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METAIS ALCALINOS: Li, Na, K, Rb, Cs

⇒ São os elementos menos electronegativos; estado de oxidação +1; Pontos de fusão e


densidades baixas.

Este grupo representa o lítio (Li), sódio (Na), potássio (K), rubídio (Rb), césio (Cs) e frâncio (Fr). Estes
metais são muito semelhantes, porém não são encontrados juntos, por causa dos seus diversos compostos
e do tamanho dos íons.

O nome alcalino vem de “álcali” (cinza das plantas), nas quais podemos encontrar em destaque o sódio e
o potássio, elementos utilizados em pequenas quantidades para fabricar sabão e alguns produtos de
limpeza.

Este grupo, assim como o grupo dos metais alcalinos terrosos forma óxidos de caráter mais básicos, nos
quais o elemento ligado ao oxigênio é um metal com baixo número de oxidação (nox < +3).

Configuração eletrônica:

Os metais alcalinos apresentam configuração eletrônica terminada em ns1. O único elétron existente na
camada de valência está relativamente afastado do núcleo, e protegido pela camada interna preenchida.
Por isso esse elétron pode ser removido com facilidade. Em contraste, os elétrons internos estão próximos
ao núcleo, mais firmemente ligados, sendo muito difícil removê-los.

Tamanho dos átomos e íons:

Os elementos do grupo IA são os maiores nos seus períodos na tabela periódica. Quando o elétron
externo é removido para formar o respectivo cátion, o tamanho diminui consideravelmente, pois além da
camada externa ter sido completamente eliminada, a remoção de um elétron permite que a carga positiva
nuclear exerça maior força de atração sobre os elétrons restantes, reduzindo mais ainda o raio do cátion.
O tamanho dos íons aumenta do Li+ para o Fr+, pois o número de camadas eletrônicas aumenta neste
sentido. Porém, a carga nuclear efetiva é a mesma para todos os elementos do grupo.

Energias de ionização:

A primeira energia de ionização dos metais alcalinos é muito baixa (são os valores mais baixos da tabela),
ou seja, é fácil retirar o elétron de valência de um átomo alcalino neutro – os átomos são muito grandes e
o elétron externo é fracamente atraído pelo núcleo. Do Li para o Fr o tamanho dos átomos aumenta, o
elétron externo fica mais afastado ainda do núcleo e a energia de ionização diminui.

Por outro lado, a segunda energia de ionização é muito alta, porque envolve a remoção de um elétron de
um íon positivo menor, cujos elétrons estão mais fortemente atraídos pelo núcleo. Além disso, a diferença
entre a primeira e a segunda energias de ionização de um metal alcalino é mais acentuada porque além
dos fatores citados ela implica na remoção de um elétron de um nível eletrônico completo.

Por exemplo, para o sódio, a primeira energia de ionização é de 5,14 eV e a segunda é de 47,3 eV. Em
condições normais não é possível remover um segundo elétron, porque a energia necessária é maior do
que aquela necessária par ionizar os gases nobres. Os elementos do grupo IA, portanto, formam
geralmente íons +1. Os metais alcalinos, quando em estado de vapor, existem sob a forma de moléculas
diatômicas. Isso é possível porque os elementos do grupo IA possuem o último orbital s com um elétron
desemparelhado, permitindo a ligação covalente sigma s-s.

Estrutura cristalina:
À temperaturas normais, os metais do grupo IA adotam um tipo de retículo cristalino cúbico de corpo
centrado, com número de coordenação 8. Contudo, a temperaturas muito baixas, o lítio forma uma
estrutura hexagonal de empacotamento denso com número de coordenação 12. Os metais são muito
moles e podem ser cortados com uma faca. O lítio é o de maior dureza entre eles.

