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Caro Professor,

Em 2009 os Cadernos do Aluno foram editados e distribuídos a todos os estudantes da


rede estadual de ensino. Eles serviram de apoio ao trabalho dos professores ao longo de
todo o ano e foram usados, testados, analisados e revisados para a nova edição a partir
de 2010.

As alterações foram apontadas pelos autores, que analisaram novamente o material, por
leitores especializados nas disciplinas e, sobretudo, pelos próprios professores, que
postaram suas sugestões e contribuíram para o aperfeiçoamento dos Cadernos. Note
também que alguns dados foram atualizados em função do lançamento de publicações
mais recentes.

Quando você receber a nova edição do Caderno do Aluno, veja o que mudou e analise
as diferenças, para estar sempre bem preparado para suas aulas.

Na primeira parte deste documento, você encontra as orientações das atividades


propostas no Caderno do Aluno. Como os Cadernos do Professor não serão editados em
2010, utilize as informações e os ajustes que estão na segunda parte deste documento.

Bom trabalho!

Equipe São Paulo faz escola.

1
GABARITO

Caderno do Aluno de Geografia – 3ª série – Volume 1

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1

REGIONALIZAÇÃO DO ESPAÇO MUNDIAL

Páginas 3 - 5
1. No mapa em questão, o critério de regionalização são os continentes. Este critério é
questionável, pois o conceito de continente refere-se a grandes extensões de terras
emersas cercadas por oceanos e mares, enquanto, tradicionalmente, os continentes
correspondem às seguintes divisões: América, África, Europa, Ásia, Oceania e
Antártica. Vale ressaltar também que o parâmetro normalmente utilizado para se
definir continente considera extensões de terras maiores do que a Groenlândia, a
maior ilha do planeta, pertencente à Dinamarca, com 2 166 086 km2. Como exemplo
inicial sugere-se que se discuta com os alunos o fato de que o próprio conceito de
continente conflita-se com a forma como tradicionalmente os mesmos se dividem, já
que a Europa geograficamente é uma península de um continente denominado
Eurásia, e só é considerada continente em função de haver sido o berço da civilização
ocidental. Já a Oceania é um continente formado por uma sucessão de arquipélagos,
e não uma grande extensão de terras cercada por mares ou oceanos. Além disso, tal
regionalização não retrata aspectos socioeconômicos (renda, industrialização,
tecnologia, analfabetismo etc.), políticos (regime político, por exemplo), culturais
(línguas, religiões etc.) ou naturais (climas, biomas etc.) que nos permitiriam
visualizar a dinâmica da natureza ou das sociedades no espaço geográfico.
2. O critério de regionalização adotado nos mapas refere-se, respectivamente, à distribuição
dos diferentes tipos de vegetação e à taxa de mortalidade infantil no mundo. Nos dois
casos, os critérios são distintos dos utilizados no mapa da regionalização por continentes.
No caso do mapa de vegetação, a distribuição das formações vegetais apresenta relação

2
direta com a distribuição dos climas, e estes, com as zonas térmicas da Terra. Já o mapa
de mortalidade infantil, indicador social importante para se entender as condições de
vida nos países do globo, difere-se dos demais porque considera dados divulgados pela
ONU acerca da distribuição populacional por faixa etária.
3. O conceito e as diferentes formas de regionalização do mundo também são estudadas
em séries anteriores e a retomada de sua análise na 3a série requer do aluno a
compreensão e indicação das inúmeras possibilidades de se aplicar esse critério.
Portanto, espera-se que os alunos apresentem, por exemplo, a regionalização
característica da Guerra Fria, na qual o mundo é dividido em países capitalistas e
socialistas; ou a divisão norte rico e sul pobre, ou inúmeras outras possibilidades.
De forma geral, para a regionalização do espaço mundial utilizam-se critérios físicos
ou naturais (climas, vegetação etc.), culturais (línguas, religiões etc.), econômicos
(industrialização, tecnologia, PIB per capita etc.), sociais e populacionais
(analfabetismo, mortalidade infantil, expectativa de vida, natalidade etc.), indicadores
de desenvolvimento humano (IDH), políticos (regimes políticos etc.), entre outros.
4. Regionalizar significa dividir o espaço terrestre ou parcelas dele (tanto o espaço
mundial como um país, estado, cidade etc.) em regiões ou partes que devem possuir
características comuns e que podem, portanto, ser identificadas.

Páginas 6 - 9

Professor: em função de modificações na classificação das economias adotada pelo


Banco Mundial – em especial, o uso de quatro categorias de rendimento, e não mais
três, como no Relatório do Desenvolvimento Humano 2004, explorado no Caderno do
Professor –, optou-se por atualizar os dados trabalhados no Caderno do Aluno.

