Eixos Estruturantes do Currículo da Educação Básica da SEDF (cidadania, sustentabilidade humana, aprendizagens, diversidade, direitos humanos

Concepção de educação integral
• A educação integral tem como pressuposto a visualização do ser humano por inteiro, multidimensional, conduzindo-o na busca por uma humanidade sustentável. • Para isso, assume a educação integral como concepção de educação em torno da qual deve ser organizado o trabalho pedagógico nas escolas. • Essa revisão implica desconstrução de concepções e práticas de educação pautada numa racionalidade hegemônica, orientada pela visão cartesiana que separa o que é inseparável, o homem, ao dualizar corpo-mente, razão-emoção, sujeito-objeto, subjetivoobjetivo, coletivo-individual, animal-pessoa, distinções que repercutem na forma como o conhecimento é também tratado na escola.

• A Educação Integral na rede pública de ensino do Distrito Federal, com base em uma proposta educacional formativa e integrada às exigências do mundo moderno com a intenção de formar indivíduos capazes de responder aos novos desafios que se produzem no mundo contemporâneo, pretende a integralidade na formação do educando, pautando-se no caráter multidimensional do ser humano, composto por aspectos psicomotores, cognitivos, afetivos, intuitivos e socioculturais integrados às experiências da vida.

• Pretende, ainda, a equalização social ao cumprir a função de preparar os indivíduos para uma participação responsável na vida social.
• A escola deve organizar-se para formar indivíduos capazes de lidar com as novas tecnologias e linguagens, capazes de responder a novos desafios do mundo contemporâneo, articulando diferentes saberes e experiências.

. adotando metodologias de ensino que privilegiem a criatividade e a reflexão numa ambiência escolar propícia ao desenvolvimento da curiosidade e do saber experimentado por parte dos estudantes. • A transversalidade só faz sentido dentro de uma concepção interdisciplinar de conhecimento.• Ao elaborar seu projeto político pedagógico. deverá integrar conteúdos e temas transversais. vinculando a aprendizagem aos interesses e aos problemas reais dos estudantes e da comunidade. • Uma das tarefas da coordenação pedagógica e do corpo docente deverá ser a promoção da articulação e da integração entre os conteúdos e a consequente transversalidade dos temas tratados.

• plenas condições de trabalho pedagógico que. • gestão democrática. professores.Uma escola verdadeiramente integral • currículo integrado. garantem a vivência escolar de estudantes. coletivo e democrático de cidadania . família e comunidade em um exercício cotidiano. articulados ao projeto político pedagógico da escola.

Os princípios basilares da Educação Integral nas escolas públicas do Distrito Federal são: a) b) c) d) e) f) g) Integralidade humana Transdisciplinaridade Transversalidade Intersetorialidade Territorialidade Diálogo escola/comunidade Gestão democrático-participativa .

deve garantir a qualidade do processo educativo. nos ciclos de aprendizagens. a partir do reconhecimento da realidade social e da diversidade cultural do estudante que frequenta a rede pública do ensino do Distrito Federal.Base teórica e metodológica do Currículo: pedagogia histórico-crítica e psicologia histórico-cultural • A referência pedagógica histórico-crítica estabelece que os sujeitos são formados nas relações sociais e na interação com a natureza para a produção e reprodução de sua vida e de sua realidade. • A escola como instituição que tem a responsabilidade de garantir a aprendizagem de todos os estudantes. . etapas e modalidades de ensino.

. • Assim.• O processo de transmissão e de mediação dos conhecimentos historicamente produzidos constitui um dos focos da psicologia históricocultural que situa o desenvolvimento do psiquismo relacionado diretamente à experiência sociocultural. as reais condições de desenvolvimento da imaginação e da inteligibilidade se identificam diretamente com a ampliação da experiência.

tomando como base teórica o princípio vygotskyano de que “a aprendizagem é uma articulação de processos externos e internos. p.Psicologia histórico-cultural • Além de garantir variedade e qualidade de experiências pedagógicas significativas. 06). o que gera uma qualidade autorreguladora às ações e ao comportamento dos indivíduos” (LIBÂNEO. visando à internalização de signos culturais pelo indivíduo. soma-se à tarefa de mediar a internalização dos signos e dos conceitos. . 2004.

