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A Tabela Periódica

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CAPÍTULO 2 – TABELA PERIÓDICA DOS ELEMENTOS QUÍMICOS

Tabela Periódica dos Elementos Químicos

1. Breve História da Tabela Periódica No mundo que nos rodeia encontra-se uma enorme diversidade de materiais e de substâncias que os constituem. Mas, a grande variedade de substâncias obtém-se a partir de um número muito mais reduzido de elementos químicos que, actualmente, se encontram organizados numa tabela – a Tabela Periódica dos Elementos (TP). A ideia de organizar os elementos químicos resultou da necessidade que os químicos sentiram de reunir o máximo de informações sobre os mesmos da forma mais simples para serem consultadas. Na antiguidade, eram já conhecidos alguns elementos, como o ouro, a prata, o cobre, o ferro, o carbono, o chumbo, o estanho, o mercúrio e o enxofre. Os alquimistas descobriram o arsénio, o antimónio e o fósforo. Os alquimistas seguiam a disciplina que visava o fabrico da pedra filosofal, a substância capaz de transformar em ouro qualquer matéria com a qual fosse colocada em contacto, e do elixir da longa vida, que haveria de prolongar a existência dos que o tivessem tomado. Embora a alquimia não fosse uma ciência experimental, ou seja, os trabalhos eram executados sem recorrer ao método científico (forma sistemática de organizar as coisas), o impulso oferecido por ela foi, em todo o caso, muito grande. Nesta busca incessante, os alquimistas acabaram por descobrir novos elementos e processos úteis à vida prática, tais como a destilação e a sublimação. Em 1669, o alquimista alemão, Henning Brand, quando procurava descobrir a pedra filosofal, conseguiu “apenas” obter fósforo elementar através da destilação da urina. Este é o primeiro elemento do qual existem registos históricos da sua descoberta. A partir desta data, muitos outros elementos químicos foram descobertos, tendo, em 1870, o número crescido para cerca de 60. A título de exemplo, refere-se a descoberta do elemento hidrogénio e do elemento oxigénio. O primeiro foi descoberto por Henry Cavendish, em 1776, apesar de ter sido baptizado pelo químico francês, Antoine Lavoisier, apenas sete anos mais tarde (1783). Chamou-lhe hidrogénio, palavra que tem origem grega e significa “gerar água”. O segundo foi descoberto, no ano 1774, por Joseph Pristley e, independentemente, pelo químico sueco, Carl W. Scheele. No entanto, só mais tarde, Lavoisier, mais uma vez, foi bem sucedido ao descrever o oxigénio, pois baseou-se somente em factos experimentais. Como o número de elementos químicos conhecidos ia aumentando, os cientistas começaram a procurar semelhanças nas suas propriedades e a desenvolver esquemas para a sua classificação. O primeiro cientista a destacar-se na tentativa de ordenação sistemática dos elementos foi Antoine Lavoisier, em 1789. Ele agrupou os cerca de 30 elementos já conhecidos em quatro categorias: gases, não-metais, metais e elementos terrosos. Quando estudava a substância elementar

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Tabela Periódica dos Elementos Químicos

correspondente a um dado elemento, no estado sólido, e esta tanto apresentava brilho metálico, como era boa condutora da electricidade, então constituía um metal. O oxigénio, por exemplo, era considerado um gás e a “cal” um elemento terroso. É de salientar, que nesta época, os elementos eram colocados ao mesmo nível da luz e do calor, sendo estes considerados elementos gasosos. No século XIX, ainda muito pouco se sabia acerca dos átomos e não se conheciam as partículas subatómicas, tais como, o protão, o electrão e o neutrão. Mas, mesmo neste contexto, os químicos não desistiam da procura de uma organização para os elementos químicos, até porque a classificação de Lavoisier se tinha revelado pouco rigorosa. Os trabalhos que entretanto surgiam foram, muitas vezes, notavelmente bem sucedidos e ficaram para sempre na história da ciência. Muito antes dos conhecimentos actuais sobre a Mecânica Quântica, os químicos já conheciam algumas propriedades físicas e químicas de alguns elementos e reconheciam semelhanças entre átomos de elementos diferentes. Os seus trabalhos baseavam-se no conhecimento das massas atómicas, pois nessa altura já existiam medidas precisas dessa grandeza para muitos elementos. Organizar os elementos de acordo com a sua massa atómica parecia lógico a estes químicos, visto que entendiam que o comportamento químico deveria relacionar-se, de certa forma, com essas massas. Nos dias que correm, sabe-se que a massa atómica não é a propriedade fundamental de um átomo. O seu valor pode variar de acordo com a abundância relativa dos isótopos (átomos diferentes do mesmo elemento que diferem no número de neutrões) de cada elemento. No entanto, foi o critério que serviu de base aos químicos durante parte do século XIX. Por volta de 1817, o alemão Johann Döbereiner, observou que a massa atómica do estrôncio era aproximadamente igual à média das massas atómicas do cálcio e do bário. E, para além desta curiosidade, ele verificou que os elementos em causa tinham propriedades químicas semelhantes. Em 1829, ele volta a fazer observações similares para outros grupos de três elementos, como, por exemplo, o lítio, o sódio e o potássio. Assim, ele criou as tríades. Cada uma delas era constituída por três elementos com propriedades semelhantes, organizados por ordem crescente de massa atómica. I Elemento Elemento Atómica Massa II Elemento Atómica Massa III Elemento Atómica Massa IV Atómica 80 127 Massa

Li Na K

7 23 39

Ca Sr Ba

40 88 137

S Se Te

32 79 127,5

Cl Br I

35,5

Figura 2.1 – Tríades de Döbereiner
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Tabela Periódica dos Elementos Químicos

É de notar, que estes agrupamentos estão de acordo com o que se conhece actualmente sobre as propriedades periódicas. Lamentavelmente, muitos dos metais não podiam constituir tríades. Um outro modelo, foi sugerido, em 1862, por Alexandre de Chancourtois, engenheiro e geólogo francês – o caracol de Chancourtois. Os elementos encontravam-se dispostos, por ordem crescente de massas atómicas, numa linha helicoidal que recobria uma superfície cilíndrica, de maneira a que os pontos que se correspondiam sobre as sucessivas voltas da hélice diferiam em 16 unidades. Os elementos com propriedades semelhantes encontravam-se nesses pontos. Por exemplo, o oxigénio, o enxofre, o selénio e o telúrio têm, respectivamente, as massas atómicas 16, 32, 79, e 128. Casualmente, estes valores são múltiplos exactos ou próximos de 16. Mas, se algumas partes da hélice tiveram sucesso, outras revelaram-se incorrectas. O caso mais relevante diz respeito ao boro e ao alumínio que, como era de esperar, apareciam em conjunto, mas seguiam-se-lhes o níquel, o arsénio, o lantânio e o paládio, que não têm propriedades parecidas com os primeiros. Chancourtois teve muita satisfação ao noticiar o seu projecto, pois apenas uma das tríades de Döbereiner aparecia na sua hélice. Até a tríade do enxofre deixou de ter qualquer importância, tendo o trabalho do alemão perdido toda a credibilidade. Apesar do caracol mostrar a existência de uma periodicidade, revelou-se pouco consistente, o que impediu a sua aceitação. Não fosse Chancourtois um geólogo! Outra tentativa de organização deveu-se ao inglês John Newlands que, em 1864, estabeleceu a relação a que chamou Lei das Oitavas. Este foi o primeiro químico a dispor os elementos num quadro com sete colunas, por ordem crescente de massa atómica. Nesta disposição, qualquer elemento tinha propriedades semelhantes às do oitavo elemento que se lhe seguia (por analogia às oitavas da escala musical). Contudo, esta ordem levantava algumas anomalias. Mas, como Newlands tinha conhecimentos muito consistentes a nível químico, não receou colocar dois elementos a ocupar a mesma posição na tabela, desde que apresentassem propriedades idênticas. Consciente do seu trabalho, ele verificou que a periodicidade não era perfeita e que a “lei” era inadequada para elementos para além do cálcio. Apesar de tudo, o seu trabalho foi fortemente criticado e chegou mesmo a ser ridicularizado pela Real Sociedade de Química de Londres. Só mais tarde, em 1887, depois de se ter constatado que a sua contribuição foi um notável património para os trabalhos dos químicos que se seguiram, é que a mesma instituição o galardoeia. Atribui-se a Dmitri Mendeleev1, físico e químico russo, a origem da organização da Tabela Periódica actual. Este, ao escrever o livro “Principles of Chemistry”, procurou um padrão que permitisse organizar toda a informação acerca dos elementos. Para tal, fez vários cartões, um para cada elemento, e analisou várias disposições dos mesmos. Descobriu uma que tinha por base a repetição regular e periódica das propriedades – elementos dispostos numa tabela por ordem
– Em 1906, Mendeleev recebeu o Prémio Nobel da Química. O seu trabalho na classificação periódica dos elementos foi considerado o passo mais importante dado pela Química no século XIX. 24
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Tabela Periódica dos Elementos Químicos

crescente de massa atómica, de modo que em cada coluna se encontrassem elementos com propriedades químicas análogas. Estava estabelecida a relação entre a massa atómica e a as propriedades dos elementos. A figura 2.2 mostra a TP proposta por Mendeleev, em 1872. O modelo encontrado revela aspectos positivos em relação aos anteriores. Em primeiro lugar, ele deixou vários espaços vazios na tabela para elementos que previa virem a ser descobertos. Esta era a grande novidade e, talvez, a principal causa do elevado sucesso. Pela primeira vez, era possível prever, de forma bastante exacta, as propriedades de muitos elementos que ainda não eram conhecidos. Por exemplo, Mendeleev previu a existência de dois elementos desconhecidos a que chamou eka-alumínio (eka significa “primeiro”; então, o eka-alumínio seria o primeiro elemento sob o alumínio no mesmo grupo) e eka-silício. Quando, em 1875, o químico francês, Lecoq de Boisbaudran descobriu o gálio, verificou-se que as suas propriedades se ajustavam às previstas para o eka-alumínio; e, passados cerca de 15 anos, quando o alemão Winckler descobriu o germânio, também se constatou que tinha exactamente as mesmas propriedades do eka-silício. Estas descobertas sucederam-se ainda durante a vida de Mendeleev, o que lhe mostrou que as suas previsões estavam correctas.
Gruppe I Reihen 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
___ ___

Gruppe II
___

Gruppe III
___

R1O H=1 Li = 7 Na = 23 K = 39 (Cu = 63) Rb = 85 (Ag = 108) Cs = 133 (___)
___

RO

R2O3

Gruppe IV RH4 RO2

Gruppe V RH3 R2O5

Gruppe VI RH2 RO3

Gruppe VII RH R2O7

Gruppe VIII
___

RO4

Be = 9,4 Mg = 24 Ca = 40 Zn = 65 Sr = 87 Cd = 112 Ba = 137
___

B = 11 Al = 27,3
___

C = 12 Si = 28 Ti = 48
___

N = 14 P = 31 V = 51 As = 75 Nb = 94 Sb = 122
___ ___

O = 16 S = 32 Cr = 52 Se = 78 Mo = 96 Te = 125
___ ___

F = 19 Cl = 35,5 Mn = 55 Br = 80
___

= 44
___

Fe = 56, Co = 59, Ni = 59, Cu = 63.

= 68

= 72

?Yt = 88 In = 113 ?Di = 138
___

Zr = 90 So = 118 ?Co = 140
___

= 100 J = 127

Ru = 104, Rh = 104, Pd = 106, Ag = 108.

___ ___ ___

___

___

___

___

?Er = 178 Tl = 204
___

?La = 180 Pb = 207 Th = 231

Ta = 182 Bi = 208
___

W = 184
___

Os = 195, Ir = 197, Pt = 198, Au = 199.
___

(Au = 199)
___

Hg = 200
___

C = 240

___

___

___

___

___

Figura 2.2 – Tabela Periódica proposta por Mendeleev, em 1872
(Os símbolos no cimo das colunas são as fórmulas moleculares escritas de acordo com a nomenclatura do século XIX.)

Mendeleev ao desenvolver a sua tabela privilegiou a regra de propriedades semelhantes na mesma coluna. Assim, sentiu a necessidade de reordenar alguns elementos para novas posições.

