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Energia Nuclear

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Agrupamento de Escolas Romeu Correia – Ano Lectivo 2010/2011 Escola Secundária Romeu Correia – Feijó

Energia Nuclear

Ana Beatriz Gonçalves nº1 Marisa Milhano nº22 Pedro Lopes nº24 Química A Professora Ana Paula Silveiro

4 de Fevereiro de 2011

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- ENERGIA NUCLEAR -

ÍNDICE
 Introdução  Energia Nuclear  Tipos de Reacções Nucleares  Reacção de Fissão  Reacção de Fusão  Prós e Contras da Energia Nuclear  Centrais Nucleares versus Centrais Termoeléctricas  Aplicações da Energia Nuclear  Energia Nuclear em Portugal?  Conclusão  Bibliografia  Webgrafia  Anexos  Anexo A – Centrais Nucleares no Mundo  Anexo B – Geografia da Matéria-Prima 29 31 6 8 10 16 18 22 25 26 26 3 4

 Anexo C – Geografia da Produção de Electricidade de Origem Nuclear 32

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INTRODUÇÃO
Desde que surgiu o Homem, que este depende totalmente do meio ambiente e dos seus recursos. O Homem tem vindo a consumir estes recursos, e nos últimos tempos de uma forma bastante excessiva, encontrando-se assim cada vez mais dependente destes. Actividades como por exemplo o desenvolvimento industrial, a expansão dos transportes e o crescimento demográfico, não têm parado de aumentar, o que por sua vez tem causado um contínuo aumento dos consumos energéticos mundiais. Isto faz com que se recorra, de forma cada vez mais precipitada e irreflectida, quer aos recursos energéticos renováveis quer aos recursos não renováveis. Contrariamente ao que devia ser feito, o Homem serve-se hoje em dia muito mais dos recursos não renováveis, devido aos elevados custos e à pouca rentabilidade dos recursos renováveis. A Energia Nuclear e a sua possibilidade de utilização possuem elevados riscos, mas também muitas vantagens ao nosso desenvolvimento, o que faz com que esta esteja a gerar variadas discussões a nível mundial. É vista como uma possível fuga ao alto consumo, e à dependência do petróleo, mas como todas as outras energias não renováveis, é finita e trás consigo responsabilidades, responsabilidades estas que talvez o Homem não consiga suportar. Este trabalho possui então como principais objectivos compreender o que é a energia nuclear e em que conhecimentos científicos se baseia, que tipo de reacções nucleares ocorrem numa central nuclear, quais as principais vantagens e desvantagens do seu uso e as suas actuais aplicações, e tentar perceber por fim em que ponto da situação se encontra actualmente Portugal em relação a este tema.

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ENERGIA NUCLEAR
A energia nuclear baseia-se no princípio de equivalência de energia e massa verificado por Einstein, que relaciona estas duas variáveis como mostra a fórmula: E = mc2 Em que: E – energia, m – massa, c – velocidade da luz no vácuo (9x108 m/s)

Esta energia é libertada numa reacção nuclear (energia electromagnética) – associada a ligações entre átomos, electrões ou protões, ou seja, em processos de transformação de núcleos atómicos, em que ocorre a conversão de massa da matéria em energia (relacionadas pela fórmula apresentada anteriormente). Esta energia é produzida e controlada por reacções nucleares.
Figura 1: Reacção no interior de um reactor nuclear.

Recordando a definição de isótopo, que diz que “Isótopos são átomos que contém o mesmo número de protões mas diferente número de neutrões”, sabe-se que alguns isótopos de determinados elementos demonstram a capacidade de se transformarem em outros isótopos ou elementos através de reacções nucleares, emitindo energia durante esse processo (mais uma vez, baseando-se no princípio de equivalência de Einstein). Assim a tecnologia nuclear explora esta mesma energia que é libertada, tentando ao máximo aproveitá-la, ao tentar converter o calor emitido na reacção em energia eléctrica. Este processo de obter electricidade através da energia nuclear começou pouco depois da descoberta, no início do século XX, que determinados elementos, como o rádio, libertavam quantidades exorbitantes de energia, de acordo com o princípio de massa energia. Esta libertação de energia pode ser devidamente controlada num reactor nuclear, ou pode ser descontrolada no caso de uma bomba atómica. A energia nuclear, apesar das suas grandes potencialidades energéticas, tem estado associada a grandes desastres mundiais, como o fogo de Chernobly (a 26 de Abril de 1986) ou ao das bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki (6 de Agosto de 1945 e 9 de Agosto de 1945, respectivamente).

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O conceito da energia nuclear surgiu com Ernest Rutherford, físico conhecido por ter descoberto o núcleo atómico, e que acreditava que os núcleos podiam ser modificados através de bombardeamento com partículas rápidas. Com a descoberta do neutrão percebeu-se então que existiriam diversas possibilidades para estas modificações. Ida Noddack foi a primeira a suspeitar que durante o bombardeamento de núcleos pesados com neutrões, esses poderiam quebrar-se em pedaços grandes, que são isótopos de elementos conhecidos, mas não vizinhos dos originais na tabela periódica. Mas foi apenas em 1938, na Alemanha, por Otto Hahn e Fritz Straßmann, que a fissão nuclear foi descoberta, através de uma reacção que pode ser escrita da seguinte forma:

Esquema de uma reacção de fissão; em que os “fissionable nucleus” correspondem ao 23592U, que se separa em dois núcleos 13956Ba e o 9536Kr com libertação de energia e de neutrões, que por sua vez irão bombardear outros núcleos de 23592U

Figura 2: Esquema duma reacção de fissão.

Contudo, a fissão nuclear foi apenas depois explicada por Lise Meitner e Otto Frisch, ao realizarem a primeira reacção em cadeia, no âmbito do projecto “Manhattan” para a construção da primeira bomba atómica.