. a atividade individual de aprendizagem pela qual o indivíduo se apropria da experiência sociocultural como ser ativo. coletiva dos indivíduos na formação das funções mentais superiores. o que justifica a importância da mediação cultural do processo de conhecimento e.• Essa elaboração destaca a atividade históricocultural e. assim. ao mesmo tempo.

sendo atravessada por conhecimentos. • Na educação formal. a variedade de experiências ganha significado quando todos os processos socioculturais que ocorrem dentro e fora da escola são organizados e ressignificados com intencionalidade no ambiente escolar.• Prática pedagógica que busca a “transitividade crítica” se reveste de significado e deve ser desenvolvida para além da dimensão técnica. . mas também por relações interpessoais e vivências de cunho afetivo. valorativo e ético.

pois somente assim traz à tona os reais condicionantes sociais e as características culturais. organizando um Currículo que não esteja ao alcance apenas da classe dominante. mesmo com a democratização do ensino. mas garanta a socialização do conhecimento científico às classes populares . • A escola pública do DF assume o papel político. tornando possível a mediação para aquisição de estruturas mais complexas e variadas de pensamento. a escola pública não incorporou de forma efetiva as demandas das classes populares.• O professor deve partir da prática social dos estudantes. por não garantir a aprendizagem para todos os estudantes. • Historicamente. percepção. compreensão e crítica da realidade.

diversidade. 125). permite uma organização curricular mais integrada. . focando temas ou conteúdos atuais e relevantes socialmente. A expectativa é de que o Currículo seja mais reflexivo e menos normativo e prescritivo. sustentabilidade humana e aprendizagens A definição de eixos. conforme Santomé (1998. p.Eixos estruturantes do Currículo • cidadania. em regra geral deixados à margem do processo educacional.

p.] competência humana de fazer se sujeito.. Desse modo. • “Os direitos de cidadania impõem limitações à autoridade soberana do Estado [. para fazer história própria. assim. p. “a raiz dos direitos humanos.. coletivamente organizada”. .. 3). [. 36). a cidadania é.Cidadania • Para Pedro Demo (1995. 1998.] e podem ser chamados com mais propriedade deveres do Estado para com seus membros” (BARBALET. a cidadania torna-se um atributo dos seres sociais..

mas colabora para seu desenvolvimento.• O cidadão pleno é aquele que consegue exercer de forma integral os direitos inerentes a sua condição. • A cidadania plena passa a ser um ponto de referência para a permanente mobilização dos sujeitos sociais. . uma vez que os direitos e deveres dos seres sociais não se congelam no tempo e espaço. não se pode ignorar sua condição de fenômeno histórico. O acesso à educação representa uma importante forma de prevenir a exposição às situações de risco e de fomentar a cidadania. posto que a cidadania se concretiza no exercício dos direitos. • Da mesma forma. • A educação não constrói a cidadania. Como a condição de sujeito não é restrita a um individuo ou grupo. o exercício da cidadania não pode prescindir da dimensão do direito coletivo a ser assegurado pelo Estado.

para além do alargamento do abismo entre pobres e ricos. traduzida na vontade de dominar os outros e na vontade de submeter a natureza e de lucrar (BOFF. também pelo potencial destrutivo e pela voracidade com que os hábitos consumistas entram em contradição com a natureza. gerando uma crise ambiental sem precedentes na história da humanidade. . devidamente alimentado por processos de educação alienadores (DIAS. • E essas relações. 1991). à exclusividade e ao imediatismo que submetem os sujeitos aos apelos insistentes do mercado. • Estabeleceu-se o TER para SER. afetam as sociedades.Sustentabilidade Humana • Consumir avança do patamar do suprimento das necessidades vitais do homem para um processo compulsivo de satisfação e sensação de bem-estar associado às marcas. 1991 In: UNGER. à tecnologia. 2007). 2000). marcos da contemporaneidade. como fundamento da vida (GADOTTI.

• Contexto: alterações de seus ciclos, das alterações climáticas, do aquecimento global, do derretimento das calotas polares, das catástrofes naturais, doenças e mutações genéticas e biológicas.

