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04-06-2010

Dosimetria

Trabalho apresentado pelo aluno Rui R B Mendes,


no âmbito da disciplina de

Instrumentação para a Física da Radiação


2008-2009
(Docente: Prof. Rui Marques)

Índice

I. A importância da dosimetria
II. Grandezas dosimétricas e Unidades de radiação.
radiação.
III. LET – Linear Energy Transfer (dE /dx)
dE/ dx).
IV. Efeitos biológicos das radiações
V. Dosímetros
VI. Legislação

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I. A Importância da Dosimetria
O objectivo principal da dosimetria das radiações é a
determinação da taxa de exposição e taxa de dose da
radiação num ponto específico de um meio, seja ele vivo
ou não.
Ao longo dos tempos, através da For that
Healthy
realização de inúmeras Glow,
experiências, algumas com Drink
efeitos indesejáveis, os Radiation!
investigadores foram adquirindo
conhecimentos capazes de
garantir que a radiação ionizante
fosse usada pelos seus
benefícios. http://www.popsci.com/scitech/article/2004-08/healthy-glow-drink-radiation

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I. A Importância da Dosimetria
 A acção das radiações é cada vez mais motivo de estudo devido aos seus
efeitos em seres vivos.
As interacções físicas dos diversos tipos de radiação ionizante desencadeiam
fenómenos químicos e biológicos que podem ocorrer até muito tempo após a
irradiação com consequências extremas – Radiobiologia.
 A Dosimetria teve maior desenvolvimento na última década e meia muito
devido ao aumento do tratamento por radioterapia.
Médicos nucleares e físicos médicos são responsáveis por pacientes que incorporam
material radioactivo, pela dosagem da radiação bem como pela radioprotecção de
funcionários e público.
 Comissões de Ética Profissional e Serviços de Protecção Radiológica avaliam o
cumprimento de regras de segurança sendo responsáveis pelos cálculos
dosimétricos que estimam a dose em trabalhadores, população e meio ambiente.

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II. Grandezas Dosimétricas e


Unidades de Radiação

 O sistemas de unidades radiométricas é baseado nas


resoluções da ICRU (International
(International Commission on Radiation
Mesurements), fundada em 1925, que usa o S.I. e
Units and Mesurements),
cuida sobretudo das grandezas básicas e das operacionais.

 A International Commission on Radiological Protection,


Protection, ICRP,
fundada em 1928, é responsável pela promoção do
desenvolvimento da radioprotecção.

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II. 1. Actividade
 Actividade (grandeza radiológica):
número de transformações nucleares por unidade de
tempo: nº de núcleos radioactivos
dN
A=
dt Unidades SI: [s-1] ou
Note--se:
Note
Um decaimento por segundo não Becquerel (Bq) = 1dec/s
significa uma emissão por
segundo, em geral são emitidos Unidade antiga:
vários tipos de radiações de Curie (Ci) = 3,7 x 1010 Bq
energias diferentes – é um
processo estatístico.
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II. 2. Fluência

nº de partículas que
dN chegam no tempo dt
Densidade de fluxo: Φ=
dadt
secção de área

dN
Fluência Φ= [m-2]
da

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II. 3. Exposição
 Exposição: valor absoluto de carga de iões de um
dado sinal, produzidos no ar por
ionização,, e libertados numa massa dm
ionização
dQ
X= SI: [C/kg] ou [R], roentgen
dm
1 R = 2,58 × 10−4C/Kg
=1,61x1012 pares de iões / grama de ar
a P.T.N.
dX
Taxa de
exposição = [R/s]
dt

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II. 3. Exposição
 Exposição:

dQ
X= Fotão sofre efeito Compton transferindo
energia a um electrão.
dm O electrão ioniza o meio no seu trajecto
até Pend gerando 30 pares de iões por keV
de energia perdida.
http://www.irs.inms.nrc.ca/papers/pic/node3.html\\
http://www.irs.inms.nrc.ca/papers/pic/node3.html
dX
Taxa de
exposição = [R/s]
dt

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II. 4. Dose absorvida e KERMA