A tabela proposta para análise apresenta alguns dos 210 países (186 países-membros
do Banco Mundial e economias com população superior a 30 mil habitantes) que foram
classificados em cada um dos quatro grupos de rendimento (dados de 2008):

– alto (RNB per capita de U$ 11 906 ou mais) = total de 66 países;


– médio-alto (RNB per capita de U$ 3 856 a U$ 11 905) = total de 46 países;
– médio-baixo (RNB per capita de U$ 976 a U$ 3 855) = total de 55 países;

3
– baixo (RNB per capita de U$ 975 ou menos) = total de 43 países.

Ao explorar esses dados com os alunos, aproveite para chamar a atenção para as
quatro categorias, solicitando que eles levantem hipóteses que poderiam explicar as
divisões “médio-alto” e “médio-baixo”, por exemplo. Essa reflexão poderá ser retomada
posteriormente, na Situação de Aprendizagem 2, quando se explora de modo mais
aprofundado esses “refinamentos” de classificação (utilizando o caso do IDH).

1.
a) Na orientação desta atividade, você pode questionar os alunos se a intenção
deles é apenas localizar no mapa cada grupo de países ou representar a diferença
entre os países mais ricos e os mais pobres. Com isso, você poderá discutir com eles
qual a melhor variável visual a ser utilizada; leve-os a perceber que, por se tratar de
um mapa ordenado de um único fenômeno (a regionalização do mundo com base na
classificação do Banco Mundial), a mais adequada é a variável valor – a mesma cor
com mudança de tonalidade, da mais forte (economias de alto rendimento) para a
mais fraca (economias de baixo rendimento).
b) Conforme retrata o mapa elaborado pelos alunos, os países do mundo podem ser
classificados e agrupados em função de sua Renda Nacional Bruta per capita. Nessa
regionalização, adotada pelo Banco Mundial, são representadas as economias classificadas
como “baixo rendimento” (países comumente chamados de “subdesenvolvidos”) e “médio
rendimento” (subdivididas em “médio-alto rendimento” e “médio-baixo rendimento”),
além das economias de “alto rendimento” (que, em sua maior parte, coincide com os
“países desenvolvidos”). Essa classificação é largamente empregada para propósitos
operacionais e analíticos, dada sua simplicidade e aparente consistência.
c) Os alunos devem relacionar a concentração de países de alta renda no hemisfério
Norte com aspectos históricos, como a presença dos colonizadores de países
europeus – as metrópoles coloniais. Eles podem citar o desenvolvimento econômico
e o poder político dos Estados Unidos e sua influência na Europa e no Japão.
2. O mapa expressa uma das formas mais conhecidas de ver a distribuição de riqueza
no planeta com base no processo de concentração de renda que se estabeleceu ao
longo do processo histórico e que se cristalizou a partir da segunda metade do século
XX. O critério utilizado em sua confecção considera a divisão do mundo entre países
do “Norte” (países ricos, desenvolvidos) e países do “Sul” (países pobres, em

4
desenvolvimento). Entre os parâmetros utilizados para tal classificação, deve-se
analisar com os alunos a abrangência e influência dos processos coloniais
responsáveis por impor uma desigual divisão social do trabalho e da produção a uma
parcela do território mundial. Nesse sentido, sugerimos que sejam analisadas as
condições de pobreza da América Latina, da África e de parte da porção asiática,
representativas das desigualdades que têm como uma das causas os processo
coloniais neles ocorridos. Vale ressaltar que, apesar de a Austrália e a Nova Zelândia
encontrarem-se no hemisfério sul – e haverem sido colônias de povoamento até o
final do século XIX –, a linha divisória as incorpora ao “norte” rico. Esta pode ser
uma situação adequada para retomar com os alunos a diferença entre colonização de
exploração e de povoamento. Além disso, há também discrepâncias quanto a países
europeus que não foram fruto da colonização e que ainda hoje apresentam condições
inadequadas de vida diante do conjunto de países ricos, como é o caso da Albânia e
de algumas das ex-repúblicas iugoslavas (a Bósnia, por exemplo), embora se
encontrem no interior do limite estabelecido para países ricos.

Página 9

Esta atividade apresentará diferentes resultados ou formas de apresentação.