• O termo sustentabilidade, aqui, abarca as ciências da vida, da biologia, da ecologia, na perspectiva do “equilíbrio dinâmico, aberto a novas incorporações, e da capacidade de transformação do caos gerador de novas ordens (PRIGOGINE, 1996) • A lógica da sustentabilidade humana também propõe o enfrentamento da injustiça social, caracterizada, sobretudo, pelas contradições entre a opulência e a miséria, a alta tecnologia e a precariedade de recursos, entre a crescente exploração de recursos e a desesperança dos seres humanos, a globalização dos mercados e a marginalização e exclusão social (GALANO et al, 2003), isto é, pela má distribuição de renda, produtos, serviços e recursos ambientais, garantidoras da existência do sistema capitalista.

• Estamos, então, diante do grande desafio de mudar a rota, os rumos do desenvolvimento sustentável e caminhar em direção à alterglobalização (GADOTTI, 2008), isto é, construção de alternativas ao paradigma dominante da globalização econômica, financeira, tecnológica e informacional. • O paradigma da sustentabilidade humana requer o cuidado com o bem-estar “sociocósmico” (BOFF, 1995), para o qual não basta que o ser humano esteja bem atendido em seus direitos e necessidades básicas se, para isso, os demais seres e elementos da natureza sofrem depredação. • Exige o exercício - humano - de pensar as múltiplas dimensões do próprio ser, em uma visão holística, integral, não centrada apenas na liberdade individual em detrimento da justiça social e da vida em coletividade

• A sustentabilidade humana se funda nos princípios da ecopedagogia, na qual a educação deve estar centrada, a exemplo de Paulo Freire, na relação entre os sujeitos que aprendem juntos, em comunhão (BENFICA, 2008).

• A ecopedagogia – ou pedagogia da Terra, como denomina Gadotti - é um movimento que tenta suprir uma lacuna deixada pela educação ambiental, uma vez que esta se limita à discussão do ambiente externo, deixando de confrontar valores sociais e não questionando os aspectos políticos e do conhecimento.

. intelectuais. organicamente estruturados e previstos no projeto político-pedagógico. a escola deve reorganizar-se no sentido de promover um conjunto de procedimentos diversificados e sistemáticos. emocionais.• Para fazer frente a tantas exigências. • Ela precisa também considerar todos os atores da comunidade escolar em sua totalidade humana. espirituais e sociais. contribuindo para o desenvolvimento de suas potencialidades profissionais. biofisiológicas.

63)... ou seja. 99). cognitivos e motores do sujeito que interage com o outro. “[. Passa a ser um sujeito ativo do próprio conhecimento. • . em graus diversos. 2000. histórico e cultural. p. “a aprendizagem só é boa quando está à frente do desenvolvimento”. 1995.. p.]” (VYGOTSKY. uma vez que as aprendizagens são construídas na interação com o outro.] a linguagem primordial da criança é puramente social [. em uma relação biunívoca na qual o sujeito sai de um lugar de passividade.rompe com uma educação direcionada exclusivamente para as questões individuais. 1983. as aprendizagens apoiam-se nos aspectos afetivos. o que justifica a importância do social no desenvolvimento das funções psíquicas superiores.Aprendizagens • Piaget (1983): o campo das aprendizagens foi marcado pela compreensão de que aprender perpassa pela interação entre o sujeito e a realidade. Vygotsky parte da premissa que o desenvolvimento cognitivo não ocorre independente do contexto social.. 59).] animal essencialmente social” (WALLON. “o objeto só é conhecido na medida em que o sujeito consegue agir sobre ele e essa ação é incompatível com o caráter passivo que o empirismo. Neste sentido. p. • Wallon . atribui ao conhecimento” (PIAGET. “[.. diretamente ligado às relações culturais. Para o referido teórico..