O efeito biológico depende da energia libertada no tecido.
Dose absorvida é a grandeza que exprime directamente esta
energia localmente absorvida.
Energia absorvida (local)
 Dose absorvida: dE ∆D
D= vD =
Taxa de
Dose absorvida
dm ∆t
 Kerma
Kerma:: dEtr
Energia transferida a
∆K Unidades SI: [Gy/s]
partículas carregadas do meio
(Kinectic Energy K= vK =
Released per
unit of MAss)
dm ∆t
Unidades SI: Gray, [Gy]1J/Kg

Unidade antiga: rad = 100 erg/g


1 Gy = 100 rad

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II. 4. Dose absorvida

Radiação recebida pelo homem

Fonte Dose média

Radiação cósmica 0,02 a 0,04 rad /ano

Corpo humano
A maior parte da radiação é proveniente do 226Ra 0,06 rad /ano
(ossos) e 40K (glândulas sexuais).

Isótopos radioactivos situados no solo, nas


rochas, nos materiais de construção e na 0,03 a 0,30 rad /ano
atmosfera
Testes nucleares (estimativa do total acumulado
0,25 rad/ano
de radiação)

Fonte: Valadares, 2000

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II. 5. Dose Equivalente


 Dose Equivalente
Quantifica os danos biológicos resultantes da radiação Q
deposição da radiação ionizante nos tecidos. X, γ, e- 1
SI: [Sv] (Sievert)
Protões 10
H = D×Q antiga: rem
neutrões,
1 Sv =α100 rem20
dose absorvida factor de qualidade CNEN NE-3.01

Efeito biol. da rad. considerada


Q= (a D constante)
Efeito biol. da rad. padrão
raios--X (200keV)
raios
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II. 5. Dose Equivalente


Dose equivalente recebida por ano através de fontes naturais e fontes artificiais.

Fonte mSv/ano

Terra 0,45
Raios cósmicos 0,30 28%
Exposição natural
Seres vivos 0,25
Radão e produtos de desintegração 1,0 28%
Medicina 1,5 42%
Ensaios nucleares 0,02
Exposição
Investigação < 0,02
artificial 2%
Instalações nucleares < 0,01
Indústria < 0,01
TOTAL 3,56 100%
Fonte: Exposição Radioactividade, Museu da Ciência – Universidade de Lisboa, 2005

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II. 5. Dose Equivalente


 Dose equivalente num tecido T
dose devida à radiação
H T = ∑WR DT , R R recebida no órgão T
T
factor de ponderação
da radiação R Tabelas
 Dose equivalente efectiva
factor de ponderação
E = ∑WT H T para tecidos
T

Soma dos equivalentes de dose resultantes Unidades SI: [Sv]


de irradiação interna e externa ponderadas
para todos os tecidos e órgãos.

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II. 5. Equivalentes de Dose

Factores de ponderação:
Tipos de WR Tecido/órgão WT
radiação
Pulmão 0,12
Todos os fotões, 1
electrões e muões Cólon 0,12
Neutrões 5-20 (dependendo da Estômago 0,12
energia) Mama 0,05
Protões 5
Fígado 0,05
Partículas alfa 20
Pele 0,01
Apontamentos da disciplina de Dosimetria de Radiação e
Radioprotecção – prof. Dra Filomena Botelho
Superfícies osso 0,01

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II. 6. Relação entre Exposição e


Dose absorvida
 Dose absorvida no ar: energia média gasta na
Dair = ( w / e) air X = 0,876 X formação de um par de iões
no ar por carga de electrão e

exposição
 Relação com Dose absorvida
num material: µen é o coeficiente de

( µen / ρm )m
absorção mássica

Dm = Dair ρm e ρair são as


( µen / ρair )air densidades do tecido e
do ar respect/.

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II. 7. Relação entre Exposição e


Actividade
Podemos relacionar Exposição e Actividade se:
 fonte pontual (suficientemente pequena).
 atenuação no percurso até ao ponto da medição desprezável.
 ausência de espalhamento (só se mede radiação proveniente
da fonte). Fonte Γ

Fonte: http://www.prorad.com.br/
(R.m2/hCi)
X = ΓA / d 2 [R/hora] 137Cs 0,33
192Ir 0,5
Constante de taxa de d é a distância da
226R 0,825
a
exposição de uma fonte ao detector 60Co 1,32
fonte pontual
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III. LET – Linear Energy Transfer


