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SEXO E AMOR

SEXO E AMOR

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Artigo que discute o amor, erotismo e sexo do ponto de vista psicológico. Foi ministrado como palestra para diversas áreas, no Grupo de Estudos do Amor, Campinas - SP. 2007. Citar autoria.
Artigo que discute o amor, erotismo e sexo do ponto de vista psicológico. Foi ministrado como palestra para diversas áreas, no Grupo de Estudos do Amor, Campinas - SP. 2007. Citar autoria.

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Published by: Noeliza Lima on Sep 26, 2007
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03/05/2014

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SEXO E AMOR

NOELIZA B. S. LIMA* INTRODUÇÃO Segundo Campbell, o investimento amoroso se dá de várias formas: Eros: o amor erótico, dos sentidos, simbolizado pelo deus grego Eros, filho de Afrodite, representado pelo pequeno Cupido (nome romano) - a criança com arco e flechas a tiracolo. Então aqui cabe o erotismo, onde domina a sensualidade. Sexualidade e sensualidade são palavras de sentido diferente. O sexo é o componente biológico, e o erotismo o componente emocional. Exemplo: Homem e mulher são seres sexuais, dotados de órgãos reprodutivos e também capazes de dar prazer. Homem e mulher também são seres erotizados, já que no relacionamento seduzem-se, e se anseiam, para parceria. A erotização ocorre independente de sexo e gênero,como na homossexualidade, ou hemoerotismo, a erotização no relacionamento de pessoas do mesmo sexo. Existem também paixões desvinculadas do sexo, mas não do erotismo. A idéia do 'príncipe encantado' é fonte de erotismo e paixão. Talvez por isto se faça confusão entre sexo por sexo, sexo por paixão, e sexo por amor. Considera-se importante aqui falar um pouco do conceito sexual, entendendo que a literatura e a filosofia costumam se referir a sexo, amor, paixão, sem mencionar a característica erótica de tais conceitos. Quando se fala em sexo e amor sempre há crescimento, e o amor, qualquer um deles, vai além dos conceitos 'certo - errado' . Cada pessoa segue sua trajetória individual, de casal,e este é um direito de cada ser. A interpretação usual destes fenômenos é que de um amor erótico, passa-se à paixão, e depois se purificam os sentimentos tornando-se com o tempo o amor Ágape, que transcende a qualquer característica que não seja o amor incondicional. Entretanto, há encontros nos quais não existe ordem aparente. Alguém pode encontrar alguém por quem nada sente além do apelo erótico e termina por aí a ligação, ou pode evoluir até uma grande amizade ou um grande amor. Este é o tipo de sentimento relacionado com o 'ficar', que ou se transforma em namoro e evolui no crescimento das pessoas envolvidas, ou se transforma em coleguismo. Há encontros amorosos que desde o primeiro instante sensibilizam as pessoas envolvidas, promovendo uma ligação forte, que é o amor apaixonado, de Tanatos. Com o tempo pode adquirir também o caráter Ágape, no qual se respeita a liberdade individual, um amor sem culpas, sem medo, e que leva ao crescimento. Estas ligações tendem a durar. Nos exemplos de vida e na literatura, tende-se a exigir que cada casal exerça o amor misericordioso ou Ágape, independente da idade cronológico e da maturidade. Isto é um engano, e as duas últimas gerações têm provado este ponto de vista. Algumas conseqüências de uma visão errônea a respeito de relacionamento amoroso: Se a pessoa persiste em um relacionamento sofrido geralmente tem razões para fazê-lo, sendo estas razões puramente emocionais, onde se encontram a culpa e o medo como discursos inconscientes. Ações freqüentes: - fazer mais do que sua parte para agradar a outra pessoa. - dizer sim ao que não quer. - submeter-se a situações perigosas por amor ao(a) outro(a). Isto ocorre também em ambientes não sexuais, como na família, no trabalho, com amigos.