133) nos permite compreender que “a aprendizagem não é uma reprodução objetiva de conteúdos ‘dados’. aponta que: “A escola de qualidade social adota como centralidade o estudante e a aprendizagem”. • Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. é uma produção subjetiva que tem a marca do sujeito que aprende”. p. . 2011). • Garantir o direito às aprendizagens significa compreender que se aprende na interlocução com o outro e de que há igualdade das inteligências (RANCIÈRE.• González Rey (2009.

aprendemos na interlocução com o outro e há igualdade de inteligências. . precisa considerar a complexidade do ato de aprender e dos sujeitos que dele fazem parte. ix) quando afirma que “[.]”.. • O processo de ensino e aprendizagem. nessa perspectiva. p. sendo indispensável ir ao encontro do pensamento de Bruner (2001...• Garantir o direito às aprendizagens implica uma concepção de educação sustentada na teoria histórico-cultural e na premissa de que somos seres cognitivos e afetivos..] qualquer matéria poderia ser ensinada a qualquer criança em qualquer idade de uma forma que fosse honesta [.

de cultura. de classe social. motoras.Diversidade • A SEEDF reestrutura seu currículo partindo da definição de diversidade. • A compreensão de que existem fenômenos sociais. o racismo. de raça/etnia. de personalidade. de pertencimento. de orientação sexual. com base na natureza das diferenças de gênero. é imprescindível para um trabalho consistente de educação em diversidade. o sexismo. a homofobia e a depreciação de pessoas que vivem no campo. de intelectualidade. sensoriais. como a discriminação. . da diversidade vista como possibilidade de adaptar-se e de sobreviver como espécie na sociedade. enfim. visto que são alguns dos fenômenos que acarretam a exclusão de parcelas da população dos bancos escolares e que geram uma massa populacional sem acesso aos direitos básicos.

• Assim. por fim. orientais. pedagógicas e intelectuais. o currículo da SEEDF pauta-se na ideia de uma educação democrática e inclusiva na qual as pessoas negras. deficientes possam usufruir dos mesmos direitos e oportunidades. considerando o contexto histórico-social em que estão inseridos. ciganas. indígenas. o que se enseja é a prevalência da ideia de que os conceitos ligados ao eixo passem por constantes modificações e movimentos. com a participação ativa da comunidade escolar. . que se constituam frutos de construções coletivas. que sejam construídos e selecionados a partir de dinâmicas sociopolítico-culturais. que se apresentem flexíveis. brancas. • Sendo assim.

mas à garantia da valorização de sua identidade étnico-cultural e dos direitos humanos de toda sua população. • No que concerne à inclusão de negros e negras na sociedade brasileira em geral. etnocentrismo. antirracismo. e na educação de forma mais específica.Educação das Relações Étnico-raciais • Currículo voltado para a formação de atitudes. entre outros precisam estar presentes no currículo escolar. para que profissionais de educação e estudantes os compreendam e percebam a importância dessa discussão na prática pedagógica. • A política pública educacional indígena não se restringe ao reconhecimento das diferenças. Termos como afrobrasileiro. alguns conceitos podem auxiliar-nos nessa discussão. posturas e valores que eduquem pessoas orgulhosas de seu pertencimento étnicoracial. no decorrer da História do Brasil. . contribuindo para um tratamento específico e distinto dos saberes construídos por esses povos. partícipes da construção de uma nação democrática. em que tenham seus direitos garantidos e sua identidade valorizada.

conferindo sentimentos de orgulho e dignidade a seus herdeiros. na verdade. portanto. • É. uma conscientização e está relacionada ao desenvolvimento de valores africanos. não é apenas uma palavra. mas uma expressão que se refere a uma postura de reverência a antigos valores e modos de pensar africanos.• Negritude. .

é o lugar marcado pela diversidade econômica. à organização da produção e à preservação da vida. tem pouco mais de dez anos e surgiu como denúncia e como mobilização organizada contra a situação do meio rural: situação de miséria crescente. pois o campo é compreendido a partir do conceito de territorialidade. • A Educação do Campo se diferencia da educação rural em vários aspectos. também.Educação do Campo • O conceito de Educação do Campo é novo. à saúde. . sociais. espaço emancipatório quando associado à construção da democracia e de solidariedade. de exclusão/expulsão das pessoas do campo. de lutas pelo direito à terra. • É. situação de desigualdades econômicas. cultural e étnico-racial. à educação. que também são desigualdades educacionais.