Sugerimos ao professor que considere como critério de avaliação a organização do
grupo, a criatividade na escolha e elaboração dos cartazes, a coerência do texto
explicativo e, a forma como o grupo apresenta a explicação de seu trabalho para o
restante da sala. Cada vez mais cabe a nós, professores, ensinar aos nossos alunos
critérios importantes para a explanação oral. Portanto, antes do início das apresentações,
sugerimos que sejam apresentados critérios para a apresentação oral, tais como: postura
do aluno diante da classe, clareza e organização na explanação; tom de voz adequado,
para que alcance a todos; e uso da norma culta da língua portuguesa, evitando gírias ou
expressões inadequadas para o tema em questão.

5
Páginas 9 - 10
1. Alternativa e.
2.
a) O mapa-múndi fornecido para análise retrata apenas a distribuição física dos
continentes, sem maiores detalhes. Nele não são considerados outros critérios
importantes para a compreensão do mundo atual, como aspectos relacionados à
economia, política, cultura das regiões e países do mundo etc. Desse modo, o mapa
não representa adequadamente a atual regionalidade do mundo.
b) Existem várias formas ou maneiras de se ver e regionalizar o mundo atual. Entre
as regionalizações possíveis, a divisão do mundo em países do Norte (ricos) e do Sul
(pobres) é uma das mais expressivas, pois busca retratar a distribuição de riqueza no
planeta com base no processo de concentração de renda que se estabeleceu ao longo
do processo histórico e se cristalizou a partir da segunda metade do século XX. A
formação de blocos econômicos regionais é outra regionalização possível, pois além
de estar relacionada ao processo de globalização, permite observar como grupos de
países efetuam trocas comerciais e econômicas exercendo graus de influência uns
sobre os outros. Por último, entre outras regionalizações possíveis, a que retrata o
poderio militar dos Estados Unidos também é interessante porque revela a
distribuição de poder no globo: traz à lume a influência e as vantagens geopolíticas
desse país perante outras potências e Estados e coloca em evidência os desafios de
um mundo chamado por muitos de unipolar.

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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2

AS REGIÕES DA ONU

Para começo de conversa

Professor: optou-se por atualizar a discussão concernente ao IDH no Caderno do


Aluno, em função de mudanças na classificação desse índice – que agora agrupa os
países em quatro categorias de desenvolvimento humano (muito elevado, elevado,
médio e baixo).

Assim, no desenvolvimento dessa Situação de Aprendizagem, você poderá não


somente retomar as hipóteses levantadas pelos alunos quanto às mudanças de
classificação adotadas por diferentes organismos internacionais – Banco Mundial e
PNUD, no caso específico desse Caderno –, mas, e principalmente, levá-los a perceber
como qualquer critério de classificação (e regionalização) é mutável e responde a
interesses diversos, em cada momento histórico.

Página 11

Percebe-se que alguns países melhoraram sua classificação no IDH ao longo do


tempo ao observar a porcentagem de países com IDH médio, que caiu de 48% em 2005
para 41% em 2007, elevando principalmente a porcentagem de países com IDH elevado
(e muito elevado): de 40% para 46%. Vale destacar que o número de países com IDH
baixo aumentou de 12% para 13%, o que significa que, apesar de melhora da qualidade
de vida em alguns países, outros sofreram retrocesso, piorando as condições de vida da
população. Além disso, com a criação da categoria “muito elevado” em 2007, fica mais
fácil perceber que a maioria dos países tem IDH médio e baixo (54%), muito distante do
grupo de países cujas condições de vida da população poderiam ser consideradas mais
adequadas (21%). Esses dados auxiliam na reflexão sobre a acentuação das
desigualdades entre os grupos de países.

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Páginas 12 - 13
1.
• Países que apresentaram elevação do IDH: Islândia, Noruega, Austrália, Canadá,
Irlanda, Malta, Barein, Brasil, Dominica, Armênia, Líbano, Nigéria e Serra Leoa.
• Países que apresentaram diminuição: Togo, Gâmbia, Senegal e Níger.
Quanto a esse grupo de países, é importante que você amplie a discussão junto aos
alunos, de modo a levá-los a perceber que:
• as cinco primeiras posições do IDH 2007 continuam a ser ocupadas pelos
mesmos países, ainda que em colocações distintas das de 2005;
• todos os países que, em 2007, estão classificados com IDH médio, elevado ou
muito elevado tiveram crescimento.
• dos países com IDH baixo, apenas Serra Leoa teve crescimento.
Quanto à mudança de categorias, vale apontar que:
• Malta é o único país de IDH muito elevado da tabela que recebeu essa
classificação pela melhoria significativa de seu IDH (de 0,878 em 2005 a 0,902 em
2007);
• os demais países de IDH muito elevado presentes na tabela (Noruega, Austrália,
Islândia, Canadá, Irlanda) apenas foram reclassificados, pois seus IDH de 2005 já
estavam próximos dos índices registrados em 2007;
• Dominica e Líbano subiram, passando do IDH médio para o elevado;
• Nigéria subiu, passando do IDH baixo para médio;
• Togo e Gâmbia desceram na classificação, passando do IDH médio para o baixo;
• Embora Serra Leoa tenha apresentado melhoria em seu IDH entre 2005 e 2007,
isso não significou mudança de categoria.
2. Espera-se que os alunos levantem hipóteses sobre a diferença na qualidade de vida
entre os países de IDH elevado e muito elevado, apresentando exemplos como o do
Brasil e o da Argentina, economias emergentes com IDH elevado, mas que
apresentam realidades muito distintas das de países como a Noruega e a Austrália,
que apresentam IDH acima de 0,900 e passaram a ser considerados países de IDH
muito elevado.