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também estabeleceu uma organização para eles. mais interessado nas propriedades físicas dos elementos. ocuparia a posição do potássio (39. se fosse estabelecida somente pelo critério da massa atómica. Thomson. como só apresentou publicamente o seu trabalho passado um ano de Mendeleev ter divulgado a sua tabela. Meyer e outros tinham referido. Rutherford propôs que a maior parte do espaço atómico é espaço vazio e que na sua parte central existe uma pequena zona densa de carga positiva – o núcleo. acima do magnésio. que as propriedades dos elementos variavam periodicamente com o número atómico. Na mesma época. então. Realizando a sua experiência com vários materiais. uma vez que tinham propriedades que se assemelhavam. não hesitou em colocar o berílio no grupo II. Deste modo. apesar do primeiro ter massa atómica igual a 127 e o segundo igual a 128. Mostrou-se.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Por um lado. o iodo só deveria surgir na tabela depois do telúrio. Mendeleev tenha efectuado todos estes ajustes. teve de admitir que alguns dos valores que utilizava de massa atómica determinados por Stanislao Cannizzaro estavam incorrectos. Por exemplo. que constituem metais muito reactivos. o berílio encontrava-se no grupo III. Com a descoberta dos isótopos dos elementos. Embora.m. por volta de 1900. a tabela continuava a apresentar algumas incorrecções.J. O químico russo teve ainda que inverter a posição relativa de alguns pares de elementos. O árgon. Apesar de ter dado o seu contributo. por exemplo. o químico alemão. o que representa uma discrepância. Completou o seu modelo. enquanto que outras. Observou que a maioria das partículas atravessavam a lâmina de ouro sem sofrer desvio. 26 . não lhe foi dado muito destaque. de acordo com o critério da ordem crescente de massa atómica. 2 – A descoberta do electrão deve-se à experiência realizada por J. Rutherford conseguiu estimar o número de protões no núcleo de vários elementos. em 1910. sendo um gás inerte. nunca poderia ser colocado no mesmo grupo do lítio e do sódio. com o tubo de raios catódicos. Atendendo aos resultados experimentais. eram desviadas. em muito menor número. Lothar Meyer.) na Tabela Periódica actual (Anexo 1). No caso do iodo e do telúrio. Ele recorreu às descobertas realizadas no âmbito da radioactividade e bombardeou uma lâmina de ouro com partículas α (núcleos de hélio 2 4 He2+). Às partículas de carga positiva que constituem o núcleo foi atribuído o nome de protões. ele. avançando com a ideia de que em torno do núcleo se moviam os electrões2.a. verificou-se que a massa atómica não era o critério que marcava a periodicidade dos elementos. A experiência que Ernest Rutherford. tal como Mendeleev.10 u.). permitiu avançar nos conhecimentos sobre a constituição dos átomos.a. chegando mesmo algumas a voltar para trás. físico neo-zelandês.95 u. a posição do árgon (39.m. realizou. Inicialmente.

e. Em 1951.Tabela Periódica dos Elementos Químicos No entanto. se verifica que é quatro vezes maior? O físico britânico. ao bombardear uma folha de berílio com partículas α. O potássio deve seguir-se ao árgon. na zona inferior da mesma. no entanto. em 1913.Como é que os protões se mantêm agregados. Com estes novos elementos. A última grande modificação na Tabela Periódica resultou do trabalho de Glenn Seaborg. Desta forma. Muitos outros nomes de químicos que se destacam na história da Química. descobriram-se novos elementos e os químicos viram-se obrigados a efectuar alterações na Tabela Periódica. estabelecer o conceito de número atómico de um elemento: é o número de protões existentes no núcleo do átomo desse elemento. Estava dado o grande passo na organização dos elementos químicos. Com o passar do tempo. 27 . ele confirmou a existência de uma outra partícula no núcleo – o neutrão (partícula de carga neutra e com massa ligeiramente superior à dos protões). Seaborg descobriu os elementos transuranianos desde o número atómico 94 até ao 102. James Chadwick. permitiu a Henry Moseley. quando o físico. visto que o primeiro tem número atómico 18 e o segundo número atómico 19. Já em 1895. Lord Rayleigh. em 1932. William Ramsey. descobriu o árgon e o químico. Moseley verifica que as propriedades dos elementos se repetem periodicamente quando estes são colocados por ordem crescente de número atómico – Lei Periódica de Moseley. Seaborg recebeu o Prémio Nobel da Química e quando se descobriu o elemento de número atómico 106 foi-lhe dado o nome de seabórgio.Porque é que a massa do hélio deveria ser o dobro da massa do hidrogénio. na década de 50. mesmo tendo cargas iguais? . O contínuo progresso no conhecimento das partículas subatómicas. em sua homenagem. observou que do metal eram emitidas radiações semelhantes à radiação γ (ondas electromagnéticas de elevada energia). foi necessário acrescentar uma nova coluna à Tabela Periódica. Agora já era possível responder às questões referidas anteriormente. Algumas das incongruências existentes na tabela de Mendeleev podiam agora ser explicadas.3. tal como se pode ver na figura 2. Neste contexto. colocando os elementos da série dos actinídeos (elementos de número atómico de 90 a 103) a seguir à série dos lantanídeos (elementos de número atómico de 58 a 71). Ele chegou a essa conclusão após realizar experiências que lhe possibilitaram estabelecer uma relação entre os espectros de raios X e o número de cargas positivas do átomo dos elementos. o modelo de Rutherford ainda não conseguia explicar algumas questões: . ele reconfigurou a TP. Depois da descoberta do plutónio em 1940. encontram-se “disfarçados” como nomes de elementos químicos na Tabela Periódica actual. descobriu os restantes gases inertes.

por ordem crescente de número atómico. A cada uma das quadrículas corresponde um elemento químico. Foi assim baptizado para homenagear o trabalho de Mendeleev.3) e tornar a sua linguagem universal. Pretende-se uniformizar as diferentes convenções utilizadas até agora (convenção americana e europeia. Esta tem origem nos conhecimentos da Mecânica Quântica e permite explicar a ocorrência periódica das propriedades dos elementos. A IUPAC (Internacional Union of Pure and Applied Chemistry). estabeleceu. esta recomendação criou muita discussão na comunidade internacional de química. que se encontram representadas na figura 2. pelo que ainda continuará em análise durante algum tempo. uma outra recomendação: na Tabela Periódica.3 – Tabela Periódica com as diferentes convenções A Tabela Periódica actual (Anexo 1) é constituída por 115 elementos conhecidos dispostos. 28 . Uma das informações presente considerada muito importante é a configuração electrónica (no próximo sub-capítulo irá desenvolver-se este conceito). Contudo. numa matriz quadriculada de linhas e colunas. recentemente. Este está representado pelo seu símbolo químico e vem acompanhado das suas características. a designação dos grupos deve ser feita com a numeração de 1 a 18. o mendelévio. utilizando algarismos árabes. Figura 2. organismo que estabelece normas de nomenclatura na área da Química.Tabela Periódica dos Elementos Químicos É de destacar o elemento de número atómico 101.

4 – Organização da Tabela Periódica em períodos e grupos Cada grupo constitui uma família de elementos. dentro de um grupo ou de um período (no próximo sub-capítulo serão aprofundados os conhecimentos sobre a TP). Organização da Tabela Periódica A Tabela Periódica é. Por exemplo.1. certamente.Tabela Periódica dos Elementos Químicos A grande utilidade da Tabela Periódica consiste na possibilidade de se poderem prever as propriedades de qualquer elemento químico. espera-se que a Tabela Periódica seja enriquecida com novos elementos que venham a ser descobertos. como se pode observar na figura 2. o grupo 16 o dos calcogéneos. Os elementos que pertencem a uma mesma linha dizem-se do mesmo período e os que pertencem à mesma coluna fazem parte do mesmo grupo. uma designação própria. por se tornarem muito instáveis devido às repulsões eléctricas. um tempo de vida extremamente pequeno. às quais se atribui. existem teorias que especulam a existência de elementos com cerca de 170 protões no núcleo. efectivamente. Os elementos com número atómico superior a 117 terão. No futuro. Pode avançar-se que a TP ainda se vai expandir. As características das várias famílias serão exploradas mais à frente. tendo por base o conhecimento das propriedades gerais e das tendências. No entanto. por vezes. Tabela Periódica actual 2. um instrumento organizador de conhecimentos sobre os elementos químicos. o grupo 1 é o grupo dos metais alcalinos. Encontra-se organizada em 7 linhas e 18 colunas. 2. mas não tanto como até aos dias de hoje. 1 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 2 13 14 15 16 17 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 18 G R U P O P E R Í O D O Figura 2. o grupo 2 o dos metais alcalino-terrosos. onde estes estão ordenados por ordem crescente de número atómico (Z).4. 29 . o grupo 17 o dos halogéneos e o grupo 18 é chamado o grupo dos gases nobres ou inertes.

noutras como não-metais. sem pertencer a nenhum dos grupos. Na Tabela Periódica. em determinadas condições comportam-se como metais. muitas vezes. os segundos à direita e os últimos são aqueles que se encontram de cada um dos lados dessa linha. 1 1º 2º 2 H Semimetais 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Metais Alcalinos Metais AlcalinoTerrosos Família do Boro Família do Carbono Família do Azoto 13 14 15 3º 4º 5º 6º 7º Não Metais Metais de Transição La Ac Metais de Transição Interna Figura 2. Ele aparece muitas vezes colocado no grupo 1. Esta permite classificar os elementos em metais. Os primeiros encontram-se à esquerda da linha. porque ele tem características individuais que não podem ser comparadas com os elementos dos outros grupos. Recentemente. é aquele que tem menor número atómico. não é fácil decidir a sua posição. esquematizada na figura 2.Tabela Periódica dos Elementos Químicos 1 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º Metais Alcalinos 2 18 H 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 He Gases Nobres 18 30 Li Be Metais AlcalinoTerrosos B Sc Y La Ac Zn Cd Hg Uub C N O Calcogéneos 16 F Halogéneos 17 Elementos de Transição Série dos Lantanídeos Série dos Actinídeos Figura 2. ele tem sido.5 – Famílias constituintes da Tabela Periódica O hidrogénio. tal como se encontra na figura 2. primeiro elemento de Tabela Periódica. Através desta divisão. embora não seja um metal.6. não-metais e semimetais.6 – Organização da Tabela Periódica em metais. Os semimetais. não metais e semimetais . ou seja. posicionado de forma solitária. No entanto. observa-se uma linha quebrada.5. verifica-se que a maior parte dos elementos da TP são metais.

Tabela Periódica dos Elementos Químicos Ainda é possível estabelecer outra classificação com base na Tabela Periódica: elementos representativos. Niels Bohr. Até aqui. prevalecia o Modelo Atómico de Bohr (figura 2. em torno do núcleo. No grupo 18. A grande novidade introduzida neste modelo é a existência de zonas em torno do núcleo onde a probabilidade de encontrar um dado electrão é elevada – as orbitais.9) que propunha que os electrões descreviam órbitas circulares e bem definidas. Um dos nomes que está na base do modelo actual do átomo é Werner Heisenberg (físico alemão). Esta descrição garantiu-lhe o Prémio Nobel da Física em 1933. encontram-se os gases nobres e o grupo 12 não tem designação específica. 2. as configurações electrónicas são escritas de acordo com o Modelo Quântico do Átomo (figura 2. as quais se relacionam com as configurações electrónicas dos mesmos. 13. Os trabalhos efectuados por Johannes Rydberg e Joseph Balmer. 16 e 17. escreveu a equação que permite descrever o comportamento e a energia das partículas sub-microscópicas. grupo 1. 14.7 – Organização da Tabela Periódica em elementos representativos e de transição Recorde-se que a Tabela Periódica está organizada de modo a que os elementos de um mesmo grupo possuam propriedades químicas semelhantes. como já foi referido. do grupo 3 ao 11. no campo Gases Nobres 31 . nem são elementos representativos. Este modelo está associado a vários cientistas e resultou de uma construção e actualização permanente dos conhecimentos acerca dos átomos. segundo o qual um electrão só pode assumir determinados níveis de energia no átomo. físico dinamarquês.8). em 1926. Este. e elementos de transição. 15. 1 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 2 18 H 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 Elementos Representativos La Ac Elementos de Transição Zn Cd Hg Uub Elementos Representativos Elementos de Transição Interna Figura 2. Actualmente. cádmio e mercúrio. Os elementos zinco. baseou os seus trabalhos nos resultados experimentais obtidos por Rutherford (já referenciados no sub-capítulo anterior). Outro é Erwin Schrödinger (físico austríaco). nem metais de transição.

relaciona-se com a energia do electrão e com o tamanho da orbital. 32 . ainda. representando a forma da orbital. As orbitais s têm todas forma esférica (a superfície de fronteira engloba 90% da densidade electrónica total da orbital). As orbitais d têm formas mais complexas. ml. havendo cinco possibilidades de orientação. em cada subnível p existem três orbitais p.o número quântico secundário.1). ou de momento angular. Figura 2. As orbitais p têm a forma de dois lóbulos simétricos. ms. determina as orbitais presentes em cada subnível de energia e a sua orientação espacial. em cada subnível d há cinco orbitais d. os quais podem ser representados pelas letras s.o número quântico principal.10 apenas estão esquematizadas as orbitais s. Todas as orbitais que pertencem a um mesmo subnível têm a mesma energia e à medida que aumenta o valor do número quântico principal elas aumentam de tamanho. . pode tomar valores de 0 até (n-1). só pode ter o valor –1/2 ou +1/2. Estas orbitais só existem a partir do número quântico principal n = 2 (consultar a tabela 2. l. também ajudaram Bohr na formulação do seu modelo e.1). . que se orientam segundo as três orientações do espaço.o número quântico magnético.Tabela Periódica dos Elementos Químicos dos espectros de riscas dos elementos. . As formas das orbitais f são difíceis de representar. só pode ter valores inteiros e positivos iguais ou superiores a um.8 – Modelo quântico do átomo Figura 2. indica o subnível de energia. associa-se ao sentido em que cada electrão gira em torno do seu eixo imaginário. p e d).9 – Modelo atómico de Bohr Cada electrão que ocupa uma dada orbital é descrito por um conjunto de números quânticos: . da acordo com a forma da orbital (na figura 2.o número quântico de spin. p d e f. então. Estas orbitais só existem a partir do número quântico principal n = 3 (consultar a tabela 2. n. pode assumir valores de –l a +l. assim. em cada subnível f existem sete orbitais f. o impulsionaram a pensar numa explicação para as riscas no espectro do átomo de hidrogénio.

.Princípio de exclusão de Pauli3: num átomo não podem existir dois electrões com os quatro números quânticos iguais. 3py.. físico austríaco foi um dos fundadores da Mecânica Quântica.2 .. 3pz 3dxy.Regra de Hund4: as orbitais de um mesmo subnível são preenchidas de modo a que os electrões contenham o maior número de spins paralelos.. . . 2py. Designação das orbitais 1s 2s 2px.. Número de orbitais 1 1 3 1 3 5 . ml 0 0 -1.-1.Tabela Periódica dos Elementos Químicos orbital s orbital px orbital py orbital pz orbital dxy orbital dyz orbital dxz orbital dx2-y2 orbital dz2 Figura 2.. 33 ... é necessário recorrer a um conjunto de princípios e regras: . 3dx2-y2. p e d Tabela 2.0. ou seja.10 – Formas das orbitais s. numa orbital só podem existir dois electrões com spins opostos.. isto é. 3dxz. 3dyz. A energia de uma orbital depende do número quântico principal e do número quântico secundário.. – Frederick Hund.0.0.1 – Relação entre os números quânticos e as orbitais atómicas n 1 2 3 l 0 0 1 0 1 2 .1 -2.Princípio da energia mínima: os electrões distribuem-se pelas diferentes orbitais por ordem crescente de energia das mesmas. físico alemão. No entanto. . a ordem crescente de preenchimento das orbitais. para distribuir os electrões constituintes de um dado átomo pelas orbitais. Para estabelecer a configuração electrónica.1.1 0 -1. 3dz2 . nem sempre corresponde 3 4 – Wolfgang Pauli. 2pz 3s 3px. também centrou o seu trabalho na Mecânica Quântica.