• A luta principal da Educação do Campo tem sido por políticas públicas que garantam o direito da população do campo à educação e a uma educação que seja no e do campo. . têm direito a uma educação pensada desde seu lugar e com sua participação. • Essa educação inclui a escola. • No campo as pessoas têm direito a ser educadas no lugar onde vivem. hoje uma luta prioritária porque há boa parte da população do campo que não tem garantido seu direito de acesso à Educação Básica. vinculada a sua cultura e a suas necessidades humanas e sociais.

de novas relações entre o rural e o urbano. de produção de novas relações sociais. de novas relações entre os seres humanos e a natureza.• O campo é território de produção de vida. .

compreensões e regras de comportamento em relação ao conceito de gênero e do que venha a ser mulher ou homem em uma sociedade. ou seja. podem ser construídos valores. sem que as diferenças sejam ponto de partida para a discriminação. .Educação em Gênero e Sexualidade • Por meio da educação. • O conceito de gênero também permite pensar nas diferenças sem transformá-las em desigualdades. • A discussão sobre as relações de gênero no currículo pode contribuir para que as pessoas se tornem mais conscientes das discriminações que sofrem e possam buscar caminhos novos e próprios neste sentido.

das Diretrizes Nacionais de Educação em Direitos Humanos e com as políticas intersetoriais de inclusão social do Governo do Distrito Federal. diversidade e sustentabilidade – coaduna com as orientações do Ministério da Educação expressas no Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. • Compreendendo a educação como um direito fundamental que contribui para a conquista de todos os demais direitos. a SEDF trabalha na implementação de políticas públicas de promoção e defesa de direitos que garantam a inclusão e a permanência das populações historicamente excluídas e ou em vulnerabilidade pessoal e social na escola. como política pública de educação remete a questões como universalização do acesso.Direitos Humanos • A proposta pedagógica da Secretaria de Educação do DF – por meio dos eixos transversais cidadania. a Educação em Direitos Humanos. . melhoria da qualidade e condições de permanência dos estudantes na escola. • Para tanto.

priorizamse os resultados através de exames externos indicadores do padrão de qualidade. as disciplinas escolares trabalhadas de forma isolada.Currículo da Educação Básica da SEDF: perspectivas de Integração dos conteúdos • O que são conteúdos prescritiva. impedindo os vínculos necessários com a realidade. o processo e o produto do trabalho pedagógico desconsiderados. não favorecendo a construção do conhecimento. os livros didáticos como definidores do que o professor deve priorizar em sala de aula. linear e hierarquizada currículo coleção: a) a fragmentação e descontextualização dos conteúdos culturais e das atividades didático-pedagógicas e acadêmicas realizadas na escola pelos estudantes e professores. b) c) d) e) . a postura passiva dos estudantes diante de práticas transmissivas e reprodutivas de informações.

constituída historicamente” (2000. também. contribuindo para a emancipação dos estudantes através do conhecimento. “é uma prática social e. como tal. o exercício do poder que. . assegurando a eles.Currículo Integrado • O currículo integrado pode ser visto como um instrumento de superação das relações de poder autoritárias e do controle social e escolar. na perspectiva apontada por Foucault. 10). p.

. centrais nos enfoques teóricos e nas práticas pedagógicas no tratamento dos conteúdos curriculares. valores. • Dentro da perspectiva de Currículo Integrado os princípios orientadores são: teoria e prática. em articulação aos múltiplos saberes que circulam no espaço social e escolar.Princípios epistemológicos do Currículo • Princípios são ideais. interações. interdisciplinaridade e contextualização. crenças. relações. flexibilização. atitudes. aquilo que procuramos atingir e expressam o que consideramos fundamental: conhecimentos.

à problematização.Princípio da unicidade entre teoria e prática • Práxis: o conhecimento é integrado. síntese. permeados por incentivos constantes ao raciocínio. análise e aplicação de conceitos voltados para a construção do conhecimento. há uma visão articulada das disciplinas. • Privilegiar estratégias de integração que promovam reflexão crítica. à dúvida. as metodologias são mais dinâmicas. dos saberes e das ciências. mutáveis e articuladas aos conhecimentos. . ao questionamento. • A avaliação das aprendizagens adquire sentido emancipatório quando passa a considerar o conhecimento em sua totalidade e em permanente construção.

