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Resenha Crítica - A Era Da Incerteza

Resenha Crítica - A Era Da Incerteza

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Resenha crítica de um dos livros mais marcantes da História da economia, geopolítica e sociologia mundial. Escrito por Galbraith - uma das maiores personalidades da política norte americana -, exaltando os fatos, acontecimentos, pensamentos econômicos e sociais dos últimos 200 anos na história mundial.
Resenha crítica de um dos livros mais marcantes da História da economia, geopolítica e sociologia mundial. Escrito por Galbraith - uma das maiores personalidades da política norte americana -, exaltando os fatos, acontecimentos, pensamentos econômicos e sociais dos últimos 200 anos na história mundial.

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08/21/2013

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Universidade Do Estado De Santa Catarina – UDESC Escola Superior de Administração e Gerencia – ESAG Curso: Administração Empresarial Noturna Trabalho

de Teoria Geral da Administração I Professor: Paulo Simon Graduando: Alexandre Suzzim Calgaroto Matrícula: 141520801 29 de setembro de 2008

Resenha Crítica de:

A Era da Incerteza
John Kenneth Galbraith

Índice:
Referência Bibliográfica......................................................... p. 2 Apresentação do Autor........................................................... p. 2 Perspectiva teórica da Obra................................................... p. 2 Síntese....................................................................................... p. 3 Principais Teses na Obra........................................................ p.7 Reflexão Crítica sobre obra e implicações............................ p. 8

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Referência Bibliográfica Apresentação do Autor

GALBRAITH, John Kenneth. A era da Incerteza. 7 ed. São Paulo: Pioneira, 1986.

Galbraith nasceu no Canadá em 15 de outubro de 1908 e morreu nos EUA em 29 de abril de 2006. Estudou no Colégio de Agricultura de Ontário, hoje Universidade de Guelph e posteriormente fez mestrado e doutorado na Universidade da Califórnia. Colabora com John Kennedy, elaborando o programa New Frontier, visando a abolição da pobreza. Em 1936, Galbraith naturalizou-se norte-americano e foi consultor do presidente Franklin Roosevelt, participando da politica para reativar a economia dos EUA. Durante a Segunda Guerra Mundial, Galbraith foi vice-diretor de administração de preços do governo. Após a guerra, tornou-se conselheiro da administração na Alemanha e no Japão. Galbraith foi nomeado professor de economia na Universidade de Harvard em 1949 e tornou-se também editor da revista "Fortune". Conselheiro e amigo do presidente John F. Kennedy, Galbraith foi embaixador na Índia entre 1961 e 1963. Além do apoio econômico ao governo indiano e ao desenvolvimento do país, ele ajudou a estabelecer uma das primeiras faculdades de ciências de computação no Instituto Indiano de Tecnologia em Kanpur, no Estado indiano de Uttar Pradesh. Presidiu a American Economic Association, em 1972. Indicado para o Nobel de economia em 2003, não conquistou o prêmio. Galbraith escreveu mais de 40 livros sobre uma ampla gama de assuntos. Suas principais obras são: "O Capitalismo Americano" (1952), "A Sociedade Afluente" (1958) e "O Novo Estado Industrial" (1967), no qual ele afirma que poucas indústrias nos EUA se enquadram no modelo da concorrência perfeita. Galbraith morreu aos 97 anos, de causas naturais, no Hospital Mount Auburn em Cambridge, Massachusetts, EUA.