Os metais alcalinos possuem somente um elétron de valência que pode participar das ligações, e esse fato,
associado ao grande tamanho dos átomos e à natureza difusa do elétron externo, tem como conseqüência
o caráter mole dos metais alcalinos, sua baixa energia de coesão (força que mantém os átomos unidos no
sólido) e a fraqueza das ligações. A ligação efetuada entre os átomos de um metal alcalino, portanto, é do
tipo sigma s-s, onde há pequena interpenetração de orbitais, sendo pouco eficiente. Os átomos se tornam
maiores do Li para o Cs, as ligações se tornam mais fracas, as energias de coesão diminuem e os metais
se tornam mais moles.

Densidade, ponto de fusão e ponto de ebulição:

Os metais alcalinos são extremamente leves. Como seus átomos são grandes, apresentam densidades
muito baixas, sendo inferiores ou pouco maiores que a densidade da água. Os valores geralmente baixos
de energia de coesão se refletem nos valores muito baixos para os pontos de fusão e ebulição dos
elementos do grupo. Do Li para o Cs as energias de coesão decrescem; logo, os valores de ponto de fusão
e ponto de ebulição acompanham esse decréscimo.

Eletronegatividade e tipos de ligação:

Os valores das eletronegatividades dos metais alcalinos são muito pequenos. De fato são os menores
valores encontrados na tabela. Assim, quando esses elementos se combinam com outros elementos para
formarem compostos, é provável uma grande diferença de eletronegatividades dos átomos envolvidos,
com a formação de ligações iônicas.

Entalpias de formação dos compostos iônicos:

Com os halogênios menores, o lítio é o mais reativo, pois é um átomo que forma um cátion pequeno e, ao
se ligar a um ânion, também pequeno, gasta pouca energia, devida à relativa facilidade de unir esses íons
pequenos. Assim, maior quantidade de energia é liberada. Por outro lado, os compostos formados têm
baixos calores de formação, pois há uma maior dificuldade de polarização de um ânion pequeno (com
uma nuvem eletrônica pequena), para efetuar a ligação. Assim, a energia gasta nesse processo é maior.

Cores das chamas e espectros:

Como resultado da baixa energia de ionização, quando os elementos do grupo são irradiados com luz, a
energia luminosa absorvida pode ser suficiente para fazer o átomo perder o elétron externo. Os elétrons
emitidos dessa maneira são chamados de fotoelétrons.

Os elétrons também podem ser excitados facilmente a um nível energético mais elevado, por exemplo, no
teste da chama: uma amostra de um sal do metal mergulhado em HCℓ concentrado, é aquecido sobre um
fio de platina ou de níquel-cromo na chama de um bico de Bunsen. O calor da chama excita um elétron
externo a um nível energético mais alto. Quando o elétron retorna ao seu nível energético original, a
energia absorvida é liberada em determinado comprimento de onda. Para os metais alcalinos essa energia
aparece como luz visível, provocando a cor característica da chama.

Cor dos compostos:

A cor surge porque a energia absorvida ou emitida nas transições eletrônicas corresponde aos
comprimentos de onda da região da luz visível. Todos os íons dos metais do grupo IA apresentam
configuração eletrônica de gás nobre, no qual todos os elétrons estão emparelhados. Assim, a promoção
de um elétron requer uma certa energia para desemparelhar os elétrons, uma certa quantidade de para
romper um nível preenchido de elétrons e outra quantidade de energia para levar o elétron a um nível
mais alto de energia. A quantidade total de energia é grande. Assim, não há transições eletrônicas
adequadas: os compostos são tipicamente brancos.

Qualquer transição que porventura ocorra será de elevada energia e aparecerá na região do ultravioleta e
não da luz visível, e será, portanto, invisível ao olho humano. Compostos de metais do grupo IA são
brancos, exceto aqueles em que o ânion é colorido. por exemplo, o cromato de sódio (amarelo), o
dicromato de potássio (alaranjado) e o permanganato de potássio (violeta). Nesses casos a cor é devida
aos ânions e não aos metais alcalinos.