Princípio da interdisciplinaridade e da contextualização • A interdisciplinaridade e a contextualização são nucleares para a efetivação de um currículo integrado. . a partir da compreensão das partes que ligam as diferentes áreas do conhecimento. • A contextualização dá sentido social e político a conceitos próprios dos conhecimentos e dos procedimentos didático pedagógicos. ultrapassa a fragmentação do conhecimento e do pensamento. aprender. pesquisar e avaliar). propiciando relação entre dimensões do pro cesso didático (ensinar. • A interdisciplinaridade favorece a abordagem de um mesmo tema em diferentes disciplinas e.

inclusive as áreas/disciplinas a serem consideradas.Santomé (1998). intervenção interdisciplinar: a) Definição de um problema. . e) Articulação de todos os conhecimentos existentes e busca de novas informações para complementar. tópico. c) Desenvolvimento de um marco integrador e questões a serem pesquisadas. procurando trabalhar em equipe. d) Especificação de estudos ou pesquisas concretas que devem ser desenvolvidos. b) Determinação dos conhecimentos necessários. f) Resolução de conflitos entre as diferentes áreas/ disciplinas implicadas no processo. questão.

Santomé (1998). etc . intercâmbios. grupos de discussão. k) Decisão sobre os caminhos a serem tomados na realização das atividades pedagógicas e sobre o trabalho em grupo. . i) Integração dos dados e informações obtidos individualmente para imprimir coerência e relevância. identificando sua relevância para o estudo. h) Discussão sobre as contribuições. j) Ratificação ou não da solução ou resposta oferecida ao problema levantado inicialmente. intervenção interdisciplinar: g) Construção de vínculos comunicacionais por meio de estratégias integradoras como: encontros.

para atender às novas demandas de uma sociedade em mudança. que requer a formação de cidadãos críticos e criativos. reelaborando-a numa síntese qualitativamente superior (SAVIANI. o professor contribui para que partam de uma visão sincrética. caótica e pouco elaborada do conhecimento.Princípio da Flexibilização • A flexibilidade curricular dá abertura para a atualização e a diversificação de formas de produção dos conhecimentos e para o desenvolvimento da autonomia intelectual dos estudantes. . • Ao promover a articulação entre os conhecimentos científicos e os saberes dos estudantes. 1994).

conforme indique o processo avaliativo que os acompanhará. • Embora os estudantes tenham uma referência de turma e professor. devem ser pensados para atender às necessidades de aprendizagens contínuas de todos os estudantes. os tempos escolares não são rígidos e definidos linearmente. segundo o desenvolvimento de suas aprendizagens. • Os estudantes se movimentarão dentro de cada Bloco e do próprio Ciclo.Organização escolar em ciclos de aprendizagem • Na organização escolar em ciclos. . não precisam ficar restritos ao trabalho em suas turmas ou anos de escolaridade. podendo movimentar-se de uma turma à outra e de um ano a outro durante o período letivo.

. em substituição ao sistema de seriação convencional.• O Currículo em Movimento visa oferecer novas estratégias pedagógicas para a aprendizagem e um conteúdo mais significativo para os estudantes da rede pública. • As principais propostas são a organização dos conteúdos em áreas do conhecimento e a adoção de ciclos.

0 a 3 anos (creche) .do 6º ao 9º ano • Quarto Ciclo (Ensino Médio) . 7 e 8 anos) .4 e 5 anos • Segundo Ciclo (Ensino Fundamental I) .Semestralidade .6.Ciclos • Primeiro Ciclo (Educação Infantil) .Bloco II (4º e 5º anos) • Terceiro Ciclo (Ensino Fundamental II) .Bloco I (BIA .

o número de diários e registros burocráticos e o número de atividades que precisa corrigir. • Essa estratégia metodológica inovadora impacta a organização do trabalho pedagógico.• é uma proposta de reorganização do tempo e espaços pedagógicos que foi elaborada com a participação de professores. o tempo com cada aluno e o tempo com cada turma. • Amplia em duas vezes a carga horária semanal destinada à disciplina. • Reorganiza as áreas de conhecimento por semestre. ao longo do ano de 2012. A Semestralidade adotada no Quarto Ciclo . gestores e coordenadores pedagógicos de todas as 14 Coordenações Regionais de Ensino. permitindo ao professor reduzir pela metade o número de estudantes para quem leciona. especialmente as condições de trabalho dos professores dessa etapa e as condições de ensino dos estudantes.

