Relatório de QF-952 Tema I – Equilíbrio e Fases: Diagrama de Fases Ternário ___________________________________________________________________________________________________

Nomes:

Ana Carla Gaiotto Andréia Cristina Barcelos Vanilda Nilsen

RA: 083201 080705 082989
Experimento: Diagrama de Fases Ternário Grupo 13

Tema I: Equilíbrio de Fases – Diagrama de Fases Ternário 1. Introdução
A fase de uma substância é uma forma da matéria que é homogênea no que se refere à composição química e aos estados físicos. Assim temos as fases sólida, líquida e gasosa de uma substância e suas diversas fases sólidas, como as formas alotrópicas branca e vermelha do fósforo. Uma transição de fase é a conversão espontânea (Δ G<0) de uma fase em outra e ocorre numa temperatura característica para uma dada pressão. 1 Todos os diagramas de fases podem ser discutidos em termos de uma relação geral conhecida como a regra das fases. 2 A regra das fases é uma relação geral entre a variância, F, o número de componentes, C, e o número de fases em equilíbrio, P, para um sistema de qualquer composição. J. W. Gibbs deduziu a regra das fases a partir das seguintes considerações: Considerando um caso geral, começamos com a contagem do número total de variáveis intensivas, a pressão, p, e a temperatura, T. Especificamos a composição de cada fases pelas frações molares de C – 1 componentes, basta somente C – 1 e não são necessárias C frações molares, pois a soma x1 + x2 + ... + xC = 1, e se C – 1 forem conhecidas a faltante pode ser calculada. Como há P fases no sistema, o número total de variáveis do sistema é P(C – 1). Portanto precisamos de P(C – 1) + 2 variáveis intensivas para definir todas as fases do sistema. No equilíbrio, o potencial químico de um componente J tem o mesmo valor em qualquer fase: µj(α) = µj(β) = ... = µj(n) para P fases. Assim, há P – 1 equações desse tipo para serem cumpridas para cada componente J. Como são C os componentes, o número total de equações é C(P – 1). Cada equação reduz de uma unidade a possibilidade de alterar livremente as P(C – 1) + 2 as variáveis intensivas. Então, o número de graus de liberdade é dado por: F = P(C – 1) + 2 – C(P – 1) = C – P + 2. A regra das fases é dada portanto pela equação: F = C – P + 2. 2 Em um sistema de três componentes a variância é F = 3 - P + 2 = 5 - P. Se o sistema consiste em apenas uma fase, então quatro variáveis são necessárias para descrever o sistema, que podem ser T, p, x1, x2. Não é possível a representação gráfica destes sistemas em três dimensões, muito menos em duas dimensões. Mas podemos representar o sistema à pressão constante e à temperatura constante e então a variação torna-se F '= 3 - P, de modo que o sistema tem, no máximo, uma variação de dois, e Figura 1: Diagrama Triangular pode ser representado no plano. Depois de fixar a temperatura e a pressão, as variáveis remanescentes são x1, x2, x3, relacionadas por x1 + x2 + x3 = 1. Especificando o valor de duas dessas variáveis fixa-se o valor da terceira. O método mais comum é o gráfico de Gibbs e Roozeboom, que usa um triângulo eqüilátero. A figura 1 ilustra o princípio do método. Os pontos A, B, C nos vértices do triângulo e representam 100% do A, 100% do B e 100% de C. As linhas paralelas a AB representam as diferentes percentagens de C. Qualquer ponto da linha AB 1

