Você está na página 1de 86

Projecto Educativo dos Lobitos

Manual para dirigentes

Projecto Educativo dos Lobitos Manual para dirigentes Setembro de 2008 1/86

Setembro de 2008

Parte 1 — A Acção Pedagógica

A – Os destinatários da acção pedagógica

Para implementar o Projecto Educativo do Corpo Nacional de Escutas de maneira progressiva e adequada a cada secção, é importante o Animador conhecer as características específicas de cada grupo etário. Neste processo, e ainda que o desenvolvimento se processe de forma global e gradual, com ritmo diferente de criança para criança, a caracterização das várias dimensões da personalidade, constituem uma forma de o compreender. São, então, dimensões da personalidade: o desenvolvimento físico, o desenvolvimento intelectual, o desenvolvimento do carácter, o desenvolvimento afectivo, o desenvolvimento espiritual e o desenvolvimento social.

É importante que as actividades dos lobitos contemplem todas estas dimensões. No desenvolvimento integral da

criança, é também fundamental o papel da Equipa de Animação, que deve procurar conhecer como se caracterizam globalmente as crianças desta faixa etária. No entanto, isto não é suficiente: é também necessário conhecer cada uma delas, individualmente.

Por fim, é também importante que a Alcateia ofereça ao lobito um ambiente seguro lhe permitirá adquirir confiança nele, nos outros e no mundo.

A Criança dos 6 aos 10 anos Desenvolvimento Físico

Por volta dos seis anos, começa um período de grande agitação física. Nesta fase, a criança deseja expressar-se com o

corpo - saltar e trepar. O jogo acaba por ser, assim, o meio privilegiado de expressão e libertação de energia, permitindo

o desenvolvimento da habilidade motora. Nesta idade, no entanto, existe, ainda, alguma dificuldade ao nível da

lateralidade (não estando completamente definida, há dificuldade em reconhecer a direita e a esquerda no outro) e da destreza das mãos e pontas dos dedos, pelo que é importante serem desenvolvidas actividades manuais.

Cerca dos oito anos de idade, a energia na criança é inesgotável e, associado às aquisições a nível motor, adquire orientação espácio-temporal, adquirindo a noção de perspectiva e proporção do corpo humano.

A partir dos nove anos, a capacidade motora encontra-se plenamente desenvolvida, aparecendo a força muscular e o

equilíbrio. É nesta fase que a competitividade atinge o auge, o que torna a criança capaz de grandes esforços físicos e

apreciadora de brincadeiras marcadamente físicas (gosta de se ‘fazer de forte’), em que mede a sua força e destreza em comparação com os outros.

Globalmente, o período entre os seis e os dez anos é, ainda, marcado pela consolidação dos hábitos de higiene e por um aperfeiçoamento da autonomia nessas tarefas. Esta é, por fim, uma fase em que a criança mostra grande interesse por temas sexuais, revelando especial curiosidade sobre a relação entre os sexos, as diferenças anatómicas e a reprodução.

Desenvolvimento Intelectual A criança de seis anos apresenta uma curiosidade activa, um imenso desejo de

Desenvolvimento Intelectual

A criança de seis anos apresenta uma curiosidade activa, um imenso desejo de saber e uma grande capacidade de

observação dos detalhes. É nesta fase que aprende a ler e a escrever, o que lhe dá um maior acesso à informação e lhe permite, sozinha, descobrir mais coisas acerca de temas do seu interesse, como a vida dos animais e a natureza em geral. É também atraída por histórias e narrações. A este nível, a sua visão do mundo é caracterizada por um objectivismo ingénuo, que a leva a ter dificuldade em separar de forma clara o mundo real e a fantasia. Possui ainda desejo de se expressar de múltiplas maneiras, mas este desejo é superior à sua capacidade de pôr em prática as suas ideias.

Ao atingir novos níveis de compreensão e expressão, começa a superar a dificuldade em colocar-se no lugar do outro, reconhecendo que ele poderá ter interesses, necessidades e sentimentos diferentes dos seus. Pouco a pouco, começa

a conseguir ter em conta pontos de vista diferentes do seu e aprende que nem sempre pode fazer as coisas segundo a sua vontade.

Cerca dos sete anos, a inteligência intuitiva sofre uma profunda transformação. A partir daqui, a criança vai além das aparências e das observações fortuitas, passando a reflectir e a tentar compreender a lógica dos objectos e dos acontecimentos. Começa assim a sentir necessidade de organizar o real através das classificações, comparações, hierarquizações. Isto revela-se, por exemplo, no seu gosto por colecções.

Depois dos oito anos, continua a curiosidade insaciável em conhecer o mundo e a criança revela grande capacidade de memorização. Pouco a pouco acaba por se tornar autónoma num grande número de tarefas rotineiras, muitas vezes exigindo fazê-las sozinha.

num grande número de tarefas rotineiras, muitas vezes exigindo fazê-las sozinha. Desenvolvimento do Carácter 3/86

Desenvolvimento do Carácter

O carácter é a dimensão que constrói a identidade pessoal. Nesta etapa da infância, a criança começa a apurar várias

dimensões do seu carácter.

Relativamente aos adultos, a criança desta faixa etária estabelece relações de grande proximidade com os mais velhos

e pode ser muito influenciada por eles, que idealiza e vê como seus modelos. Nesta etapa, o desenvolvimento moral

constrói-se nas relações interpessoais: boa conduta é a que agrada aos outros. A criança tenta, assim, viver de acordo com o que as pessoas próximas esperam de si, necessitando da sua aprovação.

Para além disto, desenvolve consciência crítica e o sentido de justiça. A este nível, dá valor ao que faz, gosta de ser reconhecida pelos outros e sabe distinguir o bem e o mal, embora tendo por base as consequências das suas acções.

A estas características junta-se ainda uma grande sinceridade, que leva as crianças, sobretudo as mais novas, a não ter pudores em revelar o que pensam.

as mais novas, a não ter pudores em revelar o que pensam. Desenvolvimento Afectivo Ao longo

Desenvolvimento Afectivo

Ao longo do período em que se encontra na Alcateia, a necessidade de afecto e protecção da criança é imensa e constante. De facto, a passagem de um mundo conhecido (família) para um mundo novo e inseguro pode levá-la a atravessar uma fase de insegurança, de afirmação de si mesma e de comparação com os colegas. Nesta altura, a criança apresenta um humor estável (por norma é muito alegre), só alterado por emoções fortes e contraditórias, que desaparece com a mesma rapidez com que surgiu.

Entre os seis e os sete anos, a criança é muito espontânea e revela-se muito sensível à humilhação e às repreensões. Como valoriza muito o adulto, não aprecia a sua censura e pode mesmo fazer coisas contrariada, apenas com o intuito de agradar.

Entretanto, começa a revelar uma grande necessidade de cooperação e companheirismo. Com o crescimento, o grupo torna-se o foco central dos seus interesses e ocupa o lugar que antes pertencia à família.

o crescimento, o grupo torna-se o foco central dos seus interesses e ocupa o lugar que

Desenvolvimento Espiritual

A dimensão espiritual está relacionada com o significado da vida. Não se desenvolve de forma independente das

relações que estabelecemos com os outros e com nós próprios; está baseada na sociabilidade, inteligência e afectividade. Assim sendo, e porque a vida da criança, nesta altura, gira muito à volta da família, é nela que a imagem de Deus começa a tomar forma. De facto, é ao tomar consciência das imperfeições dos pais que a criança começa a distingui-los de Deus.

Por volta dos seis e sete anos, e porque a capacidade de abstracção ainda não está muito presente, Deus não é visto

de forma simbólica. É, sim, olhado como um homem grande e poderoso, com barbas brancas, o criador do mundo que a

criança conhece. Mais próxima é a imagem de Jesus enquanto criança, que funciona como modelo a seguir.

Depois, a partir dos oito anos, a presença divina personaliza-se. Há uma valorização moral do bem e do mal no seu comportamento e no dos outros e surge a noção de justiça.

comportamento e no dos outros e surge a noção de justiça. Desenvolvimento Social Os seis anos

Desenvolvimento Social

Os seis anos de idade constituem um marco importantíssimo na vida da criança. A entrada num ambiente escolar mais estruturado leva ao aparecimento das primeiras condutas de responsabilidade. É nesta altura que a criança começa a

integrar-se em grupos, de forma espontânea, para jogar ou realizar tarefas. Busca a aprovação do grupo e tenta muitas vezes impor-se aos companheiros, revelando o seu egocentrismo (eu é que sei, eu é que mando). Geralmente coloca-

se do lado do educador.

A partir dos oito anos, ao superar o egocentrismo, começa a assumir importância vital a relação com o grupo, onde se

torna necessária a existência de uma hierarquia e de papéis bem definidos. Começa então a participar em jogos colectivos, com regras já existentes e outras inventadas pelo grupo e que este faz cumprir. Esta experiência em pequeno grupo é fundamental para a sua socialização e manter-se-á ao longo da sua vida como experiência significativa de integração pessoal.

A criança começa, assim, a descobrir a vida em sociedade, afastando-se progressivamente do adulto: deixa de

necessitar que este estabeleça as regras, passando a criar e a fazer respeitar as regras do grupo. Diminui assim a necessidade da protecção dos pais e, conforme tenha sido vivida esta relação parental, assim se projectará no grupo de forma segura ou insegura.

e, conforme tenha sido vivida esta relação parental, assim se projectará no grupo de forma segura

B – O projecto educativo que oferecemos

1. Proposta Educativa do CNE

O Escutismo é um movimento de educação não-formal, que contribui para a educação dos jovens através de um

sistema de valores, tal como se expressa no documento “A Missão do Escutismo”, Durban 1999:

“A missão do Escutismo consiste em contribuir para a educação dos jovens, partindo de um sistema de valores enunciados na Lei e na Promessa escutistas, ajudando a construir um mundo melhor, em que as pessoas se sintam plenamente realizadas como indivíduos e desempenhem um papel construtivo na sociedade.

Isto é alcançado envolvendo os jovens, ao longo dos seus anos de formação, num processo de educação não-formal; utilizando um método original, segundo o qual cada indivíduo é o principal agente do seu próprio desenvolvimento, para se tornar uma pessoa autónoma, solidária,

A partir desta declaração de Missão, as associações escutistas devem elaborar a sua Proposta Educativa, na qual

expressam a sua intenção educativa, ou seja, aquilo que podem oferecer aos jovens de uma determinada comunidade e

por um determinado tempo.

Com a proposta educativa, o Corpo Nacional de Escutas (CNE) procura responder às necessidades educativas das crianças e dos jovens, através dos Princípios e do Método escutistas. Ao mesmo tempo, a proposta pretende ser referência para a acção continuada dos animadores adultos e também, um compromisso educativo perante a sociedade.

Sendo um documento aberto e dinâmico, a Proposta Educativa concretiza-se nas actividades características do movimento, que proporcionam a criação e/ou o desenvolvimento de determinadas competências e características nas crianças, nos adolescentes e nos jovens.

A intenção educativa do CNE, adequada ao tempo e à sociedade, está expressa na Proposta Educativa “Educamos. Para quê?”.

EDUCAMOS. PARA QUÊ?

Uma Proposta Educativa do Corpo Nacional de Escutas

O CNE ajuda jovens a crescer…

…a procurar a sua própria Felicidade e a contribuir decisivamente para a dos outros. …a descobrir e viver segundo os Valores de um verdadeiro Homem Novo.

O

CNE procura, através do Método Escutista, ajudar cada jovem a educar-se…

para

se tornar consciente do Ser;

-

uma pessoa responsável, autónoma e perseverante; justa, leal e honesta

-

uma pessoa criativa e ousada face aos desafios e que cultiva o espírito crítico de modo a distinguir o essencial

-

uma pessoa alegre, sensível e compreensiva, consciente de si própria, das suas limitações e potencialidades

-

uma pessoa solidária e fraterna, que promove o respeito e a tolerância na sua relação com os outros

-

uma pessoa que assume integralmente o seu compromisso cristão como opção de vida

-

uma pessoa que respeita o seu corpo como manifestação de vida e com ele se relaciona de forma equilibrada

para

se tornar detentor de Saber;

-

uma pessoa que reconhece as suas imperfeições e as procura superar de uma forma constante

-

uma pessoa que busca sempre mais e usa esses conhecimentos para fundamentar as suas decisões, expressando adequadamente as suas ideias

-

uma pessoa que valoriza as sua emoções e afectos, vivendo-os em equilíbrio

-

uma pessoa atenta ao Mundo, no qual identifica o seu papel, valorizando o trabalho em equipa

-

uma pessoa que procura aprofundar sempre o seu esclarecimento na Fé

-

uma pessoa que conhece as capacidades e limites do seu corpo, reconhecendo as ameaças ao mesmo

para

se tornar preparado para Agir;

-

uma pessoa que, comprometendo-se, age de acordo com as suas opções, respeitando os outros e o mundo

-

uma pessoa empreendedora, activa no desenvolvimento de iniciativas e que cuida da sua própria formação

-

uma pessoa que cultiva amizades e que vive o amor de uma forma plena, dando disso testemunho em família

-

uma pessoa que assume o seu papel na comunidade, exercendo a cidadania de uma forma participativa e generosa

-

uma pessoa que evangeliza pelo testemunho e pela partilha, no respeito pelas convicções dos outros, contribuindo assim para a construção da paz

-

uma pessoa que, reconhecendo o seu corpo como meio para transformar o Mundo, cuida dele em harmonia com o ambiente

O

CNE ajuda jovens a crescer

para

que com o Ser, Saber e Agir se tornem homens e mulheres responsáveis e membros activos

de comunidades, na construção de um mundo melhor.

A Proposta Educativa do CNE “Educamos. Para quê?” foi aprovada no Conselho Nacional Plenário de Maio de 2003.

Este documento é um género de Bilhete de Identidade. ou cartão de visita que pode ser usado:

Quando se recebe um novo elemento e os Pais querem perceber um pouco melhor o que é o Escutismo e o que o distingue, por exemplo, de um qualquer clube desportivo; Nas reuniões de Pais; Quando se fazem exposições ou folhetos sobre o Escutismo; Numa reunião com a Autarquia; Num pedido de apoio financeiro;

Ou ainda em:

Num momento de formação da Equipa de Animação;

Num jogo sobre valores;

Num jogo sobre as qualidades individuais;

2- Áreas de Desenvolvimento e Trilhos Educativos

O Escutismo considera o desenvolvimento de todos os aspectos da personalidade das crianças e dos jovens.

As áreas de desenvolvimento são instrumento para a aplicação prática da Proposta Educativa. Na sequência do processo internacional de Renovação de Acção Pedagógica, observadas as intenções do fundador para o Movimento Escutista e englobando todas as dimensões da personalidade humana, foram estabelecidas seis áreas de desenvolvimento pessoal.

São elas:

Desenvolvimento afectivo

a orientação dos afectos e a valorização pessoalDesenvolvimento afectivo

Desenvolvimento social

o encontro e a partilha com os outrosDesenvolvimento social

Desenvolvimento intelectual

o estímulo à exploração e criatividadeDesenvolvimento intelectual

Desenvolvimento físico

o conhecer e desenvolver o corpoDesenvolvimento físico

Desenvolvimento do carácter

as atitudes e o ser maisDesenvolvimento do carácter

Desenvolvimento espiritual

o sentido de DeusDesenvolvimento espiritual

Em cada uma das áreas de desenvolvimento pessoal estão identificadas prioridades educacionais – três trilhos educativos – que tomam em conta as necessidades e aspirações das crianças, dos adolescentes e dos jovens em particular – os objectivos educativos. Entende-se por trilho educativo os caminhos de crescimento a trabalhar em cada área, dos quais se definem os objectivos de crescimento a atingir no final do tempo vivido na secção.