• Avaliação formativa. com a adoção de avaliação diagnóstica e avaliação processual. a semestralidade reduz pela metade o número de disciplinas e professores durante a semana e amplia em duas vezes a carga horária semanal de cada disciplina.• Para o estudante de ensino médio. o tempo com cada professor e as estratégias de aprendizagem. .

necessário em qualquer sistema de ensino democrático que. que favorecem o trabalho pedagógico diversificado e integrado. estilos e ritmos de aprendizagem. inclui estudantes de diferentes classes sociais.Reorganização de tempos e espaços escolares • Na organização em ciclos. a ordenação do conhecimento se faz em espaços de tempo maiores e mais flexíveis. • Os ciclos oferecem ao professor e à escola a possibilidade de promover as aprendizagens de todos esses sujeitos . ao acolher indistintamente a comunidade.

Reagrupamentos • Os reagrupamentos são estratégias pedagógicas de trabalho em grupos que atendem a todos os estudantes. semestre. . permitindo o avanço contínuo das aprendizagens a partir da produção de conhecimentos que contemplem suas possibilidades e necessidades durante o ano letivo. bimestre.

distribuídos em grupos de cinco a sete alunos.O professor pode planejar diferentes formas de reagrupamentos dos estudantes: a) Reagrupamento interclasse. conforme a atividade a ser desenvolvida. . Os grupos são formados por componentes diferentes. um semestre ou todo o ano. podendo ter professores diferentes para cada grupo de alunos. durante um período de tempo que oscila entre um bimestre. Este reagrupamento ocorre com estudantes de uma mesma turma. b) Reagrupamento intraclasse em equipes fixas.

Implica a constituição de grupos de dois ou mais componentes com o objetivo de desenvolver uma determinada atividade. . com componentes que apresentam a mesma necessidade de aprendizagem ou com estudantes que não a apresentam. Os dados da avaliação diagnóstica podem indicar a forma de composição dos grupos.c) Reagrupamento intraclasse em equipes flexíveis. podendo atuar como auxiliares.

• É uma proposta de intervenção complementar. por meio de estratégias diversificadas.Trabalho com Projeto Interventivo • Constitui uma estratégia pedagógica destinada a um grupo de estudantes para atendimento a suas necessidades específicas de aprendizagem. • Tem como objetivo sanar essas necessidades assim que surjam. . de inclusão pedagógica e de atendimento individualizado.

os projetos podem ser desenvolvidos em conformidade com as Diretrizes Pedagógicas do BIA (2012). Para isso. No III Ciclo. e as peculiaridades das aprendizagens dos estudantes. • O Projeto Interventivo apresenta-se como uma estratégia pedagógica que se articula aos reagrupamentos. entendido como ambiente escolar.• O Projeto Interventivo visa provocar a revisão de concepções e práticas pedagógicas. levando em consideração a elaboração de projeto específico para atender às necessidades de aprendizagens identificadas na avaliação diagnóstica. . o Projeto Interventivo poderá ser ofertado na parte diversificada (PD). adequando-as à promoção das aprendizagens dos estudantes no III Ciclo (anos finais do ensino fundamental). deve ser realizado. considerando a diversidade do espaço físico. Nos BIA (Bloco I) e Bloco II (4º e 5º anos).

SOE e Sala de Recursos). os professores farão o planejamento curricular interdisciplinar de acordo com as etapas do III Ciclo (6º ano. reagrupamentos.Planejamento curricular interdisciplinar por bimestre • A coordenação pedagógica coletiva é o espaço para a reorganização do trabalho escolar em ciclos. atuação das Equipes de Apoio (SEAA. • Além disso. . projetos para Parte Diversificada. 8º ano. A partir dos dados da avaliação diagnóstica e processual. a equipe pedagógica organizará nestes momentos. discussão sobre as estratégias pedagógicas de intervenção na perspectiva de uma pedagogia diferenciada envolvendo: projetos interventivos a serem desenvolvidos no laboratório de informática e na sala de leitura. 9º ano). 7º ano.

