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TESTE DE AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA 9.

º ano Dezembro /2010

GRUPO I

Lê o texto A.
Em caso de necessidade, consulta o vocabulário apresentado a seguir ao texto.

TEXTO A

VOCABULÁRIO:
1 urbes – cidades.
2 bulício – movimentação, agitação.
3 se afoita – se atreve.
4 plâncton – conjunto de seres microscópicos que existem nas águas.
5 fitogénica – rica em algas microscópicas.

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Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientações que te são dadas.

1. As afirmações apresentadas (de A a G) baseiam-se em informações do texto. Escreve a


sequência de letras que corresponde à ordem pela qual essas informações aparecem no texto.
Começa a sequência pela letra E.

A. A Biologia ensina que a transparência da água do mar não é sinal de riqueza em vida
marinha.
B. Os recifes de coral são exemplos de riqueza de vida, ao contrário das águas que os
rodeiam.
C. Existe uma ligação estreita entre Portugal e o mar, e são muitas as pessoas que
procuram o contacto com o Atlântico.
D. Na costa portuguesa, junto a Lisboa, vivem espécies que são típicas de mares
profundos.
E. Não é comuns os países do continente europeu serem associados à prática de
mergulho.
F. Em Portugal, o mar tem características diferentes das que se associam aos destinos de
mergulho mais famosos.
G. A tonalidade das águas do mar, em Portugal, deve-se à presença de plâncton.

2. Relê as linhas 13 a 15 do texto e indica a que se refere o pronome «que».

3. Selecciona, em cada item (3.1. a 3.5.), a alternativa que permite obter a afirmação adequada
ao sentido do texto. Escreve o número do item e a letra correspondente a cada alternativa que
escolheres.

3.1. A expressão «só damos pela Lua às vezes – quando está cheia –» (linha 3) ilustra a ideia
de que os europeus, em especial os citadinos,
A. procuram o contacto com a Natureza.
B. vivem afastados dos ciclos da Natureza.
C. se abstraem a observar a Natureza.
D. contactam, apenas à noite, com a Natureza.
3.2. A expressão «os recifes de coral tropicais são ilhas de vida num quase-deserto de
nutrientes» (linhas 14 e 15) contém uma
A. comparação.
B. enumeração.
C. metáfora.
D. personificação.
3.3. Entre as águas de Portugal continental e os recifes de coral, a semelhança está na
A. temperatura amena.
B. riqueza de nutrientes.
C. tonalidade da água.
D. profundidade do mar.
3.4. A expressão «peixes, peixinhos e peixões» (linha 17) traduz a ideia de
A. quantidade e diversidade.
B. intensidade e igualdade.
C. qualidade e desigualdade.
D. diversidade e intensidade.
3.5. A utilização do advérbio «abruptamente» (linha 22) revela que a passagem de uma
profundidade para outra se faz de forma
A. gradual.
B. lenta.
C. suave.
D. súbita.

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TEXTO B

Tanto que o Frade foi embarcado, veio üa


Alcoviteira, per nome Brísida Vaz, a qual ANJO -Eu não sei quem te cá traz...
chegando à barca infernal, diz desta maneira: BRÍSIDA - Peço-vo-lo de giolhos!
Cuidais que trago piolhos,
BRÍSIDA - Hou lá da barca, houlá! anjo de Deos, minha rosa?
DIABO - Quem chama? Eu sô aquela preciosa
BRÍSIDA - Brísida Vaz. que dava as moças a molhos,
DIABO - E aguarda-me, rapaz? a que criava as meninas
Como nom vem ela já? pera os cónegos da Sé...
COMPANHEIRO-Diz que nom há-de vir cá Passai-me, por vossa fé,
sem Joana de Valdês. meu amor, minhas boninas,
DIABO - Entrai vós, e remarês. olho de perlinhas finas!
BRÍSIDA -Nom quero eu entrar lá. E eu som apostolada,
DIABO - Que sabroso arrecear! angelada e martelada,
BRÍSIDA -No é essa barca que eu cato. e fiz cousas mui divinas.
DIABO -E trazês vós muito fato? Santa Úrsula nom converteo
BRÍSIDA - O que me convém levar. tantas cachopas como eu:
DIABO -Que é o que havês d'embarcar? todas salvas polo meu,
BRÍSIDA que nenhüa se perdeu.
Seiscentos virgos postiços E prouve Àquele do Céo
e três arcas de feitiços que todas acharam dono.
que nom podem mais levar. Cuidais que dormia eu sono?
Três almários de mentir, Nem ponto se me perdeo!
e cinco cofres de enleos, ANJO - Ora vai lá embarcar,
e alguns furtos alheos, não estês emportunando.
assi em jóias de vestir, BRÍSIDA -Pois estou-vos eu contando
guarda-roupa d'encobrir, o porque me haveis de levar.
enfim - casa movediça; ANJO -
um estrado de cortiça Não cures de emportunar,
com dous coxins d'encobrir. que não podes ir aqui.
A mor cárrega que é: BRÍSIDA -
essas moças que vendia. E que má-hora eu servi,
Daquestra mercadoria pois não me há-de aproveitar!...
trago eu muita, à bofé!
DIABO - Ora ponde aqui o pé... Torna-se Brísida Vaz à Barca do Inferno,
BRÍSIDA - Hui! E eu vou pera o Paraíso! dizendo:
DIABO - E quem te dixe a ti isso?
BRÍSIDA - Lá hei-de ir desta maré. BRÍSIDA - Hou barqueiros da má-hora,
Eu sô üa mártela tal, que é da prancha, que eis me vou?
açoutes tenho levados E já há muito que aqui estou,
e tormentos soportados e pareço mal cá de fora.
que ninguém me foi igual. DIABO -
Se fosse ò fogo infernal, Ora entrai, minha senhora,
lá iria todo o mundo! e serês bem recebida;
A estoutra barca, cá fundo, se vivestes santa vida,
me vou, que é mais real. vós o sentirês agora...
Barqueiro mano, meus olhos,
prancha a Brísida Vaz.