Áreas

Trilhos

Os objectivos de cada trilho relacionam-se com:

Relacionamento e

sensibilidade

Equilíbrio

emocional

Auto-estima

e sensibilidade Equilíbrio emocional Auto-estima Exercer activamen- te a cidadania Cooperação e

Exercer activamen- te a cidadania

Cooperação e

Solidariedade

Interacção

te a cidadania Cooperação e Solidariedade Interacção Procura do conhecimento Resolução de problemas

Procura do

conhecimento

Resolução de

problemas

Expressão/Comuni-

cação

Resolução de problemas Expressão/Comuni- cação Desempenho Bem-estar físico Auto-conhecimento Autonomia

Desempenho

Bem-estar físico

Auto-conhecimento

cação Desempenho Bem-estar físico Auto-conhecimento Autonomia Responsabilidade Coerência Descoberta Vivência

Autonomia

Responsabilidade

Coerência

cação Desempenho Bem-estar físico Auto-conhecimento Autonomia Responsabilidade Coerência Descoberta Vivência Serviço

Descoberta

Vivência

Serviço

auto-expressão; intereducação; valorização da família; opção de vida;

intereducação; valorização da família; opção de vida; Área de Desenvolvimento Afectivo sentido do belo e do
Área de Desenvolvimento Afectivo
Área de
Desenvolvimento
Afectivo

sentido do belo e do estéticoopção de vida; Área de Desenvolvimento Afectivo saber lidar com as emoções (controlar/ exprimir); manter

saber lidar com as emoções (controlar/ exprimir); manter um estado interior de liberdade; maturidadede Desenvolvimento Afectivo sentido do belo e do estético conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se direitos e deveres;

conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se manter um estado interior de liberdade; maturidade direitos e deveres; tolerância social; intervenção social

liberdade; maturidade conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se direitos e deveres; tolerância social; intervenção social
liberdade; maturidade conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se direitos e deveres; tolerância social; intervenção social

direitos e deveres; tolerância social; intervenção social liberdade; maturidade conhecer-se; aceitar-se; valorizar-se Área de Desenvolvimento Social serviço; espírito de

Área de Desenvolvimento Social
Área de
Desenvolvimento
Social

serviço; espírito de equipa; interajuda intervenção social Área de Desenvolvimento Social assertividade; assumir o seu papel nos grupos de pertença

Social serviço; espírito de equipa; interajuda assertividade; assumir o seu papel nos grupos de pertença
Social serviço; espírito de equipa; interajuda assertividade; assumir o seu papel nos grupos de pertença

assertividade; assumir o seu papel nos grupos de pertença Social serviço; espírito de equipa; interajuda desejo de saber; procura e selecção de informação;

desejo de saber; procura e selecção de informação; iniciativa; auto- formaçãoassertividade; assumir o seu papel nos grupos de pertença Área de Desenvolvimento Intelectual resolução; análise

e selecção de informação; iniciativa; auto- formação Área de Desenvolvimento Intelectual resolução; análise
Área de Desenvolvimento Intelectual
Área de
Desenvolvimento
Intelectual

resolução; análise crítica da solução encontrada; capacidade de adaptação a novas situações

capacidade de análise e síntese; utilização de novas técnicas e métodos; selecção de estratégias de encontrada; capacidade de adaptação a novas situações apresentação lógica de ideias; criatividade; discurso

de novas técnicas e métodos; selecção de estratégias de apresentação lógica de ideias; criatividade; discurso

apresentação lógica de ideias; criatividade; discurso adequado de novas técnicas e métodos; selecção de estratégias de rentabilizar e desenvolver as suas capacidades; destreza

rentabilizar e desenvolver as suas capacidades; destreza física; conhecer os seus limites; habilidade manuallógica de ideias; criatividade; discurso adequado Área de Desenvolvimento Físico manutenção e

física; conhecer os seus limites; habilidade manual Área de Desenvolvimento Físico manutenção e
física; conhecer os seus limites; habilidade manual Área de Desenvolvimento Físico manutenção e
Área de Desenvolvimento Físico
Área de
Desenvolvimento
Físico

manutenção e promoção: exercício; higiene; nutrição; evitar comportamentos de riscohabilidade manual Área de Desenvolvimento Físico conhecimento e aceitação do seu corpo e do seu processo

conhecimento e aceitação do seu corpo e do seu processo de maturaçãohigiene; nutrição; evitar comportamentos de risco tornar-se independente; capacidade de optar; construir o seu

e aceitação do seu corpo e do seu processo de maturação tornar-se independente; capacidade de optar;
e aceitação do seu corpo e do seu processo de maturação tornar-se independente; capacidade de optar;

tornar-se independente; capacidade de optar; construir o seu quadro de referênciase aceitação do seu corpo e do seu processo de maturação Área de Desenvolvimento do Carácter

capacidade de optar; construir o seu quadro de referências Área de Desenvolvimento do Carácter ser consequente;
Área de Desenvolvimento do Carácter
Área de
Desenvolvimento
do Carácter

ser consequente; perseverança e empenho; levar a bom termo um projecto assumidode referências Área de Desenvolvimento do Carácter viver de acordo com o seu sistema de valores;

viver de acordo com o seu sistema de valores; defender as suas ideiase empenho; levar a bom termo um projecto assumido disponibilidade interior; interiorização progressiva;

com o seu sistema de valores; defender as suas ideias disponibilidade interior; interiorização progressiva;

disponibilidade interior; interiorização progressiva; busca do

Área de Desenvolvimento Espiritual
Área de
Desenvolvimento
Espiritual

transcendente no específico cristãoprogressiva; busca do Área de Desenvolvimento Espiritual aberto ao diálogo inter-religioso dar testemunho pelos

aberto ao diálogo inter-religioso

dar testemunho pelos actos do dia-a-dia; viver em comunidade; estar no específico cristão aberto ao diálogo inter-religioso integração e participação activa na Igreja; participar

integração e participação activa na Igreja; participar na construção de

um mundo novo; evangelizaçãodia-a-dia; viver em comunidade; estar integração e participação activa na Igreja; participar na construção de 9/86

9/86

C – Como implementar? — As sete Maravilhas do Método

O Movimento Escutista tem uma missão definida que passa por educar, promovendo o desenvolvimento das crianças, dos adolescentes e dos jovens através de actividades recreativas e de serviço, de modo harmonioso com a sua própria personalidade e com a comunidade em que vive.

A sua finalidade é “contribuir para o desenvolvimento dos jovens ajudando-os a realizarem-se

plenamente no que respeita às suas possibilidades físicas, intelectuais, sociais e espirituais, quer como pessoas, quer como cidadãos responsáveis e quer, ainda, como membros das comunidades locais, nacionais e internacionais.”

In Constituição da Organização Mundial do Movimento Escutista, Artigo I

De que forma consegue o Movimento Escutista atingir a sua finalidade? Consegue fazê-lo através do sistema criado por B.-P., entretanto apurado e aprofundado durante quase um século, a que vulgarmente se dá o nome de Método Escutista. Este método, a nossa forma de educar, é único e genial e tem dado provas disso mesmo ao longo dos seus cem anos de existência. Sem ele, não se pode verdadeiramente fazer Escutismo

O Método Escutista é um sistema de auto-educação progressiva, baseado em:

• Uma Promessa e uma Lei.

• Uma educação pela acção.

• Uma vida em pequenos grupos (por exemplo a patrulha), envolvendo, com o auxílio e o conselho de

adultos, a descoberta e a aceitação progressiva de responsabilidades pelos jovens e uma preparação

para a autonomia com vista ao desenvolvimento do carácter, à aquisição de competências, à confiança em si, ao serviço dos outros e à capacidade quer de cooperar, quer de dirigir.

• Programas de actividades variados, progressivos e estimulantes, baseados nos interesses dos

participantes, incluindo jogos, técnicas úteis, e a realização de serviços à comunidade; estas actividades

desenrolar-se-ão, principalmente, ao ar livre, em contacto com a natureza.

In Constituição da Organização Mundial do Movimento Escutista, Artigo III

Vemos assim que o Método Escutista, a partir da forma natural como as crianças, os adolescentes e os jovens se relacionam, permite explorar diferentes opções educativas, realçando o que eles aprendem uns com os outros e potenciando verdadeiras experiências educativas, tais como:

- Alargar horizontes: o campo de acção e de experimentação da criança/adolescente/jovem vai aumentado à medida que cresce;

- Transportar a criança/adolescente/jovem da imaginação à realidade: os heróis e heroínas não existem só em lendas, mas são indivíduos de carne e osso, o mundo fictício das histórias desafia a exploração do mundo real;

- Proporcionar o crescimento em pequenos grupos: a relação com os pares e o assumir de responsabilidades são componentes essenciais de um ensaio para a vida futura em sociedade;

- Contribuir para a interiorização de regras sociais (através do jogo e dos valores universais), ajudando a desenvolver um código de conduta próprio ao qual voluntariamente se adere;

- Incentivar a ser cada vez mais e melhor, desafiando limites e estabelecendo novas metas a alcançar;

- Arriscar num ambiente privilegiado onde as conquistas e os erros possuem igual valor pedagógico: a correcta aplicação do método proporciona a criação de um espaço seguro onde as crianças/adolescentes/jovens aprendem, erram e voltam a aprender numa dinâmica de crescimento;

- Construir uma relação de confiança com alguém que ajuda, prepara, apoia, encoraja, aconselha e educa.

.

Identificadas as bases do Método Escutista e traçado o caminho para lá chegar, faltará apenas caminhar… E o caminho possui sete características essenciais de que não podemos abdicar e que consideramos maravilhosas, por constituírem

a base do Método Escutista. São as “Sete Maravilhas do Método Escutista”:

Sistema de Patrulhas Sistema de Relação progressão jovem/adulto pessoal Lei e Promessa Vida Aprender na
Sistema
de
Patrulhas
Sistema de
Relação
progressão
jovem/adulto
pessoal
Lei
e
Promessa
Vida
Aprender
na
fazendo
Natureza
Mística
e
Simbologia

Em cada secção, cada uma destas “Sete Maravilhas do Método Escutista” deverá ser aplicada de modo distinto, de acordo com as características próprias de cada faixa etária e tendo em conta o grau de autonomia, de maturidade e de responsabilidade de cada criança, adolescente ou jovem

Bibliografia para aprofundar:

- Constituição da Organização Mundial do Movimento Escutista

- Estatutos e Regulamentos do CNE

- “As características essenciais do Escutismo” – Documento de referência para apoio à elaboração do PEP – Plano Estratégico Participativo do CNE e da RAP – Renovação da Acção Pedagógica.

1 – Sistema de Bandos

1 – Sistema de Bandos O sistema de Bandos, tal como BP o idealizou, assenta na

O sistema de Bandos, tal como BP o idealizou, assenta na divisão de rapazes e raparigas em pequenos grupos –

Bando/Patrulha/Equipa – , dentro dos quais estabelecem relações e são chamados a assumir diversas funções que permitem a cada um contribuir para o bem geral. Esta divisão de tarefas incentiva, assim, a co-responsabilidade e permite a aprendizagem da democracia e da solidariedade. Ao mesmo tempo, possibilita também a compreensão do papel do líder e da importância de uma boa e equilibrada liderança para o desenvolvimento do grupo.

O sistema de Bandos, na I.ª Secção, materializa-se nos Bandos, na II.ª secção materializa-se nas Patrulhas e nas III.ª e

IV.ª secções traduz-se nas Equipas.

A – Vivência e valor pedagógico

É o Sistema de Bandos que faz das Unidades e, por conseguinte, de todo o Escutismo, um verdadeiro esforço de

cooperação. Faz dele um método de educação natural e não formal, onde cada jovem, com as suas particularidades e curiosidades muito pessoais, cresce com os outros e entre eles. Os seus pares passam a ser por si reconhecidos pela vivência conjunta e pela prática da Lei do Escuta.

É fomentada a ideia de que o valor individual de cada Escuteiro deverá estar sempre ao serviço do Bando/Patrulha/Equipa e, consequentemente, da Unidade, sendo que cada um trabalha segundo as suas forças e

recebe segundo as suas necessidades. Assim sendo, o Bando, não é mais do que uma sociedade, um grupo de rapazes e raparigas, unidos por ideais e objectivos comuns e regidos pela mesma lei – no caso dos Lobitos, a Lei e Máximas da Alcateia. No Bando, as crianças poderão e deverão viver juntos experiências inesquecíveis e realizar actividades de serviço. O Bando é uma “micro-sociedade”, onde cada lobito desempenha um papel. Ao assumir a

responsabilidade de determinadas tarefas no seio do Bando, o lobito torna-se responsável por si mesmo e

cresce!

Na vida de cada um destes pequenos grupos, no seu funcionamento regular, são promovidos valores como o da liderança responsável, da democracia, da co-responsabilidade, da solidariedade, do trabalho em equipa, através da divisão de tarefas.

O Sistema de Bandos proporciona ainda a perda da perspectiva egocêntrica, e permite às crianças, adolescentes e

jovens a criação de hábitos de divisão de tarefas e bens. Este sistema une os jovens num ideal comum, repleto de camaradagem, cumplicidade e amizade.

Bibliografia para aprofundar:

- O Sistema de Bandos, de Roland Philipps

- Escutismo para Rapazes, de Baden-Powell

- Baden-Powell Hoje – Pistas para um educador no Escutismo, dos Scouts de France

B – Organização

Quadro-síntese:

 
 

I.ª Secção

II.ª Secção

III.ª Secção

IV.ª Secção

Designação do elemento e sua idade

Lobito (a)

Crianças dos 6 anos

-

aos

10

Explorador (a)

Crianças e adolescentes dos 10 aos 14 anos

-

Pioneiro (a)

- Adolescentes e jovens dos 14 aos 18 anos

Caminheiro (a)

Jovens dos 18 aos anos

-

22

Bando

Patrulha

Equipa

Equipa

-

4/5 a 8 lobitos

- 4 a 8 exploradores

- 4 a 8 pioneiros

- 4 a 8 caminheiros

Designação do pequeno grupo e suas característic as

-

Aconselha-se mistos

 

- Aconselha-se mistos

- Aconselha-se mistos

- Aconselha-se mistos

Identificado por uma de

cinco cores: Branco, cinzento, preto, castanho e

-

Identificada por nome de animais

-

- Identificada por nome de

animal, ou de Santo da igreja, ou um benemérito

Identificada por nome de animal, ou de Santo da igreja, ou um benemérito da Humanidade ou herói nacional.

-

Liderados por um Chefe de Equipa

-

 

ruivo

Liderados por um Guia de Bando

-

Liderados por um Guia de Bando

-

da Humanidade ou herói nacional.

Liderados por um Guia de Equipa

-

Designação

Alcateia

Grupo explorador

Grupo pioneiro

Clã

da Unidade

(2 a 5 bandos)

 

(2 a 5 patrulhas)

(2 a 5 equipas)

(Entre 10 e 32 caminheiros)

Designação do local de reunião

Covil

Cabana

Abrigo

Base

Designação

Caçada

     

Caminhada

 

do Projecto

Aventura

Empreendimento

Continua…

Quadro-síntese:

 

… Continuação

 

Especificidades do Escutismo Marítimo

 
   

I.ª Secção

 

II.ª Secção

   

III.ª Secção

 

IV.ª Secção

 
 

Lobito (a)

 

Moço (a)

   

Marinheiro (a)

 

Companheiro (a)

 

Designação do elemento e sua idade

 

Crianças dos 6 aos 10 anos

-

-

Crianças

e

- Adolescentes e jovens dos 14 aos 18 anos

-

Jovens

dos

18

aos

22

adolescentes

dos

10

anos

 
   

aos 14 anos

     
 

Bando

 

Tripulações

   

Equipagens

 

Companhas

 
 

- 4/5 a 8 lobitos

 

- 4 a 8 moços

 

- 4 a 8 marinheiros

- 4 a 8 companheiros

 

Designação do pequeno grupo e suas características

- Aconselha-se mistos

- Aconselha-se mistos

 

- Aconselha-se mistos

- Aconselha-se mistos

 

- Identificado por uma de cinco cores: Branco, cinzento, preto, castanho e ruivo

- Identificada por nome de animais

- Identificada por nome de

- Identificada por nome de

animal, ou de Santo da igreja, ou um benemérito da Humanidade ou herói nacional.

animal, ou de Santo da igreja, ou um benemérito da Humanidade ou herói nacional.

 

- Liderados por Guia de Bando

um

-

Liderados

por

um

Timoneiro

 

-

Liderados por um Mestre

-

Liderados por um Arrais

 

Designação

 

Alcateia

 

Flotilha

   

Frota

 

Comunidade

 

da Unidade

(2 a 5 bandos)

(2 a 5 tripulações)

(2 a 5 equipagens)

(Entre 10 e 32 caminheiros)

Designação do local de reunião

 

Covil

 

Cabana

   

Abrigo

 

Base

 

Designação

 

Caçada

   

Expedição

   

Cruzeiro

 

Campanha

 

do Projecto

I. Constituição a) Nome

O sistema de Bandos criado por B.-P. tem como centro a patrulha – um pequeno grupo de elementos que partilha ideais, tradições e responsabilidades.

No caso do Lobitismo, denomina-se Alcateia a Unidade formada pela equipa de animação e por Bandos – pequenos grupos de crianças, denominadas Lobitos, – que serão organizados segundo as suas particulares predilecções e afinidades.