e) Planejamento dos procedimentos avaliativos integrados. d) Definição de estratégias pedagógicas diversas para garantir a integração entre as disciplinas e tratamento dos conteúdos.O planejamento deve envolver: a) Elaboração do Plano de Ação anual individual. c) Estabelecimento de eixos ou temáticas comuns dos componentes curriculares. seleção e organização dos conteúdos por bimestre. . b) Análise.

avanço dos estudantes de um ciclo a outro. . de modo que eles possam interagir com diferentes professores e colegas. A progressão continuada pode ser praticada por meio dos seguintes mecanismos: • reagrupamentos de estudantes ao longo do ano letivo. se os resultados da avaliação assim indicarem. durante o ano letivo. implícita na organização escolar em ciclos. levando em conta as suas necessidades de aprendizagens. A escola poderá ainda.Avaliação da aprendizagem na organização escolar em ciclos • progressão continuada das aprendizagens dos estudantes. acrescentar outros mecanismos e estratégias pedagógicas após análise realizada pelo conselho de classe.

d) O planejamento de projetos interventivos. permitindo a análise e a melhoria das suas produções e do seu percurso de aprendizagem (FERREIRA. Intencionalidades da avaliação b) Estabelecimento de canais de comunicação entre professor e alunos (feedback) para otimização das aprendizagens. c) Processos de autoavaliação a partir da análise progressiva das produções dos estudantes pelos próprios estudantes e professores. A intenção é a de que o aluno se aproprie e saiba se situar em função dos critérios estabelecidos. reagrupamentos. 2012). ou se julga fundamental poder esperar do conteúdo a ser trabalhado para suprir as necessidades específicas de aprendizagem.a) O estabelecimento de objetivos e critérios que definam o que se espera. entre outras ações .

das atividades avaliativas propostas pelos docentes e dos avanços alcançados. reconhecendo o “erro” como elemento de compreensão das elaborações conceituais do aluno. f) Busca de alternativas para resolução de problemas de caráter atitudinal observados pelo professor e equipes pedagógicas e de apoio da escola.e) Desenvolvimento de processos de autoavaliação a partir da análise progressiva das produções dos estudantes. g) Estabelecimento de contratos didáticos para que haja melhor aproveitamento e dinamismo durante o processo ensino-aprendizagem. possibilitando intervenções pontuais. .

o projeto interventivo e os reagrupamentos. intervenções realizadas. • Os registros do conselho de classe relatando os progressos evidenciados e as ações pedagógicas necessárias para a continuidade da aprendizagem do estudante devem ser mais detalhados. avanços alcançados no processo ensino-aprendizagem. . entre elas. além das estratégias pedagógicas adotadas.Conselho de Classe • Acontecerá ao final de cada bimestre ou quando a escola julgar necessário. com o objetivo de avaliar de forma ética aspectos atinentes à aprendizagem dos alunos: necessidades individuais.

alunos que não alcançarem objetivos definidos para o Ciclo com justificativa elaborada pelos professores e registros sistematizados feitos ao longo do processo. . Neste caso. há necessidade da anuência do Conselho de Classe. evidenciando as estratégias adotadas pelo professor e equipe de apoio para atender às necessidades específicas de aprendizagens do estudante.Reprovação Será admitida ao término do Bloco I. II e III Ciclo nos seguintes casos: alunos que apresentarem faltas escolares que ultrapassem o determinado pelo Regimento Escolar da SEDF (2009).

Articular os 3 níveis de Avaliação .

Teste Adaptativo Informatizado O TAI será encaminhado pela Coordenação de Avaliação Educacional – (COAVED) da Subsecretaria de Planejamento. em parceria com Subsecretaria de Educação Básica (SUBEB) e a Escola de Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação (EAPE). organizado pela EAPE. e auxiliarão na elaboração dos itens que comporão a avaliação. Os professores farão cursos de Formação Continuada. contando com a participação dos professores da rede pública. bem como na elaboração da matriz de referência para a composição dos itens que ficarão armazenados em um banco de itens. . Acompanhamento e Avaliação (SUPLAV).

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