Solubilidade e hidratação:

Todos os sais simples dos metais alcalinos se dissolvem em água, liberando íons e formando soluções que
são fortes eletrólitos. Como os íons Li+ são muito pequenos, deveríamos esperar que soluções de sais de
lítio conduzissem melhor a corrente elétrica do que soluções de sais dos outros metais alcalinos. Os íons
pequenos deveriam migrar mais facilmente para o cátodo, e conduzir melhor a corrente do que íons
grandes. Contudo, medidas de mobilidade iônica e medidas de condutividade em soluções aquosas
mostram uma seqüência oposta: Cs+ > Rb+ > K+ > Na+ > Li+.

A causa dessa aparente anomalia um campo elétrico maior, que envolve maior número de moléculas de
água. O íon hidratado, portanto, terá maior dificuldade em se movimentar. Já o Cs hidratado, e o raio do
césio hidratado é menor do que o do lítio hidratado. Logo, o Cs+ hidratado move-se mais rapidamente e
conduz melhor a eletricidade.

O tamanho dos íons hidratados é importante fator que afeta a passagem desses íons através das
membranas celulares. O tamanho também explica o comportamento desses íons em colunas de troca
iônica, em que o Li+ se liga menos fortemente, sendo diluído primeiro. O decréscimo da hidratação do Li+
ao Cs+ também se verifica nos sais cristalinos, pois quase todos os sais de lítio são hidratados, geralmente
como triidratos. Muitos sais de sódio são hidratados e o potássio apresenta poucos sais hidratados.
Rubídio e césio não formam sais hidratados.

Todos os sais simples dos metais alcalinos são solúveis em água. Quando um sal é insolúvel, significa
que sua energia reticular é maior que sua energia de hidratação. A solubilidade em água da maioria dos
sais do grupo IA diminui do Li para o Cs. Para que uma substância dissolva-se, a energia liberada quando
os íons se hidratam (energia de hidratação) deve ser maior que a energia necessária para romper o retículo
cristalino (energia reticular). A energia reticular dos metais alcalinos diminui ligeiramente de cima para
baixo no grupo, ao passo que a energia de hidratação varia mais acentuadamente – por causa disso a
solubilidade dos metais alcalinos decresce do Li para o Cs. Os fluoretos e carbonatos do grupo IA são
exceções, pois suas solubilidades aumentam rapidamente de cima para baixo no grupo. Isso porque a
energia reticular apresenta maior variação quando comparada à energia de hidratação.

METAIS ALCALINOS TERROSOS: Be, Mg, Ca, Sr, Ba


⇒ mais eletronegativos que os metais alcalinos; menor reatividade; estado de
oxidação +2.

Configuração eletrônica

Os metais alcalino-terrosos apresentam configuração eletrônica terminada em ns2,


ou seja, possuem dois elétrons na camada de valência.
Tamanho dos átomos e íons

Os elementos do grupo IIA são grandes, mas menores que os correspondentes


elementos do grupo IA, pois a carga adicional no núcleo atrai mais fortemente os
elétrons. Analogamente também os íons são grandes, mas são menores que os do grupo
IA, especialmente porque a remoção de dois elétrons aumenta a carga efetiva. O raio
atômico aumenta ao descer no grupo e os pontos de fusão e ebulição diminuem. O
aumento do número atômico é diretamente proporcional ao tamanho dos átomos (maior
raio) e a carga nuclear efetiva é a mesma para todos os elementos do grupo (no estado
neutro).

Energias de ionização

A energia de ionização para o Be2+ é alta, e seus compostos são tipicamente


covalentes. O Mg também forma alguns compostos covalentes. Contudo, os compostos
formados por Mg, Ca, Sr e Ba são predominantemente divalentes e iônicos. Como os
átomos são menores que os do grupo IA, os elétrons são ligados mais firmemente ao
núcleo, e a energia necessária para remover o primeiro elétron (primeira energia de
ionização) é maior que no grupo IA. A segunda energia de ionização, em relação à
primeira, é quase o dobro do seu valor, porque com um elétron a menos, a carga efetiva
do núcleo aumenta. No entanto, o fato de se formarem compostos iônicos mostra que a
energia liberada quando se forma o retículo cristalino compensa a energia gasta para
produzir os íons M2+.