Cada um dos Bandos designa-se e distingue-se obrigatoriamente por uma das cores que o pêlo dos lobos pode ter,

tomando essa cor como nome: Branco, Cinzento, Preto, Castanho e Ruivo. Estas cores figuram no distintivo de cada Lobito e na bandeirola de Bando.

b) Número de elementos

A Alcateia é constituída por um mínimo de dois Bandos e um máximo de cinco

Muito embora não se possa definir o número ideal de elementos de um Bando, a experiência recomenda que esse número esteja compreendido entre 5 a 8 elementos. Isto por uma questão de convenção – para melhor funcionamento

e harmonização colectiva –, mas também por uma questão de funcionamento – um Bando com menos de 5 elementos

não funcionaria, na medida em que cada Lobito seria “sobrecarregado” de tarefas e de incumbências, o que certamente implicaria que algumas ficassem para trás. Já se o Bando tivesse 9 ou 10 elementos, tornar-se-ia difícil de conduzir pelo Guia e seria praticamente inevitável que andem “aos tropeções” uns nos outros. Ambas as situações poderão conduzir a uma ineficácia do Bando e, em última consequência, à desmotivação dos elementos.

Acontece, no entanto, que, se na Alcateia, por determinada razão, só existem 9 elementos, terá de arranjar-se uma solução enquanto não cresce o conjunto. Assim, aceita-se que em casos excepcionais haja uma divisão e que um Bando possa ser constituída por 4 elementos. Note-se, no entanto, que essa deve ser encarada como uma solução de contingência, a prazo, e nunca a melhor solução do ponto de vista pedagógico

c) – A construção dos bandos

O género

As crianças vivem, estudam e brincam em conjunto independentemente do género a que pertençam. Assim, na Alcateia os Bandos devem ser mistos, fazendo do pequeno grupo a imagem da sociedade a que pertencemos.

Neste âmbito, há que salvaguardar e acautelar que, em acampamento, a tenda seja vista como um espaço de intimidade em que a privacidade dos géneros deverá ser conservada. E que num Bando nunca deve estar, de um determinado género, um elemento sozinho.

A idade

Consideram-se verticais os Bandos constituídas por elementos de diferentes idades. Denominam-se por Bandos horizontais as que incluem todos os elementos com a mesma idade.

O aconselhamento pedagógico vai para a preferência pelo modelo vertical. De facto, um Bando que integra crianças de diversas idades é encarado como o mais positivo. É certo que esta heterogeneidade poderá criar obstáculos no seio do Bando, pela diferença de interesses ou estágios de maturidade em que cada um deles se pode encontrar, mas, por outro lado, poderá trazer também enormes benefícios, dos quais destacamos o acompanhamento dos mais novos por parte dos mais velhos e a partilha do conhecimento. De facto, compete aos mais velhos, olhados como exemplo a seguir, ensinar e orientar os mais novos e dar testemunho dos costumes que vão sendo construídos no seio do Bando.

Assim se estimula a solidariedade e se mantêm as tradições, que vão permitir a conservação da memória colectiva e a formação de espírito de corpo ao longo da vida, mantendo-se bem presente a Educação pelos pares.

Menos vulgar, e a ser utilizada apenas em casos da mais absoluta necessidade, é a implementação do modelo horizontal que, por sua vez, integra crianças, adolescentes ou jovens da mesma idade e que estão todos na mesma fase de desenvolvimento. Isto vai facilitar a integração dos elementos no Bando (uma vez que partilham interesses), mas tem grandes desvantagens. Por um lado, quando se dá a passagem simultânea de todos os elementos para a secção seguinte extingue-se o Bando e não houve lugar à aprendizagem colectiva. Por outro lado, nos jogos e competições sadias, e porque não há equilíbrio de idades, os Bandos com elementos mais velhos têm mais probabilidades de vencer os Bandos mais novos, perdendo-se os valores da solidariedade e da fraternidade. Por fim, a estratégia do ‘irmão mais velho’, que orienta e ensina, é impossível de implementar, dado que não há diferenças etárias.

Felizmente, as crianças criam empatias e laços de amizade com relativa facilidade, o que pode facilitar em muito a integração de novos elementos. Deverá dar-se “espaço” à Alcateia e aos novos elementos a integrar para que possam, de forma espontânea e informal, criar essas relações de amizade e assim, se integrarem naturalmente. Pese embora esta “aproximação” natural que vá sendo feita, a distribuição de novos elementos pelos Bandos deverá ser, sempre, da responsabilidade da Equipa de Animação, ouvido o Conselho de Guias.

Sugestão:

Para fazer os Bandos

- Porque não transformar a formação dos Bandos num jogo? Observas a constituição da Alcateia e numa folha escreves, como se fossem regras, obrigatoriedades que é preciso cumprir para fazer a equipa. Podes pôr critérios de idade e de género… mas também de interesses, estéticos, de características físicas, etc. Até pode ter sido a equipa de animação a fazer os Bandos, mas eles podem sempre pensar que foram eles que, naquele jogo, o fizeram.

d) – O espírito de Bando/Alcateia

Citações:

O espírito de Bando quer dizer que cada um dos membros do Bando sente que é parte essencial de um todo completo e uno – um corpo que a cada membro cumpre executar o seu papel individual com o fim de se atingir a perfeição e plenitude do conjunto.

Roland Philipps, in O Sistema de Bandos, página 25

São várias as imagens que podem utilizar-se para ilustrar a valia pedagógica e o que se entende por espírito de Bando/Alcateia, ou aquilo que vulgarmente se chama de espírito de corpo – a rede de identidades, de cumplicidades,

de hábitos e tradições que dão coerência e são factor de unificação dos elementos de um determinado grupo.

Pode dizer-se que um Bando se assemelha a um corpo humano: cada órgão e cada membro tem a sua função e todos funcionam para o mesmo objectivo, mas, se um deles adoece, todo o corpo sofre com isso e deixa de funcionar perfeitamente. São Paulo, na Carta aos Romanos (Rm 12, 3-8) utiliza exactamente essa mesma imagem.

O mesmo se passa com um Bando que não tenha espírito de corpo: se os seus elementos não fazem ou sentem que não fazem parte de coisa nenhuma vão desmotivar-se e o Bando vai deixar de funcionar.

Para que esse espírito de corpo exista, se forme ou cresça, pode recorrer-se a dois tipos de acções:

Utilizar e incentivar todas as características do trabalho em equipa que o Bando promove: a divisão de tarefas, a democracia interna para decisão de interesses comuns, a co-responsabilização, o debate, etc. Toda a responsabilidade individual, se for devidamente assumida, une e fortalece.

Recorrer, mostrar ou dar a descobrir aos Escuteiros as ferramentas pedagógicas (objectos, símbolos e tradições) em que o Escutismo é riquíssimo e que foram idealizadas com vista à distinção e promoção da identidade do grupo (tais como o uniforme, o totem, o livro de ouro, a divisa, a bandeirola).

Apontamento adicional:

Ferramentas pedagógicas para a promoção do Espírito de Bando e Alcateia

- Mastro de Honra, Mastro Totem ou Vara Totem

Vara com a cabeça do lobo ou a figura do lobo colocada no cimo. Pretende-se que o mastro de honra conte um

pouco a história da alcateia pois são lá colocados os nomes de todos os lobitos que fazem promessa na alcateia

e outros símbolos que sejam importantes para o grupo, por exemplo uma fita com o nome de todos os lobitos que participaram numa determinada actividade (data, local, nome da actividade, etc.).

- Bandeirola

Vara com bandeirola em tecido branco, debruado a amarelo com a cabeça de lobo desenhada, da cor do bando. Este símbolo fica guardado no covil, onde deve ocupar um lugar especial no canto do Bando, e, sempre que o bando sai em actividade, acompanha-o. A bandeirola de bando será transportada pelo guia. Sempre que este é solicitado para outras tarefas entrega-a ao sub guia que o substitui no bando.

- Canto do Bando

Sempre que possível, deve existir no Covil um local exclusivamente reservado ao Bando e a que só ele e a chefia podem aceder. Este canto é da responsabilidade do Bando e pode estar organizado e decorado como ela entender. Deve, no entanto, exigir-se asseio e ordem. O canto pode incluir, entre outras coisas, espaço

para os materiais do Bando (cordas, material escolar, etc.), quadros variados (de informações, de nós, de sinais de pista, de presenças, com colecções), decoração relacionada com a história da Selva, etc.

- Livro de Ouro

Caderno que serve para transmitir aos futuros elementos as experiências vividas, na medida em que regista todos os feitos e acontecimentos marcantes da vida da Alcateia. Regista, assim, a sua história, os motivos de orgulho do seu passado e os acontecimentos relevantes do presente. Guarda, também, nomes dos elementos que

passaram pela Alcateia, actividades realizadas, competências obtidas, etc., através de textos, fotografias, desenhos. É no Livro de Ouro que se registam ainda as tradições, instrumentos fundamentais para fazer com que

a Alcateia seja única e igual a si mesma. Por ser um ‘tesouro’, só deve ser aberto de forma cerimoniosa.

Apontamento adicional:

Continuação…

Ferramentas pedagógicas para a promoção do Espírito de BPE

- Totem pessoal

Seguindo a tradição dos Peles-Vermelhas, tornou-se hábito cada escuteiro adoptar um totem pessoal. Trata-se de um nome usado pelo próprio e pelos seus irmãos escuteiros, quase como uma segunda identidade, exclusivamente escutista. O totem pessoal é um animal que personifica as características do escuteiro e com o qual ele se identifica ou cujas capacidades gostaria de ter. É seguido de um adjectivo que deve ser uma característica do escuteiro ou algo que pretenda conquistar.

A nível deste assunto, há divergências de actuação, pelo que exploraremos aqui as três estratégias que normalmente se usam.

a) Umas alcateias optam por não utilizar o totem pessoal, deixando o seu uso para o Grupo Explorador. Desta maneira, reforçam o imaginário da 2ª secção, permitindo que os lobitos desejem novas experiências (BP, aliás, dizia que não se devia dar aos lobitos ferramentas próprias para exploradores);

b) Algumas Alcateias utilizam o Totem pessoal, levando cada Lobito a escolher um animal com o qual se identifique ou que goste particularmente, bem como, uma característica pessoal inata à criança (ex. Lobo distraído, Golfinho Brincalhão, Pantera atento). Assim se procura levar a Alcateia perceber que todos são diferentes, mas de uma forma positiva, ou seja, não existem características boas nem más, mas sim diferentes.

c) Outras alcateias utilizam os chamados ‘Nomes da Selva’, o que as coloca no meio das duas situações anteriores. Aqui, parte-se do pressuposto de que todos os Lobitos já têm um totem: são lobos. Como tal, o que os distingue é uma característica, sempre que possível positiva, e é por essa característica que são conhecidos na Alcateia (‘Amiga’, ‘Sorridente’, ‘Forte’, ‘Alegre’, etc.). Desaparecem, assim, os ‘nomes de Homem’ e os Lobitos são completamente imersos no espírito da Alcateia: são lobos e, como tal, têm nome de lobo.

- Competição Inter-bandos

Através da atribuição de pontos a todos os aspectos da vida dos Bandos na sede e das actividades – assiduidade, limpeza dos cantos e campos, vitórias em jogos, comportamento, respeito pela Lei, alegria, etc. –

é possível criar um sistema de competição entre os Bandos. A pontuação obtida por cada Bando é registada num painel no Covil, à vista de todos e funciona como incentivo e vontade de ser (o) melhor.

A definição de pontuações, à partida, pode ser importante instrumento pedagógico. De facto, a competição é

uma ferramenta riquíssima na animação dos grupos de escuteiros e torna as tarefas mais simples ‘missões’ de grande importância. A competição entre os Bandos, ao longo de um ano escutista, ou mesmo durante uma Caçada, organizada com sentido de justiça, atenção e dedicação possui várias vantagens: faz crescer substancialmente o espírito de corpo (todos são obrigados a ‘lutar pelo seu Bando’), promove o respeito pelas regras, ensina a lidar com a derrota e a vitória, desenvolve a eficiência e o gosto por ser melhor, etc.

No caso da Alcateia, pode-se optar por não utilizar pontuação numérica, mas sim visual. Um quadro que se vai pintando, boiões que se vão enchendo de nozes, contas que se vão enfiando num fio são exemplos de pontuações visuais que vão mostrando aos Bandos a progressão de cada um, estimulando a competição saudável.

Bibliografia para aprofundar:

- O Sistema de Bandos, de Roland Philipps

- Escutismo para Rapazes, de Baden-Powell

- Baden-Powell Hoje – Pistas para um educador no Escutismo, dos Scouts de France

- Regulamento Geral do CNE

- Mística e Simbologia no CNE

II. Cargos e funções dos seus membros

O fim principal do sistema de Bandos é atribuir verdadeira responsabilidade a tantos rapazes quantos for possível. O sistema mostra a cada rapaz a sua responsabilidade pessoal no bem do Bando e leva cado Bando a reconhecer que tem responsabilidade bem definida no progresso de todo o Grupo.” BP - RF, pág. 139

O Sistema de Bandos, tal com B.-P. o pensou, aposta amplamente na atribuição de cargos individuais. Assim se

entrega a cada Lobito a execução de uma tarefa pessoal dentro do Bando. Responsabilizado, desta forma, perante os outros no que concerne à sua actuação, ele sente-se indispensável ao Bando e conquista um lugar de importância junto dos outros: pode assumir a qualquer momento a liderança do seu Bando (em questões de material, é ao Guarda de Material que cabe a tarefa de chefiar o Bando, etc.) e deve revelar espírito de iniciativa e criatividade na resolução dos problemas.

Esta divisão de tarefas permite que as crianças aprendam progressivamente a desempenhar diversos papéis de forma responsável e se preparem para a vida.

Será esse um dos grandes objectivos da metodologia do Sistema de Bandos: que cada Lobito cresça consciente do seu valor e do seu lugar na sociedade, tendo sempre por base a alegria, o respeito pelos outros, a partilha e a fraternidade. Assim, é-lhe proporcionado um crescimento e uma valorização pessoal que servirão de pilares para a vida.

O desempenho de um cargo no seio do Bando ou de uma função na Caçada constitui uma oportunidade de ouro para

progredir. Isto porque o exercício de cargos e funções privilegia o crescimento em várias áreas.

O Cargo

Dentro do Bando, é conveniente que todos possuam um cargo, na medida em que este constitui uma forma de motivar a participação do escuteiro e de desenvolver o seu sentido de responsabilidade individual e de utilidade para o bem-estar dos outros.

CARGO

Por cargo, entende-se a responsabilidade que é atribuída a cada elemento de forma fixa e estável ao longo de, pelo menos, seis meses (socorrista, tesoureiro, animador, etc.).

Recomenda-se que existam pelo menos os seguintes cargos básicos:

Guia,

Sub-guia,

Secretário/Cronista,

Tesoureiro,

Guarda de material.

Poderão ainda ser desempenhados os cargos complementares de

Animador,

Socorrista/Botica,

Intendente

Informático.

O exercício de cada um destes cargos implica o uso da insígnia correspondente

De notar que o exercício de um cargo privilegia sempre o crescimento numa determinada área de desenvolvimento , podendo ainda potenciar o aperfeiçoamento de outra áreas. Nesta medida, o cargo é uma ferramenta específica que a equipa de animação poderá utilizar para desenvolver cada elemento em determinada direcção.

Deve-se dar às crianças cargos que as possam incentivar a desenvolver determinadas características numa área em que possam ter algumas dificuldades pode fazê-las evoluir a nível das suas competências.

Na atribuição de cargos aos elementos de cada Bando, dever-se-á ter em conta:

a) Os cargos devem ser exercidos de forma rotativa, para que os lobitos ampliem os seus conhecimentos e

competências nas diversas áreas de desenvolvimento;

b) Não é desejável que o lobito desempenhe mais do que um cargo no seu Bando, na medida em que isto implica uma acumulação excessiva de responsabilidades. É sobretudo importante evitar que o Guia acumule outro cargo dentro do Bando, já que deve estar concentrado na coordenação dos seus elementos. A única excepção a esta regra é o cargo de sub-guia, que permite a acumulação com outro cargo.

c) Cada lobito deve desenvolver ao máximo as suas capacidades no desempenho de um cargo único, devendo, para isso, procurar saber mais sobre as responsabilidades que lhe são inerentes ao longo do período de tempo em que o detém.

Sugestão:

A equipa de animação deverá considerar a oportunidade em organizar ateliers para cada um destes cargos, recorrendo, por exemplo, às crianças que desempenharam esses mesmos cargos no ano anterior, a outros dirigentes, pais, etc. As actividades da secção devem também contemplar a possibilidade de explorar as diversas tarefas inerentes a cada cargo (podem até ser criadas actividades específicas para aprofundar cada um).

Cargos básicos

1.