1. “Trazês vós muito fato?”


1.1 Indica quais os ímbolos cénicos que a alcoviteira traz e explica o que representam.
1.2 Que razão aponta Brízida Vaz para ir tão carregada?
1.3 Em teu entender, poderia o Anjo afirmar: “a carrega t´embaraça”, conforme o fez com o sapateiro?
Justifica a tua resposta.

3
2 “Hui! E eu vou pêra o Paraíso!”
2.1 Aponta o motivo da convicção demonstrada pela personagem.

3 Conclui de que forma a linguagem utilizada por Brísida Vaz com o Anjo a caracteriza.

4 Esclarece a atitude do Anjo perante a Alcoviteira.

5 Gil Vicente aproveita Brísida Vaz para, simultaneamente, criticar o grupo social que representa, no
entanto a crítica estende-se a outra classe social. Identifique-a e transcreva os versos em que se
verifica esse alargamento da crítica

GRUPO II

Responde aos itens que se seguem sobre o funcionamento da língua, de acordo com as
orientações que te são dadas.

1. Identifica o(s) fenómeno(s) fonético na evolução fonética do seguinte vocábulo


Clave > chave
mui- >muito
Veer > ver
2. Reescreve as frases, substituindo os complementos directos por pronomes pessoais.
a) O João ofereceu um livro à prima.
b) Eu pus o livro na biblioteca.
e)Vai ler o recado.
f)Eles fazem o trabalho de casa.

3. A seguinte lista de palavras inclui quatro conjunções coordenativas. Indica-as no


enunciado e classifica-as.
porém e
porque enfim
cujo quem
quando ou
sempre pois

GRUPO II

Gil Vicente no Auto da Barca do Inferno criou personagens-tipo com o objectivo de criticar
alguns dos costumes da época.
Imagina uma figura actual que possa ser julgada, tal como as personagens vicentinas: quais os
seus “pecados”, com que argumentos se defenderia, quais as acusações que o Anjo lhe atribuiria e
como seria recebido pelo Diabo.

O teu texto deve incluir:


• uma parte introdutória, em que identifiques a personagem-tipo por ti escolhida e a
caracterizes física e psicologicamente;
• uma parte de desenvolvimento, em que explicites os argumentos de acusação e de defesa;
• uma parte final, na qual indiques o destino do personagem e expliques a tua intenção de
crítica social (a razão da tua escolha).

Questões 1 2 3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 1.1 1.2 1.3 2.1 3 4 5 1 2 3 III II
Cotações 5 2 2 2 2 2 2 4 5 5 5 5 5 4 6 6 8 12 18 100
As professoras: Amélia Rolo, Armanda Costa, Carla Pires, Fátima Morais, Fátima Tavares , Fernanda Martins e Paula Cruz

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Cenários de resposta

TESTE DE AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA 9.º ano Dezembro /2010

1. (E.) C. F. A. B. G. D (se errar uma desconta a pontuação toda)

2. florestas tropicais

3.1 B
3.2 C
3.3.B
3.4 A
3.5 D

1.1. Os símbolos cénicos de Brísida Vaz são: "Seiscentos virgos postiços/ e três arcas de
feitiços/que nom podem mais levar./Três almários de mentir,/e cinco cofres de enleos,/e alguns
furtos alheos,/assi em jóias de vestir,/guarda-roupa d'encobrir,/enfim a casa movediça,/um
estrado de cortiça/com dous coxins d'encobrir." "( . .) essas moças que vendia. Toda a carga
simboliza as diversas actividades da personagem: roubo, mentira, feitiçaria e prostituição.

1.2. A finalidade de tanta "carga" era continuar a sua actividade no outro mundo.

1.4 Sim, o Anjo poderia proferir a mesma afirmação porque a Alcoviteira também trazia todos os
apetrechos necessários à sua actividade, que a incriminavam, impedindo-a de entrar na Barca da
Glória.

2.1 Ela está convicta que vai para o Paraíso, uma vez que se considera mártir por ter apanhado
açoites, suportado tormentas e criado moças para os cónegos da Sé.

3. A sua linguagem, sendo hipócrita, melíflua e persuasiva, demonstra a sua faceta profissional,
habituada a persuadir moças e os clientes, a mentir, a fazer intriga, a roubar…., revelando
assim a falsidade do seu carácter.

4. A atitude do Anjo face à Alcoviteira é de indiferença, não contra-argumentando sequer o seu


discurso. Esta situação deve-se, talvez, ao facto de o clero também estar implicado.

5. O Clero: «a que criava as meninas / pera os cónegos da Sé...»

1. Palatalização | paragoge | crase ou contracção


2. a. O João ofereceu-o à prima.
b. Eu pu-lo na biblioteca.
c. Vai lê-lo.
d. Eles fazem-no.

3. Porém (c.c. adversativa); e (c.c. copulativa); ou (c.c. disjuntiva); pois (c.c. conclusiva).