Perspectiva teórica da Obra
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Galbraith é um dos maiores representantes da economia Social-Liberal. Presenciou as Grandes Guerras Mundiais, a Grande Depressão e Guerra Fria. Participou da Conferência de Potsdam e era amigo de Luther King e Mandela. Era cético diante das extravagâncias da teoria econômica quando não

justificadas pelos dados empíricos. Ao defender o gasto em bens públicos e atacar o poder excessivo das grandes corporações (atitudes neo-keynesianas), diversas vezes foi associado à esquerda e à oposição a teoria neoclássica. O economista criou sua própria linha de pensamento dentro da academia norte-americana, negando o poder regulador no mercado e a soberania do consumidor, contendo sua crítica à especulação financeira, sua defesa da necessidade da intervenção moderada do Estado, sua análise do poder exercido pela tecnologia e pela publicidade. Evidencia-se sua insatisfação com o que ele chamou de “sabedoria convencional” e a exigência de unir o aspecto social, histórico e político ao comentário econômico. Era um dos que mais acreditava na união entre URSS e EUA.

Síntese
O livro “A era da Incerteza” é um relatório dividido em 12 capítulos sobre economia, geopolítica, história e sociologia, com um intenso arsenal de fotos de diversas matérias, auxiliando na compreensão e verificabilidade do exposto. Considerado o mais importante e abrangente contribuição para a compreensão dos aspectos econômico, social e político do mundo. No capítulo 1 (Os profetas e a Promessa do Capitalismo Clássico), Galbraith analisa o inicio do capitalismo clássico pós revolução industrial, esclarecendo conceitos clássicos da sociedade da época, como: “A renda quase sempre flui ao longo do mesmo eixo que o poder, só que em sentido contrário”. Ao citar Smith, o autor escreve: “Se a economia teve um fundador, esse sem dúvida alguma foi Smith”. No Subtítulo “A Riqueza das Nações”, há o esclarecimento do livro homônimo: Nele há a exaltação da especialização: “Quanto maior fosse o mercado, maior poderia ser a linha de produção e a subdivisão do trabalho”. Daí surgiu a ação de Smith contra as tarifas alfandegárias e outras restrições ao comercio, e a favor da maior liberdade possível no mercado”. As considerações econômicas descritas no capitulo ainda englobam Voltaire, Quesnay e o fisiocratismo, as ações pré revolução industrial e as conseqüências desta, Malthus e David Ricardo: “David previa um continuo aumento da população, e a população de Malthus tornou-se o operariado de Ricardo; Haveria tanta concorrência na procura de trabalho que tudo ficaria reduzido a um simples processo de subsistência. Era “o destino da humanidade”. No Capítulo 2 (Os Costumes e a Moral do Alto Capitalismo), Galbraith escreve sobre a sociologia logo após as revoluções industriais. No subtítulo “A seleção natural dos ricos”, o escritor comenta sobre Spencer: filósofo inglês que aplicou a lei de Darwin na economia (Darwinismo social), ou seja, os ricos são ricos por mérito próprio (incluindo canalhices e trambiquices), e por causa disso, estes deveriam ser os escolhidos de suas respectivas gerações. Os que tinham dinheiro eram os evoluídos. Deus ama os pobres, por isso que Ele fez tantos, segundo Summer, discípulo de Spencer. Logo, nenhum governo poderia interferir na riqueza das pessoas, e também qualquer ajuda aos pobres poderia interferir desastrosamente na melhoria da raça. Com esse pensamento, Spencer era “quase 3