Guia

Cargos básicos 1. Guia O cargo de Guia é muito importante, pela capacidade de liderança que
Cargos básicos 1. Guia O cargo de Guia é muito importante, pela capacidade de liderança que

O cargo de Guia é muito importante, pela capacidade de liderança que implica. De facto, numa unidade onde é

correctamente implementado o sistema de Bandos, o chefe tem no guia um grande aliado na condução do grupo: ele actua como intermediário entre a equipa de animação e os restantes escuteiros e é a ele que compete (e nunca ao dirigente) a liderança do Bando.

Sugestão:

Quando necessita de dar uma ordem ou informação, o dirigente deve sempre comunicá-la aos guias para que estes a façam chegar aos seus Bandos. Nunca deve falar para o grande grupo como se todos fossem iguais: se o fizer, que valor dá aos guias?

Ao Guia compete, sempre com o auxílio do dirigente:

- Dirigir e animar o seu Bando;

- Distribuir tarefas e cargos;

- Transportar a bandeirola do Bando;

- Representar o Bando nos Conselhos de Guias, recebendo indicações e instruções que virá a transmitir ao Bando e pondo a Equipa de Animação ao corrente dos progressos e dificuldades de cada um dos seus elementos;

- Representar o Bando e de Alcateia, fazendo valer os interesses, projectos e realizações do Bando;

- Nomear o Sub-Guia, ouvido o Bando e os dirigentes.

Este ‘poder’ que o cargo de guia tem atrai, por norma, todos os elementos do Bando, que assim aspiram a vir a exercer tarefas contínuas de liderança. No entanto, e pelas consequências negativas que uma má escolha acarreta,

há que ter especial atenção à sua eleição. De facto, um mau guia, incapaz de liderar, de assumir a Lei/Máximas ou de

assumir responsabilidades, dá origem a Bandos fracos.

Na medida do possível, devem ser os elementos a escolher o seu guia, embora, para isso, devam contar sempre com

indicações do chefe sobre o perfil que ele deve possuir (o perfil dado pelo chefe pode direccionar a escolha, o que até é aconselhável, no caso dos lobitos). Este perfil não deve impedir o líder natural do Bando de ascender ao cargo.

deve impedir o líder natural do Bando de ascender ao cargo. Para evitar más lideranças, o

Para evitar más lideranças, o chefe deve promover momentos de formação para os seus Guias. Estes momentos podem passar por encontros de formação específica para Guias ou podem surgir nos Conselhos de Guias.

Nestes encontros deve ser abordado o perfil e conduta que um guia deve ter, bem como, a importância da sua acção, para os elementos mais novos. Isto faz com que os guias se sintam também eles responsáveis pelo crescimento pleno dos seus elementos.

Apesar disto, pode haver necessidade de destituir o Guia de Bando. Este acto deve resultar de uma decisão tomada em Conselho de Lei e deve ser bem ponderado, mas não deve ser evitado caso se conclua que, de facto, é o melhor para o Bando e para o elemento.

O Guia de Alcateia

Para além do guia de Bando, a Unidade ainda pode ter um guia de Alcateia, que deve ser eleito entre os Guias. O seu mandato termina no final do ano escutista no decorrer do qual foi eleito, mas pode ser interrompido por decisão do próprio ou por determinação do Conselho de Guias.

Apesar de a sua existência não ser obrigatória, para o Chefe de Unidade, o Guia de Grupo é uma grande mais valia,

uma vez que ele é o elo de ligação entre os Bandos e a Equipa de Animação, exercendo funções de liderança. De facto,

o Guia de Alcateia deve ser o elemento que faz a ponte entre o chefe de unidade e o grupo, aquele que orienta o grupo sempre que o chefe de unidade assim o determina e que desempenha funções simples como organizar o grupo, ser porta-voz, representar o grupo junto do núcleo ou da região, etc. Este elemento é a voz de todos os elementos mas também aquele que colabora com a equipa de animação na vivência da mística da Unidade.

Por esta razão, deve ser um exemplo a seguir para os outros, tanto na sua postura, como no seu Progresso Pessoal.

É essencial que o Guia de Alcateia:

Respeite os Guias de Bando, não os ultrapassando no exercício dos seus cargos. Procure constantemente melhorar o desempenho do seu cargo e superar-se a si próprio.

2. Sub-Guia

O Guia é acompanhado, na sua função de liderança, pelo Sub-guia, um elemento do Bando que o co-adjuva e, também, o substitui em caso de ausência. Esta função reveste-se, assim, de especial importância.

Para que entre Guia e Sub-guia haja um espírito forte de união e cooperação, é essencial que ambos se conheçam bem. Por essa razão, o Sub-guia não deve resultar de uma imposição do chefe ou de uma eleição do Bando: deve ser uma escolha pessoal do Guia (que deve, contudo, ouvir o seu Bando), que tende naturalmente para seleccionar um amigo ou um elemento com quem tem afinidades. Assim se promove a complementaridade e interajuda.

Compete ao Sub-guia auxiliar o Guia em todas as suas tarefas, acompanhando-o de forma próxima

Compete ao Sub-guia auxiliar o Guia em todas as suas tarefas, acompanhando-o de forma próxima não apenas para

o apoiar, mas também para ir desenvolvendo as suas capacidades de chefia. Como este cargo é subsidiário, o elemento que o desempenha pode acumulá-lo com outro cargo dentro do Bando.

3. Secretário/cronista

É o especialista do Bando na área da comunicação, escrita, oral e audiovisual. Terá como principais atribuições:

- Redigir e expedir as convocatórias do Bando;

- Arquivar os documentos do Bando;

- Tratar de toda a correspondência do Bando.

4. Tesoureiro

É o especialista do Bando na área da intervenção económica. Terá como principais atribuições:

- Escriturar o livro de quotas (ou folha de cálculo, se assim preferir) e demais receitas do Bando e recolha das mesmas;

- Orçamentar as actividades do Bando, bem como o respectivo controlo orçamental;

- Participar, à sua medida, em campanhas de angariação de fundos.

5. Guarda de material

É o perito do Bando na conservação do seu material e equipamento. Terá como principais atribuições:

- Inventariar e catalogar o equipamento e material do Bando;

- Cuidar do equipamento e material do Bando;

- Controlar as saídas de equipamento e material do Bando bem como o seu estado de conservação;

- Prever o equipamento e material necessário à Patrulha;

- Requisitar o equipamento e material para as actividades de Bando.

Cargos complementares

a) Animador

É o guardião das tradições do Bando. Tem como principais atribuições:

- Preparar os novos elementos do Bando para as cerimónias e rituais;

- Transmitir o historial do Bando;

- Coordenar a encenação das actividades do Bando.

b) Socorrista/Botica

É o técnico de saúde do Bando. Terá como principais atribuições:

- Equipar e cuidar da farmácia do Bando;

- Tratar as pequenas feridas dos elementos do Bando, quando em actividade, sempre sob supervisão do dirigente;

- Zelar pela higiene e segurança física do Bando nas actividades.

c) Intendente

É o especialista do Bando na área gastronómica. Terá como principais atribuições:

- Elaborar a lista dos produtos alimentares necessários para a alimentação do Bando, bem como a sua aquisição e/ou requisição à Unidade;

- Distribuir, de forma equitativa, os géneros alimentícios a trazer para a actividade;

- Cuidar e enriquecer o ficheiro gastronómico do Bando (ementas, receitas e riqueza nutritiva destas).

d) Informático

É o especialista do Bando no relacionamento com pessoas e entidades exteriores. Terá como principais atribuições:

- Estabelecer contactos, nos mais diversos níveis com entidades exteriores;

- Reunir informação relativa a locais de realização de actividades (informação histórica, cultural);

- Manter informações sobre o Bando na Internet (ex:Site do Bando, Blog, Hi5, Mailing List, Etc.), sempre sob supervisão de um adulto;

- Gerir todos os Ficheiros Informáticos usados na Patrulha (ex: Documentos, Imagens, Cartazes, Fotografias).

Em resumo, os cargos caracterizam-se por:

Desempenho de um cargo

Ao longo do ano

Duração do cargo

6 meses a 1 ano

Distribuição dos cargos

Pelo guia eleito

Recomenda-se 1 cargo por lobito

Cargos básicos

Guia, sub-guia, secretário/cronista, tesoureiro, guarda de material

Cargos complementares

Animador, socorrista/botica, intendente, informático

A Função

Durante uma Caçada específica, poderão surgir, caso a caso, necessidades de organização ou de realização de tarefas que impliquem o exercício de funções.

FUNÇÃO

Por função entende-se uma responsabilidade temporária que é atribuída a cada elemento. Assim, por exemplo, numa Caçada que contemple um acampamento, poderá haver necessidade de existirem um ou mais cozinheiros, encarregados pelas compras e abastecimentos, financeiro, socorristas, etc. É possível que cada elemento desempenhe mais do que uma função (o guarda de material pode ser também o encarregado das construções, o animador pode ser também treinador, etc.).

Ao contrário dos cargos, as funções podem ser inúmeras: secretário/cronista, repórter, financeiro, guarda do material, animador, saltimbanco, cozinheiro, ambientalista, socorrista/botica, intendente, informático, encarregado das construções, treinador, explorador, navegador, etc.

Também elas, à semelhança dos cargos, estão intimamente ligadas a determinadas áreas de desenvolvimento, podendo ser usadas como ferramentas de auxílio à progressão de cada elemento.

Quadro ilustrativo de funções

Função

Área principal

Outras áreas

Breve descrição

Secretário

Intelectual

Carácter

Tem gosto pela escrita, e normalmente é organizado. Tem por tarefas: tratar do painel de actividade, registar os acontecimentos e preparar o resumo do que aconteceu.

Social

Repórter

Intelectual

Carácter

Documentar actividade (fotos e texto). Coordenar jornal de parede ou de papel. Preparar uma apresentação com desenhos, fotografias, etc.

Social

Relações

Intelectual

Carácter

Coordenar contactos com exterior do Bando (outros Bandos, secções, grupos, agrupamentos, entidades, etc), na companhia (ou com aviso prévio) do chefe de Alcateia.

públicas

Social

Tesoureiro

Intelectual

Carácter

Participar na orçamentação da actividade. Ajudar a controlar contas e pagamentos. Prestar contas ao Tesoureiro do Bando.

Social

Guarda de

Intelectual

Carácter

Preparar lista de material do Bando, controlar o inventário, tentando com isso identificar falhas. Resolver pequenos problemas no equipamento que tenta solucionar com o Guarda de Material do Bando. Em Campo será o responsável pelo estaleiro de material e por alertar todos os elementos para os cuidados a ter com a utilização do equipamento e para a segurança dos elementos.

material

Físico

Animador

Espiritual

Carácter

Animar a Alcateia ou o Bando. Memorizar letra, músicas ou danças, assim como gritos de animação. Será responsável por animar tanto os momentos dinâmicos como os de reflexão e oração.

Social

Afectivo

Saltimbanco

Afectivo

Carácter

Coordenar apresentações no fogo de conselho Ser responsável por vestes e outros elementos cénicos. Ter especial interesse por representações e procurar pesquisar formas de apresentação.

Social

Socorrista

Físico

Carácter

Ser responsável pela Mala de Primeiros Socorros do Bando, procurando saber tudo o que tem de estar nessa mala, onde está, se está guardado em condições de higiene e dentro do prazo de validade. Saber para que serve cada objecto e o

Social

Intelectual

     

modo de aplicação. Sempre que não souber, mostrar interesse em se informar e formar.

Ambienta-

Social

Carácter

Analisar as condições ambientais do local de actividade. Tratar lixos. Verificar as condições sanitárias e de higiene.

lista

Intendente

Intelectual

Carácter

Ajudar a programar compras. Ajudar a ver locais de compra e preços. Distribuir ingredientes pelos elementos do Bando.

Físico

Função

Área

Outras

Breve descrição

principal

áreas

Encarregado

Intelectual

Carácter

Fazer pesquisas sobre construções. Analisar as condições físicas do local e coordenar algumas montagens (tendas, por exemplo). Fazer listas de materiais necessários para o Tesoureiro orçamentar e para o Intendente programar compra.

das

Físico

construções

Informático

Intelectual

Carácter

Coordenar site/blog (com supervisão obrigatória de um adulto) ou elaborar documentos informáticos. Armazenar recursos electrónicos (relatórios, cartas, fotos)

Cozinheiro

Físico

Carácter

Cozinhar (nessa actividade vai estar na cozinha a fazer aquilo que mais gosta junto com o cozinheiro do Bando). Colaborar com a construção da ementa para a Actividade.

Intelectual

Treinador

Físico

Carácter

Conhecer jogos da actividade. Coordenar preparação física, intelectual e emocional do Bando. Orientar, eventualmente, a ginástica matinal.

Intelectual

Explorador

Intelectual

Carácter

Ajudar a coordenar meios de transporte para o local. Ajudar a analisar as condições do local da actividade em coordenação com ambientalista e encarregado de construções.

Físico

Descodificador

Intelectual

Caracter

Será a pessoa que tem especial interesse por códigos e tem por tarefas: aprender a descodificar mensagens com rapidez e eficácia e inventar novos códigos.

Físico

Navegador

Intelectual

Carácter

Dotar o Bando dos meios de orientação necessários. Ajudar a definir trajectos a seguir. Ajudar a orientar o Bando. Ajudar a definir as etapas de raide, incluindo paragens para descanso e alimentação.

Físico

O desempenho destas funções pode ser feito pelo detentor do cargo (tesoureiro – financeiro; secretário – repórter; etc), mas isto não é obrigatório (o tesoureiro do Bando pode, numa actividade, ter a função de cozinheiro, por exemplo). No entanto, o facto de o desempenho de uma determinada função (financeiro, por exemplo) ser exercido por um lobito diferente do tesoureiro (cargo), não diminui as responsabilidades deste último nem o substitui. O tesoureiro continua a ser responsável pela cobrança de quotas ou pelo controlo da actividade financeira do Bando, por exemplo.

Sugestão:

Para que cada um saiba exactamente o que fazer e quando fazer, o dirigente pode sugerir aos seus Guias a elaboração, nas actividades que o justificarem, a elaboração de escalas de serviço. Esta ferramenta permite aumentar a eficácia do Bando (cada um tem noção exacta da sua responsabilidade) e ajuda a reforçar o espírito de corpo, já que todos se sentem a contribuir para o bem do grupo.

A periodicidade do exercício da função deverá ser avaliada actividade a actividade, promovendo-se assim a rotação

de funções e valorizando as experiências que cada um pode ter ao longo do ano ou da sua vivência na secção.

Os critérios a ter em conta relativamente à rotatividade deverão englobar:

- as necessidades particulares de cada actividade face às funções (se não houver necessidade de cozinheiros, quem tinha esta função terá de ter outra, por exemplo);

- a disponibilidade/vontade dos lobitos em aprender ou aplicar aptidões específicas associadas a uma determinada função. Assim sendo, ao distribuir as funções, o Conselho de Guias deverá ter em conta as apetências e gostos de cada elemento.

Nesta dinâmica, não se prevê que o exercício de uma função seja acompanhado pelo uso da insígnia correspondente.

Em resumo, as funções caracterizam-se por:

Exercício de uma função

Ao longo de uma actividade

Duração da função

Variável de acordo com a duração da actividade

Distribuição das

Pelo conselho de guias / actividade

funções

 

1 lobito pode desempenhar 1 ou mais funções

Funções (lista apenas ilustrativa)

Secretário, repórter, financeiro, guarda do material, animador, saltimbanco, cozinheiro, ambientalista, socorrista, intendente, informático, encarregado das construções, treinador, explorador, navegador, etc.

III. Equipas de animação e tarefas

navegador, etc. III. Equipas de animação e tarefas A dimensão das Equipas de Animação dependerá do

A dimensão das Equipas de Animação dependerá do efectivo da Unidade. Idealmente, e muito embora por vezes seja

difícil de satisfazer, deverão existir um chefe por cada bando mais o Àquêlá. Assim, as Equipas de Animação deverão ser constituídas por um Chefe de Unidade (Àquêlá), um Chefe de Unidade Adjunto e Instrutores que personificarão as

outras figuras da Selva (devem existir sempre, antes dos restantes animais, um Bálu e uma Bàguirà). Os Instrutores podem ser dirigentes, CIL ou candidatos a Dirigente.

Atendendo a que as Unidades são mistas, será fundamental e altamente recomendável que a Equipa de Animação também o seja, não só porque, como micro-sociedade que representa, deve ter elementos de ambos os sexos, como também porque pode criar-se algum desconforto dos elementos perante determinado tipo de situação que possa

ocorrer. Certamente haverá situações e necessidades específicas dos elementos que os farão buscar apoio no animador do mesmo sexo, pelo que é importante que esta premissa seja salvaguardada.