Em seguida. Assim. clorofórmio ou água. Materiais e Métodos Nesse experimento. com os volumes indicados na Tabela 01.Determinação da composição das fases em equilíbrio: Preparou-se. o valor da massa obtida. Os pontos finais da linha de interligação nos limites da região de duas fases. 5 A cada amostra adicionou-se lentamente. O comprimento perpendicular a um dado lado do triângulo representa a porcentagem do componente no vértice oposto a esse lado. e as composições das fases em equilíbrio são dadas pelos pontos nas extremidades da linha de amarração através desse ponto. assim. em balança analítica . Solução aquosa de NaOH 1. tituladas com solução aquosa de NaOH 1.0814 mol/L e fenolftaleína 1% como indicador. utilizandose bureta de 50mL. em erlenmeyer de 125ml. a fração mássica de ácido acético em cada fase. Objetivo O objetivo do experimento é estudar a miscibilidade no sistema ternário Água/Ácido acético/Clorofórmio. Ácido Acético.) 3 A linha de interligação em diagrama de fases é uma linha cujos extremos correspondem às composições de duas fases em equilíbrio uns com os outros. em funil de separação. o comprimento PN representa o percentual de A e o comprimento PL representa o percentual de B. O ponto P representa um sistema que contém 30% de C. transferiu-se para um erlenmeyer e determinouse. 5 2 . • Reagentes: Água destilada. o terceiro componente. utilizou-se os materiais e reagentes descritos abaixo: • Materiais: Proveta de 10mL. Parte I. Clorofórmio. Bureta de 10mL e Funil de separação de 125mL. retirou-se uma alíquota de 5mL de cada uma das fases. 3.Relatório de QF-952 Tema I – Equilíbrio e Fases: Diagrama de Fases Ternário ___________________________________________________________________________________________________ representa um sistema contendo 0% de C. o comprimento PM representa o percentual de C. as misturas água/ ácido acético (amostra 1-4) e as misturas ácido acético/ clorofórmio (amostra5-8).0814mol/L e Fenolftaleína 1%. Erlenmeyer de 125mL. Um ponto em uma região de duas fases de um diagrama de fases dá composição global do sistema.Determinação da curva de equilíbrio: Preparou-se. 4 2. agitando-se a mistura até o aparecimento de pequenas bolhas permanentes ou leve turvação do meio. 5 As fases obtidas foram. 5 Homogeneizou-se o sistema e repousou-se o mesmo até a separação de fases.. através de bureta de 50mL. qualquer ponto xy representar um sistema contendo 10% de C e assim por diante. (As linhas paralelas a AC e CB foram omitidas para maior visibilidade das linhas no gráfico. Determinou-se. anotou-se os valores na Tabela 7. 5 Parte II. a mistura ternária água/ ácido acético/ clorofórmio de acordo com os volumes identificados para a amostra E na Tabela 06. então. Mediu-se a temperatura do meio. Anotou-se o valor obtido e a temperatura do meio na Tabela 01.

77 28.07 0.60 3.7 Vol.16 17.049 99.72 11.5 25 25 1.77 1.15 45.21 0.74 9.13 Massa Ácido acético (g) 16.59 15.79 0.20 5.00 60. Resultado e Discussões A primeira parte do experimento foi a preparação da curva de equilíbrio no diagrama ternário.03 0.22 0.01 0.91 21.17 22.30 0.64 0.72 57.44 4.36 5.99 33.71 28.12 0.4 0.38 d (g/mL) % em massa 0.92 0.56 0.0 24 24 14.80 1.94 7.997538 100 1. Realizada com a adição de água ao ácido acético e obteve-se uma solução homogênea. essa solução foi titulada com água até ponto de saturação pelo turvamento da solução. Ác.05 0.39 0.6 23 23 4.45 Massa Clorofórmio (g) 2.05 119.05 0.98 4. Água/mL 24 8 5 34 0.69 Fração Mássica Água 0.30 0.82 Fração Mássica Clorofórmio 0.92 0.37 0.6 26 26 36 26 27 15 26 26 12 26 27 8 26 27 *Dados em negrito: amostras determinadas experimentalmente Tabela 2: Determinação da fração mássica de cada componente do sistema Massa Água (g) 1 2 3 4 5 6 7 8 23.36 53.59 Fração Mássica Ácido acético 0.8 1. Tabela 1: Determinação do Diagrama de Fases Amostras 1 2 3 4 5 6 7 8 Vol.21 27.42 Soma das massas(g) 43.40 0. sendo observado então o ponto de saturação pelo turvamento da solução titulada com clorofórmio.08 26.48 42.25 8.51 0.10 Dados para cálculos da Tabela 2: *Fórmula de densidade: m= d x V (1) *Fração mássica: Massa do composto / Massa total da mistura (2) Tabela 3: Propriedades físico-químicas dos componentes5 Substância Água Ácido acético Clorofórmio MM (g/mol) 18.48 0.6 3. Temperatura Temperatura Clorofórmio/mL Inicial (ºC) Final (ºC) 1.06 0.477 100 3 .19 0. Acético/mL 16 12 15 9 4 5 8 12 Vol. Também foi realizada a adição de ácido acético ao clorofórmio e obteve-se uma solução homogênea.42 2.78 12.39 12.Relatório de QF-952 Tema I – Equilíbrio e Fases: Diagrama de Fases Ternário ___________________________________________________________________________________________________ 4.74 0.