uma revelação divina” nos EUA, tornando-se um evangelho americano para os anseios e necessidades capitalistas, como diz Galbraith: “Assim como Jesus finalmente veio para Jerusalém, Herbert Spencer finalmente veio a América”. Para esclarecer a visão da classe rica norte-americana, o autor cita Thorsten Veblen, grande pesquisador, que afirmava: “Os grandes palacetes em Newport não eram suficientes, precisava-se de cerimoniais, embriaguez, jogos, roupas vistosas, muitos empregados e na mídia para se inserir no status superior daqueles que podem se dar ao luxo dos prazeres”. O Capítulo 3 (A Dissidência de Karl Marx) exalta a revolução econômica proposta por Karl Marx. Há uma pequena apresentação de sua biografia. Marx considerava-se ateu, pois a religião ajudava as pessoas a suportarem com paciência e resignação o destino econômico. Com a ajuda de seu companheiro vitalício Friedrich Engels (o maior patrocinador da mentalidade marxista), Karl propôs que com o capitalismo, surgiria um proletariado com consciência de classe a partir de sua exploração, sem propriedades e sem cidadania. Com o tempo, esse proletariado iria insurgir contra os capitalistas, surgindo o Estado dos Trabalhadores, altamente burocratizado, organizado e disciplinado. Para Galbraith, as sociedades extremamente organizadas, tanto capitalistas ou socialistas, iriam se convergir. Há a negação da propriedade privada, do poder Czarino e o monopólio comercial de empresas e a implantação do ensino gratuito e trabalho para todos no pensamento Marxista, escritos no Manifesto Comunista. O autor também exalta as revoluções de 1848: Paris, Berlim, Viena e Praga. O capítulo 4 (A Idéia Colonial) nos ajuda a entender como os ideais antes citados foram absorvidos nas Colônias. Adam Smith, bem como David Ricardo, preocupou-se em alertar as metrópoles sobre o perigo do monopólio industrial. Os grandes estudiosos do capitalismo clássico encaravam o colonialismo como fato consumado e preocupavam-se somente com as condições de progresso dos avançados. Já para Marx o mundo colonial fazia parte do seu sistema: o colonialismo era só um adiamento do que seria a inevitável quebra do capitalismo. Comenta-se também sobre as Cruzadas, visto como a primeira forma de colonialismo romano para o leste, e sobre a Conquista Espanhola baseada no mercantilismo e na grande burocracia (causa apontada para a grande funcionalidade do Império). No México e em Cuba, o autor cita o inicio de desvincilhamento com a antiga cultura imperialista, o que não acontecia na época com os outros países latino-americanos. Colonialismo Frances na Louisiana, Soviético no leste europeu, e do oeste europeu na África também são discutidos no livro. O autor conclui: “Nações ricas tem por obrigação ajudar os países pobres”. O capítulo 5 (Lenin e a Grande Decolagem) aborda as Grandes Guerras Mundiais, o período nela envolvido e o avanço de Lenin na Rússia. Na Primeira Guerra Mundial houve o colapso dos sistemas políticos e sociais, perdendo as certezas milenares sobre as ideologias, a fé e as convicções: era a Era da Incerteza, iniciada na Europa Ocidental, causada pelas desordens, revoluções e conflitos. Para Marx, a guerra é o desfecho da rivalidade dos capitalismos, não como reivindicação dos comandados, mas sim com a disputa de interesse dos comandantes. Nesse período, acentuaram-se as reuniões e manifestações sindicais contra as guerras, que tirariam dinheiro dos impostos para o setor bélico. Mas ao contrário do esperado, o operariado uniu-se em prol da causa nacional. Simultaneamente, Lenin, com o lema “paz, pão e terra”, mobilizou as tropas e os camponeses a seu favor, instituindo a revolução contra o Czar, os outros governantes e o capitalismo: Era 4