Assim, as competências da Equipa de Animação passarão por:

- Elaborar o plano educativo para a Alcateia;

- Programar antecipadamente cada actividade, seja ela uma acampamento de Verão ou uma reunião semanal

de Alcateia, de forma a evitar o improviso e os tempos mortos;

- Orientar os Lobitos, reunidos em Bando, na elaboração do projecto da Caçada que há-de ser apresentado ao Conselho da Alcateia para escolha da Caçada;

- Enriquecer o projecto Caçada que no que diz respeito ao seu fio condutor e imaginário particular e à programação das actividades concretas;

- Executar as tarefas de gestão de Unidade da sua responsabilidade;

- Procurar ter uma relação pessoal com cada Lobito de forma a cultivar o conhecimento próximo de cada um

e assim perceber as qualidades de cada Lobito para poder desenvolvê-las, potenciá-las para bem do desenvolvimento do Lobito e de todo o grupo;

- Olhar para cada Lobito como um individuo único, que precisa e merece de ser Amado, muitas vezes principalmente nas suas maiores fraquezas;

- Tentar ser presente (nem que seja como mero espectador) noutras circunstâncias da vida do Lobito que não

o escutismo, como por exemplo: festas de Catequese, actividades de grupos culturais/desportivos da Paróquia/Freguesia, etc.;

- Velar pela execução das tarefas distribuídas.

É importante que na execução das suas tarefas, o Animador adulto não substitua os seus elementos, especialmente

os Guias. Há que dar espaço para que os elementos desenvolvam em pleno as suas funções, quer as inerentes ao seu cargo no Bando quer outras mais rotineiras, como vestir/despir, arrumar saco-cama, etc. (se os Lobitos forem

muito pouco autonómos a este nível, deve fazer parte do plano educativo ensiná-los a fazer as coisas rotineiras e simples e então depois avançar para tarefas mais escutistas), ensinando-lhes como fazer até conquistar autonomia.

O dirigente deve orientar e esclarecer os elementos relativamente às tarefas que têm para desempenhar.

A qualidade do Escutismo praticado, a inovação nas actividades, a cativação e motivação que é necessária

empreender na Unidade, dependem da boa afinidade/interacção e da capacidade de trabalho patente na Equipa de Animação. Por isso, para que os objectivos traçados sejam alcançados e para que se tenha uma Unidade motivada,

é importante que a Equipa de Animação reúna semanalmente. É importante que não vigore o improviso, que deve ser apenas um recurso perante uma situação inesperada (e não a regra).

Ainda que sendo transversal ao Agrupamento, o Assistente deverá integrar a Equipa de Animação, sendo um precioso auxílio, uma vez que lhe é atribuída toda a assistência religiosa.

IV. Reuniões e Conselhos

A vivência escutista é feita entre os lobitos. Em actividades ao ar livre, o espaço preferencial, mas, também, na sede, na intimidade do Bando ou entre a Alcateia. O espaço de reunião é, então, um momento importante do crescimento

escutista e deve ser valorizado e vivido com entusiasmo.

a) Reunião de Bando

Uma reunião de Bando deve ser curta (máximo 20 minutos) e deve ser utilizada para que o Guia e/ou Sub-guia ponham o bando ao corrente de diversas situações debatidas em Conselho de Guias: promessas, actividades, projectos, angariações de fundos, etc, podendo ter espaço para os guias ou os elementos em etapa de ouro poderem realizar ateliers para ensinarem aos outros elementos determinada técnica ou assunto. Este espaço serve também para a preparação do projecto do bando para a Caçada.

A reunião de Bando, enquanto momento íntimo de partilha, organização e criação, deve ser exclusivo da mesma. No

entanto, o dirigente deve estar presente, auxiliando o guia a coordenar os seus elementos.

Valores pedagógicos da Reunião de Bando

- Sentido de participação em comum;

- Sentido de organização;

- Sentido de auto-gestão;

- Responsabilidade;

- Visão crítica e avaliação;

- Diálogo e cooperação.

b) Conselho de Guias

avaliação; - Diálogo e cooperação. b) Conselho de Guias Este conselho é o órgão permanente que,

Este conselho é o órgão permanente que, sob a coordenação do Chefe de Unidade, orienta a vida da Alcateia. É um órgão consultivo, e não deliberativo, mas com capacidade para fixar o critério para a escolha do Guia de Bando, o Círculo do Conselho e o Círculo da Parada. Aqui, mais que nunca, o Guia marca a sua posição de responsável do Bando.

Constituição

1.

Constituição

A

constituição do Conselho de Guias deverá ter em atenção a própria constituição da Alcateia e o número de Bandos

existente. Se o Grupo for extenso, por exemplo com 5 Bandos, poderá tornar-se demasiada a participação conjunta de Guias e Sub-Guias e de toda a equipa de animação.

Independentemente disto, nele têm assento sempre, o Chefe de Unidade e o Adjunto (quem o preside é o Àquêlá, mas procura que o Guia de Alcateia o auxilie) e os Guias.

É recomendável que o Conselho de Guias aconteça meia hora, por exemplo, antes ou depois da reunião da Alcateia,

para evitar que a reunião da Alcateia seja prejudicada pela ausência de dirigentes e Guias. No primeiro caso, permite a preparação das actividades; no segundo, permite a avaliação.

2. Tarefas:

- Tratar dos assuntos gerais da Alcateia;

- Acompanhar as ideias para as actividades com os Bandos;

- Distribuir as missões do Bando;

- Escolher os ateliês necessários para realizar o projecto, sob orientação da Equipa de Animação;

- Analisar o progresso de cada elemento e o progresso dos Bandos;

- Apreciar assuntos disciplinares, distinções e prémios.

- Dar formação aos guias sobre competências específicas

- Preparar as reuniões de bando

- Motivar a preparação dos projectos para a Caçada

3. Periodicidade

A periodicidade deverá ser estipulada pelo próprio conselho. Todavia, sugere-se uma regularidade semanal e diária

em campo.

4. Valores pedagógicos do Conselho de Guias

- Sentido de organização, cooperação e responsabilidade: o conselho de guias é um momento em que os líderes

do grupo se sentem mais próximos das decisões e sentem o poder e a importância que têm no crescimento deles

e dos amigos. Esta organização será um exemplo para que façam o mesmo nas suas patrulhas e desenvolvam o sentido da responsabilidade individual, nas tarefas do Bando

- Sentido de chefia: ao reconhecerem liderança nos dirigentes pelo exemplo e pelo empenho, vão tentar seguir esses exemplos, para que também sejam reconhecidos nos seus bandos.

- Liberdade e autonomia.

À semelhança da Reunião de Bando, junto se apresenta uma sugestão de alinhamento:

 

2 minutos

Oração inicial e/ou cântico

5

minutos

Informações

5

minutos

Sugestões, interesses, problemas dos bandos

15 minutos

Preparação da Reunião de bando - Formação específica

3

minutos

Oração final/ cântico.

5.

Papel do Animador Adulto

Mais uma vez, o dirigente deverá estar ciente das suas atribuições e competências no seio do Conselho de Guias. Muito embora lhe compita a coordenação, não deverá substituir-se ao Guia de Grupo e aos Guias. no entanto, para garantir uma boa coordenação, deve preparar-se individualmente e/ou em equipa de animação para no Conselho para ajudar o Guia de Grupo e os Guia a atingirem o objectivo para o qual se reuniram.

c) Conselho de Alcateia

O Conselho de Alcateia é o orgão deliberativo máximo da Alcateia. Aqui tomam- se todas as decisões da vida da Alcateia, nomeadamente,

entre outras, a escolha da Caçada. Cada Bando, através do seu representante, tem oportunidade de publicitar as vantagens e qualidades da sua proposta, colocar-se à disposição de quaisquer dúvidas e interpelações de modo a obter a aprovação do Grupo.

1. Constituição

- Toda a Unidade.

2. Tarefas

- Escolher a Caçada (um voto por cada lobito );

- Dar sugestões sobre os ateliers necessários e eventuais actividades que se revelaram interessantes e pertenciam a propostas que não venceram na fase da escolha;

- Avaliar a Caçada;

- Preparar a Festa da Caçada.

- Analisar o bom funcionamento dos Bandos e o seu progresso;

- Analisar o funcionamento dos ateliers e se o trabalho de cada lobito nos mesmos, atingiu o nível técnico pretendido;

- Analisar a evolução de cada lobito;

Paralelamente é também neste Conselho que o Grupo reconhece o progresso de cada lobito realizado ao longo do projecto, as distinções e os prémios. São discutidos aqui, perante a Equipa de Animação, as opiniões de todos os lobitos.

3. Periodicidade

- Quando se escolhe a Caçada;

- Avaliação final da Caçada.

- Sempre que seja necessário (análise do trabalho dos Bandos, formalização da entrada de novos elementos, decisão sobre alguma modificação a fazer, por exemplo)

4. Valores pedagógicos do Conselho de Alcateia/Grupo/Clã

- Sentido de integração na vida comunitária;

- Sentido de auto-gestão;

- Sentido de participação democrática;

- Respeito pelas ideias e opiniões alheias (saber perder).

- Visão crítica e avaliação.

5. Papel do Animador Adulto

Quando o Conselho reúne com o propósito de escolher a Aventura, o Animador deverá ter um papel de coordenação. Para além disto, desempenha ainda um papel organizativo, na medida em que fará a gestão das diferentes propostas elaboradas pelos Bandos; aquando da votação, deverá contabilizar os resultados.

Mais tarde, competir-lhe-á, em reunião da equipa de Animação, enriquecer a Caçada escolhida com as propostas que não venceram.

Se o Conselho reúne para avaliação do progresso dos lobitos, o dirigente deverá coordenar as intervenções, ouvir as opiniões dos Guias e restantes elementos, ajudar a delinear projectos que visem cumprir os objectivos traçados pelos elementos relativamente ao seu progresso individual.

VII. Sede

O "território" do Bando, por excelência, é o campo, a Natureza. Todavia, como nem sempre é possível estar em comunhão com ela, o local de reunião da Alcateia é o Covil que deverá ser, tanto quanto possível, um espaço próprio decorado de acordo com o imaginário da História da Selva, incluindo representação dos animais da Selva. Este ambiente de selva é fundamental, na medida em que permite o envolvimento do lobito na mística e imaginário da Secção.

Na vida da alcateia os lugares, os espaços, os momentos devem estar associados a locais da Jangal onde têm lugar momentos importantes da vida de Máugli, da alcateia de Seiôuni, e de todos os animais. O Covil pode, assim, assemelhar-se a um local onde existem os diversos espaços da Selva:

- A Rocha do Conselho é o círculo que marca o espaço onde toda a alcateia se reúne para tomar as

decisões importantes. Na Rocha do Conselho posiciona-de o Àquêlá e à volta dele, em círculo de Conselho está toda a Alcateia. É neste espaço que têm lugar as reuniões do Conselho de Alcateia, que

pode até ter o nome de Rocha do Conselho.

- A Rocha da Paz, é local de paz entre todos – pode haver na alcateia um sítio onde os lobitos vão resolver os seus problemas uns com os outros – é o local da reconciliação).

- As Moradas Frias, local onde não há lei – pode ser o local do castigo na alcateia, aquele sítio para onde ninguém quer ir porque é sinónimo de ser um Bândarlougue.

- A Aldeia dos Homens, o espaço exterior ao covil. É um sítio desconhecido, potencialmente perigoso a que os lobitos vão tendo cada vez mais acesso à medida que vão crescendo.

No Covil, deve ainda haver lugar para os cantos dos Bandos, espaço (estante, armário, baú) exclusivo para a chefia, oratório, espaço comum para reuniões de conselhos Alcateia, de guias e de equipa de animação. Para além disto, convém que tenha espaço para:

- Mastro Totem da Alcateia;

- Quadro de Progresso Individual;

- Plano anual;

- A Lei e as Máximas do Lobito;

- Rocha do Conselho;

- imagem de Baden-Powell;

- etc.

2 – Mística e simbologia

A criação do Escutismo resulta de uma aturada reflexão de Baden-Powell, a partir da sua experiência como condutor de homens e da meditação sobre a educação dos jovens. Tudo começou no momento em que assumiu como missão dar um sentido à vida de tantos rapazes que mergulhavam numa existência desequilibrada de vícios e delitos. O Movimento Escutista possui assim, na sua génese, uma intenção educativa e a sua finalidade é clara:

«o fim é o carácter – carácter com um propósito. E esse propósito é que a próxima geração seja dotada de bom senso num mundo insensato, e que desenvolva a mais elevada concretização do Serviço, que

é o serviço activo do Amor e do Dever para com Deus e o próximo».

RF 80

Assim se sintetiza o Espírito Escutista, que surge como ideal de vida a transmitir às gerações mais novas. Para o conseguir, Baden-Powell cria um movimento baseado no Jogo, onde abundam histórias, ambientes, pessoas/heróis, símbolos. Numa palavra: cria um Imaginário.

Entende-se por Imaginário:

Ambiente que envolve um determinado grupo e que se traduz por um espírito e uma linguagem próprios. Envolve frequentemente uma história com heróis e símbolos. Induz a um sentimento de pertença em relação ao grupo e permite a transmissão de determinados valores.

Este Imaginário não tem apenas uma intenção lúdica, de jogo. Busca também educar. E, esta intenção educativa faz despontar a Mística, que constitui a expressão do ideal espiritual a transmitir, sendo como que a alma do jogo, aquilo que lhe dá sentido. Para Baden-Powell, a transmissão de valores religiosos é essencial e constitui o âmago do Movimento: este existe para ajudar cada rapaz a aproximar-se de Deus e a esforçar-se por cumprir a Sua vontade.

«NO MOVIMENTO não há qualquer “lado religioso”, nem a religião “entra” em lado algum. Ela já lá está. É o factor FUNDAMENTAL E SUBJACENTE AO ESCUTISMO.»

BP-RF 153

Neste sentido, e porque o CNE procura educar dentro dos valores da Igreja Católica, são estes que dão forma à Mística que se procura desenvolver em cada secção.

Em sentido estrito, entende-se por Mística:

Proposta de enquadramento temático e vivência espiritual para cada uma das secções, que visa aprofundar a descoberta de Deus e a comunhão em Igreja.

Para que toda esta vivência seja completa, está rodeada de símbolos que ajudam a transmitir e reforçar o ideal presente no Imaginário e na Mística.

Por símbolos, entendemos:

Elementos/objectos representativos de realidades, características ou atitudes que materializam o ideal proposto na mística de cada secção.

No Projecto Educativo do CNE, todas as secções têm o seu símbolo, podendo este ser único ou integrado num conjunto de símbolos complementares.

O Projecto Educativo do CNE recorre ainda a patronos.

Entende-se por Patrono:

Santo ou Beato da Igreja que no decurso da sua vida encarnou na plenitude os valores que se pretendem transmitir através da Mística e do Imaginário de uma determinada secção, sendo por isso escolhido como protector e exemplo de vivência para os jovens dessa mesma secção.

São patronos Santa Maria, Mãe dos Escutas, S. Jorge (patrono mundial do Movimento Escutista) e Beato Nuno de Santa Maria (patrono do CNE) e também S. Francisco de Assis (patrono dos Lobitos), São Tiago Maior (patrono dos Exploradores), São Pedro (patrono dos Pioneiros) e S. Paulo (patrono dos Caminheiros).

Para além dos patronos, cada secção pode ainda recorrer a modelos de vida e grandes figuras históricas cuja vida também é possível de encarar como um exemplo. São, por isso, referências a ter igualmente em conta.

Entende-se por Modelo de Vida:

Figura da Igreja Católica que, à semelhança do Patrono, também encarna os valores e ideais da Mística e do Imaginário da secção e que exprime a diversidade de caminhos e carismas possíveis para os viver.

Entende-se por Grande Figura:

Personalidades que na sua vida realizaram grandes feitos, associados ao Imaginário da secção, que marcaram a História da Humanidade.

Mística do Programa Educativo do CNE

A Mística do Programa Educativo do CNE assenta num esquema de quatro etapas, com vista a uma formação humana

e cristã integral, sólida e madura. Estas etapas são sequenciais – cada uma é trabalhada para uma secção, ainda que de forma não estanque – e complementam-se (nenhuma vale por si mesma), na medida em que estão interligadas e adquirem o seu pleno sentido na sobreposição das partes. Desenrolam-se na lógica de um caminho a percorrer, constituindo um itinerário de crescimento individual e comunitário proposto a cada escuteiro:

- O louvor ao Criador: o Lobito louva Deus-Criador, descobrindo-O no que o rodeia;

- A descoberta da Terra Prometida: o Explorador aceita a Aliança que o conduz à descoberta da Terra Prometida;

- A Igreja em construção: o Pioneiro assume o seu papel na construção da Igreja de Cristo;

- A vida no Homem Novo: o Caminheiro vive cristãmente em todas as dimensões do seu ser.