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TIPOS DE REACÇÕES NUCLEARES
As reacções nucleares consistem essencialmente na modificação da composição do núcleo atómico de um elemento, o que o pode fazer tornar-se noutro elemento completamente diferente. Este fenómeno pode ser espontâneo ou desencadeado pelo Homem. Existem duas formas de reacções nucleares: a fissão nuclear, onde o núcleo atómico se divide em duas ou mais partículas (cisão de núcleos pesados para obter núcleos mais pequenos); e a fusão nuclear, na qual ao menos dois núcleos atómicos se unem para formar um novo núcleo maior, ou seja, com um maior número de massa. FISSÃO NUCLEAR A reacção mais utilizada pelas fábricas é a de fissão nuclear, que aproveita a energia libertada para a produção de energia eléctrica. O combustível utilizado é o 235U, que é bastante raro na natureza, sendo por isso utilizado o seu isótopo
238

U para formar 235U, visto que o 238U
235

apesar de ser muito mais abundante, sofre fissão com muito menos frequência que o

Ue

liberta uma quantidade de energia pequena (daí ter se ser enriquecido). Ele passa de uma percentagem de 0,7% na natureza para 3% nas centrais nucleares (consultar Anexo B – Geografia da
Matéria-Prima).

Esta percentagem é a utilizada, visto que de outra forma a reacção não seria autosustentada, o que significa que dos neutrões, libertados aquando da reacção, é capturado outra vez por um 235U, e não por 238U, de forma a existir sempre 235U e a reacção poder continuar.

Circuito Secundário

Circuito Primário

Figura 3: Reactor de fissão nuclear esquematizado.

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Na imagem anterior podemos observar um reactor de fissão nuclear esquematizado, que mostra o seu funcionamento e a sua finalidade (electricidade). No núcleo do reactor as fissões nucleares que ocorrem no 235U aumentam a temperatura da água, que por se encontrar em alta pressão não evapora. Esta água funciona como controladora dos neutrões de forma a evitar que estes se fundam com o sistema primário. Assim, a água quente que se encontra no reactor é bombeada pelo permutador de calor para as paredes de tubagem para a água do sentido secundário. Esta passa para o estado gasoso e vai accionar a turbina que está ligada ao gerador, formando corrente eléctrica. O vapor de água por sua vez vai para um condensador onde a sua temperatura desce, passando outra vez para o estado líquido – condensação. Depois a água volta a ser reintroduzida no circuito primário. Existem vários tipos de reactores de fissão: reactores de água leve, reactores de água pesada e reactores de rápido enriquecimento, que variam consoante a substância moderadora utilizada (no caso explicado anteriormente o reactor era o de água leve – o mais simples). Um fenómeno que é observado em reactores nucleares de cissão moderados com água é a Radiação de Cherenkov (ou Efeito Cherenkov). Esta ocorre quando uma partícula electricamente carregada atravessa um meio denso,
238

U. Isto ocorre no

deslocando-se a uma velocidade superior à da luz neste meio, fazendo com que seja emitida radiação electromagnética que
Figura 4: Visualização do efeito de Cherenkov.

pode estar na faixa do visível, provocada pela onda de choque que marca a passagem da velocidade da luz no meio.

A intensidade total da radiação de Cherenkov é proporcional à velocidade da carga excitada e ao número destas partículas. Além disso, a intensidade relativa de uma frequência é proporcional à própria frequência. Assim, altas frequências são mais intensas na radiação Cherenkov, o que justifica o facto de esta radiação apresentar uma luminosidade azul. Na verdade, a maioria da radiação Cherenkov encontra-se na região ultravioleta do espectro.

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© Copyright Marisa Milhano 2011 REACÇÕES DE FUSÃO Os reactores nucleares que utilizam as reacções de fusão ainda estão em fase

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experimental, pois ainda existem dúvidas acerca da sua viabilidade técnica e económica, devido por exemplo às temperaturas altíssimas a que as reacções ocorrem. Estes reactores utilizam reacções de fusão nuclear que transformam hidrogénio em hélio, como mostra a equação:
3 1H

+ 21H  42He + 10n

Figura 5: Reactor nuclear de fusão (Tokomak).

Figura 6: Reacção de fusão.

Esta reacção só ocorre espontaneamente em locais como o nosso Sol, a temperaturas por volta dos 108 K. Isto torna muito complicada a construção dos reactores, por não haver a possibilidade da existência de matéria sólida a estas temperaturas, apenas um estado a que se denomina plasma. Este estado é considerado o quarto estado da matéria, o chamado gás ionizado, em que os núcleos e os electrões estão livres, numa distribuição quase neutra (em que as

concentrações de iões positivos e negativos são quase iguais). A mais pequena diferença de cargas torna-o electricamente condutível, fazendo com que seja muito electromagnético.
Figura 7: Plasma.

Assim o processo baseia-se em aquecer o suficiente os núcleos de deutério ( 21H) até se chegar a este estado de plasma. Visto que assim que se alcança esse estado, os átomos de hidrogénio se desagregam, isto permite que se chocarem, ocorra entre eles uma fusão, produzindo átomos de hélio.
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A diferença energética entre dois núcleos de deutério e um de hélio será emitida na forma de energia que manterá o estado plasmático com sobra de grande quantidade de energia útil. As experiências realizadas para obter esta reacção, têm sido feitas em reactores espaciais utilizando técnicas de confinamento, especialmente a de confinamento electromagnético e de confinamento inercial, que permitem suportar a massa do material no estado plasmático (visto que não existem reservatórios capazes de suportar as elevadas temperaturas a ele associadas). O confinamento electromagnético aplica campos magnéticos que aprisiona as partículas eléctricas do plasma, enquanto que o confinamento inercial bombardeia pequenas quantidades de combustível no núcleo com radiação laser vinda de quase todos os ângulos de forma a manter o plasma contido a uma distância considerável das paredes do reactor. As paredes do reactor recebem os neutrões libertados na reacção e que, por não terem carga não podem ser confinados – pelos métodos referidos anteriormente. Estes neutrões transportam uma grande quantidade da energia libertada na reacção nuclear, na forma de energia cinética. Para se conseguir capturar essa energia utiliza-se habitualmente o lítio fundido, que captura os neutrões através da reacção:
6 3Li

+ 10n  31H + 42He
4 2He

Assim, a energia cinética do

3 1H

(trílio) e de

é

convertida em energia interna do lítio fundido, que depois serve para aquecer a água ligada a uma turbina (processo semelhante à das reacções de fissão, nomeado anteriormente). Outro motivo que nos leva a utilizar o lítio, é que o trítio depois de separado (algo que facilmente se realiza) permite a sua reutilização como combustível. Os cientistas do projecto “Iter”, do qual participam o Japão e a União Europeia, pretendem construir uma central experimental de fusão para comprovar a viabilidade económica do processo como meio de obtenção de energia.
Figura 8: Cartaz publicitário do projecto “ITER”, desenvolvido no sul de França, que tem como objectivo demonstrar como a energia nuclear de fusão é a fonte de energia nuclear do futuro.