O caminho inverso. porém a variação verificada não afetou o sistema. O ácido tem a capacidade de se solubilizar tanto em água quanto em clorofórmio. Grandes variações de temperaturas deslocariam a curva de equilíbrio. No sistema água/ácido acético/clorofórmio depois de fixar a temperatura e a pressão. senda a área acima da curva de equilíbrio composta por um única fase e a área abaixo da curva composta por duas fases (fase orgânica que contém maior quantidade de clorofórmio e fase aquosa com maior quantidade de água). a variável remanescente é a composição do sistema. deslocando o equilíbrio na fase aquosa. conseqüentemente para restabelecer o equilíbrio o ácido acético é dissociado. Os resultados para cada linha de amarração foi encontrado por grupos diferentes. Na figura 1 observa-se duas áreas.Relatório de QF-952 Tema I – Equilíbrio e Fases: Diagrama de Fases Ternário ___________________________________________________________________________________________________ Figura 1: Diagrama Ternário – Curva de Equilíbrio Na Figura 1 é demonstrado o comportamento da mistura ternária no equilíbrio. e assim especificando o valor de duas variáveis (fração mássica) encontra-se o valor da terceira variável desconhecida. formando um conjugado ternário no equilíbrio com cada componente das duas fases como mostrado na Figura 1. 4 . A titulação foi feita em duplicata em cada fase. A segunda parte do experimento foi a separação das fases (orgânica e aquosa) seguida de titulação para determinar a fração mássica de ácido acético em cada fase. quando se adiciona água a uma solução de clorofórmio e ácido acético. O ácido acético se distribui entre duas fases. com esse valor traçou-se as linhas de amarração no diagrama. Quando se adiciona clorofórmio a uma solução aquosa de ácido acético parte desse ácido migra para o clorofórmio na forma molecular. também ocorre. Segue os cálculos para determinar a fração mássica de ácido acético em cada fase. Durante todo o experimento manteve-se a pressão constante e foi detectada uma pequena variação de temperatura de 4.0 ºC.

1506 1.2793 0.0 0.5491 0. Tabela 6: Determinação da composição das fases em equilíbrio – Linhas de amarração Amostra A B C D E Vol Água / mL 18 14 10 8 6 Vol Ác.5483 Dados para o cálculo da tabela 5: Os dados para os cálculos da tabela 5 são análogo aos cálculos da tabela 4.6169 Fração de ácido acético 0.01027 Massa de ácido acético (g) 2.03028 Massa de ácido acético (g) 1.5 Massa obtida (g) 4.5 0.Relatório de QF-952 Tema I – Equilíbrio e Fases: Diagrama de Fases Ternário ___________________________________________________________________________________________________ Tabela 4: Titulação da fase orgânica Amostr a 1 2 Média Volume amostra (mL) 5.8183 Fração de ácido acético 0.1 5.1266 Fase Aquosa Volume Nº mols de ácido titulante (mL) acético (mol) 35.7923 1.3308 Fase Orgânica Volume Nº mols de ácido titulante (mL) acético (mol) 27.5476 0. Acetico / mL 4 8 12 14 16 Vol Clorofórmio / mL 18 18 18 18 18 5 .2834 0.02985 28.03796 9.0814 mol/L Fórmula para encontrar nº de mols de Ácido acético (Ac): nAc = nNaOH = CNaOH x VNaOH Massa de ácido acético: m = MMAc X nAc Fração de Ácido acético: m Fração de Ácido acético: Massa pesada Tabela 5: Titulação da fase aquosa Amostr a 1 2 Média Volume amostra (mL) 4 1.1 Massa obtida (g) 6.2853 Dados para o cálculo da tabela 4: Cbase: 1.2872 0.3236 6.6 0.1 0.