11 – Diagrama de Pauling Existem várias irregularidades na ordem de preenchimento dos subníveis de energia ao longo da Tabela Periódica. em átomos polielectrónicos.Tabela Periódica dos Elementos Químicos à ordem crescente dos números quântico primário e secundário. as quais podem ser facilmente consultadas no diagrama de Pauling (figura 2. Nas configurações electrónicas encontram-se. Por exemplo. Este processo repete-se sucessivamente. pois a proximidade das orbitais ao núcleo também depende da carga nuclear do elemento. então. que acabam por alterar a energia das orbitais. Quando se adicionam electrões ao mesmo subnível de energia. que as orbitais mais próximas do núcleo (orbitais menos energéticas e as primeiras a serem preenchidas) são as s. o que provoca um aumento significativo da sua energia. primeiro indica-se o número quântico principal pelo respectivo número do nível de energia. geram-se repulsões electrónicas. Seguem-se as p. desde o subnível de menor energia. é certo. Para estes elementos. Mas. como a energia total de um átomo depende da soma das energias das orbitais e das repulsões electrónicas sentidas nessas orbitais. a ordem de preenchimento dos subníveis pode inverter-se entre elementos sucessivos. podem ocorrer inversões nessa ordem para orbitais com número quântico principal diferente. como estes subníveis têm energias muito próximas e se fazem sentir maiores repulsões no subnível 3d. principalmente nos metais de transição e nas famílias dos lantanídeos e dos actinídeos. Figura 2. primeiro deveria preencher-se uma orbital 3d e só depois a orbital 4s. 34 . até todos os electrões do átomo em causa estarem distribuídos. bem como o número de electrões que ocupa cada uma delas. Ocorrem inversões deste tipo entre outros subníveis de energia. a orbital 4s acaba por ser preenchida em primeiro lugar. Todavia. como o número atómico é elevado. em expoente. especificados os níveis e os subníveis de energia das várias orbitais. de seguida. Para cada orbital. Para o mesmo número quântico principal. até ao de maior energia.11): é só seguir a direcção das setas. o número de electrões contidos na orbital. d e f. depois coloca-se a letra correspondente à forma da orbital e.

Os elementos representativos do grupo 1 e 2 constituem o bloco s. por terem as orbitais f não completamente preenchidas. É de notar que os elementos do bloco f são muito difíceis de distinguir. que tem configuração electrónica 1s2. à excepção do hélio. a Tabela Periódica pode ser dividida em blocos (bloco s. pois. exactamente. Os elementos de transição correspondem ao bloco d. têm todos propriedades muito similares. 18 13 14 15 16 17 He 1s2 Ne 1s22s22p6 Ar [Ne]3s23p6 Kr [Ar]3d104s24p6 Xe [Kr]4d105s25p6 B C N O F 1s22s22p1 1s22s22p2 1s22s22p3 1s22s22p4 1s22s22p5 Al Si P S Cl [Ne]3s23p1 [Ne]3s23p2 [Ne]3s23p3 [Ne]3s23p4 [Ne]3s23p5 Ga Ge As Se Br [Ar]3d104s24p1 [Ar]3d104s24p2 [Ar]3d104s24p3 [Ar]3d104s24p4 [Ar]3d104s24p5 In Sn Sb Te I [Kr]4d105s25p1 [Kr]4d105s25p2 [Kr]4d105s25p3 [Kr]4d105s25p4 [Kr]4d105s25p5 Figura 2. conforme o tipo de orbitais em que se encontra(m) o(s) electrão(ões) de valência. O número do período a que pertence um elemento é igual ao número quântico principal do último nível preenchido. No entanto. no grupo 14 verifica-se uma grande alteração nas propriedades químicas dos elementos. isto é. porque as configurações electrónicas também o são. os elementos de transição interna. as séries dos lantanídeos (6º período) e dos actinídeos (7º período) representam o bloco f. Por último. 35 . é necessário ter atenção quando se prevêem características de elementos para os grupos de 13 a 17.12) verifica-se que. os elementos que pertencem ao mesmo grupo têm igual configuração electrónica de valência (configuração electrónica das orbitais do último nível de energia) e o número de electrões desse nível de energia é igual ao algarismo das unidades do número do grupo da Tabela Periódica. Pode dizer-se que os elementos representativos são aqueles que têm as orbitais s ou p de maior número quântico principal incompletamente preenchidas. os dois elementos seguintes são semimetais e o chumbo é um metal. O bloco p integra as restantes famílias dos elementos representativos. p. os elementos pertencem todos ao bloco p.12 – Extracto da Tabela Periódica com a configuração electrónica dos elementos representados Os elementos de um mesmo grupo têm um comportamento químico semelhante. O carbono é um não-metal. Quanto ao grupo 18.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Analisando um pequeno extracto da Tabela Periódica (figura 2. d e f). Por exemplo. Reflectindo sobre as configurações electrónicas dos elementos. especialmente no que diz respeito aos electrões de valência (electrões que se encontram no último nível de energia).

os electrões não são atraídos pela carga nuclear total.2. os metais de transição apresentam características muito próprias (apresentam uma orbital d não completamente preenchida) e diversificadas que os distinguem dos outros elementos. pois eles diminuem a atracção que o núcleo.o aumento do número quântico principal (n) das orbitais de valência ao longo de um grupo (ver Anexo 1) – factor que provoca o afastamento dos electrões de valência para níveis de energia sucessivamente mais afastados do núcleo (níveis de energia mais energéticos). como tal.Tabela Periódica dos Elementos Químicos 1 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 18 2 13 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 14 15 16 17 1s 2s 3s 4s 5s 6s 7s 1s La Ac 3d 4d 5d 6d 4f 5f 7p 2p 3p 4p 5p 6p 7p 7p Figura 2. .13 – Organização da Tabela Periódica em blocos Salienta-se que em alguns grupos do bloco d a configuração de valência dos vários elementos não é igual (ver anexo 1). da posição dos elementos na Tabela Periódica. têm a capacidade de formar compostos com cores fascinantes. Apesar disso. 36 . Propriedades periódicas dos elementos A variação periódica de algumas propriedades dos elementos – propriedades periódicas. naturalmente. o que faz com que os electrões sejam mais fortemente atraídos pelo núcleo. o que favorece uma menor acção atractiva por parte dos protões que estão no núcleo. contudo. Os dois factores base que originam a variação dessas propriedades são: . exerce sobre os mesmos. O conceito da carga nuclear efectiva permite ter em conta a influência da blindagem nas propriedades periódicas. têm tendência para formar complexos e possuem actividade catalítica. como. por exemplo. 2. A blindagem pode ser entendida como a protecção que os electrões das orbitais internas (electrões de blindagem) exercem sobre os electrões externos (electrões de valência).aumento do número atómico (Z) ao longo de um período – factor que tem como consequência directa um aumento da carga nuclear. mas sim pela carga nuclear efectiva – carga do núcleo enfraquecida pelas repulsões electrão-electrão. depende das configurações electrónicas e.

a partir delas é possível interpretar todas as outras.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Como é lógico. em átomos polielectrónicos as repulsões existentes entre os electrões também contribuem para a atenuação da força de atracção núcleo-electrões de valência. há um maior afastamento dos electrões de valência ao núcleo. o raio atómico é metade da distância entre os dois núcleos dos dois átomos adjacentes. Raio atómico O raio atómico é difícil de definir.aumenta ao longo de um grupo. a carga nuclear aumenta e prevalece em relação às repulsões que se fazem sentir entre os electrões. Para elementos metálicos. mas compreende-se que depende da força com que os electrões exteriores são atraídos pelo núcleo. o raio atómico é metade da distância entre os núcleos dos dois átomos do mesmo elemento unidos pela ligação química. as forças de atracção núcleo-electrões de valência são mais intensas. embora o número quântico principal das orbitais de valência se mantenha constante. porque.14 – Variação do raio atómico com o número atómico 37 . o que provoca um aumento no tamanho do átomo. . porque como aumenta o número de níveis de energia preenchidos. Figura 2. o tamanho do átomo é menor. consequentemente. Na Tabela Periódica o raio atómico varia da seguinte forma (figura 2. Para elementos que existem como moléculas diatómicas simples. vão referir-se as duas propriedades fundamentais dos átomos – raio atómico e energia de ionização.diminui ao longo de um período. De seguida. pois a nuvem electrónica de um átomo não tem um limite preciso. assim.14): . há contracção da nuvem electrónica e.

ou seja. pelo que após arrancar o primeiro. menos reactivo (mais estável) é o elemento químico correspondente. surgem as designações de primeira energia de ionização (ou somente energia de ionização). Por conseguinte. mais difícil é a remoção do electrão e vice-versa. os electrões vão sendo adicionados às orbitais 4f. Nos átomos polielectrónicos existe mais do que um electrão. Este conceito relaciona-se com a reactividade química: quanto mais difícil for retirar um electrão a um dado átomo. porque aumenta o número de níveis preenchidos e a distância dos electrões de valência ao núcleo e diminui a força de atracção núcleo-electrões de valência. a energia de ionização mede a maior ou menor facilidade com que um átomo perde um electrão: quanto maior for a energia de ionização. a nuvem electrónica contrai-se. depende da estrutura cristalina em que o ião está inserido e da natureza e disposição dos iões vizinhos. pelo que são atraídos de forma cada vez mais significativa. 38 . À medida que aumenta a carga positiva do ião ao qual se pretende remover mais um electrão. sendo necessária uma menor quantidade de energia para arrancar o electrão.ao longo de um grupo diminui. agora ao ião monopositivo.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Observando o gráfico. quando um átomo se transforma num ião (partícula com carga eléctrica) o seu tamanho sofre alterações. as energias de ionização são sucessivamente crescentes. Portanto. para arrancar o(s) seguinte(s). um máximo de estabilidade. de uma forma geral.15): . porque como a carga nuclear permanece igual e a remoção de um ou mais electrões reduz as repulsões electrão-electrão. os átomos de menores dimensões constituem os elementos do grupo dos halogéneos e os de maiores dimensões são os metais alcalinos. a diminuição do raio atómico é muito acentuada. é possível fornecer mais energia. Consequentemente. Se o átomo tem tendência a receber electrões origina um anião e o seu tamanho aumenta. Como é de esperar. na fase gasosa. é cada vez mais difícil de remover o electrão. É de destacar que nos lantanídeos. Neste contexto. Isto é conseguido quando a configuração electrónica do ião é igual à do gás nobre que lhe é mais próximo na Tabela Periódica. A primeira energia de ionização varia de forma regular na Tabela Periódica (figura 2. pois enquanto a carga nuclear aumenta. porque o(s) electrão(ões) adicional(ais) favorece(m) a expansão da nuvem electrónica. as repulsões entre os electrões diminuem e estes são mais fortemente atraídos pelo núcleo. pode-se concluir que. segunda energia de ionização e assim sucessivamente. O raio iónico nem sempre tem o mesmo valor. Energia de Ionização A energia de ionização é a energia mínima necessária para remover um electrão de um átomo no seu estado fundamental (átomo neutro). Se o átomo tem tendência a perder electrões origina um catião e o seu tamanho diminui. Os átomos têm tendência a transformar-se em iões para adquirem um mínimo de energia.

De todos os elementos. necessária uma maior quantidade de energia para remover o electrão. Relacionado as duas propriedades já referidas conclui-se que variam numa razão inversa: quanto maior o raio atómico de um dado átomo menor é a energia de ionização do respectivo elemento químico e vice-versa. porque aumenta a carga nuclear e. como têm configuração de valência ns1. e os que têm menor energia de ionização são os metais alcalinos. está muito blindado. consequentemente. isto é. pois. por sua vez. daí a sua inércia química. Nos elementos de transição. Figura 2. o efeito de blindagem que os electrões internos 3d exercem sobre os 4s é maior do que o efeito de blindagem que existe entre os electrões da camada de valência (os electrões que são removidos em primeiro lugar são os da orbital 4s). sendo. 39 . Esta relação faz todo o sentido. Os metais alcalino-terrosos têm energias de ionização um pouco superiores às dos metais alcalinos. o aumento da energia de ionização ao longo de um período é apenas ligeiro.Tabela Periódica dos Elementos Químicos . têm apenas um electrão de valência que. a força de atracção núcleo-electrões de valência. então. o que tem maior energia de ionização é o hélio. ao longo de um período aumenta. facilmente o perdem para adquirirem a configuração electrónica do gás nobre do período anterior. porque mesmo com o aumento da carga nuclear. perceptível que os elementos que têm maior energia de ionização são os gases nobres. os metais têm energias de ionização mais baixas do que os não-metais.apesar de alguma irregularidade. ainda. pois se o electrão está mais distante do núcleo é mais fácil arrancá-lo ao átomo.15 – Variação da energia de ionização com o número atómico De um forma geral. Através da figura é. fazendo com que a carga nuclear efectiva aumente muito lentamente entre elementos de transição consecutivos.

como aumenta o tamanho do átomo. pelo que o núcleo tem muita dificuldade em captar mais um electrão. Quanto mais negativa for a afinidade electrónica. ao longo da Tabela Periódica a afinidade electrónica (figura 2. menores (mais positivas) do que as dos não-metais.16): . para formar um ião mononegativo.16 – Variação da afinidade electrónica com o número atómico para os primeiros 20 elementos Observando o gráfico.os halogéneos são os que têm maiores afinidades electrónicas (facilmente captam um electrão para adquirem a configuração electrónica do gás nobre que se segue na TP). .diminui ao longo do grupo. Figura 2. Em geral. . Por convenção. atribui-se um valor negativo à afinidade electrónica quando há libertação de energia (se há libertação energia o anião é mais estável do que o átomo neutro).as afinidades electrónicas dos metais são.aumenta ao longo do período. porque o facto dos átomos terem cada vez maior carga nuclear significa que lhes é mais fácil atrair o electrão. verifica-se que: . os electrões estão mais distantes do núcleo e.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Na sequência. geralmente. no estado gasoso. embora de modo ligeiro. far-se-à referência a algumas das principais características que influenciam o comportamento químico dos elementos. maior a tendência do átomo para receber um electrão. como tal. são menos atraídos. à excepção dos gases nobres. 40 . Afinidade electrónica A afinidade electrónica define-se como a variação de energia que ocorre quando um electrão é captado por um átomo.