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PRÓS E CONTRAS DA ENERGIA NUCLEAR

Figura 9: Central Nuclear na República Checa.

Na União Europeia, a energia nuclear gera um terço da energia eléctrica que é produzida
(consultar Anexo C),

evitando por este motivo, a emissão de 700 milhões de toneladas de CO2, por

ano para a atmosfera (consultar tabela 2, Centrais Nucleares versus Centrais Termoeléctricas). Este número é equivalente à retirada de circulação de todos os carros que existem na Europa, aproximadamente 200 milhões. Graças à energia nuclear, (em 1996) foi evitada à escola global a emissão de 2,33 milhares de milhões de toneladas de CO2 para a atmosfera, emissões essas que seriam maioritariamente de combustíveis fósseis. Uma central nuclear normal evita em média a emissão de 90 milhões de toneladas de CO2, 312 000 toneladas de óxidos de azoto (NOx), 650 000 toneladas de SO2, bem como 170 000 toneladas de cinzas, que conteriam mais de 5200 toneladas de arsénio, cádmio, mercúrio e chumbo. Os derrames de uma central nuclear a funcionar adequadamente são mínimos e são expelidos essencialmente sob forma gasosa pela chaminé da central, sendo que a grande maioria dos gases emitidos são constituídos por vapor de água. Por outro lado, a componente líquida associada à refrigeração da central, tem emissões muito baixas de radiação.

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No entanto, as centrais nucleares não estão isentas de perigos. Distinguem-se pelo menos cinco tipos de problemas que podem pôr em causa a segurança das centrais nucleares e, por consequência, a segurança das populações e do planeta: os desastres naturais, os erros humanos, as limitações da tecnologia, os atentados terroristas e a corrida às armas atómicas. Evidentemente que, à excepção do problema da corrida às armas atómicas, todos os outros também se colocam nas centrais térmicas a combustíveis fósseis ou noutro tipo de infraestruturas civis e militares de natureza estratégica. Só que os efeitos de um acidente ou de um atentado num reactor nuclear são potencialmente muito mais perigosos para as populações e para o ambiente.

Mesmo assim, o maior perigo duma central nuclear está relacionado com a contaminação radioactiva, por erros humanos, das pessoas que nelas trabalham ou do meio ambiente. As centrais nucleares utilizam e produzem materiais radioactivos, que têm de ser transportados e manipulados em condições de segurança extrema, a fim de não contaminarem a atmosfera, os solos e as águas.
Figura 10: Resíduos de baixa radiação.

Este acontecimento poderia levar a alterações gravíssimas nos ecossistemas afectados, visto que os efeitos a longo prazo de pequenas doses de radiação constantes são ainda pouco conhecidos. Especula-se apenas que poderão levar a uma maior incidência de cancros e de mutações nos organismos. Assim, o armazenamento dos resíduos radioactivos tem de possuir o maior nível de segurança possível, de modo a assegurar que nunca haverá contaminação do meio ambiente. O que implica que os recipientes serão necessariamente caros.

Os resíduos radioactivos podem ser divididos em dois tipos, quanto ao tratamento que terão de sofrer: - de baixa radiação, quando a sua radiação é baixa e têm tempos de vida relativamente pequenos; - de alta radiação, quando produzem elevados níveis de radioactividade e/ou têm tempo de vida muito longos.
Figura 11: Resíduos de baixa radiação.

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Os resíduos de baixa radiação podem ser armazenados em aterros próximos da superfície, desde que encerrados em

contentores estanques e resistentes à corrosão, pois, no máximo, dentro de 100 anos deixarão de ser perigosos para o meio ambiente.
Figura 12: Aterro de resíduos de baixa radiação no Texas, EUA.

Os resíduos de alta radiação, gerados durante o processo de fissão, requerem um tratamento distinto, dada não só a sua alta radioactividade, mas também o facto de a mesma ainda se manter elevada por milhares de anos. Para este tipo de resíduos, são necessários aterros muito abaixo na biosfera, longe de
Figura 13: Esquema dum contentor de confinamento de resíduos radioactivos.

aquíferos e completamente estanques em relação ao meio geológico envolvente.

As estações colectoras até agora construídas para resíduos de alta radiação foram todas construídas a profundidades de várias centenas de metros e com o cuidado de escolher camadas geológicas mais ou menos estanques (normalmente de granito). São centrais que têm grandes encargos na sua concepção e com a sua construção, pois têm de garantir que o sistema continua a ser estanque por dezenas de milhares de anos, numa altura em que a nossa espécie já terá sido extinto ou terá evoluído para uma mais avançada.

Outro perigo não menos importante é o de explosão. Não há razões técnicas para a existência deste perigo, pois hoje em dia os mecanismos de controlo são aquilo que de mais avançado existe ao nível da tecnologia instrumental de controlo. No entanto, nos diversos acidentes existentes até hoje mostram-nos que os mesmos aconteceram devido a falhas nos sistemas de segurança por investimento insuficiente nos mecanismos de controlo.
Figura 14: Pormenor dum reactor nuclear.

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De facto, o perigo de medidas administrativas de contenção de despesas a qualquer nível constitui o maior risco para a segurança de uma central nuclear, sendo também este o maior risco quando se pensa nos perigos de armazenamento indevido de resíduos nucleares. Uma central nuclear não pode, em caso algum, sofrer cortes administrativos no seu funcionamento, pois os perigos que daí advêm podem sofrer-se não apenas localmente, mas também à escola global. Para minimizar o risco de acidente, são usados normalmente três níveis de segurança: - O próprio reactor, para além de todos os mecanismos de automação e controlo, é fabricado com paredes grossas de material refractário que impede a passagem de radiação para o exterior. - A própria central, que é igualmente construída com paredes blindadas de material refractário. - E como último nível de segurança, as centrais nucleares são também construídas em regiões muito distantes de aglomerados populacionais, de modo a garantir que, no caso de fuga de radiação, os riscos para os seres humanos são os menores possíveis.