necessária a união dos trabalhadores mundiais. Para o autor, a grande falha de Lenin consistiu em não ver a complexidade da economia socialista, com complexos problemas de planejamento e administração. “Nos anos que antecederam 1914, o dinheiro fora uma das grandes certezas da vida. Ele era bom e eterno. Depois de 1914, nunca mais foi o mesmo”. No capítulo 6 (Ascensão e queda do dinheiro) Galbraith descreve a origem do dinheiro, do comércio, dos bancos e dos sistemas de reservas e como esses fatores influenciaram revoluções ao redor do mundo. Em 1830 foi o auge da indústria bancária americana: Ter um banco tornara-se quase um direito do cidadão. Com a crescente impressão de dinheiro sem lastro em ouro suficiente, seu pode de compra começou a diminuir. Com isso, os Estados começaram a regulamentar as operações bancárias. Com o uso do ouro para o pagamento de munição na Primeira Guerra Mundial pela Europa, os EUA concentraram a proporção do elemento, tornando o padrão ouro ineficiente. Os novos empréstimos com o dólar financiaram uma especulação eufórica nos ramos imobiliários e nas vendas de ações. E então veio o “crash”, com a falência de dezenas de bancos. Cita-se também Irving Fisher, criador da formula da determinação de valor do dinheiro. No Capítulo 7 (A Revolução dos Mandarins), Galbraith analisa profundamente os atos que causaram as grandes crises capitalistas. Ele inicia o capítulo falando de John Maynard Keynes, um dos “salvadores do bom nome do capitalismo”. Keynes foi contra a punição incumprível imposta aos alemães após a Primeira Guerra. Essa atitude foi amplamente usada por Hitler para justificar a sua vingança contra o ocidente. Foi John também que tornou famoso o maior erro da Churchill, na tentativa de igualar as cotações monetárias para as de pré-guerra, causando inflação, desemprego e greves, confirmando a força do dólar. Para diminuir as importações americanas para a Inglaterra, Montagu Norman (presidente do Banco Central) pediu para a Reserva Federal Americana que baixasse sua taxa de juros, afim que os produtos americanos se valorizassem e não disputassem com os britânicos dentro da Inglaterra. O desejo foi atendido, porém o dinheiro mais fácil serviu para financiar a aquisição de ações. Isso aumentou a especulação frente a grandes construções e ao setor imobiliário americano, culminando na Grande Depressão. Como solução, Keynes recomendava o empréstimo de dinheiro para fins de grandes construções e aplicações, que causaria a diminuição do desemprego, ato seguido por Hitler, mas não por Roosevelt. Na Conferência de Bretton Woods, Keynes conseguiu a criação do FMI, com objetivo de dar empréstimos para reconstrução dos países perdedores da guerra. Destaca-se que os seus ideais não eram voltados aos países colonizados. O Capítulo 8 (A Competição Fatal) está voltado à visão para Guerra Fria. Com a divisão da Alemanha na Conferencia de Potsdam (na qual Galbraith participou), o mundo polarizou-se em EUA e URSS. Entre os grandes pensadores americanos da época, havia a distinção de dois grandes grupos: os que queriam entrosar-se com os russos (incluindo o autor), e os que contrariavam Moscou, patrocinados pela grande indústria bélica, que lucrava muito com o temor da guerra. A necessidade de uma justificativa para a oposição a URSS era necessária: criou-se uma cruzada em favor dos valores morais – do bem contra o mal, era a defesa da fé e das convicções morais, muitos dizendo ser uma disputa aprovada por Jesus. Khrushchev reduziu muito o temor contra o Estado Soviético, Cuba trouxe o primeiro grande revés aos EUA e a crise dos mísseis, a Guerra do Vietnã trouxe o desejo de libertar o país do Comunismo (como uma cruzada que deseja libertar do 5