No percurso sugerido, procura-se que o Escuteiro compreenda que a sua vida tem duas dimensões, uma sobrenatural e uma natural, e que ambas se relacionam intimamente: Cristo, Senhor da Vida, não se reduz à vivência espiritual e mística do Homem; Ele está presente na vida do dia-a-dia e ao longo de toda a existência humana. É, por isso, presença constante na vida de um Escuteiro.

Nesta perspectiva, o itinerário proposto está sempre centrado em Cristo, pois tem no Senhor o seu centro e fonte de irradiação de sentido.

Mística das Secções:

Mística das Secções: Mística dos Lobitos: «O louvor ao Criador». Vimos já (parte I) que a

Mística dos Lobitos: «O louvor ao Criador».

Vimos já (parte I) que a fraca capacidade de abstracção de uma criança com a idade de Lobito não lhe permite compreender a dimensão espiritual de Deus. Este apresenta, necessariamente, alguns traços concretos (é, por norma, um homem grande e poderoso, com barbas brancas). Mais próxima e mais concreta é a imagem de Jesus, bastante mais fácil de compreender, dada a sua figura e atitudes humanas descritas na Bíblia.

Perante isto, a ligação da criança ao mundo espiritual faz-se essencialmente de duas formas:

- através da descoberta de Deus na vida concreta do dia-a-dia, nos seres, nos objectos (nos acontecimentos, na Natureza, na beleza do que o Homem constrói);

- através da exploração da figura de Jesus, nomeadamente na Sua infância e na Sua relação de amor com os mais pequeninos.

Assim sendo, ao ver a beleza da Natureza (mares, rios, montanhas, vales, plantas, animais, etc.) e, sobretudo, a beleza do próprio ser humano, o Lobito começa a descobrir Deus como Pai. Este, Criador de tudo quanto existe, ama muito todos os seus filhos e quer que todos sejam felizes. Para que isso aconteça, enviou ao mundo o seu próprio Filho: o «Menino Jesus». É a Ele a quem o Lobito reza a sua oração, a quem começa por oferecer o seu coração e pede para que o encha de Virtudes e que o ensine a imitá-Lo.

Quando o Lobito descobre as maravilhas da Natureza e vive alegre, contente, obediente, amigo de todos e disposto a imitar em tudo o Menino Jesus, percebendo que Este o ama, aprende a louvar o Criador.

Neste processo, assume papel preponderante a figura do patrono da Primeira secção, S. Francisco de Assis. Profundamente apaixonado por Cristo, S. Francisco aprendeu a situar a sua vida no plano do Amor de Deus pela Humanidade. Descobriu assim que tudo é dom de Deus:

- toda a Criação fala de Deus e as mais pequenas coisas podem ser caminho para Ele;

- as nossas atitudes podem revelar a presença de Deus: «é dando que se recebe» e que é «morrendo que se ressuscita para a vida eterna».

Para que os Lobitos aprendam com S. Francisco de Assis a louvar o Criador requer-se que:

- sejam capazes de ver em Deus Pai a origem de tudo o que existe;

- sejam capazes de se deixar encantar pela beleza da obra Criada (Natureza e Homem);

- vejam no «Menino Jesus» o maior dom de Deus à Humanidade e aprendam a viver como Ele e para Ele.

S. FRANCISCO DE ASSIS

Assis é uma pequena cidade que fica situada no norte de Itália. Foi nesta cidade que nasceu Francisco, pelo ano de 1181.

Seu pai era comerciante de tecidos e queria que o filho se dedicasse ao mesmo oficio, mas Francisco preferia divertir-se e desfrutar do mundo. Foi uma criança alegre, tinha muitos amigos, era de trato amável, de profunda religiosidade e pureza.

Já jovem, ouviu a voz de Deus no seu coração, sentiu que Ele o chamava e convidava a um jogo maior, que duraria toda a sua vida: procurar restaurar a Igreja de Jesus, que tinha muitos problemas. Francisco aceitou o convite, decidiu oferecer todas as suas coisas e ser pobre, colocando toda a sua esperança em Deus a quem chamou “Pai-nosso que estais nos céus”.

Agora ele é conhecido pelo seu amor à Natureza e aos homens, e pela simplicidade e humildade com que amava e ajudava a todos. Tinha uma maneira especial de comunicar com os animais e era muito querido por todas as crianças. Tinha sempre mensagens de paz e um sorriso para todos os que o rodeavam.

Francisco foi o primeiro a fazer um presépio ao vivo, numa pequena povoação chamada Grécio, o que deu origem à tradição, que ainda hoje se mantém, dos nossos presépios.

Aos 45 anos ficou muito doente e morreu na tarde do dia 3 de Outubro de 1226, em Assis. Antes de morrer deixou esta mensagem: “Permanecei firmes no amor de Deus e n’Ele perseverai até ao fim. Bem-aventurados os que perseverarem na obra começada!”.

Todos os anos, no dia 4 de Outubro, o mundo inteiro celebra a entrada de S. Francisco no céu.

Francisco de Assis, um modelo para os Lobitos

Ao longo da sua vida e em cada uma das suas aventuras, Francisco de Assis procurou ser sempre melhor. Ao recordar ou ao ler as suas histórias á Alcateia, poderemos mostrar como ele conhecia e cuidava do seu corpo, porque sabia que era Criação de Deus; tratava de solucionar os seus problemas, pois sentia a alegria de viver e queria construir um mundo melhor.

Era alegre e dizia sempre a verdade, para cumprir as tarefas diárias com os seus amigos; sabia escutar e dizia o que sentia, para ser mais feliz e conversar facilmente com o Pai do céu; era muito amigo e ajudava sempre os outros, porque em cada pessoa encontrava o seu próximo e a Cristo; aprendeu a conhecer a Deus e a amá-I’O como o seu grande amigo.

S. Francisco foi uma criança igual a todos os Lobitos: inquieto e travesso, umas vezes portava-se bem mas outras vezes menos bem, mas foi sempre um bom amigo, tanto que se esforçou inclusivamente por ser amigo daqueles que não conhecia, dos pobres e dos doentes. Quando ouviu a voz de Jesus que o chamava para uma tarefa difícil, teve dúvidas. Custou-lhe muito, mas por fim ganhou coragem e, atrevendo-se, entregou toda a sua vida a Jesus, o seu melhor amigo. Viveu segundo aquilo em que acreditava.

Ele compreendeu a integração do homem na Natureza, e ao mesmo tempo que cuidava de plantas e animais fez-se amigo de todos os homens. Isto fez de S. Francisco um ser acolhedor para com todos e cheio de uma alegria que contagiava a todos os outros. A simplicidade ajudou-o a aproximar-se mais e a amar toda a gente, porque entendeu que o mais importante não é o que se tem, mas sim o que se partilha.

Para ajudar a sua comunidade foi um homem muito activo, pedindo sempre a Deus mais energia para que a sua oração e reflexão se reflectissem em cada uma das suas acções.

Se algo distinguiu Francisco, acima de tudo, foi o seu desejo de dialogar muito com Deus, na simplicidade e alegria, tal como era a sua vida, e fazer sempre a Sua vontade para ser sempre melhor.

Fr. Albertino Rodrigues, OFM

Como modelos de vida, os Lobitos podem ainda seguir o exemplo de Santa Clara de Assis, que seguiu as pisadas de S. Francisco na humildade e devoção a Deus, e dos Beatos Francisco e Jacinta, meninos que assumiram plenamente a total confiança e amor a Deus.

A animação da vivência cristã deve surgir com naturalidade, fazendo parte de toda a vida da alcateia e não

de acções isoladas. Aliás esta inserção vai permitir que o lobito compreenda que o verdadeiro sentido do catolicismo é o de ser vivido no dia-a-dia, na alcateia, na escola, em casa e vai também possibilitar ao dirigente, aproveitando as características dessas idades, transmitir, através da sua forma de estar na sociedade este verdadeiro sentido de Cristo.

O desenvolvimento da Mística pode fazer-se com recurso a:

- orações de louvor criadas pelos Lobitos. Estas orações podem ter temas específicos (louvor à chuva, ao calor, às árvores, etc.), de forma a exercitar a sua capacidade de contemplação da Natureza e a compreensão de que ela é dom de Deus;

- cânticos adequados à infância que louvem os dons de Deus;

- utilização da mística nas diversas actividades, enriquecendo-as com valores e exemplos a seguir;

- decoração de espaços da secção com referências à simbologia, mística e imaginário da Alcateia;

- exploração de episódios da vida de Jesus e dos Beatos Francisco e Jacinta que permitam a

reflexão/interiorização de atitudes e valores e de alguns episódios da vida de S. Francisco, Santa Clara e outros franciscanos, normalmente denominados ‘Florinhas de S. Francisco’ (a história do Lobo de Gúbio é uma dessas Florinhas). De notar que todos os conceitos e formas de estar deverão ser apresentados aos lobitos inseridos nestas pequenas histórias: qualquer tentativa de conversar de forma mais abstracta tende

a não dar quaisquer frutos.

Na Internet: Florinhas de S. Francisco - http://www.procasp.org.br/subcapitulo.php?cSubcap=58

Francisco, O Cavaleiro de Assis: www.arquidiocese.org.br; www.diskshop.com.br

PIHAN, Jean, S. Francisco de Assis, Editorial Franciscana, 1985.

GUITON, Gerard, Descobrir S. Francisco, Editorial Franciscana

Imaginário e simbologia dos Lobitos

A nível de símbolos, na Alcateia destaca-se a Cabeça de Lobo, que encima o Mastro Totem da Alcateia, como símbolo máximo do grupo e de cada lobito.

Este símbolo é de especial importância, já que o imaginário da Primeira Secção gira todo à volta da história de Máugli em “O Livro da Selva”, de Rudyard Kipling.

O tema da selva não é importante por si próprio: o que nele conta é o significado que lhe dão os lobitos. É um imaginário em que se cria uma atmosfera na qual os objectivos do lobitismo são mais facilmente transmitidos. Isto porque, na infância, a criança tende a assumir a fantasia como realidade. Assim, quando o lobito é confrontado com o símbolo da selva, sente esse símbolo não como uma ficção, mas como um elemento que para ele tem valor de verdade

e se reveste de um significado. É por esta razão que, ao ouvir histórias, a criança se identifica com o herói e vive os sonhos desse mesmo herói: ao conhecer a história de Máugli, “o menino lobo”, o cachorro de homem, a rãzinha, o Lobito sente-se também um Máugli, ora corajoso ora frágil, sábio ou ignorante. E através das atitudes reveladas pelo Menino-Lobo, começa a tomar resoluções, desenvolver valores, ultrapassar etapas e aprender a ajudar os outros.

Exemplo:

Diz-nos a história da Selva que o Cachorro de Homem desobedeceu às ordens de Bálu e se juntou aos Bândarlougues, o que gerou grande confusão (A Caçada de Cá). Máugli acaba por se arrepender do seu comportamento e aprende que deve ouvir os bichos da Selva.

Sempre que existir um lobito desobediente, o Àquêlá deve relembrar esta história. É mais fácil modificar o comportamento de um Lobito usando o exemplo de Máugli (que para ele é um herói real) do que chamá-lo para uma conversa ‘adulta’ em que se enumeram as razões por que ele

se

deve portar bem.

O

Àquêlá deve também incutir a ideia de que é uma grande vergonha ter comportamentos

próprios de Bândarlougue. Como encaram a história da Selva como se fosse real, os Lobitos detestam ser apelidados de Bândarlougue.

Neste contexto, as diversas figuras que surgem no Livro da Selva revestem-se de especial importância. De facto, a História da Selva não é mais do que é a descrição da sociedade humana: os animais simbolizam os defeitos e qualidades dos homens e representam o contraste entre povos com estilos de vida ou formas de agir muito diferentes. E para uma criança é bem mais fácil compreender a sociedade em que vive através de uma história. Através dela, ela confronta-se com o Bem e o Mal e compreende mais facilmente as situações positivas e negativas com que nos defrontamos continuamente na vida e ante as quais devemos optar.

A Alcateia de Seiôuni é uma sociedade reconhecida na Jangal pela sua capacidade de organização.

Os lobos constituem o Povo Livre: aquele que, porque cumpre as leis instituídas, não ultrapassa os seus direitos nem prejudica ninguém. Nesta sociedade, o pequeno Máugli aprende a ser livre por meio da solidariedade para com a alcateia e através do respeito à lei.

- É acolhido pelos seus pais (Pai Lobo e Racxa) e irmão Lobito (Irmão Cinzento) que representam todos aqueles que são capazes de amar incondicionalmente os outros, sem preocupações sobre raças.

- É também protegido pelo Chefe da Alcateia (Àquêlá), que simboliza a liderança serena e equilibrada, que não se

atemoriza perante ameaças ou dúvidas. A sabedoria e a bondade dos velhos lobos ensinam-no a distinguir os exemplos que deve imitar e a ter cuidado para não assumir atitudes que, na fábula, se atribuem à estupidez dos Bândarlougues ou

à maldade de Xer Cane.

De facto, em contraposição com esta sociedade organizada, cumpridora e solidária, surgem os macacos, o Povo sem Lei: sem ordem, sem solidariedade, sem metas claras para alcançar e sem constância para chegar a elas, não se pode ser livre, nem puro, nem bom. Ser Bândarlougue é, assim, espalhar boatos, fazer barulho, sujar tudo, destruir, sem nunca pisar em terra firme, sem assumir uma responsabilidade ou comprometer-se com qualquer projecto.

Outros animais gravitam em torno destas duas sociedades, representando também o Bem e o Mal.

Xer Cane, o tigre, simboliza a maldade pura: ele representa aqueles seres que se regem pela crueldade, cobiça, vaidade e frieza. Acompanha-o no Mal Tábàqui, o chacal lisonjeiro e cobarde, que ganha a vida a inventar histórias sobre os outros: ele simboliza a hipocrisia e a tendência para o mexerico.

Os amigos e protectores de Máugli simbolizam, por sua vez, o Bem. Destacam-se, como mais importantes:

- Bàguirà, a pantera esperta e ágil, é a caçadora que ensina Máugli a reconhecer os melhores caminhos para a caça. É

símbolo de todos aqueles que, pela sua experiência de vida (muitas vezes dolorosa) nos ensinam a reflectir sobre os

caminhos a seguir.

- Balú, o urso, ensina as Leis da Selva: simboliza o conhecimento, a ponderação, a tranquilidade e a benevolência que normalmente os sábios possuem.

- Cá, o pitão, de carácter inicialmente dúbio e esquivo, representa todos aqueles que, apesar de aparentarem não ser de confiança, acabam por se revelar leais e amigos.

- Hati, o elefante, é o guardião das memórias. Simboliza, assim, todos os que se preocupam em conservar as histórias passadas para retirar delas ensinamentos para o futuro.

Há outros nomes e outros símbolos associados à história de Máugli: Mangue, Íqui, Tchil, Rama, Fao, etc.

Como já vimos, a vivência em alcateia obriga à evocação constante dos acontecimentos da Jangal dando origem a uma série de nomes e símbolos com os quais os lobitos convivem constantemente. É o caso, entre outras, das palavras Lobito, Alcateia, Covil, Grande Uivo, Rocha do Conselho, Rocha da Paz, Caçada, Bando, Mastro de Honra, Círculo do Conselho, Danças da Selva, Dentada (conhecimentos adquiridos pelos lobitos que contribuem para a concretização do sistema de progresso ou insígnias de competência – usa-se a expressão: O lobito… deu uma dentada nas pistas, por exemplo), Flor Vermelha (nome dado ao Fogo de Conselho dos Lobitos).

.

Esses nomes e símbolos que se originam da história do Povo Livre são reforçados por outros que se originaram na tradição do Movimento Escutista, tais como o uniforme, o totem, o caderno de caça, o livro de ouro, o Conselho de Guias, o Conselho de Alcateia, o Conselho de Honra, a divisa, a equipa de animação, o patrono, a bandeirola, e o guia da Alcateia, por exemplo.

Bibliografia para aprofundar:

- Manual do Lobito, Sexta Dentada, B.-P.

G – Cerimoniais

A mística e o imaginário de cada secção, embora presentes em todas as actividades, encontram expressão concreta nos diversos cerimoniais escutistas.

Exemplos de cerimoniais escutistas:

Grande Uivo, danças da Selva, Abertura e bênção do Fogo de Conselho, Vigília de Oração, Promessa, Investidura de Guias, Investidura de cargos, Totemização, entrega de insígnias, Partida, etc. Todos possuem em comum o facto de utilizarem os símbolos das secções e linguagem tipicamente escutista.