Com todas estas medidas, o registo histórico do impacto ambiental e do número de mortos e feridos em acidentes nucleares civis dá uma grande vantagem a esta fonte de energia, por comparação com o carvão, onde todos os anos há centenas de vítimas na actividade mineira; com o petróleo e o gás natural, onde os rebentamentos de pipe-lines, as explosões de refinarias e os derrames de navios são relativamente frequentes; ou mesmo na hidroelectricidade, em que as rupturas de barragens podem ser muito destrutivas. A excepção chama-se Chernobil, uma catástrofe em 1986 que resultou de uma falha humana e da confiança cega na tecnologia pelos soviéticos. Contudo, não há dúvida de que a indústria nuclear aprendeu imenso com os erros de Chernobil, o que levou a um grande investimento na investigação e desenvolvimento das centrais, que têm aumentado continuamente a sua segurança e do transporte de materiais radioactivos.
Figura 15: Destruição de Chernobil.

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Por fim, o consumo de água de uma central nuclear condiciona fortemente a sua construção e manutenção. A construção de uma barragem pode contribuir para a solução do problema, como acontece na central espanhola de Almaraz, junto do rio Tejo. Mas agrava obviamente os custos do investimento. Outra alternativa para contornar as limitações no fornecimento de água é o recurso a torres de refrigeração (sistema de circuito fechado), mas estas aumentam os custos do projecto e o efeito de estufa local, provocado pela emissão de grandes quantidades de vapor de água para a atmosfera, é considerável.

Figura 16: Central Nuclear de Almaraz, Espanha.

Entretanto, a corrida às armas atómicas ganhou um novo fôlego com as ambições de países politicamente mais instáveis e imprevisíveis, como o Irão ou a Coreia do Norte. O uso do plutónio dos resíduos perigosos, em vez do urânio enriquecido, nos reactores mais avançados de hoje em dia, tem a vantagem de permitir a reutilização de combustíveis, mas o plutónio serve para fabricar armas nucleares, o que pode criar novos problemas de segurança.

Figura 17: Resultado duma bomba nuclear.

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VANTAGENS
- A energia nuclear é a fonte mais concentrada de geração de energia conhecida, pois um pequeno pedaço de urânio pode abastecer uma cidade inteira. - É um combustível muito mais barato do que outros, como é o caso do petróleo. - Comparativamente com o petróleo, o urânio é um recurso de muito menor custo. - A energia nuclear não causa praticamente nenhum efeito de estufa ou produz chuvas ácidas. - Permite reduzir o défice comercial.

DESVANTAGENS
- As elevadas temperaturas da água utilizada no aquecimento podem causar poluição térmica uma vez que esta é lançada nos rios e nas ribeiras, destruindo assim ecossistemas e interferindo com o equilíbrio destas mesmas. - O risco de acidente, visto que qualquer falha humana, ou técnica poderá causar uma verdadeira catástrofe. - Os resíduos produzidos emitem radioactividade durante muitos anos. - Necessidade de armazenar os resíduos em locais isolados e protegidos. - Dificuldades no armazenamento dos resíduos, principalmente em questões de localização e segurança. - Elevado custo da fundação e manutenção das centrais. É uma energia não renovável.

- Permite aumentar a competitividade. - É consideravelmente uma fonte de energia segura, visto terem acontecido poucos acidentes mortais. - É fácil de transportar, pois o urânio ocupa pouco espaço. - Causa pouco impacto sobre a biosfera.

- Pode ser utilizada para fiz bélicos, como é o caso da construção de armas nucleares. - Necessidade de isolar a central, após o seu encerramento.

Tabela 1: Comparação entre as principais vantagens e desvantagens da Energia Nuclear.

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CENTRAIS NUCLEARES VERSUS CENTRAIS TERMOELÉCTRICAS
Uma das grandes desvantagens da utilização das centrais nucleares como solução energética é o custo da instalação da central e de todas as infra-estruturas de armazenamento de resíduos necessárias. No entanto, e considerando apenas a resolução do problema energético, as centrais nucleares podem ajudar a resolver a questão do desaparecimento dos combustíveis fósseis. A tabela seguinte apresenta-se, de forma sucinta, alguns dados comparativos de prós e contras quantificáveis associados às centrais nucleares, comparativamente com as centrais termoeléctricas que usam combustíveis fósseis. Combustível Consumo médio por kw.hora Consumo anual Transporte anual Carvão 380g 2,5 milhões de toneladas 66 cargueiros de 35 000 toneladas ou 23 000 vagões de 100 toneladas 7,8 39 800 9 450 6 000 69 000 377 000 0,02 – 6 Zero Desprezável Fuelóleo 230g 1,52 milhões de toneladas 5 petroleiros de 300 000 toneladas + oleodutos 4,7 91 000 6 400 1 650 Desprezáveis Zero 0,001 Zero Zero Nuclear 4,12 mg de Urânio 27,2 toneladas 3 ou 4 camiões

CO2, milhões de toneladas SO2, toneladas NO2, toneladas Cinzas de filtros, toneladas Escórias, toneladas Cinzas voláteis, toneladas Radiação: gases, Curie/ano Radiação: líquido, Curie/ano Resíduos sólidos (tipo de radiação)

Zero Zero Zero Zero Zero Zero 1,85 0,1 13,5 m3 (alta) 493 m3 (baixa)

FONTE: Nucleonor Tabela 2: Comparação de consumos e produção de resíduos para centrais de 1000MW.

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Como se pode verificar, a grande vantagem da utilização das centrais nucleares prende-se com o facto destas não emitirem praticamente nenhuma quantidade de CO 2, aquando do seu funcionamento, o que contribui para a diminuição das emissões de gases responsáveis pelo aumento do efeito de estufa e pelas chuvas ácidas. Claro que não podem ser esquecidas as emissões de gases nos processos de extracção, transporte e enriquecimento do urânio que alimenta as centrais nucleares, na sua construção e desmantelamento, e ainda no tratamento final dos resíduos. Mesmo assim, o balanço final, por comparação com as centrais que utilizam fontes de energia fóssil (fuel, gás natural e
Figura 18: Transporte de materiais radioactivos.

carvão), é muito mais favorável à utilização da energia nuclear.