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Páginas 13 - 17
1. Estão na mesma faixa de PIB per capita que o Brasil:
• na América do Sul: Chile, Argentina, Uruguai, Peru, Equador, Venezuela e
Suriname;
• na África: Argélia, Tunísia, Líbia, Guiné Equatorial, Gabão, Namíbia, Botsuana,
África do Sul e Suazilândia.
Ao comparar o PIB per capita com o IDH, espera-se que os alunos percebam que:
• na América do Sul, o Chile, a Argentina e o Uruguai apresentam IDH mais
elevado que o Brasil (uma faixa acima), enquanto a Venezuela está na mesma faixa e
o Peru, o Equador e o Suriname têm índices uma faixa abaixo da do Brasil;
• na África, apenas a Líbia está na mesma faixa de IDH do Brasil, enquanto os
demais encontram-se uma (Argélia, Tunísia, Gabão, Namíbia, Botsuana e África do
Sul) e até duas faixas abaixo (Guiné Equatorial e Suazilândia).
Na justificativa, espera-se que os alunos citem a importância de outros indicadores
socioeconômicos, com destaque para a expectativa de vida e taxa de escolaridade.
2. Espera-se que os alunos reflitam sobre os indicadores utilizados para o cálculo do IDH,
destacando o papel da educação e da saúde na avaliação da qualidade de vida, não
restringindo essa análise à renda média da população. Podem surgir respostas contrárias,
pois os alunos podem argumentar que a renda é essencial para a obtenção de saúde e
educação. Neste momento o professor tem a oportunidade de discutir com os alunos
sobre a relação entre padrão de consumo e oferta de serviços básicos para a população.

Páginas 18 - 19
1.
a) Espera-se que os alunos percebam que o Brasil apresenta IDH elevado e a média
mundial é de IDH médio. No entanto, a análise dos índices permite notar que,
enquanto o PIB é bastante aproximado, sendo ainda maior na média mundial, os
índices da esperança de vida e da Educação são significativamente maiores no Brasil,
com ênfase para este último – principal responsável pelo IDH elevado do país.

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b) A média do IDH dos países latino-americanos é superior à do Brasil – ainda que
ambos se classifiquem como IDH elevado. Na composição do índice, vale salientar o
indicador de esperança média de vida, maior no conjunto dos países. Assim, embora
os índices do PIB e da Educação sejam aproximados, o Brasil ainda está em
defasagem quanto às políticas de saúde que garantam um aumento na expectativa de
vida de sua população.
Essa comparação pode ser aproveitada para uma discussão sobre as diferentes realidades
vivenciadas pelos países do continente americano, desmistificando a ideia de que todos
os países da América Latina apresentam a mesma realidade socioeconômica.
2. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é calculado com base nos seguintes
indicadores: o PIB per capita, em dólares PPC, ou seja, corrigido pela paridade do
poder de compra, de acordo com a moeda de cada país; escolaridade, avaliada pelo
índice de analfabetismo e pela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino;
longevidade, na qual são utilizados os números relativos à expectativa de vida ao
nascer. Entre as principais críticas dirigidas ao IDH, podem ser destacadas: o fato de
não levar em conta as formas de distribuição de renda e as diferenças culturais entre
as nações. Esse último aspecto, por exemplo, abrange particularidades de
comportamento quanto ao consumo e distintos valores que cada sociedade atribui
para questões relacionadas à educação e formas de apropriação dos resultados da
produção. Desse modo, apesar de ser um importante indicador, o IDH não
contabiliza todos os aspectos do desenvolvimento e não aufere a “felicidade” das
pessoas, nem indica “o melhor lugar do mundo para se viver” dado que cada
indivíduo e sociedade têm representações distintas sobre o que seja o “bem-estar”. A
nova categorização de países de IDH muito elevado reforça as diferenças entre os
países e demonstra que o que se entende por qualidade de vida é relativo.