41 . . Esta grandeza não pode ser medida directamente.os gases nobres não têm tendência a captar electrões (têm afinidades electrónica positiva). pois aumenta a facilidade com que os átomos cedem electrões.17 – Variação da electronegatividade com o número atómico Através do gráfico observa-se que os átomos dos elementos metálicos têm electronegatividades mais baixas do que os dos não-metais.aumenta ao longo de um período. porque diminui a tendência dos átomos para perderem electrões. possui uma electronegatividade alta e vice-versa. Note-se que os metais de transição não seguem estas tendências (figura 2. Como se previa. é porque ele facilmente capta electrões) e na razão inversa do raio atómico.17).Tabela Periódica dos Elementos Químicos . Figura 2. mas compreende-se que está relacionada com a afinidade electrónica e com a energia de ionização do elemento em questão: um átomo com uma elevada afinidade electrónica e energia de ionização. sendo o flúor o mais electronegativo de todos. Electronegatividade A electronegatividade mede a tendência de um átomo para atrair os electrões quando está ligado quimicamente a outro átomo.diminui ao longo de um grupo. . A electronegatividade: .os metais alcalino-terrosos também não têm tendência para captar electrões. a afinidade electrónica varia na mesma razão da energia de ionização (se é mais difícil arrancar um electrão a um átomo. por terem todas as suas orbitais completamente preenchidas.

como. já pode compreender-se porque é que o zinco. respectivamente. +3. Os metais de transição têm vários valores de número de oxidação (ver Anexo 1). Neste momento. Então. todos os metais apresentam número de oxidação +3. o número de oxidação relaciona-se estreitamente com a configuração electrónica de valência dos átomos (ver Anexo 1). de quase todos os elementos. podem originar iões positivos (devido à perda dos electrões da orbital p do nível de valência) de carga variada. pois a energia para arrancar um electrão ao último subnível d é muito elevada. Os números de oxidação +3 são mais estáveis nos grupos que se seguem ao grupo 3 e os números de oxidação +2 são mais estáveis nos grupos que imediatamente. porque os átomos têm uma grande tendência para receber electrões. Os metais dos grupos 1 e 2 formam catiões com um único número de oxidação: +1 e +2. Isto verifica-se porque a energia de ionização aumenta ao longo do período. iões dipositivos (correspondentes à perda dos electrões do subnível s de valência). para o manganês. Assim. Carácter metálico Os elementos que têm tendência para formar iões positivos (catiões) em compostos iónicos têm maior carácter metálico. Os metais de transição exibem números de oxidação mais elevados nos compostos ou iões que formam com elementos muito electronegativos. ou ambos. um elemento é tanto mais metálico quanto menor for a sua energia de ionização e a sua afinidade electrónica. O estado de oxidação mais elevado é +7 e ocorre. Normalmente. por exemplo. 15. No grupo 14. Para os elementos representativos. sendo necessária mais energia para remover os vários electrões. antecedem o grupo 11. de forma a completarem a orbital p do nível de valência.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Números de oxidação O número de oxidação é o número de cargas que um átomo teria numa molécula se os seus electrões fossem completamente transferidos para o átomo mais electronegativo. No grupo 13. 16 e 17. apresentando pois diferentes números de oxidação. o cádmio e o mercúrio não são elementos de transição: eles só admitem um número de oxidação. os átomos tendem a formar. devido à presença de electrões nas orbitais d. mas o índio e o tálio também podem apresentar número de oxidação igual a +1. Normalmente. que é igual a +2. exactamente. de modo a que os átomos adquiram uma configuração electrónica com as orbitais de valência completamente preenchidas. preferencialmente. os números de oxidação correspondem à perda ou ao ganho de electrões. o ião permanganato – MnO4-. todos eles incluem o número de oxidação +2. 42 . 16 e 17 os átomos. Os números de oxidação negativos surgem no grupo 15.

verifica-se que existe.Quando isolados são muito reactivos. pois a configuração electrónica de valência de todos eles é análoga. sob a forma molecular. .São sólidos à temperatura ambiente. . por isso. surgem sob a forma de compostos iónicos. Tabela 2. não existem livres na Natureza.Quando expostos ao ar.Quando reagem com a água formam compostos recentemente polidos.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Desta forma.São mais duros e mais densos que .3. de forma resumida.Têm brilho metálico.São muito reactivos e. dando origem a hidrogénio gasoso. Assim sendo. originando compostos alcalinos (hidróxidos) e libertando hidrogénio. alcalinos e libertam hidrogénio (apenas o berílio não terrosos) .São moles e poucos densos. pois têm tendência a perder o electrão de valência. quando à superfície está recentemente não foi cortada. .Formam facilmente iões dipositivos. Na tabela seguinte.Ardem com uma chama característica.Reagem com ácidos. embora menos que os do grupo anterior. .2 – Propriedades das famílias dos elementos representativos e dos gases nobres Grupo da TP Propriedades Físicas Propriedades Químicas . reagem com o oxigénio gasoso para formar vários tipos diferentes de óxidos.Possuem energias de ionização mais elevadas do que os do grupo anterior. por terem configuração electrónica de valência ns1. . Quanto às substâncias elementares. . electricidade.Reagem com o oxigénio. surgem. o elemento com maior carácter metálico é o frâncio e o que tem menor carácter metálico é o flúor. 43 .Formam facilmente iões monopositivos.Nunca aparecem livres na natureza.Apresentam pontos de fusão e ebulição elevados. apresentam-se. . configuração electrónica de valência ns2. . em geral. pode avançar-se que o carácter metálico aumenta ao longo de um grupo e diminui ao longo de um período. uma similaridade nas propriedades das substâncias correspondentes a elementos representativos de um mesmo grupo da Tabela Periódica.São bons condutores da corrente fazendo parte eléctrica. 2. . deste grupo . considerado como . . Propriedades das substâncias elementares correspondentes aos elementos representativos e aos gases nobres Os elementos pertencentes a um mesmo grupo da Tabela Periódica apresentam semelhanças nas suas propriedades. à excepção do césio e do Grupo 1 frâncio que se encontram no estado (metais líquido. originando óxidos..Reagem com a água. Grupo 2 (metais alcalino.Conduzem bem o calor e a reage com a água). . . quase sempre.Possuem baixas energias de ionização. alcalinos) . as propriedades que se destacam das famílias dos elementos representativos e dos gases nobres.Têm brilho metálico quando . Nota: o hidrogénio . por terem os metais alcalinos.

O telúrio e o polónio têm estruturas muito extensas. o gálio. . . Cl2. formam moléculas diatómicas simples (F2. .O bismuto é muito menos reactivo do que os metais do grupo 1 a 14. . . para o tálio o ião monopositivo (Tl+) revela-se mais estável do que o ião tripositivo (Tl3+). o índio e o tálio são metais.Não apresentam reactividade. que quando dissolvidos em água formam soluções ácidas de carácter variado.Têm elevadas energias de ionização. . Grupo 17 (halogéneos) . .À excepção do ástato. . .As suas moléculas quando reagem com os metais originam halogenetos metálicos (compostos iónicos).São todos sólidos à temperatura ambiente.O boro não forma compostos iónicos binários e não reage com o oxigénio. mas reagem com ácidos libertando hidrogénio gasoso. .Formam muitos compostos moleculares.O carbono é um não-metal.Formam compostos nos dois estados de oxidação +2 e +4. .No entanto. . o antimónio e o bismuto têm estruturas tridimensionais extensas. o bromo é líquido e o iodo é sólido à temperatura ambiente. . . pois facilmente captam dois electrões. . Br2.Formam iões dinegativos.O azoto encontra-se no estado gasoso e os outros no estado sólido. .o gálio é o único que se encontra (família do boro) estado líquido à temperatura ambiente. por terem configuração electrónica de valência ns2np4. pois têm tendência a captar um electrão para adquirirem a configuração electrónica do gás nobre do mesmo período. .O fósforo existe na forma de molécula (P4) e forma dois óxidos sólidos (P4O6 e P4O10). formando halogenetos de hidrogénio.As suas moléculas reagem com o hidrogénio.São muito estáveis. Grupo 13 . . . . .O alumínio origina óxido de alumínio quando reage com o oxigénio. .O estanho e o chumbo são metais.São tóxicos.São gases incolores e inodoros.O silício e o germânio são semimetais.O bismuto é um metal. . Grupo 14 (família do carbono) Grupo 15 (família do azoto) . pois têm configuração electrónica de valência ns2np1. I2). . .O alumínio. por terem as orbitais de valência completamente preenchidas (ns2np6).São todos não metais.Formam facilmente iões mononegativos. os outros são todos sólidos. .Tabela Periódica dos Elementos Químicos continuação da tabela 2.Têm configuração electrónica de valência ns2np2. .O azoto existe como um gás diatómico (N2) e forma um número razoável de óxidos. . . os outros encontram-se no estado sólido.O oxigénio é o único que se encontra no estado gasoso à temperatura ambiente. . .O arsénio. nem com a água.2 . Grupo 16 (família do oxigénio) . o enxofre e o selénio são não-metais.O arsénio e o antimónio são semimetais.São muito reactivos. pelo que nunca se encontram na natureza na forma elementar.O telúrio e o polónio são semimetais. . especialmente o oxigénio. .O azoto e o fósforo são nãometais.O oxigénio existe sob a forma de molécula diatómica simples (O2) e o enxofre e o selénio existem como unidades (S8 e Se8). .O azoto tem tendência para captar três electrões. . . Grupo 18 (gases nobres) .Não formam compostos iónicos. 44 . . .Têm tendência para formar iões tripositivos.Os elementos metálicos deste grupo não reagem com a água.O oxigénio. . .Têm configuração electrónica de valência ns2np3.Os átomos destes elementos não formam moléculas.O boro é um semimetal.Formam um grande número de compostos moleculares com não-metais.O flúor e o cloro são gasosos. por terem configuração electrónica de valência ns2np5. à temperatura ambiente.

pt/Alfubeira/1895/: ao clicar sobre um elemento químico surgem algumas das suas características nos rectângulos brancos.19). e quanto à sua representação o número de electrões deveria surgir em índice superior e aparece ao nível do número quântico principal e da letra que representa o número quântico secundário.brasil. Na indicação do ponto de fusão e do ponto de ebulição verifica-se a ausência do símbolo do grau antes da letra que representa celsius (C). No entanto. de origem brasileira.terravista. sugere novos caminhos de investigação para os profissionais e fornece uma organização sucinta de todos os elementos químicos.br/saladefisica/medidas/periodica. quando se referem à orbital de valência. apresenta o mesmo tipo de estrutura. apenas mudou o suporte onde é apresentado o conjunto de características dos elementos: antes utilizava-se o papel e agora tudo se projecta num monitor.com.18 – Tabela Periódica disponível em http://www. informação e falhas (figura 2. O aparecimento de várias Tabelas Periódicas on-line tornou possível aceder a uma grande quantidade de informação de um modo mais rápido e cómodo. esta Tabela Periódica revela alguma incoerência em termos científicos.pt/Alfubeira/1895/ Para além de apresentar pouca informação. 45 .Tabela Periódica dos Elementos Químicos 3. faz referência às orbitais. apenas surge “orbital”. Ela é um suporte diário para os alunos. Começa por apresentar a configuração electrónica em termos de camadas e. mas escrita em inglês. Quanto à designação da orbital.htm.terravista. muitas vezes. Figura 2. Outra Tabela Periódica. Um exemplo evidente daquilo que se acabou de retratar é a Tabela Periódica disponível no endereço http://www. disponível no site http://geocities.yahoo. de seguida.brasil. Recursos Digitais sobre a Tabela Periódica A Tabela Periódica é considerada uma das mais importantes referências na Química.

o número de isótopos. Nas procuras que realizou. e identificou a série dos lantanídeos e dos actinídeos. Refira-se que o site utilizado no estudo de campo (descrito no sub-capítulo 2 do capítulo 5) foi seleccionado para constar neste compêndio. tais como.htm Apesar de tudo. jogos sobre a Tabela Periódica. entre outras. entre outras. a afinidade electrónica. A sua intenção terá sido construir uma espécie de motor de busca. Tabelas Periódicas de carácter não científico.br/saladefisica/medidas/periodica. a energia de primeira ionização.yahoo. King (s/data) completou o seu site com mais algumas características.19 – Tabela Periódica disponível em http://geocities. Legendou a Tabela Periódica de acordo com os estados físicos das substâncias elementares correspondentes aos elementos químicos. quando elaborou o site “Periodic Tables: in case you were thinking that the Internet needed one more” (figura 2. à temperatura ambiente.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Figura 2. tendo em conta a notação recomendada pela IUPAC. 46 . tendo-os organizado sob a forma de links em várias secções: Tabelas Periódicas muito completas. Salienta-se que grande parte das Tabelas Periódicas on-line são semelhantes às que se acabaram de apresentar.com. compilou muitos sites existentes na Internet sobre a Tabela Periódica. humor sobre a Tabela Periódica. contudo não os incluiu na sua página. encontrou sites do género dos que foram atrás referidos.20). que permita a pesquisa e a obtenção de muitas informações sobre esse tema. numerou os grupos. testes sobre a Tabela Periódica. Jacobs (2002). talvez pela falta de qualidade que os mesmos apresentam. Tabelas Periódicas que só têm informações básicas. certamente.