Estes cerimoniais, tal como todas as actividades que utilizam o método escutista, possuem um cunho pedagógico que deve ser reforçado em todas as ocasiões. Para que isto aconteça, os cerimoniais devem:

- estar envolvidos por um ambiente escutista, tanto a nível dos conteúdos (Leis, exemplo de B.-P., patronos, etc.), como

a nível da elaboração (cânticos, imagens escutistas, etc.), o que implica desenvolver um ambiente místico (com recurso

a sons, imagens, etc.) que contribua para uma maior receptividade da mensagem. Será indicado, sempre que possível, utilizar o espaço da Natureza para as realizar (é preciso não esquecer que a Natureza é o espaço privilegiado para todas as actividades escutistas).

- revestir-se de dignidade e de respeito pelos valores escutistas: a título de exemplo, são de evitar cerimoniais de passagem de secção que se convertam em verdadeiros atentados à Lei do Escuta, por implicarem faltas de higiene, perigos para a saúde ou perda de dignidade dos elementos.

- possuir uma carga formativa, utilizando símbolos, linguagem e duração adequada à secção a que se dirigem.

- implicar uma participação activa dos escuteiros (não ficam apenas a ouvir), de forma a que se sintam integrados na Unidade. Envolver directamente o grupo a que se destina, recorrendo ao auxílio dos elementos e a alusões sobre as suas características, induz a que todos se sintam envolvidos e motivados. Este envolvimento deve implicar alguma flexibilidade, para que todos se sintam à vontade para participar.

- ser preparados correctamente e com antecedência (a nível de materiais, duração, ensaios), integrando-se de forma adequada na vivência das secções e na idade dos participantes.

- ir variando de tempos a tempos: se os cerimoniais nunca mudam, o que, de início, pode parecer que reforça a coesão

do grupo (por se tratar e uma tradição) pode acabar por se tornar antiquado e desmotivante. Convém, por isso, efectuar, de vez em quando, uma revisão das dinâmicas, dos símbolos usados e dos valores explorados, para que se possa modificar o que está desactualizado, desadequado ou incoerente.

Nem sempre os cerimoniais tradicionais dos Bandos (como a permissão para aceder ao Livro de Ouro) possuem um fundo educativo ou ligado a valores. A este nível, é importante que o dirigente auxilie os seus elementos a construir cerimoniais que veiculem valores. Para isso, deve procurar-se que haja referências ao totem e ao lema do Bando e aos valores místicos da Secção, promovendo uma reflexão sobre os gestos, as fórmulas e as acções desenvolvidas, no sentido de os levar a compreender o seu significado, riqueza e validade.

3 – Lei e promessa

a) um quadro referência de valores

A Igreja e a sociedade possuem um quadro de referência de valores que nos ajudam a viver em comunidade. Na Igreja,

esses valores têm por base os Mandamentos da Lei de Deus. Cada sociedade, por seu lado, incute valores

relacionados com a moral e o respeito por si mesmo, pelo outro e pela propriedade.

Também o Escutismo possui um quadro de valores que procura incutir a todos os seus elementos, de forma a ajudá-los

a progredir no sentido do Bem. Neste sentido, é portador de uma forte dimensão espiritual.

No caso dos lobitos, esses valores estão resumidos na Lei e Máximas e na Promessa e através deles o lobito é chamado a comprometer-se livremente com ideais que lhe permitem ajudar a construir um mundo mais justo e mais solidário.

A LEI DA ALCATEIA

“A alcateia trabalha em conjunto e obedece às ordens do lobo chefe. Quando caçam uma lebre ou um gamo, bem gostaria cada qual de o apanhar para sí e comê-lo, mas o chefe dos lobos não o permitiria”

In “Manual do Lobito” Baden-Powell, 1979,CNE, Lisboa

No livro da Selva, aprendemos que existe um “povo sem lei”, desordeiro, preguiçoso, sujo e sem regras, que vive a partir dos impulsos e dos interesses momentâneos. No oposto temos a vida da alcateia, onde cada lobo conhece o seu lugar, as regras de socialização e reconhecem no velho lobo, Àquêlá, a autoridade moral para os guiar, e proteger.

Assim deve ser a vivência das nossas alcateias. Temos de reconhecer que cada animador adulto é um velho lobo e que compreende, vivendo o seu papel da Àquêlá.

Quando caracterizamos, psicologicamente o escalão etário dos nossos lobitos, consideramo-los “crianças” que raciocinam sobre factos concretos vividos aqui e agora. Não lhe podemos transmitir valores sobre situações hipotéticas que eles não entendem e ainda não viveram.

A

Lei da Alcateia põe as coisas no presente:

O

lobito escuta Àquêlá.

O

lobito não se escuta a si próprio.

O lobito ao repetir esta lei tão simples, memoriza-a e inconscientemente vive-a. No entanto, não deixa nunca de atender ao comportamento dos adultos, observando como estes vivem e cumprem as regras no “grande jogo da vida”.

Ao decompormos a Lei da Alcateia, encontramos em primeiro lugar “O lobito escuta a Àquêlá”, o valor da obediência e

o reconhecimento da autoridade da Àquêlá (os chefes, os pais, os professores, as catequistas, etc), reconhecimento

este que advém da capacidade que o adulto tem para ensinar, ajudar, acarinhar e proteger a criança. Depois, “O lobito não se escuta a sí próprio” e aqui temos o valor do sentido e interesses do grupo (Alcateia) em renúncia aos seus interesses pessoais. O lobito aprenderá que o facto de viver em Alcateia, fará com que tenha abdicar dos seus pequenos egoísmos, fazendo grupo com todos os outros lobitos.

A simplicidade da Lei da Alcateia, encerra os valores básicos da vivência em Alcateia.

AS MÁXIMAS DA ALCATEIA

O lobito entende e consegue viver a sua lei, pois esta encerra “regras” bem simples, no entanto ele precisa de mais

algumas orientações que o guiem nas boas relações consigo próprio e com a sociedade. Daí surgirem as “Máximas”

1º O Lobito pensa primeiro no seu semelhante

O lobito ao conhecer o Livro da Selva, sonhando e imaginando a vida de Maugli, irá perceber todo o espírito de

entreajuda e solidariedade que os animais da selva viviam. Em todas as situações difíceis vividas, recebeu o apoio dos outros animais. É assim que o nosso lobito deve encarar a sua relação com os outros, recebendo ajuda quando

dela necessitar e estar desperto para ajudar o outro que dele necessitar. Não precisamos de grandes feitos heróicos.

É nos pequenos gestos que podemos ajudar, emprestando um objecto, cedendo um lugar, ajudando a executar uma tarefa mais elaborada, etc.

2º O Lobito sabe ver e ouvir

A vida na selva é plena de sons, cores e sombras. Quantas vezes nas nossas actividades nos deitamos na relva,

fechamos os olhos e então entramos noutro mundo cheio de novas sensações. O lobito terá de aprender a observar o

meio que a rodeia, interpretando-o.

3º O lobito é asseado

Maugli teve a experiência de viver entre “o povo sem lei”, os Banderlouges, nas “moradas frias” e ficou perturbado com a desordem, sujidade e anarquia que se vivia naquele local. O lobito terá de cuidar da sua higiene pessoal, em pequenos gestos; cara lavada, unhas cortadas e limpas, roupa asseada, cabelo lavado e penteado, etc. Mas o seu “asseio”, tem também de passar pelo arrumo e limpeza do covil.

4º O lobito é verdadeiro

Depois de Maugli ser liberto do cativeiro dos Banderlouges, foi sincero contando ao Balú que toda aquela confusão deveu-se à sua curiosidade, desrespeitando os conselhos dos mais velhos. O lobito terá de ser verdadeiro para que

os outros confiem nele.

5º O lobito é alegre

A alegria faz com que cada um de nós seja mais feliz. Rir, cantar, brincar são a receita para uma vida plena. Os

nossos lobitos têm de experienciar esta satisfação, eles serão crianças felizes e a Alcateia será um espaço desejado.

b) como viver a lei e as máximas na secção;

A Lei e as Máximas ajudam à aquisição de normas de convivência básicas e promovem a convivência equilibrada do grupo e o enriquecimento das relações humanas. Para que tal aconteça de forma natural, pode-se recorrer a várias estratégias para inculcar valores:

- jogos que impliquem partilha, auxílio mútuo, disciplina, lealdade, etc.;

- exemplos do dia-a-dia (retirados de histórias que podem ser contadas ou representadas pelos lobitos) que os lobitos assumam como conhecidos;

- reflexões sobre comportamentos dos lobitos (que podem ser analisados à luz, por exemplo, do comportamento de Máugli).

Exemplos práticos:

Construção de uma árvore (desenhada, cartolina, ramo seco, etc), em que estejam na parte superior as leis e um pouco mais abaixo as máximas. Sempre que os Lobitos não cumpram uma Lei ou uma Máxima na alcateia o seu nome é colocado junto a essa Lei ou Máxima. Este jogo tem o objectivo de lever o lobito a lembrar-se de que tem de fazer uma boa acção para que o nome dele saia da árvore, que podemos chamar “O arbusto das moradas Frias”.

Sempre que um Lobito não cumpra a Lei ou as Máximas, pede-se que faça uma pesquisa no Livro da Selva sobre o momento em que também Máugli, não cumpriu. Isto pode ser completado com um desenho. Isto para que o Lobito sinta que Maúgli também fazia traquinices e que por vezes tinha de se sujeitar aos castigos de Bálu e Bàguirà.

A Construção de um Quadro com as Leis e com as Máximas, pelos Lobitos, poderá também ser uma forma de valorizar e embelezar o Covil.

Sempre que um Lobito não cumpra as Leis ou Máximas, o animador deve incutir no Guia de Bando que ele deve ser o primeiro a chamar-lhe atenção, para que o lobito sinta autoridade por parte do seu Guia, respeitando-o.

Os lobitos podem ser convidados a colocar na porta do quarto um quadro com as Leis e Máximas.

Criar um cartão com várias boas acções diárias que o Lobito se compromete a fazer. Depois, os Pais vão assinando essas acções à medida que o Lobito as vai cumprindo. O Lobito ao fazer estas acções vai ganhando o hábitos de boas práticas diárias.

O Lobito poderá também fazer um cartaz em A3 que pode levar para a sala de aula e falar disso aos colegas. Normalmente existe mais do que um lobito na sala, pelo que podem juntar-se e explicar aos colegas o que é a Alcateia, que tem uma Lei e umas máximas. Esta acção também pode ser feita na catequese. O animador terá acertar estes pormenores com os outros educadores, mas de forma que o Lobito não se aperceba. Claro que funciona caso exista um conhecimento e um bom relacionamento com as outras estruturas.

Neste processo, o dirigente deve ter a consciência clara de que está a trabalhar para que, em cada lobito, se formem valores que irão nortear a sua vida futura e que são muito mais facilmente inculcados agora do que mais tarde. Para que isto aconteça, não nos podemos esquecer que o exemplo ocupa um lugar central na educação para os valores. Assim sendo, é essencial que o chefe assuma como seus os valores que quer transmitir e se esforce por os cumprir, procurando ser, realmente, um modelo a seguir. E isto não se pode fazer apenas quando os elementos estão presentes, dado que não sabemos quando poderão estar a ouvir-nos ou ver-nos.

De facto, não é coerente pedir-lhes respeito uns para com os outros, sinceridade, solidariedade para com um elemento mais difícil ou paciência para com os desobedientes quando os dirigentes não se falam, mentem, rejeitam algum elemento de forma ostensiva ou se descontrolam quando lidam com o grupo. Educa mais quem apresenta um

comportamento baseado no apoio mútuo, no reforço positivo, na coerência de atitudes, no encorajamento perante o erro e o desânimo, na defesa de comportamentos saudáveis.

c) A promessa

Iniciada há já algum tempo a etapa de adesão, a data da Investidura e da Promessa estará a aproximar-se. É importante, para não dizer fundamental, que os nossos lobitos entendam o verdadeiro significado da Promessa, que está para lá do que é visível – a simples imposição do lenço.

“Se o ideal do lobitismo, a lei, divisa, etc., capta sobretudo a imaginação do rapaz, a promessa faz sobretudo o apelo ao seu coração. Considerai a palavra “promessa” na sua acepção geral. Que é que leva um homem a fazer a sua promessa? Há na promessa algo de essencialmente generoso. Além de tudo para fazer uma promessa é necessário que haja dois.”

In “Sabedoria da Selva, Vera Barclay, CNE,1982, Lisboa

A Promessa não é mais que um compromisso assumido pelo lobito, de uma forma livre e sentida.

Podemos encarar o acto da promessa em duas vertentes. Por um lado significará o momento a partir do qual o lobito se sente verdadeiramente mais um membro da Alcateia. Fez a sua caminhada, conhece a vida e a lei da Alcateia,

conhece os outros lobitos e os seus chefes e quer, finalmente, ser um lobito. É aqui que o cerimonial da Alcateia lhe confere, publicamente o “estatuto de lobito”. É mais um membro da grande família mundial do escutismo. Poderá usar

o sonhado lenço, símbolo da sua integração definitiva.

Por outro lado, a Promessa reveste-se de uma importância vital, porque o lobito vai atestar perante os seus pares,

chefes e comunidade local, que quer ser lobito, que conhece a Lei da Alcateia, querendo viver com os seus amigos, Jesus, os lobitos e todas as pessoas, compreendendo que a alegria de viver, vem da sua disponibilidade para ajudar aos outros. Este compromisso só fará sentido, se feito publicamente, percebendo o lobito que está a dar a sua palavra

e que todos irão estar atentos ao cumprimento das suas intenções.

4 – Aprender fazendo

“A criança quer fazer coisas; então vamos encorajá-la a fazê-las, apontando-lhe o caminho certo e permitindo-lhe fazê-las como ela quer. Deixá-la errar; é através dos erros que ela constrói a sua experiência”.

Baden Powell

Valor pedagógico do ‘Aprender fazendo’

O Escutismo tem como objectivo ajudar os jovens a desenvolver as suas capacidades integralmente, para que se tornem membros activos e responsáveis na sua comunidade. Contribui, assim, para um mundo melhor.

Para tal, o lobito não pode apenas ouvir dizer ‘como é que se deve fazer’ ou ver os outros a actuar. Para aprender é necessário experimentar, sentir, estar nas situações. Isto porque a aprendizagem é um processo dinâmico e activo.

Nos escuteiros, quando o lobito vai acampar e tem de construir as infraestruturas do seu campo, está a passar para o campo do real o que o Dirigente lhe ensinou uma tarde na sede. Quando escolhe quais os projectos que gostaria de realizar e, motivado pelas suas escolhas, pelo Bando e pela saudável competição, se envolve na sua realização, ele está a aprender pela acção. Isto permite-lhe perceber a utilidade do que aprendeu (o que o motiva para aprender mais), desenvolver as suas capacidades e descobrir habilidades e gostos que, de outro modo, provavelmente não descobriria.

Papel do Dirigente:

“Ask the boy” dizia-nos B.-P. É dever do Dirigente ter noção das expectativas, sonhos, dificuldades, medos dos seus escuteiros. Compete-lhe ser o orientador, o irmão mais velho, permitindo que o lobito seja o principal motor da sua educação.

Por vezes é a opinião de que eles são muito novos, ou imaturos, que não deixa o Dirigente pôr algumas decisões ou tarefas na mão dos lobitos. Mas, certamente, que se desafiados, eles não vão deixar de surpreender os adultos que os acompanham nesta difícil tarefa que é crescer.

Educamos para a autonomia, por isso é necessário que eduquemos com autonomia. E isso é o aprender fazendo!

O Jogo

Crianças, jovens e adultos gostam de jogar. O Ser Humano é um ser lúdico, que espontaneamente se organiza para jogar qualquer coisa, simples ou elaborada e complexa.

Para concretizar a sua intenção educativa, o Escutismo apoia-se no jogo social espontâneo, ou seja, no dinamismo natural das crianças e jovens, no gosto pelo jogo e na facilidade que eles têm de criar regras sociais e se organizarem para que o jogo funcione.

No Escutismo, as dinâmicas de grupo são optimizadas no Bando, uma pequena sociedade, em que todos têm um papel importante, com direitos e deveres, onde só a vontade e trabalho de todos os pode fazer atingir os objectivos por eles delineados

O jogo estimula o desenvolvimento do lobito, quer pelas tarefas que executa, quer pelos ensinamentos que retira do

ganhar e do perder, pela aprendizagem das relações sociais, pelas regras que tem que cumprir. Isto porque quando as crianças brincam ou os jovens cooperam, espontaneamente descobrem a necessidade de se organizar, de respeitar regras, de colaborar entre si, de interiorizar os valores do grupo.