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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3

O CONFLITO NORTE E SUL

Páginas 21 - 22
1. De maneira geral, em relação à linha divisória norte–sul, nota-se que grande parte
dos países com as mais elevadas emissões de CO2 em toneladas por habitante está
concentrada no Norte. O mapa ainda permite observar que existem exceções que não
tornam essa caracterização absoluta, como o caso dos países do norte da África e
Oriente Médio, China, Argentina, entre outros.
2. O conflito em questão deve-se, em grande parte, à não assinatura, pelos Estados
Unidos, do Protocolo de Kyoto – tratado internacional sobre redução de emissão de
gases do efeito estufa que conta com a adesão de várias nações desenvolvidas. Até
2008, enquanto ocorreram negociações para a inclusão de países em
desenvolvimento, como China e Índia, neste Protocolo ou nas metas previstas de
redução dos “gases de efeito estufa”, os Estados Unidos não o havia assinado.

Páginas 23 - 24
1. O mapa retrata os fluxos migratórios internacionais e a parcela de imigrantes na
população total dos países no final do século XX. Embora apresente a existência de
fluxos migratórios entre países e regiões do Sul (como as migrações do
Subcontinente Indiano e do Magreb para o Oriente Médio), nota-se que os grandes
fluxos migratórios ocorrem na direção sul-norte, sendo os Estados Unidos e a Europa
as principais áreas de atração de imigrantes.
2.
a) Contraditoriamente, a situação atual dos imigrantes tem se agravado de maneira
assustadora. O grande fluxo de imigrantes procedentes dos países do Sul para os países
da União Europeia gera protestos entre parcelas significativas das populações receptoras.

11
b) Sob a alegação de que o imigrante subtrai postos de trabalho da população local,
partidos políticos conservadores europeus, alguns de extrema direita, têm se apoiado nesse
argumento durante disputas eleitorais, sensibilizando a população e, assim, contribuído
para a exacerbação da xenofobia (aversão a estrangeiros) que tanto marcou a história
recente de alguns países europeus. Além de serem vítimas de preconceitos e
discriminações, os imigrantes ainda enfrentam hostilidades sistemáticas e, principalmente
no caso dos imigrantes clandestinos, o desemprego ou a ocupação de postos de trabalho
mal remunerados somados às dificuldades de uma legislação mais rígida.
c) De um lado, retrata situações características do mundo globalizado e, de outro,
atitudes xenofóbicas que contrastam com essa ideia.

Página 25

Como os temas propostos na pesquisa são complementares, você pode dividi-los


entre os grupos de modo a que todos possam ser abordados por pelo menos um grupo. O
Tema 1 pode abordar questões relacionadas à oferta de trabalho nos países que mais
recebem imigrantes e a competição entre esses trabalhadores, que se sujeitam a ganhar
menos, e os trabalhadores locais. O Tema 2 pode abordar as causas econômicas e
políticas que provocam as migrações e o Tema 3 amplia a discussão ao propor que os
alunos reflitam, a partir da pesquisa, qual é o futuro das migrações internacionais.

Páginas 26 - 27
1. Alternativa e. No citado relatório anual da OCDE, os principais fluxos migratórios
internacionais da atualidade são relacionados a fatores de ordem econômica, política,
religiosa e étnica. Apesar de o mapa apresentar também os países subdesenvolvidos, nota-se
que a maior parte dos fluxos migratórios se dirige para os países desenvolvidos (centrais),
pertencentes ao chamado Norte desenvolvido, cujas economias fortes e melhores
oportunidades de emprego representam atrativo para os imigrantes.
2. Alternativa a.

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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4