número atómico. entre outras). 47 . vão passar a descrever-se. algumas das Tabelas Periódicas interactivas que constam na página Web acabada de ilustrar.com/ O site “ChemicalElements.20 – Interface do site disponível em http://www.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Figura 2. Apresenta o menu de navegação alinhado à esquerda sobre um fundo azul e a Tabela Periódica mais à direita sobre um fundo branco. isótopos. de forma resumida.com” foi construído por Bentor (1996). Chemical Elements. Quando se clica sobre uma dado símbolo químico surgem vários itens: informação básica (nome.com Figura 2. estrutura atómica (acompanhada de uma imagem que alude ao modelo atómico de Bohr).chemistrycoach. seleccionar os dados que se pretendem observar na Tabela Periódica e conhecer as principais características das várias famílias dos elementos químicos.chemicalelements.21 – Tabela Periódica disponível em http://www. aspectos históricos e links externos. O menu permite aceder a informações sobre o site.com/periodic_tables.htm De seguida.

nem motiva os alunos. pensa-se que este tipo de apresentação não é o mais adequado.gov/ O site representado nas figuras foi concebido por Los Alamos National Laboratory´s Chemistry Division (2003). propriedades. utilizações e compostos. Para utilização em contexto educativo.24 – Página do elemento alumínio da Tabela Periódica disponível em http://periodic. Na Tabela Periódica (na figura 2.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Periodic Table of the Elements Figura 2. Figura 2. podendo provocar-lhes cansaço.lanl.23 – Tabela Periódica disponível em http://periodic.lanl. Para cada elemento que se selecciona.24).gov/ Esta Tabela Periódica recorre ao texto branco sobre fundo preto (ver figura 2. após alguma informação elementar. Figura 2. o que dificulta a leitura e a impressão. Do menu destaca-se o antepenúltimo botão que conduz à visualização e descrição da Tabela Periódica original desenvolvida por Mendeleev.22 – Menu de navegação da Tabela Periódica disponível em http://periodic. é desenvolvida a sua história e são indicadas as suas fontes.23 não é visível a série dos lantanídeos e dos actinídeos) são utilizadas as três notações possíveis para a designação dos grupos.gov/ 48 .lanl.

propriedades físicas. mas. por outro lado. Figura 2.26).com/ A Tabela Periódica representada na figura 2. permitindo múltiplas interacções. As duas primeiras dizem respeito a características associadas às substâncias elementares. propriedades electrónicas e propriedades nucleares.25 – Tabela Periódica disponível em http://www. É uma aplicação muito rica a nível de conteúdo e imagens.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Web ElementsTMPeriodic table (professional edition) Figura 2. Quando se escolhe pesquisar sobre um determinado elemento químico são muitas as secções que se podem consultar no menu de navegação que surge do lado esquerdo (ver figura 2. enquanto as outras se relacionam com os átomos constituintes do elemento em causa. Destacam-se as seguintes: compostos. Esta divisão é de realçar.webelements. como não é explicitada no site pode gerar a confusão entre o conceito de elemento e de substância elementar.com/ 49 .26 – Página do hidrogénio da Tabela Periódica disponível em http://www.webelements.25 foi desenvolvida por Winter (1993).

Uma particularidade desta ferramenta digital é a apresentação do nome dos elementos químicos em várias línguas. foi preocupação de Winter (1993) adaptar a aplicação ao mundo da educação. este site tem o inconveniente de exigir constantemente o uso do scroll vertical para consultar todas as informações de uma dada página.27 – Página do hidrogénio da Tabela Periódica disponível em http://www. que apresenta igualmente rigor científico e abrangência de conteúdos. Apesar de todos os primores já citados.com/webelements/scholar/index. facilitando uma compreensão significativa dos conceitos envolvidos aos alunos. Pelo facto desta Tabela Periódica reunir uma imensidão de elementos e ser multifacetada. Pode encarar-se como uma versão simplificada.webelements. é difícil descrevê-la em poucas linhas. com esferas a representar o raio atómico dos elementos. escolher a forma como se quer ver a Tabela Periódica. .a edição escolar não apresenta menu de navegação à esquerda. por exemplo.a edição contempla a configuração electrónica dos átomos com uma imagem de diagrama de orbitais. tal como. observar e construir gráficos de diferentes tipos. 50 .Tabela Periódica dos Elementos Químicos Para cada elemento é possível.html Portanto.html.27) Figura 2.webelements. ouvir sons e utilizar os links do menu do lado esquerdo. ainda. entre outras coisas. disponível em http://www. (ver figura 2. Existe uma edição escolar correspondente à edição profissional “Web ElementsTMPeriodic table”. mas pensa-se que foram destacados os aspectos mais distintos. o que encaminha para as páginas dos elementos adjacentes ao próprio. Duas diferenças que ressaltam de imediato são: .com/webelements/scholar/index.

No entanto.org/viselements/ Este site foi concebido pela Royal Society of Chemistry (2000).Tabela Periódica dos Elementos Químicos A visual Interpretation of the Table of elements Figura 2. Muitos elementos têm também um link para uma imagem animada ou para um pequeno vídeo.30). aprender muito acerca da história da Tabela Periódica. o que dificulta a sua completa descrição em apenas uma página. com este site. 51 . surgem os seguintes itens: informação geral. isótopos. na parte inferior de todas as páginas constituintes do site. pois pode levar ao estabelecimento de relações erradas entre a imagem e as características do átomo em causa. ou apenas com os símbolos químicos (versão HTML). de acordo com o objectivo deste sub-capítulo da dissertação.30 – Mapa do site disponível em http://www.org/viselements/ Mais uma vez. aplicações e funções biológicas. está-se perante uma aplicação complexa. Para além destas. Nele é possível ver a Tabela Periódica com imagens relacionadas com os respectivos elementos (versão Flash). aparência. Este permite ao utilizador uma visão geral sobre aquilo que se pode pesquisar. sob a forma de menu de opções. informação física. A primeira considera-se inoportuna para ser explorada por estudantes. Para cada elemento podem-se consultar informações sobre a(s) sua(s): descoberta. estados de oxidação e energia de ligação.chemsoc. Uma das especificidades desta Tabela Periódica digital é a possibilidade de se poder consultar o mapa do site (figura 2. Ainda é possível.chemsoc. Todos os ícones presente no mapa. proporcionando buscas mais rápidas e eficazes e evitando que o mesmo se sinta perdido no oceano de informações. energias de ionização.28 – Versão Flash da Tabela Periódica disponível em http://www. referiram-se os aspectos que se consideram ser os mais relevantes. surgem.29 – Versão HTML da Tabela Periódica disponível em http://www.chemsoc. Figura 2.org/viselements/ Figura 2. fontes.

acs.org/cen/80th/elements. raios. Este site não apresenta nenhuma imagem em toda a sua extensão. condutividade.31 – Tabela Periódica disponível em http://www. (1996). Outras informações. Através da cor do símbolo químico e da legenda no final da página fica-se a saber qual o estado físico da substância elementar correspondente.com/ A Tabela Periódica “ChemiCool” foi criada por Hsu. como. por exemplo.Tabela Periódica dos Elementos Químicos ChemiCool – Periodic Table Figura 2. reacções frequentes. aparência e características.32 – Tabela Periódica disponível em http://pubs.chemicool. Começa a sua apresentação com a Tabela Periódica dividida em famílias. consultam-se clicando sobre um quadrado na Tabela Periódica. entre outras de carácter mais geral.html 52 . The Periodic Table of he Elements Figura 2. energias de ionização.

o utilizador pode ser induzido a pensar que a água é constituída somente por átomos de oxigénio e que a pasta de dentes é constituída somente por átomos de flúor.acs. na zona central aparece a Tabela Periódica organizada em classes (a legenda está especificada na nota). neste caso. ou do seu descobridor.34.32 é da responsabilidade da Chemical & Engineering News (2003).Tabela Periódica dos Elementos Químicos A Tabela Periódica esquematizada na figura 2. para cada elemento químico é apresentado um texto denso com algumas informações. Figura 2. Note-se que. uma imagem associada ao elemento sobre o qual está o ponteiro.html Figura 2. respectivamente. de imediato.33 – Imagem associada ao oxigénio no site http://pubs. que permitem seleccionar os elementos químicos através do seu símbolo. Assim. Na figura 2. Jefferson Lab – It’s Elemental 53 . do seu nome (útil para quem não tem muitos conhecimentos na área da Química). é preciso tomar precauções redobradas quando se utilizar esta aplicação numa aula.org/cen/80th/elements. estão ilustradas as imagens associadas ao oxigénio e ao flúor.33 e 2. o que não corresponde à verdade. Na interface inicial surgem três links na parte superior. Ao passar com o rato sobre ela surge.org/cen/80th/elements.34 – Imagem associada ao flúor no site http://pubs.acs.html Acrescenta-se que. devendo alertar-se os alunos para esta incoerência.

Nenhuma delas se encontra na compilação de Jacobs (2002). ver figura 2.jlab.org/index. Cada jogo tem sempre uma página introdutória com as explicações necessárias e na página do jogo propriamente dito existem links para a verificação das respostas. “Element Hangman” (tipo jogo da forca. que podem ser impressos e depois explorados na ausência do computador. “Element Concentration” (após a visualização de uma série de cartões com os símbolos químicos de vários elementos. ver figura 2.35 – Tabela Periódica disponível no site http://education.36 – Jogo “Element Hangman” disponível no site http://education. “Element Math Game” (jogo que questiona sobre o número das diferentes partículas subatómicas que existem num átomo). Efectivamente. e a vários jogos e puzzles (em alternativa. É constituído por várias áreas de pesquisa: a dos professores.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Figura 2.org/index. é preciso identificar a sua localização correcta) e “Element Matching” (jogo para escolher o nome do elemento associado a determinado símbolo químico). 54 .html Na sequência deste sub-captítulo. a dos estudantes. que têm a vantagem de poderem ser consultadas em português. Apesar da Tabela Periódica apresentar informações básicas sobre cada um dos elementos.36). tais como: “Element Flash Cards” (jogo para indicar o símbolo ou o nome do elemento químico presente na carta). Figura 2. a dos jogos e dos puzzles e. podem clicar no ícone de cor azul. por último.jlab. palavras cruzadas e sopa de letras.35). Existem outros jogos. irão explorar-se duas Tabelas Periódicas interactivas. Na área dos alunos. como. o interesse do site referido recai sobre a vertente de entretenimento que proporciona.html O site é da autoria de Jefferson Lab. os mesmos podem aceder à Tabela Periódica ilustrada na figura 2. mas com os nomes dos elementos químicos. para a visualização da Tabela Periódica e para a procura de ajuda. a dos programas e eventos. contém muitos jogos sobre os elementos químicos.35.

outros conduzem a sites exteriores e a temas diversos. 55 . do lado direito aparece uma tabela com as características gerais. enciclopédia livre” (2000). levam o utilizador a páginas dedicadas aos conceitos teóricos inerentes às características dos elementos e das substâncias elementares correspondentes. com informações diversas e com os isótopos mais estáveis.38. É de notar que qualquer pessoa pode editar o conteúdo de um dado artigo neste site.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Wikipédia – Tabela Periódica Figura 2.org/wiki/Tabela_Peri%C3%B3dica A Tabela Periódica esquematizada na figura 2. Dependendo do estado físico da substância elementar correspondente a cada elemento. com as propriedades atómicas e físicas (a Wikipédia não apostou na divisão propriedades do elemento e da substância elementar). recorrendo ao link “Editar esta página”. Alguns dos links presentes.37 – Tabela Periódica disponível em http://pt. é só escolhê-la na barra de navegação que existe do lado esquerdo. Pode ser consultada em português. Cada página tem hipertextos muito ricos. de acordo com a legenda que se encontra por baixo da mesma. também é utilizada uma cor diferente para o número atómico (esta parte da legenda não é visível na figura 2. do lado esquerdo surge um rectângulo de fundo cinzento que permite pesquisar muitos dados sobre o elemento em questão.37 é da responsabilidade da Wikipédia – “A. Como se observa.wikipedia. Começa por apresentar a Tabela Periódica dividida em famílias.37). mas também em muitas outras línguas. Quando se selecciona um qualquer elemento químico acede-se a uma página semelhante à da figura 2.

Analisando os comandos de escolha da aplicação. é possível ficar-se com uma ideia global sobre as funcionalidades desta Tabela Periódica e sobre o que se pode consultar na mesma. muito vasta e só é possível conhecê-la na totalidade através da sua exploração directa.39 – Interface de interacção inicial da Tabela Periódica da SPQ Esta Tabela Periódica foi arquitectada pela Sociedade Portuguesa da Química (SPQ) (2002).org/wiki/Tabela_Peri%C3%B3dica SPQ Perio – Tabela Periódica dos elementos Figura 2. realmente.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Esta aplicação é. Figura 2.38 – Página do carbono da Tabela Periódica disponível em http://pt. nomeadamente pelos sócios da associação. publicada em CD-ROM e distribuída por um público restrito.wikipedia. tal como fez Ferreira e Paiva (2005). 56 .