Contudo, a sua maior desvantagem são os resíduos radioactivos que são produzidos e que requerem condições especiais de armazenamento. As tecnologias relacionadas com o tratamento destes resíduos têm evoluído e os investimentos nesta área também, mas ainda não foi encontrada nenhuma solução definitiva e absolutamente segura. O principal problema é que uma parte destes resíduos (os resíduos de alta radiação) liberta calor e radiação durante milhares de anos, necessitando de monitorização e arrefecimento permanentes, o que constitui uma pesada herança para as gerações futuras. É verdade que estes são produzidos em muito menor quantidade que os das centrais térmicas convencionais, e controlados de uma forma não comparável a qualquer outro resíduo industrial. Mas são, de longe, muito mais letais, e os seus efeitos duram mais tempo.

Figura 19: Reactor Nuclear, Chernobil.

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APLICAÇÕES DA ENERGIA NUCLEAR
A cada dia, novas técnicas nucleares são desenvolvidas nos diversos campos da actividade humana, possibilitando a execução de tarefas impossíveis de serem realizadas pelos meios convencionais. Para além do facto que se reveste da maior importância da energia nuclear, poder gerar energia eléctrica através dos reactores nucleares de potência, a Medicina, a Indústria, principalmente a Farmacêutica, e a Agricultura são as áreas mais beneficiadas com a utilização da energia nuclear. Os isótopos radioactivos ou radioisótopos, devido à propriedade de emitirem radiações, têm vários usos. As radiações podem até atravessar a matéria ou serem absorvidas por ela, o que possibilita múltiplas aplicações. Medicina Uma ferramenta importante no tratamento e diagnóstico de doenças são os radiofármacos. Estes são substâncias químicas (fármacos) que são associados a radioisótopos produzidos em reactores nucleares ou em aceleradores de partículas. Na medicina nuclear, os radiofármacos são injectados no paciente, concentrando-se no local a ser examinado e emitindo radiação, que, por sua vez, é detectada no exterior do corpo por um detector apropriado, que pode transformar essa informação em imagens, permitindo ao médico observar o funcionamento daqueles órgãos. Os radiofármacos são utilizados no diagnóstico de diversas patologias.

Figura 20: Radiofármacos produzidos pela CNEN. Entre parênteses encontra-se o nome do radioisótopo em cada fármaco.

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Uma técnica nova e importante na medicina nuclear é a PET (sigla, em inglês, para tomografia por emissão de positrões e electrões), que utiliza radioisótopos de meia-vida muito curta e que têm como característica o decaimento com a libertação de positrões. Esta técnica é considerada por muitos especialistas a melhor e mais precisa forma de radiodiagnóstico por imagem disponível hoje em dia. Esses radioisótopos são produzidos em aceleradores de partículas específicos, os ciclotrões, sendo o principal produto o Flúor-18.

As

radiações

nucleares

são

utilizadas

também em diversas terapias, principalmente no tratamento de cancro. Nesse caso, as células cancerosas são irradiadas, a fim de as eliminar e impedir a sua multiplicação. Uma das formas de aplicação da radiação consiste em se colocar uma fonte externa ao paciente, a uma certa distância
Figura 21: Radioterapia.

do tumor a ser tratado (radioterapia).

Na maioria das vezes, usa-se uma fonte de cobalto-60 nesse tratamento. Hoje em dia este processo tem vindo a ser substituído por aceleradores lineares, que produzem feixes de electrões que, ao incidir num determinado alvo, geram fotões, que interagem com o tecido ou órgão.

Outro uso da radiação em medicina é a irradiação de sangue com raios gama. Esse método é usado no sangue a ser administrado em pacientes que têm deficiência imunológica. Este tratamento com a radiação diminui a quantidade de linfócitos T (células de defesa) no sangue, o que reduz em muito no paciente o risco de rejeição de um órgão ou tecido transplantado

Indústria As tecnologias nucleares nas indústrias são principalmente usadas na qualidade de processos de diversos sectores industriais.

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As fontes mais utilizadas são o cobalto-60, o irídio-192, o césio-137 e o amerício-241. A facilidade de penetração da radiação em diversos materiais, bem como a variação de sua atenuação com a densidade do meio que atravessa, tornam o seu uso conveniente em medidores de nível, espessura e humidade.

Na indústria do papel, estes medidores são utilizados para garantir que todas as folhas tenham a mesma espessura.
Figura 22: Fabrico de papel.

Na indústria de bebidas, a radiação é usada para controlo de enchimento de vasilhames.

Outro uso importante das radiações nucleares está na aplicação de traçadores radioactivos. Nesse método, uma substância com material radioactivo é injectada num meio, e acompanha-se o seu comportamento nos processos que se deseja observar. Traçadores radioactivos também têm sido cada vez mais utilizados para detectar problemas de vazamentos e mau funcionamento em grandes plantas da indústria química, permitindo economia de tempo e de dinheiro.

Na exploração de petróleo, fontes de neutrões são utilizadas em processos para determinar o perfil do solo e outras podem auxiliar a distinguir a quantidade de água, gás e óleo existentes no material extraído, facilitando e economizando o processo de exploração.
Figura 23: Exploração de petróleo.

Cada vez mais utilizados hoje em dia são ainda os irradiadores industriais, que são instalações com compartimentos onde o material a ser tratado é exposto à radiação, de forma a esterilizá-lo, eliminando bactérias e vírus. Existem no mundo hoje cerca de 160 irradiadores industriais a funcionar, existindo um na Unidade de Tecnologias de Radiação do Instituto Tecnológico Nuclear, em Lisboa. O cobalto-60 é o material mais utilizado como fonte de radiação. A exposição à radiação gama não contamina os materiais irradiados nem os transforma em materiais radioactivos. Portanto, ao cessar o processo, não existe mais radiação nos materiais.
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Alguns exemplos de materiais esterilizados são: materiais cirúrgicos, remédios, alimentos, materiais de valor histórico, etc.