Islamismo), mas com a derrota eminente, acarretou na vontade da população norte-americana em achar a paz em meio a sua imoralidade. No Capítulo 9 (A Grande Empresa Multinacional), o economista faz uma síntese do domínio das grandes empresas multinacionais e como elas se comportam perante o Estado1. Não pode uma empresa dedicar-se exclusivamente ao cliente, pois assim não terá um pode servir a si mesma: por isso empresas submetem vontades e necessidades ao público. As empresas manuseiam os preços e moldam os gostos do consumidor não-tão-soberano. Galbraith ressalta a simbiose presente nas relações entre a moderna empresa e a burocracia governamental. Na Era da Incerteza, grandes corporações fazem os homens pensarem como, por quem e para que finalidade são governados, causando incertezas. Pega-se como exemplo a UGE: grande grupo inicialmente alimentício que se alastrou para diversas modalidades. Ela representa a modernidade administrativa: administração feita por profissionais, lucros pela prestação de serviços, nutrição para um povo livre, incorporações de outras firmas, diversificação. Hoje ela é “controlada” por muitos acionistas que pouco comandam. A empresa está presente em Washington, onde influencia o governo do país às escondidas, causando inquietação e incerteza. Com a internacionalização, o atual objetivo é romper barreiras entre culturas (ao molde Ocidental) e tarifas entre países, o que nos leva ao pensamento Marxista: “O proletariado não tem pátria”. Para o futuro, a maior característica da empresa será socializar-se, ou seja, tornando-se socialmente indispensável e a divisão dos lucros pela grande variedade de stakeholders. O Capítulo 10 (Terra e Gente) é onde afloram as discussões perante a ligação entre a miséria, a terra e o poder. A falta da terra e de alimentos é um dos motivos principais da miséria, mas sua solução não é tão simples. Ela está fixada em equilíbrio, ou seja: não basta aumentar a demanda de alimentos, pois haverá uma crescente natalidade: tem que se atacar e desequilibrar a pobreza. O autor apresenta quatro soluções para a quebra do equilíbrio: proporcionar mais terra para o lavrador, desde que esse tenha o mínimo exigido de terra para se começar; alterar a posso da terra por meritocracia; menor reprodução e a quarta é o desaparecimento do povo. Como necessidade imediata, tem-se que dar conhecimento de planejamento familiar aos mais necessitados. Atualmente, o êxodo tem se demonstrado uma dos resultados mais procurados para a superar a superpopulação, iniciado nas leis de cercamento pré-revolucao industrial. Como exemplo da riqueza em lugares restritos, Galbraith propõe Singapura. No Capítulo 11 (A Metrópole), o autor molda como são as Grandes Cidades na Atualidade. As cidades dividem-se em: Domicílio político (extensão da residência do governante, abrigando a nobreza), Cidade Mercantil (voltada ao comércio, próspera, apresentável), Cidade Industrial (as atuais cidades, típicas da Revolução Industrial, sujas e sórdidas) e o Campo (nas subordinações, sem função política ou comercial, onde aflora a boa vida). As Metrópoles são as cidades que englobam esses quatro tipos de “sub-cidades”. O economista ainda exalta a importância dos serviços estatais e governamentais, que devem aproximar-se o máximo possível do serviço particular. Ainda há a avaliação das cidades que pertence às empresas: tendo uma total dependência dos cidadãos com seus chefes. O Capítulo 12 (Democracia, Liderança, Compromisso) é uma grande conclusão de toda a Obra. Há a análise do homem: quando culto, um grande pessimista; e que
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Lembrando que o livro foi escrito em 1977

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somos alcançamos objetivos inimagináveis há 200 anos. O país do futuro deve ter sua população dependente: Os problemas devem ser resolvidos por responsabilidade coletiva e inteligência do próprio povo, não dependendo cegamente nas autoridades. Tem-se que ter interesse pessoal, comunitário e agir para torná-lo real. Todos os líderes (como Nehru, Luther King) têm uma característica em comum: Enfrentar os anseios do seu povo. No caso da aniquilação nuclear que está a vigorar, graças a incompetência, egoísmo e a corrupção dos nossos governantes, não podemos ter um bom êxito: o pior, não queremos o ter. Precisa-se ter também uma educação democrática: Os estudantes devem ser soberanos nas suas escolhas. Os problemas dos países ricos e pobres só podem ser resolvidos por uma distribuição de riquezas. “A verdade da qual os homens procuram fugir ali é a de que o nosso pequeno planeta não pode sobreviver a uma permuta de bombardeios militares, só pensando na sua própria mortalidade. Ninguém deve aceitar placidamente a evasiva fácil de que a decisão não cabe a nós. Os russos tiveram uma experiência de morte e devastação em guerra bem mais ampla que a nossa. Esse é, realmente, o mais alto objetivo da política de ambos os países, que transcende profundamente as diferenças econômicas e políticas: As cinzas do comunismo e do capitalismo serão totalmente indiferenciáveis entre si. Numa era em que tanta coisa é incerta, existe uma grande certeza: Essa verdade, devemos enfrentar”.