Os metais alcalino-terrosos, quando em estado de vapor, permanecem sob a


forma de átomos, e não de moléculas diatômicas, como ocorre nos metais alcalinos. Isso
acontece porque os elementos do grupo IIA possuem o último orbital s completo com
dois elétrons, o que não permite a formação de uma ligação covalente. Seria necessário
promover um desses elétrons para um orbital p, de modo que se pudesse estabelecer as
duas ligações - uma sigma e uma pi. No entanto, a energia gasta nesse processo seria
mais elevada do que a energia liberada na formação das ligações. Por isso os elétrons
permanecem emparelhados.

Estrutura cristalina

Os metais alcalino-terrosos têm cor branco prateada. Eles possuem dois elétrons
de valência que podem participar das ligações, o que leva a uma maior eficiência da
ligação e, consequentemente, uma maior dureza do metal e uma maior energia de
coesão. Além disso, o menor tamanho dos átomos gera uma ligação mais curta, e, por
isso, mais forte. Mas apesar disso, os metais do grupo IIA ainda são relativamente
moles.

Densidade, Ponto de fusão e Ponto de ebulição


Como os átomos dos metais alcalino-terrosos (IIA) possuem maior massa atômica
e são menores que os dos metais alcalinos (IA), os elementos do grupo IIA têm
densidades maiores que os do grupo IA.

A energia de coesão dos átomos dos metais alcalino-terrosos é maior que a dos
metais do grupo IA, fazendo com que os valores dos pontos de fusão e ebulição sejam
maiores do que os destes últimos. O ponto de fusão varia dentro do grupo de modo
irregular, devido às diferenças entre as estruturas cristalinas que cada metal assume:

Be e Mg - hexagonal compacta
Ca e Sr - cúbica de face centrada
Ba - cúbica de corpo centrado

Eletronegatividade e tipos de ligação

Os valores das eletronegatividades dos metais do grupo IIA são pequenos,


porém, maiores que os do grupo IA. O valor para o Be é o mais elevado do grupo.O
composto BeF2 apresenta a maior diferença de eletronegatividade de todos os
compostos do berílio, e é o composto de berílio com maior caráter iônico. Porém, sua
condutividade quando fundido é muito baixa e esse composto é encarado como
covalente.

Entalpias de formação dos compostos iônicos

Com os halogênios menores, o lítio é o mais reativo, pois é um átomo que


forma um cátion pequeno e, ao se ligar a um ânion, também pequeno, gasta pouca
energia, devida à relativa facilidade de unir esses íons pequenos. Assim, maior
quantidade de energia é liberada. Por outro lado, os compostos formados têm baixos
calores de formação, pois há uma maior dificuldade de polarização de um ânion
pequeno (com uma nuvem eletrônica pequena), para efetuar a ligação. Assim, a energia
gasta nesse processo é maior.

Cor dos compostos

Assim como os íons dos metais alcalinos, os íons dos metais alcalino-terrosos
apresentam configuração eletrônica de gás nobre, e é muito difícil promover transições
eletrônicas nesse estado. Por isso, a todos os compostos de do grupo IIA são incolores, a
não ser que o ânion seja colorido.

Energias de hidratação

As energias de hidratação dos íons do grupo IIA são cerca de quatro vezes maior
que as dos íons do grupo IA. Isso se deve ao menor tamanho e à maior carga, e o valor
de DHhidr decresce de cima para baixo no grupo, à medida que aumenta o tamanho dos
íons. Como são cátions menores e de maior carga, geram um campo elétrico maior, que
envolve maior quantidade de moléculas de água.
Solubilidade e Energia reticular

A solubilidade da maioria dos sais decresce com o aumento da massa atômica do


elemento, embora se observe uma tendência inversa com os fluoretos e hidróxidos deste
grupo. As energias reticulares são muito maiores que os valores dos correspondentes do
grupo IA, por causa do efeito do aumento da carga.

Localização na Tabela