044 0.075 0.17 0.510 0.190 0.52 f (org) .Relatório de QF-952 Tema I – Equilíbrio e Fases: Diagrama de Fases Ternário ___________________________________________________________________________________________________ Tabela 7: Fração mássica de ácido acético na fase orgânica e na fase aquosa – Mistura de três componentes Mistura A B C D E Grupo G01 G02 G03 G04 G05 G06 G07 G08 G09 G10 G11 G12 G13 G14 f (aq) f (org) 0.270 Dados em negrito: Determinados pelo grupo 13 Tabela 8: Fração mássica média de ácido acético na fase orgânica e fase aquosa – Mistura de três componentes Mistura A B C D E f (aq) .283 6 .025 0.329 0.451 0.177 0.Média 0.Média 0.280 0.43 0.195 0.489 0.550 0.036 0.048 0.315 0.300 0.196 0.320 0.144 0.077 0.034 0.312 0.162 0.198 0.51 0.075 0.520 0.420 0.510 0.080 0.32 0.144 0.500 0.

uma vez que a medida foi realizada por experimentalistas diferentes e essa medida se tornou subjetiva.47 a fração na fase aquosa da mistura no ponto B.5_ = 0.2) 5. Encontrou-se certa dificuldade na determinação do ponto de turvamento. aumentando assim a sua inclinação. Faquosa = 3. Foi possível traçar os pontos da curva de equilíbrio e as linhas de amarração do sistema através dos cálculos das frações mássicas. Calculou-se a fração na fase aquosa para a linha de amarração B. precisa-se medir a distância do ponto até a curva de equilíbrio da fase que se queria calcular a fração (S para a fase orgânica e R para a fase aquosa) e dividir pelo comprimento total da linha de amarração (R+S). (3. pois passa a ter uma maior quantidade de ácido na fase aquosa do que na fase orgânica devido as interações com a fase aquosa serem mais fortes (ligação de hidrogênio) do que as interações com a fase orgânica(ligação de Van der Waals).Relatório de QF-952 Tema I – Equilíbrio e Fases: Diagrama de Fases Ternário ___________________________________________________________________________________________________ Figura 2: Diagrama Ternário – Linhas de Amarração As linhas de amarração diminuem conforme é adicionado ácido acético. A regra da alavanca permite determinar as proporções em cada fase a partir de um único ponto. 7 . Para isso.3+4. Conclusão O objetivo do experimento de estudar a miscibilidade do sistema ternário água/ácido acético/clorofórmio foi atingido.

3. Atkins. Referência dada em aula – Apostila QF952 – 2º semestre de 2011 – Química – Unicamp. “Físico-Química”. 2. et all. 2002. Cap 8. 7ª edição. Atkins. Cap 15.Relatório de QF-952 Tema I – Equilíbrio e Fases: Diagrama de Fases Ternário ___________________________________________________________________________________________________ 6. 4. LTC editora. “Físico-Química”. Cap 6. I. P. et all. Editora MacGraw-Hill. W. pág 202-203. 6º Edição.. “Pysical Chemistry”. 2002.. P. Levine. 5. Addison-Wesley Publishing Company . 7ª edição. “Physical Chemistry”. W. Castellan. LTC editora. N.. pág 140. pág 310. W. 8 . 1ª edição. Bibliografia 1. G.Cap12 Pág 364-365..

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