Escolher um elemento químico. elaborou-se uma tabela (tabela 2. Converter unidades. Aceder à versão inglesa. Escolher as propriedades a pesquisar para cada um dos elementos a seleccionar. Construir gráficos com as propriedades dos elementos.41 – Página com apontadores para Tabelas Periódicas on-line do portal “Mocho” Depois da breve análise que se efectuou acerca dos recursos digitais existentes sobre a Tabela Periódica.40 direitos de autor. tal como se pode ver na figura 2. Visualizar a(s) propriedade(s) seleccionada. Visualizar o símbolo químico. Figura 2. 14 15 16 As Tabelas Periódicas atrás elencadas e a descrição de cada uma delas constam no portal “Mocho”. Aceder às informações sobre os – Comandos de escolha da Tabela Periódica da SPQ Aceder às informações de como explorar esta aplicação multimédia (deve ser o primeiro passo a tomar. operadores lógicos e de comparação. entre outras. Para cada Tabela Periódica foram colocados vistos nas células correspondentes a um 57 . Visualizar tabelas de constantes físicas e matemáticas. bem como as diferentes propriedades.3) com o objectivo de comparar os que foram enumerados. Listar diferentes propriedades para os elementos seleccionados. Seleccionar uma propriedade que é de imediato visualizada na Tabela Periódica para cada um dos elementos. pela primeira vez. o número atómico e o nome do elemento seleccionado. Seleccionar uma propriedade que é de imediato visualizada na Tabela Periódica para cada um dos elementos.Tabela Periódica dos Elementos Químicos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 17 18 12 13 123456789101112131415161718- Legenda: Aceder às definições do utilizador. Figura 2. Procurar e seleccionar elementos químicos. com esta Tabela Periódica). Aceder à versão portuguesa. Aceder às informações sobre as funções de teclado e de rato. antes de começar a trabalhar. Aceder às definições do utilizador.41.

verifica-se que: .29 √ √ 2.23 √ 2.37 √ √ 2.são poucas as TP digitais que apresentam a informação actualizada e bastante completa.39 √ √ * Deu-se especial atenção a esta ideia porque os alunos.32 √ 2.são poucas as TP digitais que exploram a história da Tabela Periódica.3.Tabela Periódica dos Elementos Químicos dado critério. têm dificuldade em distinguir as propriedades de um elemento das propriedades da sua substância elementar.3 – Comparação de várias Tabelas Periódicas digitais TP da TP da TP da TP da TP da TP da TP da TP da TP da TP da TP da figura figura figura figura figura figura figura figura figura figura figura 2. 58 .na grande parte das TP digitais não existem incorrecções científicas significativas. não induz a construção de conceitos errados História da TP Permite grande interactividade Construção de tabelas Construção de gráficos Imagens oportunas Testes Jogos Vídeos √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ √ 2. Poderão existir erros que não tenham sido detectados. . Analisando a tabela 2.muitas TP não permitem grande interactividade.21 2.25 √ √ 2.nenhuma TP digital estabelece uma distinção clara entre as propriedades dos elementos e as propriedades das respectivas substâncias elementares.19 √ 2. pode inferir-se que quanto mais preenchida estiver uma coluna mais rica e completa é a Tabela Periódica digital indicada no seu topo.algumas TP digitais induzem a construção de ideias erradas. .18 Rica em termos visuais Informação actual e completa Distingue entre propriedades dos elementos e propriedades das respectivas substâncias elementares * Ausência de incorrecções científicas significativas** Aparentemente.35 √ 2. ** Esta coluna foi preenchida após uma primeira análise a cada um dos sites.31 √ 2. . . . Então. Tabela 2. nem a construção de tabelas e/ou gráfico.2 deste capítulo. tal como se verá na secção 5. desde que a mesma o respeitasse. com muita frequência.

Proton Don Figura 2. . Na interface inicial (figura 2.42) o utilizador deve escolher o que pretende jogar. pode optar por envolver nos jogos todos os elementos químicos. existem outros que se dedicam inteiramente a jogos ou a quizzes (actividade tipo teste). . . e seleccionar entre o jogo que consiste em clicar no elemento indicado (figura 2. instrutivas ou formativas. (2000) e tem jogos simples que permitem aprender a brincar com a Tabela Periódica.na sua maioria. Inc. Até aqui. todas as TP digitais são. essencialmente.de uma forma geral.html Este site foi pensado por Pearson Education.Tabela Periódica dos Elementos Químicos . os quais vão passar a apresentar-se. nem actividades lúdicas que cativem o explorador.apenas uma TP digital exibe vídeos. Todos os jogos têm por base a estrutura da Tabela Periódica.com/periodic/index.ainda existem muitas Tabelas Periódicas digitais pobres em elementos multimédia. as Tabelas Periódicas não lançam desafios. todos os sites que se referiram têm por base a Tabela Periódica.nenhuma TP digital associa testes ao seu site. . ou apenas os mais comuns.funbrain.43) e o jogo em que se tem que escrever o nome do elemento químico seleccionado automaticamente. No entanto. 59 .42 – Interface inicial do site http://www.

pt/cec/jogostp A página ilustrada na figura 2. Cada uma das imagens presente constitui um link para o jogo que é descrito no texto adjacente.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Figura 2.html Jogos sobre a Tabela Periódica Figura 2. Têm-se as 60 .44 – Página inicial do site http://nautilus.43 – Jogo presente no site http://www.uc.fis.44 foi construída por Ramos e Paiva (2002).funbrain.com/periodic/index.

tal como todos os outros. Nele podem encontrar-se muitas quizzes sobre a Tabela Periódica. Daí resultou um documento. é sempre possível consultar a pontuação conseguida. organização e modalidade de educação ao nível do secundário e formação. o Ensino Secundário (ES) foi sujeito a uma reapreciação a vários níveis.1. torna-se a aprendizagem mais motivadora e promove-se a igualdade de oportunidades. tais como: objectivos. Tabela Periódica e Programas Curriculares do Ensino Secundário 4. 61 . Elas estão agrupadas pelo grau de dificuldade (associado à idade das crianças) e por temas. garante-se uma maior proximidade entre a escola e o mundo exterior do trabalho. o número de questões que a constituem. Para tal. 1001 Periodic Table Quiz Questions O site foi elaborado por Botha (2002). o Ministério da Educação apostou na integração de uma disciplina obrigatória nos currículos nacionais – Tecnologias de Informação e Comunicação. tendo em vista o “motor” desta dissertação. Para cada uma indica-se. Assim.Tabela Periódica dos Elementos Químicos advinhas sobre a Tabela Periódica. O Estado Membro de Lisboa. “Documento Orientador da Reforma do Ensino Secundário”. Das novas linhas orientadoras para o Ensino Secundário. o jogo das borboletas e o jogo da descoberta de pares. Revisão Curricular do Ensino Secundário Em 2001. No final de qualquer teste. assumiu a responsabilidade de caminhar no sentido de melhorar a qualidade e a eficácia dos seus sistemas de educação e de formação. no qual se apresentam os novos contextos e os novos objectivos estratégicos. também. destaca-se a necessidade de dar uma resposta inequívoca aos desafios da sociedade da informação e do conhecimento. definidos pelo Conselho Europeu e tornados públicos no “Programa de trabalho pormenorizado sobre o seguimento dos objectivos dos sistemas de educação e de formação na Europa”. entre outros pontos. Pretende-se que os alunos adquiram o mínimo de conhecimentos e desenvolvam técnicas para conseguir explorar as tecnologias em todas as suas vertentes: consumo e produção de material informático. o jogo dos elementos. Estes foram definidos tendo por base os objectivos e metas para o futuro do espaço de educação e formação europeu. por sua vez. 4. não esquecendo a realidade das escolas e da sociedade portuguesa e promovendo o acesso às tecnologias de informação e comunicação.

ou seja. subentende-se que o aluno compreenda o mundo em que vive na sua globalidade e complexidade. o ensino passou a privilegiar o conhecimento em acção. Neste contexto. tornando-se cidadãos críticos e intervenientes na sociedade. para ultrapassar as dificuldades sentidas. político e ambiental. os alunos participaram com base nos conhecimentos adquiridos na escola sobre a TP e com os seus conhecimentos de natureza informal sobre o layout dos sites. Para tal. especialmente em termos de linguagem científica. eles vão ter que aplicar e reflectir sobre os conhecimentos já aprendidos (na escola ou de forma informal) para os utilizarem em novas situações. quer trabalhando individualmente. Quando as utiliza. Tanto as actividades práticas. os conceitos são encarados como o ponto de chegada e não como o ponto de partida. Disciplina de Física e Química A – 10º Ano A disciplina de Física e Química A (FQA) constitui uma das três disciplinas da componente de Formação Específica do Curso Geral de Ciências Naturais e do Curso Geral de Ciências e Tecnologias do Ensino Secundário. Até agora. como é natural. o ensino obrigatório das TIC é um imperativo educativo. 62 .2. os alunos conseguem compreender o papel do conhecimento científico nas decisões de foro social. mais em particular. De certa forma. paralelamente. é o curso frequentado pelos alunos que foram sujeitos ao estudo de campo (ver capítulo 6). Eles. Outra sugestão metodológica diz respeito ao recurso das novas tecnologias. As actividades práticas (na sala de aula e no laboratório). quer em grupo. conhecido por ensino CTSA (Ciência-Tecnologia-Sociedade-Ambiente). como as TIC. é também positivo. o aluno. descrito no capítulo 6. Em tempos de mudança. atitudes e valores por parte dos alunos. sugeridas no programa. social e cultural.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Nas outras disciplinas. o que lhes permite desenvolver competências de trabalho neste campo. se organizem estratégias que promovam a consolidação de saberes no domínio científico e. o ensino da Física e da Química tem-se desenrolado de um modo muito formal e desprovido de ligação à sociedade. envolver os alunos em projectos relacionados com as novas tecnologias. o último. com o computador (tal como foi propósito desta dissertação). No caso do estudo de campo realizado. a partir destas. pois permitem o desenvolvimento de atitudes processuais e a progressão na aprendizagem. ficam mais motivados para a aprendizagem e podem deparar-se com problemas/questões que lhes aumente a curiosidade sobre o funcionamento destas máquinas ou de aplicações informáticas. 4. facilitam a criação de patamares de formação igual para todos os alunos portugueses e a aproximação aos seus colegas de países mais desenvolvidos (princípios orientadores da Revisão Curricular do ES). ganham também um papel de destaque. tem de proceder à análise crítica da informação recolhida. Assim. Tal como refere o Documento Orientador da Revisão Curricular do ES. é recomendado no programa que se escolham situações-problema do quotidiano e que. o desenvolvimento de competências.

processuais e atitudinais. Tudo começa com o Big Bang (teoria explicativa para a origem do Universo): a grande explosão deu origem ao que existe no Universo. destacando as competências conceptuais.10º Ano (2001): 63 . vêm definidos os seguintes objectivos de aprendizagem no Programa de Física e Química A . Nesta fase. em particular. O Módulo Inicial “Materiais: diversidade e constituição” privilegia a sistematização dos conhecimentos previstos nos programas do Ensino Básico. vida e morte das estrelas (nas estrelas ocorrem reacções nucleares. No encadeamento. a Tabela Periódica é considerada. dos elementos e das partículas subatómicas e como o conhecimento das propriedades dos elementos foi organizado na Tabela Periódica. pela primeira vez no ES. como se organizam e que existem átomos diferentes do mesmo elemento. pelos autores do programa. que se consideram essenciais para a consolidação dos saberes na disciplina de FQA do 10º Ano. Para terminar. surge. No que diz respeito à Tabela Periódica em si. uma abordagem. Neste sentido. O estudo da Tabela Periódica surge na tentativa de relacionar a estrutura do átomo e a organização dessa mesma tabela. indicando algumas regras para a sua escrita. que constituem o berço de formação dos vários elementos químicos a partir do elemento hidrogénio (elemento mais abundante no Universo). surgindo o seu estudo no Módulo Inicial e numa das unidades. é propício o estudo da espectroscopia (ferramenta analítica que permite analisar a radiação emanada pelas estrelas) e do Modelo Quântico (modelo mais actual para o átomo). É neste contexto. embora breve. Como consequência do estudo da organização dos elementos químicos. Dos seus constituintes destacam-se as estrelas. A Unidade 1 – “Das estrelas ao átomo” desenvolve-se em torno de dois tópicos: história dos átomos. período e grupo. estudar as propriedades dos elementos. do raio atómico e da energia de ionização.Tabela Periódica dos Elementos Químicos O programa da disciplina de FQA do 10º ano é constituído por um Módulo Inicial (tem por finalidade consolidar) e duas unidades (têm por finalidade sensibilizar e aprofundar). uma ideia central e importante na Química. para o tópico “Tabela Periódica – organização dos elementos químicos”. que se vai desenrolar todo o estudo sobre os elementos químicos e sobre a sua distribuição no Universo: contando a história do nascimento. Na panóplia dos conhecimentos a adquirir. que dão origem a elementos de número atómico cada vez maior). é crucial a interpretação do conceito de substância e de elemento químico. Este módulo centra-se na diversidade dos materiais que nos rodeiam. cada um deles caracterizado pelo seu número atómico. será reconhecido que se conhecem 115 elementos (25 foram obtidos artificialmente). não esquecendo que podem diferir no número de neutrões (isótopos). pretende dar-se especial atenção à evolução da estrutura da TP até à sua organização actual. incluindo mesmo o ser humano. Também será analisada a contribuição das massas isotópicas relativas e da abundância de cada um dos respectivos isótopos naturais para a massa atómica relativa. deve dar-se realce aos seguintes conceitos: número atómico. analisar a posição dos elementos e relacioná-la com a configuração electrónica de cada um. Sendo assim. e das substâncias elementares correspondentes. o estudo das fórmulas químicas deve ser associado à natureza dos elementos químicos que constituem uma dada substância. Então. sobre a Tabela Periódica. Com esta pretende-se recordar o que são os elementos químicos.