Figura 24, 25, 26 e 27: Exemplos de materiais irradiados.

Agricultura Na Agricultura, as tecnologias nucleares são bastante utilizadas ao nível da irradiação para preservação de alimentos, assim como também para estudos de solo e plantas, através da utilização de traçadores radioactivos.

Outra aplicação na agroindústria é o uso da técnica de ‘macho estéril’ para o combate a pragas nas culturas. Nesta técnica, são produzidos machos esterilizados da praga a ser combatida e que depois são lançados na região infestada, diminuindo a população, ao afectar a sua capacidade de reprodução. Esse processo é usado por países como Estados Unidos, México, Guatemala e Argentina no combate à mosca da fruta.
Figura 28: Mosca da fruta.

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ENERGIA NUCLEAR EM PORTUGAL?
Em Portugal, actualmente, não se produz energia nuclear, nem possuímos projectos governamentais para que Portugal inicie a sua produção a curto prazo (consultar Anexo A – Centrais
Nucleares no Mundo).

É certo que a solução nuclear seria interessante se se optar por iniciar um

programa próprio de mineração de urânio, visto que possuímos reservas consideráveis. O preço do óxido de urânio (U3O8) triplicou desde 2000 (ano em que atingiu o valor mais baixo em duas décadas). No início de 2010, as cotações chegaram aos 66,46€/kg, o que quer dizer que só em óxido de urânio, a jazida de Nisa (no Distrito de Portalegre) vale mais de 43 milhões de euros, jazida essa que uma empresa Australiana (Iberian Resources) está interessada em explorar; o estado Português prepara-se para dizer não a essa proposta por motivos ambientais.
Figura 29: Jazida de Urânio em Nisa, Portalegre.

Esta mina (que equivale a cerca de 60% do potencial do Alto Alentejo) tem o maior jazigo inexplorado alguma vez descoberto em território nacional, estando o seu potencial estimado em quase 6,3 milhões de toneladas de minério não sujeito a qualquer tratamento, 760 mil toneladas de minério seco e cerca de 650 toneladas de óxido de urânio.

Na imagem à esquerda estão representadas as regiões portuguesas onde existe urânio, matéria-prima fundamental para a obtenção de energia nuclear. Pela observação do mapa conclui-se que o Alentejo é a zona do país onde este minério predomina.

Figura 30: Distribuição de Urânio em Portugal.

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Uma central nuclear daria uma razoável contribuição para produzir energia eléctrica em Portugal: cerca de 1700MW, 3,75% da produção nacional de energia eléctrica em 2016 se o consumo final de electricidade atingir os 25% na próxima década. Esta produção não emite CO 2 e ajudaria Portugal a cumprir o Protocolo de Quioto, embora a meta de 2012 já pareça inalcançável, devido ao tempo de construção do(s) reactor(es) nucleares.

Figura 31: Envolvente do mercado energético português e possíveis soluções.

VANTAGENS

DESVANTAGENS

Diminuição dos custos energéticos Cumprimento do Protocolo de Quioto Aumento da competitividade económica Exportação de energia

Inexistência de autoridade licenciadora

Falta de especialistas Necessidade de investimento económico elevado Custos de manutenção e desmantelamento elevados

Figura 32: Diagrama com algumas vantagens e desvantagens específicas à implementação da Energia Nuclear em Portugal.

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O nuclear tem provocado no nosso país discussões públicas, onde a emoção se sobrepõe muitas vezes à razão. Os problemas energéticos são transversais a toda a sociedade, influenciando profundamente o nosso modo de vida. As decisões que forem tomadas vão afectar as gerações futuras.

Figura 33: Cartoon alusivo ao assunto da Energia Nuclear em Portugal.

A população não está, na grande maioria, dentro do assunto. Uma opinião pública esclarecida e activa é um pilar fundamental da democracia. Para os que tanto invocam a Finlândia como modelo, deve ser lembrado que as populações locais tiveram sempre (e mantêm) o direito de voto. Por um mínimo de seriedade política, o Governo não pode, sem convincentes explicações, decidir sozinho. Os cidadãos precisam de ter acesso a esta informação e fazer uma avaliação séria, tendo conhecimento dos argumentos técnicos e económicos de uma forma clara e objectiva, com espírito aberto a todas as soluções. Não há hoje dúvidas de que a energia e o ambiente vão estar no centro do novo modelo de desenvolvimento que Portugal precisa implementar, para alcançar as economias avançadas da União Europeia.

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CONCLUSÃO
A Energia Nuclear é, sem dúvida, a energia do futuro, uma vez que são cada vez mais os projectos desenvolvidos pelos países de forma a apostar nesta energia, e os que já produzem apostam cada vez mais nesta forma de energia rentável (ver Anexo A – Centrais Nucleares no Mundo). É uma energia com inúmeras vantagens, tanto a nível energético, como ambiental e económico. Mas, se por um lado é a solução para a crise energética do planeta, ainda há muitas desvantagens que precisam de ser minimizadas e controladas. Os avanços na tecnologia das centrais nucleares de fissão têm-nas tornado cada vez mais seguras, tal como a instrumentação de controlo. Cada dia que passa a tecnologia nuclear está cada vez mais dominada. Se com as centrais de energia nuclear de fissão já se consegue produzir uma quota-parte da energia mundial, com as centrais de energia nuclear de fusão que estão ser desenvolvidas, são inúmeras a possibilidades energéticas que este de energia poderá vir a dar. Combustíveis fosseis, mais poluidores que a energia nuclear, como o petróleo poderão perder terreno graças a esta inovadora tecnologia. Contudo, um dos grandes receios a nível mundial, é que a Energia Nuclear seja utilizada para fins bélicos, como em Hiroshima, causando assim danos irreversíveis no planeta, ou então que seja utilizada negativamente numa guerra nuclear a nível mundial. Na nossa opinião a Energia Nuclear poderá ser uma possibilidade a pôr em uso, mas o país que o fizer, tem de estar disposto a carregar um pesado fardo em caso de acidente, tal como a população desse país, caso aprove a sua utilização. No entanto não há dúvida que a energia nuclear é o caminho a seguir.