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São os chamados casos de assédio e abuso, que acontecem diariamente a portas fechadas, e que poucas vezes as pessoas envolvidas não o percebem. Se estiver implícito o conceito cuidado há que se ter consciência de seus próprios limites na relação de par, para que não haja coerção ou submissão excessivas. Este é o lado negro do amor. Viver sexo com amor atualmente exige que as pessoas em um relacionamento sintam-se tão autênticos e livres como Deus os fez. Para isto as pessoas envolvidas precisam: - gostar de gente e de carinho - ser inteiro (a) integro= inteiro. SEXO E AMOR O Sexo na Classe Média, ocidental Nos anos 50 sexo era praticado antes do casamento somente em prostíbulos (homens) e em situações de 'apassionamento', ou amor apaixonado (homens e mulheres). As mulheres não conseguiam entender sexo sem amor o que levava a uma confusão de sentimentos que acabavam numa gravidez precoce, ou na entrada para um convento (desilusão). Nos anos 70 com o advento do controle efetivo da natalidade e a permissividades intelectuais, jovens já realizavam o ato sexual baseados em uma relação de sexo-amizade (relação conhecida como amizade colorida). Mas ainda persistia o ideal religioso de pureza e altruísmo no relacionamento, assim este pessoal que investia no sexo como fonte de satisfação era uma minoria. Os pais e mães adquiriram maiores informações, também foram se transformando e adquirindo novos valores. Contribuiu também para este fato os grandes espetáculos, o estar fora de casa e o acesso à internet. Os jovens passaram a conviver mais em grupos, exercitando suas opções mais livremente. Atualmente sexo é sexo. É uma espécie de relacionamento sem culpa e sem compromisso, uma forma de reconstrução do discurso entremeado de medo e culpa, exercido ao longo da modernidade (1800-1960). As pessoas experienciam uma carga de culpa muito grande, ao longo da educação judaica cristã. Sexo sem comprometimento existe no 'ficar', mas após uns dois ou três encontros, o casal ou continua junto ou não. Isto é: se existir uma afinidade erótica forte, um 'querer bem', ou 'querer', a relação pode continuar indefinidamente. Um exemplo de sexo por sexo "O sexo é uma necessidade como tomar água" Faço sexo sem compromisso porque creio que na minha idade posso me permitir isso. Tenho a necessidade de fazer sexo mesmo não estando compromissada. É uma necessidade básica, assim como quando tenho sede e preciso tomar água. Mas o "sexo Express" não é tão natural, não é tão espontâneo, porque há certas formas e limites que quando se está com seu companheiro não existem. Então, você tem que se comportar seguindo uma certa pauta. A pior parte desse tipo de sexo é que no final, quando a relação chega ao fim, você não tem nada a dizer nem a fazer. Karen, 29 anos ** Existem razões para a evasão social do compromisso. Quando entra o gostar na relação geralmente começam os problemas. Aprende-se ainda que há que ter responsabilidade com o outro, privilégios para o outro, e as pessoas sentem-se depois de algum tempo espoliadas. Como viver uma relação amorosa sem sacrifício ainda é a parte difícil e o grande desafio. As pessoas que são ou foram casadas durante muito tempo sabem que é difícil estender a experiência da

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paixão para o casamento. O que existe no aconselhamento de par é a introdução do erotismo no casamento, coisa que é bem mais fácil de fazer. E isto desde Master & Johnson, um casal que auxiliou muito a terapia sexual a partir dos anos 60. Hoje a mídia ensina como fazer o erotismo sobrevir no casamento. Mas a paixão não volta com o erotismo. Isto porque a paixão não resiste ao viver junto. É um encantamento que não sobrevive ao desencanto. Mas o Eros, com suas novidades sensuais, traz um pouco de aventura, só não se pode confundir erotismo com paixão. O amor erótico visa a satisfação dos sentidos, a paixão visa os anseios do coração. Existe paixão sem sexo, como as platônicas, mas paixão sem erotismo não. O erotismo é o desejo, ou seja, as pessoas e as coisas no mundo, são potencialmente fonte de prazer. Entre seres humanos, o prazer não é somente sexual, satisfeito pelos sentidos. O amar à distancia sobrevive porque vive de expectativas que nunca foram frustradas. O ser humano tende a se relacionar com o mundo, desde que nasce. Todos nascem com capacidade de amar, que permanece com o tempo. Seu destino humano é desejar e o mundo é o palco onde exerce este destino. Não existe escolha. Não importam as palavras, ou os objetos de desejo, pode ser 'amor mesmo', só sexo, paixões, amor transcendente, somos seres de desejo. Não existem castrados emocionais. Os afetos nos conduzem e só podemos escolher o caminho. O sim e o não se tornam dificuldades poderosas, porque ninguém quer sofrer. Mas isto faz parte. Em tudo ganhamos 50% e perdemos 50%. O caminhar dos nossos afetos justifica. Eu li quando menina, nos anos 50, 'o amor é algo inerente ao homem, que dele se irradia e o relaciona com o mundo, tornando este verdadeiramente seu'. Mudou o cenário, escreveu-se tanto, veio a liberdade sexual, a possibilidade de sexo sem compromisso, acentuou-se o fundamentalismo cultural, a ciência e a tecnologia, o mundo ‘superpulou e super populacionou’.E a poesia humana continua, neste faz-desfaz de costumes, ainda queremos amar. NOTAS E CITAÇÕES *Psicóloga, prof, universitária, Mestra em Psicologia Clínica, psicoterapeuta, pesquisadora em sexualidade e gênero na inclusão social. Contato: Psicologia e Grupos: Tel. 19-97416227 http://noelizapsy.blogspot.com nobedelima@gmail.com ** Texto disponível na Internet: [http://mulher.terra.com.br/interna/0,,OI1472286-EI4788,00.html] OBS: As palavras nominativas no masculino independem de sexo e gênero, é somente uma questão gramatical. Bibliografia consultada: Berne, Eric: Sexo e Amor Frömm, Eric: A Arte de Amar. Hite, Shere: O Orgulho de Ser Mulher, ed. Sextante. Lima, N.: O Papel de Cada Um no Par, palestra Roger, Carl: O Casamento e suas Alternativas Wikipédia (etimologia de termos)

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