidos na rotina e na neurotizante correria das grandes cidades. ou seja. Como se pode perceber. ou mesmo a total falta de oportunidade de conversar. cada indivíduo poderá ampliar a compreensão do outro e. a fim de dar continuidade à conversa. Caso esteja ouvindo. em parte. da própria natureza humana. podemos aplicar a técnica básica da dissertação. escolas e tantos outros lugares. já de início torna·se difícil imaginar que o diálogo entre duas ou mais pessoas possa ser diferente de frases interrompidas. Ouvir não é s escutar o que o outro disse. a falta de paciência em ouvir e a ansiedade de falar. para que possa sustentar um diálogo produtivo. Ao que parece.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful