LEUCOCITÚRIA Os leucócitos podem entrar na urina através de qualquer ponto ao longo do trato urinário ou através de secreções genitais.

O aumento no número de leucócitos (>4 por campo) que apresentam ou não fenômenos degenerativos (granulações gro sseiras no citoplasma, inclusão de bactérias etc.) na urina é chamado piúria. A piúria pode expressarse pela eliminação de leucócitos isolados ou aglutinados ou pelo aparecimento na urina de cilindros hialinos com inclusão de leucócitos. Pode resultar de infecções bacterianas ou de outras doenças renais ou do trato urinário. As infecções que compreendem pielonefrite, cistite, prostatite e uretrite podem ser acompanhadas de bactérias ou não, como no caso da infecção por Chlamydia. A piúria também está presente em patologias não infecciosas, c omo a glomerulonefrite, o lúpus eritematoso sistêmico e os tumores. HEMATÚRIA Normalmente as hemácias são encontradas na urina de pessoas normais em pequenas quantidades. Todas as hemácias presentes na urina se originam do sistema vascular. O número aumentado de hemácias na urina representa rompimento da integridade da barreira vascular, por injúria ou doença, na membrana glomerular ou no trato g enitourinário. As condições que resultam em h ematúria incluem várias doenças renais como glomerulonefrites, pielonefrites, cistites, cálculos, tumores e traumas. Qualquer condição que resulte em inflamação ou comprometa a integridade do sistema vascular pode resultar em hematúria. A possibilidade de contaminação menstrual deve ser considerada em amostras colhidas em mulheres. A presença de hemácias e também de cilindros na urina pode ocorrer após exercícios intensos. As vezes é necessária a pesquisa de hemácias dismórficas para diferenciar entre hematúria de origem glomerular da de origem não glomerular. A presença de hemácias dismórficas sugere sangramento de origem glomerular. As hemácias não dismórficas (com morfologia normal) são encontradas em urina de pacientes com patologias extra - glomerulares. Esta pesquisa necessita de micro s - copia de contraste de fase. DENSIDADE A densidade é uma função direta, mas não proporcional, do número de partículas na urina. A concentração de solutos na urina varia com a ingestão de água e solutos, o estado das células tubulares e a influência do hormônio antidiurético (HAD) sobre a reabsorção de água nos túbulos distais. A incapacidade de concentrar ou diluir a urina é uma indicação de enfermidade renal ou deficiência hormonal (HAD). Em condições normais (dieta e ingestão de líquidos habituais) o adulto produz urinas com densidades de 1.015 a 1.025 num período de 24 horas. Para uma amostra de urina ao acaso, a densidade pode variar de 1.002 a 1.030. Densidade urinária aumentada. É encontrada na amiloidose renal, diabetes pancreático, enfermidade de Addison, hipersecreção descontrolada de HAD (mixedema, porfiria, abscesso cerebral, meningite tuberculosa), nefropatia obstrutiva, nefropatia vasomotora, obesidade, oligúria funcional (estados febris, desidratação, terapia com diuréticos, hipoproteinemia), politraumatismo, pós-operatório imediato e síndrome hepatorrenal. Densidade urinária diminuída. São freqüentes no alcoolismo agudo, aldosteronismo primário, anemia falciforme, diabetes insípido, fase inicial e final da insuficiência renal crônica, pielonefrite crônica e tuberculose renal. COR A cor da urina emitida por indivíduos normais varia de amarelo -citrino a amarelo âmbar fraco, segundo a concentração dos pigmentos urocrômicos e, em menor medida, da urobilina, uroeritrina, uroporfirinas, riboflavinas, etc. Quando em repouso, a urina escurece provavelmente pela oxidação do urobilinogênio. Existem vários fatores e constituintes que p odem alterar a cor da urina, incluindo substâncias ingeridas, atividade física, assim como diversos compostos presentes em situações patológicas. O exame da cor da urina deve ser realizado empregando uma boa fonte de luz, olhando através de recipiente de vidro transparente contra um fundo branco. As cores comumente encontradas são: Azulada ou esverdeada . Deve-se a infecção por pseudomonas, icterícias antigas, tifo, cólera e pela utilização de azul de Evans, azul de metileno, riboflavina, amitriptilina, metocarbamol, cloretos, indican, fenol e santonina (em pH ácido).

seja por meio de regimes dietéticos e/ou medicamentos. pH urinário elevado. turva ou fo rtemente turva. A uroeritrina é um componente normal na urina. no controle das intoxicações por salicilatos. Os leucócitos formam precipitados semelhantes aos provocados pelos fosfatos mas não se dissolvem pela adição de ácido acético. Na conduta de problemas clínicos específicos. medicações acidificantes (cloreto de amônio). Nas urinas alcalinas é freqüente o aparecimento de opacidade por precipitação de fosfatos amorfos – ocasionalmente carbonatos – na forma de névoa branca. A urina ácida normal também pode mostrar-se opaca devido à precipitação de uratos amorfos. intoxicação pelo álcool metílico. Situações que exigem urinas ácidas: tratamento dos cálculos urinários de fosfato amoníaco-magnesiano. síndrome de Addison. infecções urinárias provocadas por bactérias que desdobram a uréia em amônia (Proteus mirabilis). alcalose metabólica e/ou respiratória. diarréias graves. A adição de algumas gotas de ácido acético dissolve os fosfatos e os carbonatos. A bacteriúria produz opalescência uniforme que não é removida pela acidificação. nas infecções do trato urinário e. fenilcetonúria. dentre as quais citam-se: acidose metabólica (acidose d iabética. Nas células tubulares os íons hidrogênio são trocados pelo sódio presente no filtrado glomerular e a urina torna-se ácida. opaca. diuréticos que inibem a anidrase carbônica. clima quente. A alcalinidade urinária (pH alto) é comum na acidose tubular renal. O aspecto da urina é observado após a homogeinização da mesma. Os íons hidrogênio são também excretados como íons amônio. durante o tratamento com sulfonamidas (para prevenir a precipitação de cristais da droga no trato urinário). tais como ácidos sulfúrico. a presença de leucócitos é confirmada pela sedimentoscopia. a urina normal e recentemente emitida é límpida. células epiteliais ou bactérias. PH O pH urinário reflete a capacidade do rim em manter a concentração normal dos íons hidrogênio no liquido extracelular. talco. aldosteronismo primário. pirúvico. pequenos cálculos. A urina se apresenta límpida.4). desnutrição). A turvação provocada pelos uratos pode ser dissolvida por aquecimento da urina a 60 0C. levemente turva. muco ou pedaços de tecido é de importância para diagnóstico. que permitem a diferenciação de valores de meia unidade entre 5 e 9. A turvação comumente é causada por leucócitos.5 e 8. A demora na análise da urina não refrigerada pela ação de bactérias. urina pós-prandial e urina vespertina. clorídrico. São ainda causas de turvação a presença de linfa e glóbulos de gordura. de modo geral. dieta vegetariana. o aspecto da urina ácida lembra pó de tijolo. hemácias. o pH da urina varia entre 4. Estes ácidos são excretados principalmente com o sódio. fosfórico. Muitas vezes. naquelas causadas por germes desdobradores da uréia. Este teste compõe as tiras reativas encontradas no comércio. o glomérulo excreta vários ácidos produzidos pela ativ idade metabólica. tetraciclina e nitrofurantoínas. Situações que exigem urinas alcalinas: tratamento dos cálculos urinários de ácido úrico ou cistina. Para conservar um pH constante no sangue (ao redor de 7.ASPECTO Geralmente. pus. O efeito de certas drogas também dependem do pH urinário. . fosfato ou carbonato de cálcio. Várias condições determinam a acidez urinária (pH baixo). material fecal. O pH é determinado pelo emprego dos indic adores vermelho de me tila e azul de bromotimol. provocado pelo acúmulo de pigmento róseo de uroeritrina na superfície dos cristais. pH urinário baixo. estas urinas apresentam cheiro amoniacal pelo desdobramento da uréia pelas bactérias. leitosa. o pH urinário deve ser mantido constantemente elevado ou diminuído. lipídios. Algumas vezes a urina apresenta aspecto turvo em razão de coágulos sangüíneos. as quais têm maior efeito terapêutico em urinas ácidas. acidose respiratória. levedura. cristais de oxalato de cálcio ou de ácido úrico. estreptomicina. A verificação também da presença de componentes anormais como coágulos. deficiência potássica. cremes vaginais e contrastes radiológicos.0. dieta protéica. tuberculose renal e urina matinal. pedaços de tecido. A presença de hemácias (hematúria) promove turvação que é confirmada microscopicamente. intoxicação pela salicilato. durante o tratamento com mandelato de metenamina. antissépticos. Normalmente. Níveis abaixo ou acima destes valores não são fisiologicamente possíveis. cloranfenicol e canamicina. de modo especial. láctico e cítrico além de corpos cetônicos.

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