Principais Teses na Obra

John Kenneth Galbraith, em A Era da Incerteza, valida muitos de seus pensamentos Neo-Keynesianas, como a obtenção de empréstimos a fim de fomentar a indústria e empregabilidade, a negação da punição cartagiana, ou seja, punir para melhorar: Segundo ele, Keynes era um dos que salvaram o bom nome do Capitalismo. Também exalta os problemas da concepção da Economia separada totalmente do Estado, critica costumes da sociedade norte-americana e o Darwinismo Social. John também defende a dívida dos países ricos perante os pobres por causa do colonialismo, por ele também não defendida. Acreditava também na futura conversão entre o capitalismo e o socialismo e na intensa ligação entre Empresas e Estados. Termina-se o livro com as noções de terra e da miséria, suas inter-relações e conseqüências. O último capítulo, uma conclusão, Galbraith mostra o quão importante e necessária é a União entre os EUA e a URSS. Do capítulo Inicial, que analisa as idéias dos profetas do capitalismo clássico, seguimos para a descrição – com boa dose de bom humor – dos costumes e princípios morais de 7

renomados milionários do ultimo século. Um retrato de Marx e suas ideais é seguido de um retrospecto dos conceitos que embasaram o colonialismo, e depois Lenin e a expressão prática do seu pensamento na extinção da tradicional estrutura de poder europeu após a Primeira Guerra Mundial. Um bem-humorado estudo sobre moeda, bancos, fantasias, organizações fraudulentas, arapucas e colapsos financeiros precede o capitulo que estuda a era de John Maynard Keynes. Segue-se a analise de um problema simplesmente vital para a humanidade: a corrida armamentista e, num tom mais ameno, porem satírico e irônico, um histórico dos modernos conglomerados empresariais e seus executivos. Trata-se também da pobreza que continua a infligir o Terceiro Mundo e das grandes metrópoles – com dilemas e soluções. O capitulo final aborda a natureza do poder democrático, a forma pela qual são escolhidos e postos à prova os seus lideres, o que devem assumir e enfrentar.

Reflexão Crítica sobre obra e implicações
O livro tem uma boa didática, porém não é simples. Requer conhecimento mínimo de história, economia e geopolítica. Principalmente no sexto capítulo o autor utiliza palavras especificas ao ramo econômico. Apesar de ser um livro antigo (1977), ele aborda noções e histórias de fatos que pouco mudaram atualmente. Como chefe de gabinete do maior país capitalista do mundo, Galbraith surpreende com muitas atitudes ditas socialistas: O autor consegue unir o que os dois sistemas têm de melhor a oferecer e compõem as idéias tão bem definidas nesse livro. Ele pesquisa as idéias e as conseqüências, desde Adam Smith e Spencer, passando por Marx e Lenin, até Keynes, os conceitos da Guerra Fria, aos conglomerados empresariais, as lutas do Terceiro Mundo, aos problemas das modernas sociedades urbanas e a natureza do poder democrático, com clareza, humor e ironia. Melhor leitura para alunos de Administração, Economia, Ciências Sociais, Direito, Relações Internacionais, ou qualquer pessoa que tenha interesse em saber a ligação entre o poder e a terra. Destaco a explicação impecável que o autor dá ao Darwinismo Social (p. 37), a demonstração da fórmula de Fisher com muita facilidade (p. 192) e da visão Keynesiana (p. 196). Recomendo também a análise da Grande Depressão (p. 206) e da Guerra Fria (p. 227), temas abordados claramente pelo 8

autor. Por fim, para uma visão total do contexto do livro, a leitura do último capítulo é indispensável. Por: Alexandre Suzzim Calgaroto

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