. (estes objectivos serviram de referência para a elaboração do Roteiro de Exploração. que segue no Anexo 2.. a qual está descrita no capítulo 6) e outras 3 para a realização da AL.) que visem a tomada de decisão sobre a natureza de uma amostra (substância ou mistura). recai sobre a Tabela Periódica.Interpretar a organização actual da Tabela Periódica em termos de períodos. Disciplina de Química – 12º Ano 64 . para a aplicação multimédia “Tabela Periódica v2.Identificar a posição de cada elemento na Tabela Periódica segundo o grupo e o período. pretende dar cumprimento aos dois últimos objectivos acima indicados. de forma simplificada. a periodicidade de algumas propriedades físicas e químicas das respectivas substâncias elementares. .5”) Relativamente às actividades práticas de sala de aula que são sugeridas no programa uma.Distinguir entre propriedades do elemento e propriedades da(s) substância(s) elementar(es) correspondente(s)..). do tipo investigativo.Interpretar duas importantes propriedades periódicas dos elementos representativos – raio atómico e energia de ionização – em termos das distribuições electrónicas. técnicas laboratoriais para a determinação de grandezas físicas (densidade.Tabela Periódica dos Elementos Químicos . . .Aplicar procedimentos (experimentais.. .Verificar. No programa é sugerido a ocupação de 3 aulas para a abordagem dos conteúdos (o estudo de campo desenvolveu-se numa dessas aulas. consulta de documentos. . . .Reconhecer na Tabela Periódica um instrumento organizador de conhecimentos sobre os elementos químicos. .3. ponto de fusão. . Quanto às actividades prático-laboratoriais (AL). a que se intitula de “Identificação de uma substância e avaliação da sua pureza”.Relacionar as posições dos elementos representativos na Tabela Periódica com as características das suas configurações electrónicas.. ponto de ebulição.Interpretar informações contidas na Tabela Periódica em termos das que se referem aos elementos e das respeitantes às substâncias elementares correspondentes. 4.Referir a contribuição do trabalho de vários cientistas para a construção da Tabela Periódica até à sua organização actual.Fundamentar. para os elementos representativos da Tabela Periódica. grupos (1 a 18) e elementos representativos (Blocos s e p) e não representativos.

No fundo. sua estrutura. permitir o desenvolvimento das competências. e utilizando situações-problema relacionadas com contextos reais. esta disciplina é vista como um dos pilares da cultura do mundo moderno e pretende ensinar para o dia-a-dia. 65 . Porém. salientando a importância da ciência e tecnologia na sociedade e no ambiente. na ciência. bem como a disciplina de Física e Química A.Tabela Periódica dos Elementos Químicos A disciplina de Química do 12º ano. a degradação dos metais. Realça-se o desenvolvimento do valor da democracia que. sem pôr em causa a qualidade e o impacte ambiental mínimo é outra das questões centrais. A problemática de como a metalurgia com a ciência e a tecnologia de produção de metais pode aumentar a produtividade e. na indústria actual. é o domínio que persegue ideias de bem para a Humanidade. a construção do conhecimento deve ser feita. diminuir a produção mínima de produtos secundários e o consumo de energia (as questões energéticas surgem. degradação dos metais e metais. pelo que deve permitir aos alunos uma visão actual do conhecimento químico e despertar-lhes o interesse para as profissões ligadas às áreas científicas. tem a especificidade de ser uma disciplina terminal do ES. para a cidadania e para melhorar atitudes face à Química. os alunos aprendem sobre ciência e através dela. encarando o aluno como um sujeito activo de natureza bio-psico-social. na economia mundial e no organismo humano (“ambivalência dos metais”: metais essenciais e metais tóxicos). atitudes e valores é uma prioridade. todas elas subordinadas ao tema “Materiais. Pretende obedecer aos princípios atrás referidos para o 12º ano. a importância dos metais na vida quotidiana (desde a antiguidade até aos nossos dias). bem como os processos utilizados para os proteger e a necessidade de reciclar e revalorizar os metais. que. os problemas de poluição directamente associados à extracção de metais. A Unidade 1 – “Metais e ligas metálicas” está dividida em três objectos de estudo: metais e ligas metálicas. Mais. Assim. Analisando estes assuntos. ajudar na forma de interpretar o mundo e de compreender a inter-relação da ciência com a tecnologia. discutindo vários assuntos pertinentes neste âmbito. ambiente e vida. no futuro. mais uma vez. No programa da disciplina de Química. O seu programa é constituído por três unidades. como. A disciplina de Química integra a componente de Formação Específica do Curso Científico-Humanístico de Ciências e Tecnologias do Ensino Secundário e tem carácter opcional. simultaneamente. por exemplo. economizar matéria-prima. desempenhará uma profissão multifacetada na sociedade do século XXI. permanece a recomendação para abordar os objectos de ensino seguindo uma linha CTSA. As actividades práticas de sala de aula e as actividades prático-laboratoriais também continuam presentes. consciencializando os alunos nas suas escolhas profissionais. também se orienta pelos princípios estabelecidos na Revisão Curricular do Ensino Secundário. aplicações e implicações da sua produção e utilização”. como um estímulo ao desenvolvimento das atitudes/valores do aluno face a problemas mundiais).

da Tabela Periódica. No entanto.Caracterizar as orbitais d e f quanto ao número. por isso.Identificar os elementos metálicos como aqueles que apresentam baixa energia de ionização e os não-metálicos como aqueles que apresentam elevada afinidade electrónica.Reconhecer a predominância de elementos metálicos na Tabela Periódica em relação aos elementos não-metálicos. p. destinadas duas aulas para levar a cabo a execução das actividades: “Um Ciclo de Cobre” e “Composição de uma liga metálica”. No entanto. É. também já referidas. Note-se que no estudo de campo desenvolvido (Capítulo 6) os alunos intervenientes frequentavam o 10º ano de escolaridade. Estão. pormenorizar o estudo dos metais de transição (a especificidade das orbitais d) e o estudo dos metais de transição interna (orbitais f). Os objectivos de aprendizagem que constam no Programa de Química – 12º Ano (2004) e que orientam o estudo da Tabela Periódica são: . Duas das actividades práticas de sala de aula propostas devem ser desenvolvidas durante o estudo da Tabela Periódica. Para dar cumprimento aos objectivos acima indicados e realizar as actividades práticas de sala de aula. em especial.Tabela Periódica dos Elementos Químicos No espaço da discussão. chegada a hora de arquitectar um outro olhar sobre a mesma.Comparar os elementos metálicos e não-metálicos pelo tipo de iões que predominantemente formam. . . estando a substância no estado gasoso. metais de transição e metais de transição interna) na Tabela Periódica com as características das configurações electrónicas dos respectivos átomos. .Identificar as posições dos elementos metálicos (metais. pretendia-se motivá-los e proporcionar-lhes o desenvolvimento das competências necessárias para a continuação dos estudos na disciplina de Química. As actividades prático-laboratoriais sugeridas não se relacionam directamente com a Tabela Periódica. . Partindo do pressuposto que esta se encontra organizada em blocos (bloco s. é aconselhada a utilização de 5 aulas. . São elas a resolução de exercícios de configuração electrónica em elementos do bloco d e a pesquisa sobre a importância e utilização dos metais de transição em situações do quotidiano. proporciona-se o desenvolvimento de muitos conceitos na área da Química.Identificar os elementos semimetálicos como aqueles que apresentam simultaneamente propriedades características de elementos metálicos e de elementos não-metálicos. então. é recomendada a realização de duas delas aquando do estudo do objecto de ensino no qual ela se insere. d e f).Associar afinidade electrónica à energia envolvida na captação de uma mole de electrões por uma mole de átomos no estado fundamental. . 66 .

Os defensores desta perspectiva atribuem ao professor a função de transmitir o corpo dos saberes e aos alunos o papel passivo de aceitar os factos apresentados. pois o aluno é encarado como um sujeito activo no processo de ensino-aprendizagem e responsável pela construção do seu conhecimento. Por oposição. da Tecnologia. é visível a noção construtivista do conhecimento. da disciplina de FQA do 10º ano e da disciplina de Química do 12º ano. Concepções Alternativas 5. Thomaz (1987). reconhecem o aluno como um sujeito interveniente na construção do seu conhecimento e encaram os objectos de ensino dos programas em vigor como instrumentos necessários ao acto de pensar. rejeita-se a metáfora Homem-Máquina subjacente às Teorias Comportamentalistas. segundo as quais o mundo está completa e correctamente estruturado em termos de entidades. O aprendiz apenas tem que prestar atenção aos estímulos de transmissão de saberes (instrução). (Duarte. propriedades e relações e a experiência não desempenha nenhum papel na estruturação do mundo. o significado é qualquer coisa que existe objectivamente. da Sociedade e do Ambiente.1. Ensino por Mudança Conceptual Nos programas das disciplinas do Ensino Secundário. as Teorias Construtivistas. Neste espírito de trabalho. praticar e demonstrar a mestria do conhecimento. Presentemente. 2003) Estas teorias pressupõem que através de um processo de acumulação de “parcelas da verdade”. 67 . em particular. apenas avaliam a capacidade de memorização dos mesmos.Tabela Periódica dos Elementos Químicos 5. as mentes vazias das crianças vão ficando cheias com o verdadeiro conhecimento. os objectos de ensino mencionados nos programas actuais são considerados como metas do ensino e não como meios para se atingirem as aprendizagens pretendidas. pouco ou nada contribui para a formação de cidadãos aptos a actuar eficazmente numa sociedade em rápido desenvolvimento. está patente a necessidade de desenvolver uma visão integradora da Ciência. Portanto. a maior parte das vezes. independentemente da experiência. partindo da discussão de grandes temas-problema da actualidade. refere que vários estudos demonstraram que o ensino conduzido meramente numa perspectiva de transmissão de um conjunto de conhecimentos. sendo a sua compreensão avaliada através de instrumentos que. Segundo estas teorias.

quer na construção do seu conhecimento. pois durante os seus estudos. ou seja. contribuiu muito para o desenvolvimento do construtivismo. como alternativa aos conceitos correspondentes (Santos. avançou com a analogia Homem-Cientista. visto que o ambiente e as experiências vividas são diferentes de sujeito para sujeito. induz novas hipóteses e reformula no decurso da construção da sua realidade pessoal. no sentido de ajudar os seus alunos a progredir quer no seu desenvolvimento intelectual.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Segundo Duarte (1993).alternativa. existem muitas formas de estruturar o mundo e muitos significados para qualquer conceito. levanta questões. Jean Piaget. segundo a qual o indivíduo deduz hipóteses. executa experiências. O papel do professor deixa de ser o de transmissor do conhecimento para passar a ser o de facilitador. o qual pode sofrer constantes mudanças e caminhar no sentido de permitir uma melhor previsão no futuro. . isto é. um tempo de mudança invadiu a inércia dos professores: as estratégias devem passar a constituir um meio para os alunos efectuarem uma aprendizagem significativa através de uma mudança conceptual. O termo predominante no pensamento de Bachelard é concepção alternativa (CA): . quer a nível do produto. actualmente. Então. estas teorias sustentam que o significado é imposto por nós ao mundo e não existe independentemente de nós. George Kelly (psicólogo. na década de 70. mais ou menos solidárias de uma estrutura e que são compartilhadas por grupos de alunos. Para este. mais ou menos dependentes do contexto. define instrumentos. 1991). nascidas na década de 80. usando como base o conhecimento já existente. Neste ambiente construtivista. que diferem significativamente destes. mais ou menos espontâneas. os alunos constróem o seu conhecimento com base nas concepções que já têm acerca do mundo que os rodeia . matemático e físico). cada pessoa constrói para si própria um modelo representativo do mundo. e que funcionam para o aluno. é importante prestar atenção à natureza individual de cada aluno e conduzir o ensino na sua perspectiva. descreveu que os esquemas mentais resultavam de sucessivas fases de assimilação e acomodação. desenvolve metodologias. vigoram as ideias construtivistas de Gaston Bachelard. porque se refere a representações pessoais. O seu papel de instrutor evolui para passar a ser o agente de mudança. No entanto. para reforçar a ideia de que tais concepções não têm estatuto de conceitos científicos. através da equilibração e da auto-regulação o indivíduo transforma as suas estruturas mentais de modo a adaptar-se ao mundo exterior.concepções alternativas. Assim.concepção. Com Bachelard. de raiz afectiva. Assim. 68 . quer do processo de construção. A aprendizagem evolui da aceitação passiva dos saberes para uma exploração pessoal. as ideias intuitivas que os alunos embargam influenciam as futuras aprendizagens. produz dados.