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BIBLIOGRAFIA
COSTA, Alexandre, FERREIRA, Ana Margarida, COSTA, Ana Maria, “Química 12ºAno – volume 2”, Plátano Editora, 2ªedição, Agosto de 2009. ISBN: 978-972-770-676-1 Páginas: 159 a 168.

RODRIGUES, Jorge Nascimento, AZEVEDO, Virgílio, “Nuclear - O Debate sobre o novo modelo energético em Portugal”, Centro Atlântico, Colecção Desafios, 1ª edição, Novembro de 2006. ISBN: 989-615-034-6 Páginas: 99 a 134 e 243 a 274.

WEBGRAFIA
BIODIESEL BR, “Energia Nuclear”, Biodiesel Br, http://www.biodieselbr.com/energia/nuclear/energianuclear.htm BIODIESEL BR, “Aplicações da Energia Nuclear: Indústria”, http://www.biodieselbr.com/energia/nuclear/energia-nuclear-industria.htm BIODIESEL BR, “Aplicação da Energia Nuclear: Na http://www.biodieselbr.com/energia/nuclear/energia-nuclear-saude.htm saúde”, Biodiesel Br,

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CARDOSO, Eliezer de Moura, “Aplicações da Energia Nuclear”, CNEN, http://www.cnen.gov.br/ensino/ apostilas/aplica.pdf COLA DA WEB, “Energia Nuclear 2”, Cola da Web, http://www.coladaweb.com/quimica/quimicanuclear/energia-nuclear-2 ENERGIA E AMBIENTE, “ Energia Nuclear – vantagens e desvantagens”, Energia e Ambiente, http:/energia eambiente.wordpress.com/2008/02/01/energia-nuclear-vantagens-e-desvantagens/ GRANJEIRO, Carlos, EUSTÁQUIO, João, “Portugal e o Nuclear”, http://nuclear.com.sapo.pt/ index_ficheiros/Page2910.htm

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IRD, “Quais são as principais aplicações da energia nuclear?”, IRD – Instituto de Radioprotecção e Dosimetria, http://www.ird.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=22&catid=7& Itemid=29, ITER, “The way of new energy”, ITER , http://www.iter.org/ MONTEIRO, Joana, D’ÁVO, Andreia, “Energia Nuclear”, NotaPositiva, http://www.notapositiva. com/trab_ estudantes/trab_estudantes/geografia/10energianuclear.htm WIKIPÉDIA, “Energia Nuclear”, Wikipédia – A enciclopédia livre, http://pt.wikipedia.org/wiki/ Energia_nuclear WIKIPÉDIA, “Hiroshima”, Wikipédia – A enciclopédia livre, http://en.wikipedia.org/wiki/Hiroshima WIKIPÉDIA, “Isotope”, Wikipédia – A enciclopédia livre, http://en.wikipedia.org/wiki/Isotope WIKIPÉDIA, “Nagasaki”, Wikipédia – A enciclopédia livre, http://en.wikipedia.org/wiki/Nagasaki WIKIPÉDIA, “Nuclear /wiki/Nuclear_ene rgy Power”, Wikipédia – A enciclopédia livre, http://en.wikipedia.org

WIKIPÉDIA, “Plasma”, Wikipédia – A enciclopédia livre, http://pt.wikipedia.org/wiki/Plasma
NOTA: Todos os sites encontram-se operacionais na data de entrega do trabalho.

Figura 1 - http://www.cksinfo.com/clipart/science/physics/energy/nuclear/nuclear-reactor.png Figura 2 - http://visual.merriam-webster.com/images/science/chemistry/matter/nuclear-fission.jpg Figura 3 - http://pictures.deadlycomputer.com/d/33961-1/pwr.gif Figura 4 - http://www4.nau.edu/meteorite/Meteorite/Images/Cherenkov.jpg Figura 5 - http://jammit.com.au/wp-content/uploads/2008/01/tokamak_large.jpg Figura 6 - http://www.lancs.ac.uk/ug/hussainw/fusion.jpg Figura 7 - http://www.physics.ox.ac.uk/pp/images/PlasmBall.jpg Figura 8 - http://terresacree.org/images/ITER4.jpg Figura 9 -http://browse.deviantart.com/?qh=&section=&q=Energy+Plant+Detmarovice+CZ#/ d1xcxhb Figura 10 - http://amacedofilho.blogspot.com/2010/10/o-renascimento-da-energia-nuclear.html Figura 11 - http://kutnews.org/post/texas-consider-accepting-low-level-radioactive-waste-across-us Figura 12 -http://www.bellona.org/english_import_area/international/russia/navy/northern_ fleet/decommissioning/26009 Figura 13 - http://www.esmeraldanvnuke.com/yucca.html

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Figura 14 - http://browse.deviantart.com/photography/?q=nuclearReactor&order=9&offset= 72#/d13lr0w Figura 15 - http://browse.deviantart.com/photography/?q=nuclearReactor&order=9&offset= 48#/d1xc61a Figura 16- http://www.efeverde.com/esl/contenidos/mediateca/fotos/20-enero-2011-19-44-00-centralnuclear-almaraz Figura 17 - http://www.elpueblosoberano.net/2010/08/objetivo-iran-preparando-la-iii-guerra-mundiali/ Figura 18 - http://www.csmonitor.com/Environment/2010/0809/Global-warming-heats-up-a-nuclearenergy-renaissance Figura 19 - http://browse.deviantart.com/photography/?q=nuclearReactor&order=9&offset=24# /d21w3h7 Figura 20 - http://www.biodieselbr.com/i/energia/nuclear/radiofarmaco-radioisotopo.jpg Figura 21 - http://allvitalpoints.com/wp-content/uploads/2010/07/radiotherapy1.jpg Figura 22 - http://www.solvaychlorinatedinorganics.com/docroot/chlo_inorg/static_files/images/paper _roll_1.jpg Figura 23 - http://4.bp.blogspot.com/_GbdBrEceVG4/TSRiT-cwVII/AAAAAAAABsE/-YTdHe4Blnc/s1600 /oil-rig1.jpg Figura 24 - http://excellency-service.com/loja/images/cabosbisturi.jpg Figura 25 - http://listverse.files.wordpress.com/2010/04/medicine.jpg Figura 26 - http://img.pai.pt/mysite/media/46202/a23dfd77-7361-4cfa-b12d-eddad2fe018a_BANNER .jpg Figura 27 - http://www.batalhaosuez.com.br/HISTORIA%20Egito%20e%20o%20farao%20-%20mumia. jpg Figura 28 - http://farm3.static.flickr.com/2582/3978163518_6f7c4faeae.jpg Figura 29 - http://portalegre.bloco.org/index.php?option=com_content&task=view&id=52&Itemid=1 Figura 30 - http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/geografia/10 energianuclear.htm Figura 33 - http://jobforhumberto.blogspot.com/ Figura 34 - http://turmadafissao.blogspot.com/2010_06_01_archive.html Figura 35 - http://blogs.freshminds.co.uk/research/?p=666