Assim, por meio do jogo, o lobito exercita as capacidades necessárias ao seu desenvolvimento integral, como autodisciplina, vida em sociedade, afectividade, criatividade, valores morais e espírito de equipa.

O jogo é dos instrumentos mais importantes e poderosos que o educador tem ao seu dispor. Caracterizado pela

espontaneidade, agrada a qualquer criança, toca em várias áreas do desenvolvimento e permite conhecer cada indivíduo, assim como a sua interacção com o grupo.

Mais uma vez, aqui o papel do Dirigente e da Equipa de animação é fundamental. Cabe-lhes orientar para que o jogo seja mesmo motivador e motor de aprendizagem. Devem ajudar e orientar os lobitos, mas nunca resolver o problema por eles ou fazê-los sentir que o seu desempenho não é importante.

Formas de aprender fazendo na Alcateia

Os lobitos, pela idade que têm, são capazes das melhores acções e desempenhos e das maiores travessuras! São essencialmente ávidos de aventura, de vivências diferentes, de novas descobertas!

Como dizia o nosso sábio Fundador: “Os rapazes são capazes de encontrar aventura num velho charco imundo”, ou, “A imaginação leva o rapaz através da pradaria e dos mares. No Escutismo ele sente-se parente do pele-vermelha, do pioneiro e do sertanejo.”

A imaginação é o catalisador de uma Caçada, é um dos grandes responsáveis pelo sucesso de um ano escutista. É responsabilidade das Equipas de Animação não deixar esmorecer o entusiasmo e não deixar que a falta de imaginação ou de empenho comprometam as expectativas dos rapazes e raparigas. Por isso, é fundamental que a Equipa de Animação viva as actividades, que encarne os personagens, que seja um verdadeiro Lobito, pois, se o entusiasmo chegar a estar em queda, saberá reerguê-lo!

As actividades da Alcateia giram à volta de dois tipos:

- Reuniões de Alcateia (com ou sem tema específico)

- Caçadas

Há ainda lugar para outras actividades: Conselhos de Guias, conselhos de Alcateia, acampamentos, bivaques, visitas de estudo, festas, celebrações, etc.

A Caçada — O projecto da Alcateia

1.

Pedagogia do Projecto

O

que é um Projecto?

É um conjunto determinado de acções interrelacionadas que se planeiam e implementam com vista a atingir um objectivo último num determinado prazo.

No Escutismo, é a principal “ferramenta” utilizada para organizar diferentes actividades visando um objectivo comum.

Um projecto escutista:

…é um desafio colectivo;

…tem uma meta clara e um horizonte temporal;

…envolve 4 Fases principais;

…está baseado no uso do Método Escutista;

…incorpora uma variedade de oportunidades de aprendizagem;

…tem em conta interesses, talentos, capacidades e necessidades distintas;

…procura que todos e cada lobito do Bando ou Unidade esteja comprometido no atingir do objectivo através de esforço pessoal.

2. Valor educativo do Método do Projecto

Desenvolve a capacidade de dialogar e trabalhar em cooperação com outros;

Contribui para garantir genuína participação dos lobitos nas decisões que lhes dizem respeito e dá-lhes esse “treino”;

Desenvolve a responsabilidade;

Desenvolve o sentido de “propósito” (efeito motivador);

Permite a descoberta de talentos ou a sua busca;

Permite treinar competências de diversa ordem;

Cria hábitos de funcionamento “em projecto” (úteis para a vida contemporânea).

3. As Fases do projecto

Na Alcateia, dá-se o nome de Caçada ao projecto que a Alcateia prepara e desenvolve ao longo de algumas semanas (por norma entre um a dois meses, incluindo todas as fases). É desejável que a alcateia faça uma por trimestre.

1ª Fase: Idealização e Escolha

Motivação e orientação prévia (Conselho de Guias) – Importância, o que apresentar…

Nesta fase, a equipa de Animação já deve ter algumas ideias concretas sobre o que pretende. Pode, assim, lançar um tema, dar sugestões para direccionar as ideias dos lobitos.

Concepção (Conselho de Alcateia e Bandos) – Espaço de participação e criatividade

Nesta fase, a Equipa de Animação pode fazer uma motivação geral, devendo depois dar espaço aos bandos para que apresentem as suas sugestões.

Apresentação (Bandos/Conselho de Alcateia) – Oportunidade de expressão

Escolha (Conselho de Alcateia) – Treino da democracia

Ainda dentro da 1ª fase, a Equipa de Animação deverá proceder ao Enriquecimento da Caçada:

A valorização da actividade na sua globalidade:

Que aspectos devem ser reforçados?

Que outros objectivos se podem incluir?

Que aspectos merecem especial atenção?

Que sugestões das propostas que não venceram podem ser utilizadas?

A valorização dos objectivos propostos:

Que objectivos concretos se querem atingir?

Que actividades se podem sugerir para ser adicionadas?

A impregnação na actividade dos valores escutistas:

Que dimensões educativas se querem trabalhar com as acções?

Onde estão presentes os elementos do Método Escutista?

A exploração na actividade até ao limite possível do progresso individual:

Que oportunidades podem ser trabalhadas?

2ª Fase: Preparação

Em Conselho de Guias, verificar:

- O que fazer?

- Como fazer?

- Quem?

- Quando?

- Onde?

- Como?

Para isto, há que preparar:

Actividades

Ateliers

Tarefas e Missões

Responsabilidades

Calendário

Recursos (Humanos, Financeiros, Materiais)

Contactos

3ª Fase: Realização

Viver o projecto! Agir, acampar, jogar, visitar, construir, cantar, representar! Vamos fazer tudo aquilo que preparámos!

4ª Fase: Avaliação

É a fase de “extrair o sumo” ao que se viveu;

Feita pela Alcateia e Bandos;

Usar meios criativos e adequados (não é um exame);

Duas componentes essenciais:

Aspectos operacionais (como correu?)

Aspectos educativos (o que se adquiriu?)

Reconhecer o progresso feito, em clima de festa (ligação com a celebração): etapas de progresso, trilhos alcançados, insígnias de competência…

Que pistas ficam para o futuro? (próximo Projecto?)

Em suma:

1ª Fase: ESCOLHA

 

2ª Fase: PREPARAÇÃO

3ª Fase: REALIZAÇÃO

 

4ª Fase: AVALIAÇÃO

Reunir as ideias individuais

 

Organizar, planificar e enriquecer a Caçada

Viver o projecto ! Agir, acampar, jogar, visitar, construir, cantar, representar! Vamos fazer tudo aquilo que preparámos!

Avaliar e celebrar o final da caçada

Sugestão de um tema.

     

Avaliar a Aventura:

Auxílio à preparação um projecto de Bando:

Reunir o Conselho de Guias - definir e distribuir tarefas pelos elementos e Bandos

Avaliação global, com proposta de

alteração/ correcção do que correu menos bem

-

-

tema

sugestivo

e

cativante;

 

Realização das

-

Objectivos alcançados

- o que queremos fazer,

diversas

tarefas/ateliers

- Níveis de participação

como

e

porquê

o

 

queremos fazer e onde o queremos fazer;

 

Deverão então reunir os Conselhos de Guias e de Alcateia.

   

A Equipa de Animação:

 

A Equipa de Animação:

Apresentação do projecto de Caçada:

A Equipa de Animação ajuda, orienta, enriquece o projecto e responsabiliza os lobitos pelas suas tarefas

- Regista todas as apreciações;

original e criativo - cartazes, canções, peças de teatro, fotografias, mapas, postais

- Coordena tudo

- Lança pontos para debate

- Vive a Aventura

- Balanço da Caçada e objectivos alcançados

Eleição

do

projecto

em

- Estimula a Alcateia

Alcateia

 

- Soluciona “imprevistos”

-

Progresso individual/competências

Actividades da secção - Reuniões de Alcateia

Uma actividade é um conjunto de experiências que proporciona a cada jovem a oportunidade de adquirir conhecimentos, competências e atitudes que o/a levam a atingir um ou mais objectivos educativos estabelecidos.

RAP WOSM

Podemos considerar que as actividades são um meio privilegiado para trabalhar o ‘aprender fazendo’, promovendo a aprendizagem e o aprofundamento das experiências.

ACTIVIDADE

É a acção que se desenvolve entre todos;

É um instrumento diferentes situações;

gera

que

EXPERIÊNCIA

É o que se passa e é apreendido por cada pessoa;

É o que se obtém da acção desenvolvida;

É o resultado que se produz no jovem ao enfrentar diferentes situações;

Atendendo ao efeito que se pretende que as actividades tenham nos jovens é importante, senão mesmo fundamental, que as actividades sejam programadas, seleccionadas e desenvolvidas de forma adequada. O improviso pode ser nefasto para as experiências que os jovens possam vir a adquirir de uma actividade preparada “em cima do joelho”.

Por outro lado, é importante introduzir inovações, especialmente nas actividades que tendem a seguir um padrão na sua forma de realização. Introduzamos variações, questionemo-nos se não poderemos melhorar essas actividades ou introduzir novas componentes que as tornem mais atractivas, sob pena dessas mesmas actividades perderem o seu valor educativo e o seu interesse por parte dos nossos lobitos. Não podemos deixar assim que a rotina se instale e constitua uma “pedra na engrenagem”.

No caso da Alcateia, as actividades desenrolam-se sobretudo nas reuniões de Alcateia, devem ter uma duração aproximada de uma hora e meia/duas horas.

Na sua estrutura, deve haver tempo para histórias, jogos, canções, trabalhos manuais, instrução técnica, representações, etc. pertence à Equipa de Animação a tarefa de saber dosear a forma e o ritmo das actividades que se propõe desenvolver.

É conveniente que as reuniões estejam sujeitas a temas. Neste caso, todas as actividades da reunião terão um elo de ligação que é o tema e que pode ser enriquecido pelo trabalho dos Bandos.

Alguns exemplos para temas de reuniões de Alcateia:

- os animais

- o jornal

- os correios

o mercado

- o trânsito

- as plantas

Uma reunião de Alcateia pode ter seguir o esquema seguinte, por exemplo:

O esquema seguinte, não é uma “receita” para todas as reuniões mas pode servir de orientação e de “guia”:

MOMENTO

ACTIVIDADE

 

TEMPO

Grande Uivo

 

5 minutos

Período de informações

2

a 5 minutos

Canção ou Dança da Selva

2

a 5 minutos

Reunião de Bando

 

20

minutos

4º a)

Período de Administração (contas, presenças, etc)

 

( 5 minutos)

4º b)

Formação/Instrução (técnicas, ateliers, progresso, etc

)

 

(15 minutos)

Jogo

 

15

minutos

Formação/Instrução – Equipa de Animação

 

30

minutos

Avaliação

2

a 5 minutos

Encerramento (oração e/ou cântico)

2

a 5 minutos

 

TEMPO TOTAL

76 a 90 minutos

Exemplos de actividades de campo:

 

Pistas;

Raid;

Acampamentos;

 

Excursão pela zona onde se vive;

Exemplos de actividades de expressão:

Construção de herbário;

Danças da Selva;

Dramatizações;

Limpeza de matas/florestas/praias…

Ateliers de cartazes;

 

Ateliers de construção de instrumentos musicais;

Jornal de parede

Exemplos de actividades desportivas:

Gincanas;

Jogos de obstáculos simples;

Jogos tradicionais…

Exemplos de actividades sociais:

Participar numa festa de Natal;

Animar uma festa para doentes e/ou idosos;

Colaborar em angariações de isntituições (tipo banco Alimentar);

Realizar urna campanha de angariação de brinquedos…

5 – Contacto com a Natureza

A floresta é, simultaneamente, um laboratório, um clube e um templo” — B.-P.

A utilização do contacto com a Natureza como forma de educar as crianças, os adolescentes e os jovens é, de facto, uma característica do escutismo e um dos elementos fundamentais do método escutista. Pelo valor pedagógico que contém, como espaço, tabuleiro, do jogo escutista, como espaço de desenvolvimento de instintos e capacidades intrínsecas, como oportunidade de crescimento e de desenvolvimento da consciência crítica, como materialização, visível, da obra do Criador, interessa, por isso, dele retirar todo o aproveitamento.

Para um escuteiro o contacto com a natureza é, por isso, condição imprescindível para um crescimento pessoal e colectivo

Q – Valor pedagógico

a) Um laboratório

O contacto com a Natureza incentiva a consciência crítica dos jovens em relação à gestão dos recursos

naturais que toda a comunidade tem ao seu dispor e ajuda-os a integrarem-se e a considerarem-se parte

dessa mesma comunidade. Assim, ao observarem a forma cuidada ou descuidada como os outros cuidam da Natureza, a criança, o adolescente e o jovem adquirem hábitos e comportamentos — de aplauso e de censura — em relação aos seus pares, mas também aos mais velhos, que lhes dão uma espécie de autoridade moral essencial.

Porquê um laboratório?

— Porque evidencia que as coisas mais simples são, verdadeiramente, as importantes;

— Porque o jovem pode adquirir a consciência de que é passageiro, e não dono, o único proprietário do

planeta;

— Porque promove a consciência individual, a cidadania, a noção de responsabilidade individual;

— Porque permite a aquisição de conceitos como o da Ecologia e o do desenvolvimento sustentável;

Neste processo, compete ao dirigente incentivar os seus elementos a assumir

comportamentos saudáveis e de defesa da Natureza, nunca se esquecendo de que o exemplo é o melhor meio de educação.

— Papel do dirigente:

— Boas práticas:

- Incentivo à separação de lixos

- Reaproveitamento e reutilização de alguns objectos (reciclagem)

- Compostagem

- Iluminação com baterias recarregáveis por painel solar

- Drenagem e filtragem das águas de lavagem

- Monitorização das águas de algum curso de água

- Contacto com centros de investigação e conservação da Natureza (ICN)

- Investigar que forma de cozinhar causa mais impacto e consciencializar o Grupo

— Anotações:

- Carta do índio Seattle

- Papalagui

- Princípios Escutistas vs. Educação Ambiental

- Desenvolvimento Sustentável

- Eco (casa) + logia

— Bibliografia:

Escuteiro Global, de Frankie Opie Ajuda a salvar o Mundo 50 Actividades para Miúdos, Cecilia Fitzsimons Sendas Ecológicas, Edições Salesianas

b)

Um clube

O

espaço natural é o palco preferencial para a realização de actividades escutistas. Lembrar-nos-íamos,

imediatamente, do acampamento, mas convém salientar que todo o jogo escutista tem como território ideal o

ar livre e a Natureza. É a partir da sua observação e da vivência, individual e colectiva que a criança, o

adolescente e o jovem recolhem o conjunto das regras primárias e instintivas que presidem à natureza

humana e às regras sociais elementares, por exemplo.

Porquê um clube?

— Porque permite o confronto com um espaço menos confortável que leva os escuteiros a superar as suas dificuldades e incentiva o respeito pela natureza;

— Porque possibilita o contacto real e físico com o mundo natural e as suas características, entraves e

obstáculos;

— Porque fornece ferramentas e sugestões de auto-suficiência, de conhecimento do seu próprio corpo e do

ambiente que o rodeia;

— Papel do dirigente: Compete ao dirigente, a este nível, desenvolve, sempre que possível, actividades

de

relação com a Natureza que permitam o crescimento saudável e harmonioso dos escuteiros.

— Boas práticas:

Identificação de diferentes espécies de Avifauna (procurar panfletos de avifauna local e tentar a partir deles identificar as especiais que vão aparecendo durante uma pista ou raid)

-

- Criação de Herbários

- Recolha de Pegadas de Gesso e elaboração dos seus positivos

Identificação de espécies protegidas e não danificação da vegetação durante a montagem do campo

-

- Limpeza de matos com o cuidado de não danificar

- Jogos com o contacto com os elementos naturais, explicando a importância de cada um deles

- Visionamento de documentários em vídeo sobre o animal Totem do Bando

— Anotações:

A contrario sensu — O Deus das Moscas, William Golding

— Bibliografia: As mil e uma actividades para Escuteiros

c)

Um templo

A

natureza é, para o jovem, também, um espaço de contemplação e de deslumbramento. É a arena mais

limpa e clara de toda a obra da Criação. O jovem é convidado a descobrir nela as mais elementares

intenções de sã convivência, mas também de livre arbítrio dado por Deus ao Homem. A criança, o adolescente e o jovem têm na Natureza o espaço de contemplação, de deslumbramento, a montra privilegiada para vivenciar Deus.

Porquê um templo?

— Porque, nas palavras de B.-P., “o estudo da Natureza mostrar-nos-á as coisas maravilhosas e belas de que Deus encheu o Mundo para nosso deleite”;

— Porque o ar livre é, efectivamente, um ambiente que permite a activação de todos os sentidos e da

própria natureza da pessoa;