Depois de se terem descrito de forma breve os fundamentos das teorias Comportamentalistas e Construtivistas. entre as concepções alternativas dos alunos e os modelos históricos da ciência. o número de conhecimentos organizados internamente e integrados em esquemas de raciocínio é muito grande. É curioso notar o paralelismo que existe. À medida que uma criança começa a explorar o seu mundo. A dada altura. algumas individualidades consideram que ao ser estudada a história da ciência se cria um ambiente eficaz para encorajar os alunos a ultrapassar as suas CA. consequentemente. aprendendo a conhecê-las e a valorizá-las. de forma progressiva. defende que as concepções que o indivíduo possui podem constituir uma base para a construção de novas ideias. desenvolver estratégias significativas que provoquem a mudança conceptual e. as estratégias devem promover uma maior e mais fácil aproximação aos conceitos aceites pela comunidade científica. como tal. No caso das ciências. devem ter em conta as CA detectadas. Todos os alunos. para que através da discussão os alunos possam. prosseguir-se-á com a ideia do primeiro parágrafo. os professores podem recorrer à bibliografia existente) e. social e cultural. Neste sentido. Driver et al. (1985). têm origem na necessidade que o ser humano tem de construir explicações para compreender o mundo em que vive e com o qual interage em todas as suas esferas: sensorial. um novo conhecimento químico. a aprendizagem. as concepções alternativas assumem um papel central no processo de ensino-aprendizagem. Na próxima secção. embora no referido documento não seja referenciado o paradigma da mudança conceptual. com resultados experimentais. devem identificá-las (quando o processo é muito moroso. na sequência dos resultados obtidos. para tentar encontrar soluções para a situação-problema apresentada.Tabela Periódica dos Elementos Químicos As concepções alternativas. As experiências vividas pelo aluno no ambiente da escola e das aulas têm igual contribuição para a formação de CA. construir novos significados e. os discentes são confrontados com diferentes pontos de vista: o seu. irão ser apresentadas algumas semelhanças entre as CA sobre a Tabela Periódica e a sua história. No diálogo que se gera. frequentemente. Os problemas apresentados em ambiente de sala de aula. visto que as primeiras se revelam para ele coerentes e lógicas. constrói interpretações para os fenómenos que observa. entre alunos e professor. o dos colegas. A possibilidade do aluno articular e confrontar as suas construções pessoais com as construções formais cientificamente aceites. quando chegam à escola já têm ideias pré-concebidas sobre os comportamentos e fenómenos naturais que observam no seu dia-a-dia. 69 . o da ciência (representado pelo professor) e. referem que os esquemas são dotados de uma certa coerência interna. As discussões sugeridas no programa vão de encontro a esta perspectiva de ensino. Por isso. Sendo o aluno um sujeito com um papel activo na sua aprendizagem e com vivências próprias. Assim. Os professores têm que encarar essas CA como facilitadoras da aprendizagem e não como uma barreira à mesma. muitas vezes. por vezes.

transformá-las ou mudá-las para outras mais científicas. em simultâneo. quais são as ideias verdadeiras e devem ser capazes de as incorporar nas suas próprias visões do mundo. O ensino de certos conceitos não tem impacto sobre concepções alternativas fundamentais. na primeira oportunidade. a discussão): . atitudes e habilidades científicas. acaba por.) o ensino das ciências não é tão efectivo quanto o professor pensa. coexistem as ideias novas e as antigas. Contudo. uma discussão.os alunos têm dificuldade em compreender o que o professor explica sem terem os prérequisitos e as representações simbólicas próprias da cultura científica. lógicos e bem estruturados (mas que apenas resultam de uma colagem de conceitos) são. As ideias intuitivas que eles têm são. por não as reconhecerem como gerais e sim como um esquema particular. (. os alunos estão habituados a aplicar os conceitos científicos só em contexto escolar.) Conhecimentos que à primeira vista parecem rigorosos. pelo que facilmente os esquecem e voltam a utilizar as concepções alternativas primitivas para explicar determinada situação.os alunos têm dificuldade em generalizar algumas explicações. De acordo com a opinião de Santos (1991) “(. muitas vezes. frequentemente. após o ensino formal. O facto deles terem que aceitar a opinião dos outros. 70 .” Esta visão reflecte que. podendo cada uma delas ser empregue no contexto conveniente. substituídos por concepções alternativas que continuam latentes e com a sua lógica própria. por exemplo. . De acordo com Mortimer (1994).. encarando as concepções alternativas como facilitadoras da aprendizagem. Em forma de conclusão. permite-lhes desenvolver. O mesmo autor. aprende ciência através de uma interacção dinâmica: vai progressivamente construindo e reconstruindo as suas ideias acerca do mundo que o rodeia. Nas discussões. no pensamento das crianças. . Estas são mascaradas pela memorização desses conceitos.os alunos enfrentam dificuldades em reconhecer e vivenciar os conflitos a que ficam sujeitos durante. Todos estes factores deixam as expectativas dos professores aquém da evolução esperada na direcção dos conceitos científicos. de origem piagetiana. a discussão é uma estratégia que facilita e promove a mudança conceptual. outras capacidades. mas quando o aluno entra em conflito com as suas próprias concepções (associadas ao senso comum) de forma significativa..Tabela Periódica dos Elementos Químicos ajudam-no a tomar consciência das suas próprias ideias sobre as observações científicas e a compreender que o conhecimento deve estar sempre aberto à mudança e à revisão. que recorrem ao conflito cognitivo (tal como. o aluno tem realmente um papel activo. por si próprios. ainda. resistentes à mudança.. é preciso não esquecer que muitas CA permanecem para além da aprendizagem formal. na maioria das vezes.. Os estudantes devem concluir. tendo que as argumentar e defender livremente em discussão. de certo modo. adianta algumas razões que dificultam a mudança conceptual quando os alunos são sujeitos a estratégias de ensino. ou seja.

Por vezes. . os seus conceitos não estão errados. no século V a. acrescenta-se que. dureza. não tomam consciência do conflito inerente ao processo de aprendizagem e não perdem a sua auto-confiança. Mais à frente será descrito um estudo que vai de encontro ao que se acabou de referir. Alguns dos investigadores citados por Driver (1994). As mesmas acham que os átomos variam de tamanho e de forma. Quanto ao tamanho do átomo. Na sequência. pois ele. ou seja. Principais Concepções Alternativas sobre a Tabela Periódica As concepções alternativas sobre a Tabela Periódica prendem-se essencialmente com a noção de elemento químico (os átomos de um mesmo elemento químico têm o mesmo número atómico. também consideram que as partículas têm os atributos macroscópicos dos materiais: aquecem.é uma “pequena quantidade de substância material”. cor.Tabela Periódica dos Elementos Químicos Actualmente. arrefecem. que teve origem nas ideias construtivistas sobre o ensino e sobre a aprendizagem. Por sua vez.C.). tais como. 5.é “o último fragmento que se obtém após a divisão progressiva de uma porção de material”(na história da Química esta ideia foi defendida e partilhada pelos gregos Demócrito e Leucipo. A título de curiosidade. tal abordagem não constitui o foco deste trabalho. dilatam. Do ponto de vista do estudante. representando-os através de bolas maciças e redondas (de certa forma. fazem corresponder o tamanho de um átomo ao de um grão de poeira. os mesmos estudos apontam que é muito difícil para as crianças apreciar e avaliar o ínfimo tamanho dos átomos. os quais se encontram compilados na literatura. compreende as semelhanças e as diferenças entre a realidade e o modelo apresentado. Um dos que se encontra mais em voga é o Ensino por Analogias. visto que através dele os alunos já não têm que apresentar perante os outros as suas ideias. entre outros. no entanto. intuitivamente. Para identificar as CA dos alunos acerca destes conceitos já foram levados a cabo muitos estudos. Assim. concluíram que as primeiras ideias que as crianças têm sobre o que é o átomo são: . ou então. ou ao de uma célula de uma bactéria. que esta é desprezível. Seria interessante explanar todos os pressupostos deste modelo de ensino. os átomos de um sólido têm as propriedades macroscópicas do sólido original. estado físico. as crianças admitem que os átomos não têm massa. que não existem espaços entre eles e que as suas propriedades são semelhantes às do material que lhe deu origem.2. o conceito de elemento químico está associado ao de átomo. o ensino deve ser encaminhado atendendo ao modelo da mudança conceptual. no princípio do século XIX). o mesmo número de protões). são discutidos outros modelos alternativos para o ensino das ciências. esta representação está de acordo com o modelo atómico apresentado por Dalton. Por exemplo. entre outras. temperatura. Por tudo isto. Consequentemente. apesar da ciência ditar que os compostos químicos são substâncias que contêm dois ou mais elementos quimicamente ligados entre si numa 71 .

Do mesmo modo. Quase 50% da população da amostra atribuiu as mesmas propriedades tanto a um único átomo de cobre como ao fio de cobre. Pensa-se que este raciocínio tem origem na deficiente noção de ligação química dos elementos. os alunos descrevem os compostos como uma mistura de elementos. foi-lhes perguntado quais delas possuiria um só átomo de cobre no mesmo estado físico. e. De seguida. referente a metais. dando-lhes as propriedades do metal no estado gasoso. consideram-no uma substância pura. Note-se. eles identificam os metais através da capacidade de reflectir luz. com o conceito de que um elemento químico é uma substância que não pode ser decomposta.Tabela Periódica dos Elementos Químicos proporção definida. utilizados por Lavoisier para tentar organizar os elementos químicos. Também 72 . algumas crianças aplicam critérios perceptivos em vez dos científicos. consequentemente. foram-lhes fornecidas as propriedades físicas de fio de cobre e. da grande resistência oferecida ao serem puxados e da boa condutividade eléctrica e térmica. pois alguns sujeitos têm a concepção de que um elemento é “o mais simples tipo de substância”. tais como: “um elemento é um sólido” e “o sal é um elemento”. Apesar deste conceito ser adquirido aos onze/doze anos. Como seria de esperar. Ben Zvi et al. os jovens só acreditam que um dado material constitui uma mistura quando este é heterogéneo. geram concepções alternativas. Briggs e Holding (1986) demonstraram que de uma amostra de cerca de 300 jovens britânicos com quinze anos: . (1986) verificaram que os alunos nem sempre reconhecem que as propriedades metálicas resultam do estado de agregação dos átomos de elementos específicos e não dos atributos dos próprios átomos. questionaram-nas sobre quais dessas características possuiria um único átomo de cobre. que as crianças pensam na constituição microscópica dos compostos químicos com base naquilo que observam a nível macroscópico. Antes de aprenderem a ideia de que um elemento químico contém átomos de uma só espécie (com o mesmo número atómico). É de salientar que. em tempos. muitas vezes. Na realidade. Numa tarefa realizada com 288 crianças israelitas. normalmente. vai fazer-se referência a alguns estudos desenvolvidos no âmbito do conceito de elemento químico. incluindo o nome do composto. de seguida. com média de idades de 15 anos. Mais uma vez. . (1997) sugerem que os alunos acham este conceito difícil de aplicar por ser baseado num conhecimento pré-estabelecido do comportamento das substâncias em detrimento da observação directa das suas características. mas com dificuldades. Herron et al. pode-se concluir. Caso contrário. as crianças deparam-se. também citados por Driver (1994). da possibilidade de os transformarem em arame ou de os prensarem em folhas finas. que os dois últimos critérios foram.apenas 25% conseguiu aplicá-lo. Em relação aos metais.cerca de 75% conseguiu reconhecer através de um diagrama representativo um elemento gasoso.

2. principalmente os do 9º ano de escolaridade. as propriedades dos elementos químicos são iguais às das substâncias elementares correspondentes. No Ensino Básico.Identificar as forças responsáveis pela coesão dos corpúsculos que formam as substâncias moleculares. fica clara a utilização de imagens alusivas ao quotidiano dos alunos e o recurso aos modelos atómicos escolares. interpretando-as com base em características dos átomos dos respectivos elementos. 3.Reconhecer o significado e a importância do número atómico e do número de massa. iónicas e metais. na disciplina de Ciências Físico-Químicas (CFQ). as concepções alternativas que mais influenciam o estudo da Tabela Periódica no Ensino Secundário são: 1. Ambas podem 73 . . mas agora sobre não-metais. . elas referem o açúcar e a madeira. para a necessidade de transformar estas concepções em conceitos mais científicos. Ben Zvi et al. os autores do programa definiram algumas competências com a preocupação evidente de alertar os professores. como exemplos de nãometais. sem mudarem de forma. a noção de que um elemento químico contém átomos com o mesmo número atómico ainda é pouco significativa. os elementos misturam-se para dar origem a substâncias químicas. (1986) constataram que muitas crianças têm dificuldade em restringir a utilização do termo aos elementos químicos. Noutro estudo. desfolhando alguns manuais do 9º ano. utilizam-no para classificar materiais com que lidam no dia-a-dia. Não compreendem que quando uma substância muda de estado físico os átomos apenas se organizam de maneira diferente.Explicar a semelhança de propriedades e a diferença de reactividade de algumas substâncias elementares com base em características dos átomos dos respectivos elementos. .Identificar propriedades que distinguem os metais dos não metais. No entanto. reconhecendo a sua importância na intepretação de propriedades físicas das substâncias. ou seja. respectivamente. Em termos gerais. São elas: . Então.Tabela Periódica dos Elementos Químicos 66% da amostra afirmou que um átomo de cobre no estado gasoso tem características diferentes de um átomo de cobre no estado sólido. Todas estas competências fazem parte do tema “Classificação dos Materiais” e dos sub-temas “Estrutura atómica”. “Propriedades das substâncias e Tabela Periódica” e “Ligação Química”.

pode melhorar bastante a compreensão dos modelos por parte dos jovens. Se for feita esta exploração didáctica na aula.3 deste capítulo) a preocupação com as CA acima referidas. Na disciplina de Física e Química A do 10º ano (disciplina e ano que frequentado pelos sujeitos da investigação). os aspectos positivos e negativos das analogias. não é visível nos objectivos delineados (indicados na secção 4. volta a estar patente nos objectivos de aprendizagem (indicados na secção 4.2 deste capítulo) a urgência de ajudar os alunos a ultrapassar a CA identificada pelo número 2. ou seja. Por isso. favorecendo a substituição do termo “misturam-se” por “ligam-se” na CA designada por 3. 74 . na disciplina de Química. O ensino das Ciências não deve fugir ao contexto quotidiano de produção do conhecimento. o conhecimento dos conceitos deve evoluir do concreto ao abstracto. identificando o contexto de validade. da componente de Química do mesmo ano. 1991). o objectivo principal é aprofundar o conhecimento científico. as limitações. do domínio familiar para o domínio científico (Nascimento. Por outro lado. interessa afirmar que é necessário dispor de tempo para analisar os modelos atómicos. é aprofundado o conhecimento científico sobre a ligação química.Tabela Periódica dos Elementos Químicos ajudar a sedimentar a confusão existente entre as propriedades de um átomo e as propriedades da substância elementar correspondente. No 12º ano. Na unidade 2. isto é. que se julga que os alunos já adquiram em anos anteriores.

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