 LET, (dE
(dE/d
/dxx), energia transferida por unidade de
comprimento de percurso, expressa em [keV/µ
[keV/µm].
 Indica a forma
de deposição da
energia no meio –
é uma medida
dos danos
causados pela
radiação que a
transporta.
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III. LET – Linear Energy Transfer


Valores de LET para diferentes tipos de radiação:
Tipo de radiação LET (keV/
(keV/µµm)

Electrões (1MeV) 0,25

Raios--X (diagnósticos)
Raios 3

Fotões (10 MeV) 4

Neutrões (2,5 MeV) 20

Partículas alfa (5 MeV) 100

Núcleos pesados 1000


Apontamentos da disciplina de Dosimetria de Radiação e Radioprotecção – Dra Filomena Botelho

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III. 1. RBE
A RBE (Relative
(Relative Biological Effectiveness)
Effectiveness) – relação da dose de
radiação em estudo com uma dose de raios- raios-X de 250 keV que
produz o mesmo efeito biológico.
dose de raios-
raios-X
Dref
RBE =
Dtest dose da radiação que
RBE depende de: produz mesmo efeito

 tipo de tecido
 taxa de dose
 tipo de radiação – LET

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III. 1. RBE
Valores aproximados do RBE para diferentes
radiações:
Tipo de radiação RBE
Fotões > 4 MeV 0,7
Fotões < 4 MeV 1
Partículas β > 30 keV 1
efeito
Partículas β < 30 keV 1,7
biológico
crescente Neutrões lentos 4-5
Neutrões rápidos 10
Protões 10
Partículas α 10
Iões pesados 20
Fonte: Maciel, 2005

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III. 1. RBE vs LET


São maiores os danos biológicos causados por radiações
com elevado LET, como é expresso pela RBE.

Acima dos 100 keV a RBE


cai “overkill”:
elevados LET causam
danos, a nível celular,
irreversíveis, não permitindo
que a regeneração celular.
 a energia não é toda
depositada no meio, há perda
de energia, a dose é “gasta”.
Radiation Dosimetry: Instrumentation and Methods – Shani, Gad – CRC Press LLC

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III. 2. OER
OER (Oxygen
(Oxygen Enhancement Ratio)
Ratio) – relação de enriquecimento
em oxigénio.
dose sob condições anóxicas
D
OER = anox
Daerób dose sob condições aeróbias

 Descreve numericamente o efeito do oxigénio


 A resposta dos tecidos à radiação é maior quando são
irradiados em situação aeróbia (na presença de
oxigénio) – efeito oxigénio.

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III. 2. OER vs LET & Dose


 OER é menos eficaz
para radiação com
elevados LET.

 Na quase ausência de
O2 (Hypoxic) as
células sobrevivem a
doses mais elevadas de
radiação.

http://www.medscape.com/pi/editorial/clinupdates/2000/583/art--tu02.fig05.jpg
http://www.medscape.com/pi/editorial/clinupdates/2000/583/art

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V. Efeitos biológicos da radiação


Algumas das
consequências
biológicas da
irradiação em
seres vivos.

Techniques for Nuclear and Particle Physics Experiments – WR Leo [Fig. 3.2]
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V. Efeitos biológicos da radiação

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V. Efeitos biológicos da radiação

Quem está mais exposto:

Exposição ocupacional
 Mineiros de minas de urânio
 Trabalhadores dos estaleiros e reactores nucleares
 Aviadores civis e astronautas (~2 µSv/h)
 Investigadores científicos
 Pessoal médico que trabalha com radiação
 Doentes sujeitos a radioterapia

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(Φ ∝ 1r )
2

V. Efeitos biológicos da radiação


 Protecção
1. Distância à fonte: Locais extensos
Φ∝ 1
r2
2. Blindagem:
Fontes pequenas
 Raios gama → ex:. Pb (Z elevado)
 Electrões → ex:. Al (Z baixo)
 Radiação α e
Betão/Ferro
 protões → qualquer material (ex:. papel)
 Neutrões → material variado (Z baixo)

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IV. Dosímetros
 Dosímetro termoluminescente (TLD)
A radiação que chega ao detector tira os electrões da banda de
valência mas não têm energia suficiente e estes ficam retidos, não
atingindo a banda de condução. São libertados se forem aquecidos,
e com eles fotões termoluminescentes.