GLOBALIZAÇÃO E REGIONALIZAÇÃO ECONÔMICA

Páginas 28 - 32
1. Espera-se que os alunos destaquem os seguintes aspectos:
• Na América, apenas Cuba não está polarizada pelos Estados Unidos.
• Na África, percebe-se a presença de aliados da União Soviética e muitos países
não alinhados a nenhuma das superpotências.
• Europa está fortemente dividida entre a influência dos EUA e da URSS
consolidando a ideia de “cortina de ferro”.
• A Ásia apresenta forte influência da URSS, embora seja marcante a presença
americana no Sudeste Asiático e Japão. Os alunos poderão subdividir o continente
asiático em Oriente Médio, Ásia Central e Sudeste Asiático.
• Na Oceania, é forte a influência norte-americana.
2. Observa-se a ampliação da área de influência em países da Europa Oriental e Ásia.
Além disso, surgiram países “hostis” aos Estados Unidos, como a Venezuela, o
Iraque e o Zimbábue. Isso reflete a permanência de conflitos regionais, mesmo com o
fim da bipolaridade.
3. Este mapa apresenta as potências regionais, mostrando que, apesar da ampliação da
influência militar dos EUA, existem países com uma dinâmica política e/ou
econômica capaz de realizar uma influência regional.
4. Os termos bipolaridade e multipolaridade se contrapõem e expressam diferentes
relações de força no cenário das relações internacionais. Conforme retratam os
mapas, a partir da década de 1990, com o fim do sistema de polaridades definidas ou
da ordem mundial bipolar da Guerra Fria, ocorreu o aparecimento de um sistema de
polaridades indefinidas ou, em outras palavras, de uma ordem mundial multipolar,
caracterizada pela existência de vários polos ou centros mundiais de poder
econômico e político. Em lugar do antigo confronto ideológico, militar e econômico
entre os blocos capitalista e socialista capitaneados pelas duas superpotências rivais

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da “velha ordem mundial” – Estados Unidos e ex-URSS (mapa das páginas 28-29 do
Caderno do Aluno) –, há duas décadas assistimos a uma recomposição das alianças
militares e econômicas entre grupos de países (mapa da página 30 do Caderno do
Aluno). No mundo pós-Guerra Fria, apesar da existência de três principais centros de
poder econômico (Estados Unidos, União Europeia e Japão), a chamada tríade do
capitalismo mundial, também nota-se a afirmação de potências econômicas e
políticas regionais, como Brasil, África do Sul e China (esta última considerada por
muitos como a grande potência do século XXI) que poderão, num futuro não muito
distante, contribuir para a afirmação de uma ordem mundial multipolar com a maior
participação de países do Sul na tomada e influência de decisões internacionais.
5. Os termos monopolar – ou seja, país, entidade ou empresa que detém o monopólio
econômico no âmbito da produção e dos mercados – e unipolar – conceito que
identifica um único pólo de poder mundial – são empregados por muitos observadores
e estudiosos para denominar o cenário internacional entreaberto com o fim da Guerra
Fria. Consideram que a Nova Ordem Mundial é monopolar e unipolar, pois destacam
que os Estados Unidos ainda é o único país a exercer o domínio econômico e militar
no panorama do mundo atual, ou seja, sem a presença de um rival ou oponente capaz
de contrabalançar ou equilibrar seu poderio nesse sentido. Do ponto de vista militar, a
Rússia, por exemplo, a principal herdeira da extinta União Soviética e hoje pertencente
à CEI, ingressou numa profunda crise econômica a partir do início da década de 1990,
fato responsável, entre outros, pelo enfraquecimento do seu poderio militar. Sugere-se
também analisar com os alunos o fato de que para muitos analistas, a China vem
despontando como país passível de ameaçar a supremacia americana. Porém, é
fundamental ressaltar que no âmbito da economia, o denominado “país fábrica” não
possui domínio científico- tecnológico que ameace a posição emblemática dos EUA no
mundo, e a sua produção depende ainda do enorme mercado consumidor norte
americano, já que as condições sociais da China, apesar de terem melhorado
consideravelmente ainda não correspondem a um mercado consumidor auto-
sustentado. Além disso, o país não possui tecnologia e aparato militares
suficientemente adequados para fazer frente ao dos EUA. Com isso, em praticamente
todo o globo, a superpotência da América do Norte é o único país capaz de sustentar
ou realizar intervenções militares em conflitos mundiais importantes, dada a presença
de suas forças armadas no mundo, como mostra o mapa.
14
Páginas 33 - 34
1. A globalização promoveu uma maior integração do mercado mundial diante dos
avanços tecnológicos nos transportes e nas telecomunicações, processo que ganhou
intensidade na década de 1990, em parte por causa da abertura de novos mercados,
como os antigos países do bloco socialista que abriram suas economias. Ao lado
desse processo, a globalização também acentuou a regionalização ou a fragmentação
da economia mundial, pois, desde o final da década de 1980 e início da de 1990,
fortaleceu-se a tendência de formação de tratados econômicos regionais entre países,
ou seja, a constituição de blocos econômicos. Diante dos quadros competitivos que a
globalização impõe, sobretudo a partir dos períodos indicados, diversos países
passaram a se reunir ou se agrupar em torno de interesses econômicos comuns, com
o objetivo de facilitar e expandir suas trocas comerciais para se fortalecerem nesse
contexto. Isso significa dizer que, embora a formação de tratados econômicos
regionais entre países já se manifestasse antes do final da década de 1980 e início dos
anos 1990, a partir desse período verificou-se o fortalecimento desse processo.
2. O mapa apresentado retrata a situação dos países do mundo quanto ao número de
internautas por 100 habitantes, em 2005. De maneira geral, observa-se que as
populações dos países do Norte possuem maior acesso à internet, em contraste com
às dos países do Sul, que apresentam heterogeneidade quanto ao assunto em foco.
Comparando com os mapas anteriores, é possível estabelecer a relação entre renda e
acesso à tecnologia.