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ANEXO A - CENTRAIS NUCLEARES NO MUNDO
Reactores em Operação Total Mundial: 442 União Europeia – 147 França – 59 Reino Unido – 23 Alemanha – 8 América Estados Unidos – 103 Canadá – 18 Eurásia Japão – 55 Rússia – 31 Coreia do Sul – 20 Índia – 16 China – 10 Ucrânia – 15

FONTE: World Nuclear Association (www.world-nuclear.org), Setembro de 2006. Tabela 3: Reactores actualmente em operação.

Segundo a World Nuclear Association, há 442 reactores em operação (2006), sendo a União Europeia (com 33%) e os Estados Unidos (com 23%) os dois espaços mais nuclearizados. A terceira potência é o Japão (com 12%). Reactores Futuros Total em construção e planeados: 90 Em construção: 28 Índia – 7 China – 5 Rússia – 3 Irão – 1 Na Europa: União Europeia: 1 (Finlândia) Roménia: 1 Planeados *: 62 China – 13 Japão – 11 Rússia – 8 Coreia do Sul – 7 Índia – 4 Irão – 2 Coreia do Norte – 1 Na Europa: Bulgária – 2 Ucrânia – 2 França – 1
Nota (*): Planeados significa aprovados e com financiamento ou então em construção avançada mas suspensos por razões políticas. Tabela 4: Reactores Futuros - FONTE: World Nuclear Association (www.world-nuclear.org), Setembro de 2006. © Copyright Marisa Milhano 2011 29 | Página

© Copyright Marisa Milhano 2011 O maior esforço na construção em curso e de reactores planeados encontra-se na Eurásia, com a China a ocupar 14% e o Japão, a Rússia e a Índia 12% cada um. Apesar deste esforço asiático, o padrão de distribuição geográfica pelas grandes potências não se alterará substancialmente.

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Figura 34: Reactores Nucleares.

Figura 35: Esquema de Europa, indicando quais os países onde irá aumentar o uso da Energia Nuclear, onde o seu uso irá estabilizar, e onde a sua utilização vai continuar sem efeito.

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ANEXO B - GEOGRAFIA DA MATÉRIA-PRIMA
Dois países desenvolvidos e democráticos – o Canadá e a Austrália – detêm mais de 50% da produção de urânio e mais de 1/3 das reservas conhecidas e exploráveis. No entanto, mais de 1/3 da produção actual da matéria-prima e cerca de 30% das reservas conhecidas e exploráveis situam-se em regiões euro-asiáticas e africanas que atravessam ou poderão atravessar períodos de instabilidade política. Principais produtores de Urânio Canadá – 29% Austrália – 23% Cazaquistão – 10% Rússia – 8% Nigéria – 8% Namíbia – 8%
FONTE: World Nuclear Association, dados para 2005. Tabela 5: Principais produtores de urânio.

Principais detentores de reservas de Urânio Austrália – 24% Cazaquistão – 17% Canadá – 9% Estados Unidos – 7% África do Sul – 7% Namíbia – 6% Brasil – 6% Nigéria – 5%
FONTE: Red Book, OCDE/NEA/IAEA, dados para 2005. Tabela 6: Principais detentores de reservas de Urânio.

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ANEXO C - GEOGRAFIA DA PRODUÇÃO DE ELECTRICIDADE DE ORIGEM NUCLEAR
(% da electricidade gerada em cada país e números de percentagens de reactores em funcionamento, 2005)

Os 442 reactores em actividade fornecem apenas 16% da electricidade mundial. As maiores percentagens de uso da energia electronuclear centram-se na Europa, com 14 países acima dos 30% da geração de electricidade. Apenas um país asiático – a Coreia do Sul – ultrapassa a barreira dos 30%. Com excepção da França e da Alemanha, apenas pequenos países da Europa (União Europeia e Europa de Leste) optaram por um nível de geração de energia electronuclear superior a 30%. Total mundial: 16%, 442 reactores França: 79% - 59 reactores Lituânia: 70% - 1 reactor Bélgica: 56% - 7 reactores Eslováquia: 56% - 6 reactores Ucrânia: 49% - 15 reactores Coreia do Sul: 45% - 20 reactores Suécia: 45% - 10 reactores Bulgária: 44% - 4 reactores Arménia: 43% - 1 reactor Eslovénia: 42% - 1 reactor Hungria: 37% - 4 reactores Finlândia: 33% - 4 reactores Suíça: 32% - 5 reactores Alemanha: 31% - 17 reactores República Checa: 31% - 6 reactores Japão: 29% - 55 reactores
FONTE: World Nuclear Association, Setembro de 2006. Tabela 7 - % da electricidade gerada em cada país e números de percentagens de reactores em funcionamento, 2005 © Copyright Marisa Milhano 2011 32 | P á g i n a

Espanha: 20% - 8 reactores Taiwan: 20% - 6 reactores Reino Unido: 20% - 23 reactores EUA: 19% - 103 reactores Rússia: 16% - 31 reactores Canadá: 15% - 18 reactores Roménia: 8,6% - 1 reactor Argentina: 6,9% - 2 reactores África do Sul: 5,5% - 2 reactores México: 5% - 2 reactores Holanda: 3,9% - 1 reactor Índia: 2,8% - 16 reactores Paquistão: 2,8% - 2 reactores Brasil: 2,5% - 2 reactores China: 2% - 10 reactores

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