LiF:Mg
Os TLD: http://cfhr.epm.br/download/aulas/fisica/Detectores.pdf

 Podem medir exposições entre 10^- 10^-5 e 10^6 R.


 Sensíveis a radiação α, β, γ, raios
raios--X, UV e a alguns neutrões.
 Rápida leitura de dose e baixo custo.

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IV. Dosímetros
 Câmaras de ionização
Os pares de iões produzidos no interior da câmara são colectados, e a
quantidade de iões produzida depende da energia e do poder de
ionização da radiação.
 Utilizadas para detecção de radiação α, β e fotões.
 Muito utilizadas em radioprotecção principalmente para detecção
de radiação secundária.

http://cfhr.epm.br/download/aulas/fisica/Detectores.pdf

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VI. Legislação
 Legislação nacional e algumas directivas comunitárias no âmbito da
protecção contra radiações ionizantes relativos à área de
radioterapia e de segurança, higiene e saúde no trabalho:
http://ptero.com/gpr/legis_00.html
http://www.ishst.pt/IDICT_AC08.aspx?Cat=Cat_Existente_Agentes
fqb_agentesfisicos&lang=
fqb_agentesfisicos&lang =
 Limites para o radão em países europeus:
http://www.edilitaly.com/radon/rile/115.php3
 Legislação sobre segurança nuclear e resíduos radioactivos:
http://europa.eu/scadplus/leg/pt/s14005.htm

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VII. ANEXO
 Excerto duma apresentação preparada para divulgação junto de
alunos de escolas secundárias

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EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO

Os efeitos biológicos da radiação dependem de:


- dose de radiação absorvida
- tipo de radiação absorvida (factor de qualidade
qualidade--Q)
- tempo de exposição à radiação
- parte do corpo que recebe a radiação

Ex.: Alfa e beta são


mais perigosas quando
ingeridas!!
ingeridas

EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO

Exemplos de doses

Exame de medicina nuclear ((cintigrama


cintigrama)) 0,1 mSv

Uma radiografia (tórax


tórax)) 1 mSv

Radiação de fundo natural 2,8 mSv / ano


Limite máximo para trabalhadores em
50 mSv / ano
ambientes radioactivos
Uma dose de:
no corpo todo
todo,, num período curto 5 Sv
(horas)
horas) é letal em 50% dos casos
Doses de:
usadas em partes restritas do
50 Sv
corpo para fins terapêuticos
(RADIOTERAPIA)

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EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO

Efeitos prontos Curto--prazo (horas


Curto horas,, dias
dias,, meses
meses))
/precoces

Gama sub-
sub-clínica
Efeitos agravados
(ausência de efeitos
com o aumento 10 Sv
abaixo deste limiar
limiar))
1 Sv da dose
Limiar
Efeitos retardados Longos períodos de latência (anos
anos))

Não há evidência Probabilidade de


de efeitos sobre a ocorrência de efeitos
saúde humana
50 mSv aumenta com a dose
Limiar

Referências
 Radiation Detection and Mesurement – Knoll
 Techniques for Nuclear and Particle Physics Experiments – WR Leo
 Biofísica Médica – J.J. Pedroso Lima – Almedina
 Radiation Dosimetry, Instrumentation and Methods – Gad Shani
 Apontamentos da disciplina de Dosimetria de Radiação e Radioprotecção – prof. Dra
Filomena Botelho

 http://www.prorad.com.br/
 http://www.ndt--ed.org/EducationResources/CommunityCollege/RadiationSafety/quan_units/units.htm
http://www.ndt
 www.myoops.org/twocw/mit/NR/rdonlyres/Nuclear-Engineering/22-
www.myoops.org/twocw/mit/NR/rdonlyres/Nuclear-Engineering/22-01Introduction-
01Introduction-to
to--
Ionizing...255B.../let_and_rbe
Ionizing...255B.../let_and_ rbe.doc
.doc
 NOÇÕES SOBRE DOSIMETRIA DAS RADIAÇÕES IONIZANTES – Alwin Elbern, Ph.D.
 http://en.wikipedia.org/
 http://cfhr.epm.br/download/aulas/fisica/Detectores.pdf

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