Páginas 34 - 36

Nesta atividade, os alunos deverão preencher um quadro-síntese acerca de aspectos


significativos na Nova Ordem Mundial. Propomos, inicialmente, que este quadro seja
resultado de um trabalho de coleta de informações em diferentes fontes bibliográficas
para que o resultado permita ampla discussão em sala. Após a apresentação dos
resultados individuais, propomos que se realize uma síntese na lousa e que se discutam

15
todas as convergências e divergências de informações. Esse exercício permitirá que os
alunos notem possíveis divergências de caráter ideológico, considerem que há fontes
mais confiáveis do que outras e, também, compreendam que além da qualidade das
fontes, devemos ficar atentos para identificar se os dados são do mesmo período ou ano
e quais critérios foram utilizados nos diferentes documentos. Tal exercício intelectual
permitirá aos alunos desenvolverem censo crítico diante das informações apresentadas
pelos diferentes meios de comunicação, considerando variáveis indispensáveis para a
análise de dados.

Páginas 37 - 38
1.
a) Globalização e formação de blocos econômicos são processos relacionados. A
formação de blocos econômicos é uma condição essencial para o avanço da
globalização, baseada principalmente na expansão e fortalecimento do mercado
global e na competitividade comercial entre os países ou grupos deles que se
associam para adquirir maior inserção no mercado competitivo global.
b) A União Europeia, além de ser um mercado comum, também é uma união
econômica e monetária, com programas sociais e de desenvolvimento comuns,
permitindo a livre circulação de pessoas, diferindo, por exemplo, do Nafta e do
Mercosul.
2. Alternativa d.

AJUSTES

Caderno do Professor de Geografia – 3ª série – Volume 1

Professor, a seguir você poderá conferir alguns ajustes. Eles estão sinalizados a cada
página.

16
Mundo: PIB perInterno
Produto capita, 2004
Bruto (PIB) por habitante e por país

Reino Unido 35 717 PIB por habitante, 2004


França 33 967 (em dólares)
Alemanha 32 707
101 654
40 000
Canadá Japão 28 565
Rússia 4 046
31 030 36 500 Média
9 600
Noruega 54 383 Mundial
Dinamarca 44 593 2 220
Estados Unidos Luxemburgo 69 423 200
39 650 93
Liechtenstein 101 654
Método estatístico:
Islândia 41 913
médias ajustadas com isolamento
Irlanda 44 521 China 1 283
dos valores extremos
Suíça 49 366
ausência
Bermudas 64 749 de dados
San Marino 44 607
Palau, Nauru,
Kiribati, Fiji,
Ilhas Cook
Micronésia,
Kiribati,
Salomão,
Afeganistão 184 Tuvalu,
Samoa,
Eritreia 187 Vanuatu,
Libéria 146 Tonga
Etiópia 106
Serra Leoa 195 Burundi 93
Guiné Bissau 176 Malauí 165
Níger 199
RDC 114

O Produto Interno Bruto (PIB) representa o valor de todos os bens e serviços


de um país ao longo de um ano. Dividido por habitante, reflete a renda da
qual disporia cada indivíduo se o PIB estivesse repartido de maneira
eqüitativa. O PIB por habitante é um bom indicador da produtividade
econômica, mas não é suficiente como medida de bem-estar.

Figura 7 – Mundo: PIB per capita, 2004. Fonte: Atelier de Cartographie de Sciences Po. Disponível em: <http://cartographie.
dessciences-po.fr/cartotheque/01-02_pib_hab_QT_2004.jpg>. Acesso: 7 out. 2008.

PIB por país, 2004


Canadá (em bilhões de dólares)
A partir do mapa da Figura 7, esclareça aos senvolvimento (AID). O primeiro 12 765
concede
Holanda Japão
alunos que o PIB per capita (como Reino Unido também Alemanha o empréstimos
Rússia
e assistência para o 4desenvolvi-
670

PNB per capita – reveja a Figura 4, Situação mento de países de renda média e1500000 com bons
UE (25) Coréia do Sul 100
de Aprendizagem 1) é muitoFrançautilizado para antecedentes de crédito, obtendo grande parte
Estados Unidos
mensurar ou indicar o nível deEspanha
Mexico desenvolvimen-
Itália dos seus fundos
China da venda de títulos nos mer-
Palau,
Micronésia,
to dos países. Em particular, informe que são cados internacionais de capital. Nauru,
Kiribati,
Salomão,
Índia
utilizados nas estatísticas divulgadas pelo Ban- Samoa,
Roberto Gimeno e Atelier de cartographie de Sciences Po, setembro 2006

Vanuatu,
Fiji, Tonga,
Ilhas Cook.
co Mundial. Aproveite a ocasião para explicar A AID, por sua vez, desempenha papel im-
que esse banco foi criado em 1945 em Bretton portante na missão de reduzir a pobreza, pro-
Woods. Com sede em Washington D.C., con- movendo o progresso econômico e social dos
Brasil
Austrália
ta hoje com 184 países-membros e tem como países-membros mediante o financiamento de
seu principal objetivo a redução da pobreza e a projetos. A assistência prestada pela AID diri-
África do Sul PIB: os 4 primeiros países ou grupos de países
promoção do desenvolvimento sustentável. ge-se aos países mais pobres, aos quais conce-
de empréstimos sem juros (a maior parte dos
SobFeito
sua chancela existe o Banco Interna-
com Philcarto - http://perso.club-internet.fr/philgeo
seus recursos
12 765 11 710 financeiros
4 670 1 650 é obtida a partir das
União Européia Estados Unidos Japão China
cional para Reconstrução
Fonte: CNUCED, www.unctad.int e Desenvolvimento contribuições dos membros mais Projeção J.ricos
Bertin e até
(Bird) e a Associação Internacional de De- mesmo de alguns países emergentes).
22
Mundo: o surgimento do mundo multipolar – a recomposição das alianças, 1991-2006

Japão
Coreia
do Norte
Filipinas

Rússia Mongólia
Canadá
China
Indonésia Austrália

Estados Unidos Mianmar


Cazaquistão
Índia
Afeganistão
Paquistão
Turquia Irã
Síria
Iraque
Cuba Israel

Países que possuem


armas nucleares
Organização do Venezuela
Tratado do Atlântico Norte
(OTAN)
Países candidatos à
adesão à OTAN

Países que assinaram um


acordo militar com os Estados
Unidos ou lhes concederam a Zimbábue
utilização de bases ou facilidades
Intervenções militares
dos Estados Unidos e de
seus aliados África
Tratado de segurança regional do Sul
Organização de Cooperação
de Xangai (OCS)
Observatório da OCS

Organização militar de segurança


coletiva da Comunidade dos Estados
Independentes (CEI)
Países designados pelos Estados
Unidos como sendo “hostis”

Figura 12 – Mundo: o surgimento do mundo multipolar – a recomposição das alianças, 1991-2006. Fonte: L’atlas du Monde
Diplomatique. Paris: Armand Colin, 2006. p. 60-61.

Mundo: as potências do século XXI

América Japão
do Norte
Rússia Coreia do Sul
México

China
Nova
Zelândia
Europa
Turquia Irã Índia Austrália
Arábia
Egito Saudita

Brasil

Nigéria

Grandes potências tradicionais


África econômicas e militares da Tríade
do Sul
Potências econômicas ou políticas
regionais
Potência econômica estagnada (ou no marasmo)

Figura 13 – Mundo: as potências do século XXI. Fonte: L’atlas du Monde Diplomatique. Paris: Armand Colin, 2006. p. 61.
Novas potências regionais?

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Geografia – 3a série, 1o bimestre

Principais processos de integração regional, 2007


APEC APEC

UE

NAFTA

ALCA

MERCOSUL
ASEAN
Benoît MARTIN, dezembro 2006

Fonte: 12 831
http://www.unctad.org/
http://europa.eu.int/ 6 445
http://www.aseansec.org/
http://www.nafta-sec-alena.org/ 3 078
http://www.apec.org/
http://www.ftaa-alca.org/ PIB nacional e regional 861
http://www.mercosur.int/ (em bilhões de dólares PPA)

Figura 14 – Mundo: principais processos de integração regional, 2007. Fonte: DURAND, M.-F. et al. Atlas de la mondialisation.
Édition 2008. Paris: Presses de Sciences Po, 2008. p. 41.

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